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DIREITO ADMINISTRATIVO

BENS PÚBLICOS

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Leitura recomendada:

BENS PÚBLICOS

José dos Santos Carvalho Filho Manual de Direito Administrativo Capítulo 16.

Fernanda Marinela Direito Administrativo capítulo 10.

Alexandre Mazza Manual de Direito Administrativo Capítulo 12.

Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo Direito Administrativo Descomplicado Capítulo 15.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro Direito Administrativo Capítulo 16.

INTRODUÇÃO

Podemos encontrar o conceito de bens públicos no Código Civil, em seu artigo 98, que diz que:

Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Tal conceito não é aceito pacificamente pela doutrina administrativista, especificamente em relação aos bens das pessoas jurídicas de Direito Privado. Vejamos aqui tais correntes:

(José dos Santos Carvalho

Filho) bens públicos são aqueles que integram o patrimônio das pessoas de direito público, conforme expresso no art. 98 do CC.

a) critério subjetivo ou da titularidade

b) concepção

de Mello, Diógenes Gasparini) por essa corrente, temos que os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito privado, desde que estejam afetados (à prestação de serviços públicos), seriam considerados públicos.

(Celso Antônio Bandeira

material ou funcionalista

c) critério inclusivista

Pietro)

(Hely Lopes Meirelles, Maria Sylvia Zanella Di

todos

essa

corrente

entende que

são

bens públicos

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aqueles que pertencem à Administração Pública direta e indireta, sendo assim, bens do domínio público.

Em que pese essa divergência, atualmente o posicionamento adotado é, efetivamente, aquele exposto no Código Civil. Assim, podemos conceituar Bens públicos como aqueles pertencentes às pessoas jurídicas de direito público, podendo ser corpóreos, incorpóreos, móveis, semoventes, créditos, direitos e ações.

Os bens das pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública não são bens públicos, mas podem se sujeitar as regras próprias do regime jurídico dos bens públicos, quando estiverem na prestação de um serviço público.

DOMÍNIO PÚBLICO

Expressão imprecisa, contudo sempre abordada pela doutrina. A necessidade de conceituação visa a auxiliar a compreensão do tema “bens públicos”. Podemos separar dois modos de conceituar domínio público:

sentido lato e sentido estrito.

Em sentido amplo

regulamentação que o Estado exerce sobre os bens do seu próprio patrimônio (sobre os bens públicos), ou em face dos bens de titularidade privada que sejam importantes para a sociedade (interesse público) ou, ainda, atingindo as coisas inapropriáveis individualmente, mas de fruição geral da coletividade.

, domínio público seria o poder de dominação ou de

Já em sentido

público individualmente ou em geral, visto como o conjunto de bens destinados à coletividade (como bens públicos de uso comum do povo ou bens do domínio público).

, refere-se aos bens públicos que são destinados ao uso

estrito

CLASSIFICAÇÃO

Quanto à titularidade

i. Federal pertencentes à União;

ii. Estadual pertencente aos estados integrantes da federação;

iii. Distrital pertencentes ao Distrito Federal;

iv.

Municipal pertencentes às municipalidades.

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Quanto à destinação

Encontramos a definição de bens públicos com a destinação que lhe são dados, no art. 99 do Código Civil.

i. Bens de uso comum do povo utilização geral do indivíduo, povo.

ii. Bens de uso especial visam a execução de serviços administrativos e dos serviços públicos em geral. Bens das pessoas jurídicas de direito público utilizados para prestação de serviços públicos.

iii. Bens dominicais constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público sem destinação pública definida.

Art. 99. São bens públicos:

I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

Quanto à disponibilidade

i.

Bens indisponíveis por natureza não podem ser alienados ou onerados pelas entidades a que pertencem. Ex: bens de uso comum do povo.

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ii. Bens patrimoniais indisponíveis poder público não pode dispor por ele estar afetado a uma destinação pública específica. Ex: prédios de repartições públicas

iii. Bens patrimoniais disponíveis podem ser alienados por não estarem afetados a uma finalidade específica. Ex.: bens dominicais.

CARACTERÍSTICAS DOS BENS PÚBLICOS

Impenhorabilidade os bens públicos das pessoas jurídicas de Direito Públicos não podem sofrer constrição judicial.

Imprescritibilidade os bens públicos não estão sujeitos a prescrição aquisitiva (usucapião) art. 102 1 do CC; art. 183, §3º 2 e art. 191, § único 3 da CR/88. Segundo posicionamento doutrinário majoritário, a imprescritibilidade é atributo de todas e quaisquer as espécies de bens públicos (exceção: art. 2º da Lei 6.969/81).

Não onerabilidade não pode ser dado em garantia. Não pode sofre um ônus real de garantia (não sujeito a hipoteca, penhor, anticrese).

Inalienabilidade art. 6º, IV 4 da Lei 8666/93. Os bens públicos não podem ser vendidos livremente, vez que a legislação estabelece condições e procedimentos especiais para a venda desses. Com a inalienabilidade podemos concluir que os bens públicos não podem ser embargados, hipotecados, desapropriados,

O

penhorados, reivindicados, usufruídos, nem objeto de servidão.

professor

Mazza

destaca

que

seria

mais

apropriado

falar

em

alienabilidade

condicionada

ao

cumprimento

das

exigências

legalmente impostas.

1 Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.

