Você está na página 1de 64
CADERNOS 4 VIEIRA, Alberto DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA. O Centro
CADERNOS 4 VIEIRA, Alberto DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA. O Centro

CADERNOS

4

VIEIRA, Alberto

CADERNOS 4 VIEIRA, Alberto DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA. O Centro de

DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA.

O Centro de Estudos de História do Atlântico. 1985-2015:

30 anos ao serviço da História da Madeira e das Ilhas.

30 anos ao serviço da História da Madeira e das Ilhas. Cadernos de divulgação do CEHA.

Cadernos de divulgação do CEHA. N. º 4

VIEIRA, Alberto, DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA Funchal. Setembro de 2015.

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA. O Centro de Estudos

DA HISTÓRIA DAS ILHAS À NISSOLOGIA E NOVÍSSIMA HISTÓRIA.

O Centro de Estudos de História do Atlântico. 1985-2015:

30 anos ao serviço da História da Madeira e das Ilhas.

Apresentação

A 17 de setembro de 1985, era publicado o decreto legislativo regional que criava o

Centro de Estudos de História do Atlântico, um passo em frente na afirmação da História da Madeira e das

Ilhas Atlânticas.

Neste momento de viragem, encerra-se um

ALBERTO VIEIRA

milsumav@inbox. com

CEHA/SRETC

ciclo de atividade da instituição e, certamente, a oportunidade para iniciar uma nova fase, de acordo com as novas condições institucionais definidas, não obstante o combate pela afirmação da História e investigação das ilhas não morrer.

Recordemos que a missão do CEHA, ao longo destes 30 anos, obedeceu aos seguintes princípios: a investigação e divulgação do conhecimento científico,

CADERNOS CEHA

2
2

CEHA | 1985–2015

no domínio das Ciências Sociais e Humanas, com

especial relevo para as ilhas atlânticas; a criação

de uma equipa de trabalho coesa e interdisciplinar,

composta por funcionários e investigadores do

CEHA e de outras instituições locais, nacionais e internacionais empenhados nas mesmas missões

e objetivos; a valorização das tecnologias da

informação, usando o suporte digital e as plataformas digitais como meios privilegiados de investigação e

divulgação dos saberes e criando bases temáticas de dados para acesso local ou via Internet.

Depois, o facto de o CEHA dispor, desde o ano

de 2009, de novas instalações num imóvel antigo

recuperado à rua das Mercês, no Funchal, permitiu uma mudança para melhor na ação de estudiosos nacionais e estrangeiros. Assim, o espaço dispõe

de uma biblioteca aberta ao público, de uma área multimédia, filmoteca e biblioteca digital, auditório e gabinetes de trabalho para investigadores visitantes. O novo espaço foi acompanhado por uma mudança

na forma de atuação da instituição e na oferta de

melhores condições para o apoio à investigação, aberta a todos e tendo em conta todas as vertentes do conhecimento. Assim, para além do auditório,

ao serviço das atividades culturais da cidade, com

uma programação própria, dispõe de uma nova biblioteca especializada, com fundos próprios e de doação ou depósito de privados. Para a nova biblioteca, apostou-se numa situação inovadora, em que esta funciona apenas através do suporte digital, embora dispondo de fundos especializados em suporte papel. O acesso aos investigadores foi, aos poucos, restringido ao formato digital, com todas as versatilidades que o mesmo tem, no apoio à investigação. A partir da instalação do novo espaço, tornou-se prioritária a digitalização sistemática de todos os fundos existentes e de alguns privados em condições de depósito.

As instalações do CEHA funcionaram nos números 6 a 10 da rua das Mercês, no Funchal. O edifício é do século XVIII, sendo conhecido como Casa Jacquinet. Esta designação resulta do facto de o seu proprietário, nos inícios do século XIX, ter sido Augusto Justiniano da Silva Amorim (1807-1902), filho de Lourenço Justiniano de Amorim, casado com Alexandrina Vasconcelos (1821-?), que era conhecido no Funchal como o Augusto Jacquinet. Ao fim de 25 anos de atividade, o CEHA encontrou definitivamente

casa própria e condições para poder realizar um trabalho de investigação e divulgação dos estudos insulares com melhor qualidade. Esta nova realidade é a prova do empenho manifestado pelo Governo Regional da Madeira, na afirmação do CEHA.

Completados trinta anos de atividade, é hora de refletir sobre todo o trabalho desenvolvido e os seus reflexos na vida e quotidiano dos madeirenses. É hora de celebrar o pioneirismo da instituição na afirmação e valorização da História e conhecimento do Mundo insular.

E para que a memória não se apague e outros

tomem o protagonismo que é devido ao CEHA, aqui fica o registo para memória presente e futura.

Neste período de trinta anos, podemos considerar três momentos importantes na evolução da instituição que foram marcados, por diferentes opções e linhas de orientação em termos de ver

e entender o conhecimento, assim como da sua

afirmaçãoedivulgação.Entre1986e2008,ainstituição

navegou sob o signo da História das ilhas e as suas múltiplas aproximações e complementaridades, que fizeram com que o CEHA estabelecesse cooperação com os arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias

e Cabo Verde. Fomos os primeiros a acreditar e a

defender a Macaronésia, como espaço privilegiado de investigação e de afirmação do Atlântico.

A partir de 2008, demos um passo em frente

nesta opção, através da valorização e afirmação da NISSOLOGIA, a chamada Ciência das Ilhas, na atividade e investigação do CEHA, trazendo ao debate, falado ou escrito, as diversas áreas do conhecimento, contribuindo, assim, para dar os primeiros passos da NISSOLOGIA no espaço Atlântico.

Em 2012, foi o fascínio da História Oral e da Autobiografia, que nos levou a descobrir e a enveredar pelos caminhos da chamada, “História vista de baixo”. Democratizou-se o discurso histórico, alargaram-se os temas de estudo e deu-se lugar, nos Anais da História, a todos insulares, especialmente aos madeirenses. Apostámos na Internet, como um meio privilegiado destas iniciativas e conseguimos atrair o interesse de um público cada vez mais numeroso. Porque afinal a História deixou de ser um discurso de e para alguns, para passar a ser de todos e a interessar a todos. Conseguimos, assim, contribuir para a democratização do discurso histórico.

CADERNOS CEHA

3
3

CEHA | 1985–2015

Para nós, os caminhos do presente e do futuro abrem-se e trilham-se, de acordo com esta tradição de afirmação da História e demais Ciências, através de novas formulações e práticas de investigação e reflexão. Esta herança não pode ser ignorada nem descurada.

ALBERTO VIEIRA

Funchal. julho/agosto de 2015.

CADERNOS CEHA

4
4

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 1985 – 2008: PARA UMA HISTÓRIA DAS ILHAS NA INVESTIGAÇÃO E PROJETOS INSTITUCIONAIS

1985 – 2008:

PARA UMA HISTÓRIA DAS ILHAS NA INVESTIGAÇÃO E PROJETOS INSTITUCIONAIS

“A ilha da Madeira… que Deus pôs no mar

ocidental para escala, refúgio, colheita e

remédio dos navegantes, que de Portugal e de outros regnos vão, e de outros portos

e navegações vêm para diversas partes,

além dos que para ela somente navegam, levando-lhe mercadorias estrangeiras e muito dinheiro para se aproveitar do retorno que dela levam para suas terras… ”.

(Gaspar Frutuoso, Livro segundo das Saudades da Terra, P. Delgada, 1979, pp.

99-100)

“… O conjunto dos arquipélagos das Canárias, Madeira e Açores: escalas obrigatórias em todo esse sistema mundial, uma vez que o globo se tornou em periferia desse centro dinâmico, empreendedor e avassalador, que é a Europa ocidental dos séculos XVI-XVIII. (…) A Madeira situa-se no centro deste sistema de duplo sentido, e por isso de certo modo comanda todo este espaço, porque vive sobretudo da riquíssima produção própria. ”

V. M. Godinho, Mito e mercadoria, utopia e prática de navegar. séculos XIII-XVIII, Lisboa, 1990.

CADERNOS CEHA

5
5

CEHA | 1985–2015

“Constroem-se em definitivo, a partir da Madeira, as linhas e redes de comércio atlânticos atraindo de modo decisivo as áreas e mercados europeus mais nevrálgicos e mais importantes e criando nas áreas ribeirinhas metropolitanas, insulares (Canárias, Açores, Cabo Verde) e continentais (Costa de Marfim-Magreb- Arguim-Fez) fortes relações de dependência e de solidariedade”.

Aurélio de Oliveira, “A Madeira nas linhas de comércio do Atlântico. Séculos XV- XVII”, III CIHM, Funchal, 1993, 923.

En diversas ocasiones nos hemos pergun- tado si Canarias era África, Europa o acaso América. Y hemos acabado por responder que el archipiélago está integrado en el Mun- do Atlántico, con las islas Azores, Madeira, Cabo Verde, Bermudas, Antilhas, etc.

(RUMEU DE ARMAS, Antonio, prologo, in GARCÍA RAMOS, Juan Manuel, 1996, Por un Imaginario Atlantico, Madrid, Montesinos, p. 8)

The island seems to have a tenacious hold on the human imagination.

(YI -F U TUAN , Topophilia, N. York, 1974)

“A irmã mais velha do Brasil é o que foi verdadeiramente a Madeira. E irmã que se estremou em termos de mãe para com a terra bárbara que as artes dos seus homens, … Concorreram para transformar rápida e solidamente em nova Lusitânia”.

Gilberto Freire, Aventura e Rotina, 2ªed. , 1952, pp 440-446, 448-449

…a ilha podia ser o lugar onde toda criatura humana, esquecendo o próprio saber desmedrado, encontraria, como um menino abandonado na floresta, uma nova linguagem capaz de nascer de um novo contacto com as coisas, (…)

(Humberto Eco, Ilha do Dia Anterior, 1995, p. 353)

I Plead for writing a world history that is as comprehensive and systematic as possible. It should offer a more humanocentric alternative to western Eurocentrism. This history should seek maximum «unity in the diversity» of human experience and development.

(ANDRE GUNDER FRANK , «A Plea for World System History», Journal of World History, 2: 1, 1991)

CADERNOS CEHA

6
6

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 A década de oitenta foi um momento fulgurante para a afirmação dos Estudos

A década de oitenta foi um momento fulgurante para a afirmação dos Estudos

Insulares. O aparecimento do CEHA fez jus a essa realidade e colocou o arquipélago da Madeira em lugar cimeiro, no quadro do mundo insular e atlântico.

Tudo isto surgiu por força de um élan valorizador do Atlântico e das ilhas. Assim, nos últimos anos, tornou-se moda para a Historiografia ocidental o estudo do Atlântico, sob a designação genérica de Estudos Atlânticos, ou mais de caráter histórico, com o chamado Sistema Atlântico. Na verdade, foi a partir da II Guerra Mundial que europeus e norte- americanos começaram a valorizar o espaço atlântico como área de estudo, mas só nas últimas décadas da centúria se estabeleceram linhas sistemáticas de investigação nas diversas áreas, com predominância para a História. Tendo, como pano de fundo, as comemorações centenárias, começaram a surgir encontros, seminários, colóquios, cursos, cátedras e publicações sob o lema deste espaço oceânico.

Em 1999, num encontro realizado em Hamburgo, pelo Prof. Horst Pietschamnn 1 , no qual tivemos oportunidade de participar, foi colocada, mesmo, a hipótese de ser criada uma disciplina de História Atlântica, que se demarcasse das Histórias da Europa e Universal.

A ideia de um espaço integrado marcado por diversas interações foi uma realidade desde os tempos dos descobrimentos portugueses. Note-se que a pretensão do Infante D. Henrique começou por ser a criação desse espaço nas ilhas, que seria, depois, alargado ao litoral dos continentes.

A imagem do mundo insular presente no espaço Atlântico, por força do pioneirismo e projeção nas áreas continentais, está patente na política de expansão portuguesa, como na Historiografia que a testemunha. O texto de Gaspar Frutuoso, de finais do

1 Horst Pietschmann, Atlantic History: History of the Atlantic System, 1580-1830, Joachim Jungius [Hamburg], 2002.

CADERNOS CEHA

7
7

CEHA | 1985–2015

século XVI, é uma das expressões disso. Deste modo, muito antes que a Historiografia norte-americana do post-segunda guerra mundial visse a importância do mundo atlântico e das conexões integradas, já os portugueses, e acima de tudo os ilhéus, tinham perfeita consciência disso, considerando-se como

pilares e resultados da realidade holística que marcou

o mundo atlântico, a partir do século XVI. A disputa

do espaço e a definição e fruição do próprio sistema por parte de ingleses, holandeses e franceses é muito mais tardia 2 .

Na realidade, o Atlântico não se limita a ser uma imensa massa de água, polvilhada de ilhas, mas

transporta também uma larga tradição histórica. Foi

o palco de encontro de mundos, a partir do século

XVI. A sua delimitação faz-se pelo litoral de dois continentes e de um autêntico rosário de ilhas. As ilhas foram e continuam a ser um elemento importante no seu processo histórico, atuando, quase sempre, como intermediárias entre o mar-alto

e os portos litorais dos continentes europeu, africano e americano. Elas anicham-se, de um modo geral, junto da costa dos continentes africano e americano, exceto os Açores, Santa Helena, Ascensão e o grupo de Tristão da Cunha, donde não se vislumbram as terras continentais.

O mundo insular, quase na sua totalidade -- as Canárias são a exceção -- criado pelos portugueses no vasto oceano, apresenta inúmeras especificidades, mas também uma vinculação inevitável aos espaços continentais vizinhos, pelo que não pode ser deles desintegrado. Os arquipélagos portugueses, definidos por vinte e quatro ilhas, participaram ativamente no processo de afirmação lusíada no Atlântico.

O protagonismo das Canárias e dos Açores, acompanhado de perto por Cabo Verde, é muito mais evidente no traçado das rotas oceânicas que se dirigiam ou regressavam das Índias ocidentais e orientais. Isto é resultado da sua posição às portas do oceano. As ilhas atuaram, respetivamente, como via de entrada e saída das rotas oceânicas, o que motivou a maior incidência da pirataria e corso na

2 Cf. The British Atlantic Empire before the American Revolution. Contributors: Peter Marshall - editor, Glyn Williams - editor. Publisher: Cass. Place of Publication: London. Publication Year:

1980. Como refere The Atlantic System [The Story of Anglo-American Control of the Seas. Westport, CT. : 1973] o interesse Americano pelo Atlântico começou a partir de 1890, mas foi após as duas guerras que ganhou maior importância e arrastou esta atenção historiográfica.

região circunvizinha. Todavia, temos de reconhecer que é reducionista esta forma de encarar o devir histórico dos arquipélagos somente a partir desta conjuntura, no sentido em que se atem apenas a algumas das ilhas que os compõem.

Na verdade, a realidade arquipelágica é muito diversificada. É nas Canárias que o envolvimento com as rotas oceânicas contagia todas as ilhas. Elas não se ficaram apenas pela função de apoio às rotas oceânicas. À sua volta, surge um vasto hinterland agrícola também com isso relacionado. Daqui resulta que a valorização socioeconómica dos espaços insulares não foi unilinear, dependendo da confluência de dois fatores: primeiro, os rumos definidos para a expansão atlântica e os níveis da sua expressão em cada um; depois, as condições propiciadoras de cada ilha ou arquipélago, em termos físicos, relativamente à habitabilidade ou à existência ou não de uma população autóctone. Quanto ao último aspeto, é de salientar que apenas as Antilhas, as Canárias e a pequena ilha de Fernão do Pó, no Golfo da Guiné, estavam já ocupadas, quando aí chegaram os marinheiros peninsulares. As restantes encontravam-se abandonadas -- não obstante falar- se de visitas esporádicas às de Cabo Verde e S. Tomé, por parte das gentes costeiras -- o que favoreceu o imediato e rápido povoamento, quando as condições do ecossistema o permitiram. Se, na Madeira, esta tarefa foi fácil, não obstante as condições hostis da orografia, o mesmo não se poderá dizer dos Açores ou de Cabo Verde, onde os primeiros colonos tiveram que enfrentar diversas dificuldades, que fizeram tardar a ocupação efetiva do solo. Para as ilhas já ocupadas, as circunstâncias foram diferentes:

enquanto nas Canárias, os castelhanos tiveram de se defrontar com os autóctones por largos anos (1402/1496), em Fernão do Pó e nas Antilhas, foi mais fácil vencer a resistência indígena.

Desde o pioneiro estudo de Fernand Braudel 3 que às ilhas foi atribuída uma posição chave na vida do oceano e do litoral dos continentes. A Historiografia passou, então, a manifestar grande interesse pelo seu estudo. Note-se ainda que, segundo Pierre Chaunu 4 , foi ativa a intervenção dos arquipélagos da Madeira, Canárias e Açores, que designou como Mediterrâneo

3 O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe III, 2 vols., Lisboa, 1984 (1ª edição em 1949).

4 Sevilla y América. siglos XVI y XVII, Sevilha, 1983.

CADERNOS CEHA

8
8

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 Atlântico, na economia castelhana dos séculos XV e XVII 5 . Para o
CEHA | 1985–2015 Atlântico, na economia castelhana dos séculos XV e XVII 5 . Para o

Atlântico, na economia castelhana dos séculos XV e

XVII 5 .

