laurindo

almeida
dos trilhos de miracatu
às trilhas em hollywood
alexandre francischini

LAURINDO ALMEIDA

ALEXANDRE FRANCISCHINI

LAURINDO ALMEIDA
DOS TRILHOS DE MIRACATU ÀS
TRILHAS EM HOLLYWOOD

© 2009 Editora UNESP
Cultura Acadêmica
Praça da Sé, 108
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F888L
Francischini, Alexandre
Laurindo Almeida : dos trilhos de Miracatu às trilhas em Hollywood /
Alexandre Francischini. – São Paulo : Cultura Acadêmica, 2009.
Anexos
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-7983-035-8
1. Almeida, Laurindo, 1917-1995. 2. Compositores – Brasil – Biografia.
3. Violonistas – Brasil – Biografia. I. Título.
09-6242. CDD: 927.8
CDU: 929:78

Editora afiliada:

Ao violonista Ronoel Simões. tanto na qualificação quanto na defesa da dissertação. Ao meu cunhado. Ikeda. professores José Leonardo do Nascimento e Sidney Molina. Ao meu orientador. Aos meus grandes amigos Cláudio Henrique Altieri de Campos e José Ivo da Silva pelas longas conversas acerca de assuntos comuns às nossas pesquisas. pelas valiosas observações feitas. Alberto T. pelas orientações que me valeram muito mais do que conhecimentos musicais. sempre muito proveitosas para mim. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus. Dr. Obrigado por compartilhar mais uma etapa tão importante de minha vida. por fim. pelo apoio incon- dicional de toda a vida. . Aos membros da banca examinadora. Gerson e Maria Francischini. à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). sem o qual esta pesquisa teria sido infinitamente mais difícil realizar. pelas dicas de redação e revisões ortográficas. Aos meus pais. Francischini. Renata Bellotto S. dedicação (revisão de textos) e incentivo em todos os momentos – bons e não tão bons. por ter me dado condições de realizar este trabalho. Prof. por ter me concedido uma bolsa de estudo. E. Silvio Luis Monteiro. A minha amada esposa. por disponibilizar seu acervo de discos e partituras. pela paciência.

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SUMÁRIO Introdução 9 1 Um relato biográfico e contextual 13 2 Uma lacuna historiográfica na música brasileira 57 3 Seis obras referenciais – análise musical 87 Considerações finais 127 Referências bibliográficas 133 Anexo I 137 Anexo II 213 .

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arranjador e instrumentista que viveu a maior parte de sua vida nos Estados Unidos e. Curiosamente. certamente. Laurindo Almeida – como ficou mundialmente conhecido. Há tempos os músicos brasileiros que vivem ou viajam em turnês pelo exterior gozam de grande prestígio pelo simples fato de serem brasileiros. Em uma determinada ocasião. quando se pensa no Brasil uma das pri- meiras coisas que nos vêm à cabeça é a música. No intuito de oferecer uma pequena contribuição nesse sentido – dada a amplitude do assunto –. teve um papel fundamental em relação à projeção internacional que a música brasileira alcan- çou. Não é novidade que ela figura entre os principais produtos de exportação de nosso país. Indo além: eu diria que é desconhecido não somente entre os musicólogos. pouco se sabe a respeito de como essa ima- gem firmou-se no imaginário mundial. No entanto. muito antes do início desta pesquisa. o presente livro tem por foco a vida e obra de um músico: um com- positor. apesar de uma vida dedicada à difusão sistemática de nossa música no exterior. poderia relatar o meu próprio caso. enquanto folheava despretensiosamente o livro O jazz do rag ao rock. do crítico musical . Para ilustrar tal afirmação. simplesmente. para a musicologia brasileira trata-se ainda de um “ilustre desconhecido”. Seu nome: Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto ou. INTRODUÇÃO Tratando-se de cultura.

o músico acabaria por tornar- se objeto de minha pesquisa. do Rio de Janeiro. no capítulo destinado aos instrumentos de jazz – para minha surpresa –. as surpresas foram aumentando: Laurindo Al- meida gravou mais de cem discos de carreira. também sou guitarrista. não havia encontrado qual- quer trabalho de alguma relevância sobre o violonista. sobretudo para obtenção de dados biográficos. algumas vezes. a frase me causou certa estranheza. da produtora Telenews. até então. um músico do nível dos grandes concertistas desse instrumento – de um Andrés Segovia ou Vicente Gomez. Mas confesso que não sabia absolutamente nada sobre Laurindo Almeida. passados alguns anos. deparei com a seguinte afirmação: Um guitarrista que ocupa uma posição toda especial no jazz é o brasileiro Laurindo Almeida. Ainda em relação ao cinema. Na medida em que tomava contato com as primeiras e escassas fontes de consulta. Naquele momento. como a orquestra de Stan Kenton e o The Modern Jazz Quartet. foi o primeiro e único brasileiro a ser premiado com o Oscar. (Berendt. Almeida introduziu a guitarra tradicional. Então pensei: “uma hora preciso dar uma olhada nisso!” Quem diria que. aparentemente fadado ao desconhecimento. tocando e. também foi agraciado – entre 16 indicações – com cinco Grammys Awards. produzido e dirigido por Leonardo Dou- rado. melhor dizendo. 1987. As fotos que contêm o símbolo * na legenda foram digitalizadas a partir desse documentário.10 ALEXANDRE FRANCISCHINI Joaquim Ernest Berendt. Isso porque. Vale ressaltar que ele se tornou fundamental para a realização deste livro.1 Diante dos 1 Posteriormente tomei conhecimento de um belíssimo documentário intitulado Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. . até atuando em aproximadamente oito- centas trilhas sonoras para filmes de Hollywood. em 1999. participou compondo. além de estar envolvido com o ambiente jazzístico.228). reaplicou a tradição da guitarra não-eletrificada no jazz moderno. Inicialmente. p. foi integrante de grupos da maior importância na história do jazz norte-americano. exibido em três episódios pela GNT Globosat. no Brasil. visto que. notei que estava diante de um músico com uma carreira de grande sucesso no exterior e. além de muitas outras coisas.

até a sua emigração para os Estados Unidos. trabalhou ao lado de artistas como Carmem Miranda. Alguns autores – nas poucas referências que fazem ao violonista – manifestam opiniões divergentes quanto ao fato de que Laurindo poderia ter lançado as bases da concepção musical da Bossa Nova muitos anos antes de seu advento. diz respeito a uma polêmica em torno de Laurindo Almeida e a Bossa Nova. não há qualquer questionamento sobre a influência de outros músicos contemporâ- neos a Laurindo sobre os músicos da Bossa Nova. surgiu a grande questão: por que Laurindo. surgiram outras três perguntas: teria sido Laurindo Almeida realmente um dos precursores da Bossa Nova? Caso tenha sido. Garoto. O primeiro capítulo. Com isso. basicamente. fato que. também detectado logo no início da pesqui- sa. Pixinguinha. diante da inexistência de qualquer trabalho sistemático voltado à vida e obra de Laurin- do Almeida. No segundo capítulo foram abordados dois temas centrais: 1) a crítica por parte da musicologia brasileira à influência do jazz sobre a nossa música popular. um músico com um curriculum dessa natureza. constitui-se. é mais do que sabido que o músico não teria sido nem o primeiro e nem o único a ser responsável por isso. Essas questões – somadas à pergunta acima – revelam a problemática desta pesquisa e. de que maneira exatamente se deu a sua contribuição? Qual a origem e as motivações de tal polêmica? Afinal. de um relato biográfico e contextual. ainda não ocupa o seu devido lugar na historiografia da música brasileira? Outro dado curioso. quando. no auge da Era do Rádio. o livro é composto por três capítulos e anexos. contribuiu para que muitos músicos brasileiros considerados “americanizados” . No que tange à sua estruturação. procurei respondê-las. Radamés Gnattali e tantos outros. mencionado por diversas enciclopé- dias de música – brasileiras e americanas – como um dos violonistas mais influentes do século XX. ao longo dos capítulos. LAURINDO ALMEIDA 11 fatos. que vai desde o seu nascimento no litoral sul do estado de São Paulo. Todavia. onde se tornou um dos músicos brasileiros de maior renome no exterior. a despeito de essa informação ser ou não verdade. como veremos. passando pelo Rio de Janeiro das décadas de 1930 e 1940.

nem uma coisa nem outra. . Para outros – não obstante a importância do músico em sua origem –. ainda.12 ALEXANDRE FRANCISCHINI sofressem duras críticas por se “renderem” às influências musicais estrangeiras ou. simplesmente. por terem optado em exercer suas carreiras no exterior. Como dito há pouco. Para alguns autores. Portanto. entre os pesquisadores do movimento existe uma controvérsia acerca da importância de Laurindo Almeida na gênese da concepção musical do novo estilo. por assim dizer. lançadas entre os anos de 1939 e 1959. dentro do repertório selecionado. esse assunto foi abordado com o propósito de investigar a origem e os motivos de tal polêmica. O terceiro capítulo foi destinado à análise musical de seis composições de sua autoria. no intuito não só de verificar de que maneira específica Laurindo Almeida teria sido responsável pelo surgimento dessa nova concepção musical que ficou posteriormente conhecida como característica da Bossa Nova. 2) a polêmica em torno do violonista e a Bossa Nova. Nos anexos estão a catalogação da obra completa e a relação dos prêmios que o violonista conquistou durante sua carreira no exterior. os procedimentos musicais que possam imprimir. mas também de tentar reconhe- cer. Para outros. Laurindo foi um precursor da Bossa Nova. foi um difusor da música brasileira no exterior. a sua “identidade musical”.

Naquela época a vila possuía cerca de oitocentos habitantes e tinha como principal atividade comercial o cultivo de cereais. em seu livro A vila de Prainha. 1 UM RELATO BIOGRÁFICO E CONTEXTUAL No litoral sul de São Paulo (1917-1929) Miracatu A história de Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto (1917-1995) começa em uma vila chamada Prainha. chegou a Prainha o pri- meiro trem de passageiros da Southern São Paulo Railway. foram para Miracatu. localizada no Vale do Ribeira a 140 quilômetros da capi- tal de São Paulo. na ocasião de sua inaugu- ração. A estação ferroviária. deu-se início à construção de uma estrada de ferro que ligava toda a região sul do litoral paulista. Visando a um maior desenvolvimento e expansão comercial. Em 1914. designados para tomar conta da estação ferroviária da cidade. O museólogo e historiador Paulo de Castro Laragnoit. Benjamim de Almeida e Placidina de Araújo Almeida. descreve o dia da inauguração da ferrovia: Num domingo de dezembro de 1914. que tinha como seu primeiro chefe um distinto filho de . hoje cidade de Miracatu. especialmente o arroz. pais de Laurindo.

O Prainhense. inteiramente adornado de palmeiras e festões. tendo sobrevivido somente cinco: Edgar. p. o mesmo acontecendo com o largo da Matriz. Romeu e Laurindo Almeida. registrou o seu nascimento: Participa-nos os senhores Benjamim de Almeida e sua distinta senhora o nascimento de mais um filhinho que na pia batismal re- ceberá o nome de Laurindo. . estava toda engalanada. seu salário não permitia grandes regalias. jornal da cidade. Segundo Laragnoit. Maria Elisa. As informações obtidas em Miracatu não são precisas em relação à quantidade. Ao pequeno. (1984. em 25 de julho de 2006.120) Benjamim e Placidina de Almeida – oriundos de famílias tradi- cionais da região de Cananeia. o único a nascer na vila. vida longa e venturosa. três anos após a inauguração da estação ferroviária. também localizada no Vale do Ribeira – tiveram muitos filhos. vendo espaços regulares tremular a Bandeira Nacional. em 2 de setembro de 1917.1 Cananeia.14 ALEXANDRE FRANCISCHINI Antiga estação ferroviária de Miracatu.2 Embora Benjamim tivesse um bom emprego como chefe da es- tação ferroviária. Benjamim de Almeida. 2 O recorte do jornal encontra-se digitalizado no item Anexos II. Geraldo. em torno de 14. o Sr. A cidade 1 Foto tirada em visita à cidade.

em 2005. tornou-se um ponto estratégico do mercado internacional. concentrando cerca de 70% do volume do mercado mundial. que confidenciou ao historiador algu- mas das informações expostas aqui neste primeiro relato do trabalho. deve-se ao museólogo e historiador Paulo de Castro Laragnoit. Laurindo Almeida morou apenas os três primeiros anos de vida em Miracatu. sobretudo o porto de Santos. e mudar-se para a cidade de Santos para trabalhar na construção do novo porto. contudo. LAURINDO ALMEIDA 15 de Miracatu não possuía escolas e seus filhos não poderiam ter bons estudos. o plantio do café estendia-se por todo o Planalto Paulista. Simpósio de violão em homenagem a Laurindo Almeida. Este fato teve grande peso em sua decisão de abandonar a ferrovia em 1920. irmão mais velho de Laurindo. a população o elegeu representante de seu povo. ocorrido na cidade de Miracatu. atingindo até algumas áreas da Baixada Santista. possibilitando manobras especulativas fabulosas: . a cidade de São Paulo. na cidade. Santos Na época em que a família Almeida mudou-se para a cidade de Santos. Grande parte do empenho em manter viva a história de Laurindo e sua família. que durante anos correspondeu-se com Edgar de Almeida. Desse modo.

Em decorrência dessa situ- ação. Consta que Laurindo. tanto no repertório erudito quanto no popular. sua versatilidade musical. Benjamim de Almeida trabalharia de 1920 a 1929. foram “secretas” porque. 1992. quando foi internado no Hospital de Isolamento de Santos. Nesse processo de expansão do porto.108) Com isso. tomadas da irmã Maria Elisa. executado por sua mãe ao piano. uma doença infecciosa que o levaria à morte em poucas semanas. e o único porto exportador. Com a morte prematura de Benjamim. Santos. naturalmente. que de comum acordo com os fazendeiros paulistas projetaram a infraestrutura ferroviária indispensável para a exporta- ção maciça da nova mercadoria. financeiro e mercantil – a cidade de São Paulo. com tifo. orientado por sua irmã. a família Almeida passou por um período de grandes dificuldades. Maria Elisa. Ainda assim. suas primeiras aulas de violão. no Largo Coração de Jesus. Placidina de Almeida. iniciou seus estudos musicais adaptando “secretamente”3 para o violão as primeiras lições de piano ministradas por sua mãe. em serestas pela cidade – fatos que poderiam explicar. o violão era um instrumento marginalizado por estar associado às manifestações artísticas das camadas mais baixas da população. compreenderam logo as vantagens operacionais de fazer toda a produção convergir para um centro articulador – técnico. havia o receio de que Laurindo viesse a se tornar um violonista profissional. próximo à Estação da Luz. basica- mente ingleses. para que as exportações do café tivessem maior rapidez e eficácia. também violonista. Foi nele que o violonista entrou em contato com o repertório de música erudita. . ao mesmo tempo em que acompanhava seu pai. capital. 3 A família de Laurindo Almeida tinha por hábito o cultivo da música. financistas e negociantes estrangeiros. p. Todos os irmãos tocavam algum instrumento. mudou-se para São Paulo. naquela época. (Sevcenko.16 ALEXANDRE FRANCISCHINI Os engenheiros. O período de aproximadamente nove anos em que viveu em San- tos foi importante no desenvolvimento musical de Laurindo Almei- da. ao menos em parte. E. fez-se necessária a ampliação e modernização das ins- talações portuárias.

Em meio aos milhares de recrutados. Nesse contexto. LAURINDO ALMEIDA 17 Na capital paulista (1930 -1936) Getúlio Vargas e a Revolução Constitucionalista Quando a família Almeida chegou à cidade de São Paulo. com exceção do novo governo eleito de Minas Gerais. na época com apenas 15 anos. o país passava por uma grande turbulência política. (apud Dourado. 1999) 4 Dado extraído do jornal O Estado de S. Embora tivesse assumido o cargo em caráter provisório. que durante três meses de intenso combate mobilizou 135 mil homens em território paulista contra as tropas de Getúlio Vargas. Edgar de Al- meida comenta o episódio da baixa de Laurindo das tropas paulistas: Ele [Laurindo] arranjou lá um negócio que deram como se fosse uma “mula”. em seus lugares. Paulo de 9 de julho de 1997. e foi por meio dela que conheceu o seu primeiro parceiro musical: o violonista Garoto. foram demitidos e. foi convocado para defender as tropas paulistas nessa revolução. uma espécie de inflamação na virilha. conhecida como política do café com leite. com total subordinação ao poder central” (Fausto. interrompendo a tradicional alternância entre os governos que representavam os grandes latifun- diários paulistas e mineiros.4 Esse acontecimento histórico também se revelaria importante na vida de Laurindo Almeida. 5 Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955). e precisava então cortar e etc! Mas na verdade não era nada disso. nomeados interventores federais. Getúlio possuía amplos poderes. Uma das primeiras medidas adotadas em sua política de governo foi o envio de interventores aos estados e o fechamento de todas as instituições legislativas do país. Getúlio Vargas (1883-1954) acabara de chegar à presidência da República por meio de um golpe. . p. desde o Con- gresso Nacional até as câmaras municipais. em 1932. no co- meço da década de 1930. “Todos os antigos gover- nadores. 1996. foi deflagrada a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Laurindo.5 Em depoimento ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”.333). era uma carga de piolhos que ninguém dava jeito.

quando serviu nas tropas paulistas. mais tarde. Os primeiros trabalhos nas rádios paulistas Como muito já foi dito anteriormente. no Rio de Janeiro. prestava serviço voluntário nos hospitais. onde formariam a Dupla do Ritmo Sincopado e o Conjunto das Cordas Quentes. sobretudo no auge da Era do Rádio. Laurindo Almeida conheceu Garoto que. na ocasião. na Revolução de 1932.18 ALEXANDRE FRANCISCHINI No período em que permaneceu hospitalizado – em decorrência da “inflamação na virilha” –. como os da Rádio Record em São Paulo e da Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro. as emissoras de rádio tive- ram um papel fundamental na difusão da música popular brasileira na . aos 15 anos. quando trabalharam ora juntos e ora separados. tocando para os soldados feridos nas frentes de batalha. Laurindo e Garoto tiveram uma atuação bastante ativa no meio musical da época. Dessa amizade resul- tou uma parceria que perduraria por todo o tempo em que Laurindo permaneceu no Brasil. *Laurindo Almeida. em vários regionais. tanto em São Paulo quanto.

o locutor César Ladeira (1910-1969). mais conhecido como Souza Filho. arranjadores e instrumentistas pôde garantir. na Rádio Record.. tornaram-se 6 Dentre estes músicos. fazendo dupla com Pinheirinho ao cavaquinho” (Cortes.. o Aymoré. LAURINDO ALMEIDA 19 primeira metade do século XX. Depois veio a Record. . Luiz Americano. ele e Inácio da Costa Souza. podemos citar nomes como Alfredo da Rocha Vianna Filho “Pixinguinha”. o Laurindo [Almeida]. O convite a Laurindo surgiu a partir de sua primeira apresentação na cidade. 1996). quando tinha apenas 17 anos: “Havia uma exposição e Laurindo se apresentou de graça.] Teve gente que saiu por aí. ao menos em parte. Nestor Amaral. 40 e 50.] É. Ladeira migrou para o Rio de Janeiro. Américo Jacomino “Canhoto”. 2004. p. Laurindo ganharia 200$000 (duzentos mil réis) por mês. O seu primeiro emprego com contrato assinado foi pela Rádio São Paulo.43) Outro fato bastante importante para a carreira musical de Laurin- do Almeida foi ter conhecido.6 Com Laurindo Almeida não foi diferen- te. e com o próprio regional da Rádio. o Zezinho. José Menezes de França “Zé Menezes” e Waltel Branco. Dilermando Reis. afirmou ter apadrinhado muitos músicos paulistas: Na Record? Ah! [. o Garotinho do Banjo [Garoto]. Armandinho. rapaz! (Picherzky. como ficou conhecido no meio musical. Lá.7 Após o término da Revolução Consti- tucionalista de 1932. fez sucesso. passou tanta gente pela minha mão. os acontecimentos da Revolução Constitucionalista de 1932. ao vivo. Em depoimento ao pesquisador Olavo Rodrigues Nunes.. Um dos or- ganizadores o convidou para participar de um programa na Rádio São Paulo. que na época tinha como líder o também violonista Armando Neves (1902-1974). nessa época. Toda uma geração de compositores. pelo rádio. Radamés Gnattali e outros menos conhecidos como Armando Neves “Armandinho”. na qual se apresentava com o grupo Ron- da Paulista. Garoto.. O Rago. e mais uma turma grande [. o seu sustento por meio de empregos nas orquestras e regionais das rádios nas décadas de 1930. 7 O locutor César Ladeira ficou conhecido por transmitir. Pelo contrato. inaugurada em 1934.

1996). Edgar de Almeida comenta: “Sem que eu soubesse. o Rio de Janeiro da primeira metade do século XX defrontava-se com perspectivas extremamente promissoras. foi trabalhar em seu re- gional. que na ocasião tinha como integrantes Pixinguinha (saxofone). com papel privilegiado na intermediação de recursos da economia cafeeira. cultural do país (1983). e lhe garantiu que tinha uma oferta de emprego no Rio de Janeiro. teve que dormir na praça até conseguir uma vaga na casa de Batista Júnior. vindo a se tornar o maior centro político. Com a inauguração da Rádio Mayrink Veiga em 1934 e da Rádio Nacional em 1936. mas derivando também para as aplicações industriais. Luiz Americano (clarineta e sax). 1996) –. Francisco Alves. consequentemente. Em entrevista ao Jornal do Brasil. econômico e. A Mayrink Veiga – na época o principal veículo de comunicação do Brasil – tinha em seu quadro de funcionários artistas como as irmãs Aurora e Carmem Miranda. Quando Laurindo Almeida chegou ao Rio de Janeiro. Com o violonista Garoto. Mario Reis e muitos outros. que . em 1996. Sílvio Caldas. Foram eles os grandes responsáveis pela contratação de Laurindo pela emissora carioca em 1936. João Luperce Miranda (bandolim). o promotor Nilton Silva. Com isso conseguiu um passe da polícia para entrar no trem” (Almeida apud Cortes. acumulando vastos recursos enraizados principalmente no comércio e nas finanças. Artur do Nascimento “Tute” (violão de sete cordas) e João Machado Guedes “João da Baiana” (percussão). Laurindo [19 anos] foi pro- curar um conhecido meu. em 1936 – “violão debaixo do braço e alguns tostões no bolso. muitos músicos paulistas para lá migraram em busca de melhores oportunidades de trabalho.20 ALEXANDRE FRANCISCHINI os diretores artísticos e locutores da Rádio Mayrink Veiga. No Rio de Janeiro (1936-1947) Rádio Mayrink Veiga Conforme aponta Nicolau Sevcenko em Literatura como missão. pai das irmãs Batista – Linda e Dircinha” (Cortes.

br. Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo. que juntamente com o regional da Rádio acompanharam muitos artistas nesse período. [http://www. correspondente ao período de 1936 a 1947 – ano em que emigrou para os Estados Unidos. e encontram-se catalogadas no item Obra Completa. que mantêm seus acervos de discos de 78 RPM disponíveis on-line pela internet. gravados pela Odeon. LAURINDO ALMEIDA 21 tinha feito na mesma época esse mesmo trajeto de migração para o Rio de Janeiro.8 Laurindo e Garoto na Rádio Mayrink Veiga.br e Fundação Joaquim Nabuco: www. Por meio do Instituto Moreira Sales e da Fundação Joaquim Nabuco. nos seguintes sites: Instituto Moreira Sales: www. Dorival Caymmi.com. pode-se ter uma ideia da produção musical de Laurindo Almeida no Brasil. como Orlando Silva.ims. Durante os 11 anos em que trabalhou na Rádio Mayrink Veiga (1936-1947). Laurindo Almeida compôs. Laurindo formou a Dupla do Ritmo Sincopado e o Conjunto das Cordas Quentes. já mencionados anteriormente.br/2007/09/ainda-te-lembras-de-mim/] 8 As consultas foram realizadas entre os meses de junho e setembro de 2006.sovacodecobra. Aracy de Almeida.com. RCA Victor e Continental Records.fundaj. arranjou e acompanhou artistas em mais de trinta discos. em 1939. .

De fato. Carmem Miranda convidou-o para o Bando da Lua no final de 1940. eram apenas conhecidos como integrantes do regional de alguma rádio ou do regional que levasse o nome de um líder.22 ALEXANDRE FRANCISCHINI Ainda por meio da Rádio Mayrink Veiga – além de Garoto e Pixin- guinha – Laurindo Almeida teve oportunidade de trabalhar com dois outros ícones da música popular brasileira: Carmem Miranda (1909- 1955) e Radamés Gnattali (1906-1988). juntamente com Custódio Mesquita. Esse fato revela. p. “Embora nunca tenha dito a Car- mem o real motivo desta recusa.47). no Rio de Janeiro. 30 anos nos Estados Unidos. porque “dificilmente eram identificados pessoalmente. Embora não tenha sido mencionado por Laurindo na entrevista citada acima. Entre as suas grava- ções da segunda metade da década de 1930 estão duas composições de Laurindo Almeida: Mulato antimetropolitano e Você nasceu pra ser grã-fina. logo após o término do contrato de Garoto. Em entrevista a Sílio Bocanera. havia no meio musical certo preconceito com os grupos que acompanhavam cantores. do qual eram integrantes. José do Patrocínio Oliveira “Zezinho” e Eugênio Martins. para substituí-los foi montado um grupo que se denomi- nou Copacabana. além do regional da Rádio Mayrink Veiga. 1999). Fui muito amigo de Carmem. foi so- mente com esse grupo que Carmem Miranda e Laurindo Almeida tiveram oportunidade de trabalhar juntos. em 2 de julho de 1977. Acredito que. ambas gravadas pela Odeon. como o Regional do Canhoto. O próprio Bando da Lua certa vez negou-se a participar como acom- panhante de Carmem Miranda em uma turnê por Buenos Aires. Laurindo comentou: “Há quem pense que eu vim pra cá [Estados Unidos] chamado pelo Stan Kenton ou pela Carmem Miranda. Porém. Laurindo nunca tocou no Bando da Lua. ao irmão Edgar. mas só trabalhamos juntos no Brasil”. no entanto Laurindo recusou o convite. . mas é sabido que Carmem nutria grande admiração musical por Laurindo. publicada em seu artigo “Laurindo Almeida. Laurindo confessou que não queria se vincular à ‘Pequena Notável’ para ser somente mais um Miranda Band” (Dourado. na verdade. diferentemente do que muitas vezes se tem falado. 2004. em 1938. em 1939. do Jornal do Brasil. do Rago [Antonio] ou do Armandinho” (Picherzky. fala de cadeira”. um tipo de pensamento comum à época: naquele tempo.

LAURINDO ALMEIDA 23 *Grupo Copacabana. *Foto de Carmem Miranda com dedicatória a Laurindo Almeida. .

Tanto Radamés quanto Laurindo. Radamés Gnattali. Então ele disse: Daquele jeito não! E pegou o violão e estraçalhou na minha frente. A transcrição encontra-se no item Anexos II. Radamés logo enveredou para a música popular. Fora as aulas tomadas da mãe e da irmã. teve uma formação musical nada sistemática. em 30 de outubro de 2006.24 ALEXANDRE FRANCISCHINI Como dito há pouco. ambas pianistas de música clássica. Laurindo Al- meida foi um músico autodidata. tocou cavaquinho tão bem quanto os outros instrumentos. compositor. ele virava realmente um compositor de sala de concer- to. Uma vez na casa dele eu disse: como é Radamés. iniciou seus estudos de violão e cavaquinho. arranjador e multi-instrumentista Radamés Gnattali. transcendendo as fronteiras muitas vezes polarizadas entre as músicas ditas “erudita” e “popular”. você também mandou brasa no violão. Apesar dessa escola erudita. ele tocava muito bem. um grande violinista. 9 Entrevista a mim concedida na Rádio Cultura. tiveram seus primeiros contatos com a música por meio de suas mães. ainda por meio da Mayrink Veiga e tam- bém da gravadora RCA Victor. Como evidentemente não podia carregar seu piano – até então o seu instrumento. Não é que ele tocava um pouco de violão. Sobre Radamés. desenvolveram uma linguagem musical híbrida. por sua vez. . oriundos de famílias musicais. instrumentos comumente usados nessa festa popular. juntamente com o violino – para os blocos de carnaval. teve uma formação musical regular e bastante sólida. A vida dele começou como músico erudito. ele primeiro foi um grande pianista. para sala de concerto. tendo se formado em piano pelo Conservatório de Porto Alegre aos 17 anos de idade. Aliás. como dizendo “foi meio daquele jeito”. Porém. afirmou o maestro Júlio Medaglia:9 O Radamés quando escrevia para instrumento solista. Laurindo pôde trabalhar ao lado do maestro. suas trajetórias em muito se assemelham. eu até fiquei envergonhado. no decorrer de suas carreiras. depois um grande violonista.

• Em 1956. Radamés dedicou a Laurindo Almeida. composta em parceria com o próprio Laurindo Almeida.10 10 A suíte foi escrita para violão elétrico. . • Em 1953. 1999.86) Em 1958. Laurindo Almeida gravou pela Capitol Records muitas obras de Radamés Gnattali: • Em 1951. pela Continental Records. Nos Estados Unidos. 2 que contém Rio Rhapsody. em 1967. e lançamento do LP pela Continental (PP12165). • Em 1953. piano. o álbum Brazilliance Vol. LAURINDO ALMEIDA 25 A produção violonística de Radamés Gnattali é composta por concertos. o Concerto n° 4 (Concerto à brasileira) para violão e orquestra de cordas. o álbum Suíte popular brasileira para violão elétrico e piano. onde Laurindo posteriormente gravou o violão. gravou Fantasia brasileira e Rapsódia brasileira. em 1950. se deu a 30 de março de 1965 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. inúmeras peças para violão solo e para música de câmara. p. concertinos. grande parte delas dedicada aos violonistas que admirava. o Concerto n° 1 (Concerto carioca) para violão elétrico. com José Menezes ao violão. o álbum Sueños/Dreams que contém a peça para violão solo denominada Saudade. foi gravada com guitarra elétrica. orquestra sinfônica e bateria de escola de samba. A gravação desse disco aconteceu em duas etapas: Radamés gravou o piano no Brasil e mandou para os Estados Unidos. Sua primeira audição. o álbum Brazilliance que contém os temas Atabaque e Tocata. dedicou a peça Dança brasileira para violão solo e. Radamés ao piano e Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal sob a regência de Henrique Morelembaum. (Oliveira. no entanto. • Em 1953.

flauta.br] A Política da Boa Vizinhança A Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos. manifestou-se de diversas formas. iniciada no governo do presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). Como dito anteriormente. . o Concerto de Copacabana (Concerto n° 3) para violão. com o objetivo 11 Concerto dedicado ao violonista José Menezes. dedicada a Laurindo Almeida.26 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Em 1957.com.11 • Em 1957. o álbum Impressões do Brasil que contém o Concertino n° 2 de Radamés para violão e piano.radamesgnattali. [www. Radamés e Laurindo em meados da década de 1940. uma delas cultural. bateria e orquestra de cordas. • Em 1960. o álbum Danzas que contém Danza brasileira.

Dentre os músicos selecionados estavam Pixinguinha. cujas obras já conhecia e admirava anteriormente. Villa-Lobos. bolsas de estudo para brasileiros. filme de Walt Disney. Des- sas foram selecionadas 16. que deram origem ao álbum intitulado Native brazilian music. um aficionado confesso pela música brasileira. lançado nos Estados Unidos pela Columbia 12 Cantor do Regional do Donga cujo nome verdadeiro era José Nascimento. João da Baiana. José Luis Rodrigues Calazans e Severino Rangel de Carvalho “Jararaca e Ratinho”. que o ajudasse nessa tarefa. . termo que segundo os autores L. p. Luiz Americano. Saroldi e S. que trataram de selecionar os músicos de maior expressão do Rio de Janeiro. C. Ary Barroso contratado para escrever música para o cinema. a criação do Zé Carioca em Alô amigos.37) Com o propósito de estreitar as relações entre os Estados Uni- dos e os demais países das Américas – por motivos políticos e não musicais – chega ao Rio de Janeiro. empenhado em executar tal tarefa. O objetivo dessa visita era recolher e gravar composições de artistas que representavam a nata da música popular brasileira da época. Para isso. os cantores Mauro César12 e Janir Martins13. recorreu aos amigos sambistas Angenor de Oliveira “Cartola”. foram gravadas aproximadamente quarenta músicas. entre os dias 7. Ernesto Joaquim Maria dos Santos “Donga” e José Ramos da Costa “Zé Espinguela”. Stokowsky solicitou ao compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959). V. LAURINDO ALMEIDA 27 de promover um pan-americanismo. Augusto Calheiros e o próprio Laurindo Almeida. 8 e 9 de agosto de 1940. A bordo do navio Uruguai. o maestro Leo- pold Stokowsky (1882-1973). juntamente com sua orquestra. 13 Cantora da Rádio Nacional. (1988. o incentivo à carreira de Carmem Miranda e o Bando da Lua em Hollywood. por volta de 1940. no livro Rádio nacional. Moreira. José Gonçalves “Zé da Zilda”. refere-se a um rótulo capaz de englobar fatos e valores os mais diversos. a All American Youth Orchestra.

1997. 2000. a maioria dos músicos morreu sem nunca ter ouvido as gravações. Além disso. “poucos músicos foram pagos por elas.18). no centenário de nascimento de Villa-Lobos.28 ALEXANDRE FRANCISCHINI Records. Disponível no link da internet: http://daniellathompson. • Em 1959. “quando o violonista Turíbio Santos. “Cartola só foi ouvi-las vinte anos depois. na casa do jornalista Lúcio Rangel. 14 Para saber mais sobre o assunto. 2000. Laurindo Almeida seria um dos divulgadores da obra de Villa-Lobos nos Estados Unidos e na Europa.com/Texts/Stoko- wski/Cacando_Stokowski. Prelude n° 4 (in E minor) e Prelude n° 2 (in E major).7 e 8. Contudo. nem para os demais músicos. conseguiu obter recursos do governo federal para editar um long-play produzido por Suetônio Valença. music for the Spanish guitar. o álbum Guitar music of Latin América. e os choros Típico e Schottish. o suficiente para comprar três maços de cigarros baratos. no início de 1942. esse episódio não representou “grande coisa” nem para Laurindo Almeida. um dos privilegiados que possuíam o disco importado” (idem.500 réis. Esse disco só foi lançado no Brasil em 1987.158). traduzido por Alexandre Dias em 2005. que contém dois estudos e dois prelúdios de Villa-Lobos: Study n° 11 (in E minor) e Study n° 5 (in C major).htm. Prelude n° 1. p. Marcelo Rodolfo e Jairo Severiano. um ano e meio depois das gravações” (Thompson. ibidem).3 e 5. com o texto do pesquisador Ary Vasconcelos” (Cabral. Dessa aproximação nasceu uma amizade e uma admiração musical mútua que perduraria por toda a vida. que contém os Study n° 1. Ainda assim.14 Embora o projeto Native brazilian music não tenha sido represen- tativo na carreira musical de Laurindo Almeida. . tudo leva a crer que serviu para aproximá-lo de Heitor Villa-Lobos. Consulta realizada em dezembro de 2006. diretor do Museu Villa-Lobos. p. ver o artigo Música Brasiliensis: Stokowsky caçado de Daniella Thompson. o álbum Villa-Lobos. Durante sua carreira gravou quatro álbuns pela Capitol Records com suas composições: • Em 1956. o próprio Cartola recebeu míseros 1.

no dia 29 de julho de 2006. de 25 de fevereiro de 1996. inicialmente chamado Fantasia concertante. para citar alguns. . Laurindo funcionou como uma ponte para Radamés Gnattali e Villa-Lobos. Laurindo teria sido também um dos corresponsáveis pelo período em que Villa-Lobos permaneceu trabalhando em trilhas sonoras para filmes de Hollywood. pode-se presumir que a gravação tenha sido feita ainda na década de 1950. nos Estados Unidos. em entrevista ao autor deste livro.15 • Em 1961. Em seu artigo intitulado O pré-bossa novista voltou. o primeiro concerto de Villa-Lobos. o álbum Conversations with the guitar. transformou-se em concerto a pedido do próprio Segovia e a este foi dedicado. 15 O concerto data de 1951. esse concerto. como seu tradutor e intérprete. Esse disco. Aliás. 16 Entrevista realizada em São Paulo. de autoria de Villa-Lobos. Desse modo. Sua estreia deu-se somente em 1956. Já morando em Los Angeles. consta na capa que se trata da primeira gravação do primeiro concerto de Villa-Lobos. que já dominava a língua por estar vivendo nos Estados Unidos desde 1947. estrelado por Audrey Hepburn. também teria servido. com quem gravou a trilha sonora do filme Green mansions. em especial. Celina Cortes afirma: O que ninguém pode negar foi o seu papel de embaixador dos músicos brasileiros nos Estados Unidos. foi agraciado com o Grammy pela melhor performance vocal e instrumental de música de câmara.16 certa vez mencionou que Laurindo Almeida havia lhe contado que Villa-Lobos não falava inglês. Entretanto. que con- tém Distribuição de flores e Modinha (Seresta nº5). na categoria de música clássica. O LP de Laurindo infelizmente não contém informações referentes à data de gravação e lança- mento. intitulado Concert for guitar and small orchestra. LAURINDO ALMEIDA 29 • Ainda na década de 1950. A transcrição encontra-se no item Anexos II. com a Houston Symphony Orchestra e Andrés Segovia ao violão. em muitas ocasiões. (1996) O violonista Ronoel Simões. publicado no Caderno B do Jornal do Brasil. E Laurindo.

em 29 de outubro de 1945. a transição para o regime democrático não representou uma ruptura com o passado. em grande parte.17 17 Segundo o historiador Boris Fausto. que colocou. o país há um processo de redemocratização. embora Dutra tenha sido um dos corresponsáveis pela deposição de Getúlio. Isto porque. a sua vitória nas eleições à presidência da república. o marechal Eurico Gaspar Dutra (1883-1974). mas uma mudança de rumos. man- tendo-se muitas continuidades.30 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Villa-Lobos e Laurindo Almeida nos Estados Unidos. que havia sido Ministro da Guerra e um dos principais colaboradores do então presidente Getúlio Vargas. Em 1945. devido ao apoio do próprio Getúlio Vargas. assim. levando. o Brasil passou por um processo de redemocratização. deu-se. 1996) . a maquina eleitoral montada pelo PSD – partido fundado sob os seus auspícios – a partir do prestígio que possuía entre a classe trabalhadora. agora empenhado em consolidar o processo de democratização do país. à sua disposição. A proibição do jogo e o fechamento dos cassinos brasileiros Com o fim do Estado Novo. saiu candidato à presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD). Fato que mostrou o repúdio da grande massa ao antigetulismo – geralmente associado ao interesse das elites. (Fausto.

atores e atrizes. verdadeiramente restaurados de linhas essenciais da moral pública do país. o marechal Dutra pôs a jogatina na ilegalidade. que assinou. da insatisfação de determinados setores da sociedade brasileira com o governo de Getúlio e o Estado Novo. no dia 30 de abril de 1946. LAURINDO ALMEIDA 31 Eleito. Laurindo afirmou: . para a classe artística esse decreto representou uma tragédia irreparável. nestas colunas. Afinal. principalmente. Dutra assinou. do dia para noite. em decorrência. que extinguia os jogos de azar em todo o território nacional. onde tantas vezes profligamos a jogatina e outras tantas vezes nos vimos privados de combatê-la. em 2 de dezembro de 1984. dona Santinha. o decreto-lei n° 9. No entanto. na Folha de S. obteve a aprovação de grande parte da população. Paulo de 8 de maio de 1991: Pressionado pela carolice de sua mulher. Não hesitamos em trazer as mais calorosas congratulações ao presidente. a 30 de abril de 1946. No dia seguinte. como se vê na coluna do jornal Diário de Notícias de primeiro de maio de 1946: É com verdadeira emoção e sem reservas nos aplausos devidos que. havia pelo menos 40 mil novos desempregados na praça. e pela matreirice de seu Ministro da Justiça. registramos o ato do governo da república determinando a pura e simples vigência do dispositivo das leis penais proibitivo da exploração dos jogos de azar. Como mostra Sérgio Augusto.215. que havia sido suspenso por um ato típico da ditadura estado- novista. Carlos Luz – de olho no eleitorado conservador de Minas Gerais –. num assomo de dignificação do poder. músicos. Em entrevista ao jornal O Estado de S. provo- cando assim o fechamento dos cassinos em todo o país. uma das primeiras do seu governo. exatos três meses após a sua posse da presidência na República. Paulo. A medida. bailarinos e bailarinas e os funcionários responsáveis pelo funcionamento dos cassinos perderam seus empregos. hoje.

com bons salários. o percussionista Russo do Pandeiro e o próprio Laurindo Almeida. 1984) Semelhantemente às rádios. Antes de separar-se da segunda mulher. talvez aqui. conhecida no meio artístico como Natália. Heleninha Costa.” (Almeida apud Cortes. 1996). no ônibus: “Laurindo começou a paquera. atirou-se do quinto andar onde moravam. 19 A vida amorosa de Laurindo Almeida é um capítulo à parte. nas orquestras dos maestros Odmar Amaral Gurgel “Gaó” e Carlos Machado. em Laranjeiras. Hoje eu agradeço. Miguelina morreu pouco depois. e até hoje não existe uma con- firmação sobre a sua morte por ingestão excessiva de barbitúricos” (idem. o músico conheceu uma bailarina portuguesa que dançava no Balneário da Urca. o Balneário da Urca (cassino em que Laurindo trabalhava)18 contava com um grupo de crooners (cantores solistas) que incluíam Emilinha Borba. visto que grande parte do público que os frequentava era oriundo das classes mais abastadas da sociedade. Virginia Lane e também uma das orquestras mais famosas da época. os cassinos jamais seriam fechados. ainda es- taria. Os dois viviam nos Estados Unidos quando Laurindo se apaixonou pela cantora lírica Deltra Eamon. Não fosse isso. Mas o destino da portuguesa não foi muito diferente. Quando descobriu. ela saltou na Rua Pereira da Silva. (Almeida. que trabalhava no Cassino havia quatro anos.32 ALEXANDRE FRANCISCHINI O Dutra disse para os músicos que. Nessa época do fechamento dos cassinos. Evarista rompeu com Laurindo. que também trabalhava no Balneário da Urca. o cantor e pianista Dick Farney. ele 17 e ela 19 anos. Quando Lígia descobriu. Laurindo também trabalhou nos Cassinos Copa- cabana. . que tinha entre seus integrantes o sax-tenor Walter Rosa. desde 1942. Foi por meio desse trabalho que Laurindo conheceu. ele foi atrás e os dois acabaram morando juntos. começou a ‘esticar asas’ para a vizinha Lígia. Dircinha Batista. desesperada. Maria Miguelina. a Brazilian Serenaders. que passou a viver com Lígia. sua terceira esposa. Conheceu sua primeira esposa. Maria Miguelina Ferreira Ribeiro (1914- 1969).19 18 Além do Balneário da Urca. que começou a namorar. se todos votassem nele. 1996). Ganhou e a primeira coisa que fez foi cortar o nosso ganha-pão. os cassinos representavam para os músicos uma forma de obtenção de renda. o violonista Fafá Lemos. “Quando ainda vivia com Evarista. Evarista. uma mulher desquitada mais velha que sua esposa. amargando mil e uma frustrações. Atlântico e Icaraí. Linda Batista. em 1944. Com ela teve seu único filho legítimo: Laurindo Almeida Jr. uma bailarina portuguesa.