2 Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

3 Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

4 Art. 6º Para os fins desta Lei, considera-se:

IV - Alienação - toda transferência de domínio de bens a terceiros;

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AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO

Afetação e Desafetação possuem natureza jurídica de fatos administrativos e estão relacionadas com a existência ou não de destinação específica para determinado bem público. Assim, afetação seria o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação pública especial de interesse direto ou indireto da Administração. Desafetação seria o inverso, sendo o fato administrativo pelo qual um bem público é desativado, deixando de servir à finalidade pública anterior. Vejamos agora a conceituação doutrinária sobre os institutos:

- Afetação diz respeito a utilização de um bem público. Se o bem está

sendo utilizado para determinada finalidade pública, ele está afetado. Ex:

praça.

- Desafetação se o bem não está sendo utilizado para algum fim público, ele está desafetado. Ex.: veículo oficial inservível.

AFORAMENTO PÚBLICO

Modalidade de uso privativo de bens públicos imóveis, que consiste em um direito real administrativo de posse, uso, gozo e relativa disposição sobre a coisa, mantendo o Estado o domínio direto, e o particular (foreiro ou enfiteuta), o domínio útil.

ESPÉCIES

a) Terras devolutas terras não utilizadas pelo poder público, nem destinadas a um fim administrativo específico.

b) Terrenos da marinha áreas banhadas pelas águas do mar ou rios navegáveis 33 metros para área terrestre, contados da linha preamar médio de 1831. Eles pertencem à União.

c) Terrenos acrescidos terrenos formados, natural ou artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas. São terrenos da marinha.

d) Terrenos reservados banhados pelas correntes navegáveis, fora do alcance das marés. Se estendem até a distância de 15 metros para a parte da terra.

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e) Terras ocupadas pelos índios são bens pertencentes à União (art. 20, CR/88), classificadas como bens de uso especial.

f) Plataforma continental extensão das áreas continentais sob o mar até a profundidade de cerca de duzentos metros.

g) Ilhas elevações de terra acima das águas e por estas cercadas em toda a sua extensão.

h) Faixa de fronteira área de até 150 km de largura, que corre paralelamente à linha terrestre demarcatória da divisa entre o território nacional e países estrangeiros.

i) Águas públicas aquelas de que se compõem os mares, os rios e os lagos de domínio público. Podem ser de uso comum e dominicais.

ALIENAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS

A alienação consiste no repasse da propriedade, remunerado ou gratuito,

sob a forma de

permuta

(art. 17,

investidura (art. 17, § 3º,

da Lei 8.666/93);

posse (art. 1º da Lei 6.383/76). Ela depende de lei autorizadora, licitação e

avaliação prévia do bem a ser alienado.

(art. 356 do CC);

venda

(art. 17 da Lei 8.666/93);

doação a outro órgão ou

entidade da administração pública

I,

c,

da Lei 8.666/93);

concessão de domínio

(art. 17, I, b, da Lei 8.666/93);

dação em pagamento

(art. 17, § 2º, da Lei 8.666/93);

; retrocessão

incorporação

(art. 519 do CC);

legitimação de

A investidura consiste na incorporação de área pública a terreno particular,

em razão de novo alinhamento do traçado urbano.

A legitimação de posse disciplinada na Lei 6.383/76, é a outorga de uma

licença de ocupação, pelo prazo máximo de 4 anos, ao posseiro que ocupa

determinada área pública por razões de moradia, cultura efetiva ou exploração direta.

A Lei de Licitação e Contratos, em seus artigos 17 ao 19, prevê o procedimento de alienação de bens na Administração Pública.

GESTÃO DE BENS PÚBLICOS

A gestão dos bens públicos compreende o poder de administrar esses bens,

determinar sua utilização conforme sua natureza e destinação, além das obrigações de guarda, conservação e aprimoramento. O dever de guarda

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consiste na vigilância constante com o intuito de garantir sua integridade e finalidade; na conservação há o dever de cuidado quanto às suas características, e no aprimoramento, as providências de aperfeiçoamento e valorização.

Dessa maneira, as ações do Estado, inobservando essas exigências, não são legítimas, devendo o Administrador ser responsabilizado por suas omissões.

A utilização pode ser:

a) Comum ou normal - marcam a utilização comum ou normal a generalidade da utilização do bem, a indiscriminação dos administrados no que toca ao uso do bem, a compatibilização do uso com os fins normais a que se destina e a inexistência de qualquer gravame para permitir a utilização. Portanto, deve ser gratuito para não gerar discriminação em razão da condição econômica do administrado;

b) Especial ou anormal - caracteriza a utilização especial a exclusividade do uso aos que pagam a remuneração ou aos que recebem o consentimento estatal para o uso privativo, portanto, a onerosidade, nos casos de uso especial remunerado e a privatividade, nos casos de uso especial privativo e a inexistência de compatibilidade estrita, em certos casos, entre o uso e o fim a que se destina o bem;

c) Compartilhada - as pessoas públicas ou privadas, prestadoras de serviços públicos utilizam-se de bens ou espaços ao mesmo tempo, sem que uma exclua ou impeça o uso da outra.

Formas de utilização privativa:

I) autorização de uso de bem público; II) permissão de uso de bem público;

III) concessão de uso de bem público;

IV)

concessão de direito real de uso;

VI)

cessão de uso;

VI) formas de direito privado: a) enfiteuse; b) locação; c) arrendamento; d) comodato.

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