Para o Atlântico português, a conjuntura foi diversa, pois a atuação em três frentes -- Costa

da Guiné, Brasil e Índico -- alargou os enclaves

de domínio ao sul do oceano. Neste contexto, surgiram cinco vértices insulares de grande relevo -- Açores, Canárias, Cabo Verde, Madeira e S. Tomé -- imprescindíveis para a afirmação da hegemonia e defesa das rotas oceânicas dos portugueses. Aí assentou a coroa portuguesa os principais pilares atlânticos da sua ação, fazendo das ilhas desertas, lugares de acolhimento e repouso para os náufragos, ancoradouro seguro e abastecedor para as embarcações e espaços agrícolas dinamizadores da

5 Confronte-se nossos estudos: Comércio inter-insular nos séculos XV e XVI. Madeira, Açores e Canárias, Funchal, 1987; Portugal y las islas del Atlántico, Madrid, 1992.

economia portuguesa. No primeiro caso, podemos referenciar a Madeira, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé, Santa Helena e Açores, que emergem, a partir de princípios do século XVI, como os principais eixos das rotas do Atlântico. É, então, preciso diferenciar as ilhas que se afirmaram como pontos importantes das rotas intercontinentais, como foi o caso das Canárias, Santa Helena e Açores, e as que se filiam nas áreas económicas litorais, como sucedeu com Arguim, Cabo Verde, e o arquipélago do Golfo da Guiné. Todas vivem numa situação de dependência em relação ao litoral que as tornou importantes. Apenas a de S. Tomé, pela importância da cana-de-açúcar, esteve fora desta subordinação por algum tempo.

Nos séculos XV e XVI, este conjunto variado de ilhas e arquipélagos firmou um lugar de relevo na economia atlântica, distinguindo-se pela função de escala económica ou mista: no primeiro caso,

CADERNOS CEHA

9
9

CEHA | 1985–2015

surgem as ilhas de Santa Helena, Ascensão, Tristão

da Cunha, para o segundo, as Antilhas e a Madeira e,

no terceiro, as Canárias, os Açores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. Neste grupo, emergem a Madeira

e as Canárias pelo pioneirismo da ocupação que,

por essa razão, se projetaram no restante espaço atlântico por meio de portugueses e castelhanos. Daqui resulta a evidente vinculação económica

e institucional da Madeira ao espaço atlântico

português, como o é das Canárias com as Índias de Castela. Daí também a importância que assume para

o estudo e conhecimento da História do Atlântico

a valorização da pesquisa histórica sobre ambos os arquipélagos 6 .

As ilhas desempenharam um papel fundamental

na estratégia de afirmação colonial no Novo Mundo,

pois que são pilares destacados do complexo que começou a construir-se, a partir do século XV. Elas foram, primeiro, a imagem do Paraíso, para depois

se afirmarem como espaços de rica exploração económica, escalas retemperadoras e de apoio aos intrépidos marinheiros. Paulatinamente, ganharam uma merecida posição na estratégia colonial, projetando-se nos espaços continentais próximos

e longínquos - abriram as portas do Atlântico

e mantiveram-se até a atualidade como peças fundamentais.

Foram portas abertas à descoberta do oceano

e à afirmação e controlo dos mercados continentais vizinhos, como sucedeu em Cabo Verde e S. Tomé.

Nos séculos XVIII e XIX, não foi menor o protagonismo insular. As ilhas passaram de escalas

de navegação e comércio a centros de apoio e laboratórios da ciência. Os cientistas cruzam-se com mercadores e seguem as rotas delineadas desde

o século XV. A estes juntaram-se os “turistas” que

afluem às ilhas desde o século XVIII, na busca de cura para a tísica pulmonar ou à descoberta. Este

movimento foi o início do turismo nas ilhas que só adquiriu a dimensão atual na década de cinquenta

do século XX.

6 Cf. Alan L. Kanas e J. R. Manell, Atlantic american societies-from Columbus through abolition 1492-1886, London, 1992; Alfred W. Crosby, the Columbian exchange, biological and cultural consequences of 1492, Westport, 1972; S. Mintz, Sweetness and power, N. York, 1985. Michael Meyerr, “The price of the new transnational history”, the American Historical Review, 96, nº 4, 1991, 1056-1072; D. W. Meinig, Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1980: Lan Stelle, The english atlantic, 1675-1740 - An exploration & communication and community, N. Y. 1986.

Todo o protagonismo das ilhas abona a ideia de que os portugueses criaram um império anfíbio. As ilhas foram o seu principal pilar e, o mar, o traço de união.

A História das ilhas atlânticas tem merecido, na presente centúria, um tratamento preferencial no âmbito da História do Atlântico. Primeiro, foram os investigadores europeus como F. Braudel (1949), Pierre Chaunu 7 , Frédéric Mauro (1960) e Charles Verlinden 8 a destacar a importância do espaço insular no contexto da expansão europeia, a que se associou a historiografia nacional a corroborar a ideia

e a equacioná-la nas dinâmicas da expansão insular.

Neste caso, são pioneiros os trabalhos de Francisco Morales Padron 9 , António Rumeu de Armas 10 e Vitorino de Magalhães Godinho 11 . Assinale-se, por exemplo, a criação do Anuario de Estudos de Historia

do Atlantico, em Las Palmas de Gran Canaria, por António Rumeu de Armas, uma peça basilar de afirmação da atlanticidade, tendo como ponto de partida as ilhas 12 .

Para além desta valorização da História Insular no velho continente, é de destacar a ambiência que condicionou os rumos da historiografia insular nas últimas décadas e contribuiu para uma necessária abertura às novas teorias e orientações do conhecimento histórico. Neste contexto, as décadas de setenta e oitenta demarcam-se como momentos importantes no progresso da investigação

e saber históricos, contribuindo para tal a definição

de estruturas institucionais e de iniciativas afins. Repensar a Historiografia insular, hoje, implica delinear o percurso pelas suas origens, destacando e divulgando os textos clássicos.

7 Sevilla y América. Siglos XVI y XVII, Sevilha, 1983 [Estudo abreviado dos 14 volumes de Séville et l’Atlantique y del Pacifique des Ibériques, 1949, 1955-60].

8 ”Précédents et paralèlles europeéns de l’esclavage colonial”, in Instituto, vol. 113, Coimbra, 1949; “Les origines coloniales de la civilization atlantique. antécédents et types de structure”, in Journal of World History, 1953, pp. 378-398; Précédents médiévaux de la colonie en Amérique, México, 1954; Les origines de la civilization atlantique, Nêuchatel, 1966.

9 El Comercio Canario-Americano (siglos XVI-XVIII), Sevilla, 1955.

10 Canárias y el Atlántico. Piraterias y Ataques Navales, Madrid,

1991(reedição).

11 Os Descobrimentos e a Economia Mundial, 2 vols. Lisboa, 1963-65

12 Em 2006, foi feita uma reedição completa dos volumes publicados em DVD: Anuário de Estúdios Atlânticos. Índice analítico de autores y Matérias, Madrid-Las Palmas, nº 1-52, 1955-2006. Veja-se as palavras de apresentação por a. Rumeu de Armas: «El atlântico tiene en si mismo para que todo cuanto se nos interesse como preferente objetivo. (. …) el Oceano recibio probablemente su nombre de las islas y no a la inversa».

CADERNOS CEHA

10
10

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 A condição de ilha e de ilhéus leva-nos, por vezes, a pensar que

A condição de ilha e de ilhéus leva-nos, por vezes, a pensar que somos o centro do mundo. Esta visão egocêntrica, muito comum no quotidiano, perpassa também a Historiografia. A História e a Geografia ensinam-nos que, ao longo do multissecular processo histórico, o Homem Insular foi capaz de quebrar as barreiras do isolamento. A ilha deu-se a descobrir e revelou o seu envolvimento insular e atlântico. Assim o entendeu Gaspar Frutuoso, 13 em finais do século XVI, com as célebres Saudades da Terra. É por isso que Albert Silbert 14 nos recomenda que “para bem conhecer a História da Madeira é a do Atlântico que é preciso evocar”. Isto é verdade tanto para a Madeira, como para as demais ilhas e arquipélagos.

A produção historiográfica insular tem sido, no entanto, desigual, dependendo o número de publicações da existência de literatos e de instituições

13 Cf. Miguel Tremoço de Carvalho, Gaspar Frutuoso. O Historiador das Ilhas, Funchal, CEHA, 2001.

14 Uma Encruzilhada do Atlântico- Madeira (1640-1820), Funchal, CEHA, 1997, p. 76

Atlântico- Madeira (1640-1820) , Funchal, CEHA, 1997, p. 76 capazes de incentivarem a elaboração e divulgação

capazes de incentivarem a elaboração e divulgação de estudos nos diversos domínios. A similitude do processo vivencial aliada à permeabilidade às perspetivas históricas peninsulares definiram, também, uma unidade na forma e conteúdo da historiografia insular.

O Atlântico tornou-se uma realidade de análise historiográfica a partir da década de quarenta do século XX, sendo o exemplo dado pela historiografia norte-americana, preocupada em rastrear as suas origens europeias. O conceito começou a ser definido em 194, 7 com Louis Wright 15 , mas terá sido o Mediterrâneo de F. Braudel (1949) que lhe deu grande atenção na década de cinquenta 16 . Só em finais da

15 The Atlantic Frontier. Colonial American Civilization, 1607-1763, N. York, 1947. Neste mesmo ano Jacques Godechot publicava em Paris:

Histoire de l’Atlantique

16 Horst Pietschmann, Introduction: Atlantic History. History Between European History and Global History, in Atlantic History. History of the Atlantic System 1580-1830, Gottingen, 2002, p. 16; Leonard Outhwaite, the Atlantic: A History of an Ocean, N. York, 1957; John

Elliott, Busqueda de la Historia Atlántica, Las Palmas de Gran Canaria,

2001

CADERNOS CEHA

11
11

CEHA | 1985–2015

centúria, surgiram estudos teóricos. Isto sucedeu num momento de afirmação da Historiografia Atlântica 17 . De ambos os lados do Atlântico, surgiram trabalhos em que o este oceano é o palco principal 18 .

Hoje, o Atlântico tornou-se num caso sério de estudo por parte da Historiografia europeia e norte- americana 19 . No último caso, a valorização do mundo Atlântico tem em Bernard Baylin um dos pilares fundamentais, a partir da década de 70 com os cursos que coordenou na Universidade de Harvard 20 . Em 1995, iniciaram-se os Seminários de História do Atlântico que rapidamente se tornaram uma referência para a Historiografia de língua inglesa e o principal bastião do sistema atlântico americano 21 . Todavia, se tivermos em conta a participação de estudiosos, bem como as listagens de estudos, é notória a ausência de especialistas e textos fora do universo da língua inglesa 22 .

São diversas as abordagens globais sobre o Atlântico, como os textos de Jacques Godechot 23

17 Bernard Bailyn, The Idea of Atlantic History, Itinerário, Leiden-1996, N.º 20, pp. 1-27; Nicholas Canny, Writing Atlantic History; or Reconfiguring the History of Colonial British América, The Journal of American History, N.º 86 [1999], pp. 1093-1194

18 Huguette e Pierre Chaunu, Séville et l’Atlantique, 1504-1650, 8 vols, Paris, 1955-59; F. Mauro, Le Portugal etl’Atlantique au XVIIe siècle, 1570-1670, Paris, 1970; Charles Verlinden, the Beginnings of Modern Colonization, Ithaca/Londres, 1970. D. W. Meinig, The Shaping of América: A Geographical Perspective on 500 years of History, vol. I:

Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1986; KANAS, Alan L. e J. R. Mcnell, Atlantic American Societies from Columbus through abolition 1492-1888, London, 1992.

19 James E. Sanders, Creating the Early Atlantic World: Renaissance Quarterly. Volume: 56. 1. 2003. Ralph Peters, The Atlantic Century. Parameters. Volume: 33. 3, 2003. Martin W. Lewis, Dividing the Ocean Sea: The Geographical Review. Elizabeth Mancke, Early Modern Expansion and the Politicization of Oceanic Space. The Geographical Review, Volume: 89: 2, 1999. Jerry H. Bentley, Sea and Ocean Basins as Frameworks of Historical Analysis. : The Geographical Review. Volume: 89. 2, 1999. James E. Sanders, Creating the Early Atlantic World. Contributors: Renaissance Quarterly. Volume: 56, 1, 2003.

20 A. Roger Ekirch, «Bernard Bailyn», in Twentieth Century American Historians, ed. Clyde N. Wilson, Dictionary of Literary Biography (Detroit: Gale, 1983), 17: 19-26, and Michael Kammen and Stanley N. Katz, «Bernard Bailyn, Historian and Teacher», in The Transformation of Early American History: Society, Authority, and Ideology, ed. James A. Henretta, Michael Kammen, and Stanley N. Katz (New York: Knopf, 1991), 3-15; Jack N. Rakove, Bernard Bailyn and the Problem of Authority in Early America», in The Transformation of Early American History, ed. Henretta et al. , 51-69; and «Encountering Bernard Bailyn», Humanities 19 (1998): 9-13, Robert Allen Rutland, Bernard Baylin, in Clio’s Favorites: Leading Historians of the United States, 1945-2000. Columbia, MO. : 2000 Volume: 89: 2, 1999.

21 Bernard Bailyn, Director, Harvard University, International Seminar on the History of the Atlantic World, 1500-1825: http: //www. fas. harvard. edu/~atlantic/

22 Pat Denault, Bibliography in Atlantic History, in http: //www. fas. harvard. edu/~atlantic/atlanbib. html.

23 Histoire de l’Atlantique, Paris, 1947.

e Paul Butel 24 . Este último, com o seu Atlântico, vai já em mais de vinte edições, tornando-se numa referência da História do Atlântico. À perspetiva francesa, juntam-se outras duas norte-americanas de Forrest Davies 25 e Leonard Outhwaite 26 .

O Atlântico pode ser considerado uma invenção europeia dos séculos XV e XVI, que se articula diretamente com as políticas coloniais definidas pelas potências emergentes. Foi a partir daqui que se estabeleceu um vínculo direto entre ilhas e áreas costeiras. A História e a Geografia marcaram a vida do oceano Atlântico, nos últimos cinco séculos 27 .

No entanto, a História do Atlântico como disciplina autónoma não pode acontecer da forma como tem sucedido até ao momento. O Atlântico deve ser visto de forma holística e não a partir de uma visão unilateral, de acordo com a língua ou posição geográfica do interveniente. O Atlântico assim entendido privilegia um conjunto de conexões amplas e não um resultado da visão unilateral de um ou outro lado do oceano. Também as ilhas estiveram envolvidas no processo de afirmação do mundo Atlântico 28 . O esforço que tem sido feito pela Historiografia insular não pode ser esquecido, na hora de estudar e sistematizar os conhecimentos sobre o Atlântico. Por outro lado, não se poderá nunca falar de um Atlântico linguístico, ou de uma visão nacionalista do mesmo. Na verdade, o Atlântico começou por ser um espaço de disputa de portugueses e castelhanos, mas, depois, a conjuntura da segunda metade do século XVI fez dele um mar aberto a todos os intervenientes no processo expansionista e imperial europeu, não poupando bandeiras ou línguas.

O Atlântico define-se a partir do século XV como um espaço privilegiado dos impérios europeus onde as ilhas assumem uma função privilegiada no cruzamento de rotas, circulação de pessoas e

24 The Atlantic, New York, 1999.

25 The Atlantic System. The Story of Anglo-american Control of the Seas, N. York, 1941.

26 The Atlantic. A History of na Ocean, N. York, 1957.

27 D. W. Meinig, The Shaping of América: A Geographical Perspective on 500 years of History, vol. I: Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1986. Pieter Emmer, In Search of a System: The Atlantic Economy, 1500-1800, in Horst Pietschmann, Atlantic History. History of the Atlantic System 1580-1830, Gottingen, 2002, pp. 169-178; Barbara L. Solow, Slavery and the Rise of the Atlantic System, N. York, 1991.

28 Assinale-se o nosso trabalho em Horst Pietschmann, Atlantic History:

History of the Atlantic System, 1580-1830, Joachim Jungius [Hamburg],

2002.

CADERNOS CEHA

12
12

CEHA | 1985–2015

produtos 29 . No entanto, as ilhas não estão lá ou se existem são um universo à parte.

Temos chamado a atenção para o seu papel neste jogo de relações históricas e o seu lugar de direito na História Atlântica. Na verdade, os insulares foram os primeiros atlânticos; foram eles quem mais enfrentou as consequências desta valorização do mundo atlântico, ao longo dos últimos cinco séculos.

A historiografia ocidental, porém, tem apostado,

nos últimos anos, nas temáticas dos Estudos Atlânticos

e do Sistema Atlântico, quase só definidos pela

afirmação dos portos costeiros dos três continentes (Europa, África e América), ignorando-se que existe entre eles, a servirem de pilares fundamentais para a comunicação, as ilhas.

Os insulares não aceitam este discurso histórico

e clamam por um outro diálogo que permita a diferenciação do protagonismo e identidade dos

espaços insulares. Os estudos e o sistema atlânticos

só alcançarão a plenitude no discurso historiográfico

quando as abordagens acontecerem sob a forma

de diálogo co-participativo dos diversos espaços

e não pela afirmação do discurso euro-americano

que aposta na função dominadora de uns portos ou espaços, em relação aos demais. Só assim o Atlântico

será um eixo integrador de espaços e portos insulares

e continentais.