O livro a que se refere não foi publicado até o presente momento. juntamente com Ubirajara Nesdan (compositor carioca). LAURINDO ALMEIDA 33 Em decorrência da perda de renda oriunda do fechamento dos cassinos brasileiros. Laurindo Almeida compôs. em 25 de julho de 2006. quem empurrou o Laurindo para os Estados Unidos foi o presidente Dutra e uma música dele que já fazia sucesso por lá pela qual recebeu direitos autorais. terceira esposa de Laurindo. 2006)20 Em 1939. uma marchinha em homenagem a 20 Entrevista concedida pelo museólogo e historiador da cidade de Miracatu. e tendo recebido uma indenização movida contra a RCA Victor por direitos autorais – sobre a qual falaremos adiante – Laurindo Almeida e Maria Miguelina emigraram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades de trabalho. Paulo de Castro Laragnoit. (Laragnoit. Johnny Peddler: o passaporte Como eu digo no meu livro. . *Maria Miguelina Ferreira Ribeiro “Natália”. A transcrição encontra-se no item Anexos II.

34 ALEXANDRE FRANCISCHINI uma colônia portuguesa no Brasil que se denominou Aldeia de roupa branca. em 16 de março de 1947. e tornou-se um sucesso das paradas musicais da época. Dentre outros. foi por meio dela que Laurindo teve seu nome divulgado pela primeira vez nos Estados Unidos. Aldeia de roupa branca popularizou-se nos Estados Unidos com o nome Johnny Peddler. Assim. que até então lhe negava os direitos sobre a autoria da música. sovaco-decobra. Empolgada com o grande sucesso que a música alcançou no Brasil. gravada no Brasil pelo grupo Os Pinguins. Les Brown’s Band e também por Jimmy Dorsey.br/2007/09/ainda-te-lembras-de-mim/) . por um processo judicial contra a gravadora RCA Victor. Essa música. sendo gravada pelos grupos The Andrew Sisters. com os cinco mil dólares que recebeu em royalties por direitos autorais da música Johnny Peddler. a RCA Victor decidiu fazer uma versão americana da música. em segundo lugar. Essa música foi impor- tante na carreira de Laurindo Almeida por dois motivos: em primeiro lugar.com. Cartão postal dedicado ao violonista Aníbal Augusto Sardinha “Garoto” (http://www. mais a venda de um pequeno apartamento e um carro. Laurindo Almeida e sua esposa Natália mudaram-se para os Estados Unidos. foi lançada pela gravadora RCA Victor naquele mesmo ano.

Estou trabalhando aqui em Curityba. ainda hontem. 10 de abril de 1935 *Grupo musical em que Laurindo se apresentava na boate carioca Night and Day. uma “cabrocha” que disse ser sua namorada falou-me muito em… seu banjo! O retrato mostra uma “viagem” que fiz em companhia do amigo “Grupo 8” à cidade maravilhosa! Sem mais. . entre o fechamento dos cassinos brasileiros e sua emigração para os Estados Unidos. terra que você tam- bém conhece! Você é o “menino falado” aqui. LAURINDO ALMEIDA 35 Amigo “Sardinha”. Laurindo. saúde e aceita um abraço do seu amigo.

separados. com suas demandas de alta tec- . em maior parte. o período do pós-guerra para os Estados Unidos foi marcado por uma grande prosperidade financeira. por sistemas de governos diferentes. provocando uma explosão no consumo de bens e serviços oriundos. sobretudo. Nessa época. A emigração para os Estados Unidos (1947-1995) Nos Estados Unidos do pós-guerra: do anonimato ao estrelato em Hollywood Laurindo Almeida chegou aos Estados Unidos dois anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1940-1945). do advento das grandes revoluções tecnológicas ocorridas já na primeira metade do século XX. Hobsbawm em seu livro A era dos extremos como Era de Ouro. sobretudo as mais ricas. recém-chegado aos Estados Unidos. em março de 1947. porém acessíveis às pessoas comuns.36 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Laurindo Almeida. Referenciado pelo historiador Eric J. dando assim origem ao período que ficou conhecido como da Guerra Fria. somente nos anos que seguiram o pós-guerra: “A guerra. os Esta- dos Unidos (capitalista) e a União Soviética (socialista) assumiam definitivamente os seus papéis de superpotências mundiais.

tais como Henry Mancini. p. LAURINDO ALMEIDA 37 nologia. ao longo dos anos. Lau- rindo fez parte do primeiro time dos grandes compositores e arranja- dores de trilhas sonoras para filmes de Hollywood. propiciando tanto aos músicos. 1995. Com o surgimento de novos meios de comunicação como a tele- visão. (1990. uma carreira de muito sucesso na indústria cinematográfica e na indústria do jazz. Morando em uma área nobre de Los Angeles. como se vê neste trecho contido em A história social do jazz. Russo do Pandeiro e Joe Carioca (músico que inspirou Walt Disney a compor a personagem Zé Carioca). especialmente aos de jazz. a base era sempre a mesma: Nestor Amaral. Dimitri Tionkim. o rádio (transistorizado) e o disco de vinil. com vista para todo o vale de San Fernando. que posteriormente se chamaria Copacabana Boys e mais tarde Samba Kings. ou em tempos de bonança.190) Laurindo Almeida. a televisão e os filmes propiciaram uma fonte de renda para os músicos de jazz que podiam tocar música pop e. nos Estados Unidos.260).000 dólares na época de sua construção. em ocasiões extremamente favoráveis. p. com um grupo também formado por brasileiros chamado Carioca Boys. até para bandas inteiras contratadas para tocar jazz ou figurando em um filme. Alex North e o próprio John Williams. em uma mansão no alto de uma colina. o rádio. a música e o cinema americano – artes que sempre estiveram correlacionadas – tornaram-se as mais bem- sucedidas indústrias de entretenimento do mundo. consequência direta dessas novas tecnologias. . Embora tenha tido formações diferentes no decorrer de sua existência. também de Hobsbawm: Financeiramente. em decorrência tanto da “sorte” quanto de um momento histórico favorável. pôde construir. Sua estreia deu-se em abril de 1947 – apenas um mês depois de sua chegada aos Estados Unidos –. que no Brasil chegou a passar fome e a dormir na rua quando migrou para o Rio de Janeiro. avaliada em mais de 350. quanto aos atores e atrizes uma ótima fonte de renda. preparou vários processos revolucionários para posterior uso civil” (Hobsbawm.

38 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Laurindo Almeida com o grupo Samba Kings atuando no filme A song is born. A atuação de Laurindo Almeida nesse filme foi somente a primeira de uma série de mais de oitocentos trabalhos realizados para os estúdios de Hollywood – Paramount. do qual participaram também os músicos Benny Goodman. Jimmy e Tommy Dorsey. . dentre outros. 1999). em 1947. escrito e dirigido pelo ator. diretor e compositor Danny Kaye. Ella Fitzgerald. em 1990. Columbia e MGM Studios. Em uma entrevista realizada em Los Angeles para uma emissora de televisão brasileira. Universal. Tocando músicas para filmes!” (apud Dourado. Foi com esse grupo que Laurindo fez seu primeiro trabalho para o cinema americano. tocando e atuando no filme A song is born. Louis Armstrong e Nat “King” Cole. Laurindo Almeida afirmou: “Por causa da pensão que eles pagam [os estúdios de Hollywood] eu recebi uma lista enorme dizendo que eu tinha trabalhado em oitocentos filmes.

Consulta realizada em dezembro de 2006.Will Travel 1962: The Twilight Zone 1963: Face of a Shadow 1962: The Gift (série TV) 1965: Runaway Girl 1963: The Fugitive (série TV) 1971: The Ice Palace 1965: The Agony and the Ecstasy 1981: Ad Lib (série TV) Entre esses. • The unforgiven.com. foi premiada com o Oscar. cuja trilha sonora. cuja trilha sonora contém um solo de violão de Laurindo Almeida.imdb. My Lady • Instrumentista 1957: Day of the Dead 1957: Wagon Train (série TV) 1956: The Ten Commandments (Alaúde) 1957: Escape from San Questin 1961: The Deadly Companions (Violão) 1958: Fogo em Maracaibo 1972: The Good Father (Bandolim) 1958: The Old Man and the Sea 1992: The Unforgiven (violão) (Em parceria com Dimitri Tiomkin) • Ator 1959: Cry Tough 1959: Johnny Ringo (série TV) 1954: A Star is Born 1959: Bonanza (série TV) 1959 : Peter Gunn 1960: Spartacus 1959 : Skin Deep (Em parceria com Alex 1959: General Electric Theater North) 1959: Beyond the Mountains 1961: Flight 1963: Have Gun . Segue abaixo um pequeno resumo da produção musical de Laurindo Almeida relacionada ao cinema americano:21 • Compositor e arranjador 1966: Cowboy 1968: The Magic Pear Tree 1947: A Song Is Born 1971: Death Takes a Holiday (série TV) 1951: Quo Vadis 1971: The Summer of ‘42 1952: Viva Zapata 1955: Naked Sea 1956: Good-bye. ver: www. filme de 1958. três foram premiados com o Oscar do cinema americano: • The old man and the sea. filme de 1992. 21 Para saber mais sobre esses filmes. composta pelo maestro Dimitri Tionkim com a colaboração de Laurindo Almeida. dirigido por Clint Eastwood. LAURINDO ALMEIDA 39 Infelizmente não foi possível o acesso a essa lista. .

ano em que chegou aos Estados Unidos.laurindoalmeida. cuja trilha sonora. Trata-se do único Oscar ganho por um brasileiro na história desse prêmio. • The magic pear tree.40 ALEXANDRE FRANCISCHINI que ao final do filme aparece orquestrado por Lennie Niehaus. Nesse caso. autor da trilha sonora. e estendeu-se até meados de 1950. em 1970. [www. músicos com os quais já havia trabalhado . compositor e arranjador da orquestra de Stan Kenton (1912-1979) foi de aproximadamente três anos. Laurindo Almeida e a atriz de Hollywood Rita Hayworth. composta e executada por Laurindo Almeida. filme de 1968. o filme ganhou o Oscar. foi premiada com o Oscar. O convite a Laurindo deu-se pela indicação dos irmãos Jimmy e Tommy Dorsey.com/] O ingresso na orquestra de Stan Kenton O período de permanência de Laurindo Almeida como instru- mentista. Teve início em 1947.

fazia frente a outras grandes big bands americanas de jazz. denominado pro- gressive jazz. p. recém-contratado. Lee Ri- tenour. Por intermédio de Stan Kenton. em 1958. Kai Winding (trombone). foi lançado pela gravadora MCA Records um disco também intitulado Guitar player. Entre as faixas estão contidas três com- posições de Laurindo Almeida: Lament in tremolo form. Como integrante dessa orquestra. B. Em 1948 foi premiado pela revista Down beat. em 1978. os mais representativos foram o Carnegie Hall. a orquestra de Stan Kenton. os quais irradiavam tanto calor como poucas vezes se viu em gravações desta orquestra” (1987. Herb Ellis e Laurindo Almeida. em uma apresen- tação na Chicago Opera House. tinha como integrantes Shelly Manne (baterista). Pete Rugolo. June Cristy (cantora) e Laurindo Almei- da. a pedido de Stan Kenton. Joe Pass. o crítico musical Joaquim Ernest Berendt descreve a atuação de Laurindo como solista dessa orquestra: “Quando integrante da banda de Stan Kenton na segunda metade dos anos 40. No ano seguinte ficou com o segundo lugar e. Barney Kessel. na ocasião. Para essa ocasião. como as de Duke Ellington e Benny Goodman. arranjador da orquestra. compôs e arranjou para violão uma música intitulada Lament. o Hollywood Bowl e o Paramount Theater. Bud Childers (trompete). Sua primeira aparição como solista ocorreu em 16 de novembro de 1947. conquistou a posição de melhor guitarrista do ano. Dentre os lugares onde se apresentou. LAURINDO ALMEIDA 41 naquele mesmo ano (1947) no filme A song is born de Danny Kaye. Laurindo viajou em turnê pelos Estados Unidos e Canadá. A partir dessa seleção. Naquela época. Eddie Safranski (contrabaixo). fortemente ligada ao movimento da West Coast. com a quarta posição dos melhores guitarristas do ano. Vido Musso (sax-tenor). Em 1976. Laurindo Almeida adquiriu fama e prestígio no cenário musical americano. já citado anteriormente. . Dentre eles estavam B. a revista Guitar player lançou uma edição comemora- tiva elegendo os guitarristas de maior expressão de todos os tempos. Em seu livro O jazz do rag ao rock.228). E. especialmente para Lau- rindo Almeida. Laurindo Almeida realizou uma série de solos. King. Feelings e Samba for Sarah.

. Para uma das faixas do disco. um ano mais tarde. os ritmos. da mú- sica erudita e da música popular brasileira – desta última.htm] Outro fato bastante representativo na carreira de Laurindo. Stan solicitou a Laurindo Almeida que fizesse uma peça para violão que unisse as linguagens do jazz. rela- cionado a esse período. jazz e samba – sobre as quais a bossa nova seria forjada anos mais tarde. foi lançado pela Capitol Records o álbum Stan Kenton the innovations orchestra (CDP-59965). A partir desse projeto.42 ALEXANDRE FRANCISCHINI Capa da revista Down beat. Nessa música pode-se verificar claramente a fusão das três vertentes musicais – música erudita. mencionado acima.org/almeida. [www.salliterri. O resultado desse pedido foi a música Amazônia. em 1950. faixa 6 do primeiro dos dois discos The innovations orchestra. de 24 de julho de 1958. ocorreu quando Stan Kenton – que em 1949 havia concebido o projeto intitulado Innovations in modern music visando promover um diálogo entre o jazz e a música de concerto – acrescentou naipes de cordas e madeiras à sua orquestra. em especial.

O seu violão reproduzia todos os valores rítmicos. como pode ser visto nesse comentário do maestro Júlio Medaglia.. LAURINDO ALMEIDA 43 Orquestra de Stan Kenton..] A carreira como compositor e violonista de música erudita Quando Laurindo Almeida emigrou para os Estados Unidos. ele é o violonista mais completo de sua geração. no Brasil já era considerado um dos melhores violonistas de música popular brasileira da primeira metade do século XX. Ele possuía toda técnica dos violonistas clássicos. contido no documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”: Laurindo Almeida é mais do que um violonista eclético. em 1948. além de ser um grande violonista de música popular brasileira. todos os maneirismos da música popular brasileira ao mesmo tempo sendo um grande violonista de jazz. [lcweb2.gov/cocoon/ihas/search?query=%2Bsu. (Dourado.loc. provavelmente do mundo inteiro. 1999) .

pela Melhor Composição Contemporânea de Música Clássica. Manuel Ponce. para Solista e Orquestra. . de 23 de novembro de 1980: “Sou um artista clássico. além de tornar-se um renomado músi- co de jazz. Paulo. Vocal e Instrumental”. Isaac Albéniz. já que desde aquela época o músico não tinha muita vez” (Rebello. Ravel. Apenas um deles está relacionado à música popular: • Em 1960. Entre esses. Já nos Estados Unidos. No item Discografia encontram-se catalogados mais de cem álbuns lançados nos Estados Unidos. Essa informação pode ser comprovada em uma entrevista a Gilson Rebello. como o jazz e a música popular brasileira. a maior parte está relacionada também à música erudita. Bach. Andrés Sego- via. Joaquín Rodrido. • Também em 1961. Alessandro Scarlatti. Solista e Duo.44 ALEXANDRE FRANCISCHINI Enquanto viveu no Brasil. Quatro dos cinco Grammy Awards que recebeu estão vinculados com essa categoria de música. • Em 1961. Além dos compositores brasileiros Heitor Villa-Lobos e Camar- go Guarnieri. com o álbum Reverie for spanish guitars. foi agraciado com o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Música Clássica. marchas. para três violões. Chopin. Tchaikovsky e Beethoven. • Ainda em 1960. quer misturada com outros meios de produção musical. Laurindo Almeida gravou obras de Agustín Barrios. Mas acabei transfor- mando-me em popular por uma questão de sobrevivência. Entre as suas composições estão choros. entre outros. publicada em seu artigo “Do jazz à mú- sica popular e erudita. a produção musical de Laurindo esteve voltada essencialmente para a música popular brasileira. valsas. pela Melhor Performance de Música Clássica. quer exclusivamente. Dos prêmios que conquistou. que toca todos os grandes mestres. com a peça Discantus. Manuel de Falla. com o álbum The spanish guitar of Laurindo Almeida. mais da metade estão relacionados à música clássica. O próprio Laurindo considerava-se um músico erudito. a trajetória de Laurindo Almeida”. baiões e sambas de vários estilos. Debussy. construiu uma carreira de muito sucesso como concertista de violão erudito. com o álbum Conversations with the guitar. do jornal O Estado de S. 1980). Gabriel Fauré. Enrique Granados. pela Melhor Performance Instrumental de Música Clássica. Francisco Tárrega.

Segundo as palavras do próprio Laurindo. sua obra de maior envergadura foi o primeiro e único The first concert for guitar and orchestra. a sua com- posição teria sido inspirada nos concertos de Vivaldi (Zanon. E. em 1965. suas gravações eram tão conhecidas em Cuba quanto as de Segovia. Deltra Ruth Eamon “Didi Almeida” – soprano lírico canadense. com quem se casou em 1971 e com quem viveu até o dia de sua morte –. Um fato bastante curioso. recebido pela composição da peça Discantus. de 1991. 2006).8 (CD n° SM2K 46298) reedição da Sonny Classical. Edições brasileiras não encontrei nenhuma. para voz. harpa e violão. relacionado à pesquisa sobre a carreira de Laurindo Almeida como músico erudito. o compositor e violonista cubano Leo Brouwer afirmou: “No auge da carreira de Laurindo Almeida. tocar violão clássico era tocar como Laurindo Almeida” (idem. flauta. Afinal. nas Américas. Aliás. intituladas Four russian peasant songs. ocorreu em uma visita ao acervo do violonista Henrique Pinto.22 Com sua quarta esposa. Durante as consultas às partitu- ras. ibidem). Laurindo teve a honra de dividi-lo com o “peso pesado” da música clássica Igor Stravinsky (1882-1971). Como compositor orquestral. Vol. Virtuoso e The twin guitars of Laurindo Almeida. lançou em 1972 três álbuns pela gravadora Orion Records: Intermezzo. este último juntamente com o compositor e pianista russo Nicolas Slonimsky. . tenha sido bastante representativo em sua carreira. Laurindo Almeida seria convidado por Stravisnky para participar da gravação de uma série de quatro canções russas de sua autoria. gravado com a Orquestra de Câmara de Los Angeles e lançado em 1980 pela Concord Jazz Records. Em uma das poucas homenagens que Laurindo recebeu após sua morte – vale ressaltar que nenhuma delas ocorreu no Brasil –. deparei com obras de Laurindo editadas e revisadas nos Estados Unidos. que na ocasião concorreu com a peça Mo- vements for piano and orchestra. 22 Essas canções podem ser ouvidas na série Igor Stravinsky Edition: The Nightin- gale – Mavra 35 songs. LAURINDO ALMEIDA 45 Acredito que o Grammy de Melhor Composição Contemporânea de Música Clássica. Itália e Rússia.

à frente de seus prêmios e LPs. em 23 de setembro de 1995.46 ALEXANDRE FRANCISCHINI Laurindo Almeida nos Estados Unidos. 1995. .23 23 Foto digitalizada do DVD Tribute to a Master. Brasil: Mablan Entertainment.214) Deltra Eamon no tributo a Laurindo Almeida. (Brasil musical. p. 1988.

2 e 3. LAURINDO ALMEIDA 47 A carreira como músico popular: os grupos musicais O primeiro grupo de música popular de Laurindo Almeida foi montado no começo dos anos 1950. logo após a dissolução da orquestra de Stan Kenton. em diferentes momentos. . intitulados Brazilliance volumes 1. que também havia sido membro da orquestra de Kenton e.gif] 24 Os discos representam um marco na fusão do jazz com ritmos brasileiros nos Estados Unidos. a antecipação em dez anos do surgimento da Bossa Nova nos Estados Unidos. No Brasil. 2 e 3. os bateristas Chuck Flores e Roy Harte e os contrabaixistas Gary Peacock e Harry Babasin. denominado Laurindo Almeida Quartet. Durante a sua existência.com/PageMill_Resources/image77. Com esse quarteto. Esse assunto será tratado nos capítulo. do ponto de vista da concepção musical.onoffon. Atribui-se a esses discos. [www. lançando pela World Pacific Records uma série de três álbuns antológicos. isso já ocorria desde a década de 1920. que representam um marco na fusão do jazz norte- americano – deste último mais especificamente a abertura de chorus de improvisação em meio aos temas – com ritmos brasileiros.24 Laurindo Almeida Quartet. teve como integrantes o sa- xofonista Bud Shank. em 1953. Laurindo apre- sentou-se durante toda a década de 1950.

Four. posteriormente substituído por Jeff Hamilton. Europa e Japão com o grupo The Modern Jazz Quartet. lançado em 1964. 25 No começo dos anos 1990. do pianista John Lewis (1920-2001). o contrabaixista Ray Brow e o baterista Shelly Manne. em meados da década de 1960. que já havia tocado com Laurindo na série de três discos Brazilliance.com/watch?v=W-9OrHd6QdM] A partir de 1970. cujas duas letras referem-se às iniciais de seu nome e também às da cidade de Los Angeles. Laurindo Almeida fez inúmeras turnês pelos Estados Unidos. antigo companheiro da orquestra de Stan Kenton. mencionados acima. Apresentação de Laurindo Almeida com o Modern Jazz Quartet.48 ALEXANDRE FRANCISCHINI Já na década de 1960. Dessa época. pela gravadora Atlantic Records. mais especificamente nos anos de 1963 e 1964. vale ouvir o álbum The Modern Jazz Quartet with Laurindo Almeida: Collaboration. [www. local de origem dos integrantes do grupo.youtube. Desse quarteto participavam também o saxofonista Bud Shank. A.25 Foi por meio desse grupo que Laurindo pôde difundir a música brasileira praticamente em todo o mundo. Laurindo Almeida fez novamente turnês com o grupo. . Laurindo montou um quarteto que se denomi- nou L.

em 1988. todos pela gravadora Concord Jazz Records. em 1976. em 1985. Shank e à direita R. Four na Austrália. pela gravadora Pro Arte. o trio conquistou grande prestígio no cenário da musica instrumental americana. lançou somente um disco. da música erudita e da música popular brasileira. denominado Guitarjam. Tanto que. em meados da década de 1980. A. A. No entanto. Manne. Ao lado esquerdo S. LAURINDO ALMEIDA 49 L. como já se pôde observar no decorrer deste capítulo.com/] Durante o período compreendido entre a década de 1970 e a primeira metade da década de 1980. Brown. [www. Aliás. um aficionado pela música bra- . intitulado Three guitars three. A segunda formação foi o duo que montou com o também violonista Charlie Byrd. abaixo B. outras três formações musicais merecem destaque na carreira de Laurindo Almeida: a primeira formação foi o trio montado com o guitarrista Larry Coryell. Uma das marcas registradas do quarteto foi a tentativa de promover uma fusão total das linguagens do jazz. Com a dissolução do quarteto. Four lançou mais de dez álbuns. Esse trio. o L. e com a violonista Sharon Isbin.laurindoalmeida. foram convidados a apresentar-se no Carnegie Hall. promover essa fusão pareceu ser o objetivo de Laurindo desde que chegou aos Estados Unidos.

50 ALEXANDRE FRANCISCHINI sileira. Laurindo foi agraciado um ano depois. mais especificamente. Com esse duo. Dentre os inúmeros álbuns que Laurindo Almeida lançou du- rante sua carreira como músico popular. fora dos Estados Unidos. Laurindo Almeida vinha ao Brasil quase anualmente. Holan- da e Alemanha. Depois da morte de D. onde se apresentaram no Leverkusener Jazz Lage. inscrever-se-á. na Suíça. Laurindo Almeida lançou quatro álbuns. em 1965. Com essa formação Laurindo tocaria durante toda a década de 1980 e a primeira metade da década de 1990. cujo título refere-se a uma composição de autoria de Radamés Gnattali contida do disco. grupo que montou com o contrabaixista Bob Magnussen e. durante a década de 1980. lançado pela Capitol Records. foi realizada em 1992. em 1973. todos pela Concord Jazz Records. Dentre essas vindas. no continente europeu. Lau- rindo retornou ao Brasil. poucas vezes. ora a trabalho. especialmente pela Bossa Nova. Quincy Jones e Miles Davis. Desses. Placidina. O retorno ao Brasil Enquanto sua mãe era viva. com o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz. lançado em 1981. mais especificadamente ao Rio de Janeiro. Por ele. ora em visita aos irmãos – Geraldo e Edgar de Almeida – e amigos. destaca-se o Guitar from Ipanema. A terceira formação foi o Laurindo Almeida Trio. en- contra-se descrito no livro Garoto. sinal dos tempos. em diferentes momentos. dos autores Irati Antônio e Regina Pereira: Quarta-feira. no livro de ouro dos momentos inesquecíveis. em 1964. 29 de abril de 1953. a música brasi- . Acredito que a última turnê desse grupo. vale ouvir o álbum Brazilian Soul. ocorrida em 1953. para sempre. os bateristas Jim Plank e Chuck Flores. tendo concorrido com músicos do calibre de Henry Mancini. Numa reunião íntima na residência do maestro e compositor Radamés Gnattali. algumas merecem ser mencionadas: Um dos episódios de uma dessas visitas.

pode ter contribuído. Fato que. o Laurindo foi convidado a fazer um concerto na sala Cecília Meireles. promovido pela TV Globo. cantores e compositores brasileiros? Contavam-se nos dedos de uma mão. Laurindo afirmou ter levado. (Albim. do ponto de vista da concepção musical. comenta: Lembro-me que. Já era madrugada. já mencionada anteriormente. o contrabaixo que tem alma. 1999) 26 Como já mencionado. a série de discos Brazilliance. Big Brother” (1996). apud Antônio & Pereira. em seu artigo “Um violão renasce”. de 26 de Julho de 1999. de Vidal. Nor- thridge.26 Dez anos depois. Músicos. [. em 1957. 1982... em visita ao Rio de Janeiro. Ricardo Cravo Albim. este assunto será tratado de forma mais aprofundada nos capítulos 2 e 3. Laurindo veio novamente ao Rio de Janeiro como convidado especial do II Festival Internacional da Canção. por Sivuca e Chiqui- nho. antes da ida do segundo para os Estados Unidos. em choros e sambas e alguns sucessos atuais do país de Gershwin. as exposições de belíssimos temas ao piano pelo próprio Radamés. durante o FIC. Purcell comenta que em uma conversa com o crítico e historiador do jazz Leonard Feather. Ronald Purcell: com o intuito de sustentar sua hipótese de que Laurindo Almeida teria sido um precursor da Bossa Nova. p. publicado no jornal O Dia. Um friozinho cortante soprava do lado do mar. (Passos C. [. para alguns de seus amigos músicos ouvirem.. E ainda sobravam dedos. em 1967. nos milagres digitais em solos de acordeão. . outra vinda ao Brasil é mencionada no artigo intitulado “Laurindo Almeida. no surgimento da Bossa Nova. do musicólogo do Departamento de Música da California State University. segundo o musicólogo. LAURINDO ALMEIDA 51 leira popular e erudita foi distinguida pelos violões mágicos de Garoto e Laurindo Almeida. Pois bem: a nata dos figurões internacionais foi ouvi-lo..] Garoto e Laurindo em duo rememoram criação de ambos. respectivamente.] Laurindo executou maravilhas ao violão.49) Quatro anos depois.

que eu já observei em outros. e aqui. 1999) Em outras duas vindas ao Brasil. na ocasião. A entrega do prêmio ficou a cargo do ator Francisco Milani que. prêmio dado em conjunto pela TV Continental e pela Revista Radiolândia (revista especializada em notícias sobre rádio e TV). (Dourado. que esse tipo de gênio tem. Laurindo fez parte do júri do Concurso Internacional de Violão Villa-Lobos. a convite de Arminda Villa-Lobos (viúva de Villa-Lobos).52 ALEXANDRE FRANCISCHINI Nessa ocasião. e a segunda ocorreu em 1987. Laurindo Almeida e Ronoel Simões no Concurso Internacional de Violão Villa-Lobos. disse: Eu afirmo categoricamente: ele não estava feliz! Tinha uma certa magoa que esse tipo de músico. em entrevista ao documentário Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. A primeira ocorreu em 1972. .27 27 Foto que pertence ao acervo particular do colecionador Ronoel Simões. sobre o episódio. o organizador do evento. de não ser reconhecido em sua pátria. Laurindo também recebeu o troféu Destaque do Mês. absolutamente desconhecido. em seu próprio país. Ele era uma expressão cultural musical do povo brasileiro. a convite do violonista Turíbio Santos. em 1987.

porém. orgulhoso em saber que era um brasileiro. Um músico na essência da palavra. publicado pela revista Cover guitarra n° 101. . Quase ninguém da plateia o conhecia. em maio de 2003. Em seu artigo intitulado “Laurindo Almeida: o guerreiro da luz”. no Free Jazz Festival. Laurindo Almeida também fez uma apre- sentação em São Paulo. *Laurindo Almeida no Free Jazz Festival. escreveu o colunista Jonas Sant’anna: Lembro-me do Free Jazz de 1987 quando pude ver sua apre- sentação.91) Essa seria sua última vinda ao Brasil tanto a trabalho quanto em visita à família e amigos no Rio de Janeiro. mas quando ele começou a tocar conseguimos entender o significado deste “sucesso” e os comentários positivos a seu respeito. emoção e energia. Laurindo Almeida faleceu nos Estados Unidos aos 77 anos de idade. Fiquei atônito e envergonhado por não conhecer seu trabalho. (2003. p. em julho de 1995. Pude ouvir um guitarrista maduro e preocupado em usar a técnica a favor da sensibilidade. em 1987. LAURINDO ALMEIDA 53 Nessa última ocasião.

pelo jornal londrino The guardians. duas semanas antes de sua morte. em decorrência do câncer diagnosticado e. pelo jornal The New York Times. sem assinatura e com o título inverídico: “Morre o violonista que acompanhava Carmem Miranda nos Estados Unidos”. Já no Brasil. músicos com os quais trabalhou em dife- . John Pisano. em Los Angeles. um tributo à sua memória. em consequência da leucemia. Northridge. Dentre os participantes. quase não lançou discos inéditos. no Valley Presbyterian Hospital. Seu corpo foi enterrado no Cemitério e Parque Missão de San Francisco. esses discos podem. Jim Plank. dois dias após sua morte. Charlie Byrd. sobretudo. lançado pela gravadora Danwell Records. saiu uma pequena nota no Jornal do Brasil. Embora tenha feito apresentações até pouco antes de morrer. Sua morte foi noticiada por inúmeros veículos de comunicação: nos Estados Unidos. Em Hollywood. que no começo dos anos 1960 chegou a lançar três álbuns por ano. sua produção musical caiu sensivelmente. composta em ho- menagem à cidade de Los Angeles. em 1992. sua última obra foi a Suite aquarelle. estavam presentes – além da viúva de Laurindo. o seu último trabalho foi executar a parte de violão da trilha sonora do filme The unforgiven. ser importantes para obter uma visão panorâmica dos vários momentos e das várias tendências que permearam sua obra musical. parte deles em forma de coletâ- nea. Na Europa. Seu último trabalho em disco foi o álbum intitulado Naked sea. foi realizado no teatro da California State University. em parceria com Danny Welton. entre outros. Bob Magnussen. Didi Almeida – Bud Shank. Laurindo Almeida faleceu em 26 de julho de 1995. em 23 de setembro de 1995. Jimmy Stewart e Chuck Flores. Dois meses após o seu falecimento. em 1993. sem dúvida. Ainda assim. Muitas gravadoras relançaram alguns de seus álbuns. Como compositor. por conta do tratamento à base de qui- mioterapia e radioterapia.54 ALEXANDRE FRANCISCHINI Os últimos anos de vida nos Estados Unidos Na primeira metade da década de 1990. Lau- rindo Almeida.

*Lápide de Laurindo localizada no Cemitério e Parque Missão de San Francisco. por Debby Forman e Carlos Tavares. em Los Angeles. produzido em 2005 pela Mablan Entertainment. S. Brahms e Frank Sinatra” (Dourado. 1999). o do Departamento de Música da Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos. A partir de 1999. partituras. . os arquivos pessoais de Laurindo Almeida pas- saram a fazer parte de um dos maiores acervos musicais do mundo. LAURINDO ALMEIDA 55 rentes momentos de sua carreira. fotografias e objetos pessoais de Laurindo podem ser vistos ao lado das obras de grandes compositores e intérpretes como J. “Discos. localizado em Washington. Esse show pode ser visto no DVD intitulado Laurindo Almeida: tribute to a master. J. Bach.

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(idem) . de 26 de julho de 1999. testemunha e tudo? O desconhecimento e silêncio que o Brasil impôs a Laurindo Almeida.. No mesmo artigo. O Lau- rindo é respeitadíssimo pela nata da música americana. músicos e personalidades brasileiras desta segunda metade de século. e aqui. afirma: Muita gente boa – ou melhor. com certidão. em seu artigo já mencionado. não tão boa assim – considera um exagero dizer que este país não tem memória. do jornal O Dia. caiu no esquecimento.. Eu mostrei há pouco o Guitar from Ipanema. Cravo Albin conta a história de um almoço com Tom Jobim em que o maestro abriu a conversa dizendo: O Brasil não gosta mesmo de quem faz sucesso lá fora. Eu digo e insisto: Não tem mesmo! Querem uma prova provada. 2 UMA LACUNA HISTORIOGRÁFICA NA MÚSICA BRASILEIRA O nacionalismo brasileiro: a crítica à influência do jazz O crítico e historiador da música popular brasileira Ricardo Cravo Albin. Um violão renasce. LP gravado em Nova York que lhe valeu o Grammy em 1964 a um jovem músico que me perguntou que Laurindo era esse. um dos maiores compositores.

a convite de Eumir Deodato e Augusto Marzagão. a chamada MPB. em 1967. sempre esteve relegada a um segundo plano. em grande parte. levanta sua hipó- tese de que.58 ALEXANDRE FRANCISCHINI O fato de que “o Brasil não gosta de quem faz sucesso lá fora”. Ao presenciar esse episódio. Foi o caso de Sérgio Mendes. Músicos. Ao abordar o assunto. por exemplo –. É bem verdade que muitos músicos brasileiros que se radicaram no exterior caíram no esquecimento. tendo como metáfora a morte do pianista brasileiro Tenório Jr. número e grau” (idem). permaneceram à margem do grande público no Brasil. com pouca projeção nos veículos de comunicação de massa. cantores e compositores brasileiros? Contavam-se nos dedos de uma mão. Rosinha de Valença. em seu livro O crime contra Tenório1. Airto Moreira. Laurindo Almeida – como também já mencionado no capítulo 1 – apresentou-se na Sala Cecília Meireles: “A nata dos figurões internacionais foi ouvi-lo. Ricardo Cravo Albin comenta que lembrou de que “a frase cortante de Tom Jobim sempre procedeu em gênero. rádio e TV. optando por exercerem suas carreiras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa – Baden Powell na Alemanha. no século XX. Dom Salvador. difuso. Após ter participado. Dentre os fatores que podem ter contribuído para que isso tenha ocorrido. o guitarrista carioca Frederico Mendonça de Oliveira. do II Festival Internacional da Canção. houve um “conluio” entre as multinacionais do disco para que o “cancionismo” fosse difundido como a mais nova música popular brasileira. produtores do festival. fato que explicaria o desconhecimento a respeito de muitos desses músicos. . há de se considerar também que o nosso país – por influência da colonização ibérica – tem por tradição o gênero canção. teatros e bares. com o fim da Bossa Nova. E ainda sobravam dedos” (idem). pela ditadura militar argentina. Daí 1 O livro trata do “aniquilamento” da música instrumental brasileira. mas no restante do mundo. Já a música instrumental. pelo disco. não só no Brasil. restrita a clubes. por sua vez. Moacir Santos. do próprio Laurindo Almeida e de muitos outros que. o próprio historiador pôde constatar.

com o nacionalismo brasileiro. de modo semelhante ao ocorrido em diversos países. ainda assim. na verdade.128) Em tudo semelhante ao ocorrido. Carlos Gomes. Afinal. Este último teve início a partir de meados do século XIX. (idem. da tradição popular e de sua transformação em “tradição nacional” (1990. Liszt. teriam que se submeter ao trabalho em boates. se ficassem no Brasil. em Modernismo e música brasileira. Hobsbawm.127). em determinado momento. Muitos com- positores – Bartók. afirma que a Europa. desde o final do século XVIII – em grande parte. com a Semana de Arte Moderna. Dinamarca.36). estabelecidos no exterior. em Nações e na- cionalismo desde 1780. Polônia.2 E assim. Kodaly. sujeitos eventualmente às dificuldades financeiras (Castro. levando a nossa música instru- mental a ser praticamente extinta e provocando. Finlândia e Espanha. 2001). Como demonstra Elizabeth Travassos. existe outra razão para que a carreira de muitos músicos brasileiros. p. simples e não corrompido. sob influência intelectual alemã –. Hobsbawm lembra que “embora esse renascimento cultural popu- lista tenha fornecido a base de muitos movimentos nacionalistas subsequentes. Daí a redescoberta do folclore. posteriormente. de 1922. Segundo o historiador. o êxodo para o exterior de muitos dos nossos instrumentistas. simbolicamente. p. o período modernista não inventou o nacionalismo musical (2000. extraíram do folclore de seus países a matéria-prima de suas composições. Contudo. inau- gurado. o nacionalismo brasileiro – em busca de autoafirmação mediante o 2 Entretanto. entre outros –. Noruega. quando compositores como Alberto Nepomuceno. assim. Alexandre Levy e Brasílio Itiberê da Cunha – de diferentes maneiras – já começavam a ter na cultura popular a fonte de inspi- ração para a composição de suas obras. Hungria. p. havia sido varrida pela paixão romântica do campesinato puro. ele foi fruto do trabalho de alguns entusiastas das classes dominantes ou das elites. seguindo uma tendência mundial. Stravinsky e Debussy. tenha um caráter “marginal”: o projeto modernista de nacionalização da música brasileira. sobretudo europeia. na verdade. como a Alema- nha. LAURINDO ALMEIDA 59 o surgimento dos festivais da canção. . Isso ocorreu. ou acompanhar cantores e cantoras da Jovem Guarda e ficar. em nenhum sentido isso implicava um movimento político do povo”.

em Literatura como missão. mais totalmente nacional.35). mesmo man- tendo a tradicional classificação hierarquizante entre erudito e popu- lar. 2000. 2) a imitação dos 3 Conforme aponta Nicolau Sevcenko. ibidem).60 ALEXANDRE FRANCISCHINI expansionismo de outros países – “deu-se através de um progressivo contato estético do folclórico com o erudito. 2000. p. Isso acontecia porque “o início do período republicano foi marcado por uma verdadeira obsessão pelo progresso e por uma modernização civilizatória cujo referencial era dado pela Europa ocidental” (Travassos. que impedia o aproveitamento de elemen- tos da cultura popular” (Freitag. 1983.24).33). “que viria a se firmar como corrente estética hegemônica até meados dos anos 1940” (Travassos.34).30). predominava entre grande parte das elites burguesas do Brasil uma tendência de pura e simples reprodução de padrões da cultura europeia. que seria praticamente isolada para o desfrute exclusivo das camadas aburguesadas. uma política rigorosa de expulsão dos grupos populares da área central da cidade. E “todo e qualquer elemento da cultura popular que pudesse macular a imagem civilizada da sociedade dominante era negado” (Sevcenko. E argumentava: “É com a observação inteligente do populário e aproveitamento dele que a música artística se desenvol- verá” (Andrade. p. defendia que a música popular brasileira é a mais completa. Foi por esse princípio que fundamentou seu projeto. p. Mário de Andrade – uma das figuras centrais do modernismo e mentor do nacionalismo brasileiro aplicado à música –. p. Com isso. .3 Já com o advento do modernismo. p. profundamente identificado com a vida parisiense (idem. a mentalidade das elites burguesas era regida por mais três princípios: a condenação dos hábitos e costumes ligados à memória tradicional. 1998). baseado em cinco pressupostos: 1) a música expressa a alma dos povos que a criam. mais forte criação da nossa raça até agora. 1985. A partir dele é que “remodelou-se a percepção negativa da particularidade brasileira” (Travassos. 2000. houve uma libertação do jugo cultural europeu. nessa épo- ca – conhecida como Belle Époque –. tendo por meta a criação de composições no âmbito da experiência erudita (Naves. a partir da diminuição dessa distância cultural. e um cosmopolitismo agressivo. 1962.30). p. um projeto de nacionalização da música brasileira.

