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UUNNIIVVEERRSSIIDDAADDEEDDEESSÃÃOO PPAAUULLOO EESSCCOOLLAADDEEEENNGGEENNHHAARRIIAADDEE SSÃÃOO CCAARRLLOOSS DDEEPPAARRTTAAMMEENNTTOO DDEEEESSTTRRUUTTUURRAASS

AANNDDRREELLUUIIZZ RRAAMMOOSS

Análise numérica de pisos mistos aço-concreto de pequena altura

São Carlos

2010

AANNDDRRÉÉ LLUUIIZZ RRAAMMOOSS

AANNÁÁLLIISSEE NNUUMMÉÉRRIICCAA DDEE PPIISSOOSS MMIISSTTOOSS AAÇÇOO-- CCOONNCCRREETTOO DDEE PPEEQQUUEENNAA AALLTTUURRAA

Dissertação apresentada à Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Estruturas.

Orientadora: Ana Lúcia H. de Cresce El Debs

São Carlos

2010

Dedico este trabalho ao meu pai, exemplo da minha vida.

AAGGRRAADDEECCIIMMEENNTTOOSS

A Deus, por tudo, realizações e fracassos. As linhas são tortas, mas o caminho é certo.

Aos meus familiares. Minhas irmãs, Ana e Iara, que apesar da distância estão sempre no meu coração. A minha mãe Natália Nikolaévna Ramos e minha avó paterna Sylvia de Castro Ramos, que embora não estejam mais conosco, certamente estão olhando por mim de

algum lugar melhor que este. Mas, especialmente, ao meu pai, Syleno de Castro Ramos, que sempre fez o papel de pai e mãe e sem dúvida foi meu maior professor, principalmente de caráter. Meu objetivo de vida é que meus filhos olhem para mim assim como eu olho para ele. À minha madrasta “Nélis”, que também passou a fazer parte da nossa família.

À minha amada Liz, que vai ser sempre minha eterna namorada. Agradeço por toda

sua paciência e amor todo esse tempo longe, ninguém faria por mim o que você faz.

À minha orientadora Ana Lúcia H. de Cresce El Debs pela orientação, paciência e

simpatia em me receber sempre com um belo sorriso. Às amizades cultivadas durante esses dois anos, especialmente Gaby, Marli e Fernando, amigos para o resto da vida. Àqueles que me ajudaram com o “enjoado” software Diana, mas principalmente:

Carlos Marek, Rodrigo Barros, Rodrigo Paccola e Walter Oliveira. Aos meus companheiros de sala pelo cotidiano mais animado: Charles, Rodrigo (Gaúcho) e Emerson. Aos amigos que ingressaram comigo nessa jornada: Andreilton, Hidelbrando, Rodolfo, Valmiro, Wellison, Higor, Wagner, Jonas, Chicão, Cátia, Bianca, Leandro, Calil, Raphael, Dênis e Danielle. Aos amigos que ingressaram um ano depois: Rafael (pé-de-índio), Rafael (Maceió), Rafael Eclache, Davi, Eunice, Juliana, Fabrício, Indara, Orieta, Winston, Daniel, Marcelo, Nero, André e Pedro. Aos demais amigos do departamento, em especial: Érica, Marcela Filizola, Chris, Jesus Daniel, Jesus Sánchez, Aref, Leandro Cavalcanti, Saulo e Dorival. Aos funcionários do Departamento de Estruturas. Ao meu professor de graduação Flávio Alberto Cantisani de Carvalho, pelas oportunidades oferecidas e pelo incentivo. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para esta conquista, porque eu jamais conseguiria sozinho.

“Tudo tem seu apogeu e seu declínio É natural que seja assim, todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço.”

Chico Xavier

“O homem é, assim, o árbitro constante de sua própria sorte. Ele pode aliviar o seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade ou sua desgraça dependem da sua vontade de fazer o bem.”

Allan Kardec

RREESSUUMMOO

RAMOS, A.L. (2010). Análise numérica de pisos mistos aço-concreto de pequena altura. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos.

Os pisos mistos aço-concreto de pequena altura caracterizam-se pelo embutimento da laje de concreto na altura da viga de aço, sendo a laje apoiada na mesa inferior do perfil. A principal vantagem deste sistema em relação à viga mista convencional é a redução da altura total do composto. Este trabalho tem como objetivo a criação de um modelo numérico construído no software de elementos finitos TNO DIANA®. O modelo proposto nesta pesquisa buscou subsídios para sua validação em resultados experimentais e numéricos realizados em outras pesquisas. Na fase de validação foram alterados diversos fatores a fim de avaliar a influência de cada um deles, calibrando o modelo até que os resultados se aproximassem dos experimentais. Depois que o modelo foi validado, foi analisada a influência de alguns parâmetros no comportamento global da estrutura, entre eles: a resistência do concreto (f ck ), a consideração de uma tela de armadura passiva colocada na capa de concreto com diferentes taxas de armadura e a variação da espessura da capa de concreto. Os resultados mostraram que o modelo consegue representar de maneira adequada o comportamento da estrutura apesar das simplificações consideradas para a modelagem.

Palavras-chave: Estruturas mistas, slim floor, análise numérica, piso misto de pequena altura.

AABBSSTTRRAACCTT

RAMOS, A.L. (2010). Numerical analysis of steel-concrete composite slim floor. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos.

Composite steel-concrete slim floors are characterized by the inlay of the concrete slab on the same plane of the steel beam, with the slab supported by the bottom flange of the profile. The main advantage of this system compared to the conventional mixed beam is the reduction of the overall height of the compound. This study aims to establish a numerical model built in finite element software TNO DIANA®. The model proposed in this research sought subsidies for its validation in experimental and numerical results achieved in others researches. In the validation phase were changed several factors to evaluate the influence of each of them, calibrating the model until the results come closer to the experimental. After the model has been calibrated, were analyzed the influence of some parameters on the overall behavior of the structure, among them: the strength of concrete (f ck ), the consideration of reinforcement bars placed on the slab with different rates and the variation of the thickness of the concrete slab. The results showed that the model can adequately represent the structural behavior despite the simplifications considered for modeling.

Keywords: Composite structures, composite slim floor, numerical analysis.

SSUUMMÁÁRRIIOO

1 INTRODUÇÃO

1

1.1 Considerações iniciais

1

1.2 Justificativa

3

1.3 Objetivos

3

1.4 Metodologia

4

1.5 Estrutura da dissertação

4

2 AS ESTRUTURAS MISTAS

7

2.1 Histórico

7

2.2 Generalidades

10

2.3 Elementos Mistos

14

 

2.3.1 Pilares Mistos

14

2.3.2 Vigas Mistas

17

2.3.3 Lajes Mistas

24

2.3.4 Conectores de cisalhamento

26

3 PISOS MISTOS DE PEQUENA ALTURA

31

3.1 Apresentação

31

3.2 Histórico

34

3.3 Tipologia dos elementos empregados

40

 

3.3.1 Tipologia de vigas

40

3.3.2 Tipologia de lajes

42

3.4

Princípios de Dimensionamento

42

4 ANÁLISE NUMÉRICA

45

4.1 Apresentação

45

4.2 O programa TNO DIANA ®

46

4.3 Processamento

46

 

4.3.1 Pré-processamento

47

4.3.2 Processamento

52

4.3.3 Pós-processamento

53

4.4

Geometria do modelo e condições de contorno

54

4.4.1 Modelo experimental (LAWSON et al., 1997)

54

4.4.2 Modelo Numérico (PAES, 2003)

56

4.4.3 Modelo adotado nesta pesquisa

59

4.5

Elementos finitos utilizados

63

4.5.1 Elementos para modelagem do aço e do concreto

66

4.5.2 Elementos para a modelagem da interface

66

4.6

Modelos Constitutivos

67

4.6.1

Concreto

67

4.6.1.1 Modelos incrementais

70

4.6.1.2 Modelos Total Strain

70

4.6.2 Aço

74

4.6.3 Interface

74

4.7 Solução de equações não-lineares

74

4.8 Modelagem das armaduras

77

4.9 Validação do Modelo

78

 

4.9.1

Análise dos resultados

92

4.9.1.1

Modelo SCI – 280 ASB

92

4.10

Análise Paramétrica

100

4.10.1 Influência da resistência do concreto

4.10.2 Influência da taxa de armadura na capa de concreto

4.10.3 Influência da altura da capa de concreto

4.11 Considerações finais

5 CONCLUSÃO

5.1 Considerações finais

5.2 Sugestões para trabalhos futuros

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

100

102

105

107

109

109

111

CAPÍTULO

IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO

1

11 11

CCOONNSSIIDDEERRAAÇÇÕÕEESS IINNIICCIIAAIISS

Uma estrutura mista é caracterizada pela existência de dois ou mais materiais que trabalham de maneira solidária. Para que ocorra essa solidarização e o comportamento seja considerado misto é necessário que na região de encontro dos materiais existam mecanismos que realizem a transferência de esforços entre eles. Com relação aos materiais aço e concreto, já é consolidada no meio técnico a utilização do concreto armado, na qual o aço é empregado na forma de barras imersas no concreto a fim de resistir aos esforços de tração não suportados por ele. Embora o concreto armado também pudesse se enquadrar como uma estrutura mista, essa designação é adotada quando o aço é apresentado sob a forma de perfil. A utilização conjunta de concreto e perfis metálicos iniciou-se ainda no século XIX, porém, o propósito principal, à época, era proteger o perfil contra a ação do fogo e da

corrosão, sendo desconsiderado em termos de cálculo o ganho de resistência proporcionado pelo concreto.

A partir do século XX, com o desenvolvimento da economia e da industrialização,

surgiram novos sistemas estruturais englobando esse tipo de estrutura e então os primeiros modelos de cálculo e indicações normativas para sua utilização. O material concreto possui vantagens bem conhecidas no atual estado de desenvolvimento, como por exemplo, resistência à compressão, ao fogo e possibilidade de ser facilmente moldado. O aço igualmente possui suas vantagens, como a elevada resistência e a ruptura dúctil. Porém, ambos os materiais também apresentam desvantagens na sua utilização. Assim sendo, as construções mistas aparecem justamente com o objetivo de aproveitar as vantagens de cada um e, ao mesmo tempo, minimizar suas desvantagens, não apenas em termos estruturais, mas também em aspectos construtivos, funcionais e estéticos. Os tipos de elementos mistos de aço e concreto utilizados comumente são vigas, lajes,

pilares e ligações. Este trabalho apresenta uma tipologia de estrutura mista denominada “piso misto de pequena altura”, ou de forma simplificada slim floor. Em um pavimento misto convencional, a laje de concreto (ou mista) é posicionada sobre a viga de aço, onde o comportamento misto é garantido via conectores de cisalhamento. Uma das características desse sistema é a altura total do composto, que consiste na soma das alturas da viga, do conector de cisalhamento e da capa de concreto, resultando em uma altura elevada, que pode limitar o pé-direito do pavimento.

O sistema slim floor, entre outros aspectos, visa à redução dessa altura através da

introdução da laje na altura da viga, apoiando-se sobre a aba inferior da mesma. Além disso,

no cenário atual das construções metálicas e mistas, tem crescido significativamente a importância do projeto estrutural em condições de incêndio, que faz com que os sistemas slim

floor sejam bastante atrativos por conta de sua capacidade intrínseca frente ao fogo, visto que as vigas estão parcialmente revestidas pelo concreto.

A existência de concreto em volta do perfil metálico cria diversas regiões de interface,

fazendo necessária uma avaliação dos mecanismos de transferência de esforços. A solução tradicional para a formação de uma seção mista com a utilização de conectores de cisalhamento sobre a aba superior do perfil não é a única maneira de promover a solidarização. Nos últimos anos tem se desenvolvido sistemas que consideram o comportamento misto de vigas slim floor sem a utilização de conectores tradicionais, abrindo uma nova perspectiva para o desenvolvimento destes sistemas.

11

22

JJUUSSTTIIFFIICCAATTIIVVAA

Os pisos mistos começaram a ser estudados recentemente e, por isso, ainda não têm seu dimensionamento incluído nos códigos normativos. Desse modo, o conhecimento do comportamento dos pisos, bem como da influência das suas ligações na distribuição dos esforços, permitirá o incremento na sua utilização. Para isto, justificam-se investimentos em pesquisas que se propõem a disseminar aspectos importantes do comportamento estrutural dos pisos mistos de pequena altura, como é o caso do trabalho aqui proposto. Vários detalhes de ligação têm sido investigados experimentalmente dentro da linha de pesquisa de Estruturas Mistas em desenvolvimento no Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC. Entretanto, a realização de estudos experimentais requer a confecção de modelos de grandes dimensões e demanda um grande volume de recursos financeiros e humanos. Sendo assim, parece adequado desenvolver e consolidar modelos numéricos para o estudo dos pisos mistos que possam incluir as ligações já investigadas experimentalmente. Dentro deste contexto, os resultados experimentais já obtidos por De Nardin (2007) poderão ser utilizados para validar os modelos numéricos.

11

33

OOBBJJEETTIIVVOOSS

O objetivo geral deste trabalho é dar continuidade ao que vem sendo desenvolvido no Departamento de Estruturas da EESC no que se refere principalmente às vigas mistas parcialmente revestidas e aos pisos mistos de pequena altura, dentre os quais, destacam-se De Nardin & El Debs (2007) e Cavalcanti (2010), além de colaborar para as futuras pesquisas que já estão em andamento, sobretudo com a investigação experimental em um trabalho de mestrado sobre sistemas slim floor. O objetivo específico deste trabalho, por sua vez, é construir um modelo numérico com elementos finitos que simule de maneira satisfatória o comportamento de pisos mistos de pequena altura até a ruptura. A partir da construção de um modelo representativo, podem-se extrapolar os resultados e avaliar a influência global de determinados parâmetros como a resistência do concreto, altura da capa e utilização de armaduras passivas em determinadas regiões.

