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Resumos de AMIII

10 de Dezembro de 2005

1. Revis˜oes e Complementos de C´alculo Diferencial

1. Se U

R n ´e aberto, f

: U R m uma fun¸c˜ao (portanto f

= (f 1 ,

, f m )), x 0 U

e

v R n , ent˜ao a derivada direccional de f segundo v no ponto x 0 ´e

v f(x 0 ) = lim

t0

(caso o limite exista).

f(x 0 + tv) f(x 0 )

t

=

dt d f(x 0 + tv)| t=0

2. A i-´esima derivada parcial de f ´e a derivada direccional segundo o i-´esimo vector da base can´onica e escreve-se

f

x i i f

∂f 1

∂x i

.

.

.

∂f m

∂x i

i f 1

.

i f n

def = e i f.

3. f diz-se diferenci´avel em x 0 se existe uma transforma¸c˜ao linear Df (x 0 ) : R n R m (repre- sentada por uma matriz m × n) tal que

lim

h0

f(x 0 + h) f(x 0 ) Df(x 0 ) · h

h

4. Se f ´e diferenci´avel em x 0 ent˜ao

v f(x 0 ) = D f (x 0 ) · v.

= 0.

Em particular, Df ´e representada na base can´onica pela matriz Jacobiana

Df =

∂f 1

x

1

.

.

.

∂f m

∂x 1

.

.

.

.

.

.

.

.

.

∂f 1

∂x n

.

.

.

f m

∂x n

=

1 f 1

.

1 f m

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

5. Uma norma num espa¸co vectorial V ´e uma fun¸c˜ao · : V R axiomas:

(i)

x = 0 sse x = 0,

(ii)

λx = |λ| x para todo o λ R e x V ,

1

n f 1

.

n f m

.

.

.

(1)

+

0

satisfazendo os seguintes

(iii)

x + y x + y (Desigualdade triangular).

6.

7.

8.

9.

Se f : V W ´e uma fun¸c˜ao entre espa¸cos vectoriais normados, dizemos que

xa f(x) = b

se

>0 δ>0 x a V < δ f(x) b W < .

Com esta no¸c˜ao de limite definimos as derivadas direccionais e derivadas de fun¸c˜oes entre espa¸cos vectoriais normados como acima.

dizem-se equivalentes se existem

constantes A, B > 0 tais que para todo o x V

A x 2 x 1 B x 2 .

Equivalentemente, duas normas s˜ao equivalentes se convergˆencia para 0 significa o mesmo

em ambas as normas, ou ainda se cada norma ´e cont´ınua como fun¸c˜ao V R respeito `a no¸c˜ao de limite determinada pela outra norma.

Num espa¸co vectorial de dimens˜ao finita quaisquer duas normas s˜ao equivalentes. Em par- ticular, a no¸c˜ao de diferenciabilidade para uma fun¸c˜ao entre espa¸cos vectoriais de dimens˜ao finita ´e independente da escolha das normas nos espa¸cos em quest˜ao.

, v m } e f : R n V ´e uma

Se V ´e um espa¸co vectorial de dimens˜ao finita com base {v 1 , fun¸c˜ao diferenci´avel, escrevendo

com

Duas

lim

normas

·

1

e

·

2

num espa¸co vectorial V

+

0

f(x) =

m

i=1

f

i (x)v i ,

a

derivada f (a) (quando existe) ´e representada pela matriz (1) nas bases can´onica de R n

e

{v i } i=1 m de V .

10.

11.

12.

Escreve-se L(V, W ) para o espa¸co vectorial das transforma¸c˜oes lineares entre os espa¸cos vectoriais V e W .

A fun¸c˜ao derivada de f : U R n R m ´e a fun¸c˜ao f : U L(R n ;R m ) que associa a a

a transforma¸c˜ao linear f (a). Uma vez que L(R n , R m ) ´e um espa¸co vectorial de dimens˜ao finita, podemos falar da derivada de f e mais geralmente definir a derivada de ordem k de f como uma fun¸c˜ao

f (k) : U L(R n ; L(R n

;

L(R n , R m )

.))).

