Um átomo no Universo

Diz Plutarco que Alexandre chorou

ao ouvir falar de outros mundos

espalhados pelo enorme universo.

Galáxias com mais sóis

do que os átomos na tinta deste verso,

seduzindo como anzóis

a fome do conquistador,

que nem deste mundo era ainda senhor.

Todo o império que habitava

não passava de um grão de areia

flutuando no éter do Sistema Solar,

entre a deusa do amor e o deus da guerra,

e outros tais que no seu orbitar

e com a sua grandeza ofuscam a Terra,

e no entanto todos submissos a esse ser brilhante

que no centro de tudo é para todos gigante.
Como ele, milhões de sóis se espalham pela Galáxia,

muitas vezes também com os seus servos.

Gigantes vermelhos de proporções enormes

anseiam por implodir, destruindo seus planetas.

Quasares, nebulosas, buracos negros disformes

sugando asteroides, estrelas e cometas.

O nosso Sol, com todo o seu tamanho,

é apenas um ponto brilhante em todo este desenho.

Um desenho de galáxia, em forma de espiral.

De nome Via Láctea, é uma numa multidão.

Inúmeras vizinhas, todas elas distantes,

separadas por oceanos de negrume vazio.

Milhões de estrelas nelas brilham, belas como diamantes...

no nosso céu não existem, nem como ponto luzidio.

Terão mundos com comida, rios e amor?

Ou serão desertos sem vida, frios e sem cor?

Seja como for, mesmo as galáxias que povoam o Cosmos

são apenas salpicos num enorme manto negro.

Tudo é pequeno na grandeza do nada,

anos-luz de não-existência em qualquer direção,

matéria ou energia que não é vista nem detetada

pelos cientistas que a procuram em vão.

E o Universo cresce ainda, vigoroso e expedito,

aumentando um império que é já infinito.
Por isso chorou Alexandre, ao entender

a insignificância de tudo o que conquistou.

Neste planeta viveram, em conflitos e guerras,

mongóis, romanos e maias; Hitler, César e Napoleão;

e toda a sua glória, seus triunfos e terras,

não foram mais que um grão de areia de microscópica dimensão

para um Cosmos tão antigo, de proporção tão gigante,

que pare ele somos um átomo, a nossa História um instante.

Mas o enorme vazio é isso mesmo, um vazio.

Estrelas separadas por anos-luz de solidão.

O Universo tem muitos mundos, mas o nosso muitos mais:

somos sete mil milhões, com corpo, alma e mente.

O nosso planeta tem plantas e triliões de animais,

e mesmo voando pelo vácuo respira vivamente.

É por isso que somos enormes e erguemos a nossa voz:

há tanto que não é nada, e nós somos nós.

João Gonçalves

ES Emídio Navarro

Concurso Faça lá um Poema 2017

1º classificado no Agrupamento

3º classificado a nível nacional - Plano Nacional de Leitura