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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p.

189-195, 2005
de atletas de futebol.

EFEITOS DA DIETA CETOGÊNICA NA LACTACIDEMIA DE ATLETAS DE


FUTEBOL.

(EFFECT OF LOW-CARBOHYDRATE DIET IN SERUM LACTATE OF SOCCER


PLAYERS)

Marco Machado1,2
Ana Cecília L. N. Leite1
Felipe Sampaio-Jorge1
Kathlen L. Fachinetti1
Narciso Dias1

1. Univ. Estácio de Sá (Campos)


2. Universidade Iguaçu (UNIG – Itaperuna)

Endereço para correspondência:


Coordenação de Educação Física
BR 356 - Km 02
Itaperuna, RJ, CEP 28.300-000
Email: marcomachado1@aol.com

“Dieta cetogênica e lactato em atletas de futebol”

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

RESUMO
Dietas cetogênicas vêm sendo utilizadas para controle do peso corporal e diminuição do % de
gordura. Esse tipo de dieta induz alterações metabólicas que podem modificar o comportamento
da lactacidemia. O objetivo deste estudo é verificar alterações na lactacidemia de atletas de
futebol induzidas por dieta cetogênica. Jogadores profissionais de futebol (n=10) foram
submetidos a dois testes para verificar o limiar de lactato (LL) com intervalo de 72 h entre eles.
Posteriormente os mesmos atletas foram submetidos a duas corridas de 40 min na intensidade
do LL. Em ambos intervalos de 72 h os sujeitos foram submetidos a uma dieta com restrição de
carboidratos (23 % do total de energia ingerida). A curva de freqüência cardíaca (FC) obtida
durante os testes apresentou-se igual nos dois momentos. A velocidade do LL e a FC cardíaca
do limiar foram menores nos teste realizado nas condições dietéticas cetogênicas. A
concentração de lactato no LL sofreu redução de 24,5% após a dieta cetogênica. A cinética de
remoção do lactato na corrida contínua diferiu significativamente. Houve redução mais
precocemente em C0 do que em C72. A principal conclusão deste estudo é que não se deve
interpretar da mesma forma resultados obtidos nas duas situações dietéticas sob pena de avaliar
e prescrever erroneamente o treinamento.

PALAVRAS CHAVE: limiar de lactato, dieta cetogênica, metabolismo

ABSTRACT
Low-carbohydrate diets come being used for control of the corporal weight and reduction of %
of fat. This type of diet induces metabolic alterations that can modify the behavior of serum
lactate. The aim of this study is to verify alterations in the serum lactate of induced athletes of
soccer for Low-carbohydrate diets. Professional soccer players (n=10) had been submitted the
two tests to verify the lactate threshold (LL) with interval of 72 h between them. Later same
athletes had been submitted the two 40 races of min in the intensity of the LL. In both 72
intervals of h the citizens had been submitted to a diet with restriction of carbohydrates (23 % of
the total of ingested energy). . Heart Rate (HR) curve during the tests were presented equal at
the two moments. The lactate concentration in the LL after suffered to reduction from 24,5%
the low-carbohydrate diet. The kinetic one of removal of lactate in the continuous race differed
significantly. It more precociously had reduction in C0 of that in C72. The main conclusion of
this study is that if it does not have to interpret in the same way resulted gotten in the two
dietary situations duly warned to evaluate and to prescribe inadequately the training.
KEY WORDS: lactate threshold, low-carbohydrate diet, metabolism

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de atletas de futebol.

