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A POESIA NO BRASIL

A POESIA NO BRASIL
A POESIA NO BRASIL
A POESIA NO BRASIL Quando o Brasil foi descoberto, em 1500, a littera:­ tura portugt�eza

A

POESIA NO BRASIL

A POESIA NO BRASIL Quando o Brasil foi descoberto, em 1500, a littera:­ tura portugt�eza entrava

Quando o Brasil foi descoberto, em 1500, a littera:­ tura portugt�eza entrava no seculo em que ia desenvol­

ver a sua maior actividacle. A língua ia inaugurar o seu

« período de disciplina grammatical ». D'ahi a 24 annos

ia nascer Camões , o grande epico ; d' ahi a cêrca de 40 annos, iam publicar Fernão de Oliveira a sua « Gramma­ tica da Linguagem Portugueza» e João de Barros a sua

Grammatica da. Língua Portugueza ». Emquanto se fazia, na terra conquistada, o trabalho moroso da exploração e do povoamento, no correr do se� culo XVI, em Portugal se operava, imitada da Ital�a, a Renas cença da cultura greco-romana. Seculo de o uro- da litteratura portugueza, esse seculo foi a grande éra dos Quinhentistas ; depois de uma l ucta, de pequena duração, entre os cultores do classicismo e os «po�.;tas da medida velha», a Renascença venceu. Camões immortaUsou a sua terra e a sua gente, nas estrophes geniaes dos «Lusía­ das» ; :Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda, Antonio Fer­ reira, Diogo Bernardes , Fernão Alvares do Oriente , Pero

«

-

8

-

de ·Andrade Caminha reformaram a poesia lyrica, iútro­

du iram no paiz a egloga, a elegia� as odes , os villance­ tes, as canções, os romances, os sonetos, importados da Italia e da Hespanha, generos em que também o grande Camões se exercitou e brilhou.

durante esse secnlo que appareceram no Brasil

e brilhou. durante esse secnlo que appareceram no Brasil Foi as primeiras manifestações da poesia erudita,

Foi

as primeiras manifestações da poesia erudita, - sem falar na poesia popular, em que á melancolia.das cantigas <'.os colonisadores principiou a misturar-se a melancolia d·as cantigas dos indios selvagens. Os versos de Anchie ta, - · que não eram prnpriamente « litteratnra », - mas sim­ ples recursos·de catechese, foram a primeira d'essas ma­ nifestações ; a segunda foi a Prosopop éa de Bento Teixei­

ra Pinto, «o mais antigo dos poetas nascidos no Brasil »,

na phrase de

poema dedicado ao governador Jorge de Albuquerque Coelho, e escripto em Pernambuco em fins do seculo XVI. Nesse poema, co. to em oitavas de decasyl labos ri­

mados, á maneira c�moneana, já se encontram algumas descripções do1 Brasil.

; No seculo XVII, emquanto em Portugal a influencia hespanhola vencia a influencia italiana, e appareciam as Lyricas de F. Rodrigues Lobo e de D. Francisco Manoel

as Lyricas de F. Rodrigues Lobo e de D. Francisco Manoel Sylvio Roméro. A Prosopop éa

Sylvio Roméro. A Prosopop éa é um curto

de Mello, as Poesias mystico-ctmorosas

de

Frei

Antonio

das Chagas, D. Francisco de Portugal , Dona Bernard.a de Lacerda, as Ep op éas histori cas de Francisco Rodrigues Lobo (o poema do Oondestabre) , de Gabriel Pereira de Castro (a Ullysséa) , de Manoel Thomaz (a In sulcinci) , de

(o poema do Oondestabre ) , de Gabriel Pereira de Castro (a Ullysséa ) , de

-9-

Francisco de Sá

de

Menezes (Malacca

Oonqiiistada),

as

cornedias de capa e espada, as .Academias dos Singulares e

dos Generosos,

e espada, as .Academias dos Singulares e dos Generosos, e as tragi-con � edias dos Jesuitas,

e as tragi-con edias dos Jesuitas, -appare­

ceu no Brasil, na Bahia, a chamada Escola Bahiana .

ceu no Brasil, na Bahia, a chamada Escola Bahiana . D'essa Escola, o principal, e p

D'essa Escola, o principal, e p odemos dizer o unico. poeta verdadeiro e notavel, foi. Gregorio de Mattos Guerra (nascido em 1623 e falleêido em 1696), de quem di.z Capistrano deA.breu que foi « üm phenomeno estranho, que desprezou tanto ao brasileiro como ao por t uguez, dando­ lhes uma especie de bala:nço pes�ümista, singularmente cnrioso» , - e a quem Sylvio Roméro confere o. titulo de «fundador da n ossa litteratura ».

Gregorio de. Mattos, que teve uma existencia acci­ dentada e desregTada, - espírito de revolta e de maledi­ cencia, tão desgraçado e tão desequilibrado na vida par­ tícular como na vida publica, - compoz algumas poesias l yric as, ao gosto da epoca, como Os trabalhos da vida hu­

mana, o Retrato de Dona Brites, e magnificos sonetos ; mas

o Retrato de Dona Brites, e magnificos sonetos ; mas · o seu genero preferido sempre
o Retrato de Dona Brites, e magnificos sonetos ; mas · o seu genero preferido sempre

· o seu genero preferido sempre foi á satyra .

Tambem pertenceram á Es cola Bahiana os poetas Domingos Barbosa, Martinho de Mesquita, .Salvador de Mesquita, Bernardo Vieira Ravasco, Gonçalo Ravasco, José Borges de Barros, Grassou Tirioco, que nada dei­ xaram de notavel, e Manoel Botelho de Oliveira, que, entre outras poesias, deixou uma, .A Ilha da Maré, que só póde ter hoje um valor historico.

deixou uma, .A Ilha da Maré, que só póde ter hoje um valor historico. A primeira
deixou uma, .A Ilha da Maré, que só póde ter hoje um valor historico. A primeira

A primeira metade do seculo XVIII foi, para a

- 10 - litteratura brasileira, de uma esterilidade quasi absoluta; houve preparando culo. Durante imitando

-

10

-

litteratura brasileira, de uma esterilidade quasi absoluta;

houve

preparando

culo. Durante

imitando servilmente a litteratura portugueza, cujos cul­

sempre

se­

li tteraria,

um

como

repouso

em

nossa

da

form ação

.outra

a

epoca brilhante

esses primeiros

da form ação .outra a epoca brilhante esses primeiros metade annos, do cincoenta tores se havia

metade

annos,

do

cincoenta

tores se

haviam congregado

em sociedades, o Brasil teve

as Academias

dos Esqu,ecidos

e dos

Renascidos,

na Bahia,

e

Sociedades litterarias pertenceram muitos

versos

de

José

Oliveira

as

dos Felizes

em

Lima,

Cherérh,

Serpa ,

e dos

Selectos

no Rio de ·!aneiro . A essas

cujos

João Brito

de Mello, Manoel

poetas,

geral se perderam

Gonçálo

da

Pires

ou

esqueceram :

João

Borges

França ,

de

Carvalho,

de Barros,

La,

Fr. Henrique de Souza,

Corrêa

de

cerda,

Fr.

