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BIZU DO PONTO – DIREITO CIVIL: ANALISTA DO TJDFT PROFESSOR: LAURO ESCOBAR

Meus amigos e alunos

Quando vamos prestar algum concurso, a primeira coisa a fazer é uma análise do edital. Este é o nosso mundo! Vejamos.

A) Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei nº 4.657/42, com suas alterações). Trata-se de uma lei pequena, com apenas 19 artigos. Neste item aconselho o aluno a se preocupar mais com os seis primeiros artigos, que são os mais usados na prática, bem como têm maior incidência nos concursos públicos. Não que os outros artigos não possam cair. Mas é que em termos de estatísticas e importância prática, eles se destacam. Com certeza pelo menos uma questão referente a este tema deve cair na prova.

A LINDB é um conjunto de normas sobre normas; é considerada como um “Código de Normas”, ultrapassando o âmbito do Direito Civil, atingindo tanto matéria de ordem privada, quanto pública. Ela trata dos seguintes temas: vigência e eficácia das normas jurídicas públicas e privadas; apresenta soluções aos conflitos de normas no tempo e no espaço; fornece critérios de interpretação (hermenêutica); estabelece mecanismos de integração das normas quando houver lacunas e contém também normas de Direito Internacional.

Em relação ao tema vigência das leis devemos nos preocupar com os seus princípios: obrigatoriedade (art. 3 o , LINDB) e continuidade das leis (art. 2 o , LINDB). Quando uma lei começa a vigorar? A regra geral (teórica) é de 45 dias após a publicação (art. 1 o , caput, LINDB). Chamamos este período de vacatio legis. No entanto, na prática, a lei entra em vigor na data em que ela mesmo determinar. Já nos estados estrangeiros o prazo é de três meses após a publicação. Se houver alguma alteração da lei durante o prazo de vacatio, o prazo recomeça a contar da republicação (art. 1 o , §3 o da LINDB). Se alteração se deu após o prazo de vacatio, trata–se de lei nova (art. 1 o , §4 o da LINDB). A contagem é feita incluindo-se o dia do começo e também o último dia do prazo, entrando a lei em vigor no dia subsequente à sua consumação integral (art. 8 o , §1 o , LC n° 95/98, alterado pela LC n° 107/01).

Outros dois temas que costumam cair muito: a) Repristinação: uma lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo disposição em contrário (art. 2 o , §3 o , LINDB); b) Lei Especial que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica lei anterior (art. 2 o , §2 o , LINDB). Princípio da Conciliação. Interpretar a lei é descobrir o sentido da norma jurídica, fixando o seu alcance →→→ hermenêutica. Principais formas de interpretação: 1) Quanto às fontes: a) autêntica; b) doutrinária; c) Jurisprudencial. 2) Quanto aos resultados: a) declarativa; b) extensiva; c) restritiva. 3) Quanto ao método ou meio utilizado: a) gramatical; b) lógica; c) sistemática; d) ontológica; e) histórica; f) sociológica ou teleológica (adotada pelo art. 5°, LINDB): “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.

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Ás vezes, o legislador não consegue prever todas as situações que uma norma pode criar. E um Juiz não pode deixar de julgar um caso alegando lacuna da lei. Por isso o art. 4 o , LINDB prevê, que quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso (formas de integração da norma jurídica) de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Na analogia aplica-se em hipótese não prevista, dispositivo relativo a outro caso distinto, porém semelhante. O costume é a reiteração constante de uma conduta (elemento objetivo), na convicção de ser a mesma obrigatória (elemento subjetivo). Espécies: a) segundo a lei a própria lei determina a sua aplicação (admissível); b) na falta da lei quando a lei deixa omissões que podem ser preenchidas por ele (admissível); c) contra a lei quando ele contraria o que dispõe a lei (inadmissível, segundo a teoria majoritária). Os princípios gerais de direito são regras que se encontram na consciência dos povos, mesmo que não sejam escritas, mas que estão implícitas em nosso ordenamento jurídico. Finalmente a antinomia, que é a presença de duas normas conflitantes, sem que se possa afirmar qual delas deverá ser aplicada a um caso concreto. Critérios para solução do conflito aparente de normas: a) hierárquico (uma norma é hierarquicamente superior à outra); b) especialidade (uma norma é especial em relação a outra) e c) cronológico (baseado no princípio de que a norma jurídica mais nova revoga a mais velha).

B) CÓDIGO CIVIL. O primeiro tema se refere à Pessoa Natural (todo ser humano considerado como sujeito de obrigações e direitos, sem qualquer distinção). O início da personalidade se dá com o nascimento com vida; mas

a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro (o que está por nascer). Em relação ao fim da personalidade, o item de maior relevância é o da morte presumida. Isto depende de um processo, que passa por três fases:

a) Ausência (arrecadando-se os bens que serão administrados por um curador); b) Sucessão Provisória (é feita a partilha de forma provisória, aguardando-se por 10 anos o retorno do ausente); c) Sucessão Definitiva – na abertura já se concede a propriedade plena dos bens e se declara a morte (presumida) do ausente. Seu cônjuge é reputado viúvo. Aguardam-se mais dez anos, não comparecendo neste período encerra-se o processo.

Em relação à capacidade o mais importante é saber a classificação: 1) Absolutamente Incapazes: a) menores de 16 anos; b) enfermidade ou deficiência mental sem discernimento; c) pessoas que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 2) Relativamente Incapazes: a) maiores de 16 e menores de 18 anos; b) ébrios habituais, viciados em tóxico e os que por deficiência mental tenham discernimento reduzido; c) excepcionais, sem desenvolvimento completo; d) pródigos

(pessoas que dissipam seus bens). Lembramos que os índios são regulados por legislação especial (Lei n° 6.001/73 – Estatuto do Índio). 3) Capacidade Plena

– maiores de 18 anos ou emancipadas.

A emancipação é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos. Hipóteses: a) concessão dos pais (na falta de um deles, apenas a do outro), por instrumento público, independentemente de homologação judicial – 16 anos; b) sentença do Juiz (ouvido o tutor, nos casos em que não há poder

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familiar) – 16 anos; c) casamento – idade núbil 16 anos; d) exercício de emprego público efetivo; e) colação de grau em curso de ensino superior; f) estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, com economia própria – 16 anos.

saber o seu conceito, a

Em relação

à

Pessoa Jurídica, a dica é

classificação principal e a desconsideração da personalidade. Vejamos.

Conceito: unidade de pessoas naturais ou de patrimônios, que visa à

consecução de certos fins, reconhecido como entidade com aptidões de direitos

e obrigações. Corrente majoritária Teoria da Realidade Técnica. Súmula

227 do Superior Tribunal de Justiça: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral”. Classificação principal: A) Pessoas Jurídicas de Direito Público: 1) Externo Regulamentadas pelo Direito Internacional – Ex: outros países, organismos internacionais (ONU, OEA). 2) Interno O Estado: a)

Administração Direta: União, Estados Membros, Distrito Federal, Territórios e Municípios. b) Administração Indireta: Autarquias, Associações Públicas e demais entidades de caráter público criadas por lei (Fundações Públicas). B) Pessoas Jurídicas de Direito Privado: 1) Fundações Particulares; 2) Partidos Políticos; 3) Organizações Religiosas; 4) Associações – união de pessoas, sem finalidade lucrativa; 5) Sociedades – Simples ou Empresárias →→→ ambas visam finalidade lucrativa; no entanto a diferença está no seu objeto:

exercício (ou não) de atividade mercantil. Palavras chaves: organização e atividade. Obs.: Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista são consideradas como Pessoas Jurídicas de Direito Privado. 6) Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI). Grupos Despersonalizados: sociedades comuns (sociedade de fato e irregulares), massa falida, espólio. Desconsideração da personalidade jurídica (disregard of the legal entity)

– Art. 50, CC atinge e vincula responsabilidades dos sócios, atingindo seus bens particulares, com intuito de impedir abuso da personalidade jurídica, desvio de finalidade ou confusão patrimonial.

Em relação ao tema “Bens”, costuma cair a classificação completa. Vamos então fornecer esta classificação de forma resumida:

A) BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS – arts. 79/91, CC

1. Quanto à Mobilidade

1.1 – Imóveis – são os que não podem ser removidos ou transportados de um lugar para o outro sem a sua destruição. Subdividem-se em: a) imóveis por natureza (ex: solo, subsolo e

espaço aéreo); b) acessão física ou artificial (ex: plantações e construções); c) disposição legal (ex: direito à sucessão aberta, ainda que a herança seja formada apenas por bens móveis). Não perdem o caráter de imóvel: as edificações que, separadas do solo, mas

conservando a sua unidade,

materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. 1.2 – Móveis – são os que podem ser transportados de um lugar para outro, por força própria ou estranha, sem alteração da sua

substância ou da destinação econômico-social. Subdividem-se em: a)

forem removidas para

outro local;

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móveis por natureza – podem ser transportados por força própria (semoventes – animais de uma forma geral) ou alheia (carro, joia); b) móveis por antecipação (árvore plantada para corte ou frutos de um pomar que ainda estão no pé, mas destinados à venda - safra futura); c) móveis por determinação legal (energias que tenham valor econômico, direitos autorais).

