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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Ana Paula Amorim

IMES

Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano S/C Ltda.

William Oliveira

Presidente

Reinaldo Borba

Diretor de Novos Negócios

Jussiara Gonzaga

Gerente Técnica do NEaD

MATERIAL DIDÁTICO

Israel Dantas

Coord. de Produção de Material Didático

Produção Acadêmica

Ana Paula Amorim | Autor(a)

Produção Técnica

Aline Oliveira Moura Santos | Revisão de Texto Airá Manuel Santana dos Santos | Revisão de Texto

Imagens

Corbis/Image100/Imagemsource

© 2016 by IMES Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, tampouco poderá ser utilizado qualquer tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem a prévia autorização, por escrito, do Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia S/C Ltda.

2016

Direitos exclusivos cedidos ao Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia S/C Ltda.

SUMÁRIO

1

CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER

9

1.1

TEMA 1. O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO

12

1.1.1 CONTEÚDO 1. Concepções de ciência

13

1.1.2 CONTEÚDO 2. A teoria do conhecimento

27

1.1.3 CONTEÚDO

3.

Tipos de

conhecimento

31

1.1.4 CONTEÚDO 4. Origem, evolução e aplicação do conhecimento científico na universidade

38

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

49

1.2

TEMA 2. APRENDIZAGEM E PESQUISA

53

1.2.1 CONTEÚDO 1. Método e estratégia de estudo e aprendizagem

53

1.2.2 CONTEÚDO 2. Leitura e análise de textos

58

1.2.3 CONTEÚDO 3. Técnicas para sistematização do conhecimento

71

1.2.4 CONTEÚDO

4.

Atividades acadêmicas

82

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

88

2

A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

93

2.1

TEMA 3. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

96

2.1.1

CONTEÚDO 1. A linguagem científica e as regras da associação brasileira de normas técnicas

(ABNT)

96

2.1.2

CONTEÚDO 2. Metodologia e estrutura dos trabalhos acadêmicos I: resenha, artigo

científico e memorial

 

104

2.1.3

CONTEÚDO 3. Metodologia e estrutura dos trabalhos acadêmicos II: seminário, painel e

mesa redonda

111

2.1.4

CONTEÚDO 4. Metodologia e estrutura dos trabalhos acadêmicos III: estudo de caso,

palestra e conferência

 

116

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

119

2.2

TEMA 4. A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES

122

2.2.1 CONTEÚDO 1. Conceito, finalidades e requisitos da pesquisa científica

122

2.2.2 CONTEÚDO 2. Pesquisa científica e método

133

2.2.3 CONTEÚDO

3.

Projeto, monografia

e relatório

144

2.2.4 CONTEÚDO 4. Tipos de monografia

153

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

157

GABARITO DAS QUESTÕES

 

160

GLOSSÁRIO

161

REFERÊNCIAS

166

Prezado(a) discente,

APRESENTAÇÃO

Bem-vindo à disciplina Metodologia do Trabalho Científico! Ela te traz um convite ao seu aprimoramento acadêmico e profissional.

Estimulados pela emergência de um novo paradigma educacional, o conceito de educa- ção ampliou-se para além do espaço escolar, abrangendo outros processos formativos que se desenvolvem na convivência humana, no trabalho e nas instituições de ensino e pesquisa.

Esta disciplina se propõe a lhe ajudar a organizar seus estudos e produzir textos acadê- micos compatíveis com o universo da ciência. Esperamos que você aprenda a desenvolver uma postura crítica e metodológica, que lhe oportunize ampliar sua visão em relação ao mun- do, principalmente no que se refere às ações que fazem parte da sua atividade profissional.

No ensino superior, você precisa ir além do que é proposto pelos professores, pois o dia a dia nos reserva desafios que demandam autonomia, que lhe exigirá articular teoria e prática, bem como novas formas de agir e intervir de forma ativa nos diversos ambientes de aprendi- zagem, portanto, a sua participação é fundamental.

A disciplina está dividida em 2 blocos e 4 temas. Para melhor aproveitamento de seus estudos, você terá acesso a um livro didático, bem como a conteúdos desenvolvidos em ambi- ente on-line, com dicas, links, vídeoaulas e atividades de avaliação, que visam consolidar a sua aprendizagem de forma profícua e significativa.

Nosso objetivo aqui será discutir atitudes e ações úteis para que você possa aprender de maneira cada vez mais eficiente, organizada e integrada.

Para alcançar este objetivo, lançaremos um novo olhar para a prática do estudo, para que possamos adotar atitudes compatíveis com sua importância para a aprendizagem, em par- ticular no ensino à distância.

Apresentaremos diversos recursos para organizar e sistematizar os conhecimentos aprendidos, para que você possa aproveitá-los durante toda a sua vida acadêmica e profissio- nal.

Então, a partir do momento em que ingressa nesta disciplina, você se torna um pesqui- sador de fato, pois estudará os processos que envolvem a produção acadêmica e o caminho que deverá percorrer para deixar sua contribuição pessoal para o desenvolvimento do saber científico na sua área de formação profissional.

Esperamos, assim, que você termine a disciplina munido(a) das ferramentas necessárias para alcançar o sucesso ao longo do curso e, mais importante, para sobreviver em uma socie- dade que exige o aprendizado em tempo integral.

Bom trabalho!

Desejo discernimento, iniciativa e realizações!

Profa. Ana Paula Amorim

BLOCO

TEMÁTICO

1

CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER

CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER

CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER FIGURA 1 – CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA Prezado(a)

FIGURA 1 – CIÊNCIA, CONHECIMENTO E SABER FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Prezado(a) discente,

O primeiro Bloco Temático da nossa disciplina versa sobre “Ciência, Conhecimento e Saber”.

No limiar de uma era global, vislumbrando algo que já está presente, porém ainda duvi- dando suficientemente do passado para imaginarmos um futuro (SANTOS, 1987), necessita- mos de mudanças e transformações importantes para a ultrapassagem de alguns modelos e visões de homem, mundo, sociedade e educação.

Assim, neste Bloco, estão contemplados os seguintes conteúdos:

Tema 1 - O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO.

Conteúdo 1 - Concepções de ciência.

Conteúdo 2 - A teoria do conhecimento.

Conteúdo 3 - Tipos de conhecimento.

Conteúdo 4 - Origem, evolução e aplicação do conhecimento científico na universidade.

Tema 2 - APRENDIZAGEM E PESQUISA

Conteúdo 1 - Registro e sistematização do conhecimento.

Conteúdo 2 - Método e estratégia de estudo e aprendizagem.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Conteúdo 3 - Leitura e análise de textos.

Conteúdo 4 - Técnicas para sistematização do conhecimento.

Conversaremos acerca da ciência, suas concepções e características, buscando fazer um panorama de sua natureza/estrutura e dimensão. Trataremos ainda da metodologia científica enquanto recurso e instrumento para a ciência da educação.

Abordaremos ainda questões relevantes, tais como: a formação humana, o conhecimen- to (significação, principais elementos, tipos, registro e sistematização), a relação entre meto- dologia e universidade, estudo, aprendizagem e leitura.

Dentre as contribuições proporcionadas pelos conteúdos propostos neste bloco temático consta a formação contínua do estudante na qualidade de sujeito ativo e transformador que percebe seu entorno de modo reflexivo, crítico e criativo e se constitui enquanto produtor de conhecimento e saberes.

Vamos lá?

1.1

TEMA 1. O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO

lá? 1.1 TEMA 1. O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO FIGURA 2 – O

FIGURA 2 – O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Olá, querido(a) discente,

Neste tema refletiremos sobre como organizamos os nossos conhecimentos, buscando identificar quais são os parâmetros que limitam a ciência e o que caracteriza a postura investi- gativa.

Trataremos da história da curiosidade do homem, instigada pela busca de respostas e pelo desejo de dominar o universo, ou seja, como o sujeito – aquele que pensa, que reflete, que sistematiza o que aprendeu sobre seres e fenômenos do universo constrói o conhecimento.

12

ANA PAULA AMORIM

Os conteúdos tratados neste tema são muito importantes pelo fato de o estudante do Ensino Superior estar lidando com eles durante as diversas disciplinas ao longo do curso, au- mentando, cada vez mais, o conjunto de conhecimentos e saberes que lhe conferem a qualida- de de estudante, de sujeito ativo e transformador, comprometido com o saber, de modo a transformá-lo em conhecimento, e organizá-lo sistematicamente, construindo seu próprio ser.

Até porque, o conhecimento vem aos seres humanos por intermédio da experiência; e a experiência pela busca do ser humano. Ele, o conhecimento, existe da necessidade de se des- cobrir a realidade. A ciência, por sua vez, deve paramentar-se com as múltiplas cores da ver- dade; seu elemento deve ser a verdade; esta que deve ser seu espírito, enfim, sua maior aspira- ção, para que assim possa ser ela, a ciência, discutida à luz trina do conhecimento científico, filosófico e religioso. Portanto, do experimento direto, correto e completo; do honesto racio- cínio; e do desperto sentimento.

Então vamos juntos nessa caminhada com determinação e disposição constante para a aprendizagem!

1.1.1

CONTEÚDO 1. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA

a aprendizagem! 1.1.1 CONTEÚDO 1. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA FIGURA 3 – CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA I FONTE:

FIGURA 3 – CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA I FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Neste conteúdo, buscaremos sistematizar elementos acerca da ciência e das diferentes formas de conhecimento que se fazem presentes nas ações humanas.

À ciência não cabe negar conhecimento algum, senão comprovando-o; e tornar dispo- nível tal conhecimento como um bem comum para toda a humanidade. Até porque, o seu papel é, no mínimo, ampliar as fronteiras do conhecimento, inclusive e principalmente, dela mesma. Portanto, a ciência trata do conhecimento das coisas por suas causas, seus efeitos e seus fundamentos, enfim, suas leis.

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O homem sempre empreendeu esforços em busca da verdade, da compreensão do real, da explicação de sua natureza interna e da natureza externa que o cerca, sempre buscando dar conta das razões de sua existência, a melhor maneira de superar os desafios. Nas diferentes dimensões do conhecimento humano, o homem apresenta respostas e avança na compreensão do mundo.

A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. De- senvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área de serviços e metodologia do trabalho científico pesquisas científicas. À medida que a ciência avança, o indivíduo se torna cada vez mais capaz de dominar as circunstâncias à sua volta. Visto que a ciência é fruto da tendência humana para procurar respostas e justificações positi- vas e convincentes, nesse conteúdo iremos analisar a natureza da ciência, conceituando seu aspecto lógico como método de raciocínio e de inferência acerca dos fenômenos já conheci- dos ou a serem investigados.

O que é Ciência?

já conheci- dos ou a serem investigados. O que é Ciência? FIGURA 4 – O QUE

FIGURA 4 – O QUE É CIÊNCIA? FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Você já parou para refletir sobre isso?

Do latim scientia, traduzido por "conhecimento", ciência refere-se a qualquer conhe- cimento ou prática sistemáticos. Refere-se ao sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, bem como ao corpo organizado de conhecimento conseguido atra- vés de tais pesquisas.

De modo mais amplo, a ciência pode ser entendida como uma sistematização de conhe- cimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar.

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A ciência é fruto da tendência humana para procurar respostas e justificações positi- vas e convincentes. Este dinamismo questionador peculiar ao “espírito humano” já se ma- nifesta na primeira infância quando a criança multiplica seus “o quê” e seus “por quê”, que chegam a embaraçar os adultos.

Para Ander-Egg (1978) a ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza.

Para Freire-Maia (1991) a ciência é um conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis, modelos, etc., visando ao conhecimento de uma parcela da realidade, em contínua ampli- ação e renovação, que resulta da aplicação deliberada de uma metodologia especial (metodo- logia científica).

Desses conceitos emana a característica de apresentar a ciência como um pensamento racional, objetivo, lógico e confiável, Ter como particularidade o ser sistemático, exato e falí- vel, ou seja, não final e definitivo, pois deve ser verificável, isto é, submetido à experimentação para a comprovação de seus enunciados e hipóteses, procurando-se as relações causais; desta- ca-se, também, a importância da metodologia que, em última análise, determinará a própria possibilidade de experimentação.

Concepções sobre Ciência

Não existe uma única concepção de ciência. Podemos dividi-la em períodos históricos, cada um com modelos e paradigmas teóricos diferentes a respeito da concepção de mundo, de ciência e de método, destacando-se três grandes concepções:

t o d o , destacando-se três grandes concepções: FIGURA 5 – CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA II

FIGURA 5 – CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA II FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Com os gregos, a ciência ficou conhecida como filosofia da natureza, tinha como única preocupação a busca do saber, a compreensão da natureza das coisas e do homem, o conhe-

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cimento científico era desenvolvido pela filosofia, não havendo distinção que hoje se estabele- ce entre ciência e filosofia.

Destaca-se, entre os gregos, a visão da ciência dos pré-socráticos, que começam a subs- tituir a concepção de mundo caótico concebido pela mitologia pela ideia de cosmos, presidin- do a ideia de ordem natural no universo, ordem esta delineada por princípios e leis fixas e necessárias, inerentes à própria natureza.

A segunda visão é a abordagem platônica, onde o real não está na empiria, nos fatos e

fenômenos percebidos pelos sentidos. O verdadeiro mundo platônico é o das ideias, que con- tém os modelos e as essências de como as aparências devem se estruturar, pois a forma, aces- sível aos sentidos, apenas nos mostra como as coisas são, mas não o que elas são.

Com Aristóteles e seu método, a realidade é analisada através de suas partes e princípios que podem ser observados, para, em seguida, postular seus princípios universais, expressos na forma de juízos, encadeados logicamente entre si. O modelo aristotélico vai suprimir o mundo platônico das ideias, enunciando a ciência como produto de uma elaboração do entendimento em íntima colaboração com a experiência sensível. Propõe uma ciência que produz um co- nhecimento que pretende ser um fiel espelho da realidade, por estar sustentado no observável e pelo seu caráter de necessidade e universalidade.

A concepção de ciência moderna tem em Galileu (experimento e a revolução científi-

ca), Newton (método indutivo) e Bacon (indução e empirismo) seus grandes colaboradores, opõem-se à ciência grega e ao dogmatismo religioso que imperava na época. Propõem como caminho do conhecimento, o caminho da ciência, através do experimentar, do medir e com- provar, sendo a ciência acumulativa, através da superposição de verdades demonstradas pelas provas fatuais geradas pelas observações particulares e pelos experimentos. Surge o cientifi- cismo, isto é a crença de que o único conhecimento válido era o científico e de que tudo pode- ria ser conhecido pela ciência.

A visão contemporânea de ciência centra-se na incerteza e na ruptura com o cientifi-

cismo (dogmatismo e a certeza da ciência). É o contexto de crise da ciência e da ruptura do paradigma cartesiano, assim como, o critério de demarcação entre ciência e não-ciência, fun- damentado na experiência e adotando a indução e a confirmabilidade para constatar a certeza de seus enunciados.

A Natureza da Ciência

A ciência pode ser entendida em duas acepções:

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FIGURA 6 – A NATUREZA DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA Se fosse possível à mente

FIGURA 6 – A NATUREZA DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Se fosse possível à mente humana atingir o universo em sua abrangência infinita, apre- sentar-se-ia a ciência una e também infinita, como seu próprio objeto; entretanto, as próprias limitações de nossa mente exigem a fragmentação do real para que se possa atingir um de seus segmentos, resultando, desse fato, a pluralidade das ciências.

Em se tratando de analisar a natureza da ciência, podem ser explicitadas duas dimen- sões, na realidade inseparáveis:

explicitadas duas dimen- sões, na realidade inseparáveis: FIGURA 7 – DIMENSÕES DA NATUREZA DE CIÊNCIA FONTE:

FIGURA 7 – DIMENSÕES DA NATUREZA DE CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Pode-se conceituar o aspecto lógico da ciência como o método de raciocínio e de infe- rência acerca dos fenômenos já conhecimentos ou a serem investigados; em outras palavras, pode-se considerar que o aspecto lógico constitui o método para a construção de proposições e enunciados, objetivando, dessa maneira, uma descrição, interpretação, explicação e verifica- ção mais precisas.

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Componentes da Ciência

As ciências caracterizam-se por possuírem:

da Ciência As ciências caracterizam-se por possuírem: FIGURA 8 – COMPONENTES DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO

FIGURA 8 – COMPONENTES DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Classificação e Divisão da Ciência

A complexidade do universo e a diversidade de fenômenos que nele se manifestam, ali- adas à necessidade do homem de estudá-los para poder entendê-los e explicá-los, levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas. Estas necessitam de uma classi- ficação, que de acordo com sua ordem de complexidade, quer de acordo com seu conteúdo:

objeto ou temas, diferenças de enunciados e metodologia empregada.

Pode-se classificar as ciências, num primeiro momento, em duas grandes categorias:

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FIGURA 9 – CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA As ciências empíricas, por sua vez,

FIGURA 9 – CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

As ciências empíricas, por sua vez, podem ser classificadas em naturais e sociais. Dentre as ciências naturais estão: a Física, a Química, a Biologia, a Astronomia. Dentre as ciências sociais estão: a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política, a Economia, a Psicologia e a História.

Em relação ao conteúdo, as ciências podem ser divididas em formais e factuais:

as ciências podem ser divididas em formais e factuais: FIGURA 10 – DIVISÃO DA CIÊNCIA POR

FIGURA 10 – DIVISÃO DA CIÊNCIA POR CONTEÚDO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Paradigmas da Ciência

Em todo processo de desenvolvimento das sociedades, os atos humanos seguem em harmonia com um entendimento ou concepção de mundo. Por ser constituída por homens, a ciência em todas as suas fases de evolução nos mostra que a teoria e a prática científicas são

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baseadas em uma visão de mundo, ou seja, a ciência procura explicar os fenômenos que lhe interessam de uma maneira apropriada aos critérios aceitos como sendo científicos.

A ciência é, portanto, uma forma de conhecimento que busca explicar e entender, em princípio, a realidade. Assim é que diferentes ramos, áreas ou disciplinas cientificas se debru- çam sobre os mais diversos fenômenos convertendo-os em objeto de pesquisa científica. Inici- almente, tudo aquilo passível de ser conhecido pelo ser humano converte-se em objeto de pesquisa para a ciência. Nesse processo, a própria ciência tornou-se um objeto de problemati- zações e pesquisas.

tornou-se um objeto de problemati- zações e pesquisas. FIGURA 11 – PARADGMAS DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO

FIGURA 11 – PARADGMAS DA CIÊNCIA FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Ao longo da história da formação do conhecimento cientifico ocidental foram se cons- truindo tradições de reflexão sobre a ciência que envolveram a validade de seus fundamentos, seus processos e produtos, assim como, a relação que ela estabelece com o contexto mais am- plo em que está inserida.

