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1. Introdução O PODER DA VOZ NO ROCK Rodrigo Dias Grecco Souza Lima Ensino de

1. Introdução

O PODER DA VOZ NO ROCK

Rodrigo Dias Grecco Souza Lima Ensino de Música rdgrecco@gmail.com

O rock é um estilo musical surgido no início dos anos 1950, sempre associado à

juventude e à rebeldia, cuja base é oriunda do blues e do country.

Foi desenvolvido musicalmente ao longo das décadas, com a inserção de novos

elementos e instrumentos musicais, recebendo influência de outros gêneros. Provocou,

participou e promoveu grandes mudanças comportamentais e sociais desde a sua existência. E

sobreviveu. O canto no rock, com sua força de expressão e colocação, foi e ainda é de

extrema importância no comportamento do jovem de todas as gerações.

A proposta deste artigo é relacionar como aconteceram as modificações dos modelos

vocais a cada período e mostrar o poder de influência do rock, desde a sua fundação, na

maneira de se expressar a cada década. Sobretudo no início, quando a primeira geração de

rock’n rollers mudou os parâmetros do comportamento do jovem; a segunda geração, que

atravessou o oceano e trouxe a invasão britânica, capitaneadas por The Rolling Stones e The

Beatles dois dos maiores fenômenos da cultura mundial; o movimento flower power, que

ajudou a parar uma guerra; os conflitos da geração seguinte, os punks, com suas ideias

anárquicas e o “faça você mesmo”, até a música pacifista da década seguinte, em 1980. Por

meio deste texto, faça uma pequena viagem ao mundo do rock, sabendo como a forma de se

expressar e cantar ajudou a modificar o mundo e comportamento do jovem de cada período.

2. O início de tudo

2.1 Anos 1950

gêneros

marginalizados pela maior parte da sociedade americana por terem sido criados e

Com

suas

bases

musicais

calcadas

no

blues

e

country-western,

dois

desenvolvidos nas áreas mais pobres da população. Como esse novo estilo, o rock ’ n

desenvolvidos nas áreas mais pobres da população. Como esse novo estilo, o rocknroll modificou o esquema das grandes gravadoras, que foram obrigadas a buscar novos talentos adaptados ao estilo em gravadoras menores e regionais. Transformou, por essa qualidade, os padrões do cenário social dessa época, vindo ao encontro do gosto do jovem daquela época. Fats Domino, aos 21 anos, escreveu a canção-base do rock’n’roll, The Fat Man (1949), mas foi com Bill Haley, um artista branco e de cabelos louros, que conseguiu o primeiro sucesso nas paradas Américas com a sua Rock Around the Clock (1954). Nesse mesmo ano, descoberto em uma pequena gravadora, a Sun Records, surgiu Elvis Aaron Presley, que em 1955 foi contratado pela “major” RCA Victor. Elvis foi a simbiose perfeita desses elementos da música branca e negra. Um dos fatores que fez com que ele se tornasse um grande cantor do gênero foi a sua voz rouca e sensual do negro, com sua grande extensão, potência, timbre e força interpretativa. Além de todos os atributos vocais, possuía a imagem e os trejeitos no palco, que modificaram diretamente a forma de atuar artisticamente no estilo, transformando-o no Rei do Rock. Elvis abriu caminho para os rocknrollers negros, como Chucky Berry e Little Richard, que já vinham incorporados ao estilo pulsante e acelerado, mas ainda não haviam ganhado a grande massa. Existiam também os rocknrollers brancos, como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis. Segundo Elvis, uma música que foi desafiadora para ele gravar foi Jailhouse Rock, escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller e lançada em 24 de setembro de 1957, como single em 45 rpm. O Rei do Rock, nessa música, apresentou um som de voz mais “crunchy, na posição elevada de laringe, que traz uma característica de rispidez e é uma das formas mais difundidas de cantar o gênero em sua fase inicial, também com leve assento de ressonância nasal, que contribui para essa áurea de liberdade e rebeldia na interpretação do texto. Elvis acertou em cheio em sua interpretação vocal e, com isso, levou para aquela geração da América do Norte e, depois, para o resto do mundo, a sensação de libertação dos padrões anteriores, que eram mais fechados e moralistas. Os temas, em geral, falavam de rebeldia, carros e garotas, e foram ao encontro do jovem da época, que se identificou prontamente com essa forma de pensar e agir.

2.2 Estilo vocal nos anos 1950 O estilo de cantar rock ’ n ’ roll

2.2 Estilo vocal nos anos 1950

O estilo de cantar rocknroll nos anos 1950 tinha, em sua grande maioria, traços e maneirismos influenciados pelo blues e country, como mencionado anteriormente. Ou seja, combinava a força de expressão do blues e o estilo mais rápido do country.

a) Fraseado: O fraseado base, que originou as melodias das canções, é gerado

pelas escalas pentatônicas 1 nos seus modos maiores e menores, e muitas vezes com a inserção da “blue note”, que é uma nota a mais dentro da escala pentatônica menor, entre seu quarto e quinto grau, muito utilizada em vários estilos da música negra. Muitos fraseados e melodias, pela associação ao ritmo pulsante e rápido, muitas vezes exigia uma dicção clara, domínio da respiração e seus respectivos tempos de respiro.

b) Tonalidades: As primeiras músicas de rocknroll foram feitas e gravadas em

diversos tons. Mas os mais comuns eram em tom de Lá, Sib, Si, Dó, Réb, Ré, Mib, Mi e Fá.

c) Tessitura Vocal 2 : A tessitura vocal média da época variava entre o Lá 2 do

piano (região grave e dentro do registro de barítono) até o Mi 4 do piano (região inicial dos

agudos no registro de tenor). Óbvia e claramente podemos observar exceções, como Johnny Cash, com seus profundos graves basais de peito no registro de baixo, e Little Richard, com agudos na voz de peito no registro de tenor, e cabeça com expressão mais “clean” ou “drive 3 ” em “screaming 4 ” nas regiões de vozes femininas, que influenciou muitas maneiras de se cantar o estilo nas gerações seguintes.

1 Pentatônicas são escalas geradas por cinco notas, surgidas no oriente em regiões mongólicas e japonesas. Difundidas amplamente nos estilos fundamentais americanos, o blues e o country, teve total influência no desenvolvimento do estilo rock’n’roll. Suas formas mais comuns como mencionado acima, são a maior e menor, muito características em vários estilos populares, mas existem também variações como a dominante e a diminuta, muito utilizadas no jazz. A escala de Blues, vulgarmente é conhecida como “penta blues”, apesar de ter 6 notas, nada mais é que uma uma pentatônica acrescida de mais um grau, o 4º aum, o que a deixa com som bem característico do estilo Blues e seus derivados, nesse caso o rock.

