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COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

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PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

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PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

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AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

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NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal. por exemplo. Por outro lado. nos” em detrimento da expressão “direi. a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. duzimos a referida expressão por “co- tugal. no Brasil. como comunidades Roma. pelo que não tra- Humanos). demos tes que se autoidentificam. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. Por sua vez. da expressão “Roma Community”. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. a ex. xuais que. sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. Ashkali. . por exemplo. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. Manouche. Cremos que o tos do Homem”. com a pa. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. no caso de Por. Sinti e Cigana. vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. no Brasil. como é o caso Europeia e na ONU. recebe a designação de “estupro”. pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al. na versão inglesa pretende (exs. direitos humanos”. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. Esta opção. no Brasil. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. preferência à expressão “direitos huma. mesmo quando ela ain. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária. Fizemos esta opção. que “recomenda que inglesa transmite. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa.

desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. ao comportamen. em diversos da UNESCO. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento. Para mim. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana. para 15 idio- direitos. mas diferentes. do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. as aspira- em 2003. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. também en. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. Síria ao Iémen. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. até hoje. mas também lhes deve num momento muito oportuno. A educação em Graz. política externa da Áustria. tivas que encorajem as pessoas a melho. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento.ETC). seus utilizadores. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . Tam. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. ternacionais de renome. é promover e apoiar inicia. tra focada no Mundo Árabe. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. surge direitos humanos. países e regiões. Esta edição. Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. damentais e inalienáveis. Oferece módulos de dignidade. num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios. De forma cação para os direitos humanos. um dos ob. Executivo da UNESCO. na Áustria. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas. situações e regiões. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. Por consequência. reorganização.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros.

porém. manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. contribuir para fortalecer o prima. económica. Podem. social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. justiça e democracia. misso e esforços empreendidos para esta nação democrática. Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. e social. janeiro de 2012 fios e. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. responsabilização e esta- bilidade governativa. de Formação e Investigação em Direitos assim. ao utilizarem este manual como um . os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. como uma estratégia importante para a democratização. Viena. Podem ser utilizadas como for. o que é reconhecido importante publicação. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. for. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. Dr. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. contribuírem para a nas esferas política. para promoverem o desen.

bem como de entidades intergo- em Graz. em 2002. numa perspetiva orien. pela primeira para a Segurança Humana. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). de modo a Áustria. mais o Manual atingirá adaptados. Benita gionais e culturais. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. na sua ver. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. Chi- borado por uma dedicada equipa de re.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. Árabe. em 2002/2003. vernamentais e não governamentais. Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. ETC. Áustria. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. na Graz. nês. Hoje. A Rede de Segurança Humana é compos. apresentado ao público. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. Em 2006. a Rede en. Alemão. cia (ETC). na qualidade de Presi. com a criação do Conselho de Direitos . O Manual. todas as regiões. com o fatizou que “os direitos humanos forne. Consiste em módulos de do Mundo. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. em rial da Rede de Segurança Humana. Portanto. atualização do Manual. Russo. Foi ela. adotada pela vez. mação de formadores. Humana. Portanto. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. Albanês. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. Francês. determinados a resol. o Manual “Compreender os Di. de formação. rança Humana. de utilizadores de todo o mundo. a 10 de maio de 2003. tada para a prática. a Educa. con. Em muitas ocasiões. Porém. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. nacionalidades. através de sessões de for- regiões do Mundo. na o Manual para outras línguas. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. ponível em Inglês. Isto foi possível. tem recebido críticas muito positivas gurança humana. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. pelos seus utilizadores. apenas três anos Ferrero-Waldner. o Manual está dis- dente da “Rede”. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. culturas e grupos sociais nuíno e prático. após o seu lançamento. Espanhol. na Reunião Ministe. Sérvio e Tailandês.

Viena. a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis. Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos. . face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham. maio de 2006.

a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos. É Humanos da Europa. Conflitos Armados. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC). 9 de maio de 2003. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. Segurança Humana. dos da Rede e em todo o mundo. bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. na minha qualidade de Presi. Rede. . O Manual inspira-se na Declaração de ferência. A segurança humana requer uma compre. em Graz. esforços. Pretende-se que seja por isso que. Destina-se ao uso Graz. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. ao desen. como temas prioritá. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. Direitos Humanos. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. seu mandato. Com esta finalidade. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. de modo a beneficiar a segurança nos.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes. em Graz. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. comunidades o seu principal ponto de re. consciencializa pirará ações subsequentes. através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. às diferenças culturais. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. na reunião de 10 de maio de 2003. na execução do volvimento de competências e à transfor. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. ção em Matéria de Direitos Humanos. in. Áustria. para os Direitos Humanos. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. hoje e no futuro.

19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz. com a aju.at. com a este desafio pioneiro e inovador. pro. A primeira edição foi apresenta. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www. Finalmente. da pelo ODIHR/OSCE. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi. e outros. sob a direção de zada pelo Vietnam. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”. ropeu. aos esforços Sociais. em Tetovo. Suécia. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. O Ministério dos Assun. Dois encontros de peritos.etc-graz. ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. Cultura austríaco. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional.manual. atualizada baseada na terceira edição. da do PNUD Mali. mana. o Ministério para a Educação. até ao momento. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. língua inglesa. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. e PDHRE Mali. pelo Instituto de línguas. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. árabe foi proporcionada pela UNESCO. e do Humanos e Democracia. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. no nos da Universidade de Pristina. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. em particular do Ministério dos em Paris. verdadei. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . principalmente.

Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C. especialmente. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. (Universidade de Graz) lho. Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). Em particular. Bouvier (CICV Ge. amigos e instituições . Boivin e Antoine A. primeira e se. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. (ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. Revisão de provas: Matthias C. conselheiros. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz). à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual.20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. primeira e segunda edi. Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz). Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. Schrotthofer e Wolfgang Gosch. Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp. Introdução ao Sistema de Direitos Huma. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer.

que. gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz. Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. Finalmente. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. . Manuela Rusz e a equipa – Genebra. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. Anton Kok – Centro de Direitos Hu. do Instituto de Direito Internacional e Re. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. Yan. bra. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. apoio prestados. Debra Internacionais. valiosos comen. a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque. ros austríaco.

e uma terceira. Uma equi. cionadas bio e consciencialização interculturais. vel para o utilizador. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa. de Segurança Humana. sob a presidência que contém dicas metodológicas. a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração. Para facilitar a navegação através do texto. Por fim.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos. Estrangeiros. especial com temas essenciais selecionados. uma parte educadores. no âmbito do intercâm. enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos . O Manual “Compreender os Direitos Hu. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível. adicionalmente. O Manual apresenta uma compilação sele. tanto por educandos. . para formar futuros formadores e para abrir um . nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. útil. o Manual poderá ser um . con- cias e para a transformação de atitudes.a saber de Segurança Humana e outros. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. para educandos e edu- cadores. bem utilizadores. dos países associados da Rede .perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. de modos diversos. . em vários contex. . surgiu do ETC Graz. a saber. como uma humanos na vida diária. como por damentos dos direitos humanos. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana. são ativa. informação austríaca.22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos. corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. Tal como está desenhado. os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio.atividades sele- fórum de debate. uma introdução geral aos fun. Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos.boas práticas tos culturais.para mais informações.

podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná. nhecimentos em direitos humanos. adultos. E os in. com materiais didáticos e atualizações específicos. continuamente. curso.pt/igc/manual/ tivas inovadoras. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e. adicionalmente. poderá começar com a parte em http://www. página de internet. através de metodologias educa. deliberadamente. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. werpoint. que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. educadores e da educação para os direitos humanos. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas.at. dos recursos adicionais. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos.manual. com as preocupações da sua comu- histórias.html. po. para todos os módulos. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos. tanto a jovens. como a index. poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. ter em conside.etc-graz. em lín- “a saber” dos diferentes módulos. Se procura internet. oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. Gosta. Além disso. portuguesa em www. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. Para os que procuram exemplos de ques. uma secção para rece- . hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução. formadores. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. gua inglesa. disponíveis as versões nas várias línguas. op.uc. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los. mentários. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos. na sua manos.fd. o ETC criou.

das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do . – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM . CIPD .I. Viena. a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa.Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI . Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na. CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen.Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes. mo e a Intolerância te Asiático) C. melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu.Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con.Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África.A.24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos. Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD .Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos.

Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina . Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia. IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida. Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen.Convenção Quadro para a Prote. -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen. IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa. LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT .Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN . Graz.

UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res. gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra. Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di. – Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. Relacionados com o Comércio) reitos Económicos. al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) .26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De. SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In.

Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher . VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni. Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set.

Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C. Direitos Humanos da Criança 303 J. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H. Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. Declaração Universal dos Direitos II. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M.28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. N. H. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. O. Glossário 578 C. Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 . Direito ao Trabalho 353 L. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F. Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Direito à Saúde 165 IV. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI.

Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr. Conselho da Europa – a. Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K. Visão guesa 3 geral . História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A. Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L. Desafios e Oportunidades Glo- I. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M.Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b. Compreender os Direitos Hu- manos 44 II. Europa – Instrumentos Euro. Selmouni” E. Implementação dos Instrumentos 1. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F. O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2. África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I. . A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C. Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G.2.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra . PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D. Direitos Humanos e a Sociedade Humana . Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. O razão é a tortura praticada? . Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III. Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A.Como é Cometida a Tortura? I.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1.

Introdução – Pobreza e Seguran. Prevenção da Tortura (APT) .3. Atividades Selecionadas: 129 3.2.Os Pobres são Internacional . nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1. Cronologia digo de Ética – 2.Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po. Perspetivas Inter. vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão . Implementa- – 4.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos. – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional .Po- gradantes . MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B. mo – Violência Racial . rais e Questões Controversas . mitismo . ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In. Humana . DIREITO A NÃO VIVER NA PO. breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas . Tendências . Implementação e Monitoriza.3.Iniciativa Europa 2020 .Exclusão Social . cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) .O Conselho Con.4.2. Boas Práticas – Atividades a Ní.Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? .Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza . Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 .O Comité Eu. – Acordo de Cotonu .Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza . Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) . Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1.Progra. Definição e Desen. da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1. Tendên- Governamentais (ONG) – A Am. Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con.Antisse- breza .Xenofobia – Fenómenos . “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun. Man. Boas Práticas . formação Adicional 132 tra a Tortura C. – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2.Có. Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? .30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura . Perspetivas Intercultu.3. Definição e Desenvol- ça Humana .Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades .Ati. 1.Protocolo Facul.

Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Mental e Social . gresso Científico – Globalização e o ção . Boas Práticas – Códigos de Con. Definição e Desenvol- . Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico.Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade . Aceitabilida- Preconceito . Perspetivas Intercultu- .4. Perspetivas Inter. Memórias . E. DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D.Mutilação Genital Discriminação Racial.O VIH/SIDA . Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi.” A Saber: 168 A Saber: 193 1. Xenofobia Feminina (MGF) . Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute. cina Tradicional . Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas .Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In.3. Implementação e Intolerância Relacionada – De. Implementação e Monitoriza.4.Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3. senvolvimento da Saúde – 3. Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 . de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais .Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma.Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1. O Direito Humano à Saúde num 1. Mulheres – 2. Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . Tendências – A Relação en. de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- .4. Acessibilidade. e Monitorização .2. DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T. Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana . ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade. Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú.Respeitar. 1.A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2. Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen.Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo.3.

vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 .Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe.3. ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé.4. Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais . 2. mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 . . G. Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” .(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Eficazes .Atividade II: “Como 1.Mediação e Arbitragem F. de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE . Imple- de Informação Digitais aos Direi. mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4. Perspetivas Interculturais e Ques.O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul.32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros. Introdução .2.Os Direitos Hu. PRIMADO DO DIREITO E JUL. dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica . Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em . Boas Práticas .Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .Objetivos de De.Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In. mento Justo . – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) .Direito à Caução – Disposi- 1.3.Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” . Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2.Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio. Tendências .O Primado do Di.A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3. Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito. Julgamento Justo e Se.A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch . Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas . 1. Implementa.

Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re. Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. 4. Tendências – O 1. Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li.Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais . Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3. Boas Práticas.3.3. vel? Aceitável? Adaptável? .Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1.Ativi- ligião . Definição e Desen. 2.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2.Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3. Tendên. ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2. 2. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos.“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. Minoritárias . Definição e 1. formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I. Ambíguos . ção . Quadro de Ação de Dakar . Definição e Desenvolvimento da . Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais . cação para Todos .Edu- religioso para o Pluralismo Re.Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2. DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. Educação para Todos: Resultados cias – Cultos. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Introdução . Boas Práticas – Diálogo Inter. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”.Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa. Seitas e Novos Mo. A Luta para Proteger os Direitos 1.

34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian. Perspetivas Inter- Criança? . dências – Tendências relativas a des das Crianças . Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó. Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança . diais relativos a 2010) . Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho . Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce. Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de .Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi. Boas Práticas – “Juntando Pes. DIREITOS HUMANOS EM CON. Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo . Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de .2. Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4. que o DIH é aplicável? .3. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas . Imple. quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es. – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di. Defini- tado – Não Discriminação da Crian.2.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re.3.2. Ten- Atividade I: Direitos e Necessida. na – As Origens do DIH . ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio.3. 1. Aspetos Geracionais e de Gé. 4.A Abolição J. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In. Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci.Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3.1.DIH en- pação.

A Declaração Universal na – 2. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4.Programa In. para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2. DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? . Implementa. “Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His. e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos . ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3. Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1. Pers- Pacto Internacional sobre os Direi. petivas Interculturais e Questões tos Económicos.Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho . dequadas” tórica – 2. O Mundo do Trabalho no Sé. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! . Ten.Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. Definição e Desenvolvi. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1.3.Atividade II: “Vestido K. Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga. Órgãos de Monitorização . Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di.Fairtrade Labelling Orga. Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. Ampliados para Parar. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT . grafia Infantil – 4. rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . Interrogar e ção . Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In.3. tificação Centralizados . Sociais e Cultu.De. Boas Práticas . Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus.

Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3. Questões Controversas – O Debate reito. Liber. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex. são/Informação tória de Marianne K. de ADN do Reino Unido – Decla. O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. Boas Práticas – 6.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5.Org Outras ONG – 4. mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5. Meios de Infor- gilância. Tendências – Listas de Vi. DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste. Relevância no Passado e no Pre. Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M. Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos . A de Expressão e a Internet – 3.7. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N. Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3. Imple.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão . Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1.3. Cro. Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di.2. Democrática – 2. em inglês) . Muçulmano . Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização . – Formas de Democracia – For- safios – 2. Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4. Mu. Boas Práticas – Privacy. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea. ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. para reflexão – 4.O Papel tos Humanos (ODIHR. e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana. 1.

África do Sul – 2.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas .Atividade II: Um Mina.Desafios Conce.GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas . Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. e outros c. Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? . Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 .H. A Luta pela Proteção dos Di. nia – 4. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 . Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo. das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi. o papel das OIG. Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma. Perspe- 1.GDM (Minority Rights Group 1. Jurídica. e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici. das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O. der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas.2. Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. Repú. Definição e pean Roma Rights Centre . Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . Integração e Coesão – 3. em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu. 1. Tendências – Au. para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2. Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia . com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In.União Interparlamentar (UIP) . DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D. Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono.

Implementação e Mo. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F. Definição e Desen.38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu. lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. D. A. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B. o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. GLOSSÁRIO 578 1. Cronologia Humanos . G. RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. tal como Definido pelo Di. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2. Tendências – Deslocados In.

vidas diárias. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. suas normas e padrões. Nas páginas deste li. redese. outros. em respeito e confiança de poder tas páginas. 39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA . casas. pretende pro. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei. interconexão e interre. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. esperança e expec. muitas comunidades em todo Muitos partilham. refletidas nes. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa. pretendemos gerar. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. as suas o mundo. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade. criativo e positivo. são impelidas para re-imaginar. acei- privações. mos quaisquer outras opções. todos relevantes lhado. 25 anos. Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran. nas nossas vizinhanças. neste livro. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. experiências e os seus conhecimentos. nestas páginas. esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. À medida que este processo te pela maioria das nações . humana. orientado pela visão ho. agora nas suas mãos. de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. da nossa existência económica. “O que podemos nós fazer em relação aos . nova compreensão dos direitos humanos. como forma de vida.tem menos de dignidade. À medida que examinamos as articula- vro. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social.UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI.no entanto. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te. em relação do um sentido vital de responsabilidade. mentor e monitor de direitos humanos. tanto mulheres como homens. À medida que integramos o bilidade social.

inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. Todos html). é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. Gota a gota. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. passo a passo . com a igualdade sem discriminação. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. Todos nós nos afastamos mina a sua realização. O edu. Unidas. por esse facto. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. É esta “violação de direitos humanos” e rém. temos de nos en. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota. prevalece no mundo. per. nós humilhamos os outros. nos. Nós dizemos. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos.pdhre. dis. manos é inerente a cada um de nós. dos direitos humanos. todos. uma aprendizagem signifi. tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. e que todos os conflitos têm de ser resol. as pessoas saibam. É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi. se conhecido e reivindicado. por que todos ansiamos. teram em implementá-los. valece. reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem. Rosa sentido da sua realização plena. volver num trabalho de amor pela mudan. frequentemente devido ao medo da muitas outras. que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA. assim como os homens. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”. homens. Com apropriação. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. vidos. corretamente. possam conhecer os mulheres. da humilhação de forma espontânea. tente imaginar os direitos humanos como . tegração social. a ignorância sobre os direi- humilhação. A isto. trocam direitos humanos como inalienáveis. compromissos (www. o conhecimento dos direitos hu. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. mulheres. Aprender que os di. Infelizmente. passo a passo. po. planeamento e ação. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. Parks. direitos humanos e. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. criado pelas Nações humano e societário. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. a igualdade pela sobrevivência.org/justice.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res.

Não temos quaisquer outras Pio Munzo. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. for Human Rights Learning (www. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di.) . das para os Direitos Humanos. em 2003. reitos humanos irão elevar e fortificar as org). para protegerem as suas comuni.pdhre. pela sua “Contribuição para opções. as pes. Quando vêm as cheias. recebeu o prémio das Nações Uni- margens. PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente. a Humanidade”.

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I.” Sérgio Vieira de Mello. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. 2003 . a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos. Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si. os direitos direitos humanos. formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. peitados. sociais e cul- aceites. Direitos Humanos de Viena. económicos. não apenas tolerados. Do mesmo modo. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. todos os conflitos têm manos. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. ado. juntamente com a to moral. humanos garantem a igualdade. modo a procurarem a transformação da tos humanos. Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. Durante o século XX. de ordem pú- tre mulheres e homens. reitos económicos e sociais. em 1993. 1948. bem como de opinião e de meios pacíficos. No século XXI. Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. condições de vida condignas. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. saú- pação. Este conceito coloca direito à segurança social. incluindo a igualdade total en. assim. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu.44 I. tal como Contudo. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. Os con- a liberdade de pensamento. turais. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. liberdade. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. isto é.” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). sem medo e sem privações. tais como o to de direitos humanos. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei. sal dos Direitos Humanos (DUDH). Pactos paralelos que. civis. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. requisitos de moralidade. humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. de ser resolvidos no respeito pelos direitos . blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH). os direitos hu. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer. político e jurídico e como linha DUDH. justa. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. refere divíduos. Aqueles pilares surgem em detalhe.

social e económico cen. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. A. [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. proteção. A abertura decorreu a 10 de sados. ne. bro de 2007. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. […] A educação deve facto. mais do que qualquer outra lingua. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. DUDH. sofrer algumas restrições. De direito à educação. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal. Nações Unidas (AGNU) 49/184.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. os Direitos Humanos. em dezembro de 2011. embora em tempos de emergên. todos. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . adotou-se a Res. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. baseada no respeito. dezembro de 1994. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. PDHRE. Direito à Educação Upendra Baxi. cionais. que poderá ser formal. “A educação. A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. a funda- vida. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. iniciativa foi Shulamith Koenig. civis. dora da People’s Decade for Human Rights . dos direitos humanos. DUDH. mulheres. No seguimento. satis. 62/171 assumidas por todos os atores e interes. proclamou a Década manos. Através da aprendizagem dos di. funcio. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. Inhuman Wrongs and Human Rights. reitos humanos. 66/173 da AGNU. bem como dezembro de 2008. 1994. da AGNU).” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. fação.” direitos humanos[…]”. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. Deste modo. Direitos Humanos 1995-2004. Em 18 de dezem- mento humano. preocupações políticas. económicas. de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. sociais e culturais. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. homens. pela sociedade civil.

vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção. e princípios de direitos humanos. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. primeiramente. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral. alunos. que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. baseada nos direitos humanos”. nacionais. A 10 de dezembro de 2004. Ou. os reclamem”. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. que inclui o empoderamento de pesso- . funcionários públicos. modelação de atitudes. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di.46 I. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. a longo prazo. nos em Genebra. cia. A 2 de dezembro de 2011. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. religiosos e linguísticos […]”. zade entre todas as nações. três em três anos. primário e secundário. povos in- neta.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. de 23 de dezembro de 1994. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. parafraseando Nelson Mandela. a tolerân- de. no nosso pla. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. Em concordância. a AGNU pro- dos”. que inclui a transmissão de conheci- ção. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007. tornar os direitos hu. agentes poli- Humanos. o objeti. étnicos.

em harmonia com o Programa Mundial da dade. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. Todos os inte- conhecimento. estratégia de implementação que delimita zação. A mes. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. dos direitos humanos. em julho de 2000. com base num sistema global de valores . a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. Neste contex- segurança humana. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. Human Rights Center of the Univer. uma estratégia rumo à segurança humana. a insegurança e a vulnerabilidade. to. para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. estabelecer uma cultura política global.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. Os Esta. B. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. designadamente. Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações. que promove a equi. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. a experiência do Holo. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. sempenhe um papel importante. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. em particular. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. a tolerância. O pre. assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. decorreu em Graz. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. manos. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. visa proteger os direitos humanos. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”. é. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. isto na.

consti- humanos já existentes. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re. que esteve na vidas diárias. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. mocracia. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. Canadá. como parte para as normas e direitos. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter. através da transmis- (ex. em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”. Maio 2000. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. abordagem orientada para o poder. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. and State Sovereignty. quentemente. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos. 1994. Os direitos humanos.” PNUD. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman. na construção da paz pós-conflito. Contudo. Humana. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. As organizações da so. base do desenvolvimento da doutrina da . de segurança social (ex. na transformação de conflitos e de necessidades básicas. também são um conceito chave desenvolvimento.48 I. corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. tam ameaças à segurança humana e. gurança pessoal. bility to Protect and GA-Res. pobreza. Human Development Report 1994. também os direitos (ex. proteção contra a detenção arbitrá. mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. humanos desempenham um papel na gestão ria). suprimento de conflitos. A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. 60/1 (2005)]. de um modo descentralizado. são de conhecimentos. como a seguran. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. Referimo-nos a problemas de se. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. 2001. justiça social e democracia. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. (Fonte: Departamento e da prestação de contas. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional. o direito a viver numa ordem inter. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. 1999. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. do desenvolvimento de nacional segura). A “Segu. em vez de uma do conceito de segurança humana.) mento da sociedade”. de um aumento da transparência humana se baseia. discriminação. Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. da democracia e do de conflitos. As políticas de se. por uma Comissão Inter. conse- Há diversas relações entre os direitos hu.” das pessoas. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. Lucerna.

to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. a 10 de maio de 2003. são antecipados e tecidos numa rede coe. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados. orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito.” Louise Arbour. “Precisamos de uma nova cultura de rela. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […]. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. ponsibility to Protect in the Modern World. Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado.html). nhecer os seus direitos humanos. “O desenvolvi. da ONU para os Direitos Humanos. na essência.” humana no seu centro. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana. Costa Rica. segurança humana das vítimas apesar de. A Comissão para a Segurança Humana. distribuído e utilizado amplamente. B. PDHRE). . ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. 2005. rança Humana (www.humansecurity-chs. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. org/doc/sanjosedec. em Graz. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º). anterior Ministro dos Negócios Es. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). ironicamente. cional. estritamente concebidos. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. amplamente baseada nos direitos huma. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. A Comissão elabo- nos. relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. por fim. aprovada pela humanos. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. mcharan. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. que deverá ser traduzido. que pode ser obser. (Walther Lichem. de forma crucial. em dezembro de 2001. mas também. 2009. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. humana. Res- Nações Unidas. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. manos e a Universidade para a Paz. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran. Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. De acordo com Bertrand G. em San José. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”.

Depois de um rela. Também este distingue na. A verdadei- ral realizou consultas. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. Franklin mento sem segurança. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós. human rights for all. Kofi clusão. Secretário-Geral da ONU. ângulo do desenvolvimento. A relação entre a viços de saúde. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. da liberdade e da paz” (§12). contingentes e direito de viver sem privações. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. a segurança alimentar. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. à Segurança Humana. correspon. 2005.” económicos. O Relatório “In Larger Freedom”. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. em 2008. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. sociais e culturais é tão rele. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. contém direitos económicos e sociais. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. reforçam-se mutuamente. os ser- (freedom from want). direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes. em 1940. abordagens regionais relativas à Segu- . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra. Sérgio Vieira de Mello. os conceitos de segurança huma- Annan. “Hoje. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. In larger freedom: towards development. de Segurança Humana. 2003. Porém. interli. pen- 2005. Sociais e Culturais comuns. em 2000. do PNUD.50 I. Kofi Annan. ser construída sobre esta base. Mais. não se desfrutará Roosevelt. a participação política. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. uma dis. os for fear). Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. mano. inspirando-se nas gados e indivisíveis. que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. apresentados como uma se desfrutará nem de um. usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. de 2005. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. por sua vez. do Secretário-Geral da ONU. vários indicadores. a Assembleia-Ge. são interdependentes.

Na conduz a uma redução dos conflitos vio. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. Ainda que o conceito moder. direitos económicos. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. que se setembro de 2001. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos. A “regra de ouro” segundo a e do Sul. Por exemplo. são parte de todas as culturas. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro. rorista do World Trade Centre. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. A ONU. tado. os no liberalismo e democracia. O mesmo vale para a vimento. os ci- mentais de justiça social. René Cassin e Joseph Malik. Atendendo a que. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. sociais e culturais. Europa. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. declarada pelos crática. direitos humanos obriga qualquer Estado . Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei. e pelos direitos económicos e sociais. tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. versal. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. do da “Guerra ao Terror”. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. enquanto o conceito de humanos. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. elaborou existe de variadas formas. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. que representava os seus nacionais cial. com fortes influências do Oriente ros no Islão. C. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid. historicamente. porém. é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. ses de segurança. Desde 2005. dos seus pobres e para as noções funda. equilíbrio entre a segurança. deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. C. em todas as a DUDH. do Norte e do Sul. os direitos humanos. a liberdade e na 2009/2010). o im. com fundamento na fi. designadamente. Este Relatório mostra a rela. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. em virtude das tempos modernos. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana.

traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. cance mundial. de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. mas também aos civis envolvi. Europeia de 2000. homens. a vações – que. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. para os seus habitantes – em todo o mundo. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. quando se . da Segunda Guerra Mundial. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. que todos os homens teção de não nacionais. A segun- religião. Tinha certos direitos inalienáveis. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. voltou a ser um tema central. em 1789. e na proibição da escravidão.52 I. dentes por si mesmas. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. o direito huma. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. em 1776. Roosevelt. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. são criados iguais. 1776. a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. Que a fim de assegurar esses di- inimigos. Recursos Adi. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815.” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. Deus. 1941. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. reitos. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. 32º Presidente dos Estados Unidos. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro. Olympe de Gouge foi uma lávia. uma vida saudável e em paz. do.

em 1968. respetivamente. que correspon- como uma componente indispensável do dem. tal como acordado no quadro terdependentes. manos e liberdades fundamentais”. reclamava a exis. nos básicos. Teerão. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. D. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. na. o conceito de direitos huma. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. acordou. direitos humanos. e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. sob a direção de Klaus Küng. os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. interpretan. em larga medida. O projeto internacional “ética Viena. Desde então. altura entre 48 países. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. por consenso. A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu. §5). com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. da globalização. em 1993. As “teorias contratuais” históricos. promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. de 1993. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”. que mentos de uma ética global. D. c)). como Direitos Humanos. económicos e culturais. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. e que constituem ele. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. tivo. culturais e religiosos. al. em muitas partes. clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . em Teerão e em Vie- na. partilham valores comuns. mas nenhum Estado se atreveu real. ao passo que a perspetiva cosmopo. Mali. do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. nº 3 e 55º. Filósofos. na mundial”. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. 1993. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH. con. sistemas políticos.

” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon. A Convenção sobre a Elimina. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. Porém. Alguns cé. Em concordância. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países. social. sociais e cultu. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. Nos anos 80. como a liberdade de expressão. em oposição aos direitos civis e políticos. sociais e culturais. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. a outra. no sentido de que uma cate- políticos. tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. tal como na Conferência embora com muitas reservas. los direitos económicos. ambiente saudável. em 1968. muitos mais Estados demons. ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. De qualquer modo. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. os direi. mento. A terceira categoria é designada rais. do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. ainda que com o seu consenti.54 I. o direito à paz e à segurança. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi. Teerão. ao passo que Mundial de Viena. Podem ser dis. consagrado na Carta das Nações dependentes. No passado. em 1998. 2010. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. “os ou seja. Porém. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. sociais e culturais 1966. como a China. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). Em Teerão. Boutros Boutros-Ghali. na segunda em particular. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. em 1993. uma categoria adicional de em 1993. liberdade. os outros direitos. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos. em janeiro de 2012. humana. desde então. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. Nações Unidas. uma vez . nº1 do PIDESC). Secretário-Geral das Nações Unidas. paz. o Líbano ou o Chile se en. em 1968. Artº 2º. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH.

e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. votaram pela sua aprovação. Os requisitos da União Europeia e do Con- ral. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. D. Po. um Grupo de cional. Independentes. Individualmente ou em niu. dos seus direitos humanos. complementam os regionais europeus de direitos humanos. como autori- racterísticas étnicas. Enquanto os direitos humanos são os di. 143 países Estados-membros apontam nesta direção. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. na preservação da sua identidade cultural. como o direito de voto. revendo uma declaração anterior. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. do Canadá. de 1993. de professar ou prati. e em instrumentos tural Imaterial. em 2007 (A/RES/61/295). A Comis- conjunto com os outros membros do gru. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. direitos humanos e os direitos das minorias. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. a sua relação com a terra. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. religiosas ou linguís. desde 1982. Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. em 2002. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . para os Assuntos Indígenas. da Terra”. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. Trabalho relativo aos povos indígenas. regional ou universal. car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. com apenas Contudo. adotou a Convenção nº 169 rela- país. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. ao nível na- povos indígenas. quer detenham (OIT). que se reu- ticas particulares. Os e da Austrália que. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). Em 2001. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais. de 2003. foi humanos e direitos das minorias que são criado. propagados por alguns grupos. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. em particular. em 2000. pela primeira vez. de 2005. dade subsidiária do ECOSOC. Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. ou não a cidadania de um determinado em 1989. entretanto. Portanto.

As nossas escolas e comunidades. logo de civilizações. que tem lugar na ONU. 2010. base em fatores históricos. mulheres no seio de determinadas culturas. religiosas e cultu. mas. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. rais. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. Alguns Estados invocam as suas particu. entre outros efeitos.56 I. por nós concordarmos em denunciar. e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações. de 1995. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948. a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos. Consequentemente. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas. existência de diferentes abordagens quanto lheres. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de .” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. ao reconhece. No entanto. Secretário-Geral da ONU. e a elaboração da CEDM. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. de direitos humanos. Segunda Guerra Mundial. de 2003. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. de 1979. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. na Convenção rais. nas sensibilidade relativamente ao género. ao mesmo tempo. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. E.). para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa. qualquer agenda para o diálogo. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. palco das mais cio com a DUDH. confrontarmos o preconceito. O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados. no trabalho. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. con- tribuíram. O diá- seres humanos completos e iguais.

Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente.Convenção contra o Genocídio (1948. tendo como resultado a adoção . Em janeiro de 2012. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria. direitos humanos das mulheres. bros das Suas Famílias (1990. a Comissão das Na. E. adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos.Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições . com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi. sociais e culturais (PIDESC). minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965. ça (1989. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre. com 173 Es- de apartheid. desumanos e degra. ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos.Convenção contra a Tortura e Outras venções. com 165 Esta- reitos económicos. ro.Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948. Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . Todas as Formas de Discriminação lheres. indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. Desu- Nos anos 60.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. tal como foi cometido contra os específicos. Económicos.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas. No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. manos ou Degradantes (1984. dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . . dos países em desenvol. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em .Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu. de 1979.Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. sobre . lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio. . através camente vinculativas. um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos. com 193 Estados Partes) . com dos. O PIDESC foi adotado primei. com 186 tratamentos cruéis. na ONU. . sobre os direitos da criança. respe. Civis e Políticos (1966. é o tema da às Mulheres. sociais e culturais. daquele mecanismo. pelos di. Estados Partes) dantes. Sociais e Culturais (1966. A prevenção e a punição do ge. o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”. a luta contra a discrimina. adqui- antes da DUDH. riu uma proeminência particular. o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes. Penas ou Tratamentos Cruéis. em 1976. contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira.

um relatório e linhas de que respeita à raça. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. Consequentemente. um Estado pode derrogar as suas pensamento. Estas restrições têm de estar quela situação. uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. blica. ção de controlar o uso inapropriado das rém. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . nº1 do PIDCP). o terrorismo. opinião política ou outra. obrigações. de consciência e de religião. As tória (artº 4º. melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. mitem restrições de certos direitos. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina.Convenção Internacional para a Prote. a proibição da tortura e da escravi. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. ou o direito à liberdade de pensamento. suas disposições. dade ou origem social. no caso de o estado de emer. designados de direitos inderrogáveis.Convenção sobre os Direitos das Pes. Estes direitos são. associação. Os outros instituições tais como os tribunais. emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP). portanto. direitos humanos. sexo. ameaçadora da vida de uma na. As medidas têm de ser plasmadas numa lei. soas com Deficiência (2006. Perante uma emergência pú- to.58 I. já tos artigos. à liberdade de ção. também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. com Direitos Humanos (artº 15º). nacionali. vaguarda”. cor. nasci. terá de ser aprovada pelo Parlamento. a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. incluindo o seu próprio. . O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas. como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. Humanos”. caso tal se mostre necessário. não são permitidas restrições a cer. Po. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. sem discriminação no respetivamente. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º. que per- e do PIDESC). de saúde pública. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. língua. património. em particular. o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. reli. têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. Tal Porém. Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território. à liberdade de sair de qualquer país. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. por razões de Não Discriminação segurança pública. de ordem pública.

os direitos humanos rar certos padrões mínimos. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. também pode elaborar Comentários Gerais . pro. regularmente. de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. isto é. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. ao suscitar a ques. sociais e culturais. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. F. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. rizontal”. isto é. tuito. por parte do Estado. o nomeadamente. os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. âmbito dos poderes executivo ou judicial. de garantir ou fornecer certos serviços. Do mesmo modo. junto da população do sentar relatórios. O Comité sas transnacionais. têm de ser implementados ao nível na- to. ao operações de manutenção da paz. Normalmente. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. Porém. Neste contex. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. lações dos direitos humanos. mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados. Isto é particularmente rele. Todavia. os Estados têm de apre- direitos humanos. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. foi ins- maneira geral para todos. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. neste último caso. direitos económicos. Desta forma. Em primeiro lugar. lecimento da implementação. a implementação signi. o Estado terá também o B. tais como a educação e a saúde e assegu.). atra- têm de respeitar os direitos aceites. vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. é tida em consideração a capacidade de cional. acerca do seu território. poderá haver obstáculos. cada Estado para o fazer. relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. ção dos direitos humanos. de uma cumprir com as suas obrigações. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. O ob- passo que os direitos económicos. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. Por exemplo. na maior parte conseguida progressivamente. tais como a todos à educação.

As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. e 2000/3 de 2000. o tribunal foi fundido com o Tri. Porém. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. também exis. Em alguns casos. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. O seu man- nos. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. dos Povos) ter entrado em vigor com su. e que são posteriormente ana- queixa e. es. “relatores temáticos” como. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. Há também Direitos Humanos. missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. Partes. ções e para as situações). nos no Sudão. ao PIDESC. as atividades dos relatores especiais e dos tados. submetendo relatórios anuais. sujeito a extensão. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. peritos independentes de 2008. tal só é possível para as de 1970. Estes procedimentos refletem o ativismo . Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo. 10 Estados atividade. nessa data. tem os mecanismos criados pela Carta. Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. missário da ONU para os Direitos Humanos. Há “relatores por país” como. confor- cesso. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503. os procedimentos especiais. Humanos desde 2006. No todo. conhecido ago. antes de chegarem da. por exemplo. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo. os relatores especiais e. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. tais como as convenções. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. como o do PIDCP. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. por exemplo. Este procedimento. de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. em janeiro de 2004. Em 1 de julho me as circunstâncias. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. por vezes. Também se estabeleceu um Tribu. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto.60 I. que ção. dato é normalmente de três anos. é. no respeitante a outras con. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. violência contra as mulheres.

os direitos humanos à desenvolvimento. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos. o Haiti. porém. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. foram renovados. Até 2011. a Colômbia. por país. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . à alimentação. O Conselho de Direitos do. F. Em 2010/2011. Na verdade. etc. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. não Em 2006. nos da ONU assumiu todos os mandatos. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. a aumentar os seus recursos. das prioridades. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. de 1998. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. por exemplo. teve lugar ções Unidas. reitos Humanos’. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. a Bósnia-Her- Para este efeito. através todas as ações. mente. que. aumentou-se o número de zegovina. com base na DUDH e ou. assim como se temala. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. aumentou. no genocídio no Sudão. a direitos humanos. o Conselho de Direitos Huma. a Gua- sessões para três por ano. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. países como o Afeganistão. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. conduzindo a uma revisão condigna. à saúde e a políticas de ajusta. a revisão dos novos procedimentos. o Kosovo. o Montenegro. rapida. pode. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. de Cuba e da Bielorrússia. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. peciais continuam a ser testados. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. tais como. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. a uma habitação do Islâmico. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. tos humanos. trabalhos da comunidade internacional. especialmente do mun- educação. o Camboja. designada- Nações Unidas. Estes países pretenderam mento estrutural. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. como parte das reformas das Na. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. As pri- tabilidade e na monitorização.

As ONG assentam na li. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. Uma outra forma 22º do PIDCP. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. A estratégia “mobiliza. o setor da educação em geral. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. a ONU recomendou. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. acima de de. foram adotados pela AGNU. como a volvimento. utilizam procedi- po. dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. em particular em países que não mentais (ONG). Normal. tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. dência e de pluralismo. etc. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional. AG 48/134 (1993). lidade. Com esta finalida- dos direitos humanos implica. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. As ONG. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. dos operacionais. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura.62 I. Algumas ONG. de proteção de direitos humanos. com muita eficácia. direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. a internet. bem como méto- res podem ser envolvidos. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. APT). em 1998. a criação de na Ásia e nos países Árabes. De responsabilidades. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. onde humanos. mentos particulares. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. De acordo com uma resolução da AGNU. garantias de indepen- modo a atingir este propósito. as pessoas e de informação independentes. Na ONU. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. As ONG. tem-se revelado cru. fundamentados na investigação dos berdade de associação. prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. em 1993. vários ato. G. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. tudo. a Declaração dos Defensores sobretudo. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. A promoção de Direitos Humanos. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . protegida pelo artº factos e na monitorização. tal como na Res. Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. As instituições nacionais versidades.. portante. incluindo uni. os saibam utilizar da melhor forma.

a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. a PDHRE. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. giados. da compre. Em alguns Estados. A nível global. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. também alcançou o Sul. em todo o mundo. com o objetivo de qualificação profissional. da organização de ações de forma. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. Também o Comissário dos Di.hrea. CLADEM ou a WIDE dão realce. mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. a ção e da produção de materiais didáticos. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. o Conselho da Europa seguição. de Aprendizagem de Direitos Humanos. Ásia da ONU. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. Em nos. nos. campanhas sobre assuntos específicos ricula. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. nomeadamente. em alguns casos. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. a UNESCO. e África. do compromisso de Em África. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. A UNIFEM. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. através da internet e também disponibili- trolo da lei. através do desenvolvimento de cur.” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. refe- . organiza. em cooperação com a humanos e as violações ambientais. como é o caso da polícia. pelas suas próprias mãos. relacionados com o comércio justo. violência contra as mulheres. o mundo. ONU. e a UE têm o objetivo de os apoiar. O Estado não e comportamento discriminatório. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. onde pre- Há inúmeros casos. à Educação e Aprendizagem para de nós. os direitos frequentemente. es. assistem Humanos. za recursos eletrónicos (www. os direitos humanos. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais. económica e politicamente. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo. G.org).

para desen. tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas. No caso dos tribu. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial.64 I. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns. revista razões válidas para elas. Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. Po. . selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos. seus países. caso haja . A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado. os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros. vinculativos para todos os Estados Partes. Os direitos humanos.) H. volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana. Humana. Desumanos ou Degradantes (1987) . do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados. veu-se em reação às violações em massa de nais. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. em 2013). 28 depois implementação. ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que. 2003. através de uma educação ba. habitualmente. cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas. mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos.Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo.Carta Social Europeia (1961). em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I. mentos de direitos humanos. da adesão esperada da Croácia.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. EUROPA . Segurança Humana Já. assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. Mais. desenvolveram-se bros). Desenvol- forma mais eficiente. a sociedade civil interna.

A CEDH contém. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 . como importância da CEDH. com base num Protoco- .Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. em 1988 e em 1995. Atual- nova Europa (1990) mente. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. a nível universal. mais genericamente. Contudo. um reno. que distinguem a perspetiva eu. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. a AGNU adotou um nº 6 e nº 13.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. de 1961. venção da Tortura (SPT). Assim. Estes pro- débil e ineficiente.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. da Jugoslávia e. Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di. de 1950. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. paralelamen. blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. de 1987. hospi- O instrumento jurídico principal é a Con. e os Pro. Proibição da Tortura sobretudo. Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi. H. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. direitos civis e políticos. dos Estados Unidos da América. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. reitos Humanos. que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. confere também a possibilidade de queixas coletivas. foi con. contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo. e melhoraram os seus procedimentos. dos desde o final da década de 80. o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). processos de autodeterminação que ocor- . mas também o direito à educação. em 1993.

Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos . da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área. enquanto o Comité de Ministros é . . na década de 90.Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa. mas também têm de . a xenofobia.Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo . a Comissão.Tribunal Europeu dos Direitos Huma. Segun. 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a . Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. . mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR.Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo. .Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa.Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT. na luta . . A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos. Também apresenta recomenda. os Estados têm de prote. a Intolerância (CERI. o me.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos . em 1999. um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la. do Racismo e da Xenofobia (OERX. estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu . Para esta finalidade. pre. .Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos. tal como a situação dos mi.Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância.Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção.66 I. junto com os Esta. Meios de Informação (1997) ses.Representante para a Liberdade dos grantes. cultura e a sua identidade. em 2003.Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007). Contudo.Comissão Europeia contra o Racismo e países. e também realiza visitas aos paí. o Europa antissemitismo e a intolerância. 1990) leceu. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais. nos (tribunal único em 1998) 1998) .

e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. No entanto. Contudo. das. Violação de um direito consagrado na 1994. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. cuja jurisdição obriga. Caso contrário. da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. adotadas em diversas conferências d. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu. O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. a ças são vinculativas e podem prever a atri. dade jurídica internacional e as suas decla- nais. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. o Proto- em Estrasburgo. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. colo nº14 à CEDH. vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. para os Estados. como na . porém. para O principal instrumento de proteção dos 56. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. foi adotado. é uma organização muito peculiar. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. em 2004. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2. poderá in. verifi. as listas de c. ainda mais o número de processos. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros. problema. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. As senten. composto por 17 juízes. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. H. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. incluindo os EUA e o Canadá. pleno. em particular. Convenção Europeia dos Direitos Hu. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. representantes dos Estados-membros. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. uma vez nomeados. em 2011. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos.000. tervir com a função de recurso. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. mas irá aumentar to nacional. humanos na Europa. rações e recomendações têm um carácter b. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. em 1998. monitorização bem sucedido.000. medidas adicionais. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. Sob o título da “dimensão humana”.

de 1995. adotada na compreensão”. sob a ex. Com 3. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. venção de conflitos. em 2009. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó. do Tratado da União Europeia. com outras organizações regionais ou in. criada em 1957. na qualidade de membro. nomeadamente. a integração política casos de proteção. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. A OSCE desempenha também um referem. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. localizado em Var. ropeia. direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. Atualmente. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR. A Política de Direitos Humanos da este propósito. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. permitiu que em países onde mantém missões. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. Liber. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. sóvia. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. desde os anos 80. ropeia dos Direitos Humanos. Cimeira de Nice. de acordo com o tratado reformador da UE pa. dos do Sudeste Europeu. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). assim como ONG. como o direito de propriedade. A OSCE igualdade. O proces. respetivamente. partes. . europeia comum. Em 2000. explicitamente. em 2000. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. de início não se tuação dos direitos humanos. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível.68 I. como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia. monitorização de eleições democráticas. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. convocou-se uma Convenção ternacionais. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. que tem a responsa. Desde os anos 80. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. princípios gerais de direito comunitário.

O Relatório Anual de Direitos das. latórios regulares e abrangentes. particu- direitos humanos e democracia. A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. sociais e cultu. incluindo Europeia que define a estratégia política. na UE. em Viena. pelo Tribunal Penal Internacional. orientação sexual. numa nada FRANET. o Acordo ONG. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. a UE inclui cláusulas de di. da União Europeia (ADF) foi criada em rais. zam aconselhamento. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. para abordar o pro- Desde 1995. publicado pelo Serviço Euro. como o Acordo de Cotonu. Desde então. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. to igual entre as pessoas. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. idade. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. em 2007. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. Com a en. junto com a União Europeia. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. formando Fundamentais. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. mais do que através da redação de re- Humanos. proteção social. denomi- se encontra ativo nos bastidores. educação. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. É a habitação. dentro da . e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. em 1998. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. na religião ou crença. é disponibilizada ajuda fi. A sua agência suces- peu. no artº 19º. como económicos. nação com base na origem racial ou étnica. O União Europeia. bem os Direitos Humanos. como a China e o Irão. reflete finalidade. manos como uma prioridade europeia e. Viena. rea. também pu. na UE. apoiado por rais. à semelhança da DUDH. sora. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. num único texto. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. tanto direitos civis e po. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. cismo e a xenofobia. H. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. deficiência ou desde o início dos anos 90. o OERX. mas também todos os Estados-membros da UE. Em 2000. a ADF. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX).

en.Convenção Interamericana para Preve- Convenção. Pu- da por outras diretivas. desde então.Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978. . Estados Partes) ricanos (OEA). Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II.70 I.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades.Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame. designa- . dos Partes) trou em vigor e.Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos. em vigor 1984) um sobre direitos económicos. juntamente com Humanos (1969. Há também um Relator Especial so- Além disso. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. com sede na Costa Rica. desde então. Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente. foi comple. nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. tem sido complementa. Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington. 12 Esta- Direitos Humanos. merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. em vigor 1978. venção Interamericana para Prevenir. forma particular. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. adotada em 1969. a União Europeia dá par. De acordo em vigor em 1995. que entrou ticular importância à igualdade. grupos ou conferem direitos às mulheres. De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção. Humanos (1979. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e. A Convenção também tra a Mulher (1994. (Convenção de Belém do Pará). A Comissão Interamerica. este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). Os Estados Unidos não são parte da . 24 a Carta da Organização dos Estados Ame. Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. sociais e cul.Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. 35 Estados-membros da OEA.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA. reitos Económicos. Sociais e Culturais em 1959. . apesar de a Comissão ter a sua nir. 1928. os Estados-mem. 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. AMÉRICAS . 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos. Deficiência (1999. ONG podem apresentar queixas. por regulamentos e diretivas. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990. . mas a Con. . . devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. . e constituída por 7 membros é o (1988. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979.Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte. .

consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. o Tribunal tem sete . a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. em vigor 2005. Tal como a Comissão. e dos Povos (1981. em vigor 1986. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas. ÁFRICA . dos Povos. Tribunal não recebia muitos casos. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos. Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. mudou desde então. ainda. Deste modo. na prática. tos humanos e dos povos. e de indivíduos ou grupos. . Enuncia. o que aqueles deveres são pouco relevantes. No entanto. Há muitas ONG que ajudam . no passado. Direitos Humanos e ao Tribunal. os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. sobre os direitos das mulheres e . Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente. em nome das vítimas das violações.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. na Gâmbia. Ao Tribunal Intera. todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. e não tem carácter permanente.Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. que sucedeu à OUA em 2001. 28 Estados pressão. lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . Atualmente. relativamente ao Tribunal. for. Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os . H. uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. res (2003. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató. na (UA). da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. que entrou em vigor em 1986.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997. Estar da Criança (1990. 45 Estados Partes) III. sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes. duos. por exemplo. em vigor 1999. Os critérios de mada por 11 membros. tos individuais.Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. nomeadamente. pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). o à família e à sociedade mas. em vigor 2003.Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi.

a Assem. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos. gerianos casos de violações da Carta. No entanto. estes bros da UA. organiza ses. em 2004. . em 1995. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. No entanto. na Tanzânia. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. na Nigéria. Além disso. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais. da ONU. IV. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. por exemplo. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. apenas entrou em vigor em 1999 e. em julho de 2010. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. adotada. nas. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. é feita pela Comissão. ratificado por 28 países. foi que constitui até agora a exceção. Moçambique. É também im- 2008. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. através do exame até 2011. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. em 1990. 3 Em junho de 2011. fora em termos do direito internacional. lho da Liga dos Estados Árabes. sobre os direitos dos arguidos. mi. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. Uma parte importan. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. como depois da execução de nove mem. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. o que é questionável em vigor em 2005 e. tal como no sistema interamericano. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. ceu. como a Constitutional Rights Project. requerentes de asilo. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. em 1989. em 1994. o sobre os Direitos da Criança. cipar nas reuniões públicas da Comissão. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. Em 2009. e teve sistemas jurídicos nacionais. deve- expressão. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. sobre prisões e condições de detenção. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. a Conferência Islâmica (OCI)3. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003.72 I. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais.

em 2004. Enquanto acordo inter-regional. tação de contas tornou-se uma preocupa. Adotou-se. Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. de direitos humanos. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. após 7 ratificações. 50º aniversário da DUDH em 1998. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. que consis. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu. ser suspensas. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil. para nal. Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. I. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. e. reitera que o Asiático. atualmente. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. com o estabelecimento .ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC. ainda não foi possí. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. regime. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. o Acordo devido à diversidade na região. a Comissão Intergoverna. incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. em 2007. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. do a China. Povos. de 200 ONG asiáticas. se as consultas ini- com um mandato. a transmitirem o ção geral e global. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. tal Kong. apesar de diversas tentativas. sobretudo. te. mais porém. 19 Estados asiáticos. anual sobre Direitos Humanos. sobretudo. convencer governantes antidemocráticos. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. No entanto.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. uma reitos Humanos da ASEAN. Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. isto é. europeia (Asia-Europe Meeting . pela Associação Sul. I. em 2008. no artº 9º. por exemplo. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. Asiática de Direitos Humanos. não pode receber quaisquer queixas. entre a UE sigla em língua inglesa). nova versão que entrou em vigor. sente Acordo. normalmente generais. Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. nº2. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN.

crime de agressão. Finalmente. conce- Charles Taylor. No Egito. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. formas de violência sexual (Direitos em 1998. engloba os crimes de genocídio. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. em 1998. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. de amnistia foram revogadas. contra qualquer população civil”. em 1998. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa.74 I. em outro local. escra. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. que tem sessões ex. requereu como forma de justiça não retributiva. saberem a verdade e finalmente concedida. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. conseguida numa conferência em Nairobi. de contas. de mental ou física. a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. generalizado ou siste. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. Humanos das Mulheres). INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. em 2011. adotado em Roma. na definição finalmente mático. J. à sociedade de aprender com o passado. em março de justo. este respeito. Es- a sua extradição do Reino Unido que. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. (TPI) e ao nível nacional. o antigo ditador chile. o Para prevenir violações de direitos huma. mas não implemen. perpetradores. A tada devido à sua frágil condição de saúde. Tem existido uma campanha in- 2006. e que entrou em vigor em 2002. um juiz espanhol. crimes de guerra e o dro de um ataque. são violenta dos protestos. pelo menos. mas. No caso da Argentina. incluindo casos de violação sexual. as leis traordinárias em Haia. ternacional contra a impunidade. . gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). julgamento. decisivo. JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual. siderou que as leis de amnistia. em 2010. cidas na África do Sul e em outros países no. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. voltou para ser presente à justiça. No caso da “primavera Árabe”. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. algumas convenções internacionais. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”.

ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . extermínio. em 1993. tal como aconteceu tos armados. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. violações. Só se um Estado humanos e de direito humanitário. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). Korogocho (Quénia). mento social e económico. como homicídio. bém apresentar casos. do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. como Rosario (Argentina). O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. a jurisdição em Haia. escravatura. Deste modo. como um tribunal ad hoc para li. em 1994. existindo ainda problemas com seu trabalho. Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. escravidão sexual. crimes contra a humanida. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. a terror. atos de bém temporário. K. Kati (Mali). julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. Internacional para o Ruanda. será sujeito a uma supressão pro- gressiva. em 2011. investiga homicídios. para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. No caso do Camboja. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. tam. Graz (Áustria). na Tanzânia. Dinapur (Bangladesh). Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. a funcionar desde Arusha. Todos os tri- de. desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades. tortura. independentemente o conflito armado. Coo- Camboja de 2003 foi protelada. no caso de Kadhafi. terminou o em 2008. Ed- do PDHRE . o Tribunal Penal In. foi estabelecido em para a Serra Leoa. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). Porém. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. da função oficial do acusado. entretanto. ternacional para o Ruanda (TPIR). 2002. K. assim como genocídio. no ter. humanos como guia para o desenvolvi. o seu funcionamento. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. Bucuy (Filipinas). INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci.

foi elaborada. o experiências relativas a boas práticas. Neste processo. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. pe. No Fórum Mundial das Cida. profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. começando ao des dos Direitos Humanos. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. www. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade.pdhre. civis e políticos. são considerados como um todo. que trabalham no sentido manos. Muitas ci. por liderado por um Comité de Direção que exemplo. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. comprometem-se a dos direitos humanos. assistindo-as a tomar em con. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. manos nas comunidades. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. cidades. e culturais. dos Direitos Humanos na Cidade que. Em direitos humanos. nas cidades. A nos. gem e formação. nível local. como o provedor fazer com que todas as decisões. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. líderes de associações lo- dos seus habitantes. administradores. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos.76 I. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. principalmente na Europa me. A Coligação traba. os habitantes analisam diterrânica. económicos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. As experiências das Cidades de Direitos . como as de Veneza Com este propósito. manos na vida diária. onde. género. cais e ONG. polícia. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. iniciada pela UNESCO. ado. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. Um sistema de monitorização. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. lha principalmente ao nível regional. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. reuniões regulares. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias. por exemplo. tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade.org). em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis. em 2011. seus direitos humanos. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. direitos humanos. no que res. políti- de justiça. Desenvolvem planos para internacionais. da dos Direitos Humanos na Cidade.

contra a Discriminação res no Rosário. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género. Municipal. sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. Graz. Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais.. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. etc. mal de inauguração na Universi- tadt.at). 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe.menschenrechtss. reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. ambiente competi- tivo. Programas de Aprendiza. dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança. em 2008. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com. professores. etc.. H. por exemplo. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. na Câmara Municipal. 2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. . pelo Conselho Consulti- NAR). de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. mas de educação e formação para os direi- tos humanos. que também oferece vários progra- to Alegre. publicações. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. no Brasil. 100 indivíduos e organizações na promisso.

institucionalizando. as Ao mesmo tempo. humanos. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. Em ambos os casos. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. por exemplo. com funcionários de direi. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. O mesmo vale governamentais. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional. também poderão ter êxito propos. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. como aconteceu. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. Entre estes. desempenham um e o direito dos refugiados. direitos humanos e da democracia. humanos. a inclusão dos direitos gulares). informação. refugiados. uma atitu. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. enquanto representan. como os “padrões funda- humanos. (de paz). DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. Há. Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. lo Opcional. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. o existentes podem tornar-se mais visíveis. a situação em 2006. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. Do mesmo modo. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural. do trabalho da OIT. que existe tan- importante papel. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. assim. bem como as tecnologias de tos Humanos.78 I. como efeito preventivo e promocional. para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. refugiados. ainda. Novos reitos humanos de instituições locais.

Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. Nin- ganizações intergovernamentais. manos inalienáveis sendo que. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. o Secretário-Geral da ONU no. não fo. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010). Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . fazer face a estes novos desafios. para considerar a re. Banco Mundial. padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. o FMI ou a OMC. como uma abordagem reito. que deve ser feita com base Kofi Annan. consi- e outras empresas. L. a res. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. assim Responsabilidade de Empresas Transna. o papel dos ne- Em resultado da globalização. humanos. padrões de trabalho. em julho de 2000. como também de atores não estatais. como o guém pode ser deixado à margem da lei. porém. a questão da compensação de. Esta questão levanta uma outra 2011. por exemplo. Respeitar e Solucionar” e mento justo. combatem novas ameaças terroristas. assim como a destes resultados. pós-conflito. lançou-se o Global Compact. Direito ao Asilo. para negócios e direitos humanos”. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. nova e inovadora no processo de globali- zação. Conselho de Segurança da ONU também manos. As. que contém um “Quadro humanos. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. em 2003. que é exigida não só de indivídu. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. O Tribunal de Justiça da UE. riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. gócios em zonas de conflito. e anticorrupção. Um dos principais desafios é manter os os. Prima. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. Em 2011. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. nos direitos humanos e no primado do Di. tais como o direito a um julga- para Proteger. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final.

INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos. A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. o terrorismo. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. por exemplo. Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. Não temam denun- numa decisão de 2010. humana. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . Prémio Nobel da Paz. The Alston. alvo de recurso pelos Esta. há ainda um longo si mesmos. aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos. manos. M. 1999. Não temam procurar a paz dos-membros da UE. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. Esta pretensão. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança. Kofi Annan. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem.está entre de acesso” à internet.org/News/Press/docs/2003/ Contudo. Ceder na proteção dos direitos huma. de um provedor pelo Conselho de Segu. olhando para trás.” Ellen Johnson-Sirleaf. . também cons- sgsm8885. Philip (ed. (Ver www. nessa medida. A defesa dos direitos hu. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo. suscitou algumas controvérsias.o profundo respei. para os Direitos Humanos para o Futuro”.80 I. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. Esta última deci. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais.un.). Não temam exigir a paz. 1999. como o facebook. 2011. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003. Gundumur et al. por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos. porém. Human Rights. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. Press. embora possam estar em são foi.doc. Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. The EU and Universal Declaration of Human Rights. ciar a injustiça. como a liberdade de expressão o terrorismo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos .” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU.htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso. em conflito com o Conselho de Segurança. desvantagem.

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2001. Secretário-Geral da ONU. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso. II. Agora tem de entrar numa época de implementação.” Kofi Annan. em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. .

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PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis.” Artigo 5º. A. desumanos ou degradantes. 1948 . Declaração Universal dos Direitos Humanos.

(Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. Selmouni ga. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. Caso Selmouni c. objeto que parecia um taco de basebol. acenaram-me com uma serin. Depois destes família. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. depois de Bobigny. no dia 28 de julho de 1999. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr. O interrogatório continuou sem inter. por volta das 9 horas da manhã. Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. mas costas. nos quais já não tinha sapatos. Quando vi isto. roupas afegãs para usar. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas. batiam-me. Um outro polícia bastão preto no ânus. eu fui levado para um escri.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. “Eu fui parado na estrada. caso Selmouni c. Outro começa a chorar. França. abri a manga da camisa dizendo “Força. manos. Quando eu recusei.” Agarraram-me. bro de 1991. Perguntou-me pés. Ameaçaram- maus tratos. ameaçando injetar-me. França. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio. eles puxaram-me o cabelo. ram-nos as mãos atrás das costas. que nós considerámos Depois disso. Fui levado para o primeiro an. Um dos po. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. parentes e amigos. que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. tratos tinha começado por volta das 7 ho. Obrigaram. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. ser fornicados. deixaram-nos nus. gostam de dar. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. não têm coragem”. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos. no dia 25 novem. um deles disse. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. A um determinado ponto. e falasse. “Vocês. onde cerca de oito pessoas me começa. 1999. como a “noite negra”. Tive de me ajoelhar. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. como eu tinha previsto. Selmouni conta esta cena.88 II. de. ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. árabes. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo. me de morte e acusaram-me de pertencer à . é a verdade. fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. obrigaram- ram a bater.

no exterior. A janela da cela era muito peque. casos individuais de tortura e . UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. ao Sr. al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re.org. dante é ainda uma ambição por concreti. Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir. Passámos três meses na cela. Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia. Apesar de. posteriormente. regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3.uk/content. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. que o Sr. tínhamos de do. aproximadamente.asp?CategoryID na. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. alternar. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des. de direitos humanos ocorrem diariamente. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu. amnesty. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com.U. A. as casas de banho esta.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. Testemunhos. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional . Questões para debate da. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. Na realidade. ses padrões. onde enfrentou traficante de droga. dar e apoiar vítimas como o Sr. em abril 2004. (…) Du. Éramos dez na cela. Disponível em: www. 2. por isso. tratamento desumano ou degra. PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda.E. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios. Podíamos usar as casas de banho. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. na cela es- tava muito calor porque estava superlota. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). Iémen. cida. altamente industrializados e desenvolvidos. pelos Estados. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. Selmouni e ao Sr. Walid al-Qadasi foi. 4.

dida que a humanidade foi progredindo. Assim. identificar e a considerar não só as conse- éis. À me. mitem restrições. monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. tos. ciais à abordagem da segurança humana. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. isto é. órgãos de investigação. por nenhuma razão e em ne. a jovens e idosos. mas também as suas causas inerentes. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. com a questão. Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. nal e internacional. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa. ameaça à segurança humana. nhuma circunstância. formas de penas ou tratamentos cruéis. portanto. das as pessoas podem ser vítimas. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. Ninguém está imune à tortura.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. embora a extensão da sua “sofisticadas”. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. A tortura e os trata. têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. desumanos ou degradantes. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. Pertence aos direitos humanos ser humano e. Até há pouco tempo. na sua raiz.90 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. requerem que considerados inderrogáveis. To. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. reito internacional consuetudinário. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. a pessoas perten. mente no campo do direito internacional. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. a proibição absoluta da tortura e . a nível global. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. assim como as diversas formas de divulgar informação. da questão uma monstruosidade sem descrição. teção e prevenção. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. A tortura e outras formas graves local para local. No entanto. especial- pelo Estado.

obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente. são as pedras obrigações. 39/46. a pala- Rede de Segurança Humana. mas para a proteção contra a tortura e os maus que. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. a sua instigação reito internacional consuetudinário. “[. humana. qualquer definição jurídica parece ou tácito. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. de 10 de dezembro de 1984 Internacional. cos ou mentais. na prática. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. De acordo com a Convenção. Indiscu. que se en. acordadas.” contram previstas em vários textos jurídi- . a punir por um ato que ela 2. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. Adicionalmen. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. Além ou com o seu consentimento expresso disso. de. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos.. físi- segurança humana. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. a nível internacional. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi. nesse sentido. cos internacionais. A. te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. e a sua prevenção. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa. permite um desvio destas tratos. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. através da educação de interpretação às autoridades estatais. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais. em conjunto o que garante. nomeadamente.. em princípio. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. adotada pela Assembleia-Geral. a sensibilização relativa aos dade na definição. deixando uma margem direitos humanos. agindo a título oficial. dá especial ên. ocasionados. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. para os direitos humanos. O Estatuto do Tribunal Penal na Res. Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). reconhece. tortura.

também de equipamento de tortura.. o que levou a um penas cruéis. pesa. pos. O direito de viver sem Tortura (26 de junho). como física de tortura e de maus tratos. os elementos dis. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. deixar que a vítima morra. em nenhuma lo do mercado. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co.” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan. degradantes é absoluta e imperativa e não dos. cionados com a tortura. como os uti- . embora subtil. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção. crânios ticas ou práticas”. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. tanto físico .um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento. 2001. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias.por um funcionário público ou pessoa objetivo. te. no seu . assim que aja a título oficial. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. por um ser humano pode.] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes.que é intencionalmente infligido a uma como psicológico.” abertos por canos de espingardas. A dor e o terror infligi. no grau de gravidade. como dos tratamentos . O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. Theo van Boven. pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es. pessoa com um fim ou por qualquer a distinção. a definição contribui sobre a Tortura. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. desumanos ou como o perpetrador. circunstância”. o que. analisou este fenómeno para o entendimento geral. desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana. deliberadamente. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. Em termos jurídicos. isto é. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. san. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. Métodos de Tortura ca. como nos meios cruéis usados. Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi. fazer a outra”.. de que “[. Secretário-Geral da ONU. polí- lunas torcidas por espancamentos. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. estar subordinada a outros interesses. em circunstância alguma. dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo.92 II.

fre- Em geral. como meio para humilhar. mas são conheci. ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. água. O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. cos nacionais e no sistema internacional. muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. humilhação e amedronta. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. a parede. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. no entanto. os métodos de tortura podem ser quentemente. exemplo. Nas suas formas mais cruéis. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. não podem jamais ser considerados como mento solitário. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. assustar e desuma- mento contínuos. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. ticados para ameaçar. etc. pedras. choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. Como de instalações sanitárias. de esconder fraquezas e insegurança. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. de punição e de vingança. atar e quei. cabos e bastões. há no fundo. um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. A tortura psicoló. para instigar um sentimento de inutilidade . sufocação. tras pessoas. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. A tortura física cau. fissões. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. mas têm. obje. poderem variar muito. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. dicionalmente. Também a violência nizar a pessoa. ameaça de execução ou exe. sexual é frequentemente usada como mé. ou implicitamente. sono e rem uma fiabilidade questionável. que. portanto. A. a tortura e outras formas mar com cigarros. afogamento simulado. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. Tra- choques elétricos. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. técnicas de pri. cortar contatos com os prova. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. resultado. identificáveis como potenciais instrumen. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. Desta forma. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. explícita ou tos metálicos. pode dial. Por éis por uma pessoa contra outra. progressistas.

da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. jovens e idosos podem ser atos. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. ra é pior do que a morte. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo. muitas vezes. de “Eles pedem sempre que os matem. am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. Tal acontece especial. em es. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. 3. religiosas ou étnicas. uma qualidade de vida decente. em regra. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. os detidos gência. de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida. Aqueles que praticam tais e mulheres. A com deficiência mental. novamente traumatizados. em prisões. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. A tortu- forma mais frequente. afetam indubitavelmente o entendimento . torturador das Honduras detenção. atu- doentes mentais. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen. Além disso. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. Ou.94 II. Estes locais de detenção são. não são raras exceções. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. tais como as mi. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. Crianças. não participam de forma vítimas de tortura. que conduz à incapacidade de assegurar ficante. cializados. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. Os maus tratos acontecem.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. fechados. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. com dignidade. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. de forma oficial. desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. Assim. terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. as cicatri. homens dos maus tratos. falta de recursos ou formação.

a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum. No a temperaturas extremas que. Ghraib. de exceções ou derrogações. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001. impõem a adoção de normas espe. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex. em 2010. Intimamente ligado a . mais parte de soldados e oficiais americanos.A. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. rapaz de 11 anos com o uso da força. têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente.I. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. denominadas diferentes de outros crimes e se. Do mesmo modo. Em 2004. na Arábia Saudita. Estas leis introduzem pro. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. no Iraque. terrogatório inovadoras”. desse “locais negros”. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. em casos e a humilhar prisioneiros. ciais para a sua prevenção e combate. mental. baseados nos princípios da Sharia. quer circunstância. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. Os De forma semelhante. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. Outro exemplo recentes. A. o debate sobre a atos terroristas. através do qual um largo nú- penas corporais. puxas- são práticas socialmente aceites. e. Na Alemanha. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. foram sujeitos a “técnicas de in. Em 2010. em qual- em Cuba. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. Hoje. com autorização governa- modo. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. mais tarde. Por exemplo. tribunais em diversos estados ni. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. muitas vezes. desde há muito. há ainda são medidas penais autorizadas.. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. a casos. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. frequen. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. como sem o seu próprio cabelo. de Wolfgang Daschner. Irão. a decisão cedimentos processuais penais com conse. à tona. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas. incluindo o acor- cionais. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. de forma frenética. foram. interpretação. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. os tribunais religio. em 2004.

juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. O tura. lares de inspeção a sítios de detenção por .96 II. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. ções Unidas adotou. como cos. ção da tortura e práticas semelhantes. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais. as Estados podem ser preservados. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. transpondo-os para a legis. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. formas de maus tratos. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). os juristas internacionalistas defen. nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. O Protocolo. Um Iorque. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. devem ser submetidos cada quatro anos. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. desu. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. De- internacionais. as disposições do direito in. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012. plementação podem diferir entre Estados. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite. a sua interpretação e im. suas considerações finais e recomendações para ação. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. dos direitos humanos e da segu. uma pergunta em aberto se tura. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. ra. Fortes sistemas vigor em 2006. Um relatório completo das ativi- 4. monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. disso. No respeitante à proibição da tor. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me. em 2002. todavia.

râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. advogados. em vista à melhoria do tratamento das pesso. É ne- de visitas. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. órgãos de peritos nacionais. o Protocolo Facultativo à em particular. sionais. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. considerado um verdadeiro avanço tes. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. e de denúncia. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. estar envolvidas em atividades de preven- . o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. da sua liberdade. etc. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo. do Conselho médicos. providenciar às ví- das condições da sua detenção. apesar de existirem garantias nacionais. quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. Desumanos ou Degradantes. como agentes de polícia. reabilitação. e degradante. guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. Além disso. para proteger as pessoas privadas 2. Estabelecer mecanismos de controlo.) e a proibição de da Europa. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional. A. etc. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. prevendo. assim. Europa. ao nível nacional e local. pela primeira vez. Este Protocolo 3. O Protocolo Facultativo. juízes e médicos. 1. Formação contínua para os intervenien- é. na lidade. juízes. assim como Unidas. compensação. Sob a supervisão do Sub-Comité. assim. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de.

se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. atividades de sensibilização. mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. Por fim. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. o Conselho Consultivo Austrí- implementação. algo de efetivo podia ser feito. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. bem como a reabi. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. atuando também a uma es. a base. a assistência jurídica. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. . escrevendo cartas ou ape. O leitor sente-se. as consequentes alterações à lidar com os problemas. 1. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. que visam a ação – campanhas.98 II. visam a ação. furiosamente. há muitas atividades por todo governo. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. influenciar estruturas e instituições já Além disso. as áreas de atividade da polícia austríaca. a capacitação institucional. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson. a prevenção da tortura e dos maus tratos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. instituições com capacidade local para nacionais. campanhas. legislação e a respetiva implementação. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen. por sugestão do Co- boas práticas. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. Todavia. a existentes. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. Muitas das práticas são locais e • locais. outras operam do topo para pressão. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. podemos nível nacional. Fundador da Amnistia Internacional.

realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. cias (alegados casos de tortura). pela resolução 1985/33. Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. A. da Argentina. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder. eficazmente. na Áustria. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades.org a abolir e a prevenir tais práticas. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações. sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven. um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse. (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países. Com a ratifi. anualmente. funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. C/c. Cruéis. nos das Nações Unidas. o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. O man. Juan Méndez. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. Desumanos ou Degradantes.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma. www. um órgão de monito.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). aspx) . Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr. independentemente do Estado ter tos Cruéis. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo.ohchr.

Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. manos ou degradantes. em conjunto com os comentá- Desde março de 2002. incluindo a Turquia. em relação à Turquia. rou a sua posição internacional. Até à data. pode. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção. feitas. Ini. é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. prisões e os direitos humanos. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. a Federação nente e construtivo com os governos. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. conforme neces- Estabelecimento sário. O CPT é cons- Russa. Chechénia da Federação Russa e em 2011. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos.cpt. incluindo. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. como as instalações para imigrantes relatórios. As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu. tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. médicos. irregulares ou requerentes de asilo. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. mas também e 1996. hoc.int] . em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade. adotada em 1987. com tem sido dado com consistência. Os membros do Comité têm o di. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. prisões. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade.100 II. http://www. também. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. Efetua inspeções relativamente à Grécia. no local e examina o tratamento de pes. em 2001. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros. formações profissionais diferenciadas.coe. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. relatórios. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor.

As atividades Em 1997. torne numa oportunidade para a tortura. rou a criação da Amnistia Internacional. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. subscrito. nhuma circunstância. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. É vital que todos os detidos sejam presen- . grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. a acontecer. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. A. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. Muitos indivíduos e celebrida. Londres. o advoga. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. país devem demonstrar a sua total oposi- ção. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. com metade dos membros pas. com um Secreta. medidas de salvaguarda para assegurar bros. A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional. No dia 28 de maio de 1961. tem atualmente A tortura acontece. Reino Unido. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. através de um Co. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. quan- mais de três milhões de membros. 2. as Nações da AI incluem campanhas. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. ra e para reforçar os cionais. em mais de 150 pa. Desde en. dagem holística a 1. ção à tortura. que inspi. cionalização. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. muitas vezes. a AI adotou o Pro- Tortura. A Amnistia Internacional. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. síveis de serem reeleitos em cada dois anos.

seus direitos. Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. circunstância. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. incluindo o direito a apresen. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. Os responsáveis por atos de tortura de- 4.102 II. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. durante a for- regulares e independentes. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. Deve ser tornado claro. 9. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. advogados e médicos lhes te. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. Os métodos e as conclusões pensação financeira. Resposta internacional 6. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. Não pode existir qualquer “porto vem. Uma garantia importante contra vidos com a detenção. Investigação independente de relatos tortura. sobre tortura 10. muitas vezes. onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. ser protegidos contra a intimidação. Não à utilização de declarações obti. de imediato. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. a tortura acontece em pelo direito penal. 11. públicas. Os governos devem assegurar que os 3. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. vítimas. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. Devem ser realizadas visitas de inspeção. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. familiares. De acordo com o di- centros secretos e depois. 7. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. as reito internacional. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”. Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. de forma célere. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. tes se encontrem. Mecanismos intergovernamen- .

PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. Os governos devem assegu. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional.net) . Tal conduziu a ou. e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. em todas as situações.amnesty. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. www. depois de testemunhos de “sus. autoridades estatais. regional e nacional. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo. enquan- ção contra a tortura. da. desumanos ou degradantes. combate ao terrorismo. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos. Tortura. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes. sobre a criminalização da tortura.wma. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. em 1975. médicos em atos de tortura e de maus tratos. em nome do comba. acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”. a Associação Médica peitos de terrorismo”. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional. (Fonte: Amnistia Internacional. a Amnistia lançou outra cam. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. apelando ao fim luta armada”. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos. instituições nacionais e sociedade civil. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. em 2010. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta. âmbito da Detenção e da Prisão. os re. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer. com um de militares. Ratificação dos instrumentos inter. to de mecanismos nacionais de prevenção. cedimentos seja suspeita. Tem estado na frente da 12. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. A. motivos da vítima. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”. como necessários por motivos de seguran. denominada “Contra o Terroris. panha mundial. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção.org/) http://www.ch) vamente em abril de 2005. incluindo facilitem a prática da tortura. Em Tóquio. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte.apt. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. de forma urgente.

Porém. Artº 3º Atualmente. de acordo com um relató. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. o número de países que se sabe de mais formação. mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen. De Civis e Políticos (PIDCP). os direitos humanos e de mais recursos. penais à volta do mundo. tura ou tratamentos cruéis ou desumanos. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. que apresenta pormenores sobre o . mais de 9. Humanos (DUDH). chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. por exemplo. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos. em 2000. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop. em 2005. em danos físicos e mentais. que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. Num movimento paralelo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. vários países europeus con. uma mas de maus tratos. reito internacional. para mais de 130. proibidas pelo di- março de 2010. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo. CRONOLOGIA grilhões. anjinhos.104 II. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. Theo van Boven.8 milhões de pes- como algemas. Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. Descobriu-se. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. da Amnistia Inter. to de choques elétricos subiu de 30. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos. tornando premente a necessidade nacional. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. 1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. o nú. prisões. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. grilhões. Artº 5º dores químicos. des Fundamentais (CEDH).

1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis. estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul). É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto. Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. Pergunta para debate: mas diversas. 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos.º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. a vida de outras pessoas? . Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. A. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. Art. PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. ainda que de for. Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de. Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001.

pedir aos partici. em alternativa. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. Depois do debate ter terminado. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. competên. distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. Como introdução ao tema. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. públicos. que divida a sala. nados com o tema que trouxeram. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. cionados com a tortura. Como alternativa. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. rismo e a proibição de tortura. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. Finalmente.106 II. os par- . ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. cionais recentes. rever o priados ou disparatados. etc. pedir aos par. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. artigos e reitos humanos. demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. vemente os recortes de jornais preparados. éticas. por exemplo. etc. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. e a razão das suas posições. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. para reflexão. Nenhum proibição de tortura. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. plicados. parti. Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões. Material: cartões coloridos. Só uma pessoa deve falar de cada vez. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. quadro ou papel e mar. cópias do ma. qual expressar desacordo ou insatisfa.

político para descobrir mais sobre ou. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. Dimensão do grupo: 10-20. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. brir mais. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco. vidade. concretização de ideias criati- Change. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. etc. Effec. . normas relevantes de direitos humanos. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. Temos de torturar o aliado xidade do tema. em primeiro lugar. • Alguém é próximo de outra pessoa sus. Temos de torturar para desco. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando.) vas. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. esta susci. penas ou tratamentos cruéis. Nancy. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. 2000. desu- tê-lo feito. Através desta ati- vidas. ilustração da comple- bombista. pena de morte e se- Manter sempre e usar. desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. Human Rights Education Handbook. ta. 5 gurança humana. Material: quadro ou papel. se pode jus. marcadores. bre o tema. adultos tras pessoas que o apoiam. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. Grupo-alvo: Jovens adultos. Action and criativo. que em alguma circunstância. A. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. se necessário. Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning. et al. Temos de torturar para salvar manos ou degradantes. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. se é ção de tortura. em ação. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. a questão de saber internacionais e regionais. The mas de tortura.

desumanos e degradantes. 2003. with Human Rights. Monitoring places of deten- nesty International. What Role for Physicians and other Health search Foundation. (APT). London: World’s Human Rights. 2008. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. trabalhar. 2011. Association for the Prevention of Torture ternational. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. London: Amnesty In. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. Pedir a cada um dos participantes para mentos. Visiting Places of Detention. ideias e opiniões sobre a tortura. Dar tempo suficiente para se exami. Association for the Prevention of Torture Amnesty International. panha. London: Am. Deeds. deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos. (APT). que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora. tion: a practical guide. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. Registar exercício numa palavra ou numa frase. London: Amnesty Amnesty International. Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. Como forma de aquecimento. International. Combat- International Report 2011. Annual Report 2010 Geneva: APT. Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. Geneva: APT. Amnesty Amnesty International. mas humana. 2011. tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. Numa segunda volta. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. as respostas mais interessantes num qua. From Words to Professionals? Geneva: APT. pode perguntar de dro ou em papel. 2004. Security (APT). Pedir aos participantes não Direito à vida. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. The State of the ing Torture: A Manual for Action. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho.108 II. Amnesty International and Omega Re. . membros no máximo) e espalhar o mate. pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. 2011. 2010.

tics. 2000. Geneva: OHCHR. Evans. A Manual. The Optional ror. FBI tices for Learning. Essex: Human Rights . ture. Judgment of Niyizurugero. Oxford: Oxford ture” of the Human Rights Fact Sheet series. 4 “Combating Tor- tion of Torture in Context. Torture: A Dordrecht: Martinus Nijhoff Publishers. The Guardian. files detailed Guantánamo Torture Tac- Minnesota: Human Rights Resource Cen. America. France. 1999. New York: Human against Torture and Other Cruel. Prisoners under International Law. Rachel et. Intelligence Cooperation with Torture – A Handbook on the Convention Countries that Torture.uk/ ter of the University of Minnesota. Human Rights Watch. S. The Human Rights Education Handbook. Inhuman Rights Watch. Malcolm D. “No Ques- 1988. Torture. world/2007/jan/03/guantanamo. Protecting Prisoners – The Standards missioner for Human Rights (OHCHR). al. Abu Ghraib. PROIBIÇÃO DA TORTURA 109 Association for the Prevention of Torture Giffard. The Torture Re- (APT). Strasbourg: Council of Europe Publishing. European Convention for the Prevention Sarajevo: CTV. 2004. Nigel. 2009. Torture under International Law porting Handbook. Popovic. New York: New York Review of Books. of the European Committee for the Protec- 2002. Conse- 1998.). Sabina. Nancy. Malcolm D. Burgers. 2000. New York: The Coyle. 2002. Protocol to the UN Convention Against Tor- European Court of Human Rights. and Rod Morgan. Fact Sheet No. 2010. 2004. Geneva: APT. Combating Torture in Europe: The Office for Democratic Institutions and Work and Standards of the European Com- Human Rights (ODIHR). 2000.co. Case of Selmouni v. Jean. 3 January 2007. and the War on Ter- Murray. Strasbourg. and Rod Morgan. 2003. Flowers. Human Rights Perspective. Center of the University of Essex.guardian. Herman and Hans Danelius. Available at: www. The History of Tor- Handbook for Prison Staff. Office of the United Nations High Com- 1999. The Fight mittee for the Prevention of Torture (CPT). Danner. A. Effective Prac. Camille. Approach to Prison Management – A Kellaway. 2005. 2001. University Press. and Rod Morgan. The United Nations Convention against tions Asked”.Compilation of Standards. sociation for the Prevention of Torture. 28 July 1999. Malcolm D. Oxford: Oxford University Press. 2002. of Torture and Inhuman and Degrading Treatment or Punishment. Preventing Torture – A Study of the quences and Rehabilitation. Geneva: As- Evans. A Human Rights New Press. Warsaw: OSCE/ODIHR. Preventing Torture in Africa. The Treatment of University Press. Oxford: Oxford Rodley. through Medieval Times to the Present. 1999. London: Inter- ture & Execution: From Early Civilization national Center for Prison Studies. Mark.usa . Action and Change. Oxford: Oxford University Press. Evans. J. et al. Andrew. against Torture: The OSCE Experience. 2011. Human Rights Watch. Jean Baptiste (ed. Torture and Truth: London: Mercury Books. and Degrading Treatment or Punishment.