Convido você agora para uma viagem no tempo!

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FIGURA 12 – VIAGEM NO TEMPO FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA Visão Aristotélico-Tomista FIGURA 13 – ARISTÓTELES

FIGURA 12 – VIAGEM NO TEMPO FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Visão Aristotélico-Tomista

FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA Visão Aristotélico-Tomista FIGURA 13 – ARISTÓTELES FONTE:

FIGURA 13 – ARISTÓTELES FONTE: <http://problemasfilosoficos.blogspot.com.br/2007/08/prudncia-na-tica-nicomaquia-de.html>

A visão do mundo e o sistema de valores que estão na base de nossa cultura, e que têm de ser cuidadosamente reexaminados, foram formulados em suas linhas essenciais nos séculos XVI e XVII. Antes de 1500, a visão do mundo dominante na Europa, assim como na maioria das outras civilizações, era orgânica. As pessoas viviam em comunidades pequenas e coesas, e vivenciavam a natureza em termos de relações orgânicas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos espirituais e materiais e pela subordinação das necessidades individuais às da comunidade.

A estrutura científica dessa visão de mundo orgânica assentava em duas autoridades:

Aristóteles e a Igreja. No século XIII, Tomás de Aquino combinou o abrangente sistema da natureza de Aristóteles com a teologia e a ética cristãs e, assim fazendo, estabeleceu a estrutura conceitual que permaneceu inconteste durante toda a idade Média.

Os cientistas medievais, investigando os desígnios subjacentes nos vários fenômenos na- turais, consideravam do mais alto significado as questões referentes a Deus, à alma humana e à ética. A perspectiva medieval mudou radicalmente nos séculos XVI e XVII. A noção de um universo orgânico, vivo e espiritual foi substituída pela noção do mundo como se ele fosse

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uma máquina, e a máquina do mundo converteu-se na metáfora dominante da era moderna. Esse desenvolvimento foi ocasionando por mudanças revolucionárias na física e na astrono- mia, culminando nas realizações de Copérnico, Galileu e Newton.

O rompimento da simbiose religião-ciência que, na fase do obscurantismo medieval, de-

terminou o privilégio do objetivo pelo subjetivo e do profano pelo “sagrado”, revelando-se um terrorismo pervertido do pensamento que cerceou e mesmo aniquilou as melhores e mais criativas mentes da época, deu lugar a um outro equivocado extremismo.

O triunfo da razão gerou o racionalismo científico, dissociando o subjetivo do objetivo,

prevalecendo o ideal da objetividade. A ênfase na quantificação conduziu à perda da dimensão qualitativa-valorativa. Reduziu-se o Mistério ao comensurável. A ciência desvinculou-se da mística, da ética e estética, da poesia e, de um certo modo, da própria vida. Enfim, “o espírito começou a degenerar em intelecto”.

Visão Newtoniano-Cartesiano

a degenerar em intelecto”. Visão Newtoniano-Cartesiano FIGURA 14 – ISAAC NEWTON FONTE:

FIGURA 14 – ISAAC NEWTON FONTE: <http://www.datagenetics.com/blog/february12014/>

O primeiro paradigma se fundamenta no positivismo de Auguste Comte (1786-1857)

para o estudo dos fatos sociais e no empirismo de J. Stuart Mill (1806-1873) para a investiga-

ção dos fenômenos psicológicos.

O sucesso deste paradigma se radica no método de Francis Bacon (1561-1626), na ma-

tematização do conhecimento de Renê Descartes (1596-1650) e Galileu (1564-1642), no valor da experiência de Blaise Pascal (1623-1662), na física de Isaac Newton (1642-1727) e nos ma- terialistas do século XVIII, que valorizam a observação e o interesse pela natureza, a relevância

da probabilidade e da dedução, a matematização da natureza, a noção de experiência, causali- dade e previsibilidade.

Mas o triunfo do método experimental no século XIX consolidou-se com a utilização de uma lógica hipotético-dedutiva e uma metodologia de experimentação de hipóteses, validada

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por processos dedutivos matemáticos. A adoção desta concepção pelos pesquisadores anglo- saxônicos e sua difusão nos meios científicos foi tão ampla que perdurou como o único para- digma aceitável nos meios acadêmicos.

Esse paradigma ganhou um novo dinamismo com o atomismo lógico na Inglaterra com Bertrand Russell (1871-1970) e Wittgenstein (1889-1951) e com os neopositivistas do Círculo de Viena. Estes filósofos assumiram uma concepção mecanicista, amparada na física matemá- tica, elaboraram uma lógica empírica com as quais pretenderam unificar a ciência e criar uma ciência da ciência baseada em um método analítico e uma linguagem fisicalista (uma lingua- gem dos objetos corpóreos extralinguísticos, independentes do sujeito que os percebe) e redu- zindo o conhecimento à expressa bem-formalizada do mundo.

Esse paradigma experimental foi também estendido à análise da sociedade. Valfrido Pa- reto (1848-1923) e Émile Durkheim (1858-1917) procuraram um método para a explicação dos fatos sociais que, à semelhança das ciências na natureza, pudessem ser reduzidos a coisas. As interpretações de Talcott Parsons (1902-1979) sobre Pareto, Durkheim e Max Weber, a respeito dos fatos sociais, desdobram-se em uma concepção estrutural, funcionalista da socie- dade. Essa concepção se difundiu nos meios acadêmicos norte-americanos e constituiu-se em um método de análise e de explicação dos fenômenos sociais.

Em suma, esse paradigma tem como postulado a existência de objetos fora da consciên- cia e independente dela. O resumo desses objetos constitui a natureza ou o mundo exterior que existe em si e si impõe como uma evidência que reconhece a supremacia do mundo obje- tivo. O sujeito (consciência) é um receptáculo que recolhe as impressões gravadas pela nature- za exterior.

Visão Holística

gravadas pela nature- za exterior. Visão Holística FIGURA 15 – VISÃO HOLÍSTICA FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

FIGURA 15 – VISÃO HOLÍSTICA FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

Como reação à visão newtoniano-cartesiana de um universo fragmentado, característica de um paradigma substancialista e mecanicista, instala-se de maneira progressiva um novo

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paradigma holístico, isto é, que traduz uma perspectiva na qual “o todo” e cada uma de suas sinergias estão estreitamente ligados, em interações constantes e paradoxais. O termo holístico vem do grego holos, que significa “todo”, “inteiro”. Holística é, portanto, um adjetivo que se refere ao conjunto, ao “todo”, em suas relações com suas “partes”, à inteireza do mundo e dos seres.

A palavra “holístico” está se infiltrando sub-repticiamente na ciência, na filosofia, na

educação e na terapia, sem que se tenha feito um esforço para conhecer sua origem e traçar a história da evolução desse termo.

Em 1926, foi editado em Londres um livro escrito por um general sul-africano, um dos primeiros partidários do movimento anti-apartheid, o filósofo Ian Christian Smuts, sob o títu- lo Holism and evolution. O assunto central do livro consiste numa tentativa de definição da natureza da evolução, das suas fases principais e de um fator ou princípio subjacente a esta evolução e a todo o universo, enfatizando os conceitos primários acerca da matéria, vida, mente e personalidade. Afirma que o universo e especialmente a natureza viva se constituem de unidades que formam todos (como organismos vivos) que são mais do que a simples soma das partículas elementares.

O holismo, enquanto doutrina, considera que a parte só pode ser compreendida a partir

do todo, que privilegia a consideração da totalidade na explicação de uma realidade, susten-

tando que o todo não é apenas a soma de suas partes, mas possui uma unidade orgânica.

O paradigma holístico considera cada elemento de um campo como um evento que re-

flete e contém todas as dimensões do campo (conforme a metáfora do holograma). É uma visão na qual “o todo” e cada uma de suas sinergias estão estreitamente ligados, em interações constantes e paradoxais.

A perspectiva holística implica um espaço sem nenhuma fronteira geradora de dualida-

de e causadora de conflitos, a exemplo de Sujeito - Objeto; Espaço Interno - Espaço Externo; Pessoal - Transpessoal; Relativo - Absoluto; Espírito - Matéria; Ser - Não-Ser; Eu - Não-Eu; Real - Imaginário; Bem - Mal; Sentimento - Razão. Reconhece-se sua existência num plano relativo, mas os ultrapassa graças à abordagem holística do real.

Fundamentados no paradigma holístico podemos resumir o conceito de visão holística da realidade apoiados nos seguintes princípios essenciais:

A dualidade sujeito-objeto e a separatividade são resultado de uma fantasia da mente

e só têm um valor relativo. Esta fantasia leva e está interligada a sentimentos e emoções des- trutivos da harmonia e da ecologia interna e externa (apego e possessividade, agressão e vio- lência, vaidade e orgulho, ciúme e competição, além do medo e da depressão);

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uma continuidade ou holocontinuum do ser na existência sob forma de experiência do mundo pelos seres. Os seres e o mundo que eles experimentam são ambos os próprios se- res em holoscopia;

Todos os fenômenos são apenas aparências formais de um holomovimento, consti- tuindo um hololudismo que se caracteriza por uma holocoreografia e uma holosinfonia, do qual faz parte o constante fluxo alternativo da evolução e da involução. A involução é a apa- rente fragmentação do absoluto no mundo relativo; a evolução se processa por uma volta da fragmentação ao mundo absoluto, pela formação criativa de conjuntos inter-relacionados ca- da vez mais abrangentes;

O sentido teleológico da existência humana consiste, através do restabelecimento da

harmonia progressiva interior, em dissolver a separatividade fantasmática eu-mundo através da experiência holística ou transpessoal, que leva consigo os grandes valores de beleza, verda- de e amor;

A experiência holística ou transpessoal tem um caráter inefável, pois se situa num do-

mínio que transcende a linguagem e o raciocínio lógico. O próprio termo “experiência” é ina- dequado, pois neste nível inexiste a diferenciação sujeito-objeto. Sem esta vivência, a visão holística permanece meramente intelectual;

A lógica formal clássica ligada ao antigo paradigma newtoniano-cartesiano correspon- de às leis da macrofísica. A visão holística implica uma nova lógica que integra a não- contradição e a contradição num só sistema;

A vivência da realidade é função direta do estado de consciência em que nos encontra- mos. Nos estados de vigília, de sonho e de sono, só vivenciamos uma realidade fragmentada e relativa. Só o estado de superconsciência permite a visão holística, onde a oposição entre rea- lidade relativa e absoluta é transcendida;

A visão holística não pode, por conseguinte, ser produto de apenas uma interpretação

intelectual.

O Método Científico

uma interpretação intelectual. O Método Científico FIGURA 16 – MÉTODO CIENTÍFICO FONTE: ELABORAÇÃO

FIGURA 16 – MÉTODO CIENTÍFICO FONTE: ELABORAÇÃO PRÒPRIA

25

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

O agir científico pressupõe a observância de métodos e procedimentos adequados para a

observância e análise de fatos ou fenômenos, quer físicos, que sociais. Em especial, a ciência e o conhecimento científico prima pela observância de métodos científicos, na presente compi-

lação trabalha-se com os principais métodos científicos e as premissas que o fundamentam, permitindo observar a diversidade de proposições e as limitações inerentes as mesmas.

Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapar- tida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. A utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos.

A palavra método é de origem grega e significa o conjunto de etapas e processos a se-

rem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade.

O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segu-

rança e economia, permite alcançar o objetivo - conhecimentos válidos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.

Os diversos passos do método científico não foram estabelecidos aprioristicamente; de fato, os homens procuraram agir cientificamente e, só depois, pararam para examinar o cami- nho que conduzira seu trabalho ao êxito. Assim, surgiu, o método ou o traçado fundamental do caminho a percorrer na pesquisa científica.

Não foi somente com o método que tal fenômeno de reflexão e sistematização ocorreu, pois, o homem primeiro viveu, e só depois estudou a vida: primeiro viveu moralmente, e só depois sistematizou a moral, primeiro raciocinou com lógica espontânea ou natural, e só de- pois definiu as leis do raciocínio; assim, também, o homem primeiro agiu metodicamente, e só depois estruturou os passos e exigências do método científico.

Importância do Método Científico

O método confere segurança e é fator de economia na pesquisa, no estudo, na aprendi-

zagem. Estabelecido e aprimorado pela contribuição cumulativa dos antepassados, não pode ser ignorado hoje, em seus delineamentos gerais, sob pena de insucesso. O método é um ex- traordinário instrumento de trabalho que ajuda, mas não substitui por si só o talento do pes- quisador. O melhor será que o espírito talentoso não caminhe ao acaso, mas aceite a contri- buição do método para conseguir progressos nas ciências.

Então Para compreendermos de fato esse assunto vamos lançar o olhar sobre a Teoria do Conhecimento. Sigamos em frente!

26

ANA PAULA AMORIM

1.1.2

CONTEÚDO 2. A TEORIA DO CONHECIMENTO

1.1.2 CONTEÚDO 2. A TEORIA DO CONHECIMENTO FIGURA 17 – TEORIA DO CONHECIMENTO FONTE:

FIGURA 17 – TEORIA DO CONHECIMENTO FONTE: <https://www.google.com/takeaction/images/entry-1-globe.jpg>

No dia-a-dia, o ato de conhecer se manifesta tão natural que nós nem nos damos conta da sua complexidade. Desde cedo, os mestres nos falam da necessidade de aprender a conhe- cer o mundo e posteriormente da necessidade de autoconhecimento.

Assim, entramos na engrenagem do conhecimento do mundo, considerado real, sem colocar em pauta o que significa conhecer. Todavia, à medida que nos defrontamos, na rela- ção com o mundo, com os vários campos e formas de conhecimento, entramos num emara- nhado de conceitos.

Então percebemos que quase não tematizamos questões básicas como:

que quase não tematizamos questões básicas como: FIGURA 18 – QUESTÕES BÁSICAS FONTE: ELABORAÇÃO

FIGURA 18 – QUESTÕES BÁSICAS FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Que tal postar em nosso fórum, tópico Ser Humano, Conhecimento e Saber, possíveis respostas e comentários para os questionamentos acima? Estamos aguardando sua partici- pação!

Hoje, recebemos, passivamente, através das instituições escolares, um modelo de conhe- cimento imposto pela ideologia do sistema tecnocrata. É o modelo, muitas vezes deturpado do conhecimento científico. Esse modelo tem a sua razão de ser, exprime um modo de conhecer e

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

dominar racionalmente a realidade, mas não deveria ser a única abordagem. E mais ainda, esse modelo se acha comprometido muitas vezes com os interesses do sistema.

O estudo desses problemas nos remete à constatação de controvertidas respostas a exigir

uma análise esclarecedora do sentido do conhecimento. Já que existem múltiplas interpreta- ções a respeito do real, diversos são os modos de se enfocar o conhecimento. Só o exame nos possibilita compreender o que está sendo passado de obscuro e de ideológico no meio cultu- ral, e recebido por nós, na maioria das vezes sem nenhuma crítica.

A Teoria do Conhecimento é uma explicação ou interpretação filosófica do conheci-

mento humano. É também denominada de filosofia da ciência, e tem seus fundamentos

estabelecidos de acordo com cada perspectiva de interpretação.

O

que é Conhecimento?

O

conhecimento é o atributo geral que tem os seres vivos de reagir ativamente ao mun-

do circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. O

ser humano, utilizando de suas capacidades, procurar conhecer o mundo que o rodeia, o co- nhecimento, a informação, a prática de vida resulta em conhecimentos.

O

Ato de Conhecer

O

século XXI se apresenta como a Era do Conhecimento. Nos meios políticos, econômi-

cos, acadêmicos, por toda a parte houve-se dizer que o conhecimento é a moeda corrente e a

informação é matéria prima que constrói o conhecimento.

Mas que informações, que conhecimento?

Conhecimento racional construído pelos setores intelectualizados da sociedade que con- sidera os fora da Universidade como seres de segunda categoria?

Conhecimento afetivo, perceptivo, construído a partir da subjetividade individual entre- laçado nas inter-relações pessoais?

Desde cedo, os mestres nos falam da necessidade de aprender a conhecer o mundo e posteriormente da necessidade de autoconhecimento.

No dia-a-dia, o ato de conhecer se manifesta tão natural que nem nos damos conta da sua complexidade. Visto que existem múltiplas interpretações a respeito do real, diversos são os modos de significar o conhecimento. Só o exame nos possibilita compreender o que está

28

ANA PAULA AMORIM

sendo passado de obscuro e de ideológico no meio cultural, e recebido por nós, na maioria das vezes sem nenhuma crítica.

Então

O conhecimento é o atributo geral que tem os seres vivos de reagir ativamente ao

mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevi- vência. O homem, utilizando de suas capacidades, procura conhecer o mundo que o ro- deia, o conhecimento, a informação, enfim, a prática de vida resulta em conhecimentos.

À primeira vista pode até parecer complicado, mas é só impressão

Entender o conhecimento é entender a nossa realidade.

Vamos pensar em respostas possíveis para as questões abaixo? Essas reflexões convidam outras questões? Quais?

Na produção do conhecimento, qual é o ponto de partida?

O

sujeito?

O

objeto?

A

relação entre sujeito e objeto?

E

no cotidiano escolar, qual o ponto de partida para produção dos saberes?

De que modo a experiência e o envolvimento se constituem como elementos indispen- sáveis à produção dos saberes? Você sabia que a “incerteza” é favorável ao conhecimento e, especialmente, à constru- ção da nossa práxis enquanto educadores e educadoras?

O Fenômeno

A teoria do conhecimento é, como o seu nome indica, uma teoria, isto é, uma explicação

ou interpretação filosófica do conhecimento humano. Mas, antes de filosofar sobre um objeto,

é necessário examinar escrupulosamente esse objeto.

Uma exata observação e descrição do objeto devem preceder qualquer explicação e in- terpretação. É necessário, pois, no nosso caso, observar com rigor e descrever com exatidão aquilo a que chamamos conhecimento, esse peculiar fenômeno de consciência. Fazemo-lo procurando apreender os traços gerais essenciais deste fenômeno, por meio da autorreflexão sobre aquilo que vivemos quando falamos do conhecimento.

Este método chama-se fenomenológico e é distinto do psicológico. Enquanto que este último investiga os processos psíquicos concretos no seu curso regular e a sua conexão com

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

outros processos, o primeiro aspira a apreender a essência geral no fenômeno concreto. No nosso caso, não descreverá um processo de conhecimento determinado, mas sim o que é es- sencial a todo o conhecimento, em que consiste a sua estrutura geral.