2 Tessitura Vocal é o conjunto de notas com naturalidade emitidas pelo cantor entre seus registros vocais.

3 Drive” é a maneira de “sujar” a voz, dando aspecto de rouquidão ao timbre, pode ser de forma artificial, técnica, ou natural dependo do padrão e estrutura vocal do cantor.

4 “Screaming” é forma técnica de cantar gritado, mais comumente utilizado nas regiões dos registros de cabeça. Forma muito utilizada no hard rock e no heavy metal.

2.3 Técnicas aplicadas a) Respiração: Em sua base, deve ser utilizado o apoio diafragmático central,

2.3 Técnicas aplicadas

a) Respiração: Em sua base, deve ser utilizado o apoio diafragmático central, para a sustentação da voz e o controle da pressão da emissão vocal no centro-médio da voz, em menor proporção nos registros de voz mais basais e graves. Nos registros agudos de peito, a impulsão e pressão devem ser maiores, assim como os agudos no registro de cabeça, ou entre o peito e cabeça, gerando um registro de voz misto com domínio das passagens entre eles; e principalmente nos ”screamings” e “drives”, que devem ser associados ao apoio dos músculos intercostais e da cintura pélvica para dar mais suporte e conforto à emissão nesse tipo de registro e altura.

b) Ressonância: Basicamente oral, na máscara, mas com muita ascensão a ressonância nasal, que remete a interpretações e expressões vocais, à sensação de liberdade, à transgressão e à rebeldia.

c) Ornamentações, Expressões e Interpretação: Alguns vibratos de semitom, mais especificamente nas baladas como Love me Tender, de Elvis Presley, são mais presentes. Os sons mais “crunchy” e “drive” são mais presentes e dão o caráter de rebeldia, indo de encontro ao estilo das músicas que falavam de carros, relacionamentos amorosos e festas. Essa forma de cantar e interpretar os temas influenciou diretamente o jovem que estava se começando a encontrar um caminho diferente na sociedade do pós-guerra. Nos anos 1950, o rocknroll deu a voz inicial de uma nova juventude.

3. A década da revolução

3.1 Anos 1960 No final da década de 1950, surgiu o movimento “beat”, termo de várias conotações que sugeriam a busca de uma “purificação do espírito”, com influência de religiões orientais, mas também se referia a um estilo de vida aventureiro. A poesia beat foi de grande importância para o rock dos anos 1960, influenciando músicos como Bob Dylan, John Lennon, Jim Morrison e Joan Baez, críticos ao estilo de vida americano: drogas, bebedeiras, sexo livre, visões cósmicas, utopias e o cotidiano. Era o princípio de uma cultura alternativa.

A canção de Bob Dylan, Blowin´in the Wind (1963), se tornou uma espécie de hino

A canção de Bob Dylan, Blowin´in the Wind (1963), se tornou uma espécie de hino dos movimentos antirracistas. Dylan modificou seu estilo, o “folk acústico” partir de sua apresentação no Festival de Newport em 1965, acompanhado já de guitarra elétrica e isso influenciou novos artistas como os ingleses The Beatles, e diretamente os que tinham origem no “folk”: The Band; Buffalo Springfield; The Byrds; Crosby, Stills, Nash and Young; Simon and Garfunkel; Creedence Clearwater Revival.

3.2 O rock atravessa o Atlântico Enquanto acontecia o processo de politização da juventude universitária norte- americana e a ascensão da música de protesto, o rock’n’roll ressurgiu com grande ímpeto na Inglaterra e desde então, tornou-se um dos principais polos da cultura jovem mundial. Com base no “skiflle”, uma espécie de imitação do blues norte-americano, o rock inglês adquiriu uma sólida base de blues, através dos pioneiros Alex Kormer e John Mayall. O rock chegou no mercado britânico no início da década de 60 já misturado com o rhythm and blues, country, rockabilly, calipso e a música negra da Motown, recebendo uma nova roupagem dos britânicos dada a fusão feita com o skiflle. Surgiram centenas de grupos em Londres e Liverpool e dois deles, já no início da década, alcançaram sucesso internacional sem precedentes, modificando profundamente não só a música mundial, mas todo o estilo de vida da juventude: The Beatles e The Rolling Stones. Essas bandas foram duas forças motrizes, capazes de dar início a toda convulsão cultural dos anos 1960. The Beatles foi um verdadeiro laboratório de pesquisas e influências que misturava todo e qualquer gênero musical ao rock, que, associados a temas existenciais nas mensagens de suas letras, formaram uma visão filosófica daquele cotidiano. The Rolling Stones eram menos sutis e mais intensos. Com um balanço e batida musical bem mais próximas das tonalidades negras, enraizadas no blues e nos temas de cunho mais violento. Viu-se surgir duas vertentes na juventude inglesa daquela época: os mods (origem do The Who), que eram jovens aspirantes a classe média, com seus terninhos e colarinhos redondos, cabelos compridos à Beatles primeira fase, e havia os rockers, vivendo quase á

margem da sociedade, esses jovens formavam bandos de motoqueiros, com suas jaquetas de couro pretas.

