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COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

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PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

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PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

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AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

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NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

como é o caso Europeia e na ONU. no caso de Por. Ashkali. Por sua vez. no Brasil. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. a ex. Manouche. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. da expressão “Roma Community”. pelo que não tra- Humanos). direitos humanos”. recebe a designação de “estupro”. nos” em detrimento da expressão “direi. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. por exemplo. . com a pa. vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. preferência à expressão “direitos huma. duzimos a referida expressão por “co- tugal. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. na versão inglesa pretende (exs. no Brasil. Cremos que o tos do Homem”. sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. como comunidades Roma. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al. demos tes que se autoidentificam. a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. Esta opção. Sinti e Cigana. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa. que “recomenda que inglesa transmite. Fizemos esta opção. no Brasil. Por outro lado. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. xuais que. por exemplo. mesmo quando ela ain.

um dos ob. política externa da Áustria. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . mas também lhes deve num momento muito oportuno. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. as aspira- em 2003. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. para 15 idio- direitos. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. situações e regiões. Oferece módulos de dignidade.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . Por consequência. países e regiões. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. reorganização. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento. é promover e apoiar inicia. também en. De forma cação para os direitos humanos. mas diferentes. Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. até hoje. damentais e inalienáveis. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. Para mim. seus utilizadores. Esta edição. na Áustria. governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. A educação em Graz. Executivo da UNESCO. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos.ETC). ternacionais de renome. num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios. ao comportamen. surge direitos humanos. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. tivas que encorajem as pessoas a melho. do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. Síria ao Iémen. Tam. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo. em diversos da UNESCO. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento. tra focada no Mundo Árabe.

as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. porém. Viena. contribuir para fortalecer o prima. responsabilização e esta- bilidade governativa. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. misso e esforços empreendidos para esta nação democrática. económica. social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. justiça e democracia. contribuírem para a nas esferas política. for. assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. ao utilizarem este manual como um . para promoverem o desen. janeiro de 2012 fios e. como uma estratégia importante para a democratização. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. Dr. o que é reconhecido importante publicação. Podem ser utilizadas como for. de Formação e Investigação em Direitos assim. e social. os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. Podem.

Sérvio e Tailandês. Humana. Hoje. tem recebido críticas muito positivas gurança humana. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. de utilizadores de todo o mundo.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. Russo. na sua ver. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. Em 2006. O Manual. Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). em 2002/2003. ETC. atualização do Manual. Foi ela. pela primeira para a Segurança Humana. na Graz. na Reunião Ministe. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. Áustria. após o seu lançamento. Isto foi possível. determinados a resol. con. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. Árabe. tada para a prática. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. Consiste em módulos de do Mundo. a Educa. adotada pela vez. nacionalidades. nês. a 10 de maio de 2003. de formação. mais o Manual atingirá adaptados. Porém. de modo a Áustria. com o fatizou que “os direitos humanos forne. apenas três anos Ferrero-Waldner. Alemão. vernamentais e não governamentais. o Manual está dis- dente da “Rede”. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. em 2002. Em muitas ocasiões. mação de formadores. bem como de entidades intergo- em Graz. Benita gionais e culturais. através de sessões de for- regiões do Mundo. na qualidade de Presi. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. Albanês. Espanhol. Portanto. pelos seus utilizadores. os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. Chi- borado por uma dedicada equipa de re. numa perspetiva orien. A Rede de Segurança Humana é compos. rança Humana. na o Manual para outras línguas. com a criação do Conselho de Direitos . a Rede en. o Manual “Compreender os Di. ponível em Inglês. cia (ETC). Francês. culturas e grupos sociais nuíno e prático. apresentado ao público. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. em rial da Rede de Segurança Humana. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. todas as regiões. Portanto.

Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. maio de 2006. . a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis. face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham. Viena. PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos.

Áustria. para os Direitos Humanos. É Humanos da Europa. Direitos Humanos. esforços. dos da Rede e em todo o mundo. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. Conflitos Armados. 9 de maio de 2003. comunidades o seu principal ponto de re. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. Pretende-se que seja por isso que. hoje e no futuro. através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. em Graz. na execução do volvimento de competências e à transfor. . deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC). bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. ao desen. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. A segurança humana requer uma compre. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. consciencializa pirará ações subsequentes. in. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. às diferenças culturais. Com esta finalidade. ção em Matéria de Direitos Humanos. Rede. na reunião de 10 de maio de 2003. Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. na minha qualidade de Presi. Segurança Humana. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. como temas prioritá. Destina-se ao uso Graz. com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. seu mandato. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. de modo a beneficiar a segurança nos. O Manual inspira-se na Declaração de ferência. em Graz.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes.

Dois encontros de peritos. com a este desafio pioneiro e inovador. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. O Ministério dos Assun. verdadei. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. pro. ropeu. A primeira edição foi apresenta. da pelo ODIHR/OSCE. árabe foi proporcionada pela UNESCO. em Tetovo. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. em particular do Ministério dos em Paris. 19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo. atualizada baseada na terceira edição. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. e PDHRE Mali. aos esforços Sociais. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. sob a direção de zada pelo Vietnam. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz.manual. da do PNUD Mali. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”. o Ministério para a Educação. e outros. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. mana. principalmente. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. língua inglesa. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. Finalmente. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi.at. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. até ao momento. Suécia. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. com a aju. no nos da Universidade de Pristina. e do Humanos e Democracia.etc-graz. pelo Instituto de línguas. Cultura austríaco.

aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp.20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. amigos e instituições . primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C. Introdução ao Sistema de Direitos Huma. (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer. Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. Em particular. (ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. Revisão de provas: Matthias C. Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). primeira e se. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. Bouvier (CICV Ge. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). conselheiros. dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz). Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz). à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual. Schrotthofer e Wolfgang Gosch. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. especialmente. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos. Boivin e Antoine A. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. (Universidade de Graz) lho. primeira e segunda edi.

ros austríaco. Anton Kok – Centro de Direitos Hu. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. . Manuela Rusz e a equipa – Genebra. Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. valiosos comen. Finalmente. Debra Internacionais. apoio prestados. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. do Instituto de Direito Internacional e Re. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. bra. Yan. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. que. gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz.

. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. no âmbito do intercâm. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. adicionalmente.perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. O Manual apresenta uma compilação sele. vel para o utilizador. útil. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. Uma equi. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos. Para facilitar a navegação através do texto. como por damentos dos direitos humanos. uma parte educadores. surgiu do ETC Graz. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível. corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. . Por fim. O Manual “Compreender os Direitos Hu.boas práticas tos culturais. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa.a saber de Segurança Humana e outros. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos . especial com temas essenciais selecionados. uma introdução geral aos fun. . a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração.para mais informações. o Manual poderá ser um . tanto por educandos. Tal como está desenhado. de modos diversos. proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên.22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos. Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos.atividades sele- fórum de debate. para formar futuros formadores e para abrir um . de Segurança Humana. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana. informação austríaca. nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. como uma humanos na vida diária. bem utilizadores. con- cias e para a transformação de atitudes. para educandos e edu- cadores. dos países associados da Rede . e uma terceira. cionadas bio e consciencialização interculturais. são ativa. Estrangeiros.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio. a saber. enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. em vários contex. sob a presidência que contém dicas metodológicas.

nhecimentos em direitos humanos. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. portuguesa em www.manual. uma secção para rece- . deliberadamente. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. tanto a jovens. Gosta. formadores.etc-graz.at. po. para todos os módulos. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e. werpoint. que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. educadores e da educação para os direitos humanos. Para os que procuram exemplos de ques.html. gua inglesa. continuamente.pt/igc/manual/ tivas inovadoras. adicionalmente. E os in. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los.uc. adultos. na sua manos. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. mentários. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos. poderá começar com a parte em http://www. como a index.fd. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná. ter em conside. hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos. em lín- “a saber” dos diferentes módulos. disponíveis as versões nas várias línguas. curso. Além disso. página de internet. com materiais didáticos e atualizações específicos. com as preocupações da sua comu- histórias. op. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas. oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução. dos recursos adicionais. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos. Se procura internet. o ETC criou. através de metodologias educa.

CIPD .Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África. das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM . Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na. – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu. mo e a Intolerância te Asiático) C.I. CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen. Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD .Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con. Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do .Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes. Viena.A.24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos. melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu.Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos.Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI . Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa.

LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT . IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma. Graz. ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa. Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen.Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN . -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia.Convenção Quadro para a Prote. IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida. Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina .

al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di. gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra. Relacionados com o Comércio) reitos Económicos. UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res. Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) . – Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In.26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De.

Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher . VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni. Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set.

Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B. Declaração Universal dos Direitos II. Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M. Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K. Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Direitos Humanos da Criança 303 J. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H. Glossário 578 C. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 .28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. H. Direito à Saúde 165 IV. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI. Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. O. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. N. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G. Direito ao Trabalho 353 L. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F.

Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b. Direitos Humanos e a Sociedade Humana . Compreender os Direitos Hu- manos 44 II. Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr. 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. Desafios e Oportunidades Glo- I. Selmouni” E. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K. Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. Conselho da Europa – a. Implementação dos Instrumentos 1. Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1. História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F. África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV. A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2. . Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C. Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G.Como é Cometida a Tortura? I. Europa – Instrumentos Euro.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M. Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A. PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D.2. O razão é a tortura praticada? . Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III. Visão guesa 3 geral . Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B.

cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) .30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) . ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura . Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con.Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza . 1.Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? . breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas . Perspetivas Inter. “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun. da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1.Progra. Cronologia digo de Ética – 2. Perspetivas Intercultu. Definição e Desenvol- ça Humana . – Acordo de Cotonu .Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza . DIREITO A NÃO VIVER NA PO. Tendên- Governamentais (ONG) – A Am. MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B.Có. – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional . Humana . Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? . Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 . mitismo . Atividades Selecionadas: 129 3. vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão .2.Exclusão Social . Definição e Desen.Po- gradantes .Iniciativa Europa 2020 .3.O Conselho Con.Ati.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos.Os Pobres são Internacional . Boas Práticas .Xenofobia – Fenómenos . Boas Práticas – Atividades a Ní.3.3.4. Implementa- – 4.2. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades . rais e Questões Controversas . Implementação e Monitoriza. – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2. mo – Violência Racial . Prevenção da Tortura (APT) . Man.Antisse- breza .Protocolo Facul. Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1.Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po.Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma. formação Adicional 132 tra a Tortura C. nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1. Tendências .O Comité Eu. Introdução – Pobreza e Seguran. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In.

Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 .3. Boas Práticas – Códigos de Con.4. e Monitorização . Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas . Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi. Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute. Implementação e Monitoriza. Memórias . Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico.” A Saber: 168 A Saber: 193 1.A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2.O VIH/SIDA .Mutilação Genital Discriminação Racial. Xenofobia Feminina (MGF) . Mulheres – 2. senvolvimento da Saúde – 3. de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais . ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade. Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú. Tendências – A Relação en. E. Mental e Social . de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- .Respeitar. cina Tradicional . gresso Científico – Globalização e o ção .Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma. Acessibilidade. Definição e Desenvol- .4.4. Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana . Aceitabilida- Preconceito .Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In.Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1. DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T. O Direito Humano à Saúde num 1. 1.Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3. DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D.Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo.Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade . Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Implementação e Intolerância Relacionada – De.3. Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen.2. Perspetivas Inter. Perspetivas Intercultu- .

Implementa. – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) .O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” . 2.Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In. Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . 1. Tendências . de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE . Imple- de Informação Digitais aos Direi. Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas . PRIMADO DO DIREITO E JUL. Julgamento Justo e Se.O Primado do Di. LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2. vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 .A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3.Direito à Caução – Disposi- 1. Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais . mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 .Os Direitos Hu. mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4.Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” . Boas Práticas .Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” . Perspetivas Interculturais e Ques.Atividade II: “Como 1.Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe.Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .2.3. G.32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros. .4. Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio.3. ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé.(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul. dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica .Objetivos de De.A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch .Mediação e Arbitragem F. Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em . Eficazes . Introdução . Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito. mento Justo .

Tendências – O 1.“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2.Ativi- ligião . Definição e Desen. Definição e 1.Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. Minoritárias . – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3. – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3.Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. 2. Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . 4. Tendên. Boas Práticas – Diálogo Inter. Seitas e Novos Mo. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2. Ambíguos . ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2. cação para Todos . Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais . Definição e Desenvolvimento da . Introdução .Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais . Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”.Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1.3. A Luta para Proteger os Direitos 1. formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I. DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. Boas Práticas. 2. vel? Aceitável? Adaptável? . Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa.Edu- religioso para o Pluralismo Re. ção .3.Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re. Quadro de Ação de Dakar . tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. Educação para Todos: Resultados cias – Cultos.

na – As Origens do DIH . – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1.3.34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian. que o DIH é aplicável? .1. Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo . Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de .2. ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio.3. Ten- Atividade I: Direitos e Necessida. dências – Tendências relativas a des das Crianças . Aspetos Geracionais e de Gé. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In.2.Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3.A Abolição J. Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança . 1. 4. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas . de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó. diais relativos a 2010) . Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho . Boas Práticas – “Juntando Pes.2.3. ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de .DIH en- pação. Defini- tado – Não Discriminação da Crian. Perspetivas Inter- Criança? . quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es. Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce. DIREITOS HUMANOS EM CON. Imple.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re. Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4.Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi. Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di.

Definição e Desenvolvi. “Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His.Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho . Pers- Pacto Internacional sobre os Direi.De.3. dequadas” tórica – 2. rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . Interrogar e ção .3. Ampliados para Parar. Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di. Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! . Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In.Atividade II: “Vestido K. grafia Infantil – 4.A Declaração Universal na – 2. para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT .Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus. Ten. petivas Interculturais e Questões tos Económicos. Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1. Órgãos de Monitorização . ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela. Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1. e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos .Fairtrade Labelling Orga. Boas Práticas . O Mundo do Trabalho no Sé. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. tificação Centralizados . Sociais e Cultu. Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará. DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L.Programa In. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4. Implementa. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? .

2. Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá. Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos . – Formas de Democracia – For- safios – 2. Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5. Imple. Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4. A de Expressão e a Internet – 3. em inglês) . Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1. 1.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Liber. Meios de Infor- gilância. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação.7. mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. Tendências – Listas de Vi. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M. Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana. Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea. Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . Cro.Org Outras ONG – 4. Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão . ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . Boas Práticas – 6. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização .O Papel tos Humanos (ODIHR. Relevância no Passado e no Pre. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex. são/Informação tória de Marianne K. para reflexão – 4. Boas Práticas – Privacy. O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da. Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5.3. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3. Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . de ADN do Reino Unido – Decla. Questões Controversas – O Debate reito. Muçulmano . Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di. Mu. Democrática – 2.

Integração e Coesão – 3. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi. em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo. der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas.2. Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 . com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia . Definição e pean Roma Rights Centre . DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D. Repú. Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. e outros c.GDM (Minority Rights Group 1. para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2. Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? .GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas . das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole. e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu. nia – 4. África do Sul – 2. Jurídica. o papel das OIG. Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. 1. A Luta pela Proteção dos Di. Perspe- 1. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 .União Interparlamentar (UIP) .Atividade II: Um Mina. das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O. Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma.Desafios Conce. Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas . Tendências – Au. Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono.H.

DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes. Definição e Desen. Cronologia Humanos . Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. tal como Definido pelo Di. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B. Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. G.38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. GLOSSÁRIO 578 1.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu. A. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con. o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re. D. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C. RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. Tendências – Deslocados In. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. Implementação e Mo. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2.

À medida que este processo te pela maioria das nações . agora nas suas mãos. nas nossas vizinhanças. esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. experiências e os seus conhecimentos. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . em relação do um sentido vital de responsabilidade. 25 anos. criativo e positivo. vidas diárias. nestas páginas. muitas comunidades em todo Muitos partilham. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. neste livro.tem menos de dignidade. À medida que examinamos as articula- vro. pretendemos gerar. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. as suas o mundo. as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança. outros. pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. todos relevantes lhado. À medida que integramos o bilidade social. casas. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social. de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. são impelidas para re-imaginar. acei- privações. “O que podemos nós fazer em relação aos . orientado pela visão ho. nova compreensão dos direitos humanos. Nas páginas deste li. reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei. em respeito e confiança de poder tas páginas. esperança e expec. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa. tanto mulheres como homens. pretende pro. humana. mentor e monitor de direitos humanos. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. 39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA .UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI. da nossa existência económica. redese. à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te. refletidas nes. interconexão e interre.no entanto. suas normas e padrões. mos quaisquer outras opções. Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. como forma de vida. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade.

direitos humanos e. O edu. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota. passo a passo. compromissos (www. as pessoas saibam. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”. passo a passo . volver num trabalho de amor pela mudan. Todos html). reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem. A isto. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di. a ignorância sobre os direi- humilhação. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. criado pelas Nações humano e societário. com a igualdade sem discriminação. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA. onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. assim como os homens. se conhecido e reivindicado. inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. e que todos os conflitos têm de ser resol. dis. que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. por esse facto. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. Nós dizemos. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. tente imaginar os direitos humanos como . Infelizmente. É esta “violação de direitos humanos” e rém.pdhre. nós humilhamos os outros. dos direitos humanos. uma aprendizagem signifi. frequentemente devido ao medo da muitas outras. Todos nós nos afastamos mina a sua realização.org/justice. Aprender que os di. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. a igualdade pela sobrevivência. homens. nos. Gota a gota. temos de nos en. po. corretamente. prevalece no mundo. mulheres. Rosa sentido da sua realização plena.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. todos. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. per. Com apropriação. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. Unidas. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. Parks. tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. valece. manos é inerente a cada um de nós. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade. o conhecimento dos direitos hu. planeamento e ação. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. da humilhação de forma espontânea. teram em implementá-los. possam conhecer os mulheres. vidos.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res. por que todos ansiamos. É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi. tegração social. trocam direitos humanos como inalienáveis.

recebeu o prémio das Nações Uni- margens. as pes. Não temos quaisquer outras Pio Munzo. reitos humanos irão elevar e fortificar as org). a Humanidade”. em 2003. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di.) . para protegerem as suas comuni. for Human Rights Learning (www. das para os Direitos Humanos.pdhre. pela sua “Contribuição para opções. Quando vêm as cheias.

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Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos.” Sérgio Vieira de Mello. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. I. 2003 .

não apenas tolerados. isto é. turais. humanos garantem a igualdade. os direitos direitos humanos. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. de ordem pú- tre mulheres e homens. requisitos de moralidade. humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. todos os conflitos têm manos. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH). bem como de opinião e de meios pacíficos. reitos económicos e sociais. modo a procurarem a transformação da tos humanos. incluindo a igualdade total en. sociais e cul- aceites. refere divíduos. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. Do mesmo modo.” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). de ser resolvidos no respeito pelos direitos . Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. tais como o to de direitos humanos. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. juntamente com a to moral. em 1993. formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. Durante o século XX. sal dos Direitos Humanos (DUDH). INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. civis. No século XXI. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. tal como Contudo. Pactos paralelos que. justa. os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si.44 I. assim. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu. é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer. Direitos Humanos de Viena. político e jurídico e como linha DUDH. liberdade. 1948. condições de vida condignas. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei. peitados. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. Este conceito coloca direito à segurança social. Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. Aqueles pilares surgem em detalhe. saú- pação. económicos. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. os direitos hu. sem medo e sem privações. ado. Os con- a liberdade de pensamento.

No seguimento. mais do que qualquer outra lingua. dora da People’s Decade for Human Rights . 62/171 assumidas por todos os atores e interes. cionais. os Direitos Humanos. A. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. dos direitos humanos. DUDH. sociais e culturais. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. todos. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. “A educação. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . homens. proteção. Direitos Humanos 1995-2004. sofrer algumas restrições. civis. bro de 2007. DUDH. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. da AGNU). bem como dezembro de 2008. Através da aprendizagem dos di. preocupações políticas.” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. funcio. reitos humanos. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. adotou-se a Res. de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. fação. A abertura decorreu a 10 de sados. a funda- vida. Direito à Educação Upendra Baxi. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. satis. baseada no respeito. mulheres. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. dezembro de 1994. Em 18 de dezem- mento humano.” direitos humanos[…]”. Inhuman Wrongs and Human Rights. A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. embora em tempos de emergên. Deste modo. ne. proclamou a Década manos. pela sociedade civil. [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. em dezembro de 2011. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. […] A educação deve facto. iniciativa foi Shulamith Koenig. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. 66/173 da AGNU. De direito à educação. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. PDHRE. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal. social e económico cen. que poderá ser formal.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. económicas. Nações Unidas (AGNU) 49/184. 1994.

funcionários públicos. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. agentes poli- Humanos. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007. A 2 de dezembro de 2011.46 I. de 23 de dezembro de 1994. alunos. religiosos e linguísticos […]”. clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. primeiramente. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. nos em Genebra. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. Ou. modelação de atitudes. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção. nacionais. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. cia. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral. baseada nos direitos humanos”. e princípios de direitos humanos. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. primário e secundário. parafraseando Nelson Mandela. três em três anos. que inclui o empoderamento de pesso- . zade entre todas as nações. os reclamem”. sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. A 10 de dezembro de 2004. no nosso pla. vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. a AGNU pro- dos”. étnicos. a tolerân- de. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. povos in- neta. Em concordância. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di. tornar os direitos hu. que inclui a transmissão de conheci- ção.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. o objeti. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. a longo prazo. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí.

assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. designadamente. a experiência do Holo. Os Esta. em particular. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. visa proteger os direitos humanos. to. Human Rights Center of the Univer. em julho de 2000. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações. a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. estratégia de implementação que delimita zação. B. isto na. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. sempenhe um papel importante. estabelecer uma cultura política global. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. dos direitos humanos. é. decorreu em Graz. que promove a equi. uma estratégia rumo à segurança humana. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. com base num sistema global de valores . para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. Neste contex- segurança humana. O pre. tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. a insegurança e a vulnerabilidade. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. em harmonia com o Programa Mundial da dade. as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. Todos os inte- conhecimento. A mes. manos. a tolerância. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”.

Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. Humana. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re.” das pessoas. como a seguran. 1999. como parte para as normas e direitos. discriminação. tam ameaças à segurança humana e. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. and State Sovereignty. que esteve na vidas diárias. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. base do desenvolvimento da doutrina da . da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. do desenvolvimento de nacional segura). mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. mocracia. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. pobreza. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. abordagem orientada para o poder. também os direitos (ex.) mento da sociedade”. na transformação de conflitos e de necessidades básicas. 1994. corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional. 2001. consti- humanos já existentes. Maio 2000. de um modo descentralizado.” PNUD. Lucerna. A “Segu. proteção contra a detenção arbitrá. Os direitos humanos. Canadá. bility to Protect and GA-Res. humanos desempenham um papel na gestão ria). o direito a viver numa ordem inter. conse- Há diversas relações entre os direitos hu. da democracia e do de conflitos. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. 60/1 (2005)]. Referimo-nos a problemas de se. quentemente. são de conhecimentos. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”.48 I. de um aumento da transparência humana se baseia. A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. de segurança social (ex. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos. na construção da paz pós-conflito. (Fonte: Departamento e da prestação de contas. também são um conceito chave desenvolvimento. por uma Comissão Inter. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. Human Development Report 1994. Contudo. gurança pessoal. suprimento de conflitos. As organizações da so. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. em vez de uma do conceito de segurança humana. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. As políticas de se. justiça social e democracia. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. através da transmis- (ex.

em Graz. anterior Ministro dos Negócios Es. “O desenvolvi. estritamente concebidos.” Louise Arbour. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. Res- Nações Unidas. Costa Rica. 2005. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran. em San José. manos e a Universidade para a Paz. . DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. rança Humana (www. distribuído e utilizado amplamente. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. a 10 de maio de 2003. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. que deverá ser traduzido. org/doc/sanjosedec. PDHRE). individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado. relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. ironicamente. (Walther Lichem. Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. amplamente baseada nos direitos huma. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. cional. A Comissão elabo- nos. ponsibility to Protect in the Modern World. segurança humana das vítimas apesar de. to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito. que pode ser obser. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”. por fim. B.html). mcharan. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados. A Comissão para a Segurança Humana. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. da ONU para os Direitos Humanos. na essência. humana. O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana.humansecurity-chs. rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. são antecipados e tecidos numa rede coe. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. aprovada pela humanos.” humana no seu centro. 2009. mas também. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […]. De acordo com Bertrand G. de forma crucial. em dezembro de 2001. ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. “Precisamos de uma nova cultura de rela. nhecer os seus direitos humanos. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º).

não se desfrutará Roosevelt. inspirando-se nas gados e indivisíveis. em 2008. do PNUD. os ser- (freedom from want). Depois de um rela. em 2000. que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. ângulo do desenvolvimento. em 1940.” económicos. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. à Segurança Humana. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. correspon. de Segurança Humana. abordagens regionais relativas à Segu- . a segurança alimentar. os for fear). do Secretário-Geral da ONU. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. pen- 2005. Kofi Annan. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. O Relatório “In Larger Freedom”. A verdadei- ral realizou consultas. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós. 2005. A relação entre a viços de saúde. Sérgio Vieira de Mello.50 I. de 2005. contém direitos económicos e sociais. Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD. direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. Kofi clusão. ser construída sobre esta base. Franklin mento sem segurança. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. são interdependentes. 2003. da liberdade e da paz” (§12). os conceitos de segurança huma- Annan. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. uma dis. Sociais e Culturais comuns. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra. human rights for all. por sua vez. usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. contingentes e direito de viver sem privações. mano. Também este distingue na. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. In larger freedom: towards development. “Hoje. apresentados como uma se desfrutará nem de um. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. Secretário-Geral da ONU. sociais e culturais é tão rele. Porém. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. Mais. vários indicadores. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. interli. reforçam-se mutuamente. a participação política. a Assembleia-Ge.

tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. Na conduz a uma redução dos conflitos vio. C. são parte de todas as culturas. tado. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. sociais e culturais. direitos económicos. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana. ses de segurança. com fortes influências do Oriente ros no Islão. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. a liberdade e na 2009/2010). o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. em todas as a DUDH. é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. Por exemplo. enquanto o conceito de humanos. designadamente. equilíbrio entre a segurança. e pelos direitos económicos e sociais. que se setembro de 2001. do da “Guerra ao Terror”. declarada pelos crática. René Cassin e Joseph Malik. porém. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. que representava os seus nacionais cial. elaborou existe de variadas formas. o im. Atendendo a que. dos seus pobres e para as noções funda. os ci- mentais de justiça social. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. Europa. versal. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. Este Relatório mostra a rela. os direitos humanos. A “regra de ouro” segundo a e do Sul. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. rorista do World Trade Centre. Desde 2005. O mesmo vale para a vimento. direitos humanos obriga qualquer Estado . deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. Ainda que o conceito moder. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. os no liberalismo e democracia. Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei. em virtude das tempos modernos. historicamente. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. C. A ONU. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos. com fundamento na fi. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. do Norte e do Sul. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro.

de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. Que a fim de assegurar esses di- inimigos. 1941. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. são criados iguais. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. a vações – que. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. em 1776. da Segunda Guerra Mundial. cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa. A segun- religião. homens. quando se . em 1789. 1776. do. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815. mas também aos civis envolvi. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. Tinha certos direitos inalienáveis. dentes por si mesmas. Europeia de 2000.” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. que todos os homens teção de não nacionais. para os seus habitantes – em todo o mundo. reitos. e na proibição da escravidão. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. cance mundial. o direito huma. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. Olympe de Gouge foi uma lávia. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. Recursos Adi. Deus. traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con.52 I. voltou a ser um tema central. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida. uma vida saudável e em paz. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. 32º Presidente dos Estados Unidos. Roosevelt.

que correspon- como uma componente indispensável do dem. independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. acordou. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH. como Direitos Humanos. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. em 1968. em Teerão e em Vie- na. nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. por consenso. §5). os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. Teerão. culturais e religiosos. O projeto internacional “ética Viena. e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu. mas nenhum Estado se atreveu real. sob a direção de Klaus Küng. Filósofos. ao passo que a perspetiva cosmopo. na. c)). que mentos de uma ética global. respetivamente. con. D. tivo. reclamava a exis. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. manos e liberdades fundamentais”. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. direitos humanos. e que constituem ele. sistemas políticos. de 1993. da globalização. As “teorias contratuais” históricos. promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. altura entre 48 países. o conceito de direitos huma. partilham valores comuns. em muitas partes. económicos e culturais. Mali. Desde então. D. na mundial”. interpretan. al. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. em larga medida. 1993. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. em 1993. nos básicos. tal como acordado no quadro terdependentes. do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. nº 3 e 55º. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”.

ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. De qualquer modo. do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. sociais e culturais 1966. los direitos económicos. em 1993. Alguns cé. Em concordância. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. humana. sociais e cultu. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. o Líbano ou o Chile se en. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. o direito à paz e à segurança. muitos mais Estados demons. nº1 do PIDESC). rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países.” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH.54 I. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. desde então. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. os outros direitos. ambiente saudável. sociais e culturais. em 1968. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos. Em Teerão. em 1998. como a China. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. Secretário-Geral das Nações Unidas. paz. Artº 2º. Porém. A Convenção sobre a Elimina. liberdade. “os ou seja. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. os direi. Porém. Boutros Boutros-Ghali. Nações Unidas. devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. consagrado na Carta das Nações dependentes. mento. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. Nos anos 80. como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. ao passo que Mundial de Viena. tal como na Conferência embora com muitas reservas. A terceira categoria é designada rais. no sentido de que uma cate- políticos. Podem ser dis. em janeiro de 2012. em oposição aos direitos civis e políticos. uma vez . tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. No passado. social. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. ainda que com o seu consenti. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. Teerão. como a liberdade de expressão. a outra. 2010. em 1968. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi. na segunda em particular. na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. uma categoria adicional de em 1993.

Em 2001. um Grupo de cional. de 2005. e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. em 2000. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). votaram pela sua aprovação. dade subsidiária do ECOSOC. como o direito de voto. propagados por alguns grupos. religiosas ou linguís. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais. da Terra”. quer detenham (OIT). que se reu- ticas particulares. e em instrumentos tural Imaterial. entretanto. Independentes. Os e da Austrália que. Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. ao nível na- povos indígenas. direitos humanos e os direitos das minorias. em particular. 143 países Estados-membros apontam nesta direção. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. A Comis- conjunto com os outros membros do gru. Po. pela primeira vez. Portanto. D. modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. regional ou universal. foi humanos e direitos das minorias que são criado. adotou a Convenção nº 169 rela- país. complementam os regionais europeus de direitos humanos. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. de 1993. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. revendo uma declaração anterior. Individualmente ou em niu. desde 1982. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. em 2007 (A/RES/61/295). ou não a cidadania de um determinado em 1989. Trabalho relativo aos povos indígenas. dos seus direitos humanos. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. em 2002. com apenas Contudo. como autori- racterísticas étnicas. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. Enquanto os direitos humanos são os di. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. do Canadá. a sua relação com a terra. para os Assuntos Indígenas. de 2003. de professar ou prati. na preservação da sua identidade cultural. Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. Os requisitos da União Europeia e do Con- ral.

e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. no trabalho. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. de 1995. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. confrontarmos o preconceito. con- tribuíram. mas. que tem lugar na ONU.). religiosas e cultu. As nossas escolas e comunidades. Consequentemente. Segunda Guerra Mundial. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. de 2003. na Convenção rais. por nós concordarmos em denunciar. mulheres no seio de determinadas culturas. rais. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa. No entanto. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948. E. O diá- seres humanos completos e iguais. logo de civilizações. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações. existência de diferentes abordagens quanto lheres. ao mesmo tempo. palco das mais cio com a DUDH. a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos. Secretário-Geral da ONU. e a elaboração da CEDM. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. base em fatores históricos. de 1979. entre outros efeitos. nas sensibilidade relativamente ao género. qualquer agenda para o diálogo. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. Alguns Estados invocam as suas particu.” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas.56 I. O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados. de direitos humanos. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de . 2010. para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. ao reconhece.

desumanos e degra. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em . o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre. através camente vinculativas. com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. . . Civis e Políticos (1966. Penas ou Tratamentos Cruéis. sociais e culturais. A prevenção e a punição do ge. Em janeiro de 2012. pelos di. com 186 tratamentos cruéis. contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979.Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi. manos ou Degradantes (1984. com dos.Convenção contra o Genocídio (1948. Desu- Nos anos 60. Estados Partes) dantes.Convenção contra a Tortura e Outras venções. tendo como resultado a adoção . Sociais e Culturais (1966. indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. bros das Suas Famílias (1990. a Comissão das Na. na ONU. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. ro. com 193 Estados Partes) . Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . adqui- antes da DUDH. riu uma proeminência particular. lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio. Económicos.Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu.Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. é o tema da às Mulheres. com 173 Es- de apartheid. O PIDESC foi adotado primei. E. a luta contra a discrimina. sobre os direitos da criança. de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria.Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente. de 1979. ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos. minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965. dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . tal como foi cometido contra os específicos. direitos humanos das mulheres. um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos. daquele mecanismo. dos países em desenvol. respe. sobre . . Todas as Formas de Discriminação lheres. com 165 Esta- reitos económicos. Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições . adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas. ça (1989.Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948. em 1976. sociais e culturais (PIDESC).

em particular. ameaçadora da vida de uma na. património. não são permitidas restrições a cer. nasci. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. um relatório e linhas de que respeita à raça. melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas. mitem restrições de certos direitos. Consequentemente.Convenção sobre os Direitos das Pes. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina. um Estado pode derrogar as suas pensamento.58 I. designados de direitos inderrogáveis. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . associação. de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. As tória (artº 4º. As medidas têm de ser plasmadas numa lei. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. de consciência e de religião. suas disposições. que per- e do PIDESC). sem discriminação no respetivamente. Estes direitos são. sexo. reli. por razões de Não Discriminação segurança pública. no caso de o estado de emer. cor. a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP). também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. nº1 do PIDCP). vaguarda”. obrigações. Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. blica. uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. opinião política ou outra. como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. de ordem pública. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. caso tal se mostre necessário. direitos humanos. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . dade ou origem social. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. terá de ser aprovada pelo Parlamento. o terrorismo. língua. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. Humanos”.Convenção Internacional para a Prote. Perante uma emergência pú- to. à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. Tal Porém. Po. à liberdade de ção. incluindo o seu próprio. de saúde pública. Estas restrições têm de estar quela situação. O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. a proibição da tortura e da escravi. soas com Deficiência (2006. ou o direito à liberdade de pensamento. portanto. . dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território. à liberdade de sair de qualquer país. Os outros instituições tais como os tribunais. com Direitos Humanos (artº 15º). já tos artigos. ção de controlar o uso inapropriado das rém. nacionali. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º.

lecimento da implementação. ção dos direitos humanos. Neste contex. vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. Desta forma. isto é. O Comité sas transnacionais. de garantir ou fornecer certos serviços. Porém. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. O ob- passo que os direitos económicos. Isto é particularmente rele. atra- têm de respeitar os direitos aceites. O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. é tida em consideração a capacidade de cional. o nomeadamente. poderá haver obstáculos. ao operações de manutenção da paz.). os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. a implementação signi. na maior parte conseguida progressivamente. tais como a todos à educação. pro. Por exemplo. também pode elaborar Comentários Gerais . Em primeiro lugar. Do mesmo modo. sociais e culturais. tuito. junto da população do sentar relatórios. relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. foi ins- maneira geral para todos. os direitos humanos rar certos padrões mínimos. cada Estado para o fazer. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. rizontal”. Todavia. lações dos direitos humanos. por parte do Estado. têm de ser implementados ao nível na- to. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. de uma cumprir com as suas obrigações. neste último caso. tais como a educação e a saúde e assegu. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. os Estados têm de apre- direitos humanos. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. F. regularmente. Normalmente. isto é. âmbito dos poderes executivo ou judicial. mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados. direitos económicos. acerca do seu território. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. ao suscitar a ques. o Estado terá também o B.

no respeitante a outras con. e 2000/3 de 2000. tal só é possível para as de 1970. é. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. em janeiro de 2004. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. por exemplo. sujeito a extensão. “relatores temáticos” como. de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. Partes. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. conhecido ago. e que são posteriormente ana- queixa e. Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. tais como as convenções. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. dos Povos) ter entrado em vigor com su. Há também Direitos Humanos. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto. as atividades dos relatores especiais e dos tados. peritos independentes de 2008. Também se estabeleceu um Tribu. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. antes de chegarem da. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. por exemplo. nos no Sudão. Humanos desde 2006. ao PIDESC. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. missário da ONU para os Direitos Humanos. Em alguns casos. como o do PIDCP. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. dato é normalmente de três anos. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. os procedimentos especiais. Em 1 de julho me as circunstâncias. os relatores especiais e. submetendo relatórios anuais. 10 Estados atividade. o tribunal foi fundido com o Tri. que ção. Porém. Há “relatores por país” como. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). O seu man- nos. Este procedimento.60 I. nessa data. também exis. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo. es. confor- cesso. violência contra as mulheres. ções e para as situações). As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. tem os mecanismos criados pela Carta. por vezes. Estes procedimentos refletem o ativismo . No todo.

por exemplo. por país. As pri- tabilidade e na monitorização. a Colômbia. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. à saúde e a políticas de ajusta. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. das prioridades. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. a Gua- sessões para três por ano. Até 2011. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. que. aumentou-se o número de zegovina. tais como. aumentou. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. de Cuba e da Bielorrússia. assim como se temala. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. especialmente do mun- educação. o Kosovo. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos. o Camboja. a Bósnia-Her- Para este efeito. etc. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. pode. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. Em 2010/2011. a uma habitação do Islâmico. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. Na verdade. mente. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . o Conselho de Direitos Huma. de 1998. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. tos humanos. rapida. nos da ONU assumiu todos os mandatos. foram renovados. reitos Humanos’. designada- Nações Unidas. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. trabalhos da comunidade internacional. Estes países pretenderam mento estrutural. o Haiti. os direitos humanos à desenvolvimento. porém. não Em 2006. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. como parte das reformas das Na. a revisão dos novos procedimentos. no genocídio no Sudão. O Conselho de Direitos do. o Montenegro. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. a aumentar os seus recursos. F. países como o Afeganistão. teve lugar ções Unidas. com base na DUDH e ou. conduzindo a uma revisão condigna. peciais continuam a ser testados. à alimentação. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. a direitos humanos. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. através todas as ações.

tudo. AG 48/134 (1993). garantias de indepen- modo a atingir este propósito. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. De responsabilidades. mentos particulares. os saibam utilizar da melhor forma. em 1998. G. Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. APT). o setor da educação em geral. incluindo uni. utilizam procedi- po. a criação de na Ásia e nos países Árabes. onde humanos. como a volvimento. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. em 1993.62 I. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. a ONU recomendou. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. acima de de.. Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. direitos humanos. tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. protegida pelo artº factos e na monitorização. as pessoas e de informação independentes. dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. Algumas ONG. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. etc. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. tal como na Res. As ONG. com muita eficácia. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional. Normal. fundamentados na investigação dos berdade de associação. A promoção de Direitos Humanos. em particular em países que não mentais (ONG). As ONG assentam na li. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. A estratégia “mobiliza. Uma outra forma 22º do PIDCP. tem-se revelado cru. Com esta finalida- dos direitos humanos implica. a Declaração dos Defensores sobretudo. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura. vários ato. de proteção de direitos humanos. De acordo com uma resolução da AGNU. dos operacionais. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. As instituições nacionais versidades. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. foram adotados pela AGNU. As ONG. portante. dência e de pluralismo. a internet. lidade. bem como méto- res podem ser envolvidos. Na ONU.

za recursos eletrónicos (www. o mundo. G. através do desenvolvimento de cur. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. O Estado não e comportamento discriminatório. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. refe- . a PDHRE. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. através da internet e também disponibili- trolo da lei. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. Ásia da ONU. da compre. A UNIFEM. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. em cooperação com a humanos e as violações ambientais. ONU. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. onde pre- Há inúmeros casos. campanhas sobre assuntos específicos ricula. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso. também alcançou o Sul. a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con. com o objetivo de qualificação profissional. pelas suas próprias mãos. do compromisso de Em África. nos. de Aprendizagem de Direitos Humanos. da organização de ações de forma. em alguns casos. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais.org).” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. os direitos humanos. Também o Comissário dos Di. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo.hrea. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. relacionados com o comércio justo. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. Em alguns Estados. à Educação e Aprendizagem para de nós. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. como é o caso da polícia. Em nos. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. es. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. A nível global. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. assistem Humanos. a UNESCO. organiza. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa. os direitos frequentemente. a ção e da produção de materiais didáticos. económica e politicamente. giados. violência contra as mulheres. o Conselho da Europa seguição. mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. CLADEM ou a WIDE dão realce. e África. nomeadamente. e a UE têm o objetivo de os apoiar. em todo o mundo.

volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns.) H. através de uma educação ba. assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas. No caso dos tribu. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial. do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados. em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I. revista razões válidas para elas. da adesão esperada da Croácia. EUROPA . habitualmente. Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros. Humana. (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos. cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas.Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo. Desumanos ou Degradantes (1987) . vinculativos para todos os Estados Partes. para desen. Mais. mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos. a sociedade civil interna.64 I. os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. 2003.Carta Social Europeia (1961). ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que. . desenvolveram-se bros). veu-se em reação às violações em massa de nais. 28 depois implementação. A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado. seus países. Po. em 2013). selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. mentos de direitos humanos. Desenvol- forma mais eficiente. Segurança Humana Já. caso haja . Os direitos humanos.

o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. mais genericamente. que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1. direitos civis e políticos. de 1987. Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi. dos desde o final da década de 80.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . em 1993. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 .Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. com base num Protoco- . paralelamen. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal. dos Estados Unidos da América. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia. que distinguem a perspetiva eu. hospi- O instrumento jurídico principal é a Con. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. a AGNU adotou um nº 6 e nº 13. processos de autodeterminação que ocor- . Assim.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . Proibição da Tortura sobretudo. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. em 1988 e em 1995.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. A CEDH contém. venção da Tortura (SPT). e melhoraram os seus procedimentos. Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. como importância da CEDH. Contudo. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo. Estes pro- débil e ineficiente. foi con. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. H. particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). da Jugoslávia e. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. a nível universal. de 1961. de 1950. blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. Atual- nova Europa (1990) mente. um reno. foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. confere também a possibilidade de queixas coletivas. reitos Humanos. mas também o direito à educação. e os Pro.

pre. do Racismo e da Xenofobia (OERX. mas também têm de .Representante para a Liberdade dos grantes. . . enquanto o Comité de Ministros é . a Intolerância (CERI. Segun. a xenofobia.Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção. em 2003. tal como a situação dos mi.Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT. o Europa antissemitismo e a intolerância. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais.Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância. Para esta finalidade.Comissão Europeia contra o Racismo e países. .Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa. na década de 90. . junto com os Esta. . Também apresenta recomenda. da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área. .Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007).Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. o me.66 I. cultura e a sua identidade. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos .Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. e também realiza visitas aos paí. A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos. estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu . 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo . 1990) leceu. um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la. Meios de Informação (1997) ses. Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. Contudo. nos (tribunal único em 1998) 1998) .Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo. a Comissão.Tribunal Europeu dos Direitos Huma.Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos . 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a . mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR. em 1999. os Estados têm de prote.Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos. na luta .

Caso contrário. tervir com a função de recurso. medidas adicionais. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. para O principal instrumento de proteção dos 56. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. composto por 17 juízes. em 2004. H. porém. Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. foi adotado. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. Contudo. A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. ainda mais o número de processos. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. rações e recomendações têm um carácter b. a ças são vinculativas e podem prever a atri. problema. em particular. colo nº14 à CEDH. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. adotadas em diversas conferências d. representantes dos Estados-membros.000. em 2011. verifi. O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. incluindo os EUA e o Canadá. poderá in. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. cuja jurisdição obriga. em 1998. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2. uma vez nomeados. pleno. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. Violação de um direito consagrado na 1994. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos. dade jurídica internacional e as suas decla- nais. o Proto- em Estrasburgo. as listas de c. é uma organização muito peculiar. No entanto. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. monitorização bem sucedido. como na . Convenção Europeia dos Direitos Hu. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros. Sob o título da “dimensão humana”. humanos na Europa. mas irá aumentar to nacional. para os Estados. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. As senten. das.000.

A OSCE desempenha também um referem. que tem a responsa. criada em 1957. Cimeira de Nice. nomeadamente. direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. na qualidade de membro. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. sob a ex. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. Liber. princípios gerais de direito comunitário. ropeia dos Direitos Humanos. como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. ropeia. O proces. assim como ONG. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia. permitiu que em países onde mantém missões. monitorização de eleições democráticas. localizado em Var. de acordo com o tratado reformador da UE pa. do Tratado da União Europeia. . Com 3. explicitamente. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. em 2000. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. com outras organizações regionais ou in. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. partes. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. convocou-se uma Convenção ternacionais. de 1995. de início não se tuação dos direitos humanos. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. adotada na compreensão”. em 2009. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó. a integração política casos de proteção. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. desde os anos 80. respetivamente. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). dos do Sudeste Europeu. Desde os anos 80. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá. europeia comum. A OSCE igualdade. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. Em 2000. Atualmente. como o direito de propriedade. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. venção de conflitos. A Política de Direitos Humanos da este propósito. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível.68 I. sóvia. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo.

Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. A sua agência suces- peu. em 1998. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. no artº 19º. dentro da . em 2007. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. a UE inclui cláusulas de di. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. manos como uma prioridade europeia e. e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX). Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). H. apoiado por rais. orientação sexual. também pu. Desde então. na UE. reflete finalidade. denomi- se encontra ativo nos bastidores. publicado pelo Serviço Euro. latórios regulares e abrangentes. a ADF. idade. formando Fundamentais. operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. numa nada FRANET. para abordar o pro- Desde 1995. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. tanto direitos civis e po. como a China e o Irão. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. o Acordo ONG. mais do que através da redação de re- Humanos. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. na UE. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. rea. educação. junto com a União Europeia. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. Viena. incluindo Europeia que define a estratégia política. como o Acordo de Cotonu. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. proteção social. à semelhança da DUDH. É a habitação. pelo Tribunal Penal Internacional. Em 2000. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. como económicos. deficiência ou desde o início dos anos 90. é disponibilizada ajuda fi. to igual entre as pessoas. num único texto. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. o OERX. na religião ou crença. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. Com a en. particu- direitos humanos e democracia. O Relatório Anual de Direitos das. sociais e cultu. cismo e a xenofobia. Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. zam aconselhamento. bem os Direitos Humanos. da União Europeia (ADF) foi criada em rais. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. sora. mas também todos os Estados-membros da UE. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. em Viena. O União Europeia. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. nação com base na origem racial ou étnica.

