COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

3

PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

5

PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

7

AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

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NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

mesmo quando ela ain. sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa. Esta opção. por exemplo. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. Ashkali. Por outro lado. Fizemos esta opção. no Brasil. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. Sinti e Cigana. como é o caso Europeia e na ONU. no Brasil. que “recomenda que inglesa transmite. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. demos tes que se autoidentificam. por exemplo. recebe a designação de “estupro”. de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. como comunidades Roma. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária. Manouche. Por sua vez. duzimos a referida expressão por “co- tugal. na versão inglesa pretende (exs. direitos humanos”. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. no Brasil. da expressão “Roma Community”. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. com a pa. preferência à expressão “direitos huma. xuais que. pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal. . no caso de Por. a ex. vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. pelo que não tra- Humanos). Cremos que o tos do Homem”. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. nos” em detrimento da expressão “direi. pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al.

mas também lhes deve num momento muito oportuno. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. Esta edição. Por consequência. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. política externa da Áustria. para 15 idio- direitos. tivas que encorajem as pessoas a melho. também en. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. tra focada no Mundo Árabe. situações e regiões. A educação em Graz. Para mim.ETC). as aspira- em 2003. Tam. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento. na Áustria. é promover e apoiar inicia. em diversos da UNESCO. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana. ternacionais de renome. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. um dos ob. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. países e regiões. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos. ao comportamen. seus utilizadores. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento. reorganização. até hoje. mas diferentes. damentais e inalienáveis.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas. Síria ao Iémen. De forma cação para os direitos humanos. Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. surge direitos humanos. desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. Oferece módulos de dignidade. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. Executivo da UNESCO. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios.

social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. for. o que é reconhecido importante publicação. as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. Podem. como uma estratégia importante para a democratização. os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. Viena. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. responsabilização e esta- bilidade governativa. para promoverem o desen. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. de Formação e Investigação em Direitos assim. porém. janeiro de 2012 fios e. misso e esforços empreendidos para esta nação democrática. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. contribuírem para a nas esferas política. Dr. ao utilizarem este manual como um . justiça e democracia. e social. económica. contribuir para fortalecer o prima. Podem ser utilizadas como for.

Consiste em módulos de do Mundo. a Educa. de formação. numa perspetiva orien. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. a 10 de maio de 2003. Sérvio e Tailandês. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. em rial da Rede de Segurança Humana. Em 2006. com a criação do Conselho de Direitos . cia (ETC). Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile. con. ponível em Inglês. Benita gionais e culturais. Portanto. Foi ela. após o seu lançamento. a Rede en. Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. de utilizadores de todo o mundo.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. O Manual. Humana. Em muitas ocasiões. em 2002/2003. na Reunião Ministe. com o fatizou que “os direitos humanos forne. pela primeira para a Segurança Humana. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. ETC. Espanhol. adotada pela vez. na Graz. rança Humana. Chi- borado por uma dedicada equipa de re. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. tem recebido críticas muito positivas gurança humana. na qualidade de Presi. A Rede de Segurança Humana é compos. pelos seus utilizadores. Hoje. tada para a prática. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). Alemão. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. vernamentais e não governamentais. determinados a resol. na sua ver. Isto foi possível. apresentado ao público. nês. culturas e grupos sociais nuíno e prático. nacionalidades. o Manual está dis- dente da “Rede”. em 2002. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. bem como de entidades intergo- em Graz. através de sessões de for- regiões do Mundo. Porém. atualização do Manual. de modo a Áustria. o Manual “Compreender os Di. na o Manual para outras línguas. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. todas as regiões. Áustria. os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. mação de formadores. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. Francês. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. Árabe. Portanto. apenas três anos Ferrero-Waldner. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. mais o Manual atingirá adaptados. Albanês. Russo.

. face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham. PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos. maio de 2006. Viena. Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis.

ao desen. na minha qualidade de Presi. É Humanos da Europa. 9 de maio de 2003. in. às diferenças culturais. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. Conflitos Armados. em Graz.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana. seu mandato. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. Direitos Humanos. A segurança humana requer uma compre. Segurança Humana. Com esta finalidade. comunidades o seu principal ponto de re. . através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. para os Direitos Humanos. Pretende-se que seja por isso que. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. ção em Matéria de Direitos Humanos. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. hoje e no futuro. bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. Rede. Áustria. como temas prioritá. na reunião de 10 de maio de 2003. Destina-se ao uso Graz. em Graz. Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. dos da Rede e em todo o mundo. esforços. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. O Manual inspira-se na Declaração de ferência. de modo a beneficiar a segurança nos. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. na execução do volvimento de competências e à transfor. consciencializa pirará ações subsequentes. deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC).

no nos da Universidade de Pristina. Suécia. língua inglesa. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”. 19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. até ao momento. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. em Tetovo. ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. Finalmente. pro. e outros.etc-graz. O Ministério dos Assun. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. com a este desafio pioneiro e inovador. e do Humanos e Democracia. A primeira edição foi apresenta. árabe foi proporcionada pela UNESCO. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. ropeu. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . aos esforços Sociais. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. com a aju. em particular do Ministério dos em Paris. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. atualizada baseada na terceira edição. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova. Dois encontros de peritos.manual. da do PNUD Mali. mana. Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www.at. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. sob a direção de zada pelo Vietnam. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. da pelo ODIHR/OSCE. verdadei. o Ministério para a Educação. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. principalmente. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo. Cultura austríaco. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. e PDHRE Mali. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu. pelo Instituto de línguas.

Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz). conselheiros. primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C. Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. Revisão de provas: Matthias C. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. especialmente. Introdução ao Sistema de Direitos Huma. Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz).20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). Em particular. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos. primeira e segunda edi. amigos e instituições . Schrotthofer e Wolfgang Gosch. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual. (ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. (Universidade de Graz) lho. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer. Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. primeira e se. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. Boivin e Antoine A. Bouvier (CICV Ge.

Finalmente. . Anton Kok – Centro de Direitos Hu. Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. Debra Internacionais. Yan. gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz. apoio prestados. valiosos comen. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. Manuela Rusz e a equipa – Genebra. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. que. bra. do Instituto de Direito Internacional e Re. ros austríaco. a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque.

. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível. o Manual poderá ser um . Por fim. tanto por educandos.22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos. e uma terceira. nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. O Manual “Compreender os Direitos Hu. Tal como está desenhado. surgiu do ETC Graz. con- cias e para a transformação de atitudes. uma parte educadores.boas práticas tos culturais. são ativa.atividades sele- fórum de debate. para formar futuros formadores e para abrir um . como uma humanos na vida diária. como por damentos dos direitos humanos. sob a presidência que contém dicas metodológicas. vel para o utilizador. de Segurança Humana. Uma equi. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos . corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos. para educandos e edu- cadores.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. no âmbito do intercâm. os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio. adicionalmente. Para facilitar a navegação através do texto. a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração. a saber. útil. . especial com temas essenciais selecionados. bem utilizadores.para mais informações.perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana. uma introdução geral aos fun. enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. informação austríaca. de modos diversos. em vários contex. Estrangeiros. O Manual apresenta uma compilação sele. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa. cionadas bio e consciencialização interculturais.a saber de Segurança Humana e outros. dos países associados da Rede . . Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos.

manual. educadores e da educação para os direitos humanos. podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná. adicionalmente. continuamente. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. através de metodologias educa. oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. nhecimentos em direitos humanos. em lín- “a saber” dos diferentes módulos. tanto a jovens. werpoint. op. com as preocupações da sua comu- histórias.pt/igc/manual/ tivas inovadoras. deliberadamente. adultos.etc-graz. Para os que procuram exemplos de ques. Se procura internet. Gosta. portuguesa em www. que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. gua inglesa. po. disponíveis as versões nas várias línguas. E os in. Além disso. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução. para todos os módulos. dos recursos adicionais. na sua manos. o ETC criou. ter em conside. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. curso. formadores. poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a. página de internet. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos. mentários. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e. poderá começar com a parte em http://www.fd. com materiais didáticos e atualizações específicos. como a index.uc. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. uma secção para rece- .at.html. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los.

a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. CIPD . Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na.I.A. Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa. – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu. Viena. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM . CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen.Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos. Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do .Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con. das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD .24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos. melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu. mo e a Intolerância te Asiático) C.Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes.Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI .Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África.

Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN . -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen. ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa. Graz. Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen. IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia. Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina . IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida. LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT .Convenção Quadro para a Prote. Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma.

Relacionados com o Comércio) reitos Económicos.26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De. UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di. – Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di. Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) . gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra.

Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher . VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação. Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni.

Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Glossário 578 C. N. Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. H.28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. Declaração Universal dos Direitos II. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI. Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B. Direitos Humanos da Criança 303 J. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. Direito ao Trabalho 353 L. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I. O. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 . Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Direito à Saúde 165 IV. Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K.

Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I.2. Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr. Compreender os Direitos Hu- manos 44 II.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . Desafios e Oportunidades Glo- I. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra . Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. Conselho da Europa – a. Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. Europa – Instrumentos Euro.Como é Cometida a Tortura? I. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. Implementação dos Instrumentos 1. Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L. PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D. Selmouni” E. Direitos Humanos e a Sociedade Humana .Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b. Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M. Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III. Visão guesa 3 geral . Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K. Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1. História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A. O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2. África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV. Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F. . 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. O razão é a tortura praticada? .

O Conselho Con. Cronologia digo de Ética – 2. DIREITO A NÃO VIVER NA PO. Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? . Implementação e Monitoriza.4. Perspetivas Inter. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In. Perspetivas Intercultu.Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? . da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1.Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza .Có.30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. Boas Práticas . Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con. – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional . Tendên- Governamentais (ONG) – A Am. rais e Questões Controversas .3.Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma.Os Pobres são Internacional .Antisse- breza .3. Boas Práticas – Atividades a Ní.O Comité Eu. MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B.Iniciativa Europa 2020 . nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1.Protocolo Facul. Atividades Selecionadas: 129 3. Definição e Desen. – Acordo de Cotonu . “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun.Progra. – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2.Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza .Exclusão Social . Introdução – Pobreza e Seguran. formação Adicional 132 tra a Tortura C. Implementa- – 4.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos. Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 . Prevenção da Tortura (APT) .3. Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1. Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) . Definição e Desenvol- ça Humana .Xenofobia – Fenómenos . mitismo . 1. Humana . mo – Violência Racial . ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura . Man. cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) .2.Ati.Po- gradantes .Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades . Tendências . breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas . vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão .2.

Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas . Aceitabilida- Preconceito . Mental e Social . cina Tradicional . Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen. Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute.A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2. Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú. Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana .Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade .O VIH/SIDA . e Monitorização . Tendências – A Relação en.Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma. Boas Práticas – Códigos de Con. O Direito Humano à Saúde num 1. Implementação e Intolerância Relacionada – De. Perspetivas Intercultu- .” A Saber: 168 A Saber: 193 1. Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi. ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade.Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In. Acessibilidade.Respeitar. gresso Científico – Globalização e o ção . Definição e Desenvol- .Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1.4. Implementação e Monitoriza.3. Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 .4. Perspetivas Inter. senvolvimento da Saúde – 3. Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico. Memórias . DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D.Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo. de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais .Mutilação Genital Discriminação Racial.3. DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T.4. 1. E. Xenofobia Feminina (MGF) . Mulheres – 2. de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- .2.Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3.

O Primado do Di.Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .3. Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . Introdução .3. LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2. vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 . Boas Práticas . Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em .2. Implementa. Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito. de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE . mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4. – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) . 1. Julgamento Justo e Se. dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica . mento Justo .4.Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” .32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros. Perspetivas Interculturais e Ques. 2.Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. PRIMADO DO DIREITO E JUL.Mediação e Arbitragem F. Tendências . Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” . Imple- de Informação Digitais aos Direi. G. Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais .O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” .A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch .Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In. .Atividade II: “Como 1.A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3. Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio. ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé. Eficazes . Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas .(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul.Objetivos de De.Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe.Os Direitos Hu.Direito à Caução – Disposi- 1. mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 .

Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. Educação para Todos: Resultados cias – Cultos. Ambíguos . ção . Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re. Introdução . Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . Tendências – O 1.Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. Minoritárias . Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais . Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa. Definição e Desenvolvimento da . – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3. – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3.Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais .“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. 4. cação para Todos . Tendên. formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos. A Luta para Proteger os Direitos 1. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Definição e Desen.Ativi- ligião . 2. Definição e 1.3.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2. vel? Aceitável? Adaptável? .3. Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li.Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1. DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. Boas Práticas – Diálogo Inter. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”. Quadro de Ação de Dakar .Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2. 2. Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2.Edu- religioso para o Pluralismo Re. Boas Práticas. Seitas e Novos Mo.

A Abolição J.34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian.1. Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . 4. ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In.3. 1. Aspetos Geracionais e de Gé. na – As Origens do DIH . que o DIH é aplicável? .2. diais relativos a 2010) . Ten- Atividade I: Direitos e Necessida.DIH en- pação.3. Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança .Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas .Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi.2. Imple. Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de . Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce. Perspetivas Inter- Criança? .3.2. Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci. Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho . Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo . Defini- tado – Não Discriminação da Crian.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re. ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de . Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4. DIREITOS HUMANOS EM CON. Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . dências – Tendências relativas a des das Crianças . Boas Práticas – “Juntando Pes. de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó. – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1. quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es.

Ampliados para Parar.Fairtrade Labelling Orga.De. Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di. DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L. grafia Infantil – 4. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? . para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2. Implementa. Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga. Definição e Desenvolvi. Órgãos de Monitorização . ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela.3. tificação Centralizados .Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho .Programa In. Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1.Atividade II: “Vestido K. dequadas” tórica – 2. Interrogar e ção . Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. Boas Práticas . Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará.A Declaração Universal na – 2. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3.3. Ten. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1. rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In. “Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His. Sociais e Cultu. O Mundo do Trabalho no Sé. Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! . petivas Interculturais e Questões tos Económicos. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos .Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT . Pers- Pacto Internacional sobre os Direi.

Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão .7. Boas Práticas – 6. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea. em inglês) . Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Cro. Relevância no Passado e no Pre. ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. são/Informação tória de Marianne K. Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. Democrática – 2.3.2.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. Muçulmano . Tendências – Listas de Vi. Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização . DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá. Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. Mu. A de Expressão e a Internet – 3. Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1.Org Outras ONG – 4. e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação. Imple. – Formas de Democracia – For- safios – 2. Boas Práticas – Privacy. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste. Questões Controversas – O Debate reito. Liber. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3.O Papel tos Humanos (ODIHR. para reflexão – 4. Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3. Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5. Meios de Infor- gilância. de ADN do Reino Unido – Decla. Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di. Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M. Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4. 1. Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos .

com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In. e outros c. Definição e pean Roma Rights Centre . Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 . Tendências – Au. DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D. 1. Integração e Coesão – 3. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? . nia – 4. das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole. em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono.GDM (Minority Rights Group 1.GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas . Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma. o papel das OIG. Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas. Jurídica. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi. África do Sul – 2. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici. Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. Perspe- 1.2. Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. Repú.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas .H.Atividade II: Um Mina. para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2.Desafios Conce. A Luta pela Proteção dos Di. Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 .União Interparlamentar (UIP) . Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia . e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu. das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O.

Cronologia Humanos . RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. G. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. tal como Definido pelo Di. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . D. Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. Definição e Desen. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2. lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. A. PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. Tendências – Deslocados In. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu.38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. GLOSSÁRIO 578 1. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes. Implementação e Mo. DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu.

39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA . muitas comunidades em todo Muitos partilham. À medida que integramos o bilidade social. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social. todos relevantes lhado. mos quaisquer outras opções. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança. acei- privações. “O que podemos nós fazer em relação aos . de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. agora nas suas mãos. à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te.tem menos de dignidade. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. neste livro. em relação do um sentido vital de responsabilidade. experiências e os seus conhecimentos. da nossa existência económica. refletidas nes. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. redese. as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. humana. pretende pro. como forma de vida. mentor e monitor de direitos humanos. pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. 25 anos. esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. À medida que examinamos as articula- vro. Nas páginas deste li. são impelidas para re-imaginar. suas normas e padrões. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . nova compreensão dos direitos humanos. vidas diárias. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. À medida que este processo te pela maioria das nações . interconexão e interre. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. criativo e positivo. em respeito e confiança de poder tas páginas. Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran.UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI. pretendemos gerar. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. tanto mulheres como homens. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. nas nossas vizinhanças. nestas páginas. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa. casas. outros. esperança e expec. orientado pela visão ho. as suas o mundo. reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei.no entanto.

frequentemente devido ao medo da muitas outras. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. planeamento e ação. passo a passo. Parks. A isto.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res. onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. e que todos os conflitos têm de ser resol. Todos html). direitos humanos e. Gota a gota. possam conhecer os mulheres. tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. Unidas. per. por esse facto. volver num trabalho de amor pela mudan. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. assim como os homens. po. prevalece no mundo. corretamente. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA. vidos. o conhecimento dos direitos hu. Todos nós nos afastamos mina a sua realização. direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi. Aprender que os di. teram em implementá-los.pdhre. passo a passo . por que todos ansiamos. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di. mulheres. trocam direitos humanos como inalienáveis. Infelizmente. a ignorância sobre os direi- humilhação. é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. todos. Rosa sentido da sua realização plena. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade. dis. temos de nos en. Nós dizemos. inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. a igualdade pela sobrevivência. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. É esta “violação de direitos humanos” e rém. O edu. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. uma aprendizagem signifi. valece. criado pelas Nações humano e societário. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. tente imaginar os direitos humanos como . compromissos (www. da humilhação de forma espontânea. tegração social. que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. homens. as pessoas saibam. Com apropriação. manos é inerente a cada um de nós. nós humilhamos os outros. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”. dos direitos humanos. nos. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. se conhecido e reivindicado.org/justice. com a igualdade sem discriminação.

pela sua “Contribuição para opções. a Humanidade”. das para os Direitos Humanos.) . reitos humanos irão elevar e fortificar as org). Não temos quaisquer outras Pio Munzo.pdhre. Quando vêm as cheias. PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. para protegerem as suas comuni. em 2003. recebeu o prémio das Nações Uni- margens. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di. as pes. for Human Rights Learning (www.

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2003 . INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. I. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos.” Sérgio Vieira de Mello.

Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. incluindo a igualdade total en. juntamente com a to moral. blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH). ado. não apenas tolerados. requisitos de moralidade. saú- pação. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer. todos os conflitos têm manos. os direitos hu. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu.44 I. de ser resolvidos no respeito pelos direitos . é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. peitados. humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. Pactos paralelos que. político e jurídico e como linha DUDH. Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. turais. tais como o to de direitos humanos. isto é. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. modo a procurarem a transformação da tos humanos. assim.” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). tal como Contudo. Os con- a liberdade de pensamento. No século XXI. os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si. sociais e cul- aceites. bem como de opinião e de meios pacíficos. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. Este conceito coloca direito à segurança social. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. reitos económicos e sociais. sal dos Direitos Humanos (DUDH). sem medo e sem privações. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. Do mesmo modo. em 1993. Durante o século XX. os direitos direitos humanos. civis. humanos garantem a igualdade. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei. condições de vida condignas. Direitos Humanos de Viena. económicos. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. liberdade. Aqueles pilares surgem em detalhe. de ordem pú- tre mulheres e homens. formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. justa. refere divíduos. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. 1948.

A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. Em 18 de dezem- mento humano. preocupações políticas. dora da People’s Decade for Human Rights . 66/173 da AGNU. económicas. mulheres. No seguimento. Através da aprendizagem dos di. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. Direito à Educação Upendra Baxi. da AGNU). baseada no respeito. Direitos Humanos 1995-2004. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. 1994. [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal. em dezembro de 2011. bem como dezembro de 2008. social e económico cen. todos. iniciativa foi Shulamith Koenig. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. Inhuman Wrongs and Human Rights. mais do que qualquer outra lingua. embora em tempos de emergên. Deste modo. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. dezembro de 1994. reitos humanos. proteção. que poderá ser formal. DUDH. DUDH. bro de 2007. […] A educação deve facto. os Direitos Humanos. adotou-se a Res. A abertura decorreu a 10 de sados. PDHRE. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. proclamou a Década manos. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. 62/171 assumidas por todos os atores e interes. De direito à educação. Nações Unidas (AGNU) 49/184. a funda- vida. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. funcio. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. civis.” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. A. fação. satis. sofrer algumas restrições. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . cionais.” direitos humanos[…]”. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. homens.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. “A educação. dos direitos humanos. ne. sociais e culturais. de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. pela sociedade civil.

religiosos e linguísticos […]”. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. a longo prazo. refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. povos in- neta. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. a tolerân- de. e princípios de direitos humanos. A 10 de dezembro de 2004. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. modelação de atitudes. baseada nos direitos humanos”. o objeti. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007.46 I. Em concordância. zade entre todas as nações. étnicos. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. de 23 de dezembro de 1994. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. no nosso pla. alunos. funcionários públicos. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral. clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. que inclui o empoderamento de pesso- . três em três anos. agentes poli- Humanos. que inclui a transmissão de conheci- ção. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. os reclamem”. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais. nacionais. nos em Genebra. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. A 2 de dezembro de 2011. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. a AGNU pro- dos”. que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí. primário e secundário. parafraseando Nelson Mandela.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. tornar os direitos hu. cia. primeiramente. Ou.

Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. que promove a equi. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. A mes. dos direitos humanos. isto na. Human Rights Center of the Univer. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. visa proteger os direitos humanos. O pre. designadamente. a tolerância. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. Os Esta. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos. a insegurança e a vulnerabilidade. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. com base num sistema global de valores . as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. decorreu em Graz. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. em harmonia com o Programa Mundial da dade. é. to. estabelecer uma cultura política global. Neste contex- segurança humana. uma estratégia rumo à segurança humana. em julho de 2000. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. sempenhe um papel importante. assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. em particular. estratégia de implementação que delimita zação. B. manos. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. a experiência do Holo. Todos os inte- conhecimento.

48 I. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. As políticas de se. base do desenvolvimento da doutrina da . Os direitos humanos. conse- Há diversas relações entre os direitos hu. como parte para as normas e direitos. na transformação de conflitos e de necessidades básicas. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. quentemente. Canadá. são de conhecimentos. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. As organizações da so. o direito a viver numa ordem inter. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. mocracia. em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”. 60/1 (2005)]. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. tam ameaças à segurança humana e. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. A “Segu. na construção da paz pós-conflito. 1999. em vez de uma do conceito de segurança humana.” das pessoas. proteção contra a detenção arbitrá.) mento da sociedade”. de um aumento da transparência humana se baseia. 2001. justiça social e democracia. abordagem orientada para o poder. and State Sovereignty. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. consti- humanos já existentes. (Fonte: Departamento e da prestação de contas. gurança pessoal. discriminação. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional.” PNUD. como a seguran. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. de segurança social (ex. por uma Comissão Inter. pobreza. do desenvolvimento de nacional segura). bility to Protect and GA-Res. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. de um modo descentralizado. Referimo-nos a problemas de se. Maio 2000. Human Development Report 1994. humanos desempenham um papel na gestão ria). corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. que esteve na vidas diárias. da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. Lucerna. também são um conceito chave desenvolvimento. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. 1994. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. Humana. Contudo. através da transmis- (ex. suprimento de conflitos. da democracia e do de conflitos. também os direitos (ex.

O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana. estritamente concebidos. são antecipados e tecidos numa rede coe. “Precisamos de uma nova cultura de rela. nhecer os seus direitos humanos. amplamente baseada nos direitos huma.html). 2009. A Comissão elabo- nos. em dezembro de 2001. individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado. PDHRE). que deverá ser traduzido. aprovada pela humanos. da ONU para os Direitos Humanos. Res- Nações Unidas. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. ironicamente. distribuído e utilizado amplamente. em Graz. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. cional. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º). Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. segurança humana das vítimas apesar de. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. por fim. de forma crucial.” humana no seu centro. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). De acordo com Bertrand G. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […]. rança Humana (www. rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. A Comissão para a Segurança Humana. em San José. anterior Ministro dos Negócios Es. orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. B. ponsibility to Protect in the Modern World. manos e a Universidade para a Paz. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. que pode ser obser. ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. mas também. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran. Costa Rica.” Louise Arbour. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados. Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. mcharan. humana.humansecurity-chs. na essência. a 10 de maio de 2003. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. “O desenvolvi. to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. (Walther Lichem. org/doc/sanjosedec. . 2005.

vários indicadores. do PNUD. contém direitos económicos e sociais. do Secretário-Geral da ONU. A verdadei- ral realizou consultas. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. “Hoje. Sociais e Culturais comuns. interli. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. sociais e culturais é tão rele. que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. apresentados como uma se desfrutará nem de um. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra.” económicos. abordagens regionais relativas à Segu- . de 2005. tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. Depois de um rela. Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. human rights for all. Franklin mento sem segurança. 2005. reforçam-se mutuamente. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes.50 I. contingentes e direito de viver sem privações. ângulo do desenvolvimento. os ser- (freedom from want). ser construída sobre esta base. não se desfrutará Roosevelt. são interdependentes. da liberdade e da paz” (§12). a segurança alimentar. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós. à Segurança Humana. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. os conceitos de segurança huma- Annan. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD. uma dis. Sérgio Vieira de Mello. a participação política. a Assembleia-Ge. Mais. em 2000. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. Secretário-Geral da ONU. usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. In larger freedom: towards development. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. em 2008. A relação entre a viços de saúde. os for fear). inspirando-se nas gados e indivisíveis. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. correspon. Também este distingue na. por sua vez. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. 2003. Porém. mano. Kofi Annan. de Segurança Humana. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. em 1940. Kofi clusão. O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. pen- 2005. O Relatório “In Larger Freedom”.

A “regra de ouro” segundo a e do Sul. Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei. tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. em virtude das tempos modernos. versal. que se setembro de 2001. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. rorista do World Trade Centre. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. em todas as a DUDH. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. O mesmo vale para a vimento. dos seus pobres e para as noções funda. equilíbrio entre a segurança. sociais e culturais. o im. os direitos humanos. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. que representava os seus nacionais cial. Por exemplo. C. a liberdade e na 2009/2010). Desde 2005. do Norte e do Sul. com fortes influências do Oriente ros no Islão. C. são parte de todas as culturas. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro. ses de segurança. Ainda que o conceito moder. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. Este Relatório mostra a rela. sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. do da “Guerra ao Terror”. Atendendo a que. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid. direitos económicos. os ci- mentais de justiça social. Na conduz a uma redução dos conflitos vio. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. elaborou existe de variadas formas. e pelos direitos económicos e sociais. o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. os no liberalismo e democracia. enquanto o conceito de humanos. com fundamento na fi. direitos humanos obriga qualquer Estado . historicamente. Europa. A ONU. René Cassin e Joseph Malik. tado. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. declarada pelos crática. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. designadamente. porém. deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos.

homens. que todos os homens teção de não nacionais. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro. em 1789. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. cance mundial. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. Roosevelt. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. da Segunda Guerra Mundial. Que a fim de assegurar esses di- inimigos.” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. Olympe de Gouge foi uma lávia. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. 32º Presidente dos Estados Unidos.52 I. A segun- religião. Recursos Adi. são criados iguais. o direito huma. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. voltou a ser um tema central. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. Europeia de 2000. Deus. quando se . cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa. mas também aos civis envolvi. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. para os seus habitantes – em todo o mundo. e na proibição da escravidão. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. dentes por si mesmas. 1941. em 1776. uma vida saudável e em paz. do. a vações – que. de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. reitos. traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. Tinha certos direitos inalienáveis. 1776.

do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. em Teerão e em Vie- na. promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. partilham valores comuns. nos básicos. altura entre 48 países. em larga medida. Filósofos. reclamava a exis. o conceito de direitos huma. tivo. sistemas políticos. interpretan. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. D. Desde então. na. com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. sob a direção de Klaus Küng. culturais e religiosos. em muitas partes. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . de 1993. §5). em 1993. que mentos de uma ética global. direitos humanos. independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. como Direitos Humanos. que correspon- como uma componente indispensável do dem. respetivamente. clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. al. nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. manos e liberdades fundamentais”. por consenso. económicos e culturais. os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. c)). con. na mundial”. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. As “teorias contratuais” históricos. Teerão. D. Mali. e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. em 1968. ao passo que a perspetiva cosmopo. mas nenhum Estado se atreveu real. e que constituem ele. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”. acordou. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. nº 3 e 55º. 1993. O projeto internacional “ética Viena. tal como acordado no quadro terdependentes. da globalização. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH.

na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. Podem ser dis. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. sociais e culturais. os outros direitos. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi. na segunda em particular. “os ou seja. do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. ainda que com o seu consenti. paz. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. nº1 do PIDESC). ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. tal como na Conferência embora com muitas reservas. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH. A terceira categoria é designada rais. demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos. a outra. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. uma categoria adicional de em 1993. Porém. o direito à paz e à segurança. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. ambiente saudável. rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países. Artº 2º. em 1993. sociais e culturais 1966. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. Em Teerão. uma vez . sociais e cultu. social. muitos mais Estados demons. mento. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. o Líbano ou o Chile se en. como a China. como a liberdade de expressão. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. desde então. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. Nos anos 80. consagrado na Carta das Nações dependentes. em 1998. A Convenção sobre a Elimina. no sentido de que uma cate- políticos.” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. os direi. ao passo que Mundial de Viena. los direitos económicos. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). em 1968. Nações Unidas. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito.54 I. Secretário-Geral das Nações Unidas. Teerão. No passado. Alguns cé. humana. como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. De qualquer modo. tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. Boutros Boutros-Ghali. liberdade. em oposição aos direitos civis e políticos. 2010. em 1968. em janeiro de 2012. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. Em concordância. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. Porém.

modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. pela primeira vez. direitos humanos e os direitos das minorias. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. a sua relação com a terra. como o direito de voto. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. regional ou universal. dos seus direitos humanos. em 2000. D. Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. como autori- racterísticas étnicas. revendo uma declaração anterior. em 2007 (A/RES/61/295). votaram pela sua aprovação. A Comis- conjunto com os outros membros do gru. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais. que se reu- ticas particulares. Os e da Austrália que. com apenas Contudo. Enquanto os direitos humanos são os di. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. religiosas ou linguís. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. ou não a cidadania de um determinado em 1989. complementam os regionais europeus de direitos humanos. desde 1982. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. e em instrumentos tural Imaterial. Portanto. 143 países Estados-membros apontam nesta direção. um Grupo de cional. da Terra”. dade subsidiária do ECOSOC. Po. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. Independentes. na preservação da sua identidade cultural. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). de 1993. quer detenham (OIT). entretanto. Em 2001. para os Assuntos Indígenas. Os requisitos da União Europeia e do Con- ral. do Canadá. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. propagados por alguns grupos. adotou a Convenção nº 169 rela- país. foi humanos e direitos das minorias que são criado. em 2002. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. Trabalho relativo aos povos indígenas. em particular. e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. ao nível na- povos indígenas. de professar ou prati. de 2003. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. de 2005. Individualmente ou em niu.

