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Química em Acção

Verão em Projecto

Maria Luísa Cardoso do Vale


Filipe Peralta | Ivo Dias
Faculdade de Ciências
Universidade do Porto | Julho de 2010
PROGRAMA

Segunda-feira

Apresentação da actividade
Trabalho prático nº 1 – Saponificação de uma gordura: Preparação de um sabão

Terça-feira

Trabalho prático nº 2 – Síntese do ácido acetilsalicílico (principal componente da


aspirina)

Quarta-feira

Trabalho prático nº 3 – Óleos essenciais das plantas – Isolamento usando


destilação por arrastamento de vapor e extracção de Soxhlet

Quinta-feira

Trabalho prático nº 4 – Determinação do ácido ascórbico em sumos

Sexta-feira

Trabalho prático nº 5 – Arco-íris quimioluminescente


Tarde – visita a Serralves
TRABALHO 1

Saponificação de uma gordura: Preparação de um


sabão

História do sabão1

As origens da higiene pessoal remontam aos tempos pré-históricos. As primeiras


evidências de um material parecido com o sabão foram encontradas em cilindros de barro,
datados de 2800 a.C..
De acordo com uma antiga lenda romana, o nome “sabão” tem a sua origem no
Monte Sapo, onde se realizavam sacrifícios de animais. A chuva levava uma mistura de
sebo animal derretido com cinzas, para o barro das margens do Rio Tigre. As mulheres
descobriram que usando esta mistura de barro, as suas roupas ficavam muito mais limpas,
e com muito menos esforço.

A indústria de sabão foi introduzida em Itália, Alemanha e França no século XIII;


mais tarde, no século XIV, em Inglaterra. Na América do Norte, o sabão era fabricado
artesanalmente até ao século XIX.
Foram dois grandes avanços químicos que marcaram a revolução na produção de
sabões: Em 1791, Nicolas Leblanc desenvolveu o método de síntese de carbonato de sódio
(usado para a fabricação de soda cáustica) a partir de salmoura e em meados do séc. XIX,
o químico belga, Ernest Solvay, desenvolveu um novo processo de fabricação de carbonato
de sódio a partir do amoníaco. Entre 1813 e 1823 Michel Eugéne Chevreul, farmacêutico,
esclareceu a composição química das gorduras naturais e publicou os primeiros relatos
sobre a produção dos sabões.
Um sabão é um sal de sódio ou potássio de ácidos gordos de longa cadeia (p. ex.
estearato de sódio). É sintetizado por hidrólise alcalina (saponificação) de triacilgliceróis,
que são os principais constituintes dos óleos e das gorduras:

2
O

H2 C O C R H2 C OH
RCOO- Na+
O
+
NaOH
HC O C R' HC OH + R'COO- Na+
H2O
O +
R''COO- Na+
H2 C O C R'' H2 C OH

Carboxilatos de Sódio
Triacilglicerol Glicerol (sabão)

Esquema 1: Equação química de síntese de um sabão

O uso de sabões naturais para fins de limpeza pode apresentar vários problemas: As
moléculas de sabão formam precipitados insolúveis na presença de iões cálcio, magnésio e
ferro, presentes em águas duras; em soluções ácidas, o sabão pode ser convertido nos
correspondentes ácidos gordos, que não têm qualquer poder de limpeza. Foram estes
problemas que levaram a que se tivesse investido na pesquisa de novos produtos, tendo
surgido os detergentes sintéticos (sulfatos, fosfatos, etc.); aliás, estes começaram a
aparecer durante a I Guerra Mundial, devido à falta de gorduras para fazer sabão (eram
obtidos a partir do petróleo ou gás natural).
No presente trabalho preparar-se-ão vários sabões por saponificação de gorduras de
origem variada (óleo vegetal, margarina, banha, etc…).

