Você está na página 1de 3

INICIATIVA DE ECONOMISTAS Y ACADEMICOS GRIEGOS

SUSPENSÃO DE PAGAMENTOS- SAÍDA DA ZONA DO EURO


FMI significa pobreza, desemprego, ocupação e domínio
estrangeiro

O pedido de ajuda ao FMI e ao mecanismo de socorro da União


Européia prenunciam um agravamento dramático da situação dos
trabalhadores, dos jovens e dos aposentados. Com a dificuldade de
crédito como pretexto, intenta-se um golpe contra as conquistas dos
trabalhadores, algo sem precedentes nos tempos do pós-guerra.
O governo do PASOK, após uma enxurrada de medidas
impopulares (aumento de impostos, redução dos salários dos
funcionários públicos, entre outras) com o memorandum votado no
parlamento, mostra-se decidido a impor a violação dos acordos
coletivos, recuo dramático e até mesmo extinção dos nossos direitos
de seguridade social, revogação do limite de demissões, algo que
levará o desemprego ás alturas, posterior flexibilidade das relações
laborais etc. Entretanto, o governo do PASOK foi eleito em Outubro
com uma diferença de dez pontos percentuais em relação à Nea
Dimocratia, prometendo redistribuição da renda em favor dos
trabalhadores e agora faz exetamente o contrário. Portanto, não há
nenhuma razão legal para empurrar os trabalhadores para o
matadouro do FMI e do mecanismo de socorro (por eufemismo) da
União Européia.
O recurso ao odioso FMI corresponde a calamidade social, pois
causará uma explosão da pobreza e medidas constantes de
racionamento e parcimônia, uma vez que a recassão implicará o recuo
contínuo das rendas públicas. Qual foi o ganho do governo da Hungria
da Letônia, da Ucrânia, da Turquia e de dezenas de outros países que
se submeteram no passado ás terapias-choque desse odioso
organismo?
O governo de PASOK está muito mais exposto após a decisão da
União Européia a 9 de maio, quando se tornou claro que havia outras
saídas em vez de transformar os trabalhadores gregos em cobaias
para aplicação de novas medidas contra os trabalhdores. Trata-se de
um acontecimento que proporciona à Grécia pedir a revogação das
medidas impopulares.

O novo Controle Econômico Internacional não é a única saída

Desde o começo, o governo dispunha de outros caminhos antes de


levar a Grécia ao ao ápice do descrédito, onde estão aglomerados
todos os países fracassados. Podia ter recorrido ao empréstimo interno
(algo que não fez para não desagradar os banqueiros, que perderiam
parte dos depósitos), exigido um empréstimo mais conveniente da ECB
(com juros de 1%), pedido auxílio á China (não através da... Goldman
Sachs), á Rússia e aos países árabes, exigido empréstimo bilateral de
outros países da União Européía e da Alemanha com juros de que ela
mesma se beneficia ao tomar empréstimo, como obrigação mínima
pelo prejuízo que têm causado á balança comercial grega desde 1981,
formado com outros países do sul que enfrentam o mesmo problema
(Espanha, Portugal, Itália etc.) uma frente de reivindicação de
empréstimo a baixas taxas de juros, enfrentado a sonegaçao de
impostos, que chega a 19 bilhões de euros (8% do PIB), sujeitado a
impostos a igreja, os bancos e os armadores, diminuído os
armamentos, entre outras medidas. Em vez de tudo isso, o governo,
antes mesmo de emitir títulos da dívida pública, optou por um novo
controle econômico internacional, com a cobertura do FMI, tendo os
spreads de mercados secundários como pretexto (os quais têm tão
somente valor indicativo). Tal escolha é comprovadamente destrutiva
e improdutiva, sobretudo após a negligência do governo, que não
impede efetivamente a saída constante de capitais dos bancos, algo
que agrava os problemas de liquidez, aumentando o risco de
comprometimento dos depósitos dos pequenos poupadores pelos
banqueiros. Conseqüentemente, o governo, com a cumplicidade do
LAOS, das embaixadas estrangeiras, com a anuência substancial do
partido da Nea Dimocratia e com o incentivo dos meios de
comunicação de massa, que cultivan um clima de pânico, assume
responsabilidades imensas e históricas, que equivalem a um
retrocesso no que tange á economia e aos direitos sociais. Também no
que concerne às liberdades democráticas, são dramáticas as
conseqüências que o domínio estrangeiro acarreta. Isso fica claro pelos
superpoderes que o ministro da economia concentra, pela violência
das forças de repressâo e pelos ataques contra Esquerda e contra
partes de operários pioneiros que lutam pelos seus direitos, como é o
caso dos marinheiros.
Neste clima, nós, economistas e cientista progressistas, de
diversas correntes ideológias e diferentes trajetórias políticas,
- somos chamados a quebrar o silêncio habitual, apoiando as lutas dos
trabalhadores pela defesa e ampliação das suas conquistas sociais,
para não retrocedermos à Idale Média.
- consideramos que já se trata de uma necessidade social a saída da
zona do euro e da ONE (união monetária, sigla em grego), bem como a
suspensão da dívida pública e a sua renegociação, a fim de diminuí-la
ou concelá-la. Os trabalhadores não têm nenhum motivo para
assumirem todo ano o imenso peso de uma dívida que não contraíram
e que paralisa qualquer tentativa de exercício de uma política popular.
Basta referirmos que, de acordo com o orçamento estatal, que foi
revisado para pior, o pagamento de juros (12,3 bilhões de euros)
corresponde ao dobro do pagamento de aposentadorias (6,4 bilhões),
enquanto que a amortização (29,1 bilhões) ultrapassa os gastos com
pessoal (26,5 bilhões)!
- exigimos que o governo ponha finalmente una barreira contra a
impunidade dos bancos, impondo proibição de fuga de capitais, que
proceda á estatização de grandes bancos, á reestatização de empresas
de importância estratégica (OTE, Olimpic Airlines etc) e à aplicação de
uma política industrial de longo prazo através do Programa de
Investimentos Públicos.
- reivindicamos o aumento imediato dos percentuais de taxação das
grandes empresas aos 45%, como eram até 1981. De acordo com os
cálculos do atual ministro da economia, por conta da redução dos
percentuais de taxação das sociedades anônimas (de 35% para 25%)
anunciada pelo ex primeiro ministro Costas Caramanlis em 2004, o
Estado perde todo ano 5 bilhões. Portanto, a arrecadação que se
dissipou nos últimos 6 anos corresponde ao deficit do orçamento. Por
isso, pedimos o aumento imediato da taxação do capital, para que
tenham suporte a saúde pública e a educação. Além disso, pedimos a
redução do ICMS e dos impostos indiretos e o aumento do limite de
isençâo de impostos para os trabalhadores. Essas medidas podem
resolver o problema do financiamento da economia e constituem ponto
de partida de uma redistribuição de renda justa da qual precisam os
trabalhadores.
- convocamos o povo grego para derrubar esta nova ocupação, anular
os planos humilhantes e impopulares de sujeição ao FMI e ao
mecanismo de aniquilação da União Européia.
-Por fim, reconhecendo a necessidade de ampliação desta frente,
declaramos a nossa intenção de contribuir na medida do possível com
cada iniciativa que tenha por fim apoiar as lutas populares e denunciar
a política governamental.

15/5/2010