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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE UFAC CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS CCET CURSO DE BACHARELADO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

CAIO DAVANZO DOS SANTOS LEONARDO GIOVANNI VERONESE MATHEUS MARTINS SPULDARO

ELEMENTOS SÉRIE IMPEDÂNCIA

RIO BRANCO

2017

CAIO DAVANZO DOS SANTOS LEONARDO GIOVANNI VERONESE MATHEUS MARTINS SPULDARO

ELEMENTOS SÉRIE IMPEDÂNCIA

Relatório apresentado como requisito parcial para composição de nota referente à disciplina de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia 2.

Profº. Jose Elieser de Oliveira Junior

RIO BRANCO

2017

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

4

2 DEFINIÇÕES GERAIS

5

3 ELEMENTOS SÉRIE IMPEDÂNCIA

7

4 EXEMPLO

9

5 CONCLUSÃO

14

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

15

1 INTRODUÇÃO

A crescente dependência das sociedades modernas em relação as diversas formas de energia e em particular a energia elétrica, juntamente com o crescimento em dimensão e complexidade dos sistemas elétricos, faz surgir problemas associados a qualidade e a segurança dos serviços prestados pelas companhias de eletricidade. Estes problemas somados, as limitações de ordem financeira e a necessidade de uma utilização ótima dos recursos existentes, tem obrigado as companhias de energia elétrica a terem elevado cuidado na tomada de decisão durante as etapas de planejamento e operação dos sistemas elétricos.

Para planejar e operar um sistema de energia elétrica de maneira econômica e segura é de fundamental importância definir-se um modelo adequado para cada elemento do sistema. A correta modelagem dos componentes possibilita a operação do sistema com menores margens de erro, melhor representação das restrições de operação e melhor exploração de seus recursos.

Este trabalho visa apresentar de forma sucinta os elementos série, impedância, na rede de distribuição, assim como um exemplo para demonstrar o que foi desenvolvido ao longo do trabalho.

2 DEFINIÇÕES GERAIS

Nos circuitos de corrente contínua, a resistência elétrica é a única

grandeza que expressa o impedimento a passagem da corrente elétrica. Em

corrente alternada, existem outros efeitos além do resistivo que influenciam a

passagem de corrente no circuito; por exemplo, a indutância quando o circuito

contém bobinas, ou a capacitância quando o circuito contém capacitores. Deste

modo, a razão tensão/corrente em um circuito de corrente alternada não

depende apenas das resistências elétricas do mesmo.

Por esse motivo, a razão entre tensão e corrente em um circuito de

corrente alternada recebe um outro nome: impedância, um termo que foi

proposto por Oliver Heaviside em 1886.

A impedância representa a oposição que um circuito oferece ao fluxo de

corrente senoidal. Embora seja a razão entre dois fasores, ela não é um fasor,

pois não corresponde a uma quantidade que varia como uma senoide.

Podemos obter as impedâncias de resistores, indutores e capacitores,

através da equação:

= ,

= ω,

1

=

Sendo um valor complexo, a impedância pode ser expressa na forma retangular como segue:

= +

Onde R= ReZ é a resistência e X= ImZ é a reatância. A reatância

X pode ser positiva ou negativa. Dizemos que a impedância é indutiva quando X

é positiva, ou capacitiva quando X for negativa. Então, a impedância Z= R jX é

capacitiva ou avançada, porque a corrente está adiantada em relação à tensão.

Impedância, resistência e reatância são todas medidas em ohms.

A impedância também pode ser expressa na forma polar como:

= ||∠

Então temos que:

= + = ||∠

e

onde:

|| = √ 2 + 2 ,

= ||θ,

θ = 1

= ||θ

3 ELEMENTOS SÉRIE IMPEDÂNCIA

Para o tratamento da impedância série o procedimento pode ser resumido

nos passos a seguir

Monta-se, considerando-se a condutividade do solo infinita, a

matriz de impedâncias dos elementos série, seguindo a ordem de

numeração dos condutores, cujos termos, em Ω/km, são obtidos a

partir de:

= 0,0 + 410 4

( = 1, , ≠ )

e

 

= + 410 4

( = 1, , )

onde:

f é a frequência da rede, em Hz;

é o raio médio geométrico do condutor, em unidade compatível com ;

é a resistência ôhmica do cabo, em corrente alternada, corrigida para a

temperatura de operação e levando em conta os efeitos pelicular e de

proximidade.