A historiografia defende única e exclusivamente

a vinculação das ilhas ao Velho Mundo, realçando

apenas a importância desta relação umbilical com

a mãe-pátria. Os séculos XV e XVI seriam definidos

como os momentos áureos deste relacionamento, enquanto a conjuntura setecentista seria expressão da viragem para o Novo Mundo, em que alguns produtos, como o vinho, assumem o papel de protagonista e responsável das trocas comerciais.

Os estudos por nós realizados vieram a confirmar que a situação do relacionamento exterior da ilha não se limitava a estas situações 30 . À margem das

29 Cf. José Manuel Azevedo e Silva, A Importância dos Espaços Insulares no Contexto do mundo Atlântico, in História das Ilhas Atlânticas, vol. I, Funchal, 1997, pp. 125-161.

30 «O comércio de cereais dos Açores para a Madeira no século XVII», in Os Açores e o Atlântico (séculos XIV-XVII), A. Heroísmo, 1984; «O comércio de cereais das Canárias para a Madeira nos séculos XVI e XVII», in VI Colóquio de História Canario Americana, Las Palmas, 1984; «Madeira e Lanzarote. Comércio de escravos e cereais no século XVII», in IV Jornadas de História de Lanzarote e Fuerteventura, Arrecife de Lanzarote, 1989.

importantes vias e mercados, subsistem outras que ativaram também a economia madeirense, a partir do séc. XV. As conexões entre os arquipélagos próximos (Açores e Canárias) ou afastados (Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe) foram já motivo de aprofundada explanação, valorizando a estrutura comercial 31 . Aqui ficou demonstrada a importância assumida pelos contactos humanos e comerciais que, no primeiro caso, resultou da necessidade de abastecimento de cereais e, no segundo, das possibilidades de intervenção no tráfico negreiro, mercê da vinculação às áreas africanas da Costa da Guiné, Mina e Angola. Para além do privilegiado relacionamento com o mundo insular, a praça comercial madeirense foi protagonista de outros destinos no litoral africano ou americano e rosário de ilhas da América Central. No primeiro rumo, ressalta a costa marroquina, onde os portugueses assentaram algumas praças, defendidas, a ferro e fogo, pelos ilhéus 32 . No século XVI, com a paulatina afirmação do novo mundo americano costeiro e insular, depara-se um novo destino e mercado, que pautou o relacionamento externo nas centúrias posteriores e que se revelou, para muitos, uma esperança de enriquecimento ou a forma de assegurar a posse de bens fundiários.

Na História do Atlântico, o mundo insular é uma realidade sempre presente. A Antiguidade Clássica faz apelo às ilhas míticas, fantásticas e imaginárias, cuja localização acontece sempre no Atlântico 33 . O fascínio pelo mundo insular manteve-se com os descobrimentos europeus, exercendo as ilhas um certo fascínio na divulgação das notícias. Foi uma dominante da cultura Ocidental e Oriental, ganhando um papel de relevo na mitologia e na construção dos mitos 34 . Daqui resultou a moda de divulgação com os isolarios, em que se destaca o de Beneditto Bordone, de 1528 35 . As rotas do Atlântico, Índico e Pacífico

31 O comércio inter-insular (Madeira, Açores e Canárias) nos séculos XV e XVI, Funchal, 1987.

32 A. A. Sarmento, A Madeira e as praças de África. dum caderno de apontamentos, Funchal, 1932: Robert Ricard, «Les places luso- marocaines et les Iles portugaises de l’Atlantique», in Anais da Academia Portuguesa de História, II série, vol. II, 1949; António Dias Farinha, «A Madeira e o Norte de África nos séculos XV e XVI», in Actas do I Colóquio Internacional de História da Madeira, 1986, vol. I, Funchal, 1989, pp. 360-375.

33 W. H. Babcock, Legendary Islnads of the Atlantic, N. York, 1922; Marcos Martinez, Canárias en la Mitologia, Santa Cruz de Tenerife, 1992; IDEM, Las Islas Canárias de la antiguedad al renacimiento. Nuevos Aspectos, Santa Cruz de Tenerife, 1996.

34 Antonio Carlos Diegues, Ilhas e Mares. Simbolismo e imaginário, S. Paulo, Editora Hucitec, 1998, pp. 80, 129-193.

35 Inácio Guerreiro, Tradição e Modernidade nos Isolarios ou “livros das

CADERNOS CEHA

13
13

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 só se afirmam por força da presença das ilhas. D. Manuel, ciente da

só se afirmam por força da presença das ilhas. D. Manuel, ciente da importância desta realidade, mandou estabelecer o Livro das Ilhas para tombar toda a documentação mais significativa referente às mesmas 36 .

Em síntese, podemos afirmar que as ilhas foram espaços de construção das utopias, escalas retemperadoras da navegação, áreas de desusada riqueza e destinos de desterro de criminosos e políticos, refúgio de piratas, aventureiros, lugares de lazer e de turismo. No vasto conjunto de ilhas que povoam o oceano, devemos salientar pelo menos três grupos: oceânicas (Açores, Madeira…),

Ilhas”, dos Séculos XV e XVI, in Oceanos, N.º 46(Lisboa, 2001), pp.

28-40.

36 Cf. José Pereira da Costa, O Livro das Ilhas, Lisboa, 1987.

continentais (Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Santa Catarina…) e fluviais (São Luís, …). Esta posição conduz a um diferente protagonismo histórico. Assim, enquanto as fluviais e continentais se evidenciam pela dependência ao espaço continental vizinho, as oceânicas estão entregues a si próprias.

Algumas destas questões têm definido os rumos da investigação insular. O enquadramento do mundo insular no contexto dos descobrimentos europeus faz ressaltar o protagonismo socioeconómico, a posição charneira dos rumos da política expansionista. As funções de escala e modelo projetaram as ilhas na nova realidade emergente. Deixaram de ser um mundo à parte. Por outro lado, a expansão europeia foi propícia à definição de teias de subordinação e

CADERNOS CEHA

14
14

CEHA | 1985–2015

complementaridade que levaram a modelação de um mercado insular aberto e vinculado, de acordo com uma lógica de complementaridade. Foi isso que, em certa medida, define aquilo que ficou conhecido, nos séculos XV a XVII, como o Mediterrâneo Atlântico.

A favor da valorização dos espaços insulares temos, ainda, a tese que vingou no seio da Historiografia americana que apresenta o Atlântico como uma unidade de análise. O período que decorre entre os inícios de expansão europeia, a partir do século XV, e a abolição da escravatura, em 1888, delimita cronologicamente esta realidade 37 . A dimensão assumida pelas ilhas no contexto da expansão quatrocentista, quer como terra de navegadores, quer como principal centro que modelou a realidade socioeconómica do novo espaço atlântico, é a evidência imprescindível da dimensão atlântica.

Se tomarmos em linha de conta alguns dos temas comuns da historiografia, como o vinho, o açúcar e a escravatura, seremos forçados a concluir que foram eles, em boa parte, os responsáveis pela opção atlântica e que obrigam, sempre e em qualquer momento, a dar atenção ao meio envolvente. As rotas comerciais, os mercados europeus e colonial, e, acima de tudo, o oceano como mar aberto estão sempre presentes. Por tudo isto, é forçoso afirmar que a ilha não se reduz à sua geografia. À sua volta, palpita um mundo gerador de múltiplas conexões, que não pode ser descurado, sob pena de estarmos a atraiçoar o devir histórico. Há que rasgar o casulo da ilha e postar-se nas torres avista-navios, de forma a vislumbrar o imenso firmamento que nos conduz a ilhas e continentes. Isto só será possível quando ultrapassarmos a fase do egocentrismo, da insularização e mergulharmos na profundeza do Atlântico à busca da atlanticidade.

Os rumos definidos pela historiografia insular, nos últimos anos, pautam-se por uma grande abertura temática e de envolvimento do espaço circunvizinho, isto é, as ilhas e os continentes que

37 Cf. Alan L. Kanas e J. R. Manell, Atlantic American Societies-from Columbus Through Abolition 1492-1886, London, 1992; Alfred W. Crosby, the Columbian Exchange, Biological and Cultural

Consequences of 1492, Westport, 1972; S. Mintz, Sweetness and Power,

N. York, 1985. Michael Meyerr, “The price of the new transnational

history”, the American Historical Review, 96, nº 4, 1991, 1056-1072; D.

W. Meinig, Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1980: Lan Stelle,

The English Atlantic, 1675-1740 - An exploration & Communication and Community, N. Y. 1986.

marcaram o devir histórico nos últimos cinco séculos. Nas últimas décadas, a historiografia saiu do casulo que a envolvia, ganhando uma dimensão insular

e atlântica. Acontece que esta não é uma atitude

comungada por todos nós, havendo quem ainda se refugie no casulo da ilha e do próprio mundo, ignorando tudo e todos.

O caminho para a investigação passa necessariamente pelo conhecimento do que existe,

isto é, do imprescindível estado da questão. Nunca devemos avançar para uma pesquisa documental ou uma qualquer abordagem temática sem sabermos

o que os outros fizeram sobre o mesmo. É a etapa

primeira e fundamental de todo o percurso. É uma questão de honestidade. O aparato bibliográfico não é só uma questão de justiça, mas também uma necessidade imperiosa da produção científica. É chegado o momento de refletir sobre a forma como

se faz a História das Ilhas. Para isso torna-se imperioso repensar atividade da historiografia para que seja possível a definição de novos rumos adequados ao protagonismo e posicionamento que assumimos na História.

Na atualidade, depara-se-nos um momento de grande valorização da História no quotidiano. Dispomos de tudo o necessário para isso: publicações periódicas, colóquios e conferências e um grande interesse do público em geral por esta temática. Mas será que isto tem favorecido, em simultâneo, a afirmação da investigação e o consequente avanço do conhecimento do nosso passado histórico? Não será

a via mais fácil para a ridicularização do conhecimento histórico, fazendo valer o primado do documento isolado, fruto de leitura apressada e da incessante procura de textos para colóquios e revistas? As perspetivas globalizantes não se compadecem com

a dimensão do nosso umbigo e as limitações que

a nossa condição de ilhéus por vezes nos impõe.

Devemos criar mecanismos e disponibilidade para que, em qualquer trabalho, tomemos conhecimento de tudo o que existe, em termos bibliográficos e documentais. A História não se faz apenas com um documento ou a leitura deste ou daquele texto. A

abordagem parcelar não faz História, apenas a indicia

e, por vezes, no sentido errado.

A História insular carece também de uma revolução temática; o chamado “território do historiador” precisa de ser alargado para além dos

CADERNOS CEHA

15
15

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 “solos” ricos e tradicionais. A par disso, o ofício precisa de ser dignificado

“solos” ricos e tradicionais. A par disso, o ofício precisa de ser dignificado através da perícia no manejo dos instrumentos de trabalho. O futuro da historiografia insular está no desfazer das auréolas de egocentrismo e insularidade e no aperceber-se da dimensão atlântica da sua História. A realização dos colóquios de História das Ilhas obedece a este princípio 38 .

A historiografia insular, permeável às origens europeias, surge, na alvorada da revolução do conhecimento cosmológico, como a expressão pioneira da novidade e, ao mesmo tempo, da necessidade institucional de justificação da intervenção e soberania peninsular. O período que medeia os séculos XV e XVI foi marcado por uma produção historiográfica mais europeia do que local, próxima da crónica e da literatura de viagens, onde se espraiam estes ideais. Os factos históricos

38 Refira-se o projeto por nós coordenado: Guia Para a História e Investigação das Ilhas Atlânticas, Funchal, 1995. Colóquio Internacional de História da Madeira/Colóquio Internacional das Ilhas Atlânticas, 1985-2006 (com sete encontros realizados e 8 volumes publicados), Colóquio de História Canário Americano, Las Palmas, 1976-2006 (com 17 encontros realizados e inúmeros volumes publicados, sendo de destacar os referentes às sessões temáticas especializadas).

e as impressões das viagens atlânticas, perpetuados

nas crónicas e relatos de diversa índole terão uma utilização posterior, de acordo com as exigências da época.

As exigências académicas, com a expansão do saber universitário, as solicitações do novo conhecimento histórico condicionaram tal avanço qualitativo da historiografia, a partir da década de quarenta. Assim, nas Canárias, a tradição e vivência universitária propiciaram um forte arranque, enquanto nos Açores o academismo cultural e, depois, a universidade lançaram o arquipélago para uma posição similar. A Madeira, prenhe em documentos, manteve-se num segundo plano, mercê da falta de suporte institucional e académico. Todavia, as condições imanentes da dinâmica autonómica e do aparecimento de suportes institucionais definiram- lhe um futuro promissor.

O século XX pode ser considerado, sem dúvida,

o momento de afirmação da Historiografia Insulana. Um conjunto variado de realizações públicas, o

lançamentodepublicaçõesdaespecialidadeeacriação

dos arquivos distritais ou provinciais alicerçaram a

CADERNOS CEHA

16
16

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 nova realidade. Na Madeira (1919-1921) e nos Açores (1932), as comemorações das respetivas

nova realidade. Na Madeira (1919-1921) e nos Açores (1932), as comemorações das respetivas descobertas, associadas às efemérides nacionais de 1940 e 1960, contribuíram, de modo decisivo, para a afirmação e divulgação da História. Para as Canárias, a animação ficou a dever-se ao impulso dado por Elias Serra Ráfols, a partir dos anos quarenta, na Universidade de La Laguna, que conseguiu motivar um numeroso grupo de entusiastas pela História do arquipélago, encaminhando-os para a carreira científica e para a valorização dos vestígios documentais, levado a cabo com a criação dos arquivos provinciais. As três últimas décadas do século XX foram decisivas para o salto qualitativo da Historiografia insular, criando, em todos os arquipélagos, uma ambiência favorável à sua afirmação. Aqui, assumem particular importância as instituições culturais, as publicações periódicas e a inovação da época - os colóquios de História.

Os colóquios foram um momento privilegiado da divulgação do saber histórico. Estamos perante uma nova dimensão historiográfica, a partir da década de

setenta, firmando-se nos últimos anos como uma realidade insofismável. A década de oitenta emerge, assim, como o momento de maior relevância na investigação histórica insular, condicionando os rumos da Historiografia nas décadas seguintes. Na verdade, os encontros, para além de permitirem o contacto com outras correntes historiográficas, têm o condão de nos oferecer visões de fora dos mesmos acontecimentos, permitindo um maior enquadramento das realidades 39 .

A historiografia vem defendendo única e exclusivamente a vinculação das ilhas ao Velho Mundo, realçando apenas a importância desta relação umbilical com a mãe-pátria. Os séculos XV e XVI seriam definidos como os momentos áureos do

39 Os investigadores das Canárias foram os primeiros a reconhecer a necessidade deste tipo de realização ao lançarem, em 1976, o Colóquio de História Canario Americana, sob a égide da Casa de Colón, com a coordenação do Prof. Doutor Francisco Morales Padron. Os resultados da primeira iniciativa contribuíram para a continuidade a concretização de idêntica iniciativa nos Açores (1983), em Fuerteventura (1984) e, por último, na Madeira (1986).

CADERNOS CEHA

17
17

CEHA | 1985–2015

relacionamento, enquanto a conjuntura setecentista seria a expressão da viragem para o Novo Mundo, em que alguns produtos, como o vinho, assumem o papel de protagonista e responsável das trocas comerciais.

Os estudos por nós realizados vieram a confirmar que a situação do relacionamento exterior da ilha não se resumia a estas situações. À margem das principais vias e mercados subsistem outras que

ativaram também a economia madeirense, desde o séc. XV. As conexões com os arquipélagos próximos (Açores e Canárias) ou afastados (Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe) foram já motivo de aprofundada explanação, valorizando a estrutura comercial 40 . Aqui ficou demonstrada a importância assumida pelos contactos humanos e comerciais, que, no primeiro caso, resultou da necessidade de abastecimento de cereais e, no segundo, das possibilidades de intervenção no tráfico negreiro, mercê da vinculação

às

áreas africanas da Costa da Guiné, Mina e Angola.

Para além do privilegiado relacionamento com

o

mundo insular, a praça comercial madeirense foi

protagonista de outros destinos no litoral africano ou americano e no rosário de ilhas da América Central. No primeiro rumo, ressalta a costa marroquina, onde os portugueses assentaram algumas praças, defendidas, a ferro e fogo, pelos ilhéus 41 . No século XVI, com a paulatina afirmação do novo mundo americano costeiro e insular, depara-se um novo destino e mercado, que pautou o relacionamento externo nas centúrias posteriores e que se apresentou como uma esperança de enriquecimento ou como uma forma de assegurar bens fundiários.

Em qualquer das situações, o estreitamento dos contactos depende, primeiro, da presença de uma comunidade que pretende manter o contacto com

a terra-mãe e, depois, das possibilidades de troca.

A oferta de vinho e a sua procura pelos agentes do tráfico negreiro, para, enganadoramente, o oferecerem aos sobas africanos ou, do outro lado do Atlântico, para saciar a sede do europeu a troco do açúcar, foi o principal motor deste relacionamento.

40 O comércio inter-insular (Madeira, Açores e Canárias) nos séculos XV e XVI, Funchal, 1987.

41 A. A. SARMENTO, A Madeira e as praças de África. dum caderno de apontamentos, Funchal, 1932: Robert RICARD, “Les places luso-marocaines et les Iles portugaises de l’Atlantique”, in Anais da Academia Portuguesa de História, II série, vol. II, 1949; António Dias FARINHA, “A Madeira e o Norte de África nos séculos XV e XVI”, in Actas do I Colóquio Internacional de História da Madeira. 1986, vol. I, Funchal, 1989, pp. 360-375.

