COMPREENDER

OS DIREITOS HUMANOS
MANUAL DE EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS

Coordenação: VITAL MOREIRA e CARLA DE MARCELINO GOMES
Com a colaboração de ANA FILIPA NEVES, CATARINA DE MARCELINO GOMES,
HELENA BASTOS, PEDRO BRUM E RITA PÁSCOA DOS SANTOS
e de IRACEMA AZEVEDO (Angola), MÁRCIA MORIKAWa (Brasil), ALCINDO SOARES
e HELENA SILVES FERREIRA (Cabo Verde), AUA BALDÉ (Guiné-Bissau),
EUGÉNIA MARLENE REIS DE SOUSA (Moçambique),
RUI MANUEL TRINDADE SÉCA (São Tomé e Príncipe) e DÉLIA BELO (Timor-Leste)

Versão original editada por WOLFGANG BENEDEK
European Training and Research Centre for Human Rights and Democracy (ETC)
(Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia)
Graz, Áustria

© Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC)
Portugal

Com o apoio de:

Uma contribuição para a Rede de Segurança Humana
por iniciativa do Ministério Federal para os Assuntos Europeus e Internacionais, Áustria,
com financiamento da Agência Austríaca para o Desenvolvimento.

Todos os direitos reservados.

© 3ª edição em Língua Inglesa: European Training and Research Centre for Human Rights
and Democracy (ETC) Graz, 2012

Grafismo:
JANTSCHER Werberaum
www.werberaum.at

3

PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE
LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP
É com enorme prazer que a CPLP se as- reforço da paz, da segurança e do desen-
socia à primeira edição em Língua Portu- volvimento humano dos países que com-
guesa do Manual Compreender os Direitos põem a CPLP. Seguindo uma recomen-
Humanos. dação do Conselho de Ministros da CPLP
Para a CPLP, o apadrinhamento desta obra foi assinado, em 2006, um Memorando de
representa um marco especial e um passo Entendimento com o Alto Comissariado
em frente num tema que a CPLP há muito de Direitos Humanos da ONU, refletindo o
promove e que agora vê aqui consagrado: desafio comum na promoção e defesa dos
a defesa e a promoção dos direitos huma- direitos humanos e liberdades fundamen-
nos. tais, o fortalecimento da relação institucio-
À luz dos seus Estatutos, a CPLP rege-se nal e o desenvolvimento da cooperação
por princípios como o primado da Paz, técnica no campo dos direitos humanos.
da Democracia, do Estado de Direito, Também sob recomendação dos Chefes de
dos Direitos Humanos e da Justiça Social Estado e de Governo da CPLP, realizou-
e dentro da sua missão deve estimular a se, em outubro de 2012, em Cabo Verde,
cooperação entre os seus membros com o um seminário sobre a criação e o reforço
objetivo de promover as práticas democrá- de Instituições Nacionais de Direitos Hu-
ticas, a boa governação, a justiça social e o manos (INDH), em conformidade com os
respeito pelos direitos humanos. “Princípios de Paris”, nos Estados mem-
Nesse âmbito, a CPLP aprovou em 2003, bros da CPLP, que encorajou as INDH dos
uma Resolução sobre Direitos Humanos e países de língua portuguesa a estabelece-
Abolição da Pena de Morte, pela qual rei- rem uma rede para partilhar entre si, e nos
terou o seu compromisso para com a pro- fora internacionais, experiências, melho-
moção e proteção dos direitos humanos res práticas e desafios das INDH.
e incentivou os Estados membros a irem Apraz-nos poder comunicar que a oficiali-
mais além neste âmbito, encorajando-os zação desta Rede coincidirá com o lança-
a integrarem normas internacionais de mento do presente Manual. A CPLP dá
direitos humanos nos seus ordenamentos assim um passo em frente na contribuição
nacionais, a incluírem uma abordagem de para o diálogo em matéria de direitos hu-
direitos humanos em programas e políti- manos nos países de língua portuguesa,
cas de desenvolvimento, a adotarem me- envolvendo membros ou representantes
didas de luta contra a violência sobre as do Governo, parlamentares, a sociedade
mulheres e as crianças e a reforçarem a civil e as INDH existentes, na criação ou
cooperação a nível internacional nos fora reforço de mecanismos conformes com os
das Nações Unidas. “Princípios de Paris”.
Em reuniões subsequentes, os Estados A CPLP tem também procurado nortear
membros da CPLP têm vindo a renovar a sua atividade de cooperação de acordo
o seu compromisso com estes princípios com os princípios de direitos humanos,
fundamentais dos direitos humanos para o apoiando projetos de cidadania para o

4 PREFÁCIO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA - CPLP

desenvolvimento, como o projeto “meni- defender e promover os direitos humanos.
nos de rua” ou o projeto “ODM desafio Envidaremos todos os esforços para com-
universitário”, projetos de capacitação em bater violações de direitos humanos, pois
diversas áreas, como a saúde, o ambiente, estas não só ameaçam a existência de um
a segurança alimentar e, ainda, promo- grande número de pessoas nos nossos Es-
vendo o reforço da capacitação técnica, tados membros, como contribuem para a
de que é exemplo a formação em combate sua vulnerabilidade à violência, aos maus
ao tráfico de seres humanos, bem como a tratos e ao seu silêncio a nível social, polí-
promoção de um dialogo global inclusivo tico e económico.
no quadro da sua participação na platafor- Apenas através do respeito integral e ho-
ma das Nações Unidas “Aliança das Civi- lístico dos direitos humanos podemos su-
lizações”. perar esses desafios e contribuir para o
Estamos, por isso, convictos de que no desenvolvimento sustentável das nossas
quadro desta agenda a CPLP irá continuar sociedades.
a promover a necessária e desejável uni- Da nossa parte daremos o nosso total
versalização dos direitos humanos – numa apoio para que assim o seja.
perspetiva de cidadania global de direitos
– e também desenvolver medidas que fo- Murade Murargy
mentem a promoção desses direitos por
todos os cidadãos da Comunidade. Embaixador
Por tudo isto, e de acordo com os princí- Secretário Executivo da CPLP
pios orientadores da CPLP, reafirmamos a
nossa convicção e assumimos a missão de Lisboa, 16 de Maio de 2013.

5

PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE
- CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA FA-
CULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA

O Ius Gentium Conimbrigae/Centro de os países de língua oficial portuguesa. Daí
Direitos Humanos (IGC/CDH) da Fa- que tenhamos convidado para a equipa os
culdade de Direito da Universidade de seguintes colaboradores desses países, que
Coimbra (FDUC) – o mais antigo centro contribuíram para essa recolha: Alcindo
universitário de direitos humanos em Soares (Cabo Verde), Aua Baldé (Guiné-
Portugal – orgulha-se de se associar ao Bissau), Délia Belo (Timor-Leste), Eugénia
projeto Understanding Human Rights Marlene Reis de Sousa (Moçambique), He-
– Manual on Human Rights Education, lena Silves Ferreira (Cabo Verde), Iracema
organizado pelo European Training and Azevedo (Angola), Márcia Morikawa (Bra-
Research Centre for Human Rights and sil) e Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé
Democracy (ETC), em Graz (Áustria), di- e Príncipe).
rigido pelo Professor Wolfgang Benedek,
ficando assim o IGC/CDH responsável A presente edição em língua portuguesa
pela versão e adaptação em língua por- tem por base a versão inglesa da 3ª edi-
tuguesa do livro Compreender os Direitos ção original do Manual publicada em
Humanos - Manual de Educação para os 2012. Considerando o nosso objetivo de
Direitos Humanos. disseminação do livro e, acima de tudo,
do que ele representa, ou seja a educa-
Para que este projeto fosse possível, foi ção para os direitos humanos, foi também
constituída no âmbito do IGC uma equipa nossa opção criar uma página na net para
de trabalho coordenada por Vital Moreira este projeto, alojada no website do IGC/
e Carla de Marcelino Gomes e composta CDH (www.fd.uc.pt/igc/), onde se pode-
por Ana Filipa Neves, Catarina de Marce- rá encontrar a versão eletrónica em lín-
lino Gomes, Helena Bastos, Pedro Brum e gua portuguesa deste livro, bem como os
Rita Páscoa dos Santos, que reúnem vá- respetivos materiais adicionais de apren-
rias formações académicas e com com- dizagem, também traduzidos para portu-
petências no domínio da língua inglesa guês e existentes, em inglês, no site origi-
e, em especial, no inglês técnico jurídico nal do projeto, no ETC.
e das ciências de educação. A equipa de
trabalho desde cedo se apercebeu que o É também nosso objetivo proceder à divul-
livro Compreender os Direitos Humanos gação do livro e do projeto em cada um
sairia enriquecido se nele pudessem ser dos países de língua oficial portuguesa,
incorporadas referências bibliográficas e aproveitando a oportunidade do lança-
informações adicionais oriundas de todos mento local da iniciativa para organizar

6 PREFÁCIO DO IUS GENTIUM CONIMBRIGAE

sessões de trabalho, com o intuito de di- Para um centro de direitos humanos como
fundir o método de trabalho do manual. o IGC, dedicado ao ensino e à formação
Pareceu-nos, portanto, um enlace natural em direitos humanos, a educação em di-
a associação da organização da Comuni- reitos humanos é em si mesma um direito
dade dos Países de Língua Portuguesa a fundamental de todos e de cada um. Daí a
este projeto, cujo apoio institucional e fi- importância deste livro.
nanceiro muito nos honra.
Coimbra, 25 de Abril de 2013.
Por fim e acima de tudo, pretende-se com
este projeto contribuir para uma difusão
de informação teórica, prática e de aces-
so fácil relativa aos direitos humanos, na
senda do artº 1º, nº 1, da Declaração das
Nações Unidas sobre Educação e Forma-
ção em Direitos Humanos, de 2011, segun- Vital Moreira
do a qual “Todas as pessoas têm direito a
saber, procurar e receber informações sobre
todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais e devem ter acesso à edu-
cação e formação em matéria de direitos
humanos”1.
Carla de Marcelino Gomes

1
Tradução livre da equipa técnica.

7

AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA
PORTUGUESA

Agradecemos à Comunidade dos Países de Ribeiro Sales, ao Dr. Caíque Thomaz Leite
Língua Portuguesa, que não só viabilizou da Silva, à Drª Cátia Duarte, à Drª Isabel
financeiramente esta 1ª edição em língua Gomes, à Drª Rita Perdigão e ao Engº Pa-
portuguesa do Manual, como nos auxiliou trício Figueiredo pelo seu precioso contri-
na revisão final e, neste particular, o agra- buto, em sede de revisão final das provas
decimento recai nas pessoas do Dr. Ma- e pela sua pronta disponibilidade, mesmo
nuel Clarote Lapão, Dr. Philip Baverstock com um prazo tão limitado. Agradecemos,
e Dr. Mário Mendão. ainda, às nossas famílias pela infindável
Este Manual não teria sido possível sem a paciência e apoio, ao longo destes anos.
colaboração de inúmeras pessoas que nos Alguns dos colaboradores responsáveis
auxiliaram em várias fases do processo. pelo capítulo das Referências Bibliográ-
Desde logo, gostaríamos de demonstrar a ficas e Informação Adicional em Língua
nossa gratidão ao Professor Doutor Wolf- Portuguesa gostariam, igualmente, de for-
gang Benedek, que nos honrou com o con- mular agradecimentos pelo auxílio que
vite para nos associarmos a este projeto e obtiveram na recolha da informação ne-
pela sua sempre pronta disponibilidade ao cessária. Infra, encontraremos os agradeci-
longo destes anos de trabalho. Agradece- mentos pela colaboração externa relativos
mos igualmente à Drª Barbara Schmiedl a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e à Drª Sarah Kumar, pelo apoio na trans- e Moçambique.
missão de documentos e informações in- Angola: Secretaria de Estado para os Di-
dispensáveis. reitos Humanos, representada pela Dr.ª
Devemos um agradecimento muito sentido Ana Januário, e Centro Cultural Mosaiko,
ao Senhor Professor Doutor Jónatas Macha- representado pelo Frei Mário Rui Marçal,
do pelo seu aconselhamento sempre lúci- aos quais se endereça, desde já, os devidos
do e pelo acompanhamento constante ao agradecimentos.
longo das várias fases deste projeto. Agra- Brasil: Agradecimentos especiais ao Dr.
decemos à Drª Maria Natália Neves, pelo Francisco Prado de Paula Avelino, Auditor
auxílio no que respeita à língua inglesa e à Federal de Controle Externo do Tribunal
revisão final das provas. À Drª Ana Paula de Contas da União, Brasília-DF, pela sua
Silva agradecemos o inestimável auxílio na importante e imprescindível colaboração
criação da página web dedicada ao livro, nas pesquisas elaboradas desde Brasília.
bem como a elaboração da capa e contra- Agradecimentos ao Centro de Pesquisas e
capa para esta edição. À Drª Bárbara Alves Estudos Jurídicos de Mato Grosso do Sul
agradecemos o seu sempre pronto apoio, pela disponibilização de sua biblioteca, à
nomeadamente, em matérias de formata- Dra. Vanívia Zanuzzo pelo seu zeloso au-
ção e revisão gráfica. Um agradecimento xílio com pesquisas realizadas no Mara-
especial é ainda dirigido à Drª Ana Amélia nhão, e ao Professor Doutor Fábio d’Ávila

8 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

da Faculdade de Direito PUCRS pela sua (“Democracia pelo Direito”) do Conselho
colaboração sobre a proibição da tortura. da Europa. Diversos trabalhos publicados
Cabo Verde: Nossos agradecimentos a to- na área dos direitos fundamentais ao nível
das as Instituições que de pronto e gen- nacional e ao nível da União Europeia; co-
tilmente aceitaram colaborar connosco e, autor, junto com J. J. Gomes Canotilho, da
muito em particular, a toda a equipa da Constituição da República Portuguesa Ano-
Comissão Nacional para os Direitos Hu- tada, dois vols., 4ª edição, Coimbra Edito-
manos e Cidadania, presidida pela Dra. ra, Volume I: 2007; Volume II: 2010.
Zelinda Cohen, Associação Cabo-verdiana
de Mulheres Juristas, através da sua Presi- Carla de Marcelino Gomes
dente e a Biblioteca Nacional. Coordenadora de Projetos e investigadora
Guiné-Bissau: A investigação foi feita com no Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
a colaboração de Ercilio Evora, a quem Direitos Humanos (IGC/CDH), da Faculda-
muito agradecemos. de de Direito da Universidade de Coimbra,
Moçambique: Agradecimentos ao Dr. Dá- onde trabalha desde setembro de 2001.
rio Caetano de Sousa, docente de Direitos Doutoranda em “Política Internacional e
Fundamentais na Universidade São Tomás Resolução de Conflitos”, na Faculdade de
de Aquino em Maputo, que fez a pesqui- Economia, Universidade de Coimbra, es-
sa de algumas referências na Biblioteca pecialização nas áreas da justiça de tran-
da Universidade Eduardo Mondlane e que sição e das crianças-soldado. Detém o Eu-
forneceu algumas referências que têm sido ropean Master’s Degree in Human Rights
utilizadas nas suas aulas. Ao Diogo Ma- and Democratisation (2001), especializa-
nuel Coelho da Rocha que manifestou o ção em Direitos da Criança. Licenciada
interesse nos temas e fez a pesquisa nas em Direito (1996) pela Universidade de
bases de dados da Biblioteca do Instituto Coimbra. Codirectora executiva do Curso
Superior de Ciências Sociais e Políticas da em Operações de Paz e Ação Humanitária.
Universidade Técnica de Lisboa. Integra o corpo docente da Pós-graduação
em Direitos Humanos, no IGC/CDH, desde
2002. Tem várias publicações nas áreas da
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS sua especialização. Participa em missões
COORDENADORES: de reconstrução pós-conflito e de desen-
volvimento, particularmente, em matérias
Vital Moreira de construção institucional, redação legis-
Professor da Faculdade de Direito da Uni- lativa e didática, bem como formação, em
versidade de Coimbra; vice-presidente do colaboração com entidades governamen-
Ius Gentium Genimbrigae/Centro de Direi- tais, ONU e ONG.
tos Humanos; cocoordenador e professor
da Pós-Graduação em Direitos Humanos do
Ius Gentium Conimbrigae da Faculdade de
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS IN-
Direito da Universidade de Coimbra; diretor VESTIGADORES DO IGC:
nacional do European Master’s Programme
in Human Rights and Democratisation (Ve- Ana Filipa Neves
neza); antigo juiz do Tribunal Constitucio- Doutoranda do Programa de Doutora-
nal; antigo membro da Comissão de Veneza mento “Política Internacional e Reso-

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS INVESTIGADORES DO IGC 9

lução de Conflitos”, na Faculdade de Helena Patrícia Bastos
Economia, Universidade de Coimbra. Pós-graduada em Relações Internacionais,
Em 2008, concluiu o European Master’s Especialização em Estudos para a Paz e
Degree in Human Rights and Democrati- Segurança pela Faculdade de Economia da
sation com tese desenvolvida no Danish Universidade de Coimbra; Pós-graduada
Institute for Human Rights, em Copenha- em Direitos Humanos pelo Ius Gentium
ga, na área do Islão, direitos humanos Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos
das mulheres e migrações. Licenciada da Universidade de Coimbra. Licenciatura
em Direito pela Faculdade de Direito da em Relações Internacionais pela Faculdade
Universidade de Coimbra. Investigadora de Economia da Universidade de Coimbra.
e assessora no Ius Gentium Conimbri-
gae/Centro de Direitos Humanos da Fa- Pedro Brum
culdade de Direito da Universidade de Licenciado em Direito pela Universidade
Coimbra desde outubro de 2008. Integra, de Coimbra (1997) e Pós-graduado em
desde 2009, o corpo docente da Pós-Gra- Direito Penal Económico Europeu (1998),
duação em Direitos Humanos promovida também por esta Universidade. Em 2012,
pelo IGC/CDH. concluiu o Mestrado em Estudos de Se-
gurança Internacional, pela Universidade
Catarina de Marcelino Gomes de Leicester. Exerceu advocacia até 2005.
Licenciada e Mestre em Ciências da Edu- A sua experiência na área de direitos hu-
cação pela Faculdade de Psicologia e de manos resultou do exercício de assesso-
Ciências da Educação da Universidade de rias jurídicas em diversas instituições da
Coimbra e Mestre em Gestão de Recur- República Democrática de Timor-Leste,
sos Humanos pela Escola Superior de Al- nomeadamente no Ministério da Justiça,
tos Estudos do Instituto Superior Miguel Provedoria dos Direitos Humanos e Jus-
Torga. Desenvolveu estudos, na área da tiça e Ministério dos Negócios Estrangei-
Educação de Adultos e Psicologia Social ros. Trabalhou para instituições como o
na Facoltá delle Scienze della Formazione, Programa das Nações Unidas para o De-
Universidade de Florença, Itália. Enquanto senvolvimento, o Instituto Português de
Técnica Superior em Educação, tem exer- Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação
cido funções na área de Educação e For- das Universidades Portuguesas.
mação de Adultos e Gestão da Formação,
nomeadamente, como coordenadora peda- Rita Páscoa dos Santos
gógica, mediadora e formadora no âmbito Licenciada em Direito pela Universida-
de Cidadania e Empregabilidade, Apren- de de Coimbra, frequentou igualmente a
der com Autonomia e em Processos de Re- parte escolar do curso de Pós-Graduação
conhecimento, Validação e Certificação de em Justiça Europeia sobre Direitos do Ho-
Competências. Certificada em Formação mem, coorganizado pelo Ius Gentium
de Formadores em Igualdade de Oportu- Conimbrigae/Centro de Direitos Huma-
nidades. Frequência da XV Pós-graduação nos e o CEDIPRE, da Faculdade de Direi-
em Direitos Humanos (2013), (IGC/CDH) to da Universidade de Coimbra. Em 2009,
da Faculdade de Direito da Universidade concluiu o Mestrado Europeu em Direitos
de Coimbra. Investigadora associada do Humanos e Democratização, pelo Euro-
IGC/CDH. pean Inter-University Centre for Human

10 AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Rights and Democratisation. Foi bolseira man Rights Fellowship por Harvard Hu-
deste Centro Inter-Universitário na Dele- man Rights Program. Trabalhou como
gação da União Europeia junto da ONU advogada em Lisboa e em Bissau. Na
e de outras organizações internacionais Guiné-Bissau, foi Assessora Jurídica no
em Genebra. Colabora com o Ius Gentium Ministério da Educação e Assessora para
Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos Assuntos Políticos no Gabinete Integrado
como investigadora associada e foi consul- das Nações Unidas para a Consolidação
tora internacional na Provedoria dos Direi- da Paz na Guiné-Bissau.
tos Humanos e Justiça de Timor-Leste.
Délia Imaculada Costa Ximenes Belo
(Timor-Leste)
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS CO- Estudante da Faculdade Direito Universi-
LABORADORES DE ANGOLA, dade de Coimbra (frequência do 4º ano do
curso de Direito). Integrou a equipa técni-
BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ- ca do Ius Gentium Conimbrigae/Centro de
-BISSAU, MOÇAMBIQUE, SÃO Direitos Humanos da Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra, no âmbito
TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR- de uma parceria estabelecida entre o IGC/
-LESTE: /CDH, o Ministério da Justiça de Timor-
Leste e a UNICEF-Timor Leste.
Alcindo Júlio Soares (Cabo Verde)
Licenciado em Direito pela Faculdade Eugénia Marlene Reis de Sousa (Moçam-
de Direito da Universidade de Coimbra. bique)
Pós-graduado em Direito da Comunicação, Frequência do 2º ano do Mestrado em Po-
pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da líticas de Desenvolvimento de Recursos
Faculdade de Direito da Universidade de Humanos no Instituto Superior de Ciên-
Coimbra. XV Curso Norma de Formação cias Sociais e Políticas da Universidade
de Magistrados do CEJ (Centro de Estudos Técnica de Lisboa (2012/2013). Frequên-
Judiciários) de Lisboa. Magistrado do Mi- cia da XV Pós-Graduação em Direitos Hu-
nistério Público de Cabo Verde, exercendo manos (2013), Ius Gentium Conimbrigae/
funções de Procurador-Geral Adjunto. /Centro de Direitos Humanos da Faculda-
de de Direito da Universidade de Coim-
Aua Baldé (Guiné-Bissau) bra. Licenciada em Relações Internacio-
Advogada; atualmente a trabalhar na nais pelo Instituto Superior de Ciências
missão de manutenção da paz da ONU Sociais e Políticas da Universidade Técni-
na Costa do Marfim. Pós-graduada em ca de Lisboa.
Direitos Humanos, Ius Gentium Conim-
brigae/Centro de Direitos Humanos da Helena Silves Ferreira (Cabo Verde)
Faculdade de Direito da Universidade Licenciada em Direito e Tradutor/Intérpre-
de Coimbra. Mestre em Direito, com te (Inglês) pelo Centro Universitário Ad-
especializaçao em Direito Internacional ventista de São Paulo – UNASP, campus
dos Direitos Humanos, pela Faculdade Engenheiro Coelho. Tradutora e intérprete.
de Direito da Universidade de Harvard. Advogada e Consultora Jurídica. Respon-
Distinguida com o prémio Henigson Hu- sável pela coordenação e elaboração dos

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLABORADORES DE ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, MOÇAMBIQUE 11

Relatórios de Direitos Humanos a serem senvolvido sua atividade profissional e de
apresentados pelo Governo aos Comités investigação nas áreas dos Direitos Huma-
específicos das Nações Unidas na Comis- nos, Direito Internacional Público e Direito
são Nacional para os Direitos Humanos e a Internacional Humanitário.
Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde.
Rui Manuel Trindade Séca (São Tomé e
Márcia Morikawa (Brasil) Príncipe)
Doutora em Ciências Jurídico-Políticas Licenciado em Direito pela Faculdade de
pela Faculdade de Direito da Universidade Direito da Universidade de Coimbra; For-
de Coimbra, tendo concluído o Mestrado mado em Magistratura Judicial pelo CEJ
e a Pós-Graduação em Direitos Humanos – Portugal, Inscrito na OAP e OASTP, Ex-
nesta mesma Instituição. Docente da dis- Professor de Direito Administrativo no
ciplina de Direitos Humanos no Mestrado IUCAI; Coordenador do Gabinete Jurídico
em Serviço Social do ISCTE-Lisboa e da da Entidade Reguladora de Comunicações
Universidade Nacional Timor Lorosa’e eletrónicas, Postal, Água e Eletricidade
(UNTL). Docente das disciplinas de Filo- e Ponto Focal para Harmonização dos
sofia do Direito, Direitos Humanos e Me- quatro setores acima referidos, na África
todologia da Investigação na Faculdade de Central e Subsaariana; Assessor Jurídico
Direito da UNTL e de Introdução ao Direi- do Ministro da Educação e Cultura; Presi-
to, Direito Eleitoral e Ilícitos Eleitorais no dente da ONG Sítio do Equador; Secretário
Curso em Gestão e Administração Eleitoral Executivo do IDD; Vice-Presidente da Pla-
da UNTL. Assessora jurídica na Secretaria taforma de Direitos Humanos e Equidade
de Estado da Defesa (Ministério da Defe- de Género; Presidente da Rede STPWASH,
sa e Segurança) de Timor-Leste. Tem de- Consultor Jurídico do Governo de STP.

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NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VER-
SÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

A equipa técnica deparou-se com alguns Um outro importante princípio que ado-
desafios de tradução de algumas palavras, támos foi o de envidarmos esforços para
umas vezes porque elas ainda não estão que todos os vocábulos fossem traduzidos
oficialmente reconhecidas no vocabulário para a língua portuguesa, mesmo aqueles
em língua portuguesa, outras porque nos que já adquiriram o estatuto de uso cor-
preocupámos em fazer uma correspondên- rente na nossa língua (ex. accountability,
cia exata de conceitos que nem sempre são advocay, bullying, etc.) pelo que nos so-
coincidentes, nos vários ordenamentos ju- corremos de traduções possíveis junto de
rídicos, nacionais e internacional. Assim, documentos e páginas oficiais de todos
houve opções genéricas que fizemos, ex- os países de língua oficial portuguesa, de
plicadas abaixo, e, noutros casos, procede- organizações internacionais intergoverna-
mos ao estudo caso a caso da palavra ou mentais que tenham documentos traduzi-
conceito em questão. dos para língua portuguesa, bem como das
ferramentas oficiais de tradução da União
A primeira opção de tradução que fizemos Europeia. Por vezes acrescentámos entre
foi dar preferência, sempre que possível, parêntesis o termo inglês originário, como
a linguagem utilizada nos documentos já referência auxiliar. Sobretudo no que res-
traduzidos para português e reconhecidos peita à descrição de algumas metodologias
oficialmente. Daí que tenhamos sempre aplicadas e nas secções relativas às ativi-
recorrido às páginas oficiais dos vários dades selecionadas, utilizámos o léxico
países de língua oficial portuguesa, no próprio das Ciências da Educação. Foram
sentido de encontrar as traduções ofi- poucas as exceções ao princípio acima
ciais. No que respeita a informação rela- enunciado: é o caso da palavra internet e o
tiva às Convenções, Declarações e outros de algumas abreviaturas (ex. UEFA, CIA),
documentos internacionais, utilizámos que mantivemos na língua inglesa, dado o
essencialmente as versões em português seu uso corrente e generalizado e o facto
contidas na página oficial do Gabinete de de as suas correspondentes em língua por-
Documentação e Direito Comparado da tuguesa não serem, de todo, comummente
Procuradoria-Geral da República, Portu- reconhecidas.
gal. No caso da Declaração das Nações Em casos excecionais, deparámo-nos com a
Unidas sobre Educação e Formação em utilização de palavras diferentes em países
Direitos Humanos, de 2011, não encon- diferentes para descrever a mesma realida-
trámos qualquer versão oficial traduzida de. É o caso da palavra “Tribunal” que, no
para língua portuguesa, pelo que fizemos Brasil, em alguns contextos, é também de-
uma tradução livre da mesma que, não signada por “Corte” e é também o caso das
sendo oficial, é da nossa inteira responsa- palavras “investigação”/”investigador” em
bilidade e não faz fé pública. âmbito académico que, no Brasil, correspon-

Por outro lado. ter- tos dos instrumentos jurídicos internacio. a ex. Já a palavra “registo” escreve-se Optámos pela expressão “Comunidade “registro”. no Brasil. vai ao encontro da Deliberação da munidade cigana”. NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA 13 dem aos termos “pesquisa”/”pesquisador”. no Brasil. no caso de Por. Manouche. direitos humanos”. Sinti e Cigana. por exemplo. pois essa seria uma Assembleia da República de Portugal. de tradução redutora face ao que a versão 8 de março de 2013. da expressão “Roma Community”. Fizemos esta opção. Declaração Universal dos Direitos incluir todos esses grupos e não apenas Humanos e Tribunal Europeu dos Direitos a comunidade cigana. Cremos que o tos do Homem”. pelo que não tra- Humanos). sentido com que a expressão é utilizada da assim aparece em documentos oficiais no Manual. ser já comummente aceite e genera- guns dos países de língua oficial portuguesa. expressão universalista para referenciar os lavra “violação” no âmbito dos crimes se. Roma” no que diz respeito à tradução pressão “toda a pessoa” encontrada em mui. Esta opção. pelo facto de refere-se à palavra “Caribe” utilizada em al. minologia utilizada nas várias organiza- nais de Direitos Humanos também aparece ções internacionais. como comunidades Roma. recebe a designação de “estupro”. xuais que. que “recomenda que inglesa transmite. Por sua vez. na versão inglesa pretende (exs. duzimos a referida expressão por “co- tugal. no Brasil. demos tes que se autoidentificam. com a pa. preferência à expressão “direitos huma. Ashkali. por exemplo. como é o caso Europeia e na ONU. nos” em detrimento da expressão “direi. as entidades públicas e privadas adotem a O mesmo acontece. sobretudo na União traduzida por “toda pessoa”. . a palavra Caraíbas no âmbito deste Manual. mesmo quando ela ain. lizado que a expressão “Comunidade Roma” se refere a vários grupos diferen- Por razões de ordem doutrinária.

ETC). até hoje. é um privilégio especial poder- rarem o conhecimento e o entendimento mos apresentar a terceira edição em inglês de todos os seus direitos e os dos outros. reorganização. bem como introduzido e jetivos basilares da Áustria. Tam. ao comportamen. Executivo da UNESCO. em todas a viver uma vida em segurança e com as regiões do mundo. mas também lhes deve num momento muito oportuno. manos das Nações Unidas e o Conselho bém se refere à atitude. surge direitos humanos. as aspira- em 2003. governos reconhecem e asseguram estes Já foi traduzido. estão a clamar por mudan- O Manual de Educação para os Direitos ça. tra focada no Mundo Árabe. ciada pelo Ministério Federal dos Assuntos mento. países e regiões. um dos ob. Os eventos a que pudemos assistir du- Humanos “Understanding Human Rights” rante esta primavera Árabe transmitiram. utilizado em sessões de trabalho multipli- quanto membro do Conselho Executivo cadoras facilitadas pelo ETC. a educação e formação gação em Direitos Humanos e Democracia para os direitos humanos podem incre- . A educação em Graz. desde a Tunísia até ao Egito e desde a no seu trabalho. onde as pes- los e defendê-los nas suas vidas diárias e soas. também en. Oferece módulos de dignidade. o Manual é conce- para os Direitos Humanos é uma parte bido para formar multiplicadores na edu- central do nosso compromisso. é promover e apoiar inicia. Para mim. as pessoas têm de conhecer formação que podem ser adaptados pelos os seus direitos e liberdades fundamen. em diversos da UNESCO. de acordo com os seus tais e de estar confiantes de que os seus diferentes contextos. damentais e inalienáveis. mas diferentes. num momento em que a Áus- mais do que o mero conhecimento de um tria integra o Conselho de Direitos Hu- conjunto de regras e de princípios. Elaborado por uma pelo reconhecimento dos seus direitos fun- dedicada equipa de peritos austríacos e in. início de 2011 que toda a atenção se encon- portantes para elas e como podem aplicá. sob os auspícios Neste ambiente de convulsão social e de do Centro Europeu de Formação e Investi. seus utilizadores.14 PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A promoção e a proteção dos direitos (European Training and Research Centre humanos foi sempre uma prioridade na for Human Rights and Democracy . tivas que encorajem as pessoas a melho. na Áustria. Síria ao Iémen. Desde o ser mostrado como estes direitos são im. ternacionais de renome. para 15 idio- direitos. finan- to e à mudança de atitude e do comporta. Esta edição. Por consequência. De forma cação para os direitos humanos. do Manual de Educação para os Direitos A Educação para os Direitos Humanos é Humanos. foi primeiramente apresentado ao público de uma forma impressionante. na Reunião Ministerial da Rede ções de todas as pessoas pela liberdade e de Segurança Humana. situações e regiões. política externa da Áustria. As pessoas devem ter não apenas Europeus e Internacionais e pela Agência um conhecimento genérico do que são os Austríaca para o Desenvolvimento.

e social. contribuir para fortalecer o prima. manos e dignidade em todas as regiões do mas de promover o progresso económico mundo. da República da Áustria manos para enfrentarem todos estes desa. janeiro de 2012 fios e. as pessoas afetadas ne- cessitam de todo o apoio e encorajamento possível para obterem a liberdade. o que é reconhecido importante publicação. justiça e democracia. Os desafios à nossa frente são diversos e complexos. misso e esforços empreendidos para esta nação democrática. social e prossecução do respeito pelos direitos hu- cultural. de Formação e Investigação em Direitos assim. Podem ser utilizadas como for. Dr. contribuírem para a nas esferas política. PREFÁCIO DA TERCEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 15 mentar a participação democrática efetiva instrumento prático. económica. porém. para promoverem o desen. for. responsabilização e esta- bilidade governativa. Viena. Michael Spindelegger volvimento e lutarem contra a opressão. como uma estratégia importante para a democratização. Humanos e Democracia pelo seu compro- do do Direito e a capacitação para a gover. Vice-Chanceler e Ministro Federal para Quero encorajar todos os educadores. ao utilizarem este manual como um . assim como o desenvolvimento Gostaria de agradecer ao Centro Europeu sustentável centrado nas pessoas. os Assuntos Europeus e Internacionais madores e multiplicadores de direitos hu. Podem.

A Rede de Segurança Humana é compos. contém o compromisso de traduzir Cidade de Direitos Humanos de Graz. os céleres desenvolvimentos no âmbito tal como a sua Reunião Ministerial. a Rede en. Em 2006. a 10 de maio de 2003. na Graz. Foi ela. O Manual é o resultado de uma introduzi-lo em diferentes contextos re- iniciativa da minha predecessora. Francês. Consiste em módulos de do Mundo. Benita gionais e culturais. Porém. O Manual. em 2002. de utilizadores de todo o mundo. sob a égide do Centro em colaboração e com o generoso apoio Europeu de Formação e Investigação em de vários membros da Rede de Segurança Direitos Humanos e Democracia (ETC). Russo. cia (ETC). bem como de entidades intergo- em Graz. nacionalidades. foi elaborada uma segunda edição ção para os Direitos Humanos tornou-se pelo Centro Europeu de Formação e Inves- uma das suas prioridades. culturas e grupos sociais nuíno e prático. o Manual “Compreender os Di. financiamento da Cooperação Austríaca cem uma base sobre a qual o desenvol. na sua ver. Chi- borado por uma dedicada equipa de re. em colaboração com uma vasta reitos Humanos” dirige-se a audiências equipa de peritos austríacos e estrangeiros. para o Desenvolvimento e do Ministério vimento humano e a segurança humana Federal da Educação. que foi apresentado em vários ta por um grupo de Estados de todas as países e regiões. todas as regiões. conduzidas pelo ver problemas pungentes relativos à se. tada para a prática. na qualidade de Presi. nês. vernamentais e não governamentais. com a criação do Conselho de Direitos . Cro- conhecidos peritos austríacos e de outras ata. o Manual está dis- dente da “Rede”. Ciência e Cultura da podem ser realizados”. Árabe.16 PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORI- GINAL) Em maio de 2003. a Educa. Portanto. na Reunião Ministe. apresentado ao público. Portanto. Áustria. Imbuído deste tigação em Direitos Humanos e Democra- espírito. ETC. em 2002/2003. o Manual de Educação A Declaração de Graz sobre os Princípios para os Direitos Humanos “Compreender de Educação para os Direitos Humanos e os Direitos Humanos” foi. Sérvio e Tailandês. de modo a Áustria. após o seu lançamento. Quanto mais diversos forem os formação que podem ser diversificados e seus utilizadores. com o fatizou que “os direitos humanos forne. na o Manual para outras línguas. pelos seus utilizadores. através de sessões de for- regiões do Mundo. de todo o mundo e pretende funcionar O Manual pretende chegar a pessoas de como um “instrumento de formação” ge. de formação. 5ª Reunião Ministerial da Rede de Segu- são original inglesa. con. numa perspetiva orien. o seu objetivo de promover os direitos hu- soante os diferentes contextos e situações manos e a segurança humana. determinados a resol. em rial da Rede de Segurança Humana. ponível em Inglês. Alemão. adotada pela vez. atualização do Manual. Albanês. Hoje. apenas três anos Ferrero-Waldner. mação de formadores. mais o Manual atingirá adaptados. Em muitas ocasiões. em dos Direitos Humanos impuseram uma Santiago do Chile. rança Humana. Humana. Isto foi possível. pela primeira para a Segurança Humana. Espanhol. tem recebido críticas muito positivas gurança humana.

face aos desafios de direitos da República da Áustria humanos que se avizinham. a arquitetura internacional dos direitos humanos sofreu mudanças consi- deráveis. Creio que esta segunda edição do Manual de Educação para os Direitos Drª Ursula Plassnik Humanos estará em condições de servir Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros como guia. . maio de 2006. Viena. PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) 17 Humanos.

Destina-se ao uso Graz. 9 de maio de 2003. É Humanos da Europa. na execução do volvimento de competências e à transfor. como temas prioritá. na minha qualidade de Presi. Com esta finalidade. Rede. in. ajudará através das suas dimensões relativas à o Alto Comissariado das Nações Unidas transferência de conhecimentos. sob a presidência da diquei a Educação para os Direitos Huma. no âmbito da Educação para os em 2002/2003. 5ª Reunião Ministerial da Rede de global. incluindo instituições associadas Drª Benita Ferrero-Waldner à Rede de Segurança Humana. dos da Rede e em todo o mundo. O Manual inspira-se na Declaração de ferência. espalhadas Ministra Austríaca dos Negócios Estrangeiros pelos cinco continentes. bem como as Crianças Afetadas pelos humana das pessoas. às diferenças culturais. na reunião de 10 de maio de 2003. Estabelecer uma cultura política Graz sobre os Princípios da Educação para global baseada nos direitos humanos para os Direitos Humanos e para a Seguran- todos é um requerimento indispensável ça Humana. esforços. a primeira Cidade de Direitos ensão genuína dos direitos humanos. consciencializa pirará ações subsequentes. hoje e no futuro. no âmbito da para a nossa base comum de proteção Década das Nações Unidas para a Educa- da dignidade e da segurança humanas. ao desen. Conflitos Armados. através de uma perspetiva sensível Segurança Humana. comunidades o seu principal ponto de re. de todos os associa- A Educação para os Direitos Humanos. bem como contribuirá e ins- mação de mentalidades. com o apoio de mais de trinta peritos interna- cionais. Pretende-se que seja por isso que. Segurança Humana. em Graz. baseada na univer- soas” – tem nos indivíduos e nas suas salidade dos direitos humanos. Áustria. uma contribuição duradoura da Rede de dente da Rede de Segurança Humana. A segurança humana requer uma compre. de modo a beneficiar a segurança nos. seu mandato. deleguei no Centro Europeu de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia (ETC). Creio que este Manual contribuirá para os rios para a Rede de Segurança Humana. Direitos Humanos. em Graz. . a criação de um Manual para Compreender os Direitos Humanos. para os Direitos Humanos.18 PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO (VERSÃO ORIGINAL) A segurança humana é “centrada nas pes. ção em Matéria de Direitos Humanos. adotada pelos Ministros da para desenvolver a segurança humana.

ção macedónia foi efetuada com o apoio manos. A edi- âmbito da educação para os direitos hu. uma equipa de Zagreb e a tradução vietnamita reali- dedicada do ETC Graz. que contribuíram para Tecnologia e da Justiça do Kosovo.etc-graz. Cultura austríaco. Suécia. participação do Centro de Direitos Huma- ramente intercultural e intergeracional. que presentemente está a ser Negócios Estrangeiros do Mali. O ETC Graz Tailândia para a tradução e publicação agradece toda a colaboração e ajuda para em tailandês. a respetiva publicação foram apoiadas elaborou a primeira edição do Manual pelo Ministério para as Minorias da Sér- “Compreender os Direitos Humanos”. com a este desafio pioneiro e inovador. a atualização das versões das várias lín- tos Europeus e Internacionais da Áustria guas tendo em conta a terceira edição em apoiou a publicação russa que foi traduzi. Ciência e movidos pelo Ministério dos Negócios Es. e elaboradas em co- trangeiros austríaco. uma tradução em dos membros da Rede de Segurança Hu.manual. em Tetovo. da pelo ODIHR/OSCE. Humanos da Universidade do Sudeste Eu- de 8 a 10 de maio de 2003. 19 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) Incumbida pelo Ministério dos Negó. no nos da Universidade de Pristina. A edição chinesa foi produzida com fundos do Instituto Raoul O Manual tem recebido uma resposta en. A recente versão educação para os direitos humanos dos albanesa do Manual foi traduzida e pu- Estados-membros da Rede de Segurança blicada pelos Ministérios da Ciência e da Humana. reuniram um amplo operação com o Centro para os Direitos número de especialistas e profissionais em Humanos de Belgrado. e Cidadania Democrática na Universidade cios Estrangeiros austríaco. aos esforços Sociais. Dois encontros de peritos. Novos desenvolvimentos bem como as rea- tigação e Formação em Direitos Humanos ções encorajadoras à primeira e segunda . pro.at. atualizada baseada na terceira edição. As traduções Direito da Academia Chinesa de Ciências devem-se. árabe foi proporcionada pela UNESCO. O Ministério dos Assun. o Ministério para a Educação. Wallenberg de Direitos Humanos e Direi- tusiástica que resultou na tradução em 15 to Humanitário. até ao momento. sob a direção de zada pelo Vietnam. língua inglesa. contradas no website do Centro Europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Formação e Investigação em Direitos do Chile para a tradução espanhola. mana. A primeira edição foi apresenta. verdadei. em Graz: http:// Ministério dos Negócios Estrangeiros da www. ropeu. e outros. em via e do Montenegro em cooperação com 2002/2003. principalmente. Finalmente. a publicação croa- ta que foi realizada pelo Centro de Inves. A tradução sérvia e Wolfgang Benedek e de Minna Nikolova. em particular do Ministério dos em Paris. e do Humanos e Democracia. do Ministério dos Negócios Estrangeiros da por ocasião da Reunião Ministerial da da Macedónia e do Instituto dos Direitos Rede para a Segurança Humana em Graz. pelo Instituto de línguas. e PDHRE Mali. da do PNUD Mali. para a Quase todas as versões podem ser en- tradução francesa e respetiva publicação. com a aju.

Editores e coordenação do projeto para a ronika Apostolovski e Sarah Kumar (ETC primeira edição: Wolfgang Benedek e Min- Graz). dek (ETC e Universidade de Graz) ção: Helmut Sax (BIM Viena) Coordenador do projeto e assistente edito- Direitos Humanos em Conflito Armado: rial para a terceira edição: Sarah Kumar Gerd Oberleitner (Universidade de Graz). (ETC Graz) primeira e segunda edição: Alexandra Gostaríamos de agradecer. Editor da terceira edição: Wolfgang Bene- mar (ETC Graz). (ETC e Universidade de Graz) Agradecimentos especiais são devidos. amigos e instituições . à rede PDHRE (People’s Movement for Hu- nebra) man Rights Education) pela sua substan- Direito ao Trabalho: Alexandra Stocker cial contribuição na elaboração da primeira (ETC Graz) edição do Manual. Kontra- DEM) e Anke Sembacher (ETC Graz) part Graz e Gerhard Kress (capa) Primado do Direito e Julgamento Justo: Ve. primeira e segunda edição: Leo na Nikolova (ETC Graz) Zwaak (SIM Utrecht) Editor da segunda edição: Wolfgang Bene- Liberdades Religiosas: Yvonne Schmidt dek (ETC e Universidade de Graz) (Universidade de Graz) Assistente editorial para a segunda edição: Direito à Educação: Wolfgang Benedek Matthias C. conselheiros. Direito à Democracia: Christian Pippan pelo seu extraordinário e dedicado traba. Direito ao Asilo: Veronika Apostolovski e dade de Graz) Sarah Kumar (ETC Graz) Proibição da Tortura: Renate Kicker (ETC Recursos Adicionais: Sarah Kumar (ETC e Universidade de Graz) e Sarah Kumar Graz) (ETC Graz) Metodologia da Educação para os Direitos Direito a Não Viver na Pobreza: Veronika Humanos: Barbara Schmiedl (ETC Graz) Apostolovski (ETC Graz). Kettemann sidade de Graz) (Universidade de Graz) e Sarah Kumar Direitos Humanos das Mulheres: Barbara (ETC Graz) Schmiedl (ETC Graz). Boivin e Antoine A. Revisão de provas: Matthias C. primeira e segunda Conceção gráfica: Markus Garger. Klaus Starl e Deva Zwitter (ETC Graz) nos: Wolfgang Benedek (ETC e Universi. primeira e segunda edi.20 AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) edições tornaram necessária uma tercei. Em particular. Introdução ao Sistema de Direitos Huma. Kettemann (Universidade de (ETC e Universidade de Graz) Graz) Direitos Humanos da Criança: Sarah Ku. mos a nossa sincera gratidão aos seguintes vski e Sarah Kumar (ETC Graz) peritos. (Universidade de Graz) lho. Atividades Selecionadas: Barbara Schmie- gunda edição: Alpa Vora e Minar Pimple dl (ETC Graz) (YUVA Mumbai) Assistentes de investigação: Kiri Flutter e Não Discriminação: Sarah Kumar e Klaus Eva Radlgruber (Voluntários no ETC Graz) Starl (ETC Graz) e Reinmar Nindler (Universidade de Graz) Direito à Saúde: Gerd Oberleitner (Univer. aos seguintes autores e colaboradores: Direitos das Minorias: Simone Philipp. Robert edição: Susana Chiarotti (PDHRE/CLA. especialmente. estende- Direito à Privacidade: Veronika Apostolo. Liberdade de Expressão e Liberdade dos ra edição revista e atualizada. Bouvier (CICV Ge. Schrotthofer e Wolfgang Gosch. primeira e se. para a qual Meios de Informação: Wolfgang Benedek contribuiu um número adicional de peritos.

a Liga Anti-Difamação – Nova Iorque. e à Agência Austríaca para Long e Barbara Bernath – Associação para o Desenvolvimento. apoio prestados. ros austríaco. valiosos comen. AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORIGINAL) 21 pelo seu contínuo apoio. . gostaríamos de agradecer ao lações Internacionais da Universidade de Departamento de Direitos Humanos do Graz. Debra Internacionais. Yan. Anton Kok – Centro de Direitos Hu. Manfred Nowak – Instituto Ludwig Boltz- tários assim como sugestões conducentes mann de Direitos Humanos (BIM) – Viena. Ministério Federal dos Negócios Estrangei- manos da Universidade de Pretória. que. Finalmente. agora denominado de Minis- nis Ktistakis – Fundação Marangopoulos tério Federal para os Assuntos Europeus e para os Direitos Humanos – Atenas. Manuela Rusz e a equipa – Genebra. do Instituto de Direito Internacional e Re. e indispensáveis à finalização do manual: Monique Prindezis – CIFEDHOP – Gene- Shulamith Koenig – PDHRE – Nova Ior. pela cooperação e a Prevenção da Tortura (APT) – Genebra. Adama Samassekou e a equipa do o Comité Internacional da Cruz Vermelha PDHRE – Mali. bra.

os seguintes minis ajudá-lo-ão: manos” foi concebido como uma ferra- menta de apoio. de Segurança Humana. adicionalmente. Se procurar uma introdução geral aos distribuídos por módulos. o Manual poderá ser um . como uma humanos na vida diária. de modos diversos. bem utilizadores. especial com temas essenciais selecionados. é nossa intenção en- O Manual consiste em quatro partes princi. proporciona componen- tes para o desenvolvimento de competên. Tal como está desenhado. Uma equi. sultar A diversidade de temas abordados tem como objetivo principal estimular a procu- ra de uma plataforma comum e a partilha Este Manual pode ser usado por diferentes de uma mesma perspetiva humana.atividades sele- fórum de debate. a quarta parte inclui concetual do livro e foi-lhe confiada a sua referências bibliográficas e informação adi- elaboração. são ativa. flexível e acessí- uma ótica culturalmente sensível.boas práticas tos culturais. con- cias e para a transformação de atitudes. enquanto estratégia para melhorar a segurança humana. referências bibliográficas suplementares pa do ETC desenvolveu o enquadramento e fontes online. no âmbito do intercâm. O Manual “Compreender os Direitos Hu. para educandos e edu- cadores.perspetivas interculturais cionada de teorias orientadas para a prática e questões controversas e. . e uma terceira. a saber. tanto por educandos. .22 COMO USAR ESTE MANUAL A ideia de um manual de educação para os a compreender o funcionamento dos direitos direitos humanos para todos. vel para o utilizador. nos seus esforços para a educação e aprendizagem de direitos humanos. Para facilitar a navegação através do texto. corajar uma leitura crítica e uma compreen- pais. em vários contex. útil.a saber de Segurança Humana e outros. para formar futuros formadores e para abrir um . sob a presidência que contém dicas metodológicas. dos países associados da Rede . O Manual apresenta uma compilação sele.questões para debate ponto de partida útil para compreender os direitos humanos e as suas violações. Estrangeiros. uma introdução geral aos fun. cionadas bio e consciencialização interculturais. como por damentos dos direitos humanos. informação austríaca. Através da como apresentar assuntos controversos de sua estrutura de módulos. de- contribuição concreta do trabalho da Rede nominada de “parte dos recursos adicionais”. que deverão ajudar conceitos e princípios básicos de direitos .para mais informações. pelo Ministério dos Negócios cional em língua portuguesa. surgiu do ETC Graz. . uma parte educadores. Por fim.

que po- derão começar a sua pesquisa pela parte dem ser descarregadas da nossa página de dos módulos “convém saber”. nhecimentos em direitos humanos. pois estes ajudar-nos-ão a me- dulos e. em todos os módu- lise mais aprofundada de direitos humanos los.at. na sua manos. curso. Também elaborámos apresentações em po- tões específicas de direitos humanos.manual. Para os que procuram exemplos de ques. E os in. portuguesa em www.uc. tou-se por contemplar apenas um número Esperamos que lhe agrade a leitura e não selecionado de temas essenciais. e o incessante fascínio dos direitos hu- Com este propósito. Os mesmos materiais podem teressados em investigar e ensinar direitos ser encontrados traduzidos para língua humanos. ter em conside.html. continuamente. uma secção para rece- . poderão consultar diretamente a Agradecemos o envio de sugestões e co- parte “atividades selecionadas” dos mó. deliberadamente.fd. através de metodologias educa. poderá começar pela primeira ber comentários e sugestões e onde estão parte do Manual que contém a introdução. oriundos de contextos cultu- Pretende-se que este Manual seja uma rais diversos e com níveis diferentes de co- narrativa aberta e. hesite em contribuir para este projeto em ríamos de o encorajar a. página de internet. po. para todos os módulos. podem ser encontra- uma exploração mais sistemática e de aná. o ETC criou. mentários. COMO USAR ESTE MANUAL 23 humanos. tanto a jovens. questões e experiências do seu nidade e encorajando mais pessoas a ler próprio contexto local e agradecemos os e a compreender a atualidade vibrante seus comentários. disponíveis as versões nas várias línguas. lhorar o Manual de acordo com o objetivo ração as notas gerais sobre a metodologia de ser útil aos educandos. com as preocupações da sua comu- histórias. adicionalmente. dos recursos adicionais. como a index.etc-graz. adultos.pt/igc/manual/ tivas inovadoras. poderá começar com a parte em http://www. gua inglesa. formadores. Gosta. Se procura internet. Além disso. em lín- “a saber” dos diferentes módulos. com materiais didáticos e atualizações específicos. op. com as suas boas e melhores prá- complementar o Manual com exemplos e ticas. werpoint. educadores e da educação para os direitos humanos.

Comissão Europeia contra o Racis- Nations (Associação das Nações do Sudes. Suas Famílias ções Unidas sobre os Direitos da Criança CLADEM – Comité Latino-Americano e do .Carta Europeia das Línguas Re- Judicial) gionais e Minoritárias APT – Associação para a Prevenção da CEM – Comissão para o Estatuto da Mu- Tortura lher ASEAN – Association of Southeast Asian CERI . Viena. Desumanos ou Degradantes balhadores Migrantes e dos Membros das CDC – Convenção da Organização das Na.Convenção sobre os Direitos das Unidas para os Refugiados Pessoas com Deficiência ACP – Estados de África.24 LISTA DE ABREVIATURAS ACMN – Alto Comissário para as Minorias CDESC – Comité de Direitos Económicos.Comissão Interamericana sobre as de Direitos Humanos.Conferência Internacional sobre Po- nha Roupas Limpas) pulação e Desenvolvimento CCT – Convenção das Nações Unidas con. Nacionais (OSCE) Sociais e Culturais ACNUDH – Alto Comissariado das Nações CDH – Conselho de Direitos Humanos Unidas para os Direitos Humanos CdE – Conselho da Europa ACNUR – Alto Comissariado das Nações CDPD .A. CIPD . mo e a Intolerância te Asiático) C. CIPTM – Convenção Internacional sobre tra a Tortura e Outras Penas ou Tratamen. das Caraíbas e CEDH – Convenção Europeia para a Prote- do Pacífico ção dos Direitos Humanos e das Liberda- ADF – Agência dos Direitos Fundamentais des Fundamentais da União Europeia CEDM – Convenção sobre a Eliminação de AGNU – Assembleia-Geral das Nações Unidas Todas as Formas de Discriminação contra AI – Amnistia Internacional as Mulheres AMM – Associação Médica Mundial CEDR – Comité para a Eliminação da Dis- APJRF – Asia Pacific Judicial Reform Forum criminação Racial (Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma CELRM . a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- tos Cruéis. melha nião/Encontro Asiática/o-Europeia/eu) CIEDR – Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discri- BIM – Ludwig Boltzmann Institute of Hu. Áustria) Mulheres CINAT – Coalition of International Non- CADHP – Comissão Africana dos Direitos Governmental Organizations Against Tor- Humanos e dos Povos ture (Coligação de ONG Internacionais CC – Comissões de Cidadãos contra Tortura) CCC – Clean Clothes Campaign (Campa.I. minação Racial man Rights (Instituto Ludwig Boltzmann CIM . – US Central Intelligence Agency ASEF – Asia-Europe Foundation (Fundação (Agência Central de Informação dos EUA) Ásia-Europa) CICV – Comité Internacional da Cruz Ver- ASEM – Asia and Europe Meeting (Reu.

LISTA DE ABREVIATURAS 25 Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher FARE – Football Against Racism in Europe CMSI – Cimeira Mundial sobre Sociedade Network (Rede de Futebol contra o Racis- da Informação mo na Europa) CNU – Carta das Nações Unidas FDC – Freedom from Debt Coalition (Coli- CNUMAD – Conferência das Nações Unidas gação Contra o Endividamento) sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento FLO – Fairtrade Labelling Organizations CPDF – Convenção Internacional para a International (Organizações para a Etique- Proteção de Todas as Pessoas Contra os tagem do Comércio Justo) Desaparecimentos Forçados FMI – Fundo Monetário Internacional CPLP – Comunidade dos Países de Língua FUEN – Federalist Union of European Na- Portuguesa tional Minorities (União Federalista das CPT . Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Eletrónica) de Direito da Universidade de Coimbra ERRC – European Roma Rights Centre (Cen. Serviços ção das Minorias Nacionais GC – Global Compact CSCE – Conferência sobre a Segurança e a GDM – Grupo Internacional de Direitos Cooperação na Europa das Minorias (Minority Rights Group Inter- national) DDPA – Declaração de Durban e Programa GELMD – Gabinete Europeu para Línguas de Ação Menos Divulgadas (European Bureau for DH – Direitos Humanos Lesser Used Languages) DIH – Direito Internacional Humanitário DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos HREA – Human Rights Education Associ- DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis ates (Associados para a Educação para os Direitos Humanos) EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) ICG – International Crisis Group (Grupo ECOSOC – Conselho Económico e Social para a Prevenção e Resolução de Conflitos) EDH – Educação para os Direitos Huma. IHF – International Helsinki Federation tro Europeu para os Direitos dos Roma) (Federação Internacional Helsinki para os ET – Empresas Transnacionais Direitos Humanos) ETC – European Training and Research Cen- tre for Human Rights and Democracy (Cen. Graz. Áustria) MT – Medicina Tradicional EUA – Estados Unidas da América MGF – Mutilação Genital Feminina .Comité Europeu para a Prevenção Minorias Nacionais Europeias) da Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes GATS – Acordo Geral sobre o Comércio de CQMN . ICSW – International Council on Social nos (Human Rights Education) Welfare (Conselho Internacional de Bem- EFA – Education for All (Programa “Educa.Convenção Quadro para a Prote. IGC/CDH – Ius Gentium Conimbrigae/ tre (Centro de Informação sobre Privacida. LAD – Liga Anti-Difamação tro de Formação e Investigação em Direitos Humanos e Democracia. -Estar Social) ção para Todos”) IDH – Índice de Desenvolvimento Humano EPIC – Electronic Privacy Information Cen.

Relacionados com o Comércio) reitos Económicos. UNAIDS – Joint United Nations Program mento Humano do Programa das Nações on HIV/AIDS (Programa das Nações Uni- Unidas para o Desenvolvimento das para o Combate ao VIH/SIDA) . SEEMO – South East Europe Media Organi- balho sation (Organização dos Meios de Comu- OMC – Organização Mundial do Comércio nicação do Sudeste Europeu) OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não Governamental TASO – The AIDS Support Organisation ONU – Organização das Nações Unidas (Organização de Apoio contra a SIDA) OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde TEDH – Tribunal Europeu dos Direitos Hu- OSCE – Organização para a Segurança e manos Cooperação na Europa TIDH – Tribunal Interamericano de Direi- OUA – Organização da Unidade Africana tos Humanos TJUE – Tribunal de Justiça da União Eu- PAE – Programas de Ajustamento Estrutu- ropeia ral do Banco Mundial TPI – Tribunal Penal Internacional PDHRE – People’s Decade/Movement for Hu- man Rights Education (Década/Movimento TPIAJ – Tribunal Penal Internacional para pela Educação para os Direitos Humanos) a Antiga Jugoslávia PI – Privacy International (Privacidade In. UA – União Africana minação do Trabalho Infantil UE – União Europeia PNUD – Programa das Nações Unidas para UEFA – Union of European Football Asso- o Desenvolvimento ciations (União das Associações Europeias de Futebol) Res. – Resolução UIP – União Interparlamentar RDH-PNUD – Relatório do Desenvolvi. gional Cooperation (Associação Sul-Asiáti- mocráticas e Direitos Humanos ca para a Cooperação Regional) ODM – Objetivos de Desenvolvimento do SARS – Severe Acute Respiratory Syndrom Milénio (Sindrome Respiratória Aguda Grave) OEA – Organização dos Estados Americanos SEAE – Serviço Europeu para a Ação Ex- OERX – Observatório Europeu do Racismo terna e da Xenofobia SPT – Sub-Comité para a Prevenção da OIG – Organização Intergovernamental Tortura OIT – Organização Internacional do Tra. TPIR – Tribunal Penal Internacional para ternacional) o Ruanda PIB – Produto Interno Bruto TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectu- PIDCP – Pacto Internacional sobre os Di.26 LISTA DE ABREVIATURAS OCDE – Organização para a Cooperação e RPU – Revisão Periódica Universal Desenvolvimento Económico RSH – Rede de Segurança Humana OCI – Organização da Conferência/Coo- peração Islâmica SAARC – South Asian Association for Re- ODIHR – Escritório para as Instituições De. Sociais e Culturais PIETI – Programa Internacional para a Eli. al Property Rights (Acordo sobre os Aspe- reitos Civis e Políticos tos dos Direitos da Propriedade Intelectual PIDESC – Pacto Internacional sobre os Di.

Ciência e Cultura Humana/Síndrome de Imunodeficiência UN-HABITAT – United Nations Human Set. LISTA DE ABREVIATURAS 27 UNESCO – Organização das Nações Uni. Adquirida tlements Programme (Programa das Nações VoIP – Voice over Internet Protocol (Voz so- Unidas para os Assentamentos Humanos) bre o Protocolo de Internet) UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância ZFE – Zonas Francas Industriais de Expor- UNIFEM – Fundo de Desenvolvimento das tação Nações Unidas para a Mulher . VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência das para a Educação.

Proibição da Tortura 87 reitos Humanos 572 B. Direitos Humanos da Criança 303 J. Glossário 578 C. Direito à Saúde 165 IV. Direito à Educação 275 GUA PORTUGUESA 3 I. Direito ao Asilo 501 PREFÁCIOS (VERSÃO ORIGINAL) 14 III. O. Liberdades Religiosas 251 ÍNDICE REMISSIVO 643 . Declaração Universal dos Direitos II. Declaração Universal dos Direitos DIREITOS HUMANOS 43 Humanos 566 F. Direitos Humanos das Mulheres 191 CAS E INFORMAÇÃO ADICIO- F. Direitos das Minorias 467 TUGUESA 12 P. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES Humanos (Sumário) 570 SELECIONADAS DE DIREITOS G. Bibliografia Sugerida sobre Direi- tos Humanos 543 LISTA DE ABREVIATURAS 24 D. Declaração das Nações Unidas so- HUMANOS 85 bre Educação e Formação em Di- A. Direitos Humanos em Conflito Ar- AGRADECIMENTOS DA VERSÃO EM mado 329 LÍNGUA PORTUGUESA 7 K.28 ÍNDICE GERAL PREFÁCIOS DA VERSÃO EM LÍN. H. Metodologia da Educação para os AGRADECIMENTOS (VERSÃO ORI. Liberdade de Expressão e Liberda- de dos Meios de Informação 413 NOTAS DE TRADUÇÃO E ADAPTA. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI- E. Direito a Não Viver na Pobreza 111 H. N. Primado do Direito e Julgamento NAL EM LÍNGUA PORTUGUESA 587 Justo 223 G. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE E. Direito ao Trabalho 353 L. Antirracismo e Não Discriminação 135 D. Direitos Humanos 522 GINAL) 19 B. RECURSOS ADICIONAIS 521 A. Direito à Democracia 439 ÇÃO DA VERSÃO EM LÍNGUA POR. Direito à Privacidade 385 NOTAS BIOGRÁFICAS 8 M. A Luta Global e Contínua pelos Direitos Humanos – Cronologia 535 COMO USAR ESTE MANUAL 22 C. Recursos sobre a Educação para os Direitos Humanos 550 I.

Jurisdição Universal e o Proble- Lista de Abreviaturas 24 ma da Impunidade 73 Índice Geral 28 J. O Sistema de Direitos Notas de Tradução e Adaptação da Humanos da Organização para a Versão em Língua Portuguesa 12 Segurança e Cooperação na Euro- Prefácio da Terceira Edição (Versão pa (OSCE) – 3. . A Política de Direi- Original) 14 tos Humanos da União Europeia Prefácio da Segunda Edição (Versão – II. Europa – Instrumentos Euro. Compreender os Direitos Hu- manos 44 II. al-Qadasi” Nível Universal 56 A Saber: 89 F. Desafios e Oportunidades Glo- I. 29 ÍNDICE DESENVOLVIDO Prefácios da Versão em Língua Portu. Iniciativas de Direitos Humanos Prefácio de Shulamith Koenig 39 nas Cidades 75 L. Conceito e Natureza dos Direitos Histórias Ilustrativas: 88 Humanos 53 “O Interrogatório do Sr. Selmouni” E.Como é Cometida a Tortura? I. Padrões de Direitos Humanos a – “O Testemunho do Sr.Instituições e Órgãos Euro- Agradecimentos da Versão em Língua peus de Direitos Humanos – b. O Portuguesa 7 Tribunal Europeu dos Direitos Hu- Notas Biográficas 8 manos – 2. Direitos Humanos e a Sociedade Humana . Direitos Humanos e Segurança SELECIONADAS DE DIREITOS Humana 47 HUMANOS 85 C. História e Filosofia dos Direitos Humanos 51 A.2. O razão é a tortura praticada? . Definição e Desen- Civil 62 volvimento da Questão – O que H. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES B. Um Mundo Sem Tortura – Proi- Universais de Direitos Humanos 59 bição da Tortura e Segurança G. Sistemas Regionais de Proteção e é a tortura? . Conselho da Europa – a. Referências Bibliográficas e In- formação Adicional 80 A. Implementação dos Instrumentos 1. PROIBIÇÃO DA TORTURA 87 D. Outras Agradecimentos (Versão Original) 19 Regiões Como usar este Manual 22 I. Jurisdição Penal Internacional 74 Índice Desenvolvido 29 K.Ví- Sistema de Direitos Humanos do timas e Perpetradores de Tortura . Américas – O Sistema Inte- Original) 16 ramericano de Direitos Humanos Prefácio da Primeira Edição (Versão – III.Motivos para a Tortura – Por que peus de Direitos Humanos – 1.Métodos de Tortu- Promoção de Direitos Humanos 64 ra . África – O Sistema Africano Original) 18 de Direitos Humanos – IV. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE bais para os Direitos Humanos 78 DIREITOS HUMANOS 43 M. Visão guesa 3 geral .

Atividades Selecionadas: 129 3. – O Programa Alimentar Mundial vidades das Organizações Não das Nações Unidas – 2. Tendên- Governamentais (ONG) – A Am.Antisse- breza .Definir o Ação – Perpetradores de Discri- Conceito de Pobreza . Definição e Desen.Po- gradantes . – Desenvolvimento e Erradicação vel Nacional .Xenofobia – Fenómenos .Dimensões minação – Estados ou Indivíduos da Pobreza .O Conselho Con. da Pobreza sultivo Austríaco para os Direitos Convém Saber: 123 Humanos – Atividades a Nível 1. Prevenção da Tortura (APT) .Os Pobres são Internacional . Cronologia digo de Ética – 2. Perspetivas Intercultu. Perspetivas Inter.3. Boas Práticas – Atividades a Ní. Sem Fome – Justiça Económica dato e Atividades . Referências Bibliográficas e In- Atividade II: Uma Campanha con. mitismo . formação Adicional 132 tra a Tortura C. – Acordo de Cotonu . Cronologia Atividade I: O Mundo numa Aldeia Atividades Selecionadas: 105 .3. Man.Rede Eu- ropeu para a Prevenção da Tortura ropeia Anti-Pobreza – Conselho e Penas ou Tratamentos Desuma.4. nio das Nações Unidas – Órgãos tativo à Convenção das Nações dos Tratados Encarregados de Unidas contra a Tortura Monitorizar a Pobreza – Relatores Convém Saber: 98 Especiais e Peritos Independentes 1. Boas Práticas .30 ÍNDICE DESENVOLVIDO e Tratamentos Desumanos ou De. Objetivos de Desenvolvimento do ma de 12 Pontos para a Prevenção Milénio – Estarão os países no tri- da Tortura – A Associação para a lho? .Ati. MINAÇÃO 135 formação Adicional 108 História Ilustrativa: 136 B.Protocolo Facul. rais e Questões Controversas . Implementa- – 4. 1. “Recomendação do Comité para a BREZA 111 Eliminação da Discriminação Racial” História Ilustrativa: 112 A Saber: 137 “Morrer de fome em terra de abun.Grupos Vulneráveis – A Discriminação Racial – Racis- à Pobreza – Por que Persiste a Po. Humana . ANTIRRACISMO E NÃO DISCRI- Referências Bibliográficas e In.Có.Progra. Tendências . Internacional de Bem-Estar Social nos ou Degradantes (CPT) .2.O Relator Especial Financiáveis – Direito a Viver sobre a Tortura: Objetivos.3. breza Relativa e Pobreza Absoluta culturais e Questões Controversas . Implementação e Monitoriza.Atividade II: Campanha de Ação Atividade I: Torturar Terroristas? . cias – Progresso relativamente aos nistia Internacional (AI) .2. Introdução – Pobreza e Seguran. mo – Violência Racial . DIREITO A NÃO VIVER NA PO. Definição e Desenvol- ça Humana .Iniciativa Europa 2020 .O Comité Eu. ção e Monitorização – Os Objeti- ção – Comité das Nações Unidas vos de Desenvolvimento do Milé- contra a Tortura .Exclusão Social . vimento da Questão – Atitude ou volvimento da Questão . Não Discriminação – a Luta In- dância” terminável e Contínua pela Igual- A Saber: 113 dade – Discriminação e Segurança 1.

Relator Especial sobre Formas rais e Questões Controversas – Medi- Contemporâneas de Racismo. de e Qualidade – Não Discriminação culturais e Questões Controversas – O Direito de Beneficiar do Pro- . e Monitorização . senvolvimento da Saúde – 3. cina Tradicional . Xenofobia Feminina (MGF) .Respeitar.2. Integrar Direitos Humanos e De- bol – 2. Tendências – A Relação en.4.3. Tendências – Estratégias para Racismo na Liga Europeia de Fute. Memórias .O VIH/SIDA . Mental e Social .Comissões de Cidadãos Que é que NÓS Podemos Fazer? e Políticas de Saúde Pública – O Ju- Convém Saber: 153 ramento de Malicounda – Livros de 1. Esta- tre Pobreza e Racismo/Xenofobia – tísticas .4. Implementação e Intolerância Relacionada – De.Ativida- Atividade I: Todos os Seres Huma. Perspetivas Inter. Direitos Humanos das Mulheres Contexto Mais Alargado – Saúde e – Género e o Equívoco Generali- Segurança Humana . Aceitabilida- Preconceito . Mulheres – 2. Implementação e Monitoriza. Perspetivas Intercultu- .Atenção aos membros duta Voluntários no Setor Privado mais vulneráveis da sociedade .Comité para a Eliminação Direito Humano à Saúde – Saúde e da Discriminação Racial (CEDR) Ambiente – 3. Cronologia Racismo na Internet – Islamofobia: Atividades Selecionadas: 184 Repercussões do 11 de setembro de Atividade I: Visualização de um 2001 . O Direito Humano à Saúde num 1.3. Proteger claração de Durban e o Programa e Implementar o Direito Humano à de Ação (DDPA) – Instrumentos Saúde – Limitações ao Direito Hu- Regionais de Direitos Humanos – mano à Saúde – Mecanismos de Discriminação entre Atores Não Monitorização Estatais – Programas de Educação Convém Saber: 177 e Formação – O Papel Fundamen.” A Saber: 168 A Saber: 193 1.Atividade II: Referências Bibliográficas e In- Óculos Culturais formação Adicional 187 Referências Bibliográficas e In. DIREITO À SAÚDE 165 História Ilustrativa 192 História Ilustrativa: 166 “Um Caso da Vida Real: A Histó- “A história de Maryam” ria de Selvi T. gresso Científico – Globalização e o ção .A – Cláusulas Autodiscriminação em Declaração de Montreal sobre a Contratos Públicos de Aquisição – Deficiência Intelectual – Síndrome Coligação Internacional de Cidades Respiratória Aguda Grave (SARS) Contra o Racismo – Combater o – 2. Boas Práticas – Códigos de Con. ÍNDICE DESENVOLVIDO 31 Relacionados: A Intolerância e o lidade. E. Definição e zado dos Direitos Humanos das Desenvolvimento da Questão – Saú.Mutilação Genital Discriminação Racial. Acessibilidade. Boas Práticas – Prevenção do tal dos Meios de Informação . Mulheres – Segurança Humana e de e Direitos Humanos – Disponibi. de II: Acesso a Medicamentos nos Nascem Iguais . DIREITOS HUMANOS DAS MU- formação Adicional 160 LHERES 191 D. Cronologia Estado de Completo Bem-Estar Atividades Selecionadas: 157 Físico. Definição e Desenvol- .4. 1.

PRIMADO DO DIREITO E JUL.A Plataforma quada e Direito a Estar Presente de Ação de Pequim – Mulheres no Julgamento – Direito a Obter e Pobreza – Mulheres e Saúde – a Comparência e a Interrogar ou Mulheres e Violência – Mulheres Fazer Interrogar as Testemunhas e Conflitos Armados – Mulheres – Direito à Assistência Gratuita de e Recursos Naturais – A Menina – um Intérprete – Acesso a Mecanis- 3. 1.A Fórmula de Rad- Convém Saber: 211 bruch .Padrões Mínimos dos Direitos Visita de Solidariedade” . Eficazes . Boas Práticas – Escritório para senvolvimento do Milénio (ODM) as Instituições Democráticas e – Unidos para a Eliminação da Vio.Convenção sobre te a Lei e perante os Tribunais – a Eliminação de Todas as Formas Independência e Imparcialidade de Discriminação Contra as Mulhe. ções Especiais para Crianças e Jo- manos numa Perspetiva de Gé. Perspetivas Interculturais e Ques.Direito à Caução – Disposi- 1. dos Acusados – Igualdade peran- petiva Histórica . mentação e Monitorização tos das Mulheres e das Meninas Convém Saber: 239 .Objetivos de De. Pode Defender Essas Pessoas?” reito – Desenvolvimento Histórico Referências Bibliográficas e In- do Primado do Direito – Primado formação Adicional 247 do Direito.32 ÍNDICE DESENVOLVIDO vimento da Questão – Uma Retros.O Princípio “Nulla Poena ção e Monitorização Sine Lege” .Fortalecimento da In- – ONU Mulheres – 3. Perspetivas Interculturais das Mulheres – O Apoio dos Meios e Questões Controversas . Introdução . Cronologia dependência do Poder Judicial e Atividades Selecionadas: 216 Respeito pelo Direito a um Julga- Atividade I: Parafraseando a CEDM . Tendências: Tribunais Interna- formação Adicional 219 cionais .3. 2.O Primado do Di. .Atividade II: “Como 1. Imple- de Informação Digitais aos Direi. Tendências . vens – Execuções de Jovens desde nero – Formação para os Direitos 1990 . mento Justo . de Direitos Humanos (ODIHR) lência contra as Mulheres (UNiTE) – OSCE . G. – Audiência Pública – Direito à res (CEDM) . mos de Proteção Judiciais Justos e tões Controversas – 4.3. Atividades Selecionadas: 243 gamento de uma Ativista” Atividade I: “Ser Ouvido ou Não A Saber: 225 Ser Ouvido?” . Cronologia “Turquia: Farsa de Justiça no Jul.(R)Estabelecer o Primado do Di- GAMENTO JUSTO 223 reito em Sociedades Pós-Conflito História Ilustrativa: 224 e Pós-Crise . Boas Práticas . Implementa.4. Definição História Ilustrativa: 252 e Desenvolvimento da Questão “Egito: Ativistas Livres Detidos em .Mediação e Arbitragem F.Fórum da Ásia-Pa- Atividade II: O Caminho para a Igualia cífico para a Reforma Judicial Referências Bibliográficas e In. Julgamento Justo e Se.2. LIBERDADES RELIGIOSAS 251 gurança Humana – 2.Protocolo Opcional à Presunção da Inocência – Direito Convenção sobre a Eliminação de a Ser Julgado sem Demora Exces- Todas as Formas de Discriminação siva – Direito a uma Defesa Ade- Contra as Mulheres .Os Direitos Hu.

Definição e Desen. 2. teúdo do Direito à Educação e Obri- berdades Religiosas e Segurança gações do Estado – Padrões a Atingir Humana – 2.Ativi- ligião .3.Grupos Desfavorecidos to de Divulgação da Fé – Incitação e o Acesso ao Direito à Educação – ao Ódio por Motivos Religiosos e Os Direitos Humanos nas Escolas – Liberdade de Expressão – Objeção 4. A Luta para Proteger os Direitos 1. Liberdades Religiosas: Ainda um Desenvolvimento da Questão – Con- Longo Caminho a Percorrer – Li. – Disponibilidade – Acessibilidade volvimento da Questão – O Que é – Aceitabilidade – Adaptabilidade – a Religião? – O Que É a Fé? – O que 3. formação Adicional 298 Atividade II: A Fé do Meu Vizinho I.Comercializa- ligioso – “Religiões para a Paz” ção da Educação – O Progresso na através da Educação – 2. Implementação e Monitorização de Consciência ao Serviço Militar – – Comité dos Direitos Económicos. cação para Todos . Educação para Todos: Resultados cias – Cultos. Perspetivas Interculturais e Ques- São as Liberdades Religiosas? – Pa. Definição e 1. 2. DIREITOS HUMANOS DA e a Minha CRIANÇA 303 Referências Bibliográficas e In. ção .Problemas de Medidas de Prevenção e Estratégias Implementação Futuras – O Que Podemos Fazer? Convém Saber: 291 Convém Saber: 262 1. Perspetivas to à Educação e os Direitos na Educa- Interculturais e Questões Controver. Definição e Desenvolvimento da .“Trabalho Infantil” “A história de Maya” A Saber: 306 A Saber: 277 1. Minoritárias . 4. Boas Práticas. tões Controversas – O Exemplo do drões Internacionais – O Princípio Uganda – A Década das Nações Uni- da Não Discriminação – Educação das para a Alfabetização (2003-2012) – Manifestar a Fé – Limitações às Li. Implementação e Monitorização – Sociais e Culturais .Convenção Quadro para a Pro- sas – Estado e Fé – Apostasia – A teção das Minorias Nacionais .Edu- religioso para o Pluralismo Re.Carta Liberdade de Escolha e Mudança Europeia das Línguas Regionais ou de Religião – Proselitismo – O Direi. Ambíguos .3. DIREITO À EDUCAÇÃO 275 ças” – “Crianças Afetadas por Con- História Ilustrativa: 276 flitos Armados”.Porquê um Direito da Criança – Direitos da Criança e Humano à Educação? – Educação Segurança Humana/da Criança – e Segurança Humana – Desenvol. Histórias Ilustrativas: 304 formação Adicional 270 “Castigos Corporais sobre Crian- H. Quadro de Ação de Dakar . – Conferência Mundial sobre o Direi- berdades Religiosas – 3. vel? Aceitável? Adaptável? . ÍNDICE DESENVOLVIDO 33 A Saber: 252 vimento Histórico – 2. Cronologia dade II: Educação para Todos? Atividades Selecionadas: 267 Referências Bibliográficas e In- Atividade I: Palavras que Ferem . Tendências – O 1. Introdução . Boas Práticas – Diálogo Inter. Seitas e Novos Mo. Cronologia vimentos Religiosos – Mulheres Atividades Selecionadas: 296 e Fé – Extremismo Religioso e os Atividade I: Disponível? Acessí- seus Impactos – Difamação da Re. Tendên.

Imple.DIH en- pação. ros – Restabelecimento dos Laços tos da Criança – Acabar com a Vio.Atividade II: Conflitos Armados com base nos Mesa Redonda de Ação para Re. na – As Origens do DIH .3. diais relativos a 2010) . Perspetivas Inter- Criança? . de Minas Terrestres Antipessoais FLITO ARMADO 329 e de Munições de Fragmentação – História Ilustrativa: 330 Assistência do CICV (dados mun- “Outrora um Rei Guerreiro: Memó.Resumindo: Porquê Utilizar uma Respeitar o Direito Internacional Abordagem Assente nos Direitos da Humanitário? 3. quanto Direito Internacional – DIH nero – Uma Perspetiva Holística da e Direitos Humanos – Quando é Criança – A Relação Criança/Pais/Es. Cronologia Movimento da Cruz Vermelha e Atividades Selecionadas: 323 do Crescente Vermelho . Perspetivas Interculturais culturais e Questões Controversas e Questões Controversas – 4. Defini- tado – Não Discriminação da Crian. – A Importância da Sensibilização mentação e Monitorização – Comité Cultural – Perspetivas Conflituan- dos Direitos da Criança – Protocolo tes Quanto à Aplicação do DIH - Facultativo à Convenção sobre os Di. que o DIH é aplicável? .3. 4. Não Estatais por Região: 2002- formação Adicional 325 2008 – Terrorismo .2. DIREITOS HUMANOS EM CON. Aspetos Geracionais e de Gé. Crono- rias de um Militar no Vietname” logia – Principais Instrumentos de . Até as Guerras têm Limites – ças – Conceitos Principais Presentes Direito Internacional Humanitário na Convenção sobre os Direitos da (DIH) – DIH e Segurança Huma- Criança: Empoderamento e Emanci. 1.2. Boas Práticas – “Juntando Pes.3. Boas Práticas – Proteção Nacional da CDC . Implementação e Monitorização reitos da Criança relativo a um Proce. ção e Desenvolvimento dos Direitos ça – O Interesse Superior da Criança Protegidos – Quais são as Regras – A Definição de “Criança” segundo Básicas do DIH nos Conflitos Ar- a CDC – Os Direitos da Convenção: mados? – O Que é Que o DIH Pro- Participação – Proteção – Sustento tege e Como o Faz? – Quem Tem de .2. Convém Saber: 338 soas” – “Relatórios Sombra” Não Movimento Internacional da Cruz Governamentais e “Coligações Vermelha e do Crescente Verme- Nacionais” para a Implementação lho . Tendências do Emblema – Princípios de Fun- – Factos e Números – Informação cionamento da Ação Humanitária Estatística sobre os Direitos da – Os Princípios Fundamentais do Criança .A Abolição J.1.Grupo de ONG de Civis – Proteger os Prisionei- para a Convenção sobre os Direi. Estados por Tipo: 1946-2008 - duzir o Trabalho Infantil Tendências em Conflitos Armados Referências Bibliográficas e In. Familiares – Uma Palavra acerca lência nas Escolas . dências – Tendências relativas a des das Crianças . – Medidas Preventivas – Medidas dimento de Comunicação de Monitorização do Cumprimen- Convém Saber: 316 to – Medidas Repressivas 1. Ten- Atividade I: Direitos e Necessida.34 ÍNDICE DESENVOLVIDO Questão – A Natureza e o Conteúdo A Saber: 330 dos Direitos Humanos das Crian.

“Revelação de Dados Pessoais de- culo XXI – Trabalho e Segurança vido a Medidas de Segurança Ina- Humana – Uma Retrospetiva His. clínio dos Sindicatos – Crescente cionados Mobilidade Internacional: Traba- Atividades Selecionadas: 346 lhadores Migrantes – Desemprego Atividade I: Porquê Respeitar o dos Jovens – VIH/SIDA e o Mun- DIH? . rorismo – Convenções Regionais e triais de Exportação (ZFE) . tificação Centralizados . e Monitorização – A Organização lativos ao Trabalho e aos Direitos das Nações Unidas – O Comité Humanos – Iniciativas com Vários dos Direitos Humanos – O Rela- Intervenientes – Etiquetagem de tor Especial das Nações Unidas Artigos . ÍNDICE DESENVOLVIDO 35 DIH e Outros Instrumentos Rela. Introdução – Desenvolvimento Internacional do Trabalho (OIT) – histórico do Direito à Privacidade As Mais Importantes Convenções – Privacidade e Segurança Huma- da OIT . Implementa. Direito à Privacidade – Grupos Es- reitos Civis e Políticos (PIDCP) – O pecialmente Vulneráveis – 3.Atividade II: Ética da Ação do do Trabalho . Boas Práticas . dequadas” tórica – 2. A Saber: 386 mento da Questão – A Organização 1. DIREITO À PRIVACIDADE 385 A Saber: 355 História Ilustrativa: 386 1.Circula- ção e Monitorização ção de Listas de Vigilância – Reco- Convém Saber: 368 lha de Dados em Bases de Dados 1. Órgãos de Monitorização .Atividade II: “Vestido K. Ten. Fundamentais no Combate ao Ter- dências – Zonas Francas Indus. Interrogar e ção . Cronologia Humanitária Atividades Selecionadas: 377 Referências Bibliográficas e In. Atividade I: O seu Bebé ou o seu formação Adicional 351 Trabalho! . Sociais e Cultu. Ampliados para Parar. Definição e Desenvolvi- dos Direitos Humanos (DUDH) – mento da Questão – Conteúdo do O Pacto Internacional sobre os Di. petivas Interculturais e Questões tos Económicos.3. e os Perigos dos Sistemas de Iden- bola: O Pescador – 4. O Mundo do Trabalho no Sé.A Declaração Universal na – 2. grafia Infantil – 4. Pers- Pacto Internacional sobre os Direi.Fairtrade Labelling Orga. Centralizadas – Privacidade na In- ternacional para a Eliminação do ternet – as Redes Sociais – Porno- Trabalho Infantil (PIETI) – Códi. DIREITO AO TRABALHO 353 Justamente”? História Ilustrativa: 354 Referências Bibliográficas e In- “Horríveis Condições de Trabalho em formação Adicional 381 ‘Zonas Francas’” L. Implementação gos de Conduta nas Empresas re. para a Promoção e Proteção dos nizations International (FLO) – O Direitos Humanos e Liberdades Global Compact da ONU – 2. Perspetivas Interculturais e Inspecionar – O Uso da Biometria Questões Controversas – Uma Pará.Programa In. Definição e Desenvolvi.De. Controversas – A Erosão do Direito rais (PIDESC) – Direitos relativos à Privacidade Devido a Políticas de à Igualdade de Tratamento e à Não Combate ao Terrorismo – Poderes Discriminação – Níveis de Obriga.3.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO E Referências Bibliográficas e In- DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO 413 formação Adicional 434 Histórias Ilustrativas: 414 N. Liber. DIREITO À DEMOCRACIA 439 “Só o Silêncio vos Protegerá.Mais alguns pontos mas Regionais de Monitorização . 1. A de Expressão e a Internet – 3. Ameaças e Riscos – Restrições acerca dos “Valores Asiáticos” – O Legítimas a este Direito – 3. em inglês) . Perspetivas Inter- – Centro de Informações sobre culturais – 5.Escritório para as e Proteção do Direito à Liberdade Instituições Democráticas e Direi- de Opinião e de Expressão . e como se Desenvolveu? – Ele- sente – Segurança Humana. Desafio da Democracia no Mundo mentação e Monitorização – Siste.3. são/Informação tória de Marianne K. Mu. mentos Principais da Democracia dade de Expressão e dos Meios de Moderna – Teorias de Democracia Informação – Antigos e Novos De. Boas Práticas – 6. Cro. Croata Drago Hedl” Definição e Desenvolvimento da A Saber: 415 Questão – O que é a Democracia 1. Implementação e Relator Especial sobre a Promoção Monitorização . Muçulmano . Propaganda de Guerra e Apologia ração Conjunta sobre a Liberdade do Ódio – 5. pois de a Luta ter Terminado” pressão ter Piorado no Egito” – “A A Saber: 441 SEEMO Condena as Novas Amea.2. Meios de Infor- gilância. Relevância no Passado e no Pre. Atividade I: Que chapéu usa? - formação Adicional 409 Atividade II: O Impacto da Internet M.Org Outras ONG – 4. pelo facto de Uma Revolução é Forjado de- de a Situação da Liberdade de Ex. – Formas de Democracia – For- safios – 2. “Transição Democrática: O Legado cional Apelou à Reação.O Papel tos Humanos (ODIHR. para reflexão – 4. Atividades Selecionadas: 432 Referências Bibliográficas e In. Conteúdo e Ameaças – mas de Democracia na Realida- Principais Elementos da Liberdade de . Questões Controversas – O Debate reito. Boas Práticas – Privacy. Liber- Vista da Rua do Google – Redes dade dos Meios de Informação e Sociais – Base Nacional de Dados Desenvolvimento Económico – 4. História Ilustrativa: 440 lheres” – “A Comunidade Interna. Cronologia Privacidade Eletrónica (Electro. Democrática – 2. de ADN do Reino Unido – Decla. O Papel dos Meios de Informa- – EPIC) – Privacy International ção Livres para uma Sociedade – 2. Liberdade dos Meios de Informa- nologia ção e a Educação para os Direitos Atividades Selecionadas: 406 Humanos .7. ternet – e a Liberdade de Expres- dos Públicos – Atividade II: A His. Tendências – A In- Atividade I: Dados Privados e Da. Imple. Democracia em Alta? – Demo- ças de Morte contra o Jornalista cracia e Segurança Humana . Convém Saber: 426 nic Privacy Information Centre 1. Listas de “Não Voa” – mação e as Minorias – 3. Tendências – Listas de Vi.36 ÍNDICE DESENVOLVIDO Convém Saber: 401 das Associações Profissionais e de 1. Perspetivas Interculturais e de Expressão – Violações deste Di.