Destaca-se, além disso, a experiência com a utilização do software DIANA, que ainda possui poucos estudos no Departamento de Estruturas da EESC, mas que aparenta ser uma tendência para os próximos trabalhos em estruturas de concreto e estruturas mistas aço- concreto. Este modelo pode servir de base também para a construção de modelos tridimensionais com a consideração da não-linearidade física em trabalhos futuros.

11 44

MMEETTOODDOOLLOOGGIIAA

A metodologia utilizada nesta pesquisa pode ser dividida basicamente em três partes:

Revisão bibliográfica, estudos sobre o software DIANA e a análise numérica propriamente

dita.

A primeira etapa, referente à revisão bibliográfica, foi realizada por meio da coleta de

material utilizando as bases de dados disponíveis na Escola de Engenharia de São Carlos com o fito de obter subsídios para os estudos das estruturas mistas em geral, especialmente em relação aos pisos mistos de pequena altura. Na segunda etapa, foi realizado um estudo do funcionamento geral do software DIANA. Esse estudo iniciou com um mini-curso ministrado no próprio Departamento de Estruturas, seguido da leitura de trechos do manual do usuário e de trabalhos realizados com a

utilização do software. Depois foram realizados diversos testes considerando modelos lineares e não-lineares visando entender seu comportamento de maneira mais prática. Por fim, foi construído um modelo de elementos finitos e realizadas várias análises preliminares a fim de que os resultados se mostrassem coerentes. A partir de então, passou-se para a fase de validação do modelo, que consiste em alterar diversos parâmetros e analisar qual melhor se encaixa para o problema em questão quando confrontado com resultados experimentais. Após o modelo validado, foi realizada uma análise paramétrica, fazendo a variação de alguns fatores e verificando a influência global de cada um deles.

11 55

EESSTTRRUUTTUURRAA DDAA DDIISSSSEERRTTAAÇÇÃÃOO

Esta dissertação foi dividida em seis capítulos assim distribuídos:

No capítulo 1 são delineadas as considerações iniciais sobre as estruturas mistas aço-

concreto e em especial sobre os pisos mistos de pequena altura, seguida da exposição dos objetivos, justificativa e metodologia para o desenvolvimento desta pesquisa. No capítulo 2 é apresentada uma revisão bibliográfica sobre as estruturas mistas em geral, iniciando com um breve histórico e abordando as principais considerações a respeitos dos elementos mistos. No capítulo 3 é também apresentada uma revisão bibliográfica, mas agora apenas concernente aos pisos mistos de pequena altura. De maneira similar ao capítulo anterior, é exposto o tema, passando por um breve histórico, no qual são abordandos os principais aspectos do sistema como tipologia de vigas e lajes empregadas, sistemas construtivos e princípios de dimensionamento.

O capítulo 4 versa sobre as bases para o desenvolvimento desta pesquisa. Primeiramente

é feita uma apresentação do programa DIANA, assim como exposições desde o pré até o pós-

processamento. A seguir, são apresentados os modelos que serviram de base para este trabalho e o modelo desenvolvido. Então são feitas considerações sobre a análise, como por exemplo, os tipos de elementos finitos utilizados e modelos constitutivos para os materiais. Após esta etapa, apresentam-se todas as considerações levadas a efeito para a validação do modelo numérico e, por fim, a análise paramétrica.

O capítulo 5 enumera as principais conclusões obtidas a partir das inúmeras análises

realizadas.

CAPÍTULO

AASS EESSTTRRUUTTUURRAASS MMIISSTTAASS AAÇÇOO--CCOONNCCRREETTOO

2

22 11

HHIISSTTÓÓRRIICCOO

As construções mistas surgiram como consequência natural do avanço tecnológico do concreto armado e das estruturas de aço. Primeiramente o concreto era utilizado como revestimento para os perfis metálicos, com o objetivo de protegê-los contra as ações do fogo e da corrosão. Entretanto, mesmo o concreto promovendo algum ganho em termos estruturais, tal consideração não era levada em conta nos cálculos. Não se sabe precisar ao certo quando este tipo de sistema estrutural começou a ser utilizado, e nem quando começou a ser estudado com caráter científico. Segundo Griffis (1994) o surgimento das primeiras estruturas mistas data de 1894, quando foi construída uma ponte em Iowa e o edifício Methodist Building em Pittsburgh, nos EUA, ambos utilizando vigas metálicas de seção I, revestidas com concreto (DE NARDIN, 2003).

Griffis (1994) ressalta, ainda, que o aumento da sua utilização evidenciou-se nas décadas de 20 e 30, com a construção de edifícios altos, tais como, o Chrysler Building, erguido em 1930, na época registrado como o edifício mais alto do mundo, que foi superado, apenas um ano depois, pelo Empire State Building, ambos em Nova York. Porém, importa mencionar que nos dois casos o concreto atuou apenas na proteção do perfil. Malite (1993) aponta que os primeiros estudos sobre vigas mistas ocorreram por volta de 1914, na Inglaterra, ocasião em que a empresa Redpath Brow and Company iniciou uma série de ensaios a respeito de sistemas compostos para pisos. Pouco tempo depois, em 1922, no Canadá, foi feita outra série de ensaios sob a supervisão da Dominium Bridge Company. Segundo Gutierrez-Klinsky (1999), o início da construção mista aço-concreto é marcado pela patente Composite Beam Construction (Construção em viga mista), pertencente a J. Khan, em 1926. Por outro lado, Figueiredo (1998) assevera que o primeiro registro de normatização de estruturas mistas é de 1930, pelo New York City Building Code.

mistas é de 1930, pelo New York City Building Code . a ) C h r

a) Chrysler Building Nova York

B u i l d i n g – N o v a Y o r

b) Empire State Building – Nova York

Figura 2.1 - Arranha-céus construídos com estruturas mistas aço-concreto nas décadas de 20 e 30

Em 1930, pode-se dizer que o sistema misto aço-concreto já estava definido e os métodos de dimensionamento estabelecidos, sendo que, entre 1922 e 1939 foram construídos vários edifícios e pontes em cujos projetos foi adotado o sistema de vigas compostas (MALITE, 1993).

Ressalva-se, ainda, que em 1944 o assunto foi introduzido nas normas da AASHO – American Association of State Highway Officials, e em 1952 no AISC – American Institute of Steel Construction (DE NARDIN, 2003). No Brasil, a normatização só apareceu em 1986, com a “NBR-8800: Projeto e execução de estruturas de aço de edifícios”, contudo, a referida norma abordava apenas o dimensionamento e execução de elementos mistos sujeitos à flexão (viga mista). No Brasil, a utilização do sistema misto se iniciou com a construção de edifícios nas décadas de 50 e 60, ficando depois praticamente estagnada na década de 70 e início da década de 80, principalmente, devido à cultura preferencial dos engenheiros civis por estruturas em concreto armado e à natural resistência à adoção de sistemas não convencionais. Observa-se, portanto, que as estruturas mistas tiveram um processo de desenvolvimento, no qual primeiro surgiu a técnica, que trazia vantagens econômicas. Somente depois do processo construtivo e de sua utilização é que houve motivação para o desenvolvimento de pesquisas que resultariam em procedimentos de cálculo. Dias (1993) apud Figueiredo (1998) apresenta alguns edifícios no Brasil, que utilizaram elementos mistos na composição da estrutura, sendo estes:

Edifício Garagem América (1957): Edifício garagem localizado em São Paulo cujo projeto estrutural é do Eng. Paulo R. Fragoso. Possui 16 pavimentos totalizando uma área de 15214 m², consumo de 948 toneladas de aço ASTM A-7 e sem aplicação de proteção especial quanto à ação do fogo. Edifício Palácio do Comércio (1959): Localizado em São Paulo, trata-se de um edifício comercial de escritórios com 24 pavimentos, 73 m de altura e pé direito de 3,15 m. O projeto estrutural é do Eng. Paulo R. Fragoso e consumiu 1360 toneladas de aço ASTM A-7. Edifício Avenida Central (1961): Trata-se de um edifício comercial de escritórios localizado no Rio de Janeiro. Possui 36 pavimentos, altura total de 112 m e o projeto estrutural é do Eng. Paulo R. Fragoso. As vigas de aço foram revestidas com concreto para protegê-los contra a ação do fogo. Este projeto consumiu 5620 toneladas de aço ASTM A-7. Edifício Santa Cruz (1963): Edifício de uso residencial e comercial, localizado em Porto Alegre e cujo sistema estrutural foi projetado pelo Eng. Paulo R. Fragoso. Possui altura total de 103 m, distribuídos em 34 pavimentos. O consumo total de aço ASTM A-7 foi de 4011 toneladas e todos os elementos de aço foram protegidos contra incêndio por sistema de recobrimento do tipo caixa.

Edifício Sede do IPERJ (1965): Edifício localizado no Rio de Janeiro e de uso

comercial. Possui 24 pavimentos com pé direito de 2,65 m e altura total de 76,5 m. O projeto

estrutural é do Eng. Paulo R. Fragoso e foram gastos 1.218 t de aço ASTM A-7. Foram

utilizadas alvenarias de tijolos cobrindo as almas dos perfis e argamassa de cimento e

vermiculita com espessura de 1,5 cm para as vigas e 3,5 cm para os pilares, como sistema de

proteção contra a ação do fogo.

Escritório Central da CSN (1963): Este edifício localizado em Volta Redonda,

possui 18 pavimentos com pé direito de 3,5 m e consumo total de aço ASTM A-7 igual a

2600 toneladas. O projeto estrutural é do Eng. José Villas Boas.

O projeto estrutural é do Eng. José Villas Boas. a) Edifício Avenida Central – Rio de

a) Edifício Avenida Central – Rio de Janeiro

Villas Boas. a) Edifício Avenida Central – Rio de Janeiro b) Edifício Santa Cruz – Porto

b) Edifício Santa Cruz – Porto Alegre

Figura 2.2 - Edifícios construídos no Brasil nas décadas de 50 e 60 com a utilização de sistemas mistos.

22 22

GGEENNEERRAALLIIDDAADDEESS

Como já explicado anteriormente, já é bastante difundida no meio técnico a utilização,

dimensionamento e verificação de estruturas de concreto armado e de estruturas metálicas. Na

utilização com concreto armado, os elementos são constituídos por concreto de qualidade

estrutural e barras de armaduras estrategicamente posicionadas, complementando a absorção

de esforços.

Nas estruturas metálicas, a laje costuma ser de concreto armado, porém, vigas e pilares são perfis laminados, dobrados ou soldados, que são ligados por solda ou parafuso. Principalmente nas últimas três décadas, uma nova forma de associação tem sido cada vez mais utilizada nos sistemas estruturais: as estruturas mistas aço-concreto. A principal diferença desta em relaçãos às construções em concreto armado pela maneira como o aço é apresentado. As estruturas mistas aço-concreto são formadas pela união de perfis de aço e concreto estrutural, de forma que os materiais trabalhem em conjunto. Assim, esse tipo de sistema estrutural permite explorar de maneira eficiente as vantagens de cada material em termos de capacidade resistente, aspectos construtivos, funcionais e estéticos. Atualmente, existe uma visível tendência no mercado de tornar as obras mais industrializadas e racionalizadas, fato este reconhecido como necessário para reduzir os desperdícios, acelerar a velocidade de execução das obras e garantir maior qualidade às mesmas. A adoção de elementos estruturais com certo grau de industrialização em substituição ao sistema convencional em concreto armado moldado no local pode trazer benefícios em relação aos custos, mão de obra e tempo de execução. Dentro do contexto da industrialização, pilares, lajes e vigas mistas são elementos utilizados na construção de edifícios de múltiplos pavimentos no exterior e no Brasil. De uma forma geral, a construção que utiliza sistemas mistos aço-concreto é competitiva no caso de vãos médios e grandes, visto que resulta em estruturas mais leves e de execução mais rápida. Conforme Queiroz e Pimenta (2001), os elementos mistos apresentam algumas vantagens em relação aos sistemas estruturais convencionais, sendo algumas delas:

Com relação ao sistema em concreto armado:

Existe a possibilidade de dispensar a utilização de formas e escoramentos;

Redução do peso próprio e do volume da estrutura;

Aumento da precisão dimensional da construção.

Com relação ao sistema de estruturas metálicas:

Redução considerável no consumo de aço estrutural;

Redução das proteções contra incêndio e corrosão.