1.3 – Observações: a) os materiais de construção enquanto não

forem empregados nesta construção, ainda são considerados como bens móveis; b) as árvores, enquanto ligadas ao solo, são bens imóveis por natureza, exceto se se destinam ao corte. Quando isso ocorre, elas se convertem em móveis por antecipação.

1.4 – Importância prática na distinção entre Imóveis e Móveis:

forma de aquisição da propriedade (tradição para móveis e registro para os imóveis), necessidade de outorga uxória ou marital em casos de bens imóveis (sendo dispensada tal providência se for bem móvel), prazos de usucapião (geralmente maiores para os bens imóveis) e os direitos reais (como regra hipoteca para imóveis e penhor para os móveis).

1.5 - Navios e Aeronaves - fisicamente são bens móveis, mas

possuem uma disciplina jurídica como se imóveis fossem.

2. Quanto à Fungibilidade

2.1 – Infungíveis – não podem ser substituídos por outros do

mesmo gênero, qualidade e quantidade (ex: um apartamento, um veículo, um quadro famoso). Os imóveis só podem ser infungíveis.

2.2 – Fungíveis – podem ser substituídos por outros do mesmo

gênero, qualidade e quantidade (ex: gêneros alimentícios, dinheiro, etc.).

3. Quanto à Consuntibilidade

3.1 – Inconsumíveis – proporcionam reiterados usos, permitindo

que se retire toda a sua utilidade, sem atingir sua integridade (ex:

imóveis, roupas, livros, etc.).

3.2 – Consumíveis – são bens móveis, cujo uso importa na destruição imediata da própria coisa. Admitem apenas um uso (gêneros alimentícios, bebidas, dinheiro, etc.).

3.3 – Há bens que são consumíveis, conforme a destinação que o

homem lhe dá. Ex: os livros, em princípio, são bens inconsumíveis,

pois permitem usos reiterados. Mas expostos numa livraria são considerados como consumíveis, pois a destinação é a venda.

4. Quanto à divisibilidade

4.1 – Divisíveis – podem ser partidos em porções reais e distintas,

formando cada qual um todo perfeito.

4.2 – Indivisíveis – não podem ser fracionados em porções, pois

deixariam de formar um todo perfeito. A indivisibilidade pode ser: por

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natureza (um cavalo), por determinação legal (herança, módulo rural, lotes urbanos) e pela vontade das partes (contrato).

5. Quanto à Individualidade

5.1 – Singulares – são os que, embora reunidos, se consideram

de per si, independentemente dos demais.

5.2 – Coletivos (ou Universais) – são as coisas que se encerram

agregadas em um todo. a) Universalidade de Fato – pluralidade de bens singulares, corpóreos e homogêneos, que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária pela vontade humana (biblioteca, pinacoteca, rebanho, etc.). b) Universalidade de Direito pluralidade

de bens singulares, corpóreos, dotadas de valor econômico, ligadas pela norma jurídica (patrimônio, herança, massa falida, etc.).

B) BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS – arts. 92/97, CC

1. Principais – existem por si mesmos, exercendo função e finalidade independentemente de outro bem (terrenos, joias, etc.).

2. Acessórios – sua existência depende da existência de outro. Regra o acessório acompanha o principal.

2.1 – Frutos – são as utilidades que a coisa principal produz

periodicamente; nascem e renascem da coisa e sua percepção mantém intacta a substância do bem que as gera (frutas, aluguéis, etc.).

2.2 – Produtos – são as utilidades que se retiram da coisa,

alterando a substância da coisa, com a diminuição da quantidade até o

seu esgotamento.

2.3 – Pertenças – são os bens que, não constituindo partes

integrantes (como os frutos, produtos e benfeitorias), se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Ex: acessórios de um veículo; ornamentos de uma residência, um trator destinado a uma melhor exploração de propriedade agrícola, etc.

2.4 – Benfeitorias – são obras ou despesas que se fazem em um

bem móvel ou imóvel, para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. Espécies: a) necessárias (realizada para a conservação do bem – alicerce da casa), úteis (são as que aumentam ou facilitam o uso da coisa – garagem) e voluptuárias (mero embelezamento, recreio ou deleite – piscina).

2.5 – Indenização das Benfeitorias: A) Possuidor de Boa-fé:

direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. Caso elas não sejam indenizadas, o possuidor tem o direito de retenção pelo valor das mesmas. Já as benfeitorias voluptuárias não serão indenizadas, mas elas poderão ser levantadas (art. 1.219, CC). B) Possuidor de Má-fé: são ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. Não há indenização pelas benfeitorias úteis e voluptuárias. Não pode levantar nenhuma das benfeitorias realizadas e não tem direito de retenção sobre nenhuma delas (art. 1.220, CC).

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2.6 – Deixam de ser bens acessórios e passam a ser principais:

a pintura em relação à tela, a escultura em relação à matéria-prima, a escritura ou qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, qualquer trabalho gráfico em relação ao papel utilizado.

C) BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO TITULAR DO DOMÍNIO – arts. 98/103, CC

1. Particulares – são os que pertencem às pessoas naturais (físicas)

ou às pessoas jurídicas de direito privado.

2. Res Nullius – são as coisas de ninguém (ex: um peixe no fundo do

mar; as coisas abandonadas – estas são conhecidas como res derelictae).

Não confundir coisa abandonada, onde há um ato voluntário, o abandono, com a coisa perdida, em que o ato foi involuntário e a coisa continua a pertencer (ao menos em tese) ao patrimônio do titular. 3. Públicos – são os bens de domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno.

3.1 – Uso comum do povo – destinados à utilização do público

em geral (rios, mares, estradas, ruas, etc.).

3.2 – Uso especial – imóveis utilizados pelo próprio poder público

para a execução de serviço público (hospitais e escolas públicas, secretarias, ministérios, etc.). 3.3 – Dominicais – constituem o patrimônio disponível das pessoas de direito público: terras devolutas e terrenos de marinha.

3.4 – Característica dos Bens Públicos: inalienáveis, impenhoráveis, imprescritíveis (não podem ser objeto de usucapião, qualquer que seja a sua natureza – Súmula 340 STF).

3.5 – Observação – Os bens públicos de uso comum do povo e os

de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. 3.6 – Conversão – os bens públicos dominicais podem ser convertidos em bens de uso comum ou de uso especial (afetação). Já pela desafetação permite-se que um bem de uso comum do povo ou de uso especial seja reclassificado como sendo um bem dominical.

D) BENS CONSIDERADOS QUANTO À POSSIBILIDADE DE COMERCIALIZAÇÃO (COISAS FORA DO COMÉRCIO)

1. Coisas insuscetíveis de apropriação – coisas de uso inexaurível (ar, luz solar, água do alto-mar, etc.).

2. Bens personalíssimos – são os preservados em respeito à

dignidade humana (ex: vida, honra, liberdade, nome, bens como os órgãos do corpo humano, cuja comercialização é expressamente proibida pela lei, etc.).

3. Bens legalmente inalienáveis – apesar de suscetíveis de

apropriação, têm sua comercialidade excluída pela lei para atender a interesses econômicos-sociais, defesa social e proteção de certas pessoas.

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Estes bens somente podem ser alienados de forma excepcional. Ex: bens públicos (uso comum do povo e especial – art. 100, CC), bens das fundações (arts. 62 a 69, CC), terras ocupadas pelos índios (art. 231, §4º, CF), bens de menores (art. 1.691, CC), bens gravados com cláusula de inalienabilidade (art. 1.911, CC), bens de família.

4. Bens gravados com cláusula de inalienabilidade (art. 1.911,

CC) – tornam-se inalienáveis por vontade humana inter vivos (ex:

doação) ou causa mortis (testamento), de forma vitalícia ou temporária. A pessoa deve apontar a “justa causa” para tornar o bem inalienável (art. 1.848, CC).

5. Bem de Família – arts. 1.711 a 1.722, CC (voluntário) X Lei n°

8.009/90 (ou Impenhorabilidade do único imóvel – legal) – Não confundir os institutos!! Cuidado, também, com a fiança nos contratos de locação (trata-se de uma exceção que se aplica somente em relação à Lei n° 8.009/90).

