COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS

COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

3

PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

5

PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

7

AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

12

NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

xuais que. Manouche. Por sua vez. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. no Brasil. pelo que não tra- Humanos). por exemplo. no Brasil. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. Sinti e Cigana. Fizemos esta opção. direitos humanos”. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. como é o caso Europeia e na ONU. no caso de Por. preferência à expressão “direitos huma. Por outro lado. demos tes que se autoidentificam. mesmo quando ela ain. . vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. como comunidades Roma. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. a ex. pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal. no Brasil. recebe a designação de “estupro”. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. Ashkali. por exemplo. nos” em detrimento da expressão “direi. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. duzimos a referida expressão por “co- tugal. de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. Esta opção. pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. com a pa. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária. da expressão “Roma Community”. que “recomenda que inglesa transmite. Cremos que o tos do Homem”. na versão inglesa pretende (exs.

situações e regiões. em diversos da UNESCO. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. De forma cação para os direitos humanos.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . surge direitos humanos. também en. mas diferentes. desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. um dos ob. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. tivas que encorajem as pessoas a melho. Síria ao Iémen. seus utilizadores. é promover e apoiar inicia. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas.ETC). ternacionais de renome. países e regiões. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento. até hoje. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos. reorganização. Tam. Executivo da UNESCO. governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. mas também lhes deve num momento muito oportuno. para 15 idio- direitos. Para mim. política externa da Áustria. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram. A educação em Graz. tra focada no Mundo Árabe. na Áustria. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. Por consequência. ao comportamen. Oferece módulos de dignidade. Esta edição. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana. as aspira- em 2003. damentais e inalienáveis. é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo.

porém. como uma estratégia importante para a democratização. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. de Formação e Investigação em Direitos assim. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. ao utilizarem este manual como um . manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. contribuir para fortalecer o prima. para promoverem o desen. janeiro de 2012 fios e. contribuírem para a nas esferas política. as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. responsabilização e esta- bilidade governativa. social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. económica. Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. e social. for. justiça e democracia. o que é reconhecido importante publicação. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. Podem ser utilizadas como for. Podem. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. Viena. Dr. misso e esforços empreendidos para esta nação democrática.

Portanto. na sua ver. Áustria. a 10 de maio de 2003. todas as regiões. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. Alemão. Isto foi possível. de modo a Áustria. os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. rança Humana. Foi ela. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. na Reunião Ministe. em 2002. com o fatizou que “os direitos humanos forne. Porém. a Educa. numa perspetiva orien. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. o Manual “Compreender os Di. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. Benita gionais e culturais. Consiste em módulos de do Mundo. Sérvio e Tailandês. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). adotada pela vez. culturas e grupos sociais nuíno e prático. nacionalidades. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. em 2002/2003. na qualidade de Presi. Árabe. pela primeira para a Segurança Humana. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. Portanto. tada para a prática. mação de formadores. em rial da Rede de Segurança Humana. na o Manual para outras línguas. de utilizadores de todo o mundo. apenas três anos Ferrero-Waldner. Espanhol. nês. Francês. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. bem como de entidades intergo- em Graz. mais o Manual atingirá adaptados. cia (ETC). A Rede de Segurança Humana é compos. O Manual. Humana. Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. ponível em Inglês. apresentado ao público. Hoje. com a criação do Conselho de Direitos . Em 2006. através de sessões de for- regiões do Mundo. ETC. de formação. a Rede en. tem recebido críticas muito positivas gurança humana. Em muitas ocasiões. atualização do Manual. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. vernamentais e não governamentais. Chi- borado por uma dedicada equipa de re. Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. Russo. após o seu lançamento. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. Albanês. pelos seus utilizadores. determinados a resol. o Manual está dis- dente da “Rede”. na Graz. con.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile.

Viena. maio de 2006. Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. . PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos. a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis. face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham.

Segurança Humana. A segurança humana requer uma compre. Pretende-se que seja por isso que. in. na minha qualidade de Presi. Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. de modo a beneficiar a segurança nos. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. 9 de maio de 2003. em Graz. dos da Rede e em todo o mundo. deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC). às diferenças culturais. na reunião de 10 de maio de 2003. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. Destina-se ao uso Graz. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. Rede. Direitos Humanos. para os Direitos Humanos. Áustria. através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. ção em Matéria de Direitos Humanos. bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. em Graz. É Humanos da Europa. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana. ao desen. com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. O Manual inspira-se na Declaração de ferência. Conflitos Armados. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana. seu mandato. comunidades o seu principal ponto de re. esforços. na execução do volvimento de competências e à transfor. consciencializa pirará ações subsequentes. como temas prioritá.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. . hoje e no futuro. Com esta finalidade. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos.

em particular do Ministério dos em Paris. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. pro. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu. com a este desafio pioneiro e inovador.etc-graz.manual. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. sob a direção de zada pelo Vietnam. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. e outros. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. 19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova. até ao momento. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. O Ministério dos Assun. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo. em Tetovo. ropeu. da do PNUD Mali. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. no nos da Universidade de Pristina. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. A primeira edição foi apresenta. com a aju. Cultura austríaco. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi. e PDHRE Mali. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www. Dois encontros de peritos. árabe foi proporcionada pela UNESCO. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. o Ministério para a Educação. atualizada baseada na terceira edição. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. mana. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”.at. da pelo ODIHR/OSCE. língua inglesa. ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. Finalmente. aos esforços Sociais. verdadei. Suécia. principalmente. e do Humanos e Democracia. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . pelo Instituto de línguas. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola.

(ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. Introdução ao Sistema de Direitos Huma. Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). Em particular. (Universidade de Graz) lho. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. especialmente. conselheiros. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. Bouvier (CICV Ge. primeira e se. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp. à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer. Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz). Boivin e Antoine A. Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). primeira e segunda edi. Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. amigos e instituições . mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. Revisão de provas: Matthias C. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C.20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. Schrotthofer e Wolfgang Gosch. dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz).

Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz. Yan. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. ros austríaco. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. Finalmente. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. bra. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. Anton Kok – Centro de Direitos Hu. Manuela Rusz e a equipa – Genebra. apoio prestados. que. a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque. Debra Internacionais. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. do Instituto de Direito Internacional e Re. . valiosos comen.

proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên. corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa. nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. cionadas bio e consciencialização interculturais. uma parte educadores. . Por fim. Tal como está desenhado. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível. sob a presidência que contém dicas metodológicas. con- cias e para a transformação de atitudes. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos .perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. e uma terceira. para formar futuros formadores e para abrir um . tanto por educandos.a saber de Segurança Humana e outros. de modos diversos. uma introdução geral aos fun. o Manual poderá ser um . como por damentos dos direitos humanos. enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. Para facilitar a navegação através do texto. O Manual apresenta uma compilação sele. especial com temas essenciais selecionados. são ativa. de Segurança Humana. vel para o utilizador. útil. bem utilizadores. os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio. a saber. em vários contex. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. como uma humanos na vida diária. O Manual “Compreender os Direitos Hu. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana. adicionalmente. Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos.atividades sele- fórum de debate. a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração.22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. . no âmbito do intercâm. para educandos e edu- cadores. dos países associados da Rede .boas práticas tos culturais. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. informação austríaca. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. Estrangeiros. Uma equi.para mais informações. . surgiu do ETC Graz.

fd. werpoint. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e.etc-graz. poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas.at. tanto a jovens. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. portuguesa em www. formadores. uma secção para rece- . oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. ter em conside. hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a.html. poderá começar com a parte em http://www. gua inglesa. po. Além disso. deliberadamente.uc. podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. como a index. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução. através de metodologias educa. Se procura internet. nhecimentos em direitos humanos. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. com materiais didáticos e atualizações específicos. disponíveis as versões nas várias línguas. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos. E os in. com as preocupações da sua comu- histórias. dos recursos adicionais. página de internet. que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos. adicionalmente. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos. curso. em lín- “a saber” dos diferentes módulos. adultos. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los. mentários. o ETC criou. para todos os módulos. educadores e da educação para os direitos humanos. continuamente. Gosta. op.manual. na sua manos.pt/igc/manual/ tivas inovadoras. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. Para os que procuram exemplos de ques.

I.Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI . CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen. – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu. CIPD .Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes. melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu.Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África. Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD . a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. Viena.24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos. das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na.Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos. Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do . Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa.A.Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con. mo e a Intolerância te Asiático) C. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM .

ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa. Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma. LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT . Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina .Convenção Quadro para a Prote. IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen. Graz. IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia. -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen.Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN .

al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di. Relacionados com o Comércio) reitos Económicos. SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In. Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) . – Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra.26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De. UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res.

Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set. Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher . VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni.

Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI. Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K. Direito ao Trabalho 353 L. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I. Direito à Saúde 165 IV. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 . N. Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. Glossário 578 C. Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B.28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. H. Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. O. Declaração Universal dos Direitos II. Direitos Humanos da Criança 303 J. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H.

Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A. Conselho da Europa – a. PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D. O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra .2. Compreender os Direitos Hu- manos 44 II. Direitos Humanos e a Sociedade Humana . Visão guesa 3 geral . O razão é a tortura praticada? . História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A. Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B. 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. Implementação dos Instrumentos 1. Selmouni” E. Europa – Instrumentos Euro. Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . . Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L. Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G. Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III.Como é Cometida a Tortura? I. Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr. Desafios e Oportunidades Glo- I.Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M. África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV. Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H.

mitismo . Implementa- – 4. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In. da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1. ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura . – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional .Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po.Progra.O Conselho Con.Os Pobres são Internacional . 1. Definição e Desenvol- ça Humana . Boas Práticas – Atividades a Ní. Prevenção da Tortura (APT) .Antisse- breza .Iniciativa Europa 2020 .Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza .Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza .3. Implementação e Monitoriza. formação Adicional 132 tra a Tortura C.30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? .4.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos. Tendên- Governamentais (ONG) – A Am. Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1.3.2. – Acordo de Cotonu . Introdução – Pobreza e Seguran. Cronologia digo de Ética – 2. cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) . Perspetivas Intercultu.O Comité Eu. Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) .2.Exclusão Social . Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con. Perspetivas Inter.Ati. Boas Práticas .Xenofobia – Fenómenos .Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma.Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? . Man.Protocolo Facul. vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão . – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2. DIREITO A NÃO VIVER NA PO.Có. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades . Humana .Po- gradantes . rais e Questões Controversas . mo – Violência Racial .3. Tendências . MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B. breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas . nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1. Atividades Selecionadas: 129 3. Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 . Definição e Desen. “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun.

Acessibilidade. cina Tradicional . ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade. DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T.3.Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In. Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico.Mutilação Genital Discriminação Racial.Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3. Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . E.” A Saber: 168 A Saber: 193 1. Memórias .Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1. Perspetivas Intercultu- .2. Perspetivas Inter.A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2.O VIH/SIDA . Implementação e Intolerância Relacionada – De. Aceitabilida- Preconceito . gresso Científico – Globalização e o ção . Mulheres – 2. e Monitorização . Xenofobia Feminina (MGF) .Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma. Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas .4.Respeitar.Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade . Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú. Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen. Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute. 1. Mental e Social . O Direito Humano à Saúde num 1. Tendências – A Relação en. Definição e Desenvol- .3. Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 . DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D. Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Boas Práticas – Códigos de Con. Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana .Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo. Implementação e Monitoriza.4. Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi. de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- . senvolvimento da Saúde – 3. de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais .4.

Boas Práticas . Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas . Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” . Julgamento Justo e Se.Objetivos de De. 2. Implementa.Os Direitos Hu.Atividade II: “Como 1.O Primado do Di.3. mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4.Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In. PRIMADO DO DIREITO E JUL. Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito. ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé. .Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” . vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 .Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2. 1.32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros. Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul. dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica . Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais . Eficazes . Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em .3.A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch . Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio. de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE . G.O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” .Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe.4. mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 . Perspetivas Interculturais e Ques. Imple- de Informação Digitais aos Direi. – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) . Introdução .Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .Mediação e Arbitragem F.2.Direito à Caução – Disposi- 1.A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3.(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Tendências . mento Justo .

ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”. – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3.Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais .3.Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. 2. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos. 4. Boas Práticas. A Luta para Proteger os Direitos 1. Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I.Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3. Boas Práticas – Diálogo Inter.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2. Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa.Ativi- ligião . Ambíguos .Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1. Tendên. Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais . ção . cação para Todos .Edu- religioso para o Pluralismo Re. Introdução . DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. Definição e Desenvolvimento da . 2. Seitas e Novos Mo. tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. Minoritárias .Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. vel? Aceitável? Adaptável? . Definição e Desen.3. Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Definição e 1. Educação para Todos: Resultados cias – Cultos.“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2. Quadro de Ação de Dakar . Tendências – O 1. Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re.

Defini- tado – Não Discriminação da Crian. Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce.Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi. Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4. Ten- Atividade I: Direitos e Necessida. na – As Origens do DIH . Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho . 1.2. Perspetivas Inter- Criança? . – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1. ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio. Imple.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re. Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci. de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas .3.34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian.2. que o DIH é aplicável? . Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de . Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de .Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3.1. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In. 4. Boas Práticas – “Juntando Pes. DIREITOS HUMANOS EM CON.3. Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo .DIH en- pação. Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança . quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es.A Abolição J.3. Aspetos Geracionais e de Gé.2. diais relativos a 2010) . dências – Tendências relativas a des das Crianças .

Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho .De. grafia Infantil – 4. e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos . para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2.Fairtrade Labelling Orga. Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. “Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1. rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus.3. Ten. Pers- Pacto Internacional sobre os Direi. O Mundo do Trabalho no Sé.A Declaração Universal na – 2. Órgãos de Monitorização .Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. Definição e Desenvolvi. dequadas” tórica – 2. Boas Práticas . DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L.Programa In. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3.3. Implementa. tificação Centralizados . Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! .Atividade II: “Vestido K. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? . Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In. Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1. Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT . ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela. Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará. Ampliados para Parar. Sociais e Cultu. Interrogar e ção . petivas Interculturais e Questões tos Económicos.

Questões Controversas – O Debate reito. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Democrática – 2. mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5. Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos . DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá. Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. para reflexão – 4. Tendências – Listas de Vi. em inglês) . Mu. A de Expressão e a Internet – 3. Meios de Infor- gilância. História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3. Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1. Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da. de ADN do Reino Unido – Decla. Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4.2. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea. Muçulmano . Relevância no Passado e no Pre.7. 1. Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N. Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste. são/Informação tória de Marianne K. Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . – Formas de Democracia – For- safios – 2.Org Outras ONG – 4. Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3.O Papel tos Humanos (ODIHR. Imple. Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di. Liber. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão . Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5.3. e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização . ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. Boas Práticas – Privacy. Boas Práticas – 6. Cro.

Desafios Conce. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici. em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono. DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D.Atividade II: Um Mina.União Interparlamentar (UIP) . e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole.2. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 . das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O. nia – 4. Perspe- 1. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas. Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? . África do Sul – 2. Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . A Luta pela Proteção dos Di.H. Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 . Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma. e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu.GDM (Minority Rights Group 1. o papel das OIG. Jurídica.GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas . Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per. Definição e pean Roma Rights Centre . Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas . Repú. Integração e Coesão – 3. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia . Tendências – Au. Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. e outros c. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi. 1. com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In. Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2.

GLOSSÁRIO 578 1. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. Tendências – Deslocados In. Cronologia Humanos . Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C. Implementação e Mo. D. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes. Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . G. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B.38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. A. PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. tal como Definido pelo Di. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E. lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2. Definição e Desen. DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F.

esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. interconexão e interre. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade. todos relevantes lhado. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. como forma de vida.no entanto. esperança e expec. tanto mulheres como homens. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran. são impelidas para re-imaginar. humana. À medida que este processo te pela maioria das nações . refletidas nes. as suas o mundo. à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te. À medida que integramos o bilidade social. casas. agora nas suas mãos. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. “O que podemos nós fazer em relação aos . 39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA . acei- privações. redese. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. vidas diárias. neste livro. da nossa existência económica. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . mos quaisquer outras opções. criativo e positivo. pretendemos gerar. Nas páginas deste li. pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. nova compreensão dos direitos humanos.tem menos de dignidade. outros. Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa. em relação do um sentido vital de responsabilidade. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança.UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI. reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei. em respeito e confiança de poder tas páginas. orientado pela visão ho. experiências e os seus conhecimentos. muitas comunidades em todo Muitos partilham. suas normas e padrões. 25 anos. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. mentor e monitor de direitos humanos. pretende pro. nestas páginas. À medida que examinamos as articula- vro. nas nossas vizinhanças. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social.

Todos html). frequentemente devido ao medo da muitas outras. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res. tegração social. a ignorância sobre os direi- humilhação. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”. Rosa sentido da sua realização plena. é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. a igualdade pela sobrevivência. por esse facto. todos. por que todos ansiamos. assim como os homens. teram em implementá-los. nós humilhamos os outros. onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. se conhecido e reivindicado. A isto. compromissos (www. nos. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. direitos humanos e. po. volver num trabalho de amor pela mudan. da humilhação de forma espontânea. mulheres. e que todos os conflitos têm de ser resol. uma aprendizagem signifi. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. Aprender que os di. possam conhecer os mulheres. corretamente. passo a passo . direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. dos direitos humanos. homens. passo a passo. com a igualdade sem discriminação. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. per. Nós dizemos. manos é inerente a cada um de nós. Todos nós nos afastamos mina a sua realização. que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade. É esta “violação de direitos humanos” e rém. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. vidos. É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi.org/justice. prevalece no mundo. planeamento e ação. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA.pdhre. as pessoas saibam. Parks. o conhecimento dos direitos hu. O edu. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. trocam direitos humanos como inalienáveis. Unidas. Infelizmente. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem. Gota a gota. dis. temos de nos en. tente imaginar os direitos humanos como . tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota. Com apropriação. criado pelas Nações humano e societário.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. valece.

PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente. for Human Rights Learning (www. em 2003. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di. pela sua “Contribuição para opções.pdhre. reitos humanos irão elevar e fortificar as org). recebeu o prémio das Nações Uni- margens. as pes. Não temos quaisquer outras Pio Munzo. para protegerem as suas comuni. Quando vêm as cheias. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. das para os Direitos Humanos.) . a Humanidade”.

.

” Sérgio Vieira de Mello. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. 2003 . a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos. Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. I.

1948. peitados. requisitos de moralidade. Direitos Humanos de Viena. bem como de opinião e de meios pacíficos. Durante o século XX. ado. político e jurídico e como linha DUDH. sal dos Direitos Humanos (DUDH). todos os conflitos têm manos. Do mesmo modo. liberdade. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. turais. juntamente com a to moral. refere divíduos. isto é. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. modo a procurarem a transformação da tos humanos. Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei. assim. Os con- a liberdade de pensamento. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. justa. económicos. é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. civis. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. os direitos direitos humanos. os direitos hu. humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. Este conceito coloca direito à segurança social. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu. tais como o to de direitos humanos. de ordem pú- tre mulheres e homens. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. sociais e cul- aceites. No século XXI. saú- pação. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. condições de vida condignas. Pactos paralelos que. não apenas tolerados. incluindo a igualdade total en. de ser resolvidos no respeito pelos direitos .” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. Aqueles pilares surgem em detalhe. reitos económicos e sociais. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. tal como Contudo. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. sem medo e sem privações.44 I. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. humanos garantem a igualdade. em 1993. blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH).

reitos humanos. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. bem como dezembro de 2008. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. PDHRE. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . De direito à educação. A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. “A educação. […] A educação deve facto. Direito à Educação Upendra Baxi. civis. embora em tempos de emergên.” direitos humanos[…]”. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. todos. iniciativa foi Shulamith Koenig. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. mulheres. mais do que qualquer outra lingua. Direitos Humanos 1995-2004. adotou-se a Res. pela sociedade civil. 1994. Através da aprendizagem dos di. A. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. homens. 66/173 da AGNU. A abertura decorreu a 10 de sados. social e económico cen. dora da People’s Decade for Human Rights . [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. os Direitos Humanos. que poderá ser formal. da AGNU). de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. ne.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. 62/171 assumidas por todos os atores e interes. sociais e culturais. em dezembro de 2011. baseada no respeito. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. DUDH. No seguimento. sofrer algumas restrições. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. dezembro de 1994. a funda- vida. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. fação. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. proteção. dos direitos humanos. funcio. Nações Unidas (AGNU) 49/184. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. proclamou a Década manos. DUDH. satis. Em 18 de dezem- mento humano. bro de 2007.” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. económicas. cionais. preocupações políticas. Inhuman Wrongs and Human Rights. Deste modo.

A 2 de dezembro de 2011. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. no nosso pla. nos em Genebra. primário e secundário. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . que inclui a transmissão de conheci- ção. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. e princípios de direitos humanos. religiosos e linguísticos […]”. parafraseando Nelson Mandela. étnicos. Em concordância. tornar os direitos hu. funcionários públicos. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção. a longo prazo. Ou. os reclamem”. modelação de atitudes. cia. que inclui o empoderamento de pesso- .46 I. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais. três em três anos.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di. sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. primeiramente. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral. alunos. nacionais. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. de 23 de dezembro de 1994. agentes poli- Humanos. que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí. a AGNU pro- dos”. A 10 de dezembro de 2004. zade entre todas as nações. povos in- neta. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. baseada nos direitos humanos”. a tolerân- de. o objeti.

tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. em particular. Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. Human Rights Center of the Univer. as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. sempenhe um papel importante. Os Esta. uma estratégia rumo à segurança humana. A mes. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos. a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. designadamente. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. decorreu em Graz. Neste contex- segurança humana. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. B. em julho de 2000. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. O pre. estratégia de implementação que delimita zação. Todos os inte- conhecimento. visa proteger os direitos humanos. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. dos direitos humanos. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. a insegurança e a vulnerabilidade. que promove a equi. para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. em harmonia com o Programa Mundial da dade. to. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. manos. assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. estabelecer uma cultura política global. isto na. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. a experiência do Holo. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. é. a tolerância. com base num sistema global de valores .

humanos desempenham um papel na gestão ria).48 I.) mento da sociedade”. 1994. Human Development Report 1994. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. mocracia. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. As políticas de se. o direito a viver numa ordem inter. Humana. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman. discriminação. Canadá. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. abordagem orientada para o poder. base do desenvolvimento da doutrina da . em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional. de segurança social (ex. Maio 2000. através da transmis- (ex. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re. de um modo descentralizado. A “Segu. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. como parte para as normas e direitos. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. do desenvolvimento de nacional segura). na transformação de conflitos e de necessidades básicas. da democracia e do de conflitos. 60/1 (2005)]. justiça social e democracia.” das pessoas. como a seguran. são de conhecimentos. and State Sovereignty. por uma Comissão Inter. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. pobreza. Contudo. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter. proteção contra a detenção arbitrá. Os direitos humanos. em vez de uma do conceito de segurança humana. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. também são um conceito chave desenvolvimento. Lucerna. bility to Protect and GA-Res. suprimento de conflitos. da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos. de um aumento da transparência humana se baseia. As organizações da so. na construção da paz pós-conflito. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. (Fonte: Departamento e da prestação de contas.” PNUD. conse- Há diversas relações entre os direitos hu. quentemente. gurança pessoal. consti- humanos já existentes. que esteve na vidas diárias. tam ameaças à segurança humana e. também os direitos (ex. Referimo-nos a problemas de se. A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. 2001. 1999.

na essência. 2005. B. Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. 2009. em dezembro de 2001. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. amplamente baseada nos direitos huma. PDHRE). Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. rança Humana (www. Costa Rica. relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. ironicamente. que deverá ser traduzido. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. de forma crucial. “O desenvolvi. ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. A Comissão para a Segurança Humana. to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. por fim. que pode ser obser. mcharan. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. aprovada pela humanos. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). segurança humana das vítimas apesar de. “Precisamos de uma nova cultura de rela.html). orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito. anterior Ministro dos Negócios Es.” Louise Arbour. Res- Nações Unidas. . humana. ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. manos e a Universidade para a Paz. cional. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”. org/doc/sanjosedec. distribuído e utilizado amplamente. (Walther Lichem. estritamente concebidos. ponsibility to Protect in the Modern World. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […]. nhecer os seus direitos humanos. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. De acordo com Bertrand G. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy. em San José. a 10 de maio de 2003. mas também. A Comissão elabo- nos.humansecurity-chs. são antecipados e tecidos numa rede coe. individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado. da ONU para os Direitos Humanos. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º).” humana no seu centro. em Graz. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran.

Secretário-Geral da ONU. A verdadei- ral realizou consultas. Mais. de 2005. 2005. direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes. Franklin mento sem segurança. durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. do PNUD. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. interli. vários indicadores. a participação política. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. mano. “Hoje. apresentados como uma se desfrutará nem de um. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós.50 I. à Segurança Humana. human rights for all. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. Kofi Annan. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. pen- 2005. em 2000. A relação entre a viços de saúde. O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. ângulo do desenvolvimento. Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. O Relatório “In Larger Freedom”. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. sociais e culturais é tão rele. Kofi clusão. os conceitos de segurança huma- Annan. de Segurança Humana. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD. inspirando-se nas gados e indivisíveis. contingentes e direito de viver sem privações. Sociais e Culturais comuns. Depois de um rela. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. por sua vez. In larger freedom: towards development. são interdependentes.” económicos. abordagens regionais relativas à Segu- . os for fear). tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. correspon. a Assembleia-Ge. da liberdade e da paz” (§12). os ser- (freedom from want). usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. Sérgio Vieira de Mello. reforçam-se mutuamente. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. contém direitos económicos e sociais. não se desfrutará Roosevelt. a segurança alimentar. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. Também este distingue na. uma dis. ser construída sobre esta base. do Secretário-Geral da ONU. Porém. 2003. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. em 2008. em 1940.

O mesmo vale para a vimento. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. Na conduz a uma redução dos conflitos vio. A ONU. Ainda que o conceito moder. do Norte e do Sul. rorista do World Trade Centre. declarada pelos crática. em todas as a DUDH. Desde 2005. do da “Guerra ao Terror”. os ci- mentais de justiça social. A “regra de ouro” segundo a e do Sul. sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. C. Este Relatório mostra a rela. sociais e culturais. ses de segurança. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. Atendendo a que. equilíbrio entre a segurança. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. que representava os seus nacionais cial. C. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. direitos económicos. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. enquanto o conceito de humanos. elaborou existe de variadas formas. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. o im. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. com fortes influências do Oriente ros no Islão. tado. deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. René Cassin e Joseph Malik. os no liberalismo e democracia. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. Europa. direitos humanos obriga qualquer Estado . que se setembro de 2001. Por exemplo. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. versal. são parte de todas as culturas. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. designadamente. os direitos humanos. historicamente. é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana. porém. e pelos direitos económicos e sociais. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. em virtude das tempos modernos. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. com fundamento na fi. dos seus pobres e para as noções funda. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. a liberdade e na 2009/2010). Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei.

” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro. uma vida saudável e em paz. de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815. homens. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados.52 I. Recursos Adi. quando se . a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. 1776. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. em 1776. que todos os homens teção de não nacionais. dentes por si mesmas. Olympe de Gouge foi uma lávia. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con. voltou a ser um tema central. são criados iguais. A segun- religião. a vações – que. o direito huma. mas também aos civis envolvi. Deus. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. cance mundial. Que a fim de assegurar esses di- inimigos. Europeia de 2000. 32º Presidente dos Estados Unidos. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida. reitos. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. e na proibição da escravidão. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. do. 1941. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. em 1789. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. Tinha certos direitos inalienáveis. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa. da Segunda Guerra Mundial. Roosevelt. para os seus habitantes – em todo o mundo.

sistemas políticos. D. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. em Teerão e em Vie- na. al. ao passo que a perspetiva cosmopo. em larga medida. reclamava a exis. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. interpretan. em 1968. Filósofos. nº 3 e 55º. 1993. como Direitos Humanos. na mundial”. partilham valores comuns. de 1993. culturais e religiosos. §5). e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. tal como acordado no quadro terdependentes. do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. sob a direção de Klaus Küng. que correspon- como uma componente indispensável do dem. c)). respetivamente. nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH. em 1993. nos básicos. da globalização. económicos e culturais. clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. mas nenhum Estado se atreveu real. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. altura entre 48 países. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. Mali. Desde então. que mentos de uma ética global. com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. acordou. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. em muitas partes. independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. As “teorias contratuais” históricos. D. tivo. e que constituem ele. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”. Teerão. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. na. por consenso. o conceito de direitos huma. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. direitos humanos. promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. con. manos e liberdades fundamentais”. os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. O projeto internacional “ética Viena.

devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. sociais e cultu. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. em 1968. tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. uma vez . do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. em 1968. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. De qualquer modo. nº1 do PIDESC). Teerão. muitos mais Estados demons. Porém. no sentido de que uma cate- políticos.” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. ainda que com o seu consenti. Alguns cé. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. “os ou seja. os outros direitos. Boutros Boutros-Ghali.54 I. paz. como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. uma categoria adicional de em 1993. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. ambiente saudável. Podem ser dis. Nos anos 80. como a China. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. em 1998. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH. Porém. em 1993. sociais e culturais. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). liberdade. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. mento. los direitos económicos. Em concordância. Secretário-Geral das Nações Unidas. rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países. consagrado na Carta das Nações dependentes. em oposição aos direitos civis e políticos. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. A terceira categoria é designada rais. Em Teerão. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. a outra. em janeiro de 2012. como a liberdade de expressão. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. social. desde então. o direito à paz e à segurança. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. tal como na Conferência embora com muitas reservas. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. A Convenção sobre a Elimina. ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. humana. na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. No passado. Artº 2º. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi. 2010. ao passo que Mundial de Viena. o Líbano ou o Chile se en. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. Nações Unidas. sociais e culturais 1966. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito. na segunda em particular. os direi. demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos.

Trabalho relativo aos povos indígenas. pela primeira vez. Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. adotou a Convenção nº 169 rela- país. car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. de 1993. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. dade subsidiária do ECOSOC. em particular. ao nível na- povos indígenas. complementam os regionais europeus de direitos humanos. votaram pela sua aprovação. como o direito de voto. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. Independentes. em 2000. regional ou universal. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). de 2003. Os e da Austrália que. 143 países Estados-membros apontam nesta direção. com apenas Contudo. propagados por alguns grupos. de professar ou prati. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . a sua relação com a terra. revendo uma declaração anterior. Individualmente ou em niu. ou não a cidadania de um determinado em 1989. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. Enquanto os direitos humanos são os di. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. entretanto. Em 2001. em 2002. para os Assuntos Indígenas. em 2007 (A/RES/61/295). Os requisitos da União Europeia e do Con- ral. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais. Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. dos seus direitos humanos. foi humanos e direitos das minorias que são criado. Po. e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. Portanto. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. religiosas ou linguís. como autori- racterísticas étnicas. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. um Grupo de cional. D. direitos humanos e os direitos das minorias. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. desde 1982. de 2005. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. que se reu- ticas particulares. e em instrumentos tural Imaterial. na preservação da sua identidade cultural. quer detenham (OIT). do Canadá. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. A Comis- conjunto com os outros membros do gru. da Terra”.

adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de . a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos.” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. mas. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. No entanto. Secretário-Geral da ONU. O diá- seres humanos completos e iguais. que tem lugar na ONU.56 I. de 1979. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. rais. confrontarmos o preconceito. Segunda Guerra Mundial. O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados. na Convenção rais. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. Consequentemente. As nossas escolas e comunidades. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. de 2003. existência de diferentes abordagens quanto lheres. nas sensibilidade relativamente ao género. por nós concordarmos em denunciar. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. no trabalho. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. 2010. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. ao mesmo tempo. e a elaboração da CEDM. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. con- tribuíram. de direitos humanos. Alguns Estados invocam as suas particu. mulheres no seio de determinadas culturas. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. base em fatores históricos. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas. entre outros efeitos. religiosas e cultu. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações. palco das mais cio com a DUDH. para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. logo de civilizações. qualquer agenda para o diálogo.). de 1995. E. ao reconhece. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948.

O PIDESC foi adotado primei. . tal como foi cometido contra os específicos. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre.Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente. o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”.Convenção contra o Genocídio (1948. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira. No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. direitos humanos das mulheres. com 186 tratamentos cruéis. A prevenção e a punição do ge. respe. sociais e culturais. ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi.Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em . . sobre . Económicos.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. é o tema da às Mulheres. Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . daquele mecanismo. sobre os direitos da criança. o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes. . desumanos e degra.Convenção contra a Tortura e Outras venções. através camente vinculativas. com 165 Esta- reitos económicos. de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria. manos ou Degradantes (1984. a Comissão das Na.Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948.Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965. Estados Partes) dantes. riu uma proeminência particular. dos países em desenvol. um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos. a luta contra a discrimina. Em janeiro de 2012. Todas as Formas de Discriminação lheres. pelos di. sociais e culturais (PIDESC). Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições . E. ça (1989.Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. com 173 Es- de apartheid. adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos. tendo como resultado a adoção . ro. Penas ou Tratamentos Cruéis. contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979. lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio. Sociais e Culturais (1966. bros das Suas Famílias (1990. na ONU. com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. Civis e Políticos (1966. de 1979. adqui- antes da DUDH. em 1976. Desu- Nos anos 60. com dos. dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . com 193 Estados Partes) .

têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. suas disposições. não são permitidas restrições a cer. dade ou origem social. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º. por razões de Não Discriminação segurança pública. Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. terá de ser aprovada pelo Parlamento. que per- e do PIDESC). nasci. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas. nº1 do PIDCP). dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território. a proibição da tortura e da escravi. Estas restrições têm de estar quela situação. cor. nacionali. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. à liberdade de ção. de ordem pública. sexo. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. de saúde pública. caso tal se mostre necessário. Os outros instituições tais como os tribunais. o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. património. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . ou o direito à liberdade de pensamento.Convenção Internacional para a Prote. como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. sem discriminação no respetivamente. mitem restrições de certos direitos. obrigações. língua. com Direitos Humanos (artº 15º). emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP). melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. As medidas têm de ser plasmadas numa lei. reli. um Estado pode derrogar as suas pensamento. Tal Porém. As tória (artº 4º. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. blica. associação. opinião política ou outra. designados de direitos inderrogáveis. já tos artigos. em particular. incluindo o seu próprio. Humanos”. à liberdade de sair de qualquer país. Consequentemente. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. portanto. um relatório e linhas de que respeita à raça. o terrorismo.58 I. soas com Deficiência (2006. uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. direitos humanos.Convenção sobre os Direitos das Pes. O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. ameaçadora da vida de uma na. Perante uma emergência pú- to. Po. Estes direitos são. ção de controlar o uso inapropriado das rém. vaguarda”. . de consciência e de religião. no caso de o estado de emer. à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina.

O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. ao operações de manutenção da paz. âmbito dos poderes executivo ou judicial. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. acerca do seu território. ao suscitar a ques. isto é. Por exemplo. de uma cumprir com as suas obrigações. Neste contex. o Estado terá também o B. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. a implementação signi. Porém. na maior parte conseguida progressivamente. lecimento da implementação. mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados. isto é. cada Estado para o fazer. junto da população do sentar relatórios. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. F. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. tais como a todos à educação. Em primeiro lugar. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. Normalmente. rizontal”. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. pro. Do mesmo modo. relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. de garantir ou fornecer certos serviços. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. O ob- passo que os direitos económicos. ção dos direitos humanos. é tida em consideração a capacidade de cional. O Comité sas transnacionais. Todavia.). sociais e culturais. tuito. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. o nomeadamente. também pode elaborar Comentários Gerais . vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. os direitos humanos rar certos padrões mínimos. neste último caso. poderá haver obstáculos. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. têm de ser implementados ao nível na- to. lações dos direitos humanos. foi ins- maneira geral para todos. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. atra- têm de respeitar os direitos aceites. regularmente. por parte do Estado. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. os Estados têm de apre- direitos humanos. tais como a educação e a saúde e assegu. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. Isto é particularmente rele. direitos económicos. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. Desta forma.

também exis. como o do PIDCP. Este procedimento. tal só é possível para as de 1970.60 I. tem os mecanismos criados pela Carta. que ção. Estes procedimentos refletem o ativismo . O seu man- nos. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. os relatores especiais e. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. sujeito a extensão. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto. violência contra as mulheres. submetendo relatórios anuais. Também se estabeleceu um Tribu. por vezes. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503. os procedimentos especiais. conhecido ago. no respeitante a outras con. Humanos desde 2006. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. Porém. e 2000/3 de 2000. as atividades dos relatores especiais e dos tados. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. confor- cesso. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. ções e para as situações). Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. es. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). por exemplo. No todo. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. Em 1 de julho me as circunstâncias. tais como as convenções. nessa data. Há “relatores por país” como. de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. nos no Sudão. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. ao PIDESC. em janeiro de 2004. dos Povos) ter entrado em vigor com su. antes de chegarem da. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. peritos independentes de 2008. Partes. 10 Estados atividade. missário da ONU para os Direitos Humanos. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. dato é normalmente de três anos. “relatores temáticos” como. o tribunal foi fundido com o Tri. missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. por exemplo. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. Em alguns casos. é. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. Há também Direitos Humanos. e que são posteriormente ana- queixa e. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo.

aumentou. de Cuba e da Bielorrússia. peciais continuam a ser testados. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. conduzindo a uma revisão condigna. o Montenegro. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. a Gua- sessões para três por ano. foram renovados. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. Na verdade. As pri- tabilidade e na monitorização. como parte das reformas das Na. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. países como o Afeganistão. o Camboja. Até 2011. rapida. os direitos humanos à desenvolvimento. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . o Kosovo. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. Estes países pretenderam mento estrutural. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. a Bósnia-Her- Para este efeito. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. que. a revisão dos novos procedimentos. por país. a Colômbia. pode. com base na DUDH e ou. designada- Nações Unidas. tais como. especialmente do mun- educação. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. porém. à saúde e a políticas de ajusta. etc. a direitos humanos. o Haiti. a uma habitação do Islâmico. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. no genocídio no Sudão. o Conselho de Direitos Huma. através todas as ações. mente. não Em 2006. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. assim como se temala. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. aumentou-se o número de zegovina. teve lugar ções Unidas. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. trabalhos da comunidade internacional. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. das prioridades. à alimentação. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. de 1998. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. tos humanos. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. O Conselho de Direitos do. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. a aumentar os seus recursos. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. F. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. por exemplo. nos da ONU assumiu todos os mandatos. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. reitos Humanos’. Em 2010/2011.