Se V 1 ,

, V k , W s˜ao espa¸cos vectoriais, uma transforma¸c˜ao multilinear

f : V 1 ×

× V k W

´e uma fun¸c˜ao que satisfaz a equa¸c˜ao

f(v 1 ,

, αv i + βv

i ,

, v k ) = αf(v 1 ,

,

v i ,

, v k ) + βf(v 1 ,

, v

i ,

,

v k ),

ou seja, que ´e linear em cada vari´avel separadamente. As transforma¸c˜oes multilineares formam um espa¸co vectorial com a soma e o produto escalar definidos por

(αf + βg)(v 1 ,

, v k ) = αf(v 1 ,

, v k ) + βg(v 1 ,

Este espa¸co vectorial ´e denotado por L(V 1 ,

, V k ; W).

2

,

v k ).

13.

H´a um isomorfismo can´onico L(V 1 ; L(V 2 ; W )) L(V 1 , V 2 ; W ) definido por

g ((v 1 , v 2 ) (g(v 1 ))(v 2 ))

e com inverso

f (v 1 (v 2 f(v 1 , v 2 ))) .

Mediante estes isomorfismos, a derivada de ordem k de uma fun¸c˜ao f : V W identifica-se com uma transforma¸c˜ao multilinear

f (k) : V ×

× V

W.

14. O espa¸co vectorial V = L(V ; R) diz-se o dual do espa¸co vectorial V . O espa¸co vectorial

, V ; R) diz-se o espa¸co dos tensores-k covariantes sobre V (portanto

T k (V ) = L(V, V = T 1 (V )).

15. , e k } ´e uma base para V , a base dual

Se {e 1 ,

para V ´e a base {e 1 ,

, e k } definida por

e i

n

j=1

α j e j   = α i .

16. , φ k V , escrevemos φ 1

Dados φ 1 ,

φ k ∈ T k (V ) para o tensor definido pela f´ormula

(φ 1

φ k )(v 1 ,

, v k ) = φ 1 (v 1 )φ 2 (v 2 )

φ k (v k ).

17. , e n } ´e uma base para V ,

Se {e 1 ,

´e uma base para T k (V ).

18. Mais geralmente, se {e i,j } i=1, aplica¸c˜oes multilineares

e i 1

1

{e i 1

e i k } n

i 1 ,

,i

k =1

,n

j

s˜ao bases para V j e {f k } m

k=1 ´e uma base para W , as

e i k f l : V 1 ×

k

V k W

definidas pela f´ormula

(e i 1

1

e i k f l )(v 1 ,

k

formam uma base para L(V 1 ,

, V k ; W).

, v k ) = e i 1 (v 1 )

1

e i k (v k )f l

k

19. As derivadas parciais de ordem 2 definem-se pela f´ormula

i j f =

2 f ∂x i ∂x j =

∂x i ∂x

∂f

j

e analogamente para as derivadas de ordem superior.

20. Nas bases can´onicas {e 1 ,

e n } de R n e {e 1 ,

, e n } de R n , a segunda derivada de uma

fun¸c˜ao f : U R n R ´e representada pela matriz Hessiana de f

2 f

∂x 1 ∂x 1

.

.

.

2 f

∂x 1 ∂x n

2 f

∂x 1 ∂x n

.

.

.

2 f

∂x n ∂x n

.

.

.

.

.

.

.

.

.

3

21.

Se f : U

R n R m ´e uma fun¸c˜ao k vezes diferenci´avel em x U , todas as derivadas

parciais de ordem k existem em x e f (k) (x) ∈ T k (R n ) ´e dada pela express˜ao

f

(k) (x) =

m

j=1 i 1 ,

n

,i

k =1

∂f j

x i 1 (x)e i 1

∂x i k

e i k e j .

22. Se V ´e um espa¸co vectorial de dimens˜ao finita, f : U R n V diz-se de classe C k se as derivadas parciais de ordem menor ou igual a k das componentes f i de f numa base qualquer de V s˜ao fun¸c˜oes cont´ınuas.

23. Uma fun¸c˜ao de classe C k ´e k vezes diferenci´avel.

24. Lema de Schwarz: Se f ´e de classe C 2 , ent˜ao i j f = j i f.

25. Um tensor T ∈ T k (V ) diz-se sim´etrico se

T(v 1 ,

,

v i ,

, v j ,

, v k ) = T(v 1 ,

, v j ,

,

v i ,

,

v k ).

26. Se f : U R n R ´e de classe C k , f (k) ´e um tensor sim´etrico.

27. Se f : U

R n R m ´e diferenci´avel em x 0 U, e g : V

R m R p ´e diferenci´avel em

f(x 0 ) V , ent˜ao g f : U R n R p ´e diferenci´avel em x 0 e

D(g f )(x 0 ) = Dg(f(x 0 ))Df (x 0 ).

