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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

JAQUELINE ARAUJO DOS SANTOS MARCELA CUNHA SCHWAB PHILIPPE RODRIGUES ALVES DA CUNHA

A influência dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança com autismo.

Rio de Janeiro

2011

JAQUELINE ARAUJO DOS SANTOS MARCELA CUNHA SCHWAB PHILIPPE RODRIGUES ALVES DA CUNHA

A influência dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança com autismo

Trabalho de Conclusão de Curso apresentada à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a conclusão da graduação em Nutrição. Orientadora Prof. Gabrielle Rocha. Co-orientadora Geórgia Regina Macedo de Meneses Fonseca

Rio de Janeiro

2011

JAQUELINE ARAUJO DOS SANTOS MARCELA CUNHA SCHWAB PHILIPPE RODRIGUES ALVES DA CUNHA

A influência dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança com autismo.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentada à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a conclusão da graduação em Nutrição.

Avaliada em 16/06/2011.

BANCA EXAMINADORA

Prof(a). Dra. Gabrielle de Souza Rocha Universidade Estácio de Sá

Prof(a). Fabiana Casé Universidade Estácio de Sá

Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra".

Reuven Feuerstein

Agradeço a minha professora e orientadora Gabrielle que tanto me ajudou e sempre esteve muito disponível em todos os momentos da minha vida universitária e a minha co-orientadora e amiga, Dra. Geórgia que tanto admiro não apenas pela profissional competente que é mas pelo ser humano que muito me ensinou sobre essas “criaturinhas” tão especiais. Estamos juntas nesta luta de que é possível tratar o Autismo! Agradeço ao meu pai Sebastião Euzébio dos Santos (in memoriam) e minha mãe, Maria Araujo dos Santos, pela educação que me deram e por toda dedicação que tiveram comigo. Agradeço ao meu marido Aldo que sempre foi o meu porto seguro e por sempre ter estado ao meu lado me apoiando em todos os momentos. Ao meu tão querido filho Patrick por compreender minhas falhas e ausências neste período turbulento e minha filha, minha princesinha Giulia por ter sido peça fundamental para a realização deste trabalho. Amo muito vocês incondicionalmente!

Jaqueline Araujo dos Santos

Agradeço aos meus pais, Monica e Helmut, por todo carinho e oportunidades que me ofereceram pois acreditavam em mim, ao meu segundo pai, Antonio que me criou e fez de mim quem sou hoje, ao meu noivo por toda paciência nos finais de semana e à minha irmã, que nunca saiu do meu lado.

Marcela Cunha Schwab

Agradeço a meus pais por auxiliarem a minhas experiências, a minhas tias Terezinha e Laise, por total apoio a todas as noites trabalhando. A Gabrielle por sempre tirar minha concentração e transformá-la em um sorriso. A Leonardo Rodrigues, Marcelo Ribeiro e Francois Mallard, por sempre me permitirem continuar a faculdade. A minha namorada Nathalia, por todos os fins de semana ocupado sempre entendendo minha situação, provando que o amor vence barreiras. A meus professores Patricia Perez e Jorge Roza, por me ajudarem a chegar onde estou.

Philippe Rodrigues Alves da Cunha AGRADECIMENTOS

Às nossas orientadoras Gabrielle e Geórgia, por toda dedicação e apoio.

RESUMO

O autismo infantil é uma síndrome do desenvolvimento caracterizado por uma disfunção nas áreas do comportamento, comunicação e interação social. Normalmente se manifesta nos três primeiros anos de vida. Sua prevalência vem crescendo nos últimos anos, assim como as quantidades de pesquisas na área. Os estudos evidenciam que a presença de desequilíbrios bioquímicos e metabólicos contribui para o quadro de sintomas típicos do autismo. Os sistemas gastrointestinal, imunológico e de detoxificação estão normalmente comprometidos nesses indivíduos. O objetivo desse trabalho foi avaliar a influencia dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança no espectro autista, realizando uma revisão da literatura em termos das implicações fisiológicas mais comuns no autismo, associado as diferentes estratégias de intervenção nutricional existentes, com enfoque nas dietas especiais para o tratamento do autismo, que embora ainda sejam poucos os estudos comprovando a eficácia de tais dietas, as pesquisas e as evidencias empíricas, se mostram promissoras nessa área. Portanto a orientação nutricional é de extrema importância no controle dos desequilíbrios biológicos, individualizando as carências nutricionais e distúrbios metabólicos, ajustando as dietas de acordo com as necessidades de cada criança, com as devidas substituições de grupos alimentares, principalmente de alimentos que estas apresentem intolerância ou alergia, evitando-se assim possíveis prejuízos nutricionais e os alimentos que possam aumentar os sintomas autísticos.

Palavras-chaves: Autismo Infantil, Transtorno do Espectro Autista, Implicações Biológicas do Autismo, Intervenção Nutricional, Intervenção Dietética, Dietas para Autistas,

ABSTRACT

Children’s autism is a development syndrome characterized by a dysfunction in areas of behavior, communication and social interaction. Usually it shows itself in the first three years of life. Its prevalence is growing in the last few years, so as the researches in the area. Studies have shown that the presence of biochemical and metabolic disorders contribute to the typical symptoms of autism. The gastrointestinal, immune and detoxification systems are usually taken in these individuals. The purpose of this study was to evaluate the influence of food in the process of behavioral changes of the child with the autistic spectrum disorder, performing a review of the literature about the most common physiological implications in autism, combined with the existing different nutritional strategies, focusing the special diets to treat autism, although there are still few studies proving the effectiveness of such diets, the researches and the empirical evidence show themselves really promising. Therefore nutritional guidance is extremely important for the control of biological disorders, individualizing nutritional deficiencies and metabolic disorders, adjusting the diets according to each child necessity, with the appropriate substitutions of food groups, mainly food that can promote allergies or intolerance, avoiding possible nutritional damage and food that can increase the autistic symptoms.

Keywords: Infantile Autism, Autistic Spectrum Disorder, Biological Implications of Autism, nutritional intervention, dietary intervention, diet for autistic

SUMÁRIO

1

 

INTRODUÇÃO

11

2

 

OBJETIVOS

11

2.1

GERAL

12

2.2

ESPECÍFICOS

12

3

 

METODOLOGIA

12

4

 

AUTISMO

13

4.1

CAUSAS DO AUTISMO

13

4.2

SINTOMAS

14

4.3

EPIDEMIOLOGIA

15

4.4

DIAGNÓSTICO

15

5

 

IMPLICAÇÕES BIOLÓGICAS DO AUTISMO

16

5.1

METILAÇÃO, TRANSULFATAÇÃO E SULFATAÇÃO

16

5.2

TOXICIDADE POR METAIS PESADOS

19

5.3

QUELAÇÃO DE METAIS PESADOS

20

6

 

DESEQUILÍBRIOS GASTROINTESTINIAIS

20

6.1

A DIGESTÃO NO AUTISMO

22

6.3

PROLIFERAÇÃO DE CÂNDIDA ALBICANS NO AUTISMO

24

6.4

HIPERPERMEABILIDADE INTESTINAL

25

7

REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE E A FORMAÇÃO DE OPIÓIDES NO

 

SISTEMA NERVOSO CENTRAL

27

7.1 ALERGIAS E INTOLERÂNCIA ALIMENTAR

27

7.2

FORMAÇÃO DE OPIÓIDES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

28

7.3

SISTEMA IMUNOLÓGICO E INFLAMAÇÃO

28

7.4

SISTEMA ENDÓCRINO E GLANDULAR

29

8

 

DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS COMUNS NO AUTISMO

29

9

 

TIPOS DE DIETAS SUGERIDAS NO TRATAMENTO DA CRIANÇA AUTISTA

 

30

9.1

DIETA SEM GLÚTEN E SEM CASEÍNA (SGSC)

30

9.2

DIETA DO CARBOIDRATO ESPECÍFICO (Specific Carbohydrate Diet - SCD)

31

9.3

DIETA DA ECOLOGIA DO CORPO (BED)

31

9.4

DIETA ANTIFÚNGICA

32

9.5

DIETA POBRE EM FENÓIS

32

9.6

DIETA POBRE EM OXALATO

33

9.7

DIETA DE ELIMINAÇÃO E ROTAÇÃO

34

10

 

DIAGNÓSTICO

34

10.1

EXAME DE ÁCIDOS ORGÂNICOS

35

10.3

AVALIAÇÃO GASTROLÓGICA COMPLETA

36

10.4 PAINEL DE ALERGIA DE ALIMENTOS

36

10.5 EXAMES DE ÁCIDOS GRAXOS

37

10.6 PAINEL AVANÇADO DE COLESTEROL

37

10.7 MINERALOGRAMA

37

10.8 EXAME DE CULTIVO E SENSIBILIDADE DE LEVEDURA

38

10.9 EXAME DE PROPORÇÃO DE COBRE / ZINCO

38

10.10 PORFIRINAS

38

11

EXAMES COMPLEMENTARES

38

12

CONCLUSÃO

39

REFERÊNCIAS

40

1

INTRODUÇÃO

O autismo é uma alteração cerebral que compromete o desenvolvimento psiconeurológico,

sendo considerado um transtorno do desenvolvimento, que apresenta os seus sintomas antes dos 36

meses de idade, com abrangência em 3 áreas: comunicação, interação social e repertório restrito e repetitivo de interesses. A comunicação é marcada muitas vezes pela ausência de fala e de comportamentos não – verbais (olhar nos olhos, gestos, sorriso social) (VOLPI, 2005).