Uma das coisas que defendo a partir daqui é que o próprio Mário de Andrade não tinha essa postura em relação à influência estrangeira. ele adverte: “A reação contra o que é estrangeiro deve ser feita espertalhonamente. e aí deve ser buscada. 5) elevada artisticamente pelo trabalho dos compositores cultos. pela deformação e adaptação dele. na medida em que os Estados Unidos firmavam-se no cenário mundial como uma . Como já pôde ser observado. em uma espécie de cruzada contra os invasores (Schwarz. Qualquer influência musical vinda do estrangeiro era vista como alienígena à nossa cultura e. Embora o livro Ensaio sobre a Música Brasileira. Já no período entre guerras. não me parece que ele seja tão radical quanto a leitura posterior que os nacionalis- tas fizeram dele. imitado do estrangeiro. p. 2001). consequentemente. para que a partir do resultado dessa subtração desabrochasse uma cultura verdadeiramente nacional. nesse mesmo livro. contenha todos esses pressupostos estéticos. Isso pode ser visto claramente quando. e não pela repulsa” (Andrade. a partir daquela perspectiva de valorização do “puro”.26). E como bem mostra Roberto Schwarz. há muito incrustados em nossa cultura. sintetizados acima por Elizabeth Travassos. o que se viu no decorrer do desenvolvimento do nacionalismo brasileiro foi uma radicalização daqueles cinco pres- supostos. forçados a uma expressão inautêntica. de Mário de Andrade – obra conhecida como o livro doutrinário do nacionalismo brasileiro aplicado à música –. LAURINDO ALMEIDA 61 modelos europeus tolhe os compositores brasileiros formados nas escolas. ibidem). o alvo da crítica nacionalista era a imitação de modelos musicais europeus. levando sua contribuição singular ao patrimônio espiritual da humanidade (idem. ou seja. No entanto. estará pronta para figurar ao lado de outras no panorama internacional. 1962. inautêntico. em Nacional por subtração. deveria ser combatida. no surgimento do projeto modernis- ta de nacionalização da música brasileira. tudo que não fosse nativo. 4) essa música nacional está em formação no ambiente popular. adotou-se como doutrina principal a eliminação de tudo que pa- recesse postiço. 3) sua emancipação será uma desalienação mediante a retomada do contato com a música verdadeiramente brasileira.

Contudo. neutralizadas as formas mercantis e industriais de cultura que lhes correspondiam. malagueñas. estaria tudo pronto para que desabrochasse a cultura nacional verdadeira. africana e portuguesa). Para o próprio Mário de Andrade – diferentemente do que . há pouco tempo elas ocupavam um lugar cativo no cotidiano de grande parte da intelectualidade brasileira. os naciona- listas parecem ter esquecido que o jazz é somente uma dentre tantas outras influências musicais chegadas a nós via colonialismo. Rechaçado o imperialismo.62 ALEXANDRE FRANCISCHINI superpotência – fazendo dos veículos de comunicação de massa um instrumento de difusão de seu american way of life –. essas influências deixaram de representar uma “ameaça”. e citam. a influência da música espanhola. essas questões perderam força e. (2001. segundo o qual o progresso resultaria de uma espécie de reconquista. que influenciaram também na formação da modinha. subtraída a crítica de cunho político-ideológico aos Estados Unidos. os nacionalistas brasileiros fizeram da política imperialista desse país – e do jazz como um símbolo desse imperialismo – o seu alvo preferido. da expulsão dos invasores. sobretudo a hispano-americana do Atlântico. p. e afastada a parte antinacional da burguesia. Como consequência. polca. ou melhor. o sentido. e como não poderiam deixar de mencionar. de certo modo. por meio de boleros. além das três referências básicas (ameríndia. mazurca e schottish).32) Após o advento da globalização. aliada do primeiro. incorporadas à nossa tradição musical. com marcada preponderância sobre a música urbana brasileira. habaneras e tangos. No mesmo texto citado há pouco Schwarz afirma: Reinava um estado de espírito combativo. e da europeia. fandangos. por meio das danças (valsa. Tanto Mário de Andrade (no já citado Ensaio sobre a música brasileira) quanto Renato de Almeida (em Compêndio de História da música brasileira) lembram que de longa data a nossa música incorpora recursos de diferentes origens. da americana. muitos artistas brasileiros foram vítimas desse nacionalismo “americanofóbico”. Hoje. Entretanto. principal- mente pelo jazz.

ao dizer “De certo os antepassados coincidem”. crítico e historiador da música popular brasileira – segundo suas próprias palavras: “a ponta de lança do nacionalismo aplicado à música popular brasileira” –. além dos elemen- tos presentes da tradição europeia. a história da ascensão social contínua de um gênero de música popular urbana. LAURINDO ALMEIDA 63 pensavam os seus seguidores –. em O jazz como espetáculo. É um maxixe legítimo. nos Estados Unidos.210) O jornalista e historiador Ruy Castro. Posteriormente. a partir de motivos ainda cultivados no fim do século XIX por negros oriundos da zona rural. p. quem comprova essa similaridade: A história do samba carioca é. E tanto mais curioso que os processos polifônicos do jazz que estão nele não prejudicam em nada o caráter da peça. infelizmente não sei de que jornal. 1988. guardo um samba macumbeiro. lembrando que Mário de Andrade. Fixado como gênero musical por compositores de camadas baixas da cidade. não parecia representar um problema: Os processos do jazz estão se infiltrando no maxixe. levanta essa questão das similaridades entre a música negra do Brasil e Estados Unidos. Em recorte.209). E argumenta: “É natural que. estaria se referindo. De certo os antepassados coincidem.25) Carlos Alberto Calado. às origens negro-americanas de ambas. lembra. assim. que é justamente José Ramos Ti- nhorão. por si só. (Tinhorão apud Ca- lado. lembra que Tom Jobim costumava dizer que só havia três . num fenômeno em tudo semelhante ao do jazz. ainda. em seu livro Música popular. p. a fusão do jazz com a nossa música popular. provenientes de origens comuns. (Andrade. o samba criado à base de instrumentos de percussão passou ao domínio da classe média. Aruê de Changô de João da Gente que é documento curioso por isso. essas manifestações musicais possam aproximar-se ou mesmo fundir-se sem chegar a perder sua identidade” (1988. 1962. p. em A onda que se ergueu no mar.

jogando todo esse resto para o século XIX (2001. Todos primos. Assim que os sobreviventes desembarcaram no Novo Mundo. que a música jazzística chegou ao Brasil. em seu artigo intitulado Apontamentos históricos sobre o jazz no Brasil: Pode-se concluir. em fins da Primeira Guerra. .117) 4 Harry Kosarin foi o introdutor. a brasileira e a cubana. passíveis de certo determinismo biológico. a rumba. Séculos de batuque no coração da África foram condensados pelos escravos nos porões dos negreiros.64 ALEXANDRE FRANCISCHINI músicas populares características do século XX: a americana. como parentes. foi feito pelo pesquisador Alberto Ikeda. Adiante: Com a temporada de Harry Kosarin Jazz-Band em São Paulo. isto na temporada realizada no Teatro Fênix. fica fora de qualquer dúvida a presença da música jazzística entre nós. no Brasil. ibidem) O relato mais antigo da presença do jazz. (idem. dizia Tom. Castro faz menção desse comentário do músico para ilustrar o fato de que todas elas têm um DNA em comum: a presença do negro misturada à tradição musical europeia. mesmo que distantes. mas que. com grande probabilidade de acerto. quase secreto. em terras brasileiras.102). por mais de duzentos anos. da bateria americana com pedal no surdo mestre. reprimido e. E. o bolero. resultou nas fabulosas formas mestiças que conhecemos como o jazz. começou o romance entre seus ritmos mágicos e a loura tradição musical europeia instalada nas colô- nias. p. provavelmente Harry Kosarin]4. Um romance envergonhado. na primeira quinzena de dezembro de 1917. “O resto é valsa”. (1984. no período que vai de agosto de 1919 até fevereiro de 1920. mais especificamente ao Rio de Janeiro – se não antes – juntamente com a Companhia Teatral da qual faziam parte as American Girls e o Baterista dos Onze Instru- mentos [segundo o pesquisador. p. o sam- ba.

quando foi em turnê a Paris. outros gêneros como o rag-time. a dança se apresenta hoje “yankeezada” em desengonçados bamboleios de plantígrados. (idem. É nesse período que se encontram as primeiras críticas à influência da música norte-americana sobre a música popular brasileira. Para Pixinguinha. foxtrote e o cake-walk já eram men- cionados em jornais e revistas anteriores a 1920. Paulo. Ikeda argumenta: Os Batutas estiveram em São Paulo justamente quando o grande acontecimento da cidade era a banda de Harry Kosarin.121). em geral. two-step. enkistados nas grandes metrópoles como Paris e Nova York. e lá elas faziam sucesso. p. one-step. A maioria dos autores entende que o músico entrou em contato com o jazz somente em 1922. inaugurou uma seção intitulada Que pensa V. com seu conjunto Os Oito Batutas. da Dança? Na edição do dia seguinte publicou-se a primeira carta: Mas completando. podia tratar-se de “um atestado de que a coisa era ‘boa. Sendo assim. LAURINDO ALMEIDA 65 No entanto. p. su- blinhados a pandeiradas e atabalhes “cowboyescos” e entrecortada de trejeitos de simiesca lubricidade. p. bela e mo- derna’”. afinal. (idem. S. nas famosas alfi- . fica difícil crer que Pixinguinha não tivesse sabido de Kosarin em tais circunstâncias. se dança por ai é apenas a cópia de uma perversão social aparecida em centros depravados. Paris era a “capital cultural da Europa e do mundo”. Ikeda destaca que antes mesmo do jazz. afinal.118) O pesquisador argumenta ainda que pode ter sido em Paris que Pixinguinha se convenceu de que a nova realidade da música instrumental eram as jazz-bands. O jornal O Estado de S. de 17 de março de 1920. O que hoje.116) Talvez seja possível afirmar que o primeiro músico a sofrer duras críticas por ter se rendido às “maléficas” influências do jazz seja Pi- xinguinha. a involução. (idem. principalmente por se tratar de São Paulo de 1919 e não da atual megalópole. Já as primeiras consequências desse contato do músico com o jazz ecoaram somente em 1928.

crítico e fundador – juntamente com Sérgio Vasconcelos – da revista Phono-Arte. Em 1936. Não nos agradou. Lamen- tos. ao comentar o lançamento de quatro discos da Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. mais duas edições da revista continham críticas a Pixinguinha. porquanto sabemos que os compo- sitores são dois dos melhores autores da música típica nacional. É por isso que julgamos este disco o pior dos quatro. Desse modo. Em novembro desse mesmo ano.). Na edição de janeiro foi para o choro Carinhoso.66 ALEXANDRE FRANCISCHINI netadas feitas por Cruz Cordeiro. Cruz Cordeiro escreveu: O quarto disco contém dois choros: um de Pixinguinha. A influência das melodias e mesmo do ritmo das músicas norte-americanas é nesses dois choros bastante evidente. o pesquisador Jorge Mello afirma que os integrantes do Conjunto Typico Brasileiro eram Laurin- do Almeida. juntamente com Garoto. . É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez. p. p. Laurindo. Garoto e Nestor Amaral não estariam presentes na ocasião (Cipriano. trocando somente a palavra choro por samba: Parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias da música de jazz. outro de Donga. Amigo do Povo. os músicos eram esses. Nestor Amaral e Zé Carioca5 – a bordo 5 Segundo depoimento do jornalista Sérgio Augusto ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”.d. cuja introdução é um verdadeiro fox-trot.122) No ano seguinte. Lauro Paiva. José do Patrocínio Oliveira “Zezinho”. que no seu decorrer apresenta combinações de pura música ianque. Na edição de fevereiro para o samba Gavião calçudo. s. ambas com basica- mente o mesmo texto. Benedicto Augusto Lapa e Oracy Camargo. foi em Paris que Lau- rindo Almeida teve o seu contato mais marcante com o jazz. (Cabral. nesse seu choro. 1997. na ocasião integrante do Conjunto Typico Brasilei- ro. Este fato nos causou sérias surpresas. (idem.123) Assim como aconteceu com Pixinguinha. sobre os quais não podemos deixar de notar que em suas músicas não se encontra um caráter perfeitamente típico. entretanto. para o pesquisador.

principalmente no que diz respeito ao violão. os músicos foram a um bar parisiense chamado Hot Club. meio passageiro” chamado Cuiabá – saíram em um cruzeiro pela Europa em missão do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Tanto que o fato virou a letra da música Disseram que eu voltei americanizada. Holanda. com harmonias jazzísticas. Consta que Laurindo ficou tão impressionado com o que ouviu que. talvez o que tenha mais sofrido com acusações de ter se americanizado seja Car- mem Miranda. dando origem ao que chamou na época de “jazz de samba”. Espanha. LAURINDO ALMEIDA 67 de um navio “meio cargueiro. a partir daí. que eu sei / Certo zunzum / Que já não tenho molho / ritmo. dos compositores Vicente Paiva e Luiz Peixoto. característicos da música popular brasileira. Como ocorrido na Bélgica. criado por Getúlio Vargas em plena época de relacionamentos com os regimes nazifascistas europeus. Enquanto aguardavam um novo embarque – já que não puderam se apresentar –. nem nada / E dos balangandãs já não existe mais nenhum // Mas pra cima de mim / pra que tanto veneno / Eu posso lá ficar americanizada / Eu que nasci com samba / e vivo no sereno / Topando a noite inteira / a velha batucada / Nas rodas de malandro / minhas preferidas / Eu digo é mesmo Eu . Dos grandes ícones da música popular brasileira. França e Alemanha. Itália. vislumbrou a possibilidade de fundir elementos rítmicos e melódicos. Esse acontecimento seria decisivo para a Bossa Nova. Foi através de Django que Laurindo tomou conhecimento das harmonias jazzísticas que vinte anos mais tarde se tornariam um dos preceitos estéticos mais característicos da linguagem musical da Bossa Nova. onde se apresentavam o guitarrista cigano Django Reinhardt e o violinista Stephane Grappelli. no qual se apresentaram em Portugal. interpretada pela própria Carmem: E disseram que eu voltei americanizada / Com o burro do di- nheiro / Que estou muito rica / Que não suporto mais / o breque do pandeiro / E fico arrepiada / ouvindo uma cuíca / Disseram que com as mãos estou preocupada / E corre por aí. na França também foram proibidos de desembarcar do navio com os instrumentos. Bélgica.

). p. compôs um quebra-cabeça continental com peças que não se encaixavam. não podia ul- trapassar certos limites. A mistura de samba com a música norte-americana. Na ocasião. people!” Esse seria o estopim para que muitos de seus críticos a acusassem de não representar o Brasil lá fora. afirma: A denúncia da americanização de Carmem Miranda mostrava que existia no Brasil de 1940 um movimento difuso que defendia a correta utilização desses novos símbolos nacionais. por exemplo. Afinal. Entretanto.d. lembra: A caricatura de Carmem/Brasil/América Latina. rejeitada por grande parte do público. a cantora parece não ter desempenhado o papel de representar a cultura brasileira como era esperado. p. mas o restante do mundo (Papini. difundi- dos sistematicamente. em 15 de julho de 1940 – logo que voltou dos Es- tados Unidos. (2004. Hermano Vianna. tampouco Carmem é baiana. mas sim a imagem da americanização pela qual passava. Ana Maria Mauad. em O mistério do samba. tanto para o Brasil quanto para outros países latino-americanos pela Política da Boa Vizinhança. Carmem Miranda abriu sua apresentação dizendo: “Good night.61) .130) O exemplo de Carmem Miranda serve bem ao propósito de ilustrar o fato de que a crítica nacionalista não era somente ao jazz como gênero musical. não só o país. s. Já existia uma autenticidade a ser preservada no campo da cultura popular brasileira. por conta disso. em A embaixatriz dos balangandãs. elaborada pelas demandas da política da boa vizinhança. Mas. sendo. sim.68 ALEXANDRE FRANCISCHINI te amo / e nunca I love you / Enquanto houver Brasil / Na hora das comidas / Eu sou do camarão / ensopadinho com chuchu! As críticas à cantora iniciaram a partir de uma apresentação no Cassino da Urca. o Brasil nunca foi Cuba e a Bahia não é o Brasil. ao bombardeamento de símbolos da cultura americana – sendo o jazz somente um deles –. da qual a própria Carmem tornou-se uma espécie de “embaixatriz” do governo bra- sileiro. (2002.

1991. do jazz. com a política desenvolvimentista iniciada com o governo de Juscelino Kubitschek. Nacionalismo em música não é bairrismo. 1989. LAURINDO ALMEIDA 69 Nota-se que esse repúdio aos padrões culturais estrangeiros não se restringia somente à música. “que se revelaria incapaz de absorver no seu quadro econômico as primeiras gerações de profissionais universitários.344) Sobre a influência da música estrangeira. como uma reação à influência da música norte-americana. Carlinhos Lyra. mesmo entre os compositores da Bossa Nova – seguramente os mais influenciados pela música americana – houve uma tentativa de resgatar a “pureza” do samba. intitulada Criti- cando. agora distante dos assuntos relacionados à estética bossa-novista “o amor. Isso ocorreu. e em parte devido a um momento de turbulência que o país atravessava no início da década de 1960.237). o sorriso. O único caminho é o nacionalismo. intitulada Influência do jazz. teve início o surgimento da música de protesto. p. a flor. no campo da política” (Tinhorão. Não alterou o conteúdo das letras. composta dentro do mesmo espírito crítico. por parte de determinados segmentos da sociedade – cientes dos reais motivos da Política da Boa Vizinhança –. o céu e o mar”. do rock e da balada sobre a música popular brasileira. No que diz respeito propriamente à música. compositor e membro fundador do Movimento Bossa Nova. p. Era apenas uma forma musicalmente nova de repetir as mesmas coisas românticas e inconsequentes que vinham sendo ditas há muito tempo. declarou: A Bossa Nova estava destinada a viver pouco. (Castro. levando-os a uma atitude de participação crítica da realidade. na qual o compositor já faz menção à influência do bolero. diante da imposição de valores americanos. Como reflexo no campo musical. e nem sempre foi encabeçado pelos nacionalistas. em parte. Lyra tem duas compo- sições que abordam esse tema: a primeira de 1957. também fazendo menção à absorção de procedimen- tos jazzísticos pela música popular brasileira: “Pobre samba meu / Foi se misturando se modernizando / E se perdeu / E o rebolado . A segunda de 1961. Foi uma reação natural.

como Peggy Lee. em 1962. de repente apresentou-se o grande violonista brasileiro Laurindo Almeida para conversar com a gente. e não uma coisa feita de um grupinho para outro grupinho.] Tinhorão. juntamente com outros músicos americanos presentes na plateia. em O Cruzeiro.. (idem. que tem muito mais a dizer. p. . que é expressão do povo. Lyra comenta: “Após o concerto do Carnegie Hall.330) Laurindo Almeida. afirmou: Chega de Bossa Nova. e foi muito generoso porque o concerto foi uma droga” (apud Dourado. Outra bossa-novista a romper com o novo estilo foi Nara Leão. alguns dos nomes mais influentes da imprensa brasileira deliciaram-se em transformar a apresentação em um fracasso histórico: Antonio Maria dava gargalhadas pelo jornal.348) Ruy Castro. o crítico José Ramos Tinhorão produziu a pior crueldade de todas: uma narrativa de palco e bastidores do Carnegie Hall. Miles Davis e Dizzy Gillespie. com sua vasta munição verbal. 1999). Após o término da apresentação Laurindo apresentou-se a Carlinhos Lyra e cumprimentou-o pela apresentação.70 ALEXANDRE FRANCISCHINI cadê? / Não tem mais / Cadê o tal gingado que mexe com a gente / Coitado do meu samba mudou de repente / Influência do jazz”. em Chega de Saudade. parecem não ter tido a mesma impressão dos críticos brasileiros. Chega de cantar para dois ou três intelec- tuais uma musiquinha de apartamento. Em entrevista ao repórter Juvenal Portela. pintou a coisa de ridí- culo e definiu-a como um “fracasso” dos músicos brasileiros na sua tentativa de parecer “esforçados imitadores da música americana”. (idem. da revista Fatos & fotos.. Quero samba puro. p. que ainda era o veículo de maior penetração [. em 1962. Sérgio Porto fazia piadas pela televisão. relata que após o show da Bossa Nova no Carnegie Hall. Em depoimento ao docu- mentário Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. para nos parabenizar.

Ruy Castro lembra que Tom Jobim. comparado com o que viria. mas. E até mesmo Sérgio Ricardo se beneficiou: sua música Zelão foi editada e começou a aparecer em todos os discos da Audio-Fidelity. Também na década de 1980. “cansado de ver suas letras ou as de seus parceiros vertidas para o inglês por americanos incompetentes – e de vê-los ficando com a parte do leão. Tom Jobim foi contratado como arranjador pela Leeds Corporation – que pagou 1. isso não impe- diu que alguns dos músicos que participaram do show conseguissem contratos para outras apresentações. sim. O conjunto de Oscar Castro Neves foi para o Empire Room do hotel Waldorf As- toria. LAURINDO ALMEIDA 71 De fato. ibidem). no entanto. Sergio Mendes mostrou que tinha categoria internacional. p.331) Esse fato agravaria ainda mais as críticas aos músicos brasileiros que começavam a ter uma carreira de projeção internacional. p.500 dólares de adiantamento pela edição de Garota de Ipanema. em termos de direitos auto- rais nos Estados Unidos – passou a fazê-las bilíngues” (2001. de Pixinguinha a Tom Jobim nota-se que a crítica nacionalista à influência do jazz sobre a música popular bra- sileira está carregada de conteúdo político-ideológico e tem um alvo certo – não sem razão – que não é propriamente a “macularização” do samba ou as tais “inovações musicais” advindas da Bossa Nova. alguns autores relatam que os equipamentos de som não estavam preparados adequadamente para a apresentação de um tipo de música camerística como a Bossa Nova. (Castro. Como observado. novamente foi acusado de vender a música ao imperialismo americano (idem. o imperialismo americano. ibidem). Entretanto. ou até mesmo para a gravação de discos pelas gravadoras americanas: Gilberto assinou por três semanas com a boate Blue Angel e para a gravação de um disco na Verve. 1989. quando Tom cedeu por seis meses Águas de Março para uma campanha mundial da Coca-Cola. seria apenas a lambida na maçã. O músico e pesquisador ca- . Tudo isso.41). Com isso – diz – “deu mais um motivo para que os espíritos de porco resmungassem que era americanizado” (idem.

antropofagicamente – como diria Oswald de Andrade – deglutir a superior tecnologia dos supradesenvolvidos e devolver-lhes novos produtos acabados. Laurindo foi um dos músicos que promoveram a tão famigerada fusão do samba com o jazz que acabou resultando em Bossa Nova. sobretudo. usando de um procedimen- to antropofágico. ironicamente. quando argumenta que eles. Mas o processo pode ser revertido. ao menos em parte. pode-se dizer que cumpriu a meta nacionalista de tornar a música brasileira uma das grandes referências em termos de música mundial. tomo como minha a análise que o poeta Augusto de Campos faz em relação à Bossa Nova. (1999. e pior: teria se vendido ao cinema de Hollywood – principal veículo de propagação e difusão do capitalismo para o restante do mundo. como um processo natural de uma forma viva de arte. Henrique Cazes. Afinal. A expansão dos movimentos internacionais se processa usual- mente dos países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos. levanta essa questão: Análises contaminadas pela mais ingênua xenofobia e embasadas em profunda ignorância musical sempre fizeram como que o processo de reciclagem das informações jazzísticas na música brasileira fosse julgado. na medida em que os países menos desenvolvidos consigam. aos músicos que a conceberam.121) Diante dessa premissa é possível presumir que essa “america- nofobia” – que por muito tempo impediu que a nossa musicologia tratasse com isenção as mudanças ocorridas no âmbito puramente musical – possa ter contribuído. reconhecido internacionalmente como nosso e que. condi- . p. Entretanto.72 ALEXANDRE FRANCISCHINI rioca. tal como propõe Oswald de Andrade. devoraram um produto estrangeiro – no caso o jazz – para transformá-lo em ou- tro. o que significa que estes o mais das vezes são receptores de uma cultura de importação. em O choro do quintal ao municipal. e não estudado. para que a carrei- ra de grande sucesso de Laurindo Almeida nos Estados Unidos tenha permanecido no quase absoluto desconhecimento no Brasil.

tanto que tem seu nome vinculado à história do jazz. do cantor e violonista João Gilberto. a bossa nova deixou como marco oficial de sua eclosão o lançamento do disco Chega de Saudade. LAURINDO ALMEIDA 73 mentados por sua própria e diferente cultura. exportáveis e exportadas para todo o mundo.220) E no caso específico de Laurindo Almeida. José Ramos Tinhorão. ou cantores e pianistas Dick Farney e Johnny Alf. com a poesia concreta e com a bossa nova. sendo consi- derado pela musicologia americana como um dos violonistas mais importantes da história desse gênero musical. 1998. A Bossa Nova foi produto da fusão de três vertentes musicais: do jazz norte-americano. a partir da redução drástica e da racionalização de técnicas estrangeiras.75). 1988. conhecido . com o futebol brasileiro. em março de 1959.230) É consenso entre os historiadores que o marco inicial da Bossa Nova deu-se com o lançamento do LP Chega de saudade pelo cantor e violonista João Gilberto. para citar alguns de seus principais precursores. por exemplo. A polêmica: precursor ou difusor da Bossa Nova? Delineada alguns anos antes na música dos violonistas Garoto e Laurindo Almeida. em sua vontade de assimilação de novos valores” (Medaglia apud Campos. p. Desde o seu surgimento. (Calado. desenvolveram novas tecnologias e criaram realizações autônomas. da música erudita (sobretudo o impressionis- mo francês) e do samba. em 1959. além de ser também uma referência internacional de músico brasileiro. 1974. p. (Campos apud Naves. da maneira mais rigorosa e dentro do mais refinado bom gosto. ela tornou-se o alvo da crítica dos musicólogos puristas. p. os elementos renovadores essenciais que a música popular brasileira urbana exigia naquele exato momento. Foi isso que aconteceu. que. é notório que ele passou de influenciado a influência de muitos músicos americanos. “Nele se concentravam.

Logo após lembram que: “Vindos da época anterior. um momento de confluência de traços. Johnny Alf. Newton Mendonça e Carlos Lyra. também devem ser inclu- ídos entre os precursores o maestro Radamés Gnattali e os músicos Garoto. ou seja. p. E mais adiante: Esse divórcio. quando um grupo de moços. p.25). p. embora . o próprio ritmo. João Gilberto. 1991. 1974. v.79). os compositores/cantores Tito Madi. que representam. o conjunto vocal Os Cariocas e Dick Farney (também pianista). mais pro- priamente. os músicos Chiquinho do Acor- deom. p. o aparecimento da bossa nova na música urbana do Rio de Janeiro marca o afastamen- to definitivo do samba de suas raízes populares” (Tinhorão. Antonio Car- los Jobim. estilos e tendências do que uma ruptura surgida na esteira de algo absolutamente novo” (Gava. p. e.1. E como afirma Júlio Medaglia: “As tentativas feitas até agora no sentido de se buscar as verdadeiras raízes do mo- vimento têm atribuído. modificando o que lhe restava de original. João Donato e Paulo Moura.230). iniciado com a fase do samba tipo bebop e abolerado de meados da década de 40. atingiria o auge em 1958. naturalmente. com papel decisivo na criação da Bossa Nova. Entretanto. a Bossa Nova foi “o resultado de elaborações estéticas que vinham ocorrendo desde as décadas anteriores. afirma: “Historicamente. são eles os precursores: os cantores Lúcio Alves. diferentemente do que faz crer o crítico e historiador. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. Luís Bonfá. entre 17 e 22 anos.241).231) Entretanto. a afirmação de que Laurindo Almei- da deve ser incluído entre os precursores da Bossa Nova. a artistas cuja atuação musical antecedia em alguns anos ao advento do novo estilo. o arranjador Lindolfo Gaya. rompeu definitivamente com a herança do samba popular. Valzinho. na maioria das vezes. Luís Cláudio. 2002. Moacir Santos.74 ALEXANDRE FRANCISCHINI opositor do novo estilo. Dolores Duran e Billy Blanco. (idem. Silvia Telles. Vinícius de Moraes. a função de precursores” (apud Campos. Laurindo Almeida e Osvaldo Gogliano ‘Vadico’” (1997. Dóris Monteiro. Agostinho dos Santos.

gerou-se uma controvérsia acerca de sua contribuição nas origens do novo estilo. a gravação de uma série de discos com o saxofonista Bud Shank. Harry Babasin. Encyclopedia of jazz in the sixties. . Mais adiante lembra: Alguns situam este disco como precursor da bossa nova. 1966. em 1957. posteriormente. p.205). teria levado os discos para seus amigos músicos ouvirem. em Brasil musical. embora Laurindo Almeida não vi- vesse mais no Brasil quando eclodiu o movimento musical. LAURINDO ALMEIDA 75 recorrente. com o jazz americano que. Ronald Pur- cell – musicólogo da California State University. para sustentar tal afirmação. e Purcell.6 Ronald Purcell – como já relatado no capítulo 1 –. O mais categórico é o bai- xista do grupo de Laurindo. Laurindo foi realmente um de seus precursores. comenta a hipótese: “Há quem aponte o berço da bossa fora do Brasil. fato que poderia ter tido alguma influência sobre os músicos pré-bossa- novistas. não é uma unanimidade entre os pesquisadores brasilei- ros. essa controvérsia parece não existir. nem uma coisa e nem outra. nas experiências de fusão do violonista Laurindo Almeida com o saxo- fonista Buddy Shank no LP Brazilliance. Para outros ainda. ela teria nascido em berço yanke. daria forma à Bossa Nova. Northridge – e Leonard Feather – crítico e historiador da música americana. Guitar Review n° 107 e 110. Fora do Brasil. autor da famosa The Biographical Encyclopedia of jazz (edição 1950. foi precursora na fusão dos elementos rítmicos. Laurindo Almeida: Big Brother. pelos motivos que serão expostos no decorrer deste capítulo. de 1952” (1988. Para alguns autores. em 1953/54. Para outros. Desta forma. sua maior contribuição – não obstante a sua importância nas origens da Bossa Nova – estaria na difusão da música popular brasileira no exterior. 60 e 70) – são enfáticos ao afirmar que. que afirma ter preferido 6 Ver: Feather. reeditados no final dos anos cinquenta com o nome Brazilliance. argumenta que Laurindo Almeida teria dito a Leonard Feather que em uma visita ao Rio de Janeiro. Nova York. O musicólogo Tarik de Souza. característicos da música popular brasileira. tanto que.

em um tópico intitulado “Os pais da bossa nova” de seu livro Música popular. feita nos Estados Unidos. ter trazido ao Brasil 25 exemplares do 7 De fato. crítico de jazz da revista Down Beat. (1966. a partir de 23 de dezembro de 1980. Segundo o historiador. . (idem. afirma: Filha de aventuras secretas de apartamentos com a música norte- americana – que é. todos “americanizados. Tom Jobim. Desses oito. a sua mãe – a bossa nova. no que se refere à paternidade. p. o bairro em que nasceu: não sabe quem é o pai.214) Souza. Baden Powell. Laurindo Almeida.26). João Gilberto. cita alguns candidatos à paternidade da Bossa Nova: Johnny Alf. Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra – segundo suas próprias palavras. ibidem). teriam dado a partida à bossa cabocla” (idem.25) Posteriormente. menciona – imparcialmente – uma suposta afirmação. Laurindo Almeida tornou-se cidadão norte-americano. Tinhorão. é considerado mais norte-americano do que brasileiro”7 (idem. Entretanto. Tinhorão afirma que o ver- dadeiro pai – pelos motivos que expõe no livro – poderia ser encon- trado entre os três músicos: Johnny Alf. de que as bases musicais da Bossa Nova já estavam lançadas desde 1953. comentando a frase de Babasin – ainda que aparente- mente descrente –. dá indícios de que esses discos podem mesmo ter circulado por aqui: “Ele acredita na lenda de que as 25 cópias de Brazilliance. Vinícius de Moraes.76 ALEXANDRE FRANCISCHINI combinar o jazz ao baião mais leve e gingante. vive até hoje o mesmo drama de tantas crianças de Copacabana. p. pelo próprio Laurindo Almeida. Laurindo – para defender sua primazia – também afirmou a John Tynan. conforme averbação contida em sua certidão de nascimento. emigradas com um Laurindo saudoso da família. Tom Jobim e João Gilberto.” Sobre Laurindo comenta: “Hoje. usando um tambor de conga com escova. A certidão encontra-se digitalizada no item Anexos II. na série de discos Brazilliance. inegavelmente. p.

de Antonio Carlos Jobim. (Dourado. afirma: É impossível se falar de Bossa Nova sem falar de Garoto. p.. O bossa-novista Oscar Castro Neves.16). afirma: Em 1953. também em depoi- mento ao mesmo documentário. o Laurindo Almeida foi realmente o grande precursor dessa história. 1966. LAURINDO ALMEIDA 77 disco que ficaram circulando pelo Rio de Janeiro e São Paulo por volta da mesma época que explodia a novidade do Hino ao sol – abertura da Sinfonia do Rio de Janeiro –. p. de ritmos brasileiros. E se considerarmos a Bossa Nova uma fusão. Foi a pri- meira vez. Em depoimento ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”. sobretudo em relação ao uso de acordes provenientes do jazz. em depoimento ao mesmo documentário. no caso o samba. com elementos jazzísticos. entendem que Laurindo Almeida foi – entre tantos – um precursor do novo estilo. mesmo não mencionando a série de discos Brazilliance. argumenta que a Bossa Nova – diferentemente do que a maioria dos estudiosos faz crer – não é um . ibidem) O jornalista e crítico musical João Máximo. também no Brasil.] não só porque o Lau- rindo era um guitarrista de impecável técnica. Para o musicólogo Brasil Rocha Brito. 1999) Outros. que se improvisou jazzisticamente sobre ritmos brasileiros.. (idem.28). na concepção musical que iria fir- mar-se três anos depois: a Bossa Nova” (apud Tinhorão. mas também porque era um guitarrista moderno. de Laurindo Almeida [. o produtor musical Arnaldo de Souteiro – que segundo Ruy Castro “parece saber tudo da carreira internacional da Bossa Nova” (1990. “trata-se da primeira composição já integrada. já com acordes de jazz. realmente. caracterizando-se pelo uso da improvisação. basicamen- te. – é um dos que acredita na importância desses discos. vivendo dentro do jazz. de Radamés Gnattali. Laurindo e seu quarteto gravaram dois discos que são marcos nessa colaboração de jazz com música brasileira. Verdade ou não. mesmo por antecipação.

porém. Afinal. quando entrevistado a respeito de Lau- rindo por Celina Cortes do Jornal do Brasil. Então. (idem. Desse modo. para um ouvido estran- . em 25 de fevereiro de 1996. mas não a ele. Então quando ouviram a Bossa Nova. comentei a manchete de um jornal suíço. afirma: Laurindo Almeida já estava morando nos Estados Unidos há muito tempo. já mencionada anteriormente. foi um excelente instrumentista de Bossa Nova. e a respeito da polêmica em torno do violonista: Gerou-se uma polêmica porque externamente é possível dizer que ele é o “pai da Bossa Nova”. as pessoas não conheciam os músicos brasileiros e conheciam o Laurindo Almeida – que repre- sentava toda essa rítmica brasileira sofisticada em nível de música de câmara. Ele não é o pai! Ele foi importante. e perguntei-lhe qual a sua opinião. Em entrevista concedida pelo maestro. não foi ele. acharam que era ele que tinha introduzido isso no Brasil. conhecia toda música de câmara brasileira através do violão. Então. principalmente se ele visse e ouvisse a Bossa Nova do ponto de vista da harmonia e não do ritmo. torna-se difícil dizer quem é o “pai da ideia”. para Máximo. quer dizer: ele tinha uma grande intimidade com essas harmonias. já existiam inúmeros músicos aqui que montaram este colchão onde a Bossa Nova foi implantada. para outros entendedores do assunto. com o Modern Jazz Quartet. Ela não nasceu de um grupo de músicos que teria se reunido para estabelecer uma nova forma de música popular brasi- leira. ibidem) O violonista Turíbio Santos. já tinha tocado com Bud Shank. o Schweizer Illustrierte Zeituna.78 ALEXANDRE FRANCISCHINI movimento musical. ela teve um surgimento espontâneo. Entretanto. também afirmou: “Ele preparou o clima para as harmonias” (1996). que eram estranhas ao samba. como o maestro Júlio Medaglia. Não obstante a sua importância nas origens da Bossa Nova. a maior contribuição de Laurindo Almeida estaria na difusão da mú- sica brasileira no exterior. é natural que ele se intitulasse um dos precursores. a respeito dessa manchete. que atribuía a Laurindo a figura de “pai da Bossa Nova”. tinha intimidade com o jazz.

Mas ele não é o pai. não só como uma das figuras mais importantes da Bossa Nova como também do jazz: É porque ele viveu todo auge de sua carreira nos Estados Unidos. Aquele pessoal da west-coast norte-americana tinha todas as características da raiz do jazz tradicional. E lá que ele foi se encontrar. onde ele tocou com os melhores músicos. 1997. Também perguntei a que fatores ele atribuía um maior reconhe- cimento de Laurindo Almeida por parte da musicologia americana do que pela brasileira.241) . Di- lermando Reis e tantos outros. Mesmo quando ele usava componentes rítmi- cos brasileiros e latino-americanos a coisa ganhava uma dimensão internacional.8 E pelos motivos óbvios. Para Ruy Castro – uma das poucas vozes divergentes –. isso sim é possível dizer. com iniciantes que em breve estarão participando do movimento Bossa Nova. Laurin- do Almeida não foi nem precursor nem difusor da Bossa Nova nos Estados Unidos. mas tinha também toda sofisticação técnica de músicos que estudaram em academia. p. se organizar. ele é um dos pais. Em sua obra Chega de Saudade – livro dedicado. (Severiano & Mello. já mencionados pelos musicólogos norte-americanos: Laurindo já estava morando 8 O período 1946-1957 funciona como uma espécie de ponte entre a tradição e a modernidade em nossa música popular. em parte. isto significa: os melhores músicos do mundo. em final de carreira. por isso ele ficou lá e passou a ser mais conhecido como músico de jazz do que como músico brasileiro. e aí passou a ser um músico do mundo. mas tanto quanto os outros violonistas. LAURINDO ALMEIDA 79 geiro pode parecer que foi ele que introduziu isso na música popular brasileira. A partir de lá que ele passou suas informações musicais para o mundo inteiro. Nele convivem veteranos da época de Ouro (1929-1945). Mas ele era tão bom quanto qualquer músico brasileiro de seu tempo. músicos que vinham de uma formação técnica maior. Castro não o menciona em nenhum momento como um dos protagonistas desse período. como o Garoto. ao período que antecede a sua eclosão no final dos anos 1950 –.

Entretanto. Hélio Jordão Pereira (Helinho). lembra: Quando eu estava nos Estados Unidos e soube que o Laurindo estava tocando com Stan Kenton. mas os garotos tinham especiais xodós pelo baterista Shelly Mane. p. ob- viamente. principalmente Pete Rugolo. não participou das reuniões nos “famosos” apartamentos de Copacabana. Ao final do show. com destaque entre os solistas. comenta um acontecimento bastante interessante: Barney Kessel – um dos guitarristas mais importantes da história do jazz e . em seu livro O choro do quintal ao municipal. nessa época. os saxofonistas Bill Holman e Lee Ko- nitz. eu que era louco pela música ame- ricana naquela época fui assistir a um show no Paramount Theater.48) O próprio autor relata que. especial- mente o de Nara Leão. os trombonistas Frank Russolo e Bill Russo e. Sendo assim. mesmo não fazendo parte do grupo que deu origem ao movimento. vendo um brasileiro ali – coisa que nunca tinha acontecido antes – no meio daqueles músicos famosos. não fez parte do meio musical carioca dos anos 1950 e. 1999) Henrique Cazes. fica difícil crer que. Ruy Castro lembra que a orquestra de Stan Kenton – que tinha Laurindo Almeida como guitarrista – foi uma das prin- cipais influências dos músicos pré-bossa-novistas: Todos os seus integrantes eram venerados. portanto. também. a exemplo do Sinatra- Farney Fan Club. tive o desejo de falar com Laurindo e me emocionei. (apud Dourado. E. Lógico. no qual o movimento musical foi germinado. fundou-se o Kenton Progressive Fan Club. Laurindo Almeida não tenha exercido alguma influência – ainda que indireta e circunscrita ao violão – sobre os músicos da pré-Bossa Nova. (1990. os trompetistas Shorty Rogers e Maynard Ferguson. violonista do Bando da Lua.80 ALEXANDRE FRANCISCHINI nos Estados Unidos desde 1947. consequentemente. era de conhecimento dos músicos brasileiros que Laurindo era o guitarrista da orquestra.

