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MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

SEDE:
PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO DA 5ª REGIÃO
Av. Sete de Setembro, 308 – Corredor da Vitória
Salvador–BA – CEP 40.080-001
Fone: (71) 3324-3400 – Fax: (71) 3336-7088
Link para DENÚNCIAS na página: www.prt5.mpt.gov.br
A denúncia é uma forma de participar e não se omitir, colaborando na defesa dos direitos
difusos, coletivos e individuais indisponíveis dos trabalhadores.

Conteúdo organizado por Ana Emilia Albuquerque (MPT/PRT5 - BAHIA)

É permitida a reprodução do conteúdo deste impresso,


desde que mencionada a fonte: Ministério Público do Trabalho – MPT

Julho de 2010

Coordenação Editorial: Olenka Machado.


Redação: Lucas Rocha e Olenka Machado.
Projeto Gráfico: OGRO Comunicação e Design
ogro@ogrocomunicacao.com.br
Editoração: Marcelo Oliveira
Ilustrações: Cau Gomez
Impressão: Gráfica Santa Bárbara

Em cumprimento ao acordo judicial firmado nos autos da


ação nº 000057.2006.05.000/0-08

Na contramão do direito à intimidade


PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO
Rua Napoleão Laureano, 422, Santo Antônio
Juazeiro-BA – CEP 48.903-040
Fone: (74) 3611-4933 e (74) 3611-6819

PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DE JESUS


Praça Egídio Sampaio, 113, Centro
Santo Antônio de Jesus -BA – CEP 44.572-070
Fone: (75) 3631-2560 e (75) 3631-2751

PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA


Rua do México, 108, Recreio
Vitória da Conquista-BA – CEP 45.020-030
Fone: (77) 3424-0854

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO


SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO TRABALHO E EMPREGO DA BAHIA
Núcleo de Combate a Discriminação
Fone: (71) 3329-8477

SINDICATO DA CATEGORIA DO TRABALHADOR

FONTES DE REFERÊNCIA

CAHALI, Yussef Said. Dano Moral. 2.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998.
SANTOS, Antonio Jeová. Dano Moral Indenizável. 4.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. 554 p.
SILVA, Luiz Pinho Pedreira da. A Reparação do Dano Moral no Direito do Trabalho. São Paulo: Ltr, 2004. 232 p.
SIMÓN, Sandra Lia. A Proteção Constitucional da Intimidade e da Vida Privada do Empregado. São Paulo: Ltr, 2000. 222 p.
SÜSSEKIND, Arnaldo. Direito Constitucional do Trabalho. 3.ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. 532 p.

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REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade
SEDE:

PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO DA 5ª REGIÃO


Av. Sete de Setembro, 308 – Corredor da Vitória
Salvador–BA – CEP 40.080-001
Fone: (71) 3324-3400 – Fax: (71) 3336-7088

PTMS:

PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE BARREIRAS


Rua Folk Rocha, 122, Bairro Sandra Regina
Barreiras-BA – CEP 47.802-200
Fone: (77) 3612-7268 e (77) 3611-5047 REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS
Na contramão do direito à intimidade
PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE EUNÁPOLIS
Rua Florianópolis, 295, Centauro
“As revistas pessoais não encontram fundamento no poder de
Eunápolis-BA – CEP 45.822-210
Fone: (73) 3265-0357 e (73) 3281-2004 direção do empregador, por privilegiarem um único direito, o de
propriedade, em detrimento de diversos valores constitucionais,
PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE FEIRA DE SANTANA tais como a dignidade da pessoa humana do trabalhador, seus
Rua Francisco Martins da Silva, 204, Ponto Central
direitos da personalidade, o princípio da presunção de inocência,
Feira de Santana-BA – CEP 44.052-140
as garantias dos acusados, o monopólio estatal da segurança.”
Fone: (75) 3625-7682

PROCURADORIA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO DE ITABUNA SANDRA LIA SIMÓN


Rua Adolfo Maron, 21, Edf. Tarik, 4º andar, salas 401 a 406, Centro Procuradora Regional do MPT
Itabuna-BA – CEP 45.600-922
Conselheira do CNMP
Fone: (73) 3211-2729 (Conselho Nacional do Ministério Público)

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REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade
O que é revista íntima Como proceder quando for vítima de constrangimento
R
Uma prática aplicada geralmente
I S TA Saiba mais sobre revista íntima;
em empresas de vestuário, V “passar Junte provas. Anote detalhes das humilhações (dias, horários,

RE
medicamentos, jóias, transporte de revista a”,
nomes de quem revistou e testemunhas);
valores e vigilância bancária, a revista “examinar”,
“ver com atenção” Peça ajuda no trabalho e em entidades de apoio ao trabalhador;
íntima de empregados é ilegal.
ou “passar busca a” Denuncie a irregularidade trabalhista ao sindicato e aos órgãos
O procedimento patronal (Dicionário Aurélio) públicos competentes.
compromete a dignidade e viola a
intimidade do trabalhador, ferindo
os direitos fundamentais garantidos
pela Constituição.

