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L iderança

Excelente

MATURJDADE

Josadak L ima

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Equilíbrio Entre o Ser e o Fazer

EMOCIONAL

Emanuence Digital

Emanuence Digital

Liderança Excelente

]o sadak L ima

Equilíbrio Entre o Ser e o Fazer

Copyright©2009 por Josadak Lima. Todos os direitos em Língua Portuguesa reservados por:

A. D. SANTOS EDITORA

AL Júlia da Costa, 215 80410-070 - Curitiba - Paraná - Brasil

+55(41)3207-8585

Capa:

Igor Braga

Diagramação:

Manoel Menezes

Impressão e acabamento:

Gráfica Exklusiva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

LIMA, josadak

MATURIDADE EMOCIONAL -

derança Excelente/Josadak Lima - Curitiba: A.D. Santos Editora, 2009.

80 páginas.

ISBN-978.85.7459-195-7

Equilíbrio entre o ser e o fazer -

Série Li­

1. Liderança Cristã

2. Discipulado

CDD — 253-2

l â Edição: Outubro /2009: 2.000 exemplares.

Proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios a não ser em citações breves, com indicação da fonte.

Edição e Distribuição:

SANTOS

EDITORA

A presen tação

MATURIDADE EM OCIONAL - Equilíbrio Entre o Ser e o Fazer - foi elaborado visando o discipulado de líderes, no contexto da igreja local.

Quando falamos de discipulado, não estamos pensando em um curso de semanas ou meses para novos convertidos, e, sim, em uma pro­ funda formação da liderança da igreja para que se reproduzam nas vidas de outros, assim como Jesus fez no discipulado com os doze.

Esta é uma ferramenta para ajudar neste processo. Ela terá mais impacto se for utilizada como parte de um treinamento dos líderes em sua igreja, e não como uma matéria ou curso avulso.

Este terceiro livro da série “Liderança Excelente", reflete sobre a vida e ministério de Moisés, no livro de Números (capítulos 10 a 20), onde aprendemos que a maturidade não é uma posição a qual chegar, mas um processo, uma jornada para toda vida.

A partir de oito estudos práticos, você aprenderá a crescer em maturidade emocional, enfrentando os ventos contrários comuns no ofí­ cio da liderança cristã.

Além deste, outros três módulos da série, dão seqüência ao desen­ volvimento de outras áreas na vida de um líder: Excelência Vocacional, Atitude Pessoal e Legado Espiritual.

Que Deus nos abençoe e inspire nesta aventura, ajudando-nos a alcançar a excelência espiritual.

Josadak Lima

.

ÍNDICE

Introdução: Equilíbrio Entre o Ser e o Fazer

1

1. Maturidade para Prosseguir na Longa Jornada. Números 10.11-13, 33-36

7

2. Maturidade para Lidar com “Pessoas Difíceis”. Números 1 1 .1 -6

13

3. Maturidade para Lidar com Nossas Próprias Deficiências. Números 1 1 .1 0 -1 5

21

4. Maturidade para Compartilhar a liderança. Números 1 1 .1 6 -2 5

!

5. Maturidade para Lidar com o Sentimento de ser “Dispensável”. Números 11.26-30

29

37

6. Maturidade para Lidar com a Situação Quando se é “Mal Interpre­ tado”.

Números 1 2 .1 -1 0

45

7. Maturidade para Lidar com a Concorrência por Liderança. Números 16.1-7, 28-35 55

8. Maturidade para Completar a Carreira, sem Perder a Fé e o Equilíbrio.

Números 2 0 .1 -1 3

65

In tr o d u çã o

EQUILÍBRIO ENTRE O SER E O FAZER

Filipenses 3.12-20

Maturidade cristã não é uma posição na qual chegar, mas um pro­ cesso pelo qual passar. A busca da maturidade é como uma corrida, e o que importa é receber o prêmio que o espera no final do percurso estipu­ lado.

O termo “perfeito" (v. 12) utilizado por Paulo é para comunicar o conceito de “maturidade”. Ele faz o mesmo em várias passagens de suas epístolas. Portanto, vamos refletir sobre esta passagem, tendo, em vista o conceito de maturidade cristã, ao invés de perfeição, pois nem mesmo os cristãos mais sinceros (como Paulo) alcançaram tal perfeição em vida.

Paulo, nesta passagem, está combatendo um “perfeccionismo” (perfeição segundo o padrão humano) que tinha suas raízes num lega- lismo exacerbado, que se revela através de uma “espiritualidade” orgu­ lhosa, superficial e irrelevante, no tocante ao processo de maturidade cristã. É por isso que o apóstolo inicia o texto declarando que não é “per- feito". Paulo sabia que a completa piedade, em sua forma final, não será alcançada por ninguém aqui na terra.

O SUPREMO PROPÓSITO DE DEUS EM CRISTO

Segundo outras passagens bíblicas, como João 1.14 e 1 Pedro 2.21, o padrão divino ou referencial, para nos modelar é Jesus histórico, o modelo definido de Deus, com o qual Ele quer que nos identifiquemos.

Através da “encarnação”, Jesus se tornou a demonstração viva do padrão que Deus quer ver em nós. Esta é a razão porque Jesus é chamado de “o primogênito”, ou seja: o primeiro de uma série de “muitos irmãos”. Jesus é perfeito. Este é o nosso alvo!

Nesta mesma linha, o autor Jack Hayford1 afirmou que “o plano de Deus para a redenção da humanidade não se limita a salvar o homem do pecado e da morte; vai mais além. O propósito divino é restabelecer sua imagem em cada um de nós. É recriar em nós aquilo que está faltando para completar a formação de nosso ser, conforme o propósito do Cria­ d o r- que conheçamos a Deus e revelemos Sua Pessoa e Sua presença em nosso viver, pela Sua plenitude em nós”.

Deus quer que sejamos tal como Seu Filho Jesus. Mas isso não é possível sem que estejamos num processo contínuo de crescimento espi- ritual, “transformados, de glória em glória, na sua própria imagem” (2 Co 3.18). Isto não quer dizer que vamos chegar a ser como Deus, pois só Deus é completamente perfeito. Sua perfeição é moral e absoluta.

TENHA A MATURIDADE COMO ALVO

Todos nós somos definitivamente seres imperfeitos - “pelo fato de” vivermos num mundo imperfeito, rodeados de pessoas imperfeitas. Mas, por outro lado, o texto nos mostra que estamos em processo de cresci­ mento: “não que já tenha alcançado”.

Além de Paulo estar fazendo uma profunda auto-avaliação de seu atual estado de maturidade, ele está também olhando para o futuro na expectativa do conhecimento completo e final da pessoa de Jesus nesta perspectiva. Um processo que partiu de um ponto no passado (a conver­ são) , e que vai até outro ponto no futuro (“o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”). Então, os “perfeccionistas” de Filipos (e os de hoje também), que tinham uma tremenda dificuldade de aceitar o con­

ceito do estado do “ainda não vivido”, não estavam crescendo em matu­ ridade.

Para entender a maturidade como um processo, leia novamente os versículos de 12 a 14. Observe que estes versículos destacam três verbos principais: “prosseguir”, “esquecer” e “avançar ”, os quais mostram o quanto Paulo está sendo pessoal. Ele não está fazendo uma aplicação de natureza coletiva, focalizando a igreja local de Filipos, está falando de si mesmo.

Temos, aqui, o quadro de um corredor que coloca todo esforço em correr em busca de algo significativo. O fato é que Paulo não está satis­ feito com o que já alcançou. Ele quer mais, muito mais. O seu alvo é “o prêmio da soberana vocação de Deus”, ou seja: o próprio Cristo. Paulo

queria conhecer a Jesus, tal como um atleta almeja a conquista. Para isto, ele, esquece tudo mais. em funcão do crescimento espiritual, e concentra

a atenção na corrida, e fixa os olhos no

Qual é a grande motivação de Paulo aqui? É o fato de ele ter sido “alcançado por Cristo Jesus” (salvação). Paulo teve um encontro com

Jesus no caminho de Damasco (Atos 9). Agora, a sua prioridade de vida

é “jzonheczux Cristo”, apropriar-se Dele cada vez mais (v. 10).

O CRITÉRIO BÁSICO DO CRESCIMENTO EM MATURIDADE

Como já vimos, dos versículos 12 a 14, a Bíblia diz que Paulo não é totalmente maduro; e dos versículos 15 a 17, afirma que Paulo é maduro. Na primeira parte, Paulo tem consciência que ainda não chegou ao ponto desejado.

Ser maduro é estar no processo de maturação. Baseado nisso, ele está andando segundo a luz que já alcançou. Portanto, não se encontra mais no ponto de onde começou.

No versículo 16, o apóstolo esclarece que “ser maduro” é estar andando segundo a luz que já alcançamos. Mas é no versículo 15, que ele estabelece o critério básico para o crescimento em maturidade: “ver as coisas desta forma". Que critério é esse? Consiste numa visão clara de que a maturidade é um processo, atiLude-de disposição, dedicação sem trégua

em busca da maturidade.

O discípulo precisa ter sempre em mente o “sentimento” de que

ainda não chegamos onde desejamos, mas que também não estamos onde estávamos quando começamos. O que estou querendo dizer é que a maturidade acontece no decorrer da caminhada. Portanto, é indispensá­ vel prosseguir, esquecendo as coisas que ficaram para trás e avançar para as que estão à frente, e o necessário “também Deus vo-lo revelará’’. Nesta jornada, o estudo sistemático da.Palavra, a oracão. e a comunhão com os irmãos, são os elementos básicos que necessitamos para desenvolver uma

maturidade saudável.

ASSUMINDO A RESPONSABILIDADE DE SER MODELO PARA OUTROS

No versículo 17, a palavra “modelo” (grego “typos"), é como se fosse um carimbo. Isto significa que nesta jornada devemos imprimir ou carimbar a imagem de Cristo nos irmãos.

Para o líder cristão servir de modelo, é indispensável:

*►Ter recebido muito de Cristo para poder mostrar.

*►Receber mais e mais de Cristo para poder servir de exemplo a um número cada vez maior de discípulos.

O elemento chave do relacionamento de Jesus com Seus discípu­

los, foi a “imitação”, o exemplo vivo. Os discípulos aprenderam através

da imitação. O çui

A palavra “imitadores” está no singular, com referência a Paulo.

Mas, ele não estava só, no tocante a ser exemplo de vida cristã para os Filipenses. Havia alguns outros, como Timóteo e Epafrodito, líderes bem conhecidos da igreja de Filipos, que também eram referenciais de vida cristã para aquela comunidade. Mas, não há dúvida que, além desses,

havia muitos outros irmãos que faziam parte desse maravilhoso time.

O termo “observais” foi utilizado para indicar a ideia de “observar

para seguir". Portanto, a igreja local “não pode” ter uma figura pastoral

única como padrão (modelo) a ser seguido. É necessário muitos outros irmãos e irmãs piedosos, cujas vidas com Deus, sejam exemplos dignos de serem imitados.

O convite de Paulo aos Filipenses a imitá-lo, é um desafio à igreja

de hoje. Observando a vida de Paulo vemos que ele ensinava às igrejas mediante escritos e ensinos orais. Neste último tipo, ele dava um exem­ plo vivo, que era mais eficaz do que muitas palavras. Paulo estava com­ prometido pessoalmente com o desenvolvimento das pessoas que estavam sob sua responsabilidade pastoral.

Como seguidores de Cristo, devemos procurar ajudar as pessoas de nosso relacionamento a crescerem, de forma pessoal, em três áreas pri­ mordiais:

1.

Na sua identidade cristã, como parte da família de Deus.

2.

No seu caráter cristão, refletindo as virtudes cristãs.

3.

Na sua habilidade ministerial, equipando-os para servir.

O

grande problema na igreja de hoje é que, geralmente se invertem

estas prioridades. Quando alguém é batizado ou vem de outra igreja, ou ele fica de “molho” no banco ou o enchemos de tarefas até afogá-lo. Raras vezes, se desenvolve nesse novo membro um profundo sentido de família, uma amizade verdadeira. Aliás, viver como família, é a base para o novo membro crescer nas qualidades de caráter. Já o caráter cristão,

por sua vez, é a base para o desenvolvimento das habilidades ministeriais desse novo membro.

Às vezes, para nos safarmos da responsabilidade cristã de sermos exemplo para outros, damos uma desculpa esfarrapada dizendo:

“Não olhe para mim, não sou perfeito, Jesus é o nosso único modelo!” Mas não é isso que Paulo diz no versículo 17. Pelo contrário, ele foi inci­ sivo: “sede meus imitadores”. Ele se coloca como referencial para os Fili­ penses; mas quem era o referencial dele? Jesus! “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. (1 Co 11.1).

Meu irmão, se você já tem uma boa caminhada de fé, não está mais no ponto de onde começou, então você já pode muito bem ser modelo para aqueles que estão começando esta caminhada.

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A plicação

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1. Considerando os pontos abordados acima, destaque o que mais desafiou você nesta reflexão.

2. Como você poderia colocar isso em prática, durante os próximos dois meses de caminhada em seu grupo pequeno?

M atu rid ad e

1

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para

P ro ssegu ir

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Longa J o rn ada

11 No vigésimo dia do segundo mês do segundo ano, a nuvem se levantou de cima do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança. 12 Então os israelitas par­ tiram do deserto do Sinai e viajaram por etapas, até que a nuvem pousou no deserto de Parã. 13 Assim partiram pela primeira vez, conforme a ordem do SENHOR anunciada por Moisés. 33 Então eles partiram do monte do SENHOR e viajaram três dias. A arca da ali­ ança do SENHOR fo i à frente deles durante aqueles três dias para encontrar um lugar para descansarem. 34 A nuvem do SENHOR estava sobre eles de dia, sem­ pre que partiam de um acampamento. 35 Sempre que a arca partia, Moisés dizia: "Levanta-te, ó SENHOR! Sejam espalhados os teus inimigos e fujam de diante de ti os teus adversários". 35 Sempre que a arca parava, ele dizia:

"Volta, ó SENHOR, para os incontáveis milhares de Israel".

Números 10.11-13 e 33-36

Deus não deseja ver Sua Igreja parada, estacionada, sempre no mesmo lugar. O texto acima fala da mudança de acampamento do povo de Israel. O povo estava acampado neste local por quase um ano. De repente a nuvem se alçou, as trombetas soaram e o povo tinha que partir.