Miúcha. o rag-time a Scott Joplin. argumenta que “seria mais justo dizer que foram eles que sintetizaram a contribuição de muitos que vieram antes deles” (2001. Ao voltar para o apartamento da cantora em companhia dos outros músicos. nos Estados Unidos. os elementos dessa síntese. em Copacabana. para surpresa geral – improvisando um amplificador ligando sua guitarra a um gravador cassete –. Laurindo e companhia” (Cazes. Cazes conta que Kessel gostou tanto da apresentação que decidiu voltar ao hotel onde estava hos- pedado. promovida por João. com seu amigo Laurindo Almeida. teria lhes mostrado uma série de choros que aprendeu. desde 1928” (idem. o boogie-woogie a “Pine Top” Smith. não se opõe à tese da existência de 9 Cazes afirma que muitos bossa-novistas apontam o disco de Julie London e Barney Kessel. para pegar seu instrumento. ibidem). como a valsa a Johann Strauss II.121). Ruy Castro. é possível que ela tenha sido influenciada pelo choro moderno de Garoto. o guitarrista americano. procurou a cantora Miúcha. como algo que teria influenciado decisivamente no aparecimento da Bossa Nova. afirma que por mais que se vincule a origem de alguns ritmos a certos nomes. intitulado Julie is her name. foram “praticamente tudo que se criara em música popular brasileira nos trinta anos anteriores. que conhecera no México alguns anos antes. p. no subúrbio da Penha. eles não foram seus únicos criadores. quando es- teve no Rio de Janeiro. Entretanto. Assim. portanto. lembrando que o mesmo se deu quanto à batida da Bossa Nova. O pesquisador conta essa história para argumentar: “Como se pode ver. em 1958 – com a diferença que nesse caso há registros oficiais. criada por João Gilberto. LAURINDO ALMEIDA 81 influência direta dos músicos bossa-novistas9 – certa vez. p. em fins da década de 1970. nesse caso. juntamente com outros músicos. ou seja. antes da guitarra de Barney Kessel influenciar a Bossa Nova. 1999. . o levaram para o Sovaco de Cobra – provavelmente uma boate –. falando da gênese do novo estilo. e manifestou seu desejo de ouvir música brasileira. desistiu da ideia porque a boate não possuía amplificador para sua guitarra.266). Em seu livro A onda que se ergueu no mar. O his- toriador afirma ainda que.

a aceitação da música brasileira nos Estados Unidos deu-se em etapas: Antes mesmo do sucesso definitivo. Embora seja difícil afirmar que realmente tratou-se de uma “vitória da música brasileira”. apenas dois anos depois de sua partida: “Laurindo Almeida tornar-se-ia um “nome”. e não retornado ao Brasil em 1948. ibidem). Segundo Castro.268). p. fazendo uma lista de inúmeros cantores. Laurindo foi “o único músico brasileiro daquela época a firmar-se nos Estados Unidos” (idem. Como bem lembra Júlio Medaglia. e sim um processo (idem. mas também tocando música brasileira. Tendo viajado para lá em intercâmbio cultural. É nesse sentido que afirma que a carreira de Laurindo Almeida foi uma vitória pessoal. nas poucas vezes que tocou no assunto.110). como já mencionado desde o capítulo 1.82 ALEXANDRE FRANCISCHINI precursores. o . em seu artigo Balanço da Bossa Nova. já excursionava por todo o país o Trio Tamba. tocando os mais variados tipos de música. a afirmação de que não se tra- tou de uma vitória da música brasileira é questionável. mas não por tocar música brasileira – consagrou-se em 1948 na orquestra de Stan Kenton e depois apareceu em vários filmes tocando swings e flamencos” (idem. O melhor seria dizer que se tratou das duas coisas. letristas. afirmar o contrário parece mais difícil ainda. Castro faz essa afirmação para ressaltar que somente após o advento da Bossa Nova é que a música popular brasileira tornou-se produto de exportação para os Estados Unidos e resto do mundo. qualquer músico que aspirasse uma carreira em solos americanos – por exemplo – teria poucas chances de estabelecer-se. Entretanto. compositores. p. Antes dela. É certo que Laurindo. Com relação a Laurindo Almeida – não citado na lista – Ruy Castro afirma que sua carreira de sucesso nos Estados Unidos foi uma vitória pessoal e não da música brasileira – assim como seria a de Dick Farney se tivesse persistido em Nova York. adquiriu fama e prestígio por meio da orquestra de Stan Kenton e também do cinema americano. afirmou que não existiu um “começo”. como bem salienta o autor. visto que. o próprio João Gilberto. instrumentistas e arranjadores sem os quais não haveria João Gilberto.

1974. não só no âmbito popular. violonista brasileiro de há muito radicado nos Estados Unidos e que tem seu nome registrado na história do jazz americano. antes mesmo da Bossa Nova no Carnegie Hall. foi um dos primeiros músicos a mostrar no exte- rior. 2001. Além da série de discos Brazilliance – o primeiro gravado em 1953. apresentações esporádicas com grande sucesso. bananeiras. Laurindo já havia sido premiado três vezes pela revista Down beat. que evocasse praias. p. muitos artistas que foram para os Estados Unidos em intercâmbio cultural – fruto da Política da Boa Vizinhança – conse- guiram alguma notoriedade em decorrência de uma “caricaturaliza- ção” de nossa música popular. no final dos anos 1950 e começo dos anos 1960. uma música brasileira de qualidade que já vinha sendo produzida no Brasil na primeira metade do século XX. LAURINDO ALMEIDA 83 conjunto fez um sucesso tão grande que se multiplicaram os convites para apresentações em lugares de grande importância [. como visto acima. mas um “clima”. considerado um marco na fusão de jazz e samba –. sacos de café e rapazes de camisa lis- trada e chapéu de palhinha. p. com grande sucesso.. Também já havia sido agraciado com quatro dos cinco Grammys de sua carreira – um deles em conjunto .. Inquietação e Terra seca de Ary Barroso e Blue baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. para combinar com os colares e turbantes de Carmem Miranda. todos bem re- cebidos pela crítica. vale lembrar que Laurindo Almeida não foi para lá em intercâmbio cultural. um espírito folclórico. O que os americanos estavam comprando não era bem a música. também fazia. mas também no erudito. com Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro.101) De fato.108) No entanto. Isso pode ser facilmente observado em sua vasta discografia. coqueiros. segundo consta. (Castro. e nem fez uso de recursos musicais exóti- cos. com artistas locais. São poucos os discos que não contêm músicas brasileiras e.] Laurindo Almeida. Atabaque e Tocata de Radamés Gnattali. (Medaglia apud Campos. “tropical”. Por um lado.

ainda que em diferentes graus de representatividade. presume-se a existência de dois motivos prováveis para o seu surgimento. o inclui como um dos precursores da Bossa Nova. e ela – a Bossa Nova – uma “Maria Ninguém”. em certa medida. os personagens desta história de amor pelo jazz eram tão obscuros e ignorados que se pode dizer que o pai da novidade seria um “João de Nada”.84 ALEXANDRE FRANCISCHINI com Stravinsky –. o pagamento de royalties pode e deve ser um bom motivo para o surgimento de tantos candidatos predispostos à paternidade da Bossa Nova. levanta uma questão curiosa: Até pouco tempo. De volta à polêmica. de uma hora para outra. por exemplo. empenhados na criação de uma nova concepção musical. não fez parte do grupo de músicos que. acenando-lhe com uma herança fabulosa de dólares – em direitos autorais. se a maioria dos autores citados. sendo essa a música brasileira de maior difusão no exterior? Por outro lado – ainda que não seja unânime –. deram origem ao Movimento Bossa Nova – ainda que também haja controvérsia sobre a existência de um . a despeito de toda “americanofo- bia”. (1996. De fato. o argumento de que sua carreira nos Estados Unidos foi somente uma vitória pessoal. convém abrir um parêntese: José Ramos Tinhorão. americanos e brasileiros. por que então gerou-se essa polêmica? Antes de adentrar a esse assunto propriamente. e não da música brasileira. O primeiro já foi devidamente exposto: Laurindo Almeida não vivia no Brasil desde 1947. portanto. Acontece que. Quais seriam então os motivos que levariam Laurindo a ser considerado “o precursor” da Bossa Nova pela musicologia americana.25) É bem verdade que ninguém se preocupa com a paternidade do samba-canção – um estilo de samba que também já é híbrido –. Fatos que fragilizam. todos por álbuns que continham música erudita brasileira. a mãe norte-americana da jovem bossa meio-sangue resolveu reconhecê-la publicamente como filha. p.

separando-a em três níveis: o estudo de sua posição estética. Santuza Cambraia Naves. os parâmetros musicais atribuídos a Laurindo Almeida na concepção do novo estilo –. mostrado há pouco. como prefere Walter Garcia (1999. não conhecia os músicos brasileiros. LAURINDO ALMEIDA 85 “movimento musical” que deu origem à Bossa Nova10 – e. Entretanto. assim. do mesmo modo que não se restringem a uma batida de violão. . Foi obra de um autor individual: João Gilberto que. deu forma à Bossa Nova pela sua obsessiva busca por um ritmo e uma harmonia inteiramente novos. em seu artigo Bossa Nova. 11 O musicólogo Brasil Rocha Brito. em parte. afirma que a Bossa Nova não constitui um movimento musical. não poderiam ter atribuído a Laurindo Almeida um papel maior do que ele realmente teve na gênese do novo estilo – como parecem 10 Além do argumento de João Máximo. ao afirmar que na época em que ela começou a ser difundida no exterior. p. sabendo dessas coisas. em função da va- lorização das tensões harmônicas sobre os acordes. Não resultou de um projeto compartilhado por vários músicos. no Brasil. mas conhecia Laurindo Almeida. Portanto. pu- blicado na coletânea O balanço da bossa e outras bossas. faz uma análise da concepção musical da Bossa Nova. à maneira de um demiurgo. onde era representante dessa escola rítmica brasileira. não poderia ser um de seus precursores. e mesmo para os musicólogos americanos. é possível presumir que os pesquisadores brasileiros. sofisticada em nível de música de câmara. que já morava nos Estados Unidos de longa data. em geral. em O violão azul.20) – que.11 Assim. o grande público. ou à “redução da batucada do samba”. deu-se. qualquer música com rit- mos brasileiros misturada às harmonias jazzísticas poderia parecer Bossa Nova. diga-se de passagem. O segundo motivo forneceu-nos o maestro Júlio Medaglia. para esse grande público. segundo ela. o estudo dos característicos da estruturação e o estudo das características da interpretação. não habituados ainda às nuances rítmicas de nosso país. de Augusto de Campos. não é novidade para os estudiosos do mo- vimento que as “inovações musicais” oriundas do advento da Bossa Nova não se restringem somente aos parâmetros harmônicos ou do uso da improvisação sobre ritmos brasileiros – no caso.

nesse caso. Daí a origem de tal polêmica. o que será analisado é o arranjo para violão de Laurindo Almeida. Laur13 e Crepúsculo em Copacabana. nunca procurou para si esse tipo reconhecimento. de João Gilberto. lançadas entre os anos de 1939 a 1959. embora tenha deixado bem claro que sabia o valor de sua contribuição. 13 A composição Laura é de autoria de David Raksin. porque é só ver a música que eu fazia já no início da década de 50. sobretudo em relação à harmonia. Portanto. foi possível verificar se. compositor de trilhas sonoras para filmes de Hollywood. Com isso. de fato. Com o propósito de obter uma visão mais objetiva a respeito da polêmica criada em torno de Laurindo e a Bossa Nova e atendendo a sua própria sugestão. mesmo sabendo de sua importância. Já o próprio Laurindo – que. teve a sua carreira como músico erudito ofuscada –. em 1959 – considerado o marco inicial da Bossa Nova. 1980). elas já preconizam elementos da concepção musical característica da Bossa Nova. o próximo capítulo foi destinado à análise musical de seis composições de sua autoria. Amazônia.12 São elas: Você nasceu pra ser grã-fina. Vejamos a opinião do próprio protagonista da história: “Acho – diz – que tal afirmação deve partir dos críticos.86 ALEXANDRE FRANCISCHINI querer fazer os americanos –. preferindo não ser chamado de precursor da Bossa Nova. . 12 As seis músicas selecionadas foram escolhidas em razão de terem sido lançadas em um período de vinte anos que antecede o lançamento do LP Chega de sau- dade. pois existem vários discos gravados” (Rebello. Brazilliance. em consequência dela. Dissimulada.

uma gravação jazzística de uma per- formance improvisada é algo passado. em muitos momentos a única versão de algo que nunca pretendeu ser definitivo [. 3 SEIS OBRAS REFERENCIAIS – ANÁLISE MUSICAL Diretrizes metodológicas Apesar das limitações da notação musical. uma partitura de Beethoven ou Schoenberg é um documento definitivo. sobretudo a urbana – que difere da música popular étnica e folclórica.2) Há muito se discute a viabilidade do uso de ferramentas analíticas oriundas da música erudita para a análise da música popular. um mapa a partir do qual várias interpretações ligeiramente diferentes podem ser derivadas. p. a música erudita carrega o seu teor – em maior parte – na notação musical. em linhas gerais. Por outro lado. em muitos casos.. 2001. Isso porque. e sabe- se que.] O historiador de jazz é forçado a avaliar a única coisa disponível para ele: a grava- ção. (Schuller apud Tiné. elas realmente se tornam inadequadas. e por isso dispõe de ferramentas para análise musical com o objetivo de descrever e interpretar os sons por meio da partitura. Já a música popular.. perpetuada por meio da oralidade –. teve o seu processo de transmissão e difusão .

Especificadamente para a análise harmônica. como é comumente feita pelos músicos populares para fins de improvisação. convém fazer uma ressalva: nas duas primeiras músicas analisadas. também de Schoenberg. . A segunda. Para os demais parâ- metros musicais utilizou-se o Fundamentos da composição musical. Entretanto. Desse modo. neste livro. que propõe um sistema de análise harmônica – baseado na harmonia funcional – no qual as relações de combinação entre os acordes são normatizadas independentemente das questões de condução de vozes. de Sérgio Paulo Ribeiro de Freitas. e incapaz de satisfazer aos mais puristas das duas partes. e ambas apresentam diferenças significativas em relação à gravação – sobretudo a partitura de Dissimulada –. portanto carrega o seu teor – em maior parte – na gravação musical. Das estruturas musicais Antes de seguir. foi feito uso de dois tipos de ferramentas analíticas. de Arnold Schoenberg. na medida do possível. ainda que sejam distintos os procedimentos que envolvem a análise de ambas as músicas. já que esses dois fenômenos. como o próprio autor salienta. são indissociáveis – a análise de cifras. Esse fato torna possível – para fins expositivos. as partituras usadas como referencial para a análise são reduções para piano. A primeira foram os livros Harmonia e Funções estruturais da harmonia. dentre elas a própria tonalidade. visto que a classificação de algumas das peças selecionadas para análise musical (como Amazônia e Crepúsculo em Copacabana) entre música “popular” ou “erudita” é um tanto ambígua.88 ALEXANDRE FRANCISCHINI principalmente pelos meios mecânicos de reprodução sonora surgi- dos no final do século XIX. só foram destacados os procedimentos musicais que são comuns tanto à partitura quanto à gravação. o livro Teoria da harmonia na música popular. houve a intenção de aproximá- los e torná-los complementares. Você nasceu pra ser grã-fina e Dissimulada.

é uma mera repetição da introdução. em meio às partes. assim. com a seguinte relação tonal entre elas: seção A em ré menor e seção B na subdominante sol menor. preparando. tornando-se recorrente tanto na seção A quanto na seção B: Figura 1 Harmonicamente. No primeiro compasso é apresentada a forma-motivo que será o germe da composição. LAURINDO ALMEIDA 89 Você nasceu pra ser grã-fina (1939) Trata-se de um samba-choro. Há também. uma espécie de chorus ou interlúdio instrumental. o início da seção A. . no qual clarinete e violão dividem espaço como solistas. Introdução A introdução é composta de oito compassos em forma de sen- tença. por sua vez. trata-se de uma grande cadência de subdomi- nante/dominante. A coda. contendo duas seções principais.

90 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Seção A

A seção A contém duas partes de oito compassos: a’ e a’’, ambas
em forma de sentenças. Conservam basicamente as mesmas caracte-
rísticas rítmicas e melódicas – compostas em maior parte de variações
da mesma forma-motivo destacada acima –, porém, enquanto a’
termina em uma cadência suspensiva, a’’ termina em uma cadência
conclusiva, como é comum às canções estróficas.

Seção B

A seção B, seguindo o mesmo padrão de A, contém duas partes,
b’ e b’’, ambas também em forma de sentenças. A primeira parte,
b’, conserva ainda as mesmas características rítmicas e melódicas
da seção A. Entretanto, harmonicamente, encontra-se na região da
subdominante. Já na segunda parte, b’’, está o momento de maior
contraste da música, tanto em relação ao aspecto rítmico e melódico
(marcada por cromatismos melódicos descendentes) quanto em
relação à harmonia (marcada por encadeamentos de acordes domi-
nantes secundários consecutivos em direção ao V grau da tonalidade,
A7, para recapitulação da seção A – como no início, em ré menor).
Nesta música – tendo em vista os objetivos deste livro –, interessa-
nos ressaltar, do ponto de vista da harmonia, somente o uso desses
acordes dominantes secundários, visto que se mostraram recorren-
tes, não só em b’’ – como já mencionado no parágrafo acima –, mas
também em toda a música, a começar da introdução:

Figura 2

LAURINDO ALMEIDA 91

Na sentença a’:

Figura 3

Além, é claro, da sentença b’’:

Figura 4

No que diz respeito à melodia, observa-se que ela foi estruturada
– em grande parte da música – com uma tendência a privilegiar as
dissonâncias dos acordes que, por sua vez, encontram-se localizadas,
não só, mas principalmente nas cabeças de compasso. Como se vê
na sentença a’ – por exemplo:

Figura 5

92 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Disco: MIRANDA, Carmem. [Sem nome] Rio de Janeiro:
Odeon Records, 1939. 1 disco sonoro n° 11.787, 78 RPM.
Mono., 10 Pol.
Partitura: Irmãos Vitale Editora.
Localização: Acervo José Ramos Tinhorão – Instituto Moreira
Salles.

Dissimulada (1946)

Dissimulada é um samba-canção. A primeira seção (A) encontra-
se em dó menor, e a segunda seção (B) encontra-se na subdominante
fá menor. Assim como Você nasceu pra ser grã-fina, também há em
meio às partes um chorus ou interlúdio instrumental, com destaque
entre os solistas para o solo de guitarra havaiana.

Introdução

A introdução possui oito compassos em forma de sentença, oriun-
dos – sobretudo em relação ao desenho melódico – da seção B.

Seção A

A seção A contém duas partes de oito compassos: a’ e a’’, ambas
em forma de períodos, e com o mesmo antecedente:

LAURINDO ALMEIDA 93

Figura 1

Os consequentes da seção A conservam basicamente as mesmas
características rítmicas e melódicas. Seguindo novamente o mesmo
padrão formal de grande parte das canções populares, enquanto o
consequente de a’ termina em uma cadência suspensiva, o conse-
quente de a’’ termina em uma cadência conclusiva:

Figura 2

Consequente de a’

Figura 3

94 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Conforme vem sendo destacado em azul, em relação à harmonia,
observa-se que na seção A – tanto no antecedente quanto no conse-
quente – há o uso frequente de dominantes secundárias encadeando
os diferentes graus da tonalidade. Os acordes Db7, no primeiro
tempo do compasso 15, e Ab7, no segundo tempo do compasso 19,
não estão presentes na gravação.

Seção B

A seção B também é dividida em duas partes de oito compassos,
b’ e b’’, porém, diferentemente da seção A, compostas em forma de
sentenças:

Figura 4

Figura 5

ficando restrita somente ao uso de encadeamentos aos diferentes graus da tonalidade por meio de dominantes secun- dárias. mas não estão presentes na gravação. no segundo tempo do compasso 21. [Sem nome]. 10 Pol. mantendo a seguinte relação tonal entre as seções: seção A em dó maior. LAURINDO ALMEIDA 95 Figura 6 Nesta seção podemos observar ao longo de seu desenvolvimento o uso de um mesmo motivo rítmico – extraído da seção A – como germe da composição. 1946. Acordes como F#°. Rio de Janeiro: Odeon Records. no segundo tempo do compasso 23. seção B na relativa lá menor. em relação à harmonia – tanto na seção A quanto na B –.. Todavia. Orlando. Partitura: Editora Fermata do Brasil. 78 RPM. Bb+. Localização: Acervo Centro Cultural Vergueiro.706. assim como na música anterior. no segundo tempo do compasso 30 pertencem somente à redução para piano. e seção C na subdominante fá maior. Disco: SILVA. 1 disco sonoro n° 12. Mono. Brazilliance (1949) Trata-se de um choro para violão solo. . e Ab7. em sua forma prototípica / A / B / A / C / A /. não há nada de muito ousado.

se enarmonizarmos a nota si para dó bemol. Na primeira cadência rumo ao acorde de tônica. em estado fundamental – tríade napolitana –. destaca-se o IIb7: sobre a tríade de ré bemol. ambas em forma de sentenças. teremos um acorde maior com 7ª menor e 9ª aumenta- . contudo. Sentença a: Figura 1 Figura 2 Como visto acima. O projeto harmônico consiste em duas cadências II – V.96 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção A A seção A contém duas partes de oito compassos: a e a’. são acrescen- tadas mais duas notas. o início desta sentença (figura1) é construído conforme o modelo-padrão: uma frase inicial de dois compassos e a sua repetição transposta. e posteriormente em direção ao III grau no compasso 4. primeiramente em direção ao I grau no compasso 2. si e mi.

um II alterado (trata-se. Sentença a’: Figura 3 . como dominante substituto do V7. acontece via cadência de dominante secundária. na música popular. finalizado no I. O próximo encadeamento. também já aparece alterada. trata-se de um grande trecho na região da subdominante. por fim. A conclusão – compasso 5. em suas possíveis configurações. tanto em decorrência de não usar fragmentos rítmi- cos e melódicos oriundos do bloco inicial da sentença. LAURINDO ALMEIDA 97 da sobre o II grau – na música erudita classificado como acorde de 6ª aumentada. em direção ao III grau. Já no que diz respeito à melodia. de um D7 9b com a fun- damental subentendida) e. V ou III grau da tonalidade. em uma espécie de preparação à conclusão. de modo geral. em seguida vai para o Fm (subdominante menor). para o Ab 7/11# no 2º tempo do compasso 8 (também o II em sua configuração Sub V de D7). localizadas principalmente nas “cabeças” de cada compasso. Note-se que o VII grau é transformado em uma dominante individual do III grau que. Nesse caso. por sua vez. na verdade. no segundo acorde do compasso 6 para o Eb°. Inicia no Dm (relativo da subdominante). quanto em decorrência do encadeamento harmônico. veja-se que ela é construída em maior parte sobre as dissonâncias dos acordes. figura 2 – não se enquadra no modelo convencional.

Na verdade. fato que vem a confirmar-se no segundo acorde. Veja-se que no compasso 12 há um trítono paralelo entre fá e dó bemol (trítono de G7. a’ (figura 3). quando a disposição das notas é al- terada. na região da subdominante menor. de fato. entretanto. novamente em forma de sentenças. Todavia. inicia-se um caminho para região da subdominante menor. foi dividida em duas partes: b e b’. com o si enarmoni- zado) e mi e si bemol (trítono de C7) indicando que a conclusão de a’ se dará. Seção B A seção B. começa com a repe- tição dos dois primeiros compassos de a. seria natural que o primeiro acorde dele fosse o próprio. e mantida em uma sucessão de acordes menores com 6ª. rumo à cadência de finalização da conclusão. podemos encará-lo como uma simples inversão de um Fm6. Como esse bloco conclusivo é precedido de um encadeamento em direção ao Fm. Sentença b: Figura 4 . com a inserção da nota lá bemol a partir do compasso 11. desta vez seguindo o modelo- padrão com a reafirmação da tonalidade inicial no compasso16. de modo semelhante à seção A.98 ALEXANDRE FRANCISCHINI A segunda sentença da seção A. inicia com um Dm7/b5 na cabeça do compasso 13.

1 O acorde na cabeça do compasso 24 também é um II alterado. No bloco conclusivo também há somente uma diferença na cadência final. ou seja. em suas possíveis configurações. é quase uma mera repetição de b. o bloco inicial de b (figura 4) tem um movi- mento harmônico menor. Já a segunda sentença da seção B. que no b’ tem por objetivo preparar a repetição do integral da seção B (figura 5): Figura 5 1 Trata-se da possibilidade – que já foi usada e será recorrente a partir daqui – de formar tétrades diminutas a partir da 3ª. um D7 9b. que se mantém praticamente em um pedal na região da relativa menor da tonalidade. Começa com o II. novamente um acorde de nona com fundamental subentendida. pode ser tanto a dominante da tonalidade quanto uma dominante individual (ou secundário) de outros graus da tonali- dade. 7ª e 9ª bemol de um acorde maior com sétima menor que. na verdade. que acaba se resolvendo um semitom acima no segundo tempo de cada compasso. Dm (relativo da subdominante). b’. 5ª. no compasso 23 e 24 – ainda que de modos diferentes –mantém-se no II: o F#° no 1º tempo do compasso 23 é. No bloco inicial há somente uma pequena diferenciação rítmica. por sua vez. no mesmo compasso salta para o acorde de Fm6 (subdominante menor). . disposto em forma de acorde diminuto a partir de sua terça. A conclusão – de modo semelhante à da sentença a – é um trecho na região da subdominante. LAURINDO ALMEIDA 99 Como pôde ser visto. conservando um mesmo padrão rítmico e melódico que resulta em um efeito de constante sus- pensão harmônica: no primeiro tempo de cada compasso há sempre uma “sensível” de uma das notas do acorde em questão. na forma de meio diminuto com a quinta diminuta no baixo (Dm7 b5 / Ab).

torna-se agora de um grande VI alterado. a análise harmônica terá o fá maior como um novo centro tonal. Note-se que os compassos 36 e 37 são compostos por uma sucessão de acordes dessa natureza. O consequente do período c: Figura 7 . portanto. devido à nova região tonal. nesse caso. vale ressaltar o uso de uma “sonoridade diminuta”. Este – embora seja novamente o D7 9b disfarçado –. a seção C também foi di- vidida em duas partes de oito compassos: c e c’. e depois por tétrades no 37. próprias dessa sonoridade em questão. colorido pelas possibilidades de simetria harmônica. Porém. Dito isso.100 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção C Seguindo o mesmo padrão de A e B. no bloco inicial de ambos os períodos. ambos com o mesmo antecedente: Figura 6 Faz-se notória a partir daqui a mudança de clave. primei- ramente por tríades no compasso 36. aproximam-se mais à forma de períodos.

preparando. Já o consequente de c’ (figura 8): Figura 8 Inicia no compasso 43 com um Bo – classificado como II alterado porque se trata novamente da substituição de um acorde dominante (o G7 9b) por um diminuto – em direção ao Dm / C no compasso seguinte. porém. assim. sobretudo rítmicas. o destaque fica no último acorde: Figura 9 Note-se que esse acorde final é acrescido das tensões nona maior e 11ª aumentada. para a reafirmação da nova to- nalidade com a recapitulação integral da seção C. LAURINDO ALMEIDA 101 Como demonstrado acima (figura 7). Esse procedimento de finalização é muito comum no jazz. . e muito incomum no choro. Har- monicamente é construído à base de tríades. a repetição integral da seção. Na última recapitulação da seção A. no qual se faz notório um cromatismo melódico que aponta uma frase construída sobre o arpejo de ré menor. sobretudo no dessa época. com o bloco inicial. o consequente do período c não é exatamente uma repetição modificada – ainda que conserve muitas semelhanças. partindo no compasso 39 em uma grande cadência II – V. rumo à cadência final. com a sétima ausente.

Localização: Acervo Ronoel Simões. 10 pol. Há na peça uma completa ausência de acordes com funções estruturais. na qual é evocada – sobretudo pelos instrumentos de percussão – uma “brasilidade” que acaba soando como se fosse um cartão de apresentação de nacionalidade do compositor. 33 1/3 RPM. O grande destaque fica pela seção rítmica em meio às partes.. fato que torna a classificação entre tonal. Amazônia (1950) Trata-se de uma peça para violão solo e orquestra de jazz. 1949. Laurindo. mono. esta não se enquadra em nenhum padrão formal de composição. Poderia se dizer que é constituída de um pequeno grupo de unidades temáticas irregula- res e assimétricas que se encadeiam em uma espécie de “colagem”. também se diferencia das anteriores pelo predomínio do pensamento melódico sobre o harmônico. Além disso. . Concert Creations for Guitar. Partitura: Em forma de manuscrito. ou até atonal um tanto ambígua. Tais acordes parecem desempenhar um papel essencialmente “colorativo”. modal. 1 disco sonoro n° EBF-193. Califórnia: Capitol Records.102 ALEXANDRE FRANCISCHINI Disco: ALMEIDA. Di- ferentemente das outras músicas analisadas. por assim dizer.

pela orquestra. Figura 1 Como pôde ser visto acima (figura 1). extraída de uma escala pentatônica. Observe o uso alternado das notas fá natural e sustenido. a introdução tem sua uni- dade temática construída em ré menor. vindo a tornar-se uma das principais características harmônicas da música. exposta primeiramente pelo violão e. b e c) – observa-se uma constante alternância com o ré maior. evoca uma “sonoridade impressionista” que se fará presente por toda a peça (figura 1). somada ao tipo de harmonização e orquestração. A linha melódica. a partir do inter- lúdio – formado basicamente por três unidades temáticas (a. a partir do compasso 14: . Veja que a primeira unidade temática do interlúdio tem início com uma tríade de ré maior (figura 2): Figura 2 Essa ponte (figura 3) entre a unidade temática b e a recapitulação de a – cujo motivo foi extraído do primeiro compasso da unidade temática a – dá indícios disso. Contudo. LAURINDO ALMEIDA 103 Introdução A introdução é composta por uma única unidade temática de quatro compassos. logo em seguida.

que a melodia é harmonizada com o mesmo acorde (quando digo isto. juntamente com a mencionada alternância entre a “to- nalidade” de ré maior e menor. ao final da peça (figura 6): . Veja. nos compassos 7 e 9 (figura 4). do ponto de vista da harmonia. quanto no trecho que ante- cede a cadenza.104 ALEXANDRE FRANCISCHINI Figura 3 Na unidade temática b. tudo se resume a isso. Figura 4 Essa mesma característica harmônica encontra-se presente quase sempre em meio às unidades temáticas. como se vê. Esse procedimen- to harmônico – oriundo das possibilidades de simetria dos acordes diminutos –. refiro-me até mesmo à disposição das notas no braço do violão) transposto um tom e meio abaixo. interessa-nos o uso que Laurindo faz dos acordes diminutos com sétimas maiores. é tão recorrente na peça – a começar pela introdução – que poderíamos dizer que. tanto na ponte entre a unidade temática a e b (figura 5).

Ambas funcionam como um grande A7: levando em conta as respectivas enarmonizações. O destaque. Já no segundo acorde a 9b. entretanto. ocasionado. embora não pareçam desempenhar funções estru- turais – pelo menos no sentido mais comum do termo –. 3ª. . A unidade temática c tem um movimento harmônico maior. um Eb7. LAURINDO ALMEIDA 105 Figura 5 Figura 6 Tais acordes. que caminha em direção ao ré maior com o início da recapitulação da unidade temática a. Ob- serve-se que no compasso 41 estão contidas duas tétrades diminutas com sétima maior: C#° 7M e A#° 7M. em toda a música estão sempre se remetendo tanto ao A7 quanto ao E7. agora em relação ao E7 – da mesma maneira observada anteriormente na unidade temática b. 7ª e 9+. fica pelo último acorde de sexta aumentada – ou SubV da tonalidade –. pelo cromatismo descendente no baixo. 5ª e tônica. Trata-se do mesmo modelo de acorde transposto um tom e meio. porém. no primeiro acorde temos a 3ª. 5ª. Esse procedimento será repetido a partir do compasso 43. sobretudo.

encontram-se presentes as duas principais características harmônicas já mencionadas. e da unidade temática b do interlúdio.106 ALEXANDRE FRANCISCHINI Figura 7 Após a seção rítmica. como no início da peça – ao ré menor. A codeta é. The innovations Orchestra. Note-se que o primeiro grupo de semicolcheias contém as notas fá sustenido e fá natural no mesmo acorde. Partitura: Brazilliance Music. Figura 8 Nesta cadência final. California: Capitol Records. tem início a recapitulação da unidade te- mática da introdução. cujas diferenças em relação à primeira exposição estão basicamente na ins- trumentação. 1 CD sonoro n° CDP-59965. na verdade. 1950. O segundo grupo de semicolcheias contém nas vozes superiores uma tétrade diminuta com sétima maior. . Stan.A. Localização: Acervo Ronoel Simões.S. uma simples cadência de fina- lização em direção – desta vez. Made in U. Inc. Disco: KENTON.

Davis Raksin (1912-2004). Seção A A seção A é composta de oito compassos em forma de período: Figura 1 . igualmente chamado Laura. originalmente composto para a trilha sonora do filme de Otto Preminger. de 1944. LAURINDO ALMEIDA 107 Laura (1951) Nesse caso. o foco da análise estará no arranjo de Laurindo Al- meida para um tema de autoria do também compositor de filmes de Hollywood.

o projeto harmônico e melódico de Raskin é mantido quase integralmente. No arranjo de Laurindo é enriquecido somente por acordes de passagem e ornamentos melódicos – característicos de uma linguagem própria do violão. no tratamento musical dado à unidade temática – como visto acima. seções A’. Nas exposições subsequentes de A. Assim como no choro Brazilliance. A’’ e A’’’.108 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção B A seção B aproxima-se mais à forma de sentença: Figura 2 Na primeira exposição das seções A e B (figuras 1 e 2). Note-se que a unidade temática encontra-se diluída em meio à figuração rítmica da voz superior (figura 3): . composta de uma forma-motivo e sua repetição um tom abaixo. observa-se que o tipo de harmonização até aqui presente é bem à maneira do jazz. repleto de acordes carregados de dissonâncias em sua composição. faz-se presente na exposição do tema o uso da técnica violonística do tremolo. a dife- rença estará. basicamente. Em A’.

presente na voz mais aguda da seção anterior. Quanto à classificação desses acordes. Laurindo mantém um pedal na nota lá. Esse pedal no baixo em alguns momentos parece querer sugerir uma imitação ou inversão do tremolo. Todavia. o que mais chama atenção na seção é a harmonização de caráter essencialmente homofônico da melodia. que acaba percorrendo cromática e paralelamente quase todo o braço do violão. ainda que contenham tríades internas em sua formação. que conserva ainda algumas características rítmicas da seção A’. Observe que a unidade temática é inteiramente harmonizada com o mesmo “modelo” de acorde – salvo alguns pequenos ajustes –. . não possuem funções estruturais. LAURINDO ALMEIDA 109 Seção A’ Figura 3 Seção A’’ Em A’’ (figura 4).

A’’’.110 ALEXANDRE FRANCISCHINI Portanto. diferencia-se de A basicamente pela mudança de fórmula de compasso. Figura 4 Seção A’’’ Esta seção. Figura 5 . Em decorrência disso. qualquer tentativa de enquadrá-los em uma ou outra ti- pologia de acorde parece de alguma forma arbitrária. a unidade temática sofreu uma pequena alteração na configuração rítmica.

O destaque fica pelo target harmônico que tem início no compasso 26. parecem ganhar ca- racterísticas de um pequeno desenvolvimento ou elaboração. LAURINDO ALMEIDA 111 Seção C A seção C foi construída da junção das seções A e B. No arranjo de Laurindo. que se dá pelo uso de um fragmento melódico que tem origem na forma- motivo de A. sobretudo no compasso 28 e 29. e os quatro últimos de A. quando há um jogo de pergunta e resposta entre as vozes inferior e superior. sol bemol e si bemol que imaginando uma terça do acorde omitida – no caso. devido ao tratamento musical dado aos fragmentos rítmicos e melódicos de ambas as seções. Note-se que começa em um acorde formado pelas notas dó. Pode-se dizer que os quatro primeiros compassos são oriundos de B. Figura 6 Também é a seção que possui a maior movimentação harmônica. um mi bemol – teríamos um Cm7/b5 que desce cromaticamente em direção ao G#m7/b5. .

tratamento este que se mantém até a codeta. os seis últimos de B. Esta é mais “enxuta”. No compasso 60. a seção C ’ é muito seme- lhante a C. Ainda permanece a ideia inicial de manter os quatro primeiros compassos de A e. nos aspectos rítmicos. com o mesmo tratamento imitativo entre as vozes superior e inferior. neste caso. digamos assim. o acorde que permanecerá suspenso até o compasso seguinte é uma tríade de sol bemol maior . basicamente.112 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção C’ Figura 7 Como pode ser visto acima (figura 7). Observe-se (figura 8): Codeta Figura 8 Uma observação harmônica: note-se que a nota dó é mantida em constante suspensão. sendo harmonizada por diferentes acordes durante toda a codeta. Difere.

É somente nela que. Para uma música em lá menor. revezando entre a região de subdominante e dominante. LAURINDO ALMEIDA 113 – subtraindo. configurar-se-á como um Gb11# / D. . A relação tonal entre as seções não é das mais inusitadas: a introdução inicia-se na tonalidade de ré maior. ambos em sol maior. e em contraste com o tema A e B. com o propósito de preparar os temas A e B. Já em relação à harmonia. Made in U. de modo semelhante à introdução. é marcada por um período de maior movimentação harmônica. é claro. a característica principal é a estaticidade. nunca acontece.. 1951. a 11ª aumentada da melodia – que ganhará no próximo compasso um baixo ré. Sueños/Dreams: Capitol Recor- ds. na medida em que se desenvolve. Disco: ALMEIDA.S. 33 1/3 RPM. finalmente. 1970 Twentieth Century Music Corporation. 10 pol. com forma A B A. para a afirmação da tonalidade.A. por sua vez. 1 disco sonoro n° T-2345. Ou seja. porém. A coda. trata-se de um final bastante inusitado. Partitura: 1945. mono. Localização: Acervo Henrique Pinto. Tanto o tema A quanto o B têm como ponto forte as questões rítmicas. Crepúsculo em Copacabana (1957) Trata-se de uma peça para violão solo. acaba funcionando como um bloco de transição harmônica. prece- dida de introdução e seguida de coda. Laurindo. que. em uma espécie de grande cadência II – V. a tonalidade se confirma.

Tais acordes possuem somente três vozes que caminham na mesma direção e conservam a mesma relação intervalar em relação à suposta tônica: sétima menor (escrita . em forma de sentenças: Figura 1 Figura 2 Conclusão Nesses oito primeiros compassos. deixando assim a impressão de duas partes de oito compassos cada. a fermata no 4° tempo do compasso 15 é estendida de modo a preencher exatamente o tempo de um 16º compasso “imaginário”.114 ALEXANDRE FRANCISCHINI Introdução A introdução contém 15 compassos. Entretanto. nota-se uma sucessão de acordes cromáticos no sentido descendente. na gravação. visto que. No bloco conclusivo. verifica-se claramente a afirma- ção da tonalidade inicial. que tem por objetivo preparar o início da segunda sentença. a sensação auditiva é de 16. com uma diferença na disposição das notas da segunda vez. O acorde D é cadenciado pela sua respectiva dominante A7 por duas vezes.

seria uma sucessão de acordes dominantes. LAURINDO ALMEIDA 115 como sexta aumentada no primeiro tempo dos compassos 7 e 8). sempre omitida. com basicamente a repetição dos quatro primeiros compassos da primeira sentença: Figura 3 2 Para classificação dos acordes: ao tomar as notas mais graves como a suposta fun- damental dos acordes. faz-se necessário imaginar uma hipotética terça. Na verdade. o A7 (ou IIb7 / Sub V do A7). e um revezamento entre a quarta aumentada e a quinta diminuta – sua enarmônica. Se maior. tratar-se-ia de uma sucessão de acordes meio diminutos. É provável que Laurindo. tendo em mente partir do I grau em direção ao V – em uma espécie de target harmônico –. Se menor. tenha optado por manter o mesmo “modelo de acorde” em uma progressão de semi- tons descendentes na direção do alvo. há também a possibilidade dessa sucessão de acordes resultar simplesmente de fatores melódicos. Não obstante. hipótese mais provável devido ao uso de intervalos de 6ª aumentada – carac- terístico de acordes dessa tipologia. trata-se de um recurso próprio do instru- mento. Vale lembrar que essa mesma estrutura de acorde já foi usada na seção C do tema Laura.2 A segunda sentença inicia-se no compasso 9. . Todavia. trata-se de um momento de grande suspensão harmônica. acrescidos da 11ª aumentada.

116 ALEXANDRE FRANCISCHINI A conclusão é marcada por uma cadência que segue o mesmo procedimento anterior. trans- formando o I (ré maior) em um V7 da nova tonalidade. nunca cumprindo a expectativa da tônica. com uma série de dissonâncias acres- cidas ao acorde. Para isso. a nova tonalidade – sol maior – não é afirmada. conforme demonstra a figura 4. com um maior movimento melódico entre as vozes internas –. em direção à dominante da tonalidade A7. A partir do compasso 16 – como pode ser visto na clave acima – inicia-se uma modulação. em forma de período: Figura 5 Embora tenha surgido em meio a uma ponte modulatória. Repare-se (figura 5) que o antecedente inicia na subdominante e permanece em um revezamen- to com a dominante. A bem da verdade. no sentido descendente – porém. de acordes cromáticos sem a terça. Figura 4 Seção A A seção A contém oito compassos. o compositor faz uma ponte de dois compassos (16 e 17) entre a introdução e a seção A. . começando em C7/11# (ou Cm7 b5). a sensação auditiva é de um trecho de caráter modal.

Se para fins expositivos separarmos em vozes o arranjo de violão – superior. e inferior – notaremos um jogo polirrítmico entre essas vozes. porém. Ainda que tenha ressaltado até aqui os aspectos harmônicos da seção A. LAURINDO ALMEIDA 117 no qual a estaticidade harmônica evidencia as questões rítmicas. mesmo ficando ainda nas regiões de dominante e subdominante. in- termediária. apresenta um movi- mento harmônico maior. no qual o II grau é transformado em um acorde dominante secundário – na configuração diminuto. principalmente. pelo uso dos acordes oriundos da escala de lá menor harmônica – dado o uso da nota fá natural e sol sustenido – em todo o trecho. O consequente (figura 6): Figura 6 Iniciado acima no compasso 22 (figura 6). Contudo. provocando assim uma espécie de birritimia entre as vozes. geradas. ponte entre os temas A e B. . quando na voz superior há o uso reiterado das tercinas (provenientes do compasso composto). Ainda do ponto de vista da harmonia. interpretado aqui como A7 9b. enquanto nas vozes intermediária e inferior há o uso reiterado de variações de colcheia e semicolcheia (provenientes do compasso simples). notam-se algumas alterações nos graus. fica claro que o ponto forte dele é a questão rítmica. principalmente no consequente. destaca-se o compasso 25. com a fundamental subentendida – preparando a seção B.

é. mantendo o mesmo procedimento anterior. sendo o antecedente: Figura 7 Repare que o antecedente (figura 7). apesar de não conter nenhu- ma novidade do ponto de vista da harmonia. é formada por um único período. Ressalta a tessitura de três oitavas em que se inicia o compasso 26. seguindo o modelo-padrão. é bastante interessante devido à maneira em que o compositor dispõe os acordes. basicamente. Figura 8 . Já o consequente (figura 8). uma mera repetição do antecedente. com pequenas diferenças. dentre elas. que vai aos poucos diminuindo até chegar a graus conjuntos no sentido descen- dente no compasso 27. o cromatismo presente na melodia do compasso 29.118 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção B A seção B. fazendo com que a estaticidade harmônica seja compensada por um grande movimento de caráter melódico.