CONFLITO

Proteção à INTIMIDADE do trabalhador


X
Defesa da PROPRIEDADE pelo empregador

Promulgada em 1988, a “Constituição Cidadã” projetou uma sociedade mais


justa e igualitária. Deu destaque à pessoa humana e à solidariedade, norteando
todos os conceitos e institutos pelo princípio da dignidade humana.
Desta forma, o direito da propriedade (que também é um direito
fundamental), deve ser sempre condicionado à função social, priorizando os
valores existenciais.
O artigo 170 da Constituição garante que “a ordem econômica, fundada na
valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a
todos existência digna”. Entre os princípios que devem ser respeitados está o
do direito à propriedade privada (inciso II).
O empregador tem pleno direito de garantir seu patrimônio, desde que não
fira outros direitos igualmente constitucionais do trabalhador. No caso, o direito
à intimidade e vida privada (artigo 5º, inciso X).
Nasce daí o entendimento da maioria dos juristas diante da polêmica
pessoal (trabalhador) X patrimonial (empregador), de que a revista de
empregados NÃO é indispensável à proteção do patrimônio.
Decisões recentes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), inclusive,
reconhecem o direito de indenização por danos morais para funcionários
submetidos a constrangimento que desrespeite a dignidade e intimidade.

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REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade
Penalidades para o empregador Conduta irregular na revista íntima – como acontece
Os empregadores que insistem na prática de realizar revistas íntimas em seus As situações em que os trabalhadores são revistados na intenção de assegurar
empregados mostram postura imoral e conduta ilegal. o patrimônio da empresa são consideradas condutas irregulares.
A Lei 9.799/99 veta esse tipo de procedimento, e as recentes decisões da O contrato de trabalho tem como um dos pressupostos a confiança, e não
Justiça do Trabalho vêm reconhecendo inclusive o direito à indenização de é aceitável que o empregador tenha a postura de duvidar do caráter de seus
trabalhadores por danos morais. empregados a pretexto de defender o patrimônio.
Um cidadão pode até renunciar temporariamente de seus direitos, mesmo o
DANO MORAL - Para o professor Yussef Said Cahali, autor de obra sobre o
direito à privacidade. Mas isso tem que ocorrer por vontade própria, não pode
tema, dano moral “é a privação ou diminuição daqueles bens que têm um
valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranqüilidade de espírito, violar sua intimidade e, ainda, deve ser reversível a qualquer momento futuro.
a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a honra Dificilmente pode-se cogitar a hipótese de uma renúncia válida à intimidade
e os demais sagrados afetos, classificando-se desse modo, em dano que no ambiente de trabalho. O empregado, sob a ameaça de desemprego, por vezes
afeta a parte social do patrimônio moral (honra, reputação, etc.) e dano que se submete a qualquer situação, ainda que se revele aviltante e humilhante.
molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor, tristeza, saudade etc.)”