Introdução

A medida da concentração de lactato sangüíneo vêm sendo muito utilizada para prescrição do
treinamento. Aumentos progressivos na intensidade do exercício intensificam a via glicolítica,
conseqüentemente aumentando a produção de lactato (BLOMSTRAND e SALTIN, 1999;
KRSSAK et al., 2000; BALDWIN et al., 2000). A partir de uma determinada intensidade de
trabalho, a concentração sangüínea de lactato aumenta de forma não linear marcando um ponto
de transição denominado limiar de lactato (LL), que é postulado como a maior intensidade de
exercício em que o organismo consegue manter equilibrada a produção de lactato com a sua
remoção (BROOKS, 2001; PYNE et al., 2001; CASTAGNA et al., 2002; AZEVEDO, 2005). O
limiar de lactato tem sido usado para inferir a predominância da via metabólica geradora de
energia, glicolítica ou oxidativa, em diferentes intensidades do exercício (BILLAT, 1996;
MACHADO et al., 2003, AZEVEDO et al., 2005).
Postula-se que variações no regime alimentar modificam o metabolismo, inclusive na regulação
das vias metabólicas e seleção dos substratos energéticos. As dietas com baixa ingestão de
carboidratos (CHO) sem diminuição do total energético ingerido têm sido utilizadas como meio
para rápida perda de massa corporal e emagrecimento, dietas estas denominadas de cetogênicas,
por sua característica em aumentar a produção de corpos cetônicos (HELGE, 2002; VOGT et
al., 2003; PEREIRA et al., 2004).
O futebol é uma modalidade em que há constantes mudanças na demanda energética, para isto,
a prescrição do treinamento e da alimentação deve possibilitar ao atleta atuar nas diferentes
intensidades e minimizar os efeitos da fadiga (HELGERUD et al., 2001; CASTAGNA et al.,
2002). O glicogênio muscular é de fundamental importância para a performance e a restrição da
ingestão de carboidratos contribui para diminuir as reservas deste carboidrato (SHULMEN e
ROTHMAN, 2001; FOURNIER et al., 2002; SCHULZ e HECK, 2003).
Como parte do tempo o atleta atua em faixas de intensidade alta, ou seja, naquelas em que a
glicose passa a ser o substrato energético mais importante, a medida da concentração de lactato
passa a ser um indicador relevante para o acompanhamento do atleta. O objetivo deste estudo é
verificar se a dieta cetogênicas pode causar variações na lactacidemia em atletas de futebol.

Materiais e métodos

Sujeitos
Jogadores de futebol (n = 10) da segunda divisão do Rio de Janeiro, saudáveis, em atividade,
não usuários de drogas, suplementos nutricionais ou outros recursos ergogênicos, participaram
voluntariamente do estudo. Sua alimentação era acompanhada periodicamente e a distribuição

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dos macronutrientes considerada adequada para atletas (~60% CHO; ~20% proteínas; ~40%
lipídios)(SBME, 2003). Todos foram submetidos à avaliação hematológica e bioquímica antes
de participar do estudo e assinaram um termo de participação consentida conforme
regulamentação ética para pesquisas em humanos.

Protocolo experimental
No primeiro dia (T0) foram avaliados antropometricamente e laboratorialmente (exame
hematológico e bioquímico do sangue). Logo após foi realizado um teste para determinação do
limiar de lactato (LL) que consistia em corrida de 5 min a 10 Km/h, com repouso de 3 min,
momento em que era dosada a lactacidemia. Vinte minutos após a coleta nova etapa de corrida
(5 min) era realizada com acréscimo de 1 Km/h na velocidade da esteira, sendo dosado o lactato
como descrito. Este procedimento era repetido com acréscimos de 1 Km/h na velocidade até que
a concentração de lactato obtida excedesse 1 mM em relação à dosagem anterior. Esse método
foi proposto por Coyle et al. (1983, apud AZEVEDO, 2005).
O mesmo procedimento de determinação do LL foi realizado 3 dias após (T72), sendo que
durante este período os atletas realizaram a dieta prescrita.
Quatorze dias depois estes sujeitos foram submetidos a 2 corridas de 40 min em intensidade
controlada pela freqüência cardíaca (FC) com intervalo de 72 h. Cada atleta corria na FC
observada no momento do LL obtida nos testes anteriores. No intervalo entre as corridas foram
novamente submetidos à dieta cetogênica nas mesmas condições. Após cada corrida foi dosada
a lactacidemia imediatamente, 3, 6 e 9 min do fim da corrida. A primeira corrida foi
denominada C0 e a posterior C72.

Regime Dietético
Nas 72 h entre os testes e entre as corridas os sujeitos foram submetidos a uma dieta com
restrição de CHO sem diminuição no total de energia ingerido. Esta dieta tinha a seguinte
distribuição de macronutrientes: ~23% CHO; ~40% lipídios; ~37% proteínas.

