COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

3

PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

5

PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

7

AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

12

NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al. no Brasil. pelo que não tra- Humanos). a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. xuais que. a ex. preferência à expressão “direitos huma. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. Por outro lado. na versão inglesa pretende (exs. no Brasil. Esta opção. como comunidades Roma. Ashkali. Cremos que o tos do Homem”. da expressão “Roma Community”. no caso de Por. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. que “recomenda que inglesa transmite. Fizemos esta opção. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. por exemplo. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. nos” em detrimento da expressão “direi. mesmo quando ela ain. Sinti e Cigana. Por sua vez. duzimos a referida expressão por “co- tugal. com a pa. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária. demos tes que se autoidentificam. por exemplo. Manouche. . de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. recebe a designação de “estupro”. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. como é o caso Europeia e na ONU. direitos humanos”. no Brasil. vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa. sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal.

política externa da Áustria. De forma cação para os direitos humanos. do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . ao comportamen. é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento. desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. damentais e inalienáveis. as aspira- em 2003. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. países e regiões. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . tra focada no Mundo Árabe. num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram.ETC). Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. Para mim. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo. um dos ob. até hoje. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas. seus utilizadores. Esta edição. Oferece módulos de dignidade. situações e regiões. Tam. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento. na Áustria. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos. para 15 idio- direitos. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. também en. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. Executivo da UNESCO. surge direitos humanos. ternacionais de renome. Síria ao Iémen. A educação em Graz. Por consequência. mas diferentes. tivas que encorajem as pessoas a melho. em diversos da UNESCO. é promover e apoiar inicia. governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. reorganização. mas também lhes deve num momento muito oportuno.

Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. responsabilização e esta- bilidade governativa. como uma estratégia importante para a democratização. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. e social. contribuir para fortalecer o prima. porém. Podem. contribuírem para a nas esferas política. de Formação e Investigação em Direitos assim. janeiro de 2012 fios e. os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. Podem ser utilizadas como for. social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. o que é reconhecido importante publicação. Dr. assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. for. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. ao utilizarem este manual como um . misso e esforços empreendidos para esta nação democrática. económica. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. justiça e democracia. para promoverem o desen. Viena.

os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. Espanhol. após o seu lançamento. adotada pela vez. na sua ver. Benita gionais e culturais. Consiste em módulos de do Mundo. mação de formadores. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. Isto foi possível. na qualidade de Presi. Alemão. vernamentais e não governamentais.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. Chi- borado por uma dedicada equipa de re. Em muitas ocasiões. Humana. pela primeira para a Segurança Humana. Foi ela. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. numa perspetiva orien. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. a Educa. todas as regiões. con. a Rede en. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. Porém. de formação. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. A Rede de Segurança Humana é compos. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. em 2002. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. Portanto. Hoje. mais o Manual atingirá adaptados. o Manual “Compreender os Di. o Manual está dis- dente da “Rede”. através de sessões de for- regiões do Mundo. ETC. nês. Albanês. bem como de entidades intergo- em Graz. em 2002/2003. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. em rial da Rede de Segurança Humana. Em 2006. Áustria. com o fatizou que “os direitos humanos forne. pelos seus utilizadores. na Graz. O Manual. apresentado ao público. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). nacionalidades. Portanto. a 10 de maio de 2003. apenas três anos Ferrero-Waldner. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. na o Manual para outras línguas. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. culturas e grupos sociais nuíno e prático. Russo. rança Humana. de utilizadores de todo o mundo. Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. ponível em Inglês. Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. Francês. com a criação do Conselho de Direitos . cia (ETC). tem recebido críticas muito positivas gurança humana. Árabe. tada para a prática. determinados a resol. de modo a Áustria. Sérvio e Tailandês. atualização do Manual. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. na Reunião Ministe.

. Viena. face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham. maio de 2006. PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos. Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis.

esforços. consciencializa pirará ações subsequentes. dos da Rede e em todo o mundo. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. O Manual inspira-se na Declaração de ferência. na minha qualidade de Presi. É Humanos da Europa. A segurança humana requer uma compre. a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos. às diferenças culturais. bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. Áustria. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. Rede. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. Conflitos Armados. ção em Matéria de Direitos Humanos. seu mandato. na execução do volvimento de competências e à transfor. comunidades o seu principal ponto de re. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. para os Direitos Humanos. Com esta finalidade. Destina-se ao uso Graz.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes. de modo a beneficiar a segurança nos. Segurança Humana. na reunião de 10 de maio de 2003. hoje e no futuro. através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. 9 de maio de 2003. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana. deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC). com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. Direitos Humanos. em Graz. . em Graz. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. Pretende-se que seja por isso que. Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. in. ao desen. como temas prioritá. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana.

pelo Instituto de línguas. Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www. da do PNUD Mali.manual. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. Finalmente. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. ropeu. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. em particular do Ministério dos em Paris. língua inglesa. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo. da pelo ODIHR/OSCE. com a aju. até ao momento. em Tetovo. A primeira edição foi apresenta. sob a direção de zada pelo Vietnam.at. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”. e PDHRE Mali. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. aos esforços Sociais. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola. verdadei. principalmente. mana. Cultura austríaco. O Ministério dos Assun. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova.etc-graz. árabe foi proporcionada pela UNESCO. pro. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . e outros. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. Dois encontros de peritos. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. no nos da Universidade de Pristina. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. o Ministério para a Educação. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. atualizada baseada na terceira edição. com a este desafio pioneiro e inovador. 19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. e do Humanos e Democracia. Suécia. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu.

Introdução ao Sistema de Direitos Huma. primeira e se. mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. Em particular. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. especialmente. (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. Revisão de provas: Matthias C. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos. Bouvier (CICV Ge.20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. Boivin e Antoine A. (Universidade de Graz) lho. (ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp. conselheiros. Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). Schrotthofer e Wolfgang Gosch. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. primeira e segunda edi. Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz). amigos e instituições . Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz).

do Instituto de Direito Internacional e Re. . valiosos comen. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. Anton Kok – Centro de Direitos Hu. Yan. ros austríaco. bra. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. que. Debra Internacionais. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. apoio prestados. Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. Finalmente. Manuela Rusz e a equipa – Genebra.

Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos. tanto por educandos.perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. informação austríaca. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos.boas práticas tos culturais. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos . enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. como por damentos dos direitos humanos. útil. Por fim. para educandos e edu- cadores. especial com temas essenciais selecionados. são ativa. a saber. Uma equi. uma parte educadores. bem utilizadores.para mais informações.a saber de Segurança Humana e outros. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível. adicionalmente. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana. uma introdução geral aos fun. Para facilitar a navegação através do texto. cionadas bio e consciencialização interculturais. dos países associados da Rede . para formar futuros formadores e para abrir um . o Manual poderá ser um . a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração. em vários contex. no âmbito do intercâm. e uma terceira. surgiu do ETC Graz.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. O Manual “Compreender os Direitos Hu. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa. sob a presidência que contém dicas metodológicas. . proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên. de modos diversos. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. como uma humanos na vida diária. os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio. vel para o utilizador. corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. . de Segurança Humana.atividades sele- fórum de debate. Tal como está desenhado. O Manual apresenta uma compilação sele. Estrangeiros.22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos. con- cias e para a transformação de atitudes. .

que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. werpoint. como a index.fd. poderá começar com a parte em http://www. página de internet.etc-graz. dos recursos adicionais. E os in. adicionalmente. Para os que procuram exemplos de ques. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas. disponíveis as versões nas várias línguas. oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. na sua manos. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. adultos. deliberadamente. gua inglesa. hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a. Além disso. portuguesa em www. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos.html. op. com as preocupações da sua comu- histórias. ter em conside. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. nhecimentos em direitos humanos. Se procura internet. educadores e da educação para os direitos humanos. continuamente. mentários. Gosta. tanto a jovens. podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná.pt/igc/manual/ tivas inovadoras.manual. o ETC criou. po. uma secção para rece- . em lín- “a saber” dos diferentes módulos. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos. com materiais didáticos e atualizações específicos. curso. para todos os módulos. através de metodologias educa. formadores. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução.uc. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos.at.

A. Viena.I.24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos.Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM .Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos.Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes. Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa. das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . CIPD .Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI . Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na. Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do .Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con. Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD . melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu. mo e a Intolerância te Asiático) C. CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen. a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu.

Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen. Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma. IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida.Convenção Quadro para a Prote. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia. Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina . IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen. ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa.Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN . LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT . Graz.

– Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di. UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res. gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra.26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) . Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di. Relacionados com o Comércio) reitos Económicos.

VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação. Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni. Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher .

Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 . Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. Direitos Humanos da Criança 303 J. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. Direito à Saúde 165 IV. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M. Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C.28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. Direito ao Trabalho 353 L. O. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B. Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H. Glossário 578 C. N. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI. Declaração Universal dos Direitos II. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. H. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G.

Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B. . O razão é a tortura praticada? . Implementação dos Instrumentos 1.2. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2. Compreender os Direitos Hu- manos 44 II. Direitos Humanos e a Sociedade Humana .Como é Cometida a Tortura? I. Desafios e Oportunidades Glo- I. Conselho da Europa – a. Europa – Instrumentos Euro. A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D. África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV. História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A. 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1. Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K. Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H. Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F. Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr. Selmouni” E.Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra . Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G. Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L. Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. Visão guesa 3 geral .

2. Humana . Tendên- Governamentais (ONG) – A Am. Implementação e Monitoriza. mitismo .O Conselho Con. Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) . “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun. 1.Os Pobres são Internacional .Có. Atividades Selecionadas: 129 3. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades .3. Definição e Desen.Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza . Boas Práticas – Atividades a Ní.Iniciativa Europa 2020 . Cronologia digo de Ética – 2. Definição e Desenvol- ça Humana .Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? .30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In. Boas Práticas . Tendências . Prevenção da Tortura (APT) .Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza . mo – Violência Racial . Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 . Perspetivas Inter. da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1.Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma. Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1.Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po. – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional . breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas .3.Xenofobia – Fenómenos .2.4. Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con.O Comité Eu.Po- gradantes . Man. cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) . Perspetivas Intercultu. Introdução – Pobreza e Seguran.Antisse- breza . MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B. nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1.3.Exclusão Social .Protocolo Facul. ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura . rais e Questões Controversas . DIREITO A NÃO VIVER NA PO.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos.Progra.Ati. formação Adicional 132 tra a Tortura C. Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? . Implementa- – 4. vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão . – Acordo de Cotonu .

4. cina Tradicional .4. Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana . Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico. Implementação e Intolerância Relacionada – De. ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade. de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- .A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2. Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T. Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 . Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen. 1. Definição e Desenvol- .O VIH/SIDA .3.Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3. gresso Científico – Globalização e o ção . e Monitorização . E.Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade .Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo.Respeitar. Implementação e Monitoriza. Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú. Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi.Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In. Mulheres – 2. Boas Práticas – Códigos de Con.4. Xenofobia Feminina (MGF) . Perspetivas Intercultu- .Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1.” A Saber: 168 A Saber: 193 1.Mutilação Genital Discriminação Racial. de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais . Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute. Acessibilidade. DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D. Mental e Social . Tendências – A Relação en.Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma. Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas . O Direito Humano à Saúde num 1. Aceitabilida- Preconceito .3. senvolvimento da Saúde – 3.2. Perspetivas Inter. Memórias .

PRIMADO DO DIREITO E JUL. de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE .Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” . .4. Implementa. Julgamento Justo e Se. Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais .A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch . Tendências .2.Direito à Caução – Disposi- 1.O Primado do Di. Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito.3.Mediação e Arbitragem F. Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4. 2. mento Justo . mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul. vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 . LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2. 1. Boas Práticas .Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In.A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3.Objetivos de De.Os Direitos Hu. Introdução . dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica .3. – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) . Imple- de Informação Digitais aos Direi. Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” . ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé.(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em . G.Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe.Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” . Perspetivas Interculturais e Ques. Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio.Atividade II: “Como 1. Eficazes .Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas .32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros.

formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I. Educação para Todos: Resultados cias – Cultos. Tendên. – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3. Introdução . Definição e 1.“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Boas Práticas – Diálogo Inter.Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. Quadro de Ação de Dakar .Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. cação para Todos . Minoritárias .Ativi- ligião .Edu- religioso para o Pluralismo Re. vel? Aceitável? Adaptável? . ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2. Boas Práticas.Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais . Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2. Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li.3.Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1. DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. 2. tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. A Luta para Proteger os Direitos 1. Definição e Desenvolvimento da . Seitas e Novos Mo. Ambíguos . Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais . Definição e Desen. 2. ção .Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos. Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . 4.3. Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa. Tendências – O 1.

3. ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de . Imple.2. Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de . Aspetos Geracionais e de Gé.Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3.34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian. ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio. 4. Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci. quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es. dências – Tendências relativas a des das Crianças . Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança .A Abolição J.2.3. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di.3. – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In.Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi. de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó.2. que o DIH é aplicável? . 1. na – As Origens do DIH . Defini- tado – Não Discriminação da Crian. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas . Boas Práticas – “Juntando Pes. DIREITOS HUMANOS EM CON. Perspetivas Inter- Criança? . diais relativos a 2010) . Ten- Atividade I: Direitos e Necessida. Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo . Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho .DIH en- pação. Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce.1. Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re.

Órgãos de Monitorização . Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4. rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus.3.Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho . Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga. Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! . Interrogar e ção . Pers- Pacto Internacional sobre os Direi. Definição e Desenvolvi. Implementa.3. tificação Centralizados .Programa In.Fairtrade Labelling Orga. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? . para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2. grafia Infantil – 4. “Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His. DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L. ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela. dequadas” tórica – 2. Ten. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT .A Declaração Universal na – 2. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1. Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di. Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In.De. Ampliados para Parar. Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3. Boas Práticas . Sociais e Cultu. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. O Mundo do Trabalho no Sé. e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos .Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. petivas Interculturais e Questões tos Económicos.Atividade II: “Vestido K.

Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4. Democrática – 2.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão . Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos . Boas Práticas – 6. – Formas de Democracia – For- safios – 2. Boas Práticas – Privacy. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste. Imple.3. Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Tendências – Listas de Vi. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N. Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação. Questões Controversas – O Debate reito.Org Outras ONG – 4. Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3. ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. Meios de Infor- gilância. para reflexão – 4. Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1. Cro.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização . Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . Liber. em inglês) . Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5. mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana.O Papel tos Humanos (ODIHR. são/Informação tória de Marianne K. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M. Relevância no Passado e no Pre. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex. Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea.7. de ADN do Reino Unido – Decla. 1.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Muçulmano . O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. Mu. Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá. A de Expressão e a Internet – 3. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3. Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5.2.

Jurídica.Desafios Conce. A Luta pela Proteção dos Di. Definição e pean Roma Rights Centre . 1. Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia . e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono. Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma. com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In.Atividade II: Um Mina. África do Sul – 2. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas . o papel das OIG. em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici.GDM (Minority Rights Group 1. para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2. Integração e Coesão – 3. nia – 4.H. Tendências – Au. DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D. das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O. Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 . das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole. Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per.União Interparlamentar (UIP) . Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? .GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas .2. Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. Perspe- 1. Repú. e outros c. der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 . Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu.

GLOSSÁRIO 578 1. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. Implementação e Mo. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C. tal como Definido pelo Di. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con. Definição e Desen. G. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2. Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E.38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu. Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu. Tendências – Deslocados In. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. D. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. Cronologia Humanos . o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . A.

tem menos de dignidade. pretendemos gerar. em relação do um sentido vital de responsabilidade. esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. criativo e positivo. interconexão e interre. “O que podemos nós fazer em relação aos . Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. nestas páginas. nas nossas vizinhanças. À medida que examinamos as articula- vro. à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te. como forma de vida. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . mentor e monitor de direitos humanos. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. em respeito e confiança de poder tas páginas. todos relevantes lhado. orientado pela visão ho. À medida que este processo te pela maioria das nações . vidas diárias. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social. tanto mulheres como homens. 25 anos. as suas o mundo. Nas páginas deste li. acei- privações. suas normas e padrões. pretende pro. as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. são impelidas para re-imaginar. refletidas nes. mos quaisquer outras opções. de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. casas. neste livro. da nossa existência económica. 39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA . agora nas suas mãos. À medida que integramos o bilidade social. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. nova compreensão dos direitos humanos. pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. outros. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade. reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei. experiências e os seus conhecimentos. muitas comunidades em todo Muitos partilham. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. redese. esperança e expec. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa.no entanto. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. humana.UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI.

que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. nós humilhamos os outros. manos é inerente a cada um de nós. frequentemente devido ao medo da muitas outras. criado pelas Nações humano e societário. é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. nos. Nós dizemos. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. Rosa sentido da sua realização plena. per. tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. uma aprendizagem signifi. Gota a gota. com a igualdade sem discriminação. compromissos (www. todos. dos direitos humanos. teram em implementá-los. planeamento e ação. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. o conhecimento dos direitos hu. a igualdade pela sobrevivência. possam conhecer os mulheres. da humilhação de forma espontânea. temos de nos en. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”. a ignorância sobre os direi- humilhação. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. e que todos os conflitos têm de ser resol. direitos humanos e. reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. prevalece no mundo. corretamente. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. tegração social. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. passo a passo. Aprender que os di. O edu. as pessoas saibam. mulheres. assim como os homens. volver num trabalho de amor pela mudan. valece.pdhre. inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. dis. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota. homens. direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. se conhecido e reivindicado.org/justice. por esse facto. Parks. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. tente imaginar os direitos humanos como . trocam direitos humanos como inalienáveis. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. A isto. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade. por que todos ansiamos. É esta “violação de direitos humanos” e rém.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. Todos nós nos afastamos mina a sua realização. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. Infelizmente. Com apropriação. passo a passo . vidos. Unidas. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA. onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. Todos html). É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi. po.

recebeu o prémio das Nações Uni- margens.) . em 2003. a Humanidade”. PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente.pdhre. das para os Direitos Humanos. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. as pes. para protegerem as suas comuni. reitos humanos irão elevar e fortificar as org). Quando vêm as cheias. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di. Não temos quaisquer outras Pio Munzo. pela sua “Contribuição para opções. for Human Rights Learning (www.

.

a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. I. Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.” Sérgio Vieira de Mello. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. 2003 .

refere divíduos. não apenas tolerados. juntamente com a to moral. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. requisitos de moralidade. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. sem medo e sem privações. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. Este conceito coloca direito à segurança social. saú- pação. Durante o século XX. bem como de opinião e de meios pacíficos. assim. reitos económicos e sociais. civis. turais. No século XXI. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. Do mesmo modo. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. económicos. humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. os direitos hu. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. Pactos paralelos que. blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH). Aqueles pilares surgem em detalhe. justa. condições de vida condignas. Direitos Humanos de Viena. formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. os direitos direitos humanos. incluindo a igualdade total en. todos os conflitos têm manos. ado. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. sal dos Direitos Humanos (DUDH). 1948.” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). modo a procurarem a transformação da tos humanos. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei.44 I. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. liberdade. Os con- a liberdade de pensamento. de ser resolvidos no respeito pelos direitos . os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si. político e jurídico e como linha DUDH. Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. em 1993. humanos garantem a igualdade. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. peitados. tal como Contudo. de ordem pú- tre mulheres e homens. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu. sociais e cul- aceites. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. tais como o to de direitos humanos. isto é. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer.

A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. pela sociedade civil. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. ne. Direito à Educação Upendra Baxi. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. 66/173 da AGNU. bem como dezembro de 2008. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. da AGNU). os Direitos Humanos. homens. preocupações políticas. em dezembro de 2011. mais do que qualquer outra lingua. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. sofrer algumas restrições.” direitos humanos[…]”.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. proclamou a Década manos. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. social e económico cen. No seguimento. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . dora da People’s Decade for Human Rights . A abertura decorreu a 10 de sados. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. A. “A educação. DUDH. proteção.” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. […] A educação deve facto. PDHRE. adotou-se a Res. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. bro de 2007. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. mulheres. reitos humanos. Em 18 de dezem- mento humano. a funda- vida. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. económicas. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. dos direitos humanos. iniciativa foi Shulamith Koenig. Direitos Humanos 1995-2004. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. 62/171 assumidas por todos os atores e interes. todos. DUDH. que poderá ser formal. civis. 1994. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal. De direito à educação. dezembro de 1994. baseada no respeito. embora em tempos de emergên. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. sociais e culturais. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. Através da aprendizagem dos di. cionais. Deste modo. funcio. fação. de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. Nações Unidas (AGNU) 49/184. satis. Inhuman Wrongs and Human Rights.

que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí. povos in- neta. vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. A 10 de dezembro de 2004. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. A 2 de dezembro de 2011. alunos. tornar os direitos hu. nacionais. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. a AGNU pro- dos”. funcionários públicos. três em três anos.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. primeiramente. Ou. nos em Genebra. cia. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. agentes poli- Humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . parafraseando Nelson Mandela. religiosos e linguísticos […]”. Em concordância. de 23 de dezembro de 1994. primário e secundário.46 I. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais. clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. modelação de atitudes. baseada nos direitos humanos”. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007. que inclui o empoderamento de pesso- . no nosso pla. refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. a tolerân- de. que inclui a transmissão de conheci- ção. divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di. zade entre todas as nações. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. a longo prazo. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. os reclamem”. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção. e princípios de direitos humanos. étnicos. o objeti. sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral.

DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. Todos os inte- conhecimento. sempenhe um papel importante. com base num sistema global de valores . estabelecer uma cultura política global. uma estratégia rumo à segurança humana. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. decorreu em Graz. tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. Human Rights Center of the Univer. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. a experiência do Holo. em julho de 2000. é. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. a insegurança e a vulnerabilidade. to. dos direitos humanos. estratégia de implementação que delimita zação. isto na. para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. a tolerância. B. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. em particular. que promove a equi. manos. Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. Os Esta.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. A mes. assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. Neste contex- segurança humana. visa proteger os direitos humanos. designadamente. em harmonia com o Programa Mundial da dade. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. O pre.

1994. por uma Comissão Inter. quentemente. mocracia.” das pessoas. são de conhecimentos. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. na transformação de conflitos e de necessidades básicas. mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. tam ameaças à segurança humana e. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. Os direitos humanos. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re. A “Segu. na construção da paz pós-conflito. discriminação. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. como a seguran. abordagem orientada para o poder. gurança pessoal. proteção contra a detenção arbitrá. de um modo descentralizado. que esteve na vidas diárias. em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”. suprimento de conflitos. Human Development Report 1994. humanos desempenham um papel na gestão ria). As organizações da so. de um aumento da transparência humana se baseia. As políticas de se. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. Lucerna. consti- humanos já existentes.) mento da sociedade”. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. também os direitos (ex. Humana. base do desenvolvimento da doutrina da . A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. 1999. também são um conceito chave desenvolvimento. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. através da transmis- (ex. o direito a viver numa ordem inter. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos.48 I. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter.” PNUD. da democracia e do de conflitos. corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. Maio 2000. 2001. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. de segurança social (ex. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional. Contudo. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. como parte para as normas e direitos. bility to Protect and GA-Res. 60/1 (2005)]. pobreza. Referimo-nos a problemas de se. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. do desenvolvimento de nacional segura). Canadá. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. conse- Há diversas relações entre os direitos hu. justiça social e democracia. (Fonte: Departamento e da prestação de contas. em vez de uma do conceito de segurança humana. and State Sovereignty.

ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. nhecer os seus direitos humanos. rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. da ONU para os Direitos Humanos. 2005. manos e a Universidade para a Paz. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). Costa Rica. “Precisamos de uma nova cultura de rela. ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. rança Humana (www. A Comissão para a Segurança Humana. Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. 2009. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º). distribuído e utilizado amplamente. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. A Comissão elabo- nos. PDHRE). relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. em dezembro de 2001. de forma crucial.” humana no seu centro. (Walther Lichem. em Graz. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran.html). que pode ser obser. em San José. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”. a 10 de maio de 2003. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. “O desenvolvi. . ponsibility to Protect in the Modern World. por fim. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […]. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito. Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. mcharan. são antecipados e tecidos numa rede coe. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. De acordo com Bertrand G. Res- Nações Unidas. na essência. individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado.humansecurity-chs. O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana. que deverá ser traduzido. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados.” Louise Arbour. humana. cional. org/doc/sanjosedec. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. amplamente baseada nos direitos huma. B. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. estritamente concebidos. aprovada pela humanos. ironicamente. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. anterior Ministro dos Negócios Es. segurança humana das vítimas apesar de. mas também.

em 2008. O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. a participação política. à Segurança Humana. contém direitos económicos e sociais. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. inspirando-se nas gados e indivisíveis. os conceitos de segurança huma- Annan. Sérgio Vieira de Mello. mano. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. In larger freedom: towards development. do PNUD.” económicos. os ser- (freedom from want). usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. da liberdade e da paz” (§12). que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. do Secretário-Geral da ONU. de Segurança Humana. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. apresentados como uma se desfrutará nem de um. Franklin mento sem segurança. Porém. de 2005. direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes. O Relatório “In Larger Freedom”. Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. ser construída sobre esta base. sociais e culturais é tão rele. não se desfrutará Roosevelt. Mais. os for fear). contingentes e direito de viver sem privações. Kofi Annan. pen- 2005. interli. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. human rights for all. Também este distingue na. “Hoje. Depois de um rela. A verdadei- ral realizou consultas. ângulo do desenvolvimento. 2003. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. são interdependentes. Secretário-Geral da ONU. vários indicadores.50 I. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. A relação entre a viços de saúde. a Assembleia-Ge. em 2000. Kofi clusão. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós. a segurança alimentar. por sua vez. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. reforçam-se mutuamente. Sociais e Culturais comuns. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. abordagens regionais relativas à Segu- . durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. uma dis. em 1940. 2005. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. correspon. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD.

elaborou existe de variadas formas. Europa. do Norte e do Sul. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. rorista do World Trade Centre. que se setembro de 2001. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. A ONU. Por exemplo. Desde 2005. a liberdade e na 2009/2010). é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. direitos humanos obriga qualquer Estado . sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. o im. Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei. designadamente. enquanto o conceito de humanos. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro. os direitos humanos. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. O mesmo vale para a vimento. que representava os seus nacionais cial. do da “Guerra ao Terror”. Ainda que o conceito moder. em todas as a DUDH. em virtude das tempos modernos. Este Relatório mostra a rela. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana. direitos económicos. versal. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. Atendendo a que. e pelos direitos económicos e sociais. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. com fundamento na fi. C. o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. sociais e culturais. historicamente. dos seus pobres e para as noções funda. Na conduz a uma redução dos conflitos vio. os no liberalismo e democracia. porém. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. com fortes influências do Oriente ros no Islão. ses de segurança. A “regra de ouro” segundo a e do Sul. declarada pelos crática. René Cassin e Joseph Malik. C. são parte de todas as culturas. tado. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. equilíbrio entre a segurança. os ci- mentais de justiça social. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid.

de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. o direito huma. 1941. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. Olympe de Gouge foi uma lávia. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. Roosevelt. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. 1776. cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa. uma vida saudável e em paz. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. Deus. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. e na proibição da escravidão. da Segunda Guerra Mundial. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. voltou a ser um tema central. Tinha certos direitos inalienáveis. são criados iguais. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida.” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. A segun- religião. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. homens. quando se . Europeia de 2000. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. do. cance mundial. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. em 1789. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con. dentes por si mesmas. Recursos Adi. a vações – que. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. que todos os homens teção de não nacionais. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. mas também aos civis envolvi. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro.52 I. reitos. a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. Que a fim de assegurar esses di- inimigos. para os seus habitantes – em todo o mundo. 32º Presidente dos Estados Unidos. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. em 1776.

1993. D. e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. con. §5). nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. em 1968. e que constituem ele. da globalização. com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. mas nenhum Estado se atreveu real. direitos humanos. Mali. culturais e religiosos. reclamava a exis. os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. em 1993. clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . Desde então. interpretan. sob a direção de Klaus Küng. altura entre 48 países. nos básicos. económicos e culturais. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH. sistemas políticos. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. al. o conceito de direitos huma. de 1993. O projeto internacional “ética Viena. c)). promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. por consenso. D. tivo. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. em muitas partes. nº 3 e 55º. Filósofos. respetivamente. na mundial”. As “teorias contratuais” históricos. manos e liberdades fundamentais”. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”. A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. ao passo que a perspetiva cosmopo. tal como acordado no quadro terdependentes. na. Teerão. em Teerão e em Vie- na. partilham valores comuns. acordou. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. como Direitos Humanos. em larga medida. que correspon- como uma componente indispensável do dem. que mentos de uma ética global.

em 1993. como a liberdade de expressão. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). sociais e culturais. Teerão. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. Porém. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. o direito à paz e à segurança. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi. De qualquer modo. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. muitos mais Estados demons. a outra. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. ao passo que Mundial de Viena. uma categoria adicional de em 1993. do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. em 1968. os outros direitos. demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos. em 1998. na segunda em particular. devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. “os ou seja. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. em oposição aos direitos civis e políticos. humana. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. Em Teerão. rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países. desde então. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. Artº 2º. Em concordância. nº1 do PIDESC). como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. paz. na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. Podem ser dis. A terceira categoria é designada rais. tal como na Conferência embora com muitas reservas. No passado. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. em janeiro de 2012. como a China. Porém. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. sociais e cultu.54 I. 2010.” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon. o Líbano ou o Chile se en. uma vez . Alguns cé. A Convenção sobre a Elimina. liberdade. los direitos económicos. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. no sentido de que uma cate- políticos. Nos anos 80. em 1968. ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. ambiente saudável. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. Boutros Boutros-Ghali. consagrado na Carta das Nações dependentes. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. os direi. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. sociais e culturais 1966. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH. mento. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. social. Secretário-Geral das Nações Unidas. Nações Unidas. ainda que com o seu consenti.

quer detenham (OIT). 143 países Estados-membros apontam nesta direção. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . entretanto. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. revendo uma declaração anterior. Trabalho relativo aos povos indígenas. pela primeira vez. em 2002. e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. Portanto. Enquanto os direitos humanos são os di. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. adotou a Convenção nº 169 rela- país. dade subsidiária do ECOSOC. da Terra”. em particular. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais. na preservação da sua identidade cultural. com apenas Contudo. propagados por alguns grupos. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. em 2007 (A/RES/61/295). Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. de professar ou prati. dos seus direitos humanos. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. religiosas ou linguís. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. D. Os requisitos da União Europeia e do Con- ral. de 2003. em 2000. modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. foi humanos e direitos das minorias que são criado. como o direito de voto. complementam os regionais europeus de direitos humanos. que se reu- ticas particulares. e em instrumentos tural Imaterial. car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. como autori- racterísticas étnicas. desde 1982. para os Assuntos Indígenas. votaram pela sua aprovação. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. um Grupo de cional. Em 2001. A Comis- conjunto com os outros membros do gru. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. direitos humanos e os direitos das minorias. Po. de 2005. Os e da Austrália que. do Canadá. regional ou universal. de 1993. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. ao nível na- povos indígenas. Independentes. a sua relação com a terra. Individualmente ou em niu. ou não a cidadania de um determinado em 1989.