África do Sul – 2. DIREITOS DAS MINORIAS 467 demos NÓS Fazer? História Ilustrativa: 468 Convém Saber: 488 “O caso de D. Boas Práticas – No Caminho da tivas Interculturais e Questões Con- Democracia .Atividade II: Um Mina.GELMD (Eu- de “Direitos das Minorias” – Os ropean Bureau for Lesser Used Povos Indígenas e os Direitos dos Languages) – A Representação Povos Indígenas . em (OSCE) – Conselho da Europa Empresas Multinacionais e em (CdE) – União Africana (UA) – Or- Organizações Não Governamentais ganização dos Estados America- Atividades Selecionadas: 460 nos (OEA) – Povo de Saramaka: O Atividade I: Sim. Não ou algures Reconhecimento da Personalidade no meio? . Tendências – As tivos – Os Direitos das Minorias e Minorias “Antigas” e as “Novas” a Segurança Humana – Autono. Repú. Proteção das Minorias para as res do Governo: Os Princípios da “Novas” Minorias – Diversidade e Não Discriminação. ÍNDICE DESENVOLVIDO 37 . para os Direitos dos Roma (Euro- mento Histórico – 2. com o Direito ao Uso da rete na Nossa Comunidade? sua Terra – Pressão Internacional: Referências Bibliográficas e In. nia – 4. Definição e pean Roma Rights Centre . das ONG e dos formação Adicional 464 Meios de Informação – O Que Po- O. Jurídica. 1. Atividade I: Confrontação entre nos para a Proteção das Minorias Preconceitos e Discriminação – Ati- – A Declaração das Nações Unidas vidade II: Cinco Formas de Proce- Sobre os Direitos das Pessoas Per. Religiosas e Linguísticas formação Adicional 496 .União Interparlamentar (UIP) . A Luta pela Proteção dos Di.ERRC) Desenvolvimento da Questão – O – Gabinete Europeu para Línguas Conceito de “Minoria” e a Noção Menos Divulgadas . e “Novas” e o Critério de Cidada- pação Política das Mulheres – Mu. Boas Práticas – Grupo Interna- blica Checa” cional de Direitos das Minorias A Saber: 469 . Unidas – Organização para a Se- cracia – Défices Democráticos em gurança e Cooperação na Europa Organizações Internacionais. Implementação e Monito- lheres no Parlamento – Democr@ rização – Organização das Nações cia online – Globalização e Demo. Tendências – Au. o papel das OIG.2.H. – Documentos Regionais de Direi- Programa das Nações Unidas para tos Humanos para a Proteção das o Desenvolvimento (PNUD) Minorias – A Década da Inclusão Convém Saber: 454 da Comunidade Roma – 3. der com as Minorias tencentes a Minorias Nacionais ou Referências Bibliográficas e In- Étnicas. troversas – As Minorias “Antigas” mento de Democracias – Partici. e a Aplicabilidade do Sistema de mia e Autodeterminação – Deve. International) – Centro Europeu reitos das Minorias: Desenvolvi. e outros c. das Minorias no Parlamento da tuais: Direitos Individuais e Cole. Integração e Coesão – 3. Perspe- 1.GDM (Minority Rights Group 1.Desafios Conce. Cronologia Medidas Positivas – Instrumentos Atividades Selecionadas: 492 Internacionais de Direitos Huma.

38 ÍNDICE DESENVOLVIDO P. o Maior Campo ÍNDICE REMISSIVO 643 . lo – Atividade II: Prepare a Mala e giado. METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO tação Forçada – O Princípio da PARA OS DIREITOS HUMANOS 522 Não Repulsão (Non-Refoulement) B. MANOS 550 troversas – Refugiados Vítimas E. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – Emancipação dos Refugiados – E INFORMAÇÃO ADICIONAL EM 2. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SO- Vulneráveis – Alto Comissariado BRE DIREITOS HUMANOS 543 das Nações Unidas para os Refu.O Asilo e a Segurança Atividades Selecionadas: 516 Humana – 2. A LUTA GLOBAL E CONTÍNUA e Acordos de Proteção Subsidiá. Boas Práticas – Esquema de Reunificação Familiar – RefWorld IV. LÍNGUA PORTUGUESA 587 ternos – Migração Irregular pelo Mar – Dadaab. GLOSSÁRIO 578 1. Introdução – Desenvolvimento ção Justa das Responsabilidades histórico – O Asilo e os Direitos – 3. RECURSOS ADICIONAIS 521 – Expulsão e Unidade Familiar – Repatriação Voluntária e Depor. Perspetivas ÇÃO PARA OS DIREITOS HU- Interculturais e Questões Con. tal como Definido pelo Di. Fuja reito Internacional – Requerentes Referências Bibliográficas e In- de Asilo – Refugiados Prima-facie formação Adicional 518 – Alternativa da Fuga Interna – Pessoas Apátridas – Migrantes III. A. Implementação e Mo. Tendências – Deslocados In. DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES giados (ACNUR) – Instrumentos UNIDAS SOBRE EDUCAÇÃO E Regionais – O Papel do Tribunal FORMAÇÃO EM DIREITOS HU- Europeu dos Direitos Humanos MANOS 572 Convém Saber: 512 H. CRONOLOGIA 535 fugiado – Grupos Especialmente C. PELOS DIREITOS HUMANOS – ria – Exclusão do Estatuto de Re. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Asilo – 4. Refugiados e A Saber: 503 Requerentes de Asilo – Distribui- 1. RECURSOS SOBRE A EDUCA- giados (ACNUR) – 3. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS de Pobreza – Processos de Asilo DIREITOS HUMANOS 566 – Sistema Europeu Comum de F. Atividade I: Requerimento de Asi- volvimento da Questão – O Refu. G. DIREITO AO ASILO 501 de Refugiados do Mundo – O Histórias Ilustrativas: 502 Racismo e a Xenofobia em rela- “Através do Olhar dos Refugiados” ção aos Migrantes. Cronologia Humanos . D. Definição e Desen. DIREITOS HUMANOS (SUMÁ- nitorização – Alto Comissariado RIO) 570 das Nações Unidas para os Refu.

pensamento e as experiências partilhadas lística e missão prática dos direitos huma. temos todos de nos juntar vância dos direitos humanos nas nossas num compromisso para com a responsa. são impelidas para re-imaginar. nestas páginas. humana. 39 PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMA- NOS COMO UMA FORMA DE VIDA . reitos humanos e para que saiba que são tativa de uma vida livre do medo e de protegidos de forma sólida pela lei. casas. experiências e os seus conhecimentos. “O que podemos nós fazer em relação aos . mos quaisquer outras opções. agora nas suas mãos. as implicações morais e políticas dos di- das pela aspiração. pretendemos gerar. À medida que este processo te pela maioria das nações . À medida que integramos o bilidade social. a aprender a viver em dignidade com os lação dos direitos humanos. outros. poderá descobrir um quadro único e ções dos direitos humanos através das poderoso que define o caminho a ser tri. Estão a desafiá-lo para que aprenda sobre nhar e reconstruir as suas vidas motiva. 25 anos. suas normas e padrões. promissor ganha autenticidade nacional e muitos poucos de nós conhecem a rele- internacional. como forma de vida. todos relevantes lhado. criativo e positivo. tanto mulheres como homens.tem menos de dignidade. com as or- vocar o diálogo e debates que conduzam ganizações da comunidade e como parte ao pensamento crítico e à análise sisté. nova compreensão dos direitos humanos. são fundamentais para uma vir a tornar-se num agente de mudança. as suas o mundo. A prossecução des- O excelente documento educativo e abran. vidas diárias. mentor e monitor de direitos humanos. religiosa mica do futuro da humanidade que todos e cultural. esperança e expec. orientado pela visão ho. em respeito e confiança de poder tas páginas. para que as mulheres e os homens para a promoção e sustento da dignidade alcancem a justiça económica e social. interconexão e interre. pretende pro. humanos” – o movimento da caridade à tro biliões de pessoas . à qual todas as democracias se devem para que cada um de nós se torne num comprometer e em relação à qual não te. esperamos que vá emergin- nos como uma forma de vida. muitas comunidades em todo Muitos partilham.no entanto. À medida que examinamos as articula- vro. Nas páginas deste li. redese. nas nossas vizinhanças. irá juntar-se àqueles que estão A indivisibilidade. em relação do um sentido vital de responsabilidade. da nossa existência económica. em derá chamar de “primavera dos direitos que 50% da população mundial – qua. de forma a conseguir-se uma mudança Diz-se que quando perguntavam a Voltaire com significado e duradoura que se po. neste livro.UM PER- CURSO QUE TODOS TEMOS DE PERCORRER Nesta segunda década do século XXI. te escopo tem de realizar-se nas nossas gente. acei- privações. refletidas nes.

onde o sistema patriarcal pre- as pessoas no mundo. guiados pelos direitos humanos no xem que as pessoas os conheçam”.para que as pessoas aprenderem a confiar e a res. Todos html). Aprender que os di. mulheres. interiorizem e viven- peitarem-se mutuamente. frequentemente devido ao medo da muitas outras. tos humanos que este livro pretende elimi- Este círculo vicioso pode ser quebrado se nar. nós derosa para a atuação contra a atual desin- acrescentamos: sermos guiados pelos di. Unidas. Rosa sentido da sua realização plena.40 APRENDER E INTEGRAR OS DIREITOS HUMANOS COMO UMA FORMA DE VIDA direitos humanos?” ele respondia: “Dei. por que todos ansiamos. É um sistema de ticipação aquando da tomada das decisões apoio fundamental e uma ferramenta po- que determinam as suas vidas. prevalece no mundo. o conhecimento dos direitos humanos po- cando assume a responsabilidade única de demos todos juntarmo-nos na mudança se juntar ao esforço nobre para que todas do mundo. Na que cumpram com as suas obrigações e realidade. tente imaginar os direitos humanos como . po. Gota a gota. uma aprendizagem signifi. Nós dizemos. O edu. Todos nós nos afastamos mina a sua realização. teram em implementá-los. assim como os homens. milhões de pessoas nascerão e morrerão ça do mundo integrada em todos os níveis sem nunca saberem que são titulares de da sociedade. reitos humanos e constitui uma falha que reitos humanos. Não temos tencentes a todos e como uma excelente outras opções! ferramenta de organização. pobreza e intolerância que reitos humanos como uma forma de vida. da humilhação de forma espontânea. Com apropriação. per. volver num trabalho de amor pela mudan. direitos humanos estão todos relacionados tos humanos referem-se ao conhecimento. vidos. direitos humanos e. É esta “violação de direitos humanos” e rém. manos é inerente a cada um de nós. tegração social.org/justice.pdhre. nos. com a igualdade sem discriminação. É uma dádiva à humanidade de Gota a gota. Infelizmente. onde a justiça é injusta e onde as jovens e crianças. possam conhecer os mulheres. compromissos (www. temos de nos en. que a sabemos quando a injustiça está presente ignorância imposta é uma violação dos di- e que a justiça é a expressão última dos di. dos direitos humanos. passo a passo. as pessoas saibam. a igualdade pela sobrevivência. criado pelas Nações humano e societário. uma estratégia Tem nas suas mãos a história do milagre única para o desenvolvimento económico. interiorizando ciem o desenvolvimento dos direitos hu- e vivenciando os direitos humanos como manos e assegurem a sua realização para uma forma de vida. corretamente. se conhecido e reivindicado. valece. passo a passo . Parks. planeamento e ação. por esse facto. É muito simples: os A aprendizagem e a integração dos direi. homens. A isto. dis. através de si e muitas nações que também se comprome- das suas organizações. o conhecimento dos direitos hu. cujo protesto silencioso acendeu o O quadro abrangente dos direitos huma- movimento dos direitos civis nos EUA. trocam direitos humanos como inalienáveis. é o mais se que os seus atos colocaram poder nas importante guia para se traçar o futuro mãos das pessoas para insistirem por par. e que todos os conflitos têm de ser resol. inca- cativa dos direitos humanos que conduza pazes de apelarem aos seus governos para ao planeamento e a ações positivas. a ignorância sobre os direi- humilhação. nós humilhamos os outros. todos. reitos humanos apelam ao respeito mútuo À medida que prossegue nesta viagem.

para protegerem as suas comuni. pela sua “Contribuição para opções. as pes. PREFÁCIO DE SHULAMITH KOENIG 41 as margens do rio onde a vida pode fluir (Shulamith Koenig é a Presidente-Fun- livremente. a Humanidade”. dades e onde a liberdade poderá fluir sem e a Medalha de Ouro de 2011 do Centro obstruções. recebeu o prémio das Nações Uni- margens. reitos humanos irão elevar e fortificar as org). Não temos quaisquer outras Pio Munzo.) . Quando vêm as cheias. for Human Rights Learning (www.pdhre. em 2003. das para os Direitos Humanos. dadora do PDHRE – People’s Movement soas que aprenderam e integraram os di.

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INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS DIGNIDADE HUMANA DIREITOS HUMANOS EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS SEGURANÇA HUMANA “A campanha recorda-nos que. a Declaração foi a primeira afirmação global daquilo que agora toma- mos como adquirido – a inerente dignidade e igualdade de todos os seres humanos.” Sérgio Vieira de Mello. num mundo ainda a despertar dos horrores da Segunda Guerra Mundial. I. Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. 2003 .

humanos garantem a igualdade. Liberdades tais como ção de todos os direitos humanos. bem como as comunidades de os principais pilares do sistema de direi. não apenas tolerados. remuneração a pessoa humana no centro da sua preocu. blica e do bem comum de uma sociedade democrática (artº 29º da DUDH). reitos económicos e sociais. todos os conflitos têm manos.44 I. sendo estes os direitos por normas e padrões internacionalmente políticos. juntamente com a to moral. Os direitos vem agir uns para com os outros em espíri. político e jurídico e como linha DUDH. é baseado num sistema de valores de e educação acessíveis. 1948. é mais imperativo do que nunca tornar os “Todos os direitos humanos para todos” direitos humanos conhecidos e compreendi- dos e fazê-los prevalecer. ado. sem medo e sem privações. um sistema de direitos humanos protegido sob cinco títulos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS A. Do mesmo modo. sociais e cul- aceites. de ser resolvidos no respeito pelos direitos . formam a Carta Internacional dos de orientação para desenvolver um mundo Direitos Humanos. os direitos hu. incluindo a igualdade total en. Durante o século XX. peitados. Os di- “Todos os seres humanos nascem livres e reitos humanos dos outros têm de ser res- iguais em dignidade e em direitos […] de. económicos. turais. eles são limitados pelos discriminação no gozo de todos os direitos direitos e liberdades dos outros ou por humanos. Direitos Humanos de Viena. os direitos direitos humanos. liberdade. justa. isto é. Aqueles pilares surgem em detalhe. condições de vida condignas. Os con- a liberdade de pensamento. de ordem pú- tre mulheres e homens. que são parte universal e comum dedicado a proteger a integrante do sistema de direitos huma- vida e fornece o molde para a construção de nos. refere divíduos. Os direitos humanos empoderam os in- tada pelas Nações Unidas em 1948. juridicamente definidos em dois manos evoluíram como um enquadramen. fundamentados no prima- expressão estão protegidas pelos direitos do do Direito e no âmbito do sistema de humanos. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS A aspiração de proteger a dignidade humana A solidariedade relaciona-se com os di- de todas as pessoas está no centro do concei. Pactos paralelos que. assim. consciência flitos têm de ser solucionados através de e de religião. Este conceito coloca direito à segurança social. foi o lema da Conferência Mundial sobre O artigo (artº) 1º da Declaração Univer. igualda- sociedade rumo à completa implementa- de e solidariedade. No século XXI. civis. os direitos humanos podem in- a proteção igual contra todas as formas de terferir entre si.” violar outros direitos humanos (artº 30º Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Hu- da DUDH). humanos não podem ser utilizados para to de fraternidade. em 1993. modo a procurarem a transformação da tos humanos. tal como Contudo. sal dos Direitos Humanos (DUDH). bem como de opinião e de meios pacíficos. tais como o to de direitos humanos. saú- pação. requisitos de moralidade.

os Direitos Humanos. visar à plena expansão da personalidade gem moral que esteja disponível neste tem. mulheres. todos. A. proteção. económicas. Em 18 de dezem- mento humano.” direitos humanos[…]”. adotou-se a Res. satis. cionais. 66/173 da AGNU. A Resolução da Assembleia-Geral das Isto pode ser conseguido através da edu. dos direitos humanos. plementada no âmbito do Plano de Ação bilita as pessoas a participar nas decisões da Década da ONU para a Educação em determinantes para as suas vidas. Deste modo. “A educação. sofrer algumas restrições. DUDH. ca com uma perspetiva de género sobre as ções e aspirações. ções Unidas declarou 2009 como sendo A educação para os direitos humanos o “Ano Internacional da Aprendizagem (EDH) e a sua aprendizagem têm de ser para os Direitos Humanos” (Res. De direito à educação.o melhor presente do nos poderá fundamentar-se no artº 26º da pensamento humano clássico e contempo. no âmbito do sistema “Na recente história da humanidade. que poderá ser formal. a Assembleia-Geral das Na- trado na pessoa. a ser im- e procedimentos de direitos humanos ha. civis. Direito à Educação Upendra Baxi. de 23 de cação e aprendizagem para os direitos hu. e é conteúdo e métodos da Educação para uma estratégia viável para um desenvolvi. bem como dezembro de 2008. sociais e culturais. COMPREENDER OS DIREITOS HUMANOS 45 humanos. […] A educação deve facto. fação. Nações Unidas (AGNU) 49/184. da AGNU). iniciativa foi Shulamith Koenig. A compreensão dos princípios Matéria de Direitos Humanos. humana e ao reforço dos direitos humanos po histórico. bro de 2007. Inhuman Wrongs and Human Rights. DUDH. Aí pode na na resolução de conflitos e manutenção encontrar-se uma definição detalhada do da paz segundo os direitos humanos. funcio.” nhuma expressão tem tido maior privilégio Shulamith Koenig. uma verdadeira “cultura A principal força motriz subjacente a esta de direitos humanos” pode ser desenvol. em dezembro de 2011. dora da People’s Decade for Human Rights . 1994. pela sociedade civil. No seguimento. Através da aprendizagem dos di. 62/171 assumidas por todos os atores e interes. Direitos Humanos 1995-2004. PDHRE. reitos humanos. [encontra-se] a linguagem dos e das liberdades fundamentais[…]. embora em tempos de emergên. A abertura decorreu a 10 de sados. proclamou a Década manos. cumprimento e prática dos direitos cia pública e em casos extremos possam humanos. no 60º aniversário da pelos governos e pelas empresas transna. a aprendizagem e o diálogo jovens e crianças necessitam de saber e para os direitos humanos têm de evocar compreender os seus direitos humanos o pensamento crítico e a análise sistémi- como relevantes para as suas preocupa. social e económico cen. preocupações políticas. baseada no respeito. homens. mais do que qualquer outra lingua. segundo o qual “Toda a pessoa tem râneo é a noção dos direitos humanos. dezembro de 1994. a funda- vida. de suportar a missão e o peso do destino da Humanidade do que [a expressão] “di. O direito à educação para os direitos huma- reitos humanos”[…] . ne. informal e das Nações Unidas para a Educação em não-formal.

o objeti. cia. “para que as pessoas os conheçam e dígenas e grupos raciais.46 I. zade entre todas as nações. alargada até 2009) do Programa Mundial para a Educa- ção em Direitos Humanos realça os sistemas escolares. com vista a: (b) A educação através dos direitos huma- nos que inclui aprender e ensinar no (a) Reforçar o respeito pelos direitos hu- respeito pelos direitos de educadores e manos e liberdades fundamentais. parafraseando Nelson Mandela. nos em Genebra. funcionários públicos. Em concordância. divulgação e informação destinados mentos e compreensão das normas a construir uma cultura universal de di. alunos. primário e secundário. vo da educação para os direitos humanos é “literacia em direitos humanos para to. Unidas sobre Educação e Formação para os nuo pelo qual as pessoas em todos os níveis Direitos Humanos. étnicos. no nosso pla. que inclui a transmissão de conheci- ção. três em três anos. a igualdade de género e a ami- manos acessíveis a todos. povos in- neta. (b) Desenvolver em pleno a personalidade (c) A educação para os direitos humanos humana e o sentido da sua dignidade. Esta Declaração estabele- rantir tal respeito em todas as sociedades”. as- O Plano de Ação das Nações sim como uma definição de educação para Unidas para a EDH sublinhou que: “[…] os direitos humanos: a educação para os direitos humanos (a) A educação sobre direitos humanos será definida como os esforços de forma. tornar os direitos hu. ce uma nova base para todas as vertentes da educação para os direitos humanos. e princípios de direitos humanos. que inclui o empoderamento de pesso- . clamou um novo Programa Mundial para “desenvolver uma nova cultura política a Educação em Direitos Humanos (Res. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Education (PDHRE) . agentes poli- Humanos. a tolerân- de. primeiramente. de 23 de dezembro de 1994. a longo prazo. baseada nos direitos humanos”. superior e em programas de formação em ao anunciar a Década das Nações Unidas direitos humanos para professores e educa- para a Educação em Matéria de Direitos dores. sociais aprendam a respeitar a dignidade pelo Conselho da ONU dos Direitos Huma- dos demais e os meios e métodos para ga. preparada por um Gru- de desenvolvimento e de todos os estratos po de Trabalho e adotada. refere: “[…] a educação para os direitos humanos deve envolver mais do ciais e militares. que o fornecimento de informação e deve a AGNU adotou a Declaração das Nações constituir um processo abrangente e contí. a AGNU pro- dos”. A 2 de dezembro de 2011. A segun- A Resolução 49/184 da Assem- da fase (2010-2015) centra-se na educação bleia-Geral. O Plano de Ação para manos a primeira fase (2005-2007. A 10 de dezembro de 2004. Ou. nacionais. os reclamem”. AGNU 59/113A) que deverá ser implemen- Notas Gerais sobre a Metodologia tado através de planos de ação a adotar de da Educação para os Direitos Hu. religiosos e linguísticos […]”. modelação de atitudes.motivada pela visão (c) Promover a compreensão. os reitos humanos através da transmissão valores subjacentes aos mesmos e os de conhecimentos e competências e da mecanismos para a sua proteção.

a EDH atribuição de oportunidades iguais para to. Etapa 2: estabelecimento de prioridades e dos e a contribuição para a prevenção das desenvolvimento de uma estra- violações dos direitos humanos. sempenhe um papel importante. as capacidades e os valores ressados relevantes devem ser envolvidos. Os Esta. com base num sistema global de valores . que promove a equi. de forma a gozarem e exercerem os educação e a formação para os direitos hu- seus direitos e respeitarem e protege. estratégia de implementação que delimita zação. “A educação para os direitos humanos “através da sua integração nos curricula é toda a aprendizagem que desenvolve o das escolas e da formação”. Human Rights Center of the Univer. decorreu em Graz. a dignidade e o respeito Educação para os Direitos Humanos. em julho de 2000. a tolerância. isto na. a insegurança e a vulnerabilidade. Neste contex- segurança humana. tratamento das verdadeiras causas para O ponto central é a pessoa humana. as- ma abordagem é inerente ao conceito de sente nos direitos humanos. assim pelos direitos e pela dignidade dos outros. a experiência do Holo. dos direitos humanos. é. to. tégia nacional de implementação dos e os governos têm a responsabilidade Etapa 3: implementação e monitorização primordial de promover e de assegurar a Etapa 4: avaliação B. Uma âmbulo da DUDH refere-se à liberdade de estratégia de segurança humana pretende viver sem medo e sem privações. através da prevenção de conflitos e do causto durante a Segunda Guerra Mundial. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA A DUDH foi redigida na sequência das foi declarado que a segurança humana mais graves violações da dignidade huma. em particular. Os Planos sity of Minnesota de Ação para a Primeira e Segunda Fases do Programa Mundial da Educação para A Declaração identifica cinco objetivos os Direitos Humanos estabelecem uma principais da EDH que são a conscienciali. em harmonia com o Programa Mundial da dade. O pre. manos. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 47 as. nos de ação e programas que promovam a sua implementação. designadamente.” como se espera que a sociedade civil de- Nancy Flowers. a educação para os direitos humanos é Na Sessão de Trabalho (Workshop) In. estabelecer uma cultura política global. para as quais devem elaborar pla- rem os direitos de outros. ternacional sobre Segurança Humana e uma vez que capacita as pessoas na pro- Educação para os Direitos Humanos que cura de soluções para os seus problemas. a realização Etapa 1: análise de situações atuais da de forma efetiva dos direitos humanos. o desenvolvimento de uma cultura quatro etapas: universal de direitos humanos. Todos os inte- conhecimento. A mes. visa proteger os direitos humanos. B. uma estratégia rumo à segurança humana.

Conferem uma base para resolver fugiados fornecem o enquadramento ju. são de conhecimentos. através da transmis- (ex. tui a base de uma genuína cultura da preven- gurança têm de ser integradas muito mais ção de conflitos. de um aumento da transparência humana se baseia. em 2005 [Fonte: Independent dos seus direitos. suprimento de conflitos. o direito a viver numa ordem inter. Além de os direitos humanos intimamente com estratégias de promoção serem um instrumento essencial na prevenção dos direitos humanos. em vez de uma do conceito de segurança humana. Canadá. na construção da paz pós-conflito. 1994. no sentido de segurança pessoal ção de conflitos. em mecanismos de alerta precoce na preven- rança”. de um modo descentralizado. problemas sociais e globais através da partici- rídico em que a abordagem da segurança pação ativa. 1999. humanos desempenham um papel na gestão ria). mulheres e homens de forma 2ª Reunião Ministerial da Rede para a Segurança idêntica. A vida sem Esta doutrina entrou no documento final exploração e sem corrupção começa quan. gurança pessoal. de segurança social (ex. mana revelam uma dimensão direta ou começando pelas necessidades básicas indireta dos direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS comuns e numa abordagem orientada Responsabilidade de Proteger. mocracia. as pessoas não tiverem segurança nas suas ção e Soberania Estatal. como a seguran. base do desenvolvimento da doutrina da . 60/1 (2005)]. quentemente. justiça social e democracia. (Fonte: Departamento e da prestação de contas.) mento da sociedade”. Lucerna. International Commission on Intervention ciedade civil (como a Transparência Inter. Contudo. corresponde a direitos competências e do moldar de atitudes. na transformação de conflitos e de necessidades básicas. cipação com base no conhecimento dos As violações dos direitos humanos represen- direitos humanos.” das pessoas. 2001. pobreza. “O mundo nunca estará em paz enquanto nacional Independente sobre Interven. As políticas de se. As organizações da so. discriminação. proteção contra a detenção arbitrá. A “Segu. são usadas como indicadores manos e a segurança humana. conse- Há diversas relações entre os direitos hu. para a construção da governação e para a de- o direito humanitário e o direito dos re. também são um conceito chave desenvolvimento. do desenvolvimento de nacional segura). da democracia e do de conflitos. Segurança mentares de desenvolvimento de competên- Humana: Segurança para as Pessoas num cias: “a construção do Estado” e o “desenvolvi- Mundo em Mudança. Maio 2000. and State Sovereignty. consti- humanos já existentes. A construção da dos Negócios Estrangeiros e do Comércio governação consiste em duas formas comple- Internacional. The Responsi- nacional) apoiam este processo de eman.” PNUD.48 I. Humana. Human Development Report 1994. que esteve na vidas diárias. A educação ça alimentar) e de segurança internacional para os direitos humanos. bility to Protect and GA-Res. abordagem orientada para o poder. O governo do Canadá solicitou a redação de um relatório. também os direitos (ex. Referimo-nos a problemas de se. A se- gurança humana é promovida no seio da “A maioria das ameaças à segurança hu- sociedade. tam ameaças à segurança humana e. por uma Comissão Inter. Os direitos humanos. da Cimeira da Assembleia-Geral das Na- do as pessoas deixam de aceitar a violação ções Unidas. como parte para as normas e direitos.

rente protegendo o indivíduo […]” criada em 2001. Ra- 5ª Reunião Ministerial da Rede de Seguran. manos e a Universidade para a Paz. 2005. em Graz. PDHRE). da ONU para os Direitos Humanos.” Louise Arbour. ironicamente. manos definem o significado da segurança começando no direito de cada um de co. relação entre Direitos Humanos e a Segu- mento da sociedade implica uma educação rança Humana. mas também. Alta Comissária das Nações Srgjan Kerim. DIREITOS HUMANOS E SEGURANÇA HUMANA 49 A Declaração de Graz também refere que “[A segurança humana] é. e a insis- cação para os Direitos Humanos e. aprovada pela humanos. O seu relatório A Declaração de Graz sobre os Princípios “Segurança Humana Já” refere várias pre- da Educação para os Direitos Humanos e ocupações relacionadas com os direitos para a Segurança Humana. to internacional e o direito dos direitos hu- vés da educação para os direitos humanos. passando pela identificação da responsabilidade de “A sujeição aos interesses da segurança na- todos os agentes relevantes ligados à Edu. que deverá ser traduzido. humana. Res- Nações Unidas. estritamente concebidos. segurança humana das vítimas apesar de. de forma a empoderar as pessoas para rou uma Declaração sobre Direitos Huma- reclamarem os seus direitos e para demons. de forma crucial. ponsibility to Protect in the Modern World. juntamente com o A construção do Estado propicia a “segu. o direi- pretende reforçar a segurança humana atra. os Refugiados) e de Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia). 2009. são antecipados e tecidos numa rede coe. global onde a segurança do indivíduo está uma vez que a promoção e a implementa- no centro das prioridades internacionais ção dos direitos humanos são um objetivo […].humansecurity-chs. distribuído e utilizado amplamente. nhecer os seus direitos humanos. “O desenvolvi. “Precisamos de uma nova cultura de rela. que pode ser obser. a 10 de maio de 2003. anterior Ministro dos Negócios Es. B. ex-Alto Comissário em exercício ça Humana. (Walther Lichem. Instituto Interamericano de Direitos Hu- rança democrática”. amplamente baseada nos direitos huma. Costa Rica. sob a codireção de Sadako Lloyd Axworthy.” humana no seu centro. por fim. Presidente da Assembleia-Geral das Unidas para os Direitos Humanos. ser a segurança da sua popu- lação – não só coletivamente. em San José.html). A Comissão elabo- nos. em dezembro de 2001. cional. na essência. onde as normas internacionais dos e parte integrante da segurança humana direitos humanos e o primado do Direito (artº 1º). A Comissão para a Segurança Humana. os direitos humanos e a segurança huma- um esforço para construir uma sociedade na estão inextricavelmente relacionados. orga- vada sobretudo no esforço de reabilitação nizaram uma sessão de trabalho sobre a e reconstrução pós-conflito. rança Humana (www. mcharan. individualmente – que ções internacionais que tenha a segurança permite a segurança do Estado. tente adesão a visões míopes da soberania acolhendo o Manual “Compreender os Di. org/doc/sanjosedec. Ogata (ex-Alto Comissário da ONU para trangeiros do Canadá. . De acordo com Bertrand G. nos como Componente Essencial da Segu- trarem respeito pelos direitos das outras”. do Estado triunfaram sobre os interesses da reitos Humanos”.

de Segurança Humana. tais como o acesso à dem ao direito de viver sem privações educação. A Assembleia-Geral das Nações Unidas. A verdadei- ral realizou consultas. a Assembleia-Ge. Uns não podem ser separados A UNESCO dá também especial atenção dos outros. Direito à Saúde líticos (PIDCP) protegem o direito da pes. Alto Comissário das Nações vante para a segurança como a luta pela Unidas para os Direitos Humanos. contingentes e direito de viver sem privações. Também este distingue na. o artº 22º da DUDH e o direitos humanos e o desenvolvimento hu- artº 9º do Pacto Internacional sobre os mano partilham uma visão e um propósito Direitos Económicos. contém direitos económicos e sociais. Porém. ângulo do desenvolvimento. tinção que regressa às quatro liberdades e direitos proclamados pelo Presidente “Assim. não se desfrutará do desenvolvi- dos Estados Unidos da América. vários indicadores. se refere em particular De acordo com o Relatório de Desenvol- ao direito de viver sem medo (freedom vimento Humano de 2000. Kofi clusão. uma dis. que correspondem tada no Relatório do Milénio do anterior diretamente a direitos humanos. Franklin mento sem segurança. Sociais e Culturais comuns. In larger freedom: towards development. a igualdade de género e globalização e a segurança humana é tra. nem de outra visão da ordem a estabelecer no pós. do Secretário-Geral da ONU. Depois de um rela. juntamente com outros volvimento Humano do PNUD. reforçam-se mutuamente. os for fear). não se desfrutará Roosevelt. apresentados como uma se desfrutará nem de um. usado pelos Relatórios de Desen- rança social que. abordagens regionais relativas à Segu- . inspirando-se nas gados e indivisíveis. pediu a elaboração de uma definição sando que assim aumentam a segurança. 2005. demasiados atores internacionais no seu “Documento Final” da Cimeira de seguem políticas baseadas no medo. são interdependentes. sem respeito pelos direitos humanos […]” guerra. da liberdade e da paz” (§12). O Índice de Desenvolvimento Hu- (PIDESC) reconhecem o direito à segu. mano. ser construída sobre esta base. por sua vez. os ser- (freedom from want). de 2005. em 1940. security and concentra-se em como “aperfeiçoar o tri. Kofi Annan. Secretário-Geral da ONU. em 2008. durante a Segunda da segurança sem desenvolvimento e não Guerra Mundial. pen- 2005.” económicos. a verdadeira segurança não pode tório do Secretário-Geral. direitos humanos e desenvolvimento entre o direito de viver sem medo e o humano são coincidentes. “Hoje. human rights for all. Em con- Secretário-Geral das Nações Unidas. sociais e culturais é tão rele. Direito ao Trabalho soa à sua liberdade e segurança humana que. interli. do PNUD. a participação política. correspon. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS O artº 3º da DUDH e o artº 9º do Pacto Direito a Não Viver na Pobreza Internacional sobre os Direitos Civis e Po. a segurança alimentar. os conceitos de segurança huma- Annan.50 I. 2003. ra segurança tem de se basear nos princí- A luta contra a pobreza e pelos direitos pios estabelecidos dos direitos humanos. liberdade política e pelas liberdades fun- damentais. Mais. em 2000. O Relatório “In Larger Freedom”. Sérgio Vieira de Mello. A relação entre a viços de saúde. à Segurança Humana.

direitos económicos. teve lugar de governos democráticos no mundo em detrimento dos direitos humanos. em todas as a DUDH. em virtude das tempos modernos. os no liberalismo e democracia. o conceito de qual devemos tratar os outros como gos. tem havido mais ênfase centra nas ameaças violentas à seguran. os direitos humanos. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS 51 rança Humana. do Norte e do Sul. Atendendo a que. que representava os seus nacionais cial. ses de segurança. C. dos seus pobres e para as noções funda. que moldaram as ideias portante valor atribuído ao ser humano e linguagem do documento. sob a liderança de Eleanor Roose- tiga quanto a história da humanidade e velt. e também no estrangeiros só poderiam ser titulares de socialismo. declarada pelos crática. são parte de todas as culturas. o im. com fundamento na fi. sobre a soberania nacional e os interes- ça humana. Os direitos pode ser encontrado na filosofia africana humanos tornaram-se num conceito uni- de ubuntu ou na proteção de estrangei. com fortes influências do Oriente ros no Islão. a liberdade e na 2009/2010). A “regra de ouro” segundo a e do Sul. dadãos se tornaram os primeiros bene- Contudo. direitos humanos obriga qualquer Estado . tado. deve ser sublinhado cessitavam da proteção do seu próprio Es- que as noções de liberdade e de justiça so. direitos em casos excecionais ou com base no de direitos humanos tenha emanado em acordos bilaterais. que são fundamentais para os direitos no estrangeiro. O mesmo vale para a vimento. os ci- mentais de justiça social. e pelos direitos económicos e sociais. é publicado Na década que se seguiu à destruição ter- um Relatório sobre Segurança Humana. sociais e culturais. Ainda que o conceito moder. a preocupação central tem sido o lentos (Relatório sobre Segurança Huma. rorista do World Trade Centre. Na conduz a uma redução dos conflitos vio. a ideia de “direitos humanos” é ficiários dos direitos humanos constitu- o resultado do pensamento filosófico dos cionalmente protegidos. Desde 2005. HISTÓRIA E FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS A ideia de dignidade humana é tão an. suas lutas pelas liberdades fundamentais losofia do racionalismo e do iluminismo. do da “Guerra ao Terror”. René Cassin e Joseph Malik. em 11 de sob a direção de Andrew Mack. C. Este Relatório mostra a rela. elaborou existe de variadas formas. enquanto o conceito de humanos. também como resulta- ção entre conflitos e governação demo. a proteção contra a discrimina- responsabilidade da sociedade de cuidar ção racial e o apartheid. A ONU. historicamente. Os estrangeiros ne- sobretudo da Europa. com a participação de 80 peritos culturas e religiões. Europa. versal. porém. o taríamos de ser tratados existe em todas direito à autodeterminação e ao desenvol- as grandes religiões. demonstrando que um aumento Estados Unidos e que. designadamente. equilíbrio entre a segurança. Por exemplo. que se setembro de 2001.

de forma pessoal – em todo o mun- como a Declaração sobre Tráfico de Es. derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. A quarta é Liberdades Religiosas o direito de viver sem medo […]” Não Discriminação Franklin D. reitos. Direitos da Mulher e da Cidadã” de 1791. Com a Carta dos Direitos Fundamentais da União dissolução da União Soviética e da Jugos. significa um entendimento tra a Escravatura de 1833 e a Convenção económico que irá assegurar a cada nação contra a Escravatura de 1926. proclamou os Direitos aceite pelos Estados depois dos horrores do Homem e do Cidadão. Tinha certos direitos inalienáveis. cionais Direitos das Minorias Direitos Humanos das Mulheres A Revolução Francesa.52 I. que entre estes como objetivo estabelecer regras básicas estão a vida.” Direitos Humanos em Conflito Declaração da Independência dos Estados Unidos Armado da América. traduzida em termos de al- constituição da Sociedade Americana con. homens. contidos no Tratado de Vestefália da é a liberdade de cada um de adorar a de 1648. A segun- religião. Roosevelt. que foram recuperados na Nações fundada no mesmo ano. Olympe de Gouge foi uma lávia. o direito huma. dentes por si mesmas. que todos os homens teção de não nacionais. das primeiras a pedir direitos iguais para as A Luta Global e Contínua pelos mulheres. cance mundial. para os seus habitantes – em todo o mundo. 1941. As primeiras disposições referentes aos atuais direitos humanos podem ser en. inspirada pela De- claração Americana da Independência e O conceito de direitos humanos univer- pela proclamação da Carta de Direitos da sais para todos os seres humanos só foi Virgínia. através da sua “Declaração dos Direitos Humanos. igualdade e da de Versalhes de 1919 e da Sociedade das solidariedade. a vações – que. Deus. voltou a ser um tema central. dotados pelo Criador de nitário era de extrema importância. do. “Consideramos estas verdades como evi- Para o desenvolvimento de normas de pro. os governos são instituídos entre os dos em conflitos armados. A terceira é o direito de viver sem pri- cravos do Congresso de Viena de 1815. A proteção dos direitos das minorias tam- bém tem uma longa história e foi um tema Estes direitos estavam agrupados segundo da máxima importância no Tratado de Paz as categorias da liberdade. e na proibição da escravidão. 32º Presidente dos Estados Unidos. a liberdade e a procura da para o tratamento a conferir aos soldados felicidade. Que a fim de assegurar esses di- inimigos. da Segunda Guerra Mundial. quando se . 1776. uma vida saudável e em paz. Recursos Adi. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS a proteger todos os seres humanos no seu território. são criados iguais. “A primeira é a liberdade de discurso e de contradas nos acordos sobre liberdade de expressão – em todo o mundo. em 1776. em 1789. Europeia de 2000. mas também aos civis envolvi.

tal como acordado no quadro terdependentes. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 53 conseguiu o acordo sobre a DUDH. que mentos de uma ética global. (Fon- tência de certos direitos para o “cidadão te: Declaração e Programa de Ação de universal”. direitos humanos. de 1993. e a Conferência de Vie- das Nações Unidas. como Direitos Humanos. Desde então. tivo. do as disposições pertinentes da Carta Liberdades Religiosas das Nações Unidas (Preâmbulo e artos 1º. Filósofos. reclamava a exis. respetivamente. Voltaire e significado das especificidades nacionais John Stuart Mill debateram a existência de e regionais e os diversos antecedentes direitos humanos. promover e proteger todos os Direitos Hu- lita de Immanuel Kant. partilham valores comuns. os Es- tados-membros das Nações Unidas já são Uma “ética da responsabilidade” (Hans Jo- 193. culturais e religiosos. ao passo que a perspetiva cosmopo. Os debates acerca de certos direitos prio- Conceito Africano de Dignidade Humana: ritários e o universalismo versus o relati- “Eu sou um ser humano porque os teus vismo cultural fizeram parte das agendas olhos me veem como tal…” das duas conferências mundiais sobre Provérbio africano. em Teerão e em Vie- na. da globalização. e que constituem ele. tais “Embora se deva ter sempre presente o como Jean-Jacques Rousseau. pela Conferência Mundial de Viena sobre nos é reconhecido como universal. 1993. que correspon- como uma componente indispensável do dem. interpretan. o conceito de direitos huma. nas) e uma “ética global a favor dos direi- mente a questionar esta Declaração. O projeto internacional “ética Viena. Mali. altura entre 48 países. e nas Resolu- se poderá verificar na Declaração adotada ções da ONU aprovadas por ocasião do 50º . económicos e culturais. D. con. sistemas políticos. por consenso. em muitas partes. acordou. mas nenhum Estado se atreveu real. al. aos direitos huma- sistema das Nações Unidas. com a abstenção descobriu que todas as grandes religiões de 8 países socialistas e da África do Sul. c)). independentemente dos seus troca da lealdade para com o poder execu. compete prevalecentes garantiam os direitos em aos Estados. sob a direção de Klaus Küng. As “teorias contratuais” históricos. em 1968. como direito postas de modo a fazer face aos desafios consuetudinário internacional. Teerão. na. manos e liberdades fundamentais”. em 1993. em larga medida. nº 3 e 55º. tos humanos” (George Ulrich) foram pro- siderada. clarificou que todos os manos tem o seu fundamento em valores direitos humanos são indivisíveis e in- comuns. D. §5). nos básicos. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS Atualmente. na mundial”. A conferência de O Direito Internacional dos Direitos Hu.

na DUDH e nos Pactos de dos direitos económicos. o Líbano ou o Chile se en. demonstraram uma certa preferência pelos ção de Todas as Formas de Discriminação direitos civis e políticos. que se fundamentam os Estados-membros do Conselho da Europa na DUDH. muitos mais Estados demons. Secretário-Geral das Nações Unidas. em oposição aos direitos civis e políticos. uma categoria adicional de em 1993. em 1968. como a liberdade de expressão. alguns Estados ou grupos de contravam entre aqueles que participaram Estados. Artº 2º. que deverão ser “realizados progres- ticos que questionam a universalidade dos sivamente”. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS aniversário da DUDH. Alguns cé. desenvolvimento e justiça e tos humanos são universais e inalienáveis. sociais e culturais. uma vez que o gozo pleno Unidas (CNU). nº1 do PIDESC). paz. em 1968. cem o quadro necessário ao gozo de todos tinguidas diferentes categorias ou dimen. Nações Unidas. não há condi- sões de direitos humanos: direitos civis e cionalidade. los direitos económicos. como a China. expressaram preferência pe- metade dos anos 40. mento. do pelo reconhecimento da igual importân- A base do conceito de direitos humanos cia de ambas as categorias ou dimensões assenta no conceito da inerente dignidade de direitos humanos. humana. “os ou seja. sociais e culturais 1966. A Convenção sobre a Elimina. a outra. em 1993. uma vez . na segunda em particular. em janeiro de 2012. Teerão. Podem ser dis. A terceira categoria é designada rais. liberdade. tendo-se concluí- (CDC) foi ratificada por 193 Partes. De qualquer modo. Em Teerão. Boutros Boutros-Ghali. 2010. o cerne do trabalho das Nações Unidas em o que significa que se aplicam em todo o todo o mundo. Em concordância. como o direito humano à segurança por direitos de solidariedade. humana de todos os membros da família estes foram declarados indivisíveis e inter- humana. ao passo que Mundial de Viena. Tal como defendido na Conferência Mundial de Viena sobre Direitos Humanos. Estes direitos forne- síveis e interdependentes. tal como na Conferência embora com muitas reservas. ambiente saudável. social. Nos anos 80. aquele debate a Convenção sobre os Direitos da Criança improdutivo foi resolvido. goria constitua uma condição prévia para e direitos económicos. que também reconheceram o ideal de é praticamente impossível sem o gozo dos seres humanos livres no exercício da sua direitos civis e políticos e vice-versa. devido ao facto de implicarem direitos humanos devem ser recordados de obrigações financeiras para os Estados que Estados tão geograficamente diversos (cfr. Porém. o direito à paz e à segurança. Porém. em 1998. os outros direitos. rência Mundial de Direitos Humanos de cada por 187 países.” lado e não podem ser retirados à pessoa Ban Ki-moon.54 I. ainda que com o seu consenti. reito ao desenvolvimento e o direito a um Os direitos humanos também são indivi. consagrado na Carta das Nações dependentes. No passado. liberdade de viver sem medo e sem priva- ções e enquanto titulares de direitos iguais “Os direitos humanos são a fundação da e inalienáveis. ao traram o seu apoio à DUDH e ratificaram passo que os Estados Unidos da América e o PIDCP e o PIDESC. os direi. desde então. o di- direitos humanos adquirem-se à nascença”. no sentido de que uma cate- políticos. sociais e cultu. tais como os Estados socialistas na elaboração deste conceito. pelo então Secretário-Geral das direitos humanos obteve reconhecimento. na Confe- contra as Mulheres (CEDM) já foi ratifi.

car a sua própria religião ou de usar a sua No quadro da UNESCO. Quando o selho de Europa para a admissão de novos documento foi apresentado. são Africana dos Direitos Humanos e dos po têm o direito humano de usufruir da Povos também estabeleceu um Grupo de sua própria cultura. Independentes. e a Conven- na Declaração da ONU sobre os Direitos ção para a Salvaguarda do Património Cul- das Minorias. em 2007 (A/RES/61/295). dos seus direitos humanos. dade subsidiária do ECOSOC. regional ou universal. de 1993. A Comis- conjunto com os outros membros do gru. de professar ou prati. Direitos das Minorias Os direitos humanos também poderão ser um instrumento a utilizar pelas pessoas No respeitante aos direitos humanos dos para a transformação social. 143 países Estados-membros apontam nesta direção. em 2000. entretanto. um Grupo de cional. em 2002. o direito de humanos e liberdades fundamentais dos ser eleito ou o direito de acesso a serviços povos indígenas. Po. dação da Conferência Mundial de Viena Também é necessário distinguir direitos sobre os Direitos Humanos em 1993. Os requisitos da União Europeia e do Con- ral. direitos humanos e os direitos das minorias. foi nomeado um rantidos aos nacionais de um determinado Relator Especial da ONU para os direitos país. D. do Canadá. desde 1982. da Nova Zelândia aspiram à construção da comunidade. ou não a cidadania de um determinado em 1989. como autori- racterísticas étnicas. revendo uma declaração anterior. CONCEITO E NATUREZA DOS DIREITOS HUMANOS 55 que implicam cooperação internacional e da América. Os e da Austrália que. a Convenção sobre própria língua (artº 27º do PIDCP). a sua relação com a terra. quer detenham (OIT). que se reu- ticas particulares. A Organização Internacional do Trabalho reitos de todas as pessoas. Trabalho relativo aos povos indígenas. complementam os regionais europeus de direitos humanos. Individualmente ou em niu. modificaram direitos humanos devem ser distinguidos as suas posições e agora subscrevem a De- dos “direitos dos animais” e dos “direitos claração. na preservação da sua identidade cultural. da Terra”. votaram pela sua aprovação. Portanto. para os Assuntos Indígenas. um Fórum Permanente direitos de membros de um grupo com ca. pela primeira vez. de 2005. dos Estados Unidos tos humanos dependerá do conhecimento . Enquanto os direitos humanos são os di. Seguindo uma recomen- públicos de um determinado país. em particular. ao nível na- povos indígenas. e em instrumentos tural Imaterial. propagados por alguns grupos. foi humanos e direitos das minorias que são criado. com apenas Contudo. os direitos dos cidadãos são direitos tiva a Povos Indígenas e Tribais em Países fundamentais que são exclusivamente ga. religiosas ou linguís. de 2003. o Trabalho da ONU sobre os Povos Indígenas conceito de direitos humanos está intima- debate formas de promoção e de proteção mente ligado ao conceito de democracia. A Declaração das Direito à Democracia Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia-Ge. adotou a Convenção nº 169 rela- país. como o direito de voto. Em 2001. o efeito transformador dos direi- quatro votos negativos. a Proteção e Promoção da Diversidade das dem encontrar-se regras mais detalhadas Expressões Culturais.

ao mesmo tempo. Direitos Humanos das Mulheres sem se desculpar pelo não cumprimento das obrigações decorrentes dos direitos humanos. no rescaldo da de padrões a nível global teve o seu iní. no trabalho. nas sensibilidade relativamente ao género. O estigma e a O conceito tradicional de direitos huma. de 1979. das Mulheres da Carta Africana sobre Di. para argumentar que alguns direitos o que poderá conduzir a graves violações de humanos não lhes são aplicáveis da mes. que tem lugar na ONU. reiteraram a obri- Interamericana de Belém do Pará. direitos humanos que têm de fazer parte de ma forma que são a outros Estados.). mulheres no seio de determinadas culturas. de 1995. base em fatores históricos. tem precisamente como propósito o reconhe- cimento do valor das diferentes civilizações. religiosos e cultu- lência Contra as Mulheres. entre mulheres e homens e pela falta de de denunciar em casa. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS e compreensão que as pessoas têm dos di- reitos humanos e da sua prontidão para os “A violência terminará apenas quando nós usar enquanto instrumento de mudança.” Conferências Mundiais sobre as Mulheres Ban Ki-moon. de 2003. 2010. existência de diferentes abordagens quanto lheres. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL A história recente de estabelecimento 10 de dezembro de 1948. para uma A Declaração e o Programa de Ação da Con- perspetiva sensível ao género. As nossas escolas e comunidades. no que ferência Mundial de Viena reconheceram a respeita aos direitos humanos das mu. Tal re- não refletir apropriadamente a igualdade quer que todos nós façamos a nossa parte. por nós concordarmos em denunciar. qualquer agenda para o diálogo. gação de todos os Estados de implementar to- e no Protocolo Adicional sobre os Direitos dos os direitos humanos (ver também o C. É ças culturais ou religiosas não pode ser utili- importante referir que os instrumentos de zada como justificação para a não implemen- direitos humanos apresentam um novo tação completa das obrigações internacionais conceito social e político. Um dos assuntos mais difíceis é a posição das laridades históricas. religiosas e cultu. e que também está refletida na à implementação dos direitos humanos com Declaração de 1993 da ONU sobre a Vio. rais. confrontarmos o preconceito. Secretário-Geral da ONU. con- tribuíram. O diá- seres humanos completos e iguais. E. Segunda Guerra Mundial. Alguns Estados invocam as suas particu. o contexto rem juridicamente as mulheres enquanto cultural deve ser tido em consideração. palco das mais cio com a DUDH. No entanto. logo de civilizações. de direitos humanos. a existência de diferen- reitos Humanos e dos Povos. na Convenção rais. discriminação terminarão apenas quando nos tem sido criticado por feministas. ao reconhece.56 I. adotada pela AGNU a graves violações de direitos humanos de . entre outros efeitos. mas. Consequentemente. e a elaboração da CEDM.

No caso da Convenção relativa Judeus durante o Holocausto. é o tema da às Mulheres. tal como foi cometido contra os específicos. Penas ou Tratamentos Cruéis.Pacto Internacional sobre os Direitos tivamente. com 173 Es- de apartheid. com 165 Esta- reitos económicos. respe. Outras Convenções foram tados Partes) adotadas sobre a eliminação de todas as . pelos di. daquele mecanismo. E. com 193 Estados Partes) . com dos Direitos Humanos” que também é 48 Estados Partes) complementada por diversas outras con. dos Partes) A DUDH e os dois Pactos são referidos . A prevenção e a punição do ge. Em janeiro de 2012. ça (1989. o PIDCP tinha janeiro de 2012 com 142 Estados Partes) 167 e o PIDESC 160 Estados Partes.Convenção para a Prevenção e Puni- usualmente como a “Carta Internacional ção do Crime de Genocídio (1948. bros das Suas Famílias (1990. na ONU. manos ou Degradantes (1984. .Convenção contra a Tortura e Outras venções. . O PIDESC foi adotado primei. Sociais e Culturais (1966. sobre . Civis e Políticos (1966. adotada um dia dos Tratados de Direitos Humanos.Convenção Internacional sobre a os direitos e dignidade das pessoas com Proteção dos Direitos de Todos os deficiências e sobre a proteção de todas as Trabalhadores Migrantes e dos Mem- pessoas contra desaparecimentos força. pois um De modo a transformar os compromissos número de países tentou restringir alguns assumidos na DUDH em obrigações juridi. em 1976. riu uma proeminência particular. PADRÕES DE DIREITOS HUMANOS A NÍVEL UNIVERSAL 57 sempre. lar atenção às necessidades de grupos-alvo nocídio.Convenção Internacional sobre a Eli- de duas Convenções: contra a discrimi. Económicos. com ção racial e contra o Apartheid tomou a 146 Estados Partes) dianteira. Essas Convenções vão mais longe na 45 Estados Partes) clarificação e especificação de disposições . com 186 tratamentos cruéis. sociais e culturais. desumanos e degra. a Comissão das Na.Convenção sobre a Eliminação de formas de discriminação contra as mu. sobre os direitos da criança. minação de Todas as Formas de Dis- nação racial e para a supressão do crime criminação Racial (1965.Convenção sobre os Direitos da Crian- presentes nos Pactos ou prestam particu. ro. Estados Partes) dantes. que é um problema generalizado do Crime de Genocídio. ções Unidas para os Direitos Humanos ela- borou dois Pactos. Todas as Formas de Discriminação lheres.Pacto Internacional sobre os Direitos vimento e dos países socialistas.Convenção contra o Genocídio (1948. sociais e culturais (PIDESC). a luta contra a discrimina. tendo como resultado a adoção . de direitos humanos da ONU Devido à Guerra Fria. com dos. direitos humanos das mulheres. apenas foram ado- tados em 1966 e entraram em vigor em . dos países em desenvol. de 1979. . contra a tortura e outras penas ou contra as Mulheres (1979. indicando a preferência da então nova com 160 Estados Partes) maioria. através camente vinculativas. um sobre direitos civis Resumo das convenções e políticos (PIDCP) e o outro sobre direitos mais importantes económicos. adqui- antes da DUDH. o “problema das re- Convenção para a Prevenção e Repressão servas”. Desu- Nos anos 60.

nacionali. o terrorismo. nº1 do PIDCP). Alguns direitos podem conter as designa- mento ou outro estatuto (artos 2º do PIDCP das “cláusulas de salvaguarda”. melhantes na Convenção Europeia dos saparecimentos Forçados (2006. um relatório e linhas de que respeita à raça. direitos humanos. reli. ou o direito à liberdade de pensamento. Consequentemente. Po. a proibição da tortura e da escravi. O Comité 30 Estados Partes) da ONU para os Direitos Civis e Políticos veio clarificar as obrigações dos Estados no seu Comentário Geral (nº29. vaguarda”. suas disposições. com Direitos Humanos (artº 15º). sexo. também há a possibilidade do possibilidade tem lugar. Perante uma emergência pú- to. à liberdade de reunião e de dos limites estritamente necessários na. dentro Direitos Humanos e o Comité de Minis- do seu território. património. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS . como é o caso do direito à chegaram vários casos junto do Tribu- vida. sem discriminação no respetivamente. uso de exceções e de cláusulas de sal- no que respeita à liberdade de movimen- vaguarda. ção de controlar o uso inapropriado das rém. As tória (artº 4º. Estes direitos são. não são permitidas restrições a cer. à liberdade de expressão e de e as medidas deverão manter-se dentro informação. questionando a aplicação de poderes de de consciência ou de religião (artº 4º. à liberdade de sair de qualquer país. Estas restrições têm de estar quela situação. de moral ou respeito pe- los direitos e liberdades dos outros. Humanos”. nasci. de ordem pública. ao in- Estados Partes têm de ser informados terpretar as respetivas leis. soas com Deficiência (2006. terá de ser aprovada pelo Parlamento. de saúde pública. dade ou origem social. incluindo o seu próprio. com 106 As disposições de emergência têm vindo Estados Partes) a obter maior relevância na luta contra . o gozo de todos os seus tros do Conselho da Europa adotaram. um Estado pode derrogar as suas pensamento.Convenção sobre os Direitos das Pes. orientação sobre “Terrorismo e Direitos gião. emergência ou o uso de “cláusulas de sal- nº2 PIDCP). a não retroatividade das leis penais Comissão e Tribunal Interamericanos. associação. incluindo a manifestação de uma religião gência ter sido oficialmente proclamado ou crença. os Estados têm de respeitar e a Comissão Interamericana para os e de assegurar a todas as pessoas. língua.58 I. que per- e do PIDESC). As medidas têm de ser plasmadas numa lei. opinião política ou outra. ameaçadora da vida de uma na. de consciência e de religião. no caso de o estado de emer.Convenção Internacional para a Prote. Tal Porém. obrigações. 2001) De acordo com o princípio da não dis- sobre “estados de emergência” (artº 4º) criminação. em particular. portanto. Existem disposições se- ção de Todas as Pessoas contra os De. nal Europeu dos Direitos Humanos e da dão. o que significa que tomadas de uma forma não discrimina. cor. Os outros instituições tais como os tribunais. já tos artigos. . mitem restrições de certos direitos. blica. caso tal se mostre necessário. têm a obriga- através do Secretário-Geral da ONU. por razões de Não Discriminação segurança pública. à liberdade de ção. designados de direitos inderrogáveis.

relacionada com os direitos humanos (ver Ou seja. isto é. lações dos direitos humanos. têm de ser implementados ao nível na- to. Desta forma. foi ins- maneira geral para todos. pro. O conceito das convenções internacionais de direitos de realização progressiva de acordo com a humanos. poderá haver obstáculos. também pode elaborar Comentários Gerais . lecimento da implementação. ção dos direitos humanos. vés da atuação de instituições nacionais de respeitar o direito à privacidade e o direito direitos humanos ou através da inclusão de expressão. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 59 F. O Comité sas transnacionais. de uma cumprir com as suas obrigações. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS Os Estados têm o dever de respeitar. direitos económicos. o Estado terá também o B. ao suscitar a ques. Do mesmo modo. Neste contex. F. junto da população do sentar relatórios. Em primeiro lugar. acerca do seu território. os direitos seu desempenho no que respeita à prote- humanos também têm uma “dimensão ho. mas apenas se tituída a monitorização internacional do espera que a gratuitidade da educação seja desempenho dos Estados.). é tida em consideração a capacidade de cional. por parte do Estado. regularmente. Todavia. neste último caso. e apresenta recomendações para o forta- tão da responsabilidade social das empre. que está a ganhar importância um comité de peritos analisa os relatórios na era da globalização. na maior parte conseguida progressivamente. Porém. âmbito dos poderes executivo ou judicial. existe em muitas convenções internacio- do evite a violência e a violação de outros nais. a implementação signi. tuito. O ob- passo que os direitos económicos. os relacionados com defi- artº 13º do PIDESC reconhece o direito de ciências de “boa governação”. o nomeadamente. Por exemplo. Esta monitorização pode assu- capacidade do Estado é aplicado a vários mir várias modalidades. Outro desenvolvimento digno de nota é a teger e implementar os direitos humanos. os Estados têm de apre- direitos humanos. rizontal”. isto é. tais como a educação e a saúde e assegu. os direitos humanos rar certos padrões mínimos. crescente ênfase na prevenção das vio- Em muitos casos. de garantir ou fornecer certos serviços. O sistema de apresentação de relatórios O dever de proteger requer que o Esta. cada Estado para o fazer. especifica que existência de corrupção e ineficiência no apenas o ensino primário tem de ser gra. Normalmente. tais como a todos à educação. O ensino secundário e superior tem De forma a assegurar que o Estado está a de ser disponibilizado e acessível. sociais jetivo da prevenção é também uma priori- e culturais implicam obrigações positivas dade da perspetiva da segurança humana de implementação. através da fica que o Estado e as suas autoridades adoção de medidas estruturais. de uma dimensão de direitos humanos nas vante para os direitos civis e políticos. ao operações de manutenção da paz. Isto é particularmente rele. sociais e culturais. atra- têm de respeitar os direitos aceites.

Este procedimento. nos no Sudão. os relatores especiais e. dato é normalmente de três anos. por exemplo. Um deles a receber queixas individuais de pessoas foi o procedimento confidencial 1503.60 I. as atividades dos relatores especiais e dos tados. submetendo relatórios anuais. tem os mecanismos criados pela Carta. e que são posteriormente ana- queixa e. e 2000/3 de 2000. antes de chegarem da. sujeito a extensão. Durante no âmbito das Convenções Europeia e o período de trabalho de 1947 a 2006. “relatores temáticos” como. que ção. Em 1 de julho me as circunstâncias. para situações específicas de direitos huma- bunal de Justiça Africano. conhecido ago. ao PIDESC. confor- cesso. peritos independentes de 2008. missário da ONU para os Direitos Humanos. no Haiti e Myanmar e na Re- ra como o Tribunal Africano de Justiça e pública Democrática do Congo. Porém. Partes. dos Povos) ter entrado em vigor com su. o tribunal foi fundido com o Tri. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS quanto à interpretação correta da conven. a responsabilidade do Conselho de Direitos de 2006 (com 65 Estados Partes). de 2008 (6 Estados Partes2) ou que é especificamente destinado a violações o Protocolo Opcional à Convenção sobre graves de direitos humanos. nessa data. tais como o Protocolo Facultativo dos Direitos Humanos. Há também Direitos Humanos. também mecanismos lisadas por um grupo de peritos da Sub-Co- de inquérito. no respeitante a outras con. ções e para as situações). tais como as convenções. Estes procedimentos refletem o ativismo . As queixas sob o pro- Algumas convenções também incluem o cedimento 1503 devem agora ser tratadas mecanismo de queixas interestatais. violência contra as mulheres. Humanos desde 2006. têm vindo a adquirir à Carta Africana dos Direitos Humanos e importância. Há “relatores por país” como. em janeiro de 2004. com sobre alegadas violações dos seus direitos fundamento na Resolução 1503 do ECOSOC humanos. também exis. depois de o seu Estatuto (Protocolo aos direitos humanos. que permite o en- pessoas que residem num dos 114 Estados vio de petições para o gabinete do Alto Co- que ratificaram o protocolo facultativo. O seu man- nos. Também se estabeleceu um Tribu. missão de Direitos Humanos e da sua Sub- tando os respetivos Tribunais habilitados Comissão. Em alguns casos. missão da ONU para a Promoção e Proteção venções. existem cerca de 40 procedimen- 2 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo tos especiais que recolhem informações de Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos acordo com o seu país ou área temática de Económicos. se desenvolveram com base na Carta das Na- existe um Protocolo facultativo que auto. por exemplo. por vezes. ções Unidas e que se destinam às violações riza o Comité dos Direitos Civis e Políticos dos direitos humanos no mundo. os De forma complementar aos mecanismos relatores especiais para a tortura ou para a contidos nos instrumentos de direitos huma. da Co- Interamericana de Direitos Humanos. isto a emitir sentenças vinculativas para os Es. encontra-se sob os Direitos das Pessoas com Deficiência. No todo. 10 Estados atividade. tal só é possível para as de 1970. representantes da Comissão de Direitos Hu- nal Africano dos Direitos Humanos e dos manos ou do Secretário-Geral relativamente Povos. é. mas através de dois comités (para as comunica- esta é uma modalidade raramente utiliza. os procedimentos especiais. es. Só existe um procedimento judicial ao Conselho de Direitos Humanos. Protocolos semelhantes introduziram a em Genebra. como o do PIDCP. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de maio de 2013 tendo.

porém. Até 2011. peciais continuam a ser testados. o Kosovo. através todas as ações. A intensidade das sessões Defensores de Direitos Humanos. os mandatos para os relatores desaparecimentos forçados e involuntários. informações e promovem a elevação dos manos em todos os Estados-membros das padrões de direitos humanos. os direitos humanos e a sua inclusão em O Conselho de Direitos Humanos. responder a problemas graves de cípios de direitos humanos. a Colômbia. os direitos humanos à desenvolvimento. Os procedimentos es- se demonstre a falta de eficácia na susten. Estes países pretenderam mento estrutural. como é o caso do grupo de trabalho sobre os Também. nos da ONU assumiu todos os mandatos. à alimentação. das prioridades. realizando um trabalho substantivo a ser tos procedimentos de cumprimento ou que adotado pelo CDH. o Conselho de Direitos Huma. rapida. a Gua- sessões para três por ano. países como o Afeganistão. para o estabe- de diretamente perante a Assembleia-Geral lecimento de missões do Alto Comissaria- das Nações Unidas. teve lugar ções Unidas. com base na DUDH e ou. o Camboja. por exemplo. Estabeleceram-se missões em ções Unidas a um patamar mais elevado. os padrões de voto no ou no caso de alguns direitos económicos Conselho deram a maioria aos países em e sociais. composto por peritos e nos casos em que não tenham sido previs. por exemplo do direito ao territórios palestinianos ocupados mais do desenvolvimento e os “grupos de trabalho”. assim como se temala. através da assessoria no processo de tros tratados de direitos humanos ratifica. de modo a fundamentar das suas sessões especiais. Exemplos meiras experiências com o CDH foram de podem ser encontrados na Declaração dos vária ordem. todos os Estados-membros das As atividades destas instituições especiais Nações Unidas foram submetidos à RPU têm um propósito de proteção e de promo- que conclui com diversas recomendações e ção. não Em 2006. A Sub-Comissão para a promoção dos direitos humanos implica Proteção dos Direitos Humanos foi substi. reitos Humanos’. etc. em países em que existe uma situação Humanos (CDH) é suposto levar a eficácia problemática no que diz respeito aos direi- do sistema de direitos humanos das Na. reforma legislativa ou da participação nos dos [Revisão Periódica Universal (RPU)]. tos humanos. Existem ainda os “peritos que o Conselho focasse a sua atenção nos independentes”. a uma habitação do Islâmico. IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS UNIVERSAIS DE DIREITOS HUMANOS 61 crescente da ONU e também funcionam tuída pelo ‘Comité Consultivo para os Di- como mecanismos de acompanhamento. à saúde e a políticas de ajusta. por país. a direitos humanos. Em 2010/2011. solidamente as soluções adotadas em prin- mente. F. O Conselho de Direitos do. pode. aumentou. Na verdade. especialmente do mun- educação. trabalhos da comunidade internacional. o Haiti. Estas missões recolhem a tarefa de rever a situação de direitos hu. designada- Nações Unidas. uma tarefa bem mais ampla que não pode- . no genocídio no Sudão. atribuiu ao Conselho de Direitos Humanos a Serra Leoa. que. Elas promovem a sensibilização para constitui uma inovação relevante. foram renovados. Note-se ainda que o Alto Comissariado da funções e responsabilidades da Comissão ONU para os Direitos Humanos tem vindo de Direitos Humanos e desde então respon. a aumentar os seus recursos. como parte das reformas das Na. de Cuba e da Bielorrússia. conduzindo a uma revisão condigna. o Montenegro. a Bósnia-Her- Para este efeito. As pri- tabilidade e na monitorização. de 1998. a revisão dos novos procedimentos. mente. aumentou-se o número de zegovina. tais como.

As instituições nacionais versidades. ção da vergonha” pode ser bastante efetiva. em particular em países que não mentais (ONG). As ONG. Estas institui- instituições nacionais de direitos huma. direitos humanos. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL O impacto da sociedade civil. acima de de. em 1998. tais como os “pedidos urgentes de ação” com o objetivo de pres- sionar os governos. tais as ONG que trabalham ao serviço dos como a International Crisis Group (ICG). a criação de na Ásia e nos países Árabes. dos operacionais. fundamentados na investigação dos berdade de associação. onde humanos. beneficiem de um sistema regional eficaz Ao nível nacional. tudo. como a liberdade de expressão e dos órgãos internacionais de monitorização. em 1993. os saibam utilizar da melhor forma. Normal. protegida pelo artº factos e na monitorização. bem como méto- res podem ser envolvidos. A estratégia “mobiliza. a ONU recomendou. com muita eficácia. de proteção de direitos humanos. lidade. dos meios de informação (Artº 19º) ou a pre. AG 48/134 (1993). mentos particulares. garantias de indepen- modo a atingir este propósito.62 I. que os conheçam e que vários padrões relativos às competências. Na ONU. incluindo uni. Com esta finalida- dos direitos humanos implica. A promoção de Direitos Humanos. ou a International de necessária para o fazer e têm de ser . G. foram adotados pela AGNU. dência e de pluralismo. tem-se revelado cru. De acordo com uma resolução da AGNU. representado Helsinki Federation (IHF) influenciam os go- sobretudo pelas ONG. como os Provedores de Justiça têm um estatuto consultivo. Change especializaram-se em campanhas de nos ou degradantes (Associação para a Pre. utilizam procedi- po. tal como na Res. De responsabilidades. a direitos humanos têm de ter a liberda- Human Rights Watch. ções cooperam regionalmente e no âmbito nos que promovam e protejam os direitos do Conselho de Direitos Humanos. como a volvimento. Uma outra forma 22º do PIDCP. APT). etc. prosseguem interesses de proteção tórios oficiais nacionais apresentados junto específicos. As ONG. Algumas ONG. que as pessoas estejam conscientes os “Princípios de Paris” que estabelecem dos seus direitos. vários ato. tais como a Avaaz (voz) ou a venção da tortura e de tratamentos desuma. tornaram-se uma de atuação eficaz das ONG é a elaboração espécie de “consciência do mundo”. as pessoas e de informação independentes. As ONG assentam na li. dos “relatórios-sombra” paralelos aos rela- mente. podem desempenhar um papel muito im- mas também Organizações Não Governa. vernos e a comunidade internacional através cial para o desenvolvimento do sistema de da elaboração de relatórios de elevada qua- direitos humanos. se contar com o apoio de meios dos Direitos Humanos. o setor da educação em geral. a Declaração dos Defensores sobretudo. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rá ser executada apenas pelas instituições (Ombudspersons) ou Comissões Nacionais e organismos internacionais. a internet. portante.. utilizando para o seu esco- Amnistia Internacional. meio-ambiente ou desen- venção da Tortura.

e a UE têm o objetivo de os apoiar. campanhas sobre assuntos específicos ricula. a UNESCO. os direitos humanos. com o objetivo de qualificação profissional. que deu os Comités Helsinki têm sido sujeitas início à Década das Nações Unidas para a críticas e. mesmo a Educação em matéria de Direitos Huma- perseguições pelo teor do seu trabalho. CLADEM ou a WIDE dão realce. As redes de ONG assumiram particular importância na luta pela igualdade das mulheres e a sua proteção. do compromisso de Em África. a ção e da produção de materiais didáticos. de Aprendizagem de Direitos Humanos. através do desenvolvimento de cur. violência contra as mulheres. DIREITOS HUMANOS E A SOCIEDADE CIVIL 63 protegidas contra qualquer tipo de per. O Estado não e comportamento discriminatório. através da internet e também disponibili- trolo da lei. O Secretário-Geral da ONU nomeou um A ONG austríaca Centro de Formação e In- Representante Especial para os Defenso. tende a criação de Instituições Regionais de detenção de ativistas de direitos hu. nos. As ONG também desempenham As organizações da sociedade civil aju- um papel determinante na Educação e dam a amplificar a voz dos não privile- Aprendizagem para os Direitos Huma. assistem Humanos. o Conselho da Europa seguição. os direitos frequentemente. Também o Comissário dos Di. mas também A ONG Human Rights Education Associa- de grupos violentos. manos por estes desenvolverem o seu No campo da formação contra o racismo trabalho legitimamente. a que estas ultrapassem os obstáculos à ensão de que todos somos titulares de todos igualdade plena e a não discriminação. nas suas nos pode ser conseguido por qualquer um agendas. a Liga só tem a obrigação de proteger esses ati.” antes da sessão da Comissão Africana de Navi Pillay. com base no Manual de Educa- reitos Humanos do Conselho da Europa ção para os Direitos Humanos. Alta Comissária da ONU para os Direitos Direitos Humanos e dos Povos. es. Não é um papel que requeira uma os Direitos Humanos. Anti Difamação (LAD) está ativa em todo vistas dos seus próprios representantes. Ásia da ONU. económica e politicamente.hrea. o mundo. ONU. Em nos. G. da organização de ações de forma. nomeadamente. como é o caso da polícia. relacionados com o comércio justo. em cooperação com a humanos e as violações ambientais. za recursos eletrónicos (www. Em alguns Estados. vestigação em Direitos Humanos e Demo- res de Direitos Humanos que velará pela cracia (ETC) organiza cursos de formação implementação da respetiva declaração de formadores no Sudeste da Europa. à Educação e Aprendizagem para de nós. a “O título de Defensor dos Direitos Huma. e África. ou outras instituições intergovernamen- ções como a Amnistia Internacional ou tais. as ONG reúnem regularmente tornar esse ideal uma realidade. à sessão e organizam atividades conjuntas de formação. em alguns casos. organiza. A UNIFEM. em todo o mundo.org). da compre. Depende apenas fortalecer o poder das mulheres de modo da preocupação pelo próximo. refe- . onde pre- Há inúmeros casos. giados. A nível global. tes (HREA) organiza cursos de formação quadrões da morte que assumem o con. também alcançou o Sul. a PDHRE. pelas suas próprias mãos.

assegurar que os compromissos institu- As ONG podem fortalecer e mobilizar vá. o prima- Comissões de Direitos Humanos são geral. mas também na alteração das leis nacionais de modo Instrumentos Europeus de Direitos a torná-las conformes com as obrigações Humanos internacionais de direitos humanos. cionais respondem às necessidades das rias organizações da sociedade civil nos pessoas. desenvolveram-se bros). os pilares do ordenamento jurídico euro- dem não só resultar em “casos que abrem peu. em 2013). selho da Europa e da União Europeia são ção das disposições contidas nos instru. seus países. A vantagem dos sistemas regionais é a O sistema europeu de direitos humanos é o sua capacidade de resolver as queixas de sistema regional mais elaborado. Po. as sentenças são vinculativas e com direitos humanos durante a Segunda Guer- indemnizações e as recomendações das ra Mundial. o da Organização para a Seguran- vários sistemas regionais de direitos hu. habitualmente. Desumanos ou Degradantes (1987) . Segurança Humana Já. tais (1950) e 14 Protocolos Adicionais cupações culturais e religiosas.Carta Social Europeia (1961). caso haja . volver a participação cívica nos pro- cional tem chamado a atenção do mundo cessos económicos e políticos e para para as ameaças à segurança humana. No caso dos tribu. veu-se em reação às violações em massa de nais. Os instrumentos principais do Con- precedentes” na interpretação e clarifica. Desenvol- forma mais eficiente. ça e Cooperação na Europa (em 2012: 56 manos que.) H. Humana. revista razões válidas para elas. da adesão esperada da Croácia. do do Direito e a democracia pluralista são mente levadas a sério pelos Estados. . vinculativos para todos os Estados Partes. Os direitos humanos. 2003. para desen. 28 depois implementação. EUROPA .Convenção para a Proteção dos Direitos os sistemas regionais tendem a mostrar Humanos e das Liberdades Fundamen- uma maior sensibilidade para com preo. a sociedade civil interna. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Além do sistema universal de proteção lho da Europa (em 2012: 47 Estados-mem- dos direitos humanos. Mais. em 1991 e 1996 e Protocolos Adicio- nais 1988 e 1995 I.64 I. (Fonte: Comissão sobre a Segurança seada nos direitos humanos. através de uma educação ba. mentos de direitos humanos. conferem um Estados-membros) e o da União Europeia padrão mais elevado de direitos e da sua (em 2012: 27 Estados-membros. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS rindo só alguns.Convenção Europeia para a Prevenção O sistema europeu de direitos humanos da Tortura e das Penas ou Tratamentos tem três dimensões: o sistema do Conse.

que União Europeia (2000) criou o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos De- 1.Carta Europeia das Línguas Regionais lo Adicional. em 1988 e em 1995. de 1950. processos de autodeterminação que ocor- . confere também a possibilidade de queixas coletivas. O Comité envia Conselho da Europa delegações a todos os Estados Partes da Convenção para realizarem visitas regula- a. assenta no seu efeito preventivo ao contrá- damentais (CEDH). Assim. um reno. a lógica do sistema Direitos Humanos e das Liberdades Fun. de 1961. Visão geral res ou especiais (Ad-hoc) a prisões. reitos Humanos. mas nunca atingiu a mesma lho da Europa em Viena. A Convenção Quadro Europeia para a A Carta Social Europeia.Convenção Quadro para a Proteção Convenção Europeia para a Prevenção da das Minorias Nacionais (1994) Tortura e das Penas ou Tratamentos De- . a nível universal.Ato Final de Helsínquia (1975) e o vado interesse tem vindo a ser depositado respetivo processo seguinte da CSCE/ na Carta Social Europeia que foi alterada OSCE com a Carta de Paris para uma duas vezes. H. de 1987. hospi- O instrumento jurídico principal é a Con. dos desde o final da década de 80. em 1993. De ponsabilidade da CEDH e do seu Tribunal. Atual- nova Europa (1990) mente. como importância da CEDH.Carta dos Direitos Fundamentais da sumanos ou Degradantes. foi con. contra a Tortura que prevê um mecanismo ropeia de direitos humanos da perspetiva semelhante a operar em todo o mundo. que substituíram a Nacionais” a serem estabelecidos em todos Comissão Europeia dos Direitos Humanos os Estados Partes e visitas preventivas a se- e o Tribunal Europeu dos Direitos Huma. mais genericamente. blemas são o resultado da dissolução da te à crescente atenção conferida aos direi. Este prevê os “Mecanismos de Prevenção tocolos nº 11 e nº 14. Proibição da Tortura sobretudo. ou Minoritárias (1992) Uma significativa inovação surgiu com a . A CEDH contém. Proteção das Minorias Nacionais (1995) cebida para adicionar os direitos económi. mas também o direito à educação. tais psiquiátricos e todos os outros locais venção Europeia para a Proteção dos de detenção. com base num Protoco- . Contudo. direitos civis e políticos. rem realizadas pelo Subcomité para a Pre- nos por um tribunal permanente de Di. o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). particular importância são os Protocolos Em dezembro de 2002. e melhoraram os seus procedimentos. Estes pro- débil e ineficiente. União Soviética e da República Socialista tos económicos e sociais. que distinguem a perspetiva eu. da Jugoslávia e. O Sistema de Direitos Humanos do sumanos ou Degradantes. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 65 . foi elaborada após a Cimeira do Conse- cos e sociais. juntamente rio da proteção ex-post facto ainda da res- com os seus 14 Protocolos Adicionais. e os Pro. paralelamen. Desde o início que reação aos problemas crescentes com os sofreu de um sistema de implementação direitos das minorias na Europa. sobre a abolição da pena Protocolo Facultativo à Convenção da ONU de morte. a AGNU adotou um nº 6 e nº 13. dos Estados Unidos da América. venção da Tortura (SPT).

Comité Europeu para a Prevenção da proporcionar as condições que permitam Tortura e das Penas ou Tratamentos às minorias manter e desenvolver a sua Desumanos ou Degradantes (CPT.Comissário Europeu de Justiça e Direi- tos Fundamentais Instituições e Órgãos Europeus de Di- reitos Humanos .Comité Europeu dos Direitos Sociais do a Convenção. mocráticas e os Direitos Humanos O Conselho da Europa também estabe- (ODIHR. Meios de Informação (1997) ses. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS reram na Europa. Contudo. Para esta finalidade.66 I.Assembleia Parlamentar do Conselho dos-membros do Conselho da Europa. A Assembleia Parlamentar do Con- selho da Europa encontra-se ativamente União Europeia (UE): envolvida nas questões dos direitos hu- manos. Organização para a Segurança e Coope- ções gerais de política e preocupa-se com ração na Europa (OSCE): o envolvimento da sociedade civil. os Estados têm de prote. estabeleci- Conselho da Europa (CdE): da a partir do Observatório Europeu . e também realiza visitas aos paí.Comissário Europeu para os Direitos e a Intolerância (CERI) foi estabelecida Humanos (1999) na Cimeira da Europa em Viena. mas também têm de . Também apresenta recomenda. a Intolerância (CERI. . 1989) canismo de efetivação da lei resume-se a . enquanto o Comité de Ministros é .Representante para a Liberdade dos grantes. tal como a situação dos mi. . .Comissão Europeia contra o Racismo e países. (revisto 1999) ger os direitos individuais dos membros de minorias nacionais.Comité de Ministros do Conselho da para combater o racismo. o Europa antissemitismo e a intolerância. nos (tribunal único em 1998) 1998) . a xenofobia. . na década de 90. 1993) A Comissão Europeia contra o Racismo .Tribunal de Justiça da União Europeia o órgão funcional principal na supervisão (TJUE) de todo o sistema. em 2003. pre. 1990) leceu.Comité Consultivo da Convenção Qua- um sistema de apresentação de relatórios dro para a Proteção das Minorias Na- e à existência de um Comité Consultivo de cionais (1998) Peritos encarregado de analisar esses re- latórios e que também realiza visitas aos . um Comissário para os Direitos Humanos que se centra nas la. na luta . em 1999.Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2007). .Tribunal Europeu dos Direitos Huma. o me. . junto com os Esta.Escritório para as Instituições De- contra o racismo e intolerância. cultura e a sua identidade. Segun.Alto Comissariado para as Minorias cunas da proteção europeia dos direitos Nacionais (1992) humanos. do Racismo e da Xenofobia (OERX. a Comissão. da Europa para relatórios periódicos sobre a situação nesta área.