Francisco Xavier de

Santa

Thereza,

João

Mendes da Silva ,

Prudencio

do

Amaral,

Fran c!sco

de

Almeida,-e Fr. Manoel

de Santa

Maria Itaparica,

o me­

lhor de todos,

que escreveu

dois

poemas

:

Eustachidos, e

Descripção

âa

 

A

esta

mesma

Descripção âa   A esta mesma

Ilha

de Itaparica.

epoca

pertenceu o grande Antonio

José

da

SHva,

nascido no

Rio

de

Janeiro

em

a'

8

de Maio de 1705,

pela Inquisiçã'o,

ft

poeta,

e queimado como

de Março de

um numero

judeu,

Lisboa,

19

1739. Esse extraordinario

consideravel de comedias em

que deixou

prosa e

verso (Arnphitryão ,

Don

Quixote ,

Encantos

de Me'

Phaetonte,

La byrintho

de

Greta,

Guerras

do

Alecrim

e

da

Mangerona,

etc .)

e uma

farta

collecção de poesias lyricas ,

partiu

apenas é

uma farta collecção de poesias lyricas , partiu apenas é á patria. braRi­ para Portugal Por

á patria.

braRi­

para Portugal

Por

leiro por haver nascido

aos 8

no

Brasil :

annos de idade,

e nunca mais

voltou

é á patria. braRi­ para Portugal Por leiro por haver nascido aos 8 no Brasil :

-

11 -

isso , não é talvez muito acertado classifical-o como «poeta

.brasileiro».

*

*

*

De 1750 a 1830, lia no Brasil o período litterario, a que Sylvio Roméro dá com propriedade o nome de « pe­ riodo do desenvolvimento antonomico ». Nessa éra floresceu a Escola Mineira, - á qual de­

vemos as prime i ras tentativas reaes em prol da nossa autonomia litteraria ; e, luminosa coincidencia, essa epo­ ca do primeiro anceio ·pela independencia nas lettras é tambem a epoca do primeiro anceio pela independencia política. « É agora o momento decisivo da nossa historia:

é o ponto culminante; é a phase da preparaçã,o do pensa­ mento autonomico e da emancipação política. Qualquer que seja o futuro do B rasíl , quaesquer que venham a ser. os accidentes da- sua jornada atravez dos seculos, não será menos certo que ás gerações, que, nos oitenta annos de 1750 a 1830,. pelejaram a nossa causa, devemos os melhores titulos que possuímos .» (*) ÜR principáes poetas lyricos da Escola Mineii:a en­ traram na Conj uração da Inconfidem.ia. Essa coincidencia dos dois ideaes, - o litterario e o político, - dominando o espírito d'esses homens, demonstra que nessa epoca

o espírito d'esses homens, demonstra que nessa epoca ' j á, a formar-se : liber­ tava-se
o espírito d'esses homens, demonstra que nessa epoca ' j á, a formar-se : liber­ tava-se

'

d'esses homens, demonstra que nessa epoca ' j á, a formar-se : liber­ tava-se a nossa

j á,

a formar-se : liber­

tava-se a nossa intelligencia, - e nascíamos como povo.

o

caracter brasileiro

começava

---·----
---·----

("') Sylvio Roméro

a nossa intelligencia, - e nascíamos como povo. o caracter brasileiro começava ---·---- ("') Sylvio Roméro

-

12

-

Escola Mineira

«Se houvesse, pela

quei­

Expli­

Brasil

pin­

onde os situou.»

Essa censura tem

dis­

censura

poetas

de versifi�

a escol_ha dos seus assumptos, eram, e não podiam dei­

Referindo-se

a

um

dos

poetas

da

Gonzaga), escreveu Almeida Garrett :

minha parte,

·

de lhe fazer alguma

xaria não

co-me :

do que fez,

eu que,

mas do que em vez de

quizéra

scenas da Arcadia,

censura,

deixou

me

de fazer.

no

nos debuxar

quadros inteiramente

europeus,

tasse o� seus paineis com as côres do paiz

sido

habitualmente reeditada por

todos quantos procuram negar á Escola Mineira um

tinctivo litterario francamente nacional . Mas a

não

da Escola

car,

xar de ser, uma imitação do

ratura

lento trabalho duplo

tem cabimento.

Mineira,

do ratura lento trabalho duplo tem cabimento. Mineira, A língua de que se serviam os a

A língua

de que se serviam os

a sua maneirá

o seu estylo,

modelo portuguez :

repentinamente,

de

mas

não

se

emancipa

por

de demolição e

ninguem

diz que

esses poetas realizaram

uma 1itte­

um

reconstrucção . E

· a independencia

litteraria do Brasil,

como ninguem

diz

que

elles

reali­

zaram· a sua independen cia política .

Mas

o

trabalho

da

Escola Mineira foi uma tentativa,-.

coroada de exito

: foi um primeiro

e uma tentativa feliz,

passo,

uma primeira

conquista.

E

esse

mesmo

Gonzaga,

Garrett

censura,

tem

algumas Lyras

de

cujo

lusitanismo

um brasileirismo

innegavel,

no assumpto

e na fórma, na materia e na côr, ;

sirva de exemplo

a Lyra

XXVI,

em

que

se descreve

um

aspecto da vida agricola

e. industrial da

; sirva de exemplo a Lyra XXVI, em que se descreve um aspecto da vida agricola

Capitania das

-

- 13 - A emancipação litteraria completa só veio de depois, que floresce­ alto merito ,

13 -

A emancipação litteraria completa só veio

de

depois,

que floresce­ alto merito ,

com Alencar e Gonçal ves Dias ; os poetas,

ram de 1750 a 1830, foram precursores

ao s quaes se não deve recusar agradecido louvor.

Theophilo Braga, portuguez como Garrett, compre­

da pleiade mineira.

critic,o .

XYIII

Ignacio de Alva­

mais ou

Academia Poe­

vice-rei D. Luiz de

Os socios mais conhecidos da Ar­

dois fundadores já

hendeu admiravelmente esse papel

Merece transcripção integral a pagina do

« O espirito

revolucionario do fim do seculo

Brasil .

