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Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Ciências Integradas do Pontal Curso de graduação em Física

Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Ciências Integradas do Pontal Curso de graduação em Física Disciplina de Métodos de Física Experimental Prof. Dr. Raul Fernando Cuevas Rojas

EXPERIMENTO 04INTEGRAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO EM CIRCUITOS RC

Discente:

Murilo Aguiar Silva 21311FIS209

Resumo:

Neste trabalho, analisamos um circuito RC com intuito de obter o valor de sua constante de tempo capacitiva, e ainda discutimos teoricamente seu significado em um circuito, de modo que ao calcularmos nosso resultado obtivemos uma diferença percentual de 1,2% do valor teórico para a constante. Analisamos ainda o processo de integração e derivação nos circuitos RC, discutimos teoricamente a causa desses efeitos e apresentamos um método onde se pode verificar esse efeito através do teorema fundamental do cálculo.

Materiais utilizados:

Osciloscópio de dois canais, Gerador de sinais. Resistores de 100, 1 e 5 quilo ohms Capacitores de 0,047 e 1 μF.

Resultados e Discussão:

1 – Determinação da constante de tempo (τ) de um Capacitor.

Ao ligarmos um circuito puramente resistivo em uma tensão V 0 , tal tensão se estabelece instantaneamente em todos os pontos do circuito, entretanto se inserirmos um capacitor neste mesmo circuito, tal tensão demora um certo tempo para assumir seu valor máximo V 0 . Monitorando um circuito RC série, conforme a Figura 1.a, juntamente com a discussão feita nas seções 1.1 e 1.2, podemos determinar um valor τ chamado de constante de tempo, que está intimamente ligado com essas alterações causadas no circuito. Seu significado Físico é apresentado e discutido em suas respectivas seções.

é apresentado e discutido em suas respectivas seções. Para nossa discussão seguinte, é importante lembrarmos que

Para nossa discussão seguinte, é importante lembrarmos que para um capacitor, temos a relação:

=

(1)

Vale lembrar ainda que a corrente I é dada por:

=

(2)

Figura 1.a Circuito RC para determinação da constante de tempo.

E ainda, pela lei de ohm temos que:

=

(3)

1.1 Análise do Tempo de descarga

Supondo um circuito semelhante ao da figura 1.a, onde um capacitor permaneceu durante um longo tempo conectado a uma tensão V 0 ficando completamente carregado. Ao fecharmos esse circuito, a energia armazenada no capacitor será dissipada pelo resistor ligado em série, de modo que pela lei das malhas:

+ = 0

(4)

Aplicando as equações (1) e (3) na equação (4) podemos escrever:

E assim, da equação (2):

+

=

0

+

= 0

Que rearranjando pode ser escrita como:

Dai:

Logo:

1

= −

1

= − ∫

ln() = −

+ 0

= 0

(5)

(6)

(7)

(8)

(9)

(10)

Se definirmos agora = = temos:

1

= 0 = 0,368 0

(11)

Ou seja, durante a descarga de um capacitor, a constante de tempo capacitiva (τ) é definida como o tempo que um capacitor inicialmente carregado com uma carga total Q 0 , leva para atingir 36,8% dessa carga.

E ainda, derivando a equação 10 e observando 2 temos:

Ou, finalmente:

= − 0

1

=

= − 0

= − 0

(12)

(13)

(14)

Para que possamos fazer uma análise experimental com nossas medidas, precisamos obter duas medidas através da equação 14 em pontos diferentes ou seja:

1 = − 0 1

(15)

Dividindo 15 por 16 ficamos com:

Logo:

( 1

2

)

1

1

=

2

2

= ( 2 1 )

=

−( 1 2 )

=>

2 = − 0 2

=

( 2 1 )

(17)

= ( 2 1 )

( 1 )

2

(16)

(18)

E com a equação 18, podemos determinar experimentalmente o valor de τ. Ao montarmos nosso circuito conforme a figura 1.a e inserirmos um sinal de onda quadrada ao mesmo, obtemos um padrão como podemos ver na figura 1.1.a onde também monitoramos simultaneamente a tensão na fonte. Nosso circuito foi montado com os seguintes valores para cada componente:

= (119,5 ± 0,5)Ω

= (1,008 ± 0,001)

Para finalmente podermos realizar nossas medidas, basta selecionar dois pontos quaisquer na curva de descarga,

