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Voc no vale meu Bukowski

Voc no vale meu Bukowski, tantas vezes tenho que repetir a mim mesma,
essa difcil verdade. Tenho que invocar esse mantra, para combater esse pesar. Eu e
eu, a batalha mais sanguinria, dentro do meu universo particular.

Se existe uma vontade, essa te vomitar dentro de mim. Assim mesmo, nu e


cru, sem enfeites ou anestesias. te tirar como um parasita, que suga toda a minha
sanidade, mexe com os batimentos do meu corao e me deixa nessa nvoa de
saudades.

Me abstenho do mundo, criando dentro do meu quarto, essa atmosfera


melanclica, cuja voc nunca teve o prazer de pertencer. Aqui seria nosso reino, caso
voc quisesse permanecer. Mas, como eu, senhora de mim, digo no, no para esta
loucura, que insiste em travar uma batalha interna, no meu ser.

No digo que te odeio, mas a forma que esses sentimentos que voc provocou
me causa um excesso de raiva, que no consigo evitar, sem lgrimas, ou chutando a
primeira coisa que me aparea. Quem me deras, fosse o tempo, que me concedesse a
ddiva do esquecimento, que limpasse lentamente voc, dentro de mim.

Penso e te deixar um bilhete, um livro, ou uma simples cerveja, mas voc no


merecedor de todo esse esforo. O possvel bilhete, onde confesso meu crime em
sentir, est misturado com algum rascunho sobre a mesa. A cerveja, que pensei em
tomar contigo, h muito tempo foi metabolizado pelo meu fgado, enquanto danava
loucamente. Entretanto, quando nada disso for o suficiente para abafar esses
sentimentos, retiro meu Bukowski da estante, mancho-o com lgrimas, mas me nego a
cair to facilmente.