Em relação ao Negócio Jurídico, a dica é saber bem os elementos

essenciais e os defeitos de consentimento. Os Elementos Essenciais dizem respeito à existência e validade do Negócio Jurídico, dando-lhe a estrutura e a substância. Dividem-se em: 1) Gerais – são comuns a todos os negócios jurídicos: a) capacidade das partes; b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável e c) consentimento (que diz respeito à vontade das partes). 2) Especiais – dizem respeito à forma prescrita ou não defesa em lei, aplicáveis

a apenas alguns negócios.

Defeitos do Negócio Jurídico (arts. 138 a 165, CC). Em regra o ato

é anulável (art. 171, II, CC), devendo ser alegado no prazo decadencial de 4

anos

circunstâncias e aspectos principais, relevantes do negócio de forma que se eu soubesse do defeito jamais teria praticado o ato. 2. Dolo Essencial. Emprego de manobras ardilosas ou maliciosas, para levar alguém à prática de um ato que o prejudica, beneficiando o autor do dolo ou terceiros. 3. Coação. É a pressão física (ato nulo) ou moral (anulável) exercida sobre alguém para obrigá-lo a praticar (ou deixar de praticar) determinado ato. 4. Estado de Perigo. Configura-se quando alguém, premido da necessidade de salvar a si, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. 5. Lesão (art. 157, CC). Ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. 6. Fraude contra credores. Prática maliciosa, pelo devedor, de atos que desfalcam seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. 7. Simulação (art. 167, CC). É a declaração enganosa da vontade, visando a obter resultado diverso do que aparece, com o fim de criar uma aparência de direito, para iludir terceiros ou burlar a lei. É importante notar que o novo Código Civil não trata mais a simulação como um defeito social. Além disso, determina que a simulação é hipótese de nulidade absoluta do ato.

recai sobre

(art.

178,

II,

CC) 1. Ignorância

ou

Erro

Essencial –

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A seguir forneço alguns gráficos comparativos que reputo importantes.

Quadro comparativo entre nulidade a anulabilidade

 

Ato Nulo (nulidade absoluta)

 

Ato anulável (nulidade relativa – anulabilidade)

 

1.

Interesse da coletividade; matéria de

1.

Interesse do prejudicado; matéria de

ordem pública. Eficácia erga omnes

ordem privada. Os efeitos são extensíveis

(extensíveis a todos).

 

apenas para quem alegar.

 

2.

Pode

ser

arguida

por

qualquer

2.

Somente

pode

ser

alegada

pelo

interessado ou pelo Ministério Público.

prejudicado, legítimo interessado.

3.

Não pode ser suprida pelo juiz. No

3. O juiz não pode reconhecê-la de ofício. No entanto, alegada, ele pode saná-la.

entanto ele pode reconhecê-la de ofício.

4.

O

vício não

pode ser sanado pela

4.

O

vício

pode

ser

sanado

pela

confirmação, nem se convalesce pelo

confirmação (expressa) ou pelo decurso do

decurso do tempo.

 

tempo (tácita).

 

5. Em regra não prescreve. Exceções:

5.

Prescreve em prazos mais ou menos

quando a lei assim o permitir, negócios de fundo patrimonial, etc.

exíguos ou em prazos decadenciais.

 

6.

Efeito

ex

tunc

(desde

aquele

6.

Efeito ex nunc (de agora em diante).

momento). A declaração de nulidade retroage à data da celebração do negócio.

Não retroage. Os efeitos se operam somente a partir da anulação.

Distinções entre Prescrição e Decadência

PRESCRIÇÃO Conceito: perda da pretensão em virtude da inércia do titular de um direito violado, durante determinado espaço de tempo previsto em lei.

DECADÊNCIA Conceito: perda do direito material pela inércia de seu titular que deixou escoar o prazo legal ou convencional

1.

Extingue a pretensão, pela inércia

1. Extingue o direito material pela falta de exercício dentro do prazo. Atinge indiretamente a ação e demais pretensões.

do agente. Não atinge o direito material, que permanece intacto.

2. Prazos estabelecidos somente pela lei. Não podem ser suprimidos, nem alterados pela vontade das partes. Não existe prazo prescricional convencional.

2. Os prazos podem ser pactuados pelas partes (convencionais) ou estabelecidos pela lei (legais).

3.

Atualmente “deveser declarada

3.

Na decadência decorrente de

de ofício pelo Juiz, mesmo nas ações patrimoniais. O art. 194, CC foi revogado e disposição expressa no art. 219, §5°, CPC.

prazo legal o Juiz deve declará-la de oficio (art. 210, CC). A convencional não pode ser reconhecida de ofício (art. 211, CC).

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4.

A

parte

pode

não

alegá-la;

é

4. A decadência decorrente de prazo legal não pode ser renunciada pelas partes: nem antes e nem depois de consumada.

renunciável. A

renúncia

 

pode

ser

expressa ou tácita. A renúncia só valerá depois da consumação da prescrição e

não pode

ser

feita

em

prejuízo

de

 

terceiros.

 

5. Não corre contra determinadas pessoas. O prazo pode ser impedido, suspenso ou interrompido. Ex.: cônjuges, poder familiar, tutela, curatela, absolutamente incapazes, etc.

5. Em rega corre contra todos (efeito erga omnes). Não se suspende e nem

se

interrompe. Exceção não corre

contra os absolutamente incapazes (art. 208, c.c. art. 198, I, ambos do CC).

6.

Causas

de

impedimento ou

 

6.

Não se admite suspensão ou

suspensão arts. 197, 198, 199 e 200,

interrupção em favor daqueles contra os quais não corre prescrição. Só pode ser obstada pelo exercício efetivo do

CC.

Causas de interrupção art. 202 CC.

As

causas

estão expressamente

previstas em lei, analogia.

não

se

admitindo

direito ou da ação.

 

7. Regra Geral Prazo de 10 anos

 

7.

Não

regra

geral

para

os

(art. 205, CC). Prazos Especiais 01, 02, 03, 04 e 05 anos (conforme previsão do

prazos. Eles podem ser de dias, meses

e

anos.

Previstos

em dispositivos

art.

206 e seus parágrafos, CC).

 

esparsos

pelo

Código

e

em

Leis

 

Especiais.

 

O instituto da confirmação do negócio anulável (também chamado de convalidação) tem por objetivo aproveitar o negócio jurídico defeituoso, que poderia ser anulado. Convalidar é sanar o defeito que inquina o ato. Pela confirmação integra-se o negócio jurídico, dando-se validade àquilo que as partes teriam contratado, se pudessem prever a anulabilidade. Não confundir com conversão do negócio jurídico nulo em outro de natureza diferente (art. 170, CC): “Se o negócio jurídico nulo contiver requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade”. O negócio não pode prevalecer da forma como pretendida pelas partes. Ele é nulo. Mas como seus elementos são idôneos para caracterizar um outro negócio, transforma-se neste, desde que não haja uma proibição expressa.

Forma é o meio pelo qual se externa a manifestação de vontade nos negócios jurídicos; é o conjunto de formalidades, solenidades, para que o ato tenha eficácia jurídica. Em regra a vontade pode se manifestar livremente, não havendo uma forma especial. Pode-se recorrer à palavra falada, escrita, ao gesto e até mesmo ao simples silêncio (em alguns casos raros como vimos

atrás). O art. 107, CC determina que: “A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”. Todavia, em casos determinados, para dar maior segurança nas relações jurídicas, a lei prescreve a observância de uma forma especial. Ex.: o art. 108, CC determina que qualquer negócio jurídico que tenha por objetivo

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constituir, transferir, modificar ou renunciar direitos sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País, somente pode ser efetivado mediante escritura pública. Reforçando: consensualismo é a regra; formalismo é a exceção. Assim, forma especial (ou solene) é o conjunto de solenidades que a lei estabelece como requisito para a validade de determinados atos jurídicos. Tem por finalidade garantir a autenticidade do ato, facilitando sua prova e assegurando a livre manifestação de vontade das partes. Para alguns atos jurídicos a lei impõe apenas uma forma para ser realizado (escritura pública para os imóveis). No entanto a lei permite que um ato possa ser realizado de diversas maneiras. O exemplo clássico é o reconhecimento voluntário de filho havido fora do matrimônio. Ele pode ser feito: a) no próprio termo do nascimento; b) por escritura pública ou instrumento particular; c) por testamento ou d) por manifestação expressa e direta perante o Juiz. Por exigir formalidade especial e permitir diversas maneiras de reconhecimento, costuma-se dizer que ela é uma forma especial plural. Importante. Não devemos confundir forma com prova. Enquanto a forma serve para indicar a vontade interna do agente, a prova serve para demonstrar a existência do ato. Nulo é o negócio jurídico quando não se revestir da forma prescrita em lei ou quando preterir alguma solenidade que a lei considere essencial para sua validade (confiram: art. 166, V, CC). Concluindo: Se houver desobediência quanto à forma (prescrita ou não defesa em lei) = Nulidade Absoluta do Negócio Jurídico.

