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Contos Prometheus31–

Colectânea I
por Prometheus 31
compilado em Julho de 2006
Contos-colectânea I

INDEX
A Destruição do Paraíso ..........................................3
O Caso .....................................................................7
Loettar....................................................................14

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Contos-colectânea I

A Destruição do Paraíso
O Autor:” Anjo Negro”

Texto original:14/09/1999

Criado em 1999 com o objectivo de participar num


concurso de histórias curtas organizado pela
Junta de Freguesia local; sob o pseudónimo
“Anjo Negro”. Não ganhou nenhum prémio.

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Contos-colectânea I

A Destruição do Paraíso
Foi no ano de 1515, quando reinava
D.Manuel, que veio ao mundo _numa pequena
aldeia piscatória algarvia_ uma criança que mais
tarde atenderia ao nome de José Carneiro. Até aos
dez anos o jovem em questão viveu uma existência
relativamente calma, alguns amigos e muito
trabalho em casa e no barco do pai, até ao dia em
que a família mudou-se para a capital do Reino,
onde ele iria trabalhar juntamente com o pai e os
quatro irmãos nos estaleiros. E assim corria a vida,
dura sem dúvida, mas sem grandes percalços. Até
ao dia em que foi acusado de roubar um nobre. De
nada lhe serviu jurar que ele só apanhara o colar
para o devolver ao dono, e para piorar a situação o
magistrado era um “querido amigo” da “vítima”.
Rapidamente foi conhecida a sentença: o degredo.
José só ao longe conseguiu vislumbrar a família,
enquanto o enfiavam numa nau destinada ás
colónias. Mas afortunadamente _ de certo ponto de
vista _ o mau tempo desviou a nau da sua rota e
acabou por afundá-la. O nosso jovem condenado
com dezoito anos, escapou ileso á ira do oceano
durante dias num barril com restos de comida no
fundo. Deu á costa num sítio aparentemente ainda
não tocado pelo dedo mágico da civilização. Foi
recolhido pela tribo Criitas, que trataram dele e que
mais tarde o tornariam membro da comunidade,
ensinando-lhe os seus costumes e lendas. Foram

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Contos-colectânea I

tempos felizes na companhia de Shainaa _ a mais


bela jovem da região _ e dos filhos de ambos. Mas
José não perdeu a esperança de um dia, voltar, não a
Lisboa, mas à sua terra natal, com toda a sua
família, porém tinha consciência que as hipóteses
eram mínimas. José já se encontrava neste paraíso
terreno há mais de quinze anos quando algo horrível
e completamente inesperado aconteceu: invasores
espanhóis arrasaram a aldeia matando metade da
população e escravizando a outra metade. José viu a
sua família ser levada para os barcos quando
voltava da caça e nada pode fazer, além de chorar e
enterrar os mortos e rezar pelos vivos. Decidido a
abandonar um lugar com tantas e boas recordações,
recolheu algumas pepitas de ouro _ o tesouro da
tribo _ que escaparam ás garras dos terríveis
invasores trazidos pelo vento. Assim partiu em
expedição ao longo da costa em busca da chamada
civilização: só ao fim de nove meses de exaustivas
buscas e inúmeros perigos(animais selvagens,
canibais, doenças, etc. ), conseguiu alcançar um
porto comercial onde embarcou num barco, de
regresso a Portugal.
Depois de muitos meses a navegar, chegou
finalmente a Lisboa, onde depois de vários dias de
buscas conseguiu encontrar os pais e os irmãos e
trouxe-os de volta ao Algarve, onde comprou uma
casa e um barco para o negócio da família.
Não voltou a casar, pois não conseguia
apagar da memória a sua amada Shainaa _ que lhe
terá acontecido? Decerto foi o seu último

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Contos-colectânea I

pensamento antes de fechar definitivamente os


olhos, com a provecta idade de sessenta e nove
anos.
Conta-se que terá escondido algures na serra
o resto das pepitas, que muitos tentaram em vão
encontrar. Há quem jure que dariam para comprar
muitos barcos, e outros ainda que dariam para
comprar uma vila e arredores!! Verdade? Ninguém
sabe, mas por enquanto, os últimos vestígios dos
Criitas estão seguros.