Estes sistemas estruturais não necessariamente aparecem de forma isolada nas construções, podendo em uma mesma obra conter elementos em concreto armado, elementos de aço e elementos mistos. Neste caso, a estrutura é denominada híbrida. A figura 2.3 mostra edificações construídas com sistemas ou elementos mistos.

a) Grosvenor Place – Sidney, Austrália c) Scandic Hotel - Finlândia b) Jalkapallon Stadion -

a) Grosvenor Place – Sidney, Austrália

a) Grosvenor Place – Sidney, Austrália c) Scandic Hotel - Finlândia b) Jalkapallon Stadion - Finlândia

c) Scandic Hotel - Finlândia

– Sidney, Austrália c) Scandic Hotel - Finlândia b) Jalkapallon Stadion - Finlândia d) Central Park

b) Jalkapallon Stadion - Finlândia

Hotel - Finlândia b) Jalkapallon Stadion - Finlândia d) Central Park Tower – Perth, Austrália Figura

d) Central Park Tower – Perth, Austrália

Figura 2.3 – Exemplos de edifícios com a utilização de elementos mistos (FARIAS, 2008)

Em Zandonini (1994), apontam-se alguns fatores para a crescente utilização de sistemas estruturais formados por elementos mistos:

Os avanços tecnológicos nos processos de obtenção de perfis tubulares e de conectores metálicos tornaram mais fácil o acesso a tais materiais e diminuíram os custos de produção;

Os projetos arquitetônicos atuais exigem grandes áreas livres, implicando em grandes vãos para as vigas, acréscimo de força nos pilares e um maior espaçamento entre eles. Os elementos mistos possibilitam a redução das dimensões da seção transversal, ampliando as áreas livres;

A necessidade de atender aos prazos de entrega da construção requer que sejam empregados sistemas estruturais para os quais seja possível obter rapidez e facilidade de execução, sem acréscimo no custo final da edificação;

Os avanços tecnológicos permitem obter concretos e aços com alta resistência

e melhor comportamento. Tais avanços possibilitaram também o surgimento de

guindastes móveis e outros equipamentos que facilitaram o transporte dos

elementos.

equipamentos que facilitaram o transporte dos elementos. a) Laje mista (USIMINAS MECÂNICA,2005) c) Viga mista com

a) Laje mista (USIMINAS

MECÂNICA,2005)

dos elementos. a) Laje mista (USIMINAS MECÂNICA,2005) c) Viga mista com laje de concreto armado e

c) Viga mista com laje de concreto armado

MECÂNICA,2005) c) Viga mista com laje de concreto armado e ) L i g a ç

e) Ligação mista

armado e ) L i g a ç ã o m i s t a b)

b) Detalhe das mossas na laje mista

ã o m i s t a b) Detalhe das mossas na laje mista d) Viga

d) Viga mista com laje mista

das mossas na laje mista d) Viga mista com laje mista f) Ligação, laje, viga e

f)

Ligação, laje, viga e pilar mistos

Figura 2.4 – Elementos mistos de aço e concreto (OLIVEIRA, 2008)

22

33

EELLEEMMEENNTTOOSS MMIISSTTOOSS

22 33 11

PPIILLAARREESS MMIISSTTOOSS

São elementos estruturais sujeitos a forças predominantes de compressão, no qual o material aço é formado por um ou mais perfis em aço estrutural (DE NARDIN, 1999).

O concreto associado ao aço compondo elementos mistos surgiu como uma alternativa

simples e pouco onerosa de proteção contra o fogo e a corrosão e, portanto, sem função estrutural. A idéia de proteção dos pilares metálicos impulsionou o surgimento dos primeiros pilares mistos aço-concreto que, desde então, evoluíram e hoje apresentam variações no arranjo e composição destes materiais (DE NARDIN et al., 2005). Além da proteção contra agentes externos, a combinação dos materiais aço e concreto em pilares promovem vantagens como o aumento da resistência do pilar, aumento na rigidez da estrutura para carregamentos horizontais (ventos) e nas solicitações decorrentes de sismos. Os pilares mistos também se apresentam mais dúcteis em comparação aos pilares em concreto armado isolados. Existem, ainda, outras vantagens como a ausência de formas (para os pilares preenchidos), reduzindo os custos de material e mão de obra (ALVA E MALITE,

2005).

Nos dias atuais, estas últimas vantagens citadas são muito mais interessantes que as inicialmente propostas (proteção contra fogo e corrosão), pois DE NARDIN (1999) ressalta que, atualmente, com os avanços das técnicas de produção de materiais, podem ser encontrados no mercado materiais de proteção contra o fogo e corrosão com custo muito inferior ao do concreto. Por conta disso, o emprego do concreto como proteção para os perfis nem sempre é a alternativa mais viável economicamente. Os pilares mistos dividem-se basicamente em dois grupos: os pilares mistos

preenchidos e os pilares mistos revestidos, sendo que a diferença entre os dois é a posição do concreto na seção transversal do perfil. Além destes, existem ainda os pilares mistos tipo battened e os parcialmente revestidos.

O pilar é classificado como misto “revestido” quando o perfil está envolvido, total ou

parcialmente pelo concreto, podendo este ser armado ou não. Seu surgimento decorre da intenção de proteger o perfil metálico das ações do fogo e corrosão. Porém, o revestimento com o concreto também promove ganhos em termos estruturais, além de colaborar contra instabilidades locais e globais. Tais elementos foram os primeiros a surgir e os primeiros a

serem estudados. Além das vantagens comuns aos pilares mistos já citadas, soma-se a

variabilidade de formas que a seção pode apresentar. Em contrapartida, Oliveira (2008)

assinala que a execução é trabalhosa, pois exige cuidados no posicionamento e fixação dos

perfis e barras de armadura. Estas são necessárias e recomendadas pelas normas a fim de

combater o fendilhamento na capa do concreto. Alva (2000) cita ainda como principal

desvantagem a utilização de formas para o concreto.

desvantagem a utilização de formas para o concreto. a) Pilar misto com perfil “I” revestido b)

a) Pilar misto com perfil “I” revestido

para o concreto. a) Pilar misto com perfil “I” revestido b) Pilar misto parcialmente revestido c)

b) Pilar misto

parcialmente revestido

“I” revestido b) Pilar misto parcialmente revestido c) Pilar misto revestido com perfis cantoneira Figura 2.5

c) Pilar misto revestido com perfis cantoneira

Figura 2.5 - Pilares mistos revestidos (FARIAS, 2008)

Os pilares mistos “preenchidos” são elementos estruturais formados por perfis

tubulares que são preenchidos com concreto de qualidade estrutural. Pela posição que o tubo

ocupa, dispensa-se a utilização de armadura longitudinal com barras de aço, facilitando a

execução quando comparada aos pilares de concreto armado convencionais.

Alva (2000) menciona outras duas vantagens desse elemento misto: a não utilização de

formas e o ganho de resistência devido o efeito de confinamento. Bridge & Webb (1992)

apud Figueiredo (1998) apontam vantagens construtivas devido ao fato de os tubos serem

mais leves que os perfis laminados e soldados, em geral não necessitando de equipamentos

especiais para a montagem.

Virdi e Dowling (1980) apud Shakir-Khalil (1988) mostraram que, neste caso, a

aderência é favorecida ainda mais devido a duas imperfeições evidentes na parede do tubo: a

rugosidade da superfície e a imperfeição propriamente dita da seção transversal do tubo. A

geometria final é definida pela geometria do tubo, que pode ser circular, quadrado, retangular,

entre outros.

Existem duas principais desvantagens na utilização de pilares mistos preenchidos. A

principal delas é resistência à ação do fogo, pois mesmo esta sendo melhor em comparação

aos pilares de aço, não garante total proteção, visto que o perfil encontra-se exposto. A outra

desvantagem consiste na dificuldade da colocação de conectores de cisalhamento quando se

verifica a necessidade de uso destes.

cisalhamento quando se verifica a necessidade de uso destes. a) Pilar misto formado por dois perfis

a) Pilar misto formado por dois perfis “U” soldados

a) Pilar misto formado por dois perfis “U” soldados c) Pilar misto de seção circular b)

c) Pilar misto de seção circular

perfis “U” soldados c) Pilar misto de seção circular b) Pilar misto formado por quatro cantoneiras

b) Pilar misto formado por quatro cantoneiras soldadas

b) Pilar misto formado por quatro cantoneiras soldadas d) Pilar misto de seção circular formado pela

d)

Pilar misto de seção circular

formado pela soldagem de chapas

Figura 2.6 - Pilares mistos preenchidos (FARIAS, 2008)

Outras duas categorias de pilares mistos são os do tipo battened e os parcialmente

revestidos. Os primeiros são formados por dois perfis tipo U, ligados entre si por talas e

preenchidos com concreto. Hunaiti et al. (1992) apud Figueiredo (1998) mostraram que o

comportamento deste tipo de pilar é similar ao de um pilar preenchido de seção retangular,

por isto e devido à facilidade de instrumentá-los, eles são muito empregados em pesquisas experimentais que têm seus resultados extrapolados para os pilares mistos preenchidos. Outra vantagem é que a capacidade resistente pode ser elevada simplesmente aumentando a distância entre os dois perfis U. Além de o fácil acesso à parte interna facilitar a execução da conexão com a viga.

Já os pilares parcialmente revestidos caracterizam-se pelo não envolvimento completo

da seção de aço pelo concreto. Na figura 2.7 é apresentado um perfil tipo I, no qual existe concreto apenas entre as mesas.

tipo I, no qual existe concreto apenas entre as mesas. a) Pilar misto tipo battened b)

a) Pilar misto tipo battened

apenas entre as mesas. a) Pilar misto tipo battened b) Pilar misto revestido Figura 2.7 -

b)

Pilar misto revestido

Figura 2.7 - Outros tipo de pilares mistos (OLIVEIRA, 2008)

22 33 22

VVIIGGAASS MMIISSTTAASS

Vigas mistas aço-concreto são elementos estruturais que consistem na associação de um perfil de aço (geralmente perfil I) soldado, laminado ou chapa dobrada, com uma laje de concreto (usualmente maciça ou mista com forma de aço incorporada) (TRISTÃO, 2006).

O sistema estrutural resulta na disposição da laje de concreto situada em uma região

predominantemente (ou totalmente) comprimida, sobre a viga de aço situada em uma região predominantemente (ou totalmente) tracionada, respectivamente.

A utilização do sistema torna-se viável e de grande vantagem, pois como se sabe o aço

possui boa resposta a esforços de tração, enquanto o concreto apresenta boa resposta a esforços de compressão (com menor custo) (KIRCHHOF, 2004). Este tipo de elemento surge como decorrência natural nos pisos de edifícios e tabuleiros de pontes, existindo um somatório de vantagens estruturais nas regiões de momento fletor positivo, em comparação com as vigas de aço isoladas, haja vista que são isoladas/amenizadas a flambagem local da mesa e da alma (FLM e FLA), assim como a flambagem lateral com torção (FLT) (ALVA & MALITE, 2005). Outras vantagens desse tipo de elemento são citadas por Chaves (2009), como:

Redução no peso global e alívio das fundações;

Diminuição na altura dos perfis;

Possibilidade de vencer maiores vãos;

Redução de flechas;

Redução de custos.

A associação dá-se por meios de elementos metálicos soldados ao perfil, chamados de

conectores de cisalhamento, que serão detalhados posteriormente. Estes conectores têm a finalidade de garantir o trabalho conjunto dos dois materiais, garantindo a transferência dos esforços de cisalhamento longitudinais do concreto para o aço na interface da viga mista, bem

como impedir a separação vertical entre a laje de concreto e o perfil de aço, movimento conhecido como uplift (TRISTÃO, 2002). A figura 2.8 mostra as principais configurações de vigas mistas.

2.8 mostra as principais configurações de vigas mistas. Figura 2.8 - Tipos de seções transversais de

Figura 2.8 - Tipos de seções transversais de vigas mistas. EUROCODE 4:2001

Além dos tipos indicados acima, Fabrizzi (2007) cita também:

Figura 2.9 – Principais tipos de vigas mistas (FABRIZZI, 2007) A ação mista é desenvolvida

Figura 2.9 – Principais tipos de vigas mistas (FABRIZZI, 2007)

A ação mista é desenvolvida quando dois elementos estruturais são interconectados de

tal forma que se deformem como um único elemento, ou seja, até que as duas seções

trabalhem em conjunto. A figura 2.10 mostra duas vigas com geometrias iguais e comportamentos distintos.

O que define o comportamento apresentado na figura 2.10 é o tipo de interação que os

dois materiais possuem. Nota-se que a fibra de concreto adjacente à interface tende a se expandir, enquanto a fibra de aço adjacente à mesma interface tende a se contrair. Essa deformação relativa faz com que os conectores se deformem, aplicando uma força sobre o concreto em direção ao meio do vão. Tal situação corresponde à interação parcial. Considerando, no entanto, agora uma viga em cuja interface não ocorra a ação das forças restringindo a deformação relativa entre a laje de concreto e a viga de aço (interface sem conectores ou com graxa, por exemplo), tem-se a interação nula.

Já no outro extremo, a interação total é obtida quando a deformação relativa na interface é totalmente impedida, possibilitando aos elementos resistir aos esforços de flexão de forma conjunta, como um único elemento (KOTINDA, 2006). O diagrama de distribuição de deformações para os tipos de interação é mostrado na figura 2.11.

para os tipos de interação é mostrado na figura 2.11 . Figura 2.10 – Vigas fletidas,

Figura 2.10 – Vigas fletidas, com e sem ação mista (DAVID, 2007)

– Vigas fletidas, com e sem ação mista (DAVID, 2007) a) Interação nula b) Interação total

a) Interação nula

com e sem ação mista (DAVID, 2007) a) Interação nula b) Interação total c) Interação parcial

b)

Interação total

mista (DAVID, 2007) a) Interação nula b) Interação total c) Interação parcial Figura 2.11 – Distribuições

c)

Interação parcial

Figura 2.11 – Distribuições de deformação para interações nula, total e parcial (QUEIROZ et al., 2001)

No que tange à distribuição de tensões normais, esta depende do grau de conexão entre a viga de aço e a laje de concreto. O referido grau de conexão define-se pela relação entre o somatório das resistências individuais dos conectores – situados entre uma seção de momento fletor máximo e a seção adjacente de momento nulo – e a resultante do fluxo de cisalhamento da interação completa.