Esta seria uma partida singular. O cenário é dramático e vibrante:

bandeiras tremulando, arca do conserto, coluna de nuvem e de fogo, ordem das tribos e seus respectivos líderes, orações cerimoniais, etc. Nos versículos 33 a 36 estão as orações cerimoniais. Moisés fazia orações

matinais e vespertinas. Quando a arca partia, ele orava (v. 35). Quando a arcar pousava, ele orava (v. 36). A arca do conserto, que simbolizava a presença de Deus, fonte de toda a força e vigor, ia à frente da multidão. Quando a nuvem parava, a arca repousava, então estava indicado o novo local de acampamento.

Devemos exercitar nossa fé, para desfrutar de todos os legados de Cristo. Não seja negligente quando a nuvem se alçar de sobre o acampa­ mento. Seja diligente, entre pela porta estreita e persevere; ande no caminho estreito da vontade de Deus.

“Siga em frente. Não existe nada que possa substituir a perseve­ rança. O talento não a substitui, não há nada mais comum do que

os

homens com talento que fracassam. O gênio não a substitui.

O

gênio mal recompensado é quase proverbial. Os estudos tam­

pouco a substituem; o mundo está cheio de incompetentes com estudo. Somente a perseverança e a firmeza constituem o poder

que Vence tudo”. (Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos, de 1923a 1929).

PREPARANDO-SE

PARA A JORNADA

Agora, já são quase catorze meses desde a saída do povo de Israel do Egito (v. 11). E onze meses depois da chegada ao Sinai (Êxodo 19.1), onde o povo ficou e construiu o tabernáculo. Então, Deus decide levan­ tar a nuvem e o que deveria ser feito agora? Marchar! Então, todo povo se prepara para deixar o Sinai e seguir para Canaã, a Terra Prometida.

De repente o povo olha e vê aquela “massa nebulosa”, amoldada ou com forma definida, cobrindo o tabernáculo e se movendo, indicando assim, que eles deveriam deixar o lugar em que se encontravam acampa­ dos por quase um ano e onde tudo havia sido estabelecido, quanto à maneira de como seria o culto no futuro.

Eles empreenderam a marcha em direção ao que Deus indicava pela nuvem. O plano de Deus é de acordo com seus propósitos eternos.

Aqueles que se submetem à direção da Palavra e do Espírito Santo, cami­ nham por rumo certo, ainda que com muitas dificuldades. O segredo é não perder Deus como guia!

O que vemos aqui é o princípio da soberania divina. Esta soberania

revela-se na vontade livre de Deus de levantar e pousar a nuvem quando Ele deseja. O nosso papel no plano divino é o de reconhecer a soberania de Deus sobre todas as coisas e ser-lhe submisso, sem reservas: desarmar a nossa “tenda” e seguir rumo à direção que a nuvem está indicando. Mas as nossas responsabilidades não param por aí. Temos que começar e terminar nossas jornadas diárias com oração, assim como fez Moisés:

“Sempre que a arca partia, Moisés dizia: “Levanta-te, ó SENHOR! Sejam espalhados os teus inimigos e fujam de diante de ti os teus adversários”. Sempre que a arca parava, Moisés dizia: “Volta, ó SENHOR, para os incontáveis milhares de Israel”.

O Deus Criador e Senhor de todas as coisas, sabe o tempo certo de erguer a nuvem, e vai à frente do Seu povo para encontrar lugar de repouso na caminhada árdua. Ele se interessa pelo bem-estar de Seus filhos. Todas as Suas ações são pautadas na misericórdia, justiça e santi­ dade. Não se apavore com os “meios”, o “final” será feliz! Aleluia!

LIDERANDO

MUDANÇAS

A Bíblia é um compêndio de mudanças e realizações. De Gênesis a

Apocalipse vemos grandes Possibilidades de mudanças, até mesmo onde não há mais esperança. O melhor exemplo disto é a visão de Ezequiel do vale de ossos secos: os ossos estavam sequíssimos (Ez 3 7). A vida havia se esvaído muito tempo antes. Contudo, havia uma esperança; ainda havia uma possibilidade dinâmica de mudança.

Mudança requer tomada de decisões! De modo geral, mudança é sinônimo de estresse, sobrecarga, transformações, instabilidade. Nos momentos de mudança o líder deve ser aplicado, zeloso e rápido.

Moisés foi tudo isto: ele esforçou-se pela missão de levar o povo à terra prometida; empregou meios para alcançar este objetivo; e se empenhou na sua incumbência de liderar com destreza. Moisés era um homem de decisão! “Tomar decisões é uma das prerrogativas principais da lide­ rança. Na verdade, a capacidade de tomada de decisões mostra a dife­ rença entre o líder fraco e o bom líder, entre o bom líder e o líder notável. As decisões revelam valores e inteligências. Elas exigem obediência a Deus, dependência Dele e sabedoria. Tomar decisões afeta quase tudo o mais que os líderes fazem”.2

Qual deve ser atitude do líder frente à mudança e inovação?

Reismann3 dividiu as pessoas em

três tipos:

* * Orientadas pela tradição. Para estas, “o que foi feito ontem, será feito hoje e sempre”.

Orientadas pelos outros. Querem mudar e estão prontas para novas experiências desde que alguém vá à frente.

* * Dirigidas por seu interior (ou por Deus). São aquelas pessoas que olham para dentro de si em busca de direção.

Foi Deus quem redirecionou Moisés e o povo, mandando-os por novos caminhos; havia uma nova estrada a ser trilhada. A Palavra de Deus, em Eclesiastes 3, diz que há tempo certo para que todo propósito de Deus se cumpra na Terra. Os israelitas estavam vivendo um momento peculiar em sua história: A primeira mudança depois da construção do tabernáculo.

Toda mudança é dolorosa e custa caro! É muito difícil abandonar as raízes, especialmente religiosas. Qual foi a última vez que você mudou de casa? Quais foram às implicações? Algumas coisas, marcam tempos de mudanças: a principal é a “desordem” ou bagunça. Mesmo quando a mudança é esperada, gera expectativas; mas quando é inesperada, gera

2 BOA, Kenneth, O Líder Perfeito, São Paulo: Vida, 2007, p. 147

instabilidade e uma insegurança paralisante. Além disto, em tempos de mudanças, experimentamos perdas de coisas - materiais e emocionais.

O melhor em tudo isto é que Deus é quem está agindo. É sempre

difícil entender o agir de Deus, mas não há problema se não entendemos. No entanto, a pergunta é a seguinte: o que está acontecendo aponta a direção da ação de Deus sobre você? Veja se você está no centro da ativi­ dade de Deus! O primeiro passo é procurar discernir “onde” Ele está agindo e ajustar suas expectativas ao Seu agir. Cuidado com seus senti­ mentos. Deus tem um propósito para todas as coisas. Deus quer que cumpramos nosso papel dentro de Seu propósito divino. Como saber qual é o meu papel no Reino de Deus? Descobrindo e desenvolvendo seus dons espirituais.

Quando a nuvem se ergue sobre a nossa vida, há duas opções:

1) rebelar-se, ficando onde se está, 2) obedecer e depender de Deus na nova caminhada. Qual tem sido a sua atitude ultimamente? O versículo 12 diz que o povo saiu do Sinai para o deserto de Parã. Foi uma mudança radical; houve o “desmantelamento” do acampamento. Tudo deveria ser desmontado e organizado perfeitamente, pois lá na frente tudo seria novamente montado!

Moisés não foi negligente na hora de fazer a mudança que Deus exigiu e seguir rumo ao que Deus indicava! O senso íntimo de diligência de Moisés estava aguçado. Sua interação com Deus e o povo neste momento de mudança mostra a postura de um líder competente:

A primeira ação de Moisés foi o fator organização. Ele definiu

papéis e manteve uma estrutura leve e ágil, algo que fosse funcional, sem muita burocracia. Observe que as tribos saíram em grupos de quatro, numa demonstração de planejamento e ordem. Infelizmente, muitos hoje em dia têm conseguido complicar a simplicidade do Reino de Deus,

com estruturas pesadas que engessam, mais do que flexibilizam.

A segunda coisa que Moisés fez foi posicionar a Arca da Aliança à

frente do povo - sinônimo de dependência da presença divina. Aliás, a

orientação divina é indispensável na hora das mudanças. A arca da Ali- ança, o centro de expressão do padrão divino para os israelitas, ocupava um lugar de suma importância no consciente coletivo do povo escolhido.

A arca foi o centro do tabernáculo; ela ficava no Santo dos Santos - o

lugar mais sagrado do tabernáculo.

A terceira grande medida de Moisés foi integrar à equipe, um

estrategista chamado Hobabe, seu cunhado - alguém que conhecia bem o terreno (vv. 29-32).

O quarto ato de Moisés foi a prática da oração. Moisés orou antes,

durante e depois. É isto que significa orar incessantemente! A oração

para Moisés não era apenas um dever, mas uma aventura de fé.

Não espere ser transformado em instrumento notável nas mãos de Deus, como foi Moisés, sendo negligente e ocioso, especialmente

na oração. “A diligencia elimina a ociosidade. O estado negativo da oci­ osidade é combatido pelo estado positivo da diligência”4.

LÍDER, SEJA DILIGENTE

A diligência tem a ver com disposição e conduta, diante da corrida

que nos está proposta. Nosso desafio é saber lidar com os momentos de mudanças, reduzindo o estresse e superando as pressões da jornada.

Como isso é possível?

1. Saiba onde você quer chegar. Qual é o seu propósito de vida?

O que você quer alcançar?

2. Cadencie o ritmo da caminhada de acordo com suas priorida­

des. Faça uma coisa de cada vez, não supervalorize as novidades. Tenha

cuidado com as expectativas muito altas (românticas).

3. Estabeleça uma “zona de estabilidade” para seu coração (sua vida emocional). Sobretudo, proteja seu coração!

4. Defina bem quem são seus “Hobabes” (mentores). Esteja dis­ posto a pagar o “preço” que eles merecem. Enquanto você não tiver a visão clara de quem são seus “Hobabes”, não se aventure!

muita oração. Interceda pelo projeto e por sua vida, a

fim de que os inimigos de Deus sejam todos dissipados por Ele. “Para se colocar a caminho, você encontrará toda a força, provisão e exemplo em Deus, que nos serve continuamente com o sol, a água, o ar e os frutos”5.

5. Oração

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A plicação

1. Onde você quer chegar?

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2. Onde você precisa diminuir o ritmo?

3. Como está o seu coração, agora?

4. Quem são seus “Hobabes”, cooperadores?

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5. Quanto tempo você está reservando diariamente para interceder por isso: i?

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7 Aconteceu que o povo começou a queixar-se das suas dificuldades aos ouvidos do SENHOR. Quando ele os ouviu, a sua ira acendeu-se e fogo da parte do SENHOR queimou entre eles e consumiu algumas extremidades do acampa­ mento. 2 Então o povo clamou a Moisés, este orou ao Senhor, e o fogo extin- guiu-se. 3 Por isso aquele lugarfo i chamado Taberá, porque o fogo da parte do SENHOR queimou entre eles. 4 Um bando de estrangeiros que havia no meio deles encheu-se de gula, e até os próprios israelitas tornaram a queixar-se, e diziam: "Ah, se tivéssemos carne para comer! 5 Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. 6 Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!"

Números 11.1-6

No final do capítulo 10 o clima é de otimismo e bravura, mas no início do capítulo 11, somos surpreendidos por um grotesco espetáculo de discórdias, lamúria e muita confusão.

Liderar pessoas assim exige paixão e generosidade. É conduzir às experiências com Deus, na trilha do fortalecimento e amadurecimento espiritual. Neste contexto, temos que manifestar não apenas diligência, mas também “violência santa”, bravura, guerra. Para tal, é necessário:

Resolução da vontade: não importa o que venha acontecer, o discípulo de Jesus está decidido a possuir o Reino dos céus.

Esta convicção surge do poder de Cristo, não da engenhosidade humana.

*» V igor de desejos: a energia de uma alma faminta por Deus esti­ mula e impulsiona, com “violência santa”, o cristão, em direção a conquista do Reino de Deus.

* * Intensidade de esforços: é óbvio que necessitamos da ajuda de Deus, mas também exercemos as nossas forças para tomar posse do Reino (ver Fp 3.13-14).

Para tomarmos posse do Reino de Deus, devemos demonstrar, na prática da vida cristã diária, “violência santa”, em relação a nós mesmos (o ego), ao mundo corrupto e às astutas ciladas do diabo.

LIDERANDO

EM MEIOS AS DIFICULDADES

O versículo 1 descreve reclamações do povo numa perspectiva geral acerca de “desgraças/dificuldades”.6 Observe que o texto começa com a afirmação de que o povo estava passando por muitas “dificulda­ des". Jesus em Mateus 6.34 utilizou a palavra “mal" para indicar, do ponto de vista humano, “dificuldade”. Com isto, Jesus está nos ensi­ nando que a jornada cristã é algo árduo e custoso, que no caminho da fé há inúmeros obstáculos, estorvos, objeções, oposições e muitas outras complexidades.

Talvez, o fato do “fogo da parte do Senhor" haver queimado algumas extremidades (margens), mostra um forte indício de que o problema estava naquele local, especificamente. Normalmente, as “pessoas pro­ blemáticas” estão situadas e atuam nas regiões periféricas.

Mas o que chama atenção é que o fogo só se apagou com a súplica do líder.

Outra revelação que vemos neste texto, quanto ao povo, é que eles estão “encrencados” com Deus. Veja que quando Deus ouviu as queixas

deles, a Sua ira acendeu-se e fogo da parte do SENHOR queimou entre eles e consumiu algumas extremidades do acampamento. O papel do líder nesse incidente é fundamental: Moisés intercedeu. Moisés inter­ cede, e Deus cessa o fogo. Mas isto durou pouco, o povo se “encrencou” novamente com Deus. Os versículos 4 a 6, mostram que agora o quadro se alastra ainda mais.

A afirmação “perdemos o apetite" (v. 6) é extremamente forte.

O povo estava insatisfeito com o cardápio limitado; havia apenas um prato no cardápio: o maná. O que eles queriam era um cardápio mais variado como aquele do Egito. O contexto mostra que as queixas amar­ gas e generalizadas do povo contra o maná foi uma atitude de rejeição a Deus e Sua provisão. O povo está sem apetite espiritual.

O fato é que a vida natural, na carne, desse povo ainda está domi­ nando e separando-os de Deus. O véu ainda precisa ser rasgado para que eles tenham a revelação espiritual, e sejam levados ao encontro do Senhor. A pergunta é: como o líder deve cuidar desse tipo de gente? Ele não deve se concentrar nos problemas gerados pelo povo. Primeiro, ele deve identificá-las, para poder tratá-las pastoralmente, segundo suas necessidades (1 Ts 5.14).

Às vezes, as pessoas são “problemáticas” por falta de um ambiente

familiar restaurado através da assistência pessoal. Portanto, o líder não deve “abandonar” ou rejeitar ninguém sem, antes, admoestar com base nos princípios estabelecidos por Jesus, em Mateus 18.15-17.