Manoel

Gama fundam pouco

apparece tambem no

renga e

José Basilio da

menos por 1799 a Arcadia Ultramarina,

e José Basilio da menos por 1799 a Arcadia Ultramarina, tica protegida pelo illustradissimo Vasconcellos e

tica protegida pelo

illustradissimo

Vasconcellos e Souza.

além

dos

João

Pereira

da

Silva,

cadia Ultramarina foram ,

citados , Bartholomeu Antonio Cordovil, Domingos Vidal

Barbosa,

Silva

Balthazar

da

Lisboa, Ignacio

de

Andrade

Souto

Mayor, Rendon,

Ma­

noel

da

Arruda Camera ,

José Ferreira Cardoso,

José

Marianno

da

Conceição

Velloso

e

Domingos

Caldeira

Barbosa.

Os

poetas da provincia

de

Minas, que

se inspi­

ravam das idéas

encyclopedistas,

foram os propugnado­

res

da autonomia da nova nacionalidade brasileira. Era a

mesma

corrente

de

liberdade,

que

Estados-Unidos , e

em

1789

tomara

Franceza .

O movimento

ini ciado

em

em

1787

creara os

corpo

na Revolnçào

Minas fo i

ab afado

com sangue, sendo

victimas

os poetas

Claudio Manoel

da

Costa

'

IO'nacio José

b

de

Alvarenga

Peixoto

.

e

Thomaz

- 1 4

- 1 4 - Antonio Gonzaga, que na -Mar ili a de Dirceu-descreve a pungente realidade

-

Antonio Gonzaga, que na-Marilia de Dirceu-descreve a pungente realidade do seu amor e da sua desgraça. As -lyras-de Gonzaga renovam as velhas fórmas das-Ser- . ranilhas-, que persistiam entre o vulgo com o titulo de -mo dinhas-, das quaes fala Tolentino :

fórmas das-Ser- . ranilhas-, que persistiam entre o vulgo com o titulo de -mo dinhas-, das
 
(cJá, de entre as verdes mnrteiras

(cJá,

de entre as verdes mnrteiras

Em suavissimos accentos, Com segundas e primeiras, Sobem nas azas dos ventos

As ' modinhas brasiteirras

))

No seculo XVIII, alguns poetas do Brasil visitaram a metropole, ou aqui fixaram residencia, e as-modinhas­ acordaram a sympathia tradicional; as-lyras-de Gon­ zaga supplantaram a insipidez das composições arcadicas

acordaram a sympathia tradicional; as-lyras-de Gon­ zaga supplantaram a insipidez das composições arcadicas

e a - Viola de Lei•eno-, de Caldas Barbosa, que tanto ir­ ritava Bocage e Filinto, chegou a vulgarisar�se entre o

povo

Quando o seculo se apresenta exhausto de vigor

entre o povo Quando o seculo se apresenta exhausto de vigor ' moral e de talento,

'

moral e de talento, é da colonia, que se agita na aspiração

da sua independencia, que lhe vem a seiva das naturezas creadoras . » (*) ·

lyricos e sa­

tyricos.

Frei Josg

Claudio

Ma . noel da Costa. É do

primeiro o Uruguay , poema em versos dee'asyllabos sem

primeiro o Uruguay , poema em versos dee'asyllabos sem A Escola Os epicos Mineira teve poetas

A Escola

Os epicos

Mineira teve poetas epicos,

foram

José

Basílio da Gama,

de Santa Rita Durão e
de Santa Rita Durão
e

(':') Th. Braga. Histria do, LiUeratti,ra Portii g nezci.

-

15

-

rima,-cujo assumpto

é a lucta dos portuguezes contra os

indios , que

assumpto é a lucta dos portuguezes contra os indios , que eram instigados pelos j esuitas

eram instigados pelos j esuitas , e se oppnnha

m

á aeniarcação

de

limites decretada pelo tratado

de 1750.

O poema

camoneanas,

de Santa Rita Durão

oitavas

em que.é tratada a lenda do portuguez Diogo

é o Oáramurú, em

tratada a lenda do portuguez Diogo é o Oáramurú, em Alvares, naufragado na Bahia em 1510,

Alvares, naufragado na Bahia

em 1510,

prisioneiro e de­

pois dominador dos Tupinambás. Basilio tambem es01

o

o louvor de

guezes,

epico ,

Rita D nrão :

Qu itub ia,

po P,m a

um

inferior ao

Urug 1tay,

que,

ao

e cujo thema é

portu­

Gomo poeta

Santa

e tem inspi­

Claudio Ma­

pouco

dos sertões

chefe africano,

lado

dos

a

p ei'ejou

Basílio

sertões chefe africano, lado dos a p ei'ejou Basílio c ontra as armas de Hollanda. é

c ontra as armas de Hollanda.

é

,

incontestavelmente·

brasileiro,

e

estylo

superior

é mais

mais humano';·

ma!s colorido.

Vi

lla-Rica

,

as

ração mais vibrante

noel

valor,

em que

da

Co sta escreveu o

são

epopéa

de

celebradas

conquistas

pelas

«bandeiras» paulistas.

 
pelas «bandeiras» paulistas.  

Dos

Dos poetas lyricos,

poetas lyricos,

o

maior

é

sem duvida Thomaz

Antonio

Gonzaga

(Dirc eu) .

A

sua Marília

de

Dirceu

é a

primeira

manifestação

genuina

do encantador lyrismo

b rasileiro, tão

elevado

pelo genio

dos

poetas modernos .

Gonzaga

é

não sómente

superior

aos

seus

companheiros

da

Escola Mineira,

·

mas

ainda superior aos

seus contem­

poraneos portuguezes.

Depois

d'elle,

o

mais notavel lyrista

portuguezes. Depois d'elle, o mais notavel lyrista o pseudonymo é uma sonetos da epoca é Ma­

o pseudonymo

é

uma

sonetos

da epoca

é

Ma­

á Arcadia

noel Ignacio da S.ilva Alvarenga,

Ultramarina, com

O

canções, madrigaes

que pertence

de

Alcindo

Palmfreno.