A situação influenciou decisivamente a estrutura

comercial, a partir da segunda metade do século XVI.

O arquipélago madeirense marcou o início da presença portuguesa no Atlântico e foi o primeiro e

mais proveitoso resultado desta aventura. Vários são

os fatores que se conjugaram para este protagonismo.

A inexistência de população, em consonância com a extrema necessidade de valorização do território para o avanço das navegações ao longo da costa africana, favoreceu a rápida ocupação e crescimento económico da Madeira. Por isso, a afirmação nos primeiros anos dos descobrimentos foi evidente:

porto de escala ou apoio para as precárias embarcações quatrocentistas que sulcavam o oceano; importante área económica, fornecedora de cereais, vinho e açúcar; modelo económico, social e político para as demais intervenções portuguesas no Atlântico.

A Madeira foi, no século XV, uma peça primordial no processo de expansão. A ilha, considerada

a primeira pedra da gesta descobridora dos portugueses no Atlântico, é o marco referencial mais importante desta ação no século XV. De inicial área

de

ocupação, passou a um entreposto imprescindível

às

viagens ao longo da costa africana e, depois, foi

modelo para todo o processo de ocupação atlântica,

A Madeira firmou, assim, o seu nome com letras

douradas na História da expansão europeia no Atlântico. O Funchal foi, por muito tempo, o principal ancoradouro do Atlântico, aquele que abriu as portas do mar oceano e traçou caminho para as terras do

Sul. Aí, a abundância de cereal e vinho propiciavam ao navegante o abastecimento seguro para a demorada viagem. Por isso, o madeirense não foi apenas o cabouqueiro que transformou o rochedo e fez dele uma magnífica horta, também se afirmou como

o marinheiro, descobridor e comerciante. Deste

modo, algumas das principais famílias da Madeira, enriquecidas com a cultura do açúcar, gastaram quase toda a fortuna na gesta descobridora, ao serviço do infante D. Henrique, ao longo da costa africana ou, por iniciativa particular, na direção do Ocidente, correspondendo ao repto lançado pelos textos e lendas medievais. A juntar a tudo isso, temos o rápido progresso social, resultado do porvir económico, que condicionou o aparecimento de uma aristocracia terra tenente. Esta, imbuída do ideal cavalheiresco e do espírito de aventura, embrenhou-se na defesa

CADERNOS CEHA

18
18

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 das praças marroquinas, na disputa pela posse das Canárias e em viagens de

das praças marroquinas, na disputa pela posse das Canárias e em viagens de exploração e comércio ao longo da costa africana e, até mesmo, para Ocidente.

A valorização da Madeira na expansão europeia tem sido diversa. A historiografia nacional considera-a um simples episódio de todo o processo e, em face da posição geográfica, hesita relativamente ao seu enquadramento, sendo levada, por vezes, ao esquecimento. A europeia, ao invés, não duvida em realçar a singularidade do processo. Vários são os fatores que o propiciaram, no momento de abertura do mundo atlântico, e que fizeram com que fosse, no século XV, uma peça chave na afirmação da hegemonia portuguesa no Novo Mundo. O Funchal foi uma encruzilhada de opções e de meios que iam ao encontro da Europa em expansão. Além disso, é considerada a primeira pedra do projeto, lançando Portugal para os anais da História do oceano que abraça o seu litoral abrupto. À função de porta-

estandarte do Atlântico, a Madeira associou outras:

foi “farol” Atlântico, guia orientador e de apoio às longas incursões oceânicas, espaço privilegiado de comunicações, contando a seu favor com as vias traçadas no oceano que a circunda e as condições económicas internas, propiciadas pelas culturas da cana sacarina e da vinha. Estas condições contribuíram para que o isolamento definido pelo oceano fosse quebrado e se mantivesse um permanente contacto com o velho continente europeu e o Novo Mundo.

A mobilidade social é uma das características da sociedade insular. O fenómeno da ocupação atlântica lançou as bases da sociedade e a emigração ramificou-a e projetou-a além Atlântico. As ilhas foram, num primeiro momento, polos de atração, passando, depois, a áreas de divergência de rotas, gentes e produtos. A novidade, aliada à forma como se processou o povoamento, ativaram o primeiro movimento. A desilusão inicial com as escassas e

CADERNOS CEHA

19
19

CEHA | 1985–2015

limitadas possibilidades económicas e a cobiça por novas e prometedoras terras, definiram o segundo surto. Primeiro, foi a Madeira, depois as ilhas próximas dos Açores e das Canárias e, finalmente, os novos continentes e demais ilhas. O madeirense, desiludido com a ilha, procurou melhor fortuna nos Açores ou nas Canárias, e depositou, na costa africana, as suas esperanças comerciais. No grupo, incluem-se principalmente os filhos-segundos deserdados da terra pelo sistema sucessório. É disso exemplo Rui Gonçalves da Câmara, filho do capitão do donatário no Funchal, que preferiu ser capitão da ilha distante de S. Miguel a manter-se como mero proprietário na Ponta do Sol; outros deram o arranque decisivo ao povoamento da ilha. A Madeira evidencia-se também no século quinze como um centro de divergência de gentes no novo mundo.

A mobilidade do ilhéu levou os monarcas a definirem uma política de restrições, no movimento emigratório em favor da fixação do colono à terra, como forma de evitar o despovoamento das áreas já ocupadas. O apelo das riquezas de fácil resgate africano ou da agricultura americana atraíram o homem do século XV, tendo a favor a disponibilidade dos veleiros que escalavam frequentemente os portos insulares. A emigração era inevitável.

A Madeira e as Canárias desfrutavam, no século XV, de uma posição privilegiada no espaço situado entre a costa e ilhas africanas, afirmando- se como importantes centros migratórios. Para isso, contribuiu o facto de estar associada ao madeirense uma cultura que foi a principal aposta das arroteias do Atlântico - a cana sacarina. Os madeirenses aparecem nas Canárias, Açores, S. Tomé e Brasil a dar o seu contributo para que, do solo virgem desses lugares, brotem os canaviais, apareçam os canais de rega ou de serviço aos engenhos, onde foram obreiros nos avanços tecnológicos. A crise da produção açucareira madeirense, gerada pela concorrência do açúcar das áreas que os habitantes contribuíram para criar, empurrou-nos para destinos distantes. Na migração atlântica, iniciada na Madeira, é de referenciar o caso da emigração interinsular dos arquipélagos do Mediterrâneo Atlântico. As ilhas, pela proximidade e forma similar de vida, aliadas às necessidades crescentes de contactos comerciais, exerceram também uma forte atração entre si. Madeirenses, açorianos e canários não ignoravam a sua condição

de insulares e, por isso, sentiram necessidade do estreitamento dos contactos.

A Madeira, mais uma vez pela sua posição charneira entre os Açores e as Canárias e, graças à anterioridade no povoamento, foi, desde meados do século XV, um importante viveiro fornecedor de colonos para os arquipélagos e elo de ligação. A ilha funcionou mais como polo de emigração para as ilhas do que como área recetora de imigrantes. Se excetuarmos o caso dos escravos guanches e a inicial vinda de alguns dos conquistadores de Lanzarote, podemos afirmar que o fenómeno é quase nulo, não obstante, no século dezasseis, os açorianos aparecerem com alguma evidência no Funchal. Temos conhecimento da presença de uma comunidade de açorianos nas ilhas Canárias, principalmente nas ilhas de Gran Canária, Tenerife e Lanzarote, dedicados à cultura dos cereais, vinha, cana sacarina e pastel. Foram estes insulares, bem posicionados no traçado das rotas oceânicas, que voltaram a sua atenção para o promissor novo mundo 42 .

O Brasil exerceu, ao longo da História, um certo fascínio sobre os insulares, que se ligaram, desde o início, ao processo da sua construção. A História dos arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias tem relevado, nos últimos anos, a presença dos insulares como lavradores, mercadores, funcionários e militares. Para os séculos XVI e XVII, valorizou-se a presença de madeirenses, de Norte a Sul, como lavradores e mestres de engenho, tendo sido pioneiros na definição da agricultura de exportação baseada na cana-de-açúcar, funcionários que consolidaram as instituições locais e régias, ou militares que se bateram, em diversos momentos, pela soberania portuguesa. O forte impacto madeirense nos primórdios da sociedade brasileira levou Evaldo Cabral de Mello a definir a capitania de S. Vicente como a Nova Madeira. Evaldo Cabral de Mello Neto, assim como José António Gonsalves de Mello, são raros exemplos na historiografia brasileira de valorização da presença madeirense 43 .

Os primórdios da colonização do Brasil estão ligados à Madeira, tendo-se estabelecido uma ponte entre a ilha e as colónias do Brasil. Os primeiros

42 Cf. José Pérez Vidal, Aportación de Canárias a la Población de América, Las Palmas de Gran Canária, 1991.

43 José Pereira da Costa [O Brasil , …, in As Ilhas E o Brasil, Funchal, 2000, pp. 22-23]refere que a Historiografia brasileira dedica pouca atenção às ilhas.

CADERNOS CEHA

20
20

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 engenhos açucareiros foram construídos por mestres madeirenses. Em S. Vicente (Santos), foram feitas

engenhos açucareiros foram construídos por mestres madeirenses. Em S. Vicente (Santos), foram feitas escavações no engenho do senhor governador, o primeiro construído no Brasil por carpinteiros madeirenses. António e Pedro Leme terão sido os primeiros a chegar aqui com as primeiras socas de cana. A cultura expandiu-se, entretanto, para norte. Na Baía e Pernambuco e Paraíba, de novo encontramos muitos madeirenses ligados à safra açucareira, como técnicos ou donos de engenho.

Aos agricultores e técnicos de engenho, seguiram-se os aventureiros, os perseguidos da religião (= os judeus) e alguns foragidos da justiça. Deste modo, a presença de madeirenses, ainda que mais evidente nas terras de canaviais de Pernambuco, espalhou-se a todo o espaço com focos de maior

influência em S. Vicente, Baía, Caraíbas e Ilhéus.

Hoje, as ilhas parecem ter retomado o deslumbramento do passado. Esgotados os recursos económicos, resta-lhes aquilo que as diferencia dos espaços continentais e que está na origem do nome dado na Antiguidade Clássica. As “Afortunadas” continuam ainda como o paraíso atlântico que continua a atrair o europeu. No milénio que agora começou não está prevista a perda do protagonismo que as marcou no passado. O europeu continuará a depender destes pilares erguidos no Atlântico para sedimentar protagonismos. Ontem como hoje, as ilhas não se fizeram rogadas aos desafios do devir histórico.

CADERNOS CEHA

21
21

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 1985-2008. HISTÓRIA E ATIVIDADE. As ilhas emergem, assim, para uma nova realidade e

1985-2008.

HISTÓRIA E ATIVIDADE.

As ilhas emergem, assim, para uma nova realidade e valorização no espaço atlântico. Hoje, esse conhecimento ganhou um estatuto especial e a Historiografia das ilhas deu um grande salto. O CEHA tem sido um parceiro e um protagonista ativo desta saga insular.

O Centro de Estudos de História do Atlântico, criado pelo decreto legislativo regional n.º 20/85, de 17 de setembro, no âmbito da Secretaria Regional do Turismo e Cultura, é uma instituição de investigação científica que tem por objetivo principal coordenar a investigação e promover a divulgação da História das Ilhas Atlânticas. A presença e empenho dos arquipélagos atlânticos (Açores, Canárias, Cabo Verde e São Tomé) faz-se, em termos institucionais, através de delegados ao Conselho Consultivo.

O projeto surgiu por empenho pessoal do Secretário Regional do Turismo e Cultura, João Carlos

Abreu, sendo Alberto Vieira encarregado de proceder à sua instalação.

A partir da sua instalação definitiva, entre 1988

e 1992, a direção do Centro foi assumida por Luís

de Albuquerque, coadjuvado por Joel Serrão, José Pereira da Costa e Alberto Vieira. Após a morte de Luís de Albuquerque, em 1992, assumiu a presidência Joel Serrão, que foi substituído, em 1997, por José Pereira da Costa, que se manteve em funções até

2006.

A partir de 1 de novembro de 2008, Alberto

Vieira, Investigador-coordenador da instituição, assumiu as funções de Presidente.

Entre 1 de maio de 2013 e 9 de fevereiro de 2014, Alberto Vieira é designado Diretor de Serviços em regime de comissão de serviço por um ano e a 10 de fevereiro de 2014, é designado Diretor de Serviços, por procedimento concursal, em comissão de serviço.

O CEHA teve um Conselho Consultivo, criado com o intuito de dar representatividade e capacidade

CADERNOS CEHA

22
22

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 de intervenção a outros espaços insulares próximos do madeirense e que tivessem interesse

de intervenção a outros espaços insulares próximos do madeirense e que tivessem interesse para o trabalho realizado pela instituição, pelo que nele tiveram assento representantes dos arquipélagos dos Açores, Canárias e Cabo Verde.

O Conselho Científico tinha, como missão, programarecoordenartodasastarefasdeInvestigação desenvolvidas no CEHA. Assim, competia-lhe a coordenação de todos os projetos de investigação, bem como as atividades dos investigadores e técnicos superiores. Ao mesmo órgão, competia, ainda, assessorar as publicações, constando como conselho assessor do anuário. Porque o CEHA dispunha de um número reduzido de técnicos superiores com Doutoramento, decidiu-se alargar a sua composição a Professores universitários. Todos os membros externos foram propostos de acordo com as afinidades de trabalho e, preferencialmente, de entre as instituições cooperantes com o CEHA. Foram membros deste conselho:

Antonio Macias Hernández, Universidad de La Laguna,Espanha;Antonio MalpicaCoello,Universidad de Granada, Espanha; Avelino de Freitas Menezes, Universidade dos Açores, Portugal; Eddy Stols, Prof. emérito da KULeuven, Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG, Bélgica; Fátima Sequeira Dias, Universidade dos Açores, Portugal; Gaspar Manuel Martins Pereira, Universidade do Porto, Portugal; Inês Amorim, Universidade do Porto, Portugal; Javier Maldonado Rosso, Universidade de Cadiz, Espanha; Joaquim Romero de Magalhães, Universidade de Coimbra, Portugal; Jorge de Freitas Branco, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Portugal; José C. Curto, Dept. of History-York University, Canada; José Eduardo Franco, Universidade de Lisboa; José João Reis, Professor Titular, Universidade Federal da Bahia-Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas-Departamento de História. Brasil; José Viriato Eiras Capela, Universidade do Minho, Portugal;

CADERNOS CEHA

23
23

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 Luís Filipe Barreto, Universidade de Lisboa, Centro Científico e Cultural de Macau, Portugal;

Luís Filipe Barreto, Universidade de Lisboa, Centro Científico e Cultural de Macau, Portugal; Manuel Lobo Cabrera, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria; Maria Beatriz Rocha-Trindade, Universidade Aberta, Portugal; Maria Helena da Cruz Coelho, Universidade de Coimbra, Portugal; Miguel Angel de Puig Samper, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas-Madrid, Espanha; Naidea Nunes Nunes, Universidade da Madeira, Portugal; Óscar Zanetti Lecuona, Graduate in History, Doctor in Historical Sciences, Full professor, Senior Researcher. Working Specialty: History of Cub, Cuba; Ottmar ETTE, Institut fuer Romanistik, Universitaet Potsdam; Pedro Luís Puntoni, Cátedra Jaime Cortesão/Faculdade de Filosofia e Letras Ciências Sociais-Universidade de São Paulo, Brasil; Timothy Joel Coates, Department of History, the College of Charleston, Charleston (South Carolina). USA; Vera Lúcia Amaral Ferlini, Cátedra Jaime Cortesão/Faculdade de Filosofia e Letras Ciências Sociais-Universidade de São Paulo, Brasil; Victor Pereira da Rosa, Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade de Ottawa, Canadá.