Fim

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Contos-colectânea I

O Caso
O Autor: “Darth Valek”

Texto original: 15/09/1999

Tal como o conto anterior, foi escrito em 1999 com


o objectivo de participar num concurso de histórias
curtas organizado pela Junta de Freguesia local; sob
o pseudónimo “Darth Valek”. Também não ganhou
nenhum prémio.

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Contos-colectânea I

O Caso
_Podia ir mais depressa? Por favor??
_Não! Você não vê noticias? Os idiotas dos
ecologistas obrigaram o Governo a reduzir o limite
de velocidade para 485 Km/hora. Qualquer dia
proíbem as touradas de gravidade zero...
_Sim, mas a esta altitude vamos bater no quê?
Alguma vaca voadora...?
_Vá-se lá saber, já não sabem o que inventem...
_Pronto, acabou-se a conversa...
_Você é que manda “patrão”! E dito isto o condutor
tirou os olhos do ecrã de navegação e com a ajuda
do retrovisor compôs o cabelo e o bigode, enquanto
o seu cliente, um homem corpulento e vestido com
uma velha gabardina preta se remexia no banco
traseiro.
Cerca de cinco minutos depois chegaram
finalmente ao destino, o taxiporto de um velho mas
luxuoso arranha-céus. Depois de receber o
pagamento, o motorista não se conteve e perguntou:
_Eu não o conheço de algum lado?
_Sou o Detective-Chefe Skywalker. Você não vê as
noticias? _ dise o homem sorrindo enquanto se
dirigia para a entrada, deixando para trás um
motorista boquiaberto.
(...)
_Ora bom dia Austin! Que se passou aqui??
_Ah! É você Skywalker. Chegaste tarde, a
Organização Reaproveitadora de Orgãos Humanos

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Contos-colectânea I

já levou o corpo _ respondeu o homem que se


encontrava de pé no centro de um apartamento com
mobília moderna inspirada no século XX e com
uma inestética poça de sangue sobre a alcatifa.
_E a autópsia?
_Autópsia? A minha hipótese é que morreu do tiro
que levou no meio da testa. Bang!!!
_Sempre no gozo, hã? _ disse Skywalker abraçando
o quarentão careca com uma barriguinha
proeminente _ Então o que temos aqui?
_Cadáver, Basil “Hitchcock” Kensingthon...
_“Hitchcock” ??
_Sim, realizador amador…, trinta e sete anos,
casado, três filhos, suspeita-se que tenha ligações
com, adivinha, a Máfia!!
_Austin, já interrogaram...
_Os vizinhos? Já. Ninguém sabe de nada. Foi á hora
do “Execuções ao Vivo no Coliseu”, mas...
_Mas...?
_A senhoria do prédio falou connosco “off-the-
record”, e acha que o casal de padres venúsianos do
77º andar e a “stripper” mutante de 153º são
suspeitos.
_Mais alguma coisa, algum vestígio?
_Até agora não encontramos nada...Não falta
nenhum objecto ou cartões de crédito. Até ao
momento não temos conhecimento de porque
haveria alguém de eliminar este ricaço, até porque
os laços que o prendem á Máfia são muito ténues
e...