de odes,

seu

livro

Glaura

e

preciosa collecção

.•

-16 Claudio M o l da Costa (na Arcadia, Glauceste Sa­ . � � .
-16
Claudio M
o
l da Costa (na
Arcadia, Glauceste
Sa­
.
.
turnio)
deixou· grande
numero
de odes , episodios ,
canta­
tas,
.imnetos'.e
eglogas .
Foi talyéz o menos
brasileiro e o
mais classico
dos poetas
da
epoca.
Tambem não
teve
grande valor Ignacio José
i
de Alva
enga Peixoto (na Ar-·
cadia,
Eureste
Phenicio) .
@utros p'oetas do tempo : Domingos: Caldas Barbosa
'
(Lereno Selinimtino), que deix o.u a Viola de Lereno ; Do­
mingos Vidal ·Barbosa, Bartholpmeu Antonio Cordovn,·�
Bento de Figueiredo 11.tra�Manoel
�oaquim Ribeiro,
Joaquim José Lisboa, Padre Manoel de Souza Magalhães,
J:osé Ignaciçi�a Silva Costa, Padre Silva Mascarenhas ,;
Seixas Bràndão e Pinto � a França.· Todos esses, á exce­
pç . ão de Domingos Cal d tts Barbosa, foram medíocres.
A poesia comico-saty rica
foi c i ;iltivada
por Manoel ·
.
Ignacio da .Silva Alvarenga, que escreveu o Desertor das
·
Lettras ,
Antonio Mendes Bordallo
(Abusos da Ma gisVra-
.
.
.
tnra), João Pereira
da
Silva,
Joaquim
Jo s é da
Silva,
cognominado·
a
O Sapateiro
Silva, o
Padre Costa G
delha e
Francisco
de Mello
Franco,
que compôz
o poema O
Reino
da
Estnpidez. O
p
emà
Cartas Chilenas,
em que
é
feroz­
mente satyrisado
o
governador
de Minas, ·Luiz da Cunha
Menezes, t em sido attribuido ora
a
Claudio
Manoel da
.
Costa, o ra a
G�m;aga
�ra a Alvarenga Peixoto , - ha­
\
r
_
_
vendo arnd
quem
o attnbua
a collaboração
tres
'esses
poetas.

-

17

- 17 - Depois dos poetas da Escola' Mineir � , e ainda dentro d' esse

-

Depois dos poetas da Escola' Mineir

� , e ainda dentro

d' esse

brilhante

periodo

litterario

de 1750 a

1830 (*),

appareceram no

Brasil

alguns poetas,

que

cultivaram

especialmente a poesia religiosa e patriotica.

cultivaram especialmente a poesia religiosa e patriotica. À 1. Citemos : Antonio Pereira de Souza Caldas,
À 1.
À
1.

Citemos : Antonio Pereira de Souza Caldas, que tra­

Ho rnem Sel­

; frei· Fran­

duziu osPsalmos de Dav id, e com pô z a Ode ao

vagem, .a Or eação e a Imm ortalidade da Alma

ao

cisco de São Carlos, notavel orador, e auctor do poema ·

lado de grande 'fer­

vor mystico , ha algumas descripções de paizagens . brasi- leiras ; frei .1(9.aquirri do Amor Divino Canéca, um dos ca-

Asswrnpção da Virge ni , em que ,

beças da rev ol ução pernambucana de 1 824, suppliciado · pelo governo imperial , e que deixou algumas poesias ly­ ricas ; José da Natividade Saldanha, que tambem entrou na revol ução da Repiiblica do Equador, auctor das odes

e

A

revol ução da Repiiblica do Equador, auctor das odes e A - Henri q'lf;e Dias ;
-
-

Henri q'lf;e Dias ;

À Vi dal de Ne grei ros, ·A Ücl1narão ,

o padre Januario da Cunha Barbos::t, auctor dos p oeme­

Garimpeiros ; Santa Rita Baraúna;

, José Eloy Ottoni, qne traduziu em verso os Proverbias de Salom<io e o Livro de Jo b ; e José Bo nifacio, o Pa­ triarcha .da Independencia, intelligencia maravilhosa que se exercitou, sempre com grande b rilho, nas sciencias , nas lettras e .na politica, - e que , como poeta, deixou u ma collecção de excellentes poesi à s patrioticas e lyri-

tos Nictheroy

e

excellentes poesi à s patrioticas e lyri- tos Nictheroy e Os (*)Temos adoptado, nesta rapida synopse
excellentes poesi à s patrioticas e lyri- tos Nictheroy e Os (*)Temos adoptado, nesta rapida synopse

Os

poesi à s patrioticas e lyri- tos Nictheroy e Os (*)Temos adoptado, nesta rapida synopse da
poesi à s patrioticas e lyri- tos Nictheroy e Os (*)Temos adoptado, nesta rapida synopse da

(*)Temos adoptado, nesta rapida synopse da �<Poesia divisão e a classificação de Sylvio Roméro .

no Brasil», a

T.

DE VERf?IFtoAÇÃO

2

18 -

,_

publi-

Ameriao Elysio,

Poesias de

de -

com o tit ulo

cas

Elysio, Poesias de de - com o t i t ulo cas ' cadas em França,

'

Elysio, Poesias de de - com o t i t ulo cas ' cadas em França,

cadas em França, em 1825.

*

*

*

vão agora apparecer

a

classificação

de -

os poetas , a

que Sylvio Romero

«ultimos

poetas

classicos»;

e

«poeta�

No

de transição

entre classicos e romanticos » .

primeiro grupo,

ayultarn

Francisco

Villela Bar­

bosa,

primeiro Marquez

de

guns curtos

poemas,

entre

Paranaguá,

os

g u n s c u r t o s poemas, entre Paranaguá, os quaes à

quaes à

q uP compôz

al

famosa

Cantata á

Primavera,

e Domingos

Borges

de

Barros,

visconde

de

Pedra

Branca,

auctor

do

poemeto

Os, Tumulos

e d'As,

Poesias

offereddas

ás

senhorns

brasileiras por um bahiano. ,

Vejamos os do segundo grupo. Maciel Monteiro , barão de Itamarncá , deixou muitas poesias esparsas, qne sómente agora vão ser collecciona­ das e p ublicadas pela Academia Pernambucana de Let­ tras . E o auctor do celebre soneto : Formosa qual pincel

em tela fina

Araujo Vianna, marquez de Sapucahy,

escreveu algumas poesias Jyricas . Odorico Mendes, traductor de Homero ( Illiada e ··

Odysséa ), de Virgilio

e de Voltaire (Mérop e), e auctor de muitas poesias origi­

(

Ene icla,

Georgicas

e

Biicolicas )

muitas poesias origi­ ( Ene icla, Georgicas e Biicolicas ) IHtes , foi um verdadeiro poeta

IHtes , foi um verdadeiro poeta de transiçào : classico, de um class.icism� extremado nas suas tradncções , foi, nos versos do proprio lavor, um romantico .

no Maranhão, ga-

nas suas tradncções , foi, nos versos do proprio lavor, um romantico . no Maranhão, ga-

Emqnanto esse poeta trabalhava

nas suas tradncções , foi, nos versos do proprio lavor, um romantico . no Maranhão, ga-

-

19

-

nhava popularidade na Bahia o repentista Francisco Mu­ niz Barreto, cujo talento de improvisação enthusiasmava a quem o ouvia. Publicou em 1855 dois volumes de p oe­ sias.