Prova é o conjunto de meios empregados para demonstrar, legalmente, a existência de negócios jurídicos. Para um processo a prova serve para estabelecer a verdade diante do Juiz. Princípios: O ônus da prova incumbe a quem alega o fato e não a quem o contesta. Esta é a regra Código de Processo Civil – art. 333, I e II. Se o autor alegar um fato, mas nada provar, o réu (como regra) será absolvido. Alguns fatos independem de prova, como os fatos notórios, que são os fatos da cultura geral, de conhecimento de todos. Ex.: datas históricas (natal, ano novo, etc.), personagens históricos (Tiradentes, D. Pedro II), etc. Também devem ser considerados verídicos os fatos incontroversos, sobre os quais não há debate entre as partes. Ex.: um fato foi alegado pelo autor e não foi contestado pelo réu. As partes concordam com os fatos; tornou-se incontroverso, embora possam não concordar com o resultado jurídico deles. Se, para a validade do negócio jurídico a lei exige forma especial, sua prova só poderá ser feita pela exibição do documento (ex.:

a compra e venda de imóveis só se prova pela escritura pública). Se o negócio for de forma livre (não solene), a prova pode ser feita por qualquer meio permitido pela ordem jurídica (até mesmo verbal).

Finalmente o tema Ato Ilícito e Responsabilidade Civil, previsto nos arts. 186 a 188 e 927 a 954, CC.

Conceitos

a) Ato Ilícito (art. 186, CC): é o praticado em desacordo com a norma jurídica, causando danos a terceiros e criando o dever de repará-los.

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b) Abuso de Direito (art. 187, CC): também comete ato ilícito o titular

de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos costumes. Corrente majoritária responsabilidade objetiva (independe de

comprovação da intenção em lesar: dolo ou culpa).

Responsabilidade Civil

a) Responsabilidade Contratual →→→ surge pelo descumprimento de uma

cláusula do contrato.

b) Responsabilidade Aquiliana (ou extracontratual) →→→ deriva de inobservância de qualquer outro preceito legal; de normas gerais de conduta.

Teorias sobre Responsabilidade

A) Objetiva (Teoria do risco). Deve-se provar: 1. Conduta →→→ positiva (ação) ou negativa (omissão). 2. Dano →→→ patrimonial e/ou moral (extrapatrimonial). Danos emergentes = aquilo que efetivamente se perdeu; o prejuízo efetivo. Lucros cessantes = aquilo que se deixou de ganhar. 3. Nexo Causal (ou relação de causalidade) entre a conduta e o dano (o dano ocorreu por causa da conduta).

B) Subjetiva (Teoria da culpa em sentido amplo). Deve-se provar: 1. Conduta. 2. Dano. 3. Nexo Casual. 4. Elemento Subjetivo: Culpa em sentido amplo →→→ Dolo (ação voluntária) ou Culpa (em sentido estrito: imprudência, negligência ou imperícia).

Teoria adotada pelo Código Civil

Regra →→→ Subjetiva (art. 186, combinado com art. 927, caput, ambos do CC): aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Quem, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Exceção →→→ Objetiva (art. 927, parágrafo único, CC): o próprio Código Civil admite expressamente a responsabilidade objetiva. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, riscos para os direitos de outrem (substitui-se a culpa pela ideia do risco). Outro exemplo: art. 931, CC – as empresas que exercem exploração industrial respondem objetivamente pelos danos provocados por seus produtos colocados em circulação.

CULPA (sentido amplo):

a) Contratual resulta da violação de um dever inerente a um contrato (ex: o inquilino que não paga o aluguel).

b) Extracontratual (aquiliana) resulta da violação de um dever fundado em princípios gerais do direito, como o respeito às pessoas e aos bens alheios; deriva de infração ao dever de conduta (dever legal) imposto pela lei (ex: motorista em excesso de velocidade que provoca um atropelamento).

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Obrigação de Indenizar – art. 927, CC: aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187, CC), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Responsabilidade por Atos de Terceiros – art. 932, CC – pais, tutores, curadores, empregadores, donos de hotéis.

Exclusão da Ilicitude – art. 188, CC – legítima defesa, exercício regular de um direito, estado de necessidade – destruição da coisa alheia ou lesão à pessoa, a fim de remover perigo iminente, ausência de nexo de causalidade, culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior.

Efeitos civis da decisão proferida no Juízo Criminal - A responsabilidade civil (em regra) é independente da criminal, não se podendo, entretanto, questionar mais sobre a existência do fato ou sobre quem seja o seu autor quando essas questões já se acharem decididas no juízo criminal (art. 935, CC). Assim, havendo responsabilidade criminal, poderá haver repercussão na esfera civil.

a) Sentença penal condenatória (apreciou o fato e a sua autoria) – vincula julga-se a ação procedente no juízo cível (condena-se o autor do dano). Discute-se apenas o valor (quantum) da indenização.

b) Sentença penal absolutória (negatória do fato e/ou autoria, legítima defesa, exercício regular de um direito, etc.) – vincula absolve-se também no cível.

c) Sentença penal absolutória por falta de provas (non liquet) – não vincula o Juiz do cível pode condenar ou absolver, dependendo do que foi apurado no processo civil (verdade formal).

Transmissibilidade do dever de indenizar: tanto o direito da vítima de exigir a reparação do dano, como o dever de prestá-la são transmissíveis aos herdeiros, até o limite das forças da herança (art. 943, CC).

I. CONCEITO DE OBRIGAÇÃO Relação jurídica de natureza transitória entre credor e devedor cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica.

II. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

1. Elemento Pessoal ou Subjetivo – Sujeitos:

a) Sujeito Ativo →→→ credor (beneficiário da obrigação).

b) Sujeito Passivo →→→ devedor (o que deve cumprir a obrigação).

2. Elemento Material ou Objetivo – Objeto da Obrigação:

a) Prestação imediata: conduta humana positiva (dar ou fazer) ou negativa

(não fazer). Deve ser lícito, possível (física e juridicamente), determinado ou

determinável e economicamente apreciável.

b) Objeto mediato é o bem sobre o qual recai o direito.

3. Elemento Imaterial ou Vínculo Jurídico elo que sujeita o devedor a determinada prestação em favor do credor. Abrange o dever da pessoa obrigada (debitum) e a sua responsabilidade em caso de não cumprimento (obligatio).

III. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

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A) Quanto ao Objeto

1. Positivas a) Obrigação de Dar - Coisa certa (arts. 233/242, CC) →→→ devedor se obriga a dar (entregar) coisa individualizada (móvel ou imóvel). Regras: credor não é obrigado a receber outra coisa, mesmo que mais valiosa (art. 313, CC); indivisibilidade (art. 314, CC); acessório acompanha o principal (art. 233, CC); até a tradição a coisa pertence ao devedor; acrescidos e melhoramentos (cômodos) aumento do preço ou resolução (art. 237, CC); perda ou deterioração (arts. 234/236, CC); obrigação pecuniária (art. 315 e 318, CC).

- Coisa incerta (arts. 243/246, CC) →→→ obrigação de entregar objeto

incerto, porém já indicado pelo gênero e quantidade (determinável), faltando a qualidade (ex.: obrigação de entregar 10 bois, dentre uma boiada). O objeto é indicado de forma genérica no início da relação, sendo determinado mediante um ato de escolha (concentração;

individualização) como regra cabe ao devedor, salvo disposição em contrário (art. 244, CC). Não poderá dar a coisa pior, nem ser obrigado

a prestar a melhor.

b) Obrigação de Fazer (arts. 247/249, CC) →→→ prestação de serviço ou ato positivo pelo devedor (ou de terceiro), em benefício do credor ou de terceiro. Inadimplemento da obrigação: a) sem culpa →→→ extinção da

obrigação; b) com culpa →→→ perdas e danos. Obrigação infungível: art. 249,

CC.

Obs. astreinte: art. 461, §4° e 461-A, Código de Processo Civil.

2. Negativas

a) Obrigação de Não Fazer (arts. 250/251, CC) →→→ o devedor se compromete a não praticar certo ato que poderia ser praticado, não fosse a obrigação assumida. Descumprimento: desfazimento e indenização perdas e danos. B) Quanto a seus Elementos

1. Simples: um sujeito ativo, um sujeito passivo e um objeto.

2. Composta a) Pluralidade de Objetos - Cumulativa ou conjuntiva (“e”): devedor se compromete a realizar diversas prestações; só se considera cumprida com a execução de todas as prestações.