Se empregarmos este método, o fenômeno do conhecimento apresenta-se nos seus as- pectos fundamentais da seguinte maneira: no conhecimento encontram-se frente a frente a consciência e o objeto, o sujeito e o objeto. O conhecimento apresenta-se como uma relação entre estes dois elementos, que nela permeiam eternamente separados um do outro. O dua- lismo sujeito e objeto pertence à essência do conhecimento.

A relação entre os dois elementos é ao mesmo tempo uma correlação. O sujeito só é su-

jeito para um objeto e o objeto para um sujeito. Ambos só são o que são enquanto o são para o outro. Mas está correlação não é reversível. Ser sujeito é algo completamente distinto de ser objeto. A função do sujeito consiste em apreender o objeto, a do objeto em ser apreendido pelo sujeito.

A Necessidade do Conhecimento

Se buscarmos a palavra francesa connaissance, podemos observar que conhecimento é nascer (naissance) com (con). Os seres humanos se marcam como diferentes dos outros seres exatamente pela capacidade de conhecer. Diferentemente dos outros animais, o ser humano é o único ser que possui razão, capacidade de relacionar, e ir além da realidade imediata.

O conhecimento é uma forma de estar no mundo, e o processo do conhecimento mos-

tra aos homens que eles jamais são alguma coisa pronta na medida em que estão sempre

nascendo de novo, quando têm a coragem de se mostrarem abertos diante da realidade.

A capacidade dos seres humanos pode:

diante da realidade. A capacidade dos seres humanos pode: FIGURA 19 – INTERAÇÃO DO SER HUMANO

FIGURA 19 – INTERAÇÃO DO SER HUMANO COM O CONHECIMENTO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Se faço conhecimento, eu estou criativamente no mundo - o fazer conhecimento im- plica exatamente em estar despojado de certezas absolutas acerca da realidade e estar aberto

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ANA PAULA AMORIM

não só para reavaliar uma verdade da realidade, como também reavaliar minha própria capa- cidade no trabalho do conhecer;

Se uso conhecimento, eu estou simplesmente no mundo - quando uso simplesmente, uso alguma coisa que já está pronta, acabada, definitiva, conforme determinado conhecimento

considerado como suficiente. Esse uso implicada a adequação da realidade ao conhecimento que já está pronto. E da mesma maneira, aquele que usa não exercita sua capacidade de reno- vação de visões da realidade, ficando estacionária não a maneira de se relacionar com a reali- dade, mas também a possibilidade de “nascer”, porque esse uso passa a ser apenas o consumir

o que está pronto. Toda utilidade técnica propõe um consumo de conhecimento;

Se me posiciono diante do conhecimento, eu estou criticamente no mundo - o posici- onar-se diante do conhecimento implica não só em estar integrado quanto ao resultado do fazer conhecimento, como também do uso que se faz do conhecimento. Mais ainda, o posici-

onar-se criticamente implica colocar a relação do fazer e do usar de maneira dialética porque

o conhecimento é feito pelos homens; é utilizado pelos homens e, fatalmente, de qualquer maneira, utilizado em função dos homens.

1.1.3

CONTEÚDO 3. TIPOS DE CONHECIMENTO

Face à necessidade de se explicitar a complexidade do real onde se dá o conhecimento, se impõe um estudo.

O conhecimento pode ser categorizado em quatro tipos:

O conhecimento pode ser categorizado em quatro tipos: FIGURA 20 – CATEGORIAS DO CONHECIMENTO FONTE: ELABORAÇÃO

FIGURA 20 – CATEGORIAS DO CONHECIMENTO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

31

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Apesar desta separação "metodológica" e categórica, no processo de apreensão da reali- dade do objeto, o sujeito pode penetrar nas diversas categorias. Por sua vez, estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista, voltado ao estudo da física, pode ser praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum.

Conhecimento Popular

provenientes do senso comum. Conhecimento Popular FIGURA 21 – CONHECIMENTO POPULAR FONTE:

FIGURA 21 – CONHECIMENTO POPULAR FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/>

Também denominado de popular, comum, vulgar, empírico, e às vezes de senso co- mum, resulta do modo espontâneo e corrente de conhecer. O conhecimento popular ou senso comum pode ser definido como o conjunto de opiniões tão geralmente aceitas em época de- terminada que as opiniões contrárias aparecem como aberrações individuais.

Suas características são:

Superficial, isto é, conforma-se com a aparência, com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas, expressando-se por frases como "porque o vi", "porque o senti", "porque o disseram", "porque todo mundo o diz".

Sensitivo, ou seja, referente a vivências, estados de ânimo e emoções da vida diária.

Subjetivo, pois é o próprio sujeito que organiza suas experiências e conhecimentos, tanto os que adquire por vivências própria quanto os "por ouvi dizer".

Assistemático, pois esta "organização" das experiências não visa a uma sistematização das ideias, nem na forma de adquiri-las nem na tentativa de validá-las.

Acrítico, pois, verdadeiros ou não, a pretensão de que esses conhecimentos o sejam não se manifesta sempre de uma forma crítica.

O conhecimento popular, academicamente é tido ainda como, valorativo, por excelên- cia, pois se fundamenta numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções; é

ainda reflexivo, mas, estando limitado pela familiaridade com o objeto, não pode ser reduzido

a uma formulação geral; é também, assistemático, por basear-se na "organização" particular das experiências próprias do sujeito cognoscente, e não em uma sistematização das ideias, na procura de uma formulação geral que explique os fenômenos observados, aspecto que dificul-

ta a transmissão de pessoa a pessoa, desse modo de conhecer; é verificável, visto que está limi-

32

ANA PAULA AMORIM

tado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode perceber no dia-a-dia. Final- mente é falível e inexato, pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a res- peito do objeto. Em outras palavras, não permite a formulação de hipóteses sobre a existência de fenômenos situados além das percepções objetivas.

Conhecimento Filosófico

além das percepções objetivas. Conhecimento Filosófico FIGURA 22 – CONHECIMENTO FILOSÓFICO FONTE:

FIGURA 22 – CONHECIMENTO FILOSÓFICO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/>

O primeiro sábio que utilizou a palavra “Filosofia” foi Pitágoras, no século VI a.C. Em

sentido etimológico, Filosofia significa devotamento à sabedoria/ amigo da sabedoria, isto é, interesse em acertar nos julgamentos sobre a verdade e a falsidade, sobre o bem e sobre o mal.

Para Aristóteles a Filosofia era a ciência de todas as coisas pelas últimas causas, isto é, pelas causas e razões mais remotas e que, por isso mesmo, ultrapassam as possibilidade, o campo e o método das ciências particulares, a estas incumbe a investigação das causas próxi- mas observáveis e controláveis pelos recursos do método científico ou experimental.

Filosofia não se confunde com devaneios sobre fantasias, questiona-se problemas reais, usa princípios racionais, procede de acordo com as leis formais do pensamento, tem método próprio, predominantemente dedutivo, nas suas colocações críticas.

Ou filosofia, pode ser definido como o conjunto de estudos ou considerações que carac- terizam-se pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua inteireza, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as ou- tras, o Ser, quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o Pensamento, tornando-se o homem tema inevitável de consideração.

A Filosofia indaga, traça rumos, assume posições, estrutura correntes que inspiram ou

dominam mentalidades em determinados períodos, mas que, em seguida, perdem vigor diante de novas concepções, que geralmente hostilizam as anteriores, à maneira das correntes literá- rias, das artes em geral ou das religiões.

O conhecimento filosófico é valorativo, pois seu ponto de partida consiste em hipóte-

ses, que não poderão ser submetidas à observação: "as hipótese filosóficas baseiam-se na expe- riência, portanto, este conhecimento emerge da experiência e não da experimentação"; por

33

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

este motivo, o conhecimento filosófico é não verificável, já que os enunciados das hipóteses filosóficas, ao contrário do que ocorre no campo da ciência, não podem ser confirmados nem refutados.

É racional, em virtude de consistir num conjunto de enunciados logicamente correlaci- onados; é sistemático, pois suas hipóteses e enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada, numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade; é infalível e exato, já que, quer na busca da realidade capaz de abranger todas as outras, quer na definição do ins- trumento capaz de apreender a realidade, seus postulados, assim como suas hipóteses, não são submetidos ao decisivo teste da observação (experimentação).

Portanto, o conhecimento filosófico é caracterizado pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado, unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana.

Conhecimento Religioso

às luzes da própria razão humana. Conhecimento Religioso FIGURA 23 – CONHECIMENTO RELIGIOSO FONTE:

FIGURA 23 – CONHECIMENTO RELIGIOSO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/>

Também denominado teológico, apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagra- das (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural (inspiracional) e, por esse moti- vo, tais verdades são consideradas infalíveis, e indiscutíveis (exatas); é um conhecimento sis- temático do mundo (origem, significado, finalidade e destino) como obra de um criador divino; suas evidências não são verificáveis: está sempre implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. Assim, o conhecimento religioso parte do princípio de que as "verdades" tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem em "revelações" da divindade.

O conhecimento teológico supõe e exige a autoridade divina; nela se fundamenta e só a ela atende; a ciência ao contrário, não supõe, não exige, não admite autoridade; a ciência só admite o que foi provado, na exata medida em que se podem comprovar experimentalmente os fatos. A Teologia não demonstra o dogma; apela para a autoridade divina que o revelou exige fé; a ciência demonstra os fatos e só se apoia na evidência dos fatos.

34

ANA PAULA AMORIM

Conhecimento Científico

Conhecimento Científico FIGURA 24 – CONHECIMENTO CIENTÍFICO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/> C i

FIGURA 24 – CONHECIMENTO CIENTÍFICO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/>

Ciência é o conjunto organizado de conhecimentos sobre um determinado objeto, em especial obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Diver- samente do que acontece com o conhecimento vulgar, o conhecimento científico não atinge simplesmente os fenômenos na sua manifestação global, mas os atinge em suas causas, na sua constituição íntima, caracterizando-se pela capacidade de analisar, de explicar, de desdobrar, de justificar, de induzir ou aplicar leis, de predizer com segurança eventos futuros.

Conhecer perfeitamente é conhecer pelas causas; saber cientificamente é ser capaz de demonstrar. O conhecimento científico difere do conhecimento vulgar e vai muito além deste, porque explica os fenômenos e não só os apreende. O conhecimento científico é crítico, rigo- roso, objetivo, nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas.

O conhecimento científico é real (factual) porque lida com ocorrência ou fatos, isto é, com toda "forma de existência que se manifesta de algum modo". Constitui um conhecimento contingente, pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência e não apenas pela razão, como ocorre com o conhecimento filosófico. É sistemático, já que se trata de um saber ordenado logicamente, formando um sistema de idei- as (teorias) e não conhecimentos dispersos e desconexos. Possui a característica da verificabi- lidade, a tal ponte que as afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não perten- cem ao âmbito da ciência. Constitui-se em conhecimento falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final e, por este motivo, é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente, além de ser racional, por ser constituído por um conjunto de enunciados logicamente correlacionados.

Complementarmente, ainda dizendo respeito à racionalidade humana e às nossas per- cepções do mundo exterior, já se discute muito acerca do conhecimento intuitivo, inato ao ser humano, muitas vezes também diretamente associado ao conhecimento popular, pois diz res- peito à subjetividade humana.

35

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Conhecimento Intuitivo

Conhecimento Intuitivo FIGURA 25 – CONHECIMENTO INTUITIVO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/> O

FIGURA 25 – CONHECIMENTO INTUITIVO FONTE: <http://tirasdemafalda.tumblr.com/>

O conhecimento consiste numa relação sui generis entre a consciência cognoscente e o

objeto conhecido. Mediante a imagem, a consciência cognoscente se identifica com o objeto. Cumpre observar que o fenômeno do conhecimento envolve uma multiplicidade de atos, já que os sentidos apreendem, produzem ou evocam imagens. Tanto mais complexo, o fenôme- no do conhecimento, quanto mais longo for o caminho indutivo ou dedutivo percorrido para se chegar a uma conclusão. O raciocínio denomina-se, especialmente, “discursivo”, porque a mente discorre, corre, flui, move-se, caminhando do antecedente ao consequente.

Entretanto, além da forma discursiva do conhecimento racional, vale apreciar a questão relativa ao conhecimento intuitivo, isto é, imediato ou sem passagem de antecedente para consequente, sem comparações. Intuere significa ver; intuição é uma espécie de conhecimento que, pela sua característica de atingir o objeto sem “meio” ou sem os intermediários das com- parações, assemelha-se ao fenômeno do conhecimento sensorial, em especial o da visão.

A intuição sensorial existe com toda evidência, pois os sentidos não analisam, não com-

param, não julgam; o conhecimento que se tem da temperatura da água de uma vasilha surge imediatamente, tão logo se a toque com a mão; o prazer ou a dor que se experimenta é um dado de experiência interna, apreendido imediatamente. Além da intuição sensorial de expe- riência interna e externa, existirá uma forma de conhecimento relacional, intelectual, espiritu- al, também intuitivo?

A evidência lógico-metafísica dos primeiros princípios lógicos, éticos ou estéticos, bem

como as relações transcendentais do ser, são apreendidas imediatamente, sem necessidade de “meio”, sem discurso, sem movimento. E, quando se fala de intuição como modo de conheci-

mento, entende-se a intuição intelectual, e não a sensorial.

Por outro lado, não seria exato falar-se em intuição racional, pois razão implica não só no fato geral do conhecimento, mas também no seu modo de conhecer raciocinando, isto é, discorrendo, correndo, fluindo, movendo-se do antecedente conhecido à procura do conse- quente supostamente desconhecido ou ainda não explicitado no processo de conhecimento.

36

ANA PAULA AMORIM

Conhecer pelas “razões que a própria razão desconhece” é uma espécie de conhecimento do “coração” e não da razão, como dizia Pascal.

Deve-se ressaltar que o conhecimento intuitivo não substitui outros modos de conheci- mento; ele pode ser de suma valia na vida prática e nas convicções pessoais de cada um. Mas, por ser de ordem dominantemente subjetiva, não pode aspirar à autonomia ou ao valor obje- tivo do conhecimento científico ou do conhecimento racional discursivo, cujas conclusões, demonstradas, têm valor geral e objetivo. Ademais, todo conhecimento intuitivo deve subme- ter-se, posteriormente, ao tribunal da razão discursiva ou da experimentação científica.

O conhecimento intuitivo distingue-se do conhecimento científico e contrapõe-se a ele

por tríplice razão:

científico e contrapõe-se a ele por tríplice razão: FIGURA 26 – DISTINÇÕES ENTRE O CONHECIMENTO INTUITIVO

FIGURA 26 – DISTINÇÕES ENTRE O CONHECIMENTO INTUITIVO E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Mãos à obra!

1-

Como você pensa que esse conhecimento é produzido?

2-

Qual o papel e importância do ato de pesquisar e de estudar neste processo de aqui-

sição e produção de conhecimento?

3- Você produz conhecimento? Como?

Pois é

Estas e muitas outras indagações serão discutidas ao longo dos nossos estudos e teremos o prazer de manter diálogos investigativos em nosso fórum de discussão para, cada vez mais, conhecermos essas questões.

37

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

1.1.4

CONTEÚDO 4. ORIGEM, EVOLUÇÃO E APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO NA UNIVERSIDADE

E APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO NA UNIVERSIDADE FIGURA 27 - ORIGEM, EVOLUÇÃO E APLICAÇÃO DO

FIGURA 27 - ORIGEM, EVOLUÇÃO E APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO NA UNIVERSIDADE. FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

A Metodologia Científica é uma disciplina que está intimamente relacionada com o es-

tudo crítico dos fatos. Ela estuda e avalia os métodos disponíveis e suas implicações, além de avaliar as técnicas de pesquisa. De modo geral, ela é uma reunião de procedimentos utilizados por uma técnica.

É por meio da Metodologia Científica que ocorre o contato entre o conhecimento e a

análise crítica, possibilitando a ampliação do saber, posicionando-o no plano social, histórico e político.

A Metodologia Científica não aponta soluções, indica o caminho para encontrá-las.

Visto que essa disciplina permite o questionamento da realidade, ela tem função tam- bém de oferecer suporte à Pesquisa Científica. Dessa forma, ela pode ser entendida como uma abstração, observando-se a relação intrínseca entre o conhecer e o intervir.

A sua maior importância está na apresentação e exame de diretrizes para a eficácia do

estudo e da aprendizagem. Ela está sincronicamente relacionada com o principal objetivo da

universidade que é ensinar e divulgar o procedimento científico.

O que é uma universidade?

Do latim universitate, era o conjunto de todas as coisas, de todos os povos; especiali- zou-se depois, na Idade Média, no sentido atual de instituições superiores reunidas num só conjunto. (BUENO, 2010)

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ANA PAULA AMORIM

Metodologia Científica Aplicada às Ciências da Educação

Metodologia Científica não é um simples conteúdo a ser decorado pelos estudantes. Numa definição em sentido amplo, é o estudo dos métodos de conhecer. Trata-se de fornecer aos estudantes um instrumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da Academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área do conhecimento. Trata-se, en- tão, de se aprender também fazendo, conforme sugerido por perspectivas contemporâneas da Educação.

O que se deve fazer, na medida do possível, é seguir rigorosamente as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, para elaboração de trabalhos científi- cos. Caso alguma regra não esteja sendo cumprida, a responsabilidade é da desatenção do au- tor.

Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo a uma Academia de Ciên- cias, já que qualquer Faculdade corresponde ao local próprio da busca incessante do saber científico. Neste sentido, a Metodologia Científica tem uma importância fundamental na for- mação do profissional. Se os estudantes procuram a Academia para buscar saber, precisamos entender que a Metodologia Científica é também compreendida como o “estudo dos cami- nhos do saber”, se entendermos que “método” quer dizer caminho, “logia” quer dizer estudo e “ciência” quer dizer saber.

Recordando o tempo de escola

quer dizer saber. Recordando o tempo de escola FIGURA 28 – RECORDANTO O TEMPO DA ESCOLA

FIGURA 28 – RECORDANTO O TEMPO DA ESCOLA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Metodologia Científica e Universidade

Metodologia Científica e Universidade FIGURA 29 – METODOLOGIA CIENTÍFICA E UNIVERSIDADE FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA A

FIGURA 29 – METODOLOGIA CIENTÍFICA E UNIVERSIDADE FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

A história da ciência é a da conquista gradual, pela ciência experimental, de uma posição

central na cultura e na visão do mundo do homem moderno. A ciência se desenvolveu basi- camente fora das universidades tradicionais, e só no século XIX a ligação íntima entre ciência e universidade, que hoje muitos consideram natural, ocorre de forma efetiva.

