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ESCOLA SENAI “FUNDAÇÃO ZERRENNER”

LARISSA MARIA LOURENÇO SIMPLICIO

TAYARA D’CARLA EPIFANIO

TAYNÁ LOPES KUROWSKI

WILLIAM KAUE SARAIVA

POLIMEROS DE AMIDO MODIFICADOS PARA


RECOBRIMENTO E CONSERVAÇÃO DE FRUTAS

SÃO PAULO

2012
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ESCOLA SENAI “FUNDAÇÃO ZERRENNER”

LARISSA MARIA LOURENÇO SIMPLICIO

TAYARA D’CARLA EPIFANIO

TAYNÁ LOPES KUROWSKI

WILLIAM KAUE SARAIVA

POLÍMEROS DE AMIDO MODIFICADOS PARA


RECOBRIMENTO E CONSERVAÇÃO DE FRUTAS

Trabalho de conclusão de curso, apresentado como


requisito parcial na conclusão do curso de Análises Químicas do
SENAI “Fundação Zerrenner”

Orientador: Prof. Nilton Roberto Fiorotto

SÃO PAULO

2012
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Polímeros de Amido Modificados para Recobrimento e Conservação de Frutas

SENAI – SP, 2012

Coordenação Professor Nilton Roberto Fiorotto

Elaboração Larissa Maria Lourenço Simplicio


Tayara D`Carla Epifanio
Tayná Lopes Kurowski
William Kauê Saraiva

Revisão Nilton Roberto Fiorotto

Digitação Larissa Maria Lourenço Simplicio


Tayara D`Carla Epifanio
Tayná Lopes Kurowski
William Kauê Saraiva

Escola SENAI “Fundação Zerrenner”


Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Rua Serra de Paracaína, 132 – Cambuci
01522-020 – São Paulo – SP
Telefone/Fax: 011 3274-6700
4

“A vontade de se preparar tem que ser


maior do que a vontade de vencer. Vencer será
consequência da boa preparação.”

(Bernardinho)
5

Agradecimentos

Agradecemos principalmente aos Docentes, Nilton Roberto Fiorotto, Leandro


Felix de Carvalho, Doutora Priscila Podadera, Kátia Eliane de Carvalho e Solange
Cristina Centurion que acreditaram e nos instruíram a realizar este projeto.
Agradecemos ao “SENAI Fundação Zerrenner” por nos proporcionar um ensino de
qualidade, oportunidade de carreira e por disponibilizar tudo que foi necessário,
tanto para a nossa aprendizagem quanto para o nosso futuro.
Agradecemos aos nossos amigos e familiares por nos apoiar, e a todos que
nos ajudaram a concluir o nosso trabalho.
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RESUMO

Não se pode negar a importância dos polímeros no nosso dia-a-dia.


Responsável por grandes avanços tecnológicos traz benefícios incomparáveis à
sociedade devido a sua versatilidade, maleabilidade e praticidade. Porém sua
produção tem gerado problemas ambientais diversos, proporcionando discussões
em torno desse tema. A principal matéria-prima dos polímeros é o petróleo, graças a
sua variabilidade e baixo custo de produção. Consumido de forma abundante,
tornou-se uma fonte esgotável, propiciando ao desenvolvimento de novos materiais
que o substituam. O trabalho destina-se ao desenvolvimento de um polímero
biodegradável derivado do amido de milho, com efeito conservante através da
adição de um componente da pimenta-do-reino, a piperina.

Palavras-chave: Amido de milho; polímero biodegradável; piperina.


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ABSTRACT

One can’t deny the importance of polymers in our day to day.


Responsible for great technological advances, brings unparalleled benefits to society
due to its versatility, flexibility and practicality. But his production has generated many
environmental problems, providing discussions on this issue. The main raw material
polymer is oil, thanks to its variability and low production cost. Consumed in
abundance, has become an inexhaustible source, enabling the development of new
materials that replace them. The study aimed at the development of a biodegradable
polymer derived from corn starch, with preservative effect by adding a component of
black pepper kingdom, piperine.

Keywords: corn starch, biodegradable polymer, piperine.


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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 11
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 12
2.1 Biopolímeros .................................................................................................... 13
2.2 Degradabilidade ............................................................................................... 15
2.3 Amido ............................................................................................................... 16
3. PIMENTA DO REINO ......................................................................................... 18
3.1 História da Pimenta do Reino .......................................................................... 18
3.2 Botânica ........................................................................................................... 20
3.3 Clima ................................................................................................................ 20
3.4 Solo .................................................................................................................. 21
3.5 Plantio .............................................................................................................. 21
3.6 Floração ........................................................................................................... 22
3.7 Colheita ............................................................................................................ 22
3.8 Tipos de Pimenta ............................................................................................. 23
3.8.1 Pimenta do Reino Verde ............................................................................ 23
3.8.2 Pimenta do Reino Preta ............................................................................. 24
3.8.3 Pimenta do Reino Branca .......................................................................... 24
3.9 Secagem .......................................................................................................... 25
3.9.1 Secagem em Lona ..................................................................................... 25
3.9.2 Secador mecânico ..................................................................................... 25
3.10 Armazenamento ............................................................................................. 26
3.11 Características da Pimenta do Reino ............................................................. 27
3.11.1 Constituintes ............................................................................................ 27
3.11.2 Capsaicina ............................................................................................... 27
3.11.3 Piperina .................................................................................................... 28
4. POLARIDADE MOLECULAR ............................................................................. 31
4.1 Polaridade do Etanol ........................................................................................ 32
4.2 Polaridade da Piperina ..................................................................................... 32
5. SORBITOL.......................................................................................................... 33
5.2 PVA e Bórax..................................................................................................... 37
5.3 Processos de transformação ........................................................................... 38
9

5.4 Aplicações ........................................................................................................ 40


6. Materiais ............................................................................................................. 42
7. Métodos .............................................................................................................. 42
7.1 Obtenção da Piperina ...................................................................................... 42
7.2 Obtenção do Biopolímero ................................................................................ 43
8. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 46
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 46
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LISTA DE TABELAS

TABELA 1: Propriedades químicas da piperina

TABELA 2: Propriedades químicas do sorbitol

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1: Estruturas de glicose presentes na natureza

FIGURA 2: Estruturas da amilose e amilopectina

FIGURA 3: Estrutura da celulose

FIGURA 4: Estrutura molecular da capsaicina

FIGURA 5: Estrutura molecular da piperina

FIGURA 6: Estrutura molecular do etanol (molécula polar).