Não tem uma carta jurídica nem personali- manos ou nos seus Protocolos Adicio. A queixa deve ser feita num prazo de 6 de acompanhamento ou em encontros de meses depois de esgotados os mecanis. vindo a desempenhar um papel importan- O problema principal deste sistema é o te nas várias missões de terreno. ganização para a Segurança e Coope- Para que uma queixa seja admissível. em 2004. uma secção mente organizadas são um mecanismo de de 7 juízes decide sobre o mérito do caso. e as conferências de acompanhamento regular- Se considerada admissível. em 1998. para os Estados. H. O “Processo A sua decisão será definitiva se se con. O(s) autor(es) da queixa deve(m) ser meramente político e não são vinculativas a(s) vítima(s) da violação. Para fazer face a este Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). mas irá aumentar to nacional.000. humanos na Europa. Esgotamento de todos os mecanismos obrigações frequentemente muito detalha- de proteção nacionais eficazes. o Proto- em Estrasburgo. ração na Europa (OSCE) têm de ser preenchidas quatro importantes condições prévias: A OSCE. cuja jurisdição obriga. OSCE desenvolve diversas atividades na buição de uma indemnização por danos.000. ainda mais o número de processos. representantes dos Estados-membros. a ças são vinculativas e podem prever a atri. incluindo os EUA e o Canadá. colo nº14 à CEDH. Sob o título da “dimensão humana”. das. medidas adicionais. problema. O Sistema de Direitos Humanos da Or- encontra-se limitado a 9 anos. em 2011. como na . grande número de queixas recebidas que manos cresceu de cerca de 1. No entanto. foi adotado. Convenção Europeia dos Direitos Hu. verifi. tervir com a função de recurso. para O principal instrumento de proteção dos 56. Também tem responsabilidade do Comité de Ministros. rações e recomendações têm um carácter b. dade jurídica internacional e as suas decla- nais. uma vez nomeados. A área dos direitos humanos e dos direitos supervisão da execução das sentenças é da das minorias. As senten. as listas de c. o tribunal operação na Europa alargada de 56 países. Em União Europeia à CEDH irá aumentar ain- cada caso está envolvido um “juiz nacio. causando assim uma so- direitos humanos na Europa é o Tribunal brecarga do sistema. da mais o quadro de proteção dos direitos nal” para facilitar a compreensão do direi. Contudo. peritos e monitorizadas pelo Conselho de mos de recurso nacionais. composto por 17 juízes. pleno. monitorização bem sucedido. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 67 b. O Tribunal Europeu dos Direitos Hu. são necessárias tória é reconhecida por todos os Esta. os juízes servem apenas na sua capacida- de pessoal e o exercício das suas funções 2. em particular. Violação de um direito consagrado na 1994. poderá in. A adesão prevista da dos-membros do Conselho da Europa. porém. é uma organização muito peculiar. de Helsínquia” desempenhou um papel siderar que a questão não tem particular importante no desenvolvimento da coo- relevância ou não representa uma nova peração entre o Leste e o Oeste durante a linha de jurisdição. adotadas em diversas conferências d. que substituiu a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa em a. Guerra Fria e na criação de uma base de co- cando-se uma destas situações. Caso contrário.

como foi os direitos humanos e a democracia se tor- o caso dos provedores de justiça na Bósnia nassem conceitos chave da ordem jurídica e Herzegovina ou no Kosovo. Atualmente. sóvia. assim como ONG. ropeia. monitorização de eleições democráticas. a Convenção Eu- papel relevante na resolução de conflitos ropeia dos Direitos Humanos de 1950. dos do Sudeste Europeu. Muitos di- O Alto Comissário para as Minorias Na. ga para o reconhecimento de novos Esta- ticas e dos Direitos Humanos (ODIHR. com outras organizações regionais ou in. assim como preocupava com questões políticas como para os promover e prestar assistência em os direitos humanos. localizado em Var. Também está envolvida na promoção (Tratado de Lisboa) que entrou em vigor da educação para os direitos humanos. a Comunidade Europeia em vários países da Europa em transição também tem desenvolvido uma política de para democracias pluralistas. tradições constitucionais comuns aos Es- ção (Direitos das Minorias. foi desempenhado pelo Tribunal Europeu ciais sob a forma de um Alto Comissário de Justiça que desenvolveu uma juris- para as Minorias e um Representante dição de direitos humanos derivada das para a Liberdade dos Meios de Informa. Liber. para redigir a Carta dos Direitos Funda- pressão “Educação para respeito mútuo e mentais da União Europeia. Um papel importante Foram desenvolvidos mecanismos espe. Desde os anos 80. de 1995. criada em 1957. E e na reconstrução pós-conflito na Euro. direitos humanos nas suas relações com so de democratização e a promoção dos países terceiros. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Bósnia e Herzegovina ou no Kosovo. de início não se tuação dos direitos humanos. te nos denominados critérios de Copenha- critório para as Instituições Democrá. Os artos 6º e 7º em língua inglesa). em 2009. A Política de Direitos Humanos da este propósito. partes. desde os anos 80. do Tratado da União Europeia. A OSCE igualdade. a liberdade bilidade de lidar com as tensões étnicas de associação e religião ou o princípio da na fase mais precoce possível. permitiu que em países onde mantém missões. que tem a responsa. as missões da OSCE têm União Europeia um departamento de direitos humanos. cujos funcionários são destacados por todo Enquanto a Comunidade Económica Eu- o país para monitorizar e relatar sobre a si. A OSCE desempenha também um referem. o que se reflete igualmen- direitos humanos são apoiados pelo Es. respetivamente. na qualidade de membro. . adotada na compreensão”. sob a ex. Com 3. como o direito de propriedade. explicitamente. Em 2000. A OSCE também apoia da Europa no sentido da criação da União instituições nacionais de direitos humanos Europeia. que é de particular importância tem igualmente um papel importante na no direito da União Europeia. a Convenção Eu- rios em Haia e em Viena. princípios gerais de direito comunitário. em 2000. O proces. Cimeira de Nice. a integração política casos de proteção. ropeia dos Direitos Humanos. convocou-se uma Convenção ternacionais. reitos humanos foram construídos como cionais constitui um instrumento de pre. nomeadamente. a UE iniciou negociações para realizada através de projetos e ligações aceder à CEDH. de acordo com o tratado reformador da UE pa. europeia comum.68 I. venção de conflitos. tados-membros e tratados internacionais dade de Expressão e Liberdade dos Meios dos quais esses Estados-membros eram de Informação) que têm os seus escritó.

deficiência ou desde o início dos anos 90. como a China e o Irão. na UE. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 69 esta Carta é o documento mais moderno tortura e a pena de morte ou à campanha de direitos humanos na Europa e inclui. e tendo por base programas a importância desta política de direitos multianuais. A Agência dos Direitos Fundamentais líticos. proteção social. a Carta de Direitos Fundamentais Xenofobia (OERX). mas também todos os Estados-membros da UE. incluindo Europeia que define a estratégia política. particu- direitos humanos e democracia. Baseia-se no trabalho do trada em vigor do Tratado de Lisboa. Para esta peu para a Ação Externa (SEAE). da União Europeia (ADF) foi criada em rais. A sua agência suces- peu. latórios regulares e abrangentes. O União Europeia. sociais e cultu. idade. como o Acordo de Cotonu. monitorizava a situação na Europa da Euromed e os Acordos de Estabilidade e apoiava atividades para combater o ra- e Associação com países do sudeste euro. A diretiva aplica-se tanto ao dada importância especial à luta contra a setor público como ao privado. orientação sexual. em Viena. num único texto. é disponibilizada ajuda fi. Tal tem-se realizado parte da sua Política Externa de Segurança com ênfase em áreas temáticas seleciona- Comum. o Conselho blica relatórios anuais sobre situações de adotou a diretiva 2000/43/EC. em 1998. sora. também tem a incumbência A União Europeia desenvolveu uma políti. dentro da . numa nada FRANET. Viena. de monitorizar todos os direitos contidos ca de direitos humanos para as suas rela. to igual entre as pessoas. em 2007. Com a en. formando Fundamentais. H. à semelhança da DUDH. também pu. pelo Tribunal Penal Internacional. Desde então. ticos e estudos com a ajuda de uma rede O Serviço Europeu para a Ação Externa de pesquisa de pontos focais nacionais de profere declarações públicas. o Acordo ONG. blema crescente do racismo e da xenofobia reitos humanos nos seus acordos bilate. O Relatório Anual de Direitos das. rea. operacionalizada como o acesso e fornecimento de bens e pela Europe Aid. para abordar o pro- Desde 1995. apoiado por rais. o OERX. tanto direitos civis e po. liza “diálogos de direitos humanos” com O Tratado sobre o Funcionamento da diversos países. na religião ou crença. educação. publicado pelo Serviço Euro. a UE inclui cláusulas de di. por via da larmente no que respeita aos setores do Iniciativa Europeia para a Democracia e emprego. Um comité científico e uma “diplomacia de direitos humanos” casuís. criado anteriormente passou a ter valor jurídico vinculativo. independente- nanceira para projetos de ONG na área dos mente da origem racial ou étnica. elaboram-se relatórios temá- humanos para a União Europeia em geral. É a habitação. como económicos. na Carta da União Europeia dos Direitos ções internas e internacionais. em nome da Comissão serviços disponíveis ao público. manos como uma prioridade europeia e. nação com base na origem racial ou étnica. plataforma da sociedade civil disponibili- tica e. Em 2000. empodera a Parlamento Europeu assumiu a liderança União Europeia para combater a discrimi- no que respeita a manter os direitos hu. em Observatório Europeu do Racismo e da 2009. reflete finalidade. bem os Direitos Humanos. sobre a direitos humanos no mundo e na UE. no artº 19º. na UE. junto com a União Europeia. a ADF. mais do que através da redação de re- Humanos. cismo e a xenofobia. zam aconselhamento. Por implementação do princípio do tratamen- sua iniciativa. denomi- se encontra ativo nos bastidores.

ONG podem apresentar queixas. forma particular. Sociais e Culturais em 1959. apesar de a Comissão ter a sua nir. 1928. De acordo em vigor em 1995.Tribunal Interamericano dos Direitos mentada por dois protocolos adicionais. Pu- da por outras diretivas. Direitos Humanos das Mulheres Não Discriminação e Direitos Hu- Sistema Interamericano de Direitos manos das Mulheres Humanos II. A Comissão Interamerica. este princípio foi desenvolvido bre os Direitos das Mulheres (desde 1994). que entrou ticular importância à igualdade. adotada em 1969.Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) O Sistema Interamericano de Direitos Hu. como a diretiva atualizada do tratamento igual 2002/73/EC. em vigor 1978. . Humanos (1959) ricana dos Direitos e Deveres do Homem. desde então. (Convenção de Belém do Pará). juntamente com Humanos (1969. dos Partes) trou em vigor e. Há também um Relator Especial so- Além disso. . 32 Estados Partes) contemplou a criação de um Tribunal Inte. A Convenção também tra a Mulher (1994. De acordo bros têm de aplicar o princípio da “igualdade com esta Convenção.Convenção Interamericana para Preve- Convenção. venção Interamericana para Prevenir. a União Europeia dá par. desde então. . merece ser referida de com o artº 157º do Tratado sobre o Funciona. AMÉRICAS . reitos Económicos. mas a Con. 35 Estados-membros da OEA. Humanos (1979. sociais e cul.Protocolo Adicional em Matéria de Di- na de Direitos Humanos criada pela OEA. . 19 Estados Partes) teramericano de Direitos Humanos. Os Estados Unidos não são parte da . em vigor 1984) um sobre direitos económicos. com sede na Costa Rica. nação contra as Pessoas Portadoras de onde também está localizado o Instituto In. nir e Erradicar a Violência contra a Mulher Do mesmo modo. . e constituída por 7 membros é o (1988.Comissão Interamericana dos Direitos manos começou com a Declaração Ame.Convenção Interamericana para a Elimi- ramericano de Direitos Humanos. grupos ou conferem direitos às mulheres. foi comple. Existem vários instrumentos jurídicos que As pessoas individualmente. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS UE e.Comissão Interamericana de Mulheres turais e outro sobre a abolição da pena de (1928) morte. por regulamentos e diretivas. . 24 a Carta da Organização dos Estados Ame. . Já foi ratificada por 32 dos mento da União Europeia. devem ser submetidos de remuneração entre homens e mulheres” relatórios nacionais regulares à Comissão e de adotar medidas destinadas a assegurar Interamericana de Mulheres. os Estados-mem. tem sido complementa. a Convenção Americana sobre ção da Pena de Morte (1990. Estados Partes) ricanos (OEA). Punir e Erradicar a Violência con- sede em Washington.70 I. designa- . 12 Esta- Direitos Humanos. Deficiência (1999. que foi nação de Todas as Formas de Discrimi- criado em 1979. 16 Estados Partes) órgão mais importante do sistema.Protocolo Adicional referente à Aboli- Em 1978. criada já em o princípio da igualdade de oportunidades.Convenção Americana sobre Direitos que foi adotada em 1948. en.

28 Estados pressão. Há muitas ONG que ajudam . o Tribunal tem sete . e não tem carácter permanente. mas pode também receber queixas de Es- A Carta estabelece a Comissão Africana tados (o que nunca aconteceu até à data) dos Direitos Humanos e dos Povos. H. nomeadamente. Enuncia. sobre os direitos dos trabalhadores Partes) migrantes.Carta Africana dos Direitos Humanos membros. na (UA). na prática. que sucedeu à OUA em 2001. protocolo adicional à Carta sobre o estabe- rias de direitos humanos num documento. em vigor 1986. sobre os direitos das mulheres e . Deste modo. em vigor 2003. na Gâmbia. tos humanos e dos povos. e dos Povos (1981. Também 24 Estados Partes) existem procedimentos especiais como os . 45 Estados Partes) III. em vigor 1999.Protocolo sobre os Direitos das Mulhe- Relatores Especiais sobre a liberdade de ex. da nos e dos Povos tem um mandato amplo Carta Africana dos Direitos Humanos e na área da promoção dos direitos humanos. Sistema Africano de Direitos Humanos sobre a interpretação da Convenção. relativamente ao Tribunal. que entrou em vigor em 1986. 53 A Comissão pode igualmente levar a cabo Estados Partes) investigações no terreno e publica relató. Os critérios de mada por 11 membros. por exemplo. que pode também da civilização africana que tem como obje- pedir informação sobre medidas de direi. uma abordagem da Declaração Universal dos das razões que justificou a adoção de um Direitos Humanos unindo todas as catego. Atualmente. O Tribunal pode tam- bém emitir pareceres. Tribunal não recebia muitos casos. mudou desde então. . consagra também direitos só através da Comissão que pode decidir dos povos. Tal como a Comissão. o que aqueles deveres são pouco relevantes. Estar da Criança (1990.Comissão Africana dos Direitos Huma- rios especiais sobre situações específicas nos e dos Povos (1987) preocupantes. que tem sede em admissibilidade são amplos e também per- Banjul. No entanto.Tribunal Africano de Justiça e Direitos Humanos (2008) O sistema africano de direitos humanos foi criado em 1981 com a adoção. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 71 das “petições” à Comissão Interamericana O seu preâmbulo faz referência aos valores dos Direitos Humanos. tos individuais. e de indivíduos ou grupos. duos. Direitos Humanos e ao Tribunal. ainda. pela então A Comissão Africana dos Direitos Huma- Organização da União Africana (OUA). ÁFRICA . dos Povos. a Comissão não pode emitir ratificaram a Carta Africana que segue a decisões juridicamente vinculativas. o à família e à sociedade mas. Além dos direi- mericano não se pode aceder diretamente. em nome das vítimas das violações. Ao Tribunal Intera.Protocolo sobre o Estabelecimento do as vítimas de violações de direitos humanos Tribunal Africano dos Direitos Huma- a levar casos à Comissão Interamericana de nos e dos Povos (1997.Carta Africana dos Direitos e do Bem- sobre os direitos da criança. for. tivo inspirar o conceito africano dos direi- tos humanos tomadas. lecimento do Tribunal Africano dos Direitos . todos mitem comunicações de ONG ou indiví- os 54 Estados-membros da União Africa. os deveres dos sobre que casos deverão ser transmitidos indivíduos. em vigor 2005. no passado. res (2003.

da ONU. OUTRAS REGIÕES sumárias e arbitrárias. bleia dos Chefes de Estado e de Governo Frequentemente. organiza ses. ceu. a Conferência Islâmica (OCI)3. a Assem. cipar nas reuniões públicas da Comissão. O Protocolo de Maputo entrou tos à Sharia Islâmica. O Comité Africano de Peritos relatórios são frequentemente irregulares sobre Direitos e Bem-estar da Criança reú- e insatisfatórios. tal como no sistema interamericano. em 1990. como depois da execução de nove mem. deve- expressão. ratificado por 28 países. em 1994. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS Humanos e dos Povos. levam-lhe casos de vio- decidiu fundir o Tribunal com o Tribunal da lações e apoiam o trabalho da Comissão e União Africana. fora em termos do direito internacional. ro sobre Direitos Humanos no Islão”. em 1989. como resultado o facto de as ONG nigeria- Pode receber queixas através da Comissão. Uma parte importan. na Nigéria. na Tanzânia. mente ao Tribunal se os Estados proferirem Depois da adoção da Convenção da ONU uma declaração direta a esse respeito. apenas entrou em vigor em 1999 e. mas nunca UA adotou um Protocolo Adicional à Carta adotada oficialmente. a Comissão nomeou Relatores Especiais sobre execuções extrajudiciais. tendo tido o Tribunal proferiu a sua primeira decisão. . por exemplo. o que veio a acontecer em dos seus relatores especiais. No entanto. uma Carta Africana dos Uma monitorização regular da situação Direitos e do Bem-Estar da Criança. No entanto. tornando-se no Tribunal Africano de portante que os governos façam com que Justiça e Direitos Humanos. e teve sistemas jurídicos nacionais. em 1995. que foi redigida pelos Ministros dos direitos das mulheres. é feita pela Comissão.72 I. É também im- 2008. sobre os direitos dos arguidos. O Tribunal a Carta seja diretamente aplicável nos seus encontra-se em Arusha. Negócios Estrangeiros da Organização da Na Cimeira de Maputo. nas. tos humanos árabes e adotada pelo Conse- sões extraordinárias em casos específicos. 3 Em junho de 2011. em julho de 2010. foi ratificada por 45 Estados-mem- de relatórios estatais. o sobre os Direitos da Criança. adotada. No nacional relativa aos direitos humanos entanto. Moçambique. sobre liberdade de Relativamente aos países islâmicos. Em 2009. através do exame até 2011. mi. requerentes de asilo. dos Direitos Humanos por peritos de direi- vestigação e de divulgação. Baseando-se na prática ne-se pelo menos uma vez ao ano. rá ser mencionada a “Declaração do Cai- sobre refugiados. a OCI passou a designar-se Or- te da força da Comissão vem das ONG de ganização da Cooperação Islâmica. Os terem levado com sucesso aos tribunais ni- indivíduos apenas podem recorrer direta. Isto aconte- a sua primeira reunião em 2006. que entrou em vigor África e de outros locais que podem parti- em 2003. Além disso. estes bros da UA. em 2004. lho da Liga dos Estados Árabes. o que é questionável em vigor em 2005 e. gerianos casos de violações da Carta. mas que nunca entrou em vigor devido à fal- bros do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni. consagrados nesta Declaração estão sujei- em 2003. e o seu julgamen- to injusto na Nigéria. IV. Todos os direitos sobre os Direitos das Mulheres em África. sobre prisões e condições de detenção. foi elaborada uma Carta Árabe A Comissão também envia missões de in. como a Constitutional Rights Project. de grantes e deslocados internos e sobre os 1990. foi que constitui até agora a exceção.

ainda não foi possí. e. apesar de diversas tentativas. se as consultas ini- com um mandato. constituem os elementos essenciais do pre- mental sobre Direitos Humanos. europeia (Asia-Europe Meeting . Asiática de Direitos Humanos. Uma das considerações poder a governos eleitos democraticamen- principais é a prevenção de mais crimes. nº2. tação de contas tornou-se uma preocupa.” No caso de violações graves te em representantes dos Estados-membros. sobretudo. o Acordo devido à diversidade na região. mais porém. anual sobre Direitos Humanos. no artº 9º. de 200 ONG asiáticas.ASEM) Asiática para a Cooperação Regional (SAARC. por ocasião do um Comité Árabe de Direitos Humanos que. após 7 ratificações. Adotou-se. incluin- vel adotar um instrumento regional de Direi. reitera que o Asiático. que consis. que cada vez mais é violadores de direitos humanos tem sido realizado aos níveis nacional e internacio- prática comum por todo o mundo. os princí- Carta prevê um órgão de direitos humanos pios democráticos e o Estado de Direito […] da ASEAN. Uma das suas incumbências é o rem infrutíferas. em 2008. partes do Acordo podem desenvolvimento de uma Declaração de Di. sob a liderança do mas apenas relatórios estatais. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE 73 ta de ratificações. regime. que conduziram a uma nova e os 27 Estados-membros da União Euro- Carta da Associação das Nações do Sudeste peia de 2000. Povos. para nal. Não deve ser confundida com as “am- que normalmente constituem violações nistias” dadas relativamente a ofensas me- sérias de direitos humanos e de direito hu. de direitos humanos. isto é. convencer governantes antidemocráticos. JURISDIÇÃO UNIVERSAL E O PROBLEMA DA IMPUNIDADE A luta contra a impunidade e pela pres. Asian Legal Resources Centre em Hong Na Ásia. a Comissão Intergoverna. ser suspensas. tal Kong. 19 Estados asiáticos. entre a UE sigla em língua inglesa). I. uma reitos Humanos da ASEAN. do a China. te. Enquanto acordo inter-regional. Há também uma Reunião asiática- estabelecida em 2002. 50º aniversário da DUDH em 1998. sente Acordo. I. Também se estabeleceu Ao nível da sociedade civil. elaboraram uma Carta Asiática de como a Convenção sobre Acordos Regionais Direitos Humanos como uma Carta dos para a Promoção do Bem-estar da Criança. em 2007. em 2004. normalmente generais. por exemplo. Também o artº 14º desta “respeito pelos direitos humanos. Um diálogo semelhante existe tos Humanos ou estabelecer uma Comissão entre a União Europeia e a China. pela Associação Sul. não pode receber quaisquer queixas. de Parceria de Cotonu entre 79 Estados de há esforços em áreas de integração regional África. com o estabelecimento . No entanto. a transmitirem o ção geral e global. nores depois de guerras ou mudanças de manitário. atualmente. A impunidade viola o princípio da A garantia de impunidade a grandes prestação de contas. promocional e ciadas na sequência dessas violações fo- consultivo. sobretudo. das Caraíbas e do Pacífico (ACP) como a ASEAN. nova versão que entrou em vigor.

algumas convenções internacionais. contra qualquer população civil”. que tem sessões ex. como a Convenção das Nações Unidas Outras formas de assegurar a prestação contra a Tortura de 1984 prevê uma obri. No caso do General ciliação e de Verdade que foram estabele- Augusto Pinochet. A sua jurisdição sumanos que causem grande sofrimento. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de tribunais penais internacionais espe. siderou que as leis de amnistia. um juiz espanhol. No caso da Argentina. de contas. ternacional contra a impunidade. engloba os crimes de genocídio. voltou para ser presente à justiça. em março de justo. à sociedade de aprender com o passado. o Conselho de Direitos Hu- O princípio da jurisdição universal é apli. o Para prevenir violações de direitos huma. Tal significa que um indivíduo acusado da prática de tortu. de mental ou física. incluindo casos de violação sexual. em 2011. cidas na África do Sul e em outros países no. em 2010. adotado em Roma. . são violenta dos protestos. por tas Comissões dão às vítimas a oportuni- decisão notável da Câmara dos Lordes foi dade de. desaparecimen- o TPI foi estabelecido em Haia como um to forçado de pessoas ou outros atos de- tribunal permanente. formas de violência sexual (Direitos em 1998. julgamento.74 I. conce- Charles Taylor. generalizado ou siste. crimes como ferimentos graves que afetem a saú- contra a humanidade “cometidos no qua. crimes de guerra e o dro de um ataque. este respeito. o antigo chefe de estado da dendo impunidade. e que entrou em vigor em 2002. anterior presidente Mubarak foi levado a nos. a Comissão Inte- ra deve ser presente a tribunal ou deve ser ramericana dos Direitos Humanos con- entregue para julgamento. em outro local. as leis traordinárias em Haia. mas não implemen. JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL Nos termos do estatuto do Tribunal Penal vatura sexual. mas. de amnistia foram revogadas. pediu-se a responsabilização pela repres- ciais e generalistas. No Egito. na definição finalmente mático. J. decisivo. são as Comissões de Recon- petradores de crimes. Tem existido uma campanha in- 2006. pelo menos. sem necessariamente punir os gação de jurisdição universal para os per. em 1998. na Ele está a ser julgado pelo Tribunal Espe. Es- a sua extradição do Reino Unido que. Finalmente. gravidez forçada ç ou outras Internacional (TPI). Humanos das Mulheres). (TPI) e ao nível nacional. crime de agressão. violaram os direitos Serra Leoa foi inicialmente autorizado a de proteção judicial e de um julgamento partir para a Nigéria. saberem a verdade e finalmente concedida. manos da ONU conceptualizou o “direito cado pelo Tribunal Penal Internacional à verdade”. requereu como forma de justiça não retributiva. conseguida numa conferência em Nairobi. o antigo ditador chile. em 1998. qual as ONG locais tiveram um papel cial para a Serra Leoa. A tada devido à sua frágil condição de saúde. No caso da “primavera Árabe”. perpetradores. escra.

ao usar a educação para os monton (Canadá) e Gwangju (Coreia do direitos humanos como estratégia para o Sul) declararam-se “cidades de direitos . a jurisdição em Haia. tal como aconteceu tos armados. bém apresentar casos. Coo- Camboja de 2003 foi protelada. Depois dos julgamentos de Karadzic e Mladic. Como consequência do genocídio O semi-internacional Tribunal Especial no Ruanda. Korogocho (Quénia). INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES Os programas de reforço dos direitos hu. para a Antiga Jugoslávia e o Tribunal Penal do pelo Conselho de Segurança. do TPI é complementar relativamente às dar com as violações em massa de direitos jurisdições nacionais. Ed- do PDHRE . assim como genocídio. Dinapur (Bangladesh). julgar os perpetradores é que o TPI pode as suas competências incluem violações considerar o caso. Por iniciativa Porto Alegre (Brasil). escravatura. terminou o em 2008. o Tribunal Penal In. na Tanzânia. em 1994. Deste modo. Graz (Áustria). Bucuy (Filipinas). no caso de Kadhafi. O Tribunal perou com a Comissão de Verdade e Re- realizou a sua primeira audiência apenas conciliação que. entretanto. Bongo abordagem ao uso da moldura dos direitos (Gana). a funcionar desde Arusha. como Rosario (Argentina). em 2011. violações. não estiver disposto ou não for capaz de ritório da antiga Jugoslávia. 2002. como um tribunal ad hoc para li. INICIATIVAS DE DIREITOS HUMANOS NAS CIDADES 75 O Tribunal Penal Internacional para a Tal como o Tribunal Penal Internacional Antiga Jugoslávia (TPIAJ) foi estabeleci. investiga homicídios. Todos os tri- de. o Conselho de graves da Convenção de Genebra de 1949 Segurança das Nações Unidas pode tam- relativa à proteção das vítimas de confli. pilhagens e incên- implementação do acordo entre as Nações dios. existindo ainda problemas com seu trabalho. no ter. será sujeito a uma supressão pro- gressiva. atos de bém temporário. mento social e económico. como homicídio. violações e bunais se baseiam no princípio da respon- outros atos desumanos cometidos durante sabilidade individual. K. K. tortura. Só se um Estado humanos e de direito humanitário. escravidão sexual. independentemente o conflito armado. Internacional para o Ruanda. ternacional para o Ruanda (TPIR). desenvolvimento da sociedade – diversas manos ao nível municipal são uma nova cidades. crimes contra a humanida. a terror. extermínio. Kati (Mali). da função oficial do acusado. em 1993. foi estabelecido em para a Serra Leoa. No caso do Camboja. tam. o seu funcionamento. Porém. Pretende julgar só os indivíduos Unidas e o governo do Camboja relativo que sejam os maiores responsáveis pelo ao Tribunal para os Crimes de Guerra do sofrimento do povo da Serra Leoa. humanos como guia para o desenvolvi.

líderes de associações lo- dos seus habitantes. lha principalmente ao nível regional. começando ao des dos Direitos Humanos. A Carta contém obrigações as leis e políticas sobre o uso dos recur- políticas baseadas nos direitos humanos sos na cidade. administradores. assistindo-as a tomar em con. manos nas comunidades. pe. manos na vida diária. principalmente na Europa me. no que res. O método sugeri- Outra iniciativa foi conduzida pela cidade do pelo PDHRE e aplicado com sucesso de Barcelona. nível local. dades têm também Comissões de Direitos Foi iniciada pelo PDHRE uma Campanha Humanos e provedores de justiça ou ou. dos Direitos Humanos na Cidade que. tem a vantagem de poder tou-se a Declaração de Gwangju sobre a considerar os problemas de direitos hu- Cidade dos Direitos Humanos. são extremamente A Coligação Internacional de Cidades importantes as atividades de aprendiza- contra o Racismo. foi elaborada. incluindo uma perspetiva de rência da Carta Europeia para Salvaguar. tário e identificar as aplicações dos direi- em 1998. cais e ONG. Juntamente e procedimentos locais para a proteção com as autoridades. por exemplo. A Coligação traba. através da Coligação Europeia inclui todos os setores da sociedade. No Fórum Mundial das Cida. gem e formação.pdhre. Muitas ci. seus direitos humanos. da dos Direitos Humanos na Cidade. como as de Veneza Com este propósito. A nos. Em direitos humanos. com o apoio do PNUD que está da prevenção e reparação de violações de igualmente envolvido em projetos locais. como o provedor fazer com que todas as decisões. cidades. www. As experiências das Cidades de Direitos . comprometem-se a dos direitos humanos. Um sistema de monitorização. reforçar a realização dos direitos huma- peita aos direitos dos migrantes e reco. Neste processo. em o que leva à elaboração de uma estra- 2011. iniciada pela UNESCO. por liderado por um Comité de Direção que exemplo.org). género. sejam guiadas pelos ou um balanço de direitos humanos. Global para as Cidades de Direitos Hu- tras instituições. conselhos de direitos humanos cas ou estratégias. reuniões regulares. direitos humanos. uma Carta Europeia de Garantia tos humanos e suas violações na cidade. civis e políticos. sociais cidade de Tuzla foi anfitriã da 7ª Confe. os habitantes analisam diterrânica. aspira-se a uma abor- (2002) ou Lyon (2006). tinha sido assinada por mais de 350 tégia traduzida num programa de ação. em cooperação com na prática é começar por fazer um inven- a cidade de Saint Denis. Desenvolvem planos para internacionais. são considerados como um todo. em 2011. ado.76 I. e culturais. onde. incluindo programas de aborda problemas de racismo e xenofobia formação de formadores para professores. su- de Cidades contra o Racismo iniciada em pervisiona o processo a longo prazo (ver: 2004 ou a Coligação Asiática. o experiências relativas a boas práticas. profissionais da sideração a diversidade cultural crescente saúde e sociais. políti- de justiça. nos e ultrapassar os problemas de direi- menda o estabelecimento de instituições tos humanos na sua cidade. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS humanos” ou “comunidades de direitos A estratégia de promover os direitos hu- humanos”. económicos. são partilhadas dagem holística aos direitos humanos. em De modo a sensibilizar as pessoas para os outubro de 2010. polícia. nas cidades. que trabalham no sentido manos. que significa que todos os direitos huma- las cidades e comunidades signatárias.

Câmara Municipal de Graz na presença do presidente da 2006: junção à Coligação Europeia das câmara e de Shulamith Koenig Cidades contra o Racismo (PDHRE) 2007: estabelecimento do Conselho Con- Desde então: constituição de um comité sultivo para os Direitos Humanos executivo de ONG e instituições da Cidade de Graz governamentais. em 2008. Argentina borado com a ajuda de mais de 1997: 35 instituições assinam um com. coordenação 2007/2008: monitorização dos direitos hu- através do Instituto do Género.. no Brasil. produções direitos humanos em Graz cinematográficas. SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 77 Humanos foram apresentadas à Confe. Municipal. ambiente competi- tivo. sensibilização tório Anual sobre a situação dos através de seminários. na Câmara Municipal. nicipal de Graz e cerimónia for- tes regiões (ver: www. dade de Graz com a presença de Shulamith Koenig Exemplo de Cidade 2002: apresentação do inventário e do de Direitos Humanos projeto do programa de ação ela- de Rosario. reitos Humanos e Democracia (ETC) em dade de direitos humanos de Por. 2012: estabelecimento de um Gabinete referentes à situação das mulhe. forças de reitos Humanos da Cidade de Graz segurança. Áustria de um filme austríaco a mostrar quatro 2001: decisão unânime da Câmara Mu- cidades de direitos humanos de diferen. mal de inauguração na Universi- tadt. 2007: primeira entrega do Prémio de Di- manos para a polícia. Exemplo de Cidade rência UN-HABITAT na China. etc. manos nas eleições para a Câmara Lei e Desenvolvimento (INSGE. de Direitos Humanos através de uma publicação do PDHRE e de Graz. publicações.. etc.at). Programas de Aprendiza. H. . professores. vo para os Direitos Humanos gem e Formação em Direitos Hu. mas de educação e formação para os direi- tos humanos. pelo Conselho Consulti- NAR). por exemplo. integração O processo é coordenado pelo Centro Eu- de aborígenes (Quom) ropeu de Formação e Investigação em Di- 2005: apoio ao desenvolvimento da ci. contra a Discriminação res no Rosário. futuros 2008: apresentação do primeiro Rela- professores.menschenrechtss. Graz. que também oferece vários progra- to Alegre. 100 indivíduos e organizações na promisso.

78 I. o existentes podem tornar-se mais visíveis. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS Depois de várias décadas bem sucedidas das Nações Unidas sobre os Direitos das de estabelecimento de padrões. relacionadas com a biotecnologia e enge- tanto ao nível local e nacional. por exemplo. por desafios podem também ser vistos na ne- exemplo. humanos. necessidade to ao nível da prevenção dos problemas de de estabelecimento de parâmetros em vá. ou nas 8 convenções principais Direitos Humanos. A longo demonstrado nos 6 mais importantes tra- prazo. como aconteceu. uma presença mais sólida no terreno por a alteração climática tem sobre os direitos parte do Alto Comissariado para os Direi. que se espera venha a ter um importante dando ênfase a direitos essenciais. refugiados. também poderão ter êxito propos. como os “padrões funda- humanos. como nharia genética ou o comércio de órgãos internacional. Em ambos os casos. o próprio conceito de universalidade dos através da capacitação em matéria de di. humanos. Novos reitos humanos de instituições locais. aos direitos humanos dos migrantes (irre- nomeadamente. de alguns países do Sul que questionam bém reforçado aos níveis local e nacional. nas quais as organizações não mentais da humanidade”. enquanto representan. de comunicação e a internet tos humanos em missões internacionais colocam novos desafios. as implicações humanos em todas as suas atividades e que a degradação ambiental. cidades de direitos humanos e cessidade de se dar maior atenção às liga- a criação de instituições nacionais para ções entre os direitos humanos e o direito a promoção e monitorização de direitos humanitário. O mesmo vale governamentais. assim. refugiados. do trabalho da OIT. Entre estes. (de paz). ainda. Há. Do mesmo modo. como ao nível do regresso dos rias áreas preocupantes. Estão a ser desenvolvidos áreas temáticas. a inclusão dos direitos gulares). informação. uma atitu. a situação em 2006. as Ao mesmo tempo. o desafio Pessoas com Deficiência e o seu Protoco- maior para os direitos humanos tornou. que existe tan- importante papel. com funcionários de direi. para a relação entre os direitos humanos tes da sociedade civil. desempenham um e o direito dos refugiados. os direitos humanos preocupações dos direitos humanos. bem como as tecnologias de tos Humanos. Tem de se prestar mais atenção de mais dinâmica das Nações Unidas. com a adoção da Convenção de direitos humanos no país de origem é . tados de direitos humanos das Nações tas para um Tribunal Internacional de Unidas. institucionalizando. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS L. as questões de direitos humanos implementação dos direitos humanos. Novos desafios vêm O respeito pelos direitos humanos é tam. lo Opcional. como efeito preventivo e promocional. direitos humanos e da democracia. A evolução também pode ser se a implementação dos compromissos vista no trabalho em curso no âmbito de assumidos. tais como a diversidade diversos métodos novos para reforçar a cultural.

Direito ao Asilo. o Secretário-Geral da ONU no. ao mesmo pois de violações graves e sistemáticas tempo. Esta questão levanta uma outra 2011. Ruggie terminou o seu têm de respeitar as garantias dos direitos relatório final. porém. de atos criminosos ou terroristas tem de sim. Neste nem ser despojado dos seus direitos hu- sentido. em 2003. e anticorrupção. L. incluindo o direito de acesso um conjunto de “Princípios Orientadores às provas e um mecanismo de proteção. como também de atores não estatais. padrões de direitos humanos enquanto se como empresas transnacionais (ET) e or. tais como o direito a um julga- para Proteger. Banco Mundial. consi- e outras empresas. deixaram claro que a proteção dos direitos meou John Ruggie como seu Represen. a Subcomissão da ONU ser aperfeiçoada. que contém um “Quadro humanos. que deve ser feita com base Kofi Annan. nos direitos humanos e no primado do Di. DESAFIOS E OPORTUNIDADES GLOBAIS PARA OS DIREITOS HUMANOS 79 decisiva. como uma abordagem reito. As empresas participantes aceitam Direitos Humanos em Conflito dez princípios básicos na área dos direitos Armado. lançou-se o Global Compact. em julho de 2000. questão da reabilitação e reconstrução Sob proposta do Secretário-Geral da ONU. combatem novas ameaças terroristas. As. Nin- ganizações intergovernamentais. Prima. riado da ONU para os Direitos Humanos Em 2005. e participam num diálogo Direito à Democracia orientado para os resultados sobre proble- mas globais. não fo. humanos deve fazer parte da luta contra tante Especial para a questão dos direitos o terrorismo. o FMI ou a OMC. gócios em zonas de conflito. fazer face a estes novos desafios. um Grupo de Trabalho de 5 peritos mais ampla relativa aos direitos humanos tem trabalhado sobre a implementação e prevenção de conflitos. Desde O primeiro acórdão conduziu à introdução . a proteção dos direitos das vítimas de direitos humanos tornou-se atual. como linhas orientadoras sobre a “Prote- cionais e Outras Empresas respeitantes a ção de Vítimas de Atos Terroristas” para Direitos Humanos” que. humanos. Respeitar e Solucionar” e mento justo. assim como a destes resultados. para considerar a re. pós-conflito. manos inalienáveis sendo que. padrões de trabalho. a questão da compensação de. ambiente do do Direito e Julgamento Justo. ponsabilização por violações de direi- tos humanos e o respeito pelos direitos Direito ao Trabalho humanos tornaram-se uma preocupação global. o papel dos ne- Em resultado da globalização. nova e inovadora no processo de globali- zação. O Tribunal de Justiça da UE. Em 2011. por exemplo. que é exigida não só de indivídu. O Conselho da Europa para a Proteção e Promoção dos Direitos adotou as “Orientações sobre Direitos Hu- Humanos preparou as “Normas sobre a manos e o Combate ao Terrorismo”. assim Responsabilidade de Empresas Transna. Um dos principais desafios é manter os os. O Se- ram adotadas pela Comissão de Direitos cretário-Geral da ONU e o Alto Comissa- Humanos. para negócios e direitos humanos”. a res. como o guém pode ser deixado à margem da lei. humanos e as empresas transnacionais nos casos de Kadi (2008 e 2010). derou que as medidas antiterroristas do lação entre os negócios e os direitos hu. Conselho de Segurança da ONU também manos.

(Ver www. aumentou as “Acredito que não é possível nenhuma preocupações sobre a proteção dos direitos transação entre os direitos humanos e humanos. M. há ainda um longo si mesmos. Gundumur et al. “Peço às minhas irmãs e aos meus irmãos rança. como pedido por ocasião do 60º estar no centro das estratégias antiter- aniversário da Declaração Universal dos roristas. The EU and Universal Declaration of Human Rights. 1999.” Direitos Humanos por um painel de indi- (Secretário-Geral da ONU. como o facebook. . Ceder na proteção dos direitos huma. The Alston.o profundo respei. a visão moral internet para o gozo pleno dos direitos hu- dos direitos humanos .htm) tatamos que foi feito um importante pro- gresso.un. foi proposto um “direito humano to pela dignidade de cada um . de um provedor pelo Conselho de Segu. Oxford: Oxford University Oslo: Scandinavian University Press. como a liberdade de expressão o terrorismo. por receio de entrar mesmo que a vossa voz se ouça menos. manos. A defesa dos direitos hu. Esta última deci. Não temam procurar a paz dos-membros da UE. con- as nossas armas mais poderosas contra tudo. Prémio Nobel da Paz. ciar a injustiça. embora possam estar em são foi. suscitou algumas controvérsias. bem como a ob- cultura universal de direitos humanos servância estrita do direito internacio- que tenha como ponto central a dignidade nal humanitário devem. Primado do Direito e Julgamento Justo A crescente relevância da internet e das re- des sociais. desvantagem.está entre de acesso” à internet. Kofi Annan. olhando para trás. vidualidades que elaborou uma “Agenda 2003.org/News/Press/docs/2003/ Contudo. porém. Este progresso tem de ser resistente a regressões e ser desenvolvido no futuro. Não temam denun- numa decisão de 2010. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alfredson.80 I. em conflito com o Conselho de Segurança. para os Direitos Humanos para o Futuro”.doc. Esta pretensão. Human Rights. Philip (ed. A promoção e a proteção caminho a percorrer para alcançar uma dos direitos humanos. INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS de novos procedimentos. Liberdade de Expressão e Direito nos daria aos terroristas uma vitória à Privacidade que estes não conseguirão alcançar por De um modo geral. Dada a importância da terrorismo: pelo contrário. ou o direito à privacidade e a proteção de manos não se opõe ao combate contra o dados na internet. entretanto considerado insuficiente que não tenham medo.” Ellen Johnson-Sirleaf. o terrorismo. nessa medida. Press.). 1999. Não temam exigir a paz. 2011. alvo de recurso pelos Esta. humana. por exemplo. também cons- sgsm8885.

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2001.” Kofi Annan. em que mobilize a vontade e os recursos necessários para cumprir as promessas feitas. Secretário-Geral da ONU. Agora tem de entrar numa época de implementação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSALIDADE IGUALDADE INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA “A comunidade internacional acaba de sair de uma época de compromisso. II. .

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PROIBIÇÃO DA TORTURA DIGNIDADE HUMANA E INTEGRIDADE PESSOAL TRATAMENTO DESUMANO E DEGRADANTE TORTURA “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis.” Artigo 5º. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948 . desumanos ou degradantes. A.

eu fui levado para um escri. Um outro polícia bastão preto no ânus. no dia 25 novem. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIAS ILUSTRATIVAS O Interrogatório do Sr. me de morte e acusaram-me de pertencer à . que tinha Continuaram a agredir-me até à uma da havido uma violação do artº 3º da Conven- manhã. por volta das 9 horas da manhã. roupas afegãs para usar. ven- me a sentar e colocaram os dois maçaricos daram-nos e começaram a interrogar-nos. Ao os nomes de todos os membros da minha mesmo tempo. França. “Vocês. batiam-me. Caso Selmouni c. decidiu unanime- ram-me murros e bateram-me com um pau… mente. “Eu fui parado na estrada. manos. como eu tinha previsto. no dia 28 de julho de 1999. depois de Bobigny. eu sofri efetivamente estes rupções durante cerca de uma hora… maus tratos…” No dia 26 de novembro de 1991. Depois algema- tijas de gás azuis e pequenas. Outro começa a chorar. gostam de dar. como a “noite negra”. abri a manga da camisa dizendo “Força. fazendo-me tropeçar… sa primeira noite. A um determinado ponto. caso Selmouni c. Selmouni ga. árabes. Tive de me ajoelhar. deixaram-nos nus. obrigaram- ram a bater. onde cerca de oito pessoas me começa. ameaçando injetar-me. objeto que parecia um taco de basebol. eles não concretizaram a ameaça… Não havia problemas nesse momento […] Os polícias deixaram-me em paz durante Fui então levado para a esquadra de polícia aproximadamente quinze minutos. fui interro- gado novamente por vários polícias – três ou O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Cortaram as nossas tório e ameaçado com queimaduras se não roupas com tesouras. O interrogatório continuou sem inter. acenaram-me com uma serin. que nós considerámos Depois disso.) no qual o polícia que eu presumo fosse o responsável me agarrou pelo cabelo e me O Testemunho do Sr. de. Obrigaram. Eu tenho consciência de continuou a dar-me pontapés e murros nas que o que vos acabei de contar é sério. Perguntou-me pés. obrigaram-me a ir para um longo corredor Decisão de 28 de julho de 1999. tratos tinha começado por volta das 7 ho. Fui levado para o primeiro an. ram-nos as mãos atrás das costas. bateu-me repetidamente na cabeça com um Quando o Sr. é a verdade. bro de 1991. Quando eu recusei. um deles disse.88 II. a cerca de um metro de distância dos meus O interrogador era egípcio. eles puxaram-me o cabelo. nos quais já não tinha sapatos. Ameaçaram- maus tratos. (Fonte: Tribunal Europeu dos Direitos Hu- ras da tarde.” Agarraram-me. me a despir e um deles inseriu um pequeno lícias puxou-me pelo cabelo. mas costas. quatro – a uma determinada hora do dia […] depois de examinar os factos e provas do Nessa altura. 1999. Penso que esta sessão de maus ção Europeia dos Direitos Humanos. Depois destes família. parentes e amigos. al-Qadasi obrigou a correr pelo corredor enquanto os outros se posicionavam em cada um dos “Os americanos interrogaram-nos na nos- lados do corredor. Um dos po. ser fornicados. não têm coragem”. acenderam dois tiraram-nos fotografias antes de nos darem maçaricos que estavam ligados a duas bo. Quando vi isto. Selmouni conta esta cena. e falasse. França.

amnesty. tínhamos de do. Disponível em: www.” melhantes? Sabe da existência de me- Walid al-Qadasi continuou a relatar como canismos de prevenção ou controlo a os prisioneiros eram alimentados durante nível local. (…) Du. posteriormente. regional ou internacional? o dia e como a música num volume alto 3. al-Qadasi? Que rante o período de 3 meses na cela. Questões para debate da. Teria tomado outra posição se soubesse cebeu.uk/content. As organizações de direitos humanos ra é um fenómeno exclusivo das sociedades e os meios de informação divulgam cada pobres e “subdesenvolvidas”.org. Passámos três meses na cela.E. Testemunhos. na cela es- tava muito calor porque estava superlota. Iémen. Apesar de. Selmouni e ao Sr. Selmouni era: a) um suspeito transferido para Bagram. A. ses padrões. A janela da cela era muito peque. tratamento desumano ou degra. Contrariamente à ideia geral de que a tortu- zar. dar e apoiar vítimas como o Sr. não pensamentos lhe ocorreram com esta fomos autorizados a sair para apanhar ar história? fresco. onde enfrentou traficante de droga. pelos Estados. Walid al-Qadasi foi. aproximadamente. incluindo em países para os diferentes níveis de aplicação des. Eles abriam a cela de tempos a tempos 1. Como pensa que a sociedade pode aju- era utilizada como mecanismo de tortura. 4. PROIBIÇÃO DA TORTURA 89 Al’Qaeda. em abril 2004. c) um suspeito terrorista? Porquê? A SABER 1. a temperatura = 2039) ser muito baixa (havia neve). al-Qadasi? cela ficou louco com o tratamento que re.A relata que casos de e tentam sensibilizar a sociedade para os tortura ou de maus tratos foram registados padrões que foram comummente aceites e em mais de 150 países. que o Sr. casos individuais de tortura e . 2. UM MUNDO SEM TORTURA As formas mais graves de maus tratos estão frequentemente associadas e são atribuídas No início do século XXI. O que pensa que pode ser feito para duas vezes por dia. Selmou- Afirmou que um dos seus companheiros de ni e o Sr. Não havia (Fonte: Amnistia Internacional Reino Uni- espaço para dormir. b) um suspeito homi- mais um mês de interrogatórios. ao Sr. de direitos humanos ocorrem diariamente. cida. Na realidade. Podíamos usar as casas de banho. alternar. por isso. dois em Kabul dado à Amnistia Internacional metros por três metros. (…) Colocaram-nos numa cela Testemunho de um ex-detido numa prisão subterrânea com. Como carateriza aquilo que aconteceu para permitir que o ar entrasse. as casas de banho esta. no exterior. um mundo sem a sociedades e Estados onde as violações tortura. prevenir a ocorrência de situações se- vam perto da cela.U. dante é ainda uma ambição por concreti. altamente industrializados e desenvolvidos. a Amnistia vez mais casos de tortura e maus tratos Internacional . Éramos dez na cela.asp?CategoryID na.

mas igualmente cruéis e prática e os métodos utilizados variem de eficazes. assim como as diversas formas de divulgar informação. foram substituídos por técnicas mais íses do mundo. aos níveis nacio- privadas da sua liberdade. nhuma circunstância. À me. mitem restrições. isto é. para salvaguardar tais centes a grupos étnicos. a mulheres e rogável de proibição da tortura e outras homens. Assim. preservação da integridade física e psico- tes revela que as formas graves de maus lógica de todo o ser humano são essen- tratos não pertencem ao passado. To. sociais e culturais normas de prevenção e o princípio inder- diferentes. Pertence aos direitos humanos ser humano e. ciais à abordagem da segurança humana. tos. das as pessoas podem ser vítimas. Até há pouco tempo. da questão uma monstruosidade sem descrição. uma análise atual ameaças diretas à segurança de qualquer mais aprofundada dos casos de tortura e pessoa. enquanto A tortura e os maus tratos constituem a sua ocorrência em tempo de paz era graves violações dos direitos humanos e ignorada. identificar e a considerar não só as conse- éis. portanto. formas de penas ou tratamentos cruéis. a tortura e os maus tratos normas internacionais inequívocas de pro- são ainda praticados. A tortura e outras formas graves local para local. Apesar Foram estabelecidas e amplamente aceites desta proibição. têm feito aumentar a cons- “O ser humano a torturar o ser humano é ciencialização. especial- pelo Estado. monitorização e cem frequente e repetidamente: a pessoas supervisão emergiram. na sua raiz.90 II. desumanos e degradantes são também quências de muitas formas de maus tra- considerados proibidos de acordo com o di. reito internacional consuetudinário. de maus tratos causam terríveis danos à dignidade humana. embora a extensão da sua “sofisticadas”. Estas afe- dos internacionais e regionais de direitos tam a integridade física e psicológica do humanos. por nenhuma razão e em ne. mente no campo do direito internacional. a pessoas perten. a nível global. desumanos ou degradantes. a jovens e idosos. nal e internacional. A proteção da vida humana e a de tratamentos desumanos e degradan. a tortura e os tra- tamentos desumanos e degradantes Proibição da Tortura e Segurança Hu- eram considerados como efeitos apenas mana de guerras e da escravatura. desumanos e os métodos brutais antigos e medievais degradantes encontram-se em todos os pa.” da tortura e outras formas graves de maus Henry Miller tratos. violam seriamente A proibição de tortura é absoluta e tem os direitos humanos e constituem uma sido reafirmada como tal em muitos trata. No entanto. órgãos de investigação. exceções ou derrogações Os desenvolvimentos recentes. Também uma série de mentos desumanos e degradantes aconte. A tortura e os trata. com a questão. mas também as suas causas inerentes. válidos haja um esforço concertado para lidar em todas as circunstâncias e que não per. dida que a humanidade foi progredindo. Ninguém está imune à tortura. a proibição absoluta da tortura e . Tanto os governos como as organi- zações não governamentais começaram a A tortura e outras penas ou tratamentos cru. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de outros tratamentos cruéis. requerem que considerados inderrogáveis. teção e prevenção. ameaça à segurança humana.

adotada pela Assembleia-Geral. permite um desvio destas tratos. 39/46.. são as pedras obrigações. nesse sentido. físi- segurança humana. sobre a inerentes a essas sanções ou por elas proibição absoluta da tortura. “[. Adicionalmen. Este termo não compreen- ter pouco efeito na aplicação da proibi. não têm sido garantia sumanos ou degradantes é central na teórica suficiente contra a ocorrência da busca pela segurança humana. nomeadamente. reconhece. a nível internacional. dá especial ên. a sua acei- com o aperfeiçoamento da base legal tação das normas internacionais.. intimi- dar ou pressionar essa ou uma terceira O que é a tortura? pessoa. para os direitos humanos. a tortura como um crime 1º como: contra a humanidade e como crime de guerra e. de. O Estatuto do Tribunal Penal na Res. tortura. em princípio. obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões.]qualquer ato por meio do qual fase à preservação da vida humana e da uma dor ou sofrimentos agudos. humana. As disposições tes unicamente de sanções legítimas. apesar de a sua mentos sejam infligidos por um agen- condenação e proibição serem geralmen. de 10 de dezembro de 1984 Internacional. vra “tortura” encontra-se definida no Artº explicitamente. e a sua prevenção. angulares para a melhoria do bem-estar Uma definição jurídica de tortura foi in- e da segurança humanos. de a dor ou os sofrimentos resultan- ção da tortura no terreno. a sensibilização relativa aos dade na definição. ou por qualquer outro motivo Tem havido um longo debate sobre como baseado numa forma de discrimina- definir tortura e maus tratos de forma ção. através da educação de interpretação às autoridades estatais. te público ou qualquer outra pessoa te aceites como normas perentórias de di. acordadas. que se en. De acordo com a Convenção. agindo a título oficial. Continua a existir uma flexibili- tivelmente. a pala- Rede de Segurança Humana. ocasionados. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO ou uma terceira pessoa cometeu ou se DA QUESTÃO suspeita que tenha cometido. em conjunto o que garante. Indiscu. Desumanos ou Degradan- global de aperfeiçoamento da segurança tes (CCT). na prática. a sua instigação reito internacional consuetudinário. A. são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins Introdução de. cluída e aceite por todos os Estados signa- te. cos ou mentais.” contram previstas em vários textos jurídi- . Além ou com o seu consentimento expresso disso. cujo estabelecimento tem e que entrou em vigor a 26 de junho de sido fervorosamente promovido pela 1987. cos internacionais. mas para a proteção contra a tortura e os maus que. uma melhor implementação de todos tários da Convenção das Nações Unidas os padrões de direitos humanos constitui contra a Tortura e Outras Penas ou Trata- um importante elemento da estratégia mentos Cruéis. PROIBIÇÃO DA TORTURA 91 outras penas ou tratamentos cruéis. qualquer definição jurídica parece ou tácito. a punir por um ato que ela 2. desde que essa dor ou esses sofri- amplamente consensual. deixando uma margem direitos humanos.

crânios ticas ou práticas”. em nenhuma lo do mercado. deixar que a vítima morra. Desumaniza tanto a vítima tamentos ou penas cruéis. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS defendeu que “[…] as bases legais e mo- “A tortura é uma violação atroz da digni. Embora esta definição jurídica tenha em consideração tanto a dimensão psicológi. Como é Cometida a Tortura? não é exaustiva e não explica detalhada. no grau de gravidade. em circunstância alguma. deliberadamente. particularmente por causa do envol- ções previstas pela lei nacional. estar subordinada a outros interesses. no seu . Em termos jurídicos. rais da proibição da tortura e outros tra- dade humana. assim que aja a título oficial. como os uti- . pos. Tortura afirmou que a “tortura é uma das cunstâncias. dirigido pelo anterior Relator Especial De qualquer modo.. como nos meios cruéis usados. vimento de empresas privadas no fabrico em certos casos. como física de tortura e de maus tratos. fazer a outra”. pessoa com um fim ou por qualquer a distinção. pode levantar questões e comercialização de equipamentos rela- sobre se essas sanções contradizem o es.. a definição contribui sobre a Tortura. A dor e o terror infligi. desumanos ou como o perpetrador. por um ser humano pode. desumanos ou degradantes aumento de policiamento estatal e contro- não podem ser justificados. Secretário-Geral da ONU. Métodos de Tortura ca. anterior Em contraste com o conceito tradicional Relator Especial sobre a Tortura.” abertos por canos de espingardas. te.92 II. ceder ou a outro deixam marcas permanentes: co. entre tortura razão com base num qualquer tipo de e tratamentos desumanos e degradantes discriminação está na natureza do ato cometido. o Conselho Inter- tortura é um direito humano fundamental nacional para a Reabilitação de Vítimas de que tem de ser protegido em todas as cir. o que. Os métodos e os instrumentos de tortura mente todos estes elementos. os elementos dis. isto é. circunstância”.que é intencionalmente infligido a uma como psicológico. 2001. san. o que levou a um penas cruéis. O objetivo da tortura é cau- sar o máximo de sofrimento possível sem Conforme a Convenção. como dos tratamentos .” coisas mais horríveis que uma pessoa pode Kofi Annan.] todas as infligir tortura ou outros tratamentos de- formas de tortura e outros tratamentos ou sumanos e degradantes. O direito de viver sem Tortura (26 de junho). analisou este fenómeno para o entendimento geral. de que “[. embora subtil. Um estudo recen- pírito e os objetivos gerais da Convenção. cionados com a tortura. A definição têm sido desenvolvidos ao longo dos tem- também exclui sanções legais. Por ocasião do Dia Internacional das delos recorrentes que mantêm as vítimas Nações Unidas de Apoio às Vítimas de em medo constante. polí- lunas torcidas por espancamentos. degradantes é absoluta e imperativa e não dos.por um funcionário público ou pessoa objetivo. tanto físico . O traço distinti- tintivos da tortura são: vo tanto da tortura. Theo van Boven. como referido da produção e comercialização de equi- pela anterior Comissão da ONU para os pamentos especialmente concebidos para Direitos Humanos. pesa. também de equipamento de tortura.um ato que causa um sofrimento físico desumanos e degradantes é causar inten- ou mental agudo cionalmente dor e sofrimento.

A tortura física cau. Um mundo sem tortura significa visíveis no corpo. identificáveis como potenciais instrumen. tais depoimentos ou confissões vação de comunicação como o confina. muitos dos todo de incapacitação física e psicológica instrumentos de hoje não são facilmente das vítimas. os métodos de tortura podem ser quentemente. e a proibição da sua utilização em outros detidos ou com o mundo exterior. O método “falaka” ou “phalange” tortura tem sido muitas vezes usada como (bater violentamente nas solas dos pés das um instrumento de repressão e opressão vítimas) é tão usado como o método dos políticas. resultado. PROIBIÇÃO DA TORTURA 93 lizados na época medieval. choques elétricos infligidos por armas de descargas elétricas ou elétrodos Motivos para tortura colocados (em partes sensíveis) no corpo Por que razão da pessoa podem não deixar marcas visí. uma grave afronta à dignidade do ser hu- Várias técnicas de tortura hoje amplamen. humilhação e amedronta. ameaçam a autoridade e pontapear e empurrar a vítima contra uma os sistemas de governo. A tortura psicoló. ticados para ameaçar. não podem jamais ser considerados como mento solitário. sono e rem uma fiabilidade questionável. A. ou implicitamente. Nas suas formas mais cruéis. Tra- choques elétricos. no entanto. progressistas. Também a violência nizar a pessoa. dicionalmente. etc. é a tortura praticada? veis no corpo da vítima. para instigar um sentimento de inutilidade . sexual é frequentemente usada como mé. um mundo sem uma imposição deliberada um efeito negativo nos órgãos internos e de dor e a utilização desses métodos cru- na integridade psicológica da vítima. Os métodos de tortura mais o poder sobre oponentes ou intelectuais frequentes são agredir com chicotes. assustar e desuma- mento contínuos. poderem variar muito. pode dial. água. cabos e bastões. Du- sa dor aguda e um sofrimento excessivo da rante diferentes épocas da história mun- vítima. desfiguração ou lesões método para manter o controlo e exercer permanentes. Apesar das razões que motivam a tortura dos por causar dores debilitantes. que. um motivo subjacente ou classificados em dois grupos principais: fí. mas têm. exemplo. ameaça de execução ou exe. mano e uma violação dos seus direitos hu- te utilizadas não deixam marcas físicas manos. cortar contatos com os prova. portanto. palmente para obter informação e con- mente baixas ou altas. de maus tratos têm sido utilizadas princi- ou expor a vítima a temperaturas extrema. A tortura e os maus tratos são também pra- cução simulada. atar e quei. Todos os métodos de tortura usados são tos de tortura. a tortura tem sido usada como um levar à mutilação. apesar do facto de as confissões gica inclui técnicas de privação e exaustão obtidas sob ameaça ou coerção física te- como a privação de comida. a parede. Por éis por uma pessoa contra outra. Desta forma. Como de instalações sanitárias. fre- Em geral. há no fundo. obje. a tortura e outras formas mar com cigarros. pedras. explícita ou tos metálicos. mas são conheci. procedimentos judiciais consta de provi- técnicas de coerção e intimidação. técnicas de pri. de demonstrar poder sobre os outros ou sicos ou psicológicos. cos nacionais e no sistema internacional. fissões. de punição e de vingança. como a sões legais na maioria dos sistemas jurídi- presença forçada durante a tortura de ou. sufocação. de esconder fraquezas e insegurança. como meio para humilhar. afogamento simulado. tras pessoas.

de “Eles pedem sempre que os matem.” quadras da polícia ou noutros centros de Jose Barrera. Existem muitos casos de agentes da polícia cializados para pessoas com deficiência ou ou de militares que. am no cumprimento de ordens ou como As pessoas em prisão preventiva e conde. os detidos gência. cializados. fechados. com necessidades especiais pode tornar-se des básicas. que conduz à incapacidade de assegurar ficante. ticas semelhantes à tortura ou maus tratos. afetam indubitavelmente o entendimento . novamente traumatizados. tos degradantes e correm o risco de serem truir as capacidades mentais do indivíduo. podendo tornar-se vítimas de prá- recuperação total. em regra. torturador das Honduras detenção. voluntária e podem ser seriamente afeta- mente em sociedades onde não há tradi. muitas vezes. E QUESTÕES CONTROVERSAS norias sociais. não são apenas as vítimas que Qualquer pessoa pode ser vítima de tor. tamentos Desumanos ou Degradantes Contudo. da o resto das suas vidas e frequentemente falta de funcionários e financiamento o impedem-nas de ter uma existência grati. Estes locais de detenção são. INTERCULTURAIS tros grupos vulneráveis. Tal acontece especial. Assim. Aqueles que praticam tais e mulheres. em es. de segurança em instituições para pessoas ridades no que respeita às suas necessida. zes psicológicas marcam as vítimas para Tais situações resultam. terão de lidar com os efeitos da tortura e tura e de maus tratos. falta de recursos ou formação. atu- doentes mentais. e as respetivas obrigações são raramente respeitadas. Os que vivem Estes atos têm um impacto significativo e em centros médicos e hospitalares espe- duradouro tanto nas capacidades físicas. assim como os refugiados e requerentes de asilo As práticas culturais e perceções distintas são frequentemente sujeitos a tratamen.94 II. Além disso. Crianças. perpetrador de maus tratos devido a negli- por definição. falta de controlo e supervisão ou estão longe da vista do resto da socieda. Também o pessoal médico e tratos porque estão dependentes das auto. A com deficiência mental. tratamen- to médico adequado e um envelhecimento Vítimas e Perpetradores de Tortura e Tra. ra é pior do que a morte. as cicatri. em prisões. como os idosos e as pessoas como nas mentais da pessoa torturada. não são raras exceções. mas a sua ocorrência em casas particulares ou em centros médicos espe. Ou. 3. membros de grupos especializados nos nadas pela prática de um crime constituem quais a tortura e os maus tratos são uma grupos especialmente vulneráveis a maus prática diária. de e são frequentemente considerados um grupo relativamente ao qual o público ge. tais como as mi. jovens e idosos podem ser atos. homens dos maus tratos. são muitas vezes reabilitação física frequentemente demo. não participam de forma vítimas de tortura. Os maus tratos acontecem. religiosas ou étnicas. A tortu- forma mais frequente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e inferioridade com o fim último de des. de forma oficial. desconsiderados e até esquecidos pela so- ra anos e nem sempre se consegue uma ciedade. PERSPETIVAS ral sente pouca empatia ou simpatia. dos pelo seu envolvimento nessas situa- ção do primado do Direito ou onde as leis ções. com dignidade. uma qualidade de vida decente.

Estas leis introduzem pro. impõem a adoção de normas espe. terrogatório inovadoras”. em qual- em Cuba. como os de 11 de setembro aceitação da tortura de suspeitos terroris- de 2001. a expo- ou chicote como medida corretiva) é uma sição a ruídos ensurdecedores e a sujeição forma de maus tratos muito comum. Em 2010. corroborados pela pu- cessivas para ofensas simples. rios sobre as graves violações de direitos bem como outras áreas da vida temporal e humanos cometidas por militares norte- espiritual dos Muçulmanos.A. através do qual um largo nú- penas corporais. Hoje. Por exemplo. o causar dor com uma cana urinar e defecar sobre si mesmos. em 2004. levavam à perda de consciência e a punição corporal e a amputação não só que os detidos. puxas- são práticas socialmente aceites. denominadas diferentes de outros crimes e se. impostas por tribunais religiosos Guantánamo. um debate todo o mundo para serem interrogados e aceso sobre se os atos de terrorismo são detidos em prisões secretas. desde há muito. Outro exemplo recentes. a punição levando a que os prisioneiros tivessem de corporal (ex. em muitos âmbito da tradição islâmica da Sharia. por americanos a trabalhar na prisão de Abu exemplo. Na Alemanha. Os uma vez reitera o princípio da proibição suspeitos de terrorismo detidos nos cam. rapaz de 11 anos com o uso da força. foram. moldam a sua rentamento ao chão por mais de 18 horas. mero de detidos estrangeiros e de suspei- tos terroristas eram levados para países de Tem havido. incluindo a prática de gerianos basearam-se em normas penais tortura física e psicológica.. têm sido utilizados para justificar tas (ou outros criminosos) com o objetivo a introdução de “leis antiterrorismo” em de salvar a vida de outros veio novamente muitos países. na Arábia Saudita. à tona. baseados nos princípios da Sharia. no Iraque. foram sujeitos a “técnicas de in. No a temperaturas extremas que. muitas vezes. em 2010. surgiram relató- que regulam o casamento e as sucessões. Estes relatos da Sharia para proferirem sentenças ex. os tribunais religio. a decisão cedimentos processuais penais com conse. desse “locais negros”. frequen. há ainda são medidas penais autorizadas. cia alemão que ameaçou o raptor de um ra ao Terror” tem havido relatos de inúme. em casos e a humilhar prisioneiros. a casos. interpretação. Os De forma semelhante. com autorização governa- modo. tais como blicação de fotografias e vídeos que mos- pequenos furtos ou o consumo de álcool travam os soldados americanos a torturar em público. ciais para a sua prevenção e combate. de forma frenética. Irão. Do mesmo modo. tribunais em diversos estados ni. mais parte de soldados e oficiais americanos. cerca de 170 pessoas detidas na Baía de temente. do Tribunal Federal Constitucional no caso quências graves para os direitos humanos. do envolvimento de militares americanos Malásia e Singapura. na ros episódios de tortura e maus tratos por esperança de salvar a vida do rapaz. incluindo o acor- cionais. o debate sobre a atos terroristas. de exceções ou derrogações. quer circunstância. e. na prática de tortura e maus tratos é o pro- sos. de Wolfgang Daschner. PROIBIÇÃO DA TORTURA 95 das normas e parâmetros legais interna. como sem o seu próprio cabelo. Em 2004. um chefe de polí- Desde que os EUA declararam a sua “Guer. absoluta da tortura e a impossibilidade pos de detenção da Baía de Guantánamo. Ghraib. grama dos “voos secretos” levado a cabo proferiram sentenças para a aplicação de pela C. Intimamente ligado a . mental. mais tarde. A.I.

em 2002. De- internacionais. os Estados podem igualmente fazer Só deste modo o espírito e a função do di. a sua interpretação e im. ratificado por regionais de prevenção e proteção contra 61 Estados Partes até janeiro de 2012. Um Iorque. ções Unidas contra a Tortura e o Relator cência até prova em contrário. O tura. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS este problema está o direito de todas as No plano internacional. transpondo-os para a legis. uma declaração reconhecendo a competên- reito internacional. Comité pode fazer inquéritos e pedir clari- dem consistentemente a posição de que ficações aos Estados relativamente aos seus a dualidade de parâmetros é inaceitável e relatórios. Fortes sistemas vigor em 2006. as disposições do direito in. foi a tortura têm-se desenvolvido (na Europa. todavia. devem ser submetidos cada quatro anos. Um relatório completo das ativi- 4. o Protocolo Facultativo à Conven- número cada vez maior de Estados tem ção das Nações Unidas contra a Tortura e assinado e ratificado esses compromissos outras Penas ou Tratamentos Cruéis. de acordo Especial das Nações Unidas sobre a Tortu- com a lei. as Estados podem ser preservados. ções Unidas adotou. em Nova mente desenvolvidas e melhoradas. A 57ª sessão da Assembleia-Geral das Na- manos e degradantes têm sido substancial. como guardião da paz cia do Comité para receber e analisar quei- mundial. o órgão das Nações Unidas de mo- tais diferenças reforçam a proibição uni. assim como pode solicitar infor- de que as normas jurídicas internacionais mação adicional relativa à matéria de direi- não deveriam ser aplicadas seletivamente to e de facto contida nos relatórios. No respeitante à proibição da tor. como cos.96 II. o Comité das Na- pessoas ao princípio da presunção de ino. através do estabe- canismos nacionais de inspeção indepen. monitorizam a implementação dos de a proibição da tortura ser quase univer. xas individuais ou interestatais e enviar rança humana. compromissos dos Estados sobre a proibi- salmente aceite. E MONITORIZAÇÃO Protocolo Facultativo Desde 1948. uma pergunta em aberto se tura. suas considerações finais e recomendações para ação. O Comité analisa os relató- direito internacional codificado. concebido para prevenir a tortura e outras por exemplo) e também têm emergido me. IMPLEMENTAÇÃO dades do Comité é publicado anualmente. lares de inspeção a sítios de detenção por . nitorização estabelecido de acordo com o versal e absoluta da tortura num contexto artº 17º da Convenção da ONU contra a culturalmente sensível ou se abertamente Tortura. e o entendimento entre os ao queixoso e ao Estado em questão. disso. começou os trabalhos no dia 1 de contradizem os fins e o espírito tanto do janeiro de 1988. Além e deveriam ser respeitadas estritamente. O Protocolo. os juristas internacionalistas defen. lecimento de um sistema de visitas regu- dentes (visitas). juntamente com um grande número de Estes exemplos demonstram que apesar ONG. dos direitos humanos e da segu. rios dos Estados Partes da Convenção que tumeiro. plementação podem diferir entre Estados. desu. ção da tortura e práticas semelhantes. formas de maus tratos. O Comité das Nações Unidas contra a Tor- É. ra. à Convenção das Nações Unidas ternacional sobre a proibição da tortura e contra a Tortura outras formas de tratamentos cruéis. sumanos ou Degradantes que entrou em lação e práticas nacionais.

e degradante. do Conselho médicos. Este Protocolo 3. compensação. Estabelecer um quadro legal eficaz e dições de detenção. etc. É ne- de visitas. legais internacionais para a prevenção estabelece um novo órgão internacional de da tortura. O Protocolo Facultativo. quando os parâmetros internacionais en- os órgãos nacionais visitam regularmente contrarem lugar em sistemas nacionais de todos os locais de detenção e privativos implementação e monitorização viáveis e de liberdade e fazem recomendações com imparciais. etc. e de denúncia. garantias funda- com base na Convenção Europeia para Pre. em vista à melhoria do tratamento das pesso. reabilitação. juízes. para proteger as pessoas privadas 2. Sob a supervisão do Sub-Comité. As visitas aos locais Há três aspetos principais numa preven- de detenção são dos meios mais eficazes ção eficaz da tortura: para prevenir a tortura e melhorar as con. cionais e nacionais de prevenção da tortura Para além disso. detenção em regime de incomunicabi- um mecanismo preventivo não judicial. juízes e médicos. mentais de quem se encontra privado venção da Tortura e Penas ou Tratamentos da sua liberdade (acesso a advogados. Europa. dos sistemas nacionais de monitorização tes a estabelecer órgãos nacionais de inspe. da sua liberdade. PROIBIÇÃO DA TORTURA 97 órgãos de monitorização internacionais e No entanto. Inspirado pelo sucesso assegurar a sua completa implemen- do Comité Europeu para a Prevenção da tação. Estabelecer mecanismos de controlo. uma reintegração na vida social são elementos vez que os outros órgãos internacionais essenciais de uma ordem nacional justa. ao nível nacional e local. a monitorização e denúncia indepen- tivas eficazes a uma escala mundial e por dentes por organizações civis. todos os Estados-membros das Nações as privadas da sua liberdade. providenciar às ví- das condições da sua detenção. na lidade. considerado um verdadeiro avanço tes. estas não são completamente peritos com um mandato para a realização implementadas ao nível nacional.) e a proibição de da Europa. prevendo. apesar de existirem garantias nacionais. A. assim. timas de tortura e tratamento desumano Este foco na prevenção representa um de. 1. Formação contínua para os intervenien- é. Desumanos ou Degradantes. assim como Unidas. tortura apenas se pode tornar realidade ção”). mecanismos nacionais de Convenção das Nações Unidas estabeleceu visita a locais de detenção e autorizar critérios e salvaguardas para visitas preven. o Sub-Comité para a Prevenção cessário que as disposições da legislação da Tortura (SPT) que responde perante o nacional sejam harmonizadas com os pa- Comité contra a Tortura. Além disso. assim como apoiar a sua reitos humanos das Nações Unidas. advogados. assim. A erradicação completa da ção (“mecanismos nacionais de preven. órgãos de peritos nacionais. estar envolvidas em atividades de preven- . o Protocolo Facultativo à em particular. pela primeira vez. sionais. guardas pri- no fortalecimento dos mecanismos interna. todas as pessoas podem e tratamentos desumanos e degradantes. como agentes de polícia. existentes só podem atuar depois de uma violação ter ocorrido. ajuda legal e senvolvimento inovador no sistema de di. râmetros internacionais e que sejam cria- O Protocolo também obriga os Estados Par. assim como aplicar as garantias Tortura e Penas ou Tratamentos Desumanos apropriadas para a prevenção de tor- ou Degradantes (CPT) que foi estabelecido tura – por exemplo.

as áreas de atividade da polícia austríaca. visam a ação. Boas práticas para a prevenção de tortu- litação física e psicológica das vítimas de ra e maus tratos podem ser: tortura. Por fim. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ção de tortura através de ações. influenciar estruturas e instituições já Além disso. atividades de sensibilização. furiosamente. Muitas das práticas são locais e • locais. conhecimento comunitário como meio de • reforço institucional e capacitação para prevenção e proteção.98 II. a prevenção da tortura e dos maus tratos. . algo de efetivo podia ser feito. Fundador da Amnistia Internacional. aco para os Direitos Humanos produz re- latórios e recomendações sobre problemas “Abra o jornal em qualquer dia da semana estruturais de Direitos Humanos em todas e encontrará uma reportagem de algum lu. a capacitação institucional. ajudando-as a denunciar sensibilizando a família e os amigos. Cada nível proporciona Direitos Humanos mecanismos únicos para a promoção de Estabelecido em 1999. O leitor sente-se. BOAS PRÁTICAS torturado ou executado porque as suas opi- niões ou religião não são aceites pelo seu Atualmente. a base. mité Europeu para a Prevenção da Tortu- cala maior e mais generalizada. sibilização sobre os assuntos relacionados pressão para a ratificação de instrumentos com a prevenção da tortura. atuando também a uma es. da ação jurídica contra o/s perpetrador/es. as consequentes alterações à lidar com os problemas. na nossa comu- internacionais e a sua implementação ao nidade local ou região. CONVÉM SABER gar no mundo sobre alguém que foi preso. o mundo que visam mobilizar os governos impotente. outras operam do topo para pressão. o Conselho Consultivo Austrí- implementação. a assistência jurídica. a existentes. legislação e a respetiva implementação. todos os seus casos e a procurar soluções através podemos contribuir em atividades de sen.” programas educativos cujos objetivos são Peter Benenson. no sentido ra e Penas ou Tratamentos Desumanos ou da criação e estabelecimento de padrões Degradantes para aconselhar o Ministro estatais e internacionais de ratificação e do Interior. Através da participação no trabalho de ensão de como as suas preocupações po- ONG e de voluntariado ou simplesmente dem ser tratadas. escrevendo cartas ou ape. visando a capacitação local e o atividades educativas ao nível local. de indignação se unissem para uma ação Tais iniciativas operam em conjunto com comum. se estes sentimentos e a sociedade contra práticas de tortura. assim como a formação e programas de Atividades a Nível Nacional educação promovem ainda mais as boas práticas referentes à prevenção da tortura O Conselho Consultivo Austríaco para os e dos maus tratos. Todavia. 1. apoiar as vítimas de tortura com a compre- los. podemos nível nacional. por sugestão do Co- boas práticas. que visam a ação – campanhas. bem como a reabi. modificá-las ou criar novas ratificação pelo Estado de tratados inter. instituições com capacidade local para nacionais. campanhas. há muitas atividades por todo governo.

pela resolução 1985/33. funcionando como órgãos atividades principais: transmitir aos go- de monitorização. (Fonte : Relator Especial da ONU sobre dato do Relator Especial abrange todos os a Tortura e Outras Penas ou Tratamen- países. PROIBIÇÃO DA TORTURA 99 Supervisiona seis Comissões de Direitos O mandato do Relator compreende três Humanos que.menschenre- de aguardar pela exaustão dos mecanis- chtsbeirat. Desumanos ou Degradantes. Gabinete do Alto Comissariado para a essas informações. Desumanos ou Degradantes ou não ratificado a Convenção contra a http://www.ohchr. cias (alegados casos de tortura). o Relator Especial não necessita Rights Advisory Board. na Áustria. dicia que os casos de tortura não são in- ção da ONU contra a Tortura. Os apelos urgentes podem ser dirigi- das com a tortura. um órgão de monito. o mandato e os administração pública e que é designado métodos de trabalho do Relator Especial. anualmente. Gabinete das Nações Unidas em Genebra lho de Direitos Humanos (o sucessor da CH-1211 Genebra 10 Comissão) referenciando a ocorrência e a Suíça extensão da prática da tortura e fazendo recomendações para ajudar os Governos E-mail: urgent-action@ohchr. como Mecanismo Nacional de Prevenção Diferentemente dos órgãos de monitoriza- de acordo com o Protocolo Facultativo.org a abolir e a prevenir tais práticas. Mandato e Atividades lator Especial da ONU sobre a Tortura é A anterior Comissão de Direitos Huma. eficazmente. A. em apelos urgentes e cartas contendo denún- qualquer momento e sem aviso prévio. o Conselho cidentes isolados nem esporádicos e en- Consultivo será integrado na Provedoria tregar ao Conselho de Direitos Humanos de Justiça austríaca. nos das Nações Unidas. Juan Méndez. e à Assembleia-Geral da ONU relatórios rização independente que supervisiona a anuais sobre as atividades.org/EN/Issues/Tor- Tortura e Outras Penas ou Tratamentos ture/SRTorture/Pages/SRTortureIndex. www. realizar Isto levou a importantes melhorias nos missões de investigação (visitas) a países centros policiais de detenção. O Relator Especial sobre a Tortura: Ob- Desde 1 de novembro de 2010 que o Re- jetivos. O Relator Especial os Direitos Humanos entrega. decidiu nomear um Relator Es- pecial para examinar questões relaciona. Cruéis. independentemente do Estado ter tos Cruéis. O man. aspx) . da Argentina. para procurar e obter dos a: informações credíveis e fiáveis sobre tais Relator Especial sobre a Tortura questões e para responder. Com a ratifi. C/c. podem visitar qualquer vernos comunicações que consistam em local policial de detenção. ção estabelecidos pelos tratados interna- (Fonte: Menschenrechtsbeirat – Human cionais. sobre os quais a informação existente in- cação do Protocolo Facultativo à Conven.at) mos de proteção domésticos para agir em casos individuais que envolvam o risco Atividades a Nível Internacional de tortura (apelos urgentes) ou alegados atos de tortura (“alegações”). um relatório exaus- tivo sobre as suas atividades ao Conse.

também. exercer pressão política através da realiza- Termos de Referência ção de uma declaração pública. irregulares ou requerentes de asilo. As suas conclusões constam de rela- ção Europeia para a Prevenção da Tortu.int] . rou a sua posição internacional. em 2001. o consentimento para publicação tituído por peritos independentes. adotada em 1987. manos ou degradantes. Ini. O Comité não trata apenas de assuntos este poder foi exercido seis vezes: em 1992 relacionados com a tortura. formações profissionais diferenciadas. 314 visitas a Estados (190 visitas periódi- hospitais psiquiátricos e todos os outros locais onde as pessoas se encontrem deti. a Federação nente e construtivo com os governos. Com a exceção da Federação do Comité de Ministros.100 II. tos Desumanos ou Degradantes (CPT): reito de falar em privado com os detidos. a melhorar a situação de acordo com as O número de membros corresponde ao recomendações do Comité. Até à data. nos termos observados para as Convenção entrou em vigor. tórios confidenciais que são enviados ao ra e Penas ou Tratamentos Desumanos respetivo governo e recomendações são ou Degradantes. prisões e os direitos humanos. O CPT é cons- Russa. com tem sido dado com consistência.cpt. efetuar visitas ad O CPT foi criado com base na Conven. no local e examina o tratamento de pes. em [Fonte: Comité Europeu para a Preven- zonas de trânsito de aeroportos interna. mas também e 1996. A adesão ao princípio da confiden- ciou a sua atividade em 1989 quando a cialidade. incluindo a Turquia. relatórios.coe. possível a acessão de Estados não-Mem- podem ser publicados com o acordo des- bros do Conselho da Europa a convite tes últimos. o CPT realizou inspeciona esquadras de polícia. pode. com um leque de situações que podem 2003 e 2007 relativamente à República da conduzir a penas ou tratamentos desu. ção da Tortura e das Penas ou Tratamen- cionais. tem também sido rios realizados pelos respetivos governos. ao mes- dos os Estados-membros do Conselho da mo tempo que permite o diálogo perma- Europa. Efetua inspeções relativamente à Grécia. visitas e no processo de redação e entre- Membros ga dos relatórios. cas e 124 visitas ad hoc) e publicou 263 das. Chechénia da Federação Russa e em 2011. é um ponto importante para a credibilidade do Comité e melho- O CPT abrange 47 países europeus (to. em conjunto com os comentá- Desde março de 2002. prisões. advogados e peritos Sanções Possíveis em assuntos relacionados com as forças Se um Estado se recusar a colaborar ou policiais. conforme neces- Estabelecimento sário. Os membros do Comité têm o di. http://www. hoc. O CPT Até 1 de janeiro de 2012. em relação à Turquia. Os Russa e os países do Sul do Cáucaso). Visitas e Relatórios do CPT soas privadas da sua liberdade. incluindo. o CPT pode número de Estados Partes da Convenção. médicos. feitas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O Comité Europeu para a Prevenção da Métodos de Trabalho Tortura e Penas ou Tratamentos Desu- manos ou Degradantes (CPT) O Comité realiza visitas periódicas a to- dos os Estados Partes e. como as instalações para imigrantes relatórios.

país devem demonstrar a sua total oposi- ção. Condenação oficial da tortura iniciativas locais As mais elevadas autoridades de cada e de fortalecimento institucional/capacita. subscrito. Reino Unido. cujos mandatos de quatro anos são que a detenção “incomunicável” não se alternados. Desde en. 2. ção à tortura. síveis de serem reeleitos em cada dois anos. medidas de salvaguarda para assegurar bros. com metade dos membros pas. A Amnistia Internacional é contatar pessoas no exterior que as pos- um movimento inerentemente democrático. No dia 28 de maio de 1961. grama de 12 Pontos para a Prevenção da tão. tem atualmente A tortura acontece. PROIBIÇÃO DA TORTURA 101 Atividades das Organizações Não Gover. através de um Co. rou a criação da Amnistia Internacional. dagem holística a 1. cionalização. do as vítimas se encontram detidas de res e doadores regulares. relatórios sobre Unidas proclamaram questões de direitos humanos e fazer pres- 26 de junho como o são junto de governos sobre questões espe- Dia Internacional do cíficas de direitos humanos. a AI adotou o Pro- Tortura. as Nações da AI incluem campanhas. É vital que todos os detidos sejam presen- . ternacionais para a governmental Organizations Against prevenção da tortu- Torture) têm realizado programas interna. nhuma circunstância. com um Secreta. são um governos para implementar o seu Programa exemplo de abor. ao nível A Amnistia Internacional apela a todos os mundial. a acontecer. redes internacionais mundiais para a Tortura que se tornou numa plataforma de prevenção e proibição de tortura como a mais iniciativas in- CINAT (Coalition of International Non. Os governos devem adotar mité Executivo Internacional de nove mem. forma “incomunicável” – sem poderem íses e territórios. em mais de 150 pa. de 12 Pontos para a Prevenção da Tortura. Devem tornar claro a todos do inglês Peter Benenson publicou o artigo os que asseguram o cumprimento da lei “Os Prisioneiros Esquecidos” no jornal The que a tortura não será tolerada em ne- Observer. A. por um Conselho Internacional representan- namentais (ONG) te das secções da organização. As atividades Em 1997. Limites à detenção sem possibilidade riado Internacional em Londres e escritórios de comunicação de apoio em todo o mundo. Apoio às Vítimas de Em outubro de 2000. ocorrência e institu- des participam nestes eventos. que inspi. torne numa oportunidade para a tortura. Muitos indivíduos e celebrida. A Amnistia Internacional. eventos de alto nível e campanhas mecanismos de pro- maciças com vista à erradicação completa teção contra a sua da tortura. Londres. muitas vezes. quan- mais de três milhões de membros. sam ajudar ou descobrir o que lhes está governado por si próprio. ra e para reforçar os cionais. o advoga. A Amnistia Internacional (AI) Programa de 12 Pontos As atividades da para a Prevenção da Tortura Amnistia Interna- cional.

