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Cinética Química

André Silva Franco

A cinética química estuda a velocidade das reações e todos os fatores envolvidos diretamente ou indiretamente na velocidade.

Em geral, mede-se a velocidade de uma reação usando a fórmula abaixo. Perceba que estamos lidando com concentração (mol/L), mas a velocidade pode ser medida em variação de volume (∆V)no caso de gases , número de mols (∆n), pressão (∆P)...

  • Velocidade Média (

Δ[ R ] Δ[ P ] média R média P
Δ[ R ]
Δ[ P ]
média R
média P
v   v  Δt Δt ) durante um específico intervalo de tempo. 1 1
v
 
v
Δt
Δt
) durante um específico intervalo de tempo.
1
1
1
1
1
1
v
média reação
v
v
v

v
v
v

a
média A
b
média B
c
média C
s
média S
t
média T
u
U média
d[
R
]
d[
P
]
v
 
v
inst R
inst P
dt dt
dt
dt

A fórmula acima calcula a velocidade média de desaparecimento de um reagente (

formação de um produto (

) ou a velocidade de

Tendo a reação acima como modelo, podemos escrever que a velocidade média da reação é:

Observe então que as velocidades de todos os compostos estão relacionadas entre si pela estequiometria da reação.

  • Velocidade Instantânea (

E por analogia:

1 1 1 1 1 1 v inst reação  v  v  v 
1
1
1
1
1
1
v
inst reação
v
v
v

v
v
v

a
inst A
b
inst B
c
inst C
s
inst S
t
inst T
u
inst U

E novamente, as velocidades instantâneas de cada composto estão relacionadas entre si pela estequiometria da reação.

  • Lei de Velocidade

Lei empírica que relaciona a velocidade da reação com a concentração dos reagentes.

Dada a reação genérica

, a Lei de velocidade é:

Observe que as concentrações dos reagentes estão elevadas por expoentes denominados ordem (α, β, γ,

...).

Tais

coeficientes são obtidos empiricamente, porém serão os mesmos coeficientes estequiométricos da reação caso

Cinética Química André Silva Franco A cinética química estuda a velocidade das reações e todos

André Silva Franco

se trate de uma reação elementar (como uma reação em equilíbrio)- aquela que ocorre em uma
se trate de uma reação elementar (como uma reação em equilíbrio)- aquela que ocorre em uma única etapa- ou
a etapa lenta de uma reação.
Por exemplo:
etapa 1 (lenta):
(reação determinante da velocidade pois é a mais lenta)
etapa 2 (rápida):
equação global:
Como a etapa 1 é lenta, ela é a reação determinante da velocidade. Portanto, da Lei de Velocidade, temos:

A ordem da reação é a soma das ordens de cada reagente, ou seja, x = α + β + γ + ... Onde k é a constante de velocidade e é própria para cada reação, determinada empiricamente. Obs.: No geral, usam-se na equação da Lei de Velocidade somente reagentes presentes na equação global. Caso na reação elementar tenha algum reagente que não apareça na equação global, deve-se tentar isolá-lo nas equações e substituí-lo para que ele não apareça na equação de velocidade.

  • Equações Integradas

Tais equações são úteis porque podemos descobrir a ordem da reação realizando o experimento uma única vez, montando uma tabela que relaciona o tempo com a concentração, o logaritmo natural da concentração, o inverso da concentração, o quadrado do inverso da concentração, etc. Tendo isso, os dados que formarem uma reta determinará o comportamento da reação, tendo assim descoberto a ordem.

Considerando a reação

 

, e sabendo que

  • v  

d A

[

dt

]

k A

[

]

, podemos reescrever obtendo:

 
  • 1 d

A   k dt

.

 
 

[

A

]

  • De ordem zero (

 

)

[

  • 1 d A

A

]

0

 

k dt

.

A

d A

t

 

k dt

A

[A]

0

kt

 
 

[

A

]

0

0

Concluímos, então, que a concentração do reagente A varia linearmente no tempo. Se montássemos

um gráfico de

, teríamos uma reta decrescente.

O coeficiente linear seria [A] 0 , e o angular seria k, que no caso, teria como unidade mol. L -1 . s -1

De primeira ordem (

)

1

[

A

]

1

d A

 

k dt

.