FIGURA 7: Hidrólise do bórax em meio aquoso

FIGURA 8: Estruturas do material nas suas várias formas.

FIGURA 9: Reação de complexação do sistema PVA/Borato

FIGURA 10: fluxograma do método de preparação do biopolímero

LISTA DE FOTOS

FOTO 1: Biopolímero proposto

FOTO2: Pimenta do Reino

FOTO 3: Extração da piperina.

FOTO 4: Refluxo da Pimenta do Reino

FOTO 5: Processo de produção do Biopolímero.


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1. INTRODUÇÃO

O plástico, derivado de materiais naturais principalmente petróleo,


tem marcado o mundo contemporâneo em meio ao avanço tecnológico e inovações.
Milhões de toneladas de material plástico são lançadas anualmente em aterros ou
jogados no meio ambiente. Este problema poderia ser menor se os polímeros
fossem biodegradáveis, apresentando menor tempo de decomposição. Buscando
minimizar esse problema, realizou-se uma pesquisa detalhada sobre um polímero
biodegradável e antimicrobiano.

A maior dificuldade do homem do século XXI é conciliar


desenvolvimento tecnológico e preservação do meio ambiente. O aumento da
produtividade do plástico é indiscutível, uma vez que as indústrias têm substituído as
embalagens de vidro e de alumínio, por embalagens plásticas devido a sua
praticidade, modernidade e baixo custo.

O consumo de produtos embalados que provocam grandes


quantidades de resíduos, sem destinação cabível, acarreta uma série de problemas
à saúde pública e manutenção de bens naturais. Apesar disso, é importante
ressaltar a eficiência deste material no nosso dia-a-dia, proporcionando facilidades
na logística, transporte, armazenamento e conservação de produtos, minimizando
impactos ambientais.

A finalidade da embalagem antimicrobiana é incentivar a substituição


do polímero comum, a fim de utilizar-se de fontes renováveis, que ajudem a
conservar características específicas de cada produto por mais tempo.

O polímero objetiva diminuir o crescimento e proliferação de fungos


e bactérias, mantendo a qualidade e propiciando segurança aos consumidores. O
trabalho visou desenvolver um polímero biodegradável com ativos incorporados com
piperina, substância extraída da pimenta-do-reino, com ação antimicrobiana na
embalagem de frutas.
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O amido é o biopolímero natural mais empregado, dentre os


polissacarídeos, para produção de filmes e revestimentos. É considerada uma
alternativa interessante devido ao seu fácil processamento, abundância, baixo custo,
biodegradabilidade e fácil manipulação (Mali et al., 2002). Considerado um dos
polissacarídeos mais importantes e abundantes na natureza, o amido tem sido
objeto de pesquisas que reportam a sua aplicação de revestimentos na indústria
alimentícia (Arvanitoyannis et al., 1998). Obtido em forma granular de fontes
renováveis como milho, mandioca, batatas, inhame, cereais e legumes, sendo
apropriado para uma variedade de usos na indústria (Petersen et al., 1999).

O amido é formado por dois tipos de polímeros de glicose: amilose e


amilopectina (Lehninger et al., 1995), a reação destes dois componentes varia de
acordo com o tipo de amido, mas normalmente os amidos contêm entre 18% a 30%
de amilose. O conteúdo de amilose é um importante componente para o
desenvolvimento de filmes. Quanto maior o teor de amilose melhor a qualidade de
filme formado (Petersen et al., 1999). Estudos feitos por Lawton (1996) constatou-se
que filmes e revestimentos à base de amido apresentam diferentes propriedades e
estas diferenças são atribuídas ao conteúdo de amilose no amido.

As principais fontes de amido no Brasil para a indústria alimentícia


são milho (Zea mays) e mandioca (Manihot utilissima). Uma fonte alternativa a ser
considerada é o inhame (Dioscorea sp) devido suas características tecnológicas
desejáveis de seu amido como, estabilidade às altas temperaturas e sob valores
baixos de pH (Alves et al., 1999).

O filme é uma película fina formada separadamente do alimento e


posteriormente aplicada sobre o mesmo (Gennadios e Weller, 1990). Agem
protegendo os alimentos de intempéries, como umidade, óleo, vapor orgânico e
desta forma aumenta sua durabilidade na prateleira (Guilbert et al., 1996; Krochta e
Demulder-Johnston, 1997; Klahorst, 1999).
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A principal função das embalagens nos alimentos é evitar ou


diminuir a transferência de umidade entre o alimento e a atmosfera. Por
apresentarem caráter hidrofílico, as embalagens à base de amido apresentam
baixas propriedades de barreira ao vapor de água, entretanto, novas estratégias tem
sido criadas na tentativa de tornar esse revestimento estável à umidade. (Petersen
et al., 1999). A adição de sorbitol, plastificantes, na formulação de filmes a base de
amido de milho, com diferentes conteúdos de amilose, melhorou suas propriedades
de barreira ao vapor de água (Garcia et al., 1999).

2.1 Biopolímeros

As maiorias dos plásticos produzidos no mundo são sintéticos,


compostos derivados de petróleo e demoram de 200 anos a 400 anos ou mais para
se degradarem. No Brasil a produção é de 4,2 milhões de toneladas por ano.

O problema maior dessa grande demanda é que estudos mostram


que somente 15% dos plásticos de uso comum são reciclados, devido à dificuldade
para separar a grande diversidade existente, custos de lavagem, contaminação de
água, tratamento de efluentes, elevados custos de logística para transporte e
manuseio desses materiais. As pesquisas iniciais na busca de materiais
biodegradáveis começaram há muito tempo. Vários produtos estão no mercado há
mais de uma década.