Procedimento experimental2

Num matrás de 100 mL, dissolver 5 g de hidróxido de sódio em 18 mL de uma


solução de água/etanol 1:1. Colocar 5 g de gordura num balão de fundo redondo de 250
mL e adicionar a solução anterior. Refluxar a mistura durante aproximadamente 30
minutos, agitando constantemente.
Num gobelé de 400 mL preparar uma solução de 25 g de cloreto de sódio em 75 mL
de água. Caso necessário, aquecer para dissolver o sal; antes de continuar deixar arrefecer
de novo.
Verter rapidamente a gordura saponificada sobre esta solução fria e agitar
vigorosamente durante alguns minutos. Deixar arrefecer até à temperatura ambiente, em
banho de gelo. Recolher o precipitado formado num funil de Büchner, por filtração sob
pressão reduzida. Lavar o precipitado duas vezes com água gelada e deixar secar por
passagem de ar, durante 15 minutos.
Usar parte do sabão para efectuar os testes a seguir descritos. Transferir o restante
para uma cápsula de Petri e deixar secar até à aula seguinte.

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Testes a efectuar com o sabão obtido:
O sabão preparado será analisado quanto à sua capacidade em formar espuma, na
ausência e na presença de iões cálcio. O resultado obtido permitirá inferir, num ensaio
posterior, quanto à dureza da água da torneira. O teste com o anião fosfato serve para
demonstrar, de uma forma muito simplificada, o modo de actuação dos amaciadores.

Colocar um bocado (do tamanho de uma ervilha) do sabão preparado num tubo de ensaio.
• Adicionar 3 mL de água destilada, rolhar o tubo de ensaio e agitar a mistura
vigorosamente durante cerca de 15 segundos. Deixar repousar durante 30 segundos
e observar o nível de espuma.
• Adicionar 2 gotas de uma solução aquosa de cloreto de cálcio a 4 % à solução
anterior, agitar novamente durante 15 segundos e deixar repousar durante 30
segundos. Observar o efeito do cloreto de cálcio na espuma.
• Juntar 0,5 g de fosfato de sódio e agitar a mistura durante 15 segundos. Após 30
segundos voltar a observar a solução.
• Num tubo de ensaio limpo, testar o sabão sintetizado usando água da torneira.

Bibliografia:

1. http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:xZs__Jt5fOgJ:www.recet.pt/
pi/sabao.php%3Fpag%3D2+s%C3%ADntese+de+um+sab%C3%A3o&cd=6&hl=ptPT&
ct=clnk&gl=pt
2. S. Selfe, Laboratory Manual for Blei and Odians’s General, Organic and Biochemistry,
W. H. Freeman and Company, 2000, pp. 209-213; D.C. Eaton, Laboratory
Investigations in Organic Chemistry, McGraw- Hill Book Company, 1989, pp. 533-542.

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TRABALHO 2

Síntese do ácido acetilsalicílico (principal


componente da aspirina). Identificação do princípio
activo de analgésicos por cromatografia em camada
fina.

Introdução

O ácido acetilsalicílico (nome sistemático: ácido 2-


acetoxibenzóico, ver figura 1) possui propriedades analgésicas,
antipiréticas e anti-inflamatórias (NSAIDs – non-steroidal anti-
inflamatory drugs). Adicionalmente, uma vez que inibe a agregação
de plaquetas e a coagulação do sangue, é também usado em doses Figura 1: ácido
acetilsalicílico
baixas para tratar doentes em risco de ataque cardíaco.

O ácido acetilsalicílico foi sintetizado pela primeira vez em


1893, a partir do ácido salicílico (analgésico inicialmente extraído
da casca do salgueiro), pelo químico alemão Felix Hoffmann
quando fazia pesquisas para aliviar as dores reumáticas do pai. O
novo produto possuía as mesmas características anti-
inflamatórias e analgésicas do ácido salicílico, mas não tinha o
seu sabor azedo nem era tão irritante para as mucosas. Em 1899
a Bayer, companhia de produtos químicos onde Hoffmann
trabalhava, sintetizou-o e comercializou-o sob o nome registado
Figura 2: salgueiro
de "Aspirina".