Os novos parâmetros curriculares serão propostos visando orientar as ações educativas nas escolas e assegurar a todos "a aquisição do instrumental básico para acesso aos códigos do mundo contemporâneo (leitura, escrita, expressão oral, cálculo etc.)". Também deverão incen- tivar um conjunto de conhecimentos de habilidades e valores que contribuam para que os estudantes se desenvolvam para o exercício da cidadania, o desempenho das atividades cotidi- anas e a inserção no mercado de trabalho.

A ciência é, essencialmente, o fascínio do conhecimento, a busca incessante para com-

preensão dos fenômenos que nos cercam. É a resposta para nossas indagações diante da vida, da natureza, dos males que afligem as espécies e assim por diante. A busca das suas verdades, sempre instáveis e mutáveis. Verdade e certeza absolutas são inatingíveis. Aquilo que temos são apenas modelos provisórios, que construímos, para entrar um pouco no mundo misterio- so do desconhecido.

Logo, a ciência é, em sua essência, é um processo social, dinâmico, contínuo, volátil e cumulativo. Há séculos, influencia a humanidade, rompe fronteiras e convicções, modifica hábitos, gera leis, provoca acontecimentos, e, mais do que tudo amplia, de forma contínua, as fronteiras do conhecimento (TARGINO, 2005).

O primeiro objetivo da disciplina de Metodologia Científica é resgatar nos alunos a ca-

pacidade de pensar. Pensar significa passar de um nível espontâneo, primeiro e imediato, a um nível reflexivo, segundo, mediado. O pensamento pensa o próprio pensamento, para me- lhor captá-lo, distinguir a verdade do erro. Aprende-se a pensar à medida que se souber fazer perguntas sobre o que se pensa (LIBÂNIO, 2001).

40

ANA PAULA AMORIM

O conteúdo da disciplina Metodologia Científica pode ser classificado como conceitual e

procedimental, uma vez que não basta memorizar as ações ou as normas da ABNT sem uma construção de sentidos, pois é preciso compreender sua lógica de funcionalidade, bem como, realizar as etapas - que comporta o saber fazer.

Para isso, as condições de aprendizagem são: a reflexão sobre a ação que o sujeito está fazendo e a exercitação constante; é preciso fazer uso deste conhecimento com frequência, e a descontextualização – saber aplicar em outras situações que se apresenta como necessidade (ZABALA, 2001).

Atenção! Pois, o desenvolvimento progressivo das competências relacionadas ao ler e escrever que você precisa dar conta de construir no percurso da graduação, não é objetivo de apenas uma disciplina ou de um professor, mas deve ser um compromisso de todos e todas que, como enfatiza Edgar Morin (2001), tem a compreensão que o conhecimento deve ser transversal, onde a sua participação é crucial para o pleno êxito do processo.

É importante você saber que a disciplina Metodologia Científica deve ajudar os alunos

na experiência de sentirem-se cidadãos, livres e responsáveis, a administrar suas emoções e

os alunos muito se enrique-

cem quando assimilam bem tudo que foi exposto, estes saem da faculdade cheios de teorias”

(MORIN apud VERGARA, 2005, p. 335).

É importante conhecer a evolução do conhecimento humano pelas diversas formas que

se apresenta no decorrer da História. Por isso, solicitamos que você leia o texto “A Ciência –

Metodologia da Pesquisa”, disponível em: <http://archive.is/Pplev>.

Com relação aos seus métodos, discute-se a prática que transforma a sala de aula em mero local de transmissão de conhecimento: alguém que detém o saber (professor) transfere para aquele que não sabe (“aluno”, aliás, na etimologia da palavra, significa “aquele que não tem luz”). Esta concepção tem conduzido muitos estudantes ao equívoco quanto à universi- dade, assim como tudo o que faz no seu interior, desde assistir aulas, ao modo como se estuda e se produz trabalhos de natureza acadêmica.

exercitar o bom senso e a equidade. De um modo peculiar, “[

]

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Aprendendo a Aprender

Aprendendo a Aprender FIGURA 30 – APRENDER A APRENDER FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA O aprendizado é um

FIGURA 30 – APRENDER A APRENDER FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

O aprendizado é um fenômeno bastante presente em nossas vidas, concorda?

Algumas vezes aprendemos com prazer e entusiasmo, em outras travamos uma verda- deira luta com os livros e conteúdos que insistem em deixar a nossa vida sempre mais difícil.

De qualquer forma, o fato é que aprender significa sobreviver, desde a origem da espécie humana e principalmente agora, na era da informação globalizada.

E provável que vocês já tenham ouvido a expressão que serve de título para o nosso te-

ma. “Aprender a aprender” tornou-se um verdadeiro lema da educação na atualidade, na qual se entende que a preparação para a vida e o trabalho depende muito mais do desenvolvimento de habilidades relevantes que dos conteúdos a que se tem acesso na vida escolar.

Quando assimilarmos, no cotidiano da vida, não apenas as regras metodológicas da ABNT e suas infinitas exceções e peculiaridades, mas avançarmos, transformando as mesmas regras frias e intelectuais em hábitos que integralizam a pessoa, então estaremos, também, aprendendo a ser. Entrar nesse processo significa superarmos a tentação de medir tudo em termos de eficiência e de interesses e substituirmos esses critérios quantitativos por intensida- de da comunicação, pela difusão dos conhecimentos e das culturas, pelo serviço recíproco e a boa harmonia para levar adiante uma tarefa comum (LIBÂNIO, 2002, p. 85).

Um dos grandes méritos da Metodologia Científica é a reflexão sobre a inconstância do conhecimento, pois permite a compreensão da necessidade de o ser humano produzir pergun- tas e respostas relacionadas às dúvidas e questionamentos postos, objetivando a interpretação e a explicação da realidade, das coisas e dos fenômenos.

Neste sentido, o conhecimento que hoje nós validamos, amanhã podemos refutá-lo, constitui-se num aspecto fantástico que se traduz na própria inconclusão do ser, na ideia do provisório. Isso nos remete ao campo da produção das explicações e das verdades. É comum os alunos e alunas terem um conceito de verdade absoluto, uma única referência. No processo

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ANA PAULA AMORIM

de leituras e debates a desconstrução destas ideias, é algo que se torna inevitável (NEVES,

2006).

Todos os seres humanos são “naturalmente” expert em pesquisa, pois se tem esse pro- cesso como algo que faz parte na construção social de cada indivíduo, para cada mínimo pro- blema do cotidiano humano, sustenta-se no conhecimento do senso comum, elabora-se um projeto de vida.

Aprendizado e Metacognição

Como podemos, então, construir conhecimento a partir das informações a que temos acesso? Essa construção do conhecimento, ou aprendizado, depende de vários fatores relativos ao ambiente da aprendizagem e aos próprios aprendizes. Segundo revisão da literatura acerca dos padrões de aprendizado dos estudantes, Vermunt e Vermetten (2004), os fatores relativos aos estudantes que influenciam em seu aprendizado são de ordem cognitiva, metacognitiva e afetiva/motivacional. Os fatores de ordem cognitiva correspondem às ações mentais envolvidas no processa- mento do conteúdo, levando diretamente a resultados em termos de conhecimento, compre- ensão, habilidades, entre outras. Os fatores afetivos e motivacionais constituem a maneira com que os estudantes se relacionam com as emoções que emergem durante o aprendizado, que produz estados que podem influenciar o andamento da aprendizagem de forma positiva, neutra ou negativa. Por fim, os fatores metacognitivos dirigem os fatores cognitivos e afeti- vos/motivacionais, levando indiretamente aos resultados da aprendizagem. É sobre estes últi- mos que trataremos aqui; nas demais seções desse tema, discutiremos aspectos relacionados aos fatores cognitivos e afetivos/motivacionais.

O que é a metacognição e como ela influencia no aprendizado?

Vamos primeiro examinar o próprio termo “metacognição”. Ele é formado por duas pa- lavras: meta + cognição. A palavra “meta” corresponde a um prefixo grego, significando “mu- dança, posteridade, além, transcendência” (FERREIRA, 1975, p. 922). Cognição, segundo o mesmo dicionário, corresponde à “aquisição de um conhecimento” (FERREIRA, 1975, p. 343), ou segundo Ribeiro (2003, p. 110), “representação dos objetos e fatos” da realidade. As- sim, o termo “metacognição” pode ser entendido como uma visão mais ampla do conheci- mento.

De acordo com Ribeiro (2003, p. 110):

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Assim, como objeto de investigação e no domínio educacional encontramos duas formas essenciais de entendimento da metacognição: conhecimento so- bre o conhecimento (tomada de consciência dos processos e das competên- cias necessárias para a realização da tarefa) e controle ou autorregulação (ca- pacidade para avaliar a execução da tarefa e fazer correções quando necessário - controle da atividade cognitiva, da responsabilidade dos proces- sos executivos centrais que avaliam e orientam as operações cognitivas).

As discussões acadêmicas sobre a metacognição ganharam proeminência a partir da dé-

cada de 1970, e em pouco tempo a literatura estava repleta de termos derivados da definição original (VEENMAN; HOUT-VOUTERS; AFFLERBACH, 2006). O interesse na área surgiu depois que vários estudos demonstraram que estudantes bem-sucedidos em geral empregam estratégias tanto para “adquirir, organizar e utilizar seu conhecimento, como na regulação de seu processo cognitivo” (RIBEIRO, 2003, p. 109).

Em suma: estudantes bem-sucedidos parecem monitorar conscientemente seu processo de aprendizado.

O Estudante no Ensino a Distância (ou até mesmo semipresencial)

A educação a distância tem sido vista como uma grande promessa por seu potencial pa-

ra democratizar o acesso à educação. Trata-se de uma modalidade em expansão em todo o mundo, cada vez mais integrada às novas tecnologias de comunicação, e estendendo-se além do tradicional público adulto para alcançar jovens e mesmo crianças (SHERRY, 1995).

A principal característica da educação a distância você já conhece até pela sua denomi-

nação: a separação física e temporal entre professores e aprendizes. Embora seja alvo de mui-

tas críticas, diversos trabalhos apontam que seus resultados são pelo menos equivalentes aos alcançados pelo ensino tradicional.

Uma outra marca inconfundível da educação semipresencial ou até mesmo a distância é a centralização da aprendizagem em torno do estudante.

Isso significa que o processo de ensino-aprendizagem é, na maioria das vezes, dirigido e controlado pelo estudante, e que os professores assumem de fato seu papel como facilitadores. No ensino tradicional, centrado em aulas expositivas, normalmente é o professor quem assu- me o papel central, pois ele é quem detém o conteúdo e suas formas de transmissão, restando ao estudante o papel de receptor passivo das informações veiculadas.

No ensino a distância opera-se uma mudança no papel de estudantes e professores, que pode ser de difícil assimilação no primeiro momento. No entanto, segundo Briggs (2005), o esclarecimento dos papéis de estudantes e professores é fundamental para o desenvolvimento

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ANA PAULA AMORIM

das competências necessárias ao desempenho de cada um destes papéis. Para isso, podemos refletir um pouco acerca do que significa ser um estudante do ensino a distância.

O perfil geral desse estudante é o de um adulto, que necessita de flexibilidade para supe- rar dificuldades relativas a horários, distância de centros de ensino, e financiamento dos cur- sos (SHERRY, 2005). Desse público normalmente heterogêneo, no entanto, espera-se o mes- mo comportamento (RAILTON; WATSON, 2005): a atuação como aprendizes autônomos desde o ingresso no curso superior.

De acordo com Railton e Watson (2005), ser um estudante autônomo exige que você domine as habilidades necessárias para gerir, com eficiência, uma grande porção de tempo de estudo independente, com pouca ou nenhuma orientação expressa. Tais habilidades incluem, principalmente (KERR; RYNEARSON; KERR, 2006):

incluem, principalmente (KERR; RYNEARSON; KERR, 2006): FIGURA 31 – HABILIDADES DO ESTUDANTE AUTÔNOMO FONTE:

FIGURA 31 – HABILIDADES DO ESTUDANTE AUTÔNOMO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA. ADAPTADO DE KERR; RYNEARSON; KERR, 2006

Método e Estratégia de Estudo e Aprendizagem

Estudar exige empenho responsável e dedicação generosa. Consequentemente, pressu- põe sacrifícios e escolhas conscientes. Quem de fato quer estudar deve estabelecer uma hierar- quia de valores em sua vida.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Agir metodologicamente é condição básica de qualquer pesquisa científica, por mais elementar que seja. Trata-se efetivamente de um conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade. Não devemos considerar o méto- do como o essencial, mas lembrar que ele é um instrumento intelectual, um meio de acesso, enquanto a inteligência, junto com a reflexão, descobre o que os fatos realmente são.

Um estudo é eficaz quando se torna significativo, isto é, quando os novos conhecimen- tos e informações são assimilados pessoalmente e confrontados e integrados no complexo de conhecimentos já existentes, podendo ser reutilizados em outras situações. Assim, o estudo contribui para a formação integral da pessoa e de sua maturação.

Fundamentos do Método do Estudo

Entre duas pessoas que tenham o mesmo grau de escolaridade, processos cognitivos se- melhantes e graus de motivação semelhantes, certamente aquele que fizer uso de um método de estudar compatível terá melhor rendimento. A eficiência do estudo depende de método, mas o método depende de quem o aplica, da maneira como o faz, adequando-o às suas neces- sidades e convicções.

Podemos citar como pontos essenciais para eficiência nos estudos o que se segue:

essenciais para eficiência nos estudos o que se segue: FIGURA 32 – FUNDAMENTOS DE MÉTODO DE

FIGURA 32 – FUNDAMENTOS DE MÉTODO DE ESTUDO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA.

Fatores Condicionantes do Estudo

O ofício de estudar requer algumas qualidades específicas que podemos sintetizar na se- guinte trilogia: constância, paciência e perseverança. A constância vence as impressões de fal- so cansaço que frequentemente se apoderam do espírito e do corpo. A persistência, no entan- to, faz as articulações se desenferrujarem, os músculos se revigorarem, a respiração se dilatar, de repente, um novo ânimo empurra para frente, coisa semelhante pode acontecer com os estudos, em vez de ceder diante dos primeiros sintomas de fadiga, o estudante deve romper

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ANA PAULA AMORIM

para frente, forçar a saída da energia interior. E a paciência para aguardar com amor o natural resultado dos esforços desenvolvidos.

É regra de ouro não empreender nada além da capacidade pessoal. Cada um tem seu

ritmo próprio e suas limitações. O presunçoso é aquele que se julga superior ao que realmente

é e pode ser, contenta-se com aparências e facilmente é vítima de auto-ilusão.

Conhecer os reais limites pessoais é fator de honestidade para consigo mesmo e para com os outros. Quando o trabalho é fruto do próprio esforço, então é que tem valor, mesmo não atingindo inteiramente a qualidade acadêmica exigida. Deve-se desistir da tentação de sempre querer comparar-se com os outros. O que eu mesmo sou capaz de produzir, dentro das minhas condições pessoais, é o que contribui efetivamente para minha realização humana.

Portanto, as condições físicas e as do seu ambiente de estudo devem ser favoráveis, pos- sibilitando o trabalho atento e tranquilo.

Ambiente

Procura-se, se possível, um lugar sossegado. O quarto de estudo deve ser bem arejado e iluminado. Na escrivaninha do estudante devem ser afastados todos os objetos que podem distrair. O que não pode faltar é um bom dicionário, papel ou fichas, lápis, borracha e caneta.

Intercâmbio

É de grande utilidade reunir-se de tempos em tempos com colegas estudantes para tro-

car experiências de estudo, confrontar resultados, preparar um exame ou um debate em aula.

Esse tipo de intercâmbio abre novos horizontes, estimula o esforço e esclarece dúvidas.

Saúde

Às vezes trata-se de casos relativamente simples de serem resolvidos. Assim, por exem- plo, sonolência constante em períodos de estudos pode ter como motivação a inadequação do horário de estudo ou tipo de alimentação efetuada antes do estudo.

Motivação

Um fator absolutamente central no estudo é a motivação, ou seja, uma disposição inte- rior que nos impulsiona a adotar e manter um estilo de vida e um comportamento que expres- sam e concretizam valores tidos como importantes. Sem objetivos concretos, que devem ser constantemente lembrados, corremos o risco de desanimar diante das primeiras dificuldades que se apresentam, enquanto a experiência de fracasso provoca uma profunda frustração psi- cológica. Ao contrário, uma forte motivação garante um estudo perseverante e bem-sucedido.

Autodisciplina

No campo da formação intelectual nada se faz sem autodisciplina. A concentração – elemento primordial nos estudos – depende em boa parte dela, pelo fato de exigir força de

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

vontade e tenacidade na ação. Sem esta disposição firme e empenho decidido não adianta ab- solutamente nada oferecer subsídios metodológicos, acompanhamento pessoal nos estudos ou técnicas sofisticadas de aprendizagem.

nos estudos ou técnicas sofisticadas de aprendizagem. FIGURA 33 – REFLEXÃO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA Agora

FIGURA 33 – REFLEXÃO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA

Agora pare um pouco e reflita!

Essa é a sua oportunidade de parar para pensar sobre você mesmo.

Como vai a sua vida de estudante? Quais são os seus hábitos de estudo? Em que tare-

fas você se sai muito bem, e quais são aquelas em que tem mais dificuldade?

A disciplina de Metodologia é o ponto inicial de sua jornada na graduação. Por isso, vale a pena fazer uma “revisão de viagem”, para verificar como andam seus “equipamentos” de aprendizado. E claro que a partir de agora, essa terá de ser uma atividade rotineira, sobretudo no ensino a distância.

Então

Após estudar concepções de ciência, tipos de conhecimento, dentre outras temáticas abordadas no Bloco 1, correlacione todo conteúdo estudado aos saberes e expectativas que você vem construindo ao longo de sua trajetória humano-estudantil, e elabore reflexões sobre os significados das expressões a seguir:

1. Desenvolvimento humano e educação.

2. Existe um limite para o conhecimento científico? Se existe, qual seria? Por quê?

3. Qual a relação entre os atos educativos e tais questões?

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ANA PAULA AMORIM

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Questões do ENADE

QUESTÃO 01

A racionalidade científica, forma dominante de pensar e de agir na Modernidade, trans-

formou o homem e sua ação em objetos de investigação. Passaram a ser tratados da mesma forma que as “coisas” e os fenômenos da natureza, como “objetos” fixos, imutáveis.

