laurindo

almeida
dos trilhos de miracatu
às trilhas em hollywood
alexandre francischini

LAURINDO ALMEIDA

ALEXANDRE FRANCISCHINI

LAURINDO ALMEIDA
DOS TRILHOS DE MIRACATU ÀS
TRILHAS EM HOLLYWOOD

© 2009 Editora UNESP
Cultura Acadêmica
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F888L
Francischini, Alexandre
Laurindo Almeida : dos trilhos de Miracatu às trilhas em Hollywood /
Alexandre Francischini. – São Paulo : Cultura Acadêmica, 2009.
Anexos
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-7983-035-8
1. Almeida, Laurindo, 1917-1995. 2. Compositores – Brasil – Biografia.
3. Violonistas – Brasil – Biografia. I. Título.
09-6242. CDD: 927.8
CDU: 929:78

Editora afiliada:

à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ikeda. pelas valiosas observações feitas. Ao meu cunhado. Silvio Luis Monteiro. por disponibilizar seu acervo de discos e partituras. Alberto T. por fim. Gerson e Maria Francischini. Obrigado por compartilhar mais uma etapa tão importante de minha vida. Aos meus pais. pelas orientações que me valeram muito mais do que conhecimentos musicais. por ter me concedido uma bolsa de estudo. Renata Bellotto S. Ao violonista Ronoel Simões. . Dr. tanto na qualificação quanto na defesa da dissertação. dedicação (revisão de textos) e incentivo em todos os momentos – bons e não tão bons. pela paciência. pelo apoio incon- dicional de toda a vida. A minha amada esposa. por ter me dado condições de realizar este trabalho. sempre muito proveitosas para mim. Ao meu orientador. pelas dicas de redação e revisões ortográficas. E. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus. Prof. Aos membros da banca examinadora. professores José Leonardo do Nascimento e Sidney Molina. sem o qual esta pesquisa teria sido infinitamente mais difícil realizar. Aos meus grandes amigos Cláudio Henrique Altieri de Campos e José Ivo da Silva pelas longas conversas acerca de assuntos comuns às nossas pesquisas. Francischini.

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SUMÁRIO Introdução 9 1 Um relato biográfico e contextual 13 2 Uma lacuna historiográfica na música brasileira 57 3 Seis obras referenciais – análise musical 87 Considerações finais 127 Referências bibliográficas 133 Anexo I 137 Anexo II 213 .

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No intuito de oferecer uma pequena contribuição nesse sentido – dada a amplitude do assunto –. do crítico musical . enquanto folheava despretensiosamente o livro O jazz do rag ao rock. teve um papel fundamental em relação à projeção internacional que a música brasileira alcan- çou. Em uma determinada ocasião. o presente livro tem por foco a vida e obra de um músico: um com- positor. Curiosamente. No entanto. quando se pensa no Brasil uma das pri- meiras coisas que nos vêm à cabeça é a música. INTRODUÇÃO Tratando-se de cultura. arranjador e instrumentista que viveu a maior parte de sua vida nos Estados Unidos e. muito antes do início desta pesquisa. simplesmente. Indo além: eu diria que é desconhecido não somente entre os musicólogos. Laurindo Almeida – como ficou mundialmente conhecido. certamente. para a musicologia brasileira trata-se ainda de um “ilustre desconhecido”. Não é novidade que ela figura entre os principais produtos de exportação de nosso país. apesar de uma vida dedicada à difusão sistemática de nossa música no exterior. Há tempos os músicos brasileiros que vivem ou viajam em turnês pelo exterior gozam de grande prestígio pelo simples fato de serem brasileiros. pouco se sabe a respeito de como essa ima- gem firmou-se no imaginário mundial. Seu nome: Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto ou. Para ilustrar tal afirmação. poderia relatar o meu próprio caso.

foi integrante de grupos da maior importância na história do jazz norte-americano. As fotos que contêm o símbolo * na legenda foram digitalizadas a partir desse documentário. como a orquestra de Stan Kenton e o The Modern Jazz Quartet. Ainda em relação ao cinema. melhor dizendo. no Brasil. o músico acabaria por tornar- se objeto de minha pesquisa. além de estar envolvido com o ambiente jazzístico. Então pensei: “uma hora preciso dar uma olhada nisso!” Quem diria que. também sou guitarrista. Vale ressaltar que ele se tornou fundamental para a realização deste livro. um músico do nível dos grandes concertistas desse instrumento – de um Andrés Segovia ou Vicente Gomez. p. deparei com a seguinte afirmação: Um guitarrista que ocupa uma posição toda especial no jazz é o brasileiro Laurindo Almeida. Mas confesso que não sabia absolutamente nada sobre Laurindo Almeida. . até então. Inicialmente. da produtora Telenews. sobretudo para obtenção de dados biográficos. foi o primeiro e único brasileiro a ser premiado com o Oscar. exibido em três episódios pela GNT Globosat. além de muitas outras coisas. Na medida em que tomava contato com as primeiras e escassas fontes de consulta. do Rio de Janeiro. Isso porque. reaplicou a tradição da guitarra não-eletrificada no jazz moderno. participou compondo.10 ALEXANDRE FRANCISCHINI Joaquim Ernest Berendt.1 Diante dos 1 Posteriormente tomei conhecimento de um belíssimo documentário intitulado Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. visto que. em 1999. 1987. notei que estava diante de um músico com uma carreira de grande sucesso no exterior e. produzido e dirigido por Leonardo Dou- rado. a frase me causou certa estranheza. tocando e. as surpresas foram aumentando: Laurindo Al- meida gravou mais de cem discos de carreira. algumas vezes. no capítulo destinado aos instrumentos de jazz – para minha surpresa –. até atuando em aproximadamente oito- centas trilhas sonoras para filmes de Hollywood. Almeida introduziu a guitarra tradicional. (Berendt. aparentemente fadado ao desconhecimento. passados alguns anos. não havia encontrado qual- quer trabalho de alguma relevância sobre o violonista. Naquele momento. também foi agraciado – entre 16 indicações – com cinco Grammys Awards.228).

passando pelo Rio de Janeiro das décadas de 1930 e 1940. mencionado por diversas enciclopé- dias de música – brasileiras e americanas – como um dos violonistas mais influentes do século XX. contribuiu para que muitos músicos brasileiros considerados “americanizados” . que vai desde o seu nascimento no litoral sul do estado de São Paulo. como veremos. também detectado logo no início da pesqui- sa. Todavia. Com isso. no auge da Era do Rádio. constitui-se. diante da inexistência de qualquer trabalho sistemático voltado à vida e obra de Laurin- do Almeida. LAURINDO ALMEIDA 11 fatos. até a sua emigração para os Estados Unidos. um músico com um curriculum dessa natureza. Pixinguinha. Radamés Gnattali e tantos outros. fato que. ainda não ocupa o seu devido lugar na historiografia da música brasileira? Outro dado curioso. No que tange à sua estruturação. procurei respondê-las. ao longo dos capítulos. o livro é composto por três capítulos e anexos. No segundo capítulo foram abordados dois temas centrais: 1) a crítica por parte da musicologia brasileira à influência do jazz sobre a nossa música popular. onde se tornou um dos músicos brasileiros de maior renome no exterior. de que maneira exatamente se deu a sua contribuição? Qual a origem e as motivações de tal polêmica? Afinal. Garoto. é mais do que sabido que o músico não teria sido nem o primeiro e nem o único a ser responsável por isso. diz respeito a uma polêmica em torno de Laurindo Almeida e a Bossa Nova. basicamente. Alguns autores – nas poucas referências que fazem ao violonista – manifestam opiniões divergentes quanto ao fato de que Laurindo poderia ter lançado as bases da concepção musical da Bossa Nova muitos anos antes de seu advento. surgiram outras três perguntas: teria sido Laurindo Almeida realmente um dos precursores da Bossa Nova? Caso tenha sido. trabalhou ao lado de artistas como Carmem Miranda. a despeito de essa informação ser ou não verdade. Essas questões – somadas à pergunta acima – revelam a problemática desta pesquisa e. O primeiro capítulo. de um relato biográfico e contextual. quando. não há qualquer questionamento sobre a influência de outros músicos contemporâ- neos a Laurindo sobre os músicos da Bossa Nova. surgiu a grande questão: por que Laurindo.

Nos anexos estão a catalogação da obra completa e a relação dos prêmios que o violonista conquistou durante sua carreira no exterior. no intuito não só de verificar de que maneira específica Laurindo Almeida teria sido responsável pelo surgimento dessa nova concepção musical que ficou posteriormente conhecida como característica da Bossa Nova.12 ALEXANDRE FRANCISCHINI sofressem duras críticas por se “renderem” às influências musicais estrangeiras ou. simplesmente. foi um difusor da música brasileira no exterior. Como dito há pouco. Para outros. O terceiro capítulo foi destinado à análise musical de seis composições de sua autoria. lançadas entre os anos de 1939 e 1959. Para alguns autores. por terem optado em exercer suas carreiras no exterior. Laurindo foi um precursor da Bossa Nova. por assim dizer. ainda. Portanto. 2) a polêmica em torno do violonista e a Bossa Nova. Para outros – não obstante a importância do músico em sua origem –. mas também de tentar reconhe- cer. esse assunto foi abordado com o propósito de investigar a origem e os motivos de tal polêmica. os procedimentos musicais que possam imprimir. entre os pesquisadores do movimento existe uma controvérsia acerca da importância de Laurindo Almeida na gênese da concepção musical do novo estilo. a sua “identidade musical”. dentro do repertório selecionado. . nem uma coisa nem outra.

deu-se início à construção de uma estrada de ferro que ligava toda a região sul do litoral paulista. Benjamim de Almeida e Placidina de Araújo Almeida. que tinha como seu primeiro chefe um distinto filho de . chegou a Prainha o pri- meiro trem de passageiros da Southern São Paulo Railway. na ocasião de sua inaugu- ração. localizada no Vale do Ribeira a 140 quilômetros da capi- tal de São Paulo. Naquela época a vila possuía cerca de oitocentos habitantes e tinha como principal atividade comercial o cultivo de cereais. designados para tomar conta da estação ferroviária da cidade. hoje cidade de Miracatu. descreve o dia da inauguração da ferrovia: Num domingo de dezembro de 1914. especialmente o arroz. 1 UM RELATO BIOGRÁFICO E CONTEXTUAL No litoral sul de São Paulo (1917-1929) Miracatu A história de Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto (1917-1995) começa em uma vila chamada Prainha. foram para Miracatu. Visando a um maior desenvolvimento e expansão comercial. pais de Laurindo. Em 1914. em seu livro A vila de Prainha. O museólogo e historiador Paulo de Castro Laragnoit. A estação ferroviária.

Benjamim de Almeida. O Prainhense. também localizada no Vale do Ribeira – tiveram muitos filhos. seu salário não permitia grandes regalias. tendo sobrevivido somente cinco: Edgar. As informações obtidas em Miracatu não são precisas em relação à quantidade. Maria Elisa. registrou o seu nascimento: Participa-nos os senhores Benjamim de Almeida e sua distinta senhora o nascimento de mais um filhinho que na pia batismal re- ceberá o nome de Laurindo. vida longa e venturosa. três anos após a inauguração da estação ferroviária. estava toda engalanada. em torno de 14. o mesmo acontecendo com o largo da Matriz. . Segundo Laragnoit. inteiramente adornado de palmeiras e festões. p. em 2 de setembro de 1917.1 Cananeia. 2 O recorte do jornal encontra-se digitalizado no item Anexos II. (1984. A cidade 1 Foto tirada em visita à cidade.14 ALEXANDRE FRANCISCHINI Antiga estação ferroviária de Miracatu.120) Benjamim e Placidina de Almeida – oriundos de famílias tradi- cionais da região de Cananeia. o único a nascer na vila. Romeu e Laurindo Almeida. vendo espaços regulares tremular a Bandeira Nacional. Ao pequeno. Geraldo.2 Embora Benjamim tivesse um bom emprego como chefe da es- tação ferroviária. o Sr. jornal da cidade. em 25 de julho de 2006.

irmão mais velho de Laurindo. que durante anos correspondeu-se com Edgar de Almeida. que confidenciou ao historiador algu- mas das informações expostas aqui neste primeiro relato do trabalho. concentrando cerca de 70% do volume do mercado mundial. deve-se ao museólogo e historiador Paulo de Castro Laragnoit. Este fato teve grande peso em sua decisão de abandonar a ferrovia em 1920. na cidade. a população o elegeu representante de seu povo. o plantio do café estendia-se por todo o Planalto Paulista. Desse modo. possibilitando manobras especulativas fabulosas: . contudo. e mudar-se para a cidade de Santos para trabalhar na construção do novo porto. atingindo até algumas áreas da Baixada Santista. ocorrido na cidade de Miracatu. Laurindo Almeida morou apenas os três primeiros anos de vida em Miracatu. Santos Na época em que a família Almeida mudou-se para a cidade de Santos. LAURINDO ALMEIDA 15 de Miracatu não possuía escolas e seus filhos não poderiam ter bons estudos. tornou-se um ponto estratégico do mercado internacional. Grande parte do empenho em manter viva a história de Laurindo e sua família. Simpósio de violão em homenagem a Laurindo Almeida. a cidade de São Paulo. sobretudo o porto de Santos. em 2005.

Nesse processo de expansão do porto.16 ALEXANDRE FRANCISCHINI Os engenheiros. ao menos em parte. com tifo. naquela época. Placidina de Almeida. Em decorrência dessa situ- ação. E. financeiro e mercantil – a cidade de São Paulo. financistas e negociantes estrangeiros. Consta que Laurindo. naturalmente. executado por sua mãe ao piano. que de comum acordo com os fazendeiros paulistas projetaram a infraestrutura ferroviária indispensável para a exporta- ção maciça da nova mercadoria. no Largo Coração de Jesus. próximo à Estação da Luz. a família Almeida passou por um período de grandes dificuldades. Ainda assim. e o único porto exportador. orientado por sua irmã. p. mudou-se para São Paulo. Maria Elisa. para que as exportações do café tivessem maior rapidez e eficácia. basica- mente ingleses. fez-se necessária a ampliação e modernização das ins- talações portuárias. suas primeiras aulas de violão. O período de aproximadamente nove anos em que viveu em San- tos foi importante no desenvolvimento musical de Laurindo Almei- da. compreenderam logo as vantagens operacionais de fazer toda a produção convergir para um centro articulador – técnico. Todos os irmãos tocavam algum instrumento. capital. 3 A família de Laurindo Almeida tinha por hábito o cultivo da música.108) Com isso. ao mesmo tempo em que acompanhava seu pai. Benjamim de Almeida trabalharia de 1920 a 1929. 1992. . tanto no repertório erudito quanto no popular. foram “secretas” porque. havia o receio de que Laurindo viesse a se tornar um violonista profissional. Santos. iniciou seus estudos musicais adaptando “secretamente”3 para o violão as primeiras lições de piano ministradas por sua mãe. Foi nele que o violonista entrou em contato com o repertório de música erudita. sua versatilidade musical. Com a morte prematura de Benjamim. uma doença infecciosa que o levaria à morte em poucas semanas. tomadas da irmã Maria Elisa. quando foi internado no Hospital de Isolamento de Santos. o violão era um instrumento marginalizado por estar associado às manifestações artísticas das camadas mais baixas da população. em serestas pela cidade – fatos que poderiam explicar. também violonista. (Sevcenko.

em seus lugares. e foi por meio dela que conheceu o seu primeiro parceiro musical: o violonista Garoto. Laurindo. Nesse contexto. desde o Con- gresso Nacional até as câmaras municipais. o país passava por uma grande turbulência política. Getúlio Vargas (1883-1954) acabara de chegar à presidência da República por meio de um golpe. foi convocado para defender as tropas paulistas nessa revolução. 1996. p. 5 Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955).4 Esse acontecimento histórico também se revelaria importante na vida de Laurindo Almeida. foi deflagrada a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Uma das primeiras medidas adotadas em sua política de governo foi o envio de interventores aos estados e o fechamento de todas as instituições legislativas do país.333). e precisava então cortar e etc! Mas na verdade não era nada disso. em 1932. Em meio aos milhares de recrutados. Edgar de Al- meida comenta o episódio da baixa de Laurindo das tropas paulistas: Ele [Laurindo] arranjou lá um negócio que deram como se fosse uma “mula”. com total subordinação ao poder central” (Fausto. foram demitidos e. (apud Dourado. . interrompendo a tradicional alternância entre os governos que representavam os grandes latifun- diários paulistas e mineiros. “Todos os antigos gover- nadores. 1999) 4 Dado extraído do jornal O Estado de S. uma espécie de inflamação na virilha. nomeados interventores federais. Paulo de 9 de julho de 1997. na época com apenas 15 anos. com exceção do novo governo eleito de Minas Gerais. Embora tivesse assumido o cargo em caráter provisório. que durante três meses de intenso combate mobilizou 135 mil homens em território paulista contra as tropas de Getúlio Vargas. era uma carga de piolhos que ninguém dava jeito. no co- meço da década de 1930. Getúlio possuía amplos poderes. LAURINDO ALMEIDA 17 Na capital paulista (1930 -1936) Getúlio Vargas e a Revolução Constitucionalista Quando a família Almeida chegou à cidade de São Paulo. conhecida como política do café com leite.5 Em depoimento ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”.