O autismo nem sempre é acompanhado de retardo mental, pois existem casos de crianças

que apresentam inteligência e fala intacta. O comportamento apresenta rotinas diárias anormais, resistência a mudanças, apego inapropriado a objetos, brincadeiras estereotipadas e normalmente não imaginativas. Estima-se que a incidência do autismo, é maior em meninos, numa proporção de 4 meninos com autismo para cada menina e que 75% das crianças com autismo apresentam deficiência mental (TAMANAHA et al., 2008). As causas do autismo são ainda desconhecidas. Acredita-se que a origem do autismo esteja em anormalidades em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva. Podendo ser causado por influência genética, intolerância imunológica, toxinas e poluição, infecções virais e grandes doses de antibióticos antes dos 36 meses de idade (KLIN, 2006). Existem várias intervenções nutricionais e dietas adotadas para auxiliar o tratamento de crianças autistas. As mais conhecidas são a dieta sem glúten e sem caseína (SGSC), a dieta de Feingold, a de Carboidratos Específicos, a BED (Body Ecology Diet – Dieta da ecologia do corpo) e a dieta de oxalatos. Além disso, suplementação de vitaminas e minerais, enzimas e lactobacillus (HIGUERA, 2011). Este trabalho vem ressaltar o importante papel do nutricionista no acompanhamento das crianças com autismo que devem ter uma alimentação individualizada, devido aos diferentes padrões dietéticos necessários para a melhora ou controle do transtorno invasivo de comportamento.

2.1

GERAL

Revisar a influência dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança com transtorno invasivo do comportamento (TID) mais especificamente no autista.

2.2 ESPECÍFICOS

Verificar a ação das proteínas do glúten e da caseína no comportamento da criança autista;

Destacar elementos da dieta que influenciam no aumento de sintomas neurológicos e digestivos na criança autista;

Sinalizar os alimentos e suplementações que possam amenizar as características e os sintomas das desordens autísticas;

Definir as estratégias nutricionais utilizadas nas desordens autísticas.

Identificar as causas do Autismo;

Definir o diagnóstico das desordens autísticas;

Indicar o tratamento nutricional no Autismo;

Identificar a Fisiopatologia do Autismo

3 METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado a partir de revisão bibliográfica e científica de artigos científicos, livros especializados, teses de doutorado e dissertações de mestrado, sobre o tema “A influência dos alimentos no processo de alterações comportamentais da criança com transtorno invasivo do comportamento (TID) mais especificamente no autismo.”

A coleta de dados ocorreu ao longo do primeiro semestre de 2011 (dos meses Fevereiro a Maio) através de pesquisa na internet, usando-se a ferramenta computacional “Google acadêmico”, e as bases de dados Scielo, PubMed e Lilacs. A busca foi feita com as seguintes palavras-chave:

dieta, autismo, alimentação saudável, criança autista, fatores dietéticos preventivos. Foram utilizados os idiomas português, espanhol, inglês e italiano para busca de livros e artigos científicos relacionados ao tema publicados nos últimos 11 anos.

4 AUTISMO

O autismo infantil faz parte de um grupo de transtornos do neurodesenvolvimento

denominados Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TIDs), também podendo ser chamado de Transtornos do Espectro do Autismo (TEAs) ou Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGDs). É um alteração cerebral que manifesta-se antes do três anos e compromete o desenvolvimento psiconeurológico da criança, afetando sua capacidade de se comunicar, compreender e falar (SILVA & MULICK, 2009).

De acordo com o DMS-IV Diagnostic and Statical Manual of Mental Disorders (Manual de

Diagnóstico e Estática de Transtornos Mentais), o autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento (TID), geralmente manifestado nos primeiros 3 anos de vida e se insere no espectro mais amplo de anormalidades, classificada como Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dentro do TEA existem cinco variantes, incluindo: Transtorno autístico ou Autismo clássico (com ou sem regressão); Síndrome de Asperger; Transtorno Desintegrativo da Infância (Síndrome de Heller); Síndrome de Rett; Transtorno Invasivo do Desenvolvimento - Sem Outra Especificação (PDD-NOS pervasive developmental disorder) que também é conhecido como Autísmo atípico (ASSUMPÇÃO et al., 2000).

4.1 CAUSAS DO AUTISMO

Um grupo de especialistas defende que o autismo é decorrente de disfunções do sistema nervoso central (SNC) que afetam o desenvolvimento da criança. Através de estudos de

neuroimagem como tomografias e ressonâncias, Além de autópsias, foram identificadas uma série de anormalidades como tamanhos anormais das tonsilas, hipocampos e corpo caloso, maturação tardia do córtex frontal, desenvolvimento atrofiado dos neurônios do sistema límbico e diferentes padrões de baixa atividade em regiões cerebrais (HAPPÉ et al., 2006) Além disso, estudos têm também evidenciado anormalidades no padrão de crescimento cerebral de crianças autistas, que, ao nascer, tendem a exibir uma circunferência craniana menor que a média, mas, entre as idades de um e dois meses e de seis e quatorze meses, apresentam um crescimento acelerado e excessivo da cabeça, mesmo em comparação a crianças com transtorno invasivo do desenvolvimento (SILVA & MULICK, 2009).

4.2 SINTOMAS

O autismo tem como sintomas mais comuns, a dificuldade de relacionamento com outras crianças; riso inapropriado; pouco ou nenhum contato visual; o paciente não quer ser tocado; procura isolamento; tem características arredias; cheira ou lambe os brinquedos; imprópria fixação em objetos; perceptível hiperatividade ou extrema inatividade; ausência de resposta aos métodos normais de ensino; aparente insensibilidade à dor; acessos de raiva. Os autistas demonstram extrema aflição sem razão aparente; procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determina maneira os alisares); insistência em repetição; resistência à mudança de rotina; age como se estivesse surdo; dificuldade de comunicação em expressar necessidades; usando a habilidade de gesticular e apontar no lugar de palavras; não tem real noção do perigo; irregular habilidade motora; pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos (KLIN,

2006).

Quando a fala se desenvolve, pode ser observada ecolalia, bem como uso inadequado de pronomes, estrutura gramatical incompleta e dificuldades em entender e utilizar termos abstratos e metáforas. A interação social é prejudicada, principalmente com os pares da sua idade. Observa-se dificuldade de compreensão de normas sociais, além de falta de reciprocidade emocional (VOLPI,

2005).

4.3

EPIDEMIOLOGIA

A incidência de casos de autismo vem aumentando significativamente nas últimas décadas, investigações VEM DEMONSTRANDO uma média de 40 a 60 casos para cada 10.000 nascimentos enquanto os primeiros estudos evidenciavam uma média quatro a cinco casos para cada 10.000 nascimentos. Atualmente o aumento se justifica devido as melhores condições de diagnóstico e maior conhecimento da doença (SCHECHTER & GRETHER, 2008). Estudos demonstram que a prevalência em meninos é quatro vezes maior que meninas, quando ambos apresentam o mesmo nível de inteligência. Quando se compara indivíduos do sexo masculino e feminino com os níveis intelectuais comprometidos (retardo mental profundo), resultando em um caso feminino para cada três masculinos. Isso sugere que, apesar de casos de autismo serem mais raros em meninas, estes tendem a ser acompanhados por maior comprometimento cognitivo e funcional (NEWSOM & HOVANITZ , 2006; SILVA & MULICK,

2009).

No Brasil não existem muitos estudos com dados estatísticos, mas conforme o censo escolar do INEP/MEC – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educação – o qual é realizado anualmente em âmbito nacional, nos anos de 2005 e 2006 foram catalogadas 7.123 e 7.513 escolas e classes especiais com atendimento de alunos autistas, respectivamente. A partir de 2007, com a mudança de terminologia de autismo para TID, incluindo outros transtornos na categoria, como Rett, Asperger e Transtorno Desintegrativo da Infância (TDI), esse número aumentou, passando para 25.050 e 26.189 em 2008 (LAZZERI, 2010).

4.4 DIAGNÓSTICO

Quanto mais cedo os sintomas forem identificados, antes dos três anos, maiores são as chances de a criança receber as intervenções necessárias para um melhor desenvolvimento. Por essa razão, os profissionais que trabalham com a população infantil devem ser capazes de reconhecer os sintomas centrais, como a falta de contato visual, dificuldade de comunicação e socialização com crianças da mesma faixa etária. Após esse reconhecimento, a criança deverá passar por uma avaliação mais rigorosa por uma equipe interdisciplinar especializada (SILVA & MULICK, 2009).