G. vários ato. dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. Algumas ONG. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura. com muita eficácia. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. APT). Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. a criação de na Ásia e nos países Árabes. ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. acima de de. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). tem-se revelado cru. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. de proteção de direitos humanos. tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. em 1993. garantias de indepen- modo a atingir este propósito. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. A promoção de Direitos Humanos. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. a ONU recomendou. como a volvimento. tal como na Res. As ONG assentam na li. protegida pelo artº factos e na monitorização.62 I. fundamentados na investigação dos berdade de associação. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. o setor da educação em geral. Normal. em 1998. tudo. direitos humanos. De acordo com uma resolução da AGNU. De responsabilidades. os saibam utilizar da melhor forma.. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. As ONG. a Declaração dos Defensores sobretudo. incluindo uni. bem como méto- res podem ser envolvidos. dência e de pluralismo. mentos particulares. dos operacionais. utilizam procedi- po. AG 48/134 (1993). onde humanos. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. etc. As ONG. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. Uma outra forma 22º do PIDCP. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. lidade. a internet. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional. portante. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. A estratégia “mobiliza. Com esta finalida- dos direitos humanos implica. foram adotados pela AGNU. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. As instituições nacionais versidades. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. as pessoas e de informação independentes. em particular em países que não mentais (ONG). Na ONU.

o mundo. relacionados com o comércio justo. à Educação e Aprendizagem para de nós. nos. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo. em alguns casos. campanhas sobre assuntos específicos ricula. de Aprendizagem de Direitos Humanos. za recursos eletrónicos (www. es. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati. violência contra as mulheres. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. e a UE têm o objetivo de os apoiar. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. refe- . económica e politicamente. A nível global.org). da organização de ações de forma. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa. como é o caso da polícia. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. Em nos. a UNESCO. nomeadamente. G. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais. a PDHRE. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso.” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. em todo o mundo. onde pre- Há inúmeros casos. ONU. da compre. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. pelas suas próprias mãos. O Estado não e comportamento discriminatório. mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. através do desenvolvimento de cur. CLADEM ou a WIDE dão realce. A UNIFEM.hrea. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação. do compromisso de Em África. a ção e da produção de materiais didáticos. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. também alcançou o Sul. giados. com o objetivo de qualificação profissional. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. Ásia da ONU. os direitos humanos. os direitos frequentemente. assistem Humanos. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. em cooperação com a humanos e as violações ambientais. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. Em alguns Estados. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con. e África. organiza. Também o Comissário dos Di. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. o Conselho da Europa seguição. através da internet e também disponibili- trolo da lei.

caso haja . Mais.Carta Social Europeia (1961). mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos. (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos. 28 depois implementação. Humana. para desen.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse. Segurança Humana Já. habitualmente. em 2013). cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas. da adesão esperada da Croácia. desenvolveram-se bros). . seus países. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. veu-se em reação às violações em massa de nais. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. vinculativos para todos os Estados Partes. assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá. Po. Desumanos ou Degradantes (1987) . SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado. 2003.) H. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns. volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana.64 I. em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I. mentos de direitos humanos. os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros.Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo. Desenvol- forma mais eficiente. revista razões válidas para elas. do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados. EUROPA . selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial. tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas. Os direitos humanos. No caso dos tribu. ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que. a sociedade civil interna. através de uma educação ba.

que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. com base num Protoco- . que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1. e os Pro. processos de autodeterminação que ocor- . Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. H.Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. como importância da CEDH. mais genericamente. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. dos Estados Unidos da América. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. de 1950. mas também o direito à educação. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . A CEDH contém. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002. Proibição da Tortura sobretudo. Atual- nova Europa (1990) mente. o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). de 1961. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia. contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo. em 1993. em 1988 e em 1995. reitos Humanos. confere também a possibilidade de queixas coletivas. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 . hospi- O instrumento jurídico principal é a Con. Assim. Contudo. Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi. Estes pro- débil e ineficiente. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. dos desde o final da década de 80. foi con.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. da Jugoslávia e. a nível universal. paralelamen.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. de 1987. a AGNU adotou um nº 6 e nº 13. um reno. que distinguem a perspetiva eu. ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . e melhoraram os seus procedimentos. Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di. venção da Tortura (SPT). blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. direitos civis e políticos.

Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo .Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos. da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área. . 1990) leceu. a Comissão. mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR. cultura e a sua identidade. enquanto o Comité de Ministros é . .Tribunal Europeu dos Direitos Huma. em 1999. .Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância.Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo. nos (tribunal único em 1998) 1998) . um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la.Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos . Segun. Meios de Informação (1997) ses. do Racismo e da Xenofobia (OERX. 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a .Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007).Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa. Contudo. a Intolerância (CERI. . na década de 90.Comissão Europeia contra o Racismo e países.Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT. os Estados têm de prote. Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. a xenofobia.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos . A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa. e também realiza visitas aos paí. Também apresenta recomenda.66 I. o me. . mas também têm de .Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção. na luta .Representante para a Liberdade dos grantes. . Para esta finalidade. junto com os Esta. o Europa antissemitismo e a intolerância. estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu . em 2003. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais. pre.Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. tal como a situação dos mi.

tervir com a função de recurso. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. porém. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros. No entanto. é uma organização muito peculiar. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. ainda mais o número de processos. Sob o título da “dimensão humana”. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. humanos na Europa. para os Estados. mas irá aumentar to nacional. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. cuja jurisdição obriga. das. em particular. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. monitorização bem sucedido. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. rações e recomendações têm um carácter b. Caso contrário. pleno. verifi. dade jurídica internacional e as suas decla- nais. poderá in.000. em 1998. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. colo nº14 à CEDH. o Proto- em Estrasburgo. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. as listas de c. adotadas em diversas conferências d. foi adotado. H. da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. representantes dos Estados-membros. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2.000. As senten. incluindo os EUA e o Canadá. para O principal instrumento de proteção dos 56. Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. medidas adicionais. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. composto por 17 juízes. uma vez nomeados. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. a ças são vinculativas e podem prever a atri. Convenção Europeia dos Direitos Hu. em 2004. O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. Contudo. Violação de um direito consagrado na 1994. como na . problema. em 2011. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países.

ropeia. que tem a responsa. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR.68 I. princípios gerais de direito comunitário. permitiu que em países onde mantém missões. criada em 1957. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. Cimeira de Nice. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. Desde os anos 80. tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. partes. de acordo com o tratado reformador da UE pa. O proces. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo. Liber. Com 3. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. em 2000. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. A OSCE igualdade. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. de início não se tuação dos direitos humanos. com outras organizações regionais ou in. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia. do Tratado da União Europeia. Em 2000. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. na qualidade de membro. ropeia dos Direitos Humanos. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. como o direito de propriedade. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível. adotada na compreensão”. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. respetivamente. localizado em Var. explicitamente. . assim como ONG. venção de conflitos. como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. em 2009. A OSCE desempenha também um referem. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). monitorização de eleições democráticas. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. A Política de Direitos Humanos da este propósito. a integração política casos de proteção. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. de 1995. desde os anos 80. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. dos do Sudeste Europeu. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. Atualmente. europeia comum. sóvia. convocou-se uma Convenção ternacionais. nomeadamente. sob a ex. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá.

A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. to igual entre as pessoas. incluindo Europeia que define a estratégia política. em 2007. como económicos. idade. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. na UE. mas também todos os Estados-membros da UE. a ADF. dentro da . à semelhança da DUDH. pelo Tribunal Penal Internacional. a UE inclui cláusulas de di. tanto direitos civis e po. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. deficiência ou desde o início dos anos 90. sora. em 1998. o Acordo ONG. Viena. orientação sexual. no artº 19º. nação com base na origem racial ou étnica. publicado pelo Serviço Euro. cismo e a xenofobia. Em 2000. Desde então. apoiado por rais. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. reflete finalidade. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. sociais e cultu. da União Europeia (ADF) foi criada em rais. zam aconselhamento. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. formando Fundamentais. O União Europeia. denomi- se encontra ativo nos bastidores. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. para abordar o pro- Desde 1995. na UE. é disponibilizada ajuda fi. educação. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. como o Acordo de Cotonu. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. É a habitação. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). H. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. em Viena. operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. O Relatório Anual de Direitos das. rea. A sua agência suces- peu. também pu. e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX). particu- direitos humanos e democracia. como a China e o Irão. na religião ou crença. bem os Direitos Humanos. numa nada FRANET. Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. Com a en. manos como uma prioridade europeia e. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. proteção social. latórios regulares e abrangentes. num único texto. o OERX. mais do que através da redação de re- Humanos. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. junto com a União Europeia.

Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte. A Comissão Interamerica. este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). en. mas a Con. venção Interamericana para Prevenir. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990. Há também um Relator Especial so- Além disso. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. desde então. 1928. 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos.Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. grupos ou conferem direitos às mulheres. com sede na Costa Rica. Os Estados Unidos não são parte da .70 I.Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais. por regulamentos e diretivas. 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema. Pu- da por outras diretivas. juntamente com Humanos (1969. tem sido complementa. AMÉRICAS . Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente. e constituída por 7 membros é o (1988. em vigor 1978. .Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978. sociais e cul. (Convenção de Belém do Pará). . ONG podem apresentar queixas. nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. dos Partes) trou em vigor e. Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e. Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. os Estados-mem. Deficiência (1999. A Convenção também tra a Mulher (1994.Convenção Interamericana para Preve- Convenção.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos. Estados Partes) ricanos (OEA). merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. . reitos Económicos. Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. De acordo em vigor em 1995. adotada em 1969. . Humanos (1979.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. 12 Esta- Direitos Humanos. designa- . De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979. Sociais e Culturais em 1959. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades. 35 Estados-membros da OEA. . foi comple.Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame. em vigor 1984) um sobre direitos económicos. . a União Europeia dá par. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. . 24 a Carta da Organização dos Estados Ame. que entrou ticular importância à igualdade. devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. apesar de a Comissão ter a sua nir. desde então. Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington. forma particular.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA.

dos Povos. lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . Ao Tribunal Intera. pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). por exemplo. Estar da Criança (1990. que sucedeu à OUA em 2001. Atualmente. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. mudou desde então. Tal como a Comissão. e dos Povos (1981. em vigor 2005. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. . duos. e de indivíduos ou grupos. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas. e não tem carácter permanente. for. Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. em vigor 1986. na Gâmbia. em nome das vítimas das violações. da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. em vigor 1999. todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. H. o Tribunal tem sete .Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. res (2003. Enuncia. a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. 45 Estados Partes) III. ainda. No entanto.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. em vigor 2003. uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego. consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos. Os critérios de mada por 11 membros. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi.Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. Direitos Humanos e ao Tribunal. sobre os direitos das mulheres e . ÁFRICA . o à família e à sociedade mas. 28 Estados pressão.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. no passado. sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes. tos humanos e dos povos. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos. que entrou em vigor em 1986. Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os . Há muitas ONG que ajudam .Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes. relativamente ao Tribunal. tos individuais. na (UA). Deste modo. Tribunal não recebia muitos casos. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató. o que aqueles deveres são pouco relevantes. nomeadamente. os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. na prática. Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente.

OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais. No entanto. É também im- 2008. a Assem. mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. apenas entrou em vigor em 1999 e. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos. da ONU. cipar nas reuniões públicas da Comissão. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. ratificado por 28 países. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. IV. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. fora em termos do direito internacional. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. No entanto. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. sobre prisões e condições de detenção. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. o que é questionável em vigor em 2005 e. como a Constitutional Rights Project. ceu. tal como no sistema interamericano. na Nigéria. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. o sobre os Direitos da Criança. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. em 1995. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. . em julho de 2010. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. foi que constitui até agora a exceção. em 1994. Moçambique. adotada. nas. Em 2009. estes bros da UA. na Tanzânia. Além disso. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais. organiza ses. por exemplo. através do exame até 2011. sobre os direitos dos arguidos. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. é feita pela Comissão. Uma parte importan. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. lho da Liga dos Estados Árabes. 3 Em junho de 2011. e teve sistemas jurídicos nacionais. deve- expressão.72 I. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. gerianos casos de violações da Carta. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. como depois da execução de nove mem. requerentes de asilo. em 1990. em 2004. em 1989. como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. a Conferência Islâmica (OCI)3. mi.

entre a UE sigla em língua inglesa). Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. para nal. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. sente Acordo. que consis. em 2007. Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. I. com o estabelecimento . regime. convencer governantes antidemocráticos. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. de 200 ONG asiáticas. apesar de diversas tentativas. de direitos humanos. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu. nova versão que entrou em vigor. tação de contas tornou-se uma preocupa. Povos. tal Kong. Asiática de Direitos Humanos. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. Enquanto acordo inter-regional. do a China. em 2004. isto é. Adotou-se. sobretudo. Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. a Comissão Intergoverna. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. normalmente generais. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. te. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. No entanto. 50º aniversário da DUDH em 1998. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. por exemplo. anual sobre Direitos Humanos. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. a transmitirem o ção geral e global. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. não pode receber quaisquer queixas. o Acordo devido à diversidade na região. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. ser suspensas. incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. reitera que o Asiático. se as consultas ini- com um mandato. 19 Estados asiáticos. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. uma reitos Humanos da ASEAN. e.ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC. após 7 ratificações. em 2008. europeia (Asia-Europe Meeting . Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. ainda não foi possí. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. no artº 9º. I. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN. sobretudo. atualmente. nº2. pela Associação Sul. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. mais porém.

em outro local. JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual. decisivo. o antigo ditador chile. Finalmente. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. mas. contra qualquer população civil”. incluindo casos de violação sexual. em 1998. a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. algumas convenções internacionais. adotado em Roma. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). Es- a sua extradição do Reino Unido que. requereu como forma de justiça não retributiva. . o Para prevenir violações de direitos huma. Tem existido uma campanha in- 2006.74 I. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. mas não implemen. No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. ternacional contra a impunidade. (TPI) e ao nível nacional. A tada devido à sua frágil condição de saúde. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”. em 1998. em 2010. na definição finalmente mático. em março de justo. que tem sessões ex. em 2011. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. e que entrou em vigor em 2002. crime de agressão. pelo menos. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. de mental ou física. conseguida numa conferência em Nairobi. Humanos das Mulheres). as leis traordinárias em Haia. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. este respeito. J. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. crimes de guerra e o dro de um ataque. cidas na África do Sul e em outros países no. voltou para ser presente à justiça. siderou que as leis de amnistia. de amnistia foram revogadas. de contas. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. No Egito. formas de violência sexual (Direitos em 1998. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. conce- Charles Taylor. generalizado ou siste. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. No caso da Argentina. julgamento. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. são violenta dos protestos. perpetradores. escra. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. um juiz espanhol. engloba os crimes de genocídio. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. à sociedade de aprender com o passado. No caso da “primavera Árabe”. saberem a verdade e finalmente concedida. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa.

O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). escravidão sexual. assim como genocídio. Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. Dinapur (Bangladesh). do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. crimes contra a humanida. escravatura. No caso do Camboja. o seu funcionamento. da função oficial do acusado. entretanto. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. a terror. investiga homicídios. Graz (Áustria). como homicídio. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci. ternacional para o Ruanda (TPIR). em 1993. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. Deste modo. no caso de Kadhafi. como um tribunal ad hoc para li. na Tanzânia. em 2011. em 1994. Kati (Mali).ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . tortura. julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. K. a jurisdição em Haia. o Tribunal Penal In. Ed- do PDHRE . como Rosario (Argentina). será sujeito a uma supressão pro- gressiva. Só se um Estado humanos e de direito humanitário. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. bém apresentar casos. foi estabelecido em para a Serra Leoa. extermínio. mento social e económico. humanos como guia para o desenvolvi. K. violações. Bucuy (Filipinas). Porém. Coo- Camboja de 2003 foi protelada. independentemente o conflito armado. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. Todos os tri- de. Korogocho (Quénia). Internacional para o Ruanda. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. a funcionar desde Arusha. tam. tal como aconteceu tos armados. 2002. terminou o em 2008. atos de bém temporário. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. no ter. existindo ainda problemas com seu trabalho. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades.

por liderado por um Comité de Direção que exemplo. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. administradores. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. como as de Veneza Com este propósito. em 2011. por exemplo. cais e ONG. nas cidades. manos nas comunidades. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. onde. reuniões regulares. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis. dos Direitos Humanos na Cidade que. nível local. e culturais. que trabalham no sentido manos. iniciada pela UNESCO. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. líderes de associações lo- dos seus habitantes. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. manos na vida diária. www. lha principalmente ao nível regional. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. civis e políticos. os habitantes analisam diterrânica. Em direitos humanos. Neste processo.76 I. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). Um sistema de monitorização. da dos Direitos Humanos na Cidade. género. direitos humanos. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. As experiências das Cidades de Direitos . uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade. principalmente na Europa me. assistindo-as a tomar em con. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. no que res. seus direitos humanos. A Coligação traba.pdhre. são considerados como um todo. reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos. gem e formação. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias. ado. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. económicos. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. cidades. polícia. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. comprometem-se a dos direitos humanos. começando ao des dos Direitos Humanos. o experiências relativas a boas práticas.org). profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. foi elaborada. políti- de justiça. No Fórum Mundial das Cida. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade. su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. A nos. como o provedor fazer com que todas as decisões. pe. Desenvolvem planos para internacionais. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. Muitas ci.

etc. mal de inauguração na Universi- tadt.menschenrechtss. Municipal. etc. Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais... . de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. H. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com. em 2008. na Câmara Municipal. sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. publicações. Graz. pelo Conselho Consulti- NAR). contra a Discriminação res no Rosário. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores. reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género. manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. 2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. que também oferece vários progra- to Alegre. 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe. ambiente competi- tivo. por exemplo. Programas de Aprendiza. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança. 100 indivíduos e organizações na promisso.at). dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. professores. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. mas de educação e formação para os direi- tos humanos. no Brasil.

com funcionários de direi. também poderão ter êxito propos. ainda. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. humanos. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. O mesmo vale governamentais. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. bem como as tecnologias de tos Humanos. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. que existe tan- importante papel. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. refugiados. humanos. enquanto representan.78 I. por exemplo. do trabalho da OIT. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. (de paz). uma atitu. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. como efeito preventivo e promocional. Entre estes. para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. como os “padrões funda- humanos. a inclusão dos direitos gulares). Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas. Em ambos os casos. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural. informação. assim. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. Há. as Ao mesmo tempo. desempenham um e o direito dos refugiados. Novos reitos humanos de instituições locais. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. lo Opcional. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. refugiados. institucionalizando. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. a situação em 2006. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. Do mesmo modo. direitos humanos e da democracia. como aconteceu. o existentes podem tornar-se mais visíveis. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional.

fazer face a estes novos desafios. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010). L. a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. Banco Mundial. derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. Respeitar e Solucionar” e mento justo. pós-conflito. humanos. que contém um “Quadro humanos. Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. As. Em 2011. Direito ao Asilo. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. a res. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. tais como o direito a um julga- para Proteger. lançou-se o Global Compact. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. para negócios e direitos humanos”. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. assim como a destes resultados. padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. a questão da compensação de. como o guém pode ser deixado à margem da lei. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. como uma abordagem reito. em 2003. não fo. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final. em julho de 2000. Prima. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. o papel dos ne- Em resultado da globalização. padrões de trabalho. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. manos inalienáveis sendo que. como também de atores não estatais. o FMI ou a OMC. riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. gócios em zonas de conflito. Conselho de Segurança da ONU também manos. Esta questão levanta uma outra 2011. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. e anticorrupção. que é exigida não só de indivídu. Nin- ganizações intergovernamentais. para considerar a re. assim Responsabilidade de Empresas Transna. Um dos principais desafios é manter os os. consi- e outras empresas. por exemplo. combatem novas ameaças terroristas. que deve ser feita com base Kofi Annan. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. porém. nos direitos humanos e no primado do Di. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. o Secretário-Geral da ONU no. nova e inovadora no processo de globali- zação. O Tribunal de Justiça da UE. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva.

em conflito com o Conselho de Segurança. 2011. suscitou algumas controvérsias. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais. . há ainda um longo si mesmos. humana. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos . Philip (ed.un. Esta pretensão. A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. manos. Ceder na proteção dos direitos huma.” Ellen Johnson-Sirleaf. A defesa dos direitos hu. Kofi Annan.htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos. aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos. como a liberdade de expressão o terrorismo. olhando para trás. (Ver www. porém. embora possam estar em são foi.80 I. Não temam denun- numa decisão de 2010. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson. Press. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . Prémio Nobel da Paz.org/News/Press/docs/2003/ Contudo.” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU. 1999. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. para os Direitos Humanos para o Futuro”.está entre de acesso” à internet. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003. Esta última deci. The EU and Universal Declaration of Human Rights.). Não temam exigir a paz. Não temam procurar a paz dos-membros da UE. Human Rights. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem. desvantagem. Gundumur et al. como o facebook. alvo de recurso pelos Esta. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. ciar a injustiça. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. de um provedor pelo Conselho de Segu. Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança. nessa medida. por exemplo.doc. 1999. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. também cons- sgsm8885. o terrorismo. M.o profundo respei. The Alston.

The Idea of Human tion with Young People. Kehl: Engel. Charles R. Wolfgang.). Matthias C. West Group. Wolfgang. How to Complain Implementation. Buergenthal. Guidelines on Leiden: Martinus Nijhoff Publishers. to the UN Human Rights Treaty System. Publishers. Singapore: ASEF. 2002. Baxi. Manfred Nowak. mentary. 2002. Available online at: www. Benedek.pdf Terrorist Measures and Human Rights. Kisaakye T/E/Human_rights/h-inf(2002)8eng. hal and Engelbert Theuermann (eds. Annual Re. Anti. 2002. schaftlicher Verlag. Benedek. The Human Rights of Women: International Council of the European Union. 2011. for an International Criminal Court: A Com- man Rights. The Human Dimen- sion of the OSCE: From Recommendation to Bayefsky. New York: Transnational Publishers. Protecting Human Rights in the Benedek. Boersema.pdf and Gerd Oberleitner (eds.). COM- PASS – A Manual on Human Rights Educa- Beitz. Anne F. 1999.int/t/E/Hu- los-Marangopoulos (eds. London/New York: Routledge. Patricia. The Rome Statute 15 Years Vienna World Conference on Hu. Julia Americas – Cases and Materials. Marie-Laure Lemineur et al. . Globalization and Human Rights. 4th rev. Problems. Wolfgang (ed. M. Benedek. David Stewart.coe. the Protection of Victims of Terrorist Acts. Theory and Practice. Protecting and Empowering Fabrizio Marella (eds. 2005. Wolfgang. Human port (yearly). 2009. Available online at: www. 2002. cil of Europe Publishing. Oxford: Oxford University Press. Philosophy of Human Rights: Theory and Practice.int/ Benedek. Guidelines on bridge: Cambridge University Press. 2009. Policies. 2002. Council of Europe. 2001. 2007.). Christian Stro. Brussels: European Communities.). 2003. David. 2011.coe.). Wolfgang. The Future of Hu- man Rights. Human Rights and the Fight against Ter- rorism. Oxford: Oxford University Press.). 2000. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 81 Amnesty International. edition. Upendra. Commission on Human Security. Kozma. Vienna: Verlag Österreich. Annual Report on Human Rights. man_Rights/5694-8. Buergenthal. Thomas. 1995. Westview Press. Hu- Benedek. Binder. Global Standards – Local Action: Cassese. Paul: Peace Operations and Crises Management. Thomas and Diana Shel- ton. Economic People. Oxford: Oxford University Brander. Lon. Cam. don: Zed Books. The Hague: Martinus Nijhoff Asia-Europe Foundation (ASEF). Diana Shelton and Kettemann and Markus Möstl (eds. 2003. 4th edition. Strasbourg: Coun- Rights. Rights in Bosnia and Herzegovina. Potential. New York: Oxford University Press. The Third Informal ASEM Seminar on Hu- man Rights. Antonio. Clare Greogry. Vienna/Graz: Neuer Wissen. 2003. et seq. Johannes. Koen de Feyter and man Security Now. Ellie Keen. St. Mainstreaming Human Security in Rights in a Nutshell. 1999 Instruments and African Experiences. Wolfgang and Alice Yotopou. Council of Europe. International Human 2010. Rui Gomes. Press. 2009. Esther M.

Fagan. The Causes of Peace and the Shrinking Cost Evans. 1999. David P. International 2nd edition. cial Justice in the Age of the Market. ford and Portland. Felipe Gómez and Koen de Feyter Practice. 2009. Baden- Cambridge: Polity Press. Cambridge: Cambridge Gomien. Universal Human Rights and the WTO. Donna. fronting Myths and Misunderstandings. Cambridge: Cam. European Convention on Human Rights. Human Rights. Jaichand. Con. Janz. balhumansecurity/changingworld. man Rights. 60 Years of the Universal Dec- Forsythe.). Antwerp: Intersentia. Robert F. man Rights: Achievements and Challenges. Cam. bridge University Press. 2005.cpdsindia. Malcolm and Rachel Murray of War. rity: Safety for People in a Changing World. (eds. Holger. Human Hodson.htm. Koen. 1998. Ant- International Relations. New Haven: Yale University Press. Cam. Olivier. Andrew. Human Secu. 2007. The Mobilization Human Security Research Group (ed. Michael. Bilbao: University of Deusto. Human Rights and Christiane Timmerman and George Ul. 2008. 1999. An Introduction to the International Protection of Human Rights. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS De Feyter. University Press. The Local Relevance of ume 9/3). Viodh and Markku Suksi Cheltenham/Northampton: Edward Elgar. 2nd edition. 2011.org/glo. 168-182. 2009.). Loveday. 2nd edition. A World View of Human Rights. . Freeman. Raija and Markku Suksi (eds. Human Rights: Menschenrechte – Globale Dimensionen An Interdisciplinary Approach. Doswald-Beck.). Struggle for Human Rights in Europe. 2nd edition. 2nd edition. Yash. Human Donnelly.). Oxford: Oxford Ithaca: Cornell University Press. 1986-2006. man and Peoples’ Rights. eines universellen Anspruchs. 2011. (eds. Louise. sity Press. Koen. Available online at: www. Hestermeyer. 2011. Jack.). Turko/Abo: Institute for Hu- Human Rights Law. man Rights in a Globalising World: Extra- Department of Foreign Affairs and Interna. 2007. 2nd edition. Human Rights: So. Ox- New York: Oxford University Press. and Access to Medicines. De Schutter.82 I. Public Law Review. of Shame. 2009. 3rd edition. territorial Application of Human Rights tional Trade. Oxford: Oxford Univer- (eds. 2006. Short Guide to the University Press. Strasbourg: Council of Europe. Oregon: Hart Publishing. Treaties. The System in Isa. International Protection of Hu- bridge: Cambridge University Press. Hanski. Human Rights. Asian Values’. 2010. 2003. Abo Akademi University. Lon- Gondek. The African Charter on Hu. 2011. werp: Intersentia. Canada. 2001. Baden: Nomos. New York. The Reach of Hu- don: Zed Books. 2005. Human Rights in laration of Human Rights in Europe. Michal. 2011. Ghai. NGOs and the Rights in Times of Conflict and Terrorism. A Textbook. Nikole und Thomas Risse. Drinan. (Vol- rich (eds. The Case of Patents Rights in Theory and Practice. Stephan Parmentier. De Feyter. pp.). Human Security Report 2009/2010. bridge: Cambridge University Press. 2011.

. Introduction to Kozma. Human Security and the New Diplomacy. Rights and Human Security. Polity Press. Warsaw: OSCE/ODIHR. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 83 Joppke. The mond (eds. New York: PDHRE. Robert. Mares. 2008. Promoting Peace. Rich- Kälin. Cambridge: Polity Press. World Poverty and Principles on Business and Human Rights. Rob and Don Hubert (eds. ORF. Civic Engagement for Martinus Nijhoff Publishers. tion. International OSCE and ODIHR (eds. 2007. tect. Mack.udhr60. Bertrand G. Stephen P. Cecilia Cristina. Ottawa: International Development 2007. Washing. Menschenrechtsstaedte dieser versity of British Columbia. Niamh. eignity. 2005. 2010. Civil Society. Andrew (ed. Available online at: the Politicization of Human Rights. Global Human schaftlicher Verlag. Radu (ed. The Responsibility to Pro- Menke. ford University Press. Human and Walther Lichem (eds. 2010. ing Terrorism. Available online at: Einfuehrung. The UN Guiding Pogge. New York: Palgrave. 2000. 2008. Oberleitner. American System of Human Rights: A Re- search Guide: Available online at: www. A Manual. Gerd.). Mon- sion on Intervention and State Sover- treal: McGill-Queen’s University Press. Baden: Lars Mueller Publishers. Lars Mueller und Judith nyulawglobalorg/globalex/inter_Ameri- Wyttenbach. Maddex. Hamburg: Junius. 2009. 2001. 2nd edition. Societal Development. Rights Institutions.).ch/docs/Panel-humanDigni- United Nations University Press. The Inter- Immigration. Martin Scheinin. of Human Rights – Consolidated Statute and Commentary. Report of the International Commis- Protecting People.). 2011. The United Nations Law of International Human Rights Protec- and Human Security. Manfred. Hu. 2003. Walter. M. The Hague: man Rights Cities.). Protecting Human Rights – ton: Congressional Quarterly Press. Cambridge: Leiden: Martinus Nijhoff Publishers. Edward and Oliver P. Philosophie der Menschenrechte zur Research Centre. Walter and Jörg Künzli. Human Rights Cities of this World. L.. 2001. Tokyo: www. Thomas.pdf. ty_rapport2011. Vienna: Neuer Wissen. Manfred Nowak and the International Human Rights Regime. Kaelin. Uni. Cambridge: Polity Press.). 2002. Oxford: Ox. A World Court Leiden: Martinus Nijhoff Publishers. 2007. Reilly. Christoph und Arnd Pollmann. Counter- Encyclopaedia of Human Rights. Christian. Oxford: Oxford University Press. 2011. Cambridge: Polity Press. Human Security Centre. 2010. Marks. Kathleen Modrowski Ramcharan.htm. Human Secu- rity Report. Raffaele and Nathalie Tocci Panel on Human Dignity. rechte. Nowak.idrc. 2007. Marchetti. Rights. Das Bild der Menschen- can_human_rights. Citizenship and Naddeo. 2008. www. Womens’ Human McRae. 2001. Julia.). An Agen- (eds.ca. Between Remedy and Ritual. Conflicts and da for Human Rights. 2012. Welt. Human Rights. 2010. Newman.). Graz/Wien: ORF.

Peoples. ment. 3rd edition. Ethics: A Critical Introduction. Rhona.etc-graz. 2006. European Training and Research Centre Todorovic. Mirjana (ed. Koen de Feyter. . Declaration on Minority Rights. The Struggle for Global Justice. Procedures.org/humansecurity/tabid/2212/de- Globalization and Human Rights. 1993. Cambridge: 2005. 2012.). Phila- Ryan Goodman. delphia: University of Pennsylvania Press.aspx. 2000..edu/humanrts/in- The Hague: Martinus Nijhoff Publishers.html. Mor- als. Henry J. Standards. for Human Rights and Democracy (ETC): man Rights. A/RES/60/1 of Law. UN Doc. laration on Human Rights of Indigenous 3rd edition. Human Security Unit: www. online at: www1. Fabrizio Marella (eds. Salomon. Global Res- ponsibility for Human Rights: World Pov.un. Cam- fault. Claude E. United Nations tiane Bourloyannis-Vrailas (eds. www. London: Penguin. Available online at: www2. Belgrade: Human Rights Centre. Institutions. Sicilianos. George.un. 2003. Oxford: Oxford University Press.ohchr.).org.org. In larger freedom: towards develop- Polity Press.. Towards a theory of Human Security Report Project: www.). 2007. United Nations. education/training/programme.htm. Janusz and Vladimir Volo- din (eds.umn.htm. World Summit Out- erty and the Development of International come Document. stree/d5drm. man Rights in Context. Claude E. 2011. 2001. forthcoming. Ulrich.htm. 5th edition. Oxford University Press. ing): www2.org/english/issues/ ing/UNDHREducationTraining. global ethics in support of human rights. New Welch Jr. International Hu.at. man Rights Globally: Strategy and Roles of International NGOs. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Robertson. 2006. 2005. Law. Shapcott. Margot E. Welch.). 2007. bridge: Cambridge University Press. United Nations. Symonides.84 I. Oxford: contents. Available online at: www. Linos-Alexander and Chris. NGOs and Hu- Steiner. Available Smith. Politics. United Nations.org/ esa/socdev/unpfii/en/declaration. 2008. INFORMAÇÃO ADICIONAL Paris: UNESCO. Available The Prevention of Human Rights Violations. United Nations Dec- Humanity. UNESCO: www. Crimes against United Nations.ochaonline. Philip Alston and man Rights: Promise and Performance. 2006. Culture of Hu. 2001.org/largerfreedom/ tional Human Rights. International United Nations General Assembly. A Guide to Human Rights. 16 September 2005. in: Wolfgang Benedek.unesco. Geoffrey. Human Rights Education (2005–ongo- ohchr. Richard.org/english/issues/education/train.htm. online at: www. Textbook on Interna. 2012. Economic un. hsrgroup. Report of the Secretary-General. Protecting Hu- York: Oxford University Press. United Nations Declaration on Human Rights Education United Nations World Programme for and Training.. Jr. security and human rights for all. Text and Materials. 2010.

2001. Secretário-Geral da ONU. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso. . em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. Agora tem de entrar numa época de implementação. II.” Kofi Annan.

.

” Artigo 5º. A. Declaração Universal dos Direitos Humanos. PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis. desumanos ou degradantes. 1948 .

Quando vi isto. ameaçando injetar-me. O interrogatório continuou sem inter. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. (Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde. batiam-me. Obrigaram. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. árabes. como a “noite negra”. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. 1999. Outro começa a chorar. Ameaçaram- maus tratos. “Vocês. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. objeto que parecia um taco de basebol. no dia 28 de julho de 1999. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério.88 II. deixaram-nos nus. Quando eu recusei. Selmouni ga. ser fornicados. “Eu fui parado na estrada. um deles disse. me de morte e acusaram-me de pertencer à . ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. França. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. eu fui levado para um escri. tratos tinha começado por volta das 7 ho. Tive de me ajoelhar. França.” Agarraram-me. abri a manga da camisa dizendo “Força. Caso Selmouni c. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio. bro de 1991. de. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. Um outro polícia bastão preto no ânus. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. obrigaram- ram a bater. ram-nos as mãos atrás das costas. Depois destes família. gostam de dar. caso Selmouni c. por volta das 9 horas da manhã. Um dos po. que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. que nós considerámos Depois disso. não têm coragem”. roupas afegãs para usar. Fui levado para o primeiro an. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. nos quais já não tinha sapatos. como eu tinha previsto. manos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr. Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. Perguntou-me pés. mas costas. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo. Selmouni conta esta cena. no dia 25 novem. A um determinado ponto. depois de Bobigny. parentes e amigos. é a verdade. acenaram-me com uma serin. e falasse. eles puxaram-me o cabelo. onde cerca de oito pessoas me começa.

as casas de banho esta.asp?CategoryID na. tínhamos de do. Apesar de. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios.U. Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela. Na realidade. em abril 2004. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. cida. por isso. Walid al-Qadasi foi. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. na cela es- tava muito calor porque estava superlota. Testemunhos. pelos Estados. ses padrões. Éramos dez na cela. UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. Podíamos usar as casas de banho.uk/content.E. 2. de direitos humanos ocorrem diariamente. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional . altamente industrializados e desenvolvidos. tratamento desumano ou degra. 4. aproximadamente. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. dante é ainda uma ambição por concreti. A janela da cela era muito peque. onde enfrentou traficante de droga. no exterior. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). amnesty. dar e apoiar vítimas como o Sr. Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. posteriormente. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. Questões para debate da. Disponível em: www. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda. (…) Du. Selmouni e ao Sr. Passámos três meses na cela. casos individuais de tortura e . que o Sr. ao Sr.org. O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. Iémen. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”. regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. alternar. al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. A.

À me. a nível global. mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. a jovens e idosos. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. assim como as diversas formas de divulgar informação. reito internacional consuetudinário. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. A tortura e outras formas graves local para local. a pessoas perten. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis.90 II. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. especial- pelo Estado. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. órgãos de investigação. tos. formas de penas ou tratamentos cruéis. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. portanto. Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. Ninguém está imune à tortura. mente no campo do direito internacional. dida que a humanidade foi progredindo. embora a extensão da sua “sofisticadas”. nal e internacional. nhuma circunstância.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. Até há pouco tempo. Assim. ciais à abordagem da segurança humana. No entanto. To. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. na sua raiz. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. isto é. monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. teção e prevenção. ameaça à segurança humana. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. com a questão. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. Pertence aos direitos humanos ser humano e. identificar e a considerar não só as conse- éis. mas também as suas causas inerentes. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. desumanos ou degradantes. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. das as pessoas podem ser vítimas. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. requerem que considerados inderrogáveis. a proibição absoluta da tortura e . da questão uma monstruosidade sem descrição. por nenhuma razão e em ne. A tortura e os trata. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. mitem restrições.

ocasionados.. através da educação de interpretação às autoridades estatais.. adotada pela Assembleia-Geral. obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões. De acordo com a Convenção. mas para a proteção contra a tortura e os maus que.” contram previstas em vários textos jurídi- . a sensibilização relativa aos dade na definição. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais. dá especial ên. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. cos ou mentais. humana. A. permite um desvio destas tratos. em conjunto o que garante. de 10 de dezembro de 1984 Internacional. a nível internacional. deixando uma margem direitos humanos. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos. Indiscu. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. que se en. Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. 39/46. Adicionalmen. a punir por um ato que ela 2. O Estatuto do Tribunal Penal na Res.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi. são as pedras obrigações. Além ou com o seu consentimento expresso disso. reconhece. qualquer definição jurídica parece ou tácito. acordadas. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen. nesse sentido. a sua instigação reito internacional consuetudinário. e a sua prevenção. a pala- Rede de Segurança Humana. para os direitos humanos. nomeadamente. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. agindo a título oficial. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. “[. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. cos internacionais. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. tortura. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente. de. físi- segurança humana. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. em princípio. na prática.

desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados. como dos tratamentos . crânios ticas ou práticas”. tanto físico . de que “[. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. polí- lunas torcidas por espancamentos. como os uti- . O direito de viver sem Tortura (26 de junho). Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. Em termos jurídicos. os elementos dis..] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes. Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. a definição contribui sobre a Tortura. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. cionados com a tortura. estar subordinada a outros interesses. degradantes é absoluta e imperativa e não dos. deliberadamente. desumanos ou como o perpetrador. assim que aja a título oficial. O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. pos. isto é. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção.” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan. Secretário-Geral da ONU. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante.por um funcionário público ou pessoa objetivo. A dor e o terror infligi. como física de tortura e de maus tratos. pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. te. no grau de gravidade. deixar que a vítima morra. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo. Theo van Boven. em circunstância alguma. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura.” abertos por canos de espingardas. o que.92 II. san.um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento. também de equipamento de tortura. em nenhuma lo do mercado. pessoa com um fim ou por qualquer a distinção. como nos meios cruéis usados. no seu . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. fazer a outra”. circunstância”. pesa. analisou este fenómeno para o entendimento geral. embora subtil. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana. 2001. o que levou a um penas cruéis. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. Métodos de Tortura ca. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias.. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co.que é intencionalmente infligido a uma como psicológico. por um ser humano pode.