Laurindo e Garoto tiveram uma atuação bastante ativa no meio musical da época. quando serviu nas tropas paulistas. *Laurindo Almeida. quando trabalharam ora juntos e ora separados. as emissoras de rádio tive- ram um papel fundamental na difusão da música popular brasileira na . tocando para os soldados feridos nas frentes de batalha. na Revolução de 1932. prestava serviço voluntário nos hospitais. em vários regionais. Os primeiros trabalhos nas rádios paulistas Como muito já foi dito anteriormente. aos 15 anos.18 ALEXANDRE FRANCISCHINI No período em que permaneceu hospitalizado – em decorrência da “inflamação na virilha” –. Dessa amizade resul- tou uma parceria que perduraria por todo o tempo em que Laurindo permaneceu no Brasil. sobretudo no auge da Era do Rádio. como os da Rádio Record em São Paulo e da Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro. no Rio de Janeiro. mais tarde. onde formariam a Dupla do Ritmo Sincopado e o Conjunto das Cordas Quentes. na ocasião. Laurindo Almeida conheceu Garoto que. tanto em São Paulo quanto.

o Garotinho do Banjo [Garoto]. O Rago. na qual se apresentava com o grupo Ron- da Paulista. passou tanta gente pela minha mão. 7 O locutor César Ladeira ficou conhecido por transmitir.7 Após o término da Revolução Consti- tucionalista de 1932.43) Outro fato bastante importante para a carreira musical de Laurin- do Almeida foi ter conhecido. Em depoimento ao pesquisador Olavo Rodrigues Nunes. Um dos or- ganizadores o convidou para participar de um programa na Rádio São Paulo. podemos citar nomes como Alfredo da Rocha Vianna Filho “Pixinguinha”. o Zezinho. e mais uma turma grande [. ao menos em parte. afirmou ter apadrinhado muitos músicos paulistas: Na Record? Ah! [. e com o próprio regional da Rádio. Américo Jacomino “Canhoto”. Ladeira migrou para o Rio de Janeiro. nessa época. 2004. o Aymoré. Dilermando Reis. José Menezes de França “Zé Menezes” e Waltel Branco. o seu sustento por meio de empregos nas orquestras e regionais das rádios nas décadas de 1930. Nestor Amaral. . 1996).. O seu primeiro emprego com contrato assinado foi pela Rádio São Paulo. ao vivo. fazendo dupla com Pinheirinho ao cavaquinho” (Cortes. Garoto. Radamés Gnattali e outros menos conhecidos como Armando Neves “Armandinho”. fez sucesso. pelo rádio. O convite a Laurindo surgiu a partir de sua primeira apresentação na cidade. Depois veio a Record. rapaz! (Picherzky. arranjadores e instrumentistas pôde garantir..] É.. mais conhecido como Souza Filho. LAURINDO ALMEIDA 19 primeira metade do século XX. Laurindo ganharia 200$000 (duzentos mil réis) por mês. Toda uma geração de compositores. que na época tinha como líder o também violonista Armando Neves (1902-1974). 40 e 50. Lá.6 Com Laurindo Almeida não foi diferen- te. o Laurindo [Almeida]. Pelo contrato. tornaram-se 6 Dentre estes músicos. quando tinha apenas 17 anos: “Havia uma exposição e Laurindo se apresentou de graça. ele e Inácio da Costa Souza.. o locutor César Ladeira (1910-1969). inaugurada em 1934. como ficou conhecido no meio musical.] Teve gente que saiu por aí. Luiz Americano. os acontecimentos da Revolução Constitucionalista de 1932. na Rádio Record. Armandinho. p.

20 ALEXANDRE FRANCISCHINI os diretores artísticos e locutores da Rádio Mayrink Veiga. com papel privilegiado na intermediação de recursos da economia cafeeira. vindo a se tornar o maior centro político. pai das irmãs Batista – Linda e Dircinha” (Cortes. mas derivando também para as aplicações industriais. teve que dormir na praça até conseguir uma vaga na casa de Batista Júnior. Edgar de Almeida comenta: “Sem que eu soubesse. No Rio de Janeiro (1936-1947) Rádio Mayrink Veiga Conforme aponta Nicolau Sevcenko em Literatura como missão. em 1996. Com isso conseguiu um passe da polícia para entrar no trem” (Almeida apud Cortes. Francisco Alves. foi trabalhar em seu re- gional. 1996). e lhe garantiu que tinha uma oferta de emprego no Rio de Janeiro. consequentemente. João Luperce Miranda (bandolim). que . Com a inauguração da Rádio Mayrink Veiga em 1934 e da Rádio Nacional em 1936. muitos músicos paulistas para lá migraram em busca de melhores oportunidades de trabalho. 1996) –. Em entrevista ao Jornal do Brasil. Foram eles os grandes responsáveis pela contratação de Laurindo pela emissora carioca em 1936. A Mayrink Veiga – na época o principal veículo de comunicação do Brasil – tinha em seu quadro de funcionários artistas como as irmãs Aurora e Carmem Miranda. Sílvio Caldas. Quando Laurindo Almeida chegou ao Rio de Janeiro. o promotor Nilton Silva. Artur do Nascimento “Tute” (violão de sete cordas) e João Machado Guedes “João da Baiana” (percussão). Mario Reis e muitos outros. acumulando vastos recursos enraizados principalmente no comércio e nas finanças. Luiz Americano (clarineta e sax). econômico e. que na ocasião tinha como integrantes Pixinguinha (saxofone). Com o violonista Garoto. cultural do país (1983). Laurindo [19 anos] foi pro- curar um conhecido meu. em 1936 – “violão debaixo do braço e alguns tostões no bolso. o Rio de Janeiro da primeira metade do século XX defrontava-se com perspectivas extremamente promissoras.

Durante os 11 anos em que trabalhou na Rádio Mayrink Veiga (1936-1947). Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo.br/2007/09/ainda-te-lembras-de-mim/] 8 As consultas foram realizadas entre os meses de junho e setembro de 2006. RCA Victor e Continental Records.com. arranjou e acompanhou artistas em mais de trinta discos. como Orlando Silva.8 Laurindo e Garoto na Rádio Mayrink Veiga. pode-se ter uma ideia da produção musical de Laurindo Almeida no Brasil. Por meio do Instituto Moreira Sales e da Fundação Joaquim Nabuco. LAURINDO ALMEIDA 21 tinha feito na mesma época esse mesmo trajeto de migração para o Rio de Janeiro. nos seguintes sites: Instituto Moreira Sales: www. gravados pela Odeon. já mencionados anteriormente.com. .sovacodecobra. correspondente ao período de 1936 a 1947 – ano em que emigrou para os Estados Unidos.fundaj. Laurindo Almeida compôs.br e Fundação Joaquim Nabuco: www. Aracy de Almeida. Laurindo formou a Dupla do Ritmo Sincopado e o Conjunto das Cordas Quentes. em 1939. [http://www.br. Dorival Caymmi. e encontram-se catalogadas no item Obra Completa. que juntamente com o regional da Rádio acompanharam muitos artistas nesse período.ims. que mantêm seus acervos de discos de 78 RPM disponíveis on-line pela internet.

além do regional da Rádio Mayrink Veiga. publicada em seu artigo “Laurindo Almeida. juntamente com Custódio Mesquita. Acredito que. do Jornal do Brasil. em 1938. “Embora nunca tenha dito a Car- mem o real motivo desta recusa. Esse fato revela. p. eram apenas conhecidos como integrantes do regional de alguma rádio ou do regional que levasse o nome de um líder. logo após o término do contrato de Garoto. Laurindo nunca tocou no Bando da Lua.47). Entre as suas grava- ções da segunda metade da década de 1930 estão duas composições de Laurindo Almeida: Mulato antimetropolitano e Você nasceu pra ser grã-fina. no Rio de Janeiro. fala de cadeira”. mas só trabalhamos juntos no Brasil”. ao irmão Edgar. do qual eram integrantes. ambas gravadas pela Odeon. Em entrevista a Sílio Bocanera. como o Regional do Canhoto. O próprio Bando da Lua certa vez negou-se a participar como acom- panhante de Carmem Miranda em uma turnê por Buenos Aires. em 1939. Fui muito amigo de Carmem. 2004. Laurindo confessou que não queria se vincular à ‘Pequena Notável’ para ser somente mais um Miranda Band” (Dourado. do Rago [Antonio] ou do Armandinho” (Picherzky. em 2 de julho de 1977. havia no meio musical certo preconceito com os grupos que acompanhavam cantores. 1999). um tipo de pensamento comum à época: naquele tempo. porque “dificilmente eram identificados pessoalmente. na verdade. Laurindo comentou: “Há quem pense que eu vim pra cá [Estados Unidos] chamado pelo Stan Kenton ou pela Carmem Miranda. para substituí-los foi montado um grupo que se denomi- nou Copacabana. mas é sabido que Carmem nutria grande admiração musical por Laurindo. De fato. Embora não tenha sido mencionado por Laurindo na entrevista citada acima. no entanto Laurindo recusou o convite. diferentemente do que muitas vezes se tem falado. Carmem Miranda convidou-o para o Bando da Lua no final de 1940. . Porém.22 ALEXANDRE FRANCISCHINI Ainda por meio da Rádio Mayrink Veiga – além de Garoto e Pixin- guinha – Laurindo Almeida teve oportunidade de trabalhar com dois outros ícones da música popular brasileira: Carmem Miranda (1909- 1955) e Radamés Gnattali (1906-1988). 30 anos nos Estados Unidos. foi so- mente com esse grupo que Carmem Miranda e Laurindo Almeida tiveram oportunidade de trabalhar juntos. José do Patrocínio Oliveira “Zezinho” e Eugênio Martins.

LAURINDO ALMEIDA 23 *Grupo Copacabana. . *Foto de Carmem Miranda com dedicatória a Laurindo Almeida.

ele tocava muito bem. Então ele disse: Daquele jeito não! E pegou o violão e estraçalhou na minha frente.24 ALEXANDRE FRANCISCHINI Como dito há pouco. por sua vez. juntamente com o violino – para os blocos de carnaval. desenvolveram uma linguagem musical híbrida. Tanto Radamés quanto Laurindo. eu até fiquei envergonhado. A vida dele começou como músico erudito. tocou cavaquinho tão bem quanto os outros instrumentos. no decorrer de suas carreiras. em 30 de outubro de 2006. para sala de concerto. afirmou o maestro Júlio Medaglia:9 O Radamés quando escrevia para instrumento solista. . ele primeiro foi um grande pianista. iniciou seus estudos de violão e cavaquinho. 9 Entrevista a mim concedida na Rádio Cultura. Laurindo pôde trabalhar ao lado do maestro. transcendendo as fronteiras muitas vezes polarizadas entre as músicas ditas “erudita” e “popular”. suas trajetórias em muito se assemelham. tendo se formado em piano pelo Conservatório de Porto Alegre aos 17 anos de idade. compositor. Radamés Gnattali. A transcrição encontra-se no item Anexos II. tiveram seus primeiros contatos com a música por meio de suas mães. Porém. teve uma formação musical nada sistemática. Não é que ele tocava um pouco de violão. você também mandou brasa no violão. instrumentos comumente usados nessa festa popular. Fora as aulas tomadas da mãe e da irmã. teve uma formação musical regular e bastante sólida. Sobre Radamés. depois um grande violonista. ele virava realmente um compositor de sala de concer- to. arranjador e multi-instrumentista Radamés Gnattali. Aliás. ambas pianistas de música clássica. Laurindo Al- meida foi um músico autodidata. ainda por meio da Mayrink Veiga e tam- bém da gravadora RCA Victor. Radamés logo enveredou para a música popular. oriundos de famílias musicais. Uma vez na casa dele eu disse: como é Radamés. Como evidentemente não podia carregar seu piano – até então o seu instrumento. um grande violinista. Apesar dessa escola erudita. como dizendo “foi meio daquele jeito”.

em 1950. Radamés ao piano e Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal sob a regência de Henrique Morelembaum. dedicou a peça Dança brasileira para violão solo e. LAURINDO ALMEIDA 25 A produção violonística de Radamés Gnattali é composta por concertos. orquestra sinfônica e bateria de escola de samba. Nos Estados Unidos. • Em 1956. o álbum Brazilliance Vol. gravou Fantasia brasileira e Rapsódia brasileira. composta em parceria com o próprio Laurindo Almeida. p. se deu a 30 de março de 1965 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.10 10 A suíte foi escrita para violão elétrico. • Em 1953. o Concerto n° 4 (Concerto à brasileira) para violão e orquestra de cordas. inúmeras peças para violão solo e para música de câmara. • Em 1953. o Concerto n° 1 (Concerto carioca) para violão elétrico.86) Em 1958. (Oliveira. piano. o álbum Sueños/Dreams que contém a peça para violão solo denominada Saudade. concertinos. Radamés dedicou a Laurindo Almeida. Sua primeira audição. . 2 que contém Rio Rhapsody. foi gravada com guitarra elétrica. e lançamento do LP pela Continental (PP12165). grande parte delas dedicada aos violonistas que admirava. o álbum Brazilliance que contém os temas Atabaque e Tocata. A gravação desse disco aconteceu em duas etapas: Radamés gravou o piano no Brasil e mandou para os Estados Unidos. • Em 1953. no entanto. onde Laurindo posteriormente gravou o violão. 1999. com José Menezes ao violão. o álbum Suíte popular brasileira para violão elétrico e piano. pela Continental Records. Laurindo Almeida gravou pela Capitol Records muitas obras de Radamés Gnattali: • Em 1951. em 1967.

Radamés e Laurindo em meados da década de 1940. o álbum Impressões do Brasil que contém o Concertino n° 2 de Radamés para violão e piano. com o objetivo 11 Concerto dedicado ao violonista José Menezes. flauta. . Como dito anteriormente. o álbum Danzas que contém Danza brasileira. dedicada a Laurindo Almeida.br] A Política da Boa Vizinhança A Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos.26 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Em 1957. manifestou-se de diversas formas.radamesgnattali. uma delas cultural. bateria e orquestra de cordas. [www. • Em 1960. iniciada no governo do presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945).11 • Em 1957. o Concerto de Copacabana (Concerto n° 3) para violão.com.

13 Cantora da Rádio Nacional. João da Baiana. empenhado em executar tal tarefa. a criação do Zé Carioca em Alô amigos. A bordo do navio Uruguai. termo que segundo os autores L. foram gravadas aproximadamente quarenta músicas. lançado nos Estados Unidos pela Columbia 12 Cantor do Regional do Donga cujo nome verdadeiro era José Nascimento. a All American Youth Orchestra. Stokowsky solicitou ao compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959). O objetivo dessa visita era recolher e gravar composições de artistas que representavam a nata da música popular brasileira da época. entre os dias 7. Dentre os músicos selecionados estavam Pixinguinha. José Gonçalves “Zé da Zilda”. José Luis Rodrigues Calazans e Severino Rangel de Carvalho “Jararaca e Ratinho”. que trataram de selecionar os músicos de maior expressão do Rio de Janeiro. o maestro Leo- pold Stokowsky (1882-1973). juntamente com sua orquestra. que o ajudasse nessa tarefa. Des- sas foram selecionadas 16. refere-se a um rótulo capaz de englobar fatos e valores os mais diversos. Ernesto Joaquim Maria dos Santos “Donga” e José Ramos da Costa “Zé Espinguela”. C. no livro Rádio nacional. V. p. Saroldi e S. . que deram origem ao álbum intitulado Native brazilian music. um aficionado confesso pela música brasileira. recorreu aos amigos sambistas Angenor de Oliveira “Cartola”. Villa-Lobos. Luiz Americano. LAURINDO ALMEIDA 27 de promover um pan-americanismo. cujas obras já conhecia e admirava anteriormente. (1988. Para isso. Moreira.37) Com o propósito de estreitar as relações entre os Estados Uni- dos e os demais países das Américas – por motivos políticos e não musicais – chega ao Rio de Janeiro. os cantores Mauro César12 e Janir Martins13. bolsas de estudo para brasileiros. por volta de 1940. o incentivo à carreira de Carmem Miranda e o Bando da Lua em Hollywood. Augusto Calheiros e o próprio Laurindo Almeida. filme de Walt Disney. Ary Barroso contratado para escrever música para o cinema. 8 e 9 de agosto de 1940.

p. 2000. Prelude n° 1. que contém os Study n° 1. Dessa aproximação nasceu uma amizade e uma admiração musical mútua que perduraria por toda a vida. nem para os demais músicos.htm. p. Durante sua carreira gravou quatro álbuns pela Capitol Records com suas composições: • Em 1956. o álbum Villa-Lobos. que contém dois estudos e dois prelúdios de Villa-Lobos: Study n° 11 (in E minor) e Study n° 5 (in C major). no início de 1942. 1997. o suficiente para comprar três maços de cigarros baratos. Consulta realizada em dezembro de 2006. Marcelo Rodolfo e Jairo Severiano.14 Embora o projeto Native brazilian music não tenha sido represen- tativo na carreira musical de Laurindo Almeida. “Cartola só foi ouvi-las vinte anos depois. ver o artigo Música Brasiliensis: Stokowsky caçado de Daniella Thompson. diretor do Museu Villa-Lobos. um dos privilegiados que possuíam o disco importado” (idem. .28 ALEXANDRE FRANCISCHINI Records. 14 Para saber mais sobre o assunto. Prelude n° 4 (in E minor) e Prelude n° 2 (in E major). music for the Spanish guitar. 2000. Além disso. o álbum Guitar music of Latin América. Disponível no link da internet: http://daniellathompson. o próprio Cartola recebeu míseros 1. Esse disco só foi lançado no Brasil em 1987. tudo leva a crer que serviu para aproximá-lo de Heitor Villa-Lobos. • Em 1959.3 e 5.7 e 8. ibidem).18). “quando o violonista Turíbio Santos. Ainda assim. “poucos músicos foram pagos por elas. conseguiu obter recursos do governo federal para editar um long-play produzido por Suetônio Valença. a maioria dos músicos morreu sem nunca ter ouvido as gravações. Contudo. no centenário de nascimento de Villa-Lobos.com/Texts/Stoko- wski/Cacando_Stokowski. com o texto do pesquisador Ary Vasconcelos” (Cabral. na casa do jornalista Lúcio Rangel. e os choros Típico e Schottish.500 réis.158). um ano e meio depois das gravações” (Thompson. Laurindo Almeida seria um dos divulgadores da obra de Villa-Lobos nos Estados Unidos e na Europa. esse episódio não representou “grande coisa” nem para Laurindo Almeida. traduzido por Alexandre Dias em 2005.

que já dominava a língua por estar vivendo nos Estados Unidos desde 1947. para citar alguns. 15 O concerto data de 1951. A transcrição encontra-se no item Anexos II. em muitas ocasiões. Aliás. pode-se presumir que a gravação tenha sido feita ainda na década de 1950. O LP de Laurindo infelizmente não contém informações referentes à data de gravação e lança- mento. nos Estados Unidos. Já morando em Los Angeles. 16 Entrevista realizada em São Paulo. inicialmente chamado Fantasia concertante. consta na capa que se trata da primeira gravação do primeiro concerto de Villa-Lobos. transformou-se em concerto a pedido do próprio Segovia e a este foi dedicado. publicado no Caderno B do Jornal do Brasil. de 25 de fevereiro de 1996. estrelado por Audrey Hepburn. intitulado Concert for guitar and small orchestra. (1996) O violonista Ronoel Simões.16 certa vez mencionou que Laurindo Almeida havia lhe contado que Villa-Lobos não falava inglês. também teria servido. Laurindo teria sido também um dos corresponsáveis pelo período em que Villa-Lobos permaneceu trabalhando em trilhas sonoras para filmes de Hollywood. o álbum Conversations with the guitar. que con- tém Distribuição de flores e Modinha (Seresta nº5). esse concerto. como seu tradutor e intérprete.15 • Em 1961. foi agraciado com o Grammy pela melhor performance vocal e instrumental de música de câmara. com quem gravou a trilha sonora do filme Green mansions. Celina Cortes afirma: O que ninguém pode negar foi o seu papel de embaixador dos músicos brasileiros nos Estados Unidos. E Laurindo. . o primeiro concerto de Villa-Lobos. na categoria de música clássica. Sua estreia deu-se somente em 1956. Esse disco. em entrevista ao autor deste livro. Em seu artigo intitulado O pré-bossa novista voltou. no dia 29 de julho de 2006. Desse modo. LAURINDO ALMEIDA 29 • Ainda na década de 1950. com a Houston Symphony Orchestra e Andrés Segovia ao violão. em especial. Entretanto. de autoria de Villa-Lobos. Laurindo funcionou como uma ponte para Radamés Gnattali e Villa-Lobos.