[

A

]

[

A

]

0

1

[

A

]

d A

Observe que como

ln

m

A

ln

m

A

0

kt ou m m e

A

A

0

.

ln

n

A

ln

n

A

0

kt ou n

A

n

A

0

kt

.

e

 t  ln[ A ]  ln[ A kt ou A ]   
t
ln[
A
]
ln[
A kt ou A
]
[
A e
]
.
 kt
  k dt
0
0
0
, podendo escrever:
kt
e
ln
N
ln
N
kt ou N N e
.
kt
A
A
A
A
0
0
e ln
P
ln
P
kt ou P P e
.
 kt
A
A
A
A
0
0

Onde m é a massa, N é o número de partículas, n é o número de mols e P é a pressão, todos

relacionados ao reagente em questão. Pode-se ainda utilizar a fração molar (

).

Em radioatividade, há algo chamado atividade, que também pode ser relacionada nesta equação, já que decaimento radioativo segue um mecanismo de primeira ordem.

André Silva Franco se trate de uma reação elementar (como uma reação em equilíbrio)- aquela que

André Silva Franco

Concluímos, então, que a concentração do reagente A varia exponencialmente no tempo. Se

montássemos um gráfico de O coeficiente linear seria

, teríamos uma reta decrescente. , e o angular k, que no caso, teria como unidade s -1 .

  • De segunda ordem (

 

)

[

1

A

]

2

  • d

A

 

k dt

.

[

A

]

[

  • 1 d A

A

]

2

 

 

[

A

]

0

 
t 1 1 k dt     kt [ A ] [ A ]
t
1
1
k dt
 kt
[
A
]
[
A
]
0
0

Caso montássemos um gráfico de

, teríamos uma reta crescente.

O coeficiente linear seria

, e o angular k, que no caso, teria como unidade L.mol -1 .s -1 .

  • De terceira ordem (

1

[

A

]

3

d

A  

k dt

.

)

[ A ] 1 t 1  d A     k dt 
[
A
]
1
t
1
d A
 
k dt
 2 kt
[
A
]
3
[
A
]
2
[
A
1 ]
2
[
A
]
0
0
0

Caso montássemos um gráfico de

, teríamos uma reta crescente.

O coeficiente linear seria

, e o angular seria 2k, que no caso, teria como unidade L 2 . mol -2 .s -1 .

  • Tempo de Meia-Vida É o tempo necessário para que a concentração caia pela metade (

    • De ordem zero (

)

 [A]  kt ,  A  0 0 t  Como  A 
 [A]
 kt ,
A
 0
0
t
Como  A 
2
k
1 2
Depende da concentração do reagente!
De primeira ordem (
)
ln[A]  ln[A]  kt ,
ln 2
0
t
Como
1
k
2

).

Independe da concentração do reagente, ou seja, é constante!

  • De segunda ordem (

)

1 1 1   kt t  Como [ A ] [ A ] ,
1
1
1
 kt
t
Como
[
A
]
[
A
]
,
1
A k
2
0
0
Depende da concentração do reagente!
De terceira ordem (
)
1
3
 2 kt
t
Como
[
A
]
2
[
A
1 ]
,
2
1
2
2
2
A k
0
0

Depende da concentração do reagente!

  • Equação de Arrhenius Equação determinada de forma empírica relaciona a constante de velocidade k com a temperatura:

E 1 E 1 A ln k  ln F   . A . ou
E
1
E
1
A
ln
k
ln
F
.
A
.
ou
k F e
.
R T
R T
André Silva Franco Concluímos, então, que a concentração do reagente A varia exponencialmente no tempo. Se

André Silva Franco

Sendo k a constante de velocidade da reação, F um parâmetro de Arrhenius específico para cada reação, E A a energia de ativação, R a constante universal dos gases e T a temperatura absoluta em que ocorre a reação.

Caso montássemos um gráfico

obteríamos um reta decrescente com coeficiente linear F e angular

.

Quanto maior a inclinação, maior a energia de ativação. Considerando um intervalo de temperatura onde a energia de ativação seja constante, podemos relacionar as

constantes de velocidade com suas temperaturas segundo a fórmula:

ln

k

2

E R .   1

A

T

1

1

k

1

T

2

Considerando uma mesma concentração,

k k

2

1

v v

2

1

t t

1

2

, temos ainda que:

ln

k

2

k

1

ln

v

2

ln

v

1

t

1

t

2

E R .   

A

1

1

T

1

T

2

  

  • Teoria das Colisões Para uma reação ocorrer é necessário ocorrerem colisões apropriadas entre as moléculas dos reagentes (choques efetivos). Essas colisões dependem tanto da energia de ativação (

), como da orientação da colisão. Quanto maior a

energia de ativação, maior a dificuldade para que a reação ocorra.