- Alternativa ou disjuntiva (“ou”): contém mais de uma prestação,

mas o devedor se exonera com o cumprimento de apenas uma delas.

Regra escolha cabe ao devedor, salvo disposição em contrário. - Facultativa: apenas uma prestação, mas a lei ou o contrato permite ao devedor substituí-la por outra.

b) Pluralidade de Sujeitos →→→ Solidariedade

- Ativa: pluralidade de credores.

- Passiva: pluralidade de devedores.

- Mista: credores e devedores.

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Importante = A solidariedade não se presume. Resulta da lei ou vontade das partes (art. 265, CC) =

C) Quanto aos Elementos Acidentais: puras e simples, condicionais (evento futuro e incerto), a termo (evento futuro e certo) ou modais (com encargo).

D) Outras Modalidades

Líquidas (certas quanto a existência, determinadas quanto ao valor:

constituem o devedor em mora de pleno direito se não forem cumpridas no prazo) ou Ilíquidas (dependem de apuração prévia).

Divisíveis (comportam fracionamento) ou Indivisíveis (prestação única por convenção das partes ou natureza do objeto): arts. 257/263, CC.

De resultado (credor pode exigir do devedor a produção de um resultado), de meio (uso de prudência e diligência normal para atingir um resultado, sem se vincular a obtê-lo), de garantia (tem a função de eliminar um risco que pesa sobre o credor).

Instantâneas (se consuma em um só ato, em certo momento), Fracionadas, Diferidas ou de trato sucessivo (cumprimento se dá por meio de subvenções periódicas, resolvendo-se em intervalos de tempo (protrai-se no tempo.

Principais (existe por si sós) ou Acessórias (sua existências supõe a da principal).

Propter rem ou híbridas: parte direito real, parte direito pessoal;

recaem sobre

condomínio, IPTU).

uma

pessoa

por

força

de

um

direito

real

(ex.:

Naturais: credor não pode exigir o seu cumprimento (ex.: dívidas prescritas, dívidas de jogo, etc.).

IV. CLÁUSULA PENAL (arts. 408 e seguintes, CC) →→→ penalidade acessória imposta

pela inexecução total ou parcial da obrigação (compensatória) ou pela mora (retardamento, demora) no seu cumprimento. Multa contratual: prefixação de perdas e danos. Limite: valor do contrato (art. 412, CC). Redução proporcional (art. 413, CC).

V. MORA (arts. 394/401, CC) →→→ retardamento ou imperfeito cumprimento da

obrigação. Gera responsabilidade pelos prejuízos, juros, correção monetária,

honorários advocatícios e cláusula penal (se esta for estipulada).

a) Mora do devedor (mora solvendi, debitoris):

1) ex re →→→ depende de um fato previsto em lei ou no contrato – obrigação

positiva e líquida com data determinada. Ex.: dia do vencimento do aluguel.

2) ex persona →→→ depende de uma providência do credor. Ex.: comodato sem

prazo – notificação com prazo de 30 dias.

b) Mora do credor (mora accipiendi, creditoris): recusa (do credor) em aceitar o

cumprimento da obrigação.

VI. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

1) Pagamento Direto

a) Pessoas envolvidas: solvens (é a pessoa que deve pagar) e accipiens

a pessoa que recebe).

b) Objeto e Prova do pagamento: quitação – arts. 313/326, CC.

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c) Lugar do Pagamento – Regra (arts. 327/330, CC): quérable = domicílio

do devedor. Exceção: portable = domicílio do credor. QD=PC

d) Tempo (vencimento): fixado pelas partes (arts. 331/333, CC).

2) Formas Especiais de Pagamento

a) Pagamento em consignação (arts. 334/345, CC):

coisa devida, liberando-se de obrigação líquida e certa. Se a dívida for em dinheiro o depósito pode ser extrajudicial (estabelecimento bancário oficial – art. 890, §1 o , CPC).

devedor deposita a

b) Pagamento com sub-rogação (arts. 346/351, CC): substituição na

obrigação de uma pessoa por outra, com os mesmos ônus e atributos (avalista

que paga a dívida).

c) Imputação do pagamento (arts. 352/355, CC): pessoa obrigada por dois

ou mais débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos, a um só credor, tem o direito de escolher qual deles está pagando.

3) Pagamento Indireto

a) Dação em Pagamento (arts. 356/359, CC): acordo de vontades entre credor e devedor, com o objetivo de extinguir a obrigação, no qual o credor consente em receber coisa (móvel ou imóvel) diversa da originalmente devida.

b) Novação (arts. 360/367, CC): criação de obrigação nova e extinguindo a

anterior, modificando o objeto (objetiva ou real) ou substituindo uma das partes (subjetiva = ativa – substituição do credor; passiva – substituição do devedor).

c) Compensação (arts. 368/380, CC): duas ou mais pessoas são ao mesmo

tempo credoras e devedoras umas das outras. Na compensação legal exige-

se: reciprocidade, liquidez, exigibilidade e fungibilidade.

d) Confusão (arts. 381/388, CC): incidência em uma mesma pessoa as

qualidades de credor e devedor.

Observação. O Código Civil trata a transação (arts. 840/850, CC) e a arbitragem (arts. 851/853, CC) como formas de contrato autônomo e não mais como formas de pagamento.

4) Extinção Sem Pagamento: remissão (perdão), prescrição ou decadência, advento do termo ou implemento de condição.

5) Judicial (execução forçada): ações judiciais (Processo Civil).

DIREITO DAS COISAS. Conjunto de regras que regulamentam as relações jurídicas entre o homem e as coisas.

CONTEÚDO

A) POSSE

B) DIREITOS REAIS

1. Propriedade

2. Direitos reais sobre coisa alheia:

a) Uso: enfiteuse, superfície, servidão, usufruto, uso e habitação.

b) Garantia: penhor, hipoteca e anticrese.

c) Direito Real de Aquisição: compromisso irretratável de venda.

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d) Interesse Social (Lei n° 11. 481/07): concessão de uso especial para fins de moradia e concessão de direito real de uso.

POSSE

A) Conceito (art. 1.196, CC): exercício pleno ou não de alguns dos poderes inerentes

à propriedade. Teorias:

1. Subjetiva (Savigny): corpus (poder físico sobre a coisa) e animus (intenção de

ter a coisa para si).

2. Objetiva (Ihering): apenas corpus.

B) Teoria adotada pelo Código Civil →→→ Objetiva – corpus” – disposição física da

coisa.

C) Fâmulo de Posse →→→ é o que detém a coisa em virtude de dependência econômica

ou vínculo de subordinação (art. 1.198, CC). Ex: caseiro, zelador de um prédio, etc.

D) Elementos da Posse →→→ sujeito capaz, objeto lícito e possível, forma livre e

relação dominante entre sujeito e coisa.

E) Objeto da Posse →→→ todas as coisas que puderem ser objeto de propriedade,

móveis ou imóveis, corpóreas ou incorpóreas.

F) Classificação 1. Direta: é a exercida por quem detém materialmente a coisa. Indireta: é a posse exercida através de outra pessoa. Na locação o locatário (inquilino) tem a posse direta (exerce a posse em nome próprio) e o locador (proprietário) tem a posse indireta (ele a exerce através do inquilino).

2. Justa: é aquela adquirida sem vícios (art. 1.200, CC). Injusta: é a adquirida

por meio de: a) violência esbulho; b) às escondidas clandestina; c) com abuso

de confiança precária.

3. Boa-fé: possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a sua aquisição legal. O possuidor com justo título presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção (art. 1.201 e seu parágrafo único, CC). Enunciado 303 das Jornadas de Direito Civil: Considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. Má-fé: o possuidor tinha ciência dos vícios quando a adquiriu.

4. Nova ou Velha (mais de ano e dia).

Obs.: salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida (art. 1.203, CC).

G) Formas de Aquisição da Posse apreensão da coisa, exercício de direito,

disposição da coisa, tradição e constituto possessório (art. 1.205, CC).

H) Quem pode Adquirir: a própria pessoa, o seu representante (mandatário ou

procurador) ou um terceiro (também chamado de gestor de negócios).

I) Efeitos

1. Invocar interditos (ações possessórias)

a) Ameaça Interdito Proibitório.

b) Turbação Manutenção de Posse.

c) Esbulho Reintegração de Posse.

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2. Percepção dos frutos

a) Possuidor de boa-fé: tem direito aos frutos percebidos, ao uso e gozo da

coisa, às despesas de produção e não tem direito aos frutos pendentes quando

cessa a boa-fé.

b) Possuidor de má-fé: responde pelos prejuízos, pelos frutos colhidos e percebidos e pelos frutos que por sua culpa se perderam, mas tem direito às despesas de produção.