A ABNT NBR 8800:2008 aplica-se a vigas mistas formadas por perfis simétricos em relação ao plano de flexão e lajes de concreto armado ou com forma incorporada, posicionada acima da face superior do perfil, como ilustrado na figura 2.12.

da face superior do perfil, como ilustrado na figura 2.12 . Figura 2.12 – Vigas mistas
da face superior do perfil, como ilustrado na figura 2.12 . Figura 2.12 – Vigas mistas

Figura 2.12 – Vigas mistas admitidas pela NBR 8800:2008

De Nardin et al. (2005) dizem que as vigas mistas podem ser biapoiadas, contínuas ou semicontínuas. Segundo Fabrizzi (2007), as vigas mistas biapoiadas estão na sua melhor condição, já que os materiais são solicitados da maneira mais adequada, pois como em edifícios o carregamento usual é gravitacional, os momentos fletores gerados aplicam compressão na fibra superior e tração na fibra inferior. As vigas contínuas são aquelas em que o perfil de aço e as armaduras da laje têm continuidade total nos apoios internos. Assim, nas regiões de momento negativo sobre os apoios, aparece uma situação oposta àquela assumida para vigas biapoiadas: mesa de concreto tracionada e perfil de aço comprimido. A resistência do concreto à tração é desprezada e considera-se apenas a armadura devidamente ancorada. Como o perfil de aço está comprimido, sofrerá efeitos de instabilidade. Este tipo de disposição tem algumas vantagens em relação às vigas mistas biapoiadas:

Sob mesmo carregamento e distância entre os apoios, são obtidos momentos fletores positivos menores;

Como ocorre a transferência de momento fletor para os pilares, a viga forma um pórtico juntamente com o pilar, resistindo a carregamentos horizontais;

São menos suscetíveis a vibrações, pois a frequência natural é mais elevada. Por outro lado, De Nardin et al. (2005) ressaltam que a continuidade requer o emprego de ligações mais complexas e onerosas e a análise estrutural torna-se mais trabalhosa, por se tratar de sistemas estaticamente indeterminados e com rigidez à flexão variável.

Figura 2.13 – Comparação do comportamento de vigas mistas contínuas em regiões de momento positivo

Figura 2.13 – Comparação do comportamento de vigas mistas contínuas em regiões de momento positivo e negativo (FABRIZZI, 2007)

Nas vigas mistas semicontínuas a ligação metálica ou mista é semirrígida ou de resistência parcial. Um aspecto importante a ser analisado são as condições da estrutura durante a fase de execução, pois o método construtivo da laje influencia no comportamento estrutural da viga mista. Isso depende basicamente do escoramento ou não da laje. Desta feita, pode-se optar pelo não escoramento da laje (por exemplo, laje de concreto com forma incorporada) quando se necessita de velocidade de construção, mas o concreto ainda não se encontra com sua resistência de projeto por não ter curado e o sistema misto não está constituído. Assim, a viga de aço é responsável pela absorção de toda a carga

gravitacional, inclusive da laje. Com isso, o perfil deve ser dimensionado para resistir sozinho

a

todos os esforços aplicados antes da cura do concreto. Neste caso, as verificações de flechas

e

da estabilidade lateral das vigas podem ser determinantes.

Figura 2.14 – Viga mista não escorada (FABRIZZI, 2007) No caso da construção escorada (

Figura 2.14 – Viga mista não escorada (FABRIZZI, 2007)

No caso da construção escorada (Figura 2.15), as vigas não recebem carregamento durante a fase construtiva, caso usual em lajes maciças moldadas in loco. De tal modo, o concreto já estará curado (pelo menos 75% da resistência à compressão) e a seção mista estará constituída. Com isso, as deflexões também serão as da seção mista e, portanto, menores que as da seção isolada. Não há necessidade de verificação na situação de construção, uma vez que, nesta fase, a seção não estará sendo solicitada.

vez que, nesta fase, a seção não estará sendo solicitada. Figura 2.15 – Vigas mistas escoradas

Figura 2.15 – Vigas mistas escoradas (FABRIZZI, 2007)

Outros fatores que influenciam o comportamento das vigas são a fluência e retração do concreto. Ambos conduzem a deformações por carregamentos de longa duração maiores que a deformação inicial. Atualmente, no Brasil, as vigas mistas constituem o sistema de piso misto mais utilizado em edifícios devido à eficiência do sistema em suportar ações gravitacionais nos pisos, podendo reduzir o peso da viga de aço em aproximadamente 20% a 40% quando bem dimensionadas (TRISTÃO, 2006).

22 33 33

LLAAJJEESS MMIISSTTAASS

Saúde et al. (2006) definem laje mista como sendo aquela constituída por uma chapa de aço perfilada, sobre a qual é moldado in loco o concreto armado, contendo uma armadura superior destinada a controlar a fissuração do concreto, o que a faz comportar-se como uma laje unidirecional. Após o endurecimento, a estrutura aço-concreto formará um elemento estrutural único, conforme ilustrado abaixo.

um elemento estrutural único, conforme ilustrado abaixo. Figura 2.16 – Laje mista aço-concreto (SAÚDE et al

Figura 2.16 – Laje mista aço-concreto (SAÚDE et al., 2005)

Nas lajes mistas e compostas, ou ainda, lajes com forma de aço incorporada, a forma de aço suporta as ações permanentes e sobrecargas construtivas antes da cura do concreto e, após a cura, o concreto passa a trabalhar estruturalmente em conjunto com a forma de aço que substitui, total ou parcialmente, a armadura positiva da laje. No entanto, para que a seção possa funcionar como uma estrutura mista, o conjunto aço-concreto tem de apresentar uma boa conexão entre si. Para tal, é necessário que as chapas apresentem um perfil particular, quanto à forma das nervuras e das reentrâncias na sua

superfície, de modo a existir certa adesão entre o concreto e as chapas, acompanhado por mecanismos de conexão aplicados na laje, a fim de garantir que a seção tenha capacidade resistente à tensão longitudinal de cisalhamento solicitada na interface entre a chapa e o concreto. São diversas as funções das formas de aço empregadas nas lajes mistas. Além de suportarem os carregamentos durante a construção e funcionarem como plataforma de trabalho, contraventam a estrutura, desempenhando o papel de diafragma horizontal, distribuem as deformações por retração, evitam a fissuração excessiva do concreto, apresentam vantagens como a possibilidade de dispensa de escoramento da laje e a facilidade oferecida à passagem de dutos e instalações. Hoje em dia, a utilização de lajes mistas com forma incorporada é uma alternativa atraente porque permite a racionalização do processo construtivo e, por isso, são empregadas com sucesso em edifícios de aço, concreto armado e pontes. De Nardin et al. (2005) ressalva que este tipo de sistema oferece vantagens construtivas, econômicas e estruturais, destacando algumas como:

A forma de aço substitui as armaduras de tração da laje, gerando economia de tempo, material e mão de obra, pois os serviços de corte, dobramento e montagem das armaduras são reduzidos ou eliminados;

Elimina a utilização de formas de madeira, que constituem uma parcela significativa do custo total de uma estrutura de concreto;

Reduz sensivelmente a necessidade de escoramentos, tornando o canteiro de obras mais organizado, reduzindo o tempo gasto com montagem e desmontagem dos escoramentos e retirada da forma;

A forma de aço pode servir de plataforma de trabalho nos andares superiores e proteção aos operários em serviço nos andares inferiores;

As formas são leves, de fácil manuseio e instalação;

O uso de formas de aço facilita a execução das diversas instalações e a fixação de forros falsos. Segundo Alva (2000), a utilização desse sistema em edifícios e pontes é mais comum nos Estados Unidos e Europa. Já no Brasil, apesar de recente, tem aumentado consideravelmente. Conforme Crisinel e O’Leary (1996), os primeiros sistemas de lajes mistas surgiram no final da década de 30, apresentando-se como substitutos ao sistema tradicional de lajes de concreto armado e sendo utilizados inicialmente em edifícios altos. Na Europa, o sistema de

lajes mistas apareceu no final da década de 50, utilizando-se de formas de aço corrugadas, apoiadas em vigas de aço. A interação entre a forma de aço e o concreto, nesta ocasião, realizava-se unicamente por atrito. Em meados da década de 60, as formas de aço perfiladas foram levadas dos Estados Unidos para a Europa. Atualmente, vários sistemas têm sido utilizados no processo de construção de formas para suportar o concreto durante a fase de execução das lajes. Entre esses sistemas, o steel deck é o mais usado.

lajes. Entre esses sistemas, o steel deck é o mais usado. Figura 2.17 - Exemplo do

Figura 2.17 - Exemplo do sistema de lajes mistas- Steel Deck CE-75 – Extraído do catálogo CODEME

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CCOONNEECCTTOORREESS DDEE CCIISSAALLHHAAMMEENNTTOO

Para que seja garantido o comportamento misto de uma determinada seção, é necessário que os dois materiais (aço e concreto) se deformem como um único elemento. E, para que essa conexão seja feita, primeiramente conta-se com a aderência natural (adesão, atrito) oriunda das ligações físico-químicas que se desenvolvem na zona de contato entre os materiais durante a cura do cimento. Em alguns casos, como nos pilares mistos preenchidos, por exemplo, apenas a aderência natural é suficiente para garantir o comportamento misto. Contudo, em outras situações, como no caso das vigas mistas e pisos mistos de pequena altura, essa aderência natural não é suficiente para suportar as tensões na interface, sendo necessário, então, utilizar dispositivos mecânicos, também conhecidos por conectores de cisalhamento. Esses dispositivos são responsáveis por absorver os esforços de cisalhamento nas duas direções e, assim, impedir o afastamento vertical (uplift) entre os materiais. Os conectores de cisalhamento são classificados como rígidos ou flexíveis. A diferença entre os dois está ligada à ductilidade da ligação. Ambos os tipos são definidos por meio da relação entre força no conector e o deslocamento relativo aço-concreto, que surge em resposta ao fluxo de

cisalhamento

(TRISTÃO, 2002).

longitudinal

gerado

pela

transferência

de

força

entre

os

dois

materiais

gerado pela transferência de força entre os dois materiais Figura 2.18 – Relação força-deslocamento para

Figura 2.18 – Relação força-deslocamento para conectores de cisalhamento (ALVA, 2000)

O comportamento dúctil caracteriza-se pela redistribuição do fluxo de cisalhamento longitudinal. Na prática, este comportamento dúctil permite considerar espaçamentos uniformes entre os conectores, visando otimizar a execução, pois se admite uma redistribuição de cisalhamento longitudinal. Assim, sob carregamento crescente, o conector continua a se deformar, sem ocorrência de ruptura, mesmo após alcançar sua capacidade máxima, permitindo que os conectores vizinhos também atinjam a sua resistência máxima. Dessa forma, a flexibilidade dos conectores garante que o colapso da estrutura mista seja do tipo dúctil (KIRCHHOF, 2004). Segundo De Nardin et al. (2008), são inúmeras as alternativas para promover o comportamento conjunto aço-concreto. A escolha da melhor opção depende de fatores como:

conhecimento do comportamento do dispositivo mecânico, dos modos de falha aplicáveis, dos critérios de projeto necessários ao dimensionamento, da facilidade de execução e do custo. Alguns dispositivos mecânicos já são largamente utilizados, como os conectores tipo pino com cabeça (stud bolts), sendo o seu comportamento e modos de falhas bem conhecidos. Kotinda (2006) observa que, no Brasil, este tipo de conector divide espaço com os perfis U laminados, sendo ambos do tipo flexível, e os únicos previstos na norma brasileira NBR 8800:2008. Vale destacar que no texto base de revisão da norma em questão, é também prevista a utilização de conectores constituídos por perfil U formados a frio.