Ray. há outra possibilidade de classificar o acorde que se dá por meio do empilhamento de terças. 33 1/3 RPM. com o baixo em ré (Abm7/D). 12 pol.A. 11# e 13ª. LAURINDO ALMEIDA 119 O grande contraste da seção B. Localização: Acervo Ronoel Simões. a sensação auditiva é realmente de um V7 que se resolve no acorde de tônica. Entretanto. tais como 9b. o V grau alterado.S. Impressões do Brasil. também é possível chegar em um acorde de lá b menor com sétima. Laurindo. As demais notas poderiam ser vistas como uma série de dissonâncias acrescidas ao acorde. a passagem de compasso simples para composto dá um novo caráter à peça. .. em relação à seção A. sobretudo pela mudança de fórmula de compasso. mono.. TURNER. Disco: ALMEIDA. na coda. enquanto as da tétrade em uma região grave. e das possíveis enarmonizações das notas. é o aspecto rítmico. Coda Figura 9 Como já mencionado anteriormente. O destaque aqui fica no penúltimo acorde. iniciada no com- passo 37. há um movimento harmônico maior para o acontecimento da cadência final. Ao imaginar um D7 – o dominante em sua forma convencional –. da tétrade só teríamos a tônica e a terça. 1 disco sonoro n° P-8381. Desse modo. 1957. Made in U. Califórnia: Capitol Records. Partitura: Criterion Music Corporation. Como as tais dissonâncias estão dispostas em uma região aguda. Embora conserve a mesma divisão ternária.

Como demonstrado na análise estrutural. é a seção A a que mais nos interessa. contendo um baixo de caráter essencialmente melódico. além de compostas em tonalidade menor. Ou seja. construída harmonicamente sobre tríades.120 ALEXANDRE FRANCISCHINI Conclusão da análise As músicas Você nasceu pra ser grã-fina e Dissimulada – compostas sob medida para Carmem Miranda e Orlando Silva –. primeiro disco de Laurindo Almeida lançado nos Estados Unidos. Harmonicamente. as duas músicas refletem na íntegra o tipo de produção musical em que Laurindo Almeida esteve envolvido enquanto viveu no Brasil. A seção C é a que tem mais características de choro tradicional. por sua vez. desde acordes sensivelmente mais alterados (tétrades acrescidas de mais uma ou duas dissonâncias) até o uso de regiões da tonalidade (as relações oriundas de subdominante menor. Foi somente nos Estados Unidos que ele teve condições de divulgar seu trabalho voltado à música instrumental. de caráter satírico. Nela. rítmica e melodicamente elas possuem traços bas- tante comuns. O choro Brazilliance – faixa que integra o álbum Concert creations for guitar. em 1949 – apresenta a forma-padrão do choro em três se- ções. Consta que foi usada pela primeira vez em 1932. não apresentam nada que as diferencie das demais composi- ções dessa mesma época. embora bem feitas. Contudo. caracteriza- se. a década de 1940. Destaca-se a letra de Você nasceu pra ser grã-fina. pela influência do maxixe. intitulado Coisas nossas. podemos observar que a palavra “bossa” – como apontam muitos pesquisadores – já era usada por compositores anteriores à Bossa Nova para designar um jeito diferente de cantar ou tocar. nada que apresente grande relevância. por meio delas foi possível verificar outra faceta de Laurindo – ainda mais desconhecida – como compositor de letras de música. tendo em vista os objetivos desta análise. A seção B. sobretudo. alcançada sempre por meio de cadências de dominantes secundárias. possuem a mesma relação de tônica e subdominante entre as seções. A bem da verdade. Entretanto. Nela encontram-se evidentes muitas das características harmônicas da estética bossa-novista. em um samba de Noel Rosa. por exemplo) não tão comuns aos .

É interessante ver – à luz da análise musical – que em um curto espaço de quatro anos. que teria solicitado a Laurindo que a composição apresentasse algo tipicamente brasileiro. o disco todo parece querer promover uma síntese musical das Américas. Nela. entre as músicas Dissimulada e Amazônia. contendo um enfoque harmônico. Todavia. explica e justifica aquela seção rítmica um tanto inusitada em meio às partes. consta que foi composta a pedido do próprio Kenton. LAURINDO ALMEIDA 121 choros da mesma época. Conforme relatado anteriormente. é bastante representativa do período em que Laurindo atuou como compositor e arranjador da orquestra de Stan Kenton. sem grandes projeções no Brasil. Na verdade. lançado em 1950. O que mais . sendo uma das músicas mais gravadas e executadas na história da música americana. compositor e arranjador de uma das maiores orquestras americanas de jazz de todos os tempos. Laurindo. contendo faixas que fazem menção a outros países. fato que. um observador mais atento diria que. a seção A do choro Brazilliance poderia parecer uma citação de Samba de uma nota só. mesmo sendo a música composta claramente dentro dos mol- des jazzísticos. de certa maneira. como Cuban episode. faz-se novamente notória a influência da obra para violão de Villa-Lobos). Aliás. No arranjo de Laurindo Almeida – parceiro de Raksin em diversos trabalhos voltados para o cinema – podemos observar que. tornou-se um renomado ins- trumentista. sobretudo de Villa-Lobos e dos impressionistas franceses. podemos observar uma nítida influência da músi- ca erudita. Mardi gras e Salute – uma versão musical da Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos. faixa que integra o disco The innovations or- chestra. de Tom Jobim e Newton Mendonça. dentre as músicas analisadas. de autoria de David Raksin – tratando-se de trilhas sonoras para filmes de Hollywood – tornou-se um clássico. O tema Laura. melódico e também orquestral bastante singular dentro de sua obra. Amazônia é a que tem maior distanciamento das formas composicionais clássicas. se não tivesse sido composta pelo menos dez anos antes. há uma fusão muito natural entre essa linguagem em questão e a da música erudita (desta última. A peça Amazônia. de um compositor de choros e sambas para cantores do rádio.

122 ALEXANDRE FRANCISCHINI chama a atenção no arranjo são os diferentes recursos musicais de que o violonista lança mão para harmonizar por diversas vezes a mesma melodia. E como não poderia deixar de mencionar. levada na execução ao sentido mais intrínseco do termo. um bom exemplo disso. de forma muito peculiar. a peça é bastante arrojada do ponto de vista da harmonia. Além disso. senão igual. carregada de sutilezas interpretativas. 2006). o tipo de harmonização presente é. De fato. Assim como no choro Brazilliance. a melodia é executada por Laurindo de uma maneira bastante livre . Embora conserve em toda a sua duração o mesmo padrão rítmico. elementos prove- nientes da música erudita e da música popular. Outro ponto forte da interpretação encontra-se na seção B. executada por Laurindo com muita expressividade. Como bem lembra Fabio Zanon: “Esta música demonstra uma atmosfera contemplativa e harmonia tateante que seriam as marcas registradas da Bossa Nova anos mais tarde” (Zanon. Mas também há outros aspectos a serem ressaltados. os aspectos interpretativos. evidenciadas principalmente nas dominantes e nas suas possíveis configurações. na mesma composição. também podemos destacar os aspectos rítmicos (tanto pelo uso simultâneo de células oriundas do compasso simples e composto quanto pelas mudanças de fórmula de compasso entre as seções) e os melódicos (dado o uso recorrente de cromatismos em sua estrutura). Crepúsculo em Copacabana – última música analisada –. dada a total independência em relação às outras partes –. Destaca-se a indicação inicial da partitura de intimissimo (sic). também é. sempre com um refinamento impecável e muito bom gosto. sobretudo pelo uso frequente de acordes com um grande número de tensões em sua composição. sem dúvida. a começar pela introdução – que também poderia ser vista como um prelúdio. observou-se que em alguns trechos. dentro da vasta produção musical de Laurindo Almeida. Em primeiro lugar – como já mencionado – ela ressalta a capacidade de Laurindo de reunir. sobretudo na primeira exposição da seção A. muito semelhante às har- monizações que posteriormente seriam consagradas pela Bossa Nova. e o uso de harmônicos artificiais que dão um colorido especial à introdução.

enquanto possibilidade a mais de afinação. Laura e Crepúsculo em Copacabana. A identidade musical de Laurindo Almeida Por fim. tanto de sol maior quanto de sol menor. observou-se também a preponderância de sentenças sobre períodos. 4 Como já ressaltado. Garoto. a utilização da sexta corda em ré. a partir dos dados obtidos no decorrer da análise. configurada enquanto tônica de D7. em direção ao D ou Dm). possibilita o salto de quinta descendente (A7. o dominante. amplia também a possibilidade de utilização de alguns recursos harmônicos. tanto o protótipo do choro (ABACA) quanto o da forma-canção (ABA). Pode ser encontrada nas obras de João Pernambuco. Dilermando Reis. transi- ções. principalmente nas tonalidades sol maior ou menor e ré maior ou menor. interlúdios e codas. favorecendo o uso de conduções melódicas mais enriquecidas. no mesmo tipo de encadeamento.4 3 Essa afinação. além de ampliar a tessitura do instrumento. Note-se que a sexta corda afinada em ré. possibilita o salto de quarta ascendente na cadência V – I. Além disso. pro- curei sintetizar em alguns tópicos o que poderíamos chamar – dado o uso recorrente de determinados procedimentos musicais – de as estratégias composicionais de Laurindo Almeida: • O uso – enquanto possibilidade a mais de afinação – da sexta corda do violão afinada em ré. Já nas tonalidades de ré maior e menor. LAURINDO ALMEIDA 123 em relação ao pulso – cheia de accelerandos e ritardandos –. . com uma precisão cirúrgica na execução das pausas de semicolcheias. que certamente foi uma das grandes influências de todos os violonistas de sua época. como pôde ser visto nas músicas Amazônia. localizadas simetricamente entre as figuras rítmicas. somente Amazônia apresentou um distanciamento desses padrões formais. Armandinho (nesse caso. tratava-se da afinação habitual).3 • O predomínio das formas musicais clássicas como parâmetro para composição. além do próprio Agustín Barrios. Canhoto. acrescidos de introdução. A bem da verdade. era muito comum entre os violonistas contemporâneos a Laurindo. entretanto. ambos caracteri- zando o movimento forte de cadência perfeita.

por Júlio Medaglia. Volto a reite- rar: é em tudo semelhante à maneira em que se estruturaria a harmonia da música popular brasileira a partir da Bossa Nova. ambos contidos na coletânea Balanço da bossa e outras bossas. Fraseologicamente – no que tange às questões rítmicas – não foi observado nada que pudesse ser ressaltado como característico. observou- se também uma tendência da melodia estar centrada sobre a dissonância do acorde. tanto melódicos quanto harmônicos. Vale lembrar que a influência das harmonias jazzísticas sobre a nossa música popular sempre foi 5 Ver os artigos Bossa Nova. Ver também os livros A linguagem harmônica da Bossa Nova. Não só pelo uso de dissonâncias acres- centadas (6as. faz-se necessário abrir um pa- rêntese: é fato que Laurindo Almeida – como a grande maioria dos músicos de sua época – foi influenciado pelo jazz. de José Estevan Gava e Bim Bom. E isso acabou por tornar-se latente em sua obra. principalmente no sentido descendente.124 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Ritmicamente: mudanças frequentes de fórmula de compasso como recurso de contraste entre seções. 9as. 7as. por meio de cadências de dominantes secundárias.5 Em relação a este último tópico. 11as e 13as) sobre uma base formada por um tetracorde. como também pela maneira em que a tonalidade é estendida em sua quase totalidade. • O uso recorrente de cromatismos. . • O predomínio do pensamento harmônico sobre todos os demais parâmetros musicais. E ainda a dissertação apresentada ao Departamento de Música da ECA: Três compositores da Música Popular do Brasil. de Paulo José de Siqueira Tiné. de Augusto de Campos. acordes com relações oriundas tanto da subdominante maior e menor quanto da relativa menor da tonalidade. • Melodicamente: além do uso desses cromatismos. por Brasil Rocha Brito e Balanço da Bossa Nova. acordes de sexta aumentada (subV). mas somente acres- centar algumas considerações a isso. Não pretendo negar o evidente. principalmente no que diz respeito à concepção harmônica – como salientaram diversos autores citados no capítulo 2. diminutos (em grande recorrência e das mais variadas formas). de Walter Garcia.

mas.50) Outra coisa. ganhando assim visibilidade internacional. talvez seja possível afirmar que dentre as muitas influências musicais que Laurindo possa ter sofrido. como este indivíduo tinha valor e se firmou. resultado da influência do jazz – sempre foi muito criticada pelas alas mais conservadoras. preocupadas em resguardar o “caráter nacional” que ainda restava à nossa música popular. essa mes- ma sofisticação harmônica – em grande parte. Simplesmente porque os processos de harmonização sempre ultrapassam as nacionalidades. por um lado. Adiante: Todas as sistematizações de harmonização que nem o cromatismo de Tristão. a maior delas talvez não seja a tão “famigerada” influência do jazz. sim. a influência de outro compositor brasileiro. Isso posto. vejamos o que Mário de Andrade diz a respeito: O problema da harmonia não existe propriamente na música na- cional. Haja vista a harmonização de Debussy que fez fortuna no jazz. os acordes alterados Franckistas. embora o que será dito aqui esteja no âmbito da simples conjectura. considerado um ícone nacional: Heitor Villa-Lobos. ela contribuiu para que música popular brasileira viesse a se tornar “mais sofisticada”. LAURINDO ALMEIDA 125 vista a partir de dois ângulos: se. p. por outro lado. o processo dele foi aproveitado por outros não só do mesmo país como de toda a parte e num átimo o processo perdeu o caráter nacional que poderia ter. as nonas e undécimas do Debussismo principiaram com um indivíduo. (1962. . Porém.

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ele se aplica muito bem em muitas ocasiões de sua tra- jetória musical. trata-se de um erro historiográfico. diante de todos os dados levantados a seu respeito. em maior parte. tendo o privilégio de trabalhar ao lado de músicos de renome. até leviana – nas poucas referências ao violonista encontradas nos livros de história da música brasileira –. como demonstrado ao longo dos capítulos. • Foi membro de grupos da maior importância na história do jazz norte-americano como a Orquestra de Stan Kenton e o The Modern Jazz Quartet. de fato. esse adjetivo vem sempre associado à Bossa Nova. grupos com os quais excursionou difundindo a música brasileira pelos quatro cantos do mundo. de certo modo. descritos. E. no entanto. Afinal. no capítulo 1. como Igor Stravinsky. pudemos observar que o adjetivo precursor sempre esteve vinculado à figura de Laurindo Almeida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Logo na introdução deste livro. . fazendo crer que a importância de Laurindo esteja restrita única e exclusivamente a uma polêmica em torno da gênese da concepção musical do então novo estilo. O problema. destacam-se os seguintes: • Laurindo Almeida foi um dos primeiros – se não o primeiro – músicos brasileiros a se estabelecer no exterior como violonista de concerto. Entretanto. é que de uma maneira reducionista e.

o Certificado de Honra por Realização Vahdah Olcott-Bickford. como o Certificado de Apreciação da American String Teachers Association. como compositor. por último. em Londres. Northridge. tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. também recebeu o prêmio Distinto por Contribuições à Universidade. por uma vida dedicada ao violão nos Estados Unidos. com cinco Grammys. por meio da análise das seis músicas selecionadas foi provado de maneira cabal que Laurindo foi sim mais um. estando a sua contribuição cen- trada principalmente no âmbito das questões harmônicas – como relatado por diversos pesquisadores no capítulo 2. tendo em vista responder às questões relacio- nadas à polêmica. diferentemente do que fazem crer esses pesquisadores. o Certificate of Honor from the Achievement.128 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Foi o primeiro músico a gravar e divulgar a obra de Heitor Villa- Lobos. Contudo. Ou seja. • Esteve envolvido. o título de Comendador da Ordem do Rio Branco. dentre outros precursores da Bossa Nova. Porém. os fundamentos da concepção harmônica da Bossa Nova já estavam . a partir disso podemos ter uma real dimensão de o quanto o fato de Laurindo Almeida ter sido ou não precursor da Bossa Nova é relevante. concedido por Blenda Wilson. presidente da California State University. pelos quais foi agraciado. arranjador e instrumen- tista. • Ao longo de sua carreira. promovendo uma apreciação universal do violão tanto para música popular contemporânea quan- to para música clássica. entre 16 indicações. em mais de oitocentas trilhas sonoras para filmes de Hollywood. concedido pelo governo brasileiro. prêmio co- memorativo apresentado pela Sociedade de Violão Americana por sua carreira ilustre como artista. da Latin American & Caribean Cul- tural Society em reconhecimento ao seu grande talento como compositor e artista. lançou mais de cem discos no exterior – entre música erudita e popular –. • Além desses recebeu muitos outros prêmios. tornando-se o primeiro e único brasileiro a ser premiado com o Oscar do cinema americano. compositor e divulgador da música das Américas.

argumen- tando que as tais “inovações musicais” advindas do novo estilo vão muito além das questões harmônicas ou do uso da improvisação sobre ritmos brasileiros. portanto. primeiro disco de Laurindo lançado nos Estados Unidos. em tudo semelhante à maneira em que se estruturaria a harmonia da música popular brasileira a partir da Bossa Nova. ainda não ocupa o seu devido lugar na historiografia da música brasileira? A bem da verdade – como demonstrado no capítulo 2 –. Já no que diz respeito às origens e motivações dessa polêmica. um músico men- cionado por diversas enciclopédias de música – brasileiras e america- nas – como um dos violonistas mais influentes do século XX. o mais correto seria dizer que por uma conjunção de fatores. em 1953. não pertenceu ao grupo de músicos que deram origem ao Movimento Bossa Nova. . Estando melhor equacionadas – senão sanadas – essas questões relacionadas à polêmica em torno do violonista e a Bossa Nova. é bem verdade. Primeiramente. 11as e 13as. não fez parte do meio musical carioca dos anos 1950 e. Somado a isso. pode-se conjecturar que ela é fruto da divergência entre as visões das musicologias brasileira e americana. no entanto. por exemplo). faixa que integra o Concert creations for guitar. sobre uma base formada por um tetracorde – como também o uso de regiões da tonalidade incomuns à época (as relações oriundas de subdominante menor. em 1949. mas. 7as. consequentemente. de fato. Os pesquisadores brasileiros que refutam a hipótese de Laurindo Almeida ter sido um dos precursores da Bossa Nova fazem-no como uma espécie de reação à visão estran- geira – que tende a atribuir ao violonista um papel demasiadamente grande na gênese da concepção musical da Bossa Nova –. 9as. É possível afir- mar que esses tais fundamentos harmônicos já estavam contidos primeiramente no choro também intitulado Brazilliance. deve ser levado em consideração que Laurindo Almeida já estava morando nos Estados Unidos desde 1947. LAURINDO ALMEIDA 129 presentes na obra do violonista alguns anos antes do lançamento do primeiro disco da série Brazilliance. Nele foi verificado tanto o uso de acordes sensivelmente mais alterados – 6as. o que. resta agora retomar a pergunta inicial: por que Laurindo.

p. no tocan- te a Laurindo Almeida.134) Desse modo. E no Brasil. deve ser levado em conta que a música instrumental. com . permaneceram centrados somente nessas discussões circunscritas à Bossa Nova.133). músicos como Laurindo Almeida. em decorrência disso. (Squeff & Wisnik.130 ALEXANDRE FRANCISCHINI a própria polêmica em torno da Bossa Nova acabou por ofuscar a sua carreira voltada à música erudita. acabou ficando ainda mais restrita a um círculo fechado de especialistas. a música popular urbana – segundo Wisnik “a expressão do contemporâneo em pleno processo inacabado” (idem. ou de vanguarda radical). quando esta quisesse passar por música brasileira. em qualquer lugar do mundo. Radamés Gnattali e tantos outros. depois da Era dos Festivais. estando assim dissonante com os ideais de unificação social e cultural para o estabelecimento de um ethos da nação por meio da música.148) –. Consequentemente. p. não atendia aos interesses nacionalistas justamente por “promover uma desorganização da visão centralizada homogênea e paternalista da cultura nacional” (idem. artigo publicado no livro O Nacional e o popular na cultura brasileira: A plataforma ideológica do nacionalismo musical consistia na tentativa de estabelecer um cordão sanitário-defensivo que separasse a boa música (resultante da aliança da tradição erudita nacionalista com o folclore) da música má (a popular urbana comercial e a erudita europeizante. só recentemente. p. Como bem lembra José Miguel Wisnik em “Getúlio da Paixão Cearense: Villa-Lobos e o Estado Novo”. sempre foi muito crítica em relação aos músicos que foram influenciados pela música estrangeira. principalmente pelo jazz. por conviver com dados da música internacional. Além disso. cuja produção musical – o que pode ser conferido na catalogação – é tão ou mais expressiva do que a voltada à música popular. devido ao fato de serem “promíscuos” musicalmente. nunca esteve presente nos grandes veículos de comunicação de massa. Também é preciso dizer que a musicologia brasileira por muito tempo esteve imbuída de uma perspectiva nacionalista – sobretudo americanofóbica – e. Os pesquisadores brasileiros. 1982.

sociais e culturais. jazzista. espacial ou musical. choros e sambas de vários estilos. violonista erudito. a partir de uma perspectiva mais abrangente. Ou seja. Indo além: ao aferir as questões indagadas neste livro. marcado por profundas mudanças econômicas. Os avanços tecnológicos conquistados no decorrer de todo o século XX ocasionaram uma diminuição drástica não só das fronteiras territoriais como também das fronteiras culturais. vêm tendo. talvez seja possível afirmar – em uma espécie de síntese do que já foi dito – que tudo se resume ao fato de que Laurindo viveu em um dado momento ímpar na história da humanidade. em última análise termino concluindo que Laurindo Almeida é um músico que. a devida atenção. por ter transitado nos mais diversos universos musicais (compositor de letra e música de valsas. reflete exatamente o paradigma de sua época. . LAURINDO ALMEIDA 131 o enfraquecimento dos ideais nacionalistas. compositor arranjador e instrumentista de trilhas sonoras). Já no que tange ao livro – dada a importância de Laurindo e o seu papel no exterior. de legítimo representante de uma escola violonís- tica brasileira – espera-se que ele seja o primeiro de muitos outros trabalhos relacionados à sua vida e obra. por parte dos pesquisadores brasileiros. pondo assim em xeque o paradigma nacionalista. marchas. alheio a qualquer tipo de fronteira.

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br Fundação Joaquim Nabuco: www.htm Boss of the Bossa Nova: http://laur-meida.bossa.br Instituto Moreira Salles: www. com.com Bossa Nova Online: www.com Vinyl Records by Audiophile USA: www.com Vinyl-Records.audiophileusa.Biz: www.fundaj.cliquemusic.amazon.ebay.com Laurindo Almeida: www.vinyl-records.com.com.ims.gov.laurindoalmeida.net Ebay: www.csun.com.: www.com Clique Music Editora S/A.cgi.br Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira: www.laurindoalmeida.br Laurindo Almeida: www. ANEXO I Catalogação discográfica Fontes de consulta: • Páginas da Internet Amazon: www.net.com Oviatt Library Digital Collections: http://digital-library.blogspot.dicionariompb.biz/jazz.musicstack.edu Consultas realizadas entre os meses de junho de 2006 e abril de 2007 .br MusicStack Marketplace: www.

516 Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM Título: Música maestro por favor Título: Uma lembrança uma Intérprete: Laurindo Almeida saudade Compositor: A.516 Disco n°: 34.649 Disco n°: 11.474 Gravadora: RCA Victor Gravadora: RCA Victor Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM .138 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Acervo do colecionador Ronoel Simões Consultas realizadas entre os meses de maio e setembro de 2006 No Brasil Título: Saudade que passa Título: Inspiração Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Gastão Bueno Lobo Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida Lado: A Lado: B Lançamento: 1938 Lançamento: 1938 Disco n°: 11.655 Disco n°: 34. Wrubel/ Intérprete: Luiz Americano H.649 Gravadora: Odeon Gravadora: Odeon Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM Título: Dá-me tuas mãos Título: O último samba Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Roberto Paiva Compositor: Mario Lago/ Compositor: Laurindo Almeida Roberto Martins Lado: A Lado: A Lançamento: 1938 Lançamento: 1939 Disco n°: 11. Magidson Compositor: Laurindo Almeida Lado: B Lado: A Lançamento: 1939 Lançamento: 1939 Disco n°: 34.

LAURINDO ALMEIDA 139

Título: Pensando em você Título: Mulato antimetropolitano
Intérprete: Luiz Americano Intérprete: Carmem Miranda
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 34.474 Disco n°: 11.787
Gravadora: RCA Victor Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Você nasceu para ser grã- Título: Aldeia de roupa branca
fina Intérprete: Os Pinguins
Intérprete: Carmem Miranda Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida Ubirajara Nesdan
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 11.787 Disco n°: 34.578
Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Se recordar é viver
Título: Pedro viola
Intérprete: Roberto Paiva
Intérprete: Aracy de Almeida
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Gastão Bueno Lobo
Lado: A
Lado: A
Lançamento: 1939
Lançamento: 1939
Disco n°: 34.456
Disco n°: 11.848
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Doce mentira Título: Última lágrima
Intérprete: Luiz Americano Intérprete: Luiz Americano
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 34.499 Disco n°: 34.499
Gravadora: RCA Victor Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

140 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Título: Ainda te lembras de mim?
Título: Minha saudade
Intérprete: Valdemar Reis
Intérprete: Aracy de Almeida
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Garoto
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1940
Lançamento: 1940
Disco n°: 34.586
Disco n°: 12.053
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: De papo pro ar
Título: Saudades de Matão
Intérprete: Laurindo Almeida
Intérprete: Laurindo Almeida
Compositor: Joubert de Carvalho/
Compositor: Jorge Galatti
Olegário Mariano
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1940
Lançamento: 1940
Disco n°: 34.684
Disco n°: 34.684
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Noite de temporal
Intérprete: Dorival Caymmi Título: Nem de joelhos
Compositor: Dorival Caymmi Intérprete: Osvaldo Novarro
Acompanhamento: Laurindo Compositor: Laurindo Almeida/
Almeida, Dilermando Reis e Constantino Silva
Rogério Guimarães. Lado: A
Lado: B Lançamento: 1941
Lançamento: 1940 Disco n°: 52.214
Disco n°: 11.850 Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Cantigas de roda Título: Uma gaita em sevilha
Intérprete: Edu Nadruz (Edu da Intérprete: Edu Nadruz (Edu da
Gaita) Gaita)
Compositor: Sem identificação Compositor: Sem identificação
Arranjo: Laurindo Almeida Arranjo: Laurindo Almeida
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1941 Lançamento: 1941
Disco n°: 55.269 Disco n°: 55.284
Gravadora: Columbia Gravadora: Columbia
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

LAURINDO ALMEIDA 141

Título: Velhas melodias
Título: Dança da girafa
Intérprete: Edu Nadruz (Edu da
Intérprete: Leonora Amar
Gaita)
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Sem identificação
Arnaldo Paes/Alden Vieira
Arranjo: Laurindo Almeida
Lado: A
Lado: B
Lançamento: 1941
Lançamento: 1941
Disco n°: 55.318
Disco n°: 55.284
Gravadora: Columbia
Gravadora: Columbia
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Quem não chora não mama
Título: Não quero dizer adeus
Intérprete: Odete Amaral
Intérprete: Odete Amaral
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Ubirajara Nesdan
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1941
Lançamento: 1942
Disco n°: 12.019
Disco n°: 12.088
Gravadora: Odeon
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Meu caboclo
Título: Nana
Intérprete: Orlando Silva
Intérprete: George Brass
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Junquilho Lourival
Lado: A
Lado: B
Lançamento: 1942
Lançamento: 1942
Disco n°: 12.212
Disco n°: 34.898
Gravadora: Odeon
Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Malvada minha Título: Que chêro bom!
Intérprete: Alvarenga e Ranchinho Intérprete: Cinara Rios
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Alvarenga e Ranchinho Jararaca
Lado: A Lado: A
Lançamento: 1943 Lançamento: 1943
Disco n°: 12.337 Disco n°: 34.720
Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

142 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Título: Casa sem número
Título: Sinhazinha
Intérprete: Odete Amaral
Intérprete: Odete Amaral
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Dias Cruz
Lado: A
Lado: A
Lançamento: 1943
Lançamento: 1944
Disco n°: 12.343
Disco n°: 12.480
Gravadora: Odeon
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Você é tudo que sonhei Título: Amor
Intérprete: Heleninha Costa Intérprete: Heleninha Costa
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Del Loro Donga
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1945 Lançamento: 1945
Disco n°: 15.220 Disco n°: 15.220
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Ao cair de uma estrela Título: Cabroxinha
Intérprete: Leo Albano Intérprete: Leo Albano
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Edgar de Almeida Edgar de Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1945 Lançamento: 1945
Disco n°: 15.218 Disco n°: 15.218
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Pássaro cativo Título: Dissimulada
Intérprete: Orlando Silva Intérprete: Orlando Silva
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Dias Cruz Bororó
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 12.706 Disco n°: 12.706
Gravadora: Odeon Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

LAURINDO ALMEIDA 143

Título: Carinho proibido Título: Perfume da terra
Intérprete: Heleninha Costa Intérprete: Heleninha Costa
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Romeu G. de Almeida Dias Cruz
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 15.719 Disco n°: 15.719
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Buliçoso Título: Pandeiro manhoso
Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Laurindo Almeida
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 15.771 Disco n°: 15.771
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Fantasia brasileira Título: Rapsódia brasileira
Intérprete: Laurindo Almeida/ Intérprete: Laurindo Almeida/
Radamés Gnattali Radamés Gnattali
Compositor: Idem Compositor: Idem
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1953 Lançamento: 1953
Disco n°: 16.719 Disco n°: 16.719
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM:

Título: As Rosas do cume
Intérprete: Franco D’Almeida
Compositor: Laurindo Almeida
Lado: Indefinido
Lançamento: Sem identificação
Disco n°: 43.234
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM

Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 5. 1 disco sonoro n° P-8367. 10 pol.. Eili-Eili (Tradicional) 3. Rafaga (Turina) 7. Insomnia (Laurindo Almeida) 2. 1949. mono. mono. Sevillana (Turina) 6. Tango in D (Albeniz) 4. 1..144 ALEXANDRE FRANCISCHINI Nos Estados Unidos 1. 12 pol. Califórnia: Capitol Records. Zambra Granadina (Albeniz) 3. Califórnia: Capitol Records. Fandanguillo (Turina) 8. Cadiz (Albeniz) 5. Laurindo. Laurindo. Bourree (Bach) 6. 33 1/3 RPM. Sacro-Monte (Turina) ALMEIDA. Vistas D’España. . Mystified (Laurindo Almeida) 7. Brazilliance (Laurindo Almeida) 4. 1 disco sonoro n° EBF-193. Concert Creations for Guitar. Malagueña (Ernesto Lecuona) 8. 33 1/3 RPM. Malagueña (Albeniz) 2. Dream/Sueños (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 1950.

Serenata Espanhola “Ouvre Ton Coeur Bolero” (Georges Bizet) 6. Valsa da “Serenata Para Cordas” Em Dó Maior Op. Valsa da “Serenata Para Cordas” Em Dó Maior Op. Serenata Op. 48 2º Mov. Drigo) 3. 45 RPM. USA: Coral Records. La Paloma (Laurindo Almeida - Sebastian de Tradier) 6. (Tchaikovsky) 4. 15 Nº 1 (Moritz Moszkowksi) 7. Andalucia (Ernesto Lecuona) 3. Laurindo. 7 pol. Serenata (Franz Drdla) 12. Serenata (Franz Drdla) ALMEIDA. 4 discos sonoros n° CRL-56049. Serenata da Opereta “O Príncipe Estudante” (Sigmund Romberg/ Dorothy Donnelly) 11. Serenata Espanhola “Ouvre Ton Coeur Bolero” (Georges Bizet) 9. Serenata Op. LAURINDO ALMEIDA 145 1. Califórnia: Coral Records. Guitar Recital of Famous Serenades. Serenata “Les Millions D’Arlequin” (R. Serenata (Franz Schubert) 2. Serenata (Toselli) 7.. Adiós (Eric Madriguera) 8.. 1951. Brazilian Ukulele (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. Guitar Recital. Drigo) 4. 1951. mono. Serenata da Opereta “O Príncipe Estudante” (Sigmund Romberg/ Dorothy Donnelly) 8. 15 Nº 1 (Moritz Moszkowksi) 10. 12 pol. Laurindo. 1 disco sonoro n° CRL-57056. Serenata (Franz Schubert) 2. (Tchaikovsky) 5. 48 2º Mov. mono. 1. 33 1/3 RPM. . Serenata (Toselli) 5. Serenata “Les Millions D’Arlequin” (R.

Concerto for Guitar and Small Orchestra. Gavotte 9. Tea for Two (Caesar/Victor Youmans) 8. Saudade (Radamés Gnattali) ALMEIDA. Prelude 6. Cadenza 4. Brazilliance (Laurindo Almeida) 10. Concerto for Guitar and Small Orchestra (Villa-Lobos) 1. 1 disco sonoro. Allegro Preciso 2. mono. Sueños (Dreams). Malagueña (Ernesto Lecuona) 4. Califórnia: Capitol Records. Insomnia (Laurindo Almeida) 7. 12 pol. Mystified (Laurindo Almeida) 3. Villa-Lobos. Bach) ALMEIDA.. 195?. 33 1/3 RPM.. . Laurindo. Sarabande 8. Allemande 7. Gigue 10. Eili-Eili (Traditional) 11. 12 pol. 33 1/3 RPM. Sueño (Laurindo Almeida) 9. Valse de Concerto (Agustin Barrios) 6. mono. 1951. Staniana (Laurindo Almeida) 5. Califórnia: Capitol Records n° SP-8638. Arioso (J. Allegro Non Troppo Suite in A Minor (Weiss) 5. 1 disco sonoro n° T-2345.146 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.S. Laurindo. Laura (Raskin) 2. Andantino 3.

Brazilian Ukulele (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. 12 pol. Samba Sud (Sidney Torch) 2. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. LAURINDO ALMEIDA 147 1. Nono (Romualdo Peixoto) 13. Veradero (Não Identificado) 3. Noctambulism (H. mono. Adiós (Eric Madriguera) 8. Tocata (Radamés Gnattali) 11. Siboney (Não Identificado) 4. Latin Melodies. Laurindo. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. Laurindo. 1 disco sonoro n° LVC-10009. Califórnia: World Pacific Records. 33 1/3 RPM. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. 1953. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3.. Inquietação (Ary Barroso) 8. mono. Califórnia: Coral Records. 33 1/3 RPM. Hazard) 12. La Paloma (Laurindo Almeida/ Sebastian de Tradier) 6. Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank Volumes 1 e 2. 1. 2 discos sonoros n° PJ-7 e PJ-13.. 1953. Speak Low (Weill/Nash) 7. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. Andalucia (Ernesto Lecuona) 7. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. . 10 pol. Hazardous (R. Babasin) 14. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. Estrellita (Manuel Ponce) 5.

. 1955. Almeida/G. 12 pol. Califórnia: World Pacific Records.. 1. 1 disco sonoro n° EAP-1-675. 1955. Speak Low (Weill/Nash) 7.148 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Chubasco (The Storm) (L. mono. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. . Fields) 2. mono. Laurindo. 10 pol. Inquietação (Ary Barroso) 8. 1 disco sonoro n° PJ-1204. Almeida/G. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. Fields) 4. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. Tocata (Radamés Gnattali) 11. Babasin) 14. FIELDS. George. Hazardous (R. The Naked Sea Ballad (L. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. Almeida/G. Noctambulism (H. Fields) 3. Nono (Romualdo Peixoto) 13. 33 1/3 RPM. 45 RPM. Laurindo. Califórnia: Capitol Records. Horizon (L. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Hazard) Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. Almeida/G. Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank. Naked Sea. Volcano (L. Fields) ALMEIDA..

Prelude nº 4 in E minor (Villa-Lobos) 4. Radamés. 33 1/3 RPM. Samba Canção (Radamés Gnattali) 5. . 5. Toada (Radamés Gnattali) 3. Invention in two Parts (Laurindo Almeida) 12.. Study nº 5 in C major (Villa-Lobos) 3. LAURINDO ALMEIDA 149 1. Bullerias y Canción (José Barroso) 6. GNATTALI. Choro da Saudade (Agustin Barrios) 9.. 12 pol. Preludio Op. Baião (Radamés Gnattali) 6.. Cajita de Música (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° P-8321. Bolacha Queimada (Radamés Gnattali) 10. Amargura (Radamés Gnattali) 12. Preludio y Tremolo (Laurindo Almeida) 11. 12 pol. in G minor (Agustin Barrios) 8. Invocação a Xangô (Radamés Gnattali) 2. 1956. Valse (Manuel Ponce) 10. mono. 1. Choro (Radamés Gnattali) 4. mono. Escrevendo pra Você (Radamés Gnattali) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. Tehuacan (Lamento y danza) (José Barroso) 7. Califórnia: Capitol Records. Rio de Janeiro: Continental Records. 1 disco sonoro n° LLP-36. Vou andar por aí (Radamés Gnattali) 13. 1956. nº 1. Suíte Popular Brasileira. Marcha (Radamés Gnattali) 7. Papo de Anjo (Radamés Gnattali) 8. Puxa-Puxa (Radamés Gnattali) 9. Pé de Moleque (Radamés Gnattali) 11. Cheiro de Malícia (Radamés Gnattali) 14. Guitar Music of Latin America. Laurindo. Study nº 11 in E minor (Villa-Lobos) 2. Laurindo. Prelude nº 2 in E major (Villa-Lobos) 5.

1 disco sonoro n° P-8381. Allegro (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 2. Califórnia: Capitol Records. 12 pol. 1957. Primeiro Movimento (Allegro) 5. Choro Gracioso (Garoto) 7. TURNER. 1. Serenata (Laurindo Almeida) 9. Saudade (Radamés Gnattali) 5. Laurindo. Primeiro Movimento 2.. . mono.. Laurindo. 33 1/3 RPM. Segundo Movimento 3. 33 1/3 RPM. Concerto de Copacabana. mono. Terceiro Movimento (Presto) ALMEIDA.. Adagio (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 3. Choro Triste (Garoto) 6. 12 pol. Terceiro Movimento Concerto for Guitar and Piano (Radamés Gnattali) 4. Segundo Movimento (Adagio) 6.150 ALEXANDRE FRANCISCHINI Concerto de Copacabana (Radamés Gnattali) 1. Crepúsculo em Copacabana (Laurindo Almeida) 10. Rio de Janeiro: Capitol Records. 1 disco sonoro n° SP-8625. 1957. Ray. Nosso Choro (Garoto) 8. Presto (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 4. Gavotta-Choro (Villa-Lobos) ALMEIDA. Impressões do Brasil.

1957. Detonação (Duas Guitarras com Percussão) 13. 12 pol. New York: Jazztone Society Records. Olhos Lindos e Sou Teu (Pequeno Conjunto) 7. 33 1/3 RPM. 33 1/3 RPM. 1958. Laurindo. . Tocata (Gnattali) 3. Noctambulism (Babasin) 6. Nono (Peixoto) 5. A Dama Desmascarada (Solo de Guitarra) 9.. Lua de Maracaibo (Rumba e Conjunto Latino) 12. Califórnia: Decca Records. Esquiação Aquática (Solo de Guitarra) 3. Confissão Sincera (Solo de Guitarra) 14. 1 disco sonoro n° DL-8756. Montagem: Vida Noturna de Caracas (Bateria e Solo de Guitarra com Conjunto Latino) 5. Hazardous (Hazzard) 4. 1 disco sonoro n° 1264. 12 pol. Blue Baião (Gonzaga/Teixeira) ALMEIDA.. Maracaibo. Montagem N° 2: Vida Noturna em Maracaibo (Solo de Guitarra com Conjunto Latino) 10. mono. mono. Laurindo. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 2. Finale e Título de Encerramento (Solo de Guitarra) ALMEIDA. Delightfully Modern. Título de Abertura: Lua de Maracaibo (Letra: Jefferson Pascai) 2. 1. O Grande Homem do Texas (Solo de Guitarra) 4. Ave Maria (Solo de Guitarra) 11. LAURINDO ALMEIDA 151 Side One: Chico Hamilton Quintet Side Two: Laurindo Almeida Quartet Faixas: 1. Sem Medo (Solo de Guitarra) 8. Alvorecer Sobre o Lago (Solo de Guitarra) 6.

Sicilienne (Gabriel Fauré) 12. RUDERMAN. Duets With the Spanish Guitar. USA: Capitol Records 1958. 28 N° 4 (Frederic Chopin) 6. 1 disco sonoro n° P-8406.. Entr’acte (Jacques Ibert) 2.. Ronde (Emile Desportes) 4.Aria (Heitor Villa-Lobos) 3. O Caçador (Laurindo Almeida) 7. Tambourin (François Gossec) 10. 12 pol.Estrella do Mar) (Jayme Ovalle) 9. Piece en forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. TERRI.. Três Pontos de Santo (Chariô – Aruando . Bachianas Brasileiras N° 5 .152 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Laurindo. Prelude in Em Op. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. . Maracatu (Ernani Braga) ALMEIDA. mono. Salli. Para Niña (Paurillo Barroso) 13. Boi-Bumbá (Valdemar Henrique) 11. Azulão (Jayme Ovalle) 5. Martin. 33 1/3 RPM.

Laurindo. Music for the Spanish Guitar. For My Love True. Villa-Lobos. Califórnia: Capitol Records. Sweet Love Doth Now Invite (John Dowland) 6. 33 1/3 RPM. Gagliarda (Vincenzo Galilei) 12. LAURINDO ALMEIDA 153 1. Canción & Pólo (Manuel de Falla) 2. 1 disco sonoro n° SP-8497. Estudo N° 7 (Villa-Lobos) 6. Bist du Bei Mir (Johann Sebastian Bach) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° SP-8461. Laurindo. 50 (Gabriel Fauré) 3..Lute Suite No 1 in E BWV 996 (Johann Sebastian Bach) 14.. TERRI. Gigue . JP Martini) 11. . 12 pol. Choro Típico (Villa-Lobos) 5. estéreo.. Prelúdio N° 1 (Villa-Lobos) 3. 12 pol. Estudo N° 8 (Villa-Lobos) 4. 1959. Passarinho está Cantando (Francisco Mignone) 7. Estudo N° 1 (Villa-Lobos) 2. Prelúdio N° 3 (Villa-Lobos) 8. Black is the Color of My True Love’s Hair (Scottish/US Folk Song) 5. Jota. mono. Modinha (Jayme Ovalle) 8. Op. Pavane. Salli. Galliard: Come Again. O Cessate di Piagarmi (Alessandro Scarlatti) 13. 1959. Prelude (Robert de Visée) 9. Lass from the Low Countree (US Folk Song) 4. 1. 33 1/3 RPM. Au Bois du Rossignolet (French- Canadian Folk Song) 10. Schottish/Choro (Villa-Lobos) ALMEIDA. Plaisir D’amour (Florian. Prelúdio N° 5 (Villa-Lobos) 7. Califórnia: Capitol Records.

