Você está na página 1de 2
Poluição Luminosa & Iluminação Pública  Publicado em 20 de março de 2017 A Poluição Luminosa

Poluição Luminosa & Iluminação Pública

Publicado em 20 de março de 2017

A Poluição Luminosa está prejudicando a saúde humana e danificando os ecossistemas em todo o mundo, mesmo assim o tema tem recebido pouca atenção.

Na iluminação artificial do espaço público devemos tomar muito cuidado e buscar inicialmente informações sobre o que estamos iluminando e quais os atores envolvidos nesta equação entre humanos, circulações, plantas, animais e veículos.

Cada um deles tem necessidades diferentes.

Sabemos que a luz é a grande responsável pela fotossíntese nas plantas durante o dia, mas as plantas também respiram, e fazem isso durante a noite, e no escuro.

A iluminação artificial interrompe este processo e modifica a florada das arvores, muitas vezes prejudicando seu desenvolvimento e enfraquecendo seu crescimento.

Não é o único inconveniente, diversas fontes produzem UV na faixa do espectro da visão dos insetos, proporcionando um fator de atração para alguns insetos muito indesejáveis como o cupim, que se instala e compromete as arvores e a segurança das pessoas.

Algumas fontes também produzem muito calor, e por consequência, severas queimaduras que podem comprometer a vida de diversas espécies.

Recomendo sempre o uso da luz mais amarela porque a radiação amarela é pouco visível à maioria dos insetos, que não enxergam o espectro vermelho.

Melhor sempre utilizar em ambientes noturnos e na iluminação da paisagem fontes abaixo de 3.000K seguindo para as tonalidades de âmbar na luz das fontes, escolher fontes com baixa emissão de UV ou utilizar filtros adequados. É necessário também que a luminária seja adequada, muita atenção ao ofuscamento provocado pela fonte.

É necessário tomar os devidos cuidados com o cut-off das luminária para sempre ter proteção no-glare (anti ofuscamento) e iluminar somente aquilo o que é necessário, existem diversos estudos que demonstram os perigos da luz invasiva nas janelas, chamada de poluição luminosa, que acaba por prejudicar o sono durante a noite.

A luz interrompe a produção da melatonina, tão necessária para a regeneração do nosso organismo durante o sono.

A luz amarela é sempre mais saudável, nosso ciclo circadiano processa um ritmo composto de aproximadamente 12hs de escuro absoluto e um processo de 12hs ao longo do dia onde a luz varia de 2.400 Kelvin ao nascer do dia, 2.700 no amanhecer, em torno de 5.000 Kelvin ao meio dia e baixando novamente para luz quente ao cair da tarde. Com esta baixa de temperatura de cor da luz, o corpo se prepara para produzir o hormônio da melatonina ao escurecer. A exposição de luz branca ativa nossos fotorreceptores e desequilibra o ciclo circadiano. A luz invasiva que entra pelas janelas durante a noite causada pela iluminação publica, ou privada é proibida em diversos países.

Muitos gestores públicos tem contratado iluminação LED para suas cidades em busca da economia de energia, mas nem sempre tomam os devidos cuidados com a qualidade das luminárias, devemos incluir esta discussão nas agendas das nossas cidades, além de economizar energia, devemos propor soluções de iluminação menos invasivas, minimizar os danos ao meio ambiente, e minimizar os danos a nós mesmos com devidos cuidados com a temperatura de cor da luz das fontes e qualidade das luminárias contra o ofuscamento.

Existe sempre uma maneira correta de iluminar, e ao iluminar devemos tomar alguns cuidados porque dentro do ponto de vista mais saudável, deveríamos simplesmente nos recolher a noite e não iluminar, mas é uma solução utópica e devidas as reais necessidades da vida noturna moderna, o ideal é estudar caso a caso para propor a melhor solução para uma iluminação correta; seres humanos, pássaros, roedores, insetos, mamíferos e anfíbios, cada qual tem suas características evolutivas e necessitam diferentes cuidados com a iluminação das áreas externas.