No presente trabalho, o ácido acetilsalicílico será preparado por acetilação do ácido


salicílico com anidrido acético, em meio ácido, de acordo com a seguinte equação química:

Esquema 1: equação química de síntese do ácido acetilsalicílico

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Procedimento experimental
Síntese do ácido acetilsalicílico

Para um matrás de 100 mL, pesar cerca de 2 g de ácido salicílico e adicionar (na
HOTTE) 5 mL de anidrido acético e 5 gotas de ácido sulfúrico concentrado. Agitar o matrás,
cuidadosamente, até todo o ácido salicílico se dissolver. Aquecer o matrás num banho-
maria durante 10 a 15 minutos. Retirar o matrás do banho-maria e adicionar à solução
quente, com agitação, em pequenas porções, 1 mL de água à temperatura ambiente e, em
seguida, 20 mL de água arrefecida em banho de gelo, para completar a cristalização do
ácido acetilsalicílico. Filtrar o produto sob vácuo e lavar os cristais, várias vezes, com
pequenas porções de água arrefecida em banho de gelo.
Para remover o polímero que se possa ter formado, transferir os cristais para um
gobelé de 50 mL e adicionar 25 mL de solução aquosa saturada de hidrogenocarbonato de
sódio. Agitar e, quando a reacção terminar e se verificar a formação dum sólido
sobrenadante, filtrar por sucção. Ter em atenção que o líquido filtrado contém o
produto necessário para a continuação do trabalho. Transferir o filtrado para outro
gobelé de 50 mL e adicionar, lentamente, solução aquosa de ácido clorídrico 3 M até a
mistura ficar ácida (pH ≈ 1, verificar com papel indicador universal) e aparecer um
precipitado. Arrefecer a mistura em banho de gelo durante 15 minutos. Filtrar o produto
sob vácuo e lavar os cristais com uma pequena porção de água arrefecida em banho de
gelo. Deixar em sucção durante 15 minutos. Transferir os cristais para uma caixa de papel
(previamente pesada) colocar a secar na estufa durante 10 minutos e pesar.
Proceder à purificação do produto obtido do seguinte modo: Colocar o ácido
acetilsalicílico impuro num matrás de 100 mL, adicionar 10 mL de éter etílico, agitar e
juntar igual volume de éter de petróleo 40-60ºC. Agitar e deixar depois a mistura em
repouso, em banho de gelo, durante 15 minutos. Filtrar os cristais obtidos sob vácuo,
deixar secar e pesar. Determinar o ponto de fusão do ácido acetilsalicílico.

Identificação do princípio activo de analgésicos por cromatografia em camada fina

Num tubo de ensaio, deitar uma microespátula do ácido acetilsalicílico anteriormente


sintetizado e adicionar cerca de 1 mL de uma solução de diclorometano-metanol 1:1.
Aquecer o tubo em banho-maria durante 2-3 minutos. Proceder do mesmo modo com a
amostra de analgésico que lhe foi fornecida.
Numa placa de cromatografia em camada fina marcar, a lápis, numa recta a cerca
de 1 cm da base, cinco pontos (ácido acetilsalicílico, cafeína, paracetamol, ibuprofen e
amostra de analgésico). No topo da placa indicar (a lápis) as substâncias a que

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corresponde cada ponto. Com cinco capilares diferentes aplicar as cinco soluções/misturas
obtidas/fornecidas.
Colocar dentro de uma tina cromatográfica uma tira de papel de filtro e acetato de
etilo (cerca de 5 mm de altura da tina). Deixar em repouso durante 10 minutos.
Desenvolver a placa, deixando o eluente subir até cerca de 1 cm do topo da placa. Retirar a
placa da tina cromatográfica e deixar evaporar o acetato de etilo. Revelar a placa por
irradiação de luz U.V. (254 nm).
Calcular os valores de Rf para todas as manchas visualizadas e concluir sobre a
composição da amostra de analgésico fornecida.

Soluções padrão dos compostos 1, 2, 3 e 4:


0,05 g em 3 mL de CH2Cl2 / MeOH 1:1.

Comprimidos a analisar: Placa de cromatografia:


Aspirina
1 2 D 3 4
Panasorbe
Brufen D
Dolviran
Efferalgan

. . . . .