Equipamentos
Os testes de LL foram realizados em esteira Millennium (Imbramed – Brasil) e as dosagens em
lactimetro Accutrent (Accusport – Espanha) com fitas BM-Lactate (Roche - Alemanha). As
dobras cutâneas foram medidas com adipometro científico (Cescorf – Brasil) e freqüência
cardíaca com frequencimetros (Polar - Finlândia). Os parâmetros hematológicos e de
bioquímica do sangue foram dosados no laboratório Bedalab (Campos dos Goytacazes – Brasil).

Analise Estatística

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O teste t de "Student" pareado foi utilizado para avaliar a hipótese nula de que as médias de
cada parâmetro medido em T0 eram iguais às de T72, versus a hipótese alternativa de que as
médias eram diferentes. O nível de significância adotado foi de 5% (α = 0,05). Todos os dados
foram representados em média ± erro padrão.

Resultados
O perfil antropométrico, a idade e a experiência na pratica do futebol foram avaliados para
verificar se a população estuda era homogênea e se distribuía normalmente. As características
dos sujeitos podem ser observadas na Tabela I.
Poucos estudos relacionados ao metabolismo têm apresentado a preocupação em homogeneizar
os sujeitos por indicadores metabólicos (BASSINI et al., 2005), o que pode conduzir a
interpretações equivocadas dos resultados. Sendo assim, neste estudo avaliamos os sujeitos
segundo parâmetros hematológicos e bioquímicos.
O hemograma de todos os sujeitos encontrava-se inserido nos parâmetros considerados normais
para a população (Tabela II). Para verificar o status nutricional dos atletas envolvidos no estudo
medimos a concentração de alguns macro e micro nutrientes biodisponíveis. O nível de
proteínas e lipídios séricos indicava aporte adequado de proteínas na dieta e consumo
balanceado (Tabela III). A glicemia de todos também encontrava-se em valores considerados
saudáveis. Os eletrólitos e metais também se encontravam na faixa de normalidade (Tabela IV)
o que descartava a hipótese de desnutrição e dos principais tipos de anemia, confirmando os
achados bioquímicos e do hemograma.
A remoção do lactato depende em grande parte de uma função hepática preservada (para
revisão ver CAMERON e MACHADO, 2004). Com intuito de avaliar se os atletas estavam
compatíveis com a realização do estudo medimos indicadores de função hepática e renal. As
concentrações de creatinina, uréia e ácido úrico encontravam-se na faixa sugerida, o que
demonstra capacidade de clearence hepático e renal preservado (Tabela V).
A concentração basal de lactato, medida em repouso, não variou apesar da restrição de CHO por
72 h, dado também verificado na freqüência cardíaca (FC) de repouso.
Conforme é demonstrado a FC aumenta de forma linear a aumentos lineares de intensidade
(UTTER et al., 2004). Os dados deste estudo corroboram os encontrados na literatura. Em
ambos os casos, dieta normal e dieta cetogênica a elevação da freqüência cardíaca foi linear e
apresentou valores equivalentes (Figura 1).
A cada etapa, após 3 min de repouso, era medida a concentração de lactato e isso possibilitou
desenvolver curvas de lactato em relação à intensidade do exercício. A média da concentração
de lactato variou de forma diferente, sendo que após a dieta com restrição de CHO esta

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concentração foi menor nas velocidades de 11, 12 e 13 Km/h (Figura 2). Nas outras velocidades
a media entre T0 e T72 apresentou-se igual.
No teste de LL verificamos a velocidade em que cada atleta alcançava o limiar. Em T0 a media
das velocidades no LL dos atletas foi de 13,3 ± 0,2 Km/h, enquanto em T72 foi de 12,2 ± 0,3
Km/h. Houve uma redução significativa (p<0,05) da velocidade do limiar de 8,3% (Figura 3).
Padrão semelhante foi verificado na freqüência cardíaca em que se alcançava o limiar, houve
redução de 3,2% (de 171 ± 4 em T0 para 166 ± 4 em T72). Essa diminuição foi estatisticamente
significativa (p<0,05) (Figura 4).
A concentração de lactato no momento do limiar também foi verificada nos dois momentos do
experimento. Em T0 medimos 4,8 ± 0,2 mM de lactato, 72 h após houve uma redução de 24,5%
na concentração de lactato no momento do limiar. Em T72 medimos 3,6 ± 0,3 mM (Figura 5).
A cinética de remoção do lactato após corrida contínua de 40 min diferiu nas condições
dietéticas propostas. A concentração de lactato imediatamente após a corrida foi maior em C0
(32,6%) do que em C72. Houve redução significativa da concentração de lactato em C0 já nos 3
primeiros minutos de repouso, enquanto em C72 só ocorreu redução no 9 min (Figura 6).

