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Porto Alegre, 10 de marco de 2017. Ao Exmo. Sr. Leonardo Gées Silva Presidente do Instituto Nacional de Colonizagdo e Reforma Agraria ~ INCRA Prezado colega e Presidente, Os servidores e servidoras do INCRA que atuaram e atuam no Processo Administrativo SR1I1/RS N°54220.001201/04-09 - Regularizagao Fundiaria da Comunidade Quilombola do Morro Alto, em diferentes momentos, vem afirmar a expressa acuidade exercida em todos os atos envolvidos no referido processo e, da mesma forma, manifestar estranheza e inconformidade com a decisao da Presidéncia de instalar a Comissdo de Sindicancia Investigatéria que visa apurar agdes praticadas por servidores no exercicio de suas fungdes. Todos os atos foram praticados em conformidade com as normas legais e em estrito cumprimento das competéncias do Estado brasileiro atribuidas ao INCRA. O Relatorio Técnico de Identificagdo e Delimitagao (RTID), que apontou o territério quilombola do Morro Alto, ¢ uma pega técnica densa que envolve diferentes reas de conhecimento técnico ¢ multidisciplinar, a qual apés a sua elaboragdo é homologada mediante a analise eo parecer da Procuradoria Federal Especializada (PFE) ¢ da decisao final do Comité de Decistio Regional (CDR). O processo em questdo foi aberto em 22 de julho de 2004, a pedido da Associagao Quilombola Rosa Osério Marques, atendendo 0 que dispée a legislagao vigente em relagao a identificagdo, delimitagao, titulagao e registro de territérios de comunidades remanescentes de quilombos. Contudo, o territério quilombola somente foi delimitado 6 (seis) anos apés a sua abertura, em face da complexidade do rito previsto pela legislagao, das condigdes operacionais da SR e aos conflitos inerentes, potencializados no presente caso. Nesse tempo decorrido, 0 INCRA procedeu a comunicagao prévia a todos érgdos previstos nas instrugdes normativas vigentes, realizou exaustivos levantamentos de campo, precedidos de realizagdo de inimeras reunides com prefeituras dos municipios de Maquiné e Osdrio, com os sindicatos de trabalhadores rurais e demais associagdes, 0 que denota que a agao dos servidores visou garantir a expresso, a andlise, 0 contraditério e o amplo direito de defesa em todas as etapas do procedimento realizado. Desde a abertura, passando pela aprovagio da proposta de delimitagiio dy = territorial (¢ até o presente momento), o processo de regularizagao fundidria do Morro Alto foi, e 6, minunciosamente acompanhado pelo Ministério Piiblico Federal (MPF), que teve ampla atuagio na decisto da proposta de delimitagao territorial, conforme pode ser conferido nos autos em questao, inclusive ingressando com Agao Civil Publica (ACP) com a “obrigagao de fazer” do INCRA. Apos a aprovagao da proposta de territério, na assembleia realizada 04 (quatro) de fevereiro de 2011, 0 RTID foi objeto de ampla analise ¢ discussdo em todas as instancias do INCRA (PFE/Sede, Diretorias e Presidéncia). Importa resgatar e registrar, ainda, que o Relatorio teve ampla publicidade, mediante a publicagao de edital por duas vezes consecutivas nos Diarios Oficiais da Unido e do Estado e foram notificados direta e pessoalmente os lindeiros, os ocupantes e possiveis detentores de titulos de dominio, num dispendioso e exaustivo trabalho de campo. Ainda, apés essas tapas, foi publicado um novo edital em jornal de grande circulagaio que abriu um prazo adicional de 90 (noventa) dias a todos os interessados. Desse trabalho decorreu a apresentagao de 206 (duzentos e seis) contestagdes que foram analisadas pela equipe técnica e PFE/RS. O CDR acolheu os pareceres técnicos ¢ juridicos contrarios 4s contestagdes e, dessa forma, indeferiu as referidas contestagdes Contudo, de acordo com a IN 57/2009, cabe, ainda, recurso ao Conselho Diretor do INCRA que poder acatar ou rejeitar as contestagdes. A inédita iniciativa da Presidéncia do INCRA de instalar a sindicancia em tela, a partir de deniincia externa, que tramitou da Diretoria de Ordenamento para o Gabinete da Presidéncia diretamente 4 CGT/PFE-INCRA-SEDE/PGF/AGU sem nenhum parecer ou esclarecimento da area técnica, induziu a PFE a propor um encaminhamento equivocado, pois considerou como veridica a tnica versio existente. Esta deciséo da Presidéncia, de abrir procedimento investigatério para apurar condutas de servidores que seguiram estritamente as normas legais, gera uma situagao de instabilidade institucional, pois atinge exatamente aqueles e aquelas que tem compromisso com o desenvolvimento das atividades da Autarquia. Informamos que, enquanto nao for esclarecida a presente situagdéo ¢ permanecer injustificado 0 clima de inseguranga, os servidores que atuam no Servigo de regularizagao de territérios quilombolas da SR-11/RS, nao tem condigées para exercer suas tarefas com normalidade. Consideramos a presente situagdo grave, pois ¢ inadmissivel que, em uma instituigao com a trajetéria do INCRA, aceite-se sem questionamentos que os servidores sejam submetidos a constrangimentos pelo devido exercicio de suas fangdes. Ademais, tal situagdo afeta as condigdes para desenvolvimento de todas as uot so Oy S iS nossas agdes, em todos os setores, tendo em vista a percepgiio de instabilidade institucional, Entendemos que cabe a Diregio do INCRA, em primeiro lugar, assegurar garantias minimas para o desenvolvimento das atividades de seus servidores e defesa de seus atos, 0 que nao ocorre no presente fato. Diante do acima exposto, solicitamos a reconsideragdo da decisao tomada por vossa senhoria ¢ a revogaco da Portaria n° 116, de 20 de fevereiro de 2017, publicada no Boletim de Servigo N° 8. Subscrevem este documento os servidores e servidoras a seguir relacionados: ha YO Carlos Orth at Gustavo, ty! Filho wt José Rui Cancian Tagliapietra L 2 Vitor Py Macha [ ; jj Wf Mbues| Wa Vladimir Silva d ; Lima \ Servidores que manifestaram concordéncia por e-mail. André Bocorny Guidotti Eleandra Raquel da Silva Koch Francisco Emilio de Lemos Janaina Campos Lobo Maria de Lourdes Alvares da Rosa Pardclito José Brazeiro de Deus Sebastifio Henrique dos Santos Lima Vanessa Flores dos Santos