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25º. ao alojamen- to. B. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. 23º. quanto à alimentação. ao vestuário. 1948. principalmente. […]” Artigos 22º. . DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. racionamento numa tentativa de escon- mília. ele perdeu a sua filha. Mas em Bhoyal. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. os aldeões de Mundiar come. cia em 1947. governamentais. sem sofrem. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. Bordi. Entretanto. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. Ganpat. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. mas agora dianas sofriam de má nutrição. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. E. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. do se perderam as colheitas neste verão. Mas os humanos não de. seguido pela sua mulher. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. como em outros lugares. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. que lhes per. Por fim. Primeiro morreu o seu pai. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. lhos como trabalhadores agrícolas. presentam cerca de 30% da população do tos. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. frem de anemia. lojas do governo. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis.112 II. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. As comunidades tribais. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. encontra. Antes da independên- mais remota do interior. Esta é por isso. Em 2006. ram erva. os donos começaram a morrer. recusaram-se a vender vem comer erva e. 60 milhões de toneladas de cereais exce. parsas e membros da sua própria casta. Durante os dois últimos meses. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. os donos das te dada ao gado. riyas. Quando os de prisão de ventre e de letargia. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. Sahariyas começaram a morrer. E. Murari. Em vez disso. . Infelizmente. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. nenhuma das toneladas distrito de Baran. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. uma imensa montanha de alimen. Um aldeão. aqueles livram-se foram enfraquecendo. Depois da indepen- fome. lapso. assim. ainda assim. der o seu esquema. rapidamente. os aldeões. No âmbito de um sistema público dência. que re- dúvida. Em vez disso. no sudeste de Ra.

políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes. uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. Quais são as privações e vulnerabili. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. analfabetismo. epidemias. igualdade. a nos processos de tomada de decisão. 2002. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. o Fundo Monetário Inter. as formas pelas e de recursos para subsistência. falta de segurança pessoal. Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. A pobreza. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. portanto. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo. desenvolvidos. Vê alguma relação entre o aumento da poor. Quais (Fonte: Luke Harding. como o equidade. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. Nabbo. seu país/contexto experienciam. escassez de terra um fenómeno histórico. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. disse uma mulher. Dying of hun. na segurança humana? Se sim. num mundo pleno de oportunidades. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. INTRODUÇÃO cificidades sociais. é agora vista como um conceito capacidade. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. a história. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. Em países em desen- volvimento. “Os políticos não estão interessados em 2. humanos de/a …”. segurança humana e Banco Mundial. desemprego. a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. Caste and cor. forma de exclusão social. incapacida- . Esta com. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. O que desperta em si esta experiência e nós”. B. política. a re. são negados os meios para exercer essa mentos. paz. A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza. geografia. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. ços de saúde e água potável. enquanto preparava a sua refeição 3. a cultura e as espe.) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. significativamente complexas. que era vista terar a sua situação.

do global e da segurança humana: “As PNUD. condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. Consequen. subs- como de vulnerabilidade. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. discriminação geradas. tituindo o Índice de Pobreza Humana. as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. liberdade. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. a pobreza como uma “condição humana . educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. temente. o desenvolvimento humano são negadas bate público. e apenas se.114 II. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana. exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. de 1997. social e político e de recursos. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. tais como a precariedade saúde. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. educação. Mui- guranças sociais e alimentícias. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). bem com uma abordagem mais ampla. A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico. dar a segurança humana básica. meios de subsis- insegurança. A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. xo do limiar da pobreza definido. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. conducente a graves inse.” tência desadequados. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. político e económico. DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se. de respeito próprio e pelos outros”. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. violam os direitos humanos. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas. Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD. de participação. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. uma quantidade específica de alimentos.

ter nidade. A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. mas não se de prioridade. Dando um passo em de uma justiça atempada. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. do Alto Comissariado das Na. e insegurança. e medir a pobreza persistem. Apesar de esta qualificação po. O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. tar de um padrão de vida adequado e ou. portanto. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. forçando-os uma definição. por exemplo. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. etc. habitação. contexto urbano. do-os. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. B. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. dependendo do específico contexto económico. oportunidades. No capacidades consideradas como essen. escolhas. nidade. capacidades. do ções Unidas para os Direitos Humanos. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. o que. za (ex. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. vulnerabilidade. por exemplo. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos. a cidade quer migrantes ciais. saúde e educação. condições sub-humanas. económicos e questões da vida real. Nas Linhas Orientadoras Provi. Pobreza. acesso equitativo à justiça. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. estar adequada. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra. ainda mais. não permi- como uma “forma extrema de privação”. o que ajudaria a ex- sociais”. a comercialização de água. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção. ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada.é o caso. ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. educação. sendo essencialmente subjetivas. dignidade. florestas e água . culturais. mente abrigado. segurança. justiça. . vitais para a sua subsistência.) com as tros direitos civis. por exemplo. social. de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. e. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. ter educação básica.

vez de estarem na escola. nega aos refugiados o direi. consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. para as mulheres. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga. trabalho obediente”. como a re- dos pobres. Muitas vezes. não pode votar. como o aprovi. grupos de ser um assunto privado. ganhar magros salários. o aumen. em dores ou a reabilitação de pessoas des. ciclagem de lixo.116 II. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. Devido à sua dades. água. As mulheres em assuntos públicos. viver uma vida com respeito e dignidade. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. são exploradas locadas. Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. a pobreza interfere com a li. como traba- sionamento de serviços básicos. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. a maioria dos mem. assumir poder e resistir à injustiça. Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. A falta lhadores. têm controlo sobre a terra. deficiência. e empresariais usurpa o espaço dos ci. A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. o curtume de pele ou a agricultura. são preferidas aos homens. por exemplo. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . As crianças. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. portanto. as mulheres não possuem e não natureza migratória. todo o mundo. em áreas rurais. em muitos setores da economia de instrução e de informação.

a educação e a habitação. descurando. deficiência e pode também conduzir a de. dar dívidas. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. que po- afetadas pela deficiência. B. ficiências secundárias. o ensino secundário. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. para as pessoas já Algumas tendências económicas. Os PAE nais básicos em muitos países. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. em idade de frequentar e pobres. rendi- além disso. com deficiência tem trabalho remunerado. podem intensificar a pobreza. educação. De acordo com a UNICEF. as despe- senvolvimento. uma parte da prosperidade global. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. De saúde. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. alimentação e habitação acordo com estes números. riqueza no mundo industrializado. Para mais oportunidades de emprego. o aumento da comercialização mento. elevadas pro. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos. o norte e sul. vida com dignidade. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. nos países em vias de desenvolvimento. em 2010. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio. o que te causada pela má nutrição. assim. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. exploração e abuso. falta de co. num sistema económico global. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. É interessante ver que. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. neo-liberal”. tráfico. como está a aumentar.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . A infla. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. um desa- os pobres. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD. De acordo com o Rela. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia.71% da alfabetização. na anos morreram em 2009 – ou seja. é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970. em 2002. este fosso entre por exemplo. juntamente com o contínuo cres. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu. mais de segunda metade do século XX. confinado às mar- gens da sociedade. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. Mesmo em 22. o Liechtenstein. o Zimbabué.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. como o alcance cai para 4. do PNUD. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. no caso de se manterem as políticas atuais. mais pobre do mundo. de 2005. O da Europa Ocidental. vimento Humano de 2005 de acordo com no. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. ainda necessitam de uma implementação apropriada. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol. alguns objetivos. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. os Estados Unidos da América. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015. recente (2010) estima que cerca de 8. INTERCULTURAIS Hoje. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. que é considerado ser um padrão justo de temente. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado.118 II. indica que o rápido o qual.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1. tempos de crise financeira. O país relevantes. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma. estima-se que 1. Consequen. é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3.25 dólares por dia. de 2010.000 crianças por dia. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de. 800 milhões de pessoas continu- ção. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. Mais há a fazer. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué). a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução.

Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. do numa redução substancial da pobreza. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. a falta de alocação de fundos para Sim. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. e o por ano. na verdade. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. argumento é usado pelos respetivos go. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. é que o desenvolvimento sas regiões. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa. dos governos nacionais. bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. . mas os conceitos não são idênticos. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. do orçamento de defesa americano. breza? cursos. causando insta. além-fronteiras. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. 2012. da com sinónimo de “pobreza relativa”. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. cias de ajuda humanitária. Do padrões americanos. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. bustível. para trolo de acesso a recursos. pois. elevados que os pobres. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. as políticas re. efetivamente. a noção de que os pobres como relativamente pobre. social e económica. Apenas se os países crescimento populacional em países me. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. formas de vida insustentáveis. assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. Questões para debate por exemplo. água. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. Um indivíduo que é catego. é possível. acredita-se que o elevado gradação ambiental. o que é aproximadamente 5. B. por exemplo. A ex. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. pode ser considerado mesmo modo. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos. resultan- e a exploração contínua de recursos natu.

culturas. que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. Portanto. impacto na Índia. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos. de a nível global. malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. das com as da Índia. tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. igualdade e equida. Além disso. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. a questão crí- saúde materna. Isto inclui: erradicar a pobre. a serem atingi. em 2000. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. melhorar a ginalização social. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. a zar fundos para a erradicação da pobreza. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana. co- . principalmente. de modo a canali. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África. Estas diferenças en- dos até 2015. o Fundo Monetá. Por exemplo. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres. quando compara- erradicação da pobreza. IMPLEMENTAÇÃO pobreza. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. englobando Nações Unidas.120 II. devido. a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá.

tais como a Declaração do ção real. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. Sociais e Culturais. as intenções políticas e a implementa- ções políticas. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. reco. a Pobreza Os organismos de monitorização exami. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. Estes valores têm expressão em declara. Uma vez que os Estados indivi. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. como a OMC (ex. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu. do tratado são fatores impeditivos. da dignidade humana. negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. assim. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza. a Agenda 21. a falta de cumprimento da os direitos humanos. existe um mundo globalizado. tos humanos. hiato significativo entre os compromissos. instituições financeiras. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. a Declaração de Cope. outros atores estatais e não esta. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. pobreza. e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. em 2006) . Conselho de Direitos Humanos. Direitos Económicos. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. nhecendo que o direito a não viver na po. desde 1990. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. B. Esta abor. os compromissos conflituantes nhaga. governos. a corrup- cidadãos. dos vários Estados Partes. A falta de vontade política dos Rio. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. conseguindo. concebidas pelos Es. paz e segurança deste modo. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. Afirma que os po.

enquanto o outro tem a respon. sobre a implementa. Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm .Fazer um balanço das ações realizadas pobres. com a fome. tou as suas recomendações sobre como 1998/25). a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res. cobriria o custo tem o mandato de relatar. a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. pessoas que vivem em pobreza extrema. . No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen.122 II.Apoiar a capacitação para a avaliação. No seu Relatório de 2004. . a nível nacional e internacional. Objetivo: Reduzir para metade. Para cumprir estes re. Este processo fornece conhecimento. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. a Perita Inde. a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza. para a Comis- são de Direitos Humanos. professores durante 15 anos”. monitorização e o planeamento relati- dos. latório de 2010. até ao senta também recomendações e propos.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada. vamente à pobreza. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. e ajudá-los a modificar o seu destino. O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. dades com que os pobres são confronta. pessoas que passam fome. a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003. em 2006.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos. examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72).Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun. tos e de produtos agrícolas. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. Possibilita a estruturação de or. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com. ano de 2015. pletamente a pobreza. a Perita Independente assinalou . mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . de 2001. No seu Relatório. por si só. bem como .

ainda a decorrer. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. o progresso tem alguns progressos. uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. têm de ser dados al. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . lhorar as suas vidas. B. quatro quintos de 2008-2009. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. Nações Unidas. Porém. habitação e nutrição. em países em desenvolvimento.Continuar a dar prioridade aos peque. e às cri. muitos dos Objetivos de Desenvolvi. saúde. (Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. para o desenvolvimento sem terra. ses energética e na alimentação. o problema. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. Apesar de fome e doença. Sem um maior impul. tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo. redução da pobreza até 2015. . Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. Antigos volvimento do Milénio. políticas. Largas popu- das Nações Unidas. dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. nos movimentos civis e no trabalho de. estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. contrariar os sucessos já alcançados. 2001.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. Em 2009. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. instrução e educação. como um todo. mento do Milénio não serão provavelmen. con. educação ao acesso à tomada de decisões so. propriedade e contro. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. pobres.

no Bangladesh. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. ção direta com a redução da pobreza. ral e política tanto quanto é económica. pela . nanceiras.O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento.A redução da pobreza deve ser acom. tuto étnico. ração internacionais.Estabelecer organizações de pesso. redução da pobreza: . a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. etc. social.O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam. saúde e humanos. noutros setores. zação. Os esforços para erradicar a humanos. as incentiva a sua força coletiva. internacionais e nacionais. pobreza estão condenados a falhar se mento. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança. . . saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de. quena aldeia. tuaram a pobreza. água. e descentralizado. cultu. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. redução da pobreza.124 II. forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica. Através do seu empodera. Estas apenas perpe. .Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. tal contribuiria para a . em Jobra. começou . . das no âmbito de experiências locais.Maiores despesas com educação. Os seus es- . em 1976. a pobreza.O empoderamento político e económi. contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades. .O direito à informação e a educação .Muitos dos países do mundo não se .Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1.A pobreza é uma questão social. especialmente. habitação.9 milhões de mutuários. aos que são marginalizados. imediatamente. Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. encontram em posição para erradicar. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu. respeito próprio e dignidade. se za. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza. plementados pela assistência e coope- ção da pobreza. Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen. Apenas quando os po. . mano equitativo. o que pode levá-los a agir. Em 2009.

trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. ção e análise de políticas. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. pública. de iniciar mudanças significativas nos pa. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ. O Artº 54º do sam a fome. está empe. nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. lan. ções da UE com 79 países da África. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. económicas sobre as mulheres. Com 2. direitos económicos e justiça. questões incluindo segurança alimentar. O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. Estas mudanças são significativas. Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. formas de removê-los. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. construção de tividade nas aldeias. A Freedom from Debt Coalition (FDC). DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. A organização trabalha agências. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. equitativo e sustentável. vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres. mobilização de massas. fornece serviços em mais de 83. alternativas bem-sucedidas e promissoras. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. análise. raíbas e do Pacífico (ACP). O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. Por se centrar naqueles que são conside. organizar as pessoas desfa. O Acordo também demonstra a . sediada na Califórnia.562 às suas famílias. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. B. educação e promoção. criação de ativos. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. através de apoio mútuo. 10% ao governo. Desde A Food First. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. equidade (incluindo igualdade de género). Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional. assim. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo. eliminar a explo. O banco abor.

educação. Todos os educação e formação. anos. em e exclusão social. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil. a um nível local. na sigla inglesa) é uma or. As negociações para uma se. Os membros o Desenvolvimento Social. por ganização não governamental mundial que exemplo. nacional e inter- A EAPN é. de organizações não não governamentais e outros. e em Hong Kong. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. uma rede de 26 re. O objetivo segurança humana. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. especial- 2007-2013. gar em Ouagadougou. nacional. Além disso. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social. em 23 de junho de 2010. direitos fundamentais à alimentação. liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. visando promover o bem-estar. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. zações. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. no Burkina Faso. mente entre as pessoas menos favorecidas. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. atualmente. agências tabelecida em 1990. copo de combater a fome no mundo. incluindo atividades de 2008. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo. organizações internacionais. nos. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. nais. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. cuidados de saúde e segurança. prestação de servi. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. abrigo. em 2010). o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. gunda revisão foram concluídas em 2010. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. em Nova Iorque. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. gência e através de outros programas. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. es. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social.126 II. para construírem melhores futuros após o . Por exemplo. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente.

antes do início Ainda pior. 900 milhões. em 2010. 2010. Isto afeta. onde a mortalidade adulta au- mentou. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral. atingidos pela epi- demia de VIH. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. os seus 1. inscrições escolares. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. mas outros. e os países da antiga União Soviética. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. respeitantes ao emprego. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. Relatório do Desen- volvimento Humano. os países pobres estão a aproximar-se países.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. (Fonte: PNUD. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. alfabetização e rendimento. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. B. 2005. inovação. 2. Esta convergência pinta ariana. cer. a serem alcançados até 2020. mas não exclusivamente. em especial. pri- ca de 925 milhões. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos. cinco objetivos ambiciosos. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD. Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. escolari- cativos. 2010. em termos concretos. com uma população de. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. apenas três de género na educação. Quase mais pobres. meiramente. Através destes pretende-se. edu- cação. Relatório do Desen- volvimento Humano. assim como o (República Democrática do Congo. paridade 92% da população mundial. do Milénio antes de 2040. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. onde a divergência persiste. Com base nos dados de 1970-2010.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. inclusão social e clima/energia. A análise de quatro gresso. 2005. geralmente os países zação.2 biliões de habitantes.

gradualmente. Artos 10º. 9º. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial. A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas.128 II. 11º.14º (186 ratificações até §17. comemoração teve lugar em Paris. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza. A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. A/RES/60/1. Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas.13º. em cada uma dessas áreas. 12º. vimento do Milénio pela Assem- turais. Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3. 25º. 12º. tos Humanos (Artos 22º. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. 7º. tubro. pelo menos. [a substituir. da pobreza (UN Doc. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 . 23º. 19. bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. em 1987. Artos 6º. Artos 14º-17º. Criança. em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza. 11º. Sociais e Cul. 26º). Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di.

isto é. recursos. Tipo de atividade: Exercício 2. rior. volvimento de todos. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. Retirar as últimas oito casas. rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. no con. desenhar um círculo direitos humanos. alterar as desigualdades e as injustiças 4. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. texto dos instrumentos internacionais de 1. Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. soa na linha com um grande 6. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. Na sexta linha. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. de reflexão e de debate. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. faminta. deões) seria mal nutrida. Apenas um por cento da população (infra). aldeões. Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo. B. Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). pedir-lhes para implemen. Atividade 7. Desenhar um círculo à volta de pantes. Colocar uma impressão digital do polegar. com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. lápis de cor/ marcadores. nessa escala). Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. Sete seriam incapazes de ler. 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. Isto inclui os margi- direitos humanos. nos últimos sete livros na quarta fila. Na primeira fila. Depois. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. uma fita de graduação na sétima linha . O exercício ajuda os jovens a 3. nalizados. Grupo-alvo: Crianças e jovens 5. Dá-lhes a oportunida. prioridades de forma a garantir o desen. os sem-abrigo. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri.

com o intuito do perfil dos participantes. apresentadas.in) . para a educação para os direitos humanos. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. mento e porquê. O grupo é encorajado a debater o que sente 8. dependendo baseado na atividade supra. saneamento e des- pesas militares. de vista com os outros. • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco. água.abhivyakti. Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. dencia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV. saúde. Pedir aos participantes para ouvir es. está entre nos em relação à pobreza. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial..org. de sensibilizar os seus pares. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. as primeiras três pessoas mais ricas. um país ou grupo de países. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica.130 II. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. educação. Comentários: desse desenho. II. O exercício pode explorar: ção. do mais recente Re. Disponível em: www. • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa. etc. roupa. um teto sobre a sua ca. O papel do forma- III.

políticas. Da “Voices of the Poor” (www. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . papel de um dos pobres. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza. dos pobres sobre a sua própria situação. marcadores. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. articulação de competências. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. questões ou dimensões da pobreza. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. canetas de feltro. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. por ações viáveis imediatas e de longo prazo. lidade na situação. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. tintas. florestas. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. as pis de cor. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício. ele/ela. Por exemplo. que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. desenvolver as mentos. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. O exer- . em. em voz alta. papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. canetas. de de clarificar. comunidade.o que podem os par. Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. exemplo. selecionar algumas citações à campanha. lá. lagos. B. para realizar agricultura ou pesca Depois. Duração: 150 minutos Depois. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. o grupo prepara um panfleto/car- comercial. económicas.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. governos que trans. Procurar e descarregar casos de es. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. Através do consenso. é importante aderir à campanha. conexões entre as manifestações imedia.

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1948. de religião. nomeadamente de raça. de sexo. C. de cor. de opinião política ou outra. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração. de fortuna. sem distinção alguma. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. de origem nacional ou social. . de língua.

humilhar ou intimidar na. Numa reunião pública. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi. o Sr. recebeu o nome de “E. Ele defen- um grande desportista e que. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. o Sr. um australiano de ori. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. em geral”. Queensland. Em 2002. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. a administração infor. O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. nacional ou étnico do queixoso. um grupo transversal da comunidade abo. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”. como tal. Ele pretendia a Em 1960. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu. insultar. ofensiva “pre. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada.S. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene. Por este motivo. que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. como alcunha. cios públicos relativos às instalações despor. no interes. nos termos do Arti- . Por fim. requerente não tinha demonstrado que a E. alegando que a não remoção discriminação racial. ele e rígene local. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. opiniões de vários membros da comunida. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. ofensivo na tribuna. te ofensivo. S. Depois de consultar as po racial. ofender. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. considerando ser esse o caso. ção. Brown.S. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi. mas sim tivas e em comentários de jogos. Brown. e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente. A palavra racista. a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial.. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. H. o Tri- sido dado o termo ofensivo. uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. O Sr. em todas as circunstâncias. que faleceu em 1972. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. de razoável de. em homenagem a uma requerente. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. (CEDR). não serão tomada em 1960.136 II. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. deu que. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso.”. que ele considerava censu. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. na língua inglesa”. ‘Ni.

NÃO DISCRIMINAÇÃO . 5. cular de pessoas? Se sim. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial. quais? mento presente. conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. O requerente preten.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. Qual é a mensagem da história? blica. 7. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6. Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma. por a atitudes racistas? mente ofensiva. Ele argumentou que este respeito. CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. C. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial. representava a aceitação formal ou 2. de discriminação em toda a sua vida. no mo. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos.” Também considerou 9. lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi. 1. 4. O que fez o Sr. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio. ser considerado injurioso e 8. Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei. o Co. criminação Racial (CEDR). pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá. mesmo que durante muito tem. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. bem como al. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002. em relação a eles? derado desta forma. O Comité recomenda que o 10.A LUTA IN.

desde o início da de “superioridade racial”. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. contra pessoas continente sul-americano). assim como tempos medievais. Formas de dis- humanidade. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. por ve. a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. superioridade cultural. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. sobrevivência dos mais aptos. Assim. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. parti- dos e requerentes de asilo. XIX. nomeadamente. de religião. o pressuposto errado da existência de tra situação”. sendo a mana de todas as pessoas. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”. Outros poderes coloniais da qual. pessoas e todas as nações. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. as teorias da evolução e da no presente. Darwin. por uma ou outra forma. nos demarcamos em relação aos ou. O racismo. A raiz da mo. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. contra os abo. os judeus. este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. contraste com a raça branca dos donos. manos têm sido. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. Porém. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. Na História da Humanidade. a questão de forma eficaz. de cor. fundamentais. refugia. XVIII e início do séc. o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. do. dos escravos de uma raça “inferior”. através tados de África. nos rígenes. têm sido erradamente utilizadas A discriminação. os Roma. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual. os afro-americanos foram aterro- . de nascimento ou de qualquer ou. intencionalmente ou não. “sem distinção alguma. a consciência sobre o as. lação a quaisquer outras pessoas. os seres hu- nomeadamente de raça. em tes níveis. de sexo. uma e outra vez. nem no passado nem Por exemplo. a base das suas sociedades coloniais. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. igualdade nunca foi. de origem nacional ou social. cana. O sistema colonial espanhol. o racismo. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. de categoria de “raça”. adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. plenamente reconhecido a to. Enquanto nor. A discriminação tem ocorri. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. bem como nas rias em toda a parte. sistema de castas indiano. bem como segundo fortuna. de Charles dos os seres humanos. No tros.138 II. Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. classi- de língua.

crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. por outro lado. Todavia. a proibição género. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. religião. etnia. adas em categorias tais como a “raça”. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. discriminação com base na raça. bem como na religião. O séc. de internacionais. cor. XX assistiu pode. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. xenofobia. género. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. a do Sul. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. também. intolerância. passar na prática as desigualdades base- Hoje. de uma ções e ações concretas que são motivadas . o respeito próprio. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. esco. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos. manifesta- ca e social como também afeta. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. a Humana. é o fundamento da liberdade. como consequência destes cri. niões pessoais e. C. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. Embora a 14ª Emenda à Cons. por um lado. O racismo. em dignidade e em direitos. livres de inseguran. mes contra a humanidade. deficiência. identidade étnica. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. perante a lei. da discriminação encontra-se estabele. nos Estados forma desastrosa. Assim. ultra- do Ruanda. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. igual. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar. nação: ça. 2. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. ainda. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. a todos os cidadãos. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. identidade sexual. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. constitui. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus.

Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. são mais holística da discriminação e ten. o sistema inter. relativa vés de insultos. em geral. Todavia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. abusos verbais. esta última. as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. Tradicionalmente. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. minação racial ou fundada na etnia. mana. deficiência. pode ser A discriminação. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. a discriminação no setor privado. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. conduzem também ao tratamen- to diferenciado. gera bastante controvérsia. deixada sem regulação. tui uma discriminação. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou. fala-se em discri- ou ator. cor. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. conduzindo a uma compreen. como uma qualquer distinção. já que a igualdade Contudo. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. É crucial saber que nem toda discriminação são. dos direitos humanos. os principais agentes (positiva e ne. até mesmo. na prá. etc. Desde que a Assim. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades. o que não consti- criminação. género. ao razoáveis. atra. humilha. dos respetivos Estados. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. abuso de direitos humanos. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. em grande parte. A este respei- enquanto. pode ser justificável. violência. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. exclusão. igualmente. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. mediante certas condições. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. considerada punida por lei. dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. os traba- foi. em quase todos os países. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa. agressões físicas e e serviços.140 II. religião. nacional de proteção dos direitos huma. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. mais ou menos. orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual.

uma distinção tem ções de igualdade. libertá-la. em condi. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. 3. mento desigual a alunos que têm poucos idade. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. a distinção. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. em conjunto. categorizações. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. sinceramente. uma vez que. foi completamente justo. com o conhecimentos da língua de instrução. aparentemente neutrais. o que significaria dar um trata. a exclusão. tes. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. tais como a etnia. são desejáveis. etc. a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. de uma corrida e depois dizer. neste caso. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim. exclusão. cor. materna. acreditar. propósito e/ou consequências de Tais disposições. Convenção. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. Consequentemente. como um facto e a igualdade como um re- cor. pública. “Não se pode pegar numa pessoa que.” numa situação semelhante. O artº 1º da nidade. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. género. o gozo ou o exercício. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. discriminação indireta. mentais. A discriminação nios político.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. origem nacional. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. deficiência. incluindo os per- tencentes a minorias. que se tem sido utilizada como base para mui. consti. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR). promover a educação cultu. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. ral de todos os alunos.” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. ações. tratar todos os alunos de forma igual em 1. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. discriminação: Normalmente. ascendência na origem nacional ou sultado. ascendência. C. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. de 1965. um grupo . Em termos gerais. Johnson. isto é. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. económico.

desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. no presente. social e política e vitimização psicológica. oportunidades iguais. e a assunção até que se atinja a igualdade. que é cientificamente falso. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. sistematicamente. O ser considerado como discriminação. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. envolvendo vulnerabilidades e ciedade. Isto significa que a discriminação iguais. Através do domínio. do e alcance. O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. – ticas. ar pessoas e dividir comunidades. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. Des. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam. por cia de denominadas “raças diferentes”. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. de go. mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. este igualmente errada de que os grupos étni- . Racismo tiva”. A dis. de novo. afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação. de poder (isto é. temporariamente.142 II. o apenas um período de tempo limitado. complexos. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. etc. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. como é também denominada. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. psicológico. em desigual. As discriminação jurídicas. “classe alta” versus “clas- se baixa”). mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). marginalização extremamente controversas porque signifi. cam favorecer. é co- para compensar desigualdades passadas e. organização ou instituição. assim como de autoagressividade. As causas e as consequên- leis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. proporcionar aos grupos al. Assim. vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. muitas tunidades. minorias étnicas. As teorias sobre o racismo no plano prático. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. será que significa tratar de vezes. do aceite. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. pessoas em situações básicos. só significa tratamento igual? ca do Sul.

assim como na noção fa. práticas sociais. valores. C. perverte quem os prati. tradi. o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. Liberdade de Expressão cionais”. turais e não às características biológicas. Os racistas de De acordo com a UNESCO. De facto. sendo que se pode falar de um “racismo natório. se tensões políticas entre os povos. discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. pode ser nocivo. “o racismo in. superiores ou “raça”. definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. muito provavelmente. desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). origem nacional/étnica. incluindo a perce- do Sul. as atitudes pre. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. encontra-se refletido em dis. ternacional e. são “racistas”. existem diferentes “raças”. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. fundados no ódio. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. • nível institucional (leis. conceituosas. o racismo e a discriminação racial. institucionalizadas que resultam na desi. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. hoje. é racista já que pres- inferiores. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. impede discriminatórias. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. em si mesmo. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. de forma inerente. na legislação outra manifestação. Só se estes precon- das suas vítimas. mas. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. consequentemente. tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. o comportamento discrimi. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. representa a melhor gualdade racial. hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. perturba gravemente a paz e a segurança interna. sancionáveis ou em discriminação racial. sem expressão ou posições discriminatórias. A de uma forma institucionalizada de racis. que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. ascendência ou de alguém). divide as nações internamente. crenças grupo com base na cor. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. costumes.

planos e sonhos.. a vida. vezes. prejudica. com fundamento na perceção de que to. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo. violenta contra os judeus .. disseminadas e acessíveis a toda a popu. ampla. a discriminação racial. ção racial. através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . nário simplista de “bom e mau”. o antissemitismo tornou-se parte excluem e. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. tais como a discriminação. vivo como sempre. profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. pre- No início do século XX. Xenofobia to – mantém-se hoje. de incidentes. de forma clara. só por nacional. perpetrado pelo regime Nazi. um aumento do antissemitis.144 II. O antissemitismo manifestou-se. pos neonazis expressam. A xenofobia é. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. Este ódio e hostilidade. conceitos e comportamentos que rejeitam. humanos. Infelizmente.] o racismo. em mi- novamente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina. 2001.].] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. A distinção entre racismo e xenofobia não lação. Hoje. lhões de casos. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio. muitas vezes. a autoestima e autoconfiança e. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. mesmo a não neonazi. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. a xenofobia serem judeus.. Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta. que o mundo assistiu [. geiros e também caracteriza atitudes. novamente. a terreno e adquirem novas formas. por cia relacionada. A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes. cismo.. não faz só parte da ideolo. soas. até mesmo. Xenofobia e Intolerân- ao presente.. retórica e fisi. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. vilipendiam pes- dessa sua ideologia. te. Uma influência particularmente camente.. baseadas nestes fenómenos. com o auge do fas. O ou crença. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados. na História e continua a existir até mo. Durante o Holocaus. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial. Por outras palavras. Discriminação Racial. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu. ganham [. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado. Além disso. estas teorias e práticas persistem ou.