Na literatura técnica é possível encontrar uma grande diversidade de conectores de cisalhamento, mas muitos deles resultam em inconvenientes quanto ao comportamento estrutural, dificuldades de produção industrial e de instalação. De Nardin et al. (2008) citam alguns tipo de dispositivos mecânicos:

Conectores tipo pino com cabeça:

Também denominado stud bolt, foi desenvolvido na década de 40 e rapidamente difundido graças à grande produtividade que proporciona. Entretanto, tal produtividade requer equipamento especial de solda que, por sua vez, necessita de um gerador de grande capacidade. Sua fixação com equipamentos convencionais de solda é possível, mas compromete a sua maior vantagem que é a produtividade. Os modos de falha associados ao conector tipo pino com cabeça são: ruptura do conector por cisalhamento e esmagamento do concreto adjacente ao conector. Cada um destes modos de falha é levado em conta pelas expressões que definem a capacidade resistente de um conector tipo pino com cabeça, como aquelas encontradas na ABNT NBR 8800:2008.

com cabeça, como aquelas encontradas na ABNT NBR 8800:2008. Figura 2.19 – Conector tipo pino com

Figura 2.19 – Conector tipo pino com cabeça (ALVA, 2000)

Figura 2.19 – Conector tipo pino com cabeça (ALVA, 2000) Figura 2.20 – Processo de soldagem
Figura 2.19 – Conector tipo pino com cabeça (ALVA, 2000) Figura 2.20 – Processo de soldagem

Figura 2.20 – Processo de soldagem dos conectores tipo pino com cabeça (KOTINDA, 2006)

Perfis U laminados ou soldados, tipo C:

É também um tipo de conector bastante utilizado, encontrado laminado e formado a frio (chapa dobrada). Segundo Tristão (2002), este conector deve ser soldado com uma das mesas assentada sobre a viga de aço. Fabrizzi (2007) aponta que os perfis tipo U devem ter altura superior a 75 mm, ser totalmente embutidos na laje de concreto e ter o plano da alma assentado perpendicularmente ao eixo longitudinal da viga. Além disso, os perfis formados a frio deverão ter as espessuras da alma e da mesa iguais à da chapa e devem ser tomados cuidados especiais para evitar o aparecimento de trincas na região das dobras.

para evitar o aparecimento de trincas na região das dobras. Figura 2.21 – Conectores tipo perfil
para evitar o aparecimento de trincas na região das dobras. Figura 2.21 – Conectores tipo perfil

Figura 2.21 – Conectores tipo perfil U

Conector X-HVB Hilti:

Com o objetivo de desenvolver um conector cuja fixação à viga não se dê por soldagem, Crisinel (1990) propõe um conector mecânico em L, formado a frio, cujo pé é fixado por parafusos. Posteriormente, a Hilti Corporation patenteou este conector com o nome de X- HVB, e oferece tal componente em alturas que variam de 80 a 140 mm (Hs na figura 2.22). Em termos de capacidade resistente, o conector Hilti X-HVB tem cerca de 40% da capacidade de um conector tipo pino com cabeça de 19 mm. Os ensaios de push-out com o conector X-HVB mostraram comportamento força x deslizamento dúctil, semelhante ao observado para conectores tipo pino com cabeça (CRISINEL, 1990).

para conectores tipo pino com cabeça (CRISINEL, 1990). Figura 2.22 – Conector X-HVB ® (DE NARDIN
para conectores tipo pino com cabeça (CRISINEL, 1990). Figura 2.22 – Conector X-HVB ® (DE NARDIN
para conectores tipo pino com cabeça (CRISINEL, 1990). Figura 2.22 – Conector X-HVB ® (DE NARDIN

Figura 2.22 – Conector X-HVB ® (DE NARDIN et al., 2008)

Figura 2.23 – Conector da Hilti HVB em formas de aço (QUEIROZ et al., 2001)

Figura 2.23 – Conector da Hilti HVB em formas de aço (QUEIROZ et al., 2001)

Perfis Perfobond:

Fruto da necessidade de um conector menos suscetível aos efeitos da fadiga comuns em pontes, o perfil perfobond consiste em uma chapa plana de aço, com furos circulares, soldada sobre a mesa superior da viga de aço. Todavia, o grande inconveniente deste conector é a dificuldade de posicionar a armadura positiva da laje, pois as chapas constituem um obstáculo físico e as barras devem ser concentradas nos furos do perfil perfobond. A seu favor, destacam-se a possibilidade de substituir vários conectores tipo pino com cabeça por um perfil perfobond e a facilidade de instalação, que dispensa equipamentos especiais. Sua utilização em edifícios demandou a redução de sua altura devido à altura da laje de concreto (FERREIRA, 2000). A capacidade resistente e a ductilidade da ligação aço-concreto advindas do perfil perfobond são fortemente influenciadas pela resistência do concreto da laje e pela quantidade de armadura que atravessa os furos do perfobond (OGUEJIOFOR & HOSAIN, 1996). Isto constitui uma vantagem em relação aos conectores tipo pino com cabeça, visto que a utilização do perfobond permite controlar a capacidade resistente da ligação aço-concreto variando a resistência do concreto e a armadura passante (VERÍSSIMO et al., 2006).

concreto e a armadura passante (VERÍSSIMO et al ., 2006). Figura 2.24 – Conector de cisalhamento

Figura 2.24 – Conector de cisalhamento tipo perfobond (KOTINDA, 2006)

CAPÍTULO

PPIISSOOSS MMIISSTTOOSS DDEE PPEEQQUUEENNAA AALLTTUURRAA

3

33 11

AAPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO

Os pisos mistos convencionais caracterizam-se pelo posicionamento da laje sobre os perfis de aço que constituem as vigas, nas quais conectores de cisalhamento são colocados sobre a mesa superior da viga a fim de promover o comportamento conjunto aço-concreto. Apesar das inúmeras vantagens obtidas com esse tipo de sistema, uma característica que em alguns casos pode ser incômoda é a altura total do piso, que se torna elevada por ser a soma das alturas da viga e da laje, limitando o pé-direito do pavimento. Assim, visando eliminar esse possível problema, foram desenvolvidos os pisos mistos de pequena altura, também conhecidos como slim floor. Neste tipo de sistema, a laje é embutida no mesmo plano da viga, e os conectores de cisalhamento são colocados nas faces

internas do perfil. Com isso, a altura total do piso é reduzida e o aspecto final é semelhante ao de um piso/pavimento com laje plana.

final é semelhante ao de um piso/pavimento com laje plana. a) Piso misto convencional b) Piso
final é semelhante ao de um piso/pavimento com laje plana. a) Piso misto convencional b) Piso

a) Piso misto convencional

b)

Piso misto de pequena altura

Figura 3.1 – Pavimentos mistos

Com relação aos pisos mistos de pequena altura, alguns benefícios de sua utilização são expostos em Couchman et al. (2000) apud De Nardin & El Debs (2005):

Velocidade de construção: a utilização de lajes mistas em que a forma de aço funciona como forma para moldagem do concreto acelera o processo construtivo e um único operário consegue posicionar até 400 m² de forma em um único dia. Além disso, a utilização da forma como armação positiva, após endurecimento do concreto, minimiza a necessidade de barras de armadura, reduzindo custos de materiais e mão de obra;

Segurança: no caso da laje mista, a forma de aço serve como plataforma de trabalho para os operários e os protege de acidentes de trabalho muito comuns, como a queda de ferramentas;

A rigidez e resistência dos elementos mistos são muito maiores que dos elementos em concreto armado ou de aço. Isto reduz o peso e a dimensão dos elementos estruturais e, consequentemente, das fundações;

A forma de aço utilizada na laje mista atua como contenção lateral para as vigas, aumentando sua estabilidade. Pode também ser dimensionada para atuar como um diafragma, redistribuindo as cargas de vento na fase de construção e, após o endurecimento do concreto, na laje mista;

A rigidez e resistência à flexão da viga mista permitem pisos mistos com altura menor que os obtidos em pisos de concreto armado. Isto diminui a altura do piso sem comprometer o embutimento de tubulações elétricas e hidráulicas;

Um piso misto de pequena altura possui cerca de 60 minutos de resistência ao fogo sem nenhum tipo de proteção adicional. Dentre as vantagens citadas, as que despertam especial interesse de engenheiros e arquitetos certamente são a redução da altura total do piso e a possibilidade de obter um piso com superfície plana semelhante ao adquirido para lajes planas em concreto armado ou com pequenas nervuras. No piso misto de pequena altura pode ser utilizada uma laje mista ou alveolar, ambas apoiadas sobre a mesa inferior. No caso de laje alveolar em concreto armado, os painéis pré- fabricados são posicionados sobre a mesa inferior da viga de aço e, posteriormente, pode ser executada uma capa de concreto consolidando painéis de concreto e viga de aço ou somente o preenchimento do espaço existente entre as mesas do perfil de aço (DE NARDIN et al.,

2005).

entre as mesas do perfil de aço (DE NARDIN et al ., 2005). Figura 3.2 –
entre as mesas do perfil de aço (DE NARDIN et al ., 2005). Figura 3.2 –
entre as mesas do perfil de aço (DE NARDIN et al ., 2005). Figura 3.2 –

Figura 3.2 – Exemplos de pisos mistos de pequena altura (MALASKA, 2000 e QUEIROZ et al., 1998)

Pesquisas sobre o comportamento estrutural dos sistemas de pisos mistos de pequena altura no contexto mundial são muito recentes e, consequentemente, existem diversos aspectos a investigar para que seja possível estabelecer critérios a fim de promover a análise e dimensionamento. Até o momento não há modelos de cálculo disponíveis e que permitam a verificação do comportamento estrutural desse sistema, tanto em condições de serviço quanto no estado limite último. A utilização de um perfil de aço parcialmente revestido com concreto no qual existem múltiplas interfaces de contato entre os dois materiais dificulta a elaboração de modelos de cálculo representativos.

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22

HHIISSTTÓÓRRIICCOO

A principal característica dos pisos mistos de pequena altura é o embutimento da viga na

altura da laje e, segundo Paes (2003), há registros de sua utilização no Reino Unido em 1845, quando foi utilizado um sistema estrutural em que arcos de pedra eram integrados a vigas de ferro. E no final do mesmo século, perfis laminados foram utilizados embutidos nas lajes de concreto. Porém, seu desenvolvimento teve início de fato em meados da década de 70, ocasião em que os pesquisadores do Swedish Institute of Steel Construction encontraram uma maneira efetiva para reduzir a altura total dos pisos mistos que existiam até então. Esta maneira seria

justamente apoiar os elementos da laje na aba inferior da viga. Assim, foi desenvolvida uma viga com as mesas inferiores mais largas que as superiores, com altura igual ou um pouco inferior à espessura da laje, reduzindo consideravelmente a altura total do composto.

A partir da década de 80, os países nórdicos (Noruega, Finlândia, Dinamarca, Suécia e

Islândia) foram grandes responsáveis por difundir esse tipo de sistema, criando inclusive outros tipos de seções para as vigas. A utilização nesses países começou com as chamadas Hat Beam ou vigas-caixa. A utilização destas vigas na Suécia aumentou cerca de 80% a utilização de estruturas de aço na década de 80 (LAWSON et al., 1997).

estruturas de aço na década de 80 (LAWSON et al ., 1997). Figura 3.3 – Vigas

Figura 3.3 – Vigas tipo “Hat beam” utilizadas nos países nórdicos na década de 80

A utilização das Hat beam teve grande sucesso, e a partir dela foram desenvolvidos

outros tipos. No início dos anos 90, surgiram na Finlândia a Hava beam e a Delta beam, que

se dimensionavam considerando o comportamento misto entre aço e concreto (INHA, 1992; LESKELÄ, 1997b; SARJA, 1997 apud PAES, 2003).

Figura 3.4 – Vigas tipo “Delta beam” (DE NARDIN & EL DEBS, 2005) Apesar do

Figura 3.4 – Vigas tipo “Delta beam” (DE NARDIN & EL DEBS, 2005)

Apesar do sucesso que obteve o sistema slim floor com a utilização das hat beam, até o início dos anos 90, apenas os países nórdicos e o Reino Unido apresentaram crescimento nas construções em aço na Europa. Ainda no início dos anos 90, o Steel Construction Institute (SCI), enviou à Suécia um grupo de engenheiros pesquisadores britânicos a fim de avaliar as capacidades e características desse sistema construtivo. Em 1991, British Steel (atual Corus) e SCI apresentam ao mercado um novo tipo de hat beam denominado Slimflor, que é um perfil laminado tipo I com uma placa de aço soldada na aba inferior (PAES, 2003).

Figura 3.5 – Vigas tipo Slimflor , desenvolvida por British Steel (Atual Corus ) e
Figura 3.5 – Vigas tipo Slimflor , desenvolvida por British Steel (Atual Corus ) e

Figura 3.5 – Vigas tipo Slimflor, desenvolvida por British Steel (Atual Corus) e SCI

Depois disso, a publicação intitulada Slim Floor Design and Construction, do SCI, apresentava o dimensionamento e verificação de pisos mistos de pequena altura compostos por vigas tipo Slimflor citadas acima e painéis alveolares pré-fabricados de concreto (MULLETT & LAWSON, 1993). O sistema Slimflor foi patenteado pela British Steel e chamou a atenção de arquitetos e engenheiros, inclusive de outras partes da Europa que não Reino Unido e os países nórdicos (MULLETT, 1998). Com os avanços das tecnologias de laminação de perfis, foi então desenvolvido um novo tipo de perfil mais competitivo economicamente. Em 1997, a British Steel e SCI lançam um novo tipo de perfil assimétrico, denominado Asymmetric Slimflor Beam (ASB), que consistia em um perfil laminado com a aba superior mais estreita que a inferior. Além disso, a parte externa da aba superior apresentava ranhuras introduzidas durante o processo de laminação, visando melhorar a aderência com o concreto da laje. Comparado ao antecessor Slimflor, o perfil ASB é mais leve, mais barato e tem menos distorções provocadas pela soldagem (PAES, 2003; LAWSON et al., 1997).

Figura 3.6 – Viga tipo ASB A partir do sistema ASB, foi desenvolvido então, novamente

Figura 3.6 – Viga tipo ASB

A partir do sistema ASB, foi desenvolvido então, novamente pela British Steel, o sistema patenteado como Slimdek. Este sistema também possui abas assimétricas e a laje mista moldada no local. As formas de aço para a confecção das lajes são bem mais altas que as utilizadas em lajes mistas posicionadas sobre a viga de aço, e as nervuras na face externa da mesa superior promovem o comportamento misto, pois favorecem a aderência aço-concreto (PAES, 2003).

pois favorecem a aderência aço-concreto (PAES, 2003). Figura 3.7 – Sistema Slimdek Segundo De Nardin &
pois favorecem a aderência aço-concreto (PAES, 2003). Figura 3.7 – Sistema Slimdek Segundo De Nardin &

Figura 3.7 – Sistema Slimdek

Segundo De Nardin & El Debs (2005), as vigas de borda exigem atenção especial com relação à torção e, por isso, o sistema slimdek é constituído também por um tipo de viga de borda denominada Rectangular Hollow Section Slimflor Beam (RHSFB), composta por um perfil tubular retangular e uma placa de aço soldada na face inferior.