E

N

E

R

G

I

A

Complexo Ativado Produtos Energia de Ativação Reagentes
Complexo Ativado
Produtos
Energia de Ativação
Reagentes
Reação Endotérmica Absorve Energia
Reação Endotérmica
Absorve Energia

Entalpia

Caminho da Reação

E

N

E

R

G

I

A

Complexo Ativado Energia de Ativação Reagentes Entalpia Produtos
Complexo Ativado
Energia de Ativação
Reagentes
Entalpia
Produtos
Reação Exotérmica Libera Energia
Reação Exotérmica
Libera Energia

Caminho da Reação A energia de ativação é a energia necessária para que a reação ocorra. Para reações exotérmicas, ou seja, que possuem variação de entalpia menor que zero, a energia de ativação em geral é menor, e, portanto, elas são mais rápidas.

No complexo ativado, as partículas estão juntas, havendo o rompimento de ligações antigas e a formação das ligações novas.

André Silva Franco Sendo k a constante de velocidade da reação, F um parâmetro de Arrhenius
  • Catálise

André Silva Franco

Um modo de aumentar a velocidade de uma reação é usar um catalisador, uma substância que aumenta a velocidade sem ser consumida na reação global. No geral, somente uma pequena quantidade se faz necessária, já que ele age muitas vezes. Catalisadores fornecem um caminho alternativo à reação, alterando, portanto o mecanismo dela. Se esse novo caminho tiver energia de ativação mais baixa do que o caminho original, haverá um maior número

de moléculas que podem cruzar a barreira de energia para a reação, o que aumentará a velocidade de reação. Há dois tipos de catálise:

  • Homogênea - onde o catalisador está na mesma fase dos reagentes.

  • Heterogênea onde o catalisador está numa fase diferente dos reagentes.

Eles podem ser incluídos na Lei de Velocidade desde que sua ação esteja na etapa lenta. E como já dito, outras reações que antes não ocorriam podem acontecer, já que catalisadores propõem um novo mecanismo de reação: reações cineticamente desfavoráveis tornam-se cineticamente favoráveis.

 Catálise André Silva Franco Um modo de aumentar a velocidade de uma reação é usar

[A]

  • Autocatálise: Reação em que, em geral, um dos produtos é o próprio catalisador, e, portanto, ela torna-se mais rápida com o passar do tempo.

  • Catalisadores vivos Enzimas: Agem da mesma forma que os catalisadores, porém em processos biológicos. São proteínas e respeitam o modelo chave-fechadura da biologia, em que há somente uma enzima para seu substrato. Modificam as moléculas do substrato para promoverem a reação.

  • Promotor: Age sobre os catalisadores, tornando-os mais eficientes; porém, não tem atividade catalítica.

  • Veneno Catalítico: Substância que ataca os catalisadores, alterando sua forma ou impedindo a entrada do substrato; desta forma, diminui a velocidade da reação já que o catalisador é prejudicado.

  • Inibidor: Difere de veneno catalítico porque afeta a reação num todo. É oposto ao catalisador, ou seja, aumenta a energia de ativação, diminuindo, assim, a velocidade da reação

 Catálise André Silva Franco Um modo de aumentar a velocidade de uma reação é usar

A seta vermelha representa a energia de ativação com catalisador. Ela é menor do que a sem catalisador. A variação da entalpia permanece constante.

 Catálise André Silva Franco Um modo de aumentar a velocidade de uma reação é usar
Equação de Arrhenius: Numa temperatura constante, sendo André Silva Franco as energias de ativação sem catalisador

Equação de Arrhenius: Numa temperatura constante, sendo

André Silva Franco

as energias de ativação sem

catalisador e com catalisador, respectivamente, temos, da equação de Arrhenius:

  • Fatores que Afetam a Velocidade da Reação

    • Temperatura:

Análise Quantitativa: Pode-se perceber da equação de Arrhenius que quanto maior a temperatura

maior

o

valor

de

k,

portanto,

maior

será

a

velocidade

da

reação.

Análise Qualitativa: Temperatura é a medida do nível de agitação das partículas. Quanto maior a

temperatura, mais agitadas elas estarão e, portanto, maior a sua energia cinética

 

,

havendo assim, um maior número de moléculas com energia igual ou superior à de ativação, ocorrendo

mais choques

efetivos,

resultando

no

aumento

da

velocidade

da

reação.