O historicismo veio a se opor a essa perspectiva positivista, chamando a atenção para a

dimensão histórica da existência, do mundo e da sociedade. As vertentes da pesquisa em edu-

cação que acompanharam essa discussão incorporaram ideias do historicismo e trouxeram para a prática da investigação o pressuposto de que:

a) A pesquisa educacional supõe a existência de métodos previamente definidos.

b) A objetividade e a universalidade do conhecimento são garantidas pelos métodos de pesquisa.

c) A metodologia da pesquisa determina a produção dos conhecimentos histórico- educacionais.

d) O conhecimento da realidade só é possível por meio do controle do fenômeno educacional.

e) O conhecimento educacional depende da compreensão dos processos sócio his- tóricos.

QUESTÃO 02

A pesquisa científica pode ser definida como um conjunto de procedimentos sistemáti-

cos, fundamentado no raciocínio lógico e com a utilização de métodos científicos, tendo por objetivo encontrar soluções para problemas propostos. Assim sendo, indique se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas com (F):

( ) A pesquisa Bibliográfica é realizada a partir de fontes de “primeira mão”; utiliza

materiais em “estado bruto”, ou melhor, fontes primárias, por exemplo: ofícios, cartas, folhe- tos, atas, relatórios, fotografias, testamentos, manuscritos, registros de nascimentos, gravações, leis, diários, registros de automóveis.

( ) A pesquisa de Campo, quando é realizada a partir de informações obtidas “em campo”, onde os fenômenos ocorrem em situação natural.

( ) A pesquisa Exploratória é um tipo de pesquisa mais complexa, pois procura o co-

nhecimento mais profundo sobre o fenômeno estudado, e seus resultados fundamentam o conhecimento científico. O principal objetivo é identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, procurando explicar a razão, o porquê das coi- sas, as causas.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

(

) A pesquisa Qualitativa, quando não emprega ou não tem como objetivo principal

abordar o problema, a partir de procedimentos estatísticos. É utilizada para investigar um

determinado problema, em que os procedimentos estatísticos não podem alcançar ou não ser bem representativo, devido à complexidade do problema como: aspectos psicológicos, opini- ões, comportamentos, atitudes dos indivíduos ou grupo.

( ) A Pesquisa-Ação, quando concebida e realizada em estreita associação com a reso-

lução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo; supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional etc.

Marque o item com a sequência CORRETA:

a) V – V – V – V – F.

b) F – V – V – V – F.

c) F – V – F – V – F.

d) V – F – V – F – V.

e) F – V – F – V – V.

QUESTÃO 03

Há uma discussão do “ser” professor que envolve a diferenciação entre a pedagogia do professor e a pedagogia do mestre. A função do professor é ensinar a todos a mesma coisa e a do mestre, anunciar, a cada um, uma verdade particular, uma resposta singular e uma realiza- ção. Nesse sentido, o mestre é o condutor do discípulo até si mesmo, um agente de seu proces- so de individuação. O discípulo confia no mestre para que o instrua e o conduza enquanto ele não for capaz de se conduzir sozinho, entendendo que a condição de discípulo é provisória. Assim, a experiência do mestre, adquirida através da prática e da sagacidade, é, na verdade, a capacidade de discernimento dos espíritos que, ao pressentir as possibilidades de cada um, propõe-lhes fins ao seu alcance, assim como os meios de alcançá-los, através da utilização das suas capacidades.

As ideias do texto afirmam:

I.

A confiança do discípulo na figura do mestre;

II.

A busca de padrões nos processos de individuação;

III.

O entendimento das limitações e possibilidades de mestres e discípulos;

IV.

A percepção do mestre como condutor às verdades.

De acordo com o texto, é(são) correta(s) APENAS a(s) ideia(s):

50

a) II.

b) IV.

c) I e II.

ANA PAULA AMORIM

d)

I e III.

e) I, II e III.

QUESTÃO 04

d) I e III. e) I, II e III. QUESTÃO 04 FIGURA 34 – TIRINHA: O

FIGURA 34 – TIRINHA: O MENINO MALUQUINHO FONTE: <https://estudandopsicologia.wordpress.com/category/humor/>

A tirinha de Ziraldo apresenta-nos uma situação corriqueira. De um modo geral, tem-se a concepção de que as crianças aprenderão os conhecimentos em um único dia e de uma única forma. Essa concepção perde o sentido quando se pensa, por exemplo, nos ciclos básicos de alfa- betização, pois os mesmos pressupõem que a alfabetização é:

a) Marcada por estágios.

b) Linearmente construída.

c) Construída em processo.

d) Elaborada sem interrupções.

e) Aprendida por etapas sucessivas.

QUESTÃO 05

O pensamento pedagógico de Paulo Freire parte de alguns princípios que marcam, de forma clara e objetiva, o seu modo de entender o ato educativo.

Considerando as características do pensamento do autor, analise as afirmações a seguir:

I.

Ensinar é um ato que envolve a reflexão sobre a própria prática.

II.

Modificar a cultura originária é parte do processo educativo.

III.

Superar a consciência ingênua é tarefa da ação educativa.

IV.

Educar é um ato que acontece em todos os espaços da vida.

V.

Educar é transmitir o conhecimento erudito e universalmente reconhecido.

Estão de acordo com o pensamento de Paulo Freire APENAS as afirmações:

a) I e II.

b) II e V.

c) I, III e IV.

d) I, IV e V.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

e)

I, II, III e IV.

CONSTRUINDO CONHECIMENTO

Sugerimos que você utilize as técnicas apresentadas neste Bloco para uma leitura reflexiva do texto O professor, seu saber e sua pesquisa, de autoria da Profª Menga Lüdke. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302001000100006

&lng=en&nrm= iso>. Acesso em: 07 dez. 2015.

52

ANA PAULA AMORIM

1.2

TEMA 2. APRENDIZAGEM E PESQUISA

Neste tema estudaremos o processo de aprendizagem, no que tange as atividades estu- dantis. Você terá oportunidade de perceber que o seu êxito nos estudos, depende, dentre ou- tros elementos, da capacidade de leitura e assimilação reflexiva dos conteúdos trabalhados.

As leituras necessárias e justificáveis podem ser realizadas de modo proveitoso e com menor grau de esforço quando efetuadas com base em algumas técnicas. O que é uma leitura proveitosa, que técnicas podemos fazer uso, que cuidados devemos ter para maior proveito será agora objeto do nosso estudo.

Você verá que a leitura não é simplesmente o ato de ler. É uma questão de hábito ou aprendizagem, que pressupõe: uma teoria que fundamente o método; uma estratégia a ser empregada; um conjunto de técnicas; e treinamento. Não há, portanto, soluções miraculosas, é preciso que o interessado conheça os métodos, verifique a sua real contribuição e através do treinamento poderá adquirir hábitos para leitura tecnicamente mais adequados.

Continuemos nessa caminhada com determinação e disposição constante para a apren- dizagem!

1.2.1

CONTEÚDO 1. MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM

O estudo é uma atividade importante. Aprendendo a estudar melhora-se o desempenho

na vida escolar, nas avaliações e na vida profissional. O ato de estudar, em última análise, é ir

em busca da verdade. Trata-se de um processo dinâmico de “saber, buscar, saber de novo e recomeçar para buscar ainda mais”.

A meta é chegar a aprender, a ver com os próprios olhos e não ouvir dizer; a expressar-

se com as próprias palavras e a pensar com a própria cabeça. Forma-se um espírito crítico, que

sabe ponderar as coisas e avaliá-las em seu verdadeiro sentido.

O estudo orienta-se para a pesquisa, ou seja, uma atividade voltada para a solução de

“problemas” através do emprego de processos científicos e procedimentos metodológicos. Para um bom estudo não são requeridos dotes extraordinários, basta força de vontade, o que- rer.

53

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

As normas e as técnicas seguintes constituem, no seu conjunto, uma orientação segura sobre como estudar melhor, tirando proveito da metodologia científica na execução dessa atividade.

Portanto, é muito útil conhecê-las

e usá-las.

Planejamento e Organização

Não se pode esperar ter êxito nos estudos sem planejamento e organização. O planeja- mento diz respeito ao tempo disponível, enquanto a organização se refere à utilização eficiente deste tempo em termos de estudo. Estudo exige, por sua própria natureza, autodisciplina e disponibilidade.

Devemos garantir o espaço de tempo necessário para a atividade intelectual através de um horário elaborado a partir da situação pessoal.

Período de Estudo

Para que haja bom proveito do tempo reservado ao estudo, este deve ser dividido em “períodos” cuja duração corresponde a uma aula (50 minutos normalmente). Entre os “perío- dos” deve haver uma pausa de 5 a 10 minutos. Esta interrupção ajuda a quebrar a monotonia, a espantar o sono e a “refrescar a cabeça”, além de proporcionar uma adequada repartição dos assuntos a serem abordados. Evita-se assim que matérias menos interessantes ou trabalhos mais distantes no tempo sejam simplesmente adiados.

Controle do Tempo

Quando se deve estudar? E por quanto tempo? Como deve ser distribuído o tempo dis- ponível? É importante dar respostas corretas a estas perguntas.

Utilize bem o tempo de que você dispõe. Inicie o seu estudo agressivamente e não perca tempo com sonhos ou passatempos na hora de estudar;

Estude para saber. Procure aprender o assunto até o seu completo domínio;

Determine com antecedência o tempo disponível para o seu estudo. Distribua-o em períodos de 50 minutos, pelo menos. Separe dois períodos consecutivos por um in- tervalo de 10 minutos em que você deve levantar-se e distrair-se. Procure estabelecer o seu ritmo próprio de trabalho, de acordo com as suas condições pessoais;

Determine o número de períodos de estudos necessário. Estabeleça o número de pe- ríodos de estudos de acordo com o tempo disponível naquele dia e suas necessidades reais de estudar para saber bem;

54

ANA PAULA AMORIM

Faça a distribuição dos períodos de estudo. Distribua-os pelas disciplinas, de acordo com a impressão geral que você tenha da sua necessidade de estudar cada uma delas (grau de dificuldade, grau de exigência do professor, sua maior ou menor facilidade para a disciplina, etc.);

Não espere sentir vontade para começar a estudar na hora marcada;

Só termine de estudar quando esgotar o tempo estabelecido, mesmo que aparente- mente tenha aprendido tudo;

Estude primeiramente as matérias mais difíceis;

Não estudar em sequência as matérias com raciocínios semelhantes, estudando al- ternadamente matérias onde haja mais e menos dificuldades;

Habitue-se a estudar em horário certo;

Não se esqueça de que é importante aprender a cumprir prazos. Isso é exigido de qualquer profissional.

A Concentração

A concentração é indispensável para que se possa estudar com proveito. O importante é a concentração mental. Mas uma inquietude exterior revela falta de concentração. No entanto, pode-se estar exteriormente quieto sem se estar concentrado. O pensamento pode estar longe. O estudante não deve permitir que isto lhe aconteça na hora de estudo. Para tanto deve pro- ceder como se segue:

Decida a concentrar-se;

Assuma a atitude física e atitude mental de quem presta a atenção;

Comece a trabalhar imediatamente e com agressividade;

Acostume-se a não se distrair com solicitações exterior;

Não deixe o seu pensamento "voar";

Se a sua tarefa lhe parecer extensa ou complicada, divida-a em tarefas parciais e vá executando-as uma a uma;

Estude com a intenção de aprender o assunto e reter os seus dados essenciais;

Não permita que a aplicação intensa se transforme em confusão ou ansiedade.

Regras Gerais de Estudo

As regras que se seguem completam o quanto foi dito e ajudam a melhorar o rendimen- to do estudo. Conheça-as e use-as com bom senso.

Estude individualmente, salvo se tiver a certeza de que estudando com outros você aumenta a própria eficácia (discutindo pontos de dúvidas, por exemplo);

Tenha ideia clara dos resultados que você deseja alcançar e afaste do seu pensamen- to tudo o que seja alheio ao seu estudo;

Aprenda os conceitos, princípios e regras gerais antes de tentar aplicá-los;

Destaque os aspectos importantes de sua tarefa, seja ela qual for, e considere-os de acordo com essa importância;

55

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Faça constantes revisões, aproveitando tais oportunidades para eliminar os seus pontos fracos;

Procure resolver as suas dificuldades sozinho, mas não deixe de pedir auxílio se per- ceber que ele é mesmo necessário;

Distribua bem os seus esforços durante o estudo, ou seja, estude por etapas a maté- ria muito vasta, importante ou difícil. Distribua as etapas por mais de um período de estudo;

Aprenda a matéria estudada de modo a poder reduzi-la a uma unidade;

Aplique o aprendido, usando sempre que lhe seja possível.

Se você adotar as técnicas aqui expostas, em pouco tempo terá aprendido a aprender. Seu estudo renderá mais, terá maior eficácia. Mas as regras apresentadas não devem escravizá- lo. Você deverá dominá-las e aplicá-las como um senhor, usando-as em seu proveito.

Não se esqueça de que os bons resultados do seu estudo dependem de sua capacidade de concentrar-se. A concentração é um dos grandes segredos da superioridade intelectual. Con- centrado, você estará desperto, ativo e consciente pronto para compreender, aprender e pen- sar. Aí está a chave do sucesso: use-a!

Provas e Exames

A preparação para provas e exames não devem ser feitas através de "viradas" de última hora, varando madrugadas em esforço febril, mas, antes, através de um estudo consciente e continuado, distribuído racionalmente pelo tempo disponível.

Observe, portanto as seguintes normas de ação:

Prepare-se tranquila e conscientemente para o exame, prova ou concurso;

Cultive o desejo de ir bem, o pensamento positivo;

Obtenha a informação antecipada sobre o tipo de prova a ser aplicada (se objetiva ou subjetiva);

Substitua a preocupação e o medo pela autoconfiança;

Seja persistente. Estude com técnica, com interesse e com paciência. O bom resulta- do final é uma consequência natural de sua boa preparação: estude como lhe foi en- sinado aqui, adaptando os ensinamentos às suas condições pessoais. Trabalhe com persistência, mas, também, com calma. Não se afobe.

Faça a sua revisão tecnicamente;

Encare a prova com calma, otimismo, coragem e fé. Nada de ansiedade, ela provoca tensão e diminui suas possibilidades de sucesso. Nada de negligência, desânimo e de- satenção. Concentre-se, esteja atento a tudo e seja bem cuidadoso na resolução das questões propostas pelos examinadores. Ouça atentamente qualquer instrução dada pelo professor e leia todas as instruções constantes, antes de escrever qualquer res- posta. Tente compreender o significado das questões para dar respostas coerentes;

56

ANA PAULA AMORIM

Antes da prova, se houver tempo, ajude os colegas. À melhor maneira de aprender uma matéria é ensiná-la aos outros;

Na hora “h”, sente-se com a coluna ereta, respire fundo e relaxe completamente;

Se estiver nervoso, aceite com naturalidade. Este estímulo aguça nossa atenção;

Não use recursos proibidos na prova. A própria tensão gerada pelo ato de “colar”

ode provocar esquecimentos e mesmo denunciá-lo, além de pouco ético, não resolve

a questão do aprendizado;

Leia a prova como um todo. Avalie as questões, veja as que você conhece bem, as

que você conhece regularmente e as que parecem ser difíceis. Não se afobe em hipó- tese alguma, mesmo que o número de questões julgadas "difíceis" seja grande. No momento de resolvê-las, a dificuldade desaparece. Inicie a resolução pelas questões do primeiro grupo (mais fáceis); passe depois para as do segundo grupo (dificuldade média) e só então resolva as do terceiro grupo (difíceis).

Trabalhe sem perder tempo, mas sem pressa. Diz a sabedoria popular que a pressa é inimiga da perfeição. Trabalhe atentamente e seja preciso nas suas respostas. Você verá ao final que as questões "difíceis" eram mais simples do que aparentavam.

Não responda as questões objetivas ao acaso. Raciocine e reflita sobre a resposta cer- ta. Conte com os seus conhecimentos e capacidade de raciocinar. Se a "sorte" valesse, você ganharia na Loteria Esportiva toda semana. Então trate de refletir, responder com firmeza e assegurar o bom resultado ao qual você precisa.

Se houver questões longa e discursivas - redação, dissertação, resolução de proble- mas ou provas de uma propriedade matemática - faça antes um plano no rascunho, aprimore-o e só então as elabore em definitivo.

Faça um bom esquema. Critique-o e o aperfeiçoe. Depois disso desenvolva o seu trabalho. Pense bem para escrever bem. Cuidado com a ortografia. Cuidado com os cálculos e/ou as transformações matemáticas. Cuidado com a apresentação do seu trabalho.

Aproveite bem todo o tempo que lhe foi concedido. Mesmo que a prova tenha sido fácil e esteja concluída, não a entregue antes de o tempo esgotar-se. Aproveite os momentos que lhe restaram e releia todo o seu trabalho. Quem sabe há um "cochilo"

a corrigir? Ou algo a melhorar?

Aperfeiçoe o seu trabalho, entregue-o quando o tempo concedido estiver esgotado e te- nha a certeza de ter feito o melhor para conseguir um resultado favorável.

57

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

1.2.2

CONTEÚDO 2. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS

É preciso ler, e principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não sa-

berá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá estudar. Ler bem é o ponto fundamental para os que quiserem ampliar e desenvolver as orientações e aberturas das aulas.

A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada vez

mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação, disci-

plinando a mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado.

Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lê memoriza elementos de um todo que não se atingiu.

Analisar significa estudar, decompor, dissecar, dividir, interpretar. A análise de um texto refere-se ao processo de conhecimento de determinada realidade e implica o exame sistemáti- co dos elementos; portanto, é decompor um todo em suas partes, a fim de poder efetuar um estudo mais completo, encontrando o elemento-chave do autor, determinar as relações que prevalecem nas partes constitutivas, compreendendo a maneira pela qual estão organizadas, e estruturadas as ideias de maneira hierárquica.

Apesar de todo o avanço tecnológico observado na área de comunicações, principal- mente audiovisuais, nos últimos tempos, ainda é, fundamentalmente, através da leitura que se realiza o processo de transmissão/aquisição do conhecimento. Daí a importância capital que se atribui ao ato de ler, enquanto habilidade indispensável. Aprender a ler não é uma tarefa tão simples, pois exige uma postura crítica, sistemática, uma disciplina intelectual por parte do leitor, e esses requisitos básicos só podem ser adquiridos através da prática, da experiência.

Os livros, de modo geral, expressam a forma pela qual seus autores veem o mundo. Para entendê-los é indispensável não só penetrar em seu conteúdo básico, mas também ter sensibi- lidade e espírito de busca, para identificar, em cada texto lido, os vários níveis de significação e as várias interpretações das ideias expostas por seus autores.