0,05 g em 3 mL de CH2Cl2 / MeOH 1:1. Eluente: Acetato de etilo

Bibliografia

1. D. C. Eaton, Laboratory Investigations in Organic Chemistry, Mc Graw-Hill Book


Company, New York, 1989, pp. 299-315.

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TRABALHO 3

Óleos essenciais das plantas – Isolamento


usando destilação por arrastamento de vapor e
extracção de Soxhlet. Identificação por cromatografia
em camada fina.

Introdução

Todos conhecemos plantas que possuem aromas agradáveis, como sejam os aromas
a mentol, baunilha, pinho, canela, entre muitíssimos outros. Todos estes aromas resultam
dos óleos voláteis, conhecidos por óleos essenciais, produzidos pelas plantas sendo muitos
extremamente valiosos pela sua aplicação nas indústrias de aromatizantes, perfumes,
especiarias, repelentes de insectos, etc. Um exemplo bem conhecido é o do uso dos óleos
essenciais presentes nas pétalas das flores para preparar perfumes naturais. Os óleos
essenciais podem ser predominantes em diversas partes da planta; por exemplo, o mentol
encontra-se nas folhas, o gengibre nas raízes, a mostarda nas sementes, a pimenta nos
frutos e a canela na casca.
Apesar de normalmente não se extraírem os óleos essenciais das especiarias, que
são meramente recolhidas da planta e prontas a utilizar após um tratamento de secagem, é
necessário o isolamento dos referidos óleos quando estes se destinam a outros fins, como
aromatizantes ou perfumes. O isolamento de óleos essenciais pode ser efectuado de
diversos modos, sendo os mais correntes a destilação por arrastamento de vapor e a
extracção com solventes. Neste trabalho, vamos ilustrar ambos os métodos de isolamento
de óleos essenciais de especiarias (canela, cominhos, anis estrelado e cravinho).

A – Destilação por arrastamento de vapor

Material e reagentes

• Balão de fundo redondo de 3 tubuladuras de 500 mL ou 1000 mL


• Manta eléctrica de 500 mL ou 1000 mL
• Condensador, cabeça de Claisen, recebedor
• Funil de separação 250 mL
• Funil de separação de 100 mL

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• Suportes, garras e nozes
• Provetas de 250 e 25 mL
• Matrás de 200 mL, matrás de 100 mL com rolha
• Funil de vidro, papel de filtro
• Balão de fundo redondo de 100 mL (previamente tarado)
• Rolhas de vidro
• Tubo de ensaio
• Evaporador rotativo
• Especiaria (15 g: anis estrelado, cravinho, canela, cominhos)
• Diclorometano
• Sulfato de magnésio anidro

Procedimento

Colocar 15 g da especiaria no balão de fundo redondo (500 mL ou 1000 mL - canela


e cominhos) e adicionar 150 mL de água e três pedras de anti – bumping.
Preparar a montagem (untando, cuidadosamente, todas as junções com gordura)
para destilação directa por arrastamento de vapor (ver figura 1). Encher o funil de
separação com água e aquecer a mistura na manta eléctrica. Notar-se-á a formação de
gotas oleosas na água. Uma vez iniciada a destilação, adicionar água do funil de separação
ao mesmo fluxo da destilação, para manter o nível de líquido no balão. Continuar a
destilação até que não se observem mais gotas de óleo na água, sendo recolhidos pelo
menos 100 mL de líquido destilado. Transferir este
líquido para um funil de separação e executar
duas extracções com 20 mL de diclorometano
(tóxico!). As fases orgânicas recolhem-se, após
cada extracção, num matrás de 100 mL. Adicionar
aos extractos combinados sulfato de magnésio
anidro e, em seguida, filtrar através de filtro de
pregas e funil de vidro para um balão de fundo
redondo de 100 mL previamente tarado. Evaporar
o solvente sob pressão reduzida (evaporador
rotativo) até volume constante do resíduo oleoso.
Pesar o balão depois de bem seco.
Dissolver o resíduo oleoso obtido num pouco de
éter etílico e transferi-lo para um tubo de ensaio.
Figura 1:
Montagem para destilação
por arrastamento de vapor