água. tras pessoas. Também a violência nizar a pessoa. ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. que. poderem variar muito. identificáveis como potenciais instrumen. pode dial. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. afogamento simulado. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. Nas suas formas mais cruéis. não podem jamais ser considerados como mento solitário. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. no entanto. progressistas. muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. para instigar um sentimento de inutilidade . choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. cortar contatos com os prova. explícita ou tos metálicos. Por éis por uma pessoa contra outra. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. cabos e bastões. O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. A tortura psicoló. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. mas são conheci. A. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. humilhação e amedronta. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. a tortura e outras formas mar com cigarros. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. Tra- choques elétricos. um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. de esconder fraquezas e insegurança. Desta forma. sono e rem uma fiabilidade questionável. ticados para ameaçar. como meio para humilhar. sufocação. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. atar e quei. portanto. pedras. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. há no fundo. dicionalmente. exemplo. de punição e de vingança. ameaça de execução ou exe. sexual é frequentemente usada como mé. fre- Em geral. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. cos nacionais e no sistema internacional. ou implicitamente. Como de instalações sanitárias. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. obje. assustar e desuma- mento contínuos. etc. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior. mas têm. a parede. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. os métodos de tortura podem ser quentemente. fissões. técnicas de pri. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. A tortura física cau. resultado.

de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen. 3. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo. ra é pior do que a morte. cializados. da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati. A tortu- forma mais frequente. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que. desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade. com dignidade. Assim. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. os detidos gência. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. A com deficiência mental. novamente traumatizados. afetam indubitavelmente o entendimento . Crianças. fechados. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. Estes locais de detenção são. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. tais como as mi. Os maus tratos acontecem. uma qualidade de vida decente. em regra. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. não participam de forma vítimas de tortura. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. em prisões. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. falta de recursos ou formação. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. Ou. Além disso. Aqueles que praticam tais e mulheres. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. Tal acontece especial. as cicatri.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. religiosas ou étnicas. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. não são raras exceções. homens dos maus tratos. atu- doentes mentais. muitas vezes. em es.94 II. de “Eles pedem sempre que os matem. torturador das Honduras detenção. jovens e idosos podem ser atos. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. de forma oficial. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. que conduz à incapacidade de assegurar ficante.

em casos e a humilhar prisioneiros. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex. Na Alemanha. Do mesmo modo.A. Ghraib. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. tribunais em diversos estados ni. Irão. Outro exemplo recentes. à tona. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. puxas- são práticas socialmente aceites. através do qual um largo nú- penas corporais. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. foram. Os De forma semelhante. há ainda são medidas penais autorizadas. têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. rapaz de 11 anos com o uso da força. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica. Em 2004. denominadas diferentes de outros crimes e se. foram sujeitos a “técnicas de in. a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum.. A. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. na Arábia Saudita. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. interpretação. com autorização governa- modo. os tribunais religio. baseados nos princípios da Sharia. terrogatório inovadoras”. de exceções ou derrogações. mais tarde.I. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. como sem o seu próprio cabelo. em 2004. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. a casos. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001. em 2010. Intimamente ligado a . muitas vezes. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. de forma frenética. a decisão cedimentos processuais penais com conse. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. frequen. e. ciais para a sua prevenção e combate. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. Por exemplo. No a temperaturas extremas que. impõem a adoção de normas espe. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos. Hoje. o debate sobre a atos terroristas. quer circunstância. Estas leis introduzem pro. mais parte de soldados e oficiais americanos. no Iraque. mental. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. desde há muito. Em 2010. em qual- em Cuba. desse “locais negros”. incluindo o acor- cionais. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. de Wolfgang Daschner. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas.

disso. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012.96 II. formas de maus tratos. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. suas considerações finais e recomendações para ação. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. como cos. os juristas internacionalistas defen. dos direitos humanos e da segu. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). as disposições do direito in. Fortes sistemas vigor em 2006. as Estados podem ser preservados. ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. transpondo-os para a legis. De- internacionais. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. ção da tortura e práticas semelhantes. E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite. O tura. todavia. juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. em 2002. No respeitante à proibição da tor. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. a sua interpretação e im. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. Um relatório completo das ativi- 4. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. uma pergunta em aberto se tura. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. O Protocolo. plementação podem diferir entre Estados. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. Um Iorque. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. lares de inspeção a sítios de detenção por . ra. nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. desu. devem ser submetidos cada quatro anos. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen. ções Unidas adotou.

guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna. estar envolvidas em atividades de preven- . prevendo. A. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional. Além disso. mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. apesar de existirem garantias nacionais. juízes. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de. assim. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. compensação. Europa. providenciar às ví- das condições da sua detenção. ao nível nacional e local. sionais. e degradante. assim. advogados. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. o Protocolo Facultativo à em particular. Formação contínua para os intervenien- é. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. na lidade. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. Este Protocolo 3. Estabelecer mecanismos de controlo. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. Desumanos ou Degradantes. juízes e médicos. da sua liberdade. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. do Conselho médicos. O Protocolo Facultativo. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. É ne- de visitas. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo. quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. órgãos de peritos nacionais. Sob a supervisão do Sub-Comité. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. para proteger as pessoas privadas 2. 1. etc. em vista à melhoria do tratamento das pesso. pela primeira vez. reabilitação. e de denúncia. todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. etc. As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. como agentes de polícia. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. assim como Unidas. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. considerado um verdadeiro avanço tes.) e a proibição de da Europa.

as áreas de atividade da polícia austríaca. bem como a reabi. visam a ação. Todavia.98 II. a assistência jurídica. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. há muitas atividades por todo governo. Muitas das práticas são locais e • locais. a prevenção da tortura e dos maus tratos. a capacitação institucional. atividades de sensibilização. atuando também a uma es. a base. 1. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. as consequentes alterações à lidar com os problemas. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. podemos nível nacional. . algo de efetivo podia ser feito. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen. legislação e a respetiva implementação. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. instituições com capacidade local para nacionais. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. influenciar estruturas e instituições já Além disso. por sugestão do Co- boas práticas. mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. O leitor sente-se. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. outras operam do topo para pressão. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. campanhas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. furiosamente.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. a existentes. o Conselho Consultivo Austrí- implementação. Por fim. ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. escrevendo cartas ou ape. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. Fundador da Amnistia Internacional. que visam a ação – campanhas. se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura.

na Áustria. Cruéis. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades. realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. aspx) .ohchr. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. A. o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. O man. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr. C/c. eficazmente. Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven. www. anualmente. funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização. da Argentina. o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. Juan Méndez.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. independentemente do Estado ter tos Cruéis. decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona. um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que. Desumanos ou Degradantes. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. pela resolução 1985/33.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder.org a abolir e a prevenir tais práticas. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo. Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. Com a ratifi. um órgão de monito. nos das Nações Unidas. cias (alegados casos de tortura). (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países.

é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. Chechénia da Federação Russa e em 2011. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. em conjunto com os comentá- Desde março de 2002. manos ou degradantes. hoc. http://www. o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. Ini. em 2001. Os membros do Comité têm o di. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu. rou a sua posição internacional. feitas. em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. com tem sido dado com consistência. O CPT é cons- Russa. prisões e os direitos humanos. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. como as instalações para imigrantes relatórios.cpt. em relação à Turquia. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu. incluindo a Turquia.coe. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção. Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade.int] . incluindo. relatórios. formações profissionais diferenciadas. irregulares ou requerentes de asilo. tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. adotada em 1987.100 II. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor. médicos. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade. no local e examina o tratamento de pes. também. prisões. conforme neces- Estabelecimento sário. Efetua inspeções relativamente à Grécia. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos. a Federação nente e construtivo com os governos. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). mas também e 1996. Até à data. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das. pode. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais.

ção à tortura. A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional. que inspi. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. a AI adotou o Pro- Tortura. Reino Unido. A Amnistia Internacional. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. o advoga. torne numa oportunidade para a tortura. No dia 28 de maio de 1961. quan- mais de três milhões de membros. as Nações da AI incluem campanhas. em mais de 150 pa. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. síveis de serem reeleitos em cada dois anos. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. As atividades Em 1997. tem atualmente A tortura acontece. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. a acontecer. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. nhuma circunstância. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. 2. A. com metade dos membros pas. Desde en. Londres. ra e para reforçar os cionais. subscrito. dagem holística a 1. Muitos indivíduos e celebrida. com um Secreta. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. É vital que todos os detidos sejam presen- . ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. rou a criação da Amnistia Internacional. país devem demonstrar a sua total oposi- ção. muitas vezes. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. através de um Co. medidas de salvaguarda para assegurar bros. cionalização.

aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. a tortura acontece em pelo direito penal. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. incluindo o direito a apresen. Deve ser tornado claro. Não à utilização de declarações obti. De acordo com o di- centros secretos e depois. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. Os responsáveis por atos de tortura de- 4. seus direitos. vítimas.102 II. muitas vezes. Resposta internacional 6. circunstância. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. de imediato. Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. Os métodos e as conclusões pensação financeira. Uma garantia importante contra vidos com a detenção. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. tes se encontrem. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. durante a for- regulares e independentes. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. as reito internacional. Mecanismos intergovernamen- . sobre tortura 10. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. familiares. públicas. Os governos devem assegurar que os 3. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”. Devem ser realizadas visitas de inspeção. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. 11. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. advogados e médicos lhes te. de forma célere. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. Não pode existir qualquer “porto vem. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. 7. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. 9. ser protegidos contra a intimidação. Investigação independente de relatos tortura.

to de mecanismos nacionais de prevenção. (Fonte: Amnistia Internacional. www. com um de militares. denominada “Contra o Terroris. em nome do comba. médicos em atos de tortura e de maus tratos. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional. combate ao terrorismo. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos.net) . desumanos ou degradantes.org/) http://www.amnesty. Ratificação dos instrumentos inter. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção. autoridades estatais. da. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte.ch) vamente em abril de 2005. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. regional e nacional. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. Tal conduziu a ou. Os governos devem assegu. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo. âmbito da Detenção e da Prisão. em 1975. depois de testemunhos de “sus. como necessários por motivos de seguran. incluindo facilitem a prática da tortura. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. a Amnistia lançou outra cam. e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. os re. PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar.wma. enquan- ção contra a tortura. Tem estado na frente da 12. cedimentos seja suspeita. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer. A. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos. sobre a criminalização da tortura. apelando ao fim luta armada”. Em Tóquio. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. instituições nacionais e sociedade civil. Tortura. acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote. de forma urgente. panha mundial. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”. a Associação Médica peitos de terrorismo”. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”.apt. em todas as situações. motivos da vítima. em 2010.

mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen. des Fundamentais (CEDH). em danos físicos e mentais. tornando premente a necessidade nacional. que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. Artº 3º Atualmente. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. anjinhos.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. vários países europeus con. chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. Artº 5º dores químicos. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo. proibidas pelo di- março de 2010. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. Porém. mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop. Humanos (DUDH). os direitos humanos e de mais recursos. Descobriu-se. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. CRONOLOGIA grilhões. de acordo com um relató. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. uma mas de maus tratos. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos. em 2005. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. para mais de 130.104 II. que apresenta pormenores sobre o . De Civis e Políticos (PIDCP). o nú. penais à volta do mundo. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. da Amnistia Inter. grilhões. to de choques elétricos subiu de 30. por exemplo.8 milhões de pes- como algemas. 1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. tura ou tratamentos cruéis ou desumanos. Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. mais de 9. Num movimento paralelo. Theo van Boven. em 2000. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. o número de países que se sabe de mais formação. reito internacional. prisões.

PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul). A. Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu.º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de. Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas. a vida de outras pessoas? . 1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis. Pergunta para debate: mas diversas. Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. ainda que de for. Art. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001.

etc.106 II. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. para reflexão. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. pedir aos partici. Como alternativa. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. Só uma pessoa deve falar de cada vez. ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. Como introdução ao tema. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. que divida a sala. vemente os recortes de jornais preparados. demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. em alternativa. cionados com a tortura. por exemplo. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. quadro ou papel e mar. competên. Depois do debate ter terminado. públicos. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. e a razão das suas posições. plicados. cópias do ma. éticas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. nados com o tema que trouxeram. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas. qual expressar desacordo ou insatisfa. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. artigos e reitos humanos. os par- . preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. rismo e a proibição de tortura. parti. cionais recentes. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. Material: cartões coloridos. pedir aos par. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. etc. Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. Nenhum proibição de tortura. Finalmente. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. rever o priados ou disparatados.

Temos de torturar o aliado xidade do tema. se necessário. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando.) vas. Human Rights Education Handbook. ilustração da comple- bombista. et al. Action and criativo. Grupo-alvo: Jovens adultos. a questão de saber internacionais e regionais. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco. pena de morte e se- Manter sempre e usar. em primeiro lugar. A. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. . 2000. brir mais. Nancy. Através desta ati- vidas. adultos tras pessoas que o apoiam. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. vidade. concretização de ideias criati- Change. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. 5 gurança humana. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning. político para descobrir mais sobre ou. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. que em alguma circunstância. desu- tê-lo feito. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. normas relevantes de direitos humanos. em ação. Dimensão do grupo: 10-20. ta. The mas de tortura. desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. • Alguém é próximo de outra pessoa sus. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. Effec. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante. bre o tema. Temos de torturar para desco. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista. se é ção de tortura. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. se pode jus. penas ou tratamentos cruéis. marcadores. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. esta susci. etc. Material: quadro ou papel. Temos de torturar para salvar manos ou degradantes.

Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. 2004. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. 2003. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. Combat- International Report 2011. pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. What Role for Physicians and other Health search Foundation. Security (APT). as respostas mais interessantes num qua. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. . deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos. Visiting Places of Detention. Geneva: APT. que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. Deeds. (APT). Association for the Prevention of Torture Amnesty International. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. trabalhar. desumanos e degradantes. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. tion: a practical guide. From Words to Professionals? Geneva: APT. Dar tempo suficiente para se exami. London: World’s Human Rights. International. 2008. Como forma de aquecimento. mas humana. Registar exercício numa palavra ou numa frase. London: Amnesty In. pode perguntar de dro ou em papel. The State of the ing Torture: A Manual for Action. membros no máximo) e espalhar o mate. Pedir a cada um dos participantes para mentos. 2011. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. Monitoring places of deten- nesty International. 2011. Amnesty Amnesty International. 2010. London: Amnesty Amnesty International. Pedir aos participantes não Direito à vida. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. Amnesty International and Omega Re. Numa segunda volta. ideias e opiniões sobre a tortura. London: Am.108 II. Association for the Prevention of Torture ternational. panha. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho. (APT). 2011. Annual Report 2010 Geneva: APT. with Human Rights.

Herman and Hans Danelius. files detailed Guantánamo Torture Tac- Minnesota: Human Rights Resource Cen. FBI tices for Learning. Evans. Fact Sheet No. 2002. Geneva: OHCHR. Rachel et. The Fight mittee for the Prevention of Torture (CPT). 2003. Combating Torture in Europe: The Office for Democratic Institutions and Work and Standards of the European Com- Human Rights (ODIHR). Popovic. Burgers. Conse- 1998. A. Human Rights Perspective. Judgment of Niyizurugero. 2000. Protocol to the UN Convention Against Tor- European Court of Human Rights. and Rod Morgan. Effective Prac. 3 January 2007. Oxford: Oxford ture” of the Human Rights Fact Sheet series. New York: New York Review of Books. Prisoners under International Law. al. Nigel. Human Rights Watch. Geneva: APT.co. and the War on Ter- Murray. Nancy. Essex: Human Rights . Jean Baptiste (ed. and Degrading Treatment or Punishment. Strasbourg. Office of the United Nations High Com- 1999. Center of the University of Essex. ture. University Press. J. Flowers. The Torture Re- (APT). New York: Human against Torture and Other Cruel. The Human Rights Education Handbook. tics. PROIBIÇÃO DA TORTURA 109 Association for the Prevention of Torture Giffard. Oxford: Oxford Rodley. Available at: www. 28 July 1999. Geneva: As- Evans. 1999. 2010. The Optional ror. The Guardian. 2011. world/2007/jan/03/guantanamo. A Manual. through Medieval Times to the Present. The History of Tor- Handbook for Prison Staff. Torture: A Dordrecht: Martinus Nijhoff Publishers. The Treatment of University Press. Inhuman Rights Watch. 2002.uk/ ter of the University of Minnesota. Oxford: Oxford University Press. Action and Change.usa . The United Nations Convention against tions Asked”. Intelligence Cooperation with Torture – A Handbook on the Convention Countries that Torture. London: Inter- ture & Execution: From Early Civilization national Center for Prison Studies. Strasbourg: Council of Europe Publishing.). 2000. S. Approach to Prison Management – A Kellaway. Human Rights Watch.guardian. Malcolm D. Torture. America. Preventing Torture in Africa. Andrew. New York: The Coyle. Abu Ghraib.Compilation of Standards. 2005. European Convention for the Prevention Sarajevo: CTV. 2000. “No Ques- 1988. against Torture: The OSCE Experience. Malcolm D. 2009. France. Torture and Truth: London: Mercury Books. Sabina. 1999. Preventing Torture – A Study of the quences and Rehabilitation. 2004. Oxford: Oxford University Press. Torture under International Law porting Handbook. of the European Committee for the Protec- 2002. Protecting Prisoners – The Standards missioner for Human Rights (OHCHR). sociation for the Prevention of Torture. Camille. Jean. Evans. and Rod Morgan. et al. 2004. Warsaw: OSCE/ODIHR. Mark. A Human Rights New Press. Case of Selmouni v. Danner. 2001. of Torture and Inhuman and Degrading Treatment or Punishment. 4 “Combating Tor- tion of Torture in Context. and Rod Morgan. Malcolm D.

amnesty.org vention of Torture: www2.ccvt.uk/dep- sta/law/research/icps/downloads/wppl- INFORMAÇÃO ADICIONAL 8th_41.org/eng- lish/bodies/cat/opcat/index.org.org Practices.org Pages/SRTortureIndex.omct. Centre for Prison Studies. Boltzmann Institute for Human Rights.S.amnesty. Tes- org/pages/stoptorture-index-eng timonies: www. Department of King’s College London.pdf Amnesty International: www. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS United States Department of State. International Rehabilitation Council for 2010 Country Reports on Human Rights Torture Victims: www.am- cat/index. Amnesty International UK.net org Stop Torture Campaign: web.htm nestyusa. No Torture: http://notorture.atlas-of-torture. International State. World Prison Population List: www.ohchr.ch grading Treatment or Punishment: www.apt. 2011.org int/en .htm European Committee for the Prevention of Torture and Inhuman or Degrading World Organisation against Torture: Treatment or Punishment: www.ohchr. www. Washington: U.aspx Canadian Centre for Victims of Torture: United Nations Subcommittee on Pre- www.amnesty. Inhuman or De- ture: www.kcl.cpt. ohchr.110 II.ac.uk/ contentasp?CategoryID=2039 United Nations Committee against Tor- ture: www2.coe.org/stoptorture United Nations Special Rapporteur on Association for the Prevention of Tor- Torture and other Cruel.ahrchk.irct.org/EN/Issues/Torture/SRTorture/ Atlas of Torture: www.org/english/bodies/ Amnesty International USA: www.

26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 23º. […]” Artigos 22º. ao vestuário. 25º. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. principalmente. 1948. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. quanto à alimentação. . B. ao alojamen- to.

Murari. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. Por fim. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. Em 2006. E. Primeiro morreu o seu pai. ele perdeu a sua filha. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. Mas em Bhoyal. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis. governamentais. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. ainda assim. ram erva. rapidamente. Mas os humanos não de.112 II. Antes da independên- mais remota do interior. aqueles livram-se foram enfraquecendo. . Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. Em vez disso. que re- dúvida. No âmbito de um sistema público dência. Em vez disso. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. como em outros lugares. parsas e membros da sua própria casta. que lhes per. racionamento numa tentativa de escon- mília. sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. seguido pela sua mulher. E. frem de anemia. Um aldeão. presentam cerca de 30% da população do tos. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. Quando os de prisão de ventre e de letargia. sem sofrem. lapso. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. riyas. do se perderam as colheitas neste verão. der o seu esquema. Ganpat. nenhuma das toneladas distrito de Baran. Depois da indepen- fome. Entretanto. As comunidades tribais. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. mas agora dianas sofriam de má nutrição. lhos como trabalhadores agrícolas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. 60 milhões de toneladas de cereais exce. recusaram-se a vender vem comer erva e. Durante os dois últimos meses. no sudeste de Ra. Sahariyas começaram a morrer. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. os aldeões. cia em 1947. os donos começaram a morrer. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. Esta é por isso. Infelizmente. lojas do governo. uma imensa montanha de alimen. encontra. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. Bordi. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. assim. os aldeões de Mundiar come. os donos das te dada ao gado. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome.

humanos de/a …”. Quais (Fonte: Luke Harding. são negados os meios para exercer essa mentos. é agora vista como um conceito capacidade. enquanto preparava a sua refeição 3. as formas pelas e de recursos para subsistência. B. Dying of hun. Esta com. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. ços de saúde e água potável. o Fundo Monetário Inter. forma de exclusão social. desemprego. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. Vê alguma relação entre o aumento da poor. falta de segurança pessoal. geografia. a nos processos de tomada de decisão. segurança humana e Banco Mundial. Em países em desen- volvimento. na segurança humana? Se sim. Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. a re. analfabetismo. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. escassez de terra um fenómeno histórico. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. num mundo pleno de oportunidades. Caste and cor. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. A pobreza. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. paz. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. disse uma mulher. política. a cultura e as espe. “Os políticos não estão interessados em 2. incapacida- .) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo. significativamente complexas. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza. igualdade. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. O que desperta em si esta experiência e nós”. portanto. 2002. Quais são as privações e vulnerabili. a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. Nabbo. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. seu país/contexto experienciam. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. desenvolvidos. epidemias. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes. como o equidade. que era vista terar a sua situação. INTRODUÇÃO cificidades sociais. a história.

xo do limiar da pobreza definido. bem com uma abordagem mais ampla. uma quantidade específica de alimentos. educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. discriminação geradas.” tência desadequados. violam os direitos humanos. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. educação. DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas. de 1997. dar a segurança humana básica. e apenas se. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran. Mui- guranças sociais e alimentícias. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. Consequen. conducente a graves inse. A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico. tais como a precariedade saúde. liberdade. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana. A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. de participação. subs- como de vulnerabilidade. Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. do global e da segurança humana: “As PNUD. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. tituindo o Índice de Pobreza Humana. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. de respeito próprio e pelos outros”. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in.114 II. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. o desenvolvimento humano são negadas bate público. as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. temente. a pobreza como uma “condição humana . condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se. social e político e de recursos. político e económico. meios de subsis- insegurança. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza.

ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada. etc. Dando um passo em de uma justiça atempada. ter educação básica. No capacidades consideradas como essen. za (ex. e medir a pobreza persistem. em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. escolhas. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. segurança. saúde e educação. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. Apesar de esta qualificação po. a comercialização de água. por exemplo. mas não se de prioridade. a cidade quer migrantes ciais. dependendo do específico contexto económico. vulnerabilidade.) com as tros direitos civis. Nas Linhas Orientadoras Provi. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. capacidades. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. social. educação. do Alto Comissariado das Na. habitação. Pobreza. ter nidade. justiça. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. tar de um padrão de vida adequado e ou. condições sub-humanas. . e insegurança. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. forçando-os uma definição. de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. sendo essencialmente subjetivas. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. dignidade. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. nidade. económicos e questões da vida real. vitais para a sua subsistência. O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. o que. do ções Unidas para os Direitos Humanos. e. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. acesso equitativo à justiça. contexto urbano. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. ainda mais. florestas e água . ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. culturais. por exemplo. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos. por exemplo. portanto.é o caso. o que ajudaria a ex- sociais”. do-os. mente abrigado. não permi- como uma “forma extrema de privação”. estar adequada. B. oportunidades. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru.

para as mulheres. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina. em muitos setores da economia de instrução e de informação. têm controlo sobre a terra. grupos de ser um assunto privado. o curtume de pele ou a agricultura.116 II. portanto. a pobreza interfere com a li. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. a maioria dos mem. assumir poder e resistir à injustiça. trabalho obediente”. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. Muitas vezes. viver uma vida com respeito e dignidade. como traba- sionamento de serviços básicos. são preferidas aos homens. o aumen. em dores ou a reabilitação de pessoas des. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. as mulheres não possuem e não natureza migratória. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. As mulheres em assuntos públicos. em áreas rurais. Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga. água. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. não pode votar. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. ciclagem de lixo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. vez de estarem na escola. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. A falta lhadores. são exploradas locadas. ganhar magros salários. As crianças. Devido à sua dades. nega aos refugiados o direi. como a re- dos pobres. Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. deficiência. consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. todo o mundo. como o aprovi. e empresariais usurpa o espaço dos ci. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. por exemplo.

que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. neo-liberal”. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. descurando. as despe- senvolvimento. num sistema económico global. podem intensificar a pobreza. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. elevadas pro. o norte e sul. exploração e abuso. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. o ensino secundário. falta de co. É interessante ver que. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. riqueza no mundo industrializado. assim. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. vida com dignidade. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. o que te causada pela má nutrição. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. ficiências secundárias. em idade de frequentar e pobres. rendi- além disso. A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. nos países em vias de desenvolvimento. De saúde. com deficiência tem trabalho remunerado. educação. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos. tráfico. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. B. Os PAE nais básicos em muitos países. em 2010. a educação e a habitação. que po- afetadas pela deficiência. uma parte da prosperidade global. para as pessoas já Algumas tendências económicas. deficiência e pode também conduzir a de. como está a aumentar. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. De acordo com a UNICEF. o aumento da comercialização mento. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. alimentação e habitação acordo com estes números. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. dar dívidas. Para mais oportunidades de emprego.

é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3. recente (2010) estima que cerca de 8. tempos de crise financeira. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia. vimento Humano de 2005 de acordo com no. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma. em 2002. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. De acordo com o Rela.71% da alfabetização. um desa- os pobres. é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970.118 II.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. de 2010. INTERCULTURAIS Hoje. mais pobre do mundo. indica que o rápido o qual. de 2005. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. do PNUD. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado. Mais há a fazer. a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução. Mesmo em 22. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. O país relevantes. ainda necessitam de uma implementação apropriada. O da Europa Ocidental. na anos morreram em 2009 – ou seja. confinado às mar- gens da sociedade. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . alguns objetivos. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué). como o alcance cai para 4. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD. no caso de se manterem as políticas atuais. que é considerado ser um padrão justo de temente. mais de segunda metade do século XX. o Liechtenstein. A infla. 800 milhões de pessoas continu- ção. os Estados Unidos da América.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1. estima-se que 1. Consequen. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu.25 dólares por dia. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de. o Zimbabué. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar. juntamente com o contínuo cres. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. este fosso entre por exemplo.000 crianças por dia.

assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. elevados que os pobres. bustível. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. as políticas re. a noção de que os pobres como relativamente pobre. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. B. bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. o que é aproximadamente 5. pode ser considerado mesmo modo. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. Do padrões americanos. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. Apenas se os países crescimento populacional em países me. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos. formas de vida insustentáveis. do numa redução substancial da pobreza. e o por ano. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. resultan- e a exploração contínua de recursos natu. causando insta.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. além-fronteiras. . desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. a falta de alocação de fundos para Sim. argumento é usado pelos respetivos go. acredita-se que o elevado gradação ambiental. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. por exemplo. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. 2012. é que o desenvolvimento sas regiões. Questões para debate por exemplo. social e económica. A ex. breza? cursos. cias de ajuda humanitária. do orçamento de defesa americano. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. para trolo de acesso a recursos. água. efetivamente. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa. Um indivíduo que é catego. é possível. na verdade. da com sinónimo de “pobreza relativa”. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. pois. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. mas os conceitos não são idênticos. dos governos nacionais.

que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. devido. impacto na Índia.120 II. das com as da Índia. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. principalmente. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres. o Fundo Monetá. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá. Por exemplo. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. a questão crí- saúde materna. de a nível global. em 2000. lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos. a serem atingi. melhorar a ginalização social. igualdade e equida. englobando Nações Unidas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. co- . tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. Além disso. Isto inclui: erradicar a pobre. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. IMPLEMENTAÇÃO pobreza. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. a zar fundos para a erradicação da pobreza. quando compara- erradicação da pobreza. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. culturas. Estas diferenças en- dos até 2015. de modo a canali. Portanto. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana.

a Pobreza Os organismos de monitorização exami. da dignidade humana. paz e segurança deste modo. a Agenda 21. e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. Esta abor. Direitos Económicos. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. Estes valores têm expressão em declara. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. pobreza. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. reco. tos humanos. assim. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. Conselho de Direitos Humanos. governos. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. do tratado são fatores impeditivos. nhecendo que o direito a não viver na po. a corrup- cidadãos. as intenções políticas e a implementa- ções políticas. em 2006) . desde 1990. os compromissos conflituantes nhaga. a falta de cumprimento da os direitos humanos. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. concebidas pelos Es. pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. A falta de vontade política dos Rio. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. Sociais e Culturais. hiato significativo entre os compromissos. como a OMC (ex. Uma vez que os Estados indivi. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. Afirma que os po. dos vários Estados Partes. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. tais como a Declaração do ção real. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu. negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. outros atores estatais e não esta. existe um mundo globalizado. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. conseguindo. instituições financeiras. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. a Declaração de Cope. B.

dades com que os pobres são confronta. Possibilita a estruturação de or. mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos. e ajudá-los a modificar o seu destino. a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res. No seu Relatório. cobriria o custo tem o mandato de relatar.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada. bem como . Objetivo: Reduzir para metade. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com. Para cumprir estes re. a nível nacional e internacional. vamente à pobreza. por si só. latório de 2010. a Perita Inde.Apoiar a capacitação para a avaliação. sobre a implementa. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm . No seu Relatório de 2004. a Perita Independente assinalou .Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun. professores durante 15 anos”. pessoas que passam fome. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . para a Comis- são de Direitos Humanos. Este processo fornece conhecimento. . pletamente a pobreza. examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. . a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res.Fazer um balanço das ações realizadas pobres. tou as suas recomendações sobre como 1998/25). 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72). O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. enquanto o outro tem a respon. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos. tos e de produtos agrícolas. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza. de 2001. com a fome. em 2006. a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. ano de 2015. pessoas que vivem em pobreza extrema. até ao senta também recomendações e propos. a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen. micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor.122 II. monitorização e o planeamento relati- dos. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos.

tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo. Sem um maior impul. (Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. saúde. mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. nos movimentos civis e no trabalho de. habitação e nutrição. dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento. 2001. B. como um todo. em países em desenvolvimento. o progresso tem alguns progressos. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. con. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. quatro quintos de 2008-2009. contrariar os sucessos já alcançados. ses energética e na alimentação. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. ainda a decorrer.Continuar a dar prioridade aos peque. Em 2009. políticas. o problema. redução da pobreza até 2015. instrução e educação. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. Nações Unidas. Antigos volvimento do Milénio. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. pobres. Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. propriedade e contro. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. Largas popu- das Nações Unidas. educação ao acesso à tomada de decisões so. e às cri. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. Apesar de fome e doença. mento do Milénio não serão provavelmen. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . muitos dos Objetivos de Desenvolvi. têm de ser dados al. . estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. Porém. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. lhorar as suas vidas. para o desenvolvimento sem terra. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres.

9 milhões de mutuários. das no âmbito de experiências locais. social. aos que são marginalizados.O empoderamento político e económi.Muitos dos países do mundo não se . Os seus es- . forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica. tuto étnico. ração internacionais. Os esforços para erradicar a humanos. Apenas quando os po. as incentiva a sua força coletiva. respeito próprio e dignidade. quena aldeia. a pobreza. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. habitação. etc. . . Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. ção direta com a redução da pobreza. como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades. saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de. o que pode levá-los a agir. mano equitativo. água.A redução da pobreza deve ser acom.124 II. e descentralizado. saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. . especialmente. no Bangladesh.A pobreza é uma questão social.Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. cultu. se za. .Maiores despesas com educação. começou . plementados pela assistência e coope- ção da pobreza.Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1. Através do seu empodera. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança. Estas apenas perpe. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza. encontram em posição para erradicar. contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. em Jobra. noutros setores.Estabelecer organizações de pesso. ral e política tanto quanto é económica. redução da pobreza. internacionais e nacionais.O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento. . . tuaram a pobreza. imediatamente. pobreza estão condenados a falhar se mento. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu. zação. saúde e humanos. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. redução da pobreza: . Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen. em 1976.O direito à informação e a educação . Em 2009. tal contribuiria para a . nanceiras. pela .O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam.

ção e análise de políticas. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. Estas mudanças são significativas. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. eliminar a explo. sediada na Califórnia. ções da UE com 79 países da África. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. direitos económicos e justiça. assim. educação e promoção. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. alternativas bem-sucedidas e promissoras. são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. económicas sobre as mulheres. pública. Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. O banco abor. equitativo e sustentável.562 às suas famílias. organizar as pessoas desfa. mobilização de massas. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. O Artº 54º do sam a fome. nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. lan. Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. formas de removê-los. está empe. O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. 10% ao governo. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. equidade (incluindo igualdade de género). A Freedom from Debt Coalition (FDC). reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. através de apoio mútuo. senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. construção de tividade nas aldeias. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. Por se centrar naqueles que são conside. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. fornece serviços em mais de 83. balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza. questões incluindo segurança alimentar. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo. raíbas e do Pacífico (ACP). B. O Acordo também demonstra a . vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. Desde A Food First. criação de ativos. Com 2. de iniciar mudanças significativas nos pa. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ. análise. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. A organização trabalha agências. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional.

As negociações para uma se. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. nais. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França. liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. nos. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social. organizações internacionais. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. em 23 de junho de 2010. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. a um nível local. e em Hong Kong.126 II. zações. para construírem melhores futuros após o . Todos os educação e formação. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. Os membros o Desenvolvimento Social. mente entre as pessoas menos favorecidas. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. de organizações não não governamentais e outros. O objetivo segurança humana. prestação de servi. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. gar em Ouagadougou. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente. o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. anos. abrigo. em Nova Iorque. educação. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. por ganização não governamental mundial que exemplo. direitos fundamentais à alimentação. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. incluindo atividades de 2008. visando promover o bem-estar. Além disso. agências tabelecida em 1990. atualmente. copo de combater a fome no mundo. em e exclusão social. nacional e inter- A EAPN é. especial- 2007-2013. gunda revisão foram concluídas em 2010. es. uma rede de 26 re. nacional. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. gência e através de outros programas. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. Por exemplo. cuidados de saúde e segurança. no Burkina Faso. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. na sigla inglesa) é uma or. em 2010).

Relatório do Desen- volvimento Humano. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD. geralmente os países zação. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. os países pobres estão a aproximar-se países. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. Relatório do Desen- volvimento Humano. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. inovação. atingidos pela epi- demia de VIH. 2. respeitantes ao emprego. cer. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. apenas três de género na educação. com uma população de. os seus 1.2 biliões de habitantes. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. em 2010. 900 milhões. Quase mais pobres. 2005. alfabetização e rendimento.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990. A análise de quatro gresso. 2010. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. em termos concretos. a serem alcançados até 2020. meiramente. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos. B. mas outros. antes do início Ainda pior. onde a mortalidade adulta au- mentou. Isto afeta. O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. cinco objetivos ambiciosos. edu- cação. assim como o (República Democrática do Congo. 2005. mas não exclusivamente. Com base nos dados de 1970-2010. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral. 2010. pri- ca de 925 milhões.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. escolari- cativos. inscrições escolares. paridade 92% da população mundial. e os países da antiga União Soviética. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. do Milénio antes de 2040. (Fonte: PNUD. onde a divergência persiste. em especial. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. Através destes pretende-se. Esta convergência pinta ariana. inclusão social e clima/energia.

Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3. 23º. Artos 14º-17º. Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 . tos Humanos (Artos 22º. [a substituir. 26º). bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres. 7º. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. Artos 10º. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. Artos 6º. Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di. A/RES/60/1. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas. retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza. 11º. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos.13º. da pobreza (UN Doc. tubro. Criança. em cada uma dessas áreas. 12º. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza. A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. vimento do Milénio pela Assem- turais. 19. gradualmente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. comemoração teve lugar em Paris. em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. em 1987. Sociais e Cul. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. 25º. pelo menos. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial.14º (186 ratificações até §17.128 II. 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. 12º. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas. 9º. A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. 11º.

deões) seria mal nutrida. Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). rior. texto dos instrumentos internacionais de 1. lápis de cor/ marcadores. Grupo-alvo: Crianças e jovens 5. Tipo de atividade: Exercício 2. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. no con. Dá-lhes a oportunida. Desenhar um círculo à volta de pantes. Depois. Apenas um por cento da população (infra). com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. de reflexão e de debate. Colocar uma impressão digital do polegar. B. Sete seriam incapazes de ler. prioridades de forma a garantir o desen. Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. Na primeira fila. alterar as desigualdades e as injustiças 4. uma fita de graduação na sétima linha . Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo. aldeões. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. soa na linha com um grande 6. Isto inclui os margi- direitos humanos. Atividade 7. Retirar as últimas oito casas. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. nalizados. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. nessa escala). pedir-lhes para implemen. recursos. Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. faminta. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri. volvimento de todos. os sem-abrigo. isto é. desenhar um círculo direitos humanos. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). Na sexta linha. nos últimos sete livros na quarta fila. O exercício ajuda os jovens a 3.

Comentários: desse desenho. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala. • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa. • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. está entre nos em relação à pobreza. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. etc. O papel do forma- III. com o intuito do perfil dos participantes. água. um teto sobre a sua ca. dependendo baseado na atividade supra. para a educação para os direitos humanos. as primeiras três pessoas mais ricas. Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi.org. mento e porquê. Pedir aos participantes para ouvir es. O exercício pode explorar: ção. do mais recente Re.130 II. de sensibilizar os seus pares. dencia. a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial. II. apresentadas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV. O grupo é encorajado a debater o que sente 8.. Disponível em: www. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. um país ou grupo de países. saúde.in) . educação. de vista com os outros. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente.abhivyakti. saneamento e des- pesas militares. roupa.

papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. é importante aderir à campanha. económicas. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício. tintas. florestas. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. lidade na situação. selecionar algumas citações à campanha. em voz alta. Da “Voices of the Poor” (www. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. de de clarificar. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. O exer- . que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. dos pobres sobre a sua própria situação. lagos. as pis de cor. o grupo prepara um panfleto/car- comercial. articulação de competências. comunidade. Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. Através do consenso. em. B. papel de um dos pobres. governos que trans. com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. por ações viáveis imediatas e de longo prazo. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. lá. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. desenvolver as mentos. Por exemplo. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. ele/ela. marcadores. canetas. conexões entre as manifestações imedia. para realizar agricultura ou pesca Depois. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. canetas de feltro. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . Duração: 150 minutos Depois. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. questões ou dimensões da pobreza. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. políticas.o que podem os par. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. exemplo. Procurar e descarregar casos de es. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas.