margem da sociedade, esses jovens formavam bandos de motoqueiros, com suas jaquetas de couro pretas. Diferentemente do que ocorreu nos EUA, e sua inconsequente juventude transviada, o rock britânico começava a demonstrar uma consciência mais crítica em relação à sua geração, misturando humor negro, característica inglesa, e uma dose de “inocência”, sem deixar de ser jovem, como demonstra a força e explosão de Roger Daltrey, vocalista do The Who, em My Generation (1965). Agora, o antigo rock’n’roll passava a ser apenas rock, fundamento dos movimentos jovens da segunda metade da década. Diversificado em várias tendências, mas com muito blues eletrificado, vários grupos começaram a ganhar importância nesse novo cenário: The Animals, The Yardbyrds, The Kinks, The Who, Traffic, Cream e outros. A explosão do rock inglês despertou e influenciou o rock norte-americano, que parecia cair no ostracismo no início dos anos 60. Esse despertar ficou acentuado a partir de 1964, quando os Beatles fizeram sua primeira excursão americana, abrindo o mercado para outros grupos e músicos britânicos, e incentivando a formação de novos músicos e grupos americanos: The Jefferson Airplane, The Mammas and The Pappas, Canned Heat, Greatful Dead, The Velver Underground, Frank Zappa and The Mothers of Invention, The Doors, citando alguns deles. Cada um desses grupos partiu em busca de novos caminhos musicais se tornando canais de expressão para os movimentos jovens dos anos 1960, período conturbado, efervescente e transformador, época de movimentos antirracistas, Guerra Fria entre EUA e URSS, avanços tecnológicos nas comunicações e corrida espacial. Surge aí a “contracultura”, movimento que levou boa parte dos jovens a abandonarem padrões estabelecidos pela sociedade, para construir um mundo alternativo e com uma “cultura” própria, sob um ponto de vista hedonista, baseado no desejo elementar da felicidade individual, fora dos padrões de regras impostas pelo sistema e a ordem vigente. Era chegada a “Era de Aquarius”. É dentro desse contexto que se insere a grande utopia dos hippies e a construção de um mundo de “paz e amor” em paraísos próprios, assim entendidos os agrupamentos de

jovens sob esses ideais, formando comunidades, culminando na descoberta do misticismo, a psicodelia das drogas

jovens sob esses ideais, formando comunidades, culminando na descoberta do misticismo, a psicodelia das drogas lisérgicas, alterando e alternando os estados de consciência. São Francisco, situada na costa oeste americana, foi o epicentro dessas comunidades. Esse foi um grande movimento, que questionou a cultura ocidental em seus padrões políticos e morais, criando uma espécie de guerrilha cultural dentro do próprio sistema americano, e que, espontaneamente, conquistou muitos adeptos que queriam ver no poder a utopia do “flower power”. Foi isso que fez o jovem americano questionar sua ida à Guerra do Vietnã e qual a necessidade de tudo isso. Em resumo: o rock ajudou a parar a guerra. O marco inicial desses anos de contracultura é o Monterrey Pop Festival, ocorrido entre 16 e 18 de junho de 1967, evento que abriu a época dos grandes festivais (Woodstock, Altamont e Isle of Wight). Foi lá que se apresentou, após estrondoso sucesso na Inglaterra, Jimi Hendrix, que foi quem concretizou a fusão do blues com o rocknroll. Utilizando-se de muito instinto musical, balanço e swing, oriundos de sua origem ancestral, e técnica apurada, desbravou novos caminhos para o rock. Nesse cenário, Woodstock representa um capítulo à parte. Realizado em agosto de 1969, durante três dias, apresentaram-se muitas bandas e artistas que perduram no meio musical até os dias de hoje, vivos e mortos: Jimi Hendrix, Creedence Clearwater Revival, Joe Cocker, Carlos Santana, Mountain. “Para a contracultura, Woodstock foi uma espécie de cerimônia sagrada (de quinhentas mil pessoas), que anunciava a “Era de Aquarius” (Brandão, Duarte, 1990, p.57). Parecia a estreia de uma nova sociedade: a paz, o amor e o rock, sempre. Mas o sistema, observando a assimilação do jovem a esse movimento, não ficou pra trás e, através de suas atuantes e eficientes indústrias fonográfica e cinematográfica, associado à criação de um mercado em torno da onda hippie, transformou o conceito em produto. Outro nome icônico desse período foi Janis Joplin, que conseguiu trazer com sua voz a fusão da música negra com a branca. Janis nasceu no Texas, mas foi radicada em São Francisco, cidade que, como em Liverpool, proliferaram novos grupos e tendências no rock. O chamado “acid rock”, que teve base na Califórnia, procurava reproduzir as sensações emocionais da experiência psicodélica com as drogas por meio da criação de espaços musicais mais amplos e abstratos, com a inserção de estranhas sonoridades, climas e

sugestões nas músicas. Os grupos que mais ganharam fama com essa experimentação foram: Jefferson Airplane,

sugestões nas músicas. Os grupos que mais ganharam fama com essa experimentação foram:

Jefferson Airplane, The Doors, de Jim Morrison, e Greatful Dead, capitaneado pelo guru psicodélico da cena musical americana, Jerry Garcia. O disco Sgt. Peppers (1967), dos Beatles, foi considerado um divisor de águas não apenas na carreira da banda, mas na história do rock. Nesse disco, os garotos de Liverpool fundiram a psicodelia surgida na América com variados estilos musicais, que iam do jazz à música indiana, passando por banda de fanfarra e cordas orquestrais, unindo aos acordes da tradicional guitarra os sons de música concreta de vanguarda, pré-fabricada em estúdio. Foi a abertura das portas para o novo rock inglês, que surgiria com o expoente Pink Floyd e todas suas camadas e texturas ácidas, na fase inicial com Syd Barret, revelando um experimentalismo instigante, transformando em uma grande geração de músicos que formariam um novo movimento, o rock progressivo (fusão entre rock com música erudita) dos anos 1970.

3.3 Os estilos vocais dos anos 1960

Com variados contextos políticos e sociais que efervesceram os anos 1960, a forma de se expressar e maneira de cantar rock foram amplamente modificas em relação aos iniciais

anos 1950. Assim, a base inicial de blues permanece em boa parte do contexto musical.

3.4 Faixa 1

The Beatles: I Saw Her Standing There, do álbum Please Please me (1963) O estilo de cantar de Paul Mc Cartney nessa faixa lembra um pouco o estilo americano dos anos 1950, que o influenciou muito no início (especialmente Little Richard, vide a versão dos Beatles de “Long Tall Sally”, muito próxima ao original), e aquele tema típico de romance ingênuo de salão de baile. Era a transição. O rock tinha atravessado o Oceano Atlântico e deixado toda a sua influência na Europa, com base na Inglaterra, que pegou seu skiffle e o fundiu com o rock´n´roll, dando o sotaque britânico a essa nova geração.

3.5 Análise musical e vocal Como a pronúncia britânica do inglês por vezes soa mais

3.5 Análise musical e vocal

Como a pronúncia britânica do inglês por vezes soa mais fechada, o som da voz

apresenta um aspecto diferenciado à articulação, trazendo um som robusto e limpo na

emissão, com características frontais e orais de ressonância associados também a trecho com

ascensão nasal, sem constrição laríngea proporcionando um timbre vocal muito homogêneo.