Recentemente a biotecnologia demonstrou grandes avanços na


obtenção e produção de materiais plásticos biodegradáveis provenientes de fontes
agrícolas renováveis. Neste contexto, o interesse na utilização de produtos que
tenham origem vegetal e a produção de materiais, principalmente plásticos com
caráter biodegradável tem se intensificado como política em diversos setores da
sociedade.

Em face ao contexto atual, uma nova tecnologia vem revolucionando


o mercado de descartáveis: é o polímero termoplástico, que é produzido a partir do
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amido. O amido reserva de alimentos de plantas como o milho, arroz, mandioca,


entre outras, é encontrado abundantemente na natureza graças ao cultivo extensivo
e intensivo de cereais, é renovável, possui custo relativamente baixo, é um
importante segmento da economia e pode ser convertido quimicamente, fisicamente
e biologicamente em compostos úteis à indústria. O amido, sob pressão e
temperatura, e na presença de um agente plastificante, pode ser gelatinizado. Este
material é denominado amido termoplástico.

Os polímeros são divididos em dois grupos:

Polímeros termoplásticos: Quando aquecidos amolecem e podem


ser moldados, adquirindo o formato desejado, como exemplo o polietileno, PVC
(Policloreto de vinila), PVA (Acetato de polivinila) e polipropileno.

Polímeros termofixos: Quando aquecidos não amolecem e quando


este aquecimento continua começam a se decompor, ou seja, não são recicláveis.
Assim devem ser moldados na forma desejada no momento em que são
sintetizados, pois logo após a moldagem se torna mais difícil (PERUZZO, 1998).

O estudo para o emprego do amido termoplástico na substituição do


plástico convencional (de origem petroquímica) destinado a algumas aplicações
específicas vem ganhando força e recebendo considerável atenção no cenário dos
recursos renováveis. Podem ser empregadas como saco de lixo, fraldas infantis,
hastes flexíveis com pontas de algodão para uso na higiene pessoal e como filmes
para proteger alimentos que será ênfase ao longo do nosso trabalho.
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Foto 1: Biopolímero proposto.

2.2 Degradabilidade

Porém o uso do amido como biopolímero em materiais


biodegradáveis é prejudicado por sua baixa resistência a água, durabilidade e pelas
variações nas propriedades mecânicas sob umidade, limitando as suas aplicações
(CEREDA, 2004). Resulta também na ação de microorganismos presentes na
natureza, tais como bactéria, os fungos e as algas.

É um processo pelo qual moléculas muito grandes são quebradas


em menores ou em fragmentos moleculares. Na oxibiodegradação o plástico é
convertido em fragmentos moleculares que são solúveis em água em uma reação de
oxidação, posteriormente as moléculas oxidam e de tamanho reduzido são
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biodegradáveis pelos microrganismos, ou seja, convertidas em H2O, CO2 e


biomassa (MATURANO, 2006)

2.3 Amido

O amido é um polissacarídeo, pouco solúvel em água fria, formado a


partir da condensação de glicoses, sua fórmula molecular é (C6H10O5)n e tem massa
molecular entre 60.000 u e 1.000.000 u. e, é encontrado em vegetais com função de
reserva alimentar.

Importante carboidrato é utilizado como fonte de energia,


apresentando se na natureza de duas formas: α e (Figura 1), no qual a forma α se
apresenta em 80% e 20% de β na natureza.

Figura1: estruturas de glicose presentes na natureza.

Fonte: http://quipibid.blogspot.com.br/2011/05/dicas-para-uma-alimentacaosaudavel.html

Sua estrutura é composta por dois tipos de polissacarídeos: amilose


e amilopectina (Figura 2), que são polímeros de glicose formados a partir da
desidratação, pois com a ligação de duas glicoses há liberação de uma molécula de
água.
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Figura 2: Estruturas da amilose e amilopectina.

Fonte:http://qnint.sbq.org.br/qni/visualizarConceito.php?idConceito=17

A amilose é formada pela ligação glicósidica que acontece entre o


carbono 1 da primeira α - glicose com o carbono 4 da segunda α glicose e assim
sucessivamente, formando uma longa cadeia com os mesmos tipos de ligações
entre as α glicoses. A amilopectina é formada por este tipo de ligação (α 1 - 4),
porém é intercalada com ligações do tipo α 1 - 6, o que confere à amilopectina uma
cadeia ramificada.

A celulose presente na parede dos vegetais, também é classificada


como um polissacarídeo, formado a partir de ligações entre glicoses e não é
digerível pelo homem, pois não possuímos enzimas que rompam a ligação entre
glicoses do tipo β (Figura 3).
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Figura 3: Estrutura da celulose.

Fonte:http://professores.unisanta.br/maramagenta/celulavegetal.asp

O amido e a celulose se diferenciam, pois os tipos de glicoses são


diferentes, já que o amido é composto por α - glicoses e a celulose é formada por β -
glicoses e o amido é digerível pois produzimos a enzima α - amilase que quebra a
ligação glicosídica liberando glicoses e favorecendo a absorção das mesmas.

3. PIMENTA DO REINO

3.1 História da Pimenta do Reino

A pimenta do reino é uma planta originária da Índia e uma das

culinárias mais antigas do mundo. Durante o século XV e XVI, foi motivo de viagens

entre a Europa e Ásia, para sua importação pelos europeus, e em Roma , chegou a

ser empregado em certas ocasiões como barganha (dinheiro). O cultivo no Brasil só

começou a partir de 1933, quando emigrantes japoneses trouxeram mudas da

Cultivar Cingapura e as plantaram em Tomé-Açu (PA).


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No cenário mundial atualmente o principal produtor é o Vietnã,

seguido da Índia, Indonésia, Brasil, Malásia, Tailândia, Sirilanka, China e outros.

Desses países são membros da comunidade internacional da pimenta do reino

(IPC), a índia, Indonésia, Brasil, Malásia e Sirilanka. Nos últimos anos, em ordem de

importância, os maiores importadores da pimenta brasileira são os Estados Unidos

(em média 40% do total exportado), Holanda, Alemanha, Espanha, México e França.