Mecanismos intergovernamen- . muitas vezes. 11. circunstância. As vítimas de tortura e os seus dependen- tura sejam investigados de forma impar. tomar conhecimento dos seguro” para os que torturam. vítimas. incluindo estados de guer- as privadas de liberdade são colocadas em ra ou outras situações de emergências locais publicamente conhecidos e que in. as reito internacional. Os métodos e as conclusões pensação financeira. Estes devem ser são competentes para o interrogatório. Queixosos e testemunhas devem cos apropriados e a sua reabilitação. tes se encontrem. seus direitos. o interrogatório a tortura seria a separação das autoridades ou o tratamento de detidos. instruídos no sentido de que estão obri- gados a desobedecer qualquer ordem de 5. aos locais de mação de todos os profissionais envol- detenção. Garantias durante o interrogatório e vem responder perante a justiça. Não pode existir qualquer “porto vem. Devem ser realizadas visitas de inspeção.102 II. sobre tortura 10. a tortura acontece em pelo direito penal. Proibição legal da tortura nham acesso imediato e regular. Uma garantia importante contra vidos com a detenção. incluindo o direito a apresen. onde quer que o crime dimentos no âmbito da detenção e dos in. Às vítimas devem destas investigações devem ser tornados também ser assegurados cuidados médi- públicos. familiares. 9. Os governos devem assegurar que os 3. tenha sido cometido e qualquer que seja terrogatórios sejam regularmente revistos. durante a for- regulares e independentes. que a tortu- responsáveis pela detenção daquelas que ra constitui um crime. O prin- o período de detenção cípio deve ser aplicado onde quer que es- Os governos devem assegurar que os proce. advogados e médicos lhes te. Resposta internacional 6. tes devem ter direito a obter uma com- cial e efetiva. De acordo com o di- centros secretos e depois. Deve ser tornado claro. formação correta sobre o seu paradeiro seja 8. de imediato. a uma autoridade tortura nunca possam ser invocadas em judicial após serem detidos e que os seus procedimentos legais. Os responsáveis por atos de tortura de- 4. Investigação independente de relatos tortura. Procedimentos de formação tar queixa contra a forma como é tratada. Indemnização e reabilitação Os governos devem assegurar que todas as queixas e os relatos relacionados com tor. 7. de forma célere. públicas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes. Não à detenção secreta atos de tortura sejam crimes puníveis Em alguns países. ra não pode ser suspensa em qualquer Os governos devem assegurar que as pesso. Acusação de alegados torturadores disponibilizada a familiares e advogados. Não à utilização de declarações obti. Os governos devem utilizar todos os das sob tortura meios disponíveis para interceder jun- Os governos devem assegurar que as to dos governos acusados da prática de confissões e outras provas obtidas sob tortura. a nacionalidade dos perpetradores ou das Todas as pessoas privadas de liberdade de. ser protegidos contra a intimidação. a proibição da tortu- vítimas são dadas como “desaparecidas”.

acusada ou culpa- mo através de uma Campanha de Justiça”.apt. é uma ONG internacional que trabalha a rar que a formação e as transferências nível global. to de mecanismos nacionais de prevenção. panha mundial. PROIBIÇÃO DA TORTURA 103 tais devem ser estabelecidos e utilizados A Associação para a Prevenção da Tor- para investigar. Ratificação dos instrumentos inter. presos em locais de Mundial (AMM) adotou a Declaração sobre detenção como a Baía de Guantánamo. apelando ao fim luta armada”. “Segurança com incluindo situações de conflito armado e de os Direitos Humanos”. e quaisquer que sejam as crenças e os Por último. autoridades estatais. combate ao terrorismo. Tem estado na frente da 12. aceitar nem participar na prática da tortura ça nacional e de operações no âmbito do ou outras formas de procedimentos cruéis. (Fonte: Amnistia Internacional. Várias outras associações mé- das violações dos direitos humanos come. médicos em atos de tortura e de maus tratos. Tortura. depois de testemunhos de “sus. códigos de ética contra o envolvimento de te ao terrorismo e da segurança nacional. justificados pelos perpetradores declarar que “o médico não deve favorecer. Os governos devem assegu. tura (APT) latos de tortura e para agir eficazmente A Associação para a Prevenção da Tortura contra esta.amnesty. cedimentos seja suspeita. âmbito da Detenção e da Prisão. Desumanos ou Degradantes no tortura e de outras formas de maus tratos. com um de militares. enquan- ção contra a tortura. motivos da vítima. A. em 1975.ch) vamente em abril de 2005. Tal conduziu a ou. incluindo o Pacto to realiza ações de formação relacionadas Internacional sobre os Direitos Civis e com a visita a locais de detenção. dicas nacionais elaboraram os seus próprios tidas pelos governos.wma. desumanos ou degradantes. www. da. sobre a criminalização da tortura. de forma urgente. no âmbito da campanha “Contra a Tortura na ‘Guerra ao Código de Ética Terror’”. em todas as situações. qualquer que tra campanha da Amnistia Internacional. seja a ofensa da qual a vítima de tais pro- em 2006. http:// (Fonte: Associação Médica Mundial: www. em nome do comba. denominada “Contra o Terroris. incluindo facilitem a prática da tortura. Tortura e oferece aconselhamento jurídico nham garantias e mecanismos de prote. Em Tóquio. os re. Normas Orientadoras para Médicos relati- terem revelado que a “Guerra ao Terror” vas à Tortura e Outras Penas ou Tratamen- conduziu ao uso crescente e à aceitação da tos Cruéis.net) . como necessários por motivos de seguran. seguranças e polícias não vasto número de intervenientes.org/) http://www. instituições nacionais e sociedade civil. aconse- Políticos e o seu Protocolo Facultativo lhando no estabelecimento e funcionamen- que admite queixas individuais. regional e nacional. A AMM A Amnistia Internacional documentou um expressou claramente a posição da profissão leque abrangente de abusos de direitos médica contra a tortura e os maus tratos ao humanos. campanha internacional para a adoção e nacionais implementação do Protocolo Facultativo Todos os governos devem ratificar os à Convenção das Nações Unidas contra a instrumentos internacionais que conte. a Associação Médica peitos de terrorismo”. a Amnistia lançou outra cam. (Fonte: Associação para a Prevenção da O Programa de 12 Pontos foi lançado no. em 2010.

Alguns países emiti- proibição no comércio de instrumentos de ram orientações a funcionários dos serviços tortura. chicotes soas encontram-se detidas em instituições e tecnologia de choques elétricos tem au. secretos e a forças de segurança que apro- rio publicado pela Amnistia Internacional vam técnicas de interrogatório que causa e a Fundação de Investigação Omega. o número de países que se sabe de mais formação. Em usada por governos para restringir as ga- resposta a uma iniciativa do antigo Relator rantias dos direitos humanos e para ignorar Especial contra a Tortura. Artº 3º Atualmente. mais sensibilização para estarem a produzir ou fornecer equipamen. publicada to Internacional sobre os Direitos Civis pelo Centro Internacional de Estudos sobre e Políticos Prisões. em danos físicos e mentais. anjinhos. tornando premente a necessidade nacional. uma mas de maus tratos. TENDÊNCIAS número de pessoas privadas de liberdade em 218 países independentes e territórios O comércio de instrumentos de tortura dependentes. a proibição absoluta da tortura e outras for- a União Europeia introduziu. 1948 Declaração Universal dos Direitos milares para correntes de pés e pulveriza. Descobriu-se. Este elevado nú- mentado drasticamente nos últimos anos. enquanto a Alemanha emitiu licenças si. a população prisional está a aumentar em quase todas as partes do 1957 Regras Mínimas das Nações Unidas mundo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. CRONOLOGIA grilhões. que apresenta pormenores sobre o . da Amnistia Inter. Artº 5º dores químicos. De Civis e Políticos (PIDCP).104 II. des Fundamentais (CEDH). tura ou tratamentos cruéis ou desumanos. pressão nos funcionários e na gestão das ping the Torture Trade”. mero de pessoas privadas de liberdade põe De acordo com o relatório de 2001 “Stop. reito internacional. armas de choques elétricos e pul- verizadores químicos. vários países europeus con.000 dos Direitos Humanos e das Liberda- voltes para o uso em prisioneiros. bem como pela maioria tinuam a exportar equipamento desenhado dos sistemas nacionais como formas de tor- para tortura ou maus tratos. os direitos humanos e de mais recursos. nos A denominada “Guerra ao Terror” tem sido anos 80. Desumanos ou das por utilizarem estes equipamentos para Degradantes – Bases estruturantes tortura e outras formas de maus tratos. to de choques elétricos subiu de 30. grilhões. a seis países onde a Proibição da Tortura e Outras Penas polícia e forças de segurança são conheci- ou Tratamentos Cruéis. de acordo com um relató. para mais de 130. para o Tratamento dos Reclusos mero de mulheres e de jovens presos tem 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos também aumentado drasticamente. Artº 7º acordo com a mais recente Lista Mundial 1966 Protocolo Facultativo Referente ao Pac- sobre a População em Prisões. o nú. Num movimento paralelo. Humanos (DUDH). em 2000. mais de 9. prisões. que a República Checa emi- tiu licenças de exportação a abrangerem 3. proibidas pelo di- março de 2010. Porém.8 milhões de pes- como algemas. e fornecedores na Itália e 1949 As Quatro Convenções de Genebra Espanha promoveram a venda de punhos 1950 Convenção Europeia para a Proteção ou mangas de choques elétricos de 50. por exemplo. Theo van Boven. penais à volta do mundo. em 2005.

Desumanos ou 2006 Convenção Internacional para a Degradantes Proteção de Todas as Pessoas con- 1985 Convenção Interamericana para tra os Desaparecimentos Forçados Prevenir e Punir a Tortura (CPDF) ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: mentos a favor e contra as questões le- TORTURAR TERRORISTAS? vantadas.º 5º Proteção dos Jovens Privados da sua Liberdade 1982 Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à atuação do pessoal dos 1992 Convenção Interamericana para a serviços de saúde. 1987 Convenção Europeia para a Preven- tos Humanos. a vida de outras pessoas? . 1998 Estatuto do Tribunal Penal Interna- desumanos ou degradantes cional 1984 Convenção das Nações Unidas 2002 Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou das Nações Unidas contra a Tortu- Tratamentos Cruéis. ainda que de for. terroristas e perpetradores de crimes ge- rou um aceso debate particularmente de. Desumanos ra e Outras Penas ou Tratamentos ou Degradantes (CCT) Cruéis. para a proteção de pessoas 1994 Convenção Interamericana sobre o presas ou detidas contra a tortura e Desaparecimento Forçado de Pessoas outras penas ou tratamentos cruéis. para analisá-las de acordo com o quadro dos princípios de direitos huma- Parte I: Introdução nos e debater outros assuntos relaciona- O terrorismo e a tortura de (suspeitos) dos com estes. para a Prevenção da Tortura (SPT) tamentos Cruéis. Art. Desumanos ou Degradan- 1985 Relator Especial das Nações Unidas tes estabelecendo o Subcomité para Tortura e outras Penas ou Tra. estabelecendo o Comité Europeu ponsáveis pela Aplicação da Lei para a Prevenção da Tortura (CPT) 1981 Carta Africana dos Direitos Humanos 1990 Regras das Nações Unidas para a e dos Povos (Carta de Banjul). Pergunta para debate: mas diversas. Artº 5º ção da Tortura e das Penas ou Trata- 1979 Código de Conduta das Nações mentos Desumanos ou Degradantes Unidas para os Funcionários Res. A. Muitas vidade pessoas têm exprimido as suas opiniões Tipo de atividade: debate e as suas preocupações. especialmente aos Prevenção e Punição da Tortura médicos. poderia ser dores de crimes ou terroristas para salvar feita uma tentativa para identificar argu. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- pois do 11 de setembro de 2001. PROIBIÇÃO DA TORTURA 105 1969 Convenção Americana sobre Direi. É aceitável torturar (suspeitos) perpetra- Através do debate proposto.

distribuir O facilitador deve assegurar-se de que as a todos os participantes um cartão verme- seguintes regras estão incluídas na lista lho e um verde. Dividir o grupo em duas partes e assegu- Grupo-alvo: Jovens adultos. documentos de direitos huma- mado do Direito podem ser um quadro nos e disposições relacionadas com terro- importante para perceber dilemas com. a compreensão regras e assegurar que todo o grupo con. seus argumentos ou atitudes são inapro- do com o tema. cópias do ma. Pedir aos partici- julgamento no caso alemão de Wolfgang pantes que organizem os tópicos relacio- Daschner. preparar e copiar um Processo do debate: conjunto das normas internacionais e O processo do debate deve ser dirigido regionais de direitos humanos sobre a com respeito e sensibilidade. ler em voz alta os cartões e dar tempo ção de uma forma respeitosa. Dar tempo (45m) para trabalho em grupos terial preparado. gumentos e colocá-los do lado esquerdo competências comunicativas. artigos e reitos humanos. Só uma pessoa deve falar de cada vez. por exemplo. rever o priados ou disparatados. (contra) ou direito (a favor) de uma linha cias de gestão de conflitos. rismo e a proibição de tortura. apresentar bre- mocrática deve lidar com assuntos rela. tendo Duração: 90-120 minutos em conta os princípios universais de di- Preparação: Recolher recortes. considerações morais e fotografias de jornais locais e interna. qual expressar desacordo ou insatisfa. (planear 45 corda e aceita as regras propostas. demonstrar que declarações contraditórias de funcionários os direitos humanos e o princípio do pri. Como introdução ao tema. parti. Começar o debate pedindo aos Competências envolvidas: Construção de participantes que apresentem os seus ar- competências argumentativas e críticas. plicados. O grupo tem de inventar um sinal pelo e a organização do debate. pedir aos partici. propostos e tentar que o grupo discuta as ticipantes que determinem eles mesmos as diferenças de abordagem. mais pequenos e para a formulação de ar- cadores gumentos. quadro ou papel e mar. etc. nados com o tema que trouxeram. Perguntar se todos con- Regras do debate: cordam com a posição dos argumentos Antes de começar o debate. públicos. cionados com a tortura. pedir aos par. Material: cartões coloridos. Parte III: Informação Específica sobre o lha e defesa de opiniões.106 II. participante deve ter a sensação de que os pantes que tragam um tópico relaciona. a 60 minutos) Colocar as regras visivelmente e consultá-las Reações: apenas quando houver problemas. em alternativa. etc. vemente os recortes de jornais preparados. que divida a sala. negativos que tiveram sobre o conteúdo 2. Finalmente. e a razão das suas posições. cionais recentes. adultos rar que os grupos analisam e desenvol- Dimensão do grupo: 10-12 vem argumentos a favor ou contra. e pedir-lhes que os participantes elaboraram: que escrevam os sentimentos positivos e 1. Como alternativa. Nenhum proibição de tortura. competên. aquisição de Debate conhecimentos e sensibilização para a Introdução do tema: questão de saber como a sociedade de. éticas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Metas e objetivos: Formulação. Depois do debate ter terminado. os par- . para reflexão.

Temos vidade de torturar o amigo/familiar para desco. pena de morte e se- Manter sempre e usar. clarificar e mitigar discus- sões e não tomar posições abertamente. ta. The mas de tortura. brir mais. Temos de torturar para salvar manos ou degradantes. PROIBIÇÃO DA TORTURA 107 ticipantes podem colá-los na parede ou Parte IV: Acompanhamento num quadro. 5 gurança humana. A. Temos de torturar o aliado xidade do tema. Action and criativo. Dimensão do grupo: 10-20. a maioria das pessoas tem Tortura”: uma noção clara do que podem ser con- • Alguém colocou uma bomba e admite siderados como tratamentos cruéis. desumanos bate pode dar-se aos participantes uma e degradantes nem sempre são evidentes. ilustração da comple- bombista. esta susci. sobre a proibi- onde se encontra o limite – quando. Através desta ati- vidas. minutos de pausa (para acalmar) quando o debate estiver aceso e correr o risco de ficar fora do controlo. etc. Material: quadro ou papel. desu- tê-lo feito. bre o tema. • Alguém é próximo de outra pessoa sus. a questão de saber internacionais e regionais. recolher e preparar cópias das Se usar esta ficha informativa. Nancy. em ação. vidade. em primeiro lugar. penas ou tratamentos cruéis. em grupos • Alguém se recusou a dizer à polícia de 4 ou 5 onde está o suspeito. Esta pessoa deve Duração: 120 minutos ser torturada para assegurar que outros Preparação: Recolher imagens e textos so- não tentarão fazer a mesma coisa. Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: direito à vida. tificar a tortura? fotografias chocantes e histórias de víti- (Fonte: Flowers. Parte I: Introdução Outras sugestões: As diferentes formas de tortura e outras Para estruturar melhor o conteúdo do de. adultos tras pessoas que o apoiam. político para descobrir mais sobre ou. et al. normas relevantes de direitos humanos. marcadores. que em alguma circunstância. Temos de torturar para desco. Grupo-alvo: Jovens adultos. ficha informativa com a “A Escada da Não obstante. ATIVIDADE II: Dar tempo para reflexão silenciosa quando UMA CAMPANHA a confusão ou a raiva se instalarem. CONTRA A TORTURA Tentar resumir. Tipo de atividade: criativa brir mais sobre os planos do bombista. Effec.) vas. os participantes serão encorajados • Alguém é suspeito de ter colocado uma a tentar traduzir os seus conhecimentos bomba. Parte II: Informação Geral sobre a Ati- peita de ter colocado uma bomba. . se é ção de tortura. 2000. Human Rights Education Handbook. se pode jus. Metas e objetivos: Desenvolvimento de • Alguém denuncia outra pessoa que abordagens criativas e inovadoras a pro- partilha as mesmas ideias políticas do blemas complexos. concretização de ideias criati- Change. se necessário. Competências envolvidas: Pensamento tive Practices for Learning.

International. Association for the Prevention of Torture Amnesty International. tas locais com experiência a partilharem escolhendo para esse efeito por entre o as suas experiências e eventualmente a co- material apresentado ou criando desenhos meçarem um novo grupo/uma nova cam- ou textos. Deeds. Sugestões metodológicas: rial recolhido numa mesa grande ou no Dependendo do grupo com o qual está a chão. Utilizar os últimos 45 minutos para a apre. pena de morte e segurança apenas que expliquem o seu trabalho. 2003. Making the EU Ban on the Trade in Association for the Prevention of Torture ‘Tools of Torture’ a Reality. (APT). 2011. Security (APT). Pedir a cada um dos participantes para mentos. Monitoring places of deten- nesty International. Annual Report 2010 Geneva: APT. Amnesty International and Omega Re. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte III: Informação Específica sobre a também que falem dos pensamentos e Atividade emoções que tiveram ao preparar os car- Introdução do tema: tazes. London: Amnesty In. ideias e opiniões sobre a tortura. Convidar ativistas da AI ou outros ativis- mentos cruéis. mas humana. 2004. Registar exercício numa palavra ou numa frase. Como forma de aquecimento. caracterizar a sua experiência com este numa sessão de chuva de ideias. 2011. The State of the ing Torture: A Manual for Action. desumanos e degradantes. with Human Rights. Numa segunda volta. Dar tempo suficiente para se exami. 2010. London: Amnesty Amnesty International. pedir aos Reações: participantes que partilhem os seus pensa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amnesty International. trabalhar. Geneva: APT. Direitos relacionados/outras áreas a ex- sentação dos cartazes ao grupo reunido plorar: em plenário. que gostaram mais e se pensam que houve Processo da atividade: alguma coisa no exercício que fosse per- Dividir o grupo em grupos menores (4 a 5 turbadora. deve ser muito cuidadoso/a so- narem os desenhos e as fotografias e se bre a exibição de pormenores de fotogra- lerem os textos.108 II. Amnesty Amnesty International. Combat- International Report 2011. tion: a practical guide. From Words to Professionals? Geneva: APT. Pedir aos participantes não Direito à vida. Visiting Places of Detention. panha. (APT). as respostas mais interessantes num qua. membros no máximo) e espalhar o mate. 2011. Association for the Prevention of Torture ternational. Parte IV: Acompanhamento zer cartazes contra a tortura e outros trata. fias ou relatórios sobre tortura! Dar uma folha de papel suficientemente grande a cada grupo para que possam fa. London: Am. 2008. pode perguntar de dro ou em papel. London: World’s Human Rights. . What Role for Physicians and other Health search Foundation.

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principalmente. sociais e culturais indispensáveis […] à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade” Toda a pessoa tem direito ao trabalho […] Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. ao alojamen- to. B. […]” Artigos 22º. 1948. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA REDUÇÃO DAS INIQUIDADES SUBSISTÊNCIA SUSTENTÁVEL ACESSO AOS RECURSOS PARTICIPAÇÃO NÍVEL DE VIDA ADEQUADO “Toda a pessoa […] tem direito à segurança social […] e pode legitimamente exigir a sa- tisfação dos direitos económicos. quanto à alimentação. 23º. ao vestuário. 25º. . à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […] […] Toda a pessoa tem direito à educação. 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No âmbito de um sistema público dência. sem sofrem. os Sahariyas proviam à sua jasthan […]. Quatro dias Os níveis de má nutrição na Índia – um mais tarde. recusaram-se a vender vem comer erva e. Esta é por isso. rapidamente. Em 2006. assim. Bordi. Cerca de tos é deitada fora ou comida pelos ratos. na Índia ninguém morre à de algumas colheitas. lojas do governo. presentam cerca de 30% da população do tos. Murari. ram erva. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Morrer de fome em terra de abundância jas do governo. sobrevivência através da caça e semeio Oficialmente. Primeiro morreu o seu pai. encontra. São aqueles que estão no fundo do sistema dentes estão atualmente depositadas nos hierárquico de castas da Índia que mais armazéns do governo. Quan- mite comprar cereais subsidiados das lo. Estes queixaram-se dos cereais no mercado negro. Um aldeão. país de mais de 1 bilião de pessoas – estão Ao longo desta região remota do norte da entre os mais altos do mundo. ele perdeu a sua filha. são também vítimas da alcançou Mundiar ou qualquer outra vila injustiça histórica. Ganpat. das lojas preencheram os seus cartões de assistiu ao lento sucumbir da toda a sua fa. riyas. dos cereais da vasta montanha de alimen- bal Sahariya morreram à fome. governamentais. Infelizmente. no sudeste de Ra. Em vez disso. Mas não os cartões de racionamento aos seus com- encontraram nada.112 II. como em outros lugares. cereais baratos aos “intocáveis” Saha- com as bochechas cada vez mais encovadas. der o seu esquema. que lhes per. ainda assim. aqueles livram-se foram enfraquecendo. cia em 1947. seguido pela sua mulher. Mas os humanos não de. uma imensa montanha de alimen. ch (chefe da aldeia) local distribuiu todos çaram a procurar comida na selva. os aldeões de Mundiar come. Antes da independên- mais remota do interior. parsas e membros da sua própria casta. os aldeões. . os donos começaram a morrer. nenhuma das toneladas distrito de Baran. Depois da indepen- fome. lhos como trabalhadores agrícolas. Em vez disso. 60 milhões de toneladas de cereais exce. Mas em Bhoyal. os donos das te dada ao gado. mas agora dianas sofriam de má nutrição. as 60 famílias da aldeia tiveram de se vas que tinham direito a receber pensões alimentar de sama – uma ração normalmen. do se perderam as colheitas neste verão. Índia – que noutros tempos era coberta cerca de metade de todas as crianças in- pelo denso verde da floresta. que re- dúvida. enquanto tornada estéril devido à seca – é a mesma cerca de 50% das mulheres indianas so- história. Sahariyas começaram a morrer. os aldeões que vivem da selva e confiscaram as suas terras. Os aldeões disseram que o sarpan- tia trabalho. frem de anemia. E. Durante os dois últimos meses. racionamento numa tentativa de escon- mília. a maioria mais de 40 membros da comunidade tri. E. Quando os de prisão de ventre e de letargia. o sistema entrou em co- Quando as colheitas se perderam e não exis. durante a maior parte do Aquele também apagou o nome das viú- verão. Os abaixo do limiar da pobreza têm direito a Sahariyas foram forçados a procurar traba- um cartão de racionamento. os funcionários expulsaram-nos de distribuição. lapso. As comunidades tribais. Entretanto. Por fim.

Em ambos de produção e a perspetiva dos governos os casos. za em Baran com o que os pobres no mentes de erva selvagem. O que desperta em si esta experiência e nós”. uma vez que lhes apenas como relacionada com os rendi. com a sua experiência? ruption connive to keep food from India´s 4. ços de saúde e água potável. nacional ou as Nações Unidas sobre as vá. que tipo dades sentidas pelos pobres em Baran? de efeitos? A SABER 1. falta de servi- plexidade é o resultado de muitos fatores. significativamente complexas. o Fundo Monetário Inter. Dying of hun. sem Articule-as como “Violações dos direitos nada para comer. enquanto preparava a sua refeição 3. Compare/contraste a situação de pobre- da noite de chapattis feita de sama – se. 2002. incapacida- . seu país/contexto experienciam. que era vista terar a sua situação. O conceito de pobreza tem evoluído ao Os pobres não têm capacidade para al- longo do tempo.) pobreza e a segurança humana? Acha que tratar as pessoas da forma descrita Questões para debate na história ilustrativa pode ter efeitos 1. como o equidade. desenvolvidos. forma de exclusão social. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 113 ficaram sem trabalho e. paz. “Os políticos não estão interessados em 2. Em países incluindo a mudança na natureza do rela. falta de segurança pessoal. devido à falta de liberdade multidimensional que deriva e está in. são negados os meios para exercer essa mentos. B. geografia. a pobreza existe devido à falta de e das instituições internacionais. desemprego. INTRODUÇÃO cificidades sociais. igualdade. A pobreza. na segurança humana? Se sim. Nabbo. política. disse uma mulher. a cultura e as espe. a re. é agora vista como um conceito capacidade. humanos de/a …”. analfabetismo. em desemprego lação entre sociedade e fatores e processos crescente e em baixos salários. num mundo pleno de oportunidades. Quais são as privações e vulnerabili. de 50 o que pensa que deve ser feito? anos. a nos processos de tomada de decisão. segurança humana e Banco Mundial. Quais (Fonte: Luke Harding. incapacidade para participar timamente relacionado com a política. as formas pelas e de recursos para subsistência. são as imagens da pobreza de acordo ger in a land of surplus. A pobreza significa a falta de acesso rias dimensões de pobreza. a pobreza manifesta-se na cionamento entre os seres humanos. Vê alguma relação entre o aumento da poor. escassez de terra um fenómeno histórico. portanto. a pobreza está difundida e é Embora a pobreza tenha sido vista como caracterizada por fome. Caste and cor. Em países em desen- volvimento. Esta com. epidemias. a história. políticas quais hoje se manifesta estão a tornar-se redistributivas ineficientes.

Uma • O Índice de Pobreza Multidimensional melhor compreensão dos conflitos e dos (PNUD. saudá- projetos concretos de ação relacionados vel e criativa e para gozar de um padrão com mudanças institucionais para a decente de vida. meios de subsis- insegurança. o Alto Comissariado das Na- dos pobres de viver em segurança e com ções Unidas para os Direitos Humanos vê dignidade. relacionadas com o rendimento para Não só ameaça a existência de um gran. de participação. as crescentes desigualdades e publicado desde 1997. Mui- guranças sociais e alimentícias. A quebra da li- para a sua vulnerabilidade à violência. a Pobreza e Segurança Humana pessoa é pobre se. é uma tos países adotaram linhas de pobreza violação direta da segurança humana. do global e da segurança humana: “As PNUD. político e económico. e apenas se. exclusão social e falta Comissão sobre a Segurança Humana. tituindo o Índice de Pobreza Humana.114 II. educação. tais como a precariedade saúde. RDH 2010) utiliza indicadores valores tem de ser integrada com a in. uma quantidade específica de alimentos. discriminação geradas. liberdade. educação e for- redução da desigualdade de género e da mação insuficientes. o desenvolvimento humano são negadas bate público. violam os direitos humanos. nha de pobreza é definida em termos aos maus tratos e ao seu silêncio a nível da posse de rendimento suficiente para social. o seu nível de rendimento se encontra abai- A pobreza. dar a segurança humana básica. xo do limiar da pobreza definido. Amartya Sen sublinhou a necessidade • De acordo com o Relatório de Desenvol- de considerar os desafios da equidade vimento Humano (RDH). DA QUESTÃO: DEFINIR tergeracional. de respeito próprio e pelos outros”. a pobreza como uma “condição humana . A pobreza é a negação de O CONCEITO DE POBREZA poder económico. de pobreza: • Do ponto de vista do rendimento. subs- como de vulnerabilidade. monitorizar o progresso na redução da de número de pessoas como contribui incidência de pobreza. É esta negação que mantém os Existem várias definições e manifestações pobres mergulhados na pobreza.” tência desadequados. conducente a graves inse. a “pobreza significa que as opor- tarefas urgentes incluem a clarificação tunidades e escolhas mais básicas para concetual bem como a promoção do de. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de de participar na vida da comunidade 2. para identificar as diversas dimensões vestigação de exigências no âmbito da da pobreza. remoção da pobreza e na saúde e na nutrição. social e político e de recursos. bem com uma abordagem mais ampla. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO e ameaças à equidade sustentável e in. dignidade e promoção da equidade e para salvaguar. condições de ha- (Fonte: Relatório da Segunda Reunião da bitação precárias. de 1997. O Índice de Pobreza 16-17 de dezembro de 2001) Multidimensional complementa os mé- todos baseados em valores monetários A pobreza é um estado de privação. Consequen. a juntar à identificação de – para conduzir uma vida longa. temente. entre nações e • A partir de uma perspetiva de direitos dentro das mesmas.

A vulnerabilidade e a pri- a vender os seus escassos bens e a viver em vação. dignidade.é o caso. ser capaz de Direito ao Trabalho e Não Discri- aparecer em público sem vergonha. forçando-os uma definição. ser minação capaz de garantir a sobrevivência e parti- cipar na vida da comunidade. vulnerabilidade. mente abrigado. ter nidade. Necessidades básicas: negação da alimenta- ção. uma vida saudável e habita- Os debates sobre como elaborar índices ção. Pobreza. estar adequada. do ções Unidas para os Direitos Humanos. justiça. Dando um passo em de uma justiça atempada. portanto. florestas e água . mas não se de prioridade. ser para o seu direito humano a viver em dig- capaz de garantir a segurança pessoal. para a vulnerabilidade o conjunto comum de necessidades con. do Alto Comissariado das Na. por exemplo. Dimensões da Pobreza Direito à Saúde O fenómeno da pobreza é entendido e Direito à Educação articulado diferentemente. plicar as diferentes dimensões da pobreza: sórias: Uma Abordagem de Direitos Hu- manos para Estratégias de Redução de Subsistência: negação do acesso à terra. o que ajudaria a ex- sociais”. condições sub-humanas. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 115 caracterizada pela privação prolongada e frente. No capacidades consideradas como essen. oportunidades. a cidade quer migrantes ciais. tem aos povos indígenas colher alimentos O Relatório sugere que apenas a falta das e pasto que por direito lhes pertence. empurran- der diferir de uma sociedade para outra. capacidades. contexto urbano. Justiça: negação da própria justiça ou cultural e político. . e. em última não podem ser limitadas a um quadro rígi- análise. devem qualificar-se como responsabiliza pelas suas necessidades de pobreza. Nas Linhas Orientadoras Provi. sendo essencialmente subjetivas. O racismo e a discrimina- sideradas básicas na maioria das socieda. lhes retira o direito de viver em dig- do aplicável universalmente. segundo uma determinada ordem rurais para os seus trabalhos. tar de um padrão de vida adequado e ou. educação. etc. dependendo do específico contexto económico. ter educação básica. za (ex. vitais para a sua subsistência. não permi- como uma “forma extrema de privação”. fatores decisivos para negar o acesso de mente nutrido. B. saúde e educação. culturais. evitando uma morbidade comunidades e grupos a recursos naturais e mortalidade prematura. por exemplo. escolhas. palavras incluídas na definição de pobre- segurança e poder necessários para desfru. por exemplo. devemos agora tentar relacionar as crónica de recursos.) com as tros direitos civis. Apesar de esta qualificação po. a pobreza é encarada do Estado sobre as florestas. nidade. e insegurança. ainda mais. económicos e questões da vida real. do-os. habitação. e medir a pobreza persistem. acesso equitativo à justiça. de que sucede em áreas rurais quando as leis setembro de 2002. a comercialização de água. social. o que. mas a com- eletricidade e serviços escolares e hospitala- plexidade da vida humana significa que a res impelem os preços dos serviços essenciais pobreza continuará sempre na procura de para além do alcance dos pobres. segurança. ção baseados na etnia têm sido também des inclui a necessidade de ser adequada.

as mulheres não possuem e não natureza migratória. são exploradas locadas. são preferidas aos homens. o curtume de pele ou a agricultura. e empresariais usurpa o espaço dos ci. para as mulheres. deficiência. largamente difundido e afetar pessoas por por exemplo. assumir poder e resistir à injustiça. em dores ou a reabilitação de pessoas des. todo o mundo. têm controlo sobre a terra. trabalho obediente”. As crianças. Os jovens de bairros pobres e de Direito ao Asilo minorias étnicas e religiosas são os pri. nega aos refugiados o direi. por exemplo. Apesar de a pobreza ser um fenómeno nizar. água. como traba- sionamento de serviços básicos. ganhar magros salários. desem- participar e influenciar as decisões que prego e devido à proliferação de econo- afetam a vida. os tribunais são proprietários marginais de terras são for- vistos a retardar assuntos judiciais rela. mias familiares orientadas para a exporta- to do conluio entre interesses políticos ção que são mal pagas pelo seu trabalho. aos elevados custos que lhe estão asso- ciados. em muitos setores da economia de instrução e de informação. não pode votar. crianças e pessoas com rem por melhores condições de trabalho. o aumen. A maioria do trabalho feminino não é dadãos para participarem efetivamente documentado e não é pago. viver uma vida com respeito e dignidade. A falta lhadores. Primado do Direito e Julgamento Justo Direitos Humanos da Criança Não Discriminação Direito ao Trabalho Direitos Humanos das Mulheres Grupos Vulneráveis à Pobreza Organização: negação do direito a orga. ela é particularmente grave berdade dos trabalhadores de se organiza. como a re- dos pobres. em áreas rurais. portanto. ciclagem de lixo. Em muitas comuni- to de decidir o seu futuro. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS os pobres em muitos países não conse. çados a comprometer a sua dignidade para cionados com indemnizações a trabalha. o que põe em causa o sustento e forçadas a realizar trabalhos. vez de estarem na escola. frequentemente listada no registo eleito- guem aceder ao sistema judicial devido ral e. Direitos das Minorias meiros suspeitos de crimes ou mulheres que procuram intervenção da polícia em Dignidade Humana: negação do direito de assuntos de violência doméstica são des. As mulheres em assuntos públicos. proprie- bros das comunidades Roma não está dade e outros recursos e enfrentam bar- . consideradas sob o pretexto da questão por exemplo. devido à uma vez que são vistas como “força de deslocação. como o aprovi. Devido à sua dades. A feminização da pobreza tem-se torna- Direito ao Trabalho do um problema significativo em países com economias em transição devido ao Participação: negação do direito de aumento da migração masculina.116 II. Muitas vezes. a pobreza interfere com a li. grupos de ser um assunto privado. castas étnicos e de outras minorias que devido à pressão do Estado e de outras formam a grande parte dos sem terra ou influências poderosas. a maioria dos mem.

A comerciais e financeiras que concentram a elevada mortalidade infantil é normalmen. elevadas pro. o aumento da comercialização mento. A pobreza pode provocar sas com os serviços básicos como a saúde. uma vez As pessoas com deficiência estão entre que os países gastam o dinheiro para sal- as pessoas mais pobres nos países em de. riqueza no mundo industrializado. dar dívidas. uma parte da prosperidade global. com deficiência tem trabalho remunerado. tando na desigualdade entre nações no Com o rápido aumento da urbanização. descurando. cerca de 68 milhões de crianças existe um fosso cada vez maior entre ricos por todo o mundo. sem se direcionar às Direitos Humanos da Criança desigualdades no sistema de distribuição. vida com dignidade. O retrocesso do Es- ses em desenvolvimento. neo-liberal”. como está a aumentar. De acordo com a UNICEF. Também se estima que 150 estabilidade do Fundo Monetário Interna- milhões de crianças (com idades dos 5-14) cional chegaram com a promessa de gerar sejam vítimas de trabalho infantil. tráfico. em 2010. exploração e abuso. deficiência e pode também conduzir a de. B. educação. É interessante ver que. podem intensificar a pobreza. O PNUD estima que existem 650 sicos das pessoas de satisfazerem as suas milhões de pessoas com deficiência em próprias necessidades e de ganharem a todo o mundo e que 80% vivem nos paí. num sistema económico global. como resultado dem ser descritas como “globalização de condições de vida precárias. exclui os países e pessoas mais pobres de porções de crianças/adultos são uma cau. assim. nos países em vias de desenvolvimento. para as pessoas já Algumas tendências económicas. riqueza e desenvolvimento econó- da educação e de serviços de saúde priva mico. colocam ênfase na produção mida ou água e acesso limitado a cuidados para exportação e ignoram os direitos bá- de saúde. Para mais oportunidades de emprego. o ensino secundário. em idade de frequentar e pobres. Direitos Humanos das Mulheres Por que Persiste a Pobreza Os governos dos países ocidentais alta- A pobreza nega às crianças a oportuni. o que te causada pela má nutrição. nunca foram à escola Os Programas de Ajustamento Estrutural e são presas fáceis para diferentes formas (PAE) do Banco Mundial e os pacotes de de exploração. tanto número de crianças que vivem nas ruas dentro dos países desenvolvidos. que po- afetadas pela deficiência. falta de co. ficiências secundárias. o norte e sul. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 117 reiras sociais e culturais na realização dos percentagem muito pequena de adultos seus direitos humanos. alimentação e habitação acordo com estes números. resul- sa adicional para pobreza de rendimento. integrando as economias nacionais as crianças dos seus direitos constitucio. rendi- além disso. que procuram erradicar a pobreza através da disciplina fiscal. Os PAE nais básicos em muitos países. as despe- senvolvimento. a educação e a habitação. frequentemente tado nas suas responsabilidades sociais de em extrema pobreza e exclusão social. mente desenvolvidos que controlam a dade de realizarem o seu potencial como governação da economia mundial estão seres humanos e torna-as vulneráveis à satisfeitos por tolerar e manter estruturas violência. apenas uma e a ausência de redes de segurança pre- . De saúde.

os Estados Unidos da América.25 dólares por dia. a cada 3 segundos uma crescimento económico nos países já ricos criança com menos de 5 anos morreu. na luta contra o VIH/SIDA e países desenvolvidos e países em desenvol. do PNUD. a descida dos preços deixando 47 milhões de crianças fora da não nos afeta escola até 2015. de 2005. tempos de crise financeira. Pobreza Relativa e Pobreza Absoluta tório de Desenvolvimento Humano de 2010 A pobreza relativa indica que uma pes- do PNUD.000 crianças por dia. ainda necessitam de uma implementação apropriada. O país relevantes. alguns objetivos. Mesmo em 22. de 2010. um desa- os pobres. tal como a previsão as pessoas são pobres em relação ao que de. mais de segunda metade do século XX. é agora 25% mais pobre do que o país mais pobre 3. um quarto da população mundial E QUESTÕES CONTROVERSAS vive em pobreza severa. PERSPETIVAS em 1970 (também o Zimbabué). INTERCULTURAIS Hoje. A pobreza absoluta indica que altamente alarmante. no caso de se manterem as políticas atuais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS judica especificamente os pobres. Mais há a fazer. Consequen. Embora tenha havido pro- gresso no que diz respeito ao acesso a água Taxa de potável e ao fornecimento de vacinação Inflação básica. estima-se que 1.71% da alfabetização. confinado às mar- gens da sociedade. o Zimbabué. O país mais ou até de enfatizar estereótipos de alguns rico de hoje. juntamente com o contínuo cres. este fosso entre por exemplo. A infla.118 II. a política de negar e negligenciar o assunto vimento tem vindo a aumentar. o Liechtenstein. América do Norte e Relatório de Mortalidade das Crianças mais Oceânia. que é considerado ser um padrão justo de temente. como o alcance cai para 4. recente (2010) estima que cerca de 8.44 biliões de soa ou um grupo de pessoas é pobre em pessoas sobrevivam com o equivalente a relação aos outros ou em relação com o menos de 1. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano . De acordo com o Rela. Outra questão dos salários reais trazidos pela liberaliza. na anos morreram em 2009 – ou seja. a considerar continua a ser a promessa de ção e privatização de bens também afetam combater a mortalidade infantil. O da Europa Ocidental. o objetivo de reduzir a mortalidade Devemos estar kms eza. 800 milhões de pessoas continu- ção. a análise dos desenvolvimentos vida/ nível de consumo numa sociedade neste processo leva também a informação específica. mais pobre do mundo. em 2002. é agora três dos países mais afetados certamente não vezes mais rico do que o país mais rico em ajuda ao alcance dos Objetivos do Milénio 1970. indica que o rápido o qual. vimento Humano de 2005 de acordo com no.1 mi- cimento lento na África contribuíram para lhões de crianças com menos de cinco o aumento da desigualdade global. a contração de emprego e a erosão am sem acesso à instrução. fio sublinhado pelo Relatório de Desenvol- O Relatório de Desenvolvimento Huma. infantil fracassar e o objetivo de garantir abaixo da linha da pobr É por isso que a educação primária não ser alcançado.

formas de vida insustentáveis. Questões para debate por exemplo. O custo adicional de al- serviços básicos como educação. dos governos nacionais. desenvolvidos aceitarem respeitar os com- nos desenvolvidos ou em vias de desen. rais pelos interesses comerciais dos países desenvolvidos. Banco de Desenvol- do progresso de uma nação não é válido. é que o desenvolvimento sas regiões. Do padrões americanos. são Exclusão Social os ricos que têm níveis de consumo mais A exclusão social é frequentemente usa. e o por ano. vimento Asiático e outros) e outras agên- uma vez que. Um indivíduo que é catego. social e económica. mas os conceitos não são idênticos. a falta de alocação de fundos para Sim. sos naturais e pela degradação do ambien- te é questionável. pode ser o resultado da A pobreza impele os pobres a escolher pobreza. promissos que têm assumido para com o volvimento é responsável pelo estado de mundo como a redução das emissões de pobreza generalizado nessas nações. está esti- substancialmente as taxas de mortalidade mado em 40 biliões de dólares americanos e de doença das mulheres e crianças. A maioria destes recursos pode tam- bilidade política. do orçamento de defesa americano. resultan- e a exploração contínua de recursos natu. acredita-se que o elevado gradação ambiental. . para trolo de acesso a recursos. o que é aproximadamente 5. da com sinónimo de “pobreza relativa”. além-fronteiras. cias de ajuda humanitária. na verdade. causando insta. bancos multilate- ro de pessoas pobres impede o caminho rais (Banco Mundial. assim como a falta de com- • Uma maior população traduz-se auto. pode levar a que os pobres recor- maticamente em mais pobreza? ram a práticas que contribuem para a de- Geralmente. • O desenvolvimento sustentável pode le- clusão social pode conduzir à pobreza e. por exemplo. Essas questões são a extração sustentável pode ser alcançado. saúde e cançar serviços sociais básicos para todos. pode ser considerado mesmo modo. Este gases responsáveis pelo efeito de estufa. breza? cursos. bém resultar da reestruturação da despesa O argumento de que um grande núme. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 119 é entendido como um padrão mínimo de distributivas de muitos governos é que são necessidades. Apenas se os países crescimento populacional em países me. bustível. são responsáveis pelo consumo de recur- no contexto africano. var à redução da pobreza? ao mesmo tempo. as políticas re. a implementação de normas sobre efici- vernos do Sul e do Norte para desviar a ência energética e o pagamento de taxas atenção das questões centrais que são as de transação pelo movimento de capital causas que estão na base da pobreza nes. A ex. A falta de saneamento e de sistemas de eliminação. argumento é usado pelos respetivos go. é possível. 2012. elevados que os pobres. responsáveis pela alocação dos ganhos do rizado como absolutamente pobre pelos desenvolvimento de uma forma justa. pois. cujo fornecimento poderia reduzir nos países em desenvolvimento. resultando na usurpação • É possível financiar a erradicação da po- dos direitos das comunidades sobre os re. a noção de que os pobres como relativamente pobre. água.6% aumento dos conflitos e guerras pelo con. do numa redução substancial da pobreza. B. efetivamente.

120 II. garantir a sustentabilidade tica é continuar a desenvolver o quadro ambiental e desenvolver uma parceria glo. estas novas formas E MONITORIZAÇÃO são manifestadas em sociedades que estão em níveis diferentes de desenvolvimento Durante a sessão da Cimeira do Milénio das sociopolítico e económico. principalmente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Financiar a erradicação da pobreza seria Objetivo 3: Promover a igualdade do mais fácil se as instituições internacionais género e empoderar as mu- como o Banco Mundial. igualdade e equida. Além disso. Objetivo 7: Assegurar a sustentabilidade Os custos estimados seriam ainda mais re- ambiental duzidos se os Estados respetivos decidis- sem empreender reformas radicais na área Objetivo 8: Desenvolver uma parceria da redistribuição da riqueza e de recursos e global para o desenvolvi- se decidissem dar prioridade a despesas de mento desenvolvimento relativamente a despesas de defesa. a serem atingi. IMPLEMENTAÇÃO pobreza. Isto inclui: erradicar a pobre. quando compara- erradicação da pobreza. fornecer o quadro moral para construir um ria universal novo sistema de direitos e obrigações. das com as da Índia. Objetivo 6: Combater o VIH/SIDA. Por exemplo. alcançar a educação também um impacto na forma como as primária universal. malária e outras doenças baseados nos requerimentos sociais locais. o Fundo Monetá. chefes de Estado pessoas de diferentes credos. de pobreza aos níveis global e local e tam- bém capacitar as pessoas para que forta- Os Objetivos de Desenvolvimento do leçam a sua resistência e lutem contra as Milénio das Nações Unidas forças exploradoras. que monitoriza estas diferentes formas bal para o desenvolvimento. Portanto. de a nível global. Estas diferenças en- dos até 2015. Aqueles estabeleceram às diferentes condições sociopolíticas e oito objetivos para o desenvolvimento e económicas em África. emergentes do empobrecimento e de mar- reduzir a mortalidade infantil. promover igualdade de pessoas têm compreendido as ameaças género e o empoderamento das mulheres. crenças e e de governo reconheceram a sua responsa. Objetivo 1: Erradicar a pobreza extrema Depois da segunda Guerra Mundial. o impacto da glo- bilidade coletiva para garantir os princípios balização em África é bem diferente do de dignidade humana. a zar fundos para a erradicação da pobreza. co- . a Car- e a fome ta das Nações Unidas e a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos tentaram Objetivo 2: Alcançar a educação primá. culturas. em 2000. a questão crí- saúde materna. A globalização e as suas controversas im- plicações estão a gerar novas formas de 4. impacto na Índia. devido. melhorar a ginalização social. tre culturas e regiões geográficas tiveram za extrema e a fome. englobando Nações Unidas. de modo a canali. lheres rio Internacional e os governos dos países da OCDE decidissem realmente perdoar as Objetivo 4: Reduzir a mortalidade infantil dívidas existentes relativas a compromissos Objetivo 5: Melhorar a saúde materna concretos dos governos.

negar aos indivíduos para o desenvolvimento sustentável. os seus direitos básicos a uma vida com saúde e em dignidade) e distribuição ina- Órgãos dos Tratados dequada de recursos para cumprir vários Encarregados de Monitorizar compromissos são ameaças consideráveis. assim. o Acordo TRIPS que tados como um sistema internacional de pode resultar no aumento de custos de desenvolvimento destinado a erradicar a medicamentos para satisfazer a ambição pobreza e a criar requisitos indispensáveis corporativa e. outros atores estatais e não esta. a corrup- cidadãos. pobreza. Conselho de Direitos Humanos. tos humanos. melhorar a situação dos direi- humana para todas as pessoas. como a OMC (ex. de assistência financeira e para garantir Apesar de o número de países que ratifi- que os pobres tenham uma participação caram o PIDCP e o PIDESC ter aumenta- no processo de desenvolvimento neste do drasticamente. e Peritos Independentes dos em intervalos regulares. justos e não protecionistas de se colocam no caminho da implementação comércio multilateral. em 2006) . existe um mundo globalizado. a falta de cumprimento da os direitos humanos. pelo Comité dos dagem vai para além da caridade. reco. os compromissos conflituantes nhaga. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 121 locando um grande destaque na proteção agências da ONU e outros. manos que permite responder à natureza As observações finais sobre os Relatórios multidimensional da pobreza. os regimes militares que deterioram a e apoiar este processo. conseguindo. mostram que a falta de clareza quanto ao breza só é possível quando os pobres são estatuto do PIDESC no ordenamento jurí- empoderados através da educação para dico interno. paz e segurança deste modo. incluindo a diminuição da É a abordagem holística dos direitos hu. a realização dos direitos humanos dos seus ausência de dados desagregados. tais como a Declaração do ção real. desde 1990. dos vários Estados Partes. do tratado são fatores impeditivos. Isto é de extrema justiça e as enraizadas influências religio- importância para estabelecer sistemas sas conservadoras impondo discriminação equitativos. A falta de vontade política dos Rio. Relatores Especiais nam periodicamente os relatórios dos Esta. governos. Nações Unidas (que foi substituída pelo ções aos Estados. da dignidade humana. Sociais e Culturais. legislação baseada em compromissos in- bres têm direitos e que os atores estatais ternacionais de direitos humanos e a falta e não estatais têm de cumprir obrigações de informação sobre aquele instrumento jurídicas. a Agenda 21. Uma vez que os Estados indivi. hiato significativo entre os compromissos. podem aceitar A Comissão de Direitos Humanos das queixas e fazer observações e recomenda. Direitos Económicos. a Declaração de Cope. nhecendo que o direito a não viver na po. concebidas pelos Es. Os re- duais têm a principal responsabilidade de latórios observam que o peso da dívida. Esta abor. Estes valores têm expressão em declara. ção generalizada nas autoridades do esta- tais também têm a obrigação de contribuir do. instituições financeiras. um adequado nível de estratégias de redução da pobreza. a Pobreza Os organismos de monitorização exami. Afirma que os po. a Plataforma de Ação de Pequim assumidos nas plataformas internacionais e a Agenda Habitat. B. as intenções políticas e a implementa- ções políticas.

sobre a implementa. . bem como . de 2001. pessoas que vivem em pobreza extrema.Apoiar a capacitação para a avaliação. tos e de produtos agrícolas. latório de 2010. No seu Relatório de 2004. a Perita Independente dações relativas ao efeito que a pobreza Magdalena Sepúlveda Carmona apresen- extrema tem nos direitos humanos (Res. ori- avalia as medidas tomadas ao nível na. para a Comis- são de Direitos Humanos. a um grupo de de construção de todas as escolas de que trabalho especial. O Perito Independente sobre melhorar o esboço de diretrizes sobre Direitos Humanos e Pobreza Extrema extrema pobreza e direitos humanos. Possibilita a estruturação de or. humanos promove e desenvolve a análise crítica de todas as circunstâncias e reali. até ao senta também recomendações e propos. Objetivo: Reduzir para metade. pletamente a pobreza. ano de 2015. Estratégias de futuro: pendente apresentou conclusões impor. a proporção da população tas no âmbito da assistência técnica e mundial cujo rendimento é menor do outras áreas para a redução e eventual que um dólar por dia e a proporção das eliminação da pobreza. No seu Re- sabilidade de investigar e fazer recomen. Este processo fornece conhecimento. ginariamente redigidos pela Subcomissão cional e internacional para promover o para a Promoção e Proteção dos Direitos pleno gozo dos direitos humanos pelas Humanos. monitorização e o planeamento relati- dos. 0 até aos 18 anos e para pagar os seus 1998/72).Assegurar que o comércio de alimen- que “o total do orçamento militar mun. cobriria o custo tem o mandato de relatar. com a fome. micas e sociais promovidas pelos pa- quisitos. examina os obstáculos encontrados e o Desenvolvimento e Erradicação da Po- progresso feito pelas mulheres e homens breza que vivem em pobreza extrema e apre. por si só. tou as suas recomendações sobre como 1998/25). professores durante 15 anos”.Fazer um balanço das ações realizadas pobres. Pobreza de rendimento tantes sobre como a situação dos pobres . a África precisa para os jovens desde os ção do direito ao desenvolvimento (Res. a nível nacional e internacional. a Perita Independente assinalou . Para cumprir estes re. em 2006. desde a Cimeira Mundial sobre a Ali- ganizações e a criação de redes de auto. dades com que os pobres são confronta. No seu Relatório. enquanto o outro tem a respon. a educação em direitos humanos íses que dão primazia à redução da é necessária para empoderar os pobres pobreza.122 II. a Perita Inde. mentação de 1996 e propor novos pla- ajuda de modo a que possam reclamar e nos.Assegurar o apoio a iniciativas econó- pode ser alterada. vamente à pobreza. competências e capacidades adequados Fome para lidar com as forças que os mantêm . pessoas que passam fome. lutar pela realização progressiva de todos para alcançar os objetivos relacionados os direitos humanos e erradiquem com. e ajudá-los a modificar o seu destino. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nomeou dois Peritos Independentes – um dial para 2003.Reforçar a capacidade de prestar servi- O processo de educação para os direitos ços sociais básicos.

(Fonte: Relatório dos Objetivos de Desen- te alcançados em muitas regiões. em países em desenvolvimento. políticas. lações de refugiados permanecem em cam- pos com oportunidades limitadas de me- Os progressos na redução da pobreza ain. redução da pobreza até 2015. quatro quintos de 2008-2009. Oferecer gado bovi- senvolvido por ONG e agências de ajuda no híbrido (cruzado) em vez de terras aos humanitária que. 42 milhões da estão em curso apesar de recuos sig. ses energética e na alimentação. educação ao acesso à tomada de decisões so. Os conflitos armados permanecem (Fonte: Assembleia-Geral da Organiza. e novos desafios ameaçam atrasar ainda 2010. infraestruturas numa situação onde as lo dos meios de subsistência e recursos culturas estão dependentes de irrigação. propriedade e contro. o problema. e às cri. empréstimos exclusivos para a alcançar os pobres. nos movimentos civis e no trabalho de. ticas está a ser sentido pelas populações vulneráveis que menos contribuíram para . con. o progresso tem alguns progressos. pobres. B.Continuar a dar prioridade aos peque. ainda a decorrer. . dade e as perdas económicas em resultado forços na promoção da sensibilização de desastres naturais estão a aumentar glo- ambiental e das tecnologias simples e balmente e concentram-se nos países mais de baixo custo. Porém. mento do Milénio não serão provavelmen. de pessoas tinham sido deslocadas devido nificativos devido à retração económica a conflitos ou perseguições. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 123 as políticas gerais de comércio condu. habitação e nutrição. O mundo A igualdade de género e o empoderamento em desenvolvimento. para o desenvolvimento sem terra. lhorar as suas vidas. mais os progressos em certas áreas ou até zam ao fomento da segurança alimen. saúde.) CONVÉM SABER Existe um consenso emergente baseado pelos pobres. tícia para todos através de um sistema O impacto mais grave das alterações climá- mundial de trocas equitativo e justo. como um todo. Em 2009. das mulheres estão no âmago dos ODM e tinua no trilho para atingir o objetivo da são requisitos para ultrapassar a pobreza. têm de ser dados al. Plano para e dificultam os ganhos dos Objetivos de a Execução da Declaração do Milénio Desenvolvimento do Milénio. contrariar os sucessos já alcançados. estes têm-se feito sentir sido muito lento em todas as frentes – da de forma desigual. Nações Unidas. uma enorme ameaça à segurança humana ção das Nações Unidas. Largas popu- das Nações Unidas. Antigos volvimento do Milénio. Apesar de fome e doença. Sem um maior impul. instrução e educação. muitos dos Objetivos de Desenvolvi. compra de terras para a agricultura sem guns passos fundamentais no que respeita abordar outras necessidades relativas a a reformas agrárias. O risco de morte ou incapaci- nos agricultores e apoiar os seus es. 2001.

. se za. habitação. . como uma sociedade de crédito de uma pe- panhada da redução de desigualdades. pela . . nanceiras.9 milhões de mutuários. encontram em posição para erradicar. Deve ser dada prioridade à eliminação já tinha alcançado 7. respeito próprio e dignidade. . quena aldeia. tuaram a pobreza. contra as mulheres bem como do racis- tal comparência na escola são abordagens mo e discriminação com base no esta- que não resultaram. tal contribuiria para a .O Estado e as suas agências têm um bres participam como sujeito e não como papel relevante na redução da pobre- objeto do processo de desenvolvimento. na era da globali- torna possível gerar desenvolvimento hu.Assegurar trabalho com salários sufi- cientes para viver e o acesso a recursos 1. redução da pobreza. o que pode levá-los a agir.Uma maior prestação de contas das instituições de desenvolvimento e fi- Lições comuns e específicas aprendi.A guerra e os conflitos aumentam a qual poderão reclamar os seus direitos pobreza. das no âmbito de experiências locais. social. tuto étnico.A redução da pobreza deve ser acom.O direito à informação e a educação . aos que são marginalizados. e descentralizado. a tomada Se o perdão das dívidas se associasse de consciência sobre os seus direitos a investimentos em educação. a pobreza. no Bangladesh. água. zação. saú- A efetiva erradicação de pobreza é bem de. Os seus es- .Maiores despesas com educação. Os esforços para erradicar a humanos. noutros setores. forços precisam de ser apoiados e com- co dos pobres é o meio para erradica.A pobreza é uma questão social. . Os Pobres são Financiáveis O Banco Grameen. saúde e humanos. Em 2009. Estas apenas perpe.O perdão das dívidas tem uma rela- para os direitos humanos possibilitam.124 II. redução da pobreza: . . plementados pela assistência e coope- ção da pobreza.Muitos dos países do mundo não se . saneamento e ali- sucedida quando acontece ao nível local mentos acessíveis reduzem a pobreza. as incentiva a sua força coletiva. ção direta com a redução da pobreza. etc. especialmente. asseguraria um crescimento económico nacionais e internacionais a nível da justo e equitativo. começou . ral e política tanto quanto é económica. cultu. os pobres podem afirmar o seu não forem asseguradas condições reais direito aos recursos e melhorar o seu para a paz e a segurança. As principais questões são a vontade política e a redistribuição. em Jobra. Através do seu empodera. pobreza estão condenados a falhar se mento. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fornecer escolas flexíveis para crianças de todas as formas de discriminação trabalhadoras em vez de garantir a sua to. Apenas quando os po. ração internacionais. em 1976. internacionais e nacionais.Estabelecer organizações de pesso. mano equitativo. imediatamente.O empoderamento político e económi. BOAS PRÁTICAS para a subsistência permanecem a cha- ve para a redução da pobreza.

está empe. A FDC com os quais são confrontadas as mulheres apoia a campanha global para cancelar as pobres. trabalha para o de- e garantam um desenvolvimento sócioeconó. O Acordo também demonstra a . balho de defesa integra tarefas conside- locar os pobres acima da linha da pobreza. lan. Com 2. crescimento rados como os maiores riscos do crédito. investiga- dos possibilitaram o florescimento da cria. são sobre os governos para que cumpram o bres são dignos de crédito. O processo do Banco alianças e de redes ao nível regional. Ca- nhada em eliminar as injustiças que cau. identificar obstáculos à mudança e pobres no Bangladesh rural. O Artº 54º do sam a fome. O Banco Grameen tem sido capaz dívidas dos países mais pobres do mundo. ção e análise de políticas. ráveis na educação popular e informação mas também porque com apoios adequa. construção de tividade nas aldeias. Por se centrar naqueles que são conside.562 às suas famílias. nos 2000 que tem sido o quadro para as rela- Estados Unidos da América. O seu tra- não apenas porque foram capazes de co. ções da UE com 79 países da África. pública. fornece serviços em mais de 83. formas de removê-los. de iniciar mudanças significativas nos pa.000 para despertar as pessoas para a possi- aldeias. rantia da segurança humana e bem-estar sários para se sustentarem a si mesmos e humano. mobilização de massas. O Banco Grameen procura mobilizar bilidade e para a sua própria capacidade os pobres e fazê-los avançar principalmen. 90% do Banco Acordo de Cotonu pertence aos pobres. Desde A Food First. análise. ção e nas condições de produção em áreas despesa pública e o impacto das políticas rurais. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 125 97% dos quais eram mulheres. çar oportunidades de criação de próprio em- prego para recursos humanos não utilizados Justiça Económica e subutilizados. seu papel e lutar por relações económicas da o duplo fardo do género e da pobreza globais benéficas entre as nações. A Coligação tem considerado várias outras drões da propriedade dos meios de produ. em exercer pres- o banco estabeleceu o facto de que os po. alternativas bem-sucedidas e promissoras. organizar as pessoas desfa. B. assim. Os seus fins são alargar as de modo a acabar com mitos e a expor as facilidades bancárias aos homens e mulheres causas. sediada na Califórnia. Estas mudanças são significativas. eliminar a explo. 10% ao governo. questões incluindo segurança alimentar. educação e promoção. equitativo e sustentável. de conseguir mudanças sociais através da te através da acumulação de capital local e pesquisa. avaliar e publicitar ração dos “emprestadores de dinheiro”. direitos económicos e justiça. A Freedom from Debt Coalition (FDC). O banco abor. equidade (incluindo igualdade de género). vorecidas de modo a que elas compreendam sediada nas Filipinas. económicas sobre as mulheres. A organização trabalha agências. senvolvimento humano e concentra-se na mico independente. reconhe- alimentarem e que devem ter um controlo ce o papel importante que ela tem na ga- democrático real sobre os recursos neces. raíbas e do Pacífico (ACP). Esta organização acredita que Acordo aborda exclusivamente a questão todas as pessoas têm o direito básico de se da segurança alimentar e. Grameen tem sido experimentado também em outros países vizinhos. através de apoio mútuo. O Acordo de Cotonu é o acordo de parce- ria mais completo entre os países em de- Direito a Viver Sem Fome senvolvimento e a União Europeia. criação de ativos.

uma rede de 26 re. o de- mento da UE em relação à melhoria da senvolvimento e a justiça sociais. e em Hong Kong. organizações internacionais. zações. cuidados de saúde e segurança. de organizações não não governamentais e outros. a EAPN tem um ções Unidas estatuto consultivo junto do Conselho da O Programa Alimentar Mundial das Nações Europa e é membro fundador da Plataforma Unidas é a agência da ONU que tem o es- das ONG Sociais Europeias. educação. em e exclusão social. em 2010 deu assistência a mais Conselho Internacional de Bem-Estar Social de 109 milhões de pessoas em 75 países. gência e através de outros programas. O objetivo segurança humana. Visa a imple- A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN. Além disso. direitos fundamentais à alimentação. através da ajuda às comunidades representa um leque abrangente de orga. nacional. para construírem melhores futuros após o . a um nível local. liberdade de expressão Rede Europeia Anti-Pobreza e acesso aos serviços sociais. nais. em Nova Iorque. anos. Trabalha em governamentais (ONG) e grupos envolvidos cooperação com a sua rede de membros e na luta contra a pobreza e exclusão social com um leque abrangente de outras organi- nos Estados-membros da União Europeia. copo de combater a fome no mundo. Os membros da bre uma panóplia variada de questões de de- EAPN encontram-se envolvidos em diversas senvolvimento social e de bem-estar social atividades que visam o combate à pobreza (realizou-se recentemente em França. Pretende o reconhecimento e proteção dos A cerimónia de assinatura oficial teve lu. em 23 de junho de 2010. prestação de servi. Os membros o Desenvolvimento Social.126 II. vi- preparou terreno para o quadro financeiro sando a redução da pobreza. É dirigido por es- da EAPN visam a colocação da luta contra a pecialistas de renome governamentais e da pobreza como uma prioridade na agenda da sociedade civil de todo o mundo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS evolução de linhas prioritárias nas atuais nizações membros. especial- 2007-2013. gunda revisão foram concluídas em 2010. A Conferência Global do ICSW des nacionais de organizações voluntárias e realiza-se a cada dois anos e debruça-se so- 23 organizações europeias. incluindo atividades de 2008. Por exemplo. por ganização não governamental mundial que exemplo. no Burkina Faso. UE e assegurar a cooperação ao nível da UE. O Conselho Internacional de Bem-Estar Esta teve lugar sob forma de ajuda de emer- Social (ICSW. es. nacionais e internacio- políticas de assistência ao desenvolvi. atualmente. na sigla inglesa) é uma or. abrigo. imediatamente e empoderamento das pessoas em situação antes da reunião da Comissão da ONU para de pobreza e exclusão social. Todos os educação e formação. nos. na mentação das suas propostas pelos gover- sigla inglesa) é uma rede independente. nacional e inter- A EAPN é. em 2010). realiza-se um Fórum Global da Socie- ços e atividades que visam a participação dade Civil. mente entre as pessoas menos favorecidas. gar em Ouagadougou. dificuldades e de assistência para o desenvolvimento de vulnerabilidade em todo o mundo. Pretende também a promoção da igualdade de oportunidades. A primeira revisão ao principal do ICSW é o de promover formas Acordo de Cotonu teve lugar em 2005 e de desenvolvimento económico e social. com o escopo da erradicação da pobreza e O Programa Alimentar Mundial das Na- exclusão social. As negociações para uma se. visando promover o bem-estar. agências tabelecida em 1990.

onde a mortalidade adulta au- mentou.) Iniciativa Europa 2020 A União Europeia estabeleceu. os seus 1. escolari- cativos. antes do início Ainda pior. cinco objetivos ambiciosos. 2010. em termos concretos. Zâm- acesso a água e saneamento – conduzi- bia e Zimbabué) têm hoje um IDH infe- ram às seguintes conclusões do Relatório rior do que em 1970. refletindo grandes melhorias Muitos países fizeram progressos signifi- agregadas na esperança de vida. meiramente. Relatório do Desen- volvimento Humano. 900 milhões. Mas nem todos os países têm conhecido um progresso rápido. inscrições escolares. inovação. reduzir a taxa de abandono escolar precoce dos atuais 15% para os 10%. inclusão social e clima/energia.) Progresso relativamente aos Objetivos O Índice de Desenvolvimento Humano de Desenvolvimento do Milénio – Esta- (IDH) médio do mundo aumentou 18% rão os países no trilho? desde 1990.2 biliões de habitantes. retrocederam em vez de uma perspetiva limitada às tendências dos avançarem em relação a pelo menos um rendimentos. pelo me- um quadro bastante mais otimista do que nos. do Milénio antes de 2040. edu- cação. assim como o (República Democrática do Congo. parecem ter dificuldades em todos os países beneficiaram deste pro- alcançar os objetivos. aumentar a parcela da população com idades entre os 30-34 que . em especial. Objetivo de Desenvolvimento do Milénio. Relatório do Desen- volvimento Humano. cer. Com base nos dados de 1970-2010. A análise de quatro gresso. outros 65 países não irão alcan- das soluções a longo prazo. aqueles que experi- mentam o progresso mais lento são países na África Subsaariana. e os países da antiga União Soviética. (Fonte: PNUD. atingidos pela epi- demia de VIH. paridade 92% da população mundial. DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 127 término da ajuda imediata. geralmente os países zação. 24 dos quais estão na África Subsa- dos países ricos. TENDÊNCIAS (Fonte: PNUD. 2010. em 2010. a serem alcançados até 2020. 2. 2005. B. Isto afeta. com uma população de. 2005. Esta convergência pinta ariana. Quase mais pobres. De uma forma ge- de Desenvolvimento da ONU de 2005: 50 ral. mas outros. alfabetização e rendimento. respeitantes ao emprego. onde a divergência persiste. mas não exclusivamente. dos oito objetivos do milénio – mortalida- dos 135 países que juntos representam de infantil. apenas três de género na educação. O objetivo é çar nem um Objetivo de Desenvolvimento ajudar as pessoas que sofrem de fome. os países pobres estão a aproximar-se países. Através destes pretende-se. pri- ca de 925 milhões.

A es- tratégia irá concretizar-se através de ações 1989 Convenção sobre os Direitos da concretas da UE e ao nível nacional. A/RES/60/1. bleia-Geral da ONU 13º (160 ratificações até abril de 2005 Documento resultante da Cimeira 2012) Mundial reitera o compromisso re- 1979 Convenção sobre a Eliminação de lativo aos Objetivos de Desenvolvi- Todas as Formas de Discriminação mento do Milénio e à erradicação contra as Mulheres. [a substituir. em 17 de ou- Direito a Não Viver na Pobreza – prin. 12º. 40% e reduzir em 25% dor sobre os Direitos Económicos. o número de europeus a viverem abaixo Sociais e Culturais à Convenção do limiar de pobreza nacional. em cada uma dessas áreas.128 II. Artº 27º (193 ratificações até abril de 2012) 3. comemoração teve lugar em Paris. tubro. 25º. Objetivos de Desenvolvimento do manos e dos Povos. 1996 Revisão da Carta Social Europeia 1961 Carta Social Europeia (13 ratifica. pelo menos. Milénio: adoção de um plano de 20º-22º (53 ratificações até abril de ação global para atingir os ODM 2012) até 2015 .14º (186 ratificações até §17. 11º. 19. em 1987. tos Humanos (Artos 22º. retirando Americana sobre Direitos Huma- 20 milhões de pessoas da pobreza. da pobreza (UN Doc. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tenha finalizado o ensino superior de 31% 1988 Protocolo Adicional de São Salva- para. 7º. 12º. Cada nos (15 ratificações até abril de Estado-membro irá adotar as suas próprias 2012) metas. oficialmente reconhecido cipais disposições e atividades pelas Nações Unidas. Artos 10º. 11º. Artos 14º-17º. 47) abril de 2012) 2010 Cimeira de Revisão de 2010 dos 1981 Carta Africana dos Direitos Hu. Criança. 26º). Sociais e Cul.13º. 9º. 23º. CRONOLOGIA 1992 Dia Internacional para a Erradi- cação da Pobreza. Artº 5º (174 ratificações até sobre os Direitos Humanos e a Po- abril de 2012) breza Extrema 1966 Pacto Internacional sobre os Di. vimento do Milénio pela Assem- turais. A primeira 1948 Declaração Universal dos Direi. o Tra- ções até abril de 2012) tado inicial de 1961 (30 ratificações até abril de 2012)] 1965 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação 1998 Nomeação de Perito Independente Racial. gradualmente. Artos 6º. 2000 Adoção dos Objetivos de Desenvol- reitos Económicos.

isto é. os deslocados e de de entender a necessidade urgente de os refugiados. Material: fotocópias da ficha de trabalho 6. com fome ou ticipantes sobre a questão da desigual. no con. Apenas um por cento da população (infra). Colocar uma impressão digital do polegar. desenhar um círculo direitos humanos. os sem-abrigo. car as primeiras seis pilhas de dinheiro lhas de atividades para o número de pes. Tipo de atividade: Exercício 2. mundial possui um computador (um Competências envolvidas: capacidades décimo dos primeiros computadores analíticas. 70% de sentidas pelos pobres e de estabelecer toda a população no mundo não sabe ler. lápis de cor/ marcadores. soa na linha com um grande 6. para uma aldeia constituída por apenas 10 vação enfrentadas pelos pobres. deões) seria mal nutrida. rior. o que deixaria os outros Duração: 90 minutos nove a partilhar os restantes 40%. O exercício ajuda os jovens a 3. Na primeira fila. Dá-lhes a oportunida. nalizados. Atividade 7. Oito dos aldeões estariam a viver numa refletir sobre o seu próprio estatuto em casa com condições precárias (80% da relação à pobreza e a realização dos seus população mundial). Grupo-alvo: Crianças e jovens 5. nos últimos sete livros na quarta fila. aldeões. nessa escala). DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 129 ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: “O MUNDO tar as instruções nas suas fichas de traba- NUMA ALDEIA” lho enquanto são lidas: I. Depois. 50% da população do mundo (5 dos al- Metas e objetivos: Sensibilizar os par. B. uma fita de graduação na sétima linha . Apenas um por cento da população Descrição da atividade/Instruções: mundial tem acesso a educação supe- Distribuir as fichas de trabalho aos partici. de reflexão e de debate. na quinta linha e marcar a primeira pes- soas que participam no exercício. pintar a vermelho o nariz do primeiro homem Parte III: Informação Específica sobre a ao computador. Riscar as últimas 5 tigelas da dade na distribuição global de riqueza e segunda fila. alterar as desigualdades e as injustiças 4. texto dos instrumentos internacionais de 1. Uma pessoa teria 60% da riqueza to- Dimensão do grupo: 20-25 tal no mundo. Ris- Preparação: fazer cópias suficientes de fo. Pedir aos participantes que imaginem Parte I: Introdução que o mundo inteiro (7 biliões) encolheu O exercício aborda a desigualdade e a pri. Desenhar um círculo à volta de pantes. Isto inclui os margi- direitos humanos. volvimento de todos. à volta da figura que o/a representa na linha das pessoas que vai desde a mais Parte II: Informação Geral sobre a Ati. pedir-lhes para implemen. Na sexta linha. rica do mundo (a primeira figura) até à vidade mais pobre (a décima). Retirar as últimas oito casas. recursos. prioridades de forma a garantir o desen. faminta. Sete seriam incapazes de ler.

a fazer um plano de atividades que vise mento do Mundo do Banco Mundial. pantes estão a fazer o exercício individual- então está qualificado para representar mente. de vista com os outros. água. com o intuito do perfil dos participantes. roupa. dencia. saneamento e des- pesas militares. no caso de tariam de estabelecer para o desenvolvi- ser menor de idade) dinheiro no banco. um país ou grupo de países. para a educação para os direitos humanos. O papel do forma- III. do mais recente Re. apresentadas.130 II. Disponível em: www. • Se a sua própria realidade é igual ou di- tas afirmações: ferente das estatísticas. etc. Olhar para a ficha de novo e ver se é sobre as várias estatísticas que lhe foram preciso rever a sua própria classifica. (Fonte: adaptado de Abhivyakti – Media for Development. mento e porquê. O grupo é encorajado a debater o que sente 8. Dar a estatística mais recente sobre dor é fornecer dados e facilitar o debate. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS para representar apenas um décimo IV. Comentários: desse desenho.org. e/ou violação dos vários direitos huma- beça e um lugar para dormir. as primeiras três pessoas mais ricas. • Os objetivos e prioridades que eles gos- • E se tem (ou os seus pais. educação.in) . Parte IV: Acompanhamento latório de Desenvolvimento Humano do Os participantes podem ser encorajados PNUD e/ou do Relatório do Desenvolvi.. dependendo baseado na atividade supra. saúde. II. está entre nos em relação à pobreza. Pedir aos participantes para ouvir es. O exercício pode explorar: ção. um teto sobre a sua ca. algum dinheiro na sua carteira e alguns Sugestões práticas: enquanto os partici- trocos perdidos na máquina em casa. • Se tiver comida para a próxima refeição • A relação destes dados com a realização em casa. Desenhar dois círculos em volta da • As contradições que a informação evi- nova classificação. encorajá-los a partilhar o seu ponto a pessoa mais rica na nossa escala.abhivyakti. de sensibilizar os seus pares.

DIREITO A NÃO VIVER NA POBREZA 131 ATIVIDADE II: Parte III: Informação Específica sobre a CAMPANHA DE AÇÃO Atividade Instruções: Parte I: Introdução Começar por ler. desenvolver as mentos. O grupo relaciona isto tudo na internet de alguns dos sítios sugeri. económicas. marcadores. articulação de competências. Da “Voices of the Poor” (www. O/a voluntário/a que relata o caso da tas e as causas da pobreza no seu todo. Por exemplo. questões ou dimensões da pobreza. comunidade. Duração: 150 minutos Depois. que salientem violações diferentes de direitos Pedir a todos os grupos que desenvolvam humanos. tintas. para realizar agricultura ou pesca Depois. é importante aderir à campanha. Através do consenso. cultu- Dimensão do grupo: 20 pessoas ou menos. deixar os Parte II: Informação Geral grupos identificar os casos que eles gosta- Tipo de atividade: ação criativa riam de prosseguir neste exercício. lá. explorando assim várias dimen- Grupo-alvo: Adultos/ jovens adultos sões (sociais. exemplo. lagos. selecionar algumas citações à campanha.o que podem os par.org) ou de qualquer outra fonte para convencer o resto do grupo a unir-se de informação. dos pobres sobre a sua própria situação. as pis de cor. uma campanha de educação para os direi- ferem para as empresas multinacionais os tos humanos que aborde as questões en- direitos para privatizar serviços básicos ou frentadas por este grupo e que proponham direitos sobre a terra. políticas. Dividir Metas e objetivos: Consciencialização e os participantes em pequenos grupos de sensibilização para a pobreza no contexto modo a que cada um fique com 4-5 ele- imediato dos participantes. perguntar por que razão patia – colocar-se na posição de quem é pobre. B. o grupo prepara um panfleto/car- comercial. florestas. governos que trans. em. lidade na situação. canetas. ele/ela. Reações: Competências envolvidas: Competências Os outros participantes têm a oportunida- analíticas. conexões entre as manifestações imedia. papel de um dos pobres. de de clarificar. contexto que vivem em absoluta ou rela- tão local relacionada com a pobreza. enquanto outros ticipantes fazer em relação a uma situação membros do grupo procuram falar com particular de pobreza. os membros do grupo listam as Preparação: cavalete. sentir que não têm qualquer papel na sua Encorajar os participantes a mencionar os erradicação. canetas de feltro. com os artigos relevantes dos tratados de dos na secção de Boas Práticas neste módulo direitos humanos. algumas das A natureza difundida da pobreza pode citações selecionadas que refletem as vo- parecer avassaladora e as pessoas podem zes dos pobres de diferentes situações. situação de pobreza concreta fica com o identificar as ações . por ações viáveis imediatas e de longo prazo. papel causas imediatas e as estruturais e iden- de cartaz e imagens de pessoas a viver na tificam “quem” e o “quê” tem responsabi- pobreza. rais e ambientais) da vida da pessoa/da em grupos compostos por 4 – 5 membros. tiva pobreza ou que enfrentam a exclusão social. taz/qualquer outro material de campanha worldbank. Esta atividade desenvolve indivíduos/grupos/comunidades do seu uma campanha de ação sobre uma ques. em voz alta. Procurar e descarregar casos de es. O exer- .

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de opinião política ou outra. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO O DIREITO À NÃO DISCRIMINAÇÃO RACISMO E XENOFOBIA INTOLERÂNCIA E PRECONCEITOS “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na pre- sente Declaração. sem distinção alguma. . de língua. de fortuna. 1948. de cor. nomeadamente de raça. de religião. C. de sexo. de origem nacional ou social. de nascimento ou de qualquer outra situação […]” Artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

que a Lei “considera ilegais os atos contra Em 1999. recebeu o nome de “E. nacional ou étnico do queixoso. ofensiva “pre.136 II. O Sr. Brown. humilhar ou intimidar na. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Recomendação do Comité para a Elimi. no interes. o Sr. a tribuna de um importante centro remoção do termo ofensivo da tribuna e de desportos em Toowoomba. qualquer que fosse a posição se do espírito de reconciliação. Em 2002. especialmente para as pessoas O requerente intentou uma ação no tribu. Numa reunião pública. ção. aborígenes e que preenchia a definição de nal federal. Nigger Brown’ le que é o local mais importante para a permanece na tribuna em homenagem a prática de futebol australiano. em todas as circunstâncias. em homenagem a uma requerente. Por fim. era um australiano indígena ou os australia- de origem anglo-saxónica branca e tinha-lhe nos indígenas. um australiano de ori. Ele defen- um grande desportista e que. opiniões de vários membros da comunida. solicitou à administração o tratamento do indivíduo de forma dife- do centro de desportos que retirasse o ter. Queensland. o Tri- sido dado o termo ofensivo. o presidente da câmara e o a sua família sentiram-se ofendidos pelo presidente da administração do cento de seu uso no centro e. o Supremo Tribunal da Austrália de que não se opunham ao uso do termo rejeitou o pedido do requerente. Brown. que ele considerava censu. outras pessoas que não pertençam ao gru- rável e injurioso. uso do termo ofensivo era “extremamen- mente derrogatórios ou ofensivos”. o queixoso alegou que o termo presidida por um proeminente membro da era “a palavra mais ofensiva racialmente comunidade indígena local. requerente não tinha demonstrado que a E. renciada e menos vantajosa em relação às mo ofensivo. alegando que a não remoção discriminação racial.”. O Tribunal Federal rejeitou a ação do gger’ Brown Stand”. do termo ofensivo pelos administradores nação da Discriminação Racial teria violado a Lei federal contra a Discri- minação Racial de 1975. foram inca- desportos aprovaram uma resolução de. em geral”. a “sensibilidade pessoal dos indivíduos”. S. de razoável de. um grupo transversal da comunidade abo. que faleceu em 1972. os indivíduos apenas quando envolverem gem aborígene.S. pazes de comparecer aos eventos daque- clarando que “O nome ‘E. mas sim tivas e em comentários de jogos. A palavra racista. o Sr. te ofensivo. um pedido de desculpas pela administra- na Austrália. ‘Ni. ofender. Ele pretendia a Em 1960. na língua inglesa”. e assistida por ou uma das mais ofensivas racialmente.S. sivo”) aparece numa grande placa na tribu. bunal considerou que a Lei não protegia Tal termo era repetido oralmente em anún. ofensivo na tribuna. a administração infor. deu que. (CEDR). nos termos do Arti- . como tal. O tribunal considerou que o conhecida personalidade do desporto. Numa queixa individual ao Comité para mou o requerente de que nenhuma medi. considerando ser esse o caso. Depois de consultar as po racial. Por este motivo. ele e rígene local. decisão era um ato “com uma probabilida- to” (doravante referida como “o termo ofen. a exposição atual e o usados ou exibidos no futuro termos racial. cios públicos relativos às instalações despor. não serão tomada em 1960.. como alcunha. insultar. H. a Eliminação da Discriminação Racial da iria ser tomada.