Discussão
A lactacidemia é um parâmetro para avaliação e prescrição de treinamento, a precisão desta
medida é fundamental para fisiologistas, treinadores e atletas. Encontramos neste estudo
variações importantes nos parâmetros relacionados ao LL que poderiam induzir uma avaliação
incorreta do treinamento e conseqüentemente uma prescrição inadequada, caso o atleta estivesse
sendo submetido a uma dieta cetogênica (com restrição de CHO).
As dietas cetogênicas tendem a diminuir a reserva de glicogênio muscular e hepático, sendo que
esta redução é acentuada pela prática de atividades físicas (GIBALA et al., 2002; VOGT et al.,
2003). Postulamos que as reservas de glicogênio nestes atletas estariam diminuídas levando em
conta que foram submetidos ao exercício e imediatamente submetidos à dieta cetogênica. Essa
diminuição reflete numa curva de aparecimento de lactato diferente, como proposto por Schulz
e Heck (2003). Os dados deste estudo confirmam a proposição dos referidos autores, mostrando
que 3 dias de restrição de CHO aparentemente reduzem as reservas de glicogênio e diminuem a
velocidade da via glicolítica, demonstrado pela cinética com que se conduz a lactacidemia
(Figura 2).
A via glicolítica é a principal via para ressíntese do ATP nas atividades de alta intensidade, com
conseqüente aumento da lactacidemia. Como referido anteriormente, neste estudo, a cinética da
concentração de lactato demonstra uma inibição da atividade glicolítica em exercícios alta
intensidade. Para suprir a alta demanda energética torna-se necessário aumentar a atividade da
miokinase e adenosina deaminase, enzimas responsáveis pelo aumento do aparecimento de

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AMP e IMP + amônia respectivamente, e conseqüentemente aumenta a possibilidade de fadiga


(MACHADO, 2005).
Podemos eventualmente aplicar os dados deste estudo para dois casos específicos: (a) um atleta
que tenha feito uma avaliação anterior à dieta cetogênica e realiza uma reavaliação durante a
vigência da dieta; (b) um atleta que seja avaliado somente durante a realização da dieta.
Não verificamos distorções na curva característica de freqüência cardíaca em exercícios de
intensidade crescente, índice que também é usado na avaliação da performance no treinamento.
Porém a FC em que ocorre o LL é menor quando se restringe CHO na dieta. Como é comum se
utilizar a FC como controle da intensidade do treinamento, um atleta na condição (b) poderia
estar sendo sub-treinado, ou seja, numa intensidade abaixo daquela a qual realmente deveria.
Num atleta na situação (a) a redução na concentração de lactato poderia ser interpretada como
adaptação positiva do metabolismo, já que menor produção de lactato corresponderia a menor
dependência da via glicolítica e conseqüentemente menor consumo de glicogênio. Este dado,
porém, seria conflitante levando-se em conta a menor intensidade (velocidade) em que foi
alcançado o LL, que indicaria uma diminuição da performance. Este conflito causaria problemas
no momento da elaboração do regime de treinamento oferecido ao atleta.
Já um atleta na situação hipotética (b) provavelmente seria treinado de forma inadequada
levando em conta a interpretação dos dados sem a devida consideração ao regime alimentar
diferenciado.
A menor concentração de lactato após corrida contínua nos sujeitos submetidos à dieta
cetogênica poderia ser interpretado positivamente, contudo sabendo que a menor
disponibilidade de glicogênio reduz a velocidade da via glicolítica, ocasionando redução na
produção de lactato. Percebe-se na Figura 6 que a cinética de remoção é diferente nos dois
casos, em C0 há redução rápida na concentração de lactato sangüíneo, enquanto em C72 a
concentração permanece alta por mais tempo. Em ambos os casos o tempo de 9 min não foi
suficiente para retorno da concentração basal de lactato.
Mais estudos medindo variações metabólicas são necessários para interpretar acuradamente os
efeitos da dieta cetogênica, porém fica claro pelos resultados deste estudo que o uso do LL
nestas condições não parece ser adequado para avaliar ou prescrever o treinamento enquanto
mais dados não forem claramente descritos.