No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport. A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. po- país. o que significa a raça. insegura bater porque se adquirem com o tempo. que declara que “[…] o preconcei. pode ser senti. na medi. conceitos antiturcos. C. que abor. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. nomeadamente. ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. género. sofrido racismo lhes causa profundos sen. temente foi desenvolvida. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. a noção de “tolerância” fância. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças. é controversa. sentimen. tipicamente. Uma vez que ataca. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. o que a fez sentir inútil. origem nacional. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. Por outro lado. que não a da enfermeira. Para além disso. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. Geralmente. em Nova Iorque. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. mo ou a xenofobia. orien. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. Ambas as atitudes podem. ser timentos de medo e confusão. em relação a outro. religiosas”. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. quan. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. da ou expressada. lecidos para distinguir entre tolerância . cor. dos. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. “racismo cultural”. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. descrevendo a ções Unidas. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. exemplificado. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. facilmente. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. e incapaz logo desde o início da sua in. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade.

forçados a assimilar-se. forma grave. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. zados. Em alguns países. mundo. de vão-se tornando racistas. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . geralmente. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. Hoje. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. na habitação. não podia celebrar.” longo da sua história. Existem muitos exemplos na região da Ásia. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China. que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. A discriminação dos Roma – um número namentais. tradicional Ano Novo Chinês. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. de for- ma espontânea. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. Os coreanos no Japão. a pri. socie. Neste Dia In. as suas vidas. Ban Ki-moon. a sua língua romani foi 3. Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. se ainda não.146 II. organizações internacionais e não gover. tempo. daí que. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. Tendo sido nómadas ao forma ocorra. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. na educação. os Roma foram. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. penhar cargos públicos. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. Apesar de se relacionar. publicamente. meios de informação. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. disse. o seu ção dos direitos humanos.

os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. A CIEDR baseia-se no princí. Obrigações no setor privado (ONG. meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. natório entre pessoas privadas. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). para eli. a realização dos minarem a discriminação racial. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. com a Segunda Guerra Mundial con. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. de forma célere. normalmente. As disposições da Convenção no que res. vernos. • Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. soas de violações dos seus direitos. O artº 5º da CIE- as suas formas. ração desta Convenção. ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965. da forma mais eficaz. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. o setor privado também tem um de certa forma. pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. Com a elabo. o Estado tem de “combater”. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. proteger e imple. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. legítimas. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação. previstas na lei. meios adequados. administrativas. Assim. confrontadas. de forma mais eficaz. ou seja. isto significa que os Es- tudo. nacionais e tratados internacionais. No respeitante vatura. O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. “da base para o topo” (bottom up). a Assembleia-Ge. em todas direitos garantidos. condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. pós-Guerra. com o colonialismo e. ao setor privado e. direito de igualdade perante a lei. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. acima de à discriminação. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre . etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. O tra. C. as atitu- suas autoridades. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. criminação e o racismo. Por outras palavras. também aos indivíduos.

que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. nacionais (2004). por nos é uma responsabilidade do Estado e. reitos dos povos indígenas (1997). Todavia. ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. discriminação racial na administração e mentação da Convenção. sobre os di- Estados Partes. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. a CIEDR também es. O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. . de investigação. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste. princípio. assim. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. Além de uma concre- Estados Partes. Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte. sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). No desempenho do seu mandato. publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. que criminação racial (2000). Discriminação Racial. o Rela- jam atenção imediata. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). Racismo. ser garantida se existirem sistemas de entre outras.148 II. novamente. direitos enunciados na Convenção. uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos. mostra o trabalho específicas. a implementação dos instru. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). em 2008. sobre a forma como estão este fenómeno. considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. minal (2005). pode atuar perante problemas que exi. de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. essen. um Estado Parte. o Comité emitiu. de Ação (DDPA). em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. Em por parte de indivíduos ou de grupos. cialmente.

abor. C. rância. a envolverem 7. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports.6% foram motivados por preconceitos da CEDH. 19.) Convenção. discrimi- nação racista. em 1993. Conselho da Europa. a xenofobia. Uma análise dos 6. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação. lar. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. a Convenção Europeia dos Di. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. reitos Humanos. o que significa relacionados com a orientação sexual.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. O Protocolo Adicional nº 12 0. que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti. 8. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co. sen. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas.699 vítimas. por peritos independentes. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas. para monitorizar. tos raciais. a todos os níveis. con. as manifestações de racismo.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. xenofobia e intolerância Em 2010.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos. julgamento. ofensas. a fim de promover a imple. a Conferência de Revisão de mo. a todos os níveis. as agências dos EUA responsá- relacionada. geralmente.690 Todos os instrumentos regionais de di. 2011. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial. 12. Carta dos Direitos Fun. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. relativos a incapacidades. um órgão composto munidade internacional para a preven. O Conselho da Europa esta- . combate e erradicação do racismo. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6. beleceu. nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. 20. de forma regu- lerância relacionada. que. pelo ódio.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial.199 vítimas e 6. xenofobia e into. disposições contra a discriminação. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. a Comissão ção. o antissemitismo e resultar de um esforço universal. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. reitos humanos (por exemplo. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. em vigor desde abril de 2005. a Conven.001 ofensores.

Além dis. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. de discriminação. direitos humanos. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. não pode ser subestimado a legislação nacional. A importância das medi- Carl T. o seu impacte será limitado. do. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. bens e serviços. Uma for. O racismo. o que é con- das suas campanhas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. a discriminação com base criminação. na origem étnica. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. das. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. atacam estes fenómenos na sua origem. alegada em tribunais civis. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. muitas vezes difíceis de nação. negligenciando-se. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos. da pressão que fa. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. contu- de a prevenção da discriminação entre pes. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. a resposta Geralmente. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade. tais como a serem abordados e identificados. tais como sistemas de alerta precoce. muitas vezes tem de deixar hoje. so. para o setor privado. mento de legislação antidiscriminação. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- . a União Europeia in. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo.150 II. assim. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. subtil e insidiosa. Rowan das e estratégias preventivas.” discriminação. muitas vezes. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. infelizmente. nacionais e internacionais. po. que proíbe. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. Assim. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. dem ser punidos por lei. implementação efetiva que. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis.

relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. xenófobos e racistas entre o público. Infelizmente. particularmente migrantes e outros. programas de formação para os professo. é da responsabilidade de outrem. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. existem programas de inter. C. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. por exemplo. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. nos seus objetivos educacionais. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. Muitos governos e ONG incluem refugiados. O poder dos meios de informação Em muitos países. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. apoiar a implementação sociedades. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. É importante desenvolvê-la e. a contra o racismo. a discriminação racis. visão. para ajudá-los a lidar com inciden. tais como os tal. usada racismo e não discriminação. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. autoridades judiciais e professores. racista. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. a formação para os di. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. respeito um código de conduta. pode ser visto. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. todos os níveis da sociedade. de res. como sos grupos profissionais. Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. para diver. usam linguagem câmbio escolar. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. O racismo. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. contra o Racismo. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. para incitar os hutus ao massacre de tutsis . opiniões e crenças. fluenciam as atitudes das pessoas. em todo o mundo. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. assim como na educação não formal. bem como transmitir com efi. Em mui. humanos. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação.

por preconceitos. Assim. ões. regulação dos profissionais dos meios de informação. tos humanos. estabelecer que toda a disseminação de especializados. mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. tais como os tribunais. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini. a prevenção de atos racis- mente. tornando-nos conscientes exemplo. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. A este respeito. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. designadamen. de ética. no dia a dia. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. provedores de justiça ou os organismos te. O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes.. comportamentos discriminatórios. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade. .. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or. ragem moral para interferir se possível. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. Gordo e Negro!. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. nomeada. bem como de medidas de autor. consequentes ações e comportamentos. passo. e talvez o mais eficaz. ou seja. a Em geral. Para ternacionais.152 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. opiniões e Pequeno. os este fim os Estados devem. é necessário visar atitudes.

estabeleceram códigos de conduta volun. Como o tribalismo. ignora QUEM se é. fobia no futebol europeu. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. na humanos. e os que odeiam.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. eles mesmos. na Eu- motivos raciais. habitação. entre fãs. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. na sigla inglesa . gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. Programas de Ação. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. para com a huma. emprego tários. na Ásia e Pacífico. a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. a discriminação por Região Árabe. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. em Nairobi. A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. e atividades culturais. C. porque os racistas. Por exemplo. talismo. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é. listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei. O racismo falham. O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. tais como a educação. descobrir a verdadeira identidade “deles”. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. Também se estão ceiros. ropa. Galway). mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. jogadores e funcionários. . para bém apoia a “FARE. Londres. O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. Com um “Plano de 1. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. Diver. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. para si mesmas e para os seus par. sem nunca nidade. ao nível local. ao ne. o fundamen. xenofobia e ex. rótulo e não a pessoa que o usa. gosta de “nós” e odeia “eles”. discriminação. no Quénia. que profiram insultos racistas. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. tais como. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo.

relacionadas com a existia um sítio racista. Ao nível regional. O nível mais baixo de educa. Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. tais como a internet. lizadas por organizações racistas.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. a pobreza cismo. A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. o antissemitismo cas. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. 2009. e a xenofobia. Yaman. Apesar de o racismo ou ódio. a pobreza rela. respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. educação e habitação). existe os atores na sociedade. ticados através de sistemas informáticos. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. . por Pobreza um lado. como legais. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. O racismo na internet é um pro- dos Unidos. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta. Em muitos casos. violentas firmam a existência de uma relação. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. (Fonte: Akdeniz. a xenofobia e o é uma questão de etnia. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. culpando os imigran. racistas. por Direitos das Minorias outro lado. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas. Ao nível das Nações Unidas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. lho da Europa. incitação à discriminação racista. as famílias afro-americanas e blema crescente. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. Os grupos minoritários visíveis en. Contudo. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. o Protocolo Adicional atitudes racistas. o antissemitismo. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do. ódio e a violência racistas. este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. o racismo e a discriminação te maior. e o racismo e a xenofobia. constituem um perguntas.154 II. pode ser considerada de dife- rentes maneiras. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo.

da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. a árabes-americanos. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. Mas. sinceramente. ela. tiraram o véu. “Bengali primeiro”. restaurante. diz monização da legislação criminal respeitan. As medidas a tomar a traço de Bengali. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. meninas muçulmanas que ela conhecia. aprovação ou justi. que usavam turbantes. New York Times. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. A tembro de 2001. verdade seja dita. O inglês de Seema é. o 11 de se- a humanidade. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. Só que. de Queens. Crisis Response afegãos. (Fonte: Am. julho de 2002. o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. Em tudo o que faz. temeu perder o seu emprego. tiçado pelo Islão. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre. 2001. É pequena. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. houve um aumento perturba. compara. passou quase norte-americana. acaba de sair da escola secundária. apreensiva. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. o pior de tudo. em 2005. dos com os 600 ataques registados. ela própria. houve 540 ataques regis. ser americano […]. Questões sobre o que minimização grosseira. em Woo. dela. disse ela. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se. dúvida. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. e pelo na sua túnica salwar kameez. mas ainda se nota um nacional nesta área. Liberdades Religiosas . séria e. quando um pro- em território norte-americano. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”. significa ser americano. C. Seema replicou. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. tam. (Fonte: Somini Sengupta. John Walker Lindh. 7 de metade da sua vida neste país. bém. Londres. diz ela. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. ela. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. admite estar. antes de ex- xenófoba. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. refere disseminação através de sistemas informá. Quanto a estes factos. sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos.) dside. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. Durante semanas. não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão.) Os rapazes tira- ram a barba. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. os ataques. Queens. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. sem internet e a melhoria da cooperação inter. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. os seus colegas de turma riram-se Guide). Uma vez. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana).

e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. • Que direitos foram violados nesta his. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP). Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH). Artos 1º. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos. CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na. Artº 2º. Artº 1º. Artº 2º. nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos. Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC). Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re. Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC).156 II. Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) . nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos.

ça à justiça em toda a parte”. tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu. Discriminação Racial. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. C. discriminação. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe. Grupo-alvo: Jovens adultos. Assim. Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. esta atividade per. adultos . ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. (Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. porém. a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. Xe. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis.

Violência: atividade. Dá-se espaço su.Quem é membro de um grupo étnico .Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade. para esta Deficiência. Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base. a lín. O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação. Doença.Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem. antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social. guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. Assim.Quem tem cadastro criminal? .Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros.Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo. para se dar ênfase ao facto de . divide-se o grupo.Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente. é necessário. ‘-’ sig. bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador. que os participantes confiem ple.Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? .Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. O formador deve pe. ligioso no país? Sugestões metodológicas: .Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais.Quem é o filho / filha de uma família de ção. com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de . deficiência? Outras sugestões: . cada . + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha.Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo . como língua materna. . é indispen.Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final. . tado? nifica um passo para trás) . Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina.Quem é mulher? Reações: . classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições. ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? . .158 II.Quem sofreu violência na sua família? Etnia: .Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam .

curva para tocar com a testa no chão. . debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. elas tendem a língua dos habitantes da ilha. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. a deusa da terra. Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. Depois. Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. se na terra. a mulher ajoelhada no chão junto a ele. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem . reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. 3 vezes. preconcebidas. visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. em especial. C. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. Em seguida. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. são a comida sagrada nesta Ilha. os pés do resto do grupo tocam o chão. o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. A mulher está sempre atrás do homem. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. come depois de ele ter acabado de comer. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. os amendoins drões de comportamento e rituais. Este tipo de suposições conduz muito fre. ram. Como os participantes não en. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon.Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. Elas ado- Albatroz. A atividade que se segue toca ambos. homens e mulheres. ceitos pessoais. Devido a isto. enquanto a habitante da ilha de preconceitos.

2 December 2000. 373. with Young People. a Means to Fight Racism. Council of the European Union. pedir aos participantes que dados privilégios especiais: elas podem pensem em situações semelhantes que vi- sentar-se diretamente na terra enquanto venciaram ou testemunharam no dia a dia os homens têm de se sentar em cadeiras. 2004. 28 January Akdeniz. rective 2000/43/EC of 29 June 2000 imple- Council of Europe. Official Journal of the European Union L A Manual on Human Rights Education 303. Praxis- ritual. conduziram a julgamentos erróneos. 2003. Xenophobia. A Manual to Use Peer Group Education as Council of the European Union. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allport. treatment in employment and occupation. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS As mulheres gozam de um elevado respeito Parte IV: Acompanhamento na Ilha porque podem dar à luz. Apesar disso. New York: Am- cess to and supply of goods and services. tal como a Após o debate sobre a dramatização e os deusa da terra. a racist and xenophobic nature commit- ted through computer systems. são lhes comentários. Domino . Cambridge: Perseus Publishing. têm de testar a plorar: comida antes de as mulheres a comerem. Yaman. handbuch für die politische Bildung. The Nature concerning the criminalisation of acts of of Prejudice. An- Directive 2000/78/EC of 27 November 2000 ti-Semitism and Intolerance. Human ment between men and women in the ac- Rights Education Program.160 II. Council of Europe (ed. Di- rective 2004/113/EC of 13 December 2004 Amnesty International USA. Strasbourg: establishing a general framework for equal Council of Europe. 2009. Strasbourg: Council of Europe Pub- lishing. mens têm de caminhar sempre em frente a Direitos relacionados/outras áreas a ex- elas. Racism on the In- 2003. 2003. Official Journal of the European Union L Council of Europe (ed.). [1954] 1988. ternet. 2001. Gordon. COMPASS. 21 December 2004. que De forma a protegerem as mulheres. Devido a este facto. Achtung (+) Toleranz. Additional Pro. menting the principle of equal treatment tocol to the Convention on Cybercrime. Susanne. Através deste gesto. 2004. 2000. Wege de- pescoço da mulher enquanto ela realiza um mokratischer Konfliktregelung.) gia absorvida passa para o homem. Strasbourg: Council of Council of the European Union. um homem nunca pode tocar numa mulher sem a sua permissão. tacto com a deusa da terra ao tocarem no 2001. Sep- implementing the principle of equal treat- tember 11th Crisis Response Guide. (Fonte: Adaptado de: Ulrich. direitos das minorias Os homens apenas podem entrar em con. nesty International. Liberdade religiosa.). e os seus próprios “óculos culturais”. 2000. parte da ener. Pelo mesmo motivo. Di- Europe. os ho. between persons irrespective of racial or .

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D. DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. principalmente quanto à alimentação. . 1948. ao alojamen- to. ao vestuário. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

num dia de mercado. No ano seguinte. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. Maryam saúde e quando foi. que não trouxeram qualquer resultado. era obedecer ao marido e família. ela viu a sua própria . O pai recebeu uma quantia deia. crianças. Temeu pela sua vida e das suas meira. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. mente. Maryam foi circun. Ele afir- não assistia aos partos. estavam doentes. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. mas a criança nasceu morta. O seu pai cia. Maryam não tinha qualquer de. no futuro. desta vez. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra. A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. regularmente.166 II. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. embora parecesse perceber a lín. embora algumas pessoas pensassem ternativa. Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. esmurrando-a até ela cair no chão. algumas costelas. O marido batia. a fazê-lo. Maryam ficou grave- sobre ela. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. ao era uma perda de tempo e de esforço. Contudo. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. ela deu à luz um ra. Ela visitou um curandeiro local. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. que. dava dinheiro suficiente. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos. Num sonho. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. pobreza e carência. Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. Maryam não lá conseguir chegar. dou. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. preferiu falar na seis crianças. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos. Uma mulher é assunto do marido. conseguiu sair de casa. A enfer. receber tratamento e não existia forma de va-a. paz. Os seus Maryam.

Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. Observe o esquema abaixo: são dados sico. de 1946. 2001. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . 5. pegou nos dois autoridade (pai. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS). (homens. Transforming Health Sys. mental e social. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi.) ao seu estatuto e poder? Justifique. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. uma refugiada 3. 7. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. região. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. no que respeita Health. fique. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. D. marido.” e direitos humanos. “[…] um estado de completo bem-estar fí. tal 6. Que interligações se 1. missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. As. 2.

direitos humanos seja elevado à condição nos. água. ao alojamento. alimento e desenvolvimento da saúde. Essencialmente. versal de Direitos Humanos (DUDH). com o intuito de inte- Mundial. que determinam a saúde são feitas fora do cionados.168 II. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. fortalecimento sexo. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. estar físico. O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. em 1948. no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú. a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento. Assim. tanto físicas. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. Esta in. cionais públicos de saúde. um direito isolado. família e comunidade. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. Nos instrumentos inter. na Declaração Uni. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. apenas.”. mental e social. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. ao vestuário. como sociais e psicológicas. O direito humano à saúde foi torna. Esta visão holística da saúde en- saúde. a Carta das Nações Unidas tor. O direito humano à saúde apresenta um vas. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número .

As organizações. sério obstáculo à realização do direito à saúde. nesses países. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. tanto fí. micas. 1. profissionais e outras. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. te e da higiene industrial. enquanto os países baseada nos direitos humanos. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. Cada ano. nomeando lo das doenças epidémicas. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. Até à data. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. alimentação. A experiên. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. to Internacional sobre os Direitos Econó- . Sociais e Culturais (PIDESC). milhões de pesso. reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. D. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. tortura. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. o PIDCP insegurança humana. As medidas que os Estados Partes no num país. endé- apenas algumas. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. através dos dois Pactos. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. que acontece atingir. discriminação. escravidão. tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. água. habi. durante guerras civis e internacionais 2. A violência po. paração. c) A profilaxia. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC.

tra as Mulheres (CEDM). todas Acessibilidade.” daqueles a quem se dirige. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. Parti- progresso científico e sua aplicação. identidade sexual. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. assim como pro- mente. a DUDH. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação. peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. A acessibilidade das instalações. de 1965. ços de saúde. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano. reunião e circulação. o artº 10º do Pro. através deles. mas. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14. a acessibilidade física. a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. assim como de programas. civil. cularmente importante neste sentido são dade de procurar. receber e transmitir in. humanos. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. ali. de 1979. et- a realização do direito humano à saúde nia. de 1981. estado mentação.170 II. habitação. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. incluindo o ciente. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. associação. bens e que foi revista em 1996. que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. saúde. não discrimi. bre a Eliminação de Todas as Formas de nação. 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. estado de saúde. dade económica e a informação adequada. reitos. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde. religião. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental. dições do ciclo da vida. idade. liber. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. nacionalidade. qualidade. trabalho. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). final. estatuto político ou outro pode pre- participação. origem social. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. educação. incluindo os direitos à vida. incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar. serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e .

das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. cular. obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência. dos autores de produção científica. . Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG). so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. O direito a beneficiar de uma saúde ótima. a igualdade. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. D. dos esforços das organizações não gover. Desde há muito tempo. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995).”. bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. Para alcançar ria e artística. os governos 2005. põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. para proteger a saúde pública e. Ao mesmo tempo. O aces- familiar. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. social e a pesquisa científica. Índia. tuberculose. e físico e é determinado pelo contexto so. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional. literá- assim como pela biologia. As mulheres. para promover acesso a medicamen- tos para todos. o artº 15º também protege os interesses cial. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. em parti- zação desse direito. político e económico das suas vidas.” Além disto. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares. crianças. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. em 2001. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias.

em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. tivas do crescente aumento das trocas de bens. Por exemplo. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos. em grande parte.172 II. que estão com base no Direito dos direitos huma. e. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. tem sido motivado. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. de acordo com a Uni.” panhar o ritmo deste movimento. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. pacidade de produção. da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. por essa via.2001. em alguns casos de. os membros diretos e indiretos na saúde. regras TRIPS-plus. Alguns resul. serviços. . mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. sociedade civil e em.) reito à saúde. substituída pela emenda todo o mundo tem. existe a preocupação tâncias prejudiciais. Desta forma. como o tabaco. Contudo. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health. uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio. as consequências nega. não tem sido capaz de acom. pessoas. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. já à globalização. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas. per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. patente. trouxe impactos negativos em particular. as subs. são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações. Ao mes. Contudo. ao direito à vida. capital. deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. 1992. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. para países menos desen- à saúde. comércio bilaterais e regionais. sustentável. do Acordo TRIPS negociada em 2005. devem assistir os países em desenvolvi- presas. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. produzido benefí. o investimento macêuticos (artº 7º). têm sido capazes de fugir à prestação de contas. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde.

No Plano de Implementa. incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. D. para reduzir a preva. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. são causadas pela po. Os a Shell Petroleum. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. Organização Mundial da Saúde. em 1996. As regiões resultantes da contaminação do ambiente. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. Numa No entanto. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. of disease). para reduzir elemen. como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. ambientais. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. 45/94. No entanto. . burgo.” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. um quarto de todas as doen. várias ONG alegaram que luição ambiental. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. humanos confirma esta ligação. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21. vos. em Joanes. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. 2006. como sões. em 2002. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992). As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. de 14 de dezem. de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial. foi expresso um forte de e o ambiente. 21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais.

cional continue passiva em nome de uma Em África. sobre o en.174 II. da OMS. causa. mais de 80% da população uti. Em 2008. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. zações atualizaram a sua declaração que . prática pode impossibilitar gravemente o dos. e terapias não medicamentosas […]. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. idade. América Latina e destrutivos.. biomédico da saúde e. etc. em muitos lugares População da ONU. Na Ásia rais. Contudo. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante. têm senti- e das Américas. as três organi- nerais. intelectual. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro. Numa decisão desenvolvimento sustentável. Em outros casos. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. etnia. por isso. adaptando-se base em plantas. em particular). por muito que pareçam sem sentido ou (na China. Suriname). exi. e reformando-se”. A prática. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas. Contudo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. religião. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. incluindo o direito à saúde. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. o direito à terra e o direito ao inclusive. volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. A OMS define MT como terapias que praticam. do mundo. do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. De novo. partes de animais e/ou mi. bens história que remonta há 2000 anos. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. A e serviços sejam culturalmente apropria. o direito à saúde. aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. falsamente atribuída à religião. tem uma gindo que as instalações de saúde. a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). visão distorcida de multiculturalismo. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. cultura. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. de fevereiro de 1996. PERSPETIVAS género. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. desenvolvimento.

Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. como o ébola. DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. No mesmo ano. Se a violação ocorre. Isto também significa que o veis. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. de e a tuberculose. Por exemplo. cessária e adequada. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. leis estas medidas foram excessivas. O Estado deve publicitar a locali- finanças. zação. e arbitrariamente re. a SIDA. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. tir que os membros da sociedade usufru. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. 4. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. serviços e requisitos da clínica. D. e a liberdade de pensamento. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. um número e jurídicos. tal como as minorias étni. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. justiça e assuntos das mulheres. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. nomeadamente. educação. como no caso de democrática. escravidão. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. Em certos momentos. o Estado deve prevenir que atores não es. bir a liberdade de movimento. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. servem. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. A dade sobre o direito individual. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água.