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B – Extracção de Soxhlet

Material e reagentes
• Extractor (ou digestor) de Soxhlet
• 1 balão de fundo redondo de 250 mL
• Suporte, garras e nozes
• Tubo de ensaio
• Anti-bumping
• Proveta de 100 mL
• Manta eléctrica de 250 mL
• Condensador
• Evaporador rotativo
• Diclorometano
• Especiarias (15 g: anis estrelado, canela, cominhos e cravinho)

Procedimento

Colocar 15 g da especiaria dentro do reservatório do


extractor de Soxhlet e 150 mL de diclorometano no balão de fundo
redondo (previamente pesado). Adicionar três pedras de anti-
bumping. Fazer a montagem para a extracção de Soxhlet (ver
figura 2), tendo o cuidado de untar previamente todas as juntas
com gordura. Aquecer o conteúdo do balão na manta eléctrica de
modo a que a mistura entre em refluxo. Deixar em refluxo e
extracção contínuos durante cerca de uma hora.
Desmontar, cuidadosamente, todas as peças. Levar esta
solução a evaporar sob pressão reduzida (evaporador rotativo) até
volume constante do resíduo oleoso. Pesar o balão depois de bem
seco.
Dissolver o resíduo oleoso obtido num pouco de éter etílico e
transferi-lo para um tubo de ensaio.

Figura 2:
Montagem para extracção de
Soxhlet

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C - Identificação dos óleos essenciais isolados por cromatografia em
camada fina (CCF).

Os sistemas cromatográficos podem servir não só para a separação dos


componentes de uma mistura (cromatografia preparativa), mas também para a sua
identificação por comparação com padrões conhecidos (cromatografia analítica). Assim,
tratando tanto padrões como amostra de igual modo e aplicando-lhes as mesmas condições
de análise, pode-se identificar os componentes da amostra, por comparação dos
respectivos factores de retenção (Rf) ou tempos de retenção (tr) com os observados para as
substâncias padrão. Neste trabalho, ilustrar-se-á um método de cromatografia analítica
para a identificação dos componentes dos óleos essenciais isolados na aula anterior: a
cromatografia em camada fina (CCF ou TLC, de thin layer chromatography).

1. Aplicação da amostra 2. Desenvolvimento 3. Revelação

Figura 3: Esquema do procedimento para cromatografia em camada fina

Figura 4: Estruturas dos componentes principais dos óleos essenciais isolados

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Material e reagentes
• Placa de alumínio recoberta com alumina (para CCF)
• Tubos capilares, frasco de vidro
• Tina de vidro com tampa, papel de filtro
• 2 provetas de 25 mL
• Câmara de iodo
• Lâmpada de UV
• Tubos de ensaio contendo o óleo essencial previamente isolado
• Soluções padrão de óleos essenciais
• Éter dietílico, diclorometano e hexano

Procedimento (CCF)
Cortar três placas de CCF com 4 cm de largura e 8 cm de altura. Traçar a lápis,
levemente, uma linha horizontal a cerca de 1 cm da base de cada placa e marcar 6 pontos
equidistantes sobre essa linha. Preparar os eluentes diclorometano, n-hexano e
diclorometano/n-hexano 3:5 e vertê-los nas respectivas tinas cromatográficas de modo a
ter cerca de 0.5 cm de altura de líquido.
Cortar três rectângulos de papel de filtro, de largura igual ao diâmetro das tinas e
comprimento igual à altura das tinas. Colocar o papel de filtro dentro de cada tina, tapá-la
e aguardar cerca de 10 minutos até que todo o papel se tenha impregnado de eluente.
Entretanto, dissolver a amostra do óleo essencial isolado em 2 mL de éter dietílico (4 mL no
caso do cravinho). Com o auxílio de um tubo capilar colocar em cada ponto (devidamente
identificado na parte inferior) marcado em cada placa de CCF, uma gota de cada uma das
soluções a eluir (amostra + padrões). NÃO MISTURAR OS TUBOS NEM CONFUNDIR OS
PONTOS!!! Deixar secar as gotas e repetir a operação duas vezes mais. Colocar as placas
dentro da tina cromatográfica correspondente e tapar. Deixar subir o eluente até cerca de
0.5 cm do topo da placa, retirar a placa da tina e deixá-la secar sobre a tampa da tina.
Revelar as manchas eluídas por UV e em câmara de iodo. Marcar os contornos das
manchas observadas a lápis, medir os respectivos Rf e identificar os componentes da
amostra.