Agradecimentos
Ao pessoal técnico do Bedalab. Aos atletas, comissão técnica e dirigentes do Goytacaz E. C.
Aos Professores Franz Knifis e Paulo Roberto Hirano por facilitar o acesso aos resultados dos
exames. Ao professor Paulo Azevedo pela revisão do manuscrito e sugestões.

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Média ± Erro Padrão Variação


Idade (anos) 23 ± 1 21 - 31
Estatura (cm) 177 ± 2 172 - 186
Massa Corporal Total (Kg) 72,4 ± 1,4 63,0 - 77,5
Percentual de Gordura (%) 10,7 ± 1,0 7,3 - 17,1
Experiencia no Esporte (anos) 10,8 ± 1,0 7 - 19

Tabela I – Características dos Sujeitos. As características antropométricas, idade e tempo de


pratica foram obtidos antes do experimento.

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Média ± Erro Padrão Variação Valores referência


Hemácias x 106 (/mm3) 5,0 ± 0,1 4,6 – 5,4 5,4 ± 0,7
Hematócrito (%) 45,0 ± 2,0 41,0 – 49,0 47 ± 5
VCM 89,0 ± 1,0 84,0 – 91,0 87 ± 7
HCM 29,0 ± 0,0 28,0 – 30,0 29 ± 2
CHCM 33 ± 0 32 – 34 35 ± 2
RDW 15 ± 0 14 – 15 11,5 ± 14,5
Hemoglobina 15,0 ± 0,0 13 – 16 16,0 ± 2,0
Leucócitos x 106 (/mm3) 6,1 ± 0,4 4,9 – 8,4 7,8 ± 3,0
Basófilos 43 ± 7 0 – 67 0 – 200
Eusinófilos 224 ±52 79-641 0 – 700
Mielócitos 0 0 0
Metamielócitos 0 0 0
Segmentados 3,5 ± 0,3 1,5 – 5,3 1,4 – 6,5
Linfócitos 1,8 ± 0,3 1,3 – 2,4 1,2 – 3,4
Monócitos 456 ± 50 73 – 180 100 – 600
Plaquetas 241,8 ± 17,9 177,0 – 326,0 150 – 450

Tabela II – Parâmetros hematológicos. Antes do início do experimento todos os sujeitos


foram avaliados para verificação do status hematológico e imunológico celular. Todos se
encontravam na faixa de normalidade sugerida.

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Média ± Erro Padrão Variação Valores referência


Lipídios Totais (mg/dL) 523 ± 21 451 – 678 400 a 800
Proteínas Totais (g%) 8±0 7–9 6,0 a 8,0
Albumina (g%) 5±0 4–5 3,5 a 5,5
Globulinas (g%) 3±0 2–4 -
Glicose (mg/dL) 95 ± 4 81 – 110 70 – 110

Tabela III – Lipídios Totais, Proteínas Plasmáticas e glicose. Com objetivo de inferir o status
nutricional dos sujeitos efetuou-se a análise dos lipídios, das proteínas plasmáticas e da
glicemia, parâmetros em que os sujeitos apresentaram valores dentro da faixa de normalidade.