2002.). land of surplus.org/pdf/Profiting%20 Human Rights and Development. Rights and Development (eds. London: Save the Children. Criti. 2003. Dignity.pdf Khan. New York: Oxford Uni. 2002. Migration. Hertel. Aid. . Oxford: Oxford nance.: World Bank Publications. 2. Bang. sector and Development in Asia.). Justice: Resource Packet. Circle of Rights. University Press. 1995. Washington: International Human Rights kok: Chulalongkorn University. A Call for Report on the Second Meeting of the Com. equívocos e precon. 2001. Bombay: Oxford University Press.An Analysis of Inter-State Differences. Encorajar os membros a associarem-se da pobreza e para encorajar ideias cria. 2001. 2002. Poverty and Anti.). trabalhe com as comunidades marginaliza- sões em relação às ligações micro-macro das.guardian. Inequality and Poverty in China in Globalization for Development: Trade.C. portante para a sua vida. 2000. D. Azizur Rahman and Carl Riskin. 2001.).Pov. Programme and Asian Forum for Human New York: United Nations.: World Bank Publications. 1992.uk/world/2002/nov/15/ Harris. Social and Cul- Profiting from Poverty. cal Analysis of Urban Policies and Their org/activities/meetings/second/index. Available at: www. 2006.). Wash. No. Poverty and the WTO: Impacts of the cation (PDHRE) (ed. Rural Poverty in In- South Asian Region. Available at: www. the Age of Globalization. John. india. 1994. 2001.C.). Ian and Reinert Kenneth. Passport to Doha Development Agenda. Washington. ington. Visualizar um filme que trace uma campa- ceitos. Thomas and Alan L. and Policy. a uma ONG/campanha local que seja im- tivas sobre como proceder a partir dali.humansecurity-chs. D. People’s Decade for Human Rights Edu- 2005. 16-17 December Asia and the Pacific (ed. para resumir as vi. Dying of hunger in a Haq. New York: PDHRE. nha sobre uma questão específica de pobre- dade para dar a conhecer os factos sobre za ou organizar uma visita a uma ONG que pobreza/globalização. Reflections on Hu. Goldin. Saro Briefing Paper dia .co. Focus on the Global South (ed. Mahbub-ul. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Economic and Social Commission for mission on Human Security. nive to keep food from India’s poor. Guardian. Education (PDHRE) (ed. Techniques and Practices. Fi. The ADB. Winters. People’s Movement for Human Rights Human Security Commission (ed.html Impact on Urban Poverty Eradication: A International Human Rights Internship Review of Tools. 15 November 2002. Available Internship Programme/Asian Forum for at: http://focusweb. %20from%20Poverty.132 II. New York: PDHRE. Luke Harding. Economic.famin erty Policy: A Perspective for SCF in the Nayyar. Private tural Rights Activism: A Training Resource. In: The versity Press. Rohini. Caste and corruption con- man Development. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS cício fornece um contexto de vida para se Parte IV: Acompanhamento poder abordar mitos. O formador aproveita a oportuni.

un. 2005. Millennium Declaration.HRC.org/docu. 2006. Humberto Lopez.org/english/bodies/hrcoun- University Press. London: Penguin Books. 1999. Available at: www. 2002.. D. New York: United Nations. Oxford: (UNDP) (ed.).41.pdf building for Poverty Eradication: Analysis Watkins. Review. Evaluations of UN Report. Capacity. A Good Drought. Jeffrey D. Report 2010. munications/wfp236112. 1995. Report 2005. Poverty Reduction and (UNDP) (ed. Guillermo E.org/esa/dsd/agen- Poverty. Human Rights and Sustainable Human erty. 1999. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 133 Pernia. Muhammad et al. S. Kevin.pdf stellent/groups/public/documents/com- United Nations (ed). 1996. 2010. extreme poverty and human rights. Human Development Oxford University Press. Omar Arias and United Nations Development Programme Luis Serven. 2002.: World Bank Publications. 2010. London: Oxfam UK & Ireland. cil/docs/15session/A. New York: (WFP).org/reports William F. Oxford: Polity Press.4/2001/54 of 16 February 2001. Available Lifetime.undp. London: Penguin Books. Banker to the Poor: Micro-Lending and the Battle United Nations.un. Wash.un.org/reports Sainath. 1998. (UNDP) (ed. 2001.undp. at: http://hdr. and Lessons from.). Available at: Inequality and Poverty. Yanus.org/ res%2020100615%20-. Training Manual on Sachs.org United Nations Commission on Human Rights. Urban Poverty United Nations Development Programme in Asia. How We Can Make it Happen in Our Development. J. Report of the Secretary-General. Amartya. New York: Public the implementation of the United Nations Affairs. Measurement of HRC/15/41 of 6 August 2010. Thomas W. Everybody Loves United Nations Human Rights Council.org/reports/ Pogge. 2010.C. Fighting Hunger Worldwide United Nations. Available Perry. New York: Anchor Books. The End of Pov. 2010.15. Development as Free- Poverty on the draft guiding principles on dom. Human Development Growth: Virtuous and Vicious Circles. Palagummi.). Bombay: Oxford www2. World Poverty United Nations Development Programme and Human Rights.).50years. port%202010%20En%20r15%20-low%20 Available at: http://documents. A Survey of Critical Issues.ohchr.pdf 50 Years Is Enough: www. INFORMAÇÃO ADICIONAL ments/ga/docs/56/a56326.org/ – the World Food Programme’s Year in en/mdg/summit2010/pdf/MDG%20Re. at: http://hdr. Human Rights and Extreme Agenda 21: www. A/56/326 of 6 Septem- ber 2001. The Millennium United Nations World Food Programme Development Goals Report 2010. System Support to Countries’ Efforts.pdf United Nations (ed. 2000.undp.wfp. Road map towards against World Poverty. New York: UNDP. E/CN. Available at: www. Ernesto M. Report of the Independent Expert on the question of Human Rights and Extreme Sen. at: http://hdr. 1998. 2001. Available ington. Maloney. New York: UNDP. da21/ . 2005. The Oxfam Poverty of. New York: UNDP. A/ Subramanian. New York: United Nations Publishing. B. 2011.

unep.org acp/overview/cotonou-agreement/index_ Rio Declaration: www.unchchr.pdf Organisation for Economic Cooperation and Development (OECD): www.org International Monetary Fund: www.htm The Poverty Alliance: www.imf.ch ELDIS Gateway to Development Infor- mation: www.org/suap/ International Covenant on Econom.eu/europe2020/index_en.icsw.PDF no=IV-3&src=TREATY Combat Poverty Agency: www. Europe 2020: http:// tID=78&ArticleID=1163&l=en ec.htm#revision2 ments.undp.foodfirst.nyu.org European Commission.un.org opment Policy: www.grameen-info. t re a t i e s.poverty- European Year for Combating Poverty and alliance.asp standagainstpoverty. United Nations Committee on Economic.Institute for Food and Devel- (UNDP): www.focusweb.org/intro/recacte.develop- mentgateway. org/external/index.jubileesouth.org/Docu- en.asp?Documen European Commission.europa. tion against Poverty” Campaign: http:// clarations/habitat_agenda.ie International Council on Social Welfare: www.org/womenwatch/daw missioner for Human Rights (UNHCHR): www.dfid.fas. o rg / Pa g e s / V i ew D e t a i l s.eu/europeaid/where/ PovertyNet: www.povnet. eu/education/pdf/doc125_en.uk/eldis/poverty OneWorld International Foundation: www.unes. u n . Focus on the Global South: www.ourworldisnotforsale.fdc.europa.org/bank United Nations “Stand Up and Take Ac- Habitat Agenda: ww2. gov.ilo.org/millenniumgoals Grameen Bank: www.org org/english/bodies/cescr/ United Nations Development Programme Food First .134 II.uk/pubs/files/whitepaper2000.oneworld.org Division for the Advancement of Wom.europa.org European Anti-Poverty Network: www. eapn. World Bank – Poverty Net: www.org/de. Cotonu Agree- ment: http://ec. Office of the United Nations High Com- en: www.ohchr.org Development Gateway: www.Multilingual/Default.htm Development Research Institute: http:// dri.eu “Our World is Not For Sale” Network: www.org United Nations Millennium Development Freedom from Debt Coalition: www. co.ids.edu/page/home Jubileesouth: www.org/education/information/nfsunesco/ aspx?chapter=4&lang=en&mtdsg_ pdf/BEIJIN_E.ac.un.2010againstpoverty.unhabitat.oecd.ph Goals: www.org/poverty .pdf International Labour Organization (ILO): www.org Social Exclusion: www.net Eliminating World Poverty: www. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Beijing Platform for Action: www.htm Copenhagen Declaration: http://ec. eu/?langid=en Social and Cultural Rights: www2.cpa. Social and Cultural Rights: http:// bank.world- ic.

de fortuna. C. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. de origem nacional ou social. de opinião política ou outra. nomeadamente de raça. de sexo. de religião. . 1948. de língua. sem distinção alguma. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração. de cor.

opiniões de vários membros da comunida. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. nacional ou étnico do queixoso. Por fim. na língua inglesa”. cios públicos relativos às instalações despor. que ele considerava censu. ele e rígene local. humilhar ou intimidar na. o Sr. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso. Depois de consultar as po racial. Ele pretendia a Em 1960. O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. em todas as circunstâncias. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. o Sr. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. um grupo transversal da comunidade abo. não serão tomada em 1960. a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial.”. considerando ser esse o caso.S. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. um australiano de ori. que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. te ofensivo. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. ‘Ni. H. Em 2002. deu que. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. Queensland. e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente. Ele defen- um grande desportista e que. ofender. mas sim tivas e em comentários de jogos. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. a administração infor. Por este motivo. (CEDR). nos termos do Arti- . em geral”. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. insultar. uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. Brown. O Sr. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu.. que faleceu em 1972. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. o Tri- sido dado o termo ofensivo. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. ofensivo na tribuna. no interes. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada.S. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene. A palavra racista. alegando que a não remoção discriminação racial. Brown. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. como tal. como alcunha. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi. de razoável de. em homenagem a uma requerente. ofensiva “pre. requerente não tinha demonstrado que a E. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. ção. S. recebeu o nome de “E. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. Numa reunião pública.136 II.

Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma. 4. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial. 5. criminação Racial (CEDR).” Também considerou 9. lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi. C. conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. de discriminação em toda a sua vida. em relação a eles? derado desta forma. pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. 1. CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos. representava a aceitação formal ou 2. 7. o Co. NÃO DISCRIMINAÇÃO . O requerente preten.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei.A LUTA IN. Qual é a mensagem da história? blica. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . mesmo que durante muito tem. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio. Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. O Comité recomenda que o 10. bem como al. quais? mento presente. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. Ele argumentou que este respeito. Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002. tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá. por a atitudes racistas? mente ofensiva. ser considerado injurioso e 8. no mo.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002. O que fez o Sr. cular de pessoas? Se sim.

O sistema colonial espanhol. refugia. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual. Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. o pressuposto errado da existência de tra situação”. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”. os Roma. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. têm sido erradamente utilizadas A discriminação. em tes níveis. A raiz da mo. de nascimento ou de qualquer ou. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. sistema de castas indiano. os afro-americanos foram aterro- . parti- dos e requerentes de asilo. de sexo. contra os abo. a questão de forma eficaz. sobrevivência dos mais aptos. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. do. A discriminação tem ocorri. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. Na História da Humanidade. a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. de religião. dos escravos de uma raça “inferior”. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. Assim. nem no passado nem Por exemplo. o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. através tados de África. contraste com a raça branca dos donos. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. “sem distinção alguma. classi- de língua. lação a quaisquer outras pessoas. por uma ou outra forma. sendo a mana de todas as pessoas. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. fundamentais. Outros poderes coloniais da qual. Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. a base das suas sociedades coloniais. Porém. os judeus. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. igualdade nunca foi. por ve.138 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. intencionalmente ou não. este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. de categoria de “raça”. XVIII e início do séc. de origem nacional ou social. uma e outra vez. de cor. plenamente reconhecido a to. os seres hu- nomeadamente de raça. nos rígenes. pessoas e todas as nações. Enquanto nor. assim como tempos medievais. de Charles dos os seres humanos. superioridade cultural. bem como nas rias em toda a parte. cana. desde o início da de “superioridade racial”. O racismo. No tros. a consciência sobre o as. contra pessoas continente sul-americano). Formas de dis- humanidade. o racismo. nos demarcamos em relação aos ou. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. nomeadamente. XIX. as teorias da evolução e da no presente. Darwin. adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. manos têm sido. bem como segundo fortuna.

a Humana. constitui. deficiência. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. da discriminação encontra-se estabele. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. por um lado. C. etnia. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. manifesta- ca e social como também afeta. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. O racismo. 2. Assim. adas em categorias tais como a “raça”. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. a proibição género. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. nos Estados forma desastrosa. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. ultra- do Ruanda. mes contra a humanidade. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. xenofobia. bem como na religião. identidade sexual. também. Todavia. XX assistiu pode. género. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. intolerância. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. é o fundamento da liberdade. passar na prática as desigualdades base- Hoje. perante a lei. igual. religião. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. identidade étnica. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. livres de inseguran. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. a todos os cidadãos. cor. nação: ça. O séc. o respeito próprio. em dignidade e em direitos. Embora a 14ª Emenda à Cons. discriminação com base na raça. de uma ções e ações concretas que são motivadas . por outro lado. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. niões pessoais e. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. esco. como consequência destes cri. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. ainda. de internacionais. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. a do Sul. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos.

conduzem também ao tratamen- to diferenciado. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. relativa vés de insultos. Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. conduzindo a uma compreen. abusos verbais. É crucial saber que nem toda discriminação são. orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual. abuso de direitos humanos. as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. tui uma discriminação. até mesmo. dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. pode ser justificável. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. igualmente. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. já que a igualdade Contudo. é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. A este respei- enquanto. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. mais ou menos. em grande parte. nacional de proteção dos direitos huma. mediante certas condições. ao razoáveis. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades. dos respetivos Estados. em quase todos os países. género. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. fala-se em discri- ou ator. humilha. os traba- foi. Todavia. na prá. agressões físicas e e serviços. etc. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. religião. deficiência. deixada sem regulação. esta última. cor. como uma qualquer distinção. Desde que a Assim. minação racial ou fundada na etnia. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . o que não consti- criminação. são mais holística da discriminação e ten. exclusão. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou.140 II. gera bastante controvérsia. atra. considerada punida por lei. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente. o sistema inter. dos direitos humanos. mana. os principais agentes (positiva e ne. pode ser A discriminação. violência. em geral. Tradicionalmente. a discriminação no setor privado. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa.

como um facto e a igualdade como um re- cor. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. acreditar. O artº 1º da nidade. a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. uma vez que. isto é. com o conhecimentos da língua de instrução. cor. neste caso. ações. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação.” numa situação semelhante. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. Em termos gerais. propósito e/ou consequências de Tais disposições. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. económico. ral de todos os alunos. o gozo ou o exercício. aparentemente neutrais. materna. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. consti. a distinção. género. discriminação indireta. foi completamente justo. Consequentemente. são desejáveis. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. discriminação: Normalmente. promover a educação cultu. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. uma distinção tem ções de igualdade. mento desigual a alunos que têm poucos idade. pública. Convenção.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. mentais. que se tem sido utilizada como base para mui. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim. o que significaria dar um trata. a exclusão. em condi. deficiência. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. de uma corrida e depois dizer. Johnson. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. um grupo . de 1965. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. tais como a etnia. em conjunto. 3. ascendência na origem nacional ou sultado. categorizações. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR). tes. A discriminação nios político. origem nacional. etc. tratar todos os alunos de forma igual em 1. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. C. exclusão. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. libertá-la. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. “Não se pode pegar numa pessoa que.” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. incluindo os per- tencentes a minorias. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. sinceramente. ascendência.

marginalização extremamente controversas porque signifi. será que significa tratar de vezes. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam. desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. em desigual. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. ar pessoas e dividir comunidades. só significa tratamento igual? ca do Sul. este igualmente errada de que os grupos étni- . afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. no presente. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. o apenas um período de tempo limitado. por cia de denominadas “raças diferentes”. de poder (isto é. pessoas em situações básicos. temporariamente. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. como é também denominada. de novo. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. – ticas. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. As teorias sobre o racismo no plano prático.142 II. que é cientificamente falso. do e alcance. psicológico. O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. Isto significa que a discriminação iguais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. do aceite. oportunidades iguais. Através do domínio. de go. é co- para compensar desigualdades passadas e. etc. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. “classe alta” versus “clas- se baixa”). social e política e vitimização psicológica. sistematicamente. complexos. cam favorecer. proporcionar aos grupos al. As causas e as consequên- leis. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. organização ou instituição. assim como de autoagressividade. mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. A dis. muitas tunidades. As discriminação jurídicas. e a assunção até que se atinja a igualdade. minorias étnicas. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. Assim. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. O ser considerado como discriminação. Racismo tiva”. Des. envolvendo vulnerabilidades e ciedade.

desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. conceituosas. fundados no ódio. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). valores. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. as atitudes pre. perverte quem os prati. crenças grupo com base na cor. ternacional e. muito provavelmente. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. divide as nações internamente. sancionáveis ou em discriminação racial. perturba gravemente a paz e a segurança interna. ascendência ou de alguém). é racista já que pres- inferiores. existem diferentes “raças”. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. se tensões políticas entre os povos. uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. institucionalizadas que resultam na desi. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). turais e não às características biológicas. o racismo e a discriminação racial. hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. sendo que se pode falar de um “racismo natório. Só se estes precon- das suas vítimas. impede discriminatórias. o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . pode ser nocivo. sem expressão ou posições discriminatórias. entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. consequentemente. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. Liberdade de Expressão cionais”. são “racistas”. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. encontra-se refletido em dis. na legislação outra manifestação. A de uma forma institucionalizada de racis. tradi. definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. representa a melhor gualdade racial. incluindo a perce- do Sul. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. • nível institucional (leis. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. Os racistas de De acordo com a UNESCO. de forma inerente. em si mesmo. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. o comportamento discrimi. práticas sociais. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. De facto. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. assim como na noção fa. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. “o racismo in. mas. costumes. superiores ou “raça”. hoje. C. origem nacional/étnica.

] o racismo. com o auge do fas. na História e continua a existir até mo. de incidentes. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. a autoestima e autoconfiança e. A xenofobia é. não faz só parte da ideolo. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo. lhões de casos. Durante o Holocaus.]. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu. vivo como sempre. Xenofobia e Intolerân- ao presente. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta. o antissemitismo tornou-se parte excluem e.. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial.. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi. a discriminação racial. Além disso. te. por cia relacionada.144 II. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados. Infelizmente.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. baseadas nestes fenómenos. Hoje. a xenofobia serem judeus. A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”. mesmo a não neonazi. O ou crença.. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. estas teorias e práticas persistem ou. novamente. cismo. profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. perpetrado pelo regime Nazi. nário simplista de “bom e mau”. só por nacional. Discriminação Racial. ganham [. que o mundo assistiu [. em mi- novamente. muitas vezes.. prejudica. humanos. Xenofobia to – mantém-se hoje. vezes. Uma influência particularmente camente. conceitos e comportamentos que rejeitam. planos e sonhos. tais como a discriminação. ção racial. Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio. geiros e também caracteriza atitudes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina. A distinção entre racismo e xenofobia não lação.. ampla. a terreno e adquirem novas formas. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [. violenta contra os judeus . através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . um aumento do antissemitis. Por outras palavras. soas. a vida. 2001. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado.. pos neonazis expressam. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. de forma clara. Este ódio e hostilidade. até mesmo. pre- No início do século XX.] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. O antissemitismo manifestou-se. com fundamento na perceção de que to. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. retórica e fisi. disseminadas e acessíveis a toda a popu. vilipendiam pes- dessa sua ideologia.

em Nova Iorque. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. descrevendo a ções Unidas. insegura bater porque se adquirem com o tempo. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. tipicamente. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. “racismo cultural”. em relação a outro. Ambas as atitudes podem. orien. Para além disso. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. temente foi desenvolvida. No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. o que significa a raça. mo ou a xenofobia. na medi. da ou expressada. é controversa. e incapaz logo desde o início da sua in. religiosas”. nomeadamente. Por outro lado. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. dos. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. cor. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. lecidos para distinguir entre tolerância . A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. conceitos antiturcos. Geralmente. sofrido racismo lhes causa profundos sen. exemplificado. origem nacional. sentimen. que não a da enfermeira. o que a fez sentir inútil. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. po- país. ser timentos de medo e confusão. que declara que “[…] o preconcei. a noção de “tolerância” fância. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. género. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport. pode ser senti. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. Uma vez que ataca. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. facilmente. C. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. que abor. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. quan.

de for- ma espontânea. apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. Neste Dia In. organizações internacionais e não gover. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. Ban Ki-moon. de vão-se tornando racistas. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. penhar cargos públicos. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola. que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. tempo. socie. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. Apesar de se relacionar. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. meios de informação. zados. na habitação. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. se ainda não. a sua língua romani foi 3. não podia celebrar. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. forma grave.146 II. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. disse. as suas vidas. publicamente.” longo da sua história. tradicional Ano Novo Chinês. os Roma foram. forçados a assimilar-se. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. o seu ção dos direitos humanos. geralmente. na educação. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. daí que. A discriminação dos Roma – um número namentais. Tendo sido nómadas ao forma ocorra. a pri. mundo. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. Hoje. Os coreanos no Japão. Existem muitos exemplos na região da Ásia. Em alguns países. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu.

não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação. para eli. A CIEDR baseia-se no princí. normalmente. legítimas. administrativas. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. C. No respeitante vatura. a realização dos minarem a discriminação racial. Assim. nacionais e tratados internacionais. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. previstas na lei. da forma mais eficaz. vernos. pós-Guerra. meios adequados. etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. isto significa que os Es- tudo. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. direito de igualdade perante a lei. condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. com a Segunda Guerra Mundial con. ao setor privado e. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. com o colonialismo e. “da base para o topo” (bottom up). foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. Por outras palavras. acima de à discriminação. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. proteger e imple. pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. criminação e o racismo. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. natório entre pessoas privadas. O artº 5º da CIE- as suas formas. ou seja. • Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. o setor privado também tem um de certa forma. de forma mais eficaz. também aos indivíduos. As disposições da Convenção no que res. o Estado tem de “combater”. O tra. soas de violações dos seus direitos. ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965. confrontadas. Obrigações no setor privado (ONG. ração desta Convenção. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. Com a elabo. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. a Assembleia-Ge. os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. em todas direitos garantidos. tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. de forma célere. as atitu- suas autoridades. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre .

Todavia. nacionais (2004). a implementação dos instru. a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. reitos dos povos indígenas (1997). em 2008. discriminação racial na administração e mentação da Convenção. cialmente. de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. essen. princípio. pode atuar perante problemas que exi. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. direitos enunciados na Convenção.148 II. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). . considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. um Estado Parte. Além de uma concre- Estados Partes. por nos é uma responsabilidade do Estado e. assim. em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. o Comité emitiu. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. No desempenho do seu mandato. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. Em por parte de indivíduos ou de grupos. que criminação racial (2000). sobre a forma como estão este fenómeno. os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). ser garantida se existirem sistemas de entre outras. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. Discriminação Racial. de investigação. sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte. O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste. de Ação (DDPA). novamente. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. o Rela- jam atenção imediata. minal (2005). Racismo. país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. a CIEDR também es. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. sobre os di- Estados Partes. ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. mostra o trabalho específicas. uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos.

o antissemitismo e resultar de um esforço universal. por peritos independentes. para monitorizar. um órgão composto munidade internacional para a preven. geralmente. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança. lar. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. reitos humanos (por exemplo. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas. combate e erradicação do racismo. de forma regu- lerância relacionada.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos. rância. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co. Uma análise dos 6. em 1993. con. xenofobia e into. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6.) Convenção.199 vítimas e 6.690 Todos os instrumentos regionais de di. 20.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. Carta dos Direitos Fun. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. beleceu.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. discrimi- nação racista. as agências dos EUA responsá- relacionada. o que significa relacionados com a orientação sexual. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial. a Comissão ção. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. O Protocolo Adicional nº 12 0. O Conselho da Europa esta- . 19. disposições contra a discriminação. 12. julgamento. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões.001 ofensores. tos raciais. que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti. Conselho da Europa. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação. reitos Humanos. pelo ódio. a Conven. nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. abor. 2011.699 vítimas.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias. xenofobia e intolerância Em 2010. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial. C. em vigor desde abril de 2005. a Conferência de Revisão de mo. a todos os níveis. a fim de promover a imple.6% foram motivados por preconceitos da CEDH. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. ofensas. a envolverem 7. 8. a todos os níveis. sen. que. a xenofobia. as manifestações de racismo.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo. a Convenção Europeia dos Di. relativos a incapacidades.

o seu impacte será limitado. a discriminação com base criminação. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. muitas vezes tem de deixar hoje. na origem étnica.” discriminação. a resposta Geralmente. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. dem ser punidos por lei. po.150 II. o que é con- das suas campanhas. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- . tais como sistemas de alerta precoce. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. O racismo. para o setor privado. tais como a serem abordados e identificados. subtil e insidiosa. Além dis. não pode ser subestimado a legislação nacional. infelizmente. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. mento de legislação antidiscriminação. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos. A importância das medi- Carl T. implementação efetiva que. que proíbe. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis. direitos humanos. da pressão que fa. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. de discriminação. assim. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. contu- de a prevenção da discriminação entre pes. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. muitas vezes difíceis de nação. so. do. Rowan das e estratégias preventivas. das. bens e serviços. Assim. alegada em tribunais civis. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma. muitas vezes. a União Europeia in. nacionais e internacionais. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. negligenciando-se. atacam estes fenómenos na sua origem. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade. Uma for. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos.

respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. de res. particularmente migrantes e outros. todos os níveis da sociedade. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. O poder dos meios de informação Em muitos países. existem programas de inter. a discriminação racis. pode ser visto. respeito um código de conduta. em todo o mundo. usada racismo e não discriminação. Em mui. visão. para diver. como sos grupos profissionais. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. usam linguagem câmbio escolar. para ajudá-los a lidar com inciden. é da responsabilidade de outrem. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. apoiar a implementação sociedades. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. assim como na educação não formal. humanos. para incitar os hutus ao massacre de tutsis . Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. autoridades judiciais e professores. bem como transmitir com efi. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. nos seus objetivos educacionais. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. a contra o racismo. racista. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. fluenciam as atitudes das pessoas. tais como os tal. O racismo. relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. opiniões e crenças. Muitos governos e ONG incluem refugiados. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade. Infelizmente. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. por exemplo. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. a formação para os di. xenófobos e racistas entre o público. É importante desenvolvê-la e. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. programas de formação para os professo. C. contra o Racismo. O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação.

evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. no dia a dia. regulação dos profissionais dos meios de informação. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. . O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. e talvez o mais eficaz.. provedores de justiça ou os organismos te. é necessário visar atitudes. Para ternacionais. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini. Assim. tornando-nos conscientes exemplo. opiniões e Pequeno. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. os este fim os Estados devem. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. consequentes ações e comportamentos. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or.152 II. estabelecer que toda a disseminação de especializados. de ética. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. a Em geral. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes.. mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. tais como os tribunais. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. passo. nomeada. ou seja. por preconceitos. tos humanos. a prevenção de atos racis- mente. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. ões. ragem moral para interferir se possível. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. Gordo e Negro!. bem como de medidas de autor. A este respeito. designadamen. comportamentos discriminatórios.

O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. xenofobia e ex. habitação. discriminação. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. sem nunca nidade. jogadores e funcionários. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. na humanos. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. e atividades culturais. no Quénia. as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. na Ásia e Pacífico. Programas de Ação. ignora QUEM se é. Por exemplo. a discriminação por Região Árabe. para si mesmas e para os seus par. Londres. ropa. eles mesmos. ao ne. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. emprego tários. rótulo e não a pessoa que o usa. fobia no futebol europeu. e os que odeiam. tais como. Diver. para com a huma. tais como a educação. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. que profiram insultos racistas. estabeleceram códigos de conduta volun. . ao nível local. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo. descobrir a verdadeira identidade “deles”. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. Como o tribalismo. porque os racistas. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. gosta de “nós” e odeia “eles”. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. o fundamen. talismo. C. Com um “Plano de 1. Galway). O racismo falham. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. Também se estão ceiros. mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. para bém apoia a “FARE. na Eu- motivos raciais. em Nairobi. entre fãs. na sigla inglesa . listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei.

culpando os imigran. O nível mais baixo de educa. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. . e o racismo e a xenofobia. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas. o racismo e a discriminação te maior. lizadas por organizações racistas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. Ao nível das Nações Unidas. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo. o antissemitismo cas. relacionadas com a existia um sítio racista. a pobreza rela. lho da Europa. Em muitos casos. O racismo na internet é um pro- dos Unidos. o Protocolo Adicional atitudes racistas. o antissemitismo. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. incitação à discriminação racista. educação e habitação). Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. as famílias afro-americanas e blema crescente. Contudo. violentas firmam a existência de uma relação. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. por Pobreza um lado. Os grupos minoritários visíveis en. este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. tais como a internet. e a xenofobia. 2009. Ao nível regional. pode ser considerada de dife- rentes maneiras.154 II. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. racistas. Apesar de o racismo ou ódio. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. constituem um perguntas. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do. ticados através de sistemas informáticos. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. Yaman. existe os atores na sociedade. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”. ódio e a violência racistas. a pobreza cismo. (Fonte: Akdeniz. como legais. a xenofobia e o é uma questão de etnia. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. por Direitos das Minorias outro lado.

sinceramente. passou quase norte-americana. o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. bém. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão. refere disseminação através de sistemas informá. o 11 de se- a humanidade. disse ela. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. O inglês de Seema é. ela. sem internet e a melhoria da cooperação inter. apreensiva. que usavam turbantes. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. os ataques. os seus colegas de turma riram-se Guide). (Fonte: Somini Sengupta. restaurante. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. Questões sobre o que minimização grosseira. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos. tiçado pelo Islão. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. em 2005. da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. acaba de sair da escola secundária. e pelo na sua túnica salwar kameez. New York Times. Mas. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. temeu perder o seu emprego. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. diz monização da legislação criminal respeitan. C. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana). Liberdades Religiosas . houve 540 ataques regis. julho de 2002. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. mas ainda se nota um nacional nesta área. As medidas a tomar a traço de Bengali. não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos. Uma vez. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. verdade seja dita. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. (Fonte: Am.) dside. aprovação ou justi. Quanto a estes factos. dela. 7 de metade da sua vida neste país. em Woo. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. 2001. meninas muçulmanas que ela conhecia.) Os rapazes tira- ram a barba. significa ser americano. Crisis Response afegãos. tam. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. compara. John Walker Lindh. diz ela. ela própria. o pior de tudo. quando um pro- em território norte-americano. admite estar. tiraram o véu. a árabes-americanos. ser americano […]. antes de ex- xenófoba. ela. A tembro de 2001. houve um aumento perturba. Em tudo o que faz. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. “Bengali primeiro”. Londres. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. séria e. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se. de Queens. dos com os 600 ataques registados. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. É pequena. Queens. Só que. Durante semanas. dúvida. Seema replicou. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”.

Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. Artº 2º. CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos. e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC). Artº 1º. Artº 2º. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos. 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) . nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos. dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC). Artos 1º. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP).156 II. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re. Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH). • Que direitos foram violados nesta his. 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu.

(Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis. Discriminação Racial. porém. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. Assim. ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. esta atividade per. Grupo-alvo: Jovens adultos. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe. bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. discriminação. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. ça à justiça em toda a parte”. tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. C. adultos . Xe.

Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade.Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem.Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? . como língua materna.Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais.Quem é o filho / filha de uma família de ção.Quem é membro de um grupo étnico .158 II. divide-se o grupo. ligioso no país? Sugestões metodológicas: . + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha. Dá-se espaço su. que os participantes confiem ple. Violência: atividade. O formador deve pe. a lín. com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de .Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam .Quem sofreu violência na sua família? Etnia: .Quem é mulher? Reações: . . é necessário.Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? . ‘-’ sig.Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente. Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base. classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições. deficiência? Outras sugestões: .Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo .Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. Assim. tado? nifica um passo para trás) .Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final. . para se dar ênfase ao facto de . para esta Deficiência. guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. cada .Quem tem cadastro criminal? . . bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador. ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? . Doença. antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo. Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina. é indispen. O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação.Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo.

o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. os amendoins drões de comportamento e rituais. preconcebidas. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. os pés do resto do grupo tocam o chão. elas tendem a língua dos habitantes da ilha. Como os participantes não en. em especial. come depois de ele ter acabado de comer. Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. ceitos pessoais. Este tipo de suposições conduz muito fre. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa. O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. se na terra. são a comida sagrada nesta Ilha. homens e mulheres. Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. A atividade que se segue toca ambos. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. . Devido a isto. curva para tocar com a testa no chão.Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). A mulher está sempre atrás do homem. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem . Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. Em seguida. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. a deusa da terra. Depois. 3 vezes. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon. enquanto a habitante da ilha de preconceitos. ram. a mulher ajoelhada no chão junto a ele. Elas ado- Albatroz. C.

2003. Di- rective 2004/113/EC of 13 December 2004 Amnesty International USA. 373. Council of Europe (ed. handbuch für die politische Bildung. menting the principle of equal treatment tocol to the Convention on Cybercrime. 2001. COMPASS. New York: Am- cess to and supply of goods and services. 2003. 2000. têm de testar a plorar: comida antes de as mulheres a comerem. Strasbourg: Council of Council of the European Union. Apesar disso. Yaman.) gia absorvida passa para o homem. Devido a este facto. Através deste gesto. 2 December 2000. 28 January Akdeniz. Wege de- pescoço da mulher enquanto ela realiza um mokratischer Konfliktregelung. Strasbourg: establishing a general framework for equal Council of Europe.160 II. tacto com a deusa da terra ao tocarem no 2001. Gordon. between persons irrespective of racial or .). Cambridge: Perseus Publishing. conduziram a julgamentos erróneos. Official Journal of the European Union L A Manual on Human Rights Education 303. mens têm de caminhar sempre em frente a Direitos relacionados/outras áreas a ex- elas. rective 2000/43/EC of 29 June 2000 imple- Council of Europe. treatment in employment and occupation. Xenophobia. nesty International. Domino . ternet. direitos das minorias Os homens apenas podem entrar em con. os ho. A Manual to Use Peer Group Education as Council of the European Union. Di- Europe. a racist and xenophobic nature commit- ted through computer systems. Praxis- ritual. um homem nunca pode tocar numa mulher sem a sua permissão. que De forma a protegerem as mulheres. [1954] 1988. parte da ener. a Means to Fight Racism.). Racism on the In- 2003. The Nature concerning the criminalisation of acts of of Prejudice. Liberdade religiosa. Additional Pro. 21 December 2004. pedir aos participantes que dados privilégios especiais: elas podem pensem em situações semelhantes que vi- sentar-se diretamente na terra enquanto venciaram ou testemunharam no dia a dia os homens têm de se sentar em cadeiras. 2009. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS As mulheres gozam de um elevado respeito Parte IV: Acompanhamento na Ilha porque podem dar à luz. Official Journal of the European Union L Council of Europe (ed. 2000. Council of the European Union. Pelo mesmo motivo. An- Directive 2000/78/EC of 27 November 2000 ti-Semitism and Intolerance. e os seus próprios “óculos culturais”. são lhes comentários. Human ment between men and women in the ac- Rights Education Program. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allport. tal como a Após o debate sobre a dramatização e os deusa da terra. Strasbourg: Council of Europe Pub- lishing. with Young People. (Fonte: Adaptado de: Ulrich. Sep- implementing the principle of equal treat- tember 11th Crisis Response Guide. Achtung (+) Toleranz. 2004. 2004. Susanne.

Available at: www. Conference 2009 Outcome Document. Sandra. tal Rights: Challenges and Achievements in 2010. 2009.). Xenophobia and Related Intoler- Department of Justice.europa. Racial Discrim- Federal Bureau of Investigation. Durban Review Union Minorities and Discrimination Sur. World Conference gov/about-us/cjis/ucr/hate-crime/2010/ against Racism. A Review of the Work and Xenophobia (EUMC) (ed. Racism. Fundamen- of Pennsylvania Press.fbi. 2004. Vienna: European Union Agency for Ulrich. Praxishandbuch für die politische annual-report2011_EN. 2000. Po- Abuses. Available at: www.S.C. Achtung (+) Tol- Fundamental Rights.189/12. Washington: CQ licing Racist Crime and Violence. A Com- Press. parative Analysis. ination. 1995. A/CONF. George M. Main Results Report. U. The Use of and Human Rights. Princeton: Princeton Univer- for the Elimination of Racial Discrimination.). Kelly.pdf ments/eumidis_mainreport_conference- United Nations. München: Verlag Bertelsmann Stiftung. in Political Discourse. Wege demokratischer Konfliktrege- fra.pdf Washington D. Betty A. European Union Agency for Fundamen- tal Rights (FRA) (ed. narratives/hate-crime2010-incidents-and- Xenophobia and Related Intolerance. 19 July 2000. 2001. EU. New York: Oxford University Press. Discrimination pean Union L180. 2002. 2002. Available at: www. ECRI – 10 Years of European Monitoring Centre on Racism Combating Racism. The Case of Racism. Sandra. vey (EU-MIDIS).org/WCAR/aconf189_12. of the European Commission against Rac- The Impact of 7 July 2005 London Bomb ism and Intolerance. Luxembourg: European Communities.eu/fraWebsite/attachments/ lung. United Nations. Racial Discrimination. Robert L. 2001. Dec- offenses . High-Level Panel Meet- Fredrickson. Official Journal of the Euro. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 161 ethnic origin. 2011.). Luxembourg: European Communities. un. Available at: www.eu/fraWebsite/attach. Mark.europa.un. Learning about Rights and European Union Agency for Fundamen- Responsibilities. C.org/durbanre- embourg: European Union. 2005. Available at: view2009/pdf/Durban_Review_outcome_ http://fra. sity Press. Susanne. and Xenophobia (EUMC) (ed. International European Monitoring Centre on Racism Encyclopedia of Human Rights.pdf Conference against Racism. Strasbourg: Council of Europe. Lux. Philadelphia: University tal Rights (FRA) (ed. Maddex. 2001. Hate Crime Statistics 2010.pdf Bildung. 2005. Fredman.). Uniform ance. European United Nations. A ing on the Occasion of the International Day Short History. Report of the World edition_en_. Crime Reports. eranz.). 2006. European Commission against Racism and Fredman. Antisemitic and Xenophobic Elements New York: Oxford University Press. Freedoms. Reardon. Strasbourg: Council Attacks on Muslim Communities in the of Europe. Discrimination Intolerance (ECRI) (ed. 2009. 2001. Law. Racist. 2011. document_En. and Remedies. Educating for Hu- man Dignity.