O diagnóstico dever ser feito por essa equipe interdisciplinar e deve conter os seguintes componentes: Entrevista clínica com os pais ou responsáveis, para saber a história social e familiar da criança, a história médica, como tem sido o desenvolvimento dessa criança. Uma avaliação médica para diagnóstico da existência de comorbidades como distúrbios de ordem neurológica (epilepsia, convulsões), metabólica e genética, como a síndrome do X frágil. Deve constar também uma avaliação psicológica, sendo esta última talvez a mais importante durante o processo de diagnóstico do autismo, pois fornecerá as informações detalhadas sobre o funcionamento cognitivo e adaptativo da criança (SILVA & MULICK, 2009). Apesar de não existirem exames laboratoriais específicos para diagnosticar o autismo, o que dificulta a detecção precoce e um diagnóstico conclusivo, vários marcadores biológicos podem ser utilizados para identificar alterações metabólicas freqüentemente associadas ao autismo, servindo de auxílio na avaliação do quadro e principalmente na escolha do tratamento mais adequado. Exemplos de exames são o teste de alergias e sensibilidades alimentares (Imunoglobulina A (IGA), Imunoglobulina E (IgE) e Imunoglobulina G (IgG)), avaliação de metais tóxicos, análise fecal, pesquisa de fungos nas fezes, avaliação dos ácidos graxos, presença de anticorpos no soro, marcadores hepáticos e da via de metilação, ácidos orgânicos na urina, entre outros (JOHNSON & MYERS, 2007).

5 IMPLICAÇÕES BIOLÓGICAS DO AUTISMO

5.1 METILAÇÃO, TRANSULFATAÇÃO E SULFATAÇÃO

As vias bioquímicas de sulfatação, metilação e transulfatação estão associadas a processos necessários para manutenção da saúde do indivíduo e quando por algum motivo, não estão funcionando corretamente, trazem diversos prejuízos as funções celulares. Estes prejuízos ocorrem, pois estas vias são interdependentes e essenciais para diversos processos no organismo, como a eliminação de metais pesados, detoxificação, função imune, digestão, função celular e metabólica, integridade da mucosa intestinal, equilíbrio da microbiota e desenvolvimento neurológico (MATTHEWS, 2008).

As disfunções nestes mecanismos podem explicar as desordens normalmente encontradas

nos indivíduos com autismo. A metilação é necessária para a regeneração e a cura, é uma modificação estrutural necessária a todos os processos, envolvendo o DNA Deoxyribonucleic acid (Ácido Desoxirribonucléico), controlando ou interferindo na regulação epigenética (silenciamento ou ativação de genes). A produção de vitaminas, hormônios, enzimas, neurotransmissores e anticorpos, dependem destas modificações. Desta forma, a metilação apresenta importante papel na disposição, humor, bem-estar, concentração e estado de alerta (JAMES, 2006). Para o funcionamento da dopamina, importante para a manutenção da atenção numa determinada tarefa, é necessário que ocorra a metilação do receptor da dopamina para permitir a

ligação desta, o que provoca uma transformação das membranas lipídicas de forma a condicionar alterações na frequência das ondas cerebrais, responsáveis pela manutenção da atenção (SALES,

2010).

A transulfatação está relacionada a uma etapa da cascata bioquímica após a homocisteína e

interage com substâncias como cisteína, taurina, sulfato e glutationa. Essas substâncias estão altamente envolvidas na destoxificação, função antioxidante e outros processos importantes. A cisteína também pode ser convertida em taurina, que é utilizada na produção do sal biliar para digestão de lipídios, além de possuir função no sistema nervoso central. (MATTHEWS, 2008).

A cisteína participa da formação de metalotioneínas, cuja a função diminuída, irá dificultar

a entrada de minerais nas células, como cobre e zinco que são os responsáveis pela maturação

intestinal, apresentando por isto, alterações patológicas na permeabilidade intestinal. Esta proteína está envolvida diretamente no desenvolvimento e maturação cerebral e do trato gastrintestinal nos primeiros anos de vida do ser humano. Apresentam também uma diminuição da atividade enzimática digestiva, ou seja, enzimas intestinais são alteradas, perdendo a sua função e não processando o alimento como o deveriam fazer (MILLER-KUHANECK, 2004).

No perfeito funcionamento da metilação e da transulfatação, a cisteína pode ser convertida

em glutationa, que por sua vez é o antioxidante intracelular de maior importância nos seres vivos. Ela é necessária para a manutenção das concentrações de vitamina C e E, para destoxificação de

substâncias químicas e metais pesados, para a integridade da barreira intestinal formação e ativação das células T-help (T-auxiliadoras) (MATTHEWS, 2008).

A enzima Phenolsulfotransferase (PST - fenol sulfato transferase), um mecanismo

fundamental na desintoxicação é responsável pelo processamento dos compostos sulfúricos e fenólicos, deve processar fenóis (ingredientes artificiais e aditivos derivados do petróleo), os

salicilatos (encontrados naturalmente em frutas e vegetais) e as aminas fenólicas (como a dopamina

e serotonina). Crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) não são

capazes de processar ingredientes artificiais e alimentos ricos em fenóis, sugerindo uma incapacidade nesse mecanismo (FEINGOLD, 2010). A membrana celular dos compostos fenólicos é composta por água e lipídio, por isso permite a passagem através da barreira hematoencefálica. Os neurotransmissores são basicamente compostos fenólicos e alguns desses fenóis químicos (aditivos alimentares) são muito similares a neurotransmissores, podendo agir como neurotoxinas, pois se ligam aos receptores de neurotransmissores e estimulam artificialmente o cérebro, podendo causar manifestações como dor de cabeça, agressividade, hiperatividade, impaciência, comportamento auto-agressivo, distúrbios do sono, fadiga e redução da função neuromuscular. Essas reações ocorrem de 20 minutos a 2 horas após a ingestão do alimento. Isso ocorre quando essas substâncias, que não são devidamente processadas e destoxificadas, processo comumente relacionado a indivíduos autistas, atravessam a barreira hematoencefálica (FEINGOLD, 2010). Compostos Fenólicos devem ser eliminados quando uma séria deficiência de sulfatação é constatada. Estes são encontrados em todos os corantes artificiais, sabores artificiais e preservativos. Até mesmo os fenóis de origem natural, chamados de salicilatos, presente nos alimentos, devem ser eliminados. A lista de alimentos com salicilatos é grande e inclui alimentos como: uvas, pêssegos, cerejas, morangos, amoras, maçãs, damascos, tomates, pepinos, laranjas, amêndoas, ameixas e mel (NEIMARK, 2007). Considerando que o estresse oxidativo é uma característica sistêmica do autismo, e como conseqüências do comprometimento na metilação e disrupção epigenética são expressas em tecidos não-neuronais, dando origem disfunções imunes e gastrintestinais, sintomas comuns do autismo (DETH, 2008). São necessários vários nutrientes para que a metilação possa ocorrer, dentre eles, a colina, precursor da metionina e cofatores, betaína, ácido fólico, magnésio e vitamina B12. Para a transulfatação é fundamental a adequação da vitamina B6, magnésio e zinco. Já na sulfatação o molibdênio é o cofator. Os nutrientes supracitados de forma limitante ou polimorfismos nas enzimas que são necessárias para sua conversão, é uma das razões para a deficiência de componentes essenciais, como o sulfato, a taurina, a cisteína e a glutationa, leva ao prejuízo da maioria dos processos metabólicos encontrados nos indivíduos autistas (ARI, 2009). Estudos tem demonstrado resultados bastante positivos com a suplementação de nutrientes que participam das vias de metilação e transulfatação. Crianças autistas normalmente respondem bem a suplementação de vitamina B12, ácido fólico, Coenzima Q10, zinco, dimetilglicina ou trimetilglicina e ao uso de mega doses de vitamina B6, B3, B5, vitamina C e magnésio. Segundo o inquérito com pais de autistas realizado pelo Instituto de Pesquisa do Autismo, com 40% a 72% de

respostas positivas, foi observada melhora no contato visual, do interesse pelo mundo ao redor, da comunicação verbal (ARI & SHAW, 2009).

5.2 TOXICIDADE POR METAIS PESADOS

É conhecido que consumo de alimentos contaminados por mercúrio leva à uma gradual

deficiência de zinco e pode induzir ao mau funcionamento da metilação, principalmente em crianças que já apresentam fatores de predisposição ao autismo como, pais idosos e fatores genéticos . A deficiência de zinco pode permitir que o cobre atinja níveis elevados se tornando

tóxicos para as membranas, gerando estresse oxidativo, dano celular e levando a peroxidação lipídica, desta forma afetando principalmente a membrana celular que é fosfolipídica. Podendo

levar a célula a morte ou diminuir drasticamente suas funções, sendo assim, a exposição das células nervosas, que possuem alta taxa metabólica e capacidade reduzida de regeneração, esse tipo de estresse pode levar a perda da capacidade de aprendizagem, característica observada nos diferentes transtornos associados ao Autismo (ANDERSEN, 2004; DUFAULT, 2009). Os primeiros estudos envolvendo a influência da exposição a metais pesados no autismo e aumento do estresse oxidativo, surgiram a partir da suspeita de que vacinas estariam desencadeando sintomas autísticos em diversas crianças. Essa hipótese começou a ser largamente investigada pautada na presença do timerosal, conservante utilizado na maioria das vacinas desde a década de 1930. Segundo Bernard, o timerosal contém 49,6% de etilmercúrio (BERNARD, 2001).