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Média ± Erro Padrão Variação Valores referência


Sódio (mEq/L) 139,5 ± 0,5 137 – 141 132 – 144
Potássio (mEq/L) 4,2 ± 0,2 4–5 3,6 – 5,0
Cloretos (mEq/L) 102,5 ± 0,8 102 – 108 96 – 109
Ferro Sérico (mcg/dL) 103 ± 14 58 - 150 50 – 150
CLLF (mcg/dL) 206 ± 13 161 - 277 140 – 280
CTLF (mcg/dL) 309 ± 22 247 - 398 250 – 410
IST (%) 33 ± 2 21 - 45 20 – 50
Tabela IV – Eletrólitos e capacidade de ligação do Ferro. Ainda para avaliar o status
nutricional e verificar presença de anemia ou outras doenças hematológicas foram verificados
os eletrólitos e ferro sérico. Todos os atletas se encontravam na faixa de valores de referencia
sugeridos. (CLLF) Capacidade Latente de Ligação do Ferro; (CTLF) Capacidade Total de
Ligação do Ferro; (IST) Índice de Saturação da Tranferrina.

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

Média ± Erro Padrão Variação Valores referência


Uréia (mg/dL) 28,0 ± 3,0 15 – 44 10 – 50
Ac Úrico (mg/dL) 5,0 ± 1,0 3,0 – 7,0 2,5 – 7,0
Creatinina (mg/dL) 1,0 ± 0,1 0,6 – 1,3 0,4 – 1,4

Tabela V – Média (± erro padrão) dos compostos nitrogenados. A medição destes


compostos contribui para a avaliação hepática e renal dos sujeitos. Nenhum dos sujeitos
apresentou valores fora da faixa de normalidade.

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

190

T0
180 T72

170
FC (bpm)

160

150

140
9 10 11 12 13 14 15 16
Velocidade (Km/h)

Figura 1 - Curva de Freqüência Cardíaca. A freqüência cardíaca aumentou progressivamente


de acordo com o aumento da intensidade, o aumento foi equivalente em ambos os momentos
do estudo. (*) diferente de T0 p<0,05.

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

T0
7 T72

6
Lactato (mM)

5 *
*
4
*

2
9 10 11 12 13 14 15 16
Velocidade (Km/h)

Figura 2 - Curva de dependência da concentração de lactato. Com o aumento da


intensidade a produção de lactato aumentou nas duas etapas do experimento, sendo que a
concentração apresentada em T72 nas intensidades de 11, 12 e 13 Km/h foram menores do
que em T0 (p<0,05) como representado por (*).

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

15

T0
T72
14
Velocidade (Km/h)

13
*
12

11

10

Figura 3 - Comparação da Velocidade do Limiar obtido em T0 e T72. A velocidade em que


era obtido o limiar de lactato (aumento na concentração maio que 1 mM) foi significativemente
menor (p<0,05) após a restrição de carboidratos na dieta. Houve uma redução media de
aproximadamente 8,3% na velocidade do LL. (*) diferente de T0 p<0,05.

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

180

T0
175 T72

170
*
FC (bpm)

165

160

155

150

Figura 4 - Freqüência cardíaca da etapa em que se obteve o limiar de lactato. A freqüência


cardíaca em que ocorria o LL foi menor após 72 h de dieta com restrição de carboidratos. (*)
diferente de T0 p<0,05.

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

6,0

T0
5,5 T72

5,0
Lactato (mM)

4,5

4,0 *

3,5

3,0

Figura 5 - Concentração média de lactato no momento do limiar. A concentração de lactato


no momento do limiar foi 24,5% menor após a restrição dietética de carboidratos (p<0,05).

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MACHADO et al. Efeitos da dieta cetogênica na lactacidemia Ação e Movimento, v. 2, n. 4, p. 189-195, 2005
de atletas de futebol.

C0 pre-exercício
C72 pre-exercíco
6 b C0 pós-exercício
C72 pós-exercício

4
a
Lactato (mM)

2
c

0
pre-exercício
-40 0 3 6 9
TEMPO (min)

Figura 6 – Cinética do lactato sérico após 40 min de corrida na intensidade do limiar. A


concentração de lactato no momento da interrupção da corrida foi menor em C72 (32,6%).
Houve redução significativa da concentração em C0 durante o repouso. Todas as medidas
feitas após as corridas foram significativamente maiores do que as obtidas em repouso
(P<0,05). (a) Diferente entre os grupos (p<0,05); (b) Diferente da concentração medida
imediatamente após 40 min de corrida em C0 (p<0,05); (c) Diferente da concentração medida
imediatamente após 40 min de corrida em C72 (p<0,05).

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