que tem lugar na ONU. O diá- seres humanos completos e iguais. 2010. para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. No entanto. no trabalho. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. confrontarmos o preconceito. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados. adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de . de 1979. nas sensibilidade relativamente ao género. de direitos humanos. mulheres no seio de determinadas culturas. mas. religiosas e cultu. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa. Alguns Estados invocam as suas particu. e a elaboração da CEDM.). Consequentemente. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. rais. As nossas escolas e comunidades. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. qualquer agenda para o diálogo. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. existência de diferentes abordagens quanto lheres. O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. entre outros efeitos. Segunda Guerra Mundial. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações. de 1995. palco das mais cio com a DUDH. base em fatores históricos. logo de civilizações. e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos. de 2003. na Convenção rais. por nós concordarmos em denunciar. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. ao reconhece.56 I. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. con- tribuíram. ao mesmo tempo.” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. Secretário-Geral da ONU. E.

dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . sociais e culturais. o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”.Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente. é o tema da às Mulheres. bros das Suas Famílias (1990. . Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . com 173 Es- de apartheid.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. E. Em janeiro de 2012. minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965. ro. Desu- Nos anos 60. lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. pelos di. de 1979. sobre os direitos da criança. com 186 tratamentos cruéis. tal como foi cometido contra os específicos. Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições . direitos humanos das mulheres.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas. Civis e Políticos (1966. com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. com 193 Estados Partes) .Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948. desumanos e degra. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi. com dos. sobre . riu uma proeminência particular. sociais e culturais (PIDESC).Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. com 165 Esta- reitos económicos. de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria. manos ou Degradantes (1984.Convenção contra a Tortura e Outras venções. a Comissão das Na. Penas ou Tratamentos Cruéis. ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos. contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979. através camente vinculativas. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira. daquele mecanismo. Sociais e Culturais (1966. adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em .Convenção contra o Genocídio (1948. Estados Partes) dantes. dos países em desenvol. A prevenção e a punição do ge. a luta contra a discrimina. em 1976. tendo como resultado a adoção . o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes. No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. adqui- antes da DUDH. um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos. Económicos. respe. na ONU. Todas as Formas de Discriminação lheres. O PIDESC foi adotado primei.Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu. . .Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. ça (1989.

os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas. têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. associação. sem discriminação no respetivamente. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. nasci. dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território. à liberdade de sair de qualquer país. Os outros instituições tais como os tribunais. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º. reli. suas disposições. Po. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . por razões de Não Discriminação segurança pública.Convenção Internacional para a Prote. Perante uma emergência pú- to. que per- e do PIDESC).58 I. designados de direitos inderrogáveis. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. de consciência e de religião. não são permitidas restrições a cer. obrigações. soas com Deficiência (2006. Estes direitos são. emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP). ção de controlar o uso inapropriado das rém. Consequentemente. Humanos”. As medidas têm de ser plasmadas numa lei. direitos humanos. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina. nº1 do PIDCP). cor. O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. de ordem pública. sexo. incluindo o seu próprio. caso tal se mostre necessário. dade ou origem social. como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. Tal Porém. um relatório e linhas de que respeita à raça. As tória (artº 4º. o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. no caso de o estado de emer. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. opinião política ou outra. de saúde pública. a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. língua. um Estado pode derrogar as suas pensamento. em particular.Convenção sobre os Direitos das Pes. Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. portanto. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. património. nacionali. o terrorismo. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. vaguarda”. blica. melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. Estas restrições têm de estar quela situação. ameaçadora da vida de uma na. já tos artigos. ou o direito à liberdade de pensamento. com Direitos Humanos (artº 15º). de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. . à liberdade de ção. mitem restrições de certos direitos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . terá de ser aprovada pelo Parlamento. uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. a proibição da tortura e da escravi.

de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. regularmente. Normalmente. na maior parte conseguida progressivamente. de garantir ou fornecer certos serviços. Todavia. isto é. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. a implementação signi. vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. Isto é particularmente rele. têm de ser implementados ao nível na- to. rizontal”. de uma cumprir com as suas obrigações. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. o nomeadamente. O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. atra- têm de respeitar os direitos aceites. junto da população do sentar relatórios. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. O ob- passo que os direitos económicos. ao operações de manutenção da paz. poderá haver obstáculos. por parte do Estado. F. mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados. direitos económicos. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. Neste contex. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. pro. o Estado terá também o B. lecimento da implementação. os direitos humanos rar certos padrões mínimos. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. é tida em consideração a capacidade de cional. os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. Desta forma. acerca do seu território. relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. Em primeiro lugar. foi ins- maneira geral para todos. ao suscitar a ques. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. tais como a todos à educação. neste último caso. Do mesmo modo. isto é. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. âmbito dos poderes executivo ou judicial. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. lações dos direitos humanos. tais como a educação e a saúde e assegu. tuito.). cada Estado para o fazer. ção dos direitos humanos. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. O Comité sas transnacionais. os Estados têm de apre- direitos humanos. sociais e culturais. Por exemplo. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. também pode elaborar Comentários Gerais . Porém.

Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. O seu man- nos. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. es. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. Em alguns casos. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. tal só é possível para as de 1970. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. No todo. dos Povos) ter entrado em vigor com su. por vezes. Porém. como o do PIDCP. Em 1 de julho me as circunstâncias. o tribunal foi fundido com o Tri. Partes. Também se estabeleceu um Tribu. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. submetendo relatórios anuais. por exemplo. e que são posteriormente ana- queixa e. Há “relatores por país” como. os procedimentos especiais. 10 Estados atividade. confor- cesso. de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. em janeiro de 2004. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. tem os mecanismos criados pela Carta. Estes procedimentos refletem o ativismo . peritos independentes de 2008. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. violência contra as mulheres. sujeito a extensão. Humanos desde 2006. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. ções e para as situações). os relatores especiais e. e 2000/3 de 2000. ao PIDESC. tais como as convenções. “relatores temáticos” como. As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. por exemplo. as atividades dos relatores especiais e dos tados. nessa data. é.60 I. no respeitante a outras con. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. missário da ONU para os Direitos Humanos. Este procedimento. dato é normalmente de três anos. também exis. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. que ção. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. Há também Direitos Humanos. nos no Sudão. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. antes de chegarem da. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. conhecido ago.

tais como. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. como parte das reformas das Na. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. a revisão dos novos procedimentos. F. à alimentação. porém. a Gua- sessões para três por ano. rapida. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. assim como se temala. o Conselho de Direitos Huma. a Bósnia-Her- Para este efeito. não Em 2006. a direitos humanos. aumentou-se o número de zegovina. As pri- tabilidade e na monitorização. através todas as ações. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. de 1998. países como o Afeganistão. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. os direitos humanos à desenvolvimento. aumentou. teve lugar ções Unidas. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. o Haiti. de Cuba e da Bielorrússia. à saúde e a políticas de ajusta. O Conselho de Direitos do. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . etc. o Montenegro. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. a aumentar os seus recursos. especialmente do mun- educação. o Kosovo. no genocídio no Sudão. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. nos da ONU assumiu todos os mandatos. com base na DUDH e ou. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. Em 2010/2011. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos. a Colômbia. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. designada- Nações Unidas. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. Na verdade. trabalhos da comunidade internacional. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. pode. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. a uma habitação do Islâmico. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. das prioridades. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. conduzindo a uma revisão condigna. tos humanos. reitos Humanos’. por exemplo. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. por país. peciais continuam a ser testados. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. Estes países pretenderam mento estrutural. que. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. foram renovados. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. o Camboja. Até 2011. mente.

a ONU recomendou. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. As ONG. Com esta finalida- dos direitos humanos implica.62 I.. a criação de na Ásia e nos países Árabes. Na ONU. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. como a volvimento. Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. portante. tal como na Res. foram adotados pela AGNU. prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. a Declaração dos Defensores sobretudo. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). em 1993. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. Uma outra forma 22º do PIDCP. as pessoas e de informação independentes. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. dência e de pluralismo. lidade. De acordo com uma resolução da AGNU. A promoção de Direitos Humanos. tem-se revelado cru. onde humanos. bem como méto- res podem ser envolvidos. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. AG 48/134 (1993). tudo. protegida pelo artº factos e na monitorização. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. garantias de indepen- modo a atingir este propósito. Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. a internet. em particular em países que não mentais (ONG). podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. Normal. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. acima de de. incluindo uni. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. utilizam procedi- po. direitos humanos. Algumas ONG. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. em 1998. dos operacionais. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. APT). A estratégia “mobiliza. os saibam utilizar da melhor forma. As ONG. fundamentados na investigação dos berdade de associação. vários ato. o setor da educação em geral. ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. etc. com muita eficácia. G. As ONG assentam na li. dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura. mentos particulares. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. As instituições nacionais versidades. de proteção de direitos humanos. De responsabilidades. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional.

” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con.hrea. ONU. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais. económica e politicamente. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. campanhas sobre assuntos específicos ricula. giados. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo. pelas suas próprias mãos. relacionados com o comércio justo. a PDHRE. A nível global. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso. os direitos humanos. CLADEM ou a WIDE dão realce. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. com o objetivo de qualificação profissional. a UNESCO. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. do compromisso de Em África. G. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati. refe- . O Estado não e comportamento discriminatório. da compre. através do desenvolvimento de cur. Ásia da ONU. nomeadamente. em alguns casos. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. Também o Comissário dos Di. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. Em nos. za recursos eletrónicos (www. onde pre- Há inúmeros casos. assistem Humanos. es. o Conselho da Europa seguição. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. violência contra as mulheres. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa. também alcançou o Sul. A UNIFEM. de Aprendizagem de Direitos Humanos. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. em todo o mundo. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. à Educação e Aprendizagem para de nós. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. nos. e África. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. da organização de ações de forma. e a UE têm o objetivo de os apoiar. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. o mundo. Em alguns Estados. através da internet e também disponibili- trolo da lei. a ção e da produção de materiais didáticos. organiza. os direitos frequentemente. mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. em cooperação com a humanos e as violações ambientais.org). como é o caso da polícia. a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação.

. EUROPA .Carta Social Europeia (1961). tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas. volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana. em 2013). (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos.Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo. a sociedade civil interna. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial. Desumanos ou Degradantes (1987) . 2003. Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. veu-se em reação às violações em massa de nais. 28 depois implementação. os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que. A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado. mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos. assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas.64 I. Humana. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. Po. caso haja . em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I. para desen. da adesão esperada da Croácia. revista razões válidas para elas. Segurança Humana Já. selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. Desenvol- forma mais eficiente. desenvolveram-se bros). mentos de direitos humanos. Os direitos humanos. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. seus países. através de uma educação ba. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns.) H. vinculativos para todos os Estados Partes. do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse. Mais. No caso dos tribu. habitualmente.

foi con. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). mas também o direito à educação. em 1988 e em 1995. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. processos de autodeterminação que ocor- . a AGNU adotou um nº 6 e nº 13. Estes pro- débil e ineficiente. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. e melhoraram os seus procedimentos.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. confere também a possibilidade de queixas coletivas. com base num Protoco- . H. que distinguem a perspetiva eu. Contudo. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia. direitos civis e políticos.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. dos Estados Unidos da América. Assim. Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. da Jugoslávia e. reitos Humanos. em 1993. Atual- nova Europa (1990) mente. blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. A CEDH contém. Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. um reno. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. como importância da CEDH. ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002. venção da Tortura (SPT). de 1961. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). dos desde o final da década de 80. de 1987. e os Pro. mais genericamente. Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. Proibição da Tortura sobretudo. Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 . a nível universal. foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. hospi- O instrumento jurídico principal é a Con. paralelamen.Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. de 1950.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo.

a Intolerância (CERI. Segun. a Comissão.Tribunal Europeu dos Direitos Huma. Também apresenta recomenda. os Estados têm de prote.Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT.Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área. um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la. . 1990) leceu.Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção.Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância. mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR. estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu . enquanto o Comité de Ministros é . o Europa antissemitismo e a intolerância.Representante para a Liberdade dos grantes.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos .Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. tal como a situação dos mi. Meios de Informação (1997) ses. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais. 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a . . junto com os Esta.Comissão Europeia contra o Racismo e países. . em 2003. . nos (tribunal único em 1998) 1998) . . cultura e a sua identidade. o me. Contudo.Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos .Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007). na luta . do Racismo e da Xenofobia (OERX. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa. Para esta finalidade. e também realiza visitas aos paí. em 1999. a xenofobia.Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo.Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos.66 I. na década de 90. mas também têm de . pre. Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. . 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo . A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos.Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa.

da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros.000. a ças são vinculativas e podem prever a atri. As senten. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). H. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. para O principal instrumento de proteção dos 56. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. em particular. poderá in. Sob o título da “dimensão humana”. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2.000. ainda mais o número de processos. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. mas irá aumentar to nacional. uma vez nomeados. as listas de c. em 2004. Convenção Europeia dos Direitos Hu. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. problema. grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. das. Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. é uma organização muito peculiar. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. No entanto. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos. pleno. verifi. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. Contudo. medidas adicionais. porém. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. Violação de um direito consagrado na 1994. tervir com a função de recurso. Caso contrário. representantes dos Estados-membros. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. humanos na Europa. e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. cuja jurisdição obriga. para os Estados. A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. composto por 17 juízes. em 2011. dade jurídica internacional e as suas decla- nais. O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. em 1998. adotadas em diversas conferências d. o Proto- em Estrasburgo. foi adotado. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. monitorização bem sucedido. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países. como na . rações e recomendações têm um carácter b. incluindo os EUA e o Canadá. colo nº14 à CEDH.

Em 2000. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá. Liber. de 1995. a integração política casos de proteção. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. adotada na compreensão”. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. que tem a responsa. Cimeira de Nice. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. O proces. A OSCE desempenha também um referem. assim como ONG. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. dos do Sudeste Europeu. de início não se tuação dos direitos humanos. Atualmente. como o direito de propriedade. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. partes. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. A Política de Direitos Humanos da este propósito. do Tratado da União Europeia. Desde os anos 80. respetivamente. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. europeia comum. ropeia dos Direitos Humanos. de acordo com o tratado reformador da UE pa. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. monitorização de eleições democráticas. com outras organizações regionais ou in. princípios gerais de direito comunitário. A OSCE igualdade. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. localizado em Var. permitiu que em países onde mantém missões. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó. como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. venção de conflitos. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. Com 3. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR. criada em 1957. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. nomeadamente. desde os anos 80. ropeia. . direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. em 2000. na qualidade de membro. sóvia. explicitamente. sob a ex. em 2009. convocou-se uma Convenção ternacionais. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia.68 I. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo.

incluindo Europeia que define a estratégia política. publicado pelo Serviço Euro. dentro da . o OERX. no artº 19º. da União Europeia (ADF) foi criada em rais. é disponibilizada ajuda fi. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. numa nada FRANET. à semelhança da DUDH. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. como económicos. como a China e o Irão. É a habitação. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. formando Fundamentais. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. como o Acordo de Cotonu. to igual entre as pessoas. para abordar o pro- Desde 1995. mais do que através da redação de re- Humanos. orientação sexual. O União Europeia. O Relatório Anual de Direitos das. num único texto. tanto direitos civis e po. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX). Em 2000. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. reflete finalidade. cismo e a xenofobia. em Viena. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. na UE. nação com base na origem racial ou étnica. rea. Com a en. sora. A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. denomi- se encontra ativo nos bastidores. a ADF. o Acordo ONG. Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. manos como uma prioridade europeia e. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). mas também todos os Estados-membros da UE. também pu. latórios regulares e abrangentes. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. H. a UE inclui cláusulas de di. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. Viena. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. na UE. Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. Desde então. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. na religião ou crença. pelo Tribunal Penal Internacional. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. educação. idade. apoiado por rais. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. zam aconselhamento. sociais e cultu. junto com a União Europeia. bem os Direitos Humanos. em 1998. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. em 2007. deficiência ou desde o início dos anos 90. particu- direitos humanos e democracia. A sua agência suces- peu. proteção social.

. . Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington. Sociais e Culturais em 1959. venção Interamericana para Prevenir.Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção. desde então. este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). (Convenção de Belém do Pará). juntamente com Humanos (1969. A Comissão Interamerica. 35 Estados-membros da OEA. Pu- da por outras diretivas. mas a Con. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades. 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema. designa- . e constituída por 7 membros é o (1988.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. 12 Esta- Direitos Humanos. en. 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos. Deficiência (1999.70 I. foi comple. sociais e cul. Humanos (1979.Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA.Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte. desde então. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990. Há também um Relator Especial so- Além disso. grupos ou conferem direitos às mulheres. merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. . . dos Partes) trou em vigor e. em vigor 1984) um sobre direitos económicos.Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame. Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II. Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. forma particular.Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. apesar de a Comissão ter a sua nir. Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente. nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979. adotada em 1969. . 24 a Carta da Organização dos Estados Ame.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. . Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. De acordo em vigor em 1995. ONG podem apresentar queixas. devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. . Os Estados Unidos não são parte da . por regulamentos e diretivas. com sede na Costa Rica. reitos Económicos.Convenção Interamericana para Preve- Convenção. Estados Partes) ricanos (OEA). A Convenção também tra a Mulher (1994. 1928. tem sido complementa. em vigor 1978. AMÉRICAS . que entrou ticular importância à igualdade. 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. a União Europeia dá par. os Estados-mem. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e.

que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. em vigor 2003. Direitos Humanos e ao Tribunal. Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. Enuncia. Deste modo. sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes. Atualmente. uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego. Há muitas ONG que ajudam . Estar da Criança (1990. 28 Estados pressão. na prática. Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. Ao Tribunal Intera. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. tos individuais. em nome das vítimas das violações. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas. H. pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os . a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. na (UA). o à família e à sociedade mas. em vigor 2005. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. ainda. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. ÁFRICA . res (2003. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos.Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes. Tal como a Comissão. todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. for. e de indivíduos ou grupos. os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos. nomeadamente. na Gâmbia. que sucedeu à OUA em 2001. em vigor 1986. e dos Povos (1981. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. o que aqueles deveres são pouco relevantes. 45 Estados Partes) III. dos Povos. duos. No entanto. em vigor 1999. que entrou em vigor em 1986. e não tem carácter permanente. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató.Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. mudou desde então. relativamente ao Tribunal. consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997. . lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. Tribunal não recebia muitos casos.Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. o Tribunal tem sete . no passado. Os critérios de mada por 11 membros. por exemplo. sobre os direitos das mulheres e . tos humanos e dos povos.

lho da Liga dos Estados Árabes. No entanto. da ONU. estes bros da UA. o que é questionável em vigor em 2005 e. foi que constitui até agora a exceção. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. e teve sistemas jurídicos nacionais. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. em 1989. IV. mi. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003. em 2004. 3 Em junho de 2011. como a Constitutional Rights Project. . requerentes de asilo. organiza ses. por exemplo. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. ratificado por 28 países. como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. tal como no sistema interamericano. deve- expressão. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. Além disso. o sobre os Direitos da Criança. na Tanzânia. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação.72 I. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais. mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. em 1995. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. em 1990. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. nas. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. fora em termos do direito internacional. gerianos casos de violações da Carta. em 1994. apenas entrou em vigor em 1999 e. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais. OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. Uma parte importan. Moçambique. a Assem. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. é feita pela Comissão. ceu. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. a Conferência Islâmica (OCI)3. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. na Nigéria. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. em julho de 2010. cipar nas reuniões públicas da Comissão. levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. através do exame até 2011. Em 2009. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. como depois da execução de nove mem. É também im- 2008. No entanto. adotada. sobre os direitos dos arguidos. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. sobre prisões e condições de detenção.

ser suspensas. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. Asiática de Direitos Humanos. I. após 7 ratificações. I. se as consultas ini- com um mandato. anual sobre Direitos Humanos. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. sobretudo. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. convencer governantes antidemocráticos. Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. regime. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. nova versão que entrou em vigor.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. o Acordo devido à diversidade na região. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. não pode receber quaisquer queixas. e. do a China. Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. Povos. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. No entanto. que consis. pela Associação Sul. apesar de diversas tentativas. em 2007. para nal. Adotou-se.ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC. atualmente. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil. Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. sente Acordo. 19 Estados asiáticos. Enquanto acordo inter-regional. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. entre a UE sigla em língua inglesa). nº2. com o estabelecimento . europeia (Asia-Europe Meeting . normalmente generais. 50º aniversário da DUDH em 1998. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. te. reitera que o Asiático. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. ainda não foi possí. tal Kong. uma reitos Humanos da ASEAN. em 2008. de 200 ONG asiáticas. de direitos humanos. por exemplo. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. mais porém. tação de contas tornou-se uma preocupa. a Comissão Intergoverna. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. no artº 9º. incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. sobretudo. em 2004. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN. a transmitirem o ção geral e global. isto é.

de mental ou física. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. este respeito. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. saberem a verdade e finalmente concedida. JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual.74 I. em março de justo. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. na definição finalmente mático. engloba os crimes de genocídio. de contas. formas de violência sexual (Direitos em 1998. pelo menos. algumas convenções internacionais. mas. de amnistia foram revogadas. Es- a sua extradição do Reino Unido que. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. voltou para ser presente à justiça. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. crimes de guerra e o dro de um ataque. No Egito. siderou que as leis de amnistia. em outro local. No caso da “primavera Árabe”. em 2011. julgamento. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. crime de agressão. à sociedade de aprender com o passado. A tada devido à sua frágil condição de saúde. em 2010. em 1998. o antigo ditador chile. gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). cidas na África do Sul e em outros países no. adotado em Roma. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. conseguida numa conferência em Nairobi. J. conce- Charles Taylor. que tem sessões ex. Finalmente. No caso da Argentina. um juiz espanhol. requereu como forma de justiça não retributiva. a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. perpetradores. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. escra. mas não implemen. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. Humanos das Mulheres). . decisivo. No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. ternacional contra a impunidade. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa. incluindo casos de violação sexual. são violenta dos protestos. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. em 1998. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”. generalizado ou siste. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. contra qualquer população civil”. e que entrou em vigor em 2002. (TPI) e ao nível nacional. as leis traordinárias em Haia. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. o Para prevenir violações de direitos huma. Tem existido uma campanha in- 2006.

Ed- do PDHRE . foi estabelecido em para a Serra Leoa. escravidão sexual. tal como aconteceu tos armados. Graz (Áustria). Deste modo. assim como genocídio. tortura. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). o Tribunal Penal In. julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. como Rosario (Argentina). Korogocho (Quénia). Só se um Estado humanos e de direito humanitário. crimes contra a humanida. No caso do Camboja. mento social e económico. o seu funcionamento. em 2011. a terror. será sujeito a uma supressão pro- gressiva. no ter. Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. tam. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. bém apresentar casos. Bucuy (Filipinas). Kati (Mali). a funcionar desde Arusha. investiga homicídios. Porém. em 1993. 2002. escravatura. atos de bém temporário. Dinapur (Bangladesh). a jurisdição em Haia. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. da função oficial do acusado. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci. na Tanzânia. para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. humanos como guia para o desenvolvi. entretanto. ternacional para o Ruanda (TPIR). extermínio. violações. Coo- Camboja de 2003 foi protelada. como homicídio. do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. independentemente o conflito armado. Todos os tri- de. desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades. Internacional para o Ruanda. K. no caso de Kadhafi. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). existindo ainda problemas com seu trabalho.ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . terminou o em 2008. em 1994. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. como um tribunal ad hoc para li. K.

género. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. manos nas comunidades. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. pe. lha principalmente ao nível regional. Desenvolvem planos para internacionais. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. onde. Muitas ci. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. Neste processo. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. por liderado por um Comité de Direção que exemplo. reuniões regulares. os habitantes analisam diterrânica. cidades. nível local. iniciada pela UNESCO. seus direitos humanos. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). civis e políticos. A nos.pdhre. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias. No Fórum Mundial das Cida. cais e ONG. principalmente na Europa me. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. dos Direitos Humanos na Cidade que. direitos humanos. como o provedor fazer com que todas as decisões.org). da dos Direitos Humanos na Cidade. líderes de associações lo- dos seus habitantes. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. como as de Veneza Com este propósito. económicos. nas cidades. Em direitos humanos. polícia. tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. www. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. administradores. começando ao des dos Direitos Humanos. uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. são considerados como um todo. A Coligação traba. por exemplo. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade. As experiências das Cidades de Direitos . em 2011. foi elaborada. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. e culturais. profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. comprometem-se a dos direitos humanos. políti- de justiça. gem e formação. no que res. manos na vida diária. ado. assistindo-as a tomar em con. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. Um sistema de monitorização. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis.76 I. reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. o experiências relativas a boas práticas. que trabalham no sentido manos.

2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com. 100 indivíduos e organizações na promisso. .. 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe. Programas de Aprendiza. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança. Municipal. pelo Conselho Consulti- NAR). publicações. em 2008. de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. etc.. Graz. que também oferece vários progra- to Alegre. ambiente competi- tivo. H. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores. mal de inauguração na Universi- tadt. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. mas de educação e formação para os direi- tos humanos. por exemplo. Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais. professores. no Brasil. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. contra a Discriminação res no Rosário.menschenrechtss. sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. etc. dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario.at). na Câmara Municipal.

Entre estes. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. as Ao mesmo tempo. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. a inclusão dos direitos gulares). uma atitu. por exemplo. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. como os “padrões funda- humanos. o existentes podem tornar-se mais visíveis. que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. que existe tan- importante papel. aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. do trabalho da OIT. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. Em ambos os casos. Novos reitos humanos de instituições locais. ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. desempenham um e o direito dos refugiados. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. (de paz). para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. assim. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. bem como as tecnologias de tos Humanos. Do mesmo modo. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. com funcionários de direi. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. refugiados. como aconteceu. enquanto representan. refugiados. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. institucionalizando. humanos. como efeito preventivo e promocional. necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . Há. humanos. lo Opcional. a situação em 2006. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas.78 I. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. informação. ainda. também poderão ter êxito propos. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural. direitos humanos e da democracia. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. O mesmo vale governamentais. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional.

que é exigida não só de indivídu. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva. humanos. Banco Mundial. Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. Um dos principais desafios é manter os os. por exemplo. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final. a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. em 2003. derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. Esta questão levanta uma outra 2011. combatem novas ameaças terroristas. que deve ser feita com base Kofi Annan. O Tribunal de Justiça da UE. a questão da compensação de. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. assim como a destes resultados. a res. que contém um “Quadro humanos. e anticorrupção. Respeitar e Solucionar” e mento justo. riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. As. L. Nin- ganizações intergovernamentais. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. nos direitos humanos e no primado do Di. manos inalienáveis sendo que. As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. porém. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. o papel dos ne- Em resultado da globalização. pós-conflito. padrões de trabalho. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. gócios em zonas de conflito. como uma abordagem reito. fazer face a estes novos desafios. o FMI ou a OMC. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. como também de atores não estatais. nova e inovadora no processo de globali- zação. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. para negócios e direitos humanos”. assim Responsabilidade de Empresas Transna. tais como o direito a um julga- para Proteger. o Secretário-Geral da ONU no. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. em julho de 2000. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . Em 2011. Direito ao Asilo. não fo. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. para considerar a re. Conselho de Segurança da ONU também manos. lançou-se o Global Compact. Prima. consi- e outras empresas. como o guém pode ser deixado à margem da lei. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010).

como a liberdade de expressão o terrorismo. suscitou algumas controvérsias. 1999.doc.). Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. Press. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais. para os Direitos Humanos para o Futuro”. Philip (ed. (Ver www.está entre de acesso” à internet. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. manos.un. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo.80 I. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003. nessa medida. por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. desvantagem. há ainda um longo si mesmos. aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos. Não temam denun- numa decisão de 2010. de um provedor pelo Conselho de Segu. Não temam exigir a paz. A defesa dos direitos hu. olhando para trás. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson. por exemplo. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem. Prémio Nobel da Paz. em conflito com o Conselho de Segurança. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos. .o profundo respei.” Ellen Johnson-Sirleaf. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. ciar a injustiça. alvo de recurso pelos Esta.org/News/Press/docs/2003/ Contudo. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. Ceder na proteção dos direitos huma. Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. também cons- sgsm8885. Esta última deci. porém.htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso. humana. Kofi Annan. M. Human Rights. Gundumur et al. 2011. Esta pretensão. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. embora possam estar em são foi. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos . o terrorismo. Não temam procurar a paz dos-membros da UE. The Alston. como o facebook. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança.” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU. The EU and Universal Declaration of Human Rights. 1999.

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II. .” Kofi Annan. em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso. Secretário-Geral da ONU. 2001. Agora tem de entrar numa época de implementação.