Observe que em II há um número maior de moléculas com energia superior ou igual à de ativação, portanto, a velocidade de reação em II é maior. Essa diferença se deve a um aumento de temperatura.

Equação de Arrhenius: Numa temperatura constante, sendo André Silva Franco as energias de ativação sem catalisador
  • Concentração dos Reagentes: Análise Quantitativa: Pode-se perceber da definição de velocidade de reação que quanto maior a concentração maior a velocidade da reação. Análise Qualitativa: Quanto maior a concentração dos reagentes, maior o número de moléculas reagindo, havendo, portanto, mais choques efetivos, resultando no aumento da velocidade da reação.

    • Pressão: Afeta somente os gases Análise Quantitativa: Como , a velocidade aumenta com o aumento da pressão dos gases. Análise Qualitativa: Ao aumentar a pressão, estamos diminuindo o volume, e, portanto, o espaço entre as moléculas aumenta, há o aumento da concentração dos reagentes gasosos, ocasionando num maior número de colisões efetivas, resultando no aumento da velocidade da reação.

    • Superfície de Contato: Afeta somente os sólidos Análise Qualitativa: Quanto maior o estado de subdivisão do reagente sólido, maior a superfície de contato, havendo um maior número de colisões efetivas, resultando no aumento da velocidade.

    • Presença de Catalisador:

Análise Quantitativa: Pode-se perceber da equação de Arrhenius que o catalisador altera a energia de ativação, tornando o valor de k maior, portanto, maior será a velocidade da reação. Análise Qualitativa: Por diminuírem a energia de ativação, há um maior número de moléculas com energia igual ou superior à de ativação, e, portanto, um maior número de colisões efetivas, resultando no aumenta da velocidade da reação.

Equação de Arrhenius: Numa temperatura constante, sendo André Silva Franco as energias de ativação sem catalisador
  • Curiosidades:

André Silva Franco

  • Pode-se relacionar a velocidade com a equação de Arrhenius para determinar a ordem da reação: v k

A

ln v

ln k

A

ln k

lnA

ln k

lnA

ou

ln

v

ln

v

E

A

1

.

k

F

R T

ln

A

ln

A

Ou ainda, construindo-se um gráfico de

, obteremos uma reta cujo coeficiente linear

será

, e o angular será

.

  • Muitas vezes, para se determinar as ordens de cada reagente, e assim a ordem da reação, num experimento medimos a velocidade. Em outro, duplicamos a concentração de um reagente, mantendo a dos outros iguais, e medimos a velocidade da reação. Executamos o procedimento com todos os reagentes, e para averiguar os cálculos, podemos duplicar novamente (estaríamos multiplicando por 4). Para um reagente genérico, obteríamos a seguinte relação:

  • Numa reação genérica AB produtos , a Lei de Velocidade é v k AB, sendo esta uma reação de segunda ordem. Caso a concentração de um dos reagentes seja muito superior a do outro, podemos falar que sua concentração é constante no tempo, ou seja,

v k A B k B

'

 

k '

. Desta

forma, a reação seria de pseudo-primeira ordem. De forma análoga, há reações de ordens pseudo-zero, pseudo-dois, etc.

  • Aprofundamento:

    • Reações Paralelas:

Reações paralelas são aquelas que, a partir de um reagente, há a formação de dois (ou mais) produtos por reações, e portanto, mecanismos diferentes.

C AB

k2

k1

Para facilitar as contas, consideraremos as reações de primeira ordem.

A velocidade de desaparecimento de A é:

 

d A

 
  • v A

 

k A

dt

1

k A

2

k 1
k
1

k A

2

Observe que o termo Se chamarmos

de

é responsável pelo aparecimento de B e o termo , teremos: vA k A, e isto nós já sabemos resolver:

pelo de C.

A

[

A e

]

0

.

kt

[

A e

]

0

.

k k t

1

2

O produto B é formado numa velocidade

v

B

d B

dt

k A

1

k A

1

0

.

e

k k t

1

2

. Integrando:

B

A

0

k k k

1

2

1

1

e

k k t

1

2

De forma análoga,

v

C

d C

dt

k A

2

k A

1

0

.

e

k k t

1

2

. E assim, integrando, obtemos que:

 Curiosidades: André Silva Franco  Pode-se relacionar a velocidade com a equação de Arrhenius para

André Silva Franco

 k   C    A  2 1  e  k
k
C
A
2
1
e
 k  k t
1
2
0
k  k
1
2
B
k
1
É importante ressaltar que
 