Atuação de pressão maior diafragmática presente nas notas mais altas de peito, como no

trecho sublinhado da frase: Whoah, we danced through the night”, que apresenta uma nota

Lá 4 do tenor. Ou quando trabalha com emissão firme no registro de cabeça, que nesse ponto,

chega ao E5 do piano, região feminina, no trecho sublinhado:And I held her hand in

mine Ou mais ainda com pressão de apoio diafragmático na saída da voz em “screaming”

antes do solo de guitarra amplamente, como já mencionado, pelo estilo de Little Richard, que

chega ao estratosférico G5 do piano, região de soprano. Sem contar a segunda voz de John

Lennon que caminha junto nos refrões e na parte “B” da música variando a melodia em

intervalos mais baixos que a principal, entre terças maiores e menores e quartas, fazendo uma

simbiose perfeita no vocal seja no bom gosto da colocação, ou no timbre, que lembra muito o

estilo de cantores de skiflle. A melodia feita na escala maior com leves acentuações na

pentatônica maior, na tonalidade Mi.

.

3.6 Faixa 2

Bob Dylan: Blowin´in the Wind, do álbum The Freewheelin´ Bob Dylan (1963)

O contexto aqui é mais literário e poético, para que o indivíduo que esteja ouvindo

preste atenção à mensagem, o que faz dispensar malabarismos ou texturas vocais que

colocariam o tema em segundo plano. Ou seja, voz ao nível da fala, que é uma característica

muito peculiar dessa fase do rock que tem influência direta da música folk, de cunho mais

acústico e politizado, dando ênfase às palavras. Era o desejo de mudança no comportamento

da sociedade. Os grandes nomes desse caminho folk rock influenciado pelo movimento

beatnik são: Bob Dylan, Joan Baez, James Taylor, Cat Stevens.

3.7 Análise musical e vocal Colocação básica, registro de peito, próxima da região de fala

3.7 Análise musical e vocal

Colocação básica, registro de peito, próxima da região de fala e sem muita alteração na tessitura. A variação não chega a uma oitava, fica em torno de uma quinta do tom. Acento forte no estilo country/folk de cantar, com ressonância trazida à região nasal e acentuação rítmica com leves antecipações do tempo. Sem nenhum tipo de pressão glótica e apoio diafragmático leve, devido á região da melodia que foi escrita em cima da escala maior e pentatônica maior na tonalidade de Sol. Forma correta de se passar a mensagem, voz peculiar, de timbre único, mas sem se sobrepor a mensagem.

3.8 Faixa 3

The Doors: The End, do álbum The Doors (1967) Essa música pode ser considera a síntese de vários elementos que transformaram o rock e a sociedade dessa época. A faixa tem longos 11 minutos, sombria, misteriosa, totalmente fora dos padrões radiofônicos. O texto remete a um “épico edipiano de luxúria e morte” (DYMERY, SUSANNA, 2008, p.116); onde Jim Morrison retrata a sua visão sobre o drama de Édipo, relatando a rejeição do pai e o desejo pela mãe, isso claramente relacionados aos seus traumas familiares e fortemente influenciado pelos conceitos de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX. Jim também extravasa vários conceitos sobre o individualismo e caos, seu contato com a poesia beat, faz alusões à Guerra do Vietnã (música de forte influência popular durante o período da guerra) com metáforas complexas, sob a influência da lisergia e do psicodelismo.

3.9 Análise musical e vocal

“The End” transita entre a música tonal e modal, sob a forte influência da música oriental, ritmos tribais em alguns trechos, jazzísticos em outros, o que traz um clima cativante,

transcendental, lisérgico, criando uma cama perfeita para a narrativa de Jim Morrison. No início dessa faixa, Jim conduz sua voz de barítono, influenciada por grandes “crooners” americanos, de forma contundente, deixando o registro basal de peito tomar conta da colocação vocal (pouca pressão diafragmática por conta da região, o que vai aumentando de acordo com subida da melodia), deixando a ambiência sombria na interpretação, mas clara

na emissão. A melodia da voz, feita na maior parte no registro médio da voz

na emissão. A melodia da voz, feita na maior parte no registro médio da voz masculina, circula em tom menor de Ré, com a escala menor do tom e por vezes trabalha o modo dórico de Dó que acentua a 6M ao invés da 6m que caracteriza a escala menor do tom. Ela volta para aquele clima inicial e termina num profundo e belo grave de barítono na nota Ré 3 do piano, a nota mais aguda fica por conta de um Fá 4 do piano, nota característica do s agudos de um barítono. Lembrando que Jim, mesmo tendo características de timbre de barítono, em várias faixas trabalha agudos na região do tenor pela própria influência melódica e contextual de suas canções, o que caracteriza uma tessitura extensa. A partir do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, os cantores de rock começaram a desenvolver sua capacidade vocal elevando-a a níveis estratosféricos. A fusão nessa faixa entre melodias trabalhadas, voz falada e texto profundo traz a ideia inicial do que viria a ser o rock-teatro.

4. A difusão do rock

4.1 Anos 1970: a geração do virtuosismo e da revolta contra o sistema Pode-se dizer que dois estilos marcaram a primeira metade dos anos 1970: o rock progressivo (progressive rock) e o rock pesado (hard rock), sendo a Inglaterra o principal berço desses dois novos movimentos. O rock progressivo teve suas origens baseadas nas experimentações dos anos 1960, principalmente relacionadas ao acid rock. O estilo foi um dos responsáveis pelas experimentações de vanguarda (fusões com o jazz e a musica erudita) e pelo uso de novas tecnologias, como os sintetizadores. O inicio do movimento do “progressive rock” foi marcado pelo primeiro experimentalismo de rock com orquestra e a forma “tema conceito”, que liga as musicas a um único tema, no álbum Days of The Future Past (1967) da banda Moody Blues, gravado com London Festival Orchestra. Mas foram grupos como Yes, Emerson Lake & Palmer, Pink Floyd, Jethro Tull, King Crimson e Gentle Giant, entre outros, que deram a forma inicial ao movimento.