O Conselho Consultivo tinha a incumbência de aferir da qualidade dos artigos a publicar, quando sobre os mesmos fosse emitida dúvida pelo Conselho Redatorial ou pelo coordenador do número da revista. O Conselho Consultivo foi composto, primordialmente, por membros do Conselho Científico do CEHA – cumprindo, assim, o Anuário a função de reforço do vínculo deste Conselho ao CEHA

– e por outros investigadores. Foram membros deste conselho:

Ana Viña Brito, Universidade de La Laguna, Canarias; Antonio Abreu Xavier, Profesor de Historia Contemporánea de América y Venezuela en la Escuela de Comunicación Social-UCV; António Barros Cardoso, Universidade do Porto, Grupo de Estudos de História da Viticultura Douriense e do Vinho do Porto; Antonio Macías Hernández, Universidad de La Laguna, Canarias; Antonio Malpica Cuello, Universidade de Granada, Espanha; Augusto Nascimento, Instituto de Investigação Científica e Tropical; Avelino de Freitas de Menezes, Universidade dos Açores; Daniel Campi, Universidad de Tucuman, Argentina; David J. Hancock, University of Michigan; Eddy Stols, prof. Emérito da KULeuven, Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais; Fátima Sequeira Dias, Universidade dos Açores; Gaspar Manuel Martins Pereira, Universidade do Porto; Genaro Rodriguez Morel, Real Academia de la Historia de Santo Domingo; Inês Amorim, Universidade do Porto; Iordan Avramov, Center for Science Studies and History of Science, Bulgária; Javier Maldonado Rosso, Universidade de Cadiz, Espanha; Joám Evans Pim, O Instituto Galego de Estudos de Seguranza Internacional e da Paz, Galiza; Joaquim Romero de Magalhães, Universidade de Coimbra; John Everaert, catedrático emérito, especializado em história colonial y marítima, da Universidad de Gante, Bélgica; Jorge de Freitas

CADERNOS CEHA

24
24

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 Branco, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; Jorge do Nascimento

Branco, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; Jorge do Nascimento Rodrigues, Editor de revistas e livros. Tradutor e Revisor; José Ángel Rodríguez, Universidad Central de Venezuela; José Curto, Depart. History-York University, Canadá; José Eduardo Franco, Presidente da Direcção do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes (instituição da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em parceria com a ESAD- Fundação Ricardo Espírito Santo Sillva); José João Reis, Universidade Federal da Bahia; José Viriato Eiras Capela, Universidade do Minho; Luís Filipe Barreto, Universidade de Lisboa, Centro Científico e Cultural de Macau; Manuel Lobo Cabrera, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, Canárias; Maria Beatriz Rocha-Trindade, Universidade Aberta; Maria Helena da Cruz Coelho, Universidade de Coimbra; Maria Isabel Rodrigues dos Santos, Universidade Católica Portuguesa; Miguel Angel de Puig Samper, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Madrid; Miguel Real, Centro de Literatura de Expressão Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa; Monica Teixeira, doutorada em Literatura Moderna Portuguesa, Madeira; Naidea Nunes Nunes, Universidade da Madeira; Óscar Zanetti Lecuona, Académico titular, Academia de Ciencias de Cuba; Ottmar Ette, Universitaet Potsdam; Paulo Esteireiro, Gabinete Coordenador de Educação Artística, SREC- RAM; Pedro Luís Puntoni, Cátedra Jaime Cortesão – Universidade de São Paulo; Timothy Joel Coates,

The College of Charleston (South Carolina); Vera Lúcia Amaral Ferlini, Cátedra Jaime Cortesão – Universidade de São Paulo; Victor Pereira da Rosa, Universidade de Ottawa.

CADERNOS CEHA

25
25

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 1986-2008 Atividades. As iniciativas do CEHA tiveram como ponto de partida a História

1986-2008

Atividades.

As iniciativas do CEHA tiveram como ponto de partida a História das ilhas Atlânticas e desenvolveram-se em Conferências, Colóquios, projetos de investigação e publicação de textos inéditos

Conferências.

O Centro realizou, nos últimos dez anos, mais de uma centena de conferências que contaram com a presença de destacados historiadores nacionais e

estrangeiros. De entre estes, citam-se os Professores como Jean Delumeau, C. A. Medeiros e A. J. Russell-

).

Wood, Charles Verlinden, W. Randles, I. Caracci

Colóquios.

Até ao presente, o Centro organizou diversos colóquios internacionais e colaborou com outras instituições na realização de outros dois, de que

resultou a publicação de 6 volumes com mais de quatrocentas comunicações sobre a História das Ilhas Atlânticas. A partir de 1992, foi decidido designar este encontro de Colóquio Internacional das ilhas Atlânticas, passando a sua realização a ser trienal e compartilhada pelas organizações afins e universidades dos arquipélagos dos Açores e Canárias. Para o período de 1986 a 2005, tivemos 9 colóquios, que se realizaram no Funchal, Las Palmas, Angra do Heroísmo e Florianópolis (Sta Catarina- Brasil):

1986. Colóquio Internacional de História da Madeira, com os temas: Conexões Atlânticas da Madeira, História Comparada das Sociedades Insulares Atlânticas;

1989. II colóquio Internacional de História da

Madeira. Temas: História da Madeira, História

das Ilhas Atlânticas, Encontro de Culturas no Atlântico;

1992. III Colóquio Internacional de História da

Madeira. Temas de debate: Colombo. A Madeira e Porto Santo, História das Ilhas Atlânticas; 1995. IV Internacional das ilhas

CADERNOS CEHA

26
26

CEHA | 1985–2015

atlânticas (organização da Fundacion Mapfre Guanarteme): Temas: Comércio: Instrumentos del comercio entre el sistema portuario y mercantil de las islas ibéricas y Caribeñas, Sistema portuario-mercantil de las islas ibéricas e caribeño, Archivos y documentación, Arte y Literatura, Demografia;

1999. V Colóquio internacional de História das ilhas

abril com a colaboração do Instituto do vinho da Madeira, e Universidades do Porto Bordéus, Málaga e Cádiz; - O Município no mundo português, de 26-30 de Outubro, enquadrando- se a sua realização nos planos comemorativos do centenário da viagem de Vasco da Gama;

1999. História e o meio ambiente-o impacto da

expansão europeia. De 5 a 9 de Abril, com os

atlânticas, 24 a 28 de Maio, realização nos

seguintes temas de debate: A visão do paraíso.

Açores, pelo Instituto Histórico da ilha Terceira

A

ciência e a busca da arca de Noé, História

de colaboração com a Universidade dos Açores.

e

meio-ambiente nos espaços de ocupação

Tema: As Ilhas no Domínio do Atlântico;

europeia, Açúcar e meio ambiente, História do

2000. VI Colóquio Internacional das ilhas Atlânticas,

de 25 a 29 de Setembro organização do CEHA, alusivo ao descobrimento do Brasil, com o tema:

As ilhas e o Brasil:

2003. VII Colóquio Internacional das ilhas Atlânticas, de 02 a 07 de Setembro, organizado pelo INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SANTA CATARINA – IHGSC [Ilha de Santa Catarina – BRASIL] com o tema “AS ILHAS E OS ORGANISMOS REGIONAIS - Novas Rotas e Novos Destinos”;

2005. IX Colóquio Internacional de História das Ilhas, Setembro, Las Palmas de Gran Canaria

Seminários e Mesas-redondas. A partir de 1993, decidiu-se realizar nos intervalos dos Colóquios Internacionais, com periodicidade trienal, seminários ou mesas-redondas para a abordagem de temas monográficos. No período de 1993 a 2015, tivemos os seguintes encontros:

1993. As sociedades insulares no contexto das inter-

inflências culturais do séc. XVIII; 1994: -Infante e as ilhas (comemoração do IV centenário da morte do infante D. Henrique);

1996. Escravos com e sem açúcar, com realização

de 17 a 21 de Junho. Em colaboração com as Universidades de Minneapolis, The John Hopkins, Columbia;

1997. Documentação e Arquivos insulares, de 15 a 19

de Setembro. Com a participação de arquivistas de Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde e S. Tomé;

1998. Os vinhos licorosos e a História, de 19 a 24 de

meio ambiente nas ilhas atlânticas;

2000. História e Tecnologia do Açúcar. Março;

2001. Emigração e Imigração nas ilhas, 2 a 6 de Abril de 2001; -A autonomia e a história das ilhas, 3 a 7 de Setembro de 2001; -II SEMINÁRIO INTERNACIONAL: História do município no mundo Português 5 a 10 de Novembro de 2001;

2002. História e Açúcar: a rota do açúcar, os mercados do açúcar. 14 a 19 de Abril- 2002;

2003. III Seminário Internacional: O Município no

Mundo Português, Funchal, Junho; - III Simpósio da Associação Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho, Funchal, 5 a 8 de Outubro;

2004. III Seminário Internacional de História do Açúcar, em cooperação com AIHCA, Funchal,

Setembro;

2005. As Ilhas e a História da Ciência, Funchal, Maio;

2006. As Cidades do Vinho, Funchal;

CADERNOS CEHA

27
27

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência
CEHA | 1985–2015 PUBLICAÇÕES Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência

PUBLICAÇÕES

Em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência temática obrigatória sobre a História das Ilhas Atlânticas e, em especial, sobre a Madeira. Para o período que compreende esta primeira fase de atividade do CEHA, que vai até 2006, tivemos 104 publicações, o que corresponde a uma média de 4 publicações por ano.

Coleções Editoriais para Formato em papel. 1986-2006

MEMÓRIAS. Esta coleção teve por objetivo publicar estudos monográficos sobre a História das ilhas. A maioria dos textos publicados resultou de teses de mestrado e doutoramento apresentadas nas Universidades portuguesas. Número de volumes publicados: 65.

VIEIRA, Alberto: O Comércio Inter-Insular nos Séculos XV e XVI, Madeira, Açores e Canárias, 1987, pp. 227;

NEVES, Carlos Agostinho das: São Tomé e Príncipe na Segunda Metade do Século XVIII, 1990, pp.

478;

LOBO CABRERA, Manuel: El Comercio Canario Europeo Bajo Felipe II, 1988, pp. 244 ISBN: 972-

648-024-8;

a

História da Madeira, 1990, pp. 487 ISBN: 972-648-

047-7;

VIEIRA, Alberto: Os Escravos no Arquipélago da Madeira. Séculos XV a XVI, 1990, pp. 544 ISBN:

PEREIRA,

Fernando

Jasmins:

Estudos

sobre

972-648-046-;

DOMINGUES, Angela: Viagens de Exploração Geográfica na Amazónia em finais do Século XVII:

Política, Ciência e Aventura, 1991, pp. 99 ISBN:

972-648-052-3;

SALDANHA, António Vasconcelos: As Capitanias.

O Regime Senhorial na Expansão Ultramarina,

1992, pp. 343 ISBN: 972-648-054-X;

GONÇALVES, Ernesto, Portugal e a Ilha, 1992, pp. 542 ISBN: 972-648-056-6;

MUNCH, Susana: A Fazenda Real no século XVI, 1993, pp. 257 ISBN: 972-648-069; Vários. Actas do II Colóquio Internacional de História da Madeira. 1990, pp. 1043 ISBN: 972-95100-0-8;

VÁRIOS , Actas do III Colóquio Internacional de História da Madeira, 1993, pp. 931 ISBN: 972-648-

058-2;

SILVA, José Manuel A. , A Madeira e a Construção

do Mundo Atlântico (Séculos XV- XVII). Funchal, 2

volumes, 1995, pp. 1086 ISBN: 972-9060-03-7;

GOMES, Eduarda Maria de Sousa, O Convento da Encarnação do Funchal. Subsídios para a sua história. 1660-1777. Funchal 1995, pp. 280 ISBN:

972-648-083-3;

CADERNOS CEHA

28
28

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),
CEHA | 1985–2015 – Vários. Escravos Com e Sem açúcar . Actas do seminário(português e inglês),

Vários. Escravos Com e Sem açúcar. Actas do seminário(português e inglês), pp. 311 ISBN: 972-

648-110-4;

NORONHA, Henrique Henriques, Memórias Seculares e Eclesiásticas para a Composição da História da Diocese do Funchal, Funchal, 1996, pp. 533 ISBN: 972-648-112-0;

JARDIM, Dina R. , A Santa Casa da Misericórdia do Funchal. Século XVIII, Funchal, 1996, pp. 276 ISBN:

972-648-115-5;

VIEIRA, Alberto. S. Vicente um Século de Vida Municipal (1868-1974), Funchal, 1997, pp. 167 ISBN: 972-648-118-X;

JANES, Emanuel, Nacionalismo e Nacionalistas na Madeira, Funchal, 1997, pp. 260 ISBN: 972-648-

119-8;

Vários, Os Arquivos Insulare s(Atlântico e Caraíbas), Funchal, 1997, pp. 443 ISBN: 972. 648. 120. 1;

Vários, História das Ilhas Atlânticas (Economia, Sociedade, Arte e Literatura), Funchal, 1997, 2 vols. , 448 pp + 468 pp. ISBN: 972-648-121-X;

Vários, Os Vinhos Licorosos e a História, Actas do Seminário Internacional. Funchal, 1998, pp. 362 ISBN: 972-8263-08-2;

RODRIGUES, Paulo Miguel, A Politica e as Questões Militares na Madeira. O Período das Guerras Napoleónicas, 1999. pp. 450 ISBN: 972-

8263-18-X;

FONTOURA, Otília Rodrigues de, Portugal Em Marrocos na Época de D. João Terceiro, 1998pp. 249 ISBN: 972-8263-11-2;

FERREIRA, Maria Isabel R. , Mitos e Utopias na Descoberta e Construção do Mundo Atlântico, 1999. pp. 104 ISBN: 972-8263-13-9;

HENRIQUES, Albertina Maria de Sousa, Órgãos Políticos e Classe Política na Região Autónoma da Madeira, 1999. pp. 266 ISBN: 972-8263-15-5;

SANTOS, Maria Licínia dos, Os Madeirenses na Colonização do Brasil, 1999. pp. 243 ISBN: 972- 8263-19-8; Vários, História e Meio-Ambiente, o Impacto da Expansão Europeia, 1999. pp. 552 ISBN: 972-8263-14-7;

TRINDADE, Ana Cristina Machado, A Moral e o Pecado Público no Arquipélago da Madeira na Segunda Metade do Séc. XVIII, 1999. pp. 254 ISBN: 972-8263-16-3;

PIAZZA, Walter F. , A Epopeia Açórico-Madeirense (1746-1756), 1999. pp. 393 ISBN: 972-8263- 20-1; História e Tecnologia do Açúcar, Actas do Seminário Internacional, 2000 200, pp ISBN: 972-

8263-22-8;

GOMES, Vítor, O Comércio do Centro do Funchal - Leitura da Lógica da Internacionalização e das Ligações Global/Local, 2000 pp. 170 ISBN: 972- 8263-23-6; O Brasil e as Ilhas. Actas do colóquio Internacional, Funchal, 2000 pp. 552 ISBN: 972-

8263-24-4;

CADERNOS CEHA

29
29

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,
CEHA | 1985–2015 – FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos,

FONTOURA, Otília Rodrigues: As Clarissas na Madeira. Uma Presença de 500 Anos, Funchal,

2000;

Gaspar Frutuoso. O historiador das ilhas, 2001 pp.

118 ISBN: 972-8263-27-9; Emigração e Imigração

nas Ilhas, 2001 PP. 287 ISBN: 972-8263-26-0;

Bernardete Barros: D. Guiomar de Sá. Uma mulher singular, 2001 224 ISBN: 972-8263-28-7;

Cecília Costa: José Vicente Gonçalves. Matemático. … porque professor !, 2001; Vários. Autonomia e História das Ilhas, 2001 pp. 327 ISBN: 972-8263-

29-5;

Diocese do Funchal, História e Devoção ao Divino Espirito Santo na Madeira, 2001 pp. 160 ISBN:

972-8684-04-5;

Nídia Maria Carreiro Baptista Moura Estreia; As Confrarias do Cabido da Sé do Funchal, 2001 pp.

135 ISBN: 972-8263-32-5;

Elisabete Maria Costa Mieiro, A Atlantização Mítica do Éden. Novos Mundos, Novos Paraísos, 2001 pp. 190 ISBN: 972-8684-06-1;

Patrícia Ferreira: As Relações Luso-britânicas na China Meridional, 2001, pp. 274, ISBN: 972-8263-

35-x;

Neli Barros, Os Deputados Brasileiros nas Primeiras Constituintes e a Ilha da Madeira 2002, 230 pp. ISBN: 972-8263-36-8;

VIEIRA, Alberto: A Vinha e o Vinho na História da Madeira. Séculos XV-XX, 2003, 585 pp. ISBN: 972- 8246-67-6 ;

VÁRIOS: ACTAS do III Simpósio da Associação Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho, 2004, 912 pp. ISBN: 972-82463-42-2;

FLORENÇA, Teresa: O Movimento Republicano na Madeira. 1882-1913, 2004, pp. 148, ISBN: 972-

8263-44-9;

VÁRIOS: As Cidades do Vinho. II Seminário Internacional de Historia do Vinho, 2006, pp. 370, ISBN: 978-972-8263-54-6;

PACHECO, Dinis Gouveia: Sociedades e Estratégias Empresariais nos Sectores Agro-Industriais do Vinho e Cana Sacarina na Madeira (1870-1930), 2007, 250 pp. ISBN: 978-972-8263-55-3.

CADERNOS CEHA

30
30

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a
CEHA | 1985–2015 ATLÂNTICA . Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a

ATLÂNTICA. Coleção dedicada à publicação de estudos de divulgação relacionados com a temática histórica das ilhas atlânticas.

Número de volumes publicados: 11:

ALBUQUERQUE, Luís de, VIEIRA, Alberto: O Arquipélago da Madeira no Século XV, 1987/The Archipelago of Madeira in the XV Century, 1987, pp. 69;

SERRÃO, Joel: Temas Históricos Madeirenses, 1992, pp. 147 ISBN: 972-648-055;

VARIOS, As Sociedades Insulares no Contexto das Inter-Influências Culturais do Século XVIII, 1993, pp. 202 ISBN: 972-648-063-9;

VÁRIOS, O infante D. Henrique e as Ilhas Atlânticas, 1994, pp. 155 ISBN: 972-648-068-X;

Albert Silbert: Uma Encruzilhada do Atlântico Madeira (1640-1820) // Un Carrefour de L’ Atlantique Madère (1640-1820), pp. 129 ISBN:

972-649-123-6;

Vários, Documentação e Arquivos Insulares. Actas do Seminário Internacional, 1999, pp. 107 ISBN:

972-8263-14-7;

Vários: A Madeira e a História de Portugal, 2001 pp. 109 ISBN: 972-8263-30-9;

VÁRIOS: Recepção Académica ao Prof. Doutor D. Manuel Lobo Cabrera, 2004, 68 pp. ISBN: 972-

8263-40-6;

VÁRIOS: A Madeira e o Brasil. Colectânea de Estudos, 2004, 356 pp. ISBN: 972-8263-41-4;

GOMES, Luís Valentim: O Caminho do Comboio e as Alterações Urbanísticas do Funchal, 2005, 256 pp. ISBN: 972-8263-47-3;

TEIXEIRA, Mónica: Tendências da Literatura na Ilha da Madeira nos Séculos XIX e XX, 2005, 536 pp. ISBN: 972-8263-48-1.