O timerosal nas vacinas é injetado diretamente na corrente sanguínea, ignorando muitos dos

sistemas de defesa, como o intestinal. O mercúrio atravessa a barreira hemato-encefálica e se aloja no tecido, causando dano cerebral. Além do mais, bebês não possuem defesas para detoxificá-lo, já que a bile, que ajuda a eliminar as toxinas do organismo, não é produzida em crianças antes dos 4-6 meses de vida (MATTHEWS, 2008).

Diversos estudos demonstraram de que as crianças portadoras do TEA tem deficiências em seus sistemas de desintoxicação causando aumento da vulnerabilidade a intoxicação por metais, principalmente mercúrio, alumínio, chumbo, antimônio, arsênio e chumbo (GREEN, 2006). Um número grande de estudos tem demonstrado que a exposição ao mercúrio em grandes doses pode causar disfunções que são atreladas ao autismo, tais como comportamentais, neurológicas, imunológicas, sensoriais e motoras e que presença da albumina e testosterona

aumentam a toxicidade do mercúrio. Estudos demonstraram 100% de morte celular em cultura de neurônios quando adicionado o hormônio masculino, contra 5% somente na presença do timerosal. Em contraposição, o estrogênio teve efeito protetor com a toxicidade pelo mercúrio, o que pode explicar a diferença de 4:1 vista entre meninos e meninas que desenvolvem autismo toxicidade do mercúrio aumenta (GEIER, 2009).

5.3 QUELAÇÃO DE METAIS PESADOS

A quelação funciona como o sistema de defesa natural de sulfuração onde pequenas moléculas se ligam aos metais tóxicos para sequestrá-los e eliminá-los. A utilização de suplementos nutricionais que podem ajudar na eliminação do mercúrio e/ou reduzir os efeitos tóxicos. Selênio, glicina, N-Acetilcisteína, ácido lipóico, vitamina E, vitamina C, e produtos do peptidil clatorato, são amplamente utilizados. O agente mais utilizado para remover metais pesados é o DMSA (ácido dimercaptosuccinico), que apesar de alguns efeitos colaterais, é considerado o agente mais seguro. Além disso, a suplementação com outros metais, de forma benéfica, tais como: cálcio, magnésio, selênio e zinco, é muito importante uma vez que estes metais podem competir com metais tóxicos que estão sendo depletados durante o processo de quelação (SHAW, 2009).

6

GASTROINTESTINIAIS

DESEQUILÍBRIOS

Alguns autores relataram uma associação entre autismo e doença inflamatória intestinal, esofagite de refluxo, gastrite e má absorção de dissacarídeos (GILGER & REDEL, 2009). De acordo com estudos, 50% das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) sofrem de constipação e/ou diarréia. Baixos níveis de secretina, colecistoquinina, ácido clorídrico, enzimas digestivas, além de ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais são comumente

encontrados em indivíduos autistas. Dentre as diversas terapias utilizadas no tratamento biomédico do autismo, pode-se citar a suplementação desses itens (ARI, 2009). Apesar de não estar incluso no conjunto de alterações comportamentais característicos do transtorno autístico, manifestações inadequadas relacionadas com a alimentação estão presentes em 30 a 90% dos casos. Na literatura artigos publicados documentam uma variedade de comportamentos que são classificados em três categorias: seletividade baseada no grupo e textura do alimento; recusa de alimentos e comportamentos de indisciplina durante as refeições (JOHNSON et al., 2008). Os comportamentos relacionados à recusa tem como principal característica à rejeição freqüente de alimentos. Essa rejeição prejudica de forma marcante o consumo de nutrientes. Em caso de crianças, a ingestão de calorias pode comprometer o ganho ponderal e crescimento linear (GARLAND; WILLIANS, 2003).

Os componentes de indisciplina durante as refeições interferem no consumo de alimentos e

na adequação nutricional. Nessa classe as manifestações mais citadas pela literatura são: crises de choro, agitação, agressividade, autoagressão e comportamento disruptivo (cuspir na comida, deixar a mesa, jogando a comida fora do prato) (AHEARN et al., 2001). As anormalidades comportamentais relacionadas à alimentação provavelmente estão associadas aos distúrbios centrais do autismo. O déficit de interação social pode dificultar o aprendizado de crianças autistas em diversas atividades, por exemplo, comer com utensílios apropriados (LUKENS, 2008).

O comportamento repetitivo e o interesse restrito podem ter um papel importante na

seletividade dietética. Eles por serem resistentes a novas experiências provavelmente transferem esse mesmo padrão de comportamento para a inclusão de novos alimentos. Alguns autistas tem hipersensibilidade sensorial e por esta razão rejeitam alimentos e apresentam aversão à textura, temperatura ou outras características de alimentos (HERNDON, et AL., 2009). O potencial para uma aversão alimentar deve ser considerado em pacientes com TEA. Uma repulsa pode estar presente por causa de um evento anterior nocivo que tenha ocorrido após a ingestão de um alimento específico. A aversão pode ser generalizada para uma categoria mais ampla de alimentos. Um exemplo é uma criança que fica doente depois de comer um tomate. Uma criança com TEA que tem essa experiência pode posteriormente evitar todos os alimentos vermelhos. Este aspecto da intolerância alimentar é muitas vezes esquecido na busca pela causa da recusa de um indivíduo de um alimento específico (ARI, 2009).

6.1 A DIGESTÃO NO AUTISMO

Deficiências nutricionais são comuns no autismo, o que acarreta em muitos desbalanços bioquímicos e sintomas comuns do transtorno. Enquanto a maioria das crianças com autismo tem uma alimentação limitada em nutrientes, mesmo que ela consuma uma dieta variada e nutricionalmente adequada, ela precisa ser capaz de: digerir e hidrolisar adequadamente o alimento até uma forma absorvível; absorver os nutrientes através de um trato GI saudável; converter os nutrientes a uma forma utilizável em nível celular. Infelizmente, a maioria das crianças com TEA são incapazes de executar essas três funções (MCCANDLESS, 2004).

A digestão dos alimentos nos autistas normalmente está prejudicada pela baixa sulfatação, conforme mencionado anteriormente. O sulfato ativa a gastrina, a qual inicia a cascata para outras reações da digestão. A gastrina libera o ácido clorídrico e pepsina, que aumentam a acidez, proporcionando a quebra das proteínas e utilização dos aminoácidos, matérias-primas para hormônios, enzimas, neurotransmissores e tecidos. O pH reduzido estimula a secretina, hormônio digestivo produzido no duodeno e jejuno, pela ação das proteínas parcialmente digeridas no intestino. A secretina estimula o pâncreas a produzir bicarbonato, bile e enzimas pancreáticas para dar seguimento à digestão. A gastrina também estimula a liberação da secreção de enzimas pancreáticas e de colecistoquinina, a qual ativa a liberação da bile. A bile emulsifica as gorduras para serem digeridas e absorvidas pelo intestino delgado, mas também tem um papel importante na eliminação de toxinas do organismo. As enzimas pancreáticas são necessárias para digestão posterior das gorduras, carboidratos e proteínas (MATTHEWS, 2008). Baixos níveis de secretina, colecistoquinina, ácido clorídrico, enzimas digestivas, além de ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais são comumente encontrados em indivíduos autistas e podem ser explicadas pelo mecanismo acima descrito. Dentre as diversas terapias utilizadas no tratamento biomédico do autismo, pode-se citar a suplementação de enzimas digestivas, ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais e secretina. Esta apresentou eficácia em 43% das crianças autistas, enquanto enzimas digestivas obtiveram 62% de aprovação no tratamento e os ácidos graxos 59%, segundo o último levantamento do ARI. As vitaminas e minerais foram analisadas separadamente (ARI, 2009).

6.2 DISBIOSE

Os níveis elevados de bactérias do gênero Clostridium na cultura de fezes de crianças

autistas devido a elevada incidência de doenças infecciosas nessa população durante a infância, conduz ao consumo constante de antibióticos que tem como consequência a disbiose intestinal (PARRACHO et AL., 2005).

A população bacteriana do cólon é composta, predominantemente por poucos gêneros,

possuindo espécies diversificadas. Os gêneros predominantes são: Bacterioides, Bifidobacterium,

Eubacterium, Clostridium, Peptococus, Peptostreptococcus e Ruminococcus. Os lactobacilos fazem parte do ecossistema intestinal, mas sua quantidade varia substancialmente entre os indivíduos.

Variações ambientais, tipo de parto, tipo de dieta e fatores genéticos, influenciam o processo inicial de colonização intestinal (PARRACHO et al., 2005).