Segunda Guerra Mundial. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. logo de civilizações. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. Alguns Estados invocam as suas particu.56 I. de 2003. confrontarmos o preconceito. e a elaboração da CEDM. de direitos humanos. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. O diá- seres humanos completos e iguais. Secretário-Geral da ONU. para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. nas sensibilidade relativamente ao género. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948. As nossas escolas e comunidades. E. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações.). O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. na Convenção rais. base em fatores históricos. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. 2010. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. con- tribuíram. Consequentemente. adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de . religiosas e cultu. por nós concordarmos em denunciar. que tem lugar na ONU. existência de diferentes abordagens quanto lheres. mulheres no seio de determinadas culturas. no trabalho. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa.” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. palco das mais cio com a DUDH. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas. ao mesmo tempo. No entanto. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. de 1995. entre outros efeitos. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. de 1979. ao reconhece. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados. qualquer agenda para o diálogo. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança. rais. e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. mas.

ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos. sociais e culturais. adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos.Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio. tal como foi cometido contra os específicos. daquele mecanismo. dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . Em janeiro de 2012. com dos.Convenção contra o Genocídio (1948. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira. direitos humanos das mulheres. adqui- antes da DUDH. O PIDESC foi adotado primei. riu uma proeminência particular. de 1979. bros das Suas Famílias (1990. é o tema da às Mulheres. com 193 Estados Partes) . indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. através camente vinculativas. Penas ou Tratamentos Cruéis.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. Económicos. manos ou Degradantes (1984. em 1976.Convenção contra a Tortura e Outras venções. contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979. Todas as Formas de Discriminação lheres.Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948. sociais e culturais (PIDESC).Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu. . . a Comissão das Na. de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria. o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes. Civis e Políticos (1966. Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965. tendo como resultado a adoção . com 165 Esta- reitos económicos. na ONU. respe. sobre . No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. Estados Partes) dantes. desumanos e degra. ça (1989. o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. sobre os direitos da criança. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre. dos países em desenvol. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em . um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos.Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas. Desu- Nos anos 60. ro. a luta contra a discrimina. com 186 tratamentos cruéis. A prevenção e a punição do ge. E. . com 173 Es- de apartheid. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi. Sociais e Culturais (1966.Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. pelos di. Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições .

vaguarda”. nacionali. à liberdade de sair de qualquer país. terá de ser aprovada pelo Parlamento. ção de controlar o uso inapropriado das rém. no caso de o estado de emer. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. nº1 do PIDCP). à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. Os outros instituições tais como os tribunais. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. património. como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. soas com Deficiência (2006. incluindo o seu próprio. não são permitidas restrições a cer. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. Tal Porém. a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. suas disposições. têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. um relatório e linhas de que respeita à raça. portanto. de consciência e de religião. que per- e do PIDESC). a proibição da tortura e da escravi. sem discriminação no respetivamente. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. sexo. O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. à liberdade de ção. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . Humanos”. blica. Perante uma emergência pú- to. de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. As medidas têm de ser plasmadas numa lei. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. cor. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . ameaçadora da vida de uma na. caso tal se mostre necessário. dade ou origem social. . uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. ou o direito à liberdade de pensamento. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º. também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. por razões de Não Discriminação segurança pública. opinião política ou outra. Po. Estas restrições têm de estar quela situação. emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP).Convenção sobre os Direitos das Pes. melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas.Convenção Internacional para a Prote. já tos artigos. reli. com Direitos Humanos (artº 15º). As tória (artº 4º. obrigações. o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. língua. o terrorismo. de ordem pública. Consequentemente. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina. Estes direitos são. designados de direitos inderrogáveis. um Estado pode derrogar as suas pensamento. direitos humanos. associação. Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. mitem restrições de certos direitos. nasci. de saúde pública.58 I. em particular. dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território.

mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados. F. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. a implementação signi. Todavia. Normalmente. Neste contex. na maior parte conseguida progressivamente. também pode elaborar Comentários Gerais . isto é. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. junto da população do sentar relatórios. cada Estado para o fazer. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. Porém. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. o nomeadamente. os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. Isto é particularmente rele. relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. direitos económicos. foi ins- maneira geral para todos. de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. lecimento da implementação. neste último caso. de garantir ou fornecer certos serviços. vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. tuito. ção dos direitos humanos. Do mesmo modo. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. acerca do seu território. O Comité sas transnacionais. Desta forma. de uma cumprir com as suas obrigações. é tida em consideração a capacidade de cional. O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. rizontal”. tais como a todos à educação. lações dos direitos humanos. os direitos humanos rar certos padrões mínimos. âmbito dos poderes executivo ou judicial. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. o Estado terá também o B. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. os Estados têm de apre- direitos humanos. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. tais como a educação e a saúde e assegu. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. Em primeiro lugar. isto é.). regularmente. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. ao operações de manutenção da paz. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. sociais e culturais. O ob- passo que os direitos económicos. poderá haver obstáculos. pro. ao suscitar a ques. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. têm de ser implementados ao nível na- to. atra- têm de respeitar os direitos aceites. Por exemplo. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. por parte do Estado.

Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo. missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). No todo. o tribunal foi fundido com o Tri. também exis. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. os procedimentos especiais. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. es. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. os relatores especiais e. Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. nessa data. dato é normalmente de três anos. que ção. ao PIDESC. Em 1 de julho me as circunstâncias. Porém. por exemplo. em janeiro de 2004. Humanos desde 2006. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto. confor- cesso. por vezes. no respeitante a outras con. e 2000/3 de 2000. Partes. é. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503. peritos independentes de 2008. ções e para as situações). Também se estabeleceu um Tribu. antes de chegarem da. violência contra as mulheres. sujeito a extensão. Estes procedimentos refletem o ativismo . as atividades dos relatores especiais e dos tados. O seu man- nos. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. como o do PIDCP. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. Há também Direitos Humanos. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. “relatores temáticos” como. por exemplo. tais como as convenções. Há “relatores por país” como.60 I. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. dos Povos) ter entrado em vigor com su. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo. conhecido ago. 10 Estados atividade. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. submetendo relatórios anuais. tem os mecanismos criados pela Carta. Este procedimento. Em alguns casos. nos no Sudão. e que são posteriormente ana- queixa e. missário da ONU para os Direitos Humanos. tal só é possível para as de 1970.

que. conduzindo a uma revisão condigna. As pri- tabilidade e na monitorização. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. o Haiti. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. com base na DUDH e ou. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. especialmente do mun- educação. etc. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. através todas as ações. o Camboja. designada- Nações Unidas. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. a Bósnia-Her- Para este efeito. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. o Kosovo. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. a Colômbia. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. no genocídio no Sudão. como parte das reformas das Na. de 1998. países como o Afeganistão. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. peciais continuam a ser testados. tos humanos. tais como. os direitos humanos à desenvolvimento. aumentou. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. a aumentar os seus recursos. trabalhos da comunidade internacional. à saúde e a políticas de ajusta. assim como se temala. das prioridades. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. rapida. teve lugar ções Unidas. não Em 2006. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. o Montenegro. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. por exemplo. a uma habitação do Islâmico. o Conselho de Direitos Huma. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. por país. reitos Humanos’. a direitos humanos. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. aumentou-se o número de zegovina. porém. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. foram renovados. a Gua- sessões para três por ano. a revisão dos novos procedimentos. Em 2010/2011. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . de Cuba e da Bielorrússia. à alimentação. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. mente. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. pode. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. F. Estes países pretenderam mento estrutural. Na verdade. Até 2011. nos da ONU assumiu todos os mandatos. O Conselho de Direitos do. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos.

dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. direitos humanos. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . em 1998. AG 48/134 (1993). tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. dos operacionais. como a volvimento. APT).62 I. tal como na Res. o setor da educação em geral. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. de proteção de direitos humanos. protegida pelo artº factos e na monitorização. tem-se revelado cru. A estratégia “mobiliza. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. dência e de pluralismo. mentos particulares. a criação de na Ásia e nos países Árabes. Uma outra forma 22º do PIDCP.. etc. fundamentados na investigação dos berdade de associação. acima de de. podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. a ONU recomendou. Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. Algumas ONG. com muita eficácia. garantias de indepen- modo a atingir este propósito. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura. De responsabilidades. utilizam procedi- po. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional. bem como méto- res podem ser envolvidos. a internet. Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. tudo. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. a Declaração dos Defensores sobretudo. As ONG. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. portante. As ONG assentam na li. A promoção de Direitos Humanos. Na ONU. tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. Com esta finalida- dos direitos humanos implica. as pessoas e de informação independentes. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. incluindo uni. onde humanos. foram adotados pela AGNU. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. G. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. em 1993. em particular em países que não mentais (ONG). ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. lidade. vários ato. As instituições nacionais versidades. De acordo com uma resolução da AGNU. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. Normal. os saibam utilizar da melhor forma. As ONG.

o Conselho da Europa seguição. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. à Educação e Aprendizagem para de nós. a UNESCO. Em alguns Estados. em alguns casos. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. económica e politicamente. nomeadamente. CLADEM ou a WIDE dão realce. A nível global. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. os direitos humanos. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo.hrea. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. também alcançou o Sul. violência contra as mulheres. ONU. campanhas sobre assuntos específicos ricula. e a UE têm o objetivo de os apoiar. Em nos. A UNIFEM. como é o caso da polícia. assistem Humanos. com o objetivo de qualificação profissional. do compromisso de Em África. G. através do desenvolvimento de cur. es. refe- . de Aprendizagem de Direitos Humanos. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. giados. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. em cooperação com a humanos e as violações ambientais. em todo o mundo. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação. os direitos frequentemente. organiza. za recursos eletrónicos (www. da compre. através da internet e também disponibili- trolo da lei. pelas suas próprias mãos. nos. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati. o mundo. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso. O Estado não e comportamento discriminatório.org). mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. a ção e da produção de materiais didáticos. a PDHRE. da organização de ações de forma. Também o Comissário dos Di. relacionados com o comércio justo. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa.” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. e África. Ásia da ONU. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. onde pre- Há inúmeros casos. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais.

seus países. do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados. Os direitos humanos. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado.Carta Social Europeia (1961).Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo. Po. Desumanos ou Degradantes (1987) .) H. em 2013). Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana. desenvolveram-se bros). ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que. Mais.64 I. em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I. através de uma educação ba. No caso dos tribu. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns. Humana. . (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos. mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos. selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. 2003. vinculativos para todos os Estados Partes. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros. os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. habitualmente. Segurança Humana Já. EUROPA . tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas. caso haja . a sociedade civil interna. cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas. assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá. 28 depois implementação. veu-se em reação às violações em massa de nais. mentos de direitos humanos. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. revista razões válidas para elas. Desenvol- forma mais eficiente.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse. para desen. da adesão esperada da Croácia.

Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. Atual- nova Europa (1990) mente. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. mais genericamente. paralelamen. da Jugoslávia e. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. Contudo. particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002.Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. em 1988 e em 1995. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 . Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). mas também o direito à educação. e melhoraram os seus procedimentos. com base num Protoco- . H. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. que distinguem a perspetiva eu. ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. a nível universal. dos desde o final da década de 80. reitos Humanos. de 1950. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. Proibição da Tortura sobretudo. foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. de 1961. direitos civis e políticos. processos de autodeterminação que ocor- . Estes pro- débil e ineficiente. um reno. blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. de 1987. A CEDH contém. e os Pro. em 1993. confere também a possibilidade de queixas coletivas. venção da Tortura (SPT). que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. Assim. dos Estados Unidos da América. contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo. como importância da CEDH. foi con. que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1. a AGNU adotou um nº 6 e nº 13. hospi- O instrumento jurídico principal é a Con.

um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la.Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. Contudo.Comissão Europeia contra o Racismo e países. . o me. Meios de Informação (1997) ses.66 I. tal como a situação dos mi.Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos . em 2003. e também realiza visitas aos paí.Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007). do Racismo e da Xenofobia (OERX. . o Europa antissemitismo e a intolerância.Tribunal Europeu dos Direitos Huma.Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção. Para esta finalidade. junto com os Esta. 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo . mas também têm de . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais. . nos (tribunal único em 1998) 1998) . a xenofobia. em 1999. mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR. Também apresenta recomenda. . estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu .Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância. a Comissão.Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa. 1990) leceu. . pre.Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos . da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área. enquanto o Comité de Ministros é .Representante para a Liberdade dos grantes.Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. na luta . Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos. 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a .Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo.Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos. Segun. na década de 90. os Estados têm de prote. cultura e a sua identidade. a Intolerância (CERI. .

vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. cuja jurisdição obriga. O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. As senten. para os Estados. em 1998. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. as listas de c. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. medidas adicionais. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países. rações e recomendações têm um carácter b. A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. em particular. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. como na . em 2011. Violação de um direito consagrado na 1994. o Proto- em Estrasburgo. adotadas em diversas conferências d. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2. No entanto. das. verifi. Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. mas irá aumentar to nacional. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. tervir com a função de recurso. Caso contrário. pleno. porém. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. monitorização bem sucedido. Sob o título da “dimensão humana”. poderá in. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. uma vez nomeados. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu.000. composto por 17 juízes. Contudo. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos. a ças são vinculativas e podem prever a atri. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. incluindo os EUA e o Canadá. colo nº14 à CEDH. problema. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. ainda mais o número de processos. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. dade jurídica internacional e as suas decla- nais.000. foi adotado. em 2004. representantes dos Estados-membros. humanos na Europa. H. para O principal instrumento de proteção dos 56. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. é uma organização muito peculiar. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. Convenção Europeia dos Direitos Hu.

nomeadamente. direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. em 2009. Cimeira de Nice. sóvia. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. europeia comum. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. em 2000. O proces. Em 2000. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. venção de conflitos. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. como o direito de propriedade. de 1995. Com 3. explicitamente. princípios gerais de direito comunitário. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. a integração política casos de proteção.68 I. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. A OSCE desempenha também um referem. do Tratado da União Europeia. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. sob a ex. partes. de início não se tuação dos direitos humanos. ropeia. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). que tem a responsa. Atualmente. respetivamente. A Política de Direitos Humanos da este propósito. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá. tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó. permitiu que em países onde mantém missões. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. ropeia dos Direitos Humanos. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. na qualidade de membro. assim como ONG. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. monitorização de eleições democráticas. Desde os anos 80. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo. localizado em Var. adotada na compreensão”. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. com outras organizações regionais ou in. convocou-se uma Convenção ternacionais. Liber. de acordo com o tratado reformador da UE pa. . desde os anos 80. criada em 1957. dos do Sudeste Europeu. A OSCE igualdade.

Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. orientação sexual. educação. particu- direitos humanos e democracia. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. numa nada FRANET. É a habitação. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. na UE. para abordar o pro- Desde 1995. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX). bem os Direitos Humanos. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. em 2007. na religião ou crença. reflete finalidade. à semelhança da DUDH. também pu. A sua agência suces- peu. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. Com a en. o OERX. Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). como económicos. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. num único texto. pelo Tribunal Penal Internacional. mas também todos os Estados-membros da UE. junto com a União Europeia. incluindo Europeia que define a estratégia política. o Acordo ONG. na UE. no artº 19º. Viena. proteção social. idade. operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. manos como uma prioridade europeia e. é disponibilizada ajuda fi. e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. latórios regulares e abrangentes. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. em Viena. a ADF. tanto direitos civis e po. zam aconselhamento. to igual entre as pessoas. sora. Desde então. Em 2000. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. deficiência ou desde o início dos anos 90. a UE inclui cláusulas de di. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. rea. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. como o Acordo de Cotonu. nação com base na origem racial ou étnica. O Relatório Anual de Direitos das. sociais e cultu. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. formando Fundamentais. H. dentro da . Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. denomi- se encontra ativo nos bastidores. A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. publicado pelo Serviço Euro. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. mais do que através da redação de re- Humanos. como a China e o Irão. apoiado por rais. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. O União Europeia. da União Europeia (ADF) foi criada em rais. em 1998. cismo e a xenofobia.

ONG podem apresentar queixas. Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II. desde então. desde então. dos Partes) trou em vigor e. Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente.70 I. designa- .Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. por regulamentos e diretivas. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades. . Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. e constituída por 7 membros é o (1988. apesar de a Comissão ter a sua nir. devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. Sociais e Culturais em 1959. 24 a Carta da Organização dos Estados Ame. merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. forma particular.Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978. 35 Estados-membros da OEA. em vigor 1978. Os Estados Unidos não são parte da .Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte. . De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção. 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA. A Comissão Interamerica. Humanos (1979. A Convenção também tra a Mulher (1994. grupos ou conferem direitos às mulheres. venção Interamericana para Prevenir. Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. Pu- da por outras diretivas. Estados Partes) ricanos (OEA). Deficiência (1999. os Estados-mem. mas a Con. em vigor 1984) um sobre direitos económicos. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979. .Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos. (Convenção de Belém do Pará). AMÉRICAS . 12 Esta- Direitos Humanos. com sede na Costa Rica. juntamente com Humanos (1969. .Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema. que entrou ticular importância à igualdade. tem sido complementa. a União Europeia dá par. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e. . nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. foi comple. reitos Económicos. De acordo em vigor em 1995. . Há também um Relator Especial so- Além disso. 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. . adotada em 1969. sociais e cul. en. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990.Convenção Interamericana para Preve- Convenção. este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). 1928.

e não tem carácter permanente. sobre os direitos das mulheres e . os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos. H. a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente. Há muitas ONG que ajudam . mudou desde então. tos humanos e dos povos. nomeadamente. Deste modo. 45 Estados Partes) III. que entrou em vigor em 1986. em vigor 2003. for. por exemplo.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi.Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. Os critérios de mada por 11 membros. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. em vigor 2005. que sucedeu à OUA em 2001. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos. lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . o que aqueles deveres são pouco relevantes. na prática. Ao Tribunal Intera. Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os .Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. relativamente ao Tribunal. todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. na Gâmbia. 28 Estados pressão. dos Povos. Atualmente. Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. ÁFRICA . uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató. No entanto. . Enuncia.Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes. o à família e à sociedade mas. Tribunal não recebia muitos casos. em nome das vítimas das violações. ainda. o Tribunal tem sete . sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes. no passado. tos individuais. res (2003. Direitos Humanos e ao Tribunal. Estar da Criança (1990. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. na (UA). consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. Tal como a Comissão. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. e de indivíduos ou grupos. em vigor 1999. pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). em vigor 1986. e dos Povos (1981. duos. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas.

levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. por exemplo. o que é questionável em vigor em 2005 e. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. . mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação. No entanto. como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. na Tanzânia. na Nigéria. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003. ratificado por 28 países. fora em termos do direito internacional. OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. foi que constitui até agora a exceção. sobre os direitos dos arguidos. em 1994. da ONU. a Assem. e teve sistemas jurídicos nacionais. apenas entrou em vigor em 1999 e. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. através do exame até 2011. cipar nas reuniões públicas da Comissão. IV. É também im- 2008. adotada. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. em 2004. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. sobre prisões e condições de detenção. Uma parte importan. tal como no sistema interamericano. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. Em 2009. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. a Conferência Islâmica (OCI)3. em 1995. requerentes de asilo. Moçambique. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. estes bros da UA. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. No entanto. em 1990. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais. gerianos casos de violações da Carta. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. Além disso. o sobre os Direitos da Criança. em 1989. organiza ses. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. nas. ceu. 3 Em junho de 2011.72 I. lho da Liga dos Estados Árabes. como a Constitutional Rights Project. em julho de 2010. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. é feita pela Comissão. mi. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. como depois da execução de nove mem. deve- expressão. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos.

se as consultas ini- com um mandato. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. em 2008. após 7 ratificações. Povos. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. para nal. sente Acordo. incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. Enquanto acordo inter-regional. te. Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu.ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC. apesar de diversas tentativas. I. tação de contas tornou-se uma preocupa. a transmitirem o ção geral e global. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil. tal Kong. entre a UE sigla em língua inglesa). com o estabelecimento . Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. 50º aniversário da DUDH em 1998. não pode receber quaisquer queixas. e. uma reitos Humanos da ASEAN. em 2004. convencer governantes antidemocráticos. mais porém.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. reitera que o Asiático. nº2. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. que consis. regime. por exemplo. o Acordo devido à diversidade na região. sobretudo. do a China. sobretudo. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. a Comissão Intergoverna. normalmente generais. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. No entanto. no artº 9º. em 2007. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. isto é. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. 19 Estados asiáticos. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN. pela Associação Sul. de direitos humanos. de 200 ONG asiáticas. ainda não foi possí. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. I. atualmente. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. ser suspensas. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. Asiática de Direitos Humanos. Adotou-se. europeia (Asia-Europe Meeting . Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. anual sobre Direitos Humanos. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. nova versão que entrou em vigor.

ternacional contra a impunidade. e que entrou em vigor em 2002. Finalmente. de contas. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”. o antigo ditador chile. crime de agressão. escra. algumas convenções internacionais. pelo menos. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. engloba os crimes de genocídio. este respeito. No Egito. na definição finalmente mático. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. crimes de guerra e o dro de um ataque. requereu como forma de justiça não retributiva. contra qualquer população civil”. siderou que as leis de amnistia. em 1998. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. em março de justo. incluindo casos de violação sexual. No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. conseguida numa conferência em Nairobi. conce- Charles Taylor. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. que tem sessões ex. em 2010. mas não implemen. saberem a verdade e finalmente concedida. em 1998. (TPI) e ao nível nacional. adotado em Roma. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. decisivo. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. o Para prevenir violações de direitos huma.74 I. julgamento. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. Tem existido uma campanha in- 2006. JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual. cidas na África do Sul e em outros países no. em outro local. . a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. J. um juiz espanhol. as leis traordinárias em Haia. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. No caso da “primavera Árabe”. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. Es- a sua extradição do Reino Unido que. gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). formas de violência sexual (Direitos em 1998. em 2011. de amnistia foram revogadas. generalizado ou siste. de mental ou física. A tada devido à sua frágil condição de saúde. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. são violenta dos protestos. à sociedade de aprender com o passado. voltou para ser presente à justiça. mas. No caso da Argentina. Humanos das Mulheres). perpetradores.

para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. Bucuy (Filipinas). escravidão sexual. escravatura. no ter. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. Graz (Áustria). No caso do Camboja. como Rosario (Argentina). bém apresentar casos. Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. tam. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. Deste modo. Porém. atos de bém temporário. Korogocho (Quénia). Todos os tri- de. Só se um Estado humanos e de direito humanitário. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. terminou o em 2008. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. tortura. K. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. violações. existindo ainda problemas com seu trabalho. crimes contra a humanida. mento social e económico. julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. independentemente o conflito armado. a funcionar desde Arusha. no caso de Kadhafi. na Tanzânia. será sujeito a uma supressão pro- gressiva. desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades. investiga homicídios. foi estabelecido em para a Serra Leoa. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. Coo- Camboja de 2003 foi protelada. O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. humanos como guia para o desenvolvi. K. da função oficial do acusado. do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). 2002. em 2011. assim como genocídio. Ed- do PDHRE . INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci. o Tribunal Penal In. Internacional para o Ruanda.ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . a jurisdição em Haia. ternacional para o Ruanda (TPIR). entretanto. extermínio. tal como aconteceu tos armados. a terror. Kati (Mali). como um tribunal ad hoc para li. em 1993. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). em 1994. Dinapur (Bangladesh). Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. como homicídio. o seu funcionamento.

principalmente na Europa me. foi elaborada. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. dos Direitos Humanos na Cidade que. os habitantes analisam diterrânica. como o provedor fazer com que todas as decisões. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. nas cidades.pdhre. A nos.org). No Fórum Mundial das Cida. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. por liderado por um Comité de Direção que exemplo. cidades. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). da dos Direitos Humanos na Cidade. em 2011. líderes de associações lo- dos seus habitantes. políti- de justiça. Desenvolvem planos para internacionais. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. onde. su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. assistindo-as a tomar em con. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. civis e políticos. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. administradores. Um sistema de monitorização. uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade. lha principalmente ao nível regional. Muitas ci. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. manos nas comunidades. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. que trabalham no sentido manos. como as de Veneza Com este propósito. As experiências das Cidades de Direitos . nível local. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. seus direitos humanos. são considerados como um todo. começando ao des dos Direitos Humanos. gem e formação. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. Neste processo. polícia. manos na vida diária. reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. o experiências relativas a boas práticas. género. tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. e culturais. em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. cais e ONG. económicos. A Coligação traba. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. pe. Em direitos humanos. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. reuniões regulares. iniciada pela UNESCO. direitos humanos. por exemplo.76 I. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. www. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. ado. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias. no que res. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. comprometem-se a dos direitos humanos.

etc. etc. por exemplo. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança. Municipal. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. 2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores. sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. publicações. . reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género. pelo Conselho Consulti- NAR). manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. ambiente competi- tivo. em 2008. de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe. 100 indivíduos e organizações na promisso. Graz. na Câmara Municipal. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com. Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais. Programas de Aprendiza. no Brasil.. dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario. mas de educação e formação para os direi- tos humanos. professores. mal de inauguração na Universi- tadt. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. que também oferece vários progra- to Alegre. contra a Discriminação res no Rosário. H..at).menschenrechtss.

para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. O mesmo vale governamentais. Há. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. ainda. o existentes podem tornar-se mais visíveis. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. refugiados. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. uma atitu. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. a situação em 2006. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. Do mesmo modo. também poderão ter êxito propos. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. (de paz). que existe tan- importante papel. enquanto representan. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. assim. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural. humanos. humanos. direitos humanos e da democracia. com funcionários de direi. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. como efeito preventivo e promocional. lo Opcional. desempenham um e o direito dos refugiados. tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. Entre estes. Em ambos os casos. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional. as Ao mesmo tempo. como aconteceu. ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. informação.78 I. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. institucionalizando. por exemplo. a inclusão dos direitos gulares). como os “padrões funda- humanos. Novos reitos humanos de instituições locais. refugiados. bem como as tecnologias de tos Humanos. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. do trabalho da OIT.

em 2003. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. Banco Mundial. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. combatem novas ameaças terroristas. tais como o direito a um julga- para Proteger. Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. padrões de trabalho. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. o FMI ou a OMC. por exemplo. Conselho de Segurança da ONU também manos. para negócios e direitos humanos”. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. Direito ao Asilo. fazer face a estes novos desafios. derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. Em 2011. assim Responsabilidade de Empresas Transna. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. Prima. e anticorrupção. nova e inovadora no processo de globali- zação. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final. padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. nos direitos humanos e no primado do Di. assim como a destes resultados. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. Esta questão levanta uma outra 2011. para considerar a re. como também de atores não estatais. consi- e outras empresas. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. que deve ser feita com base Kofi Annan. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. manos inalienáveis sendo que. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. humanos. o papel dos ne- Em resultado da globalização. como uma abordagem reito. que contém um “Quadro humanos. como o guém pode ser deixado à margem da lei. que é exigida não só de indivídu. Respeitar e Solucionar” e mento justo. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva. gócios em zonas de conflito. As. o Secretário-Geral da ONU no. a questão da compensação de. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. porém. Um dos principais desafios é manter os os. Nin- ganizações intergovernamentais. a res. pós-conflito. em julho de 2000. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. lançou-se o Global Compact. não fo. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010). O Tribunal de Justiça da UE. L.

Não temam procurar a paz dos-membros da UE. também cons- sgsm8885. ciar a injustiça. o terrorismo.). Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança. The Alston. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. como a liberdade de expressão o terrorismo. Press. aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos. 2011. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . Philip (ed. alvo de recurso pelos Esta. como o facebook. nessa medida.80 I.htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso. Esta última deci. manos. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos . por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos. há ainda um longo si mesmos. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. Ceder na proteção dos direitos huma. desvantagem. Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo. A defesa dos direitos hu.un. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. de um provedor pelo Conselho de Segu.org/News/Press/docs/2003/ Contudo. M. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem.” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU. Human Rights. Não temam exigir a paz. embora possam estar em são foi. A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. The EU and Universal Declaration of Human Rights. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson. Gundumur et al. (Ver www.o profundo respei. 1999. suscitou algumas controvérsias. humana.” Ellen Johnson-Sirleaf.está entre de acesso” à internet. 1999. por exemplo. Prémio Nobel da Paz. para os Direitos Humanos para o Futuro”. Kofi Annan. Esta pretensão. . Não temam denun- numa decisão de 2010. em conflito com o Conselho de Segurança. olhando para trás.doc. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. porém. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos.

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II. Secretário-Geral da ONU. . em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. Agora tem de entrar numa época de implementação. 2001. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso.” Kofi Annan.