Em coordenadas (x 1 ,

, x n ) em R n e (y 1 ,

∂g i ∂x j =

m

k=1

, y m ) em R m , tem-se

∂g i ∂f k ∂y k ∂x j

(regra da cadeia).

28. F´ormula de Taylor:

θ ]0, 1[ tal que

Se f : U R n R ´e de classe C k e a + th U para t [0, 1], existe

f(a+h) = f(a)+f

1

.+ (k 1)! f (k1) (a)(h,

1

, h)+ k! f (k) (a+θh)(h,

, h).

29. Se f : U R n R tem um extremo em a e f ´e diferenci´avel em a, ent˜ao f (a) = 0.

30. Se f ´e diferenci´avel em a e f (a) = 0, a diz-se um ponto de estacionariedade ou um ponto cr´ıtico de f . Um ponto cr´ıtico que n˜ao ´e um ponto de extremo diz-se um ponto de sela.

31. Seja f de classe C 2 e a um ponto cr´ıtico de f .

(i)

Se f (a)(h, h) > 0 para todo o h

= 0 ent˜ao a ´e um ponto de m´ınimo relativo estrito

de

f .

(ii)

Se f (a)(h, h) < 0 para todo o h

= 0 ent˜ao a ´e um ponto de m´aximo relativo estrito

de

f .

(iii)

Se a ´e um ponto de m´ınimo, ent˜ao f (a)(h, h) 0 para todo o h.

(iv)

Se a ´e um ponto de m´aximo, ent˜ao f (a)(h, h) 0 para todo o h.

32. Uma vez que f (a)(h, h) =

h t H(f )h onde H(f ) denota a matriz Hessiana de f , as

condi¸c˜oes do ponto anterior s˜ao verificadas sse os valores pr´oprios (da matriz sim´etrica) H(f ) s˜ao

4

(i)

todos positivos,

(ii)

todos negativos,

(iii)

todos 0,

(iv)

todos 0.

2. Teoremas da fun¸c˜ao inversa e ´ımplicita

1. O jacobiano de uma fun¸c˜ao diferenci´avel f : D R n R n ´e a fun¸c˜ao

Jf (x) = det Df (x).

2. Teorema da fun¸c˜ao inversa Seja f : D R n R n uma fun¸c˜ao de classe C 1 com D aberto.

Se Jf (a)

= 0, ent˜ao existe um aberto W D com a W tal que

(i)

f (W ) ´e um aberto,

(ii)

f |W ´e injectiva,

(iii)

f 1 : f (W ) W ´e

de classe C 1 e

Df 1 (f (a)) = Df (a) 1 .

3. Seja (V, · ) um espa¸co normado. Uma sucess˜ao x n em V diz-se uma sucess˜ao de Cauchy se

>0 N n, m > N x n x m < .

O espa¸co V diz-se completo ou um espa¸co de Banach se toda a sucess˜ao de Cauchy

converge.

Seja D V .

f(x 1 ) f(x 2 ) λ x 1 x 2 .

4. Uma aplica¸c˜ao f : D D diz-se uma contrac¸c˜ao se existe λ < 1 tal que

5. x diz-se um ponto fixo de uma aplica¸c˜ao f se f (x) = x.

6. Teorema do ponto fixo. Se (V, · ) ´e um espa¸co completo, D V ´e fechado e f : D D ´e uma contrac¸c˜ao, ent˜ao f tem um ponto fixo unico.´

7. Uma fun¸c˜ao f : A R n R m ´e cont´ınua se e s´o se para todo o aberto V R m , existe um aberto W R n tal que

f 1 (V ) = W A.

Recorde-se que f 1 (V ) = {x A : f (x) V }. Uma intersec¸c˜ao de um aberto de R n com A diz-se um aberto em A pelo que este resultado diz que uma fun¸c˜ao ´e cont´ınua sse transforma inversamente abertos em abertos.

8. Teorema da fun¸c˜ao impl´ıcita Seja F : U R n R m uma fun¸c˜ao de classe C 1 com n > m. Escrevemos (x, y) R n com x R nm e y R m . Dado (x 0 , y 0 ) U com F(x 0 , y 0 ) = 0, se

existem abertos V

g : V W de classe C 1 tal que

R nm e W

det F (x 0 , y 0 )

y

= 0

R m

com (x 0 , y 0 )

V

× W

U

e uma fun¸c˜ao

F(x, y) = 0 e (x, y) V × W y = g(x).