. em vigor 1978. Humanos (1979. juntamente com Humanos (1969. merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção. forma particular. com sede na Costa Rica. reitos Económicos. Deficiência (1999. en. . 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema. Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos.Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. por regulamentos e diretivas. dos Partes) trou em vigor e. .Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. e constituída por 7 membros é o (1988.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA. (Convenção de Belém do Pará). 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos. 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II. AMÉRICAS . sociais e cul. . Os Estados Unidos não são parte da . venção Interamericana para Prevenir. desde então. . este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). tem sido complementa. os Estados-mem. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. Sociais e Culturais em 1959. Estados Partes) ricanos (OEA).Convenção Interamericana para Preve- Convenção.Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. Há também um Relator Especial so- Além disso.Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978. designa- . . grupos ou conferem direitos às mulheres. ONG podem apresentar queixas. Pu- da por outras diretivas. que entrou ticular importância à igualdade. A Convenção também tra a Mulher (1994. 35 Estados-membros da OEA. apesar de a Comissão ter a sua nir. 24 a Carta da Organização dos Estados Ame. devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. adotada em 1969. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990. em vigor 1984) um sobre direitos económicos. Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente. mas a Con. foi comple.70 I. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e.Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais. a União Europeia dá par. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979. nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades. De acordo em vigor em 1995. . Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. 12 Esta- Direitos Humanos. Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. 1928. A Comissão Interamerica. desde então.

que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. relativamente ao Tribunal. a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi. res (2003. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. em vigor 1999. nomeadamente. H. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató. Tribunal não recebia muitos casos. na prática. todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. sobre os direitos das mulheres e . pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). Atualmente. lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos. e de indivíduos ou grupos.Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. o que aqueles deveres são pouco relevantes. ÁFRICA . e dos Povos (1981. Ao Tribunal Intera. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas. duos. na Gâmbia. 45 Estados Partes) III. Há muitas ONG que ajudam . SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. . e não tem carácter permanente. o Tribunal tem sete . tos individuais. sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes. por exemplo. No entanto. 28 Estados pressão. Tal como a Comissão. Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os . Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. em nome das vítimas das violações. Direitos Humanos e ao Tribunal. que sucedeu à OUA em 2001. Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente. da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. Estar da Criança (1990. o à família e à sociedade mas. que entrou em vigor em 1986. dos Povos.Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. em vigor 1986.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. na (UA). em vigor 2003.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego. ainda. Os critérios de mada por 11 membros. no passado. for. em vigor 2005. mudou desde então.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997. Deste modo. Enuncia. tos humanos e dos povos.Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes.

como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. a Conferência Islâmica (OCI)3. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. deve- expressão. . requerentes de asilo. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais.72 I. fora em termos do direito internacional. mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. No entanto. Além disso. a Assem. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos. através do exame até 2011. foi que constitui até agora a exceção. Uma parte importan. na Tanzânia. o que é questionável em vigor em 2005 e. gerianos casos de violações da Carta. em 1995. em julho de 2010. apenas entrou em vigor em 1999 e. tal como no sistema interamericano. lho da Liga dos Estados Árabes. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. na Nigéria. organiza ses. em 2004. como a Constitutional Rights Project. Em 2009. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. em 1990. OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais. ratificado por 28 países. No entanto. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. mi. cipar nas reuniões públicas da Comissão. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. nas. É também im- 2008. o sobre os Direitos da Criança. adotada. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. por exemplo. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. é feita pela Comissão. 3 Em junho de 2011. em 1994. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. sobre os direitos dos arguidos. em 1989. ceu. da ONU. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003. sobre prisões e condições de detenção. estes bros da UA. e teve sistemas jurídicos nacionais. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. como depois da execução de nove mem. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. IV. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. Moçambique.

para nal. Adotou-se. no artº 9º. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu. atualmente. 19 Estados asiáticos. regime.ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. o Acordo devido à diversidade na região. em 2004. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. I. No entanto. não pode receber quaisquer queixas. convencer governantes antidemocráticos. nº2. isto é. reitera que o Asiático. sente Acordo. tação de contas tornou-se uma preocupa. de 200 ONG asiáticas. entre a UE sigla em língua inglesa). incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. normalmente generais. Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. após 7 ratificações. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. mais porém. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. Asiática de Direitos Humanos. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. uma reitos Humanos da ASEAN. que consis. a Comissão Intergoverna. anual sobre Direitos Humanos. do a China. apesar de diversas tentativas. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. sobretudo. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. I. nova versão que entrou em vigor. ser suspensas. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. te. e. se as consultas ini- com um mandato. a transmitirem o ção geral e global. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. europeia (Asia-Europe Meeting . Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. Enquanto acordo inter-regional. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. Povos. sobretudo. ainda não foi possí. em 2007. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN. tal Kong. com o estabelecimento . pela Associação Sul. Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. por exemplo. em 2008. Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. de direitos humanos. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. 50º aniversário da DUDH em 1998.

algumas convenções internacionais. na definição finalmente mático. No Egito. engloba os crimes de genocídio. à sociedade de aprender com o passado. de mental ou física. siderou que as leis de amnistia. voltou para ser presente à justiça. são violenta dos protestos. em março de justo. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. mas. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”. saberem a verdade e finalmente concedida. Humanos das Mulheres). . No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. requereu como forma de justiça não retributiva. conseguida numa conferência em Nairobi. Finalmente.74 I. gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual. ternacional contra a impunidade. em outro local. decisivo. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. incluindo casos de violação sexual. No caso da Argentina. mas não implemen. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. crimes de guerra e o dro de um ataque. generalizado ou siste. que tem sessões ex. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. e que entrou em vigor em 2002. Tem existido uma campanha in- 2006. A tada devido à sua frágil condição de saúde. crime de agressão. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa. de amnistia foram revogadas. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. adotado em Roma. o antigo ditador chile. J. perpetradores. este respeito. o Para prevenir violações de direitos huma. (TPI) e ao nível nacional. em 1998. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. pelo menos. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. de contas. Es- a sua extradição do Reino Unido que. escra. cidas na África do Sul e em outros países no. formas de violência sexual (Direitos em 1998. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. em 1998. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. No caso da “primavera Árabe”. em 2011. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. conce- Charles Taylor. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. contra qualquer população civil”. um juiz espanhol. julgamento. as leis traordinárias em Haia. em 2010.

o Tribunal Penal In. na Tanzânia. tam. Porém. Internacional para o Ruanda. do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. a terror. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. K. a jurisdição em Haia. no caso de Kadhafi. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. assim como genocídio. extermínio. 2002. Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. Graz (Áustria). investiga homicídios. julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. terminou o em 2008. como um tribunal ad hoc para li. K. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). crimes contra a humanida. No caso do Camboja. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). Só se um Estado humanos e de direito humanitário. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci. atos de bém temporário. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. escravidão sexual. desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades. entretanto. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. o seu funcionamento. tal como aconteceu tos armados. tortura. independentemente o conflito armado. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. existindo ainda problemas com seu trabalho. para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. em 1994. em 2011. a funcionar desde Arusha. em 1993. Deste modo. será sujeito a uma supressão pro- gressiva.ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . como homicídio. mento social e económico. escravatura. ternacional para o Ruanda (TPIR). humanos como guia para o desenvolvi. Todos os tri- de. da função oficial do acusado. como Rosario (Argentina). Korogocho (Quénia). Dinapur (Bangladesh). Coo- Camboja de 2003 foi protelada. Bucuy (Filipinas). Ed- do PDHRE . foi estabelecido em para a Serra Leoa. Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. no ter. O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. violações. Kati (Mali). bém apresentar casos.

su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. A nos. manos nas comunidades. polícia. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos. em 2011. profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. da dos Direitos Humanos na Cidade. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. o experiências relativas a boas práticas. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. cais e ONG. líderes de associações lo- dos seus habitantes. tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. no que res. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. nas cidades. onde. uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade. As experiências das Cidades de Direitos . foi elaborada. e culturais. ado. económicos. em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. lha principalmente ao nível regional. por exemplo. civis e políticos. assistindo-as a tomar em con. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. nível local. os habitantes analisam diterrânica. No Fórum Mundial das Cida. Desenvolvem planos para internacionais. gem e formação. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. reuniões regulares. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. administradores. começando ao des dos Direitos Humanos. seus direitos humanos. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis. dos Direitos Humanos na Cidade que. iniciada pela UNESCO. género. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias.org). Muitas ci. pe. reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. Em direitos humanos. direitos humanos. cidades. Neste processo. que trabalham no sentido manos. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. como o provedor fazer com que todas as decisões.pdhre. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. são considerados como um todo. manos na vida diária. A Coligação traba. comprometem-se a dos direitos humanos. principalmente na Europa me. Um sistema de monitorização.76 I. por liderado por um Comité de Direção que exemplo. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). políti- de justiça. www. como as de Veneza Com este propósito.

em 2008. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança.at). na Câmara Municipal. 2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. Graz. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. . mas de educação e formação para os direi- tos humanos. no Brasil. manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. publicações. contra a Discriminação res no Rosário. pelo Conselho Consulti- NAR). sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais. por exemplo. que também oferece vários progra- to Alegre. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario. Programas de Aprendiza. 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe. de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. etc. 100 indivíduos e organizações na promisso.menschenrechtss. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. ambiente competi- tivo. H. reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com.. Municipal. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. mal de inauguração na Universi- tadt. etc.. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. professores.

como efeito preventivo e promocional. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. Do mesmo modo. também poderão ter êxito propos. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas. O mesmo vale governamentais. humanos. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. (de paz). Há. o existentes podem tornar-se mais visíveis. bem como as tecnologias de tos Humanos. aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. a situação em 2006. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. as Ao mesmo tempo. com funcionários de direi. para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. como os “padrões funda- humanos. uma atitu. informação. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. desempenham um e o direito dos refugiados. refugiados. refugiados. como aconteceu. assim. do trabalho da OIT. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. por exemplo. que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. a inclusão dos direitos gulares). ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. Em ambos os casos. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. que existe tan- importante papel. necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. enquanto representan. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . ainda. direitos humanos e da democracia. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. humanos. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional. tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. institucionalizando. Novos reitos humanos de instituições locais.78 I. Entre estes. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional. lo Opcional.

para considerar a re. assim Responsabilidade de Empresas Transna. Um dos principais desafios é manter os os. Em 2011. As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. fazer face a estes novos desafios. o papel dos ne- Em resultado da globalização. Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. em julho de 2000. O Tribunal de Justiça da UE. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. combatem novas ameaças terroristas. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. Banco Mundial. lançou-se o Global Compact. Conselho de Segurança da ONU também manos. a questão da compensação de. por exemplo. Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. Nin- ganizações intergovernamentais. As. humanos. Direito ao Asilo. manos inalienáveis sendo que. consi- e outras empresas. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. assim como a destes resultados. gócios em zonas de conflito. que deve ser feita com base Kofi Annan. não fo. riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. Respeitar e Solucionar” e mento justo. em 2003. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010). como o guém pode ser deixado à margem da lei. nova e inovadora no processo de globali- zação. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. padrões de trabalho. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. a res. Prima. pós-conflito. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. como uma abordagem reito. nos direitos humanos e no primado do Di. o FMI ou a OMC. como também de atores não estatais. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. e anticorrupção. porém. que contém um “Quadro humanos. o Secretário-Geral da ONU no. L. que é exigida não só de indivídu. Esta questão levanta uma outra 2011. tais como o direito a um julga- para Proteger. para negócios e direitos humanos”.

suscitou algumas controvérsias. A defesa dos direitos hu. The Alston. Não temam exigir a paz. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson. nessa medida. A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos . Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. Ceder na proteção dos direitos huma. há ainda um longo si mesmos.org/News/Press/docs/2003/ Contudo. desvantagem. Kofi Annan. também cons- sgsm8885. Esta última deci. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. de um provedor pelo Conselho de Segu.doc. 1999. como a liberdade de expressão o terrorismo. Press. Gundumur et al. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. alvo de recurso pelos Esta. M.” Ellen Johnson-Sirleaf.). aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos.un. 2011. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo.o profundo respei. Não temam procurar a paz dos-membros da UE. em conflito com o Conselho de Segurança. Human Rights. The EU and Universal Declaration of Human Rights. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. humana. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos. como o facebook.80 I. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. o terrorismo. embora possam estar em são foi. Philip (ed. . ciar a injustiça. Prémio Nobel da Paz. Não temam denun- numa decisão de 2010.” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU. olhando para trás. (Ver www. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003.está entre de acesso” à internet. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . para os Direitos Humanos para o Futuro”. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais.htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso. 1999. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. manos. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem. por exemplo. porém. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança. Esta pretensão. por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos.

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em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. 2001. Secretário-Geral da ONU.” Kofi Annan. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso. . Agora tem de entrar numa época de implementação. II.

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PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis.” Artigo 5º. Declaração Universal dos Direitos Humanos. A. desumanos ou degradantes. 1948 .

de. depois de Bobigny. Obrigaram. “Vocês. me de morte e acusaram-me de pertencer à . fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. que nós considerámos Depois disso. no dia 28 de julho de 1999. Quando vi isto. Selmouni conta esta cena. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério. Perguntou-me pés. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. como a “noite negra”. objeto que parecia um taco de basebol. no dia 25 novem. Quando eu recusei. roupas afegãs para usar. e falasse. França. A um determinado ponto. Outro começa a chorar. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. deixaram-nos nus. um deles disse. Depois destes família. manos. batiam-me. Ameaçaram- maus tratos. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. tratos tinha começado por volta das 7 ho. Fui levado para o primeiro an. não têm coragem”. que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. Um dos po. O interrogatório continuou sem inter. Tive de me ajoelhar. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio.88 II. eles puxaram-me o cabelo. onde cerca de oito pessoas me começa. 1999. gostam de dar. ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. ameaçando injetar-me. parentes e amigos. acenaram-me com uma serin. Selmouni ga. “Eu fui parado na estrada. (Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde. Caso Selmouni c. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. ram-nos as mãos atrás das costas. abri a manga da camisa dizendo “Força. caso Selmouni c. Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. bro de 1991. França. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. nos quais já não tinha sapatos. como eu tinha previsto. mas costas. eu fui levado para um escri. ser fornicados. árabes. Um outro polícia bastão preto no ânus. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. por volta das 9 horas da manhã. é a verdade.” Agarraram-me. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. obrigaram- ram a bater.

Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir. onde enfrentou traficante de droga. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. Testemunhos. ao Sr. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. tínhamos de do. al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional . PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda. em abril 2004. Selmouni e ao Sr. Na realidade. A. dar e apoiar vítimas como o Sr.E. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. Podíamos usar as casas de banho. aproximadamente. casos individuais de tortura e . O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. Passámos três meses na cela. regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3. Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. no exterior. Disponível em: www. cida.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. Questões para debate da.org. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. Éramos dez na cela. alternar. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com. ses padrões. as casas de banho esta. Walid al-Qadasi foi. por isso. de direitos humanos ocorrem diariamente. posteriormente. (…) Du. altamente industrializados e desenvolvidos. A janela da cela era muito peque. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela. Iémen. que o Sr. 4. amnesty.U.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. pelos Estados.asp?CategoryID na. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. tratamento desumano ou degra.uk/content. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. dante é ainda uma ambição por concreti. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). na cela es- tava muito calor porque estava superlota. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des. Apesar de. UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. 2.

mente no campo do direito internacional. por nenhuma razão e em ne. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. À me. desumanos ou degradantes. a nível global. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa. A tortura e os trata. formas de penas ou tratamentos cruéis. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. A tortura e outras formas graves local para local. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. ciais à abordagem da segurança humana. portanto. embora a extensão da sua “sofisticadas”. especial- pelo Estado. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. nal e internacional. mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. To. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. requerem que considerados inderrogáveis. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. das as pessoas podem ser vítimas. Pertence aos direitos humanos ser humano e. mas também as suas causas inerentes. reito internacional consuetudinário. No entanto. dida que a humanidade foi progredindo. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. tos. a proibição absoluta da tortura e . ameaça à segurança humana. isto é. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis.90 II. a pessoas perten. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. Até há pouco tempo. teção e prevenção. Ninguém está imune à tortura. assim como as diversas formas de divulgar informação. mitem restrições. nhuma circunstância. órgãos de investigação. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. com a questão. da questão uma monstruosidade sem descrição. identificar e a considerar não só as conse- éis. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. Assim. na sua raiz.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. a jovens e idosos.

em conjunto o que garante.. dá especial ên.” contram previstas em vários textos jurídi- . de 10 de dezembro de 1984 Internacional. a punir por um ato que ela 2. 39/46. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. Além ou com o seu consentimento expresso disso. deixando uma margem direitos humanos. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen. a sensibilização relativa aos dade na definição. obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis. ocasionados. a sua instigação reito internacional consuetudinário. tortura. permite um desvio destas tratos. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. nomeadamente. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. através da educação de interpretação às autoridades estatais. Indiscu. agindo a título oficial. adotada pela Assembleia-Geral. O Estatuto do Tribunal Penal na Res. te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos. em princípio. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. a nível internacional. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. a pala- Rede de Segurança Humana. cos internacionais. Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). humana. físi- segurança humana. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi.. Adicionalmen. acordadas. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. na prática. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. para os direitos humanos. “[. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. são as pedras obrigações. mas para a proteção contra a tortura e os maus que. e a sua prevenção. de. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais. cos ou mentais. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. A. reconhece. qualquer definição jurídica parece ou tácito. nesse sentido. De acordo com a Convenção. que se en.

. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura. o que. como dos tratamentos . A dor e o terror infligi. O direito de viver sem Tortura (26 de junho). circunstância”. pessoa com um fim ou por qualquer a distinção. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias. pos. os elementos dis. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção. san. cionados com a tortura. polí- lunas torcidas por espancamentos.um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento.92 II. deliberadamente.que é intencionalmente infligido a uma como psicológico. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. embora subtil. Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi. assim que aja a título oficial. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. como os uti- . em circunstância alguma. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. analisou este fenómeno para o entendimento geral. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. estar subordinada a outros interesses. crânios ticas ou práticas”. Secretário-Geral da ONU. como física de tortura e de maus tratos. de que “[.] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes. O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. Em termos jurídicos. no grau de gravidade. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. Theo van Boven. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co.por um funcionário público ou pessoa objetivo. o que levou a um penas cruéis. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. deixar que a vítima morra. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. Métodos de Tortura ca.” abertos por canos de espingardas.” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan. tanto físico . a definição contribui sobre a Tortura. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante. como nos meios cruéis usados. desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados. em nenhuma lo do mercado. degradantes é absoluta e imperativa e não dos. no seu . dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo. por um ser humano pode. isto é. te.. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. 2001. fazer a outra”. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. pesa. também de equipamento de tortura. pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es. desumanos ou como o perpetrador.

muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. A. progressistas. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. Por éis por uma pessoa contra outra. Tra- choques elétricos. sono e rem uma fiabilidade questionável. fissões. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. explícita ou tos metálicos. os métodos de tortura podem ser quentemente. Também a violência nizar a pessoa. pode dial. a parede. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. poderem variar muito. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. que. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. cabos e bastões. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior. mas têm. ou implicitamente. obje. cortar contatos com os prova. fre- Em geral. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. portanto. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. etc. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. sufocação. água. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. dicionalmente. tras pessoas. choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. no entanto. de esconder fraquezas e insegurança. afogamento simulado. como meio para humilhar. exemplo. há no fundo. de punição e de vingança. ticados para ameaçar. um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. ameaça de execução ou exe. mas são conheci. ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. assustar e desuma- mento contínuos. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. A tortura psicoló. identificáveis como potenciais instrumen. atar e quei. Desta forma. pedras. não podem jamais ser considerados como mento solitário. Nas suas formas mais cruéis. a tortura e outras formas mar com cigarros. técnicas de pri. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. resultado. O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. humilhação e amedronta. cos nacionais e no sistema internacional. sexual é frequentemente usada como mé. A tortura física cau. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. Como de instalações sanitárias. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. para instigar um sentimento de inutilidade .

terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. 3. as cicatri. da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. os detidos gência. não participam de forma vítimas de tortura. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que.94 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida. INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. muitas vezes. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. Crianças. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. Os maus tratos acontecem. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. cializados. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. que conduz à incapacidade de assegurar ficante. afetam indubitavelmente o entendimento . am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. tais como as mi. falta de recursos ou formação. Ou. uma qualidade de vida decente. novamente traumatizados. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. A com deficiência mental. com dignidade. religiosas ou étnicas. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. em es. A tortu- forma mais frequente. de “Eles pedem sempre que os matem. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. Aqueles que praticam tais e mulheres. desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade. Além disso. atu- doentes mentais. em prisões. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. homens dos maus tratos. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo. ra é pior do que a morte. Assim. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. de forma oficial. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. não são raras exceções. fechados. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen. Tal acontece especial. em regra. torturador das Honduras detenção. Estes locais de detenção são. jovens e idosos podem ser atos.

na Arábia Saudita. como sem o seu próprio cabelo. rapaz de 11 anos com o uso da força. tribunais em diversos estados ni. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. terrogatório inovadoras”. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos. A. de exceções ou derrogações. interpretação. de Wolfgang Daschner. no Iraque. a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum. foram. quer circunstância. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. denominadas diferentes de outros crimes e se. Intimamente ligado a . puxas- são práticas socialmente aceites. de forma frenética. Hoje. ciais para a sua prevenção e combate. em 2004. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex. Os De forma semelhante. No a temperaturas extremas que. mental. a casos. Outro exemplo recentes. o debate sobre a atos terroristas.. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica. há ainda são medidas penais autorizadas. incluindo o acor- cionais. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. em casos e a humilhar prisioneiros. à tona. foram sujeitos a “técnicas de in. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. em 2010. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. em qual- em Cuba. através do qual um largo nú- penas corporais. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. e. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. com autorização governa- modo.I. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. Do mesmo modo. Em 2004. Por exemplo. frequen. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas. Ghraib. Irão. Em 2010. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. Estas leis introduzem pro. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. baseados nos princípios da Sharia. desde há muito. a decisão cedimentos processuais penais com conse. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. mais parte de soldados e oficiais americanos. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. os tribunais religio. desse “locais negros”. muitas vezes. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente. impõem a adoção de normas espe.A. Na Alemanha. mais tarde. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001.

monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. ra. disso. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. O Protocolo. em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. Um Iorque. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. Fortes sistemas vigor em 2006. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. No respeitante à proibição da tor.96 II. as Estados podem ser preservados. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. plementação podem diferir entre Estados. formas de maus tratos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me. nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. todavia. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite. ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen. devem ser submetidos cada quatro anos. ções Unidas adotou. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. Um relatório completo das ativi- 4. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. a sua interpretação e im. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). suas considerações finais e recomendações para ação. as disposições do direito in. como cos. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. O tura. ção da tortura e práticas semelhantes. lares de inspeção a sítios de detenção por . E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. dos direitos humanos e da segu. De- internacionais. desu. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. em 2002. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. uma pergunta em aberto se tura. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. transpondo-os para a legis. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. os juristas internacionalistas defen.

em vista à melhoria do tratamento das pesso. O Protocolo Facultativo. e degradante. Formação contínua para os intervenien- é. Estabelecer mecanismos de controlo. prevendo. da sua liberdade. etc. assim como Unidas. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. para proteger as pessoas privadas 2. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. Além disso. assim. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. compensação. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de. juízes. o Protocolo Facultativo à em particular. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. 1. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo. Sob a supervisão do Sub-Comité. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional. estar envolvidas em atividades de preven- . providenciar às ví- das condições da sua detenção. como agentes de polícia. A. As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. na lidade. pela primeira vez. do Conselho médicos. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. advogados. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). assim. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. etc. apesar de existirem garantias nacionais. juízes e médicos. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. Europa. considerado um verdadeiro avanço tes. mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. Desumanos ou Degradantes. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. e de denúncia. É ne- de visitas. sionais. guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna.) e a proibição de da Europa. ao nível nacional e local. órgãos de peritos nacionais. reabilitação. Este Protocolo 3.

podemos nível nacional. por sugestão do Co- boas práticas. 1. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. a base. outras operam do topo para pressão. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. que visam a ação – campanhas. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. atuando também a uma es. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. legislação e a respetiva implementação. se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. a prevenção da tortura e dos maus tratos. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. escrevendo cartas ou ape. a capacitação institucional. algo de efetivo podia ser feito. a existentes. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. há muitas atividades por todo governo. Muitas das práticas são locais e • locais. visam a ação.98 II. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. campanhas. influenciar estruturas e instituições já Além disso. bem como a reabi. Por fim. o Conselho Consultivo Austrí- implementação. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. as consequentes alterações à lidar com os problemas. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção. atividades de sensibilização. furiosamente. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. O leitor sente-se. Fundador da Amnistia Internacional. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen. ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. a assistência jurídica. Todavia. . mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. instituições com capacidade local para nacionais.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson. as áreas de atividade da polícia austríaca.

como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo. anualmente. O man. Com a ratifi. Cruéis. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. cias (alegados casos de tortura). sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. aspx) . decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona.ohchr. pela resolução 1985/33.org a abolir e a prevenir tais práticas. o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. nos das Nações Unidas. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio. Desumanos ou Degradantes. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. um órgão de monito. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse. realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. C/c. na Áustria.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que. www. eficazmente.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma. funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização. Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. Juan Méndez. A.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. da Argentina. Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www. independentemente do Estado ter tos Cruéis. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr.

tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade. o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. Efetua inspeções relativamente à Grécia. Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). incluindo a Turquia. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. Chechénia da Federação Russa e em 2011. também. no local e examina o tratamento de pes. com tem sido dado com consistência. é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. relatórios. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. em conjunto com os comentá- Desde março de 2002. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu.int] . hoc. pode. Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos. Ini. como as instalações para imigrantes relatórios. formações profissionais diferenciadas. em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros. irregulares ou requerentes de asilo. O CPT é cons- Russa. prisões.coe. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. adotada em 1987. médicos. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor.100 II. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das.cpt. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. Até à data. http://www. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. em 2001. incluindo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. rou a sua posição internacional. a Federação nente e construtivo com os governos. mas também e 1996. em relação à Turquia. prisões e os direitos humanos. Os membros do Comité têm o di. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. manos ou degradantes. conforme neces- Estabelecimento sário. feitas.

síveis de serem reeleitos em cada dois anos. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. No dia 28 de maio de 1961. A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional. muitas vezes. que inspi. as Nações da AI incluem campanhas. rou a criação da Amnistia Internacional. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. com um Secreta. Muitos indivíduos e celebrida. nhuma circunstância. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. através de um Co. torne numa oportunidade para a tortura. medidas de salvaguarda para assegurar bros. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. o advoga. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. dagem holística a 1. a AI adotou o Pro- Tortura. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. Desde en. cionalização. grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. 2. ra e para reforçar os cionais. com metade dos membros pas. A Amnistia Internacional. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. A. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. ção à tortura. país devem demonstrar a sua total oposi- ção. tem atualmente A tortura acontece. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. Londres. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. a acontecer. quan- mais de três milhões de membros. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. subscrito. As atividades Em 1997. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. É vital que todos os detidos sejam presen- . em mais de 150 pa. Reino Unido.

Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. seus direitos. Não pode existir qualquer “porto vem. Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. 11. Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. advogados e médicos lhes te. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. Não à utilização de declarações obti. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. públicas. ser protegidos contra a intimidação. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. durante a for- regulares e independentes. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. Investigação independente de relatos tortura. de forma célere. Os métodos e as conclusões pensação financeira.102 II. circunstância. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. Resposta internacional 6. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. de imediato. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. tes se encontrem. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. 7. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. incluindo o direito a apresen. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. Mecanismos intergovernamen- . onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. 9. familiares. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. vítimas. Os responsáveis por atos de tortura de- 4. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. Deve ser tornado claro. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. sobre tortura 10. a tortura acontece em pelo direito penal. Os governos devem assegurar que os 3. Devem ser realizadas visitas de inspeção. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. De acordo com o di- centros secretos e depois. as reito internacional. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. muitas vezes. Uma garantia importante contra vidos com a detenção.

âmbito da Detenção e da Prisão.amnesty. Ratificação dos instrumentos inter. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. os re. to de mecanismos nacionais de prevenção. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos. em todas as situações. Em Tóquio. com um de militares. denominada “Contra o Terroris. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte. instituições nacionais e sociedade civil. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis. (Fonte: Amnistia Internacional. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes. médicos em atos de tortura e de maus tratos. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional. Tortura. A. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção. incluindo facilitem a prática da tortura. de forma urgente. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos. da. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. Os governos devem assegu. a Associação Médica peitos de terrorismo”. combate ao terrorismo. acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”. a Amnistia lançou outra cam. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta. apelando ao fim luta armada”. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”.net) . e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. Tem estado na frente da 12. em nome do comba. depois de testemunhos de “sus. autoridades estatais. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. desumanos ou degradantes.apt. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote. panha mundial.ch) vamente em abril de 2005. em 1975. enquan- ção contra a tortura. Tal conduziu a ou. PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar. cedimentos seja suspeita. como necessários por motivos de seguran. em 2010. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo.wma. www. sobre a criminalização da tortura. motivos da vítima. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional.org/) http://www. regional e nacional.

1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. tornando premente a necessidade nacional. Theo van Boven. Num movimento paralelo. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos. os direitos humanos e de mais recursos. de acordo com um relató. Artº 3º Atualmente. por exemplo. uma mas de maus tratos. tura ou tratamentos cruéis ou desumanos. o número de países que se sabe de mais formação. Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. De Civis e Políticos (PIDCP). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. reito internacional. Porém. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. to de choques elétricos subiu de 30. Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. Descobriu-se. Humanos (DUDH). mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. da Amnistia Inter. que apresenta pormenores sobre o . que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos.8 milhões de pes- como algemas. mais de 9. mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen. grilhões. CRONOLOGIA grilhões. o nú. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. des Fundamentais (CEDH). vários países europeus con. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. prisões. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. para mais de 130. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. em 2000. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. anjinhos. chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. Artº 5º dores químicos. em 2005. proibidas pelo di- março de 2010. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões. em danos físicos e mentais. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. penais à volta do mundo.104 II.

para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. A. 1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis. estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul).º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res. ainda que de for. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. a vida de outras pessoas? . 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos. É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto. Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas. Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. Pergunta para debate: mas diversas. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. Art. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu.

Finalmente. por exemplo.106 II. públicos. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas. Material: cartões coloridos. cionados com a tortura. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. nados com o tema que trouxeram. plicados. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. Como alternativa. Só uma pessoa deve falar de cada vez. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. os par- . Depois do debate ter terminado. artigos e reitos humanos. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. etc. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. em alternativa. pedir aos par. vemente os recortes de jornais preparados. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. cionais recentes. etc. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. quadro ou papel e mar. competên. rever o priados ou disparatados. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. pedir aos partici. e a razão das suas posições. éticas. parti. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. qual expressar desacordo ou insatisfa. preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. cópias do ma. para reflexão. rismo e a proibição de tortura. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. Como introdução ao tema. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões. que divida a sala. Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. Nenhum proibição de tortura.

desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. esta susci. etc. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando. bre o tema. Temos de torturar para salvar manos ou degradantes. ta. The mas de tortura. concretização de ideias criati- Change. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. desu- tê-lo feito. Grupo-alvo: Jovens adultos. • Alguém é próximo de outra pessoa sus. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. em ação. marcadores. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. brir mais. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. normas relevantes de direitos humanos. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. A. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. vidade. Action and criativo. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. que em alguma circunstância. ilustração da comple- bombista. Material: quadro ou papel. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. se pode jus. adultos tras pessoas que o apoiam. 5 gurança humana. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. Dimensão do grupo: 10-20. político para descobrir mais sobre ou. Temos de torturar o aliado xidade do tema. se é ção de tortura. Human Rights Education Handbook. em primeiro lugar. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. Temos de torturar para desco. penas ou tratamentos cruéis. 2000. . Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante.) vas. Através desta ati- vidas. a questão de saber internacionais e regionais. Effec. pena de morte e se- Manter sempre e usar. se necessário. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. Nancy. et al. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco.

Security (APT). pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos. 2010. Annual Report 2010 Geneva: APT. mas humana. Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. London: World’s Human Rights. From Words to Professionals? Geneva: APT. 2008. Pedir aos participantes não Direito à vida. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. 2004. Registar exercício numa palavra ou numa frase. Geneva: APT. Pedir a cada um dos participantes para mentos. (APT). tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. 2011. 2011. 2011. Amnesty Amnesty International. Deeds. (APT). tion: a practical guide. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho. desumanos e degradantes. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. What Role for Physicians and other Health search Foundation. que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora.108 II. with Human Rights. as respostas mais interessantes num qua. Amnesty International and Omega Re. panha. The State of the ing Torture: A Manual for Action. membros no máximo) e espalhar o mate. . Combat- International Report 2011. International. London: Amnesty Amnesty International. Visiting Places of Detention. ideias e opiniões sobre a tortura. Monitoring places of deten- nesty International. trabalhar. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. Association for the Prevention of Torture ternational. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. 2003. pode perguntar de dro ou em papel. London: Amnesty In. London: Am. Numa segunda volta. Dar tempo suficiente para se exami. Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. Association for the Prevention of Torture Amnesty International. Como forma de aquecimento.

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26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. . […]” Artigos 22º. 23º. ao vestuário. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. 25º. ao alojamen- to. B. principalmente. 1948. quanto à alimentação.

presentam cerca de 30% da população do tos. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. . sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. ele perdeu a sua filha. Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. mas agora dianas sofriam de má nutrição. ram erva. Ganpat. As comunidades tribais. Por fim. Entretanto. Em vez disso. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome. cia em 1947. Em vez disso. Quando os de prisão de ventre e de letargia. Em 2006. que lhes per. Mas em Bhoyal. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. Depois da indepen- fome. os aldeões. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. aqueles livram-se foram enfraquecendo. os donos começaram a morrer. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. racionamento numa tentativa de escon- mília. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. frem de anemia. governamentais. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. No âmbito de um sistema público dência. Bordi. lhos como trabalhadores agrícolas. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. riyas. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. os aldeões de Mundiar come. parsas e membros da sua própria casta. Um aldeão. 60 milhões de toneladas de cereais exce. lojas do governo.112 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. lapso. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis. encontra. Durante os dois últimos meses. rapidamente. Infelizmente. Esta é por isso. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. nenhuma das toneladas distrito de Baran. E. der o seu esquema. ainda assim. Murari. Primeiro morreu o seu pai. que re- dúvida. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. recusaram-se a vender vem comer erva e. do se perderam as colheitas neste verão. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. seguido pela sua mulher. como em outros lugares. assim. sem sofrem. E. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. Mas os humanos não de. Sahariyas começaram a morrer. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. Antes da independên- mais remota do interior. os donos das te dada ao gado. no sudeste de Ra. uma imensa montanha de alimen. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada.

uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. humanos de/a …”. a re. políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes. significativamente complexas. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. paz. Em países em desen- volvimento. Quais são as privações e vulnerabili. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. forma de exclusão social. escassez de terra um fenómeno histórico. A pobreza. B. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. as formas pelas e de recursos para subsistência. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. O que desperta em si esta experiência e nós”. Dying of hun. como o equidade. a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. a história. seu país/contexto experienciam. a nos processos de tomada de decisão. analfabetismo. na segurança humana? Se sim. a cultura e as espe. num mundo pleno de oportunidades. desemprego. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. é agora vista como um conceito capacidade. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. 2002.) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. “Os políticos não estão interessados em 2. geografia. Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. desenvolvidos. política. falta de segurança pessoal. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. incapacida- . A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza. são negados os meios para exercer essa mentos. segurança humana e Banco Mundial. epidemias. enquanto preparava a sua refeição 3. Caste and cor. o Fundo Monetário Inter. Quais (Fonte: Luke Harding. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. Vê alguma relação entre o aumento da poor. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. disse uma mulher. INTRODUÇÃO cificidades sociais. igualdade. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. Esta com. que era vista terar a sua situação. Nabbo. portanto. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo. ços de saúde e água potável.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. a pobreza como uma “condição humana . A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. educação. temente. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico.” tência desadequados. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. de respeito próprio e pelos outros”. Consequen. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran. condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza. uma quantidade específica de alimentos. meios de subsis- insegurança. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. social e político e de recursos. violam os direitos humanos. político e económico. tais como a precariedade saúde. DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. conducente a graves inse. Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD. de 1997. tituindo o Índice de Pobreza Humana. subs- como de vulnerabilidade. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. bem com uma abordagem mais ampla. dar a segurança humana básica. o desenvolvimento humano são negadas bate público. educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. e apenas se. do global e da segurança humana: “As PNUD. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. Mui- guranças sociais e alimentícias. de participação. xo do limiar da pobreza definido. discriminação geradas. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana. liberdade. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se.114 II.

culturais. ter nidade. em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. dignidade. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. do-os. Dando um passo em de uma justiça atempada. tar de um padrão de vida adequado e ou. No capacidades consideradas como essen. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. Apesar de esta qualificação po. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. dependendo do específico contexto económico. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra.é o caso. por exemplo. vulnerabilidade. saúde e educação. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. condições sub-humanas. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru. do Alto Comissariado das Na. mente abrigado. por exemplo. contexto urbano. de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. e medir a pobreza persistem.) com as tros direitos civis. ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada. estar adequada. não permi- como uma “forma extrema de privação”. Nas Linhas Orientadoras Provi. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. mas não se de prioridade. sendo essencialmente subjetivas. habitação. do ções Unidas para os Direitos Humanos. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. escolhas. forçando-os uma definição. educação. ter educação básica. o que ajudaria a ex- sociais”. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. por exemplo. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. vitais para a sua subsistência. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos. económicos e questões da vida real. social. ainda mais. oportunidades. A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. portanto. B. O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. Pobreza. etc. . o que. acesso equitativo à justiça. a cidade quer migrantes ciais. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. e. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. justiça. florestas e água . nidade. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. za (ex. ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. segurança. e insegurança. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. capacidades. a comercialização de água.

Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. o aumen. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. como a re- dos pobres. ciclagem de lixo. todo o mundo. como traba- sionamento de serviços básicos. a pobreza interfere com a li. A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. o curtume de pele ou a agricultura. assumir poder e resistir à injustiça. não pode votar. ganhar magros salários. grupos de ser um assunto privado. como o aprovi. e empresariais usurpa o espaço dos ci. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina. Devido à sua dades. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. por exemplo. vez de estarem na escola. A falta lhadores. em dores ou a reabilitação de pessoas des. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. em muitos setores da economia de instrução e de informação.116 II. Muitas vezes. água. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. as mulheres não possuem e não natureza migratória. As mulheres em assuntos públicos. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. a maioria dos mem. consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. têm controlo sobre a terra. para as mulheres. nega aos refugiados o direi. As crianças. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. portanto. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. trabalho obediente”. são preferidas aos homens. deficiência. viver uma vida com respeito e dignidade. são exploradas locadas. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. em áreas rurais.

que po- afetadas pela deficiência. como está a aumentar. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. em idade de frequentar e pobres. o norte e sul. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. vida com dignidade. com deficiência tem trabalho remunerado. podem intensificar a pobreza. A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. neo-liberal”. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio. deficiência e pode também conduzir a de. De saúde. o ensino secundário. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. ficiências secundárias. elevadas pro. em 2010. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. rendi- além disso. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . falta de co. alimentação e habitação acordo com estes números. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. para as pessoas já Algumas tendências económicas. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. num sistema económico global. o aumento da comercialização mento. É interessante ver que. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. B. Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. De acordo com a UNICEF. nos países em vias de desenvolvimento. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. o que te causada pela má nutrição. descurando. a educação e a habitação. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. uma parte da prosperidade global. educação. exploração e abuso. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. dar dívidas. Para mais oportunidades de emprego. as despe- senvolvimento. tráfico. Os PAE nais básicos em muitos países. riqueza no mundo industrializado. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. assim.

800 milhões de pessoas continu- ção. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1. mais de segunda metade do século XX. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado. este fosso entre por exemplo.000 crianças por dia. A infla. juntamente com o contínuo cres. Mesmo em 22. O da Europa Ocidental.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3. INTERCULTURAIS Hoje. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015. De acordo com o Rela. em 2002. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. no caso de se manterem as políticas atuais. mais pobre do mundo. o Liechtenstein. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. recente (2010) estima que cerca de 8. confinado às mar- gens da sociedade. na anos morreram em 2009 – ou seja. vimento Humano de 2005 de acordo com no. alguns objetivos. como o alcance cai para 4.25 dólares por dia.118 II. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. de 2005. os Estados Unidos da América. o Zimbabué. Mais há a fazer. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar. a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970. do PNUD. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. estima-se que 1.71% da alfabetização. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué). que é considerado ser um padrão justo de temente. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia. de 2010. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD. tempos de crise financeira. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. ainda necessitam de uma implementação apropriada. Consequen. O país relevantes. um desa- os pobres. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. indica que o rápido o qual. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol.

rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos. além-fronteiras. formas de vida insustentáveis. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. para trolo de acesso a recursos. argumento é usado pelos respetivos go. na verdade. causando insta. desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. resultan- e a exploração contínua de recursos natu. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. o que é aproximadamente 5. do orçamento de defesa americano. pode ser considerado mesmo modo. água. acredita-se que o elevado gradação ambiental. breza? cursos. dos governos nacionais. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. Um indivíduo que é catego. por exemplo. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa. Apenas se os países crescimento populacional em países me. bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. social e económica. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. . A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. da com sinónimo de “pobreza relativa”. a falta de alocação de fundos para Sim. efetivamente. as políticas re. é que o desenvolvimento sas regiões. Do padrões americanos. bustível. é possível. Questões para debate por exemplo. 2012. e o por ano. mas os conceitos não são idênticos. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. elevados que os pobres. cias de ajuda humanitária.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. A ex. pois. assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. do numa redução substancial da pobreza. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. B. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. a noção de que os pobres como relativamente pobre. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa.

o Fundo Monetá. tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. devido. co- . a serem atingi. a questão crí- saúde materna. das com as da Índia.120 II. de modo a canali. Por exemplo. principalmente. que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. quando compara- erradicação da pobreza. englobando Nações Unidas. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana. Isto inclui: erradicar a pobre. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. melhorar a ginalização social. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. IMPLEMENTAÇÃO pobreza. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. de a nível global. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. Além disso. igualdade e equida. em 2000. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. Estas diferenças en- dos até 2015. lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África. impacto na Índia. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. Portanto. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres. a zar fundos para a erradicação da pobreza. culturas. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá.

DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. como a OMC (ex. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. os compromissos conflituantes nhaga. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu. dos vários Estados Partes. hiato significativo entre os compromissos. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. desde 1990. governos. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. tais como a Declaração do ção real. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. em 2006) . Direitos Económicos. Sociais e Culturais. nhecendo que o direito a não viver na po. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. tos humanos. a falta de cumprimento da os direitos humanos. Esta abor. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. as intenções políticas e a implementa- ções políticas. negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. Conselho de Direitos Humanos. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. Afirma que os po. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. reco. do tratado são fatores impeditivos. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. a corrup- cidadãos. assim. pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. A falta de vontade política dos Rio. pobreza. a Pobreza Os organismos de monitorização exami. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. instituições financeiras. existe um mundo globalizado. conseguindo. Uma vez que os Estados indivi. outros atores estatais e não esta. concebidas pelos Es. a Declaração de Cope. da dignidade humana. paz e segurança deste modo. a Agenda 21. B. Estes valores têm expressão em declara. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza.

por si só. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003. pletamente a pobreza.Apoiar a capacitação para a avaliação. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza. tos e de produtos agrícolas. com a fome. No seu Relatório de 2004. Possibilita a estruturação de or. 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72). de 2001. mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos. latório de 2010.Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun. enquanto o outro tem a respon. bem como . até ao senta também recomendações e propos. . tou as suas recomendações sobre como 1998/25). a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos. em 2006.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada. Para cumprir estes re. Objetivo: Reduzir para metade. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. vamente à pobreza. e ajudá-los a modificar o seu destino. . Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor. cobriria o custo tem o mandato de relatar. pessoas que vivem em pobreza extrema. a nível nacional e internacional. dades com que os pobres são confronta.Fazer um balanço das ações realizadas pobres. pessoas que passam fome. No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen. No seu Relatório. Este processo fornece conhecimento. sobre a implementa. examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. a Perita Inde. a Perita Independente assinalou .122 II. monitorização e o planeamento relati- dos. para a Comis- são de Direitos Humanos. professores durante 15 anos”. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm . a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. ano de 2015. O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res.

o problema. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. B. habitação e nutrição. tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres. como um todo.Continuar a dar prioridade aos peque. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento. educação ao acesso à tomada de decisões so. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que. ses energética e na alimentação. Antigos volvimento do Milénio. . Sem um maior impul. nos movimentos civis e no trabalho de. Em 2009. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. instrução e educação. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . para o desenvolvimento sem terra. Apesar de fome e doença. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. propriedade e contro. quatro quintos de 2008-2009. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. (Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. saúde. muitos dos Objetivos de Desenvolvi. Nações Unidas. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. em países em desenvolvimento. estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. con. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. têm de ser dados al. dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. redução da pobreza até 2015. pobres. uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. lhorar as suas vidas. o progresso tem alguns progressos. e às cri. Largas popu- das Nações Unidas. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. contrariar os sucessos já alcançados. ainda a decorrer. políticas. Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. 2001. mento do Milénio não serão provavelmen. Porém.

plementados pela assistência e coope- ção da pobreza. Através do seu empodera. especialmente. Os esforços para erradicar a humanos. . e descentralizado.9 milhões de mutuários. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza. saúde e humanos.O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam.A redução da pobreza deve ser acom. aos que são marginalizados. tal contribuiria para a . redução da pobreza.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza. encontram em posição para erradicar. noutros setores. ral e política tanto quanto é económica. o que pode levá-los a agir. . . ração internacionais. habitação. redução da pobreza: . em Jobra. das no âmbito de experiências locais.A pobreza é uma questão social.124 II. Em 2009. contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu. tuaram a pobreza. respeito próprio e dignidade. zação. . se za.O direito à informação e a educação . forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica. . imediatamente. tuto étnico. Estas apenas perpe. pela . as incentiva a sua força coletiva. etc. Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen.Estabelecer organizações de pesso.Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi. Apenas quando os po.Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1. nanceiras. internacionais e nacionais. começou . pobreza estão condenados a falhar se mento. Os seus es- . água. quena aldeia. social.O empoderamento político e económi. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança. ção direta com a redução da pobreza. a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. no Bangladesh.Muitos dos países do mundo não se . mano equitativo.Maiores despesas com educação. a pobreza. .O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento. cultu. em 1976. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades.

10% ao governo. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. formas de removê-los. assim. equitativo e sustentável. questões incluindo segurança alimentar. vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. alternativas bem-sucedidas e promissoras. ções da UE com 79 países da África. lan. ção e análise de políticas. A organização trabalha agências. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. criação de ativos. através de apoio mútuo. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. mobilização de massas. Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. A Freedom from Debt Coalition (FDC). balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. análise. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional. de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. direitos económicos e justiça. O banco abor. são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. de iniciar mudanças significativas nos pa. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. económicas sobre as mulheres. Estas mudanças são significativas. senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. raíbas e do Pacífico (ACP). construção de tividade nas aldeias. trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. O Artº 54º do sam a fome. está empe. Desde A Food First. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. fornece serviços em mais de 83. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. O Acordo também demonstra a . O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. Por se centrar naqueles que são conside. Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. organizar as pessoas desfa. O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. B. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres. sediada na Califórnia. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. educação e promoção. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. equidade (incluindo igualdade de género). Com 2.562 às suas famílias. pública. em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. eliminar a explo.

em 23 de junho de 2010. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. O objetivo segurança humana. nos. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. abrigo. para construírem melhores futuros após o . anos. visando promover o bem-estar. Além disso. em 2010). Os membros o Desenvolvimento Social. nacional e inter- A EAPN é. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social.126 II. liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. gunda revisão foram concluídas em 2010. por ganização não governamental mundial que exemplo. zações. em e exclusão social. Por exemplo. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social. prestação de servi. atualmente. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. incluindo atividades de 2008. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. especial- 2007-2013. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente. As negociações para uma se. na sigla inglesa) é uma or. gência e através de outros programas. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. e em Hong Kong. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. Todos os educação e formação. nacional. educação. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. de organizações não não governamentais e outros. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. nais. agências tabelecida em 1990. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França. gar em Ouagadougou. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. es. copo de combater a fome no mundo. cuidados de saúde e segurança. uma rede de 26 re. em Nova Iorque. organizações internacionais. direitos fundamentais à alimentação. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. a um nível local. no Burkina Faso. mente entre as pessoas menos favorecidas.