O outro estilo foi o “hard rock”, forjado na base da força e peso de

O outro estilo foi o “hard rock”, forjado na base da força e peso de suas guitarras distorcidas e muita amplificação. Teve como inspiração, ainda no final da década de 1960, os guitarristas Jymmy Page, Jeff Beck nos Yardbyrds e Eric Clapton com o Cream, sem deixar de citar o grande caminho que abriu Jimi Hendrix com sua guitarra, que modificou o cenário do blues e do rock, fazendo uma fusão pesada entre os dois. Os grandes grupos desse gênero foram Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, que formaram a trilogia básica para a concretização definitiva desse estilo. Mas surgiram também bons grupos do gênero, como Free, Uriah Heep, Grandfunk Railroad (EUA), AC/DC (Austrália), Scorpions (Alemanha), e o rock foi expandindo seus horizontes territoriais. Surgiu, nesse período, a banda Queen, que foi algo muito diferente por mostrar ao mundo suas harmonias vocais rebuscadas, composições com influência de muitos outros padrões musicais, extrema competência, refinamento musical, busca pela perfeição e bom gosto. Freddie Mercury, com sua magnífica voz com ares operísticos e apresentações cheias de energia, era uma figura carismática e ímpar. Mercury foi um dos maiores cantores que já existiram. Também apareceram, nessa fase, Alice Cooper, que fazia um rock teatral (esse era

o ponto alto de seus shows, extremamente fora dos padrões vistos anteriormente); Kiss, com

suas máscaras estilo “kabuki” e toda sua pirotecnia nos espetáculos, arrebanhando multidões;

e Van Halen, com guitarrista Eddie Van Halen, mudando os padrões da guitarra no rock

como Hendrix já tinha feito uma década antes. Led Zeppelin é um capitulo à parte. Talvez seja o grupo seminal do estilo, pois veio como um míssil para essa nova geração. Inicialmente enraizado no blues, mas cheio de elementos mais pesados, o Led Zeppelin não teve limites para tentar desenvolver seu próprio estilo sem medo da critica ou rejeição do público. Tudo isso, somado a um cantor singular, de

voz única e poderosa, chamado Robert Plant, que abriu as portas de um novo estilo de se cantar rock com novos maneirismos e possibilidades, usados e imitados até os dias atuais, elevando uma oitava na tessitura e grande influência do blues americano e do folk inglês. Black Sabbath, outro grupo de rock pesado, talvez seja um dos que mais tenham influenciado os novos subgêneros do rock pesado. Sua temática diferente, com referências ao ocultismo em suas letras, e um vocalista de voz identificável e possuidor de grande carisma, Ozzy Osbourne, davam um ar realmente pesado sobre tudo o que já se tinha ouvido no rock.

Dizem que eles são os pais de um estilo muito influente a partir dos anos

Dizem que eles são os pais de um estilo muito influente a partir dos anos 1980, o “heavy metal”.

Outro grupo, o Deep Purple, tinha influência clara, além daquele blues pesado e inglês, da musica erudita e do jazz, formado pela precisão e virtuosismo de seus membros, flertou com o movimento progressivo. Porém, a partir de 1969, com a entrada do vocalista Ian Gillan, fizeram grandes álbuns e chegaram ao Japão, onde gravaram três apresentações, culminando no que é considerado o maior álbum ao vivo de uma banda em todos os tempos, o Made in Japan (1972). Ian Gillan, por seu desempenho, foi considerado um dos grandes vocalistas de seu tempo. Na época de ouro e virtuosismo no rock, surgiram artistas novos e com novas visões sobre o rock. David Bowie e o seu space rock” inicial, associado a Elton John, formaram o princípio do “glam rock”: estilo que se baseava em um rock rápido, com artistas se vestindo de forma andrógina, com trajes extravagantes e temas relacionados à fama e à decadência. A indústria fonográfica do rock se expandiu como nunca, e o rock havia chegado no seu grau máximo de sofisticação e desenvolvimento de vários subgêneros do estilo que surgiram, até culminar na discothèque, produto da “subcultura” homossexual, negra e latina dos grandes centros urbanos dos EUA. Foi um período evasivo do rock e da música no mundo. Assim, surgiu um novo movimento de contestação na segunda metade dos anos 1970, em que o rock restabeleceu seu poder crítico e contestador em relação à sociedade e de autocritica, recuperando sua energia primitiva e incorporando outros ritmos do Terceiro Mundo (como reggae, afro e outros), o movimento punk. Na verdade, a primeira metade da década de 1970 apresentou componentes que serviriam de base para o surgimento desse movimento em artistas como Iggy Pop, David Bowie, MC5 e Lou Reed, uma espécie de proto-punk. Bandas de garagem amadoras, acalentadas pelo sonho do sucesso, representavam novamente aquela força primitiva do rock. Algumas delas chegaram ao estrelato, como os Ramones. O punk inglês teve um elemento importante na sua formação musical: o reggae. Assim, bandas como The Clash, Sex Pistols, The Buzzcoks e The Damned, mesmo no início de suas trajetórias e ainda sem gravar, chamaram a atenção da mídia especializada da época

por sua música crua e simples, de volta aos três básicos acordes e de temática

por sua música crua e simples, de volta aos três básicos acordes e de temática efervescente, pois combatia a questão do desemprego e a ameaça terrorista, estimulando a anarquia e o surgimento das gangues e do “faça você mesmo”. Com isso, surgiram os fanzines (revista feita de próprio punho para os que se interessavam pelo conceito) e gravadoras independentes ganharam força, já que as grandes companhias pouco se interessaram pelo movimento. Tratava-se de uma guerrilha jovem contra o sistema, que utilizaria o som e as palavras como armas. O período punk terminou com a morte do baixista dos Sex Pistols, Sid Vicious.

4.2 Os estilos vocais dos anos 1970

O rock, nesse período, ganhou muitos elementos musicais e alguns tecnológicos em sua construção nessa fase devido às experimentações em outros estilos já ocorridas na segunda metade dos anos 1960. O progressive rock ganhou força por sua fusão entre o jazz e o erudito, modificando a parte conceitual, instrumental e vocal no rock, como Peter Gabriel, do Genesis, e sua interpretação teatral dos temas; Ian Anderson, do Jethro Tull, com melodias marcantes; Jon Anderson, do Yes, com seu timbre de voz diferenciado e grande alcance e harmonias vocais, muitas vezes não tão convencionais, indo até a forma do contraponto. O Pink Floyd foi uma das bandas que mais se aprofundou em uma nova tecnologia e produziu um dos seus álbuns mais marcantes: The Dark Side of the Moon (1973). O hard rock, com sua força explosiva, da maior amplificação dos instrumentos e seus vocalistas que subiram o estilo das melodias de uma quinta até uma oitava da geração anterior, como Robert Plant e Ian Gillan, criaram base para o desenvolvimento vocal que perdura até os dias de hoje. Com a base inicial do rock, oriunda do blues, e fusão de melodias folk, soul, country e também a influência do Oriente, mas cantados com colocação mais pesada. Em contrapartida, com o

surgimento do movimento punk, o estilo anárquico e com forma musical simples e direta, ficou bem explícito na maneira de se cantar e interpretar os temas contra o sistema opressor.