Em termos de produção nacional o Pará é o maior

produtor/exportador dessa especiaria contribuindo com cerca de 87% da produção

brasileira seguindo do espírito Espírito Santo, Bahia, Maranhão e Paraíba.

Foto 2: Pimenta do Reino


20

3.2 Botânica

A pimenta do reino (Piper nigrum) é uma espécie perene, seme

lenhosa e trepadeira. O gênero Piper pertence a classe das Dicotiledôneas, ordem

Piperales e família Piperacea. O caule é formado por duas partes distintas: a haste

central que possui raízes adventícias, grampiformes, que se originam nos nós e

aderem livremente no suporte (ramo ortotrópico) e as hastes laterais que são

desprovidas de raízes aderentes e cujas gemas originam as flores e frutos (são

chamados ramos de frutificação ou plagiotrópicos). As folhas pecioladas e

localizadas à altura nós existentes nos ramos.

O sistema reticular possui de 3 a 6 raízes laterais ramificadas,

localizadas na maior parte e uma profundidade de 30 cm, num raio de

aproximadamente de 60 cm em torno da planta e uma raiz central, que ajuda a fixar

a planta no solo. A fecundação se da geralmente entre flores diferentes de uma

mesma espiga (geitonogamia). O fruto é uma fruta séssil, proveniente de um único

óvulo. Quando maduro, o fruto possui de 4 mm a 6 mm de diâmetro e a casca

adquire coloração avermelhada.

3.3 Clima

O clima ideal para a cultura da pimenta do reino é úmido, com

precipitação pluviométrica acima de 1800 mm por ano com boa distribuição de


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chuvas durante o decorre do ano. A umidade relativa do ar deve ser superior a 80%

com temperaturas entre 25°C e 26°C.

3.4 Solo

O cultivo da pimenta do reino adapta-se a diversos tipos de solo,

especialmente aos bem drenados e com teor de argila suficiente para reter a

umidade durante os períodos mais secos do ano. Devem ser evitadas para seu

cultivo, solo arenoso ou pedregoso, topografia excessivamente ondulada e áreas

sujeitas a encharcamento, considerando que as pimenteiras não suportam umidade

excessiva. Sob excesso de umidade, a falta de aeração predispõe a planta ao

ataque de invasores secundários que causam o apodrecimento dos tecidos

reticulares.

3.5 Plantio

A época para o plantio definitivo das mudas de pimenta do reino no

campo, é no início das chuvas, o que ocorre no Pará, entre janeiro a fevereiro e no

Espírito Santo e Bahia, devido a melhor distribuição de chuvas, pode ser feito em

qualquer época do ano, mais principalmente em torno de junho. A distância entre as

mudas e o tutor ser de aproximadamente 20 cm. As mudas devem ser plantadas em

posição inclinada, com a parte superior voltada paro o tutor.


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Quando as mudas são preparadas em sacos plásticos, deve se ter

cuidado de remove-los antes do plantio. Logo após o plantio as mudas devem ser

protegidas do sol com folhas de palmeira, como coqueiro, piaçava, açaí, babaçu,

dendê e inajá, entre outras.

3.6 Floração

A floração da pimenta do reino ocorre no início da estação chuvosa

atingindo. A maturação completa dessas espigas ocorre seis meses após a floração.

3.7 Colheita

A colheita é manual e as espigas são colidas individualmente sendo

destacados dos ramos com auxilio das unhas, canivetes ou pequenas facas.

Durante a colheita, o solo ao redor da pimenteira, é todo coberto com uma lona ou

plástico previamente higienizado, para evitar possível contaminação microbiológica

dos grãos que caírem no chão. À proporção que vão sendo colidas, as espigas são

colocadas em sacos de aniagem ou de polipropileno, utilizando sempre sacolas

limpas para o armazenamento e transporte dos grãos, afim de se evitar também a

contaminação dos mesmos. Os trabalhadores utilizam escadas do tipo tripé, para

colher as espigas formadas no topo das plantas.


23

Os produtores devem ficar alerta quanto à presença de materiais

fecais humanos ou animais que possam ser introduzidos, involuntariamente, no

ambiente da colheita ou beneficiamento. Após a colheita, a pimenta do reino é

debulhada em pequenas maquinas (debulhador), para separar as drupas do eixo da

espigas, e em seguida é colocada para secar ao sol ou em secadores movidos a

lenha, diesel, ou elétricos.

3.8 Tipos de Pimenta

Dependendo do estado da maturação podem ser processados três

tipos de pimenta do reino: a verde, a preta e a branca. Um quarto tipo, a pimenta

vermelha começou a ser processada e exportada a partir de 2002.

3.8.1 Pimenta do Reino Verde

Para obtenção da pimenta verde, a colheita é realizada quando os

frutos atingem dois terços do desenvolvimento. As espigas são debulhadas e os

frutos conservados e comercializados em salmouras.


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3.8.2 Pimenta do Reino Preta

A pimenta preta é obtida de frutos colhidos quando as drupas estão

completamente desenvolvidas. São secas ao sol em torno de três dias, ou

mecanicamente, até os grãos atingirem a umidade recomendada. Após a secagem,

os grãos são submetidos à ventilação para remover as impurezas pó e pimenta

chocha, seguida de peneira, classificação e padronização.

3.8.3 Pimenta do Reino Branca

O processo da pimenta branca é mais delicado e trabalhoso. A

pimenta é colhida após a maturação completa, quando a casca já esta vermelha. Em

seguida são colocadas de molho em tanque de água por um período de 15 dias a

30 dias, no máximo, para amolecer e soltar a casca. A secagem é feita

obrigatoriamente ao sol, em torno de três dias, para preservar com rigor o aroma

característico e a cor clara. Para melhorara a coloração e aroma a água dos tanques

é trocada três vezes adicionando-se produto recomendado a cada troca de água,

para produzir o ph da água. Como a preta, ela também passa por ventilação,

peneiragem, classificação e padronização.


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3.9 Secagem

Essa operação tem como finalidade reduzir a umidade dos grãos,

sendo de grande importância para promover a qualidade do produto final.