Our Father Who Art in Heaven (Bach) 5.154 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Prelude in C Sharp Minor Op. Laurindo. . Farruca (Falla) 2. Clair de Lune (Debussy) 3. Nº 1 (Chopin) 11. 12 pol. 1960. Danza Española (Isaac Albéniz) 6. 1960. Betsabé (Carlos Pedrell) 9. mono. Danza Española N° 5 (Enrique Granados) 2. (Rachmaninoff) ALMEIDA. estéreo. 33 1/3 RPM.. Zoraida (Carlos Pedrell) 7. The Spanish Guitars of Laurindo Almeida. Danzas! Califórnia: Capitol Records. 33 1/3 RPM. 7. Preludio y Danza (Julian Bautista) 5. 3. Dança Brasileira (Radamés Gnattali) 4. 12 pol. Valse (Chopin) 7. Mazurca Op. 1 disco sonoro n° SP-8521. Duetto III (Bach) 10. Minuet (Ravel) 6. Califórnia: Capitol Records. Danza Española N° 10 (Enrique Granados) 3. Doña Mencia (Carlos Pedrell) 8. N° 2. 1 disco sonoro n° SP-8467. Almeida) 4.. 1. Brazilliance Nº 1 (L. La Plus que Lente (Debussy) 9. Laurindo. Danza Mexicana (José Barroso) ALMEIDA. Zambra (Granados) 8.

LAURINDO ALMEIDA 155

1. Sarita’s Mambo (Hecht Lancaster/
Buzzeli)
2. The Happy Cha-Cha-Cha! (Hecht
Lancaster/Buzzeli)
3. The Suspense Cha-Cha (Hecht
Lancaster/Buzzeli)
4. Mambo a la Teen (Hecht
Lancaster/Buzzeli)

ALMEIDA, Laurindo. Happy ChaChaCha: Laurindo Almeida and the
Danzaneros. Califórnia: Capitol Records, 1960, 1 disco sonoro n° ST-1263,
33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Tarantella (Castenuovo/Tedesco)
2. La Guarda Cuydadosa
(Castenuovo/Tedesco)
3. Miniature Suite (Duarte)
4. Sonatina for Guitar (Albert Harris)
5. First Movement (Sonata for Guitar/
Turina)
6. Second Movement (Sonata for
Guitar/Turina)
7. Third Movement (Sonata for
Guitar/Turina)
8. En Los Trigales (Rodrigo)
9. Preludes N° 2, 5, 8, 10, 11, 12
(Ponce)
ALMEIDA, Laurindo. The New World of the Guitar. Califórnia: Capitol
Records, 1961. 1 disco sonoro n° P-8392, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol..

156 ALEXANDRE FRANCISCHINI

1. El Vito (Spanish Folk Song)
2. Distribuição de Flores (Villa-Lobos)
3. Choro e Batuque (Almeida)
4. Danse (Debussy-Almeida)
5. Modinha (Seresta n.5) (Villa-Lobos)
6. Medley: The Frog Songs (sapo na
toca), (Boi ta-ta, Benedito Pretinho)
7. First Arabesque (Debussy/Almeida)
8. Two Mexican Folk Songs (Carmen/
Sandunga)
9. La Frescobalda For Viola and Guitar
(Frescobaldi/Almeida)
10. A Dormir Ahora Mesmo (Spanish
Cradle Song)
ALMEIDA, Laurindo. Conversations with the Guitar. Califórnia: Capitol
Records, 1961, 1 disco sonoro n° SP-8532, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Al Amor (Cristobal de Castillejo)
• Scherzo (Sylvius Leopold Weiss)
2. Gavotte (Hugard) • Allemande
(Sylvius Leopold Weiss)
3. El Testamento de
Amelia (Traditional) • Pascalle
(Gaspar Sanz)
4. Canários (Francisco Guerau)
• Prelude and allegro (Santiago de
Murcia)
5. Lento (Cantando com
simplicidade) (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
6. Adagio (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
7. Movido (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
8. Valsa nº 4 (Mozart Camargo
Guarnieri)
ALMEIDA, Laurindo. The Guitar Worlds of Laurindo Almeida. Califórnia:
Capitol Records, 1961. 1 disco sonoro n° SP-8546, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

LAURINDO ALMEIDA 157

1. Komm Susser Tod (White Viola)
2. Fuga from Sonata N° 3 in C (Guitar
Solo)
3. Sarabande and Double from Partita
N° 1, B flat minor (with Viola)
4. Bourree and Double from Partita
N° 1, B flat minor (with Viola)
5. Jesu, Joy of Man’s Desiring (With
Viola)
6. Partita B flat (with Horn)
Preludium
Allemande
Courante
Sarabande
Minuets 1 & 2
Gigue
ALMEIDA, Laurindo. The Intimate Bach. Germany: Capitol Records, 196?
1 disco sonoro n° SP-8582, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Atabaque (Radamés Gnattali)
2. Amor Flamenco (Laurindo
Almeida)
3. Stairway to the Stars (Malneck/
Parish/Signorelli)
4. Acércate Más (Osvaldo Farrés)
5. Terra Seca (Ary Barroso)
6. Speak Low (Weill/Nash)
7. Inquietação (Ary Barroso)
8. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/
Dante Varela)
9. Carinhoso (Pixinguinha/João de
Barro)
10. Tocata (Radamés Gnattali)
11. Hazardous (R. Hazard)
Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. Nono (Romualdo Peixoto)
13. Noctambulism (H. Babasin)
14. Blue Baião (Luiz Gonzaga/
Humberto Teixeira)
ALMEIDA, Laurindo. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud
Shank. Califórnia: World Pacific Records, 1961, 1 disco sonoro n ° WP-1412,
33 1/3 RPM, mono., 12 pol.

158 ALEXANDRE FRANCISCHINI

1. Reverie (Debussy)
2. Mélodie Op. 42, nº 3 (Tchaikovsky)
3. Schon Rosmarin (Fritz Kreisler)
4. Dance of the Sugar Plum Fairy (from
“The Nutcracker”) (Tchaikovsky)
5. Discantus (Laurindo Almeida)
6. Tango Español (Isaac Albeniz)
7. Pavane Pour Une Infante
Defunte (Maurice Ravel)
8. Étude Op. 10, nº 3
(Tristesse) (Chopin)
9. Waltz (from “Serenade for Strings”
in C major) (Tchaikovsky)
10. Waltz Op. 39, nº 15 (Brahms)
11. Barcarole (June, from “The
Seasons”) (Tchaikovsky)
ALMEIDA, Laurindo. Reverie for Spanish Guitars. Califórnia: Capitol
Records, 1962. 1 disco sonoro n° SP-8571, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Simpático (S. Wilson)
2. Rio Rhapsody (Laurindo Almeida/
Radamés Gnattali)
3. Nocturno (Laurindo Almeida)
4. Little Girl Blue (Richard Rodgers/
Lorenz Hart)
5. Choro in A (Laurindo Almeida)
6. Mood Antigua (Bud Shank)
7. The Color of Her Hair (Laurindo
Almeida)
8. Lonely (Laurindo Almeida/Bud
Shank)
9. I Didn’t Know What Time it Was
(Richard Rodgers/Lorenz Hart)
10. Carioca Hills (Laurindo Almeida)
ALMEIDA, Laurindo. Brazilliance Volume 2. Califórnia: World Pacific
Records, 1962, 1 disco sonoro n° WP-1419, 33 1/3 RPM, mono., 12 pol.1

1 Gravado em Los Angeles, em março de 1958. Antes de fazerem parte da série
Brazilliance, estas músicas foram lançadas primeiramente em um disco do
saxofonista Bud Shank intitulado Holiday in Brazil (WP-1259), com o selo da
gravadora World Pacific Records, em 1959.

LAURINDO ALMEIDA 159

1. A New Love is Like a Newborn
Child (Brown/Curtis)
2. He’s Comin’ Back (Unknown)
3. Look Away (Unknown)
4. Mountain High, Valley Low (Scott/
Hanighen)
5. Your Eyes (Schorr/Helms)
6. A Sleepin’ Bee (Arlen/Capote)
7. The Color of my True Love’s Hair
(Unknown)
8. My Man’s Gone Now (Heyward/
Gershwin)
9. Johnny Guitar (Young/Lee)
10. The First Time (McColl)
ALMEIDA, Laurindo.; WHITE, Kitty. Buddy Collette Orchestra. USA:
Surrey Records, 1962. 1 disco sonoro n° SS-1004, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Recado da Bossa Nova (Djalma
Ferreira/Luiz Antônio)
2. I Left My Heart in San
Francisco (George Cory/Douglas
Cross)
3. O Barquinho (Roberto Menescal/
Ronaldo Bôscoli)
4. What Kind of Fool Am I? (Leslie
Bricusse/Anthony Newley)
5. Acapulco 1922 (Herb Allen)
6. Heartaches (Al Hoffman/John
Klenner)
7. Fly me to the Moon (In other
words) (Bart Howard)
8. Satin Doll (Duke Ellington)
9. The Alley Cat Song (Frank Bjorn/
Jack Harlen)
10. Meditação (Meditation) (Newton
Mendonça/Tom Jobim)
11. Walk Right in (Erik Darling/
Willard Svanoe)
12. Days of Wine and Roses (Henry
Mancini/Johnny Mercer)
ALMEIDA, Laurindo. Ole! Bossa Nova: Laurindo Almeida and the Bossa
Nova All Stars. Califórnia: Capitol Records, 1962. 1 disco sonoro n° ST-
1862, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

Maria (Stephen Sondheim/Leonard Bernstein) 5. Teach me Tonight (Gene De Paul/ Sammy Cahn) 7. estéreo. Califórnia: Capitol Records. Lazy River (Hoagy Carmichael/ Sidney Arodin) 3. Theme from “Route 66” (Nelson Riddle) ALMEIDA. Laurindo. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 10. Viva Bossa Nova! Laurindo Almeida and the Bossa Nova All Stars. Mr. 33 1/3 RPM. 12 pol.160 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Moon River (Henry Mancini/ Johnny Mercer) 9. Petite Fleur (Sidney Bechet/ Fernand Bonifay) 6. . Ramblin’ Rose (Joe Sherman/Noel Sherman) 4. Lucky (Henry Mancini) 11. 1962. Samba de uma Nota Só (Newton Mendonça/Tom Jobim) 12.. Naked City Theme (Billy May) 2. 1 disco sonoro n° ST- 1759. Lollipops and Roses (Tony Velona) 8.

More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. It’s a Bossa Nova World: Laurindo Almeida and the Bossa Nova All Stars. Russell/N. Say Wonderful Things (Norman Newell/Phil Green) 5. Ciorciolini/Norman Newell/Riz Ortolani) 11. LAURINDO ALMEIDA 161 1. Ei) 4. Lisboa Antigua (José Galhardo/ Raul Portela/Amadeo do Vale) 10. Misirlou (S. Nakamura/R. I Will Follow Him (Norman Gimbel/Stol/Roma/Altman) 3. Tie me Kangaroo Down. Califórnia: Capitol Records. 1 disco sonoro n° T-1946. Danke Schoen (Bert Kaempfert/ Ilene/Schwabach) 8. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 9. estéreo. Sport (Rolf Harris) 2. . 12 pol.. Rio Bonito (Ned Aldeen/Portia Nelson) 12. Sukiyaki (H. Laurindo. 1963. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 6. Hava Nagíla (Tradicional/David Taxe) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. Song of the Islands (Charles King) 7. Oliviero/M.

Gravy Waltz (Não Identificado) 5. Waltz Frio y Calor (Bud Shank) ALMEIDA. You Stepped out of a Dream (Não Identificado) 8. Antes de fazerem parte da série Brazilliance. Detour Ahead (Não Identificado) 6. estas músicas foram lançadas primeiramente em um disco do saxofonista Bud Shank intitulado Latin Contrasts (WP-1281). But Beautiful (Não Identificado) 7. Toro Dance (Bud Shank) 6. 12 pol. Harlem Samba (Laurindo Almeida) 2. Brazilliance Volume 3. ELLIS. 1963. 1 disco sonoro n° WP-1425. Laurindo. Low Society Blues (Não Identificado) 4. 1. North of the Border (Laurindo Almeida) 3. Herb. Blowing Wild (Webster/Dimitri Tiomkin) 9. em março de 1958.2 2 Gravado em Los Angeles.. 1 disco sonoro n° 17036.162 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. GRAY. I Told ya I Love ya (Não Identificado) 2. Johnny. em 1959. 33 1/3 RPM. Sweet Dreams (Não Identificado) 3. 12 pol. Three Guitars in Bossa Nova Time.. mono. Bossa Nova Number Two (Não Identificado) 9. ’Round Midnight (Thelonious Monk/Bernie Hanighen/Cootie Williams) 5. Laurindo. Bossa Nova Samba (Não Identificado) 10. Xana Lyn (Bud Shank) 8. Califórnia: World Pacific Records. 1963. USA: Epic Records. 33 1/3 RPM. . com o selo da gravadora World Pacific Records. Serenade for Alto (Laurindo Almeida) 7. estéreo. Sunset Baião (Laurindo Almeida) 4.. Gershwin Prelude (George Gershwin) 10. Leave it to Me (Não Identificado) ALMEIDA.

estéreo. Quiet Nights (Jobim/Kaye/Lees) 5. 1. Records. Choro for People in Love (Laurindo Almeida) 7.. Twilight in Rio (Laurindo Almeida) 11. Carnival (Bonfa/Peretti/Creatore/ Weiss) 11. Dear Heart (Mancini/Livingston/ Evans) 3. Meditation (Jobim/Mendonça/ Gimbel) 2. 1964.. Could Have Danced All Night (Lerner/Loewe) 8. Laurindo. . That’s All (Haymes/Brandt) ALMEIDA. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá) 3.. as I Leave You (Devito/ Calabrese/Shaper) 7. LAURINDO ALMEIDA 163 1. Old Guitaron (Almeida/Mercer) 12. Once (Magenta/Gimbel/Marnay) 6. Old Guitaron (Johnny Mercer/ Laurindo Almeida) 9. mono. Softly. 1 disco sonoro n° ST-2197. I’ll Remember April (Raye/ DePaul/Johnston) 9. SOMMERS. Califórnia: Capitol Records. 33 1/3 RPM. Watching the World go by (Segall/ Holt) 4. Guitar from Ipanema. Softly. 1 disco sonoro n° WB-1575. The Girl from Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) 2. Sarah’s Samba (Laurindo Almeida) 4. 33 1/3 RPM. Winter Moon (Laurindo Almeida) 5. Joanie. You Can’t Go Home Again (Ferrerra/Feather) 10. The Fiddler’s Wolf Whistle (Fafá Lemos) ALMEIDA. Izabella (Djalma Ferreira) 6. USA: Warner Bros. 12 pol. 1964. Laurindo. Quiet Nights of Quiet Stars (Tom Jobim) 8. 12 pol. Um Abraço no Bonfá (João Gilberto) 10. the Brazilian Sound.

.The Sound of Music (Oscar Hammerstein/Richard Rodgers) 11. Smoke Gets in Your Eyes (Otto Harbach/Jerome Kern) 7. What Kind of Fool Am I? (Leslie Bricusse/Anthony Newley) 9. J. 33 1/3 RPM. As Long as He Needs Me (Lionel Bart) 4. I’ve Grown Accustomed to her Face (A.164 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.The Most Beautiful Girl (Richard Rodgers/Lorenz Hart) ALMEIDA. 1964. Was She Prettier Than I? (Martin/ Timothy Gray) 10. Is it Really Me? (Tom Jones/ Schmdt) 6. Broadway Solo Guitar. My Funny Valentine (Richard Rodgers/Lorenz Hart) 3. 1 disco sonoro n° T-2063. 12 pol. Laurindo. People (Bob Merrill/Jules Styne) 2. Califórnia: Capitol Records. estéreo. Little Girl Blue (Richard Rodgers/ Lorenz Hart) 8. Lerner/Frederick Lowe) 5. .

. estéreo. LAURINDO ALMEIDA 165 1. Guitar Tristesse (Laurindo Almeida) 10. 1 disco sonoro n° T-2419. Theme from the Reward (Traditional) 7. Lerner/Burton Lane) 9. Moment to Moment (Henry Mancini/Johnny Mercer) 6. The Cincinnati Kid (Lalo Schifrin/ Dorcas Cochran) 4.. Laurindo. Califórnia: Capitol Records. Theme from Morituri (Jerry Goldsmith) ALMEIDA. Pancho’s Guitar (Laurindo Almeida) 5. 33 1/3 RPM. On a Clear Day You Can See Forever (Alan J. Theme From the Skyscrapper (Sammy Cahn/Jimmy Van Heusen) 2. Juarez Street (Laurindo Almeida) 11. Theme from Zorba the Greek (Mikis Theodorakisl) 8. 12 pol. Forget Domani (Norman Newell/ Riz Ortolani) 3. New Broadway – Hollywood Hits: Laurindo Almeida and the San Fernando Guitars Play. 1965.

The Bad and the Beautiful (David Raskin) 9. Marchall) 4. La Plus que Lente (Debussy) 5. Fantasy (Martin Parch) 5. 33 1/3 RPM. 196? 1 disco sonoro n° P-8447. Prelude (Henry Mancini) 3.166 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Pavane por une Infante Defunte (Ravel) 10. 196? 1 disco sonoro n° 36064. Dialogue (Franklyn Marks) ALMEIDA.. Laurindo. Laurindo. Contemporary Creations for Spanish Guitar. Zambra Op. Clair de Lune (Debussy) 3. Clair de Lune. Danza (Lewis Raymond) 8. . 1. Night and the Sea (Franklyn Marks) 11. 5 from Danzas Espanholas (Granados) 6. The Merry Makers (George M. Shuth) 7. Children’s Albums (Jack W. Goldsmith) 2. 33 1/3 RPM. Tango Espanhol (Albeniz) 9. estéreo. Marshall) 12. 12 pol. USA: Angel Records. The Romantic Waltzes (Jack W. Estudo N° 1 (Villa-Lobos) 7. La Coquette (George M.. estéreo. Prelude N° 3 (Villa-Lobos) 4. Smith) 10. Reverie (Debussy) 8. 12 pol. Minueto From Le Tombeau Couperin (Ravel) ALMEIDA. Toccata (Gerold K. Califórnia: Capitol Records. Ballad For a Western (Alex North) 6. The Three-Cornered Hat (Falla) 2.

USA: Atlantic Records. estéreo. Fugue in A Minor (J. 33 1/3 RPM. Califórnia: Capitol Records. Bach) 5. Trieste (John Lewis) 3. 1 disco sonoro n° P-295. 1. mono. Valeria (John Lewis) 4. Guitar Music of Spain. Garotin (Itammage a Tárrega/ Turina) 12. 12 pol. Laurindo. LAURINDO ALMEIDA 167 1. Anedote II (Segovia) 6. Neblina (Segovia) 7. 12 pol. Sevilla (Albeniz) ALMEIDA. One Note Samba (Newton Mendonça/Tom Jobim) 6. Collaboration: The Modern Jazz Quartet with Laurindo Almeida. Estúdio XII (Sor) 9. 33 1/3 RPM. . Concierto De Aranjuez (Joaquín Rodrigo) ALMEIDA. Laurindo. Capricho Árabe (Tárrega) 11. 1 disco sonoro n° SD- 1429. Asturias/Legend (Albeniz) 2.. Oriental (Albeniz) 3. El Círculo Mágico (Albeniz) 4. Silver (John Lewis) 2. 1965. Foi a Saudade (Djalma Ferreira) 7. 1964. Canción Del Fuego Fatuo (Albeniz) 5. Serenata Burlesca (Torroba) 8.. Recuerdos de la Alhambra (Tárrega) 10. Solares (Itammage a Tárrega/ Turina) 13. S.

Do What You Do. . We’ll be Together Again (Frankie Laine/Carl Fischer) 8.168 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. GETZ. 1 disco sonoro n° R-6236. Corcovado (Tom Jobim) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° V-8665. 1.. Sammy Davis Jr. Joey (Frank Loesser) 9. Joey. estéreo.. Where is Love (Lionel Bart) 5. Speak Love (Kurt Weill/Ogden Nash) ALMEIDA. Laurindo. Stan Getz with Guest Artist Laurindo Almeida. Joey. 33 1/3 RPM. Samba da Sahra (Sahra’s Samba) (Laurindo Almeida) 6. Once Again (Outra Vez) (Tom Jobim) 3. Winter Moon (Laurindo Almeida/ Portia Nelson) 4. Maracatu-Too (Stan Getz) 7. Las Vegas: United Recording Corporation of Nevada. I’m Always Chasing Rainbows (June Carroll/Joseph McCarthy) 7. USA: Verve Records. estéreo. 12 pol. 12 pol. The Shadow of your Smile (Johnny Mandel/Paul Francis Webster) 4. Two Different Worlds (Bernie Wayne/Al Frisch) 3. 33 1/3 RPM. Sammy.. Do (Laurindo Almeida/Jeanne Taylor) 5. 1966. The Folks Who Live on the Hill (Jerome Kern/Oscar Hammerstein) 10. Menina Moça (Young Lady) (Luiz Antônio) 2. Every Time We Say Goodbye (Cole Porter) 6. 1966. Here’s that Rainy Day (Johnny Burke/Jimmy Van Heusen) 2.. DAVIS Jr. Laurindo. Sings Laurindo Almeida Plays. Stan.

estéreo. Laurindo. 1 disco sonoro n° 56238. . Pow. Someone to Light up my Life “Se Todos Fossem Iguais a Você” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes/Gene Lees) 10. Love’s Like Wine (M. A Man and a Woman. Pow “Mas Que Nada” (Jorge Ben/L. Soft Mood (Laurindo Almeida) 10. Michelle (John Lennon/Paul McCartney) 4. AMES. estéreo. Pow.. 1. Kirkman) 4. Laia La Daia “Reza” (Edu Lobo/ Gianfrancesco Guarnieri/Norma Gimbel) 5. Mas Que Nada (Jorge Ben) ALMEIDA. 12 pol. Holland) 9. 1 disco sonoro n° ST-2701. Williams) 3. Secret Love (Webster/Fain) 8. 33 1/3 RPM. LAURINDO ALMEIDA 169 1. Califórnia: Capitol Records. 1967. Deane) 2. Distant Shores (James Guercio) 9. Cherish (T. A Man and a Woman “Un Homme et une Femme” (Pierre Barough/ Francis Lai/J. I Feel Fine (John Lennon/Paul McCartney) 7. Keller) 8. Spiced With Brasil. Reach Out I’ll Be There (B. Dozier/E. USA: Epic Records. 33 1/3 RPM. So Nice “Summer Samba” (Marcos Valle/Paulo Sergio Valle/ Norman Gimbel) ALMEIDA. Goin’ Out of My Head (Randazzo/ Weinstein) 11. Meditation (Tom Jobim/Newton Mendonça/Norman Gimbel) 6. Call Me (Tony Hatch) 3.. Here’s That Rainy Day (Van Heusen/Burke) 7.. A Man And a Woman (Pierre Barough/Francis Lai/Keller) 2. Laurindo. Nancy. Bluesette (Gimbel/Thielemans) 6. Hollamd/L. 12 pol. 1967. ’Cause I Love Her ( King/Dumm) 5.

33 1/3 RPM. Bossa Romântica (Radamés Gnattali) 6. Windy (Ruthann Friedman ) 7.. Mendez) 9. MENDEZ. 1. Sevilla (Albeniz) 10. Don’t Sleep in the Subway (Hatch/ Trent ) 11. Laurindo. 33 1/3 RPM. I Love You (Cole Porter ) 9. The Look of Love (Hall David Burt Bacharach ) ALMEIDA. Lullaby (Arr. USA: Decca Records. When I look in your Eyes (Leslie Bricuse ) 2. . Romanza (Arr. Rafael. 1 disco sonoro n° ST-2866.. Up and Away (Jim Webb ) 10.. estéreo. 1 disco sonoro n° DL-74921. 12 pol. Malagueña Selerosa (Arr. Piece in Forme de Habanera (Ravel) 2. The Look of Love and the Sounds of Laurindo Almeida. Mendez) 7. 12 pol. Mendez) 3. Califórnia: Capitol Records. 1968. A Beautiful Friendship (Donald Kahn/Stanley Shyne ) 4. Simplicidade (Radamés Gnattali) 5. Mendez) ALMEIDA. Laurindo. Alfie (Burt Bacharach/Hal David ) 3. Entr’acte (Jacque Ibert) 5. Sicilienne (Gabriel Fauré) 8. My Own True Love (Max Steiner/ Mark David ) 6. 1968. Together. Angel Eyes (Matt Dennis/Earl Brent) 8.170 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. estéreo. Bambuco (Arr. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 4.

33 1/3 RPM.. Clair de Lune (Debussy) 4. 12 n° 2 (Grieg) 9. Elegie from Incidental Music to “The Furies” (Massenet) 10. LAURINDO ALMEIDA 171 1. Adagio Sostenuto from The Moonlight Sonata (Beethoven) 5. 10. Recuerdos de la Alhambra (Tárrega) 10. The Little Shepherd from “The Children’s Corner (Debussy) 11. Arioso from the Harp Session Concerto in F Minor (Bach) 3. Farruca (Falla) 7. The Maid With the Flaxen Hair (Debussy) ALMEIDA.. 12 pol. Califórnia: Capitol Records. From the Romantic Era. Califórnia: Capitol Records. 69 n° 2 (Chopin) 7. Fragment from The Septet Op. Fandanguillo (Turina) 11. Favorite Melodies Played by the Master Guitarist. Nocturne in E flat Op. estéreo. 12 pol. 9 n° 2 (Chopin) 8. Laurindo. 11 & 12 (Ponce) 8. Sevilla (Albeniz) 9. 196? 1 disco sonoro n° FDS-8341. 8. . Variation on a Theme From Mozart’s The Magic Flute (Sor) 2. Waltz Op. 1. 5. Preludes N° 2. 20 (Beethoven) 4. Schön Rosmarin (Kreisler) 5. Pavane Pour Une Infante Defunte (Ravel) 6. 196? 1 disco sonoro n° SP-8686. About Strange Lands and People and 6 Traumerei from Kinderszenen (Schumann) 6. Moonlight Sonata (Beethoven) 2. Minuet in G (Beethoven) 3. Tango Español (Albeniz) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. estéreo. Laurindo. Waltz in B Minor Op.

Rodgers/L. 33 1/3 RPM. Lane) 10. 196? 1 disco sonoro [N. Forget Domani (Norman Newell/ Riz Ortolani) 4. ANTHONY. Charade (H. Broadsky) 11. Smoke Gets in your Eyes (Jerome Kern/Otto Harbach) 3. Tepper/R. Mercer) 8. Wellt/Maxwell Anderson) ALMEIDA.I. 12 pol. Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 6. Everybody Loves Somebody (I..]. Taylor/K. Mercer) 12. estéreo. Deluxe in Guitar & Trumpet. Hart) 5. Laurindo. I Can’t Stop Loving You (Don Gibson) 9. USA: Capitol Records. Days of Wine and Roses (H. Mancini/J. Malagueña (Ernesto Lecuona) 7. Mancini/J..172 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. My Funny Valentine (R. September Song (K. Ray. . Red Roses for a Blue Lady (S. Mas que Nada (Jorge Ben) 2.

33 1/3 RPM. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. Inquietação (Ary Barroso) 8. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. mono. Speak Low (Weill/Nash) 7. Babasin) 14. Noctambulism (H.. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. Califórnia: World Pacific Records. 12 pol. Laurindo. Hazard) Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. Hazardous (R. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. Tocata (Radamés Gnattali) 11. Terra Seca (Ary Barroso) 6. LAURINDO ALMEIDA 173 1. 196?. Nono (Romualdo Peixoto) 13. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud Shank. 1 disco sonoro n° WPS- 21412. .

33 1/3 RPM. Portela/Amadeo do Vale) 5. I Left My Heart in San Francisco (G. Laurindo. Cory/Douglas Cross) 2.174 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. I Left My Heart in San Francisco (G. What Kind of Fool Am I? (Bricusse/Newley) ALMEIDA. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 4. 33 1/3 RPM. Portela/Amadeo do Vale) 5. Hava Nagila (Tradicional) 2. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 8. Ciorciolini/Norman Newell/ Riz Ortolani) 7. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. Cory/Douglas Cross) 10. estéreo. 12 pol... Lisbon Antigua (José Galhardo/ R. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 6. 1. I Left My Heart in San Francisco. USA: Pickwick Records. Ciorciolini/Norman Newell/ Riz Ortolani) 7. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 8. USA: Tower Records. 196? 1 disco sonoro n° DT-5060. Satin Doll (Duke Ellington) 9. Acapulco 22. Oliviero/ M. . 196? 1 disco sonoro n° SPC-3172. Acapulco 22 (Herb Allen) 3. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. Russell/N. Misirlou (S. Hava Nagila (Tradicional) 6. Satin Doll (Duke Ellington) 9. Oliviero/ M. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) ALMEIDA. Lisbon Antigua (José Galhardo/ R. estéreo. Acapulco 22 (Herb Allen) 3.Russell/N. Misirlou (S. 12 pol. Laurindo. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 4.

USA: Warner Bros. 1969. Baubles. Moon and Empty Arms (Sergei Rachmaninoff) 7. My Reverie (Claude Debussy) 3. Records.. Theme From the Warsaw Concerto (Richard Addinsell) ALMEIDA. LAURINDO ALMEIDA 175 1. Moon Love (Piotr Tchaikovsky) 8. The Classical Current: Electronic Excursions. Till the End of Time (Frédéric Chopin) 4. . Bangles and Beads (Alexander Borodin) 6. The Lamp is Low (Maurice Ravel) 5. When I Write My Song (Camille Saint-Saëns) 12. 1 disco sonoro n° WB-1803. estéreo. 12 pol. Our Love (Piotr Tchaikovsky) 11. The Breeze and I (Ernesto Lecuona) 2. My Prayer (Nadia Boulanger) 9. Laurindo. 33 1/3 RPM. My Moonlight Madonna (Fibich) 10.

Lemonade (Sy Lefco) 3.S. BROWN. J. 1971. Bach: Minuets I & II from Partita in B flat BWV 825 13.S. Ray. J. USA: Century City Records. 1 disco sonoro n° ORS-7259. 12 pol.Gigue) 4. Bach: Air on the G String from Suite in D. Bach: Jesu. Not A Symphony (R. Awake! from Cantata BWV 140 11.S. J. The Art of Laurindo Almeida. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 5. . Laurindo. Bach: Prelude in C from the Well Tempered Clavier 10. Fughetta II (Bach/Almeida) 11.S. J. estéreo. Mo Greens (R. USA: Orion Records. Conversa Mole (Almeida/Brown) 7. Laurindo. 12 pol. Prelúdio II (Bach/Almeida) 8.Brown) 2. J.. estéreo. Bach Ground Blues & Green. BWV 1012 6. Fughetta IV (Bach/Almeida) 10.S.S. J. Bach: Gavotte I & II from Cello Suite Nº 6 in D. 1. J.. Bach: Sicilienne from Flute Sonata in E flat. Bach: Sleepers. Bach: Little Fugue in G 8.176 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Galilei: Little Suite 2.Brown) ALMEIDA. J. Joy of Man’s Desiring from Cantata BWV 147 5.Brown) 6. BWV 1031 7. 1970. BWV 243 12. Bach: Quia Respexit from the Magnificat in D. 33 1/3 RPM. Pega Joso (Laurindo Almeida) 4. Just a Bossa Nova. J.S. de Visée: Suite in D Minor (Sarabande .S. Bach: Sheep May Safely Graze from Cantata BWV 208 9..S. BWV 1068 ALMEIDA. 1 disco sonoro n° CCR-80102. Brazilian Greens (R. 33 1/3 RPM. Prelúdio I (Bach/Almeida) 9. de Visée: Suite in D Minor (Prelude/ Allemande) 3.S. J.

33 1/3 RPM. Greensleeves (Tradicional) 7. I Dream of Jeannie (S. . Hello Forever (J. USA: Orion Records. 12 pol. Caboclo Brazil (Tradicional) 5. estéreo. 1 disco sonoro n° DR-2013. Brian’s Song (M.. Londonderry Air (Danny boy) (Tradicional) 10. 33 1/3 RPM. Aranjuez. Legrand/Alan and Marilyn Bergman) 8. Bamba Le-Le (Tradicional) ALMEIDA. Intermezzo. Pearson) 5. Laurindo. Love (Almeida/Neves) ALMEIDA.. Provost) 2. The Best of Everything. The Ash Grove (Tradicional) 3. LAURINDO ALMEIDA 177 1. Deltra. Sleepy Shores (J. Rodrigo) 3. Foster) 4. Engenho Novo (Tradicional) 9. EAMON. Legrand) 11. 1972. 1 disco sonoro n° ORS-7273. Mon Amour (Baseado no 2° movimento do Concerto de Aranjuez) (J. Summer of “42” (M. 12 pol..• 1. estéreo. The Love Theme “From the God Father” (N. Intermezzo (H. Legrand) 9. 1972. Laurindo. Theme from “Nicholas and Alexandra” (R. I Was Born in Love With You (M. Without You (Ham/Evans) 7. USA: Daybreak Records.R. Songs My Mother Taught Me (Dvorak) 6. Hill) 10. Fool (Sigman/Last) 4. Rota) 2. Bennett) 6. Lullaby (Xavier Montsalvatge) 8.

. Five Advertising Songs (Slonimsky) Make This a Day for Plurodent Utica Sheets and Pillow Cases No More Shiny Nose! And then Her Doctor Told Her Children Cry for Castoria 4. Boi Tungão (Tradicional) 8.178 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. SLONIMSKY. 1 disco sonoro n° ORS-7260. 5 (Villa- Lobos) 2. EAMON. 1972. Tindo La La (Tradicional) ALMEIDA. 1.. Laurindo.. My Man’s Gone Now (Gershwin) 4. 12 pol. Malagueña (Lecuona) 7. Canção do Correiro (Villa-Lobos) 10. A Casinha Pequenina (Trad. estéreo. . Nicolas. Thesaurus (50 Minutes) (Slonimsky) ALMEIDA. 33 1/3 RPM.) 9. The Twin the guitars of Laurindo Almeida. Deltra. 12 pol. estéreo. EAMON. Virtuoso! USA: Orion Records. Aconquija (Barrios) 5. Modinha Russo-Brasileira (Slonimsky) 2. USA: Orion Records. Deltra.. Mazurka (Ponce) 3. 1972. Bachianas Brasileiras No. No Jardim de Oeira (Tradicional) 6.. Laurindo. 1 disco sonoro n° ORS-72100. 33 1/3 RPM. Silhouettes Iberiennes (Slonimsky) Aromas de Leyenda Jota Danza Festiva 3.

1973. Três Pontos de Santo (Chariô – Aruando . 1. BWV 1031 4. USA: Orion Records. Piece en forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. Sicilienne from Flute Sonata in E flat. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. Gavotte I & II from Cello Suite No. 33 1/3 RPM. Air on the G String from Suite in D. Sheep May Safely Graze from Cantata BWV 208 6. estéreo.6 in D. Laurindo. Jesu.. Joy of Man’s Desiring from Cantata BWV 147 2. Maracatu (Ernani Braga) ALMEIDA. Boi-Bumbá (Valdemar Henrique) 11. Awake! from Cantata BWV 140 8. Little Fugue in G 5. Quia Respexit from the Magnificat in D.Estrella do Mar) (Jayme Ovalle) 9. Entr’acte (Jacques Ibert) 2. Prelude in Em Op. Menuets I & II from Partita in B flat BWV 825 10. BWV 1068 ALMEIDA. mono. Para Niña (Paurillo Barroso) 13. 12 pol. Tambourin (François Gossec) 10. Bach is Beautiful: The Twin Guitars of Laurindo Almeida. 33 1/3 RPM. 1 disco sonoro n° S-36050. 1 disco sonoro n° ORS-7277. USA: Angel Records 1973. Bachianas Brasileiras N° 5 – Aria (Heitor Villa-Lobos) 3. Prelude in C from the Well Tempered Clavier 7. 28 N° 4 (Frederic Chopin) 6. BWV 243 9. Sleepers. LAURINDO ALMEIDA 179 1. Ronde (Emile Desportes) 4. Duets With the Spanish Guitar. 12 pol. Azulão (Jayme Ovalle) 5. Laurindo. Sicilienne (Gabriel Fauré) Reedição de 1958 (P-8406) 12.. . O Caçador (Laurindo Almeida) 7. BWV 1012 3.

12 pol. Benedito Pretinho) 7.180 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Black is the Color of My True Love’s Hair (Scottish/US folk song) 9. Laurindo. 33 1/3 RPM. 1 disco sonoro n° S-36076. Canción from Siete Canciones Populares Españolas (Manuel de Falla) 5. Lass from the Low Countree (US folk song) 12.. Farruca from The Three-Cornered Hat (Manuel de Falla) 6. Danse (Debussy-Almeida) 5. Duetto III from the Clavierübung Part 3 (Johann Sebastian Bach) 10. Duets With the Spanish Guitar Album 2. Menuet from Le Tombeau de Couperin (Maurice Ravel) 11. La Frescobalda For Viola and Guitar (Frescobaldi/Almeida) Reedição do LP: Conversations With 10. mono. A Dormir Ahora Mesmo (Spanish the Guitar.5) (Villa-lobos) 6. 12 pol. Au Bois du Rossignolet (French- Canadian folk song) 8. First Arabesque (Debussy/Almeida) 8. Duets With the Spanish Guitar Album 3. Modinha (Seresta n. mono. USA: Angel Records 1973. . de 1961 (SP-8532) Cradle Song) ALMEIDA. Distribuição de Flores (Villa-Lobos) 3. 1. Waltz from the Serenade for Strings (Tchaikovsky – Arr. Choro e Batuque (Almeida) 4. Passarinho está Cantando (Francisco Mignone) 2. Laurindo. Medley: The Frog Songs (sapo na toca). Menuets I & II. 1 disco sonoro n° S-36051. Modinha (Jayme Ovalle) 3. USA: Angel Records 197?.. Gigue from Harpsichord Partita in Bb (Johann Sebastian Bach) ALMEIDA. Pavanne pour une Infante defunte (Maurice Ravel) 7. Two Mexican Folk Songs (Carmen/ Sandunga) 9. El Vito (Spanish Folk Song) 2. (Boi ta-ta. 33 1/3 RPM. Almeida) 4.

A. Old Time Rag (Laurindo Almeida) 8. The L. The L. Cielo (Laurindo Almeida) 6. St. Rainbows (Bud Shank) 3. Manteca (Gillespie/Walter Fuller) 5. Laurindo.4/How Insensitive (Frederic Chopin) • How Insensitive (Tom Jobim) 7. Dindi (Jobim) 2. No.. Rondó Expressivo (Carl Philipp Emanuel Bach) 4. estéreo. 33 1/3 RPM. 1974. 1 disco sonoro n° CJ-18. 12 pol. 12 pol. 4 Califórnia: Concord Jazz Records. . Sundancers (Bud Shank) 2. 33 1/3 RPM.. Opus 28. Allemande And The Fox (Laurindo Almeida/Silvius Weiss) 4. Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) ALMEIDA. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá) ALMEIDA. estéreo. Four Scores! Califórnia: Concord Jazz Records. Thomas (Sonny Rollins) 6. Laurindo. LAURINDO ALMEIDA 181 1. 1. 1976. A. Carioca Hills (Laurindo Almeida) 3. 1 disco sonoro n° CJ-8. Berimbau Carioca (Laurindo Almeida) 5. Prelude.

A. Samba do Orfeu (Luiz Bonfá) ALMEIDA. Invocação a Xangô (Radamés Gnattali) 9. Toada (Radamés Gnattali) 10. 33 1/3 RPM. Autumn Leaves (Mercer/Prevert/ Kosma) 3. Mozart in Samba Motion (Arr. 33 1/3 RPM. C’est What (Não Identificado) 4. . Marcha (Radamés Gnattali) ALMEIDA. Wave (Tom Jobim) 6. 1976. 1 disco sonoro n° EW-10003. USA: East Wind Records. 12 pol. Samba Canção (Radamés Gnattali) 12.. Laurindo. The L. 1 disco sonoro n° DR-1000.182 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Reveil (Não Identificado) 7. Laurindo Almeida) 2. 1. Pavane Pour Une Infante Defunte (Maurice Ravel) 2. 1976. That Lazy Thing (Laurindo Almeida) 5. Latin Guitar. Garoto (Laurindo Almeida) 3.. Corcovado (Tom Jobim) 5. Choro (Radamés Gnattali) 11. 12 pol. 4: Pavane Pour Une Infante Defunte. Califórnia: Dobre Records. Brazilian Popular Suíte (Radamés Gnattali) 8. Impromptu (Dan Lincoln) 7. estéreo. Escadoo (Laurindo Almeida) 4. Baião (Radamés Gnattali) 13. Laurindo. Songs from Black Orpheus (Bonfá/ Jobim/Moraes) 6. estéreo.

Django (John Lewis) ALMEIDA. 1977. Haskell) 4. The L. Califórnia: East Wind Records. Sonata for Guitar and Cello and Three Movements (N. 33 1/3 RPM. Greensleeves (Adapted & Arr. Virtuoso Guitar. Yesterday (John Lennon/Paul McCartney) 2. Four: Going Home. Allegretto 2. Adagio 3. Recipe of Love (Laurindo Almeida) 6. 12 pol. estéreo. Romance de Amor (trad. 12 pol. L. . 1 disco sonoro n° EW-8061. Laurindo.. J. 45 RPM. Ashford/ Jones/Gale/Simpson) 1. Laurindo. Things Ain’t What They Used to Be (Mercer/Ellington/Person) 5. 1977.A.. Spanish/ Arr. 1 disco sonoro n° 8001. estéreo. Going Home (From New World Symphony) (Dvorak) 2. Softly as in a Morning Sunrise (Não Identificado) 3. Com Espírito ALMEIDA. 1. USA: Crystal Clear Records. Jazz Tune at the Mission (Laurindo Almeida) 3. LAURINDO ALMEIDA 183 1. Late Last Night (Almeida/Feather) 4. Almeida) 7.