Bibliografia

1. David C. Eaton, “Laboratory investigations in organic chemistry”, McGraw-Hill, Nova


Iorque, 1989.
2. H. Dupont Durst e George W. Gokel, “Experimental organic chemistry” 2ª Ed., McGraw-
Hill, Nova Iorque, 1987.

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TRABALHO 4

Determinação de Ácido Ascórbico em Sumos

Introdução

O sumo de laranja deverá conter um mínimo de 230 mg de ácido ascórbico por kg


(NP-1424). O ácido ascórbico pode ser determinado em sumos através de uma reacção de
oxidação-redução, utilizando como reagente oxidante o 2,6-diclorofenolindofenol (DPIP). A
reacção do DPIP com o ácido ascórbico é traduzida pela seguinte equação:

Ácido ascórbico Ácido desidroascórbico

DPIP

Esquema 1: Equação química da reacção de oxidação do ácido ascórbico

O DPIP é azul em meio neutro ou alcalino e vermelho quando em meio ácido. Na sua
forma reduzida é incolor. Assim, ao titularmos uma solução ácida de ácido ascórbico com
DPIP, a solução inicialmente azul torna-se incolor em contacto com a solução de ácido
ascórbico. Quando todo o ácido ascórbico tiver sido consumido, qualquer excesso de DPIP
que se adicione ao titulado dar-lhe-á coloração rósea, proporcionando um meio de detecção
do ponto final da titulação.

Procedimento experimental

Material

• 1 Bureta + suporte • 1 Balão volumétrico de 25,00 mL


• 2 Matráses de 200 mL • 2 Pipetas volumétricas de 2,00 mL
• 1 Balão volumétrico de 250 mL • 1 Pipeta volumétrica de 40,00 mL
• 1 Gobelé de 50 mL • 1 Proveta de 50 mL
• 1 Matrás com rolha de 100 mL • 1 Funil para bureta

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Reagentes

1. Reagente DPIP: num gobelé ou matrás, dissolver 0,06 g de DPIP e 0,05 g de


hidrogenocarbonato de sódio em 250 mL de água, colocando a solução resultante
em agitação contínua num agitador magnético
(Nota: a preparação não deve ser rigorosa, pois esta solução será padronizada no
final).
2. Solução padrão de ácido ascórbico: num balão volumétrico, dissolver 0,0500 g de
ácido ascórbico e 0,2 g de ácido oxálico em água, até perfazer o volume.
(Nota: pesar o ácido ascórbico rigorosamente, dado tratar-se da preparação de
uma solução padrão, logo, de título que se pretende rigoroso).
3. Ácido oxálico.
4. Sumo de laranja.

Pipetar uma amostra de 40,00 mL de sumo para um matrás e adicionar 0,2 g de


ácido oxálico. Agitar suavemente de modo a dissolver todo o ácido oxálico. Pipetar 2,00 mL
desta solução para um matrás, adicionar 30 mL de água e titular com solução de DPIP até
que o ponto final seja visualizado pelo aparecimento de cor rósea persistente.
Padronizar a solução de DPIP utilizando 1,00 mL da solução padrão de ácido
ascórbico, efectuando o procedimento anterior.
Apresentar os resultados em mg de ácido ascórbico por 100 g de sumo.