3.9.1 Secagem em Lona

Não se deve secar a pimenta diretamente no chão. Nas

propriedades predomina o sistema de secagem a céu aberto em terreiros, onde a

pimenta do reino é espalhada em lonas de polietileno. Nesta fase existe o risco de

contaminação do produto por coliformes fecais e Salmonella app. Neste caso,

devesse cercar a área para evitar o acesso de animais. Na secagem, os grãos

devem ser regularmente revolvidos durante o dia, cobertos durante a noite e

protegidos da chuva e orvalho. As pessoas que trabalhão no processo de secagem

deve tomar cuidado para não circular, sobre a lona e os grãos, com calçados não

higienizados.

3.9.2 Secador mecânico

Normalmente é um secador que utiliza lenha como fonte de calor,

cuja a temperatura média em torno de 50°C a 70°C por um período de 8 horas a 10

horas, com mecanismo de rotação horizontal ou vertical até os grãos chegarem a


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umidade desejada. Utilizam também secadores similares ao utilizados para

processamento da farinha de mandioca.

3.10 Armazenamento

O acondicionamento do produto seco em recipiente fechado e

mantido longe de umidade, prolongando a sua conservação. Após a secagem a

pimenta é ensacada em sacos de polipropileno ou aniagem limpo, de 50 kg e

guardar em armazém simples, na propriedade.

Evitar concentração de animais selvagem nos locais (ninho de aves,

morcegos, redores, etc), bem como de animais domésticos. Os roedores não só pelo

continuo consumo de alimento, mais principalmente, pela sua facilidade de

contaminar a pimenta por fezes, pela urina e pelo hábito de mastigar materiais duros

para manter os dentes incisivos em tamanhos adequados.

Para fazer a preservação contra insetos e roedores, alguns cuidados

básicos devem ser tomados, como: construção adequada dos depósitos e armazéns

para melhor controle da população de insetos, o uso de telas nas janelas, prover o

teto e a parte inferior das paredes do armazém com aberturas controláveis

protegidas, para renovação natural do ar, instalar exaustores se possível,

Impermeabilizar o piso ou construir pisos suspensos e mesmo que o piso seja

impermeável, é indispensável a utilização de estrados para permitir a circulação de

ar na base da pilha.
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3.11 Características da Pimenta do Reino

A pimenta do reino preta possui uma fragrância intensa, frutada com

tonalidade amadeirada e cítrica. O paladar é picante e quente com um gosto

penetrante, não possui gosto adocicado nem salgado. Muito utilizada em temperos

para realçar o sabor dos alimentos.

3.11.1 Constituintes

Os principais constituintes químicos da pimenta do reino são amidas,

denominadas, respectivamente, piperina e capsaicina.

3.11.2 Capsaicina

Por sua vez, a capsaicina é o alcalóide amídico presente nas

pimentas do gênero Capsicum. Foi isolado em três estudos diferentes conduzidos ao

longo do século XIX (Buchohz em 1816, Thresh em 1846 e Hogyes em 1878), tendo

sido sintetizada pela primeira vez em 1930 por Spatti e Darling. Como a piperina, a

capsaicina é uma amida de caráter lipofílico, possuindo atividade analgésica,

especialmente para lesões associadas à artrite, embora seu uso não seja
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regulamentado oficialmente. Esta atividade parece estar associada a uma

hiperexcitação dos receptores de dor pela capsaicina, esgotando os estoques de

neurotransmissores e deixando-os refratários aos estímulos dolorosos provocados

pela doença. Ela vem sendo estudada também no tratamento de diabetes e de

diversos tipos de câncer. O uso mais consagrado da capsaicina, entretanto, é como

agente ativo do chamado gás de pimenta, usado pelas forças policiais para o

controle de situações de distúrbio público e agressões; quando em contato com

mucosas, especialmente a ocular, provoca dor extrema.

Figura 4: Estrutura Molecular da Capsaicina.

Fonte: http://200.156.70.12/sme/cursos/EQU/EQ18/modulo1/aula0/07_pimenta/02_piperina_e_capsaicina.htm

3.11.3 Piperina

Desde que a piperina foi encontrada na pimenta, muitos acham que

a sua única função é dar gosto à comida. No entanto, a piperina tem muitas outras

maneiras de influenciar as nossas vidas. Desde inseticida a álcool e até na

medicina, ela melhora as nossas vidas.

A piperina é um alcalóide de caráter lipofílico presente na pimenta-

do-reino e possui diversas atividades farmacológicas, como antiinflamatória,


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antifertilidade e estimuladora da biossíntese de serotonina no Sistema Nervoso

Central, além de ser utilizada como inseticida. Hans Christian Orstead, cientista

dinamarquês que descobriu o eletromagnetismo induzido por correntes elétricas, foi

também quem descobriu a presença da piperina na pimenta-do-reino, em 1820. Sua

síntese química, entretanto, só foi realizada pela primeira vez em 1882, por Leopold

Hugheimer, químico alemão famoso por sua metodologia de síntese de pirazinas, a

síntese de Staedel-Hugheimer. A piperina, dentre tantas outras funções, tem ação

antioxidante e bactericida, que foi enfatizada em nosso trabalho.

A ligação química na piperina é maioritariamente do tipo covalente,

mas também pode estabelecer ligações de natureza eletrostática, como por exemplo

as pontes de hidrogênio.

Figura 5: Estrutura Molecular da Piperina.

Fonte:http://200.156.70.12/sme/cursos/EQU/EQ18/modulo1/aula0/07_pimenta/02_piperina_e_capsaic

ina.htm
30

Propriedades Químicas da Piperina

Fórmula C17H19NO3

Massa molar 285.34 g.mol-1

Densidade 0.861 g

Ponto de Fusão 128 ºC - 132 ºC

Composição percentual em massa C=71 %; O= 17 %; H= 6 %; N= 5 %

Tabela 1: Propriedades Químicas da Piperina.

Fonte:http://www2.dq.fct.unl.pt/cadeiras/qpn1/proj/Piperina/propriedades%20quimicas%20da%20pipe

rina.htm

Foto 3: Extração da piperina.