Isto afeta. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. cinco objetivos ambiciosos. 2010. Relatório do Desen- volvimento Humano. escolari- cativos. 900 milhões. apenas três de género na educação. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . alfabetização e rendimento. paridade 92% da população mundial. mas não exclusivamente. os países pobres estão a aproximar-se países.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990. com uma população de. do Milénio antes de 2040. Quase mais pobres. inscrições escolares. em 2010. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. cer. antes do início Ainda pior. mas outros. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos. em especial. edu- cação. os seus 1. 2005. Esta convergência pinta ariana.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. Com base nos dados de 1970-2010. A análise de quatro gresso. 2010. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. atingidos pela epi- demia de VIH. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. em termos concretos. meiramente. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD. O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. Através destes pretende-se. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral. a serem alcançados até 2020. geralmente os países zação. onde a mortalidade adulta au- mentou. Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. (Fonte: PNUD. inovação. respeitantes ao emprego. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. Relatório do Desen- volvimento Humano. 2005. B. pri- ca de 925 milhões. 2. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. assim como o (República Democrática do Congo. inclusão social e clima/energia. e os países da antiga União Soviética.2 biliões de habitantes. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. onde a divergência persiste. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos.

em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. 11º. 7º. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza. Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas. 23º. 12º.13º. da pobreza (UN Doc. 26º). retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza. Artos 6º. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. Artos 10º. 25º. 9º. gradualmente. Sociais e Cul. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial. 19.14º (186 ratificações até §17.128 II. bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres. [a substituir. 12º. A/RES/60/1. em cada uma dessas áreas. vimento do Milénio pela Assem- turais. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 . A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. tubro. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. Criança. pelo menos. A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. tos Humanos (Artos 22º. comemoração teve lugar em Paris. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos. 11º. Artos 14º-17º. em 1987. Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di. Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3.

isto é. Apenas um por cento da população (infra). Atividade 7. faminta. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. Dá-lhes a oportunida. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. aldeões. à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. O exercício ajuda os jovens a 3. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. deões) seria mal nutrida. Na primeira fila. rior. nos últimos sete livros na quarta fila. desenhar um círculo direitos humanos. Desenhar um círculo à volta de pantes. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. Na sexta linha. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). Isto inclui os margi- direitos humanos. prioridades de forma a garantir o desen. Retirar as últimas oito casas. Colocar uma impressão digital do polegar. os sem-abrigo. soa na linha com um grande 6. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. nalizados. Tipo de atividade: Exercício 2. Sete seriam incapazes de ler. no con. Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). Depois. lápis de cor/ marcadores. Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri. nessa escala). de reflexão e de debate. uma fita de graduação na sétima linha . 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. alterar as desigualdades e as injustiças 4. recursos. texto dos instrumentos internacionais de 1. B. pedir-lhes para implemen. volvimento de todos. Grupo-alvo: Crianças e jovens 5.

in) . • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. um teto sobre a sua ca. Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi. dependendo baseado na atividade supra. a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV.130 II. Pedir aos participantes para ouvir es.abhivyakti. O grupo é encorajado a debater o que sente 8. com o intuito do perfil dos participantes. Comentários: desse desenho.. Disponível em: www. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala.org. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. roupa. O exercício pode explorar: ção. educação. II. água. de sensibilizar os seus pares. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica. etc. saúde. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. O papel do forma- III. um país ou grupo de países. saneamento e des- pesas militares. de vista com os outros. mento e porquê. para a educação para os direitos humanos. está entre nos em relação à pobreza. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. as primeiras três pessoas mais ricas. • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa. do mais recente Re. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente. dencia. apresentadas.

articulação de competências. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. marcadores. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. governos que trans. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. tintas. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas. Da “Voices of the Poor” (www. exemplo. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. ele/ela. económicas. conexões entre as manifestações imedia. O exer- . Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. B. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. lidade na situação.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. desenvolver as mentos. papel de um dos pobres. que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. selecionar algumas citações à campanha. para realizar agricultura ou pesca Depois. lá. papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. canetas. canetas de feltro. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. Procurar e descarregar casos de es. Por exemplo. O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. em. por ações viáveis imediatas e de longo prazo. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza. lagos. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. de de clarificar. o grupo prepara um panfleto/car- comercial. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. comunidade. Duração: 150 minutos Depois. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. dos pobres sobre a sua própria situação. florestas. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. políticas. Através do consenso. as pis de cor. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. é importante aderir à campanha. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício.o que podem os par. questões ou dimensões da pobreza. em voz alta.

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de cor. de opinião política ou outra. de origem nacional ou social. nomeadamente de raça. de religião. sem distinção alguma. de fortuna. de língua. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. . de sexo. C. 1948. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração.

uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. humilhar ou intimidar na. um grupo transversal da comunidade abo. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. o Sr. O Sr. S. Ele pretendia a Em 1960. a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial. ofensiva “pre. não serão tomada em 1960. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. alegando que a não remoção discriminação racial. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”. H. um australiano de ori. a administração infor. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi.”. de razoável de. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada. em homenagem a uma requerente. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. requerente não tinha demonstrado que a E. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. nacional ou étnico do queixoso. ele e rígene local. como tal. Por este motivo. deu que. Por fim. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. Ele defen- um grande desportista e que.136 II. como alcunha. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu. Brown. Queensland. recebeu o nome de “E. insultar. te ofensivo. nos termos do Arti- . que ele considerava censu. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. na língua inglesa”. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi. e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. (CEDR). ção. Em 2002. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. ‘Ni. no interes. Depois de consultar as po racial.S. ofender. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. ofensivo na tribuna. Brown. o Sr. mas sim tivas e em comentários de jogos. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene. que faleceu em 1972. Numa reunião pública. em todas as circunstâncias. A palavra racista. opiniões de vários membros da comunida. em geral”. considerando ser esse o caso.S.. cios públicos relativos às instalações despor. o Tri- sido dado o termo ofensivo.

lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi. criminação Racial (CEDR). 7. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002. O Comité recomenda que o 10. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. C.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. 1. quais? mento presente. bem como al. ser considerado injurioso e 8. O que fez o Sr. Ele argumentou que este respeito. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002. pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. Qual é a mensagem da história? blica. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá.” Também considerou 9. de discriminação em toda a sua vida. conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. 5. Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6. CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. representava a aceitação formal ou 2. O requerente preten. cular de pessoas? Se sim. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos. mesmo que durante muito tem. no mo.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. NÃO DISCRIMINAÇÃO . tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. por a atitudes racistas? mente ofensiva. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial. Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. o Co.A LUTA IN. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma. 4. em relação a eles? derado desta forma. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial.

cana. pessoas e todas as nações. Porém. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. A raiz da mo. o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. os Roma. o pressuposto errado da existência de tra situação”. as teorias da evolução e da no presente. Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. Assim. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. nem no passado nem Por exemplo. superioridade cultural. intencionalmente ou não.138 II. Enquanto nor. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual. uma e outra vez. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. os afro-americanos foram aterro- . a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. XVIII e início do séc. manos têm sido. “sem distinção alguma. em tes níveis. do. este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. de Charles dos os seres humanos. A discriminação tem ocorri. de religião. classi- de língua. através tados de África. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. bem como segundo fortuna. o racismo. fundamentais. Outros poderes coloniais da qual. de sexo. nomeadamente. a questão de forma eficaz. por ve. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. têm sido erradamente utilizadas A discriminação. adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. por uma ou outra forma. de nascimento ou de qualquer ou. contraste com a raça branca dos donos. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. Na História da Humanidade. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”. O racismo. Formas de dis- humanidade. sobrevivência dos mais aptos. bem como nas rias em toda a parte. desde o início da de “superioridade racial”. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. parti- dos e requerentes de asilo. refugia. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. contra os abo. dos escravos de uma raça “inferior”. igualdade nunca foi. de origem nacional ou social. XIX. sistema de castas indiano. nos demarcamos em relação aos ou. No tros. a consciência sobre o as. de categoria de “raça”. contra pessoas continente sul-americano). os judeus. sendo a mana de todas as pessoas. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. O sistema colonial espanhol. de cor. nos rígenes. os seres hu- nomeadamente de raça. Darwin. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. lação a quaisquer outras pessoas. a base das suas sociedades coloniais. assim como tempos medievais. plenamente reconhecido a to.

O racismo. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. ultra- do Ruanda. igual. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos. identidade sexual. XX assistiu pode. em dignidade e em direitos. adas em categorias tais como a “raça”. intolerância. passar na prática as desigualdades base- Hoje. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. a todos os cidadãos. o respeito próprio. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. religião. por outro lado. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. de uma ções e ações concretas que são motivadas . da discriminação encontra-se estabele. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. 2. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. O séc. a do Sul. também. identidade étnica. nação: ça. cor. de internacionais. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus. é o fundamento da liberdade. perante a lei. niões pessoais e. deficiência. bem como na religião. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. a Humana. Assim. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. C. ainda. manifesta- ca e social como também afeta. como consequência destes cri. crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. discriminação com base na raça. esco. constitui. por um lado. a proibição género. Todavia. nos Estados forma desastrosa. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. xenofobia. Embora a 14ª Emenda à Cons. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. género. mes contra a humanidade. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. livres de inseguran. etnia. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar.

orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual. mana. cor. relativa vés de insultos. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. os principais agentes (positiva e ne. pode ser A discriminação. igualmente. dos direitos humanos. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou. etc. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. ao razoáveis. a discriminação no setor privado. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa. até mesmo.140 II. humilha. em geral. género. exclusão. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. atra. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. considerada punida por lei. deficiência. conduzem também ao tratamen- to diferenciado. gera bastante controvérsia. abusos verbais. A este respei- enquanto. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. Tradicionalmente. agressões físicas e e serviços. dos respetivos Estados. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. minação racial ou fundada na etnia. em quase todos os países. os traba- foi. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades. nacional de proteção dos direitos huma. mediante certas condições. violência. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. pode ser justificável. esta última. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. o que não consti- criminação. em grande parte. fala-se em discri- ou ator. o sistema inter. mais ou menos. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. Desde que a Assim. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. tui uma discriminação. é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. como uma qualquer distinção. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. deixada sem regulação. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. já que a igualdade Contudo. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. Todavia. É crucial saber que nem toda discriminação são. são mais holística da discriminação e ten. abuso de direitos humanos. religião. conduzindo a uma compreen. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. na prá.

o que significaria dar um trata. Em termos gerais. ascendência na origem nacional ou sultado. a distinção. A discriminação nios político. O artº 1º da nidade. isto é.” numa situação semelhante. uma distinção tem ções de igualdade. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. de 1965. tes. ascendência. materna. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação. são desejáveis. aparentemente neutrais. categorizações. Convenção. em conjunto. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. tais como a etnia. Johnson. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. Consequentemente. a exclusão. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. ral de todos os alunos.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. discriminação indireta. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. pública. “Não se pode pegar numa pessoa que. acreditar. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. mento desigual a alunos que têm poucos idade. 3. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. mentais. económico. neste caso. ações. origem nacional. o gozo ou o exercício. incluindo os per- tencentes a minorias.” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. que se tem sido utilizada como base para mui. com o conhecimentos da língua de instrução. exclusão. cor. género. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. discriminação: Normalmente. promover a educação cultu. de uma corrida e depois dizer. tratar todos os alunos de forma igual em 1. um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. em condi. uma vez que. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. C. como um facto e a igualdade como um re- cor. libertá-la. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. consti. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. um grupo . etc. sinceramente. propósito e/ou consequências de Tais disposições. foi completamente justo. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR). a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. deficiência.

Des. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. etc. pessoas em situações básicos. porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. o apenas um período de tempo limitado. As teorias sobre o racismo no plano prático. que é cientificamente falso. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. do aceite. Isto significa que a discriminação iguais. e a assunção até que se atinja a igualdade. em desigual. psicológico. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. marginalização extremamente controversas porque signifi. só significa tratamento igual? ca do Sul. como é também denominada. assim como de autoagressividade. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. de go. Através do domínio. As causas e as consequên- leis. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. proporcionar aos grupos al. O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. social e política e vitimização psicológica. desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. organização ou instituição.142 II. oportunidades iguais. no presente. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. por cia de denominadas “raças diferentes”. As discriminação jurídicas. Assim. temporariamente. complexos. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. A dis. sistematicamente. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. envolvendo vulnerabilidades e ciedade. de novo. do e alcance. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. – ticas. é co- para compensar desigualdades passadas e. ar pessoas e dividir comunidades. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. Racismo tiva”. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim. O ser considerado como discriminação. muitas tunidades. este igualmente errada de que os grupos étni- . como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. minorias étnicas. “classe alta” versus “clas- se baixa”). cam favorecer. será que significa tratar de vezes. de poder (isto é. afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação.

definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. é racista já que pres- inferiores. uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. são “racistas”. pode ser nocivo. existem diferentes “raças”. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). impede discriminatórias. perturba gravemente a paz e a segurança interna. institucionalizadas que resultam na desi. valores. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. divide as nações internamente. “o racismo in. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. incluindo a perce- do Sul. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. representa a melhor gualdade racial. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. sancionáveis ou em discriminação racial. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. turais e não às características biológicas. costumes. desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. Os racistas de De acordo com a UNESCO. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. muito provavelmente. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. na legislação outra manifestação. Só se estes precon- das suas vítimas. práticas sociais. origem nacional/étnica. sem expressão ou posições discriminatórias. em si mesmo. crenças grupo com base na cor. superiores ou “raça”. discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. encontra-se refletido em dis. • nível institucional (leis. assim como na noção fa. sendo que se pode falar de um “racismo natório. tradi. hoje. A de uma forma institucionalizada de racis. entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. Liberdade de Expressão cionais”. consequentemente. tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. o racismo e a discriminação racial. conceituosas. mas. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. C. a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. o comportamento discrimi. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. perverte quem os prati. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. ternacional e. se tensões políticas entre os povos. fundados no ódio. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). de forma inerente. as atitudes pre. De facto. ascendência ou de alguém).

O ou crença. muitas vezes. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. te. a vida. que o mundo assistiu [. Por outras palavras. perpetrado pelo regime Nazi. disseminadas e acessíveis a toda a popu. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. pre- No início do século XX.] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. ção racial. profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. conceitos e comportamentos que rejeitam. 2001. Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina. O antissemitismo manifestou-se. retórica e fisi. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados. a xenofobia serem judeus. planos e sonhos.. só por nacional. a autoestima e autoconfiança e. Xenofobia to – mantém-se hoje. através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . nário simplista de “bom e mau”. ampla. Discriminação Racial. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. de forma clara. baseadas nestes fenómenos. vivo como sempre. pos neonazis expressam. com o auge do fas. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo. Xenofobia e Intolerân- ao presente. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado. com fundamento na perceção de que to. Uma influência particularmente camente.144 II.]. de incidentes. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi. em mi- novamente. novamente.. Hoje. A distinção entre racismo e xenofobia não lação. Infelizmente. vezes. a discriminação racial. humanos. prejudica. Este ódio e hostilidade.. Durante o Holocaus. violenta contra os judeus . tais como a discriminação. a terreno e adquirem novas formas. A xenofobia é. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. por cia relacionada. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [.] o racismo. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu... como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”. lhões de casos. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. vilipendiam pes- dessa sua ideologia. cismo. mesmo a não neonazi. geiros e também caracteriza atitudes.. na História e continua a existir até mo. ganham [. um aumento do antissemitis. não faz só parte da ideolo. o antissemitismo tornou-se parte excluem e. soas. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta. até mesmo. estas teorias e práticas persistem ou. Além disso.

que não a da enfermeira. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. o que significa a raça. origem nacional. em relação a outro. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. orien. Ambas as atitudes podem. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. em Nova Iorque. e incapaz logo desde o início da sua in. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. facilmente. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. C. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. ser timentos de medo e confusão. que declara que “[…] o preconcei. No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade. é controversa. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. nomeadamente. ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. po- país. pode ser senti. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. dos. Geralmente. exemplificado. temente foi desenvolvida. que abor. cor. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. a noção de “tolerância” fância. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. lecidos para distinguir entre tolerância . Por outro lado. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. insegura bater porque se adquirem com o tempo. sentimen. “racismo cultural”. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport. conceitos antiturcos. género. Para além disso. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. religiosas”. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. tipicamente. o que a fez sentir inútil. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. na medi. da ou expressada. Uma vez que ataca. mo ou a xenofobia. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. sofrido racismo lhes causa profundos sen. descrevendo a ções Unidas. quan.

que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. penhar cargos públicos. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. tradicional Ano Novo Chinês. a pri. organizações internacionais e não gover. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. Neste Dia In. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. as suas vidas. tempo. daí que. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. na educação. Apesar de se relacionar. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. na habitação. Existem muitos exemplos na região da Ásia. forçados a assimilar-se. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola.” longo da sua história. publicamente. zados. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. Os coreanos no Japão. o seu ção dos direitos humanos. socie. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. Em alguns países. forma grave. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. A discriminação dos Roma – um número namentais. mundo. Ban Ki-moon. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. não podia celebrar.146 II. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu. Tendo sido nómadas ao forma ocorra. geralmente. se ainda não. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. os Roma foram. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. a sua língua romani foi 3. meios de informação. de vão-se tornando racistas. disse. de for- ma espontânea. Hoje.

soas de violações dos seus direitos. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. administrativas. criminação e o racismo. a realização dos minarem a discriminação racial. acima de à discriminação. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. ao setor privado e. Obrigações no setor privado (ONG. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). A CIEDR baseia-se no princí. isto significa que os Es- tudo. o setor privado também tem um de certa forma. “da base para o topo” (bottom up). Com a elabo. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. normalmente. tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. O tra. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. de forma célere. Por outras palavras. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. pós-Guerra. previstas na lei. etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. com a Segunda Guerra Mundial con. com o colonialismo e. os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. também aos indivíduos. a Assembleia-Ge. meios adequados. da forma mais eficaz. em todas direitos garantidos. C. vernos. As disposições da Convenção no que res. No respeitante vatura. O artº 5º da CIE- as suas formas. o Estado tem de “combater”. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. legítimas. nacionais e tratados internacionais. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre . pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. de forma mais eficaz. condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. para eli. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. confrontadas. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. ou seja. direito de igualdade perante a lei. as atitu- suas autoridades. Assim. O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. ração desta Convenção. proteger e imple. natório entre pessoas privadas. • Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação.

um Estado Parte. publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. de investigação. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. Discriminação Racial. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. novamente. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte. sobre a forma como estão este fenómeno. Todavia. pode atuar perante problemas que exi. em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. cialmente. Racismo. que criminação racial (2000). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. assim. princípio. em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. No desempenho do seu mandato. a CIEDR também es. reitos dos povos indígenas (1997). direitos enunciados na Convenção. em 2008. o Comité emitiu. nacionais (2004). ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos. de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. o Rela- jam atenção imediata. .148 II. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. mostra o trabalho específicas. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste. essen. por nos é uma responsabilidade do Estado e. minal (2005). a implementação dos instru. de Ação (DDPA). ser garantida se existirem sistemas de entre outras. os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). Em por parte de indivíduos ou de grupos. O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. sobre os di- Estados Partes. discriminação racial na administração e mentação da Convenção. Além de uma concre- Estados Partes.

a xenofobia.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. que. xenofobia e into. 12. a Conferência de Revisão de mo. geralmente. de forma regu- lerância relacionada. o que significa relacionados com a orientação sexual. a fim de promover a imple.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports. a Conven. beleceu. 2011. Carta dos Direitos Fun. a Convenção Europeia dos Di. a todos os níveis. a Comissão ção. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões. discrimi- nação racista. 20. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6. nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. reitos humanos (por exemplo.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias.699 vítimas. con. relativos a incapacidades. reitos Humanos. abor. Uma análise dos 6. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas. as agências dos EUA responsá- relacionada.) Convenção. O Protocolo Adicional nº 12 0. pelo ódio. a todos os níveis. as manifestações de racismo. para monitorizar.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47.001 ofensores. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança. a envolverem 7.690 Todos os instrumentos regionais de di. C. lar. disposições contra a discriminação.199 vítimas e 6. por peritos independentes. em 1993. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas. 19. rância. o antissemitismo e resultar de um esforço universal. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. um órgão composto munidade internacional para a preven. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial. 8. combate e erradicação do racismo.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. ofensas.6% foram motivados por preconceitos da CEDH. tos raciais. O Conselho da Europa esta- . que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti. julgamento. xenofobia e intolerância Em 2010. Conselho da Europa. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo. em vigor desde abril de 2005. sen.

muitas vezes difíceis de nação. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- . contu- de a prevenção da discriminação entre pes. o seu impacte será limitado. po. das. Rowan das e estratégias preventivas. tais como a serem abordados e identificados. na origem étnica. dem ser punidos por lei. do. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. não pode ser subestimado a legislação nacional. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. tais como sistemas de alerta precoce. O racismo. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. A importância das medi- Carl T.150 II.” discriminação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. Além dis. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. muitas vezes tem de deixar hoje. que proíbe. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. direitos humanos. infelizmente. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. de discriminação. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. a discriminação com base criminação. so. mento de legislação antidiscriminação. o que é con- das suas campanhas. da pressão que fa. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. a União Europeia in. Uma for. nacionais e internacionais. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. a resposta Geralmente. Assim. bens e serviços. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. subtil e insidiosa. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis. negligenciando-se. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. para o setor privado. alegada em tribunais civis. assim. implementação efetiva que. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. atacam estes fenómenos na sua origem. muitas vezes. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade.

para incitar os hutus ao massacre de tutsis . tais como os tal. a contra o racismo. nos seus objetivos educacionais. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. O poder dos meios de informação Em muitos países. por exemplo. existem programas de inter. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. como sos grupos profissionais. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. usam linguagem câmbio escolar. a discriminação racis. pode ser visto. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. fluenciam as atitudes das pessoas. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. programas de formação para os professo. O racismo. apoiar a implementação sociedades. opiniões e crenças. bem como transmitir com efi. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. a formação para os di. particularmente migrantes e outros. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. é da responsabilidade de outrem. usada racismo e não discriminação. respeito um código de conduta. assim como na educação não formal. Em mui. O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. C. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. para diver. relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. de res. todos os níveis da sociedade. Infelizmente. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. racista. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. em todo o mundo. contra o Racismo. humanos. autoridades judiciais e professores. para ajudá-los a lidar com inciden. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. xenófobos e racistas entre o público. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. visão. É importante desenvolvê-la e. Muitos governos e ONG incluem refugiados.

tais como os tribunais. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or. passo. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. Gordo e Negro!. opiniões e Pequeno. tornando-nos conscientes exemplo. por preconceitos. consequentes ações e comportamentos. Para ternacionais. ragem moral para interferir se possível. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. . nomeada. designadamen. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. comportamentos discriminatórios. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. provedores de justiça ou os organismos te.. tos humanos. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini. estabelecer que toda a disseminação de especializados. Assim. regulação dos profissionais dos meios de informação. de ética. A este respeito. evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. bem como de medidas de autor. mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. a prevenção de atos racis- mente. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes. é necessário visar atitudes. ões. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade. ou seja. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. os este fim os Estados devem. no dia a dia. e talvez o mais eficaz.152 II. a Em geral..

Londres. na sigla inglesa . A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. Galway). O racismo falham. emprego tários. em Nairobi. a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. entre fãs. sem nunca nidade. na humanos. listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei. para com a huma. habitação. descobrir a verdadeira identidade “deles”. na Eu- motivos raciais. e atividades culturais. que profiram insultos racistas. porque os racistas. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. o fundamen.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. na Ásia e Pacífico. xenofobia e ex. Programas de Ação. e os que odeiam. as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. para bém apoia a “FARE. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. Diver. C. a discriminação por Região Árabe. rótulo e não a pessoa que o usa. Por exemplo. no Quénia. ropa. tais como. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. jogadores e funcionários. gosta de “nós” e odeia “eles”. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. tais como a educação. para si mesmas e para os seus par. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo. gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. Com um “Plano de 1. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. discriminação. mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. talismo. Como o tribalismo. fobia no futebol europeu. estabeleceram códigos de conduta volun. O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. ao nível local. ao ne. . eles mesmos. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. ignora QUEM se é. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. Também se estão ceiros.

este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. lho da Europa. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. Ao nível das Nações Unidas. o antissemitismo cas. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. a pobreza rela. a pobreza cismo. Ao nível regional. incitação à discriminação racista. Apesar de o racismo ou ódio. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. o racismo e a discriminação te maior. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. existe os atores na sociedade. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes. Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. o Protocolo Adicional atitudes racistas. como legais. as famílias afro-americanas e blema crescente. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo. O racismo na internet é um pro- dos Unidos. a xenofobia e o é uma questão de etnia. educação e habitação). respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. lizadas por organizações racistas. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. O nível mais baixo de educa. relacionadas com a existia um sítio racista. 2009. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do. e o racismo e a xenofobia. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. Em muitos casos. Contudo. (Fonte: Akdeniz. constituem um perguntas. . A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. pode ser considerada de dife- rentes maneiras. racistas. por Direitos das Minorias outro lado. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. culpando os imigran. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. Os grupos minoritários visíveis en.154 II. violentas firmam a existência de uma relação. Yaman. ticados através de sistemas informáticos. e a xenofobia. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade. o antissemitismo. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. ódio e a violência racistas. tais como a internet. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. por Pobreza um lado.