C
 
k
no início da reação. Se
, dizemos que B é favorecido cineticamente.
2
Resumindo:
C AB
k2
k1
k

k
A
[
A e
]
.
 kt
[
A e
]
.
k
k
t
;
B
A
1
1
e
k
k
t
;
C
A
2
1
e
k
k
t
1
2
1
2
1
2
0
0
0
k
k
0
k
k
1
2
1
2

Um caso particular é quando as reações são reversíveis:

C

A B  2 1 k k k k 2  1
A
B
 2
1
k k
k k
2
1

Sendo

as constantes de equilíbrio da reação A dando B e A dando C, respectivamente, obtemos, quando , o equilíbrio. Desta forma, cada concentração, no equilíbrio, será:

A

eq

A

0

K K

1

2

1

;

B

eq

K A

1

.

0

K K

1

2

1

;

C

eq

K A

2

.

0

K K

1

2

1

E novamente, ressaltamos que

 

B

 

eq

K

1

C

eq

K

2

. Se

, dizemos que B é favorecido termodinamicamente.

  • Reações Consecutivas:

Reações consecutivas são aquelas que, enquanto um reagente forma um produto, este forma outro.

AB C

k1

k2

Novamente, consideraremos as reações de primeira ordem. E, além disso, admitiremos que no início da reação só haja A.

d A

dt

k

d B

dt

d C

dt

  • v A

1

A v

;

B

k A

1

k

2

B v

;

C

 

k B

 

2

k A

1

0

k k

2

1

e

k t

1

 

Fazendo-se uso da integração, obtemos:

 k t  A    A  . e 1 0 k A
 k t
A
A
.
e
1
0
k A
1
0
k t
k t
B
e
1
e
2
k
k
2
1
1
k t
k t
C
A
1
k e
.
1
k e
.
2
2
1
0
k
k
1
2

Para obtermos o instante em que a concentração de B será máxima, basta derivar

B

igualarmos a zero. Ou seja,

k A

1

0

k k

2

1

k e

1

.

k t

1

k e

2

.

k t

2

0

 

e

k k t

1

2

k

1

 

k

2

e

k t

2

e

 k  ln 1    k  t  2 k  k
 k 
ln
1
k
t 
2
k  k
1
2
André Silva Franco  k   C    A  2 1 
  • A Aproximação do Estado Estacionário:

André Silva Franco

Em reações consecutivas, consideraremos duas etapas, sendo a primeira rápida e a segunda lenta. Por tal fato, a primeira etapa é reversível, e a segunda, determina a lei de velocidade.

Como já analisado,

  • v A

 

d A

dt

k

1

A v

;

B

A B  C 1 k 2 k k  1 d B   
A B  C
1
k
2
k k
 1
d B
 k A  k B
dt
1
2

k

1

B v

;

C

d C

dt

k B

2

O composto B é produzido e consumido ao mesmo tempo. Caso a variação de sua concentração seja praticamente insignificante, dizemos então que ele está em um estado estacionário, ou seja:

v

B

d B

dt

k A

1

k B

2

k

1

B

0

 

B

k

1

k k

1

2

A

Além disso, a velocidade da reação é

v

k B

2

k .k

1

2

k

1

k

2

A

k A

, sendo

k

k .k

1

2

k k

1

2

.

Tal análise é útil para o estudo de reações mais complexas que se utilizam da aproximação do estado estacionário, como a cinética de enzimas.

  • Teoria de Michaelis-Menten:

Trata-se do estudo das reações catalisadas por enzimas. Tais reações dependem da aproximação ao estado estacionário e seguem reações consecutivas, sendo a primeira um equilíbrio lento, e a segunda rápida.

E

S

k k

1

1

ES

k

2

 

E

P

Onde E é a enzima, S o substrato, ES é o complexo enzima-substrato, e P é o produto.

v

ES

d ES

dt

k E S

1

 

k ES

2

k

1

ES

0

 

ES

k 1
k
1

k k

1

2

 

E S

E então,

v k ES

2

k k

1

.

2

k k

1

2

 

E S

k

2

K

M

 

E S

, sendo

K

M

k k

1

2

k 1
k
1

  

E S

ES

Porém, não é fácil obter a concentração de ES, e, portanto, por balanço de massa:

E

0

E ES

E

0

E

1

K

M

 

E S

E

0

E

1

1

K

M

S

E

E K

0

.