3. Benfeitorias:

a) Possuidor de má-fé: serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias;

não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar

as voluptuárias (art. 1.220, CC).

b) O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé,

tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de

boa-fé indenizará pelo valor atual (art. 1.222, CC).

c) Possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e

úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis (art. 1.219, CC).

J) Perda da Posse: abandono, tradição, perda ou destruição, posse de outrem e

constituto possessório (arts. 1.223/1.224, CC).

K) Composse (compossessão): pluralidade de sujeitos e coisa indivisa (art. 1.199,

CC). Espécies: a) pro indiviso: cada possuidor tem a parte ideal do bem. b) pro diviso: há uma divisão de fato do bem entre os compossuidores.

PROPRIEDADE

A) Conceito: é o direito que a pessoa física ou jurídica tem de usar, fruir ou gozar,

dispor de um bem ou reavê-lo de quem injustamente o possua ou detenha (art. 1.228, CC).

B) Elementos: usar (ex: morar), fruir ou gozar (ex: alugar), dispor (ex: vender ou

doar) ou reivindicar (ex: entrar com ação judicial contra quem detiver de forma injusta).

C) Restrições ao direito de propriedade: constitucionais, administrativas, militares e

civis.

D) Classificação 1. Plena a pessoa tem em sua mão todos os elementos da propriedade (uso, fruição, disposição e reivindicação). 2. Limitada pessoa abriu mão de um ou alguns dos elementos (locação, usufruto, etc.).

E) Propriedade Imóvel 1. Aquisição a) Acessão formação de ilhas, aluvião (própria e imprópria), avulsão, abandono de álveo e artificiais (construções e plantações). b) Usucapião Extraordinária: a) 15 anos; b) 10 anos se o imóvel é usado para moradia ou o possuidor o tornou produtivo; Ordinária (adquirida com justo título): a) 10 anos; b) 05 anos se for adquirida onerosamente; além disso, o possuidor usa o imóvel para sua moradia ou o tornou produtivo;

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Constitucional (não é necessário provar a boa-fé): 05 anos (art. 191, CF rural; 183, CF urbana). c) Modos Derivados – sucessão hereditária (causa mortis) ou registro de transferência (inter vivos).

2. Perda: alienação, renúncia, abandono, perecimento, confisco, desapropriação, usucapião e acessão (na modalidade avulsão).

F) Propriedade Móvel

Aquisição e Perda originária – ocupação e usucapião (extraordinária 05 anos; ordinária 03 anos com justo título); derivada: especificação (transformação de coisa móvel em espécie nova), confusão (mistura entre coisas líquidas), comistão (mistura entre coisas sólidas), adjunção (justaposição de uma coisa sobre a outra), tradição (entrega da coisa) e herança.

G) Condomínio (compropriedade ou copropriedade): é a propriedade em comum. Um mesmo bem pode pertencer a várias pessoas, cabendo a cada uma, igual direito sobre o todo. Espécies:

1. Convencional ou voluntário (arts. 1.314 a 1.330, CC): resulta de acordo de

vontade das pessoas.

2. Edilício: prédio de apartamentos (arts. 1.331 a 1.358, CC, e Lei n° 8.245/91).

H) Direitos de Vizinhança (arts. 1.277 a 1.313, CC)

uso anormal da propriedade

árvores limítrofes

passagem forçada

das águas

limites entre prédios

construção devassamento, águas e beirais, paredes divisórias e tapagem

I) Propriedade Resolúvel. Extingue-se com a ocorrência de:

1. Condição Resolutiva. Condição cláusula que subordina o efeito do negócio

jurídico a um evento futuro e incerto. Resolutiva o implemento (realização) extingue os efeitos do ato (resolver = extinguir).

2. Termo Final. Termo cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico a um evento futuro e certo. Final há uma data determinada para a cessação dos efeitos do negócio jurídico.

DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA

A) DIREITOS REAIS DE GOZO OU FRUIÇÃO

1. SUPERFÍCIE (arts. 1.369 a 1.377, CC) Instituto novo que veio substituir a enfiteuse. O proprietário concede, por tempo determinado, gratuita ou onerosamente, a outrem (superficiário) o direito de construir ou plantar em seu terreno. Deve ser registrada. Não autoriza obra no subsolo, exceto se for inerente ao objeto da concessão.

2. SERVIDÃO PREDIAL (arts. 1.378 a 1.389, CC)

Conceito: o proprietário de um prédio deve suportar o exercício de alguns direitos em favor do proprietário de outro prédio. Como recai somente sobre bens imóveis, necessita de registro.

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Partes

a) Prédio dominante: tem direito à servidão.

b) Prédio serviente: deve servir ao outro prédio.

Características

a) os prédios devem pertencer a proprietários diferentes;

b) serve à coisa e não ao dono;

c) não se presume, deve ser expressa, interpretando-se restritivamente;

d) é indivisível e inalienável, não podendo ser usada para outra finalidade.

Classificação

a) quanto à natureza: rural ou urbana

b) quanto ao modo de exercício: contínua ou não

c) quanto à exteriorização: aparente ou não

Constituição: contrato, testamento, usucapião ou sentença judicial.

Extinção: renúncia do dono do prédio dominante, resgate, confusão, não uso durante dez anos consecutivos e construção de estrada. Pode ser removida desde que não diminua as vantagens do prédio dominante.

instituto de direito de

Obs.:

vizinhança, onde uma das propriedades está encravada.

não

confundir com passagem forçada, que

é

3. USUFRUTO (arts. 1.390 a 1.411, CC)

Conceito: direito real que uma pessoa tem de usar (ex: morar) ou fruir (ex: alugar) a coisa alheia, temporariamente, sem alterar-lhe a substância.

Partes

a) Usufrutuário: aquele que tem direito de usar ou fruir a coisa.

b) Nu proprietário: dono da coisa.

Objeto: bens móveis e imóveis.

Classificação

a) quanto à extensão: universal ou particular

b) quanto à duração: temporário ou vitalício

Constituição: legal, ato inter vivos ou causa mortis, sub-rogação real, usufruto e sentença judicial. Usufruto deducto ou por retenção: pessoa doa a nua propriedade a terceiro, reservando, para si, o uso e gozo da coisa.

Extinção: morte do usufrutuário, término do prazo (30 anos se em benefício de pessoa jurídica), destruição da coisa, consolidação, prescrição, renúncia ou desistência. A nua propriedade pode ser alienada; o usufruto, em regra, é inalienável (só pode ser alienado ao próprio nu proprietário).

5. USO E HABITAÇÃO (arts. 1.412 a 1.416, CC)

Em relação a esses institutos, aplicam-se as regras do usufruto, no que for aplicável.

B) DIREITOS REAIS DE GARANTIA

1. Direito de preferência. O produto da arrematação do bem dado em garantia

(hipoteca e penhor) será destinado primeiramente ao pagamento do credor com crédito real (embora existam outros créditos preferenciais, como os trabalhistas e

tributários). Havendo sobras, serão elas rateadas entre os demais credores.

2. Capacidade. Só podem prestar garantia real aqueles que tiverem capacidade

para alienar os bens.

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3. Objeto. Apenas os bens suscetíveis de alienação podem ser dados em garantia.

Excluem-se, assim, as coisas fora do comércio.

4. Indivisibilidade. O pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração correspondente da garantia, ainda que esta compreenda vários bens, salvo disposição expressa no título de quitação.

5. Especialização e Publicidade. Especialização é a descrição pormenorizada do

bem dado em garantia, com todas as suas peculiaridades e acessórios (se for imóvel a sua dimensão, localização, etc.), bem como: identificação das partes, declaração do valor da dívida, prazo para o pagamento, taxa de juros (se houver). A publicidade na hipoteca e na anticrese ocorre com o registro do título constitutivo no Registro de Imóveis; no penhor com a tradição e a inscrição no Registro de Títulos e Documentos.

6. Acessoriedade. Pressupõe sempre a existência de um direito de crédito (principal). Extinta ou nula a dívida (obrigação principal), o mesmo ocorre com as garantias (acessórias); já a recíproca não é verdadeira.

7. Sequela.

independentemente de com quem esta se encontre, para vendê-la judicialmente.

8. Condomínio. Se o bem pertence a vários proprietários, somente pode ser dado

em garantia na sua totalidade, se todos consentirem. Se o bem for divisível, cada condômino só poderá constituir direito real de garantia sobre a sua quota.

9. Bem de Família. Não é possível hipotecar um bem de família voluntário (art.

Direito

de

perseguir

e

reclamar

a

coisa

dada

em

garantia,

1.711, CC). Não há proibição no caso do bem de família legal (Lei nº 8.009/90).