A microbiota intestinal equilibrada, a integridade da barreira mucosa e o sistema imune

entérico, são os componentes de defesa mais importantes do organismo. As bactérias intestinais

possuem diversos mecanismos de proteção do hospedeiro, que agem individualmente ou em

conjunto: competição pelo substrato e pelos sítios de adesão de mucina, manutenção de um ambiente fisiologicamente restritivo (pH, potencial redox e produção de metabólitos tóxicos para os patógenos), produção de antibióticos como a bacteriocina (DAVISON & CARVALHO, 2008).

O crescimento exagerado de bactérias patogênicas tumultua tanto a função gastrointestinal,

que acaba desequilibrando a produção das secreções pelos órgãos que as compõem. Isto resulta em insuficiência pancreática, diminuição da função biliar, deficiência de ácido clorídrico e por fim prejuízo à motilidade intestinal, podendo causar até depressão em decorrência da disbiose, pois alguns microorganismos tem o poder de diminuir a formação de serotonina, além de diminuir a capacidade de absorção dos nutrientes causando um déficit nutricional e levando a uma perda de peso (PÓVOA, 2000). Possivelmente alguns fatores podem estar atribuídos as causas da alteração da microbiota

intestinal como o abuso de laxantes, infecções, consumo excessivo de alimentos processados em detrimento de alimentos crus, constipação, excessiva exposição a toxinas ambientais e o uso indiscriminado de antibióticos, que destroem tanto as bactérias nocivas como também as úteis, ocasionando um desequilíbrio e favorecendo o supercrescimento de leveduras e o surgimento de infecções por Clostridium spp, (MARKIEWICZ & MACQUEEN, 2009).

6.3 PROLIFERAÇÃO DE CÂNDIDA ALBICANS NO AUTISMO

Há uma grande quantidade de provas, que um tipo de levedura, Cândida albicans, que pertence à família de levedura unicelular e pode localizar-se em vários partes do corpo, incluindo o trato intestinal onde existem bactérias benignas que limitam a quantidade de fermentação e consequentemente, mantem a levedura sob controle, pode causar ou exacerbar o comportamento e muitos problemas de saúde em indivíduos autistas (CADE, 2000). Um cenário típico para o aparecimento da Cândida pode ser o seguinte: quando uma criança tem uma infecção, os antibióticos que ajudam a combater as infecções, podem todavia destruir os micróbios e a flora normal que regula a quantidade de fungos no intestino e o resultado é que os fungos crescem rapidamente e liberam toxinas no organismo e essas toxinas, por sua vez, podem afetar as funções cerebrais (MORALES, 2010). As leveduras secretam fosfolipase A2, fosfatases ácidas e alcalinas, proteases, coagulases, queratinases, que são enzimas digestivas capazes de desencadear um processo inflamatório local. As leveduras podem se fixar firmemente na mucosa através de hifas produzindo exoenzimas que digerem as células da parede intestinal, facilitando ainda mais sua invasão no tecido (SHAW, 2009) Acredita-se que altos níveis de Cândida albicans pode ser um fator que contribui para muitos dos seus problemas comportamentais, quando as leveduras se multiplicam, elas liberam toxinas no corpo humano e essas toxinas podem causar danos ao sistema nervoso central e no sistema imunológico (SEROUSSE, 2001). O tratamento destes patógenos é difícil, pois como já mencionada anteriormente, eles produzem um biofilme, independentemente da localização anatômica, conferindo como um mecanismo de defesa para evitar a detecção do sistema imunológico, permitindo-lhes sobreviver em ambientes hostis e contribuindo para o aumento da resistência aos antifúngicos e contra as defesas do hospedeiro, sendo um fator importante para justificar infecções recorrentes (MORALES, 2010). Qualquer droga antifúngica pode ser eficaz, mas a nistatina é uma das mais populares. Praticamente, todas as drogas antifúngicas estão sendo usadas no tratamento do autismo, incluindo o fluconazol (Diflucan), o cetoconazol (Nizoral), e o itraconazol (Sporonox), a terbinafina (Lamisil), e o anfotericina B (GONZÁLES, 2005). Alguns produtos naturais também tem um poder antifúngico importante, pois são capazes de quebrar as paredes celulares de leveduras e afetam a fluidez da membrana de células virais , como por exemplo, o alho e o ácido caprílico, encontrado na gordura do coco. O ácido caprílico parece

ser uma excelente opção para o tratamento dos fungos intestinais, uma vez que é um produto natural e de sabor agradável (FINEGOLD et al., 2002).

O lactobacillus acidophilus e outras bactérias da flora intestinal normal também podem ter

um efeito no controle do aumento dos fungos intestinais. Além disso, uma diminuição da sacarose alimentar é de grande importância no combate aos fungos. No caso de grandes infestações, as frutas deverão ser oferecidas ao autista separadas dos outros alimentos, para que a digestão seja mais eficiente, não sobrando restos de açúcar no intestino (FINEGOLD et al., 2002). Foram relatados alguns efeitos adversos ou reações comportamentais no início desse tratamento, que pode estar relacionado às toxinas resultantes da morte de patógenos. Tais eventos

devem diminuir e desaparecer, com a continua administração do antifúngico e a manutenção da dietoterapia (GONZÁLES, 2005).

6.4 HIPERPERMEABILIDADE INTESTINAL

A mucosa intestinal possui uma função paradoxal, pois é responsável pela absorção de

nutrientes e ao mesmo tempo age como uma barreira celular que seleciona os componentes tóxicos e macromoléculas, sendo fundamental a sua integridade para a saúde do indivíduo. Os nutrientes são absorvidos por dois mecanismos: mais comumente, as células transferem as moléculas alimentares para a corrente sanguínea pela membrana basal pela via transcelular; a segunda via é chamada paracelular, ocorre quando as moléculas alimentares passam através de espaços entre as células. A intensidade com que ocorre essa passagem entre as células reflete a permeabilidade intestinal. Quando as células epiteliais da mucosa intestinal são danificadas, ocorre uma redução na absorção transcelular proporcional ao aumento da absorção paracelular. Gerando uma agressão a integridade da mucosa intestinal, danificando a estrutura de adesão das células epiteliais – os desmossomos – aumentando a absorção paracelular como consequência (DAVISON & CARVALHO, 2008). As anormalidades do trato digestorio de autistas frequentemente descritas em artigos como`processos inflamatórios do intestino, elevada colonização de bactérias do gênero Clostridium, sensibilidade à alimentos e defeito no mecanismo de sulfatação contribuem para aumento da permeabilidade da mucosa intestinal (CHRISTISON; IVANY, 2006)

A alteração da integridade da mucosa intestinal é decorrente de um processo crônico

inflamatório e permite que macromoléculas mal digeridas, metais tóxicos, subprodutos de fungos e bactérias entrem na corrente sanguínea provocando sintomas sistêmicos. Essa alteração de permeabilidade compromete a absorção de nutrientes, levando à depleção da reserva de antioxidantes, derivados de sulfato, glutationa e metionina (MATHEWS, 2008). Esse processo, por si só, pode provocar sintomas físicos, mentais e emocionais, consequentes do desencadeamento de alergias alimentares e ambientais, dificuldade de destoxificação, desequilíbrios hormonais, comprometimento das funções do sistema imunológico e carência dos nutrientes necessários para formação, manutenção, renovação e função celular (CARREIRO, 2008). Muitos fatores podem alterar a integridade da mucosa intestinal, sendo a causa ou fator agravante da inflamação, incluindo: desequilíbrio da microbiota intestinal, supercrescimento de leveduras, infecções gastrontestinais por bactéria, fungos ou vírus (natural ou por imunização), alergias e sensibilidades alimentares (ex: caseína e glúten), intolerâncias alimentares (ex: lactose), neutralização do ácido clorídrico, respostas auto-imunes excessivas e crônicas, deficiência de enzimas digestivas seguida de digestão incompleta de proteínas, gorduras e carboidratos, uso de medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais, corticóides, antibióticos, laxantes e quimioterápicos), jejum, parto prematuro e exposição alimentar precoce antes de 4-6 meses; carências nutricionais (zinco, ácido fólico, vitamina A, B12, B5 e glutamina), baixo cosumo de

fibras dietéticas e excesso de carboidratos refinados e substâncias químicas e sulfatação insuficiente dos glicosaminoglicanos (GAGs) (CARREIRO, 2008; DAVISON & CARVALHO, 2008; MATTHEWS, 2008). As GAGs são longas cadeias de polissacarídeos que possuem muitas funções, incluindo a integridade intestinal. Para que exerçam sua função, elas precisam ser sulfatadas. As GAGs não sulfatadas tem um dos maiores impactos nos indivíduos com autismo, pois são altamente variadas, específicas e reguladas, influenciando na função da membrana (integridade intestinal e cerebral), interação proteína/proteína, interação ligante/receptor, sinalização da proteína G, sinalização de cálcio, junções celulares (comunicação célula/célula), diferenciação, crescimento, endocitose, gerenciamento dos cátions na superfície celular (MATTHEWS, 2008).