CADERNOS CEHA

31
31

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a
CEHA | 1985–2015 DOCUMENTOS . Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a

DOCUMENTOS. Coleção especializada na publicação de documentos e corpos documentais sobre a Madeira.

Número de volumes publicados: 13

COSTA, José Pereira da, Livros de Contas da Ilha da Madeira, 1989, pp. 330;

VIEIRA, Alberto: História do Vinho de Madeira, 1993, pp. 431 ISBN: 972-648-060-4;

COSTA, José Pereira da: Livros de Matrícula do Cabido da Sé do Funchal (1538-1558), 1994, pp. 167 ISBN: 972-648-064-7;

COSTA, José Pereira da: Vereações do Funchal do Século XV, 1994, Funchal, 1995, pp. 671 ISBN:

972-648-081-7;

VIEIRA, Alberto, O Público e o Privado na História da Madeira. As Cartas de Diogo Fernandes Branco. 1650-52. Funchal, 1996, pp. 273 ISBN: 972-648-

114-7;

COSTA, José Pereira da: Vereações do Funchal. Primeira metade do Século XVI// Vereações do século XVI: Santa Cruz, Funchal, 1998 pp . 544 ISBN: 972-8263-21-X;

VIEIRA, Alberto, O Público e o Privado na História da Madeira, vol. I, 1996 pp. 273 ISBN: 972-648- 114-7; VIEIRA,

Alberto, Público e o Privado na História da Madeira, vol. II, 1998 pp. 224 ISBN: 972-8263-09-

0;

VIEIRA, Alberto, Do Éden à Arca de Noé, 1999 pp. 330 ISBN: 972-8263-12-0;

FERRAZ, João Higino: Copiadores de Cartas (1898- 1937), 2005, 420 pp. ISBN: 972-8263-39-2;

FERRAZ, João Higino: Açúcar, Melaço, Álcool e Aguardente. Notas e Experiências de João Higino Ferraz (1884-1946), 2005, 864 pp. ISBN: 972-

8263-50-3.

CADERNOS CEHA

32
32

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 HISTÓRIA DO MUNICIPALISMO . Coleção criada para publicação de estudos comparados sobre a
CEHA | 1985–2015 HISTÓRIA DO MUNICIPALISMO . Coleção criada para publicação de estudos comparados sobre a

HISTÓRIA DO MUNICIPALISMO. Coleção criada para publicação de estudos comparados sobre a História dos Municípios no Mundo Português.

Número de volumes publicados: 4

Vários, O Município no Mundo Português, Actas do Seminário Internacional, 1998. pp. 706 ISBN:

972-8263-10-4;

Vários, História dos Municípios: Administração,

– Vários, História dos Municípios: Administração, Eleições e Finanças , 2001 pp. 327 ISBN: 972-8263- 31-7;
– Vários, História dos Municípios: Administração, Eleições e Finanças , 2001 pp. 327 ISBN: 972-8263- 31-7;

Eleições e Finanças, 2001 pp. 327 ISBN: 972-8263-

31-7;

SOUSA, Ana Madalena R. B. Trigo de: O Municipalismo na Madeira e Porto Santo na Época Pombalina e Post-Pombalina, 2004, 352 pp. ISBN:

972-8263-45-7;

VÁRIOS: História do Municipalismo – Poder Local e Poder Central no Mundo Ibérico, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2.

, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em
, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em
, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em
, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em
, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em
, 2006, 554 pp. ISBN: 972-8263-52-X; 978-972-8263-52-2. HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR : Coleção criada em

HISTÓRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR: Coleção criada em colaboração com a Associação Internacional de História e Cana de Açúcar, para divulgar os estudos e reuniões sobre o tema.

Número de volumes publicados: 5

VÁRIOS: História do Açúcar: Rotas e Mercados, 2002, 666pp, ISBN: 972-8263-34-1;

Naidea Nunes: O Açúcar de Cana na Ilha da Madeira: Do Mediterrâneo ao Atlântico. Terminologia e Tecnologia Históricas e Actuais

da Cultura Açucareira. 2003, 940 pp. ISBN: 972-

8263-39-2;

VIEIRA, Alberto: Canaviais, Açúcar e Aguardente na Madeira. Séculos XV a XX, 2004, 450 pp. ISBN:

972-8263-V3-0;

VÁRIOS: O Açúcar e o Quotidiano. Actas do III Seminário Internacional sobre a História do Açúcar, 2004, 592 pp. ISBN: 972-8263-46-5;

VÁRIOS: História do Açúcar–Fiscalidade, Metro- logia, Vida Material e Património, 2006, 625 pp. ISBN: 972-8263-53-8; 978-972-8263-53-9.

CADERNOS CEHA

33
33

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 HISTÓRIA DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA . Coleção criada para publicação de estudos

HISTÓRIA DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA. Coleção criada para publicação de estudos sobre História das Ciências e das Técnicas.

Número de volumes publicados: 1

AAVV: As Ilhas e a Ciência. História da Ciência e das Técnicas. Seminário Internacional, 2005, 420 pp.

SEPARATAS. Coleção dedicada à publicação de textos incluídos em revistas, atas de colóquios, ou obras coletivas. Os números 4 a 65 correspondem às comunicações do II Colóquio Internacional de História da Madeira (1989), também editado em Livro.

Número de volumes publicados: 65:

MEDEIROS, Carlos Alberto: Porto Santo e Corvo. Aspectos da Ocupação Humana em Espaços Insulares Restritos, 1988;

RANDLES, William G.: La Representation de l’Atlantique dans la Conscience Européenne au Moyen Age et à la Renaissance, 1989;

RANDLES, William G.: Le Project Asiatique de Christophe Colomb devant la Science Cosmographique Portugaise et Espagnole de son Temps, 1989;

VERLINDEN, Charles: Petite Proprieté et grande Entreprise à Madère à la fin du XV ème siècle,

1990;

VIEIRA, Alberto, RODRIGUES, Víctor Luís Gaspar:

A Administração do Município do Funchal, 1990;

RODRIGUES, Miguel Jasmins, OLIVEIRA, Rosa Bela:

Espaços Políticos de Subordinações e Articulações.

A Madeira no 1º período de prosperidade sacarina,

1990;

MIRANDA, Susana Munch: O Porto do Funchal. Estrutura Alfandegária e Movimento Comercial (1500-1526), 1990;

KELLENBENZ,

Comerciaias

e

Hermann:

dos

Relações

com

da

e Escandinávia, 1990;

Madeira

Açores

Alemanha

RIBEIRO, João Adriano: As Serras de Água na Capitania de Machico, Séculos XV-XVIII, 1990;

COSTA, José Pereira da: Livros de Matrícula 1538/1553- 1554/1558, 1990;

COSME, João dos Santos Ramalho, MANSO, Maria de Deus Beites: Cartas de Perdão e Legitimação Concedidas aos Moradores do Arquipélago da Madeira, 1990;

CARITA, Rui Alexandre: Os Tectos de Alfarge da Madeira. Século XVI (As Relações da Madeira com a Arte Islâmica), 1990;

STEGAGNO-PICCHIO, Luciana: O Sacro Colégio

de Alfenim. Considerações sobre a Civilização do

Açúcar na Ilha da Madeira e noutras Ilhas, 1990;

RAMOS PEREZ, Demetrio: Madeira, como Centro del Espionaje Espanol sobre las Actividades Britanicas, en el Siglo XVIII, 1990;

GOMES, Fátima Freitas: Oficiais e Ofícios Mecânicos no Funchal (Séculos XVIII a princípios

do Século XIX), 1990;

DOMINGUES, Francisco J. R. Contente: Sociedades Cientificas da Madeira. Século XVIII, 1990;

COUTO, Adelaide Barbosa, GAMA, Edina Laura Nogueira da SANT’ANA, Maurício de Barcellos: O Povoamento da Ilha de Santa Catarina e a Vinda dos Casais Ilhéus, 1990;

FERRAZ, Maria de Lurdes Freitas: A Cidade do Funchal na 2ª Metade do Século XVIII - Freguesias Urbanas, 1990;

BRANCO, Jorge de Freitas: Factor Ecológico

e Hegemonia Política: questões em torno da Madeira (Séculos XVIII-XIX), 1990;

HERNANDEZ GUTIÉRREZ, A. Sebastián: Las estampas Madeirenses de Alvarez Rixo. 1812- 1814, 1990;

CASTELO-BRANCO, Fernando: A Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes,

CADERNOS CEHA

34
34

CEHA | 1985–2015

1990;

PINTO, Maria Luís Rocha, RODRIGUES, Teresa Ferreira: A Madeira na Viragem do Século(1860-1930) - Características da Sua Evolução Demográfica, 1990;

PIAZZA, Walter Fernando: Raízes Madeirenses em Santa Catarina, Brasil, 1990;

HERNANDEZ GONZALEZ, Manuel: Entre el Apoyo

a la Emancipación Americana y el Servicio

al Colonialismo Espanol: Las Contradictorias Actividades del Liberal Madeirense Cabral de Norona en los Estados Unidos(1811-1819), 1990;

ALVES, José Augusto dos Santos: O Patriota Funchalense ou o elogio do contrapoder, 1990;

HIGGS, David: Francis Silver (1841-1920), ou seja Francisco da Silva no Contexto da Migração Portuguesa para o Canada antes de 1940: Arte e uma Odisseia Atlântica, 1990;

MENEZES, Noel: The First Twnety-Five Years of Madeiran Emigration to British Guiana. 1835- 1860, 1990;

RAKÓCZI, István: A Morte na

O Exílio

do último Imperador Habsburgo na Madeira,

1990;

CASTELO-BRANCO, Maria dos Remédios:

Perspectivas Americanas da Madeira, 1990; SILVA, António Ribeiro Marques da: Os Inícios do Turismo na Madeira e nas Canárias. O Domínio Inglês, 1990,

MINCHINTON, Walter: Bristish Residents in

Madeira before 1815, 1990; VERÍSSIMO, Nelson:

O Alargamento da Autonomia dos Distritos

Insulares. O debate na Madeira (1922-1923),

1990;

MAURO, Frédéric: L’Atlantique plus Grand que L’Atlantique: Les Fleuves Protongent la Mer, 1990,

LOBO CABRERA, Manuel: La Historia de Las Islas:

Canarias y Madeira, 1990;

GREENFIELD, Sidney M. : As Ilhas da Madeira e Cabo Verde: rumo a uma Sociologia Comparativa

de Diferenciação Colonial, 1990;

GUEDES,

Max

Justo:

sua

Brasileiro, 1990;

Contribuição

à

As

Ilhas

Atlânticas

do

a

Nordeste

e

Restauração

SILVA, José Gentil da: Mundo Atlântico: Ilhas que não são Utopias, Terras de Homens, Criação de que Mundo?, 1990;

MORENO, Humberto Baquero: Duas Cartas de Segurança Marítima Concedidas a Súbditos Estrangeiros por D. Afonso V, 1990;

LUXAN MELENDEZ, Santiago de: Islas Adyacentes (Madera y Azores) y Plazas Portuguesas del Norte de Africa. Canarias y la baja Andalucia ante la Restauración Portuguesa (Avance de una investigación en curso), 1990;

SILVA, António Leão de Aguiar Cardoso Correia e:

A Influência do Atlântico na Formação de Portos

em Cabo Verde, 1990;

SANTOS, Maria Emília Madeira: Rotas Atlânticas o Caso da Carreira de S. Tomé, 1990,

BOXER, Charles Ralph: Breve apontamento sobre

o “Primeiro Livro de Viagens” de Gonçalo Xavier de Barros Alvim, 1990;

FAJARDO SPINOLA, Francisco: Azores y Madeira en el Archivo de la Inquisición Canaria (Nuevas aportaciones), 1990;

ANAYA HERNANDEZ, Luís Alberto: Una comunidad

Judeoconversa de origem portuguesa a comienzos

del siglo XVI en la isla de La Palma, 1990;

RIVERO SUAREZ, Benedicta: El Proceso de Elaboración del Azucar en Tenerife en el siglo XVI,

1990;

FERNANDES, José Manuel: Arquitectura Vernácula

e Estruturas nos Arquipélagos da Macaronésia

(Madeira, Açores, Canárias) - Similitudes e Contrastes Séculos XV-XVIII, 1990;

FERREIRA, Ana Maria Pereira: O Corso Francês e o Comércio entre Portugal e as Canárias no Século

XVI (1521-1537), 1990;

MANSO, Maria de Deus Beites, Cosme, João dos S. Ramalho: Traços da Economia Cabo Verdiana(1462-1521), 1990;

TORRES SANTANA, Elisa: El Comercio Gran Canario

con Cabo Verde a Principios del siglo XVII, 1990;

SUAREZ GRIMON, Vicente: Crisis de Subsistencias en Lanzarote y Fuerteventura a Principios del Siglo XVIII, 1990;

CADERNOS CEHA

35
35

CEHA | 1985–2015

HENRIQUES, Isabel Castro: Formas de intervenção

e de Organização dos Africanos em S. Tomé nos Séculos XV e XVI, 1990;

NEVES, Carlos Agostinho: Livro de registo do Rendimento e Despesa da Fazenda Real de S. Tomé e Príncipe (1760-1770), 1990;

ROCHA, Gilberta: Os Açores na Viragem do Século (1860-1930): Características da sua Evolução Demográfica, 1990;

SILVA, Gracilda Alves de Azevedo: O Rio de Janeiro

e a Região de Bangu na Economia Atlântica, 1990;

LEITE, José Guilherme Reis: O 2º Movimento Autonomista Açoriano e a Importância da Madeira no seu Desenvolvimento, 1990;

MONJARDINO,

Autonomia

Álvaro:

Raízes

da

Constitucional, 1990;

CARACI, Ilaria Luzzana: Cassiteridi, Gorgadi e Esperidi dopo la Scoperta dell’America, 1990;

RANDLES, W. G. L : La Cartographie del’Atlantique

a la Veille du Voyage de Christophe Colomb, 1990;

BELVEDERI, Raffaele: Cultura Genovesa e Cultura Atlantica, 1990;

FONSECA, Luís Adão da: O Itinerário de Usodimare:

Inspiração Livresca, experiência Mediterrânica e Navegações Atlânticas em meados do Século XV,

1990;

PINTO, João Rocha: Reflexões em torno do Códice de Leonardo Torriani Cremonense ou uma certa Visão da Madeira ou da Real Importância de um Autor e de uma Obra, 1990;

PELOSO, Silvano: Giulio Landi e a “Insulae Materiae Descriptio”: Novos Documentos, 1990;

KHÉDE, Sonia Salomão: Paradigmas da Literatura Popular portuguesa Medieval no Brasil Contemporâneo: A ilha da Madeira de Baltasar Dias e o Sertão Nordestino de João Martins de Ataíde, 1990;

HERRERA PIQUÉ, Alfredo: La Expedición Francesa

e a Australia y las Islas Canarias una Vision de Tenerife en el ano 1800, 1990;

RADULET, Carmen M. : Açores, Madeira e Canárias, Cenário “Exótico”para um Romance de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990.

de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990. EDIÇÕES ESPECIAIS . Livros editados em cooperação
de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990. EDIÇÕES ESPECIAIS . Livros editados em cooperação
de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990. EDIÇÕES ESPECIAIS . Livros editados em cooperação
de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990. EDIÇÕES ESPECIAIS . Livros editados em cooperação
de Julio Verne: “A Agência Thompson & Ca”, 1990. EDIÇÕES ESPECIAIS . Livros editados em cooperação

EDIÇÕES ESPECIAIS. Livros editados em cooperação com outras entidades ou fora das coleções acima.

Número de volumes publicados: 5

Fotografia e Fotógrafos Insulares. Açores, Canárias e Madeira, (catálogo da exposição realizada no Museo Canario em Outubro de 1990), pp. 89;

Vieira, Alberto, Guia para a Investigação e História das Ilhas Atlânticas. Funchal, 1995, pp. 414 ISBN:

972-648-082-5;

Vieira, Alberto e Clode, Francisco A Rota do Açúcar na Madeira, 1996, pp. 220 ISBN: 972-648-088-4;

VIEIRA, Alberto, Breviário da Vinha e do Vinho na Madeira, 1991 pp. 115;

MELLO, José Antonio Gonsalves de, João Fernandes Vieira. Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco pp. 492.

CADERNOS CEHA

36
36

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 VIDEO , Número de edições: 3 – A Civilização do Açúcar na Madeira
CEHA | 1985–2015 VIDEO , Número de edições: 3 – A Civilização do Açúcar na Madeira
CEHA | 1985–2015 VIDEO , Número de edições: 3 – A Civilização do Açúcar na Madeira

VIDEO, Número de edições: 3

A Civilização do Açúcar na Madeira, Realização de Carlos Brandão Lucas Funchal, 1996, 30 minutos;

As ilhas Atlânticas e o Brasil, Realização de Carlos Brandão Lucas, Funchal, 2000, 55 minutos;

O Vinho da Madeira: História e Tradição, realização de Carlos Brandão Lucas, 25 minutos.