Para finalmente podermos realizar nossas medidas, basta selecionar dois pontos quaisquer na curva de descarga, e aplicar a equação 18. Vale ainda notar que, para aplicarmos a equação, os valores de V c são medidos à partir da amplitude inferior da onda gerada na fonte, e os intervalos de tempo na equação 18, representam na verdade um intervalo Δt, de modo que para realizarmos nossa medida, podemos fazer t 1 = 0 e medir t 2 à partir de t 1. A tabela 1.1.a apresenta as medidas realizadas no tempo e na tensão respectivamente e ainda os resultados obtidos para a

constante de tempo capacitiva. Outro ponto que se é importante notar, é o fato de que na equação 18, o argumento do ln é uma divisão de duas grandezas de mesmas unidades, o que significa que o resultado será um valor adimensional, de modo que, para a realização do cálculo do valor da constante de tempo capacitiva, não é necessário obter os valores das tensões em volts, pois podemos realizar a divisão apenas com os valores medidos diretamente na tela do osciloscópio, a fim de diminuir a propagação de erros reduzindo a quantidade de cálculos, por esse mesmo motivo, a escala do eixo Y é omitida na tabela 1.1.a

Figura 1.1.a. descarga do capacitor

Tabela 1.1.a dados medidos e resultados

Escala eixo

( 2 1 )

( 2 1 )

V

C1

V

C2

τ (x10 -4 s)

 

(X)

(Divisões)

(x10- 4 Segundos)

(Div)

(Div)

(

)

 

0,2

(1,4 ± 0,1)

(2,8 ± 0,2)

(4,8 ± 0,1)

(0,5 ± 0,1)

(1,238 ± 0,092)

 

0,1

(3,0 ± 0,1)

(3,0 ± 0,1)

(3,1 ± 0,1)

(0,3 ± 0,1)

(1,285 ± 0,106)

 

0,1

(2,0 ± 0,1)

(2,0 ± 0,1)

(2,5 ± 0,1)

(0,4 ± 0,1)

(1,091 ± 0,127)

 

0,1

(1,4 ± 0,1)

(1,4 ± 0,1)

(2,7 ± 0,1)

(0,8 ± 0,1)

(1,151 ± 0,174)

 

Valor Médio da constante de tempo capacitiva

 

(, ± , )

Sabemos que o valor teórico da constante de tempo capacitiva é dada por τ = RC. Tomando os valores nominais medidos com o multímetro determinamos que:

= (119,5 ± 0,5)(1,008 ± 0,001)10 6 = (1,205 ± 0,004)10 4

A fim de avaliar o erro percentual cometido em nosso procedimento, podemos comparar ambos os resultados obtendo:

∆= 1,205 − 1,191

1,205

= 0,012 = 1,2%

Que nos garante um grau de confiança bastante elevado em nossa medida, visto a proximidade com o valor teórico.

1.2 Análise do Tempo de carga

Queremos analisar agora o mesmo circuito anterior, entretanto, nosso capacitor está inicialmente descarregado. Ao ligarmos o circuito, o capacitor irá armazenar energia e o resistor irá também dissipar energia. Da mesma forma, da lei das malhas temos:

+ = 0

0 =

+

(19)

(20)

Integrando a equação 2 em ambos os lados obtemos que:

= ∫ ()

0

(21)

Dividindo ambos os lados da equação 20 por R e substituindo a equação 21 temos:

0

1

= () + ∫ ()

0

(22)

Derivando em t a equação 22 em ambos os lados:

0 =

1

(()) + ()

(23)

Ou (suprimento a dependência com o tempo para melhor entendimento):

=

=>

= − ∫

Resolvendo a equação 24 obtemos:

ln(()) = − +

(25)

(24)

Onde k é a constante de integração. Aplicando a exponencial em ambos os lados temos:

() = . =

(26)

Do nosso problema de valor inicial sabemos que:

(0) = 0

(27)

Substituindo 27 em 26 podemos concluir que = 0

onde obtemos:

() = 0 (26)

Da equação 21 vemos que a carga é dada pela integral da corrente no tempo, então, integrando a equação 26:

() = −. 0 ( + )

(27)

Onda A é a constante de integração. Para obter seu valor basta lembrarmos que Q(0) = 0 de modo que obtemos que = −1 tendo assim finalmente:

() = . 0 (1 − )

(28)

Fazendo t = τ = RC na equação 28 ficamos com:

() = 0 (1 −

1

)

= 0,632 0 =

63,2% 0 (29)

Ou seja: Durante o período de carga do capacitor em um circuito RC, definimos a constante de tempo capacitiva como sendo o tempo necessário para que um capacitor inicialmente descarregado, atinja 63,2% da carga total que pode obter com a tenção V 0.

