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Universidade de Sorocaba

Curso de Letra Português e Inglês 1º Período


Componente curricular: Semiótica

Nome: Marcela Nohama

Tópicos de Teoria da Comunicação

5.2. O homem como ser semiótico

O estudo da linguagem é fundamental para quem estuda o fenômeno da comunicação social.


Preocupa-se com a linguagem pelo simples motivo que o ser humano tem a capacidade da fala. Na
comunicação a pessoa dá sinais de sua existência, daí que compreender esses sinais significa
compreendê-la.
Os problemas humanos manifestam-se na linguagem.
Cada grupo social, político ou profissional possui sua linguagem específica.
A linguagem não é algo periférico. Ela está presente no homem e suas relações com os outros.
Nessa relação o homem se utiliza de mediações, e a mediação fundamental para isso é a linguagem.
Na linguagem e através da linguagem o homem cria seu próprio mundo para viver humanamente. O
homem tem capacidade de criar símbolos para se comunicar. Ao criar sinais, o homem cria um
mundo de sentido, exprime dados e experiências presentes. Por essa capacidade o homem ganha a
possibilidade de conhecer e agir, irromper sua consciência e sua autoconsciência.
Ao mesmo tempo que a linguagem ajuda a construir o sentido do mundo e o mundo de sentido, ele
pode falsear a realidade.
Comenta-se sobre o mundo sensível. Mas o que seria exatamente esse mundo sensível? Esse mundo faria oposição ao
mundo de sentido? E o que seria exatamente esse mundo de sentido? Seria o mundo onde se busca o sentido das
coisas?
E ainda afirma-se que “Entretanto, com o mundo de sentido, o homem vê a possibilidade de um mundo aparente, num
mundo do vazio, do sem-sentido. Pois a linguagem, em lugar de exprimir a realidade efetiva do mundo e do sujeito,
pode ser vazia, ilusória e alienar a pessoa num mundo de fantasia do fantástico, levando-a ao desespero.” Como isso
seria possível? Através de mentiras? “Levando-a ao desespero” quer dizer a mesma coisa que “levando-a à
loucura” ? A cura para isso seria a “possibilidade metalinguística da reflexão sobre suas criações simbólicas,
colocando a pergunta pela verdade e determinando as fronteiras entre o sensato e o insensato”? Mas o que seria essa
“possibilidade metalinguística da reflexão sobre suas criações simbólicas”?

6. Semiótica ou semiologia. Definição da ciência dos signos, códigos

A semiótica surgiu nos Estados Unidos por Pierce. Já a semiologia se desenvolveu na Europa com
os estudos de Saussure.
Décio Pignatari afirma que na Europa a Semiótica é chamada de semiologia e John Deely nega,
considera a semiologia um ramo da semiótica.
Para Saussure, a semiologia é a “ciência geral de todos os sistemas de signos (ou símbolos) graças
aos quais os homens se comunicam entre si.”

6.1. Signo: etimologia

A palavra signo, do latim signum, vem do grego secnom, que é a raiz do verbo cortar, extrair uma
parte de.
Nessa relação de palavras derivadas dessa raiz parecem confluir para o entendimento do signo como
projeto significante, que visa a um fim significante.
Pignatari apresenta uma classificação do signo na sua relação com o referente:
– Ícone: quando possui alguma semelhança com seu referente.
– Índex ou Índice: quando mantém uma relação direta com seu referente.
– Símbolo: quando sua relação com referente é arbitrária, convencional.
Pignatari ainda aponta os níveis do signo, nos quais o processo sígnico pode ser estudado:
– Sintático: quando possui relações formais do signo em si.
– Semântico: quando possui relações de significado entre signo e referente – nível denotativo.
– Pragmático: quando possui relações significantes com o intérprete – nível conotativo.

6.2. Significante e significado

Na Teoria de Saussure, o signo pode ser analisado em duas partes: o conceito e a imagem acústica.
Para tornar mais evidente a oposição e ser mais adequado quando o signo não é vocalizado, os
nomes foram substituídos por significante e significado, respectivamente.
O significante é a parte material do signo ( o som conformado, o traço do desenho, escrita...)
O significado representa a imagem mental pela qual é fornecida pelo significante.
Não há signo sem eles.

6.3. Significação

Não confundir com significado.


A significação é a efetiva união entre um certo significado e um certo significante.

6.4. Denotação e conotação

A significação leva aos fenômenos da denotação e conotação de um signo.