4.3 Faixa 1

Led Zeppelin: Stairway to Heaven, do álbum Led Zeppelin IV (1971) Com o fantástico 4° álbum, o Led Zeppelin se prepara para encher estádios com suas músicas pesadas. Mitologia, espiritualidade e ocultismo fizeram a banda ir a outro patamar.

Stairway to Heaven, a música mais tocada nas rádios americanas até hoje, é considerada um

Stairway to Heaven, a música mais tocada nas rádios americanas até hoje, é considerada um hino do rock. Sua letra, baseada nas leituras de Robert Plant no fantástico mundo de Tolkien, tem uma gama de misticismos à sua volta.

4.4 Análise musical e vocal

Além da brilhante introdução de violão e flautas, é válido ressaltar o solo de guitarra magnífico de Jimmy Page, e a classe e precisão de John Boham, que parecia sempre encontrar o ponto certo para cada faixa. E nesta canção ele realmente esperou o momento certo: a voz de Robert Plant começa suave, com leve acento em “fry”, quase chorada, e vai evoluindo de acordo com o texto “tolkiano”, explodindo após o solo de guitarra, nas mais altas misturas de voz de registro de peito, com misturas extremamente homogêneas, com registro de cabeça e culminando em um “screaming” perfeito em voz de cabeça no trecho “When all are one and one is all”.

4.4 Faixa 2

Pink Floyd : Time/Breathe Reprise, do álbum The Dark Side of the Moon (1973) O famoso álbum do “prisma” do Pink Floyd, é uma coleção de canções brilhantes e vibrantes, e é o “álbum de entrada” para o universo que vai da psicodelia ao progressivo do grupo inglês Pink Floyd. Temas que falam sobre preocupações humanas como: tempo, dinheiro, loucura e morte são abordados na temática das letras.

4.5 Análise musical e vocal

Time/Breathe Reprise é a quarta faixa do álbum e possui uma introdução com eloquência de sons de relógio que nos remete a um “despertar”, seguindo entra uma batida que simula batimentos cardíacos e clima vai crescendo com fills de bateria praticamente sinfônicos, até explodir no canto firme de David Gilmour, voz plena de peito com ocasionais “drives” impulsionados pela força das palavras. Nas duas partes “B” da música, Gilmour entoa um timbre à meia voz, suave e delicado, tudo isso entrelaçado em vocais femininos

celestiais, culminando em um solo de guitarra melódico de extremo bom gosto. O estilo de

celestiais, culminando em um solo de guitarra melódico de extremo bom gosto. O estilo de Gilmour acerta em cheio a textura complexa da banda.

4.6 Faixa 3 Sex Pistols: Anarchy in UK, do álbum Never Mind the Bollocks Here´s the Sex

Pistols (1977)

É um álbum que sintetiza a essência punk e toda sua revolta contra o sistema

opressor e os altos índices de desemprego. Seu título é um verdadeiro soco na boca do sistema.

4.7 Análise musical e vocal

A faixa Anarchy in Uk é uma espécie de grito, o epicentro do ódio desse movimento.

Johnny Rotten, a cada nota, literalmente berra contra a realeza inglesa. Sem forma técnica e formosura no seu canto, ele dá voz ao jovem proletariado inglês sons guturais proferidos de sua garganta frases apocalípticas como “No future for you”, despejando e simbolizando toda a raiva contra o seu governo.

5. A década das indefinições

5.1 Anos 1980 Ao final dos anos 1970, o punk havia se tornado sinônimo de má reputação e violência. Nessa época, a indústria abriu caminho para outros valores, tais como: The Police, Elvis Costello, The Pretenders, Talking Heads, Blondie, B-52’s. Essa foi chamada de “new wave” (nova onda), e é muito difícil de delimitar esse estilo, pois abriu uma vasta gama de modalidades, reciclando linguagens e estilos das décadas anteriores. A “nova onda” também teve sua versão mais pesada. Surgiu na Inglaterra, ainda com um pouco de influência punk no som, mas com guitarras trabalhadas, cenários e temas grandiosos, uma nova geração do rock pesado. A “NWOBHM” (nova onda do heavy metal britânico), que teve em suas principais bandas e desenvolvedores do estilo, o Diamond Head, Motorhead, Saxon, Judas Priest e Iron Maiden.

Com as novas tecnologias desenvolvidas nessa época, instrumentos computadorizados, sequenciadores, samplers e MIDIs, que

Com as novas tecnologias desenvolvidas nessa época, instrumentos computadorizados, sequenciadores, samplers e MIDIs, que armazenam e inventam qualquer som desejado, tornou possível aos músicos criar qualquer tipo de linguagem musical, e também se apropriar de trechos de músicas já editadas. A partir desse contexto, bandas e artistas como Joy Divison (embrião do New Order), The Smiths, Depeche Mode, Echo and the Bunnymen, The Cure, The Cult, Laurie Anderson começaram a fundir mais amplamente o rock com a base eletrônica, e a crítica passou a denominar esse novo estilo de tecnopop e new psychodelic. Outra tendência importante desse período foi a confluência da música negra com essas novas tecnologias, cujo grande expoente é Prince, além da fusão dessas tecnologias com

o reggae e ritmos africanos, quando surgiram Alpha Blondie e UB40. Com esse olhar para a África, onde se substituiu o modelo convencional de colônia

por novas formas de dominação, já que, mesmo com a independência política da maioria dos países, não foi concedida a mínima estrutura para se tornarem de qualquer forma independentes do domínio econômico branco, com as consequentes e recorrentes segregação racial e pobreza extrema, é que entram novamente a música e o rock em cena, chamando a atenção do mundo para esse tema. Campanhas como USA for Africa, e shows, como Live Aid

e Free Mandela Concert, procuraram arrecadar fundos e sensibilizar o mundo para esses

graves problemas políticos e sociais africanos. Essa visão voltada para África trouxe influência direta para grandes músicos como Peter Gabriel, Davis Byrne, Phillip Glass, Paul Simon, Brian Eno, Miles Davis que ouvindo esse novo som vindo de lá, o afro beat, e de nomes como Fela Kuti e Youssou N´Dour, criaram um caldeirão efervescente que na música pop foi considerada denominação “world music”.