UM

DIAGNOSTICO

SITUAÇÃO

MAIS PROFUNDO

DA

Nesta circunstância, o povo de Israel tinha alguma razão para quei- xar-se: estavam em dificuldades. Já havia três dias de jornada (Êxodo 10.33). Mas, para Deus, essa queixa era prova de rebeldia e increduli­ dade nacional: rebelião contra Sua provisão e plano. Somente no versí­

culo 4, é que temos uma visão mais ampla da raiz do problema. Havia um segmento denominado de “estrangeiros” ou “populacho" (como diz a ver­ são da Bíblia Atualizada), que significa “plebe”, “povinho”, “ralé”.

Em Exodo 12.38, Deus chamou este mesmo grupo, de “misto de gente”. Em qualquer situação, esse tipo de pessoas “aponta” para os não convertidos, o homem natural. A Bíblia divide nosso ser em homem interior e homem exterior (2 Co 4.16). As atitudes do “populacho” indi­ cam o quanto o povo estava “preso” única e exclusivamente às categorias do homem exterior: “carne”, “peixes”, “pepinos”, “melancias”, “cebolas” e “alhos”.

Para o líder cristão, esse “populacho” gera algumas implicações negativas. A gula começou com o populacho, mas depois espalhou por todo acampamento dos israelitas. Observe que Inicialmente as queixas dos versículos 1 a 3 são baseadas nas dificuldades circunstanciais da caminhada de três dias pelo deserto. Mas as queixas dos versículos 4 a 6, são diferentes, são mais pesadas, pois se trata de apostasia. A troca do maná por pepinos, cebola, etc. Isto é apostasia.

Á luz de tudo isto, não é difícil diagnosticar a condição espiritual do povo de Israel. A falta de apetite espiritual deles era sinal de alma seca. O maná ou “cereal do céu”, o alimento milagroso, havia se tornado uma refeição monótona para o povo, indicando que lhes faltava confi­ ança em Deus; bem como entendimento espiritual e visão divina. Ao invés de olharem para frente, eles anelavam nostalgicamente pelo Egito. Mergulharam na cultura da transferência (acomodação), e por fim, tornaram-se ingratos. Uma igreja mal agradecida se auto-destrói.

O líder cristão precisa se conscientizar de que sempre haverá, gente se queixando de algo; sempre vamos ter na igreja gente de cara amarrada, nariz torto ou balançando a cabeça em sinal de reprovação. Por outro lado, precisamos saber que, as queixas nunca facilitam as coi­ sas, simplesmente acrescentam problemas e “dores de cabeça” para o líder.

Qual é a missão do líder? Agir com coração pastoral, ser longâ- nimo, mas confrontando o “populacho” com amor, sem descer ao nível deles. E mais: interceder em favor deles, para que nenhum pereça.

Lembre-se: foi melhor para Moisés tratar com as pessoas problemá­ ticas depois do “fogo”.

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w

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------------------ ---

A plicação

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.

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P essoal

1. Há um tipo específico de “pessoas difíceis” que para você é mais difícil lidar? Qual? Por quê?

2. No momento, você está tendo que enfrentar algum tipo de “pessoas difíceis”? Como você está lidando com a situação?

3. Você está sendo uma dessas “pessoas” para alguém?

H

M

S i

M atu rid ad e P róprias

para

L idar

com

D eficiências

a s

10 Moisés ouviu gente de todas as fam ílias se queixando, cada uma à entrada de sua tenda. Então acendeu-se a ira do SENHOR, e isso pareceu mal a Moisés. 11 E ele perguntou ao SENHOR: "Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a respon­ sabilidade de todo esse povo ? 12 Por acaso fu i eu quem o concebeu ? Fui eu quem o deu à luz? Por que me pedes para carregá-lo nos braços, como uma ama car­ rega um recém-nascido, para levá-lo à terra que prometeste sob juramento aos seus antepassados?13 Onde conseguirei carne para todo esse povo? Eles ficam se queixando contra mim, dizendo: 'Dê-nos carne para c o m e r!'14 Não posso levar todo esse povo sozinho; essa responsabilidade é grande demais para mim. 15 Se é assim que vais me tratar, mata-me agora mesmo; se te agradas de mim,

não me deixes ver a minha própria ruína".

Números 11.10-15

O texto acima descreve um povo queixoso e um líder intercessor. O fardo chegou a um ponto de ser muito pesado para Moisés. Neste momento a queixa do povo “assumiu as proporções de uma ‘demonstra­ ção’ organizada com um padrão unificado de queixa por todo acampa­ mento. Todo homem chorou à porta de sua tenda (v. 10), para que fosse ouvido e todos vissem que ele estava a favor do protesto”.7

7 BOIS Lauriston J, Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

344

“Murmuração é contagiosa. Moisés rebaixou-se ao nível de sua congregação, adotando sua forma de pensar”.8 No incidente da lição anterior vimos Moisés intercedendo pelo povo, mas agora ele ficou abor­ recido e descontente com as demandas do povo.

Moisés expressou em oração, todo o seu aborrecimento e deses­ pero a Deus. Todo líder é de carne e osso. Como tal, ele é um ser bastante complexo. Assim sendo, nenhum líder está imune às enfermidades da alma, inclusive às emocionais. Portanto, como diz John Maxwell, como líder, a primeira pessoa a quem eu devo liderar é a mim mesmo. Se eu não seguir a mim mesmo, por que qualquer outra pessoa deveria fazê-lo? Por­ tanto, não tente mudar as pessoas para o que você quer, sem antes mudar a si mesmo. Nossa primeira preocupação como líder, não deveria ser saber para onde estou indo, mas quem realmente estou me tornando.

Em Êxodo 18, o conselho de Jetro foi de grande ajuda para Moisés, mas agora, um ano depois, a situação agrava-se; Moisés não conseguiu superar seus problemas de sobrecarga. A sobrecarga ministerial é uma realidade para a maioria dos líderes hoje. Espera-se que eles sejam bons pregadores, conselheiros e administradores; e ainda que tenham habili­ dade de publicidade e relações humanas. No geral, as pessoas o procuram para receber e não para dar. Então, não se deve estranhar que seus recur­ sos emocionais venham a se exaurir rapidamente, a ponto de chegar ao fundo do poço, como foi o Caso de Moisés, na passagem acima.

Pesquisas revelam que existe um fator comum à maioria dos líderes de sucesso: todos trabalham arduamente. Moisés estava neste time! Ele estava vivendo no limite! O problema agravou-se quando ele passou a ouvir as queixas de todas as famílias do acampamento, à entrada de sua tenda. Então, por conta disto, se acendeu a ira do SENHOR! Contra quem? Não se assuste, mas foi contra Moisés. É por isto que a Bíblia diz:

“isso pareceu mal a Moisés’’.

No contexto anterior vimos que é o povo que estava encrencado com Deus. No entanto, agora é o líder Moisés que se encrenca, ao dei- xar-se envolver com as reclamações deles (v. 10). Por outro lado, “há uma diferença básica entre a queixa de Moisés e a do povo. Moisés quei­ xou-se a Deus. O povo queixou-se de Deus. Ao apresentar diretamente ao Senhor seus sentimentos, Moises honrou a Deus e demonstrou pro­ funda confiança Nele”.9

Ao perceber que a ira de Deus se acendeu contra ele, Moisés reage. E sua reação nos revela coisas até agora escondidas em seu coração. Moisés expressa sentimentos profundos de sua alma insatisfeita. A impres­ são é de que Moisés foi colocando tudo para fora - seus vales secos e ári­ dos; vales de dores e lágrimas; sem contudo discernir o que estava fazendo. Ele percorre os “caminhos” angustiantes do cansaço psicológico e da solidão; vasculha a fundo seu cotidiano existencial e comportamen- tal. Ao ponto da sua ansiedade pela “morte” ser maior do que pela vida.

O

texto em foco revela outra história - a história do coração de

Moisés:

LIDANDO

COM

COM

DEUS

O SEN TIM ENTO

DE DECEPÇÃO

Um forte sentimento de abandono de Deus envolve a alma de Moisés. Ele passa a se enxergar num deserto e sozinho, sentindo-se não abençoado. Ele chegou a sugerir que Deus o afligira por não ter achado graça aos seus olhos. Sentia que Deus colocara o fardo de toda essa gente sobre ele. Nos versículos 11 e 12, Moisés faz algumas perguntas cruciais a Deus que eu e você sempre queremos fazer, mas não temos ousadia para tanto:

•>

“Por que o Senhor me faz sofrer e não me ajuda”?

•>

“Por que o Senhor me tem dado essa carga tão pesada de conduzir esse povo”?

•+ “Por acaso são eles meus filhos? Por acaso sou pai deles"?

*►“Por acaso tenho que carregar o povo no colo até a Terra Prometida, tal como uma enfermeira faz com a criancinha recém-nascida para levá-la até a mãe"?

Alguns entendem essas perguntas de Moisés como uma confissão sincera, mas o que elas expressam, vai além disto. Entendo que estas per­ guntas são desabafos de decepção e revolta. Moisés se tornou um questio- nador, querendo explicações para tudo. As perguntas mostram um homem vasculhando os recônditos de sua alma, as angústias mais vela­ das, e expondo para Deus seu coração cheio de inquietações e dúvidas.

Eu não tenho um temperamento fleumático como o de Moisés, mas de vez enquanto me sinto como ele: vacilante entre o desejo de fazer e de não fazer alguma coisa; distante e gélido; espectador da vida sem me envolver; disfarçando a minha obstinação e medos com o humor.

Um sentimento que tenho a respeito da crise de Moisés, é que ele está sendo levado a pensar que perdeu sua identificação com o seu momento histórico; perdeu o foco de sua vocação e, por isso, quer desis­ tir de tudo. Percebe-se em suas palavras algo, como uma panela de pres­ são, revolvendo-se dentro dele, com um calor terrível e pronto para explodir.

De perguntas a perguntas Moisés foi caindo num pantanal de ques­ tionamentos, imerso numa profunda angústia e monotonia. São aqueles momentos onde você quer dar um basta em tudo, mas não consegue.

O acúmulo de coisas, quando vem a gosta d’água, estoura.

LIDANDO COM O O SENTIM ENTO INADEQUAÇÃO

DE

No versículo 13, vemos que as tensões de Moisés aumentaram. Ele explode num desabafo que, pelo que me consta, não havia feito algo parecido até o momento. Sua oração neste ponto revela uma mistura de dependência e importância.

A maioria das pessoas que ocupam posições de liderança na igreja,

compõe-se de líderes intermediários, aqueles que agem como líderes e como servos. Ou seja: são liderados por outros líderes e tem que prover liderança para outros grupos. Esta situação cria uma pressão dupla: como líderes estão sujeitos aos sentimentos de inadequação, como servos tem que prestar contas do que são e do que fazem.

A Bíblia diz que muito se exige daqueles a quem muito se dá, pois

sua responsabilidade é maior (Lc 12.48). Isto significa que quanto maior for as responsabilidades, maiores serão as preocupações e privações. O princípio é claro: todo crescimento gera desafios e produz mais neces­ sidades. Quanto mais você se dedicar, quanto mais você se expandir, mais pesado o fardo se torna e o estresse aumenta.

LIDANDO COM

O SEN TIM ENTO

DE SOLIDÃO

Agora, Moisés entra no abismo da solidão. No versículo 14, Moisés

”. Moisés se sente

só. Já imaginou a pesada responsabilidade que estava sobre seus ombros? Já imaginou o que deve ter passado pela mente de Moisés, nesse momento, quando falava a Deus que se sentia só? Realmente, tudo que Moisés podia fazer para desabafar suas frustrações para com Deus, certa­ mente ele fez. Os bons líderes sentem-se mais solitários que qualquer outra classe de pessoas.

declara a Deus: “Nãoposso levar todo esse povo sozinho

Moisés, sentindo-se sozinho? Cadê os líderes de 1.000, de 100, de 50 e de 10, selecionados em Êxodo 18.24-25? Estes homens não foram selecionados para resolver os casos simples, pois os casos graves eram levados a Moisés, para que ele decidisse? Certamente, eles estavam cum­ prindo com sua parte, mas a parte que coube a Moisés estava lhe matando.

O processo no qual Moisés está mergulhado torna-se mais crucial

quando ele assume um sentimento de solidão. Este sentimento torna-se uma verdadeira bola de neve, que vai incluindo outras coisas e crescendo até tomar proporções incontroláveis, chegando ao desgaste ministerial, evidenciado pela apatia em relação a obra de Deus e atitudes pessimista.

O quadro de Moisés é muito mais grave do que se pode imaginar.

Ele está tomado por um sentimento de abandono, transformando-o em um individuo pessimista em relação à vida, de auto-reprovação e culpa. Talvez um dos piores sentimentos que um líder possa experimentar é do abandono. Na seqüência do texto, podemos verificar que Moisés estava envolto por uma angustiante sensação de que estava vivendo um “fune­ ral” psicológico sem trégua. Ele estava com medo, a ponto de, a qualquer momento sofrer um ataque cardíaco. Seu desânimo é profundo, as suas forças estão se esvaindo; ele se sente desamparado por Aquele que deve­ ria ampará-lo.

LIDANDO COM

O SENTIM ENTO

DECORRENTE

DA ESTAFA

O versículo 15 revela o fundo do poço em que Moisés chegou.

Temos que ler este versículo com temor e tremor: “Se é assim que vais me tratar, mata-me agora mesmo; se te agradas de mim, não me deixes ver a minha própria ruína’’. Quem suporta tal exaustão?

Não importa a sublimidade da missão e a espiritualidade do líder. Para tudo há um limite. Moisés estava estafado. Estafa é decorrente de

uma pressão física, emocional e espiritual, repetida e constante. Os sin­ tomas emocionais e espirituais mais comuns de estafa, estão presentes no desabafo de Moisés, desde o versículo 11: sensação de perigo iminente; medo, especialmente de fracassar; irritabilidade ou perda do domínio próprio; perda da motivação e do otimismo, perda da auto-estima; res­ sentimento para com Deus; dúvidas quanto ao caráter de Deus; senti­ mento de culpa falsa; sensação de estar em um deserto - aridez espiritual; etc.

Este quadro gerou em Moisés uma perspectiva de que sua vida não tinha mais sentido para ser vivida. Quando alguém chega a esse ponto, torna-se negativo e pessimista, de tal maneira que suas esperanças e expectativas futuras se tornam utópicas e falidas. A pessoa entra num verdadeiro ostracismo, se “encaramuja” e começa a se enxergar como um caso perdido, sem saída. Sua alma é pura inquietação, profunda­ mente afligida e desassossegada.