Os livros ou textos selecionados servem para leituras ou consultas: podem ajudar nos es- tudos em face dos conhecimentos técnicos e atualizados que contêm, ou oferecer subsídios para a elaboração de trabalhos científicos, incluindo seminários, trabalhos escolares, mono- grafias etc.

58

ANA PAULA AMORIM

Modalidades de Leitura

A realidade da leitura é extremamente complexa e variada, visto que o diálogo que se es-

tabelece entre emissor e receptor não se dá sempre da mesma forma. As nossas leituras têm origens e objetivos bastante diferenciados. Assim, há leituras de pura informação, como noti- ciários, jornais, revistas; leituras de passatempo, como revistas em quadrinhos, romances etc.; leituras literárias que são, antes de tudo, uma comunicação íntima entre o texto e o leitor.

No caso específico de leituras acadêmicas, trata-se de uma linguagem científica que se caracteriza pela clareza, precisão e objetividade. Ela é fundamentalmente informativa e técni- ca, firma-se em dados concretos, a partir dos quais analisa e sintetiza, argumenta e conclui. A objetividade e racionalidade da linguagem científica a distingue de outras expressões, igual- mente válidas e necessárias.

Apesar da necessidade de que a leitura seja sempre proveitosa, existem várias modalida- des para quem pretende lidar com um texto, assim temos:

Scanning - procura de certo tópico da obra, utilizando o índice ou sumário, ou a leitu- ra de algumas linhas, parágrafos, visando encontrar frases ou palavras-chave;

Skimning - captação da tendência geral, sem entrar em minúcias; valendo-se dos títu- los, subtítulos e ilustrações, se houver, deve-se também ler parágrafos, tentando encon- trar a metodologia e a essência do trabalho;

Do significado - visão ampla do conteúdo, principalmente do que interessa, deixa-se os aspectos secundários, percorrendo tudo de uma vez, sem voltar;

De estudo ou informativa - absorção mais completa do conteúdo e de todos os signi- ficados; devendo-se ler, reler, utilizar o dicionário, marcar ou sublinhar palavras ou frases-chaves e faz resumos;

Crítica - estudo e formação de ponto de vista sobre o texto, comparando as declarações do autor com todo o conhecimento anterior de quem lê; avaliação dos dados e informa- ções no que se refere à solidez da argumentação, sua credibilidade, sua atualização.

O que é mais presente é a leitura de estudo ou informativa, pois visa à coleta de infor-

mações para determinado propósito, destacando-se três objetivos predominantes:

propósito, destacando-se três objetivos predominantes: FIGURA 35 – OBJETIVOS DA LEITURA DE ESTUDO 59 METODOLOGIA

FIGURA 35 – OBJETIVOS DA LEITURA DE ESTUDO

59

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA.

Fases da Leitura

A leitura informativa engloba várias fases ou etapas, que podem ser assim sintetizadas:

De reconhecimento ou prévia - leitura rápida, cuja finalidade é procurar um assunto de interesse ou verificar a existência de determinadas informações. Faz-se olhando o índice ou sumário, verificando os títulos dos capítulos e suas divisões;

Exploratória ou pré-leitura - leitura de sondagem, visando localizar as informações, uma vez que já se tem conhecimento de sua existência. Parte-se do princípio de que um capítulo ou tópico trata de assunto que nos interessa, mas pode omitir o aspecto relacionado diretamente com o problema que nos preocupa. Examina-se a página de rosto, introdução, prefácio, "orelhas", contracapa, bibliografia, notas de rodapé;

Seletiva - leitura visando seleção informações mais importantes relacionadas com o problema em questão. A determinação prévia dos distintos propósitos específicos é importante para esta fase, que se constitui no último passo de localização do material para exame e no primeiro de uma leitura mais séria e profunda. A seleção consiste na eliminação do supérfluo e concentração em informações verdadeiramente pertinente ao problema em foco;

Reflexiva - mais profundo que as anteriores, refere-se ao reconhecimento e à avaliação das informações, intenções e propósitos do autor. Procede-se à identificação das fra- ses-chave para saber o que o autor afirma e por que o faz;

Crítica - avalia informações do autor. Implica saber escolher e diferenciar as ideias principais das secundárias, o propósito é obter uma visão sincrética e global do texto, além de descobrir as intenções do autor. No primeiro momento da fase de crítica deve- se entender o que o autor quis transmitir e, para tal, a análise e o julgamento das ideias dele devem ser feitos em função de seus próprios propósitos, e não dos do pesquisador. É no segundo momento, que devemos, com base na compreensão do quê e do porquê de suas proposições, retificar ou ratificar nossos próprios argumentos e conclusões;

Interpretativa - relaciona afirmações do autor com os problemas para os quais, atra- vés leitura de textos busca-se solução. Se, de um lado, o estudo aprofundado das ideias principais de uma obra é realizado em função dos propósitos que nortearam seu autor, de outro, o aproveitamento integral ou parcial de tais proposições está subordinado às metas de quem estuda ou pesquisa: trata-se de uma associação de ideias, transferências de situações e comparação de propósitos, mediante os quais seleciona-se apenas o que é pertinente e útil, o que contribui para resolver os problemas propostos por que efe- tua a leitura. Assim, é pertinente e útil tudo aquilo que tem a função de provar, retificar

60

ANA PAULA AMORIM

ou negar, definir, delimitar e dividir conceitos, justificar ou desqualificar e auxiliar a in- terpretação de proposições, questões, métodos, técnicas, resultados ou conclusões;

Explicitativa - leitura com intuito de verificar fundamentos de verdade enfocados pelo

autor, geralmente necessária para a redação de monografias ou teses.

Motivação para Leitura

A leitura pode ser feita com diferentes finalidades. Em outras palavras, você está lendo para adquirir conhecimentos suficientes que o levará ao sucesso.

A seleção dos seus textos de leitura deve ser feita a partir daí. As técnicas de leitura que você deverá usar serão escolhidas também a partir dessa finalidade principal.

Portanto:

Determine inicialmente a principal finalidade da leitura mantendo as unidades de pensamento, avaliando o que se lê;

Escolha os textos (livros, apostilhas, etc.) Tendo em vista a finalidade principal da leitura;

Use as técnicas de leitura mais indicadas à finalidade fixada e aos textos a ler;

Leia com objetivo determinado, preocupe-se com o conhecimento de todas as pala- vras, utilizando para isso glossários, dicionários especializados da disciplina ou mesmo dicionário geral;

Interrompa a leitura, quer periódica quer definitivamente, se perceber que as infor- mações não são as que esperava ou não são mais importantes;

Discuta frequentemente o que foi lido com os colegas, professores e outras pessoas.

Condições para uma Leitura Proveitosa

Para um estudo proveitoso de um texto, de um artigo ou de um livro, com boa assimila- ção de seu conteúdo, alguns passos fazem-se necessários:

Atenção - aplicação cuidadosa e profunda da mente, buscando o entendimento, a assimilação dos conteúdos básicos do texto;

Intenção - interesse ou propósito de conseguir algum proveito por meio da leitu- ra;

Reflexão - consideração e ponderação sobre o que se lê, observando todos os ân- gulos, tentando descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações;

61

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Espírito crítico - ler com espírito crítico significa fazê-lo com reflexão, não admi- tindo ideias sem analisar ou ponderar, proposições sem discutir, nem raciocínio sem examinar;

Análise - divisão do tema em partes, determinação das relações existentes entre elas, seguidas do entendimento de toda sua organização;

Síntese - reconstituição das partes decompostas pela análise, procedendo-se ao resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado tudo o que for secundário e acessório, sem perder a sequência lógica do pensamento.

Passos para Leitura

Para um estudo proveitos de um artigo ou de um livro, com boa assimilação de seu con- teúdo, alguns passos fazem-se necessários. Vamos a eles:

Passo 1: Reconhecimento global da fonte:

1. Observar o título da obra e o nome do autor (capa e página de rosto);

2. Leitura das orelhas (extremidade da capa do livro dobrada para dentro), se hou- ver, ou da capa de trás. Nelas normalmente apresentam-se elementos básicos so- bre o texto e seu autor;

3. Tomar conhecimento do sumário (no caso de um livro). Ele fornece ao leitor a estruturação global da fonte, com seus capítulos e subdivisões;

4. Ler a introdução do livro, onde o autor coloca as grandes linhas da temática abordada e faz referência ao método usado;

5. Folhear o texto para ter noções gerais sobre o livro ou artigo (divisões, ilustra- ções, notas, etc.);

6. Anotar perguntas que surgem espontaneamente neste primeiro passo: elas des- pertam a curiosidade e o interesse, sendo um elemento importante no início do processo de aprendizagem;

7. Data da publicação - fornece elementos para certificar-se de sua atualização e aceitação (número de edições), exceção feita para textos clássicos, onde não é a atualidade que importa;

8. Bibliografia - tanto final como as citações de rodapé, permite obter uma ideia das obras consultadas e suas características gerais

62

ANA PAULA AMORIM

Passo 2: detectar ideias-chave do texto

É a operação essencial de todo o estudo, absolutamente indispensável para uma verda- deira compreensão e assimilação do conteúdo.

1. Fazer uma primeira leitura (“leitura dinâmica”) com o objetivo de ter uma ideia pano- râmica do texto;

2. Numa segunda leitura – mais concentrada e profunda – será assinalada a lápis na mar- gem (evitar sublinhar ou grifar as linhas), com traço vertical, a ideia central da respec- tiva “unidade de pensamento”, que via de regra coincide com o parágrafo.

Devem ser destacadas algumas observações:

a) Muitas vezes a ideia-chave é anunciada pelo autor no início do parágrafo, sendo o res- tante do texto desta unidade de pensamento um desenvolvimento do já enunciado;

b) Mas é também bastante comum que o autor conclua o parágrafo com a ideia-chave. Todo o texto da unidade de pensamento é uma preparação para a síntese apresentada ao final do texto;

c) Não há rigor nessas indicações. Pode acontecer que a ideia-chave se encontre no meio do parágrafo. Também não é necessariamente um vocábulo, podendo ser compreen- dida numa frase ou conjunto de palavras;

d) Há textos em que o autor já vem em auxílio do leitor para localizar a ideia diretriz do texto:

- Através de sinais externos, por exemplo, o negrito ou o itálico;

- Através de sinais internos ou indicações verbais, tais como: “em síntese”, “concluindo”, “vemos assim”, “portanto”, “por isso”, “sobretudo”, etc.

e) Não se esqueça: saber localizar corretamente a ideia-chave na leitura é condição básica de todo trabalho intelectual, sem a qual não há avanço no estudo. Pressupõe perseve- rante treinamento e constante dedicação;

Palavras ou expressões não entendidas serão assinaladas na margem com um asterisco (à altura da linha do texto onde figuram) e procuradas no dicionário, mas só após a leitura de

todo o capítulo. É recomendável que cada estudante tenha um caderno ou fichas para anotar

tais palavras ou expressões, a fim de incorporá-las ao seu vocabulário (o glossário pessoal).

Maus hábitos de Leitura

A maioria dos chamados “maus hábitos” de leitura estão relacionados com o emprego dos olhos. Certos hábitos em si não são nem “bons” nem “maus”, passam a sê-lo a partir do

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

momento em que seu uso prejudica a leitura; isso, provavelmente, vai variar de pessoa para pessoa, de situação para situação.

Eis alguns:

a) Movimentos labiais durante a leitura silenciosa - geralmente são indício de leitura vagarosa: quem o faz está falando para si mesmo, quer tenha consciência disso, quer não. Está lendo palavras e não conjunto de palavras de uma só vez. É possível que o leitor não saiba que move os lábios enquanto lê. É fácil verificá-lo: basta colocar o dedo indicador sobre os lábios enquanto estiver lendo – sentirá se os lábios se movem ou não;

b) Movimento da cabeça durante a leitura – este é um defeito, apontado unanimemente pelos autores de técnicas de leitura. Quem move a cabeça enquanto lê está fazendo com a cabeça o que os olhos deveriam fazer;

c) Percurso do dedo ao longo da linha durante a leitura – é a prática mais controverti- da, inclusive há cursos de leitura dinâmica cuja técnica fundamental é recomendar e treinar o leitor a ler percorrendo com o dedo a linha que se lê. Acredita-se que aumen- ta o foco do campo visual e promove mais a tensão necessária para a atenção não cair e assim conseguir-se o aumento da velocidade. Por outro lado, outros condenam a prá- tica alegando que o percurso do dedo, particularmente através de movimento – parada

, está substituindo o movimento que os olhos deveriam fazer.

É difícil decidir quem tem razão. Fica a critério de cada um verificar o que lhe é mais

– movimento – parada

proveitoso;

d) Hábito de ler os sinais e letras e não as ideias – já foi observado em investigações que

o “bom leitor” geralmente não constata muitos erros gráficos, trocas de letras, deslizes

de ortografia, concordância etc. Justamente porque lê ideias e não palavras. Entretanto, quando tem de fazer leituras atenta com o fito de localizar diferenças, alterações, seme-

lhanças e outros estímulos, na leitura, sai-se satisfatoriamente. O hábito de reparar minúcias de redação e representação gráfica atrasa muito o ritmo de leitura.

Quadro Comparativo acerca do sujeito da Leitura

“BOM LEITOR”

“MAU LEITOR”

1.Lê com objetivo determinado; 2.Lê unidades de pensamento, abraçando de relance

1.Lê sem finalidade, raramente sabe por que lê;

64

ANA PAULA AMORIM

o sentido de um grupo de palavras; 3.Tem vários padrões de velocidade, ajustando-a de acordo com o assunto que lê;

4.Avalia o que lê, perguntando frequentemente: que sentido tem isso para mim? Está o autor Qualifi- cado para escrever sobre tal assunto? Está ele apre- sentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal deste trecho? Quais seus fundamentos? 5.Possui bom vocabulário; 6.Tem habilidades para conhecer o valor do livro; 7.Sabe quando deve ler um livro até o fim, quando interromper a leitura definitivamente ou periodi- camente; 8.Discute frequentemente o que lê com colegas; 9.Adquire livros com frequência e cuida de ter sua biblioteca particular;

10. Lê assuntos vários;

2.Lê palavra por palavra; 3.Só tem um ritmo de leitura, seja qual for o assunto, lê sempre vagarosamente; 4.Acredita em tudo que lê, para ele tudo o que é impresso é verdadeiro; 5.Possui vocabulário limitado; 6.Não possui nenhum critério técnico para conhecer o valor do livro; 7.Não sabe decidir se é conveniente ou não interromper uma leitura; 8.Raramente discute com colegas o que lê; 9.Não possui biblioteca particular;

Está condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto;

10.

11. Lê pouco e não gosta de ler;

12. O MAU LEITOR não se revela ape-

nas no ato da leitura, seja silenciosa ou oral. É constantemente mau leitor, por- que se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber ler.

11. Lê muito e gosta de ler;

12. O BOM LEITOR é aquele que não é só bom

na hora de leitura. É bom leitor porque desenvolve uma atitude de vida: é constantemente bom leitor,

 

não só lê, mas sabe ler.

FIGURA 36 – QUADRO COMPARATIVO ACERCA DO SUJEITO DA LEITURA FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA.

Etapas da Análise e Interpretação de Textos

PRÓPRIA. Etapas da Análise e Interpretação de Textos FIGURA 37 – ETAPAS DA ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO

FIGURA 37 – ETAPAS DA ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

O que devo identificar em um texto?

TEMA: Ideia central ou assunto tratado pelo autor, o fenômeno que se discute no decorrer do texto. Em primeiro lugar, busca-se saber do que fala o texto. A resposta a esta questão revela o tema ou assunto da unidade.

PROBLEMA: A apreensão da problemática, aquilo que “provocou” o autor, isto é, pode ser visto como o questionamento de motivação do autor.

TESE: A ideia de afirmação do autor a respeito do assunto. Captada a problemática, a terceira questão surge espontaneamente: o que o autor fala sobre o tema, ou seja, como responde à dificuldade, ao problema levantado? Que posição assume, que ideia defende, o que quer demonstrar? A resposta a esta questão revela tese, proposição fundamental: trata-se sempre da ideia mestra, da ideia principal defendida pelo autor naquela unidade.

OBJETIVO: A finalidade que o autor busca atingir. Que mensagem ele espera transmitir com o texto. O objetivo pode estar explícito ou implícito no texto.

IDEIAS CENTRAIS: Ideias principais do texto. A cada parágrafo podemos selecio- nar ideias centrais ou secundárias.

Exercício para Leitura Veloz Recorte um pedaço de cartolina, papelão ou outro material mais duro que o papel co- mum, com as dimensões de 18cm X 10cm. Este cartão deve ser branco (cartões coloridos podem distrair a visão). Todas as vezes que iniciar uma leitura, coloque o cartão sobre a primeira linha e puxe-o para baixo por sobre as linhas, uma a uma, mantendo o mesmo ritmo. Procure sentir o andamento, apressando-o se sentir que pode aumentar o ritmo. Não deixe, em circunstância alguma, que os olhos voltem para trás. Se algo escapar, esque- ça. Simplesmente leia, leia e leia o mais depressa que puder. Este será o seu cartão de velo- cidade. Bom será usá-lo todas as vezes que iniciar uma leitura de qualquer tipo. Marque no verso do cartão a sua velocidade atual, e dentro de trinta dias volte a medi-la. Só assim vo- cê saberá quanto melhorou.

Análise de Texto

Tendo efetuado a leitura de maneira metodologicamente adequada pode o estudante avançar para a etapa subsequente do processo de aprendizagem que perpassa a análise e inter- pretação, objeto da presente compilação. Nos tópicos que se seguem será relacionado os tipos e os procedimentos para o desenvolvimento dessas etapas inerentes a qualquer trabalho cien- tífico.

66

ANA PAULA AMORIM

A análise do texto tem como objeto:

a) Aprender a ler, a ver, a escolher o mais importante dentro do texto;

b) Reconhecer a organização e estrutura de uma obra ou texto;

c) Interpretar o texto, familiarizando-se com ideias, estilos, vocabulários;

d) Chegar a níveis mais profundos de compreensão;

e) Reconhecer o valor do material separando o importante do secundário;

f) Desenvolver a capacidade de distinguir fatos, hipóteses e problemas;

g) Encontrar as ideias principais ou diretrizes e as secundárias;

h) Perceber como as ideias se relacionam;

i) Identificar as conclusões e as bases que as sustentam.