31

4. POLARIDADE MOLECULAR

A eletronegatividade influencia na ligação entre os átomos, já que

haverá a possibilidade de maior ou menor atração. O átomo com mais

eletronegatividade atrai para si mais elétrons. A diferença de eletronegatividade

entre os elementos determina se a ligação será polar ou apolar. Se a diferença de

eletronegatividade for igual a zero, a ligação será apolar, do contrário a ligação será

polar.

A eletronegatividade está, portanto, relacionada à força para

rompimento de ligações químicas das moléculas. Numa ligação química, o átomo

com maior eletronegatividade, ao atrair os elétrons, fica com a carga negativa. Por

outro lado, os átomos com menor eletronegatividade perdem elétrons e, em razão

disso, adquirem uma carga positiva.

Através da Escala de Pauling, é possível prever a característica das

ligações químicas e algumas das propriedades das misturas.

F > O > N > Cl > Br > I > S > C > H


32

4.1 Polaridade do Etanol

A presença de átomos entre carbonos dá à molécula caráter polar.

Confira o exemplo:

Figura 6: Estrutura Molecular do Etanol (Molécula Polar).

Fonte: http://www.brasilescola.com/quimica/polaridade-dos-compostos-organicos.htm

A presença da Hidroxila OH (oxigênio ligado a hidrogênio) fez com

que a molécula do composto orgânico etanol passasse a exibir polaridade.

4.2 Polaridade da Piperina

A molécula da piperina apresenta, sobretudo, carbonos e

hidrogênios, com duas funções éter e uma função amida. Isso quer dizer que a

molécula é quase apolar e, portanto, quase insolúvel em água. De fato, é solúvel em

éter, álcool, clorofórmio e em solventes apolares.


33

5. SORBITOL

5.1 Aplicações em produtos alimentícios

Utiliza-se o sorbitol em alimentos, de acordo com as

regulamentações e normas para o produto. O sorbitol é estável, sobre uma larga

faixa de ph e não sofre modificações quando submetido às temperaturas usuais nos

processos de produção de alimentos. É usado como edulcorante e agente de corpo

em produtos do tipo isento de açúcar e nos adoçantes alternativos.

Em confeitos, cremes, “fondants”, “marshmallows” e produtos a base

de coco, o sorbitol é usado em função de sua ação inibidora sobre a cristalização do

açúcar e condicionadora da umidade. Estes produtos, quando produzidos com

Sorbitol, geralmente apresentam melhor sabor, textura, aparência e prolongamento

de sua vida útil. Os melhores resultados têm sido obtidos por substituição de parte

equivalente do açúcar utilizado.

Em massas alimentícias, por sua propriedade condicionadora da

umidade, o sorbitol pode prolongar a vida útil de vários produtos, mantendo a

umidade próxima de seu ponto inicial.

A adição de sorbitol em cremes e pastas também previne o

ressecamento em suas superfícies. O sorbitol, pela ação sequestrante de traços

metálicos, pode prevenir ou retardar o ranço oxidativo em vários alimentos.


34

Em cosméticos e farmacêuticos: Através de suas vantajosas

propriedades, o sorbitol excede a glicerina e até mesmo os açúcares em algumas

aplicações.Por sua ação condicionadora da umidade e por reagir bem mais

lentamente às variações da umidade ambiente, o sorbitol é usado em cremes

dentais, cremes medicinais e loções. Nos cremes dentais o sorbitol proporciona

refrescante sensação e um paladar adocicado, além de estabilizar a umidade e de

ser um ingrediente não cariogênico. Nos cremes medicinais, o sorbitol proporciona

ação emoliente e boa tolerância, não provocando reações alérgicas.

O sorbitol é utilizado como veículo e agente de corpo a partir de

preparações farmacêuticas sob a forma de xaropes, elixires e soluções. A adição de

sorbitol a xaropes de açúcares altamente concentrados inibe a cristalização.

Emulsões e suspensões com uma excelente dispersão podem ser obtidas utilizando-

se o sorbitol. Em gomas e gelatinas: Em produtos à base de gomas e gelatinas, o

sorbitol é usado como plastificante.

Os agentes condicionadores da umidade, como o sorbitol, possuem

a propriedade de diminuir a perda de umidade das gomas quando em ambientes

secos e geralmente são utilizados como plastificantes. Com o sorbitol, gomas podem

ser produzidas com maior adesão, resistência e distribuição.

Em papéis: A aplicação do sorbitol em papéis é decorrente de sua

não volatilidade e estreita faixa de umectação. Os papéis tratados com sorbitol

apresentam grande flexibilidade, alta estabilidade e tornam-se menos quebradiços.

Em tabacos: Umectantes são utilizados na produção de fumos para

facilitarem o manuseio e o processamento. Esses umectantes não devem ser


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tóxicos ou voláteis. O sorbitol, através de suas propriedades, atende perfeitamente

estas necessidades, não somente melhorando as características higroscópicas do

tabaco, como também acentuando seu aroma e paladar.

Não há nenhuma objeção toxicológica quanto ao uso do sorbitol em

fumos, uma vez que não há formação de produtos tóxicos na sua combustão. No

caso do sorbitol, os produtos de combustão são semelhantes aos dos açúcares

comumente encontrados no fumo.

Em têxteis: Em têxteis, o sorbitol apresenta algumas aplicações,

como por exemplo, a remoção da dureza dos tecidos ocasionada pela mercerização.

O sorbitol se aplica também nas impressões mais vivas e brilhantes.

Em químicos: Uma das mais importantes aplicações do sorbitol

neste segmento se relaciona à sua utilização como matéria-prima básica para a

produção industrial da Vitamina C (ácido ascórbico), onde o sorbitol é convertido em

L-sorbose por um processo de oxidação fermentativa, resultando então no primeiro

estágio da sua conversão a ácido ascórbico.

O sorbitol pode ser usado na produção de uma variedade de

agentes tensoativos através de uma reação de esterificação. O éster interno que se

forma durante a reação é conhecido como sorbitan.