Para obtermos uma equação onde seja possível trabalhar com nossos dados dividimos ambos os lados da equação 28 por C, de modo que obtemos, omitindo a dependência em t:

= 0 (1 − )

(30)

Que, resolvida para τ fica:

=

(1 − 0 )

(31)

Que é a equação que nos permitirá realizar nossos cálculos. Vale notar, que como utilizaremos apenas um ponto para realização da medida, devemos ter um referencial para determinar o valor de t, o ponto t = 0 é justamente o momento onde a tensão é estabelecida, ou seja, o momento onde o capacitor inicia seu processo de carga. Os procedimentos de medição, são semelhantes aos utilizados no procedimento anterior, salvo a observação feita anteriormente. Na tabela 1.2.a apresentamos nossas medidas e resultados obtidos:

Tabela 1.2.a medidas e resultados

Escala eixo

t

t

V

C

V

0

τ (x10 -4 s)

 

(X)

(Divisões)

(x10- 4 Segundos)

(Div)

(Div)

(

)

(±0,1)

(±0,1)

(±0,1)

 

0,2

1,2

(2,4 ± 0,2)

4,8

5,8

1,365 ± 0,138

 

0,2

1,9

(3,8 ± 0,2)

5,4

5,8

1,421 ± 0,153

 

0,2

1,1

(2,2 ± 0,2)

4,8

5,8

1,181 ± 0,129

 

0,1

1,2

(1,2 ± 0,2)

3,7

5,7

1,146 ± 0,200

 

Valor Médio da constante de tempo capacitiva

 

, ± ,

Na seção anterior vimos que o valor nominal da constante é de = (1,205 ± 0,004)10 4 comparando novamente este valor com nosso valor calculado agora analisando o tempo de carga temos:

∆= 1,205 − 1,278

1,205

= 0,060 = 6%

Que apesar de ser relativamente pequeno, nos mostra um resultado menos confiável para a medida. Isso pode ocorrer pelo fato de que, pela equação utilizada no segundo método, usamos a medida de apenas um único ponto, ao contrário do método anterior onde dois pontos são utilizados.

2 Integração e diferenciação no circuito RC.

Trabalhando com as equações 1, 2 e 3 podemos deduzir uma propriedade muito interessante dos circuitos RC, primeiramente, notemos que unindo 1 e 2 podemos escrever:

() = ∫ ()

(32)

Que sendo derivada em ambos os lados nos dá:

() = ()

(33)

Substituindo a equação 33 na equação 3 podemos então escrever:

= ()

(34)

Ou seja, de acordo com a equação 34, a tensão no resistor, tem de ser igual à derivada da tensão na fonte, multiplicada pela constante de tempo capacitivo. O fato da equação estar sendo multiplicada pela constante de tempo capacitivo, nos indica que sua validade só será observada para regimes onde ωRC<<1 pois do contrário, o valor do período se aproximará demasiadamente do valor da constante de tempo, gerando alterações não lineares na corrente que se estabelece no circuito.

Vemos ainda que podemos escrever das equações iniciais:

() =

1

() = ()

(35)

Lembrando que I(t)=V(t)/R podemos escrever:

= ()

(36)

E se integrarmos 36 em ambos os lados, e aplicarmos as condições de contorno obtemos:

1

() = ∫ ()

(37)

Ou seja, a equação 37 nos mostra que a tensão medida no capacitor será dada pela integral da tensão no resistor dividida pela constante de tempo capacitivo. Agora, o fato da divisão pela constante de tempo capacitiva nos indica que a equação só será válida para regimes onde ωRC>>1.

Numa primeira análise de modo qualitativo, podemos observar os padrões dos sinais observados para o gerador e o resistor ou capacitor simultaneamente. Por exemplo, para uma onda quadrada

sabemos que sua derivada tem de ser zero em sua extensão, e algo como uma função impulso nos pontos onde a onda quadrada troca de sinal. Da mesma forma podemos estender esse raciocínio simples para os outros sinais. No caso da integração não é tal fácil enxergar mentalmente o formato do sinal integrado, mas para uma análise qualitativa basta fazermos o processo inversso, ou seja, tomarmos o sinal integrado e analisarmos se o sinal original corresponde à derivada do sinal integrado. Nas Figuras 2.1 temos os sinais obtidos no circuito que realiza o processo de derivação, e nas figuras 2.2 os sinais obtidos no circuito integrador. Vemos que todos os sinais obtidos, correspondem qualitativamente às equações 34 e 37.

correspondem qualitativamente às equações 34 e 37. Figura 2.1b Sinal Fonte: Onda Triangular Figura 2.2a Sinal

Figura 2.1b Sinal Fonte: Onda Triangular

equações 34 e 37. Figura 2.1b Sinal Fonte: Onda Triangular Figura 2.2a Sinal fonte: Onda triangular

Figura 2.2a Sinal fonte: Onda triangular

Onda Triangular Figura 2.2a Sinal fonte: Onda triangular Figura 3.1a. Sinal fonte: Onda quadrada Figura 2.2b

Figura 3.1a.