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Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948 .” Artigo 5º. desumanos ou degradantes. A. PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis.

nos quais já não tinha sapatos. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. depois de Bobigny. França. ram-nos as mãos atrás das costas. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. mas costas. acenaram-me com uma serin. não têm coragem”. eles puxaram-me o cabelo. objeto que parecia um taco de basebol. Quando vi isto. manos. fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. A um determinado ponto. onde cerca de oito pessoas me começa. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo. 1999. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. Fui levado para o primeiro an. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. Tive de me ajoelhar. Ameaçaram- maus tratos. Um dos po. Um outro polícia bastão preto no ânus. ameaçando injetar-me. um deles disse. deixaram-nos nus. Caso Selmouni c. por volta das 9 horas da manhã. Obrigaram.88 II. no dia 25 novem. abri a manga da camisa dizendo “Força. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. que nós considerámos Depois disso. Quando eu recusei. no dia 28 de julho de 1999. gostam de dar. ser fornicados. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas. como eu tinha previsto. árabes. “Vocês. (Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde. França. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. “Eu fui parado na estrada. obrigaram- ram a bater. tratos tinha começado por volta das 7 ho. Selmouni conta esta cena. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. batiam-me. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. é a verdade. Perguntou-me pés. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. Selmouni ga. de. O interrogatório continuou sem inter. bro de 1991. me de morte e acusaram-me de pertencer à . caso Selmouni c. Outro começa a chorar. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério. Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. parentes e amigos. ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. Depois destes família. e falasse. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr.” Agarraram-me. roupas afegãs para usar. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. como a “noite negra”. eu fui levado para um escri. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos.

Testemunhos.asp?CategoryID na. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. dante é ainda uma ambição por concreti. cida. Na realidade. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios. por isso.E. Apesar de. aproximadamente. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. Disponível em: www. Podíamos usar as casas de banho. onde enfrentou traficante de droga. Questões para debate da. na cela es- tava muito calor porque estava superlota. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. ses padrões. Selmouni e ao Sr. em abril 2004. Iémen. no exterior. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu. Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. amnesty. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela. Walid al-Qadasi foi. Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. A janela da cela era muito peque. pelos Estados. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des.uk/content. O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia. tratamento desumano ou degra. PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda. dar e apoiar vítimas como o Sr. (…) Du. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”.org. Passámos três meses na cela. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. 4. as casas de banho esta.U. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. de direitos humanos ocorrem diariamente. UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. Éramos dez na cela. que o Sr. ao Sr.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. posteriormente. A. tínhamos de do. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. casos individuais de tortura e . altamente industrializados e desenvolvidos. alternar. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3. 2. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional .

90 II. Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. nal e internacional. Até há pouco tempo. desumanos ou degradantes. das as pessoas podem ser vítimas. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. Pertence aos direitos humanos ser humano e. a proibição absoluta da tortura e . têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. dida que a humanidade foi progredindo.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa. To. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. assim como as diversas formas de divulgar informação. portanto. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. a nível global. por nenhuma razão e em ne. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. isto é. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. com a questão. especial- pelo Estado. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. reito internacional consuetudinário. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. A tortura e os trata. identificar e a considerar não só as conse- éis. mitem restrições. formas de penas ou tratamentos cruéis. requerem que considerados inderrogáveis. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. na sua raiz. A tortura e outras formas graves local para local. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. Ninguém está imune à tortura. nhuma circunstância. embora a extensão da sua “sofisticadas”. À me. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. tos. Assim. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. teção e prevenção. a jovens e idosos. ciais à abordagem da segurança humana. monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. ameaça à segurança humana. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. órgãos de investigação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. a pessoas perten. No entanto. mas também as suas causas inerentes. da questão uma monstruosidade sem descrição. mente no campo do direito internacional.

cos ou mentais. a pala- Rede de Segurança Humana. O Estatuto do Tribunal Penal na Res. em conjunto o que garante. físi- segurança humana. agindo a título oficial. mas para a proteção contra a tortura e os maus que. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi. para os direitos humanos. De acordo com a Convenção. Adicionalmen. a sensibilização relativa aos dade na definição. deixando uma margem direitos humanos. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. adotada pela Assembleia-Geral. através da educação de interpretação às autoridades estatais. obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões. Indiscu. ocasionados. nomeadamente... tortura. de 10 de dezembro de 1984 Internacional. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. de. que se en. na prática. cos internacionais. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. Além ou com o seu consentimento expresso disso. te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. acordadas. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. a punir por um ato que ela 2. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen.” contram previstas em vários textos jurídi- . humana.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. qualquer definição jurídica parece ou tácito. em princípio. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. 39/46. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. “[. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. reconhece. a sua instigação reito internacional consuetudinário. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis. A. dá especial ên. permite um desvio destas tratos. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. a nível internacional. nesse sentido. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. e a sua prevenção. Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). são as pedras obrigações. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente.

o que. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana. isto é. desumanos ou como o perpetrador. como os uti- . em circunstância alguma. como nos meios cruéis usados. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias. circunstância”.92 II. embora subtil. Métodos de Tortura ca. como dos tratamentos . pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. também de equipamento de tortura. por um ser humano pode. pessoa com um fim ou por qualquer a distinção. assim que aja a título oficial. desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados.por um funcionário público ou pessoa objetivo. 2001. deliberadamente. a definição contribui sobre a Tortura.um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante. crânios ticas ou práticas”. polí- lunas torcidas por espancamentos. cionados com a tortura. de que “[. tanto físico . deixar que a vítima morra. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. estar subordinada a outros interesses.] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes. pesa. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção. os elementos dis. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi.” abertos por canos de espingardas. Em termos jurídicos. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura. em nenhuma lo do mercado. no seu . Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. te. Secretário-Geral da ONU. Theo van Boven. A dor e o terror infligi. dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo. pos. fazer a outra”..que é intencionalmente infligido a uma como psicológico. O direito de viver sem Tortura (26 de junho). analisou este fenómeno para o entendimento geral. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. no grau de gravidade. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. o que levou a um penas cruéis.” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. como física de tortura e de maus tratos.. san. degradantes é absoluta e imperativa e não dos.

ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. não podem jamais ser considerados como mento solitário. Tra- choques elétricos. mas têm. resultado. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. Também a violência nizar a pessoa. mas são conheci. portanto. A. cos nacionais e no sistema internacional. poderem variar muito. fissões. de punição e de vingança. tras pessoas. ameaça de execução ou exe. Como de instalações sanitárias. a tortura e outras formas mar com cigarros. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. para instigar um sentimento de inutilidade . O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. há no fundo. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. Por éis por uma pessoa contra outra. atar e quei. muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. cortar contatos com os prova. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. os métodos de tortura podem ser quentemente. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. ticados para ameaçar. exemplo. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. de esconder fraquezas e insegurança. pedras. progressistas. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. etc. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. que. sexual é frequentemente usada como mé. água. ou implicitamente. cabos e bastões. identificáveis como potenciais instrumen. A tortura psicoló. afogamento simulado. sono e rem uma fiabilidade questionável. pode dial. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. assustar e desuma- mento contínuos. explícita ou tos metálicos. fre- Em geral. no entanto. Nas suas formas mais cruéis. técnicas de pri. humilhação e amedronta. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. Desta forma. A tortura física cau. a parede. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. sufocação. obje. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. como meio para humilhar. dicionalmente. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior.

de “Eles pedem sempre que os matem. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. atu- doentes mentais. que conduz à incapacidade de assegurar ficante. am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. tais como as mi. uma qualidade de vida decente. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. em prisões. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. muitas vezes. fechados.94 II. cializados. A com deficiência mental. da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. novamente traumatizados. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. jovens e idosos podem ser atos. com dignidade. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. Crianças. em es. torturador das Honduras detenção. desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade. terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. ra é pior do que a morte. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. Os maus tratos acontecem. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. afetam indubitavelmente o entendimento . em regra. Além disso. Ou. Tal acontece especial. religiosas ou étnicas. de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida. as cicatri. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. homens dos maus tratos. de forma oficial. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. falta de recursos ou formação.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. Estes locais de detenção são. Aqueles que praticam tais e mulheres. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. não são raras exceções. Assim. não participam de forma vítimas de tortura. A tortu- forma mais frequente. os detidos gência. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. 3. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen.

. desse “locais negros”. mental. ciais para a sua prevenção e combate. com autorização governa- modo. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. tribunais em diversos estados ni. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. há ainda são medidas penais autorizadas. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. Em 2004. impõem a adoção de normas espe. interpretação. como sem o seu próprio cabelo. Hoje. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. a casos. A. muitas vezes. baseados nos princípios da Sharia. puxas- são práticas socialmente aceites. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. Em 2010. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos. a decisão cedimentos processuais penais com conse. têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. rapaz de 11 anos com o uso da força. de exceções ou derrogações. no Iraque. mais parte de soldados e oficiais americanos. os tribunais religio. frequen. denominadas diferentes de outros crimes e se. Ghraib. Estas leis introduzem pro. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. de forma frenética. terrogatório inovadoras”. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. Intimamente ligado a . Os De forma semelhante. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. incluindo o acor- cionais. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. através do qual um largo nú- penas corporais. Outro exemplo recentes. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. foram. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. em 2004. na Arábia Saudita. Irão. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum. desde há muito. Do mesmo modo. de Wolfgang Daschner.A. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos. Na Alemanha. No a temperaturas extremas que. quer circunstância. em 2010. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente. em casos e a humilhar prisioneiros. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. o debate sobre a atos terroristas. e. Por exemplo. foram sujeitos a “técnicas de in. em qual- em Cuba. à tona. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex.I. mais tarde.

em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. lares de inspeção a sítios de detenção por . juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. Um Iorque. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. em 2002. ra. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012. No respeitante à proibição da tor. ções Unidas adotou. Um relatório completo das ativi- 4. O tura. De- internacionais. a sua interpretação e im. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen. monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. todavia. ção da tortura e práticas semelhantes. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite. plementação podem diferir entre Estados. as Estados podem ser preservados. desu. as disposições do direito in. transpondo-os para a legis. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me.96 II. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. disso. nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. devem ser submetidos cada quatro anos. formas de maus tratos. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. como cos. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. os juristas internacionalistas defen. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. uma pergunta em aberto se tura. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. Fortes sistemas vigor em 2006. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. suas considerações finais e recomendações para ação. O Protocolo. dos direitos humanos e da segu.

estar envolvidas em atividades de preven- . o Protocolo Facultativo à em particular. na lidade. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo. para proteger as pessoas privadas 2. em vista à melhoria do tratamento das pesso. Este Protocolo 3. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. Desumanos ou Degradantes. Além disso. apesar de existirem garantias nacionais. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. do Conselho médicos. ao nível nacional e local. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. considerado um verdadeiro avanço tes. Sob a supervisão do Sub-Comité. Europa. A. assim. assim como Unidas. mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. compensação.) e a proibição de da Europa. guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna. advogados. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. providenciar às ví- das condições da sua detenção. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional. juízes e médicos. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. etc. prevendo. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. reabilitação. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. É ne- de visitas. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. juízes. Formação contínua para os intervenien- é. quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. assim. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. órgãos de peritos nacionais. todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura. O Protocolo Facultativo. Estabelecer mecanismos de controlo. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. da sua liberdade. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. como agentes de polícia. sionais. pela primeira vez. 1. e degradante. etc. e de denúncia.

a assistência jurídica. a capacitação institucional. campanhas. atuando também a uma es. Todavia. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen. Por fim. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. instituições com capacidade local para nacionais. podemos nível nacional. . legislação e a respetiva implementação. a base. mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. Muitas das práticas são locais e • locais. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. bem como a reabi. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção. há muitas atividades por todo governo. Fundador da Amnistia Internacional. as áreas de atividade da polícia austríaca. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. por sugestão do Co- boas práticas. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. visam a ação.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson.98 II. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. o Conselho Consultivo Austrí- implementação. atividades de sensibilização. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. a existentes. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. que visam a ação – campanhas. algo de efetivo podia ser feito. influenciar estruturas e instituições já Além disso. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. 1. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. furiosamente. O leitor sente-se. escrevendo cartas ou ape. as consequentes alterações à lidar com os problemas. a prevenção da tortura e dos maus tratos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. outras operam do topo para pressão. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura.

da Argentina. anualmente. o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). nos das Nações Unidas. O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. eficazmente. Juan Méndez. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. pela resolução 1985/33. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades. Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações.ohchr. Com a ratifi. como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo. decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona. C/c.org a abolir e a prevenir tais práticas.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que. na Áustria. cias (alegados casos de tortura). um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse. aspx) . (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países. o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. um órgão de monito. Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www. independentemente do Estado ter tos Cruéis. A. www. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven. Cruéis. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. Desumanos ou Degradantes. O man.

cpt. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. O CPT é cons- Russa. com tem sido dado com consistência. incluindo a Turquia. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. Efetua inspeções relativamente à Grécia. Chechénia da Federação Russa e em 2011. relatórios.100 II. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu. http://www. prisões e os direitos humanos. também.coe. A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. Ini. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. prisões. conforme neces- Estabelecimento sário. a Federação nente e construtivo com os governos. mas também e 1996. em 2001. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. adotada em 1987. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção. manos ou degradantes. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. hoc. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos. no local e examina o tratamento de pes. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade. incluindo. como as instalações para imigrantes relatórios. irregulares ou requerentes de asilo. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. pode. formações profissionais diferenciadas. Até à data. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros. em relação à Turquia. médicos.int] . As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu. Os membros do Comité têm o di. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. feitas. rou a sua posição internacional. Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). em conjunto com os comentá- Desde março de 2002.

torne numa oportunidade para a tortura. tem atualmente A tortura acontece. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. as Nações da AI incluem campanhas. As atividades Em 1997. quan- mais de três milhões de membros. a acontecer. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. o advoga. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. com um Secreta. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. com metade dos membros pas. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. Reino Unido. cionalização. que inspi. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. em mais de 150 pa. A Amnistia Internacional. nhuma circunstância. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. através de um Co. rou a criação da Amnistia Internacional. síveis de serem reeleitos em cada dois anos. A. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. país devem demonstrar a sua total oposi- ção. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. muitas vezes. dagem holística a 1. ra e para reforçar os cionais. A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. É vital que todos os detidos sejam presen- . A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. 2. No dia 28 de maio de 1961. grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. ção à tortura. a AI adotou o Pro- Tortura. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. subscrito. Muitos indivíduos e celebrida. ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. Londres. Desde en. medidas de salvaguarda para assegurar bros.

circunstância. Devem ser realizadas visitas de inspeção. Não pode existir qualquer “porto vem. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. familiares. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. públicas.102 II. aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. as reito internacional. onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. incluindo o direito a apresen. Uma garantia importante contra vidos com a detenção. de forma célere. sobre tortura 10. Os métodos e as conclusões pensação financeira. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. Mecanismos intergovernamen- . Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. Deve ser tornado claro. seus direitos. Resposta internacional 6. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. 7. Não à utilização de declarações obti. de imediato. vítimas. Investigação independente de relatos tortura. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. a tortura acontece em pelo direito penal. advogados e médicos lhes te. ser protegidos contra a intimidação. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. Os responsáveis por atos de tortura de- 4. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. durante a for- regulares e independentes. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. 9. muitas vezes. 11. De acordo com o di- centros secretos e depois. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. tes se encontrem. Os governos devem assegurar que os 3. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça.

em 2010. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção. depois de testemunhos de “sus. Tem estado na frente da 12. combate ao terrorismo. e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. âmbito da Detenção e da Prisão. desumanos ou degradantes. www. como necessários por motivos de seguran. Os governos devem assegu. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis. autoridades estatais. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte. to de mecanismos nacionais de prevenção. (Fonte: Amnistia Internacional. regional e nacional.net) . denominada “Contra o Terroris. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. Em Tóquio. sobre a criminalização da tortura. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”. os re. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. incluindo facilitem a prática da tortura. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos. em nome do comba. Tal conduziu a ou. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. a Associação Médica peitos de terrorismo”. em 1975. A.apt. com um de militares. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes. instituições nacionais e sociedade civil. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional. médicos em atos de tortura e de maus tratos. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional.org/) http://www. Ratificação dos instrumentos inter. em todas as situações. enquan- ção contra a tortura. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote.amnesty.ch) vamente em abril de 2005. PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar. a Amnistia lançou outra cam. panha mundial. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. de forma urgente. cedimentos seja suspeita. da. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. apelando ao fim luta armada”. motivos da vítima.wma. Tortura. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta.

Porém. mais de 9. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. 1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. em 2000. tornando premente a necessidade nacional. para mais de 130. prisões. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões. to de choques elétricos subiu de 30. vários países europeus con. os direitos humanos e de mais recursos. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. Humanos (DUDH). da Amnistia Inter. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. uma mas de maus tratos. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. grilhões. o nú. Artº 3º Atualmente. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. penais à volta do mundo. mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen.8 milhões de pes- como algemas. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos. proibidas pelo di- março de 2010. reito internacional. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. CRONOLOGIA grilhões. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. que apresenta pormenores sobre o . des Fundamentais (CEDH).104 II. Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. por exemplo. o número de países que se sabe de mais formação. tura ou tratamentos cruéis ou desumanos. Artº 5º dores químicos. mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop. Theo van Boven.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. em 2005. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. em danos físicos e mentais. de acordo com um relató. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo. chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. anjinhos. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos. Descobriu-se. De Civis e Políticos (PIDCP). Num movimento paralelo.

Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res. Pergunta para debate: mas diversas. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu. 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos. Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas. É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto. ainda que de for. PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. A. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. a vida de outras pessoas? . Art. 1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis.º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul). Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de.

para reflexão. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. que divida a sala. Como introdução ao tema. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. cópias do ma. e a razão das suas posições. Como alternativa.106 II. preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. em alternativa. demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. pedir aos par. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. qual expressar desacordo ou insatisfa. plicados. Finalmente. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas. por exemplo. parti. artigos e reitos humanos. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. pedir aos partici. Depois do debate ter terminado. rever o priados ou disparatados. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. competên. Nenhum proibição de tortura. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. etc. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. rismo e a proibição de tortura. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. Material: cartões coloridos. ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. éticas. etc. cionais recentes. cionados com a tortura. públicos. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. Só uma pessoa deve falar de cada vez. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões. nados com o tema que trouxeram. os par- . vemente os recortes de jornais preparados. quadro ou papel e mar.

bre o tema. Nancy. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. 5 gurança humana. em ação. Dimensão do grupo: 10-20. . et al. a questão de saber internacionais e regionais. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. adultos tras pessoas que o apoiam. Action and criativo. etc. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. Material: quadro ou papel. Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning. A. Human Rights Education Handbook. desu- tê-lo feito. Através desta ati- vidas. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. ta. brir mais. 2000. que em alguma circunstância. Temos de torturar o aliado xidade do tema. se pode jus. Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. político para descobrir mais sobre ou. se é ção de tortura. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. normas relevantes de direitos humanos. marcadores. Temos de torturar para salvar manos ou degradantes. Grupo-alvo: Jovens adultos. em primeiro lugar. Temos de torturar para desco. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. concretização de ideias criati- Change. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. pena de morte e se- Manter sempre e usar. Effec. • Alguém é próximo de outra pessoa sus. penas ou tratamentos cruéis. vidade. desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. The mas de tortura. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. esta susci. ilustração da comple- bombista. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. se necessário. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista.) vas.

London: Amnesty Amnesty International. Annual Report 2010 Geneva: APT. pode perguntar de dro ou em papel. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. London: Am. Security (APT). What Role for Physicians and other Health search Foundation. (APT). que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora. From Words to Professionals? Geneva: APT. 2003. Association for the Prevention of Torture Amnesty International. Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. panha.108 II. as respostas mais interessantes num qua. Monitoring places of deten- nesty International. 2008. tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. 2004. pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. 2011. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. (APT). Amnesty International and Omega Re. Visiting Places of Detention. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. ideias e opiniões sobre a tortura. Como forma de aquecimento. Association for the Prevention of Torture ternational. Numa segunda volta. membros no máximo) e espalhar o mate. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. The State of the ing Torture: A Manual for Action. . 2010. London: World’s Human Rights. Deeds. 2011. Registar exercício numa palavra ou numa frase. International. Pedir aos participantes não Direito à vida. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. Dar tempo suficiente para se exami. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. Pedir a cada um dos participantes para mentos. mas humana. Amnesty Amnesty International. deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos. London: Amnesty In. tion: a practical guide. with Human Rights. Geneva: APT. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. trabalhar. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho. Combat- International Report 2011. desumanos e degradantes. 2011.

Popovic. Geneva: As- Evans. Available at: www. 2004. and Rod Morgan. Center of the University of Essex. 1999. Protecting Prisoners – The Standards missioner for Human Rights (OHCHR). world/2007/jan/03/guantanamo. Jean Baptiste (ed. Combating Torture in Europe: The Office for Democratic Institutions and Work and Standards of the European Com- Human Rights (ODIHR). Torture. New York: Human against Torture and Other Cruel. 2000. Evans.uk/ ter of the University of Minnesota. Torture under International Law porting Handbook.usa . Malcolm D. Jean. 28 July 1999. The Torture Re- (APT). 1999. of the European Committee for the Protec- 2002. and the War on Ter- Murray. et al. Case of Selmouni v. and Rod Morgan. A Manual. Nancy. 2003. 2002. America. and Degrading Treatment or Punishment. Nigel. Approach to Prison Management – A Kellaway. Herman and Hans Danelius. Abu Ghraib. sociation for the Prevention of Torture. Oxford: Oxford Rodley. against Torture: The OSCE Experience. Burgers. 2001. 4 “Combating Tor- tion of Torture in Context. Camille. Oxford: Oxford University Press. Geneva: OHCHR. A Human Rights New Press. European Convention for the Prevention Sarajevo: CTV. 2000. The Guardian. Prisoners under International Law. Human Rights Watch. and Rod Morgan. The Treatment of University Press.Compilation of Standards. The Fight mittee for the Prevention of Torture (CPT). University Press. Sabina. files detailed Guantánamo Torture Tac- Minnesota: Human Rights Resource Cen. FBI tices for Learning. Malcolm D. New York: New York Review of Books. Human Rights Perspective. Rachel et. PROIBIÇÃO DA TORTURA 109 Association for the Prevention of Torture Giffard. Preventing Torture in Africa. Inhuman Rights Watch.co. ture. London: Inter- ture & Execution: From Early Civilization national Center for Prison Studies. Strasbourg. Essex: Human Rights . al. Mark. 2000. Malcolm D. Torture: A Dordrecht: Martinus Nijhoff Publishers. Conse- 1998. France.). Office of the United Nations High Com- 1999. S. 2005. New York: The Coyle. 3 January 2007. J. Strasbourg: Council of Europe Publishing. Action and Change. Warsaw: OSCE/ODIHR. Intelligence Cooperation with Torture – A Handbook on the Convention Countries that Torture. The Human Rights Education Handbook. The History of Tor- Handbook for Prison Staff. Protocol to the UN Convention Against Tor- European Court of Human Rights. Preventing Torture – A Study of the quences and Rehabilitation. through Medieval Times to the Present. Oxford: Oxford University Press. Fact Sheet No. Danner. Oxford: Oxford ture” of the Human Rights Fact Sheet series. The United Nations Convention against tions Asked”. Geneva: APT. The Optional ror. Judgment of Niyizurugero. Torture and Truth: London: Mercury Books. Effective Prac. 2002. A. “No Ques- 1988. Andrew. Human Rights Watch. tics. 2011.guardian. Flowers. 2004. 2010. Evans. of Torture and Inhuman and Degrading Treatment or Punishment. 2009.

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[…]” Artigos 22º. 25º. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. 23º. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. B. ao alojamen- to. ao vestuário. 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. quanto à alimentação. principalmente. 1948. .

sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. Mas em Bhoyal. Um aldeão. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis. no sudeste de Ra. Depois da indepen- fome. Murari. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. uma imensa montanha de alimen. Entretanto. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. frem de anemia. E. aqueles livram-se foram enfraquecendo. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. parsas e membros da sua própria casta. os donos das te dada ao gado. os donos começaram a morrer. Quando os de prisão de ventre e de letargia. der o seu esquema. riyas.112 II. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome. No âmbito de um sistema público dência. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. encontra. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. que re- dúvida. nenhuma das toneladas distrito de Baran. Em 2006. presentam cerca de 30% da população do tos. ainda assim. 60 milhões de toneladas de cereais exce. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. governamentais. Por fim. ele perdeu a sua filha. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. lapso. mas agora dianas sofriam de má nutrição. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. cia em 1947. Infelizmente. ram erva. Esta é por isso. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. Em vez disso. E. racionamento numa tentativa de escon- mília. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. Antes da independên- mais remota do interior. sem sofrem. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. Mas os humanos não de. Em vez disso. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. como em outros lugares. Sahariyas começaram a morrer. recusaram-se a vender vem comer erva e. lojas do governo. Primeiro morreu o seu pai. seguido pela sua mulher. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. . que lhes per. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. Ganpat. os aldeões. os aldeões de Mundiar come. lhos como trabalhadores agrícolas. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. rapidamente. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. As comunidades tribais. assim. do se perderam as colheitas neste verão. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. Bordi. Durante os dois últimos meses.

como o equidade. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. incapacida- . A pobreza. “Os políticos não estão interessados em 2. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. a nos processos de tomada de decisão. Em países em desen- volvimento. ços de saúde e água potável. O que desperta em si esta experiência e nós”. na segurança humana? Se sim. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. geografia. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. política. igualdade. a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. que era vista terar a sua situação. segurança humana e Banco Mundial. Nabbo. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. escassez de terra um fenómeno histórico. INTRODUÇÃO cificidades sociais. enquanto preparava a sua refeição 3. humanos de/a …”.) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. significativamente complexas. seu país/contexto experienciam. Vê alguma relação entre o aumento da poor. paz. desemprego. A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes. é agora vista como um conceito capacidade. Quais são as privações e vulnerabili. a cultura e as espe. B. a re. a história. Caste and cor. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. forma de exclusão social. analfabetismo. 2002. falta de segurança pessoal. são negados os meios para exercer essa mentos. disse uma mulher. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. epidemias. Esta com. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. num mundo pleno de oportunidades. portanto. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. desenvolvidos. o Fundo Monetário Inter. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. Dying of hun. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. as formas pelas e de recursos para subsistência. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo. Quais (Fonte: Luke Harding.

educação. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. subs- como de vulnerabilidade. temente. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas. violam os direitos humanos. liberdade. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). conducente a graves inse. social e político e de recursos. tituindo o Índice de Pobreza Humana. DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico. bem com uma abordagem mais ampla.114 II.” tência desadequados. discriminação geradas. de respeito próprio e pelos outros”. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD. o desenvolvimento humano são negadas bate público. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. Consequen. uma quantidade específica de alimentos. a pobreza como uma “condição humana . as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. xo do limiar da pobreza definido. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. político e económico. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. dar a segurança humana básica. tais como a precariedade saúde. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana. e apenas se. educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in. de participação. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. do global e da segurança humana: “As PNUD. Mui- guranças sociais e alimentícias. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. meios de subsis- insegurança. de 1997. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran.

mente abrigado.é o caso. culturais. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. forçando-os uma definição. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. tar de um padrão de vida adequado e ou. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. a comercialização de água. nidade. o que. etc. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra. condições sub-humanas. Nas Linhas Orientadoras Provi. justiça. acesso equitativo à justiça. a cidade quer migrantes ciais. dignidade. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção. Pobreza. ter nidade. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. estar adequada. do-os. escolhas. A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. por exemplo. e medir a pobreza persistem. vitais para a sua subsistência. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru. . O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. não permi- como uma “forma extrema de privação”. dependendo do específico contexto económico. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. ter educação básica. do ções Unidas para os Direitos Humanos. contexto urbano. mas não se de prioridade. ainda mais. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. oportunidades. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. habitação. florestas e água . portanto. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. do Alto Comissariado das Na. por exemplo. e. Dando um passo em de uma justiça atempada. Apesar de esta qualificação po. educação. social. económicos e questões da vida real. za (ex. ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. e insegurança. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. o que ajudaria a ex- sociais”. capacidades. B. ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. sendo essencialmente subjetivas. segurança.) com as tros direitos civis. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos. por exemplo. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. vulnerabilidade. saúde e educação. No capacidades consideradas como essen.

viver uma vida com respeito e dignidade. A falta lhadores. e empresariais usurpa o espaço dos ci. Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. ganhar magros salários. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . são preferidas aos homens. a maioria dos mem. Devido à sua dades. trabalho obediente”. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. o aumen. não pode votar. como traba- sionamento de serviços básicos. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. água. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. Muitas vezes. consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. nega aos refugiados o direi. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. o curtume de pele ou a agricultura. em muitos setores da economia de instrução e de informação. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. para as mulheres. como a re- dos pobres. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. como o aprovi. as mulheres não possuem e não natureza migratória. As crianças. Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. grupos de ser um assunto privado. Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga. As mulheres em assuntos públicos. deficiência. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. em dores ou a reabilitação de pessoas des. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. têm controlo sobre a terra. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. a pobreza interfere com a li. A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. portanto. todo o mundo. vez de estarem na escola.116 II. em áreas rurais. por exemplo. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina. são exploradas locadas. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. assumir poder e resistir à injustiça. ciclagem de lixo.