A depressão nos torna impotentes até mesmo em relação às coisas óbvias.

“Quando afirmamos que o sofrimento e a morte podem ser reden­ tores, não estamos afirmando que não são odiosos ou excruciantes; não estamos afirmando que os sofredores não experimentam a ago­ nia. Não! Estamos expressando nossa fé em que Deus não permi­ tirá que o sofrimento fique sem um propósito, mas, com nossa permissão, fará com que seja o solo do qual brotarão coisas como compaixão, simpatia, coragem e serviço”.10

A plicação

P essoal

1. Sabemos, através da Bíblia e da história, que muitos dos chamados “gigantes espirituais”, como Abraão, Paulo, Spurgeon e Wesley, sofreram doenças graves e até depressão. Como justificar a mescla de provações e bênçãos de Deus em suas vidas?

2. Com qual dos sentimentos expressos na vida de Moisés, você está lidando no momento?

-

.

(

) b) Sentimento de decepção com Deus.

(

)

a) Sentimento

de

inadequação.

(

)

c) Sentimento

de

solidão.

(

) d) Sentimentos decorrentes da estafa.

3. Qual é seu sentimento depois de refletir sobre a experiência de Moi­ sés?

M atu rid ad e

C o m pa rtilh a r

a

p a ra

L ideran ça

16 E o SENHOR disse a Moisés: "Reúna setenta autoridades de Israel, que \/ocê

sabe que são líderes e supervisores entre o povo. Leve-os à Tenda do Encontro,

17 Eu descerei e falarei com você; e tirarei do Espí­

rito que está sobre você e o porei sobre eles. Eles o ajudarão na árdua responsabi­

lidade de conduzir o povo, de modo que você não tenha que assumir tudo sozinho.

18 "Diga ao povo: Consagrem-se para amanhã, pois vocês comerão carne.

O SENHOR os ouviu quando se queixaram a ele, dizendo: 'Ah, se tivéssemos carne

para comer! Estávamos melhor no Egito!' Agora o SENHOR lhes dará carne, e

para que estejam ali com você.

voces a comerão.

ou dez ou vinte, 20 mas um mês inteiro, até que lhes saia carne pelo nariz e vocês

tenham nojo dela, porque rejeitaram o SENHOR, que está no meio de vocês, e se

queixaram a ele, dizendo: 'Por que saímos do Egito?" 21 Disse, porém, Moi­

sés:"Aqui estou eu no meio de seiscentos mil homens em pé, e dizes: 'Darei a eles

19

*

Voces não comerão carne apenas um dia, ou dois, ou cinco,

carne para comerem durante um mês inteiro!' Será que haveria o suficiente

para eles se todos os rebanhos fossem abatidos? Será que haveria o suficiente

23 O SENHOR respondeu

ffMoisés: "Estará limitado o poder do SENHOR? Agora você verá se a minha pala-

24 Então Moises saiu e contou ao povo o que o SENHOR

tinha dito. Reuniu setenta autoridades dentre eles e as dispôs ao redor da Tenda.

vra se cumprira ou não .

para eles se todos os peixes do marfossem apanhados?"

22

25 O SENHOR desceu na nuvem e lhe falou, e tirou do Espírito que estava sobre

Moisés e o pôs sobre as setenta autoridades. Quando o Espírito veio sobre elas,

profetizaram, mas depois nunca mais tornaram a fazê-lo.

Deus solucionou o problema de sobrecarga de Moisés exposto na lição anterior. “O problema mereceu solução um pouco diferente daquela apresentada por Jetro. O coração ferido do líder é tratado pelo próprio Deus. Ele sabe que agora Moisés precisa, mais do que nunca, ser cercado por gente cheia do Espírito. Não é disto que necessitamos tantas vezes? Gente ao nosso redor, capaz de orar, de interceder, de oferecer um ombro amigo e compreensivo, um conselho sábio, vindo do próprio Espí-

rito?”11

Alguém pode ajudar um líder, mas não substituí-lo! O versículo 16 diz que Deus ordenou que Moisés selecionasse setenta homens para repartir com eles a sua liderança. O próprio Deus derramaria sobre aque­ las novas lideranças o “Espírito” que pusera sobre Moisés. Isto mostra que nenhum líder é indispensável, mas o Espírito Santo, sim.

Engana-se quem pensa que exercer a liderança no Reino de Deus, de forma séria, é uma tarefa simples. Liderar implica em responsabili­ dade, cansaço físico, doação de tempo e a imprescindível doação de si mesmo. Significa “ver as coisas da perspectiva de Deus e permitir que Ele nos mostre a verdade, significa encontrar a luz no que parece ser uma situação tenebrosa”12.

Todos esperam que o líder seja perfeito em tudo que é ou faz. As pressões vêm de todos os lados. As pressões externas, por exemplo, provocam um alto nível de cobrança interna, gerando ansiedade e inse­ gurança no líder. Na maioria dos casos, o “desdobramento” desses pro­ blemas gera enfermidades da alma: medo, angústia e até depressão.

Na lição anterior vimos o diagnóstico de um Moisés estafado, e o seu pedido desesperado para Deus matá-lo. Ele chegou a ponto de perder a esperança da própria vida, tal como Paulo na Ásia (2 Co 1.8). De fato, Moisés estava exausto, desanimado e profundamente depressivo. O caso

11 ELIAS, Maria José Almeida, Propostas Bíblicas para Liderança Cristã. Rio de Janeiro: CPAD

1999, p. 25

parecia sem solução. Mas Deus interviu com graça. “A exagerada tirada de Moisés não foi respondida na mesma moeda, com outra tirada e com repre­

ensão. Antes Yahweh fez o que Moisés queria que Ele fizesse; e levou Moisés a delegar autoridade, aliviando-o do excesso de trabalho; e deu ao bebê chorão

(Israel) o que ele queria: um generoso suprimento de carne

”13.

O nome para tudo isso é GRAÇA! A solução de Deus para restau­

rar Moisés da sua depressão, e o povo de sua incredulidade chama-se

GRAÇA. Deus mostra a eles “gestos da graça”. Deus não lhes exige nada. A graça é de graça.

GRAÇA

PARA DELEGAR

Neste texto Deus trata de duas coisas: com o líder do povo - Moi­ sés; e com o povo. Tanto o líder quanto o povo estavam carentes da graça divina. Eles não poderiam sobreviver sem experimentar a mila­ grosa ação da graça de Deus.

“Não é sábio fazer de si mesmo o responsável por todas as tarefas, tentando solucionar todos os problemas que surgem entre os lide­ rados. Com todos os riscos a que estamos sujeitos, devemos pôr em prática esse conselho: repartir tarefas”.14

O primeiro a experimentar a graça de Deus foi o líder Moisés; e o

primeiro ponto marcante da manifestação da graça em sua vida é que ele não demonstrou ciúme quando Deus tirou “do Espírito que está sobre ti”, e deu poder a outros líderes da congregação (v. 17). O caso de Moisés era muito complicado. O próprio Deus disse que a responsabilidade de conduzir o povo era muito “árdua”. Na liderança, a situação se complica quando nossas atividades estão desassociadas da graça, quando são regi­ das apenas por regras e obrigações.

13 CHAMPLIN, N. Russell; O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000

Deus atendeu as expectativas de Moisés do modo mais simples possível. Suas incumbências seriam divididas entre setenta homens capazes, de boa reputação e conselheiros pastorais. Não houve, entre­ tanto, em nenhum momento, juízo de Deus contra Moisés, devido seu pedido para morrer (v. 15). Deus não permitiu que Moisés morresse, nem tirou dele a posição de liderança. Ele só tinha que delegar responsa­ bilidade. Por que muitos hesitam em delegar? P.K.D. Lee, indica as seguintes razões:

Eles acham que podem fazer o trabalho melhor.

Falta de assistentes competentes.

•+ Insegurança e falta de confiança.

Pare e pense um pouco: setenta homens para aliviar a carga de Moisés! Este homem estava muito atarefado, não é mesmo? Quais as implicações de uma sobrecarga? Certamente que é ativismo e estresse. “Pode ser que este grupo fosse formado pelos setenta anciãos que subi­ ram a montanha com Moisés (Êxodo 24.9-10).”15

A Bíblia diz que o Espírito Santo viria com poder para capacitar

esses homens, a fim de que pudessem partilhar da pesada responsabili­ dade que estava sobre Moisés. O apoio sistemático que eles trariam ao ministério de Moisés era de cunho espiritual, não administrativo, era uma mistura de experiência e unção. Por exemplo, o ato deles profetiza­ rem revela que o serviço era de ordem sobrenatural (v. 25). Nos tempos bíblicos a profecia pública era um indicativo de aprovação ministerial.

Delegar poder. Esta era a tarefa de Moisés agora, que significava oferecer oportunidade para outros assumirem responsabilidades e auxilia­ rem na promoção do bom funcionamento do povo. O ato de delegar mexe com o coração e com a auto-estima, pois, ao delegarmos, partilha­ mos nossa autoridade. Portanto, a segurança do líder, quanto aquilo que detém, é o ponto preponderante para delegar poderes.

15 BOIS Lauriston J, Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

345

Concordo com o historiador Britânico, Arnold Toynbee, quando divide os dirigentes em dois tipos: aqueles que dominam e aqueles que são criativos. A maioria dominante é formada por pseudolíderes que dominam a situação, mas não trazem melhorias para a nação. A motiva­ ção é a autopreservação e a continuação do domínio. A minoria criativa é formada por aqueles que têm ideias - uma visão. Enquanto o primeiro usa o poder para se manter, o último usa o poder para trazer melhorias à sociedade.

Lembre-se do que diz o versículo 16, Moisés tinha que sair à caça desses homens. Ele tinha que selecionar e se comprometer com esses homens. Isto foi, sem dúvida, um grande teste para sua liderança. Segundo o escritor Lyle Schaller, os líderes tendem a permanecer muito tempo num cargo ou nunca o tempo suficiente. Muitos líderes que per­ manecem muito tempo no cargo causam mais prejuízo do que aqueles que não permanecem o tempo suficiente.

“No momento em que você divide o poder, corre o risco de que o grupo veja essa atitude de maneira diferente da sua. E você tem que estar preparado para o caso disso acontecer. Então, para mim,

porque vai

chegar o tempo em que eles não vão concordar comigo e com a

como líder, não foi sem certo temor que entrei nessa

direção que precisamos ir

vulnerabilidade nessa circunstância”.16

Então eu vou admitir para vocês minha

Na verdade, o líder não tem que mandar nas pessoas, mas apenas mostrar-lhes o caminho mais excelente. O verdadeiro líder não é neces­ sariamente aquele que vai à frente, mas aquele que serve de exemplo.

SURPREENDIDO

PELA GRAÇA

Depois de trazer solução para o problema de sobrecarga de Moisés, Deus se volta para o povo, para solucionar também seu problema de falta

de carne. Deus encoraja o povo a se preparar para receberem Suas mise­ ricórdias (vv. 18-23).

“E dito ao povo que se santifique. Este serviço é, basicamente, um

aviso para que se preparem. Estes preparativos podiam ser para o mal, como também para o bem. Haviam de receber carne no dia seguinte. O povo era cético, pois estava muito longe de qualquer via de suprimentos. Além disto, já tinha peregrinado por tanto tempo, e não conseguira carne alguma. Assim reiterou o dito que já quase se tornara em chavão, bem nos ia no Egito. Não julgava assim quando cativo no Egito. Porém, a fraqueza humana faz com que alguém com uma tendência para ter pena de si olhe para o capim verde do outro lado da cerca”.17

As Escrituras dizem que Deus garantiu que iria atender o clamor do povo, esta seria uma provisão de Sua graça. O povo viveria uma expe­ riência inédita. Eles teriam à disposição tanta carne para comer que aca­ bariam adoecendo. Todo excesso adoece! O fato é que esse povo não tinha fé em Deus. Como diz Joseph Stowwell, fé é a capacidade de con­ fiar visível e destemidamente em que Deus guarda Sua Palavra e cumpre Sua vontade por meio de nossa vida, a despeito de incerteza, dor ou pra­ zer que experimentamos no processo. É a capacidade de tornar real em nossa reação à vida o fato de que ele lidará com os nossos inimigos; suprirá nossas necessidades; sempre realizará seu projeto; de que sua Palavra não retornará vazia

Moisés não escondeu sua dificuldade em entender que Deus traria um suprimento de carne para tanta gente. Ele até chegou a “lembrar” ao Senhor que, era tanta gente que, só os homens de guerra eram seiscentos mil. Mas Deus lhe repreendeu, declarando que nada há de impossível para Seu poder (vv. 21-23).

O contexto revela que o ambiente estava propício para aplicação

da lei, das regras: o povo havia insultado a Deus com suas queixas e cho­

ros e o líder queria morrer. A atmosfera impossibilitava a visualização de qualquer gesto da misericórdia divina. Qual foi, então, a resposta de Deus? Sua graça restauradora! Não há nada mais libertador num momento desses do que contemplar o extraordinário ato providencial da graça de Deus. Somente a graça anula as relações de causa e efeito.

O maravilhoso “gesto da graça” de Deus está revelado no versículo

31, que diz que um vento soprou da parte do Senhor e trouxe uma imensa revoada de codornizes, que encheram a terra na distância de alguns quilômetros. Foi tanta fartura de carne, que o povo colheu codor­ nizes da manhã até à tarde, entrando pela noite, e no dia seguinte. Quem apanhou pouco, chegou ao equivalente a 3.600 quilos.

Mas o povo ainda não sabia lidar com a bênção da graça. Logo, surge a ganância, gula - as doenças da alma! A graça é vista em ação, mas não é vivida integralmente. O milagre da graça se “converteu”, pelas neuroses do povo, em objeto de culto a si mesmo. Ora, foi devido ao espí­ rito materialista que Deus se indignou com o povo e mandou uma praga, que matou muitos deles (v. 33). Por que Deus fez isso? Porque o povo adotou uma atitude de incredulidade. Ao apanhar tanta carne estavam, assim, admitindo que quem mandou a fartura, não poderia mandar outra.

A cura para o nosso “mal” da alma só acontece completamente

quando somos capazes de enxergar, pelas lentes da misericórdia de Deus, quão ridículos são os nossos caprichos e desejos; e quão doentio é o nosso legalismo que impede de receber a graça livremente. Para a alma legalista a graça de Deus gera vertigem - tonteira - impressão que tudo gira em torno de si mesmo, ou que ele próprio gira.

O que nos “mata” não é o Senhor, mas as nossas concupiscências,

desejos e caprichos pessoais. O que nos destrói não é a graça, mas nossa imaturidade em lidar com ela.