Sinal fonte: Onda quadrada

Onda triangular Figura 3.1a. Sinal fonte: Onda quadrada Figura 2.2b Sinal fonte: Rampa crescente A fim

Figura 2.2b Sinal fonte: Rampa crescente

A fim de confirmar não só qualitativamente, mas sim os valores numéricos das equações 34 e 37 uma análise mais cuidadosa é necessária. Para aferirmos a validade da equação 37 por exemplo, devemos primeiro nos lembrar do teorema fundamental do cálculo. Os seja:

∫ () = () − ()

(38)

Onde F(t) é a antiderivada de f(t).

Precisamos nos lembrar ainda que da integral de Riemann sabemos que o valor da integral de f(t) calculado entre o intervalo[a,b] é numericamente igual à área compreendida abaixo de f(t) no mesmo intervalo [a,b]. Com isso sabemos que para verificar numericamente a equação 37 devemos tomar nosso sinal integrado e calcular a área compreendida abaixo do mesmo, e comparar com a diferença dos extremos do sinal fonte nesse mesmo intervalo. Vejamos por exemplo no caso da figura 2.2b que é apresentado detalhadamente abaixo na figura 2.2c

2.2b que é apresentado detalhadamente abaixo na figura 2.2c Figura 2.2c Podemos notar, que a área

Figura 2.2c

Podemos notar, que a área total

compreendida por nosso sinal fonte f(t) (Rampa crescente) é 0 pois escolhemos

os pontos a e b de forma que são

simétrico em torno de f(t)=0 e ainda, se fizermos F(b)-F(a) veremos que esse resultado também é zero, o que corrobora a equação 37.

Vamos ainda, analisar o caso da figura 2.2a só que dessa vez sem

escolher pontos que zerem a integral, de modo que possamos analisar da forma mais genérica possível. Selecionamos apenas meio período da onda quadrada

e representamos graficamente para

melhor visualização conforme podemos

ver na figura 2.2d.

graficamente para melhor visualização conforme podemos ver na figura 2.2d. Figura 2.2d representação de meio período.

Figura 2.2d representação de meio período.

Os dados medidos são apresentados na tabela 2a:

 

FONTE

CAPACITOR

Escala do tempo

0,1 ms/div

0,1 ms/div

Valor de a (divisões)

(−3,6 ± 0,1)

(−3,6 ± 0,1)

Valor de b (divisões)

(−1,8 ± 0,1)

(−1,8 ± 0,1)

Valor de a (segundos)

(−3,6 ± 0,1)10 4

(−3,6 ± 0,1)10 4

Valor de b (segundos)

(−1,8 ± 0,1)10 4

(−3,6 ± 0,1)10 4

Escala da voltagem

2 V/div

50 mV/div

Valor no ponto a (divisões)

(3,9 ± 0,1)

(−2,4 ± 0,1)

Valor no ponto b (divisões)

(3,9 ± 0,1)

(2,4 ± 0,1)

Valor no ponto a (Volt)

(7,8 ± 0,2)

(−0,12 ± 0,01)

Valor no ponto b (Volt)

(7,8 ± 0,2)

(0,12 ± 0,01)

Tabela 2a análise do circuito RC integrador

A área (A) sombreada em nosso diagrama da figura 2.2d, é numericamente igual à integral de nosso sinal fonte f(t), que nada mais é do que a área de um retângulo. Temos então:

∫ ()

= = (7,8 ± 0,2) ∗ [(−1,8 ± 0,1)10 4 − (−3,6 ± 0,1)10 4 ]

= (7,8 ± 0,2) ∗ (−1,8 ± 0,2)10 4

Logo temos:

∫ ()

= (0,00140 ± 0,00001).

No circuito montado para obtenção do sinal integrado usamos as seguintes componentes:

= (5,44 ± 0,01)Ω

= (1,008 ± 0,001)

De modo que:

= = (5,48 ± 0,01)

Onde podemos finalmente obter:

∫ ()

1

= (0,00140 ± 0,00001) (5,48 ± 0,01)10 3

= (0,255 ± 0,007)

Que podemos comparar com F(b)-F(a), que nos dá:

(0,12 ± 0,01) − (−0,12 ± 0,01) = (0,24 ± 0,02)

Que apresenta uma diferença percentual de 5,8% entre os resultados, mostrando assim a validade da equação testada, que mesmo com a quantidade excessiva de calculos realizados com nossos resultados propagando assim seus erros, apresentam resultados extremamente próximos.

Conclusões

Os valores obtidos para a constante de tempo capacitiva do circuito se mostraram muito próximos dos valores nominais de modo que isso ressalta a qualidade dos dados obtidos, podemos observar ainda a importante propriedade dos circuitos RC que podem ser usados como integradores ou derivadores, de modo que todo o procedimento experimental, juntamente com as deduções teóricas das equações apresentadas durante a descrição do experimento neste relatório contribuíram consideravelmente para a compreensão da dinâmica dos circuitos RC.