5

9.

As derivadas da fun¸c˜ao impl´ıcita g no ponto x 0 obtˆem-se derivando a equa¸c˜ao

F(x, g(x)) = 0.

Obtemos a seguinte equa¸c˜ao matricial para a derivada de g:

F

x

(x 0 , y 0 ) + F (x 0 , y 0 ) x (x 0 ) = 0.

y

g

10. Se a fun¸c˜ao f no enunciado do Teorema da Fun¸c˜ao Inversa ´e de classe C k (com 1 k ≤ ∞),

o mesmo sucede com f 1 e analogamente, se a fun¸c˜ao F no enunciado do Teorema da Fun¸c˜ao Impl´ıcita ´e de classe C k o mesmo sucede com a fun¸c˜ao g.

3. Variedades

1.

O

gr´afico de uma fun¸c˜ao f : D R m R nm ´e o conjunto

Graf(f ) = {(x, y) R n : x D e y = f(x)}.

2.

Um conjunto M R n ´e uma variedade diferenci´avel de dimens˜ao m ∈ {1,

, n 1} e

classe C k (k 1) se para qualquer ponto x 0 M existe uma vizinhan¸ca U x 0 e uma fun¸c˜ao de classe C k f : D R m R nm (D aberto) tais que

M U = Graf(f ) U

para alguma ordena¸c˜ao das fun¸c˜oes coordenadas de R n .

3.

Uma variedade de dimens˜ao 0 ´e um conjunto do pontos isolados; uma variedade de dimens˜ao n em R n ´e um conjunto aberto.

4.

Variedades como conjuntos de n´ıvel. M R n ´e uma variedade diferenci´avel de dimens˜ao

e classe C k sse para qualquer ponto x 0 M existe um aberto U x 0 e uma fun¸c˜ao de classe C k F : U R nm tais que

m

(i)

M U = {x U : F(x) = 0};

(ii)

A caracter´ıstica de DF(x 0 ) ´e n m (ou seja, ´e m´axima).

5.

Seja M R n uma variedade de dimens˜ao m, x M e U x uma vizinhan¸ca aberta; g : V R m M U diz-se uma parametriza¸c˜ao de classe C q de M U se

(i)

(ii)

(iii)

g ´e uma bijec¸c˜ao de classe C q ,

A caracter´ıstica de Dg(t) ´e m para todo o t V ,

g 1 : M U V cont´ınua. 1

A

aplica¸c˜ao g 1 : M U V diz-se uma carta local para M e o conjunto M U diz-se

uma vizinhan¸ca de coordenadas.

6.

Variedades como conjuntos parametriz´aveis. Um subconjunto M R n ´e uma variedade-

de classe C k sse para cada x M existe um aberto U R n contendo x e uma parametriza¸c˜ao g : V M U de classe C k com V um aberto de R m .

m

7.

Um caminho ´e uma aplica¸c˜ao cont´ınua g : I R n com I um intervalo de R. Um vector v R n diz-se tangente a um conjunto X R n em x X se existe um caminho diferenci´avel g : ( , ) X com g(0) = x e g (0) = v.

1 Isto ´e, para cada A V aberto, existe W R n aberto com g(A) = W M .

6

8.

Se

M R n ´e uma variedade-m e x 0 M , o conjunto T x 0 M de todos os vectores tangentes

9.

10.

11.

12.

13.

a M em x 0 ´e um espa¸co vectorial de dimens˜ao m chamado o espa¸co tangente a x 0 em M .

Se g : V M U ´e uma parametriza¸c˜ao com g(t 0 ) = x 0 , as colunas de Dg(t 0 ) formam uma base de T x 0 M.

Se M U = {x U : F(x = 0} com F de classe C 1 e DF(x) sobrejectiva, T x 0 M ´e o n´ucleo de DF(x 0 ).

Se M ´e uma variedade e x 0 M , o espa¸co normal a M em x 0 ´e o complemento ortogonal

de

Se M ´e localmente definida pela equa¸c˜ao F(x) = 0 com F satisfazendo as condi¸c˜oes

T x 0 M , e denota-se por T 0 M.

x

habituais, as linhas de DF(x 0 ) formam uma base para T 0 M.

