Você está na página 1de 8

1

!

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

Seminário I

DIREITO TRIBUTÁRIO E O CONCEITO DE “TRIBUTO”

Questões

1. Que é Direito? Há diferença entre direito positivo e Ciência do Direi- to? Explique.

R.: Direito são os conjunto de normas e regras que disciplinam as di-

versas áreas de nossas vidas. De maneira clara, o Direito acaba

sendo conceituado, como regulador do comportamento humano pe-

rante a sociedade, de maneira que sua característica primordial é a

força coercitiva, que acaba sendo outorgado pela própria sociedade.

Sim, o direto positivo e a Ciência do Direito possuem diferenças.

Referente ao Direito Positivo nas palavras de Paulo de Barros Car-

valho “O direito positivo forma um plano de linguagem índole pres-

critiva” sendo assim, um conjunto de normas jurídicas vigentes. Ao

passo que, a Ciência do Direito entende-se como o estudo das

normas que englobam o direito positivo. Nas palavras de Paulo de

Barros Carvalho “a Ciência do Direito, que relata, compõe-se de

uma camada de linguagem fundamentalmente descritiva. 1

1 Carvalho, Paulo de Barros Curso de direito tributário. – 24.ed. – São Paulo : Saraiva, 2012. p.

30.

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

2 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

2. Que é norma jurídica? Há que se falar em norma jurídica sem san- ção? Justifique.

R.: Obtemos o significado de norma jurídica a partir da leitura dos tex-

tos do direito positivo. Dessa maneira trata-se de algo que acaba

produzindo em nossa mente, o juízo que se desenvolveu a partir da

leitura do direito positivo. Sendo a regra da conduta imposta, po -

dendo ser jurídica, moral, entre outras. Dessa forma, a sanção não

é contemplada como elemento da norma jurídica, sendo resultado

da necessidade do direito prescritivo.

2

3. Há diferença entre documento normativo, enunciado prescritivo, proposição e norma jurídica? Explique.

Sim há diferenças Enquanto os documentos normativos são docu- mentos positivados, que estabelecem regas e diretrizes, oriundas da produção legislativa. Dessa maneira ao interpretar tais leis, o ju- rista constrói então a norma jurídica. Nas palavras de Paulo de Bar- ros Carvalho:

A norma jurídica é a significação que obtemos

a partir da leitura dos textos do direito positi- vo. Trata-se de algo que se produz em nossa mente, como resultado da percepção do mundo exterior, captado pelos sentidos. 3

2 Carvalho, Paulo de Barros Curso de direito tributário. – 24.ed. – São Paulo : Saraiva, 2012. p.

34.

3 Carvalho, Paulo de Barros Curso de direito tributário. – 24.ed. – São Paulo : Saraiva, 2012. p.

33.

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

3 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

Os enunciados prescritivos, estão contemplados no direito material,

e acabam englobando a estrutura sintático-gramatical, assim nada

mais é, do que o conjunto de símbolos na forma de texto. A propo- sição estaria como o juízo revelador da norma jurídica. Podendo ser definida como conteúdo fundamento na norma.

4. Que é tributo (vide anexo I)? Com base na sua definição de tributo, quais dessas hipóteses são consideradas tributos? Fundamente sua

resposta: (i) seguro obrigatório de veículos; (ii) multa decorrente de atraso no IPTU; (iii) FGTS (vide anexos II e III e IV); (iv) aluguel de imóvel público; (v) prestação de serviço eleitoral; (vi) imposto sobre

a renda auferida por meio de atividade ilícita (ex. contrabando); (vii)

tributo instituído por meio de decreto (inconstitucional – vide anexo V).

R.: Para entender o significado da expressão “Tributo”, se faz necessá-

rio a leitura do artigo 3º do CTN:

Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vincula- da.

Dessa forma temos que os tributos podem ser divididos em impos- tos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições parafiscais.

O seguro obrigatório de veículos, é considerado pelo nosso orde-

namento pátrio como tributo, sendo encaixado na categoria das

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

4 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

contribuições parafiscais.

(ii) Referente a multa decorrente de atraso no IPTU, essa não pode ser considerada como uma forma de tributo, uma vez que, advém de uma advertência a ato ilícito, dessa maneira descaracterizando a definição de tributo.

(iii) FGTS, não se encaixa na definição de tributo, pois há necessidade de um vinculo trabalhista, dessarte não tratando-se de receita públi- ca.

(iv) Referente ao aluguel de imóvel público, caracteriza-se por uma contraprestação contratual, não possuindo assim natureza e carac- terísticas tributarias.

(v) A prestação de serviço eleitoral não pode ser considerado tributo, uma vez, que não pode-se caracterizar a este serviço prestado como pecúnia.

(vi) Para melhor explicar essa categoria, imposto sobre a renda auferi- da por meio de atividade ilícita, trago o pensamento de Luciano Amaro, citado por Sabbag:

Assim, por exemplo, o exercício de profissão (para a qual o indivíduo não esteja legalmente habilitado) não impede a incidência de tributo sobre a prestação do serviço ou sobre a ren- da auferida; não se tributa o descumprimento da norma legal que disciplina o exercício re- gular da profissão, mas o fato de executar o serviço, ou o fato da percepção de renda. O advogado impedido que, não obstante, advo- gue, ou o indivíduo inabilitado que, apesar

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

5 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

disso, clinique como médico, não podem in- vocar tais circunstâncias para furtar -se ao pagamento dos tributos que incidam sobre suas atividades, ou sobre a renda que aufi- ram, a pretexto de que o fato gerador não se aperfeiçoaria diante das irregularidades apon- tadas. ( ) 4

Dessa forma, mesmo que advenha de ato ilícito, como o contraban- do, é sim aplicado as tributações necessárias.