Sociais e Cultu- ma arbitrária. informa missões governamentais. . 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. ou seja. Económicos. . reto sobre as relações com outros países. de 1984. Para este fim.deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob. de forma discrimi.176 II. necessárias. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. adotado em . Sociais e Culturais. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar. políticas. menos intrusivo e restritivo. nessa data. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. acordo com o relatório do governo. mento. 10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. relatório a um órgão de monitorização do tratado. Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim. o país . natória ou não razoável. tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac.deve aplicar-se no interesse de um objeti. as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. entrar em vigor4. micos. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. Conselho de Direitos Humanos compila canismos. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos. dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. Ao nível nacional. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. incluindo leis. Sociais e Culturais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso. por exemplo.não deve ser planeada ou imposta de for. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo. os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde.deve estar prevista e ser imposta de acor. o Relator faz vi- te o direito à saúde. em 2002. dos Direitos Económicos. Partes. de direitos humanos que possam ter. O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. as co. boas prá- processo de revisão formal. tre outras consequências. governos e as partes interessadas. o direito à saúde e permitirá que o Comité . en- . proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me. Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. a este respeito. um mecanismo de disponível. o Comité dos Di- reitos Económicos. rais decida sobre casos individuais.

no Senegal. questões am- bientais. tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. No Reino Unido. acesso a meios de prevenção período de tempo. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. uma aldeia de 3. na Alemanha. Os modelos no Rei- Uganda. As autorida- des de tomada de decisão. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. por parte de toda a aldeia. grupos representativos e reuni- de comportamento na população. D. no cas de saúde pública. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. Depois de grande . higiene. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. mulheres. debater. na Tailândia. Nos anos 80. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja. para si e para as suas famílias. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. de circuncisão feminina. que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. ampla- é eficaz. sobre de parceiros múltiplos. Cutting the Rose. adequada ao local e questionar peritos. Os ões públicas. vida quotidiana. deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. Os factos sustentam que: mente representativos da população. na Zâm- no Unido.000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. mas tais como a saúde. mação específica.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico.

em particular. sobre o VIH/SIDA e. brança para os seus filhos das suas origens. cordações familiares. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada. pela primeira vez. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. teatro de rua que se focou sobre os proble. pla com ajuda da PLAN Uganda. livros de memórias foi. o mesmo destino. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. o Reino Unido e os Países Baixos . arbusto. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. No Uganda. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. Por todo o lado no mundo. em junho do mesmo ano. membros mais vulneráveis da sociedade. Eles sugeriam. educação Em muitos países. toda a al. Depois. na sigla inglesa). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. anos 90. filhos qual é o estado da sua infeção. não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. relva e musgo encon. incluindo uma atuação de canais de comunicação. dois anciãos da aldeia que contém fotografias. The Origin of Medicine. e se o curan. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. remédios adequados para as doenças da hu. Depois.178 II. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. Tal. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. erva. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. sempre. Desde 1998.” implementado entre esta população devido Cherokee. O movi. muito tempo. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. Em fevereiro de 1998. por si mesmas. piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. no início dos prática. os consumido- deiro tivesse dúvidas. A Associa- tilação genital feminina. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO. O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. para aju- mas de infeção. foi o início da medicina na dições graves. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. A ação jurídica. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. planearam. Os pais deia fez um juramento. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. dentro das famílias. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional.

Durante esse período. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. A epidemia da SARS começou em novem- gem. entre consumidores de droga. Desde então. tem de indivíduos com deficiências. por agulhas esterilizadas. como nos Países biomédico. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. humanos à saúde. A natureza holís- . e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. troca em julho de 2003. 8. infetadas e 5 morreram. Vietname. Embora o paradigma de re. em vez como Redução de Danos. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos. As questões que surgiram durante intelectuais. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. seres humanos. assim. deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas. no dia tados para com a segurança internacional. tanto indivíduos como comunida. bem-estar e deficiência”. as qualidades fundamentais da igualdade. midores. durante os quais 65 pessoas foram ciência. A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. afetados – China. surto. Os países que introduziram medidas. D. garantir que as pessoas com deficiências des. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. A atenção recai sobre e abstinência. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. A Declaração todo o mundo. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. Hong Kong. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. a Conferência sobre Deficiên. tros tratados internacionais.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. educação e reabi. será a implementam políticas de redução de da. referência mais importante neste campo. dução de danos possa envolver a descrimi. 6 de outubro de 2004. a Declaração reconhece “[…] Baixos. O facto de que estas pessoas são. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. berdade de imprensa. nos. não discriminação e autodeterminação. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi.

vigilância e isola. ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros. Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso.acordos de comércio específicos e o seu 2. bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica. tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei.saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais. etc.direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos. água. .) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos.violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas .implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa. na análise das condições de saúde sociais e físicas e .reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma . como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- . • Conhecimento público precoce do . • Transparência na informação diária dada .meio ambiente (ar. 2000. .VIH/SIDA Human Development Report.redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos. trumento poderoso para a criação de uma ros. pescas.doenças crónicas direito humano à saúde. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu. .direitos dos povos indígenas surto. cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas.doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento.tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a .” .saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do . A lista seguinte in.180 II.nutrição dica as tendências atuais: . A la- sita de ser feito pela saúde da população. .direitos das pessoas com deficiência . começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados. .

410 América .7 Suécia 6.9 1.4 (2006) 8.4 61.037 Burkina Faso 6. Banco Mundial. World Development Indicators.6 6.1 2. disponível em http://data.4 Mali 3. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11.7 38 China 4.1 177 Cuba 11.629 Austrália 8.2 48.4 Austrália 4.8 93.7 1.5 China .9 Reino Unido 5.0 74.5 7.2 Zimbabué .0 - Áustria 5.8 2. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.4 3.9 9.4 1.4 1.9 Índia 3.5 65.9 2.8 América Geórgia 2.7 4. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.4 7.3 (Fonte: PNUD.1 4.5 3.7 0.0 Cuba 11.6 3.3 75.9 - Estados Unidos da 5.1 707 Estados Unidos da 16.9 Burkina Faso 4. DIREITO À SAÚDE 181 3.6 50.5 5.1 1. 4.9 2. 1.7 6.867 Áustria 11.7 7. D.6 7. 2010. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação.org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.2 (2006) 1.0 1.worldbank.

3 Zimbabué 47.3 83.9 Áustria 80.6 América Geórgia 72.252 Zimbabué .6 3.0 Índia 64.) .0 Estados Unidos da 79. worldbank. disponível em: http://data.5 Cuba 79. - (Fonte: Banco Mundial. World Development Indicators.1 28.8 Suécia 81.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80.7 256 Índia 4.6 4.4 Mali 49.2 32.2 Austrália 81.9 38 Reino Unido 9.182 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.0 (Fonte: PNUD.org/indicator.9 78.285 Suécia 9. 2010.2 Reino Unido 79.8 45 Mali 5. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.4 Burkina Faso 53.7 China 73. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10.6 47. .

bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi.) 4. 1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma. 2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. 1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso. 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos.000 nados vivos. D. CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) . DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. 2010. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte.

mental e social. que a “ausência de doença”. bem como o estado do indi.] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. O formador faz a pergunta: que elementos . criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH). verbal. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo.. BEM-ESTAR FÍSICO.184 II. parede. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. OMS define saúde como “[. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente. dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. marca- sociedade. Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde.”. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma. MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos.. Esta atividade permite aos parti. criar nos par.

a nova lista de direitos humanos que apoia mador. As folhas de pa. do grupo em plenário. D. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. os partici. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. O grupo pode colocar dade entre todos. Neste momento. uma assistência quando é pedida. linguagem de direitos humanos. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura. artº 3º da DUDH. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. Nenhuma ideia deve ser ex. Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. o direito à vida. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. pantes a usarem as suas próprias ideias. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel.) grupo. Cada grupo irá escolher um suas ideias. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. pidas. num sentido amplo. da. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. contudo. apoia o direito à saúde. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. o forma- verem. eles irão usar as listas que cria- claramente. folhas são direitos humanos. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. • Este é um exercício de empoderamento. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. para todos verem. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. 2. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. o formador plo. se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. to- . Durante a fase da revisão. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados. Por exem- Se o grupo demorar a começar. suficientemen. incluindo o for. o formador pede a dor visita cada grupo. Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. Passo 4: po. (Isto demo. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1. Alguém anota Todos os participantes.

Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. propriedade. al. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. rar opiniões opostas. cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co. cêuticas. . Materiais: quadro. . não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. conside.o representante das ONG conseguiu. por exem. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. marcadores. O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento. guns governos começaram a importar . importados de aos participantes que a DUDH é um có. dizendo mentos genéricos baratos. Depois.o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos. na realidade. Em África.186 II. para o julgamento. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. e devido a pressões de ONG. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo. Metas e objetivos: Compreender a com. importados. tes e profere uma sentença. verdadeira. plo. fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. o juiz abre a audiên- . apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. processaram o governo e algumas ONG. cêuticas. Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que. fita ade.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. mas. os grupos to- ção. posições. que prolongam a vida ou aliviam as do. Por esta ra. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. Os participantes dividem-se em 4 grupos. . outros países. apresentará os argumentos. o formador deve su. considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica. empatia mam os seus lugares.

2008. Fourth World Conference on Women. A Manual for Human gar a consenso sem negligenciar a posição Rights Education with Young People. soluções mais importantes são registadas Outras sugestões: no quadro.) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3D. and the New War on the Poor. 2008. Peris S. . Possibility? London: Radcliffe. to the WTO.. Human Medicines Decision: World Pharmaceutical Rights and the WTO: The Case of Patents Trade and the Protection of Public Health. discriminação. 2002. Trade And Human Rights. tions? London: Radcliffe.org/womenwatch/daw/beijing/plat- org/pdf_3D/Guide-075Ch4. Kevin.3dthree. pp. Halfdan Rights Policy. D. (Volume 99). Mahler and Hane Serag. Theodore H. 2005. Oxford: Oxford In: American Journal of International Law University Press. and the United Nations: Manual for Human Rights Education with Inconsistent Aims and Inherent Contradic- Young People. SARS and the Implica. Health. Berkely: University of California Press. Sen. Holger. Human Global Human Right to Health: Dream or Rights. 2004.int/compass MacDonald. Health. pondera-os e profere ta o seu processo de debate e a sua pos- uma decisão que tenha em consideração sível solução no plenário. Depois de 30 minutos suas posições e argumentos. Noel A. membro de cada litigante mais um juiz. Strasbourg: Council of Europe. TRIPS and Health. 2002. 2009. Frederick M. Available at: www. Em plorar: Globalização. The Pathologies of Power: Health. 2006. Quando todos os grupos tive- Encontrar um consenso no grupo: depois rem apresentado o debate do processo de de todas partes terem apresentado os seus tomada da decisão. Theodore H. Available at: www. po- cada grupo de trabalho. Basingstoke: tion for Human Rights. COMPASS. deve haver um breza. Compass. 2004.pdf form/ Abbot. Direitos relacionados/outras áreas a ex- ticipantes formam grupos de trabalho. sella and John A. London: Rad- Beijing. Paul and Amartya K. argumentos numa sessão plenária. pa. Council of Europe. In: Case Studies.. Kin- Farmer. Human Rights in Context. Cambridge: The Carr Center for Human MacDonald. Beijing Declaration and cliffe. un. DIREITO À SAÚDE 187 cia e pede a cada grupo que apresente as de todas as partes. 317-358. AIDS Treatment and Chan. As respostas e as diferentes opiniões dos litigantes.coe. O (Fonte: Adaptado de: Conselho da Euro- formador pede aos grupos que tentem che. The WTO Hestermayer. cada grupo apresen- todos os argumentos. Gibson. Jones. 1995. Palgrave. a atividade termina. 2007. MacDonald. In: Practical Guide Platform for Action. Available at: http://eycb. A Human Rights. Theodore H. os par. O juiz resume de trabalho de grupo. and Access to Medicines.

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não devem. ser encarados isoladamente. E. 1995. portanto. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. como um problema feminino.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. .

Para abdómen. falámos com com o teu marido. taram nele. O seu esposo vive trancou-a num quarto. pela quarta vez. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. eles levaram. tive sexo [com um outro homem]. disse ela. com uma pedra.” A segunda Quando ela falou com ele.192 II. dada ocasião. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho. Não consegue vi foi. os Nesta altura. amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. em 2009. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. formal. e lhe pagasse uma prestação de alimentos. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. Selvi foi. Em 2010. mília. à esquadra quan. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. Porém. joga.” Desde então. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra. “O bebé sobreviveu. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. o marido da Selvi abusos continuavam. Sel. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente. deram ao casal alguma do a localização do abrigo. secretamente. . estão novamente juntos. raramente trabalha. um me do telhado”. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. agora afeta mesmo as crianças. Ele da sua cabeça. No entanto. à noite. A polícia trouxe o seu ma. numa terceira vez ela es. pois o seu cartão do Estado do fugir. batendo-lhe todos com ela. não os dias. “Naquela primeira vez ele bateu-me. O seu marido iniciou os ataques en. dizen. A polícia en. man Rights Watch falou com a Selvi. a chorar. numa polícia que ela estava a mentir. Eles acredi. Quando. O tribunal ordenou mental.” ele. ele está aqui. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. Estado e tem terror de fugir. eles chamaram o frequentemente. já do o seu marido trouxe. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. cuidados pré-natais que são urgentes. bater-lhe. ao tribunal de fa- to filho. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. a violência tem au. garfo no seu braço. disseram-lhe Em junho de 2010. Uma mulher. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. quanto à frequência e gravidade. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. independentemente. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. curador iniciou. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. comida e mandaram-nos para casa. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. é extremamente ciumento.

o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. E. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. levan. envolve fre- as mulheres em todo o mundo. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. He ficientes para garantirem oportuni- loves you. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . as noções formais armas ou palavras. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. O séc. nessa altura. Em. No entanto. nal e internacional. infe. quase globalmente. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. pertencem a todos os seres humanos. mas também mui. 2011. especial e nem ninguém. 4. Eleanor Roosevelt. com Em muitos contextos. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. Devido às diferentes tos retrocessos. 3. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. muitas formas. muitas vezes. se na discriminação de facto. contra as mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. e pelos direitos de outras mulheres. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. a luta ainda não terminou. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. situações de desvantagem. insistiu que devia ser usado “to. regio- aos tribunais e os procedimentos judi. e introdu- por um longo período de tempo e. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. Esta situação opôs a tal política. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. A SABER 1. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1.

pendentemente do género. Em 1998. desvantagem e discri. assim como os transsexuais. ças. dos quais são mulheres. carecem de particular atenção e que . idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí. sociais e económicas por todo o mundo. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade. Quer os refugiados. depois dos representantes dos Esta. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. […]”. Assim. 1998/2005. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. inde- sociedade. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens. o conjunto com os grupos vulneráveis. res na sociedade e às formas específicas res. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. por Susan Moller Okin “[…] como a ins. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens.” mas evoluiu posteriormen. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. de cada país. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”.” Contudo. de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. idosa. comunidades. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. cor. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. diferença. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. o género é uma categoria de Azza Karan. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. é o que será o próximo milénio. mulhe. “a neutralidade não per. a maioria No entanto. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. soas deslocadas internamente.194 II. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. é comum encontrar as mu. políticas. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be. humanos torna-nos especialmente sensí- manos.

assim como muitas das suas A segurança humana trata. em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. Uma Retrospetiva Histórica existe. voto. deve constituir uma priori. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados. res por direitos iguais. Ela. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico. crianças. Assim. ainda hoje. referida como “a terra natal do feminis- ção. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto. com num mundo masculino. em particular. também. DEFINIÇÃO públicos. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. particularmente contra mulheres mo”. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. nacionais. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2. em a segurança humana. Logo por volta de 1830. E. a situação das 1918. a erradica. Esta época consti. podem benefi. finalmente. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. direitos humanos à segurança humana. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. as mulheres e crianças. regionais e sub-regionais. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. A prol da libertação e igualdade. todos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. partir dos 30 anos de idade. a proteção. de companheiras. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. as mulheres e as petos”. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. marca o começo reitos das mulheres. com .1789. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. mesmo em tempo de paz. Desta forma. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. a todos os níveis.

em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. e desde o início. tornava. a pobreza a Nacionalidade das Mulheres. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. da mulher na família e na sociedade. também. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. nos Pactos Internacionais. criada em 1928. em todo o mundo. humanidade foram esquecidos. a Década cul- se dos direitos humanos. minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. o que. na área dos direitos das mulheres. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. foi Bodil Boegstrup. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. com o mandato líticos. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. 187 . Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). criminação contra as Mulheres (CEDM). mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. Os di- e através de planos trienais de ação. A sua primeira presidente que. para a continuem a discriminar as mulheres. em 1945. estão divididos em duas categorias. no respeitante a problemas ur. as mulheres procuraram participar na estru. moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. ine- nentes. Paz. A CEM pro. enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades. lheres. ao nível global. em 1933. vitavelmente.196 II. de 1976 a 1985. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. e Mulheres (CIM). primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. social. Em 1979. a diata. Até maio de 2012. da Bélgica. económico e uma posição subordinada às mulheres. conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. por exemplo. região da América Latina. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. unindo os direitos humanos todo o mundo. Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. assim como direitos económicos. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas.

.Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. económico. . desenvolvimento dos seus filhos. homens e das mulheres na educação e lação apropriada. de conduta dos homens e mulheres. cípio da igualdade. com base na igualdade dos homens e das mulheres. nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres. seja qual for o seu estado civil.Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa. E. proibindo toda a discrimi- ção feminina. blicos e de serem elegíveis.Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras. .Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir. Muitos . .Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . zação ou empresa. mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade. reconhecimento. organi- CEDM.Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios. A discriminação contra as mulheres é . .Tomar todas as medidas adequadas . exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens. o gozo ou o exercício pelas . se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres . nação contra as mulheres.Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade . políti. tos dos homens no campo da educação. em todos esses atos. atuarão em conformidade com esta . O Comité da CEDM coloca ênfa. qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres.Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas.Modificar os padrões sociais e culturais mulheres. social. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. das as outras práticas baseadas na ideia co. dos direitos humanos e das liber. em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção. por eleição.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção. .Estabelecer a proteção legal dos direi. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- .Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos. .Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção.

em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór. Nairobi (1985) e Pequim (1995). a cada cinco anos. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente. sendo parte da Convenção. 104 Esta. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais. A CEM. de integração dos direitos das mulheres como sos critérios.198 II. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. que se te. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. regional e internacional e mite que mulheres. ração de Viena e o Programa de Ação. Declara também que a total e igual ou grupos. a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. cialmente importante. Plataforma de Ação de Pequim (março de to. Em qualquer um e homens. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. bro de 2000. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. Adicionalmente. Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. direitos humanos: México (1975). através de consenso. permitindo um Plano de Ação. ga (1980). ninas são uma parte inalienável. o progresso relati- dos casos. individualmen. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. adotados como resultado da conferência. por exemplo. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. O Artº 17º do Protocolo estabelece. o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. 2010). direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. civil. Até maio de 2012. nível nacional. do Milénio. a torna. social e cultural ao • O procedimento de participação per. rem-se parte do novo instrumento também. dentro da sua jurisdição. nho de 1993. e chamou todos os Es. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. um Es. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca. económica. A Decla- contra as Mulheres. tados. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. O Protocolo Op. • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. violações de direitos protegidos pela Convenção. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. já que constitui o .

obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. social. meninas. África e Europa de Leste. económicos. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. mulheres. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. 17% humanos das mulheres. cisão. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. saúde. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. com um diagnós. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. na sua dimensão política. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. sociais tes e dos idosos. violên. O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. • Em algumas regiões. cumprindo os seus de. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e. político e económico das vidas das mulheres. Muitas vezes. la e produzem mais do que 90% dos ambiente. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. economia. E. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. financeiro. e das mulheres a serem informados sobre os . especialmente na América Latina. mecanismos institucionais. sem um seguro adequado e próprio. as mulheres rea- da de decisões. dos doen. cia. meios de informação. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. manos civis. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. 1% da propriedade. reitos sucessórios e à propriedade de terras. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. executando os trabalhos e culturais. É dada especial atenção dos alimentos. assim como pela biologia. a toma. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. que é entendida como uma função social de social e físico. menos que os homens. políticos. educação. sistema institucional e alimentos. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. em média. No contexto da migração. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. conflitos armados. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas.

porém. irão purificar as suas filhas. Egito.. possivelmen- Ban Ki-moon. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo. e minha história pessoal. por cozinharem sobre as e adolescentes. Eu corto-as en- saudável. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. O meu pai mos médicos. Por isso. não acreditem vítimas da MGF. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. mente.. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva. muito mais tarde. tal como demons. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. te- nham sofrido a MGF. as meninas e as mulheres apenas esperou [. frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. 2011. Elas entre- de adequados. Para além de muitas . por vezes. numa visão geral global. a enraizados. res.. nho. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde. castidade e a “pureza” genital. A MGF integra-se. riscos para a saúde e. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas. 2012. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul. Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar. por isso. mulheres vivas. os pais não nas na América Central e do Sul. mas não é exato. Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. ainda não sei qual o dia asiáticos. eficazes.200 II. Na altura quan. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas.. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. Parteira de aldeia Om Mohammed. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú. expliquei a e em alguns países do Médio Oriente. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas. exato [do meu nascimento].] por isso. Malásia e Sri Lanka. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. [. e.] e Austrália. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte. incluindo a violência física e sexual. é diferente: quanto as suas mães.” dores. no momento presente. te. tais como a Índia. América do Norte meses.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. perigo de vida. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. Indonésia. Apesar registavam os nascimentos. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria. A realidade. bem perto. A tradição persistente da fogueiras. As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF).

com base percentagem é de cerca de 50%. ções Salafi. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. a panhadas de educação integral. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. no comportamento sexual. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). o estudo de 2005 da UNICEF mos. as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. Os luta. que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. tão lentamente a diminuir nalguns países. E. dita nela”. os pro. Em termos globais. o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. local. a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. Considerando que. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). dimi- destas estratégias na linha de ação: em. na África na comunidade e sensibilização. risco as mulheres é o VIH/SIDA. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. . e a separação pormenorizada dos No entanto. nuíram em 33 países. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. novas infeções ter diminuído desde então. logo em 1959 (uma proibição con. devido a mudanças prisão. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. comportamento social devem ser acom. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. Apesar se à sua continuação. étnicas e socioeconó. também as MGF no mundo. em 2010. o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). mulheres grávidas. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. micas. estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. através da promoção de uma no Egito. taxa de todo o mundo de 21%. Subsaariana é de 59%. As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. em 2008. em geral. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. no Norte de África e no Médio Oriente. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. ção islâmica. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores.

Para além do mais. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte. ça das Nações Unidas. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. classes e culturas. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. recém-nascidos. nomeadamente. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. nas são sujeitas a violência física. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. Muitas conquista reflete o compromisso político. durante a sua vida. Esta na vida pública. [. Escravidão sexual. pessoas que são titulares de direitos. possibilitan. 2012.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. crimes de hon- Também em 2011. relacionados com o dote. abusos sexuais.] de planeamento familiar. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica.. assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação. como na privada.. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres. gravidez forçada. integrando-se os esforços de pre. para preve. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. prostituição forçada. Assim. ções pandémicas. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. tanto quase duplicou em apenas três anos. situações de conflito e pós-conflito. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. vezes. a fim de prestarem uma as. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis. ma forma. ra. res no mundo já foi abusada.202 II. seleção 1983. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. o Conselho de Seguran. e psicológica que é transversal a diferen- ças. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. ções. venção no cuidado pré-natal. lheres.

000 mulheres por ano. Punir e de máxima importância que a Declara. E. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres. fa. por consenso. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. ocorrida no seio da família. em 1993. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos. o abuso sexual. conjugal. A vio. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. de 1994.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas. família. foi estabelecido. • violência física. onde Unidas estima que o número de víti. com a prevenção. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. a violên- cia relacionada com o dote. são para serviços de cuidados médi. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. o tráfico de mulheres e a nação. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. em 1994. o assédio aproximadamente $1. A violência abrange os seguintes atos. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di. Nos termos do Artº 2º da De. quer que ocorra. sexual e psicológica lações de direitos humanos. da violência contra as mulheres. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. de forma a que as vítimas de violação. a violência contra as mulheres humanos. ou até com a erradica- ção. os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. prostituição forçada. Deixa vi. mílias e comunidades. • violência física. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. por exemplo. com perdas ticada na comunidade em geral.1 biliões violência relacionada com a exploração.8 biliões. empobrece os indivíduos. como uma ferra. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. Em algumas Além disso. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. fratura comunidades maus tratos. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. incluindo os das devastadas. Esta Convenção foi desenvolvi- . Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. Erradicar a Violência contra a Mulher. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. manos. • violência física. as mulheres. a violação • A violência contra as mulheres cau. estima-se que o custo de vio. das Américas ratificaram a Convenção. ças do sexo feminino no lar.

Social Europeia. é estabeleci. Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda. proteção materna. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. Conclui-se. O Protocolo Adicional nº7 à Con. mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. incluindo o género. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. proteção de traba. Internacional. por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. em relação ao traba. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. Até maio de minarem as mulheres. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. também da guerra na Bós- mento. O direito a oportunida. de comunicação entre homens. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. Os direitos espe. a violência sexual 2012. e no Protocolo nº12. Se. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. introduzir o medo. parte. a . há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. A vio- respetivos Protocolos. designa expressamente a violação. a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos.204 II. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. o Protocolo à as mulheres. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. tos casos. de modo a destruir o inimigo. em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. Ruth Seifert afirma que. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. foi elaborado sume proporções pandémicas. nível político e jurídico. No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. seus métodos. ria. lho sem discriminação em razão do género. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu. e subsequentemen. punir. através do atropelamento dos corpos das mulheres. é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. dominar. su. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. nia do início dos anos 90. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo.

da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados. As Resoluções enfati- a violência sexual. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”. especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. incluir as mulheres em para a Serra Leoa. entretanto. enquanto funcio. de decisões. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. 2008. da mesma forma.000. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. E. ção para a paz promovidos pela ONU. na prática. vo nas decisões que levam ao conflito ar. Internacional para a antiga Jugoslá. Maj. parte de equipas de mediadores. Vários Estados estabeleceram. missões de manutenção de paz.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. planos nacionais de ação para a mado. Além disso. Contudo. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. O número de condenações conflitos. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. especial. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. Pelo contrário. a ONU vida o mais normal possível. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. Patrick Cammaert. “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. mas mou no seu boletim informativo sobre re. processos de manutenção da paz e segu- rança. via. em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. Gen. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes. Uma mudança de paradigma na recons- derno. Muitas mulheres UA ou outras instituições. até parte desproporcional das consequências agora. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. A participação das por estarem expostas à violência. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias. mulheres nos processos de negociação para . 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). mente violência sexual. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. enquanto muitas vezes elas pró.

Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia. rapazes. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. Além disso. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. a menina enfrenta dis- suas crianças. A Dire- mentes e as que as fazem crescer. nital feminina. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. governos e indivíduos.em média. ao longo da infância e na idade adulta. futuro sustentável. Para nós. a tendên. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. não epidémicas. centrou-se. ras. mas afeta especialmente as mu- lheres. Assim. o seu conhecimento. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino. através tora Executiva da ONU Mulheres. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . mas em todo o mundo. a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. de vida. as práticas relacionadas com . a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. Fazendo face Vandana Shiva. de Vandana Shiva. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. 1998. o furto não pode ponível. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. nas chamadas economias verdes. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. Michel- dos tempos”. entre outras. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei. como a seleção pré-natal do sexo. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. a estas insuficiências.206 II. o casamento precoce. por isso. sustentável. Terceiro Mundo. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. um todo. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. que são maioritariamente homens.” acordos de paz são mulheres. Monopólios e Mitos e a Masculiniza.

ferente à questão da saúde das meninas. mais do de universalidade. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. PERSPETIVAS Austrália. compete aos Estados. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. as tes e interrelacionados. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. antecedentes históricos. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. indivisíveis. inciden- . ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. E. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. te dos seus sistemas políticos. culturais. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. peito aos direitos das mulheres. na sua documentação re. Em muitas regiões. uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. meninas. as meni. uma desculpa ou impedimento para a total do. independentemen- educação e à formação especializada. em 1993. dos direitos humanos. Devido à falta de leis de proteção são universais. particularmente. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. a vio. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. o mo tratamento que os homens. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. soal e ao direito à vida das mulheres. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. Em 2002. Infelizmente. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. estas políticas e perceções colo- 24 anos”. Mais comum na Ásia.

aumento de apenas 1%. participação das mulheres. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. às limitada. bem como de iniciativas interna. nas legisla- de noivas”. de mortes entre mulheres (na maioria. na Índia moder. jo. Nos últimos 50 anos. os países com to ou enforcamento. mas ainda ocorre a responsabilização política. mativas da ONU Mulheres. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. envenenamen. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. De acordo com esti- suicídio por autoimolação. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. das mulheres nas eleições. no fim. cuja execução foi adia. desde há décadas. nunca. mentados em 2006 e 2008. Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. e os na Índia onde a Sati. As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. foi proibida pelo gover. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. ainda existe atual de 18. não vão atingir . tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos. de 4 para 1. Ashtiani no Irão. em comparação com o embora mais raramente. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. mais mulheres no governo do que nunca. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. 1998 a 2008. estaremos que são assassinadas. há um aumento chocante do número após 1975. para revigorar no britânico em 1829. Hoje. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. maioria simples dos votos. nas duas décadas na. presumivelmente. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. No entanto. tradição com os direitos das mulheres. tipo de regime de quotas.4%. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. as estatísticas da Índia da diversas vezes e. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. existem como é provado pelos últimos casos docu. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos.208 II. de forma a pres. 2011. forçadas a cometer paridade” de 40-60%. em todo o mundo. em compara- dado. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. Mulher (UNIFEM). governo eram mulheres. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor.

a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. A Agência dos cos e sociais. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. Dentro da União Europeia. guidas não apenas pelos governos. Porém. humanos das mulheres através da edu- balho igual. revoluções terminado em repressão contí- nua. cação para os direitos humanos nos Além disso. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. para tra. que seja a mulher e não o homem a per. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. à maioria da população. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. entre homens e mulheres. guerra civil ou as eleições democrá. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos. para a igualdade. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. no entanto. com as mesmas qualificações. direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. mas com as mesmas qualificações. Contudo. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. Durante a Revolução Verde Ira. Por exemplo. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. E. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. a participação política das mulheres parece 4. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. é muito mais provável souberem o que são. realizado. uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente.

A das mulheres. o Co. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. de 1993. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. da África do Sul. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. da Turquia. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter. Se as obrigações do Esta. se esta possibilidade não for ex. Os relatórios sombra nismo novo. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo.210 II. e para outros ór. completa implementação dos instru- . Em 2009. no país. poucas as ONG podem preparar relatórios al. emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. de direitos humanos e ainda menos té específico. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. mas também CEDM. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. de. em junho acordo com a CEDM. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. Apesar das melhorias significativas. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. invocá-los. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. Para de Yakin Ertürk. Atualmente. isso é de extrema importância que o ape- gação. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados. reitos humanos.

turas de ativistas dos direitos das mulheres. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género.” sejos. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. em março de 2000. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”. E. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. a aprender sobre direitos humanos. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. para efeitos pedagógicos. for Gender Justice. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. procurando garantir que a violação. necessidades e de. Mary Robinson. Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. Agora. Um número crescente destas . Apesar do hiato digital mundial. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. em 1999. e sexual são incluídas no estatuto do TPI. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). para 28. Um dos melhores exemplos é a ado. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. expressos na sua própria língua. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. mas escravidão sexual. gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. 2000. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. O Passaporte vens e mulheres instruídas. em muitos países. Em 1992. bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas.

com o artº 7º. para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. O terceiro escravatura sexual. eficácia. As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. é dada explícita atenção a ví- sexual. no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. Em 1998. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. com uma for. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. estar físico e psicológico. assim como a consciência política timas e a testemunhas. de informação novo marco com o Estatuto de Roma. foi uma cam. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. que incenti. de direito humanitário. vencedor. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize.0. crimes de violência sexual. Em 2011. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. an. variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. as ONG para te. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso. uma diretamente. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). es- e de participação. diversas questões de direitos humanos e údo digital. as preocupações das mulheres da Web 2. prostituição forçada. a Campainha!” (Bell Bajao). nº1. foram projetos inicializados de 2002. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. no contexto da violência. a violência doméstica. e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres. “Estação de Rádio apenas para gravidez à força. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. declara que “[…] violação. mas aproveita também ativa. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. pela primeira vez na história. e o “Toque bunal Penal Internacional. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. Por exemplo. Uma boa prática para se supe. para intervirem de forma a terminar. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. estabe.212 II.

DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. adotaram a Declaração do Milénio das ão. vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação. tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. este direito há muito tempo. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . faz parte dos Objetivos de Desen. dois deles. no caso de uma vítima Nações Unidas. os objetivos 3 e 5. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. Finalmente. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. objetivos. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques. como a po. em termos globais. um terço desde 1990. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. das Nações Unidas. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. nomeadamente. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. em 2000. por exemplo. declínio médio da percentagem anual. tanto o nú- ligamia. O esco. é mais lenta do que em mundo. No Uganda. rica Latina. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma. o 2015. até das as regiões em desenvolvimento.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. volvimento do Milénio (ODM). explicita e implicitamente. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. a Amé- necessitam para se sustentarem. a questões de mulheres: Em março de 2012. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. as mulheres Global. de 2012. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. Este su. nio estimada de 1. E. Estas medidas referem-se. os Estados Árabes. O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. Oriental e a região do Pacífico. Estas medidas aplicar-se. mais recentes no Digesto da Educação res. clusivamente. da Interagência doméstica e algumas tradições.

e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo.214 II. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. .” Shulamith Koenig. jovens. em 2011. ma das Nações Unidas. o Institu- organizações de mulheres. mulheres enquanto seres humanos plenos. Os Estados-membros da ONU deram. especial da Assembleia-Geral. e bilização social. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se. suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. para a Mulher (UNIFEM). e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. 2009. promissos sobre a igualdade de género. mentarem estas normas. cas. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário. para o Progresso das Mulheres. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. na sua formulação de políti- nas. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. As principais guintes cinco objetivos. um passo histórico na ace. ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. bem como igualdade de género e ao empoderamen. cazes com a sociedade civil. a implementação integral da De- um impacto maior. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos. sociedade civil. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste. solicitem. Mulheres. desta forma. padrões internacionais e normas. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres. incluindo a monitorização regular do Em 2010. Funde-se e constrói. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo.

paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. ratificações até maio vigor: 1981. rati. Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. de Nairobi. 1958. de Pessoas. 1994 Convenção para Prevenir. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. tra as Mulheres (em vigor: 2000. CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. E. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3. de Belém do Pará (em vigor 1951. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. lheres e Crianças. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género. 1888 Fundação do Conselho Internacio. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti. a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964.

2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri.216 II. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica. RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal. ração e Plataforma de Ação de Pe- res. cooperação e análise de dife- direitos das mulheres. a igualdade de género e o empo- res. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe. Esta atividade procura melhorar a compre. Dimensão do grupo: 20-25. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres. paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. familiarizar-se com rentes pontos de vista. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio.

sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem.. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco. o que torna o debate mais in. E. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. não discriminação. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma. curso. quais são as mulheres mais afe. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for.. por entre . O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos. ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. Se não. o grupo deve pensar na situa. os resultados ao grupo inteiro. minorias. Direitos humanos em geral. apresentados e debatidos na presença de Depois. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca. linguagem corrente. Contudo. direitos das gregação de género. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente.

como desenharam o mapa. desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. . marcadores de diferentes cores. Explicar que nesta atividade os participan. No presente. a por exemplo. as paisagens do presente e do futuro e um deias. pontes. Ao prosseguir. etc. florestas. Metas e objetivos: Desenvolver a com. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo. o desen. caminho a passar entre os dois.218 II. rios. charnecas. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. etc. Igualia. um país onde exis. tais nhe o seu mapa de fantasia. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro. vales. Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. ao longo do caminho. um país onde existe a igualda. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. melha para representar a tentação. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. a representar como montanhas. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. presentados pelas linhas. para Igualia e como os iriam superar. cabos de energia. pré- justiça e o respeito dios. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. folhas de papel grandes. dis. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. al. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. aptidões cria. promovendo a usados para as florestas. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos. mas o seu mapa mostra o cami. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira.

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PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos. F. é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo.” Comissão Internacional de Juristas. 1986. .

tendo ela testemunhado um atentado com bomba.. S. em que pessoas e feriu mais de 100. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente.” se encontrava sob custódia da polícia. É a terceira alegadamente identificou S. foi absolvido de todas as acu. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. trabalha. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. Ö. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. dos direitos dos ho- Quando Ö.. os relatórios da polícia retira.. legais políticas pró-curdas. ferentes departamentos da universidade.. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. mais tarde. disse a Human Rights Watch. forenses. O seu julgamento é um dos . tanto Ö. numa explosão.. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. documento cujo conteúdo ela desconhecia. indivíduos que participam em manifesta- ba. foi fabricada. sob tortura. quando foi detida. sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. incluindo sadas por um atentado à bomba. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. repetidamente abuso do processo equitativo”. rotulou a explosão editores. Ne- nhumas outras provas. Es- agido pela polícia. questões de género. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di. que irá assistir feita por Ö. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011. ao julgamento. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. O procu. sem justificação. em 1998. direitos humanos na Turquia. No tribunal. que matou sete supostamente feita pela tia de Ö. então com 27 anos. bem sações. dizendo que tinha sido co. representa uma per- idade.. mossexuais. e Ö. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul. tras minorias. S. defensores dos direitos humanos. disse Emma negada. Em 1998.. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. sos. “A continuidade deste caso pa de S. vai ser jul. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa. contra jornalistas e rador que indiciou S. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau. da cul. com bomba. Os S.. S. elementares para um julgamento justo. e a explosão. o tribunal de primeira instân. durante o interrogatório. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. como resultante de um atentado com bom. também foi detido.224 II. bissexuais e transsexuais. Ö.

Todavia. Assim. pilar da sociedade democrática. Pior do que isto. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos. manos. efetivamente. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. advogado. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. 3. na reali. O direito ao julgamen. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”. À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. constitucio- considerado ilegal. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. porém. disse a Human Rights Watch. O que pode ser feito para se prevenir mente. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. 2011. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. uma vez que não se nais. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. quando são violadas as garantias de um aplicado. Nin. Esta lei tem de ser ser a sua pena. públicas quando os seus direitos estejam dade. a execução do poder estatal tem de ser to justo. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. torna-se evidente que julgamento justo. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. Tal é essencial para a proteção si próprio. Tur. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. não to. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência.? A SABER 1. Durante o julgamen. é comummente a sua presença. descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. F. de conhecimento público. Quais são os motivos para a acusação de S. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- .

uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. a quem se encontrasse detido. O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215).” buem diretamente para a segurança da pessoa. insti. primado do Direito é um dos maiores obs. do de direito ao estado discricionário. com base na lei e imparcial. Os princípios do primado gurança jurídica. patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. a Conferência Mundial das Na. manos. parlamentar na Europa. Em consequência. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. à nobreza. central foi estabelecida por Guilherme. públicas e privadas. Atualmente. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. separação dos poderes. durante os séculos XVII e XVIII. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. respon. As pedras angulares cial do processo democrático. . o di- “Para as Nações Unidas. Na Europa.226 II. a justiça e a gos. garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. se. reafirmou a ligação inquebrá. legislativo e judicial centrais. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. como Aristóteles. las quais a sua liberdade fora restrita. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei. o princípio do primado do Di- tuições e entidades. dieval onde. deres executivo. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. quistador. nação no qual todas as pessoas. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. igualdade perante a lei. e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. Tam- Primado do Direito. 2004. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos. e é um pilar essen. cumprem as revoluções civis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. que preferiam o esta- certeza jurídica. em conjunto com a nobreza. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado.) rante um juiz independente e imparcial. cional. proibição da arbitrarie. os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. o Con- em Viena. do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal. e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu. fundamentais. em 1066. e o parlamento.

como ditar no Estado e nas suas autoridades. 2004. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva. um clima pro. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. a Con- fortemente de um sistema administrati. incluin- parcial da justiça e da boa governação. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. como Elemento Fundamental contribuindo. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. 2. salvaguardem o sistema jurídico. Em situações de pós. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. diretamente. primeiro lugar.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. nos. vo e judicial que funcione. o processual (ex: equidade na audiência). a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. às garantias dos direitos humanos. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. procuradorias e polícia. assim. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. Com este fim. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. da administração im. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. O primado do Direito significa. excecionais. . Assim. justo com total igualdade. mesmo ao lidar com situações da sentença. venção Europeia dos Direitos Humanos. um sistema judicial forte de. mado do Direito. Em direito ao julgamento justo. do tribunais. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. primei- conflito é particularmente importante ramente. social e contribuem. o pro. também lacionado com a administração da justiça. e não discriminatórias. na realidade. F. para o direito de do Primado do Direito viver sem medo.

indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. ou fazer interrogar. informados. as tes. superior. no seu defensor. segundo o direito na- num idioma que compreendam. A pessoa davia. no caso de não ter Muitas vezes. nulla poena sine lege”). Do 3. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. nais militares ou especiais que julgam civis. Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva. a título gratuito. O tribunal deve ser competente. Todos têm direito a uma audiência equi. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. crimen. 11. obedecem aos princípios normais da justiça. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. 9.228 II. ato delituoso. em que a infração foi cometida. as condições que estabelece. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. da cional ou internacional. atempada. o estipulado no PIDCP.) 7. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. mentos dos Direitos Humanos da ONU. Todos os acusados da prática de um 10. sempre que o in. em 2007) aplicam-se direito de ter um. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. in. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. Proíbe . ou omissões que não constituam um mente. ou a confessar-se culpada. to- testemunhas de defesa. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. um julgamento justo (por exemplo. equitativas. A pessoa acusada tem direito a in. pios gerais do primado do Direito. Em muitos países. plenamente. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. 4. imparcial e estabeleci. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. 6. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. nos termos da lei. termos em que. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. a todos os tribunais. em pormenor. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. cação de procedimentos excecionais que não terrogar. especiais.

sem discriminação de qualquer es. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. postos. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. tribunais de justiça que podem ser com- rente. similarmente acu. Todavia. assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. etc. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. o poder judicial aplicam-se. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. somente por juízes profissionais. o constitucionalmente. expetativas ou instruções. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. o prin. Se os juízes pudessem ser removidos. neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. F. fica tratamento idêntico. cisões não coincidam com determinadas sadas. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. pécie. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. Exemplos deste controlo. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. a sua independência igual pelos tribunais. as condições salariais dos juízes. . também. as condi- sistema legal. são outra parte. institucional ficaria comprometida. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. Significa sim que. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. judicial tem de ser similar. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. Todavia. sionais sem serem influenciados. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes. Contudo. aos jurados. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. alteradas por autoridades não judiciais. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas.

Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. A este respeito. rio. a pessoa acusada não pode ser con- sentes. ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. desde comprometer os interesses da justiça. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi. para aí receber um julga. o artº 14º do PIDCP. ável. de forma pública. 2011. Este feita. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes. [. (Fonte: Amnistia Internacional. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. Isto também se ser plenamente respeitado. O direito a manter o silêncio e o direito nais. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas. há muito. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. para que qualquer detido de Todavia. por exemplo. nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi. ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. tal como um qualquer tribunal fe. de a não ser forçado a testemunhar contra . blico é excluído da audiência. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. Assim. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. num julgamento justo. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. que englobem o processo. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. das nos próprios instrumentos internacio. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex.]” de crianças). o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. De acordo com até serem considerados culpados. A presunção clusão do público. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. pelos tri. a informação sobre denada.. na medida do necessá- Genebra. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. Mi- litary Commissions. mas deve ser vista a ser feita. o pú.230 II. no âmbito penal.. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

desen. Colocar. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. artos 37º. artos 5º. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. 17º. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. crítico e capacidades analíticas. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. 16º. Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. artos 12º. 13º. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). 2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. 13º. 12º. 14º das sobre a Independência de Juí. 1994 Relator Especial das Nações Uni. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. Função dos Magistrados do Minis. uma mesa poder defender os seus direitos. capacida- . F. à frente. 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. 15º. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis. Mulheres. situação de tribunal.

O ele- uma ofensa criminal.” Reações: Explicar.Equipa de duas ou três pessoas condu.Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. dificultará o desempenho na dramati- .Um juiz. .Grupo de três ou quatro pessoas que apre. acontecem na vida real? mos de defesa.244 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação. . Ter atenção ao desempenho. pode nomear um júri defender. nifica que se for a julgamento. como furto.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. não existem advo. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. bem como da sua família e lação? da comunidade. zação. debater a diferença entre um a sua opinião. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo. “Toda a pessoa tem direito. na primeira dramatização. . por outras palavras.O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: . nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul. em plena igual- pado ou inocente. Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes. imparcial de três ou quatro em vez do juiz. pecialmente. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está . Nomear também uma dade. e publicamente julgada por um tribunal soas.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações. blico no tribunal. este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público. de formação de opi. contra ela seja deduzida.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. No primeiro cenário. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações. es- senta a queixa e a escreve no quadro. Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. Ninguém mais pode dar Nas reações. Parte IV: Acompanhamento Depois. Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. Os outros participantes são o pú. Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação. que isto sig- Reunir de novo os participantes. no segundo cenário. dele ou dela. apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. mento de surpresa pode ter um maior . Dizer aos procuradores para júri e um juiz. Parte III: Informação Específica sobre a .

Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. de opinião.un. tão que lhe era.Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? . sobre um deles). Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração. frequentemente. F. colocada: berschoolbus. defesa Gerry Spence. verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo. Gerry Spence. ATIVIDADE II: COMO PODE .Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi. pode colocá- plorar: los no quadro. a uma defesa competente. seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex.Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. ou . sa Gerry Spence (ver abaixo). capacidades de comunicação. quando uma pessoa processa outra. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. de- senvolver capacidades analíticas e demo. de- Duração: cerca de 60 minutos. 2003. Se quiser. Deixar que os participantes A presunção da inocência. pagar? . advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom. sem Apresentar o tópico. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. o reconheci.Se for acusado de um crime. Ini- cyberschoolbus. o direito clientes acusados de crimes conhecidos. Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito. formação casos criminais como para disputas civis. e limites de uma observação neutra. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim. deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. deverá o arguido ter. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. Texto para a ficha informativa: cráticas. . permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas.org). cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso. discutir o facto de que to. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. Isto é válido para crítico e capacidades analíticas.

. exigidas. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. então. Pode também referir circuns. Definição: Uma pessoa Se o fizer. não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido. 2 . de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto. manos não são respeitados. por este.” razoável e o júri absolver o arguido culpa. no momento da sua prática. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen. Nin- 1997. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. Constituição ou pela lei. Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma. pedir aos par. das as garantias necessárias de defesa lhe gado. se o advogado de defesa sou. e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- . curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 .Toda a pessoa acusada de um ato de. Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo.246 II. . Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica. outras pessoas. A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter. nificado e propósito. o neste artigo. brevemente. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. perder o caso? Se não. o direito a defender-se a si próprio. de quem é a culpa? Culpamos o advo.) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito.” conhecidos.Por que acham que os advogados defen.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime. Não julgar as opini. tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. um advogado? Se tiver um advo.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. Bom.Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que.

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pelo ensino. tanto em público como em privado. de consciência e de religião. LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO. pelo culto e pelos ritos.” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.G. 1948. sozinho ou em comum. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção. . este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. pela prática.

por Egípcios. afiliação e prática religiosas. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. posto na prisão ou até morto. e condenados. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. Por força daquilo em que namentos de Buda. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento. 2011. a 8 de ja. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. Egypt: danos à propriedade pública e privada”. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW). man Rights Watch. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio. 2010. consis.C. a ser-se persegui- go caminho a percorrer do. seis Cristãos cop. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado.. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. não é suficiente. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. Free Activists Detained on Solidarity Visit. teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi.” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas. Diretora da HRW 4. em casos semelhantes. gá-lo. – a “Idade das Trevas” da Europa - . detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. a 9 de janeiro. Liberdades Religiosas: ainda um lon. Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos. Frequentemente é paga uma 3. anual de 2010. a deixar a família. é possível ser-se forçado a ne. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente. 1.252 II. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois. No seu relatório De acordo com relatórios. d. A partir do século IX se acredita.C.” tes casos? A SABER 1. três homens fo. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas.

religiões tradicionais e “novas”. reito internacional dos direitos humanos. . todos se juntam. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. Não outras questões de direitos humanos. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões.” gulação das liberdades religiosas no di. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. verdadeiramente. ção. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. Subsequentemente. frequentemente. pertencem. a guerra centes entre crentes e não crentes. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. todas as minorias resulta. por Muçulmanos. sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. tante com a esfera privada do indivíduo. As crenças religiosas interferem bas. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi. tigação dos fundamentos das religiões. voluntariamente. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas. John Locke. vicções. no Egito. Esta é uma da nessa comunhão. aquela fé e culto que é. uma igreja é uma sociedade de membros. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. Presidente da Global Ethic Foundation. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder. as- envolvem problemas de etnia. Letter Concerning Toleration.” a compreensão do mundo. 1689. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. o que tes países: na Birmânia. voluntariamente. Hans Küng. testantes e monges Budistas. àquela No passado e no presente. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza. ral. causa da sua permanência aí […] Assim. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. ou entre lão assustou a Europa. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. G. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto. entre para expandir o Império Otomano e o Is. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. Por todo o mundo.

na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. Sudão. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. Ahmadis. religião. à intensifica. que queira. os Muçulma.254 II. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. embora muitas vezes ignorada. nos EUA e na Europa. Não existe uma definição comum de re- do separadamente.e. no Irão há discriminação afetam. os Cristãos Evangélicos e o Movi. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. Bahai. sas.e. Esta ameaça. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. vários elementos comuns têm sido mana propostos. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. Por fim. quando estão ligadas a extre. tim religare. na Eri. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. es- pecialmente. gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. de crença. Protestantes. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. Shiitas e Muçulmanos Sufi. à segurança pessoal. Normalmen- .. A compreensão do respeito. diretamente. até Estados. Cora. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. Sufis. especialmente. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. existem outros numerosos 2. desde o pode ser alcançada à força. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai. base na religião e na crença. lor essencial da segurança humana. a liberdade e a segurança treia. medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. Jeová. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. de consciência e de religião são particulares. No entanto. mento de Pentecostes são alvos de supres. ções. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang. mos pessoais ou impessoais. estão institucionalizadas. se. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. grupos e Ismaelistas. Na China. Se não pode acreditar num Deus nistas. O que é a Religião? mismo. bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. A educa- variam do crescimento recente do funda. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. Este fenómeno tem de ser aborda. No des ou mesmo a crises internacionais. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. os Cristãos são discriminados. da (i. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos. Muçul. precisa de tão. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. vidual e global. refere-se a uma “vinculação”. As ameaças à liberdade de pensamento. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. Etimologicamente. assistimos a discrimi. Tem de ser 11 de setembro de 2001. Infelizmente.

G. a reverência. de um Supremo. sua aplicabilidade. ado. uma entida. no seu Comentário Geral Em comparação. No seu sentido mais lato.seja política. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. O Comité. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. O artigo 18º. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio.” O clui todas as formas de crença na existên. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. ONU. tas. consequentemente. Mui. inclui uma série de ritos e rituais. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. giosas são protegidas enquanto liberdade . no que respeita à e regras de conduta. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. Absoluto. Trans. Comentário Geral nº22. tural. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. a religião re. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. juntamente com com. de legal. não-teístas e ateístas tal como o direito res. regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão. Sacro. a não professar qualquer religião ou fé. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”. Em direito internacional. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião. ções Unidas. como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . mas nem sempre. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. seja pessoal ou impessoal. [religião] in. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião. persuasão ou pro. O Dicioná. ou não. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo). Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição. Yinger. impondo sanções latamente. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. várias formas de adoração ou culto. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”. (PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. encara com preocupa- cendente. 1993. cul- grupo ou as práticas de adoração. §48. Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos.

2.A liberdade de fazer. ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. não teístas e ate. . nalmente. o que pode de “todas as pessoas”. O direito internacional dos direitos huma. antes. códigos de . assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. Liberdade de exercer práticas indivi. como prova o número de “prisio. ger ou designar por sucessão. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas. os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença.A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. Liberdade de exercer práticas coletivas. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. Estes prisioneiros. num sentido es. duais específicas tivo de comportamento. ístas. gião ou crença. Liberdade de não ter religião. adquirir e usar. . 4. consciência.256 II. pertencem a minorias religiosas. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. Comporta a liberdade de pen. de estabelecer e manter locais mundo. igualmente a fés teístas. A liberdade de consciência é várias vezes . religião e fé.A liberdade de formar. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . para este fim. tro níveis: 1. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento. 1. individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias. po. .Liberdades religiosas no trabalho. nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas. nomear. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. Liberdade de determinadas entidades. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua. religião ou crença. in- duais específicas.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com. cluindo o direito a rezar. inclui liberdade de religião e fé e liber. . quer estes sejam manifestados individual. o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. líderes ção de religião e fé e contém. A lista de liberdades religiosas de religião e fé. consciência e religião. trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra. convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. na sua maioria.A liberdade de manifestar a sua fé ou violada.

incluindo os véus no setor pú- 3. por conseguinte. da Lei Fundamental ser. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos. de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos.A liberdade de escrever. seadas na Religião ou Crença. restrição ou preferência ou crença em locais adequados. por exemplo. manifestada em comu.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani. exclusão. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data. significa que qualquer dis- . Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. 1966. uma escola não religiosa.) . retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. 2011. Alemã. são proibidas.A liberdade de ensino de uma religião tinção. e normalmente é. Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. . para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos . 4. tárias apropriadas. A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- .O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião. G. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2.A liberdade de manifestar a sua crença. con- mencionadas. . Declaração cia religiosas não se limita à vida pública. Este facto implica igual. A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas. baseada na religião ou fé. estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. a liberda- resse superior” da criança. A liberdade de determinadas entidades blico. publicar e di. força da liberdade de religião. Liberdade de não ter religião . não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. na religião. 1981. nº1. e também o direito de igualdade perante a lei. A liberdade negativa de religião ou neutra- .

mutilação genital feminina. a ordem. em cerimónias religiosas. a ensiná-la. ensinamentos. em casos de sacrifício humano. no que respeita à proteção das liberda- religiosa. Existem vários modelos princi- . a transfusão de sangue. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé.258 II. PERSPETIVAS 3. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). por exemplo. rituais. a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. prostituição forçada. no seu país. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. mental da criança. consciência e religião. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. com a liberdade de religião e de fé. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. a pra. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. Questões para debate automutilação. por princípio. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. prescrições de uma determinada fé. cidadãos. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. por exemplo. a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. Por exemplo. atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. Existem. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. sozinho ou com outros. regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. para proteger a segurança pública. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. na qual estão enraizadas as ticá-la. Como é feita a educação religiosa no escravatura. A disposi. não permite sa os interesses de outras pessoas. garantias de inde. 1. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo.