M´etodo dos multiplicadores de Lagrange. Seja M uma variedade, f : U R uma fun¸c˜ao

diferenci´avel e x 0 M U . Para que a restri¸c˜ao de f a M tenha um extremo em x 0 ´e

x

necess´ario que f (x 0 ) T 0 M.

Dito de outra forma, se U ´e um aberto contendo x 0 e F: U R nm ´e uma fun¸c˜ao de classe C 1 com derivada sobrejectiva e tal que M U = {x U : F(x) = 0}, existem

λ 1 ,

x

, λ nm R chamados multiplicadores de Lagrange tais que

f(x 0 ) + λ 1 F 1 (x 0 )

+

+ λ nm F nm (x 0 ) = 0.

4. Integral de Riemann

1.

2.

3.

4.

I

´e limitado/aberto/fechado sse cada I k ´e limitado/aberto/fechado.

limitado com I k = |a k , b k | (em que | designa aberto ou fechado), o seu volume n-dimensional ´e

I

R n ´e um intervalo se I

=

I 1

×

.

.

.

×

I n ,

onde cada I k

´e

um intervalo de R.

Se I

´e um intervalo

V n (I) = (b 1 a 1 )(b 2 a 2 )

(b n a n ).

Uma parti¸c˜ao do intervalo limitado I R ´e um conjunto finito P = P 1 ×

cada P k ´e uma parti¸c˜ao do intervalo I k = |a k , b k | (i.e., P k ´e um subconjunto finito de I k contendo a k , b k ). Uma parti¸c˜ao de I subdivide I num n´umero finito de subintervalos J α . Uma fun¸c˜ao s : I R diz-se uma fun¸c˜ao em escada se existe uma parti¸c˜ao P de I tal que s ´e constante (igual a s α ) no interior de cada subintervalo J α , sendo o seu integral o n´umero real

(2)

× P n , onde

I

s = s α V n (J α ).

α

Uma parti¸c˜ao P diz-se um refinamento de P se P P .

O integral de uma fun¸c˜ao em escada definido em (2) ´e independente da parti¸c˜ao escolhida.

Seja I R n um intervalo limitado e f : I R uma fun¸c˜ao limitada. O integral superior de f em I ´e o n´umero real

I

f = inf I t : t ´e em escada e t(x) f (x)

x I .

O integral inferior de f em I ´e o n´umero real

I

f = sup I s : s ´e em

escada e s(x) f (x)

x I .

7

A fun¸c˜ao f diz-se integr´avel `a Riemann em I se os seus integrais superior e inferior coinci-

dem, e nesse caso define-se o seu integral como sendo

I

f = I f = I f.

As seguintes nota¸c˜oes s˜ao tamb´em utilizadas para o integral de f :

I

f = I f dV n = I f (x)dV n (x) = I f x 1 ,

,

x n dx 1

dx n .

5. Uma fun¸c˜ao em escada ´e integr´avel `a Riemann e o integral de Riemann ´e o n´umero definido pela f´ormula (2).

6. Se I ´e um intervalo limitado, P uma parti¸c˜ao de I e {J α } s˜ao os subintervalos da parti¸c˜ao

escrevemos

m α = inf{f (x): x int J α }

e

M α = sup{f (x): x int J α }.

A

soma superior determinada pela parti¸c˜ao ´e

U(f, P) = M α V n (J α )

α

e a soma inferior ´e

L(f, P) = m α V n (J α ).

α

7. Seja I um intervalo limitado. Uma fun¸c˜ao limitada f : I R ´e integr´avel `a Riemann sse para todo o > 0 existe uma parti¸c˜ao P de I tal que

U(f, P) L(f, P) < .

8. Propriedades do integral. Sejam f, g : I R fun¸c˜oes integr´aveis `a Riemann.

(i)

(ii)

Se

Se α, β R, αf + βg ´e integr´avel em I e

f (x) g(x) para todo o x I

ent˜ao I f I g.

I

(αf + βg) = α I f + β I g.

Ou seja, o conjunto das fun¸c˜oes integr´aveis `a Riemann ´e um espa¸co vectorial e o integral ´e uma transforma¸c˜ao linear.

|f | ´e integr´avel em I e I f I |f|.

9. Uma fam´ılia {U α } de subconjuntos de R n diz-se uma cobertura de A R n se A α U α .

A cobertura diz-se aberta se cada um dos conjuntos U α R n ´e aberto. Uma subcobertura

(iii)

de {U α } ´e uma subfam´ılia de {U α } que ´e ainda uma cobertura de A.