É na segunda metade dessa década, agora nos EUA, que surge um novo movimento, chamado “glam metal”, com suas maquiagens e cabelos com aparência quase feminina, ostentando um rock de arena e muito colorido no palco. Os grandes expoentes desse cenário são Twisted Sister, Motley Crue, Poison, Bon Jovi, Skid Row e Cinderella, mas sem dúvida, a maior banda de rock dessa época e que ganhou proporções mundiais de sucesso com sua dupla explosiva Axl Rose e Slash, foi o Guns’N’Roses.

Outro fator importante da época foi introdução das bandas de rock na chamada “Cortina de

Outro fator importante da época foi introdução das bandas de rock na chamada “Cortina de Ferro”, expressão usada para denominar a divisão da Europa Oriental (que esteve sob o domínio ou influência da União Soviética), da Ocidental, e tinha um regime extremamente fechado. Mas uma vez estava lá o rock, com sua força de juventude e capaz de modificar os padrões estabelecidos. Nos dias 12 e 13 de agosto de 1989 no Lenin Stadium em Moscou, o Moscow Peace Festival promoveu “a paz mundial” e contou com bandas de sucesso na época como Cinderella, Bon Jovi, Skid Row e Motley Crue, além de contar com Ozzy Ousbourne. Foi o primeiro show que as pessoas puderam assistir em pé. A partir daí e depois com a queda do regime comunista, o leste europeu entrou definitivamente na agenda dos grandes artistas do gênero. Os anos 1980 foram efervescentes na questão política e social.

5.2 Estilos musicais e vocais dos anos 1980 Muitos novos estilos e denominações aconteceram ao longo da década. Alguns exemplos são notórios: de Simon Le Bon e seu rock pop glamoroso com o Duran Duran, Sting no The Police, com voz aguda e bem colocada e ritmos flertados com o ska, Bono Vox e seu U2 contestador na primeira fase, apresentando boa técnica vocal, á os famigerados cantores de heavy metal, Rob Halford com seus “screamings” lascinantes no substimado Judas Priest, Bruce Dickinson e sua potente voz aguda no Iron Maiden, Ronnie James Dio, que apesar de ser cantor de longa data, foi nos 1980 que ganhou nome e força no mercado, lançando excelentes álbuns com o Black Sabbath (substituindo Ozzy Osbourne) e com sua banda solo, chamada apenas Dio, com sua voz gloriosa e olímpica, elevando demais o nível técnico do estilo. No rock, ainda pesado, também surgiram novos cantores com novas formas de voz aguda e cantadas nos registros de cabeça, trabalhadas em “drive”, como Sebastian Bach, do Skid Row, Jon Bon Jovi e Jon Bon Jovi, Vince Neil do Motley Crue e, talvez, o mais famoso de todos, Axl Rose, do Guns N´ Roses.

5.3 Faixa 1 U2: Sunday Boody Sunday , do álbum War (1983) A letra dessa

5.3 Faixa 1

U2: Sunday Boody Sunday, do álbum War (1983) A letra dessa música descreve o horror, como num noticiário, onde as tropas britânicas atiraram e mataram manifestantes dos direitos civis na Irlanda do Norte em 1972. Ficou conhecido como “Domingo Sangrento”.

5.4 Análise musical e vocal

Com um riff de guitarra antológico de guitarra e batidas que remetem batidas usadas nas paradas militares, somando-se ao texto que conta a batalha descrita acima, Bono Vox despejou todo seu potencial vocal e senso de interpretação, apoiada no diafragma e na cavidade orofaríngea, colocando a voz de registro de peito. Muito boa técnica, interpretação na medida certa que o elevaram ao patamar de um dos maiores cantores de rock até hoje.

5.5 Faixa 2

Iron Maiden: The Number of the Beast, do álbum The Number of the Beast (1982) O Iron Maiden é uma espécie de religião para os seus fãs espalhados por todo globo. Esse álbum marcou a estreia de Bruce Dickinson, uma das vozes mais poderosas do rock, e foi alvo dos críticos ativistas cristãos que associaram a capa e temática como algo diabólico e criou grande polêmica à época.

5.6 Análise musical e vocal

Bruce Dickinson e sua voz potente de tenor sofreram rejeição por parte dos fãs que estavam habituados ao estilo do vocalista anterior, Paul Di´anno. Logicamente isso não demorou muito a se dissipar. Dotado de potência e técnica vocal, além de performances teatrais elevou o nível da banda ao reconhecimento mundial. Nessa faixa, Bruce faz um “screaming” gigantesco na introdução. Outra marca consagrada, é seu registro agudíssimo de peito e pequenas misturas com registro de cabeça e seu vibrato diafragmático como fazem os cantores de ópera, que influenciou gerações de cantores de heavy metal.

5.7 Faixa 3 Guns N´Roses: Welcome to the Jungle, do álbum Appetite for Destruction Hollywood,

5.7 Faixa 3 Guns N´Roses: Welcome to the Jungle, do álbum Appetite for Destruction Hollywood, Los Angeles, década de 1980. O glamour e tecnologia do cinema, Sunset Strip fervendo novamente de novas bandas, prostituição, drogas sintéticas e muito álcool. Cenário perfeito para uma nova banda, formada genuinamente em L.A., sintetizar todo esse universo em um álbum. Essa banda era a polêmica Guns N´Roses e seu disco de estreia. Welcome to the Jungle é a faixa de abertura e mostra o contexto todo da cidade da costa oeste americana.