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A. desumanos ou degradantes. 1948 .” Artigo 5º. PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis. Declaração Universal dos Direitos Humanos.

e falasse. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. depois de Bobigny. Ameaçaram- maus tratos. 1999. Quando eu recusei. árabes. O interrogatório continuou sem inter. ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. tratos tinha começado por volta das 7 ho. “Eu fui parado na estrada. como eu tinha previsto. Tive de me ajoelhar. como a “noite negra”. eles puxaram-me o cabelo. “Vocês. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. ram-nos as mãos atrás das costas. Depois destes família. abri a manga da camisa dizendo “Força. Fui levado para o primeiro an. Outro começa a chorar. um deles disse. Selmouni ga. Um dos po.” Agarraram-me. Obrigaram. no dia 28 de julho de 1999. objeto que parecia um taco de basebol. manos. bro de 1991. nos quais já não tinha sapatos. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. de. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. me de morte e acusaram-me de pertencer à . Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. mas costas. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. (Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde. ameaçando injetar-me.88 II. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. França. parentes e amigos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr. no dia 25 novem. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo. Um outro polícia bastão preto no ânus. Perguntou-me pés.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. gostam de dar. por volta das 9 horas da manhã. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. obrigaram- ram a bater. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. ser fornicados. Quando vi isto. deixaram-nos nus. fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos. caso Selmouni c. onde cerca de oito pessoas me começa. acenaram-me com uma serin. que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. França. não têm coragem”. é a verdade. Selmouni conta esta cena. que nós considerámos Depois disso. roupas afegãs para usar. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério. A um determinado ponto. batiam-me. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas. Caso Selmouni c. eu fui levado para um escri.

de direitos humanos ocorrem diariamente. cida. alternar.org. aproximadamente. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional . tínhamos de do. Podíamos usar as casas de banho. altamente industrializados e desenvolvidos. ses padrões. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu. Questões para debate da. UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. Passámos três meses na cela. Selmouni e ao Sr. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. casos individuais de tortura e . Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir. A janela da cela era muito peque. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des. A. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. ao Sr. Walid al-Qadasi foi. em abril 2004. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. posteriormente. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3. Éramos dez na cela.uk/content. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. as casas de banho esta. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. no exterior. Apesar de. pelos Estados.asp?CategoryID na.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. amnesty. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). Iémen. PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda. dante é ainda uma ambição por concreti. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. Testemunhos. tratamento desumano ou degra. Disponível em: www. na cela es- tava muito calor porque estava superlota. onde enfrentou traficante de droga. por isso. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios. 2. dar e apoiar vítimas como o Sr.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. 4. Na realidade. que o Sr. (…) Du.U. O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia.E. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis. mas também as suas causas inerentes. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. Ninguém está imune à tortura. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. reito internacional consuetudinário. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. a nível global. A tortura e os trata. Assim. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. ameaça à segurança humana.90 II. mente no campo do direito internacional. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. isto é. tos. To. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. com a questão. a proibição absoluta da tortura e . monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. assim como as diversas formas de divulgar informação. A tortura e outras formas graves local para local. requerem que considerados inderrogáveis. Até há pouco tempo. dida que a humanidade foi progredindo. órgãos de investigação. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. especial- pelo Estado. embora a extensão da sua “sofisticadas”. mitem restrições. portanto. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. ciais à abordagem da segurança humana. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. formas de penas ou tratamentos cruéis. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. Pertence aos direitos humanos ser humano e. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. das as pessoas podem ser vítimas. nal e internacional. desumanos ou degradantes. a jovens e idosos. têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. por nenhuma razão e em ne. na sua raiz. a pessoas perten. nhuma circunstância. mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. teção e prevenção.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. No entanto. À me. Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. da questão uma monstruosidade sem descrição. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. identificar e a considerar não só as conse- éis.

agindo a título oficial. nesse sentido. tortura. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. cos internacionais. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa. mas para a proteção contra a tortura e os maus que. Adicionalmen. obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões.” contram previstas em vários textos jurídi- . Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). para os direitos humanos.. permite um desvio destas tratos. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi. te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. A. “[. qualquer definição jurídica parece ou tácito. a punir por um ato que ela 2. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. ocasionados. a nível internacional. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. Indiscu. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente. de. em conjunto o que garante. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. dá especial ên. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. O Estatuto do Tribunal Penal na Res. humana. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. 39/46.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. a pala- Rede de Segurança Humana. Além ou com o seu consentimento expresso disso. De acordo com a Convenção. nomeadamente. adotada pela Assembleia-Geral. a sensibilização relativa aos dade na definição. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis. cos ou mentais. a sua instigação reito internacional consuetudinário. reconhece. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. físi- segurança humana.. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. deixando uma margem direitos humanos. e a sua prevenção. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos. acordadas. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. na prática. são as pedras obrigações. que se en. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen. em princípio. através da educação de interpretação às autoridades estatais. de 10 de dezembro de 1984 Internacional.

também de equipamento de tortura. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. no seu . pessoa com um fim ou por qualquer a distinção.um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento. 2001. desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados. embora subtil. assim que aja a título oficial. A dor e o terror infligi. te. deliberadamente. em circunstância alguma. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. como nos meios cruéis usados. circunstância”. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. como os uti- . a definição contribui sobre a Tortura. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. pos. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co.. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias. Métodos de Tortura ca. Theo van Boven. polí- lunas torcidas por espancamentos. dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. em nenhuma lo do mercado. degradantes é absoluta e imperativa e não dos. O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. analisou este fenómeno para o entendimento geral.” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan. como dos tratamentos . deixar que a vítima morra. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana.” abertos por canos de espingardas. no grau de gravidade. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. como física de tortura e de maus tratos. Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. isto é. de que “[. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. san. cionados com a tortura. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante. desumanos ou como o perpetrador. Secretário-Geral da ONU. pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es.por um funcionário público ou pessoa objetivo. pesa. o que levou a um penas cruéis. por um ser humano pode. Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi.. Em termos jurídicos. o que. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura.92 II. os elementos dis. estar subordinada a outros interesses. tanto físico . fazer a outra”.] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes. O direito de viver sem Tortura (26 de junho).que é intencionalmente infligido a uma como psicológico. crânios ticas ou práticas”.

A tortura física cau. Tra- choques elétricos. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. sono e rem uma fiabilidade questionável. afogamento simulado. de esconder fraquezas e insegurança. explícita ou tos metálicos. fre- Em geral. ou implicitamente. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. a parede. Também a violência nizar a pessoa. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. humilhação e amedronta. mas têm. água. O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. assustar e desuma- mento contínuos. ticados para ameaçar. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. A tortura psicoló. A. pedras. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. de punição e de vingança. muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. poderem variar muito. cos nacionais e no sistema internacional. Nas suas formas mais cruéis. portanto. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. mas são conheci. Como de instalações sanitárias. técnicas de pri. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. pode dial. progressistas. há no fundo. cabos e bastões. Desta forma. resultado. etc. que. obje. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. tras pessoas. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. a tortura e outras formas mar com cigarros. para instigar um sentimento de inutilidade . um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. identificáveis como potenciais instrumen. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. no entanto. sufocação. dicionalmente. Por éis por uma pessoa contra outra. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. cortar contatos com os prova. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. atar e quei. exemplo. como meio para humilhar. ameaça de execução ou exe. não podem jamais ser considerados como mento solitário. os métodos de tortura podem ser quentemente. fissões. sexual é frequentemente usada como mé.

INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. Além disso. Aqueles que praticam tais e mulheres. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. tais como as mi. que conduz à incapacidade de assegurar ficante. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. de forma oficial. Os maus tratos acontecem. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. fechados. uma qualidade de vida decente. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. 3. falta de recursos ou formação. de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida.94 II. homens dos maus tratos. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. as cicatri. muitas vezes. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. ra é pior do que a morte. da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. Tal acontece especial. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. Ou. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. cializados. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. novamente traumatizados. com dignidade. atu- doentes mentais. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. de “Eles pedem sempre que os matem. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que. A com deficiência mental. Crianças. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. em es. A tortu- forma mais frequente. não são raras exceções. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. Estes locais de detenção são. torturador das Honduras detenção. os detidos gência. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. em prisões. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. religiosas ou étnicas. jovens e idosos podem ser atos. Assim. em regra. terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. não participam de forma vítimas de tortura. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. afetam indubitavelmente o entendimento . desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade.

Hoje. tribunais em diversos estados ni. através do qual um largo nú- penas corporais. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente. na Arábia Saudita. em 2010. o debate sobre a atos terroristas. no Iraque. os tribunais religio. mais tarde. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. mental. incluindo o acor- cionais. mais parte de soldados e oficiais americanos. Em 2010. A. puxas- são práticas socialmente aceites. a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. Outro exemplo recentes. denominadas diferentes de outros crimes e se. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. Por exemplo. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. à tona. Os De forma semelhante. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. muitas vezes. quer circunstância. como sem o seu próprio cabelo. Na Alemanha. impõem a adoção de normas espe. terrogatório inovadoras”. Irão. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. Em 2004. foram sujeitos a “técnicas de in. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. rapaz de 11 anos com o uso da força. a casos. Ghraib. Do mesmo modo. em casos e a humilhar prisioneiros. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. de exceções ou derrogações. com autorização governa- modo. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. há ainda são medidas penais autorizadas. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. desse “locais negros”. Intimamente ligado a . têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. Estas leis introduzem pro.I. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos.A. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. frequen. a decisão cedimentos processuais penais com conse. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. baseados nos princípios da Sharia. desde há muito. de Wolfgang Daschner. em 2004. em qual- em Cuba. foram. ciais para a sua prevenção e combate. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. interpretação. e.. de forma frenética. No a temperaturas extremas que. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos.

suas considerações finais e recomendações para ação. No respeitante à proibição da tor. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. ra. a sua interpretação e im. O Protocolo. uma pergunta em aberto se tura. desu. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. formas de maus tratos. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. Um Iorque. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite.96 II. dos direitos humanos e da segu. ção da tortura e práticas semelhantes. lares de inspeção a sítios de detenção por . todavia. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. como cos. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. em 2002. monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. as disposições do direito in. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais. Fortes sistemas vigor em 2006. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. disso. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. transpondo-os para a legis. nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. O tura. as Estados podem ser preservados. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. Um relatório completo das ativi- 4. De- internacionais. os juristas internacionalistas defen. juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. plementação podem diferir entre Estados. ções Unidas adotou. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. devem ser submetidos cada quatro anos. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen.

A. da sua liberdade. Este Protocolo 3. assim. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. prevendo. sionais. o Protocolo Facultativo à em particular. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. para proteger as pessoas privadas 2. assim. do Conselho médicos. órgãos de peritos nacionais. As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. 1. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de. ao nível nacional e local. e degradante. e de denúncia. râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. É ne- de visitas. Formação contínua para os intervenien- é. juízes. reabilitação. providenciar às ví- das condições da sua detenção. o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura.) e a proibição de da Europa. O Protocolo Facultativo. apesar de existirem garantias nacionais. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna. na lidade. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. estar envolvidas em atividades de preven- . quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. juízes e médicos. mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. compensação. Desumanos ou Degradantes. assim como Unidas. Sob a supervisão do Sub-Comité. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. etc. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. Estabelecer mecanismos de controlo. considerado um verdadeiro avanço tes. em vista à melhoria do tratamento das pesso. Além disso. etc. advogados. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). Europa. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. como agentes de polícia. pela primeira vez.

O leitor sente-se. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. as consequentes alterações à lidar com os problemas. escrevendo cartas ou ape. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. 1. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. furiosamente. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. as áreas de atividade da polícia austríaca. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. que visam a ação – campanhas. bem como a reabi. Muitas das práticas são locais e • locais. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. algo de efetivo podia ser feito. campanhas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. a assistência jurídica. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção. o Conselho Consultivo Austrí- implementação.98 II. há muitas atividades por todo governo. a capacitação institucional. Por fim. atividades de sensibilização. Fundador da Amnistia Internacional. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. outras operam do topo para pressão. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. instituições com capacidade local para nacionais. Todavia. a base. atuando também a uma es. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. . ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. a prevenção da tortura e dos maus tratos. por sugestão do Co- boas práticas. se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura. influenciar estruturas e instituições já Além disso.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson. a existentes. legislação e a respetiva implementação. podemos nível nacional. visam a ação. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen.

o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. pela resolução 1985/33. Juan Méndez. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. anualmente. decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona. (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países. independentemente do Estado ter tos Cruéis. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que. Desumanos ou Degradantes. o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. A.org a abolir e a prevenir tais práticas. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr. www. aspx) . nos das Nações Unidas. O man. na Áustria. Com a ratifi. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. eficazmente. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder.ohchr. um órgão de monito. realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades. sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse. cias (alegados casos de tortura). funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações. C/c. Cruéis. O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. da Argentina.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma. como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo.

manos ou degradantes. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das. médicos.cpt. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. relatórios.int] . o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. feitas. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. Chechénia da Federação Russa e em 2011. incluindo a Turquia. Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção.coe. prisões e os direitos humanos. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. pode. em 2001. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais. incluindo. conforme neces- Estabelecimento sário. também. tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. em relação à Turquia. como as instalações para imigrantes relatórios. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. Os membros do Comité têm o di. hoc. Até à data. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros. Efetua inspeções relativamente à Grécia. rou a sua posição internacional. http://www. Ini. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. a Federação nente e construtivo com os governos. em conjunto com os comentá- Desde março de 2002. no local e examina o tratamento de pes.100 II. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. O CPT é cons- Russa. com tem sido dado com consistência. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. adotada em 1987. irregulares ou requerentes de asilo. mas também e 1996. Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade. prisões. em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. formações profissionais diferenciadas.

com metade dos membros pas. 2. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. as Nações da AI incluem campanhas. através de um Co. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. A Amnistia Internacional. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. em mais de 150 pa. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. a acontecer. ra e para reforçar os cionais. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. subscrito. Reino Unido. A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. Londres. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. a AI adotou o Pro- Tortura. nhuma circunstância. medidas de salvaguarda para assegurar bros. grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. dagem holística a 1. No dia 28 de maio de 1961. síveis de serem reeleitos em cada dois anos. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. Muitos indivíduos e celebrida. que inspi. ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. As atividades Em 1997. muitas vezes. Desde en. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. com um Secreta. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. É vital que todos os detidos sejam presen- . A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional. rou a criação da Amnistia Internacional. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. país devem demonstrar a sua total oposi- ção. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. quan- mais de três milhões de membros. tem atualmente A tortura acontece. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. torne numa oportunidade para a tortura. o advoga. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. ção à tortura. A. cionalização.

Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. Deve ser tornado claro. de forma célere. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. De acordo com o di- centros secretos e depois. as reito internacional. 9. familiares. Os métodos e as conclusões pensação financeira. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. Devem ser realizadas visitas de inspeção. Os governos devem assegurar que os 3. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. 11. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. seus direitos. 7. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. de imediato. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. muitas vezes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. circunstância. vítimas. tes se encontrem. Mecanismos intergovernamen- . Resposta internacional 6. públicas. aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. a tortura acontece em pelo direito penal. Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. Não à utilização de declarações obti. advogados e médicos lhes te. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. Os responsáveis por atos de tortura de- 4.102 II. ser protegidos contra a intimidação. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. Uma garantia importante contra vidos com a detenção. sobre tortura 10. incluindo o direito a apresen. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. durante a for- regulares e independentes. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. Investigação independente de relatos tortura. Não pode existir qualquer “porto vem.

âmbito da Detenção e da Prisão.ch) vamente em abril de 2005. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. Tortura. apelando ao fim luta armada”. to de mecanismos nacionais de prevenção. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. de forma urgente. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte. A. denominada “Contra o Terroris. os re. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção. como necessários por motivos de seguran. da.apt. Em Tóquio. desumanos ou degradantes. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos. com um de militares. a Associação Médica peitos de terrorismo”. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer.wma. a Amnistia lançou outra cam. panha mundial. (Fonte: Amnistia Internacional. www.amnesty. médicos em atos de tortura e de maus tratos. em todas as situações. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”. motivos da vítima. e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. enquan- ção contra a tortura. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. Ratificação dos instrumentos inter. Os governos devem assegu. acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”. em 1975. cedimentos seja suspeita. depois de testemunhos de “sus. PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar.org/) http://www. regional e nacional. Tem estado na frente da 12. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. instituições nacionais e sociedade civil. em 2010. em nome do comba. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo. autoridades estatais. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. sobre a criminalização da tortura.net) . Tal conduziu a ou. combate ao terrorismo. incluindo facilitem a prática da tortura.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. 1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. des Fundamentais (CEDH). em 2005. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. Theo van Boven. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. por exemplo. to de choques elétricos subiu de 30. para mais de 130. Num movimento paralelo. Humanos (DUDH). De Civis e Políticos (PIDCP). CRONOLOGIA grilhões. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. de acordo com um relató. em 2000. Artº 5º dores químicos.104 II. os direitos humanos e de mais recursos. uma mas de maus tratos. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. anjinhos. o número de países que se sabe de mais formação. Porém. que apresenta pormenores sobre o . Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. proibidas pelo di- março de 2010. mais de 9. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo.8 milhões de pes- como algemas. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos. reito internacional. chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. o nú. que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. penais à volta do mundo. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. em danos físicos e mentais. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões. da Amnistia Inter. grilhões. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. Artº 3º Atualmente. mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop. mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen. tornando premente a necessidade nacional. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. prisões. Descobriu-se. vários países europeus con. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. tura ou tratamentos cruéis ou desumanos.

estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul). 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. ainda que de for. É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001. Pergunta para debate: mas diversas. Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. 1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis. para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas.º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. Art. A. a vida de outras pessoas? . Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res.

demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. rismo e a proibição de tortura. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas.106 II. públicos. em alternativa. cópias do ma. Como introdução ao tema. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. Nenhum proibição de tortura. cionais recentes. competên. cionados com a tortura. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. vemente os recortes de jornais preparados. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. artigos e reitos humanos. nados com o tema que trouxeram. rever o priados ou disparatados. etc. ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. e a razão das suas posições. que divida a sala. Só uma pessoa deve falar de cada vez. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões. distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. para reflexão. éticas. Finalmente. etc. pedir aos partici. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. Depois do debate ter terminado. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. Como alternativa. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. os par- . Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. por exemplo. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. plicados. Material: cartões coloridos. qual expressar desacordo ou insatisfa. quadro ou papel e mar. pedir aos par. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. parti.

Temos de torturar para salvar manos ou degradantes. em primeiro lugar. Temos de torturar o aliado xidade do tema. adultos tras pessoas que o apoiam. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. Human Rights Education Handbook. Dimensão do grupo: 10-20. ta. que em alguma circunstância. político para descobrir mais sobre ou. marcadores. brir mais. Effec. se pode jus. Material: quadro ou papel. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante. Através desta ati- vidas. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. Temos de torturar para desco. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando. se necessário. a questão de saber internacionais e regionais. penas ou tratamentos cruéis. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. esta susci. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. Nancy. ilustração da comple- bombista. desu- tê-lo feito. Action and criativo. Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. . em ação. se é ção de tortura. vidade. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. 5 gurança humana. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning.) vas. A. pena de morte e se- Manter sempre e usar. The mas de tortura. bre o tema. 2000. etc. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. Grupo-alvo: Jovens adultos. et al. concretização de ideias criati- Change. normas relevantes de direitos humanos. • Alguém é próximo de outra pessoa sus.

desumanos e degradantes. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho. Association for the Prevention of Torture ternational. Annual Report 2010 Geneva: APT. pode perguntar de dro ou em papel. Pedir a cada um dos participantes para mentos. London: World’s Human Rights. membros no máximo) e espalhar o mate. Geneva: APT. Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. tion: a practical guide. Combat- International Report 2011. Como forma de aquecimento. trabalhar. Amnesty International and Omega Re. (APT). Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. International. Security (APT). Pedir aos participantes não Direito à vida. ideias e opiniões sobre a tortura. as respostas mais interessantes num qua. with Human Rights. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. 2008. Association for the Prevention of Torture Amnesty International. 2010. Dar tempo suficiente para se exami. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. 2011. deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. What Role for Physicians and other Health search Foundation. 2011. que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora. London: Am. Numa segunda volta. pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. . From Words to Professionals? Geneva: APT. London: Amnesty Amnesty International. Registar exercício numa palavra ou numa frase. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. 2004. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. mas humana. Deeds. Monitoring places of deten- nesty International. Amnesty Amnesty International. panha. 2011. The State of the ing Torture: A Manual for Action.108 II. London: Amnesty In. 2003. (APT). Visiting Places of Detention.

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DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. ao alojamen- to. B. principalmente. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. 25º. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. . quanto à alimentação. […]” Artigos 22º. ao vestuário. 23º. 1948.

seguido pela sua mulher. Mas os humanos não de. Infelizmente. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. ele perdeu a sua filha. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. E. lojas do governo. Sahariyas começaram a morrer. Durante os dois últimos meses. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis. Antes da independên- mais remota do interior. riyas. presentam cerca de 30% da população do tos. Esta é por isso. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. assim. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. No âmbito de um sistema público dência. ainda assim. sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. . 60 milhões de toneladas de cereais exce. que re- dúvida. Murari. no sudeste de Ra. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. rapidamente. Ganpat. os donos das te dada ao gado. uma imensa montanha de alimen. Em vez disso. der o seu esquema. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. lapso. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. Entretanto. recusaram-se a vender vem comer erva e. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada. nenhuma das toneladas distrito de Baran. ram erva. do se perderam as colheitas neste verão. Quando os de prisão de ventre e de letargia. Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. que lhes per. Em vez disso. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. mas agora dianas sofriam de má nutrição.112 II. lhos como trabalhadores agrícolas. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. aqueles livram-se foram enfraquecendo. Por fim. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. E. governamentais. encontra. racionamento numa tentativa de escon- mília. os aldeões de Mundiar come. Um aldeão. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. Depois da indepen- fome. As comunidades tribais. sem sofrem. Mas em Bhoyal. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. os donos começaram a morrer. os aldeões. cia em 1947. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. Em 2006. frem de anemia. parsas e membros da sua própria casta. Bordi. como em outros lugares. Primeiro morreu o seu pai.

a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. igualdade. A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza.) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. é agora vista como um conceito capacidade. falta de segurança pessoal. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. ços de saúde e água potável. Esta com. analfabetismo. 2002. disse uma mulher. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. na segurança humana? Se sim. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes. geografia. incapacida- . o Fundo Monetário Inter. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. a re. política. uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. “Os políticos não estão interessados em 2. escassez de terra um fenómeno histórico. forma de exclusão social. as formas pelas e de recursos para subsistência. portanto. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. INTRODUÇÃO cificidades sociais. O que desperta em si esta experiência e nós”. significativamente complexas. Vê alguma relação entre o aumento da poor. Em países em desen- volvimento. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. humanos de/a …”. que era vista terar a sua situação. paz. são negados os meios para exercer essa mentos. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. Quais são as privações e vulnerabili. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. Quais (Fonte: Luke Harding. enquanto preparava a sua refeição 3. desenvolvidos. segurança humana e Banco Mundial. como o equidade. epidemias. Nabbo. desemprego. Caste and cor. A pobreza. Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. Dying of hun. num mundo pleno de oportunidades. B. a cultura e as espe. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. a história. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. a nos processos de tomada de decisão. seu país/contexto experienciam.

social e político e de recursos. discriminação geradas. violam os direitos humanos. e apenas se. do global e da segurança humana: “As PNUD. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. temente. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD.114 II. as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. Consequen. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. político e económico. A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico. dar a segurança humana básica. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. conducente a graves inse.” tência desadequados. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. a pobreza como uma “condição humana . subs- como de vulnerabilidade. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). liberdade. exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. bem com uma abordagem mais ampla. educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. de 1997. de participação. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza. de respeito próprio e pelos outros”. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. uma quantidade específica de alimentos. o desenvolvimento humano são negadas bate público. A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. tituindo o Índice de Pobreza Humana. xo do limiar da pobreza definido. meios de subsis- insegurança. condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. educação. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. tais como a precariedade saúde. Mui- guranças sociais e alimentícias. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana.

em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada. A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. Apesar de esta qualificação po. O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. social. . de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. Dando um passo em de uma justiça atempada. mente abrigado. culturais. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. a cidade quer migrantes ciais. vulnerabilidade. contexto urbano. e. florestas e água . Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. por exemplo. saúde e educação. Nas Linhas Orientadoras Provi. não permi- como uma “forma extrema de privação”. o que ajudaria a ex- sociais”. do-os. za (ex. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. e insegurança. No capacidades consideradas como essen. sendo essencialmente subjetivas. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. escolhas. do Alto Comissariado das Na. e medir a pobreza persistem. forçando-os uma definição. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. etc. económicos e questões da vida real. o que. oportunidades. vitais para a sua subsistência. habitação. a comercialização de água. portanto. condições sub-humanas. ainda mais. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos. tar de um padrão de vida adequado e ou. acesso equitativo à justiça. ter nidade. do ções Unidas para os Direitos Humanos. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. Pobreza. educação. ter educação básica. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. por exemplo. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru.é o caso. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. capacidades. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção.) com as tros direitos civis. B. por exemplo. estar adequada. justiça. nidade. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. dependendo do específico contexto económico. segurança. dignidade. mas não se de prioridade.

A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. não pode votar. assumir poder e resistir à injustiça. são exploradas locadas.116 II. o aumen. deficiência. A falta lhadores. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . a maioria dos mem. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. como a re- dos pobres. como traba- sionamento de serviços básicos. são preferidas aos homens. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. nega aos refugiados o direi. trabalho obediente”. água. por exemplo. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. As mulheres em assuntos públicos. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. Devido à sua dades. grupos de ser um assunto privado. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. em dores ou a reabilitação de pessoas des. a pobreza interfere com a li. o curtume de pele ou a agricultura. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina. ganhar magros salários. para as mulheres. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. em muitos setores da economia de instrução e de informação. as mulheres não possuem e não natureza migratória. e empresariais usurpa o espaço dos ci. em áreas rurais. como o aprovi. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. vez de estarem na escola. têm controlo sobre a terra. Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. ciclagem de lixo. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. portanto. As crianças. viver uma vida com respeito e dignidade. Muitas vezes. todo o mundo. Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga.

como está a aumentar. dar dívidas. É interessante ver que. descurando. A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. o aumento da comercialização mento. o ensino secundário. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. o que te causada pela má nutrição. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. a educação e a habitação. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. que po- afetadas pela deficiência. alimentação e habitação acordo com estes números. com deficiência tem trabalho remunerado. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . em idade de frequentar e pobres. rendi- além disso. Para mais oportunidades de emprego. uma parte da prosperidade global. vida com dignidade. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. educação. tráfico. Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. deficiência e pode também conduzir a de. as despe- senvolvimento. para as pessoas já Algumas tendências económicas. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. assim. podem intensificar a pobreza. em 2010. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. o norte e sul. elevadas pro. B. riqueza no mundo industrializado. neo-liberal”. num sistema económico global. como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. ficiências secundárias. exploração e abuso. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. nos países em vias de desenvolvimento. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. De saúde. Os PAE nais básicos em muitos países. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. falta de co. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. De acordo com a UNICEF. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio.

no caso de se manterem as políticas atuais. Consequen. A infla. Mesmo em 22. que é considerado ser um padrão justo de temente. O país relevantes. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. mais pobre do mundo. um desa- os pobres. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia. este fosso entre por exemplo. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado. indica que o rápido o qual. De acordo com o Rela. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué).000 crianças por dia. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. o Zimbabué. a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução. recente (2010) estima que cerca de 8. O da Europa Ocidental. de 2005. vimento Humano de 2005 de acordo com no. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . do PNUD. ainda necessitam de uma implementação apropriada. 800 milhões de pessoas continu- ção.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. em 2002. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. juntamente com o contínuo cres. alguns objetivos. mais de segunda metade do século XX. confinado às mar- gens da sociedade. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar. estima-se que 1. o Liechtenstein. de 2010. Mais há a fazer. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de. tempos de crise financeira. os Estados Unidos da América. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma. como o alcance cai para 4. é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970. na anos morreram em 2009 – ou seja.71% da alfabetização. INTERCULTURAIS Hoje. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015.25 dólares por dia.118 II.

DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. social e económica. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. Do padrões americanos. assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. Um indivíduo que é catego. rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos. o que é aproximadamente 5. água. A ex. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. além-fronteiras. cias de ajuda humanitária. formas de vida insustentáveis. do orçamento de defesa americano. desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. bustível. Apenas se os países crescimento populacional em países me. e o por ano. para trolo de acesso a recursos. causando insta. Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. Questões para debate por exemplo.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. na verdade. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. as políticas re. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. breza? cursos. a noção de que os pobres como relativamente pobre. . argumento é usado pelos respetivos go. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. pode ser considerado mesmo modo. 2012. efetivamente. mas os conceitos não são idênticos. acredita-se que o elevado gradação ambiental. a falta de alocação de fundos para Sim. bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. resultan- e a exploração contínua de recursos natu. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. do numa redução substancial da pobreza. por exemplo. A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. pois. é possível. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa. elevados que os pobres. é que o desenvolvimento sas regiões. dos governos nacionais. B. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. da com sinónimo de “pobreza relativa”.

de modo a canali. a questão crí- saúde materna. a serem atingi. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. melhorar a ginalização social. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África. a zar fundos para a erradicação da pobreza. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. Isto inclui: erradicar a pobre. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. em 2000. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres. de a nível global. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana. devido. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. o Fundo Monetá. Além disso. Estas diferenças en- dos até 2015. a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá. impacto na Índia.120 II. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. igualdade e equida. Portanto. co- . lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. principalmente. malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. Por exemplo. culturas. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. englobando Nações Unidas. tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. quando compara- erradicação da pobreza. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. das com as da Índia. IMPLEMENTAÇÃO pobreza.