Por sua vez, o procedimento deve conter as seguintes etapas:

a) Para se ter um sentido completo, proceder à sua leitura integral com o objetivo

de obter uma visão do todo;

b) Reler o texto, assinalando ou anotando palavras e expressões desconhecidas,

valendo-se de um dicionário para esclarecer seus significados;

c) Dirimidas as dúvidas, fazer nova leitura, visando à compreensão do todo;

d) Tornar a ler, procurando a ideia principal ou palavra-chave, que tanto pode es-

tar explícita quanto implícita no texto; às vezes, encontra-se confundida com

aspectos secundários ou acessórios;

e) Localizar acontecimentos e ideias, comparando-os entre si, procurando seme-

lhanças e diferenças existentes;

f) Agrupá-los, pelo menos por uma semelhança importante, e organizá-los em

ordem hierárquica de importância;

g) Interpretar as ideias e/ou fenômenos, tentando descobrir conclusões a que o

autor chegou e depreender possíveis ilações;

h) Proceder à crítica do material como um todo e principalmente das conclusões.

Elementos Básicos de Análise

A análise de texto divide-se em três partes:

a) Análise dos elementos – caracteriza-se pelo levantamento de todos os elementos bási- cos constitutivos de um texto, visando à sua compreensão, podem aparecer de modo explícito ou implícito;

67

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

b) Análise das relações – tem como objetivo encontrar as principais relações, estabelecer conexões, com diferentes elementos constitutivos do texto (idéias secundárias, fatos específicos, pressupostos básicos, elementos de causa e efeito, elementos de argumen- tação);

c) Análise da estrutura – nela verifica-se as partes de um todo, procurando evidenciar as relações existentes entre elas. Esse tipo de análise encontra-se em nível mais complexo que os anteriores. As estruturas podem ser delineadas em dois tipos:

Estática – resultante de um processo de sucessão de fenômenos preestabelecidos, como os textos da história, ou seja, a ordem estrutural estabelece o tipo de disposição, enumeração dos elementos constitutivos básicos, descrição das relações de todos os elementos e análise do processo que os originou;

Dinâmica – geradora de um processo. O ordenamento consiste em enumerar as partes constitutivas básicas e descrever seu funcionamento e finalidade. Nesse tipo estão enquadrados os textos de ciências sociais.

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ANA PAULA AMORIM

Quadro de Análise de Texto

Preparação do texto

Visão de conjunto

Busca de esclarecimentos (vocabulário, doutrinas, fatos, autores)

Compreensão da mensagem do autor

Tema

Problema

Tese

Raciocínio

1. ANÁLISE TEXTUAL 2 ANÁLISE TEMÁTICA 3. ANÁLISE INTERPRETATIVA 4. PROBLEMATIZAÇÃO 5. SÍNTESE
1.
ANÁLISE TEXTUAL
2 ANÁLISE TEMÁTICA
3. ANÁLISE INTERPRETATIVA
4. PROBLEMATIZAÇÃO
5. SÍNTESE

Interpretação da mensagem do autor

Situação filosófica e influências

Pressupostos

Associação de ideias

Levantamento e discussão de problemas relacionados com a mensagem do autor.

Reelaboração da mensagem com base na reflexão pessoal

FIGURA 38 – QUADRO DE ANÁLISE DE TEXTO FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA.

Recomendações Gerais

A capacidade de pensar logicamente depende não somente do nível intelectual da pes- soa, mas, também, do treinamento que ela tenha recebido de aplicar os princípios da lógica nos seus estudos, na solução de problemas, nas discussões que participa e nas suas reflexões.

Se você deseja refletir melhor, então deve afastar certas causas que toldam o seu pensa- mento, tornando-o obscuro ou confuso. Algumas dessas causas são apresentadas adiante.

Evite pensar preconceituosamente - as pessoas têm a tendência a pensar em termos de preconceitos, ideias rígidas e preestabelecidas, generalizando indevidamente qualida- des, defeitos ou mesmo características. Isto acontece, por exemplo, quando se procurar

69

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

rotular pessoas, enquadrando-as em estereótipos correspondentes a grupos raciais, polí- ticos, profissionais e outros.

Evite que o seu desejo de acreditar influencie a sua crença - é fato comprovado que a crença é seriamente afetada pelo desejo de acreditar. Assim, mesmo quando as evidências são contrárias, seu desejo (não percebido) de acreditar pode levá-lo a uma opinião errônea, na qual você pode encastelar-se. É preciso procurar ser isento enquanto pensa, a fim de perceber a realidade dos fatos e considerar com imparcialidade as suas evidências.

É preciso distinguir fatos de opiniões - as pessoas opiniáticas falam seus pontos de vista como se eles fossem fatos comprovados e verdade incontestáveis. E o pior é que elas acabam acreditando nisso. Tome cuidado. Fatos são distintos de opiniões, que po- dem ser discutidas e exigem comprovações.

Evite a dicotomia do tudo ou nada - as características da efetividade, da ação e do pensamento humano, distribuem-se nos mais diversos níveis de gradação, como se pode perceber nas diferentes áreas da vida. A ideia do "oito ou oitenta" é completamente erra- da e conduz a conclusões por vezes muito distante da realidade.

Evite concluir quando tem insuficiência de dados e quando ainda não formulou todas as hipóteses possíveis - a deficiência em reconhecer os principais dados que in- fluem numa questão leva inevitavelmente a erros de julgamento, fato muito comum no dia-a-dia. Por outro lado a negligência em considerar todas as hipóteses possíveis rela- cionadas com um determinado fato provoca conclusões errôneas e defeituosas.

Julgar através de impressões gerais, de hipóteses simplistas, de conhecimentos parciais é condenar-se a pensar confusamente e concluir mal - procure não falhar na identificação de todas as hipóteses a considerar numa dada questão, pois isso importará na redução de suas possibilidades de refletir bem e descobrir as verdadeiras relações en- tre os efeitos percebidos e suas causas reais.

Evite analisar defeituosamente os dados de que você dispõe - antes de aceitar co- mo verdadeiras as opiniões emitidas por pessoas ou lidas, em livros, revistas e jornais, é preciso verificar: seu valor lógico; sua coerência com outros fatos e opiniões com elas re- lacionados; a autoridade da fonte que as emitiu e seu grau de isenção.

Evite enganar-se ao estabelecer as relações entre causa e efeito - há quem conside- re apenas os efeitos e, sem considerar as causas, forma juízos e emite opiniões que, por força dessas circunstâncias são erradas e não raramente absurdas.

Evite confundir conceitos diferentes designados por um mesmo nome - é preciso cuidado para distinguir palavras de ideias. A confusão entre ambos pode levar a alterar ideias por causa do significado das palavras. Este erro é muito frequente e quando ocor- re, perturba o pensamento.

70

ANA PAULA AMORIM

Pensamentos e opiniões devem ser comprovados - aceitar apressadamente pensa- mentos e opiniões, sem amadurecê-los e criticá-los, é uma temeridade e uma fonte de erros. O exame e a crítica devem ser feitos cautelosamente, com o auxílio dos princípios da lógica, a fim de podermos nos convencer da veracidade das opiniões e do valor dos pensamentos. É comum as pessoas procederem assim: partem de uma ideia falsa, fazem raciocínios corretos e chegam a uma conclusão falsa; partem de uma ideia verdadeira, fazem raciocínios verdadeiros e tiram deles uma ideia falsa.

1.2.3

CONTEÚDO 3. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

A necessidade de romper com a tendência fragmentadora e desarticulada do processo do conhecimento, justifica-se pela compreensão da importância da interação e transformação recíprocas entre as diferentes áreas do saber. Essa compreensão crítica colabora para a supera- ção da divisão do pensamento e do conhecimento, que vem colocando a pesquisa e o ensino como processo reprodutor de um saber parcelado que consequentemente muito tem refletido na profissionalização, nas relações de trabalho, no fortalecimento da predominância reprodu- tivista e na desvinculação do conhecimento do projeto global de sociedade.

Faz-se necessário a produção e a sistematização do conhecimento, no sentido de mini- mizar a complexidade do mundo em que vivemos. Neste sentido, a interdisciplinaridade apa- rece como entendimento de uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimen- to, possibilitando a articulação de novos paradigmas, as determinações do domínio das investigações, as pluralidades dos saberes e as possibilidades de trocas de experiências.

Você já aprendeu que o estudo envolve relações com o tema estudado em dois níveis, o global e o parcial, aprendeu as condições para um estudo eficiente, e os princípios de uma leitura proveitosa.

Isso não é suficiente para ter um aprendizado ótimo do conteúdo?

Em geral, um bom estudo envolve a consulta a diferentes fontes de informação e a inte- gração e reelaboração dos conteúdos aprendido. A sistematização permite que os conteúdos aprendidos possam ser reelaborados: quando você escreve o que entendeu, está trabalhando de forma criativa com o conhecimento. Esse trabalho criativo permite que você integre o co- nhecimento de forma funcional a sua estrutura mental e além disso, possa organizar todo o seu estudo. Enquanto organiza, você estabelece relações significativas entre cada momento de estudo, articulando-os e reduzindo a fragmentação do conhecimento. Vamos agora ver técni- cas para essa sistematização.

71

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

A seguir, verificaremos as diversas técnicas de sistematizar o conhecimento e as suas de-

vidas aplicações práticas.

Técnica para Sublinhar

Devemos compreender que cada texto tem uma ideia principal, um conceito fundamen- tal, que se apresenta como fio condutor do pensamento. Portanto, devemos captar o fato es- sencial do texto, destacando, com marcas e cores diferentes, cada parte importante do todo. A técnica de sublinhar tem por objetivo destacar, no próprio texto, as ideias principais e secun- dárias do argumento elaborado pelo(a) autor(a).

É muito importante identificar, em um texto, suas ideias mais importantes. Entretanto, antes de proceder à sublinha dessas ideias, devemos ler rapida- mente todo o conteúdo a ser estudado, para que tenhamos uma noção geral do assunto. Só então reiniciamos a leitura com o lápis na mão (lápis, e não caneta lumicolor® ou à tinta, pois somente o destaque com o grafite pode ser apagado em caso de equívoco). (OLIVEIRA, 2008, p.64)

Se não seguir essa técnica, muitas vezes o estudante acaba sublinhando ideias demais, o que prejudica a leitura do texto depois por deixar as páginas “poluídas”, ou então sublinha palavras ou ideias que se mais aparecem, levando à redundância.

a) Leitura integral do texto;

b) Esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outras;

c) Releitura do texto, para identificar as ideias principais;

d) Não sublinhar após a primeira leitura;

e) Ler e sublinhar, em cada parágrafo, as palavras que contém a ideia-núcleo e os detalhes mais importantes. Não sublinha-se a mesma palavra novamente;

f) Sublinhar apenas as ideias principais e os detalhes importantes, usando dois traços pa- ra as palavras-chave e um para os pormenores mais significativos, assinalar com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais importantes, com dois os tópicos muito importantíssimos;

g) Assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos de discordân- cia, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis;

h) Reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas;

i) Ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de um telegrama.

Técnica para Esquematizar

O esquema é utilizado como trabalho preparatório para o resumo, para memorizar mais

facilmente o conteúdo integral de um texto. Utiliza-se de setas, linhas retas ou curvas, círculos,

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ANA PAULA AMORIM

colchetes, chaves, símbolos diversos. Pode ser montado em linha vertical ou horizontal. É im- portante que nele apareçam as palavras que contém as ideias principais, de forma clara, com- preensível.

Um esquema é uma representação diagramática de um texto. Depois da leitura, você já percebeu as ideias principais discutidas pelo autor. Se você tiver sublinhado o texto, terá uma visão ainda melhor de quais são as ideias principais e secundárias do argumento.

De posse dessas informações, comece a ordenar graficamente as ideias em uma hierar- quia. Os esquemas têm formas variadas, conforme o objetivo de quem esquematiza; por isso, além de refletir a ordenação de ideias do texto, também refletem a compreensão de quem o leu. Assim, um bom esquema lhe dará uma visão global e rápida sobre como aquele texto está organizado, lembrando-lhe de como você o entendeu no momento da leitura.

Normas para Esquema

a) Seja fiel ao texto;

b) Aponte o tema do autor, destaque títulos, subtítulos;

c) Seja simples, claro, distribuindo organicamente o conteúdo;

d) Subordine ideias e fatos, não os reúna apenas;

e) Faça uma distribuição gráfica do assunto, mediante divisões e subdivisões que repre- sentem a sua subordinação hierárquica;

f) Construa o esquema através de chaves de separação ou por listagens itemizadas com diferenciação de espaço e/ou classificação numérica para as divisões e subdivisões dos elementos;

g) Lembre-se que o esquema tem, também, um conteúdo pessoal.

Depois que você verificou as principais técnicas que facilitam a compreensão do texto, vamos examinar algumas técnicas que permitem a organização das diversas leituras. A partir dessa organização você poderá construir um arquivo ou banco de dados a partir de suas leitu- ras, armazenando sua interpretação, opiniões, resumos, citações, enfim: tudo o que você julgar pertinente em relação ao texto lido.

Aqui, é importante adotar o espírito científico e perceber que, para a construção do co- nhecimento, é preciso organização e planejamento. Muito de nossas ideias é construído a par- tir de nossos estudos; por isso, convém sistematizá-los para que possamos lançar mão deles quando for necessário produzir qualquer trabalho intelectual.

Técnica para Fichar

Fichar é transcrever anotações em fichas, para fins de estudo ou pesquisa. À medida que

o pesquisador tem em mãos as fontes de referência, deve transcrever os dados em fichas, com o máximo de exatidão e cuidado. A ficha, sendo de fácil manipulação, permite a ordenação do

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

assunto, ocupa pouco espaço e pode ser transportada de um lugar para outro. Até certo ponto, leva o indivíduo a pôr ordem no seu material. Possibilita ainda uma seleção constante da do- cumentação e seu ordenamento.

Composição/Estrutura das Fichas

A estrutura das fichas, de qualquer tipo, compreende três partes principais: cabeçalho,

referência bibliográfica e corpo ou texto, a indicação da obra (quem, principalmente, deve lê- la) e o local em que ela pode ser encontrada.

Elaboração de fichas, passo a passo

A elaboração de fichas pode parecer uma atividade nova para você. Na verdade, a técni-

ca serve apenas para organizar algo que já realizamos cotidianamente, que é a anotação duran- te a leitura. À medida que vamos lendo, vamos naturalmente questionando, interpretando, estabelecendo elos com outras leituras. Essas ideias é que constituem a base dos trabalhos aca- dêmicos, então nada melhor do que registrá-las para que você se beneficie de seu pensamento.

Resumo

Um resumo é uma apresentação breve, concisa e seletiva de um texto que permite ao destinatário tomar conhecimento de um documento sem a necessidade de ler as partes com- ponentes. Nele destacam-se os elementos de maior interesse e importância identificando as ideias principais do autor e da obra.

Um resumo precisa explicitar a abordagem implícita, o valor dos achados e a originali- dade, se houver. A finalidade de se resumir consiste na difusão das informações contidas em livros, artigos, teses etc., permitindo a quem o ler resolver sobre a conveniência ou não de consultar o texto completo.

O como fazer um resumo depende muito do objetivo ou demanda que se tenha, ele po-

de ser: uma apresentação de um sumário narrativo das partes mais significativas, não dispen- sando a leitura do texto; uma condensação do conteúdo, expondo ao mesmo tempo, tanto a metodologia e as finalidades quanto os resultados obtidos e as conclusões, permitindo a utili- zação em trabalhos acadêmicos, dispensando assim a leitura posterior do texto original; uma

análise interpretativa de um documento criticando os diferentes aspectos inerentes ao texto.

Como Resumir

Levando-se em consideração que quem escreve obedece a um plano lógico através do qual desenvolve as ideias em uma ordem hierárquica, ou seja, proposição, explicação, discus-

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ANA PAULA AMORIM

são e demonstração, é aconselhável, em uma primeira leitura, fazer um esboço do texto, ten-

tando captar o plano geral da obra e seu desenvolvimento.

A seguir, volta-se a ler o trabalho para responder a duas questões principais: de que trata este texto? O que pretende demonstrar? Com isso, identifica-se a ideia central e o propósito que nortearam o autor.

Em uma terceira leitura, a preocupação é com a questão: como disse? Em outras pala-

vras, trata-se de descobrir as partes principais em que se estrutura o texto. Esse passo signifi- ca a compreensão das ideias, provas, exemplos etc. que servem como explicação, discussão e demonstração da proposição original (ideia principal). É importante distinguir a ordem em

que aparecem as diferentes partes do texto. Geralmente quando o autor passa de uma ideia para outra, inicia novo parágrafo; entretanto, a ligação entre os parágrafos permite identificar:

a) Consequências (quando se empregam palavras tais como: em consequência, por con- seguinte, portanto, por isso, em decorrência disso etc.);

b) Justaposição ou adição (identificada com expressões de tipo: e, da mesma forma, da mesma maneira etc.);

c) Oposição (com a utilização das palavras: porém, entretanto, por outra parte, sem em- bargo etc.);

d) Incorporação de novas ideias;

e) Complementação do raciocínio;

f) Repetição ou reforço de ideias ou argumentos;

g) Justificação de proposições (por intermédio de um exemplo, comprovação etc.);

h) Digressão (desenvolvimento de ideias, até certo ponto, alheias ao tema central do tra- balho).

Os três últimos casos devem ser totalmente excluídos do resumo. A última leitura deve ser feita com a finalidade de:

a) Compreensão do sentido de cada parte importante;

b) Anotação das palavras-chave;

c) Verificação do tipo de relação entre as partes (consequência, oposição, complemen- tação etc.).

Uma vez compreendido o texto, selecionadas as palavras-chave e entendida a relação entre as partes essenciais, pode-se passar à elaboração do resumo.

Tipos de Resumo

Com efeito, um resumo pode ser de três tipos:

a) Resumo descritivo ou indicativo - nesse tipo de resumo descrevem-se os principais tópicos do texto original, e indicam-se sucintamente seus conteúdos. Portanto, não

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

dispensa a leitura do texto original para a compreensão do assunto. Quanto à extensão, não deve ultrapassar quinze ou vinte linhas; utilizam-se frases curtas que, geralmente, correspondem a cada elemento fundamental do texto; porém, o resumo descritivo não deve limitar-se à enumeração pura e simples das partes do trabalho.

b) Resumo informativo ou analítico - é o tipo de resumo que reduz o texto a 1/3 ou 1/4 do original, abolindo-se gráficos, citações, exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as ideias principais. Não são permitidas as opiniões pessoais do autor do resu- mo. O resumo informativo, que é o mais solicitado nos cursos de graduação, deve dis- pensar a leitura do texto original para o conhecimento do assunto;

c) Resumo crítico - consiste na condensação do texto original a 1/3 ou 1/4 de sua exten- são, mantendo as ideias fundamentais, mas permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre o trabalho e não sobre o autor, pode se centrar na forma (com relação aos aspectos metodológicos), do conteúdo (análise do teor em si do trabalho), do de- senvolvimento (da lógica utilizada na demonstração); e da técnica de apresentação das ideias principais. Tal como o resumo informativo, dispensa a leitura do original para a compreensão do assunto.