Os processos listados acima são ameaçados quando a quantidade de sulfato do organismo é

muito baixa. Na presença de infecção, no intestino ou outro local do organismo, as GAGs são derramadas e macrófagos vão para o local, rompem o tecido e liberam sulfato, o qual é posteriormente excretado pela urina. Essa combinação de eventos em resposta à infecção pode ser a

explicação do para as enterocolites ou infecções crônicas de ouvido em autistas induzirem os problemas crônicos de sulfatação (MATTHEWS, 2008). Quando o sulfato está baixo e as GAGs não são sulfatadas, podem levar ao mau funcionamento do sistemas, especialmente na barreira intestinal e hematoencefálica, ambos locais que necessitam de boas defesas. Em pesquisas, foram encontrados baixos níveis de sulfato no sangue e altos níveis de sulfato na urina de autistas e documentados níveis elevados de permeabilidade intestinal em crianças autistas (WHITE, 2003). Além disso, observa-se que indivíduos com aumento do transporte paracelular são mais predispostos a absorção de metais pesados, xenobióticos e macromoléculas alimentares, que ao estimularem o sistema imune, liberam mediadores inflamatórios típicos do processo de hipersensibilidade alimentar (DAVISON & CARVALHO, 2008).

7 REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE E A FORMAÇÃO DE OPIÓIDES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

7.1 ALERGIAS E INTOLERÂNCIA ALIMENTAR

A alergia é uma reação de hipersensibilidade iniciada por mecanismos imunológicos sendo mediada por anticorpos ou por células. É uma reação de hipersensibilidade do tipo I mediada por anticorpos IgE (Imunoglobulina E) que pode se manifestar de 2 a 72 horas depois da exposição ao antígeno. Os alimentos que mais propiciam alergias nos indivíduos que apresentam os transtornos de espectro autista (TEA) são o ovo, o leite de vaca, glúten, amendoim, frutas secas, trigo, soja, peixes e mariscos. Assim, por alergia alimentar (AA) entende-se uma resposta imune exacerbada a proteínas alimentares, absorvidas através da mucosa intestinal permeável (JYONOUCHI et al.,

2005).

As alergias alimentares podem exacerbar as alterações comportamentais das crianças com TEA, como irritabilidade, agressividade e hiperatividade. Além de propiciarem o surgimento de quadros diarréicos ou de constipação. Podem alterar também a microbiota intestinal, favorecendo o crescimento de microorganismos patogênicos (CARREIRO, 2008; SHAW, 2009).

A intolerância alimentar pode levar aos mesmos sintomas identificados na alergia, como as

alterações identificadas no trato gastrintestinal, mas não depende da ação de anticorpos, não envolvendo assim a ação do sistema imune. Geralmente é ocasionada devido à deficiência de enzimas e a presença de corantes, realçadores de sabor e conservantes (JYONOUCHI et al., 2005).

7.2 FORMAÇÃO DE OPIÓIDES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Estudos mostraram que crianças com TEA possuem uma deficiência da enzima dipeptidil-

peptidase IV (DPP IV), responsável pela hidrólise do glúten e da caseína. Essa hidrólise é afetada pela deficiência da enzima DPP IV, gerando peptídeos, chamados exorfinas. Essas exorfinas atravessam com facilidade a parede intestinal devido ao seu estado hiperpermeável, chegando a corrente sanguínea. Ao chegarem ao cérebro, atuam como as substâncias opióides, ligando-se a receptores de neurotransmissores e ocasionando reação semelhante a encontrada após o uso de morfina e heroína ( KIDD, 2002; GOTTSCHALL; 2007; SHAW, 2009). Esses peptídeos com ação opióide ficaram conhecidos como gluteomorfina ou gliadomorfina, os do glúten e como caseomorfina, o da caseína. Como as drogas opiáceas, esses peptídeos interferem nos neurotransmissores, afetando diretamente o sistema nervoso central (SNC) ocasionando insensibilidade a dor, pensamento confuso e alterações de fala como a ecolalia. Estudos mostraram que a taurina pode ter um efeito anti-opióide, pois estabiliza os níveis de hormônios cerebrais (SHAW, 2009; MATHEWS, 2008).

A restrição do glúten e da caseína como intervenção inicial no tratamento biomédico do

autismo se pauta nessa teoria de opióides e hiperpermeabilidade intestinal. Estudos comprovaram

a existência desses peptídeos aumentados na urina de crianças com TEA (CASS, 2008).

7.3 SISTEMA IMUNOLÓGICO E INFLAMAÇÃO

Para que a imunidade celular funcione corretamente, as células auxiliadoras Th1, responsáveis pelo combate a microorganismos, diretamente através dos macrófagos e as Th2, que

são mediadas por anticorpos, envolvidos com a inflamação e respostas auto-imunes devem estar equilibradas. Nas crianças autistas, ocorre um desequilíbrio entre essas células (VODJANI, 2008; LI, 2009). Essa alteração reduz os linfócitos Th1 e aumenta os Th2, debilitando o sistema imune contra microorganismos patogênicos, propiciando alergias e criando problemas auto-imunes. Grande parte dos indivíduos autistas também apresentam alterações intestinais, prejudicando também o bom funcionamento do sistema imune, uma vez que 70 % do tecido linfóide se encontra no intestino. Essa alteração favorece a diminuição de concentração de IgA secretora, diminuindo assim a tolerância a antígenos e bactérias patogênicas (CARREIRO, 2008; GOINESA & WATER, 2010). A alteração da regulação imune tem se mostrado em estudos um dos fatores responsáveis pela inflamação intestinal e cerebral, uma vez que a resposta inflamatória está exacerbada. Também facilita o estresse oxidativo, normalmente presente nas crianças autistas (MOLLOY, 2006; SUH,

2009).

7.4 SISTEMA ENDÓCRINO E GLANDULAR

Problemas endócrinos e resistência à insulina são comuns no Transtorno do Espectro Autista (TEA) podendo levar ao aumento das características autistas como a ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo (TOC), dificuldade em alternar tarefas, problemas de integração sensorial, birras, movimento corporal repetitivo, inabilidade de tolerar as pessoas. Em contrapartida o cortisol, hormônio de resposta ao estresse encontra-se elevado, freqüentemente levando a distúrbios do sono. A resposta ao estresse prolongado pode criar inflamação no cérebro. Os glicocorticóides do estresse persistentemente em níveis elevados prejudicam a função neural do hipocampo, causando a morte dos neurônios. Todo esse estresse gerado pode levar à inflamação cerebral (MATHEWS, 2008; ARI, 2010).

8 DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS COMUNS NO AUTISMO

As deficiências nutricionais são comuns no autismo devido à alimentação limitada decorrente de alergias e intolerâncias comuns a essa patologia. Mesmo que uma dieta balanceada fosse possível, ainda seria necessário que o indivíduo autista apresentasse um trato gastrintestinal saudável para poder digerir e absorver corretamente os nutrientes. A maioria das crianças com TEA apresentam deficiências nas vitaminas B1, B3, B6, B5, B12, A e C, ácido fólico, biotina, taurina, zinco, selênio, magnésio e ácidos graxos essenciais. Alguns estudos mais recentes ainda mostram níveis insuficientes de licopeno e vitamina E (MCCANDLESS, 2004; KRAJCOVICOVA- KUDLACKOVA, 2009). Os testes funcionais são realizados para verificar os níveis dessas vitaminas e minerais das crianças com TEA, e ainda podem apontar os níveis de metais tóxicos, avaliação da digestão, absorção e os microorganismos presentes nas fezes. Essas análises são importantes para a escolha da dieta a ser implementada e a melhor forma de suplementação (KIDD, 2002; MATHEWS, 2008).

9 TIPOS DE DIETAS SUGERIDAS NO TRATAMENTO DA CRIANÇA AUTISTA

9.1 DIETA SEM GLÚTEN E SEM CASEÍNA (SGSC)

A digestão incompleta do glúten e da caseína devido a deficiência enzimática, leva à formação de exorfinas que funcionam como moléculas sinalizadoras que interferem nos sistemas de neurotransmissores que regulam o comportamento. Em estudos pediátricos foram encontrados peptídeos anormais na urina de esquizofrênicos e autistas (JYONOUCHI et al., 2005). Quando essa quantidade está elevada no sangue, mesmo em indivíduos normais, ocorre alteração da acidez estomacal, da motilidade intestinal e redução do número de células nervosas do SNC, afetando diretamente o processo de neurotransmissão. Esse excesso de substâncias opióides no SNC afeta a percepção, a emoção e o humor e nos indivíduos autistas, agrava os problemas de comportamento (MILLWARD, 2009). Muitos pais consideram a dieta de exclusão do glúten e caseína uma intervenção muito efetiva e relatam melhorias em vários níveis: digestão, comunicação verbal, contato visual, conexão

e outros. De acordo os resultados da pesquisa do ARI , 69% dos pais reportam notável melhora nos sintomas com a dieta SGSC.