Direitos Económicos. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. reco. outros atores estatais e não esta. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. concebidas pelos Es. tais como a Declaração do ção real. da dignidade humana. como a OMC (ex. existe um mundo globalizado. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. em 2006) . e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. B. Sociais e Culturais. hiato significativo entre os compromissos. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza. tos humanos. Esta abor. instituições financeiras. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. a corrup- cidadãos. dos vários Estados Partes. nhecendo que o direito a não viver na po. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. os compromissos conflituantes nhaga. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. governos. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. a Agenda 21. desde 1990. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. Estes valores têm expressão em declara. Afirma que os po. a Declaração de Cope. a Pobreza Os organismos de monitorização exami. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. assim. A falta de vontade política dos Rio. as intenções políticas e a implementa- ções políticas. conseguindo. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. paz e segurança deste modo. a falta de cumprimento da os direitos humanos. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. do tratado são fatores impeditivos. Uma vez que os Estados indivi. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. pobreza. Conselho de Direitos Humanos. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu.

a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. para a Comis- são de Direitos Humanos. mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003. enquanto o outro tem a respon. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com. Possibilita a estruturação de or. Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor. cobriria o custo tem o mandato de relatar. sobre a implementa.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos. a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. No seu Relatório de 2004. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos. Este processo fornece conhecimento. tou as suas recomendações sobre como 1998/25).Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada. a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res. e ajudá-los a modificar o seu destino. latório de 2010. pletamente a pobreza. vamente à pobreza. Para cumprir estes re. em 2006. por si só. tos e de produtos agrícolas. . dades com que os pobres são confronta. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . Objetivo: Reduzir para metade. No seu Relatório. a nível nacional e internacional. até ao senta também recomendações e propos. . ano de 2015. O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. a Perita Independente assinalou . pessoas que vivem em pobreza extrema. com a fome. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza. professores durante 15 anos”. No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm . examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72). pessoas que passam fome. micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res.Fazer um balanço das ações realizadas pobres.Apoiar a capacitação para a avaliação.122 II. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. de 2001. monitorização e o planeamento relati- dos. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. bem como . a Perita Inde.

uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. educação ao acesso à tomada de decisões so. o progresso tem alguns progressos. dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. Largas popu- das Nações Unidas. nos movimentos civis e no trabalho de. 2001. instrução e educação. redução da pobreza até 2015. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. quatro quintos de 2008-2009. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. para o desenvolvimento sem terra. e às cri. Em 2009. propriedade e contro. Porém. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. em países em desenvolvimento. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. pobres. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. Nações Unidas. o problema. lhorar as suas vidas. políticas. saúde. Apesar de fome e doença. ainda a decorrer. estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. B. Sem um maior impul. ses energética e na alimentação. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. . muitos dos Objetivos de Desenvolvi. mento do Milénio não serão provavelmen. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. (Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo. con. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. contrariar os sucessos já alcançados. habitação e nutrição. como um todo. Antigos volvimento do Milénio. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que.Continuar a dar prioridade aos peque. têm de ser dados al.

especialmente.O empoderamento político e económi. tuto étnico. a pobreza. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu. no Bangladesh. saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. . mano equitativo. internacionais e nacionais. . Em 2009. cultu.O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento. Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen. zação. . a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. em Jobra.O direito à informação e a educação . noutros setores. e descentralizado. ção direta com a redução da pobreza. quena aldeia. ral e política tanto quanto é económica. água. Apenas quando os po.Maiores despesas com educação. ração internacionais. as incentiva a sua força coletiva. habitação.124 II.Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1. Através do seu empodera. plementados pela assistência e coope- ção da pobreza.Estabelecer organizações de pesso. o que pode levá-los a agir. encontram em posição para erradicar. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. respeito próprio e dignidade. tal contribuiria para a . tuaram a pobreza. saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza. das no âmbito de experiências locais.A pobreza é uma questão social. etc. redução da pobreza: . . Estas apenas perpe. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. saúde e humanos. começou . imediatamente. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza. Os seus es- .A redução da pobreza deve ser acom. se za. redução da pobreza. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança.O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam.Muitos dos países do mundo não se . pobreza estão condenados a falhar se mento. social. pela . Os esforços para erradicar a humanos. Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades. nanceiras. . aos que são marginalizados. forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica. contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. .Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi. em 1976.9 milhões de mutuários.

em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. ções da UE com 79 países da África. mobilização de massas. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. pública. educação e promoção. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ.562 às suas famílias. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. equidade (incluindo igualdade de género). criação de ativos. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. económicas sobre as mulheres. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. 10% ao governo. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. Estas mudanças são significativas. de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. ção e análise de políticas. reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. direitos económicos e justiça. Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. B. nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo. equitativo e sustentável. questões incluindo segurança alimentar. O Acordo também demonstra a . raíbas e do Pacífico (ACP). são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. Por se centrar naqueles que são conside. através de apoio mútuo. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. construção de tividade nas aldeias. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. Com 2.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. lan. O Artº 54º do sam a fome. de iniciar mudanças significativas nos pa. análise. A Freedom from Debt Coalition (FDC). está empe. sediada na Califórnia. O banco abor. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. formas de removê-los. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. assim. organizar as pessoas desfa. vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional. eliminar a explo. A organização trabalha agências. Desde A Food First. alternativas bem-sucedidas e promissoras. fornece serviços em mais de 83.

liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. cuidados de saúde e segurança. visando promover o bem-estar. Além disso. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. es. gência e através de outros programas. copo de combater a fome no mundo. em Nova Iorque. nais. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França. por ganização não governamental mundial que exemplo. nacional e inter- A EAPN é. nos. Por exemplo. prestação de servi. educação. Os membros o Desenvolvimento Social. especial- 2007-2013. em 23 de junho de 2010. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. a um nível local. uma rede de 26 re. mente entre as pessoas menos favorecidas. O objetivo segurança humana. direitos fundamentais à alimentação. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. e em Hong Kong. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. em 2010). realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente. agências tabelecida em 1990. no Burkina Faso. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. organizações internacionais. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. nacional. abrigo. na sigla inglesa) é uma or. em e exclusão social. gunda revisão foram concluídas em 2010. incluindo atividades de 2008. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. para construírem melhores futuros após o . As negociações para uma se. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. anos. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. gar em Ouagadougou. atualmente.126 II. zações. Todos os educação e formação. de organizações não não governamentais e outros. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo.

mas não exclusivamente. 900 milhões. B. onde a divergência persiste. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. os países pobres estão a aproximar-se países. e os países da antiga União Soviética. com uma população de. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. Quase mais pobres. inclusão social e clima/energia. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD. edu- cação. antes do início Ainda pior. inscrições escolares. 2010. onde a mortalidade adulta au- mentou. os seus 1. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. atingidos pela epi- demia de VIH. geralmente os países zação. 2005. a serem alcançados até 2020. em especial. alfabetização e rendimento. inovação. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. (Fonte: PNUD. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. mas outros. 2010. A análise de quatro gresso. cinco objetivos ambiciosos. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. Relatório do Desen- volvimento Humano. cer. Através destes pretende-se. assim como o (República Democrática do Congo.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990. respeitantes ao emprego. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos. em 2010. apenas três de género na educação. O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. Relatório do Desen- volvimento Humano. em termos concretos. Com base nos dados de 1970-2010. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. Isto afeta. 2.2 biliões de habitantes. 2005. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. meiramente. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . pri- ca de 925 milhões. Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. Esta convergência pinta ariana. do Milénio antes de 2040. escolari- cativos. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. paridade 92% da população mundial. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral.

A/RES/60/1. 11º. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas. 9º. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. [a substituir. em 1987. Criança. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. 23º.13º. pelo menos. 12º. Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3. Artos 10º. gradualmente. 7º. Sociais e Cul. tos Humanos (Artos 22º. em cada uma dessas áreas.14º (186 ratificações até §17. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza. bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres.128 II. Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. 11º. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 . Artos 14º-17º. Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos. A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. da pobreza (UN Doc. 25º. 26º). 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. vimento do Milénio pela Assem- turais. 12º. comemoração teve lugar em Paris. Artos 6º. em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. 19. tubro. retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza.

rior. lápis de cor/ marcadores. nos últimos sete livros na quarta fila. Isto inclui os margi- direitos humanos. de reflexão e de debate. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. Na primeira fila. Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. Tipo de atividade: Exercício 2. Apenas um por cento da população (infra). deões) seria mal nutrida. Dá-lhes a oportunida. com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo. pedir-lhes para implemen. rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. soa na linha com um grande 6. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. os sem-abrigo. 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. alterar as desigualdades e as injustiças 4. B. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. Atividade 7. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. aldeões. Depois. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. Colocar uma impressão digital do polegar. faminta. no con. Na sexta linha. desenhar um círculo direitos humanos. Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). Grupo-alvo: Crianças e jovens 5. Sete seriam incapazes de ler. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. recursos. nessa escala). isto é. Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. volvimento de todos. uma fita de graduação na sétima linha . O exercício ajuda os jovens a 3. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. Desenhar um círculo à volta de pantes. Retirar as últimas oito casas. prioridades de forma a garantir o desen. texto dos instrumentos internacionais de 1. nalizados.

um teto sobre a sua ca. Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi. mento e porquê. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. Comentários: desse desenho. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco.abhivyakti. dependendo baseado na atividade supra. as primeiras três pessoas mais ricas.. de vista com os outros. saneamento e des- pesas militares. do mais recente Re. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. de sensibilizar os seus pares. etc. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV. dencia. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente. apresentadas. roupa. com o intuito do perfil dos participantes. Disponível em: www. para a educação para os direitos humanos.org. água. saúde. • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. O grupo é encorajado a debater o que sente 8. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. O exercício pode explorar: ção. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica. Pedir aos participantes para ouvir es.130 II. educação. um país ou grupo de países.in) . II. O papel do forma- III. está entre nos em relação à pobreza. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial. • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa.

políticas. B. governos que trans. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza. desenvolver as mentos. com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. em. o grupo prepara um panfleto/car- comercial. dos pobres sobre a sua própria situação. florestas. exemplo. as pis de cor. articulação de competências. que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. conexões entre as manifestações imedia. Duração: 150 minutos Depois. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. económicas. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. tintas. O exer- . O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. Através do consenso. Por exemplo. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. papel de um dos pobres.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. lagos. Da “Voices of the Poor” (www. papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. questões ou dimensões da pobreza. em voz alta. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. canetas de feltro.o que podem os par. para realizar agricultura ou pesca Depois. por ações viáveis imediatas e de longo prazo. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. Procurar e descarregar casos de es. canetas. lidade na situação. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . comunidade. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. ele/ela. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. é importante aderir à campanha. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. lá. marcadores. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. de de clarificar. selecionar algumas citações à campanha.

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de origem nacional ou social. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. de opinião política ou outra. sem distinção alguma. de religião. . de sexo. de língua. nomeadamente de raça. de cor. de fortuna. C. 1948. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração.

a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. que ele considerava censu. a administração infor. que faleceu em 1972. nos termos do Arti- . e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente. o Sr. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. Queensland. ofender. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”. Em 2002. no interes. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. na língua inglesa”. A palavra racista. requerente não tinha demonstrado que a E.136 II. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. cios públicos relativos às instalações despor. um australiano de ori. como tal. ofensivo na tribuna. Por fim. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso. insultar. que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. te ofensivo. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. opiniões de vários membros da comunida. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. Ele pretendia a Em 1960. ção. nacional ou étnico do queixoso. Brown. de razoável de. não serão tomada em 1960. Ele defen- um grande desportista e que. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. em homenagem a uma requerente. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi. Depois de consultar as po racial. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. Numa reunião pública. Por este motivo. humilhar ou intimidar na. o Tri- sido dado o termo ofensivo. o Sr. O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. em todas as circunstâncias. como alcunha. Brown. S. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. recebeu o nome de “E. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada. mas sim tivas e em comentários de jogos. alegando que a não remoção discriminação racial. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi.S.”. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene.. O Sr. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. (CEDR). H. ‘Ni.S. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. um grupo transversal da comunidade abo. em geral”. ofensiva “pre. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu. deu que. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. ele e rígene local. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. considerando ser esse o caso.

CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. no mo. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. 4. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá.A LUTA IN. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. de discriminação em toda a sua vida. Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma.” Também considerou 9. Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002. C. 7. mesmo que durante muito tem. quais? mento presente. ser considerado injurioso e 8. Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. criminação Racial (CEDR). por a atitudes racistas? mente ofensiva.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. Ele argumentou que este respeito. bem como al. Qual é a mensagem da história? blica. em relação a eles? derado desta forma. pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. 1. tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. O Comité recomenda que o 10. representava a aceitação formal ou 2. Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002. NÃO DISCRIMINAÇÃO . o Co. O requerente preten. 5. O que fez o Sr. cular de pessoas? Se sim. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial. lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi.

adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. os seres hu- nomeadamente de raça. os Roma. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. contra pessoas continente sul-americano). Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. bem como segundo fortuna. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. o racismo. de religião. A raiz da mo. Enquanto nor. Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. em tes níveis. No tros. contraste com a raça branca dos donos. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. de cor. fundamentais. de origem nacional ou social. contra os abo. cana. lação a quaisquer outras pessoas. as teorias da evolução e da no presente. o pressuposto errado da existência de tra situação”. de sexo. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. nos rígenes. os judeus. XVIII e início do séc. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. uma e outra vez. pessoas e todas as nações. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”.138 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. Outros poderes coloniais da qual. por ve. parti- dos e requerentes de asilo. os afro-americanos foram aterro- . o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. dos escravos de uma raça “inferior”. de nascimento ou de qualquer ou. nem no passado nem Por exemplo. desde o início da de “superioridade racial”. “sem distinção alguma. assim como tempos medievais. Darwin. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. XIX. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. plenamente reconhecido a to. intencionalmente ou não. de Charles dos os seres humanos. sobrevivência dos mais aptos. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. superioridade cultural. O sistema colonial espanhol. igualdade nunca foi. a consciência sobre o as. classi- de língua. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual. nos demarcamos em relação aos ou. Porém. a questão de forma eficaz. por uma ou outra forma. de categoria de “raça”. a base das suas sociedades coloniais. O racismo. Na História da Humanidade. através tados de África. refugia. A discriminação tem ocorri. do. sistema de castas indiano. bem como nas rias em toda a parte. a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. Formas de dis- humanidade. nomeadamente. Assim. sendo a mana de todas as pessoas. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. manos têm sido. têm sido erradamente utilizadas A discriminação.

esco. 2. em dignidade e em direitos. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. religião. livres de inseguran. por outro lado. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos. XX assistiu pode. deficiência. o respeito próprio. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. C. constitui. perante a lei. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. Todavia. O racismo. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. identidade étnica. igual. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. identidade sexual. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. O séc. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. Assim. como consequência destes cri. da discriminação encontra-se estabele. mes contra a humanidade. xenofobia. etnia. de uma ções e ações concretas que são motivadas . a proibição género. nos Estados forma desastrosa. ultra- do Ruanda. bem como na religião. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. adas em categorias tais como a “raça”. a todos os cidadãos. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. também. passar na prática as desigualdades base- Hoje. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. a Humana. de internacionais. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. por um lado. nação: ça. discriminação com base na raça. cor. intolerância. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. Embora a 14ª Emenda à Cons. é o fundamento da liberdade. ainda. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. niões pessoais e. a do Sul. crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. género. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. manifesta- ca e social como também afeta.

A este respei- enquanto. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. já que a igualdade Contudo. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou. até mesmo. Tradicionalmente. gera bastante controvérsia. atra. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. Todavia. em grande parte. humilha. os principais agentes (positiva e ne. Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. o sistema inter. conduzem também ao tratamen- to diferenciado.140 II. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. igualmente. abusos verbais. dos direitos humanos. género. agressões físicas e e serviços. nacional de proteção dos direitos huma. É crucial saber que nem toda discriminação são. mediante certas condições. considerada punida por lei. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. tui uma discriminação. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. religião. é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. os traba- foi. são mais holística da discriminação e ten. mais ou menos. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. abuso de direitos humanos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente. em geral. orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. a discriminação no setor privado. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. violência. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. pode ser justificável. deixada sem regulação. as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. exclusão. pode ser A discriminação. minação racial ou fundada na etnia. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. relativa vés de insultos. conduzindo a uma compreen. cor. como uma qualquer distinção. em quase todos os países. o que não consti- criminação. mana. na prá. fala-se em discri- ou ator. ao razoáveis. dos respetivos Estados. esta última. Desde que a Assim. etc. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades. deficiência.

ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. O artº 1º da nidade. são desejáveis. sinceramente. o que significaria dar um trata. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. Em termos gerais. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. discriminação: Normalmente. de 1965. género. como um facto e a igualdade como um re- cor. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. económico. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. consti. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim. exclusão. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. ascendência. ral de todos os alunos. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. etc. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. Convenção. uma vez que. pública. que se tem sido utilizada como base para mui. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. materna. neste caso.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. em conjunto.” numa situação semelhante. ações. tais como a etnia. origem nacional. ascendência na origem nacional ou sultado. mento desigual a alunos que têm poucos idade. mentais. A discriminação nios político. a exclusão. tratar todos os alunos de forma igual em 1.” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. de uma corrida e depois dizer. foi completamente justo. propósito e/ou consequências de Tais disposições. a distinção. tes. com o conhecimentos da língua de instrução. incluindo os per- tencentes a minorias. promover a educação cultu. cor. categorizações. em condi. deficiência. 3. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR). Johnson. aparentemente neutrais. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. C. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. uma distinção tem ções de igualdade. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. “Não se pode pegar numa pessoa que. discriminação indireta. isto é. acreditar. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. Consequentemente. um grupo . libertá-la. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. o gozo ou o exercício.

desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. do e alcance. pessoas em situações básicos. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. temporariamente. é co- para compensar desigualdades passadas e. Des. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. O ser considerado como discriminação. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. o apenas um período de tempo limitado. será que significa tratar de vezes. organização ou instituição. As causas e as consequên- leis. O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam. As discriminação jurídicas. ar pessoas e dividir comunidades. Através do domínio. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. Racismo tiva”. social e política e vitimização psicológica. porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). complexos. As teorias sobre o racismo no plano prático. só significa tratamento igual? ca do Sul. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. oportunidades iguais. envolvendo vulnerabilidades e ciedade. cam favorecer. e a assunção até que se atinja a igualdade. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. minorias étnicas. como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. Isto significa que a discriminação iguais. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. que é cientificamente falso. de novo. Assim. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. de poder (isto é. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. do aceite. vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. de go. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. em desigual. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. marginalização extremamente controversas porque signifi. muitas tunidades. A dis. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. – ticas. sistematicamente. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. assim como de autoagressividade. no presente. etc. por cia de denominadas “raças diferentes”. mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim. como é também denominada. “classe alta” versus “clas- se baixa”). afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. este igualmente errada de que os grupos étni- . psicológico.142 II. proporcionar aos grupos al.

o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . • nível institucional (leis. De facto. valores. Só se estes precon- das suas vítimas. perverte quem os prati. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. costumes. hoje. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). encontra-se refletido em dis. de forma inerente. perturba gravemente a paz e a segurança interna. crenças grupo com base na cor. fundados no ódio. ternacional e. são “racistas”. definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. representa a melhor gualdade racial. assim como na noção fa. em si mesmo. C. entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. turais e não às características biológicas. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. as atitudes pre. incluindo a perce- do Sul. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. superiores ou “raça”. origem nacional/étnica. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. é racista já que pres- inferiores. hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. sancionáveis ou em discriminação racial. ascendência ou de alguém). sem expressão ou posições discriminatórias. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. na legislação outra manifestação. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. conceituosas. discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. divide as nações internamente. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. “o racismo in. práticas sociais. tradi. mas. é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. existem diferentes “raças”. tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. A de uma forma institucionalizada de racis. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. consequentemente. o comportamento discrimi. Os racistas de De acordo com a UNESCO. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). muito provavelmente. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). pode ser nocivo. Liberdade de Expressão cionais”. se tensões políticas entre os povos. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. impede discriminatórias. o racismo e a discriminação racial. institucionalizadas que resultam na desi. sendo que se pode falar de um “racismo natório.

a xenofobia serem judeus. Xenofobia e Intolerân- ao presente. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. prejudica. Uma influência particularmente camente. não faz só parte da ideolo. vivo como sempre. na História e continua a existir até mo. te. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial. novamente. com fundamento na perceção de que to. que o mundo assistiu [.. cismo. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. estas teorias e práticas persistem ou. A xenofobia é. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados. através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . a autoestima e autoconfiança e. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu. um aumento do antissemitis. ção racial. só por nacional. Durante o Holocaus. pos neonazis expressam. baseadas nestes fenómenos. Além disso. perpetrado pelo regime Nazi. em mi- novamente. pre- No início do século XX. planos e sonhos. de incidentes.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. violenta contra os judeus . profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio. com o auge do fas. tais como a discriminação. lhões de casos. de forma clara. muitas vezes. 2001. conceitos e comportamentos que rejeitam. retórica e fisi. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado. mesmo a não neonazi. a discriminação racial. Discriminação Racial. Hoje. Este ódio e hostilidade. por cia relacionada. ampla. Por outras palavras.. disseminadas e acessíveis a toda a popu. vilipendiam pes- dessa sua ideologia. vezes. geiros e também caracteriza atitudes. Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina.]. A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes.144 II. como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”.. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta.. o antissemitismo tornou-se parte excluem e. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi..] o racismo. O ou crença. a vida.. ganham [. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo.] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. Infelizmente. até mesmo. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. humanos. O antissemitismo manifestou-se. a terreno e adquirem novas formas. soas. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [. Xenofobia to – mantém-se hoje. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. nário simplista de “bom e mau”. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. A distinção entre racismo e xenofobia não lação.

Uma vez que ataca. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. Por outro lado. e incapaz logo desde o início da sua in. A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. origem nacional. Geralmente. religiosas”. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. conceitos antiturcos. pode ser senti. que abor. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. descrevendo a ções Unidas. dos. tipicamente. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. ser timentos de medo e confusão. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. na medi. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. orien. lecidos para distinguir entre tolerância . ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças. cor. em Nova Iorque. o que a fez sentir inútil. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. Ambas as atitudes podem. é controversa. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade. mo ou a xenofobia. Para além disso. a noção de “tolerância” fância. que não a da enfermeira. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. “racismo cultural”. exemplificado. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. o que significa a raça. género. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. insegura bater porque se adquirem com o tempo. temente foi desenvolvida. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. que declara que “[…] o preconcei. nomeadamente. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. po- país. da ou expressada. facilmente. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. em relação a outro. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. sentimen. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. quan. sofrido racismo lhes causa profundos sen. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. C. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport.

tradicional Ano Novo Chinês. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu. Tendo sido nómadas ao forma ocorra. o seu ção dos direitos humanos. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. na educação. forçados a assimilar-se. publicamente. a sua língua romani foi 3. mundo. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. Em alguns países. A discriminação dos Roma – um número namentais. que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. geralmente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. a pri. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. os Roma foram. se ainda não. daí que. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. de vão-se tornando racistas. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola. Ban Ki-moon.146 II. forma grave. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. não podia celebrar. organizações internacionais e não gover. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. tempo. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China.” longo da sua história. as suas vidas. Apesar de se relacionar. disse. meios de informação. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. de for- ma espontânea. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . Hoje. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. Existem muitos exemplos na região da Ásia. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. Neste Dia In. na habitação. Os coreanos no Japão. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. zados. socie. penhar cargos públicos.

“da base para o topo” (bottom up). os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. O tra. com a Segunda Guerra Mundial con. normalmente. proteger e imple. administrativas. O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. criminação e o racismo. vernos. com o colonialismo e. meios adequados. de forma célere. em todas direitos garantidos. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. a realização dos minarem a discriminação racial. também aos indivíduos. a Assembleia-Ge. pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. de forma mais eficaz. o Estado tem de “combater”. soas de violações dos seus direitos. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. para eli. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. o setor privado também tem um de certa forma. A CIEDR baseia-se no princí. ou seja. pós-Guerra. Por outras palavras. O artº 5º da CIE- as suas formas. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. as atitu- suas autoridades. Com a elabo. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. Assim. foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. isto significa que os Es- tudo. confrontadas. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. • Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. C. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. As disposições da Convenção no que res. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. Obrigações no setor privado (ONG. previstas na lei. ao setor privado e. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. legítimas. da forma mais eficaz. No respeitante vatura. direito de igualdade perante a lei. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre . tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. natório entre pessoas privadas. não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação. nacionais e tratados internacionais. acima de à discriminação. ração desta Convenção. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965.

em 2008. No desempenho do seu mandato. novamente. ser garantida se existirem sistemas de entre outras. princípio. Todavia. a implementação dos instru. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). . que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. que criminação racial (2000). país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. Racismo. mostra o trabalho específicas. pode atuar perante problemas que exi. sobre a forma como estão este fenómeno. de Ação (DDPA). publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. essen. ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. assim. a CIEDR também es. O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte. um Estado Parte. o Rela- jam atenção imediata. por nos é uma responsabilidade do Estado e. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste. direitos enunciados na Convenção. o Comité emitiu.148 II. cialmente. reitos dos povos indígenas (1997). discriminação racial na administração e mentação da Convenção. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. de investigação. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. Além de uma concre- Estados Partes. Discriminação Racial. a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. Em por parte de indivíduos ou de grupos. em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. minal (2005). uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos. nacionais (2004). de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). sobre os di- Estados Partes.

a envolverem 7. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. Carta dos Direitos Fun. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial. que. a todos os níveis. relativos a incapacidades. de forma regu- lerância relacionada.199 vítimas e 6.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. em 1993. a Convenção Europeia dos Di. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports. sen. 8. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo. lar. a xenofobia. pelo ódio. para monitorizar. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança.690 Todos os instrumentos regionais de di. o antissemitismo e resultar de um esforço universal. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação. em vigor desde abril de 2005. o que significa relacionados com a orientação sexual. 19. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias. geralmente. rância. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. beleceu. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas.6% foram motivados por preconceitos da CEDH. 12. Conselho da Europa. discrimi- nação racista. um órgão composto munidade internacional para a preven. combate e erradicação do racismo. a Conven. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. O Protocolo Adicional nº 12 0. tos raciais. a todos os níveis. julgamento. xenofobia e intolerância Em 2010. nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos. as manifestações de racismo.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial. a Comissão ção. abor.699 vítimas. xenofobia e into. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. a fim de promover a imple.) Convenção.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. as agências dos EUA responsá- relacionada. a Conferência de Revisão de mo. reitos humanos (por exemplo. con.001 ofensores. disposições contra a discriminação. O Conselho da Europa esta- . 2011. por peritos independentes. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. Uma análise dos 6. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47. reitos Humanos. que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti. ofensas. 20. C.

a resposta Geralmente. so. das. subtil e insidiosa. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade. de discriminação. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- . na origem étnica. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. Rowan das e estratégias preventivas. A importância das medi- Carl T. muitas vezes tem de deixar hoje. infelizmente.” discriminação. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo. muitas vezes. Uma for. para o setor privado. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. assim. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. direitos humanos. mento de legislação antidiscriminação. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma.150 II. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos. bens e serviços. Assim. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. tais como a serem abordados e identificados. a discriminação com base criminação. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. que proíbe. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. muitas vezes difíceis de nação. não pode ser subestimado a legislação nacional. O racismo. o seu impacte será limitado. tais como sistemas de alerta precoce. o que é con- das suas campanhas. atacam estes fenómenos na sua origem. nacionais e internacionais. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. do. dem ser punidos por lei. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. implementação efetiva que. contu- de a prevenção da discriminação entre pes. a União Europeia in. da pressão que fa. negligenciando-se. po. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. alegada em tribunais civis. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. Além dis.

O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. xenófobos e racistas entre o público. a contra o racismo. opiniões e crenças. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação. como sos grupos profissionais. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. humanos. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. para incitar os hutus ao massacre de tutsis . usada racismo e não discriminação. é da responsabilidade de outrem. Muitos governos e ONG incluem refugiados. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. usam linguagem câmbio escolar. bem como transmitir com efi. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. particularmente migrantes e outros. contra o Racismo. racista. para diver. programas de formação para os professo. C. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. todos os níveis da sociedade. a discriminação racis. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. É importante desenvolvê-la e. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. O racismo. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. fluenciam as atitudes das pessoas. de res. por exemplo. para ajudá-los a lidar com inciden. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. autoridades judiciais e professores. nos seus objetivos educacionais. tais como os tal. apoiar a implementação sociedades. relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. a formação para os di. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. existem programas de inter. O poder dos meios de informação Em muitos países. em todo o mundo. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. Infelizmente. respeito um código de conduta. pode ser visto. Em mui. respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. visão. assim como na educação não formal.

bem como de medidas de autor. e talvez o mais eficaz. A este respeito. provedores de justiça ou os organismos te. O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini. nomeada. de ética. designadamen. a prevenção de atos racis- mente.152 II. passo. . ragem moral para interferir se possível. evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes. Assim. é necessário visar atitudes. tos humanos. por preconceitos. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. regulação dos profissionais dos meios de informação. Gordo e Negro!.. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. tornando-nos conscientes exemplo. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. ões. consequentes ações e comportamentos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. tais como os tribunais.. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. no dia a dia. estabelecer que toda a disseminação de especializados. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. opiniões e Pequeno. a Em geral. ou seja. Para ternacionais. os este fim os Estados devem. comportamentos discriminatórios.

jogadores e funcionários. Com um “Plano de 1. ignora QUEM se é. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. para com a huma. O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. que profiram insultos racistas. Programas de Ação. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. O racismo falham. para bém apoia a “FARE. no Quénia. em Nairobi. para si mesmas e para os seus par. na Ásia e Pacífico. ao ne. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. a discriminação por Região Árabe. porque os racistas. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo. Por exemplo. Galway). Diver. ao nível local. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. rótulo e não a pessoa que o usa. sem nunca nidade. Como o tribalismo.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. na sigla inglesa . a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. estabeleceram códigos de conduta volun. talismo. discriminação. A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. o fundamen. gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. na humanos. entre fãs. emprego tários. gosta de “nós” e odeia “eles”. listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei. Londres. C. ropa. e atividades culturais. habitação. Também se estão ceiros. descobrir a verdadeira identidade “deles”. e os que odeiam. xenofobia e ex. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. tais como. eles mesmos. mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. . na Eu- motivos raciais. tais como a educação. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. fobia no futebol europeu.

O racismo na internet é um pro- dos Unidos. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. Em muitos casos. o antissemitismo. as famílias afro-americanas e blema crescente. (Fonte: Akdeniz. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. a pobreza rela. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes. Contudo. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. Ao nível regional. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. ticados através de sistemas informáticos. a xenofobia e o é uma questão de etnia. e o racismo e a xenofobia. Yaman. lizadas por organizações racistas. racistas. violentas firmam a existência de uma relação.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. tais como a internet. este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. ódio e a violência racistas. Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. Apesar de o racismo ou ódio. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. Os grupos minoritários visíveis en. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. o racismo e a discriminação te maior. respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. como legais. existe os atores na sociedade. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas. constituem um perguntas. 2009. lho da Europa. e a xenofobia. incitação à discriminação racista. o antissemitismo cas. por Pobreza um lado. A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. O nível mais baixo de educa. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”.154 II. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do. Ao nível das Nações Unidas. a pobreza cismo. por Direitos das Minorias outro lado. . relacionadas com a existia um sítio racista. o Protocolo Adicional atitudes racistas. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. pode ser considerada de dife- rentes maneiras. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. culpando os imigran. educação e habitação). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2.

verdade seja dita. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. ela. Em tudo o que faz. Seema replicou. julho de 2002. New York Times. (Fonte: Am.) Os rapazes tira- ram a barba. John Walker Lindh. “Bengali primeiro”. quando um pro- em território norte-americano. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana). não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos.) dside. É pequena. houve um aumento perturba. Só que. As medidas a tomar a traço de Bengali. O inglês de Seema é. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. acaba de sair da escola secundária. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. Crisis Response afegãos. Londres. dela. bém. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. disse ela. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. diz monização da legislação criminal respeitan. sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos. temeu perder o seu emprego. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. diz ela. refere disseminação através de sistemas informá. ela. antes de ex- xenófoba. os ataques. tiraram o véu. Uma vez. 2001. admite estar. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre. a árabes-americanos. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”. tam. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se. houve 540 ataques regis. A tembro de 2001. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. meninas muçulmanas que ela conhecia. apreensiva. o 11 de se- a humanidade. restaurante. 7 de metade da sua vida neste país. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. de Queens. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. Mas. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. dúvida. o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. em 2005. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. aprovação ou justi. ser americano […]. os seus colegas de turma riram-se Guide). sem internet e a melhoria da cooperação inter. Queens. significa ser americano. (Fonte: Somini Sengupta. sinceramente. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. em Woo. tiçado pelo Islão. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. compara. Questões sobre o que minimização grosseira. passou quase norte-americana. o pior de tudo. da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. Durante semanas. dos com os 600 ataques registados. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão. C. e pelo na sua túnica salwar kameez. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. que usavam turbantes. Quanto a estes factos. ela própria. Liberdades Religiosas . mas ainda se nota um nacional nesta área. séria e.

Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos. Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. Artº 2º. Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) . dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC). Artº 1º. 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP). Artº 2º. e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re. nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos. Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH).156 II. Artos 1º. Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC). 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. • Que direitos foram violados nesta his. CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na.

bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis. porém. Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. Discriminação Racial. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. Grupo-alvo: Jovens adultos. ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. C. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe. ça à justiça em toda a parte”. (Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. esta atividade per. Xe. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. Assim. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu. a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. discriminação. adultos . tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr.

. Assim. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final.Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam . . ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? .Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo. para esta Deficiência. ‘-’ sig.Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem. O formador deve pe. ligioso no país? Sugestões metodológicas: . classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições. Doença. divide-se o grupo.Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais. com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de . + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha. Dá-se espaço su.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social. que os participantes confiem ple.Quem é mulher? Reações: . bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador.Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente.Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. deficiência? Outras sugestões: . O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação.158 II.Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade. Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina.Quem sofreu violência na sua família? Etnia: . cada .Quem tem cadastro criminal? .Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? . . a lín.Quem é membro de um grupo étnico . Violência: atividade. é necessário.Quem é o filho / filha de uma família de ção. guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. é indispen. tado? nifica um passo para trás) . para se dar ênfase ao facto de .Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros.Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? . como língua materna.Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo . Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base. antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo.

os amendoins drões de comportamento e rituais. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. os pés do resto do grupo tocam o chão. ceitos pessoais. Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. come depois de ele ter acabado de comer. Este tipo de suposições conduz muito fre. Devido a isto. Em seguida. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. a deusa da terra. ram. em especial. a mulher ajoelhada no chão junto a ele.Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). Depois. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon. enquanto a habitante da ilha de preconceitos. Como os participantes não en. homens e mulheres. Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. A atividade que se segue toca ambos. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem . se na terra. C. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. A mulher está sempre atrás do homem. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. são a comida sagrada nesta Ilha. debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa. elas tendem a língua dos habitantes da ilha. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. 3 vezes. preconcebidas. . curva para tocar com a testa no chão. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. Elas ado- Albatroz.

(Fonte: Adaptado de: Ulrich.) gia absorvida passa para o homem. [1954] 1988. 2004. The Nature concerning the criminalisation of acts of of Prejudice. Yaman. 2001. New York: Am- cess to and supply of goods and services. Apesar disso. a Means to Fight Racism. Pelo mesmo motivo. Strasbourg: Council of Council of the European Union. 2 December 2000. Através deste gesto. Strasbourg: Council of Europe Pub- lishing. são lhes comentários. Human ment between men and women in the ac- Rights Education Program. Domino . Strasbourg: establishing a general framework for equal Council of Europe. Gordon. 2003. Di- Europe. 2000. A Manual to Use Peer Group Education as Council of the European Union. os ho. COMPASS. An- Directive 2000/78/EC of 27 November 2000 ti-Semitism and Intolerance. Council of Europe (ed. 28 January Akdeniz. Official Journal of the European Union L Council of Europe (ed. rective 2000/43/EC of 29 June 2000 imple- Council of Europe. Susanne. um homem nunca pode tocar numa mulher sem a sua permissão. treatment in employment and occupation. conduziram a julgamentos erróneos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allport. 2000. direitos das minorias Os homens apenas podem entrar em con. a racist and xenophobic nature commit- ted through computer systems. e os seus próprios “óculos culturais”. parte da ener. tacto com a deusa da terra ao tocarem no 2001.). Racism on the In- 2003. 2004. tal como a Após o debate sobre a dramatização e os deusa da terra. que De forma a protegerem as mulheres. 2009. têm de testar a plorar: comida antes de as mulheres a comerem. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS As mulheres gozam de um elevado respeito Parte IV: Acompanhamento na Ilha porque podem dar à luz. menting the principle of equal treatment tocol to the Convention on Cybercrime. Achtung (+) Toleranz. 373. Sep- implementing the principle of equal treat- tember 11th Crisis Response Guide. Wege de- pescoço da mulher enquanto ela realiza um mokratischer Konfliktregelung. 2003. mens têm de caminhar sempre em frente a Direitos relacionados/outras áreas a ex- elas. Di- rective 2004/113/EC of 13 December 2004 Amnesty International USA. Xenophobia. ternet. Devido a este facto.160 II. between persons irrespective of racial or . 21 December 2004.). Council of the European Union. Official Journal of the European Union L A Manual on Human Rights Education 303. with Young People. handbuch für die politische Bildung. pedir aos participantes que dados privilégios especiais: elas podem pensem em situações semelhantes que vi- sentar-se diretamente na terra enquanto venciaram ou testemunharam no dia a dia os homens têm de se sentar em cadeiras. Additional Pro. Cambridge: Perseus Publishing. Praxis- ritual. Liberdade religiosa. nesty International.

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DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. D. 1948. principalmente quanto à alimentação. ao vestuário. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. . ao alojamen- to.

era obedecer ao marido e família. que não trouxeram qualquer resultado. A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. embora parecesse perceber a lín. Ela visitou um curandeiro local. ela viu a sua própria . Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. crianças. Uma mulher é assunto do marido. desta vez.166 II. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. esmurrando-a até ela cair no chão. Maryam saúde e quando foi. Temeu pela sua vida e das suas meira. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. O pai recebeu uma quantia deia. dava dinheiro suficiente. no futuro. a fazê-lo. paz. embora algumas pessoas pensassem ternativa. ao era uma perda de tempo e de esforço. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. Contudo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. Maryam não lá conseguir chegar. O marido batia. ela deu à luz um ra. receber tratamento e não existia forma de va-a. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. que. O seu pai cia. Ele afir- não assistia aos partos. regularmente. A enfer. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. estavam doentes. Maryam não tinha qualquer de. dou. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. mente. Os seus Maryam. num dia de mercado. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local. preferiu falar na seis crianças. algumas costelas. No ano seguinte. Maryam foi circun. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra. Maryam ficou grave- sobre ela. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. conseguiu sair de casa. Num sonho. pobreza e carência. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. mas a criança nasceu morta.

“[…] um estado de completo bem-estar fí. no que respeita Health. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir. Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . 5. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. fique. 2. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. tal 6. mental e social. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. uma refugiada 3.” e direitos humanos. Transforming Health Sys. As. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. Que interligações se 1. região. pegou nos dois autoridade (pai. marido. Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi. 7. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. de 1946. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. 2001. Observe o esquema abaixo: são dados sico.) ao seu estatuto e poder? Justifique. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS). missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia. (homens. D.

a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. ao alojamento. Nos instrumentos inter. ao vestuário. Assim. como sociais e psicológicas. Esta visão holística da saúde en- saúde. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. O direito humano à saúde foi torna. tanto físicas. mental e social.168 II. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. a Carta das Nações Unidas tor. de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú. cionais públicos de saúde. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. água. com o intuito de inte- Mundial. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é. O direito humano à saúde apresenta um vas. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. família e comunidade. direitos humanos seja elevado à condição nos. apenas. versal de Direitos Humanos (DUDH).”. estar físico. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número . A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. fortalecimento sexo. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. na Declaração Uni. alimento e desenvolvimento da saúde. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. Esta in. que determinam a saúde são feitas fora do cionados. um direito isolado. O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. em 1948. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. Essencialmente. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS.

O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. água. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. nesses países. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. to Internacional sobre os Direitos Econó- . habi. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. tanto fí. sério obstáculo à realização do direito à saúde. o PIDCP insegurança humana. alimentação. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. discriminação. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. A experiên. enquanto os países baseada nos direitos humanos. através dos dois Pactos. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. A violência po. que acontece atingir. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. tortura. As organizações. te e da higiene industrial. nomeando lo das doenças epidémicas. profissionais e outras. Sociais e Culturais (PIDESC). tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. c) A profilaxia. mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC. reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. endé- apenas algumas. Cada ano. escravidão. durante guerras civis e internacionais 2. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. paração. Até à data. As medidas que os Estados Partes no num país. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. milhões de pesso. 1. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. D. micas.

cularmente importante neste sentido são dade de procurar. serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e . a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. dições do ciclo da vida. tra as Mulheres (CEDM). peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. de 1979. final. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. liber. incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar. idade. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação.” daqueles a quem se dirige. assim como de programas. associação. et- a realização do direito humano à saúde nia. reunião e circulação. dade económica e a informação adequada. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. não discrimi. a DUDH. assim como pro- mente. o artº 10º do Pro. origem social. ali. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. Parti- progresso científico e sua aplicação. civil. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. reitos. incluindo os direitos à vida. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera. trabalho. 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. saúde.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. de 1981. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. receber e transmitir in. ços de saúde. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife. de 1965. que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. através deles. religião. nacionalidade. A acessibilidade das instalações. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. estatuto político ou outro pode pre- participação. mas. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano. educação. incluindo o ciente. bens e que foi revista em 1996. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. qualidade. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. humanos. todas Acessibilidade. estado de saúde.170 II. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde. estado mentação. a acessibilidade física. identidade sexual. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. habitação. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. bre a Eliminação de Todas as Formas de nação.

. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. D. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias. cular. Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. Desde há muito tempo. As mulheres. os governos 2005. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. Para alcançar ria e artística. para promover acesso a medicamen- tos para todos. Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG). obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência. Índia. dos esforços das organizações não gover. em 2001.” Além disto. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica.”. o artº 15º também protege os interesses cial. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul. em parti- zação desse direito. Ao mesmo tempo. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres. literá- assim como pela biologia. põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. dos autores de produção científica. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. para proteger a saúde pública e. das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. e físico e é determinado pelo contexto so. O direito a beneficiar de uma saúde ótima. crianças. bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento. político e económico das suas vidas. tuberculose. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995). O aces- familiar. so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. a igualdade. social e a pesquisa científica. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA.

por essa via. de acordo com a Uni. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. do Acordo TRIPS negociada em 2005. são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações.” panhar o ritmo deste movimento. existe a preocupação tâncias prejudiciais. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. pacidade de produção. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. para países menos desen- à saúde. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. . não tem sido capaz de acom. patente. 1992. Desta forma. Por exemplo. capital. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. as subs. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. as consequências nega. em alguns casos de.2001. produzido benefí.) reito à saúde. já à globalização. em grande parte. tivas do crescente aumento das trocas de bens. Contudo. trouxe impactos negativos em particular. uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio. Alguns resul. comércio bilaterais e regionais. Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º). ao direito à vida. o investimento macêuticos (artº 7º). per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. como o tabaco. da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. regras TRIPS-plus. tem sido motivado. deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health.172 II. os membros diretos e indiretos na saúde. em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. têm sido capazes de fugir à prestação de contas. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos. e. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. sustentável. pessoas. em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. substituída pela emenda todo o mundo tem. serviços. Contudo. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. Ao mes. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. devem assistir os países em desenvolvi- presas. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. sociedade civil e em. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. que estão com base no Direito dos direitos huma.

em Joanes. em 2002. um quarto de todas as doen. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni. Numa No entanto. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. D. DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. de 14 de dezem. para reduzir elemen. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. No Plano de Implementa. 21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. como sões. humanos confirma esta ligação. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. vos.” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. As regiões resultantes da contaminação do ambiente. burgo. foi expresso um forte de e o ambiente. em 1996. As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. Organização Mundial da Saúde. A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992). Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). são causadas pela po. para reduzir a preva. várias ONG alegaram que luição ambiental. of disease). 45/94. Os a Shell Petroleum. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. . da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. 2006. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21. No entanto. ambientais.

do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. Na Ásia rais. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. da OMS. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos. em muitos lugares População da ONU. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. e reformando-se”. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante. Suriname).174 II. sobre o en. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. em particular). aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. mais de 80% da população uti. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas. cional continue passiva em nome de uma Em África. incluindo o direito à saúde. biomédico da saúde e. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. PERSPETIVAS género. A e serviços sejam culturalmente apropria. e terapias não medicamentosas […]. as três organi- nerais. etnia. têm senti- e das Américas. A prática. causa. intelectual. Numa decisão desenvolvimento sustentável. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais. etc. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. visão distorcida de multiculturalismo. cultura. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. zações atualizaram a sua declaração que . tem uma gindo que as instalações de saúde. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. partes de animais e/ou mi. prática pode impossibilitar gravemente o dos. o direito à terra e o direito ao inclusive. falsamente atribuída à religião. A OMS define MT como terapias que praticam. bens história que remonta há 2000 anos. de fevereiro de 1996. volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. exi. o direito à saúde. desenvolvimento. idade. Em outros casos. De novo.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. do mundo. América Latina e destrutivos. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. religião. por muito que pareçam sem sentido ou (na China.. por isso. Contudo. adaptando-se base em plantas. Contudo. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. Em 2008.

cessária e adequada. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados. DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. e a liberdade de pensamento. 4. nomeadamente. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. No mesmo ano. leis estas medidas foram excessivas. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. justiça e assuntos das mulheres. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. tir que os membros da sociedade usufru. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. serviços e requisitos da clínica. o Estado deve prevenir que atores não es. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. educação. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. Isto também significa que o veis. escravidão. A dade sobre o direito individual. Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. zação. D. bir a liberdade de movimento. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. a SIDA. Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. Se a violação ocorre. e arbitrariamente re. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. servem. O Estado deve publicitar a locali- finanças. um número e jurídicos. como no caso de democrática. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . tal como as minorias étni. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. Em certos momentos. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. como o ébola. Por exemplo. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. de e a tuberculose. O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito.

10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. Económicos. relatório a um órgão de monitorização do tratado.176 II. dos Direitos Económicos. o Relator faz vi- te o direito à saúde. informa missões governamentais.deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob. as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. Sociais e Culturais. a este respeito. . menos intrusivo e restritivo. micos. em 2002. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos. Partes.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais. Para este fim. por exemplo. as co. de forma discrimi. o país . O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. necessárias.deve aplicar-se no interesse de um objeti. Ao nível nacional. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. mento. Sociais e Culturais. adotado em . o direito à saúde e permitirá que o Comité . governos e as partes interessadas. tre outras consequências. ou seja. o Comité dos Di- reitos Económicos. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. rais decida sobre casos individuais. proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me. de direitos humanos que possam ter. incluindo leis. Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. . tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional.não deve ser planeada ou imposta de for. 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. políticas. Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. nessa data. de 1984. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar. boas prá- processo de revisão formal. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. acordo com o relatório do governo. reto sobre as relações com outros países. um mecanismo de disponível. os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac. Sociais e Cultu- ma arbitrária. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo.deve estar prevista e ser imposta de acor. entrar em vigor4. natória ou não razoável. en- . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. Conselho de Direitos Humanos compila canismos.

de circuncisão feminina. vida quotidiana. sobre de parceiros múltiplos. para si e para as suas famílias. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. Depois de grande .000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes. Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. mas tais como a saúde. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. na Alemanha. Os factos sustentam que: mente representativos da população. adequada ao local e questionar peritos. mulheres. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material. por parte de toda a aldeia. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. debater. Os ões públicas. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. no cas de saúde pública. acesso a meios de prevenção período de tempo. na Zâm- no Unido. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja. tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. no Senegal. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. questões am- bientais. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. Os modelos no Rei- Uganda. ampla- é eficaz. deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. mação específica. higiene. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. No Reino Unido. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. uma aldeia de 3. na Tailândia. Nos anos 80. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. Cutting the Rose. grupos representativos e reuni- de comportamento na população.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. As autorida- des de tomada de decisão. D. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico.

dois anciãos da aldeia que contém fotografias. Desde 1998. muito tempo. Os pais deia fez um juramento. No Uganda. para aju- mas de infeção. em particular. educação Em muitos países.178 II. relva e musgo encon. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. arbusto. livros de memórias foi. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. Em fevereiro de 1998. o mesmo destino. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional. Depois. por si mesmas. o Reino Unido e os Países Baixos . piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. brança para os seus filhos das suas origens. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. pla com ajuda da PLAN Uganda. foi o início da medicina na dições graves. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. The Origin of Medicine. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. Depois. incluindo uma atuação de canais de comunicação. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. na sigla inglesa). não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. pela primeira vez. em junho do mesmo ano. sempre. no início dos prática. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais. sobre o VIH/SIDA e. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. membros mais vulneráveis da sociedade. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. Eles sugeriam. e se o curan. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. A ação jurídica. O movi. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. Por todo o lado no mundo. dentro das famílias. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO.” implementado entre esta população devido Cherokee. filhos qual é o estado da sua infeção. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. teatro de rua que se focou sobre os proble. O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. os consumido- deiro tivesse dúvidas. planearam. toda a al. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil. anos 90. Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. Tal. erva. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. cordações familiares. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. A Associa- tilação genital feminina. remédios adequados para as doenças da hu. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda.

do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas. O facto de que estas pessoas são. A atenção recai sobre e abstinência. as qualidades fundamentais da igualdade. humanos à saúde. em vez como Redução de Danos. infetadas e 5 morreram. As questões que surgiram durante intelectuais. como nos Países biomédico. Vietname. durante os quais 65 pessoas foram ciência. a Conferência sobre Deficiên. assim. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. tanto indivíduos como comunida. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. tros tratados internacionais. garantir que as pessoas com deficiências des. A Declaração todo o mundo. referência mais importante neste campo. por agulhas esterilizadas. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. D. Embora o paradigma de re. não discriminação e autodeterminação. e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. tem de indivíduos com deficiências.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. 8. Durante esse período. Os países que introduziram medidas. a Declaração reconhece “[…] Baixos. no dia tados para com a segurança internacional. 6 de outubro de 2004. afetados – China. seres humanos. berdade de imprensa. Desde então. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena. surto. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. midores. A natureza holís- . entre consumidores de droga. Hong Kong. A epidemia da SARS começou em novem- gem. bem-estar e deficiência”. nos. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. dução de danos possa envolver a descrimi. educação e reabi. troca em julho de 2003. A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. será a implementam políticas de redução de da. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos.

meio ambiente (ar. Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu.nutrição dica as tendências atuais: .doenças crónicas direito humano à saúde. . como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- .direitos das pessoas com deficiência . .” . na análise das condições de saúde sociais e físicas e . começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados.direitos dos povos indígenas surto. A lista seguinte in.) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos. bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica. A la- sita de ser feito pela saúde da população. • Transparência na informação diária dada .violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional . vigilância e isola. . tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei.acordos de comércio específicos e o seu 2. pescas.180 II. água.doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento.tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a . 2000.VIH/SIDA Human Development Report. ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros. trumento poderoso para a criação de uma ros.saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do .redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos.saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais. etc. . .direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos. • Conhecimento público precoce do .reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma . cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas .implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa.

org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.9 Índia 3.6 3. DIREITO À SAÚDE 181 3.4 3.7 1. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.5 China .worldbank.3 75.7 0.4 Mali 3.9 2. World Development Indicators.1 177 Cuba 11. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11. 4.4 1.410 América .8 2.5 3.0 74. 1.4 (2006) 8.7 Suécia 6.1 1.7 6.5 7.629 Austrália 8.037 Burkina Faso 6.7 38 China 4. disponível em http://data.4 Austrália 4. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.6 7.9 Burkina Faso 4.8 América Geórgia 2.8 93.9 - Estados Unidos da 5. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação.5 65. Banco Mundial.1 4. D.0 - Áustria 5.2 Zimbabué .867 Áustria 11.7 4.3 (Fonte: PNUD.9 Reino Unido 5.6 6.4 61.4 1.0 1.5 5.9 2. 2010.2 (2006) 1.4 7.9 9.7 7.6 50.1 2.1 707 Estados Unidos da 16.0 Cuba 11.2 48.9 1.

9 38 Reino Unido 9. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10.5 Cuba 79.4 Mali 49. 2010.) . Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.6 3.182 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.2 Austrália 81.8 45 Mali 5.6 América Geórgia 72. World Development Indicators.1 28.6 4.0 Índia 64.0 Estados Unidos da 79.3 Zimbabué 47. worldbank. disponível em: http://data. - (Fonte: Banco Mundial.3 83.4 Burkina Faso 53.9 Áustria 80.7 256 Índia 4.252 Zimbabué .0 (Fonte: PNUD.7 China 73.org/indicator.2 32.2 Reino Unido 79.9 78.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80.8 Suécia 81.285 Suécia 9.6 47. .

1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma. CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.) 4. 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos. D. bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi. 2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) .000 nados vivos. 2010. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte. 1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso.

Esta atividade permite aos parti. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. marca- sociedade. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati. dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. parede. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. OMS define saúde como “[. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem.. verbal. âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença. O formador faz a pergunta: que elementos . MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos.184 II. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes.] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma. criar nos par. Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde. que a “ausência de doença”. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH). bem como o estado do indi. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo. criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais.”.. BEM-ESTAR FÍSICO. mental e social.

Por exem- Se o grupo demorar a começar. suficientemen. Nenhuma ideia deve ser ex. da. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados. linguagem de direitos humanos. o formador pede a dor visita cada grupo. do grupo em plenário. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. uma assistência quando é pedida. Passo 4: po. contudo. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. to- . Cada grupo irá escolher um suas ideias. o direito à vida. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. 2. • Este é um exercício de empoderamento. Neste momento. As folhas de pa. (Isto demo. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. O grupo pode colocar dade entre todos. pantes a usarem as suas próprias ideias. Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão.) grupo. D. se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. a nova lista de direitos humanos que apoia mador. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. para todos verem. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1. eles irão usar as listas que cria- claramente. o forma- verem. Alguém anota Todos os participantes. os partici. pidas. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. artº 3º da DUDH. o formador plo. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. num sentido amplo. Durante a fase da revisão. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. apoia o direito à saúde. Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. incluindo o for. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. folhas são direitos humanos.

o representante das ONG conseguiu. plo. Em África. o juiz abre a audiên- . Metas e objetivos: Compreender a com. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos. não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. na realidade. Os participantes dividem-se em 4 grupos. empatia mam os seus lugares. al. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. propriedade. importados.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu. marcadores. mas. cêuticas. verdadeira.o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que.186 II. posições. rar opiniões opostas. e devido a pressões de ONG. Por esta ra. não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. tes e profere uma sentença. para o julgamento. . o formador deve su. os grupos to- ção. o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. por exem. cêuticas. conside. fita ade. outros países. importados de aos participantes que a DUDH é um có. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo. guns governos começaram a importar . que prolongam a vida ou aliviam as do. cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co. Depois. Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. apresentará os argumentos. Materiais: quadro. dizendo mentos genéricos baratos. processaram o governo e algumas ONG. apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento. .

soluções mais importantes são registadas Outras sugestões: no quadro. Direitos relacionados/outras áreas a ex- ticipantes formam grupos de trabalho. Council of Europe. tions? London: Radcliffe. Paul and Amartya K. pp. Theodore H. In: Case Studies. O (Fonte: Adaptado de: Conselho da Euro- formador pede aos grupos que tentem che. and Access to Medicines. TRIPS and Health..coe.int/compass MacDonald. Kin- Farmer. Berkely: University of California Press. Halfdan Rights Policy. Health. Frederick M. a atividade termina. 2004. membro de cada litigante mais um juiz. 2008. 1995. London: Rad- Beijing. Available at: www. Jones. In: Practical Guide Platform for Action. 2007. A Manual for Human gar a consenso sem negligenciar a posição Rights Education with Young People. po- cada grupo de trabalho.3dthree. Available at: www. and the New War on the Poor. Theodore H. Health. 2008. Strasbourg: Council of Europe. (Volume 99). Em plorar: Globalização. A Human Rights. Kevin. Human Medicines Decision: World Pharmaceutical Rights and the WTO: The Case of Patents Trade and the Protection of Public Health. Basingstoke: tion for Human Rights. Compass.) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3D. Trade And Human Rights. DIREITO À SAÚDE 187 cia e pede a cada grupo que apresente as de todas as partes.. Beijing Declaration and cliffe. os par. discriminação. Mahler and Hane Serag. Human Global Human Right to Health: Dream or Rights. 2005.pdf form/ Abbot. 2002. MacDonald. Quando todos os grupos tive- Encontrar um consenso no grupo: depois rem apresentado o debate do processo de de todas partes terem apresentado os seus tomada da decisão. to the WTO. SARS and the Implica. un. 2006. Oxford: Oxford In: American Journal of International Law University Press. Holger. Noel A. deve haver um breza. Available at: http://eycb. Depois de 30 minutos suas posições e argumentos. Fourth World Conference on Women. D. and the United Nations: Manual for Human Rights Education with Inconsistent Aims and Inherent Contradic- Young People.org/womenwatch/daw/beijing/plat- org/pdf_3D/Guide-075Ch4. argumentos numa sessão plenária. AIDS Treatment and Chan. O juiz resume de trabalho de grupo. 317-358. Theodore H. COMPASS. The WTO Hestermayer. cada grupo apresen- todos os argumentos. 2004. . As respostas e as diferentes opiniões dos litigantes. Sen. sella and John A. Gibson. Peris S. Possibility? London: Radcliffe. Cambridge: The Carr Center for Human MacDonald. Human Rights in Context. pondera-os e profere ta o seu processo de debate e a sua pos- uma decisão que tenha em consideração sível solução no plenário. pa. The Pathologies of Power: Health. Palgrave. 2009. 2002.

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.

portanto. não devem. 1995. ser encarados isoladamente. como um problema feminino.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. E. .

pela quarta vez. Quando. numa polícia que ela estava a mentir. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. dizen. O seu esposo vive trancou-a num quarto. eles chamaram o frequentemente. Não consegue vi foi. à esquadra quan. em 2009. formal. não os dias. comida e mandaram-nos para casa.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. o marido da Selvi abusos continuavam. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi. pois o seu cartão do Estado do fugir. O seu marido iniciou os ataques en. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. deram ao casal alguma do a localização do abrigo. . e lhe pagasse uma prestação de alimentos. dada ocasião. um me do telhado”. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. os Nesta altura. taram nele. Selvi foi. secretamente. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. a chorar. eles levaram. quanto à frequência e gravidade. Sel. Uma mulher. batendo-lhe todos com ela. No entanto. Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. com uma pedra. à noite. raramente trabalha. tive sexo [com um outro homem]. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. mília. agora afeta mesmo as crianças. disse ela. “O bebé sobreviveu. falámos com com o teu marido. estão novamente juntos. já do o seu marido trouxe. “Naquela primeira vez ele bateu-me. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra. numa terceira vez ela es. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. Para abdómen. Eles acredi. O tribunal ordenou mental. man Rights Watch falou com a Selvi. A polícia en. Ele da sua cabeça. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. joga. bater-lhe. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. a violência tem au. curador iniciou. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente. ao tribunal de fa- to filho. cuidados pré-natais que são urgentes. ele está aqui. Estado e tem terror de fugir. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. disseram-lhe Em junho de 2010.192 II.” ele.” Desde então. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho.” A segunda Quando ela falou com ele. Porém. independentemente. é extremamente ciumento. Em 2010. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. A polícia trouxe o seu ma. garfo no seu braço.

e introdu- por um longo período de tempo e. No entanto. Esta situação opôs a tal política. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços. Em. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. E. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. a luta ainda não terminou. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. Eleanor Roosevelt. nal e internacional. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. pertencem a todos os seres humanos. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. insistiu que devia ser usado “to. muitas vezes. o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. contra as mulheres. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. O séc. quase globalmente. Devido às diferentes tos retrocessos. He ficientes para garantirem oportuni- loves you. 3. com Em muitos contextos. situações de desvantagem. mas também mui. A SABER 1. muitas formas. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. e pelos direitos de outras mulheres. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. infe. nessa altura. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. 4. levan. 2011. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres. envolve fre- as mulheres em todo o mundo. as noções formais armas ou palavras. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. especial e nem ninguém. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . regio- aos tribunais e os procedimentos judi. se na discriminação de facto.

diferença. Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. o género é uma categoria de Azza Karan. Em 1998. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. sociais e económicas por todo o mundo. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens. comunidades. 1998/2005.” Contudo. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. a maioria No entanto. de cada país. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. “a neutralidade não per. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. depois dos representantes dos Esta. carecem de particular atenção e que .194 II. […]”. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. idosa. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. é o que será o próximo milénio. ças. soas deslocadas internamente. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. é comum encontrar as mu. humanos torna-nos especialmente sensí- manos. desvantagem e discri. dos quais são mulheres. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. o conjunto com os grupos vulneráveis. surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. mulhe. por Susan Moller Okin “[…] como a ins. de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. cor. assim como os transsexuais.” mas evoluiu posteriormen. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. inde- sociedade. Assim. res na sociedade e às formas específicas res. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. pendentemente do género. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. políticas. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens. idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí. Quer os refugiados. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be.

a todos os níveis. DEFINIÇÃO públicos. também. a situação das 1918. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto. Esta época consti.1789. partir dos 30 anos de idade. Uma Retrospetiva Histórica existe. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. Assim. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. res por direitos iguais. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. Logo por volta de 1830. mesmo em tempo de paz. com . finalmente. E. marca o começo reitos das mulheres. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2. em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. a erradica. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. particularmente contra mulheres mo”. todos. ainda hoje. a proteção. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. deve constituir uma priori. Ela. as mulheres e crianças. podem benefi. Desta forma. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. A prol da libertação e igualdade. assim como muitas das suas A segurança humana trata. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. voto. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. em particular. referida como “a terra natal do feminis- ção. de companheiras. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. em a segurança humana. regionais e sub-regionais. direitos humanos à segurança humana. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados. as mulheres e as petos”. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. crianças. nacionais. com num mundo masculino.

Os di- e através de planos trienais de ação. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. para a continuem a discriminar as mulheres. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). a diata. a pobreza a Nacionalidade das Mulheres. da mulher na família e na sociedade.196 II. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. em 1933. Em 1979. vitavelmente. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. no respeitante a problemas ur. 187 . a Década cul- se dos direitos humanos. unindo os direitos humanos todo o mundo. de 1976 a 1985. criada em 1928. minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. em 1945. Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. as mulheres procuraram participar na estru. região da América Latina. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. A CEM pro. Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas. criminação contra as Mulheres (CEDM). com o mandato líticos. em todo o mundo. humanidade foram esquecidos. mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. tornava. em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades. e desde o início. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. social. Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. estão divididos em duas categorias. por exemplo. conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. lheres. económico e uma posição subordinada às mulheres. A sua primeira presidente que. ine- nentes. Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade. assim como direitos económicos. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. o que. também. na área dos direitos das mulheres. Até maio de 2012. moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. da Bélgica. primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. foi Bodil Boegstrup. e Mulheres (CIM). para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). nos Pactos Internacionais. Paz. ao nível global.