vida com dignidade. assim. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. exploração e abuso. em 2010. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. riqueza no mundo industrializado. podem intensificar a pobreza. as despe- senvolvimento. para as pessoas já Algumas tendências económicas. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. dar dívidas. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. ficiências secundárias. Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. o aumento da comercialização mento. A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. educação. com deficiência tem trabalho remunerado. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. como está a aumentar. que po- afetadas pela deficiência. Para mais oportunidades de emprego. em idade de frequentar e pobres. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. nos países em vias de desenvolvimento. o norte e sul. como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. rendi- além disso. num sistema económico global. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. a educação e a habitação. neo-liberal”. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio. descurando. É interessante ver que. deficiência e pode também conduzir a de. Os PAE nais básicos em muitos países. De acordo com a UNICEF. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. tráfico. B. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. De saúde. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. uma parte da prosperidade global. o que te causada pela má nutrição. elevadas pro. falta de co. o ensino secundário. alimentação e habitação acordo com estes números. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . juntamente com o contínuo cres. ainda necessitam de uma implementação apropriada. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. no caso de se manterem as políticas atuais. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado.25 dólares por dia.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1. INTERCULTURAIS Hoje. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué). estima-se que 1. Mesmo em 22. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de. O da Europa Ocidental. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015. de 2010. recente (2010) estima que cerca de 8. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar.000 crianças por dia. na anos morreram em 2009 – ou seja. De acordo com o Rela. o Liechtenstein. Mais há a fazer. mais de segunda metade do século XX. os Estados Unidos da América. 800 milhões de pessoas continu- ção. é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD. que é considerado ser um padrão justo de temente. tempos de crise financeira. um desa- os pobres. alguns objetivos. é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970. mais pobre do mundo. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. confinado às mar- gens da sociedade. indica que o rápido o qual. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma.71% da alfabetização.118 II. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. o Zimbabué. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. Consequen. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. este fosso entre por exemplo. O país relevantes. em 2002. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu. de 2005. do PNUD.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia. como o alcance cai para 4. A infla. a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução. vimento Humano de 2005 de acordo com no.

bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. o que é aproximadamente 5. da com sinónimo de “pobreza relativa”. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. formas de vida insustentáveis. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa. cias de ajuda humanitária. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. na verdade. resultan- e a exploração contínua de recursos natu. a noção de que os pobres como relativamente pobre. do numa redução substancial da pobreza. bustível. desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. efetivamente. é possível. água. Questões para debate por exemplo. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. e o por ano. a falta de alocação de fundos para Sim. Um indivíduo que é catego. é que o desenvolvimento sas regiões. assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. B. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. além-fronteiras. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. do orçamento de defesa americano. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. argumento é usado pelos respetivos go. breza? cursos. 2012.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. Apenas se os países crescimento populacional em países me. social e económica. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. dos governos nacionais. . elevados que os pobres. A ex. Do padrões americanos. por exemplo. as políticas re. pode ser considerado mesmo modo. pois. para trolo de acesso a recursos. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. acredita-se que o elevado gradação ambiental. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. mas os conceitos não são idênticos. causando insta. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos.

igualdade e equida. o Fundo Monetá. de modo a canali. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. em 2000. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. das com as da Índia. Isto inclui: erradicar a pobre. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. a serem atingi. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. impacto na Índia. Portanto. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres.120 II. principalmente. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. de a nível global. culturas. englobando Nações Unidas. melhorar a ginalização social. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. IMPLEMENTAÇÃO pobreza. Estas diferenças en- dos até 2015. co- . malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. a questão crí- saúde materna. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. Além disso. a zar fundos para a erradicação da pobreza. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. quando compara- erradicação da pobreza. devido. tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. Por exemplo. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África.

a Agenda 21. dos vários Estados Partes. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. Conselho de Direitos Humanos. Afirma que os po. negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. reco. governos. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza. paz e segurança deste modo. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. a Declaração de Cope. as intenções políticas e a implementa- ções políticas. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. assim. desde 1990. tos humanos. e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. pobreza. a falta de cumprimento da os direitos humanos. Estes valores têm expressão em declara. a corrup- cidadãos. Esta abor. conseguindo. da dignidade humana. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. hiato significativo entre os compromissos. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. B. Direitos Económicos. a Pobreza Os organismos de monitorização exami. em 2006) . pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. os compromissos conflituantes nhaga. concebidas pelos Es. como a OMC (ex. outros atores estatais e não esta. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. tais como a Declaração do ção real. nhecendo que o direito a não viver na po. instituições financeiras. do tratado são fatores impeditivos. existe um mundo globalizado. A falta de vontade política dos Rio. Sociais e Culturais. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. Uma vez que os Estados indivi. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu.

em 2006. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos. Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor. e ajudá-los a modificar o seu destino. dades com que os pobres são confronta. monitorização e o planeamento relati- dos. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72). Objetivo: Reduzir para metade. cobriria o custo tem o mandato de relatar. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza. examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. ano de 2015. a Perita Independente assinalou . tos e de produtos agrícolas. mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos.Apoiar a capacitação para a avaliação. pessoas que vivem em pobreza extrema. Este processo fornece conhecimento. bem como .Fazer um balanço das ações realizadas pobres. O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. pletamente a pobreza. com a fome. Possibilita a estruturação de or. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com. a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res. latório de 2010. No seu Relatório de 2004. até ao senta também recomendações e propos. No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen. a Perita Inde. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. . por si só. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . a nível nacional e internacional. vamente à pobreza. professores durante 15 anos”. . pessoas que passam fome.122 II. tou as suas recomendações sobre como 1998/25). No seu Relatório. micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. enquanto o outro tem a respon. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm . a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res. sobre a implementa. para a Comis- são de Direitos Humanos.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos.Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun. de 2001. a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. Para cumprir estes re.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada.

quatro quintos de 2008-2009. ses energética e na alimentação. o problema.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres. tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. B. Antigos volvimento do Milénio. e às cri. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. habitação e nutrição. con. Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. Em 2009. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. Nações Unidas. instrução e educação. 2001. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento. dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. propriedade e contro. o progresso tem alguns progressos. Apesar de fome e doença. muitos dos Objetivos de Desenvolvi. Porém. Largas popu- das Nações Unidas. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. redução da pobreza até 2015. . mento do Milénio não serão provavelmen. ainda a decorrer. políticas. nos movimentos civis e no trabalho de. Sem um maior impul.Continuar a dar prioridade aos peque. (Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. educação ao acesso à tomada de decisões so. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. pobres. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. como um todo. estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. em países em desenvolvimento. saúde. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . contrariar os sucessos já alcançados. lhorar as suas vidas. mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. para o desenvolvimento sem terra. têm de ser dados al.

no Bangladesh. saúde e humanos.O direito à informação e a educação . habitação. das no âmbito de experiências locais. ção direta com a redução da pobreza. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu. Os seus es- . Em 2009. . redução da pobreza. etc.A redução da pobreza deve ser acom.O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento.Maiores despesas com educação.Estabelecer organizações de pesso. Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. Apenas quando os po.A pobreza é uma questão social. pobreza estão condenados a falhar se mento. as incentiva a sua força coletiva. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. respeito próprio e dignidade. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. em 1976. . a pobreza. zação. forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica. encontram em posição para erradicar. mano equitativo. o que pode levá-los a agir. pela . Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen. social. aos que são marginalizados. começou . Os esforços para erradicar a humanos. . .9 milhões de mutuários. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza. Através do seu empodera. ral e política tanto quanto é económica. plementados pela assistência e coope- ção da pobreza. a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. se za. saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza. e descentralizado. .O empoderamento político e económi.Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi. . internacionais e nacionais. em Jobra.Muitos dos países do mundo não se . contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. noutros setores. cultu. como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades.Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. tuto étnico. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. imediatamente. água. ração internacionais.124 II. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança. redução da pobreza: .O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam. especialmente. Estas apenas perpe. saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de. quena aldeia. tal contribuiria para a . tuaram a pobreza. nanceiras.

senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres. são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. A organização trabalha agências. de iniciar mudanças significativas nos pa. A Freedom from Debt Coalition (FDC). de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. sediada na Califórnia. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. análise. lan. em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo. assim. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. equidade (incluindo igualdade de género). económicas sobre as mulheres. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. O banco abor. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. Estas mudanças são significativas. O Artº 54º do sam a fome. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ. 10% ao governo. O Acordo também demonstra a . pública. Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. educação e promoção. eliminar a explo. alternativas bem-sucedidas e promissoras. ção e análise de políticas. Por se centrar naqueles que são conside. O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. organizar as pessoas desfa. fornece serviços em mais de 83. direitos económicos e justiça. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. construção de tividade nas aldeias. questões incluindo segurança alimentar. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. B. ções da UE com 79 países da África. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. equitativo e sustentável. O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. raíbas e do Pacífico (ACP). nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. formas de removê-los. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. Desde A Food First. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional. Com 2.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. criação de ativos. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. através de apoio mútuo. vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza.562 às suas famílias. mobilização de massas. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. está empe.

liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. por ganização não governamental mundial que exemplo. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. especial- 2007-2013. realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil.126 II. uma rede de 26 re. no Burkina Faso. nacional e inter- A EAPN é. direitos fundamentais à alimentação. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo. de organizações não não governamentais e outros. organizações internacionais. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente. em 23 de junho de 2010. educação. As negociações para uma se. agências tabelecida em 1990. nos. Todos os educação e formação. e em Hong Kong. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social. em 2010). na sigla inglesa) é uma or. nacional. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. nais. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. Os membros o Desenvolvimento Social. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. anos. gar em Ouagadougou. Além disso. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. incluindo atividades de 2008. mente entre as pessoas menos favorecidas. cuidados de saúde e segurança. abrigo. gunda revisão foram concluídas em 2010. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. prestação de servi. em Nova Iorque. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. em e exclusão social. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. atualmente. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. es. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social. copo de combater a fome no mundo. visando promover o bem-estar. para construírem melhores futuros após o . zações. Por exemplo. O objetivo segurança humana. gência e através de outros programas. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. a um nível local. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França.

inclusão social e clima/energia. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. cer. 2005. B. paridade 92% da população mundial. 900 milhões. mas outros. com uma população de. onde a divergência persiste. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. 2005. Relatório do Desen- volvimento Humano. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD.2 biliões de habitantes. os seus 1. inovação. os países pobres estão a aproximar-se países. em 2010. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. cinco objetivos ambiciosos. A análise de quatro gresso. antes do início Ainda pior. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos. Relatório do Desen- volvimento Humano. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. edu- cação. meiramente. a serem alcançados até 2020. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. Através destes pretende-se. mas não exclusivamente. 2010. atingidos pela epi- demia de VIH. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. inscrições escolares. alfabetização e rendimento. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . pri- ca de 925 milhões. Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. geralmente os países zação.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. Com base nos dados de 1970-2010. 2010. (Fonte: PNUD. escolari- cativos. e os países da antiga União Soviética. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral. Isto afeta. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. apenas três de género na educação. onde a mortalidade adulta au- mentou. assim como o (República Democrática do Congo. em termos concretos. respeitantes ao emprego. Esta convergência pinta ariana. Quase mais pobres. 2. em especial. do Milénio antes de 2040.

Artos 6º. 11º. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas. A/RES/60/1. 26º). Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. pelo menos. bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres. gradualmente.13º. da pobreza (UN Doc. 7º. tubro. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza.128 II. comemoração teve lugar em Paris. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. Artos 10º. 12º. tos Humanos (Artos 22º. Criança. 11º. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. vimento do Milénio pela Assem- turais. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3. Sociais e Cul. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos. [a substituir. 25º. retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. Artos 14º-17º. 23º. Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 . em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas. em 1987. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial. 9º. 12º. em cada uma dessas áreas.14º (186 ratificações até §17. 19.

rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). uma fita de graduação na sétima linha . à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. deões) seria mal nutrida. B. Desenhar um círculo à volta de pantes. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. soa na linha com um grande 6. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. de reflexão e de debate. Isto inclui os margi- direitos humanos. desenhar um círculo direitos humanos. Tipo de atividade: Exercício 2. Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. lápis de cor/ marcadores. Atividade 7. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. nalizados. recursos. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. Retirar as últimas oito casas. Apenas um por cento da população (infra). Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). Sete seriam incapazes de ler. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri. Na primeira fila. Colocar uma impressão digital do polegar. com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. O exercício ajuda os jovens a 3. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. Depois. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. Grupo-alvo: Crianças e jovens 5. prioridades de forma a garantir o desen. nos últimos sete livros na quarta fila. texto dos instrumentos internacionais de 1. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. aldeões. faminta. os sem-abrigo. isto é. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. pedir-lhes para implemen. nessa escala). Dá-lhes a oportunida. no con. Na sexta linha. rior. volvimento de todos. alterar as desigualdades e as injustiças 4. Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo.

Disponível em: www. apresentadas. água. educação. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. as primeiras três pessoas mais ricas. Pedir aos participantes para ouvir es.. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. saneamento e des- pesas militares. Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi. O exercício pode explorar: ção. mento e porquê. roupa. • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. II. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial. com o intuito do perfil dos participantes. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. Comentários: desse desenho. um teto sobre a sua ca.abhivyakti. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. O grupo é encorajado a debater o que sente 8. de vista com os outros.130 II. está entre nos em relação à pobreza. para a educação para os direitos humanos. do mais recente Re. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala. etc. de sensibilizar os seus pares. dependendo baseado na atividade supra. um país ou grupo de países. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV. dencia.in) . • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa. saúde. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica. O papel do forma- III.org.

o grupo prepara um panfleto/car- comercial. governos que trans. de de clarificar. B. tintas. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza. canetas de feltro. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício. lagos. lidade na situação. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . para realizar agricultura ou pesca Depois. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. é importante aderir à campanha. Da “Voices of the Poor” (www. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. Duração: 150 minutos Depois. papel de um dos pobres. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas. articulação de competências. exemplo.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. dos pobres sobre a sua própria situação. florestas.o que podem os par. desenvolver as mentos. Por exemplo. Procurar e descarregar casos de es. lá. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. em. Através do consenso. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. ele/ela. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. políticas. selecionar algumas citações à campanha. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. as pis de cor. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. O exer- . O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. comunidade. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. marcadores. conexões entre as manifestações imedia. económicas. que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. canetas. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. em voz alta. questões ou dimensões da pobreza. com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. por ações viáveis imediatas e de longo prazo.

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sem distinção alguma. de origem nacional ou social. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração. de fortuna. de sexo. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. C. nomeadamente de raça. de cor. . 1948. de língua. de opinião política ou outra. de religião.

alegando que a não remoção discriminação racial. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso. cios públicos relativos às instalações despor. o Sr. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. Ele defen- um grande desportista e que. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. te ofensivo. que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. ção. Queensland. (CEDR). nos termos do Arti- . O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. Brown.136 II. considerando ser esse o caso. nacional ou étnico do queixoso. Por fim. em homenagem a uma requerente. como alcunha. S. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. opiniões de vários membros da comunida. uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. no interes. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. Depois de consultar as po racial.S. em todas as circunstâncias. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. como tal. humilhar ou intimidar na. O Sr. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. um australiano de ori. um grupo transversal da comunidade abo. na língua inglesa”. em geral”. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi. Brown. o Sr. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. A palavra racista.. Numa reunião pública. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”.”. ofensivo na tribuna.S. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. Por este motivo. que faleceu em 1972. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu. e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente. não serão tomada em 1960. a administração infor. Em 2002. que ele considerava censu. ofender. de razoável de. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial. deu que. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. ‘Ni. ele e rígene local. requerente não tinha demonstrado que a E. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. ofensiva “pre. insultar. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. H. o Tri- sido dado o termo ofensivo. Ele pretendia a Em 1960. recebeu o nome de “E. mas sim tivas e em comentários de jogos. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi.

tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial. 5. de discriminação em toda a sua vida. 4. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos. pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002. O que fez o Sr. ser considerado injurioso e 8. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. cular de pessoas? Se sim. O requerente preten. lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi. CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. por a atitudes racistas? mente ofensiva. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . O Comité recomenda que o 10. C.A LUTA IN. criminação Racial (CEDR). Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002. representava a aceitação formal ou 2. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. NÃO DISCRIMINAÇÃO . no mo. quais? mento presente.” Também considerou 9. 7. bem como al.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. o Co. 1. em relação a eles? derado desta forma. mesmo que durante muito tem. Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. Qual é a mensagem da história? blica. Ele argumentou que este respeito. Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá.

“sem distinção alguma. lação a quaisquer outras pessoas. de religião. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. fundamentais.138 II. bem como nas rias em toda a parte. XVIII e início do séc. o pressuposto errado da existência de tra situação”. adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual. uma e outra vez. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. intencionalmente ou não. sobrevivência dos mais aptos. assim como tempos medievais. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”. XIX. dos escravos de uma raça “inferior”. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. sendo a mana de todas as pessoas. igualdade nunca foi. em tes níveis. nem no passado nem Por exemplo. Outros poderes coloniais da qual. parti- dos e requerentes de asilo. este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. por uma ou outra forma. pessoas e todas as nações. de sexo. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. contraste com a raça branca dos donos. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. o racismo. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. de nascimento ou de qualquer ou. Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. nomeadamente. os seres hu- nomeadamente de raça. do. têm sido erradamente utilizadas A discriminação. Enquanto nor. Na História da Humanidade. O racismo. superioridade cultural. nos rígenes. Assim. a questão de forma eficaz. contra pessoas continente sul-americano). Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. as teorias da evolução e da no presente. a consciência sobre o as. bem como segundo fortuna. de cor. de origem nacional ou social. por ve. Porém. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. cana. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. os afro-americanos foram aterro- . contra os abo. A discriminação tem ocorri. O sistema colonial espanhol. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. os Roma. Formas de dis- humanidade. plenamente reconhecido a to. classi- de língua. No tros. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. nos demarcamos em relação aos ou. manos têm sido. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. Darwin. os judeus. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. sistema de castas indiano. de categoria de “raça”. a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. refugia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. de Charles dos os seres humanos. desde o início da de “superioridade racial”. a base das suas sociedades coloniais. A raiz da mo. através tados de África.

da discriminação encontra-se estabele. o respeito próprio. esco. nação: ça. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. como consequência destes cri. intolerância. em dignidade e em direitos. etnia. discriminação com base na raça. a todos os cidadãos. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. deficiência. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. também. de uma ções e ações concretas que são motivadas . O racismo. crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. niões pessoais e. livres de inseguran. a Humana. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. constitui. religião. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. nos Estados forma desastrosa. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. bem como na religião. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. é o fundamento da liberdade. identidade sexual. xenofobia. XX assistiu pode. por um lado. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. mes contra a humanidade. perante a lei. C. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus. passar na prática as desigualdades base- Hoje. de internacionais. 2. manifesta- ca e social como também afeta. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos. Todavia. a proibição género. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar. ultra- do Ruanda. género. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. igual. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. cor. O séc. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. ainda. identidade étnica. adas em categorias tais como a “raça”. por outro lado. Assim. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. Embora a 14ª Emenda à Cons. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. a do Sul.

as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. Tradicionalmente. orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. em grande parte. dos direitos humanos. o que não consti- criminação. gera bastante controvérsia. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. etc. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. É crucial saber que nem toda discriminação são. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades.140 II. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . em geral. até mesmo. género. Todavia. religião. na prá. dos respetivos Estados. deficiência. deixada sem regulação. a discriminação no setor privado. como uma qualquer distinção. igualmente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. os traba- foi. Desde que a Assim. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. violência. são mais holística da discriminação e ten. mana. mediante certas condições. tui uma discriminação. exclusão. o sistema inter. dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. os principais agentes (positiva e ne. minação racial ou fundada na etnia. relativa vés de insultos. abuso de direitos humanos. pode ser A discriminação. cor. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa. nacional de proteção dos direitos huma. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. abusos verbais. conduzem também ao tratamen- to diferenciado. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. atra. mais ou menos. pode ser justificável. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. fala-se em discri- ou ator. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. esta última. humilha. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou. ao razoáveis. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. já que a igualdade Contudo. considerada punida por lei. em quase todos os países. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente. conduzindo a uma compreen. agressões físicas e e serviços. Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. A este respei- enquanto.

ações. libertá-la. ascendência na origem nacional ou sultado. discriminação indireta. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. cor. exclusão. discriminação: Normalmente.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. uma distinção tem ções de igualdade. categorizações. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. ral de todos os alunos. a distinção. O artº 1º da nidade. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR). um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. materna. que se tem sido utilizada como base para mui. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. um grupo .” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. mentais. tais como a etnia. são desejáveis. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. etc. género. promover a educação cultu. sinceramente. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. propósito e/ou consequências de Tais disposições. aparentemente neutrais. de 1965. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação. a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. acreditar. 3. uma vez que. Johnson. deficiência. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. foi completamente justo.” numa situação semelhante. pública. A discriminação nios político. económico. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. ascendência. o que significaria dar um trata. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. C. “Não se pode pegar numa pessoa que. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. a exclusão. Em termos gerais. isto é. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. Consequentemente. consti. neste caso. como um facto e a igualdade como um re- cor. em condi. mento desigual a alunos que têm poucos idade. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. origem nacional. o gozo ou o exercício. em conjunto. incluindo os per- tencentes a minorias. com o conhecimentos da língua de instrução. de uma corrida e depois dizer. tratar todos os alunos de forma igual em 1. tes. Convenção. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim.

Isto significa que a discriminação iguais. “classe alta” versus “clas- se baixa”). vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. o apenas um período de tempo limitado. porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. cam favorecer. marginalização extremamente controversas porque signifi. Des. mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). Através do domínio. proporcionar aos grupos al. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. Assim. por cia de denominadas “raças diferentes”. A dis. O ser considerado como discriminação. que é cientificamente falso. e a assunção até que se atinja a igualdade. organização ou instituição. afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação. psicológico. desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. de novo. minorias étnicas. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. temporariamente. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. de go. no presente. só significa tratamento igual? ca do Sul. envolvendo vulnerabilidades e ciedade. como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. As causas e as consequên- leis. social e política e vitimização psicológica. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. é co- para compensar desigualdades passadas e. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam.142 II. será que significa tratar de vezes. Racismo tiva”. muitas tunidades. em desigual. de poder (isto é. ar pessoas e dividir comunidades. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. As discriminação jurídicas. do e alcance. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. pessoas em situações básicos. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. As teorias sobre o racismo no plano prático. oportunidades iguais. assim como de autoagressividade. do aceite. – ticas. este igualmente errada de que os grupos étni- . complexos. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. etc. sistematicamente. como é também denominada. mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim.

conceituosas. C. incluindo a perce- do Sul. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). turais e não às características biológicas. crenças grupo com base na cor. muito provavelmente. A de uma forma institucionalizada de racis. hoje. assim como na noção fa. de forma inerente. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. sendo que se pode falar de um “racismo natório. é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. na legislação outra manifestação. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. institucionalizadas que resultam na desi. ternacional e. o racismo e a discriminação racial. impede discriminatórias. superiores ou “raça”. encontra-se refletido em dis. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. costumes. em si mesmo. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. as atitudes pre. práticas sociais. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. “o racismo in. sem expressão ou posições discriminatórias. discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. tradi. Só se estes precon- das suas vítimas. se tensões políticas entre os povos. sancionáveis ou em discriminação racial. perverte quem os prati. representa a melhor gualdade racial. a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. divide as nações internamente. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. ascendência ou de alguém). Liberdade de Expressão cionais”. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. são “racistas”. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). origem nacional/étnica. consequentemente. mas. o comportamento discrimi. • nível institucional (leis. Os racistas de De acordo com a UNESCO. existem diferentes “raças”. valores. De facto. pode ser nocivo. é racista já que pres- inferiores. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. perturba gravemente a paz e a segurança interna. hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. fundados no ódio.

tais como a discriminação. retórica e fisi. conceitos e comportamentos que rejeitam. A distinção entre racismo e xenofobia não lação. até mesmo. Xenofobia e Intolerân- ao presente.. disseminadas e acessíveis a toda a popu. de forma clara. A xenofobia é. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados.. com fundamento na perceção de que to. O ou crença. O antissemitismo manifestou-se. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. 2001. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu. vezes. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio. como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”. Xenofobia to – mantém-se hoje. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [. a xenofobia serem judeus.. estas teorias e práticas persistem ou. profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. nário simplista de “bom e mau”. pre- No início do século XX... Por outras palavras. a vida. Infelizmente. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial. em mi- novamente. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. pos neonazis expressam. humanos. perpetrado pelo regime Nazi. só por nacional. Discriminação Racial. prejudica. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina. Este ódio e hostilidade. mesmo a não neonazi. vivo como sempre.]. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. a autoestima e autoconfiança e. Hoje. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. lhões de casos. de incidentes. por cia relacionada. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado. na História e continua a existir até mo.144 II. muitas vezes. vilipendiam pes- dessa sua ideologia. Além disso. a discriminação racial.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. violenta contra os judeus . A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes.] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. ampla. novamente.. não faz só parte da ideolo. a terreno e adquirem novas formas. com o auge do fas. cismo. um aumento do antissemitis. soas. Durante o Holocaus. Uma influência particularmente camente. ção racial. o antissemitismo tornou-se parte excluem e.] o racismo. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. geiros e também caracteriza atitudes. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo. planos e sonhos. baseadas nestes fenómenos. te. ganham [. através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. que o mundo assistiu [. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta.

conceitos antiturcos. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. facilmente. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. o que a fez sentir inútil. que declara que “[…] o preconcei. religiosas”. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. Por outro lado. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. que não a da enfermeira. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. em relação a outro. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. da ou expressada. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. em Nova Iorque. C. A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. pode ser senti. origem nacional. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. nomeadamente. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. Uma vez que ataca. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport. tipicamente. sofrido racismo lhes causa profundos sen. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. Geralmente. Para além disso. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. que abor. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. Ambas as atitudes podem. ser timentos de medo e confusão. exemplificado. cor. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. na medi. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças. é controversa. a noção de “tolerância” fância. “racismo cultural”. lecidos para distinguir entre tolerância . sentimen. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade. insegura bater porque se adquirem com o tempo. o que significa a raça. orien. po- país. e incapaz logo desde o início da sua in. quan. género. descrevendo a ções Unidas. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. mo ou a xenofobia. dos. temente foi desenvolvida.

publicamente. que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . Ban Ki-moon. Em alguns países. de vão-se tornando racistas. socie. o seu ção dos direitos humanos. penhar cargos públicos. Apesar de se relacionar. de for- ma espontânea. Neste Dia In. a pri. Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. zados. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China. tradicional Ano Novo Chinês. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. a sua língua romani foi 3. forma grave. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. se ainda não. daí que. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. os Roma foram. Existem muitos exemplos na região da Ásia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. na habitação. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. A discriminação dos Roma – um número namentais.” longo da sua história. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. na educação. geralmente. forçados a assimilar-se. não podia celebrar.146 II. Hoje. mundo. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. Os coreanos no Japão. disse. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu. meios de informação. organizações internacionais e não gover. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. tempo. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola. as suas vidas. Tendo sido nómadas ao forma ocorra.

• Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. direito de igualdade perante a lei. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. O artº 5º da CIE- as suas formas. de forma mais eficaz. o Estado tem de “combater”. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. meios adequados. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. criminação e o racismo. Com a elabo. proteger e imple. Por outras palavras. os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. previstas na lei. Assim. O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. pós-Guerra. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. legítimas. administrativas. O tra. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. natório entre pessoas privadas. C. “da base para o topo” (bottom up). Obrigações no setor privado (ONG. ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965. acima de à discriminação. isto significa que os Es- tudo. ração desta Convenção. No respeitante vatura. confrontadas. as atitu- suas autoridades. não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação. ou seja. com a Segunda Guerra Mundial con. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. com o colonialismo e. meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. a realização dos minarem a discriminação racial. vernos. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre . soas de violações dos seus direitos. a Assembleia-Ge. nacionais e tratados internacionais. normalmente. da forma mais eficaz. As disposições da Convenção no que res. A CIEDR baseia-se no princí. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. o setor privado também tem um de certa forma. ao setor privado e. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. também aos indivíduos. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. para eli. em todas direitos garantidos. de forma célere.

pode atuar perante problemas que exi. o Rela- jam atenção imediata. por nos é uma responsabilidade do Estado e. em 2008. de investigação. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. minal (2005). em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste. uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos. país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. novamente. em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. direitos enunciados na Convenção. Em por parte de indivíduos ou de grupos. essen. Além de uma concre- Estados Partes. que criminação racial (2000). de Ação (DDPA). sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). a implementação dos instru. que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. mostra o trabalho específicas. nacionais (2004). a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. . O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. a CIEDR também es. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). reitos dos povos indígenas (1997). cialmente.148 II. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. Todavia. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. o Comité emitiu. Discriminação Racial. considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. Racismo. ser garantida se existirem sistemas de entre outras. de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. sobre os di- Estados Partes. assim. os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). No desempenho do seu mandato. ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. sobre a forma como estão este fenómeno. princípio. discriminação racial na administração e mentação da Convenção. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. um Estado Parte. Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte.

nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. rância. O Conselho da Europa esta- . xenofobia e intolerância Em 2010. C. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança. a fim de promover a imple. que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti. por peritos independentes. em 1993. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. Uma análise dos 6. reitos humanos (por exemplo. a Conferência de Revisão de mo. beleceu. geralmente.690 Todos os instrumentos regionais de di. con. relativos a incapacidades. Carta dos Direitos Fun. as manifestações de racismo.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. disposições contra a discriminação. o que significa relacionados com a orientação sexual. 20. a envolverem 7. ofensas. combate e erradicação do racismo.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. a todos os níveis. julgamento. a Convenção Europeia dos Di. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões. o antissemitismo e resultar de um esforço universal.699 vítimas. 8. 2011. sen. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6. discrimi- nação racista. a todos os níveis. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co.) Convenção. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial.199 vítimas e 6. xenofobia e into. a Comissão ção. reitos Humanos. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. um órgão composto munidade internacional para a preven. a Conven. as agências dos EUA responsá- relacionada. em vigor desde abril de 2005. lar.001 ofensores.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. de forma regu- lerância relacionada. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial. O Protocolo Adicional nº 12 0.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. que. Conselho da Europa. para monitorizar. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports. pelo ódio.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. a xenofobia.6% foram motivados por preconceitos da CEDH. 19. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias. tos raciais. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. abor. 12.