Ao mesmo periodo litterario pertencem : João de

Barros Falcão, pernambucano; Antonio Augusto de Quei­

Salomé Queiroga, que publicou

que ha

algumas de bastante valor ; Fran cisco Bernardíno Ri­ beiro ; Firmino Rodrigues Silva , auctor da afamada ne­ nia Ni ctheroy; Alvaro Teixeira de Macedo , cujo po ema A Festa do Balc'"lo descreve typos e scenas populares e costumes domesticos e politicos d' tempo ; e, emfim, José Maria do Amaral, sonetista e x imio , cujos innurneraveis e bellos sonetos ainda infelizmente não foram colleccio­ nados .

roga, mineiro ; José de

em 1870 o Canhenho

de

Poesias Brasileíras,

em

de em 1870 o Canhenho de Poesias B r a si l e í ras ,

*

*

*

C hegamos agora ao

periodo

da grande revolução ,

que se operou

na litteratura

universal : o Romantismo .

O Romantismo

foi a

renovação

do

Ideal litterario e

artistico.

As

litteraturas do

norte

da

Europa

deram

o

primeiro signal

da

reforma,

que rapidamente se propagou

e venceu. O

Ronumtismo

foi uma reacção contra a influen­

r e a c ç ã o c o n t r a a influen­ cia

cia do

classicismo francez,

o Culteranismo.

c ç ã o c o n t r a a influen­ cia do classicismo francez,

ou,

mais propriamente, contra

c ç ã o c o n t r a a influen­ cia do classicismo francez,

-

20

-

partiu da .A.llemanha. ·Foi madame de

Stafil quem o revelou á França.

Em Portugal, escreve Theophilo Braga, os epigones do Romant.ismo foram Garrett, Herculano e Castilho :

« Garrett iniciou o estudo da tradição nacional, creou o theatro portuguez, e, dirigido pela melancolia dos Lakis­ tas, elevou-se ás mais bellas· fórmas do lyrismo pessoal ; Herculano renovou os estudos da historia portugneza, e transplantou para a nossa língua o typo do romance crea­ do por Walter Scott, distinguindo-se , depois do conhe- cimento de Klopstock, pelo seu lyrismo religioso ; Casti­

reagiu por lon­

lho continuou as velhas fórmas arcadica.

go tempo contra a introducção do romantismo , vindo por fim ·a cooperar na idealisação da idade média e a traduzir

as obras que mais caracterisavam a inspiração moderna.»

O movimento

mais caracterisavam a inspiração moderna.» O movimento · No Brasil, o Romantismo appareceu com Domirigos .

·

No Brasil, o Romantismo appareceu

com

Domirigos .

de Magalhães , Porto-Alegre , Tei:ieira e Souza. Mas- a sua influencia real. e positiva revelou-se pelo appareci­

mento do In diani srno .

Como e porque come çou o indio a interessar a poesia nacional ? Sobre essa questão, escreveu Clovis Bevilacqua algumas paginas de solida argumenta1,;ão : «O Roman­ tismo foi, nos povos europeus� um acordar de tradições, um abrolhar do sentimento nacional, pela comprehensão das suas origens no período medieval, esse immenso labo· ratorio de onde saíram as línguas e as nacionall.dades modernas. O BrasH não teve idade média, diremos, se

-

21

-

.nos ativermos

ao facto material

das

datas,

se. considerar­

·

·

·

mos,

apenas p erante

a

chronologia,

a

era que

na histo­

p erante a chronologia, a era que na histo­ ria A idade ponto mação social, mas

ria

A idade

ponto

mação social,

mas

acontecimento veio por ummomento sopitar a reconstrucção

do imperio romano,

ro­

O principal trabalho da idade mé­

pelos

tomou

romano, ro­ O principal trabalho da idade mé­ pelos tomou essa designação. Mas colloquemo-nos em um

essa

designação.

Mas colloquemo-nos em um

média foi uma transfor­

se quebrou,

de vista superior.

em que a

perturbou-se com

se quebrou, de vista superior. em que a perturbou-se com lado filiação historica não a invasão

lado

filiação historica não

a

invasão

a perturbou-se com lado filiação historica não a invasão da destruição á medida dos barbaros. Esse

da destruição

á medida

dos barbaros.

Esse ·

que _se operava ao

subindo gradual mente, mana se decompu nha.

dia foi

que

a

organisação

a

reparação

da desordem trazida á evoluçã,

barbaros,

a

prep aração da idade

moderna

pela

transfo r­

mação

do escravo

em servo

e do

servo em povo,

a creação

das

línguas

européas

pela corrupção

do latim,

pelo

novo

modo

de poetar dos

trovadores,

e,

acima de tudo,

a

con­

stituição

das nacionalidades

produzidas pelo

amalgama

a invasão

dos

elementos heterogeneos.

Aqui (no Brasil),

veio

de

povos mai

s

civilisados

sobre

povos

menos

civili­

sados.

D'esse

facto

resultou um phenomerio

de regressão

identico ao

Depois, ainda nos

mento

que

soffrera a civilisação

veio um novo factor

foi

o

mento que soffrera a civilisação veio um novo factor foi o riegro . O geral do

riegro .

O

geral do

de

nosso

da

occidente.

rebaixa­

unificação

social :

trabalho

d' esses elementos, pesado

d' esses elementos, pesado

e longo,

é

o

que devemos

cha­

mar a

nossa idade

média.

Foi para ahi

que se

voltou

o es­

pírito brasileiro, ·quando

tradição

Para

quiz encontrar

da . sua

seguir o movimento geral ?

imaginativas ?

os

élos

historica.

Mas como

onde dirigir

as forças sentimentaes

e

-

22

-

O portuguez não nos despertava sympathias, porque ainda

de dono de­

consi­

intru­

O orgulho es­

nos

stituído,

él.eral-o sem a

so.

intru­ O orgulho es­ nos stituído, él.eral-o sem a so. olhava com certa sobranceria humorada s

olhava com

certa sobranceria humorada

s

o povo

e nunca o nos

conseguiu deixar de

odiosa

humorada s o povo e nunca o nos conseguiu deixar de odiosa de invasor, de sua

de

invasor,

de

sua qualidade

foi sempre

deixar de odiosa de invasor, de sua qualidade foi sempre O negro a raça degenerada .

O negro

a raça degenerada .

tupido e perverso

da raça dominadora, ingrata

ao

mou-·

rejar ininterrupto do negro,

que lhe creára

o

bem estar,

a riqueza e

o

ocio,

de

mais

a mais

lhe

calcava

o pes.

da

oppressão esmagadora, numa expansão de brutal

egoísmo,

vilificando-o,

esterilisando-o,

anniquilando-o .