Os ésteres de sorbitan com ácidos graxos são utilizados como

emulsionantes, detergentes e solubilizantes. Estes ésteres tendem a ser óleo-

solúveis e a formar preferencialmente emulsões do tipo água em óleo. Para fornecer

a estes ésteres um caráter hidrófilo ainda mais acentuado, costuma-se adicionar

uma cadeia de
36

Polioxietileno, formando então um éster de sorbitan ácido graxo

etoxilado que tende a formar emulsões óleo em água.O sorbitol também como

matéria-prima é utilizado na obtenção do dinitrato de isorbide, um potente

vasodilatador. Como poliol, o sorbitol é utilizado na produção de resinas alquídicas e

também na produção de poliésteres que são um dos componentes na produção do

poliuretano. O sorbitol é um efetivo agente seqüestrante para íons de ferro, cobre e

alumínio em soluções alcalinas, podendo eventualmente apresentar algumas

aplicações específicas.

Propriedades Químicas do Sorbitol

Sinônimos Sorbitol 70/70; Sortitol 70%; D-Sorbitol; D-Glucitol; Sorbita.

Grupo químico Álcool polihídrico, poliol, hexaalcool.

Fórmula molecular C₆H₁₄O₆

Peso molecular 182,17 g.mol-1

Forma Solução aquosa de D-Sorbitol a 70% de sólidos totais.

Aspecto Líquido viscoso, límpido; incolor; de doce e refrescante.

pH solução 50% 5,0 a 7,0/ 1,285 a 1,350 g.cm-3

Densidade (25°C)

Solubilidade Em todas as proporções com água, glicerina e

propileniglicol.

Tabela: 2- Propriedades químicas do sorbitol.


37

5.2 PVA e Bórax

O produto obtido e suas características e aplicações na

biotecnologia, por meio de reagentes de simples obtenção. O poli (álcool vinilico),

também conhecido por álcool polivinilico e cuja fórmula estrutural é [CH2CHOH]n, é

um polímero hidrofílico, devido aos grupos hidroxila em sua estrutura, capaz de

formar complexos por meio da transferência de cargas com ânions. Ele foi

descoberto na Alemanha por Fritz Klatte (1880-1934) em 1912. Possui propriedades

únicas tais como alta solubilidade em água e a capacidade de formar géis por

condensação. Tais géis constituem uma barreira física ideal para o aprisionamento

de enzimas. O álcool vinílico é um composto instável que se rearranja

espontaneamente em acetaldeido. Portanto, o álcool polivinilico não pode também

ser diretamente preparado. Primeiramente deve-se polimerizar o acetato de vinila

em poli(acetato de vinila). O mesmo é então hidrolisado em poli (álcool vinílico).

As colas líquidas brancas (cola tenaz ou cola escolar) e as colas

amarelas (para madeira) são constituídas basicamente de poli (álcool vinílico).

O Bórax (Na2B4O7·10H2O), também conhecido como borato de sódio

ou tetraborato de sódio é um composto importante do boro. Sofre hidrólise em meio

aquoso, liberando íons borato (Figura 7). É utilizado na produção tecidos e madeiras

à prova de fogo, vidro e bactericidas caseiros.


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Figura 7: Hidrólise do bórax em meio aquoso

Fonte: Expósito, I. E., Modelos moleculares e experimentação em química: as forças do mundo

invisível - SBQ – 25ª Reunião Anual XI

5.3 Processos de transformação

Figura 8: Estruturas do material nas suas várias formas. (A) Linear (B) Ramificada (C) Reticulada (D)

Endurecida

Fonte: Materiais de Construção Mecânica I – Cap. 1. p.32 XII


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Reticulação é um método físico-químico de transformação de

polímeros. Ocorre para manter duas ou mais cadeias poliméricas unidas por meio da

criação de uma ponte de átomos entre elas, ligados por ligação covalente. Ela evita

deformação permanente e confere características borrachosas ao material.

A reticulação é um método de produção dos hidrogéis, que são

polímeros com elevada capacidade de absorção de água. Quando um hidrogel é

submerso em água, as moléculas de água juntam-se à matriz do polímero,

causando seu enchimento. Representam um estado intermediário entre o estado

sólido e o líquido, entretanto, são considerados sólidos elásticos.

Para a obtenção de hidrogéis de PVA um íon muito interessante é o

íon borato. Acredita-se que o mecanismo da reação de complexação do íon borato

com o PVA seja a complexação di-diol, formada por duas unidades de diol e um íon

borato. Por protólise os ânions boratos são convertidos em , que podem então reagir

com o PVA, formando um gel termo-reversível. O mecanismo de complexação do

sistema PVA/borato pode ser dividido em duas reações, descrito a seguir.

Figura 9: Reação de complexação do sistema PVA/Borato

Autor: Martins, M. Biossensores de colesterol


40

Sol-gel é um processo para produzir sensores para aplicações

analíticas. Consiste numa rota de síntese de materiais onde num determinado

momento ocorre uma transição de um sistema líquido sol para um líquido gel. Sol é

um termo usado para definir uma dispersão coloidal estável num fluído, e gel é um

sistema formado pela estrutura rígida de partículas coloidais ou de cadeias

poliméricas. A gelatinização pode também ocorrer pela interação entre longas

cadeias poliméricas.

5.4 Aplicações

Muitas idéias surgem utilizando processos de polimerização para a

criação de novos produtos com maior tecnologia, sobretudo buscando produtos que

poluem menos e que possam ser reaproveitados, este que é o ideal do século.

No Brasil já existe o projeto de produção de plástico biodegradável

com a utilização da cana de açúcar. Esse desenvolvimento teve início em 1992, com

os estudos de fermentação realizados pelo IPT2 objetivando a produção de um

polímero biodegradável, o polihidroxibutirato (PHB) e o seu co-polímero

polihidroxibutirato/valerato (PHB-HV). O plástico biodegradável em questão é

composto basicamente por carbono, oxigênio e hidrogênio.

Inúmeros são os produtos obtidos a partir do poli(álcool vinílico) –

objeto desde estudo - podemos citar: fibras, mantas, membranas, filmes, fabricação

de adesivos, revestimento de papéis, estabilizantes para polimerizações, lentes de

contato e componentes artificiais do organismo.