A proibição do jogo e o fechamento dos cassinos brasileiros Com o fim do Estado Novo. Isto porque. levando. Em 1945.17 17 Segundo o historiador Boris Fausto. assim. mas uma mudança de rumos. à sua disposição. agora empenhado em consolidar o processo de democratização do país. deu-se. a maquina eleitoral montada pelo PSD – partido fundado sob os seus auspícios – a partir do prestígio que possuía entre a classe trabalhadora. a sua vitória nas eleições à presidência da república. o país há um processo de redemocratização. man- tendo-se muitas continuidades. que colocou. em 29 de outubro de 1945. em grande parte. o Brasil passou por um processo de redemocratização. o marechal Eurico Gaspar Dutra (1883-1974). a transição para o regime democrático não representou uma ruptura com o passado. embora Dutra tenha sido um dos corresponsáveis pela deposição de Getúlio. Fato que mostrou o repúdio da grande massa ao antigetulismo – geralmente associado ao interesse das elites.30 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Villa-Lobos e Laurindo Almeida nos Estados Unidos. saiu candidato à presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD). 1996) . que havia sido Ministro da Guerra e um dos principais colaboradores do então presidente Getúlio Vargas. devido ao apoio do próprio Getúlio Vargas. (Fausto.

que extinguia os jogos de azar em todo o território nacional. Paulo de 8 de maio de 1991: Pressionado pela carolice de sua mulher. nestas colunas. Dutra assinou. onde tantas vezes profligamos a jogatina e outras tantas vezes nos vimos privados de combatê-la. Em entrevista ao jornal O Estado de S. da insatisfação de determinados setores da sociedade brasileira com o governo de Getúlio e o Estado Novo. obteve a aprovação de grande parte da população. No entanto. LAURINDO ALMEIDA 31 Eleito. Como mostra Sérgio Augusto. como se vê na coluna do jornal Diário de Notícias de primeiro de maio de 1946: É com verdadeira emoção e sem reservas nos aplausos devidos que. registramos o ato do governo da república determinando a pura e simples vigência do dispositivo das leis penais proibitivo da exploração dos jogos de azar. num assomo de dignificação do poder.215. Carlos Luz – de olho no eleitorado conservador de Minas Gerais –. Laurindo afirmou: . verdadeiramente restaurados de linhas essenciais da moral pública do país. músicos. e pela matreirice de seu Ministro da Justiça. Paulo. hoje. que assinou. principalmente. No dia seguinte. uma das primeiras do seu governo. o decreto-lei n° 9. em decorrência. a 30 de abril de 1946. A medida. em 2 de dezembro de 1984. na Folha de S. bailarinos e bailarinas e os funcionários responsáveis pelo funcionamento dos cassinos perderam seus empregos. dona Santinha. do dia para noite. que havia sido suspenso por um ato típico da ditadura estado- novista. havia pelo menos 40 mil novos desempregados na praça. Afinal. exatos três meses após a sua posse da presidência na República. para a classe artística esse decreto representou uma tragédia irreparável. provo- cando assim o fechamento dos cassinos em todo o país. o marechal Dutra pôs a jogatina na ilegalidade. atores e atrizes. no dia 30 de abril de 1946. Não hesitamos em trazer as mais calorosas congratulações ao presidente.

Heleninha Costa. 19 A vida amorosa de Laurindo Almeida é um capítulo à parte. com bons salários.19 18 Além do Balneário da Urca. os cassinos jamais seriam fechados. Os dois viviam nos Estados Unidos quando Laurindo se apaixonou pela cantora lírica Deltra Eamon. se todos votassem nele. que começou a namorar. ele 17 e ela 19 anos. atirou-se do quinto andar onde moravam. o músico conheceu uma bailarina portuguesa que dançava no Balneário da Urca. uma mulher desquitada mais velha que sua esposa. que também trabalhava no Balneário da Urca. Maria Miguelina. a Brazilian Serenaders. e até hoje não existe uma con- firmação sobre a sua morte por ingestão excessiva de barbitúricos” (idem. Evarista. no ônibus: “Laurindo começou a paquera. Dircinha Batista. 1996). Nessa época do fechamento dos cassinos. Não fosse isso. o cantor e pianista Dick Farney. Ganhou e a primeira coisa que fez foi cortar o nosso ganha-pão. 1984) Semelhantemente às rádios. desesperada. em Laranjeiras. Virginia Lane e também uma das orquestras mais famosas da época. Foi por meio desse trabalho que Laurindo conheceu. ainda es- taria. Conheceu sua primeira esposa. os cassinos representavam para os músicos uma forma de obtenção de renda. que trabalhava no Cassino havia quatro anos. conhecida no meio artístico como Natália. Antes de separar-se da segunda mulher. que passou a viver com Lígia. Hoje eu agradeço. começou a ‘esticar asas’ para a vizinha Lígia. Laurindo também trabalhou nos Cassinos Copa- cabana. o percussionista Russo do Pandeiro e o próprio Laurindo Almeida. visto que grande parte do público que os frequentava era oriundo das classes mais abastadas da sociedade. Evarista rompeu com Laurindo. o Balneário da Urca (cassino em que Laurindo trabalhava)18 contava com um grupo de crooners (cantores solistas) que incluíam Emilinha Borba. uma bailarina portuguesa. Com ela teve seu único filho legítimo: Laurindo Almeida Jr. “Quando ainda vivia com Evarista. nas orquestras dos maestros Odmar Amaral Gurgel “Gaó” e Carlos Machado. amargando mil e uma frustrações. ela saltou na Rua Pereira da Silva. Maria Miguelina Ferreira Ribeiro (1914- 1969).” (Almeida apud Cortes. Linda Batista. que tinha entre seus integrantes o sax-tenor Walter Rosa. 1996).32 ALEXANDRE FRANCISCHINI O Dutra disse para os músicos que. (Almeida. Quando Lígia descobriu. desde 1942. talvez aqui. o violonista Fafá Lemos. . Atlântico e Icaraí. ele foi atrás e os dois acabaram morando juntos. Mas o destino da portuguesa não foi muito diferente. Quando descobriu. em 1944. Miguelina morreu pouco depois. sua terceira esposa.

. 2006)20 Em 1939. juntamente com Ubirajara Nesdan (compositor carioca). terceira esposa de Laurindo. O livro a que se refere não foi publicado até o presente momento. (Laragnoit. e tendo recebido uma indenização movida contra a RCA Victor por direitos autorais – sobre a qual falaremos adiante – Laurindo Almeida e Maria Miguelina emigraram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades de trabalho. Johnny Peddler: o passaporte Como eu digo no meu livro. LAURINDO ALMEIDA 33 Em decorrência da perda de renda oriunda do fechamento dos cassinos brasileiros. Laurindo Almeida compôs. Paulo de Castro Laragnoit. em 25 de julho de 2006. A transcrição encontra-se no item Anexos II. uma marchinha em homenagem a 20 Entrevista concedida pelo museólogo e historiador da cidade de Miracatu. quem empurrou o Laurindo para os Estados Unidos foi o presidente Dutra e uma música dele que já fazia sucesso por lá pela qual recebeu direitos autorais. *Maria Miguelina Ferreira Ribeiro “Natália”.

mais a venda de um pequeno apartamento e um carro. Dentre outros.34 ALEXANDRE FRANCISCHINI uma colônia portuguesa no Brasil que se denominou Aldeia de roupa branca. Essa música foi impor- tante na carreira de Laurindo Almeida por dois motivos: em primeiro lugar. a RCA Victor decidiu fazer uma versão americana da música. em 16 de março de 1947.br/2007/09/ainda-te-lembras-de-mim/) . que até então lhe negava os direitos sobre a autoria da música. foi por meio dela que Laurindo teve seu nome divulgado pela primeira vez nos Estados Unidos. Laurindo Almeida e sua esposa Natália mudaram-se para os Estados Unidos. com os cinco mil dólares que recebeu em royalties por direitos autorais da música Johnny Peddler. gravada no Brasil pelo grupo Os Pinguins. Empolgada com o grande sucesso que a música alcançou no Brasil. por um processo judicial contra a gravadora RCA Victor. foi lançada pela gravadora RCA Victor naquele mesmo ano. Cartão postal dedicado ao violonista Aníbal Augusto Sardinha “Garoto” (http://www. Aldeia de roupa branca popularizou-se nos Estados Unidos com o nome Johnny Peddler. Les Brown’s Band e também por Jimmy Dorsey. em segundo lugar. sendo gravada pelos grupos The Andrew Sisters.com. Assim. Essa música. e tornou-se um sucesso das paradas musicais da época. sovaco-decobra.

ainda hontem. LAURINDO ALMEIDA 35 Amigo “Sardinha”. terra que você tam- bém conhece! Você é o “menino falado” aqui. 10 de abril de 1935 *Grupo musical em que Laurindo se apresentava na boate carioca Night and Day. . uma “cabrocha” que disse ser sua namorada falou-me muito em… seu banjo! O retrato mostra uma “viagem” que fiz em companhia do amigo “Grupo 8” à cidade maravilhosa! Sem mais. entre o fechamento dos cassinos brasileiros e sua emigração para os Estados Unidos. Laurindo. Estou trabalhando aqui em Curityba. saúde e aceita um abraço do seu amigo.

os Esta- dos Unidos (capitalista) e a União Soviética (socialista) assumiam definitivamente os seus papéis de superpotências mundiais. Referenciado pelo historiador Eric J. separados. com suas demandas de alta tec- . A emigração para os Estados Unidos (1947-1995) Nos Estados Unidos do pós-guerra: do anonimato ao estrelato em Hollywood Laurindo Almeida chegou aos Estados Unidos dois anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1940-1945). do advento das grandes revoluções tecnológicas ocorridas já na primeira metade do século XX. Hobsbawm em seu livro A era dos extremos como Era de Ouro. provocando uma explosão no consumo de bens e serviços oriundos. Nessa época. por sistemas de governos diferentes. em março de 1947.36 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Laurindo Almeida. recém-chegado aos Estados Unidos. sobretudo. o período do pós-guerra para os Estados Unidos foi marcado por uma grande prosperidade financeira. porém acessíveis às pessoas comuns. em maior parte. dando assim origem ao período que ficou conhecido como da Guerra Fria. somente nos anos que seguiram o pós-guerra: “A guerra. sobretudo as mais ricas.

quanto aos atores e atrizes uma ótima fonte de renda. como se vê neste trecho contido em A história social do jazz. LAURINDO ALMEIDA 37 nologia. 1995. tais como Henry Mancini. que no Brasil chegou a passar fome e a dormir na rua quando migrou para o Rio de Janeiro. especialmente aos de jazz. que posteriormente se chamaria Copacabana Boys e mais tarde Samba Kings.000 dólares na época de sua construção. propiciando tanto aos músicos. Com o surgimento de novos meios de comunicação como a tele- visão. Dimitri Tionkim.260). Embora tenha tido formações diferentes no decorrer de sua existência. também de Hobsbawm: Financeiramente. uma carreira de muito sucesso na indústria cinematográfica e na indústria do jazz. p. . Sua estreia deu-se em abril de 1947 – apenas um mês depois de sua chegada aos Estados Unidos –. consequência direta dessas novas tecnologias. p. preparou vários processos revolucionários para posterior uso civil” (Hobsbawm. ao longo dos anos. ou em tempos de bonança. com vista para todo o vale de San Fernando. a música e o cinema americano – artes que sempre estiveram correlacionadas – tornaram-se as mais bem- sucedidas indústrias de entretenimento do mundo. pôde construir. em decorrência tanto da “sorte” quanto de um momento histórico favorável. Alex North e o próprio John Williams. com um grupo também formado por brasileiros chamado Carioca Boys. a base era sempre a mesma: Nestor Amaral. o rádio. nos Estados Unidos. Morando em uma área nobre de Los Angeles. em uma mansão no alto de uma colina. em ocasiões extremamente favoráveis. Lau- rindo fez parte do primeiro time dos grandes compositores e arranja- dores de trilhas sonoras para filmes de Hollywood. avaliada em mais de 350. Russo do Pandeiro e Joe Carioca (músico que inspirou Walt Disney a compor a personagem Zé Carioca). o rádio (transistorizado) e o disco de vinil. a televisão e os filmes propiciaram uma fonte de renda para os músicos de jazz que podiam tocar música pop e. até para bandas inteiras contratadas para tocar jazz ou figurando em um filme. (1990.190) Laurindo Almeida.

Ella Fitzgerald. em 1947. dentre outros. Louis Armstrong e Nat “King” Cole.38 ALEXANDRE FRANCISCHINI *Laurindo Almeida com o grupo Samba Kings atuando no filme A song is born. A atuação de Laurindo Almeida nesse filme foi somente a primeira de uma série de mais de oitocentos trabalhos realizados para os estúdios de Hollywood – Paramount. escrito e dirigido pelo ator. Universal. Foi com esse grupo que Laurindo fez seu primeiro trabalho para o cinema americano. diretor e compositor Danny Kaye. tocando e atuando no filme A song is born. Em uma entrevista realizada em Los Angeles para uma emissora de televisão brasileira. Tocando músicas para filmes!” (apud Dourado. Columbia e MGM Studios. do qual participaram também os músicos Benny Goodman. em 1990. Laurindo Almeida afirmou: “Por causa da pensão que eles pagam [os estúdios de Hollywood] eu recebi uma lista enorme dizendo que eu tinha trabalhado em oitocentos filmes. Jimmy e Tommy Dorsey. . 1999).

• The unforgiven.com. 21 Para saber mais sobre esses filmes.imdb. cuja trilha sonora. filme de 1992. My Lady • Instrumentista 1957: Day of the Dead 1957: Wagon Train (série TV) 1956: The Ten Commandments (Alaúde) 1957: Escape from San Questin 1961: The Deadly Companions (Violão) 1958: Fogo em Maracaibo 1972: The Good Father (Bandolim) 1958: The Old Man and the Sea 1992: The Unforgiven (violão) (Em parceria com Dimitri Tiomkin) • Ator 1959: Cry Tough 1959: Johnny Ringo (série TV) 1954: A Star is Born 1959: Bonanza (série TV) 1959 : Peter Gunn 1960: Spartacus 1959 : Skin Deep (Em parceria com Alex 1959: General Electric Theater North) 1959: Beyond the Mountains 1961: Flight 1963: Have Gun . cuja trilha sonora contém um solo de violão de Laurindo Almeida. .Will Travel 1962: The Twilight Zone 1963: Face of a Shadow 1962: The Gift (série TV) 1965: Runaway Girl 1963: The Fugitive (série TV) 1971: The Ice Palace 1965: The Agony and the Ecstasy 1981: Ad Lib (série TV) Entre esses. Segue abaixo um pequeno resumo da produção musical de Laurindo Almeida relacionada ao cinema americano:21 • Compositor e arranjador 1966: Cowboy 1968: The Magic Pear Tree 1947: A Song Is Born 1971: Death Takes a Holiday (série TV) 1951: Quo Vadis 1971: The Summer of ‘42 1952: Viva Zapata 1955: Naked Sea 1956: Good-bye. três foram premiados com o Oscar do cinema americano: • The old man and the sea. composta pelo maestro Dimitri Tionkim com a colaboração de Laurindo Almeida. Consulta realizada em dezembro de 2006. ver: www. dirigido por Clint Eastwood. filme de 1958. foi premiada com o Oscar. LAURINDO ALMEIDA 39 Infelizmente não foi possível o acesso a essa lista.

Laurindo Almeida e a atriz de Hollywood Rita Hayworth. filme de 1968. autor da trilha sonora. em 1970.laurindoalmeida. Trata-se do único Oscar ganho por um brasileiro na história desse prêmio. composta e executada por Laurindo Almeida. foi premiada com o Oscar.com/] O ingresso na orquestra de Stan Kenton O período de permanência de Laurindo Almeida como instru- mentista.40 ALEXANDRE FRANCISCHINI que ao final do filme aparece orquestrado por Lennie Niehaus. • The magic pear tree. compositor e arranjador da orquestra de Stan Kenton (1912-1979) foi de aproximadamente três anos. [www. o filme ganhou o Oscar. Nesse caso. Teve início em 1947. e estendeu-se até meados de 1950. O convite a Laurindo deu-se pela indicação dos irmãos Jimmy e Tommy Dorsey. cuja trilha sonora. ano em que chegou aos Estados Unidos. músicos com os quais já havia trabalhado .

na ocasião. Laurindo Almeida realizou uma série de solos. a pedido de Stan Kenton. Feelings e Samba for Sarah. a revista Guitar player lançou uma edição comemora- tiva elegendo os guitarristas de maior expressão de todos os tempos. King. compôs e arranjou para violão uma música intitulada Lament. Para essa ocasião. Herb Ellis e Laurindo Almeida. denominado pro- gressive jazz. com a quarta posição dos melhores guitarristas do ano. o Hollywood Bowl e o Paramount Theater. Dentre os lugares onde se apresentou. a orquestra de Stan Kenton. já citado anteriormente. arranjador da orquestra. especialmente para Lau- rindo Almeida. como as de Duke Ellington e Benny Goodman. Eddie Safranski (contrabaixo). Laurindo Almeida adquiriu fama e prestígio no cenário musical americano. Entre as faixas estão contidas três com- posições de Laurindo Almeida: Lament in tremolo form. Vido Musso (sax-tenor). Dentre eles estavam B. Naquela época. em 1978. . Pete Rugolo. Por intermédio de Stan Kenton.228). A partir dessa seleção. conquistou a posição de melhor guitarrista do ano. p. Em 1976. os mais representativos foram o Carnegie Hall. Kai Winding (trombone). Em 1948 foi premiado pela revista Down beat. Barney Kessel. Joe Pass. foi lançado pela gravadora MCA Records um disco também intitulado Guitar player. B. Lee Ri- tenour. E. fazia frente a outras grandes big bands americanas de jazz. Bud Childers (trompete). em uma apresen- tação na Chicago Opera House. Em seu livro O jazz do rag ao rock. fortemente ligada ao movimento da West Coast. em 1958. recém-contratado. Sua primeira aparição como solista ocorreu em 16 de novembro de 1947. Como integrante dessa orquestra. tinha como integrantes Shelly Manne (baterista). o crítico musical Joaquim Ernest Berendt descreve a atuação de Laurindo como solista dessa orquestra: “Quando integrante da banda de Stan Kenton na segunda metade dos anos 40. os quais irradiavam tanto calor como poucas vezes se viu em gravações desta orquestra” (1987. June Cristy (cantora) e Laurindo Almei- da. Laurindo viajou em turnê pelos Estados Unidos e Canadá. LAURINDO ALMEIDA 41 naquele mesmo ano (1947) no filme A song is born de Danny Kaye. No ano seguinte ficou com o segundo lugar e.