Vo1tou-se

então a imaginação para o índio,

intelle­

ctiva, rebaixada condição e abjectos costumes não se viam,

e até

este paiz

gem . Apenas

tinha trazido a

cuja exiguidade

se ignoravam. Ainda a Sciencia não

a verdadeira idéa do que

envolta nas

confusas

chegava,

atravez

das

fo sse

do que envolta nas confusas chegava, atravez das fo sse um povo selva­ nevoas da e

um

povo selva­

nevoas da

e seductoras

chronicas

lenda, lhe

dos jesuítas; a

contra os

historia das •perseguições movidas pelos

apresados,

gava os

no

vallo de Attila, e

tas sombrias e impenetraveis .

tigio,- que derrama o

prehendereis a exaltação romantica do Indianismo. Quem

e com­

Accrescentae a isso o pres­

flores­

ca­

e a crúa desesperança que obri­

colonos

míseros índios

poucos escapas

a fugirem

que obri­ colonos míseros índios poucos escapas a fugirem diante da pata adyto das do a

diante da pata

adyto das

do

a emb renharem-se

tempo,

o passado irrevocavel,

estudar

Wolf, que ,

meiro s rebentos do

mento ,

a

litteratura brasileira

no

«um

começo

do

que

do mento , a litteratura brasileira no «um começo do que factor ha F. repontam os

factor

, a litteratura brasileira no «um começo do que factor ha F. repontam os pri­ funda­

ha

F.

repontam os pri­

funda­

desenvolvimento da

de

notar,

todo

o

com

secnlo XVIII,

elle chama,

poderoso

no

com

23

-

litteratura

brasileira»

:

o

interesse

pelas

particu­

laridades da

natureza indigena.

Então ,

ainda

não

era

isso

uma

transudação

do

sentir

intimo

do

povo,

mas

urna simples côr loc

à l sem graves pretenções. Depoi�, as

fo rças

se fo ram ac cumulando ,

a intenção

se

foi accentu­

ando ,

até rebentar a

esplendida eclosão

do

Indianismo .

Como

não descob rir ,

ness e

fa cto

altamente

significativo ,

um

sileiro ,

nhada

fodicio

da reacção

do

da

meio cosmico

consciencia

o novo bra­

estremu­

ponto devemos par­

so bre

nacional

um germinar

pelo

sangue selvagem ?

D' esse

tir para

descobrir a :filiação

historica

do

nativismo

bra­

sileiro, que,

na suá combinação

com o

romantismo,

pro­

duziu o mais

alevantado esforço

de originalidade

de

que

até

só elle foi uma originalidade nossa; como tam­

outras que foram t�ntadas por

nossos poetas

ser comprehendida essa

F

teaubriand, deslumbrado

grandiosa.

consciencia b rasileira manifestando-se de um modo indis­

sentimento nacional, da

por

e

escreveu Cha­

escola sem grande affinidade com

e romancistas. É assim, parece-me, que deve

bem datam d'elle todas as

porque não

hoje

foi capaz

a

nossa

esthetica - o

indianismo ;

não hoje foi capaz a nossa esthetica - o indianismo ; e nimore Cooper, Foi o

e

nimore Cooper,

Foi

o

a nossa esthetica - o indianismo ; e nimore Cooper, Foi o e tão distanciada do

e

tão

distanciada do que

uma

r

do

natureza. virgem

estremunha

ciplinado,

porém

porém

natural,

filho das

condições

sociologi­

 

.

cas,

meiro passo da esthetica brasileira procurando o seu typo

o pri­

da m

ntalidade brasileira

de então , penso.

Foi

especial

e

proprio . »

procurando o seu typo o pri­ da m � ntalidade brasileira de então , penso. Foi

*

* *

-

24

-

A primeira figura, que se impõe

ao

estudo

e á admi­

ração de quem

examina

a

phase romantica da Poesia no

Brasil,

·é a de Gonçalves Dias.

·

Brasil, ·é a de Gonçalves Dias. ·
Brasil, ·é a de Gonçalves Dias. ·
 

.

Como po

eta indianista, Gonça·

lves Dias

é anterior

a

 
 

Domingos

Gonçalves

de Magalhães

e

a Porto

Alegre .

A

Confederação

dos Ta11ioyos

de Magalhães foi pub licada em

1856 ;

volume

ceu

do

as

Brasilianas

de

Porto Alegre, em

de

o

Gonçalves Dias appare-

1863 .

Ora,

dos P?'imeiros Cantos

·

em 1846 : e é nesse volume que

Guerreiro ,

o Oanto

do

Pi ág a, o

se encontram

o

Canto

do Indio ,

a nto·

C

o Ta­

byra, e

nismo.

tantas

outras

poesias

de

um.

exaltado america­

Além d'isso,

foi

elle, dos

de um. exaltado america­ Além d'isso, foi elle, dos fluencia os que vier exerceu a m

fluencia

os que vier

exerceu

a

m

sobre os. seus

depois.

tres,

o poeta que mais in­

e sobre

contemporaneos,

Gonçalves

Dias nasceu em 1864, em

Foi

i

e

de

poeta e

em 1823,

naufragio ,

prosador,

em Caxias

( Mara-

nhão )

e morreu

da barca franceza Vil

ropa ao Brasil .

quando, a bordo

Bourgogne, regressava da Eu­

e eth­

dramaturgo

nologista.

·como poeta (e

é sómente

como

poeta que elle

figura neste rapido

resumo historico),

o seu nome

ficou,

immortal. Conhecendo como

poucos

o idioma que tratava,

Gonçalves

Dias refo rmou, remoçou

a lingua po rtugueza,

dando-lhe um

viço

nov:o

e

uma frescura

enc · antadora,

:

que

encan�aram Alexandre Herculano.

 

Como poeta

indianista,

os

eus

melhores

trabalhos

sã o :

o

poemeto

I

Ju ca-Pirama,

o

po ema

( incompleto )

- 25

- 25 d ' Os Ty mbirns, as po esias Marab á, Canção do 1'amoy o,

d' Os Ty mbirns, as po esias Marab á, Canção do 1'amoy o,

os Ocmtos do Guerreiro, do Piága e do Indio , Leito de Fo ­

lhas Verdes.

nos deixou como poeta lyrico é

de uma riqueza ainda maior. Agora e Sempre , a admiravel

Palinodia, Como eu te amo, a encantadora Ainda uma vez.,

adeus ! ,

dente

em

O

mais ar­

Mas

o

que

Não rn(l deixes ! - são composições

ar­ Mas o que Não rn(l deixes ! - são composições poeta do é, inspirado lyrismo

poeta

do

o que Não rn(l deixes ! - são composições poeta do é, inspirado lyrismo . escreveu

é, inspirado lyrismo .

