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ANÁLISE DO DESEMPENHO DAS EQUAÇÕES USUAIS DE PERDA DE CARGA DISTRIBUÍDA EM TUBULAÇÕES DE PVC

Charles Severo Cenci (1) , Andrea Ferraz Silva (2) , Mariane Satsuki Monomi Kiyotani (3) , Marilia Ferreira Tamiosso (4)

(1)Estudante; Universidade Federal do Pampa; Alegrete, Rio Grande do Sul; charles.cenci97@hotmail.com (2)Estudante; Universidade Federal do Pampa; Alegrete, Rio Grande do Sul; andreaferrazec@gmail.com (3)Estudante; Universidade Federal do Pampa; Alegrete, Rio Grande do Sul; marikiyotani@gmail.com (4)Orientador; Universidade Federal do Pampa

Palavras-Chave: Darcy-Weisbach, Hazen-Williams, Fair-Whipple-Hsiao.

INTRODUÇÃO

As estimativas de perda de carga em tubulações são de suma importância para o correto dimensionamento dos sistemas hidráulicos, uma vez que o fluido a escoar submete-se a esforços contrários ao fluxo, fazendo com que a energia do escoamento seja dissipada de diferentes formas. Tal fenômeno é conhecido como perda de carga e pode ocorrer devido a duas naturezas distintas: distribuída ao longo da tubulação, devido ao atrito e à viscosidade do fluido; e localizada nos acessórios e conexões existentes, devido ao acréscimo de turbulência causada por estes. Faz-se importante então confrontar os valores obtidos experimentalmente de perda de carga com os estimados através das equações usuais em dimensionamentos hidráulicos, como as equações de Darcy- Weisbach, Hazen-Williams e Fair-Whipple-Hsiao. Desta forma, o objetivo do presente estudo é analisar o desempenho das equações citadas frente aos dados experimentais.

METODOLOGIA

Foram quantificadas em laboratório as perdas de carga distribuídas em um sistema de condutos forçados, de material PVC soldável, para dois trechos distintos de tubulação com diâmetros internos de 21,5 mm e 27 mm, sendo que o fluido a escoar é água. Para montagem do modelo experimental, fez-se uso da bancada de perda de carga (Figura 1) do Laboratório de Hidráulica da Universidade Federal do Pampa, campus Alegrete. Os trechos ensaiados estão identificados através de numeração.

ensaiados estão identificados através de numeração. Figura 1 – Representação esquemática da bancada de

Figura 1 Representação esquemática da bancada de perda de carga

Foram feitas medidas das pressões em dois pontos de cada trecho, com uso do manômetro e coletados os dados. Posteriormente, fez-se aplicação da Eq. da Conservação da Energia (1) entre eles, que estão em mesmo nível e com vazão e diâmetro constantes, ou seja, mesma velocidade. Nota-se, portanto, que a perda de carga experimental no trecho nestas circunstâncias é tão somente dependente da variação de pressões (2).

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Anais do 8º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade Federal do Pampa

Junto ao hidrômetro e com o uso de um cronômetro, foram recolhidos dados de volume para determinados períodos de tempo, assim, verificou-se a vazão nos procedimentos. Em dimensionamentos hidráulicos, é bastante difundido o uso de Eq. teórica de Darcy-Weisbach (3) e as empíricas Hazen-Williams (4) e Fair-Wipple-Hsiao (5) na ausência de dados experimentais para a estimativa da perda de carga em tubulações. As equações estão colocadas em sequência. Adotaram-se tais valores para os parâmetros relacionados ao material PVC: Rugosidade para tubulações novas igual a 0,06mm para cálculo do fator de atrito da Eq. de Darcy-Weisbach e coeficiente de Hazen-Williams igual a 140.

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Depois de calculadas as perdas de cargas com uso das equações acima citadas, foram possíveis as análises gráficas dos valores obtidos. A análise de desempenho feita no presente trabalho consiste na sequência do estudo feito por Silva e Anjos (2015) agregando mais dados, os quais foram obtidos através da mesma metodologia.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A verificação possibilitou a observação gráfica da influência do diâmetro e da vazão no fenômeno de perda de carga em escoamentos. Não houve tratamento estatístico dos dados. Considera-se a possibilidade de erros de medição que eventualmente ocorrem em procedimentos experimentais.

0,70 0,30 y = 0,1979x 2 - 0,8377x + 1,155 y = 0,0341x 1,7093 0,50
0,70
0,30
y = 0,1979x 2 - 0,8377x +
1,155
y =
0,0341x 1,7093
0,50
R² = 0,5399
0,20
R² = 0,8058
0,30
0,10
0,10
0,00
1,8
2,3
2,8
3,3
1,8
2,3
2,8
3,3
Vazão (m³/h)
Vazão (m³/h)
Perda de Carga Experimental DN 21,5mm
Hazen-Williams
Perda de Carga Experimental DN 27mm
Hazen-Williams
Darcy-Weisbach
Fair-Wipple-Hsiao
Darcy-Weisbach
Fair-Wipple-Hsiao
Perda de Carga Unitária (m/m)
Perda de Carga Unitária (m/m)
de Carga Unitária (m/m) Perda de Carga Unitária (m/m) Verifica-se que na situação de vazão constante

Verifica-se que na situação de vazão constante em pequenos diâmetros, a perda de carga é mais acentuada do que a verificada para maiores diâmetros, fato que se dá devido à maior velocidade do fluxo na tubulação. As equações obtiveram valores próximos para perda de carga nos dois diâmetros, contudo, como esperado inicialmente, a que mais se aproximou do valor obtido experimentalmente foi a de Darcy-Weisbach.

CONCLUSÕES

Através da analise gráfica, verifica-se que o desempenho das equações foi semelhante, contudo, entre as duas empíricas verificadas, a Eq. de Fair-Wipple-Hsiao foi a que mais de aproximou dos dados experimentais. Este resultado demonstra o esperado, uma vez que PORTO (2006) comenta que a aplicação da equação é indicada para pequenos diâmetros e tubulações curtas, enquanto a equação de Hazen-Williams é indicada para diâmetros maiores e tubulações longas. A Eq. teórica de Darcy-Weisbach apresentou melhor desempenho comparado a todos os métodos verificados, ressaltando que esta pode ser aplicada para todas as faixas de escoamento e diâmetro.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO NETTO, J. M. Manual de hidráulica. 8 ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. PORTO, RODRIGO DE MELO. Hidráulica Básica. 4 ed. São Carlos, SP: EESC-USP, 2006. SILVA, A. F; ANJOS, L. O. Análise experimental de perda de carga em tubulações de PVC e comparação com métodos empíricos. In: VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão. Alegrete, 2015. Anais. Alegrete: Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, 2015.

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