Normas gerais para resumir

a) Evitar começar a resumir antes de levantar o esquema do texto ou de preparar as ano- tações da leitura;

b) Apresentar, de maneira sucinta, o assunto da obra;

c) Não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais;

d) Respeitar a ordem das ideias e fatos apresentados;

e) Empregar linguagem clara e objetiva;

f) Evitar a transcrição de frases do original;

g) Apontar as conclusões do autor;

h) Dispensar a consulta ao original para a compreensão do assunto.

Fichamento

Para o pesquisador, a ficha é um instrumento de trabalho imprescindível. Como o in- vestigador manipula o material bibliográfico, que em sua maior parte não lhe pertence, as fi- chas permitem:

a) Identificar as obras;

b) Conhecer seu conteúdo;

c) Fazer citações;

d) Analisar o material;

e) Elaborar críticas.

Criadas no século XVII pelo Abade Rozier, da Academia Francesa de Ciências, o sistema de ficha é atualmente utilizado nas mais diversas instituições, para serviços administrativos, e

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ANA PAULA AMORIM

nas bibliotecas, onde, para consulta do público, existem fichas de autores, de títulos, de séries e de assuntos, todas em ordem alfabética.

Apresentam vantagens como:

a) Fácil manipulação;

b) Permite ordenação;

c) Ocupa pouco espaço;

d) Fácil de transportar;

e) Possibilita obter a informação exata, na hora necessária.

Existem fichas de tamanho padronizado, com ou sem pauta, para facilitar o uso e o ar- quivamento em fichários. O tamanho padronizado facilita o acréscimo de novas fichas e a utilização de fichários anteriormente.

Composição das Fichas

A estrutura das fichas, de qualquer tipo, compreende cinco partes principais: cabeçalho, referência bibliográfica, corpo ou texto, a indicação da obra (quem, principalmente, deve lê-

la) e o local em que ela pode ser encontrada.

Cabeçalho - compreende o título genérico, título específico, número de classificação da ficha, e a letra indicativa da sequência (quando se utiliza mais de uma ficha, em continuação). Esses elementos são escritos na parte superior da ficha, em duas linhas:

na primeira, consta apenas, à esquerda, o título genérico remoto, na segunda, em quatro quadrinhos, da esquerda para a direita, o título genérico, o título específico, o número de classificação e o código indicativo da sequência;

Referência bibliográfica - deve sempre seguir normas da abnt - associação brasi- leira de normas técnicas. Para proceder-se corretamente é importante consultar tam- bém a ficha catalográfica da obra, que traz todos os elementos necessários e, na au-

sência dela, a folha de rosto e outras partes do livro, até obter as informações completas. Quando se trata de revistas e outros periódicos, muitas vezes os elementos

importantes da referência bibliográfica localizam-se na lombada. No caso de jornais, a primeira página é que fornece a maioria das indicações;

Corpo - o conteúdo que constitui o corpo ou texto das fichas varia segundo o tipo e finalidade da ficha;

Indicação da obra - onde poderá ser utilizada, a quem deve ser indicada a sua leitu- ra (quer para estudos, pesquisa em determinada área ou para campos específicos);

Local - onde pode ser encontrado o livro, pois é possível que você precise voltar a consultá-lo, mesmo depois que a obra tenha sido fichada.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Tipos de Fichas

O conteúdo das fichas será delineado de acordo com propósito de cada uma delas, po- dendo ser: I. Ficha Bibliográfica; II. Ficha de Citações; III. Ficha de Resumo; IV. Ficha de Esboço; V. Ficha de Comentário, entretanto, com o advento tecnológico e a informatização da produção de conhecimentos, convencionou-se a utilização de uma nova estrutura para sis- tematização dos estudos desenvolvidos no meio acadêmico e científico, a então denominada FICHA DE ESTUDO ou FICHAMENTO ACADÊMICO, cuja construção englobará os crité- rios apontados em cada tipo de ficha apresentada a seguir. Na sequência abordaremos o seu contexto.

I. Ficha Bibliográfica

Também denominada de ficha de indicações bibliográficas. Trata da reunião de elemen- tos que permitem a identificação no todo ou em parte, de documentos impressos ou registra- dos em diversos tipos de material, sendo fundamentalmente os seguintes: autor, título, núme- ro da edição (da segunda em diante); local de publicação; editora; data da publicação; outras informações (campo do saber; tema; aspectos significativos).

Essas indicações bibliográficas obedecem às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As fichas de indicações bibliográficas podem ser do tamanho pequeno e

são de grande utilidade quando se está procedendo ao levantamento bibliográfico de um as- sunto. Constituem-se, também, num grande auxílio no momento de colocar as obras em or- dem alfabética, para organizar a bibliografia de um trabalho. Recomenda-se:

a) Ser breve - quando se desejam maiores detalhes sobre a obra, o ideal é a ficha de resu- mo ou conteúdo, ou, melhor ainda, a de esboço. Na ficha bibliográfica algumas frases são suficientes;

b) Utilizar verbos ativos - para se caracterizar a forma pela qual o autor escreve, as ideias principais devem ser precedidas por verbos tais como: analisa, compara, contém, criti- ca, define, descreve, examina, apresenta, registra, revisa, sugere.

c) Evitar repetições desnecessárias - não há nenhuma necessidade de colocar expressões como: esse livro, esta obra, este artigo, o autor.

II. Ficha de Citações

Enquanto se realiza a leitura analítica ou interpretativa das fontes bibliográficas, convém selecionar trechos de alguns autores, que poderão (ou não) ser usados como citações no traba-

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ANA PAULA AMORIM

lho ou servir para destacar ideias fundamentais de determinados autores, nas obras consulta- das. Devem-se observar os seguintes cuidados:

a) Toda citação tem de vir entre aspas (independente da sua tipologia) - é através desse sinal que se distingue uma ficha de citações das de outro tipo. Além disso, a colocação das aspas evita que, mais tarde, ao utilizar a ficha, se transcreva, como do fichador, os pensamentos nela contidos;

b) Após a citação, deve constar o número da página de onde foi extraída - isso permiti- rá a posterior utilização no trabalho, com a correta indicação bibliográfica;

c) A transcrição tem de ser textual - isso inclui os erros de grafia, de houver. Após eles, coloca-se o termo sic, em minúsculas e entre parênteses ou colchetes;

d) A supressão de uma ou mais palavras deve ser indicada, utilizando-se no local da su-

precedidos e seguidos por espaços, no início

pressão, três pontos entre colchetes [

],

ou final do texto e entre parênteses, no meio;

e) A supressão de um ou mais parágrafos também deve ser assinalada, utilizando-se uma linha completa de pontos;

f) A frase deve ser complementada, se necessário - quando se extraí uma parte ou pará- grafo de um texto, este pode perder seu significado, necessitando de um esclarecimen- to, o qual deve ser intercalado, entre colchetes;

g) Quando o pensamento transcrito é de outro autor, tal fato tem de ser assinalado - muitas vezes o autor fichado cita frases ou parágrafos escritos por outra pessoa. Nesse caso, é imprescindível indicar, entre parênteses, a referência bibliográfica da obra da qual foi extraída a citação.

III. Ficha de Resumo

Apresenta uma síntese bem clara e concisa das ideias principais do autor ou um resumo dos aspectos essenciais da obra. Caracteriza-se por:

a) Não é um sumário ou índice das partes componentes da obra, mas exposição abrevi- ada das ideias do autor;

b) Não é transcrição, como na ficha de citações, mas é elaborada pelo leitor, com suas próprias palavras, sendo mais uma interpretação do autor;

c) Não é longa, apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica, que por sua vez, é menos extensa do que a do esboço;

d) Não precisa obedecer estritamente à estrutura da obra, lendo a obra, o estudioso vai fazendo anotações dos pontos principais. Ao final, redige um resumo, contendo a es- sência do texto.

IV. Ficha de Esboço

No momento em que o estudante ou pesquisador tem por objetivo apresentar as ideias principais da obra sem, contudo, ser sucinto, a ficha a ser utilizada é a de esboço. Mas a ficha

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

de resumo também apresenta as ideias centrais da obra, então, são sinônimos? Não. Conforme Amorim et al (2005, p. 36), a ficha de esboço “assemelha-se à ficha de resumo, pois apresenta as ideias principais do autor, porém de forma detalhada”.

Portanto, a ficha de esboço e a de resumo se aproxima no que tange a ocupação com as ideias centrais da obra e se diferencia, pois a primeira permite espaço para detalhamentos e esquematizações, a exemplo de setas e diagramações, a exemplo de um pequeno mapa concei- tual, ao passo que a segunda, a de resumo, se o fizer, se descaracterizará a tipologia da ficha.

V. Ficha de Comentários

No sentido de compreensão da obra, estudantes e pesquisadores que objetivam registrar, para além da ideia central do texto, o posicionamento próprio sobre o pensamento do(a) au- tor(a) encontram na ficha de comentário um excelente recurso de sistematização da obra e da interpretação sobre ela.

Para realizar com eficiência a ficha de comentário, importa compreender que explicar e comentar são situações diferenciadas. Observamos que a explicação está a serviço de um texto, o comentário interroga seu autor; a explicação parte do texto e se restringe ao texto, o comen- tário parte do texto e não se restringe a ele. Deste modo, há um compromisso maior, no qual o potencial crítico e interpretativo se torna elemento fundamental.

Como o caráter do comentário requer interpretação pessoal, por vezes, o estudante ou pesquisador acaba por se desvincular da questão central do texto. É indispensável ter a devida atenção para não fugir do assunto, uma vez que, o comentário remete, sim, ao posicionamen- to do leitor, mas esse posicionamento não é aleatório, é sobre a obra fichada e requer funda- mentação coerente.

FICHAS DE ESTUDO: a prática acadêmica atual da técnica de fichamento.

Entendemos que a utilização do fichamento tradicional caiu em desuso, já que a forma mais usual para se armazenar informações passou a ser o arquivo eletrônico. Sendo assim, o meio acadêmico passou a sistematizar informações através do que podemos denominar de “Ficha de Estudo”. Este documento assemelha-se muito à estrutura da resenha e engloba as estruturas apresentadas nos cinco tipos de ficha já apresentadas: bibliográfica, de citações, de resumo, de esboço e de comentário.

Vejamos a sua estrutura:

Atendendo aos requisitos da ficha bibliográfica, a ficha de estudo será iniciada com a construção completa da referência do material fichado. É imprescindível a observação das normas para apresentação de referências segundo a ABNT. (vide Conteúdo 1 do Tema 3).

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ANA PAULA AMORIM

Iniciando a construção textual do fichamento, será feita a apresentação objetiva das ideias do autor, escrita com nossas palavras, o que atende aos requisitos da ficha de resumo. Ao decorrer da leitura do texto que está sendo fichado, serão identificados trechos que serão transcritos na íntegra, o que atende aos requisitos da ficha de citação (vide regras para cita- ções em documentos no Conteúdo 1 do Tema 3). Paralelamente, podemos estruturar esque- mas textuais, gráficos ou pequenos diagramas, o que aborda os quesitos da ficha de esboço, além da apresentação do juízo de valor pertinente ao desenvolvimento da construção textual, característica principal da ficha de comentário, evidenciando possíveis novas ideias que sur- giram durante a leitura reflexiva do texto que está sendo fichado.

Vale salientar que esta estrutura não segue um ordenamento fixo, já que cada uma de suas etapas será disposta de acordo com a percepção do leitor que está fichando o texto e da própria disposição das informações no texto. Naturalmente, os parágrafos de resumos, es- quemas e comentários serão intercalados com parágrafos de citações diretas, já que as citações indiretas já estão representadas nos próprios parágrafos de resumo. Não vamos esquecer de informar o número da página à qual a citação direta foi extraída.

Visando enriquecer a expressão da compreensão crítica do texto, ainda é possível a apresentação de trechos de outros autores ou de outras obras do mesmo autor. Desta forma, será necessária a elaboração de uma lista de referências ao fim do fichamento associada às citações dispostas do decorrer da sua construção textual.

Lembre-se que as estatísticas não deixam dúvidas: sem esforço que visem a documenta- ção metodológica as lições passadas esvair-se-ão quase por completo. Dentro de uma semana se perde cerca de 75% da aula, e após um mês até 98%. Significa concretamente que o tempo gasto em estudo deu pouquíssimo rendimento em termos de aprendizagem. Saber fazer ano- tações válidas é uma arte a ser aprendida. Cada um tem seu jeito próprio de assimilação.

Descubra o seu e siga em frente!

Dica Ler resumos e resenhas publicados em periódicos especializados pode ajudar você a escrever melhor. Um dos lugares onde você pode achar estes periódicos é: Scielo (www.scielo.com.br). Mas, lembre-se, sempre pesquise em sites confiáveis.

Para finalizar este conteúdo, propomos uma reflexão a respeito das palavras de Santos (2012, p. 42):

O ato de estudar depende de:

Alocação de tempo para o estudo, independente [sic] das ocupações cotidianas.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Organização das atividades gerais individuais, familiares, religiosas e do trabalho.

Entendimento claro, objetivo e pensado do que precisa e vai fazer.

Pensar refletidamente e aguçar o senso de observação.

Assistir às aulas e transitar bem na relação-aluno-escola-professor.

Acompanhar participativamente as aulas, encarando-as como necessárias.

Ser responsável e conhecer os seus limites: o que sabe, o que não sabe.

1.2.4

CONTEÚDO 4. ATIVIDADES ACADÊMICAS

Algumas atividades acadêmicas utilizadas pelos educadores para gerar maior dinamis- mo no trabalhar os conteúdos da disciplina trazem ao educando dúvidas, inseguranças, não vindo a tirar proveito das mesmas para o desenvolvimento pessoal e interpessoal.

Este conteúdo desdobra metodologicamente algumas dessas atividades possibilitando melhor proveito e desenvolvimento quando da sua ocorrência.

Seminário

Consiste na apresentação de um conteúdo predeterminado para a turma ou outro grupo de pessoas. Portanto, um seminário se torna uma ferramenta muito utilizada nas salas de aula dos cursos universitários, porém, o mais importante é que, se bem feito, torna-se uma ótima oportunidade de estudos e reflexões para o desenvolvimento do aluno.

Os seminários, de modo geral, envolvem todos os integrantes da turma. Os alunos que apresentam aprendem, pois precisam estudar para isso, e os demais aprendem com a apresen- tação dos colegas. Na preparação de um seminário, é importante que todos os componentes do grupo (se for o caso) participem de todas as etapas.

Muitos alunos dividem o conteúdo que será apresentado, mas assim o conhecimento fi- ca fragmentado e fora de contexto, o que com certeza acarretará em uma má apresentação.

Artigo

Também é um trabalho científico, tanto pela sua estrutura de elaboração quanto pelo seu conteúdo, cuja finalidade é divulgar estudos e pesquisas realizados. Muitos autores de ar-

tigos encaminham seu trabalho para publicação em revistas e periódicos especializados.

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ANA PAULA AMORIM

Existem dois a estrutura técnica.

aspectos

importantes

na

elaboração

de

um

artigo:

o conteúdo e

Conteúdo: segundo Pereira (2013, p. 18), “Para escrever, em primeiro lugar, tem-se que ter algo a dizer. Ora, quem realizou uma investigação dispõe de resultados para comunicar. Mas isso só não basta. É condição necessária, mas não suficiente.” Pereira (2013) enumera quatro ingredientes necessários para se escrever um artigo: o talento, a honestidade, o conhecimento e o espírito científico. Devido à natureza técnica desta disciplina, não nos aprofundaremos nas questões de conteúdo, mas nas exigências técnicas na elaboração de um artigo científico. Entretanto, para se aprofundar no as- sunto, você poderá consultar o capítulo 3 do livro: Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar, de Maurício Gomes Pereira. (PEREIRA, Maurício Gomes. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,

2013).

artigo estruturado,

composto por subdivisões padronizadas, facilita a leitura e o encontro de determina- das informações. Isso porque o leitor espera encontrá-las no lugar em que elas habi- tualmente estão localizadas”. O texto deve ter começo, meio e fim. O autor introduz o

tema, que é desenvolvido e concluído. Independentemente do tipo de artigo, o texto deve seguir o mesmo encadeamento de ideias.

Estrutura técnica: de acordo com Pereira (2013, p. 29), “[

]um

De acordo com Pereira (2013, p. 31), os elementos de um artigo científico são:

Pré-textual: título (e subtítulo, se houver), autores, resumo e palavras-chave;

Textual: introdução, desenvolvimento e conclusão;

Pós-textual: referências, notas explicativas, glossário, apêndice e traduções em lín- gua estrangeira (do título e subtítulo, do resumo e das palavras-chave).

A elaboração de um artigo científico será vista, em mais detalhes, na seção 2.1.2.

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

Como o próprio nome diz, é um trabalho feito ao final do curso, articulado com os co- nhecimentos construídos na área de formação. Faz parte das atividades curriculares e deve ser orientado por um professor do próprio curso.

Segundo Severino (2007), o TCC contribui para a aprendizagem do aluno e, assim, é de extrema relevância para sua formação. Deve ser entendido e praticado como um trabalho com formato científico.

83

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

O TCC, geralmente, segue regulamentações das instituições universitárias que, em al-

guns casos, preveem a apresentação pública para uma banca de examinadores onde é feita a

avaliação final.

Cabe observar que uma apresentação pública significa que ela é feita em um local onde todos têm acesso, com divulgação antecipada e com entrada livre de qualquer pessoa que este- ja interessada em conhecer mais sobre o assunto.

Monografia

É um trabalho científico voltado para um único assunto, um único problema. O tema é

tratado em profundidade e de diferentes ângulos e aspectos, dependendo dos objetivos e das finalidades do trabalho.

Segundo Oliveira, “A monografia é o resultado de uma pesquisa elaborada de acordo com um projeto” (2004, p. 79).

A monografia apresenta grande importância na graduação, pois é um trabalho científi-

co que possibilita consolidar a avaliação dos conhecimentos técnicos aprendidos no curso. Sendo assim, é muito solicitada como trabalho de conclusão de curso.

As monografias, apesar de seguirem uma determinada estrutura, diferenciam-se segun-