Song From Black Orpheus (L. Nouveau Bach (J. Califórnia: Concord Jazz Records. S. Bach) 2. Parish) 4. C. estéreo. Califórnia: Inner City Records. Legrand/M. A.184 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 1 disco sonoro n° IC-6031. 12 pol. Laurindo.. 12 pol. 1 disco sonoro nº CJ-199. Bonfá/A. C. Just Friends (John Klenner/Sam Lewis) 4. L. Felicidade (A. 1978. Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) 2. 1. Bergan/ A. Francois) 6. Fly me to the Moon (Howard Bart) 8. . 33 1/3 RPM. Laurindo. How Insensitive (A. Star Dust (H. Holiday for Strings (David Rose/ Sammy Gallop) 10. Jobim) 7. Cool Cat Keeps Coat On (Laurindo Almeida) 9. Maria/L. Gershwin Medley It Ain’t Necessarily So I Got Rhythm Summertime Prelude N° 2 ALMEIDA. Concierto de Aranjuez. Love Medley: Love For Sale/Love Walked in • Love for sale (Cole Porter) • Love walked in (George Gershwin/Ira Gershwin) 5. Bergan) 3.. estéreo. 1978. Carmichael/ M. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 3. 4: Just Friends. Jobim/ Vinícius de Moraes) 5. The Summer Knows (M. Spain (Chick Corea) ALMEIDA. 45 RPM.

The Busy Bee (Laurindo Almeida) 4. O Barquinho (Menescal/Boscoli) 3. 4: Watch What Happens. Escadoo (Laurindo Almeida) 7. 1. Misty (Errol Garner/Johnny Burke) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° DR-1024. A. Califórnia: Dobre Records. Mona Lisa (Jay Livingston/Ray Evans) 4. estéreo. 12 pol. Moraes) 5. 1 disco sonoro n° CJ-63. Canto do Ossanha (B. . 33 1/3 RPM. Laurindo. Dorival (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Califórnia: Concord Jazz Records. Samba Triste (B. 12 pol. 33 1/3 RPM. 1978. Powell/ V. Air on a G String (Bach/Almeida) 8. estéreo.. Land of Make Believe (Chuck Mangione) 6. Powell/Billy Blanco) 6. Laurindo Almeida Trio.. LAURINDO ALMEIDA 185 1. Laurindo. Summertime (George Gershwin) 3. Nuages (Django Reinhardt) 7. Williwaw (Laurindo Almeida/Bud Shank) 5. 1978. L. Watch What Happens (Michel Legrand) 2. Samba Medley (Ary Barroso) 2.

King) 3. estéreo. Samba for Sarah (Laurindo Almeida) 14. USA: MCA Records. Guitar Player (B. Two More for the Blues (Barney Kessel/Herbie Ellis) 5.S. Shivers (Irving Ashby/John Collins) 17. Tea for Two (Barney Kessell/Herbie Ellis) ALMEIDA. Django (Joe Pass) 4. Funkville U. Feelings (Laurindo Almeida) 13.. Bertha Baptist (Lee Ritenour) 6. 12 pol. Two Track Trip (Joe Pass) 12. Valdez in the Country (Lee Ritenour) 2. 1978.King) 15.186 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 1 disco sonoro n° MCA2-6002. Laurindo.A. Country Ness (Barney Kessel/ Herbie Ellis) 9. Lament in Tremolo Form (Laurindo Almeida) 7. Alisson (Joe Pass) 8. Guitar Player.B. Spain (Larry Coryell) 11. Toronto Under the Sign of Capricorn (Larry Coryell) 10. Autumn in New York (Larry Coryell) 16. Counting my Tears (B. 33 1/3 RPM.B. . (Irving Ashby/ John Collins) 18.

D. 12 pol. Você e Eu (Carlos Lyra/Vinícius de Moraes) 7. Laurindo. 1. Chopin a la Breve (Frederic Chopin) 9. Melissa (Minette Allton) 6. A. 33 1/3 RPM. 1979. Duke’s Melange: • I Let a Song Go out of My Heart (H. San/ Macdony) 2. Chamber Jazz. Califórnia: Concord Jazz Records. Odeon (Ernesto Nazareth) 4. Return of Captain Gallo (Laurindo Almeida) 5. L. Bourrée and Double (J. 1 disco sonoro n° CJ-100. LAURINDO ALMEIDA 187 1. Clair de Lune Samba (Claude Debussy) 8. Carney/Ellington/Irving Mills) • Caravan (Irving Mills/Duke Ellington/Juan Tizol) • Take the ‘A’ Train (Duke Ellington) • Rockin’ in Rhythm (Duke Ellington) ALMEIDA. Califórnia: Concord Jazz Records.Summer 1979. Laurindo. Just in Time (Betty Comden/Adolph Green/Jule Styne) 4. 33 1/3 RPM. estéreo. 12 pol. Dingue le Bangue (J. I Love You (Cole Porter) 2. Hammertunes (Jeff Hamilton) 3. 4: Live at Montreux .. estéreo. Unaccustomed Bach (Ernesto Nazareth) 3. .. Turuna (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° CJ-84. S. Bach) 5. 1979.

nº 1 (Chopin) 8. estéreo. USA: Crystal Clear Records. 33 1/3 RPM. 1. 1979. Mazurka Op. Barcarole (June. 7. estéreo. Schottish-Choro (From “Suíte populaire bresilienne) (Villa-Lobos) 3. 1 disco sonoro n° GS-2024.. Three Renaissance Lute Pieces (Galliard-Prelude-Gagliarda) (Vincenzo Galilei/Robert de Visée/ John Dowland) 7. Prelude nº 1 in E minor (Andante expressivo) (Villa-Lobos) 2. Waltz Op. New Directions. Just The Way You Are (Joel) 4. Laurindo. 12 pol. Tomorrow (From the Broadway Show “Annie”) (Strouse/Charnin) 6. Stuff Like That (Jones/Ashford/ Gale/Simpson) 2. Prelude. Prelude nº 5 in D major (Poco animato) (Villa-Lobos) 11. Étude Op. 42. nº 3 (“Tristesse”) (Chopin) 9. from “The seasons”) (Tchaikovsky) 4. Laurindo..188 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 1 disco sonoro n° S-37322. 10. 1979. Choros nº 1 in E minor (Choro typico) (Villa-Lobos) 12. nº 3 (Tchaikovsky) 5. 33 1/3 RPM. Mélodie Op. Feels So Good (Mangione) 3. 69. . Copacabana (At The Copa) (Manilow/Sussman/Feldman) 5. and Duas Contas (Goodrum) ALMEIDA. Califórnia: Capitol Records. 12 pol. Brazilliance nº 1 (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Schön Rosmarin (Fritz Kreisler) 6. You Needed Me. nº 1 (Chopin) 10.

Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Andantino 5. O Barquinho (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli) 5. Laurindo. Pavanne Op. First Concerto for Guitar and Orchestra. Laurindo.50 (Gabriel Fauré) 7.. 1980. 33 1/3 RPM. A Child Is Born (Thad Jones) 4. 12 pol. First Concerto for Guitar and Orchestra: Larghetto 3. Califórnia: Concord Jazz Records. Close Enough for Love (Theme from ‘Agatha’) (Johnny Mandel/ Paul Williams) 6. Lobiana for Guitar and Strings: Cantilena and Batucada ALMEIDA. Zaca (Bud Shank) 2. 1980. 4: Zaca. Secret Love (Sammy Fain/Paul Francis Webster) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° CC-2001. 1 disco sonoro n° CJ-130. LAURINDO ALMEIDA 189 1. estéreo. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Lento 7. L. You Can’t Go Home Again (Don Sebesky) 3. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Allegro Moderato 6. . First Concerto for Guitar and Orchestra: Cadenza 4. First Concerto for Guitar and Orchestra: Moderato 2. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Ritmado 8. Califórnia: Concord Jazz Records.. A. 1. estéreo. 33 1/3 RPM. 12 pol.

L. 33 1/3 RPM.Rice/A.. Charlie. estéreo. My Romance (Richard Rodgers/ Lorenz Hart) 7. For Jeff (Charlie Byrd) 10. Syrinx (Claude Debussy) 3. Luperce (Luperce Miranda) 5. Stone Flower (Tom Jobim) 9. 12 pol. 4: Montage. Laurindo.. Madame Butterball (Bud Shank) 2.Weber) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° CJ-156. Squatty Roo (Johnny Hodges) ALMEIDA.190 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Cochichando (Pixinguinha) 4. Carioca (Ernesto Nazareth) 2.. Bachianas Brasileiras Nº 5 (Villa- Lobos) 8. Famoso (Ernesto Nazareth) 6. estéreo. 33 1/3 RPM. 1980. Laurindo. Choro II (João Pernambuco) 7. Brazilian Soul. BYRD. Evita: Don’t Cry For Me Argentina (T. Naquele Tempo (Pixinguinha) 3. The L. 1 disco sonoro n° CJP-150. A. Samba For Ray (Laurindo Almeida) 4. 1. 12 pol. Teach Me Tonight (Gene De Paul/ Sammy Cahn) 5. 1981. Califórnia: Concord Jazz Records. Brazilian Soul (Radamés Gnattali) 8. Rado’s Got The Blues (Ray Brown) 6. Califórnia: Concord Jazz Records. .

Laurindo. Bud. SHANK. 33 1/3 RPM. . 1982. 33 1/3 RPM. Moonlight Serenade. Four Little Pieces (Emile Desportes) 4. Beautiful Love (Victor Young) 4. estéreo. 12 pol. Germany: Jeton Records. Autumnal Prelude (Laurindo Almeida) 3. 1981. Moonlight Sonata & ‘Round Midnight (Beethoven & Monk) 2. Califórnia: Concord Jazz Records. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 8. Air on a ‘G’ String (Bach) 5. estéreo. Selected Classical Works for Guitar & Flute. Tambourin (François Gossec) 6. Inquietação (Ary Barroso) 9.. Malagueña (Ernesto Lecuona) 6. Sicilienne (From “Pelléas et Mélisande”) (Gabriel Fauré) 7. My Man Is Gone (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 12 pol. Ray. Dance (Claude Debussy) 2. Samba de Angry (Laurindo Almeida) 3. 1.. LAURINDO ALMEIDA 191 1. Laurindo. Blue Skies (Irving Berlin) 7. 1 disco sonoro n° JET-33004.. 1 disco sonoro n° CC-2003. BROWN.. Songs of Farewell (Kosins) 5. Sonata in D Major (Gottlieb Scheidler) ALMEIDA.

1. 12 pol. 1983. L. 1 disco sonoro n° CJP-211. Romero) 7. Gitanerías (Ernesto Lecuona) 5. The Child (Antônio Lauro) 4. S.. Califórnia: Concord Jazz Records. Adiós (E. Rodgers/L. 1983.L. Nunn/ A. Zum and Resurrección del Angel (Astor Piazzola) 3. Latin Odyssey. 1 disco sonoro n° CJ-215. Charlie. Chega de Saudade (Tom Jobim/ Vinícius de Moraes) ALMEIDA. 12 pol. El Gavilán (A. Entr’ Acte (Jaques Ibert) 6. Woods/E. estéreo. BYRD. Eliot) 2. My Funny Valentine (R. Intermezzo Melancólico (Manuel Ponce) ALMEIDA. Você e Eu (You and I) (Carlos Lyra/ Vinícius de Moraes) 4.Weber/T. Bach) 5. .. Madriguera) 6. Blues Wellington (Jeff Hamilton) 2.192 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 33 1/3 RPM. estéreo. Turbilhão de Beijos (Ernesto Nazareth) 9. 4: Executive Suite. Laurindo. Laurindo. Hart) 7. A. Simple Invention (J. Califórnia: Concord Jazz Records. Little Star (Manuel Ponce) 8. Cats: Memory (T. 33 1/3 RPM. S. Amazônia (Laurindo Almeida) 3..

Artistry in Rhythm. Kahn) 11. Anderson) 3. James) 7. Blue Tango (L. Laurindo. Christopher/ M. Charlie. 12 pol. Puka Shells in a Whirl (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Te Amo (Laurindo Almeida) 5. Califórnia: Concord Jazz Records. Saint-Marie) 9. La Rosita (G. Gershwin/ G. Tanguero (R. estéreo. Bloom) 4.. 1985. . BYRD. estéreo. Gershwin/G. Almost a Farewell (Quase Um Adeus) (Luiz Eça) 10. Torroba/Frederico Moreno) 4. Andante (from Sonatina) (Federico M.. Youmans) 2. 33 1/3 RPM. Gade/V. Laurindo. Tango Alegre (Laurindo Almeida) 7. Astronauta (Samba da Pergunta) (Marcos Vasconcellos/Pingarilho) 3. La Cumparsita (Contursi/ Rodriguez) 8. LAURINDO ALMEIDA 193 1. 1984. Los Enamorados (R. 1 disco sonoro n° CJ-238. Orchids in the Moonlight (V. Slaughter on Tenth Avenue (R. Califórnia: Concord Jazz Records. Artistry in Rhythm (Stan Kenton) 6. Up Where We Belong (W. Nitzsche/B. Tango. 1 disco sonoro n° CJP-290. Thompson/J. Haenschen/ L. Adiós Muchachos (Sanders/Vedani) 9. Jennings/ J. Liza (I.. Always on my Mind (W. Chariots of Fire (Vangelis) 2. OKeefe) 6. Hernando’s Hideaway (Richard Adler/Ross) 11. 33 1/3 RPM. Masters) ALMEIDA. Ahlart) 10. Jalousie (J. Hahn) 5. 12 pol. Rodgers) 8. 1. The Moon was Yellow (Leslie/ F.

Canciones Populares Españolas – Nana (Falla) 7.S. Canciones Populares Españolas – Polo (Falla) 8. #1 (Larry Coryell) ALMEIDA. April 7th (Larry Coryell) 12. Laurindo. Flora (Ernesto Nazareth) 2. Larry. USA: Pro Arte Records. 12 pol. 1 disco sonoro n° PAD-235.. ISBIN. Baion (Laurindo Almeida) 3. CORYELL. . Miller’s Dance (Manuel de Falla) 10.194 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Adagio from Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) 11. Brazilliance (Laurindo Almeida) 9.. 33 1/3 RPM. P.. Canciones Populares Españolas – Jota (Falla) 6.P. Canciones Populares Españolas – El Paño Moruno (Falla) 5. Ballad Samba (Radamés Gnattali) 4. Sharon. Three Guitars Three. estéreo. 1985.

Califórnia: Concord Jazz Records. Retratos (Photographs): Ernesto Nazareth (Radamés Gnattali) 8.. 1 CD n° 4389. Forest of the Amazons: Veleiro (Villa-Lobos) 11. White . 1989. Ros) ALMEIDA. Carlos. Escorregando (Ernesto Nazareth) 2. Baia (Ary Barroso) 5. Weekend Cruise to Catalina (Charlie Byrd) 16. Promises (B. . N° 8 (Francisco Mignone) 13. Trzetrzelewska/D. Didi (Laurindo Almeida) 6.. Modinha (Francisco Mignone) 14. Retratos (Photographs): Pixinguinha/Ernesto Nazareth/ Anacleto Madeiros (Radamés Gnattali) 7. Ainda me Recordo (Pixinguinha) 3. BARBOSA-LIMA. Vou Vivendo (Benedito Lacerda/ Pixinguinha) 15. Laurindo. O Boto (Tom Jobim) 12. Invocation to Shango (Radamés Gnattali) 10.P. Music of the Brazilian Masters. Valsa de Esquina. LAURINDO ALMEIDA 195 1. Rosa (Pixinguinha) 4. Charlie. Retratos (Photographs): Anacleto Madeiros (Radamés Gnattali) 9. BYRD.

Siete Canciones Populares Españolas: Canción (Manuel de Falla) 20. 1990. Sicilienne (Gabriel Fauré) 12. TERRI. Para Ninar (Paurillo Barroso) 13.196 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Laurindo. The Three-Cornered Hat: Farruca (Manuel de Falla) ALMEIDA. Bachianas brasileiras Nº 5 – Aria (Villa-Lobos) 3. Ronde (Emile Desportes) 4. 28 Nº 4 (Frederic Chopin) 6. Salli. RUDERMAN. Prelude in E Minor. Piece en Forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. Maracatu (Ernani Braga) 15. USA: EMI Records. . Pavane pour une Infante Defunte Coletânea da série Duets With Spanish (Maurice Ravel) Guitar volumes: 16.. Boi-Bumbá (Waldemar Henrique) 11. Martin. 1 CD n° GMR-2167. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. Duets With Spanish Guitar.. Serenade For Strings: Waltz (Tchaikovsky) 19. Três Pontos de Santo (Jayme Ovalle) 9. Entr’acte (Jacques Ilbert) 2. Azulão (Jayme Ovalle) 5. Passarinho está Cantando 1 (P-8406) (Francisco Mignone) 2 (S-36051) 17. Tambourin (François Gossec) 10. Op. Modinha (Jayme Ovalle/Manuel 3 (S-36076) Bandeira) 18. O Caçador (Laurindo Almeida) 7.

Samba de Break (Laurindo Almeida) 7. Outra Vez (Once Again) (Tom Jobim) 2. Jobim Medley: Corcovado (Tom Jobim) Garota de Ipanema (Tom Jobim/ Vinícius de Moraes) Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça) ALMEIDA. Laurindo. One to Nothing (Pixinguinha) 10. 1991. Beethoven & Monk (Moonlight Sonata & ‘Round Midnight) 8. Califórnia: Concord Jazz Records. The Jolly Crow (Laurindo Almeida/Pixinguinha) 3. . Going Home (From New World Symphony) (Dvorak) 6. Escadoo (Laurindo Almeida) 9. Outra Vez. LAURINDO ALMEIDA 197 1. 1 CD n° 4497. Affectionate (Pixinguinha) 11. Blue Skies (Irving Berlin) 5. Danza Five (Enrique Granados) 4.

Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. 2 – 1962/ WP-1419) e (Vol. Inquietação (Ary Barroso) 7. Bud. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. Atabaque (Gnattali) 3. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6.. USA: World Pacific Records. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. Inquietação (Ary Barroso) 7.198 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Hazardous (Richard P. USA: World Pacific Records. Hazard) WP-1425) 12. 1991. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. 1. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. de 1953 11. Tocata (Gnattali) 8. Atabaque (Gnattali) 3. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Bud. 1991. Brazilliance Volume 2. SHANK. Laurindo. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA. Brazilliance Volume 1. 3 – 1963/ 11. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição do LP: Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição da série Brazilliance (Vol. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. Laurindo. . Tocata (Gnattali) 8. SHANK. Hazardous (Richard P. 1 CD n° CDP-96102-2. Hazard) (PJ-7 e PJ-13) 12. 1 CD n° CDP-96339.

North of the Border (Laurindo Almeida) 3.. Inquietação (Ary Barroso) 15. Blowing Wild (Webster/Dimitri Tiomkin) 10. Atabaque (Gnattali) 5. Toro Dance (Bud Shank) 11. Laurindo. Carioca Hills (Laurindo Almeida) 9. Waltz Frio y Calor (Bud Shank) 19. 1 CD n° 53133. . Noctambulism (Harry Babasin) 18. Serenade for Alto (Laurindo Almeida) 16. Harlem Samba (Laurindo Almeida) 14. Mood Antigua (Bud Shank) ALMEIDA. I Didn’t Know What Time It Was (Richard Rodgers/Lorenz Hart) 2. ’Round Midnight (Thelonious Monk/Bernie Hanighen/Cootie Williams) 4. Tocata (Gnattali) 20. Bud. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 17. Simpático (S. LAURINDO ALMEIDA 199 1. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 12. Wilson) 6. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 8. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 7. Terra Seca (Ary Barroso) 13. USA: Giants of Jazz. SHANK. 1992. Baa-Too-Kee.

Dance the Bossa Nova. Heartaches (Al Hoffman/John Klenner) 9. I Left My Heart in San Francisco (George Cory/Douglas cross) 7.Nakamura/R. Ei) 16. 1994. 1 CD n°62055. USA: Saludos Amigos Records. Sukiyaki (H. Hava Nagila (Tradicional) Coletânea 12. Say Wonderful Things (Norman Newell/Phil Green) 17. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/ Guy Wood) 15. Little Boat (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli) 4. Laurindo. Oliviero/M. I Will Follow Him (Chariot) (Norman Gimbel/Stole/Roma/ Altman) 10. . Recado Bossa Nova (Djalma Ferreira/Luiz Antônio) 11. The Alley Cat Song (Frank Bjorn/ Jack Harlen) ALMEIDA. Danke Schoen (Bert Kaempfert/ Ilene/Schwabach) 6. Lisbon Antigua (José Galhardo/ Raul Portela/Amadeo do Vale) 2. Meditation (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 3. Ciorciolini/Norman Newell/Riz Ortolani) 5. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N.200 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Rio Bonito (Ned Aldeen/Portia Nelson) 14. What Kind of Fool Am I? (Leslie Bricusse/Anthony Newley) 18. Fly Me to the Moon (In Other Words) (Bart Howard) 13. Satin Doll (Duke Ellington) 8.

LAURINDO ALMEIDA 201 1. nº 2”) (Jayme Ovalle) 2. Danny. 10. Laurindo. Sea Dreams (Almeida/Welton) 8. Op. Chariô (from “Três pontos de santo. Ebb Tide (Maxwell/Sigman) 4.. Op. Chubasco (Almeida/Fields) 3. Red Sails In The Sunset (Kennedy/Willians) 10. Beyond The Sea (Trenet/ Laurence) ALMEIDA. The Naked Sea. USA: Danwell Records. Engenho Novo (Tradicional) 10. 1. Azulão (Jayme Ovalle) 8. Choro e Batuque (Laurindo Almeida) 11. Wave (Tom Jobim) 7. Caçador (Laurindo Almeida/ Edgard Almeida) 12. Aruanda (from “Três pontos de santo. Tindo Lá Lá (Tradicional) 7. USA: Mel Bay Publication. Brazilian Reflections: Music for Guitar & Voice. Para Ninar (Paurillo Barroso) 6. Boi-Ta-Ta (Tradicional) 5. 1 Book transcripts and CD n° 95984B. A Casinha Pequenina (Tradicional) 9. . Op. 1996. Girl From Ipanema Beach (Jobim/De Morales) 11. Laurindo. 10.The Naked Sea (Almeida/ Fields) 2. nº 2”) (Jayme Ovalle) 4. 1995. nº 2”) (Jayme Ovalle) 3. 10. Caboclo Brasil (Laurindo Almeida/ Junquilho Lourival/Dan Franklin) ALMEIDA. 1 CD n° DWR950812-1. WELTON. Pebble Beach (Guaraldi) 5. Off Shore (Diamond/Graham) 6. Modinha (Jayme Ovalle/Manuel Bandeira) 13. Estrela do Mar (from “Três pontos de santo. Strangers On The Shore (Bilk/ Mellin) 9.

Hahn) 5. Tango Alegre (Laurindo Almeida) 7. Anderson) 3. 1 CD n ° 77828. USA: Mel Bay Publication. Gabriel) 5. Haenschen/ L. His Eye is on the Sparrow (Charles H. Youmans) 2. Orchids In The Moonlight (V. Amazing Grace (Traditional) 7. A Prayer (En prière) (Gabriel Fauré) 6. Bloom) 4. Morning has Broken (Traditional) 2. What God Hath Promised (Laurindo Almeida/Deltra Eamon) ALMEIDA. Gade – V. Ave Maria (Schubert) 3. Jalousie (J. Bach) 8. Laurindo. Praise Every Morning: Music for Guitar & Voice. Nobody Knows the Trouble I’ve Seen (Traditional) 11. O Keefe) 6. Jesus Joy of Man’s Desiring (From “Cantata nº 147”) (J. USA: Curb Records. . 1996. Jesus Rest your Head (Traditional) 10. Los Enamorados (R. S. Adiós Muchachos (Sanders/Vedani) 9. La Rosita (G. Blue Tango (L. Ahlart) Coletânea 10. 1996. Best of Laurindo Almeida & The Bossa Nova All Stars. Sweet Little Jesus Boy (R.202 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Were You There When They Crucified My Lord? (Traditional) 9. MacGimsey) 4. The Moon Was Yellow (Leslie/ F. 1. La Cumparsita (Contursi/ Rodriguez) 8. Tanguero (R. 1 Book transcripts and CD n ° 95983B. Masters) ALMEIDA. Hernando’s Hideaway (Richard Adler/Ross) 11. Laurindo. Jesus.

Mystified (Almeida) 14. Califórnia: Capitol Records. Laurindo. What Kind of Fool Am I? (Bricusse/Newley) 9. Was She Prettier Than I (Marty/ Gray) 10. The Guitar Artistry of Laurindo Almeida. The Most Beautiful Girl (Rodgers/ Hart) 12. 1 CD n° GMR-104-97. I’ve Grown Accustomed To Her Face (Lerner/Lowe) 5. My Funny Valentine (Rodgers/ Hart) 3. Saudade (Gnattali) ALMEIDA. Smoke Gets In Your Eyes (Kern/ Farbach) 7. Eili-Eili (Tradicional) 22. Insomnia (Almeida) 18. Little Girl Blue (Rodgers/Hart) 8. Tea For Two (Youmans/Caesar) 19. 1997. Staniana (Almeida) 16. . Sueño (Almeida) 20. Malagueña (Lecuona) 15. Is It Really Me? (Jones/Schmidt) 6. People (Merrill/Shine) 2. Vals De Concerto (Barrios Mangone) 17. Guitar Master. LAURINDO ALMEIDA 203 1. Braziliance (Almeida) 21. As Long As He Needs Me (Bart) 4. Laura (Raskin) 13. The Sound Of Music (Rodgers/ Hammerstein) 11.

Laurindo. Fiesta Friangra (Não Consta) 6. Malagueña (Ernesto Lecuona) 3. porém. Gallito (Não Consta) 8. D. o LP da edição original não foi encontrado. First Con for Guitar And Orchestra (Moderato) ALMEIDA. Te Amo (Laurindo Almeida) 5. Guajira Flamenca (Não Consta) 7. 1998. España Cani (Não Consta) 5. Bloom) 7. Recuerdos de Huelva (Não Consta) 10. Slaughter On Tenth Avenue (R. Kahn) 3. Gershwin/ G. Danza Five (Granados) 9. Carioca (Ernesto Nazareth) 4. Madriguera) 14. USA: Concord Jazz Records. Flamenco Andaluz (Não Consta) 2. Escadoo (Laurindo Almeida) 13. Serenata Española (Laurindo Almeida) 9. Woods/E. Liza (I.3 1. 1998. Flamenco Fire. Jalousie (J. . Invocation To Shango (Radamés Gnattali) 10. 1 CD n° 11942. Ecos de Ricio (Não Consta) 4. Chopin a la Breve (Frederic Chopin) 6. You and I (Você e Eu) (Carlos Lyra/ Vinícius de Moraes) 8.204 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 1 CD n° 4823-2. The Concord Jazz Heritage Series. 3 No encarte do CD consta que se trata de uma reedição de 1957. Dingue Le Bangue (J. Laurindo. USA: Pickwick Records. Adiós (E. Unaccustomed Bach (Ernesto Coletânea Nazareth) 12. Noches Malagueñas (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Rodgers) 11. San – Macdony) 2. Gershwin/G.Gade/V.

POWELL. . Pega Joso (Laurindo Almeida) 4. 2000. The Busy Bee (Laurindo Almeida) 4. de 1971 (CCR-80102) 11. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 5. Laurindo. Samba Triste (Laurindo Almeida) 6. USA: Unique Jazz Records. Just a Bossa Nova. Samba Medley (Laurindo Almeida) 2. Deve ser Amor (De Moraes/Powell) Almeida Trio. Berceuse a Jussara (Powell) ALMEIDA.Brown) ALMEIDA. BROWN. Choro para Metronome (Powell) 12. Garota de Ipanema (De Moraes/ Jobim/Gimbel) . Brazilian Greens (R. Laurindo. Scadoo (Laurindo Almeida) 7. Eurídice (De Moraes) – Powell Faixas 1 a 6 – Reedição do LP Laurindo 10. 1 CD n° UNQ-1049.. O Barquinho (Menescal/Bôscoli) 3. Prelúdio I (Bach/Almeida) 9. Jazz from A to B. 1. Mo Greens (R. Brown) 6. LAURINDO ALMEIDA 205 1. Prelúdio II (Bach/Almeida) 8.Powell 8. Fughetta II (Bach/Almeida) Green. de 1978 (DR-1024) 11. Brasil Guitar Magic! USA: Fine Tune Records. Brown) 2. Baden. 2001. Ray. Not A Symphony (R. Fughetta IV (Bach/Almeida) Reedição do LP: Bach Ground Blues & 10. Berimbau (De Moraes/Powell/ Gilberto) 9. Conversa Mole (Almeida/Brown) 7.. 1 CD n° 2244-2. Lemonade (Sy Lefco) 3. Canto do Ossanha (Laurindo Almeida) 5.

de 1953 12. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. . Terra Seca (Ary Barroso) 6. Laurindo. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA. Inquietação (Ary Barroso) 7. SHANK. 1 CD n° 706. Bud. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. Tocata (Gnattali) 8.. Atabaque (Gnattali) 3. Speak Low. Hazard) Quartet Featuring Bud Shank. Hazardous (Richard P.206 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 2002. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição do LP: Laurindo Almeida 11. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ (PJ-7 e PJ-13) Humberto Teixeira) 13. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. USA: Past Perfect Records. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9.

LAURINDO ALMEIDA 207 1. de 1979 (CJ-100) Mills) • Caravan (Irving Mills/Duke Ellington/Juan Tizol) • Take the ‘A’ Train (Duke Ellington) • Rockin’ in Rhythm (Duke Ellington) ALMEIDA. Carney/Ellington/Irving Montreux.A. Misty (Errol Garner/Johnny Burke) 8. Mona Lisa (Jay Livingston/Ray Evans) 4. Summertime (George Gershwin) 3. Williwaw (Laurindo Almeida/Bud Shank) 5. Return of Captain Gallo (Laurindo Almeida) 12. Hammertunes (Jeff Hamilton) 10. 2003. The L. Just in Time (Betty Comden/ Adolph Green/Jule Styne) 11. Nuages (Django Reinhardt) 7. Watch What Happens (Michel Legrand) 2. Land of Make Believe (Chuck Mangione) 6. . 1 CD duplo n° 2176. Duke’s Melange: Reedição dos LPs: Watch What • I Let a Song Go out of My Heart Happens. de 1978 (CJ-63) e Live At (H. Four: Two By Four. I Love You (Cole Porter) 9. Laurindo. Califórnia: Concord Jazz Records.

Weber) 11. de 1983 15. Turbilhão de Beijos (Ernesto Nazareth) 19. Classic Guitar. The Girl from Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) 4. ATKINS. Cats: Memory (T. Carioca (Ernesto Nazareth) 2. Little Star (Manuel Ponce) 18. Eliot) 12. Um Ângulo p’ro Triângulo (L.. 2003. USA: Original Artist- Studios Records. Romero) 17. Laurindo. Brazilian Soul (Radamés Gnattali) 8. Rice/A. There and Everywhere (C. 1. The Child (Antônio Lauro) Reedição dos LPs: Brazilian Soul. Cuando (L. Atkins) 8. Atkins) 11. Atkins) 7. Nunn/ A. Somewhere my Love (C. BYRD. Almeida) 5. The Peanut Vendor (C.208 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 2004. Famoso (Ernesto Nazareth) 6. South (C. 1 CD n° 0797. Here. Intermezzo Melancólico (Manuel Ponce) ALMEIDA. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 2. Zum and Resurrección del Angel (Astor Piazzola) 13. Almeida) 12. Stone Flower (Tom Jobim) 9. Naquele Tempo (Pixinguinha) 3. Chet. L. Charlie. Atkins) 10. Woods/E. Midnight (C. S. Weber/T. Madriguera) (4211) 16. Cochichando (Pixinguinha) 4. Lady Pearl (Almeida) 3. de 14. Almeida) 6. Brazil & Beyond. Constant Rain (L. For Jeff (Charlie Byrd) 10. Atkins) 9.. Laurindo. L. Adiós (E. Evita: Don’t Cry For Me Argentina (T. 1 CD duplo n° 2173. . Wave (Tom Jobim) ALMEIDA. Music of your Life. Choro II (João Pernambuco) 7. Luperce (Luperce Miranda) 5. El Gavilán (A. Califórnia: Concord Jazz Records. Gitanerías (Ernesto Lecuona) 1981 (4150) e Latin Odyssey.

Dream/Sueños (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Nonó (Ricardo Peixoto) 11. Hazardous (Richard P. Noctambulism (Harry Babasin) 10. no canal a cabo GNT/Globosat. Inquietação (Ary Barroso) 7. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. 1 CD n° 3110. Atabaque (Gnattali) 3. Tocata (Gnattali) 8. Laurindo Almeida “Muito Prazer”. Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 18. . DOURADO. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. USA: FiveFour Records. Hazard) 12. Laurindo. em julho de 1999. de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 16. 1999. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. Brazilliance (Laurindo Almeida) 17. Bourree (Bach) 19.14. LAURINDO ALMEIDA 209 1. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Produção e Direção Artística: Leonardo Dourado. de 1949 (EBF-139) e Lau. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. 3 fitas VHS (2:28 min). Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) Reedição dos LPs: Concert Creations for Guitar. Insomnia (Laurindo Almeida) rindo Almeida Quartet Featuring Bud 15. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud Shank and Concert Creations for Guitar. Documentário exibido em três episódios. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. Mystified (Laurindo Almeida) 20. 2006. Eili-Eili (Tradicional) Shank. Rio de Janeiro: Telenews. Malagueña (Ernesto Lecuona) 21. L.

1 DVD (60 min). Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 3. o Grammy Awards é considerado o Oscar da música americana. Cochichando (Pixinguinha) 5. 2005. Old Guitarron (Laurindo Almeida/ Johny Mercer) 9. Inquietação (Ary Barroso) 6. C. Durante sua carreira nos Estados Unidos. Laurindo Almeida: Tribute to a Master. Nuage (Django Reinhardt) 7. Insensatez (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) TAVARES. Premiações Criado em 1958 pela The National Academy of Recording Arts and Sciences. Corcovado (Tom Jobim) 10.210 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Produção Artística: Debby Forman & Carlos Tavares. Discantus (Laurindo Almeida) 4. Mozart in Samba Motion (Laurindo Almeida) 2. Suite Aquarelle/Quarter Harbor Freeway (Laurindo Almeida) 8. Brasil: Mablan Entertainment. Laurindo .

Em 1964. solista e para orquestra. Em 1960. Dessas. Outros prêmios • Um Oscar pela animação do filme The magic pear tree. para o álbum The spanish guitar of Laurindo Almeida. foi agraciado cinco vezes: 1. em reconhecimento ao seu grande talento como compositor e artista. com o álbum Reverie for spanish guitars. para o álbum Guitar from Ipanema. pela melhor performance instrumental de música clássica. • Em 1983. pela melhor composição contemporânea de música clássica. 3. 2. para o álbum Conversations with the guitar. pela melhor performance instrumental clássica. de Igor Stravinsky. juntamente com Movements for piano and orchestra. prêmio comemorativo apresentado pela Socie- dade de Violão Americana por sua carreira ilustre como artista. Em 1961. 4. 5. o Certificado de Apreciação do American String Teachers Association. LAURINDO ALMEIDA 211 Almeida recebeu 16 indicações a esse prêmio. pela melhor performance instrumental de música clássica. promovendo uma apreciação universal do violão tanto para música popular contemporânea quanto para a música clássica. . em Londres. pela melhor performance instrumental de jazz. com a peça Discantus. solista e duo. Em 1961. o Latin American & Caribean Cul- tural Society concedeu-lhe o Certificate of Honor from the Achievement. Em 1960. por uma vida dedicada ao violão nos Estados Unidos. compositor e divulgador da música das americas. • Em 1992. em 1970. o Certificado de Honra por Realização Vahdah Ol- cott-Bickford. vocal e instrumental de música de câmara. • Em 1977.

Northridge – Blenda Wilson. • Em 1995. o título de Comendador da Ordem do Rio Branco.212 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Em 1994. o prêmio Distinto para Contribuições à Universida- de. concedido pelo Presidente da California State University. concedido pelo governo brasileiro. .

em 30 de outubro de 2006. contido no documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”. . ANEXO II Entrevistas Entrevista concedida pelo maestro Júlio Medaglia. realizada na Rádio Cultura. • Transcrição P: Eu gostaria de começar a entrevista lendo um comen- tário do senhor.

Ele representava. ele é o violonista mais completo de sua geração. por meio também dos seus arran- jos e da sua atuação como compositor em Hollywood –. em sua Enciclopédia do Jazz. P: No Brasil. em seu livro O jazz do rag ao rock. toda aquela variedade que a música popular brasileira desenvolveu na primeira metade do século XX. só que deu uma dimensão internacional. P: De fato. não existe qualquer trabalho escrito sobre a vida e obra de Laurindo Almeida (somente um documentá- . e naquilo que ele expôs ao mundo – por meio de seus discos. Ele tinha também a grande técnica de instrumentistas de alto nível. que eram muito sentimen- tais e que deixaram todos os americanos e europeus encantados. Tanto Leornard Feather. Ele possuía toda técnica dos violonistas clássicos. por meio do Stan Kenton (banda na qual ele foi o grande violonista). quando colocava aquilo dentro de uma estrutura violonística. que formou o que a gente chama de música popular brasileira da primeira metade do século XX. com os melodismos portugueses. O senhor acha que Laurindo Almeida tem a mesma importância para a história da música brasileira quanto parece ter para o jazz? R: Bem. Berendt. provavelmente do mundo inteiro. então. no fundo. Mas ele trazia na sua música. Ele universalizou toda aquela matéria-prima afrobrasileira e europeia.214 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Laurindo Almeida é mais do que um violonista eclético. uma coisa que já existia no Brasil. o Laurindo Almeida teve toda essa importância interna- cional via jazz. incluem-no como um músico importante para história do jazz. quanto Joaquim E. quando pegava um motivo rítmico qualquer – coisa que no Brasil se desenvolveu bastante por causa da cultura afro –. O seu violão reproduzia todos os valores rítmicos. trazendo os ritmos mais variados de origem africana. todos os maneirismos de uma música popular brasileira rica ao mesmo tempo sendo um grande violonista de jazz. a coisa ganhava outra di- mensão. além de ser um grande violonista de música popular brasileira. o nome de Laurindo está vinculado à história do jazz.

músicos que vinham de uma formação técnica maior. Por isso ele ficou lá e passou a ser mais conhecido como músico de jazz do que como músico brasileiro. diversos gêneros de música popular brasileira. Mesmo quando ele usava componentes rítmicos brasileiros e latino-americanos. A partir de lá que ele passou suas informações musicais para o mundo inteiro. mas tinha também toda sofisticação técnica de músicos que estudaram em academias.. onde ele tocou com os melhores músi- cos. e aí passou a ser um músico do mundo. O senhor acha que esse ecletismo musical pode ter dificultado o seu reconhe- cimento aqui no Brasil? . LP gravado em Nova York que lhe valeu o Grammy em 1964. e aqui. se organizar. A que fatores você atribui esta lacuna na historiografia na música popular brasileira? R: É porque ele viveu todo auge de sua carreira fora do Brasil. LAURINDO ALMEIDA 215 rio). O Laurindo faz parte de um seleto grupo de músicos que transcenderam as fronteiras muitas vezes polarizadas entre as músicas ditas eruditas e populares. Durante sua carreira gravou Villa-Lobos. a um jovem músico que me perguntou que Laurindo era esse. caiu no esquecimento. P: Em um almoço com Ricardo Cravo Albim (o idealiza- dor do Dicionário de música popular brasileira) Tom Jobim comentou: O Brasil não gosta mesmo de quem faz sucesso lá fora. Isto significa: os melhores músicos do mundo. E lá que ele foi se encontrar.. Mas ele era tão bom quanto qualquer músico brasileiro de seu tempo. Viveu nos Estados Unidos. jazz e até flamenco. a coisa ganhava uma dimensão internacional. Radamés Gnattali. O Lau- rindo é respeitadíssimo pela nata da música americana. Aquele pessoal da West-Coast norte-americana tinha todas as características da raiz do jazz tradicional. Eu mostrei há pouco o Guitar from Ipanema.

. O Américo Jacomino ficou conhecido no começo do século porque a música era pequena e limitada. Daí nasceu o blues. Ele ficava plantando algodão e choramingando. não! Isso não tem nenhum problema. Foram poucos os que se destacaram como solistas como o Dilermando Reis. todo esse pessoal. O Aleijadinho provavelmente devia rebolar como rebola qualquer mulata de escola de samba. No Brasil. não houve conflito racial! Quem está criando conflito racial. como se dá nos Estados Unidos. Mas as raízes africanas foram todas aniquiladas. mas não tem aquele swing autêntico dessas músicas. foram poucos os instrumentistas que ficaram famosos. Mataram os caras! Agora. aqui no Brasil o crioulo chegou a escrever música barroca como Vivaldi. O Charlie Byrd tocando música flamenca ou bossa nova é ridículo! Ele toca e a gente vê que tem técnica. O negro lá não podia batucar! Negro lá batucava levava porrada. Mas sempre se manteve fiel às suas raízes brasileiras. mas depois ele ia se encontrar com a crioula dele lá no terreiro e sambava e batucava do mesmo jeito. Existem grandes violonistas tão bons quanto ele. O Stan Kenton gostava muito dele porque tinha exatamente esse ecletismo que nem todos os violonistas têm. enfim. É claro que o Brasil nunca deu muita importância à música instrumental. Mas o Laurindo fez carreira fora. No meio musical todos sabem quem é Waltel Branco e Zé Menezes. Da bossa nova em diante. que foram também músicos de estúdio. Nós tocamos jazz melhor do que eles tocam música brasileira. aí sim! Aí começou aquela ge- ração de música de qualidade. são os negros.216 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Não. que tocava violão na Rádio Nacional. Zé Menezes. A música americana do final de século XIX e início do século XX destruiu suas raízes africanas. Ele não foi re- conhecido no Brasil porque sua carreira foi construída fora. como foram aniquilados os índios argentinos. Toquinho. como Waltel Branco. Ou seja. hoje. O próprio Garoto era mais conhe- cido como compositor. Se ele ficasse aqui seria reconhecido tanto quanto. por isso se destacou. que trouxe uma geração de músicos populares para o conhecimento: Baden Powell. mas no Brasil são pouco conhecidos. músicos preciosos. por isso ficou mais conhecido lá.