Considerando-se a condutividade do solo finita, , modifica-se

a matriz de impedâncias através dos termos corretivos obtidos

pelas equações de Carson

= + + [ + ]

( = 1, , )

Os termos corretivos são obtidos a partir da série infinita de Carson. Para

efeitos práticos, é suficiente considerarem-se somente as primeiras parcelas,

isto é:

= (1,5708 − 0,0026492 . √

) . 10 −4

= 2 ( 1,

658,898

. √

+ 0,0026492. √

) . 10 −4

= (1,5708 − 0,0026492 + . √

2

) . 10 −4

= 2 ( 1,

658,898

. √

+ 0,002649. √

) . 10 −4

Particionando-se a matriz segundo a linha e a coluna correspondente ao

último cabo de fase, resulta:

[ ] = [

] . [ ]

Eliminando-se os cabos guarda (neutro), se existirem, Tem-se dois

casos

a1. Cabos guarda aterrados (neutro multiaterrado), quando [ ] =

0 e:

e

[ ] =

[ ]. [ ] + [ ]. [ ]

[ ] = [ ]. [ ] + [ ]. [ ]

donde:

logo:

[ ] = −[ ] 1 . [ ]. [ ]

[ ] = [ ]. [ ] − [ ] 1 . [ ]. [ ]

= {[ ] − [ ]. [ ] 1 . [ ]}[ ]

ou

[ ] = {[ ] − [ ]. [ ] 1 . [ ]

a2. Cabos guarda isolados, quando [ ] = 0 e

e

Modifica-se

a

transposições.

[ ] = [ ]. [ ] = [ ]. [ ]

[ ] = [ ]. [ ]

matriz

para

levar

em

conta

o

efeito

das

Para as transposições o procedimento é análogo ao do caso das

capacitâncias.

Obtém-se, através da transposição spinor, a matriz de impedâncias

série em termos de componentes simétricas.

4 EXEMPLO

Pede-se as constantes quilométricas de uma linha trifásica de distribuição primária, operando em 13,8kV, 60Hz. São dados:

a. Condutores utilizados nas fases e no neutro: CA, Tulip, 336,4 MCM, com diâmetro de 16,90 mm, raio médio geométrico de 6,45 mm, resistência ôhmica em corrente contínua, a 20ºC, de 0,169 Ω/kmm temperatura de operação 90ºC.

b. Geometria da cruzeta: altura do solo de 9,0 m, afastamento das fases B e C da fase A, respectivamente, 0,8 m e 1,8 m.

c. Neutro: altura do solo de 7,0 m e afastamento horizontal da fase A de 1,30 m, multiaterrado.

d. Transposição: a linha está completamente transposta, sendo a sequência de transposição: A-B-C; C-A-B e B-C-A, com comprimentos de 33,33; 33,33 e 33,34% do comprimento total da linha.

e. Resistividade do solo de 100Ω.m.

Soluç ão:

a. Sistema de coordenadas Fixou-se um sistema de coordenadas com o eixo das abcissas no plano do solo e o das ordenadas coincidindo com o centro do condutor da fase A, resultando as coordenadas para os cabos das fases A, B e C, identificados por 1, 2, 3 e do neutro, identificado por 4:

1 = 0,00 ;

1 = 9,00 ;

2 =

0,80 ; 2 = 9,00 ;

3 = 1,80 ; 3 = 9,00; 4 = 1,30; 4 = 7,00 . As distâncias entre os centros dos cabos e suas imagens são dadas por:

11 = 22 = 33 = 18,0 e 44 = 14,0

12 = 21 = √0,80 2 + 18,0 2 = 18,0178

13 = 31 = √1,80 2 + 18,0 2 = 18,0898

12 = 21 = 0,80 e 23 32 = 1,0

= 32 = √1,00 2 + 18,0 2 = 18,0277

14 = 41 = √1,30 2 + 16,0 2 = 16,0527

23

24

34

= 42 = √0,50 2 + 16,0 2 = 16,0078

= 43 = √0,50 2 + 16,0 2 = 16,0078

14 = 41 = √1,30 2 + 2,0 2 = 2,3854

24 = 42 = 34 = 43 = √0,50 2 + 2,0 2 = 2,06615 b. Matriz de impedâncias da rede completa Condutividade do solo infinita. Sendo = 4. 10 4 = 0,075398, tem-se:

11 = 22

18

= 33 = 0,2172 + 0,075398. 0,00645 = 0,2172 + 0,598213/

12 = 21 = 0,0 + . 12

12

= 0,0 + . 18,0178

0,8

= 0,0 + 0,234828 /

13 = 31 = 0,0 + . 13

13

23 = 32 = 0,0 + . 23

32

= 0,0 + . 18,0898

1,8

= 0,0 + . 18,0277

1,0

= 0,0 + 0,173986 /

= 0,0 + 0,218045 /

14 = 41 = 0,0 + . 14

14

24

=

42

=

0,0

+

.