Tomar todas as medidas adequadas . organi- CEDM. nação contra as mulheres. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- .Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. . tos dos homens no campo da educação.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa. . qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres.Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres . atuarão em conformidade com esta . O Comité da CEDM coloca ênfa. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas. o gozo ou o exercício pelas . com base na igualdade dos homens e das mulheres. blicos e de serem elegíveis.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção. em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. . zação ou empresa. . mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade. políti. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção.Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos.Estabelecer a proteção legal dos direi.Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis. económico. A discriminação contra as mulheres é . seja qual for o seu estado civil. Muitos . em todos esses atos. desenvolvimento dos seus filhos. das as outras práticas baseadas na ideia co.Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção. reconhecimento.Modificar os padrões sociais e culturais mulheres. de conduta dos homens e mulheres. por eleição. cípio da igualdade. nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres. .Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. social. homens e das mulheres na educação e lação apropriada. E. . dos direitos humanos e das liber.Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir. exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens.Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade . .Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras. proibindo toda a discrimi- ção feminina.Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios.

social e cultural ao • O procedimento de participação per. A Decla- contra as Mulheres. adotados como resultado da conferência. já que constitui o . Declara também que a total e igual ou grupos. participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. civil. do Milénio. em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. um Es. permitindo um Plano de Ação. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór. ração de Viena e o Programa de Ação. por exemplo. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. tados. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente. individualmen. a torna. ninas são uma parte inalienável. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. que se te. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. O Artº 17º do Protocolo estabelece. direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. de integração dos direitos das mulheres como sos critérios. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. regional e internacional e mite que mulheres. ga (1980). A CEM. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. sendo parte da Convenção. violações de direitos protegidos pela Convenção. Nairobi (1985) e Pequim (1995). a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. nível nacional. 2010). bro de 2000. • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. rem-se parte do novo instrumento também. O Protocolo Op. que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. económica. 104 Esta. Adicionalmente. Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. e chamou todos os Es. a cada cinco anos. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. o progresso relati- dos casos. direitos humanos: México (1975). nho de 1993. Até maio de 2012. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais. Em qualquer um e homens. cialmente importante. dentro da sua jurisdição. através de consenso. Plataforma de Ação de Pequim (março de to.198 II. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres.

educação. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. as mulheres rea- da de decisões. reitos sucessórios e à propriedade de terras. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. mulheres. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. na sua dimensão política. No contexto da migração. meios de informação. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas. político e económico das vidas das mulheres. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. • Em algumas regiões. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. menos que os homens. E. saúde. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. África e Europa de Leste. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. la e produzem mais do que 90% dos ambiente. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. sistema institucional e alimentos. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. mecanismos institucionais. manos civis. 17% humanos das mulheres. sociais tes e dos idosos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. conflitos armados. É dada especial atenção dos alimentos. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. cisão. cumprindo os seus de. 1% da propriedade. violên. políticos. economia. sem um seguro adequado e próprio. que é entendida como uma função social de social e físico. meninas. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo. Muitas vezes. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. especialmente na América Latina. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. executando os trabalhos e culturais. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. com um diagnós. dos doen. assim como pela biologia. a toma. social. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. económicos. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. e das mulheres a serem informados sobre os . cia. financeiro. em média.

. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. por cozinharem sobre as e adolescentes. res. irão purificar as suas filhas. possivelmen- Ban Ki-moon. tal como demons. te. te- nham sofrido a MGF. é diferente: quanto as suas mães. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. A tradição persistente da fogueiras. porém. 2012. Malásia e Sri Lanka. incluindo a violência física e sexual. Na altura quan. mas não é exato.] e Austrália. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF.. perigo de vida. e minha história pessoal. os pais não nas na América Central e do Sul. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva. castidade e a “pureza” genital. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram. eficazes. Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar. muito mais tarde. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. a enraizados.” dores. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. A realidade. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas. Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. mulheres vivas. 2011. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. nho. tais como a Índia. América do Norte meses. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas. não acreditem vítimas da MGF. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju. Para além de muitas . As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF). expliquei a e em alguns países do Médio Oriente. riscos para a saúde e. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. e.. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros. Apesar registavam os nascimentos. por isso. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas.200 II. exato [do meu nascimento]. Parteira de aldeia Om Mohammed. [. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú.] por isso. o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde.. numa visão geral global. ainda não sei qual o dia asiáticos. uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul. as meninas e as mulheres apenas esperou [. Egito. Elas entre- de adequados. por vezes. Eu corto-as en- saudável. no momento presente. O meu pai mos médicos. A MGF integra-se. mente. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. Indonésia. uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. Por isso. bem perto. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte.

na África na comunidade e sensibilização. em geral. nuíram em 33 países. com base percentagem é de cerca de 50%. devido a mudanças prisão. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. o estudo de 2005 da UNICEF mos. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. Os luta. no Norte de África e no Médio Oriente. que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. ção islâmica. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. comportamento social devem ser acom. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores. local. . também as MGF no mundo. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. novas infeções ter diminuído desde então. Apesar se à sua continuação. através da promoção de uma no Egito. dita nela”. Considerando que. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. em 2008. mulheres grávidas. no comportamento sexual. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. taxa de todo o mundo de 21%. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. e a separação pormenorizada dos No entanto. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. em 2010. o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. Subsaariana é de 59%. a panhadas de educação integral. risco as mulheres é o VIH/SIDA. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. dimi- destas estratégias na linha de ação: em. ções Salafi. étnicas e socioeconó. os pro. Em termos globais. E. estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. logo em 1959 (uma proibição con. tão lentamente a diminuir nalguns países. micas.

Muitas conquista reflete o compromisso político. A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. pessoas que são titulares de direitos. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . e psicológica que é transversal a diferen- ças.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. abusos sexuais. classes e culturas.. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis. como na privada. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. Escravidão sexual. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. nomeadamente. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres.] de planeamento familiar.. Assim. vezes. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. tanto quase duplicou em apenas três anos. ra. assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe. [. crimes de hon- Também em 2011. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. recém-nascidos. Esta na vida pública. Para além do mais. 2012. mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. ções pandémicas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica. ções. seleção 1983. ma forma. ça das Nações Unidas. possibilitan. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. a fim de prestarem uma as. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. gravidez forçada. lheres. para preve. prostituição forçada. venção no cuidado pré-natal.202 II. No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so. nas são sujeitas a violência física. durante a sua vida. relacionados com o dote. o Conselho de Seguran. situações de conflito e pós-conflito. integrando-se os esforços de pre. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas. res no mundo já foi abusada.

sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos.1 biliões violência relacionada com a exploração. empobrece os indivíduos. estima-se que o custo de vio. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. fratura comunidades maus tratos. Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres. A violência abrange os seguintes atos. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. como uma ferra. mílias e comunidades. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas. onde Unidas estima que o número de víti. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. manos. Punir e de máxima importância que a Declara. família. • violência física. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di. conjugal. de forma a que as vítimas de violação. a violação • A violência contra as mulheres cau. da violência contra as mulheres. são para serviços de cuidados médi. fa. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. ças do sexo feminino no lar. Em algumas Além disso. de 1994. as mulheres. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. em 1993. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. por consenso. Esta Convenção foi desenvolvi- . Nos termos do Artº 2º da De. com a prevenção. o tráfico de mulheres e a nação. • violência física. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. prostituição forçada. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. a violência contra as mulheres humanos. foi estabelecido.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4. das Américas ratificaram a Convenção. A vio. com perdas ticada na comunidade em geral. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. incluindo os das devastadas. o assédio aproximadamente $1. sexual e psicológica lações de direitos humanos. por exemplo. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. em 1994.8 biliões. ocorrida no seio da família.000 mulheres por ano. Erradicar a Violência contra a Mulher. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares. Deixa vi. os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. ou até com a erradica- ção. quer que ocorra. • violência física. a violên- cia relacionada com o dote. o abuso sexual. E.

proteção de traba. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu. Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. ria. Ruth Seifert afirma que. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. dominar. O direito a oportunida. Conclui-se. é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. nia do início dos anos 90. al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. nível político e jurídico. No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. de modo a destruir o inimigo. A vio- respetivos Protocolos. Social Europeia. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. Se. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. Internacional. incluindo o género. seus métodos. introduzir o medo. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). também da guerra na Bós- mento. O Protocolo Adicional nº7 à Con. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. a . Os direitos espe. através do atropelamento dos corpos das mulheres. parte. de comunicação entre homens. em relação ao traba. su. tos casos. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo. Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. proteção materna.204 II. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. Até maio de minarem as mulheres. o Protocolo à as mulheres. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. e subsequentemen. há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. punir. é estabeleci. O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”. foi elaborado sume proporções pandémicas. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. a violência sexual 2012. designa expressamente a violação. lho sem discriminação em razão do género. e no Protocolo nº12.

da mesma forma. Pelo contrário. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. Internacional para a antiga Jugoslá. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. mas mou no seu boletim informativo sobre re. durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. Contudo. Gen. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. de decisões. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. A participação das por estarem expostas à violência. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. Vários Estados estabeleceram. enquanto muitas vezes elas pró. mulheres nos processos de negociação para . “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo. As Resoluções enfati- a violência sexual. planos nacionais de ação para a mado. mente violência sexual. enquanto funcio. E. 2008. especial. na prática. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. vo nas decisões que levam ao conflito ar. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. Além disso. Patrick Cammaert. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. a ONU vida o mais normal possível. processos de manutenção da paz e segu- rança. Maj. 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. O número de condenações conflitos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. até parte desproporcional das consequências agora. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren. via. Muitas mulheres UA ou outras instituições. Uma mudança de paradigma na recons- derno. missões de manutenção de paz. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. parte de equipas de mediadores. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. entretanto. incluir as mulheres em para a Serra Leoa.000. ção para a paz promovidos pela ONU. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados.

a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. mas afeta especialmente as mu- lheres. o seu conhecimento. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. de Vandana Shiva. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. Para nós. Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. Michel- dos tempos”. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. mas em todo o mundo. centrou-se. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino. Fazendo face Vandana Shiva. por isso. como a seleção pré-natal do sexo.” acordos de paz são mulheres. através tora Executiva da ONU Mulheres. a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. A Dire- mentes e as que as fazem crescer. Terceiro Mundo. entre outras. de vida. Além disso. ao longo da infância e na idade adulta. Assim. a estas insuficiências. o casamento precoce. não epidémicas. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei. o furto não pode ponível. governos e indivíduos. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. um todo. a tendên. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. Monopólios e Mitos e a Masculiniza. ras. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. as práticas relacionadas com . a menina enfrenta dis- suas crianças.206 II. que são maioritariamente homens. rapazes. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. nital feminina.em média. nas chamadas economias verdes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. sustentável. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. 1998. futuro sustentável.

particularmente. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. peito aos direitos das mulheres. indivisíveis. culturais. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. independentemen- educação e à formação especializada. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. dos direitos humanos. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. as meni. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. Em muitas regiões. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. te dos seus sistemas políticos. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. PERSPETIVAS Austrália. inciden- . uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. em 1993. na sua documentação re. uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. Mais comum na Ásia. Devido à falta de leis de proteção são universais. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. E. as tes e interrelacionados. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. meninas. antecedentes históricos. Em 2002. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. a vio. estas políticas e perceções colo- 24 anos”. compete aos Estados. o mo tratamento que os homens. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. uma desculpa ou impedimento para a total do. ferente à questão da saúde das meninas. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. mais do de universalidade. Infelizmente. soal e ao direito à vida das mulheres. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos.

bem como de iniciativas interna. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. presumivelmente. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. os países com to ou enforcamento.208 II. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. em todo o mundo. existem como é provado pelos últimos casos docu. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. jo. 1998 a 2008. das mulheres nas eleições. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. e os na Índia onde a Sati. mentados em 2006 e 2008. ainda existe atual de 18. envenenamen. governo eram mulheres. em comparação com o embora mais raramente. foi proibida pelo gover. Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. Hoje. estaremos que são assassinadas. às limitada. na Índia moder. de 4 para 1. 2011. As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”.4%. tipo de regime de quotas. tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos. tradição com os direitos das mulheres. há um aumento chocante do número após 1975. mais mulheres no governo do que nunca. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. em compara- dado. maioria simples dos votos. desde há décadas. Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. Nos últimos 50 anos. participação das mulheres. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. mativas da ONU Mulheres. Mulher (UNIFEM). De acordo com esti- suicídio por autoimolação. aumento de apenas 1%. as estatísticas da Índia da diversas vezes e. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. nas legisla- de noivas”. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. para revigorar no britânico em 1829. Ashtiani no Irão. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. no fim. de mortes entre mulheres (na maioria. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. não vão atingir . mas ainda ocorre a responsabilização política. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. nunca. cuja execução foi adia. nas duas décadas na. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. de forma a pres. forçadas a cometer paridade” de 40-60%. No entanto.

uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . Contudo. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. a participação política das mulheres parece 4. cação para os direitos humanos nos Além disso. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. guidas não apenas pelos governos. Durante a Revolução Verde Ira. realizado. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. que seja a mulher e não o homem a per. também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. para tra. humanos das mulheres através da edu- balho igual. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. Por exemplo. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. entre homens e mulheres. guerra civil ou as eleições democrá. revoluções terminado em repressão contí- nua. Porém. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. para a igualdade. mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente. é muito mais provável souberem o que são. A Agência dos cos e sociais. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. à maioria da população. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos. E. Dentro da União Europeia. no entanto. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos. direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. com as mesmas qualificações. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. mas com as mesmas qualificações.

Os relatórios sombra nismo novo. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. Apesar das melhorias significativas. mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. da Turquia. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. da África do Sul. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. isso é de extrema importância que o ape- gação. de. Para de Yakin Ertürk. em junho acordo com a CEDM.210 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos. invocá-los. o Co. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. completa implementação dos instru- . se esta possibilidade não for ex. Se as obrigações do Esta. e para outros ór. no país. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. reitos humanos. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena. mas também CEDM. emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. Em 2009. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. de 1993. Atualmente. de direitos humanos e ainda menos té específico. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. poucas as ONG podem preparar relatórios al. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. A das mulheres. todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram.

for Gender Justice. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. Agora. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. Um número crescente destas . turas de ativistas dos direitos das mulheres. necessidades e de. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. em março de 2000. Em 1992.” sejos. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. para efeitos pedagógicos. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. procurando garantir que a violação. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. para 28. 2000. a aprender sobre direitos humanos. mas escravidão sexual. Mary Robinson. mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. e sexual são incluídas no estatuto do TPI. E. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas. em muitos países. O Passaporte vens e mulheres instruídas. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. em 1999. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). Apesar do hiato digital mundial. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. Um dos melhores exemplos é a ado. Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. expressos na sua própria língua. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”.

es- e de participação. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. diversas questões de direitos humanos e údo digital. e o “Toque bunal Penal Internacional. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. com uma for. e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. crimes de violência sexual. variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia. eficácia. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. as ONG para te. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). que incenti. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor.212 II. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. para intervirem de forma a terminar. nº1. TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize. As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. assim como a consciência política timas e a testemunhas. foram projetos inicializados de 2002. foi uma cam. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. mas aproveita também ativa. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. uma diretamente. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. Por exemplo. an. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. no contexto da violência. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. a violência doméstica. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. é dada explícita atenção a ví- sexual.0. Em 1998. pela primeira vez na história. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. prostituição forçada. declara que “[…] violação. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2. O terceiro escravatura sexual. vencedor. Uma boa prática para se supe. Em 2011. para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. a Campainha!” (Bell Bajao). “Estação de Rádio apenas para gravidez à força. O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. com o artº 7º. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. estabe. de informação novo marco com o Estatuto de Roma. as preocupações das mulheres da Web 2. estar físico e psicológico. de direito humanitário. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso.

e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. os Estados Árabes. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. objetivos. da Interagência doméstica e algumas tradições.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos. um terço desde 1990. no caso de uma vítima Nações Unidas. em 2000. adotaram a Declaração do Milénio das ão. a Amé- necessitam para se sustentarem. Este su. tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. até das as regiões em desenvolvimento. é mais lenta do que em mundo. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. No Uganda. volvimento do Milénio (ODM). O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. em termos globais. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro. dois deles. Oriental e a região do Pacífico. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. nomeadamente. os objetivos 3 e 5. o 2015. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. declínio médio da percentagem anual. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques. Estas medidas aplicar-se. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. a questões de mulheres: Em março de 2012. mais recentes no Digesto da Educação res. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma. por exemplo. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. de 2012. E. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. Finalmente. explicita e implicitamente. O esco. como a po. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. rica Latina. clusivamente. tanto o nú- ligamia. nio estimada de 1. este direito há muito tempo. Estas medidas referem-se. Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. as mulheres Global. faz parte dos Objetivos de Desen. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. das Nações Unidas. vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. e bilização social. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. incluindo a monitorização regular do Em 2010. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. especial da Assembleia-Geral. para o Progresso das Mulheres. mentarem estas normas. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário. para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas. jovens. Mulheres. • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste. bem como igualdade de género e ao empoderamen. a implementação integral da De- um impacto maior. 2009. cazes com a sociedade civil. para a Mulher (UNIFEM). Funde-se e constrói. na sua formulação de políti- nas. ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo. Os Estados-membros da ONU deram. aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres. A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. desta forma. ma das Nações Unidas. cas. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos.214 II. . promissos sobre a igualdade de género. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. As principais guintes cinco objetivos. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo. um passo histórico na ace. o Institu- organizações de mulheres. sociedade civil. no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. mulheres enquanto seres humanos plenos.” Shulamith Koenig. e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. padrões internacionais e normas. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. solicitem. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. em 2011. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se.

Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. de Belém do Pará (em vigor 1951. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. rati. CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. ratificações até maio vigor: 1981. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. 1888 Fundação do Conselho Internacio. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género. tra as Mulheres (em vigor: 2000. Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3. lheres e Crianças. 1994 Convenção para Prevenir. E. 1958. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. de Pessoas. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. de Nairobi. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti.

216 II. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. familiarizar-se com rentes pontos de vista. cooperação e análise de dife- direitos das mulheres. 2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri. pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. ração e Plataforma de Ação de Pe- res. a igualdade de género e o empo- res. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal. Esta atividade procura melhorar a compre. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. Dimensão do grupo: 20-25. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res. . RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia.

. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. não discriminação. minorias. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for.. O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. curso. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso. Direitos humanos em geral. o grupo deve pensar na situa. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente. direitos das gregação de género. linguagem corrente. quais são as mulheres mais afe. o que torna o debate mais in. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca. apresentados e debatidos na presença de Depois. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. Se não. os resultados ao grupo inteiro. por entre . ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. E. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco. sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem. Contudo. todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma.

desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. ao longo do caminho. um país onde exis. promovendo a usados para as florestas. rios. pontes. a representar como montanhas. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. a por exemplo. um país onde existe a igualda. tais nhe o seu mapa de fantasia. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. caminho a passar entre os dois. para Igualia e como os iriam superar. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. Metas e objetivos: Desenvolver a com. dis. . charnecas. melha para representar a tentação. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. vales. as paisagens do presente e do futuro e um deias. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas.218 II. Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. mas o seu mapa mostra o cami. al. presentados pelas linhas. florestas. etc. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira. o desen. como desenharam o mapa. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. marcadores de diferentes cores. pré- justiça e o respeito dios. obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo. folhas de papel grandes. etc. aptidões cria. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro. cabos de energia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. No presente. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. Ao prosseguir. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. Igualia. Explicar que nesta atividade os participan.

.am. direitos das igualdade de género? minorias. struments and African Experiences. plorar: truir-se uma sociedade onde exista Direitos humanos em geral. 2002. penal-codes-in-northern-nigeria Boletín Red Feminista Latinoamericana Aronovitz. 10 é a igualdade quase sua instituição ao estatuto da Igualia. Wolfgang. 2010. de forma a cons. clube ou tre todos os países do mundo. Gerda Theuermann y del Caribe contra la violencia domésti- and Elena Tyurykanova. poderamento e os direitos humanos? COMPASS. Benedek. E. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- • O que precisa mudar. 2002. Alexis. The Evolutionary Na.). Toronto: Carswell. Available at: www. 1993 – current. Considerar a política da sua escola. man Rights of Women: International In- nesty. Rosalie.nl/nieuwsportaal/pers/joint-state. não discriminação. Kathleen and beings to better prevent the crime. (eds. the business model of trafficking in human ture of Equality. • Qual é o papel da educação para o em. pp.. Hu- northern Nigeria. education with young people.) ção positiva enquanto medidas a curto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abella. 2005. (Fonte: Rui Gomes et al. don: Zed Books.). Equality and Judicial OSCE – Office of the Special Representa- Neutrality. no que local de trabalho sobre a igualdade de oportu- respeita à igualdade de oportunida. como o as políticas são implementadas e se são ne- classificaria numa escala de 1 a 10? 1 é cessárias mudanças ou esforços para elevar a muito desigual. tive and Coordinator for Combating Traf- ficking in Human Beings. Amnesty International Netherlands. ideal. 1987. Vienna: Sheilah Martin (eds). Isis. A manual on human rights • Justificam-se as políticas de discrimina. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 219 abordar a forma como na realidade seria a prazo para aumentar a igualdade de gé- Igualia e sobre os obstáculos: nero? • As pessoas gostaram da atividade? De • Quais outros grupos são discriminados que gostaram? na sua sociedade? Como se manifesta • Qual das três perguntas foi a mais fácil de essa discriminação? Quais os direitos debater? Qual foi a mais difícil? Porquê? humanos que estão a ser violados? • Quais são as principais caraterísticas da • Como se podem empoderar os grupos Igualia? desfavorecidos de forma a poderem re- • Quais são os principais obstáculos que clamar os seus direitos? impedem que a sociedade do presente seja a Igualia ideal? Parte IV: Acompanhamento • Se tivesse de classificar o seu país en. nidades em relação ao género e discutir como des entre homens e mulheres. Analyzing ca y sexual. Gerd Oberleitner tion of new Sharia-based penal codes in and Esther Kisaakye (eds. Joint statement on the implementa. In: Mahoney. 4 et seq. Lon- ment-implementation-new-sharia-based.

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é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo. F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos.” Comissão Internacional de Juristas. . 1986.

durante o interrogatório. trabalha...” se encontrava sob custódia da polícia. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. o tribunal de primeira instân. sob tortura. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul. ao julgamento. em 1998. É a terceira alegadamente identificou S. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di. e a explosão. numa explosão. incluindo sadas por um atentado à bomba. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. repetidamente abuso do processo equitativo”. os relatórios da polícia retira.. Ö. O procu. No tribunal. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa. dos direitos dos ho- Quando Ö. indivíduos que participam em manifesta- ba. questões de género. tras minorias. defensores dos direitos humanos. que matou sete supostamente feita pela tia de Ö. forenses. como resultante de um atentado com bom. que irá assistir feita por Ö. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S.. S. mais tarde. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente. contra jornalistas e rador que indiciou S. Ö. S. disse a Human Rights Watch. foi absolvido de todas as acu. “A continuidade deste caso pa de S. Em 1998. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau.. com bomba. em que pessoas e feriu mais de 100. elementares para um julgamento justo. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. tendo ela testemunhado um atentado com bomba. Os S. vai ser jul. disse Emma negada.. Es- agido pela polícia. da cul. representa uma per- idade. O seu julgamento é um dos .. e Ö. ferentes departamentos da universidade. então com 27 anos. bissexuais e transsexuais.. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. quando foi detida. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas. sos. rotulou a explosão editores. tanto Ö. bem sações. sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. S. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. documento cujo conteúdo ela desconhecia. mossexuais.224 II. legais políticas pró-curdas. foi fabricada. sem justificação. também foi detido. Ne- nhumas outras provas. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011. direitos humanos na Turquia. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. dizendo que tinha sido co.

descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. na reali. manos. Assim. de conhecimento público. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. não to. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. Pior do que isto. O direito ao julgamen. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. Nin. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos. 3. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. a execução do poder estatal tem de ser to justo. Esta lei tem de ser ser a sua pena. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. Durante o julgamen. O que pode ser feito para se prevenir mente. Tal é essencial para a proteção si próprio. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. disse a Human Rights Watch. pilar da sociedade democrática. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- . À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. Tur. efetivamente. públicas quando os seus direitos estejam dade. advogado. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. quando são violadas as garantias de um aplicado. constitucio- considerado ilegal.? A SABER 1. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. 2011. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. Quais são os motivos para a acusação de S. uma vez que não se nais. Todavia. é comummente a sua presença. torna-se evidente que julgamento justo. porém. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. F.

garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. .” buem diretamente para a segurança da pessoa. a justiça e a gos. em conjunto com a nobreza. com base na lei e imparcial. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. manos. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. Tam- Primado do Direito. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. As pedras angulares cial do processo democrático. proibição da arbitrarie. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. o princípio do primado do Di- tuições e entidades. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos. o di- “Para as Nações Unidas. e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu. cional. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. 2004. igualdade perante a lei. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. cumprem as revoluções civis. se. em 1066. central foi estabelecida por Guilherme. O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei. e é um pilar essen. reafirmou a ligação inquebrá. e o parlamento. que preferiam o esta- certeza jurídica. parlamentar na Europa. Em consequência.226 II. a quem se encontrasse detido. do de direito ao estado discricionário. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal. respon. Na Europa.) rante um juiz independente e imparcial. o Con- em Viena. durante os séculos XVII e XVIII. públicas e privadas. como Aristóteles. Os princípios do primado gurança jurídica. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215). e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. primado do Direito é um dos maiores obs. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. dieval onde. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado. separação dos poderes. insti. à nobreza. quistador. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. Atualmente. nação no qual todas as pessoas. a Conferência Mundial das Na. fundamentais. las quais a sua liberdade fora restrita. legislativo e judicial centrais. deres executivo.

diretamente. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. um clima pro. incluin- parcial da justiça e da boa governação. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. venção Europeia dos Direitos Humanos. a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. e não discriminatórias. social e contribuem. 2. F. como ditar no Estado e nas suas autoridades. mesmo ao lidar com situações da sentença. estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen. 2004. às garantias dos direitos humanos. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. Assim. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. Em direito ao julgamento justo. vo e judicial que funcione. na realidade. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. mado do Direito. do tribunais. O primado do Direito significa. primeiro lugar. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva. de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. o processual (ex: equidade na audiência). como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). salvaguardem o sistema jurídico. procuradorias e polícia. Em situações de pós. Com este fim. também lacionado com a administração da justiça. da administração im. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. nos. assim. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. a Con- fortemente de um sistema administrati. um sistema judicial forte de. excecionais. como Elemento Fundamental contribuindo. para o direito de do Primado do Direito viver sem medo. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. primei- conflito é particularmente importante ramente. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. o pro. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. justo com total igualdade. .

in. 9. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. sempre que o in. Todos os acusados da prática de um 10. crimen. o estipulado no PIDCP. plenamente. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. mentos dos Direitos Humanos da ONU. um julgamento justo (por exemplo. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. Do 3. indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. pios gerais do primado do Direito.) 7. Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. imparcial e estabeleci. informados. as tes. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. em 2007) aplicam-se direito de ter um. ato delituoso. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. 6. atempada. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. cação de procedimentos excecionais que não terrogar. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. equitativas. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. A pessoa acusada tem direito a in. Em muitos países. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. ou omissões que não constituam um mente. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. em pormenor. Todos têm direito a uma audiência equi. 11. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. no seu defensor. ou a confessar-se culpada. as condições que estabelece.228 II. O tribunal deve ser competente. da cional ou internacional. A pessoa davia. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. nulla poena sine lege”). segundo o direito na- num idioma que compreendam. a todos os tribunais. especiais. ou fazer interrogar. 4. no caso de não ter Muitas vezes. superior. Proíbe . a título gratuito. to- testemunhas de defesa. nos termos da lei. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. em que a infração foi cometida. termos em que. obedecem aos princípios normais da justiça. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. nais militares ou especiais que julgam civis.

assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. F. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. expetativas ou instruções. similarmente acu. Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. alteradas por autoridades não judiciais. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. também. internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. Significa sim que. postos. aos jurados. judicial tem de ser similar. Se os juízes pudessem ser removidos. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes. institucional ficaria comprometida. . o poder judicial aplicam-se. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. são outra parte. Todavia. etc. o constitucionalmente. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes. fica tratamento idêntico. as condi- sistema legal. tribunais de justiça que podem ser com- rente. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. cisões não coincidam com determinadas sadas. as condições salariais dos juízes. a sua independência igual pelos tribunais. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. Contudo. sem discriminação de qualquer es. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. Exemplos deste controlo. neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. somente por juízes profissionais. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. Todavia. o prin. pécie. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes. sionais sem serem influenciados.

(Fonte: Amnistia Internacional.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. rio. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela. Isto também se ser plenamente respeitado. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes. há muito. 2011. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. ável. num julgamento justo. mas deve ser vista a ser feita. que englobem o processo. o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. A este respeito. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. de a não ser forçado a testemunhar contra . o artº 14º do PIDCP.. para que qualquer detido de Todavia. a informação sobre denada. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. no âmbito penal. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex. De acordo com até serem considerados culpados. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi. Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. [. O direito a manter o silêncio e o direito nais. blico é excluído da audiência. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. pelos tri. nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi. Mi- litary Commissions.230 II. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. de forma pública. a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. para aí receber um julga. a pessoa acusada não pode ser con- sentes.. ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. Assim. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. por exemplo. tal como um qualquer tribunal fe. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais. Este feita. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui. A presunção clusão do público. na medida do necessá- Genebra.]” de crianças). das nos próprios instrumentos internacio. o pú. desde comprometer os interesses da justiça. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

15º. 13º. Mulheres. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. crítico e capacidades analíticas. 12º. artos 12º. 16º. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. 14º das sobre a Independência de Juí. 2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. uma mesa poder defender os seus direitos. F. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis. capacida- . ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. artos 37º. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. 17º. à frente. Colocar. 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). 13º. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. desen. artos 5º. situação de tribunal. 1994 Relator Especial das Nações Uni. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. Função dos Magistrados do Minis.