” Também considerou 9. criminação Racial (CEDR). CERD/C/62/D/26/2002 de 14 de se responsabilizar pelo combate contra de abril de 2003. Por que é que os tribunais nacionais dia a remoção do termo ofensivo da placa não seguiram as suas considerações? e um pedido de desculpas. 4. em relação a eles? derado desta forma. 7. por a atitudes racistas? mente ofensiva. Por que é que a comunidade local não terações à lei australiana que permitissem o apoiou? um mecanismo de proteção efetivo contra 6. de discriminação em toda a sua vida. cular de pessoas? Se sim. conceitos em relação a um grupo parti- nutenção do termo ofensivo pode. 1. Que direitos humanos foram violados? aprovação e poderia perpetuar o racismo 3. Comunicação to era perpetuar a discriminação racial e nº 26/2002. Como é que a não discriminação se Estado Parte tome as medidas necessárias encontra ligada à liberdade de expres- para garantir a remoção do termo ofensivo são? A SABER 1. NÃO DISCRIMINAÇÃO . mesmo que durante muito tem. O Comité recomenda que o 10. lhantes no seu país? O que pode fazer po não tenha sido necessariamente consi. representava a aceitação formal ou 2. Verá TERMINÁVEL E CONTÍNUA PELA que não encontrará uma! IGUALDADE O princípio. bem como al. Qual é a mensagem da história? blica. Ele argumentou que este respeito. O que fez o Sr. quais? mento presente. O requerente preten. Quais são os argumentos que os racis- que “a memória de um desportista notá. Estarão incluídos estereótipos e pre- mité (CEDR) considerou que “o uso e ma. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 137 go 1º” da Convenção das Nações Unidas da placa em questão e que informe o Co- para a Eliminação de Todas as Formas de mité quanto às diligências que realizou a Discriminação Racial. o Co. ser considerado injurioso e 8. é um dos pilares nunca tenha sido alvo de qualquer forma da noção de direitos humanos e evoluiu a . Tem conhecimento de incidentes seme- insultuoso. C. alegações do queixoso? Na sua comunicação nº 26/2002.” qualquer Estado Parte da Convenção tinha (Fonte: Comité para a Eliminação da Dis- a obrigação de emendar as leis cujo efei. O uso de palavras tais como o Questões para debate termo ofensivo de uma forma muito pú. tas usam para justificarem as suas ati- vel pode ser honrada de outras formas que tudes e comportamento? Quais são os não através da manutenção e exposição argumentos adequados para se contra- de uma placa pública considerada racial. H para defender os seus e reforçar os preconceitos conducentes à direitos? discriminação racial.) os preconceitos conducentes à discrimina- ção racial. pelo qual todos os seres hu- manos têm direitos iguais e devem ser Pense numa única pessoa que conheça que tratados de forma igual. no mo. Por que é que o Comité subscreveu as sinais racialmente ofensivos.A LUTA IN. 5.

este direito natural à “raças superiores” e “raças inferiores”. Pode Americanos Nativos e os escravos depor- encontrar-se até na nossa língua. criminação e racismo manifestam-se no do contra os povos indígenas e as mino. A discriminação aparece de muitas “Novo Mundo”. os seres hu- nomeadamente de raça. a Declaração Este módulo concentra-se em algumas das Universal dos Direitos Humanos estabe. fundamentais. onde a “pure- infetadas pelo VIH/SIDA e contra aqueles za do sangue” se tornou um princípio su- com incapacidades físicas ou psicológicas premo. a base das suas sociedades coloniais. A discriminação tem ocorri. Ocorre contra cularmente dos séculos XVI e XVII. sistema de castas indiano. contra os abo. sobrevivência dos mais aptos. as teorias da evolução e da no presente. para justificar “cientificamente” noções sempre foi um problema. plenamente reconhecido a to. a ideologia do racismo atingiu uma outra tivação para a discriminação encontra-se dimensão. nem no passado nem Por exemplo. sendo a mana de todas as pessoas. foi crianças que são intimidadas ou abusadas. mais graves e devastadoras formas de dis- lece os princípios básicos da igualdade e criminação. a questão de forma eficaz. classi- de língua. nomeadamente. dos escravos de uma raça “inferior”. No tros. bem como nas rias em toda a parte. parti- dos e requerentes de asilo. intencionalmente ou não. contra pessoas continente sul-americano). MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS partir da inerente e igual dignidade hu. XIX. adotaram estas estruturas e tornaram-nas zes. racista de castas no “Novo Mundo” (o manos com menos valor. Assim. XVIII e início do séc. cana. superioridade cultural. refugia. As vítimas deste sistema foram os ou devido à sua orientação sexual.138 II. o pressuposto errado da existência de tra situação”. de nascimento ou de qualquer ou. assim como tempos medievais. Darwin. A raiz da mo. do. a consciência sobre o as. O racismo. o termo ofensivo “ne- maneiras e pode-se presumir que todos já gro/preto” era sinónimo de um membro tenham sido afetados por esta em diferen. têm sido erradamente utilizadas A discriminação. Porém. por uma ou outra forma. igualdade nunca foi. lação a quaisquer outras pessoas. em tes níveis. de sexo. de categoria de “raça”. desde o início da de “superioridade racial”. O sistema colonial espanhol. discriminação a expressão de tal imagina- mativo comum de realização para todas as da superioridade. Após a Guerra Civil Ameri- na falsa sensação de superioridade em re. a da não discriminação em relação ao gozo discriminação racial e as atitudes rela- dos direitos humanos e das liberdades cionadas de xenofobia e de intolerância. de religião. os Roma. manos têm sido. desde as florestas do antigas conceções gregas e chinesas de Equador às ilhas do Japão. Enquanto nor. sunto é essencial para se poder lidar com No final do séc. uma e outra vez. os judeus. de Charles dos os seres humanos. Acontece perseguição dos judeus em todo o mun- contra trabalhadores migrantes. o primeiro a introduzir uma sociedade contra mulheres tratadas como seres hu. Formas de dis- humanidade. de origem nacional ou social. nos rígenes. os afro-americanos foram aterro- . Outros poderes coloniais da qual. através tados de África. de opinião política ficados segundo a artificialmente criada ou outra. bem como segundo fortuna. foi dominado pela contra as pessoas de pele escura. “sem distinção alguma. contraste com a raça branca dos donos. por ve. pessoas e todas as nações. nos demarcamos em relação aos ou. Na História da Humanidade. o racismo. de cor.

esco. intolerância. o respeito próprio. livres de inseguran. O séc. xenofobia. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 139 rizados pelo Ku Klux Klan. a Humana. passar na prática as desigualdades base- Hoje. preconceito e Um dos principais objetivos da seguran. inerente dignidade e dos direitos iguais a discriminação racial institucionalizada de todos os membros da família huma- do sistema do apartheid da África do Sul na. etnia. é muito importante dis- expandir as suas oportunidades. O racismo e a discriminação racial cons- tituem violações graves e obstáculos ao Direitos Humanos das Mulheres gozo pleno de todos os direitos humanos Liberdades Religiosas e negam a verdade evidente de que todos Direitos das Minorias os seres humanos nascem livres e iguais. é o fundamento da liberdade. igual. XX assistiu pode. por um lado. religião. a discriminação racial e outras violações a segregação institucionalizada (doutrina de direitos dos que pertencem a grupos “iguais mas separados”) manteve-se até vulneráveis. os seus direitos e escolhas e nificativa entre. identidade sexual. minorias ou imigrantes ao final dos anos 60. Todavia. nos Estados forma desastrosa. ainda. de Atitude ou Ação: Existe uma diferença sig- forma igual. em dignidade e em direitos. a todos os cidadãos. tinguir dois aspetos essenciais da discrimi- lhas e capacidades. a proibição género. de uma ções e ações concretas que são motivadas . género. DEFINIÇÃO orientação sexual ou outras formas de E DESENVOLVIMENTO dicriminação. A discriminação por qualquer moti- vo impede as pessoas de exercerem. niões pessoais e. ultra- do Ruanda. A discriminação implica ele- ça humana é proporcionar as condições mentos de todos estes fenómenos. para que as pessoas possam exercer e Em primeiro lugar. língua ou cida em muitos tratados internacionais qualquer outra condição social deve ter e constitui um elemento importante na alta prioridade na agenda da Segurança legislação de várias nações. identidade étnica. cor. O reconhecimento da sultou no genocídio dos judeus europeus. por outro lado. O racismo. como consequência destes cri. como estabelecido no Preâmbulo da ou os genocídios motivados por razões DUDH. causar sérios conflitos a formas muito extremas de racismo: o e um perigo para a paz e a estabilida- ódio racial do regime Nazi na Europa re. deficiência. crenças e opi- não só resulta em insegurança económi. Embora a 14ª Emenda à Cons. bem como na religião. 2. discriminação com base na raça. constitui. a do Sul. manifesta- ca e social como também afeta. da discriminação encontra-se estabele. uma das DA QUESTÃO mais frequentes violações dos direitos humanos que ocorre no mundo. da étnicas e raciais da Antiga Jugoslávia e justiça e da paz no mundo. adas em categorias tais como a “raça”. perante a lei. Discriminação e Segurança Humana Existem diversos termos técnicos tais como racismo. também. C. mes contra a humanidade. autodeterminação e a dignidade humana tituição americana garantisse proteção do ser humano discriminado. Assim. nação: ça. de internacionais.

em grande parte. O problema coloca-se quanto à defini- do em consideração que muitos incidentes ção de “critério razoável”. nacional de proteção dos direitos huma. esta última. etc. conduzindo a uma compreen. a incorporação de normas sobre na lei nem sempre equivale à igualdade . ao razoáveis. os principais agentes (positiva e ne. o que não consti- criminação. tui uma discriminação. fala-se em discri- ou ator. O que signifi- discriminatórios são causados por agentes ca realmente? E podem estes critérios ser privados não estatais. e representa uma afronta à dignidade hu- dos ou Indivíduos: Uma segunda área im. as atitudes e as opiniões racistas ou Comunidade Europeia que obriga os Esta- xenófobas. em geral. envolve ações que to foram estabelecidos pilares pelas Dire- também afetam os outros. relativa vés de insultos. deficiência. conduzem também ao tratamen- to diferenciado. Por exem- passo que a discriminação entre indivíduos plo. é a negação do princípio da igualdade Perpetradores de Discriminação – Esta. por ou empregos em outras instituições públi- influência dos novos desenvolvimentos na cas encontram-se restritos aos nacionais luta internacional contra o racismo e a dis. Todavia. tivas Antiracismo e Antidiscriminação da tica. são mais holística da discriminação e ten. cor. ao mercado de trabalho e ao acesso a bens ções ou. os traba- foi. a discriminação no setor privado. Este tipo de ações pode ser caracterizado como discriminação A Discriminação Racial que. Dependendo das razões para este portante a ser considerada é a do ofensor tratamento diferente. agressões físicas e e serviços. minação racial ou fundada na etnia. dos direitos humanos. prejudicando o exercício Implementação e Monitorização de direitos e liberdades. abuso de direitos humanos. Desde que a Assim. zão o princípio da igualdade de tratamen- tos a arrendar apartamentos a migrantes. deixada sem regulação. to é um dos princípios mais controversos refugiados ou pessoas de pele escura. atra. dos respetivos Estados. já que a igualdade Contudo. idênticos em diferentes sociedades? Estas Um exemplo é a atitude generalizada de ambiguidades podem explicar por que ra- senhorios privados que não estão dispos. É crucial saber que nem toda discriminação são.140 II. considerada punida por lei. o sistema inter. na prá. igualmente. mediante certas condições. A este respei- enquanto. abusos verbais. lhos dos agentes policiais ou dos militares Esta perceção só recentemente mudou. mais ou menos. violência. gera bastante controvérsia. exclusão. dominados a distinção pode ser automaticamente de- pela ideia de assegurar a proteção dos in. pode ser A discriminação. humilha. A primeira antidiscriminação no setor privado ainda noção refere-se à mente de cada pessoa. religião. género. em quase todos os países. restrição ou preferência dirigida à negação Liberdade de Expressão ou recusa de direitos iguais e à sua prote- ção. Tradicionalmente. como uma qualquer distinção. mana. orientação nos e os mecanismos jurídicos para a não sexual. distinção se baseie em critérios objetivos e gativamente) sempre foram os Estados. até mesmo. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS por aquelas atitudes e crenças. finida como discriminação no sentido de divíduos contra a interferência do Estado. pode ser justificável. levam a ações dos-membros a combater de forma eficaz que afetam os outros negativamente.

cor. isto é. mentais. C. em conjunto. uma distinção tem ções de igualdade. são desejáveis. propósito e/ou consequências de Tais disposições.” numa situação semelhante. género. um grupo . tratar todos os alunos de forma igual em 1. foi completamente justo. ações. de uma corrida e depois dizer. o que significaria dar um trata. como um facto e a igualdade como um re- cor. ascendência. coxeou com o peso das corren- Eliminação de Todas as Formas de Dis. Não é suficiente tas outras definições e instrumentos que simplesmente abrir os portões da oportu- se referem à discriminação. sinceramente. uma vez que. dos direitos humanos de ser feita entre discriminação direta e e das liberdades fundamentais nos domí. tes. consti. de 1965. acreditar.” étnica que tenha como objetivo ou como Lyndon B. “Não se pode pegar numa pessoa que. Todos os nossos cidadãos têm de Convenção estipula que “Na presente ser capazes de atravessar estes portões […]. Um exemplo tuem a discriminação e que são comuns desta lacuna encontra-se na educação em a todas as formas de discriminação: língua nativa. Consequentemente. Johnson. materna. 3. etc. um direito e uma teoria mas a igualdade restrição ou preferência fundada na raça. social e cultural direta significa que uma pessoa é tratada ou em qualquer outro domínio da vida de forma menos favorável do que outra. como as referentes a impedir as vítimas de exercerem e/ aulas na língua materna. podemos identificar Outras características importantes da três elementos que. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 141 de facto ou de resultado. ral de todos os alunos. O artº 1º da nidade. promover a educação cultu. incluindo os per- tencentes a minorias. libertá-la. du- A Convenção Internacional sobre a rante anos. económico. A discriminação nios político. ascendência na origem nacional ou sultado. “Estás livre contém uma definição legal muito para competir com todos os outros” e. A discrimina- ção indireta significa que uma disposição Implementação e Monitorização ou medida. que se tem sido utilizada como base para mui. na realidade colocam em desvantagem uma Três elementos da discriminação pessoa ou grupo em relação a outros. em condi. tais como a etnia. pública. com o conhecimentos da língua de instrução. mes- abrangente de discriminação racial que mo assim. mento desigual a alunos que têm poucos idade. discriminação: Normalmente. neste caso. exclusão. aparentemente neutrais. categorizações. a exclusão. Em termos gerais. a expressão «discriminação Não procuramos […] só a igualdade como racial» visa qualquer distinção. discriminação indireta. o gozo ou o exercício. a distinção.1965 efeito destruir ou comprometer o reconhe- cimento. reitos humanos e liberdades funda- plenamente. deficiência. origem nacional. a termos legais impossibilitaria as escolas restrição e a preferência. ou gozarem plenamente os seus di- não discriminatórias e necessárias para. Convenção. baseadas em de oferecerem aulas especiais na língua 2. colocá-la na linha de partida criminação Racial (CIEDR).

desvantagens eco- medidas de ação afirmativa sempre foram nómicas e educacionais. Através do domínio. para compensar o tratamento di- é a negação da dignidade humana e de di. Tanto creve medidas governamentais especiais e o racismo ativo como a aceitação passiva temporárias que têm como objetivo alcan. sistematicamente. porque existem inúmeras perspeti- emprego e das empresas. ferente de que foram alvo no passado? reitos iguais para aqueles que são vítimas • Que forma de ação é justificável: impe- da discriminação. políticas e práticas estabelecidas que cias do racismo e intolerância relaciona- resultam. pessoas em situações básicos. As causas e as consequên- leis. como na • Será que a proibição da discriminação situação do regime de apartheid na Áfri. afetam a saúde mental e o funcionamento mas institucionais de discriminação. como é também denominada. “classe alta” versus “clas- se baixa”). do aceite.142 II. temporariamente. Des. no presente. muitas tunidades. um grupo • E quanto à noção de igualdade de opor- trata outro grupo como inferior e. dir ou favorecer? Outro aspeto interessante prende-se com a discriminação positiva ou “ação afirma. mantêm-se ou adotam-se implicam a presunção errada da existên- medidas específicas (ações positivas). O racismo e a discriminação produzem um determinado grupo em relação a outro efeitos a longo prazo para a saúde. o apenas um período de tempo limitado. social e política e vitimização psicológica. Racismo tiva”. marginalização extremamente controversas porque signifi. vas diferentes sobre o seu exato significa- De forma a assegurar-se a igualdade plena. proporcionar aos grupos al. quer definição de racismo universalmente especialmente no campo da educação. etc. mas domínio tanto pode ocorrer em termos de sim. este igualmente errada de que os grupos étni- . é co- para compensar desigualdades passadas e. A dis. Assim. de poder (isto é. organização ou instituição. Isto significa que a discriminação iguais. de go. Interessante é o facto de não existir qual- zar todas as suas liberdades fundamentais. graves de stress e de doenças psicossomá- vos – ex: mulheres. de novo. da e os meios para a sua continuação são dades e discriminação dentro de uma so. complexos. será que significa tratar de vezes. O ser considerado como discriminação. As discriminação jurídicas. envolvendo vulnerabilidades e ciedade. visto como uma medida para comba- números (maioria versus minoria) como ter a discriminação. em desigual. caso em que a minoria pode Questões para debate também dominar a maioria. As teorias sobre o racismo no plano prático. cam favorecer. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dominante discrimina contra um grupo tipo de tratamento preferencial não pode menos poderoso ou menos numeroso. e a assunção até que se atinja a igualdade. – ticas. minorias étnicas. psicológico. oportunidades iguais. de injustiça e privilégios baseados na raça çar a igualdade de facto e ultrapassar for. tanto das vítimas como dos criminação institucionalizada refere-se a perpetradores. por cia de denominadas “raças diferentes”. um O racismo causa danos ao isolar e mago- termo originário nos Estados Unidos. do e alcance. só significa tratamento igual? ca do Sul. ar pessoas e dividir comunidades. assim como de autoagressividade. mum as vítimas demonstrarem sintomas desse modo. nega a este grupo direitos humanos forma diferente. que é cientificamente falso.

ascendência ou de alguém). assim como na noção fa. é um exemplo vívido do são afetadas e prejudicadas por este. pode ser nocivo. existem diferentes “raças”. as atitudes pre. • nível institucional (leis. mas. A de uma forma institucionalizada de racis. impede discriminatórias. tarefa de determinar as causas básicas do Hoje. hoje. dificulta o desenvolvimento sancionadas pela lei. na legislação outra manifestação. Durante as últimas décadas de luta contra ções e práticas). uma parte essencial do ambiente político • nível cultural (valores e normas de con. em si mesmo. e social no qual ocorrem atos de violência duta social). discur- a cooperação internacional e dá origem a sos de ódio ou à separação de grupos. uma forma racista de pensar que só exis- minatórias. ternacional e. origem nacional/étnica. um en- tendimento mais amplo do termo racismo O anterior regime do apartheid na África tem sido desenvolvido. o termo rias para prevenir a erupção de conflitos . superiores ou “raça”. “o racismo in. de forma inerente. De facto. Liberdade de Expressão cionais”. definição para a maioria das atitudes reais laciosa de que as relações discriminatórias das pessoas que. representa a melhor gualdade racial. A Violência Racial é um exemplo particu- O racismo existe em diferentes níveis – lar e grave do impacto do racismo. C. entre grupos são moral e cientificamente Até o racismo como uma forma de pensar justificáveis. hoje dão mais ênfase às diferenças cul- clui as ideologias racistas. são “racistas”. Os racistas de De acordo com a UNESCO. A construção de • nível interpessoal (comportamento para um grupo de pessoas como uma ameaça é com os outros). que sistematicamente segregava os ção de que todas as sociedades no mun- negros dos brancos. o comportamento discrimi. divide as nações internamente. bem como em crenças e atos tem em mentes racistas não podem ser antissociais. ceitos e pensamentos levarem a políticas ca. a “raça” é entendida como uma racismo e de exigir as reformas necessá- construção social. desta forma sugerindo que uns supõe e defende a crença errónea de que têm direito a dominar ou eliminar outros. Só se estes precon- das suas vítimas. se tensões políticas entre os povos. sem expressão ou posições discriminatórias. muito provavelmente. as ideias racistas ou ou regulamentação e em práticas discri. crenças grupo com base na cor. fundados no ódio. consti- dependendo do poder usado e da relação tuindo atos específicos de violência e as- entre a vítima e o perpetrador: sédio realizados contra uma pessoa ou um • nível pessoal (atitudes. encontra-se refletido em dis. turais e não às características biológicas. valores. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 143 cos são. conceituosas. tradi. costumes. práticas sociais. disposições estruturais e práticas cultural” recentemente desenvolvido que. sendo que se pode falar de um “racismo natório. perturba gravemente a paz e a segurança interna. comunidade internacional empreendeu a mo e discriminação racial. perverte quem os prati. é contrário poderá falar em ações discriminatórias aos princípios fundamentais de direito in. é racista já que pres- inferiores. sancionáveis ou em discriminação racial. o racismo e a discriminação racial. institucionalizadas que resultam na desi. consequentemente. incluindo a perce- do Sul.

geiros e também caracteriza atitudes. não faz só parte da ideolo. Xenofobia e Intolerân- ao presente. Xenofobia to – mantém-se hoje.144 II.. Declaração da Conferência Mundial contra o Racis- mente. A xenofobia é descrita como o medo mór- por vezes. como a xenofobia e a intolerância relacionada “limpeza étnica”. conceitos e comportamentos que rejeitam. negam a evidente verdade de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em Antissemitismo dignidade e direitos [. xenofobia como comportamento discrimi- lar de racismo. em mi- novamente. pre- No início do século XX. Além disso. a terreno e adquirem novas formas. a sociedade ou a identidade sistematicamente assassinados. obstáculos ao seu pleno gozo e no Darfur ou no Ruanda. um aumento do antissemitis. Durante o Holocaus. 2001. com fundamento na perceção de que to. uma atitude e/ os seus pontos de vista antissemíticos. O antissemitismo manifestou-se. prejudica. vivo como sempre. cismo. que o mundo assistiu [. a vida. Por outras palavras.vistos como um grupo religioso ou étnico distin. Priva as pessoas do seu potencial e desenvolvimentos preocupantes ao nível da oportunidade de perseguirem os seus mundial. baseadas nestes fenómenos. o antissemitismo tornou-se parte excluem e. nário simplista de “bom e mau”. de incidentes. estando as ideias antissemitas nal ou internacional. Hoje. violenta contra os judeus . mesmo a não neonazi. te.]. A xenofobia é... Este ódio e hostilidade. ganham [. a autoestima e autoconfiança e. com o auge do fas. vilipendiam pes- dessa sua ideologia. novamente. escondido ou expressado de bido de estrangeiros ou de países estran- forma encoberta. natório são sancionadas pelo direito nacio- gia neonazi. Discriminação Racial.] constituem violações graves de direitos durante os conflitos na antiga Jugoslávia. muitas vezes. planos e sonhos. através de um número crescente devastadora do racismo ou discriminação . só por nacional. profundamen- Desde há vários anos que tem tido lugar. estima-se estes são estrangeiros ou estranhos para a que seis milhões de judeus tenham sido comunidade. é importante em termos legais e o impac- o número crescente de sítios da internet e to nas vítimas de comportamentos e atos de literatura que glorificam e disseminam racistas ou xenófobos é sempre o mes- a propaganda nazi contribui para estes mo. Infelizmente. ampla. de forma clara.] o racismo.. ção racial. A distinção entre racismo e xenofobia não lação. estas teorias e práticas persistem ou. disseminadas e acessíveis a toda a popu. vezes. na História e continua a existir até mo. os ataques contra as é um sentimento baseado em imagens e comunidades e a herança judias não são ideias irracionais que conduzem a um ce- raros e um número considerável de gru. por cia relacionada. lhões de casos. chega mesmo a custar-lhes mo que se tem manifestado. Daí que só as manifestações da antissemitismo que é uma forma particu. tais como a discriminação. perpetrado pelo regime Nazi. a discriminação racial. apesar de todas as os discursos de incitamento ao ódio e os tentativas para abolir políticas e práticas crimes de ódio.. Uma influência particularmente camente. humanos. soas. O ou crença. pos neonazis expressam. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS enraizados no racismo ou na discrimina. retórica e fisi. até mesmo. a xenofobia serem judeus..

ao Fenómenos Relacionados: tolerar-se a existência dos outros. lidar-se com o comportamento intolerante tação sexual. dos. o que significa a raça. tolerância? to é uma antipatia fundada numa genera. orien. rância e os comportamentos intolerantes to ou crença pela qual uma pessoa mos. e incapaz logo desde o início da sua in. mas sem A Intolerância e o Preconceito realmente os receber bem ou os respeitar A Universidade Estadual da Pennsylvania e aos seus direitos iguais. facilmente. pelos pre- venciado racismo foi à nascença. em relação a outro. Geralmente. afirma na sua declaração de princípios que é importante ter consciência que a intole- a intolerância é “uma atitude. descrevendo a ções Unidas. pode ser senti. a ajudar no parto complicado porque a os traços culturais/religiosos (reais ou sua mãe era de uma zona diferente do imaginados) de um grupo particular. lecidos para distinguir entre tolerância . cor. A intolerância deve ser confrontada com fundamento em características como através de coragem civil. A definição clássica de preconceito é dada Questões para debate pelo famoso psicólogo de Harvard. a língua que falava e a região onde vivia Normalmente. exemplificado. Quando dem ser vistas algumas semelhanças com ela cresceu. mo ou a xenofobia. origem nacional. a intolerân- das crianças em si mesmas e nos outros. Para além disso. • Existem normas ou padrões já estabe- lização errónea e inflexível. da ou expressada. em Nova Iorque. O cia e o preconceito são vistos como a base tom racista. conceitos antiturcos. religiosas”. opiniões políticas ou crenças através de todos os meios apropriados. o preconceito e a intole- – influenciava todos os aspetos da sua rância são difíceis de abordar e de com- vida. o que a fez sentir inútil. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 145 racial pode ser vista nas crianças. na medi. Ambas as atitudes podem. insegura bater porque se adquirem com o tempo. po- país. que não a da enfermeira. Uma vez que ataca. ser timentos de medo e confusão. premacia cultural de um grupo específico uma senhora do Congo contou à audiên. é controversa. sofrido racismo lhes causa profundos sen. as palavras e os estereótipos e o ponto de partida para outros compor- entram nas suas mentes tornando-se parte tamentos mais “específicos”. já que pode implicar um sentimento errado de superioridade. No contexto europeu é cia que a primeira vez que ela tinha vi. Gordon • Quem pode decidir sobre os limites da Allport. como o racis- da forma como se veem a si mesmas. Por outro lado. aprendeu rapidamente que o recente entendimento do racismo como o seu contexto – a etnia a que pertencia. sentimen. temente foi desenvolvida. nomeadamente. a noção de “tolerância” fância. A noção de preconceito étnico só recen- Durante um Painel de Debate das Na. O racismo um motivo para qualquer tipo de ações conduz a medos que quebram a confiança discriminatórias. que abor. não podem ser permitidos nem suporta- tra desprezo por outras pessoas ou grupos. que declara que “[…] o preconcei. “racismo cultural”. tipicamente. género. C. antipolacos ou antir- do a enfermeira no hospital se recusou russos. pode ser dirigida a um da em que o facto de terem presenciado ou grupo ou a uma pessoa desse grupo”. quan. antipatia fundada numa alegação de su- dava o impacto do racismo nas crianças.

forma grave. como no O racismo e a discriminação racial são emprego. a minoria chinesa na Indonésia divíduos caem na intolerância e na viola.146 II. não podia celebrar. o seu ção dos direitos humanos. zados. geralmente. A discriminação dos Roma – um número namentais. PERSPETIVAS proibida e as crianças foram retiradas INTERCULTURAIS dos seus pais. a sua língua romani foi 3. as suas vidas. Apesar de se relacionar. mundo. violações mais graves de direitos huma- independentemente de quando e sob que nos da Europa. organizações internacionais e não gover. Tendo sido nómadas ao forma ocorra. as comunidades E QUESTÕES CONTROVERSAS Roma ainda experimentam a discrimina- ção em muitas esferas da vida. meios de informação. racismo e violência racista que ameaçam ternacional apelo aos Estados-membros. existem mesmo relatos de vio- seja a ignorância. O que as pessoas não nascem racistas mas sistema de castas na Índia discrimina. Ban Ki-moon. poderão a discriminação pelos brancos contra os ser criados? não-brancos. socie. tradicional Ano Novo Chinês. Existem muitos exemplos na região da Ásia.” longo da sua história. se ainda não. disse. Os comités de Direitos Humanos das Nações Unidas Implementação e Monitorização expressaram repetidamente preocupa- ções quanto à discriminação contra mi- Existe um consenso sobre o facto de norias étnicas e religiosas na China. daí que. Hoje. de for- ma espontânea. tempo. apenas devido à manos podem constituir o nível mínimo sua origem étnica coreana. cometidos por “membros das cas- por ocasião do Dia Internacional para a tas mais elevadas”. forçados a assimilar-se. a pri. no um problema contínuo manifestado de acesso à justiça ou a serviços de cuida- várias maneiras em todos os países do dos de saúde. em existe nos países africanos: membros 21 de março de 2011: “[…] Para se ultra. na educação. Até há pouco abaixo do qual as sociedades e os seus in. penhar cargos públicos. não existe uma sociedade • Existem diferenças regionais ou cultu. estimado de oito milhões que vivem no dade civil e a todos os indivíduos […] continente europeu – constitui uma das que trabalhem juntos contra o racismo. não têm direito a desem- pelo direito internacional dos direitos hu. Neste Dia In. Os limites e os parâmetros desenvolvidos por exemplo. O Secretário-Geral lações em massa e de massacres organi- das Nações Unidas. na habitação. de grupos étnicos que não estão no po- passar o racismo temos de confrontar as der defrontam-se frequentemente com a políticas públicas e atitudes privadas dos discriminação e assédio motivados pelo cidadãos que o perpetuam. membros das “castas mais meira causa de racismo e da xenofobia baixas”. a palavra ‘racismo’ com Direitos das Minorias . os Roma foram. de vão-se tornando racistas. O racismo também Eliminação da Discriminação Racial. publicamente. que se possa dizer livre de qualquer for- rais quanto à perceção de tais normas? ma de racismo. Em alguns países. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS e intolerância e. Os coreanos no Japão.

O tra. condena gação exige que o Estado tome medi- quaisquer formas de discriminação racial das jurídicas. Assim. Até ao momento (janeiro DR obriga os Estados Partes a tomarem de 2012). pela mentar o princípio da não discriminação: sociedade civil através de uma abordagem • Obrigação de respeitar: Neste contexto. IMPLEMENTAÇÃO todos os direitos e liberdades estabeleci- E MONITORIZAÇÃO dos na lei. a discriminação racial e outras do Holocausto e à existência contínua de formas de manifestações de racismo atitudes e políticas racistas no mundo do por parte dos indivíduos na sociedade. Por outras palavras. confrontadas. soas de violações dos seus direitos. meios peita ao princípio da não discriminação são de informação. pós-Guerra. etc): Para além dos go- aplicáveis aos Estados. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 147 4. ou seja. “da base para o topo” (bottom up). • Obrigação de implementar: Esta obri- pio da dignidade e da igualdade. com o colonialismo e. de forma célere. necessárias e Os ensinamentos aprendidos com a escra. No respeitante vatura. nacionais e tratados internacionais. ração desta Convenção. de forma ral das Nações Unidas reagiu aos horrores ativa. meios adequados. ao setor privado e. nistas constituem a parte mais ampla da nada conduta por parte dos Estados e das sociedade civil e. a Assembleia-Ge. administrativas. os Estados têm a des discriminatórias e racistas podem ser obrigação de respeitar. de forma mais eficaz. em todas direitos garantidos. previstas na lei. que estão sujeitos apenas às limitações ou interferências. criminação e o racismo. A CIEDR baseia-se no princí. os Estados têm de respeitar e O facto de a discriminação ser uma das assegurar a todos dentro da sua jurisdição violações de direitos humanos que ocorre . a realização dos minarem a discriminação racial. para eli. ao comportamento racista e discrimi- de 21 de dezembro de 1965. o Estado tem de “combater”. As disposições da Convenção no que res. judiciais e obriga os Estados a utilizarem todos os ou práticas adequadas para assegurar. também aos indivíduos. vernos. os Estados estão proibidos de atuar em contravenção dos direitos e liberdades Boas Práticas fundamentais reconhecidos. refere-se Formas de Discriminação Racial (CIEDR). da forma mais eficaz. C. proteger e imple. legítimas. tados têm de respeitar a igualdade entre duziram à incorporação do princípio da as pessoas. Com a elabo. No nacional sobre a Eliminação de Todas as respeitante à discriminação. Os seus protago- ção garante aos indivíduos uma determi. acima de à discriminação. foi ratificada por 175 Estados e medidas para proibir e eliminar a discri- tem-se revelado uma ferramenta relevante minação racial e de garantir a todos o na luta contra a discriminação racial. direito de igualdade perante a lei. natório entre pessoas privadas. Obrigações no setor privado (ONG. O poder considerável na luta contra a dis- princípio fundamental da não discrimina. as atitu- suas autoridades. não podendo apoiar ou tolerar não discriminação em muitas Constituições racismo ou discriminação. • Obrigação de proteger: Este elemento tado internacional mais importante sobre a exige que os Estados protejam as pes- discriminação racial é a Convenção Inter. O artº 5º da CIE- as suas formas. com a Segunda Guerra Mundial con. isto significa que os Es- tudo. o setor privado também tem um de certa forma. normalmente.

O sistema de funcionamento do sistema de justiça cri- monitorização criado consiste.148 II. Racismo. Em por parte de indivíduos ou de grupos. realiza visitas em conflitos e prevenir ou limitar viola. O Comité pecial sobre Formas Contemporâneas de examina cada relatório e dirige comen. que se queixem de violações dos seus mentos internacionais dos direitos huma. uma recomendação sobre a monitorização eficazes e mecanismos de formação dos funcionários responsáveis cumprimento rogorosos. por nos é uma responsabilidade do Estado e. o Rela- jam atenção imediata. O mandato do Relator Es- a implementar a Convenção. nacionais (2004). minal (2005). discriminação racial na administração e mentação da Convenção. pela aplicação da lei na área da proteção Além de estabelecer as obrigações dos dos direitos humanos (1993). em quatro procedimentos: Como a manifestação do racismo e da • A apresentação de relatórios: Todos xenofobia tem vindo a aumentar nas últi- os Estados Partes estão obrigados à mas décadas. publica relatórios sobre o ções graves da Convenção. novamente. pode atuar perante problemas que exi. que criminação racial (2000). Além de uma concre- Estados Partes. a implementação tização das obrigações dos Estados Partes efetiva das normas internacionais só pode e da sua implementação. A Declaração de Durban e o Programa • As queixas individuais (direito de peti. em 2008. No desempenho do seu mandato. sobre os di- Estados Partes. de forma a evitar tor Especial transmite apelos urgentes e que situações existentes se convertam comunicações aos Estados. de Ação (DDPA). sobre a forma como estão este fenómeno. Comité sobre alegadas violações da Convenção por parte de outro Estado Parte. os instrumentos internacionais que O CEDR também publica a sua interpre- lutam contra a discriminação racial têm tação das disposições da Convenção (Co- de ser ratificados e implementados pelos mentários Gerais). a comunidade internacional apresentação de relatórios regulares reforçou os seus esforços para combater ao Comité. ou sobre a prevenção da tes a monitorizar e examinar a imple. o Comité emitiu. de investigação. pela então Comissão de Direitos Humanos • O sistema de alerta precoce: O Comité foi prorrogado. princípio. reitos dos povos indígenas (1997). Todavia. assim. sobre a discrimi- foi o primeiro órgão dos tratados da nação contra os Roma (2000) e sobre não ONU composto por peritos independen. a CIEDR também es. essen. ser garantida se existirem sistemas de entre outras. país e submete relatórios anuais ou temá- • As queixas interestatais: Os Estados ticos ao Conselho de Direitos Humanos e à Partes podem apresentar queixas ao Assembleia-Geral das Nações Unidas. Xeno- tários e recomendações (“Observações fobia e Intolerância Relacionada criado Finais”) ao respetivo Estado Parte. mostra o trabalho específicas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS com mais frequência. considerar comunicações que ainda tem de ser feito nesta área. a implementação dos instru. aprovado na Conferên- ção): O Comité pode. um Estado Parte. em circunstâncias cia Mundial contra o Racismo de 2001. sobre tabelece o Comité para a Eliminação as dimensões relativas ao género da dis- da Discriminação Racial (CEDR). cialmente. direitos enunciados na Convenção. Discriminação Racial. .

Conselho da Europa. Europeia contra o Racismo e a Intole- discriminação racial.3% foram motivados por preconcei- dos Povos. o que significa relacionados com a orientação sexual. Outro importante tendo recomendações com um alcance mecanismo de monitorização são os pro- relevante e propondo medidas concretas. por peritos independentes. que só podem ser reclamadas em conjun- to com outro direito previsto na respeti.690 Todos os instrumentos regionais de di. contém uma proibição geral de discrimi- (Fonte: Federal Bureau of Investigation. Uma análise dos 6. lar. 2011. 19.3% estiveram ligados a preconceitos do a maioria acessórias. a envolverem 7. na informa- de 2001 e identificou outras medidas ção sobre normas nacionais e internacio- concretas e iniciativas. xenofobia e into. tos raciais. pelo ódio. o antissemitismo e resultar de um esforço universal. discrimi- nação racista. para monitorizar. reitos humanos (por exemplo. a Convenção Europeia dos Di. geralmente. 20. revelaram o seguinte: ção Americana sobre Direitos Humanos. sen. 8. xenofobia e intolerância Em 2010. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 149 constitui um compromisso sólido da co.624 incidentes de pre- conceito simples que envolveram 7. que. nais e na procura de possíveis mecanis- para o combate e a eliminação de todas mos de proteção. rância. nação (artº 1º) estabelecendo um âmbito Departamento de Justiça dos EUA. a discriminação preocupação global cuja resolução deve racial. combate e erradicação do racismo. 12. de forma regu- lerância relacionada. ofensas. em vigor desde abril de 2005. nível nacional e que desempenham um dos e avaliou a implementação da Decla. são estabelecidos a Durban analisou os progressos alcança. con. vedores antidiscriminação ou antirracis- Em 2009. O Conselho da Europa esta- . beleceu. a xenofobia. a intolerância nos Estados-membros do dou um leque amplo de questões. abor. relativos a incapacidades. a situação real e os esforços empreen- Reconhecendo que o racismo é uma didos contra o racismo.) Convenção. O Protocolo Adicional nº 12 0.6% foram motivados por preconceitos da CEDH.8% resultaram de preconceitos rela- va convenção se a situação for levada a cionados com a origem étnica/nacional. a fim de promover a imple. de proteção que vai para além do gozo Uniform Crime Reports.001 ofensores. as manifestações de racismo. em 1993. a todos os níveis.628 incidentes criminais motivados desafios e contrangimentos. Carta dos Direitos Fun. as agências dos EUA responsá- relacionada. a Carta Africana dos Direitos Humanos e 47. um órgão composto munidade internacional para a preven. Hate Crime Sta- dos direitos e liberdades previstos na tistics 2010. veis pelo cumprimento da lei relataram mentação do DDPA e para enfrentar os 6. disposições contra a discriminação.699 vítimas. a Comissão ção. papel importante na documentação dos ração de Durban e o Programa de Ação incidentes de discriminação. C.199 vítimas e 6. a Conferência de Revisão de mo.0% resultaram de preconceitos reli- damentais da União Europeia) incluem giosos. a todos os níveis. julgamento. reitos Humanos. a Conven.

” discriminação. das. procedimentos Outro problema relativo à proteção eficaz urgentes. so. baseada nas necessidades da sociedade de na realidade. só atos discriminatórios na mais eficaz contra a discriminação e o esfera pública (por autoridades estaduais) racismo. alegada em tribunais civis. dem ser punidos por lei. tais como a serem abordados e identificados. o conceito clássico de igualdade de trata- dos. e a “Diretiva de Igualdade Racial” primeira etapa de uma verdadeira estraté. a União Europeia in. po. assim. as a discriminação na área do emprego e ocu- declarações e os planos de ação são só a pação. Uma for. nadas surgem frequentemente de forma troduziu as Diretivas de Não Discrimi. siderado como um marco no desenvolvi- zem e da realização de projetos. uma vez que estas estratégias e de indivíduos que agem em público. infelizmente. a discriminação entre indivíduos na Programas de Educação sua “esfera privada” não pode ser punida e Formação: da mesma forma. do. contu- de a prevenção da discriminação entre pes. Estas diretivas ampliam Se aqueles não forem plenamente aplica. a xenofobia e atitudes relacio- Nos últimos anos. A importância das medi- Carl T. têm sido desde há muito subestima- soas privadas ser uma zona legal cinzenta. negligenciando-se. o que é con- das suas campanhas. Assim. mento entre mulheres e homens de forma te vontade política é necessária para uma a permitir uma proteção mais abrangente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O hiato entre “a lei na teoria” e a “lei estabelece um quadro geral para combater na prática”: As convenções ratificadas. estas pressionam constantemente os Presentemente debate-se uma proposta governos para que cumpram com as suas para se ampliar ainda mais a proteção da obrigações. da pressão que fa. nacionais e internacionais. O racismo. Todos os Estados-membros da União espaço para outros interesses políticos. que proíbe. Rowan das e estratégias preventivas. na origem étnica. Europeia têm de transpor as diretivas para Neste contexto. no emprego e no acesso aos gia de combate contra o racismo e a dis. Tal pode “Diretiva de Igualdade no Emprego” que conduzir à perceção perigosa de que o ra- . bens e serviços. direitos humanos. subtil e insidiosa. A violação destes o importante papel de organizações não direitos de não discriminação pode ser governamentais baseadas na comunidade. a discriminação com base criminação. muitas vezes difíceis de nação. atacam estes fenómenos na sua origem. o seu impacte será limitado. muitas vezes. não pode ser subestimado a legislação nacional. implementação efetiva que.150 II. Além dis. a resposta Geralmente. tais como sistemas de alerta precoce. muitas vezes tem de deixar hoje. informação e a educação e for- contra a discriminação refere-se ao facto mação para os direitos humanos. mecanismos Discriminação entre Atores Não Estatais: preventivos de visitas. mento de legislação antidiscriminação. Os instrumentos internacionais e meca- “Muitas vezes é mais fácil indignar-se com nismos mencionados estão a ser cada a injustiça do outro lado do mundo do que vez mais utilizados para a monitorização com a opressão e a discriminação a um da implementação do princípio da não quarteirão de casa. para o setor privado. de discriminação.

a contra o racismo. para ajudá-los a lidar com inciden. respeito e valorização da diversidade nas quando já exista. programas de formação para os professo. deve e comportamentos baseados no racis- ser combatido com uma série de medidas mo. incluindo a encontra-se na educação para os direitos educação e aprendizagem para os di. O racismo. o que promove a compreensão zem propaganda de discriminação e ódio da contribuição de cada cultura e nação. existem programas de inter. autoridades judiciais e professores. C. De agentes responsáveis pelo cumprimento forma a enfrentar-se com sucesso essas da lei. encorajando estudantes depreciativa e promovem estereótipos ne- de diferentes países a partilharem a sua gativos em relação a indivíduos ou grupos cultura e aprenderem os idiomas uns dos vulneráveis. e contribuem para a dissemi- programas de formação sobre a diversi. todos os níveis da sociedade. nos seus objetivos educacionais. opiniões e crenças. humanos. bem como transmitir com efi. usada racismo e não discriminação. É importante desenvolvê-la e. Durante o processo lecimento do respeito pelos direitos huma- de preparação da Conferência Mundial nos e liberdades fundamentais para todos. incorporando e dignidade humana e para a afirmação princípios claros de não discriminação dos valores da diversidade. para incitar os hutus ao massacre de tutsis . xenófobos e racistas entre o público. assim como na educação não formal. Em mui. Existem em muitos países mo a todos os níveis da educação formal. usam linguagem câmbio escolar. a todos os níveis e para todas reitos humanos visando a promoção do as idades. O Papel Fundamental dos Meios de In- Estes incluíram os esforços já em curso formação: Os meios de informação in- em diversos países africanos para com. a formação para os di. contra o Racismo. A chave para se mudarem as atitudes enquanto fenómeno multifacetado. por exemplo. de res. é da responsabilidade de outrem. pode ser visto. forma a promover a compreensão e forta- tes racistas na escola. contribuir europeia de redes de escolas redigirem para a promoção da igualdade. a discriminação racis. e continuação dos programas escolares cácia e incorporar os direitos humanos educacionais e dos recursos contra o racis- na sociedade. O poder dos meios de informação Em muitos países. respeito um código de conduta. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 151 cismo só é cometido por outros e. nação de sentimentos e comportamentos dade e sensibilidade cultural no seu ma. em todo o mundo. Infelizmente. Muitos governos e ONG incluem refugiados. como sos grupos profissionais. fluenciam as atitudes das pessoas. é realizada com o escopo de sensibilizar e ta. Eles bater os preconceitos racistas nos livros podem desempenhar um papel positivo no e programas escolares. relataram-se uma sé- rie de exemplos e ideias interessantes. apoiar a implementação sociedades. no caso da reitos humanos centrada no combate ao “Rádio Mille Collines” no Ruanda. tais como os tal. particularmente migrantes e outros. muitos jornais e estações de rádio e tele- tos países. De- terial sobre a educação para os direitos terminados meios de informação até fa- humanos. o racismo e a intolerância relacionada fortalecer o papel destes profissionais na têm de ser combatidos através do reforço proteção dos direitos humanos e na luta de uma cultura de direitos humanos. para diver. racista. xenofobia e intolerância relacionada realizadas a todos os níveis. ou uma iniciativa combate a estereótipos racistas. visão.

os este fim os Estados devem. O primeiro todas as formas de linguagem racista e xe. através da adoção de códigos deles e tentando evitar. tentes de modo a ter acesso a possíveis didas para a erradicação de todo o incita. Ao observar um ato discriminatório ou quecendo o papel importante da internet racista é importante desenvolver a co- na divulgação de informação e de opini.152 II. Gordo e Negro!. ou seja. safiarmos as nossas próprias atitudes e ótipos racistas nas suas reportagens. estabelecer que toda a disseminação de especializados. no dia a dia. comportamentos discriminatórios. é necessário visar atitudes. por preconceitos. tos humanos. consequentes ações e comportamentos. A CIEDR obriga os Estados Partes a reencaminhar os casos ou incidentes condenar toda a propaganda racista e or. regulação dos profissionais dos meios de informação. conhecidos para as instituições compe- ganizações desta natureza e a adotar me. ões. Assim. de informação local com uma abordagem “da base para o topo” (bottom-up) e da total participação das autoridades nacio- nais em cooperação com todos os atores não estatais relevantes. ideias racistas ou incitamento constituem ofensas puníveis por lei. A este respeito. Bom! Deve ser terrível! Esta tarefa nada fácil só pode ser alcan- çada através de uma educação para os Horrível!! direitos humanos institucionalizada. provedores de justiça ou os organismos te. a prevenção de atos racis- mente. a Em geral. bem como de medidas de autor. e talvez o mais eficaz. designadamen. Tendências Liberdade de Expressão O que é que NÓS podemos fazer? O verdadeiro desafio é a prevenção da discriminação. ragem moral para interferir se possível. que os meios de informação façam tas e discriminatórios e a implementação todos os esforços para evitar e combater do princípio da igualdade.. . mecanismos de proteção nacionais e in- mento ao racismo e à discriminação. evitar atos discri- minatórios antes que aconteçam. tais como os tribunais. opiniões e Pequeno. todos nós podemos contribuir Comissão Europeia contra o Racismo e a para a promoção do respeito pelos direi- Intolerância (CERI) recomenda. Para ternacionais.. é o de de- nófoba e se abster da produção de estere. passo. nomeada. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS durante a guerra civil em 1994 e não es. tornando-nos conscientes exemplo. de ética.

O racismo apenas vê o garem a humanidade plena aos outros. xenofobia e ex. O contrato pode ropeias de Futebol (UEFA. Com um “Plano de 1. O plano inclui medidas como declarações públicas Coligação Internacional de Cidades Con. C. porque os racistas. jogadores e funcionários. a discriminação por Região Árabe. mo e Discriminação foi lançado em 2006 presas privadas que contratam com ór. o fundamen. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 153 respostas vazias de uma pessoa a outra. Como o tribalismo. ao nível local. para bém apoia a “FARE. sem nunca nidade. e os que odeiam. a Coli- tratos Públicos de Aquisição: O governo gação Africana de Cidades contra o Racis- sueco aprovou uma lei que exige das em. gãos públicos um certificado confirman- do que estas obedecem a todas as leis Combater o Racismo na Liga Europeia antidiscriminação e promovem a igual. habitação. para com a huma. A UEFA tam- tiva lançada pela UNESCO em 2004. . ropa. listando várias medidas que incentivam os sas cidades implementaram este concei. tais como. tais como a educação. entre fãs. Programas de Ação. descobrir a verdadeira identidade “deles”. na América Latina e Caraíbas e na América do Norte com os seus respetivos Cláusulas Autodiscriminação em Con. clubes a promover campanhas antirracismo to (por exemplo. ao ne. na sigla inglesa) ser resolvido no caso de violação destas elaborou um plano de ação com dez pontos disposições de antidiscriminação. de Futebol: A União das Associações Eu- dade nas suas políticas. o “O racismo rebaixa tanto os odiados como racismo concentra-se sobre O QUE se é. na Eu- motivos raciais. condenando os cânticos racistas em jogos tra o Racismo: A Coligação Internacional ou ações disciplinares contra jogadores que de Cidades contra o Racismo é uma inicia. O racismo falham. para impedir violações de direitos a criar coligações regionais em África. rótulo e não a pessoa que o usa. Galway). as cidades-membro comprometem-se a promover e implemen- Códigos de Conduta Voluntários no Setor tar iniciativas contra o racismo nas diferen- Privado: Muitas empresas multinacionais tes áreas da competência das autarquias. eles mesmos. estabeleceram códigos de conduta volun. na Ásia e Pacífico. na sigla inglesa . no Quénia. a homofobia e todas as outras Timothy Findley CONVÉM SABER clusão. BOAS PRÁTICAS Ação de Dez Pontos”. e atividades culturais.Rede estabelecer uma rede de cidades interessa. ignora QUEM se é. para si mesmas e para os seus par. de Futebol contra o Racismo na Europa” das em partilhar experiências de forma a que realiza e coordena ações ao nível local melhorar as suas políticas para o combate e nacional para combater o racismo e xeno- ao racismo. que profiram insultos racistas. Por exemplo. Londres. em Nairobi. talismo. discriminação. emprego tários. gosta de “nós” e odeia “eles”. fobia no futebol europeu. Diver. na humanos. Também se estão ceiros.

. e o racismo e a xenofobia. racistas. Estima-se que o número de frentam necessidades em todo o mundo. e a xenofobia. Os grupos minoritários visíveis en. As tecnologias de comunicação digi- existem respostas consistentes para estas tais. tais como a internet. relacionadas com a existia um sítio racista. como legais. por Direitos das Minorias outro lado. as famílias afro-americanas e blema crescente. Apesar de o racismo ou ódio. existe os atores na sociedade. respeitante à criminalização tamento de exclusão na luta por melhores de atos de natureza racista e xenófoba pra- condições de vida. Um assunto muito controverso é o debate os Estados Partes da Convenção Internacio- sobre uma maior percentagem de tendên. até três te mais de dez mil sítios que promovem o vezes mais altas do que as famílias bran. o Protocolo Adicional atitudes racistas. pode ser considerada de dife- rentes maneiras. citamento a estes atos contra determinados cionada com uma menor educação pode grupos. A Relação entre Pobreza e Racismo/Xe- nofobia A relação potencial entre a pobreza. sendo também uti- um número crescente de peritos que con. o racismo e a discriminação te maior. O racismo na internet é um pro- dos Unidos. constituem um perguntas. parecem ser a causa destas circunstâncias Racism on the Internet) (ex. ticados através de sistemas informáticos. Ao nível das Nações Unidas. Enquanto em 1995 apenas hispânicas têm taxas. e terroristas e grupos que propagam o ra- Em muitas partes do mundo. existem atualmen- insegurança alimentar e a fome. o antissemitismo. Em muitos casos. incitação à discriminação racista. educação e habitação). este à Convenção sobre o Cibercrime do Conse- tipo de racismo é visto como um compor. O nível mais baixo de educa. nal sobre a Eliminação de Todas as Formas cias racistas nas classes mais pobres da de Discriminação Racial (CIEDR) devem sociedade. Contudo. (Fonte: Akdeniz. também existir nas “classes mais altas bem como todos os atos de violência ou in- com educação superior”. lizadas por organizações racistas. Ao nível regional. culpando os imigran.: barreiras ao igual acesso ao mercado Combater o extremismo online acarreta de trabalho. violentas firmam a existência de uma relação. a pobreza cismo. as interpretações de estudos e importante meio de informação para todos observações são variadas. De acordo com ódio e que disseminam conteúdos e ideias o Departamento da Agricultura dos Esta.154 II. lho da Europa. TENDÊNCIAS tes pelas condições precárias de emprego e de habitação. o antissemitismo cas. Será que o racismo e a Racismo na Internet xenofobia causam pobreza? E além disso. determinar que toda a disseminação de ção é mais frequente entre a população ideias baseadas na superioridade racista menos favorecida. desta enormes dificuldades tanto tecnológicas forma multiplicando as desigualdades. Yaman. a xenofobia e o é uma questão de etnia. por Pobreza um lado. sítios desconhecidos seja significativamen- Muitas vezes. 2009. constituem crimes puníveis por conduzir a uma maior probabilidade de lei. A internet tornou-se um fórum para mais será que a pobreza conduz a formas ativas de 2 biliões de utilizadores em todo o mun- ou passivas de racismo e xenofobia? Não do. a pobreza rela. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. ódio e a violência racistas.

bém. O inglês de Seema é. Quanto a estes factos. Em tudo o que faz. compara.) Os rapazes tira- ram a barba. e pelo na sua túnica salwar kameez. but on such narrow ilustrativo e deve ser visto como ponto shoulders. diz monização da legislação criminal respeitan. Ela é uma cidadã dos Es- nível nacional incluem a criminalização da tados Unidos. ela própria. em 2005. o pior de tudo. 7 de metade da sua vida neste país. “O Islão particularmente contra muçulmanos bri. disse ela. Seema replicou. Crisis Response afegãos. New York Times. Espera-se que a adoção e tembro e as suas repercussões afetaram-nas implementação destes padrões conduzam de forma intensa. séria e. sinceramente. 2001. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 155 entrou em vigor em 2006 e pretende a har. os seus colegas de turma riram-se Guide). que usavam turbantes. verdade seja dita. mas ainda se nota um nacional nesta área. em Woo. Durante semanas. Mas. ela. diz ela. significa ser americano. “Bengali primeiro”. de Queens. dela. (Seema é muçul- Liberdade de Expressão mana mas não se cobre. meninas muçulmanas que ela conhecia. É pequena. C. Só que. As medidas a tomar a traço de Bengali. vem do Bangladesh com nacionalidade Nascida no Bangladesh. da ameaça ou insulto motivado pressar a sua incerteza sobre o que significa pelo racismo ou xenofobia e a negação. dúvida. restaurante. refere disseminação através de sistemas informá. A tembro de 2001. sem internet e a melhoria da cooperação inter. Queens. aprovação ou justi. dos com os 600 ataques registados. Bearing the o seguinte artigo é um exemplo pessoal weight of the world. tam. para dizer algo sobre o destino dos civis nistia Internacional. não se vê como america- ticos de materiais racistas ou de natureza na. Extratos de uma entrevista de de partida para o debate: “Seema tem 18 um jornalista norte-americano a uma jo- anos. nem sequer eram tembro de 2001 muçulmanos. tinha sido enfei- membros das comunidades das minorias. Liberdades Religiosas . Questões sobre o que minimização grosseira. Uma vez. tiçado pelo Islão. Outros foram espancados por- Islamofobia: Repercussões do 11 de se. houve um aumento perturba. (Fonte: Somini Sengupta. o 11 de se- a humanidade. John Walker Lindh. depois dos ataques bombistas em tiço mágico”. preocupa-se sobre como tal afetará a te ao combate ao racismo e xenofobia na sua família […]. o alegado simpatizante dor de ataques racistas e abusos contra californiano dos Taliban. como a mais velha de três filhos numa família de Direitos das Minorias imigrantes. apreensiva. após a ulteriores desenvolvimentos nesta área. a árabes-americanos. admite estar. os ataques. Outro professor disse algo sobre como Na Europa. Londres.) dside. quando um pro- em território norte-americano. antes de ex- xenófoba. em Seema lembra-se de ter levantado o dedo 2000. fessor aplaudiu o ataque ao Afeganistão. tiraram o véu. julho de 2002. ser americano […]. sempre pairaram ficação do genocídio ou de crimes contra sobre meninas como ela. ela. passou quase norte-americana. temeu perder o seu emprego. houve 540 ataques regis. O seu pai que trabalha num Na semana após os ataques de 11 de se. (Fonte: Am. acaba de sair da escola secundária. A escola era menos 200 a Sikhs (ascendência indiana). sua mãe tinha medo de ir do metro até casa tados contra árabes-americanos. não é uma bruxa nem nenhum tipo de fei- tânicos.

Artos 1º. e a Discriminação Racial lativa ao Estatuto dos Refugiados 1989 Convenção da OIT sobre Povos In- 1960 Declaração das Nações Unidas so. dígenas e Tribais bre a Concessão da Independência 1989 Convenção sobre os Direitos da aos Países e Povos Coloniais Criança (CDC). 1981 Carta Africana (de Banjul) dos Direi- teção dos Direitos Humanos e das tos Humanos e dos Povos. nº 1 tória? • O que podem fazer as vítimas para re.156 II. Genebra para Combater o Racismo ções para a Abolição da Escravatu. Artº 1º • Quem decide sobre o objeto e as limita- ções dos direitos humanos? 1973 Convenção Internacional sobre a • Quem determina o objeto e as restrições Supressão e Punição do Crime de dos direitos das minorias? Apartheid 1978 Declaração da UNESCO sobre a 3. Artº 2º 1960 Convenção da UNESCO contra a 1990 Convenção Internacional sobre Discriminação na Educação a Proteção dos Direitos de To- 1965 Convenção Internacional sobre a dos os Trabalhadores Migrantes e Eliminação de Todas as Formas de dos Membros das Suas Famílias Discriminação Racial (CIEDR) (CIPTM) . Sociais e Cultu- • Que perguntas fez a si mesmo após o 11 rais (PIDESC). 1983 Segunda Conferência Mundial em Artº 14º Genebra para Combater o Racismo 1951 Convenção das Nações Unidas re. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- cuperar os seus direitos? tos Económicos. nº 3 contra as Mulheres 1948 Declaração Universal dos Direitos 1981 Declaração sobre a Eliminação de Humanos. Artº 2º. Discriminação Baseadas na Reli- pressão do Crime de Genocídio gião ou Convicção 1950 Convenção Europeia para a Pro. 2º Todas as Formas de Intolerância e 1948 Convenção para a Prevenção e Re. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1966 Pacto Internacional sobre os Di- Questões para debate reitos Civis e Políticos (PIDCP). CRONOLOGIA Raça e o Preconceito Racial 1978 Primeira Conferência Mundial em 1926 Convenção da Sociedade das Na. e a Discriminação Racial ra e do Tráfico de Escravos 1979 Convenção sobre a Eliminação de 1945 Carta da Organização das Nações Todas as Formas de Discriminação Unidas. Artº 2º. nº 2 de setembro 2001? 1967 Protocolo relativo ao Estatuto dos • Acredita que os acontecimentos do 11 Refugiados de setembro justificam restrições aos 1969 Convenção Americana sobre Direi- direitos civis? tos Humanos. Artº 2º Liberdades Fundamentais (CEDH). • Que direitos foram violados nesta his. Artº 1º.

Assim. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 157 1992 Declaração das Nações Unidas Racial. cia relacionada (Durban): Declara- tencentes a Minorias Nacionais ou ção e Programa de Ação Étnicas. (Genebra) tabelece uma proibição geral de discriminação) “A injustiça em qualquer lugar é uma amea- 2001 Terceira Conferência Mundial con. a Xenofobia e a Intolerân- sobre os Direitos das Pessoas Per. Parte I: Introdução Parte II: Informação Geral Falar sobre discriminação pode elucidar Tipo de Atividade: Reflexão as pessoas sobre as origens e mecanis. Grupo-alvo: Jovens adultos. Religiosas e Linguísticas 2001 Relator Especial das Nações Uni- 1993 Comissão Europeia contra o Racis. das sobre os Direitos dos Povos mo e Intolerância (CERI) Indígenas 1993 Relator Especial das Nações Unidas 2004/2005 Leis Anti-Discriminação sobre Formas Contemporâneas de para o sector Privado em 25 Esta- Racismo. esta atividade per. ça à justiça em toda a parte”. adultos . discriminação. nunca oportunidade de descobrirem o significado terá tanto impacto ou será tão instrutivo da discriminação tanto intelectual como como sentir as emoções de uma vítima de emocionalmente. Artº 21º 2009 Conferência de Revisão de Durban 2000 Protocolo nº 12 da CEDH (que es. Xe. Metas e objetivos: Dar aos participantes a mos da discriminação. C. ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: TODOS mite que os participantes identifiquem a OS SERES HUMANOS discriminação e que a experimentem por NASCEM IGUAIS si mesmos. porém. bre os Direitos dos Povos Indíge- nidade Europeia para combater a nas discriminação racial) 2007 Agência da União Europeia dos Di- 2000 Carta dos Direitos Fundamentais reitos Fundamentais da União Europeia. dos-membros da Comunidade Eu- nofobia e Intolerância relacionada ropeia 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe. Discriminação Racial. 2004 Coligação Internacional de Cida- nal Internacional (TPI) des contra o Racismo 1998 Observatório Europeu do Racismo 2006 Convenção sobre os Direitos das e da Xenofobia (OERX) Pessoas com Deficiência (CDPD) 1999 Tratado de Amesterdão (que es. 2007 Declaração das Nações Unidas so- tabelece a competência da Comu. tra o Racismo e a Discriminação Martin Luther King Jr.

Quem tem filhos? Reunir os participantes num círculo e Religião: pedir-lhes para resumir o que sentiram e + Quem pertence ao grupo maioritário re- pensaram durante a atividade. guas estrangeiras? Dependendo das respostas às perguntas. . para se dar ênfase ao facto de .Quem tem uma doença permanente ou confiança no grupo.Quem teve de contar com a segurança participante dá um passo à frente ou atrás de social.Quem tem um problema relacionado namente uns nos outros. com o álcool ou drogas na família? sável que o formador crie uma atmosfera de . ‘-’ sig.Quem está a cuidar de um parente em Estado? casa? . ou família adotiva? gua da maioria (no seu país)? . como língua materna. é indispen.Quem tem mais de 45 anos? que constitua uma minoria no respetivo .Quem sofreu violência na sua família? Etnia: . Violência: atividade. a lín.Quem viveu algum tempo num orfanato + Quem tem. bolsas ou subsídio de desempre- acordo com as instruções do formador. Parte III: Informação Específica sobre a como o certificado da escola secundá- Atividade ria? Instruções: + Quem recebeu educação superior ou Reúnem-se os participantes ao longo de uma universitária? linha de base. para esta Deficiência.Quem é órfão ou meio-órfão ou foi ado- (‘+’ significa um passo em frente.Quem teve de repetir um ano na escola? que todos nascemos iguais. tado? nifica um passo para trás) . deficiência? Outras sugestões: .Quem é mulher? Reações: . classe operária? dir aos participantes que façam uma pausa Género: para refletirem sobre as várias posições.Quem é membro de um grupo étnico . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Dimensão do grupo: 15-20 Educação/Ocupação: Duração: 45 minutos + Quem pode confiar na segurança finan- Competências envolvidas: Honestidade ceira dada pela sua família? + Quem tem um grau de ensino final.Quem é o filho / filha de uma família de ção. Dá-se espaço su.158 II. divide-se o grupo.Quem tem cadastro criminal? . ligioso no país? Sugestões metodológicas: . Doença. O formador livros? lê em voz alta diversas questões relacionadas + Quem aprendeu pelo menos duas lín- com os potenciais motivos de discriminação. Assim. . antes + Quem é homem? de reunir novamente o grupo.Quem não pertence à maioria religiosa? Devido ao número de questões que afetam . . que os participantes confiem ple. + Quem vive numa família com muitos ficiente à frente e atrás da linha.Quem não tem uma confissão religio- a esfera privada e ao posicionamento óbvio sa? à frente dos outros. Após go? a leitura de todos os motivos de discrimina. é necessário. cada .Quem tem família que teve de deixar o Idade: seu país de origem e fugir? + Quem tem menos de 45 anos? . O formador deve pe.

Parte I: Introdução Boas vindas: Ambos os habitantes da ilha Os padrões de comportamento e rituais passam lentamente pelas cadeiras dispos- de outras culturas são normalmente ava. Desempenho: Grupo-alvo: Jovens. visa revelar esses mecanismos e incentivar Comer: Os habitantes da ilha estão senta- a reflexão sobre opiniões preconcebidas e dos para comer. adultos Perguntar aos participantes com que impres- Dimensão do grupo: Até 25 sões e suposições ficaram a partir dessas Duração: 90 minutos três cenas curtas sobre a cultura e relações Material: Uma tigela de amendoins de género na Ilha de Albatroz. Parte III: Informação Específica sobre a Ficha de apoio: A cultura da Ilha de Al- Atividade batroz Instruções: As pessoas que vivem na Ilha de Albatroz Os participantes estão a visitar a Ilha de são muito pacíficas e amigáveis. são a comida sagrada nesta Ilha. rem ter ambos os pés no chão e sentando- tura exclusivamente a partir dos seus pa. .Quem é homossexual ou bissexual ou o papel de habitantes da ilha (uma mulher e transexual? um homem). Depois de um curto período de + Quem vive numa relação heterossexual? tempo de preparação. em voz alta o texto sobre a cultura de Alba- crição da cultura na Ilha de Albatroz troz. Ela oferece-lhe uma tigela de amendoins e só Parte II: Informação Geral sobre a Ati. os pés do resto do grupo tocam o chão. mantêm-se em contacto com ela ao tenta- têm de retirar conclusões sobre a sua cul. debater outra vez quais os Competências envolvidas: Ter uma mente padrões de comportamento dos habitantes aberta em relação às diferentes culturas da ilha que conduziram a assunções (erró- neas) por parte dos observadores e porquê. tas em círculo e certificam-se que ambos liados em razão da experiência pessoal. a deusa da terra. vidade Absorção de energia: O homem coloca a sua Tipo de atividade: Dramatização mão no pescoço da mulher enquanto ela se Metas e objetivos: Reconhecer os precon. A mulher está sempre atrás do homem. curva para tocar com a testa no chão. elas tendem a língua dos habitantes da ilha. O quentemente a falsas interpretações do habitante homem apenas toca os visitan- desconhecido e facilita o desenvolvimento tes homens. em especial. Devido a isto. ram. o homem numa cadeira e o pensamento estereotipado. enquanto a habitante da ilha de preconceitos. ceitos pessoais. 3 vezes. preconcebidas. Em seguida. a mulher ajoelhada no chão junto a ele. os voluntários reúnem-se ao resto do grupo e executam três curtas cenas. Elas ado- Albatroz. Como os participantes não en. durante o qual aque- les são separados do resto do grupo e podem ATIVIDADE II: familiarizar-se com a cultura da Ilha de Al- ÓCULOS CULTURAIS batroz. ler Preparação: Ficha de trabalho com a des. Depois. C. Este tipo de suposições conduz muito fre. os amendoins drões de comportamento e rituais. ANTIRRACISMO E NÃO DISCRIMINAÇÃO 159 Orientação sexual: Pedir a dois voluntários que desempenhem . homens e mulheres. reconsiderar as opiniões Os voluntários tomam então os seus lugares. A atividade que se segue toca ambos. se na terra. come depois de ele ter acabado de comer.

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1948. DIREITO À SAÚDE IMPLICAÇÕES SOCIAIS PROGRESSO CIENTÍFICO DISPONIBILIDADE E QUALIDADE “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar. . ao alojamen- to. D. principalmente quanto à alimentação. ao vestuário. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]” Artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A clínica Um dia o marido acusou Maryam de “fa- regional era a 10 quilómetros da aldeia e zer companhia” a outro homem. Maryam não lá conseguir chegar. O pai recebeu uma quantia deia. conseguiu sair de casa. mente. dava dinheiro suficiente. Maryam ficou grave- sobre ela. Maryam saúde e quando foi. Ela cultivava uma casamento e não a ganhar o sustento. A enfer. Incapaz de ir ao mercado para comprar e Raramente tinha tempo para ir à clínica de vender e de tratar do seu quintal. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A história de Maryam Maryam tem 36 anos de idade e é mãe de gua materna de Maryam. Num sonho. Cresceu numa aldeia longe língua dominante falada na capital e entre dos centros urbanos e deixou de estudar a classe educada. Maryam lutou acreditava que a educação de uma menina para manter o seu corpo e alma juntos. embora algumas pessoas pensassem ternativa. mente ferida e pensou que tinha fraturado sejo de ter relações sexuais com o marido. dou. Maryam não tinha qualquer de. mas a criança nasceu morta. uma longo das suas várias gravidezes e da edu- vez que as meninas estão destinadas ao cação dos seus filhos. Temeu pela sua vida e das suas meira. o marido tinha ido longe tomou misturas de ervas e usou amuletos demais. Os seus Maryam. Ela não tinha di- O marido considerava que era seu direito nheiro para ir a um centro de saúde para manter relações sexuais com ela e obriga. num dia de mercado. Ninguém na vila a aju- queria engravidar mas não teve outra al. A enfermeira intimidou quando terminou o segundo ano. pais eram pobres e a escola era a quatro A sua vida foi uma longa saga de violên- quilómetros a pé da sua aldeia. pobreza e carência. desta vez. Durante semanas não Ela tinha medo dele e temia uma gravidez. não conseguiu falar de Maryam sentiu que iria existir violência contraceção com a enfermeira. regularmente. ao era uma perda de tempo e de esforço. esmurrando-a até ela cair no chão. ela viu a sua própria . Maryam foi circun. No ano seguinte. a família e muitos da aldeia colocaram a chamando-a de prostituta e jurando que ia culpa pelo nascimento da criança morta vingar a sua desonra. porque os seus filhos e os filhos quase passaram fome. pequena área de terra para alimentar as Quando tinha 12 anos. ela deu à luz um ra. que não trouxeram qualquer resultado. que. Uma mulher é assunto do marido. Recorreu aos pais Aos 16 anos casou com um homem nos e até a missionários que visitavam a al- seus 50 anos. ele agrediu-a repetida- devido a esses espancamentos. Ela visitou um curandeiro local. Quan- acreditava que o bebé tinha nascido morto do ela respondeu. a fazê-lo. embora parecesse perceber a lín. Todos lhe disseram para obedecer ao substancial paga pelo noivo a título de marido e lembraram-lhe que o seu dever dote. O marido batia. suas crianças porque o marido nunca lhe cidada de acordo com o costume local. paz. Ele afir- não assistia aos partos. mou que a viu a rir e a conversar com um lhe muitas vezes durante a gravidez e ela aldeão local. crianças. Contudo. estavam doentes. era obedecer ao marido e família. no futuro. preferiu falar na seis crianças.166 II. receber tratamento e não existia forma de va-a. algumas costelas. O seu pai cia.

Transforming Health Sys. Quando começaram os problemas de relacionam diretamente com as questões Maryam? apresentadas na história da Maryam? Saúde & Direitos Humanos . D. no que respeita Health. Que interligações se 1. DIREITO À SAÚDE 167 morte e percebeu que tinha de partir. enfermeira e filhos mais pequenos e deixou a aldeia. marido. pegou nos dois autoridade (pai. fique. mental e social. (homens. ele foi útil para a Maryam? Justi- zação Mundial da Saúde (OMS).) ao seu estatuto e poder? Justifique. Como é que posicionaria cada grupo de Saúde. Como foi ela tratada pelas figuras de sim que conseguiu andar. e não consiste apenas exemplos das interligações entre saúde na ausência de doença ou enfermidade. As. 2001. mulheres e crianças) na co- tems: Gender and Rights in Reproductive munidade da Maryam. 5. missionário)? Porquê? Agora vive noutra aldeia. Que impacto teve a pobreza na vida de no seu próprio país. de 1946. Que informação necessitaria Maryam Questões para debate para mudar as circunstâncias da sua Repare nos pontos de debate listados infra vida e a das suas crianças? da perspetiva da definição de saúde. pobres? (Fonte: Adaptado da Organização Mundial 4. uma refugiada 3. 7. 2.” e direitos humanos. Observe o esquema abaixo: são dados sico. vivendo no medo de Maryam e na dos seus filhos? Acha que ser encontrada pelo marido e ser levada de Maryam e o marido eram igualmente volta para casa. tal 6. região. Embora exista um centro de saúde na como declarada na constituição da Organi. “[…] um estado de completo bem-estar fí.

no artº 25º que afirma que “Toda a pessoa Saúde e Segurança Humana tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saú. com o intuito de inte- Mundial. ao vestuário. Esta in. O número crescente de conflitos arma- de e o bem-estar. A seguir à Segunda Guerra nos no seio da OMS. tanto físicas. estar físico. Assim. tais como das capacidades da OMS para integrar a a necessidade de amor e pertencer a grupos abordagem baseada nos direitos humanos de amigos. apenas na ausência de doença ou de enfer- se direitos específicos relacionados com a midade. que determinam a saúde são feitas fora do cionados. A organização para o cumprimento dessas necessidades adotou um documento com a sua posição e de permitir a grupos e indivíduos viver sobre atividades de saúde e direitos huma- com dignidade. tais dagem baseada nos direitos humanos ao como a necessidade de ar. Uma definição ampla e visionária da saú- to e complexo conjunto de questões inter. ao alojamento. à operacionalização dos princípios de di- terconectividade torna-se evidente quando reitos humanos no seu trabalho e foca-se se considera que o bem-estar humano (isto em três áreas principais: apoiar governos é. versal de Direitos Humanos (DUDH). família e comunidade. O direito humano à saúde apresenta um vas. direitos humanos seja elevado à condição nos. alimento e desenvolvimento da saúde. a saúde) requer a satisfação de todas as na adoção e implementação de uma abor- necessidades humanas. cionais públicos de saúde.”.168 II. mental e social. de um elemento essencial nos sistemas na- do explícito. grar os direitos humanos no âmbito do seu nou claro que os Estados-membros têm trabalho e de assegurar que o estatuto dos obrigações a respeito dos direitos huma. como sociais e psicológicas. CONTEXTO MAIS ALARGADO à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários […]”. apenas. mesmos ou a sua violação é relevante para um conjunto de direitos humanos e não A OMS atribui uma importância crescente para. todos os direitos fatiza o facto de que muitas das políticas humanos são interdependentes e interrela. Nos instrumentos inter. um direito isolado. Essencialmente. na Declaração Uni. de é estabelecida no preâmbulo da Cons- ligadas porque a saúde e o bem-estar estão tituição da Organização Mundial de Saúde intrinsecamente ligados a todas as etapas (OMS): “[…] um estado de completo bem- e aspetos da vida. água. O DIREITO HUMANO À SAÚDE NUM alimentação. O direito humano à saúde foi torna. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A SABER 1. fortalecimento sexo. principalmente quanto à dos e emergências e o extenso número . a Carta das Nações Unidas tor. a realização dos direitos setor convencional da saúde e afetam as humanos e a negligência relativamente aos determinantes sociais da saúde. Esta visão holística da saúde en- saúde. em 1948. e não consiste nacionais de direitos humanos encontram. no trabalho da OMS e promover o direito Os direitos humanos encontram-se ligados à saúde no direito internacional e nos pro- às obrigações dos Estados de contribuir cessos de desenvolvimento.

Outras sobrevivem mas vivem com incapacidades. de saúde física e mental possível de cia da violência coletiva. como o Direitos Civis e Políticos (PIDCP). paração. c) A profilaxia. Este tratado foi adotado ao mesmo direito humano à vida no centro do di. através dos dois Pactos. alimentação. Sociais e Culturais (PIDESC). D. Esta se- Comité Internacional da Cruz Vermelha. O texto do artº 12º do PIDESC é pedra as morrem em resultado de ferimentos basilar do direito à saúde e estabelece: devidos à violência. Até à data. enquanto os países baseada nos direitos humanos. Existem relações importantes entre saúde b) O melhoramento de todos os as- e direitos humanos. água. DEFINIÇÃO a) A diminuição da mortinatalidade E DESENVOLVIMENTO e da mortalidade infantil. tratamento e contro- tação e práticas tradicionais. milhões de pesso. em guerra e de desastres naturais colocam o 1966. profissionais e outras. As organizações. 1. que acontece atingir. endé- apenas algumas. bem DA QUESTÃO como o são desenvolvimento da Saúde e Direitos Humanos criança. mobilizam profissionais da leste deram prioridade aos direitos hu- saúde para aplicarem uma abordagem manos do PIDESC. o PIDCP insegurança humana. com o ocidentais promoveram os direitos civis e intuito de assegurar o direito à saúde políticos como o centro das preocupações em emergências e outras situações de de direitos humanos. em duas os Médicos para os Direitos Humanos. DIREITO À SAÚDE 169 de refugiados que procuram proteção da micos. A experiên. nesses países. As áreas de interseção petos de higiene do meio ambien- incluem: violência. te e da higiene industrial. é referida como algo que torna presente Pacto tomarem com vista a o uso da violência. tempo que o Pacto Internacional sobre os reito à saúde. micas. to Internacional sobre os Direitos Econó- . Cada ano. As medidas que os Estados Partes no num país. durante guerras civis e internacionais 2. habi. to reconhecem o direito de todas as de-se prevenir. nomeando lo das doenças epidémicas. O compromisso da DUDH para o direito d) A criação de condições próprias a humano à saúde. foi viços médicos e ajuda médica em tornado mais explícito no artº 12º do Pac- caso de doença. A violência po. Os Estados Partes no presente Pac- sicas como psicológicas. discriminação. A violência é um foi ratificado por 167 países e o PIDESC enorme problema de saúde pública e um por 160. reito deverão compreender as medi- das necessárias para assegurar: 2. sério obstáculo à realização do direito à saúde. categorias era sintomática das tensões da os Médicos sem Fronteiras e os Médicos Guerra Fria durante a qual os países do do Mundo. cada assegurar o pleno exercício deste di- vez mais comum. tortura. tanto fí. como uma parte do di- assegurar a todas as pessoas ser- reito a um adequado padrão de vida. escravidão. É resultado de complexos pessoas de gozar do melhor estado fatores sociais e ambientais.

a acessibilidade física. bre a Eliminação de Todas as Formas de nação. reunião e circulação. sensíveis ao género e às con- “É meu objetivo que a saúde seja. civil. A acessibilidade das instalações. Kofi Annan A qualidade requer que os serviços de saúde. origem social. através deles. tra as Mulheres (CEDM). habitação. todas Acessibilidade. estado de saúde. a Convenção Internacional so- formações de todos os tipos. reitos. sim como um direito e melhorar a saúde e o estado da saúde humano pelo qual se tem de lutar. bens e que foi revista em 1996. assim como de programas. saúde. incluindo pla- A disponibilidade inclui o funcionamento neamento familiar. receber e transmitir in. artº 11º da Carta Social Europeia de 1961. um texto interpretativo adotado em maio de 2000. não discrimi. associação. de 1965. final. dade económica e a informação adequada. estatuto político ou outro pode pre- participação. serviços apropriados da saúde pública e dos bens e serviços de para os cuidados da saúde reprodutiva e . idade. incluindo os direitos à vida. defi- depende da realização de outros direitos ciência física ou mental.” daqueles a quem se dirige. trabalho. qualidade. 12º e 14º da CEDM afirmam quatro critérios para. peitar a ética médica e ser culturalmente apropriados. ços de saúde. dições do ciclo da vida. rente e o organismo encarregado de mo- nitorizar a aplicação do Pacto procurou “O ser humano é a cura do ser humano.” esclarecer as obrigações dos Estados com Provérbio tradicional Wolof o seu Comentário Geral nº14. mas. educação. incluindo o ciente. assim como pro- mente. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Existem vários tratados regionais de di. a acessibili- sobre Direitos Humanos em Matéria de Di. proibição da tortura e liberdade de Discriminação Racial (CIEDR). que têm reitos humanos que foram mais longe na de estar disponíveis em quantidade sufi- definição do direito à saúde. de 1981. elas se referindo ao acesso à saúde e a Aceitabilidade e Qualidade cuidados médicos sem discriminação. bens e serviços devam ser cientí- Os governos abordam as suas obrigações fica e medicamente apropriados e de boa sob o artº 12º do PIDESC de forma dife.170 II. avaliar os direitos iguais das mulheres no aces- o direito à saúde: so a cuidados médicos. religião. estado mentação. nacionalidade. de 1979. serviços para a saúde exige a não discrimi- tocolo Adicional à Convenção Americana nação. e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação con- Disponibilidade. liber. o artº 10º do Pro. Os O Comentário Geral também estabelece artos 10º. ali. a DUDH. humanos. vista não como uma bênção pela jetados para respeitar a confidencialidade qual se espera. cularmente importante neste sentido são dade de procurar. identidade sexual. bens e serviços devam res- nos e dos Povos. et- a realização do direito humano à saúde nia. Não Discriminação Este Comentário Geral demonstra como A discriminação em razão do género. Sociais e Culturais de 1988 e o artº A aceitabilidade exige que todos os servi- 16º da Carta Africana dos Direitos Huma. Parti- progresso científico e sua aplicação. usufruto dos benefícios do judicar o gozo do direito à saúde.

põem no centro a visão holística da reconheceram no artº 15º do PIDESC o di- saúde e a necessidade de incluir a total reito “a beneficiar do progresso científico e participação das mulheres na sociedade. Direitos Humanos das Mulheres as pessoas em todo o mundo devem ter a oportunidade de fazer uso do conheci- A Declaração de Pequim e a Plataforma mento científico relevante para a saúde e para a Ação (1995). para proteger a saúde pública e.”. DIREITO À SAÚDE 171 gravidez e serviços de cuidado de saúde dos países em desenvolvimento. dos esforços das organizações não gover. das suas aplicações” e a sua obrigação de do seguinte modo: “a saúde das mulheres conservar. incluindo as rela- do Progresso Científico tivas ao VIH/ SIDA. literá- assim como pela biologia. dos autores de produção científica. so limitado a terapias antirretrovirais tem aumentado a consciência de que para se Não Discriminação alcançar o maior nível de saúde possível. para promover acesso a medicamen- tos para todos. o dicado pelos direitos de propriedade inte- desenvolvimento e a paz são condições ne. político e económico das suas vidas. e físico e é determinado pelo contexto so. malária A pandemia da SIDA revelou a urgência e outras epidemias. crianças. Índia. faz referência Direitos Humanos das Mulheres específica ao direito de cada Estado “[…] Direitos das Crianças a determinar o que constitui uma emergên- Não Discriminação cia nacional ou outras circunstâncias de Direitos das Minorias urgência extrema [permitindo as licenças compulsórias]. cujo conteúdo foi prosseguir livremente a investigação cien- confirmado pela reunião Pequim+10 em tífica. tuberculose. o artº 15º também protege os interesses cial. As políti- no sistema das Nações Unidas e através cas de certos países como a África do Sul. Estes princípios são integrados das companhias farmacêuticas. O direito a beneficiar de uma saúde ótima. Os mem- e marginalizados que sofrem de proble. lectual que protegem os direitos de patente cessárias”. obstáculos relativos à proteção de patentes pessoas com deficiência. social e a pesquisa científica. desenvolver e difundir a ciência envolve o seu bem-estar emocional.” Além disto. protegem tais patentes “ […] devem ser como o ocorrido no caso das mulheres. Para alcançar ria e artística. é assim entendido que a O Direito de Beneficiar crise de saúde pública. As mulheres. a igualdade. Desde há muito tempo. Um cio (OMC) concordaram que as regras que exemplo da elaboração do direito à saúde. D. interpretadas e implementadas de forma ilustra a ênfase crescente na obrigação dos a apoiar os direitos dos membros da OMC governos de contribuir para a plena reali. Ao mesmo tempo. povos indígenas conduziram a uma decisão da Conferência e tribais estão entre os grupos vulneráveis Ministerial de Doha. incluindo a medicamentos que salvam vidas é preju- partilha de responsabilidades familiares. em 2001. bros da Organização Mundial do Comér- mas de saúde devido à discriminação. emergência nacional ou outras circunstân- mento científico disponíveis às pessoas cias de extrema urgência. cular. pode representar uma de tornar os medicamentos e o conheci. . em parti- zação desse direito. O aces- familiar. os governos 2005. Brasil e Tailândia para ultrapassar namentais (ONG).

per- vido ao fracasso de alguns governos ou mite aos países conceder licenças com- à falta de regulação. serviços. comércio bilaterais e regionais. produzido benefí. permitido pelas parcerias (artº 6º) e que os países desenvolvidos entre os governos. mento a obter transferência de tecnologia tivas têm sido numerosas. as companhias multinacionais biente e o Desenvolvimento. Contudo. como o tabaco. em para produzir produtos farmacêuticos todo o mundo. culturas e “Os seres humanos encontram-se no centro conhecimentos. existe a preocupação tâncias prejudiciais. uma vez que a e conhecimento na área dos produtos far- liberalização do comércio. sociedade civil e em. deriam conceder licenças compulsórias tais como: o aumento nas oportunidades para produzir medicamentos em caso de de emprego. e. em alguns casos de. Doha Declaration on pela preocupação relativamente ao di- the TRIPS Agreement and Public Health. tivas do crescente aumento das trocas de bens.) reito à saúde. Contudo. tem sido motivado. Desde os anos 70 que a economia mundial Através da Declaração de Doha (2001) so- se tem modificado drasticamente devido bre o Acordo TRIPS e a saúde pública. de acordo com a Uni. pulsórias para a produção de medicamen- cios desiguais entre e dentro dos países tos patenteados para serem exportados. têm sido capazes de fugir à prestação de contas. por essa via. para países menos desen- à saúde. da OMC aceitaram que os governos po- tados conduziram a alterações positivas. capital.” panhar o ritmo deste movimento. Por exemplo. pessoas. já à globalização. devem assistir os países em desenvolvi- presas. Um exemplo de crescente consciencialização sobre a necessidade Globalização de uma melhor regulação tem ocorrido e o Direito Humano à Saúde em relação às licenças farmacêuticas. pacidade de produção. a criar novos desafios ao direito à saúde e nos. não tem sido capaz de acom. substituída pela emenda todo o mundo tem. o investimento macêuticos (artº 7º). em grande parte. o que tem tido impactos referidos na seção anterior. Ao mes. Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Am- mo tempo. são de que estas realizações possam ser no- livremente comercializadas sem proteção vamente limitadas através das chamadas adequada para a saúde das populações. 1992. as subs.2001. contidas nos acordos de O desafio às leis e práticas comerciais. os membros diretos e indiretos na saúde. que estão com base no Direito dos direitos huma. trouxe impactos negativos em particular. A capacidade dos governos para volvidos que têm pouca ou nenhuma ca- mitigar as possíveis consequências nega. Desta forma. as necessidades de saúde pú- dade de Ação sobre Saúde e Economia da blica têm prioridade sobre os direitos de Organização Mundial de Saúde. do Acordo TRIPS negociada em 2005. que a ajuda deveria científico e o aumento do potencial para ser fornecida aos países sem capacidade a oferta de um nível elevado de saúde.172 II. Alguns resul. para além das fronteiras das preocupações para o desenvolvimento nacionais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS (Fonte: OMC. ao direito à vida. sustentável. patente. as consequências nega. . em países com baixos padrões laborais e A decisão do Conselho Geral da OMC. regras TRIPS-plus. em a comercialização de novos produtos em agosto de 2003. a partilha de conhecimento emergência (artº 5º).

são mais frequentes as doenças cardio- bro de 1990. da Assembleia-Geral da ONU vasculares e o cancro. DIREITO À SAÚDE 173 em desenvolvimento são particularmente Saúde e Ambiente afetadas por doenças transmissíveis e le- O direito a um ambiente saudável. Sendo que mais de um o governo militar da Nigéria esteve direta- terço das doenças é atribuível a causas mente envolvido na produção de petróleo. visa a redução para metade da proporção terdependentes do desenvolvimento sus. A água e ar seguros e limpos e potável e saneamento até 2015 ainda têm o adequado abastecimento de alimentos um longo caminho a percorrer. um quarto de todas as doen. Ações como nacionais aprovadas desde a Conferência a supressão progressiva da gasolina com do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimen. e que estas operações riscos ambientais influenciam em mais de causaram degradação ambiental e proble- 80% das doenças regularmente relatadas à mas de saúde entre a população Ogoni. de 14 de dezem. desde a diarreia a Africana dos Direitos Humanos e dos Po- infeções e cancro. de Desenvolvimento do Milénio nº 7 que económicas e ambientais como pilares in. incluindo a maioria das constituições ca em todas as comunidades. sendo que nos países desenvolvidos declarado na Res. ambientais. A Cimeira da Terra no Rio de em crianças em várias regiões) demons- Janeiro e o Plano adotado como Agenda tram que o sucesso é possível. As estratégias pú- invoca que as pessoas têm o direito “[…] blicas e de prevenção para a redução ou a viver num ambiente adequado para a eliminação dos riscos ambientais para a sua saúde e bem-estar. manos em Matéria de Direitos Económi- tos tóxicos no ar e na água e para integrar cos. Numa No entanto. nutricionais estão todos relacionados com (Fonte: OMS. As regiões resultantes da contaminação do ambiente. Convenção Americana sobre Direitos Hu- lência do VIH/SIDA. chumbo (uma causa de atrasos mentais to (1992). 21 (1992) criaram uma moldura política importantes iniciativas como o Objetivo única que reuniu preocupações sociais. em Joanes. como a Carta Africana compromisso para melhorar globalmente dos Direitos Humanos e dos Povos (no os sistemas de informação da saúde e a seu artº 24º) e o Protocolo Adicional à literacia sobre saúde. Preventing Disease um ambiente saudável e a realização do Through Healthy Environments: Towards direito à saúde. são causadas pela po. nos estabelecem uma ligação entre a saú- ção de Joanesburgo. reviu a implementação Diversos documentos de direitos huma- da Agenda 21.” Este direito foi saúde seriam um modo economicamente reconhecido em 90 constituições nacio. para reduzir elemen. vos. eficiente de contribuir para a saúde públi- nais. burgo. humanos confirma esta ligação. para reduzir a preva. as crianças suportam uma através da companhia petrolífera estatal e parte desproporcionada deste fardo. 45/94. A Cimeira Mundial sobre an estimate of the environmental burden Desenvolvimento Sustentável. Os a Shell Petroleum. Organização Mundial da Saúde. em 1996. comunicação apresentada à Comissão ças ao nível mundial. foi expresso um forte de e o ambiente. de pessoas sem acesso sustentável a água tentável. No Plano de Implementa. 2006. D. No entanto. Sociais e Culturais (no seu artº 11º). of disease). várias ONG alegaram que luição ambiental. preocupações de saúde na erradicação da A jurisprudência de órgãos de direitos pobreza. como sões. em 2002. .

idade. o direito à saúde pode Direitos das Minorias ser negligenciado ou violado devido às relações de poder desiguais baseadas no 3. que INTERCULTURAIS existem dentro dos grupos e são conside- E QUESTÕES CONTROVERSAS radas fundamentalmente ligadas à cultura. às leis de proteção da propriedade cana dos Direitos Humanos e dos Povos. prática pode impossibilitar gravemente o dos. A e serviços sejam culturalmente apropria. a medicina tradicional (MT) “é inaceitável que a comunidade interna- domina a prática dos cuidados de saúde. etnia.” A prática concluiu que a República Federal da Nigé. causa. visão distorcida de multiculturalismo. embora muitas vezes incide sobre esta consciencialização. aplica-se o princípio básico da A Declaração de Viena de 1993 torna claro não discriminação. Reconhecen- de 2007 do Tribunal Interamericano de Di. e reformando-se”. partes de animais e/ou mi. da OMS. PERSPETIVAS género. incluindo o direito à saúde. do o uso alargado e os benefícios da MT reitos Humanos (o caso povo de Saramaka e a importância das terapias economica e c. de fevereiro de 1996. exi. volveu uma Estratégia de Medicinas Tradi- manos. a OMS desen- responsável por violações de direitos hu. este considerou o Suriname culturalmente apropriadas. zações atualizaram a sua declaração que . Em outros casos. da MT está intimamente ligada ao direito à ria tinha violado sete artigos da Carta Afri. Um aspeto cultural do direito humano bem-estar físico e psicológico das meninas à saúde é a ênfase colocada sobre o sistema e das mulheres. falsamente atribuída à religião. o direito à saúde. A OMS define MT como terapias que praticam. tem uma gindo que as instalações de saúde. mais de 80% da população uti. O Comentário Geral África e partes do Mediterrâneo e Médio nº 14 do CDESC sobre o Direito à Saúde Oriente. cultura. em particular). segundo uma perspetiva pesso- entre as populações indígenas da Austrália al e cultural das outras pessoas. as três organi- nerais. Em 2008. a Comissão Africana terapias manuais e espirituais. O liza a MT para ajudar a satisfazer as suas comportamento humano e os valores cultu- necessidades de cuidados médicos. Suriname). do mundo. desenvolvimento. intelectual.174 II. por muito que pareçam sem sentido ou (na China. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Em outubro de 2001. biomédico da saúde e. feminina (MGF) é uma prática que tem mas não de forma a negar a universalidade uma ampla incidência em grande parte de dos direitos humanos. têm senti- e das Américas. etc. Contudo. o direito à terra e o direito ao inclusive. Numa decisão desenvolvimento sustentável. De acordo com uma declaração conjunta tendimento de como realizar o direito hu. religião. cionais (2002-2005) para auxiliar a garantir das pela degradação ambiental resultante o uso racional da MT por todo o mundo em da exploração florestal e de minas de ouro. sobre o en. da UNICEF e do Fundo para a mano à saúde. Na Ásia rais. em muitos lugares População da ONU. adaptando-se base em plantas. por isso. A mutilação genital que as diferenças devem ser reconhecidas. De novo. América Latina e destrutivos. a MT é usada por mais de do e cumprem uma função para os que os 40%). cional continue passiva em nome de uma Em África. A prática. Contudo. bens história que remonta há 2000 anos. e terapias não medicamentosas […]. a cultura não é estática “[…] envolvem o uso de medicamentos com estando em fluxo constante..