A importância das medi- Carl T. de discriminação. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. muitas vezes tem de deixar hoje. tais como sistemas de alerta precoce. Rowan das e estratégias preventivas. a resposta Geralmente. muitas vezes. a discriminação com base criminação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. mento de legislação antidiscriminação. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. da pressão que fa. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. Assim. Uma for. não pode ser subestimado a legislação nacional. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. que proíbe. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade. a União Europeia in. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. O racismo. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. bens e serviços. infelizmente. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma. subtil e insidiosa. das. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos.” discriminação. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. implementação efetiva que. so. Além dis. o seu impacte será limitado. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo. na origem étnica. dem ser punidos por lei. nacionais e internacionais. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis. atacam estes fenómenos na sua origem. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- .150 II. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. tais como a serem abordados e identificados. contu- de a prevenção da discriminação entre pes. muitas vezes difíceis de nação. negligenciando-se. direitos humanos. alegada em tribunais civis. para o setor privado. po. o que é con- das suas campanhas. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos. assim. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. do.

fluenciam as atitudes das pessoas. bem como transmitir com efi. de res. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. Infelizmente. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. opiniões e crenças. existem programas de inter. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. nos seus objetivos educacionais. Muitos governos e ONG incluem refugiados. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. para ajudá-los a lidar com inciden. contra o Racismo. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. racista. em todo o mundo. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. como sos grupos profissionais. usam linguagem câmbio escolar. particularmente migrantes e outros. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. tais como os tal. autoridades judiciais e professores. assim como na educação não formal. programas de formação para os professo. C. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. xenófobos e racistas entre o público. O racismo. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. pode ser visto. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. todos os níveis da sociedade. humanos. a discriminação racis. por exemplo. é da responsabilidade de outrem. É importante desenvolvê-la e. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. a contra o racismo. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. para incitar os hutus ao massacre de tutsis . Em mui. relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. a formação para os di. respeito um código de conduta. respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. visão. apoiar a implementação sociedades. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. O poder dos meios de informação Em muitos países. para diver. usada racismo e não discriminação. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade.

a prevenção de atos racis- mente. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or.. ou seja. tornando-nos conscientes exemplo. mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. . ragem moral para interferir se possível. Para ternacionais. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. a Em geral. ões. designadamen. opiniões e Pequeno. Gordo e Negro!.. no dia a dia. de ética. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. é necessário visar atitudes. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. por preconceitos. provedores de justiça ou os organismos te. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. Assim. os este fim os Estados devem. estabelecer que toda a disseminação de especializados. bem como de medidas de autor. tos humanos. nomeada. tais como os tribunais. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. A este respeito. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. consequentes ações e comportamentos.152 II. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. regulação dos profissionais dos meios de informação. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade. O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. e talvez o mais eficaz. passo. comportamentos discriminatórios. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini.

a discriminação por Região Árabe. Com um “Plano de 1. O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. e os que odeiam. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. Diver. em Nairobi. O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. e atividades culturais. ignora QUEM se é. listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. talismo. que profiram insultos racistas. tais como. jogadores e funcionários. na Ásia e Pacífico. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. entre fãs. discriminação. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. o fundamen. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. na sigla inglesa . gosta de “nós” e odeia “eles”. ao nível local. mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. Como o tribalismo. Londres. emprego tários. eles mesmos. habitação. na humanos. O racismo falham. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo. A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é. para bém apoia a “FARE. porque os racistas. estabeleceram códigos de conduta volun. as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. descobrir a verdadeira identidade “deles”. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. Também se estão ceiros. gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. rótulo e não a pessoa que o usa. ao ne. para si mesmas e para os seus par. Galway). . C. Por exemplo. no Quénia. Programas de Ação. a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. sem nunca nidade. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. ropa. para com a huma. xenofobia e ex. fobia no futebol europeu.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. tais como a educação. na Eu- motivos raciais.

Apesar de o racismo ou ódio. culpando os imigran. e a xenofobia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. Yaman. e o racismo e a xenofobia. relacionadas com a existia um sítio racista. A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. como legais. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. Os grupos minoritários visíveis en. existe os atores na sociedade. o racismo e a discriminação te maior. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. ticados através de sistemas informáticos. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”. Em muitos casos. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. . Ao nível das Nações Unidas. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. incitação à discriminação racista. ódio e a violência racistas. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas.154 II. constituem um perguntas. a pobreza rela. respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. o Protocolo Adicional atitudes racistas. educação e habitação). tais como a internet. violentas firmam a existência de uma relação. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade. a pobreza cismo. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. O racismo na internet é um pro- dos Unidos. O nível mais baixo de educa. lizadas por organizações racistas. 2009. este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. por Pobreza um lado. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. pode ser considerada de dife- rentes maneiras. o antissemitismo. o antissemitismo cas. Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. (Fonte: Akdeniz. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. por Direitos das Minorias outro lado. lho da Europa. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. a xenofobia e o é uma questão de etnia. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. as famílias afro-americanas e blema crescente. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. Contudo. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. Ao nível regional. racistas. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes.

diz monização da legislação criminal respeitan. 2001. meninas muçulmanas que ela conhecia. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. diz ela. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. New York Times. em Woo. dos com os 600 ataques registados. a árabes-americanos. mas ainda se nota um nacional nesta área. sinceramente. houve 540 ataques regis. dúvida. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. compara. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. julho de 2002. restaurante. verdade seja dita. ela. tiçado pelo Islão. “Bengali primeiro”. Só que. apreensiva. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre.) Os rapazes tira- ram a barba.) dside. Uma vez. ela. tam. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana). o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. Seema replicou. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. em 2005. Londres. Durante semanas. admite estar. C. da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. acaba de sair da escola secundária. A tembro de 2001. Questões sobre o que minimização grosseira. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. ela própria. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. Queens. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. 7 de metade da sua vida neste país. dela. O inglês de Seema é. sem internet e a melhoria da cooperação inter. (Fonte: Somini Sengupta. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. o pior de tudo. Quanto a estes factos. As medidas a tomar a traço de Bengali. que usavam turbantes. Mas. houve um aumento perturba. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos. disse ela. ser americano […]. antes de ex- xenófoba. os ataques. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. Em tudo o que faz. tiraram o véu. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. Crisis Response afegãos. passou quase norte-americana. É pequena. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. quando um pro- em território norte-americano. refere disseminação através de sistemas informá. de Queens. bém. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. o 11 de se- a humanidade. não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos. séria e. Liberdades Religiosas . significa ser americano. (Fonte: Am. aprovação ou justi. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. John Walker Lindh. os seus colegas de turma riram-se Guide). e pelo na sua túnica salwar kameez. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. temeu perder o seu emprego.

Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC). nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos. e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na. Artº 2º. nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos. Artos 1º. Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH). Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) . Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu. 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. • Que direitos foram violados nesta his. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos.156 II. Artº 2º. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP). Artº 1º. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re. dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC).

a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. (Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. Grupo-alvo: Jovens adultos. ça à justiça em toda a parte”. bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. esta atividade per. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis. C. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. Assim. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. Discriminação Racial. tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr. discriminação. adultos . porém. Xe. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe.

Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam .Quem é membro de um grupo étnico .Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? . Violência: atividade. a lín.Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem. deficiência? Outras sugestões: . . guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. Assim.Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente. . + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha. Doença. Dá-se espaço su.Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final. que os participantes confiem ple. Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina. Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base. O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação. como língua materna. ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? .Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo. antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo. classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições.Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais. para esta Deficiência. para se dar ênfase ao facto de .Quem tem cadastro criminal? .Quem sofreu violência na sua família? Etnia: . divide-se o grupo. tado? nifica um passo para trás) . bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador. com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de .Quem é o filho / filha de uma família de ção.Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros. é indispen.Quem é mulher? Reações: . é necessário. O formador deve pe.Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? . ‘-’ sig.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social.Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. cada .158 II. ligioso no país? Sugestões metodológicas: .Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade. .

curva para tocar com a testa no chão. . Como os participantes não en. o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. os pés do resto do grupo tocam o chão. Este tipo de suposições conduz muito fre. Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. a deusa da terra. ceitos pessoais. Em seguida. se na terra. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. os amendoins drões de comportamento e rituais. são a comida sagrada nesta Ilha. A mulher está sempre atrás do homem. C. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem . Elas ado- Albatroz. homens e mulheres. A atividade que se segue toca ambos. reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. ram. a mulher ajoelhada no chão junto a ele. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. preconcebidas. 3 vezes. enquanto a habitante da ilha de preconceitos.Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. come depois de ele ter acabado de comer. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon. Devido a isto. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. em especial. Depois. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. elas tendem a língua dos habitantes da ilha. Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa.

28 January Akdeniz.) gia absorvida passa para o homem. New York: Am- cess to and supply of goods and services. COMPASS. Strasbourg: Council of Europe Pub- lishing. Racism on the In- 2003. between persons irrespective of racial or . Di- rective 2004/113/EC of 13 December 2004 Amnesty International USA. handbuch für die politische Bildung. A Manual to Use Peer Group Education as Council of the European Union. conduziram a julgamentos erróneos. Praxis- ritual. 2000. tacto com a deusa da terra ao tocarem no 2001. treatment in employment and occupation. rective 2000/43/EC of 29 June 2000 imple- Council of Europe. direitos das minorias Os homens apenas podem entrar em con. 2004. 2000. Strasbourg: Council of Council of the European Union. menting the principle of equal treatment tocol to the Convention on Cybercrime. um homem nunca pode tocar numa mulher sem a sua permissão. Devido a este facto. 21 December 2004. Através deste gesto. Yaman. Di- Europe. Human ment between men and women in the ac- Rights Education Program. 2004. Susanne. Official Journal of the European Union L Council of Europe (ed. Council of Europe (ed. Council of the European Union. [1954] 1988. Wege de- pescoço da mulher enquanto ela realiza um mokratischer Konfliktregelung. a racist and xenophobic nature commit- ted through computer systems. 2003. Gordon. têm de testar a plorar: comida antes de as mulheres a comerem. Achtung (+) Toleranz. Strasbourg: establishing a general framework for equal Council of Europe. Apesar disso. Liberdade religiosa. Sep- implementing the principle of equal treat- tember 11th Crisis Response Guide. 373. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allport. pedir aos participantes que dados privilégios especiais: elas podem pensem em situações semelhantes que vi- sentar-se diretamente na terra enquanto venciaram ou testemunharam no dia a dia os homens têm de se sentar em cadeiras. Official Journal of the European Union L A Manual on Human Rights Education 303. ternet. 2009. tal como a Após o debate sobre a dramatização e os deusa da terra. 2003. os ho. Xenophobia. Cambridge: Perseus Publishing. 2001. Additional Pro.). Domino . (Fonte: Adaptado de: Ulrich. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS As mulheres gozam de um elevado respeito Parte IV: Acompanhamento na Ilha porque podem dar à luz. nesty International. mens têm de caminhar sempre em frente a Direitos relacionados/outras áreas a ex- elas. The Nature concerning the criminalisation of acts of of Prejudice. que De forma a protegerem as mulheres. parte da ener.160 II. An- Directive 2000/78/EC of 27 November 2000 ti-Semitism and Intolerance. a Means to Fight Racism. são lhes comentários. with Young People. 2 December 2000. e os seus próprios “óculos culturais”. Pelo mesmo motivo.).

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D. ao alojamen- to. . principalmente quanto à alimentação. 1948. DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. ao vestuário.

A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. mas a criança nasceu morta. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. regularmente. no futuro. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos. Ele afir- não assistia aos partos. num dia de mercado. Maryam não lá conseguir chegar. Maryam foi circun. algumas costelas. embora algumas pessoas pensassem ternativa. conseguiu sair de casa. Uma mulher é assunto do marido. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. a fazê-lo. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. pobreza e carência. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. mente. Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. Maryam ficou grave- sobre ela. ela deu à luz um ra. preferiu falar na seis crianças. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. paz. ela viu a sua própria . dava dinheiro suficiente. No ano seguinte. Maryam saúde e quando foi. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. Num sonho. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. Os seus Maryam. receber tratamento e não existia forma de va-a. pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. crianças. O pai recebeu uma quantia deia. Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. Contudo. era obedecer ao marido e família. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos. desta vez. O seu pai cia. A enfer. dou. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. que não trouxeram qualquer resultado. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. estavam doentes. esmurrando-a até ela cair no chão. Temeu pela sua vida e das suas meira. Maryam não tinha qualquer de. embora parecesse perceber a lín. ao era uma perda de tempo e de esforço. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra.166 II. que. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. Ela visitou um curandeiro local. O marido batia. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local.

Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . uma refugiada 3. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir. Que interligações se 1. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS). tal 6. mental e social. de 1946. (homens. fique. As. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. no que respeita Health.” e direitos humanos. Transforming Health Sys. “[…] um estado de completo bem-estar fí. 2001. Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi. 5. 7. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. pegou nos dois autoridade (pai.) ao seu estatuto e poder? Justifique. Observe o esquema abaixo: são dados sico. 2. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. D. missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia. marido. região.

família e comunidade. versal de Direitos Humanos (DUDH). com o intuito de inte- Mundial. Essencialmente. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. tanto físicas. um direito isolado. alimento e desenvolvimento da saúde. cionais públicos de saúde. como sociais e psicológicas.”. Nos instrumentos inter. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. ao vestuário. direitos humanos seja elevado à condição nos. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. Assim. em 1948. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. que determinam a saúde são feitas fora do cionados. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS. apenas. A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú. mental e social. água. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. O direito humano à saúde foi torna. Esta in. na Declaração Uni. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. O direito humano à saúde apresenta um vas. ao alojamento. Esta visão holística da saúde en- saúde.168 II. fortalecimento sexo. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número . a Carta das Nações Unidas tor. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é. estar físico.

o PIDCP insegurança humana. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. tanto fí. bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. to Internacional sobre os Direitos Econó- . As organizações. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. paração. profissionais e outras. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. A violência po. tortura. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. As medidas que os Estados Partes no num país. O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. discriminação. sério obstáculo à realização do direito à saúde. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. água. Sociais e Culturais (PIDESC). endé- apenas algumas. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). D. nesses países. Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. te e da higiene industrial. alimentação. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. micas. através dos dois Pactos. nomeando lo das doenças epidémicas. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. escravidão. 1. reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. Até à data. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. c) A profilaxia. que acontece atingir. durante guerras civis e internacionais 2. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais. mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. milhões de pesso. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. enquanto os países baseada nos direitos humanos. habi. Cada ano. A experiên.

idade. serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e . bre a Eliminação de Todas as Formas de nação. assim como de programas. Parti- progresso científico e sua aplicação. reunião e circulação. nacionalidade.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. receber e transmitir in. A acessibilidade das instalações. identidade sexual. bens e que foi revista em 1996. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera.170 II. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano. ali. cularmente importante neste sentido são dade de procurar. dade económica e a informação adequada. saúde. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde. reitos. religião. humanos. incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar. trabalho. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). incluindo os direitos à vida. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. o artº 10º do Pro. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. habitação.” daqueles a quem se dirige. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. qualidade. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos. de 1965. assim como pro- mente. ços de saúde. através deles. a acessibilidade física. associação. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. de 1981. estado de saúde. todas Acessibilidade. estatuto político ou outro pode pre- participação. incluindo o ciente. tra as Mulheres (CEDM). mas. et- a realização do direito humano à saúde nia. origem social. a DUDH. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. liber. dições do ciclo da vida. Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. estado mentação. civil. 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. final. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. educação. não discrimi. a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. de 1979.

D. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica. os governos 2005. Ao mesmo tempo. a igualdade. Desde há muito tempo. so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul. social e a pesquisa científica. dos autores de produção científica. literá- assim como pela biologia. O aces- familiar. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG). em parti- zação desse direito. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento.” Além disto. em 2001. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA. cular. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares. das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. Índia. . obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência.”. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias. e físico e é determinado pelo contexto so. político e económico das suas vidas. põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. dos esforços das organizações não gover. crianças. para proteger a saúde pública e. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995). O direito a beneficiar de uma saúde ótima. As mulheres. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. o artº 15º também protege os interesses cial. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. para promover acesso a medicamen- tos para todos. Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. Para alcançar ria e artística. bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. tuberculose. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres.

uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio.172 II. capital. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. as subs. em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. o investimento macêuticos (artº 7º). da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. regras TRIPS-plus. Contudo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. os membros diretos e indiretos na saúde. como o tabaco.2001. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. Contudo. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. do Acordo TRIPS negociada em 2005. para países menos desen- à saúde. de acordo com a Uni. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. devem assistir os países em desenvolvi- presas. per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. têm sido capazes de fugir à prestação de contas. Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas. existe a preocupação tâncias prejudiciais. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. e. por essa via. são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações. não tem sido capaz de acom. ao direito à vida. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. Desta forma. comércio bilaterais e regionais. 1992. serviços. as consequências nega. substituída pela emenda todo o mundo tem. sustentável. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos.) reito à saúde. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health. que estão com base no Direito dos direitos huma.” panhar o ritmo deste movimento. Por exemplo. tivas do crescente aumento das trocas de bens. sociedade civil e em. produzido benefí. . Alguns resul. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. em grande parte. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º). deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. trouxe impactos negativos em particular. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde. patente. Ao mes. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. em alguns casos de. já à globalização. pessoas. pacidade de produção. tem sido motivado.

A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. As regiões resultantes da contaminação do ambiente. . Numa No entanto. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21. são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. um quarto de todas as doen. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. para reduzir elemen. são causadas pela po. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. burgo. incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. ambientais. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial.” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. para reduzir a preva. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni. como sões. 45/94. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. of disease). D. em 2002. várias ONG alegaram que luição ambiental. em 1996. de 14 de dezem. foi expresso um forte de e o ambiente. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. 21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais. As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. No entanto. humanos confirma esta ligação. em Joanes. vos. Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. Organização Mundial da Saúde. Os a Shell Petroleum. chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992). de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. No Plano de Implementa. DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. 2006.

PERSPETIVAS género.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. mais de 80% da população uti. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro. cultura. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos. por muito que pareçam sem sentido ou (na China. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. intelectual. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. por isso. De novo. adaptando-se base em plantas. Contudo. prática pode impossibilitar gravemente o dos. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. bens história que remonta há 2000 anos. cional continue passiva em nome de uma Em África. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. Contudo. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. da OMS. volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas. idade. etnia. sobre o en. do mundo.. o direito à terra e o direito ao inclusive. as três organi- nerais. exi. A prática. Suriname). aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. desenvolvimento. Na Ásia rais. e terapias não medicamentosas […]. visão distorcida de multiculturalismo. causa. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. partes de animais e/ou mi. incluindo o direito à saúde. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais. em particular). Em outros casos. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. o direito à saúde. de fevereiro de 1996. têm senti- e das Américas. e reformando-se”. biomédico da saúde e. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. zações atualizaram a sua declaração que . a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. etc. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. A e serviços sejam culturalmente apropria. A OMS define MT como terapias que praticam. Em 2008.174 II. do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. Numa decisão desenvolvimento sustentável. falsamente atribuída à religião. tem uma gindo que as instalações de saúde. religião. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante. em muitos lugares População da ONU. América Latina e destrutivos.

acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. O Estado deve publicitar a locali- finanças. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. A dade sobre o direito individual. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. de e a tuberculose. cessária e adequada. e a liberdade de pensamento. um número e jurídicos. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. educação. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. tir que os membros da sociedade usufru. a SIDA. No mesmo ano. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. 4. justiça e assuntos das mulheres. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. zação. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. servem. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. Isto também significa que o veis. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. bir a liberdade de movimento. escravidão. o Estado deve prevenir que atores não es. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. Se a violação ocorre. Por exemplo. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água. leis estas medidas foram excessivas. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. serviços e requisitos da clínica. D. Em certos momentos. e arbitrariamente re. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. nomeadamente. como o ébola. tal como as minorias étni. como no caso de democrática. O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito.

dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais. de 1984. Conselho de Direitos Humanos compila canismos. natória ou não razoável. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. tre outras consequências. 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão. os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde. por exemplo. en- . governos e as partes interessadas. menos intrusivo e restritivo. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac.não deve ser planeada ou imposta de for. em 2002. Económicos. o país . acordo com o relatório do governo. entrar em vigor4. 10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo. de direitos humanos que possam ter. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim.deve aplicar-se no interesse de um objeti. um mecanismo de disponível. . adotado em . as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. a este respeito. incluindo leis. nessa data. políticas. Sociais e Culturais. mento. Sociais e Culturais. necessárias. rais decida sobre casos individuais. reto sobre as relações com outros países. proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me.176 II. tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional. dos Direitos Económicos. o direito à saúde e permitirá que o Comité . Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. Sociais e Cultu- ma arbitrária. o Comité dos Di- reitos Económicos. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. ou seja.deve estar prevista e ser imposta de acor. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. Para este fim.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar. boas prá- processo de revisão formal. o Relator faz vi- te o direito à saúde. O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. relatório a um órgão de monitorização do tratado. micos. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. . Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. de forma discrimi. Partes. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. Ao nível nacional. as co.deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob. informa missões governamentais.

tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material.000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes. mulheres. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. questões am- bientais. D. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. No Reino Unido. Os ões públicas. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. na Tailândia. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. debater. vida quotidiana.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. acesso a meios de prevenção período de tempo. Depois de grande . Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. mas tais como a saúde. sobre de parceiros múltiplos. mação específica. para si e para as suas famílias. As autorida- des de tomada de decisão. Cutting the Rose. Os modelos no Rei- Uganda. uma aldeia de 3. no cas de saúde pública. na Alemanha. ampla- é eficaz. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. higiene. deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. na Zâm- no Unido. Nos anos 80. de circuncisão feminina. no Senegal. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. Os factos sustentam que: mente representativos da população. por parte de toda a aldeia. que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. adequada ao local e questionar peritos. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. grupos representativos e reuni- de comportamento na população.

toda a al. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais. Por todo o lado no mundo.178 II. no início dos prática. filhos qual é o estado da sua infeção. na sigla inglesa). Eles sugeriam. piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. arbusto.” implementado entre esta população devido Cherokee. Tal. não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. relva e musgo encon. remédios adequados para as doenças da hu. os consumido- deiro tivesse dúvidas. membros mais vulneráveis da sociedade. planearam. em junho do mesmo ano. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. sempre. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. Em fevereiro de 1998. em particular. incluindo uma atuação de canais de comunicação. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO. sobre o VIH/SIDA e. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda. A Associa- tilação genital feminina. foi o início da medicina na dições graves. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. pla com ajuda da PLAN Uganda. Os pais deia fez um juramento. Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. The Origin of Medicine. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. erva. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. por si mesmas. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. O movi. Depois. dentro das famílias. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. cordações familiares. educação Em muitos países. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. teatro de rua que se focou sobre os proble. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil. para aju- mas de infeção. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada. muito tempo. dois anciãos da aldeia que contém fotografias. e se o curan. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. A ação jurídica. No Uganda. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. brança para os seus filhos das suas origens. livros de memórias foi. pela primeira vez. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. Depois. Desde 1998. anos 90. o mesmo destino. o Reino Unido e os Países Baixos .

deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas. humanos à saúde.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. não discriminação e autodeterminação. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. referência mais importante neste campo. A natureza holís- . infetadas e 5 morreram. Hong Kong. como nos Países biomédico. Desde então. bem-estar e deficiência”. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi. tros tratados internacionais. As questões que surgiram durante intelectuais. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. a Conferência sobre Deficiên. O facto de que estas pessoas são. Embora o paradigma de re. nos. e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. troca em julho de 2003. 8. D. por agulhas esterilizadas. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. dução de danos possa envolver a descrimi. seres humanos. assim. 6 de outubro de 2004. durante os quais 65 pessoas foram ciência. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. educação e reabi. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. A epidemia da SARS começou em novem- gem. a Declaração reconhece “[…] Baixos. as qualidades fundamentais da igualdade. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos. entre consumidores de droga. A Declaração todo o mundo. do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. surto. tem de indivíduos com deficiências. Os países que introduziram medidas. Vietname. garantir que as pessoas com deficiências des. A atenção recai sobre e abstinência. midores. será a implementam políticas de redução de da. tanto indivíduos como comunida. berdade de imprensa. A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena. no dia tados para com a segurança internacional. afetados – China. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. em vez como Redução de Danos. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. Durante esse período.

A lista seguinte in. começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados.nutrição dica as tendências atuais: . tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei. . ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros.direitos dos povos indígenas surto. vigilância e isola.VIH/SIDA Human Development Report. 2000. pescas.saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais.tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas .meio ambiente (ar. • Transparência na informação diária dada .180 II. . Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso. .reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma .) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos.direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos.violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional . bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica. água.redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos. . trumento poderoso para a criação de uma ros. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu. como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- . na análise das condições de saúde sociais e físicas e .” . .saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do .doenças crónicas direito humano à saúde. • Conhecimento público precoce do . cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas.doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento. etc.direitos das pessoas com deficiência .acordos de comércio específicos e o seu 2. A la- sita de ser feito pela saúde da população.implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa.

9 Burkina Faso 4.6 50.4 7. disponível em http://data.2 (2006) 1.2 Zimbabué .5 65. 2010.1 4.4 Mali 3.1 707 Estados Unidos da 16.9 2. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação.5 7.1 1.2 48.9 - Estados Unidos da 5. 1.9 1.4 61.7 7.5 3. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.629 Austrália 8.3 (Fonte: PNUD.8 América Geórgia 2.7 Suécia 6.8 93. D. Banco Mundial.4 3.9 2.7 0.worldbank.4 1.1 2.9 Índia 3.5 5.9 9.4 Austrália 4.5 China .7 38 China 4.0 - Áustria 5. 4.8 2.0 1. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. DIREITO À SAÚDE 181 3.4 (2006) 8.9 Reino Unido 5.7 1.6 3.0 74.0 Cuba 11.410 América .6 6.6 7.3 75.1 177 Cuba 11. World Development Indicators.867 Áustria 11.4 1.037 Burkina Faso 6.org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.7 6.7 4.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.5 Cuba 79.org/indicator. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10.2 Reino Unido 79.7 256 Índia 4. World Development Indicators.0 (Fonte: PNUD.252 Zimbabué .8 45 Mali 5.182 II. 2010.285 Suécia 9.1 28.0 Estados Unidos da 79.6 3.8 Suécia 81.) . .0 Índia 64.4 Mali 49.6 47.2 32.9 38 Reino Unido 9.6 América Geórgia 72.7 China 73. disponível em: http://data.3 Zimbabué 47.2 Austrália 81.9 Áustria 80.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80.9 78.3 83.6 4. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. - (Fonte: Banco Mundial. worldbank.4 Burkina Faso 53.

Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. D.000 nados vivos. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) . CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos.) 4. bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte. 2010. 1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso. 2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. 1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma.

] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. bem como o estado do indi. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati.”. MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos. criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais.. BEM-ESTAR FÍSICO. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma. mental e social. verbal. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo. Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde. âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença. OMS define saúde como “[. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH). parede. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge. O formador faz a pergunta: que elementos . dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. criar nos par.184 II.. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem. marca- sociedade. que a “ausência de doença”. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente. Esta atividade permite aos parti.

• Este é um exercício de empoderamento. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. As folhas de pa. Cada grupo irá escolher um suas ideias. to- . se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. o formador pede a dor visita cada grupo. Nenhuma ideia deve ser ex. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. uma assistência quando é pedida. (Isto demo. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. O grupo pode colocar dade entre todos. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. do grupo em plenário. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. 2. linguagem de direitos humanos. Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. pantes a usarem as suas próprias ideias. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. contudo. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel. da. a nova lista de direitos humanos que apoia mador. apoia o direito à saúde. num sentido amplo. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. o formador plo. artº 3º da DUDH. eles irão usar as listas que cria- claramente. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. Passo 4: po. Durante a fase da revisão. D. incluindo o for. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1. para todos verem. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados.) grupo. pidas. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. Por exem- Se o grupo demorar a começar. os partici. suficientemen. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. Alguém anota Todos os participantes. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. Neste momento. o forma- verem. folhas são direitos humanos. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. o direito à vida. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas.

não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. Materiais: quadro. tes e profere uma sentença. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo. processaram o governo e algumas ONG. outros países. apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. importados. guns governos começaram a importar . . plo. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. por exem. na realidade. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu. o formador deve su. . considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. empatia mam os seus lugares. al. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. cêuticas. Depois. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. apresentará os argumentos. conside. os grupos to- ção. o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. Os participantes dividem-se em 4 grupos. fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. dizendo mentos genéricos baratos. Por esta ra. cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co. Em África. Metas e objetivos: Compreender a com. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos. que prolongam a vida ou aliviam as do.o representante das ONG conseguiu.o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. e devido a pressões de ONG. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. . propriedade.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. fita ade. O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento. marcadores. importados de aos participantes que a DUDH é um có. o juiz abre a audiên- . posições. verdadeira. cêuticas. para o julgamento. mas. rar opiniões opostas.186 II. Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos.

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portanto. não devem. 1995. como um problema feminino. E.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. . ser encarados isoladamente.

man Rights Watch falou com a Selvi. mília. à noite. já do o seu marido trouxe. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. Em 2010. o marido da Selvi abusos continuavam. e lhe pagasse uma prestação de alimentos. Ele da sua cabeça. . amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. bater-lhe. “O bebé sobreviveu. Selvi foi. Sel. Uma mulher. batendo-lhe todos com ela. ao tribunal de fa- to filho. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. taram nele. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. Não consegue vi foi. um me do telhado”. dizen. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. O seu marido iniciou os ataques en.” ele. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. falámos com com o teu marido. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. cuidados pré-natais que são urgentes. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra. a chorar. comida e mandaram-nos para casa. a violência tem au. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. numa polícia que ela estava a mentir. não os dias. é extremamente ciumento. Estado e tem terror de fugir. numa terceira vez ela es. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. Para abdómen. quanto à frequência e gravidade. Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. joga.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. Porém. deram ao casal alguma do a localização do abrigo.192 II. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho. pela quarta vez. independentemente. disse ela. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. raramente trabalha. A polícia trouxe o seu ma. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente. ele está aqui. em 2009. Eles acredi. O seu esposo vive trancou-a num quarto. curador iniciou. disseram-lhe Em junho de 2010. secretamente. agora afeta mesmo as crianças. O tribunal ordenou mental. eles levaram. com uma pedra. estão novamente juntos. pois o seu cartão do Estado do fugir. eles chamaram o frequentemente. dada ocasião.” A segunda Quando ela falou com ele. os Nesta altura. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia.” Desde então. No entanto. garfo no seu braço. Quando. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. à esquadra quan. “Naquela primeira vez ele bateu-me. A polícia en. formal. tive sexo [com um outro homem].