, realização de Carlos Brandão Lucas, 25 minutos. CDROM , Número de edições: 3 – Elucidário
, realização de Carlos Brandão Lucas, 25 minutos. CDROM , Número de edições: 3 – Elucidário
, realização de Carlos Brandão Lucas, 25 minutos. CDROM , Número de edições: 3 – Elucidário

CDROM, Número de edições: 3

Elucidário Madeirense de Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes. Versão em Cdrom para Windows e MAC/OS. Funchal. 1998;

Instrumentos de Descripción de los Archivos de las Islas del Atlántico, 2 cds em versão windows. Funchal-Las Palmas 1999;

25 DE AUTONOMIA NA MADEIRA PROJECTO COMEMORATIVO do CEHA - A AUTONOMIA:

História e documentos. Funchal. 2001-08-10.

COOPERAÇÃO

Desde a sua criação, o CEHA abriu as suas portas à cooperação institucional no país e estrangeiro. Para isso, estabeleceram-se vários protocolos de cooperação com diversas instituições, no sentido da realização de eventos e projetos de investigação. De entre os protocolos estabelecidos, destacamos:

AIHCA: Associação Internacional de História e Civilização do Açúcar;

Centro de História da Ciência do SCIC (Madrid);

Centro Municipal del Patrimonio Histórico (El Puerto de Santa Maria-ANDALUCIA);

Fundação Joaquim Nabuco;

GEHVID (Universidade do Porto);

Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo;

Núcleo de Estudios Atlânticos-Instituto Galego de Estudos de Segurança Internacional e da Paz – IGESIP;

Republica

Real

la

Academia

de

História

da

Dominicana:

Universidade de Bordéus:

Universidade de Cádis;

Universidade de Granada;

Universidade de La Laguna;

Universidade de Las Palmas de Gran Canaria;

Universidade de Málaga;

Universidade de S. Paulo:

Cátedra Jaime Cortesão,

Museu Paulista e Museu Republicano de Itu;

Universidade de Tucuman.

CADERNOS CEHA

37
37

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 CEHA: Cronologia – 1985. 09. 17: Decreto legislativo regional de 20/85/M, de 17

CEHA: Cronologia

1985. 09. 17: Decreto legislativo regional de 20/85/M, de 17 de setembro, aprovado pela Assembleia Legislativa Regional, criação do CEHA.

1986. 06. 01: Despacho de nomeação da Comissão Instaladora do Centro de Estudos de História do Atlântico (Funchal-Madeira).

1988. 02. 15: Decreto Regulamentar Regional, n.º 7/88/M. Aprova o Estatuto do Centro de Estudos de História do Atlântico.

1988. 04. 06: Despacho de nomeação da Direção do Centro de Estudos de História do Atlântico.

1990. 04. 11: Portaria n.º 272/90, que aprova o CRAF do CEHA.

1991. 03. 08: Decreto Regulamentar Regional, n.º 3/91/M. Dota o CEHA de autonomia Administrativa e Financeira.

1992. 03. 13: Decreto Regulamentar Regional n.º 4/93/M: Altera o Estatuto do CEHA.

1993. 10. 03: Decreto Regulamentar Regional n.º

33/93/M. Aprova por reformulação o Estatuto do CEHA.

2000. 01. 04: Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2000/M. Altera o Estatuto do CEHA.

2001. 03. 24: Decreto Regulamentar Regional n.º 4/2001/M. Altera o Estatuto do CEHA.

CADERNOS CEHA

38
38

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 2008-2013. Novos Paradigmas da Investigação e Conhecimento com a afirmação da NISSOLOGIA N

2008-2013.

Novos Paradigmas da Investigação e Conhecimento com a afirmação da NISSOLOGIA

N inguém pode negar a omnipresença das ilhas no nosso quotidiano. Elas estão

em quase tudo e assumem uma importância que suplanta a sua dimensão geográfica. Valorizam-se pelos mitos criados pela literatura clássica, assim como pelas ancestrais histórias e lendas das distintas religiões, que vão desde o cristianismo ao budismo e taoismo. O éden, o lugar dos eleitos e bem- aventurados, para cristãos muçulmanos e taoistas é uma ilha. Esta inquestionável presença da ilha levou o geógrafo Yi-Fu Tuan a afirmar que The island seems to have a tenacious hold on the human imagination 44 . Teve replica em Baldacchino, G. (2005): islands have occupied such a powerful place in modern

44 1974. Topophilia. A Study of environmental Perception. Atitudes and values, N. Y. , Prentice-Hall, p. 118.

Western imagination that they lend themselves to sophisticated fantasy and mythology. Paradises, but also Gulags, are generally islands.

A ilha, como ideia ou realidade espacial e histórica, é mesmo um caso de sucesso editorial na nossa sociedade. A literatura, desde a Antiguidade Clássica, tem contribuído para esta imortalização da imagem idílica de ilha. A ilha é uma referência como palco para o trama de inúmeras histórias da ficção infanto-juvenil. A ilha é sempre, na verdade, um bom motivo para a escrita e para leitura.

Cada um de nós, ilhéu ou não, tem a sua ilha, mas, para o insular, esta está presente de diversas formas e tem representação espacial, um elemento que falta ao continental, que se perde na imensidão

CADERNOS CEHA

39
39

CEHA | 1985–2015

da planície ou das cordilheiras montanhosas. Quase todos nós idealizamos uma ilha, uma utopia ou um sonho por concretizar, aquela que define e faz afirmar o nosso mundo, a nossa identidade, a nossa referência oceânica, a nossa morada real ou imaginada. Certamente que dentro de muitos de nós existe a força de um “Robison Crusoe” e somos proprietários de, pelo menos, uma “ilha do Tesouro”. É isto certamente que diferencia os ilhéus dos continentais.

O turismo do século XX partiu à descoberta das ilhas e fez com que o mundo das ilhas se prendesse aos continentes. Obrigou-nos a partilhar o nosso pequeno mundo. Podemos, então, dizer que a ilha não pertence ao desconhecido nem foi esquecida, mas está presente no discurso do político, nas palavras e na escrita do poeta e escritor. Vende-se com o turismo que procura reinventar e descobrir os recantos do Paraíso. Reivindica-se por força das armas, pela importância estratégica económica e histórica de que se reveste. Todos partimos à conquista da nossa ilha e dos nossos vizinhos. Foi assim desde tempos imemoriais e continuará a sê-lo nos próximos. Para alguns estudiosos, vivemos o milénio das ilhas. Das ilhas que se afirmam como espaços económicos e políticos, mas também daquelas que se afundam por força do aquecimento global. Perante todas estas evidências, podemos perguntar-nos: Como posicionar as ilhas no processo global de mudanças do planeta? Como poderão os ilhéus preservar a sua identidade perante a globalização e voracidade dos espaços continentais ?

A História e os seus escribas afinam, no seu discurso, a afirmação das ilhas, mas não dos insulares que, por vezes, parecem não existir. Esta forma de leitura dos espaços insulares a partir da orla marítima continental retira-nos identidade e afirmação para evidenciar uma dimensão de escravidão e controlo, ou de amarração aos espaços e ditames continentais. Em 1949, F. Braudel afirmava que La gran historia, en efecto, pasa frecuentemente por las islas; acaso seria mas justo, talvez, decir que se sierve de ellas 45 . É esta servidão das ilhas em face dos interesses hegemónicos e expansionistas dos continentes uma das facetas mais evidenciadas da nossa História.

Os chineses foram os primeiros a entender bem essa estratégia que esteve subjacente ao

45 El Mediterrâneo y el Mundo Maditerranico en la época de Felipe III, 1952, p. 129 (1ª edição em 1949).

expansionismo português, a ponto de criarem um provérbio que, de forma significativa, espelha aquilo que foi a política dos portugueses. Diz o provérbio

que os portugueses são como os peixes que morrem quando se lhes tira a água 46 . Esta vocação ribeirinha,

a presença constante do mar e de um olhar sempre

virado para ele fizeram construir esta realidade de ilha, mesmo em continentes, desde que estivesse

próximo o mar. Estamos perante um império anfíbio, no dizer de Luís de Albuquerque. Os portugueses serviram-se de ilhas para consolidar a estratégia expansionista em termos políticos e económicos e onde elas não existiam procuram criá-las através de construções que os permitissem isolá-las do continente. A sua principal habilidade prendia-se

com o universo das ilhas. Quem sabe se a nossa a independência alcançada na península ibérica não terá sido também uma forma de ilhar-se? Estas e outras mais evidências do universo insular cativaram

o conhecimento científico em torno destes espaços

insulares, em que se busca a matriz europeia, como forma de justificar as intervenções e apropriações. A nossa História esteve, durante muito tempo, entregue

a eles. Hoje, procuramos afirmar a nossa diferença e

identidade através de uma intervenção e criação de um outro discurso. O discurso dos Estudos Insulares que parte de dentro para fora e não ao inverso.

Os anos oitenta foram muito significativos na afirmação deste discurso. Criaram-se instituições que desenvolveram pesquisas monográficas. Publicaram-se revistas que foram o porta-voz desta

nova realidade e do discurso dos insulares. Começou

a discutir-se as múltiplas questões que as distintas

áreas do conhecimento atribuem ao mundo das ilhas. Tudo isto como resultado de uma nova postura, pois como afirma Godfrey Baldacchino “Island studies is

not the mere study of events and phenomena on sites

islands do not merely

which happen to be islands;

reproduce on a manageable scale the dynamics and the behaviour which exist elsewhere. Islandness is an intervening variable which contours and conditions physical and social events in distinct, and distinctly relevant, ways. 47

Por aqui abriram-se novos caminhos e surgiram

46 Urs Bitterli, Los “Selvajes” y los “civilizados”El encuentro de Europa y Ultramar, Mexico, 1981.

47 Cf. BALDACCHINO, G. Studying Islands: On Whose Terms? Some Epistemological and Methodological Challenges to the Pursuit of Island Studies. Islands Studies Journal, v. 3 n. 1, pp. 37-56, 2008.

CADERNOS CEHA

40
40

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 novosdiscursosoupráticasdiscursivasquepermitiram a afirmação da chamada área dos Estudos Insulares.

novosdiscursosoupráticasdiscursivasquepermitiram a afirmação da chamada área dos Estudos Insulares. O antropólogo brasileiro Manuel Diegues 48 afirmou que “As sociedades insulares são fundamentadas nos

conceitos de maritimidade, insularidade e ilheidade. Não é a presença material do mar que se revela como elemento básico das sociedades insulares, mas sim as práticas sociais e simbólicas desenvolvidas em relação ao mar”. Isto implica mais atenção a determinados conceitos operatórios e uma distinta postura para a investigação e debate: Para analisar o fenómeno insular , é necessário lançar mão de um estudo interdisciplinar pois este não está apenas no âmbito da geografia ou da sociologia, também está

destacam-se

os pontos de vista histórico e antropológico, que se baseiam em três conceitos básicos: a maritimidade, a

insularidade e a ilheidade.

Ancorado a este aparato teórico, estão três conceitos básicos que dão corpo a uma realidade que materializa a prática discursiva e de investigação. A maritimidade diz respeito às práticas económicas, sociais e simbólicas, onde a presença física do mar não é o fator essencial, mas o conjunto das práticas que envolvem o seu viver e esse conceito não existe em todas as sociedades insulares. Ele está presente mais nas ilhas oceânicas em que o mar medeia as negociações e as relações com outras sociedades insulares ou continentais que fazem com que desempenhem uma dupla maritimidade. Já “A insularidade refere-se à identidade cultural do ilhéu diferenciada do continental, mas é resultante das

na antropologia e na

48

Diegues, Antonio Carlos Sant’ana, 1998: Ilhas e Mares, Simbolismo e Imaginário, Ed. Hucitec, São Paulo.

práticas econômicas e sociais em um espaço limitado, cercado pelo oceano”. Enquanto “a ilheidade é um neologismo de origem francesa utilizado para designar as representações simbólicas e imagens decorrentes da insularidade e que se expressam por mitos fundadores das sociedades insulares e lendas que explicam formas de conduta, comportamento, etc. , para nos apropriarmos das designações de Vilma L. da Fonseca 49 . Estamos perante a Ciência das ilhas que faz jus à sua real importância, no mundo dos continentes e dos continentais. A definição universalmente aceite

de Nissologia é de Grant McCall 50 : the study of islands

dwellers that island world view

is not theirs; and that an island integrity belongs to Islanders. Está complementada por achegas de outros intervenientes, como G. Baldacchino 51 que direciona o olhar de dentro para fora: island studies/Nissology has been conceived as plataform for loking at islands issues inductively and ex-centrically: privileging commentary from inside out (rather than from the outside in. Mas esta postura não basta para que a ciência se afirme, pois, segundo C. Depraetere, 52 island

on their own

49 Fonseca, Vilma Lurdes da, 2001: A presença dos elementos naturais na construção de identidades, memória e história dos lugares: o caso da insularidade e sua abordagem pela literatura. Revista Virtual de História, São Paulo, v. 08; Fonseca, Vilma. L. 1998: A Insularidade na obra do cubano José Lezama Lima. In: VIII Semana de Pedagogia - Trajetórias e perspectivas, 1998, Maringá. Anais VIII Semana de Pedagogia - Trajetórias e perspectivas. Maringá: Universidade Estadual de Maringá - Departamento de teoria e prática da educação, v. 01. p.

92-92.

50 McCall, G. , 1996: ‘Nissology; A Debate and Discourse from Below’. Disponível online em URL: www. southpacific. arts. unsw. edu. au/ resourcenissology. htm . Consulta em 11 de julho de 2009.

51 Baldacchino, Godfrey, 2008: Studying Islands: On Whose Terms? Some Epistemological and Methodological Challenges to the Pursuit of Island Studies, Island Studies Journal, Vol. 3, No. 1, pp. 37-56.

52 Depreatere, C. , 2008: The Chalenge of Nissology: A Global Outlook on the World Archipelago Part I: Scene Setting the World Archipelago, in Island Studies Journal, vol. 3, nº1, 3-16.

CADERNOS CEHA

41
41

CEHA | 1985–2015

studies always been a special breed of Science, being inter and multidisciplinary but also multidimensional.

O pensar a Ciência e as diversas formulações

dos discursos e debates científicos gerou, nas últimas décadas, uma evolução do nosso entendimento. Hoje, percebe-se que a evolução do conhecimento não se faz através da especialização dos debates

e investigação, mas sim através de posturas

discursivas e de investigação abertas, partilhado os diversos ramos do conhecimento. Foi-se

evoluindo da interdisciplinaridade até chegarmos à transdiciplinaridade. O primeiro passo foi o ponto

de rotura com o discurso positivista e o avançar para

uma forma de integração das disciplinas e campos de conhecimento e, segundo Guy Palmade 53 , foi possível romper as estruturas de cada uma delas para alcançar uma visão unitária e comum do saber

trabalhando em parceria .

O romper com o racionalismo positivista da

Revolução industrial implicou também o avançar no

nosso discurso e postura científica. Diz-nos Gusdorf 54 que a exigência interdisciplinar impõe a cada especialista que transcenda sua própria especialidade, tomando consciência de seus próprios limites para colher as contribuições das outras disciplinas. Mas devemos avançar ainda mais, de forma a encontrar aquilo que está presente em todas as ciências. Assim o indica o prefixo trans, que diz respeito ao que está

ao

mesmo tempo entre as disciplinas e para além

de

cada uma delas em particular e que só pode ser

encontrado através do contributo de todas. É este discurso interdisciplinar que, na década de setenta do século vinte, não passava de um sonho para Piaget 55 , mas que, hoje, é uma realidade e uma evidência do

conhecimento.

Em 1994, num congresso realizado no Convento da Arrábida, em Portugal, firmou-se a Carta da Transdisciplinaridade 56 . Diz-nos o seu artigo quarto O elemento essencial da Transdisciplinaridade reside na unificação semântica e operativa das aceções

53 PALMADE, Guy. Interdisciplinaridad e ideologias. Madrid, Narcea,

1979.

54 GUSDORF, George, “Prefácio”. In: JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro, Imago

Editora, 1976. 55 PIAGET, J. La epistemología de las relaciones interdisciplinares. In:

APOSTEL, L. et al. Interdisciplinariedad: problemas de la enseñanza y de la investigación e las universidades. México: Asociación Nacional de Universidades e Institutos de Enseñanza Superior, 1979. p. 153-17.

56 Carta da Transdisciplinaridade (Convento da Arrábida, Portugal, novembro de 1994).

através e para além das disciplinas. Ela pressupõe uma racionalidade aberta, por um novo olhar sobre a relatividade das noções de «definição» e de «objectividade». O formalismo excessivo, a rigidez das definições e a absolutização da objectividade comportando a exclusão do sujeito conduzem à deterioração”. Outros dois artigos que poderão funcionar como alerta e recomendação. No décimo terceiro, aconselha-se que “A ética transdisciplinar recusa toda a atitude que rejeita o diálogo e a discussão, de qualquer origem - de ordem ideológica, científica, religiosa, económica, política, filosófica. O saber partilhado deve conduzir a uma compreensão partilhada, fundada sobre o respeito absoluto das alteridades unidas por uma vida comum numa única e mesma Terra”. Para depois se referir que Rigor, abertura e tolerância são as características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinares. O rigor na argumentação que entra em conta com todos os dados é o guardião relativamente aos possíveis desvios. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às ideias, comportamentos e verdades contrárias às nossas”.