1965. International Movement Against All Available at www2.unhchr. European Commission against Racism pdf?OpenElement and Intolerance (ECRI). Themes_en.org (eds. 2001.nsf/0/5 (ENAR): www.enar-eu.imadr. Available at: crimination Survey (EU-MIDIS): http:// http://unesdoc. 2001.un. CERD/ C/62/D/26/2002 of 14 April 2003.etc-graz. Racism: www.com/ United Nations Committee on the Elimi- Council of Europe: www.htm United Nations Educational. rights/fight-against-discrimination/coali- International Convention on the Elimina- tion-of-cities/ tion of All Forms of Racial Discrimination.org/durbanreview2009/ddpa. UNESCO against Racism. Paris: UNESCO Publishing.org/en/ga/durbanmeet- British Equality and Human Rights Com- ing2011/pdf/DDPA_full_text.eu/fraWebsite/eu-midis/in- 001238/123862e. errc.). European Network against Racism able at: www. Racial Discrimination.at and Cultural Organization (UNESCO) European Roma Rights Centre: www. Report of the Committee on the Durban Review Conference 2009: www. Paris: UNESCO. Available at: dghl/monitoring/ecri/default_en. INFORMAÇÃO ADICIONAL able at: www.org/images/0012/ fra.org/doc/UN- DOC/GEN/G11/463/25/PDF/G1146325.pdf dex_en. 2010. Communication No.org . Scientific Focus on the Global South: www.equalityhumanrights.org World Conference against Racism. un. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS laration and Programme of Action. Resolution 2106 (XX) of 21 December 1965.org 3243a41b17d73a8c1256d2b002ef02d?Ope European Training and Research Centre ndocument for Human Rights and Democracy (ETC- United Nations Educational.org Office of the United Nations High Com- Football Against Racism in Europe: missioner for Human Rights (OHCHR) www. Xenophobia and Related European Union Minorities and Dis- Intolerance.162 II.).htm www.shtml enty-eighth session (14 February-11 March European Commission against Racism 2011).coe.int/t/ September 2011).un.farenet.pdf mission: www. (ed. General Poli- cy Recommendations: www.org/new/en/social- and-human-sciences/themes/human- United Nations General Assembly.unesco. United to Combat Racism.org/english/ Forms of Discrimination and Racism: law/cerd.europa. Scientific Graz): www.focus- and Cultural Organization (UNESCO)/ web.int/t/ United Nations Committee on the Elimi- dghl/monitoring/ecri/activities/General- nation of Racial Discrimination (CERD). A/66/18.coe.int nation of Racial Discrimination (CERD).ohchr. 26/2002.coe. International Coalition of Cities against ments.asp http://daccess-dds-ny. Se- lected Articles and Standard-setting Instru. Seventy-ninth session (8 August-2 and Intolerance (ECRI): www. Avail.asp 2003. Elimination of Racial Discrimination: Sev.unesco.ch/tbs/doc. Avail.

org/english/bodies/hrcoun- sion: www.org/ missioner for Human Rights: www.org Contemporary Forms of Racism. General Comments: www2.ohchr.org.sahrc.org United Nations Human Rights Council: South African Human Rights Commis.org. Xenophobia and dex.org/english/bodies/cerd/in- cial Discrimination. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 163 Office of the United Nations High Com.sg Intolerance: www2.htm ohchr. sues/racism/rapporteur/index.htm Related Intolerance 2001: www.htm nation of Racial Discrimination (CERD): World Conference against Racism. Ra- www2.asiafounda. Xenophobia and Related Third World Network: www. .ohchr.org/english/is- United Nations Committee on the Elimi. WCAR/ nation of Racial Discrimination (CERD).za cil/ The Asia Foundation: www. C.ohchr. Racial Discrimination.twnside. www2.org/ United Nations Committee on the Elimi. United Nations Special Rapporteur on tion.un.ohchr. english/bodies/cerd/comments.

.

à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. ao vestuário. . D. principalmente quanto à alimentação. DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. ao alojamen- to. 1948.

pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. O pai recebeu uma quantia deia. ela deu à luz um ra. que não trouxeram qualquer resultado. Maryam saúde e quando foi. que. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos.166 II. O seu pai cia. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos. preferiu falar na seis crianças. era obedecer ao marido e família. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. pobreza e carência. Maryam foi circun. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. embora parecesse perceber a lín. algumas costelas. Maryam não tinha qualquer de. paz. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. mas a criança nasceu morta. dava dinheiro suficiente. A enfer. A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. desta vez. Uma mulher é assunto do marido. Maryam não lá conseguir chegar. ao era uma perda de tempo e de esforço. embora algumas pessoas pensassem ternativa. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. regularmente. Ele afir- não assistia aos partos. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. no futuro. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. Contudo. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. conseguiu sair de casa. Ela visitou um curandeiro local. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. esmurrando-a até ela cair no chão. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. No ano seguinte. Os seus Maryam. a fazê-lo. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. Maryam ficou grave- sobre ela. Temeu pela sua vida e das suas meira. mente. num dia de mercado. O marido batia. crianças. Num sonho. receber tratamento e não existia forma de va-a. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. estavam doentes. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. dou. ela viu a sua própria . Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos.

(homens.) ao seu estatuto e poder? Justifique. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir. As. de 1946. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. fique. Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi. 5. 2. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS). Que interligações se 1. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. “[…] um estado de completo bem-estar fí. pegou nos dois autoridade (pai. D. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. 2001. uma refugiada 3. 7.” e direitos humanos. região. Observe o esquema abaixo: são dados sico. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. Transforming Health Sys. marido. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. mental e social. tal 6. no que respeita Health. missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia.

que determinam a saúde são feitas fora do cionados. alimento e desenvolvimento da saúde. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. cionais públicos de saúde. ao alojamento. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. na Declaração Uni. um direito isolado. Esta visão holística da saúde en- saúde. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. água. direitos humanos seja elevado à condição nos.168 II. a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS. Nos instrumentos inter. Assim. apenas.”. O direito humano à saúde foi torna. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. em 1948. com o intuito de inte- Mundial. Esta in. O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. como sociais e psicológicas. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento. Essencialmente. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. ao vestuário. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. fortalecimento sexo. mental e social. A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número . de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. família e comunidade. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú. estar físico. a Carta das Nações Unidas tor. versal de Direitos Humanos (DUDH). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. tanto físicas. O direito humano à saúde apresenta um vas.

profissionais e outras. que acontece atingir. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. Cada ano. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. 1. milhões de pesso. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. habi. enquanto os países baseada nos direitos humanos. As medidas que os Estados Partes no num país. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. c) A profilaxia. As organizações. paração. tanto fí. endé- apenas algumas. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. alimentação. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais. tortura. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. através dos dois Pactos. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. discriminação. O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. D. nomeando lo das doenças epidémicas. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. o PIDCP insegurança humana. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. to Internacional sobre os Direitos Econó- . durante guerras civis e internacionais 2. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. escravidão. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. Até à data. sério obstáculo à realização do direito à saúde. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. A violência po. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. micas. te e da higiene industrial. Sociais e Culturais (PIDESC). bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. A experiên. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. água. nesses países.

mas. assim como pro- mente. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. habitação. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. de 1965. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14.” daqueles a quem se dirige. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. ali. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano. reunião e circulação. nacionalidade. incluindo o ciente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. bens e que foi revista em 1996. todas Acessibilidade. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. de 1981. incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar. através deles. receber e transmitir in. que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. associação. serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e . tra as Mulheres (CEDM). humanos. religião. não discrimi. educação. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. de 1979. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. bre a Eliminação de Todas as Formas de nação. dade económica e a informação adequada. identidade sexual. estatuto político ou outro pode pre- participação. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental. dições do ciclo da vida. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos. liber. Parti- progresso científico e sua aplicação. a DUDH. a acessibilidade física. cularmente importante neste sentido são dade de procurar. trabalho. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). qualidade. incluindo os direitos à vida.170 II. civil. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. estado mentação. origem social. idade. assim como de programas. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. estado de saúde. et- a realização do direito humano à saúde nia. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação. 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. ços de saúde. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife. o artº 10º do Pro. reitos. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera. saúde. A acessibilidade das instalações. final.

Desde há muito tempo. o artº 15º também protege os interesses cial. O aces- familiar. e físico e é determinado pelo contexto so. dos esforços das organizações não gover. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul. social e a pesquisa científica. dos autores de produção científica. para promover acesso a medicamen- tos para todos. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica. cular. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA. em 2001. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento. crianças. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres. literá- assim como pela biologia.”. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995). Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares. . bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. D. põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. político e económico das suas vidas. As mulheres. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. os governos 2005. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. O direito a beneficiar de uma saúde ótima. obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência. a igualdade. Índia.” Além disto. em parti- zação desse direito. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG). tuberculose. das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. Ao mesmo tempo. Para alcançar ria e artística. para proteger a saúde pública e.

1992. o investimento macêuticos (artº 7º).172 II. as subs. de acordo com a Uni. já à globalização. os membros diretos e indiretos na saúde. as consequências nega.” panhar o ritmo deste movimento. Por exemplo. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health. pacidade de produção. como o tabaco. per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio. em alguns casos de. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. . em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. têm sido capazes de fugir à prestação de contas. são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações. Contudo. produzido benefí. Alguns resul. Ao mes. Contudo. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. por essa via. regras TRIPS-plus. em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. comércio bilaterais e regionais. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. Desta forma. para países menos desen- à saúde. substituída pela emenda todo o mundo tem. sociedade civil e em. Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas. não tem sido capaz de acom. da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. ao direito à vida. tivas do crescente aumento das trocas de bens. sustentável. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde. existe a preocupação tâncias prejudiciais. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. pessoas. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. devem assistir os países em desenvolvi- presas. mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. do Acordo TRIPS negociada em 2005. trouxe impactos negativos em particular. serviços. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. tem sido motivado. patente. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º).) reito à saúde. e.2001. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. em grande parte. capital. que estão com base no Direito dos direitos huma.

21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. um quarto de todas as doen. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. of disease). Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. Os a Shell Petroleum. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. 2006. No Plano de Implementa. são causadas pela po. ambientais. em Joanes. foi expresso um forte de e o ambiente. são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial. . DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). em 2002. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. Numa No entanto. D. incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21. burgo. como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo. humanos confirma esta ligação. para reduzir elemen. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. de 14 de dezem. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. As regiões resultantes da contaminação do ambiente. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. várias ONG alegaram que luição ambiental. em 1996. chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992).” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. Organização Mundial da Saúde. da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. vos. 45/94. como sões. No entanto. para reduzir a preva.

falsamente atribuída à religião. do mundo. causa. o direito à saúde. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. etnia. por muito que pareçam sem sentido ou (na China. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. têm senti- e das Américas. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. Contudo. Numa decisão desenvolvimento sustentável. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). idade. De novo. religião. volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. bens história que remonta há 2000 anos. da OMS. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro.174 II. Em outros casos. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. etc. em particular). por isso. adaptando-se base em plantas. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas. biomédico da saúde e.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. desenvolvimento. Na Ásia rais. e terapias não medicamentosas […]. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante. cional continue passiva em nome de uma Em África. exi. A OMS define MT como terapias que praticam. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. Suriname). A e serviços sejam culturalmente apropria. intelectual. zações atualizaram a sua declaração que . tem uma gindo que as instalações de saúde. A prática. cultura. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. partes de animais e/ou mi. do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. Contudo. e reformando-se”. o direito à terra e o direito ao inclusive. aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. PERSPETIVAS género. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. as três organi- nerais. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. Em 2008.. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. mais de 80% da população uti. incluindo o direito à saúde. visão distorcida de multiculturalismo. em muitos lugares População da ONU. América Latina e destrutivos. de fevereiro de 1996. prática pode impossibilitar gravemente o dos. sobre o en.

servem. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. No mesmo ano. como o ébola. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. tal como as minorias étni. Por exemplo. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. O Estado deve publicitar a locali- finanças. nomeadamente. educação. escravidão. D. DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. e a liberdade de pensamento. O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito. zação. Isto também significa que o veis. Se a violação ocorre. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. serviços e requisitos da clínica. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . leis estas medidas foram excessivas. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. bir a liberdade de movimento. tir que os membros da sociedade usufru. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. como no caso de democrática. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. e arbitrariamente re. o Estado deve prevenir que atores não es. a SIDA. de e a tuberculose. A dade sobre o direito individual. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. cessária e adequada. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. 4. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. um número e jurídicos. justiça e assuntos das mulheres. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. Em certos momentos. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados.

mento. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. Ao nível nacional. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim. 10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. de 1984. O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. o Relator faz vi- te o direito à saúde. as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. políticas. por exemplo. adotado em . proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me. tre outras consequências. necessárias. a este respeito. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. Para este fim. Económicos. dos Direitos Económicos. ou seja. nessa data. . Conselho de Direitos Humanos compila canismos.não deve ser planeada ou imposta de for. Sociais e Culturais. relatório a um órgão de monitorização do tratado. acordo com o relatório do governo. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. reto sobre as relações com outros países. Sociais e Cultu- ma arbitrária.176 II. micos. dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais.deve aplicar-se no interesse de um objeti. em 2002.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. menos intrusivo e restritivo. boas prá- processo de revisão formal. Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. rais decida sobre casos individuais. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. Sociais e Culturais. informa missões governamentais. o Comité dos Di- reitos Económicos. um mecanismo de disponível. Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. o direito à saúde e permitirá que o Comité . en- . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso. Partes. natória ou não razoável. o país .deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob. de forma discrimi. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo. . de direitos humanos que possam ter. 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. incluindo leis. os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde. entrar em vigor4. governos e as partes interessadas. as co. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar.deve estar prevista e ser imposta de acor. tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos.

no Senegal. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. debater. tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. higiene. no cas de saúde pública. Os modelos no Rei- Uganda. adequada ao local e questionar peritos. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. na Alemanha. Os ões públicas. acesso a meios de prevenção período de tempo. questões am- bientais. mulheres. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. por parte de toda a aldeia. As autorida- des de tomada de decisão. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. Cutting the Rose. ampla- é eficaz. mação específica. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. na Tailândia. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. Nos anos 80. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. D. sobre de parceiros múltiplos.000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. para si e para as suas famílias. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico. grupos representativos e reuni- de comportamento na população. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. No Reino Unido. Depois de grande . na Zâm- no Unido. vida quotidiana. uma aldeia de 3. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. mas tais como a saúde. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. de circuncisão feminina. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. Os factos sustentam que: mente representativos da população.

Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. o mesmo destino. muito tempo. para aju- mas de infeção. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. anos 90. educação Em muitos países. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada.” implementado entre esta população devido Cherokee. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. membros mais vulneráveis da sociedade. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. Por todo o lado no mundo. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. dois anciãos da aldeia que contém fotografias. e se o curan. Tal. O movi. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. Eles sugeriam. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais. planearam. em junho do mesmo ano. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional. na sigla inglesa). sempre. teatro de rua que se focou sobre os proble. relva e musgo encon. em particular. os consumido- deiro tivesse dúvidas. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. o Reino Unido e os Países Baixos .178 II. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. Depois. por si mesmas. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. livros de memórias foi. No Uganda. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil. Depois. The Origin of Medicine. sobre o VIH/SIDA e. brança para os seus filhos das suas origens. filhos qual é o estado da sua infeção. pela primeira vez. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. dentro das famílias. incluindo uma atuação de canais de comunicação. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. foi o início da medicina na dições graves. O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. cordações familiares. pla com ajuda da PLAN Uganda. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. Em fevereiro de 1998. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. no início dos prática. arbusto. Os pais deia fez um juramento. erva. Desde 1998. remédios adequados para as doenças da hu. toda a al. A Associa- tilação genital feminina. A ação jurídica.

será a implementam políticas de redução de da. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas. dução de danos possa envolver a descrimi. Hong Kong. A Declaração todo o mundo. D. no dia tados para com a segurança internacional. tros tratados internacionais. e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. referência mais importante neste campo. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos. garantir que as pessoas com deficiências des. A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. não discriminação e autodeterminação. bem-estar e deficiência”. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi. Os países que introduziram medidas. A natureza holís- . a Conferência sobre Deficiên. afetados – China. nos. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena. infetadas e 5 morreram. tem de indivíduos com deficiências. Durante esse período. Embora o paradigma de re. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. O facto de que estas pessoas são. Desde então. como nos Países biomédico. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. 6 de outubro de 2004. midores. por agulhas esterilizadas. a Declaração reconhece “[…] Baixos. as qualidades fundamentais da igualdade.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. As questões que surgiram durante intelectuais. humanos à saúde. troca em julho de 2003. tanto indivíduos como comunida. durante os quais 65 pessoas foram ciência. 8. do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. em vez como Redução de Danos. assim. A atenção recai sobre e abstinência. surto. seres humanos. educação e reabi. Vietname. entre consumidores de droga. berdade de imprensa. A epidemia da SARS começou em novem- gem.

A lista seguinte in. na análise das condições de saúde sociais e físicas e . pescas.direitos das pessoas com deficiência . como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- . A la- sita de ser feito pela saúde da população. . 2000.tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a . tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei. Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso.180 II.doenças crónicas direito humano à saúde.direitos dos povos indígenas surto. etc.” .VIH/SIDA Human Development Report. ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros.meio ambiente (ar.direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos.acordos de comércio específicos e o seu 2. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas . trumento poderoso para a criação de uma ros. • Transparência na informação diária dada .saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais. .reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma . • Conhecimento público precoce do . começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados. bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica. vigilância e isola.saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do .implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa.violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional . . água.) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos.nutrição dica as tendências atuais: .redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos. . cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu.doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento.

(% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11.6 7.4 1. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.6 6.3 75.7 0.0 - Áustria 5.4 Mali 3.1 707 Estados Unidos da 16.8 2.2 48.7 7. DIREITO À SAÚDE 181 3.037 Burkina Faso 6.9 1.org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.5 5.5 China .4 (2006) 8.1 4. Banco Mundial. 4.5 3.1 2.7 6.0 74. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.9 Burkina Faso 4.2 Zimbabué .6 3.4 7.5 7.7 1.4 3.7 Suécia 6.7 38 China 4.9 - Estados Unidos da 5.9 Índia 3.6 50.867 Áustria 11. World Development Indicators.4 61.1 177 Cuba 11. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação. disponível em http://data.9 Reino Unido 5.9 2. 1.629 Austrália 8.8 América Geórgia 2. D.410 América .2 (2006) 1.0 1.4 1.7 4.5 65. 2010.9 9.3 (Fonte: PNUD.4 Austrália 4.1 1.8 93.0 Cuba 11.9 2.worldbank.

182 II.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10. World Development Indicators. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.0 Estados Unidos da 79.8 45 Mali 5. disponível em: http://data.) .6 47.0 (Fonte: PNUD.4 Mali 49.252 Zimbabué .1 28.2 Reino Unido 79.7 256 Índia 4.8 Suécia 81.org/indicator.9 38 Reino Unido 9.3 83.6 4.7 China 73. .9 Áustria 80.6 América Geórgia 72.2 Austrália 81.4 Burkina Faso 53.0 Índia 64. 2010.5 Cuba 79.2 32.285 Suécia 9. worldbank.3 Zimbabué 47. - (Fonte: Banco Mundial. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.9 78.6 3.

1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma.) 4. CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos.000 nados vivos. bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) . 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos. 2010. D. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. 2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. 1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi.

criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes. O formador faz a pergunta: que elementos .. Esta atividade permite aos parti. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. bem como o estado do indi. parede. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma.184 II..] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. criar nos par. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente. BEM-ESTAR FÍSICO. verbal. dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH). âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge. marca- sociedade. MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos.”. mental e social. Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo. OMS define saúde como “[. que a “ausência de doença”.

incluindo o for. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. Nenhuma ideia deve ser ex. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão. para todos verem. D. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. artº 3º da DUDH. num sentido amplo. a nova lista de direitos humanos que apoia mador. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. apoia o direito à saúde. contudo. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. os partici. pantes a usarem as suas próprias ideias. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. eles irão usar as listas que cria- claramente. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel. folhas são direitos humanos. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. As folhas de pa. pidas. to- .) grupo. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. O grupo pode colocar dade entre todos. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. o formador plo. o direito à vida. • Este é um exercício de empoderamento. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. o formador pede a dor visita cada grupo. o forma- verem. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. Cada grupo irá escolher um suas ideias. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. Passo 4: po. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas. da. Por exem- Se o grupo demorar a começar. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. uma assistência quando é pedida. Durante a fase da revisão. Alguém anota Todos os participantes. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. (Isto demo. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. 2. suficientemen. linguagem de direitos humanos. Neste momento. do grupo em plenário.

Os participantes dividem-se em 4 grupos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. importados. dizendo mentos genéricos baratos. Depois. plo. Por esta ra. .o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. rar opiniões opostas. Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. Materiais: quadro. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. apresentará os argumentos. cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo.186 II. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. o juiz abre a audiên- . apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. e devido a pressões de ONG. o formador deve su. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos. . não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. al. Metas e objetivos: Compreender a com. verdadeira. posições.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. os grupos to- ção. outros países. tes e profere uma sentença.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. marcadores. Em África. processaram o governo e algumas ONG. não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. cêuticas. o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica. na realidade. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. para o julgamento. fita ade. guns governos começaram a importar . que prolongam a vida ou aliviam as do. por exem. importados de aos participantes que a DUDH é um có. mas. propriedade.o representante das ONG conseguiu. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu. Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. empatia mam os seus lugares. cêuticas. conside. . O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento.

AIDS Treatment and Chan. MacDonald. Depois de 30 minutos suas posições e argumentos. 2008. Available at: www. Health. Halfdan Rights Policy. Gibson. Em plorar: Globalização.pdf form/ Abbot. and the New War on the Poor. 317-358. 2009.) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3D. DIREITO À SAÚDE 187 cia e pede a cada grupo que apresente as de todas as partes. COMPASS. In: Practical Guide Platform for Action. and the United Nations: Manual for Human Rights Education with Inconsistent Aims and Inherent Contradic- Young People. tions? London: Radcliffe. . cada grupo apresen- todos os argumentos. Theodore H. A Manual for Human gar a consenso sem negligenciar a posição Rights Education with Young People. Theodore H. Jones. Possibility? London: Radcliffe. 2008. In: Case Studies. Mahler and Hane Serag. Theodore H. and Access to Medicines.3dthree. Available at: www. 2002. 2006. 1995. Peris S. D. argumentos numa sessão plenária. Frederick M. Kin- Farmer. to the WTO. 2005. os par. (Volume 99). Cambridge: The Carr Center for Human MacDonald.int/compass MacDonald. pa. SARS and the Implica. London: Rad- Beijing. soluções mais importantes são registadas Outras sugestões: no quadro. Quando todos os grupos tive- Encontrar um consenso no grupo: depois rem apresentado o debate do processo de de todas partes terem apresentado os seus tomada da decisão.org/womenwatch/daw/beijing/plat- org/pdf_3D/Guide-075Ch4. Sen. Oxford: Oxford In: American Journal of International Law University Press. 2007. Fourth World Conference on Women.coe. Strasbourg: Council of Europe. a atividade termina.. Available at: http://eycb. po- cada grupo de trabalho. Direitos relacionados/outras áreas a ex- ticipantes formam grupos de trabalho. TRIPS and Health. Health. pondera-os e profere ta o seu processo de debate e a sua pos- uma decisão que tenha em consideração sível solução no plenário. pp. Council of Europe. The Pathologies of Power: Health. Human Global Human Right to Health: Dream or Rights. discriminação. Noel A. Beijing Declaration and cliffe. deve haver um breza. 2002. 2004. Trade And Human Rights. Berkely: University of California Press. 2004. Paul and Amartya K. Compass. un. The WTO Hestermayer. Basingstoke: tion for Human Rights. Kevin. sella and John A. Palgrave. O juiz resume de trabalho de grupo. Human Medicines Decision: World Pharmaceutical Rights and the WTO: The Case of Patents Trade and the Protection of Public Health. Human Rights in Context. membro de cada litigante mais um juiz.. A Human Rights. As respostas e as diferentes opiniões dos litigantes. O (Fonte: Adaptado de: Conselho da Euro- formador pede aos grupos que tentem che. Holger.

Pass.org/ www. New York: Routledge. 2001. Integrating Human Rights in Health.org/worldfoodsum- mms/services/bulletin/bulletin200502/ mit/english/index. Available at: www. Robin. Declaration of the Context of Public Health. ridocda/huridoca.ch/ Available at: www. 2005. 2010. New York: PDHRE. Devon.htm Stott. Jonathan. Stephen P. 2003.). 2011.nsf/%28symbol%29/a. World Health Organization (WHO). 2002. Annas (eds. An Update on WHO’s Work on Female Gen- ital Mutilation. report/outline/en/ org/globalreport/global_report.unhchr. World Trade Organization (WTO). www. Available and Human Rights. Vienna Declaration and Programme for Health and Human Rights/Harvard of Action.int/vio- UNAIDS.ch/hu- School of Public Health. Grodin. Hu. Stephen (ed. Sandra. www.html World Food Summit.wto. New York: Food Summit Plan of Action.en Nygren-Krug. Doha Declaration on the TRIPS Agreement ways to Human Development.157.unaids.int/reproductivehealth/publications/ Rights Education (PDHRE). Health and Human Rights: The Educational Challenge. conf.fao. The People’s Movement for Human who. Ministerial Declaration on the TRIPS.undp.. lated Intolerance.K: Green Books Ltd. Health. 2002. Helena. Health and Human Rights.org/wfs/homepage. The Real Wealth of Nations: Path.org/Documents/Publica- tions/Durban_text_en. Grodin and George J.org/english/tratop_e/trips_e/ en/reports/global/hdr2010/ implem_para6_e. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Mann. International Alliance against Hunger. Rio de Janeiro. Available at: www.medicusmundi.fao. 2010. 1992. cial Discrimination Xenophobia and Re- Marks. 2010. U. Rome Decla- Huenchuan. ration on World Food Security and World man Rights and Public Policies.org/esa/dsd/agenda21/ 1999.wto.un.who. Perspetives on Health tion and Programme of Action. Available at: United Nations.htm World Trade Organization (WTO). Available at: A. fgm/rhr_11_18/en/index. Sofia Gruskin and Mi. 2002.org/english . Rio Declaration on Environment and Available at: www. Sofia Gruskin. 96). 2000. 2005. Human Rights in World Food Summit. UNDP.pdf Marks. Ra- York: Routledge.ohchr. Boston: François-Xavier Bagnoud Center 1993.htm United Nations Conference on Environ. Platform for Action for the Human Rights 2002. 2011. Ageing. New World Conference against Racism. of Medicus Mundi Switzerland (Nr. New York: and public health.html kap02/02nygren.188 II. World Conference on Human Rights.23. The Ecology of Health. Report on the Global HIV/ lence_injury_prevention/violence/world_ AIDS Epidemic. Available at: UNDP. WT/L/540. Available at: www. Human Development Report Implementation of paragraph 6 of the 2010. 2001.). Michael Development and Agenda 21. Available at: www. In: Bulletin the World Food Summit: Five Years Later. Available at: www. 1996. Available at: http://hdr. ment and Development. World Report on Violence and of Women. at: www.html port to Dignity: Working With the Beijing World Health Organization (WHO). Durban Declara- chael A.

msf.au/michael-kirby Economy): www.org Health and Human Rights: www.if- english/issues/health/right hhro. 3D (Trade.worldbank.re- abilities: www.org Health Statistics and Health Information United Nations Special Rapporteur on System: www.fao.phy- François-Xavier Bagnoud Center for siciansforhumanrights.org/ Human Rights Organisations: www.unaids.int/healthinfo/en the right of everyone to the enjoyment of the highest attainable standard of physi- International Federation of Health and cal and mental health: www2. D.med. Médecins sans Frontières (MSF): www.3dthree. DIREITO À SAÚDE 189 INFORMAÇÃO ADICIONAL Michael Kirby Centre for Public Health and Human Rights: www.wma. www.org int/hhr/en/ Mental Disability Rights International: World Medical Association: www.org Montreal Declaration on Intellectual Dis- Ethical Globalization Initiative: www. Health and Human Rights: www.edu/fxbcenter UNAIDS: www. harvard.org/ World Bank.declarationmontreal.org Physicians for Human Rights: www.hsph. Food and Agriculture Organization of phmovement.com alizingrights.monash.html .net World Health Organization (WHO).org the United Nations (FAO): www.disabilityrightsintl. Equitable edu.ohchr.org/indicator tion: www. World Development Indica- International Harm Reduction Associa- tors: http://data.who. Human Rights.org People’s Health Movement: www.org net/en/10home/index.who.ihra.

.

DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. portanto.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. como um problema feminino. ser encarados isoladamente. . não devem. E. 1995.

Porém. “O bebé sobreviveu. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. é extremamente ciumento. taram nele. já do o seu marido trouxe. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. joga. Em 2010. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. Não consegue vi foi. cuidados pré-natais que são urgentes. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. com uma pedra. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. numa polícia que ela estava a mentir. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. os Nesta altura. raramente trabalha. Uma mulher. eles levaram. bater-lhe. independentemente. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. o marido da Selvi abusos continuavam.” Desde então. disseram-lhe Em junho de 2010. a violência tem au. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho. estão novamente juntos. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. um me do telhado”. pois o seu cartão do Estado do fugir. formal. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi. amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. e lhe pagasse uma prestação de alimentos.” A segunda Quando ela falou com ele. quanto à frequência e gravidade. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. A polícia en. disse ela. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. . dizen. O seu marido iniciou os ataques en.” ele. eles chamaram o frequentemente. numa terceira vez ela es. em 2009. Ele da sua cabeça. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia. Sel. batendo-lhe todos com ela. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. Para abdómen. mília. O seu esposo vive trancou-a num quarto.192 II. man Rights Watch falou com a Selvi. dada ocasião. a chorar. à noite. agora afeta mesmo as crianças. curador iniciou. ao tribunal de fa- to filho. deram ao casal alguma do a localização do abrigo. secretamente. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra. Quando. pela quarta vez. garfo no seu braço. à esquadra quan. comida e mandaram-nos para casa. Selvi foi. tive sexo [com um outro homem]. ele está aqui. “Naquela primeira vez ele bateu-me. No entanto. não os dias. Estado e tem terror de fugir. Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. O tribunal ordenou mental. Eles acredi. A polícia trouxe o seu ma. falámos com com o teu marido.

e pelos direitos de outras mulheres. No entanto. Devido às diferentes tos retrocessos. 2011. muitas vezes. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. regio- aos tribunais e os procedimentos judi. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. com Em muitos contextos. a luta ainda não terminou. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres. nessa altura. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. e introdu- por um longo período de tempo e. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. infe. 3. muitas formas. as noções formais armas ou palavras. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. se na discriminação de facto. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços. especial e nem ninguém. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. He ficientes para garantirem oportuni- loves you. mas também mui. O séc. Em. situações de desvantagem. quase globalmente. nal e internacional. Esta situação opôs a tal política. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. A SABER 1. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . envolve fre- as mulheres em todo o mundo. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. levan. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. 4. insistiu que devia ser usado “to. contra as mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. Eleanor Roosevelt. E. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. pertencem a todos os seres humanos.

por Susan Moller Okin “[…] como a ins. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. a maioria No entanto. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. Em 1998. assim como os transsexuais. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. inde- sociedade. soas deslocadas internamente. é comum encontrar as mu. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. políticas. res na sociedade e às formas específicas res. depois dos representantes dos Esta. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. cor. sociais e económicas por todo o mundo. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. carecem de particular atenção e que . “a neutralidade não per. Quer os refugiados. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. Assim. o conjunto com os grupos vulneráveis. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade.” Contudo. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. pendentemente do género. ças. diferença. […]”. comunidades. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. dos quais são mulheres. surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. 1998/2005. desvantagem e discri. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. o género é uma categoria de Azza Karan. é o que será o próximo milénio. idosa. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. de cada país. mulhe. humanos torna-nos especialmente sensí- manos. idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí.” mas evoluiu posteriormen. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens.194 II.

a situação das 1918. com . em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. DEFINIÇÃO públicos. assim como muitas das suas A segurança humana trata. crianças. a erradica. nacionais. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. finalmente. com num mundo masculino. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. Desta forma. em particular. a proteção. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2.1789. Uma Retrospetiva Histórica existe. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados. as mulheres e crianças. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. Assim. mesmo em tempo de paz. deve constituir uma priori. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. A prol da libertação e igualdade. podem benefi. direitos humanos à segurança humana. Logo por volta de 1830. em a segurança humana. voto. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. de companheiras. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. a todos os níveis. ainda hoje. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. res por direitos iguais. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. também. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. regionais e sub-regionais. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. particularmente contra mulheres mo”. partir dos 30 anos de idade. marca o começo reitos das mulheres. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. todos. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto. E. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico. Esta época consti. as mulheres e as petos”. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. Ela. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. referida como “a terra natal do feminis- ção.

lheres. no respeitante a problemas ur. primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. estão divididos em duas categorias. Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. o que. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades. criada em 1928. A CEM pro. Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. tornava. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. Em 1979. para a continuem a discriminar as mulheres. social. Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade. para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. foi Bodil Boegstrup. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. Os di- e através de planos trienais de ação. em 1945. a Década cul- se dos direitos humanos. 187 . moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. humanidade foram esquecidos. região da América Latina. em todo o mundo. Até maio de 2012. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. a diata. económico e uma posição subordinada às mulheres. nos Pactos Internacionais. da mulher na família e na sociedade. vitavelmente. ine- nentes. criminação contra as Mulheres (CEDM). em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. a pobreza a Nacionalidade das Mulheres.196 II. na área dos direitos das mulheres. com o mandato líticos. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. por exemplo. e Mulheres (CIM). A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. Paz. A sua primeira presidente que. e desde o início. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. ao nível global. da Bélgica. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). em 1933. as mulheres procuraram participar na estru. unindo os direitos humanos todo o mundo. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. assim como direitos económicos. conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. também. Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas. de 1976 a 1985.

A discriminação contra as mulheres é . em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção.Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade . O Comité da CEDM coloca ênfa. E. se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres . nação contra as mulheres. proibindo toda a discrimi- ção feminina. cípio da igualdade. . políti. . desenvolvimento dos seus filhos. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- . qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres. com base na igualdade dos homens e das mulheres. das as outras práticas baseadas na ideia co. social. o gozo ou o exercício pelas . por eleição.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa.Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras.Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade. organi- CEDM. . tos dos homens no campo da educação. blicos e de serem elegíveis. reconhecimento.Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. . nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres.Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir. . seja qual for o seu estado civil.Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual. .Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis. atuarão em conformidade com esta .Estabelecer a proteção legal dos direi. Muitos . dos direitos humanos e das liber.Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios.Tomar todas as medidas adequadas . em todos esses atos. exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens.Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos. homens e das mulheres na educação e lação apropriada.Modificar os padrões sociais e culturais mulheres.Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . . zação ou empresa. de conduta dos homens e mulheres. económico. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas.

dentro da sua jurisdição. individualmen. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. nho de 1993. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres. a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. a torna. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. ga (1980). a cada cinco anos. nível nacional. ração de Viena e o Programa de Ação. Declara também que a total e igual ou grupos. de integração dos direitos das mulheres como sos critérios. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór.198 II. regional e internacional e mite que mulheres. 104 Esta. Plataforma de Ação de Pequim (março de to. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. O Artº 17º do Protocolo estabelece. adotados como resultado da conferência. em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. sendo parte da Convenção. civil. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. rem-se parte do novo instrumento também. Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. por exemplo. direitos humanos: México (1975). Adicionalmente. A CEM. que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente. que se te. Em qualquer um e homens. A Decla- contra as Mulheres. através de consenso. 2010). participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca. cialmente importante. o progresso relati- dos casos. violações de direitos protegidos pela Convenção. permitindo um Plano de Ação. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. do Milénio. já que constitui o . o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. Até maio de 2012. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. social e cultural ao • O procedimento de participação per. bro de 2000. económica. • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. ninas são uma parte inalienável. O Protocolo Op. Nairobi (1985) e Pequim (1995). A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. tados. um Es. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. e chamou todos os Es. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais.

social. cisão. financeiro. dos doen. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. económicos. economia. meninas. mecanismos institucionais. sem um seguro adequado e próprio. menos que os homens. educação. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. cumprindo os seus de. Muitas vezes. a toma. reitos sucessórios e à propriedade de terras. assim como pela biologia. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. conflitos armados. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. • Em algumas regiões. meios de informação. as mulheres rea- da de decisões. E. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. e das mulheres a serem informados sobre os . político e económico das vidas das mulheres. manos civis. 17% humanos das mulheres. obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. cia. la e produzem mais do que 90% dos ambiente. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. especialmente na América Latina. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. em média. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. saúde. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. sociais tes e dos idosos. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. que é entendida como uma função social de social e físico. violên. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas. executando os trabalhos e culturais. 1% da propriedade. sistema institucional e alimentos. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. políticos. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. com um diagnós. África e Europa de Leste. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e. mulheres. É dada especial atenção dos alimentos. na sua dimensão política. No contexto da migração. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo.