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Contos-colectânea I

_Chefe...Chefe Austin?? _ chamou um jovem


guarda ofegante da corrida.
_Sim, agente Clinton?
_Chegaram os perfis biosociológicos...e...as análises
á retina do falecido, mas _ o agente hesitou _ ...as
análises são um pouco...estranhas!
-Estranhas? O que quer dizer com isso?
_Veja você mesmo _ e Clinton estendeu-lhe fotos
com as últimas imágens vistas pelo morto.
_Ora esta? Não se vê nada além da arma! Parece
flutuar no ar!?!!
_Deixe-me ver. _ disse Skywalker franzindo as
sobrançelhas e dando uma olhada ao perfil
biosociológicos do finado.
Depois de momentos de sepulcral silêncio:
_Austin, não nota aqui nada de estranho?
_Sim, realmente...
_Óptimo, arranje-me um mandato de prisão em
nome de Mónica Kensingthon.
_?!!!
_Sim, correcto, a esposa, ou melhor, a viúva de Sr.
“Hitchcock”.
_Porquê? As fotos não acusam nada... _ balbuciou
confuso Austin.
_É cá um palpite...
(...)
_Faça o favor de se sentar Sra. Mónica.
_Obrigado Sr.clinton, mas o Sr. Poderia fazer-
me...o favor de explicar que raio estou a fazer aqui,
no escritório de famoso Skywalker? Eu já fui
interrogada pela morte...

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Contos-colectânea I

_Pode perguntar isso mesmo ao próprio. Ele acaba


de chegar.
_Bom dia Sra. Kensingthon _ cumprimentou
Skywalker ao mesmo tempo que fazia sinal a
Clinton para se retirar.
_Chame-me Mónica _ disse ela retribuindo o
cumprimento do detective com o mais sensual
sorriso que ele jamais vira.
_Certo...Mónica_ repetiu Skywalker, enquanto
admirava o magnífico trabalho que os cirurgiões
plásticos haviam realizado na Sra. Kensingthon.
_Já têm um suspeito, detective?
_Hã, já que fala nisso...dê uma olhada nisto...
_O que é? _ perguntou enquanto estendia
gentilmente o braço na direcção das folhas.
_Fotos, das últimas imagens vistas pelo morto. A
nova legislação permite a utilização delas como
provas em tribunal.
_A sério? Odeio desiludi-lo, mas aqui só aparece a
arma! _ atirou as folhas para a secretária de
Skywalker _ Que raio de brincadeira é esta? Eu
tenho mais que fazer do ...
_Não é brincadeira...Mónica..._disse ele com um
sorriso irritante.
_Ninguém diria...
_O que se passa é o seguinte: temos 100% de
certeza que não é uma falsificação, portanto resta-
nos descobrir como tal fenómeno é possível.
_E...?

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_Uma das hipóteses era o assassino ser um mutante


com capacidade para se camuflar. Por coincidência
encontrámos um no vosso prédio...
_Então já capturaram o assassino?
_Não exactamente. Já reparou nesta pequena
distorção na foto? Só poderia ser feita por um
dispositivo electrónico de invisibilidade. Que por
acaso é um dos objectos de investigação da
“INVILAB”. Mas isso decerto é do seu
conhecimento...Sra. Vice-Presidente da
“INVILAB” e herdeira de 50 % da fortuna de Sr.
“Hitchcock”.
_Mas como?? _ exclamou uma Mónica pálida e
com dificuldades respiratórias.
_Simples, leio revistas de divulgação científica.
_Isso não prova nada, o aparelho foi roubado há três
semanas, e não há nada que me ligue á morte desse
infeliz _ disse Mónica com um sorrizo triunfador
mas não muito seguro.
_Talvez, talvez...
(...)
_Parabéns Skywalker! Mais um caso resolvido. É
pena que o teu palpite fosse errado. Mas quem
diria!! Um mutante invisível! Incrível, matou o
vizinho, só por causa de uma ridícula briga sobre
programas da TV. E o tipo negou sempre, mesmo
até á hora da execução!
_Obrigado pelo elogio, mas vou andando, estão á
minha espera...
_Ok, boas férias, até á vista!