10. Cláusula Comissória. Pacto comissório é a cláusula que permite ao credor

ficar com o objeto da garantia se a dívida não for paga no vencimento. Tal pacto não pode ser celebrado, sob pena de nulidade absoluta (evita-se a usura). Está implícito um abuso de direito. No entanto é permitido que o devedor, após o vencimento, dê a coisa ao credor como pagamento de dívida (dação em pagamento).

11. Direito de Excussão. Quando o débito não for pago no vencimento, os credores pignoratício e hipotecário, como não podem ficar com o bem do devedor, têm o direito de promover sua venda judicial, por meio do processo de execução. Se o valor obtido na venda não bastar para saldar a dívida, a garantia real se extingue, mas o devedor continua obrigado pelo restante (dívida real se transforma em pessoal, sem garantias – quirografário). Se o produto da venda ultrapassar o montante devido, o que sobrar será devolvido ao devedor.

11. Falido. Não pode onerar os bens da pessoa jurídica, pois lhe faltam administração e disposição sobre eles. Já o devedor em recuperação (judicial ou extrajudicial) pode, com autorização judicial.

12.

Vencimento antecipado da dívida. Permite-se nas hipóteses do art. 1.425,

CC.

1. PENHOR (arts. 1.431 a 1.472, CC)

Conceito: transferência da posse de coisa móvel ou mobilizável realizada pelo devedor ao credor, para garantir o pagamento de um débito.

Partes

a) Credor pignoratício: empresta o dinheiro e recebe a coisa. b) Devedor pignoratício: entrega o bem.

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Características

a) em regra, recai sobre coisas móveis (exceção – safra futura).

b) é acessório, uno e indivisível.

c) exige, em regra, a entrega da coisa (tradição) – exceção – penhor rural,

industrial ou de veículo, em que a posse da coisa continua com devedor.

Classificação

a) convencional: civil, mercantil, rural (agrícola ou pecuário), industrial

b) de direitos (arts. 1.451 a 1.460, CC)

c) de veículos (arts. 1.461 a 1.466, CC)

d) legal (arts. 1.467 a 1.472, CC)

Extinção: pagamento, perecimento da coisa, renúncia, confusão, adjudicação judicial.

2. HIPOTECA (arts. 1.473 a 1.505, CC)

Conceito: direito real de garantia que grava coisa imóvel pertencente ao devedor sem transmissão de posse ao credor.

Partes

a) Credor hipotecário: empresta o dinheiro.

b) Devedor hipotecante: oferece o bem em garantia.

Bens hipotecáveis: imóveis, acessórios móveis em conjunto com imóveis, nua propriedade e domínio útil, estradas de ferro, recursos minerais, navios e aeronaves.

Espécies: convencional, legal e judicial.

Características

a) Contrato acessório e indivisível, sempre de natureza civil.

b) Exige registro (publicidade e especialização).

c) Devedor continua na posse do bem.

Subipoteca – A lei permite que o mesmo bem seja hipotecado mais de uma vez, se não houver proibição expressa. O bem deve ter valor superior ao da soma de todas as hipotecas.

Perempção – Extinção da hipoteca pelo decurso de 30 anos. Esse prazo não comporta suspensão nem interrupção.

Extinção – Desaparecimento da obrigação principal, destruição da coisa, renúncia do credor, adjudicação, consolidação.

3. ANTICRESE (arts. 1.506 a 1.510, CC)

Conceito: direito real de garantia pelo qual o credor retém o imóvel do devedor e recebe seus frutos até o valor emprestado.

Partes

a) Credor anticrético: empresta o dinheiro e recebe a posse do imóvel.

b) Devedor anticrético: recebe o dinheiro e entrega o bem.

Características

a) exige capacidade das partes, escritura, registro e a entrega real da coisa.

b) não confere direito de preferência na venda.

Efeitos: o credor pode arrendar a terceiros ou fruir pessoalmente e reter a posse até 15 anos.

Extinção: pagamento da dívida, término do prazo (máximo 15 anos), renúncia do credor; perecimento do bem, desapropriação.

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DIREITO DE FAMÍLIA

CONCEITO. Complexo de normas de ordem pública que regulam a celebração do casamento, sua validade, seus efeitos, relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, união estável entre homem e mulher, dissolução, relação entre pais e filhos, vínculo de parentesco e os institutos complementares da tutela, curatela e ausência.

DIREITO MATRIMONIAL

1. Esponsais: promessa de casamento não vinculativa - indenização

2. Casamento

Fins

Princípios

Efeitos jurídicos

Deveres

Proibições

3. Impedimentos e Causas Suspensivas

a) Impedimentos dirimentes absolutos (ou públicos): 1.521 CC

Impedimentos de Parentesco (consanguinidade, afinidade, adoção).

Impedimento de Vínculo (pessoas casadas)

Impedimento de Crime (homicídio ou tentativa de homicídio)

b) Causas Suspensivas ou Impedimentos Impedientes: art. 1.523, CC

4. Casamento por procuração: admissível

5. Casamento nuncupativo: nubente à beira da morte

REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES

1. Princípios

a) Variedade de regime de bens: a lei oferece quatro espécies de regimes:

comunhão universal, comunhão parcial, separação e participação final dos aquestos.

b) Liberdade dos pactos antenupciais: Pacto antenupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual os nubentes escolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. Os nubentes podem estipular cláusulas, atinentes às relações econômicas, desde que respeitados os princípios da ordem pública; devem ser feitos por escritura pública (sob pena de nulidade) e seguido do casamento (sob pena de ineficácia). Se os nubentes nada convencionarem ou sendo nula a convenção, vigorará o regime da comunhão parcial (art. 1.640, CC). Se optarem por qualquer outro regime, será obrigatório o pacto antenupcial por escritura pública, sob pena de nulidade.

c) Possibilidade de alterar o regime adotado: atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde que haja uma autorização judicial, atendendo a pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros (art. 1639, §2°, CC).

2. Espécies

A) Regime da Comunhão Parcial (ou limitada – arts. 1.658/1.666, CC) – é o que vigora no silêncio das partes ou nulidade do pacto antenupcial. Compreende, em

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princípio, três patrimônios distintos: um só do marido; outro só da mulher e um terceiro de ambos, adquiridos a título oneroso durante o casamento. Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam. Ficam excluídos da comunhão de bens que cada cônjuge possuía antes de casar, bem como os que vierem depois, por doação ou sucessão (e os sub-rogados em seu lugar). Por outro lado cada consorte responde pelos próprios débitos anteriores ao casamento.

B) Regime da Comunhão Universal (arts. 1.667/1.671, CC) – é aquele em

que todos os bens dos cônjuges, presentes ou futuros, adquiridos antes ou depois do

casamento (ainda que em nome de um só deles), tornam-se comuns, constituindo uma só massa, tendo cada cônjuge o direito à metade ideal do patrimônio comum (são meeiros), havendo comunicação do ativo e do passivo. Em princípio só há um só patrimônio, instaurando-se o estado de indivisão. É necessário o pacto antenupcial.

C) Regime da Participação Final nos Aquestos (arts. 1.672/1.686, CC) – é

um misto de dois regimes: durante a constância do casamento vigoram as regras semelhantes ao regime da separação total de bens; dissolvida a sociedade conjugal, em tese, vigoram as regras da comunhão parcial (cada cônjuge é credor da metade do que o outro adquiriu onerosamente na constância do casamento. Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento. Há dois patrimônios: a) INICIAL – conjunto de bens que cada cônjuge possuía antes de se casar e os que foram por ele adquiridos, a qualquer título, durante o casamento. A administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge, podendo aliená-los livremente se forem móveis. Em se tratando de bens imóveis um não poderá sem a autorização do outro realizar os atos previstos no art. 1.647, CC (alienar, hipotecar, prestar fiança, etc.) No entanto, no pacto antenupcial pode-se convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares. b) FINAL – com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o montante dos aquestos, excluindo-se da soma o patrimônio próprio (Ex.: bens anteriores ao casamento e os sub-rogados em seu lugar, obtidos por herança, legado ou doação, etc.), efetuando-se a partilha e conferindo a cada consorte, metade dos bens amealhados pelo casal. Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá direito a uma quota igual no condomínio. Como se percebe, trata-se mais de uma compensação dos bens adquiridos e não propriamente de uma divisão.

D) Regime da Separação de Bens (arts. 1.687/1.688, CC) – cada cônjuge

conserva, com exclusividade, o domínio, posse e administração de seus bens, presentes e futuros, havendo incomunicabilidade dos mesmos, não só dos que cada um possuía ao se casar, mas também dos que vierem a adquirir na constância do casamento. Mantém-se a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao casamento. Existem dois patrimônios distintos: o do marido e o da mulher. Qualquer dos consortes poderá, sem autorização do outro, prestar fiança ou aval e fazer doação, etc. Espécies: a) Convencional – nubentes adotam, por convenção antenupcial; podem estipular a comunicabilidade de alguns bens, normas sobre a

administração, colaboração da mulher, etc; b) Legal – a lei impõe, por razões de ordem pública ou como sanção, não havendo comunhão de aquestos (art. 1.641, CC), nem necessidade de pacto (Ex.: pessoa maior de 70 anos – redação dada pela Lei n o 12.344/10) ou que contraiu casamento com inobservância das causas de suspensão, etc.).