A plicação

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1. Segundo o que estudamos nesta lição, você sente que existe algo em seu íntimo que lhe “prende” e lhe “afasta” de experimentar a graça? U que/

4

2. Quando você pensa sobre o aceitar a liberdade oferecida pela graça, o que lhe parece mais perturbador?

(

) a) Que Deus me peça álgo que não posso fazer.

(

) b) Que Ele exija que desista de algo que eu gostaria de manter.

(

) c) Que eu faça tudo que Ele quer, mas depois me desaponte.

(

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d)

O utro:

Ma tu rid a d e para L idar com

o

S en tim en to

de

S er

"D ispen sá v el "

26 Entretanto, dois homens, chamados Eldade e Medade, tinham ficado no

acampamento. Ambos estavam na lista das autoridades, mas não tinham ido

para a Tenda. O Espírito também veio sobre eles, e profetizaram no acampa-

mento.

profetizando no acampamento".

29 Mas Moi­

sés respondeu: "Você está com ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do

SENHOR fosse profeta e que o SENHOR pusesse o seu Espírito sobre eles!" 30

Então Moisés e as autoridades de Israel voltaram para o acampamento.

auxiliar de Moisés, interferiu e disse: "Moisés, meu senhor, proiba-osl"

28 Josué, filho de Num, que desde jovem era

27 Então, certo jovem correu e contou a Moisés: "Eldade e Medade estão

Números 11.26-30

Na lição anterior, vimos que Deus nomeou setenta anciãos para aju­ dar Moisés a carregar a carga da liderança espiritual do povo. O Espírito de Deus desceu sobre esses homens, os quais profetizavam, talvez para exor­ tar o povo a ter mais fé e a obedecer, pois a profecia é um dom do Espírito que exerce um importante papel em tempos de apostasia e fracasso.

Depois que os setentas anciãos cessaram de profetizar, Eldade e Medade (líderes que faziam parte do grupo seleto dos setenta), começa­ ram a profetizar, fora do arraial - numa condição não oficial. Ou seja, “o Senhor os visitou com uma capacitação do Seu Espírito Santo, o mesmo Espírito que repousava em Moisés”.18

O

COM PLEXO

DE JOSUÉ

versículo 27 afirma que certo jovem, correu para avisar Moisés

do ocorrido, dizendo:

E o versículo 28 diz que, diante disto, Josué ficou contrariado pelo fato

de outros líderes estarem sendo usados por Deus. Então, ele recomendou que Eldade e Medade fossem proibidos de profetizarem. Será que Josué não sabia que a operação do Espírito de Deus não está condicionada a um grupo ou nível de liderança?

Como líder auxiliar Josué não deveria ficar com ciúmes. Esta ati­

tude de Josué foi infeliz. Apenas revelou sua insegurança e imaturidade espiritual. “O líder experiente está ansioso por ver outros desenvolverem

e usarem seus dons espirituais, e não está receoso em perder sua posi­

ção”.19Todo líder que serve na igreja precisa entender que os que servem

a Deus, são chamados da mesma maneira, nem todos vão sob a mesma bandeira (Lucas 9.49-50).

O

Eldade

e Medade estão profetizando

(v. 27).

“É surpreendente o quanto se pode fazer quando não se dá atenção

a quem obtém o crédito”. (Abraão Lincoln)

Além de demonstrar insegurança e imaturidade, Josué revelou tam­ bém um espírito legalista. O excesso de zelo deixa a pessoa cega. Ao ouvir o jovem contando o fato a Moisés, Josué se sentiu ofendido. Ele deve ter pensado: o que está acontecendo lá no arraial é uma mani­ festação não-autorizada, portanto, é ilegal.

Josué era auxiliar direto de Moisés, o homem que mais tarde seria escolhido como sucessor de Moisés para levar o povo à terra Prometida. No versículo 28 Josué foi enfático: “Moisés, meu senhor, proíba-os”. Sua atitude foi sincera, mas errada! Josué estava sendo, regido por um esquema de regras que o aprisionou. Este tipo de rigidez é difícil de ser superada; as pessoas chegam a ser implacáveis e imperdoáveis.

Moisés, não teve uma visão limitada como seu discípulo; ele diz

que Josué está tomado de “ciúmes”, inveja - doenças da alma (v. 29).

O pedido de Josué indica que estava com a alma saturada de inquieta-

ções, desejo de posse, competição e receio de “perder”. Thomas Calyle diz que para cada cem pessoas que podem lidar com a adversidade, há somente uma que pode lidar com a prosperidade.

É incrível, mas Josué pediu que Moisés proibisse uma novidade vinda de Deus! A reação dele revelou o que estava em seu íntimo, na alma cansada. O tiro saiu pela culatra, pois revelou suas doenças de alma, um legalismo punitivo, impregnado em seu ser. Qual foi a última vez que você adotou uma postura como esta de Josué?

O versículo 28 nos dá conta que enquanto o jovem falava, Josué

Mas a sua ousadia não pára por aí. Sua declaração na

seqüência é desastrosa: “Proíba-os”. O desejo de Josué torna-se exigência radical. Você teria outro nome para essa atitude senão legalismo?

Os sentidos de Josué foram cegados pela presunção gerada pelo sentimento de superioridade oriundos do seu preconceito exacerbado. Quando ficamos assim, como Josué, cria-se uma barreira invisível que impede de perceber o que Deus está fazendo através do outro. Quantas vezes, assim como Josué, nos mostramos ansiosos para trazer aos “Elda- des” e “Medades”, a culpa de que eles não são pessoas de Deus? Esse erro, sutil e terrivelmente atraente, é fatal.

Posturas como essa de Josué, anulam a graça em sua plenitude libertadora, e traz sérias conseqüências para a saúde da vida e do ministé­

rio na igreja local. O legalismo é diametralmente oposto à graça. No lega­

lismo o mérito ou performance é uma questão essencial; enquanto que na graça a questão essencial é a liberdade em Cristo. O legalismo pode, até certo ponto, esconder o rosto e camuflar as intenções, mas não dis­ farça nem camufla sua insuficiência para gerar vida. Josué é simbolismo de alguns de nós. Queremos impressionar com aparências; até agimos com paixão, mas somos insensatos. Temos que aprender, como Josué,

“interferiu e disse

’’.

que o sucesso de qualquer projeto no Reino de Deus não está vinculado a proibir pessoas em sua individualidade e em seu chamado de Deus.

Outra implicação na objeção de Josué foi o medo da novidade. O novo sempre desafia e assusta.

Josué, na sua obsessão de ser o dono da verdade, quis demonstrar diligência e sensatez. Mas ele desenvolveu uma diligência legalista, imposta como regulamento. O verdadeiro diligente exige mais de si mesmo, não dos outros.

A rigor, Josué foi superficial em sua avaliação da situação. Sua per­ cepção do “problema” não foi precisa. Sua objeção foi incoerente e incompleta. Ao ouvir o jovem que trouxe a notícia, foi logo esboçando sua opinião preconceituosa. O líder não pode tirar conclusões sobre pes­ soas ou assuntos de modo precipitado; ele deve ser capaz de esperar, pro­ curar ver o quadro todo para então emitir sua opinião, para não ser egoísta na avaliação.

Nesta mesma linha, Bill Hybels escreveu:

“O julgamento humano sempre é limitado e, às vezes, equivocado. Por vezes, a melhor noção que temos sobre o que deve ser dito ou feito é imprudente, perigosa e até mesmo destrutiva. Quando chega a hora de decisões cruciais na vida, quase sempre precisamos de um discernimento mais profundo e de uma perspectiva mais abrangente que aquela que a mera sabedoria humana pode nos oferecer. Precisamos desesperadamente da mente de Deus nas questões mais sérias da vida. É o que ele nos oferece nos ensina­ mentos da Palavra e na orientação interior do Espírito. Nossa tarefa não é questionar nem pressupor que somos mais espertos e, sim confiar que Deus é mais inteligente e sabe fazer a vida funcio­ nar. Uma regra espiritual, genérica e útil pode ser: Quando estiver em dúvida, sempre, sempre confie na sabedoria do Senhor”.20

20 HYBELLS, Bill, Fazendo sua vida s melhor, Campinas: United Press, 2002, p. 203

FRUTOS DA ESTABILIDADE

INTERIOR

No versículo 29, Moisés revela sua grande diferença em relação a Josué; ele não via as pessoas do ministério como concorrentes. Como líder, Moisés colocava os interesses de Deus e dos outros em primeiro lugar, procurando discernir as situações. Quem recebe graça sabe dis­ pensar graça. Você pode imaginar o nível de estabilidade emocional e espiritual de Moisés imóvel enquanto ouve o precipitado Josué? Moisés não oscilou quando o moço lhe trouxe a notícia que os dois homens esta- vam profetizando fora do arraial. Uma pessoa oscilante não consegue dis­ cernir a vontade de Deus; tão pouco trabalhar, de forma saudável, com outras pessoas na igreja. Será que se fôssemos nós que estivéssemos naquela situação, teríamos saúde emocional para discernir e avaliar a questão coerentemente reconhecendo que aquela era uma expressão espiritualmente sadia? Sua avaliação foi saudável? Ou o episódio nos tra­ ria preocupações quanto a nossa posição de autoridade? Será que não veríamos nisto, como Josué, uma competição? Moisés manteve-se calmo na mente, emoção e vontade, agiu com sabedoria e discernimento. Demonstrou estabilidade emocional.

Ser estável não é ser lento. Lentidão é uma característica do tem­ peramento fleumático. Isto não significa dizer que todo fleumático é estável emocional e espiritualmente. Ser estável é ser sólido. A estabili­ dade é uma qualidade interior de alguém que não pode ser movido facil­ mente. Não se trata de teimosia ou obstinação.

“A perseverança é a prova máxima da liderança. È a prova do ácido. O que você faz quando o caminho se torna duro? Como você conduz as coisas quando alguém zomba de você? Talvez suas palavras firam você, mas não podem detê-lo. O segredo do sucesso consiste simplesmente em durar mais do que os seus críticos”.21

Como líder, Moisés tinha que ser um homem exato, preciso, tanto em palavra como em ação. Ele não podia fazer as coisas de improviso ou deixá-las “mais ou menos” feitas. Os liderados esperam dos seus líderes, precisão. A atitude de Moisés reconhecendo Eldade e Medade como homens de Deus e cheios do Espírito Santo, revela o quanto ele era pre­

ciso e coerente.

Moisés explica a Josué que o ministério de profetizar não era “só” dele, mas do Corpo de Cristo. Os versículos 29 e 30 mostram que Moisés

está diante de uma situação de pressão, de sentir-se “dispensável”. Mas ele não se moveu; portou-se como alguém de visão ampla. Sua resposta mostra que estava seguro e consciente de seu chamado. Moisés era um homem livre de segundas intenções. Ele lidou com todas as questões imparcialmente; sua justiça o levou a aprovar e dar crédito, publica­

Quem dera todo o povo do SENHOR fosse

profeta e que o SENHOR pusesse o seu Espírito sobre eles!" (v. 29).

O que vemos em Moisés aqui não é uma postura de moralidade, mas de caráter. Além do mais, ele reconheceu as contribuições para o Reino de Deus de Eldade e Medade. Entretanto, não podemos confundir reconhecimento das contribuições de nossos liderados com aquelas ati­ tudes típicas dos apertos de mãos e tapinha nas costas, que servem ape­ nas de encorajamento. O verdadeiro reconhecimento tem que expressar expectativas positivas que levam a resultados positivos, celebrando valo­ res e vitórias, através de cinco práticas: modelo, inspiração, contestação, capacitação e estímulo.

mente, a Eldade e Medade: “

Portanto, o líder não vai conseguir tratar uma questão como esta, desta forma, se existir em seu caráter o elemento injustiça e do jogo polí­ tico. Ser justo não basta, é necessário ter simplicidade e singeleza de coração, no trato com as pessoas. E assim que líderes mobilizam outros para se dedicar aos altos ideais do Reino de Deus.

“O líder torna o trabalho excitante. Além de dar sentido ao seu trabalho, um líder efetivo deve dar um senso de orgulho a sua

equipe. Este senso de orgulho pode vir de um grau de autonomia para tomar decisões ou na utilização de técnicas próprias no traba­ lho, etc. Onde os padrões são altos, as pessoas ficam felizes com sua atuação e envolvimento com a organização. Onde os padrões são baixos as pessoas ficam frustradas e infelizes”.22

Por que nada ameaçava a posição de liderança de Moisés? Porque ele era, sobretudo, corporativo, e sabia trabalhar em equipe. Era também um homem aberto - capaz de receber ajuda espiritual de outro. Moisés demonstrou com esta atitude, que a estatura espiritual de um homem é medida pela altura em que levanta seus liderados.

Portanto, não seja individualista! Nunca queira trabalhar sozinho. “Nossa cultura foi construída sobre o incentivo para as pessoas permane­ cerem sós e traçarem seu próprio caminho. Esse valor social opera con­ tra o senso de comunidade que a igreja neotestamentária reflete. Os cristãos não são ferrenhos individualistas, mas sim um corpo de irmãos e irmãs em Cristo. Como cristãos, estamos ancorados nos valores bíblicos, dispostos a nos entregar em benefício da comunidade, a nos submeter à prestação de contas à coletividade e à sua disciplina, quando necessário, e a buscar o melhor para o corpo de Cristo - em oposição à atitude de buscar o melhor para nós mesmos”. 23

Desde cedo o líder precisa aprender que a obra de Deus necessita de colaboradores. Ser corporativo e aberto fará com que o líder não se sinta ameaçado por companheiros como os “Eldades” e “Medades” na caminhada.

Posicione-se a respeito de si mesmo. Quem é você? Você é aquilo que se vê! Aquilo que está dentro de você, de alguma forma, é exteriori- zado. Somente quando o líder se autoconhecer e se aceitar é que come­ çará a transmitir saúde para os que lhes cercam. Só então, é que os “Eldades” e “Medades” passarão de competidores a parceiros.

22 LEE, P.K.D., Liderando com Excelência. São Paulo: SOCEP, 2001, p. 99

O medo de não ser aceito ou compreendido leva muitos líderes a se calarem, guardando consigo a sua dor e conflitos, gerando assim resulta­ dos drásticos para sua saúde física e psíquica.

Como diz Kouzes Posner: “Líderes exemplares defendem algumas coisas, acreditam em algumas coisas e se preocupam com algumas coisas. Encontram sua própria voz, deixando claro quais são seus valores pesso­ ais e expressando esses valores a seu próprio estilo, único e autêntico. Líderes também sabem que não podem impor pontos de vista às outras pessoas. Ao invés disso, trabalham incansavelmente para alimentar o consenso ao redor de um conjunto de princípios comuns”.