A SABER 1. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. muitas formas. 4. mas também mui. muitas vezes. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. se na discriminação de facto. com Em muitos contextos. a luta ainda não terminou. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. nessa altura. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. quase globalmente. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. as noções formais armas ou palavras. Esta situação opôs a tal política. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . He ficientes para garantirem oportuni- loves you. Em. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. insistiu que devia ser usado “to. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. Devido às diferentes tos retrocessos. pertencem a todos os seres humanos. nal e internacional. No entanto. O séc. Eleanor Roosevelt. levan. especial e nem ninguém. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. regio- aos tribunais e os procedimentos judi. contra as mulheres. infe. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. 3. 2011. e introdu- por um longo período de tempo e. envolve fre- as mulheres em todo o mundo. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. e pelos direitos de outras mulheres. E. situações de desvantagem. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres.

surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be.194 II. é o que será o próximo milénio. carecem de particular atenção e que . de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. desvantagem e discri. […]”. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade. cor. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”.” Contudo. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. mulhe. res na sociedade e às formas específicas res. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. é comum encontrar as mu. dos quais são mulheres. o conjunto com os grupos vulneráveis. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. depois dos representantes dos Esta. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. Em 1998. idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. ças. diferença. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. 1998/2005. comunidades. soas deslocadas internamente. humanos torna-nos especialmente sensí- manos.” mas evoluiu posteriormen. idosa. Assim. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. “a neutralidade não per. assim como os transsexuais. de cada país. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. o género é uma categoria de Azza Karan. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. a maioria No entanto. por Susan Moller Okin “[…] como a ins. pendentemente do género. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. inde- sociedade. sociais e económicas por todo o mundo. Quer os refugiados. políticas.

a erradica. Esta época consti. em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. mesmo em tempo de paz. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto. referida como “a terra natal do feminis- ção. particularmente contra mulheres mo”. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. voto. direitos humanos à segurança humana. em a segurança humana. de companheiras. podem benefi. em particular. assim como muitas das suas A segurança humana trata. as mulheres e as petos”. deve constituir uma priori. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados.1789. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. com . nacionais. a todos os níveis. marca o começo reitos das mulheres. Assim. crianças. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. res por direitos iguais. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. finalmente. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. também. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. Uma Retrospetiva Histórica existe. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. a proteção. DEFINIÇÃO públicos. A prol da libertação e igualdade. E. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. Desta forma. partir dos 30 anos de idade. regionais e sub-regionais. com num mundo masculino. a situação das 1918. ainda hoje. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2. Logo por volta de 1830. Ela. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres. as mulheres e crianças. todos. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico.

Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. económico e uma posição subordinada às mulheres. A CEM pro. em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. as mulheres procuraram participar na estru. criminação contra as Mulheres (CEDM). na área dos direitos das mulheres. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. em 1945. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. por exemplo. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. Até maio de 2012. lheres. foi Bodil Boegstrup. assim como direitos económicos. com o mandato líticos. ao nível global. Em 1979. da mulher na família e na sociedade. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. criada em 1928. em todo o mundo. primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. em 1933. estão divididos em duas categorias. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas. o que. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. nos Pactos Internacionais. unindo os direitos humanos todo o mundo. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. de 1976 a 1985. moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. a Década cul- se dos direitos humanos. região da América Latina. e desde o início. no respeitante a problemas ur. a diata. também. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades. conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. Os di- e através de planos trienais de ação. A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. ine- nentes. para a continuem a discriminar as mulheres. 187 . a pobreza a Nacionalidade das Mulheres. da Bélgica. vitavelmente. mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. humanidade foram esquecidos. A sua primeira presidente que. Paz. Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade.196 II. social. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). e Mulheres (CIM). para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. tornava.

Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade . mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade. tos dos homens no campo da educação.Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos. nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres. . em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. nação contra as mulheres. económico. reconhecimento. políti. cípio da igualdade. atuarão em conformidade com esta .Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . . por eleição. . organi- CEDM. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa. A discriminação contra as mulheres é . com base na igualdade dos homens e das mulheres. blicos e de serem elegíveis.Estabelecer a proteção legal dos direi. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. zação ou empresa.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção.Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras. qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres.Modificar os padrões sociais e culturais mulheres.Tomar todas as medidas adequadas .Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. das as outras práticas baseadas na ideia co. desenvolvimento dos seus filhos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção.Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção. o gozo ou o exercício pelas . O Comité da CEDM coloca ênfa. dos direitos humanos e das liber. E. exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens.Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir.Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual. Muitos .Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis. seja qual for o seu estado civil. de conduta dos homens e mulheres. . . em todos esses atos. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- .Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios. proibindo toda a discrimi- ção feminina. . homens e das mulheres na educação e lação apropriada. se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres . . social.

cialmente importante. Plataforma de Ação de Pequim (março de to. já que constitui o . que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. Adicionalmente. dentro da sua jurisdição. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. um Es. 2010). em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. que se te. por exemplo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. civil. bro de 2000. • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. a cada cinco anos. rem-se parte do novo instrumento também. adotados como resultado da conferência. regional e internacional e mite que mulheres. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. ga (1980). violações de direitos protegidos pela Convenção. A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór. tados. O Artº 17º do Protocolo estabelece. sendo parte da Convenção. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. a torna. individualmen. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente. e chamou todos os Es. a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. o progresso relati- dos casos. direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. Declara também que a total e igual ou grupos. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais. do Milénio. O Protocolo Op. direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. ração de Viena e o Programa de Ação. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. 104 Esta. social e cultural ao • O procedimento de participação per. A Decla- contra as Mulheres. Em qualquer um e homens. económica. ninas são uma parte inalienável. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres. Até maio de 2012. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. nível nacional. nho de 1993. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. através de consenso.198 II. a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. Nairobi (1985) e Pequim (1995). Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. A CEM. direitos humanos: México (1975). de integração dos direitos das mulheres como sos critérios. permitindo um Plano de Ação. participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca.

la e produzem mais do que 90% dos ambiente. 17% humanos das mulheres. político e económico das vidas das mulheres. meios de informação. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. saúde. mulheres. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. É dada especial atenção dos alimentos. economia. em média. educação. sociais tes e dos idosos. financeiro. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. a toma. violên. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas. as mulheres rea- da de decisões. cia. assim como pela biologia. O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. políticos. reitos sucessórios e à propriedade de terras. meninas. social. • Em algumas regiões. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. E. 1% da propriedade. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. dos doen. e das mulheres a serem informados sobre os . sistema institucional e alimentos. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. económicos. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. manos civis. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. menos que os homens. cumprindo os seus de. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e. que é entendida como uma função social de social e físico. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. No contexto da migração. cisão. obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. mecanismos institucionais. Muitas vezes. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. conflitos armados. executando os trabalhos e culturais. sem um seguro adequado e próprio. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. África e Europa de Leste. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. na sua dimensão política. com um diagnós. especialmente na América Latina.

o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde. eficazes. Egito. Na altura quan. é diferente: quanto as suas mães. te. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. Por isso. mulheres vivas. frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. exato [do meu nascimento]. te- nham sofrido a MGF. por vezes. Apesar registavam os nascimentos. por cozinharem sobre as e adolescentes.” dores.] por isso. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. A MGF integra-se. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. expliquei a e em alguns países do Médio Oriente.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. numa visão geral global. 2012.. muito mais tarde. O meu pai mos médicos. por isso. nho. e minha história pessoal. os pais não nas na América Central e do Sul. uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju. possivelmen- Ban Ki-moon. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. América do Norte meses. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas.. bem perto. Para além de muitas . Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram.] e Austrália. incluindo a violência física e sexual. 2011. Parteira de aldeia Om Mohammed. riscos para a saúde e. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas. irão purificar as suas filhas.. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte. Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar. mente.. perigo de vida. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Elas entre- de adequados. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria. A realidade. res. as meninas e as mulheres apenas esperou [. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS. Indonésia. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF. As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF). no momento presente. não acreditem vítimas da MGF. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). porém. tais como a Índia. A tradição persistente da fogueiras. tal como demons. [. uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. castidade e a “pureza” genital.200 II. ainda não sei qual o dia asiáticos. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo. e. a enraizados. mas não é exato. Eu corto-as en- saudável. Malásia e Sri Lanka.

Os luta. em geral. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. Considerando que. em 2008. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. em 2010. Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. mulheres grávidas. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. taxa de todo o mundo de 21%. novas infeções ter diminuído desde então. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores. devido a mudanças prisão. o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). dimi- destas estratégias na linha de ação: em. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. no Norte de África e no Médio Oriente. a panhadas de educação integral. os pro. através da promoção de uma no Egito. estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. ções Salafi. As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. logo em 1959 (uma proibição con. micas. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). na África na comunidade e sensibilização. nuíram em 33 países. dita nela”. étnicas e socioeconó. com base percentagem é de cerca de 50%. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. Subsaariana é de 59%. no comportamento sexual. as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. tão lentamente a diminuir nalguns países. o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. ção islâmica. comportamento social devem ser acom. E. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). Apesar se à sua continuação. risco as mulheres é o VIH/SIDA. Em termos globais. a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. . que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. o estudo de 2005 da UNICEF mos. e a separação pormenorizada dos No entanto. local. também as MGF no mundo.

Escravidão sexual. integrando-se os esforços de pre. 2012. vezes. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. ções pandémicas. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. ma forma. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. classes e culturas. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. nomeadamente. res no mundo já foi abusada. o Conselho de Seguran. Muitas conquista reflete o compromisso político. crimes de hon- Também em 2011. para preve. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. e psicológica que é transversal a diferen- ças. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe. seleção 1983.. situações de conflito e pós-conflito. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. possibilitan. ra.202 II. a fim de prestarem uma as. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres. pessoas que são titulares de direitos. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades. [. Esta na vida pública. recém-nascidos. No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação. tanto quase duplicou em apenas três anos.] de planeamento familiar. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. nas são sujeitas a violência física. durante a sua vida. relacionados com o dote. Assim. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis.. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. ções. ça das Nações Unidas. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. gravidez forçada. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so. abusos sexuais. Para além do mais. venção no cuidado pré-natal. mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. como na privada. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. lheres. prostituição forçada.

a violação • A violência contra as mulheres cau. E. as mulheres.1 biliões violência relacionada com a exploração. família. com a prevenção. fratura comunidades maus tratos. a violência contra as mulheres humanos. empobrece os indivíduos. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. a violên- cia relacionada com o dote. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares. conjugal. incluindo os das devastadas. • violência física. quer que ocorra. o abuso sexual. como uma ferra. sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. da violência contra as mulheres. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. em 1994. A vio. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. mílias e comunidades. onde Unidas estima que o número de víti.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos.000 mulheres por ano. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. o tráfico de mulheres e a nação. fa. ocorrida no seio da família. são para serviços de cuidados médi. Punir e de máxima importância que a Declara. das Américas ratificaram a Convenção. Esta Convenção foi desenvolvi- . • violência física. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. estima-se que o custo de vio. Em algumas Além disso. Erradicar a Violência contra a Mulher. os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. Nos termos do Artº 2º da De. por exemplo. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. sexual e psicológica lações de direitos humanos. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. foi estabelecido. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di.8 biliões. de forma a que as vítimas de violação. manos. Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. por consenso. ças do sexo feminino no lar. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. prostituição forçada. Deixa vi. o assédio aproximadamente $1. • violência física. ou até com a erradica- ção. A violência abrange os seguintes atos. com perdas ticada na comunidade em geral. em 1993. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. de 1994.

é estabeleci. e no Protocolo nº12. Os direitos espe. Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. foi elaborado sume proporções pandémicas. O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. O Protocolo Adicional nº7 à Con. também da guerra na Bós- mento. Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. a . em relação ao traba. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu. o Protocolo à as mulheres. seus métodos. Conclui-se. dominar. há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. lho sem discriminação em razão do género. tos casos. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. nia do início dos anos 90. através do atropelamento dos corpos das mulheres. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. Se. A vio- respetivos Protocolos. Até maio de minarem as mulheres. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. punir. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. Internacional. Ruth Seifert afirma que. nível político e jurídico. parte. de modo a destruir o inimigo. No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. de comunicação entre homens. Social Europeia. designa expressamente a violação. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. e subsequentemen. de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). proteção materna. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. ria. por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. incluindo o género. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. a violência sexual 2012. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. O direito a oportunida.204 II. introduzir o medo. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo. proteção de traba. su. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”.

vo nas decisões que levam ao conflito ar. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes. E. enquanto muitas vezes elas pró. processos de manutenção da paz e segu- rança. As Resoluções enfati- a violência sexual. missões de manutenção de paz. Vários Estados estabeleceram. Muitas mulheres UA ou outras instituições. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo. enquanto funcio. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. Patrick Cammaert. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. a ONU vida o mais normal possível.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. Contudo. mulheres nos processos de negociação para .000. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias. na prática. da mesma forma. parte de equipas de mediadores. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados. incluir as mulheres em para a Serra Leoa. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. O número de condenações conflitos. até parte desproporcional das consequências agora. entretanto. especial. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. Gen. Uma mudança de paradigma na recons- derno. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. planos nacionais de ação para a mado. Além disso. Maj. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. via. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”. mente violência sexual. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. ção para a paz promovidos pela ONU. A participação das por estarem expostas à violência. de decisões. Pelo contrário. da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. 2008. Internacional para a antiga Jugoslá. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren. durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. mas mou no seu boletim informativo sobre re.

ras. Fazendo face Vandana Shiva. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino. Assim.” acordos de paz são mulheres. 1998. não epidémicas. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. mas em todo o mundo. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . centrou-se. mas afeta especialmente as mu- lheres. as práticas relacionadas com . como a seleção pré-natal do sexo.206 II. um todo. a tendên. Para nós. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. o casamento precoce. A Dire- mentes e as que as fazem crescer. a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. de vida. a menina enfrenta dis- suas crianças. Michel- dos tempos”. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. ao longo da infância e na idade adulta. por isso. sustentável. nas chamadas economias verdes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. Terceiro Mundo. de Vandana Shiva. futuro sustentável. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. o furto não pode ponível. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. através tora Executiva da ONU Mulheres. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. governos e indivíduos. Além disso. nital feminina. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei. Monopólios e Mitos e a Masculiniza. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia.em média. que são maioritariamente homens. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. entre outras. a estas insuficiências. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. o seu conhecimento. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. rapazes. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países.

mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. estas políticas e perceções colo- 24 anos”. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. as meni. uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. te dos seus sistemas políticos. independentemen- educação e à formação especializada. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. indivisíveis. antecedentes históricos. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. peito aos direitos das mulheres. ferente à questão da saúde das meninas. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. mais do de universalidade. muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. particularmente. culturais. Mais comum na Ásia. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. inciden- . as tes e interrelacionados. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. dos direitos humanos. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. na sua documentação re. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. E. Em muitas regiões. uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. em 1993. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. o mo tratamento que os homens. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. soal e ao direito à vida das mulheres. Infelizmente. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. Devido à falta de leis de proteção são universais. a vio. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. Em 2002. meninas. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. compete aos Estados. PERSPETIVAS Austrália. uma desculpa ou impedimento para a total do.

As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”. de forma a pres. no fim. aumento de apenas 1%. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. das mulheres nas eleições. desde há décadas. mentados em 2006 e 2008. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos. em compara- dado. para revigorar no britânico em 1829. presumivelmente. Ashtiani no Irão. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. nas legisla- de noivas”. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. em comparação com o embora mais raramente. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. maioria simples dos votos. Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. envenenamen. nunca. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. de 4 para 1. tradição com os direitos das mulheres. bem como de iniciativas interna. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. as estatísticas da Índia da diversas vezes e. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. Mulher (UNIFEM). forçadas a cometer paridade” de 40-60%. mas ainda ocorre a responsabilização política. nas duas décadas na. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor. 1998 a 2008. No entanto. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. mais mulheres no governo do que nunca.4%. 2011. cuja execução foi adia. em todo o mundo. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. os países com to ou enforcamento. não vão atingir . De acordo com esti- suicídio por autoimolação. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. existem como é provado pelos últimos casos docu. participação das mulheres. tipo de regime de quotas. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. foi proibida pelo gover. jo. Nos últimos 50 anos. estaremos que são assassinadas. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. na Índia moder. há um aumento chocante do número após 1975. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. e os na Índia onde a Sati. ainda existe atual de 18. às limitada. de mortes entre mulheres (na maioria. governo eram mulheres. mativas da ONU Mulheres.208 II. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. Hoje.

a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. para tra. realizado. Durante a Revolução Verde Ira. mas com as mesmas qualificações. revoluções terminado em repressão contí- nua. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. humanos das mulheres através da edu- balho igual. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. para a igualdade. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente. a participação política das mulheres parece 4. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. que seja a mulher e não o homem a per. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. com as mesmas qualificações. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. Porém. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. à maioria da população. entre homens e mulheres. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. Contudo. E. é muito mais provável souberem o que são. também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. guerra civil ou as eleições democrá. no entanto. Dentro da União Europeia. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. Por exemplo. A Agência dos cos e sociais. guidas não apenas pelos governos. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. cação para os direitos humanos nos Além disso.

todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo. da África do Sul. emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. em junho acordo com a CEDM. de direitos humanos e ainda menos té específico. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. completa implementação dos instru- . o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. no país. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. e para outros ór. se esta possibilidade não for ex. poucas as ONG podem preparar relatórios al. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. mas também CEDM. A das mulheres. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. reitos humanos. isso é de extrema importância que o ape- gação. Se as obrigações do Esta. Apesar das melhorias significativas. Em 2009. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. de 1993. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. invocá-los. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. o Co. da Turquia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter. Atualmente. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. Para de Yakin Ertürk. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram. mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. de. Os relatórios sombra nismo novo. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena.210 II.

em 1999. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas. Mary Robinson. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento. em março de 2000. expressos na sua própria língua. 2000. Em 1992. procurando garantir que a violação. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. turas de ativistas dos direitos das mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. para 28. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. para efeitos pedagógicos. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género. o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. Um número crescente destas . gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. mas escravidão sexual. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Agora. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. O Passaporte vens e mulheres instruídas. a aprender sobre direitos humanos. for Gender Justice. necessidades e de. E. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. em muitos países. Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web.” sejos. Um dos melhores exemplos é a ado. mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. e sexual são incluídas no estatuto do TPI. Apesar do hiato digital mundial.

As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. no contexto da violência. uma diretamente. a violência doméstica. com o artº 7º. es- e de participação. prostituição forçada. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres. foi uma cam. estabe. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. eficácia. as ONG para te. nº1. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia.0. Em 1998. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor. estar físico e psicológico. vencedor. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. mas aproveita também ativa. as preocupações das mulheres da Web 2. de direito humanitário. e o “Toque bunal Penal Internacional. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso. declara que “[…] violação. “Estação de Rádio apenas para gravidez à força. foram projetos inicializados de 2002. para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. assim como a consciência política timas e a testemunhas. crimes de violência sexual. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2.212 II. Uma boa prática para se supe. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. pela primeira vez na história. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. an. no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. Por exemplo. Em 2011. de informação novo marco com o Estatuto de Roma. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. para intervirem de forma a terminar. a Campainha!” (Bell Bajao). TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize. com uma for. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). O terceiro escravatura sexual. que incenti. é dada explícita atenção a ví- sexual. diversas questões de direitos humanos e údo digital.

um terço desde 1990. nomeadamente. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. no caso de uma vítima Nações Unidas. O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. Estas medidas referem-se. E. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. a Amé- necessitam para se sustentarem. dois deles. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. Finalmente. a questões de mulheres: Em março de 2012. mais recentes no Digesto da Educação res. O esco. os Estados Árabes. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. os objetivos 3 e 5. Este su. por exemplo. em 2000. Oriental e a região do Pacífico.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. as mulheres Global. volvimento do Milénio (ODM). da Interagência doméstica e algumas tradições. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. objetivos. tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques. Estas medidas aplicar-se. vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação. explicita e implicitamente. este direito há muito tempo. adotaram a Declaração do Milénio das ão. como a po. ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma. em termos globais. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. o 2015. No Uganda. das Nações Unidas. tanto o nú- ligamia. é mais lenta do que em mundo. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. clusivamente. até das as regiões em desenvolvimento. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. rica Latina. faz parte dos Objetivos de Desen. nio estimada de 1. declínio médio da percentagem anual. de 2012. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos.

para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. promissos sobre a igualdade de género. ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. e bilização social. no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. ma das Nações Unidas. cazes com a sociedade civil. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. As principais guintes cinco objetivos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. especial da Assembleia-Geral. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste. cas.” Shulamith Koenig. bem como igualdade de género e ao empoderamen. sociedade civil. Os Estados-membros da ONU deram. • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. mentarem estas normas.214 II. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. padrões internacionais e normas. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. na sua formulação de políti- nas. Mulheres. para o Progresso das Mulheres. e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo. . A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. solicitem. 2009. um passo histórico na ace. em 2011. suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. jovens. desta forma. para a Mulher (UNIFEM). aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. mulheres enquanto seres humanos plenos. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. Funde-se e constrói. a implementação integral da De- um impacto maior. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo. incluindo a monitorização regular do Em 2010. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. o Institu- organizações de mulheres.

CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. 1888 Fundação do Conselho Internacio. E. lheres e Crianças. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. rati. 1994 Convenção para Prevenir. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3. para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. 1958. de Belém do Pará (em vigor 1951. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. de Pessoas. tra as Mulheres (em vigor: 2000. Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . ratificações até maio vigor: 1981. de Nairobi. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti. paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género.

. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal. 2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res. ração e Plataforma de Ação de Pe- res. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. familiarizar-se com rentes pontos de vista. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres.216 II. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. a igualdade de género e o empo- res. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. Dimensão do grupo: 20-25. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio. cooperação e análise de dife- direitos das mulheres. pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica. Esta atividade procura melhorar a compre. paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia.

direitos das gregação de género. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for. ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. os resultados ao grupo inteiro. não discriminação. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca. por entre . Se não. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem.. apresentados e debatidos na presença de Depois. E. quais são as mulheres mais afe. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. curso. o que torna o debate mais in. Direitos humanos em geral. O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma. minorias. linguagem corrente. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi.. todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal. Contudo. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente. o grupo deve pensar na situa. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso.

caminho a passar entre os dois. pontes. para Igualia e como os iriam superar. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. mas o seu mapa mostra o cami. al. um país onde existe a igualda. Ao prosseguir. marcadores de diferentes cores. como desenharam o mapa. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. a por exemplo. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. presentados pelas linhas. . Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. aptidões cria. pré- justiça e o respeito dios. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. Igualia. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos. ao longo do caminho.218 II. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. charnecas. No presente. a representar como montanhas. um país onde exis. vales. obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo. cabos de energia. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro. etc. etc. Metas e objetivos: Desenvolver a com. tais nhe o seu mapa de fantasia. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. florestas. as paisagens do presente e do futuro e um deias. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. folhas de papel grandes. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. melha para representar a tentação. o desen. rios. dis. Explicar que nesta atividade os participan. promovendo a usados para as florestas.

clube ou tre todos os países do mundo. pp. 2002. 10 é a igualdade quase sua instituição ao estatuto da Igualia.) ção positiva enquanto medidas a curto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abella. the business model of trafficking in human ture of Equality. Toronto: Carswell. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- • O que precisa mudar. . Hu- northern Nigeria. penal-codes-in-northern-nigeria Boletín Red Feminista Latinoamericana Aronovitz. ideal. In: Mahoney. 1987. Wolfgang. Kathleen and beings to better prevent the crime. • Qual é o papel da educação para o em. The Evolutionary Na. (eds.). 2002. Gerd Oberleitner tion of new Sharia-based penal codes in and Esther Kisaakye (eds. 2010.nl/nieuwsportaal/pers/joint-state.. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 219 abordar a forma como na realidade seria a prazo para aumentar a igualdade de gé- Igualia e sobre os obstáculos: nero? • As pessoas gostaram da atividade? De • Quais outros grupos são discriminados que gostaram? na sua sociedade? Como se manifesta • Qual das três perguntas foi a mais fácil de essa discriminação? Quais os direitos debater? Qual foi a mais difícil? Porquê? humanos que estão a ser violados? • Quais são as principais caraterísticas da • Como se podem empoderar os grupos Igualia? desfavorecidos de forma a poderem re- • Quais são os principais obstáculos que clamar os seus direitos? impedem que a sociedade do presente seja a Igualia ideal? Parte IV: Acompanhamento • Se tivesse de classificar o seu país en. 2005. A manual on human rights • Justificam-se as políticas de discrimina. nidades em relação ao género e discutir como des entre homens e mulheres. Alexis. education with young people. struments and African Experiences. Considerar a política da sua escola. man Rights of Women: International In- nesty. Gerda Theuermann y del Caribe contra la violencia domésti- and Elena Tyurykanova. Rosalie. Available at: www. 1993 – current.). Isis. tive and Coordinator for Combating Traf- ficking in Human Beings. Joint statement on the implementa. plorar: truir-se uma sociedade onde exista Direitos humanos em geral. direitos das igualdade de género? minorias. Amnesty International Netherlands. E. poderamento e os direitos humanos? COMPASS.am. no que local de trabalho sobre a igualdade de oportu- respeita à igualdade de oportunida. 4 et seq. Equality and Judicial OSCE – Office of the Special Representa- Neutrality. Benedek. Lon- ment-implementation-new-sharia-based. de forma a cons. (Fonte: Rui Gomes et al. don: Zed Books. como o as políticas são implementadas e se são ne- classificaria numa escala de 1 a 10? 1 é cessárias mudanças ou esforços para elevar a muito desigual. Analyzing ca y sexual. não discriminação. Vienna: Sheilah Martin (eds).

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PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos. é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo. 1986.” Comissão Internacional de Juristas. . F.

então com 27 anos. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau. S. Ö. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. dos direitos dos ho- Quando Ö. os relatórios da polícia retira... durante o interrogatório. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa. sob tortura. documento cujo conteúdo ela desconhecia. tendo ela testemunhado um atentado com bomba. questões de género. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S. S. ferentes departamentos da universidade. “A continuidade deste caso pa de S. como resultante de um atentado com bom. ao julgamento. foi absolvido de todas as acu. legais políticas pró-curdas.. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente. tras minorias. Ö. No tribunal. em que pessoas e feriu mais de 100. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. disse Emma negada.. direitos humanos na Turquia. indivíduos que participam em manifesta- ba. mossexuais. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. bem sações. mais tarde. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. incluindo sadas por um atentado à bomba. O seu julgamento é um dos . sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. Ne- nhumas outras provas. sem justificação. em 1998. contra jornalistas e rador que indiciou S.. e a explosão. repetidamente abuso do processo equitativo”.. Em 1998. tanto Ö. trabalha. que matou sete supostamente feita pela tia de Ö. foi fabricada. numa explosão. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. vai ser jul. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di. que irá assistir feita por Ö. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. e Ö. rotulou a explosão editores. com bomba. quando foi detida. dizendo que tinha sido co. Es- agido pela polícia. bissexuais e transsexuais. elementares para um julgamento justo. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. O procu. Os S. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas. defensores dos direitos humanos.. representa uma per- idade..” se encontrava sob custódia da polícia. disse a Human Rights Watch. também foi detido. da cul. É a terceira alegadamente identificou S. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011.224 II. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente. forenses. o tribunal de primeira instân. sos. S. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul.

públicas quando os seus direitos estejam dade. 3. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. a execução do poder estatal tem de ser to justo. advogado. é comummente a sua presença. F. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. Nin. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. Esta lei tem de ser ser a sua pena. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. Assim. não to. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. Quais são os motivos para a acusação de S. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. Todavia. O direito ao julgamen. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos. Tal é essencial para a proteção si próprio. efetivamente. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. torna-se evidente que julgamento justo. de conhecimento público. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. quando são violadas as garantias de um aplicado. 2011.? A SABER 1. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- . vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. manos. Tur. constitucio- considerado ilegal. O que pode ser feito para se prevenir mente. porém. na reali. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. Pior do que isto. pilar da sociedade democrática. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. disse a Human Rights Watch. Durante o julgamen. uma vez que não se nais. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”.

que preferiam o esta- certeza jurídica. primado do Direito é um dos maiores obs.” buem diretamente para a segurança da pessoa. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. igualdade perante a lei.226 II. cumprem as revoluções civis. patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. deres executivo. e é um pilar essen. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. durante os séculos XVII e XVIII. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. Os princípios do primado gurança jurídica. fundamentais. a justiça e a gos. parlamentar na Europa. las quais a sua liberdade fora restrita. O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. proibição da arbitrarie. se. reafirmou a ligação inquebrá. nação no qual todas as pessoas. . do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal. do de direito ao estado discricionário. central foi estabelecida por Guilherme. o Con- em Viena. os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. As pedras angulares cial do processo democrático. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. como Aristóteles.) rante um juiz independente e imparcial. separação dos poderes. à nobreza. o di- “Para as Nações Unidas. Em consequência. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. a Conferência Mundial das Na. em conjunto com a nobreza. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. 2004. em 1066. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215). e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu. dieval onde. quistador. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos. com base na lei e imparcial. públicas e privadas. cional. Atualmente. Tam- Primado do Direito. respon. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. legislativo e judicial centrais. insti. o princípio do primado do Di- tuições e entidades. Na Europa. manos. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei. e o parlamento. garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. a quem se encontrasse detido.