Para uma das faixas do disco. faixa 6 do primeiro dos dois discos The innovations orchestra. jazz e samba – sobre as quais a bossa nova seria forjada anos mais tarde. [www. O resultado desse pedido foi a música Amazônia. Nessa música pode-se verificar claramente a fusão das três vertentes musicais – música erudita. de 24 de julho de 1958. rela- cionado a esse período. em especial. os ritmos. da mú- sica erudita e da música popular brasileira – desta última.org/almeida.42 ALEXANDRE FRANCISCHINI Capa da revista Down beat. ocorreu quando Stan Kenton – que em 1949 havia concebido o projeto intitulado Innovations in modern music visando promover um diálogo entre o jazz e a música de concerto – acrescentou naipes de cordas e madeiras à sua orquestra. um ano mais tarde. .salliterri. foi lançado pela Capitol Records o álbum Stan Kenton the innovations orchestra (CDP-59965).htm] Outro fato bastante representativo na carreira de Laurindo. A partir desse projeto. em 1950. Stan solicitou a Laurindo Almeida que fizesse uma peça para violão que unisse as linguagens do jazz. mencionado acima.

ele é o violonista mais completo de sua geração. em 1948. contido no documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”: Laurindo Almeida é mais do que um violonista eclético. todos os maneirismos da música popular brasileira ao mesmo tempo sendo um grande violonista de jazz. Ele possuía toda técnica dos violonistas clássicos.] A carreira como compositor e violonista de música erudita Quando Laurindo Almeida emigrou para os Estados Unidos. como pode ser visto nesse comentário do maestro Júlio Medaglia. (Dourado.loc. 1999) . no Brasil já era considerado um dos melhores violonistas de música popular brasileira da primeira metade do século XX.. O seu violão reproduzia todos os valores rítmicos. além de ser um grande violonista de música popular brasileira.. [lcweb2. provavelmente do mundo inteiro.gov/cocoon/ihas/search?query=%2Bsu. LAURINDO ALMEIDA 43 Orquestra de Stan Kenton.

foi agraciado com o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Música Clássica. Essa informação pode ser comprovada em uma entrevista a Gilson Rebello. 1980). Vocal e Instrumental”. Além dos compositores brasileiros Heitor Villa-Lobos e Camar- go Guarnieri. Solista e Duo. Dos prêmios que conquistou. quer exclusivamente. Bach. • Ainda em 1960. pela Melhor Performance Instrumental de Música Clássica.44 ALEXANDRE FRANCISCHINI Enquanto viveu no Brasil. Ravel. já que desde aquela época o músico não tinha muita vez” (Rebello. Já nos Estados Unidos. Tchaikovsky e Beethoven. quer misturada com outros meios de produção musical. . com a peça Discantus. O próprio Laurindo considerava-se um músico erudito. • Em 1961. pela Melhor Performance de Música Clássica. a produção musical de Laurindo esteve voltada essencialmente para a música popular brasileira. como o jazz e a música popular brasileira. Paulo. valsas. publicada em seu artigo “Do jazz à mú- sica popular e erudita. de 23 de novembro de 1980: “Sou um artista clássico. Enrique Granados. • Também em 1961. Entre esses. Mas acabei transfor- mando-me em popular por uma questão de sobrevivência. Alessandro Scarlatti. Isaac Albéniz. Joaquín Rodrido. Entre as suas composições estão choros. a maior parte está relacionada também à música erudita. com o álbum Conversations with the guitar. Debussy. além de tornar-se um renomado músi- co de jazz. com o álbum Reverie for spanish guitars. do jornal O Estado de S. construiu uma carreira de muito sucesso como concertista de violão erudito. Gabriel Fauré. mais da metade estão relacionados à música clássica. Quatro dos cinco Grammy Awards que recebeu estão vinculados com essa categoria de música. No item Discografia encontram-se catalogados mais de cem álbuns lançados nos Estados Unidos. Francisco Tárrega. com o álbum The spanish guitar of Laurindo Almeida. que toca todos os grandes mestres. Laurindo Almeida gravou obras de Agustín Barrios. Apenas um deles está relacionado à música popular: • Em 1960. marchas. para Solista e Orquestra. pela Melhor Composição Contemporânea de Música Clássica. Andrés Sego- via. para três violões. Chopin. a trajetória de Laurindo Almeida”. Manuel de Falla. Manuel Ponce. entre outros. baiões e sambas de vários estilos.

Virtuoso e The twin guitars of Laurindo Almeida. intituladas Four russian peasant songs. sua obra de maior envergadura foi o primeiro e único The first concert for guitar and orchestra. 2006). tocar violão clássico era tocar como Laurindo Almeida” (idem. para voz. lançou em 1972 três álbuns pela gravadora Orion Records: Intermezzo. Deltra Ruth Eamon “Didi Almeida” – soprano lírico canadense. ocorreu em uma visita ao acervo do violonista Henrique Pinto. . Aliás. Durante as consultas às partitu- ras. gravado com a Orquestra de Câmara de Los Angeles e lançado em 1980 pela Concord Jazz Records. Em uma das poucas homenagens que Laurindo recebeu após sua morte – vale ressaltar que nenhuma delas ocorreu no Brasil –. tenha sido bastante representativo em sua carreira. Laurindo Almeida seria convidado por Stravisnky para participar da gravação de uma série de quatro canções russas de sua autoria. Um fato bastante curioso. LAURINDO ALMEIDA 45 Acredito que o Grammy de Melhor Composição Contemporânea de Música Clássica. E. deparei com obras de Laurindo editadas e revisadas nos Estados Unidos. com quem se casou em 1971 e com quem viveu até o dia de sua morte –. relacionado à pesquisa sobre a carreira de Laurindo Almeida como músico erudito. suas gravações eram tão conhecidas em Cuba quanto as de Segovia. que na ocasião concorreu com a peça Mo- vements for piano and orchestra. de 1991.22 Com sua quarta esposa. Edições brasileiras não encontrei nenhuma. em 1965. recebido pela composição da peça Discantus. Vol. Afinal.8 (CD n° SM2K 46298) reedição da Sonny Classical. Itália e Rússia. ibidem). nas Américas. este último juntamente com o compositor e pianista russo Nicolas Slonimsky. harpa e violão. a sua com- posição teria sido inspirada nos concertos de Vivaldi (Zanon. Como compositor orquestral. Segundo as palavras do próprio Laurindo. flauta. o compositor e violonista cubano Leo Brouwer afirmou: “No auge da carreira de Laurindo Almeida. Laurindo teve a honra de dividi-lo com o “peso pesado” da música clássica Igor Stravinsky (1882-1971). 22 Essas canções podem ser ouvidas na série Igor Stravinsky Edition: The Nightin- gale – Mavra 35 songs.

à frente de seus prêmios e LPs.23 23 Foto digitalizada do DVD Tribute to a Master. 1988. 1995.46 ALEXANDRE FRANCISCHINI Laurindo Almeida nos Estados Unidos. . p. em 23 de setembro de 1995.214) Deltra Eamon no tributo a Laurindo Almeida. Brasil: Mablan Entertainment. (Brasil musical.

denominado Laurindo Almeida Quartet. 2 e 3. 2 e 3. do ponto de vista da concepção musical. lançando pela World Pacific Records uma série de três álbuns antológicos. a antecipação em dez anos do surgimento da Bossa Nova nos Estados Unidos. Laurindo apre- sentou-se durante toda a década de 1950. Esse assunto será tratado nos capítulo. intitulados Brazilliance volumes 1. logo após a dissolução da orquestra de Stan Kenton.gif] 24 Os discos representam um marco na fusão do jazz com ritmos brasileiros nos Estados Unidos. isso já ocorria desde a década de 1920. em diferentes momentos. . Atribui-se a esses discos. teve como integrantes o sa- xofonista Bud Shank. No Brasil. os bateristas Chuck Flores e Roy Harte e os contrabaixistas Gary Peacock e Harry Babasin.com/PageMill_Resources/image77. Durante a sua existência. em 1953. que representam um marco na fusão do jazz norte- americano – deste último mais especificamente a abertura de chorus de improvisação em meio aos temas – com ritmos brasileiros. [www.24 Laurindo Almeida Quartet. LAURINDO ALMEIDA 47 A carreira como músico popular: os grupos musicais O primeiro grupo de música popular de Laurindo Almeida foi montado no começo dos anos 1950. Com esse quarteto.onoffon. que também havia sido membro da orquestra de Kenton e.

Laurindo montou um quarteto que se denomi- nou L. lançado em 1964. antigo companheiro da orquestra de Stan Kenton. 25 No começo dos anos 1990.com/watch?v=W-9OrHd6QdM] A partir de 1970. Apresentação de Laurindo Almeida com o Modern Jazz Quartet.25 Foi por meio desse grupo que Laurindo pôde difundir a música brasileira praticamente em todo o mundo. Four. mencionados acima. [www. que já havia tocado com Laurindo na série de três discos Brazilliance. o contrabaixista Ray Brow e o baterista Shelly Manne.48 ALEXANDRE FRANCISCHINI Já na década de 1960. posteriormente substituído por Jeff Hamilton. Laurindo Almeida fez novamente turnês com o grupo.youtube. vale ouvir o álbum The Modern Jazz Quartet with Laurindo Almeida: Collaboration. Desse quarteto participavam também o saxofonista Bud Shank. Europa e Japão com o grupo The Modern Jazz Quartet. Dessa época. mais especificamente nos anos de 1963 e 1964. local de origem dos integrantes do grupo. pela gravadora Atlantic Records. cujas duas letras referem-se às iniciais de seu nome e também às da cidade de Los Angeles. em meados da década de 1960. . A. Laurindo Almeida fez inúmeras turnês pelos Estados Unidos. do pianista John Lewis (1920-2001).

Aliás.com/] Durante o período compreendido entre a década de 1970 e a primeira metade da década de 1980. abaixo B. um aficionado pela música bra- . todos pela gravadora Concord Jazz Records. No entanto. Ao lado esquerdo S. A. Brown. Four na Austrália. Four lançou mais de dez álbuns. Shank e à direita R. pela gravadora Pro Arte. da música erudita e da música popular brasileira. e com a violonista Sharon Isbin. em meados da década de 1980. Esse trio. o L. em 1988. como já se pôde observar no decorrer deste capítulo. lançou somente um disco. em 1985.laurindoalmeida. o trio conquistou grande prestígio no cenário da musica instrumental americana. Uma das marcas registradas do quarteto foi a tentativa de promover uma fusão total das linguagens do jazz. promover essa fusão pareceu ser o objetivo de Laurindo desde que chegou aos Estados Unidos. [www. A. Com a dissolução do quarteto. outras três formações musicais merecem destaque na carreira de Laurindo Almeida: a primeira formação foi o trio montado com o guitarrista Larry Coryell. em 1976. Tanto que. Manne. LAURINDO ALMEIDA 49 L. foram convidados a apresentar-se no Carnegie Hall. intitulado Three guitars three. denominado Guitarjam. A segunda formação foi o duo que montou com o também violonista Charlie Byrd.

29 de abril de 1953. ora a trabalho. ora em visita aos irmãos – Geraldo e Edgar de Almeida – e amigos.50 ALEXANDRE FRANCISCHINI sileira. no livro de ouro dos momentos inesquecíveis. destaca-se o Guitar from Ipanema. em 1964. en- contra-se descrito no livro Garoto. Holan- da e Alemanha. Com esse duo. Placidina. Lau- rindo retornou ao Brasil. dos autores Irati Antônio e Regina Pereira: Quarta-feira. em 1973. Com essa formação Laurindo tocaria durante toda a década de 1980 e a primeira metade da década de 1990. inscrever-se-á. na Suíça. vale ouvir o álbum Brazilian Soul. no continente europeu. especialmente pela Bossa Nova. em 1965. algumas merecem ser mencionadas: Um dos episódios de uma dessas visitas. em diferentes momentos. com o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz. Dentre os inúmeros álbuns que Laurindo Almeida lançou du- rante sua carreira como músico popular. Desses. fora dos Estados Unidos. cujo título refere-se a uma composição de autoria de Radamés Gnattali contida do disco. Laurindo Almeida vinha ao Brasil quase anualmente. mais especificamente. grupo que montou com o contrabaixista Bob Magnussen e. O retorno ao Brasil Enquanto sua mãe era viva. Numa reunião íntima na residência do maestro e compositor Radamés Gnattali. onde se apresentaram no Leverkusener Jazz Lage. Por ele. Laurindo foi agraciado um ano depois. os bateristas Jim Plank e Chuck Flores. durante a década de 1980. poucas vezes. foi realizada em 1992. a música brasi- . lançado em 1981. A terceira formação foi o Laurindo Almeida Trio. mais especificadamente ao Rio de Janeiro. Quincy Jones e Miles Davis. Acredito que a última turnê desse grupo. Dentre essas vindas. todos pela Concord Jazz Records. sinal dos tempos. Depois da morte de D. ocorrida em 1953. tendo concorrido com músicos do calibre de Henry Mancini. lançado pela Capitol Records. Laurindo Almeida lançou quatro álbuns. para sempre.

Big Brother” (1996). Ronald Purcell: com o intuito de sustentar sua hipótese de que Laurindo Almeida teria sido um precursor da Bossa Nova.. as exposições de belíssimos temas ao piano pelo próprio Radamés. em 1957. Laurindo afirmou ter levado. a série de discos Brazilliance. Já era madrugada. Purcell comenta que em uma conversa com o crítico e historiador do jazz Leonard Feather. em 1967.. segundo o musicólogo.] Laurindo executou maravilhas ao violão. E ainda sobravam dedos. respectivamente. Pois bem: a nata dos figurões internacionais foi ouvi-lo. [. nos milagres digitais em solos de acordeão. de 26 de Julho de 1999. Ricardo Cravo Albim. pode ter contribuído. durante o FIC. no surgimento da Bossa Nova. em choros e sambas e alguns sucessos atuais do país de Gershwin. Fato que. LAURINDO ALMEIDA 51 leira popular e erudita foi distinguida pelos violões mágicos de Garoto e Laurindo Almeida. (Passos C. p. de Vidal. 1982. por Sivuca e Chiqui- nho. comenta: Lembro-me que. em seu artigo “Um violão renasce”. outra vinda ao Brasil é mencionada no artigo intitulado “Laurindo Almeida. Nor- thridge. já mencionada anteriormente.49) Quatro anos depois. o Laurindo foi convidado a fazer um concerto na sala Cecília Meireles. Músicos. do musicólogo do Departamento de Música da California State University. em visita ao Rio de Janeiro. antes da ida do segundo para os Estados Unidos. apud Antônio & Pereira.. 1999) 26 Como já mencionado.] Garoto e Laurindo em duo rememoram criação de ambos. do ponto de vista da concepção musical. (Albim. Laurindo veio novamente ao Rio de Janeiro como convidado especial do II Festival Internacional da Canção. este assunto será tratado de forma mais aprofundada nos capítulos 2 e 3. cantores e compositores brasileiros? Contavam-se nos dedos de uma mão. [. . promovido pela TV Globo.26 Dez anos depois. publicado no jornal O Dia. para alguns de seus amigos músicos ouvirem. Um friozinho cortante soprava do lado do mar.. o contrabaixo que tem alma.

em 1987.52 ALEXANDRE FRANCISCHINI Nessa ocasião. A primeira ocorreu em 1972. o organizador do evento.27 27 Foto que pertence ao acervo particular do colecionador Ronoel Simões. a convite de Arminda Villa-Lobos (viúva de Villa-Lobos). e aqui. sobre o episódio. em seu próprio país. Laurindo fez parte do júri do Concurso Internacional de Violão Villa-Lobos. de não ser reconhecido em sua pátria. a convite do violonista Turíbio Santos. prêmio dado em conjunto pela TV Continental e pela Revista Radiolândia (revista especializada em notícias sobre rádio e TV). A entrega do prêmio ficou a cargo do ator Francisco Milani que. disse: Eu afirmo categoricamente: ele não estava feliz! Tinha uma certa magoa que esse tipo de músico. que eu já observei em outros. (Dourado. . Laurindo também recebeu o troféu Destaque do Mês. que esse tipo de gênio tem. na ocasião. absolutamente desconhecido. Laurindo Almeida e Ronoel Simões no Concurso Internacional de Violão Villa-Lobos. e a segunda ocorreu em 1987. 1999) Em outras duas vindas ao Brasil. em entrevista ao documentário Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. Ele era uma expressão cultural musical do povo brasileiro.

Um músico na essência da palavra. publicado pela revista Cover guitarra n° 101. no Free Jazz Festival. em 1987. *Laurindo Almeida no Free Jazz Festival. Fiquei atônito e envergonhado por não conhecer seu trabalho. . porém. Laurindo Almeida faleceu nos Estados Unidos aos 77 anos de idade. escreveu o colunista Jonas Sant’anna: Lembro-me do Free Jazz de 1987 quando pude ver sua apre- sentação.91) Essa seria sua última vinda ao Brasil tanto a trabalho quanto em visita à família e amigos no Rio de Janeiro. em julho de 1995. Quase ninguém da plateia o conhecia. Em seu artigo intitulado “Laurindo Almeida: o guerreiro da luz”. mas quando ele começou a tocar conseguimos entender o significado deste “sucesso” e os comentários positivos a seu respeito. Laurindo Almeida também fez uma apre- sentação em São Paulo. p. orgulhoso em saber que era um brasileiro. em maio de 2003. LAURINDO ALMEIDA 53 Nessa última ocasião. Pude ouvir um guitarrista maduro e preocupado em usar a técnica a favor da sensibilidade. emoção e energia. (2003.

que no começo dos anos 1960 chegou a lançar três álbuns por ano. no Valley Presbyterian Hospital. Em Hollywood. em decorrência do câncer diagnosticado e. Ainda assim. Jim Plank. Seu corpo foi enterrado no Cemitério e Parque Missão de San Francisco. Muitas gravadoras relançaram alguns de seus álbuns. pelo jornal londrino The guardians. Seu último trabalho em disco foi o álbum intitulado Naked sea. esses discos podem. Laurindo Almeida faleceu em 26 de julho de 1995. em 1993. composta em ho- menagem à cidade de Los Angeles. parte deles em forma de coletâ- nea. lançado pela gravadora Danwell Records. o seu último trabalho foi executar a parte de violão da trilha sonora do filme The unforgiven. John Pisano. Como compositor. Dentre os participantes. em Los Angeles. sem assinatura e com o título inverídico: “Morre o violonista que acompanhava Carmem Miranda nos Estados Unidos”. sua última obra foi a Suite aquarelle. Bob Magnussen. Charlie Byrd. músicos com os quais trabalhou em dife- . sem dúvida. quase não lançou discos inéditos. Northridge. saiu uma pequena nota no Jornal do Brasil. dois dias após sua morte. Lau- rindo Almeida. foi realizado no teatro da California State University. ser importantes para obter uma visão panorâmica dos vários momentos e das várias tendências que permearam sua obra musical. estavam presentes – além da viúva de Laurindo. em consequência da leucemia. Na Europa. sua produção musical caiu sensivelmente. Sua morte foi noticiada por inúmeros veículos de comunicação: nos Estados Unidos. em 1992. um tributo à sua memória. pelo jornal The New York Times. duas semanas antes de sua morte.54 ALEXANDRE FRANCISCHINI Os últimos anos de vida nos Estados Unidos Na primeira metade da década de 1990. Embora tenha feito apresentações até pouco antes de morrer. sobretudo. em parceria com Danny Welton. Didi Almeida – Bud Shank. Jimmy Stewart e Chuck Flores. Dois meses após o seu falecimento. entre outros. em 23 de setembro de 1995. Já no Brasil. por conta do tratamento à base de qui- mioterapia e radioterapia.

