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Superior Tribunal de Justiça

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.294.145 - MG (2010/0056975-0)

RELATOR AGRAVANTE :

: MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA

ADVOGADO

:

:

:

COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL S/A GIOVANNA MORILLO VIGIL E OUTRO(S)

AGRAVADO

LEONARDO ALVES DINIZ

ADVOGADO

EDUARDO JOSÉ FERREIRA GOMES E OUTRO(S)

DECISÃO

Trata-se de agravo de instrumento interposto por COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL S/A contra decisão que inadmitiu recurso especial com base nos seguintes fundamentos:

a) não houve violação dos arts. 535 e 538 do CPC; e b) aplica-se ao
a) não houve violação dos arts. 535 e 538 do CPC; e
b) aplica-se ao caso a Súmula n. 83/STJ.
É
o relatório. Decido.
O
recurso especial foi interposto contra acórdão assim ementado:

Alega a agravante, em síntese, que foram atendidos os requisitos de admissibilidade do recurso especial, razão pela qual requer o seu processamento.

"DIREITO PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DE COBRANÇA - LEGITIMIDADE ATIVA - SEGURO FACULTATIVO - VEÍCULO - TRANSFERÊNCIA - APÓLICE - VEDAÇÃO - AUSÊNCIA - DIREITO DE INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - MEROS DISSABORES - IMPROCEDÊNCIA. - A legitimatio ad processum ativa para a ação de cobrança será daquele que se diz titular de um direito de crédito e, passiva, daquele apontado pelo autor como devedor. Se da análise da prova juntada aos autos se constatar que o réu nada deve, ou que sequer teve alguma relação jurídica com o autor, a questão se resolve pelo mérito. - Nos contratos de seguro, não havendo expressa vedação contratual concernente a transferência do veículo segurado, o direito à indenização transmite-se ao adquirente, nos termos do art. 785. - A ausência de comunicação ao segurador não invalida a transferência. Seu objetivo é garantir ao segurador o direito de recusa, que pode ser exercido somente com a prova do agravamento do risco, além se evitar o pagamento de boa-fé em favor do primitivo segurado. - Meros dissabores, aborrecimentos, contrariedades, não geram danos morais" (e-STJ, fl. 286).

Busca a parte demonstrar violação dos seguintes artigos:

a) 535, II, do CPC, uma vez que o acórdão dos embargos de declaração manteve-se

silente quanto à aplicabilidade do art. 785, § 1º, do CC; e

b) 785,

§

1º, do

CC,

visto que a seguradora não possui obrigação de pagar a

cobertura securitária a terceiros na hipótese de transferência de apólice sem seu conhecimento.

Aduz, por fim, divergência jurisprudencial.

Superior Tribunal de Justiça

Passo, pois, à análise das proposições mencionadas.

I - Art. 535, II, do CPC

Afasto a alegada ofensa ao art. 535 do CPC, porquanto a Corte de origem examinou e decidiu, de modo claro e objetivo, as questões que delimitaram a controvérsia, não tendo ocorrido nenhum vício que possa nulificar o acórdão.

O Tribunal de origem apreciou a questão relativa à aplicabilidade do art. 785, § 1º,

do CC neste termos:

II - Transferência da titularidade do veículo A propósito, confira-se o seguinte precedente: 1.
II - Transferência da titularidade do veículo
A propósito, confira-se o seguinte precedente:
1.

"Por não constar expressamente na apólice vedação quanto a transferência de titularidade do veículo segurado, a transmissão se opera de pleno direito, nos exatos termos do art. 785 do Código Civil, in verbis:" (e-STJ, fl. 291).

Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a transferência de titularidade do veículo segurado sem comunicação à seguradora, por si só, não a exime de cumprir o contrato celebrado, a não ser quando demonstrado o agravamento do risco.

"AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE SEGURO. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE DO BEM SEGURADO SEM PRÉVIA COMUNICAÇÃO À SEGURADORA. AUSÊNCIA DE AGRAVAMENTO

DO RISCO. PRECEDENTES DO STJ. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.

Conforme o entendimento desta Corte, o só fato de a transferência do bem

segurado não ter sido comunicada à seguradora não a exime de cumprir o contrato celebrado, senão quando demonstrado o agravamento do risco. Precedentes.

2. Da leitura das razões expendidas na petição de agravo regimental, não se

extrai argumentação relevante apta a afastar os fundamentos do julgado ora recorrido. Destarte, nada havendo a retificar na decisão agravada, deve esta ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. 3. Agravo regimental desprovido." (REsp n. 1.027.079/RJ, Quarta Turma, relator Ministro Fernando Gonçalves, DJ de 5/10/2009.)

Nesse sentido, cito ainda estes julgados: REsp n. 600.788/SP, Terceira Turma, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 30/10/2006; REsp n. 771.375/SP, Quarta Turma, relator Ministro Aldir Passarinho Junior, DJe de 22/6/2010.

Superior Tribunal de Justiça

Na espécie, o voto condutor do acórdão recorrido, com base no exame das cláusulas contratuais e das provas produzidas ao longo da demanda, constatou não só inexistir, na apólice de seguro, vedação concernente à transferência de veículo, mas também não ter ocorrido agravamento do risco em decorrência dessa transferência. Assim, inequívoco o entendimento consignado no julgado, na medida em que determinou que a seguradora pagasse a indenização securitária.

III - Conclusão

Ante o exposto, nego provimento ao agravo de instrumento. Publique-se. Brasília, 17 de novembro de
Ante o exposto, nego provimento ao agravo de instrumento.
Publique-se.
Brasília, 17 de novembro de 2010.
MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Relator