Fi gura 3.8 – Viga de borda RHSFB (DE NARDIN & EL DEBS, 2005) Segundo

Figura 3.8 – Viga de borda RHSFB (DE NARDIN & EL DEBS, 2005)

Segundo Paes (2003), desde 1991 a companhia siderurgia luxemburguesa ARBED, atual grupo Arcelor, tem investido para o desenvolvimento de um sistema de piso misto de pequena altura. O sistema proposto se baseia na utilização de vigas denominadas Integrated Floor Beam (IFB), junto com lajes pré-moldadas compostas por painéis alveolares em concreto protendido. Visando ampliar a competitividade dos sistemas existentes e criar novos mercados de consumo na União Européia, ao longo da década de 90 finlandeses seguiram desenvolvendo sistemas para pisos mistos de pequena altura. Um dos resultados disso, o sistema Slim Floor é composto por um perfil I laminado assimétrico e lajes mistas com forma nervurada (MÄKELÄINEN & MA, 2000).

mistas com forma nervurada (MÄKELÄINEN & MA, 2000). a) Sistema IFB b) Slim Floor desenvolvido na

a)

Sistema IFB

nervurada (MÄKELÄINEN & MA, 2000). a) Sistema IFB b) Slim Floor desenvolvido na Finlândia Figura 3.9

b)

Slim Floor desenvolvido na Finlândia

Figura 3.9 – Sistemas mistos (DE NARDIN & EL DEBS, 2005)

Além destes, existe também um sistema desenvolvido pela empresa brasileira

CODEME S.A

laje mista moldada in loco, formada por chapas nervuradas convencionais de 75 mm de altura.

Este é constituído por vigas metálicas de 200 mm a 250 mm de altura e uma

A chapa se apóia diretamente sobre a aba inferior do perfil de aço e o concreto da laje mista fica situado no mesmo nível da aba superior das vigas. Devido à pequena altura da chapa nervurada, usam-se vigas secundárias (B2) dispostas a cada 2000 mm a 3000 mm. As vigas principais (B1) podem alcançar vãos de 5000 mm a 8000 mm dependendo da espessura total da laje e se conectam aos pilares através de ligações rígidas (PAES, 2003). As vigas deste sistema se calculam como vigas de aço isoladas. Apesar de não considerar o comportamento misto das vigas, neste sistema se dá continuidade às armaduras superiores da laje (perpendiculares a alma da viga) e se utilizam alguns conectores de cisalhamento, tanto na posição horizontal, na alma do perfil, como na posição vertical, sobre a aba inferior dos mesmos. (Queiroz et al., 1999; Queiroz et al., 2000). O sistema se mostra muito atrativo e econômico para a construção de edifícios e apresenta resultados adequados em relação aos estados limite de serviço e aos estados limite últimos.

em relação aos estados limite de serviço e aos estados limite últimos. Figura 3.10 – Slim

Figura 3.10 – Slim floor CODEME

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33

TTIIPPOOLLOOGGIIAA DDOOSS EELLEEMMEENNTTOOSS EEMMPPRREEGGAADDOOSS

Os pisos mistos de pequena altura são compostos por basicamente dois tipos de elementos: vigas e lajes. Apesar disto, a sua versatilidade é muito grande, pois podem ser utilizados vários tipos de perfis para as vigas, sendo eles soldados ou laminados, e combinados com lajes, que podem ser compostas por painéis alveolares, mista com ou sem forma incorporada, resultando em uma diversidade de combinações possíveis. Paes (2003) resume essas variações conforme mostrado a seguir:

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TTIIPPOOLLOOGGIIAA DDEE VVIIGGAASS

Tabela 3.1– Formas típicas de vigas para pisos mistos de pequena altura

Seção transversal

Descrição

mistos de pequena altura Seção transversal Descrição Hat beam clássica. A seção transversal da viga é

Hat beam clássica. A seção transversal da viga é constituída por quatro placas soldadas, formando uma viga-caixa.

por quatro placas soldadas, formando uma viga-caixa. A seção transversal da viga é constituída por dois

A seção transversal da viga é constituída por dois

perfis tipo T estrutural e uma placa de aço soldada na

parte superior.

T estrutural e uma placa de aço soldada na parte superior. A seção transversal da viga

A seção transversal da viga é constituída por três

perfis tipo T estruturais soldados entre si.

por três perfis tipo T estruturais soldados entre si. Thor beam – ConstructThor A seção transversal

Thor beam – ConstructThor

A seção transversal da viga é constituída por dois

perfis U laminados e uma placa de aço soldada, que forma a aba inferior. Para compor a seção transversal solda-se uma pequena placa de aço na aba superior de cada perfil U, e ao longo do eixo longitudinal da viga dispõem-se perfis angulares soldados entre estas placas verticais. A tipologia se emprega nos países nórdicos e no Reino Unido. A Thor beam é uma das tipologias originais para sistemas slim floor desenvolvidas nos países nórdicos. ConstructThor é uma marca registrada no Reino Unido.

A seção transversal da viga é constituída por um perfil laminado tipo Universal Column (UC)

A seção transversal da viga é constituída por um perfil

laminado tipo Universal Column (UC) (posicionado com a alma na direção horizontal e as mesas na direção vertical) e duas placas de aço soldadas às abas do perfil UC.

e duas placas de aço soldadas às abas do perfil UC. A seção transversal da viga

A seção transversal da viga é constituída por um perfil

laminado tipo Universal Column (UC) e a laje se apoia na aba inferior do perfil. Para possibilitar a montagem das lajes alveolares pré- moldadas de concreto, pode-se recortar parte dos extremos das lajes ou recortar uma parte da aba superior em um dos extremos, para que se possa introduzir as placas e deslizá-las horizontalmente até a posição adequada.

e deslizá-las horizontalmente até a posição adequada. Viga tipo Slimflor A seção transversal é constituída

Viga tipo Slimflor

A seção transversal é constituída por um perfil

laminado tipo Universal Column (UC) e uma placa de aço soldada na aba inferior. Slimflor é uma marca registrada de British Steel (atual Corus).

é uma marca registrada de British Steel (atual Corus). Viga tipo Delta beam A seção transversal

Viga tipo Delta beam

A seção transversal é constituída por quatro placas de

aço soldadas formando uma viga-caixa. As almas da seção são inclinadas e possuem furos circulares de grande diâmetro dispostos ao longo da viga.

circulares de grande diâmetro dispostos ao longo da viga. Asymmetric slimflor beam (ASB) Trata-se de um

Asymmetric slimflor beam (ASB) Trata-se de um perfil laminado assimétrico, com a aba superior mais estreita que a aba inferior.

A face externa da aba superior do perfil contém

ranhuras superficiais que se introduzem durante o processo de laminação.

É um perfil desenvolvido pela British Steel (atual

Corus).

um perfil desenvolvido pela British Steel (atual Corus). Integrated floor beam (IFB) A seção transversal da

Integrated floor beam (IFB)

A seção transversal da viga está constituída por uma

placa de aço soldada a alma da metade de um perfil laminado, formando uma seção assimétrica. Esta tipologia foi desenvolvida por ARBED (atual grupo Arcelor).

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33 22

TTIIPPOOLLOOGGIIAA DDEE LLAAJJEESS

Tabela 3.2 - Formas típicas de lajes para pisos mistos de pequena altura

Seção transversal

Descrição

mistos de pequena altura Seção transversal Descrição Painel alveolar pré-moldado de concreto protendido.

Painel alveolar pré-moldado de concreto protendido. Trata-se de um painel com altura constante, onde os alvéolos podem apresentar geometrias distintas.

onde os alvéolos podem apresentar geometrias distintas. Laje mista com chapa nervurada. Nas lajes mistas, a

Laje mista com chapa nervurada. Nas lajes mistas, a chapa nervurada de aço, além de atuar como forma, colabora com a resistência, substituindo total ou parcialmente as armaduras de tração.

substituindo total ou parcialmente as armaduras de tração. Laje mista com chapa nervurada de grande altura.

Laje mista com chapa nervurada de grande altura. Semelhante à anterior, mas as chapas possuem uma altura maior, diminuindo o consumo de concreto.

possuem uma altura maior, diminuindo o consumo de concreto. Laje pré-moldada treliçada. Trata-se de uma placa

Laje pré-moldada treliçada. Trata-se de uma placa de concreto unida à armadura de forma treliçada. Depois do seu posicionamento sobre as vigas, é preenchida com concreto moldado no local para regularização e uniformização.

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PPRRIINNCCÍÍPPIIOOSS DDEE DDIIMMEENNSSIIOONNAAMMEENNTTOO

Como já foi descrito anteriormente, os pisos mistos de pequena altura podem ser compostos de diversas maneiras, combinando-se o tipo de viga e laje utilizadas. Mas independente do tipo de sistema utilizado, o dimensionamento/verificação de vigas slim floor deve ser feito levando em consideração os estados limites, último e de serviço. Assim como no projeto de estruturas mistas em geral, o dimensionamento das vigas tipo slim floor requer a consideração dos diferentes tipos de solicitação que ocorrem na estrutura desde a fase construtiva até que a mesma entre em serviço. Na etapa construtiva as verificações são mais importantes em vigas que não estão escoradas, pois estas têm que suportar o peso do concreto fresco (no qual ainda não existe o comportamento misto), além de outras cargas de execução.

Depois que a estrutura está em funcionamento, com o endurecimento do concreto, a viga é considerada travada lateralmente mesmo que ainda não exista o comportamento misto.

Segundo Paes (2003), o dimensionamento de vigas slim floor deve ser realizado levando em consideração os seguintes aspectos:

a) Durante a etapa construtiva, as vigas podem estar sujeitas a cargas desequilibradas em relação ao seu eixo longitudinal. Nesta situação aparecem esforços de flexão e torção simultâneos na viga;

b) Para as vigas internas não é necessário considerar a verificação da hipótese de cargas desequilibradas em relação ao seu eixo longitudinal na etapa de funcionamento da estrutura;

c) A capacidade resistente das seções transversais a momento fletor pode ser determinada segundo a teoria plástica, sempre que as seções transversais assim permitirem;

d) As vigas podem estar escoradas ou não escoradas na etapa construtiva;

e) Considera-se a viga não travada lateralmente na etapa construtiva e travada lateralmente na etapa de funcionamento da estrutura.

CAPÍTULO

AANNÁÁLLIISSEE NNUUMMÉÉRRIICCAA

4

44 11

AAPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO

Neste capítulo são apresentadas as bases para o desenvolvimento de um modelo numérico para a simulação do comportamento de um piso misto aço-concreto de pequena altura.

Primeiramente é feita uma breve apresentação do software utilizado, mostrado alguns aspectos de como são tratados internamente pelo programa os procedimentos de análise e também quais as estratégias de modelagem adotadas. Para a referida análise, foi considerada a não-linearidade física dos materiais, o que dificultou substancialmente a convergência para níveis elevados de carga. Assim, foram necessárias exaustivas análises até que o modelo apresentasse resultados satisfatórios. No decorrer deste capítulo também são abordados alguns dos principais parâmetros alterados na fase de validação do modelo.

Por fim, depois que foi obtido um modelo que apresentou boas respostas para o problema em questão, os resultados foram extrapolados em uma análise paramétrica na qual foram variadas algumas características a fim de avaliar a influência de cada uma delas.

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OO PPRROOGGRRAAMMAA TTNNOO DDIIAANNAA ®®

O software DIANA é um pacote computacional de elementos finitos, baseado no método dos deslocamentos e desenvolvido desde 1972 por engenheiros civis da TNO Building and Construction Research Company (Holanda). Seu campo de aplicação é vasto, sendo utilizado também na engenharia mecânica, biomecânica, geotécnica, entre outras. Na Europa é utilizado em análises de pontes, barragens, plataformas offshore, rodovias, ferrovias e túneis. Porém, o diferencial deste para os demais softwares de elementos finitos, é que foi totalmente desenvolvido por engenheiros civis, e por isso, é uma poderosa ferramenta na simulação do concreto, considerando seus fenômenos complexos como fissuração, plasticidade, fluência, retração, cura, efeitos de temperatura e instabilidade, entre outros. Todos esses fenômenos podem ser combinados e aplicados em análises lineares, não-lineares, dinâmicas, etc. Além disso, o software DIANA oferece cerca de 200 elementos em sua biblioteca, como vigas retas e curvas, sólidos, membranas, placas, cascas, elementos de contato e interface. Foi utilizada a versão 9.4, registrada para o Departamento de Estruturas da Escola de Engenharia de São Carlos.

44 33

PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO

Este item do trabalho pretende apresentar de maneira objetiva como foi gerado o modelo a partir do pré-processador disponível, abordando de forma resumida os passos executados e comentando sobre as dificuldades de modelagem encontradas. Também será mostrado como é feita a saída e visualização de resultados.

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PPRRÉÉ--PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO

O pacote computacional DIANA dispõe de um pré-processador chamado iDiana

(Interface Diana), que oferece uma interface gráfica para a visualização do modelo durante a

fase de criação, o que é fundamental principalmente para usuários inexperientes. Vale lembrar que toda a criação do modelo contendo geometria, carregamentos, condições de contorno, propriedades físicas e mecânicas que será explicada pela interface gráfica também pode ser executada através de um script fornecido pelo usuário.