Bach. A partir de 1999. *Lápide de Laurindo localizada no Cemitério e Parque Missão de San Francisco. S. 1999). partituras. LAURINDO ALMEIDA 55 rentes momentos de sua carreira. . o do Departamento de Música da Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos. Esse show pode ser visto no DVD intitulado Laurindo Almeida: tribute to a master. Brahms e Frank Sinatra” (Dourado. J. “Discos. em Los Angeles. os arquivos pessoais de Laurindo Almeida pas- saram a fazer parte de um dos maiores acervos musicais do mundo. localizado em Washington. fotografias e objetos pessoais de Laurindo podem ser vistos ao lado das obras de grandes compositores e intérpretes como J. por Debby Forman e Carlos Tavares. produzido em 2005 pela Mablan Entertainment.

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(idem) .. O Lau- rindo é respeitadíssimo pela nata da música americana. 2 UMA LACUNA HISTORIOGRÁFICA NA MÚSICA BRASILEIRA O nacionalismo brasileiro: a crítica à influência do jazz O crítico e historiador da música popular brasileira Ricardo Cravo Albin. e aqui.. músicos e personalidades brasileiras desta segunda metade de século. em seu artigo já mencionado. não tão boa assim – considera um exagero dizer que este país não tem memória. LP gravado em Nova York que lhe valeu o Grammy em 1964 a um jovem músico que me perguntou que Laurindo era esse. de 26 de julho de 1999. Cravo Albin conta a história de um almoço com Tom Jobim em que o maestro abriu a conversa dizendo: O Brasil não gosta mesmo de quem faz sucesso lá fora. afirma: Muita gente boa – ou melhor. Eu mostrei há pouco o Guitar from Ipanema. Eu digo e insisto: Não tem mesmo! Querem uma prova provada. No mesmo artigo. do jornal O Dia. um dos maiores compositores. Um violão renasce. com certidão. testemunha e tudo? O desconhecimento e silêncio que o Brasil impôs a Laurindo Almeida. caiu no esquecimento.

pela ditadura militar argentina. a convite de Eumir Deodato e Augusto Marzagão. não só no Brasil. pelo disco. É bem verdade que muitos músicos brasileiros que se radicaram no exterior caíram no esquecimento. E ainda sobravam dedos” (idem). Ao presenciar esse episódio. do II Festival Internacional da Canção. cantores e compositores brasileiros? Contavam-se nos dedos de uma mão. a chamada MPB. difuso. Após ter participado. Ao abordar o assunto. o guitarrista carioca Frederico Mendonça de Oliveira. com pouca projeção nos veículos de comunicação de massa. fato que explicaria o desconhecimento a respeito de muitos desses músicos. . tendo como metáfora a morte do pianista brasileiro Tenório Jr. em grande parte. Rosinha de Valença. houve um “conluio” entre as multinacionais do disco para que o “cancionismo” fosse difundido como a mais nova música popular brasileira. Dom Salvador. Já a música instrumental. permaneceram à margem do grande público no Brasil. Músicos. rádio e TV. optando por exercerem suas carreiras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa – Baden Powell na Alemanha. restrita a clubes. Airto Moreira. por sua vez. em seu livro O crime contra Tenório1. Foi o caso de Sérgio Mendes.58 ALEXANDRE FRANCISCHINI O fato de que “o Brasil não gosta de quem faz sucesso lá fora”. no século XX. Daí 1 O livro trata do “aniquilamento” da música instrumental brasileira. Ricardo Cravo Albin comenta que lembrou de que “a frase cortante de Tom Jobim sempre procedeu em gênero. o próprio historiador pôde constatar. do próprio Laurindo Almeida e de muitos outros que. com o fim da Bossa Nova. em 1967. mas no restante do mundo. Laurindo Almeida – como também já mencionado no capítulo 1 – apresentou-se na Sala Cecília Meireles: “A nata dos figurões internacionais foi ouvi-lo. há de se considerar também que o nosso país – por influência da colonização ibérica – tem por tradição o gênero canção. sempre esteve relegada a um segundo plano. Moacir Santos. produtores do festival. levanta sua hipó- tese de que. número e grau” (idem). Dentre os fatores que podem ter contribuído para que isso tenha ocorrido. teatros e bares. por exemplo –.

Stravinsky e Debussy.128) Em tudo semelhante ao ocorrido. levando a nossa música instru- mental a ser praticamente extinta e provocando. na verdade. Hobsbawm. na verdade. tenha um caráter “marginal”: o projeto modernista de nacionalização da música brasileira. de 1922. havia sido varrida pela paixão romântica do campesinato puro. ele foi fruto do trabalho de alguns entusiastas das classes dominantes ou das elites. de modo semelhante ao ocorrido em diversos países.127). o nacionalismo brasileiro – em busca de autoafirmação mediante o 2 Entretanto. assim. . sob influência intelectual alemã –. Isso ocorreu. p. Daí a redescoberta do folclore. Este último teve início a partir de meados do século XIX. teriam que se submeter ao trabalho em boates. Finlândia e Espanha. em Modernismo e música brasileira. quando compositores como Alberto Nepomuceno.2 E assim. Kodaly. p. simbolicamente. extraíram do folclore de seus países a matéria-prima de suas composições. o êxodo para o exterior de muitos dos nossos instrumentistas. Como demonstra Elizabeth Travassos. Polônia. Alexandre Levy e Brasílio Itiberê da Cunha – de diferentes maneiras – já começavam a ter na cultura popular a fonte de inspi- ração para a composição de suas obras. afirma que a Europa. Afinal. inau- gurado. Segundo o historiador. Contudo. simples e não corrompido. sobretudo europeia. ainda assim. Noruega. se ficassem no Brasil. Muitos com- positores – Bartók. LAURINDO ALMEIDA 59 o surgimento dos festivais da canção. Dinamarca. como a Alema- nha. Carlos Gomes. posteriormente. com a Semana de Arte Moderna. Liszt. estabelecidos no exterior. desde o final do século XVIII – em grande parte. sujeitos eventualmente às dificuldades financeiras (Castro. da tradição popular e de sua transformação em “tradição nacional” (1990. Hobsbawm lembra que “embora esse renascimento cultural popu- lista tenha fornecido a base de muitos movimentos nacionalistas subsequentes. (idem. 2001). seguindo uma tendência mundial. o período modernista não inventou o nacionalismo musical (2000. em determinado momento. ou acompanhar cantores e cantoras da Jovem Guarda e ficar.36). com o nacionalismo brasileiro. em Nações e na- cionalismo desde 1780. Hungria. p. entre outros –. existe outra razão para que a carreira de muitos músicos brasileiros. em nenhum sentido isso implicava um movimento político do povo”.

p.30). E “todo e qualquer elemento da cultura popular que pudesse macular a imagem civilizada da sociedade dominante era negado” (Sevcenko. houve uma libertação do jugo cultural europeu.34).24). Isso acontecia porque “o início do período republicano foi marcado por uma verdadeira obsessão pelo progresso e por uma modernização civilizatória cujo referencial era dado pela Europa ocidental” (Travassos. A partir dele é que “remodelou-se a percepção negativa da particularidade brasileira” (Travassos.35). um projeto de nacionalização da música brasileira. 2000.33). ibidem). 2000. Foi por esse princípio que fundamentou seu projeto. mais totalmente nacional. profundamente identificado com a vida parisiense (idem. a partir da diminuição dessa distância cultural. mesmo man- tendo a tradicional classificação hierarquizante entre erudito e popu- lar.30). predominava entre grande parte das elites burguesas do Brasil uma tendência de pura e simples reprodução de padrões da cultura europeia. e um cosmopolitismo agressivo. “que viria a se firmar como corrente estética hegemônica até meados dos anos 1940” (Travassos. mais forte criação da nossa raça até agora. que seria praticamente isolada para o desfrute exclusivo das camadas aburguesadas. defendia que a música popular brasileira é a mais completa. tendo por meta a criação de composições no âmbito da experiência erudita (Naves. p. uma política rigorosa de expulsão dos grupos populares da área central da cidade. que impedia o aproveitamento de elemen- tos da cultura popular” (Freitag. 1983. 1962. p. Mário de Andrade – uma das figuras centrais do modernismo e mentor do nacionalismo brasileiro aplicado à música –. 2000.3 Já com o advento do modernismo. 2) a imitação dos 3 Conforme aponta Nicolau Sevcenko. E argumentava: “É com a observação inteligente do populário e aproveitamento dele que a música artística se desenvol- verá” (Andrade. 1985. p. em Literatura como missão. Com isso. a mentalidade das elites burguesas era regida por mais três princípios: a condenação dos hábitos e costumes ligados à memória tradicional.60 ALEXANDRE FRANCISCHINI expansionismo de outros países – “deu-se através de um progressivo contato estético do folclórico com o erudito. p. 1998). nessa épo- ca – conhecida como Belle Époque –. . baseado em cinco pressupostos: 1) a música expressa a alma dos povos que a criam. p.

levando sua contribuição singular ao patrimônio espiritual da humanidade (idem. inautêntico. ele adverte: “A reação contra o que é estrangeiro deve ser feita espertalhonamente. em uma espécie de cruzada contra os invasores (Schwarz. na medida em que os Estados Unidos firmavam-se no cenário mundial como uma . 4) essa música nacional está em formação no ambiente popular. 3) sua emancipação será uma desalienação mediante a retomada do contato com a música verdadeiramente brasileira. não me parece que ele seja tão radical quanto a leitura posterior que os nacionalis- tas fizeram dele. sintetizados acima por Elizabeth Travassos. ou seja. 2001). 5) elevada artisticamente pelo trabalho dos compositores cultos. deveria ser combatida. Isso pode ser visto claramente quando. Já no período entre guerras.26). o alvo da crítica nacionalista era a imitação de modelos musicais europeus. há muito incrustados em nossa cultura. adotou-se como doutrina principal a eliminação de tudo que pa- recesse postiço. ibidem). o que se viu no decorrer do desenvolvimento do nacionalismo brasileiro foi uma radicalização daqueles cinco pres- supostos. 1962. LAURINDO ALMEIDA 61 modelos europeus tolhe os compositores brasileiros formados nas escolas. de Mário de Andrade – obra conhecida como o livro doutrinário do nacionalismo brasileiro aplicado à música –. tudo que não fosse nativo. nesse mesmo livro. Embora o livro Ensaio sobre a Música Brasileira. e aí deve ser buscada. contenha todos esses pressupostos estéticos. Uma das coisas que defendo a partir daqui é que o próprio Mário de Andrade não tinha essa postura em relação à influência estrangeira. em Nacional por subtração. a partir daquela perspectiva de valorização do “puro”. pela deformação e adaptação dele. forçados a uma expressão inautêntica. p. imitado do estrangeiro. e não pela repulsa” (Andrade. Qualquer influência musical vinda do estrangeiro era vista como alienígena à nossa cultura e. estará pronta para figurar ao lado de outras no panorama internacional. para que a partir do resultado dessa subtração desabrochasse uma cultura verdadeiramente nacional. consequentemente. no surgimento do projeto modernis- ta de nacionalização da música brasileira. Como já pôde ser observado. E como bem mostra Roberto Schwarz. No entanto.

estaria tudo pronto para que desabrochasse a cultura nacional verdadeira. os nacionalistas brasileiros fizeram da política imperialista desse país – e do jazz como um símbolo desse imperialismo – o seu alvo preferido. aliada do primeiro. habaneras e tangos. essas questões perderam força e. fandangos. com marcada preponderância sobre a música urbana brasileira. segundo o qual o progresso resultaria de uma espécie de reconquista. da expulsão dos invasores. e da europeia. de certo modo. p. (2001. essas influências deixaram de representar uma “ameaça”. o sentido. e citam. Rechaçado o imperialismo. principal- mente pelo jazz. Contudo. Para o próprio Mário de Andrade – diferentemente do que . Como consequência. os naciona- listas parecem ter esquecido que o jazz é somente uma dentre tantas outras influências musicais chegadas a nós via colonialismo. a influência da música espanhola. que influenciaram também na formação da modinha. malagueñas. Entretanto. ou melhor.32) Após o advento da globalização. por meio das danças (valsa. incorporadas à nossa tradição musical. mazurca e schottish). No mesmo texto citado há pouco Schwarz afirma: Reinava um estado de espírito combativo. muitos artistas brasileiros foram vítimas desse nacionalismo “americanofóbico”. por meio de boleros. neutralizadas as formas mercantis e industriais de cultura que lhes correspondiam. Tanto Mário de Andrade (no já citado Ensaio sobre a música brasileira) quanto Renato de Almeida (em Compêndio de História da música brasileira) lembram que de longa data a nossa música incorpora recursos de diferentes origens. Hoje. e afastada a parte antinacional da burguesia. da americana. sobretudo a hispano-americana do Atlântico. há pouco tempo elas ocupavam um lugar cativo no cotidiano de grande parte da intelectualidade brasileira. polca.62 ALEXANDRE FRANCISCHINI superpotência – fazendo dos veículos de comunicação de massa um instrumento de difusão de seu american way of life –. além das três referências básicas (ameríndia. subtraída a crítica de cunho político-ideológico aos Estados Unidos. africana e portuguesa). e como não poderiam deixar de mencionar.

em seu livro Música popular. ao dizer “De certo os antepassados coincidem”. não parecia representar um problema: Os processos do jazz estão se infiltrando no maxixe. p. além dos elemen- tos presentes da tradição europeia. a história da ascensão social contínua de um gênero de música popular urbana. a partir de motivos ainda cultivados no fim do século XIX por negros oriundos da zona rural. guardo um samba macumbeiro. assim. ainda. provenientes de origens comuns. estaria se referindo. lembra que Tom Jobim costumava dizer que só havia três . em O jazz como espetáculo. E argumenta: “É natural que. Aruê de Changô de João da Gente que é documento curioso por isso. LAURINDO ALMEIDA 63 pensavam os seus seguidores –. o samba criado à base de instrumentos de percussão passou ao domínio da classe média.25) Carlos Alberto Calado. (Andrade. p. lembra. num fenômeno em tudo semelhante ao do jazz. De certo os antepassados coincidem. essas manifestações musicais possam aproximar-se ou mesmo fundir-se sem chegar a perder sua identidade” (1988. (Tinhorão apud Ca- lado. lembrando que Mário de Andrade. às origens negro-americanas de ambas. por si só. Fixado como gênero musical por compositores de camadas baixas da cidade. que é justamente José Ramos Ti- nhorão. E tanto mais curioso que os processos polifônicos do jazz que estão nele não prejudicam em nada o caráter da peça. É um maxixe legítimo. a fusão do jazz com a nossa música popular. crítico e historiador da música popular brasileira – segundo suas próprias palavras: “a ponta de lança do nacionalismo aplicado à música popular brasileira” –.210) O jornalista e historiador Ruy Castro. nos Estados Unidos. em A onda que se ergueu no mar.209). levanta essa questão das similaridades entre a música negra do Brasil e Estados Unidos. Em recorte. quem comprova essa similaridade: A história do samba carioca é. 1962. 1988. Posteriormente. p. infelizmente não sei de que jornal.

na primeira quinzena de dezembro de 1917. a brasileira e a cubana. que a música jazzística chegou ao Brasil.102). “O resto é valsa”. da bateria americana com pedal no surdo mestre. ibidem) O relato mais antigo da presença do jazz. E. por mais de duzentos anos. Séculos de batuque no coração da África foram condensados pelos escravos nos porões dos negreiros. a rumba. mesmo que distantes. passíveis de certo determinismo biológico. foi feito pelo pesquisador Alberto Ikeda. começou o romance entre seus ritmos mágicos e a loura tradição musical europeia instalada nas colô- nias. resultou nas fabulosas formas mestiças que conhecemos como o jazz. em terras brasileiras. jogando todo esse resto para o século XIX (2001. o bolero.64 ALEXANDRE FRANCISCHINI músicas populares características do século XX: a americana. o sam- ba. fica fora de qualquer dúvida a presença da música jazzística entre nós. em seu artigo intitulado Apontamentos históricos sobre o jazz no Brasil: Pode-se concluir. mas que. no Brasil. p. (1984. .117) 4 Harry Kosarin foi o introdutor. em fins da Primeira Guerra. Adiante: Com a temporada de Harry Kosarin Jazz-Band em São Paulo. dizia Tom. Todos primos. isto na temporada realizada no Teatro Fênix. reprimido e. com grande probabilidade de acerto. quase secreto. como parentes. mais especificamente ao Rio de Janeiro – se não antes – juntamente com a Companhia Teatral da qual faziam parte as American Girls e o Baterista dos Onze Instru- mentos [segundo o pesquisador. Castro faz menção desse comentário do músico para ilustrar o fato de que todas elas têm um DNA em comum: a presença do negro misturada à tradição musical europeia. no período que vai de agosto de 1919 até fevereiro de 1920. provavelmente Harry Kosarin]4. (idem. Assim que os sobreviventes desembarcaram no Novo Mundo. Um romance envergonhado. p.