7 de metade da sua vida neste país. Durante semanas. dúvida. quando um pro- em território norte-americano. em Woo. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. ser americano […]. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. os seus colegas de turma riram-se Guide). julho de 2002. séria e. dela. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. aprovação ou justi. refere disseminação através de sistemas informá. antes de ex- xenófoba. sinceramente. o 11 de se- a humanidade. C. houve 540 ataques regis. ela. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. tiraram o véu. É pequena. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre. tam. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. sem internet e a melhoria da cooperação inter. houve um aumento perturba. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos. dos com os 600 ataques registados. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana). Seema replicou. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. diz ela. Em tudo o que faz. New York Times. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. significa ser americano. apreensiva. O inglês de Seema é. restaurante. o pior de tudo. bém. A tembro de 2001. Só que. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão. As medidas a tomar a traço de Bengali. da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. “Bengali primeiro”. temeu perder o seu emprego. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. Queens. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. ela. Uma vez. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos. de Queens. Quanto a estes factos. Questões sobre o que minimização grosseira. em 2005. e pelo na sua túnica salwar kameez. meninas muçulmanas que ela conhecia. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. tiçado pelo Islão. disse ela. Crisis Response afegãos. que usavam turbantes. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. a árabes-americanos. mas ainda se nota um nacional nesta área. Mas. o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. 2001. admite estar. passou quase norte-americana. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. (Fonte: Somini Sengupta. diz monização da legislação criminal respeitan. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. (Fonte: Am. compara. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. verdade seja dita.) Os rapazes tira- ram a barba. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”. Liberdades Religiosas . os ataques. acaba de sair da escola secundária. Londres. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se.) dside. John Walker Lindh. ela própria.

CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. Artº 1º. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. • Que direitos foram violados nesta his. nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos. e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) .156 II. 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC). dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC). Artos 1º. Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu. Artº 2º. Artº 2º. Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH). Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP). nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos.

ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. Discriminação Racial. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. porém. ça à justiça em toda a parte”. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. Xe. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. Grupo-alvo: Jovens adultos. esta atividade per. discriminação. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis. tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr. C. adultos . Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. Assim. (Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu.

Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? .Quem é mulher? Reações: .Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem.Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? .Quem sofreu violência na sua família? Etnia: . ‘-’ sig. Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina. antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo. ligioso no país? Sugestões metodológicas: . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final.Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo.Quem tem cadastro criminal? . com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de .Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam . tado? nifica um passo para trás) .Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente. para esta Deficiência.Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade. O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação.Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. Doença. . que os participantes confiem ple. ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? . cada . a lín. O formador deve pe. . guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. é indispen.Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais.158 II. é necessário. para se dar ênfase ao facto de .Quem é o filho / filha de uma família de ção. Assim. Violência: atividade. Dá-se espaço su. bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social. Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base.Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros.Quem é membro de um grupo étnico . como língua materna. classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições. divide-se o grupo. . deficiência? Outras sugestões: . + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha.Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo .

Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. a deusa da terra. em especial. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. Elas ado- Albatroz. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. A atividade que se segue toca ambos. enquanto a habitante da ilha de preconceitos. são a comida sagrada nesta Ilha. Depois. Este tipo de suposições conduz muito fre. curva para tocar com a testa no chão. reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. 3 vezes. C. Como os participantes não en. Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. Devido a isto. a mulher ajoelhada no chão junto a ele.Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). elas tendem a língua dos habitantes da ilha. os pés do resto do grupo tocam o chão. os amendoins drões de comportamento e rituais. come depois de ele ter acabado de comer. homens e mulheres. . visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. Em seguida. ceitos pessoais. ram. se na terra. O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. A mulher está sempre atrás do homem. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. preconcebidas. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem .

373. handbuch für die politische Bildung. mens têm de caminhar sempre em frente a Direitos relacionados/outras áreas a ex- elas. Xenophobia. Cambridge: Perseus Publishing. 2009. Através deste gesto. 2003. Additional Pro. Official Journal of the European Union L Council of Europe (ed. Apesar disso. têm de testar a plorar: comida antes de as mulheres a comerem.). ternet. Wege de- pescoço da mulher enquanto ela realiza um mokratischer Konfliktregelung. Di- rective 2004/113/EC of 13 December 2004 Amnesty International USA. Strasbourg: Council of Europe Pub- lishing.). 2000. Strasbourg: establishing a general framework for equal Council of Europe. Susanne. Achtung (+) Toleranz. 28 January Akdeniz. Racism on the In- 2003. 2000. The Nature concerning the criminalisation of acts of of Prejudice. Pelo mesmo motivo. between persons irrespective of racial or . tal como a Após o debate sobre a dramatização e os deusa da terra. parte da ener. treatment in employment and occupation. [1954] 1988. 2 December 2000. (Fonte: Adaptado de: Ulrich. 2004. COMPASS. a racist and xenophobic nature commit- ted through computer systems. 2001. Strasbourg: Council of Council of the European Union. An- Directive 2000/78/EC of 27 November 2000 ti-Semitism and Intolerance. Sep- implementing the principle of equal treat- tember 11th Crisis Response Guide. Liberdade religiosa. direitos das minorias Os homens apenas podem entrar em con. Human ment between men and women in the ac- Rights Education Program. tacto com a deusa da terra ao tocarem no 2001. Praxis- ritual. with Young People. pedir aos participantes que dados privilégios especiais: elas podem pensem em situações semelhantes que vi- sentar-se diretamente na terra enquanto venciaram ou testemunharam no dia a dia os homens têm de se sentar em cadeiras. A Manual to Use Peer Group Education as Council of the European Union.160 II. conduziram a julgamentos erróneos. rective 2000/43/EC of 29 June 2000 imple- Council of Europe. Devido a este facto. são lhes comentários. nesty International. Di- Europe. os ho. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS As mulheres gozam de um elevado respeito Parte IV: Acompanhamento na Ilha porque podem dar à luz. New York: Am- cess to and supply of goods and services. um homem nunca pode tocar numa mulher sem a sua permissão. menting the principle of equal treatment tocol to the Convention on Cybercrime. 21 December 2004. e os seus próprios “óculos culturais”.) gia absorvida passa para o homem. a Means to Fight Racism. Council of Europe (ed. Gordon. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allport. 2003. Official Journal of the European Union L A Manual on Human Rights Education 303. Council of the European Union. Yaman. 2004. Domino . que De forma a protegerem as mulheres.

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. DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. D. 1948. ao alojamen- to. principalmente quanto à alimentação. ao vestuário.

receber tratamento e não existia forma de va-a. que. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. mente. Contudo. pobreza e carência. Maryam foi circun. ela viu a sua própria . esmurrando-a até ela cair no chão. Uma mulher é assunto do marido. embora algumas pessoas pensassem ternativa. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos. no futuro. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. No ano seguinte. A enfer. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. Ele afir- não assistia aos partos. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. dava dinheiro suficiente. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. Os seus Maryam. mas a criança nasceu morta. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local. Num sonho. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. dou. Temeu pela sua vida e das suas meira. ela deu à luz um ra. regularmente. a fazê-lo. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. ao era uma perda de tempo e de esforço. paz. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. Maryam não lá conseguir chegar. O pai recebeu uma quantia deia. embora parecesse perceber a lín. O seu pai cia. Maryam ficou grave- sobre ela. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. desta vez. era obedecer ao marido e família. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. num dia de mercado. conseguiu sair de casa. estavam doentes. crianças. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. Ela visitou um curandeiro local. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. Maryam saúde e quando foi. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos. Maryam não tinha qualquer de. que não trouxeram qualquer resultado. preferiu falar na seis crianças. Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. algumas costelas. Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos.166 II. O marido batia.

As. fique. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. Que interligações se 1. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . “[…] um estado de completo bem-estar fí. Observe o esquema abaixo: são dados sico. 7. mental e social. Transforming Health Sys. região. Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. 2001. (homens. 2. pegou nos dois autoridade (pai. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. D. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. marido.) ao seu estatuto e poder? Justifique.” e direitos humanos. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi. de 1946. tal 6. Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. 5. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS). no que respeita Health. uma refugiada 3. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir.

O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. ao alojamento. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. na Declaração Uni. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. Esta in. versal de Direitos Humanos (DUDH). alimento e desenvolvimento da saúde. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS. como sociais e psicológicas. um direito isolado.168 II. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. ao vestuário. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número . com o intuito de inte- Mundial. estar físico. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é.”. que determinam a saúde são feitas fora do cionados. Nos instrumentos inter. Esta visão holística da saúde en- saúde. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. Essencialmente. mental e social. Assim. água. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. tanto físicas. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. direitos humanos seja elevado à condição nos. apenas. família e comunidade. a Carta das Nações Unidas tor. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento. O direito humano à saúde apresenta um vas. a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. fortalecimento sexo. cionais públicos de saúde. A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. em 1948. O direito humano à saúde foi torna. no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú.

reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. endé- apenas algumas. tanto fí. A experiên. Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. escravidão. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). nesses países. O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. c) A profilaxia. micas. milhões de pesso. sério obstáculo à realização do direito à saúde. Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. água. D. paração. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. durante guerras civis e internacionais 2. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. tortura. As organizações. habi. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. profissionais e outras. te e da higiene industrial. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. As medidas que os Estados Partes no num país. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. que acontece atingir. Sociais e Culturais (PIDESC). 1. enquanto os países baseada nos direitos humanos. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. to Internacional sobre os Direitos Econó- . mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. alimentação. Cada ano. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. o PIDCP insegurança humana. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais. Até à data. A violência po. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. através dos dois Pactos. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. nomeando lo das doenças epidémicas. discriminação.

incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar.” daqueles a quem se dirige. que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. humanos. saúde. ali. civil. liber. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental. Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. reitos. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. através deles. assim como de programas.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. o artº 10º do Pro. a acessibilidade física. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife. qualidade. A acessibilidade das instalações. religião. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. dade económica e a informação adequada. identidade sexual. mas. nacionalidade. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. incluindo o ciente. cularmente importante neste sentido são dade de procurar. assim como pro- mente. bre a Eliminação de Todas as Formas de nação. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos. trabalho. habitação. estatuto político ou outro pode pre- participação. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. a DUDH. et- a realização do direito humano à saúde nia. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano. educação. de 1979. reunião e circulação. tra as Mulheres (CEDM). serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e . estado de saúde. receber e transmitir in.170 II. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. final. associação. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. bens e que foi revista em 1996. estado mentação. dições do ciclo da vida. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde. idade. incluindo os direitos à vida. todas Acessibilidade. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera. Parti- progresso científico e sua aplicação. a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação. peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. de 1981. ços de saúde. de 1965. origem social. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. não discrimi.

D. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. Índia. so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. O aces- familiar. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias. dos autores de produção científica. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. em parti- zação desse direito. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. tuberculose. Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. O direito a beneficiar de uma saúde ótima. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. dos esforços das organizações não gover. e físico e é determinado pelo contexto so. os governos 2005. . o artº 15º também protege os interesses cial. em 2001. põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. As mulheres. Ao mesmo tempo. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA. Para alcançar ria e artística. obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995). Desde há muito tempo. crianças. a igualdade. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul.”. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional. para proteger a saúde pública e. bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. literá- assim como pela biologia. Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG). para promover acesso a medicamen- tos para todos. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres. das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. social e a pesquisa científica. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento.” Além disto. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica. cular. político e económico das suas vidas. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares.

Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas.) reito à saúde. uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio. o investimento macêuticos (artº 7º).2001. devem assistir os países em desenvolvi- presas. substituída pela emenda todo o mundo tem. em grande parte. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. por essa via. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. tivas do crescente aumento das trocas de bens. serviços. Por exemplo. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos. Alguns resul. em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. . da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. as consequências nega. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. já à globalização. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º). são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações.172 II. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. pacidade de produção. mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. e. têm sido capazes de fugir à prestação de contas. trouxe impactos negativos em particular. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde. capital. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health. regras TRIPS-plus. os membros diretos e indiretos na saúde. existe a preocupação tâncias prejudiciais. como o tabaco. sustentável. comércio bilaterais e regionais. Contudo.” panhar o ritmo deste movimento. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. em alguns casos de. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. ao direito à vida. per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. de acordo com a Uni. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. pessoas. do Acordo TRIPS negociada em 2005. Ao mes. em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. não tem sido capaz de acom. que estão com base no Direito dos direitos huma. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. as subs. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. patente. produzido benefí. 1992. para países menos desen- à saúde. sociedade civil e em. Desta forma. tem sido motivado. Contudo.

incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. No entanto. várias ONG alegaram que luição ambiental. são causadas pela po. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. Os a Shell Petroleum. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. of disease). As regiões resultantes da contaminação do ambiente. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. para reduzir elemen. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo.” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. humanos confirma esta ligação. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. . burgo. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. em 2002. D. em Joanes. As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. Numa No entanto. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. Organização Mundial da Saúde. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. 2006. chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992). ambientais. vos. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial. como sões. No Plano de Implementa. foi expresso um forte de e o ambiente. um quarto de todas as doen. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. em 1996. de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. 21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). de 14 de dezem. para reduzir a preva. 45/94. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni.

adaptando-se base em plantas. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. Em 2008. de fevereiro de 1996. por isso. sobre o en. A e serviços sejam culturalmente apropria. A OMS define MT como terapias que praticam.. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. o direito à saúde. tem uma gindo que as instalações de saúde. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. América Latina e destrutivos. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. falsamente atribuída à religião. etnia. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais.174 II. zações atualizaram a sua declaração que . volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. do mundo. segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. e terapias não medicamentosas […]. desenvolvimento. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. por muito que pareçam sem sentido ou (na China. e reformando-se”. partes de animais e/ou mi. têm senti- e das Américas. em muitos lugares População da ONU. incluindo o direito à saúde. biomédico da saúde e. mais de 80% da população uti. causa. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. o direito à terra e o direito ao inclusive. Contudo. prática pode impossibilitar gravemente o dos. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. etc. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante. aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. visão distorcida de multiculturalismo. PERSPETIVAS género. intelectual. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. A prática. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro. idade. a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). Em outros casos. Numa decisão desenvolvimento sustentável. De novo. as três organi- nerais. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. exi. do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. Contudo. Suriname). da OMS. cultura. cional continue passiva em nome de uma Em África. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. bens história que remonta há 2000 anos. religião. em particular). Na Ásia rais.

O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito. tir que os membros da sociedade usufru. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. cessária e adequada. um número e jurídicos. Em certos momentos. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. O Estado deve publicitar a locali- finanças. escravidão. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. nomeadamente. educação. o Estado deve prevenir que atores não es. serviços e requisitos da clínica. tal como as minorias étni. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. A dade sobre o direito individual. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. como o ébola. como no caso de democrática. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados. leis estas medidas foram excessivas. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. e arbitrariamente re. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. 4. No mesmo ano. bir a liberdade de movimento. Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. Por exemplo. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. a SIDA. Isto também significa que o veis. servem. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. e a liberdade de pensamento. zação. justiça e assuntos das mulheres. DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. D. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. Se a violação ocorre. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . de e a tuberculose.

en- . Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. boas prá- processo de revisão formal. O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. em 2002. de direitos humanos que possam ter. proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me.deve aplicar-se no interesse de um objeti. incluindo leis. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos. adotado em . Partes. Sociais e Culturais. políticas. o direito à saúde e permitirá que o Comité . dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais. 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão. reto sobre as relações com outros países. . governos e as partes interessadas. ou seja. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. menos intrusivo e restritivo.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac. o Comité dos Di- reitos Económicos. acordo com o relatório do governo. as co. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar. 10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. entrar em vigor4. por exemplo. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim. o país . Sociais e Culturais.176 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso. natória ou não razoável. Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. nessa data. Conselho de Direitos Humanos compila canismos. a este respeito. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. de forma discrimi. tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional. dos Direitos Económicos. necessárias. um mecanismo de disponível. Para este fim.deve estar prevista e ser imposta de acor. mento. Sociais e Cultu- ma arbitrária. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. micos. informa missões governamentais. rais decida sobre casos individuais. de 1984. Ao nível nacional. tre outras consequências. as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. relatório a um órgão de monitorização do tratado.não deve ser planeada ou imposta de for. o Relator faz vi- te o direito à saúde.deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob. Económicos. . os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde.

na Zâm- no Unido. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. No Reino Unido. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. higiene. Os modelos no Rei- Uganda. Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. Depois de grande . mação específica. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja. no cas de saúde pública. no Senegal.000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. grupos representativos e reuni- de comportamento na população. acesso a meios de prevenção período de tempo. Cutting the Rose. na Alemanha. debater. de circuncisão feminina. mulheres. questões am- bientais. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. Os factos sustentam que: mente representativos da população. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material. As autorida- des de tomada de decisão. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. ampla- é eficaz. por parte de toda a aldeia. Nos anos 80. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. uma aldeia de 3. na Tailândia. mas tais como a saúde. vida quotidiana. Os ões públicas. sobre de parceiros múltiplos. adequada ao local e questionar peritos. para si e para as suas famílias. D.

membros mais vulneráveis da sociedade. muito tempo. em junho do mesmo ano. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. incluindo uma atuação de canais de comunicação. brança para os seus filhos das suas origens. Em fevereiro de 1998. o Reino Unido e os Países Baixos . erva. e se o curan.178 II. Depois. O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. os consumido- deiro tivesse dúvidas. A ação jurídica. relva e musgo encon. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. Desde 1998. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. pela primeira vez. sempre. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. pla com ajuda da PLAN Uganda. foi o início da medicina na dições graves. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO. Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. dois anciãos da aldeia que contém fotografias. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. O movi. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil. toda a al. na sigla inglesa). No Uganda. o mesmo destino. teatro de rua que se focou sobre os proble. sobre o VIH/SIDA e. no início dos prática. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional. Depois. A Associa- tilação genital feminina. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. educação Em muitos países. The Origin of Medicine. Por todo o lado no mundo. por si mesmas. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. para aju- mas de infeção. cordações familiares. remédios adequados para as doenças da hu. filhos qual é o estado da sua infeção. anos 90. dentro das famílias. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. Os pais deia fez um juramento. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. em particular. Tal. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada. arbusto. Eles sugeriam. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. livros de memórias foi.” implementado entre esta população devido Cherokee. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. planearam.

A natureza holís- . assim. a Conferência sobre Deficiên. no dia tados para com a segurança internacional. Os países que introduziram medidas. berdade de imprensa. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. durante os quais 65 pessoas foram ciência. entre consumidores de droga. não discriminação e autodeterminação. em vez como Redução de Danos. A epidemia da SARS começou em novem- gem. troca em julho de 2003. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. afetados – China. nos. por agulhas esterilizadas. tros tratados internacionais. A Declaração todo o mundo. referência mais importante neste campo. garantir que as pessoas com deficiências des. como nos Países biomédico. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. seres humanos. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. Desde então. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. as qualidades fundamentais da igualdade. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos. midores. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi. a Declaração reconhece “[…] Baixos. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. educação e reabi. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. tanto indivíduos como comunida. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. As questões que surgiram durante intelectuais. A atenção recai sobre e abstinência. 8. Vietname. será a implementam políticas de redução de da. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. Embora o paradigma de re. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. humanos à saúde. A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. O facto de que estas pessoas são. Hong Kong. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. Durante esse período. dução de danos possa envolver a descrimi. surto. bem-estar e deficiência”. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas. 6 de outubro de 2004. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. tem de indivíduos com deficiências. infetadas e 5 morreram. D.

A lista seguinte in.saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu. começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados.VIH/SIDA Human Development Report.” .direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos.direitos das pessoas com deficiência . pescas.acordos de comércio específicos e o seu 2. trumento poderoso para a criação de uma ros. . A la- sita de ser feito pela saúde da população. água.violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional .) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos. 2000. etc. bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica. tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei. • Conhecimento público precoce do .meio ambiente (ar. cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas. como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- . Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso. .implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa.direitos dos povos indígenas surto. na análise das condições de saúde sociais e físicas e . vigilância e isola. .doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento. . ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros.reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma .tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a .saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do .nutrição dica as tendências atuais: .doenças crónicas direito humano à saúde.180 II.redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos. • Transparência na informação diária dada . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas . .

4 1.7 38 China 4. D.8 América Geórgia 2. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. 1.2 48.5 7.9 1.4 1.7 0.7 6.1 707 Estados Unidos da 16.629 Austrália 8.9 2.5 65.0 74.1 177 Cuba 11.7 4.8 2.9 2.8 93.7 Suécia 6.7 7.3 75.4 7. World Development Indicators.6 3.0 1.5 3.867 Áustria 11.7 1.4 Mali 3. disponível em http://data.2 Zimbabué .4 3.5 5.1 1. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação.3 (Fonte: PNUD.9 Burkina Faso 4.6 7.4 61. 4.0 - Áustria 5.worldbank.037 Burkina Faso 6.4 Austrália 4. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11.4 (2006) 8. DIREITO À SAÚDE 181 3.org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada. 2010.1 4.5 China .9 Reino Unido 5.1 2.6 50.0 Cuba 11.9 Índia 3. Banco Mundial.9 9. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.9 - Estados Unidos da 5.410 América .2 (2006) 1.6 6.

7 256 Índia 4.2 Reino Unido 79. World Development Indicators.182 II.252 Zimbabué .2 32.2 Austrália 81.0 Índia 64.6 4.) . - (Fonte: Banco Mundial.9 38 Reino Unido 9.6 3.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada. worldbank.1 28.0 (Fonte: PNUD. . disponível em: http://data. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.8 45 Mali 5.4 Burkina Faso 53. 2010.org/indicator.0 Estados Unidos da 79.4 Mali 49.8 Suécia 81.9 78.5 Cuba 79.9 Áustria 80.3 83.6 47.7 China 73. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10.285 Suécia 9.6 América Geórgia 72.3 Zimbabué 47.

2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. 2010.000 nados vivos. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi. 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.) 4. bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. D. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte. 1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso. DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. 1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) . CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos.

bem como o estado do indi.. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente.. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. criar nos par. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. O formador faz a pergunta: que elementos . criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. mental e social.”. Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma. dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos. BEM-ESTAR FÍSICO. verbal. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH). âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo. que a “ausência de doença”. Esta atividade permite aos parti. OMS define saúde como “[. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge. parede.184 II.] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem. marca- sociedade.

Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. eles irão usar as listas que cria- claramente. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias. folhas são direitos humanos. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. Neste momento. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados. linguagem de direitos humanos. suficientemen. Durante a fase da revisão. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. to- . o forma- verem. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. D. incluindo o for. pantes a usarem as suas próprias ideias. Passo 4: po. As folhas de pa. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura.) grupo. se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. os partici. Nenhuma ideia deve ser ex. artº 3º da DUDH. contudo. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. o formador plo. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. apoia o direito à saúde. o direito à vida. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas. do grupo em plenário. o formador pede a dor visita cada grupo. para todos verem. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel. a nova lista de direitos humanos que apoia mador. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. da. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. num sentido amplo. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. Por exem- Se o grupo demorar a começar. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. Cada grupo irá escolher um suas ideias. 2. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. Alguém anota Todos os participantes. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. uma assistência quando é pedida. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. O grupo pode colocar dade entre todos. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. (Isto demo. Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. • Este é um exercício de empoderamento. pidas. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1.

o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica. . cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que. apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. Por esta ra. al.o representante das ONG conseguiu.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. cêuticas. fita ade. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos. dizendo mentos genéricos baratos. O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. . guns governos começaram a importar . posições. o juiz abre a audiên- . processaram o governo e algumas ONG. propriedade. mas. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. por exem. apresentará os argumentos. plo. Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos. Metas e objetivos: Compreender a com. cêuticas. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu.o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. Os participantes dividem-se em 4 grupos. na realidade.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. Materiais: quadro. Depois. que prolongam a vida ou aliviam as do. empatia mam os seus lugares. não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo. e devido a pressões de ONG. conside. não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. tes e profere uma sentença. verdadeira. considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. . fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. importados. rar opiniões opostas. outros países.186 II. para o julgamento. importados de aos participantes que a DUDH é um có. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. marcadores. Em África. o formador deve su. os grupos to- ção.