A plicação

P essoal

1. Qual foi a última vez que você se sentiu “dispensável”?

2. Como você lidou com isso? (Ainda está lidando com este senti-

mento?)

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3. Que lições você tirou desta experiência?

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1 Miriã eArão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher etíope. "Será que o SENHOR tem falado apenas por meio de Moisés?", perguntaram. "Também não tem ele falado por meio de nós?" E o SENHOR ouviu isso. Ora, Moisés era um homem muito paciente, mais do que qualquer

outro que havia na terra. 4 Imediatamente o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: "Dirijam-se à Tenda do Encontro, vocês três". E os três foram para lá. 5 Então o SENHOR desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, chamou Arão e Miriã. Os dois vieram à frente, 6 ele disse: "Ouçam as minhas palavras: Quando entre vocês há um profeta do SENHOR, a ele me revelo em visões, em sonhos falo com ele. 7 Não é assim, porém, com meu servo

q

O

Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Com ele falo face aface, claramente, e não por enigmas; e ele vê a form a do SENHOR. Por que não temeram criticar meu servo M oisés?" Então a ira do SENHOR acendeu-se contra eles, e ele os deixou.10 Quando a nuvem se afastou da Tenda, Miriã estava leprosa; sua apa­ rência era como a da neve. Arão voltou-se para Miriã, viu que ela estava com lepra.

Números 12.1-10

O texto acima fala que o pecado de Miriã consistia em ciúme. “A passagem é bastante clara em mostrar que foi Miriã quem iniciou a crítica e que Arão, como sempre, foi mero porta voz. A crítica que fize­ ram de Moisés era dupla: o desgosto por ele escolher uma esposa e a

questão sobre por que Miriã e Arão não deveriam ser reconhecidos, ao lado de Moisés, como competentes para receber as mensagens de Deus”.

Uma série de fatores atua no ser humano e motiva cada pessoa a agir ou reagir dessa ou daquela maneira. Estes agentes atuantes podem ser de natureza interna, isto é, partindo do próprio indivíduo, como tam­ bém externos, que são os estímulos do meio ambiente. A natureza humana é assim,vive à procura de meios de dissimular a verdade para não obedecer à declaração direta de Deus.

O interpretar mal aos outros é natural no ser humano e este age ou

reage segundo a sua interpretação. Portanto, como isto é uma possibili­ dade nas relações interpessoais, o líder não deve deixar esta pressão “pegá-lo” pelo coração. Ele não deve ficar retido ao ciclo das pressões.

A FALÁCIA DE UM CORAÇÃO CIUMENTO

A atitude inadequada adotada por parte de Miriã e Arão, auxilia-

res de Moisés, resultou em juízo divino. Como podemos ver, o espírito de murmuração e crítica havia atingido também o alto escalão da liderança de Israel: questionaram a liderança de Moisés.

Observe que o texto começa sugerindo que a raiz do problema poderia ser a segunda mulher de Moisés. Esta era uma acusação de cunho de transgressão moral ou legal. Lembrando que a primeira esposa de Moisés, Zípora, possivelmente já tinha morrido, e ele deve ter-se casado novamente, com uma mulher cusita, etíope. Todavia, a partir do versículo 2, percebemos que a raiz do problema de Miriã era outro. A mulher de Moisés foi apenas um pretexto. Ela expressou uma mágoa alojada em seu coração há muito tempo, que brotou expressando um coração ciumento.

“A raiz dos conflitos internos e da discórdia sempre está no egoísmo. Os conflitos sempre têm a ver com o egoísmo. Sempre! Quando há um conflito entre o que eu quero e o que você quer, temos um pro-

blema, e esse problema, se não é resolvido, acaba em conflitos e

divisões”.24

A segunda reivindicação de Miriã e Arão deixa clara a verdadeira

intenção deles. O que eles queriam mesmo era remover Moisés do poder, ou no mínimo dividir sua autoridade. Pois o viam como um ditador, alguém que procurava controlar tudo ao seu redor. E, agora, queriam dis­ cutir seus direitos como líderes que eram. Como disse Lord Acton:

“o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe de maneira absoluta”.

O detalhe é que eles cometeram um erro de cálculo, pois a autori­

dade de Deus estava por trás de Moisés; opor-se a Moisés era opor-se a Deus. Que encrenca! Isto nos mostra que “nem Arão nem Miriã conhe­ ciam a autoridade de Deus. Eles alimentaram um coração rebelde por posicionar-se numa base natural. Moisés não respondeu; pois sabia que se ele era autoridade nomeada por Deus não havia necessidade de que alguém o protegesse. Qualquer pessoa que falasse contra ele tocaria morte. Moisés nem precisava abrir a boca. Desde que Deus lhe havia dado autoridade, ele não precisava falar. Um leão não precisa de prote­ ção, porque ele é autoridade”.25

Não podemos nos esquecer que Arão e Miriã eram irmãos e auxi- liares diretos de Moisés. Arão era o sumo sacerdote de Israel e Miriã a profetisa. No contexto da família, Moisés deveria estar debaixo da auto­ ridade de Arão e Miriã, pois era mais novo, mas no Reino de Deus, eles é que deveriam estar debaixo da autoridade de Moisés. Eles até poderiam repreendê-lo no âmbito dos relacionamentos familiares, mas não podiam ultrapassar a posição de autoridade de Moisés.

Arão e Miriã lideraram uma campanha de murmurações contra Moisés. O que eles estavam querendo? Uma posição ainda mais alta. Moisés foi traído e caluniado na sua privacidade doméstica; ele foi mal interpretado. Havia uma carência severa, até mesmo desesperada, no

24 WARREN, Rick, Liderança com Propósito. São Paulo: Vida, 2008, p. 123

caráter deles. Para Miriã e Arão não havia a menor importância se a pes­ soa à sua frente era Moisés, o líder escolhido por Deus. A “obsessão” por querer ser líder a qualquer custo, vem sempre acompanhada de um espí­ rito crítico, gerado por uma compulsão destrutiva.

O modo grosseiro como Miriã e Arão agiram, nos choca e alerta;

pois foram iguais a homens bombas, pilotos homicidas, opressores de si mesmo. Sempre que nos deixamos intoxicar por compulsões carnais, às vezes até praticadas em nome de Deus, negamos a graça e ficamos a mercê do juízo divino, sujeitos à “lepra” espiritual e aos distúrbios da alma.

Ninguém, exceto Deus, podia tirar a autoridade de Moi- séslQuando nos inclinamos para a carne cogitamos as coisas da carne. Não há nada mais carnal do que a sede por poder, status, autovalorização e superioridade. “Estar na carne”, portanto, é estar vivendo da presunção humana: iras, pelejas, dissensões, invejas, etc., são atitudes que “mor­ dem”, “devoram” e “consomem” uns aos outros.

O pastor Rick Warren diz que a liderança vem acompanhada de

três vantagens primordiais:

Posição - Você pode chegar a estar mais alto. Você será tentado a fazer mau uso do poder.

•+Poder - Você pode chegar a fazer mais. Você será tentado a abu­ sar do seu poder.

**■Privilégio - Você pode chegar a ter mais. Você será atentado a tirar lucro dos seus privilégios.

COM O SE PORTAR QUANDO INTERPRETADO?

SE

É MAL

Uma das principais tarefas do líder é proteger a unidade. O versí­ culo 3 diz que Moisés era “mui manso". Mansidão. Esta é a chave. Não basta disciplina, entusiasmo, persistência e competência. Outras virtu­

des são indispensáveis para um líder ser bem sucedido no Reino de Deus.

E a mansidão é a principal delas. O termo “manso” no versículo acima se refere à virtude da ternura e modéstia em Moisés, que neste contexto sig­ nifica “força sob controle” diante das pressões.

Arão e Miriã falavam mal contra Moisés, a pessoa que represen­

tava a autoridade de Deus. Mas Moisés não procurou se defender diante

das injúrias dos irmãos; ele sofreu quieto, com obediência dócil, sabia

quem ele era. Manteve a política do silêncio. O teólogo John Stott diz que a autoridade de um líder cristão não está no poder, mas no amor. Não é por força, mas por seu exemplo. Líder tem poder, mas o poder está a salvo somente nas mãos daqueles que se humilham e servem.

Ter um espírito manso é indispensável para todo líder cristão. Esta qualidade de caráter expressou-se em sua vida através da brandura como lidou com os maus tratos dos seus irmãos. James Houston foi feliz ao

explicar que a “mansidão é o fruto da obediência e do ouvir. Se eu me recusar a ouvir; a violência toma conta da minha alma, e eu passo a viver

em tensão e teimosia, planejando a minha própria vida, impondo meus

próprios interesses e despedaçando os interesses de outras pessoas. Recuso-me a dar ouvidos a qualquer coisa que possa desmanchar meus planos. Mas quando ouço, torno-me manso. Cedo lugar às pessoas e per­

mito que projetos de outros sejam desenvolvidos antes que o meu. Distri­

buo bondade para permitir que as pessoas sejam elas mesmas”26

Uma pessoa cruel é geralmente ciumenta e invejosa; mas uma que possui a qualidade da mansidão (fruto do Espírito) é terna e magnânima.

A amargura, a irritação, o ódio e a avareza, não se achavam em Moisés.

Naquela época, não havia ninguém tão meigo e compreensivo como Moisés. Veja, que ele se portou com uma amável mansidão, diante do fato:

+* Ficou em silêncio diante das calúnias dos irmãos.

*+ Não julgou a postura dos irmãos, pois esta prerrogativa pertence a Deus.

Intercedeu por Miriã, após Deus ter julgado e disciplinado a ati- tude dela.

“Moisés era um homem de autoridade, poder e carisma, porém

manifestou essa força disciplinada por meio de sua inteira disposi-

Moisés era um homem poderoso, mas tam­

bém era humilde, porque enxergava a si mesmo à luz de Deus, além de zelar pela honra e pela reputação de Deus, não pela sua”.27

Kenneth Boa firma ainda que Moisés se debatia com a necessidade desesperada da graça e da misericórdia de Deus, evidenciada em quatro características:

Em primeiro lugar, ele tinha atitude de uma pessoa que pode ser ensinada. Humildade - compreende que está constantemente sendo edi- ficado.

Em segundo lugar, ele estava disposto a ouvir conselhos sensatos. A humildade jamais se sente orgulhosa a ponto de recusar a sabedoria de outras pessoas antes de tomar uma decisão importante.

Em terceiro lugar ele era submisso à autoridade. Em última aná­ lise, devemos nos submeter à autoridade de Deus, mas também precisa­ mos nos sujeitar à autoridade daqueles que Ele colocou acima de nós - pastores, presbíteros, líderes do governo.

Em quarto lugar, ele não se achava no direito de possuir coisa alguma. Foi o orgulho que levou Israel a desobedecer às ordens de Deus, por isso o Senhor trabalhou durante quarenta anos a humildade e a obe­ diência de Moisés, como fica evidente nas palavras que o legislador diri­ giu ao povo na véspera da entrada na terra prometida (Dt 8.10-14, 17,

ção em agradar ao Pai

18).

COM O

DEUS TRATA COM

O REBELDE?

Deus condena a rebelião. Deus tratou a atitude rebelde de Miriã com dureza. Veja as três atitudes de Deus em face desse problema de

insubordinação:

1. Sentiu-se “ofendido” com as injúrias lançadas contra Sua autori­

dade delegada à pessoa de Moisés, Seu escolhido e ungido. Deus demonstrou desgosto quando Seu ungido foi questionado.

2. Defendeu e protegeu Moisés, Seu servo, por ser fiel em toda sua

casa. A defesa de Deus foi completa.

3. Depois, Deus disciplinou a principal culpada, Miriã, ela ficou

leprosa. Aqui a presença de Deus, está evidente pela coluna de nuvem,

que se moveu.

De fato, “onde” existem injúrias, calúnias, existe também um espí­ rito de rebeldia imperando interiormente. A injúria é “fruto” da rebelião

da alma.

Este episódio trouxe alguns prejuízos à comunidade de Israel:

*► A presença de Deus

se afastou do meio deles: “Então a ira do

SENHOR acendeu-se contra eles, e Ele os deixou” (v. 9).

•+ A obra de Deus “parou”. Sem a presença de Deus a Sua obra não “anda”, o tabernáculo não se move. A coluna de nuvem, sinal da presença de Deus, só retorna depois que o rebelde for

tratado (v. 15).

Mas nem tudo é tragédia! Em meio a tudo isso, vemos um maravi­

lhoso “gesto da graça”: Deus não deixou Miriã (“leprosa") para trás.

A disciplina divina não é excludente. Arão reconhece que Miriã havia

agido como louca, e suplica ao líder que interceda em favor de Miriã (vv. 11-12). Moisés ora, e as sentenças divinas são aliviadas, mas não

canceladas. A resposta de Deus é no sentido de que Miriã deveria ser

devidamente punida. Ela passaria por disciplina divina, que implica em instrução, correção, orientação, treinamento, aprendizado. Depois deste episódio, Miriã só aparece na Bíblia uma vez (Nm 20.1), para morrer.

A exemplo do soldado, o líder, quando está em sua hora de serviço

não perde a postura, não se movimenta de forma alheia às instruções recebidas, permanece firme e atento, ainda que esteja sofrendo dores ou outro tipo de sensação. Isto, é disciplina!

“Esta punição não está em desacordo com o caso, pois a lepra, na Palavra de Deus, é muita usada para tipificar o pecado. Miriã, que num momento se exaltava em orgulho próprio a ponto de pensar que deveria estar em posição proeminente, co-igual com o líder de todo o Israel, no momento seguinte foi banida do acampamento nas circunstâncias mais humilhantes. Este é o resultado do pecado do orgulho (Pv 16.18; Is 10.33).28

A Bíblia apresenta um Deus que disciplina. Se as nossas atitudes,

como filhos, não forem coerentes às normas de Sua Palavra, Ele nos cor­ rige, visando chegarmos à conduta certa. É por isso que a disciplina na vida do cristão se constitui um dos assuntos mais pertinentes e necessá­ rios nos nossos dias, em função dos grandes desmandos promovidos pelo relativismo ético e pelo liberalismo.

A disciplina só é bíblica quando acompanhada de amor cristão e

aconselhamento, mentoria e prestação de contas, caso contrário pode ser uma represália pessoal.

28 BOIS Lauriston ], Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

348

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A plicação

P essoal

: ---------------------------------------------------------- --

1. Qual a última vez que você foi “mal interpretado”, à semelhança de

Moisés neste episódio? Como você reagiu a esse tratamento

injusto?

,

2. No momento, você conhece alguém que está sendo “mal interpre­

tado”? Como você pode ajudá-lo?