A criação de scripts é bastante comum entre usuários de programas de elementos

finitos, pois embora sua criação exija um tempo considerável, depois de pronta torna-se uma boa e rápida ferramenta para alteração do modelo através de linhas de comando. Com o intuito de otimizar a criação de diversos modelos com diferentes características, nesta pesquisa foi elaborado um script dentro da planilha eletrônica EXCEL. Esta escolha se deveu por conta das facilidades operacionais do programa e experiências de outros usuários. Porém, pode-se utilizar linguagem de programação para as rotinas como, por exemplo, o FORTRAN. A seguir é apresentado de maneira resumida como foi gerado o modelo, lembrando que existem várias outras opções além das citadas aqui, porém não faz parte do escopo deste item do trabalho. Ao abrir o iDiana, selecionar as opções File → New. Nesta opção são definidos a pasta de trabalho, nome do modelo, programa de análise (DIANA, DFX, etc), tipo de análise (estrutural 2D ou 3D, etc) e as unidades adotadas (comprimento, massa, força, tempo e temperatura). Atentar para este último, pois a partir de então todo o modelo será função destas unidades, sendo a causa de muitos erros a entrada de dados posterior em unidades diferentes. A partir daí começa a criação da geometria, que segue níveis de hierarquia usados por

qualquer programa de elementos finitos, com pontos, linhas, superfícies e sólidos. Criam-se pontos através de coordenadas dos eixos globais X, Y e Z. A partir deste, são geradas linhas apenas indicando o nome de dois pontos já criados. A partir de quatro linhas criam-se superfícies.

Figura 4.1 – Criação de um novo modelo através do iDiana Vale ressaltar que só

Figura 4.1 – Criação de um novo modelo através do iDiana

Vale ressaltar que só é possível criar superfícies com quatro linhas desde que o nome destas seja informado em uma ordem onde elas estejam adjacentes. Por exemplo:

em uma ordem onde elas estejam adjacentes. Por exemplo: Para a criação da superfície S1 acima,

Para a criação da superfície S1 acima, através do navegador do lado esquerdo, seleciona-se a opção GEOMETRY SURFACE 4POINTS S1 L1 L4 L2 L3. Será considerada sintaxe inválida se a ordem informada for L1 L2 L3 e L4. A partir das superfícies criadas, procede-se à criação dos sólidos, aqui chamados bodies. Estes são gerados a partir da informação de seis superfícies, sendo três pares de superfícies paralelas. Depois que todas as entidades geometrias estão prontas, é conveniente proceder à criação de sets, que nada mais são do que agrupamentos destas entidades de modo a facilitar quando se deseja trabalhar com mais de uma entidade por vez. Como exemplo pode-se agrupar todos os sólidos correspondentes ao concreto e agrupá-los em um set chamado CONCRETO, pois assim, quando for definir as propriedades do material, define-se para o set e não para cada body individualmente.

Não há limites para a criação de sets, podendo inclusive agrupar a mesma entidade geométrica em diferentes sets. Este recurso também é conveniente para isolar partes específicas do modelo para saída de resultados, pedindo, por exemplo, o deslocamento apenas em determinados pontos. Depois disso, é necessário dividir as linhas de maneira que na geração da malha de elementos finitos os nós sejam “casados”. O padrão do DIANA é fazer a divisão de todas as linhas por quatro, porém, com essa opção dificilmente conseguirá se obter uma boa malha. Recomenda-se que linhas paralelas de mesmo comprimento possuam o mesmo número de divisões. Quando as linhas estiverem com as divisões definidas, é necessário definir os elementos que farão parte da malha de elementos finitos, as condições de contorno, propriedades dos materiais (físicas e mecânicas) e carregamentos. A partir desse momento, o modelo está pronto para que sua malha seja gerada através do comando MESH GENERATE. Se nenhum problema for encontrado pelo programa, a malha será gerada e serão informados quantos elementos e quantos nós foram criados. Uma das dificuldades encontradas nesta pesquisa durante a fase de modelagem foi a transferência de esforços de um material para o outro. Quando o modelo envolve dois ou mais materiais distintos como aço e concreto, é necessário que os nós que ocupam o mesmo lugar no espaço tenham seus deslocamentos igualados, caso contrário não haverá transferência de esforços de um material para o outro. No DIANA isso é feito através do comando MERGE. Quando não existem elementos de interface, a utilização deste comando determinará que a interação seja considerada perfeita ou total. Quando são introduzidos elementos de interface, é necessário cautela para não anular o comportamento da mesma através desse comando. A seguir será descrito as estratégias de modelagem da interface e a compatibilização de deslocamentos de nós coincidentes. Em um modelo tridimensional, a interface entre aço e concreto não possui propriedade física de espessura. A interface existe entre os dois materiais, porém sua espessura é nula. Para a criação da interface, é necessário que sejam definidos bodies para determinar que os elementos de interface sejam vinculados a estes bodies. Assim, no lugar onde os dois materiais se encontram, os pontos dos volumes correspondentes ao aço estão posicionados no mesmo espaço dos pontos dos volumes correspondentes ao concreto. Nesta mesma região são então criadas então duas superfícies de

interface que ocupam rigorosamente o mesmo lugar no espaço e são paralelas entre si (Sup. de interface 1 e 2).

espaço e são paralelas entre si (Sup. de interface 1 e 2). Figura 4.2 – Superfícies

Figura 4.2 – Superfícies de interface ocupando o mesmo lugar no espaço

A partir destas duas superfícies criadas, é gerado um body. No DIANA quando se utiliza o comando BODY a partir de duas superfícies paralelas, as outras quatro superfícies são geradas automaticamente. Para o programa gerar essas superfícies complementares, são geradas também linhas complementares. Estas linhas possuem comprimento zero por conta da não existência de espessura no body de interface, porém é necessário dividi-las em um elemento, caso contrário o programa dividirá com seu valor padrão que é quatro, e a malha não será gerada. A figura 4.3 mostra como é feito este procedimento. Depois de feito isso, é criado um set que contém os bodies de concreto e a superfície de interface 1. E por analogia, criado outro set que contém os bodies do aço e a superfície de interface 2. A partir de então, o comando MERGE deve ser utilizado separadamente para cada um desses sets que acabaram de ser criados.

Figura 4.3 – Criação dos bodies de interface Figura 4.4 – Comando merge para as

Figura 4.3 – Criação dos bodies de interface

Figura 4.3 – Criação dos bodies de interface Figura 4.4 – Comando merge para as superfícies

Figura 4.4 – Comando merge para as superfícies de interface

Depois que todos esses passos são executados, é feito um teste de qualidade da malha. Este teste avalia se um elemento desvia significativamente do seu ideal teórico, levando em consideração ângulos de abertura máximos e mínimos, fator de aspecto (se uma dimensão for

muito superior às outras, fazendo com que o elemento fique alongado), posição do nó central para elementos de ordem mais alta, entre outras. Vale ressaltar que se o teste falhar em algum dos critérios não haverá problemas em gerar a malha, sendo indicado apenas um aviso e não um erro. Porém, recomenda-se que a malha seja alterada de forma que todos os elementos passem no teste de qualidade. Por fim, é necessário gerar o arquivo dat, que é o arquivo que contém todas as informações do pré-processamento realizado até então, e será o arquivo de entrada para o processador.

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PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO

O processamento pode ser executado basicamente de duas formas, pela entrada gráfica disponível no programa ou simplesmente por linhas de comando. Para usuários iniciantes é indispensável a utilização da entrada através do processador DIANA, pois com a visualização da interface gráfica é mais fácil a navegação. Os usuários mais experientes sentem-se mais a vontade com a utilização do aplicativo command box, onde o processamento é executado através de uma linha de comando, tornando mais prática e rápida a escolha dos parâmetros de processamento. Em ambos os casos é necessário previamente que o arquivo dat seja gerado pelo pré- processador iDiana, detalhado no item anterior. Através da entrada gráfica, primeiro escolhe-se a pasta de trabalho e a localização do arquivo dat. A partir daí define-se qual o tipo de análise se procederá (linear, não-linear, transiente, etc) e então é aberta a janela principal do programa conforme a figura 4.5. Nessa janela é onde são definidos todos os parâmetros necessários a análise, como o método de resolução dos sistemas não-lineares, quantidade de passos de carga, número máximo de iterações, critérios de convergência, saída de dados, etc. Depois que todos os critérios são definidos, pode-se salvar essas alterações gerando assim um arquivo com a extensão com, que pode ser lido e editado por qualquer editor de texto. Assim como o arquivo dat gerado no iDiana contém todas as informações sobre geometria, carregamentos e propriedades do modelo, o arquivo com gerado agora contém todas as informações relativas aos critérios de processamento. Com este arquivo, não é mais necessário utilizar a entrada gráfica, e os parâmetros podem ser alterados em um simples editor de texto.

Figura 4.5 – Interface gráfica do DIANA Tendo esses dois arquivos, o processamento pode ser

Figura 4.5 – Interface gráfica do DIANA

Tendo esses dois arquivos, o processamento pode ser efetuado de maneira mais rápida através do aplicativo command box. Basta apenas entrar na pasta onde estão o arquivos dat e com e o processamento é feito através do comando “diana –m arquivo.dat arquivo.com”.

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PPÓÓSS--PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO

A saída de resultados pode ser obtida de duas maneiras: através de dados tabulados ou em femview. A primeira maneira é muito útil quando se deseja informações específicas e localizadas, como por exemplo, deslocamentos e tensões em determinado ponto. Para isso, basta que seja criado um set com as entidades geométricas de interesse e definidas quais as informações desejam ser obtidas para aquele set. Já a saída em femview, é a saída dos resultados de forma gráfica que pode ser visualizada pelo pós-processador iDiana. Esta última permite a visualização de aspectos como panorama de fissuração, distribuição de tensões, deslocamentos e etc.

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GGEEOOMMEETTRRIIAA DDOO MMOODDEELLOO EE CCOONNDDIIÇÇÕÕEESS DDEE CCOONNTTOORRNNOO

O modelo de elementos finitos, contendo geometria, condições de contorno, carregamentos e propriedades dos materiais foi gerado a partir do pré-processador iDiana. A criação do modelo foi feita com base na geometria dos protótipos ensaiados pelo Steel Construction Institute (SCI) (LAWSON et al., 1997) e também pelo modelo de elementos finitos criado por Paes (2003) utilizando os programas GiD e ANSYS. A escolha deste modelo deve-se ao fato de existir uma quantidade suficiente de informações das características dos materiais, procedimentos de ensaio e de modelagem computacional. Além disso, dispõe-se dos resultados experimentais obtidos por Lawson et al. (1997) e numéricos realizados por Paes (2003), que permitem uma melhor calibração do modelo numérico.

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11

MMOODDEELLOO EEXXPPEERRIIMMEENNTTAALL ((LLAAWWSSOONN EETT AALL

,,11999977))

Aqui são apresentadas as características dos modelos experimentais de vigas slim floor que foram desenvolvidos pelo Steel Construction Institute – SCI e British Steel (atual Corus) no Reino Unido, onde foram utilizados perfis tipo Asymmetric Slimflor Beam (ASB).

O objetivo desses modelos experimentais é determinar o momento fletor resistente da

viga mista e a tensão última de aderência na interfase entre aço e concreto. Além disso, o ensaio também tem a finalidade de avaliar a degradação da aderência entre os materiais devido a cargas dinâmicas e determinar a rigidez da seção mista para o cálculo das flechas e para análise de vibrações. Aqui serão apresentados os aspectos mais relevantes para esta pesquisa, uma descrição detalhada dos modelos e procedimentos de ensaios podem ser encontradas em Lawson et al.

(1997).

O modelo físico em si é composto por uma viga slim floor do tipo ASB (Asymmetric

Slimflor Beam), perfil 280 ASB 100, integrado com uma laje mista com concreto moldado in

loco, formada por uma chapa nervurada de grande altura tipo PMF Comflor 210 (CF 210).

O esquema estrutural corresponde a uma viga biapoiada com 7500 mm de vão livre e

carregada com quatro cargas concentradas de mesmo valor. A seção transversal da viga mista tem uma largura da laje de 1000 mm, que é aproximadamente 1/8 do valor do vão.

Figura 4.6 – Características geométricas do modelo experimental de uma viga slim floor com um
Figura 4.6 – Características geométricas do modelo experimental de uma viga slim floor com um

Figura 4.6 – Características geométricas do modelo experimental de uma viga slim floor com um perfil 280 ASB, ensaiado pelo Steel Construction Institue (SCI) e British Steel (autal Corus) (LAWSON et al.,

1997)

As cargas concentradas provenientes das prensas hidráulicas são introduzidas no modelo experimental através de perfis metálicos que distribuem a carga em uma área superficial em sentido transversal. Procedimento este, que é necessário para evitar concentração de tensões e rupturas localizadas. A disposição das cargas concentradas foi determinada de maneira que os diagramas de momentos fletores gerados fossem muito próximos aos que se obteriam com a aplicação de uma carga uniformemente distribuída com seu valor total igual ao somatório das quatro cargas concentradas. Para este modelo se especificou um perfil 280 ASB 100, porém, as dimensões reais são as indicadas na figura 4.6.

O aço estrutural especificado para o modelo experimental é do tipo S355, sendo considerado para tal um valor para a tensão de escoamento f y =410 MPa. Foi especificado também um concreto do tipo leve de classe C25/30. Tendo em vista os ensaios de caracterização dos materiais, consideram-se as características mecânicas equivalentes às de um concreto classe C35/40, porém, com um peso específico de 19,04 KN/m³. A figura 4.7 é apresenta o gráfico momento fletor x flecha obtido para o modelo experimental. Maiores detalhes sobre este modelo podem ser encontrados em Lawson et al. (1997). O máximo valor de momento fletor para este ensaio foi de 790 kN.m, correspondente a uma flecha máxima no centro do vão de 150 mm.