DIREITO À SAÚDE 175 apresentou novos factos sobre a prática e ser proativo na garantia do acesso aos cui- salientou os aspetos de direitos humanos dados de saúde. tados quando o bem público tem priori- querem um conjunto de compromissos. No mesmo ano. O artº 4º obrigação de respeitar o direito humano do PIDESC permite limitações apenas se à saúde significa que o Estado não pode as mesmas forem previstas por lei e ape- interferir ou violar o direito. Proteger o direito à saúde em não permitir às mulheres serem cuidadas termos de saúde pública tem sido usado por médicos e não providenciar médicas. pelo Estado como uma razão para colocar Proteger o direito à saúde significa que restrições sobre outros direitos humanos. e arbitrariamente re. A dade sobre o direito individual. a SIDA. Isto não pode ser garantido se os cuidados de Direitos Humanos das Mulheres saúde forem relegados apenas para o setor privado. a Assembleia suficiente de clínicas de saúde deveria ser Mundial da Saúde da OMS aprovou uma estabelecido para servir a população e es- resolução sobre a eliminação da MGF que tas clínicas deveriam fornecer serviços de se focou na importância da ação concer. escravidão. Isto também significa que o veis. o Direito Humano à Saúde Estes incluem a proibição da tortura e da As obrigações governamentais para garan. tal como as minorias étni. justiça e assuntos das mulheres. cessária e adequada. Ini- evitar que uma empresa despejasse resí. Por exemplo. educação. e a liberdade de pensamento. D. como o ébola. 4. tos e tenham como fim exclusivo a pro- cas ou prisioneiros. nomeadamente. como no caso de democrática. IMPLEMENTAÇÃO E MONITORIZAÇÃO Limitações ao Direito Humano à Saúde Respeitar. Um exemplo seria têm sido limitadas outras liberdades. De forma reguladoras e de monitorização da gestão a prevenir os abusos de direitos humanos de resíduos tóxicos. um número e jurídicos. Proteger Alguns direitos humanos são tão essen- e Implementar ciais que não podem jamais ser limitados. estabelecer duos tóxicos numa rede de abastecimen. Em certos momentos. A implementação do cometidos em nome da saúde pública. bir a liberdade de movimento. O Estado deve publicitar a locali- finanças. acordo com os meios das populações que tada entre os setores da saúde. Um exemplo nas na medida em que as mesmas sejam seria recusar prestar cuidados de saúde a compatíveis com a natureza desses direi- certos grupos. leis estas medidas foram excessivas. moção do bem-estar geral numa sociedade cusar cuidados de saúde. tir que os membros da sociedade usufru. o Estado que têm sido usadas para prevenir a pro- deve fornecer à população algum tipo de pagação de doenças graves e transmissí- compensação. serviços e requisitos da clínica. as direito à saúde significa que o Estado deve ações restritivas devem ser desenvolvidas . servem. de e a tuberculose. quarentenas e isolar pessoas são medidas to de água. a febre tifoi- Estado é obrigado a adotar a legislação ne. Se a violação ocorre. É normalmente num esforço para prevenir tatais interfiram de algum modo no gozo a propagação de doenças infecciosas que do direito humano. o Estado deve prevenir que atores não es. Outros direitos humanos podem ser limi- am do maior padrão de saúde possível re. zação.

necessárias. . Embora estritamente sob o qual essas restrições não exista forma de impor o seu cumpri- podem ser impostas. políticas. este relatório torna-se parte do Qualquer restrição: registo público e. tre outras consequências. de 1984. tanto ao nível nacional como informação e conduz um diálogo com os internacional. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS pelo governo apenas em último recurso.deve aplicar-se se não existir outro meio 2008. estabele- Garantir que os governos cumpram com cido. adotado em . . boas prá- processo de revisão formal. rais decida sobre casos individuais. proteger e Direitos Humanos da ONU e mantido pelo implementar o direito à saúde requer me. pode não desejar ser acusado de abusos do com a lei. Toda to Internacional sobre os Direitos Civis e a informação submetida é tida em conta Políticos. Internacional sobre os Direitos Econó- jetivo. nessa data. da sociedade civil e podem não estar de sições de Limitação e Derrogação no Pac. o direito à saúde e permitirá que o Comité . o país . natória ou não razoável. informa missões governamentais. a este respeito. Sociais e Culturais.176 II.deve ser estritamente necessária numa Quando o Protocolo Facultativo ao Pacto sociedade democrática para alcançar o ob.deve aplicar-se no interesse de um objeti. mento. Sociais e Culturais. assim que o ticas e obstáculos e faz as recomendações país tenha ratificado o tratado que garan. o Comité dos Di- reitos Económicos. relatório a um órgão de monitorização do tratado. em 2002. as co. en- . Partes. pela (então) Comissão de as suas obrigações de respeitar. ou seja.não deve ser planeada ou imposta de for. governos e as partes interessadas. por exemplo. queixas individuais também contemplará para alcançar o mesmo fim. 10 Estados zes referidos como “relatórios sombra”. Para este fim. incluindo leis. Sociais e Culturais entrou em vigor no dia 5 de Maio de 2013 tendo. dão orientações a este quando o órgão do tratado prepara Co- respeito e fornecem um quadro definido mentários e Observações Finais. 4 Nota da versão em língua portuguesa: O Protocolo No momento da revisão. Sociais e Cultu- ma arbitrária. O Relator Especial sobre o direito de to- dos à satisfação do mais alto padrão atin- Mecanismos de Monitorização gível de saúde mental e física. de direitos humanos que possam ter. de forma discrimi. micos. entrar em vigor4. Económicos. um mecanismo de disponível. Ao nível nacional. reto sobre as relações com outros países. Estes relatórios sombra oferecem a visão Os Princípios de Siracusa sobre as Dispo. acordo com o relatório do governo. Cada parte no tratado sitas aos diversos países e reage a alegadas de direitos humanos deve apresentar um violações do direito à saúde. menos intrusivo e restritivo.deve estar prevista e ser imposta de acor. um impacto di- vo legítimo de interesse geral. Conselho de Direitos Humanos compila canismos. as ONG também Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos submetem relatórios que são muitas ve. dos Direitos Económicos. os provedores regularmente sobre o estado do direito à de justiça e as ONG podem participar num saúde. o Relator faz vi- te o direito à saúde.

que é parte de uma série de aldeias ciedade entende os direitos humanos das em Bambara que ainda pratica infibulação. no cas de saúde pública. debater. na Tailândia.” uma das mais completas e brutais formas Efua Dorkenoo. na Escandinávia bia urbana e nos países ricos mostram que e nos Estados Unidos da América envol- uma abordagem abrangente de prevenção vem 12 a 16 cidadãos comuns. acesso a meios de prevenção período de tempo. Os factos sustentam que: mente representativos da população. uma aldeia de 3. Programas múltiplos que procu- lução de problemas que envolveu a apren- ram múltiplas populações necessitam dizagem. O programa ofereceu aos • A liderança política é essencial para participantes a hipótese de abordar proble- uma resposta eficaz. será preciso uma mudança fun- em Malicounda. vas- (preservativos e agulhas esterilizadas) e tos estudos-piloto sugerem que as CC são motivação para a mudança. sobre o tipo de saúde pública que querem ção alvo. competências de gestão financeira “Para se conseguir a abolição da prática e material. vida quotidiana. A TOSTAN iniciou um programa da MGF. no Senegal. Cutting the Rose. adequada ao local e questionar peritos. É claro que cidadãos comuns programas de prevenção numa escala estão dispostos a tornarem-se diretamente nacional necessitam de se centrar em envolvidos no processo de tomada de de- múltiplas componentes desenvolvidas cisão. No Reino Unido.000 habi- damental de atitudes na forma como a so- tantes. Os modelos no Rei- Uganda. As autorida- des de tomada de decisão. DIREITO À SAÚDE 177 CONVÉM SABER Comissões de Cidadãos e Políticas de 1. tendo uma forte e consistente visão em estreita colaboração com a popula. mação específica. questões am- bientais. incluindo os in- direitos humanos e a sua aplicação na sua fetados com VIH/SIDA. na Zâm- no Unido. Nos anos 80. sobre de parceiros múltiplos. ampla- é eficaz. na Alemanha. D. higiene. melhores a tratar de questões complexas • Nenhuma abordagem única de preven- e a chegar a conclusões sólidas do que as ção pode conduzir à mudança alargada sondagens. Depois de grande . deliberar e formação sobre negociação e capacida- publicar as suas conclusões. para • A mudança comportamental exige infor- investigar a informação que lhes é dada. de circuncisão feminina. apoio social des devem responder dentro de um certo e jurídico. para si e para as suas famílias. uma organização popular do • As parcerias são essenciais para o su- Senegal desenvolveu um currículo de reso- cesso. grupos representativos e reuni- de comportamento na população. Os ões públicas. BOAS PRÁTICAS Saúde Pública As Comissões de Cidadãos (CC) são um Prevenção do VIH/SIDA novo modelo para adotar decisões políti- Histórias de sucesso no Cambodja. mas tais como a saúde. por parte de toda a aldeia. • Os programas de prevenção para a po- pulação em geral devem centrar-se es- O Juramento de Malicounda pecialmente nos jovens. mulheres.

O livro funciona como uma lem- saúde e outros direitos humanos. ele conversava com os res de droga e os prisioneiros estão entre os espíritos das plantas. Depois. O livro também promove a pre- que os animais tinham decidido contra a venção do VIH/SIDA porque as crianças tes- humanidade. Atenção aos membros mais vulneráveis quando os índios Cherokee visitavam o seu da sociedade Xamã acerca das suas maleitas. planearam. No contexto do VIH/SIDA e em outras con- manidade. erva. No Uganda. Tal. o uso de deias de que esta prática tinha de ser parada. por si mesmas. muito tempo. Os pais deia fez um juramento. incluindo uma atuação de canais de comunicação. na sigla inglesa). Eles sugeriam. dois anciãos da aldeia que contém fotografias. arbusto. piadas e outras re- decidiram espalhar a palavra às outras al. a Associação Nacional mento ganhou atenção internacional. prometendo acabar em estado terminal e os seus filhos traba- com a prática da circuncisão feminina. sobre o VIH/SIDA e. Depois. o Reino Unido e os Países Baixos .” implementado entre esta população devido Cherokee. livros de memórias foi. o direito à saúde é raramente tribo Cherokee há muito. The Origin of Medicine. teatro de rua que se focou sobre os proble. Nos tornaram-se um modo importante para abrir anos 80. treze aldeias fizeram usado pela Organização de Apoio contra a o Juramento. à sua condição de criminosos ou da crimi- nalização da toxicodependência que resulta Livros de Memórias na falta de acesso à informação. cordações familiares. para aju- mas de infeção. e se o curan. traria uma cura para cada uma das doen- ças referidas pelos animais e insetos. A 13 de Mulheres que vivem com SIDA promo- de janeiro de 1999. pla com ajuda da PLAN Uganda. os consumido- deiro tivesse dúvidas. A formação realizada pela nas vidas dos seus filhos e debaterem o seu TOSTAN enfatizou a ligação entre o direito à impacto. a Assembleia Nacional veu esta abordagem numa escala mais am- do Senegal aprovou uma lei a proibir a mu. anos 90. dentro das famílias. Concordaram que cada pais estão a atravessar e não querem sofrer árvore. toda a al. o mesmo destino. O poder reside no controlo social com os seus filhos sobre a sua saúde frágil.178 II. em junho do mesmo ano. O movi. pela primeira vez. no início dos prática. sempre. foi o início da medicina na dições graves. relva e musgo encon. remédios adequados para as doenças da hu. Isto lham em conjunto para compilar um livro tornou-se conhecido como o Juramento de de memórias que é normalmente um álbum Malicounda. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS debate público. Por todo o lado no mundo. por ção descobriu que as mães infetadas com o si só. para eles não perderem o seu sentimento de “Quando as plantas amistosas ouviram o pertença. Mais 15 aldeias puseram fim à SIDA (TASO. brança para os seus filhos das suas origens. não teria sido suficiente para abolir a VIH têm grande dificuldade em comunicar prática. filhos qual é o estado da sua infeção. executado pelas aldeias e na demonstração os livros de memórias foram boas formas de da vontade pública ao prestar o Juramento as mães introduzirem a ideia do VIH/SIDA de Malicounda. em particular. Em fevereiro de 1998. A Associa- tilação genital feminina. A ação jurídica. membros mais vulneráveis da sociedade. educação Em muitos países. os partos perigosos e a dor dar as mães seropositivas a dizer aos seus sexual causada pela infibulação. Desde 1998. temunham e compreendem a agonia que os uma contrajogada. os livros de memórias e serviços básicos de saúde e sociais.

em vez como Redução de Danos. D. por agulhas esterilizadas. 8. A epidemia da SARS começou em novem- gem. as qualidades fundamentais da igualdade. educação e reabi. bem-estar e deficiência”. a obrigação dos Es- al fez uma importante declaração. Durante esse período. Vietname. a epidemia incluiram: a importância da li- cias Intelectuais da OPAS/OMS de Montre. durante os quais 65 pessoas foram ciência. que promete uma o direito individual à saúde e justificações mudança paradigmática na forma como de quarentena. Taiwan e Canadá – revelaram as várias implicações relativas a direitos humanos A Declaração de Montreal sobre a Defi. como nos Países biomédico. a Declaração reconhece “[…] Baixos. pelo menos requer uma mudança de a importância da abordagem dos direitos atitude em relação à droga pelos não consu. afetados – China. tros tratados internacionais. nos. dução de danos possa envolver a descrimi. garantir que as pessoas com deficiências des. 6 de outubro de 2004. O espectro de práticas varia desde um intelectuais exerçam os seus plenos direi- consumo seguro até à gestão do consumo tos como cidadãos. Embora o paradigma de re. e sublinharam a necessidade de vigilân- ciência Intelectual cia de forma a proteger todos os direitos Depois de muitos anos de debate sobre as humanos enquanto se garante o direito à necessidades das pessoas com deficiências saúde. tanto indivíduos como comunida. a Declaração é o único documento que consumidores de droga se estiverem presos serve de guia e estabelece os parâmetros ou em liberdade na sociedade. assim.400 pessoas foram declaradas infetadas litação são também signatários de tratados e mais de 900 morreram. troca em julho de 2003. As estratégias de controlo de droga e não consideraram de resposta dos países mais seriamente que a redução de danos conflitua com ou. O facto de que estas pessoas são. não discriminação e autodeterminação. Os países que introduziram medidas. A Declaração todo o mundo. será a implementam políticas de redução de da. a incidência de VIH/SIDA e outras in- feções transmissíveis pelo sangue é menor Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS. nalização de algumas drogas previamente Ao afastar-se de um modelo puramente designadas como ilícitas. A atenção recai sobre e abstinência. Hong Kong. Evidências para lidar com os direitos de pessoas com fortes mostram que nas comunidades que deficiências intelectuais e. humanos à saúde. do que nas na sigla inglesa) comunidades que não usam esta aborda. bro de 2002 e foi considerada controlada como instalações para injeção segura. DIREITO À SAÚDE 179 conceptualizaram o modelo conhecido acima de tudo. na medida em que as normas de Apesar de não ser juridicamente vinculati- direitos humanos guiam o tratamento dos va. berdade de imprensa. midores. no dia tados para com a segurança internacional. surto. As questões que surgiram durante intelectuais. infetadas e 5 morreram. a Conferência sobre Deficiên. seres humanos. Desde então. entre consumidores de droga. A natureza holís- . A OMS elogiou o Vietna- os Estados e organizações internacionais me pelo seu sucesso durante os 45 dias do definem os direitos das pessoas com defi. Esta estratégia destina-se a impele a comunidade internacional a ter reduzir os danos para os consumidores de plena consciência da tarefa distinta de drogas. referência mais importante neste campo. tem de indivíduos com deficiências. deve ser sido replicado e adaptado ao uso local por central a todas as políticas.

Áreas em que políticas e programas • Tratamento rigoroso. ção sobre a importância de interligar a • Trabalho efetivo com a OMS e outros saúde e os direitos humanos: parceiros.nutrição dica as tendências atuais: . como na literatura especializada: cultura de prestação de contas e para efeti- . • Conhecimento público precoce do .direitos reprodutivos e sexuais var os direitos humanos. bioética e direitos humanos ção e de comunicação eletrónica.” . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tica do direito à saúde é evidente nas áreas .redução da pobreza perspetiva de direitos humanos pode for- Áreas em que pouca investigação e necer um quadro sobre a responsabilização ainda menos aplicação se têm rea- dos países e da comunidade internacional lizado com base na integração da pelo que tem sido feito e pelo que neces- saúde e dos direitos humanos.acordos de comércio específicos e o seu 2. A la- sita de ser feito pela saúde da população. etc. .VIH/SIDA Human Development Report. .doenças contagiosas abrangente e de bom funcionamento. TENDÊNCIAS impacto no direito à saúde Estratégias para Integrar Direitos Hu. .tortura (prevenção e tratamento) que foram identificadas como diretamente responsáveis pelo sucesso do Vietname a . cuna é particularmente sentida no A extensão da integração dos direitos hu- âmbito de: manos na criação de políticas.implicações da modificação genética na ao público através dos meios de informa.saúde materna e da criança • Cooperação excelente entre todas as agências e instituições locais e nacionais. começaram a refletir a consciencializa- mento dos indivíduos afetados. 2000. . A lista seguinte in. trumento poderoso para a criação de uma ros.violência contra as mulheres lidar com a situação: • Uma rede de saúde pública nacional . água. na análise das condições de saúde sociais e físicas e .direitos dos povos indígenas surto.meio ambiente (ar.) Áreas em que existem experiências fa- zendo a interligação entre a saúde e os direitos humanos. .reabilitação pós-desastre manos e Desenvolvimento da Saúde A consideração da saúde a partir de uma . • Transparência na informação diária dada .direitos das pessoas com deficiência .doenças crónicas direito humano à saúde. pescas. tanto no âmbito das “A informação e as estatísticas são um ins- práticas dos governos e dos seus parcei. vigilância e isola.180 II.saúde ocupacional no provimento de cuidados de saúde indica um movimento positivo na realização do .

9 Reino Unido 5.410 América . DIREITO À SAÚDE 181 3.6 7.5 China .5 7.7 Suécia 6.org/indicator) Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.8 93.8 2.6 3.9 - Estados Unidos da 5.6 50.5 3. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.0 Cuba 11. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Alemanha 11.5 5.9 2.6 6.4 (2006) 8. 4. Banco Mundial.1 177 Cuba 11.9 9.629 Austrália 8.1 707 Estados Unidos da 16.7 1.0 - Áustria 5.4 1.4 Austrália 4. 2010.8 América Geórgia 2.4 Mali 3.4 7.037 Burkina Faso 6.1 1.7 0.3 75. D. 1.7 7. ESTATÍSTICAS Despesa Pública em Educação.7 38 China 4.1 4.9 Índia 3.4 1. Saúde e Despesas Militares (em % do PIB) Despesas País Educação (2007) Saúde (2007) Militares (2010) Alemanha 4.0 1.4 61.2 (2006) 1. disponível em http://data.0 74.4 3.9 2.5 65.867 Áustria 11.1 2.2 Zimbabué .9 Burkina Faso 4.2 48. World Development Indicators.7 6.3 (Fonte: PNUD.worldbank.7 4.9 1.

) .252 Zimbabué .3 83.2 Austrália 81.6 4.6 47.8 Suécia 81. disponível em: http://data.4 Burkina Faso 53.) Esperança média de vida calculada desde o nascimento (2010) País Esperança de vida (população total) Alemanha 80.9 38 Reino Unido 9.9 Áustria 80. 2010.6 3.3 Zimbabué 47. (% da despesa no Poder % do PIB) total em saúde) de Compra US$) Geórgia 10.2 Reino Unido 79.2 32. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010.0 Estados Unidos da 79.182 II.285 Suécia 9.8 45 Mali 5.0 Índia 64. - (Fonte: Banco Mundial.9 78.7 China 73. worldbank.1 28. .7 256 Índia 4.6 América Geórgia 72.0 (Fonte: PNUD.5 Cuba 79.4 Mali 49. World Development Indicators. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Despesa na Saúde (2009) Total (pública Pública Per Capita (Paridade País e privada.org/indicator.

1991 Princípios das Nações Unidas para resse da Paz e para o Benefício da os Idosos Humanidade 1992 Conferência das Nações Unidas so- 1975 Declaração dos Direitos das Pesso. 2010. D. CRONOLOGIA 1988 Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Huma- 1946 Constituição da OMS nos em Matéria de Direitos Econó- 1961 Carta Social Europeia (revista em 1996) micos. bre o Meio Ambiente e o Desenvol- as com Deficiência vimento (CNUMAD) 1978 Declaração de Alma Ata sobre Cui. Sociais e Culturais entes Mentais e a Melhoria dos Cuidados de Saúde Mental 1975 Declaração sobre o Uso do Progres- so Científico e Tecnológico no Inte.000 nados vivos. DIREITO À SAÚDE 183 Mortalidade Materna (por 100. 1991 Princípios para a Proteção dos Do- tos Económicos. Relatório do Desenvolvimento Humano 2010. 2010) País Ratio da Mortalidade Materna Alemanha 4 Austrália 4 Áustria 4 Burkina Faso 700 China 45 Cuba 45 Estados Unidos da 20 América Geórgia 66 Índia 450 Mali 970 Reino Unido 11 Suécia 3 Zimbabué 880 (Fonte: PNUD. Sociais e Culturais 1966 Pacto Internacional sobre os Direi. 1994 Conferência Internacional sobre Po- nos e dos Povos pulação e Desenvolvimento (CIPD) . 1993 Declaração sobre a Eliminação da dados de Saúde Primários Violência contra as Mulheres 1981 Carta Africana dos Direitos Huma.) 4.

criar nos par. mental e social. Parte III: Informação Específica sobre a Atividade Parte II: Informação Geral sobre a Ati. O formador faz a pergunta: que elementos . Sociais e Culturais ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: ticipantes a consciencialização do direito VISUALIZAÇÃO humano da saúde.. BEM-ESTAR FÍSICO. Esta atividade permite aos parti.184 II. O Preâmbulo da constituição da ideias e reflexão de grupo. marca- sociedade. 2002 Relator Especial para o direito de to- noma Humano e os Direitos Huma. criar ligações entre saú- DE UM ESTADO DE COMPLETO de e outras necessidades fundamentais. que constituem uma condição ótima de Competências envolvidas: Comunicação saúde e partilhar ideias com outros mem. MENTAL E SOCIAL criar conexões entre necessidades funda- mentais e direitos humanos. bre os Direitos das Pessoas com Sociais e Culturais sobre o direito Deficiência à saúde 2008 Protocolo Facultativo ao Pacto In- 2001 Declaração de Doha sobre o Acordo ternacional sobre os Direitos Eco- TRIPS e a Saúde Pública nómicos. dores e fita adesiva para colar as folhas à víduo. OMS define saúde como “[. uma cópia da Declaração Univer- cipantes reconhecer os vários elementos sal dos Direitos Humanos (DUDH).”. o conceito de saúde Dimensão do grupo: 10-30 não está suficientemente desenvolvido de Duração: 120 minutos forma a incluir as amplas necessidades da Materiais: folhas de papel grandes. Parte I: Introdução Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Para muitas pessoas. bem como o estado do indi. análise participativa bros do grupo de modo a criar um concei- to abrangente. verbal. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 1995 Quarta Conferência Mundial sobre 2002 Cimeira Mundial sobre o Desenvol- as Mulheres vimento Sustentável 1997 Declaração Universal sobre o Ge.] um estado de Metas e objetivos: Tornar-se consciente do completo bem-estar físico. âmbito alargado de saúde como mais do e não meramente a ausência de doença.. que a “ausência de doença”. dos à satisfação do mais alto padrão nos (UNESCO) atingível de saúde mental e física 1998 Princípios Orientadores relativos 2003 Declaração Internacional sobre os Da- aos Deslocados Internos dos Genéticos Humanos (UNESCO) 2000 Comentário Geral nº 14 do Comité 2006 Convenção das Nações Unidas so- das NU dos Direitos Económicos. Instruções: vidade O formador lê a definição de “saúde” da Tipo de atividade: Sessão de chuva de OMS. parede.

Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como na parte reflexiva da sessão. (Isto demo. O formador necessita manter a ordem De modo a avaliar a sessão. usando uma e a fazerem a sua própria investigação. manter-se-ão na parede para referência fu- tribuições dos participantes alimentam as tura. eles irão usar as listas que cria- claramente. ram e irão encontrar o direito humano cor- cluída. apoia o direito à saúde. têm de possibilitar rir como o exercício pode ser melhorado. Por exem- Se o grupo demorar a começar. Esta lhas de papel que estão coladas à parede prática estimula um sentimento de igual. O formador deve encorajar os partici- pantes devem ouvir cuidadosamente. contudo. to- . da. Todos os participantes falam sobre as eles aprenderam na sessão e também suge- suas ideias. do grupo em plenário. o direito à vida. O grupo pode colocar dade entre todos. pidas. O formador explica que todas as neces- munidades? O formador certifica-se de que sidades da saúde que foram anotadas nas todos entendem a declaração e a pergunta. folhas são direitos humanos. (Permitir 30 vez que todos elencaram um elemento. Neste momento. alguém irá ler todas as ideias porta-voz para apresentar as conclusões tal como foram registadas. Cada grupo irá escolher um suas ideias. As folhas de pa. Nes- te grandes para que todos possam vê-las ses grupos. enquanto o porta-voz de cada grupo a serem capazes de pensar criticamente apresenta uma nova lista. Passo 3: tros sobre os tópicos elencados. DIREITO À SAÚDE 185 e condições são necessários para realizar ou de outra fonte tematicamente organiza- este amplo estado de saúde nas vossas co. O formador distribui cópias da Declaração • Tanto na parte de chuva de ideias.) grupo. para todos verem. (Permitir 30 minutos) ideias e o processo de pensamento do gru. o formador plo. Alguém anota Todos os participantes. pantes a usarem as suas próprias ideias. pode pedir ao grupo para dar respostas rá. artº 3º da DUDH. Os minutos) participantes podem perguntar uns aos ou. dividam em grupos de 4 a 6 pessoas. se sentam em cadeiras dispostas e garante o direito à saúde sobre novas fo- num círculo ou num círculo no chão. suficientemen. Passo 4: po. 2. os partici. O formador não deve fazer de “perito” Passo 1: que tem todas as respostas. Durante o período pel são colocadas na parede para todos as de trabalho no pequeno grupo. Nenhuma ideia deve ser ex. Quando o grupo tiver esgotado as respondente. uma assistência quando é pedida. O facilitador reúne novamente o grande ra aproximadamente uma hora. seguindo a ordem em que eles estão Passo 2: sentados. observa e oferece cada um para explicar as suas ideias. ao relator escrever as ideias à medida Sugestões metodológicas: que elas são ditas. o formador pede a dor visita cada grupo. a nova lista de direitos humanos que apoia mador. Estas listas pensamento rápido uma vez que as con. num sentido amplo. incluindo o for. • Este é um exercício de empoderamento. Todas as ideias são registadas em O formador pede aos participantes que se grandes folhas de papel. A atividade envolve um questões ao longo da sessão. Os porta-vozes dos grupos apre- Regras da chuva de ideias: sentam as suas conclusões. linguagem de direitos humanos. D. o forma- verem. o formador fazendo o seguinte: pede aos participantes para dizerem o que 1. Durante a fase da revisão.

o representante das ONG conseguiu. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos com sucesso. rar opiniões opostas. Por esta ra. Enquanto os grupos preparam a sua argu- siva mentação. partilha da posição das empresas farma- plexidade dos direitos humanos.186 II. milhões de pessoas morrem porque Cada grupo designa um porta-voz que. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dos os participantes devem falar. tes e profere uma sentença. importados de aos participantes que a DUDH é um có. cêuticas. Metas e objetivos: Compreender a com. marcadores. Se Parte III: Informação Específica sobre a uma ou várias pessoas dominarem o Atividade debate do grupo. empatia mam os seus lugares.o representante da indústria farmacêu- medicamentos genéricos mais baratos. Materiais: quadro. o formador deve su. ATIVIDADE II: ACESSO cada um representando uma das partes no A MEDICAMENTOS processo. apresentará os argumentos. os grupos to- ção. mas. . verdadeira. Os seguintes papéis têm de ser desempe- res e que são fornecidos pelas grandes nhados no “tribunal simulado”: empresas farmacêuticas. Depois. . Instruções: gerir que ninguém deve falar mais do O formador dá informação sobre a seguin- que uma vez até todos os outros terem te situação: o governo de um Estado afri- sido ouvidos. apenas devido Tipo de atividade: Simulação às pressões de ONG. O formador informa cada grupo da sua po- Parte I: Introdução sição no processo e dá-lhes cerca de 20 mi- O acesso sem restrições à medicação nutos para se preparem para o julgamento. o formador deve preparar a sala Competências envolvidas: de comunica. Em África. para o julgamento. tica está interessado em aumentar as As indústrias farmacêuticas consideram vendas e não abdica do direito à patente isto uma violação dos seus direitos de em favor dos doentes. Algumas empresas farma- digo de ideias relativas à dignidade hu. não têm dinheiro para os medicamentos mais tarde. o juiz abre a audiên- . não é assegurado a todos os que sofrem encontrando argumentos e enquadrando ou estão doentes. fita ade. processaram o governo e algumas ONG. posições. . por exem.um representante do governo: o govero distribui e vende medicamentos genéri- Parte II: Informação Geral cos baratos. dizendo mentos genéricos baratos. e devido a pressões de ONG. al. cêuticas. propriedade. começou a distribuir e a vender medica- mum” dos direitos humanos. cano cedeu à pressão da sociedade civil e • Enfatizar a caraterística de “senso co.o juiz pondera os argumentos das 3 par- zão. considerando que tal constitui mana que todas as pessoas têm como uma violação dos seus direitos de patente. plo. na realidade. que prolongam a vida ou aliviam as do. Os participantes dividem-se em 4 grupos. fazer com que o governo Dimensão do grupo: 15 a 40 no máximo distribuisse medicamentos genéricos gra- Duração: 120 a 180 minutos tuitos ou a um preço muito baixo. conside. guns governos começaram a importar . importados. outros países.

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1995. portanto. ser encarados isoladamente.” Declaração de Pequim e Plataforma de Ação. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES OS DIREITOS HUMANOS ATRAVÉS DE UM OLHAR SENSÍVEL AO GÉNERO EMPODERAMENTO DAS MULHERES “O avanço das mulheres e a conquista da igualdade entre mulheres e homens são uma questão de direitos humanos e uma condição para a justiça social. não devem. . como um problema feminino. E.

A polícia trouxe o seu ma. pois o seu cartão do Estado do fugir. dizen.” ele. falámos com com o teu marido. Disseram-lhe então: “Vai para casa para o teu marido e fica lá”. a violência tem au. quanto à frequência e gravidade. nem mesmo o abrigo depois do seu marido ter “partido o seu oferecia segurança do seu marido que apa- crânio e braço”. independentemente. em 2009. tive sexo [com um outro homem]. não os dias.” A segunda Quando ela falou com ele. numa terceira vez ela es. Ele não Selvi controla todos os aspetos da sua vida e pagou quaisquer prestações de alimentos. Eles acredi. taram nele. processo para assegurar uma ordem de mas penso que [a criança] tem uma doença proteção para a Selvi. Uma mulher. a chorar. pela quarta vez. batendo-lhe todos com ela. paga as contas e agride Selvi e as crianças capou e foi à esquadra.” Numa dada altura Selvi mudou-se para Em 2008. joga. amigos a que os abusos incluem pontapés no seu casa tendo-lhes “oferecido” a Selvi. um me do telhado”. curador iniciou. receu um dia depois da polícia ter revela- rido à esquadra. Selvi foi. “O bebé sobreviveu. já do o seu marido trouxe. secretamente. . Ela relatou: “Ele nunca se mudou de casa e continuou a viola-me a toda a hora e verifica os meus flui. A polícia en. estão novamente juntos. “Naquela primeira vez ele bateu-me. ele está aqui. pois ele tinha-a atingido levou-a para casa. ela saltou do telhado e fugiu para a seguro de saúde está entre os documen- esquadra da polícia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Um caso da vida real: A história de Selvi T. resultando numa ci- na ao hospital já que ela estava a sangrar catriz que ela mostrou na entrevista. ao marido da Selvi que se afastasse dela e mentado. O tribunal ordenou mental. deram ao casal alguma do a localização do abrigo. O marido da Mas a ordem nunca foi executada. No entanto. Para abdómen. formal. Ela tem muito medo de marido e ele pediu desculpa. à esquadra quan. disseram-lhe Em junho de 2010. Estado e tem terror de fugir. Quando. man Rights Watch falou com a Selvi. O seu marido iniciou os ataques en. Selvi foi finalmente à polícia um abrigo. Em 2010. é extremamente ciumento. garfo no seu braço. O seu esposo vive trancou-a num quarto. cuidados pré-natais que são urgentes. o marido da Selvi abusos continuavam. A polícia nunca a foi ver depois dos ‘lá em baixo’ para confirmar que eu não da ordem ter sido emitida. disse ela. Sel. Porém. agora afeta mesmo as crianças. a trabalhar no abrigo disse à Selvi: “Fala do-lhe: “Não há problema. O seu marido disse à tos civis que o seu marido queimou. mandar as crianças para um dormitório do viou-a para casa novamente.192 II. Selvi tem 22 anos e está grávida do seu quin. ele espetou um vez que Selvi foi à esquadra. à noite. eles levaram. os Nesta altura.” Desde então. Sendo o caso muito grave o pro- pontapeou o bebé na minha barriga e atirou. dada ocasião. bater-lhe. com uma pedra. mília. mas disse ao procurador que tinha quanto ela estava grávida do seu primeiro muito medo de apresentar uma queixa filho. comida e mandaram-nos para casa. na altura em que a Hu- que se devia reconciliar com o seu esposo. e lhe pagasse uma prestação de alimentos. raramente trabalha. Não consegue vi foi. numa polícia que ela estava a mentir. Ele da sua cabeça. ao tribunal de fa- to filho. eles chamaram o frequentemente.

contra as mulheres. direitos humanos foram alvo de atenção a igualdade de iure resulta. Serão as leis e os regulamentos su- (Fonte: Human Rights Watch. situações de desvantagem. muitas formas. a luta ainda não terminou. O séc. levan. o Artº 1º da Declaração Universal dos Di- RES reitos Humanos (DUDH) estava a ser redi- gido em 1948. e pelos direitos de outras mulheres. se na discriminação de facto. Como se podem prevenir casos seme- tadas por este caso? lhantes? Especifique como se podem 2. Em. E. mas ela vítima? não vê escapatória para si e os seus filhos. regio- aos tribunais e os procedimentos judi. Eleanor Roosevelt. He ficientes para garantirem oportuni- loves you. nessa altura. sem diferenciação implementação dos direitos humanos para entre mulheres e homens. insistiu que devia ser usado “to. ziu a igualdade como um dos princípios lizmente. em todos obrigou os ativistas dos direitos humanos os períodos da história se podem encontrar das mulheres a promover a diferenciação heroínas que lutaram pelos seus direitos entre igualdade formal e substantiva. he beats you) dades iguais para todos os seres hu- manos? O que mais pode assegurar o Questões para debate tratamento igual entre os homens e 1. envolve fre- as mulheres em todo o mundo. por de igualdade não ajudaram as pessoas em exemplo. pertencem a todos os seres humanos. fatores O princípio da igualdade como é formal- sociais ainda impedem a total e imediata mente expresso na lei. muitas vezes. fundamentais no discurso e regime de pro- bora a sua situação tenha melhorado de teção dos direitos humanos internacional. nal e internacional. Esta situação opôs a tal política. 4. as noções formais armas ou palavras. especial e nem ninguém. ção tornou claro que os direitos humanos conhecimento como seres humanos ple. Esta mudança na formula- As mulheres tiveram de lutar pelo seu re. No entanto. não nos e pelos seus direitos humanos básicos importa se mulher ou homem. Quais são as questões principais para os as mulheres? direitos humanos das mulheres. infe. com Em muitos contextos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 193 Um grupo municipal de mulheres conhece a ciais estão em jogo devido ao sexo da situação da Selvi e presta assistência. e nem mesmo em tempo posições e papéis que as mulheres e os ho- de paz e progresso as mulheres e os seus mens têm tradicionalmente na sociedade. A SABER 1. quase globalmente. Como se pode fazer justiça se o acesso usar mecanismos ao nível local. Devido às diferentes tos retrocessos. e introdu- por um longo período de tempo e. 3. 2011. A noção tem de dos os seres humanos são iguais” em vez evoluir na direção de uma definição subs- de “todos os homens são irmãos” quando tantiva de igualdade tendo em conta plu- . mas também mui. DIREITOS HUMANOS DAS MULHE. XX quentemente uma discriminação oculta trouxe muitos avanços.

Em 1998. 1998/2005. dos quais são mulheres. surgem num parágrafo ou capítulo em neficiem de um tratamento igual. assim como os transsexuais. ças. desvantagem e discri. “a neutralidade não per. enfoque deve mover-se para uma ênfase em tais como população indígena. […]”. Quer os refugiados. humanos torna-nos especialmente sensí- manos. análise útil que nos ajuda a compreender como os seres humanos assumem respon- Género e o Equívoco Generalizado dos sabilidades. é comum encontrar as mu. “Traduzir o poder dos números no poder de ação para as mulheres. uma vez que os conflitos tendem a pio- dos debaterem intensivamente o conteúdo rar as desigualdades e as diferenças de do conceito de género e de alguns se terem género. É evidente que o pensamento sensível ao titucionalização profundamente enraizada género deve ser promovido para se alcan- da diferença sexual que permeia a nossa çar os mesmos direitos para todos. diferença. sociais e económicas por todo o mundo. Foi usado pelas quais os direitos humanos das mu- pela primeira vez nos anos 70 e definido lheres são violados. população com outras habilidades Uma igualdade genuína entre homens e e crianças. inde- sociedade.” Contudo. Esta conceção está refleti- mite a sensibilidade a desvantagens que da nos documentos em que as mulheres possam impedir que algumas pessoas be.194 II. mulhe. idosa. cor. população ‘resultados iguais’ ou ‘benefícios iguais’”. de no seu artigo “Igualdade e as Estruturas da toda a população indígena e de muitas Discriminação”. pendentemente do género.” mas evoluiu posteriormen. depois dos representantes dos Esta. é antes um conceito mais complexo veis às diferenças entre homens e mulhe- que inclui todos os sexos: homens. comunidades. o género é uma categoria de Azza Karan. o Artº 7º do Estatuto Segurança Humana e Mulheres de Roma do Tribunal Penal Internacional definiu género como “sexos masculino e A Segurança Humana e a condição das feminino. a maioria No entanto. etnia e re- te devido à dinâmica das transformações ligião. papéis e posições diferentes Direitos Humanos das Mulheres na sociedade. Introduzir uma análise de O género é um conceito que não se dirige género na teoria e na prática de direitos apenas às mulheres e aos seus direitos hu. Assim. sofrem discriminação e ainda não foram rem completamente realizadas. soas deslocadas internamente. políticas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS ralidade. capazes de gozar plenamente os seus di- reitos básicos. O que une estes grupos vul- mulheres só pode ser alcançada se tanto neráveis é que todos sofreram e ainda a igualdade formal como a substantiva fo. Como Dairian Shanti sublinhou da população do mundo. res na sociedade e às formas específicas res. é o que será o próximo milénio. por Susan Moller Okin “[…] como a ins. fico em vez de aceitá-las como a metade minação. pelas mulheres e Não Discriminação em parceria com os homens. idosos e crian- lheres definidas como um grupo especí. o conjunto com os grupos vulneráveis. dentro do contexto da sociedade mulheres estão intimamente ligadas. de cada país. quer as pes- oposto à sua extensão à orientação sexual. carecem de particular atenção e que .

as mulheres e crianças. ativamente no processo de garantia dos di- a Revolução Francesa. com num mundo masculino. promisso assumido com os direitos das aos serviços sociais e ao emprego para mulheres. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Às mulheres é muitas vezes negado o ple. E DESENVOLVIMENTO DA QUESTÃO O Conselho Internacional das Mulheres foi fundado logo em 1888 e. todos. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 195 lhes seja assegurada proteção especial. Desta forma. nacionais. direitos humanos à segurança humana. pagou na guilhotina o com- assegurar o acesso igual à educação. assim como muitas das suas A segurança humana trata. a erradica. regionais e sub-regionais.1789. alcançaram os seus objetivos quan- mulheres nos conflitos armados e a sua do lhes foi concedido o direito ao voto. um programa de desenvolvimento intensi- tui não só o começo do movimento a favor vo de projetos. A prol da libertação e igualdade. em a segurança humana. britânicas começaram a exigir o direito ao dade na agenda da segurança humana. Armado o direito das mulheres casadas à proprie- dade e o direito a desempenhar cargos 2. partir dos 30 anos de idade. Uma das violência doméstica e outras formas de mais famosas proponentes do movimen- violência ameaçam a segurança humana to foi Olympe de Gouges que escreveu a das mulheres. marca o começo reitos das mulheres. Lutaram durante mais de 80 anos Tem também particular relevância para com métodos distintos e. Uma Retrospetiva Histórica existe. Esta época consti. voto. com . as mulheres e as petos”. pelas Resoluções redi- como também preparou o caminho para gidas e adotadas pela Assembleia-Geral. crianças. referida como “a terra natal do feminis- ção. “A mulher nasce livre e goza de direitos no acesso a estas áreas e o pleno gozo iguais aos dos homens em todos os as- destes direitos. ainda hoje. mesmo em tempo de paz. de seminários e workshops reconhecidas como seres humanos iguais. em cooperação com agên- dos direitos civis e políticos das mulheres cias internacionais. o que prova que esta não se atinge se os Também a Grã-Bretanha se revê numa direitos humanos não forem totalmente longa e forte tradição de luta das mulhe- respeitados. através de encontros da luta das mulheres no sentido de serem internacionais. em particular. É até muitas vezes ção de qualquer forma de discrimina. finalmente. também. Outras áreas de ação prioritárias destas primeiras fe- Direitos Humanos em Conflito ministas incluíram o acesso à educação. Artº 1º Declaração dos Direitos da Mulher e da ciar de uma abordagem com base nos Cidadã. a situação das 1918. a proteção. Logo por volta de 1830. particularmente contra mulheres mo”. o primeiro movimento de mulheres em pela cooperação. de companheiras. a todos os níveis. Tem a sua sede em Paris e participa Um importante acontecimento histórico. res por direitos iguais. Ela. E. podem benefi. DEFINIÇÃO públicos. deve constituir uma priori. Assim.

da Bélgica. conduziu à conclusão de que não pode haver neutralidade de género nas O primeiro órgão intergovernamental a leis internacionais ou nacionais. A sua primeira presidente que. para a continuem a discriminar as mulheres. primeiro documento a reconhecer expres- samente as mulheres como seres humanos A Comissão para a Estatuto da Mulher plenos. a pobreza a Nacionalidade das Mulheres. foi Bodil Boegstrup. nos documentos humanos das mulheres pode ser trazido dos direitos humanos. adotado entre mulheres e a discriminação contra me- pela Organização dos Estados Americanos ninas levou as Nações Unidas a decidir ini- (OEA). unindo os direitos humanos todo o mundo. o que. vitavelmente. Foi apenas nos anos 70 que a desigualdade to da Convenção Interamericana sobre em muitas áreas da vida diária. também. a Década cul- se dos direitos humanos. da mulher na família e na sociedade. ine- nentes. no respeitante a problemas ur. Este órgão foi o responsável pela elaboração do proje. a atenção dada aos problemas das Só através de tais mudanças elementa- mulheres era mínima. por exemplo. tornava. Este documento é o mais importante instru- tura e fazer sentir a sua presença no conteú. Até maio de 2012. Os di- e através de planos trienais de ação. económico e uma posição subordinada às mulheres. Vários artigos lidam com o papel gentes a necessitarem de uma resposta ime. A Convenção regula questões relaciona- dações ao Conselho Económico e Social das com a vida pública e privada das mu- (ECOSOC). para a evolução do temas sociais e culturais que atribuem sistema internacional político. criminação contra as Mulheres (CEDM). enquan- tratar dos direitos humanos das mulheres to as sociedades. assim como direitos económicos. de 1976 a 1985. região da América Latina. estão divididos em duas categorias. em 1933. Desenvolvimento e estava a desenvolver legislação que tratas. Paz. Este tratado provocou ciar a Década para as Mulheres das Nações um debate sobre o modo como a região Unidas: Igualdade. lheres. em 1945. social. e desde o início. ao nível global. 187 . moveu a inclusão explícita dos direitos das mulheres na DUDH e apresenta recomen. as mulheres procuraram participar na estru. A CEDM contém direitos civis e po- (CEM) foi criada em 1946. com o mandato líticos. a diata. A CEM pro. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS outras organizações não governamentais as pessoas cegas perante este facto. mento de direitos humanos para a proteção do e na implementação dos instrumentos e e promoção dos direitos das mulheres e o mecanismos dos direitos humanos. e Mulheres (CIM).196 II. não foi a Comissão Interamericana sobre as forem neutrais relativamente ao género. na área dos direitos das mulheres. nos Pactos Internacionais. so- de promover os direitos das mulheres em ciais e culturais. minou com a adoção da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Dis- Desde o início das Nações Unidas. necessidade de partilhar responsabili- dades dentro da família e a urgência na Embora as mulheres contribuíssem de igual implementação de mudanças nos sis- forma. Décadas de cegueira res é que o reconhecimento dos direitos relativamente ao género. em todo o mundo. humanidade foram esquecidos. em reitos fundamentais de mais de metade da cada um dos seus cinco Comités Perma. Em 1979. criada em 1928.

dos direitos humanos e das liber. incluindo sanções se de mulheres e exploração da prostitui- oportunas.Estabelecer a proteção legal dos direi.Tomar todas as medidas adequadas Estados islâmicos apresentaram reservas para eliminar a discriminação contra as de alcance substancial às obrigações da mulheres por qualquer pessoa. E. O Comité da CEDM coloca ênfa. . seja qual for o seu estado civil. com base na igualdade dos homens e das mulheres. proibindo toda a discrimi- ção feminina.Revogar todas as disposições penais contidos na Convenção. cípio da igualdade. social. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 197 Estados ratificaram a Convenção. desenvolvimento dos seus filhos.Abster-se do envolvimento em qual- quer ato ou prática de discriminação . .Eliminar preconceitos e costumes e to- dades fundamentais nos domínios.Assegurar o total desenvolvimento e o pro- definida pelo Artº 1º da Convenção como gresso das mulheres tendo em vista garan- “qualquer distinção. zação ou empresa. reconhecimento. tos dos homens no campo da educação.Adotar medidas legislativas apropria- para reprimir todas as formas de tráfico das ou outras.Modificar os padrões sociais e culturais mulheres. se na remoção das reservas que obstam ao gozo pleno dos direitos das mulheres . em todos esses atos. nação contra as mulheres. em todas as eleições e referendos pú- dade com os homens. blicos e de serem elegíveis. de conduta dos homens e mulheres. exclusão ou restrição tir-lhes o exercício e a satisfação dos direitos baseada no sexo que tenha como efeito ou humanos e das liberdades fundamentais como objetivo comprometer ou destruir o numa base de igualdade com os homens. mudar autoridades e as instituições públicas ou conservar a sua nacionalidade. . homens e das mulheres na educação e lação apropriada.Assegurar às mulheres os mesmos direi- obrigação. qualquer um dos sexos ou em papéis estereotipados para homens e mulheres.Garantir às mulheres os mesmos direi- contra as mulheres e assegurar que as tos dos homens para adquirir. reconhe- cendo que o interesse das crianças é a con- . organi- CEDM. nacionais que constituam discrimina- ção contra as mulheres. A discriminação contra as mulheres é . . políti. cultural e civil ou em de inferioridade ou superioridade de qualquer outro domínio”. Muitos . o gozo ou o exercício pelas . por eleição.Incorporar o princípio da igualdade como uma função social e o reconheci- dos homens e mulheres nas respetivas mento da responsabilidade comum dos constituições nacionais ou outra legis. . atuarão em conformidade com esta .Garantir às mulheres o direito de voto tos das mulheres numa base de igual.Garantir que a educação da família inclua A CEDM obriga os Estados Partes a: a compreensão correta da maternidade .Tomar todas as medidas adequadas . . das as outras práticas baseadas na ideia co. económico. .Assegurar a realização prática do prin- sideração primordial em todos os casos.

participação das mulheres na vida políti- O Protocolo contém dois procedimentos: ca. direitos humanos: México (1975). Nairobi (1985) e Pequim (1995). • O protocolo também estabeleceu um Após cada uma destas conferências lançou-se procedimento de inquérito. que se te. O Artº 17º do Protocolo estabelece. direitos humanos das mulheres e meni- tado reconhece a competência do Comité nas no geral e na prevenção da violência sobre a Eliminação de Todas as Formas de contra as mulheres. civil. coloca ênfase na promoção e proteção dos Ao ratificar este Protocolo Opcional. e chamou todos os Es. que 15 anos da implementação da Declaração e não aceitam o procedimento de inquéri. ninas são uma parte inalienável. Copenha- nham esgotado as soluções domésticas. respeita aos Objetivos de Desenvolvimento cional entrou em vigor em 22 de dezem. de integração dos direitos das mulheres como sos critérios. a cada cinco anos. o progresso relati- dos casos. 2010). Até maio de 2012. na retrospetiva dos aquando da ratificação ou adesão. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A 6 de outubro de 1999. O Protocolo estabelece que Como parte do seu mandato. A Plataforma de Ação de Pequim é espe- dos ratificaram o Protocolo Opcional. A CEM. dentro da sua jurisdição. Aquela declara que os Discriminação contra as Mulheres – o ór. direitos humanos das mulheres e das me- gão que monitoriza o cumprimento da Con. Pequim de 1995 sobre as mulheres é avaliado permitindo aos Estados que declarem. Em qualquer um e homens. já que constitui o . O Protocolo Op. sendo parte da Convenção. a erradicação de todas as formas de discri- te ou através de grupos de mulheres. social e cultural ao • O procedimento de participação per. por exemplo. regional e internacional e mite que mulheres. Declara também que a total e igual ou grupos. rem-se parte do novo instrumento também. 104 Esta. adotados como resultado da conferência. ração de Viena e o Programa de Ação. nho de 1993. que nenhuma reserva é e boas práticas e à responsabilização no que admitida ao Protocolo. em ju- Opcional à Convenção sobre a Elimina. nível nacional. a torna. violações de direitos protegidos pela Convenção. A Decla- contra as Mulheres. ga (1980). do Milénio.198 II. económica. com medidas e diretrizes ao Comité iniciar inquéritos a situações políticas que os Estados devem considerar de violações graves ou sistemáticas dos para alcançarem a igualdade entre mulheres direitos das mulheres. Adicionalmente. a Comissão para para que as participações individuais o estatuto da Mulher (CEM) organizou quatro sejam admissíveis para consideração grandes conferências globais com o objetivo pelo Comité estejam preenchidos diver. os Estados têm de ser parte da vamente aos compromissos feitos inicialmen- Convenção e do Protocolo. um Es. O Protocolo te pelos governos na Conferência Mundial de inclui uma “cláusula de autoexclusão”. permitindo um Plano de Ação. o Protocolo Humanos que teve lugar em Viena. minação com base no género são objetivos submetam ao Comité participações de prioritários da comunidade internacional. integral venção por parte dos Estados Partes – para e indivisível dos direitos humanos univer- receber e considerar queixas de indivíduos sais. cialmente importante. a Assembleia-Geral A Conferência Mundial sobre Direitos adotou. individualmen. bro de 2000. Plataforma de Ação de Pequim (março de to. tados. deu ênfase à partilha de experiências explicitamente. juntou milhares de ativistas ção de Todas as Formas de Discriminação e peritos em direitos humanos. através de consenso.

conflitos armados. cia. consen- • O crescimento económico aumenta timento e responsabilidade partilhada. tico global da situação das mulheres e um exame das políticas. as mulheres rea- da de decisões. É determinada pelo contexto parentalidade e responsabilidade social. A função biológica Mulheres e Saúde da maternidade é outra dimensão estrutural A saúde envolve o bem-estar emocional. as mulheres das nossas sociedades e coloca significativos trabalham em casa. sem um seguro adequado e próprio. É dada especial atenção dos alimentos. Tal com a participação das mulheres no encontra-se implícito no direito dos homens trabalho. uma das dimensões estruturais da pobreza que afeta as mulheres. menos que os homens. A divisão do trabalho baseada no género é Ásia. violên. obstáculos no acesso aos seus direitos hu- veres nos cuidados das crianças. la e produzem mais do que 90% dos ambiente. • Em algumas regiões. sistema institucional e alimentos. educação. executando os trabalhos e culturais. cisão. estratégias e medidas • Embora as mulheres realizem 66% do para a promoção dos direitos das mulheres trabalho no mundo e produzam 50% em todo o mundo. Algumas destas áreas serão es- pecificadas abaixo. na sua dimensão política. saúde. 17% humanos das mulheres. económicos. E. que é entendida como uma função social de social e físico. mostra mercados de trabalho do mundo de acordo a desigualdade de direitos entre membros com o género. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 199 programa mais completo sobre os direitos • As mulheres ganham. especialmente na América Latina. Relações iguais entre homens e mu- Factos e números lheres em matérias de relações sexuais e re- produção requerem respeito mútuo. meios de informação. mulheres. a pobreza cial e economicamente necessárias e deve. África e Europa de Leste. O facto Direito ao Trabalho das mulheres terem filhos implica uma re- Direito a Não Viver na Pobreza levância especial à sua saúde reprodutiva e sexual. meninas. elas ganham apenas às seguintes doze áreas críticas de preocu. manos civis. reitos sucessórios e à propriedade de terras. 1% da propriedade. e das mulheres a serem informados sobre os . a toma. Muitas vezes. em média. No contexto da migração. Também diminui o acesso à in- sem receber pagamento e. mecanismos institucionais. conduz também a um aumento no tráfico de rem ser altamente valorizadas. A pobreza é também criada através de sa- lários desiguais por trabalhos iguais. economia. com um diagnós. social. cessário olhar para a divisão da maioria dos A pobreza. em organizações públicas e tomada de de- apesar de as suas contribuições serem so. assim como pela biologia. político e económico das vidas das mulheres. dos doen. em quase todo o formação e as possibilidades de participação lado. políticos. sociais tes e dos idosos. ne- Mulheres e Pobreza gação ou acesso restrito à educação ou Para compreender o diferente impacto da serviços públicos e sociais e em relação a di- pobreza nas mulheres e nos homens é ne. financeiro. lizam mesmo 70% do trabalho agríco- direitos humanos. 10% dos rendimentos e detêm apenas pação: pobreza. cumprindo os seus de.

é diferente: quanto as suas mães. irão purificar as suas filhas.” a muitos perigos para a saúde das mulhe. realizados em mulheres e em questão também se encontra na agenda de meninas. sobretudo em África “Quando visitava a Nigéria.] por isso. porém. numa visão geral global. 2012. Malásia e Sri Lanka.” dores. Vamos apenas das leis nacionais proibirem a MGF. vêm e pedem-me para a possibilidade aos casais de terem um bebé circuncidar as suas filhas.] e Austrália. algumas mulheres dizem que não como o direito ao acesso a serviços de saú. te. que permitam às mulheres têm-na até que ela se vá embora e uma vez terem uma gravidez e parto seguros e darem que ela se tenha ido. e. tal como demons. Elas entre- de adequados. América do Norte meses. nho. perigo de vida. Todos recordam o dois milhões de meninas por ano encon- meu nascimento como tendo sido 13 de ju. bem perto. Por isso. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS métodos seguros de controlo de fertilidade e a terem acesso a métodos seguros. tias ou vizinhas as a discriminação com base no sexo conduz seguram. riscos para a saúde e. não acreditem vítimas da MGF. Eu corto-as en- saudável. de uma Convenção Interamericana sobre justificada como forma de assegurar a os Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Para além de muitas . Os costumes e tradições também consti- VIH/SIDA. a malária e a doença pulmonar tuem uma fonte de perigo para as meninas crónica obstrutiva.200 II. por vezes. Parteira de aldeia Om Mohammed. tais como a Índia. te- nham sofrido a MGF. os pais não nas na América Central e do Sul. uma campanha para a adoção ciação no estado adulto e é. no momento presente. A realidade.. O meu pai mos médicos. e minha história pessoal. Na altura quan. nos das mulheres refere-se a diversos ti- trado pela OMS. castidade e a “pureza” genital. esta ver se este rapaz ou menina irá sobreviver. por cozinharem sobre as e adolescentes. as doenças sexualmente transmissíveis (DST). 2011.. mulheres vivas. que mais de 130 milhões de meninas e de zações latino-americanas. Egito. Indonésia. [. exato [do meu nascimento]. incluindo a violência física e sexual. Apesar registavam os nascimentos.. Foram relatados casos de MGF em países Tenho de verificar.. por isso. possivelmen- Ban Ki-moon. As taxas de mortalidade durante mutilação genital feminina (MGF). uma a gravidez e parto continuam elevadas em violação fundamental dos direitos huma- países do hemisfério Sul. muito mais tarde. frequente- organizações locais ou regionais: lançou-se. pensando-se que se do nasci a taxa de mortalidade na Coreia realize por entre alguns grupos indíge- era muito elevada. a enraizados. res. tram-se em risco de sofrerem a mutilação. mente. ainda não sei qual o dia asiáticos. também é praticada nas comunidades de Por vezes tinha-se de esperar um ano ou seis migrantes na Europa. “Enquanto a assistente social estiver por acessíveis e aceitáveis da sua escolha. pos de cortes tradicionais profundamente Para além do sistema das Nações Unidas. o meu nascimento foi registado Por não compreenderem a questão em ter- mais tarde. as meninas e as mulheres apenas esperou [. em rituais de fertilidade ou de ini- por exemplo. A tradição persistente da fogueiras. expliquei a e em alguns países do Médio Oriente. ficam sujeitas a enormes na data de nascimento no meu passaporte. Estima-se apoiada por uma aliança regional de organi. A MGF integra-se. mas não é exato. eficazes.

novas infeções ter diminuído desde então. “Se denunciarmos a um polícia estratégia global dirigida aos profissionais na esquadra local. local. devido a mudanças prisão. a impunidade é um dos prin- minação da mutilação genital feminina cipais obstáculos para a redução da MGF e. comportamento social devem ser acom. nuíram em 33 países. com base percentagem é de cerca de 50%. a Primavera Árabe trouxe atingido o pico em 1997 e de o número de parlamentos e/ou governos com participa. também as MGF no mundo. Subsaariana é de 59%. e a separação pormenorizada dos No entanto. através da promoção de uma no Egito. dita nela”. as seguintes recomendações: as estratégias mulheres representam metade de todas as para acabar com a MGF enquanto um pessoas que vivem com VIH: nas Caraíbas. ção islâmica. micas. tão lentamente a diminuir nalguns países. 22 deles na África bora a mutilação genital feminina tenha Subsaariana (a região mais afetada pela sido proibida e seja punível com multa ou epidemia de SIDA). Considerando que. Para além das atitudes Nações Unidas abordam frequentemen. das novas infeções em todo o mundo terem nalguns países. . o mais recente em mento do tratamento antirretroviral nas 2008). os pro. em 2010. Em termos globais. na África na comunidade e sensibilização. estaremos a apresentar da saúde para não realizarem a MGF. trou que o Egito ainda está entre os países ternacional) e locais (como a Coligação do com a mais elevada (90%) prevalência de Cairo do Egito contra a MGF). As uma denúncia junto a alguém que acre- conclusões da UNICEF permanecem váli. mulheres grávidas. dimi- destas estratégias na linha de ação: em. pró-MGF de uma maioria de mulheres te este assunto: em 2005. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 201 ONG internacionais (como a Amnistia In. a panhadas de educação integral. em geral. as atitudes perante a MGF estão a mudar Uma pandemia que coloca seriamente em lentamente com mais mulheres a oporem. enquanto que as ta- gramas devem ser específicos para cada xas de infeção na Europa são cerca de 27% país e adaptados de forma a refletirem as e a América do Norte apresenta a menor variações regionais. logo em 1959 (uma proibição con. E. Os luta. que tendem a adotar atitudes a percentagem de mulheres a viverem com benevolentes em relação à MGF. Apesar se à sua continuação. contra a SIDA: a proporção de mulheres a viverem com o VIH permaneceu está- O caso do Egito mostra a necessidade vel e as novas infeções. através de uma em ambos os cenários urbanos e rurais abordagem estatística da UNICEF sobre a e das discussões políticas cada vez mais MGF. no Norte de África e no Médio Oriente. étnicas e socioeconó. explica um ativista anti MGF das: as taxas de prevalência da MGF es. em 2008. com a publicação de uma acesas com a Irmandade Muçulmana e fa- declaração de interagências sobre a eli. ções Salafi. taxa de todo o mundo de 21%. risco as mulheres é o VIH/SIDA. aumento da firmada por vários decretos e decisões de idade do primeiro contacto sexual e au- tribunais superiores. o Relatório do Dia Mundial dados por variáveis socioeconómicas pode da SIDA do UNAIDS para 2011 mostrou otimizar significativamente e fortalecer os algumas tendências encorajadoras na luta esforços de promoção ao nível nacional. no comportamento sexual. o VIH tem aumentado continuamente nas dores contra a MGF devem considerar as últimas décadas. o estudo de 2005 da UNICEF mos.

ra. possibilitan. de algu- ressadas para apoiarem o desenvolvimen. A este respeito a África do Sul pode servir como um exemplo de boas práticas: em 2010. e psicológica que é transversal a diferen- ças. 2012. o que significa que a taxa de provisão tes rendimentos. vezes. lheres. as mulheres são vítimas de viola- o forte envolvimento da sociedade civil. Muitas conquista reflete o compromisso político. o Conselho de Segurança apelou aos • No mínimo. seleção 1983. garantindo-se As obrigações de proteção para com as víti- testes regulares de VIH e aconselhamen. pessoas que são titulares de direitos. para preve. assim como o ser vistas como parte integrante de uma po- acesso a medicamentos antirretrovirais às lítica de migração ‘saudável’. “Os Estados devem estabelecer um me- res em idade reprodutiva. Esta na vida pública. sexual nir novas infeções do VIH entre as crian. sistência sustentável para as mulheres que as mulheres e as meninas normalmen- . venção no cuidado pré-natal. crimes de hon- Também em 2011. nomeadamente. relacionados com o dote. No Factos e números âmbito do seu mandato de manutenção de paz. na sua Resolução esterilização e abortos forçados. ções pandémicas. a fim de prestarem uma as. Escravidão sexual. ça das Nações Unidas. o Conselho de Seguran. tanto quase duplicou em apenas três anos. ma forma. parando-se a lhor equilíbrio entre o controlo das fron- transmissão sexual e relacionada com as teiras e a sua obrigação de proteger as drogas. uma em cada três mulhe- Estados-membros e a outras partes inte.” mulheres grávidas com o VIH e aos seus Maria Grazia Giammarinaro. Assim. Para além do mais. infanticídio feminino e são particularmente afetadas pelo VIH e a mutilação genital feminina são também que o fardo desproporcional de VIH e SIDA atos de violência cometidos contra as mu- nas mulheres é um dos obstáculos persis. classes e culturas. prostituição forçada.202 II. ção das novas infeções em crianças pode ser alcançado até 2015. nas são sujeitas a violência física. mulheres e meni- 95% das mulheres elegíveis. requerentes de asi- do-se o acesso das mulheres aos serviços lo e vítimas presumidas de tráfico. res no mundo já foi abusada. integrando-se os esforços de pre. recém-nascidos. mas de violações de direitos humanos devem to às mulheres grávidas. como na privada. ções. o país forneceu Mulheres e Violência medicamentos antirretrovirais a cerca de Em muitas sociedades.. assédio sexual ou uma prestação de serviços descentralizada intimidação.. to e fortalecimento das capacidades dos a violência sexual contra as mulheres sistemas nacionais de saúde e redes da so. crimes e o empoderamento dos enfermeiros. situações de conflito e pós-conflito. se os esforços se Direito à Saúde intensificarem em quatro áreas de ação: prevenção da infeção do VIH nas mulhe. abusos sexuais. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS O relatório apresenta uma visão positiva vivem ou que sejam afetadas pelo VIH em cautelosa de que o objetivo de erradica. e meninas é um problema de propor- ciedade civil. durante a sua vida. tentes e desafios para a igualdade de gé- nero e empoderamento das mulheres.] de planeamento familiar. [. afirmou que as mulheres e meninas pré-natal do sexo. gravidez forçada.

Punir e de máxima importância que a Declara. família. sexual e psicológica • O Fundo de População das Nações praticada ou tolerada pelo Estado. ção das mulheres através da Convenção tais pelas mulheres. com a prevenção. a mutilação genital feminina e sa custos económicos enormes. • violência física. nas instituições educativas e em desenvolvimento económico de cada outros locais. com perdas ticada na comunidade em geral. das Américas ratificaram a Convenção. • violência física. Por esta razão foi Interamericana para Prevenir. um sociedades a castidade das mulheres Relator Especial sobre a Violência contra é considerada como um assunto de as Mulheres.1 biliões violência relacionada com a exploração. são para serviços de cuidados médi. ou até com a erradica- ção. A vio. sexual e psicológica lações de direitos humanos. mílias e comunidades. o abuso sexual das crian- e empata o desenvolvimento. mulheres no âmbito do sistema de direitos claração. de 1994. Até maio de contra as Mulheres fosse adotada pela 2012. ção sobre a Eliminação da Violência de Belém do Pará. • violência física. Nos outras práticas tradicionais nocivas para EUA. como uma ferra. O Todos estes atos de violência violam e sistema Interamericano dos Direitos Hu- enfraquecem ou anulam o gozo dos di. 32 dos 35 Estados independentes Assembleia-Geral das Nações Unidas.8 biliões. e a intimidação sexuais no local de tra- lência contra as mulheres diminui o balho. em 1993. mulheres suspeitas de terem Além do sistema das Nações Unidas. promove a prote- reitos humanos e liberdades fundamen. onde Unidas estima que o número de víti. E. Nos termos do Artº 2º da De. a violência contra as mulheres humanos. Erradicar a Violência contra a Mulher. o tráfico de mulheres e a nação. Esta Convenção foi desenvolvi- . ocorrida no seio da família. o abuso sexual. prostituição forçada. os atos de violência prati- lência íntima do parceiro exceda 5. por consenso. as mulheres. conjugal. A violência abrange os seguintes atos. mas de “crimes de honra” é cerca de 5. por exemplo. Deixa vi. que é um dos mais significativos marcos menta para prevenir a violência contra as na chamada de atenção para a questão das mulheres. a violên- cia relacionada com o dote.8 cados por outros membros da família e a biliões de dólares por ano: $4.000 mulheres por ano. da violência contra as mulheres. fratura comunidades maus tratos. a violação • A violência contra as mulheres cau. foi estabelecido. ças do sexo feminino no lar. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 203 te conhecem o abusador. com relações sexuais antes do casamento os seus esforços contínuos. de forma a que as vítimas de violação. em 1994. o assédio aproximadamente $1. embora não se contra as mulheres e meninas é uma limite aos mesmos: das formas mais generalizadas de vio. estima-se que o custo de vio. incluindo os das devastadas. incluin- de produtividade contabilizadas em do a violação. empobrece os indivíduos. sexual e psicológica pra- cos e de saúde diretos. quer que ocorra. manos. fa. Em algumas Além disso. algumas or- e mulheres acusadas de adultério são ganizações regionais comprometeram-se assassinadas pelos seus familiares.

ria. introduzir o medo. a Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) igualdade entre cônjuges no respeitante aos na sua decisão relativa a Jean-Paul Akaye- seus direitos e responsabilidades no casa. Social Europeia. proteção de traba. por qualquer lação não é um efeito lateral mas um dos razão. na vio- e adotado pelos Estados-membros da União lência com a origem num parceiro íntimo Africana (UA) em 2003. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS da pela Comissão Interamericana das Mu. proteção materna. Lança as bases para uma estratégia coerente de aborda. e os seus uma comunidade ou grupo étnico. seus métodos. Conclui-se. em relação ao traba.204 II. “A Segunda Frente: a Lógica da Violência Sexual”. nível político e jurídico. a violência Povos sobre os Direitos das Mulheres em sexual contra a mulher é um crime que as- África (Protocolo de Maputo). su. disper- venção Europeia dos Direitos Humanos sar e/ou deslocar à força os membros de (CEDH) e a Carta Social Europeia. há duas convenções no das como táticas de guerra para humilhar. e no Protocolo nº12. esta constitui uma forma dos homens do- te entrou em vigor em 2005. mais permanecem na sombra da impuni- lhadoras e a proteção social e económica de dade. incluindo o género. Tendo começado com os tri- cíficos das mulheres são definidos na Carta bunais do Ruanda e da antiga Jugoslávia. lheres ao longo de um processo de cinco encontra-se previsto no Protocolo Adicional anos e constitui um quadro importante a de 1988. al podem mesmo ser consideradas como cutidos na CEDH. através do atropelamento dos corpos das mulheres. a violência sexual 2012. O direito a oportunida. Ruth Seifert afirma que. lho sem discriminação em razão do género. punir. que a “limpeza da a proibição geral da discriminação por étnica” é uma estratégia de guerra e a vio- qualquer autoridade pública. nia do início dos anos 90. âmbito dos direitos das mulheres: a Con. como foi considerado pelo Tribunal venção adicionou aos direitos protegidos. tais como a remuneração estes crimes são agora perseguidos e não igual. A vio- respetivos Protocolos. parte. foi elaborado sume proporções pandémicas. tornando As mulheres muitas vezes tornam-se as obrigatória a implementação. Se. Os direitos espe. o Protocolo à as mulheres. Até maio de minarem as mulheres. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Tal como demonstrado acima. designa expressamente a violação. é estabeleci. de modo a destruir o inimigo. em mui- No quadro da Comissão Africana dos Di. de comunicação entre homens. de estratégias públicas para a guerra e o conflito armado. o artº 14º proíbe qualquer genocídio quando cometida com o intuito distinção em razão do género (ou outras de destruir um grupo no seu todo ou em razões). No seu ensaio prevenção da violência e apoio às vítimas. por parte primeiras vítimas de violência durante a dos Estados. tos casos. 30 dos 53 Estados-membros da União em tempos de guerra consiste numa forma Africana ratificaram este Protocolo. pela primeira vez na histó- des e tratamento iguais. é uma estratégia militar atingir reitos Humanos e dos Povos. Entre as principais convenções do Conselho As mulheres e as meninas são considera- da Europa (CdE). Mulheres e Conflitos Armados gem ao problema da violência. Embora os direitos lação e outras formas de violência sexu- das mulheres não sejam explicitamente dis. a . O Estatuto de 1998 do Tribunal Penal mulheres e crianças. Internacional. O Protocolo Adicional nº7 à Con. também da guerra na Bós- mento. dominar. e subsequentemen.

entretanto. durante o confli- mes contra a humanidade e estabelece um to. Gen. dificilmente consegue atingir os seus pró- as mulheres. via. Patrick Cammaert. que as vítimas de violações ascendam assim como na gestão institucional dos a 60. da mesma forma. na prática. Uma mudança de paradigma na recons- derno. vo nas decisões que levam ao conflito ar. Vários Estados estabeleceram. Internacional para a antiga Jugoslá. planos nacionais de ação para a mado. mente violência sexual.000. zaram a necessidade de adotar uma pers- nários das Nações Unidas estimam petiva de género em conflitos armados. especial. enquanto muitas vezes elas pró. assistência possível para lidar com as suas necessidades especiais. em alguns processos desenvolvidos pela construção pós-conflito. A participação das por estarem expostas à violência. da sociedade civil trabalham com o mes- tos e dão o seu melhor para garantir uma mo objetivo. “Agora é mais perigoso ser-se uma mu- lher do que um soldado num conflito mo. e que foi seguida pelas Resoluções 1888. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 205 gravidez e prostituição forçadas como cri. ção para a paz promovidos pela ONU. enquanto funcio. na manutenção da paz e recons- de outros tribunais é mais baixa: oito trução pós-conflito. Um caso tam o fardo pesado de apoiarem as suas recente positivo é o papel de Graça Machel famílias. “muitas vezes suportam uma prios objetivos: Nenhuma mulher foi. mulheres nos processos de negociação para . 2008. no Tribunal Penal para a paz e na reconstrução pós-conflito. para dar formação aos pelo Tribunal Penal Internacional para funcionários sobre os direitos das mulheres o Ruanda e seis pelo Tribunal Especial e. O número de condenações conflitos. mas mou no seu boletim informativo sobre re. a ONU vida o mais normal possível. Todos estes fatores devem ser tidos em sistema de responsabilização individual consideração. As Resoluções enfati- a violência sexual. Contudo. incluir as mulheres em para a Serra Leoa. processos de manutenção da paz e segu- rança. nomeada chefe ou mediadora prin- da guerra”. Pelo contrário. de decisões. especialmente ao nível da tomada As mulheres raramente têm um papel ati. parte de equipas de mediadores. Maj. de modo a ça para as vítimas como a pena adequada que seja fornecida às mulheres a máxima para os perpetradores de tais crimes.” trução pós-conflito foi trazida pela Res. elas trabalham para implementação das Resoluções e iniciativas preservar ordem social no meio dos confli. 18 condenações relacionadas com 1889 e 1894 (2009). missões de manutenção de paz. E. Além disso. como o Centro Internacional cipal para a paz em processos de negocia- para a Investigação sobre as Mulheres afir. Muitas mulheres UA ou outras instituições. especialmente em futuras que tem como objetivo tanto trazer justi. até parte desproporcional das consequências agora. 1325 (2000) do Conselho de Segurança da ONU que foi o primeiro documento legal do Conselho a exigir às partes em conflito Factos e números o respeito pelos direitos das mulheres e o apoio à sua participação nas negociações • Foram proferidas. como um dos três mediadores para a cri- prias têm de lidar com o trauma causado se no Quénia em 2008. mulheres faziam são esquecidas como viúvas que enfren.

Para nós. na igualdade de gé- ção da Agricultura”. nas chamadas economias verdes. Assim. que são maioritariamente homens. mas em todo o mundo. Monopólios e Mitos e a Masculiniza. as práticas relacionadas com . nero como sendo fundamental para um as mulheres na Índia têm um papel im. é menor do que agora justificada como uma nova “parce- 8% nos 11 processos de paz relativamente ria” entre agronegócios e as mulheres do aos quais tal informação se encontra dis. bem-estar de Segurança com a sua Resolução 66/132 e qualidade de vida da população como em 2011. a explora- ro Mundo está agora a atingir proporções ção sexual. no seguimento da crise mundial do preço dos alimentos A Menina de 2007-2008 – fez das mulheres e das Em muitos países. governos e indivíduos. Michel- dos tempos”. o seu conhecimento.em média. por isso. a estas insuficiências. através da participação plena das – aquisições de terras em larga escala por mulheres na agenda do desenvolvimento empresas domésticas e transnacionais. Através da compromissos fortes que refletissem com sua gestão e uso dos recursos naturais. rapazes. Direitos Humanos em Conflito competências e experiências são raramen- Armado te tomados em consideração pelos deci- sores. a preferência pelos filhos ção levada a cabo pelas mulheres do Tercei. sustentável.206 II. qual as empresas ocidentais estão a furtar o infanticídio feminino. Esta bio-pirataria está a ser sistematizada . Terceiro Mundo. ao longo da infância e na idade adulta. as primeiras vítimas em criminação desde os seus primeiros anos muitas regiões do hemisfério sul. não epidémicas. um todo. 1998.” acordos de paz são mulheres. futuro sustentável. a tendên. mas afeta especialmente as mu- lheres. Isto não é apenas verdade na le Bachelet apelou a políticas robustas e Índia. através tora Executiva da ONU Mulheres. nital feminina. A Dire- mentes e as que as fazem crescer. a menina enfrenta dis- suas crianças. o casamento precoce. Além disso. a mutilação ge- séculos de conhecimento coletivo e inova. de Vandana Shiva. Menos de 3% dos signatários dos ser a base de uma parceria. ras. de vida. Fazendo face Vandana Shiva. Desenvolvimento Sustentável Rio+20. Devido às atitudes e práticas no- “O fenómeno da bio-pirataria através da civas. as clareza o papel central das mulheres no mulheres providenciam sustento às suas desenvolvimento sustentável e condu- famílias e comunidades. o furto não pode ponível. Mulheres e Recursos Naturais A Conferência das Nações Unidas sobre De acordo com o excerto de “Monocultu. centrou-se. a As- sembleia-Geral das Nações Unidas apoiou A deterioração dos recursos naturais tem adicionalmente as Resoluções do Conselho efeitos negativos na saúde. na discussão de estra- portante no que respeita à preservação de tégias e programas para a igualdade de conhecimentos sobre recursos naturais e género e o desenvolvimento sustentável e ambiente: “as mulheres que se dedicam destacou o empoderamento das mulheres à agricultura têm sido as guardiãs das se. entre outras. zissem a uma mudança real na vida das cia recente para a “apropriação das terras” pessoas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a paz é ainda feita de forma ad hoc. como a seleção pré-natal do sexo.

uma jovem mulher nigeriana foi Direito à Educação sentenciada à morte por “apedrejamento” Direito à Saúde por um tribunal que aplica a lei da Sharia. Em sociedades que preferem os filhos implementação dos direitos humanos das às filhas. as mulheres não gozam do mes- antes dos 18 anos. exclusão explícita da tomada de decisões tre meninas de 10 a 14 anos do que entre políticas é considerada normal. inciden- . indivisíveis. económicos e A tradição dos casamentos infantis tam. compete aos Estados. Conferência Mundial sobre Direitos Huma- lizadas que entretanto conduziram a uma nos em Viena. […] Embora se deva meninas são mais vulneráveis a todos os ter sempre presente o significado das especi- tipos de violência. em 1993. De Apesar do conceito amplamente partilha- acordo com estimativas da UNICEF. A diversida- menos meninas do que rapazes alcançam de cultural é demasiadas vezes usada como a idade adulta em algumas áreas do mun. Devido à falta de leis de proteção são universais. mais do de universalidade. Mais comum na Ásia. ficidades nacionais e regionais e os diversos lência sexual. estas políticas e perceções colo- 24 anos”. interdependen- ou ao fracasso na efetivação de tais leis. antecedentes históricos. O casamento antes dos 18 anos é uma realidade para muitas jovens. particularmente. uma vez que que afeta já a vida de mais do que uma sublinha que “todos os direitos humanos geração. O documento adotado durante a infanticídio feminino são práticas genera. muitas áreas da vida de 64 milhões de mulheres com idades quotidiana das mulheres ainda são fontes compreendidas entre os 20 e os 24 anos de controvérsia. promover e proteger todos os direi- bém conduz a problemas de saúde para as tos humanos e liberdades fundamentais”. soal e ao direito à vida das mulheres. a seleção pré-natal do sexo e o mulheres. ferente à questão da saúde das meninas. culturais e religio- nas enfrentam discriminação no acesso à sos. dos direitos humanos. culturais. E. Em casos as mulheres com idades entre os 20 e os extremos. é também um êxito tendência demográfica do sexo masculino importante para as mulheres. o crime alegadamente cometido INTERCULTURAIS pela Amina Lawal foi dar à luz uma criança E QUESTÕES CONTROVERSAS fora do matrimónio. tiona a compatibilidade de algumas práticas cia central para os direitos humanos. Em muitas regiões. mas culturais e religiosas com a universalidade indispensável especialmente no que diz res. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 207 a saúde e a distribuição da alimentação. A negação casamento precoce conduz inevitavelmen. Este veredicto causou um enorme tumulto internacional e ques- O conceito de universalidade é de importân. te dos seus sistemas políticos. independentemen- educação e à formação especializada. peito aos direitos das mulheres. como referiu o Comité de ONG cam mesmo uma ameaça à segurança pes- sobre a UNICEF. de um acesso igual às oportunidades de te à maternidade precoce e provoca “uma educação e de emprego. De acordo com a Amnistia Internacional da 3. na sua documentação re. o mo tratamento que os homens. as tes e interrelacionados. PERSPETIVAS Austrália. a vio. Infelizmente. as meni. Em 2002. uma desculpa ou impedimento para a total do. Em algumas religiões e eram casadas ou viviam em união de facto tradições. assim como a mortalidade materna cinco vezes maior en. meninas.

MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tes recentes. Mulher (UNIFEM). mais mulheres no governo do que nunca. nunca. em todo o mundo. De acordo com esti- suicídio por autoimolação. no fim. jo. 2011.208 II. de forma a pres. uma vez que as mulheres podem sultados na reconciliação da religião ou da abordar melhor as suas preocupações. vista tradicionalmente como o ato vel nacional aumentou 8% na década de altamente respeitado de uma total devo. para revigorar no britânico em 1829. ocorrem muitas vezes após turas em todo o mundo. as estatísticas da Índia da diversas vezes e. mativas da ONU Mulheres. governo eram mulheres. na Índia moder. aumento de apenas 1%. condenados a 100 vergastadas pelo crime Hoje. em relação à média global ção da mulher ao seu marido. forçadas a cometer paridade” de 40-60%. res é considerada mais importante do que demonstram que se alcançaram poucos re. sem qualquer cionais de luta contra as mortes por cau. cuja execução foi adia. às limitada. desde há décadas. Mesmo continu- sionar a família da noiva a pagar um dote ando a aceleração da taxa atual relativa à mais elevado do que o anteriormente acor. envenenamen. a participação política das mulhe- de terem tido um filho fora do casamento. há um aumento chocante do número após 1975. mentados em 2006 e 2008. tradição com os direitos das mulheres. a tradição Hindu de grupos de mulheres estão-se a centrar em autoimolação na pira funerária com o seu esforços para aumentarem a representação marido falecido. Ashtiani no Irão. transformada sobre criminalidade relatam milhares de numa sentença de dez anos. No entanto. Hoje. participação das mulheres. mais e mais mu- lheres alcançaram o direito de voto e de Proibição da Tortura se candidatar e ocupar cargos públicos. não vão atingir . tipo de regime de quotas. As mulheres encontram-se em vezes também referidas como “homicídios menor número. maioria simples dos votos. das mulheres nas eleições. ainda existe atual de 18. de 4 para 1. nas duas décadas na. apenas 17 chefes de Estado ou de pelos parentes do noivo. ou o caso de 2012 de um casal do Mali. bem como de iniciativas interna. Enquanto que A proporção de mulheres deputadas a ní- a Sati. 1998 a 2008. existem como é provado pelos últimos casos docu. Liberdades Religiosas De acordo com o anterior Fundo de De- senvolvimento das Nações Unidas para a Outra prática religiosa que afeta o quoti. de mortes entre mulheres (na maioria. As nação democrática continua a ser bastante chamadas “mortes por causa do dote”. Nos últimos 50 anos. em compara- dado. os países com to ou enforcamento. mas ainda ocorre a responsabilização política. cada vez mais mulhe- diano das mulheres pode ser encontrada res procuram transformar a política. e os na Índia onde a Sati. nas legisla- de noivas”.4%. tais como o caso de Sakineh sa do dote na Índia e nos países vizinhos. mas também que ainda muito longe de alcançar a “zona de são. Em meados de um longo período de perseguição e tortura 2009. a igualdade de género no âmbito da gover- vens) cujos maridos estão bem e vivos. Estes incluem casos de mulheres ção com as décadas anteriores. Apesar das ONG e do sistemas eleitorais representativos por governo. em comparação com o embora mais raramente. depois de uma casos anuais e números crescentes desde vaga de protestos internacionais em 2010 e a década de 90. estaremos que são assassinadas. presumivelmente. foi proibida pelo gover.

guidas não apenas pelos governos. à maioria da população. Porém. para tra. a manifestar-se das legislações nacionais e de organismos e a lutar pela democracia e participação. Durante a Revolução Verde Ira. humanos das mulheres através da edu- balho igual. assim como nos retrocessos Direitos Fundamentais da União Europeia imediatos. no entanto. em a monitorizar a atuação dos seus Es- muitas sociedades europeias. A Agência dos cos e sociais. de que ser mulher nem sempre é motivo Não é possível às mulheres poderem único para a discriminação. Contudo. E MONITORIZAÇÃO Direito à Democracia A total implementação dos direitos huma- nos das mulheres requer esforços especiais Desde o fim do comunismo. reitos humanos das mulheres existem ropeia exige um pagamento igual. Direito ao Trabalho ticas ganhas pelos partidos islâmicos. Dentro da União Europeia. trumentos e mecanismos de direitos pletamente o pagamento igual. mento protegido e centra-se nas práticas lheres na linha da frente. até hoje este transmitindo a ideia daquilo que poderia problema recorrente para muitas mulheres ser a igualdade de género e participação não se encontra claramente refletido na le- nas sociedades islâmicas. que seja a mulher e não o homem a per. exercer os seus direitos humanos se não em muitas áreas. com as mesmas qualificações. • Outro passo é encorajar as mulheres der o emprego quando envelhecer ou. culdades em encontrar um trabalho ade- Também se tem assistido. a uma forte participação feminina muçulmano ou uma mulher pertencente nos movimentos e revoluções democráti. realizado. para diferentes abordagens que podem ser se- trabalho igual para homens e mulheres. é muito mais provável souberem o que são. Por exemplo. IMPLEMENTAÇÃO ter sido novamente adiada. descreve a discriminação múltipla como niana de 2009 e 2010 e a Primavera Árabe situações em que a discriminação tem lu- de 2011. E. direitos humanos internacionais e para de- ca de um terço a menos do que os seus senvolver novos mecanismos para garantir colegas masculinos pelo mesmo trabalho a igualdade de género. guerra civil ou as eleições democrá. cação para os direitos humanos nos Além disso. as mulheres para reinterpretar alguns instrumentos de em países pós-comunistas ganham cer. as estações de televisão de todo gar com base em mais do que um funda- o mundo transmitiram imagens de mu. tendo as gislação Europeia contra a discriminação. o artº 141º do Relativamente à implementação dos di- Tratado Constitutivo da Comunidade Eu. uma mulher tados para saber se estes estão a cum- . entre homens e mulheres. mas com as mesmas qualificações. para a igualdade. também pela sociedade civil: na realidade muitos Estados-membros • A primeira é a disseminação dos ins- da UE estão ainda longe de alcançar com. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 209 o limiar de 40% de mulheres em cargos migrante ou muçulmana terá mais difi- públicos até perto do final deste século. está a aumentar a consciência sistemas educativos formal e informal. revoluções terminado em repressão contí- nua. a participação política das mulheres parece 4. nos últimos quado do que um homem migrante ou anos.

da Turquia. ela visita países e consciencialização sobre o processo examina o nível de violência contra as de elaboração de relatórios relativos à mulheres nesses países. mulheres conhecem os instrumentos ternativos ou “sombra” para o Comi. emite recomendações para que esses pa- • Nos países onde o Protocolo Opcional íses adaptem as suas práticas em confor- à CEDM ainda não foi ratificado. lo urgente para uma total implementação cluída pelo respetivo Estado ao ratificar dos direitos humanos das mulheres para o Protocolo. se esta possibilidade não for ex. Em 2009. No caso significou um enorme retrocesso para de violações graves e sistemáticas. assumiu a posição aceitaram ao nível internacional. ratificação deste Protocolo Opcional significa que o Estado que ratifica reco. As mulheres devem ser percebem os passos apropriados para encorajadas a preparar relatórios alter. de direitos humanos e ainda menos té específico. isso é de extrema importância que o ape- gação. pensamentos ultraconservadores e do xas de indivíduos ou grupos dentro da fundamentalismo em muitas sociedades respetiva jurisdição do Estado. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS prir os seus deveres. estabe- civil responsabilizar os seus governos lecido em 1994. no país. de. de 1993. poucas as ONG podem preparar relatórios al. mas também CEDM. completa implementação dos instru- . o surgimento de Mulher para receber e considerar quei. Se as obrigações do Esta. Apesar das melhorias significativas. um Relator Especial sobre permitem aos membros da sociedade a Violência contra as Mulheres. reitos humanos. no campo dos direitos Eliminação da Discriminação contra a humanos das mulheres. Os relatórios sombra nismo novo. os direitos humanos das mulheres e por mité pode decidir iniciar uma investi. Para de Yakin Ertürk. sobre o uso dos mecanismos de di- do não são devidamente cumpridas. e para outros ór. o Co. apoiou a criação de um meca- gãos dos tratados.210 II. todas as mulheres seja mantido a todo o • Um passo importante em direção à custo. nativos tanto para o Comité da CEDM que monitoriza o cumprimento pelos A Conferência Mundial sobre Direitos Estados Partes das suas obrigações de Humanos realizada em Viena. nos nhece a competência do Comité para a últimos 30 anos. invocá-los. midade com as normas jurídicas interna- vem ser organizadas campanhas para cionais no campo dos direitos humanos influenciar a sua rápida ratificação. de acordo com os mentos de direitos das mulheres é a instrumentos de direitos humanos que formação de mulheres defensoras ratificaram. A das mulheres. Rashida Man- pelas obrigações e compromissos que joo. em junho acordo com a CEDM. Atualmente. Como parte além de contribuírem para uma maior das suas obrigações. da África do Sul.

” sejos. em 1999. Mary Robinson. Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. 2000. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 211 CONVÉM SABER da Declaração de Pequim e da Plataforma de 1. Um outro manu- O processo de interpretação dos instru. Em 1992. para efeitos pedagógicos. mas escravidão sexual. Agora. esta com violações e ultrapassar a oposição in- Declaração é usada como uma declara. do Comentário Geral nº gócios Estrangeiros Austríaco. O Passaporte vens e mulheres instruídas. baseado em Os Direitos Humanos numa Perspetiva relatórios de peritos. Ao interpretar o artº comemorar o 20º aniversário da CEDM e é 3º do Pacto Internacional sobre os Direitos uma parte integrante da série de vídeo aci- Civis e Políticos (PIDCP) no que respeita ma mencionada “Women Hold Up The Sky”. em março de 2000. em muitos países. Apesar do hiato digital mundial. especialmente jo- “Women Hold up the Sky”. E. al “Between their Stories and our Realities” mentos internacionais de direitos humanos foi produzido com o apoio do Instituto de numa perspetiva sensível ao género já co. para 28. ção e pelo Departamento para a Cooperação ção. Um número crescente destas . e sexual são incluídas no estatuto do TPI. BOAS PRÁTICAS Ação relaciona as obrigações jurídicas com a realidade. pelo Comité dos Direitos Humanos das no Desenvolvimento do Ministério dos Ne- Nações Unidas. Formação para os Direitos das Mulheres O People’s Movement for Human Rights O Apoio dos Meios de Informação Digi- Education (PDHRE) fez uma importante tais aos Direitos das Mulheres e das Me- contribuição para o avanço dos direitos das ninas mulheres com o seu pioneiro “Passapor. necessidades e de. gravidez forçada e ou- também a incluir neste quadro as suas tras formas de violência baseada no género próprias experiências. Viena para o Desenvolvimento e Coopera- meçou. o Comité Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da “Neste momento. ciações do Tribunal Penal Internacional O objetivo é encorajar as mulheres não só (TPI). o for Human Rights Education forneceu mate- Comité reviu todos os artigos do Pacto atra. que tiveram em consi- do que resultou na redação da Declaração deração as experiências das mulheres na Universal dos Direitos Humanos (DUDH) guerra. a aprender sobre direitos humanos. procurando garantir que a violação. expressos na sua própria língua. gostaria de prestar home- Mulher (CLADEM) lançou uma campanha nagem às mulheres da Women’s Caucus que incluiu organizações de todo o mun. bem como em testemu- de Género nhos de mulheres afetadas. rial valioso para a formação das gerações fu- vés de uma perspetiva sensível ao género. identificaram estratégias para lidar sob a perspetiva do género. Um dos melhores exemplos é a ado. aos direitos iguais de homens e mulheres no Com esta contribuição o People’s Movement gozo de todos os direitos civis e políticos. tensa de muitos representantes nas nego- ção “sombra”. têm acesso aos para a Dignidade com a sua pesquisa global meios de informação eletrónicos e à World sobre as 12 principais áreas de preocupação Wide Web. mais mu- te para a Dignidade” e as séries de vídeo lheres do que nunca. for Gender Justice. turas de ativistas dos direitos das mulheres.

variedade de crimes puníveis de acordo tes um tabu grave na Índia. vencedor. foram projetos inicializados de 2002. e para ajudar com o Estatuto que são principalmente co- os homens a sentirem-se com legitimidade metidos contra as mulheres. vida privada das vítimas e testemunhas” deve ser preservada e que qualquer um 2. pela primeira vez na história. an. Por exemplo. nal Penal Internacional para garantir que va os jovens a utilizarem os meios de infor. que incenti. es- e de participação. reito internacional humanitário atingiu um te componente educativa. uma diretamente. Uma boa prática para se supe. As atrocidades lheres” (Power 2 Women) abordaram expli. em todas Roma que entrou em vigor a 1 de julho as categorias. necessita de ser parte do mandato do Tri- latar casos de assédio sexual. qualquer outra forma de violência no cam- lecida no Egito em 2008. elas foram bem sucedidas: O di- ou executados por mulheres. prostituição forçada. é dada explícita atenção a ví- sexual. estar físico e psicológico. a dignidade e a raizada de discriminação das mulheres. um grupo de mu- se utilizar os meios de informação digitais lheres participou na Conferência de Roma para compromissos sociais é o Prémio Ci. TENDÊNCIAS dos juízos pode decretar “[…] que um ato processual se realize. com o artº 7º. Avaliando o Estatuto de Unidas: Metade dos vencedores. As mulheres aper- mente as oportunidades de participação ceberem-se de que sem agrupamentos or- oferecidas pelas tecnologias e aplicações ganizados. O terceiro escravatura sexual. a Campainha!” (Bell Bajao).0. os direitos humanos das mulheres fossem mação digitais para agirem pelos Objetivos seriamente considerados e incorporados de Desenvolvimento do Milénio das Nações pelos redatores. “Estação de Rádio apenas para gravidez à força. no território da antiga Jugoslávia e no Ru- citamente a violência contra as mulheres: o anda também mostraram que a proteção “Mapa de Assédio” (Harrassmap) do Egito das mulheres e dos seus direitos humanos implementou um sistema de SMS para re. não seriam apropriadamente defendidas e rar a comunicação de apenas um sentido e promovidas. Em 1998. de direito humanitário. no todo ou em par- Nas últimas duas décadas. eficácia. o bem- a cultura prevalecente profundamente en. esterilização à força ou Mulheres” (Girls Only Radio Station). para a elaboração do Estatuto do Tribu- meira Mundial de Juventude. crimes de violência sexual. dois dos três pecialmente no que respeita à inclusão de vencedores do prémio “Poder para as Mu. no contexto da violência. assim como a consciência política timas e a testemunhas. para intervirem de forma a terminar. à porta fechada ou permitir a produção as mulheres envolveram-se ativamente em de prova por meios eletrónicos ou outros . O artº 68º do Esta- para as mulheres em muitas áreas e desafia tuto afirma que “[…] a segurança. O Estatuto de Roma menciona explicita- panha multimédia para abordar os homens mente. Em 2011. as preocupações das mulheres da Web 2. as ONG para te. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS mulheres não se limita a consumir conte. diversas questões de direitos humanos e údo digital. descreve-se como po sexual de gravidade comparável […]” uma revista digital a incluir tópicos como constituem crimes contra a humanidade. com uma for. de informação novo marco com o Estatuto de Roma. mas aproveita também ativa. declara que “[…] violação. estabe. e o “Toque bunal Penal Internacional. a autodefesa e a reabilitação após o abuso Além disso.212 II. nº1. a violência doméstica. foi uma cam.

a questões de mulheres: Em março de 2012. E. nio estimada de 1. nomeadamente. onde os níveis de mortalidade e económicas nos países mais pobres do são os maiores. em termos globais. explicita e implicitamente. dois deles. como a po. ex- que tiveram lugar no TPIAJ e no TPIR. faz parte dos Objetivos de Desen. A edição de 2010 do digesto cen- legisladoras pressionaram no sentido de trou-se no género e demonstrou a ten- uma nova lei sobre as terras que permitiria dência geral de que apenas um em cada as mulheres herdarem terras dos seus ma. tanto o nú- ligamia. de desenvolvimento internacionais ante- riores e foram oficialmente estabelecidos A campanha Unidos para a Eliminação após a Cimeira do Milénio. no caso de uma vítima Nações Unidas. mero global de mortes maternas como a ratio de mortalidade materna caíram O compromisso da comunidade interna. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 213 meios especiais. Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) é a fonte oficial de dados estatísticos que Também ao nível nacional. este direito há muito tempo. Finalmente. por exemplo. na da Violência contra as Mulheres (UNi- qual todos os líderes mundiais presentes TE) foi lançada em 2008 e consiste num . adotaram a Declaração do Milénio das ão. é mais lenta do que em mundo. os Estados Árabes. e divulga os factos e números moção dos direitos humanos das mulhe. Todos os objetivos seja vítima ou testemunha”. o 2015. objetivos. até das as regiões em desenvolvimento. às de proteção são também um resultado de condições de vida das mulheres e dos ho- experiências feitas durante os julgamentos mens. as mulheres Global. 121 Estados de todo • Objetivo 3: Promover a igualdade de o mundo haviam ratificado o Estatuto de género e empoderar as mulheres: o Roma. a Ásia cesso encorajou-as a abordar outras ques. tões relacionadas e importantes para as • Objetivo 5: Melhorar a saúde materna: mulheres. os movimentos monitoriza o progresso em direção aos de mulheres foram bem sucedidos na pro. Este su. Oriental e a região do Pacífico. ainda está aquém da po dos Objetivos de Desenvolvimento do meta dos ODM. rica Latina.7% na África Subsa- através da melhoria das condições sociais ariana. três países alcançou a paridade em am- ridos falecidos. um terço desde 1990. Embora tenha ha- cional de eliminar as disparidades de gé. vido um progresso significativo em to- nero em todos os níveis de educação. O costume tinha proibido bas as educações primária e secundária. volvimento do Milénio (ODM). os objetivos 3 e 5. Estas medidas aplicar-se. a partir da qual deriva- de violência sexual ou de um menor que ram os oito objetivos. a Amé- necessitam para se sustentarem. da Interagência doméstica e algumas tradições. Estes objetivos derivam de metas qualquer outra região. A taxa anual de declí- Milénio é encorajar o desenvolvimento. declínio médio da percentagem anual. de 2012. se arriscam a não atingir as metas até res sabem que têm o direito à terra de que 2015 são a África Subsaariana. clusivamente. tais como a Lei sobre Relações de acordo com as estimativas referentes Domésticas que procura banir a violência à mortalidade materna. No Uganda. As regiões em que a maioria dos países elas conseguiram e agora muitas mulhe. O esco. das Nações Unidas. Estas medidas referem-se. em 2000. mais recentes no Digesto da Educação res.

suas competências e esforços respeitantes às mulheres e questões de género através da “No âmbito da ordem patriarcal existente. incluindo a monitorização regular do Em 2010. criação da ONU Mulheres e a Entidade das a CEDM é um documento revolucionário Nações Unidas para a Igualdade de Género extraordinário. reunindo da Quarta Conferência Mundial sobre as recursos e mandatos para obtenção de Mulheres. disponibili- • o reforço da recolha de dados sobre a zando-se para prestar apoio técnico e prevalência da violência contra as mu. Mulheres. e • manter o sistema das Nações Unidas • a abordagem da violência sexual nos responsável pelos seus próprios com- conflitos. claração e Plataforma de Ação de Pequim e se sobre o trabalho importante de quatro dos resultados da vigésima terceira sessão instituições distintas anteriores do siste. para o Progresso das Mulheres. o Gabinete o sistema da ONU para unirem forças para do Assessor Especial para Questões de se enfrentar a pandemia global da violên. Funde-se e constrói.214 II. exclusivamente na igualdade de género e ninas em todas as partes do mundo. especial da Assembleia-Geral. mulheres enquanto seres humanos plenos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS esforço de vários anos a prevenir e elimi. Género e Promoção da Mulher e o Fundo cia contra as mulheres e meninas. mentarem estas normas. 2009. de Desenvolvimento das Nações Unidas A UNiTE pretende atingir até 2015 os se. no âmbito das próprias Nações Unidas é a to das mulheres. para o acompanhamento de reforma das Nações Unidas. Um dos documentos mais recentes para a leração do processo para se atingirem os aplicação e integração de questões de géne- objetivos da organização respeitantes à ro na legislação e administração. que se centravam nar a violência contra as mulheres e me. aos meios de informação e a todo para a Promoção da Mulher. sociedade civil. . As principais guintes cinco objetivos. único na sua perceção das e o Empoderamento das Mulheres. em 2011. a implementação integral da De- um impacto maior. financeiro adequado aos países que o lheres e meninas. cas. para enfrentar e punir todas as formas como a Comissão sobre o Estatuto das de violência contra mulheres e meni. em todos os países: funções da ONU Mulheres são: • a adoção e execução das leis internas • apoiar organismos intergovernamentais. A constituição da ONU Resolução da Assembleia-Geral das Nações Mulheres surgiu como parte da agenda Unidas 66/132. desta forma. ma das Nações Unidas.” Shulamith Koenig. padrões internacionais e normas. cazes com a sociedade civil. • a adoção e implementação de planos de • ajudar os Estados-membros a imple- ação nacionais multissetoriais. A empoderamento das mulheres: a Divisão UNiTE apela aos governos. bem como igualdade de género e ao empoderamen. as Nações Unidas agruparam as progresso de todo o sistema. o Institu- organizações de mulheres. na sua formulação de políti- nas. Os Estados-membros da ONU deram. solicitem. e bilização social. jovens. e estabelecerem parcerias efi- • o aumento da consciência pública e mo. para a Mulher (UNIFEM). ao setor to Internacional de Pesquisa e Formação privado. promissos sobre a igualdade de género. um passo histórico na ace.

Punir e fico de Pessoas e da Exploração da Erradicar a Violência contra a Mu- Prostituição de Outrem (em vigor: lher. a Idade Mínima ção sobre a Eliminação de Todas para o Casamento e o Registo dos as Formas de Discriminação con- Casamentos (em vigor: 1964. Repressão e à Punição do Tráfico 1976 Início da Década das Nações Uni. em especial de Mu- das para as Mulheres: Igualdade. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 215 3. ratificações até maio 2012: 74) ratificações até maio 2012: 121) 1962 Convenção sobre o Consentimento 1999 Protocolo Opcional à Conven- para o Casamento. ratificações até maio vigor: 1981. rati. E. lheres e Crianças. de Belém do Pará (em vigor 1951. para o Progresso das Mulheres até nal das Mulheres ao ano 2000 1921 Convenção Internacional para a 1994 Estabelecimento do Relator Espe- Supressão do Tráfico de Mulheres cial sobre a Violência contra as e Crianças e Protocolo retificativo Mulheres 1950 Convenção para a Supressão do Trá. como suple- Desenvolvimento e Paz mento à Convenção das Nações 1979 Convenção sobre a Eliminação de Unidas contra a Criminalidade Todas as Formas de Discriminação Organizada Transnacional (em contra as Mulheres (CEDM) (em vigor: 2003. tra as Mulheres (em vigor: 2000. 1994 Convenção para Prevenir. ratificações até maio 2012: 147) 2012: 187) 2000 23ª Sessão Especial da Assem- 1980 Segunda Conferência Mundial das bleia-Geral sobre “Mulheres 2000: Nações Unidas sobre as Mulheres Igualdade de Género. ficações até maio 2012: 55) ratificações até maio 2012: 104) 1967 Declaração sobre a Eliminação da 2000 Resolução do Conselho de Se- Discriminação contra as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ RES/1325 (2000) relativa a mulhe- 1975 Primeira Conferência Mundial das res. de Nairobi. ratificações até março 2012: 82) 1995) 1953 Convenção sobre os Direitos Políti. paz e segurança Nações Unidas sobre as Mulheres (Cidade do México) 2000 Protocolo relativo à Prevenção. 1995 Quarta Conferência Mundial das cos das Mulheres (em vigor: 1954. Desenvolvi- (Copenhaga) mento e Paz para o Século XXI” . CRONOLOGIA 1985 Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres 1789 Declaração dos Direitos da Mulher (Nairobi): Adoção das Estratégias e da Cidadã (Olympe de Gouges) Prospetivas de Ação. de Pessoas. Nações Unidas sobre as Mulheres ratificações até maio 2012: 122) (Pequim) 1957 Convenção sobre a Nacionalidade 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- das Mulheres Casadas (em vigor: nal Internacional (em vigor: 2002. 1888 Fundação do Conselho Internacio. 1958.

ração e Plataforma de Ação de Pe- res. Esta atividade procura melhorar a compre. paz e segurança o acompanhamento da Quarta Con- 2009 Resolução do Conselho de Se. trabalhar diferentes PARAFRASEANDO A CEDM perspetivas sobre direitos das mulheres. 2009 Resolução do Conselho de Se- cana dos Direitos Humanos e dos gurança das Nações Unidas S/ Povos sobre os Direitos das Mu. paz e segurança deramento das mulheres) pela As- 2009 Resolução do Conselho de Se. Dimensão do grupo: 20-25. ferência Mundial sobre as Mulheres gurança das Nações Unidas S/ e a implementação plena da Decla- RES/1889 (2009) relativa a mulhe. paz e segurança quim e dos resultados da 23ª Sessão Especial da Assembleia-Geral ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: a terminologia legal. sembleia-Geral das Nações Unidas gurança das Nações Unidas S/ 2011 Resolução da Assembleia-Geral das RES/1888 (2009) relativa a mulhe. . Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos ensão da CEDM e é especialmente direcio.216 II. RES/1894 (2009) relativa à prote- lheres em África (Protocolo de ção de civis em conflitos armados Maputo) 2010 Resolução do Conselho de Se- 2005 Pequim+10: Revisão dos Dez gurança das Nações Unidas S/ Anos e Apreciação da Declaração RES/1620 (2010) relativa a mulhe- e Plataforma de Ação de Pequim res. Anos e Apreciação da Declaração bleia Geral e Plataforma de Ação de Pequim 2008 Resolução do Conselho de Se. pos de trabalho e debate com o grupo todo rizados com a terminologia jurídica. cooperação e análise de dife- direitos das mulheres. debater instrumentos jurídicos que lidam Parte I: Introdução com os direitos das mulheres. pequenos gru- nada a não juristas que não estão familia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2003 Protocolo Adicional à Carta Afri. papel e caneta Parte II: Informação Geral Competências envolvidas: leitura e para- Tipo de atividade: Exercício fraseamento da terminologia jurídica. co- Metas e objetivos: Sensibilização sobre os municação. Duração: aproximadamente 60 minutos Material: Cópias da CEDM. a igualdade de género e o empo- res. paz e segurança e do Documento Resultante da 2010 Pequim+15: Revisão dos Quinze 23ª Sessão Especial da Assem. familiarizar-se com rentes pontos de vista. 2010 Estabelecimento da ONU Mulheres gurança das Nações Unidas S/ (entidade das Nações Unidas para RES/1820 (2008) relativa a mulhe. Nações Unidas A/RES/66/132 sobre res.

Se não. ou cinco possibilita um debate mais inten- Dar 30 minutos ao grupo para trabalhar sivo e permite aos participantes silencio- e depois chamá-los para o plenário. o que torna o debate mais in. quais são as mulheres mais afe. sos ou tímidos uma melhor oportunidade Cada grupo apresenta a sua “tradução” de se envolverem. os resultados ao grupo inteiro. É também possível to dos direitos humanos das mulheres? entregar o mesmo artigo ou artigos a todos Qual é o assunto? Quais são os direitos os grupos. • Como respondem as mulheres à segre- gação? ATIVIDADE II: • Existem direitos humanos dos quais os O CAMINHO PARA A IGUALIA homens gozam naturalmente enquanto as mulheres têm de fazer um esforço Parte I: Introdução especial para terem esses direitos reco. não discriminação. apresentados e debatidos na presença de Depois. direitos das gregação de género. por entre . todos de modo a garantir o mesmo nível ção no seu país natal. O debate de todas de conhecimento a todos os participantes. ou algumas das seguintes questões pode Outras sugestões: ser útil na análise sobre o que pode ser A atividade pode ser realizada com qual- modificado: quer documento jurídico de acordo com o • A sua sociedade coloca os direitos das interesse dos participantes e os tópicos do mulheres separados dos direitos huma. lesados? teressante uma vez que diferentes pessoas Sugestões práticas: poderão entender certas expressões de for. linguagem corrente. Trabalhar em pequenos grupos de quatro ma diferente. nos? Como é feita esta segregação: pela lei? Pelo costume? Parte IV: Acompanhamento • A segregação é direta? É um “facto da Um acompanhamento adequado pode ser vida” sobre o qual ninguém fala? a organização de uma campanha para os • A segregação afeta todas as mulheres? direitos das mulheres. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 217 Parte III: Informação Específica sobre a intermédio dos homens? Quais são os Atividade obstáculos à autonomia das mulheres? Instruções: • O que diz a Constituição do seu país Depois de fazer uma introdução à CEDM. jurídico a decorrer atualmente a respei- ca.. Direitos humanos em geral. O caminho para a igualdade é longo e si- nhecidos? nuoso. Deixar tempo para o dos trabalhos de grupo devem ser sempre debate e esclarecimento de questões. o grupo deve pensar na situa. • Existem aspetos da vida onde se espera Os participantes ajudam os viajantes a que as mulheres devam agir através do encontrarem o seu caminho. sobre os direitos das mulheres? Existe pedir aos participantes que se dividam em disparidade entre a realidade e a Cons- grupos de 4 ou 5 pessoas. Cada grupo será tituição? responsável por traduzir uma determinada • Tem conhecimento de algum processo parte da CEDM para linguagem não jurídi. curso. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- tadas? plorar: • Descreva exemplos particulares de se.. minorias. E. Contudo.

obstáculos e facilidades que se encontram cussão e decisões de grupo. Pedir a cada grupo que dese- que contenha caraterísticas físicas. um país onde existe a igualda. aptidões cria. No presente. marcadores de diferentes cores. Reações: tes irão desenhar um mapa de fantasia de Começar com uma conversa sobre a for- como chegar à Igualia. mas o seu mapa mostra o cami. Explicar que nesta atividade os participan. tivas/desenho Dar aos grupos 40 minutos para desenha- rem seus mapas. caminho a passar entre os dois. Material: Folhas de papel e lápis para a que obstáculos iriam encontrar no trajeto chuva de ideias. Lembrá-los de fazerem Parte III: Informação Específica sobre a uma tabela para os símbolos que usaram. Igualia. um país onde exis.218 II. ma como os diferentes grupos trabalha- te igualdade de género verdadeira. vales. as paisagens do presente e do futuro e um deias. tais nhe o seu mapa de fantasia. promovendo a usados para as florestas. O viajante pode demonstrar força moral Parte II: Informação Geral ao atravessar a nado um rio que flui Tipo de atividade: Trabalho de grupo. presentados pelas linhas. a por exemplo. al. folhas de papel grandes. desenhando um rias que usem a metáfora de uma pessoa mapa de fantasia do caminho para a em viagem para defender ideais morais. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Pedir às pessoas que se organizem em pe- Dimensão do grupo: 10-30. rios. pontes. Analisar brevemente a forma como se con- preensão e a apreciação dos objetivos de cebem os mapas. florestas. o desen. etc. trabalho em quenos grupos de 3 a 5 pessoas. como desenharam o mapa. Eles de- Preparação: Familiarizar-se com o mapa e vem fazer os seus próprios símbolos para os símbolos utilizados as características geográficas e para os Competências envolvidas: Análise. um mapa Entregar as folhas de papel grandes e os pedestre ou qualquer outro tipo de mapa marcadores. dis. Atividade Reunir o plenário e pedir às pessoas para Instruções: apresentarem os seus mapas. pré- justiça e o respeito dios. etc. Apontar os caminhos re- igualdade e equilíbrio de género. Descobrir algumas metáforas comuns de de género verdadeira. a representar como montanhas. rapidamente ou humildade ao auxiliar imaginação e desenho outra pessoa. Metas e objetivos: Desenvolver a com. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS diversos obstáculos. cabos de energia. ram juntos e como eles tomaram decisões Pedir aos participantes que se lembrem sobre o que representar e sobre a forma de contos populares ou de outras histó. a forma como uma flo- Igualia existe apenas na imaginação das resta escura pode ser usada como uma pessoas. metáfora para o mal ou uma maçã ver- nho para o futuro. Ao prosseguir. Distribuir pequenos grupos e debate com o grupo as folhas de papel e lápis e dar-lhes cer- todo ca de 15 minutos para fazerem 3 curtas Duração: aproximadamente 90 minutos discussões sobre como imaginam Igualia. . charnecas. melha para representar a tentação. ao longo do caminho. para Igualia e como os iriam superar. o sombreamento volvimento da imaginação e criatividade para as montanhas e os rios e os símbolos para vislumbrar o futuro.

A manual on human rights • Justificam-se as políticas de discrimina. de forma a cons. • Qual é o papel da educação para o em. struments and African Experiences. Equality and Judicial OSCE – Office of the Special Representa- Neutrality. nidades em relação ao género e discutir como des entre homens e mulheres. E. ideal. education with young people. 1987. ..). Wolfgang. Lon- ment-implementation-new-sharia-based. The Evolutionary Na. clube ou tre todos os países do mundo. Considerar a política da sua escola. DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES 219 abordar a forma como na realidade seria a prazo para aumentar a igualdade de gé- Igualia e sobre os obstáculos: nero? • As pessoas gostaram da atividade? De • Quais outros grupos são discriminados que gostaram? na sua sociedade? Como se manifesta • Qual das três perguntas foi a mais fácil de essa discriminação? Quais os direitos debater? Qual foi a mais difícil? Porquê? humanos que estão a ser violados? • Quais são as principais caraterísticas da • Como se podem empoderar os grupos Igualia? desfavorecidos de forma a poderem re- • Quais são os principais obstáculos que clamar os seus direitos? impedem que a sociedade do presente seja a Igualia ideal? Parte IV: Acompanhamento • Se tivesse de classificar o seu país en. Gerd Oberleitner tion of new Sharia-based penal codes in and Esther Kisaakye (eds.). Benedek. penal-codes-in-northern-nigeria Boletín Red Feminista Latinoamericana Aronovitz. In: Mahoney. como o as políticas são implementadas e se são ne- classificaria numa escala de 1 a 10? 1 é cessárias mudanças ou esforços para elevar a muito desigual.nl/nieuwsportaal/pers/joint-state. direitos das igualdade de género? minorias. 2002. Toronto: Carswell. (Fonte: Rui Gomes et al. não discriminação. 1993 – current. poderamento e os direitos humanos? COMPASS. Alexis. Hu- northern Nigeria. Kathleen and beings to better prevent the crime.) ção positiva enquanto medidas a curto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abella. Available at: www. pp. (eds.am. Amnesty International Netherlands. Vienna: Sheilah Martin (eds). Gerda Theuermann y del Caribe contra la violencia domésti- and Elena Tyurykanova. 4 et seq. tive and Coordinator for Combating Traf- ficking in Human Beings. Rosalie. 2005. 2002. don: Zed Books. Joint statement on the implementa. 10 é a igualdade quase sua instituição ao estatuto da Igualia. man Rights of Women: International In- nesty. Isis. no que local de trabalho sobre a igualdade de oportu- respeita à igualdade de oportunida. the business model of trafficking in human ture of Equality. 2010. plorar: truir-se uma sociedade onde exista Direitos humanos em geral. Analyzing ca y sexual. Direitos relacionados/ outras áreas a ex- • O que precisa mudar.

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” Comissão Internacional de Juristas. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO O PRIMADO DO DIREITO EM SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS JULGAMENTO JUSTO – ELEMENTO PRINCIPAL DO PRIMADO DO DIREITO OS ELEMENTOS DE UM JULGAMENTO JUSTO “O primado do Direito é mais do que o uso formal dos instrumentos jurídicos. F. é também o Primado da Justiça e da Proteção para todos os membros da sociedade contra um poder governamental excessivo. . 1986.

. S. incluindo sadas por um atentado à bomba. Os S.. trabalha. foi absolvido de todas as acu. fundadas sobre acusações motivadas po- ram a hipótese de se tratar de um atentado liticamente. ao julgamento. tanto Ö. foram apresentadas para estabe- gada pelo seu alegado envolvimento lecer uma ligação entre S. quando foi detida. como resultante de um atentado com bom.. e a explosão. O procu. também tas acusações infundadas deveriam termi- alega ter sido severamente torturada quando nar de uma vez por todas. rotulou a explosão editores. indivíduos que participam em manifesta- ba. No tribunal.. também foi detido. como tendo tentativa para condená-la pela autoria de visitado a sua casa. bem sações. numa explosão. pesquisadora na Turquia de um atentado com bomba e na acusação da Human Rights Watch. sem justificação. mossexuais. disse Emma negada. “A continuidade deste caso pa de S. quando um atentado com bomba letal apesar das se tornou claro que a sua tia apenas falava provas substanciais de que não teve lugar curdo e não turco. forenses. como a sua tia afir- va num projeto de arte de rua em Istambul maram nunca sequer terem conhecido S. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Turquia: Farsa de Justiça no Julgamento cia decidiu que as suas declarações eram de uma Ativista inadmissíveis como provas contra S. documento cujo conteúdo ela desconhecia. repetidamente abuso do processo equitativo”. com bomba. de que a explosão tinha resultado Sinclair-Webb. Em 1998.” se encontrava sob custódia da polícia. S. durante o interrogatório. em 1998. tras minorias. é uma socióloga que fez campanhas e relatórios da autópsia não referem quaisquer escreveu extensamente sobre questões dos indícios de que as mortes tivessem sido cau. Um jovem de 19 anos de “O julgamento de S. Ö. sob tortura. O seu julgamento é um dos . Ö. Ne- nhumas outras provas. questões de género. O caso contra versão do sistema de justiça criminal e um ele baseava-se na alegação. tendo ela testemunhado um atentado com bomba. É a terceira alegadamente identificou S. bissexuais e transsexuais. os relatórios da polícia retira. da cul. sos. então com 27 anos. ferentes departamentos da universidade.224 II. defensores dos direitos humanos. o que mais tarde foi refutado por três ções e pessoas envolvidas em atividades relatórios separados de especialistas em di. mais tarde. no Mercado de Verificou-se que uma declaração por escrito Especiarias de Istambul. S. o tribunal de primeira instân. disse a Human Rights Watch. direitos humanos na Turquia. que irá assistir feita por Ö. legais políticas pró-curdas. dos direitos dos ho- Quando Ö. foi fabricada. dizendo que tinha sido co. que matou sete supostamente feita pela tia de Ö. elementares para um julgamento justo. sugerindo que a explosão tinha Procuradores e juízes prosseguem proces- sido causada por uma fuga de gás. mas sim que a que a polícia a tinha forçado a assinar um explosão resultou de uma fuga de gás. Es- agido pela polícia. em que pessoas e feriu mais de 100. retirou em tribunal desde há 12 anos viola os requisitos mais a sua acusação. contra jornalistas e rador que indiciou S.. Persistem na Turquia preocupações bem Inicialmente. decisão confirmada pelo Tribunal como sobre os direitos dos curdos e de ou- de Cassação. representa uma per- idade. testemunhais ou Em 9 de fevereiro de 2011. vai ser jul.. e Ö...

disse a Human Rights Watch. na reali. sente-se tem de assegurar o respeito pelo primado completamente incapaz de se defender a do Direito. À medida que decorre o aceite que os cidadãos só estão protegi- julgamento. descobre Direito à Democracia que pelo menos uma delas fala uma língua que não compreende e que nenhum intér. o juiz informa-o que esta é a segunda existe total consenso quanto a todos os audiência. Nin. a única questão é saber qual deve estabelecidos na lei. jurídicos bem como dos direitos hu- encontra descrito na atual legislação. Qualquer sociedade democrática guém responde às suas questões. de conhecimento público. Quais foram os direitos violados? julgamentos injustos motivados politica. Apesar de o primado do Direito ser um prete está presente. Esta lei tem de ser ser a sua pena. 2011. O que pode ser feito para se prevenir mente. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 225 exemplos mais marcantes deste padrão de 2. torna-se evidente que julgamento justo. advogado. Durante o julgamen. que situações semelhantes ocorram no- (Fonte: Human Rights Watch. Quais os sistemas de proteção interna- cionais que podem ser usados nestes Questões para debate casos? 1. Fica ainda mais confuso O Primado do Direito quando o juiz começa a ler a acusação – o O primado do Direito abrange várias áreas crime de que é acusado nunca antes foi e engloba aspetos políticos. também denominado como “boa fundamentada em legislação elaborada aplicação da justiça”. Imagine-se sentado num tribunal sem saber porquê. não lhe é facultado um efetiva dos direitos humanos. é comummente a sua presença. Quais são os motivos para a acusação de S. Assim. públicas quando os seus direitos estejam dade. tendo a primeira decorrido sem seus elementos. a execução do poder estatal tem de ser to justo. Todavia. F. é um dos pilares de acordo com a Constituição e com o ob- . Tur. Tal é essencial para a proteção si próprio.? A SABER 1. tem de ser aplicada de forma igualitária e o seu Este exemplo demonstra o que acontece cumprimento tem de ser. Pior do que isto. efetivamente. não to. constitucio- considerado ilegal. torna-se claro que todos estão dos contra atos arbitrários de autoridades convencidos da sua culpa e que. INTRODUÇÃO duma sociedade democrática que se rege pelo “primado do Direito”. quando são violadas as garantias de um aplicado. manos. quando se ini- cia a inquirição das testemunhas. vamente? key: Activist’s Trial a Travesty of Justice) 4. uma vez que não se nais. 3. pilar da sociedade democrática. O direito ao julgamen. porém.

manos. quistador. à nobreza. com base na lei e imparcial. central foi estabelecida por Guilherme. e a Lei do Habeas Corpus (1679) que deu.226 II. Julgamento Justo bém requer medidas para a garantia da e Segurança Humana adesão aos princípios da supremacia do direito. igualdade perante a lei. uma administração ções Unidas sobre os Direitos Humanos. fundamentais. Em consequência. Na Europa. garantem que ninguém seja pro- (Fonte: Nações Unidas. o primado do Direito é leis promulgadas oficialmente. aplicadas um princípio fundamental das instituições com igualdade e imparcialidade e com- nacionais e regionais em todo o mundo. O primado do desenvolvimento do primado do Direito do Direito também assegura a prestação foram a Magna Charta Libertatum (1215). deres executivo. em 1066. em conjunto com a nobreza. separação dos poderes. a quem se encontrasse detido. to e a proteção e promoção dos direitos ele próprio não se encontrava acima da lei – humanos.) rante um juiz independente e imparcial. primado do Direito é um dos maiores obs. e não se concretizará sem estes princípios participação na tomada de decisões. a justiça e a gos.” buem diretamente para a segurança da pessoa. e é um pilar essen. O primado do Direito fornece os fortaleceram a sua influência no sistema na- alicerces para a condução justa das rela. reito ganhou importância no ambiente das incluindo o próprio Estado. cumprem as revoluções civis. parlamentar na Europa. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS jetivo de garantir a liberdade. Tam- Primado do Direito. públicas e privadas. e o parlamento. que preferiam o esta- certeza jurídica. o Con- em Viena. cional. o di- “Para as Nações Unidas. insti. do Direito e do julgamento justo contri- dade e transparência processual e legal. A segurança humana tem a sua raiz no sabilização em relação à lei. de contas e fornece um mecanismo de concedendo certos direitos civis e políticos controlo daqueles que estão no poder. estabelecendo a primeira monarquia ções entre as pessoas. Embora o rei incorporasse os po- vel entre o princípio do primado do Direi. como Aristóteles. . os tribunais de direito comum (common law) táculos à implementação dos direitos hu. Os princípios do primado gurança jurídica. Reconheceu que a ausência do era a lei que o tornara rei. As pedras angulares cial do processo democrático. respon. Atualmente. do de direito ao estado discricionário. Desenvolvimento Histórico do Primado A equidade nos procedimentos judiciais é do Direito uma componente da justiça e assegura a As raízes do princípio do primado do Direito confiança dos cidadãos numa jurisdição podem ser encontradas já nos filósofos gre. Outra etapa pode ser identificada na Inglaterra me- Em 1993. patíveis com os padrões e as normas in- ternacionais de direitos humanos. The Rule cessado e preso de forma arbitrária e que of Law and Transnational Justice in Con- todos possam ser ouvidos em tribunal pe- flict and Post-Conflict Societies. proibição da arbitrarie. nação no qual todas as pessoas. 2004. o primado do reito inegável a ser informado das razões pe- Direito refere-se a um princípio de gover. legislativo e judicial centrais. durante os séculos XVII e XVIII. dieval onde. las quais a sua liberdade fora restrita. se. a Conferência Mundial das Na. justiça na primado do Direito e no julgamento justo aplicação da lei. reafirmou a ligação inquebrá. o princípio do primado do Di- tuições e entidades.

Assim. 2004. nos. um clima pro. mesmo ao lidar com situações da sentença. venção Europeia dos Direitos Humanos. O primado do Direito significa. o processual (ex: equidade na audiência). incluin- parcial da justiça e da boa governação. primei- conflito é particularmente importante ramente. também lacionado com a administração da justiça. Alta Comissária das Nações Unidas nimas que assegurem um julgamento para os Direitos Humanos. pode também ajudar a reduzir as O Julgamento Justo taxas de criminalidade e a corrupção. como Elemento Fundamental contribuindo. Estas sociedades aceitam o papel essencial do poder judicial e do poder legislativo para assegurar que os Padrões Mínimos dos Direitos dos Acu- governos façam uma abordagem equili. Em direito ao julgamento justo. dependem do primado do Direito e do tanto no contexto civil como no penal. diretamente. como ditar no Estado e nas suas autoridades. regionais de proteção dos direitos huma- volvimento económico. e não discriminatórias. para o direito de do Primado do Direito viver sem medo. na realidade. sados: brada e legal dos complexos assuntos de 1. é importante compreender que a administração correta da justiça tem dois aspetos: o institucional (ex: a inde- pendência e imparcialidade do tribunal) e “[…] apoiar os direitos humanos e o pri. Todos são iguais perante os tribunais interesse nacional. do tribunais. da administração im. o tuar a segurança humana através da Estado tem de estabelecer instituições que certeza jurídica. procuradorias e polícia. As pla uma série de direitos individuais asse- sociedades que respeitam o primado do gurando a administração correta da justiça Direito não acobertam a autoridade do desde o momento da suspeita à execução executivo. F. . justo com total igualdade. a Con- fortemente de um sistema administrati. um sistema judicial forte de. a Convenção Americana sobre Direitos gresso económico e o bem-estar social Humanos e a Carta Africana dos Direitos que asseguram a segurança económica e Humanos e dos Povos. a existência e o cumprimento restabelecer o primado do Direito e o efetivo de leis. como o Pacto Internacional sobre os pício ao investimento também depende Direitos Civis e Políticos (PIDCP). vo e judicial que funcione. social e contribuem. estabelecido nos tratados universais e No que respeita ao crescimento e desen. o pro. excecionais. Em situações de pós. de conhecimento público direito ao julgamento justo para acen. Com este fim. para o O direito a um julgamento justo está re- direito de viver sem privações. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 227 Além disso. Es- Estas são formas essenciais para que tas instituições encontram-se vinculadas os cidadãos voltem a confiar e a acre. mado do Direito. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO sempenha não só uma função corretiva DA QUESTÃO mas também uma forte função preven- tiva. salvaguardem o sistema jurídico. funciona O princípio do julgamento justo contem- para beneficiar a segurança humana. primeiro lugar. assim.” de justiça e têm direito a garantias mí- Louise Arbour. às garantias dos direitos humanos. 2.

o estipulado no PIDCP. especiais. tuito a soluções judiciais eficazes e do pela lei. atempada. segundo o direito na- num idioma que compreendam. Todos aqueles que sejam condenados pela prática de um crime 5. plenamente. 4. 11. Todos os acusados da prática de um mesmo modo. A pessoa acusada tem direito à assis- Igualdade perante a Lei tência gratuita de um intérprete. em pormenor. a todos os tribunais. informados. se não tiver pelo Comité dos Direitos Humanos. o artº 14º ma ou a ter a assistência de um de. Do 3. Todos os acusados da prática de um 10. têm o direito a que a sentença que os tativa e pública. no momento natureza e causa da acusação contra em que forem cometidos (“nullum eles formulada. in. Proíbe . Todos têm o direito a ser julgados (Fonte: Extraídos dos principais instru- sem demora excessiva. Ninguém deve ser condenado por atos crime têm o direito a ser. a título gratuito. Em muitos países. deve ser informada do seu Comentário Geral nº 32. A pessoa acusada tem direito a in.228 II. crimen. em 2007) aplicam-se direito de ter um. no caso de não ter Muitas vezes. sempre que o in. superior. de civis nestes tribunais deve ser excecional da a testemunhar contra si própria e deve ter lugar em condições que garantam. equitativas. to- testemunhas de defesa. Todos têm o direito ao acesso gra- dependente. obedecem aos princípios normais da justiça. um julgamento justo (por exemplo. destes tribunais prende-se com permitir a apli- 8. Todos têm direito a uma audiência equi. Todos têm o direito a estar presen- te no julgamento. indicam claramente que o julgamento acusada tem direito a não ser força. do PIDCP que foi especificado e interpretado fensor da sua escolha. quer ordinários quer teresse da justiça o exigir deve ser. não deve ser aplicada crime têm o direito à presunção de nenhuma pena mais gravosa do que inocência até ser provada a sua cul. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS 2. cação de procedimentos excecionais que não terrogar. as condições que estabelece. se e perante os Tribunais não compreender ou não falar a lín- A garantia da igualdade é um dos princí- gua utilizada no tribunal. mentos dos Direitos Humanos da ONU. no seu defensor. ato delituoso. O tribunal deve ser competente. ou omissões que não constituam um mente. nulla poena sine lege”). 6. em que a infração foi cometida. ou a confessar-se culpada. da cional ou internacional.) 7. o público condena seja revista por um tribunal só pode ser excluído em casos específicos. nais militares ou especiais que julgam civis. aquela que era aplicável no momento pa de acordo com a lei. nos termos da lei. A pessoa acusada As disposições internacionais sobre o direito a tem o direito a defender-se a si mes. existem tribu- lhe atribuído um defensor oficioso. temunhas de acusação e a obter a Embora o Pacto não proíba estas categorias comparência e o interrogatório das de tribunais. termos em que. as tes. pios gerais do primado do Direito. 9. imparcial e estabeleci. a razão para o estabelecimento meios para o remunerar. ou fazer interrogar. A pessoa davia.

Se os juízes pudessem ser removidos. mas quando os As normas sobre o julgamento justo não factos encontrados são diferentes. requerem uma estrutura específica para os cípio da igualdade impõe tratamento dife. tem de estar completamente separado dos poderes legislativo e executivo. que viola o uma vantagem substancial relativamente à princípio da independência dos juízes. num país que tribunais independentes e imparciais no tenha adotado o sistema de júri. tribunais de justiça que podem ser com- rente. As comissões militares foram estabele- A independência dos juízes é um dos cidas especificamente para permitirem pilares da independência do poder judi- que as autoridades norte-americanas cial. existem normas internacionais Independência sobre a independência do poder judicial e Imparcialidade que também incluem disposições sobre a Um dos elementos básicos de um sistema nomeação de juízes. exceto no caso de amnistias reconhecidas onde os factos objetivos são similares. Significa sim que. Nenhum instrumento baseado no primado do Direito que funcio. bilidade de outros ramos governamentais los tribunais refere-se a que cada pessoa darem instruções aos tribunais. o prin. fica tratamento idêntico. o uma oportunidade igual de apresentar o julgamento justo não poderá ser assegu- seu caso e nenhuma parte deve gozar de rado. alteradas por autoridades não judiciais. cisões não coincidam com determinadas sadas. expetativas ou instruções. aos jurados. postos. sem discriminação de qualquer es. judicial tem de ser similar. as condi- sistema legal. sionais sem serem influenciados. ameaças acusada tem direito a ser tratada de forma de transferência de juízes caso as suas de- igual a outras pessoas. pelo governo ou por acesso igual aos tribunais e tratamento outras autoridades. a possi- O outro aspeto do tratamento igual pe. Todavia. neste contexto deve-se ter As decisões dos tribunais não podem ser em conta que o tratamento igual não signi. internacional de direitos humanos impõe o na refere-se ao papel desempenhado por julgamento de júri. Todavia. F. são outra parte. De acordo com o princípio ções da independência e da imparcialidade da separação de poderes. somente por juízes profissionais. etc. similarmente acu. as condições salariais dos juízes. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 229 leis discriminatórias e inclui o direito a em qualquer altura. normalmente conce- tratamento pelo sistema administrativo e didas pelo Chefe de Estado. institucional ficaria comprometida. o constitucionalmente. Contudo. . assim como os juízes têm de poder mo não cumprem os padrões internacio- exercer as suas responsabilidades profis- nais de justiça e devem ser abandonadas. pécie. Além O seu aspeto prático mais importante é a disso. a sua independência igual pelos tribunais. se tanto os tribunais como os pró- igualdade de armas. abrangendo a ideia prios juízes estiverem sob o controlo ou de que cada parte num processo deve ter influência de entidades não judiciais. o poder judicial aplicam-se. Exemplos deste controlo. por painéis mistos de juízes profissionais Não Discriminação e leigos ou por outras combinações destes. Isto signi- “As comissões militares estabelecidas pelos fica que o poder judicial enquanto institui- presidentes Bush e Obama em Guantána- ção. também.

pelos tri.. em circunstâncias especiais em que o tribunal considere que a publicidade possa A Amnistia Internacional apela. De acordo com até serem considerados culpados.. de inocência também deve ser respeitada As razões das restrições estão estabeleci. a sentença sar seja acusado rapidamente e conduzi. o artº 14º do PIDCP. na medida do necessá- Genebra. Isto também se ser plenamente respeitado. em processo criminal ou noutro caso tem do a tribunal independente e imparcial de ser pública (exceto. o pú. Assim. rio. de acor- a máxima que a justiça não deve ser só do com a lei. se existir alguma dúvida razo- público e da imprensa possam estar pre. O princípio da publicidade tem de antecipadamente um caso. (Fonte: Amnistia Internacional.]” de crianças). 2011. A este respeito. a informação sobre denada. o Ministério sobre o mérito da causa que devem ser re. há muito. ordem pública ou de segurança nacio- ficaram aquém do padrão de “tribunal nal numa sociedade democrática ou quan- regularmente constituído”. que juízes e jurados se abstenham de julgar bunais. quando a proteção que aplique os padrões de julgamento de interesses de menores assim o requeira justo. Uma condenação pelo último degrau de recur- audiência pública impõe audiências orais so. num julgamento justo. a não ser que aplica a todos os outros agentes oficiais haja razões legítimas que permitam a ex. acordo com o qual a imprensa e o público dos iriam beneficiar num tribunal civil. Mi- litary Commissions. Este feita. a pessoa acusada não pode ser con- sentes. peito a disputas matrimoniais ou à tutela mento criminal justo. para que qualquer detido de Todavia. para aí receber um julga. princípio aplica-se desde o momento da blico tem o direito a saber como a justiça suspeita até à confirmação da sentença de é feita e que decisões foram tomadas. exigido pelo do os interesses da vida privada das partes Artigo comum nº 3 das Convenções de assim o exijam ou. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS contornem as proteções de que os argui. ou quando os procedimentos digam res- deral dos EUA. tal como um qualquer tribunal fe. ável. por exemplo. de forma pública. de a não ser forçado a testemunhar contra . blico é excluído da audiência. mesmo em casos em que o pú- Guantánamo que os EUA pretendam acu. nifica que todos os que são acusados de tração da justiça e assegurar uma audi. no âmbito penal. A presunção clusão do público. das nos próprios instrumentos internacio. O direito a manter o silêncio e o direito nais. Público tem de provar a culpa da pessoa alizadas num local onde os membros do acusada e. pelos cidadãos e jornalistas profissionais. em geral podem ser excluídos de toda ou O facto de terem realizado diversas revi. parte da audiência por razões de moralida- sões estatutárias e processuais sugere que de. a audiência deve ser inocentes e serão tratados como inocentes aberta ao público em geral. mas deve ser vista a ser feita. a hora e o local da audiência pública deve O direito à presunção da inocência impõe ser facultada. [. que englobem o processo.) Direito à Presunção da Inocência Audiência Pública O direito à presunção da inocência sig- Para fomentar a confiança na adminis. desde comprometer os interesses da justiça.230 II. um crime têm o direito a ser presumidos ção justa das partes.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 231

si mesmo ou a confessar-se culpado tam- defensor, a ser informada do seu direito de
bém pertencem ao âmbito do princípio do ter um e, sempre que o interesse da justi-
direito à presunção da inocência. O direito ça o exigir, a ser-lhe atribuído um defensor
a manter o silêncio também impõe que o oficioso, a título gratuito no caso de não ter
silêncio não pode ser tido em considera- meios para o remunerar” (Artº 14º, nº 3,
ção na determinação da culpa ou inocên- al. d) do PIDCP).
cia. O direito a não ser forçado a testemu-
nhar contra si mesmo ou a confessar-se Conteúdo do direito a defender-se a si
culpado implica a proibição do exercício próprio e do direito a estar presente no
de qualquer forma de pressão. julgamento:
- direito a defender-se a si próprio;
Direito a Ser Julgado
sem Demora Excessiva - direito a escolher o seu defensor;
O período de tempo considerado de acordo - direito a ser informado de que tem di-
com as disposições relativas ao julgamen- reito à assistência de um defensor;
to sem demora excessiva engloba não só o
- direito a estar presente no julgamento; e
período até ao início do julgamento, como
a duração total do processo, incluindo um - direito a ser-lhe atribuído um defensor
possível recurso para um tribunal superior oficioso a título gratuito.
até ao Supremo Tribunal ou qualquer ou-
tra autoridade judicial final. Dependendo da severidade da possível
O que constitui uma duração temporal ra- pena, o Estado não é obrigado a nomear
zoável pode ser diferente de acordo com um defensor em todos os casos. Por exem-
a natureza do caso em disputa. A avalia- plo, o Comité dos Direitos Humanos da
ção do que pode ser considerado demora ONU considerou que tem de ser nomeado
excessiva depende das circunstâncias do um defensor a qualquer pessoa acusada
caso, nomeadamente da sua complexida- de um crime punível com pena de morte.
de, da conduta das partes, o que está em Todavia, a uma pessoa acusada de condu-
causa para o queixoso e a atuação das au- ção em excesso de velocidade não tem,
toridades. necessariamente, de ser nomeado um de-
Além disso, deve ser tido em conta que, fensor à custa do Estado. De acordo com
em direito penal, o direito ao julgamento o Tribunal Interamericano dos Direitos
justo sem demora excessiva é também um Humanos, um defensor deve ser nomeado
direito das vítimas. O princípio subjacente se for necessário para assegurar um julga-
da norma está bem patente na frase: “jus- mento justo.
tiça atrasada é justiça negada”. Ao nomear um defensor, deve ter-se em
consideração que o acusado tem o direito
Direito a uma Defesa Adequada a um advogado de defesa experiente, com-
e Direito a Estar Presente petente e eficaz. Tem também o direito a
no Julgamento ter reuniões confidenciais com o seu ad-
Toda a pessoa acusada de um crime tem o vogado.
direito “a estar presente no processo e a de- Apesar da existência do direito a estar
fender-se a si própria ou a ter a assistência presente no julgamento, excecionalmente,
de um defensor da sua escolha; se não tiver podem ser realizados julgamentos na au-

232 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

sência do arguido, por justificadas razões, dimentos, o intérprete traduz, oralmente,
sendo que o cumprimento dos direitos da para o arguido e para o tribunal.
defesa será tanto mais exigido. O defensor
nunca poderá ser excluído dos procedi- Acesso a Mecanismos
mentos. de Proteção Judiciais Justos
e Eficazes
Direito a Obter a Comparência As normas sobre o julgamento justo con-
e a Interrogar ou Fazer têm vários elementos que abrangem a boa
Interrogar as Testemunhas administração da justiça. De certa forma,
De acordo com o princípio de igualdade estes elementos podem ser vistos como
de armas, a defesa e a acusação devem descrevendo as caraterísticas gerais das
estar numa posição de igualdade nos pro- instituições judiciais e traçando amplos
cedimentos. Esta disposição foi concebida parâmetros pelos quais a equidade num
para garantir ao acusado os mesmos pode- processo pode ser, no final, avaliada. Con-
res legais de forçar a comparência de tes- tudo, antes de se chegar ao ponto onde
temunhas e de interrogar ou contrainter- tais avaliações podem ser realizadas, tem
rogar qualquer testemunha disponível ao de ter sido dada à pessoa a oportunidade
Ministério Público. Assegura que a defesa de apresentar o seu caso.
tem a oportunidade de interrogar as tes- Um ponto importante em casos onde se
temunhas que prestem depoimento e de alega a violação do direito de acesso aos
desafiar os depoimentos prestados contra tribunais refere-se ao Estado não poder
o acusado. restringir ou eliminar o recurso judicial
Existem algumas limitações quanto ao in- em determinadas áreas ou para determina-
terrogatório das testemunhas de acusação. das classes de indivíduos. As decisões nos
Aquelas limitações são consideradas tendo procedimentos civis e penais têm de ser
por base a conduta do acusado, no caso passíveis de recurso. Isto significa que se
de a testemunha temer, razoavelmente, têm de institucionalizar, ao nível nacional,
represálias ou se a testemunha estiver in- tribunais de autoridade mais elevada, com
disponível. a competência para reverem e anularem as
decisões dos tribunais de primeira instân-
Direito à Assistência Gratuita cia, contribuindo assim para a prevenção
de um Intérprete da arbitrariedade.
A pessoa que não perceber ou não falar a
língua utilizada em tribunal tem o direi- O Princípio
to à assistência gratuita de um intérprete, “Nulla Poena Sine Lege”
incluindo a tradução de documentos. O A frase em latim “nulla poena sine lege”
direito a um intérprete aplica-se, de igual significa, simplesmente, que ninguém
modo, a nacionais e a estrangeiros que pode ser condenado por atos que não se-
não dominem, em grau suficiente, a lín- jam proibidos por lei no momento em que
gua utilizada no tribunal. O direito a um são praticados, mesmo que depois a lei
intérprete pode ser exercido pelo suspeito seja alterada. Desta forma, não pode ser
ou pelo arguido no momento do interroga- imposta uma pena mais grave do que a
tório pela polícia, pelo juiz de instrução ou aplicável no momento da prática do crime.
durante o julgamento. Durante os proce- Esta denominada não retroatividade da

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 233

lei assegura que quem vive de acordo com contra uma garantia financeira enquanto
a lei não corre o risco de, repentinamente, aguarda o início dos procedimentos judi-
ser punido pela prática de atos originaria- ciais. A existir na ordem jurídica de um
mente legais. Assim, a aplicação do princí- Estado, o direito à caução não pode ser re-
pio da não retroatividade é indispensável cusado, nem aplicado de forma arbitrária,
para a segurança jurídica. embora o juiz tenha poderes discricioná-
rios na tomada de decisão.

A “Fórmula de Radbruch” Disposições Especiais
para Crianças e Jovens
Na chamada “Mauerschützenfälle” (o caso Alguns tratados internacionais de direitos
dos atiradores do muro que dividia a Ale- humanos, como o PIDCP, a Convenção so-
manha em duas) levantou-se a questão bre os Direitos da Criança, a Carta Afri-
sobre se os guardas de fronteira da Alema- cana sobre os Direitos e o Bem-Estar da
nha Oriental, que tinham recebido ordens Criança e a Convenção Americana sobre
para dispararem contra as pessoas que Direitos Humanos, fazem uma referência
tentassem atravessar a fronteira, podiam especial às crianças e aos jovens. Por
ser punidos por homicídio após a queda exemplo, o artº 14º do PIDCP estabelece
do muro de Berlim, atendendo a que os que, tratando-se de jovens, o processo terá
seus atos não só não eram proibidos, mas em conta a sua idade e o interesse que re-
sim exigidos pela lei da República Demo- presenta a sua reabilitação. Isto significa
crática Alemã. Ao aplicar-se a chamada que os Estados, ao legislarem, devem es-
“Fórmula de Radbruch”, de acordo com tabelecer a idade mínima com que um jo-
a qual no caso de conflito entre o direito vem poderá ser acusado da prática de um
positivo e a justiça substantiva tem de se crime, a idade máxima em que a pessoa
desconsiderar o princípio da certeza jurídi- ainda é considerada jovem, a existência
ca, o Tribunal Federal de Justiça da Alema- de tribunais e procedimentos especiais, a
nha, numa decisão de referência, decidiu existência de leis processuais para jovens
que os perpetradores tinham de ser puni- e a forma como todas estas têm em conta
dos. A decisão foi mantida pelo Tribunal “o interesse que representa a sua reabili-
Constitucional Federal Alemão. tação”. Para os países que não aboliram a
A “Fórmula de Radbruch” reflete a mu- pena de morte, o artº 6º do PIDCP esta-
dança do paradigma do primado do Di- belece que a sentença com pena de morte
reito: no contexto das Leis de Nurem- não pode ser aplicada a crimes cometidos
berga teve de se aceitar que o direito por menores de 18 anos.
positivo foi utilizado para justificar até
as mais terríveis violações de direitos Direitos Humanos da Criança
humanos e que um Estado sob o prima-
do do Direito tem de proteger os direitos
humanos em quaisquer situações. Execuções de Jovens desde 1990
“O uso da pena de morte para crimes
Direito à Caução cometidos por pessoas menores de 18
A maioria dos sistemas jurídicos prevê o anos é proibido pelo direito internacional
direito à caução, ou seja, a ser libertado dos direitos humanos, no entanto, al-

234 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

guns países ainda executam crianças in- e Iémen. Alguns destes países mudaram
fratoras. Estas execuções são poucas, em as suas leis para excluírem a prática. A
comparação com o número total de exe- execução de crianças infratoras represen-
cuções no mundo. O seu significado vai ta uma pequena fração do total de exe-
para além do seu número e questiona o cuções em todo o mundo registadas pela
compromisso dos Estados que realizam Amnistia Internacional, em cada ano. Os
estas execuções em relação ao respeito EUA e o Irão executaram mais crianças
pelo direito internacional. infratoras do que os outros oito países
Desde 1990, a Amnistia Internacional juntos e o Irão excedeu agora o total dos
documentou 87 execuções de crianças EUA, desde 1990, em 19 execuções de
infratoras, em 9 países: China, Repúbli- crianças infratoras.”
ca Democrática do Congo, Irão, Nigéria, (Fonte: Amnistia Internacional. Execu-
Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, EUA tions of Juveniles since 1990.)

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
1990 2 2029 Irão (1), EUA (1)
1991 0 2086 --
1992 6 1708 Irão (3), Paquistão (1), Arábia Saudita (1), EUA (1)
1993 5 1831 EUA (4), Iémen (1)
1994 0 2331 --
1995 1 3276 Irão (1)
1996 0 4272 --
1997 2 2607 Nigéria (1), Paquistão (1)
1998 3 2258 EUA (3)
1999 2 1813 Irão (1), EUA (1)
2000 6 1457 Rep. Dem. do Congo (1), Irão (1), EUA (4)
2001 3 3048 Irão (1), Paquistão (1), EUA (1)
2002 3 1526 EUA (3)
2003 2 1146 China (1), EUA (1)
2004 4 3797 China (1), Irão (3)
2005 10 2148 Irão (8) Sudão (2)
2006 5 1591 Irão (4), Paquistão (1)

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 235

Execuções conhecidas de crianças perpetradoras de crimes desde 1990:

Execuções
Total de
conhecidas Países que executam crianças perpetradoras
execuções
Ano de crianças de crimes (o número de execuções conhecidas
conhecidas no
perpetradoras aparece entre parêntesis)
mundo
de crimes
2007 14 1252 Irão (11), Arábia Saudita (2), Iémen (1)
2008 8 2390 Irão (8)
2009 7 714, excluindo Irão (5), Arábia Saudita (2)
a China
2010 1 527, excluindo Irão (1)
a China
2011 3 Não dispo- Irão (3)
nível
(Fonte: Amnistia Internacional: Executions of Juveniles since 1990. Disponível em: http://
www.amnesty.org/en/death-penalty/executions-of-child-offenders-since1990)

3. PERSPETIVAS que por “primado do Direito” (rule of law)
INTERCULTURAIS está estreitamente ligada à noção de “de-
E QUESTÕES CONTROVERSAS mocracia ao estilo asiático”.

O princípio do primado do Direito é, de Direito à Democracia
forma geral, reconhecido. Contudo, dife-
renças culturais consideráveis podem ser Para o gozo dos direitos civis e políticos, as
encontradas ao comparar a interpretação distinções em razão do género são proibidas
que é feita do conteúdo do primado do pelos Artº 2º e Artº 3º do PIDCP. Todavia,
Direito em diferentes países. A distinção em algumas regiões, a Sharia – a codificação
mais óbvia é aquela entre o entendimento islâmica da lei – limita o direito das mulhe-
americano e o entendimento asiático do res ao julgamento justo, uma vez que estas
primado do Direito. Se os juristas ame- não têm o direito de acesso aos tribunais em
ricanos tendem a atribuir ao primado do pé de igualdade com os homens.
Direito caraterísticas específicas do seu
sistema jurídico, como o tribunal de júri, Em muitos países do mundo, as mu-
amplos direitos ao arguido e uma clarís- lheres ainda se encontram excluídas
sima separação de poderes, já os juristas do primado do Direito
asiáticos enfatizam a importância da apli-
cação normal e eficiente da lei, sem, ne- “Assistiu-se no século passado a uma
cessariamente, lhe estarem subordinados transformação no que respeita aos direi-
os poderes governamentais. Esta conceção tos das mulheres, com países em todas
mais restrita, melhor caracterizada por as regiões a ampliarem o alcance dos
“regulação pelo Direito” (rule by law) do direitos das mulheres. No entanto, para

236 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a maioria das mulheres no mundo, as bem como pelo mau funcionamento dos
leis que existem no papel nem sempre se sistemas judiciais nacionais. O estabeleci-
traduzem na igualdade e na justiça. Em mento de um regime baseado no primado
muitos contextos, tanto em países ricos do Direito que funcione bem é essencial
como pobres, a infraestrutura da justi- à democracia, sendo que tal objetivo de-
ça - a polícia, os tribunais e o judiciário mora a ser alcançado e requer recursos fi-
- falha às mulheres, o que se manifesta nanceiros. Além disso, é difícil alcançar a
através de serviços deficientes e atitu- independência judicial sem uma tradição
des hostis por parte das mesmas pesso- de respeito pelos valores democráticos e
as cujo dever é fazer cumprir os direitos pelas liberdades civis. Contudo, num mun-
das mulheres. Como resultado, apesar do de globalização económica, a exigência
da igualdade entre homens e mulheres internacional de estabilidade, de prestação
se encontrar garantida nas Constituições de contas e de transparência, que só podem
de 139 países e territórios, leis inade- ser garantidas por um regime que respeite
quadas e lacunas no quadro legislativo, o primado do Direito, continua a aumentar.
execuções deficientes e vastos hiatos na
implementação fazem destas garantias As violações do direito a um julgamento
promessas ocas, com pouco impacto no justo não ocorrem apenas em países em
dia a dia das mulheres. [...] Sistemas le- transição. Ao arrepio das garantias dos di-
gais e de justiça a funcionarem bem po- reitos humanos, 171 cidadãos estrangeiros
dem constituir um mecanismo vital para encontram-se detidos (12 dos quais desde
as mulheres alcançarem os seus direitos. janeiro de 2002) no centro de detenções
As leis e os sistemas de justiça moldam a na base naval dos EUA na Baía de Guan-
sociedade, promovendo a responsabiliza- tánamo, em Cuba, sem terem sido formal-
ção, travando os abusos de poder, crian- mente acusados da prática de um crime.
do novas normas que definem o que é Desde 2002, dos 779 detidos apenas uma
aceitável. Os tribunais têm sido um local pessoa foi condenada por um tribunal civil
fundamental para as mulheres reivindi- dos EUA. No seu relatório de 2011 sobre o
carem os seus direitos e, em casos raros, centro de detenções de Guantánamo, a Am-
provocarem uma mudança mais ampla nistia Internacional afirmou que “desde o
para todas as mulheres, através de lití- primeiro dia que os EUA não reconhecem a
gios estratégicos.” aplicabilidade do quadro jurídico dos direi-
tos humanos às detenções de Guantánamo.
(Fonte: ONU Mulheres. 2011. 2011- À medida que nos aproximamos de 11 de
2012 Progress of the World’s Women. janeiro de 2012, o dia 3.653 na vida desta
In Pursuit of Justice.) conhecida prisão, os EUA continuam a não
abordar as detenções num quadro de direi-
Direitos Humanos das Mulheres tos humanos. O agora muito referido objeti-
vo de encerramento do centro de detenções
Alguns dos mais difíceis problemas en- de Guantánamo permanecerá ilusório – ou
frentados pelos países em transição para será alcançado apenas com o custo da deslo-
a democracia estão diretamente relaciona- cação das violações – a não ser que o gover-
dos com os sistemas governativos e legais no dos EUA nos seus três ramos aborde as
caraterizados pela corrupção generalizada, detenções enquanto um assunto que inequi-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 237

vocamente cai no âmbito das obrigações in- ma equilibrado de “pesos e contrapesos”
ternacionais de direitos humanos dos EUA.” (checks and balances) que funcione. Mas
(Fonte: Amnistia Internacional. 2011. EUA. como podem todos estes conceitos ser
Guantanamo: A Decade of Damage to Hu- implementados na prática? Basicamente,
man Rights.) são necessárias três etapas: em primeiro,
a lei existente tem de ser revista e as no-
Proibição da Tortura vas áreas jurídicas têm de ser codificadas.
Em segundo, as instituições que garantem
4. IMPLEMENTAÇÃO a correta administração da justiça têm de
E MONITORIZAÇÃO ser fortalecidas, por exemplo, pela garan-
tia da independência judicial, pela forma-
Implementação ção contínua de juízes, entre outras. Por
A proteção dos direitos humanos começa a último, o cumprimento da lei e o respeito
nível nacional. Assim, a implementação do pela lei têm de aumentar. Assegurar o res-
princípio do primado do Direito depende peito pelos direitos humanos e a sua im-
da vontade do Estado para estabelecer um plementação é um princípio fundamental
sistema que garanta o primado do Direi- em todo o processo de implementação.
to e processos judiciais justos. Os Estados
têm de estabelecer e manter a infraestru- “[…] é um simples imperativo assegurar
tura institucional necessária para a corre- que os mecanismos do primado do Direito
ta administração da justiça e promulgar e estejam a funcionar em plena autoridade
implementar leis e normas que garantam e com pleno efeito, nacional e internacio-
procedimentos justos e equitativos. nalmente, para que os pedidos possam ser
atendidos e solucionados, com base nas
O conceito do primado do Direito está disposições da lei e em condições de jus-
estreitamente relacionado com a ideia de tiça.”
democracia, das liberdades civis e polí- Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações
ticas, e a sua implementação depende da Unidas para os Direitos Humanos. 2003.
compreensão destes valores. Vários ca-
sos de países em transição mostram que Órgãos específicos de assessoria, como a
o estabelecimento do primado do Direito Comissão de Veneza do Conselho da Euro-
fracassa quando os líderes políticos não pa, foram estabelecidos para fortalecer o
estão dispostos a cumprir os princípios primado do Direito. As associações profis-
democráticos básicos, permitindo assim, sionais de juízes ajudam ou monitorizam
a corrupção e estruturas organizacionais o desempenho dos governos.
criminosas.
Monitorização
Como regra geral, o fortalecimento do pri- Na maioria dos países, as disposições bá-
mado do Direito é uma das formas mais sicas sobre direitos humanos estão con-
eficazes para combater a corrupção, logo sagradas na Constituição. A Constituição
a seguir a prevenir que Chefes de Estado, também confere geralmente a possibilida-
recentemente eleitos, adquiram hábitos de de se invocar disposições sobre direi-
autoritários e a fomentar o respeito pe- tos humanos perante tribunais nacionais
los direitos humanos através de um siste- em casos de alegada violação destes direi-

238 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

tos. A nível internacional, os tratados de Tal possibilidade existe, por exemplo, sob
direitos humanos foram celebrados para o Protocolo Facultativo referente ao Pacto
proteger os direitos humanos. Assim que Internacional sobre os Direitos Civis e Po-
um Estado se torna parte de um destes líticos, a Convenção Europeia dos Direitos
tratados está obrigado a garantir e a im- Humanos (Artº 34º), a Convenção Ameri-
plementar as disposições a nível domés- cana sobre Direitos Humanos (Artº 44º) e
tico. a Carta Africana dos Direitos Humanos e
dos Povos (Artº 55º). De acordo com estes
A fim de monitorizar a implementação das tratados, os particulares podem apresentar
disposições de direitos humanos, alguns a sua queixa perante o Comité dos Direi-
dos tratados de direitos humanos, como o tos Humanos da ONU ou o Tribunal Eu-
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis ropeu dos Direitos Humanos, a Comissão
e Políticos (PIDCP), estabelecem um me- Interamericana dos Direitos Humanos ou
canismo de supervisão. Este mecanismo a Comissão Africana dos Direitos Huma-
consiste num sistema de relatórios pelo nos e dos Povos. Estes órgãos dos tratados
qual os Estados Partes estão obrigados a analisam a queixa e, caso encontrem uma
apresentar relatórios, a intervalos regula- violação, o Estado em questão é aconse-
res, a um órgão internacional de monito- lhado a tomar as medidas necessárias para
rização, sobre a forma como têm imple- alterar esta prática ou a lei e para reparar
mentado as disposições do tratado. No a situação da vítima. Os Estados Partes es-
que respeita à implementação das obri- tão vinculados às decisões do Tribunal Eu-
gações dos Estados contidas no PIDCP, o ropeu dos Direitos Humanos, do Tribunal
Comité dos Direitos Humanos da ONU Interamericano dos Direitos Humanos e do
comenta os relatórios dos Estados Partes, Tribunal Africano dos Direitos Humanos e
dá sugestões e faz recomendações para dos Povos, em todos os casos em que se-
melhorar a implementação das obrigações jam partes.
dos direitos humanos. Além disso, emite Como parte dos seus procedimentos te-
Comentários Gerais sobre a interpretação máticos, a Comissão de Direitos Huma-
do PIDCP, como o Comentário Geral nº 13 nos das Nações Unidas nomeou relatores
de 1984, sobre a igualdade perante os tri- especiais sobre as execuções arbitrárias,
bunais e o direito a um julgamento justo sumárias ou extrajudiciais (1982), sobre
e público, por um tribunal independente a tortura e penas ou tratamentos cru-
estabelecido por lei (artº 14º do PIDCP), éis, desumanos ou degradantes (1985),
que foi substituído pelo Comentário Geral sobre a independência dos juízes e ad-
nº 32 sobre o artº 14º: Direito à Igualdade vogados (1994), sobre a violência con-
perante os Tribunais e a um Julgamento tra as mulheres, as suas causas e con-
Justo, em 2007. sequências (1994), sobre a situação dos
Alguns dos tratados dos direitos humanos defensores de direitos humanos (2000)
também estabelecem um mecanismo de e sobre a promoção e proteção dos di-
queixa. Após a exaustão dos mecanismos reitos humanos na luta contra o terro-
de proteção domésticos, um indivíduo rismo (2005). Em 1991, foi estabelecido
pode apresentar uma “comunicação” sobre um grupo de trabalho sobre a detenção
uma alegada violação de direitos humanos arbitrária.
que sejam garantidos por aquele tratado.

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 239

CONVÉM SABER
os países africanos de um poder judicial
1. BOAS PRÁTICAS forte e independente, que beneficie da
confiança do povo, para uma democracia
Escritório para as Instituições Demo- e desenvolvimento sustentáveis, apelou a
cráticas e Direitos Humanos (ODIHR) estes países para adotarem medidas legis-
– OSCE lativas para salvaguardar a independência
O mandato do Escritório compreende do poder judicial; para lhe disponibiliza-
“[…] assegurar o pleno respeito pelos di- rem recursos suficientes para aquele cum-
reitos humanos e liberdades fundamen- prir a sua função; para darem aos juízes
tais, reger-se pelo primado do Direito, condições de vida decentes e condições
promover os princípios da democracia de trabalho aceitáveis para assegurar que
e […] construir, fortalecer e proteger as possam manter a sua independência; para
instituições democráticas bem como pro- se absterem de praticar atos que possam
mover a tolerância em toda a sociedade”. ameaçar, direta ou indiretamente, a inde-
No campo do primado do Direito, o Escri- pendência e a segurança dos juízes e ma-
tório está empenhado em vários projetos gistrados.
de ajuda técnica para fomentar o seu de- Além disso, apelou aos juízes africanos
senvolvimento. O Escritório executa pro- que organizem, a nível nacional e re-
gramas nas áreas do julgamento justo, da gional, encontros periódicos de forma a
justiça criminal e do primado do Direito; trocarem experiências e avaliarem os es-
além de que presta ajuda e dá formação a forços empreendidos, contribuindo para
advogados, juízes, procuradores, funcio- um poder judiciário eficaz e independen-
nários governamentais e à sociedade ci- te. Em 2011, a Comissão adotou os Prin-
vil. Através de projetos quanto a reformas cípios e Diretrizes sobre o Direito a um
legais e revisões legislativas, o Escritório Julgamento Justo e Assistência Jurídi-
ajuda os Estados a colocar as leis domés- ca em África, que incluem os princípios
ticas em sintonia com os compromissos gerais aplicáveis a todos os procedimen-
da OSCE e outras normas internacionais. tos jurídicos (por exemplo, audiências
Neste contexto, o Escritório opera, es- justas e públicas, tribunais independen-
sencialmente, na Europa de Leste e de tes e imparciais, etc.), formação judicial,
Sudeste, bem como na Ásia Central e no direito a soluções eficazes, acesso a ad-
Cáucaso. vogados e serviços jurídicos, assistência
oficiosa e assistência jurídica, direito dos
Fortalecimento da Independência do Po- civis não serem julgados em tribunais
der Judicial e Respeito pelo Direito a um militares, disposições aplicáveis à de-
Julgamento Justo tenção e privação de liberdade, etc. De
Na sua Resolução sobre o Respeito e o acordo com este instrumento, os prin-
Fortalecimento da Independência do Po- cípios e diretrizes estabelecidos devem
der Judicial, adotada em 1996, a Comis- tornar-se conhecidos por todos em Áfri-
são Africana dos Direitos Humanos e dos ca e ser promovidos e protegidos pelas
Povos, reconhecendo a importância para organizações da sociedade civil, juízes,

240 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

advogados, procuradores, académicos e cessos para os tribunais nacionais na anti-
as suas associações profissionais. ga Jugoslávia e assiste-os ao processarem
os casos de crimes de guerra.
“A injustiça em qualquer lado é uma ame- O Estatuto de Roma foi adotado pela co-
aça à justiça em todo o lado” munidade internacional em 1998, entrou
Martin Luther King Jr. em vigor em 2002 e estabeleceu o Tribu-
nal Penal Internacional (TPI). É uma ins-
Fórum da Ásia-Pacífico para a Reforma tituição permanente, com o poder de exer-
Judicial cer a sua jurisdição sobre indivíduos, para
O Fórum da Ásia-Pacífico para a Refor- os crimes mais graves que preocupam a
ma Judicial (APJRF) é uma rede que visa comunidade internacional enquanto um
apoiar as jurisdições da Ásia-Pacífico de- todo, ou seja, o crime de genocídio, crimes
dicadas ao progresso da reforma judicial contra a humanidade, crimes de guerra e o
através da partilha de conhecimentos so- crime de agressão. A jurisdição do Tribu-
bre reformas judiciais, apoiando reformas nal é complementar às jurisdições penais
de justiça baseadas nos direitos humanos, nacionais. Até à data, o Estatuto de Roma
desenvolvendo ferramentas práticas para tem 121 Estados Partes.
uma reforma judicial de sucesso e apoian- Tal como o TPIAJ e o TPIR, os tribunais
do a implementação ao nível nacional. A mistos (“órgãos híbridos”) são estabe-
rede consiste em 49 tribunais superiores lecidos por um determinado período de
e agências do setor da justiça dos países tempo para lidar com situações específi-
com um compromisso com a APJRF. cas. O mandato destes órgãos é o de san-
cionar violações graves de direito interna-
2. TENDÊNCIAS cional humanitário e de direitos humanos
cometidas por indivíduos e ajudar no res-
Tribunais Internacionais tabelecimento do primado do Direito. Os
Como resposta a atrocidades cometidas tribunais híbridos combinam aspetos de
em massa, foram estabelecidos tribunais direito internacional e direito nacional e
internacionais, tais como o Tribunal Pe- são mistos na sua composição. Este mo-
nal Internacional para a Antiga Jugoslá- delo foi utilizado para o estabelecimento
via (TPIAJ) ou o Tribunal Penal Interna- dos tribunais para a Serra Leoa, Timor-
cional para o Ruanda (TPIR), enquanto Leste, Kosovo, Camboja e Líbano. O Tri-
tribunais ad hoc das Nações Unidas, para bunal Especial para a Serra Leoa, por
lidarem com crimes de guerra, crimes con- exemplo, tem mandato para julgar os res-
tra a humanidade e genocídio, pretenden- ponsáveis por violações graves de direito
do responsabilizar os seus responsáveis. internacional humanitário no seu territó-
Atendendo a que estes tribunais foram es- rio, tendo sido estabelecido em conjunto
tabelecidos para julgar crimes cometidos pelo Governo da Serra Leoa e as Nações
num conflito específico e durante um tem- Unidas.
po específico, estes tribunais ad hoc traba-
lham no sentido do cumprimento dos seus Mediação e Arbitragem
mandatos. O TPIAJ, por exemplo, centra- Os Estados estão a apostar de forma ativa
se na acusação e julgamento dos líderes em procedimentos de resolução de dis-
mais relevantes e encaminha outros pro- putas alternativos (mediação e arbitra-

F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 241

gem) para aliviar os tribunais e encurtar mento do primado do Direito em socieda-
os procedimentos judiciais, mas também des pós-conflito:
com o objetivo de criar situações em que - prestação de ajuda no âmbito do primado
ambas as partes saem a ganhar através de do Direito que seja adequada ao país em
soluções mutuamente aceitáveis. questão e construção a partir de práticas
Enquanto os processos judiciais têm por locais;
objetivo substanciar pedidos legais, a me- - consulta, participação e debate públicos ao
diação também tem em consideração as planear reformas do primado do Direito;
necessidades e os interesses dos indivídu- - estabelecimento de comissões nacionais
os e, assim, alcança melhores resultados independentes de direitos humanos;
em assuntos no âmbito comercial, da fa- - inclusão de elementos de uma justiça
mília ou de relações de vizinhança. correta e do primado do Direito em man-
A mediação é um método de resolução de datos de manutenção da paz;
disputas pelas partes com a assessoria e - disponibilização de recursos humanos
a ajuda de um terceiro. A arbitragem é a e financeiros suficientes, na ONU, para
resolução da disputa através da decisão de planear os componentes do primado do
um árbitro, que vincula ambas as partes. Direito das operações de paz.
Muitos países têm mediação obrigatória na Para ultrapassar falhas nas estratégias de
fase anterior ao julgamento. O julgamento pós-conflito passadas e presentes, a Co-
só é necessário se a mediação não condu- missão da Segurança Humana propõe
zir a uma solução. Nos EUA e na Austrália, uma profunda abordagem com base na
por exemplo, existem, periodicamente, as segurança humana que consiste em cinco
denominadas “semanas de conciliação” grupos da segurança humana. Um destes
durante as quais todos os casos judiciais trata de “governação e empoderamento”
são alvo de mediação. E, de facto, um almejando, como uma das suas priorida-
grande número de casos é resolvido com des, o estabelecimento de instituições que
sucesso. Todavia, pode-se argumentar protejam as pessoas e assegurem o prima-
que negar às partes o acesso aos tribunais do do Direito.
como alternativa aos procedimentos judi-
ciais morosos e dispendiosos, pode impor “A justiça é um ingrediente indispensável
uma certa pressão às partes para encontra- num processo de reconciliação nacional. É
rem uma solução. essencial para a restauração das relações
pacíficas e normais entre as pessoas que
(R)Estabelecer o Primado do Direito em viveram sob um reino de terror. Quebra um
Sociedades Pós-Conflito e Pós-Crise ciclo de violência, ódio e retaliação extraju-
Em anos recentes, notou-se um aumento dicial. Deste modo, a paz e a justiça cami-
da atenção das Nações Unidas, de outras nham de mãos dadas.”
organizações internacionais, bem como da Antonio Cassese, antigo presidente do TPIAJ.
comunidade internacional, sobre a ques-
tão de (r)estabelecer o primado do Direito
“Para as Nações Unidas, o primado do
em sociedades pós-conflito. Este aumen-
Direito refere-se a um princípio de gover-
to de atenção sobre o primado do Direi-
nação pelo qual todas as pessoas, insti-
to também levou ao desenvolvimento de
tuições e entidades, públicas e privadas,
determinados princípios para o estabeleci-

242 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

incluindo o próprio Estado, são responsá- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
veis perante as leis promulgadas oficial- tos Civis e Políticos, artos 9º, 10º,
mente, aplicadas com igualdade e impar- 14º, 15º, 16º, 26º
cialidade e compatíveis com os padrões e 1969 Convenção Americana sobre Direi-
as normas internacionais de direitos hu- tos Humanos, artos 8º, 9º
manos. Também requer medidas para a
1977 Protocolo Adicional (I) às Con-
garantia da adesão aos princípios da su-
venções de Genebra, artos 44º,
premacia do direito, igualdade perante a
nº 4, 75º
lei, responsabilização em relação à lei, jus-
tiça na aplicação da lei, separação dos po- 1977 Protocolo Adicional (II) às Con-
deres, participação na tomada de decisões, venções de Genebra, Artº 6º
segurança jurídica, proibição da arbitrarie- 1979 Convenção sobre a Eliminação de
dade e transparência processual e legal.” Todas as Formas de Discriminação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. Relatório contra as Mulheres, Artº 15º
do Secretário-Geral sobre o Primado do 1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
Direito e Justiça de Transição em Socie- nos e dos Povos (Carta de Banjul),
dades em Conflito e Pós-Conflito.) artos 7º, 26º
1982 Relator Especial das Nações Uni-
3. CRONOLOGIA das sobre Execuções Extrajudi-
ciais, Sumárias ou Arbitrárias
1948 Declaração Universal dos Direitos Hu- 1984 Convenção contra a Tortura e Ou-
manos, artos 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 11º tras Penas ou Tratamentos Cru-
1948 Declaração Americana dos Direi- éis, Desumanos ou Degradantes,
tos e Deveres Humanos, artos I, II, artº 15º
XVII, XVIII, XXVI 1984 Protocolo nº 7 à Convenção Euro-
1949 Convenção de Genebra (III) relati- peia para a Proteção dos Direitos
va ao Tratamento dos Prisioneiros Humanos e das Liberdades Funda-
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 17º, mentais, artos 1º, 2º, 3º, 4º
82º-88º 1984 Comentário Geral nº 13 sobre a
1949 Convenção de Genebra (IV) relati- Igualdade perante os Tribunais
va à Proteção de Civis em Tempo e o Direito a um Julgamento
de Guerra, artº 3º, al. d), artos 33º, Justo e Audiência Pública por
64º-67º, 70º-76º um Tribunal Independente esta-
belecido pela Lei (Artº 14º do
1950 Convenção Europeia para a Pro-
PIDCP)
teção dos Direitos Humanos e das
Liberdades Fundamentais, artos 5º, 1985 Princípios Básicos das Nações Uni-
6º, 7º, 13º das relativos à Independência da
Magistratura
1965 Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas 1985 Regras Mínimas das Nações Uni-
de Discriminação Racial, artos 5º, das para a Administração da Justi-
al. a), 6º ça Juvenil (Regras de Pequim)

situação de tribunal. Duração: cerca de 90 minutos tos de um julgamento é essencial para a Preparação: Arranjar a sala como se fosse compreensão do sistema judicial e para um tribunal. F. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 243 1985 Relator Especial das Nações Uni. desen. Função dos Magistrados do Minis. artos 12º. artos 5º. 2006 Convenção sobre os Direitos das cional para o Ruanda Pessoas com Deficiência. 14º das sobre a Independência de Juí. 1994 Relator Especial das Nações Uni. capacida- . 13º. 16º. perante os Tribunais e a um Julga- das para a Violência contra as mento Justo ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: SER OUVIDO volver capacidades analíticas e demo- OU NÃO SER OUVIDO? cráticas. a outra para a acusação (equipa Metas e objetivos: Experimentar uma de procuradores). Humanos na Luta Contra o Terro- cional para a Antiga Jugoslávia rismo 1994 Estatuto do Tribunal Penal Interna. 15º. 12º. para o juiz e outras duas em ângulos cor- retos em relação àquela. 40º das sobre a Situação dos Defenso- 1990 Princípios Básicos das Nações Unidas res de Direitos Humanos Relativos à Função dos Advogados 2004 Carta Árabe dos Direitos Huma- 1990 Princípios Orientadores Relativos à nos. crítico e capacidades analíticas. identificar a noção Competências envolvidas: Pensamento de julgamento justo e público. 2007 Comentário Geral nº 32 sobre o zes e Advogados Artigo 14º: Direito à Igualdade 1994 Relator Especial das Nações Uni. Mulheres. 17º. 13º. Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Parte I: Introdução Dimensão do grupo: 15-20 Compreender as regras e os procedimen. uma mesa poder defender os seus direitos. uma para o acusado e para Tipo de Atividade: Dramatização a defesa. artos 37º. à frente. Colocar. Desuma- 1998 Estatuto de Roma do Tribunal Pe- nos ou Degradantes nal Internacional 1989 Convenção sobre os Direitos da 2000 Relator Especial das Nações Uni- Criança. 19º tério Público 2005 Relator Especial das Na- 1991 Grupo de Trabalho das Nações ções Unidas sobre a Promo- Unidas sobre Detenção Arbitrária ção e Proteção dos Direitos 1993 Estatuto do Tribunal Penal Interna. ficando uma em Parte II: Informação Geral frente da outra. as suas Causas e Conse- das sobre a Tortura e outras Penas quências ou Tratamentos Cruéis.