P: Oscar Castro Neves. P: Certa vez. ele é um dos pais. Isso procede? R: Isso procede! Está certo. como eu disse. acharam que era ele quem tinha introduzido isso no Brasil. Mas ele não é o pai. porém. ficaram aqui tocando nas rádios brasileiras. foi um excelente instrumentista de bossa nova. devem ter cotas. os bons músicos gravam separados e . as pessoas não conheciam os músicos brasileiros e conheciam o Laurindo Almeida que. quando eles ouviram a bossa nova. Agora: existiam outros violonistas brasileiros que também tinham conhecimento dessas harmonias modernas. em entrevista ao documentário sobre Laurindo Almeida. como existe nos Estados Unidos. não foi ele! Já existiam inúmeros músicos aqui que montaram esse colchão onde a bossa nova foi implantada. Foi importante. para um ouvido es- trangeiro parece que foi ele quem introduziu isso na música popular brasileira. Talvez pelo emprego de acordes dissonantes que. que o Brasil tem preconceito contra negro. afinal. afirma que a contribuição que o violonista deu à Bossa Nova está no aspecto harmônico. o pai da Bossa Nova”. LAURINDO ALMEIDA 217 que acham que devem ser diferentes. re- presentava toda essa rítmica brasileira sofisticada em nível de música de câmara. conhecia toda a música de câmara brasileira por meio do violão. saiu uma nota em um jornal suíço que dizia: “Laurindo Almeida. Como nos Estados Unidos existiam as big bands e a música instrumental era separada da música vocal. Garoto. porém. Então. mas não existe discriminação e nem antagonismo racial. já seriam usados por Laurindo antes do advento do novo estilo. Ele não é o pai. segundo Castro Neves. Dilermando Reis e como tantos outros brasileiros foram. isso sim é possível dizer! Mas tanto quanto os outros violonistas. Existe algum preconceito. Esse é um assunto que ainda gera polêmica! Por quê? R: Gera polêmica porque externamente é possível dizer que ele é o pai da bossa nova. Então.

A música ame- ricana é mais instrumental. ele morava nos Estados Unidos e aplicou à música brasileira. a harmonia dele foi sempre a mais ampla de todas. O jazz do século XX. De fato. porque o jazz evoluiu em maior quantidade essas harmonias modernas. vários músicos brasileiros. Todos sabiam improvisar e conheciam a improvisação jazzística. Nesses discos. digamos assim. P: Quando o Laurindo chegou aos Estados Unidos. existem músicas brasileiras tocadas com pro- cedimentos jazzísticos. Luiz Eça – que inclusive foi meu aluno. lá se desenvolveram. ou seja. compositores que vieram de uma herança francesa. Assim. certamente. Aqueles ritmos de New Orleans.218 ALEXANDRE FRANCISCHINI gravam como solistas. E como os jazzistas assimilaram estas harmonias que vieram do impressionismo – mesmo porque estiveram lá nos Estados Unidos. O senhor conhece algum registro anterior que já tenha essa fusão de temas brasileiros tocados para improvisação? R: Todos os pianistas brasileiros que tinham uma técnica mais desenvolvida e tocavam música popular brasileira tocavam jazz. Juntos lançaram uma série de três discos chamados Brazilliance. ele fez essa amálgama e. eram músicas europeias de salão atrasadas. ela desenvolveu mais o aspecto harmônico. tam- bém tocou com um saxofonista chamado Bud Shank. em meio aos temas abrem-se chorus de improvisação. no jazz desenvolvido da west coast. porque ele trabalhava com essas har- monias na música popular norte-americana. os ritmos de Chicago. é possível atribuir a ele toda essa de- senvoltura harmônica. o jazz a partir de New Orleans. foi a música que mais desenvol- veu a improvisação. No século XX o jazz se desenvolveu e popularizou essas harmonias. Já a música brasileira se desenvolveu mais no aspecto melódico e vocal. Ja- cks Klein tocava jazz. Darius Milhaud e vários compositores. Nadia Boulanger. o Geraldo Parente lá no norte. Antes disso não! O ragtime não tinha improvi- sação. Os discos datam de 1953. Era pobre! Como no Brasil o . Então. de uma harmonia mais diluída –. O Laurindo Almeida assimilou isso.

e introduziram isso na música brasileira. O próprio Hamilton Godoy. LAURINDO ALMEIDA 219 chorinho do início do século. começou a pronunciar aquilo de forma diferente. desaprenderam. no século XX. Aquele país é sé- rio. eles gravam as coisas e não jogam fora. então você vai encontrar bons pianistas ou instrumentistas brasileiros que sabiam improvisar. inclusive. que trabalhou com Noel Rosa. Pode ser que exista. os cubanos e os do México. morou nos Estados Unidos e tocava música brasileira com informação jazzística. A partir dos anos vinte. não foram destruídas como nos . Ou seja: o negro. e que. Era muito batidinho. por meio da pronúncia. Não é como aqui. quando vão improvisar fica mais jazzista. Porém. talvez eu tenha esqueci- do de dizer que o registro desses discos é dos Estados Unidos. Luizinho Eça. O próprio Vadico. Coisa que os eruditos faziam. o jazz deixou de ser uma música de salão europeia para ser uma música norte-americana. No Brasil. e acredito que exista. P: Com relação à mesma pergunta. que jogam fora tudo. Aí. embora sempre tenha uma raiz brasileira em tudo o que façam. quando o jazz começou a ser improvisado. como a influência do jazz é muito anterior. desenvolveu-se esse hábito. eles se encantaram com os ritmos sul-americanos. não só brasilei- ros. Eu pelo menos não conheço nada. que aprenderam a improvisar com o jazz. é sabido que os músicos aqui improvisam jazzisticamente sobre ritmos brasileiros. porque eles sempre tiveram fascínio. O senhor tem algum conhecimento disso antes de 1953? R: Existiram músicos que passaram por lá e fizeram coisas. certamente deve ter alguma coisa. Lá. porque nesses países as influências africanas permaneceram. Transformou aquilo numa nova realidade que se chamou jazz. eu quis dizer nos Estados Unidos. quando tocava aquelas polcas [neste momento co- meçou a cantarolar] quando começou a tocar aquelas músicas de salão europeias. Quando eles começaram a descobrir o ritmo outra vez. essa capacidade dos músicos populares de improvisar. Os jazzistas foram os grandes improvisadores do século XX. Mas muita coisa não deve ter sido gravada.

220 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Estados Unidos. Então, eles ficavam fascinados. Quando eles viam
os músicos brasileiros que iam para lá, o Bando da Lua, com violão
acompanhando Carmem Miranda, eles ficavam enlouquecidos de
ver essa rítmica brasileira, sobretudo no violão, que seria o violão
de mão direita, que faz o ritmo. Egberto Gismonti, Baden Powell,
que fazem aquilo tudo muito bem. O Garoto fez também, toda
essa turma aí. E também o cavaquinho, que nos Estados Unidos
corresponde ao banjo. Aquilo é um mero instrumento de percussão
– de repente o pessoal pega e transforma aquilo em instrumento de
música. Músicas como Brasileirinho e Delicado que durante a guerra
foram popularizadas pela política da boa vizinhança deixavam os
músicos americanos enlouquecidos. Então copiavam a gente, faziam
à moda deles. Eu era criança e recebia gravações americanas, nas
quais eles copiavam ritmos brasileiros, sobretudo dos instrumentos
de cordas. Soava engraçado, mas eles sempre foram fascinados por
essa matéria-prima rítmica brasileira de base africana, que aqui se
desenvolveu ainda mais. Embora tenha se preservado, ela ganhou
novas dimensões com as misturas de raças, com a mistura de ritmos
diferentes, de outras regiões do país.

P: O senhor tem conhecimento de como Laurindo conhe-
ceu Carmem Miranda?
R: Eu não sei, eu já soube disso, mas agora não me lembro.

P: O Radamés Gnattali compôs e dedicou músicas para o
Laurindo. O senhor tem conhecimento disso?
R: É, o Radamés compôs um concerto para ele. Escreveu para
violão e piano. Esse concerto eu quis editar na Alemanha, mas teve
um problema. Não chegou a ser editado, se eu não me engano. Mas
um menino outro dia quis tocá-lo e eu orquestrei para cordas, flauta,
clarinete e fagote. Um instrumento de cada sopro. Eu fiz aqui na
televisão, na Cultura, e agora vou fazer o terceiro movimento no
próximo sábado. Eu fiz baseado no que o Radamés escreveu, que é
uma linguagem muito desenvolvida. O Radamés, quando escrevia

LAURINDO ALMEIDA 221

para instrumento solista, pra sala de concerto, virava realmente
um compositor de sala de concerto. A vida dele começou como
músico erudito, ele primeiro foi um grande pianista, um grande
violinista, depois um grande violonista, tocou cavaquinho tão bem
quanto os outros instrumentos. Não é que ele tocava um pouco de
violão, ele tocava muito bem. Uma vez, na casa dele, eu disse: como
é Radamés, você também mandou brasa no violão? Como dizendo:
“foi meio daquele jeito”. Ele disse: “daquele jeito não!” E pegou o
violão e estraçalhou na minha frente. Fiquei até envergonhado. Ele
escreveu esse concerto que, se eu não me engano, é o número dois,
que ele gravou nos Estados Unidos, mas foi só para piano. Agora:
eu orquestrei com muito prazer, eu era muito amigo do Radamés, e
o reconheço como um grande músico brasileiro, importantíssimo.
Esse também sabia tudo! Entendia uma linguagem de origem po-
pular e sabia escrever como um compositor erudito. Coisa que não
aconteceu nos Estados Unidos. Uma coisa era música popular, outra
coisa era música erudita. O Leornard Bernstein nunca conversou
com os músicos de jazz. O único que fez isso foi o Gutter Shirley.
Aran Cosplay escrevia música sobre o folclore americano, mas nunca
conversou com um músico de jazz para escreverem juntos alguma
coisa. Como aqui nós fizemos na Tropicália. Sempre foi separado.
Você acha que os compositores ingleses sentaram com os Beatles e
fizeram alguma coisa juntos? Nem pensar!

P: O senhor tem alguma informação sobre a relação de
Laurindo com Villa-Lobos?
R: Não, não sei não.

Considerações finais:
Do entrevistador: Eu gostaria de agradecer pela atenção, e dizer
que foi um prazer falar com o senhor.

Do entrevistado: Pra mim foi um prazer, se precisar é só falar
de novo com a gente.

222 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Entrevista concedida pelo museólogo e historiador
Paulo de Castro Laragnoit, realizada em Miracatu, em
25 de julho de 2006.

• Transcrição

P: Senhor Paulo, poderia me contar como e quando come-
çou a se interessar pela história de Laurindo Almeida?
R: Olha, eu comecei a me interessar pelo Laurindo já no apagar
das luzes dele e de seu irmão Edgar, quando num artigo de jornal
de O Estado de S. Paulo perguntaram ao Laurindo onde ele havia
nascido, e ele respondeu que tinha nascido numa cidadezinha cha-
mada Prainha, tão pequenininha que nem no mapa existe. Aí aquilo
ficou na minha cabeça e pensei: ele vai precisar saber onde nasceu
então! Naquela altura eu já tinha escrito o meu primeiro livro, então,
enviei para ele. Foi difícil achar o endereço, mas por meio de uma
repórter do Rio de Janeiro, que foi muito legal, consegui o endereço
e escrevi para os Estados Unidos mandando o livro. Mandei o livro
e ele mandou os recortes que falavam de sua família para o irmão
dele, que também era escritor aqui no Brasil. E aí ele escreveu uma
carta [...] O Laurindo saiu daqui com três anos e não levou nada
de Miracatu, mas o irmão Edgar saiu com dez, doze anos de idade.
Ele gostava daqui, lembrava do povo, queria bem a cidade. Hoje se
chama Miracatu, mas naquela época se chamava Prainha. Aí, ele me
escreveu cartas contando um mundo de coisas sobre o Laurindo. Fui
colhendo o material e vi que podia escrever alguma coisa, porque

LAURINDO ALMEIDA 223

ninguém sabia nada. No meu primeiro livro, eu custei a conseguir
alguns dados biográficos sobre Laurindo. Ninguém sabia nada aqui
no Brasil, não tinha divulgação nenhuma. Então saiu um pedacinho
[se referindo aos dados biográficos de Laurindo em seu primeiro
livro], aí o pessoal me ligava e perguntava: quem é esse Laurindo
de Almeida? Ele nasceu aqui mesmo em Miracatu? E o pessoal não
acreditava que uma pessoa tão importante tinha nascido em Mira-
catu. Miracatu também cresceu, ficou uma cidadezinha maior [...].
Eu já estou no final do livro, já consegui bastante material, da vida
toda, nos Estados Unidos, do trabalho dele. Quando ele faleceu,
o irmão dele, o Edgar, me telefonou e [...] até falei: hoje de noite
eu vou ligar a TV porque deve sair alguma coisa, como sai sempre
com pessoas importantes, sai a vida da pessoa, mas não deu nada.
Depois no Guardian de Londres, um jornal importante de Londres,
um repórter escreveu sobre o falecimento dele, e comentou que aqui
no Brasil tinha passado despercebido. Uma pessoa tão importante...
Eu pensei: isso não pode ficar assim! Agora, no ano passado houve
aqui o simpósio Laurindo de Almeida. Vieram quatro violonistas
de renome de São Paulo, foi um evento muito bonito. Quer dizer,
já começa a aparecer, né? Já estamos trabalhando este ano pra ver se
conseguimos fazer a mesma coisa, um festival Laurindo de Almeida
em Miracatu. Aí vai dar nome à cidade, e vai também divulgar o
trabalho dele, que é um trabalho maravilhoso, muito bom, e [...]
é isso, foi assim que eu me encantei com Laurindo de Almeida
(Risos).

P: Como é a história de que suas famílias são próximas. O
senhor veio a descobrir isso posteriormente?
R: Isso quem me contou por carta foi o Edgar. Na família do
Laurindo eram quatorze irmãos, mas só seis ou sete sobreviveram
[dúvida]. O pai dele foi o primeiro chefe de estação de Prainha e meu
tio, Antonio Laragnoit, era o subprefeito. Naquele tempo a cidade
era muito pequenininha, a vila, né... Então ele morava na estação
[referindo-se a Benjamim de Almeida, pai de Laurindo Almeida] e
só existiam duas casas: a do prefeito e a da família do Laurindo. Então

224 ALEXANDRE FRANCISCHINI

eles fizeram uma grande amizade, eles se queriam bem, como disse o
Edgar: “pareciam dois irmãos”. Então foi assim que eu comecei a me
interessar. Depois ele me contou sobre a família, porque o Laurindo
tocava violão, o pai tocava violão, a mãe dedilhava o piano, Mozart
e Chopin no piano. Os outros irmãos todos eram músicos, era uma
família de músicos.

P: Como se chamavam os pais de Laurindo Almeida?
R: A mãe se chamava Placidina e o pai Benjamim de Almeida.

P: O senhor se lembra de onde vieram, como chegaram
aqui?
R: Quando ele veio pra cá, ele já era chefe de uma estação, não
sei se aqui da praia. Ele veio transferido. A família era de Cananeia,
família tradicional de Cananeia. O tio de Laurindo escreveu muitos
livros da história do litoral, Memórias de Cananeia, História das
Navegações. Ele também era de uma entidade importante de São
Paulo, que eu não me lembro bem agora [...] Então, era uma família
culta e tradicional de Cananeia. Não era gente rica, mas era culta.

P: Quando vieram já eram casados?
R: Já, ele veio com a mulher. Ele veio pra cá em 1914, foi embora
em 1920, levou Laurindo pequenininho nos braços. O Laurindo
nasceu em 1917.

P: Saindo daqui foram pra onde?
R: Santos. De Santos foram para São Paulo, Laurindo já conheceu
muitos músicos, foi trabalhar em rádio também. Depois foi pro Rio
de Janeiro trabalhar no Cassino da Urca. Lá ele tava muito feliz da
vida aí, o Marechal Dutra proibiu o jogo e a renda dele desabou. Aí
ele pensou em ir para os Estados Unidos. Como eu digo no meu livro,
quem empurrou o Laurindo para os Estados Unidos foi o presidente
Dutra, e uma música dele que já fazia sucesso lá nos Estados Unidos,
pela qual recebeu direitos autorais.

Trabalhou em muitos filmes. mas não sei mais nada sobre isso. O Romeu morreu mocinho também. aqui no Brasil chamava-se Aldeia da roupa branca. suas fontes de pesquisa. já entrou para a orquestra famosa de Stan Kenton. chamava-se Johnny Peddler. quando foi para Los Angeles. Lembro do Romeu e do Edgar. gravada por um grupo chamado Os Pinguins. só de alguns: o Romeu. fabricado no Rio de Janeiro. com dezoito anos parece. e aí abriram-se as portas da felicidade [Risos]. P: O senhor se lembra do nome de todos eles? R: Não. Tocava também nas procissões. ou se foi pela jus- tiça. nas bandas. Lá nos Estados Unidos. em cooperativa. o Edgar? R: Edgar era um irmão dele que escreveu um livro de histórias de contos. P: Poderia me contar um pouco sobre o processo de escrita do seu livro. Ele fala muito sobre Prainha. Aí ele deu sorte. Não sei se foi espontaneamente. LAURINDO ALMEIDA 225 P: Esta música à qual o senhor se refere. Ele me mandou esse livro e eu transcrevi muita coisa do livro. em que andamento está e quando vai ser publicado? . mas só seis [dúvida] sobreviveram. até no Os dez mandamentos! P: O Laurindo tinha muitos irmãos? R: Eram quatorze irmãos. o Edgar. P: O senhor conheceu Geraldo de Almeida? R: Geraldo? Não. não conheci. Teria mais informações sobre isso? R: Eu sei que ele recebeu direitos autorais. né? P: O senhor poderia falar mais sobre o irmão mais velho. e teve um problema de direitos autorais como o senhor relata. Mas sei que ela fazia sucesso.

tenho boa voz. Eu gosto muito de música. [Risos] P: E o senhor.” [referindo-se à nota do The Guardian. infelizmente nós não temos. numa casa de discos. Muitos críticos importantes dos Estados Unidos falam que ele principiou a Bossa Nova. mas quando ela estourou no Carnegie Hall de Nova York. Outra história também é a da Bossa Nova. né?! P: Aqui na cidade existe algum acervo de discos e partituras do Laurindo Almeida que possa ser consultado? R: Não. não posso dizer nada. não vai dar um livro. revistas. noticiários e as cartas de Edgar. Nesse documentário mesmo diz que não se chamava Bossa Nova. tem que fazer uma viagem longa para encontrar algum disco do Laurindo de Almeida.226 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Bom. o que acha? R: Olha. eu pedi um LP do Laurindo de Almeida. Ou seja. o que não é. Agora. tem muita gente no Brasil que não concorda de jeito nenhum! Se falar que o Laurindo Almeida foi precursor da Bossa Nova. Aí o cidadão que me atendeu começou a rir e disse: “Olha. esse repórter mesmo disse “Laurindo Almeida. não existe. se perde. não posso dizer nada. na enciclopédia mesmo. . ele não aparece. ele não foi convidado. Quando ele faleceu. Tenho um bom material. ficou de escan- teio. mas não entendo nada. cartas de Laurindo. sou leigo. E tudo que não se escreve. Por sinal tem um caso interessante: certa vez fui a São Paulo e. Já que temos museu. mas o senhor vai encontrar nos Estados Unidos. o chefe da Bossa Nova. Preciso fazer um levantamento para ver o que é interessante. e tudo isso. Então. tenho bom ouvido. no outro dia sai um artigo de jornal enorme dizendo que não. mas era Bossa Nova. Se não. eu achei que deveria escrever alguma coisa porque não tem nada escrito. Recortes de jornais de Los Angeles que o Edgar me contou. Inclusive. vai dar uma enciclopédia. As fontes de pesquisa são jornais. jornal de Londres]. Tem que ser uma pessoa que tenha gabarito pra poder. temos tudo. eu não sou crítico musical. em Londres e no Japão” [Risos]. recortes do Guardian de Londres.

Entrevista concedida pelo violonista e colecionador Ronoel Simões. né?! Não era colecionar. eu comecei a estudar violão em 1941. Naquele tempo eram de 78 rotações e eu . em São Paulo mesmo. muito obrigado. muito obrigado. era comprar alguns discos. E nessa mesma época eu comecei a comprar alguns discos de violão. eu gostaria de obter algumas informa- ções a respeito de sua vida. • Transcrição P: Primeiramente. realizada em sua residência no bairro do Bixiga. em 29 de junho de 2006. tudo que caía na minha mão eu ia guardando. eu comprei alguns discos. e muito agradecido pela en- trevista concedida pelo senhor. Quando e como começou o seu acervo? Qual o primeiro disco ou partitura? R: Bom. foi um grande prazer. LAURINDO ALMEIDA 227 Considerações finais: Entrevistador: Eu fico muito feliz. Já em 1941 mesmo. Entrevistado: Eu também.

mas parece que se chamava Vila Xavier. Eu vim pra São Paulo morar em 1938. Nesse dia. Era num bairro muito próximo da estação. em casa ninguém era músico. Não era cole- cionador. não era colecionando. uma boa cidade. eu moro aqui desde 1938. nasci em Araraquara. eu tô meio esquecido. Os outros dois eu não me lembro o que eram. P: Por que o senhor decidiu vir para São Paulo. da estrada de ferro. Um era Abismo de rosas pelo Canhoto. um pequeno empório. era comprando pra ouvir. vendia coisas assim [. Vendia pinga. num bairro perto da estação da estrada de ferro. mas em casa ninguém era músico. não! Eu fico com ele pra mim sempre. cigarro. eu não vendo.228 ALEXANDRE FRANCISCHINI me lembro que comprei uma vitrolinha daquelas pequenininhas pra tocar e comprei cinco discos de violão. em 1938? . P: O senhor já morava em São Paulo? R: Morava aqui em São Paulo. o outro era Mozart bicalho. O que ia caindo na minha mão. Eu não nasci em São Paulo. uma cidade aqui perto. Engraçado. Gotas de lágrimas. Noite de Lua e Maguada.. eu fui guardando sempre. eu ia guardando esses discos desde 1941. e o outro era Dilermando Reis. P: Fale mais sobre Araraquara? R: O meu pai tinha um empório. P: Qual a data de seu nascimento? R: Nasci no dia 24 de março de 1919. E foi aos poucos.] nossa atividade naquele tempo era essa. encostado na estrada de ferro. né?! Eu tenho o hábito de que tudo que eu compro. sim. dois ou três discos por mês. Meu pai tinha um empório e eu ajudava no empório. naturalmente. Eu comecei a estudar violão em 1941. Eu era o único que gostava de violão. cada mês eu comprava alguns discos. P: O senhor vem em de uma família de músicos? R: Não..

. Acompanhava ele. tocava tudo.. Eu fui conhecendo ele lá. P: O senhor conheceu também o Dilermando Reis? . Ele já faleceu. o Bernardini.] E era um bom professor. Só que o Garoto estudava muito sério e tornou-se um grande violonista. Por sinal ele era aluno do Bernardi- ni. mais tarde um pouco. O Bernardini morava naquele tempo lá no Largo do Cambuci. É.. Bem eu conheci um que se chamava Julio Mazotti. Quatro anos antes de eu estudar com ele. sabe? E eu o conheci. P: Qual o primeiro violonista que o senhor conheceu? R: Bom. Foram sete anos! P: O senhor conheceu o Garoto? R: Conheci o Garoto. um professor que tinha aqui.. nas mansões ali nos bairros. LAURINDO ALMEIDA 229 R: O meu objetivo de vir pra São Paulo era para estudar violão. Estudei com ele de 1941 até 1948. Era um bom instrumentista. que era muito conhecido aqui naquele tempo [. Lá nós nos co- nhecemos. e costumava vir a São Paulo muito frequentemente. Ele tocava tudo e tocava tudo muito bem [. eu não me lembro. né? Foi assim que eu conheci o Garoto. Quando vinha pra São Paulo me telefonava. mas eu nunca tinha tido professor. Então me tornei interessado em estudar.. Ele tinha amigos bons! Sempre me convidava pra ir ouvir também. 39. e tudo muito bem tocado. O Garoto morava no Rio de Ja- neiro. em 1941. Foi justamente o Garoto que tinha sido aluno desse professor Bernardini. nem nunca tinha tido um violão. e ele viu que eu gostava de violão. muito bom. Mas isso só se deu em 1941. Isso quando ele ia tocar na casa dos amigos. guitarra. ouvir ele. nas casas chiques. Eu já tinha essa intenção de estudar violão. bandolim. Mas eu tinha a intenção de conhecer aqueles violonistas e começar a estudar aqui. uns anos depois.. então. ele me aconselhou o professor dele mesmo. Ele tinha sido aluno do Bernardini em 1937. Ele vinha visitar o Bernardini. 38. Tinha família aqui.] tocava violão tenor.. Ele tocava pra mim e eu gostava muito de ouvir.. cavaquinho.

mora aqui em São Paulo e sou amigo dele até hoje. Eu frequentava a casa da viúva e dos dois filhos. Tem gravação dela [. Inclusive. Não por mim.. a viúva já morreu. ele tinha um casal de filhos e eu conheci os dois. Uma revista que existia aqui em 1964. Conheci o Pereira Filho. ele morreu em 1928. Fiquei conhecendo muitos violonistas lá.230 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Dilermando Reis eu conheci em 1943. o filho. Eu conheci depois a viúva. mudou-se. Foi a primeira vez que eu fui ao Rio de Janeiro. Eu visitei todos que eram violonistas. Não era violonista! Ele gostava dos violonistas. O Pixinguinha não tive o interesse de conhecer pessoalmente. essa Valsa n° 1 está gravada lá nesse disco. fiquei conhecendo o Dilermando Reis. a filha mora no interior. tinha relações com os violonistas. outros violonistas gravaram ela também. Tudo onde tinha violonista eu ia pesquisar. O Luisinho. existem alguns LPs. mas não era violonista [. Sou amigo deles. . Mas tudo que era do violão eu procurava. e outros mais. O Villa-Lobos e toda essa gente.] então eu não procurei ele. Então. mas por outros violonistas.. naquele tempo eram LPs. eu co- nheci naquela ocasião. essa música saiu em duas edições: na Ricordi e na revista. que era um bom compositor para violão. Saiu aí. ele dedicou a mim. fiquei também conhecendo o Villa-Lobos. E outros músicos mais também não. já..] Tem alguns. e eu não cheguei a conhecer. Aliás. Eu morava aqui e fui passear no Rio. o Vital Medeiros que toca lá. que era muito meu amigo. Então. Bom. P: O senhor se lembra de ter conhecido o Armandinho e o Canhoto? R: O Canhoto eu não conheci. a Valsa n° 1. o filho e a filha dele. né? Impresso pela Editora Vitale. Conheci aqui sim o Armandinho. Até uma composição dele. o José Augusto de Freitas e uma porção de outros violonis- tas.. hoje. Inclusive. o Benedito Chaves e muitos outros. Está impresso. casou-se. e também saiu na Revista Violão e Mestres. E lá no Rio fiquei conhecendo muitos violonistas. Uma valsa do Armandinho muito bonita. em 1943. está em CD.

LAURINDO ALMEIDA 231 P: E o Laurindo Almeida. O Lau- rindo. em 1943. Muitos músicos trabalhavam lá. o violão clássico. eu sei que depois. Tornei-me muito amigo dele. Foi nessa época. Eu era muito amigo dele. ele já trabalhava com Villa-Lobos e Radamés Gnattali? Aqueles concertos gravados são dessa época? R: Não. O Cassino da Urca era um cassino muito frequentado pelos músicos. Inclusive. parece que o Garoto também trabalhava lá. Inclusive. do Villa-Lobos. quando conheci ele. ele tornou-se muito amigo e colaborador do Gnattali e de Villa-Lobos também. até quando fechou o cassino ele traba- lhava lá sim. Agora. parece que ele era de lá. Era um grande músico. ele gravou todos. né? . Talvez foi mais tarde. E outros mais. O Dilermando Reis também trabalhava lá. e eu fiquei conhecendo ele lá. sempre fui amigo dele. eu saí junto com ele e fomos passear pela cidade. ele conhe- cia muito o violão popular. Naquele tempo ele já devia ser amigo do Gnattali. e solo também. O Gnattali. Eu não conhecia o Rio. mais tarde. Ele tocava lá com o conjunto dele. aqueles concertos do Gnattali para violão e orquestra. Em 1943. então saía junto com ele. eu fui procurar por ele. saímos pela cidade juntos. sempre fui muito amigo dele. sabe?! Mas isso foi posteriormente. mas eu não tenho notícia disso. como o conheceu? R: O Laurindo eu conheci no Rio. O Villa-Lobos também dedicou música a ele. lá no Rio mesmo. Até a morte dele. P: Quando o senhor conheceu o Laurindo Almeida no Rio de Janeiro. P: Nessa época Laurindo trabalhava no Cassino da Urca? R: Trabalhava também. Parece-me que na Rádio Mayrink Vei- ga. Essa primeira vez que eu fui ao Rio. um grande instrumentista e muito boa pessoa. conhecia tudo. não sei se estava muito envolvido nesse negócio. aquilo foi posteriormente. O Laurindo era muito versátil. eu ia procurar tudo quanto era violonista.

e até me mandou o disco e eu tenho o disco até hoje. eu mantinha uma correspondência permanente com ele. o que ele ficou fazendo? Como e por quais motivos partiu para os Esta- dos Unidos? O senhor tem ideia? R: Não. aquelas músicas americanas como elas eram. Eu me lembro que ele uma vez me escreveu. Mas eu não sei exa- tamente como foi. né? Antes de começar a Bossa Nova. Ele queria gravar lá o Choro da saudade. quando foi morar nos Estados Unidos. quando precisava de alguma informação sobre violão que eu podia ajudar. por exemplo. porque eu não estava muito dentro do assunto. ele já tocava aquelas músicas americanas que depois fundiu com a nossa música. Mas do Laurindo eu me lembro melhor quando foi para lá. Mas me lembro até quando ele foi. que passa a ser meio um choro. o n° 1. Ele de lá. Ele era muito entendido em Bos- sa Nova. Me lembro pouco. ele estava muito no meio dos músicos. e depois com ritmo de Bossa Nova. Ele era muito influente nisso. . Eles tocam lá. era muito influente. tinha muitos relacionamentos e pra ele não foi difícil. com o Laurindo sim. P: O senhor teria algo a dizer em relação à importância do Laurindo Almeida para Bossa Nova? R: Era muito importante. de Agustín Barrios e queria autorização. romântico. Entendia de clássico. isso parece que foi em 1951. O Garoto eu também me lembro. não tenho ideia não. gostava muito desse tipo. eu ajudava.232 ALEXANDRE FRANCISCHINI P: Quando fechou o Cassino. vocês se comunicavam? R: Sim. daí passou a ser a Bossa Nova. por volta de 1945. sabe? P: Nesse período em que o Laurindo viveu nos Estados Unidos. Eu já estava lidando com violão. ele entendia muito disso. Ele me escreveu pedindo informações e eu dei as informações e ele ime- diatamente gravou o choro lá. popular e Bossa Nova também. Mas ele tinha muitas possibilidades. O Laurindo tinha muita influência nisso. Com o Laurindo.

era outro. mas não me lembro o nome dele. Ele me . mas lá. Mas o Laurindo era muito entendido em Bossa Nova e foi um dos precursores. Não era o Jobim. Era um que tinha uma orquestra de jazz muito famosa na época. e tocava clássico. todo mundo conhecia ele. O Laurindo ficou sendo conhecido por toda aquela gente. Ele foi daqui pra lá pra tocar música brasileira. Era um músico muito bom o Laurindo. lá nos Estados Unidos. Foi aluno do Garoto. sei que ela suicidou-se. esse trânsito entre a música clássica e a música popular contribuiu para ele tivesse o prestígio que tem? R: Sim. um que era muito entendido em Bossa Nova. Ele tocava muito bem e conhecia tudo. sim. O Laurindo e o Garoto. Não sei se era Carlos Lyra. Depois. Ele era um dos precursores da Bossa Nova. uma cantora canadense. casou-se com uma canadense que eu conheci. sabe? P: O senhor acha que. LAURINDO ALMEIDA 233 P: Isso anteriormente ao advento da Bossa Nova? R: Anteriormente. ele já se aclimatou logo com a música americana. Não sei por qual motivo. ele lá nos Estados Unidos. tem um que foi muito importante na Bossa Nova. Ficou conhecendo todo mundo. tocava tudo e tudo bem tocado. sempre teve muito prestígio. Inclusive. teve filhos? R: Foi casado sim. Ele foi lá para tocar na orquestra do Stan Kenton. popular. Tinha muito pres- tígio naquele meio musical. de certo modo. foi casado. Ele tinha muitas possibilidades em qualquer gênero de música. A morte dela foi por suicídio. assim que chegou foi procu- rado pelos músicos. ele tinha prestígio tanto em um estilo quanto no outro. P: Em relação à vida pessoal do Laurindo. o Bonfá. P: O senhor tem ideia da influência do Laurindo Almeida sobre os músicos americanos? R: Sim. sim. Eu sei que ele tinha uma mulher brasileira que se suicidou. E também outros mais.

eu e ele juntos nesse concurso em 1984 e 1987. Era importante na música brasileira e na música erudita cultivada no Brasil. pra ela. de modo que editava até música nossa. Ele com sua esposa vieram me visitar aqui em casa. e na outra face o De papo pro ar. Me disse que tinha uma filha de 18 anos. Trabalhamos lá no júri. As saudades de Matão. isso foi agora. e sempre estava junto com ele. primeiramen- te em relação ao violão brasileiro. Eu não conheci pessoalmente. não falta nenhum sabe. tinha muita importância. Não sei se ainda está hoje. eles todos. os LPs. e eu já era amigo dele muito antes. Ele. eu . que era um violonista do Rio de Janeiro. era mais do interior. Era um choro muito bonito. Até hoje está lá. conhecia tudo isso. Trabalhei um mês. Tenho até hoje os discos. e esse João do Santos tem uma música que está editada pela editora do Laurindo nos Estados Unidos. quando esteve no Brasil. não sei o nome. P: Qual a importância de Laurindo Almeida. já em 1984 e 1987. Eu sempre tive os discos dele. mostrei pra ele. e depois à música brasileira. chegou a visitá-lo? R: Me visitou sim. morou em Campinas também. mas o Laurindo editou e cultivava ela lá. conhecia muito. tocava ela. os famosos LPs. Eu trabalhei com o Laurindo Almeida no Rio de Janeiro. estava nesse hotel muito famoso. aquela música do Joubert de Carvalho. Ele também editava música nos Estados Unidos. P: Quando veio ao Brasil. de forma geral? R: A contribuição dele foi muito importante! Ele era uma das figuras principais do assunto! Era muito conhecedor e tinha muito prestígio. Do Laurindo eu tenho até discos de 78 RPM gravados aqui. em 1984. sabe! Até mostrei os discos que eu tinha dele.234 ALEXANDRE FRANCISCHINI falou uma vez que tinha uma filha. ele estava no júri e eu também. no Concurso Internacional de Violão. parece que era o Sheraton. Até tem um choro de João dos Santos. Pra ver que eu tinha os discos. quinze dias cada sabe! Ele era muito importante em todos os assun- tos de violão.

né? Ele era uma pessoa muito importante no meio musical. Sei que deixou. P: Deixou filhos? R: Que eu sei. quando esteve nos Estados Unidos mais recentemente. conhecia todo mundo. eu sei que ele deixou. mas ele morreu de câncer. Era muito amigo de Villa-Lobos também. no litoral de São Paulo. Mas ele é lembrado todo ano. servia de intérprete para ele. Lá se reúnem os outros que eram amigos dele na ocasião. Ele estava doente. O Villa-Lobos. . P: Ele chegou a conhecer o Tom Jobim e o João Gilberto? R: Sim. até o Laurindo foi como se fosse um secretário do Villa-Lobos nos Estados Unidos. LAURINDO ALMEIDA 235 conheço. parece que deixou também. estava com dezoito anos. Uma filha eu conheci. todos foram tocar lá nesse evento que tem em homenagem a Laurindo de Almeida. P: Ele ainda tem família em Miracatu? R: É. Eu estive com ele antes de morrer. Eles me con- vidaram para ir. tinha minhas ocupações aqui e é um pouco longe também. Tem uma bonita festa em homenagem pra ele todo ano. coitado. Francisco de Araújo e Marcos Gomes. Vai até violonista aqui de São Paulo. Vendia música pelo mundo todo. Apresentava ele nas editoras. parece que ele tem família em Miracatu. mas eu nunca fui lá. lá na terra dele sabe! Miracatu. P: O senhor se lembra do que ele morreu? R: Eu sei que ele morreu de câncer. e o Laurindo já morava lá há muito tempo. em 1984. agora. sabe? O Laurindo era muito importante no assunto de música. ele era editor e distribuidor de música. estava se queixando. deixou uma filha. Mas me convidaram. não! A filha. mas não me lembro. filho eu não me lembro. já falava inglês muito bem. Essa filha dele. Eu não pude ir. Ele tem família ali sim. A cada ano costuma ter um evento musical em homenagem ao Laurindo.

mas ele tocava bandolim. era bandolinista mesmo. então num dos filmes ele toca bandolim. deu pra tocar bandolim sim. P: Então ele tocava guitarra elétrica? R: Tocava. Agosto ou setembro de cada ano. O Garoto. que era muito meu amigo e merecedor de tudo isso. Inclusive quase no fim da vida andou tocando violão elétrico. [Risos] É. P: O Laurindo tocava outros instrumentos? R: Ele tocava. em benefício e para enal- tecer o nome do Laurindo. ele tocava mais esporadicamente. se defendeu.236 ALEXANDRE FRANCISCHINI P: O senhor se recorda a data desta festa? R: A data me parece que é mais ou menos em setembro. inclusive. tocava tudo. Ele não era bandolinista. ele tomou parte em muitos filmes. por exemplo. É mais ou menos essa data. Quero ressaltar que foi um grande prazer estar aqui. É muita coisa. né? Ele tocava violão elétrico e tocava guitarra elétrica também. parece uma coisa até exagerada. Era bom em todos os instrumentos. bom. . ele era muito versátil em todos os instrumentos. Considerações finais: Do entrevistador: Eu gostaria de agradecer a entrevista que o senhor me concedeu. Ele tomou parte em muitos filmes. O Laurindo talvez não fosse muito bom no bandolim. Ele não devia ser um grande bandolinista. Do entrevistado: Igualmente pra mim também. e num dos filmes ele tocou bandolim [provavelmente se referindo à trilha sonora do filme O poderoso chefão]. eu fiquei muito satisfeito de poder fazer essas declarações. muito obrigado. tocava até guitarra. tocava muito bem. Tem um dos filmes que ele toca bandolim. porque umas informações aí que ele tomou parte em mais de 800 filmes. Pra mim foi muito bom também. Eu não sei. que por sinal está perto pra chegar. mas ele tocava bandolim também. Ele me falou lá num filme. mas tocava.

LAURINDO ALMEIDA 237 Iconografia Registro de Nascimento de Laurindo Almeida .

238 ALEXANDRE FRANCISCHINI .

LAURINDO ALMEIDA 239 *Laurindo Almeida e Garoto *Laurindo Almeida na Rádio Mayrink Veiga .

de 1938 [www.br] *Laurindo Almeida.com.240 ALEXANDRE FRANCISCHINI Foto de Laurindo com dedicatória a Pixinguinha. Pixinguinha e Geraldo de Almeida .ims.

LAURINDO ALMEIDA 241 *Laurindo de Almeida e seu filho. em março de 1947 . Laurindo Almeida Jr. *Laurindo Almeida nos Estados Unidos.

br] .242 ALEXANDRE FRANCISCHINI Laurindo Almeida em Baltimore. em 1954 [www..org/.com. nos Estados Unidos./JazzNotes/leo/almeida.nejazz.radamesgnattali..jpg] Gravação do álbum Suíte Popular Brasileira. 1948 [www.

jpg] .imageshack. 1954 [img147.salliterri.org/images/stla01t.us/img147/4971/31ae1. em 1959 [www. em Los Angeles. LAURINDO ALMEIDA 243 Laurindo Almeida.jpg] Salli Terri e Laurindo Almeida.

classicjazzguitar. Califórnia. em Saratoga... em 1990 .244 ALEXANDRE FRANCISCHINI Apresentação do grupo L.A. na Montanha Winery. Four.com/images/visi- torphoto.] *Entrevista concedida à TV brasileira. no verão de 1977 [www.

Museu Pedro Laragnoit. em 3 de abril de 1992 [http://www.com/photo_archive_old.laccs. Prêmio oferecido pela Latin American & Caribean Cultural Society. O Prainhense. de outubro de 1917. .html] Recortes de jornais Jornal da cidade de Miracatu. LAURINDO ALMEIDA 245 Laurindo recebendo o Certificate of Honor from the Achievement. em reconhecimento ao seu trabalho.

25 de fevereiro de 1977. Coleção José Ramos Tinhorão. Sílio.246 ALEXANDRE FRANCISCHINI BOCANERA. Jornal do Brasil. Laurindo de Almeida. fala de cadeira.ims. [www.com. Caderno B.br] . 30 anos nos Estados Unidos.

LAURINDO ALMEIDA 247 .

br] .248 ALEXANDRE FRANCISCHINI REBELLO. 23 de novembro de 1980.com. a trajetória de Laurindo de Al- meida.ims. Do jazz à música popular e erudita. [www. Coleção José Ramos Tinhorão. Gilson. O Estado de São Paulo.

Laurindo. LAURINDO ALMEIDA 249 ALMEIDA.br] . de 1984. O Estado de São Paulo. violão brasileiro nos Estados Unidos.com. Coleção José Ramos Tinhorão. 2 de dez.ims. Magda. [www.

ims. Laurindo Almeida.250 ALEXANDRE FRANCISCHINI Sem Autor. 28 de Julho de 1995. Jornal do Brasil. Caderno B. Coleção José Ramos Tinhorão.com. [www.br] .

que anuncia a morte de Laurindo Almeida. de 8/8/1995. LAURINDO ALMEIDA 251 Nota do jornal londrino The Guardian. . Museu Pedro Laragnoit.

com.ims. Jornal do Brasil. Coleção José Ramos Tinhorão. Caderno B. O pré-bossa novista voltou.br] .252 ALEXANDRE FRANCISCHINI CORTES. [www. Celina. 25 de fevereiro de 1996.

LAURINDO ALMEIDA 253 .

br] . [www. 26 de julho de 1999.com. Um violão renasce.ims. Coleção José Ramos Tinhorão. Ricardo Cravo.254 ALEXANDRE FRANCISCHINI ALBIM. O Dia.

SOBRE O LIVRO Formato: 14 x 21 cm Mancha: 23.7 x 42.5/14 1ª edição: 2009 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Marcos Keith Takahashi .5 paicas Tipologia: Horley Old Style 10.

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