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. ser encarados isoladamente. como um problema feminino. E. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. 1995.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. portanto. não devem.

a violência tem au. à noite. amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. a chorar. Para abdómen. pois o seu cartão do Estado do fugir. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. . No entanto. A polícia en. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. “Naquela primeira vez ele bateu-me.” A segunda Quando ela falou com ele. dada ocasião. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. é extremamente ciumento. raramente trabalha. em 2009. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. ele está aqui. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia. numa polícia que ela estava a mentir. Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. já do o seu marido trouxe. bater-lhe. à esquadra quan. secretamente. cuidados pré-natais que são urgentes. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. estão novamente juntos. disseram-lhe Em junho de 2010. garfo no seu braço. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. Quando. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi. Uma mulher. agora afeta mesmo as crianças.192 II. Em 2010. Sel. dizen. o marido da Selvi abusos continuavam. eles levaram. não os dias. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. eles chamaram o frequentemente. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. pela quarta vez. A polícia trouxe o seu ma. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. Ele da sua cabeça. O seu esposo vive trancou-a num quarto. numa terceira vez ela es. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. falámos com com o teu marido. comida e mandaram-nos para casa. Eles acredi. joga. independentemente. ao tribunal de fa- to filho. Selvi foi.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. disse ela. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. batendo-lhe todos com ela. deram ao casal alguma do a localização do abrigo. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente. quanto à frequência e gravidade. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. e lhe pagasse uma prestação de alimentos. taram nele. O tribunal ordenou mental. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. com uma pedra. “O bebé sobreviveu. Estado e tem terror de fugir. os Nesta altura. Não consegue vi foi. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. mília. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho.” ele. formal. tive sexo [com um outro homem]. O seu marido iniciou os ataques en. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. curador iniciou. Porém.” Desde então. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. man Rights Watch falou com a Selvi. um me do telhado”.

a luta ainda não terminou. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços. Em. muitas vezes. Eleanor Roosevelt. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. regio- aos tribunais e os procedimentos judi. as noções formais armas ou palavras. He ficientes para garantirem oportuni- loves you. E. A SABER 1. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1. 4. No entanto. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. 2011. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. mas também mui. Devido às diferentes tos retrocessos. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . 3. infe. e pelos direitos de outras mulheres. o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. Esta situação opôs a tal política. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. com Em muitos contextos. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. e introdu- por um longo período de tempo e. especial e nem ninguém. nal e internacional. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. situações de desvantagem. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. levan. envolve fre- as mulheres em todo o mundo. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. pertencem a todos os seres humanos. nessa altura. quase globalmente. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. se na discriminação de facto. muitas formas. insistiu que devia ser usado “to. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. O séc. contra as mulheres.

Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. soas deslocadas internamente. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. é o que será o próximo milénio. de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. mulhe. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. […]”. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. res na sociedade e às formas específicas res. sociais e económicas por todo o mundo. a maioria No entanto. por Susan Moller Okin “[…] como a ins. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. idosa. pendentemente do género. depois dos representantes dos Esta. cor. o género é uma categoria de Azza Karan. é comum encontrar as mu. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. de cada país. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. desvantagem e discri. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens. Em 1998. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade. ças. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. Quer os refugiados. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. carecem de particular atenção e que . dos quais são mulheres. idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí.” Contudo. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be. políticas. “a neutralidade não per.” mas evoluiu posteriormen. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. comunidades. Assim. diferença. assim como os transsexuais.194 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. inde- sociedade. humanos torna-nos especialmente sensí- manos. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. o conjunto com os grupos vulneráveis. 1998/2005.

E. a situação das 1918. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2. Desta forma. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. referida como “a terra natal do feminis- ção. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. em a segurança humana. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. Assim. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. regionais e sub-regionais. DEFINIÇÃO públicos. Logo por volta de 1830. direitos humanos à segurança humana. partir dos 30 anos de idade. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. as mulheres e crianças. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. todos. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados. com num mundo masculino. em particular. assim como muitas das suas A segurança humana trata. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico. voto. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. podem benefi. ainda hoje. de companheiras. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres.1789. com . deve constituir uma priori. Ela. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. Uma Retrospetiva Histórica existe. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. crianças. mesmo em tempo de paz. marca o começo reitos das mulheres. a todos os níveis. res por direitos iguais. também. a erradica. particularmente contra mulheres mo”. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. as mulheres e as petos”. A prol da libertação e igualdade. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. a proteção. nacionais. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. finalmente. Esta época consti. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto.

conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. a diata. vitavelmente. ao nível global. Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas. Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. com o mandato líticos. primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. por exemplo. social. A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. ine- nentes. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. de 1976 a 1985. também. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. e Mulheres (CIM). para a continuem a discriminar as mulheres. Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. da mulher na família e na sociedade. Os di- e através de planos trienais de ação. lheres. em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. da Bélgica. nos Pactos Internacionais. económico e uma posição subordinada às mulheres. Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade. criada em 1928. enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades.196 II. Paz. na área dos direitos das mulheres. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. em 1933. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. as mulheres procuraram participar na estru. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). A CEM pro. Em 1979. a Década cul- se dos direitos humanos. Até maio de 2012. tornava. no respeitante a problemas ur. criminação contra as Mulheres (CEDM). e desde o início. região da América Latina. em todo o mundo. assim como direitos económicos. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. a pobreza a Nacionalidade das Mulheres. humanidade foram esquecidos. foi Bodil Boegstrup. estão divididos em duas categorias. 187 . para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. o que. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. A sua primeira presidente que. em 1945. unindo os direitos humanos todo o mundo.

Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir. proibindo toda a discrimi- ção feminina. qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres. de conduta dos homens e mulheres. A discriminação contra as mulheres é .Estabelecer a proteção legal dos direi. cípio da igualdade.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa. homens e das mulheres na educação e lação apropriada. nação contra as mulheres. seja qual for o seu estado civil. das as outras práticas baseadas na ideia co. o gozo ou o exercício pelas . . E. blicos e de serem elegíveis. zação ou empresa.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção. em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. .Modificar os padrões sociais e culturais mulheres. tos dos homens no campo da educação. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção.Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras. social. políti. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. com base na igualdade dos homens e das mulheres. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- .Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . . organi- CEDM. desenvolvimento dos seus filhos. mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade.Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade . . O Comité da CEDM coloca ênfa. nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres. atuarão em conformidade com esta .Tomar todas as medidas adequadas . se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres .Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios. exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens. . reconhecimento. .Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção. económico. por eleição.Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual.Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos. em todos esses atos.Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis.Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas. dos direitos humanos e das liber. Muitos . .

a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. ninas são uma parte inalienável. nho de 1993. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. 2010). direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. Plataforma de Ação de Pequim (março de to. a torna. tados. em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. do Milénio. a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. Em qualquer um e homens. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. por exemplo. nível nacional. participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca. adotados como resultado da conferência. e chamou todos os Es. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. Adicionalmente. ga (1980). • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. bro de 2000. Declara também que a total e igual ou grupos. A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. Até maio de 2012. o progresso relati- dos casos. violações de direitos protegidos pela Convenção. social e cultural ao • O procedimento de participação per. regional e internacional e mite que mulheres. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres. individualmen. O Artº 17º do Protocolo estabelece. cialmente importante. permitindo um Plano de Ação. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. económica. O Protocolo Op. que se te. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. rem-se parte do novo instrumento também. a cada cinco anos. o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. já que constitui o . um Es. sendo parte da Convenção. dentro da sua jurisdição. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente.198 II. através de consenso. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. ração de Viena e o Programa de Ação. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais. Nairobi (1985) e Pequim (1995). civil. A CEM. direitos humanos: México (1975). de integração dos direitos das mulheres como sos critérios. 104 Esta. A Decla- contra as Mulheres.

meios de informação. financeiro. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. cisão. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. 17% humanos das mulheres. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. 1% da propriedade. • Em algumas regiões. meninas. menos que os homens. executando os trabalhos e culturais. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. la e produzem mais do que 90% dos ambiente. com um diagnós. mecanismos institucionais. sociais tes e dos idosos. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. mulheres. que é entendida como uma função social de social e físico. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. em média. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. especialmente na América Latina. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. manos civis. É dada especial atenção dos alimentos. E. obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. na sua dimensão política. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. violên. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. social. políticos. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. assim como pela biologia. sistema institucional e alimentos. economia. económicos. saúde. No contexto da migração. cumprindo os seus de. as mulheres rea- da de decisões. cia. e das mulheres a serem informados sobre os . O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. educação. sem um seguro adequado e próprio. a toma. dos doen. Muitas vezes. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. África e Europa de Leste. conflitos armados. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas. político e económico das vidas das mulheres. reitos sucessórios e à propriedade de terras. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e.

Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar. A MGF integra-se. ainda não sei qual o dia asiáticos.. irão purificar as suas filhas. os pais não nas na América Central e do Sul. riscos para a saúde e. [. Egito.. perigo de vida. por cozinharem sobre as e adolescentes. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte. Por isso. 2012.. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas. Malásia e Sri Lanka. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF. O meu pai mos médicos. 2011. frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. res. castidade e a “pureza” genital. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú. A tradição persistente da fogueiras. Parteira de aldeia Om Mohammed. eficazes. o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas. Apesar registavam os nascimentos. por isso. tal como demons. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria. muito mais tarde. por vezes. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). A realidade. tais como a Índia. incluindo a violência física e sexual. Eu corto-as en- saudável. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva. expliquei a e em alguns países do Médio Oriente. e. a enraizados. bem perto.. Indonésia. te. possivelmen- Ban Ki-moon. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram. Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. é diferente: quanto as suas mães. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul.” dores. e minha história pessoal. mente.] por isso. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. Para além de muitas . América do Norte meses. não acreditem vítimas da MGF. Elas entre- de adequados. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. numa visão geral global. mulheres vivas. no momento presente. exato [do meu nascimento]. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. porém. as meninas e as mulheres apenas esperou [. nho. te- nham sofrido a MGF. As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF).] e Austrália. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas. mas não é exato. Na altura quan.200 II. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS.

estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. risco as mulheres é o VIH/SIDA. local. dimi- destas estratégias na linha de ação: em. comportamento social devem ser acom. no comportamento sexual. ções Salafi. Em termos globais. os pro. através da promoção de uma no Egito. e a separação pormenorizada dos No entanto. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. mulheres grávidas. que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. micas. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. em 2008. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. Os luta. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). na África na comunidade e sensibilização. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. Subsaariana é de 59%. no Norte de África e no Médio Oriente. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. tão lentamente a diminuir nalguns países. dita nela”. com base percentagem é de cerca de 50%. Considerando que. As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. . o estudo de 2005 da UNICEF mos. Apesar se à sua continuação. o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. também as MGF no mundo. a panhadas de educação integral. o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). E. étnicas e socioeconó. nuíram em 33 países. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. devido a mudanças prisão. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. taxa de todo o mundo de 21%. em geral. ção islâmica. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. novas infeções ter diminuído desde então. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. em 2010. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores. logo em 1959 (uma proibição con.

assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação. situações de conflito e pós-conflito. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. tanto quase duplicou em apenas três anos. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so. vezes. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. [. Para além do mais. ra. seleção 1983. Esta na vida pública.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. lheres. para preve. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. nomeadamente. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. ça das Nações Unidas. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. o Conselho de Seguran. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis. relacionados com o dote. e psicológica que é transversal a diferen- ças. nas são sujeitas a violência física.. res no mundo já foi abusada. No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. pessoas que são titulares de direitos. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. 2012.] de planeamento familiar. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica. Escravidão sexual. classes e culturas. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe.202 II. abusos sexuais. ções pandémicas. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas. Assim. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . Muitas conquista reflete o compromisso político. recém-nascidos. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres. venção no cuidado pré-natal. a fim de prestarem uma as. como na privada. mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. gravidez forçada.. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. ma forma. A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. crimes de hon- Também em 2011. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. ções. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte. possibilitan. durante a sua vida. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades. integrando-se os esforços de pre. prostituição forçada.

onde Unidas estima que o número de víti. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. das Américas ratificaram a Convenção. manos. da violência contra as mulheres. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. prostituição forçada. em 1993. sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos. fratura comunidades maus tratos. A vio. foi estabelecido. empobrece os indivíduos. conjugal. Punir e de máxima importância que a Declara. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. Esta Convenção foi desenvolvi- . os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. quer que ocorra. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. de forma a que as vítimas de violação. ou até com a erradica- ção. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos. a violação • A violência contra as mulheres cau. Em algumas Além disso. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. A violência abrange os seguintes atos.000 mulheres por ano. de 1994. E. ças do sexo feminino no lar. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. a violên- cia relacionada com o dote. fa. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas. são para serviços de cuidados médi. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. por consenso. Nos termos do Artº 2º da De.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. com a prevenção. família. Deixa vi. incluindo os das devastadas. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares. • violência física.1 biliões violência relacionada com a exploração. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. em 1994. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. estima-se que o custo de vio.8 biliões. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di. as mulheres. o assédio aproximadamente $1. • violência física. ocorrida no seio da família. mílias e comunidades. como uma ferra. Erradicar a Violência contra a Mulher. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. sexual e psicológica lações de direitos humanos. • violência física. o abuso sexual. por exemplo. a violência contra as mulheres humanos. com perdas ticada na comunidade em geral. o tráfico de mulheres e a nação.

há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. foi elaborado sume proporções pandémicas. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. Até maio de minarem as mulheres. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu. por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. ria. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. O direito a oportunida. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. de modo a destruir o inimigo. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. Ruth Seifert afirma que. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos. Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. também da guerra na Bós- mento.204 II. Se. A vio- respetivos Protocolos. de comunicação entre homens. através do atropelamento dos corpos das mulheres. em relação ao traba. dominar. tos casos. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. designa expressamente a violação. nível político e jurídico. No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. seus métodos. a violência sexual 2012. nia do início dos anos 90. punir. introduzir o medo. mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”. é estabeleci. é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. Internacional. parte. Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). proteção de traba. proteção materna. e no Protocolo nº12. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. Os direitos espe. su. O Protocolo Adicional nº7 à Con. lho sem discriminação em razão do género. e subsequentemen. a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). Social Europeia. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. o Protocolo à as mulheres. incluindo o género. Conclui-se. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. a . Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda.

incluir as mulheres em para a Serra Leoa. de decisões. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. Muitas mulheres UA ou outras instituições. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. A participação das por estarem expostas à violência. em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. entretanto. Uma mudança de paradigma na recons- derno. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. enquanto muitas vezes elas pró. da mesma forma.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren. 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). processos de manutenção da paz e segu- rança. planos nacionais de ação para a mado. Gen. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. via. enquanto funcio. até parte desproporcional das consequências agora. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. Além disso. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. mente violência sexual. O número de condenações conflitos. missões de manutenção de paz. da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. Patrick Cammaert. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”.000. Internacional para a antiga Jugoslá. parte de equipas de mediadores. mas mou no seu boletim informativo sobre re. especial. As Resoluções enfati- a violência sexual. Maj. Pelo contrário. Contudo. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. vo nas decisões que levam ao conflito ar. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. 2008. especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. E. na prática. a ONU vida o mais normal possível. mulheres nos processos de negociação para . durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. Vários Estados estabeleceram. ção para a paz promovidos pela ONU.

Terceiro Mundo. a estas insuficiências. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. não epidémicas. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. o casamento precoce. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. ao longo da infância e na idade adulta. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. o seu conhecimento. a tendên. que são maioritariamente homens. a menina enfrenta dis- suas crianças. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. Além disso. 1998. as práticas relacionadas com . um todo. mas em todo o mundo. entre outras. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. sustentável. rapazes. de Vandana Shiva. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. o furto não pode ponível. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. nas chamadas economias verdes. futuro sustentável. como a seleção pré-natal do sexo. mas afeta especialmente as mu- lheres. Para nós. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. Michel- dos tempos”. nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. de vida. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países. Assim. a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. Monopólios e Mitos e a Masculiniza. ras. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino.” acordos de paz são mulheres. nital feminina. através tora Executiva da ONU Mulheres.em média.206 II. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. A Dire- mentes e as que as fazem crescer. governos e indivíduos. Fazendo face Vandana Shiva. centrou-se. por isso.

indivisíveis. dos direitos humanos. soal e ao direito à vida das mulheres. em 1993. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. Devido à falta de leis de proteção são universais. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. peito aos direitos das mulheres. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. meninas. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. inciden- . uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. antecedentes históricos. Em 2002. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. as tes e interrelacionados. a vio. mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. independentemen- educação e à formação especializada. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. PERSPETIVAS Austrália. ferente à questão da saúde das meninas. mais do de universalidade. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. compete aos Estados. o mo tratamento que os homens. particularmente. Em muitas regiões. te dos seus sistemas políticos. culturais. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. estas políticas e perceções colo- 24 anos”. Infelizmente. na sua documentação re. uma desculpa ou impedimento para a total do. E. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. Mais comum na Ásia. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. as meni.

bem como de iniciativas interna. jo. cuja execução foi adia. mas ainda ocorre a responsabilização política. foi proibida pelo gover. mais mulheres no governo do que nunca. e os na Índia onde a Sati. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. forçadas a cometer paridade” de 40-60%. As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”. De acordo com esti- suicídio por autoimolação. governo eram mulheres. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. de forma a pres. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. de 4 para 1. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. há um aumento chocante do número após 1975.4%. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. estaremos que são assassinadas. em comparação com o embora mais raramente. ainda existe atual de 18. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. desde há décadas. 1998 a 2008. nunca. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. não vão atingir . Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. 2011. existem como é provado pelos últimos casos docu. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. Mulher (UNIFEM). tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. No entanto. nas legisla- de noivas”. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. participação das mulheres. para revigorar no britânico em 1829. envenenamen. maioria simples dos votos. aumento de apenas 1%. tradição com os direitos das mulheres. em todo o mundo. das mulheres nas eleições. mentados em 2006 e 2008. em compara- dado.208 II. tipo de regime de quotas. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. de mortes entre mulheres (na maioria. as estatísticas da Índia da diversas vezes e. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. às limitada. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. no fim. Nos últimos 50 anos. nas duas décadas na. Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. na Índia moder. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. Ashtiani no Irão. os países com to ou enforcamento. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. Hoje. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. presumivelmente. mativas da ONU Mulheres.

também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. A Agência dos cos e sociais. entre homens e mulheres. para tra. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. E. no entanto. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. Contudo. com as mesmas qualificações. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente. humanos das mulheres através da edu- balho igual. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. Por exemplo. revoluções terminado em repressão contí- nua. a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. para a igualdade. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. Porém. Dentro da União Europeia. que seja a mulher e não o homem a per. mas com as mesmas qualificações. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos. à maioria da população. direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . guerra civil ou as eleições democrá. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. cação para os direitos humanos nos Além disso. guidas não apenas pelos governos. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. realizado. a participação política das mulheres parece 4. Durante a Revolução Verde Ira. a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. é muito mais provável souberem o que são.

Em 2009. poucas as ONG podem preparar relatórios al. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. completa implementação dos instru- . emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. mas também CEDM. Atualmente. da Turquia. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos. de 1993. Os relatórios sombra nismo novo.210 II. Apesar das melhorias significativas. e para outros ór. no país. o Co. mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. Para de Yakin Ertürk. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados. de direitos humanos e ainda menos té específico. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. se esta possibilidade não for ex. A das mulheres. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter. reitos humanos. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. da África do Sul. em junho acordo com a CEDM. invocá-los. de. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. isso é de extrema importância que o ape- gação. Se as obrigações do Esta.

for Gender Justice. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. Agora. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. turas de ativistas dos direitos das mulheres. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru.” sejos. mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. 2000. Mary Robinson. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. necessidades e de. expressos na sua própria língua. Um dos melhores exemplos é a ado. em março de 2000. em muitos países. gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. para 28. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. E. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. a aprender sobre direitos humanos. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. mas escravidão sexual. o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. em 1999. O Passaporte vens e mulheres instruídas. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento. Apesar do hiato digital mundial. e sexual são incluídas no estatuto do TPI. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. Em 1992. Um número crescente destas . Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas. procurando garantir que a violação. para efeitos pedagógicos.

de informação novo marco com o Estatuto de Roma. O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. com uma for. a Campainha!” (Bell Bajao).0. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. assim como a consciência política timas e a testemunhas. que incenti. Em 2011. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor. es- e de participação. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. foram projetos inicializados de 2002. no contexto da violência. vencedor. declara que “[…] violação. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. nº1. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. Uma boa prática para se supe. prostituição forçada. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. e o “Toque bunal Penal Internacional. uma diretamente. mas aproveita também ativa. estabe. a violência doméstica. estar físico e psicológico. foi uma cam. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso. para intervirem de forma a terminar. as preocupações das mulheres da Web 2. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. “Estação de Rádio apenas para gravidez à força. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. O terceiro escravatura sexual. an. as ONG para te. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. pela primeira vez na história. diversas questões de direitos humanos e údo digital. crimes de violência sexual. e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres.212 II. eficácia. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize. As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. de direito humanitário. no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. Em 1998. para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. Por exemplo. é dada explícita atenção a ví- sexual. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. com o artº 7º.

a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. as mulheres Global. o 2015. tanto o nú- ligamia. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. a Amé- necessitam para se sustentarem. até das as regiões em desenvolvimento. este direito há muito tempo. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. os Estados Árabes. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. adotaram a Declaração do Milénio das ão. os objetivos 3 e 5. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. O esco. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques. volvimento do Milénio (ODM). vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação. é mais lenta do que em mundo. Este su. faz parte dos Objetivos de Desen. da Interagência doméstica e algumas tradições. e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. No Uganda. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. um terço desde 1990. por exemplo. nomeadamente. das Nações Unidas. clusivamente. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. em termos globais. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. no caso de uma vítima Nações Unidas. declínio médio da percentagem anual. Finalmente. em 2000. dois deles. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. a questões de mulheres: Em março de 2012. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. Estas medidas referem-se. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. rica Latina. Oriental e a região do Pacífico. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. objetivos. Estas medidas aplicar-se. ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. explicita e implicitamente. mais recentes no Digesto da Educação res. como a po. nio estimada de 1. de 2012. tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. E.

suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. 2009. na sua formulação de políti- nas. cas. incluindo a monitorização regular do Em 2010. um passo histórico na ace. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. especial da Assembleia-Geral. mulheres enquanto seres humanos plenos. mentarem estas normas. para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas.214 II. promissos sobre a igualdade de género. em 2011. A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste.” Shulamith Koenig. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo. bem como igualdade de género e ao empoderamen. Os Estados-membros da ONU deram. Funde-se e constrói. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. a implementação integral da De- um impacto maior. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. solicitem. o Institu- organizações de mulheres. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. jovens. e bilização social. As principais guintes cinco objetivos. para o Progresso das Mulheres. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se. cazes com a sociedade civil. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos. sociedade civil. Mulheres. ma das Nações Unidas. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. para a Mulher (UNIFEM). • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. . no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. padrões internacionais e normas. desta forma. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário.

a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964. para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3. tra as Mulheres (em vigor: 2000. 1888 Fundação do Conselho Internacio. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. 1958. CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. de Pessoas. ratificações até maio vigor: 1981. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género. de Nairobi. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. rati. E. lheres e Crianças. Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . de Belém do Pará (em vigor 1951. 1994 Convenção para Prevenir.

pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica.216 II. Dimensão do grupo: 20-25. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. ração e Plataforma de Ação de Pe- res. Esta atividade procura melhorar a compre. 2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. . cooperação e análise de dife- direitos das mulheres. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. a igualdade de género e o empo- res. familiarizar-se com rentes pontos de vista. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia. RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal.

todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal. O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. por entre . o que torna o debate mais in. os resultados ao grupo inteiro. minorias. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma. linguagem corrente. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco.. Direitos humanos em geral. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca. sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem. apresentados e debatidos na presença de Depois. Contudo. não discriminação. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos.. ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. quais são as mulheres mais afe. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente. o grupo deve pensar na situa. E. direitos das gregação de género. curso. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso. Se não.

as paisagens do presente e do futuro e um deias. No presente. a por exemplo. Ao prosseguir. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. pontes. charnecas. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. vales. o desen. Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. al. caminho a passar entre os dois. rios. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. melha para representar a tentação. desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. presentados pelas linhas. ao longo do caminho. para Igualia e como os iriam superar. Explicar que nesta atividade os participan. Igualia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos. obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo.218 II. promovendo a usados para as florestas. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. etc. aptidões cria. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas. pré- justiça e o respeito dios. marcadores de diferentes cores. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. florestas. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. a representar como montanhas. cabos de energia. Metas e objetivos: Desenvolver a com. um país onde existe a igualda. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. como desenharam o mapa. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. dis. um país onde exis. mas o seu mapa mostra o cami. etc. tais nhe o seu mapa de fantasia. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. . folhas de papel grandes.

