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Editorial

À procura do desenvolvimento

O concelho de Montemor-o-Novo caminha a passos largos para uma encruzilhada. Se


repararmos bem, os últimos dez anos até trouxeram novas infra-estruturas (existem piscinas
cobertas e descobertas, e um arquivo municipal, por exemplo), a cultura afirmou-se como uma
forte imagem de marca, mas continua a faltar algo. Falta claramente uma visão que revele um
caminho que possa conduzir a um mais elevado nível de desenvolvimento do concelho. Mas
parece que quanto mais se avança, mas longe se fica de uma posição de desenvolvimento e
criação de riqueza e prosperidade.

Cientes desta situação, as forças políticas existentes no concelho têm, a pouco e pouco, trazido
para o debate político a questão da necessidade de desenvolvimento económico. A crise que
se abateu sobre a economia mundial durante os últimos dois anos acabou por fazer sentir de
forma mais forte aquela necessidade.

Assim, a Câmara Municipal entendeu participar num processo de debate, denominado


Agenda 21 Local, que está a ser implementado em pelo menos 118 municípios portugueses e
consiste num processo através do qual as autoridades trabalham com a restante comunidade
na elaboração de uma estratégia conjunta e na aplicação de projectos com vista à melhoria da
qualidade de vida ao nível local. A primeira reunião sobre esta matéria já teve lugar e de
acordo com as indicações chegadas à Folha foi positiva.

Todavia, para além das discussões internas, o documento deveria possibilitar ir para além do
concelho de modo a se poder estabelecer, através da rede Agenda 21 Local existente quer em
Portugal quer noutros países, uma rede de contactos que permita aos concelhos projectar as
suas vantagens para o exterior. Assim, o diagnóstico que deverá sair do processo agora
iniciado, não dever ser apenas para consumo interno, mas, principalmente para consumo
externo.

Tal como foi reconhecido por todos os deputados municipais, na Assembleia Municipal do
passado dia 25 de Junho, a situação económica do concelho de Montemor está longe de ser
considerada positiva. As razões que conduziram ao estado em que hoje estamos foram de
vária ordem, mas o facto é que o concelho não teve a capacidade de c riar riqueza, de chamar
empresários e de atrair pessoas. E pelo que foi visível, não existe qualquer tipo de consenso
sobre caminhos a seguir. Aliás, o próprio conceito de desenvolvimento está longe de ser
consensual. Para a CDU as instituições de solidariedade social medem, através da sua
actuação, o estado em que a economia do concelho se encontra, mas admite-se que a culpa da
presente situação está nas políticas seguidas pelos governos. Para o PS, o problema é o
capitalismo desenfreado, mas reconhece-se que os regimes comunistas já não são a solução.
Para o PSD, a Câmara parece ser parte do problema e não parte da solução.

Com este cenário não vai ser fácil pôr de pé o processo da Agenda 21 Local para o concelho de
Montemor, pelo que a Câmara vai ter aqui um trabalho difícil se pretender mesmo que isto
sirva para alguma coisa, porque o tempo corre hoje muito depressa e não vai haver muitas
oportunidades para se sair da situação actual.

Tal como já foi aqui referido várias vezes, o segredo do desenvolvimento está nas
características das pessoas que habitam as regiões consideradas desenvolvidas e que
consistem em três palavras simples: ideias, competências e contactos. Será que o concelho de
Montemor tem pessoas com estas características em número suficiente para promover o seu
desenvolvimento?

A.M. Santos Nabo

Julho 2010