900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 50 100 150 200
900
800
700
600
500
400
300
200
100
0
0
50
100
150
200
Flecha no centro do vão (mm)
Momento fletor máximo (KN.m)

Figura 4.7 – Diagrama Momento fletor x Flecha para o modelo experimental

44 44 22

MMOODDEELLOO NNUUMMÉÉRRIICCOO ((PPAAEESS,,22000033))

Com base nas características geométricas do modelo experimental detalhado acima, Paes (2003) definiu a geometria de um modelo tridimensional de elementos finitos para a simulação do comportamento estrutural de vigas slim floor, mostrado na figura 4.8:

Figura 4.8 – Modelo de elementos finitos proposto por Paes (2003) 57

Figura 4.8 – Modelo de elementos finitos proposto por Paes (2003)

Figura 4.9 – Perspectiva do modelo tridimensional proposto por Paes (2003) O modelo de elementos

Figura 4.9 – Perspectiva do modelo tridimensional proposto por Paes (2003)

O modelo de elementos finitos supracitado se utiliza de elementos sólidos hexaédricos

de oito nós, com três graus de liberdade por nó (deslocamentos) para ambos os materiais, aço

e concreto. Os elementos que representam esses materiais apresentam, na região de interface,

nós que ocupam o mesmo lugar no espaço. Porém, a ligação entre eles é feita através de uma

“mola de interface”, que possui uma lei constitutiva para representar o comportamento desta

região.

Para a construção do modelo, lançou-se mão do recurso de simetria no meio do vão

como estratégia para reduzir o número de elementos e nós e o conseqüente tempo de

processamento. A malha final possui 3640 nós, 2185 elementos sólidos e 360 “molas de

interface”.

A aplicação das cargas é reproduzida de maneira semelhante àquela situação do

modelo experimental, onde elas são introduzidas em pequenas áreas no sentido transversal

sobre a face superior dos elementos que representam a capa do concreto, de maneira que os

eixos verticais das prensas hidráulicas passem pelos centros de gravidade das respectivas

áreas.

As propriedades consideradas para o concreto são equivalentes a um concreto de

classe C35/40, onde foram consideradas as seguintes propriedades:

f c = 35 MPa

f ct = 3,23 MPa

E c = 35000 MPa

υ = 0,20

O modelo constitutivo adotado considera um critério de falha baseado na superfície de

fluência de Drucker-Prager combinada com a superfície de falha de Willam & Warnke (1975)

à tração.

Já para o aço é considerado um modelo constitutivo bilinear com as seguintes

propriedades mecânicas:

f y = 410 MPa

E a = 210000 MPa

υ = 0,30

O perfil tipo Asymmetric Slimflor Beam (ASB) apresenta ranhuras superficiais na face

superior da mesa superior, semelhante às ranhuras das chapas de aço que se utilizam na alma

do perfil metálico da interfase “tipo R”, estudada por Leskelä & Hopia (2000). A partir deste

estudo, a lei força-deslizamento das “molas de interface” foi definida através de uma

reinterpretação dos resultados de ensaio push-out para essas interfaces “tipo R”.

A figura 4.10 apresenta o gráfico momento fletor x flecha obtido para o modelo

numérico. Maiores detalhes sobre a construção do modelo numérico podem ser encontradas

em Paes (2003). O máximo valor de momento fletor para este ensaio foi de 784 kN.m,

correspondente a uma flecha máxima no centro do vão de 150 mm.

900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 50 100 150 200
900
800
700
600
500
400
300
200
100
0
0
50
100
150
200
Flecha no centro do vão (mm)
Momento fletro máximo (KN.m)

Figura 4.10 - Diagrama Momento fletor x Flecha para o modelo numérico

44 44 33

MMOODDEELLOO AADDOOTTAADDOO NNEESSTTAA PPEESSQQUUIISSAA

O modelo adotado neste trabalho foi baseado no modelo de elementos finitos proposto

por Paes (2003). A figura 4.11 mostra o modelo genérico gerado, a partir do qual foram

alterados aspectos como dimensões e refinamento da malha, de acordo com o problema analisado e as necessidades de cada caso.

com o problema analisado e as necessidades de cada caso. a) Perfil de aço b) Concreto

a)

Perfil de aço

analisado e as necessidades de cada caso. a) Perfil de aço b) Concreto c) Interface Figura

b)

Concreto

as necessidades de cada caso. a) Perfil de aço b) Concreto c) Interface Figura 4.11 –

c)

Interface

Figura 4.11 – Malha de elementos finitos dos componentes do modelo numérico

Com o objetivo de reduzir o número de elementos, e o conseqüente tempo de processamento, optou-se por utilizar o recurso de vinculações de simetria. A princípio lançou- se mão de um modelo com um quarto de simetria, porém, por experiências anteriores de outras pesquisas dentro do Departamento de Estruturas da EESC, a idéia foi descartada por conta de efeitos de instabilidade no perfil de aço. A partir daí, utilizou-se simetria para metade do modelo, com as condições de contorno específicas para este caso no centro do vão. Porém, nas análises preliminares não foram obtidos bons resultados, principalmente após o modelo ultrapassar a fase elástica. Após várias simulações, o autor não identificou o porquê da não convergência do modelo e foi abandonada a utilização de vinculações de simetria.

Figura 4.12 – Modelo idealizado inicialmente com um quarto de simetria Com isso, lançou-se mão

Figura 4.12 – Modelo idealizado inicialmente com um quarto de simetria

Com isso, lançou-se mão do modelo sem simetria, que embora tenha elevado consideravelmente o tempo de processamento, já apresentou resultados coerentes desde as primeiras análises. Assim, as condições de contorno utilizadas referem-se aos apoios no extremo da viga, onde são as restringidos os deslocamentos nas direções X e Y (u x e u y ) da linha externa transversal do sólido correspondente a aba inferior do perfil metálico em um dos apoios, e também os deslocamentos nas direções X, Y e Z (u x , u y e u z ) do outro apoio.

X, Y e Z (u x , u y e u z ) do outro apoio.

a) Apoio restringido em X, Y e Z

e u z ) do outro apoio. a) Apoio restringido em X, Y e Z b)

b)

Apoio restringido em X e Y

Figura 4.13 – Condições de contorno do modelo numérico

As cargas concentradas provenientes das prensas hidráulicas aplicadas no modelo experimental são introduzidas através de chapas metálicas que distribuem a carga em uma área superficial em sentido transversal. A princípio, foram adicionadas chapas metálicas no modelo numérico com rigidezes muito elevadas a fim de aplicar a carga sobre elas, porém, como é necessário igualar deslocamentos para nós coincidentes, as chapas não permitiam que

o concreto deformasse na região de encontro dos dois materiais, e por isso abandonou-se a utilização dessas. Assim, no modelo numérico, as cargas são adicionadas sob forma de pressão na superfície superior do volume correspondente ao concreto, de modo que os eixos verticais da prensa hidráulica do modelo experimental passem pelo centro de gravidade das respectivas áreas. Este é um procedimento importante para evitar problemas de concentração de tensões no modelo de elementos finitos, que pode dificultar a convergência até a solução para níveis elevados de carga.

até a solução para níveis elevados de carga. Figura 4.14 – Cargas distribuídas transversalmente sobre

Figura 4.14 – Cargas distribuídas transversalmente sobre o concreto

Para a consideração do comportamento na região de encontro dos dois materiais (aço e concreto), foram utilizados elementos de interface em todas as superfícies de contato. Porém, dependendo da região, diferentes parâmetros de rigidez normal e cisalhante foram considerados. Assim, na face inferior da aba superior do perfil de aço, foram colocados elementos de interface apenas por conveniência para a criação do modelo, porém, as rigidezes cisalhante e normal são consideradas zero devido à dificuldade de garantir uma concretagem adequada nesta região. Outra zona peculiar é a face superior da aba superior do perfil de aço, onde as rigidezes cisalhante e normal são mais elevadas que as demais regiões de contato por conta das ranhuras oriundas do processo de laminação, que garantem uma melhor aderência.

a) Aderência nula na interface b) Aderência elevada na interface Figura 4.15 – Regiões com

a) Aderência nula na interface

a) Aderência nula na interface b) Aderência elevada na interface Figura 4.15 – Regiões com diferentes

b)

Aderência elevada na interface

Figura 4.15 – Regiões com diferentes aderências

44 55

EELLEEMMEENNTTOOSS FFIINNIITTOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS

Para a simulação numérica, como o modelo adotado é tridimensional, a princípio foram escolhidos elementos sólidos isoparamétricos com interpolação linear para deslocamentos. Os elementos sólidos exigem um grande custo computacional devido o tamanho da matriz de rigidez do elemento, além de necessitar um bom refinamento da malha para obter soluções representativas, e devem ser utilizados apenas quando não houver possibilidade de se utilizar elementos menos robustos. Porém, em DIANA (2005a), é ressaltado que elementos sólidos com interpolação linear para deslocamentos possuem deficiências intrínsecas, como cisalhamento parasítico e retenção volumétrica, que não são facilmente tratadas em análises não-lineares. Assim, optou-se pela utilização de um elemento sólido com interpolação quadrática para deslocamento, o HE20 CHX60. Esse tipo de elemento tem a vantagem de reduzir o número final de nós e de elementos, mas em contrapartida elevam o custo computacional. Uma das características dos elementos sólidos é apresentar deslocamentos como graus de liberdade.

Figura 4.16 – Deslocamentos como graus de liberdade nos nós dos elementos sólidos Esses deslocamentos

Figura 4.16 – Deslocamentos como graus de liberdade nos nós dos elementos sólidos

Esses deslocamentos nodais geram deformações infinitesimais nos elementos, resultando em um vetor de deformações e suas respectivas componentes, conforme mostrado na figura 4.18.

e suas respectivas componentes, conforme mostrado na figura 4.18 . Figura 4.17 – Deformações do elemento

Figura 4.17 – Deformações do elemento sólido

Figura 4.18 – Tensões de Cauchy no elemento sólido Os elementos de interface possuem a

Figura 4.18 – Tensões de Cauchy no elemento sólido

Os elementos de interface possuem a capacidade de representar o comportamento entre dois materiais, relacionando tensão normal e tensão cisalhante com o deslizamento relativo nas duas direções. Além disso, é possível representar a não-linearidade na interface, como o atrito de Mohr-Coloumb e o comportamento Bond-slip.

o atrito de Mohr-Coloumb e o comportamento Bond-slip . Figura 4.19 – Deslocamentos, deslocamentos relativos e

Figura 4.19 – Deslocamentos, deslocamentos relativos e trações no elemento de interface

De maneira geral, os softwares de elementos finitos permitem considerar a não- linearidade física dos materiais de duas maneiras distintas. A primeira possibilidade é considerá-la independente do tipo de elemento utilizado. A segunda possibilidade é considerá- la apenas com um conjunto de determinados elementos. Os programas que adotam a primeira possibilidade, a seleção de um tipo de elemento para um determinado problema não-linear não está limitada a um grupo específico de elementos. Isto permite selecionar tipos de elementos mais adequados à construção de determinado modelo, tornando a modelagem mais versátil. Assim, a segunda possibilidade, na qual apenas alguns tipos de elementos consideram a não-linearidade física dos materiais torna a modelagem mais restrita. O software DIANA utiliza a primeira possibilidade.

44

55 11

EELLEEMMEENNTTOOSS PPAARRAA MMOODDEELLAAGGEEMM DDOO AAÇÇOO EE DDOO CCOONNCCRREETTOO

Conforme citado anteriormente, para a simulação numérica do aço e do concreto foi utilizado o elemento HE20 CHX60. Trata-se de um elemento sólido isoparamétrico com 20 nós e interpolação quadrática para deslocamentos. Cada nó apresenta três graus de liberdade, sendo estes os deslocamentos nas direções x, y e z.

sendo estes os deslocamentos nas direções x, y e z. Figura 4.20 – Elemento HE20 CHX60

Figura 4.20 – Elemento HE20 CHX60 com o polinômio de deslocamentos

44 55 22

EELLEEMMEENNTTOOSS PPAARRAA AA MMOODDEELLAAGGEEMM DDAA IINNTTEERRFFAACCEE

Para a interface entre aço e concreto, foi utilizado o elemento IS88 CQ48I. Trata-se de um elemento com 16 nós, próprio para a utilização entre dois planos em um modelo tridimensional. Este elemento também possui interpolação quadrática para deslocamentos, e foi escolhido em função dos elementos sólidos para o aço e o concreto, a fim de “casar” a malha de elementos finitos de todo o modelo.

“casar” a malha de elementos finitos de todo o modelo. Figura 4.21 – Tipologia e deslocamentos

Figura 4.21 – Tipologia e deslocamentos do elemento de interface IS88 CQ48I

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66

MMOODDEELLOOSS CCOONNSSTTIITTUUTTIIVVOOSS

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CCOONNCCRREETTOO

O desenvolvimento de um modelo constitutivo para o concreto é uma tarefa difícil devido às próprias características de não homogeneidade e anisotropia deste material. A escolha de um modelo constitutivo para o concreto, grosso modo, requer uma definição do comportamento à tração, à compressão e ao cisalhamento. Usualmente, são utilizados modelos que adotam a teoria da plasticidade para a compressão, como os modelos de Rankine