Parte IV: Acompanhamento Depois. nifica que se for a julgamento. Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está . dificultará o desempenho na dramati- . lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações. na primeira dramatização. .Equipa de duas ou três pessoas condu. “Toda a pessoa tem direito.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. em plena igual- pado ou inocente. Nomear também uma dade. por outras palavras. contra ela seja deduzida. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. es- senta a queixa e a escreve no quadro. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. zação. . Os outros participantes são o pú. . de formação de opi. Ninguém mais pode dar Nas reações.Um juiz. O ele- uma ofensa criminal.” Reações: Explicar. como furto. bem como da sua família e lação? da comunidade. não existem advo. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação. e publicamente julgada por um tribunal soas. debater a diferença entre um a sua opinião. no segundo cenário. mento de surpresa pode ter um maior . acontecem na vida real? mos de defesa. Parte III: Informação Específica sobre a . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. pode nomear um júri defender. este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público. pecialmente. Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso. dele ou dela. imparcial de três ou quatro em vez do juiz.Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul. blico no tribunal.Grupo de três ou quatro pessoas que apre. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações. que isto sig- Reunir de novo os participantes. apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. Ter atenção ao desempenho. Dizer aos procuradores para júri e um juiz.244 II.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. No primeiro cenário. Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação.O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: .

Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. capacidades de comunicação. ATIVIDADE II: COMO PODE . sa Gerry Spence (ver abaixo). a uma defesa competente. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas. frequentemente. de opinião. seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex.org).Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi. o direito clientes acusados de crimes conhecidos.Se for acusado de um crime. de- senvolver capacidades analíticas e demo. pode colocá- plorar: los no quadro. sem Apresentar o tópico. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito. pagar? . Deixar que os participantes A presunção da inocência. advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom. cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. Ini- cyberschoolbus. colocada: berschoolbus. sobre um deles).un. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. F. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. . defesa Gerry Spence. e limites de uma observação neutra. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate. formação casos criminais como para disputas civis.Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? .Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. de- Duração: cerca de 60 minutos. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. ou . Isto é válido para crítico e capacidades analíticas. deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. Texto para a ficha informativa: cráticas. o reconheci. deverá o arguido ter. Gerry Spence. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra. Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração. verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo. discutir o facto de que to. 2003. quando uma pessoa processa outra. Se quiser. tão que lhe era. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim.

) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. Constituição ou pela lei. .” razoável e o júri absolver o arguido culpa. Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. manos não são respeitados. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma. Definição: Uma pessoa Se o fizer. 2 .Por que acham que os advogados defen. Bom. exigidas. Pode também referir circuns. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime. não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. perder o caso? Se não. de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto. Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica. Não julgar as opini. pedir aos par. Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- . das as garantias necessárias de defesa lhe gado. o neste artigo.Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que.” conhecidos. . outras pessoas. um advogado? Se tiver um advo. o direito a defender-se a si próprio. então. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo. de quem é a culpa? Culpamos o advo.Toda a pessoa acusada de um ato de. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 . e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento. se o advogado de defesa sou. Nin- 1997.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam. no momento da sua prática. tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. nificado e propósito. por este. brevemente.246 II.

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. 1948. LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. tanto em público como em privado. pelo culto e pelos ritos. pelo ensino. de consciência e de religião.G. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento. sozinho ou em comum.” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. pela prática. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção.

a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois.C. man Rights Watch. anual de 2010.C. a 8 de ja. Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio. seis Cristãos cop. d. a 9 de janeiro. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. Frequentemente é paga uma 3. assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. três homens fo. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento.252 II. posto na prisão ou até morto. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW).” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. 1. Diretora da HRW 4. não é suficiente. a deixar a família. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. A partir do século IX se acredita. 2011. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente. Liberdades Religiosas: ainda um lon. a ser-se persegui- go caminho a percorrer do. e condenados. em casos semelhantes.” tes casos? A SABER 1. consis. afiliação e prática religiosas. Egypt: danos à propriedade pública e privada”. por Egípcios. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas. Por força daquilo em que namentos de Buda. 2010. teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. é possível ser-se forçado a ne. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi. detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. Free Activists Detained on Solidarity Visit. gá-lo. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. – a “Idade das Trevas” da Europa - .. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. No seu relatório De acordo com relatórios.

” gulação das liberdades religiosas no di. as- envolvem problemas de etnia. tigação dos fundamentos das religiões. voluntariamente. Por todo o mundo. reito internacional dos direitos humanos. testantes e monges Budistas. frequentemente. àquela No passado e no presente. ou entre lão assustou a Europa. As crenças religiosas interferem bas. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. entre para expandir o Império Otomano e o Is. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. por Muçulmanos. pertencem. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. voluntariamente. John Locke. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. aquela fé e culto que é. G. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. vicções. o que tes países: na Birmânia. religiões tradicionais e “novas”. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza.” a compreensão do mundo. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. tante com a esfera privada do indivíduo. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular. todas as minorias resulta. Esta é uma da nessa comunhão. Letter Concerning Toleration. verdadeiramente. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. Não outras questões de direitos humanos. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. Presidente da Global Ethic Foundation. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. ção. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. 1689. no Egito. todos se juntam. causa da sua permanência aí […] Assim. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. Hans Küng. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder. Subsequentemente. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. uma igreja é uma sociedade de membros. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. . sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. ral. a guerra centes entre crentes e não crentes. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas.

os Muçulma. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. Tem de ser 11 de setembro de 2001. Infelizmente. à segurança pessoal. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. Esta ameaça. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. A compreensão do respeito. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. à intensifica. da (i. na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. Protestantes. a liberdade e a segurança treia. que queira. A educa- variam do crescimento recente do funda. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai. na Eri. Ahmadis. precisa de tão. Sudão. As ameaças à liberdade de pensamento. ções. Na China. refere-se a uma “vinculação”. Não existe uma definição comum de re- do separadamente.. O que é a Religião? mismo. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang. lor essencial da segurança humana. desde o pode ser alcançada à força. es- pecialmente. vários elementos comuns têm sido mana propostos. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal.e. existem outros numerosos 2. bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. os Cristãos Evangélicos e o Movi. se. Cora. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. Jeová. Por fim.254 II. Bahai. Este fenómeno tem de ser aborda.e. estão institucionalizadas. vidual e global. religião. embora muitas vezes ignorada. de crença. os Cristãos são discriminados. Se não pode acreditar num Deus nistas. até Estados. base na religião e na crença. Shiitas e Muçulmanos Sufi. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. mos pessoais ou impessoais. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. mento de Pentecostes são alvos de supres. no Irão há discriminação afetam. No entanto. Etimologicamente. Sufis. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente. sas. tim religare. Normalmen- . gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. grupos e Ismaelistas. especialmente. Muçul. nos EUA e na Europa. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. assistimos a discrimi. quando estão ligadas a extre. de consciência e de religião são particulares. No des ou mesmo a crises internacionais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos. diretamente.

(PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. O artigo 18º. Absoluto. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. Mui. várias formas de adoração ou culto. §48. O Dicioná. Sacro. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. encara com preocupa- cendente. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. giosas são protegidas enquanto liberdade . persuasão ou pro. seja pessoal ou impessoal. a não professar qualquer religião ou fé. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião. a religião re. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. tural.” O clui todas as formas de crença na existên. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio.seja política. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. ou não. Comentário Geral nº22. ado. as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”. Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição. regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão. impondo sanções latamente. G. Yinger. mas nem sempre. a reverência. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”. não-teístas e ateístas tal como o direito res. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. No seu sentido mais lato. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. no que respeita à e regras de conduta. ções Unidas. O Comité. como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . sua aplicabilidade. cul- grupo ou as práticas de adoração. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo). Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião. [religião] in. Em direito internacional. inclui uma série de ritos e rituais. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. Trans. tas. juntamente com com. consequentemente. de um Supremo. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. no seu Comentário Geral Em comparação. de legal. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. 1993. ONU. uma entida.

os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença. Liberdade de exercer práticas coletivas. adquirir e usar. Estes prisioneiros. Comporta a liberdade de pen. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições. . consciência e religião. líderes ção de religião e fé e contém. Liberdade de exercer práticas indivi. consciência. para este fim. pertencem a minorias religiosas. cluindo o direito a rezar. religião ou crença. Liberdade de não ter religião. códigos de . individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias. ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. igualmente a fés teístas. o que pode de “todas as pessoas”. de estabelecer e manter locais mundo. O direito internacional dos direitos huma.256 II. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. nomear. . duais específicas tivo de comportamento. quer estes sejam manifestados individual. 4. assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. tro níveis: 1. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . na sua maioria. 1. gião ou crença. o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. como prova o número de “prisio. in- duais específicas. A lista de liberdades religiosas de religião e fé. Liberdade de determinadas entidades. religião e fé. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra.Liberdades religiosas no trabalho. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros. ístas. po. .A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. nalmente.A liberdade de fazer.A liberdade de manifestar a sua fé ou violada. A liberdade de consciência é várias vezes . não teístas e ate. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. ger ou designar por sucessão. nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. inclui liberdade de religião e fé e liber. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas. num sentido es. . 2. antes.A liberdade de formar. convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma.

. 2011. Alemã. A liberdade de determinadas entidades blico. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data. a liberda- resse superior” da criança. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos.A liberdade de escrever.O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião. Este facto implica igual.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha.A liberdade de ensino de uma religião tinção. na religião. e normalmente é. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos.A liberdade de manifestar a sua crença. da Lei Fundamental ser. manifestada em comu. A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- . para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos . 1981. de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. por exemplo. nº1. exclusão. de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública. são proibidas. seadas na Religião ou Crença.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas. uma escola não religiosa. A liberdade negativa de religião ou neutra- . e também o direito de igualdade perante a lei. retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. restrição ou preferência ou crença em locais adequados. por conseguinte. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º. Liberdade de não ter religião . . não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. incluindo os véus no setor pú- 3. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2. G. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. publicar e di. Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. significa que qualquer dis- . tárias apropriadas. baseada na religião ou fé. Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas. 4. estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. força da liberdade de religião. con- mencionadas.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani.) . 1966.

a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. a transfusão de sangue. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). cidadãos. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. em casos de sacrifício humano. com a liberdade de religião e de fé. tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. Por exemplo. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. prescrições de uma determinada fé. por exemplo. no que respeita à proteção das liberda- religiosa. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. a ordem. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. Existem vários modelos princi- . regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. 1. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. por princípio. A disposi. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. consciência e religião. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. a pra. a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. Como é feita a educação religiosa no escravatura. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. sozinho ou com outros. por exemplo. rituais. para proteger a segurança pública. mental da criança. no seu país. ensinamentos. garantias de inde. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. mutilação genital feminina. prostituição forçada. a ensiná-la.258 II. PERSPETIVAS 3. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. não permite sa os interesses de outras pessoas. Questões para debate automutilação. em cerimónias religiosas. Existem. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. na qual estão enraizadas as ticá-la. atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé.

será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. nas lei Sharia. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. inexistência de religião oficial. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. no entanto. O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual. Sharia. igrejas estabelecidas. religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. argumentar direito internacional dos direitos humanos. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli. versas entre culturas diferentes. bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. e sensível. Países como o Afeganistão. Estado. liga ta da fé Islâmica. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés. LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. a lei tra. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. Na prática. Pelo contrário. por exemplo. Indonésia. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas. é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. Paquistão. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. que quando o Estado está ligado a uma igre. Este facto está em clara contradição com o dade. G. quando apenas uma a morte. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. é mais provável Irão. tal relação entre Estado e Igreja não resul. dos apóstatas. a apostasia é ain- identidade nacional. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. Poder-se-á. Do ponto de vista ocidental. Historicamente. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. proteção da liberdade religiosa da comuni. o Islão. A pena era frequentemente nhecidas. . No entanto. Índia.

proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. prisões e afins). noutros países como a Bielorrússia. Esta ação de. privilégios para que a pessoa se converta. o direito a recusar-se No início de 2006. desde que não litar seja usada força ou coerção. pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. na Áustria. O direito dos direitos hu. pelos governos. Tal Lei foi sim. Turquia. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. (por exemplo. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro. obrigatório ainda existe atualmente. ter-se a uma outra fé. presentes ou transportar uma arma. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con. não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. a questão de saber o Chile.260 II. há uma certa disposição de cartazes ou paineis. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. instalações militares. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos. No entanto. estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se. de Leste e em África. forçar alguém a conver. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. em França. no Reino Unido. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. direitos humanos. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. Turquemenistão. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. consequentemente. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro.

Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. as organizações religiosas e . Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. 18 março. 5 abril. é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. ciência. Áustria. G. religião e ideologia. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. é necessária uma Estados. tem um certo munhas de Jeová et al c. dedicada à luta contra vo c. claração de 1981. integridade física e segu. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. foi instituído o mandato de Re. em geral. cional quanto à necessidade de uma con. Apesar de haver acordo interna. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. turas sistentes com as disposições da Declara. efeito legal. que a aplicação da lado. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. O maior problema relativo à implementa. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. Por outro respeitante ao Sudão. Rússia. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. violações dos abitação multirreligiosa. A ênfase deve ser direitos à vida. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. 2011). Muitas decisões. No entanto. de da não discriminação religiosa e da tole. cons- para monitorizar a implementação da De. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. 2008. os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. 2011. aponta nessa direção (vide TEDH. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). as ONG. 2007) ou a decisão so- a intolerância. num caso no que respeita a questões de fé. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. em Estrasburgo. Itália. Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. Caso das Teste- base na religião ou crença. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. culativa. 31 julho. discriminação religiosas. Caso Lautsi et al c. ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP.

• No Médio Oriente. campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. • Fundação Ética Mundial. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa. Significa igualmente que educação. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego. deste modo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. com o seu grupo de trabalho per. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas.262 II. semos a discriminar. Muçulmanos. tas. ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. padres. tendo em vista o desenvolvimento tes fés. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. ne Hindus. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. e não crentes para que res de outras fés. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. é a primeira iniciativa do género a con- manos”. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. conflitos. a “Clergy for Peace” munidades de crentes. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. respei. às • No Sul da Índia. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. por todo o mundo. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra. também necessário. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. de defender os persegui. permitindo. a sua prática. plataforma comum. da comunidade. re. Zoroastrianos. Paz. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen. Diálogo Interreligioso Existem igualmente. programas educativos e termos religiosos. vidar políticos urbanos e representantes . nia. Cristãos. • Na Europa. Entre muitas outras. CONVÉM SABER 1. Jains. dança de atitude. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. É Nós podemos começar a prevenir a discri. BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. estas • No Pacífico.

Muçulmanos e Cris. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”. “Religiões para a Paz” através da Educação (Fonte: The Jakarta Post. recorrente de discriminação e repressão. indi. novos movimentos religiosos são um alvo ser um livro escolar uniforme.pcusa. ligiões tradicionais do mundo. 2005. refere-se a um grupo religioso dissidente íses. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque. das principais religiões nas suas crenças rais. análise mais profunda. A educação interreligiosa encoraja o res. e práticas. • A cidade de Graz. luz de acontecimentos recentes nos quais na. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. Uma seita geralmente • Na Alemanha. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. enquanto culto textos escolares. • Na Tailândia e no Japão. eventualmente.htm) Bogor. estabeleceu Cultos. manos de todo o mundo. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- . os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. sábado.org/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de pcusa/wmd/eir/dialogue. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. A liberdade religiosa não deve ser interpre- • Em Israel. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. na Áustria. para referir grupos religiosos que diferem ção em liderança. por diferentes nomes e necessitam de uma moveram o encontro de jovens repre. O resultado deverá. mas foi in- capaz perante tantas pessoas. 16 julho.) os estudantes a pôr de parte barreiras de preconceito e intolerância. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação. -Presidente Yusuf Kalla condenou. serviço comunitário e de fortaleci. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. no ca do modo como os revolver. ligiosos sos. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. G. onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice- às várias fés e se aconselha a cidade acer. Igual prote- contro de Judeus. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en. tamente ambíguas. um projeto chamado “Common tada estritamente. recentes Cam. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect. situada a sul de Jacarta. Inglaterra e noutros pa. lizando escritórios e outras divisões. sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados destes países em programas de forma. a multidão atacou a for Interfaith Dialogue: www. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. valores éticos e mo. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro.

Muitas vezes. publicamente as mesmas fossem vistas podem ser vítimas de determinadas fés. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões usam estes termos num sentido neutro. da diferença destes grupos relativamente No entanto. temente. nesses as fés. como tendo sido violadas e. do representantes de vinte e oito países ta devoção ou abusos em termos financei. muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as únicos. Consulta de Peritos Africanos e Árabes sos. Geórgia. A gravidez força- de culto ou não puderem pregar ou lide. consequen- quando as leis religiosas. desonradas e humilhadas. apesar da existência de sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática. pro- . africanos e árabes afetados por esta prá- ros. em junho de 2003. Por outro lado. as “esposas” não seu país? Se sim. tradi- Durante toda a história. que. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na como negócios. se não puderem ace. suas vidas: Considerando que ambos os termos são • A taxa de mutilação de meninas em zo- definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. no internacionais de proteção dos direitos mundo ocidental. as mulheres têm ção e religião. países (sendo a Alemanha o mais famoso • Em zonas da Nigéria. como? têm mais do que nove anos. Paquistão exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países. a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma culto será diferente entre as várias cren. Graves problemas de saúde conceitos frequentemente usados com co. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fo. em vez de grupos religio. países. • A violação como forma específica de A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa envolve dois aspetos. No seio de • Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte. foi alcan- à norma. Ru- der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. na ex-Jugoslávia. A muti- norma”. “seita” ou “culto” são humanos. em alguns da Mutilação Genital Feminina”. Por um lado. mentos forçados que resultam frequen- temente em escravidão. mano à liberdade religiosa foi abordado. po- notação negativa. mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan- muitas vezes associados com uma comple. defendidos Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura. da de mulheres violadas garantia que rar as suas comunidades. pode das vítimas foi em muitos casos a ra- haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa manifestar a sua fé. são também prati- cados casamentos forçados. tradição cultural em muitos países e é ças. Sudão. práticas e costu. Só tardiamente o seu direito hu. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte. A necessidade Questões para debate de consentimento da mulher não é res- • As minorias religiosas são protegidas no peitada.264 II. são praticados casa- por ser antes vista como uma empresa. podem surgir subsequentemente. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção a Igreja da Cientologia. Sudão.

governos podem ser erradamente usadas para justificar atos que colocam em peri- Extremismo Religioso e os seus Impactos go os direitos humanos e a liberdade de Depois dos ataques ao “World Trade Cen- religião ou crença.” tre” e ao Pentágono. a Comissão de Direi- palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião. suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória. A resolução Esta ligação é. a OCI passou a designar-se Or- violência. uma vez que estabelece o direito de uma re- camente. rorismo. a religião e as direito dos direitos humanos. todavia. religiões. Conferência sobre a do ataque no metro de Londres. G. a religião por razões políticas. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos. esforços foram encorajados pela Organização dentais em países dominados por Muçul. No entanto. ques extremistas são ligados à fé e os ofen. Canadá) abstido pelo facto de o conceito de sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o crime “em nome de Deus”. nem todo o crente é terrorista. uma coligação de mais de 180 ONG declarou A única forma de combater efetivamente o extremismo é encontrar formas de que- brar o círculo vicioso de violência que gera 5 Em junho de 2011. radamente. para justificar o terrorismo. LIBERDADES RELIGIOSAS 265 longando o dano psicológico. Liberdade de Religião e Crença. tendo nomeado apenas o Islão. uma vez que o extremismo é uma quanto tais. Quando ata. ganização da Cooperação Islâmica. base na sua fé. Os seus “Tal como a religião pode ser usada. a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter- julho de 2005. tendo os Estados da UE. bastante perigosa. er- filhos continuam a ser discriminados. enquanto os direitos humanos geralmente to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e. Estes os bombardeamentos das embaixadas oci. a crença religiosa. mas que se restrição à liberdade de opinião. Entre as vítimas estavam meninas entre também as ações “antiterrorismo” dos os 7 e os 14 anos de idade. . um direito contra ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte sociedade ou fé em particular. religião uma forma nova de racismo. de ataques. Em 2001. tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de todo o terrorista ou extremista será religioso. baseia na ignorância e intolerância. e também como consequência (Fonte: OSCE.) rar. Em 2009. mais do que nunca. em 11 de setembro de 2001. Difamação da Religião tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da entre fé e terrorismo: sequestro de aviões. 2002. refere ainda que a difamação da religião con- uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo. Mais. o terrorismo parece explo. ocultar atos ou exigências motivadas politi. da fé não prova a existência de um confron. para não falar da questão “israelo. Muitos entendem que estes trágicos acon. Direitos Humanos. en- religiosas. EUA. da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão manos. a Suíça e outros países ocidentais (ex.

17º. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro- mesma ameaçar a liberdade de opinião. 8º. senvolvimento das liberdades religiosas apoiada pelo Parlamento das Reli- 1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago (1789 Carta de Direitos com Pri. 13º.266 II. 27º) intolerância e violência. 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli- ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano Conselho de Direitos Humanos e preten. 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos meira Emenda) (Artos 26º. 2011. Religio- sas e Linguísticas (Artº 2º) Etapas importantes na história do de- 1993 Declaração para uma Ética Global. nos e dos Povos (Artos 2º. (Artº 9º) Apenas em 2011. 1969 Convenção Americana sobre Direi- (Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º. e das Liberdades Fundamentais selho de Direitos Humanos. Combating intolerance. 12º) and violence against persons based on reli- gion or belief. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas. 16º. a resolução foi aprovada pelo Con. 18º) a Educação Escolar em relação à 1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença. 1981 Carta Africana dos Direitos Huma- and discrimination. ONU. Não teção dos Direitos Humanos obstante. 23º) tive stereotyping and stigmatization of. tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da a sua própria experiência? Criança (Artº 14º) • Qual é o papel das fés na procura de paz e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão agente de reconciliação. 27º) 1948 Declaração sobre a Liberdade Re. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- de proteger pessoas que. minação Baseadas na Religião ou to no seio e entre comunidades religio. 26º.) 1981 Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri- • Quais são as principais razões de confli. 20º. religião ou crença. a Conferência dos Esta- dos Islâmicos propôs uma resolução revis. Crença sas? Pode dar exemplos. nega. 1992 Declaração das Nações Unidas so- bre os Direitos de Pessoas Perten- 3. 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma- ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º) Igrejas 2001 Conferência Internacional Con- 1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre Humanos (Artos 2º. por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º. incitement to violence. são confrontadas com 24º. à Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação (Artº 2º) (Madrid) .

sias e emoções. Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações: sentimentos religiosos de outras pessoas. se sente dessa forma. se as pessoas devem sas e sentimentos de outros. . fazer lista de comentários que firam e de estereóti. Neste mo- Parte I: Introdução mento. Escrever os nomes dos participantes Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel. muitas atividades que evocam controvér- Escolher alguns dos piores e escrevê-los. G. não fazendo ser sensível e aceitar opiniões diversas. com que cada um tire um papel à sorte pos relacionados com a consciência ou cren. poder dizer tais coisas sem ter em conta os seus possíveis efeitos e o que fazer quando Parte II: Informação Geral isso acontece. e escreva uma carta dizendo coisas amá- ças religiosas de alguém. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso Competências envolvidas: Ouvir os outros. Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase. Sugestões metodológicas: cador. 2007 Declaração da OSCE sobre Intole- vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu- (Nova Deli) çulmanos 2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua- PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas. quando fizer esta atividade. Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões: Atividade Como atividade final: uma carta para to- Instruções: dos. comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a participantes saibam que causem angústia. LIBERDADES RELIGIOSAS 267 2001 Congresso Mundial para a Preser. ponderações ou valorizando subjetiva- mente as afirmações. o grupo deve apenas aceitar que Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de- liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada se faz ou diz colide com as crenças religio. Como se sentiram os participantes durante aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen- impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio? Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren- Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre Material: quadro e marcador aquilo que queremos? Preparação: Preparar um quadro e mar. Uma pessoa de cada grupo deve ler a primeira frase.

competências de pensamento crítico: dem ser afixadas na parede. aprender sobre diferentes costu. 2004. arame. explicar que religiões são cores. comuni- regras do debate e comunicação que po. na mesa ou no chão. competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões. reflexão. foras. analisar. car. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife- Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos. analisar as face. desenvolver que é que não tolera. trativos. É preferível que se poderia pensar à primeira vista). aceites no país. papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas marcadores de texto. sas no país (em muitos casos. Practical Activities for Atividade Primary and Secondary Schools. barro. pedir e criativo. etc. Dependendo do grupo. cerimónias. Cada participante escolhe uma fotografia plas tarefas que mostra algo que não tolera. canetas. fotografias de vários religiões? movimentos religiosos.268 II. Escolher as fotografias de acordo com o grupo. em Parte I: Introdução qualquer caso. Reunir o Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. papel. E A MINHA etc. competências cria- oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá- mesmas quando seja necessário. alguns participantes escolheram a mesma Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim. dando assim a dar opinião.) Instruções: Primeira Parte ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi- A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos. . pressão e dos Meios de Informação (Fonte: Nações Unidas. Competências envolvidas: Competências da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros. desenvolvimento de símbolos ilus- Direitos relacionados: Liberdade de Ex. as fotografias devem re- O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio- não discriminação e a proibição da into. trabalhar com participantes que perten. o processo: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações: A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que algumas modificações. aos participantes que reflitam sobre todo mes/culturas. porquê? Que fotografias Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde Material: quadro. tra a fotografia que escolheu e explica por tas das liberdades religiosas. cluir fotografias de grupos ou movimen- tos religiosos que (ainda) não são aceites Parte II: Informação Geral no país. ABC Teach. símbolos. Cada participante mos- a noção de tolerância. Parte III: Informação Específica sobre a ing Human Rights. canetas de Em resumo.. poderá ser uma atividade apropria. juntos. considerar in- çam a diferentes crenças religiosas. madeira. Tipo de atividade: Atividade com múlti. mais do lerância com base na religião.

os participantes revelam os seus conheci. ritos e não a razão por que estes são os Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. cada grupo apresenta Outras Sugestões: a sua contribuição criativa. banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. LIBERDADES RELIGIOSAS 269 Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os Numa breve sessão de chuva de ideias. se todos os participantes acordarem no presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: Para esta atividade. A apresentação pode também Reações: ser feita com plasticina e outros materiais. Glob- atividade de conhecimento do outro. pro- Será mais fácil para os participantes tole. esta dade de expressão. É melhor dir a cada grupo de participantes que re. pode continuar com mal-entendidos? contributos intelectuais. cor ou género. deverão ter o direito de parar as apresen- Organizar um encontro multicultural. apesar das escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções. Cer. de a apresentação ter sido parada. por exemplo. discriminando-os. Se. O que podem os participantes aprender com estas apresentações? Existe algo em comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento Quanto será preciso saber sobre outras re. De volta ao plenário. dizendo aos participantes que as apresen- O porta-voz do grupo dá informações so. al Teaching and Learning Project Cyber- tificar-se igualmente de que a apresen. parar a apresentação que seja ofensiva tura. Depois os costumes e crenças dessa religião. Pe. Liber- outros participantes. os alunos/participantes mesmo os grupos com uma imagem nega. videnciando materiais sobre tolerância/ rarem outras crenças/religiões depois de intolerância. pantomina. música.) . G. pel vermelho como um semáforo) para Pedir para que ilustrem através de uma pin. certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti- grupo respeita as crenças religiosas dos vos. sentirem que estão a ser discriminados. tações a qualquer momento. ambas as partes. um pedaço de pa- diferente. tações devem evidenciar a adoração ou bre as comunidades religiosas. Depois desta atividade baseada na experi- ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade. atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. da atividade. Se trabalhar em escolas pode cooperar com Encerrar a segunda parte com uma breve professores de artes para a segunda parte ronda de opiniões. Por esta razão. sentimentos religiosos de outros crentes. schoolbus. tiva tenham sido escolhidos. deverá Dar aos participantes 40 minutos para pre- seguir-se um debate sobre os motivos de paração. tais como etnia. Começar o exercício mentos sobre as religiões escolhidas.

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nº2. Declaração Universal dos Direitos Humanos.. . DIREITO À EDUCAÇÃO DISPONIBILIDADE E ACESSO IGUAL À EDUCAÇÃO EMPODERAMENTO ATRAVÉS DO DIREITO À EDUCAÇÃO “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [.. 1948.]” Artigo 26º. H.