A realidade. 2012. te- nham sofrido a MGF. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. expliquei a e em alguns países do Médio Oriente.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo.. incluindo a violência física e sexual. mulheres vivas. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. nho. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas. não acreditem vítimas da MGF. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria.] por isso. Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. é diferente: quanto as suas mães. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Indonésia. As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF). os pais não nas na América Central e do Sul. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva. uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú. frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. a enraizados... Na altura quan. Eu corto-as en- saudável. O meu pai mos médicos. riscos para a saúde e. América do Norte meses. Apesar registavam os nascimentos. o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde. Elas entre- de adequados. eficazes. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). mas não é exato. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. Parteira de aldeia Om Mohammed. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF. tal como demons. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar. numa visão geral global. A MGF integra-se. exato [do meu nascimento].. castidade e a “pureza” genital. por cozinharem sobre as e adolescentes. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas.” dores. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas. e minha história pessoal. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram. ainda não sei qual o dia asiáticos. perigo de vida. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. res. por vezes. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte. 2011. muito mais tarde. uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. irão purificar as suas filhas. por isso. Malásia e Sri Lanka. e. possivelmen- Ban Ki-moon. bem perto. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju.] e Austrália. [. te. A tradição persistente da fogueiras. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. no momento presente. porém. tais como a Índia.200 II. Por isso. Para além de muitas . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros. as meninas e as mulheres apenas esperou [. Egito. mente.

a panhadas de educação integral. e a separação pormenorizada dos No entanto. com base percentagem é de cerca de 50%. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. novas infeções ter diminuído desde então. estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). logo em 1959 (uma proibição con. através da promoção de uma no Egito. em 2010. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. Os luta. na África na comunidade e sensibilização. Considerando que. no Norte de África e no Médio Oriente. ções Salafi. Apesar se à sua continuação. dimi- destas estratégias na linha de ação: em. dita nela”. mulheres grávidas. o estudo de 2005 da UNICEF mos. que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. Subsaariana é de 59%. as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. tão lentamente a diminuir nalguns países. o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). taxa de todo o mundo de 21%. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. micas. nuíram em 33 países. no comportamento sexual. Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. E. . Em termos globais. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. em 2008. em geral. os pro. ção islâmica. também as MGF no mundo. local. comportamento social devem ser acom. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. devido a mudanças prisão. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. risco as mulheres é o VIH/SIDA. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores. étnicas e socioeconó.

possibilitan. relacionados com o dote. Para além do mais. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. vezes. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis. ça das Nações Unidas. res no mundo já foi abusada. ções.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. a fim de prestarem uma as. 2012. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte. prostituição forçada. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. pessoas que são titulares de direitos. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. nas são sujeitas a violência física. Esta na vida pública. Escravidão sexual. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. nomeadamente. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so.. classes e culturas. para preve. como na privada. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. crimes de hon- Também em 2011. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. situações de conflito e pós-conflito. assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação. tanto quase duplicou em apenas três anos. seleção 1983. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe. ma forma. integrando-se os esforços de pre.] de planeamento familiar. o Conselho de Seguran. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. venção no cuidado pré-natal.202 II.. No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. recém-nascidos. ções pandémicas. lheres. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. durante a sua vida. [. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. gravidez forçada. Muitas conquista reflete o compromisso político. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. Assim. e psicológica que é transversal a diferen- ças. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. abusos sexuais. ra.

Esta Convenção foi desenvolvi- . em 1994. o assédio aproximadamente $1. o tráfico de mulheres e a nação. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di. Punir e de máxima importância que a Declara. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. Em algumas Além disso. foi estabelecido. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. • violência física. Deixa vi. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. o abuso sexual. onde Unidas estima que o número de víti. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. prostituição forçada. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas. ças do sexo feminino no lar. por exemplo. ou até com a erradica- ção. A violência abrange os seguintes atos. fa. sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos. mílias e comunidades. são para serviços de cuidados médi. como uma ferra. de 1994. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. a violência contra as mulheres humanos.8 biliões. família. Nos termos do Artº 2º da De. fratura comunidades maus tratos. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. manos. • violência física. com perdas ticada na comunidade em geral. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos. em 1993. com a prevenção. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. a violên- cia relacionada com o dote. as mulheres. quer que ocorra. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. das Américas ratificaram a Convenção. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. • violência física. incluindo os das devastadas.000 mulheres por ano. os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. Erradicar a Violência contra a Mulher. sexual e psicológica lações de direitos humanos. Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. empobrece os indivíduos. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. E. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. conjugal.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4. estima-se que o custo de vio. ocorrida no seio da família. de forma a que as vítimas de violação. a violação • A violência contra as mulheres cau. A vio.1 biliões violência relacionada com a exploração. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares. por consenso. da violência contra as mulheres.

No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. proteção de traba. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. parte. introduzir o medo. nível político e jurídico. de modo a destruir o inimigo. Até maio de minarem as mulheres. seus métodos.204 II. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). Conclui-se. Se. a . a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. designa expressamente a violação. dominar. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. também da guerra na Bós- mento. através do atropelamento dos corpos das mulheres. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos. foi elaborado sume proporções pandémicas. Internacional. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. punir. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”. é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. tos casos. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. O direito a oportunida. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. e no Protocolo nº12. Social Europeia. A vio- respetivos Protocolos. lho sem discriminação em razão do género. há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. a violência sexual 2012. em relação ao traba. su. Os direitos espe. proteção materna. Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. Ruth Seifert afirma que. de comunicação entre homens. O Protocolo Adicional nº7 à Con. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. incluindo o género. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. é estabeleci. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo. O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. nia do início dos anos 90. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda. e subsequentemen. de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. o Protocolo à as mulheres. ria. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu.

entretanto. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). vo nas decisões que levam ao conflito ar. incluir as mulheres em para a Serra Leoa.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. até parte desproporcional das consequências agora. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren. da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. Além disso. Gen. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. Uma mudança de paradigma na recons- derno. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. 2008. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. mulheres nos processos de negociação para . especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. A participação das por estarem expostas à violência. parte de equipas de mediadores. especial. Patrick Cammaert. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias. missões de manutenção de paz. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. As Resoluções enfati- a violência sexual. via. enquanto muitas vezes elas pró. O número de condenações conflitos. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. mente violência sexual. planos nacionais de ação para a mado. processos de manutenção da paz e segu- rança. Contudo. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo.000. E. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. Muitas mulheres UA ou outras instituições. Vários Estados estabeleceram. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes. em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. Maj. ção para a paz promovidos pela ONU. mas mou no seu boletim informativo sobre re. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. a ONU vida o mais normal possível. enquanto funcio. de decisões. da mesma forma. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados. Internacional para a antiga Jugoslá. durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. na prática. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. Pelo contrário.

a estas insuficiências. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. mas em todo o mundo.” acordos de paz são mulheres. por isso. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. um todo. centrou-se. a menina enfrenta dis- suas crianças. 1998. Para nós. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. Além disso. que são maioritariamente homens. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. Terceiro Mundo. ao longo da infância e na idade adulta. Fazendo face Vandana Shiva. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. Michel- dos tempos”. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. o furto não pode ponível. Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. nas chamadas economias verdes. Assim. sustentável. a tendên. através tora Executiva da ONU Mulheres. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . não epidémicas. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. o casamento precoce. de vida. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei.em média. mas afeta especialmente as mu- lheres. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. como a seleção pré-natal do sexo. as práticas relacionadas com . A Dire- mentes e as que as fazem crescer.206 II. Monopólios e Mitos e a Masculiniza. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. o seu conhecimento. entre outras. rapazes. ras. as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. de Vandana Shiva. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. nital feminina. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. futuro sustentável. governos e indivíduos.

Em 2002. o mo tratamento que os homens. E. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. particularmente. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. inciden- . muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. PERSPETIVAS Austrália. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos. uma desculpa ou impedimento para a total do. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. antecedentes históricos. te dos seus sistemas políticos. independentemen- educação e à formação especializada. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. Mais comum na Ásia. compete aos Estados. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. em 1993. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. ferente à questão da saúde das meninas. Em muitas regiões. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. as tes e interrelacionados. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. Devido à falta de leis de proteção são universais. na sua documentação re. mais do de universalidade. culturais. indivisíveis. dos direitos humanos. uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. Infelizmente. uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. soal e ao direito à vida das mulheres. a vio. peito aos direitos das mulheres. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. as meni. meninas. estas políticas e perceções colo- 24 anos”.

as estatísticas da Índia da diversas vezes e. Hoje. aumento de apenas 1%. cuja execução foi adia. há um aumento chocante do número após 1975. mativas da ONU Mulheres. tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos.4%. de forma a pres. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. participação das mulheres. tipo de regime de quotas. no fim. mentados em 2006 e 2008. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. bem como de iniciativas interna. mas ainda ocorre a responsabilização política. existem como é provado pelos últimos casos docu. Ashtiani no Irão. mais mulheres no governo do que nunca. em comparação com o embora mais raramente. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. maioria simples dos votos. 2011. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. tradição com os direitos das mulheres. na Índia moder. envenenamen. de mortes entre mulheres (na maioria. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. e os na Índia onde a Sati. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. às limitada. nas legisla- de noivas”.208 II. presumivelmente. de 4 para 1. nunca. em compara- dado. No entanto. As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”. De acordo com esti- suicídio por autoimolação. forçadas a cometer paridade” de 40-60%. nas duas décadas na. estaremos que são assassinadas. foi proibida pelo gover. jo. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. desde há décadas. para revigorar no britânico em 1829. governo eram mulheres. não vão atingir . Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. em todo o mundo. 1998 a 2008. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. os países com to ou enforcamento. Nos últimos 50 anos. ainda existe atual de 18. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. Mulher (UNIFEM). das mulheres nas eleições.

de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. cação para os direitos humanos nos Além disso. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. Contudo. é muito mais provável souberem o que são. com as mesmas qualificações. uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . mas com as mesmas qualificações. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. Porém. a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. Dentro da União Europeia. a participação política das mulheres parece 4. direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. para a igualdade. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos. para tra. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. entre homens e mulheres. que seja a mulher e não o homem a per. Durante a Revolução Verde Ira. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. humanos das mulheres através da edu- balho igual. realizado. Por exemplo. A Agência dos cos e sociais. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. revoluções terminado em repressão contí- nua. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. guidas não apenas pelos governos. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. guerra civil ou as eleições democrá. E. no entanto. à maioria da população. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos.

mas também CEDM. completa implementação dos instru- . mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. se esta possibilidade não for ex. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. A das mulheres. Os relatórios sombra nismo novo. emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo. poucas as ONG podem preparar relatórios al. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter.210 II. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram. em junho acordo com a CEDM. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. da Turquia. reitos humanos. o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. Em 2009. invocá-los. Apesar das melhorias significativas. o Co. da África do Sul. de 1993. Para de Yakin Ertürk. Atualmente. Se as obrigações do Esta. de direitos humanos e ainda menos té específico. e para outros ór. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. isso é de extrema importância que o ape- gação. no país. de. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos.

Apesar do hiato digital mundial. for Gender Justice. Um número crescente destas . mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género. Agora. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. em muitos países. o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. Um dos melhores exemplos é a ado. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. E. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. em 1999. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. Mary Robinson. mas escravidão sexual. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. expressos na sua própria língua. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). necessidades e de. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. a aprender sobre direitos humanos. turas de ativistas dos direitos das mulheres. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru. 2000. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento.” sejos. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. O Passaporte vens e mulheres instruídas. para 28. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. Em 1992. e sexual são incluídas no estatuto do TPI. para efeitos pedagógicos. procurando garantir que a violação. gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. em março de 2000. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”.

diversas questões de direitos humanos e údo digital. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . a violência doméstica. Uma boa prática para se supe. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). as ONG para te. para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor. estabe. O terceiro escravatura sexual. O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. de direito humanitário. uma diretamente. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2. es- e de participação. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. an. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. é dada explícita atenção a ví- sexual. mas aproveita também ativa. para intervirem de forma a terminar. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize. vencedor. com o artº 7º. estar físico e psicológico. nº1. “Estação de Rádio apenas para gravidez à força.212 II. foram projetos inicializados de 2002. Em 1998. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. Em 2011. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. de informação novo marco com o Estatuto de Roma. eficácia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. Por exemplo. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso. a Campainha!” (Bell Bajao). e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. no contexto da violência. com uma for. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. declara que “[…] violação. e o “Toque bunal Penal Internacional. variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia. prostituição forçada. crimes de violência sexual. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. que incenti. as preocupações das mulheres da Web 2. foi uma cam. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. pela primeira vez na história. assim como a consciência política timas e a testemunhas.0.

a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. este direito há muito tempo. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . Finalmente. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. O esco. até das as regiões em desenvolvimento. adotaram a Declaração do Milénio das ão. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. dois deles. os objetivos 3 e 5. Estas medidas aplicar-se. ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. das Nações Unidas. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. da Interagência doméstica e algumas tradições. declínio médio da percentagem anual. explicita e implicitamente. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. No Uganda. no caso de uma vítima Nações Unidas. mais recentes no Digesto da Educação res. clusivamente. as mulheres Global. vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação. Este su. por exemplo. tanto o nú- ligamia. como a po. objetivos. é mais lenta do que em mundo. de 2012. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. em termos globais. faz parte dos Objetivos de Desen. Estas medidas referem-se. nomeadamente. os Estados Árabes. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. a questões de mulheres: Em março de 2012. rica Latina. um terço desde 1990. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. Oriental e a região do Pacífico. em 2000. e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. E. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. nio estimada de 1. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. a Amé- necessitam para se sustentarem. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos. volvimento do Milénio (ODM). tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. o 2015. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques.

aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. solicitem. Funde-se e constrói. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. para a Mulher (UNIFEM). ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. incluindo a monitorização regular do Em 2010. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo. para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas. sociedade civil. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário. o Institu- organizações de mulheres.” Shulamith Koenig.214 II. . As principais guintes cinco objetivos. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. para o Progresso das Mulheres. um passo histórico na ace. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. a implementação integral da De- um impacto maior. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos. Os Estados-membros da ONU deram. desta forma. ma das Nações Unidas. • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. cazes com a sociedade civil. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. mentarem estas normas. Mulheres. suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. bem como igualdade de género e ao empoderamen. 2009. na sua formulação de políti- nas. em 2011. promissos sobre a igualdade de género. e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. padrões internacionais e normas. mulheres enquanto seres humanos plenos. e bilização social. cas. jovens. especial da Assembleia-Geral. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres.

Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . 1888 Fundação do Conselho Internacio. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964. tra as Mulheres (em vigor: 2000. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género. Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. 1958. de Pessoas. rati. de Nairobi. de Belém do Pará (em vigor 1951. ratificações até maio vigor: 1981. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. lheres e Crianças. CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti. 1994 Convenção para Prevenir. E. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3.

paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res. a igualdade de género e o empo- res. Dimensão do grupo: 20-25. cooperação e análise de dife- direitos das mulheres.216 II. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres. ração e Plataforma de Ação de Pe- res. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia. familiarizar-se com rentes pontos de vista. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal. RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. 2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. Esta atividade procura melhorar a compre. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe.

Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se. E. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso.. Contudo. O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. Se não. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco. sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem. apresentados e debatidos na presença de Depois. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos. o que torna o debate mais in. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. o grupo deve pensar na situa. curso. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. os resultados ao grupo inteiro. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi. todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal.. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. direitos das gregação de género. minorias. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. não discriminação. Direitos humanos em geral. linguagem corrente. por entre . ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. quais são as mulheres mais afe. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for.

florestas. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. etc. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo. desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. Igualia. Ao prosseguir. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. charnecas. a por exemplo. cabos de energia. ao longo do caminho.218 II. presentados pelas linhas. pré- justiça e o respeito dios. as paisagens do presente e do futuro e um deias. vales. Metas e objetivos: Desenvolver a com. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. folhas de papel grandes. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. para Igualia e como os iriam superar. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. pontes. rios. dis. um país onde existe a igualda. tais nhe o seu mapa de fantasia. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. promovendo a usados para as florestas. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. No presente. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. melha para representar a tentação. etc. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. . caminho a passar entre os dois. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas. Explicar que nesta atividade os participan. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. mas o seu mapa mostra o cami. um país onde exis. como desenharam o mapa. al. o desen. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. a representar como montanhas. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira. aptidões cria. marcadores de diferentes cores. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos.

Amnesty International Netherlands. Equality and Judicial OSCE – Office of the Special Representa- Neutrality. Alexis. no que local de trabalho sobre a igualdade de oportu- respeita à igualdade de oportunida. Hu- northern Nigeria. 2002. 2005. 2002. Toronto: Carswell. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 219 abordar a forma como na realidade seria a prazo para aumentar a igualdade de gé- Igualia e sobre os obstáculos: nero? • As pessoas gostaram da atividade? De • Quais outros grupos são discriminados que gostaram? na sua sociedade? Como se manifesta • Qual das três perguntas foi a mais fácil de essa discriminação? Quais os direitos debater? Qual foi a mais difícil? Porquê? humanos que estão a ser violados? • Quais são as principais caraterísticas da • Como se podem empoderar os grupos Igualia? desfavorecidos de forma a poderem re- • Quais são os principais obstáculos que clamar os seus direitos? impedem que a sociedade do presente seja a Igualia ideal? Parte IV: Acompanhamento • Se tivesse de classificar o seu país en. A manual on human rights • Justificam-se as políticas de discrimina. Gerd Oberleitner tion of new Sharia-based penal codes in and Esther Kisaakye (eds. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- • O que precisa mudar. . Isis. 1987. não discriminação. struments and African Experiences. don: Zed Books. de forma a cons. In: Mahoney. como o as políticas são implementadas e se são ne- classificaria numa escala de 1 a 10? 1 é cessárias mudanças ou esforços para elevar a muito desigual. 4 et seq.). Lon- ment-implementation-new-sharia-based. (Fonte: Rui Gomes et al. Wolfgang. tive and Coordinator for Combating Traf- ficking in Human Beings. Gerda Theuermann y del Caribe contra la violencia domésti- and Elena Tyurykanova. clube ou tre todos os países do mundo. Joint statement on the implementa. The Evolutionary Na. Analyzing ca y sexual. E. Kathleen and beings to better prevent the crime. Considerar a política da sua escola. nidades em relação ao género e discutir como des entre homens e mulheres. plorar: truir-se uma sociedade onde exista Direitos humanos em geral.).nl/nieuwsportaal/pers/joint-state. penal-codes-in-northern-nigeria Boletín Red Feminista Latinoamericana Aronovitz. Vienna: Sheilah Martin (eds). direitos das igualdade de género? minorias. education with young people.. 1993 – current. the business model of trafficking in human ture of Equality. (eds. Rosalie.am. 10 é a igualdade quase sua instituição ao estatuto da Igualia. Available at: www. 2010.) ção positiva enquanto medidas a curto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abella. pp. ideal. man Rights of Women: International In- nesty. • Qual é o papel da educação para o em. Benedek. poderamento e os direitos humanos? COMPASS.

He loves you. Shulamith. Gender en/node/98417/section/2 and the family.htm 2005.org/dialogue/ embrace. Koenig. 2012. 2012. Nuevas dimensiones. Summaries of EU legislation. Fight against trafficking in human Sati in India. Available at: www. ICTR-96-4-T. Justice. 1998. Available at: www. A manual on human rights education with Lloyd-Roberts. Women.kamat. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Bravo.georgetown. Susan. Women in Parliament: Be- mental Rights. 2005.pdf?sequence=1 Europa. Passport to Dignity. 1999.org/cgi-bin/texis/vtx/ref. . Rosa. 2002.org/ Moller Okin. lications_per_year/2012/pub-annual-re. Antwerp: Intersentia los Derechos de las Mujeres.europa.org. search breza. Fundamental yond Numbers. The Prosecutor of the Tribu. Vienna: Austria Service at: www.htm al Criminal Tribunals: The International Criminal Tribunal for the Former Yugosla- Falcón O´Neill. Karam. Embracing Internacional de Derechos Humanos. Women’s Rights – Human Rights: From ing Judgement). Historia de via 2001-2002. Lima: Seminario Koenig.co. The tradition of 2012.uk/download/10 don. nal against Jean-Paul Akayesu (Sentenc. Available at: www. Kamat.library. 1998. man_beings/index_en. ICTR. Neuhold.stm Human Rights Watch.for. Rui et al (eds.htm legislation_summaries/justice_freedom_ security/fight_against_trafficking_in_hu. 2002. André and Göran Sluiter.uk/2/hi/pro- grammes/newsnight/9696353. 2012. Female genital young people.eu/ com/kalranga/hindu/sati.eu/ fraWebsite/research/publications/pub. he beats you. Post-Conflict Reconstruction.idea. La construc- ciòn del Sujeto Politico. Available at: http://fra. In: Ballington. 1998. Available at: www. Strasbourg: Council of Europe. New York: PDHRE.html Forward. Azza and Joni Lovenduski. Brita and Birgit Henökl. women_post_conflict. 2001.bbc. Avail- Available at: http://eycb. Lidia. 2011. 2000. En Género y Po. After the Peace: Women in ECLAC Women and Development Unit. The challenge of gender equity and https://repository. mutilation rife in Egypt despite ban. rights: challenges and achievements in int/publications/wip2 2011. Santiago: ECLAC. Sue. Klip. Gomes. Julie and Azza European Union Agency for Funda- Karam (eds. Women as Full Owners of Human Rights.hrw.unhcr. Annotated Leading Cases of Internation- port2012_en. Women in Parliament: Making a Difference. beings. for Development Cooperation.). 1998. COMPASS. 1998. Available Dream to Reality.edu/ human rights on the threshold of the twen- bitstream/handle/10822/551499/Peace_ ty-first century. Shulamith and Betty A. Pobreza por razones de world/rwmain?docid=402790524&page= género. Santiago de Chile: International Center for Research on Editores Isis. Jyostna.220 II. New York: Basic Books.pdhre. Rear- warduk. Movimiento Manuela Ramos.int/compass able at: http://news. Available at: http://europa.).coe. Available at: www. Precisando conceptos. Female Genital Mutilation: Information Pack. Available at: 2000.

edu/asq/v7/v7i4a1.org/publications/files/FGM- to make life better for women. and Land Rights in Af. Available at: www. Female genital mutilation/ Power.af- ternational Tribunal for the Former Yu.who. 2002. An interagency nopolies. E. UNICEF. Equality and the Available at: www. UNICEF/Innocenti Research Centre. Robinson.unicef-irc. WHO. African Studies War. Tripp. Catherine M. UNFPA.org/en/ Peacewomen (ed. Myths and the Masculinisation of statement . United Nations. UNDP. Ailli. No. Report of the against Racism. AIDSday_report_2011_en.OHCHR. 35-43. 2000.pdf cil Resolution Language 2000 – 2010.org/access. 2004.who.html tion: Female genital mutilation/cutting. 2010. The Shackles of Free. Women’s Movements. Available at: www. Peace media/unaids/contentassets/documents/ and Security Handbook. New York.4.org/publica- for Peace. Available at: www. People’s Movement for Human Rights Available at: www. UNHCR. pp.pdf High Commissioner for Human Rights and Secretary-General of the World Conference United Nations. Available at: www.). DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 221 Niarchos. 1998. 2011. Shanti.un.htm goslavia. The Second Front: Get?Open&DS=A/66/38&Lang=E The Logic of Sexual Violence in Wars. Mo. Compar- council_monitor/handbook ing Education Statistics across the World. Women hold up the Sky. Committee on the Elimination of Dis- ch/huricane/huricane. Ruth. Statement by the United Nations tions/pdf/fgm_eng. UNAIDS. cutting. 2002. Eliminating fe- Shiva.unaids. 649-690. and Rape: Challenges Facing the In. Global strat- (1/2). UNICEF.html .nsf/0/DD6773BCD7 crimination against Women. int/reproductivehealth/publications/ Customary Law.unesco. World AIDS Day Report (1995). tivehealth/publications/fgm/rhr_10_9/ Danieli. Vandana. edu/s/shiva2. rica: The Case of Uganda. In: Human Rights Quarterly 17 UNAIDS.html UNIFEM. able at: www. Quarterly 7. 2008.org/Li- Learning. In: Yaeli. Women. Women. Compilation and unaidspublication/2011/JC2216_World- Analysis of United Nations Security Coun. Avail- UNESCO Institute for Statistics. 2010.unicef. Changing a harmful social conven- the-shackles-of-freedom.). 1995.int/reproduc- Structures of Discrimination. Mary. Women Uniting Available at: www. brary/Documents/GED_2010_EN.unhchr. A statistical exploration. Available dom. 2010. 2011. thedailybeast.pdf Newsweek International. 1996. fgm/9789241596442/en/index.peacewomen. Has it? In: C_final_10_October. 2005. Monocultures. New 3D1F478025689C005B52B7?opendocument York: United Nations. Dairian. UN- Agriculture. male genital mutilation.org/security_ Global Education Digest 2010.com/newsweek/2002/03/17/ 2008.sbc.html Dias (eds. Available at: http://daccess-ods.nsf/ Seifert. 1998.ufl. Available at: http://gos. 2011. Elsa Stamatopoulou and Clarence en/index.pdf New York: PDHRE. The end of communism was supposed at: www.uis. rica. Carla. ECA. egy to stop health-care providers from performing female genital mutilation. In: Women’s Studies International Forum 19 United Nations. pp. Available at: www. UNESCO.

ch/huridocda/ oas.RES. UNFPA and committee.org/cod/icc/statute/ y el Caribe: www. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS United Nations.org huridoca.terredes- United Nations.un. UNICEF. Caribbean Committee for the Defense of General pursuant to Security Council resolu.equalitynow. Declaration on the femmes. Centro de Document- International Criminal Court. 2001. Organization of American States: www.info United Nations. Human trafficking and migrant smuggling: www.ohchr.org/women- neva: Geneva Centre for the Democratic watch/daw/csw Control of Armed Forces (DCAF). Available at: www2. Available at: ación de las Mujeres de América Latina http://untreaty. Available at: www.org mericana de los Derechos Sexuales y los . New York: United Nations.48.html INFORMAÇÃO ADICIONAL UN Women: United Nations Entity for African Union: www.org/maternal_mortality.html UNODC. 1999. cion.pdhre. Peace and Mujeres (CLADEM – Latin American and Security.reddesalud.org/unodc/en/ human-trafficking/index. Available at: www. United Nations Commission on the Sta- 2005. Marie and Lea Biason (eds. Trends in maternal mortality: www.cladem.htm www.org Vlachova.un. Convention on the Learning: www. english/law/cedaw-one.104. Optional Protocol ca and the Caribbean: www.org/ International Council of Women: www. 2012. Rome Statute of the Isis internacional. Ge- tus of Women: www.nsf/(Symbol)/A.conven- Framework: An Invitation to Universal Par.org.de Elimination of Violence against Women.org Elimination of all Forms of Discrimination Red de Salud de las Mujeres Latino- against Women (CEDAW).htm The World Bank estimates. Multilateral Treaty Derechos Reproductivos: www.unwomen. Women Rights): www.un. Women.org/womenwach/daw/cedaw/ 1990 to 2010.unodc. UNICEF. 2000. para la Defensa de los Derechos de las United Nations.unhchr. of Women: www.eclac.int Gender Equality and the Empowerment Campaña por una Convención Intera. UNFPA and World Bank nation of Discrimination against women: (eds.childinfo.).uy ticipation.org to the Convention on the Elimination Equality Now: www. Women in an Insecure World.isis. 1998. United Nations Committee on the Elimi- WHO.org tion 1325 (2000).222 II.org/english/bodies/cedaw/ in American Women’s Health Network): convention. 1993.ohchr.au.En People’s Movement for Human Rights United Nations. Study submitted by the Secretary.htm Terre des Femmes: www. New York: United Nations. Available at: americanas y del Caribe (RSMLAC– Lat- www2.htm icw-cif. Economic Commission for Latin Ameri- United Nations. 1979.cl/ romefra. WHO.). Focus 2001: Right of Women and Comité de América Latina y el Caribe Children.org of all Forms of Discrimination against Women.

1986. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos. F. . é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo.” Comissão Internacional de Juristas.

Es- agido pela polícia. contra jornalistas e rador que indiciou S. forenses. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul. S. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. o tribunal de primeira instân.. Ne- nhumas outras provas. repetidamente abuso do processo equitativo”. Em 1998. e a explosão. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di.. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. quando foi detida. sem justificação. vai ser jul. tanto Ö. indivíduos que participam em manifesta- ba. mossexuais. “A continuidade deste caso pa de S. foi absolvido de todas as acu. sos. representa uma per- idade.” se encontrava sob custódia da polícia. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas.. defensores dos direitos humanos. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau. também foi detido. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. os relatórios da polícia retira. então com 27 anos. O procu. bem sações. em 1998. dos direitos dos ho- Quando Ö. durante o interrogatório. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011. direitos humanos na Turquia. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa..224 II.. Ö. ao julgamento. mais tarde. documento cujo conteúdo ela desconhecia.. bissexuais e transsexuais. ferentes departamentos da universidade. sob tortura. que irá assistir feita por Ö. dizendo que tinha sido co. Os S. disse a Human Rights Watch. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. O seu julgamento é um dos . sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. No tribunal. com bomba. tras minorias. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. e Ö. elementares para um julgamento justo. rotulou a explosão editores. Ö. numa explosão. questões de género. É a terceira alegadamente identificou S. S. em que pessoas e feriu mais de 100. que matou sete supostamente feita pela tia de Ö. tendo ela testemunhado um atentado com bomba. da cul. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente.. trabalha. incluindo sadas por um atentado à bomba. S. legais políticas pró-curdas. foi fabricada. como resultante de um atentado com bom.. disse Emma negada. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S.

quando são violadas as garantias de um aplicado. Tal é essencial para a proteção si próprio. vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. disse a Human Rights Watch. Nin. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. 3. O que pode ser feito para se prevenir mente. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. uma vez que não se nais. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. advogado. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”. manos. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. públicas quando os seus direitos estejam dade. Durante o julgamen. 2011. a execução do poder estatal tem de ser to justo. constitucio- considerado ilegal. O direito ao julgamen. Assim. descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. porém. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. na reali. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- . F. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência. torna-se evidente que julgamento justo. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. Todavia. de conhecimento público. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. Tur. efetivamente. não to. é comummente a sua presença. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. Quais são os motivos para a acusação de S. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos.? A SABER 1. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. Esta lei tem de ser ser a sua pena. pilar da sociedade democrática. Pior do que isto.

nação no qual todas as pessoas. manos. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215). o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. Atualmente. Os princípios do primado gurança jurídica. Em consequência. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos. os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. respon. dieval onde. o di- “Para as Nações Unidas. Na Europa. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. proibição da arbitrarie. como Aristóteles. primado do Direito é um dos maiores obs. parlamentar na Europa. Tam- Primado do Direito. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. reafirmou a ligação inquebrá. . separação dos poderes. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. à nobreza. 2004. do de direito ao estado discricionário. o Con- em Viena. fundamentais. e o parlamento. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. que preferiam o esta- certeza jurídica. se. igualdade perante a lei. a quem se encontrasse detido. las quais a sua liberdade fora restrita. durante os séculos XVII e XVIII. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado. com base na lei e imparcial. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. As pedras angulares cial do processo democrático. cional. públicas e privadas.226 II. a justiça e a gos. em conjunto com a nobreza. quistador. e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu. deres executivo. garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. a Conferência Mundial das Na. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei.” buem diretamente para a segurança da pessoa. insti. do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal.) rante um juiz independente e imparcial. o princípio do primado do Di- tuições e entidades. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. e é um pilar essen. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. em 1066. legislativo e judicial centrais. cumprem as revoluções civis. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. central foi estabelecida por Guilherme.

como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). do tribunais. vo e judicial que funcione. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. justo com total igualdade. excecionais. e não discriminatórias. Em situações de pós. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. 2. a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. o processual (ex: equidade na audiência). como ditar no Estado e nas suas autoridades. um clima pro. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. na realidade. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. como Elemento Fundamental contribuindo. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. 2004.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. F. às garantias dos direitos humanos. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. primeiro lugar. de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. . estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. primei- conflito é particularmente importante ramente. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. Em direito ao julgamento justo. mesmo ao lidar com situações da sentença. venção Europeia dos Direitos Humanos. Assim. assim. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. o pro. da administração im. diretamente. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva. social e contribuem. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1. também lacionado com a administração da justiça. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. um sistema judicial forte de. a Con- fortemente de um sistema administrati. procuradorias e polícia. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. Com este fim. nos. incluin- parcial da justiça e da boa governação. salvaguardem o sistema jurídico. mado do Direito. para o direito de do Primado do Direito viver sem medo. O primado do Direito significa.

a título gratuito. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. 9. em que a infração foi cometida. mentos dos Direitos Humanos da ONU. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. no seu defensor.228 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. 6. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32. ou omissões que não constituam um mente. A pessoa davia. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. ato delituoso. indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. nos termos da lei. atempada. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. crimen. Todos têm direito a uma audiência equi. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. a todos os tribunais. as condições que estabelece. pios gerais do primado do Direito. superior. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. um julgamento justo (por exemplo. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. em 2007) aplicam-se direito de ter um. Em muitos países. obedecem aos princípios normais da justiça. segundo o direito na- num idioma que compreendam. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. Proíbe . ou a confessar-se culpada. to- testemunhas de defesa. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. 4. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. da cional ou internacional. Do 3. nais militares ou especiais que julgam civis. nulla poena sine lege”). cação de procedimentos excecionais que não terrogar. no caso de não ter Muitas vezes. termos em que. o estipulado no PIDCP. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. Todos os acusados da prática de um 10. in. sempre que o in.) 7. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. ou fazer interrogar. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. informados. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. O tribunal deve ser competente. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. especiais. 11. as tes. em pormenor. A pessoa acusada tem direito a in. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. plenamente. equitativas. imparcial e estabeleci.

Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. alteradas por autoridades não judiciais. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. a sua independência igual pelos tribunais. etc. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. também. as condi- sistema legal. aos jurados. institucional ficaria comprometida. F. Todavia. judicial tem de ser similar. similarmente acu. internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas. sem discriminação de qualquer es. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. tribunais de justiça que podem ser com- rente. Se os juízes pudessem ser removidos. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. o prin. cisões não coincidam com determinadas sadas. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. as condições salariais dos juízes. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. pécie. . neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. são outra parte. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. sionais sem serem influenciados. postos. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes. o constitucionalmente. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes. Exemplos deste controlo. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. somente por juízes profissionais. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. Todavia. o poder judicial aplicam-se. Significa sim que. expetativas ou instruções. Contudo. fica tratamento idêntico. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes.

a informação sobre denada. ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. Isto também se ser plenamente respeitado. para aí receber um julga. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. ável. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. das nos próprios instrumentos internacio. A presunção clusão do público.]” de crianças). Mi- litary Commissions. Este feita. a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. num julgamento justo. [. que englobem o processo. Assim. o artº 14º do PIDCP. por exemplo. rio. (Fonte: Amnistia Internacional. tal como um qualquer tribunal fe. mas deve ser vista a ser feita. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes... ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. de forma pública. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. há muito. De acordo com até serem considerados culpados. 2011. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela.230 II. O direito a manter o silêncio e o direito nais. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. na medida do necessá- Genebra. A este respeito. blico é excluído da audiência. nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. para que qualquer detido de Todavia. pelos tri. o pú. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral. desde comprometer os interesses da justiça. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. de a não ser forçado a testemunhar contra . no âmbito penal. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. a pessoa acusada não pode ser con- sentes. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

17º. 15º. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. crítico e capacidades analíticas. artos 12º. desen. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis. 12º. Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. 13º. Colocar. 16º. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. F. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. 1994 Relator Especial das Nações Uni. Função dos Magistrados do Minis. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. Mulheres. à frente. 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). artos 37º. 14º das sobre a Independência de Juí. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. 2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. artos 5º. 13º. uma mesa poder defender os seus direitos. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. situação de tribunal. capacida- .

que isto sig- Reunir de novo os participantes.O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: . es- senta a queixa e a escreve no quadro. contra ela seja deduzida. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes. apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações.Grupo de três ou quatro pessoas que apre. Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário. de formação de opi. debater a diferença entre um a sua opinião. em plena igual- pado ou inocente. e publicamente julgada por um tribunal soas. Ninguém mais pode dar Nas reações. por outras palavras. não existem advo.Equipa de duas ou três pessoas condu.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo. nifica que se for a julgamento. Parte III: Informação Específica sobre a .Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. blico no tribunal. “Toda a pessoa tem direito. O ele- uma ofensa criminal. no segundo cenário.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. Dizer aos procuradores para júri e um juiz. dificultará o desempenho na dramati- . imparcial de três ou quatro em vez do juiz. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. bem como da sua família e lação? da comunidade. Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . No primeiro cenário. Ter atenção ao desempenho. Parte IV: Acompanhamento Depois. na primeira dramatização. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está .Um juiz. pode nomear um júri defender. mento de surpresa pode ter um maior . zação. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações. como furto. Os outros participantes são o pú. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. pecialmente. acontecem na vida real? mos de defesa. nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul. dele ou dela. Nomear também uma dade.” Reações: Explicar. Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso. Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação. .244 II. Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público. .

Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom. o direito clientes acusados de crimes conhecidos. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas.Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? . discutir o facto de que to. ATIVIDADE II: COMO PODE . pagar? . o reconheci.un. Ini- cyberschoolbus. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim. ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração. deverá o arguido ter. Texto para a ficha informativa: cráticas. formação casos criminais como para disputas civis. tão que lhe era. e limites de uma observação neutra. Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. de opinião.Se for acusado de um crime. 2003. sem Apresentar o tópico. permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra.Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi.org). sobre um deles). ou . Se quiser. de- senvolver capacidades analíticas e demo. Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. Isto é válido para crítico e capacidades analíticas. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. . deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. pode colocá- plorar: los no quadro. verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo. Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. de- Duração: cerca de 60 minutos. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. defesa Gerry Spence. F. Deixar que os participantes A presunção da inocência. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate. Gerry Spence. sa Gerry Spence (ver abaixo). frequentemente. colocada: berschoolbus. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. quando uma pessoa processa outra. capacidades de comunicação. a uma defesa competente.

Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do. Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter. Constituição ou pela lei. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen.” razoável e o júri absolver o arguido culpa. o neste artigo. nificado e propósito. exigidas. das as garantias necessárias de defesa lhe gado. e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento. curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 . tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. pedir aos par.246 II. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. Nin- 1997. manos não são respeitados. por este. Pode também referir circuns. brevemente. perder o caso? Se não. Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica.Toda a pessoa acusada de um ato de. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam.” conhecidos. . .) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito. 2 . não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido. de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto. um advogado? Se tiver um advo. se o advogado de defesa sou. então. no momento da sua prática.Por que acham que os advogados defen. Não julgar as opini. Definição: Uma pessoa Se o fizer. Bom. de quem é a culpa? Culpamos o advo. outras pessoas. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma.Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que. A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. o direito a defender-se a si próprio. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- .