'

3. Que lições da atitude de Moisés ao ser “mal interpretado”, você

poderia aplicar em sua vida?

.

MATURIDADE PARA LIDAR COM A Concorrência por Liderança

11 Corá, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de Levi, reuniu Data e Abirdo, filhos

de Eliabe, e Om, filho de Pelete, todos da tribo de Rúben, 2 e eles se insurgiram

contra Moisés. Com eles estavam duzentos e cinqüenta israelitas, líderes bem

conhecidos na comunidade e que haviam sido nomeados membros do concilio.3

Eles se ajuntaram contra Moisés e Arão, e lhes disseram: “Basta! A assembleia

toda é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles. Então, por

que vocês se colocam acima da assembleia do SENHOR?" 4 Quando ouviu isso,

Moisés prostrou-se, rosto em terra. 5Depois disse a Corá e a todos os seus segui­

dores: "Pela manhã o SENHOR mostrará quem lhe pertence efará aproximar-se

dele aquele que é santo, o homem a quem ele escolher. 6 Você, Corá, e todos os

seus seguidores deverão fazer o seguinte: peguem incensários 7e amanhã colo­

quem neles fogo e incenso perante o SENHOR. Quem o SENHOR escolher será o

homem consagrado. Basta, levitas!"

28 E disse Moisés: "Assim vocês saberão que o SENHOR me enviou para fazer

todas essas coisas e que isso não partiu de mim.

morte natural e experimentarem somente aquilo que normalmente acontece

aos homens, então o SENHOR não me enviou. 30 Mas, se o SENHOR fizer aconte­

cer algo totalmente novo, e a terra abrir a sua boca e os engolir, junto com tudo

o que é deles, e eles descerem vivos ao Sheol, então vocês saberão que estes

homens desprezaram o SENHOR". 31 Assim que Moisés acabou de dizer tudo

isso, o chão debaixo deles fendeu-se 32e a terra abriu a sua boca e os engoliu

29 Se estes homens tiverem

com todos os seguidores de Corá e com todos os

33 Desceram vivos à sepultura, com tudo o que possuíam; a terra

fechou-se sobre eles, e pereceram, desaparecendo do meio da assembleia. 34

Diante dos seus gritos, todos os israelitas ao redor fugiram, gritando: "A terra

vai nos engolir também!" 35 Então veio fogo da parte do SENHOR e consumiu os

juntamente com suas famílias,

seus bens.

duzentos e cinqüenta homens que ofereciam incenso.

Números 16.1-7 e 28-35

Outra revolta acontece. Novamente gerada pela inveja do líder. A liderança de Moisés e Arão é frontalmente desafiada. Esta rebelião tem um agravante maior; ela assumiu proporções de âmbito nacional:

Coré, um levita, e outros dois leigos da tribo de Ruben, Datã e Abirão, queriam despojar Moisés e Arão dos privilégios que tinham, como líderes principais. Moisés era o líder supremo e Arão o chefe do sacerdócio. Nesta questão, Moisés tinha um agravante, ele e Coré eram primos irmãos (Êxodo 6.14-25).

Como disse, essa rebelião foi corporativa. Os cabeças são Coré, Datã e Abirão, obtiveram a adesão de 250 lideres representativos da con­ gregação. Eram homens de renome. Mas, também, eram personagens pervertidos, que desvirtuaram a fé dos outros. “Uma pessoa que está enganada acredita com todo seu coração que ela está correta, quando, na verdade, está errada”29

O grupo confrontou o líder maior com acusação. A crítica foi dura e implacável.

O PROCESSO

DA REBELIÇÃO

Para uma melhor compreensão dos acontecimentos registrados em Números 16, vejamos um esboço geral do desdobramento e solução da crise:

•+ Coré, Datã, Abirão e seu grupo (250 homens), acusaram Moisés e Arão, cara a cara, questionando a autoridade espiritual deles, demonstrando que não iriam mais se submeter a eles (vv. 2-3).

De fato, você já havia visto esse filme. E você, quando viu este filme pela última vez em seu contexto pessoal?

*►Moisés e Arão deram a situação como perdida, sem esperança

(v. 4). Perceberam que estavam encurralados, num beco sem

saída.

Diante disto, Moisés, propôs uma solução, visto que o grupo queria era o sacerdócio de Arão (v. 5-11). Eles deveriam apre­ sentar-se diante de Deus, cada um com seu incenso, para serem aprovados ou não. Moisés deixou o assunto para Deus julgar.

Para piorar a situação, os rubenitas, o estopim da revolta, não aten­ deram a convocação de Moisés. Eles reivindicavam a destituição do líder (vv. 12-14).

*►Como não se chegou a nenhuma solução, o caso foi proposto

para o dia seguinte, para que, então, Deus desse a sentença

(v. 16)

Coré fez a convocação de toda a congregação, juntando-os à porta da tenda, num levante contra Moisés e Arão (v. 19).

Enfim, Deus intervém! Ele ordenou que o povo se afastasse das

Realmente o “caldo engrossou”

tendas de Coré, Datã e Abirão. para os rebeldes (vv. 24-27)

Com a intervenção de Deus, Moisés corajosamente toma a pala­

vra e declara: “

para fazer todas essas coisas e que isso não partiu de mim. Se estes homens tiverem morte natural e experimentarem somente aquilo que normalmente acontece aos homens, então o SENHOR não me enviou. Mas, se o SENHOR fizer acontecer algo totalmente novo, e a terra abrir a sua boca e os engolir, junto com tudo o que é deles, e eles

Assim vocês saberão que o SENHOR me enviou

descerem vivos ao Sheol, então vocês saberão que estes homens des- prezaram o SENHOR”, (vv. 28-30)

** Então, o pior acontece! Imediatamente a terra se fende e traga Coré, Datã e Abirão, com suas mulheres, crianças e tudo que tinham (vv. 31-33).

Toda congregação fugiu aos gritos, temendo que a terra os tragasse também (v. 34). Nós somos compadecidos dos outros e lamentamos a sorte que sofrem sem causa pessoal. Entretanto, sendo certo que Deus trata com indivíduos, especialmente quanto ao juízo final. Aqui se tra­ tava de dar uma lição exemplar; é como se Deus quisesse deixar patente que atentar contra os seus ministros era atentar contra Ele mesmo; incluiu tanto os chefes das famílias como as famílias.

Você pode estar se questionando: como Deus fez isso? O fato é que a lei que governa a responsabilidade da espécie humana atinge até a ter­ ceira e quarta gerações, e se alguém perguntar por que esta extensão? Respondemos que os filhos dos nossos filhos são parte de nós mesmos, e os nossos pecados os atingem também, assim como a misericórdia atinge aos milhares e por muitas gerações (Êxodo 20:5,6). Do ponto de vista genético, cada filho é a reprodução de seus pais, de seus avós, de seus bisavós e até de seus tetravós. Estamos assim ligados uns aos outros por gerações.

O CO M PO RTAM EN TO

OPOSITORES

DOENTIO

DOS

Charles Swindoll afirmou que o ato de liderar pode ser definido por uma palavra: “influência”. Influenciar é o ato ou efeito de influir, que sig­ nifica literalmente “entrar dentro do outro”.

A palavra chave na boca destes homens era: “basta!” (v. 3). Não no

sentido que satisfaz, que é suficiente. Eles queriam era pôr termo na lide­

rança de Moisés e Arão - cessar, não mais

Lendo o versículo 3, isolada­

mente, percebemos que o raciocínio desses homens não estava errado. Esses líderes estavam citando corretamente o precipício de Êxodo 19.6:

“vocês serão para mim um reino de sacerdote e uma nação san ta Portanto, eles estavam corretos em dizer que a “assembléia toda é santa”, mas estavam redondamente equivocados em pensar que o sacerdócio era um ofício ao qual poderiam se nomear à vontade.

“Se alguém está ridicularizando você, não lhe responda. Se você fizer isso não vai ser melhor do que quem está zombando de você. Apoie-se em Deus e ore. Quanto maior a hostilidade, mais você vai precisar confiar em Deus. A oração é sua grande aliada quando o estão atacando”.30

Observe que esse grupo tem uma teologia certa - são ortodoxos na sua declaração de fé: “santa”, “santo”, o “Senhor está no meio deles". Mas a motivação deles estava errada. Eram presunçosos. Reivindicavam o direito de assumir posição de liderança para a qual não haviam sido escolhidos por Deus. Coré aspirava mais. Queria ser o sumo sacerdote, cargo ocu­ pado por Arão, enquanto que as aspirações de Datã e Abirão eram no campo político.

Eles acusaram Moisés de ser um déspota tirano, como se estivesse agindo em benefício próprio. Mas “sua liderança não era autoritária ou ditatorial. As acusações eram totalmente infundadas e constituíam, em essência, um motim”.31 A igreja ou equipe tem menos conflitos quando líderes e liderados são generosos e modelo de renúncia de seus direitos.

Na declaração “o Senhor está no meio deles" vimos o quanto “a ver­ dade pode ser aplicada - e mal aplicada. Aqui, a verdade que todo povo de Deus é santo e que o Senhor está com cada individuo é tomada para demonstrar que a liderança de Moisés é imperfeita”.32

30 WARREN, Rick. Liderança com Propósito. São Paulo: Vida, 2008, p. 107

31 BOIS Lauriston J, Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

358

Apesar de uma linguagem religiosa, um discurso bonito - até evo­ cam os direitos do povo, mas este grupo estava promovendo anarquia. Rick Warren diz que você precisa estar em comunicação constante com Deus, para que ninguém possa enganá-lo com uma “mensagem secreta

de Deus”.

Os opositores de Moisés e Arão utilizaram a linguagem religiosa e o sentimento democrático, como forma de intermediar seus interesses. Eles se apresentaram com “aparência de piedade”, mas negavam no com­ portamento a eficácia dela, ao querer depor o seu líder. Nestes casos, a recomendação paulina é clara: “destes afastasse” (1 Tm 3.5-7).

O modelo de liderança apresentado no Novo Testamento, especi­

almente o exemplo deixado por Jesus, não é ditatorial, mas exige-se res­ peito pela autoridade estabelecida por Deus. Oliver Cromwell dizia:

“Confie em Deus e mantenha a pólvora seca”. O líder não pode ser pas­ sivo diante de postura destrutiva da obra de Deus. Na verdade oração sem precaução é presunção.

“Ser líder exige valentia. Não se trata de um concurso de populari­ dade, pois nem mesmo Deus pode agradar a todo o mundo. O líder deve ter o valor necessário para dizer: Não me importa o que acon­ teça, porque isso deve ser feito. Vou enfrentar esse assunto. Para o bem da organização, tenho que resolver isso”.33

A raiz do problema de Coré e sua turma se revela na última decla­

Então, por que vocês se colocam acima da assem-

ração do versículo 3: “

bleia do SENHOR?”. Na verdade, eles estão dizendo o seguinte: “Somos todos iguais”. “Ninguém é maior ou menor”. Veja bem, na perspectiva da nossa relação com Deus (salvação), eles estavam certos. Mas na perspec­ tiva da nossa relação de uns com os outros (igreja), que é o caso aqui, eles

estavam errados. No contexto da igreja, como Corpo de Cristo, uns man­ dam, outros obedecem. Este é o padrão divino, expresso em dois princí­ pios bíblicos: autoridade e submissão. O autor da carta aos Hebreus

prossegue neste raciocínio e diz: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois não seria proveitoso para vocês” (Hb 13.17).

Esse tipo de insurreição não pode ser enfrentada com argumenta­ ção, mas com manifestações da intervenção de Deus.

Outro aspecto da malignidade nesses homens, é o “jogo sujo”:

•> No afã de quererem ser sacerdotes, eles aliciaram uns valentes rubenitas e com estes, mais 250 chefes de tribos, maiorais da nação. Seriam esses aqueles líderes de Êxodo 18?

•+ Acusaram Moisés de havê-los tirado de um bom lugar (Egito), para trazê-los ao deserto, não tendo cumprido a promessa de colocá-los numa terra de fartura.

A base da relação líder/liderado é a transparência. Nossa fidelidade é aprovada pela sinceridade. Mas esta fidelidade não deve ser confun­ dida com o medo do líder; devemos ter uma fidelidade com liberdade e responsabilidade. Se tivermos um líder e não gostamos dele, talvez por achar que ele abuse da autoridade - o que não é difícil de se ver; mesmo assim, temos que obedecê-lo. “Eu creio que uma das razões pelas quais o povo lutou contra Moisés tão intensamente no deserto é porque eles viam autoridade de Deus sobre ele, mas não gostavam”34

Coré e seu grupo se autodenominaram líderes. Usaram de subter­ fúgios para alcançar posição de liderança. Quando nos deixamos orien­ tar pela sede de poder, caímos em nossa própria armadilha e desviamos o olhar do único ponto de referência: Cristo! “O pecado de Coré teve dois aspectos: constituiu numa atitude desafiadora e na realização de tarefas que não lhe cabiam”.35

34 BEVERE, John, Debaixo de Suas Asas. São Paulo: Dynamus, 2002.

Enumeramos abaixo algumas características de Coré e seu grupo, que precisam ser entendidas a fim de que compreendamos o perigo de querer viver na arrogância e na autonomia:

Eram pessoas carnais e orgulhosas, orientadas pela concupiscên- cia dos olhos. Tudo que “despejaram” contra Moisés e Arão era fruto de suposição, raciocínio humano. Os fatos não importa­ vam, o que importava eram seus interesses.

Eles carregavam na alma a síndrome de Lúcifer, pois estavam

dominados pelo espírito de insurreição. Não tinham consciência

de si mesmos, eram deformados espiritualmente.

Viviam no auto-engano do seu coração, capaz de negar os limi­ tes estabelecidos por Deus, e por isso proliferavam aberrações.

O que contava eram os fins, sem qualquer critério para os meios

(v. 14). O que queriam era chegar ao topo - o sacerdócio de Arão. O negócio era subir até onde Arãq estava para depois per­

petuar-se ali!

•+ Eles eram pessoas amargas, rancorosas, manipuladoras e julga­ doras, “perdidas” em si mesmas, geradoras de divisão no Corpo de Cristo.

Os versículos 41 a 48 registram outro fato Lamentável, que revela tanto quanto o outro, que a inclinação natural do homem, até mesmo no meio cristão, é para a insubmissão e falta de temor. Agora o povo acusa Moisés e Arão de serem os responsáveis pela morte dos 250. Por causa disto, desencadeou uma praga entre o povo, que só foi detida pela inter- cessão do líder.

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A plicação

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1. Qual foi a última grande oposição que você enfrentou? De que forma ela se assemelha com a oposição enfrentada por Moisés e Arão?