TÉRMINO DA SOCIEDADE CONJUGAL

Morte (real ou presumida). Nulidade ou anulação.

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Separação

remédio. Divórcio (direto ou conversão).

judicial

(consensual

ou

litigiosa).

DIREITO CONVIVENCIAL

Espécies:

sanção,

falência

ou

União estável entre homem e mulher (arts. 1723 a 1.727, CC)

1. Conceito: União duradoura de pessoas livres e de sexos diferentes, que não estão

ligados entre si por casamento. O Código Civil permite a união estável entre pessoas solteiras, viúvas, divorciadas, separadas judicialmente ou separadas de fato.

2. Elementos: Dualidade de sexos, publicidade, durabilidade, continuidade, constituição de família, não pode haver impedimentos matrimoniais (exceto quanto aos separados – judicialmente ou de fato).

Constituição Federal (art. 226, §3°): Para efeito de proteção do Estado é

reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Código Civil.

Lei n° 8.971/94.

Lei n° 9.278/96.

3. Meação: se não houver pacto entre os conviventes o regime da comunhão parcial

prevalecerá e o convivente terá direito à metade dos bens por ocasião da dissolução

da união estável (separação ou morte) se adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Não se comunicam os bens advindos de herança, legado ou doação.

4. Sucessão: o companheiro supérstite, além da meação participará da sucessão do

outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas

seguintes condições:

se concorrer com filhos comuns terá direito a uma quota equivalente à que for atribuída ao filho;

se concorrer com filhos só do autor da herança, caber-lhe-á metade do que couber a cada um daqueles;

se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;

não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.

Observação: o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo. A partir daí os casais homossexuais terão os mesmos direitos e deveres que a legislação estabelece para os casais heterossexuais, sendo tratados como um novo tipo familiar.

DIREITO PARENTAL

A) Conceito: é a relação existente não só entre pessoas que descendem uma das outras ou de um mesmo tronco comum, mas também entre um dos cônjuges e os parentes do outro e entre adotado e adotante.

B) Espécies 1. Natural ou Consanguíneo: ligados por um mesmo tronco ancestral.

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a) matrimonial ou extramatrimonial.

b) linha reta ou colateral.

c) duplo ou simples.

2. Afim: é o que se estabelece entre o cônjuge e os parentes consanguíneos do

outro (sogra, genro, nora, cunhados).

3. Civil: adoção.

C) Filiação: vínculo entre pais e filhos.

1. Matrimonial: oriunda de união de pessoas ligadas pelo casamento; mesmo

que ele tenha sido anulado posteriormente, estando ou não os consortes de boa-

fé. Presunção legal.

2. Não-matrimonial: oriunda de pessoas que estão impedidas de casar (espúrios) ou que simplesmente não querem contrair casamento (naturais).

3. Reconhecimento: ato que declara a filiação, estabelecendo juridicamente o

parentesco entre pai e mãe e seu filho. É ato declaratório (declara um fato do qual

o direito tira consequências). Pode ser voluntário ou judicial.

DIREITO DAS SUCESSOES

1. Conceito conjunto de normas que disciplinam a transferência do patrimônio de

alguém (bens, direitos e obrigações), depois de sua morte, em virtude de lei ou testamento. Refere-se apenas às pessoas naturais (a extinção da pessoa jurídica não está em seu âmbito). A sucessão é uma forma de aquisição da propriedade.

2. Conteúdo

Sucessão em Geral (arts. 1.784/1.828, CC).

Sucessão Legítima (arts. 1.729/1.756, CC).

Sucessão Testamentária (arts. 1.757/1.990, CC).

Inventário e Partilha (arts. 1.991/2.027, CC).

3. Sucessão em Geral

Fonte: a lei é a sua única fonte. O testamento pode até indicar o destinatário da sucessão. Mas ele não é pleno (há muitas restrições ao direito de testar) e também não é causa geradora de novas disposições sucessórias.

Abertura: ocorre com a morte do de cujus (real ou presumida). De cujus:

pessoa de cuja sucessão se trata. Lugar da abertura: último domicílio do falecido (art. 1.785, CC).

Transmissão (princípio da saisine) →→→ posse imediata.

Herança: é o patrimônio do de cujus. Trata-se de uma universalidade de direito. Não é suscetível de divisão em partes materiais (indivisível até a partilha) e é equiparada a um bem imóvel, enquanto permanecer como tal. Compreende todos os direitos que não se extinguem com a morte. Integram- na bens móveis e imóveis, direitos, obrigações e ações. Abrange coisas futuras. Excluem-se as coisas que se não se desligam da pessoa (direito à personalidade, tutela, curatela, obrigações intuitu personae, etc.).

Sucessão X Herança. Sucessão mortis causa é o modo de transmitir a herança. Herança é o conjunto de bens, direitos e obrigações que se transmitem aos herdeiros e legatários. É considerada pelo Direito brasileiro (em virtude de ficção legal) como um bem imóvel.

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Herdeiros: são os sucessores do de cujos. Dividem-se em a) legítimos:

instituídos pela lei e relacionados em uma ordem de preferência; b) necessários: descendentes, ascendentes e cônjuge; c) testamentários:

designados pelo falecido em testamento.

Capacidade Sucessória: capacidade para adquirir os bens no momento da morte. Todas as pessoas concebidas ou já nascidas, no momento da abertura da sucessão. Exceções:

Indignidade: incapacidade sucessória que priva alguém de receber a herança (arts. 1.814/1.818, CC). Herdeiro que comete atos ofensivos à pessoa ou à honra do de cujus, ou atentou contra sua liberdade de testar, reconhecida em sentença judicial. Pode propor ação judicial quem tem interesse na declaração da indignidade. Encontra fundamento na presumida vontade do de cujus que excluiria o herdeiro se houvesse feito declaração de última vontade.

Aceitação ato unilateral, indivisível, incondicional, não havendo retratação. Pode ser expressa (declaração escrita) ou tácita (herdeiro pratica atos compatíveis com a sua condição hereditária). A aquisição da herança se dá com a morte do de cujus; a aceitação apenas consolida esta aquisição, retroagindo ao tempo da abertura da sucessão.

Renúncia ato unilateral, indivisível e solene (não se presume; é expresso:

por escritura pública ou por termo nos autos) pelo qual o herdeiro declara não aceitar a herança. Deve respeitar eventuais direitos de credores. É irretratável, mas se admite a retração em casos de violência, erro ou dolo. Só pode ocorrer após a abertura da sucessão. Tem efeito retroativo, pois é como se o renunciante jamais fosse chamado à sucessão. A renúncia válida é a abdicativa: cessão pura, simples e gratuita.

Cessão transferência de parte ideal da herança a outrem (e não de um bem determinado).

4. Espécies de Sucessão

a) Legítima: ocorre quando alguém morre sem deixar testamento (ab intestato).

Divisão dos bens de acordo com a determinação legal.

b) Testamentária: ocorre por ato de vontade. O testamento é o instrumento da

vontade, destinado a produzir as consequências jurídicas com a morte de testador. Subdivide-se em: a título universal e a título singular (legado).

c) Sucessão por cabeça: ocorre quando todos os herdeiros são do mesmo grau.

Cada herdeiro do mesmo grau corresponde uma quota igual na herança. A herança é dividida entre todos os herdeiros aos quais é deferida.

d) Sucessão por estirpe: concorrem, na sucessão, descendentes que tenham

com o de cujus graus de parentesco diferentes, ou quando a partilha, em vez de se fazer igualmente entre pessoas, faz-se entre certos grupos de descendentes, grupos constituídos pelos descendentes do herdeiro do grau mais próximo. A sucessão por estirpe dá-se na linha reta descendente (filho representa o pai na sucessão do avô); excepcionalmente na linha transversal (sobrinho representa o pai na sucessão do irmão), mas nunca na linha reta ascendente.

5. SUCESSÃO LEGÍTIMA. Tem seu fundamento no Direito de Família.

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c) Cônjuge sobrevivente (também chamado de supérstite). Não se aplica se estiver separado judicialmente ou de fato há mais de dois anos. Direito do cônjuge, qualquer que seja o regime de bens: direito real de habitação, desde que se trate do único bem daquela natureza a inventariar. Os companheiros também possuem direito sucessório, mas somente participarão quanto aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável.

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