S. a dança se apresenta hoje “yankeezada” em desengonçados bamboleios de plantígrados. com seu conjunto Os Oito Batutas. podia tratar-se de “um atestado de que a coisa era ‘boa. se dança por ai é apenas a cópia de uma perversão social aparecida em centros depravados. p. nas famosas alfi- . afinal. O que hoje. É nesse período que se encontram as primeiras críticas à influência da música norte-americana sobre a música popular brasileira. afinal. p. e lá elas faziam sucesso. two-step. su- blinhados a pandeiradas e atabalhes “cowboyescos” e entrecortada de trejeitos de simiesca lubricidade. p. da Dança? Na edição do dia seguinte publicou-se a primeira carta: Mas completando. (idem. Ikeda destaca que antes mesmo do jazz. Paulo. fica difícil crer que Pixinguinha não tivesse sabido de Kosarin em tais circunstâncias. Já as primeiras consequências desse contato do músico com o jazz ecoaram somente em 1928. a involução. enkistados nas grandes metrópoles como Paris e Nova York. foxtrote e o cake-walk já eram men- cionados em jornais e revistas anteriores a 1920.116) Talvez seja possível afirmar que o primeiro músico a sofrer duras críticas por ter se rendido às “maléficas” influências do jazz seja Pi- xinguinha. O jornal O Estado de S. Para Pixinguinha. em geral. Sendo assim. Paris era a “capital cultural da Europa e do mundo”. principalmente por se tratar de São Paulo de 1919 e não da atual megalópole. de 17 de março de 1920. A maioria dos autores entende que o músico entrou em contato com o jazz somente em 1922.118) O pesquisador argumenta ainda que pode ter sido em Paris que Pixinguinha se convenceu de que a nova realidade da música instrumental eram as jazz-bands. Ikeda argumenta: Os Batutas estiveram em São Paulo justamente quando o grande acontecimento da cidade era a banda de Harry Kosarin. one-step. quando foi em turnê a Paris. outros gêneros como o rag-time. LAURINDO ALMEIDA 65 No entanto. inaugurou uma seção intitulada Que pensa V. (idem. (idem.121). bela e mo- derna’”.

juntamente com Garoto. A influência das melodias e mesmo do ritmo das músicas norte-americanas é nesses dois choros bastante evidente. É por isso que julgamos este disco o pior dos quatro. . (Cabral.122) No ano seguinte. mais duas edições da revista continham críticas a Pixinguinha. outro de Donga. (idem. Não nos agradou. porquanto sabemos que os compo- sitores são dois dos melhores autores da música típica nacional. nesse seu choro. ao comentar o lançamento de quatro discos da Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Na edição de fevereiro para o samba Gavião calçudo. p. cuja introdução é um verdadeiro fox-trot. na ocasião integrante do Conjunto Typico Brasilei- ro. Este fato nos causou sérias surpresas. Benedicto Augusto Lapa e Oracy Camargo. Lauro Paiva. ambas com basica- mente o mesmo texto. o pesquisador Jorge Mello afirma que os integrantes do Conjunto Typico Brasileiro eram Laurin- do Almeida. Desse modo. foi em Paris que Lau- rindo Almeida teve o seu contato mais marcante com o jazz. sobre os quais não podemos deixar de notar que em suas músicas não se encontra um caráter perfeitamente típico.d. Garoto e Nestor Amaral não estariam presentes na ocasião (Cipriano. Amigo do Povo. 1997. p. para o pesquisador. Nestor Amaral e Zé Carioca5 – a bordo 5 Segundo depoimento do jornalista Sérgio Augusto ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”. José do Patrocínio Oliveira “Zezinho”. trocando somente a palavra choro por samba: Parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias da música de jazz. entretanto. É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez. crítico e fundador – juntamente com Sérgio Vasconcelos – da revista Phono-Arte.). Laurindo. Em novembro desse mesmo ano.123) Assim como aconteceu com Pixinguinha. Cruz Cordeiro escreveu: O quarto disco contém dois choros: um de Pixinguinha. Em 1936. os músicos eram esses.66 ALEXANDRE FRANCISCHINI netadas feitas por Cruz Cordeiro. Na edição de janeiro foi para o choro Carinhoso. Lamen- tos. que no seu decorrer apresenta combinações de pura música ianque. s.

principalmente no que diz respeito ao violão. Itália. criado por Getúlio Vargas em plena época de relacionamentos com os regimes nazifascistas europeus. Espanha. Bélgica. Consta que Laurindo ficou tão impressionado com o que ouviu que. meio passageiro” chamado Cuiabá – saíram em um cruzeiro pela Europa em missão do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). LAURINDO ALMEIDA 67 de um navio “meio cargueiro. dando origem ao que chamou na época de “jazz de samba”. os músicos foram a um bar parisiense chamado Hot Club. dos compositores Vicente Paiva e Luiz Peixoto. Dos grandes ícones da música popular brasileira. característicos da música popular brasileira. que eu sei / Certo zunzum / Que já não tenho molho / ritmo. no qual se apresentaram em Portugal. Holanda. Foi através de Django que Laurindo tomou conhecimento das harmonias jazzísticas que vinte anos mais tarde se tornariam um dos preceitos estéticos mais característicos da linguagem musical da Bossa Nova. Enquanto aguardavam um novo embarque – já que não puderam se apresentar –. na França também foram proibidos de desembarcar do navio com os instrumentos. a partir daí. França e Alemanha. com harmonias jazzísticas. onde se apresentavam o guitarrista cigano Django Reinhardt e o violinista Stephane Grappelli. interpretada pela própria Carmem: E disseram que eu voltei americanizada / Com o burro do di- nheiro / Que estou muito rica / Que não suporto mais / o breque do pandeiro / E fico arrepiada / ouvindo uma cuíca / Disseram que com as mãos estou preocupada / E corre por aí. vislumbrou a possibilidade de fundir elementos rítmicos e melódicos. talvez o que tenha mais sofrido com acusações de ter se americanizado seja Car- mem Miranda. Esse acontecimento seria decisivo para a Bossa Nova. Tanto que o fato virou a letra da música Disseram que eu voltei americanizada. nem nada / E dos balangandãs já não existe mais nenhum // Mas pra cima de mim / pra que tanto veneno / Eu posso lá ficar americanizada / Eu que nasci com samba / e vivo no sereno / Topando a noite inteira / a velha batucada / Nas rodas de malandro / minhas preferidas / Eu digo é mesmo Eu . Como ocorrido na Bélgica.

tanto para o Brasil quanto para outros países latino-americanos pela Política da Boa Vizinhança. Já existia uma autenticidade a ser preservada no campo da cultura popular brasileira. a cantora parece não ter desempenhado o papel de representar a cultura brasileira como era esperado. p.130) O exemplo de Carmem Miranda serve bem ao propósito de ilustrar o fato de que a crítica nacionalista não era somente ao jazz como gênero musical. tampouco Carmem é baiana. o Brasil nunca foi Cuba e a Bahia não é o Brasil. Na ocasião. Afinal. sendo. sim. não podia ul- trapassar certos limites. Mas. Carmem Miranda abriu sua apresentação dizendo: “Good night. em 15 de julho de 1940 – logo que voltou dos Es- tados Unidos. em O mistério do samba. (2004.61) .d. por exemplo. compôs um quebra-cabeça continental com peças que não se encaixavam. people!” Esse seria o estopim para que muitos de seus críticos a acusassem de não representar o Brasil lá fora. não só o país. em A embaixatriz dos balangandãs. lembra: A caricatura de Carmem/Brasil/América Latina. Ana Maria Mauad. A mistura de samba com a música norte-americana. elaborada pelas demandas da política da boa vizinhança. Hermano Vianna.). p. s. mas sim a imagem da americanização pela qual passava. Entretanto. da qual a própria Carmem tornou-se uma espécie de “embaixatriz” do governo bra- sileiro.68 ALEXANDRE FRANCISCHINI te amo / e nunca I love you / Enquanto houver Brasil / Na hora das comidas / Eu sou do camarão / ensopadinho com chuchu! As críticas à cantora iniciaram a partir de uma apresentação no Cassino da Urca. afirma: A denúncia da americanização de Carmem Miranda mostrava que existia no Brasil de 1940 um movimento difuso que defendia a correta utilização desses novos símbolos nacionais. (2002. por conta disso. difundi- dos sistematicamente. rejeitada por grande parte do público. ao bombardeamento de símbolos da cultura americana – sendo o jazz somente um deles –. mas o restante do mundo (Papini.

no campo da política” (Tinhorão. LAURINDO ALMEIDA 69 Nota-se que esse repúdio aos padrões culturais estrangeiros não se restringia somente à música. (Castro. por parte de determinados segmentos da sociedade – cientes dos reais motivos da Política da Boa Vizinhança –. em parte. o céu e o mar”. Era apenas uma forma musicalmente nova de repetir as mesmas coisas românticas e inconsequentes que vinham sendo ditas há muito tempo. agora distante dos assuntos relacionados à estética bossa-novista “o amor. do jazz. do rock e da balada sobre a música popular brasileira. Nacionalismo em música não é bairrismo. p. Lyra tem duas compo- sições que abordam esse tema: a primeira de 1957. intitulada Influência do jazz. composta dentro do mesmo espírito crítico. Isso ocorreu. diante da imposição de valores americanos. Carlinhos Lyra. mesmo entre os compositores da Bossa Nova – seguramente os mais influenciados pela música americana – houve uma tentativa de resgatar a “pureza” do samba. levando-os a uma atitude de participação crítica da realidade. p. o sorriso. compositor e membro fundador do Movimento Bossa Nova. também fazendo menção à absorção de procedimen- tos jazzísticos pela música popular brasileira: “Pobre samba meu / Foi se misturando se modernizando / E se perdeu / E o rebolado . com a política desenvolvimentista iniciada com o governo de Juscelino Kubitschek. No que diz respeito propriamente à música. 1991. e em parte devido a um momento de turbulência que o país atravessava no início da década de 1960. e nem sempre foi encabeçado pelos nacionalistas. intitulada Criti- cando. “que se revelaria incapaz de absorver no seu quadro econômico as primeiras gerações de profissionais universitários. O único caminho é o nacionalismo. declarou: A Bossa Nova estava destinada a viver pouco. a flor. na qual o compositor já faz menção à influência do bolero. A segunda de 1961. como uma reação à influência da música norte-americana. 1989.237). teve início o surgimento da música de protesto. Como reflexo no campo musical.344) Sobre a influência da música estrangeira. Não alterou o conteúdo das letras. Foi uma reação natural.

para nos parabenizar. pintou a coisa de ridí- culo e definiu-a como um “fracasso” dos músicos brasileiros na sua tentativa de parecer “esforçados imitadores da música americana”.70 ALEXANDRE FRANCISCHINI cadê? / Não tem mais / Cadê o tal gingado que mexe com a gente / Coitado do meu samba mudou de repente / Influência do jazz”. Outra bossa-novista a romper com o novo estilo foi Nara Leão. e foi muito generoso porque o concerto foi uma droga” (apud Dourado. como Peggy Lee. p. que tem muito mais a dizer. 1999). Quero samba puro. juntamente com outros músicos americanos presentes na plateia. Miles Davis e Dizzy Gillespie. que é expressão do povo. Após o término da apresentação Laurindo apresentou-se a Carlinhos Lyra e cumprimentou-o pela apresentação. da revista Fatos & fotos. Sérgio Porto fazia piadas pela televisão.. Chega de cantar para dois ou três intelec- tuais uma musiquinha de apartamento..330) Laurindo Almeida. de repente apresentou-se o grande violonista brasileiro Laurindo Almeida para conversar com a gente. . alguns dos nomes mais influentes da imprensa brasileira deliciaram-se em transformar a apresentação em um fracasso histórico: Antonio Maria dava gargalhadas pelo jornal. Em entrevista ao repórter Juvenal Portela. em 1962. parecem não ter tido a mesma impressão dos críticos brasileiros. (idem. Em depoimento ao docu- mentário Laurindo Almeida: “Muito Prazer”. p. que ainda era o veículo de maior penetração [. o crítico José Ramos Tinhorão produziu a pior crueldade de todas: uma narrativa de palco e bastidores do Carnegie Hall. em Chega de Saudade.] Tinhorão. (idem. Lyra comenta: “Após o concerto do Carnegie Hall. com sua vasta munição verbal. relata que após o show da Bossa Nova no Carnegie Hall. em O Cruzeiro. afirmou: Chega de Bossa Nova. em 1962.348) Ruy Castro. e não uma coisa feita de um grupinho para outro grupinho.

quando Tom cedeu por seis meses Águas de Março para uma campanha mundial da Coca-Cola. mas. ou até mesmo para a gravação de discos pelas gravadoras americanas: Gilberto assinou por três semanas com a boate Blue Angel e para a gravação de um disco na Verve. Tudo isso. novamente foi acusado de vender a música ao imperialismo americano (idem. em termos de direitos auto- rais nos Estados Unidos – passou a fazê-las bilíngues” (2001. O conjunto de Oscar Castro Neves foi para o Empire Room do hotel Waldorf As- toria. ibidem). Ruy Castro lembra que Tom Jobim. Entretanto. Com isso – diz – “deu mais um motivo para que os espíritos de porco resmungassem que era americanizado” (idem. Também na década de 1980. sim. Como observado. LAURINDO ALMEIDA 71 De fato.41). seria apenas a lambida na maçã.331) Esse fato agravaria ainda mais as críticas aos músicos brasileiros que começavam a ter uma carreira de projeção internacional. Sergio Mendes mostrou que tinha categoria internacional. ibidem). (Castro. Tom Jobim foi contratado como arranjador pela Leeds Corporation – que pagou 1. 1989. comparado com o que viria. isso não impe- diu que alguns dos músicos que participaram do show conseguissem contratos para outras apresentações. O músico e pesquisador ca- . no entanto. o imperialismo americano. p. de Pixinguinha a Tom Jobim nota-se que a crítica nacionalista à influência do jazz sobre a música popular bra- sileira está carregada de conteúdo político-ideológico e tem um alvo certo – não sem razão – que não é propriamente a “macularização” do samba ou as tais “inovações musicais” advindas da Bossa Nova. “cansado de ver suas letras ou as de seus parceiros vertidas para o inglês por americanos incompetentes – e de vê-los ficando com a parte do leão.500 dólares de adiantamento pela edição de Garota de Ipanema. alguns autores relatam que os equipamentos de som não estavam preparados adequadamente para a apresentação de um tipo de música camerística como a Bossa Nova. E até mesmo Sérgio Ricardo se beneficiou: sua música Zelão foi editada e começou a aparecer em todos os discos da Audio-Fidelity. p.

p. Mas o processo pode ser revertido. tomo como minha a análise que o poeta Augusto de Campos faz em relação à Bossa Nova. antropofagicamente – como diria Oswald de Andrade – deglutir a superior tecnologia dos supradesenvolvidos e devolver-lhes novos produtos acabados. reconhecido internacionalmente como nosso e que. devoraram um produto estrangeiro – no caso o jazz – para transformá-lo em ou- tro. e não estudado. pode-se dizer que cumpriu a meta nacionalista de tornar a música brasileira uma das grandes referências em termos de música mundial. Laurindo foi um dos músicos que promoveram a tão famigerada fusão do samba com o jazz que acabou resultando em Bossa Nova. usando de um procedimen- to antropofágico. na medida em que os países menos desenvolvidos consigam.121) Diante dessa premissa é possível presumir que essa “america- nofobia” – que por muito tempo impediu que a nossa musicologia tratasse com isenção as mudanças ocorridas no âmbito puramente musical – possa ter contribuído. sobretudo. condi- . para que a carrei- ra de grande sucesso de Laurindo Almeida nos Estados Unidos tenha permanecido no quase absoluto desconhecimento no Brasil. levanta essa questão: Análises contaminadas pela mais ingênua xenofobia e embasadas em profunda ignorância musical sempre fizeram como que o processo de reciclagem das informações jazzísticas na música brasileira fosse julgado. ironicamente. A expansão dos movimentos internacionais se processa usual- mente dos países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos. Afinal. o que significa que estes o mais das vezes são receptores de uma cultura de importação. quando argumenta que eles. tal como propõe Oswald de Andrade. Entretanto. ao menos em parte.72 ALEXANDRE FRANCISCHINI rioca. como um processo natural de uma forma viva de arte. aos músicos que a conceberam. em O choro do quintal ao municipal. (1999. Henrique Cazes. e pior: teria se vendido ao cinema de Hollywood – principal veículo de propagação e difusão do capitalismo para o restante do mundo.

sendo consi- derado pela musicologia americana como um dos violonistas mais importantes da história desse gênero musical. José Ramos Tinhorão. os elementos renovadores essenciais que a música popular brasileira urbana exigia naquele exato momento. é notório que ele passou de influenciado a influência de muitos músicos americanos. Foi isso que aconteceu. com o futebol brasileiro. que. 1998. 1988. a bossa nova deixou como marco oficial de sua eclosão o lançamento do disco Chega de Saudade. (Calado. em 1959. do cantor e violonista João Gilberto. tanto que tem seu nome vinculado à história do jazz. conhecido . 1974. p. da música erudita (sobretudo o impressionis- mo francês) e do samba.75). em março de 1959. além de ser também uma referência internacional de músico brasileiro. desenvolveram novas tecnologias e criaram realizações autônomas. a partir da redução drástica e da racionalização de técnicas estrangeiras. LAURINDO ALMEIDA 73 mentados por sua própria e diferente cultura. ela tornou-se o alvo da crítica dos musicólogos puristas. em sua vontade de assimilação de novos valores” (Medaglia apud Campos. A polêmica: precursor ou difusor da Bossa Nova? Delineada alguns anos antes na música dos violonistas Garoto e Laurindo Almeida. “Nele se concentravam. com a poesia concreta e com a bossa nova. por exemplo. (Campos apud Naves. p. exportáveis e exportadas para todo o mundo. ou cantores e pianistas Dick Farney e Johnny Alf. A Bossa Nova foi produto da fusão de três vertentes musicais: do jazz norte-americano. Desde o seu surgimento. p. para citar alguns de seus principais precursores. da maneira mais rigorosa e dentro do mais refinado bom gosto.230) É consenso entre os historiadores que o marco inicial da Bossa Nova deu-se com o lançamento do LP Chega de saudade pelo cantor e violonista João Gilberto.220) E no caso específico de Laurindo Almeida.

modificando o que lhe restava de original. Luís Cláudio. v. o próprio ritmo. a função de precursores” (apud Campos. mais pro- priamente. entre 17 e 22 anos. 1974. p. Logo após lembram que: “Vindos da época anterior. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. diferentemente do que faz crer o crítico e historiador.79). ou seja. iniciado com a fase do samba tipo bebop e abolerado de meados da década de 40.241). rompeu definitivamente com a herança do samba popular. Vinícius de Moraes. (idem. Dolores Duran e Billy Blanco. Entretanto. embora .1.25). p. os músicos Chiquinho do Acor- deom.230). p. afirma: “Historicamente. João Donato e Paulo Moura. p. 1991. João Gilberto. são eles os precursores: os cantores Lúcio Alves. E como afirma Júlio Medaglia: “As tentativas feitas até agora no sentido de se buscar as verdadeiras raízes do mo- vimento têm atribuído. quando um grupo de moços. Valzinho. com papel decisivo na criação da Bossa Nova. também devem ser inclu- ídos entre os precursores o maestro Radamés Gnattali e os músicos Garoto. na maioria das vezes. o conjunto vocal Os Cariocas e Dick Farney (também pianista). Dóris Monteiro. que representam. estilos e tendências do que uma ruptura surgida na esteira de algo absolutamente novo” (Gava. Agostinho dos Santos. Johnny Alf. os compositores/cantores Tito Madi. Luís Bonfá. o aparecimento da bossa nova na música urbana do Rio de Janeiro marca o afastamen- to definitivo do samba de suas raízes populares” (Tinhorão.74 ALEXANDRE FRANCISCHINI opositor do novo estilo. um momento de confluência de traços. Laurindo Almeida e Osvaldo Gogliano ‘Vadico’” (1997.231) Entretanto. Moacir Santos. a Bossa Nova foi “o resultado de elaborações estéticas que vinham ocorrendo desde as décadas anteriores. Silvia Telles. Antonio Car- los Jobim. Newton Mendonça e Carlos Lyra. o arranjador Lindolfo Gaya. p. atingiria o auge em 1958. naturalmente. E mais adiante: Esse divórcio. 2002. a afirmação de que Laurindo Almei- da deve ser incluído entre os precursores da Bossa Nova. e. a artistas cuja atuação musical antecedia em alguns anos ao advento do novo estilo.