2. Que tipo de oposição você está enfrentando neste momento em sua vida? Como você está lidando com isso?

3. Você está criando alguma oposição?

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1 No primeiro mês toda a comunidade de Israel chegou ao deserto de Zim e ficou em Cades. Ali Miriã morreu e fo i sepultada. 2 Não havia água para a comuni­ dade, e o povo se juntou contra Moisés e contra Arão. 3 Discutiram com Moisés e disseram: "Quem dera tivéssemos morrido quando os nossos irmãos caíram mortos perante o SENHOR!4 Por que vocês trouxeram a assembleia do SENHOR

a este deserto, para que nós e os nossos rebanhos morrêssemos aqui? 5 Por que

vocês nos tiraram do Egito e nos trouxeram para este lugar terrível? Aqui não há

cereal, nem figos, nem uvas, nem romãs, nem água para beber!" 6 Moisés e Arão saíram de diante da assembleia para a entrada da Tenda do Encontro e se prostraram, rosto em terra, e a glória do SENHOR lhes apareceu. 7E o SENHOR

O

disse a Moisés: "Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água. Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem". Então Moisés pegou a vara que estava diante do SENHOR, como este lhe havia ordenado.10 Moisés e Arão reu­ niram a assembléia em frente da rocha, e Moisés disse: "Escutem, rebeldes, será

que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?" Então Moisés ergueu

o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e

11

os rebanhos beberam. 0 SENHOR, porém, disse a Moises e a Arão: "Como vocês não confiaram em mim para honrar minha santidade à vista dos israelitas,

vocês não conduzirão esta comunidade para a terra que lhes dou". 13 Essas foram as águas de Meribá, onde os israelitas discutiram com o SENHOR e onde ele manifestou sua santidade entre eles.

12

Agora “as peregrinações no deserto terminaram. Israel pagara o preço total por seu pecado. A velha geração passara e a nova estava pronta para, depois de quase 38 anos de interrupção, retomar o plano de Deus. As tribos e famílias se reuniram novamente em Cades, provavel­ mente no primeiro mês daqueles primeiros 40 anos desde que o grupo original saíra do Egito”.36

Deus escolhe homens para cada situação. Ele escolheu Moisés para liderar o povo ao longo de 40 anos no deserto, depois escolheu a Josué para conduzir o povo à terra prometida. Para guerrear contra gigantes e expulsá-los da terra, teria que ser um guerreiro como Josué, não um legis­ lador como Moisés.

Moisés foi fiel em cumprir suas tarefas no trabalho do Reino (Nm 12.7). Josué também foi fiel à incumbência recebida de Deus (Js 24). Cada um deles seguiu e fez a vontade de Deus; despojou-se e padeceu em prol do Reino, fazendo sua própria história, com coragem e determina­ ção. “As grandes pessoas não são nada mais do que pessoas comuns que fazem um grande compromisso com uma grande tausa”.37

Como escreveu Ricardo Gondim: “Deus procura homens e mulhe­ res que, como verdadeiros artesões, não meçam esforços para tecer em parceria com Ele uma nova realidade, uma nova história”.38 Deus pre­ para o Seu escolhido segundo a tarefa que lhe será confiada. Enfim, é Deus quem capacita cada um de nós, por Sua sábia decisão, para servir­ mos em nossa história como artesões do Reino de Deus. Moisés foi um destes homens, escolhido para brilhar no seu tempo e espaço.

Nós já estamos bem familiarizados com o estilo de liderança de Moisés: seu conhecimento, sabedoria, eloqüência e graça. Oitenta anos atrás ele havia tentado fazer a obra de Deus pelo poder de sua própria sabedoria, a excelência humana (Êxodo 2.11-14). Ele tentou ajudar

36 BOIS Lauriston J, Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

363

37 WARREN, Rick. Liderança com Propósito. São Paulo: Vida, 2008, p. 172

Deus. Mas frustrou-se! As habilidades humanas têm seu lugar na obra de Deus, mas não são determinantes.

Depois dessa empreitada fracassada, Moisés se exilou no deserto de Midiã, onde se casou, teve filhos e aprendeu a não confiar em si mesmo. Por 40 anos, ele foi treinado a ver que tudo o que possuía, como

a herança egípcia, era inútil. No final deste período ele percebeu diante

da “sarça” sua completa inutilidade. Ele ganhou consciência do tipo de pessoa que era e a noção do que não poderia fazer! A partir deste ponto, Deus o chama para a missão de libertar Seu povo da escravidão egípcia.

Na natureza tudo nasce, brilha, muda de cor e desaparece. Cada coisa tem seu começo e terá um fim. Na vida do líder também é assim.

MOMENTO

CRUCIAL NA VIDA

DO LÍDER

O episódio de Meribá é um momento crucial na vida de Moisés.

Segue o mesmo padrão de murmuração do passado (vv. 2-4). É obvio que esta geração não havia estado no Egito, mas com certeza ouviu as histó­

rias. Portanto, como diz o versículo 2, não havia água para a congrega­ ção, e aí eles se rebelaram contra os líderes, os quais se prostraram diante do Senhor. O versículo 6 diz que a “glória do Senhor lhes apareceu”.

E o versículo 7 diz que o “Senhor falou a Moisés”, dando-lhe instruções.

A instrução do Senhor foi no sentido de que ele pegasse a vara,

reunisse a congregação e falasse à rocha diante da congregação. Ele pegou a vara e reuniu a congregação, mas no falar à rocha Moisés se encrencou. Logo ele, o homem mais “manso da terra”. Moisés perde o

equilíbrio, se desestabiliza, sai do eixo. Deus orientou que Moisés falasse

à rocha, mas ele feriu a rocha com a vara. Aliás, Moisés golpeou a rocha

duas vezes. Mesmo ele não tendo feito como Deus disse, Deus foi fiel, a Sua Palavra, e jorraram águas da rocha; e toda a congregação e os ani­ mais, beberam.

“Quando Deus disse a Moisés que falasse à rocha, o que Moisés fez

foi bater nela. Abusou do seu poder. Como conseqüência, Deus lhe disse: ‘Não entrarás na terra prometida’”39.

A atitude de Moisés diante da rocha foi carnal! A carne, é o ini­

migo que está dentro de cada um nós. Os outros inimigos do cristão (mundo e diabo), estão fora dele. Quando este inimigo entra em ação, nem sempre se parece com um vulcão em erupção, mas, às vezes, como um amigo chegando para jantar. “O texto não descreve a natureza exata do pecado pelo qual estes dois líderes foram castigado. Mesmo quando o registro é lido sob a mais favorável interpretação, a resposta de Moisés não coincide com as ordens que Deus dera. Não há dúvida que a verda­ deira natureza do pecado reside nessa discrepância.”40

Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e

tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça" (Tg 1.19,20).

Quando nos iramos com a ira carnal, agimos com vingança, mas quando nos iramos com a ira de Deus, agimos com justiça. “Nem sempre as pes­ soas estarão à altura das nossas expectativas, mas isso não é razão para uma ira justa. Afinal de contas, Deus já sabe que vamos decepcioná-lo e, apesar disto, continua nos amando. Ire-se com a ira de Deus e não com a sua ira”.41

Existe uma explicação para esta atitude de Moisés? Sim! A Bíblia diz que o pecado desestrutura nosso homem interior. Nossa carne tor- nou-se “enferma”, inclinada para o mal e vendida às paixões. Não é difí­ cil o velho Adão “reviver”, com grande fúria, dentro de cada um de nós, até dos grandes líderes. No versículo 12, a censura de Deus é no sentido de que Moisés não havia crido Nele. “A incredulidade de Moisés não se tratava de falta de fé no poder em executar o milagre na maneira em que

designara”.42

A Bíblia diz: “

39 WARREN, Rick, Liderança com Propósito. São Paulo: Vida, 2008, p. 151

40 BOIS Lauriston], Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 363

41 WARREN, Rick. Liderança com Propósito. São Paulo: Vida, 2008, p.126

O mesmo Moisés que chamou os irrealistas de rebeldes, recusou seguir a ordem expressa de Deus. Ele perdeu o controle da situação, e de si mesmo. Houve um excesso de fúria. Esse é um grave pecado em lide­ rança. O líder não pode perder a paciência com o povo que ele lidera. Os prejuízos são enormes. A rigor, a atitude carnal de Moisés “acabou” com ele. Veja que foi neste sentido que o seu pecado foi chamado por Deus de “incredulidade”.

Deus julgou Moisés por sua atitude carnal. Nossos piores momen­ tos, como líderes, são àqueles marcados por explosões de ira e de dese­ quilíbrio. Todas as feridas geradas por nós nas pessoas que amamos, iniciam-se nos momentos de descontrole emocional. Todos nós lidamos diariamente com esse algoz opressor da vida. Ora vencemos, ora somos vencidos.

Às vezes, o senso de possuir, de conquistar, de deleitar-se, é mais forte do que a consciência das conseqüências. Só através do Espírito Santo podemos lidar e vencer esse algoz chamado carne.

Qual foi o pecado de Moisés? Moisés não exaltou o poder de Deus. Eu me pergunto: se isto aconteceu com “poderoso” Moisés, o que será de nós? O escritor John Joseph Owens, disse que Moisés “negligenciou a possibilidade de chamar a atenção para a santidade de Deus”.43 Esta foi uma falha sutil, mas imperdoável!

A Bíblia diz que com este gesto de desequilíbrio, Moisés desonrou a santidade do Senhor, e por isto foi punido severamente: “O SENHOR, porém, disse a Moisés e a Arão: Como vocês não confiaram em mim para hon­ rar minha santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comuni­ dade para a terra que lhes dou” (v. 12). No Salmo 106.33 diz que Moisés agiu sem refletir.

Não justifica a sua atitude, mas Moisés estava vivendo um momento de grande pressão. Ele estava no limite. A estafa tem deixado marcas indeléveis na vida de muitos líderes. Deus mandou Moisés falar à

43 Comentário Bíblico Broadman, volume 2. São Paulo: Juerp, 1994.

rocha; este descreu da possibilidade desta jorrar água. Então Bateu duas vezes, em vez de apenas falar como Deus mandou. Esta atitude desequili­

brada foi o bastante para que o grande líder não tivesse a honra de entrar

na Palestina. Custou caro para Moisés a sua atitude! Mais tarde, ele orou

a Deus para que lhe concedesse a graça de entrar na terra, mas Deus res­ pondeu que não queria mais ouvir tal petição. Assim, Moisés conten­ tou-se em ver a terra de longe (Dt. 3:23-27). Você consegue imaginar a angústia no coração de Moisés? Moisés trabalhou tanto, sofreu tanto, desprezou seus interesses, renunciou até mesmo a possibilidade de ser o faraó do Egito. Tudo por causa da obra de Deus. Olhando para a atitude dele, na nossa maneira humana de medir, parece até que o pecado foi pequeno. A questão é a seguinte: quando um simples homem do povo erra, o erro não tem grande efeito, mas quando um chefe erra, quando ele nega o passado, isso é grave. Foi o que aconteceu com Moisés.

LIDANDO COM

0

PODER

DA CARNE

No início da década de 80, quando me converti, um amigo me emprestou o A Vida Cristã Normal, de Watchman Nee, cuja leitura mar­ cou profundamente a minha vida. Um princípio facilmente observável

neste livro de Nee é que a obra de Deus só pode ser realizada pelas pessoas que morreram com o Senhor. Concordo com Watchman Nee quando afirma que fazer a obra de Deus requer a morte do homem natural.

O grande questionamento é se já “morremos”, ou seja, “já abrimos mão

das nossas habilidades naturais?”.

Moisés era um tipo de homem que havia morrido para si, e que havia aberto mão de suas habilidades para se dedicar à obra de Deus no poder do Espírito Santo. O mesmo exemplo se pode ver em Paulo, que se recusou pregar a mensagem da cruz com a sabedoria natural. Todavia, neste episódio Moisés agiu na energia da carne. O Novo Testamento nos ensina que o agir na energia da carne é algo que desagrada ao Senhor.

Conhecer a nossa própria carne não é tarefa fácil. Tratar com ela é mais difícil ainda! A ordem é crucificá-la; fazer morrer tudo o que tem aparência de carne. A carne é o “calcanhar de Aquiles” do cristão. O termo carne (gr. sarx) é usado tanto para descrever a natureza humana, como para qualificar o princípio que está sempre disposto a opor-se ao Espírito. Ser carnal significa ser governado pela natureza humana, apetites animais. A Bíblia fala da piedade carnal, indicando que até nossa sabedoria e zelo religioso podem ser produções da carne. Temos que aos poucos ir provando o poder da ressurreição e nos despo­ jando do poder da carne. Em que grau de despojamento você se encon­ tra?

Mas o ponto crucial na vida de Moisés não é este. O seu problema foi uma crise, ou um momento de se deixar orientar pela energia da carne. Foi um momento de irritação e perda de controle. Deixe-me ser franco: quase todos nós estamos familiarizados com este tipo de crise! Estou certo disto. Portanto, devo ser diligente, não apenas com o despo­ jamento das obras da carne, mas com estes momentos de desequilíbrio, pois são cruciais para nossa vida e afetam as pessoas ao redor. E quando “perdemos” tudo que construímos.

Estar em um estado de desequilíbrio é perigoso. Na vida de um líder, nenhum momento é mais suscetível à queda do que este. “Estes dois líde­ res poderosos sofreram julgamento semelhantes ao que sobreviera a toda geração mais velha. A tragédia do fracasso de Moisés e Arão é estabele­ cida quando consideramos a medida da grandeza desses homens e lem­ bramos que, até aquele momento, tinham agido bem. O registro serve de lição para todas as gerações de que a fidelidade deve ser total e completa, chegando até ao fim da vida (Mt 24.13; Hb 3.6-19).”44Todo líder precisa admitir que sem a ajuda do Espírito Santo, permanecemos sempre na dimensão carnal, nunca na dimensão espiritual.

44 BOIS Lauriston J, Du. Comentário Bíblico BEACON, vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.

363

Apesar das más notícias, Moisés continuou liderando o povo de Deus. Ele não foi substituído imediatamente, nem passou a negligenciar as tarefas ministeriais. Seu empenho ministerial continuou até ouvir de Deus, “até aqui virá e não mais adiante”.

“Os sucesso do passado não são garantia de um sucesso contínuo. Nunca esteja seguro de que, por haver alcançado certo nível de êxito, você vai permanecer sem nenhum esforço, no lugar a que

chegou”.45

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A plicação

P essoal

1. Qual é o seu sentimento após estudar esta lição? (Escreva!)

2. Em sua opinião, que precauções podemos tomar, como líderes, para não chegar ao ponto em que Moisés chegou?

3. O que você está fazendo para manter-se em pé e não andar nos domínios da carne?

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