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Contos-colectânea I

E Skywalker dirigiu-se á saída da Polícia


InterEstadual e entrou num descapotável negro,
beijando a bela ocupante.
_Olá, olá, querida Mónica do meu coração...
_Pára com isso Sky...estás a envergonhar-me _disse
ela, entre divertida e envergonhada _ como correu?
_Foi fácil, caíram todos na esparrela...os idiotas. É
incrível, foi só deixar a tua arma na casa do coitado
do mutante, e “voilá”: assassino encontrado!
_Assassino não...que palavra tão feia, diz
antes...que prestou um serviço á comunidade...
_Seja...de qualquer forma...um mutante a menos.
Havias de vê-lo a gritar”Sou inocente, sou inocente,
fui tramado!!”. Coitado. Tens as passagens?_
perguntou ele enquanto lhe massajava o pescoço.
_Sim e também os passaportes. De agora em diante
somos o Sr. e a Sra. Van Lucas, respeitáveis
empresários em viagem.
_Marte, aí vamos nós!! _ gritou Skywalker
enquanto o aerocarro se perdia de vista entre o
tráfego para o Espaçoporto.

Fim

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Loettar
Autor: “Prometheus31”

Texto original: 25/02/2002

Este terceiro conto não foi escrito com o objectivo


de participar em competições, é apenas a segunda
versão de uma história que tenho vindo a modificar.
A intenção, como é visível pelas notas de rodapé,
era servir de apoio a outras histórias ambientadas
num futuro longínquo que actualmente permanecem
incompletas, embora a linha tenha sido entretanto
reaproveitada noutro contexto.

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Loettar
«Ele não se lembra bem quando a conheceu,
apenas sabe que de inicio ela não lhe despertou
grande atenção, mas com o tempo foram-se
aproximando cada vez mais embora não se pudesse
considerar que fossem amigos chegados. Então
durante certa altura do ano por motivo de horário
passaram ambos a tomar algumas refeições longe
dos outros colegas o que lhes permitia conhecer um
pouco melhor embora muito superficialmente. Ela
era dona de um cabelo negro como o mais profundo
abismo do oceano que enquadrava um rosto
considerado vulgar onde palpitavam duas
maravilhosas pedras preciosas, os olhos mais azuis
que ele jamais admirara! Mas mais importante era o
seu magnífico sorriso que cativava a atenção de
todos quantos a conheciam. Ele perguntava-se a si
próprio como era possível que tal encanto_ Allion¹
era o seu nome _ ainda não tenha tido namorado
algum! Foi então pouco a pouco que uma sensação
estranha se começou a apoderar do seu espirito e
corpo. Loettar ²esperava com ansiedade o próximo
encontro, a sua mente começou a encher-se de
pensamentos românticos que ele julgava apenas
existirem nos livros antigos e nas ficções na
Omeggate³ e que ele sempre se esforçara por
repudiar. Fui muito a custo, devido a anos de auto-
isolamento e negação das emoções, que Loettar teve
que admitir a verdade a si próprio: estava

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Contos-colectânea I

apaixonado e necessitava desesperadamente que


alguém o acarinhasse; não era a primeira vez, mas
anteriormente era muito novo e ainda recentemente
passara por uma má experiência e não estava com
vontade de novamente não ser minimamente
correspondido, e até agora Allion não lhe havia
dado sinal algum do mais mínimo interesse. Não se
apercebia que a barreira que impedia os outros de
entrar, igualmente o impedia de sair! E então ele
desesperava-se, interrogando-se, esperando que ela
tomasse a iniciativa, que acontecesse alguma
oportunidade milagrosa receando acatar o conselho
que a sua melhor amiga ( Risaar a única pessoa a
quem tivera coragem de confessar a sua
preocupação) lhe dera, ou seja “quem não arrisca
não petisca”4! Foi então que surgiu a oportunidade,
um dia depois do Dia de Edjion 5, numa loja,
Loettar chama a atenção de Allion para as prendas
da época e pergunta-lhe se ela recebeu alguma. Ela
olha-o e diz que «claro que não» e imediatamente
formula-lhe a mesma questão, a que ele responde
rápida e negativamente. Instala-se um denso
silêncio entre os dois jovens. É então que Loettar
decide-se a arriscar, já que não tem nada a perder.
Chama-a ternamente olha-lhe nos olhos e diz-lhe
«Sei que...já venho atrasado, mas...gostavas que eu
te oferecesse...quero dizer...queres namorar
comigo?». Se Loettar estava ainda surpreendido
com as suas próprias palavras mais surpreendido
ficou com a resposta