LAURINDO ALMEIDA 75 recorrente. gerou-se uma controvérsia acerca de sua contribuição nas origens do novo estilo.6 Ronald Purcell – como já relatado no capítulo 1 –. daria forma à Bossa Nova. nem uma coisa e nem outra. Mais adiante lembra: Alguns situam este disco como precursor da bossa nova. para sustentar tal afirmação. pelos motivos que serão expostos no decorrer deste capítulo. Para alguns autores. comenta a hipótese: “Há quem aponte o berço da bossa fora do Brasil. Laurindo Almeida: Big Brother. O musicólogo Tarik de Souza. Laurindo foi realmente um de seus precursores. p. característicos da música popular brasileira. reeditados no final dos anos cinquenta com o nome Brazilliance. embora Laurindo Almeida não vi- vesse mais no Brasil quando eclodiu o movimento musical. O mais categórico é o bai- xista do grupo de Laurindo. Guitar Review n° 107 e 110. em Brasil musical. em 1953/54. argumenta que Laurindo Almeida teria dito a Leonard Feather que em uma visita ao Rio de Janeiro. ela teria nascido em berço yanke. 60 e 70) – são enfáticos ao afirmar que. a gravação de uma série de discos com o saxofonista Bud Shank. sua maior contribuição – não obstante a sua importância nas origens da Bossa Nova – estaria na difusão da música popular brasileira no exterior. em 1957. Fora do Brasil. posteriormente. de 1952” (1988. Encyclopedia of jazz in the sixties. Harry Babasin. que afirma ter preferido 6 Ver: Feather. foi precursora na fusão dos elementos rítmicos. autor da famosa The Biographical Encyclopedia of jazz (edição 1950. teria levado os discos para seus amigos músicos ouvirem. Ronald Pur- cell – musicólogo da California State University. e Purcell. essa controvérsia parece não existir. fato que poderia ter tido alguma influência sobre os músicos pré-bossa- novistas. Nova York. com o jazz americano que. Para outros. não é uma unanimidade entre os pesquisadores brasilei- ros. 1966. nas experiências de fusão do violonista Laurindo Almeida com o saxo- fonista Buddy Shank no LP Brazilliance.205). Desta forma. Para outros ainda. . tanto que. Northridge – e Leonard Feather – crítico e historiador da música americana.

Tinhorão. ter trazido ao Brasil 25 exemplares do 7 De fato. é considerado mais norte-americano do que brasileiro”7 (idem. Laurindo Almeida. em um tópico intitulado “Os pais da bossa nova” de seu livro Música popular. vive até hoje o mesmo drama de tantas crianças de Copacabana. pelo próprio Laurindo Almeida. conforme averbação contida em sua certidão de nascimento. dá indícios de que esses discos podem mesmo ter circulado por aqui: “Ele acredita na lenda de que as 25 cópias de Brazilliance. Vinícius de Moraes.” Sobre Laurindo comenta: “Hoje. João Gilberto. p. Desses oito. Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra – segundo suas próprias palavras. p. no que se refere à paternidade. a partir de 23 de dezembro de 1980.214) Souza. feita nos Estados Unidos. cita alguns candidatos à paternidade da Bossa Nova: Johnny Alf. afirma: Filha de aventuras secretas de apartamentos com a música norte- americana – que é. (1966.25) Posteriormente. Tinhorão afirma que o ver- dadeiro pai – pelos motivos que expõe no livro – poderia ser encon- trado entre os três músicos: Johnny Alf. Segundo o historiador. ibidem).26). na série de discos Brazilliance. p. Tom Jobim e João Gilberto. crítico de jazz da revista Down Beat.76 ALEXANDRE FRANCISCHINI combinar o jazz ao baião mais leve e gingante. Laurindo – para defender sua primazia – também afirmou a John Tynan. Tom Jobim. comentando a frase de Babasin – ainda que aparente- mente descrente –. a sua mãe – a bossa nova. emigradas com um Laurindo saudoso da família. todos “americanizados. usando um tambor de conga com escova. teriam dado a partida à bossa cabocla” (idem. de que as bases musicais da Bossa Nova já estavam lançadas desde 1953. Baden Powell. A certidão encontra-se digitalizada no item Anexos II. . Entretanto. menciona – imparcialmente – uma suposta afirmação. o bairro em que nasceu: não sabe quem é o pai. inegavelmente. Laurindo Almeida tornou-se cidadão norte-americano. (idem.

que se improvisou jazzisticamente sobre ritmos brasileiros. mesmo não mencionando a série de discos Brazilliance. mesmo por antecipação. o Laurindo Almeida foi realmente o grande precursor dessa história. p.16). também em depoi- mento ao mesmo documentário. mas também porque era um guitarrista moderno. p.28). na concepção musical que iria fir- mar-se três anos depois: a Bossa Nova” (apud Tinhorão. “trata-se da primeira composição já integrada. basicamen- te. no caso o samba. E se considerarmos a Bossa Nova uma fusão. realmente.. (idem. afirma: Em 1953. Laurindo e seu quarteto gravaram dois discos que são marcos nessa colaboração de jazz com música brasileira. argumenta que a Bossa Nova – diferentemente do que a maioria dos estudiosos faz crer – não é um . (Dourado. de Laurindo Almeida [.] não só porque o Lau- rindo era um guitarrista de impecável técnica. de ritmos brasileiros. entendem que Laurindo Almeida foi – entre tantos – um precursor do novo estilo. LAURINDO ALMEIDA 77 disco que ficaram circulando pelo Rio de Janeiro e São Paulo por volta da mesma época que explodia a novidade do Hino ao sol – abertura da Sinfonia do Rio de Janeiro –. 1966. – é um dos que acredita na importância desses discos. Foi a pri- meira vez. já com acordes de jazz. também no Brasil. vivendo dentro do jazz. Para o musicólogo Brasil Rocha Brito. sobretudo em relação ao uso de acordes provenientes do jazz. em depoimento ao mesmo documentário. de Antonio Carlos Jobim. de Radamés Gnattali. ibidem) O jornalista e crítico musical João Máximo. Verdade ou não. caracterizando-se pelo uso da improvisação. Em depoimento ao documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”. O bossa-novista Oscar Castro Neves. com elementos jazzísticos. o produtor musical Arnaldo de Souteiro – que segundo Ruy Castro “parece saber tudo da carreira internacional da Bossa Nova” (1990.. afirma: É impossível se falar de Bossa Nova sem falar de Garoto. 1999) Outros.

já mencionada anteriormente. Desse modo. ibidem) O violonista Turíbio Santos. e a respeito da polêmica em torno do violonista: Gerou-se uma polêmica porque externamente é possível dizer que ele é o “pai da Bossa Nova”. ela teve um surgimento espontâneo. tinha intimidade com o jazz. em 25 de fevereiro de 1996. Entretanto. não foi ele. mas não a ele. Ela não nasceu de um grupo de músicos que teria se reunido para estabelecer uma nova forma de música popular brasi- leira. afirma: Laurindo Almeida já estava morando nos Estados Unidos há muito tempo. Afinal. principalmente se ele visse e ouvisse a Bossa Nova do ponto de vista da harmonia e não do ritmo. já existiam inúmeros músicos aqui que montaram este colchão onde a Bossa Nova foi implantada. e perguntei-lhe qual a sua opinião. o Schweizer Illustrierte Zeituna. como o maestro Júlio Medaglia. para um ouvido estran- . quer dizer: ele tinha uma grande intimidade com essas harmonias. comentei a manchete de um jornal suíço. para outros entendedores do assunto. também afirmou: “Ele preparou o clima para as harmonias” (1996). Então. Ele não é o pai! Ele foi importante. é natural que ele se intitulasse um dos precursores. a respeito dessa manchete. Então quando ouviram a Bossa Nova. Não obstante a sua importância nas origens da Bossa Nova. Em entrevista concedida pelo maestro. quando entrevistado a respeito de Lau- rindo por Celina Cortes do Jornal do Brasil. a maior contribuição de Laurindo Almeida estaria na difusão da mú- sica brasileira no exterior. Então. (idem. que atribuía a Laurindo a figura de “pai da Bossa Nova”. acharam que era ele que tinha introduzido isso no Brasil. conhecia toda música de câmara brasileira através do violão. já tinha tocado com Bud Shank. para Máximo. torna-se difícil dizer quem é o “pai da ideia”. foi um excelente instrumentista de Bossa Nova.78 ALEXANDRE FRANCISCHINI movimento musical. que eram estranhas ao samba. porém. com o Modern Jazz Quartet. as pessoas não conheciam os músicos brasileiros e conheciam o Laurindo Almeida – que repre- sentava toda essa rítmica brasileira sofisticada em nível de música de câmara.

Para Ruy Castro – uma das poucas vozes divergentes –. por isso ele ficou lá e passou a ser mais conhecido como músico de jazz do que como músico brasileiro. e aí passou a ser um músico do mundo. ele é um dos pais. Mesmo quando ele usava componentes rítmi- cos brasileiros e latino-americanos a coisa ganhava uma dimensão internacional. (Severiano & Mello. em parte.241) . p. A partir de lá que ele passou suas informações musicais para o mundo inteiro. como o Garoto. Em sua obra Chega de Saudade – livro dedicado. Aquele pessoal da west-coast norte-americana tinha todas as características da raiz do jazz tradicional. isto significa: os melhores músicos do mundo. LAURINDO ALMEIDA 79 geiro pode parecer que foi ele que introduziu isso na música popular brasileira. Nele convivem veteranos da época de Ouro (1929-1945). Laurin- do Almeida não foi nem precursor nem difusor da Bossa Nova nos Estados Unidos. 1997. em final de carreira. Castro não o menciona em nenhum momento como um dos protagonistas desse período. E lá que ele foi se encontrar. não só como uma das figuras mais importantes da Bossa Nova como também do jazz: É porque ele viveu todo auge de sua carreira nos Estados Unidos. mas tanto quanto os outros violonistas. Mas ele era tão bom quanto qualquer músico brasileiro de seu tempo.8 E pelos motivos óbvios. Também perguntei a que fatores ele atribuía um maior reconhe- cimento de Laurindo Almeida por parte da musicologia americana do que pela brasileira. músicos que vinham de uma formação técnica maior. ao período que antecede a sua eclosão no final dos anos 1950 –. Di- lermando Reis e tantos outros. onde ele tocou com os melhores músicos. Mas ele não é o pai. já mencionados pelos musicólogos norte-americanos: Laurindo já estava morando 8 O período 1946-1957 funciona como uma espécie de ponte entre a tradição e a modernidade em nossa música popular. mas tinha também toda sofisticação técnica de músicos que estudaram em academia. isso sim é possível dizer. se organizar. com iniciantes que em breve estarão participando do movimento Bossa Nova.

mesmo não fazendo parte do grupo que deu origem ao movimento. não participou das reuniões nos “famosos” apartamentos de Copacabana. também. E. em seu livro O choro do quintal ao municipal. era de conhecimento dos músicos brasileiros que Laurindo era o guitarrista da orquestra. portanto. (1990. Laurindo Almeida não tenha exercido alguma influência – ainda que indireta e circunscrita ao violão – sobre os músicos da pré-Bossa Nova. fica difícil crer que. 1999) Henrique Cazes. ob- viamente. no qual o movimento musical foi germinado. tive o desejo de falar com Laurindo e me emocionei. consequentemente. Lógico. Hélio Jordão Pereira (Helinho). especial- mente o de Nara Leão. lembra: Quando eu estava nos Estados Unidos e soube que o Laurindo estava tocando com Stan Kenton. principalmente Pete Rugolo. Ruy Castro lembra que a orquestra de Stan Kenton – que tinha Laurindo Almeida como guitarrista – foi uma das prin- cipais influências dos músicos pré-bossa-novistas: Todos os seus integrantes eram venerados. os saxofonistas Bill Holman e Lee Ko- nitz.48) O próprio autor relata que. vendo um brasileiro ali – coisa que nunca tinha acontecido antes – no meio daqueles músicos famosos. mas os garotos tinham especiais xodós pelo baterista Shelly Mane. com destaque entre os solistas. comenta um acontecimento bastante interessante: Barney Kessel – um dos guitarristas mais importantes da história do jazz e . nessa época. Sendo assim. Ao final do show. eu que era louco pela música ame- ricana naquela época fui assistir a um show no Paramount Theater.80 ALEXANDRE FRANCISCHINI nos Estados Unidos desde 1947. fundou-se o Kenton Progressive Fan Club. a exemplo do Sinatra- Farney Fan Club. violonista do Bando da Lua. os trombonistas Frank Russolo e Bill Russo e. os trompetistas Shorty Rogers e Maynard Ferguson. p. não fez parte do meio musical carioca dos anos 1950 e. (apud Dourado. Entretanto.

criada por João Gilberto. p. Entretanto. o guitarrista americano. com seu amigo Laurindo Almeida. Assim. afirma que por mais que se vincule a origem de alguns ritmos a certos nomes. Em seu livro A onda que se ergueu no mar.266). p. Cazes conta que Kessel gostou tanto da apresentação que decidiu voltar ao hotel onde estava hos- pedado. portanto. falando da gênese do novo estilo. teria lhes mostrado uma série de choros que aprendeu. para pegar seu instrumento. Laurindo e companhia” (Cazes. nos Estados Unidos. LAURINDO ALMEIDA 81 influência direta dos músicos bossa-novistas9 – certa vez. os elementos dessa síntese. Miúcha. para surpresa geral – improvisando um amplificador ligando sua guitarra a um gravador cassete –.121). no subúrbio da Penha. quando es- teve no Rio de Janeiro. foram “praticamente tudo que se criara em música popular brasileira nos trinta anos anteriores. juntamente com outros músicos. e manifestou seu desejo de ouvir música brasileira. como algo que teria influenciado decisivamente no aparecimento da Bossa Nova. que conhecera no México alguns anos antes. ou seja. 1999. em Copacabana. desistiu da ideia porque a boate não possuía amplificador para sua guitarra. é possível que ela tenha sido influenciada pelo choro moderno de Garoto. Ao voltar para o apartamento da cantora em companhia dos outros músicos. desde 1928” (idem. ibidem). Ruy Castro. eles não foram seus únicos criadores. o levaram para o Sovaco de Cobra – provavelmente uma boate –. O his- toriador afirma ainda que. procurou a cantora Miúcha. em fins da década de 1970. lembrando que o mesmo se deu quanto à batida da Bossa Nova. não se opõe à tese da existência de 9 Cazes afirma que muitos bossa-novistas apontam o disco de Julie London e Barney Kessel. o rag-time a Scott Joplin. o boogie-woogie a “Pine Top” Smith. em 1958 – com a diferença que nesse caso há registros oficiais. argumenta que “seria mais justo dizer que foram eles que sintetizaram a contribuição de muitos que vieram antes deles” (2001. . como a valsa a Johann Strauss II. O pesquisador conta essa história para argumentar: “Como se pode ver. nesse caso. intitulado Julie is her name. antes da guitarra de Barney Kessel influenciar a Bossa Nova. promovida por João.

apenas dois anos depois de sua partida: “Laurindo Almeida tornar-se-ia um “nome”. como bem salienta o autor. É certo que Laurindo. p. É nesse sentido que afirma que a carreira de Laurindo Almeida foi uma vitória pessoal. a aceitação da música brasileira nos Estados Unidos deu-se em etapas: Antes mesmo do sucesso definitivo. compositores.268). já excursionava por todo o país o Trio Tamba. Embora seja difícil afirmar que realmente tratou-se de uma “vitória da música brasileira”. e não retornado ao Brasil em 1948. visto que. mas também tocando música brasileira. Laurindo foi “o único músico brasileiro daquela época a firmar-se nos Estados Unidos” (idem. o próprio João Gilberto. Tendo viajado para lá em intercâmbio cultural. mas não por tocar música brasileira – consagrou-se em 1948 na orquestra de Stan Kenton e depois apareceu em vários filmes tocando swings e flamencos” (idem. afirmar o contrário parece mais difícil ainda. Segundo Castro. o . nas poucas vezes que tocou no assunto. qualquer músico que aspirasse uma carreira em solos americanos – por exemplo – teria poucas chances de estabelecer-se. como já mencionado desde o capítulo 1. Antes dela. adquiriu fama e prestígio por meio da orquestra de Stan Kenton e também do cinema americano. Com relação a Laurindo Almeida – não citado na lista – Ruy Castro afirma que sua carreira de sucesso nos Estados Unidos foi uma vitória pessoal e não da música brasileira – assim como seria a de Dick Farney se tivesse persistido em Nova York. tocando os mais variados tipos de música. fazendo uma lista de inúmeros cantores. letristas.110). Castro faz essa afirmação para ressaltar que somente após o advento da Bossa Nova é que a música popular brasileira tornou-se produto de exportação para os Estados Unidos e resto do mundo. p. ibidem). Como bem lembra Júlio Medaglia. Entretanto. O melhor seria dizer que se tratou das duas coisas. em seu artigo Balanço da Bossa Nova. a afirmação de que não se tra- tou de uma vitória da música brasileira é questionável. e sim um processo (idem.82 ALEXANDRE FRANCISCHINI precursores. instrumentistas e arranjadores sem os quais não haveria João Gilberto. afirmou que não existiu um “começo”.

no final dos anos 1950 e começo dos anos 1960. segundo consta. Também já havia sido agraciado com quatro dos cinco Grammys de sua carreira – um deles em conjunto . sacos de café e rapazes de camisa lis- trada e chapéu de palhinha. com Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro. que evocasse praias.. mas um “clima”. uma música brasileira de qualidade que já vinha sendo produzida no Brasil na primeira metade do século XX. foi um dos primeiros músicos a mostrar no exte- rior. Inquietação e Terra seca de Ary Barroso e Blue baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 1974. p. para combinar com os colares e turbantes de Carmem Miranda. (Castro. vale lembrar que Laurindo Almeida não foi para lá em intercâmbio cultural. Isso pode ser facilmente observado em sua vasta discografia. todos bem re- cebidos pela crítica. LAURINDO ALMEIDA 83 conjunto fez um sucesso tão grande que se multiplicaram os convites para apresentações em lugares de grande importância [. Laurindo já havia sido premiado três vezes pela revista Down beat.108) No entanto. um espírito folclórico. e nem fez uso de recursos musicais exóti- cos. não só no âmbito popular. apresentações esporádicas com grande sucesso. também fazia. O que os americanos estavam comprando não era bem a música.] Laurindo Almeida.101) De fato. antes mesmo da Bossa Nova no Carnegie Hall. como visto acima. p.. Por um lado. 2001. mas também no erudito. considerado um marco na fusão de jazz e samba –. violonista brasileiro de há muito radicado nos Estados Unidos e que tem seu nome registrado na história do jazz americano. São poucos os discos que não contêm músicas brasileiras e. coqueiros. (Medaglia apud Campos. Além da série de discos Brazilliance – o primeiro gravado em 1953. com artistas locais. “tropical”. bananeiras. muitos artistas que foram para os Estados Unidos em intercâmbio cultural – fruto da Política da Boa Vizinhança – conse- guiram alguma notoriedade em decorrência de uma “caricaturaliza- ção” de nossa música popular. Atabaque e Tocata de Radamés Gnattali. com grande sucesso.