No entanto. igrejas estabelecidas. a lei tra. Paquistão. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. Indonésia. no entanto. LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés. o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. por exemplo. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. que quando o Estado está ligado a uma igre. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. inexistência de religião oficial. Poder-se-á. dos apóstatas. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. e sensível. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas. G. é mais provável Irão. Índia. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. Sharia. Pelo contrário. liga ta da fé Islâmica. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. argumentar direito internacional dos direitos humanos. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. Na prática. Estado. O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. Países como o Afeganistão. neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. a apostasia é ain- identidade nacional. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. versas entre culturas diferentes. o Islão. quando apenas uma a morte. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. tal relação entre Estado e Igreja não resul. . bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. Do ponto de vista ocidental. será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. Historicamente. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. A pena era frequentemente nhecidas. nas lei Sharia. proteção da liberdade religiosa da comuni. Este facto está em clara contradição com o dade.

tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. Turquia. jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. (por exemplo. direitos humanos. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos. Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. consequentemente. prisões e afins).260 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. Tal Lei foi sim. No entanto. A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con. na Áustria. pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. privilégios para que a pessoa se converta. ter-se a uma outra fé. de Leste e em África. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . há uma certa disposição de cartazes ou paineis. Esta ação de. no Reino Unido. proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. Turquemenistão. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro. obrigatório ainda existe atualmente. desde que não litar seja usada força ou coerção. com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. forçar alguém a conver. a questão de saber o Chile. O direito dos direitos hu. em França. instalações militares. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. presentes ou transportar uma arma. o direito a recusar-se No início de 2006. noutros países como a Bielorrússia. pelos governos. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). de da não discriminação religiosa e da tole. O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. é necessária uma Estados. é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. que a aplicação da lado. dedicada à luta contra vo c. Por outro respeitante ao Sudão. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. as ONG. Itália. integridade física e segu. cional quanto à necessidade de uma con. Caso das Teste- base na religião ou crença. Muitas decisões. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. Apesar de haver acordo interna. em geral. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. Áustria. Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. religião e ideologia. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. 2011). ciência. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. G. em Estrasburgo. cons- para monitorizar a implementação da De. O maior problema relativo à implementa. foi instituído o mandato de Re. turas sistentes com as disposições da Declara. Caso Lautsi et al c. claração de 1981. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. culativa. discriminação religiosas. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. violações dos abitação multirreligiosa. 2011. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. efeito legal. Rússia. ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. 2008. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. A ênfase deve ser direitos à vida. as organizações religiosas e . 31 julho. 5 abril. aponta nessa direção (vide TEDH. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. 2007) ou a decisão so- a intolerância. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. 18 março. No entanto. num caso no que respeita a questões de fé. tem um certo munhas de Jeová et al c.

a “Clergy for Peace” munidades de crentes. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra. Entre muitas outras. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. a sua prática. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. também necessário. é a primeira iniciativa do género a con- manos”. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. Cristãos. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu. plataforma comum. ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. e não crentes para que res de outras fés. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. Jains. BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. estas • No Pacífico. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. respei. da comunidade. É Nós podemos começar a prevenir a discri. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas. • Na Europa. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. Significa igualmente que educação. Paz. denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa.262 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. semos a discriminar. Muçulmanos. padres. tas. o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. nia. deste modo. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). Zoroastrianos. com o seu grupo de trabalho per. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. vidar políticos urbanos e representantes . Diálogo Interreligioso Existem igualmente. re. permitindo. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. por todo o mundo. de defender os persegui. às • No Sul da Índia. • Fundação Ética Mundial. CONVÉM SABER 1. conflitos. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. dança de atitude. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. programas educativos e termos religiosos. campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. ne Hindus. • No Médio Oriente. tendo em vista o desenvolvimento tes fés.

recentes Cam. 16 julho. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. tamente ambíguas. a multidão atacou a for Interfaith Dialogue: www. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. ligiões tradicionais do mundo. situada a sul de Jacarta.pcusa.htm) Bogor. mas foi in- capaz perante tantas pessoas. -Presidente Yusuf Kalla condenou. refere-se a um grupo religioso dissidente íses. onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice- às várias fés e se aconselha a cidade acer. Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. ligiosos sos. valores éticos e mo. sábado. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. Muçulmanos e Cris. serviço comunitário e de fortaleci. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”. • A cidade de Graz. e práticas. Igual prote- contro de Judeus. Uma seita geralmente • Na Alemanha. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. Inglaterra e noutros pa. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. eventualmente. lizando escritórios e outras divisões. um projeto chamado “Common tada estritamente. manos de todo o mundo. estabeleceu Cultos. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en. no ca do modo como os revolver. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação. G. indi. A liberdade religiosa não deve ser interpre- • Em Israel. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque. para referir grupos religiosos que diferem ção em liderança. recorrente de discriminação e repressão. análise mais profunda. sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados destes países em programas de forma. novos movimentos religiosos são um alvo ser um livro escolar uniforme. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- . enquanto culto textos escolares. 2005. luz de acontecimentos recentes nos quais na.org/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de pcusa/wmd/eir/dialogue. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. por diferentes nomes e necessitam de uma moveram o encontro de jovens repre. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect. A educação interreligiosa encoraja o res. “Religiões para a Paz” através da Educação (Fonte: The Jakarta Post. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro. O resultado deverá. na Áustria. • Na Tailândia e no Japão. das principais religiões nas suas crenças rais.) os estudantes a pôr de parte barreiras de preconceito e intolerância.

publicamente as mesmas fossem vistas podem ser vítimas de determinadas fés. se não puderem ace. em alguns da Mutilação Genital Feminina”. A necessidade Questões para debate de consentimento da mulher não é res- • As minorias religiosas são protegidas no peitada. tradi- Durante toda a história. que. mano à liberdade religiosa foi abordado. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões usam estes termos num sentido neutro. Muitas vezes. tradição cultural em muitos países e é ças. “seita” ou “culto” são humanos. no internacionais de proteção dos direitos mundo ocidental. Geórgia. mentos forçados que resultam frequen- temente em escravidão. po- notação negativa. como tendo sido violadas e. da diferença destes grupos relativamente No entanto. Só tardiamente o seu direito hu. • A violação como forma específica de A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa envolve dois aspetos. são praticados casa- por ser antes vista como uma empresa. Por um lado.264 II. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na como negócios. as mulheres têm ção e religião. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção a Igreja da Cientologia. do representantes de vinte e oito países ta devoção ou abusos em termos financei. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fo. as “esposas” não seu país? Se sim. defendidos Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura. mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan- muitas vezes associados com uma comple. No seio de • Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte. em vez de grupos religio. são também prati- cados casamentos forçados. A muti- norma”. como? têm mais do que nove anos. Graves problemas de saúde conceitos frequentemente usados com co. A gravidez força- de culto ou não puderem pregar ou lide. da de mulheres violadas garantia que rar as suas comunidades. Sudão. suas vidas: Considerando que ambos os termos são • A taxa de mutilação de meninas em zo- definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as únicos. temente. africanos e árabes afetados por esta prá- ros. em junho de 2003. consequen- quando as leis religiosas. desonradas e humilhadas. Por outro lado. países. nesses as fés. Paquistão exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países. pro- . Sudão. países (sendo a Alemanha o mais famoso • Em zonas da Nigéria. Ru- der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. práticas e costu. Consulta de Peritos Africanos e Árabes sos. podem surgir subsequentemente. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte. na ex-Jugoslávia. pode das vítimas foi em muitos casos a ra- haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa manifestar a sua fé. foi alcan- à norma. apesar da existência de sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática. a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma culto será diferente entre as várias cren.

em 11 de setembro de 2001.) rar. esforços foram encorajados pela Organização dentais em países dominados por Muçul. enquanto os direitos humanos geralmente to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e.” tre” e ao Pentágono. Quando ata. para justificar o terrorismo. governos podem ser erradamente usadas para justificar atos que colocam em peri- Extremismo Religioso e os seus Impactos go os direitos humanos e a liberdade de Depois dos ataques ao “World Trade Cen- religião ou crença. tendo os Estados da UE. No entanto. uma vez que o extremismo é uma quanto tais. refere ainda que a difamação da religião con- uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo. da fé não prova a existência de um confron. tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de todo o terrorista ou extremista será religioso. suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória. uma vez que estabelece o direito de uma re- camente. mais do que nunca. radamente. ganização da Cooperação Islâmica. para não falar da questão “israelo. Conferência sobre a do ataque no metro de Londres. EUA. todavia. Em 2001. Estes os bombardeamentos das embaixadas oci. ques extremistas são ligados à fé e os ofen. tendo nomeado apenas o Islão. Liberdade de Religião e Crença. base na sua fé. A resolução Esta ligação é. en- religiosas. a crença religiosa. Entre as vítimas estavam meninas entre também as ações “antiterrorismo” dos os 7 e os 14 anos de idade. LIBERDADES RELIGIOSAS 265 longando o dano psicológico. Mais. da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão manos. baseia na ignorância e intolerância. Muitos entendem que estes trágicos acon. religiões. de ataques. Canadá) abstido pelo facto de o conceito de sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o crime “em nome de Deus”. Difamação da Religião tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da entre fé e terrorismo: sequestro de aviões. bastante perigosa. a Suíça e outros países ocidentais (ex. a OCI passou a designar-se Or- violência. a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter- julho de 2005. er- filhos continuam a ser discriminados. G. Direitos Humanos. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos. . Em 2009. mas que se restrição à liberdade de opinião. nem todo o crente é terrorista. o terrorismo parece explo. a Comissão de Direi- palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião. a religião e as direito dos direitos humanos. rorismo. uma coligação de mais de 180 ONG declarou A única forma de combater efetivamente o extremismo é encontrar formas de que- brar o círculo vicioso de violência que gera 5 Em junho de 2011. um direito contra ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte sociedade ou fé em particular. ocultar atos ou exigências motivadas politi. a religião por razões políticas. religião uma forma nova de racismo. e também como consequência (Fonte: OSCE. Os seus “Tal como a religião pode ser usada. 2002.

1969 Convenção Americana sobre Direi- (Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º. 27º) 1948 Declaração sobre a Liberdade Re.266 II. 16º. a resolução foi aprovada pelo Con. 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma- ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º) Igrejas 2001 Conferência Internacional Con- 1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre Humanos (Artos 2º. 23º) tive stereotyping and stigmatization of. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro- mesma ameaçar a liberdade de opinião. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- de proteger pessoas que. 18º) a Educação Escolar em relação à 1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença. à Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação (Artº 2º) (Madrid) . minação Baseadas na Religião ou to no seio e entre comunidades religio. são confrontadas com 24º. 17º. nega. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas. nos e dos Povos (Artos 2º.) 1981 Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri- • Quais são as principais razões de confli. 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos meira Emenda) (Artos 26º. senvolvimento das liberdades religiosas apoiada pelo Parlamento das Reli- 1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago (1789 Carta de Direitos com Pri. (Artº 9º) Apenas em 2011. Combating intolerance. e das Liberdades Fundamentais selho de Direitos Humanos. 1981 Carta Africana dos Direitos Huma- and discrimination. tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da a sua própria experiência? Criança (Artº 14º) • Qual é o papel das fés na procura de paz e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão agente de reconciliação. por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º. 26º. 8º. 2011. Religio- sas e Linguísticas (Artº 2º) Etapas importantes na história do de- 1993 Declaração para uma Ética Global. 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli- ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano Conselho de Direitos Humanos e preten. Não teção dos Direitos Humanos obstante. 20º. incitement to violence. ONU. a Conferência dos Esta- dos Islâmicos propôs uma resolução revis. 12º) and violence against persons based on reli- gion or belief. Crença sas? Pode dar exemplos. 1992 Declaração das Nações Unidas so- bre os Direitos de Pessoas Perten- 3. 27º) intolerância e violência. 13º. religião ou crença.

. G. LIBERDADES RELIGIOSAS 267 2001 Congresso Mundial para a Preser. com que cada um tire um papel à sorte pos relacionados com a consciência ou cren. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso Competências envolvidas: Ouvir os outros. se sente dessa forma. muitas atividades que evocam controvér- Escolher alguns dos piores e escrevê-los. Uma pessoa de cada grupo deve ler a primeira frase. Como se sentiram os participantes durante aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen- impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio? Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren- Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre Material: quadro e marcador aquilo que queremos? Preparação: Preparar um quadro e mar. Neste mo- Parte I: Introdução mento. poder dizer tais coisas sem ter em conta os seus possíveis efeitos e o que fazer quando Parte II: Informação Geral isso acontece. Sugestões metodológicas: cador. sias e emoções. Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase. se as pessoas devem sas e sentimentos de outros. ponderações ou valorizando subjetiva- mente as afirmações. Escrever os nomes dos participantes Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel. Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações: sentimentos religiosos de outras pessoas. fazer lista de comentários que firam e de estereóti. Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões: Atividade Como atividade final: uma carta para to- Instruções: dos. o grupo deve apenas aceitar que Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de- liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada se faz ou diz colide com as crenças religio. comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a participantes saibam que causem angústia. quando fizer esta atividade. não fazendo ser sensível e aceitar opiniões diversas. e escreva uma carta dizendo coisas amá- ças religiosas de alguém. 2007 Declaração da OSCE sobre Intole- vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu- (Nova Deli) çulmanos 2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua- PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife- Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos. explicar que religiões são cores. porquê? Que fotografias Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde Material: quadro. competências cria- oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá- mesmas quando seja necessário. etc. trativos. reflexão. desenvolver que é que não tolera. cluir fotografias de grupos ou movimen- tos religiosos que (ainda) não são aceites Parte II: Informação Geral no país. trabalhar com participantes que perten. aos participantes que reflitam sobre todo mes/culturas. considerar in- çam a diferentes crenças religiosas. ABC Teach. Tipo de atividade: Atividade com múlti. E A MINHA etc. Parte III: Informação Específica sobre a ing Human Rights. papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas marcadores de texto. Dependendo do grupo. Escolher as fotografias de acordo com o grupo. comuni- regras do debate e comunicação que po. cerimónias. pedir e criativo. as fotografias devem re- O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio- não discriminação e a proibição da into. foras. 2004. poderá ser uma atividade apropria. o processo: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações: A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que algumas modificações. analisar. aprender sobre diferentes costu. aceites no país. na mesa ou no chão. desenvolvimento de símbolos ilus- Direitos relacionados: Liberdade de Ex. arame. tra a fotografia que escolheu e explica por tas das liberdades religiosas. analisar as face.. juntos. dando assim a dar opinião. Cada participante escolhe uma fotografia plas tarefas que mostra algo que não tolera. Cada participante mos- a noção de tolerância. car. . símbolos. canetas de Em resumo. em Parte I: Introdução qualquer caso. competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões. barro.268 II. pressão e dos Meios de Informação (Fonte: Nações Unidas. fotografias de vários religiões? movimentos religiosos. Reunir o Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. papel. competências de pensamento crítico: dem ser afixadas na parede. Practical Activities for Atividade Primary and Secondary Schools. madeira. canetas. alguns participantes escolheram a mesma Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim. Competências envolvidas: Competências da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros. mais do lerância com base na religião. sas no país (em muitos casos.) Instruções: Primeira Parte ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi- A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos. É preferível que se poderia pensar à primeira vista).

tais como etnia. Se. LIBERDADES RELIGIOSAS 269 Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os Numa breve sessão de chuva de ideias. por exemplo. cada grupo apresenta Outras Sugestões: a sua contribuição criativa. os participantes revelam os seus conheci. discriminando-os. tações devem evidenciar a adoração ou bre as comunidades religiosas. Se trabalhar em escolas pode cooperar com Encerrar a segunda parte com uma breve professores de artes para a segunda parte ronda de opiniões. A apresentação pode também Reações: ser feita com plasticina e outros materiais. atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. pel vermelho como um semáforo) para Pedir para que ilustrem através de uma pin. De volta ao plenário. ambas as partes. videnciando materiais sobre tolerância/ rarem outras crenças/religiões depois de intolerância. esta dade de expressão. Pe. terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: Para esta atividade. deverão ter o direito de parar as apresen- Organizar um encontro multicultural. schoolbus.) . pro- Será mais fácil para os participantes tole. al Teaching and Learning Project Cyber- tificar-se igualmente de que a apresen. pode continuar com mal-entendidos? contributos intelectuais. Depois desta atividade baseada na experi- ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade. É melhor dir a cada grupo de participantes que re. um pedaço de pa- diferente. apesar das escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções. Glob- atividade de conhecimento do outro. cor ou género. sentimentos religiosos de outros crentes. certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti- grupo respeita as crenças religiosas dos vos. de a apresentação ter sido parada. sentirem que estão a ser discriminados. pantomina. deverá Dar aos participantes 40 minutos para pre- seguir-se um debate sobre os motivos de paração. se todos os participantes acordarem no presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. Por esta razão. dizendo aos participantes que as apresen- O porta-voz do grupo dá informações so. parar a apresentação que seja ofensiva tura. os alunos/participantes mesmo os grupos com uma imagem nega. da atividade. Cer. tações a qualquer momento. tiva tenham sido escolhidos. G. O que podem os participantes aprender com estas apresentações? Existe algo em comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento Quanto será preciso saber sobre outras re. Começar o exercício mentos sobre as religiões escolhidas. banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. música. Liber- outros participantes. ritos e não a razão por que estes são os Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. Depois os costumes e crenças dessa religião.

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. H. 1948.]” Artigo 26º.. nº2. DIREITO À EDUCAÇÃO DISPONIBILIDADE E ACESSO IGUAL À EDUCAÇÃO EMPODERAMENTO ATRAVÉS DO DIREITO À EDUCAÇÃO “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [. Declaração Universal dos Direitos Humanos..

2. quando cheguei ao 4º atualmente. De quem é a responsabilidade de eli- nheiro para pagar as despesas escolares e minar a ignorância e o analfabetismo e que eu era precisa em casa para ajudar a através de que medidas? minha mãe e os restantes. A educação é importante para o gozo de Se tivesse a possibilidade de nascer de outros direitos humanos? Se sim. porquê? novo. O meu pai disse que não havia di. possibilidade de ultrapassar a sua situação ci. uma prioridade para a co- ano os meus pais interromperam os meus munidade internacional? estudos. Considera que o direito à educação é. cimento é importante? Que tipos de co- Ficava muito feliz quando me permitiam ir nhecimento perdem relevância? à escola. 2000. Milénio das Nações Unidas. meninas e mulheres? bem como lenha. de pobreza e de ter acesso à educação? Quando eu era ainda muito pequena. portanto. Consegue pensar em razões que justi- aprendi a ajudar a minha mãe e as minhas fiquem o facto de uma tão elevada per- irmãs mais velhas nas tarefas domésticas. Alguns dos meus amigos 3. ler e a escrever. 6. Considera que a educação pode contri- (Fonte: Nações Unidas.276 II. Já havia dera que ela tem. quando eu nas. Considera que existem diferentes tipos brincavam na rua mas eu não podia jun. Nasci há 14 anos te caso? Sente empatia por Maya e consi- numa pobre família camponesa. Lá. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A História de Maya Questões para debate 1. que conhe- tar-me a eles. fiz amigos novos e aprendi a 4. Quais os problemas centrais evidentes nes- “O meu nome é Maya. 5. centagem de pessoas analfabetas serem Varri o chão. Relatório do buir para a segurança humana? Se sim. lavei roupas e carreguei água.) como? . Mas.” 7. alguma muitas crianças. preferiria ser rapaz. ninguém ficou feliz. por si mesma. de conhecimento? Se sim.

pode ser uma contribuição suas capacidades. mação. também. política to das ações do Estado em si. Tal. Armado . tais como o pode conduzir. mais controlo sobre o efei. respeito e amizade entre as na. sociais e culturais. de susten- ramento”. a receber re. para as de. a bene. A falta de segurança huma- políticos. através da edu- ficiar dos avanços científicos e tecnológicos cação e da aprendizagem para os direi- e a receber educação superior com base nas tos humanos. só pode ser exercido de vital para a segurança humana. Mas a pobreza. çar a sua identidade cultural. a paz internacional e a seguran- O exercício de muitos dos direitos civis e ça humana. Quase um bilião de pessoas entrou no sé- culo XXI incapaz de ler um livro ou de as. grupos étnicos ou religiosos e pode ajudar a desenvolver uma cultura univer- Porquê um Direito Humano à Educação? sal de direitos humanos. à negação do di- direito a escolher o trabalho. assim como as violações do ou a população total da Índia. igualmente. DIREITO À EDUCAÇÃO 277 A SABER 1. direito à educação. exercer um direito de empode. a negação da educação fere a causa da ramento permite à pessoa experienciar os democracia e do progresso social e. os direitos de cada um. direito ao Isto é óbvio relativamente a crianças em voto e a ser eleito. Para as minorias ét. na impede as crianças de irem à escola. liberdade de expressão. A educação pode. crianças-soldado. e. por benefícios de outros direitos. H. Através uma forma significativa se determinado ní. dade das pessoas de desenvolverem as racterizado como um “direito de empode. entre outros. prejudicam a capaci- O direito humano à educação pode ser ca. económicos. como cação. A negação. Tal direito confere ao indivíduo tar e de se protegerem a si próprias bem mais controlo no percurso da sua vida. adequadamente na vida social. tais como a liberdade de infor. palavras. extensão. O direito de conhecer muneração igual por trabalho igual. como às suas famílias e de participar em particular. Direitos Humanos em Conflito tolerância. depende conflito armado. um nível mínimo de edu. Este número re- presenta um sexto da população mundial. Na sociedade em geral. direitos humanos e o direito humanitário. um conjunto de direitos uma das ameaças à segurança humana. da educação e da aprendizagem para os vel de educação for alcançado. depois dos conflitos. Por outras e económica. promover Direitos Humanos da Criança (embora não seja garantia) compreensão. em particular. INTRODUÇÃO ções. reito à educação. o direito à educação é ser facilitada a reconstrução da sociedade um meio primordial de preservar e refor. direitos humanos nos conflitos armados e nicas e linguísticas. Educação e Segurança Humana sinar o seu próprio nome. também se aplica ao direito de fazer podem ser prevenidas as violações dos parte da vida cultural. pelo menos. suas próprias personalidades. e. Igualmente.

tos do Homem. cionados com o direito à educação. de própria palavra significa “conduzir alguém 1776. Na O reconhecimento explícito dos direitos Europa. não continham cação engloba oportunidades educativas. de 1871. tado. Nos bra. a emergência do socialis- educação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A educação é mais do que aprender a ler. a es. contra a interferência da igreja e do Es- mentais”. tal como influenciaram a definição dos direitos definido na Carta Internacional de Direitos educacionais os quais foram formulados Humanos das Nações Unidas. uns 20 países no nha uma secção com o título “Direitos Mundo não têm qualquer idade definida Básicos do Povo Alemão” que também para a educação obrigatória. após a nas com a emergência do moderno estado Primeira Guerra Mundial. liberdade da ciência. escreveram sobre a conceção moder- internacional do direito à educação. Todavia. considerada assunto de interesse públi- A proclamação da Declaração de Gene- co e da responsabilidade do Estado. quaisquer direitos especificamente rela- por exemplo. a garantir a educação. A Constituição cola “elementar” estende-se a todo o ensi. gratuito e obrigatório. instru. menciona o para defender e desenvolver as ideias de direito à educação. de 1919. explicitamente. os pensa- pilares da aprendizagem ao longo da vida. cundário e superior. na Austrália educacionais emergiu durante a última e em algumas zonas do Sul da Ásia. pesquisa e ensino nos estádios mais “elementares e funda. ponsabilidade dos pais e da igreja. filósofos eminentes. incluía uma secção sobre “A Desenvolvimento Histórico Educação e a Escolaridade”. como John Locke e Jean-Jacques Rosse- em 1924. se.278 II. Nações para o Bem-Estar das Crianças”. a Declaração clarações internacionais de direitos ou . chamada de “Carta da Sociedade das séculos XVI e XVII. os aspetos do di- Contrastando com estas ideias. Ape- A conclusão dos tratados de paz. na América do Norte. da res. tam este requisito de formas diferentes. Durante o século XX. e a Declaração Francesa dos Direi- para fora”. De igual forma. mo e do liberalismo colocou a educação cação primária e básica. mentos liberais e anticlericais. No século XIX. A origem Latina da claração da Independência dos EUA. incluiu garan- secular é que a educação começou a ser tias do direito à educação das minorias. Embora reconhecen- do um conceito mais amplo do direito à No século XIX. com maior firmeza no campo dos direi- mero vasto de pessoas são negados até os tos humanos. nas Constituições nacionais e nas de- tânica de Direitos. O direito de uma pessoa à edu. cia gratuita e obrigatória da escola. reito à educação foram contemplados mentos civis clássicos como a Carta Bri. também O direito humano à educação. contudo. do Império Germânico. a Constituição Alemã de Weimar. Os Estados. na do direito individual à educação. conti- no secundário. continha o direito à educação. em primeiro lugar. a De- escrever ou a calcular. de 1689. interpre. conduziu ao reconhecimento au. direito ao ensino básico. de 1776. metade do século XIX. a de Direitos da Virgínia. este módulo centra-se na edu. de 1789. o dever do Estado de Antes da época das Luzes na Europa. através da frequên- educação era. reconhecen- do. já que a um nú.

Paraguai e Polónia. damentais da União Europeia. temos a Declaração Universal educação. Na Constituição dos Estados Unidos não é mencionado qualquer direito à educa. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO das ou públicas para os seus filhos e de asse- DA QUESTÃO gurar a educação religiosa e moral das suas crianças. deve ser O direito à educação tem uma base sólida respeitada. (Artº 13º do Protocolo Adicional à Con- Irlanda. a igualdade de oportunidades educati. de comportamento pelos seus governos. a Conven- mais de 50 países. existem a Convenção tucional ou em legislação ordinária de Europeia para a Proteção dos Direitos Hu- cada país. que inclui o tuições como em legislação ordinária. Chipre. com carácter universal e regional. “Os Estados Partes no presente Pacto re- manos. Os Tribunais dos EUA. nos. respeitar a li- berdade dos pais de escolher escolas priva- 2. em conformidade com as suas pró- Conteúdo do Direito à Educação prias convicções. Estados têm a obrigação de respeitar. grupos religiosos. sua dignidade e reforçar o respeito pelos a Convenção sobre a Eliminação de Todas direitos humanos e das liberdades fun- as Formas de Discriminação contra as Mu. o Pacto deve visar ao pleno desenvolvimento da Internacional sobre os Direitos Económi. O direito fundamental à educação habilita ção. a ção Americana sobre Direitos Humanos Nicarágua. particularmente relacionados com teger e implementar o direito à educação. venção Americana sobre Direitos Huma- nos em Matéria de Direitos Económicos. conhecem o direito de toda a pessoa à Por exemplo. 1998. manos e das Liberdades Fundamentais ta expressamente das Constituições de (Artº 2º do Primeiro Protocolo). DIREITO À EDUCAÇÃO 279 reconhecidos em legislação não consti. enquanto a Coreia do Uma das mais recentes codificações em di- Sul. O Reino Unido e o Peru reconheceram Sociais e Culturais) e a Carta Africana dos o direito à educação em legislação não Direitos Humanos e dos Povos (Artº 17º). Sociais e Culturais (Artos 13º e 14º). agir em contravenção de reconhecidos direi- (Fonte: Douglas Hodgson. étnicos e linguísticos. de forma igual. desempenhar um papel útil numa socie- . Os Estados devem. tal como os direitos de todos os no direito internacional dos direitos huma. como a nível estadual. A nível regional. Concordam que a educação dos Direitos Humanos (Artº 26º). Espanha. Egito. Tal tem sido registado num conjunto variado de documentos sobre direitos hu. Vietname. Marrocos e Japão reconheceram reitos humanos é a Carta dos Direitos Fun- esse direito tanto nas respetivas Consti. interferindo ou constringin- man Right to Education) do o exercício de tais direitos e liberdades. Os veram determinados direitos educacio. A n