Saiba que:
Conheça alguns precedentes do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) sobre revista íntima A prática de revista íntima é condenada expressamente, no caso
de mulheres, pela Lei 9.799/99, que introduziu o artigo 373-A, da
RECURSO DE REVISTA DANOS MORAIS REALIZAÇÃO DE REVISTA ÍNTIMA Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). O inciso VI proíbe que o
empregador proceda à revista íntima nas empregadas e funcionárias;
O poder fiscalizatório do empregador de proceder a revistas encontra limitação
na garantia de preservação da honra e intimidade da pessoa física do trabalhador, Mas com o princípio da isonomia, este dispositivo deve ser
conforme preceitua o artigo 5º, inciso X, da Constituição da República. aplicado indistintamente a homens e mulheres. A lei faz referência
A realização de revistas, sem a observância dos limites impostos pela ordem ao sexo feminino apenas para assegurar direitos específicos da
jurídica acarreta ao empregador a obrigação de reparar, pecuniariamente, os danos mulher no mercado de trabalho;
morais causados. Precedentes do Eg. TST (RR-1482/2003-016-03-00, 8ª Turma,
Rel. Min. Maria Cristina Peduzzi, DJ - 22/08/2008). O ato de revistar diariamente a bolsa de um(a) empregado(a)
viola sua intimidade e vida privada e causa constrangimento
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS podendo gerar processos e penalidades para os infratores da
O fato de haver instrumento normativo prevendo a revista de empregados revela- regra estabelecida;
se marginal diante do cerne da controvérsia, que reside em aferir o prejuízo à Revista íntima não se refere apenas ao corpo do trabalhador, mas
honra e dignidade do empregado nos procedimentos adotados para a realização
inclui seus pertences. Um(a) empregado(a) pode considerar
da aludida revista. Consoante o que ficou registrado no acórdão regional, a revista
realizada pela reclamada denuncia excessiva fiscalização, expondo o empregado constrangedor exibir ao empregador seus contraceptivos ou
à vexatória situação de ter de se despir perante funcionários da empresa, com preservativos, por exemplo;
comprometimento da dignidade e intimidade do indivíduo. É sabido ainda que Não se admitem casos em que a inspeção exija que o trabalhador
a indenização por dano moral deve observar o critério estimativo, diferentemente
fique nu, mesmo diante de pessoas do mesmo sexo. Muito menos
daquela por dano material, cujo cálculo deve observar o critério aritmético. Na
fixação da indenização do dano moral, deve o juiz se nortear por dois vetores: que ele seja submetido a exame prolongado e detalhado diante
a reparação do dano causado e a prevenção da reincidência patronal. Vale de colegas ou estranhos;
dizer que, além de estimar o valor indenizatório, tendo em conta a situação
O trabalhador tem direito de se recusar a ser revistado quando
econômica do ofensor, esse deve servir como inibidor de futuras ações lesivas
à honra e boa fama dos empregados. Recurso provido (TST-RR-641.571/2000, isso significar sofrer constrangimentos;
4ª Turma, Rel. Min. Antônio José de Barros Levenhagem,DJ 21.02.2003).

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REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade
Exceções em que a revista é permitida
Quando o ato de revistar o trabalhador visa garantir a segurança coletiva
pode ser considerado um ato lícito. Neste caso a revista não tem por objetivo
flagrar se o trabalhador está levando indevidamente algo que pertença à
empresa. Quer preservar a segurança de todos.
Um exemplo são as revistas feitas em trabalhadores que partem para
uma plataforma de petróleo. Não podem embarcar portando armas de
fogo ou substâncias tóxicas, incompatíveis com as medidas de segurança.
Nesse caso, a revista pessoal deve ser realizada em todos os empregados,
indiscriminadamente, com a concordância prévia e em local reservado, que
preserve a intimidade.

Outros recursos de segurança


Mesmo nos casos permitidos, a revista íntima deve ser um último recurso
de segurança utilizado pelo empregador. E deve ser realizada de forma
respeitosa e moderada.
Atualmente, são muitos os avanços tecnológicos no segmento de segurança.
Itens como etiquetas magnéticas em livros, roupas e remédios; uso de senhas;
controle na entrada e saída do estoque e da linha de produção; filmagens por circuito
interno; detector de metais manual ou afixado no chão, além de vigilância especializada.
Mas mesmo a tecnologia deve ser utilizada com moderação, já que o uso
indiscriminado de câmeras filmadoras em locais privados, como banheiros ou vestiários,
é considerado invasão de privacidade.

O que diz a LEI sobre revista íntima


Constituição Federal de 1988: A Carta Magna é clara e inequívoca quanto a acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos
inviolabilidade dos direitos da pessoa humana e esta regra é aplicada ao contrato acordos trabalhistas, é vedado:
de trabalho. (...)
Diz o artigo 5, parágrafo X: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra, VI - proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou
e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou funcionárias.
moral decorrente de sua violação.” 1ª Jornada de Direito Material e Processual na Justiça do Trabalho (TST,
Diz o artigo 170 - incisos II: A ordem econômica, fundada na valorização do 23/11/2007), sobre o conflito entre poder de direção X intimidade e privacidade
trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, do empregado:
conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I – REVISTA – ILICITUDE. Toda e qualquer revista, íntima ou não, promovida pelo
I - soberania nacional; empregador ou seus prepostos em seus empregados e/ou em seus pertences, é ilegal,
II - propriedade privada; por ofensa aos direitos fundamentais da dignidade e intimidade do trabalhador.
III - função social da propriedade; II – REVISTA ÍNTIMA – VEDAÇÃO A AMBOS OS SEXOS. A norma do art. 373-A,
Lei número 9.799, de 1999, que introduziu o artigo 373-A da Consolidação inc. VI, da CLT, que veda revistas íntimas nas empregadas, também se aplica aos
das Leis Trabalhistas (CLT): homens em face da igualdade entre os sexos inscrita no art. 5º, inc. I, da Constituição
Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o da República.

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REVISTA ÍNTIMA DE EMPREGADOS I Na contramão do direito à intimidade