O que foi diferente nos dois cenários e Atividade porquê? Instruções: . em plena igual- pado ou inocente.Grupo de três ou quatro pessoas que apre. Explicar os papéis e deixar Sugestões práticas: que os participantes escolham: Tentar não explicar todo o propósito das . Ter atenção ao desempenho.244 II. nomear um Ler alto o artigo 10º da DUDH: novo juiz para dar a sentença final de cul.Uma pessoa erroneamente acusada de dramatizações antes de começar. No primeiro cenário. no segundo cenário. que isto sig- Reunir de novo os participantes. Isto não a queixa têm dez minutos para preparar a quer dizer que a dramatização tenha fa- sua acusação. Dizer aos procuradores para júri e um juiz. zação. Uma audiência na dramatização: pública é aquela em que o arguido está . Seguir em frente e motivar o grupo todo a niões e de empatia. Outras sugestões: gados de defesa e o acusado não se pode No segundo cenário. por outras palavras. a que a sua causa seja equitativa equipa de defesa com duas ou três pes.Será que os participantes se sentiram in- Explicar que vão representar uma situação comodados com o primeiro cenário? de julgamento em dois cenários diferentes. dificultará o desempenho na dramati- . contra ela seja deduzida. . dele ou dela.Em que medida conseguiram influenciar presente e a prova é apresentada diante a decisão do juiz e quão real foi a simu. es- senta a queixa e a escreve no quadro. Só qualquer acusação em matéria penal que agora deve o novo juiz tomar uma decisão. imparcial de três ou quatro em vez do juiz.Acham que cenários como o primeiro um sem a defesa e outro com os mecanis. Permitir que o arguido fale e que a independente e imparcial que decida dos equipa de defesa apresente o seu caso.Equipa de duas ou três pessoas condu. Parte III: Informação Específica sobre a . não existem advo. Parte IV: Acompanhamento Depois. de formação de opi. na primeira dramatização. pecialmente. O ele- uma ofensa criminal. pode nomear um júri defender.” Reações: Explicar. lhado mas mostra o quão reais podem Desempenho da Dramatização: ser as simulações.Um juiz. mento de surpresa pode ter um maior . e publicamente julgada por um tribunal soas. debater a diferença entre um a sua opinião. apresentarem o seu caso ao juiz e que este decida só nesta base. Nomear também uma dade. acontecem na vida real? mos de defesa. blico no tribunal. nifica que se for a julgamento. “Toda a pessoa tem direito. . MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS des de comunicação. Ninguém mais pode dar Nas reações. impacto sobre os participantes e não zindo a acusação. e interromper se o acusado se começar Os procuradores e o grupo que apresenta a sentir ansioso ou com medo. este tem Primeiro perguntar aos que participaram de ser aberto ao público. pensar sobre o processo e o objetivo das duas dramatizações. Os outros participantes são o pú. seus direitos e obrigações ou das razões de O público também pode dar opiniões. como furto. bem como da sua família e lação? da comunidade. .

frequentemente. que responde à ques- (Fonte: adaptado de United Nations Cy. ou . ATIVIDADE II: COMO PODE . defesa Gerry Spence. o reconheci. sa Gerry Spence (ver abaixo). Gerry Spence. deverá o arguido ter. Disponível em:http:// “Como pode defender essas pessoas?”. o direito clientes acusados de crimes conhecidos. capacidades de comunicação. F. pode colocar alguns argumentos Metas e objetivos: Identificar preconceitos no quadro para resumir o debate. Se quiser. dos têm de ter uma oportunidade equitativa Competências envolvidas: Pensamento de apresentar o seu caso. pagar? . verá ser um julgamento justo? A ser um Material: fichas informativas (ver abaixo) julgamento justo. quando uma pessoa processa outra. cite aconselhamento jurídico e que o ob- car preconceitos e a correspondente noção tenha de forma gratuita se não o puder de julgamento justo. sobre um deles).un. Unidas sobre o que constitui um tribunal independente e imparcial: “independente” Parte III: Informação Específica sobre a e “imparcial” significa que o tribunal deve Atividade julgar cada caso de forma justa com base Instruções: nas provas e no primado do Direito. ciar o debate sobre os direitos dos perpetra- dores com base nesta declaração.Se for acusado de um crime. ticipantes imaginem criminosos que sejam zões políticas. de opinião. Deixar que os participantes A presunção da inocência. elementos da Distribuir a declaração do advogado de democracia. a uma defesa competente. seus conhecidos (ou mostrando um vídeo Direitos relacionados/outras áreas a ex. imaginem que são advogados de defesa de mento como pessoa perante a lei. sem Apresentar o tópico. PRIMADO DO DIREITO E JULGAMENTO JUSTO 245 Aqueles que julgam o acusado não se de. expressar opiniões e pontos de vista dife- Debater a definição usada pela Nações rentes sobre um assunto. permitindo que os par- favorecer qualquer uma das partes por ra. tão que lhe era. e limites de uma observação neutra. Texto para a ficha informativa: cráticas.Deve toda a pessoa ser considerada igual Parte II: Informação Geral perante a lei? Tipo de atividade: Debate Se quiser. 2003. colocada: berschoolbus. advogado de defesa: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos “Bom.Deve toda a pessoa ser considerada ino- DEFENDER ESSAS PESSOAS? cente até que se prove a sua culpa? .Deve permitir-se que toda a pessoa soli- sos da vida real com o objetivo de identifi. Com base va com a declaração do advogado de defe- na dramatização. de- senvolver capacidades analíticas e demo. Isto é válido para crítico e capacidades analíticas. discutir o facto de que to. deve ter sem- Parte I: Introdução pre o direito de se defender a si próprio? Esta atividade é um debate baseado em ca. formação casos criminais como para disputas civis. Preparação: Preparar uma ficha informati- vem deixar influenciar por outros. .org). pode colocá- plorar: los no quadro. de- Duração: cerca de 60 minutos. Ini- cyberschoolbus. acha que o arguido deve ser jul- Dimensão do grupo: 15-20 gado antes de ser enforcado? Se sim.

. por este.246 II.” Isto significa que lituoso presume-se inocente até que a sua lhe deve ser permitido solicitar aconselha- culpabilidade fique legalmente provada no mento jurídico quando os seus direitos hu- decurso de um processo público em que to. brevemente.Por que acham que os advogados defen. no momento da sua prática. Ministério Público que não o fez?” Se for acusado de um crime. Sugestões práticas: Artº 6º: “Todos os indivíduos têm di- Pode apresentar a atividade mostrando um reito ao reconhecimento em todos os vídeo ou lendo um artigo sobre criminosos lugares da sua personalidade jurídica. Explicar que isto significa que deve ser tâncias locais e atuais e mencionar pessoas legalmente protegido da mesma forma. Não julgar as opini. Do mesmo para além de qualquer dúvida razoável? E modo. cido pela lei como sujeito da proteção ões dos participantes mas dizer claramen. perder o caso? Se não. tenha em conta as emoções que perante a lei é alguém que é reconhe- tal tópico pode gerar. os dois princípios importantes articulados ticipantes que resumam. curso efetivo para as jurisdições nacionais Outras Sugestões: competentes contra os atos que violem os Ler o artigo 11º da DUDH: direitos fundamentais reconhecidos pela “1 . outras pessoas. Bom. o neste artigo. Definição: Uma pessoa Se o fizer.Acham que estes advogados são vistos de mesma forma que os criminosos que Parte IV: Acompanhamento defendem e porquê? Ler em voz alta os artigos 6º e 8º da DUDH. deverá ele dar o seu não constituíam ato delituoso à face do di- melhor para que a acusação seja provada reito interno ou internacional. exigidas. de quem é a culpa? Culpamos o advo. das as garantias necessárias de defesa lhe gado. de “Ser ouvido ou não ser ouvido?” rela- dem criminosos? cionando com isto.Toda a pessoa acusada de um ato de. Nin- 1997. 2 .Ninguém será condenado por ações ou ber que o arguido é culpado deverá tentar omissões que.” razoável e o júri absolver o arguido culpa. e que não podem ser derrogados de forma Artº 8º: “Toda a pessoa tem direito a re- arbitrária em nenhum momento. Pode também referir circuns. um advogado? Se tiver um advo. Constituição ou pela lei. manos não são respeitados. debate: Pode fazer o acompanhamento da ativida- . A presunção Reações: da inocência e o direito a uma defesa são Numa ronda de opiniões.) guém tem o direito de o condenar ou punir por algo que não tenha feito. tem sempre (Fonte: Adaptado de: Harper’s Magazine. não será infligida pena mais grave se ele der o seu melhor e a acusação não do que a que era aplicável no momento em for provada para além de qualquer dúvida que o ato delituoso foi cometido. então. o direito a defender-se a si próprio. que foram condenadas em debate público em todos os lugares e como todas as depois de terem cometido um crime grave. deverá o advogado ser competente? sejam asseguradas. oferecida pelo sistema legal e das res- te que os direitos humanos são para todos ponsabilidades. se o advogado de defesa sou. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS poder ter.” conhecidos. Escrevê-lo no quadro e explicar o seu sig- do. nificado e propósito. . Deve ser considera- gado de defesa que fez o seu trabalho ou o do inocente até ser provada a sua culpa. pedir aos par.

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.

. de consciência e de religião. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. LIBERDADES RELIGIOSAS LIBERDADE DE PENSAMENTO.G. tanto em público como em privado. pela prática. DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento.” Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948. pelo ensino. pelo culto e pelos ritos. assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção. sozinho ou em comum.

Como se poderão prevenir situações se- para o Médio Oriente instou o governo melhantes? egípcio a implementar uma “campanha 5. A partir do século IX se acredita. man Rights Watch. a 9 de janeiro. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua disparados de um carro em andamento. Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a. não é suficiente. teio) e o tratamento do caso pelas autoridades dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. Frequentemente é paga uma 3. World Report 2011) so na direção certa pela Human Rights Watch (HRW).252 II.. os Budistas eram perse- algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi- espiritualmente. Por força daquilo em que namentos de Buda. Os Coptas são vítimas de depois da missa de Natal. Já ouviu falar de incidentes compará- criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região? modo privado. condolências às famílias das vítimas do tiro- tas e um guarda Muçulmano foram atingi. Que razões pensa terem estado na base do te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito? que estas não prossigam com a investigação 2. por Egípcios. e condenados. em casos semelhantes. 2011. três homens fo. – a “Idade das Trevas” da Europa - . consis. Egypt: danos à propriedade pública e privada”. assim como de intolerância oficial “homicídio premeditado. Free Activists Detained on Solidarity Visit. anual de 2010. detenção de ativistas que davam as A 6 de janeiro de 2010. Diretora da HRW 4. a 8 de ja. Que parâmetros internacionais de direi- compensação às famílias das vítimas. A HRW argumenta Questões para debate que a rotina. gá-lo. o rescaldo (manifestações que ter- de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e Cristãos. criminação disseminada contra os Cristãos neiro. d. 2010. a ser-se persegui- go caminho a percorrer do. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio. seis Cristãos cop.C. tos humanos foram violados? Sarah Leah Whitson. Hu- Apesar de a detenção ser vista como um pas.C.” tes casos? A SABER 1.” vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. afiliação e prática religiosas. a deixar a família. Liberdades Religiosas: ainda um lon. a HRW acusou o Egito de “dis- ram detidos dois dias depois. posto na prisão ou até morto. tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas. 1. No seu relatório De acordo com relatórios. Que instituições e procedimentos inter- séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es- e de direitos iguais para todos. é possível ser-se forçado a ne.

ral. ninguém está vinculado a foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas de Cristianização. voluntariamente.” a compreensão do mundo. reunidos para aquele uma vez que tocam convicções pessoais e fim. como uma ofensa ao culto da personali- ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental. entre para expandir o Império Otomano e o Is. testantes e monges Budistas. aquela fé e culto que é. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e fechados em guetos por Cristãos. No en- e liberdades religiosas são muitas vezes tanto. reito internacional dos direitos humanos. verdadeiramente. Não haverá paz entre as e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. haverá diálogo entre as religiões sem inves- Um outro problema tem impedido a re. a supressão sistemática de certas usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin- políticas e reivindicações de poder. O extermínio dos habi- tantes nativos da América Latina também “Por natureza. as- envolvem problemas de etnia. religião e crença são As violações atuais das liberdades religio- elementos chave da política. ção. racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas. tante com a esfera privada do indivíduo. àquela No passado e no presente. A fé é um dos maiores elementos de ex- pressão da identidade cultural. Não outras questões de direitos humanos. As crenças religiosas interferem bas. vicções. todos se juntam. Subsequentemente. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. causa da sua permanência aí […] Assim. Letter Concerning Toleration. ou entre lão assustou a Europa. mas indivíduos ou comunidades que a ela não também já o tinham sido anteriormente. tigação dos fundamentos das religiões. sendo a única razão para a sua entra- da como liberdade religiosa. Hans Küng. a guerra centes entre crentes e não crentes. Por todo o mundo. no Egito. É por esta razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. A perseguição por motivos começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re- de Deus”. Presidente da Global Ethic Foundation. LIBERDADES RELIGIOSAS 253 Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. uma igreja é uma sociedade de membros. só poderá ser a única questão não só jurídica mas também mo. . pertencem. 1689. por Muçulmanos. voluntariamente.” gulação das liberdades religiosas no di. o que tes países: na Birmânia. religiões tradicionais e “novas”. A esperança na salva- e de o manifestar é conhecida e protegi. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. John Locke. o governo Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças mais premente em anos recentes. todas as minorias resulta. uma e ritos religiosos além da ideologia Juche vez que a intolerância religiosa e persegui. as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado sido ameaçadas pelas suas crenças e con. frequentemente. G. enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro- ligadas. Esta é uma da nessa comunhão. em argumentos religiosas são perseguidas – em particular.

bem crenças religiosas e os pensamentos dos como a novas formas de antissemitismo outros. Na China. assim ou num qualquer conceito de universo como antissemitismo virulento. no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal. O que é a Religião? mismo. se. os Muçulma. os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance. à intensifica. que queira. desde o pode ser alcançada à força. assistimos a discrimi. base na religião e na crença. mos pessoais ou impessoais. da (i. manos são a solução para se respeitar as ção do extremismo religioso islâmico. e na Os agentes da insegurança podem ser Árabia Saudita. ligada ao La- O direito de viver sem medo é um va. Shiitas e Muçulmanos Sufi. No entanto.. baseadas na religião são sistemáticas ou nos Uigures em Xinjiang. mento de Pentecostes são alvos de supres. Não existe uma definição comum de re- do separadamente. como grupos no que respeita a assegu- manos dissidentes e Cristãos. embora muitas vezes ignorada. nas diferentes defini- Liberdades Religiosas e Segurança Hu. Cora. gum “Absoluto” – concetualizado em ter- do pela violação das liberdades religio. Ahmadis. Esta ameaça. diretamente. No des ou mesmo a crises internacionais. A educa- variam do crescimento recente do funda. ligião nas discussões filosóficas ou socio- lógicas. à existência de tensões entre comunida- betanos são particularmente afetados. com registados no Turquemenistão e Uzbequis. Se não pode acreditar num Deus nistas. medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não em vários países e. lor essencial da segurança humana. Infelizmente. quando estão ligadas a extre. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Cristãos ortodoxos.e. Jeová. tim religare. Normalmen- . à segurança pessoal. tanto indivíduos e perseguição dos Bahai. os Cristãos são discriminados. existem outros numerosos 2. no Irão há discriminação afetam. grupos e Ismaelistas. vários elementos comuns têm sido mana propostos. Etimologicamente. estão institucionalizadas. os Cristãos Evangélicos e o Movi. precisa de tão. os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos. As ameaças à liberdade de pensamento. Este fenómeno tem de ser aborda. A compreensão do respeito. religião. refere-se a uma “vinculação”. Protestantes. Sudão. Sufis.e. a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na (i. de crença. a liberdade e a segurança treia. ções. Bahai. sas. nos EUA e na Europa. Por fim. tal pode levar guidores de Falun Gong e os Budistas Ti. até Estados. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. omnipotente e nação forte contra grupos religiosos não omnipresente. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi- crescente. de consciência e de religião são particulares. especialmente. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO de lidar com as liberdades religiosas. na Eri. ção e aprendizagem para os direitos hu- mentalismo Cristão nos EUA. es- pecialmente. vidual e global. na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição contra Ahmadis. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al- valor essencial é extremamente ameaça. Muçul.254 II. Tem de ser 11 de setembro de 2001.

como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP) instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza . juntamente com com. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal acordo com Milton J. O Comité. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão ao seu significado tradicional. O Dicioná. O Que São subjetivamente existente na mente e indu. Comentário Geral menciona também “Os cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos sobre os seres humanos. mas nem sempre. não-teístas e ateístas tal como o direito res. terísticas institucionais ou práticas análo- corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. a religião re. ONU. inclui uma série de ritos e rituais. obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís- normas de seres sobrenaturais ou superio. G. ções Unidas. pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na- os problemas derradeiros da vida”. científica ou económica – não caem sob esta proteção e têm de ser tratadas de O Que É a Fé? forma diferente. encara com preocupa- cendente. a fé ou comunidades relacionar a sua existên. impondo sanções latamente. regras Contrariamente a esta definição intelectu- e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão. LIBERDADES RELIGIOSAS 255 te. o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna- Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos [humana] com o Divino. giosas são protegidas enquanto liberdade . Yinger. §48. No seu sentido mais lato. sua aplicabilidade. no que respeita à e regras de conduta. (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da tas vezes. O ção qualquer tendência para a discrimi- “Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo. uma entida. significa um ato de crença ou confiança cia com um “Deus” ou com “Deuses”. seja pessoal ou impessoal. O artigo 18º. Trans. tas. não se limita a religiões pensações e punição futuras”. a não professar qualquer religião ou fé. de um Supremo. Absoluto. ou não. consequentemente. a reverência. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par- expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”. ado. tural. tradicionais ou a religiões e fés com carac- Esta definição e outras semelhantes in. Liberdade dos Meios de Informação rio de Black Law define a mesma como a “crença na verdade de uma proposição. como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas Absoluto. Comentário Geral nº22. Mui. (PIDCP) define a proteção da religião ou fé ração. 1993.” O clui todas as formas de crença na existên. persuasão ou pro. Em direito internacional. [religião] in. as liberdades reli- va direcionada ao julgamento”. de legal. cul- grupo ou as práticas de adoração. Sacro. as Liberdades Religiosas? zida por argumentação. várias formas de adoração ou culto. Fé é um conceito mais amplo do que re- ligião. como as Quatro Nobres Verdades presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo).seja política. incluindo o facto de as ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele- sua religião. no seu Comentário Geral Em comparação.

religião e fé. individuais contida no artº 18 do PIDCP samento em todas as matérias. nias de acordo com os preceitos da sua der-se-á fazer uma classificação com qua.A liberdade de formar.Liberdades religiosas no trabalho.A liberdade de respeitar dias de descan- Para uma melhor compreensão da com.A liberdade de fazer. Ninguém pode ser forçado a revelar os seus pensamentos ou a aderir a . 1. códigos de . 2. ger ou designar por sucessão. na sua maioria.256 II. para este fim. Comporta a liberdade de pen. igualmente a fés teístas. gião ou crença. assim como a posições agnósticas e incluem todas as fés com uma visão trans. de reunião ligada a uma religião ou neiros de consciência” existente em todo o crença. liberdades religiosas como um direito dade de não ter religião nem fé. . in- duais específicas. o que significa que ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos. A liberdade de pensamento e consciência adequadamente. Liberdade de exercer práticas coletivas. antes. ístas. cluindo o direito a rezar. tro níveis: 1. trangeiros e não pode ser derrogada mes- A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra. . nacionais e es- não aceitar normas ou atitudes religiosas.A liberdade de solicitar e receber con- uma religião ou fé. religião ou crença. so e de celebrar dias sagrados e cerimó- plexidade das liberdades religiosas. Direitos Humanos (DUDH) identifica as trito. líderes ção de religião e fé e contém. pertencem a minorias religiosas. convicções fornece uma detalhada enumeração dos pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni- fé. de estabelecer e manter locais mundo. Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. mo aceite internacionalmente: mente ou em comunidade com outros. . A liberdade de consciência é várias vezes . A lista de liberdades religiosas de religião e fé. ele- nos evita a controvérsia acerca da defini. um apropriados como estabelecido por catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli- da liberdade de pensamento. Estes prisioneiros. Liberdade de não ter religião. . Liberdade de determinadas entidades. num sentido es. O direito internacional dos direitos huma. nalmente.A liberdade de manifestar a sua fé ou violada. o que pode de “todas as pessoas”. duais específicas tivo de comportamento. 4. consciência e religião. Liberdade de exercer práticas indivi- cendente do universo e um código norma. consciência. tribuições financeiras voluntárias e ou- tras contribuições de indivíduos e ins- Padrões Internacionais tituições. não teístas e ate. Liberdade de exercer práticas indivi. os artigos e os mate- e a liberdade de escolher e de mudar de riais necessários relativos aos ritos e aos religião ou fé são protegidas incondicio- costumes de uma religião ou crença. quer estes sejam manifestados individual. inclui liberdade de religião e fé e liber. adquirir e usar. nomear. como prova o número de “prisio. O artº 18º da Declaração Universal dos A liberdade de religião e fé. po. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS de pensamento.

para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos . A proibição da discriminação e intolerân- (Fonte: Nações Unidas. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º. significa que qualquer dis- . Estas en- uma vez que os novos regulamentos vio- tidades podem constituir casas de culto lariam a responsabilidade internacional da ou instituições educativas que lidem com Alemanda de proteger a liberdade religiosa questões religiosas ou até mesmo ONG. a liberda- resse superior” da criança. . 2011. por conseguinte. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória. A organização de direitos humanos Determinadas entidades com base religio- Human Rights Watch criticou a neutralida- sa também gozam de proteção total por de religiosa alemã acentuada até à data. baseada na religião ou fé. O Princípio da Não Discriminação vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas áreas. da Lei Fundamental ser. na religião. manifestada em comu. Este facto implica igual. Esta neutralidade religiosa atingiu nidade e. e também o direito de igualdade perante a lei. A França e a Bélgica também têm leis Os seus direitos incluem: e proibições sobre o uso de roupas e sím- . incluindo os véus no setor pú- 3. não religiosos podem invocar a liberdade de não ter religião no domínio público. seadas na Religião ou Crença. e normalmente é.) . por exemplo. são proibidas. Liberdade de não ter religião . de negativa de religião ou a neutralidade (Fonte: Nações Unidas. força da liberdade de religião. con- mencionadas.A liberdade de manifestar a sua crença. uma escola não religiosa. tárias apropriadas.O direito à educação religiosa “no inte- Na Alemanha.A liberdade de assembleia e de associa- ção para a prece e festas religiosas. 4. restrição ou preferência ou crença em locais adequados. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública. retrizes e a sua implementação em oito mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães. restrições severas sobre o uso de símbolos religiosos.A liberdade de escrever. de Intolerância e de Discriminação Ba- tação. A liberdade de determinadas entidades blico. G.O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos religião.A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde instituições de solidariedade e humani. . 1981. Alemã. publicar e di. estes incluem e assembleia à comunidade de crentes. muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di- espaços públicos. exclusão. 1966. A liberdade negativa de religião ou neutra- . nº1.A liberdade de ensino de uma religião tinção. LIBERDADES RELIGIOSAS 257 vestuário e normas relativas à alimen. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien- do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional Federal no “julgamento sobre crucifixo” 2.

com a liberdade de religião e de fé. em casos de sacrifício humano. a pra. prescrições de uma determinada fé. consciência e religião. Por exemplo. manifestar uma crença religiosa têm de ser minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. a ensiná-la. rituais. Esta prática pode con- sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas educação escolar. Estas ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura- como propósito limitar a liberdade de ação mentos. mutilação genital feminina. em cerimónias religiosas. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS indivíduos. pode atingir limites quando estão em cau- vá cuja crença. a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi- de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas. garantias de inde. Como é feita a educação religiosa no escravatura. sozinho ou com outros. regras de dieta alimentar e regras de vestu- ário ou ao uso de uma linguagem particu- Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa fé. a manifestação da crença à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo. na qual estão enraizadas as ticá-la. a cumprir crenças religiosas ou de outra natureza. mental da criança. a saúde ou moral ou os direitos fundamen- Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. Existem. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di- No domínio público. os Estados têm a reitos Humanos (CEDH). a ordem. para proteger a segurança pública. prostituição forçada.258 II. Existem vários modelos princi- . tar atos que sejam incompatíveis com as lhos de acordo com a sua fé. no que respeita à proteção das liberda- religiosa. As limi- Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas. por exemplo. PERSPETIVAS 3. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus falar sobre a nossa fé. por princípio. por exemplo. obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de proteja a criança da intolerância e discri. a nível mun- religiosa inclui a proteção da linguagem dial. no seu país. Questões para debate automutilação. não permite sa os interesses de outras pessoas. INTERCULTURAIS pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS Manifestar a Fé Estado e Fé A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças. confissão ou tra- ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico. A manifestação da religião ou fé sig- Educação nifica igualmente a possibilidade de evi- Os pais têm o direito a educar os seus fi. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física. atividades seu país? subversivas e outras práticas que ameacem 2. adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre e observância dessa fé. Apenas que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias pensamento. A disposi. in- cluindo a liberdade de não acreditar? 3. cidadãos. ensinamentos. de serviço militar e a participação dos pais apenas quando uma prática re. a transfusão de sangue. 1.

Poder-se-á. tros onde é possível impor a pena perpé- giosa do indivíduo. dos apóstatas. é mais provável Irão. inexistência de religião oficial. Na prática. O debate ilustra tam- • Qual é a atitude do seu país relativa. e sensível. constituição de partidos políticos con- separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos? grupos religiosos legalmente reconhecidos. O deba- minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo igual. Indonésia. a Arábia que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou- Estado garanta plenamente a liberdade reli. ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma das sociedades modernas (ocidentais). Do ponto de vista ocidental. A pena era frequentemente nhecidas. Mudança de Religião crevem qualquer modelo particular de rela. é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam de fés diferentes ou minoritárias. a apostasia é ain- identidade nacional. Este facto está em clara contradição com o dade. G. Pelo contrário. no entanto. o Islão. uma vez que toca convicções profundas e diferentes entendimentos das Questões para debate liberdades religiosas. o Cristianismo e outras religiões te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora pertençam à religião oficial ou às fés reco. quando apenas uma a morte. igrejas estabelecidas. versas entre culturas diferentes. argumentar direito internacional dos direitos humanos. Índia. isto significa o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé. tua ou a pena de morte pela rejeição aber- dicional Islâmica. religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão. Sharia. • Pensa ser possível estabelecer um sis- dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés. apesar da apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais. As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e separação entre o Estado e a Igreja e não pres. O indivíduo tem o direito a escolher a sua ja ou religião particulares. por exemplo. Países como o Afeganistão. religião e adotar uma outra ou assumir O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. bém as diferenças culturais na perceção da mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e • O seu país reconhece instituições de di. que quando o Estado está ligado a uma igre. será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. Paquistão. No entanto. . a lei tra. proteção da liberdade religiosa da comuni. Estado. nas lei Sharia. neutralidade quando uma é privilegiada? dos Estados relativamente à fé e às suas • Pensa ser legítima a possibilidade de instituições. liga ta da fé Islâmica. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro- que exclua a religião dos assuntos públicos. Historicamente. parece estabelecer uma diferença entre o ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”. tal relação entre Estado e Igreja não resul. LIBERDADES RELIGIOSAS 259 pais no que respeita à forma como os Esta. O ato de apostasia – abandono de uma reli- ção entre o Estado e as fés.

no Reino Unido. prisões e afins). Objeção de Consciência ao Serviço Mi- versão de uma fé para outra. privilégios para que a pessoa se converta. O direito dos direitos hu. (por exemplo. Tal Lei foi sim. Em países direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta- crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo com formas não coercivas de proselitismo. presentes ou transportar uma arma. pelos governos. No entanto. A controvérsia intercultural sobre a ob- nomina-se proselitismo ou evangelização. seu país? • Pensa ser necessário reconhecer expres- Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente. Esta ação de. Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão da Fé Liberdade dos Meios de Informação Todas as pessoas têm o direito a disseminar as suas crenças e encorajar outros à con. Turquemenistão. tendência para reconhecer aquele direi- Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. grupos a matar? de direitos humanos insistiram para que a . consequentemente. na Áustria. desde que não litar seja usada força ou coerção. a questão de saber o Chile. obrigatório ainda existe atualmente. proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate se encontrem por força da lei (salas de • Existem prisioneiros de consciência no aula. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso. A têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se religiões estrangeiras que promovem pro. forçar alguém a conver. instalações militares. estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se. pessoas com outras fés não ficarem em manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem.260 II. Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci- • Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”. no direito internacional dos e Liberdade de Expressão direitos humanos. em França. o direito a recusar-se No início de 2006. Armé- que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel. com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações. Turquia. como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA). jeção de consciência ao serviço militar Na Europa Central. noutros países como a Bielorrússia. há uma certa disposição de cartazes ou paineis. de Leste e em África. não existe qualquer reco- regulada no direito internacional. a obrigação de usar força letal confli- gramas missionários. não pudesse e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar • Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. ter-se a uma outra fé. Em determinados tuar seriamente com a consciência de casos. direitos humanos. Para que nhecimento da objeção de consciência possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a coerciva”: o uso de dinheiro.

18 março. essencial para combater a intolerância e a Existem igualmente instrumentos regio. não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da seu possível conteúdo. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). 31 julho. aponta nessa direção (vide TEDH. discriminação religiosas. turas sistentes com as disposições da Declara. Existem igualmente muitos órgãos e comi- venção. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na- baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação mundo. Antes de se continuar com os esforços ten- ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri- reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa. A mais recente de- como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi- consuetudinário. em geral. violações dos abitação multirreligiosa. os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. é um dos instrumentos ção da liberdade religiosa é a falta de exe. que a aplicação da lado. Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. ciência. Caso Igreja da Cientologia de Mosco- Religião ou Crença. Caso das Teste- base na religião ou crença. 2008. 2007) ou a decisão so- a intolerância. O seu mandato consiste principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu- e ações governamentais que sejam incon. cons- para monitorizar a implementação da De. Rússia. liberdade religiosa ao nível regional euro- A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. G. A ênfase deve ser direitos à vida. num caso no que respeita a questões de fé. mais eficazes para a implementação da quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. Organização para a Segurança e Coopera- Em 1986. tem um certo munhas de Jeová et al c. culativa. claração de 1981. LIBERDADES RELIGIOSAS 261 4. as ONG. Os Estados têm nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação dos Direitos Humanos decidiu. é necessária uma Estados. em Estrasburgo. de da não discriminação religiosa e da tole. as organizações religiosas e . integridade física e segu. 5 abril. incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981. forma a desenvolver-se uma cultura de co- rância de religião e credo. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. Muitas decisões. efeito legal. Por outro respeitante ao Sudão. No entanto. religião e ideologia. colocada no papel da educação como meio rança humana do indivíduo. 2011. ção na Europa (OSCE) que lidam com os lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento. O maior problema relativo à implementa. 2011). xos nas escolas públicas italianas também uma declaração não é juridicamente vin. Apesar de haver acordo interna. cional quanto à necessidade de uma con. foi instituído o mandato de Re. os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de a estigmatização de religiões. Caso Lautsi et al c. dedicada à luta contra vo c. Itália. como a decisão so- sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH. Áustria.

de defender os persegui. a “Interfaith Search” reúne ONG internacionais têm promovido o di. Uma cultura de clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu- e outros atores. a sua prática. às • No Sul da Índia. a “Clergy for Peace” munidades de crentes. conflitos. É Nós podemos começar a prevenir a discri. • Fundação Ética Mundial. Diálogo Interreligioso Existem igualmente. de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ- relações criativas entre pessoas de diferen.262 II. é a primeira iniciativa do género a con- manos”. Jains. Significa igualmente que educação. Paz. para uma efetiva mu- minação e a perseguição religiosa. • Na Europa. representantes de várias religiões nas álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon- • Conselho Mundial das Igrejas. respei. o “Project: Interfaith Europe” manente sobre “religião e direitos hu. numa religiosa implica o respeito pelos seguido. assim também tem crescido munha da paz e justiça na região. as questões que promovem a resolução e prevenção de sobre pluralismo religioso e cultural fize. a promoção do diálogo in- tando os direitos dos outros. Cristãos. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. também necessário. Zoroastrianos. BOAS PRÁTICAS • Parlamento Mundial das Religiões. Entre muitas outras. Há um sentimento promove o encontro de rabinos. • No Médio Oriente. re. deste modo. padres. plataforma comum. ne Hindus. vidar políticos urbanos e representantes . ceitos e promover o respeito e a apre- • Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos. habitação e acesso a O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes. tas. denegrir ou difamar dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito campanhas informativas. dança de atitude. tendo em vista o desenvolvimento tes fés. por todo o mundo. através do diálogo: ram reavivar o interesse nas igrejas e co. quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente. Judeus e Sikhs balharem mais próximas na educação. com o seu grupo de trabalho per. da comunidade. Budis- rem-se melhor umas com as outras e tra. semos a discriminar. estas • No Pacífico. campanhas de fundamental a ser-se diferente também em sensibilização. o “Council of Grace” reú- várias comunidades religiosas entende. permitindo. programas educativos e termos religiosos. nos recusemos a discriminar o outro em termos de emprego. CONVÉM SABER 1. nia. Muçulmanos. numa tentativa de lidar com situações de solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo). Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste- tem crescido. para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais Durante as últimas décadas. e não crentes para que res de outras fés.

serviço comunitário e de fortaleci. LIBERDADES RELIGIOSAS 263 de diferentes religiões de toda a Europa 2. Uma seita geralmente • Na Alemanha. A educação interreligiosa encoraja o res. vanda- • Como pode ser feito este diálogo. indi. ligiosos sos. Igual prote- contro de Judeus.pcusa. na Áustria. recorrente de discriminação e repressão. manos de todo o mundo. ção deve ser dada aos novos movimentos tãos. valores éticos e mo. novos movimentos religiosos são um alvo ser um livro escolar uniforme. onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice- às várias fés e se aconselha a cidade acer. Ambas as expressões são al- mento da reconciliação.) os estudantes a pôr de parte barreiras de preconceito e intolerância. que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de ao público-alvo dos livros. TENDÊNCIAS para as cidades de Graz e Sarajevo. estabeleceu Cultos. sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados destes países em programas de forma. por diferentes nomes e necessitam de uma moveram o encontro de jovens repre. G. Muçulmanos e Cris. VP condemns mob attack on Islamic peito por pessoas de outras fés e prepara sect. O resultado deverá. um projeto chamado “Common tada estritamente.org/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de pcusa/wmd/eir/dialogue. ligiões tradicionais do mundo. • A cidade de Graz. análise mais profunda. refere-se a um grupo religioso dissidente íses. • Na Tailândia e no Japão. das principais religiões nas suas crenças rais. recentes Cam.htm) Bogor. Este sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à que se possam praticar na vida quotidia. enquanto culto textos escolares. Seitas e Novos Movimentos Re- um Conselho para Assuntos Interreligio. um ataque de cerca de 1000 mu- çulmanos à sede de uma seita islâmica Questão para debate pouco conhecida e considerada como “No diálogo. Munida com (Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras. -Presidente Yusuf Kalla condenou. lizando escritórios e outras divisões. sábado. A liberdade religiosa não deve ser interpre- • Em Israel. Inglaterra e noutros pa. e práticas. a multidão atacou a for Interfaith Dialogue: www. mas foi in- capaz perante tantas pessoas. no ca do modo como os revolver. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri- . “Religiões para a Paz” através da Educação (Fonte: The Jakarta Post. eventualmente. tamente ambíguas. para referir grupos religiosos que diferem ção em liderança. 2005. luz de acontecimentos recentes nos quais na. os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal tratamento das tradições religiosas em da religião dominante. a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul- mantidos em equilíbrio”. 16 julho. Estes novos movimentos são conhecidos pos Éticos de Liderança Jovem pro. tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. incluindo apenas as re- Values/Different Sources” promoveu o en. situada a sul de Jacarta. A vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque.

as “esposas” não seu país? Se sim. A muti- norma”. Sudão. mentos forçados que resultam frequen- temente em escravidão. países.264 II. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na como negócios. são praticados casa- por ser antes vista como uma empresa. podem surgir subsequentemente. Paquistão exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países. consequen- quando as leis religiosas. Geórgia. são também prati- cados casamentos forçados. tradição cultural em muitos países e é ças. da de mulheres violadas garantia que rar as suas comunidades. do representantes de vinte e oito países ta devoção ou abusos em termos financei. Consulta de Peritos Africanos e Árabes sos. Graves problemas de saúde conceitos frequentemente usados com co. países (sendo a Alemanha o mais famoso • Em zonas da Nigéria. Ru- der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. publicamente as mesmas fossem vistas podem ser vítimas de determinadas fés. as mulheres têm ção e religião. Por um lado. Por outro lado. Só tardiamente o seu direito hu. mano à liberdade religiosa foi abordado. pode das vítimas foi em muitos casos a ra- haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa manifestar a sua fé. • A violação como forma específica de A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa envolve dois aspetos. a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma culto será diferente entre as várias cren. “seita” ou “culto” são humanos. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção a Igreja da Cientologia. defendidos Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura. No seio de • Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte. desonradas e humilhadas. se não puderem ace. como tendo sido violadas e. da diferença destes grupos relativamente No entanto. em junho de 2003. em vez de grupos religio. que. po- notação negativa. Sudão. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS fo. no internacionais de proteção dos direitos mundo ocidental. muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as únicos. apesar da existência de sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática. em alguns da Mutilação Genital Feminina”. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões usam estes termos num sentido neutro. foi alcan- à norma. como? têm mais do que nove anos. tradi- Durante toda a história. Muitas vezes. suas vidas: Considerando que ambos os termos são • A taxa de mutilação de meninas em zo- definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. temente. A gravidez força- de culto ou não puderem pregar ou lide. nesses as fés. na ex-Jugoslávia. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte. pro- . mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan- muitas vezes associados com uma comple. africanos e árabes afetados por esta prá- ros. práticas e costu. A necessidade Questões para debate de consentimento da mulher não é res- • As minorias religiosas são protegidas no peitada.

Os seus “Tal como a religião pode ser usada. e também como consequência (Fonte: OSCE. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos. a Suíça e outros países ocidentais (ex. baseia na ignorância e intolerância. Liberdade de Religião e Crença. tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de todo o terrorista ou extremista será religioso. base na sua fé. Em 2009. suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória. em 11 de setembro de 2001. EUA. de ataques. en- religiosas. da fé não prova a existência de um confron. No entanto.” tre” e ao Pentágono. refere ainda que a difamação da religião con- uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo. nem todo o crente é terrorista. Estes os bombardeamentos das embaixadas oci. religiões. a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter- julho de 2005. Entre as vítimas estavam meninas entre também as ações “antiterrorismo” dos os 7 e os 14 anos de idade. enquanto os direitos humanos geralmente to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e. religião uma forma nova de racismo. LIBERDADES RELIGIOSAS 265 longando o dano psicológico. governos podem ser erradamente usadas para justificar atos que colocam em peri- Extremismo Religioso e os seus Impactos go os direitos humanos e a liberdade de Depois dos ataques ao “World Trade Cen- religião ou crença. esforços foram encorajados pela Organização dentais em países dominados por Muçul. da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão manos. Conferência sobre a do ataque no metro de Londres. Muitos entendem que estes trágicos acon. a religião por razões políticas. A resolução Esta ligação é. uma coligação de mais de 180 ONG declarou A única forma de combater efetivamente o extremismo é encontrar formas de que- brar o círculo vicioso de violência que gera 5 Em junho de 2011.) rar. a crença religiosa. tendo nomeado apenas o Islão. . Difamação da Religião tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da entre fé e terrorismo: sequestro de aviões. todavia. um direito contra ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte sociedade ou fé em particular. uma vez que estabelece o direito de uma re- camente. a OCI passou a designar-se Or- violência. tendo os Estados da UE. radamente. ocultar atos ou exigências motivadas politi. Em 2001. rorismo. mas que se restrição à liberdade de opinião. para não falar da questão “israelo. para justificar o terrorismo. bastante perigosa. o terrorismo parece explo. Direitos Humanos. a religião e as direito dos direitos humanos. ques extremistas são ligados à fé e os ofen. mais do que nunca. G. ganização da Cooperação Islâmica. Canadá) abstido pelo facto de o conceito de sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o crime “em nome de Deus”. er- filhos continuam a ser discriminados. Mais. 2002. uma vez que o extremismo é uma quanto tais. a Comissão de Direi- palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião. Quando ata.

Combating intolerance. 1966 Pacto Internacional sobre os Direi- de proteger pessoas que. nega. Não teção dos Direitos Humanos obstante. 18º) a Educação Escolar em relação à 1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença. 12º) and violence against persons based on reli- gion or belief. 27º) 1948 Declaração sobre a Liberdade Re. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro- mesma ameaçar a liberdade de opinião. senvolvimento das liberdades religiosas apoiada pelo Parlamento das Reli- 1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago (1789 Carta de Direitos com Pri.266 II. 27º) intolerância e violência. 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma- ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º) Igrejas 2001 Conferência Internacional Con- 1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre Humanos (Artos 2º. 13º. 26º.) 1981 Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri- • Quais são as principais razões de confli. tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da a sua própria experiência? Criança (Artº 14º) • Qual é o papel das fés na procura de paz e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão agente de reconciliação. 23º) tive stereotyping and stigmatization of. a Conferência dos Esta- dos Islâmicos propôs uma resolução revis. à Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação (Artº 2º) (Madrid) . 1992 Declaração das Nações Unidas so- bre os Direitos de Pessoas Perten- 3. 2011. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas. 16º. minação Baseadas na Religião ou to no seio e entre comunidades religio. (Artº 9º) Apenas em 2011. nos e dos Povos (Artos 2º. 8º. 1969 Convenção Americana sobre Direi- (Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º. ONU. 1981 Carta Africana dos Direitos Huma- and discrimination. a resolução foi aprovada pelo Con. religião ou crença. Religio- sas e Linguísticas (Artº 2º) Etapas importantes na história do de- 1993 Declaração para uma Ética Global. 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli- ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano Conselho de Direitos Humanos e preten. 17º. Crença sas? Pode dar exemplos. e das Liberdades Fundamentais selho de Direitos Humanos. 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos meira Emenda) (Artos 26º. incitement to violence. 20º. por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º. são confrontadas com 24º.

não fazendo ser sensível e aceitar opiniões diversas. com que cada um tire um papel à sorte pos relacionados com a consciência ou cren. G. Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase. se as pessoas devem sas e sentimentos de outros. Escrever os nomes dos participantes Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel. fazer lista de comentários que firam e de estereóti. Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões: Atividade Como atividade final: uma carta para to- Instruções: dos. Neste mo- Parte I: Introdução mento. poder dizer tais coisas sem ter em conta os seus possíveis efeitos e o que fazer quando Parte II: Informação Geral isso acontece. quando fizer esta atividade. muitas atividades que evocam controvér- Escolher alguns dos piores e escrevê-los. se sente dessa forma. . o grupo deve apenas aceitar que Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de- liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada se faz ou diz colide com as crenças religio. Uma pessoa de cada grupo deve ler a primeira frase. e escreva uma carta dizendo coisas amá- ças religiosas de alguém. Sugestões metodológicas: cador. sias e emoções. ponderações ou valorizando subjetiva- mente as afirmações. LIBERDADES RELIGIOSAS 267 2001 Congresso Mundial para a Preser. comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a participantes saibam que causem angústia. Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações: sentimentos religiosos de outras pessoas. Como se sentiram os participantes durante aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen- impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio? Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren- Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre Material: quadro e marcador aquilo que queremos? Preparação: Preparar um quadro e mar. 2007 Declaração da OSCE sobre Intole- vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu- (Nova Deli) çulmanos 2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos ATIVIDADES SELECIONADAS ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua- PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso Competências envolvidas: Ouvir os outros.

2004. E A MINHA etc. cerimónias. Cada participante mos- a noção de tolerância. as fotografias devem re- O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio- não discriminação e a proibição da into. porquê? Que fotografias Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde Material: quadro. analisar as face. canetas. aprender sobre diferentes costu. tra a fotografia que escolheu e explica por tas das liberdades religiosas. fotografias de vários religiões? movimentos religiosos. comuni- regras do debate e comunicação que po. cluir fotografias de grupos ou movimen- tos religiosos que (ainda) não são aceites Parte II: Informação Geral no país. considerar in- çam a diferentes crenças religiosas. car.268 II. papel. barro. desenvolvimento de símbolos ilus- Direitos relacionados: Liberdade de Ex. analisar. poderá ser uma atividade apropria. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife- Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos. juntos. etc. pedir e criativo. dando assim a dar opinião.. competências de pensamento crítico: dem ser afixadas na parede. aos participantes que reflitam sobre todo mes/culturas. Tipo de atividade: Atividade com múlti. alguns participantes escolheram a mesma Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim. sas no país (em muitos casos. reflexão. em Parte I: Introdução qualquer caso. madeira. Reunir o Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. Cada participante escolhe uma fotografia plas tarefas que mostra algo que não tolera. Escolher as fotografias de acordo com o grupo. É preferível que se poderia pensar à primeira vista). competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões. símbolos. Parte III: Informação Específica sobre a ing Human Rights. o processo: Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações: A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que algumas modificações. trativos. pressão e dos Meios de Informação (Fonte: Nações Unidas. Practical Activities for Atividade Primary and Secondary Schools. desenvolver que é que não tolera. mais do lerância com base na religião. ABC Teach. aceites no país. Competências envolvidas: Competências da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros. canetas de Em resumo. . explicar que religiões são cores. foras. trabalhar com participantes que perten. arame.) Instruções: Primeira Parte ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi- A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos. competências cria- oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá- mesmas quando seja necessário. Dependendo do grupo. na mesa ou no chão. papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas marcadores de texto.

os participantes revelam os seus conheci. terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex- Sugestões metodológicas: plorar: Para esta atividade. Depois desta atividade baseada na experi- ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade. dizendo aos participantes que as apresen- O porta-voz do grupo dá informações so. atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. É melhor dir a cada grupo de participantes que re. cor ou género. Se trabalhar em escolas pode cooperar com Encerrar a segunda parte com uma breve professores de artes para a segunda parte ronda de opiniões. ambas as partes. música. por exemplo. esta dade de expressão. pel vermelho como um semáforo) para Pedir para que ilustrem através de uma pin. pro- Será mais fácil para os participantes tole. parar a apresentação que seja ofensiva tura. tações a qualquer momento. Glob- atividade de conhecimento do outro. Se. banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. discriminando-os. schoolbus. se todos os participantes acordarem no presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. tações devem evidenciar a adoração ou bre as comunidades religiosas. Liber- outros participantes. pode continuar com mal-entendidos? contributos intelectuais. um pedaço de pa- diferente. al Teaching and Learning Project Cyber- tificar-se igualmente de que a apresen. da atividade. Depois os costumes e crenças dessa religião. LIBERDADES RELIGIOSAS 269 Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os Numa breve sessão de chuva de ideias. Pe. O que podem os participantes aprender com estas apresentações? Existe algo em comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento Quanto será preciso saber sobre outras re. A apresentação pode também Reações: ser feita com plasticina e outros materiais.) . Cer. G. deverá Dar aos participantes 40 minutos para pre- seguir-se um debate sobre os motivos de paração. deverão ter o direito de parar as apresen- Organizar um encontro multicultural. Por esta razão. cada grupo apresenta Outras Sugestões: a sua contribuição criativa. De volta ao plenário. tiva tenham sido escolhidos. ritos e não a razão por que estes são os Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti- grupo respeita as crenças religiosas dos vos. apesar das escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções. sentimentos religiosos de outros crentes. videnciando materiais sobre tolerância/ rarem outras crenças/religiões depois de intolerância. pantomina. os alunos/participantes mesmo os grupos com uma imagem nega. sentirem que estão a ser discriminados. Começar o exercício mentos sobre as religiões escolhidas. de a apresentação ter sido parada. tais como etnia.

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H.]” Artigo 26º. DIREITO À EDUCAÇÃO DISPONIBILIDADE E ACESSO IGUAL À EDUCAÇÃO EMPODERAMENTO ATRAVÉS DO DIREITO À EDUCAÇÃO “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [. Declaração Universal dos Direitos Humanos. .. 1948. nº2..

2000. Milénio das Nações Unidas. Relatório do buir para a segurança humana? Se sim. Quais os problemas centrais evidentes nes- “O meu nome é Maya. Considera que a educação pode contri- (Fonte: Nações Unidas. que conhe- tar-me a eles. 6. preferiria ser rapaz. porquê? novo. 5. 2. centagem de pessoas analfabetas serem Varri o chão. uma prioridade para a co- ano os meus pais interromperam os meus munidade internacional? estudos.” 7. Já havia dera que ela tem. Considera que o direito à educação é. Considera que existem diferentes tipos brincavam na rua mas eu não podia jun. quando cheguei ao 4º atualmente. ninguém ficou feliz. portanto.276 II. possibilidade de ultrapassar a sua situação ci. meninas e mulheres? bem como lenha. alguma muitas crianças. fiz amigos novos e aprendi a 4. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS HISTÓRIA ILUSTRATIVA A História de Maya Questões para debate 1. cimento é importante? Que tipos de co- Ficava muito feliz quando me permitiam ir nhecimento perdem relevância? à escola. Alguns dos meus amigos 3. de pobreza e de ter acesso à educação? Quando eu era ainda muito pequena. Consegue pensar em razões que justi- aprendi a ajudar a minha mãe e as minhas fiquem o facto de uma tão elevada per- irmãs mais velhas nas tarefas domésticas. De quem é a responsabilidade de eli- nheiro para pagar as despesas escolares e minar a ignorância e o analfabetismo e que eu era precisa em casa para ajudar a através de que medidas? minha mãe e os restantes. Mas. quando eu nas. Lá. Nasci há 14 anos te caso? Sente empatia por Maya e consi- numa pobre família camponesa. O meu pai disse que não havia di.) como? . A educação é importante para o gozo de Se tivesse a possibilidade de nascer de outros direitos humanos? Se sim. lavei roupas e carreguei água. ler e a escrever. por si mesma. de conhecimento? Se sim.

e. Igualmente. Por outras e económica. para as de. à negação do di- direito a escolher o trabalho. Através uma forma significativa se determinado ní. A educação pode. Mas a pobreza. Armado . a receber re. çar a sua identidade cultural. também se aplica ao direito de fazer podem ser prevenidas as violações dos parte da vida cultural. mação. a bene. extensão. entre outros. como cação. Educação e Segurança Humana sinar o seu próprio nome. adequadamente na vida social. dade das pessoas de desenvolverem as racterizado como um “direito de empode. Direitos Humanos em Conflito tolerância. económicos. da educação e da aprendizagem para os vel de educação for alcançado. um conjunto de direitos uma das ameaças à segurança humana. também. direitos humanos nos conflitos armados e nicas e linguísticas. os direitos de cada um. pelo menos. O direito de conhecer muneração igual por trabalho igual. tais como o pode conduzir. grupos étnicos ou religiosos e pode ajudar a desenvolver uma cultura univer- Porquê um Direito Humano à Educação? sal de direitos humanos. Tal direito confere ao indivíduo tar e de se protegerem a si próprias bem mais controlo no percurso da sua vida. e. respeito e amizade entre as na. direitos humanos e o direito humanitário. Quase um bilião de pessoas entrou no sé- culo XXI incapaz de ler um livro ou de as. promover Direitos Humanos da Criança (embora não seja garantia) compreensão. depende conflito armado. em particular. política to das ações do Estado em si. A falta de segurança huma- políticos. só pode ser exercido de vital para a segurança humana. Na sociedade em geral. pode ser uma contribuição suas capacidades. reito à educação. H. mais controlo sobre o efei. direito ao Isto é óbvio relativamente a crianças em voto e a ser eleito. como às suas famílias e de participar em particular. tais como a liberdade de infor. exercer um direito de empode. suas próprias personalidades. palavras. através da edu- ficiar dos avanços científicos e tecnológicos cação e da aprendizagem para os direi- e a receber educação superior com base nas tos humanos. Tal. sociais e culturais. a paz internacional e a seguran- O exercício de muitos dos direitos civis e ça humana. o direito à educação é ser facilitada a reconstrução da sociedade um meio primordial de preservar e refor. Para as minorias ét. DIREITO À EDUCAÇÃO 277 A SABER 1. depois dos conflitos. prejudicam a capaci- O direito humano à educação pode ser ca. igualmente. A negação. assim como as violações do ou a população total da Índia. por benefícios de outros direitos. direito à educação. na impede as crianças de irem à escola. um nível mínimo de edu. Este número re- presenta um sexto da população mundial. INTRODUÇÃO ções. a negação da educação fere a causa da ramento permite à pessoa experienciar os democracia e do progresso social e. crianças-soldado. liberdade de expressão. de susten- ramento”.

de 1789. cionados com o direito à educação. tal como influenciaram a definição dos direitos definido na Carta Internacional de Direitos educacionais os quais foram formulados Humanos das Nações Unidas. já que a um nú. A Constituição cola “elementar” estende-se a todo o ensi. e a Declaração Francesa dos Direi- para fora”. os pensa- pilares da aprendizagem ao longo da vida. Durante o século XX. Ape- A conclusão dos tratados de paz. liberdade da ciência. através da frequên- educação era. Embora reconhecen- do um conceito mais amplo do direito à No século XIX. De igual forma. também O direito humano à educação. se. No século XIX. a garantir a educação. conduziu ao reconhecimento au. não continham cação engloba oportunidades educativas. na do direito individual à educação. com maior firmeza no campo dos direi- mero vasto de pessoas são negados até os tos humanos. a De- escrever ou a calcular. do Império Germânico. de 1919.278 II. a Declaração clarações internacionais de direitos ou . Nações para o Bem-Estar das Crianças”. incluiu garan- secular é que a educação começou a ser tias do direito à educação das minorias. tado. interpre. na América do Norte. a de Direitos da Virgínia. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS A educação é mais do que aprender a ler. metade do século XIX. chamada de “Carta da Sociedade das séculos XVI e XVII. direito ao ensino básico. Todavia. Na O reconhecimento explícito dos direitos Europa. continha o direito à educação. menciona o para defender e desenvolver as ideias de direito à educação. A origem Latina da claração da Independência dos EUA. em primeiro lugar. contra a interferência da igreja e do Es- mentais”. a Constituição Alemã de Weimar. da res. de 1871. como John Locke e Jean-Jacques Rosse- em 1924. de 1689. de própria palavra significa “conduzir alguém 1776. cia gratuita e obrigatória da escola. quaisquer direitos especificamente rela- por exemplo. pesquisa e ensino nos estádios mais “elementares e funda. os aspetos do di- Contrastando com estas ideias. tam este requisito de formas diferentes. explicitamente. conti- no secundário. instru. na Austrália educacionais emergiu durante a última e em algumas zonas do Sul da Ásia. gratuito e obrigatório. Os Estados. incluía uma secção sobre “A Desenvolvimento Histórico Educação e a Escolaridade”. nas Constituições nacionais e nas de- tânica de Direitos. escreveram sobre a conceção moder- internacional do direito à educação. de 1776. o dever do Estado de Antes da época das Luzes na Europa. mo e do liberalismo colocou a educação cação primária e básica. considerada assunto de interesse públi- A proclamação da Declaração de Gene- co e da responsabilidade do Estado. tos do Homem. cundário e superior. mentos liberais e anticlericais. uns 20 países no nha uma secção com o título “Direitos Mundo não têm qualquer idade definida Básicos do Povo Alemão” que também para a educação obrigatória. após a nas com a emergência do moderno estado Primeira Guerra Mundial. a emergência do socialis- educação. reconhecen- do. a es. ponsabilidade dos pais e da igreja. este módulo centra-se na edu. contudo. filósofos eminentes. reito à educação foram contemplados mentos civis clássicos como a Carta Bri. Nos bra. O direito de uma pessoa à edu.

a Conven- mais de 50 países. DIREITO À EDUCAÇÃO 279 reconhecidos em legislação não consti. “Os Estados Partes no presente Pacto re- manos. venção Americana sobre Direitos Huma- nos em Matéria de Direitos Económicos. desempenhar um papel útil numa socie- . DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO das ou públicas para os seus filhos e de asse- DA QUESTÃO gurar a educação religiosa e moral das suas crianças. A nível regional. tanto a nível todos os indivíduos a determinadas formas federal. com carácter universal e regional. Na Constituição dos Estados Unidos não é mencionado qualquer direito à educa. de comportamento pelos seus governos. o Pacto deve visar ao pleno desenvolvimento da Internacional sobre os Direitos Económi. particularmente relacionados com teger e implementar o direito à educação. Concordam também que a lheres (Artº 10º) e a Convenção sobre os educação deve habilitar toda a pessoa a Direitos da Criança (Artos 28º e 29º). enquanto a Coreia do Uma das mais recentes codificações em di- Sul. inter alia. interferindo ou constringin- man Right to Education) do o exercício de tais direitos e liberdades. sua dignidade e reforçar o respeito pelos a Convenção sobre a Eliminação de Todas direitos humanos e das liberdades fun- as Formas de Discriminação contra as Mu. tal como os direitos de todos os no direito internacional dos direitos huma. manos e das Liberdades Fundamentais ta expressamente das Constituições de (Artº 2º do Primeiro Protocolo). a ção Americana sobre Direitos Humanos Nicarágua. agir em contravenção de reconhecidos direi- (Fonte: Douglas Hodgson. A obrigação de respeitar proíbe o Estado de vas. em conformidade com as suas pró- Conteúdo do Direito à Educação prias convicções. constitucional. Espanha. Chipre. étnicos e linguísticos. desenvol. existem a Convenção tucional ou em legislação ordinária de Europeia para a Proteção dos Direitos Hu- cada país. Os veram determinados direitos educacio. Tal tem sido registado num conjunto variado de documentos sobre direitos hu. temos a Declaração Universal educação. Marrocos e Japão reconheceram reitos humanos é a Carta dos Direitos Fun- esse direito tanto nas respetivas Consti. conhecem o direito de toda a pessoa à Por exemplo. direito à educação no artº 14º. 1998. Os Tribunais dos EUA. Os Estados devem. Japão. grupos religiosos. Concordam que a educação dos Direitos Humanos (Artº 26º). damentais da União Europeia. O direito fundamental à educação habilita ção. Paraguai e Polónia. como a nível estadual. H. que inclui o tuições como em legislação ordinária. O Reino Unido e o Peru reconheceram Sociais e Culturais) e a Carta Africana dos o direito à educação em legislação não Direitos Humanos e dos Povos (Artº 17º). deve ser O direito à educação tem uma base sólida respeitada. personalidade humana e do sentido da cos. damentais. The Hu. a igualdade de oportunidades educati. respeitar a li- berdade dos pais de escolher escolas priva- 2. nos. Sociais e Culturais (Artos 13º e 14º). pro- nais. tos e liberdades. de forma igual. como por exemplo. (Artº 13º do Protocolo Adicional à Con- Irlanda. Vietname. Egito. A necessidade de educar e Obrigações do Estado rapazes e meninas. Estados têm a obrigação de respeitar. O direito à educação cons.

Ensino recorrente intensificado para rância e amizade entre todas as nações e aqueles que não tenham concluído o grupos. 1966. através de legisla.Ensino superior acessível a todos com pacidade estrutural das escolas primárias base na capacidade individual. São estes: Disponibi- vamente a esta questão é o artº 14º do lidade. reitos Económicos. proíbam a violação de direitos individuais e liberdades.280 II. por terceiros. escolas primárias estejam disponíveis para todas as crianças em idade escolar. lhado das medidas necessárias para reali. PIDESC. raciais. vorecer as atividades das Nações Unidas para a conservação da paz. sem dúvida. Ape- sar de o Estado não ser o único provedor de Padrões a Atingir: educação. misso. Os Estados devem Tal significa que a melhoria do acesso à assegurar que as escolas públicas ou priva. ção ou por outros meios. […] a aplicação do princípio primárias estejam disponíveis para todas as do ensino primário obrigatório e gratuito crianças requer um considerável compro- para todos”. quado de bolsas e melhoria contínua da situação dos professores. Artigo 13º. Assegurar que as escolas vel de anos. no que diz respeito ao do deve adotar. nº1º. com base no princí- das não aplicam práticas discriminatórias pio da igualdade e da não discriminação. Com este pro. promover compreensão. (Fonte: Pacto Internacional sobre os Di- tados tomem medidas. tole. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS dade livre. étnicos e religiosos. direito à educação. quer político. o direito internacional dos direi- . quer financeiro.” . Sociais e Culturais. Aceitabilidade e PIDESC. que previnam e 1966. tam o espírito e a essência absoluta do di- nómicos. reito à educação. ensino primário. um pré-requisito da concretização do di- zar progressivamente. de modo a assegurar que as anos de idade) acessível a todos. represen- Pacto Internacional sobre os Direitos Eco. educação para todos. os novos Adaptabilidade. Se a ca- . como obrigatória e gratuita é. Acessibilidade. Estados Partes que ainda não asseguraram o ensino primário como gratuito e obriga. Disponibilidade tório têm o dever de “elaborar e adotar. nº2). de acordo com o qual. Sociais e Culturais (PIDESC). um plano deta. tos humanos obriga-o a ser o provedor de . O Comentário Geral nº 13 do Comité pósito. A obrigação de proteger requer que os Es. bem como a liberdade de escolher o tipo A obrigação de implementar prevista no de escola e respetivo conteúdo. obrigação de meios e obrigação de do Pacto Internacional sobre os Direitos resultado podem ser distinguidas: Económicos. . O melhor exemplo relati.Oferta de ensino secundário (10-14 último recurso. O dever de estabelecer a escola primária num prazo de dois anos. reito à educação. está abaixo do número de crianças em ida- . ou inflijam castigos corporais nos alunos.Educação básica gratuita e obrigatória.Estabelecimento de um sistema ade- Artigo 13º. Sociais e Culturais (PIDESC) A obrigação de meios diz respeito a uma identifica quatro princípios como obri- determinada ação ou medida que o Esta. gações do Estado. e fa. num número razoá. significa a obrigação de uma concretiza- ção progressiva do direito.

Liberdades Religiosas lia. É. Hoje. protegido e implementado não é 10º da Convenção sobre a Eliminação de apenas um dever destes. A educação deve ser culturalmente apropriada e de boa Acessibilidade qualidade. H. ser considerado como proselitismo ilícito. Os alunos e os pais têm o direito No mínimo. bem como a ve- A disponibilidade do ensino secundário e rificar que a educação é aceitável tanto para superior também é um aspeto importante os pais. lecimentos de ensino privados. xiliar a implementação total do direito à educação. uma Todas as Formas de Discriminação contra função da sociedade civil promover e au- as Mulheres. permanecer ajustável. envolve o direito de escolher o modelo de trodução progressiva da educação gratuita educação recebida e o direito de estabele- não significa que um Estado possa absol. orientar e controlar os estabe- ver-se das suas obrigações. tendo em conside- te importante para os mais velhos e pes. necessidades no futuro. face ao seu dever da escola obrigatória estão em conformidade com os critérios mí- para todos. também. tal soas com deficiência. bem como mulheres e homens. uma visão comparativa e alarga- mou num dos seus relatórios que “o Estado da do mundo revela disparidades subs- . Não Discriminação Direitos Humanos das Mulheres 3. através da eli- minação de estereótipos sobre o papel do A obrigação dos governos de assegurar homem e da mulher de textos e de estrutu. tal como previsto no artº peitado. Este princípio no direito à educação. ração o interesse superior da criança. uma comunidade. A exigência da in. nimos por si desenvolvidos. de estudar assuntos incompatíveis com a garantindo o acesso a instituições escola. globa um acesso físico e construtivo. ser removidas. sua religião ou outras crenças. Usar a au- res existentes. não é cumprida. de todas as meninas e rapa. Katarina Tomasevski. então a obrigação legal do Esta. uma Nação. os governos são obrigados a de ser livres da doutrinação e da obrigação assegurar o gozo do direito à educação. afir. DIREITO À EDUCAÇÃO 281 de escolar. como para os filhos”.” Provérbio africano Adaptabilidade Normalmente. por exemplo. toridade do sistema do ensino público para zes. o que uma criança aprende A obrigação positiva de assegurar um na escola deve ser determinado pelas suas acesso igual às instituições educativas en. é obrigado a garantir que todas as escolas do. “Educar uma mulher é educar uma famí. cer. O Isto significa que o sistema educativo deve acesso físico às instituições é especialmen. que o direito humano à educação é res- ras educacionais. enquanto adulto. PERSPETIVAS INTERCULTURAIS Aceitabilidade E QUESTÕES CONTROVERSAS A anterior Relatora Especial para o Direi- to à Educação. O acesso construtivo como o seu desenvolvimento social e os significa que barreiras excludentes devem avanços a nível nacional e internacional. com induzir as pessoas a mudar a sua fé pode base na igualdade e não discriminação. manter.

das quais mulheres. corresponde a metade ma década. os Estados não da do nível nos países ricos. Em média. está não frequentam a escola e. atualmen. A alfa- Prémio Nobel da Paz. 56 milhões de crianças em possíveis diferenças de qualidade na edu. alcançarão o objetivo da educação primá- quanto o hiato das matrículas no ensino ria universal até 2015. Tal. A Década das Nações Unidas para a Alfa- “A educação é a arma mais poderosa que betização (2003-2012) é confrontada com se pode usar para mudar o mundo” o facto de ainda 20% da população adulta Nelson Mandela. uma criança mas as taxas de abandono fazem com nascida em Moçambique pode. As matrícu. çar os marginalizados” apresenta avanços riores. a concretização do mas. provável em 2015. Pouco . (Fonte: UNESCO. sultado de pobreza extrema. cançar o objetivo de reduzir para metade o betização. EFA Global Monito- rão as desigualdades sociais e económicas ring Report 2010. Em neste domínio aumentaram. Não obstante. afeta 759 milhões de pessoas. 2003. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS tanciais na implementação do direito à e 2003. As taxas de inscrição são as mes- educação. A inscrição das na escola estão na África Subsaariana universal está agora ao nosso alcance. prever vir a ter quatro anos de escola. se esta tendên- a aumentar. Cerca de 72 mi- primário pode estar a fechar. havido pouco progresso no sentido de al- bilitadas a realizar testes básicos de alfa. O exemplo do Uganda: Na segunda social e política nas sociedades do conhe- metade dos anos 90. o fosso entre lhões de crianças em idade escolar (escola os países ricos e pobres. en. havia pouco menos de 796 milhões las no ensino primário aumentaram de de pessoas adultas analfabetas. quer para os 20% mais ricos região. existir no ensino primário. Uma criança nascida em França terá 15 anos de escolarização com O relatório da UNESCO de 2010 “Alcan- níveis de oferta consideravelmente supe. as prioridades de cimento de hoje. As mulheres mário gratuito e as despesas públicas são menos letradas do que os homens. quer para os 20% mais pobres da direito à educação varia de região para população. A média de escolarização no sul da consideráveis na educação durante a últi- Ásia. cerca de 5. sem termos em conta as cia continuar. o acesso ao ensino analfabetismo adulto – uma condição que superior permanece um privilégio princi. 2008. Entretanto. Estas desigualdades educativas de hoje se. rização formal. Tem na Zâmbia saem do ensino primário ha. Ademais. dois terços palmente dos cidadãos dos países ricos.282 II. De facto.) de amanhã. e no Sul da Ásia. entre 1997 17% da população adulta mundial. antigo Presidente da África do Sul. que a escolarização universal seja im- te.3 milhões para 7. betização é crucial para reforçar a capaci- dade humana e a participação económica. redução da pobreza voltaram-se para a O analfabetismo é. de oito anos. idade escolar (escola primária) ainda não cação: menos de um quarto das crianças terão frequentado a escola em 2015. medido através da primária) e 71 milhões de adolescentes média de anos no sistema educativo. e as diferenças de género deixaram de A maior parte das crianças não matricula.6 milhões. habitualmente. o re- educação. Foi introduzido o ensino pri. mundial não ter o ensino básico. 2010.

em Bamako. H. Não há um di- (Fonte: UNESCO. Direitos das Minorias dade do ensino e o estatuto dos professores. como mi- grantes.) aprender a língua materna na escola. na Europa. mo das minorias. Na sua Convenção Quadro para a Pro- cias da evolução. 2011. Muitos dos países mais pobres gastam sig. educativas de grupos vulneráveis. reclamado pela Academia Africana de Lín- dos. inter alia. apenas refere que a prática de uma língua do com a Res. EFA Global Monito. foi mais longe educação básica – 35 países foram afetados na promoção do ensino na língua mater- por conflitos armados entre 1999 e 2008. mente. minorias. mas não reconheceu. para todos e apoiando o ajuste às exigên. A aprendizagem ao lon. Os governos no primário na língua materna tem sido e as organizações internacionais são chama. teção das Minorias Nacionais. de 1995. Educação e os Direitos na Educação. o direito ao ensi- numa base não discriminatória. salvaguardando os direitos edu. DIREITO À EDUCAÇÃO 283 mais de 509 milhões do número total são A questão da língua de aprendizagem mulheres. carece. 2011. sendo o (escola primária) no mundo que não estão objetivo do Estado reconhecer o bilinguis- inscritas na escola. Do na como uma opção para os Estados que número total de crianças em idade escolar assinaram e ratificaram a Carta. 42% .28 milhões – vi. a ampliar as oportunidades guas. disponibilizando a educação básica língua materna. Assim. a tomar medidas que minimizem a violência Apesar do notável progresso nos esforços na escola e a atender ao crescente apelo da de conceder às crianças o exercício comple- aprendizagem ao longo da vida. tais como a comunidade Roma. guística de um país. tem gerado controvérsias. A Carta Europeia das Línguas Regionais nificativamente mais em armas do que em ou Minoritárias. no primário numa língua estrangeira. reito humano internacional geral para ring Report 2011. Francês na África Oeste. materna. go da vida ou a educação ao longo da o Conselho da Europa reconheceu o di- vida para todos terão de fazer parte das reito de cada um a aprender a sua língua futuras sociedades globais do conheci. O artº 27º do PIDESC vo significativo de preocupação. explicita- mento. ainda muito . Os ainda baixos níveis de alfabetização quando pertencendo a uma minoria lin- nas zonas pobres do mundo são um moti. de 1992. AGNU 56/116. to do seu direito à educação. que não estão protegidas desta forma e (Fonte: UNESCO. No entanto. por realçou a necessidade de garantir o acesso exemplo. orientada para as aptidões. de atenção adequada. a literacia não deverá ser negada mas nada mencio- é o coração da aprendizagem ao longo da na no que diz respeito à aprendizagem na vida.. pode à educação. que nem sequer têm o direito a aprender a ring Report 2011. De acor. resultar em níveis mais baixos de sucesso cativos e as necessidades de todos os alunos para os alunos. o direito a aprender na sua língua nal ou técnica. Mali. etc. Neste sentido. a melhorar a quali. na sua “Declaração de Amesterdão”.) sua língua materna na escola. materna. de Estudos científicos mostraram que o ensi- 2004. e os Aborí- A Conferência Mundial sobre o Direito à genes da Austrália. EFA Global Monito. a educação vocacio. há minorias vem em países pobres afetados por conflitos. também.

as mulheres e as minorias. a integração bem-sucedida. Estes grupos no seu Relatório sobre a Situação Mundial tornaram-se o centro de preocupação e de da Infância 2006. Deve ser prestada particular atenção às dores nacionais. emo- Relator Especial para o Direito à Educação. no O direito à educação dos migrantes. independentemente das suas (Fonte: Kishore Singh. ou outras”. discriminação. linguísticas. ação internacional. Relatório do condições físicas. intelectuais. Ainda há mui. sociais ou economicamente em desvan- ção. dedicou o seu das causas da exclusão. refu- seu relatório de 2011 sobre a promoção da giados e requerentes de asilo. tagem. sociais. A promoção da igualdade de oportunida- des na educação. o Direito à Educação. como soldados desmobilizados nas. de- quados são aplicados de forma a respon. de soas com deficiências. indígenas. As crianças ainda estão reito à Educação sujeitas ao castigo corporal ou a traba- Têm sido identificados pela UNESCO e lhar. de negligência e de explora. tal como enfrentam dificuldades particulares no foi estabelecido pela Convenção sobre os acesso total à educação. intensificar os seus esforços migrantes. As sociedades de. os di- reitos humanos nas escolas estão muitas Grupos Desfavorecidos e o Acesso ao Di. Kishore Singh. nº 2º da Declaração Univer- Direitos das Mulheres sal dos Direitos Humanos (DUDH). Conferência de Salamanca. pes- tas questões a resolver de discriminação. e assim contribuir para a sua níveis de educação. . portanto. refugiados e migrantes. a abordagem a múltiplas necessidades educativas das pessoas com formas de desigualdade e discriminação.) igualdade de oportunidades na educação. Relatório do O Relator Especial das Nações Unidas para Relator Especial para o Direito à Educação. particularmente. cionais. de beneficiar plenamente dos seus direitos justiça social e inclusão de todos os tipos e à educação. tórios obrigatórios dos Estados. ou jovens marginalizados. A UNICEF.284 II. nos rela- visíveis’ e o Relatório da Human Rights Wa. Estes incluem mulheres e me. bem como grupos desigualdade. Elas não são ensinadas. intitulado ‘Excluídos e In. der às necessidades especiais das vítimas Assim. as meni. deficiência. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS trabalho necessita ser feito para que estes ninas. ratificada por todos igualdade. tendo recomendado a eliminação da que impedem as crianças e outros grupos. refugiados e requerentes de para resolver as práticas sociais e culturais asilo. que afetam. recomendou o reforço dos quadros regula. em 1994. segurança humana. as crianças. com base na Direitos da Criança. 2011. clarou-se a favor da educação inclusiva. (Fonte: Vernor Munoz. nem infor- outras organizações diversos grupos que madas sobre os seus direitos.) Os Direitos Humanos nas Escolas Contrariamente à obrigação consagrada Não Discriminação no Artº 26. pessoas que pertencem a minorias. relatório de 2010 ao direito à educação dos vem. O Relator tch ‘Failing our children: barriers to the right Especial das Nações Unidas para o Direito to education’ fornecem inúmeros exemplos à Educação. por exemplo. “as escolas devem receber todas de marginalização e exclusão. 2010. objetivos sejam alcançados. os Estados-membros das Nações Unidas. vezes ausentes. A Ação-Quadro adotada na bem como o assegurar que recursos ade. por exemplo.

em 1945. uma questão da troca de informação. re- a Somália6. solvendo os problemas internacionais de carácter económico. bem como humanos individuais que serão uma mais- a democracia nas escolas. tornando-se num foco tal humano. realizada em Desde o seu início. essencialmente. comerciais. E MONITORIZAÇÃO A Conferência Mundial sobre Educa- ção para Todos. até um ponto em que contribuirá para desenvolvidos. “A aplicação efetiva do direito da criança à Uma cooperação internacional. A violência nas a importância da educação como um in- escolas é outro problema que tem aumen. 60º aniversário em 2013. ou a introduzirem pagamentos net) (em abril de 2011). mente para as crianças dos países menos cial. governos a cortarem nas despesas públi- de 180 países que fazem parte da UNESCO cas. como resultado de condições rigorosas aliadas aos seus Programas de Ajustamen- 4. da Carta das Nações Unidas). sustentados por políti- cas fiscais.” desenvolvimento económico. de 1990. as Nações Jomtien. de emprego e de saúde apropriadas do Sudão do Sul tornou-se Estado-membro da ONU a 14 de Julho de 2011 e também ainda não ratificou a e sustentadas. H. anterior Diretor Geral da lidade da educação deve ser considerada UNESCO. realizado em nove países. especial- será capaz de promover este direito essen. declarou que a dispo- Unidas reconheceram a necessidade de nibilização eficaz do ensino básico para todos dependeria de um compromisso e vontade políticos. Contudo. O direito à educação é. incluindo aquelas relacionadas com a Associated Schools Project Network (ASP.” (Artº 1º. dado que aquela desenvolve recursos ção para os Direitos Humanos. Monetário Internacional (FMI) sublinham mendações da UNESCO. Tailândia. cional. social. nº 3º. vestimento no desenvolvimento do capi- tado recentemente. se lhes são negados salários adequados. precisamente estas de atenção. a realização de cada indivíduo e para o igualmente. se colo. uma condição prévia para o progresso de cada sociedade. As boas práticas podem ser en. conhecimento e de vontade. DIREITO À EDUCAÇÃO 285 exceto os Estados Unidos da América e “realizar a cooperação internacional. através educação é. necessita ser promovida a Educa. identificou seis . o tais como o Banco Mundial e o Fundo que é reconhecido em convenções e reco. rio. mesmas instituições também forçaram os contradas em 9000 instituições de ensino. Celebrará o seu de matrículas mesmo no ensino primário. Um estudo da UNICEF. económicas. por todos os Estados como um investi- mento a longo prazo e altamente prioritá- Assim. labo- 6 Nota da versão em língua portuguesa: a República rais. cultural ou hu- Direitos Humanos da Criança manitário. IMPLEMENTAÇÃO to Estrutural. Convenção sobre os Direitos da Criança. A disponibi- Amadou-Mahtar M’Bow. Apenas a vontade política dos tecnologia é fundamental na concretiza- governos e da comunidade internacional ção eficaz do direito à educação. educação. cados sob pressão pelas autoridades ou As instituições financeiras internacionais. Os professores valia no processo de desenvolvimento na- também necessitam de proteção.

. vidades de coordenação e a colaboração presentados. ati- educação. em 2000. também assistiu ao lança.Promover a experimentação. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS temas abrangentes para obter melhores re. resultou a maior mentos e relatórios. de- sultados que permitem assegurar o direito sempenha um papel fundamental a este universal ao ensino primário para todos. É uma forma de lu- betização. O Fórum Mundial de Educação. A ação da UNESCO na educação desen- mento de nove programas de proa da volve-se à volta de três objetivos estra- “Educação para Todos”: A Iniciativa tégicos: sobre o VIH/SIDA e a Educação. das suas funções principais. Educação para a População Rural. Edu. organizações intergover- dade civil. Os Professores e a diálogo político sobre a educação. com os Estados. assim como o Saúde Escolar Eficaz. realiza- do em Dakar. fundamental. 164 países foram re. A UNESCO. tar contra esta. cia especializada das Nações Unidas. A novidade do Fórum foi CO é. A UNESCO. sobretudo. Tal é evidenciado pela panóplia de instrumentos que estabelecem Do Fórum Mundial de Educação realiza. como a UNICEF ou a OIT. uma vez que. pelos variados docu- do em Dakar. reuniões. Concentração de Recursos numa e das melhores práticas. A UNES- governamentais. O Direito à Educação para Pessoas .Melhorar a qualidade da educação. No total. custos de educação dos agregados fami. a agência líder na coopera- a adoção do Quadro de Ação de Dakar. Em Direção à Inclusão. além de 150 grupos da socie. ção internacional no campo da educação. . bem como numerosos avaliação alguma vez feita no campo da fóruns. Cui. enquanto agên. assim. com Deficiência. a permitir uma aplicação mais eficaz das . direito à educação. Constituição de 1946. cia. o papel central do setor público. grupos de trabalho. por força da sua Estes são: compromisso político e finan. equidade no setor público. de promoção da implementação total do mento humano. redução dos em cooperação com outras organizações. Qualidade da Educação. padrões mínimos. Tendências asseguram que as ações desta sejam bem enraizadas nos 193 Estados-membros.” Julius Nyerere Para a implementação total do direito à A UNESCO tem desenvolvido um conjun- educação será necessário um forte apoio to de mecanismos concebidos de forma institucional. a educação é uma ceiro. a inova- cação em Situações de Emergência e de ção e a difusão e partilha de informação Crise. organizações não namentais internacionais e ONG.Promover a educação como um direito dados e Educação na Primeira Infân. tem sido instru- liares e integração de reformas educativas mental no início de reformas educativas e em estratégias mais vastas de desenvolvi. A iniciativa das Nações Unidas para a Educação das Me- ninas. As Comissões Nacionais para a UNESCO Convém saber: 2. A Alfabetização no Programa da “A Educação não é uma forma de um país Década das Nações Unidas para a Alfa.286 II. respeito. escapar à sua pobreza.

de meado foi Katarina Tomasevski. têm de relatar. O primeiro Relator no- problema em espírito de cooperação. foco mais alargado. de acordo com as con. pode ao desempenho das suas funções. Entre beneficiar da adoção e uso de indicadores 2004 e 2010. “A Situação Luta Contra a Discriminação no Campo do Mundial da Infância”. melhorando a educação básica. ratio aluno-pro- lhor cumprimento das obrigações assumi. pecial para o Direito à Educação com o Além disso. criou. tentável. desde 2002. to informar sobre as medidas tomadas a O Relatório Global de Monitorização nível nacional. nais e de classificação dos países. de implementar a educação para o desen- bilidade de analisar os relatórios dos Esta. concedida ao Comité sobre as Convenções e Recomendações. em 1978. do uso de comparações transnacio. produzido pela UNESCO. como a Década das Nações Unidas da a cada cinco a sete anos. as suas obrigações. O objetivo é resolver o ção deste direito. taxas de abandono escolar. sensibili- tes obrigações de apresentar relatórios. a UNESCO preten- cumprimento da Convenção. fi- venções das quais fazem par