! - são composições poeta do é, inspirado lyrismo . escreveu ainda, estylo classico, as Sextilhas

escreveu ainda,

estylo classico, as Sextilhas de Fr ei Antão, -Lôa dll Prin­ ceza Santa, Gulnare e Mu staphá , Soláo do rei dom Jo ão,

Gonçalo.

Soláo de Gonçalo He nriques, e Lenda de S

Domingos Gonçalves de Magalhães, visconde de Ara­

guaya, nascido no Rio de Janeiro em 1811 e fallecido em 1882 , estreiou em 1836 com o volume dos Suspiros Poe­ ticos (cuja principal composição é a Ode a Napoleão em

Ta­

Waterloo ),

moyos,

e

e publicou em 1856 a Confederação

18 58

dos

em

os My sterios e os Cantfoos Piin ebres.

Deixou tragedias e dramas em verso ( Antonio José, Olgiato, etc. )

Manoel de Araujo Porto Al egre (1S06-1 879 ) na­ tural do Rio Grande do Sul , foi, antes de se revelar poeta, pintor e critico musical. Em 1863 publicou as Brasilianas

(O Voador, A Destruição das Plo1'estas, A Voz da Natu­

reza , -0 Pastor, O Corcovltdo), e depois o Colombo, poema

em 40 cantos. Tambem deixou algumas poesias satyricas

( o aanhador, etc. )

De 1830 a 1870, succedendo a Gonçalves Dias, Ma­ galhães e Porto Alegre, apparecerám no Brasil tantos

p o e t a s ( a l g u n s d e

poetas (alguns de

-

26 -

ext,raordinario

,valor ) ,

que

não

é

pos­

sivel,

nos apertados

limites

d'este trabalho,

dar

a todos

um

estudo demorado .

Far-se-á

ape , nas

aqui uma

enume­

ração

d.

principaes ,

registrando

a epoca em

que flores­

que flores­

ceram

e o

trabalho

que

deixaram .

. Teixeirà e Souza ( 181 2.- 186 1 ) escreveu um poema

epico (A Independencia do Brasil ), um poema lyrico

(Os tres. dias de um noivado) e varias poesias, reunidas

Norberto de

no volume dos

Souza e Silva ( 1820- 1891 )-cinco volumes de poesias:

Mo dulações Poetic(is , Dirceu de Marilia,

amores, Cantos Epicos, Flóres entre espinho s. Antonio Fran­

cisco Dutra e Mello ( 1823 - 1846 ) e Francisco Octa­ viano de Almeida Rosa ( 1825�1889 ) deixaram poesias esparsas. João Cardoso de Menezes, barão de Paranapia- ;

caba, nascido em 1827, e ainda hoje viv0 e em plena acti·

O livro elos nieus '.

Cantos

Lyricos ; e Joaquim

vülade li tteraria,

dora, e tem publicado varias traducções de Byron, Lamar·

tine e La Fontaine.

estreiou em 1849 com

a

Harpa Gerne­

Em

1831, nasceu em

S.

Paulo,

Alvares

de Azevedo, .

com

quem se

inaugurou uma

nova phase

do

rom antismo

brasileiro ,

successivarLente

influenciado

por Lamartin .e;/(1

Victor Hugo e Byron: ]i_;sse

poeta morreu

aos

21

annos ' .�i

de idade

de idade ( 1852 ),

( 1852 ),

deixando

grande numero

de

poesias

lyricas,

quasi

todas

de

grande

sentimento

(Lyra

dos

Vinte

Annos,

etc.).

Ao

lado de Alvares

de

Azevedo

' em

.

S

e depois d'elle,

. Paulo,

Aureliano Lessa

appareceram :

_

-

27

-

( 1828- 18()1) de quem se publicou um volume de Poe­ sias Posthitrna.� ; e Bernardo Guimarães ( 1827- 1884) poeta muitas . vezes de um ardente e brilhante naciona­

lismo ( Cantos da Solidão , Poesias ,

do

Outono).

No vas Poesias , Folhas

José Bonifacio de Andrada _e Silva ( *) (1827- 1886) ,

tambem paulista, escreveu varias poesias, que não foram

até hoje· colleccionadas : O Pé,

Seu nome ,

Que iniporta f

a ode

, Nascido em 1826 e falledd o em 1864, Laurindo J. da Silva Rabello , improvisador famoso e poeta satyrico

de grande valor, foi tambem um exeellente poeta lyrico ,

e

d'elle escreve S. Roméro que «foi o talento mais espon­

O Redivivo, etc.

Roméro que «foi o talento mais espon­ O Redivivo, etc. taneo que tem apparecido no Brasil.»

taneo que tem apparecido no Brasil.» Emquanto Laurindo poetava no Rio, poetava na Bahia, Junqueira Freire (1832-1855), que foi algum tempo monge do convento be­ nedictino , onde escreveu as Inspirações do claustro , e que _ainda deixou um volume intitulado Oo ntmd foções Poeticas. São do mesmo tempo : Antonio Augusto de Me n donça, ba­

hiano (1830- 1880) , de quem ficaram dois volumes (Po6sias.

e Messal'ina) e Franco de Sá, maranhense (1836-1856) .

no Sul , dois po etas ly ricos : 'r ei­

xeira de Mello, nascido em 1833 e ainda vivo, anctor de

.e Casimiro de Abreu, o poeta

mais popular, talvez, de todo o Brasil,· nascido em 1837 e morto em 1860, auctor das Primaveras .

logo depois, surge, no Norte, uma brilhante pleia-

. logo depois, surge, no Norte, uma brilhante pleia- Apparecem ago ra, Sombras e Sonhos e

Apparecem ago ra,

Sombras e Sonhos e

E
E

(*). Cognominado o moço, para se distinguir elo outro poeta ele igual nome, Patriarcha da Independencia.

- 28

de

uma
uma
«Sertanej a»;] o}]
«Sertanej a»;]
o}]

de

de

poetas,

fundadores

escola

Pedro Calasans, de Sergipe ( l83 6- 1874) não foi tão amig

como

os seus companheiros,

das scenas da vida

do sertão:

foi antes um lyrico

subjectivista

(.Pagi,nas soltas

e

Vltimas

pagineis);

o

mesmo se póde dizer de Elisiario

Pinto (1840-

Ff3'8.'(

z e r d e Elisiario Pinto (1840- Ff3'8.'( 1 8 9 7 ) t a

1897) tambem sergipano,

auctor da celebre poesia O

tim

de

Balthasar.