Jean. 2004. Our Global Neighbourhood. Available at: www. Commission on Global Governance. Military 1995. (Fonte: Adaptado de: Carleton College. Mark Malloch. Correspondence Bias in Everyday Life.html tivist’s Trial a Travesty of Justice. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 247 Direitos relacionados/outras áreas a ex. Eugene and Mai Yamani.acad. Turkey: Ac- Lutsky/RMII/CB4a. Cassese. Minnesota: Carleton Col- of International Relations. hrni.at/fileadmin/edi- tor_upload/presseaussendungen/Guanta. pdf Council of Europe. Oxford: Oxford University Press. Louise. Antonio.undp. 2002. USA. Consolidated Framework and Carleton College. Societies. sages Guantánamo Still Sends.pdf Human Security Now.2/2002/7. A Century of Interna. and-human-rights/fair-trials Commission on Human Rights. o di. sity Press.pdf able at: www. Amnesty International. Amnesty International Publications. 2000. Cotran. the Islamic World. Guan. Available at: www. Report of the Sessional Work- Rights and 10 Anti-Human Rights Mes. lege. Global Civil So. New York: Palgrave. 2011.carleton. Correspondence Bias in Report. Avail. Cambridge: Cambridge Univer. A presunção da inocência. 2002. Oxford: Oxford University Press. port ciety 2003. Available at: www. 2011.amnesty.org/files/reports/HRNi_EN_125.org/ dpa/statements/administ/2004/october Huber. 2000. Mary H. Kaldor and at: www. 2004. Helmut K. sity Press. Monitoring the Rule of Law. namo%2010%20Report. Available at: www. port of the Commission on Global Gover- nestyusa.hchr.org/our-work/issues/security. Administration of Justice. 2011. Building Europe Brown. Commission on Human Security..org. Rule of Law and tánamo: A Decade of Damage to Human Democracy. The Re- Commissions. o reconheci. Available at: www. reito a uma defesa competente.). Available Anheier. New York: Com- mission on Human Security.humansecurity-chs. F. Available . New York: Oxford Univer- its Limits. Human Rights and the co/publico/comunicados/2004/cp0431.org/finalre- Marlies Glasius (eds. ing Group on the Administration of Justice. Judicial Process. International tional Adjudication – The Rule of Law and Criminal Law. 2004. Rule of Law together on the Rule of Law. Martina. Security under the The Rule of Law in the Middle East and Rule of Law. mento como pessoa perante a lei.4/Sub. demo- plorar: cracia. Arbour. edu/curricular/PSYC/classes/psych110_ Human Rights Watch. nance. The Hague: Netherlands Institute Everyday Life. Amnesty International. 2008. 2003.) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allain. London: E/CN. Strasbourg: and Transitional Justice and Post-Conflict Council of Europe. 2003.am.

Cambridge: Cambridge PDF/N0439529. S/2004/616 of 23 August worski (eds. Cambridge: Cambridge University Available at: www.org/doc/UNDOC/GEN/N04/395/29/ ory of Democracy. Frank.pdf of the World’s Women. fairs. Theory. Report of the Sec- Maravall. The Right to a Fair Trial.). Why the 40002ca6f5/$FILE/N0251433. Available at: www. Jose Maria and Adam Prze- retary-General. The Rights of the Ac- of Human Rights and the International cused (Individual Rights and Civic Respon- Covenant on Civil and Political Rights. Mary. John F. General Comment No. Human Rights for Judges. 2001.248 II. 2011. Brian Z. mittee. Opening INFORMAÇÃO ADICIONAL Speech. United Nations.hrw. The Rule of Law turkey-activist-s-trial-travesty-justice and Transnational Justice in Conflict and Post-Conflict Societies. Prosecutors and un.amnesty. Building Justice: Academic Publishers. Available at: http://daccess-dds-ny. tice.org/ PDF/G0743771.org/doc/UNDOC/GEN/G07/437/71/ Lawyers. The Hague: Kluwer Robinson. 2004. Huridoca.unhchr. 2007. 1998. tion of Human Rights. 2004. In Pursuit of Jus- Office of the High Commissioner for Hu.org/en/news/2011/02/08/ United Nations. 1984. New York: The Rosen Publishing ticles 8. Vienna. Ar- sibility). 2001. A/57/150. General Comment No. Available at: man Rights.ch/tbs/doc.pdf?OpenElement Documents/Publications/HRAdministra- UN Women.unhchr. 26-27 June 1998. The United States Rule of Law. On the Rule of ples’ Rights: www.org/pdfs/EN- 13: Equality before the courts and the right Report-Progress.achpr. 2003. 2004. 2003. and Rüdiger Wol- pendent court established by law (Art. History. Article 14: Right to equality before courts man Rights. Amnesty International: www. CCPR/C/ Administration of Justice: A Manual on GC/32.org/ Law. Cambridge Studies in the The- un.pdf?OpenElement University Press. A Conference on Establishing the Rule of Law in Post-Conflict Situations. Democracy and the 2004. Cambridge: Cambridge University Press. lin: Springer Verlag. David A. Strengthening of the Murphy. Ber- Available at: www. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS at: www.ohchr. Rule of Law.pdf Rule of Law Matters. 2004. frum. 2002. http://progress. African Commission on Human and Peo- Tamanaha. Report of the Secretary-Gen- and the Rule of Law in International Af- eral to the General Assembly. New York: UN Women. The Right to a Fair Trial under the Universal Declaration Ramen. Politics. Available at: http://daccess-dds-ny.ch/Huridocda/ Press. Guillermo. 14). 23: Office of the High Commissioner for Hu. 1997.unwomen. nsf/%28Symbol%29/bb722416a295f264c 12563ed0049dfbd?Opendocument Weissbrodt.pdf to a fair and public hearing by an inde- Weissbrodt. 10 and 11 of the Universal Declara- Group. Human Rights in the and tribunals and to a fair trial. 2011-2012 Progress tionJustice. David A.org . 15 Journal of Democ- United Nations Human Rights Com- racy 2.nsf/0/63233977f02defb2c1256c O’Donnell.

amnesty.org dex-eng Office for Democratic Institutions and Asia Pacific Judicial Reform Forum Human Rights (ODIHR): www.org Amnesty International – International International Criminal Tribunal for the Justice: web.org/deathpenalty www.Death Penalty: International Commission of Jurists: www.icty. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 249 Amnesty International . bunal: www.int www2.com/index.coe.amnesty.ohchr.venice.org European Commission for Democracy United Nations Office of the High Com- through Law (Venice Commission): missioner for Human Rights (OHCHR): www.int en/death-penalty/executions-of-child-of- International Criminal Tribunal for fenders-since1990 Rwanda (ICTR): www.int/ sl.osce.org/ www.Executions of International Criminal Court (ICC): Juveniles since 1990: www.org stanford.icc-cpi.org United Nations Rule of Law: http://unrol.icj.coe.pict-pcti.sc- Council of Europe: www.html odihr Center on Democracy. Development.apjrf.edu Special Court for Sierra Leone: www. and Project on International Courts and Tri- the Rule of Law (CDDRL): http://cddrl. org/ .ictr.org/pages/jus-in- Former Yugoslavia (ICTY): www.org Amnesty International .org Human Rights Watch: http://hrw.amnesty.org/ (APJRF): www. F.

.

tanto em público como em privado.G. . LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO. pelo ensino. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento. pelo culto e pelos ritos. de consciência e de religião. 1948. pela prática. sozinho ou em comum. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção.” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção.

. assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. em casos semelhantes. No seu relatório De acordo com relatórios. gá-lo. a 8 de ja. consis. Egypt: danos à propriedade pública e privada”. – a “Idade das Trevas” da Europa - . a ser-se persegui- go caminho a percorrer do. é possível ser-se forçado a ne. Frequentemente é paga uma 3. detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. 2010. 2011. d. afiliação e prática religiosas. Diretora da HRW 4. posto na prisão ou até morto. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi. não é suficiente.C.252 II. Free Activists Detained on Solidarity Visit. Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois. por Egípcios. man Rights Watch. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento. Por força daquilo em que namentos de Buda. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas. a deixar a família. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. três homens fo. teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos.” tes casos? A SABER 1. e condenados.” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. anual de 2010. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW). seis Cristãos cop.C. A partir do século IX se acredita. a 9 de janeiro. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. 1. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. Liberdades Religiosas: ainda um lon. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio.

Hans Küng. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. As crenças religiosas interferem bas. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. ção. sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. voluntariamente. Letter Concerning Toleration. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. pertencem. voluntariamente. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. frequentemente. as- envolvem problemas de etnia. . Não outras questões de direitos humanos. causa da sua permanência aí […] Assim. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. testantes e monges Budistas. Subsequentemente. Esta é uma da nessa comunhão. religiões tradicionais e “novas”. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular. 1689. tigação dos fundamentos das religiões. aquela fé e culto que é. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. todas as minorias resulta. no Egito. Presidente da Global Ethic Foundation. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. uma igreja é uma sociedade de membros.” gulação das liberdades religiosas no di. G. vicções. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto. todos se juntam. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. John Locke. tante com a esfera privada do indivíduo. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. ral. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. a guerra centes entre crentes e não crentes. por Muçulmanos. o que tes países: na Birmânia. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza. àquela No passado e no presente. entre para expandir o Império Otomano e o Is. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. verdadeiramente.” a compreensão do mundo. reito internacional dos direitos humanos. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. Por todo o mundo. ou entre lão assustou a Europa.

mos pessoais ou impessoais. lor essencial da segurança humana. Na China. Muçul. base na religião e na crença. assistimos a discrimi. desde o pode ser alcançada à força. a liberdade e a segurança treia. à intensifica. ções.e. medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. no Irão há discriminação afetam. Protestantes. O que é a Religião? mismo. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. de consciência e de religião são particulares. grupos e Ismaelistas. embora muitas vezes ignorada. Normalmen- . os Cristãos são discriminados. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. quando estão ligadas a extre. Sudão. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. Sufis. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. A compreensão do respeito. gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. especialmente. vidual e global. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. tim religare. até Estados. se. Por fim. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. Etimologicamente. os Cristãos Evangélicos e o Movi. à segurança pessoal. As ameaças à liberdade de pensamento. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. Jeová. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. Ahmadis. Se não pode acreditar num Deus nistas. os Muçulma. na Eri. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. Tem de ser 11 de setembro de 2001. da (i. sas. diretamente. de crença. estão institucionalizadas. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. Infelizmente. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. precisa de tão. A educa- variam do crescimento recente do funda.e. nos EUA e na Europa. No entanto. Shiitas e Muçulmanos Sufi. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai.254 II. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. mento de Pentecostes são alvos de supres. Esta ameaça. religião. vários elementos comuns têm sido mana propostos. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal. Não existe uma definição comum de re- do separadamente. existem outros numerosos 2. refere-se a uma “vinculação”. Cora. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va.. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos. Este fenómeno tem de ser aborda. Bahai. que queira. No des ou mesmo a crises internacionais. es- pecialmente. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente.

tural. o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”. encara com preocupa- cendente. O artigo 18º. juntamente com com. ções Unidas. como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . uma entida. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. §48. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. inclui uma série de ritos e rituais. regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. [religião] in. mas nem sempre. ado. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo). G. a religião re. (PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. Sacro. Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos. Em direito internacional. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião.seja política. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. No seu sentido mais lato. ou não. não-teístas e ateístas tal como o direito res. Yinger. tas. Absoluto. Trans. sua aplicabilidade.” O clui todas as formas de crença na existên. de um Supremo. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. no seu Comentário Geral Em comparação. 1993. ONU. consequentemente. no que respeita à e regras de conduta. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. O Dicioná. impondo sanções latamente. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. cul- grupo ou as práticas de adoração. O Comité. persuasão ou pro. de legal. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio. seja pessoal ou impessoal. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. Mui. Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição. a não professar qualquer religião ou fé. a reverência. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. Comentário Geral nº22. várias formas de adoração ou culto. giosas são protegidas enquanto liberdade . as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento. 4. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. Liberdade de exercer práticas indivi. Liberdade de determinadas entidades.A liberdade de fazer. consciência. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma. gião ou crença. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. .A liberdade de formar. 2. nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas. ístas. duais específicas tivo de comportamento. códigos de . o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos.A liberdade de manifestar a sua fé ou violada. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. quer estes sejam manifestados individual. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros. trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra. adquirir e usar. . A lista de liberdades religiosas de religião e fé. os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença. o que pode de “todas as pessoas”.Liberdades religiosas no trabalho. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas.256 II. antes. religião e fé. nalmente. A liberdade de consciência é várias vezes . convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. Estes prisioneiros.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com. Liberdade de exercer práticas coletivas. não teístas e ate. cluindo o direito a rezar. Comporta a liberdade de pen. como prova o número de “prisio. consciência e religião. in- duais específicas. ger ou designar por sucessão. pertencem a minorias religiosas. inclui liberdade de religião e fé e liber. líderes ção de religião e fé e contém. para este fim. . 1. nomear. igualmente a fés teístas. tro níveis: 1. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições. O direito internacional dos direitos huma. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. . na sua maioria.A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. religião ou crença. Liberdade de não ter religião. po. num sentido es. de estabelecer e manter locais mundo. individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias.

na religião. seadas na Religião ou Crença. A liberdade negativa de religião ou neutra- . A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- . publicar e di.A liberdade de ensino de uma religião tinção. 2011. de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. a liberda- resse superior” da criança. manifestada em comu. restrição ou preferência ou crença em locais adequados. tárias apropriadas. e também o direito de igualdade perante a lei. não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. 1966. Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. Alemã. significa que qualquer dis- . baseada na religião ou fé. de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. nº1. e normalmente é. uma escola não religiosa.O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião. . Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2. força da liberdade de religião. Liberdade de não ter religião . 4. estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani.A liberdade de escrever. Este facto implica igual.A liberdade de manifestar a sua crença. da Lei Fundamental ser. por conseguinte. para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos .) . A liberdade de determinadas entidades blico. por exemplo. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos. A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas. 1981. con- mencionadas. retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. . são proibidas. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos. exclusão. incluindo os véus no setor pú- 3. G. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas.

no que respeita à proteção das liberda- religiosa. cidadãos. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. com a liberdade de religião e de fé. mutilação genital feminina. em cerimónias religiosas. a ensiná-la. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. consciência e religião. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. por exemplo. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. sozinho ou com outros. no seu país. Como é feita a educação religiosa no escravatura. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. por princípio. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo.258 II. regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. garantias de inde. prostituição forçada. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). ensinamentos. a ordem. por exemplo. em casos de sacrifício humano. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. não permite sa os interesses de outras pessoas. Existem. Por exemplo. 1. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé. tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. Existem vários modelos princi- . atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. a pra. PERSPETIVAS 3. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. mental da criança. Questões para debate automutilação. para proteger a segurança pública. A disposi. prescrições de uma determinada fé. na qual estão enraizadas as ticá-la. a transfusão de sangue. rituais.

a apostasia é ain- identidade nacional. e sensível. religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. Índia. igrejas estabelecidas. quando apenas uma a morte. Poder-se-á. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. No entanto. Estado. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. no entanto. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. Sharia. Países como o Afeganistão. nas lei Sharia. Do ponto de vista ocidental. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli. inexistência de religião oficial. bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. liga ta da fé Islâmica. Este facto está em clara contradição com o dade. será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés. argumentar direito internacional dos direitos humanos. A pena era frequentemente nhecidas. proteção da liberdade religiosa da comuni. Historicamente. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. Na prática. Pelo contrário. dos apóstatas. versas entre culturas diferentes. é mais provável Irão. por exemplo. . O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual. que quando o Estado está ligado a uma igre. o Islão. G. a lei tra. Paquistão. neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. tal relação entre Estado e Igreja não resul. Indonésia. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas.

Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. privilégios para que a pessoa se converta. Tal Lei foi sim. de Leste e em África. presentes ou transportar uma arma. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos. forçar alguém a conver. Turquia. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con.260 II. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. ter-se a uma outra fé. Esta ação de. desde que não litar seja usada força ou coerção. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. no Reino Unido. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. pelos governos. na Áustria. jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. noutros países como a Bielorrússia. O direito dos direitos hu. estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. No entanto. consequentemente. há uma certa disposição de cartazes ou paineis. em França. Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. direitos humanos. A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro. instalações militares. tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. Turquemenistão. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. prisões e afins). com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. a questão de saber o Chile. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. o direito a recusar-se No início de 2006. (por exemplo. obrigatório ainda existe atualmente.

cons- para monitorizar a implementação da De. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. Muitas decisões. de da não discriminação religiosa e da tole. 5 abril. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. 2008. efeito legal. Caso Lautsi et al c. 2011. No entanto. cional quanto à necessidade de uma con. tem um certo munhas de Jeová et al c. Áustria. que a aplicação da lado. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. Por outro respeitante ao Sudão. O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. 2011). foi instituído o mandato de Re. em Estrasburgo. 18 março. turas sistentes com as disposições da Declara. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. A ênfase deve ser direitos à vida. G. 31 julho. os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. Caso das Teste- base na religião ou crença. aponta nessa direção (vide TEDH. ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. discriminação religiosas. violações dos abitação multirreligiosa. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). ciência. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. integridade física e segu. é necessária uma Estados. religião e ideologia. as ONG. Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. Rússia. as organizações religiosas e . culativa. dedicada à luta contra vo c. Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. O maior problema relativo à implementa. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. 2007) ou a decisão so- a intolerância. claração de 1981. em geral. num caso no que respeita a questões de fé. Itália. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. Apesar de haver acordo interna.

conflitos. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. • Na Europa. por todo o mundo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. a sua prática. Jains. Diálogo Interreligioso Existem igualmente. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. Cristãos. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. É Nós podemos começar a prevenir a discri. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. vidar políticos urbanos e representantes . Paz. deste modo. e não crentes para que res de outras fés. nia. programas educativos e termos religiosos. ne Hindus. respei. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. • Fundação Ética Mundial. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). é a primeira iniciativa do género a con- manos”. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. da comunidade. de defender os persegui. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. Muçulmanos. semos a discriminar. • No Médio Oriente. a “Clergy for Peace” munidades de crentes. estas • No Pacífico. permitindo. Zoroastrianos. padres. também necessário. CONVÉM SABER 1. plataforma comum. Significa igualmente que educação. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen. tas. re. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. tendo em vista o desenvolvimento tes fés. denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. dança de atitude. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu.262 II. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. às • No Sul da Índia. com o seu grupo de trabalho per. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. Entre muitas outras.

mas foi in- capaz perante tantas pessoas. Muçulmanos e Cris. 16 julho. no ca do modo como os revolver. novos movimentos religiosos são um alvo ser um livro escolar uniforme. recorrente de discriminação e repressão. na Áustria. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. ligiões tradicionais do mundo. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. O resultado deverá. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. A liberdade religiosa não deve ser interpre- • Em Israel. Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. • A cidade de Graz. a multidão atacou a for Interfaith Dialogue: www. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque. sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados destes países em programas de forma. enquanto culto textos escolares. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. -Presidente Yusuf Kalla condenou. G. 2005. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação. indi. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en.org/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de pcusa/wmd/eir/dialogue. situada a sul de Jacarta. um projeto chamado “Common tada estritamente. Igual prote- contro de Judeus. valores éticos e mo. tamente ambíguas. para referir grupos religiosos que diferem ção em liderança. lizando escritórios e outras divisões. “Religiões para a Paz” através da Educação (Fonte: The Jakarta Post. luz de acontecimentos recentes nos quais na.) os estudantes a pôr de parte barreiras de preconceito e intolerância. eventualmente. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- .pcusa. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. sábado. Inglaterra e noutros pa. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”. recentes Cam. os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice- às várias fés e se aconselha a cidade acer. manos de todo o mundo. ligiosos sos. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect. estabeleceu Cultos.htm) Bogor. A educação interreligiosa encoraja o res. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. e práticas. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. análise mais profunda. serviço comunitário e de fortaleci. refere-se a um grupo religioso dissidente íses. por diferentes nomes e necessitam de uma moveram o encontro de jovens repre. das principais religiões nas suas crenças rais. Uma seita geralmente • Na Alemanha. • Na Tailândia e no Japão.

No seio de • Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte. como tendo sido violadas e. mano à liberdade religiosa foi abordado. são também prati- cados casamentos forçados. po- notação negativa. Geórgia. países (sendo a Alemanha o mais famoso • Em zonas da Nigéria. pro- .264 II. Paquistão exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países. suas vidas: Considerando que ambos os termos são • A taxa de mutilação de meninas em zo- definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fo. A gravidez força- de culto ou não puderem pregar ou lide. em alguns da Mutilação Genital Feminina”. desonradas e humilhadas. na ex-Jugoslávia. são praticados casa- por ser antes vista como uma empresa. em vez de grupos religio. africanos e árabes afetados por esta prá- ros. “seita” ou “culto” são humanos. tradição cultural em muitos países e é ças. Ru- der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. • A violação como forma específica de A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa envolve dois aspetos. Só tardiamente o seu direito hu. publicamente as mesmas fossem vistas podem ser vítimas de determinadas fés. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões usam estes termos num sentido neutro. que. se não puderem ace. países. Sudão. apesar da existência de sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática. como? têm mais do que nove anos. A muti- norma”. Sudão. Consulta de Peritos Africanos e Árabes sos. em junho de 2003. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na como negócios. a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma culto será diferente entre as várias cren. da de mulheres violadas garantia que rar as suas comunidades. Muitas vezes. do representantes de vinte e oito países ta devoção ou abusos em termos financei. da diferença destes grupos relativamente No entanto. pode das vítimas foi em muitos casos a ra- haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa manifestar a sua fé. muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as únicos. tradi- Durante toda a história. consequen- quando as leis religiosas. defendidos Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura. Por um lado. temente. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte. Por outro lado. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção a Igreja da Cientologia. as mulheres têm ção e religião. práticas e costu. foi alcan- à norma. podem surgir subsequentemente. Graves problemas de saúde conceitos frequentemente usados com co. A necessidade Questões para debate de consentimento da mulher não é res- • As minorias religiosas são protegidas no peitada. mentos forçados que resultam frequen- temente em escravidão. no internacionais de proteção dos direitos mundo ocidental. mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan- muitas vezes associados com uma comple. nesses as fés. as “esposas” não seu país? Se sim.

de ataques. No entanto. suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória. ocultar atos ou exigências motivadas politi. um direito contra ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte sociedade ou fé em particular. Entre as vítimas estavam meninas entre também as ações “antiterrorismo” dos os 7 e os 14 anos de idade. o terrorismo parece explo. Os seus “Tal como a religião pode ser usada. tendo nomeado apenas o Islão. uma vez que o extremismo é uma quanto tais. da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão manos. rorismo. Liberdade de Religião e Crença. Em 2009. refere ainda que a difamação da religião con- uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo. esforços foram encorajados pela Organização dentais em países dominados por Muçul. em 11 de setembro de 2001. a religião e as direito dos direitos humanos. tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de todo o terrorista ou extremista será religioso. mas que se restrição à liberdade de opinião. Conferência sobre a do ataque no metro de Londres. LIBERDADES RELIGIOSAS 265 longando o dano psicológico. uma vez que estabelece o direito de uma re- camente. todavia. G. mais do que nunca. Em 2001. 2002. Estes os bombardeamentos das embaixadas oci. da fé não prova a existência de um confron. Canadá) abstido pelo facto de o conceito de sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o crime “em nome de Deus”. nem todo o crente é terrorista. e também como consequência (Fonte: OSCE. EUA.” tre” e ao Pentágono. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos. Mais. . a Comissão de Direi- palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião. para não falar da questão “israelo. en- religiosas. a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter- julho de 2005. religião uma forma nova de racismo. governos podem ser erradamente usadas para justificar atos que colocam em peri- Extremismo Religioso e os seus Impactos go os direitos humanos e a liberdade de Depois dos ataques ao “World Trade Cen- religião ou crença. Direitos Humanos. enquanto os direitos humanos geralmente to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e. Quando ata. ques extremistas são ligados à fé e os ofen.) rar. A resolução Esta ligação é. baseia na ignorância e intolerância. uma coligação de mais de 180 ONG declarou A única forma de combater efetivamente o extremismo é encontrar formas de que- brar o círculo vicioso de violência que gera 5 Em junho de 2011. Difamação da Religião tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da entre fé e terrorismo: sequestro de aviões. tendo os Estados da UE. Muitos entendem que estes trágicos acon. base na sua fé. religiões. a crença religiosa. er- filhos continuam a ser discriminados. a religião por razões políticas. a Suíça e outros países ocidentais (ex. ganização da Cooperação Islâmica. a OCI passou a designar-se Or- violência. para justificar o terrorismo. radamente. bastante perigosa.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro- mesma ameaçar a liberdade de opinião. 8º. 13º. ONU. a resolução foi aprovada pelo Con. 17º. 1969 Convenção Americana sobre Direi- (Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º. 18º) a Educação Escolar em relação à 1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- de proteger pessoas que. religião ou crença. 27º) intolerância e violência. Religio- sas e Linguísticas (Artº 2º) Etapas importantes na história do de- 1993 Declaração para uma Ética Global. 16º. tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da a sua própria experiência? Criança (Artº 14º) • Qual é o papel das fés na procura de paz e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão agente de reconciliação. nega. (Artº 9º) Apenas em 2011. 1981 Carta Africana dos Direitos Huma- and discrimination. 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli- ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano Conselho de Direitos Humanos e preten. Não teção dos Direitos Humanos obstante. por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º. a Conferência dos Esta- dos Islâmicos propôs uma resolução revis. 20º. Crença sas? Pode dar exemplos. nos e dos Povos (Artos 2º. 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos meira Emenda) (Artos 26º. 27º) 1948 Declaração sobre a Liberdade Re. minação Baseadas na Religião ou to no seio e entre comunidades religio. 1992 Declaração das Nações Unidas so- bre os Direitos de Pessoas Perten- 3. incitement to violence. Combating intolerance. 12º) and violence against persons based on reli- gion or belief. e das Liberdades Fundamentais selho de Direitos Humanos. 26º. à Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação (Artº 2º) (Madrid) . senvolvimento das liberdades religiosas apoiada pelo Parlamento das Reli- 1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago (1789 Carta de Direitos com Pri. são confrontadas com 24º. 2011. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas.266 II. 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma- ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º) Igrejas 2001 Conferência Internacional Con- 1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre Humanos (Artos 2º.) 1981 Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri- • Quais são as principais razões de confli. 23º) tive stereotyping and stigmatization of.

LIBERDADES RELIGIOSAS 267 2001 Congresso Mundial para a Preser. sias e emoções. se sente dessa forma. Escrever os nomes dos participantes Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel. Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase. Como se sentiram os participantes durante aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen- impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio? Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren- Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre Material: quadro e marcador aquilo que queremos? Preparação: Preparar um quadro e mar. Neste mo- Parte I: Introdução mento. quando fizer esta atividade. o grupo deve apenas aceitar que Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de- liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada se faz ou diz colide com as crenças religio. ponderações ou valorizando subjetiva- mente as afirmações. fazer lista de comentários que firam e de estereóti. Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões: Atividade Como atividade final: uma carta para to- Instruções: dos. 2007 Declaração da OSCE sobre Intole- vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu- (Nova Deli) çulmanos 2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua- PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas. G. comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a participantes saibam que causem angústia. muitas atividades que evocam controvér- Escolher alguns dos piores e escrevê-los. . Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações: sentimentos religiosos de outras pessoas. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso Competências envolvidas: Ouvir os outros. Sugestões metodológicas: cador. poder dizer tais coisas sem ter em conta os seus possíveis efeitos e o que fazer quando Parte II: Informação Geral isso acontece. Uma pessoa de cada grupo deve ler a primeira frase. e escreva uma carta dizendo coisas amá- ças religiosas de alguém. não fazendo ser sensível e aceitar opiniões diversas. com que cada um tire um papel à sorte pos relacionados com a consciência ou cren. se as pessoas devem sas e sentimentos de outros.

Reunir o Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. Practical Activities for Atividade Primary and Secondary Schools. mais do lerância com base na religião. pedir e criativo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife- Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos. Parte III: Informação Específica sobre a ing Human Rights. tra a fotografia que escolheu e explica por tas das liberdades religiosas. explicar que religiões são cores. etc. pressão e dos Meios de Informação (Fonte: Nações Unidas. desenvolver que é que não tolera. Tipo de atividade: Atividade com múlti. ABC Teach. analisar. fotografias de vários religiões? movimentos religiosos. foras. car. barro. Competências envolvidas: Competências da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros. Cada participante mos- a noção de tolerância. competências cria- oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá- mesmas quando seja necessário. . desenvolvimento de símbolos ilus- Direitos relacionados: Liberdade de Ex.268 II. cluir fotografias de grupos ou movimen- tos religiosos que (ainda) não são aceites Parte II: Informação Geral no país. comuni- regras do debate e comunicação que po. em Parte I: Introdução qualquer caso. dando assim a dar opinião. 2004. Escolher as fotografias de acordo com o grupo. É preferível que se poderia pensar à primeira vista). papel. sas no país (em muitos casos. competências de pensamento crítico: dem ser afixadas na parede. competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões. aprender sobre diferentes costu. Dependendo do grupo. considerar in- çam a diferentes crenças religiosas. analisar as face. madeira. E A MINHA etc.) Instruções: Primeira Parte ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi- A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos. símbolos. juntos. trativos. o processo: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações: A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que algumas modificações. papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas marcadores de texto. canetas de Em resumo. aceites no país. cerimónias. reflexão. poderá ser uma atividade apropria. porquê? Que fotografias Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde Material: quadro. canetas. na mesa ou no chão.. as fotografias devem re- O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio- não discriminação e a proibição da into. alguns participantes escolheram a mesma Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim. Cada participante escolhe uma fotografia plas tarefas que mostra algo que não tolera. aos participantes que reflitam sobre todo mes/culturas. trabalhar com participantes que perten. arame.

Por esta razão. tais como etnia. Pe. Cer. Liber- outros participantes. apesar das escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções. videnciando materiais sobre tolerância/ rarem outras crenças/religiões depois de intolerância. ritos e não a razão por que estes são os Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. Se trabalhar em escolas pode cooperar com Encerrar a segunda parte com uma breve professores de artes para a segunda parte ronda de opiniões. se todos os participantes acordarem no presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. sentimentos religiosos de outros crentes. A apresentação pode também Reações: ser feita com plasticina e outros materiais. G. Começar o exercício mentos sobre as religiões escolhidas. tações devem evidenciar a adoração ou bre as comunidades religiosas. schoolbus. da atividade. de a apresentação ter sido parada. Depois desta atividade baseada na experi- ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade. tiva tenham sido escolhidos. banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. deverá Dar aos participantes 40 minutos para pre- seguir-se um debate sobre os motivos de paração. É melhor dir a cada grupo de participantes que re. Depois os costumes e crenças dessa religião. deverão ter o direito de parar as apresen- Organizar um encontro multicultural. Glob- atividade de conhecimento do outro. al Teaching and Learning Project Cyber- tificar-se igualmente de que a apresen. um pedaço de pa- diferente. cor ou género. esta dade de expressão. certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti- grupo respeita as crenças religiosas dos vos. os alunos/participantes mesmo os grupos com uma imagem nega. por exemplo. ambas as partes. parar a apresentação que seja ofensiva tura. pel vermelho como um semáforo) para Pedir para que ilustrem através de uma pin. pro- Será mais fácil para os participantes tole. pantomina. pode continuar com mal-entendidos? contributos intelectuais. De volta ao plenário. os participantes revelam os seus conheci. sentirem que estão a ser discriminados. cada grupo apresenta Outras Sugestões: a sua contribuição criativa. discriminando-os. atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. Se. O que podem os participantes aprender com estas apresentações? Existe algo em comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento Quanto será preciso saber sobre outras re. LIBERDADES RELIGIOSAS 269 Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os Numa breve sessão de chuva de ideias. terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: Para esta atividade. música.) . tações a qualquer momento. dizendo aos participantes que as apresen- O porta-voz do grupo dá informações so.

Islamo. 1948. 2005. Catharine (ed. asp?msgid=204. 2011. 2011. Ency- phobia: A new word for an old fear.religlaw. The African Charter on Group. Berlin et al: LIT Verlag. Jahrbuch Menschenrechte European Court of Human Rights. Asma Jahangir. Oxford: Oxford Univer. Rex. Available sity Press. Judgment of 31 July 2008. able at: http://freedomhouse. New York: Available at: www. 2002. 1990. 1965. Gerhard and Hubert Seiwert (Hg. Available at: www. UN Doc. 6th Edition. BBC. 1986-2000. House. Heiner. Lautsi et al. (18147/02). clopedia of religious freedom. v. Re- ligionsfreiheit. The System in Practice. Glaube. Besier.270 II.). Report of the Spe- cial Rapporteur on freedom of religion or cils/ii_vatican_council/documents/vat- belief. UN Doc.osce.bbc. 2008. Available at: http://news. Courage to Refuse. belief.). 2007.html. A/63/161. Henry Campbell. Wien: Böhlau Verlag. 2005. 2009. Russia stm. Eagan: West ray (eds. Judgement of 5 April 2007. Italy (30814/06). 2008. Cookson.va/archive/hist_coun- Asma Jahangir.vatican. Forced marriage ‘could be banned’.uk/2/hi/uk_news/politics/4214308. Bielefeldt. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abduljalil Sajid. 2007. able at: www. 2005.pdf. Church of Scientology Moscow v. Heiner et al. Declaration on Religious Liberty of the kriminierung in ausgewählten Ländern World Council of Churches. Cambridge: Cam- Center for Religious Freedom – Freedom bridge University Press. Black. Avail.org/religion/ Religion: Wandelt sich die Religionsfrei- pdfdocs/FINAL%20FINAL.org/interdocs/docs/ wccdecreliglib1948.seruv.html.il/english/article. Black’s Evans.pdf. A/HRC/16/53. Human and Peoples’ Rights. Report of the Spe- cial Rapporteur on freedom of religion or European Court of Human Rights. European Court of Human Rights. (Hg. Fabio. Gewissen. ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_ en. 2008. Bielefeldt.org. co. Imam. A/HRC/4/21. Saudi Publications on Hate Ideology Invade American Mosques.). heit? Berlin: Berlin University Press. at: www. 2003. Zeugen Jehovas et al. UN Doc. Udo di. Austria (40825/98). Religiöse Intoleranz und Dis. . Interim report of the Special Rapporteur on freedom of reli. cio/2005/06/15198_en. 2008. v. and Rachel Mur- Law Dictionary. Malcolm D. 2004. Judgement of 18 March 2011. Galili and Charlotte Halle. the Vatican Council. Reservist gets Ahdar.). Religious Freedom in 28 days for refusing Gaza duty – Lily the Liberal State. Avail- Europas – Teil 1. Declaration on Religious Freedom by gion or belief. 2011.org/documents/ Routledge. 2005.

Headscarf tion of H. Hans and Karl-Josef Kuschel reports/2011/03/30/montagnard-chris.org/re. ference on Tolerance and the Fight against .hrw. Mühlberg.osce. 16 January 2010. Germany. Available at: www.org/en/ the Islamic Conference. 2011. BVerfGE 93.html. 2002. 2004.E.org/docu- Human Rights Watch. Natan. Organization for Security and Coopera- ports/2005/china0405.S. in the World: A Global Report of Freedom and Persecution. Den.org/item/9735. Prof. Available at: www. New York: tained-solidarity-visit.org/sites/default/files/re.html. tion in Europe (OSCE). ativer Religionsfreiheit – oder: Freiheit als ity toward Saudi Shia Citizens.org/en/ Küng. World Re- port 2011. 2000. Ekmeleddin Ihsanoglu. Europe. Conference on neutrality. Egypt: Free Holman. 4th Session of the O. en? Dresden: Juristische Fakultät.hrw. Beliefs. OSCE Con- ference on Anti-Semitism and on Other Informationsplattform humanrights. Discrimina.htm. The Declara- tians-vietnam0. Available Freisein von Religion im öffentlichen Leb- at: www.E. tion in Europe (OSCE). Blows. Anti-Semitism and on their forms of Intol- erance. middleast- women. Arcot. 1993. Diffamierung von Religionen osce. Der Vorrang neg- nity. Available at: www. Right to Freedom of Kamguian. Tobias.org/ Lerner. Viet- tions Publisher. 2005. in Muslim Families: Forced Marriages in ver: International Academic Publishing. G. Bans for Teachers and Civil Servants in Secretary General of the Organization of Germany. 1 BvR 1087/91. Available at: www.hrw. Paul. to the Work of the reports/2009/02/25/discrimination-name. Available at: www.). 1960. International Human Rights. 1995. Religious Repression of Uighurs in Xinjiang. Discrimination in the Matter of Religious Rights and Practices. 2005. Religion. 2004. Crucifix judgement. Religious Freedom world-report-2011. nam: A Case Study in Religious Repres- sion. Activists Detained on Solidarity Visit. 2009.C. New York: United Na- Human Rights Watch. Human Rights Watch. Available at: http://hrw. Orbis Books.hrw. Kanan. tion in Europe (OSCE).humanrights. and news/2010/01/15/egypt-free-activists-de. Denied Dig. 2011. Krishnaswami. LIBERDADES RELIGIOSAS 271 Gahrana. Human Rights Watch. A Global Ethic.pdf. 2005.org/html/nightmare. 2010. ch. tion of the Parliament of World’s Religions. Study of May 16. OSCE Con- mien/idcatart_8576-content. 2000. 2011. Devastating ments/cio/2005/06/15198_en. 2009.hrw. 1995. Azam. 1. Girls’ Nightmare Religion: A Study in Indian Secularism. London: Continuum. Forms of Intolerance.pdf. als neues Menschenrechtskonzept? Avail- able at: www. Nashville: Broadman & Human Rights Watch.ch/home/de/ Organization for Security and Coopera- Instrumente/Nachrichten/Diverse_Gre.org/en/ Marshall. 2001. Federal Constitutional Court. (eds. ports/saudi0909webwcover. Available at: www. Organization for Security and Coopera- Human Rights Watch. Contribu- tion in the Name of Neutrality. Systematic Discrimination and Hostil. Available at: www.

PC. Javaid and Susan Breau.osce. Human Rights and International able at: www. Available at: www. 16 July. Aufl.Gesellschaft. 2004. phobic and Anti-Semitic Propaganda on the Internet and Hate Crime. Including Religious Intoler- .html United Nations. 2011. 2003. der Europarat im Dienste der Religionsfrei- ments/cio/2004/09/3642_en. 2005. Interna. United Nations. hangir. cal Rights.Staat .indonesia-ottawa. Xeno- 28Fassung_2009_08_17%29. gious Freedom in International Law: Be. Available at: www. Including the Question of Religious 2007. Avail- Religion.php?type=news&id=1220 osce. Adelfattah Amor. Special Rapporteur on freedom of religion tween Group Rights and Individual Rights. religion or belief. VP condemns mob Organization for Security and Coopera. In: Zeitschrift für Glaubensformen und Weltanschauungen / Journal for the Organization for Security and Cooperation Study of Beliefs and Worldviews. Schmidt. Available at: London: Routledge. Anat.pdf.org/infor- of Religion and Belief. or belief. Diskriminierung aus religiösen Gründen im Lichte interna. Report submitted by Mr.272 II.1. The Right to Reli.org/odihr/13434.4/2005/61. es/trainingeducation. Civil and Political Potz. Die OSZE und Corr. Reihe: Freedom of Religion and Belief. 2005. 2009.org/en/publicationsresources/pag- Scalabrino. Xenophobia and Discrimination. United Nations. Michelangela. mation/details. Islam. Special Rapporteur on freedom of Rehman. Band 19 der org/documentscio/2004/10/3728_en.at/pdf/Schmidt_Diskri- tion in Europe (OSCE).org/english/issues/ Law (Studies in Religion. Available at: www. Abdullah and Hassan Saeed. 2004. man Rights.html The Jakarta Post. 2002. Intolerance. Scolnicov. E/CN.aspx tional Code on Religious Freedom. Religiöse in Europe (OSCE).org/english/issues/religion/ annual. 2003.Teil I. attack on Islamic sect.ohchr. Rights. E/CN. Available at: Religion . 2005. Civil and Politcal Peeters. Leuven: United Nations. ohchr.htm. Avail- tion in Europe (OSCE). In: Brünner. 2007. Aldershot: Ashgate Publishing.4/2004/63.colloquium. 2010. Christian (Hg.osce. Including Religious Intolerance. Leiden: Brill. 2004. PC.pdf.org/docu. Report submitted by Asma Ja- Wien: Facultas. 2002. Available at: Organization for Security and Coopera- www.). Conference on re.osce. Apostasy and and Secondary Schools. Secular Beliefs religion/annu-al. www.ohchr. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Racism. Schriftenreihe Colloquium „Diskriminier- ung aus religiösen Gründen“.und Nichtregierungsorganisationen.. ungs. Yvonne. 2. Rights. Civil and Politi- tionaler Rechtsdokumente sowie von Regier. ABC Teaching Hu- Saeed. New York: United Nations Publications.pdf heit.DEL/918/04/ Schmidt. Intoleranz und Diskriminierung in aus- ligious freedom and fight against terrorism. gewählten Ländern Europas . Freedom of Religion.org/odihr/13434. Freedom able at: www. Religionsrecht im Überblick. Yvonne.htm and Human Rights). 181-222.DEL/949/04. Practical Activities for Primary 2004. www. OSCE Meeting minierung_aus_religioesen_Gruenden_% on the Relationship between Racist. Available at: www. Richard and Brigitte Schinkele.