às garantias dos direitos humanos. . 2004. 2. como ditar no Estado e nas suas autoridades. Com este fim. primeiro lugar. um clima pro. a Con- fortemente de um sistema administrati. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. também lacionado com a administração da justiça. diretamente. excecionais. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. o pro. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. como Elemento Fundamental contribuindo. para o direito de do Primado do Direito viver sem medo. e não discriminatórias. Em direito ao julgamento justo. como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). incluin- parcial da justiça e da boa governação. nos. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. mesmo ao lidar com situações da sentença. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. vo e judicial que funcione. F. da administração im. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. justo com total igualdade. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. na realidade. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. primei- conflito é particularmente importante ramente. venção Europeia dos Direitos Humanos. salvaguardem o sistema jurídico. O primado do Direito significa. do tribunais. mado do Direito. um sistema judicial forte de. a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. Em situações de pós. Assim. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. social e contribuem. procuradorias e polícia. assim. o processual (ex: equidade na audiência). estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen.

segundo o direito na- num idioma que compreendam. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. a título gratuito. nais militares ou especiais que julgam civis. to- testemunhas de defesa. no caso de não ter Muitas vezes. em 2007) aplicam-se direito de ter um. ato delituoso. cação de procedimentos excecionais que não terrogar. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. sempre que o in. em pormenor.228 II. in. 11. 6. Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva. especiais. A pessoa davia. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32.) 7. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. informados. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. no seu defensor. Todos têm direito a uma audiência equi. ou a confessar-se culpada. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. crimen. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. Todos os acusados da prática de um 10. atempada. mentos dos Direitos Humanos da ONU. da cional ou internacional. nulla poena sine lege”). A pessoa acusada tem direito a in. pios gerais do primado do Direito. 9. as condições que estabelece. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. ou fazer interrogar. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. nos termos da lei. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. a todos os tribunais. ou omissões que não constituam um mente. O tribunal deve ser competente. plenamente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. superior. 4. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. equitativas. indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. o estipulado no PIDCP. obedecem aos princípios normais da justiça. um julgamento justo (por exemplo. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. as tes. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. imparcial e estabeleci. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. em que a infração foi cometida. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. termos em que. Do 3. Em muitos países. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. Proíbe .

também. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas. fica tratamento idêntico. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. são outra parte. as condi- sistema legal. somente por juízes profissionais. a sua independência igual pelos tribunais. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. Se os juízes pudessem ser removidos. expetativas ou instruções. institucional ficaria comprometida. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. sem discriminação de qualquer es. sionais sem serem influenciados. Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. similarmente acu. F. Significa sim que. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. tribunais de justiça que podem ser com- rente. o constitucionalmente. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes. neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. Todavia. internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. Contudo. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes. assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. Exemplos deste controlo. cisões não coincidam com determinadas sadas. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. alteradas por autoridades não judiciais. pécie. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. as condições salariais dos juízes. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. postos. aos jurados. etc. Todavia. . judicial tem de ser similar. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. o poder judicial aplicam-se. o prin. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes.

nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi.. desde comprometer os interesses da justiça. ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. Mi- litary Commissions. para aí receber um julga. de a não ser forçado a testemunhar contra . a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. A presunção clusão do público. Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. há muito. [. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. A este respeito. ável. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes.]” de crianças). De acordo com até serem considerados culpados. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. o artº 14º do PIDCP. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex. das nos próprios instrumentos internacio. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela.. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas. (Fonte: Amnistia Internacional. Assim. a informação sobre denada. rio. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais.230 II. de forma pública. a pessoa acusada não pode ser con- sentes. num julgamento justo.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. na medida do necessá- Genebra. blico é excluído da audiência. pelos tri. O direito a manter o silêncio e o direito nais. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui. o pú. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou. Isto também se ser plenamente respeitado. mas deve ser vista a ser feita. que englobem o processo. tal como um qualquer tribunal fe. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. Este feita. 2011. no âmbito penal. por exemplo. para que qualquer detido de Todavia.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. crítico e capacidades analíticas. F. 13º. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. 13º. uma mesa poder defender os seus direitos. 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. 14º das sobre a Independência de Juí. desen. 15º. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. Colocar. Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. artos 5º. 1994 Relator Especial das Nações Uni. artos 12º. ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. capacida- . Função dos Magistrados do Minis. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. 17º. à frente. Mulheres. situação de tribunal. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. artos 37º. 12º. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. 16º. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis.

Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário. por outras palavras.O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: . acontecem na vida real? mos de defesa.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo.Um juiz.Equipa de duas ou três pessoas condu. debater a diferença entre um a sua opinião. imparcial de três ou quatro em vez do juiz. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. “Toda a pessoa tem direito.244 II.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. que isto sig- Reunir de novo os participantes. nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul. Parte IV: Acompanhamento Depois. O ele- uma ofensa criminal. pecialmente. Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso. es- senta a queixa e a escreve no quadro. Nomear também uma dade. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está . blico no tribunal. bem como da sua família e lação? da comunidade. Ter atenção ao desempenho. pode nomear um júri defender. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação. contra ela seja deduzida. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. na primeira dramatização.” Reações: Explicar. Os outros participantes são o pú. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. como furto. dele ou dela. em plena igual- pado ou inocente. Ninguém mais pode dar Nas reações. lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações. e publicamente julgada por um tribunal soas.Grupo de três ou quatro pessoas que apre. mento de surpresa pode ter um maior .Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. dificultará o desempenho na dramati- . este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes. . zação. Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação. de formação de opi. . No primeiro cenário. Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. . Dizer aos procuradores para júri e um juiz. não existem advo. Parte III: Informação Específica sobre a . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. no segundo cenário. nifica que se for a julgamento.

Gerry Spence. 2003. frequentemente. Texto para a ficha informativa: cráticas. verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate.org). seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex. tão que lhe era. discutir o facto de que to. Se quiser. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim. deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração.un. sem Apresentar o tópico. Deixar que os participantes A presunção da inocência. Isto é válido para crítico e capacidades analíticas. F. defesa Gerry Spence. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. colocada: berschoolbus. o reconheci. cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. formação casos criminais como para disputas civis. Ini- cyberschoolbus. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. quando uma pessoa processa outra. advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom. pode colocá- plorar: los no quadro. . capacidades de comunicação. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. sa Gerry Spence (ver abaixo). sobre um deles). Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito.Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? .Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. o direito clientes acusados de crimes conhecidos. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. de- Duração: cerca de 60 minutos. a uma defesa competente. de opinião. permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra. Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. e limites de uma observação neutra. Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. pagar? . ou . ATIVIDADE II: COMO PODE . deverá o arguido ter. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso.Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi.Se for acusado de um crime. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas. de- senvolver capacidades analíticas e demo.

Pode também referir circuns. se o advogado de defesa sou. o neste artigo. 2 . tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. manos não são respeitados. no momento da sua prática.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to. por este. Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo. então. Nin- 1997. . das as garantias necessárias de defesa lhe gado. um advogado? Se tiver um advo. de quem é a culpa? Culpamos o advo.” conhecidos. Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica. Constituição ou pela lei.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento.Por que acham que os advogados defen. de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto. pedir aos par. curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 . A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões.” razoável e o júri absolver o arguido culpa. .) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito.246 II. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen. perder o caso? Se não. outras pessoas. Definição: Uma pessoa Se o fizer. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido. o direito a defender-se a si próprio. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- . tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. nificado e propósito.Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. Não julgar as opini. exigidas.Toda a pessoa acusada de um ato de. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter. Bom. brevemente. Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do.

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” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948. pela prática. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento. sozinho ou em comum. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO. pelo culto e pelos ritos. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção.G. pelo ensino. tanto em público como em privado. . de consciência e de religião.

afiliação e prática religiosas. detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas. Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio. Frequentemente é paga uma 3. Liberdades Religiosas: ainda um lon. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento. em casos semelhantes. três homens fo. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. – a “Idade das Trevas” da Europa - . Por força daquilo em que namentos de Buda. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado. A partir do século IX se acredita. a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois. man Rights Watch.252 II.C. Diretora da HRW 4. seis Cristãos cop. e condenados. a deixar a família. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. d. Free Activists Detained on Solidarity Visit. 2010.” tes casos? A SABER 1.C. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. por Egípcios. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas. teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. consis. não é suficiente. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. a 9 de janeiro. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW). Egypt: danos à propriedade pública e privada”. No seu relatório De acordo com relatórios. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente.. é possível ser-se forçado a ne. gá-lo. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. posto na prisão ou até morto. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. anual de 2010. 1. a ser-se persegui- go caminho a percorrer do.” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. 2011. a 8 de ja.

àquela No passado e no presente. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. todas as minorias resulta. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. tigação dos fundamentos das religiões. Esta é uma da nessa comunhão.” a compreensão do mundo. Presidente da Global Ethic Foundation. ção. religiões tradicionais e “novas”. voluntariamente. testantes e monges Budistas. uma igreja é uma sociedade de membros. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas. o que tes países: na Birmânia. verdadeiramente. reito internacional dos direitos humanos. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder.” gulação das liberdades religiosas no di. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. as- envolvem problemas de etnia. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. por Muçulmanos. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. Por todo o mundo. John Locke. Hans Küng. voluntariamente. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. ral. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. frequentemente. 1689. entre para expandir o Império Otomano e o Is. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. a guerra centes entre crentes e não crentes. ou entre lão assustou a Europa. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza. causa da sua permanência aí […] Assim. aquela fé e culto que é. Subsequentemente. . pertencem. As crenças religiosas interferem bas. G. no Egito. todos se juntam. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. Letter Concerning Toleration. Não outras questões de direitos humanos. vicções. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. tante com a esfera privada do indivíduo.

vários elementos comuns têm sido mana propostos. Jeová. Esta ameaça. Tem de ser 11 de setembro de 2001. Sudão.254 II. da (i. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va. Normalmen- . medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. à segurança pessoal. Este fenómeno tem de ser aborda. Bahai. à intensifica. es- pecialmente. no Irão há discriminação afetam. diretamente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos. Ahmadis. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. existem outros numerosos 2. As ameaças à liberdade de pensamento.e. se. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. os Cristãos Evangélicos e o Movi. Cora. precisa de tão. bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. de crença. na Eri. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. A compreensão do respeito. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal.e. até Estados. grupos e Ismaelistas. Não existe uma definição comum de re- do separadamente. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente. refere-se a uma “vinculação”. tim religare. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. No entanto. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai. sas.. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. Na China. vidual e global. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. Muçul. de consciência e de religião são particulares. nos EUA e na Europa. lor essencial da segurança humana. religião. na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. No des ou mesmo a crises internacionais. ções. Etimologicamente. mento de Pentecostes são alvos de supres. a liberdade e a segurança treia. os Muçulma. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. Protestantes. base na religião e na crença. quando estão ligadas a extre. gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. especialmente. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. Se não pode acreditar num Deus nistas. que queira. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. Por fim. O que é a Religião? mismo. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. mos pessoais ou impessoais. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. assistimos a discrimi. Shiitas e Muçulmanos Sufi. A educa- variam do crescimento recente do funda. desde o pode ser alcançada à força. embora muitas vezes ignorada. os Cristãos são discriminados. estão institucionalizadas. Infelizmente. Sufis. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang.

(PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. Sacro. juntamente com com. a religião re. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião. Yinger. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião.” O clui todas as formas de crença na existên. encara com preocupa- cendente. no que respeita à e regras de conduta. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”. como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . [religião] in. ções Unidas. consequentemente. §48. O Comité. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo). De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos. tural. persuasão ou pro. impondo sanções latamente. não-teístas e ateístas tal como o direito res. G. No seu sentido mais lato. sua aplicabilidade. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio. inclui uma série de ritos e rituais. o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. giosas são protegidas enquanto liberdade . várias formas de adoração ou culto. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. a reverência. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. O artigo 18º. ado. as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”. de legal. mas nem sempre. no seu Comentário Geral Em comparação. tas. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. Trans. Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. cul- grupo ou as práticas de adoração.seja política. de um Supremo. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. Em direito internacional. O Dicioná. a não professar qualquer religião ou fé. Absoluto. Comentário Geral nº22. seja pessoal ou impessoal. Mui. uma entida. 1993. ONU. ou não. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão.

tro níveis: 1. nalmente. A lista de liberdades religiosas de religião e fé. quer estes sejam manifestados individual. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . Liberdade de determinadas entidades. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros. po. . 4. assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. igualmente a fés teístas. in- duais específicas. convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. códigos de .A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. duais específicas tivo de comportamento. . num sentido es. Comporta a liberdade de pen. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra.A liberdade de fazer. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. ger ou designar por sucessão. . na sua maioria. ístas. Liberdade de exercer práticas coletivas. nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas. 2. gião ou crença. . inclui liberdade de religião e fé e liber. de estabelecer e manter locais mundo. 1. cluindo o direito a rezar. como prova o número de “prisio. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma.Liberdades religiosas no trabalho. religião ou crença. não teístas e ate. ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. consciência e religião. consciência. religião e fé. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. líderes ção de religião e fé e contém. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. O direito internacional dos direitos huma. Estes prisioneiros. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições.256 II.A liberdade de formar. antes. individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias. pertencem a minorias religiosas. Liberdade de exercer práticas indivi. Liberdade de não ter religião. A liberdade de consciência é várias vezes .A liberdade de manifestar a sua fé ou violada. o que pode de “todas as pessoas”. para este fim. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento. adquirir e usar. nomear. o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos.

estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. manifestada em comu. 2011. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. e também o direito de igualdade perante a lei. restrição ou preferência ou crença em locais adequados. A liberdade negativa de religião ou neutra- . uma escola não religiosa. não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. exclusão. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data. con- mencionadas. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas. seadas na Religião ou Crença.A liberdade de escrever. 1966. 4. força da liberdade de religião.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha. Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. são proibidas. Alemã. A liberdade de determinadas entidades blico. significa que qualquer dis- . para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos . A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- . de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. Liberdade de não ter religião . Este facto implica igual. incluindo os véus no setor pú- 3. 1981. e normalmente é. tárias apropriadas. .A liberdade de manifestar a sua crença. na religião. da Lei Fundamental ser. por conseguinte. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos. retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. a liberda- resse superior” da criança. baseada na religião ou fé.O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião. G. por exemplo. publicar e di.A liberdade de ensino de uma religião tinção. nº1. .) . de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º.

em cerimónias religiosas. atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). na qual estão enraizadas as ticá-la. por exemplo. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. consciência e religião. com a liberdade de religião e de fé. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. rituais. PERSPETIVAS 3. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. cidadãos. mutilação genital feminina. por princípio. sozinho ou com outros. a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. garantias de inde. por exemplo. prostituição forçada. Existem vários modelos princi- . a ensiná-la. Como é feita a educação religiosa no escravatura. ensinamentos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. Existem. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. prescrições de uma determinada fé.258 II. regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. para proteger a segurança pública. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. não permite sa os interesses de outras pessoas. tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. no seu país. em casos de sacrifício humano. no que respeita à proteção das liberda- religiosa. mental da criança. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo. Questões para debate automutilação. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. Por exemplo. a ordem. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. a pra. 1. a transfusão de sangue. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. A disposi.

a lei tra. a apostasia é ain- identidade nacional. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). No entanto. proteção da liberdade religiosa da comuni. dos apóstatas. argumentar direito internacional dos direitos humanos. Países como o Afeganistão. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. quando apenas uma a morte. tal relação entre Estado e Igreja não resul. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. Pelo contrário. e sensível. religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. Índia. A pena era frequentemente nhecidas. Do ponto de vista ocidental. Estado. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. Indonésia. liga ta da fé Islâmica. o Islão. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. que quando o Estado está ligado a uma igre. inexistência de religião oficial. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. Poder-se-á. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual. Sharia. é mais provável Irão. Na prática. será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. Paquistão. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. . G. neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. por exemplo. nas lei Sharia. Este facto está em clara contradição com o dade. igrejas estabelecidas. LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. versas entre culturas diferentes. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. no entanto. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. Historicamente. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli.

de Leste e em África. pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. ter-se a uma outra fé. Esta ação de. Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . desde que não litar seja usada força ou coerção. Turquemenistão. forçar alguém a conver. estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos.260 II. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. (por exemplo. proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. obrigatório ainda existe atualmente. jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. Turquia. não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. presentes ou transportar uma arma. A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro. há uma certa disposição de cartazes ou paineis. No entanto. Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. instalações militares. privilégios para que a pessoa se converta. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. O direito dos direitos hu. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). o direito a recusar-se No início de 2006. a questão de saber o Chile. tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. prisões e afins). noutros países como a Bielorrússia. Tal Lei foi sim. direitos humanos. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. em França. com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con. consequentemente. na Áustria. pelos governos. no Reino Unido.

A ênfase deve ser direitos à vida. violações dos abitação multirreligiosa. 2011). é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. G. No entanto. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. efeito legal. Rússia. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. as ONG. Caso Lautsi et al c. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. Muitas decisões. é necessária uma Estados. culativa. Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. num caso no que respeita a questões de fé. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. cional quanto à necessidade de uma con. cons- para monitorizar a implementação da De. O maior problema relativo à implementa. tem um certo munhas de Jeová et al c. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. ciência. turas sistentes com as disposições da Declara. 2011. integridade física e segu. dedicada à luta contra vo c. religião e ideologia. foi instituído o mandato de Re. 2008. de da não discriminação religiosa e da tole. os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. 31 julho. aponta nessa direção (vide TEDH. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. 2007) ou a decisão so- a intolerância. que a aplicação da lado. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. em geral. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. claração de 1981. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. Por outro respeitante ao Sudão. as organizações religiosas e . ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. 18 março. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. em Estrasburgo. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. Itália. 5 abril. Áustria. Apesar de haver acordo interna. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. discriminação religiosas. Caso das Teste- base na religião ou crença.

• No Médio Oriente. às • No Sul da Índia. Significa igualmente que educação. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego. deste modo. semos a discriminar. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra. CONVÉM SABER 1. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. nia. a “Clergy for Peace” munidades de crentes. ne Hindus. a sua prática. respei. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. plataforma comum. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. • Na Europa. É Nós podemos começar a prevenir a discri. estas • No Pacífico. e não crentes para que res de outras fés. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. é a primeira iniciativa do género a con- manos”. Diálogo Interreligioso Existem igualmente. também necessário. Zoroastrianos. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. Cristãos. da comunidade. padres. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa. BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. Muçulmanos. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. de defender os persegui. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu. conflitos. • Fundação Ética Mundial. o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. tas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. re. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas. Paz. programas educativos e termos religiosos. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. vidar políticos urbanos e representantes . Jains. com o seu grupo de trabalho per. dança de atitude.262 II. ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. permitindo. por todo o mundo. Entre muitas outras. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. tendo em vista o desenvolvimento tes fés.

Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. A liberdade religiosa não deve ser interpre- • Em Israel. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- .pcusa. situada a sul de Jacarta. serviço comunitário e de fortaleci. Uma seita geralmente • Na Alemanha. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação.org/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de pcusa/wmd/eir/dialogue. estabeleceu Cultos. G. na Áustria. • Na Tailândia e no Japão. e práticas. um projeto chamado “Common tada estritamente. indi. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro. • A cidade de Graz. Inglaterra e noutros pa. A educação interreligiosa encoraja o res. sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados destes países em programas de forma. novos movimentos religiosos são um alvo ser um livro escolar uniforme. tamente ambíguas. análise mais profunda. 2005. valores éticos e mo. lizando escritórios e outras divisões. Igual prote- contro de Judeus. onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice- às várias fés e se aconselha a cidade acer. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. recorrente de discriminação e repressão. sábado. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en. manos de todo o mundo. para referir grupos religiosos que diferem ção em liderança. eventualmente. enquanto culto textos escolares. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. luz de acontecimentos recentes nos quais na. ligiões tradicionais do mundo. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. ligiosos sos. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. “Religiões para a Paz” através da Educação (Fonte: The Jakarta Post. Muçulmanos e Cris. refere-se a um grupo religioso dissidente íses. a multidão atacou a for Interfaith Dialogue: www. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. O resultado deverá. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect.) os estudantes a pôr de parte barreiras de preconceito e intolerância. das principais religiões nas suas crenças rais. no ca do modo como os revolver. mas foi in- capaz perante tantas pessoas.htm) Bogor. por diferentes nomes e necessitam de uma moveram o encontro de jovens repre. -Presidente Yusuf Kalla condenou. recentes Cam. 16 julho. os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”.

Por um lado. como? têm mais do que nove anos. No seio de • Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte. em alguns da Mutilação Genital Feminina”. A necessidade Questões para debate de consentimento da mulher não é res- • As minorias religiosas são protegidas no peitada. em vez de grupos religio. mentos forçados que resultam frequen- temente em escravidão. Geórgia. Só tardiamente o seu direito hu. Muitas vezes. po- notação negativa. publicamente as mesmas fossem vistas podem ser vítimas de determinadas fés. da diferença destes grupos relativamente No entanto. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões usam estes termos num sentido neutro. pode das vítimas foi em muitos casos a ra- haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa manifestar a sua fé. mano à liberdade religiosa foi abordado. países. • A violação como forma específica de A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa envolve dois aspetos. Consulta de Peritos Africanos e Árabes sos. defendidos Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura. se não puderem ace. “seita” ou “culto” são humanos. na ex-Jugoslávia. no internacionais de proteção dos direitos mundo ocidental. consequen- quando as leis religiosas. desonradas e humilhadas. mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan- muitas vezes associados com uma comple. em junho de 2003. como tendo sido violadas e. A muti- norma”. suas vidas: Considerando que ambos os termos são • A taxa de mutilação de meninas em zo- definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. do representantes de vinte e oito países ta devoção ou abusos em termos financei. a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma culto será diferente entre as várias cren. apesar da existência de sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática. pro- .264 II. são também prati- cados casamentos forçados. foi alcan- à norma. tradição cultural em muitos países e é ças. são praticados casa- por ser antes vista como uma empresa. Por outro lado. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fo. temente. muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as únicos. Sudão. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte. nesses as fés. A gravidez força- de culto ou não puderem pregar ou lide. Ru- der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. Sudão. Graves problemas de saúde conceitos frequentemente usados com co. práticas e costu. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na como negócios. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção a Igreja da Cientologia. que. tradi- Durante toda a história. as mulheres têm ção e religião. Paquistão exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países. podem surgir subsequentemente. da de mulheres violadas garantia que rar as suas comunidades. as “esposas” não seu país? Se sim. países (sendo a Alemanha o mais famoso • Em zonas da Nigéria. africanos e árabes afetados por esta prá- ros.

Difamação da Religião tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da entre fé e terrorismo: sequestro de aviões. suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória. enquanto os direitos humanos geralmente to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e. todavia. mais do que nunca. G.” tre” e ao Pentágono. er- filhos continuam a ser discriminados. e também como consequência (Fonte: OSCE. uma coligação de mais de 180 ONG declarou A única forma de combater efetivamente o extremismo é encontrar formas de que- brar o círculo vicioso de violência que gera 5 Em junho de 2011. mas que se restrição à liberdade de opinião. Estes os bombardeamentos das embaixadas oci. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos. religião uma forma nova de racismo. ganização da Cooperação Islâmica. en- religiosas. Os seus “Tal como a religião pode ser usada. Em 2009. . um direito contra ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte sociedade ou fé em particular. rorismo. baseia na ignorância e intolerância. a religião por razões políticas. a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter- julho de 2005. Liberdade de Religião e Crença. EUA. esforços foram encorajados pela Organização dentais em países dominados por Muçul. a Suíça e outros países ocidentais (ex. da fé não prova a existência de um confron. uma vez que estabelece o direito de uma re- camente. em 11 de setembro de 2001. Quando ata.) rar. Canadá) abstido pelo facto de o conceito de sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o crime “em nome de Deus”. bastante perigosa. Entre as vítimas estavam meninas entre também as ações “antiterrorismo” dos os 7 e os 14 anos de idade. Muitos entendem que estes trágicos acon. Conferência sobre a do ataque no metro de Londres. nem todo o crente é terrorista. o terrorismo parece explo. A resolução Esta ligação é. uma vez que o extremismo é uma quanto tais. tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de todo o terrorista ou extremista será religioso. a religião e as direito dos direitos humanos. tendo os Estados da UE. 2002. base na sua fé. tendo nomeado apenas o Islão. ocultar atos ou exigências motivadas politi. governos podem ser erradamente usadas para justificar atos que colocam em peri- Extremismo Religioso e os seus Impactos go os direitos humanos e a liberdade de Depois dos ataques ao “World Trade Cen- religião ou crença. a crença religiosa. a OCI passou a designar-se Or- violência. para não falar da questão “israelo. No entanto. de ataques. refere ainda que a difamação da religião con- uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo. LIBERDADES RELIGIOSAS 265 longando o dano psicológico. religiões. radamente. a Comissão de Direi- palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião. para justificar o terrorismo. Mais. ques extremistas são ligados à fé e os ofen. da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão manos. Direitos Humanos. Em 2001.

8º. 2011. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- de proteger pessoas que. Não teção dos Direitos Humanos obstante. minação Baseadas na Religião ou to no seio e entre comunidades religio. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas. Crença sas? Pode dar exemplos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro- mesma ameaçar a liberdade de opinião. senvolvimento das liberdades religiosas apoiada pelo Parlamento das Reli- 1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago (1789 Carta de Direitos com Pri. à Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação (Artº 2º) (Madrid) . e das Liberdades Fundamentais selho de Direitos Humanos. 26º. ONU. 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos meira Emenda) (Artos 26º. 1992 Declaração das Nações Unidas so- bre os Direitos de Pessoas Perten- 3. tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da a sua própria experiência? Criança (Artº 14º) • Qual é o papel das fés na procura de paz e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão agente de reconciliação. 1981 Carta Africana dos Direitos Huma- and discrimination. 20º. 18º) a Educação Escolar em relação à 1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença. 27º) intolerância e violência. 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli- ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano Conselho de Direitos Humanos e preten. Combating intolerance. por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º.266 II. 16º.) 1981 Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri- • Quais são as principais razões de confli. a Conferência dos Esta- dos Islâmicos propôs uma resolução revis. 23º) tive stereotyping and stigmatization of. a resolução foi aprovada pelo Con. 27º) 1948 Declaração sobre a Liberdade Re. 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma- ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º) Igrejas 2001 Conferência Internacional Con- 1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre Humanos (Artos 2º. (Artº 9º) Apenas em 2011. incitement to violence. 1969 Convenção Americana sobre Direi- (Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º. 12º) and violence against persons based on reli- gion or belief. nos e dos Povos (Artos 2º. 13º. são confrontadas com 24º. Religio- sas e Linguísticas (Artº 2º) Etapas importantes na história do de- 1993 Declaração para uma Ética Global. nega. 17º. religião ou crença.

Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase. quando fizer esta atividade. G. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso Competências envolvidas: Ouvir os outros. Sugestões metodológicas: cador. ponderações ou valorizando subjetiva- mente as afirmações. Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações: sentimentos religiosos de outras pessoas. sias e emoções. comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a participantes saibam que causem angústia. não fazendo ser sensível e aceitar opiniões diversas. se as pessoas devem sas e sentimentos de outros. 2007 Declaração da OSCE sobre Intole- vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu- (Nova Deli) çulmanos 2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua- PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas. LIBERDADES RELIGIOSAS 267 2001 Congresso Mundial para a Preser. Escrever os nomes dos participantes Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel. e escreva uma carta dizendo coisas amá- ças religiosas de alguém. com que cada um tire um papel à sorte pos relacionados com a consciência ou cren. o grupo deve apenas aceitar que Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de- liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada se faz ou diz colide com as crenças religio. . poder dizer tais coisas sem ter em conta os seus possíveis efeitos e o que fazer quando Parte II: Informação Geral isso acontece. Como se sentiram os participantes durante aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen- impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio? Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren- Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre Material: quadro e marcador aquilo que queremos? Preparação: Preparar um quadro e mar. Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões: Atividade Como atividade final: uma carta para to- Instruções: dos. muitas atividades que evocam controvér- Escolher alguns dos piores e escrevê-los. se sente dessa forma. Uma pessoa de cada grupo deve ler a primeira frase. fazer lista de comentários que firam e de estereóti. Neste mo- Parte I: Introdução mento.

pressão e dos Meios de Informação (Fonte: Nações Unidas. o processo: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações: A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que algumas modificações. poderá ser uma atividade apropria. etc. competências de pensamento crítico: dem ser afixadas na parede. Cada participante mos- a noção de tolerância. pedir e criativo. tra a fotografia que escolheu e explica por tas das liberdades religiosas. explicar que religiões são cores. competências cria- oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá- mesmas quando seja necessário. Competências envolvidas: Competências da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros. É preferível que se poderia pensar à primeira vista). comuni- regras do debate e comunicação que po. barro. car. em Parte I: Introdução qualquer caso. Escolher as fotografias de acordo com o grupo. analisar. Practical Activities for Atividade Primary and Secondary Schools. 2004. desenvolvimento de símbolos ilus- Direitos relacionados: Liberdade de Ex. aos participantes que reflitam sobre todo mes/culturas. desenvolver que é que não tolera. canetas. Cada participante escolhe uma fotografia plas tarefas que mostra algo que não tolera.268 II. símbolos. cluir fotografias de grupos ou movimen- tos religiosos que (ainda) não são aceites Parte II: Informação Geral no país. aprender sobre diferentes costu. fotografias de vários religiões? movimentos religiosos. arame. papel. competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões. canetas de Em resumo. Tipo de atividade: Atividade com múlti. juntos. porquê? Que fotografias Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde Material: quadro. ABC Teach. madeira. Dependendo do grupo. E A MINHA etc. alguns participantes escolheram a mesma Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim.) Instruções: Primeira Parte ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi- A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos. mais do lerância com base na religião. trativos. as fotografias devem re- O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio- não discriminação e a proibição da into. papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas marcadores de texto. Reunir o Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. sas no país (em muitos casos. trabalhar com participantes que perten.. dando assim a dar opinião. . na mesa ou no chão. analisar as face. aceites no país. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife- Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos. reflexão. Parte III: Informação Específica sobre a ing Human Rights. considerar in- çam a diferentes crenças religiosas. foras. cerimónias.

pode continuar com mal-entendidos? contributos intelectuais. de a apresentação ter sido parada. tações devem evidenciar a adoração ou bre as comunidades religiosas. videnciando materiais sobre tolerância/ rarem outras crenças/religiões depois de intolerância. cor ou género. da atividade. Pe. esta dade de expressão. parar a apresentação que seja ofensiva tura. É melhor dir a cada grupo de participantes que re. banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. por exemplo. al Teaching and Learning Project Cyber- tificar-se igualmente de que a apresen. se todos os participantes acordarem no presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. tações a qualquer momento. Se. ambas as partes. Depois desta atividade baseada na experi- ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade. O que podem os participantes aprender com estas apresentações? Existe algo em comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento Quanto será preciso saber sobre outras re. atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. Se trabalhar em escolas pode cooperar com Encerrar a segunda parte com uma breve professores de artes para a segunda parte ronda de opiniões. LIBERDADES RELIGIOSAS 269 Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os Numa breve sessão de chuva de ideias. os participantes revelam os seus conheci. deverá Dar aos participantes 40 minutos para pre- seguir-se um debate sobre os motivos de paração. pel vermelho como um semáforo) para Pedir para que ilustrem através de uma pin. A apresentação pode também Reações: ser feita com plasticina e outros materiais. cada grupo apresenta Outras Sugestões: a sua contribuição criativa.) . sentimentos religiosos de outros crentes. tais como etnia. schoolbus. sentirem que estão a ser discriminados. pantomina. Começar o exercício mentos sobre as religiões escolhidas. G. terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: Para esta atividade. apesar das escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções. dizendo aos participantes que as apresen- O porta-voz do grupo dá informações so. Por esta razão. ritos e não a razão por que estes são os Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. Cer. deverão ter o direito de parar as apresen- Organizar um encontro multicultural. discriminando-os. De volta ao plenário. um pedaço de pa- diferente. pro- Será mais fácil para os participantes tole. Liber- outros participantes. música. Glob- atividade de conhecimento do outro. certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti- grupo respeita as crenças religiosas dos vos. Depois os costumes e crenças dessa religião. tiva tenham sido escolhidos. os alunos/participantes mesmo os grupos com uma imagem nega.

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1948. H. nº2. DIREITO À EDUCAÇÃO DISPONIBILIDADE E ACESSO IGUAL À EDUCAÇÃO EMPODERAMENTO ATRAVÉS DO DIREITO À EDUCAÇÃO “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [..]” Artigo 26º.. Declaração Universal dos Direitos Humanos. .

Lá. cimento é importante? Que tipos de co- Ficava muito feliz quando me permitiam ir nhecimento perdem relevância? à escola. Consegue pensar em razões que justi- aprendi a ajudar a minha mãe e as minhas fiquem o facto de uma tão elevada per- irmãs mais velhas nas tarefas domésticas. Relatório do buir para a segurança humana? Se sim. O meu pai disse que não havia di.) como? . que conhe- tar-me a eles. centagem de pessoas analfabetas serem Varri o chão. porquê? novo. Já havia dera que ela tem. portanto. 2000. Nasci há 14 anos te caso? Sente empatia por Maya e consi- numa pobre família camponesa. Considera que a educação pode contri- (Fonte: Nações Unidas. ler e a escrever. 5. Considera que existem diferentes tipos brincavam na rua mas eu não podia jun. possibilidade de ultrapassar a sua situação ci. por si mesma. ninguém ficou feliz. 6. de conhecimento? Se sim. quando eu nas. 2. lavei roupas e carreguei água. Considera que o direito à educação é.276 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A História de Maya Questões para debate 1. Quais os problemas centrais evidentes nes- “O meu nome é Maya.” 7. De quem é a responsabilidade de eli- nheiro para pagar as despesas escolares e minar a ignorância e o analfabetismo e que eu era precisa em casa para ajudar a através de que medidas? minha mãe e os restantes. alguma muitas crianças. quando cheguei ao 4º atualmente. meninas e mulheres? bem como lenha. Milénio das Nações Unidas. de pobreza e de ter acesso à educação? Quando eu era ainda muito pequena. Alguns dos meus amigos 3. Mas. A educação é importante para o gozo de Se tivesse a possibilidade de nascer de outros direitos humanos? Se sim. uma prioridade para a co- ano os meus pais interromperam os meus munidade internacional? estudos. preferiria ser rapaz. fiz amigos novos e aprendi a 4.

Através uma forma significativa se determinado ní. reito à educação. Educação e Segurança Humana sinar o seu próprio nome. à negação do di- direito a escolher o trabalho. política to das ações do Estado em si. para as de. a bene. palavras. Por outras e económica. extensão. çar a sua identidade cultural. Tal. A falta de segurança huma- políticos. Armado . pelo menos. assim como as violações do ou a população total da Índia. só pode ser exercido de vital para a segurança humana. exercer um direito de empode. a receber re. direitos humanos nos conflitos armados e nicas e linguísticas. depois dos conflitos. A negação. mais controlo sobre o efei. direitos humanos e o direito humanitário. um conjunto de direitos uma das ameaças à segurança humana. como cação. de susten- ramento”. igualmente. depende conflito armado. mação. grupos étnicos ou religiosos e pode ajudar a desenvolver uma cultura univer- Porquê um Direito Humano à Educação? sal de direitos humanos. os direitos de cada um. Este número re- presenta um sexto da população mundial. e. através da edu- ficiar dos avanços científicos e tecnológicos cação e da aprendizagem para os direi- e a receber educação superior com base nas tos humanos. crianças-soldado. em particular. adequadamente na vida social. H. direito à educação. sociais e culturais. liberdade de expressão. Na sociedade em geral. DIREITO À EDUCAÇÃO 277 A SABER 1. O direito de conhecer muneração igual por trabalho igual. promover Direitos Humanos da Criança (embora não seja garantia) compreensão. Igualmente. Direitos Humanos em Conflito tolerância. o direito à educação é ser facilitada a reconstrução da sociedade um meio primordial de preservar e refor. e. por benefícios de outros direitos. pode ser uma contribuição suas capacidades. dade das pessoas de desenvolverem as racterizado como um “direito de empode. económicos. tais como a liberdade de infor. prejudicam a capaci- O direito humano à educação pode ser ca. também se aplica ao direito de fazer podem ser prevenidas as violações dos parte da vida cultural. Mas a pobreza. respeito e amizade entre as na. a paz internacional e a seguran- O exercício de muitos dos direitos civis e ça humana. suas próprias personalidades. na impede as crianças de irem à escola. entre outros. Para as minorias ét. como às suas famílias e de participar em particular. também. Quase um bilião de pessoas entrou no sé- culo XXI incapaz de ler um livro ou de as. A educação pode. a negação da educação fere a causa da ramento permite à pessoa experienciar os democracia e do progresso social e. tais como o pode conduzir. Tal direito confere ao indivíduo tar e de se protegerem a si próprias bem mais controlo no percurso da sua vida. um nível mínimo de edu. da educação e da aprendizagem para os vel de educação for alcançado. INTRODUÇÃO ções. direito ao Isto é óbvio relativamente a crianças em voto e a ser eleito.

Os Estados. instru. tal como influenciaram a definição dos direitos definido na Carta Internacional de Direitos educacionais os quais foram formulados Humanos das Nações Unidas. cionados com o direito à educação. Ape- A conclusão dos tratados de paz. já que a um nú.278 II. reito à educação foram contemplados mentos civis clássicos como a Carta Bri. mo e do liberalismo colocou a educação cação primária e básica. ponsabilidade dos pais e da igreja. conduziu ao reconhecimento au. de 1689. mentos liberais e anticlericais. chamada de “Carta da Sociedade das séculos XVI e XVII. pesquisa e ensino nos estádios mais “elementares e funda. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A educação é mais do que aprender a ler. contudo. A Constituição cola “elementar” estende-se a todo o ensi. menciona o para defender e desenvolver as ideias de direito à educação. após a nas com a emergência do moderno estado Primeira Guerra Mundial. tos do Homem. a Declaração clarações internacionais de direitos ou . direito ao ensino básico. A origem Latina da claração da Independência dos EUA. gratuito e obrigatório. de 1776. de 1871. nas Constituições nacionais e nas de- tânica de Direitos. se. através da frequên- educação era. tam este requisito de formas diferentes. escreveram sobre a conceção moder- internacional do direito à educação. Todavia. contra a interferência da igreja e do Es- mentais”. em primeiro lugar. filósofos eminentes. explicitamente. a Constituição Alemã de Weimar. interpre. a emergência do socialis- educação. O direito de uma pessoa à edu. a De- escrever ou a calcular. este módulo centra-se na edu. não continham cação engloba oportunidades educativas. metade do século XIX. Na O reconhecimento explícito dos direitos Europa. De igual forma. com maior firmeza no campo dos direi- mero vasto de pessoas são negados até os tos humanos. cundário e superior. Nos bra. Nações para o Bem-Estar das Crianças”. os pensa- pilares da aprendizagem ao longo da vida. incluía uma secção sobre “A Desenvolvimento Histórico Educação e a Escolaridade”. da res. de 1789. No século XIX. na América do Norte. uns 20 países no nha uma secção com o título “Direitos Mundo não têm qualquer idade definida Básicos do Povo Alemão” que também para a educação obrigatória. a garantir a educação. cia gratuita e obrigatória da escola. tado. considerada assunto de interesse públi- A proclamação da Declaração de Gene- co e da responsabilidade do Estado. conti- no secundário. o dever do Estado de Antes da época das Luzes na Europa. incluiu garan- secular é que a educação começou a ser tias do direito à educação das minorias. de 1919. do Império Germânico. reconhecen- do. a es. a de Direitos da Virgínia. continha o direito à educação. de própria palavra significa “conduzir alguém 1776. os aspetos do di- Contrastando com estas ideias. Embora reconhecen- do um conceito mais amplo do direito à No século XIX. e a Declaração Francesa dos Direi- para fora”. na do direito individual à educação. como John Locke e Jean-Jacques Rosse- em 1924. também O direito humano à educação. liberdade da ciência. Durante o século XX. quaisquer direitos especificamente rela- por exemplo. na Austrália educacionais emergiu durante a última e em algumas zonas do Sul da Ásia.

(Artº 13º do Protocolo Adicional à Con- Irlanda. tos e liberdades. desempenhar um papel útil numa socie- . venção Americana sobre Direitos Huma- nos em Matéria de Direitos Económicos. A nível regional. manos e das Liberdades Fundamentais ta expressamente das Constituições de (Artº 2º do Primeiro Protocolo). que inclui o tuições como em legislação ordinária. interferindo ou constringin- man Right to Education) do o exercício de tais direitos e liberdades. damentais. Os Tribunais dos EUA. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO das ou públicas para os seus filhos e de asse- DA QUESTÃO gurar a educação religiosa e moral das suas crianças. como por exemplo. em conformidade com as suas pró- Conteúdo do Direito à Educação prias convicções. Japão. enquanto a Coreia do Uma das mais recentes codificações em di- Sul. pro- nais. direito à educação no artº 14º. Sociais e Culturais (Artos 13º e 14º). Espanha. DIREITO À EDUCAÇÃO 279 reconhecidos em legislação não consti. grupos religiosos. conhecem o direito de toda a pessoa à Por exemplo. sua dignidade e reforçar o respeito pelos a Convenção sobre a Eliminação de Todas direitos humanos e das liberdades fun- as Formas de Discriminação contra as Mu. The Hu. de forma igual. Concordam também que a lheres (Artº 10º) e a Convenção sobre os educação deve habilitar toda a pessoa a Direitos da Criança (Artos 28º e 29º). desenvol. Marrocos e Japão reconheceram reitos humanos é a Carta dos Direitos Fun- esse direito tanto nas respetivas Consti. Egito. como a nível estadual. de comportamento pelos seus governos. O Reino Unido e o Peru reconheceram Sociais e Culturais) e a Carta Africana dos o direito à educação em legislação não Direitos Humanos e dos Povos (Artº 17º). nos. Os veram determinados direitos educacio. damentais da União Europeia. existem a Convenção tucional ou em legislação ordinária de Europeia para a Proteção dos Direitos Hu- cada país. Tal tem sido registado num conjunto variado de documentos sobre direitos hu. Concordam que a educação dos Direitos Humanos (Artº 26º). Paraguai e Polónia. particularmente relacionados com teger e implementar o direito à educação. tanto a nível todos os indivíduos a determinadas formas federal. Estados têm a obrigação de respeitar. “Os Estados Partes no presente Pacto re- manos. a Conven- mais de 50 países. Vietname. étnicos e linguísticos. A obrigação de respeitar proíbe o Estado de vas. deve ser O direito à educação tem uma base sólida respeitada. com carácter universal e regional. respeitar a li- berdade dos pais de escolher escolas priva- 2. tal como os direitos de todos os no direito internacional dos direitos huma. constitucional. O direito fundamental à educação habilita ção. a ção Americana sobre Direitos Humanos Nicarágua. Os Estados devem. A necessidade de educar e Obrigações do Estado rapazes e meninas. Chipre. temos a Declaração Universal educação. inter alia. personalidade humana e do sentido da cos. H. a igualdade de oportunidades educati. O direito à educação cons. agir em contravenção de reconhecidos direi- (Fonte: Douglas Hodgson. 1998. o Pacto deve visar ao pleno desenvolvimento da Internacional sobre os Direitos Económi. Na Constituição dos Estados Unidos não é mencionado qualquer direito à educa.

O melhor exemplo relati. através de legisla. promover compreensão. Com este pro. como obrigatória e gratuita é. (Fonte: Pacto Internacional sobre os Di- tados tomem medidas.Ensino recorrente intensificado para rância e amizade entre todas as nações e aqueles que não tenham concluído o grupos. Artigo 13º. ensino primário. significa a obrigação de uma concretiza- ção progressiva do direito. escolas primárias estejam disponíveis para todas as crianças em idade escolar. reitos Económicos. de modo a assegurar que as anos de idade) acessível a todos. proíbam a violação de direitos individuais e liberdades.280 II. direito à educação.Oferta de ensino secundário (10-14 último recurso. O Comentário Geral nº 13 do Comité pósito.” . sem dúvida. educação para todos. o direito internacional dos direi- . São estes: Disponibi- vamente a esta questão é o artº 14º do lidade. e fa. por terceiros. reito à educação.Educação básica gratuita e obrigatória. ou inflijam castigos corporais nos alunos. os novos Adaptabilidade. Sociais e Culturais (PIDESC). vorecer as atividades das Nações Unidas para a conservação da paz. Ape- sar de o Estado não ser o único provedor de Padrões a Atingir: educação. de acordo com o qual. tole. represen- Pacto Internacional sobre os Direitos Eco. O dever de estabelecer a escola primária num prazo de dois anos. . PIDESC. gações do Estado. lhado das medidas necessárias para reali. num número razoá. Estados Partes que ainda não asseguraram o ensino primário como gratuito e obriga. tam o espírito e a essência absoluta do di- nómicos. Acessibilidade. étnicos e religiosos. misso. Os Estados devem Tal significa que a melhoria do acesso à assegurar que as escolas públicas ou priva. Disponibilidade tório têm o dever de “elaborar e adotar. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dade livre. que previnam e 1966. com base no princí- das não aplicam práticas discriminatórias pio da igualdade e da não discriminação. nº2). quado de bolsas e melhoria contínua da situação dos professores. está abaixo do número de crianças em ida- . no que diz respeito ao do deve adotar. A obrigação de proteger requer que os Es. […] a aplicação do princípio primárias estejam disponíveis para todas as do ensino primário obrigatório e gratuito crianças requer um considerável compro- para todos”. nº1º. obrigação de meios e obrigação de do Pacto Internacional sobre os Direitos resultado podem ser distinguidas: Económicos. ção ou por outros meios. 1966. raciais.Ensino superior acessível a todos com pacidade estrutural das escolas primárias base na capacidade individual. quer financeiro. quer político. Assegurar que as escolas vel de anos. um pré-requisito da concretização do di- zar progressivamente. um plano deta.Estabelecimento de um sistema ade- Artigo 13º. tos humanos obriga-o a ser o provedor de . Aceitabilidade e PIDESC. Se a ca- . bem como a liberdade de escolher o tipo A obrigação de implementar prevista no de escola e respetivo conteúdo. Sociais e Culturais (PIDESC) A obrigação de meios diz respeito a uma identifica quatro princípios como obri- determinada ação ou medida que o Esta. Sociais e Culturais. reito à educação.

É. PERSPETIVAS INTERCULTURAIS Aceitabilidade E QUESTÕES CONTROVERSAS A anterior Relatora Especial para o Direi- to à Educação. bem como mulheres e homens. como para os filhos”. Katarina Tomasevski. “Educar uma mulher é educar uma famí. de estudar assuntos incompatíveis com a garantindo o acesso a instituições escola. enquanto adulto. ser considerado como proselitismo ilícito. uma visão comparativa e alarga- mou num dos seus relatórios que “o Estado da do mundo revela disparidades subs- . H. então a obrigação legal do Esta. tal soas com deficiência. Os alunos e os pais têm o direito No mínimo. tal como previsto no artº peitado. sua religião ou outras crenças. Hoje. Usar a au- res existentes. protegido e implementado não é 10º da Convenção sobre a Eliminação de apenas um dever destes. A exigência da in. lecimentos de ensino privados. não é cumprida. permanecer ajustável. face ao seu dever da escola obrigatória estão em conformidade com os critérios mí- para todos. Não Discriminação Direitos Humanos das Mulheres 3. ser removidas. A educação deve ser culturalmente apropriada e de boa Acessibilidade qualidade. uma comunidade. orientar e controlar os estabe- ver-se das suas obrigações.” Provérbio africano Adaptabilidade Normalmente. também. O acesso construtivo como o seu desenvolvimento social e os significa que barreiras excludentes devem avanços a nível nacional e internacional. o que uma criança aprende A obrigação positiva de assegurar um na escola deve ser determinado pelas suas acesso igual às instituições educativas en. uma Todas as Formas de Discriminação contra função da sociedade civil promover e au- as Mulheres. é obrigado a garantir que todas as escolas do. uma Nação. de todas as meninas e rapa. bem como a ve- A disponibilidade do ensino secundário e rificar que a educação é aceitável tanto para superior também é um aspeto importante os pais. tendo em conside- te importante para os mais velhos e pes. toridade do sistema do ensino público para zes. os governos são obrigados a de ser livres da doutrinação e da obrigação assegurar o gozo do direito à educação. necessidades no futuro. Este princípio no direito à educação. xiliar a implementação total do direito à educação. O Isto significa que o sistema educativo deve acesso físico às instituições é especialmen. DIREITO À EDUCAÇÃO 281 de escolar. com induzir as pessoas a mudar a sua fé pode base na igualdade e não discriminação. afir. manter. nimos por si desenvolvidos. por exemplo. envolve o direito de escolher o modelo de trodução progressiva da educação gratuita educação recebida e o direito de estabele- não significa que um Estado possa absol. que o direito humano à educação é res- ras educacionais. através da eli- minação de estereótipos sobre o papel do A obrigação dos governos de assegurar homem e da mulher de textos e de estrutu. globa um acesso físico e construtivo. ração o interesse superior da criança. cer. Liberdades Religiosas lia.

existir no ensino primário. afeta 759 milhões de pessoas.3 milhões para 7. que a escolarização universal seja im- te. 2003. idade escolar (escola primária) ainda não cação: menos de um quarto das crianças terão frequentado a escola em 2015. dois terços palmente dos cidadãos dos países ricos. uma criança mas as taxas de abandono fazem com nascida em Moçambique pode.6 milhões. Ademais. Pouco . betização é crucial para reforçar a capaci- dade humana e a participação económica. habitualmente. mundial não ter o ensino básico. provável em 2015. entre 1997 17% da população adulta mundial. O exemplo do Uganda: Na segunda social e política nas sociedades do conhe- metade dos anos 90. redução da pobreza voltaram-se para a O analfabetismo é. Não obstante. de oito anos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tanciais na implementação do direito à e 2003. quer para os 20% mais pobres da direito à educação varia de região para população. A inscrição das na escola estão na África Subsaariana universal está agora ao nosso alcance. e as diferenças de género deixaram de A maior parte das crianças não matricula. As mulheres mário gratuito e as despesas públicas são menos letradas do que os homens. o fosso entre lhões de crianças em idade escolar (escola os países ricos e pobres. havido pouco progresso no sentido de al- bilitadas a realizar testes básicos de alfa. 2008.282 II. As matrícu. havia pouco menos de 796 milhões las no ensino primário aumentaram de de pessoas adultas analfabetas. cerca de 5. De facto. sultado de pobreza extrema. prever vir a ter quatro anos de escola. alcançarão o objetivo da educação primá- quanto o hiato das matrículas no ensino ria universal até 2015. Uma criança nascida em França terá 15 anos de escolarização com O relatório da UNESCO de 2010 “Alcan- níveis de oferta consideravelmente supe. a concretização do mas. quer para os 20% mais ricos região. as prioridades de cimento de hoje. corresponde a metade ma década. cançar o objetivo de reduzir para metade o betização. (Fonte: UNESCO. 2010. A média de escolarização no sul da consideráveis na educação durante a últi- Ásia. se esta tendên- a aumentar. çar os marginalizados” apresenta avanços riores. atualmen. está não frequentam a escola e. Entretanto. As taxas de inscrição são as mes- educação. Foi introduzido o ensino pri. Em média. Tal. das quais mulheres. A Década das Nações Unidas para a Alfa- “A educação é a arma mais poderosa que betização (2003-2012) é confrontada com se pode usar para mudar o mundo” o facto de ainda 20% da população adulta Nelson Mandela. Em neste domínio aumentaram. Cerca de 72 mi- primário pode estar a fechar. o re- educação. sem termos em conta as cia continuar.) de amanhã. e no Sul da Ásia. 56 milhões de crianças em possíveis diferenças de qualidade na edu. medido através da primária) e 71 milhões de adolescentes média de anos no sistema educativo. o acesso ao ensino analfabetismo adulto – uma condição que superior permanece um privilégio princi. EFA Global Monito- rão as desigualdades sociais e económicas ring Report 2010. en. antigo Presidente da África do Sul. rização formal. Tem na Zâmbia saem do ensino primário ha. A alfa- Prémio Nobel da Paz. os Estados não da do nível nos países ricos. Estas desigualdades educativas de hoje se.

DIREITO À EDUCAÇÃO 283 mais de 509 milhões do número total são A questão da língua de aprendizagem mulheres. A aprendizagem ao lon. A Carta Europeia das Línguas Regionais nificativamente mais em armas do que em ou Minoritárias. teção das Minorias Nacionais. há minorias vem em países pobres afetados por conflitos. Os governos no primário na língua materna tem sido e as organizações internacionais são chama. carece. minorias. apenas refere que a prática de uma língua do com a Res. tem gerado controvérsias. de 1995. 42% . AGNU 56/116. mo das minorias. sendo o (escola primária) no mundo que não estão objetivo do Estado reconhecer o bilinguis- inscritas na escola. Educação e os Direitos na Educação. de 1992. mas não reconheceu. educativas de grupos vulneráveis.) sua língua materna na escola. que não estão protegidas desta forma e (Fonte: UNESCO. 2011. go da vida ou a educação ao longo da o Conselho da Europa reconheceu o di- vida para todos terão de fazer parte das reito de cada um a aprender a sua língua futuras sociedades globais do conheci. explicita- mento. Não há um di- (Fonte: UNESCO. materna. que nem sequer têm o direito a aprender a ring Report 2011. Direitos das Minorias dade do ensino e o estatuto dos professores. resultar em níveis mais baixos de sucesso cativos e as necessidades de todos os alunos para os alunos. como mi- grantes.. Na sua Convenção Quadro para a Pro- cias da evolução. etc. H. a melhorar a quali. EFA Global Monito. também. no primário numa língua estrangeira. a ampliar as oportunidades guas. por realçou a necessidade de garantir o acesso exemplo. e os Aborí- A Conferência Mundial sobre o Direito à genes da Austrália. de atenção adequada. orientada para as aptidões. Do na como uma opção para os Estados que número total de crianças em idade escolar assinaram e ratificaram a Carta. para todos e apoiando o ajuste às exigên. materna. a literacia não deverá ser negada mas nada mencio- é o coração da aprendizagem ao longo da na no que diz respeito à aprendizagem na vida. disponibilizando a educação básica língua materna. Mali. na Europa. O artº 27º do PIDESC vo significativo de preocupação. o direito ao ensi- numa base não discriminatória. a tomar medidas que minimizem a violência Apesar do notável progresso nos esforços na escola e a atender ao crescente apelo da de conceder às crianças o exercício comple- aprendizagem ao longo da vida. ainda muito . guística de um país. Assim. Neste sentido. reclamado pela Academia Africana de Lín- dos. Os ainda baixos níveis de alfabetização quando pertencendo a uma minoria lin- nas zonas pobres do mundo são um moti. mente. a educação vocacio. to do seu direito à educação. EFA Global Monito. foi mais longe educação básica – 35 países foram afetados na promoção do ensino na língua mater- por conflitos armados entre 1999 e 2008. Francês na África Oeste. Muitos dos países mais pobres gastam sig.) aprender a língua materna na escola. salvaguardando os direitos edu. o direito a aprender na sua língua nal ou técnica. tais como a comunidade Roma. de Estudos científicos mostraram que o ensi- 2004. De acor. em Bamako. 2011. reito humano internacional geral para ring Report 2011. No entanto. pode à educação. inter alia. na sua “Declaração de Amesterdão”.28 milhões – vi.

a abordagem a múltiplas necessidades educativas das pessoas com formas de desigualdade e discriminação. (Fonte: Vernor Munoz. “as escolas devem receber todas de marginalização e exclusão. e assim contribuir para a sua níveis de educação. de- quados são aplicados de forma a respon. A promoção da igualdade de oportunida- des na educação. no O direito à educação dos migrantes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS trabalho necessita ser feito para que estes ninas. que afetam. particularmente. vezes ausentes. 2010. indígenas. A UNICEF. por exemplo. refu- seu relatório de 2011 sobre a promoção da giados e requerentes de asilo. tagem. Ainda há mui. nº 2º da Declaração Univer- Direitos das Mulheres sal dos Direitos Humanos (DUDH). pessoas que pertencem a minorias. as meni. der às necessidades especiais das vítimas Assim. Relatório do condições físicas. Kishore Singh. tal como enfrentam dificuldades particulares no foi estabelecido pela Convenção sobre os acesso total à educação. 2011. clarou-se a favor da educação inclusiva. bem como grupos desigualdade. dedicou o seu das causas da exclusão. ou outras”. a integração bem-sucedida. As sociedades de. portanto.) igualdade de oportunidades na educação. nem infor- outras organizações diversos grupos que madas sobre os seus direitos. intelectuais. Estes grupos no seu Relatório sobre a Situação Mundial tornaram-se o centro de preocupação e de da Infância 2006. A Ação-Quadro adotada na bem como o assegurar que recursos ade. recomendou o reforço dos quadros regula.) Os Direitos Humanos nas Escolas Contrariamente à obrigação consagrada Não Discriminação no Artº 26. ou jovens marginalizados. de beneficiar plenamente dos seus direitos justiça social e inclusão de todos os tipos e à educação. nos rela- visíveis’ e o Relatório da Human Rights Wa. Conferência de Salamanca. independentemente das suas (Fonte: Kishore Singh. de soas com deficiências. sociais. deficiência. relatório de 2010 ao direito à educação dos vem. refugiados e requerentes de para resolver as práticas sociais e culturais asilo. tendo recomendado a eliminação da que impedem as crianças e outros grupos. ação internacional. os di- reitos humanos nas escolas estão muitas Grupos Desfavorecidos e o Acesso ao Di. os Estados-membros das Nações Unidas. Elas não são ensinadas. pes- tas questões a resolver de discriminação. tórios obrigatórios dos Estados. de negligência e de explora. refugiados e migrantes. ratificada por todos igualdade. objetivos sejam alcançados. por exemplo. Deve ser prestada particular atenção às dores nacionais. Estes incluem mulheres e me. discriminação. intitulado ‘Excluídos e In. intensificar os seus esforços migrantes. Relatório do O Relator Especial das Nações Unidas para Relator Especial para o Direito à Educação. cionais. linguísticas. . em 1994. As crianças ainda estão reito à Educação sujeitas ao castigo corporal ou a traba- Têm sido identificados pela UNESCO e lhar. segurança humana. emo- Relator Especial para o Direito à Educação. as mulheres e as minorias. O Relator tch ‘Failing our children: barriers to the right Especial das Nações Unidas para o Direito to education’ fornecem inúmeros exemplos à Educação. com base na Direitos da Criança. sociais ou economicamente em desvan- ção. o Direito à Educação.284 II. as crianças. como soldados desmobilizados nas.

sustentados por políti- cas fiscais. cultural ou hu- Direitos Humanos da Criança manitário.” (Artº 1º. Convenção sobre os Direitos da Criança. de emprego e de saúde apropriadas do Sudão do Sul tornou-se Estado-membro da ONU a 14 de Julho de 2011 e também ainda não ratificou a e sustentadas. Um estudo da UNICEF. uma condição prévia para o progresso de cada sociedade. comerciai