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Sobretudo, destacam-se entre as diversas aplicações do PVA no

estado reticulado a fabricação de hidrogéis, e por meio destes, a construção de

sistemas de liberação de fármacos e biossensores.

Os sistemas de liberação de fármacos liberam os fármacos em um

ambiente específico do organismo por determinado período de tempo. Aprimoram a

segurança, a eficácia e a confiabilidade da terapia com fármacos, pois a grande

maioria dos fármacos é liberada logo após a administração, causando rápida

elevação do mesmo no organismo, para que depois decline também rapidamente. O

sistema é baseado em hidrogéis, que por sua natureza macia, minimiza irritações

mecânicas, evitando dores e infecções.

Os biossensores para determinação de colesterol são ótimas

alternativas comparando-se com os meios tradicionais. Possuem alta estabilidade

operacional, resposta rápida e baixo custo. É sintetizado pelo método sol-gel. O

método tradicional é baseado em espectrofotometria na região dos UV/Vis3, que

envolve procedimentos complicados e grande quantidade de enzima.

Por estes e tantos outros exemplos, é de grande importância o

estudo e a compreensão do funcionamento das estruturas de polímeros, que podem

e devem avançar muito mais, e proporcionar novas alternativas de biotecnologias

para o futuro.
42

6. MATERIAIS

Amido de Milho (CORN), Sorbitol (plastificante), HCl 1 mol.Lˉ¹, Ureia,

NaOH (pérola), NaOH 1 mol.Lˉ¹, Fluoreto de Sódio, PVA (álcool polivinilico), Boráx

(Borato de Sódio),Pimenta do Reino (Piper nigrum), Água deionizada, Etanol,

Agitador mecânico, Manta de Aquecimento e Chapa de Aquecimento.

7. MÉTODOS

7.1 Obtenção da Piperina

Medidos 5 g de pimenta do reino (Piper nigrum) e 125 ml de Etanol,

levamos a um balão de fundo redondo que foi posto sobre refluxo.A solução foi

posta em refluxo durante aproximadamente 7 horas, até se tornar um líquido

amarelo esverdeado.

Feito o refluxo, o etanol foi evaporado e a solução foi filtrada, o

filtrado foi descartado e o líquido foi posto em aquecimento para completa remoção

do etanol residual obtendo-se a piperina.


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Foto 4: Refluxo da Pimenta do Reino

7.2 Obtenção do Biopolímero

Medidos 20 g de amido, 20 ml do plastificante sorbitol, 20 ml de HCl

1 mol.Lˉ¹ e 4 g de fluoreto sódio em um béquer de 250 ml. Deixamos em agitação

durante 5 minutos para completa homogeneização.

Paralelamente preparamos em um béquer de 100 ml uma solução

com 20 ml de água deionizada e 4 g de ureia que foi posta em agitação até sua

solubilização. A solução foi alcalinizada com duas perolas de NaOH, em seguida


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adicionados 4 g de amido. A solução foi submetida ao aquecimento (70°C) e

agitação intensa até a formação de um gel transparente.

O gel é agregado à solução inicial sobre agitação intensa e

aquecimento (80 a 90°C) para sua polimerização.

Após a polimerização são adicionadas a solução de NaOH 1 mol.Lˉ¹,

15 ml de PVA, 15 ml de solução saturada de boráx (Borato de Sódio) e 40 gotas de

piperina (extraída da pimenta do reino).

Foto 5: Processo de produção do Biopolímero.


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FLUXORAMA DA OBTENÇÃO DO BIOPOLÍMERO

Amido HCl Sorbitol NaF

Homogeneização

Uréia
Aquecimento 70 a 80°C
Amido

H₂O

Resfriamento e
NaOH
Neutralização

PVA

Bórax Produto Neutralizado

Piperina

Novo Aquecimento 80°C

Transferência para placa


de vidro

Secagem

Obtenção do polímero

Figura 10: fluxograma do método de preparação do biopolimero.


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8. CONCLUSÃO

O presente trabalho obteve um biopolímero solúvel em água com

propriedades antibióticas, conservantes e completamente atóxico. Características

estas que puderam propiciar uma excelente solução na conservação de alimentos

perecíveis, como o caso das frutas. Uma vez envolvidas com o polímero, as frutas

tornam-se mais resistentes e duráveis, uma grande solução em seu transporte,

manejo e frescor.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FILHO, Rodolfo S. Plásticos Biodegradáveis. Disponível em:


HTTP://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_296387.s
html. Acesso em 29 de março de 2012.

FAKHOURI, Farayde Matta. Bioplásticos flexíveis e biodegradáveis à base de


amido e gelatina. Disponivel em:
HTTP://www.ufrgs.br/alimetus/ita02014/arquivos/bioplasticos.pdf. Acesso em 29 de
março de 2012.

MATURANO, Arlei. Unicamp desenvolve material biodegradável. Disponível em:


HTTP://www.biotec-ahg.com.br/indez.php/acervo-de-materiais/meioambiente/256-
unicamp-desenvolve-material-biodegradavel. Acesso em 6 de maio de 2012.

POSEY, D. A. Indigenous managemente of tropical Forest ecosystems: the case


of the kayapo indians of the Brazilian Amazon. Agroforestry Systems, Holland, v.3,
p.139-158. 1985

CEREDA, Marney Pacli. Bioplásticos de amido: um Mercado do futuro.


Disponível em: HTTP://www.abam.com.br/arquivos/artigos/Ceteagro%20-
%20%20%20Biopolímeros%20de%20amido.doc. Acesso em 29 de Maio de 2012.

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alimentacaosaudavel.html> Acesso em: 07 junho 2012.

Clima da pimenta do reino


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47

Caracteristicas da pimenta do reino


http://blogdopeco.blogspot.com.br/2011/01/pimenta-do-reino.html> Acesso em: 20
de maio 2012.

Historia da pimenta do reino


<http://www2.dq.fct.unl.pt/cadeiras/qpn1/proj/Piperina/Historia%20da%20piperina.ht
m> Acesso em: 20 maio 2012.