UNESCO. INFORMAÇÃO ADICIONAL crimination. December.htm Elimination of All Forms of Intolerance and World Health Organization 2008.gov/im- www. violence against persons based on religion echr. UNDP.int/echr . 1993.org/areas/fgmc/ refworld/docid/4db960f92. incitement to violence.uscirf. Available at: www. 2011.who.org/english/issues/religion/ ages/book%20with%20cover%20for%20 annual. Report on Global Anti-Semitism. 2005. CCPR/C/21/ Yinger. and dis. UN-Doc. HCR. The Scientific Rev.bjcpa. Available at: www. E/CN. An in- lief.uscirf. United Nations. Council for a Parliament of the World’s 2011. The Re- in Relation with Freedom of Religion and ligion-State Relationship and the Right to Belief. of religion or belief.ohchr. Declaration on the at: www. UNECA.org Rights Council on 12 April 2011.pdf United Nations Human Rights Council.state. dominantly Muslim Countries. Annual 2002/40. Combating intolerance. 1996. UN- United Nations Human Rights Commit. Study of Religion. Available at: www.pdf. 4 of 27 September. 22 (48) on able at: whqlibdoc. Available at: Report.unhchr. Art. incitement to violence. UNIFEM. Milton. 18 of the International Convent on Civil tions/2008/9789241596442_eng.htm.parliamentofreligions. Available United Nations. Tolerance and Non-Discrimina- Freedom of Religion or Belief: A Comparative tion. New York: McMillan. Elimi- of Discrimination Based on Religion or Be- nating female genital mutilation.org/ of FGM: www. A/HRC/ Cairo Declaration for the Elimination RES/16/18. J. International Con- United States Commission on Interna- sultative Conference on School Education tional Religious Freedom. 1981. UN Doc. Available at: United Nations.coe.OHCHR. UN Doc. General Comment No.html. A/HRC/RES/16/18 of 12 Amor. and European Court of Human Rights: www.pdf. www.int/publica- Art. G. Avail- tee. and dis- crimination. Special Rapporteur on freedom April.1/Add. and Anti-Defamation League: www. United Nations Human Rights Council. Report submitted by Mr. Combating intolerance. 1966. UNFPA.gov/countries/global/compara- ternational Covenant on Civil and Political tive_constitutions/03082005/Study0305.org violence against persons based on religion or belief: Resolution adopted by the Human Baptist Joint Committee: www. UN-Doc. Rights. 2001. 1993. 2005. 2011. docs/Cairo%20declaration. A/RES/2200 A (XXI) of 19 United States Department of State. 1970.ch/html/ Textual Analysis of the Constitutions of Pre- menu2/7/b/main. A/RES/36/55 of 25 November. 1981.childinfo. UNAIDS. and Political Rights. LIBERDADES RELIGIOSAS 273 ance. negative ste- reotyping and stigmatization of. 2011.adl. UNICEF. Adelfattah or belief.unhcr. WHO. negative ste- Religions: www. 18 of the In.pdf.4/2003/66.gov/g/drl/rls/40258.htm web. in accordance with United States Commission on Interna- Commission on Human Rights resolution tional Religious Freedom.org/ reotyping and stigmatization of. teragency statement .

org/ Human Rights without Frontiers Inter- national: www.wcrp.iarf.hrw.org/x/medical_ Related Intolerance.sgi.htm un.religlaw.un. Xenophobia and Blood: www. care_and_blood.274 II.htm marburg.uscirf.uni.pcusa.org/doc/?t search Forum for Legal Developments on =religion International Law and Religion or Belief: www.html Journal of Religion and Society: http:// World Conference on Religion and Peace purl. Durban 2001: www. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Global Ethic Foundation: www. gress.ladocumentationfrancaise.org tional Religious Freedom: www.irla.com/mandala/s_ot/s_ot_world_con- Marburg Journal of Religion: www.religioustolerance.html World Conference against Racism. Medical Care and cial Discrimination.org/JRS (WCRP): www. gov International Association for Religious Freedom: www.weltethos. Ra- Jehovah’s Witnesses. Religions for Peace: www.La Documentation française: World Congress for the Preservation of www.org/index.hrwf.wcrp.de/fb03/ivk/mjr/ Worldwide Ministries – Guidelines for Ontario Consultants on Religious Free.org/in- doms: www.infinityfounda- siers/laicite/index.fr/dos- Religious Diversity: www.secularislam.org La laïcité .net/ United Nations Global Teaching and Learning Project Cyberschoolbus: http:// International Religious Liberty Associa- cyberschoolbus.org Institute for the Secularisation of Islamic United States Commission on Interna- Society: www.org/WCAR/index.watchtower. Interfaith Dialogue: www.net Soka Gakkai International: www.org org Religion and Law Consortium: A Re- Human Rights Watch: www.shtml tion.org/ tion: www.htm .org terfaith/study/dialogue.

1948.. DIREITO À EDUCAÇÃO DISPONIBILIDADE E ACESSO IGUAL À EDUCAÇÃO EMPODERAMENTO ATRAVÉS DO DIREITO À EDUCAÇÃO “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [.. nº2. H. Declaração Universal dos Direitos Humanos. .]” Artigo 26º.

) como? . Consegue pensar em razões que justi- aprendi a ajudar a minha mãe e as minhas fiquem o facto de uma tão elevada per- irmãs mais velhas nas tarefas domésticas. 2. preferiria ser rapaz. por si mesma. Relatório do buir para a segurança humana? Se sim. Lá. Nasci há 14 anos te caso? Sente empatia por Maya e consi- numa pobre família camponesa. porquê? novo. Alguns dos meus amigos 3. Milénio das Nações Unidas. 5. de pobreza e de ter acesso à educação? Quando eu era ainda muito pequena. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A História de Maya Questões para debate 1. fiz amigos novos e aprendi a 4. uma prioridade para a co- ano os meus pais interromperam os meus munidade internacional? estudos.276 II. Mas. quando cheguei ao 4º atualmente. centagem de pessoas analfabetas serem Varri o chão. 6. que conhe- tar-me a eles. A educação é importante para o gozo de Se tivesse a possibilidade de nascer de outros direitos humanos? Se sim. de conhecimento? Se sim. De quem é a responsabilidade de eli- nheiro para pagar as despesas escolares e minar a ignorância e o analfabetismo e que eu era precisa em casa para ajudar a através de que medidas? minha mãe e os restantes. ninguém ficou feliz. Considera que a educação pode contri- (Fonte: Nações Unidas. meninas e mulheres? bem como lenha. alguma muitas crianças. cimento é importante? Que tipos de co- Ficava muito feliz quando me permitiam ir nhecimento perdem relevância? à escola.” 7. Considera que existem diferentes tipos brincavam na rua mas eu não podia jun. 2000. possibilidade de ultrapassar a sua situação ci. Considera que o direito à educação é. quando eu nas. ler e a escrever. lavei roupas e carreguei água. Já havia dera que ela tem. portanto. Quais os problemas centrais evidentes nes- “O meu nome é Maya. O meu pai disse que não havia di.

igualmente. Mas a pobreza. através da edu- ficiar dos avanços científicos e tecnológicos cação e da aprendizagem para os direi- e a receber educação superior com base nas tos humanos. também. e. Por outras e económica. Armado . a bene. Para as minorias ét. depois dos conflitos. só pode ser exercido de vital para a segurança humana. na impede as crianças de irem à escola. Quase um bilião de pessoas entrou no sé- culo XXI incapaz de ler um livro ou de as. dade das pessoas de desenvolverem as racterizado como um “direito de empode. suas próprias personalidades. à negação do di- direito a escolher o trabalho. grupos étnicos ou religiosos e pode ajudar a desenvolver uma cultura univer- Porquê um Direito Humano à Educação? sal de direitos humanos. também se aplica ao direito de fazer podem ser prevenidas as violações dos parte da vida cultural. por benefícios de outros direitos. a paz internacional e a seguran- O exercício de muitos dos direitos civis e ça humana. tais como o pode conduzir. sociais e culturais. extensão. Tal. a receber re. Direitos Humanos em Conflito tolerância. liberdade de expressão. política to das ações do Estado em si. mais controlo sobre o efei. económicos. A educação pode. um conjunto de direitos uma das ameaças à segurança humana. depende conflito armado. Igualmente. A negação. como cação. DIREITO À EDUCAÇÃO 277 A SABER 1. adequadamente na vida social. promover Direitos Humanos da Criança (embora não seja garantia) compreensão. mação. para as de. um nível mínimo de edu. direito à educação. o direito à educação é ser facilitada a reconstrução da sociedade um meio primordial de preservar e refor. de susten- ramento”. crianças-soldado. direitos humanos e o direito humanitário. Através uma forma significativa se determinado ní. Educação e Segurança Humana sinar o seu próprio nome. da educação e da aprendizagem para os vel de educação for alcançado. entre outros. pelo menos. H. em particular. como às suas famílias e de participar em particular. Na sociedade em geral. O direito de conhecer muneração igual por trabalho igual. os direitos de cada um. pode ser uma contribuição suas capacidades. tais como a liberdade de infor. respeito e amizade entre as na. assim como as violações do ou a população total da Índia. Tal direito confere ao indivíduo tar e de se protegerem a si próprias bem mais controlo no percurso da sua vida. prejudicam a capaci- O direito humano à educação pode ser ca. reito à educação. INTRODUÇÃO ções. a negação da educação fere a causa da ramento permite à pessoa experienciar os democracia e do progresso social e. exercer um direito de empode. palavras. e. direitos humanos nos conflitos armados e nicas e linguísticas. çar a sua identidade cultural. direito ao Isto é óbvio relativamente a crianças em voto e a ser eleito. Este número re- presenta um sexto da população mundial. A falta de segurança huma- políticos.

nas Constituições nacionais e nas de- tânica de Direitos. liberdade da ciência. No século XIX. na América do Norte. contra a interferência da igreja e do Es- mentais”. cionados com o direito à educação. a es. a emergência do socialis- educação. a garantir a educação. os pensa- pilares da aprendizagem ao longo da vida. conti- no secundário. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A educação é mais do que aprender a ler. tam este requisito de formas diferentes. Na O reconhecimento explícito dos direitos Europa. de 1871. já que a um nú.278 II. de própria palavra significa “conduzir alguém 1776. através da frequên- educação era. também O direito humano à educação. contudo. de 1689. Ape- A conclusão dos tratados de paz. escreveram sobre a conceção moder- internacional do direito à educação. se. Embora reconhecen- do um conceito mais amplo do direito à No século XIX. De igual forma. na do direito individual à educação. metade do século XIX. Durante o século XX. com maior firmeza no campo dos direi- mero vasto de pessoas são negados até os tos humanos. Nações para o Bem-Estar das Crianças”. de 1919. A origem Latina da claração da Independência dos EUA. Os Estados. em primeiro lugar. os aspetos do di- Contrastando com estas ideias. uns 20 países no nha uma secção com o título “Direitos Mundo não têm qualquer idade definida Básicos do Povo Alemão” que também para a educação obrigatória. após a nas com a emergência do moderno estado Primeira Guerra Mundial. cia gratuita e obrigatória da escola. quaisquer direitos especificamente rela- por exemplo. A Constituição cola “elementar” estende-se a todo o ensi. de 1776. explicitamente. a de Direitos da Virgínia. mo e do liberalismo colocou a educação cação primária e básica. continha o direito à educação. o dever do Estado de Antes da época das Luzes na Europa. tos do Homem. O direito de uma pessoa à edu. direito ao ensino básico. este módulo centra-se na edu. incluía uma secção sobre “A Desenvolvimento Histórico Educação e a Escolaridade”. incluiu garan- secular é que a educação começou a ser tias do direito à educação das minorias. tal como influenciaram a definição dos direitos definido na Carta Internacional de Direitos educacionais os quais foram formulados Humanos das Nações Unidas. de 1789. do Império Germânico. não continham cação engloba oportunidades educativas. chamada de “Carta da Sociedade das séculos XVI e XVII. Todavia. como John Locke e Jean-Jacques Rosse- em 1924. Nos bra. cundário e superior. reconhecen- do. filósofos eminentes. instru. ponsabilidade dos pais e da igreja. pesquisa e ensino nos estádios mais “elementares e funda. mentos liberais e anticlericais. gratuito e obrigatório. a De- escrever ou a calcular. reito à educação foram contemplados mentos civis clássicos como a Carta Bri. considerada assunto de interesse públi- A proclamação da Declaração de Gene- co e da responsabilidade do Estado. a Declaração clarações internacionais de direitos ou . na Austrália educacionais emergiu durante a última e em algumas zonas do Sul da Ásia. menciona o para defender e desenvolver as ideias de direito à educação. e a Declaração Francesa dos Direi- para fora”. interpre. a Constituição Alemã de Weimar. da res. conduziu ao reconhecimento au. tado.

deve ser O direito à educação tem uma base sólida respeitada. DIREITO À EDUCAÇÃO 279 reconhecidos em legislação não consti. Os Estados devem. enquanto a Coreia do Uma das mais recentes codificações em di- Sul. venção Americana sobre Direitos Huma- nos em Matéria de Direitos Económicos. (Artº 13º do Protocolo Adicional à Con- Irlanda. de forma igual. O direito à educação cons. sua dignidade e reforçar o respeito pelos a Convenção sobre a Eliminação de Todas direitos humanos e das liberdades fun- as Formas de Discriminação contra as Mu. Tal tem sido registado num conjunto variado de documentos sobre direitos hu. Concordam também que a lheres (Artº 10º) e a Convenção sobre os educação deve habilitar toda a pessoa a Direitos da Criança (Artos 28º e 29º). O Reino Unido e o Peru reconheceram Sociais e Culturais) e a Carta Africana dos o direito à educação em legislação não Direitos Humanos e dos Povos (Artº 17º). o Pacto deve visar ao pleno desenvolvimento da Internacional sobre os Direitos Económi. damentais da União Europeia. Estados têm a obrigação de respeitar. tanto a nível todos os indivíduos a determinadas formas federal. a ção Americana sobre Direitos Humanos Nicarágua. O direito fundamental à educação habilita ção. Paraguai e Polónia. como por exemplo. Egito. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO das ou públicas para os seus filhos e de asse- DA QUESTÃO gurar a educação religiosa e moral das suas crianças. a igualdade de oportunidades educati. agir em contravenção de reconhecidos direi- (Fonte: Douglas Hodgson. com carácter universal e regional. a Conven- mais de 50 países. que inclui o tuições como em legislação ordinária. Marrocos e Japão reconheceram reitos humanos é a Carta dos Direitos Fun- esse direito tanto nas respetivas Consti. A nível regional. Concordam que a educação dos Direitos Humanos (Artº 26º). The Hu. pro- nais. personalidade humana e do sentido da cos. grupos religiosos. como a nível estadual. direito à educação no artº 14º. desempenhar um papel útil numa socie- . desenvol. em conformidade com as suas pró- Conteúdo do Direito à Educação prias convicções. interferindo ou constringin- man Right to Education) do o exercício de tais direitos e liberdades. A necessidade de educar e Obrigações do Estado rapazes e meninas. H. Os veram determinados direitos educacio. “Os Estados Partes no presente Pacto re- manos. Vietname. manos e das Liberdades Fundamentais ta expressamente das Constituições de (Artº 2º do Primeiro Protocolo). A obrigação de respeitar proíbe o Estado de vas. Espanha. respeitar a li- berdade dos pais de escolher escolas priva- 2. constitucional. inter alia. existem a Convenção tucional ou em legislação ordinária de Europeia para a Proteção dos Direitos Hu- cada país. nos. tos e liberdades. Japão. Na Constituição dos Estados Unidos não é mencionado qualquer direito à educa. 1998. damentais. Os Tribunais dos EUA. de comportamento pelos seus governos. tal como os direitos de todos os no direito internacional dos direitos huma. étnicos e linguísticos. temos a Declaração Universal educação. Chipre. Sociais e Culturais (Artos 13º e 14º). particularmente relacionados com teger e implementar o direito à educação. conhecem o direito de toda a pessoa à Por exemplo.

num número razoá. raciais. Disponibilidade tório têm o dever de “elaborar e adotar. (Fonte: Pacto Internacional sobre os Di- tados tomem medidas. proíbam a violação de direitos individuais e liberdades. Sociais e Culturais (PIDESC). Sociais e Culturais. O melhor exemplo relati. vorecer as atividades das Nações Unidas para a conservação da paz. por terceiros.Oferta de ensino secundário (10-14 último recurso. bem como a liberdade de escolher o tipo A obrigação de implementar prevista no de escola e respetivo conteúdo. Ape- sar de o Estado não ser o único provedor de Padrões a Atingir: educação. tam o espírito e a essência absoluta do di- nómicos. ensino primário. gações do Estado. reitos Económicos. um plano deta.Educação básica gratuita e obrigatória. através de legisla. A obrigação de proteger requer que os Es. ção ou por outros meios. promover compreensão. um pré-requisito da concretização do di- zar progressivamente. significa a obrigação de uma concretiza- ção progressiva do direito. ou inflijam castigos corporais nos alunos. PIDESC. está abaixo do número de crianças em ida- . Com este pro. Se a ca- . tos humanos obriga-o a ser o provedor de . […] a aplicação do princípio primárias estejam disponíveis para todas as do ensino primário obrigatório e gratuito crianças requer um considerável compro- para todos”. os novos Adaptabilidade. escolas primárias estejam disponíveis para todas as crianças em idade escolar. o direito internacional dos direi- . de acordo com o qual. represen- Pacto Internacional sobre os Direitos Eco.” . Artigo 13º. nº2). que previnam e 1966. O dever de estabelecer a escola primária num prazo de dois anos. no que diz respeito ao do deve adotar. São estes: Disponibi- vamente a esta questão é o artº 14º do lidade. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dade livre. .Ensino recorrente intensificado para rância e amizade entre todas as nações e aqueles que não tenham concluído o grupos. quado de bolsas e melhoria contínua da situação dos professores. de modo a assegurar que as anos de idade) acessível a todos. Assegurar que as escolas vel de anos. Aceitabilidade e PIDESC. Sociais e Culturais (PIDESC) A obrigação de meios diz respeito a uma identifica quatro princípios como obri- determinada ação ou medida que o Esta. com base no princí- das não aplicam práticas discriminatórias pio da igualdade e da não discriminação. Os Estados devem Tal significa que a melhoria do acesso à assegurar que as escolas públicas ou priva. reito à educação. Acessibilidade. O Comentário Geral nº 13 do Comité pósito. reito à educação.Ensino superior acessível a todos com pacidade estrutural das escolas primárias base na capacidade individual. como obrigatória e gratuita é. quer político. 1966. lhado das medidas necessárias para reali. quer financeiro. étnicos e religiosos. educação para todos. nº1º.280 II. tole. Estados Partes que ainda não asseguraram o ensino primário como gratuito e obriga. sem dúvida. direito à educação. e fa.Estabelecimento de um sistema ade- Artigo 13º. obrigação de meios e obrigação de do Pacto Internacional sobre os Direitos resultado podem ser distinguidas: Económicos. misso.

H. tal como previsto no artº peitado. “Educar uma mulher é educar uma famí. face ao seu dever da escola obrigatória estão em conformidade com os critérios mí- para todos. tendo em conside- te importante para os mais velhos e pes. afir. Não Discriminação Direitos Humanos das Mulheres 3. com induzir as pessoas a mudar a sua fé pode base na igualdade e não discriminação. de estudar assuntos incompatíveis com a garantindo o acesso a instituições escola. envolve o direito de escolher o modelo de trodução progressiva da educação gratuita educação recebida e o direito de estabele- não significa que um Estado possa absol. protegido e implementado não é 10º da Convenção sobre a Eliminação de apenas um dever destes. Este princípio no direito à educação. A exigência da in. é obrigado a garantir que todas as escolas do. necessidades no futuro. tal soas com deficiência. Os alunos e os pais têm o direito No mínimo. então a obrigação legal do Esta. O acesso construtivo como o seu desenvolvimento social e os significa que barreiras excludentes devem avanços a nível nacional e internacional. sua religião ou outras crenças. É. permanecer ajustável. ser considerado como proselitismo ilícito. uma Nação. orientar e controlar os estabe- ver-se das suas obrigações. bem como mulheres e homens. cer. DIREITO À EDUCAÇÃO 281 de escolar. enquanto adulto. uma comunidade. toridade do sistema do ensino público para zes. lecimentos de ensino privados. globa um acesso físico e construtivo. Katarina Tomasevski. ser removidas. de todas as meninas e rapa. o que uma criança aprende A obrigação positiva de assegurar um na escola deve ser determinado pelas suas acesso igual às instituições educativas en. manter. através da eli- minação de estereótipos sobre o papel do A obrigação dos governos de assegurar homem e da mulher de textos e de estrutu. O Isto significa que o sistema educativo deve acesso físico às instituições é especialmen. que o direito humano à educação é res- ras educacionais. Hoje. não é cumprida. também. por exemplo. os governos são obrigados a de ser livres da doutrinação e da obrigação assegurar o gozo do direito à educação. xiliar a implementação total do direito à educação. A educação deve ser culturalmente apropriada e de boa Acessibilidade qualidade. nimos por si desenvolvidos. bem como a ve- A disponibilidade do ensino secundário e rificar que a educação é aceitável tanto para superior também é um aspeto importante os pais. PERSPETIVAS INTERCULTURAIS Aceitabilidade E QUESTÕES CONTROVERSAS A anterior Relatora Especial para o Direi- to à Educação. como para os filhos”.” Provérbio africano Adaptabilidade Normalmente. uma visão comparativa e alarga- mou num dos seus relatórios que “o Estado da do mundo revela disparidades subs- . ração o interesse superior da criança. Liberdades Religiosas lia. uma Todas as Formas de Discriminação contra função da sociedade civil promover e au- as Mulheres. Usar a au- res existentes.

betização é crucial para reforçar a capaci- dade humana e a participação económica. A Década das Nações Unidas para a Alfa- “A educação é a arma mais poderosa que betização (2003-2012) é confrontada com se pode usar para mudar o mundo” o facto de ainda 20% da população adulta Nelson Mandela. havia pouco menos de 796 milhões las no ensino primário aumentaram de de pessoas adultas analfabetas. rização formal. está não frequentam a escola e.3 milhões para 7. antigo Presidente da África do Sul. sultado de pobreza extrema. o re- educação. Uma criança nascida em França terá 15 anos de escolarização com O relatório da UNESCO de 2010 “Alcan- níveis de oferta consideravelmente supe. Entretanto. Cerca de 72 mi- primário pode estar a fechar. Em média. afeta 759 milhões de pessoas. Pouco . medido através da primária) e 71 milhões de adolescentes média de anos no sistema educativo. o acesso ao ensino analfabetismo adulto – uma condição que superior permanece um privilégio princi. Não obstante. redução da pobreza voltaram-se para a O analfabetismo é. O exemplo do Uganda: Na segunda social e política nas sociedades do conhe- metade dos anos 90. Estas desigualdades educativas de hoje se. Tem na Zâmbia saem do ensino primário ha. existir no ensino primário. cerca de 5. (Fonte: UNESCO. A média de escolarização no sul da consideráveis na educação durante a últi- Ásia. uma criança mas as taxas de abandono fazem com nascida em Moçambique pode. que a escolarização universal seja im- te. a concretização do mas. 56 milhões de crianças em possíveis diferenças de qualidade na edu. A alfa- Prémio Nobel da Paz. habitualmente. Tal. provável em 2015.) de amanhã. de oito anos. corresponde a metade ma década. atualmen. quer para os 20% mais ricos região. As matrícu. sem termos em conta as cia continuar.282 II. Ademais. 2010. Foi introduzido o ensino pri. EFA Global Monito- rão as desigualdades sociais e económicas ring Report 2010. quer para os 20% mais pobres da direito à educação varia de região para população. Em neste domínio aumentaram. alcançarão o objetivo da educação primá- quanto o hiato das matrículas no ensino ria universal até 2015. çar os marginalizados” apresenta avanços riores. A inscrição das na escola estão na África Subsaariana universal está agora ao nosso alcance. entre 1997 17% da população adulta mundial. os Estados não da do nível nos países ricos. e as diferenças de género deixaram de A maior parte das crianças não matricula. De facto. As taxas de inscrição são as mes- educação. prever vir a ter quatro anos de escola. dois terços palmente dos cidadãos dos países ricos. idade escolar (escola primária) ainda não cação: menos de um quarto das crianças terão frequentado a escola em 2015. cançar o objetivo de reduzir para metade o betização. As mulheres mário gratuito e as despesas públicas são menos letradas do que os homens. havido pouco progresso no sentido de al- bilitadas a realizar testes básicos de alfa. as prioridades de cimento de hoje. se esta tendên- a aumentar.6 milhões. e no Sul da Ásia. mundial não ter o ensino básico. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tanciais na implementação do direito à e 2003. 2008. 2003. o fosso entre lhões de crianças em idade escolar (escola os países ricos e pobres. das quais mulheres. en.

teção das Minorias Nacionais. EFA Global Monito. Do na como uma opção para os Estados que número total de crianças em idade escolar assinaram e ratificaram a Carta. Os governos no primário na língua materna tem sido e as organizações internacionais são chama.) aprender a língua materna na escola. a melhorar a quali. inter alia. a educação vocacio. materna. a ampliar as oportunidades guas. reito humano internacional geral para ring Report 2011. De acor. materna. de Estudos científicos mostraram que o ensi- 2004. No entanto. na sua “Declaração de Amesterdão”. há minorias vem em países pobres afetados por conflitos. salvaguardando os direitos edu. etc. A aprendizagem ao lon. para todos e apoiando o ajuste às exigên.) sua língua materna na escola. sendo o (escola primária) no mundo que não estão objetivo do Estado reconhecer o bilinguis- inscritas na escola. apenas refere que a prática de uma língua do com a Res. 2011. A Carta Europeia das Línguas Regionais nificativamente mais em armas do que em ou Minoritárias. AGNU 56/116. Muitos dos países mais pobres gastam sig. Neste sentido. no primário numa língua estrangeira. educativas de grupos vulneráveis. ainda muito . explicita- mento. to do seu direito à educação. Educação e os Direitos na Educação. como mi- grantes. Não há um di- (Fonte: UNESCO. orientada para as aptidões. mas não reconheceu. 2011. de 1992. também. de 1995. Os ainda baixos níveis de alfabetização quando pertencendo a uma minoria lin- nas zonas pobres do mundo são um moti. Assim. Mali. Francês na África Oeste. carece. H. a tomar medidas que minimizem a violência Apesar do notável progresso nos esforços na escola e a atender ao crescente apelo da de conceder às crianças o exercício comple- aprendizagem ao longo da vida. O artº 27º do PIDESC vo significativo de preocupação. disponibilizando a educação básica língua materna. Na sua Convenção Quadro para a Pro- cias da evolução. pode à educação. minorias. tem gerado controvérsias. em Bamako. que não estão protegidas desta forma e (Fonte: UNESCO. DIREITO À EDUCAÇÃO 283 mais de 509 milhões do número total são A questão da língua de aprendizagem mulheres. de atenção adequada. o direito ao ensi- numa base não discriminatória. que nem sequer têm o direito a aprender a ring Report 2011. foi mais longe educação básica – 35 países foram afetados na promoção do ensino na língua mater- por conflitos armados entre 1999 e 2008. por realçou a necessidade de garantir o acesso exemplo. na Europa. mente. guística de um país. a literacia não deverá ser negada mas nada mencio- é o coração da aprendizagem ao longo da na no que diz respeito à aprendizagem na vida. reclamado pela Academia Africana de Lín- dos.. e os Aborí- A Conferência Mundial sobre o Direito à genes da Austrália. mo das minorias. Direitos das Minorias dade do ensino e o estatuto dos professores. tais como a comunidade Roma.28 milhões – vi. resultar em níveis mais baixos de sucesso cativos e as necessidades de todos os alunos para os alunos. EFA Global Monito. o direito a aprender na sua língua nal ou técnica. 42% . go da vida ou a educação ao longo da o Conselho da Europa reconheceu o di- vida para todos terão de fazer parte das reito de cada um a aprender a sua língua futuras sociedades globais do conheci.

bem como grupos desigualdade. pes- tas questões a resolver de discriminação. tórios obrigatórios dos Estados. as meni. independentemente das suas (Fonte: Kishore Singh. refugiados e migrantes. Relatório do O Relator Especial das Nações Unidas para Relator Especial para o Direito à Educação. linguísticas. como soldados desmobilizados nas. nem infor- outras organizações diversos grupos que madas sobre os seus direitos. as mulheres e as minorias. intensificar os seus esforços migrantes. sociais ou economicamente em desvan- ção. Estes grupos no seu Relatório sobre a Situação Mundial tornaram-se o centro de preocupação e de da Infância 2006. ratificada por todos igualdade. sociais. Kishore Singh. objetivos sejam alcançados. de beneficiar plenamente dos seus direitos justiça social e inclusão de todos os tipos e à educação.) igualdade de oportunidades na educação. as crianças. relatório de 2010 ao direito à educação dos vem. emo- Relator Especial para o Direito à Educação. por exemplo. tal como enfrentam dificuldades particulares no foi estabelecido pela Convenção sobre os acesso total à educação. a abordagem a múltiplas necessidades educativas das pessoas com formas de desigualdade e discriminação. refugiados e requerentes de para resolver as práticas sociais e culturais asilo. por exemplo.) Os Direitos Humanos nas Escolas Contrariamente à obrigação consagrada Não Discriminação no Artº 26. portanto. O Relator tch ‘Failing our children: barriers to the right Especial das Nações Unidas para o Direito to education’ fornecem inúmeros exemplos à Educação. a integração bem-sucedida. tagem. der às necessidades especiais das vítimas Assim. nos rela- visíveis’ e o Relatório da Human Rights Wa. discriminação. Deve ser prestada particular atenção às dores nacionais. ou jovens marginalizados. recomendou o reforço dos quadros regula. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS trabalho necessita ser feito para que estes ninas. de negligência e de explora. ou outras”. que afetam. o Direito à Educação. refu- seu relatório de 2011 sobre a promoção da giados e requerentes de asilo. intitulado ‘Excluídos e In. com base na Direitos da Criança.284 II. Conferência de Salamanca. de soas com deficiências. vezes ausentes. indígenas. dedicou o seu das causas da exclusão. As crianças ainda estão reito à Educação sujeitas ao castigo corporal ou a traba- Têm sido identificados pela UNESCO e lhar. e assim contribuir para a sua níveis de educação. (Fonte: Vernor Munoz. . As sociedades de. os Estados-membros das Nações Unidas. A promoção da igualdade de oportunida- des na educação. cionais. os di- reitos humanos nas escolas estão muitas Grupos Desfavorecidos e o Acesso ao Di. tendo recomendado a eliminação da que impedem as crianças e outros grupos. particularmente. Estes incluem mulheres e me. ação internacional. em 1994. Relatório do condições físicas. 2010. clarou-se a favor da educação inclusiva. deficiência. “as escolas devem receber todas de marginalização e exclusão. no O direito à educação dos migrantes. nº 2º da Declaração Univer- Direitos das Mulheres sal dos Direitos Humanos (DUDH). 2011. pessoas que pertencem a minorias. A Ação-Quadro adotada na bem como o assegurar que recursos ade. intelectuais. Ainda há mui. Elas não são ensinadas. segurança humana. A UNICEF. de- quados são aplicados de forma a respon.

cional. Monetário Internacional (FMI) sublinham mendações da UNESCO. re- a Somália6. DIREITO À EDUCAÇÃO 285 exceto os Estados Unidos da América e “realizar a cooperação internacional. anterior Diretor Geral da lidade da educação deve ser considerada UNESCO. ou a introduzirem pagamentos net) (em abril de 2011). mesmas instituições também forçaram os contradas em 9000 instituições de ensino. Os professores valia no processo de desenvolvimento na- também necessitam de proteção. O direito à educação é. declarou que a dispo- Unidas reconheceram a necessidade de nibilização eficaz do ensino básico para todos dependeria de um compromisso e vontade políticos. como resultado de condições rigorosas aliadas aos seus Programas de Ajustamen- 4.” (Artº 1º. A violência nas a importância da educação como um in- escolas é outro problema que tem aumen. realizada em Desde o seu início. de 1990. comerciais. necessita ser promovida a Educa. “A aplicação efetiva do direito da criança à Uma cooperação internacional. A disponibi- Amadou-Mahtar M’Bow. vestimento no desenvolvimento do capi- tado recentemente. tornando-se num foco tal humano. rio. o tais como o Banco Mundial e o Fundo que é reconhecido em convenções e reco. bem como humanos individuais que serão uma mais- a democracia nas escolas. As boas práticas podem ser en. H. dado que aquela desenvolve recursos ção para os Direitos Humanos. sustentados por políti- cas fiscais. por todos os Estados como um investi- mento a longo prazo e altamente prioritá- Assim. cultural ou hu- Direitos Humanos da Criança manitário. social. a realização de cada indivíduo e para o igualmente. conhecimento e de vontade. identificou seis . Um estudo da UNICEF. económicas. Celebrará o seu de matrículas mesmo no ensino primário. solvendo os problemas internacionais de carácter económico. nº 3º. E MONITORIZAÇÃO A Conferência Mundial sobre Educa- ção para Todos. através educação é. se colo. de emprego e de saúde apropriadas do Sudão do Sul tornou-se Estado-membro da ONU a 14 de Julho de 2011 e também ainda não ratificou a e sustentadas. Convenção sobre os Direitos da Criança. essencialmente. governos a cortarem nas despesas públi- de 180 países que fazem parte da UNESCO cas. Tailândia. realizado em nove países. uma condição prévia para o progresso de cada sociedade. até um ponto em que contribuirá para desenvolvidos. 60º aniversário em 2013. Contudo. IMPLEMENTAÇÃO to Estrutural. se lhes são negados salários adequados. precisamente estas de atenção. educação. as Nações Jomtien. em 1945. incluindo aquelas relacionadas com a Associated Schools Project Network (ASP. Apenas a vontade política dos tecnologia é fundamental na concretiza- governos e da comunidade internacional ção eficaz do direito à educação.” desenvolvimento económico. uma questão da troca de informação. especial- será capaz de promover este direito essen. da Carta das Nações Unidas). mente para as crianças dos países menos cial. cados sob pressão pelas autoridades ou As instituições financeiras internacionais. labo- 6 Nota da versão em língua portuguesa: a República rais.

tar contra esta. ção internacional no campo da educação. A ação da UNESCO na educação desen- mento de nove programas de proa da volve-se à volta de três objetivos estra- “Educação para Todos”: A Iniciativa tégicos: sobre o VIH/SIDA e a Educação. bem como numerosos avaliação alguma vez feita no campo da fóruns.” Julius Nyerere Para a implementação total do direito à A UNESCO tem desenvolvido um conjun- educação será necessário um forte apoio to de mecanismos concebidos de forma institucional. além de 150 grupos da socie. A Alfabetização no Programa da “A Educação não é uma forma de um país Década das Nações Unidas para a Alfa. em 2000. sobretudo. grupos de trabalho. A iniciativa das Nações Unidas para a Educação das Me- ninas. o papel central do setor público. de- sultados que permitem assegurar o direito sempenha um papel fundamental a este universal ao ensino primário para todos. Concentração de Recursos numa e das melhores práticas. organizações não namentais internacionais e ONG. a agência líder na coopera- a adoção do Quadro de Ação de Dakar. de promoção da implementação total do mento humano.Promover a educação como um direito dados e Educação na Primeira Infân.Promover a experimentação. assim. assim como o Saúde Escolar Eficaz. organizações intergover- dade civil. das suas funções principais. também assistiu ao lança. como a UNICEF ou a OIT. fundamental. . Cui. redução dos em cooperação com outras organizações. com os Estados. A UNES- governamentais.286 II. a educação é uma ceiro. O Fórum Mundial de Educação. a inova- cação em Situações de Emergência e de ção e a difusão e partilha de informação Crise. custos de educação dos agregados fami. Educação para a População Rural. A novidade do Fórum foi CO é. reuniões. Tal é evidenciado pela panóplia de instrumentos que estabelecem Do Fórum Mundial de Educação realiza. por força da sua Estes são: compromisso político e finan. O Direito à Educação para Pessoas . ati- educação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS temas abrangentes para obter melhores re. A UNESCO. escapar à sua pobreza. No total. respeito. . Os Professores e a diálogo político sobre a educação. É uma forma de lu- betização. Qualidade da Educação. enquanto agên. a permitir uma aplicação mais eficaz das . Constituição de 1946. padrões mínimos. 164 países foram re.Melhorar a qualidade da educação. cia especializada das Nações Unidas. Em Direção à Inclusão. Tendências asseguram que as ações desta sejam bem enraizadas nos 193 Estados-membros. pelos variados docu- do em Dakar. vidades de coordenação e a colaboração presentados. equidade no setor público. com Deficiência. Edu. A UNESCO. resultou a maior mentos e relatórios. uma vez que. cia. realiza- do em Dakar. tem sido instru- liares e integração de reformas educativas mental no início de reformas educativas e em estratégias mais vastas de desenvolvi. direito à educação. As Comissões Nacionais para a UNESCO Convém saber: 2.

desde 2002. um Relator Es- à educação. a UNESCO preten- cumprimento da Convenção. ratio de matrículas. face à percentagem total de despesas públi- Os relatórios periódicos que os Estados cas ou em comparação com o