M

K S

M

Onde

é a concentração total de enzima presente em qualquer forma.

Desta forma,

v

k

2

K

M

 

E S

k

2

E K

0

.

M

K K

M

M

S

S

k E

2

0

S

 

K

M

S

. Ou seja,

v

k E

2

0

 

K S

M

S

Tal expressão é a Equação de Michaelis-Menten.

É importante destacar que a constante de Michaelis, quanto maior o seu valor, mais instável é o complexo.

indica o quanto estável é o complexo enzima-substrato;

 A Aproximação do Estado Estacionário: André Silva Franco Em reações consecutivas, consideraremos duas etapas, sendo
Quando , , que é a velocidade máxima. Então, fazendo , obtemos: V S  
Quando
,
, que é a velocidade máxima. Então, fazendo
, obtemos:
V S
V
v 
M
M
K  S
K
M
1 
M
S
1
1
1
M
.
Caso tomemos a recíproca da velocidade, chegamos em:
v
V
K V
S
e montemos um gráfico de
M
M
1
K
1
M
obtemos uma reta com coeficiente linear
V
, coeficiente angular
V
, e intercepto no eixo x
K
.
M
M
M

André Silva Franco

1

1

x

v

S

,

Tal diagrama é o gráfico de Lineweaver-Burk:

Quando , , que é a velocidade máxima. Então, fazendo , obtemos: V S  

o

A eficiência catalítica das enzimas:

A velocidade específica máxima, ou constante catalítica de uma enzima é o número de ciclos catalíticos realizados pelo sítio ativo num dado tempo dividido por esse intervalo de tempo:

k

cat

k

2

V

max

E

0

A eficiência catalítica de uma enzima é definida por:

k

cat

k k

1

2

K

M

k k

1

2

Quanto maior o valor de ε, mais eficiente é a enzima.

  • Inibição: Um inibidor, I, diminui a velocidade de formação do produto ligando-se à enzima, ao complexo ES ou a ambos simultaneamente. O esquema cinético mais geral para a inibição enzimática é:

k k 1 E S  ES   2 E P k  1 
k
k
1
E S
ES
 
2
E
P
k
 1
E I
 
EI
E
I
K
I
EI
ES I
 
ESI
ES
I
K'
I
ESI

Quanto menores os valores de K I e K’ I , mais eficientes são os inibidores.

E  E  EI  ES  ESI       
E  E  EI  ES  ESI
Pelo balanço de massa, a concentração total de enzima é: 
0
 I   I   E I       1
I
I
E I
  
  
1
e
  
'
1
K
e
K'
Definindo
K
, e usando
K '
I
EI
I
E
 E   ES  '
I
I
obtemos: 
0
E S
  
K ES
K 
E
M
ES
Usando
M
ES
, podemos escrever 
0
[
S
]
0
Ou seja,
k E
V
v k ES
2
0
M
2
K
 
' 
K
S
 
' 
M
M
0
S
0
1
 
'
K
1
M
Gráfico de Lineweaver-Burk:
v
V
V
S
 0
M
M

  

ES I

ESI

,

André Silva Franco

'

ES

K

M

[

S

]

0

'

o

Inibição Competitiva:

O inibidor liga-se apenas ao sítio ativo da enzima, impedindo, portanto, a ligação do substrato.

Esta condição corresponde a α>1 e α’=1 (pois ESI não se forma).

o

V v  M Ou seja: 1   K S   0 M Inibição
V
v
M
Ou seja:
1   K S
 0
M
Inibição Sem Competição:

O inibidor liga-se a um sitio da enzima afastado do sítio ativo, mas apenas após o substrato estar presente. A inibição ocorre porque ESI diminui a concentração de ES, o tipo ativo do complexo. Neste caso, α=1(pois não forma EI) e α’>1.

o

Ou seja:

v

V M  '  K S   0 M
V
M
 '  K S
 0
M

Inibição Não-Competitiva ou Mista:

O inibidor se liga a um sítio distinto do sítio ativo, e a sua presença reduz a capacidade do substrato em se ligar ao sítio ativo. A inibição ocorre em ambos os sítios de E e de ES. Essa condição corresponde a α>1 e α’>1

  • Fontes e Sugestão:

    • Fisico-Química Atkins e de Paula;

    • Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente Atkins e Jones;

    • Fisico-Química David W. Ball;

    • Chemical Kinetics Connors.

“A questão Primordial não é o que sabemos, mas como sabemos”

Aristóteles

 I   I   E I       1