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Contos-colectânea I

de uma Allion à beira das lágrimas:«Vou pensar


ni...claro que sim!» exclamou com um enorme
sorriso, enquanto muito discretamente se abraçaram
e ao saírem da loja de mão dada trocaram o
primeiro de muitos beijos. De seguida partiram para
um grande passeio a pé até junto do mar, no caís de
Sölaren durante o qual puseram toda a conversa em
dia. Loettar estava muito orgulhoso, sentia todo o
seu corpo vibrar como uma música maravilhosa que
liberta uma energia extraordinária! Não podia
dissimular o orgulho que tinha em passear junto a
Allion, demonstrando publicamente como estava
feliz, pensando quase em voz alta porque levou
tanto tempo a tomar uma atitude por culpa de um
medo irracional de ser rejeitado. Pela expressão
estampada na sua face facilmente poderíamos
avaliar que Allion deveria estar a passar por algo
semelhante. Só já quando o astro-rei tombava por
detrás do horizonte que um pensamento os
despertou do estado de quase hipnose: o último
këzcarro 6para casa era dentro de minutos! Foi
assim que a correr como loucos e a rir como tal que
chegaram espavoridos defronte do këzcarro que se
preparava para arrancar, e ainda a rir escolheram
uns lugares sossegados na traseira do veículo onde
vieram abraçados todo o caminho. A viagem foi
bem mais curta do que ambos desejaram e quando
finalmente se despediram, defronte da magnificente
fonte de Eoras 7 já o céu nocturno exibia em todo o
seu esplendor uma soberba lua cheia que nessa noite
derramava sobre o planeta um brilho especial como

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nunca se tinham dado conta. E então uma coisa


extraordinária aconteceu, muitas linhas luminosas
riscaram os céus, anunciando o início de uma chuva
de estrelas, que embora não fosse muito extensa,
aos seus olhos parecia como a mais maravilhosa
imagem que jamais haviam presenciado. Foi de mão
dada e olhos fechados que pediram desejos às
estrelas cadentes, desejos esses que irromperam do
fundo do coração, transbordantes de força e certeza
de que se tornariam realidade. Dolorosa foi essa
despedida sob o luar que projectava as suas sombras
na calçada, sombras essas que lentamente se
separaram, mas com a certeza que se voltariam a
reunir.
O dia seguinte foi estranhíssimo, quando se
encontraram na escola 8 foi como se o dia de ontem
tivesse sido há muito tempo atrás e foi necessário
matar essas saudades através de um apaixonado
abraço que provocou a incredulidade e espanto dos
colegas que estavam nas proximidades. De todos
menos de Risaar que já estava a par de tudo através
de um telefonema de Loettar ainda na noite
anterior! Esta não pode deixar de sorrir ao ver que
finalmente o introvertido e trapalhão Loettar
encontrara alguém que gostasse dele como ele é, e
torceu para que tudo desse certo entre eles os dois.
O acanhado Loettar revelou-se afinal também ser
uma pessoa muito carinhosa não apenas para Allion
mas também para os que o rodeiam, que apenas
precisava que alguém libertasse de dentro dele tudo
o que de bom lá se ocultava. Todos os familiares,

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tanto de um lado como do outro, estavam satisfeitos


e aprovavam a relação. E assim se passou o resto do
ano, entre aulas, passeios, sessões de estudo em
grupo, viagens á praia, idas ao cinmaxon 9 e muito
amor. E finalmente Loettar compreendeu que por
muito terrível que pudesse parecer a situação, valia
sempre a pena arriscar, mais que não seja para ver o
que está á nossa espera. E no caso dele não poderia
haver melhor surpresa do que a descoberta do
amor.»