Mas Bitteuconrt

Samp aio ( 1834-1896),

Franklin

Doria

( barão

de Loreto) ,

nascido

em 1836

e

Franklin Doria ( barão de Loreto) , nascido em 1836 e ainda vivo , Traj ano

ainda

vivo , Traj ano Galvão ( 1830-1864), Gentil Homem

de

Almeida

Braga (1834- 1876),

B r a g a ( 1 8 3 4 - 1 8 7 6 )

Serrá

Bruno

Seabra

(1837� f,�
(1837�
f,�

Galen i{

1876) , Joaquim

foram poetas legitimamente nacionaes, cultivando o ge­

(1837- 1888) , e

Juvenal

nacionaes, cultivando o ge­ (1837- 1888) , e Juvenal nero bucolico e campezino, e celebrando, co.m

nero bucolico e campezino, e celebrando, co.m sentimento e graça, o encanto original da vida sertaneja do norte do Brasil. Basta, pai'a demonstrar isso, citar os títulos de al·

O Oa· JJfo· Reza , Oa n� Serra ; A Jangadai �
O Oa·
JJfo·
Reza ,
Oa n�
Serra ;
A
Jangadai �

gumas das poesias

gumas das poesias que

que

nos deixaram esses poetas nor·

tistas : A cigana, O canto da serrana, O Lenhador, O Trd��

peiro ,

A mitcama,

de Bittencourt Sampaio ;

A mangueira,

A

Ilhoa,

A

Missa

do Gallo,

de

Franklin Doria ;

lhambola, e

A

crioula,

de rr raj ano Galvão ;

Na Aldeia,

reninha, de· Bruno

Seabra ;

tiga

á

viola,

reninha, de· Bruno Seabra ; tiga á viola, O Roceiro de .

O Roceiro

de

.

O

Me stre

Vo lta,

de

O Me stre Vo lta, de de Joaquim

de

Joaquim

O

Cajueiro

Pequenino ,

de

Gentil

Homem ;

 

O meii

roçado,

de

Juvenal Galeno .

 
 

*

 

*

*

Succedendo a essa escola, apparece a dos condoreiros, na qual se reconhece claramente a influencia hugoana. Mas;;

* * Succedendo a essa escola, apparece a dos condoreiros, na qual se reconhece claramente a

-

29

-

entre as duas,

tenso

Soares

ha alguns poetas de

transição,

de um

in­

lyrismo pessoal,- sendo os principaes : Pedro Luiz

de

Souza (1839-1884) ;

Rozendo Muniz

Barreto

(1 845 -1 897) , filho do repentista bahia no, e auct or d os Vó os

897) , filho do repentista bahia no, e auct or d os Vó os Icarios, Cantos

Icarios, Cantos

da auro·ra,

r Varella (1841-1875) ,

um

Tri butos e

Cr enças ;

e Fagundes

dos maiores lyricos brasileiros,

auctor dos No cturno s, das Vo zes da

Anierica, dos

Cantos

Meridionae s,

dos Cantos

e Fantasfos,

dos Cantos

do

Ernio

e da Cidade, e dos poemas

Selvas l é Diario de Lazaro.

Anchieta ou

o

Evang elho nas

*

*

*

é Diario de Lazaro. Anchieta ou o Evang elho nas * * * Os pro ceres

Os pro ceres do condoreirismo no Brasil foram Castro Alves e Tobias Barreto. Victor Hugo já havia influido

directa e intensamente na evolução da poesia brasileira, desde o tempo dos primeiros romanticos . Mas , em Castro

Alves

especial. Esses não deixaram de ser, antes de tudo, poe-

e 'l1obias Barreto , essa influencia se fez de modo

poe- e 'l1obias Barreto , essa influencia se fez de modo tas lyrfoos,�porque , convém no

tas lyrfoos,�porque , convém no tar , todos

sileiros desde Gonzaga e Silva Alvarenga até os de hoje, têm sido essencialmente l yricos, embora imitando succes­ sivamente Lamartine, Hugo, Musset, Byron, Leconte de Lisle, Baudelaire, Heredia, Gautier,- e até Verlaine. ( *)

os poetas bra­

Heredia, Gautier,- e até Verlaine. ( * ) os poetas bra­ licito dizer que, depois da
Heredia, Gautier,- e até Verlaine. ( * ) os poetas bra­ licito dizer que, depois da
Heredia, Gautier,- e até Verlaine. ( * ) os poetas bra­ licito dizer que, depois da

licito dizer que, depois da Escola Mineira, nunca m ais tive­

os nossos

poetas pareciam estar imitando Guerra Junqueiro, os modelos que elles

realmente imitavam eram Byron, Baudelaire e Victor Hugo, atravez da imitação anterior do anctor da «Musa em Ferias».

mos . poetas i m itadores de poet3,s.portugnezes,-porque, quando

("') É

-

30

-

Mas ,

em certas

composições.

o cantor dos

- Mas , e m c e r t a s composições. o cantor dos Dia

Dia s e

No i

tes

e o das

Espninas

Flncitlantes

adoptaram ,

go ana,

especialmente , o ·uso frequente

adoptaram , go ana, especialmente , o ·uso frequente dos contrastes, d a s i m

dos contrastes,

das imagens

arrojadas,

da

rnaneira ht�·
rnaneira
ht�·

das hyperbo} �

d os

vôos epicos:

e foram

essas

composi1�ões as

que iírnis.

concorreram

para

a espalhada: fama dos dois , e as que deram azo

de neologismo com que ficou sendo conhecida a escola.

á creação

Castro Alves (Antonio de) nasceu na Bahia (Cacho­

creação Castro Alves (Antonio de) nasceu na Bahia (Cacho­ eira) em 1847, e falleceu em' 1871

eira) em 1847, e falleceu em' 1871 . A sua obra completa

está

hoj e compendiada em dois volumes, que comprehen��

dem : às Espurnas Eluctucmte.�

e o

Poein(i

dos· Escravos. ·

às Espurnas Eluctucmte.� e o Poein(i dos· Escravos. · Tobias Barrçto (de Menezes) nasceu em Sergipe

Tobias Barrçto (de Menezes) nasceu em Sergipe (villa de

Campos) em 1839 e morreu em 1889. Os seus versos forai.ªI

colligidos pelo dr. Sylvio

lado Dias e Noites . Foram dois poetas de alto valor, - pdncipalmente corno lyricos. A critica e o povo divergerri1'. da opinião de Sylvio Roméro, que dá a primazia ao auctor

dos Dias e Noites.

Rom éro , no volume intitu.i:

.,

Outros poetas do período :

Victoriano Palhares (tres volumes

:

Mo cidade

e

T'l'is·

 

.

teza , cido em
teza
,
cido em

Eqnador e