5.8 Análise musical e vocal Com uma introdução de guitarras em repetição, um grito primal proferido por Axl, desembocando num riff de guitarra visceral, essa é a explosão inicial da faixa. Axl canta com “drive”, região aguda de peito, transitando entre os registros de peito e cabeça, traduzindo a força da letra de vulgaridade obscena, trazendo o rock pra algo contestador novamente, divergindo dos padrões sociais. 6. O planeta globalizado 6.1 Década de 1990 A geração dos anos 1990 chegou com influências múltiplas de vários gêneros musicais e até subgêneros do próprio rock. Bandas como Red Hot Chilli Peepers, que trouxe muitos elementos do funk, especialmente do Funkadelic Parliament, Faith No More, com sua mistura genuína com o hip hop e rap americanos, o Rage Against hte Machine, com sua mistura de elementos do rap inspirado em Public Enemy e sua ideologia esquerdista contra o corporativismo e desigualdade social, o Green Day e o The Offspring com seu “pós punk pop” e Jane’s Addiction, Blur, Radiohead e Oasis com seu “rock alternativo”, Slayer, Megadeth, Anthrax e Mettalica com o “thrash metal”, uma versão mais moderna e rápida do “heavy metal”, tendo este último alcançado fama mundial a partir de seu Black Album (1991), deram outras feições àquele rock glamoroso que vinha da segunda metade da década de 1980, que falava sobre carros velozes, festas e garotas. Mas sem dúvida, o movimento icônico daquele período foi o surgido na cidade de Seattle, o “grunge”. Soundgarden, Mother Love Bone, Alice in Chains, Temple of the Dog,

L7, Mudhoney, The Melvins, Screeming Trees foram bandas criadas a partir desse movimento musical de

L7, Mudhoney, The Melvins, Screeming Trees foram bandas criadas a partir desse movimento musical de grandes proporções, de alcance mundial, que explodiu com o lançamento do Pearl Jam e Nirvana. O período entre 1990 e 1994 foi o auge do movimento. O Nirvana, com Nevermind (1991), trouxe o rock de novo à grande mídia. Seu líder e compositor, Kurt Cobain, foi uma espécie de “porta-voz” dessa geração, pois explorou em suas canções a angústia, os conflitos internos pessoais, temas que vieram ao encontro dos anseios dos jovens daquela geração, além de uma forma autêntica e despojada de se vestir, tocar e cantar.

6.2 O estilo musical e vocal dos anos 1990

Formas variadas de se cantar o rock foram incorporadas ao estilo. Da influência rap/hip hop/funk de cantores como Mike Patton do Faith No More e de Anthony Kiedis do Red Hot Chilli Peepers, ao estilo “rocker”, vigoroso e técnico de Chris Cornell, talvez a maior voz do período, foi a de Kurt Cobain a voz que mais influenciou essa geração.

6.3 Faixa

Nirvana:Smells Like a Teen Spirit, do álbum Nevermind (1991) Kurt Cobain certamente foi um grande interlocutor dessa geração e Nevermind sem dúvida foi o álbum mais importante dos anos 90. Com uma sequência de quatro acordes gerando sutileza e aspereza, com toda a “explosividade” das bandas de garagem, o texto de Kurt retrata o espírito do jovem dos anos 90, o dualismo do tédio e euforia, da depressão à gloria num turbilhão desenfreado de sensações.

6.4 Análise musical e vocal

Com uma sequência de quatro acordes ininterruptos, mas que vão da sutileza à aspereza de uma banda sólida de garagem, fazendo todo o clima necessário e “meio de campo” para Kurt ir da voz mediana na tessitura em registro de peito, até urrar em “screaming” nas regiões próximas da quebra de registro masculinas na parte do refrão, a voz nessa faixa alterna entre esses dois mundos: da contundente clareza das estrofes à certeza massacradora do refrão.

7. A geração “Internet” 7.1 Os anos 2000 A partir dos anos 2000, com a

7. A geração “Internet”

7.1 Os anos 2000

A partir dos anos 2000, com a globalização por meio da internet, a troca constante de arquivos de mídia em geral trouxe uma maior interação nesse mundo novo entre as pessoas, sua conectividade e a exploração de muitas fontes de pesquisa. Mas também deflagrou uma atitude mais efêmera por parte do jovem, que se distanciou da profundidade dos fatos e isso, obviamente, está diretamente relacionado à queda da indústria musical, e o rock não está fora desse padrão. Muitas bandas e artistas expressivos do rock surgiram nessa época, como os

“alternativos” Coldplay, Muse, The Strokes e a dupla White Stripes, do talentosíssimo Jack White; o “new metal”, com System of a Down, Korn, Slipknot, Deftones e Incubus; e até mais recentemente as chamadas “indie rock”, como Artic Monkeys, Arcade Fire, Imagine Dragons, as mais conhecidas dessa geração. Todas essas bandas fazem um som no ambiente do rock e seus subgêneros, e suas vozes chegam à grande massa dos novos roqueiros, tocando em grandes festivais. Porém, nos dias atuais, não há um movimento relevante que vem modificando o comportamento do jovem. Vamos aguardar, pois a história continua a ser contada.

7.1 Faixa:

The White Stripes: Seven Nation Army, do álbum Elephant (2003) Com o riff de guitarra mais emblemático da “era 2000”, que o transformou num refrão sem palavras, Jack White, um grande músico e compositor dessa geração, “relata algumas das preocupações de Jack com sua crescente fama” (DYMERY, KENNEDY, 2008,

p. 912);

7.2 Análise musical e vocal

Jack White trabalha essa faixa, cantada no tom de Mi menor, com base na escala pentatônica menor e de Mi e com acento caraterístico da melodia, utilizando o 7° grau da escala menor harmônica de Mi. Com voz marcante de peito na primeira parte e passagens de registro fazendo uma mistura homogênea entre as ressonâncias de peito e cabeça na segunda

parte, sempre com base no apoio diafragmático, que dão ar de dramaticidade a sua interpretação,

parte, sempre com base no apoio diafragmático, que dão ar de dramaticidade a sua interpretação, criando sua própria e peculiar maneira de cantar.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS:

BRANDÃO, Antonio Carlos; Duarte, Milton Fernandes. Movimentos Culturais de Juventude. Ed. 16. São Paulo: Moderna, 1990. DIMERY, Robert. 1001 livros para ouvir antes de morrer. Ed.1. Rio de Janeiro: Sextante,

2007.

VILLELA, Eliphas Chinellato. Fisiologia da Voz. Ed. 2. São Paulo: Ricordi, 1968.

Discos:

Guns N´Roses, Appetite for Destruction, Geffen, 1987. The White Stripes, Elephant , XL, 2003. Nirvana, Nevermind, Geffen, 1991. Metallica, Metallica, Elektra, 1991. Iron Maiden, The Number of the Beast, EMI, 1982. U2, War, Island, 1983. Sex Pistols, Never Mind The Bolloocks Here´s Sex Pistols, Virgin, 1977. Pink Floyd, The Dark Side of the Moon, Harvest, 1973. Led Zeppelin, Led Zeppelin IV, Atlantic, 1971. Deep Purple, Made in Japan, Purple, 1972. The Doors, The Doors, Elektra, 1967. Bob Dylan, The Freewheelin´ Bob Dylan, Columbia, 1963. The Beatles, Please Please me, Parlophone, 1963.