(vii) Tributo instituído por meio de decreto, já nasce gozando de ilegali- dades, umas que aplicado o principio da legalidade no direito tribu- tário, ninguém será obrigado a cumprir com tal obrigação, se não for instituído de maneira carreta, ou seja por lei.

5. Que é direito tributário? Sob as luzes da matéria estudada, efetuar crítica à seguinte sentença: “Direito tributário é o ramo do Direito público positivo que estuda as relações jurídicas entre o Fisco e os contribuintes, concernentes à instituição, arrecadação e fiscalização de tributos”, e propor definição para “direito tributário”. Dessarte, pode-se traduzir Direito Tributário, como um ramo autônomo do di- reito, visando o entendimento referente as instituições: arrecadação e fiscalização dos tributos.

R.: Sabbag trazendo a definição de Direito Tributário de Paulo de Bar- ros Carvalho:

[] o Direito Tributário é o ramo didaticamente autônomo do Direito, integrado pelo conjunto de proposições jurídico -normativas, que cor- respondam, direta ou indiretamente, à institui-

4 Sabbag, Eduardo. Manual de direito tributário – 6. ed. – São Paulo: Saraiva, 2014. p. 203-204.

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

6 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

ção, arrecadação e fiscalização de tributos. 5

Dessa forma Sabbag cria seu próprio conceito:

Direito Tributário é ramificação autônoma da Ciência Jurídica, atrelada ao direito público, concentrando o plexo de relações jurídicas que imantam o elo “Estado versus contribuin- te”, na atividade financeira do Estado, quanto à instituição, fiscalização e arrecadação de tributos. 6

A definição acima transcrita, não corresponde com a verdade, uma vez que, acaba confundindo o direito positivo, que acaba abrangen- do o direito como todo, como ja estudado, e não somente ao direito tributário.

6. Dada a seguinte lei (exemplo fictício):

Prefeitura Municipal de Caxias, Lei Municipal n. 2.809, de 10/10/2011

Art. 1º Esta taxa de controle de obras tem como fato gerador a prestação de serviço de conservação de imó- veis, por empresa ou profissional autônomo, no territó- rio municipal. Art. 2º A base de cálculo dessa taxa é o preço do ser- viço prestado.

§ 1º A alíquota é de 5%.

§ 2º O valor da taxa será calculado sobre o preço dedu-

5 Sabbag, Eduardo. Manual de direito tributário – 6. ed. – São Paulo: Saraiva, 2014. p. 55.

6 Sabbag, Eduardo. Manual de direito tributário – 6. ed. – São Paulo: Saraiva, 2014. p. 56.

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

7 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

zido das parcelas correspondentes ao valor dos materi- ais utilizados na prestação do serviço. Art. 3º Contribuinte é o prestador de serviço. Art. 4º Dá-se a incidência dessa taxa no momento da conclusão efetiva do serviço, devendo, desde logo, ser devidamente destacado o valor na respectiva “NOTA FIS- CAL DE SERVIÇOS” pelo prestador de serviço. Art. 5º A importância devida a título de taxa deve ser recolhida até o décimo dia útil do mês subsequente, sob pena de multa de 10% sobre o valor do tributo devido. Art. 6º Diante do fato de serviço prestado sem a emis- são da respectiva “NOTA FISCAL DE SERVIÇOS”, a autori- dade fiscal competente fica obrigada a lavrar “Auto de Infração e Imposição de Multa”, em decorrência da não- observância dessa obrigação, no valor de 50% do valor da operação efetuada.

Pergunta-se:

a) Quantas normas há nessa lei?

R.: Encontra-se 06 (seis) normas nessa lei.

b)

Identificar todas as normas jurídicas veiculadas nessa lei.

R.:

Obrigação de pagar a taxa em decorrência do exercício da prestação de serviço de conservação de imóveis por empresa ou profissional autônomo na municipalidade de Caxias;

Obrigação do fisco municipal deduzir da nota fiscal os valores corres- pondentes aos materiais empregados na prestação do serviço;

Obrigação do prestador do serviço de emitir a nota fiscal com os valo- res concernentes ao serviço efetivamente prestados, sendo que o fato gerador do tributo in questio é justamente a conclusão do servi- ço;

• Obrigação do contribuinte em promover o recolhimento do tributo até

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.

8 !

IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

o 10º dia útil do mês subsequente;

• Obrigação de o contribuinte, em caso de não recolhimento do tributo até o 10º dia útil do mês subsequente àquele em que ocorreu a conclusão do serviço, submeter-se ao recolhimento integral do tribu- to, acrescido da multa de 10% (dez por cento);

• Obrigação do fiscal, acaso não emitida a nota fiscal pelo contribuinte, em lavrar Auto de Infração em desfavor deste, aplicando para tanto multa no importe de 50% (cinquenta por cento) do valor da opera- ção efetuada.

c) Qual dessas normas institui tributo?

R.: Foi instituído pelo artigo 1º da Lei Municipal nº 2.809, que tem por fato gerador a prestação de serviço de conservação de imóveis, por empresa ou profissional autônomo, no território municipal.

d) Qual dessas normas é estudada pela Ciência do Direito Tributário? Justificar.

R.: O conceito da Ciência do Direito Tributário é estudar todas as nor- mas jurídicas, dessa forma todas as normas aqui transcritas, serão estudadas.

e) O texto legal, acima transcrito, é Ciência do Direito? Justificar.

R.: Não. O texto em questão é Direito Positivo. Dessa forma caberia a Ciência do Direito estudar e compreender a lei acima transcrita.

O conteúdo desse material é de propriedade intelectual do ©IBET: é proibida sua u2lização, manipulação ou reprodução, por pessoas estranhas e desvinculadas de suas a2vidades ins2tucionais sem a devida, expressa e prévia autorização.