9.2 DIETA DO CARBOIDRATO ESPECÍFICO (Specific Carbohydrate Diet - SCD)

A Dieta do Carboidrato Específico (SCD) é uma dieta que elimina todos os açúcares complexos, incluindo a remoção do melado, açúcar de cana, o néctar de agave, xarope de arroz, de mandioca, de milho, e outros. Ela também remove todos os amidos e féculas, tais como grãos, cereais e tubérculos. Não se trata de uma dieta low carb ( baixo carboidrato), mas de specific carb (carboidrato específico). Os carboidratos nessa dieta são predominantemente açúcares simples (monossacarídeos), como o mel, frutas, iogurte corretamente fermentado e alguns vegetais. A dieta também permite a ingestão de carnes, peixes, ovos, nozes, alguns tipos de feijão e lentilha após hidratar, e todos os vegetais não-amiláceos (GOTTSCHALL, 2007). Existe uma variação da SCD chamada de Gut and Psychology Syndrome - GAPS (Síndrome do Intestino e Psicologia) e tem como objetivo estabelecer uma conexão entre o cérebro e as funções do sistema digestivo. A GAPS vem sendo utilizada em pacientes com doenças neurológicas e psiquiátricas. Tem como princípios os mesmos da SCD, mas também faz uso de alimentos fermentados e caldos nutritivos (CAMPBELL-MCBRIDE, 2010).

9.3 DIETA DA ECOLOGIA DO CORPO (BED)

Também conhecida como Body Ecology Diet – BED (Dieta da Ecologia do Corpo), tem como objetivo a reconstrução da imunidade e da microbiota intestinal. Utiliza alimentos fermentados (Kefir de coco verde e fermentação caseira de vegetais); alimentos Alcalinizantes (vegetais são os principais) e de fácil digestão. (GATES, 2006; FEINGOLD, 2010). Semelhante à dieta macrobiótica, a BED recomenda o uso de algas e grãos menos amiláceos e acidificantes, como quinoa, amaranto, trigo-sarraceno, painço, hidratados e germinados para facilitar a digestão. Cada refeição deve seguir a proporção da regra 80: 20, com 80% de vegetais

sem amido e 20% de proteínas ou grãos. Produtos lácteos não são permitidos, pois a lactose serve de substrato para os fungos (GATES, 2006). Embora a BED seja difícil de implementar, é uma dieta equilibrada, que retorna a atenção para o poder de alimentos tradicionais e o uso de alimentos fermentados em favor de uma microbiota intestinal saudável. É considerada uma das dietas de base da intervenção nutricional do autismo, tendo 58% de aprovação pelos pais, juntamente com outras dietas antifúgicas (ARI, 2009).

9.4 DIETA ANTIFÚNGICA

Esta é a dieta tem como princípio a restrição aos alimentos que fornecem substrato a Candida. Restringe o consumo de açúcares, incluindo frutas e carboidratos refinados, alimentos fermentados (exceto fermentação por lactobacilos), alimentos mofados, envelhecidos e curados (ex:

carnes e queijos) e fermento biológico usado em pães e massas. Além disso, restringe ou recomenda a redução de trigo, lácteos, ovos, corantes artificiais, flavorizantes e conservantes, baseando-se em uma alimentação saudável e natural (HART, 2009). Alguns estudos tem demonstrado benefícios associados ao consumo de alimentos ricos em probióticos como o chucrute cru e vinagre de maçã não pasteurizado. O maior consumo de lactobacilos desempenha um papel importante na reestruturação da microbiota saudável e no controle do crescimento de leveduras patogênicas (CULLIGAN, 2009; KAUR, 2009). Deve-se ter uma precaução com o consumo de alimentos ricos em probióticos, pois estes também podem conter leveduras patogênicas. Pesquisas realizadas com leveduras do Saccharomycies Boulardii tem demonstrado eficácia no tratamento de doenças inflamatórias e infecciosas do trato gastrintestinal. Existem evidências de que S. boulardii é benéfico para o tratamento de gastrenterites agudas e prevenção da diarréia associada a antibióticos. Essa dieta no tratamento do autismo é associada a dieta sem glúten e sem caseína, eliminação de produtos industrializados, corantes e conservantes (MATHEWS, 2008; VANDENPLAS, 2009).

A dieta de Feingold tem mostrado melhoras comportamentais após a retirada de corantes,

flavorizantes, salicilatos naturais, encontrados em maçãs, damascos, cerejas, uvas, bananas, laranjas, nectarinas, tomates, nozes e amendoins. Os aditivos artificiais também devem ser retirados da dieta e são encontrados nos cereais artificiais, doces, bebidas com adoçante e lanches prontos (FEINGOLD, 2010; BETH, 2010).

Os portadores de autismo possuem deficiência da enzima fenol-sulfo-transferase (PST) que

causa a sensibilidade aos salicilatos, que causa hiperatividade, dificuldade de adormecer à noite, riso inadequado e bater a cabeça/rindo, hiperatividade e agressividade. Para crianças com autismo,

tem se utilizado uma variação da dieta de Feingold, onde também são proibidos os realçadores de sabor (glutamato monossódico) (MATTHEWS, 2008).

9.6 DIETA POBRE EM OXALATO

O oxalato é um sal formado no fígado como produto residual do metabolismo de

aminoácidos e é encontrado no chocolate, café, chá, frutas e alguns alimentos. Naturalmente, no indivíduo saudável ocorre a ligação do oxalato com minerais, como o cálcio. Os cristais formados dessa ligação não são absorvidos em excesso no intestino saudável, pois são metabolizados pela

bactéria Oxalobacter formigenes e excretados nas fezes (COLIN, 2004).

A menor concentração dessa bactéria intestinal pode ser acompanhada da alta concentração

do oxalato urinário, aumentando o risco de formação de cristais de oxalato. Estudos mostrando ligações entre a ocorrência de nefrolitíase e a presença de Oxalobacter formigenes sugerem que a terapia com antibióticos pode contribuir para a perda deste organismo da microbiota. Crianças autistas normalmente fazem uso de largas doses de antibióticos e apresentam disbiose o que pode justificar os altos níveis de oxalato nos exames urinários (COLIN, 2004; DUNCAN, 2002; SILVA,

2009).

Como indivíduos autistas normalmente apresentam hiperpermeabilidade intestinal, os cristais de oxalato formados podem entrar na corrente sanguínea e chegar a urina e aos tecidos. A alta concentração nos tecidos apresenta inflamação e dor, podendo causar lesões. Quando presente nas células, é responsável pelo aumento do estresse oxidativo, que depleta a glutationa e acentua a inflamação relacionada ao sistema imune (MATTHEWS, 2008).

Não existem ainda muitos estudos que comprovem a eficácia da dieta pobre em oxalato no tratamento do autismo. Alguns autores defendem que a melhora da disbiose e a manutenção da permeabilidade intestinal normal podem impedir a absorção excessiva de cristais de oxalato (SILVA, 2009).

9.7 DIETA DE ELIMINAÇÃO E ROTAÇÃO

A dieta de eliminação e rotação funciona como uma dieta secundária, pois ela é sempre

associada a alguma outra dieta. Ela consiste na retirada dos alimentos alergênicos. Como o próprio

nome já diz, o alimento pode ser retirado totalmente ou rotacionado dependendo do indivíduo. Para saber que alimentos deverão ser eliminados ou rotacionados, exames laboratoriais que testam anticorpos IgG podem ser feitos (ARI, 2009; MATHEWS, 2008). Os alimentos que mais causam problemas aos autistas são leite e derivados, glúten, ovos, milho, chocolate, sementes oleaginosas e produtos artificiais. Por serem alimentos de diversos grupos, a dieta de eliminação e rotação é difícil de ser implementada. A retirada do alimento alergênico deve durar no mínimo uma semana e a reintrodução deve ser de um alimento de cada vez por três dias consecutivos, quando não houver reação ao dia anterior. Um registro deve ser mantido, pois estudos demonstram que esse teste pode ser mais confiável que os exames laboratoriais e que mudanças positivas ocorreram no comportamento e atenção das crianças autistas (MATHEWS, 2008; ARI, 2009).

A dieta de eliminação e rotação pode se tornar muito restritiva, favorecendo a baixa

variedade de alimentos consumidos, podendo levar ao surgimento de novas sensibilidades. Essa dieta tem mostrado a melhora dos sintomas intestinais, pois reduz a inflamação e auxilia no processo de restauração da mucosa. Após essa melhora intestinal, alguns alimentos retirados da dieta podem ser reintroduzidos através de um consumo rotativo (ARI, 2009).

10 DIAGNÓSTICO

Os cuidados primários de avaliação nutricional de cada pessoa comTEA deve incluir:

Medidas de peso e altura (peso/altura), ou índice de massa corporal (IMC)

• Medidas de peso e idade (peso/ idade)

• Medidas de altura para a idade (altura/ idade)

Qualquer alteração acentuada na taxa de crescimento (percentis ao longo do tempo)

Medidas de antropometria rotineiras são recomendadas comoparte da avaliação das crianças com TEA. As anormalidades do estado nutricional(desnutrição, baixa estatura) ou mudanças na taxa de crescimento irão alertar para o crescimento inadequado e para a possibilidade de ingestão calórica inadequada ou a qualidade nutricional da dieta, má absorção ou má digestão. Qualquer criança cujo crescimento é motivo de preocupação deve ser encaminhada a um nutricionista, de preferência um que esteja familiar com suporte nutricional para indivíduos com TEA (ARI,2009).