Considera que a educação pode contri- (Fonte: Nações Unidas. portanto. possibilidade de ultrapassar a sua situação ci. De quem é a responsabilidade de eli- nheiro para pagar as despesas escolares e minar a ignorância e o analfabetismo e que eu era precisa em casa para ajudar a através de que medidas? minha mãe e os restantes. de conhecimento? Se sim. A educação é importante para o gozo de Se tivesse a possibilidade de nascer de outros direitos humanos? Se sim. quando eu nas. 2000. Considera que existem diferentes tipos brincavam na rua mas eu não podia jun. Já havia dera que ela tem. alguma muitas crianças. Milénio das Nações Unidas. quando cheguei ao 4º atualmente. meninas e mulheres? bem como lenha. fiz amigos novos e aprendi a 4. centagem de pessoas analfabetas serem Varri o chão. ler e a escrever.) como? . Relatório do buir para a segurança humana? Se sim. preferiria ser rapaz. Nasci há 14 anos te caso? Sente empatia por Maya e consi- numa pobre família camponesa. lavei roupas e carreguei água. ninguém ficou feliz. que conhe- tar-me a eles. Alguns dos meus amigos 3. Quais os problemas centrais evidentes nes- “O meu nome é Maya.276 II. 2. 6. O meu pai disse que não havia di. Lá. Mas. porquê? novo.” 7. Considera que o direito à educação é. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A História de Maya Questões para debate 1. Consegue pensar em razões que justi- aprendi a ajudar a minha mãe e as minhas fiquem o facto de uma tão elevada per- irmãs mais velhas nas tarefas domésticas. cimento é importante? Que tipos de co- Ficava muito feliz quando me permitiam ir nhecimento perdem relevância? à escola. por si mesma. de pobreza e de ter acesso à educação? Quando eu era ainda muito pequena. uma prioridade para a co- ano os meus pais interromperam os meus munidade internacional? estudos. 5.

também se aplica ao direito de fazer podem ser prevenidas as violações dos parte da vida cultural. Tal. um conjunto de direitos uma das ameaças à segurança humana. pode ser uma contribuição suas capacidades. DIREITO À EDUCAÇÃO 277 A SABER 1. na impede as crianças de irem à escola. A falta de segurança huma- políticos. também. respeito e amizade entre as na. Mas a pobreza. O direito de conhecer muneração igual por trabalho igual. a receber re. Este número re- presenta um sexto da população mundial. Direitos Humanos em Conflito tolerância. de susten- ramento”. a negação da educação fere a causa da ramento permite à pessoa experienciar os democracia e do progresso social e. palavras. tais como o pode conduzir. Armado . da educação e da aprendizagem para os vel de educação for alcançado. para as de. política to das ações do Estado em si. promover Direitos Humanos da Criança (embora não seja garantia) compreensão. Quase um bilião de pessoas entrou no sé- culo XXI incapaz de ler um livro ou de as. assim como as violações do ou a população total da Índia. direito à educação. Educação e Segurança Humana sinar o seu próprio nome. pelo menos. a paz internacional e a seguran- O exercício de muitos dos direitos civis e ça humana. e. exercer um direito de empode. mação. económicos. Para as minorias ét. H. çar a sua identidade cultural. liberdade de expressão. suas próprias personalidades. os direitos de cada um. adequadamente na vida social. Tal direito confere ao indivíduo tar e de se protegerem a si próprias bem mais controlo no percurso da sua vida. a bene. através da edu- ficiar dos avanços científicos e tecnológicos cação e da aprendizagem para os direi- e a receber educação superior com base nas tos humanos. A educação pode. entre outros. igualmente. como às suas famílias e de participar em particular. extensão. direitos humanos e o direito humanitário. Por outras e económica. o direito à educação é ser facilitada a reconstrução da sociedade um meio primordial de preservar e refor. direito ao Isto é óbvio relativamente a crianças em voto e a ser eleito. e. um nível mínimo de edu. Na sociedade em geral. à negação do di- direito a escolher o trabalho. reito à educação. grupos étnicos ou religiosos e pode ajudar a desenvolver uma cultura univer- Porquê um Direito Humano à Educação? sal de direitos humanos. depende conflito armado. só pode ser exercido de vital para a segurança humana. dade das pessoas de desenvolverem as racterizado como um “direito de empode. Igualmente. por benefícios de outros direitos. mais controlo sobre o efei. direitos humanos nos conflitos armados e nicas e linguísticas. como cação. crianças-soldado. prejudicam a capaci- O direito humano à educação pode ser ca. INTRODUÇÃO ções. sociais e culturais. Através uma forma significativa se determinado ní. em particular. tais como a liberdade de infor. depois dos conflitos. A negação.

pesquisa e ensino nos estádios mais “elementares e funda. de 1776. menciona o para defender e desenvolver as ideias de direito à educação. Todavia. na do direito individual à educação. conduziu ao reconhecimento au. tado. continha o direito à educação. através da frequên- educação era. incluía uma secção sobre “A Desenvolvimento Histórico Educação e a Escolaridade”. de própria palavra significa “conduzir alguém 1776. reito à educação foram contemplados mentos civis clássicos como a Carta Bri. uns 20 países no nha uma secção com o título “Direitos Mundo não têm qualquer idade definida Básicos do Povo Alemão” que também para a educação obrigatória. Nos bra. contra a interferência da igreja e do Es- mentais”. Na O reconhecimento explícito dos direitos Europa. da res. a de Direitos da Virgínia. cionados com o direito à educação. incluiu garan- secular é que a educação começou a ser tias do direito à educação das minorias. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A educação é mais do que aprender a ler. de 1919.278 II. a garantir a educação. os aspetos do di- Contrastando com estas ideias. do Império Germânico. mentos liberais e anticlericais. já que a um nú. também O direito humano à educação. conti- no secundário. Durante o século XX. os pensa- pilares da aprendizagem ao longo da vida. e a Declaração Francesa dos Direi- para fora”. Os Estados. nas Constituições nacionais e nas de- tânica de Direitos. liberdade da ciência. chamada de “Carta da Sociedade das séculos XVI e XVII. ponsabilidade dos pais e da igreja. a es. instru. a Declaração clarações internacionais de direitos ou . não continham cação engloba oportunidades educativas. se. após a nas com a emergência do moderno estado Primeira Guerra Mundial. de 1789. tam este requisito de formas diferentes. como John Locke e Jean-Jacques Rosse- em 1924. explicitamente. direito ao ensino básico. tal como influenciaram a definição dos direitos definido na Carta Internacional de Direitos educacionais os quais foram formulados Humanos das Nações Unidas. A Constituição cola “elementar” estende-se a todo o ensi. este módulo centra-se na edu. de 1689. O direito de uma pessoa à edu. De igual forma. o dever do Estado de Antes da época das Luzes na Europa. de 1871. cia gratuita e obrigatória da escola. mo e do liberalismo colocou a educação cação primária e básica. A origem Latina da claração da Independência dos EUA. a emergência do socialis- educação. considerada assunto de interesse públi- A proclamação da Declaração de Gene- co e da responsabilidade do Estado. reconhecen- do. filósofos eminentes. em primeiro lugar. na Austrália educacionais emergiu durante a última e em algumas zonas do Sul da Ásia. na América do Norte. Ape- A conclusão dos tratados de paz. contudo. escreveram sobre a conceção moder- internacional do direito à educação. interpre. com maior firmeza no campo dos direi- mero vasto de pessoas são negados até os tos humanos. No século XIX. Embora reconhecen- do um conceito mais amplo do direito à No século XIX. gratuito e obrigatório. a Constituição Alemã de Weimar. cundário e superior. a De- escrever ou a calcular. quaisquer direitos especificamente rela- por exemplo. tos do Homem. Nações para o Bem-Estar das Crianças”. metade do século XIX.

inter alia. em conformidade com as suas pró- Conteúdo do Direito à Educação prias convicções. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO das ou públicas para os seus filhos e de asse- DA QUESTÃO gurar a educação religiosa e moral das suas crianças. étnicos e linguísticos. de comportamento pelos seus governos. de forma igual. o Pacto deve visar ao pleno desenvolvimento da Internacional sobre os Direitos Económi. Vietname. deve ser O direito à educação tem uma base sólida respeitada. Tal tem sido registado num conjunto variado de documentos sobre direitos hu. The Hu. Os veram determinados direitos educacio. pro- nais. A nível regional. constitucional. manos e das Liberdades Fundamentais ta expressamente das Constituições de (Artº 2º do Primeiro Protocolo). 1998. Marrocos e Japão reconheceram reitos humanos é a Carta dos Direitos Fun- esse direito tanto nas respetivas Consti. Chipre. conhecem o direito de toda a pessoa à Por exemplo. Concordam também que a lheres (Artº 10º) e a Convenção sobre os educação deve habilitar toda a pessoa a Direitos da Criança (Artos 28º e 29º). damentais da União Europeia. Os Estados devem. Sociais e Culturais (Artos 13º e 14º). a Conven- mais de 50 países. agir em contravenção de reconhecidos direi- (Fonte: Douglas Hodgson. O Reino Unido e o Peru reconheceram Sociais e Culturais) e a Carta Africana dos o direito à educação em legislação não Direitos Humanos e dos Povos (Artº 17º). (Artº 13º do Protocolo Adicional à Con- Irlanda. grupos religiosos. Egito. “Os Estados Partes no presente Pacto re- manos. tanto a nível todos os indivíduos a determinadas formas federal. O direito à educação cons. interferindo ou constringin- man Right to Education) do o exercício de tais direitos e liberdades. nos. como por exemplo. Na Constituição dos Estados Unidos não é mencionado qualquer direito à educa. Estados têm a obrigação de respeitar. particularmente relacionados com teger e implementar o direito à educação. a ção Americana sobre Direitos Humanos Nicarágua. respeitar a li- berdade dos pais de escolher escolas priva- 2. como a nível estadual. Espanha. DIREITO À EDUCAÇÃO 279 reconhecidos em legislação não consti. tos e liberdades. O direito fundamental à educação habilita ção. A necessidade de educar e Obrigações do Estado rapazes e meninas. damentais. com carácter universal e regional. direito à educação no artº 14º. existem a Convenção tucional ou em legislação ordinária de Europeia para a Proteção dos Direitos Hu- cada país. H. enquanto a Coreia do Uma das mais recentes codificações em di- Sul. Paraguai e Polónia. a igualdade de oportunidades educati. Concordam que a educação dos Direitos Humanos (Artº 26º). desenvol. tal como os direitos de todos os no direito internacional dos direitos huma. desempenhar um papel útil numa socie- . venção Americana sobre Direitos Huma- nos em Matéria de Direitos Económicos. Os Tribunais dos EUA. temos a Declaração Universal educação. sua dignidade e reforçar o respeito pelos a Convenção sobre a Eliminação de Todas direitos humanos e das liberdades fun- as Formas de Discriminação contra as Mu. A obrigação de respeitar proíbe o Estado de vas. que inclui o tuições como em legislação ordinária. Japão. personalidade humana e do sentido da cos.

através de legisla. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dade livre. Sociais e Culturais (PIDESC). Sociais e Culturais (PIDESC) A obrigação de meios diz respeito a uma identifica quatro princípios como obri- determinada ação ou medida que o Esta.” . tam o espírito e a essência absoluta do di- nómicos. Acessibilidade. escolas primárias estejam disponíveis para todas as crianças em idade escolar.Educação básica gratuita e obrigatória. nº2). reito à educação. está abaixo do número de crianças em ida- . num número razoá. obrigação de meios e obrigação de do Pacto Internacional sobre os Direitos resultado podem ser distinguidas: Económicos. e fa. O dever de estabelecer a escola primária num prazo de dois anos. O Comentário Geral nº 13 do Comité pósito. Com este pro. quer político. ensino primário. ção ou por outros meios. PIDESC.Estabelecimento de um sistema ade- Artigo 13º. de modo a assegurar que as anos de idade) acessível a todos. com base no princí- das não aplicam práticas discriminatórias pio da igualdade e da não discriminação. gações do Estado.Ensino recorrente intensificado para rância e amizade entre todas as nações e aqueles que não tenham concluído o grupos. direito à educação. significa a obrigação de uma concretiza- ção progressiva do direito.Ensino superior acessível a todos com pacidade estrutural das escolas primárias base na capacidade individual. Estados Partes que ainda não asseguraram o ensino primário como gratuito e obriga. como obrigatória e gratuita é. misso. bem como a liberdade de escolher o tipo A obrigação de implementar prevista no de escola e respetivo conteúdo. por terceiros. Disponibilidade tório têm o dever de “elaborar e adotar. quer financeiro. o direito internacional dos direi- . São estes: Disponibi- vamente a esta questão é o artº 14º do lidade. Se a ca- . proíbam a violação de direitos individuais e liberdades. um plano deta. que previnam e 1966. Os Estados devem Tal significa que a melhoria do acesso à assegurar que as escolas públicas ou priva. vorecer as atividades das Nações Unidas para a conservação da paz. […] a aplicação do princípio primárias estejam disponíveis para todas as do ensino primário obrigatório e gratuito crianças requer um considerável compro- para todos”. reitos Económicos. Sociais e Culturais. tos humanos obriga-o a ser o provedor de . Aceitabilidade e PIDESC. Ape- sar de o Estado não ser o único provedor de Padrões a Atingir: educação.Oferta de ensino secundário (10-14 último recurso. sem dúvida. tole. os novos Adaptabilidade. . um pré-requisito da concretização do di- zar progressivamente. represen- Pacto Internacional sobre os Direitos Eco. O melhor exemplo relati. de acordo com o qual. promover compreensão. ou inflijam castigos corporais nos alunos. Assegurar que as escolas vel de anos. lhado das medidas necessárias para reali. raciais. educação para todos. A obrigação de proteger requer que os Es.280 II. 1966. étnicos e religiosos. no que diz respeito ao do deve adotar. quado de bolsas e melhoria contínua da situação dos professores. Artigo 13º. nº1º. (Fonte: Pacto Internacional sobre os Di- tados tomem medidas. reito à educação.

Este princípio no direito à educação. xiliar a implementação total do direito à educação. “Educar uma mulher é educar uma famí. sua religião ou outras crenças. ser removidas. bem como a ve- A disponibilidade do ensino secundário e rificar que a educação é aceitável tanto para superior também é um aspeto importante os pais. então a obrigação legal do Esta. Hoje. uma visão comparativa e alarga- mou num dos seus relatórios que “o Estado da do mundo revela disparidades subs- . manter. O Isto significa que o sistema educativo deve acesso físico às instituições é especialmen. tendo em conside- te importante para os mais velhos e pes. tal como previsto no artº peitado. H. que o direito humano à educação é res- ras educacionais. PERSPETIVAS INTERCULTURAIS Aceitabilidade E QUESTÕES CONTROVERSAS A anterior Relatora Especial para o Direi- to à Educação. não é cumprida. Katarina Tomasevski. com induzir as pessoas a mudar a sua fé pode base na igualdade e não discriminação. os governos são obrigados a de ser livres da doutrinação e da obrigação assegurar o gozo do direito à educação. ração o interesse superior da criança. necessidades no futuro. cer. protegido e implementado não é 10º da Convenção sobre a Eliminação de apenas um dever destes. Não Discriminação Direitos Humanos das Mulheres 3. permanecer ajustável. bem como mulheres e homens. face ao seu dever da escola obrigatória estão em conformidade com os critérios mí- para todos.” Provérbio africano Adaptabilidade Normalmente. É. orientar e controlar os estabe- ver-se das suas obrigações. de estudar assuntos incompatíveis com a garantindo o acesso a instituições escola. nimos por si desenvolvidos. A educação deve ser culturalmente apropriada e de boa Acessibilidade qualidade. afir. enquanto adulto. A exigência da in. Usar a au- res existentes. Os alunos e os pais têm o direito No mínimo. uma Todas as Formas de Discriminação contra função da sociedade civil promover e au- as Mulheres. é obrigado a garantir que todas as escolas do. toridade do sistema do ensino público para zes. lecimentos de ensino privados. DIREITO À EDUCAÇÃO 281 de escolar. também. por exemplo. o que uma criança aprende A obrigação positiva de assegurar um na escola deve ser determinado pelas suas acesso igual às instituições educativas en. através da eli- minação de estereótipos sobre o papel do A obrigação dos governos de assegurar homem e da mulher de textos e de estrutu. de todas as meninas e rapa. O acesso construtivo como o seu desenvolvimento social e os significa que barreiras excludentes devem avanços a nível nacional e internacional. como para os filhos”. uma Nação. Liberdades Religiosas lia. ser considerado como proselitismo ilícito. tal soas com deficiência. globa um acesso físico e construtivo. uma comunidade. envolve o direito de escolher o modelo de trodução progressiva da educação gratuita educação recebida e o direito de estabele- não significa que um Estado possa absol.

(Fonte: UNESCO. afeta 759 milhões de pessoas. a concretização do mas. betização é crucial para reforçar a capaci- dade humana e a participação económica.282 II.6 milhões. Tem na Zâmbia saem do ensino primário ha. O exemplo do Uganda: Na segunda social e política nas sociedades do conhe- metade dos anos 90. A média de escolarização no sul da consideráveis na educação durante a últi- Ásia.) de amanhã. idade escolar (escola primária) ainda não cação: menos de um quarto das crianças terão frequentado a escola em 2015. sem termos em conta as cia continuar. entre 1997 17% da população adulta mundial. 2003. As mulheres mário gratuito e as despesas públicas são menos letradas do que os homens. mundial não ter o ensino básico. sultado de pobreza extrema. A alfa- Prémio Nobel da Paz. antigo Presidente da África do Sul. De facto. se esta tendên- a aumentar. cerca de 5. 56 milhões de crianças em possíveis diferenças de qualidade na edu. atualmen. as prioridades de cimento de hoje. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tanciais na implementação do direito à e 2003. os Estados não da do nível nos países ricos. cançar o objetivo de reduzir para metade o betização. rização formal. Foi introduzido o ensino pri. Em neste domínio aumentaram. çar os marginalizados” apresenta avanços riores. EFA Global Monito- rão as desigualdades sociais e económicas ring Report 2010. Cerca de 72 mi- primário pode estar a fechar. e as diferenças de género deixaram de A maior parte das crianças não matricula. Não obstante. Entretanto. das quais mulheres. Uma criança nascida em França terá 15 anos de escolarização com O relatório da UNESCO de 2010 “Alcan- níveis de oferta consideravelmente supe. que a escolarização universal seja im- te. provável em 2015. Estas desigualdades educativas de hoje se. o fosso entre lhões de crianças em idade escolar (escola os países ricos e pobres. Ademais. corresponde a metade ma década. quer para os 20% mais pobres da direito à educação varia de região para população. 2010. havido pouco progresso no sentido de al- bilitadas a realizar testes básicos de alfa. de oito anos. 2008. uma criança mas as taxas de abandono fazem com nascida em Moçambique pode. e no Sul da Ásia.3 milhões para 7. alcançarão o objetivo da educação primá- quanto o hiato das matrículas no ensino ria universal até 2015. redução da pobreza voltaram-se para a O analfabetismo é. Pouco . prever vir a ter quatro anos de escola. As taxas de inscrição são as mes- educação. Tal. quer para os 20% mais ricos região. Em média. dois terços palmente dos cidadãos dos países ricos. existir no ensino primário. As matrícu. A inscrição das na escola estão na África Subsaariana universal está agora ao nosso alcance. en. o acesso ao ensino analfabetismo adulto – uma condição que superior permanece um privilégio princi. o re- educação. havia pouco menos de 796 milhões las no ensino primário aumentaram de de pessoas adultas analfabetas. medido através da primária) e 71 milhões de adolescentes média de anos no sistema educativo. está não frequentam a escola e. A Década das Nações Unidas para a Alfa- “A educação é a arma mais poderosa que betização (2003-2012) é confrontada com se pode usar para mudar o mundo” o facto de ainda 20% da população adulta Nelson Mandela. habitualmente.

Direitos das Minorias dade do ensino e o estatuto dos professores. No entanto. na Europa. ainda muito . de atenção adequada. teção das Minorias Nacionais. a literacia não deverá ser negada mas nada mencio- é o coração da aprendizagem ao longo da na no que diz respeito à aprendizagem na vida. to do seu direito à educação. reito humano internacional geral para ring Report 2011. 42% . há minorias vem em países pobres afetados por conflitos. materna.28 milhões – vi. DIREITO À EDUCAÇÃO 283 mais de 509 milhões do número total são A questão da língua de aprendizagem mulheres. explicita- mento. como mi- grantes. Muitos dos países mais pobres gastam sig. e os Aborí- A Conferência Mundial sobre o Direito à genes da Austrália. a ampliar as oportunidades guas. 2011. para todos e apoiando o ajuste às exigên. no primário numa língua estrangeira. na sua “Declaração de Amesterdão”. A Carta Europeia das Línguas Regionais nificativamente mais em armas do que em ou Minoritárias. a tomar medidas que minimizem a violência Apesar do notável progresso nos esforços na escola e a atender ao crescente apelo da de conceder às crianças o exercício comple- aprendizagem ao longo da vida. salvaguardando os direitos edu. o direito a aprender na sua língua nal ou técnica. de 1992. carece. mente. tem gerado controvérsias. de 1995. H. Não há um di- (Fonte: UNESCO. também. por realçou a necessidade de garantir o acesso exemplo. A aprendizagem ao lon. guística de um país. EFA Global Monito. Assim. O artº 27º do PIDESC vo significativo de preocupação. Do na como uma opção para os Estados que número total de crianças em idade escolar assinaram e ratificaram a Carta. go da vida ou a educação ao longo da o Conselho da Europa reconheceu o di- vida para todos terão de fazer parte das reito de cada um a aprender a sua língua futuras sociedades globais do conheci. foi mais longe educação básica – 35 países foram afetados na promoção do ensino na língua mater- por conflitos armados entre 1999 e 2008. que nem sequer têm o direito a aprender a ring Report 2011. Francês na África Oeste. disponibilizando a educação básica língua materna. Na sua Convenção Quadro para a Pro- cias da evolução. que não estão protegidas desta forma e (Fonte: UNESCO. reclamado pela Academia Africana de Lín- dos. a educação vocacio. Neste sentido. Mali.) sua língua materna na escola. a melhorar a quali. mo das minorias. Os governos no primário na língua materna tem sido e as organizações internacionais são chama. etc. materna. mas não reconheceu. EFA Global Monito. 2011. educativas de grupos vulneráveis. pode à educação. AGNU 56/116. sendo o (escola primária) no mundo que não estão objetivo do Estado reconhecer o bilinguis- inscritas na escola. apenas refere que a prática de uma língua do com a Res. De acor. minorias. Educação e os Direitos na Educação.) aprender a língua materna na escola. Os ainda baixos níveis de alfabetização quando pertencendo a uma minoria lin- nas zonas pobres do mundo são um moti. orientada para as aptidões.. o direito ao ensi- numa base não discriminatória. tais como a comunidade Roma. resultar em níveis mais baixos de sucesso cativos e as necessidades de todos os alunos para os alunos. inter alia. em Bamako. de Estudos científicos mostraram que o ensi- 2004.

particularmente. com base na Direitos da Criança. ou jovens marginalizados. de negligência e de explora.284 II. os di- reitos humanos nas escolas estão muitas Grupos Desfavorecidos e o Acesso ao Di. segurança humana. Ainda há mui. tagem. por exemplo. pessoas que pertencem a minorias. As crianças ainda estão reito à Educação sujeitas ao castigo corporal ou a traba- Têm sido identificados pela UNESCO e lhar. 2011. Relatório do O Relator Especial das Nações Unidas para Relator Especial para o Direito à Educação. 2010. pes- tas questões a resolver de discriminação. a abordagem a múltiplas necessidades educativas das pessoas com formas de desigualdade e discriminação. nem infor- outras organizações diversos grupos que madas sobre os seus direitos. vezes ausentes. que afetam. tórios obrigatórios dos Estados. O Relator tch ‘Failing our children: barriers to the right Especial das Nações Unidas para o Direito to education’ fornecem inúmeros exemplos à Educação. As sociedades de. independentemente das suas (Fonte: Kishore Singh. Elas não são ensinadas. sociais. discriminação. Kishore Singh. Conferência de Salamanca. os Estados-membros das Nações Unidas. tal como enfrentam dificuldades particulares no foi estabelecido pela Convenção sobre os acesso total à educação. refu- seu relatório de 2011 sobre a promoção da giados e requerentes de asilo. de soas com deficiências. ação internacional. e assim contribuir para a sua níveis de educação. cionais. as mulheres e as minorias. ou outras”. como soldados desmobilizados nas. objetivos sejam alcançados. de- quados são aplicados de forma a respon. emo- Relator Especial para o Direito à Educação. A promoção da igualdade de oportunida- des na educação. as crianças. ratificada por todos igualdade. deficiência. recomendou o reforço dos quadros regula. o Direito à Educação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS trabalho necessita ser feito para que estes ninas. refugiados e migrantes. . no O direito à educação dos migrantes. bem como grupos desigualdade. por exemplo. intelectuais. nº 2º da Declaração Univer- Direitos das Mulheres sal dos Direitos Humanos (DUDH). em 1994. Relatório do condições físicas. Estes incluem mulheres e me. clarou-se a favor da educação inclusiva. refugiados e requerentes de para resolver as práticas sociais e culturais asilo. Deve ser prestada particular atenção às dores nacionais. Estes grupos no seu Relatório sobre a Situação Mundial tornaram-se o centro de preocupação e de da Infância 2006. “as escolas devem receber todas de marginalização e exclusão. as meni. dedicou o seu das causas da exclusão. intitulado ‘Excluídos e In.) Os Direitos Humanos nas Escolas Contrariamente à obrigação consagrada Não Discriminação no Artº 26. linguísticas. de beneficiar plenamente dos seus direitos justiça social e inclusão de todos os tipos e à educação. A UNICEF. der às necessidades especiais das vítimas Assim. nos rela- visíveis’ e o Relatório da Human Rights Wa. intensificar os seus esforços migrantes.) igualdade de oportunidades na educação. portanto. relatório de 2010 ao direito à educação dos vem. indígenas. tendo recomendado a eliminação da que impedem as crianças e outros grupos. (Fonte: Vernor Munoz. a integração bem-sucedida. sociais ou economicamente em desvan- ção. A Ação-Quadro adotada na bem como o assegurar que recursos ade.

” (Artº 1º. realizado em nove países. mesmas instituições também forçaram os contradas em 9000 instituições de ensino. incluindo aquelas relacionadas com a Associated Schools Project Network (ASP. cultural ou hu- Direitos Humanos da Criança manitário. Monetário Internacional (FMI) sublinham mendações da UNESCO. bem como humanos individuais que serão uma mais- a democracia nas escolas. dado que aquela desenvolve recursos ção para os Direitos Humanos. Contudo. realizada em Desde o seu início. especial- será capaz de promover este direito essen. cional. a realização de cada indivíduo e para o igualmente. rio. de 1990. Celebrará o seu de matrículas mesmo no ensino primário. re- a Somália6. “A aplicação efetiva do direito da criança à Uma cooperação internacional. H. Os professores valia no processo de desenvolvimento na- também necessitam de proteção. comerciais. de emprego e de saúde apropriadas do Sudão do Sul tornou-se Estado-membro da ONU a 14 de Julho de 2011 e também ainda não ratificou a e sustentadas. social. declarou que a dispo- Unidas reconheceram a necessidade de nibilização eficaz do ensino básico para todos dependeria de um compromisso e vontade políticos. governos a cortarem nas despesas públi- de 180 países que fazem parte da UNESCO cas. por todos os Estados como um investi- mento a longo prazo e altamente prioritá- Assim. mente para as crianças dos países menos cial. uma questão da troca de informação. através educação é. da Carta das Nações Unidas). E MONITORIZAÇÃO A Conferência Mundial sobre Educa- ção para Todos. IMPLEMENTAÇÃO to Estrutural. A violência nas a importância da educação como um in- escolas é outro problema que tem aumen. A disponibi- Amadou-Mahtar M’Bow. anterior Diretor Geral da lidade da educação deve ser considerada UNESCO. As boas práticas podem ser en. tornando-se num foco tal humano. em 1945. Convenção sobre os Direitos da Criança. solvendo os problemas internacionais de carácter económico.” desenvolvimento económico. O direito à educação é. labo- 6 Nota da versão em língua portuguesa: a República rais. sustentados por políti- cas fiscais. Um estudo da UNICEF. nº 3º. ou a introduzirem pagamentos net) (em abril de 2011). as Nações Jomtien. precisamente estas de atenção. identificou seis . uma condição prévia para o progresso de cada sociedade. 60º aniversário em 2013. vestimento no desenvolvimento do capi- tado recentemente. cados sob pressão pelas autoridades ou As instituições financeiras internacionais. conhecimento e de vontade. se lhes são negados salários adequados. educação. como resultado de condições rigorosas aliadas aos seus Programas de Ajustamen- 4. essencialmente. DIREITO À EDUCAÇÃO 285 exceto os Estados Unidos da América e “realizar a cooperação internacional. necessita ser promovida a Educa. até um ponto em que contribuirá para desenvolvidos. Apenas a vontade política dos tecnologia é fundamental na concretiza- governos e da comunidade internacional ção eficaz do direito à educação. Tailândia. se colo. económicas. o tais como o Banco Mundial e o Fundo que é reconhecido em convenções e reco.

Constituição de 1946. Qualidade da Educação. com os Estados. vidades de coordenação e a colaboração presentados. respeito. Educação para a População Rural. Em Direção à Inclusão. A Alfabetização no Programa da “A Educação não é uma forma de um país Década das Nações Unidas para a Alfa. como a UNICEF ou a OIT. fundamental. assim como o Saúde Escolar Eficaz. além de 150 grupos da socie. A UNESCO. reuniões. Concentração de Recursos numa e das melhores práticas. assim. . tem sido instru- liares e integração de reformas educativas mental no início de reformas educativas e em estratégias mais vastas de desenvolvi. por força da sua Estes são: compromisso político e finan. custos de educação dos agregados fami. das suas funções principais.Melhorar a qualidade da educação. Edu. de promoção da implementação total do mento humano.286 II. A UNESCO. É uma forma de lu- betização. com Deficiência. Cui. enquanto agên. cia. A ação da UNESCO na educação desen- mento de nove programas de proa da volve-se à volta de três objetivos estra- “Educação para Todos”: A Iniciativa tégicos: sobre o VIH/SIDA e a Educação.” Julius Nyerere Para a implementação total do direito à A UNESCO tem desenvolvido um conjun- educação será necessário um forte apoio to de mecanismos concebidos de forma institucional. a inova- cação em Situações de Emergência e de ção e a difusão e partilha de informação Crise. sobretudo. ção internacional no campo da educação. padrões mínimos. Os Professores e a diálogo político sobre a educação. de- sultados que permitem assegurar o direito sempenha um papel fundamental a este universal ao ensino primário para todos. A iniciativa das Nações Unidas para a Educação das Me- ninas. escapar à sua pobreza. a permitir uma aplicação mais eficaz das . em 2000. O Direito à Educação para Pessoas . . a agência líder na coopera- a adoção do Quadro de Ação de Dakar. organizações intergover- dade civil. equidade no setor público. As Comissões Nacionais para a UNESCO Convém saber: 2. No total. Tal é evidenciado pela panóplia de instrumentos que estabelecem Do Fórum Mundial de Educação realiza. pelos variados docu- do em Dakar. realiza- do em Dakar. bem como numerosos avaliação alguma vez feita no campo da fóruns. 164 países foram re. direito à educação.Promover a educação como um direito dados e Educação na Primeira Infân. a educação é uma ceiro. organizações não namentais internacionais e ONG. tar contra esta. uma vez que. cia especializada das Nações Unidas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS temas abrangentes para obter melhores re. redução dos em cooperação com outras organizações. grupos de trabalho. A novidade do Fórum foi CO é. Tendências asseguram que as ações desta sejam bem enraizadas nos 193 Estados-membros. A UNES- governamentais.Promover a experimentação. O Fórum Mundial de Educação. também assistiu ao lança. ati- educação. o papel central do setor público. resultou a maior mentos e relatórios.

em 1978. criou. Relator Especial para o Direito à Educação. H. desiludida com o limitado apoio educação. despesas públicas com a educação das no que respeita ao direito à educação. a UNESCO preten- cumprimento da Convenção. da educação. assim como as Partes acerca de alegadas violações dos dificuldades encontradas na implementa- direitos humanos. Venor Muñoz Villalobos foi o fiáveis. Regularmente. produzido pela UNESCO. sensibili- tes obrigações de apresentar relatórios. Entre beneficiar da adoção e uso de indicadores 2004 e 2010. incluindo o para análise das queixas contra os Estados acesso à educação básica. nais e de classificação dos países. DIREITO À EDUCAÇÃO 287 disposições adotadas e a assegurar o me. foi zando o público e organizando formações. educação por todo o mundo. A responsa. taxas de abandono escolar. as suas obrigações. de acordo com as con. são obrigados a submeter têm como efei. numa base progressiva. a fim de cumprirem com da EFA (“Educação para Todos”) anual. existe A Comissão de Direitos Humanos da ONU. da competência da UNESCO. complementando Estados Partes da Convenção relativa à o relatório anual da UNICEF. melhorando a educação básica. tentável. O primeiro Relator no- problema