O signo denotativo veicula o primeiro significado da relação entre um signo e seu objeto.
O signo conotativo põe em evidência significados segundos, que vem agregar-se ao primeiro.
O significante notativo permanece no signo, agregado a seu significante e a este conjunto se
acrescenta outro significado. E por essa permanência surge a ambiguidade nas mensagens.

6.5. Outros conceitos

Todas as mensagens recebem um tratamento retórico (sistema de recursos de codificação


relacionado com a semântica do discurso).
Nos meios de massa, este tratamento é utiliizado para reduzir a polissemia (vários sentidos) do
signo, evitando dispersão de significados e condensando-os ao máximo.

Recursos retóricos utilizados:

a) A redundância:
Tem função de potencializar a compreensão, tornando mais precisos os significados e as
conotações.
Pretende-se estimular ao destinatário para que se dirija a um só significado.

b)A metáfora:
Acontece quando se estende um significado a um outro significante, comparando-os implicitamente
entre si. O conteúdo de um passa para o outro de uma maneira figurada.
Pode ser usada no humor e na publicidade (metáfora icônica: imagem).
Nos meios massivos usa-se a metáfora para intensificar as conotações. Ela pode desenvolver grande
poder sugestivo e alto alcance ideológico.

c) A metonímia:
É a substituição de um signo por outro signo, com o fim de provocar transferências associativas de
uma realidade para outra.
Utiliza-se o signo pela coisa significada (designa-se uma coisa com o nome de outra).
Existem metonímias corretas e incorretas. Suplantar signos para descartar certos significados seria
errôneo.

d)A antítese:
Esta figura opõe dois signos ente si, como um momento dialético para realçar e fortalecer um deles.
É comum nos meios de massa para estabelecer uma contraposição semântica.

7.3. Marshall McLuhan e a Aldeia Global

McLuhan entende que o estudo do problema da comunicação pode resumir-se ao estudo do canal e
do código. Identificando o estudo das civilizações com a evolução das comunicações, representadas
por dois fatos: a invenção da imprensa no séc. XV e da televisão do séc. XX.

a) Etapas da evolução cultural segundo Marshall McLuhan


1)tribalização:
Se inicia a partir do momento que o ser humano adquire a linguagem através do gregarismo e da
cooperação. A linguagem é o instrumento para a comunicação e para a sobrevivência social. Os
indivíduos deixam de lutar entre si e começam a se organizar, estabelecendo os padrões culturais
que serão acumulados e transmitidos às outras gerações pela comunicação oral, sendo limitadas pela
memória.
2) destribalização:
Liberta-se da dependência de se obter informação através da comunicação oral, passando sob a
forma de registros gráficos.
A invenção do alfabeto ocorreu cerca de 4mil anos a.C., mas a difusão só aconteceu muitos anos
depois, pois a escrita era símbolo do poder. Daí o cuidado com que os governantes cercaram a
difusão da escrita, tornando-a privilégio de um reduzido número de pessoas.
O livro adquire caráter de meio massivo com a impressa no séc. XV. A escrita destrói a vida tribal.
Com o livro, a cultura deixa de ser somente privilégio das elites e dos poderosos.
3)retribalização:
Ocorre nos meados do séc. XX. A imprensa perde seu monopólio como meio de comunicação de
massa. Surgem novos instrumentos capazes de eliminar barreiras geográficas, linguísticas e
culturais. A televisão passaria a ser esse veículo básico: a imagem (linguagem da evidência).

b)Alguns conceitos básicos


1)O meio é a mensagem
McLuhan observa que toda tecnologia cria um ambiente humano totalmente novo e que estes são
processos ativos.
2)Meios quentes e meios frios
São termos deslocados por McLuhan.
Um meio quente permite menos participação que um meio frio. Quanto mais quente mais
informações ele passa e menos a interatividade do indivíduo.
Assim o telefone seria um meio frio e a televisão um meio quente.

c) Algumas críticas ao pensamento de McLuhan


1)Não é clara a influência sobre os receptores em relação aos meios “frios” e “quentes”.
Sua utopia tecnológica corresponde a sociedade norte-americana, portanto é de caráter localizado.
2)Como falar de retribalização, se a grande parte da população do mundo ainda vive em tribos? A
aldeia global não seria uma tentativa de acabar com as culturas nacionais e inserir a cultura
consumista?
3)Os mass media desaparecem no pensamento de McLuhan. Ele deixa os meios sem o adjetivo
massa, dando a impressão de que os meios são inocentes, não massificam.