10.1 EXAME DE ÁCIDOS ORGÂNICOS

Detecta metabólitos de proliferação de leveduras e bactérias, espécies comumente não encontradas em métodos de culturas convencionais. Adicionalmente, as informações incluem produtos de digestão de carboidratos, funcionamento das mitocôndrias, que produzem a maior parte da energia celular, muitos níveis de vitaminas, metabólitos de neurotransmissores, transtornos de oxidação de ácidos graxos, níveis de oxalatos, e todos os erros inatos do metabolismo, deficiências vitamínicas e metabolismo de catecolamina anormal, dopamina e serotonina. Analisa também, alguns transtornos bioquímicos comuns no autismo como a uracila e ácido glutárico que costumam ser elevados no autismo (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.2 EXAMES DE PEPTÍDEOS DE GLÚTEN E CASEÍNA

Serve para avaliar a quantidade de peptídeos provenientes do glúten e da caseína que está presente na urina, pois existem algumas pessoas que não mostram alergia a leite ou a trigo, mas têm

problemas de peptídeos e vice versa, então é ideal fazer os exames de alergia alimentar e de peptídeos de glúten e caseína simultaneamente (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.3 AVALIAÇÃO GASTROLÓGICA COMPLETA

Este exame avalia todo o funcionamento do intestino como a digestão de nutrientes (quimotripsina, triglicerídeos, fibras musculares, fibras vegetais), absorção de nutrientes (colesterol, carboidratos, eliminação de resíduos de alimentos não digeridos e toxinas), níveis de bactérias benéficas na flora intestinal, presença de espécies de bactérias potencialmente potegênicas, cultura e sensibilidade de leveduras patogênicas e bactérias, índices e marcadores da função imunológica intestinal, índices e marcadores de inflamação, presença de mucosa, pH fecal, sangue oculto e análise de ácidos graxos de cadeia curta (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.4 PAINEL DE ALERGIA DE ALIMENTOS

Anticorpos IgG são aqueles que conferem resistência em longo prazo contra infecções após imunizações. Esses anticorpos tem tido uma meia vida muito mais longa que quando comparados com a IgE tradicional IgE tradicional, que está relacionada a alergia e funcionam com uma capacidade muito diferente em células imunológicas. Esse funcionamento diferenciado da IgG causa os sintomas da alergia posteriormente, por essa razão, podem ocorrer horas ou até dias após o alimento danoso ser ingerido. (AUTISMO INFANTIL, 2011). Algumas pessoas toleram um alto grau de alimento sem sofrer nenhum sintoma externo, enquanto outros podem apenas ingerir um pouco do alimento para que os sintomas sejam notáveis. O grau e a severidade dos sintomas variam por causa do perfil genético do indivíduo. Interessante que muitos dos pacientes que tem resposta positiva com a eliminação dos alimentos com antígeno, muitas vezes têm outras anormalidades imunológicas e anormalidades (SHAW, 2009).

10.5

EXAMES DE ÁCIDOS GRAXOS

Ácidos graxos essenciais podem ser deficientes devido a dietas inadequadas, diarréia, produção inadequada de enzimas pancreáticas, ou produção inadequada ou secreção de bile. O padrão normalmente observado em crianças com autismo é deficiência de ácidos graxos omega-3, especialmente alfa-linolênico com elevações de ácido de araquidônico que é extremamente importante uma vez que é convertido em substâncias regulatórias chamadas prostaglandinas (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.6 PAINEL AVANÇADO DE COLESTEROL

Esse painel checa o nível de colesterol total, anormalidades no nível de homocisteína no transporte de colesterol. Esses são elementos chave na saúde metabólica de pessoas com autismo (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.7 MINERALOGRAMA

O sangue é melhor para medir os níveis de minerais essenciais, determinando possíveis deficiências e contato recente com metais pesados. Este exame pode determinar a fonte principal ou contribuinte que causa a desordem e auxiliar na quelação (eliminação de metais pesados do corpo), assim também como suplementar com minerais importantes, traz melhorias importantes na condição de pessoas afetadas por desordens crônicas, autismo, e desordens do desenvolvimento. Metais pesados podem afetar a absorção normal de vitaminas e minerais, assim também como o funcionamento do sistema imuológico, do sistema metabólico (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.8

EXAME DE CULTIVO E SENSIBILIDADE DE LEVEDURA

Este teste deve ser feito em combinação com o teste ácido orgânico para adquirir a leitura mais precisa para levedura e crescimento de bactéria. O teste de ácido orgânico na urina é o teste mais preciso para detectar leveduras que às vezes podem ser negligenciadas no teste de fezes (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.9 EXAME DE PROPORÇÃO DE COBRE / ZINCO

Têm sido observado acúmulo de cobre e problema na excreção de metais tóxicos de crianças com espectro autista. Ambos o cobre e o zinco são minerais essenciais, mas excesso de cobre pode se comportar como pro-oxidante. A função do zinco inclui suporte crítico ao sistema imunológico (AUTISMO INFANTIL, 2011).

10.10 PORFIRINAS

Avalia os efeitos de toxicidade na via de biossíntese do grupamento Heme. Avalia os efeitos negativos da sobrecarga tóxica no sistema orgânico (AUTISMO INFANTIL, 2011)

11 EXAMES COMPLEMENTARES

Também podem ser solicitados se necessário: Testes hepáticos, renais, pancreáticos, tireoideanos, Coproanálise, pH, açúcares redutores, sangue oculto, leucócitos fecais, esteatócrito, estudo de protozoários e helmintos, estudo de supercrescimento bacteriano ou manitol lactulose, Perfil Celíaco, estudos endoscópios como: endoscopia digestiva alta, colonoscopia, ileoscopia. Estudos histológicos como: presença de Helicobacter pylori, de aglomerados linfóides, classificação de duodenite, hiperplasia linfóide nodular e eosinofilia tecidual (GONZÁLES, 2005).

12 CONCLUSÃO

Até bem pouco tempo atrás, o autismo era visto apenas como um problema neurológico com enfoque psiquiátrico, mas atualmente vem sendo estudado sobre a perspectiva metabólica e bioquímica considerando os múltiplos sistemas orgânicos em desequilíbrio como o neurológico, gastrointestinal, imunológico e de detoxificação. Este trabalho apresentou a opção de algumas dietas para amenizar os sintomas e oferecer melhor qualidade de vida a criança com autismo. A dieta de base e a mais utilizada é a SGSC que evita a formação de substâncias similares aos opióides diminuindo alguns sintomas autísticos. Embora ainda sejam poucos os estudos comprovando a eficácia das dietas, nas pesquisas e nas evidências empíricas, percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação destes pacientes.

Alguns fatores podem contribuir para o aumento dos sintomas no autismo: a má digestão do glúten e caseína, alergias do tipo IgG e/ou IgE, elevação da Cândida ou outros tipos de fungos e seus subprodutos, elevação da bactéria clostrídium, elevação de metais pesados, desequilíbrio de minerais e vitaminas, problemas imunológicos, a susceptibilidade genética e a capacidade de detoxificação. Esses fatores podem ser avaliados separadamente, porém estão totalmente relacionados entre si, ficando muito claro o quanto a nutrição é determinante neste processo.

É fundamental a restauração do desequilíbrio fisiológico e bioquímico, buscando o equilíbrio dos sistemas de base de funcionamento do corpo humano, otimizando o funcionamento celular e contribuindo com a melhora dos sintomas das crianças que se encontram no espectro

autístico e é muito visível como os fatores que estão envolvidos no autismo estão relacionados com desequilíbrios funcionais, disfunção imunológica e inflamatória, estresse oxidativo, alterações gastrointestinais, desequilíbrios estruturais, problemas de detoxificação, interações corpo-mente e disfunções neuroendócrinas, formando uma interconexão.

É importante enfatizar que haja uma intervenção apropriada e individualizada para cada caso, buscando, uma melhor qualidade de vida e um progresso na regressão dos sintomas autísticos.

Diante de todas as implicações do distúrbio neurológico e metabólico do autista, este tratamento deve ser aplicado de forma interativa e multidisciplinar, sendo a nutrição um importante contribuinte no somatório para melhoria nas características e nos sintomas da desordem autista, exercendo um caráter de base no tratamento biomédico do autismo. Associado a isso deve ser feito, também, o levantamento semiológico completo da vida do paciente. Enfoques e evidências médicas que possam ser somadas as alterações neurológicas e/ou clínicas tais como: uso de medicamentos que possam interferir no metabolismo de algum componente da dieta, distúrbios físicos e/ou psíquicos, entre outros, tornam-se importantes no tratamento geral do autista.

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