10. Diz-se que um conjunto A R n tem conte´udo nulo

se para todo o

>

0 existe uma

cobertura de A por uma fam´ılia finita {I 1 ,

, I k } de intervalos limitados tal que

k

j=1

V n (I j ) < .

8

11.

Diz-se que um conjunto A R n tem medida nula se para todo o > 0 existe uma cobertura

12.

de A por uma fam´ılia cont´avel {I 1 ,

, I k ,

.} de intervalos limitados tal que

j=1

V n (I j ) < .

Propriedades dos conjuntos de conte´udo nulo e medida nula.

(i) Se A tem conte´udo nulo ent˜ao tem medida nula.

(ii)

Um conjunto com conte´udo nulo ´e limitado.

(iii)

Se A B e B tem conte´udo (medida) nulo, ent˜ao A tamb´em tem.

(iv)

Uma uni˜ao finita de conjuntos com conte´udo nulo tem conte´udo nulo.

(v)

Uma uni˜ao cont´avel de conjuntos com medida nula tem medida nula.

(vi)

O gr´afico de uma fun¸c˜ao cont´ınua f : I R com I R n um intervalo compacto tem

13.

14.

15.

16.

17.

18.

19.

20.

conte´udo nulo em R n+1 . (vii) O gr´afico de uma fun¸c˜ao cont´ınua f : I R n R com I um intervalo qualquer, tem medida nula em R n+1 . (viii) Um intervalo de R n com interior n˜ao vazio n˜ao tem conte´udo nulo.

Teorema de Heine-Borel: Um subconjunto A R n ´e compacto sse toda a cobertura aberta de A tem uma subcobertura finita.

Se A R n ´e compacto, ent˜ao A tem medida nula sse A tem conte´udo nulo.

Se A R n tem interior n˜ao vazio, ent˜ao A n˜ao tem medida nula.

Seja f : U R n R uma fun¸c˜ao limitada. n˜ao negativo

A oscila¸c˜ao de f em D U ´e o n´umero real

o(f, D) = sup

xD f (x) inf

xD f(x).

A oscila¸c˜ao de f no ponto x U ´e

o(f, x) = lim + o(f, B δ (x) U).

δ0

Uma fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em x sse o(f, x) = 0.

Seja A R n e P (x) uma proposi¸c˜ao dependente do ponto x. Diz-se que P ´e v´alida quase em toda a parte em A (abreviado q.t.p. em A) se

{x A : P (x) n˜ao ´e v´alida.}

tem medida nula em R n .

Crit´erio de integrabilidade de Lebesgue. Seja I R n um intervalo compacto. Uma fun¸c˜ao limitada f : I R ´e integr´avel `a Riemann sse f ´e cont´ınua quase em toda a parte em I.

A fun¸c˜ao caracter´ıstica de um conjunto A R n ´e a fun¸c˜ao

χ A (x) =

1

se x A

0

caso contr´ario.

9

21. Um conjunto limitado A R n diz-se mensur´avel `a Jordan se a fun¸c˜ao χ A ´e integr´avel nalgum intervalo limitado I A (esta defini¸c˜ao ´e independente da escolha de I). O conte´udo ou volume n-dimensional de A ´e

V n (A) = I χ A .

22. Seja I R n um intervalo limitado, f : I R uma fun¸c˜ao limitada e A I. Define-se o

integral de f em A por

A f = I

A .

Esta defini¸c˜ao depende apenas de A e n˜ao do intervalo I.

23. Se f, g s˜ao integr´aveis em I, fg ´e integr´avel. Em particular, se f ´e integr´avel em I e A I ´e mensur´avel `a Jordan, f ´e integr´avel em A.

24. Um conjunto A R n ´e mensur´avel `a Jordan sse A ´e limitado e front(A) tem medida nula.

25. Seja J a fam´ılia dos subconjuntos mensur´aveis `a Jordan em R n . Dados A, B ∈ J tem-se

(i)

A B ∈ J ,

(ii)

A \ B ∈ J ,

(iii)

A B ∈ J ,

(iv)

Se A B = , ent˜ao V n (A B) = V n (A) + V n (B).

26. Teorema de Fubini.

Sejam I R n e J R m s˜ao intervalos limitados e f : I × J R ´e

uma fun¸c˜ao integr´avel, ent˜ao

I×J f = I