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. F. 1986.” Comissão Internacional de Juristas. é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos.

que matou sete supostamente feita pela tia de Ö.. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. elementares para um julgamento justo. numa explosão. em que pessoas e feriu mais de 100. S.. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. que irá assistir feita por Ö. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. bem sações. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011. contra jornalistas e rador que indiciou S. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. Ö. trabalha. foi fabricada.. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente. questões de género. legais políticas pró-curdas. direitos humanos na Turquia. vai ser jul. Em 1998. sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. em 1998. dizendo que tinha sido co. Os S. Ö. mais tarde. durante o interrogatório. o tribunal de primeira instân. dos direitos dos ho- Quando Ö. também foi detido. sob tortura. bissexuais e transsexuais. tanto Ö. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente. disse a Human Rights Watch. ao julgamento. Ne- nhumas outras provas.” se encontrava sob custódia da polícia. rotulou a explosão editores.. É a terceira alegadamente identificou S. O seu julgamento é um dos . repetidamente abuso do processo equitativo”. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul. indivíduos que participam em manifesta- ba. documento cujo conteúdo ela desconhecia. incluindo sadas por um atentado à bomba. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S. e a explosão. O procu. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. e Ö. como resultante de um atentado com bom. tendo ela testemunhado um atentado com bomba. S. da cul. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. Es- agido pela polícia.. mossexuais. tras minorias. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. representa uma per- idade. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. S. No tribunal. forenses.. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. defensores dos direitos humanos. os relatórios da polícia retira. foi absolvido de todas as acu. disse Emma negada. “A continuidade deste caso pa de S. ferentes departamentos da universidade. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di.224 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. com bomba. sos. então com 27 anos... quando foi detida. sem justificação.

3. O direito ao julgamen. advogado. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos. Nin. não to. 2011. Pior do que isto. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. efetivamente. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. manos. torna-se evidente que julgamento justo. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. Quais são os motivos para a acusação de S. disse a Human Rights Watch. constitucio- considerado ilegal. Assim. porém. públicas quando os seus direitos estejam dade. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. O que pode ser feito para se prevenir mente. de conhecimento público. Todavia. é comummente a sua presença. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- . vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. na reali. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. uma vez que não se nais. Tal é essencial para a proteção si próprio. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. a execução do poder estatal tem de ser to justo. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”. Esta lei tem de ser ser a sua pena.? A SABER 1. descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência. pilar da sociedade democrática. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. Durante o julgamen. Tur. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. quando são violadas as garantias de um aplicado. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. F. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento.

patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. o princípio do primado do Di- tuições e entidades. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. públicas e privadas. a justiça e a gos.) rante um juiz independente e imparcial. . O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. como Aristóteles.226 II. e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu. proibição da arbitrarie. As pedras angulares cial do processo democrático. nação no qual todas as pessoas. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos. reafirmou a ligação inquebrá. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. separação dos poderes. insti. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. a Conferência Mundial das Na. em conjunto com a nobreza. e é um pilar essen. os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. Em consequência. do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal. quistador. do de direito ao estado discricionário. legislativo e judicial centrais. durante os séculos XVII e XVIII.” buem diretamente para a segurança da pessoa. que preferiam o esta- certeza jurídica. à nobreza. Tam- Primado do Direito. Os princípios do primado gurança jurídica. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. primado do Direito é um dos maiores obs. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. cional. o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. respon. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. em 1066. o Con- em Viena. se. igualdade perante a lei. uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. a quem se encontrasse detido. 2004. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. deres executivo. e o parlamento. cumprem as revoluções civis. Atualmente. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. central foi estabelecida por Guilherme. com base na lei e imparcial. garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. fundamentais. dieval onde. manos. e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. o di- “Para as Nações Unidas. Na Europa. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215). las quais a sua liberdade fora restrita. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei. parlamentar na Europa.

para o direito de do Primado do Direito viver sem medo. social e contribuem. também lacionado com a administração da justiça. vo e judicial que funcione. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. do tribunais. F. a Con- fortemente de um sistema administrati. Em direito ao julgamento justo. estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. Em situações de pós. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. como ditar no Estado e nas suas autoridades. às garantias dos direitos humanos. como Elemento Fundamental contribuindo. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. salvaguardem o sistema jurídico. incluin- parcial da justiça e da boa governação. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. primeiro lugar. Com este fim. o processual (ex: equidade na audiência). um sistema judicial forte de. justo com total igualdade. primei- conflito é particularmente importante ramente. nos. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. da administração im. na realidade. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. assim. O primado do Direito significa. mesmo ao lidar com situações da sentença. Assim. a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. 2004. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva. procuradorias e polícia. diretamente.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. 2. . excecionais. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. um clima pro. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. o pro. como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). venção Europeia dos Direitos Humanos. e não discriminatórias. mado do Direito.

Em muitos países. 11. A pessoa acusada tem direito a in. nulla poena sine lege”). em pormenor. pios gerais do primado do Direito. ou a confessar-se culpada. mentos dos Direitos Humanos da ONU. termos em que. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. nos termos da lei. informados. sempre que o in. equitativas. no caso de não ter Muitas vezes. atempada. Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva.228 II. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. as condições que estabelece. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. 6. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. no seu defensor. indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. plenamente. Do 3. ou fazer interrogar. superior. Todos os acusados da prática de um 10. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. Proíbe .) 7. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. as tes. nais militares ou especiais que julgam civis. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. obedecem aos princípios normais da justiça. Todos têm direito a uma audiência equi. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. a título gratuito. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. a todos os tribunais. crimen. imparcial e estabeleci. O tribunal deve ser competente. especiais. 9. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. um julgamento justo (por exemplo. in. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. ato delituoso. cação de procedimentos excecionais que não terrogar. em que a infração foi cometida. da cional ou internacional. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. em 2007) aplicam-se direito de ter um. 4. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. A pessoa davia. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. segundo o direito na- num idioma que compreendam. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. ou omissões que não constituam um mente. to- testemunhas de defesa. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. o estipulado no PIDCP.

cisões não coincidam com determinadas sadas. fica tratamento idêntico. Significa sim que. . internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. sionais sem serem influenciados. etc. o prin. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. o poder judicial aplicam-se. Exemplos deste controlo. alteradas por autoridades não judiciais. F. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. o constitucionalmente. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. institucional ficaria comprometida. as condições salariais dos juízes. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. Se os juízes pudessem ser removidos. assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. pécie. Todavia. sem discriminação de qualquer es. a sua independência igual pelos tribunais. são outra parte. Todavia. judicial tem de ser similar. similarmente acu. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. somente por juízes profissionais. Contudo. também. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. postos. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes. tribunais de justiça que podem ser com- rente. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. as condi- sistema legal. expetativas ou instruções. aos jurados. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes.

mas deve ser vista a ser feita. a informação sobre denada. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. para que qualquer detido de Todavia. para aí receber um julga.. A este respeito. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. A presunção clusão do público. rio. por exemplo. a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. blico é excluído da audiência. num julgamento justo. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou.]” de crianças).. De acordo com até serem considerados culpados. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. que englobem o processo. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. na medida do necessá- Genebra. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas.230 II. há muito. tal como um qualquer tribunal fe. o pú. no âmbito penal. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. de forma pública. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. Mi- litary Commissions. Este feita. de a não ser forçado a testemunhar contra . ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. O direito a manter o silêncio e o direito nais. o artº 14º do PIDCP. das nos próprios instrumentos internacio. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi. ável. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. (Fonte: Amnistia Internacional. 2011. [. pelos tri. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. desde comprometer os interesses da justiça. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. a pessoa acusada não pode ser con- sentes. Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. Assim. Isto também se ser plenamente respeitado. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

artos 5º. 2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. Colocar. Função dos Magistrados do Minis. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. situação de tribunal. 17º. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). artos 12º. 14º das sobre a Independência de Juí. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. Mulheres. artos 37º. 16º. desen. 13º. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis. 15º. Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. capacida- . 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. F. uma mesa poder defender os seus direitos. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. à frente. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. 12º. 1994 Relator Especial das Nações Uni. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. crítico e capacidades analíticas. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. 13º.

pecialmente. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo. .O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: . Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação. Ter atenção ao desempenho.Grupo de três ou quatro pessoas que apre. em plena igual- pado ou inocente. dele ou dela. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. . Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público.” Reações: Explicar. nifica que se for a julgamento. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações. como furto. apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações. acontecem na vida real? mos de defesa.Um juiz. Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . mento de surpresa pode ter um maior . No primeiro cenário. O ele- uma ofensa criminal. Os outros participantes são o pú. blico no tribunal. .Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes. zação. contra ela seja deduzida. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação. Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso. “Toda a pessoa tem direito. na primeira dramatização. Ninguém mais pode dar Nas reações. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. pode nomear um júri defender.244 II. no segundo cenário. imparcial de três ou quatro em vez do juiz. bem como da sua família e lação? da comunidade.Equipa de duas ou três pessoas condu. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. dificultará o desempenho na dramati- . debater a diferença entre um a sua opinião. Dizer aos procuradores para júri e um juiz. e publicamente julgada por um tribunal soas. por outras palavras. de formação de opi.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. Nomear também uma dade. Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. es- senta a queixa e a escreve no quadro. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está . Parte III: Informação Específica sobre a . Parte IV: Acompanhamento Depois. que isto sig- Reunir de novo os participantes. não existem advo.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul.

Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito. permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra. sa Gerry Spence (ver abaixo).Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? . advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom. deverá o arguido ter. colocada: berschoolbus. a uma defesa competente. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. Gerry Spence. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso. defesa Gerry Spence. Ini- cyberschoolbus.Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi. 2003. ATIVIDADE II: COMO PODE . tão que lhe era. Deixar que os participantes A presunção da inocência. quando uma pessoa processa outra. pagar? . e limites de uma observação neutra. Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. . frequentemente. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. o reconheci. verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo.Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. Se quiser. ou . ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração. formação casos criminais como para disputas civis. sobre um deles). de- senvolver capacidades analíticas e demo. pode colocá- plorar: los no quadro. seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas.org). Isto é válido para crítico e capacidades analíticas.Se for acusado de um crime. capacidades de comunicação. o direito clientes acusados de crimes conhecidos.un. cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim. sem Apresentar o tópico. F. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. de opinião. Texto para a ficha informativa: cráticas. de- Duração: cerca de 60 minutos. discutir o facto de que to.

nificado e propósito.Por que acham que os advogados defen. Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do.246 II. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam. um advogado? Se tiver um advo. 2 . o direito a defender-se a si próprio. A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões. manos não são respeitados. . Definição: Uma pessoa Se o fizer. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido.” conhecidos.Toda a pessoa acusada de um ato de. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- . Não julgar as opini. curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 . Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo. no momento da sua prática.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to. então. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. perder o caso? Se não. exigidas. tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. . Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter. tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto. por este. Pode também referir circuns.Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que. Nin- 1997. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. outras pessoas. se o advogado de defesa sou. Bom. Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen. Constituição ou pela lei. e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento.” razoável e o júri absolver o arguido culpa. das as garantias necessárias de defesa lhe gado.) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito. de quem é a culpa? Culpamos o advo. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. pedir aos par. o neste artigo. brevemente.

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.

tanto em público como em privado. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. pelo culto e pelos ritos. . sozinho ou em comum. 1948. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção.” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. pela prática. LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO. pelo ensino.G. de consciência e de religião. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento.

teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. d. 2010. a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois. Por força daquilo em que namentos de Buda. e condenados. Liberdades Religiosas: ainda um lon. anual de 2010. man Rights Watch. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio. Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. 2011. a 8 de ja. Free Activists Detained on Solidarity Visit. por Egípcios. três homens fo. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. a deixar a família. A partir do século IX se acredita. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos. posto na prisão ou até morto. a ser-se persegui- go caminho a percorrer do.” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. afiliação e prática religiosas.C. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. não é suficiente. – a “Idade das Trevas” da Europa - . assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. gá-lo. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW). é possível ser-se forçado a ne. Diretora da HRW 4. consis. a 9 de janeiro. em casos semelhantes. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. seis Cristãos cop.C.” tes casos? A SABER 1.. 1. No seu relatório De acordo com relatórios. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente.252 II. Egypt: danos à propriedade pública e privada”. detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi. Frequentemente é paga uma 3. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas.

pertencem. vicções. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. tigação dos fundamentos das religiões. àquela No passado e no presente. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. Presidente da Global Ethic Foundation. todos se juntam. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. ral. Letter Concerning Toleration. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. uma igreja é uma sociedade de membros. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. Hans Küng. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza. o que tes países: na Birmânia. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. reito internacional dos direitos humanos. a guerra centes entre crentes e não crentes. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. ção. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular. voluntariamente. 1689. Esta é uma da nessa comunhão. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. John Locke. frequentemente. entre para expandir o Império Otomano e o Is. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto.” gulação das liberdades religiosas no di. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas. no Egito. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. Subsequentemente. por Muçulmanos. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. As crenças religiosas interferem bas. todas as minorias resulta. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. verdadeiramente. aquela fé e culto que é. .” a compreensão do mundo. ou entre lão assustou a Europa. testantes e monges Budistas. G. sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. as- envolvem problemas de etnia. Não outras questões de direitos humanos. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. Por todo o mundo. religiões tradicionais e “novas”. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. voluntariamente. causa da sua permanência aí […] Assim. tante com a esfera privada do indivíduo. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi.

mos pessoais ou impessoais. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. sas. no Irão há discriminação afetam. Este fenómeno tem de ser aborda. na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. grupos e Ismaelistas. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. base na religião e na crença. à segurança pessoal. diretamente. Na China. os Cristãos Evangélicos e o Movi. na Eri. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos. quando estão ligadas a extre. Protestantes. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. Cora. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va.254 II.e. precisa de tão. Muçul. Não existe uma definição comum de re- do separadamente. se. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai. ções. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. Bahai. No entanto. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang. os Cristãos são discriminados. religião. que queira. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente. assistimos a discrimi. gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. A educa- variam do crescimento recente do funda. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. Infelizmente. Normalmen- .e. Tem de ser 11 de setembro de 2001. Por fim. O que é a Religião? mismo. embora muitas vezes ignorada. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. Se não pode acreditar num Deus nistas. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. refere-se a uma “vinculação”. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. da (i. A compreensão do respeito. lor essencial da segurança humana. existem outros numerosos 2. de consciência e de religião são particulares. desde o pode ser alcançada à força. Ahmadis. tim religare. Esta ameaça. a liberdade e a segurança treia. Jeová.. medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. No des ou mesmo a crises internacionais. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal. de crença. As ameaças à liberdade de pensamento. nos EUA e na Europa. es- pecialmente. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. especialmente. até Estados. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. Etimologicamente. Sudão. mento de Pentecostes são alvos de supres. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. os Muçulma. vidual e global. estão institucionalizadas. à intensifica. Sufis. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. Shiitas e Muçulmanos Sufi. vários elementos comuns têm sido mana propostos.

uma entida. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião. ONU. as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”. [religião] in. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. §48. juntamente com com. G. Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição.seja política. no seu Comentário Geral Em comparação. Sacro. tas. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. persuasão ou pro. ções Unidas. giosas são protegidas enquanto liberdade . inclui uma série de ritos e rituais. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo). regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão. encara com preocupa- cendente. a reverência. No seu sentido mais lato. mas nem sempre. O Comité. Absoluto. de legal. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. a não professar qualquer religião ou fé. impondo sanções latamente. várias formas de adoração ou culto. ou não. de um Supremo. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. O artigo 18º. a religião re. como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio. não-teístas e ateístas tal como o direito res. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. 1993. Em direito internacional. Comentário Geral nº22. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. (PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião. seja pessoal ou impessoal. cul- grupo ou as práticas de adoração. consequentemente. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. sua aplicabilidade. no que respeita à e regras de conduta. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. Trans. ado. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”.” O clui todas as formas de crença na existên. Yinger. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. tural. O Dicioná. Mui.

Liberdade de exercer práticas coletivas. como prova o número de “prisio. A lista de liberdades religiosas de religião e fé. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. inclui liberdade de religião e fé e liber.A liberdade de fazer. o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas. assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. . códigos de . gião ou crença. 2. cluindo o direito a rezar. 4. na sua maioria. o que pode de “todas as pessoas”. consciência. religião e fé. quer estes sejam manifestados individual. O direito internacional dos direitos huma. . . individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias. para este fim. convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença. nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas.Liberdades religiosas no trabalho. não teístas e ate. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. po. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. líderes ção de religião e fé e contém.256 II. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. nalmente. Liberdade de não ter religião. tro níveis: 1. ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. pertencem a minorias religiosas.A liberdade de formar. religião ou crença. antes. duais específicas tivo de comportamento. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com. ger ou designar por sucessão. Liberdade de determinadas entidades. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. nomear.A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . de estabelecer e manter locais mundo. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. . trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra. 1. Estes prisioneiros. adquirir e usar. num sentido es. Comporta a liberdade de pen.A liberdade de manifestar a sua fé ou violada. consciência e religião. in- duais específicas. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento. Liberdade de exercer práticas indivi. A liberdade de consciência é várias vezes . igualmente a fés teístas. ístas. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros.

G. força da liberdade de religião. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas. de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública. retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. por exemplo. A liberdade negativa de religião ou neutra- . exclusão.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani. A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- . por conseguinte. baseada na religião ou fé. Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data. tárias apropriadas.A liberdade de manifestar a sua crença. Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos. A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas. restrição ou preferência ou crença em locais adequados.A liberdade de escrever.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas. 4.A liberdade de ensino de uma religião tinção. são proibidas.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha. para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos . . 2011. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º. nº1. con- mencionadas. na religião. da Lei Fundamental ser. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. 1966.O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2. estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. manifestada em comu.) . a liberda- resse superior” da criança. A liberdade de determinadas entidades blico. de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. Alemã. Este facto implica igual. e também o direito de igualdade perante a lei. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. seadas na Religião ou Crença. incluindo os véus no setor pú- 3. . e normalmente é. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos. publicar e di. uma escola não religiosa. 1981. Liberdade de não ter religião . significa que qualquer dis- .

O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. a ordem. mental da criança. por exemplo. Existem. Existem vários modelos princi- . O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. prescrições de uma determinada fé. atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. para proteger a segurança pública. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. cidadãos. regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. na qual estão enraizadas as ticá-la. 1. por princípio. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. no que respeita à proteção das liberda- religiosa. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo. PERSPETIVAS 3. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. Por exemplo. a ensiná-la. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. ensinamentos. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. a transfusão de sangue. em cerimónias religiosas. prostituição forçada. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. Questões para debate automutilação. com a liberdade de religião e de fé. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. no seu país. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. consciência e religião.258 II. a pra. sozinho ou com outros. em casos de sacrifício humano. mutilação genital feminina. Como é feita a educação religiosa no escravatura. A disposi. por exemplo. rituais. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. não permite sa os interesses de outras pessoas. a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. garantias de inde. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé.

religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. Estado. Paquistão. versas entre culturas diferentes. Pelo contrário. Historicamente. quando apenas uma a morte. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. Poder-se-á. e sensível. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. G. liga ta da fé Islâmica. Este facto está em clara contradição com o dade. a lei tra. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). Na prática. a apostasia é ain- identidade nacional. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. Sharia. no entanto. é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. igrejas estabelecidas. proteção da liberdade religiosa da comuni. bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. argumentar direito internacional dos direitos humanos. será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. tal relação entre Estado e Igreja não resul. nas lei Sharia. A pena era frequentemente nhecidas. . o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. dos apóstatas. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés. o Islão. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. No entanto. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. que quando o Estado está ligado a uma igre. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. por exemplo. Países como o Afeganistão. é mais provável Irão. Índia. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. Indonésia. Do ponto de vista ocidental. inexistência de religião oficial. O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual.

privilégios para que a pessoa se converta. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. Turquemenistão. Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. a questão de saber o Chile. na Áustria. Esta ação de. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . há uma certa disposição de cartazes ou paineis. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. O direito dos direitos hu. Tal Lei foi sim. forçar alguém a conver. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos. instalações militares. obrigatório ainda existe atualmente. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con. ter-se a uma outra fé. em França. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. consequentemente. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. pelos governos. Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. noutros países como a Bielorrússia. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão.260 II. Turquia. A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. No entanto. direitos humanos. (por exemplo. o direito a recusar-se No início de 2006. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro. desde que não litar seja usada força ou coerção. prisões e afins). de Leste e em África. tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. presentes ou transportar uma arma. proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. no Reino Unido.

Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. 2007) ou a decisão so- a intolerância. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. A ênfase deve ser direitos à vida. 2011). Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. as ONG. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. Caso Lautsi et al c. Áustria. ciência. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. religião e ideologia. O maior problema relativo à implementa. 18 março. xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. G. No entanto. é necessária uma Estados. discriminação religiosas. tem um certo munhas de Jeová et al c. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. culativa. cional quanto à necessidade de uma con. efeito legal. de da não discriminação religiosa e da tole. Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. 31 julho. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. claração de 1981. aponta nessa direção (vide TEDH. foi instituído o mandato de Re. 2011. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. cons- para monitorizar a implementação da De. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. Apesar de haver acordo interna. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. que a aplicação da lado. Rússia. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. violações dos abitação multirreligiosa. 5 abril. em Estrasburgo. em geral. Por outro respeitante ao Sudão. turas sistentes com as disposições da Declara. as organizações religiosas e . Muitas decisões. 2008. Caso das Teste- base na religião ou crença. Itália. integridade física e segu. ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. dedicada à luta contra vo c. num caso no que respeita a questões de fé.

o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. é a primeira iniciativa do género a con- manos”. com o seu grupo de trabalho per. plataforma comum. Jains. campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. Zoroastrianos. Cristãos. padres. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. nia. É Nós podemos começar a prevenir a discri. e não crentes para que res de outras fés. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. • Na Europa. às • No Sul da Índia. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. programas educativos e termos religiosos. • Fundação Ética Mundial. vidar políticos urbanos e representantes . BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. Entre muitas outras. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas. conflitos. tas. ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. de defender os persegui. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. re. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. dança de atitude. Muçulmanos. CONVÉM SABER 1. estas • No Pacífico. semos a discriminar. a sua prática. a “Clergy for Peace” munidades de crentes. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. Significa igualmente que educação. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). permitindo. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. ne Hindus. por todo o mundo. • No Médio Oriente. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu. da comunidade. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego.262 II. tendo em vista o desenvolvimento tes fés. Diálogo Interreligioso Existem igualmente. Paz. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. também necessário. deste modo. respei. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra.

Uma seita geralmente • Na Alemanha. no ca do modo como os revolver. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque. e práticas. 2005. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. manos de todo o mundo. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. das principais religiões nas suas crenças rais. eventualmente. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- . Inglaterra e noutros pa. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação. estabeleceu Cultos. na Áustria. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro. situada a sul de Jacarta. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. A educação interreligiosa encoraja o res. lizando escritórios e outras divisões. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect. os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. serviço comunitário e de fortaleci. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. mas foi in- capaz perante tantas pessoas. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. Muçulmanos e Cris. ligiosos sos. ligiões tradicionais do mundo. valores éticos e mo. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. enquanto culto textos escolares. recorrente de discriminação e repressão. sábado. recentes Cam. refere-se a um