24 42

34 = 43 = 0,0

44 = 44 = 0,0

+

+

.

34 43

. 44

44

= 0,0 + . 16,0527

2,3854

=

0,0 + . 16,0078

2,0615

=

0,0 + . 16,0078

2,0615

= 0,0 + 0,143748 /

= 0,0 + 0,154539 /

= 0,0 + 0,154539 /

14

= 0,2172 + . 0,00645 = 0,2172 + 0,579264 /

Ou

[ ] =

0,21 + 0,598213

0,0 + 0,234828

0,0 + 0,173986

0,0 + 0,143748

0,0 + 0,234828

0,21 + 0,598213

0,0 + 0,218045

0,0 + 0,154539

0,0 + 0,173986

0,0 + 0,218045

0,21 + 0,598213

0,0 + 0,154539

0,0 + 0,143748

0,0 + 0,154539

0,0 + 0,154539

0,21 + 0,579264

c. Matriz de impedâncias da rede completa Condutividade do solo 100Ω.m. Procedendo-se às correções de Carson, resulta

d. [ ] =

0,275241 + 0,890297

0,057892 + 0,526837

0,057891 + 0,465695

0,058034 + 0,444313

0,057892 + 0,526837

0,275241 + 0,890297

0,057892 + 0,520013

0,057034 + 0,455313

0,057891 + 0,465695

0,057892 + 0,520013

0,275241 + 0,890297

0,057034 + 0,455313

0,058034 + 0,444313

0,057034 + 0,455313

0,057034 + 0,455313

0,274980 + 0,889992

e. Eliminação do Neutro

Para a eliminação do neutro, multiaterrado, tem-se:

=

para

i = 1, l,n-1

e

k = 1, ln-1

Em particular, para i = 2 e k = 3, resulta:

23 = 23

24 43 33

= 0,057892 + 0,510013 −

(0,057034 + 0,455313)(0,057034 + 0,455313)

0,275241 + 0,890297

= 0,068317 + j0,284084 Ω/km

Repetindo-se o cálculo para todos os elementos resulta:

[ ] =

0,283840+j0,674923

0,067385+j0,306248

0,67385+j0,245105

0,067385+j0,306248

0,285666+j0,664368

0,068317+j0,284084

0,67385+j0,245105

0,068317+j0,284084

0,285666+j0,664368

f. Transposição; Para a transposição tem-se:

" 11 = 0,3333′ 11 + 0,3333′ 22 + 0,3334′ 33

" 22 = 0,3333′ 22 + 0,3333′ 33 + 0,3334′ 11

" 33 = 0,3333′ 33 + 0,3333′ 11 + 0,3334′ 22

" 12 = " 21 = 0,3333′ 12 + 0,3333′ 23 + 0,3334′ 31

" 13 = " 31 = 0,3333′ 13 + 0,3333′ 21 + 0,3334′ 32

" 23 = " 32 = 0,3333′ 23 + 0,3333′ 31 + 0,3334′ 12

Donde resulta:

[ ] =

0,285058+j0,667886

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

0,285058+j0,667886

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

0,285058+j0,667886

 

g.

Matriz de impedâncias em componentes simétricas. Resulta:

 
 

[ 0,1,2 ] = [] 1 [" ][] =

 

1

1

1

1

0,285058+j0,667886

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

 

=

 

3

           
 

1

α

2

0,067596+j0,278476

0,285058+j0,667886

0,067596+j0,278476

1

2

α

0,067596+j0,278476

0,067596+j0,278476

0,285058+j0,667886

1

1

1

 

1

2

Α

1

Α

2

0,420449+j1,224844

0+j0

0+j0

0+j0

0,217362+j0,389407

0+j0

0+j0

0+j0

0,217362+j0,389407

5 CONCLUSÃO

Ao longo do tempo vários estudos e pesquisas foram realizado com o propósito de aprimorar os modelos dos componentes do sistema (linhas de transmissão/distribuição, transformadores, geradores, etc.). Tais sistemas de energia elétrica são projetados para atender toda a demanda de energia de forma continua, sempre respeitando os padrões de qualidade (limites de tensão e frequência) e segurança, assim como restrições econômicas e ambientais.

Este trabalho teve o intuito de mostrar uma das características que influência nos sistemas de distribuição de energia elétrica e que deve ser considerado na correta modelagem do sistema para que não ocorra falhas.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KAGAN, Nelson; OLIVEIRA, Carlos César Barioni de; ROBBA, Ernesto João. Introdução aos Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica. 2. ed. São Paulo:

BLUCHER, 2010.

ALEXANDER, Charles K.; SADIKU, Matthew N. O. Fundamentos De Circuitos Elétricos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003 (reimpressão 2008).