Texto extraído integralmente do diário de


Loettar Kädertt Ptellmor, brilhante criador de
espectáculos sensoriais do século passado. Nesta
passagem do seu diário, estranhamente narrada na
terceira pessoa, conta-nos como se iniciou a sua
relação com aquela que mais tarde se tornaria sua
esposa (embora tivessem antes que ultrapassar
diversos obstáculos) Allion Sinariion Tuobell, a sua
colaboradora de sempre e que além do mais se
notabilizou como criadora literária (autora de, por
exemplo: “Thellion”, “A Pedra Verde”) ganhando
diversos prémios durante a sua longa vida (entre
eles o Folkynn Kzayt) assim como o
reconhecimento mútuo de público e crítica. A sua
relação durou até ao fim das suas vidas, já que
Loettar faleceu dois dias depois da morte de Allion,
ambos com cento e quinze anos de idade. Loettar
deixou para a posteridade imensos filmes e peças

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Contos-colectânea I

de teatro, entre as quais: “Kazero: A História de


um Mito”, ”Os Estranhos”, e a trilogia “O Império
Antigo”. Infelizmente, o seu diário foi quase
completamente destruído por um incêndio em casa
de um dos seus herdeiros, que tinha á sua guarda
os documentos legados por Allion e Loettar.
Actualmente uma equipa de Restauradores da Real
Instituição Literária dedica-se ao restauro e
conservação do diário e outros originais que nunca
foram publicados.

Apêndice:

1-No dialecto da região dos pais de Allion, esse nome tem o


significado “branco alado” ou “anjo luminoso”.
2- Antigo nome das regiões montanhosas, significa “Estrela do
Vale”.
3-A Omeggate é um vasta rede de milhões de dispositivos
ligados em rede espalhados por todo o Mundo, de modo a
comunicarem entre si, permitindo o livre acesso a todo o
género de informação, incluindo livros digitalizados, filmes,
peças de teatro e todo o tipo de arte virtual, comércio,etc.... É
a evolução da Sigmanet.
4-Expressão curiosa, muito antiga, oriunda, julga-se da zona
Oeste, e tem significado próximo da expressão “aquele que
teme avançar, nunca saberá que o se esconde por detrás do
monte” popularizada pelo Conde de Ajettonae, Ewingass III “

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O Sábio Destemido” no seu primeirodiscurso no Baile Anual


no Palácio de Riiechunsateinz.
5- Dia feriado oficialmente chamado Dia do Ingnass(Coração
ardente), em que os namorados oferecem lembranças( por
exemplo é costume, a oferta de retratos, canções, doces, etc.)
ao seu par como prova de consideração e amor. Esta data é
também célebre pela quantidade de declarações de amor
oferecidas pelos que ainda não namoram, levando algumas
pessoas ao desespero devido à grande quantidade de
pretendentes que possuem. É um dia instituído há séculos pela
rainha Edjion, em homenagem a todos os apaixonados no
geral e à célebre história de amor e tragédia de Hyllorae e
Jestew, dois princípes de há muito séculos atrás, para sempre
recordados em canções de luz e sangue.
6-Veículo motorizado que usa Kës como combustível, que
começou a ser utilizado em certas áreas das cidades como
testes pilotos. Os bons resultados obtidos permitem prever
dentro de pouco tempo a sua utilização maciça.
7-Gigantesca fonte construida há mais de duzentos anos que
representa, através de centenas de esculturas em tamanho
natural, a lenda de Eoras, o mítico herói da Guerra das
Colónias, nas suas aventuras no fabuloso planeta Gheoar,
actualmente uma reserva natural para preservação da sua
fantástica vida animal e vegetal.
8-Frequentam a Real Escola Superior de Artes Sensoriais,
escola de reconhecido prestigio na formação de artistas das
mais variadas áreas. Ambos estão no quarto ano do curso de
Arte Cientificovisual.
9-Salões de exibição de filmes, teatro ao vivo, exposições,
etc., geralmente localizados no centro das grandes cidades.

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