Bibliografia:

1. NP-3030, 1985, Frutos, Produtos Hortícolas e seus Derivados, Determinação do teor de


ácido ascórbico. Processos correntes.
2. NP-1424, 1983, Derivados de Frutos e Produtos Hortícolas, Sumo de Laranja,
Definição, composição, características e acondicionamento.
3. Haddad, P., 1977, Vitamin C Content of Commercial Orange Juices, J. Chem. Ed. 54,
192-193.
TRABALHO 5

Arco-íris quimioluminescente

Introdução

A quimioluminescência produzida pela oxidação de etanodioatos de diarilo como, por


exemplo, o etanodioato de bis(2,4- dinitrofenilo), na presença de corantes fluorescentes é
bem mais espectacular que aquela produzida pelo luminol [1-3]. A quimioluminescência de
peroxioxalatos constitui a base das “barras de luz” usadas para a iluminação de emergência
e subaquática, e para os colares cintilantes tão apreciados nas festas populares. Desde
1980, esta reacção tem sido amplamente utilizada como uma ferramenta analítica para
análise de vestígios [4,5] e é actualmente o método de detecção de quimioluminescência
que apresenta maior sensibilidade e versatilidade em cromatografia líquida [6]. A reacção
global pode ser representado por:

Esquema 1: Reacção de quimioluminescência

Muito embora a maioria das reacções de quimioluminescência envolva a emissão a


partir de um intermediário derivado de um dos reagentes, na reacção do peroxioxalato a
energia é transferida para várias moléculas fluorescentes, que por sua vez, emitem luz
durante a relaxação do primeiro estado singleto excitado. O esquema reaccional genérico
pode ser representado da seguinte forma:

Esquema 2: Transferência de energia para uma molécula fluorescente

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A primeira equação representa o passo limitante da velocidade, logo a duração da
quimioluminescência é indicativa da velocidade desta reacção.
A reacção de um oxalato com peróxido de hidrogénio produz pelo menos um, mas
possivelmente dois ou mais, intermediários altamente energéticos capazes de gerar o
estado singleto excitado de moléculas fluorescentes. O decaimento de radiação da molécula
fluorescente excitada produz a emissão de luz observada, podendo usar-se uma variedade
de moléculas fluorescentes (fluorofors) para produzir uma gama de cores.

Como ésteres podem ser usados os oxalatos de bis(2,4-dinitrofenilo) (DNPO) e bis


(2,4,6-triclorofenilo) (TCPO).

Demonstração
A experiência deve ser feita numa sala escura. O procedimento descrito foi
ligeiramente alterado relativamente ao original [6].
Dissolver 150 mg de DNPO (ou TCPO) em 90 mL de uma solução de acetato de etilo
(80%) - acetonitrilo (20%). Colocar 10-15 mL desta solução em tubos de ensaio e
adicionar alguns mg dos sensibilizadores. A reacção com TCPO requer a adição de ca. 0,2 g
de salicilato de sódio em cada tubo de ensaio. A quimioluminescência é iniciada pela adição
de 1-2 mL de solução de peróxido de hidrogénio a 1% em acetonitrilo (esta solução é
preparada juntando a 1,5 mL de H2O2 a 30%, contidos num balão volumétrico de 50 mL,
acetonitrilo até completar o volume). Podem ser usados os sensibilizadores apresentados a
seguir:

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Bibliografia

1. A.G. Mohan and N.J. Turro, “A facile and effective chemiluminescence demonstration”,
J. Chem. Educ., 1974, 51, 528.
2. B.Z. Shakhashiri, L.G. Williams, G.E. Dirreen and A. Francis, “A cool-light
chemiluminescence”, J. Chem. Educ., 1981, 58, 70.
3. D. Potrawa and A. Schleip, “Die Chemilumineszenz von Oxalestern - “Lightsticks”, MNU
Mathematische und Naturwissenshaftliche Unterricht, 1983, 36, 284; Chem. Abstr.,
1983, 99, 193921.
4. A.G. Hadd and J.W. Birks, in Selective Detectors: Environmental, Industrial, and
Biomedical Applications, ed. R.E. Sievers, Wiley, New York, 1995, pp. 209-239.
5. P.J.M. Kwakman and U.A.T. Brinkman, Anal. Chim. Acta., 1992, 266, 175.
6. A.G.Hadd, D.W.Lehmpuhl, L.R.Kuck, J.W.Birks and G.P.Mell, “Chemiluminescence
demonstration illustrating principles of ester hydrolysis reactions”, J. Chem. Educ.,
1999, 76, 1237; http://www.chem.leeds.ac.uk/delights/texts/VV_exp_26.htm.

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