São múltiplas as formas como tem sido substantivada esta nova Ciência das Ilhas. A Nissologia parte do estudo publicado em 1982, por A. Moles 57 onde aparece nissonologie/nissonologia como “ciência das ilhas”. Passados dez anos, outros investigadores de temas insulares retomaram a ideia e abriram caminho para a vulgarização da nova ciência. Primeiro foi a Nissologie 58 e depois Nissology 59 .

Em outubro de 2009, promovemos, no Funchal, um debate sobre os Estudos Insulares que permitiu uma aclaração do conceito. Por proposta do Dr. José Pereira da Costa, decidimos alterar esta designação de ciência das ilhas para NESSOLOGIA. Depois disto, os nossos estudos obrigaram a uma mudança. Assim, fomos confrontados com uma designação diferente para este conceito que se reporta ao monstro de Loch Ness. Por felicidade, chegou-nos às mãos um estudo

57 Labyrinthes du vecu, París, pp. 47-66.

58 Depraetere, C. , 1990-1991: «Le phénomène insulaire à l’échelle du globe: tailles, hiérarchies et formes des îles océanes », L’Espace géographique, vol 20, n°2, p. 126-134.

59 Que apresenta a seguinte definição: the study of islands on their own terms, as a way of focussing such research. Vide: McCall, G ‘Nissology:

A Proposal for Consideration’, Journal of the Pacific Society , Vol. 17, Nos. 2-3. , 1994: , pp. 1-8. ; id. , “Nissology: the study of islands”, Journal of the Pacific society , n°2-3, , 1994, p. 1-14.

CADERNOS CEHA

42
42

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 el nacimiento de una nueva rama del saber que bautizo con el nombre

el

nacimiento de una nueva rama del saber que bautizo con el nombre de nesología, que tendrá que ver con todo lo relacionado con las islas desde cualquier punto de vista: el mito, la historia, la literatura, el arte, la filosofía, la psicología, etc. Vendría a ser una “ciencia o estudio de las islas” en su más amplio sentido 61 .

Já em 1650, o geógrafo alemão, Bernardo Varenio, fazia jus a esta forma de designação. Estava encontrada

a designação mais acertada para a ciência das ilhas,

é NESOLOGIA e não NISSOLOGIA ou NESSOLOGIA. As evidências assim o provam e clamam que, mesmo em questões de terminologia, deveremos ter o máximo de cuidado e ser sérios. Em prol da seriedade e adequada fundamentação que queremos que este novo conhecimento tenha, passaremos a designá-

lo NESOLOGIA. A afirmação desta nova Ciência não

passa apenas por esta questão da nomenclatura que nos parece acessória no conjunto global. Importa, sim, tendo em conta os parâmetros definidos pelos debates teóricos sobre a forma de expressão dos diversos atos que a fundamentam, criar mecanismos para a sua plena concretização, através de novas práticas e discursos transdisciplinares.

Há que rever todas as nossas práticas de investigação, se acaso pretendemos que aquilo

que fazemos se enquadre no chapéu desta ciência.

A aposta em projetos com equipas de trabalho e

de Marcos Martinez 60 que veio trazer-nos luz:

60 Martinez, Marcos, 1998: El mito de la Isla Perdida y su Tradición en la Historia, Cartografia, Literatura y Arte, in Revista de Filología de la universidad de La Laguna, N.º 16, pp. 143-144.

61 E remata: Me baso en la palabra griega nesos “isla”, en griego clásico, que los modernos dicen nissos por el fenómeno del itacismo( pronunciar la eta antigua por una iota moderna), y de ahí que digan nissología. Pero yo creo que es más apropiado decir Nesología y Nesólogo para la persona que se dedica al estudio de las islas.

espaços de discussão transdisciplinar são o meio seguro para mostrarmos que estamos no caminho certo da NESOLOGIA. A principal razão desta nova ciência, tal como postula Grant McCall, é “ o estudo segundo critérios próprios”.

Nos últimos tempos, os diversos debates

clamam por uma nova postura de investigação, que passa pela procura de novos temas (pequenas ilhas e estados-small islands/small states), o recurso a diferentes metodologias e o uso de distintos conceitos (ilheidade, insularidade, maritimidade, insularidade, hypo-insularidade). Neste quadro, temos ainda a ideia de que a Nesologia, a afirmação

e estudo da identidade dos espaços insulares, deve

ser construída e estudada pelos próprios. Por outro

lado, os estudos nesológicos devem ser também a expressão universal do mundo insular, que se alheia dos espaços oceânicos, da cor da bandeira, da língua materna e de escrita, como da dimensão geográfica

e da condição política. Só assim poderemos afirmar

que as ilhas, não obstante o seu tamanho geográfico,

foram e são grandes em importância política, económica, estratégica, científica.

As ilhas continuarão a ser um campo privilegiado de inspiração, estudo e debate. E, sem dúvida que o conhecimento que tivermos delas será fundamental para a compreensão do passado e do presente dos espaços oceânicos e continentais.

Desde 2009 até ao presente, não obstante alguns percalços, quisemos que a atividade de investigação, publicação e divulgação do Centro de Estudos de História do Atlântico se subordinasse a este padrão, revendo algumas formas de abordagem

e atividade.

CADERNOS CEHA

43
43

CEHA | 1985–2015

2008-2013:

NOVA ETAPA DE ATIVIDADE DO CEHA.

A partir de 2009, com a inauguração do novo espaço, o CEHA entrou numa nova fase que foi pautada por um reforço ainda maior da componente da investigação, através das linhas metodológicas definidas pela nova Ciência das Ilhas, a Nissologia. Desta forma, os projetos, debates e publicações deixaram de estar circunscritos ao universo das ilhas atlânticas para serem alargados a todas as ilhas. Assim, o CEHA, ao completar vinte e cinco anos de atividade, teve um novo impulso, alargando o espaço de intercâmbio e de debate às demais ilhas do mundo. A inauguração de um novo espaço físico de trabalho, a 1 de outubro de 2009, permitiu uma maior intervenção e cooperação, ficando assim apto a receber investigadores nacionais e estrangeiros que pretendiam realizar pesquisas entre nós. Nesta nova fase da instituição, surgiram convénios de cooperação com outras instituições, sobretudo na realização de eventos e projetos de investigação que tinham as ilhas como referência fundamental. O CEHA colocou- se à disposição dos investigadores e académicos, no sentido de cooperar na pesquisa e divulgação dos estudos insulares.

PROTOCOLOS E COOPERAÇÃO:

Universidade de La laguna, 12-03-2012;

Câmara Municipal do Funchal, 30-09- 2011;

Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra,

14-06-2013;

Associação Comercial e Industrial do Funchal – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira, 17-

02-2011;

Conservatório – Escola Profissional e das Artes da Madeira, 23-06-2010;

Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, 20-

05-2010;

Academia Galega da Língua Portuguesa, 14-04-

2010;

Centro Científico e Cultural de Macau, 01-04-

2010.

ATIVIDADES:

Colóquios/Debates: IX Colóquio Internacional História das Ilhas do Atlântico, 2009;

República e Republicanos na Madeira, 25 a 29-10-

2010;

As Ilhas e a Europa, a Europa das Ilhas, em colaboração com o Madeira Tecnopolo, 2011;

Escritas das Mobilidades, em colaboração com o Centro Cultural John dos Passos, 2011;

La Ruta Azucarera Atlántica: Historia y Documen- tación, em colaboração com a Universidad de La Laguna, 2012.

NOVO PLANO EDITORIAL DO CEHA

A importância que assumiu o suporte digital no

apoio à investigação e divulgação do conhecimento

científico levou o CEHA a apostar no suporte digital para o seu plano editorial. Durante quase 25 anos,

o CEHA manteve uma atividade editorial em suporte

papel, não obstante algumas iniciativas isoladas em CD-ROM ou DVD e até mesmo da publicação on-line, na Internet. Em 1994, avançámos com uma edição simultânea de um livro em papel e na Internet e, a partir de 2009, demos o salto qualitativo que faltava, com a aposta apenas no suporte digital para as nossas edições.

O livro em formato digital é, hoje, uma realidade

insofismável e uma ferramenta fundamental para o conhecimento científico. Paulatinamente, as edições digitais foram ganhando importância, de forma que, hoje, o livro digital conquistou o mercado e até os leitores mais resistentes serão atraídos pela nova tecnologia do Electronic Papyrus. O livro digital tem múltiplas vantagens em relação ao livro tradicional. Primeiro o seu uso pelos investigadores, o principal público das nossas edições, está facilitado. Acrescem, ainda, novas vantagens, que vão desde os custos da edição, da poupança de papel e da facilidade de arrumo e envio.

Para os livros eletrónicos publicados pelo CEHA, o usuário conta com algumas facilidades quer na

leitura, quer nas pesquisas. A nossa principal aposta foi no formato em PDF, nas dimensões de uma página A4, que permite uma fácil impressão com qualidade

e uma busca integral no texto. Com esta iniciativa,

CADERNOS CEHA

44
44

CEHA | 1985–2015

Eduarda M. S. Gomes Petit

A Madeira

na Primeira

Metade

de Setecentos

Eduarda M. S. Gomes Petit A Madeira na Primeira Metade de Setecentos REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

Metade de Setecentos REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA Isabel Maria Freitas Valente As Regiões

Isabel Maria Freitas Valente

As Regiões

Ultraperiféricas

Portuguesas

Uma Perspectiva Histórica

Isabel Maria Freitas Valente As Regiões Ultraperiféricas Portuguesas Uma Perspectiva Histórica
Ultraperiféricas Portuguesas Uma Perspectiva Histórica Luísa Marinho Antunes O Romance Histórico e José de

Luísa Marinho Antunes

O Romance Histórico e José de Alencar

Contribuição para o Estudo da Lusofonia

Luísa Marinho Antunes O Romance Histórico e José de Alencar Contribuição para o Estudo da Lusofonia
José de Alencar Contribuição para o Estudo da Lusofonia Paulo Jesus Ladeira A Talha e a

Paulo Jesus Ladeira

A Talha e a Pintura Rococó no Arquipélago da Madeira

(1760-1820)

Paulo Jesus Ladeira A Talha e a Pintura Rococó no Arquipélago da Madeira (1760-1820) REGIÃO AUTÓNOMA

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

da Madeira (1760-1820) REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA Lina M. Camacho Pestana Estratégias Narrativas na Obra

Lina M. Camacho Pestana

Estratégias Narrativas na Obra

A Gloriosa

Família

de Pepetela

Lina M. Camacho Pestana Estratégias Narrativas na Obra A Gloriosa Família de Pepetela REGIÃO AUTÓNOMA DA

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

Família de Pepetela REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA quisemos dar o nosso apoio à preservação do meio-

quisemos dar o nosso apoio à preservação do meio- ambiente.

A partir de 2009, o plano editorial do CEHA era definido pelas seguintes coleções:

TESES. Para publicação de teses de licenciatura, mestrado e doutoramento. Volumes publicados:

PETIT, Eduarda Maria Sousa Gomes, 2009, A Madeira na Primeira Metade de Setecentos, n.º 1, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 342 pp. [CD-ROM]ISBN: 978-972-8263-

60-7;

VALENTE, Isabel Maria Freitas, 2009, As Regiões Ultraperiféricas; Portuguesas: Uma Perspectiva Histórica, n.º 2, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 249 pp. [CD-ROM] ISBN:

978-972-8263-64-5;

ANTUNES, Luísa Marinho, 2009, O Romance Histórico e José de Alencar. Contribuição para o Estudo da Lusofonia, n.º 3, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 453 pp. [CD-

ROM];

LADEIRA, Paulo Jesus, 2009, A Talha e a Pintura Rococó no Arquipélago da Madeira (1760-1820), n.º 4, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 290 pp. [CD-ROM]ISBN: 978-972-8263-

62-1;

PESTANA, Lina M. Camacho, 2009, Estratégias Narrativas na Obra A Gloriosa Família de Pepetela, n.º 5, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 74 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-8263-

61-4;

ALMEIDA, Ana Paula Teixeira de: Lugares e Pessoas do Cinema na Madeira - Apontamento para a História do Cinema na Madeira de 1897 a 1930, Colecção TESES, n.º 6, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2010, 97 pp. [CD- ROM] ISBN: 978-972-8263-65-2;

CALDEIRA, Susana Catarina de Oliveira e Castro, Da Madeira para o Hawaii: A Emigração e o Contributo Cultural Madeirense, Colecção TESES, n.º 7, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2010, 299 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-70-6;

CADERNOS CEHA

45
45

CEHA | 1985–2015

CEHA | 1985–2015 Elisabete Teixeira Gouveia Rodrigues OS COSSART Traços de uma Presença Inglesa na Madeira
Elisabete Teixeira Gouveia Rodrigues OS COSSART Traços de uma Presença Inglesa na Madeira Oitocentista REGIÃO
Elisabete Teixeira Gouveia Rodrigues
OS COSSART
Traços de uma Presença
Inglesa na Madeira Oitocentista
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
na Madeira Oitocentista REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA Nelly de Freitas Des vignes aux caféiers: Étude

Nelly de Freitas

Des vignes aux caféiers:

Étude socio-économique et statistique sur l’émigration de l’archipel de Madère vers São Paulo à la fin du xix e siècle

sur l’émigration de l’archipel de Madère vers São Paulo à la fin du xix e siècle

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

fin du xix e siècle REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA – SANTOS, Filipe dos, O Sal na

SANTOS, Filipe dos, O Sal na Ilha da Madeira na Segunda Metade de Setecentos – Penúria, Poder e Abastecimento, Colecção TESES, n.º 8, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2010, 406 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-8263-66-9;

FARIA, Sara Andreia Brazão, Inventário do património arquitectónico da cidade do Funchal:

As torres “avista-navios”, Colecção TESES, n.º 9, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 249 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-72-0;

FREITAS, Carla Baptista de, Antropofagia Ritual e Identidade Cultural nas Sociedades Ameríndias: A Representação do ‘Outro’ na Literatura Brasileira

e Portuguesa do Século XIX, Colecção TESES, n.º

10, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 108 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-71-3;

ALMEIDA, João Pedro Silva, Arquitectura de Pedra

e na Pedra - Topografias Esculpidas, Colecção

TESES, n.º 11, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 150 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-8263-88-1;

RODRIGUES. Elisabete Teixeira Gouveia: OS COSSART: Traços de uma Presença Inglesa na Madeira Oitocentista, Colecção TESES, n.º 12, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 238 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-90-4;

BAPTISTA, Elina Maria Correia: Da emigração entre continentes em Eça de Queiroz: da correspondência consular à obra literária, Colecção TESES, n.º 13, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 250 pp.

[CD-ROM] ISBN: 978-972-8263-94-2;

FREITAS, Nelly de: Des vignes aux caféiers: Étude socio-économique et statistique sur l’émigration de l’archipel de Madère vers São Paulo à la fin du xixe siècle. ], Colecção TESES, n.º 14, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 633 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-8263-95-9;

SIMÃO JOSÉ, Pedro Quartin Graça: A importância das ilhas no quadro das políticas e do direito do mar – o caso das Selvagens, Coleção TESES, n.º 15, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 398 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-96-6.

CADERNOS CEHA

46
46

CEHA | 1985–2015

O Açúcar Antes e Depois de Colombo REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
O Açúcar
Antes e Depois
de Colombo
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
Actas IX Colóquio Internacional de História das Ilhas do Atlântico REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
Actas
IX
Colóquio Internacional
de
História das Ilhas do Atlântico
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
das Ilhas do Atlântico REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA DEBATES . Para a divulgação dos debates acontecidos

DEBATES. Para a divulgação dos debates acontecidos em conferências, seminários e congressos.

Volumes publicados:

VV AA, 2009, O Açúcar Antes e Depois de Colombo. Seminário Internacional de História do Açúcar, Colecção DEBATES, n.º 1, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 390 pp. [CD- ROM]. ISBN: 978-972-8263-59-1;

VV AA, 2009, Actas do IX Colóquio Internacional de História das Ilhas do Atlântico, Colecção Debates, n.º 2, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 247 pp. [CD-ROM]. ISBN: 978-972-

8263-58-4;

ESTUDOS.

Para estudos especializa- dos desenvolvidos de forma isolada ou no âmbito de Linhas e Projetos de investigação.

Volumes publicados:

de Linhas e Projetos de investigação. Volumes publicados: – NUNES, Naidea: Outras Palavras Doces , 2010

NUNES, Naidea: Outras Palavras Doces, 2010

ISBN: 978-972-8263-74-4 REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
ISBN: 978-972-8263-74-4
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
, 2010 ISBN: 978-972-8263-74-4 REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA COMUNIDAD AUTÓNOMA DE
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA COMUNIDAD AUTÓNOMA DE CANARIAs
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
COMUNIDAD AUTÓNOMA DE CANARIAs

República e Republicanos na Madeira, 1880-1926, n.º 3, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 731 pp. [CD-ROM] ISBN: 978-972-

8263-69-0;

Escritas das Mobilidades n.º 4, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 867 pp. [CD-ROM] ISBN: ISBN: 978-972-8263-74-4;

As Ilhas e a Europa, a Europa das Ilhas, n.º 5, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 467 pp. [CD-ROM] ISBN: ISBN:

978-972-8263-73-7;

La ruta azucarera atlántica: Historia y documentación, n.º 6, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2011, 258 pp. [CD-ROM] ISBN: ISBN: 978-972-8263-91-1.

BIBLIOTECA

DIGITAL