p. e não da música brasileira. o pagamento de royalties pode e deve ser um bom motivo para o surgimento de tantos candidatos predispostos à paternidade da Bossa Nova. Fatos que fragilizam. o inclui como um dos precursores da Bossa Nova. O primeiro já foi devidamente exposto: Laurindo Almeida não vivia no Brasil desde 1947. levanta uma questão curiosa: Até pouco tempo. Quais seriam então os motivos que levariam Laurindo a ser considerado “o precursor” da Bossa Nova pela musicologia americana. Acontece que. empenhados na criação de uma nova concepção musical. portanto. não fez parte do grupo de músicos que. americanos e brasileiros.84 ALEXANDRE FRANCISCHINI com Stravinsky –. os personagens desta história de amor pelo jazz eram tão obscuros e ignorados que se pode dizer que o pai da novidade seria um “João de Nada”. De fato. acenando-lhe com uma herança fabulosa de dólares – em direitos autorais. (1996. e ela – a Bossa Nova – uma “Maria Ninguém”. a mãe norte-americana da jovem bossa meio-sangue resolveu reconhecê-la publicamente como filha. De volta à polêmica. em certa medida. a despeito de toda “americanofo- bia”. se a maioria dos autores citados. presume-se a existência de dois motivos prováveis para o seu surgimento.25) É bem verdade que ninguém se preocupa com a paternidade do samba-canção – um estilo de samba que também já é híbrido –. sendo essa a música brasileira de maior difusão no exterior? Por outro lado – ainda que não seja unânime –. de uma hora para outra. convém abrir um parêntese: José Ramos Tinhorão. deram origem ao Movimento Bossa Nova – ainda que também haja controvérsia sobre a existência de um . o argumento de que sua carreira nos Estados Unidos foi somente uma vitória pessoal. ainda que em diferentes graus de representatividade. todos por álbuns que continham música erudita brasileira. por que então gerou-se essa polêmica? Antes de adentrar a esse assunto propriamente. por exemplo.

no Brasil. afirma que a Bossa Nova não constitui um movimento musical. deu-se. à maneira de um demiurgo. para esse grande público. Portanto. que já morava nos Estados Unidos de longa data. não poderiam ter atribuído a Laurindo Almeida um papel maior do que ele realmente teve na gênese do novo estilo – como parecem 10 Além do argumento de João Máximo. não habituados ainda às nuances rítmicas de nosso país. do mesmo modo que não se restringem a uma batida de violão. Foi obra de um autor individual: João Gilberto que. deu forma à Bossa Nova pela sua obsessiva busca por um ritmo e uma harmonia inteiramente novos. assim. separando-a em três níveis: o estudo de sua posição estética. como prefere Walter Garcia (1999. p. de Augusto de Campos. o grande público. LAURINDO ALMEIDA 85 “movimento musical” que deu origem à Bossa Nova10 – e. Não resultou de um projeto compartilhado por vários músicos. em geral. o estudo dos característicos da estruturação e o estudo das características da interpretação. não poderia ser um de seus precursores. em função da va- lorização das tensões harmônicas sobre os acordes. ou à “redução da batucada do samba”. mas conhecia Laurindo Almeida. Santuza Cambraia Naves. sofisticada em nível de música de câmara. onde era representante dessa escola rítmica brasileira. segundo ela. qualquer música com rit- mos brasileiros misturada às harmonias jazzísticas poderia parecer Bossa Nova. em seu artigo Bossa Nova. O segundo motivo forneceu-nos o maestro Júlio Medaglia. não é novidade para os estudiosos do mo- vimento que as “inovações musicais” oriundas do advento da Bossa Nova não se restringem somente aos parâmetros harmônicos ou do uso da improvisação sobre ritmos brasileiros – no caso. pu- blicado na coletânea O balanço da bossa e outras bossas.20) – que. é possível presumir que os pesquisadores brasileiros. sabendo dessas coisas. diga-se de passagem. 11 O musicólogo Brasil Rocha Brito. ao afirmar que na época em que ela começou a ser difundida no exterior. mostrado há pouco. e mesmo para os musicólogos americanos.11 Assim. em parte. faz uma análise da concepção musical da Bossa Nova. . não conhecia os músicos brasileiros. em O violão azul. Entretanto. os parâmetros musicais atribuídos a Laurindo Almeida na concepção do novo estilo –.

preferindo não ser chamado de precursor da Bossa Nova. Com o propósito de obter uma visão mais objetiva a respeito da polêmica criada em torno de Laurindo e a Bossa Nova e atendendo a sua própria sugestão. lançadas entre os anos de 1939 a 1959. Portanto. Laur13 e Crepúsculo em Copacabana. Já o próprio Laurindo – que. de fato. Amazônia. o que será analisado é o arranjo para violão de Laurindo Almeida. Daí a origem de tal polêmica. elas já preconizam elementos da concepção musical característica da Bossa Nova. em 1959 – considerado o marco inicial da Bossa Nova. foi possível verificar se. porque é só ver a música que eu fazia já no início da década de 50. . 13 A composição Laura é de autoria de David Raksin. Dissimulada. compositor de trilhas sonoras para filmes de Hollywood. 1980). mesmo sabendo de sua importância. Brazilliance. de João Gilberto. pois existem vários discos gravados” (Rebello. teve a sua carreira como músico erudito ofuscada –. Vejamos a opinião do próprio protagonista da história: “Acho – diz – que tal afirmação deve partir dos críticos. 12 As seis músicas selecionadas foram escolhidas em razão de terem sido lançadas em um período de vinte anos que antecede o lançamento do LP Chega de sau- dade. o próximo capítulo foi destinado à análise musical de seis composições de sua autoria.86 ALEXANDRE FRANCISCHINI querer fazer os americanos –. Com isso. nesse caso. nunca procurou para si esse tipo reconhecimento. em consequência dela. embora tenha deixado bem claro que sabia o valor de sua contribuição.12 São elas: Você nasceu pra ser grã-fina. sobretudo em relação à harmonia.

p. e sabe- se que. a música erudita carrega o seu teor – em maior parte – na notação musical. 3 SEIS OBRAS REFERENCIAIS – ANÁLISE MUSICAL Diretrizes metodológicas Apesar das limitações da notação musical.. Isso porque. uma gravação jazzística de uma per- formance improvisada é algo passado. um mapa a partir do qual várias interpretações ligeiramente diferentes podem ser derivadas. em muitos casos. em linhas gerais. perpetuada por meio da oralidade –.. (Schuller apud Tiné. elas realmente se tornam inadequadas. 2001. teve o seu processo de transmissão e difusão . sobretudo a urbana – que difere da música popular étnica e folclórica.2) Há muito se discute a viabilidade do uso de ferramentas analíticas oriundas da música erudita para a análise da música popular. Por outro lado. em muitos momentos a única versão de algo que nunca pretendeu ser definitivo [. e por isso dispõe de ferramentas para análise musical com o objetivo de descrever e interpretar os sons por meio da partitura. uma partitura de Beethoven ou Schoenberg é um documento definitivo. Já a música popular.] O historiador de jazz é forçado a avaliar a única coisa disponível para ele: a grava- ção.

foi feito uso de dois tipos de ferramentas analíticas. só foram destacados os procedimentos musicais que são comuns tanto à partitura quanto à gravação. visto que a classificação de algumas das peças selecionadas para análise musical (como Amazônia e Crepúsculo em Copacabana) entre música “popular” ou “erudita” é um tanto ambígua.88 ALEXANDRE FRANCISCHINI principalmente pelos meios mecânicos de reprodução sonora surgi- dos no final do século XIX. convém fazer uma ressalva: nas duas primeiras músicas analisadas. portanto carrega o seu teor – em maior parte – na gravação musical. como o próprio autor salienta. . o livro Teoria da harmonia na música popular. dentre elas a própria tonalidade. ainda que sejam distintos os procedimentos que envolvem a análise de ambas as músicas. Desse modo. são indissociáveis – a análise de cifras. Você nasceu pra ser grã-fina e Dissimulada. houve a intenção de aproximá- los e torná-los complementares. e incapaz de satisfazer aos mais puristas das duas partes. A primeira foram os livros Harmonia e Funções estruturais da harmonia. as partituras usadas como referencial para a análise são reduções para piano. Esse fato torna possível – para fins expositivos. Entretanto. A segunda. Para os demais parâ- metros musicais utilizou-se o Fundamentos da composição musical. já que esses dois fenômenos. de Sérgio Paulo Ribeiro de Freitas. Das estruturas musicais Antes de seguir. na medida do possível. e ambas apresentam diferenças significativas em relação à gravação – sobretudo a partitura de Dissimulada –. também de Schoenberg. neste livro. como é comumente feita pelos músicos populares para fins de improvisação. Especificadamente para a análise harmônica. que propõe um sistema de análise harmônica – baseado na harmonia funcional – no qual as relações de combinação entre os acordes são normatizadas independentemente das questões de condução de vozes. de Arnold Schoenberg.

com a seguinte relação tonal entre elas: seção A em ré menor e seção B na subdominante sol menor. LAURINDO ALMEIDA 89 Você nasceu pra ser grã-fina (1939) Trata-se de um samba-choro. Introdução A introdução é composta de oito compassos em forma de sen- tença. é uma mera repetição da introdução. trata-se de uma grande cadência de subdomi- nante/dominante. em meio às partes. uma espécie de chorus ou interlúdio instrumental. tornando-se recorrente tanto na seção A quanto na seção B: Figura 1 Harmonicamente. A coda. . contendo duas seções principais. assim. por sua vez. no qual clarinete e violão dividem espaço como solistas. No primeiro compasso é apresentada a forma-motivo que será o germe da composição. Há também. o início da seção A. preparando.

90 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Seção A

A seção A contém duas partes de oito compassos: a’ e a’’, ambas
em forma de sentenças. Conservam basicamente as mesmas caracte-
rísticas rítmicas e melódicas – compostas em maior parte de variações
da mesma forma-motivo destacada acima –, porém, enquanto a’
termina em uma cadência suspensiva, a’’ termina em uma cadência
conclusiva, como é comum às canções estróficas.

Seção B

A seção B, seguindo o mesmo padrão de A, contém duas partes,
b’ e b’’, ambas também em forma de sentenças. A primeira parte,
b’, conserva ainda as mesmas características rítmicas e melódicas
da seção A. Entretanto, harmonicamente, encontra-se na região da
subdominante. Já na segunda parte, b’’, está o momento de maior
contraste da música, tanto em relação ao aspecto rítmico e melódico
(marcada por cromatismos melódicos descendentes) quanto em
relação à harmonia (marcada por encadeamentos de acordes domi-
nantes secundários consecutivos em direção ao V grau da tonalidade,
A7, para recapitulação da seção A – como no início, em ré menor).
Nesta música – tendo em vista os objetivos deste livro –, interessa-
nos ressaltar, do ponto de vista da harmonia, somente o uso desses
acordes dominantes secundários, visto que se mostraram recorren-
tes, não só em b’’ – como já mencionado no parágrafo acima –, mas
também em toda a música, a começar da introdução:

Figura 2

LAURINDO ALMEIDA 91

Na sentença a’:

Figura 3

Além, é claro, da sentença b’’:

Figura 4

No que diz respeito à melodia, observa-se que ela foi estruturada
– em grande parte da música – com uma tendência a privilegiar as
dissonâncias dos acordes que, por sua vez, encontram-se localizadas,
não só, mas principalmente nas cabeças de compasso. Como se vê
na sentença a’ – por exemplo:

Figura 5

92 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Disco: MIRANDA, Carmem. [Sem nome] Rio de Janeiro:
Odeon Records, 1939. 1 disco sonoro n° 11.787, 78 RPM.
Mono., 10 Pol.
Partitura: Irmãos Vitale Editora.
Localização: Acervo José Ramos Tinhorão – Instituto Moreira
Salles.

Dissimulada (1946)

Dissimulada é um samba-canção. A primeira seção (A) encontra-
se em dó menor, e a segunda seção (B) encontra-se na subdominante
fá menor. Assim como Você nasceu pra ser grã-fina, também há em
meio às partes um chorus ou interlúdio instrumental, com destaque
entre os solistas para o solo de guitarra havaiana.

Introdução

A introdução possui oito compassos em forma de sentença, oriun-
dos – sobretudo em relação ao desenho melódico – da seção B.

Seção A

A seção A contém duas partes de oito compassos: a’ e a’’, ambas
em forma de períodos, e com o mesmo antecedente:

LAURINDO ALMEIDA 93

Figura 1

Os consequentes da seção A conservam basicamente as mesmas
características rítmicas e melódicas. Seguindo novamente o mesmo
padrão formal de grande parte das canções populares, enquanto o
consequente de a’ termina em uma cadência suspensiva, o conse-
quente de a’’ termina em uma cadência conclusiva:

Figura 2

Consequente de a’

Figura 3

94 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Conforme vem sendo destacado em azul, em relação à harmonia,
observa-se que na seção A – tanto no antecedente quanto no conse-
quente – há o uso frequente de dominantes secundárias encadeando
os diferentes graus da tonalidade. Os acordes Db7, no primeiro
tempo do compasso 15, e Ab7, no segundo tempo do compasso 19,
não estão presentes na gravação.

Seção B

A seção B também é dividida em duas partes de oito compassos,
b’ e b’’, porém, diferentemente da seção A, compostas em forma de
sentenças:

Figura 4

Figura 5

em sua forma prototípica / A / B / A / C / A /. Brazilliance (1949) Trata-se de um choro para violão solo. Disco: SILVA. mas não estão presentes na gravação.706. assim como na música anterior. 10 Pol. em relação à harmonia – tanto na seção A quanto na B –. Rio de Janeiro: Odeon Records. mantendo a seguinte relação tonal entre as seções: seção A em dó maior. seção B na relativa lá menor. no segundo tempo do compasso 30 pertencem somente à redução para piano. Mono. não há nada de muito ousado. e seção C na subdominante fá maior. LAURINDO ALMEIDA 95 Figura 6 Nesta seção podemos observar ao longo de seu desenvolvimento o uso de um mesmo motivo rítmico – extraído da seção A – como germe da composição. Localização: Acervo Centro Cultural Vergueiro. Bb+. 78 RPM. Orlando. e Ab7. 1946. ficando restrita somente ao uso de encadeamentos aos diferentes graus da tonalidade por meio de dominantes secun- dárias.. . Partitura: Editora Fermata do Brasil. [Sem nome]. Acordes como F#°. no segundo tempo do compasso 21. Todavia. 1 disco sonoro n° 12. no segundo tempo do compasso 23.

são acrescen- tadas mais duas notas. e posteriormente em direção ao III grau no compasso 4. o início desta sentença (figura1) é construído conforme o modelo-padrão: uma frase inicial de dois compassos e a sua repetição transposta. primeiramente em direção ao I grau no compasso 2. O projeto harmônico consiste em duas cadências II – V. Sentença a: Figura 1 Figura 2 Como visto acima. se enarmonizarmos a nota si para dó bemol. destaca-se o IIb7: sobre a tríade de ré bemol. teremos um acorde maior com 7ª menor e 9ª aumenta- . si e mi.96 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção A A seção A contém duas partes de oito compassos: a e a’. ambas em forma de sentenças. contudo. em estado fundamental – tríade napolitana –. Na primeira cadência rumo ao acorde de tônica.

em seguida vai para o Fm (subdominante menor). A conclusão – compasso 5. Note-se que o VII grau é transformado em uma dominante individual do III grau que. por fim. por sua vez. de modo geral. de um D7 9b com a fun- damental subentendida) e. Já no que diz respeito à melodia. em suas possíveis configurações. acontece via cadência de dominante secundária. como dominante substituto do V7. um II alterado (trata-se. veja-se que ela é construída em maior parte sobre as dissonâncias dos acordes. Nesse caso. na verdade. tanto em decorrência de não usar fragmentos rítmi- cos e melódicos oriundos do bloco inicial da sentença. figura 2 – não se enquadra no modelo convencional. Sentença a’: Figura 3 . finalizado no I. na música popular. trata-se de um grande trecho na região da subdominante. também já aparece alterada. no segundo acorde do compasso 6 para o Eb°. em uma espécie de preparação à conclusão. localizadas principalmente nas “cabeças” de cada compasso. para o Ab 7/11# no 2º tempo do compasso 8 (também o II em sua configuração Sub V de D7). Inicia no Dm (relativo da subdominante). V ou III grau da tonalidade. em direção ao III grau. quanto em decorrência do encadeamento harmônico. LAURINDO ALMEIDA 97 da sobre o II grau – na música erudita classificado como acorde de 6ª aumentada. O próximo encadeamento.

rumo à cadência de finalização da conclusão. de modo semelhante à seção A. e mantida em uma sucessão de acordes menores com 6ª. com a inserção da nota lá bemol a partir do compasso 11. com o si enarmoni- zado) e mi e si bemol (trítono de C7) indicando que a conclusão de a’ se dará. de fato. Na verdade. a’ (figura 3). podemos encará-lo como uma simples inversão de um Fm6. na região da subdominante menor. foi dividida em duas partes: b e b’. fato que vem a confirmar-se no segundo acorde. inicia-se um caminho para região da subdominante menor. começa com a repe- tição dos dois primeiros compassos de a. desta vez seguindo o modelo- padrão com a reafirmação da tonalidade inicial no compasso16. Todavia. Sentença b: Figura 4 . inicia com um Dm7/b5 na cabeça do compasso 13. seria natural que o primeiro acorde dele fosse o próprio. Como esse bloco conclusivo é precedido de um encadeamento em direção ao Fm. Seção B A seção B. Veja-se que no compasso 12 há um trítono paralelo entre fá e dó bemol (trítono de G7. quando a disposição das notas é al- terada. novamente em forma de sentenças.98 ALEXANDRE FRANCISCHINI A segunda sentença da seção A. entretanto.

que acaba se resolvendo um semitom acima no segundo tempo de cada compasso. em suas possíveis configurações.1 O acorde na cabeça do compasso 24 também é um II alterado. Já a segunda sentença da seção B. é quase uma mera repetição de b. No bloco inicial há somente uma pequena diferenciação rítmica. Dm (relativo da subdominante). A conclusão – de modo semelhante à da sentença a – é um trecho na região da subdominante. LAURINDO ALMEIDA 99 Como pôde ser visto. Começa com o II. No bloco conclusivo também há somente uma diferença na cadência final. um D7 9b. b’. na verdade. 7ª e 9ª bemol de um acorde maior com sétima menor que. o bloco inicial de b (figura 4) tem um movi- mento harmônico menor. por sua vez. no mesmo compasso salta para o acorde de Fm6 (subdominante menor). 5ª. que no b’ tem por objetivo preparar a repetição do integral da seção B (figura 5): Figura 5 1 Trata-se da possibilidade – que já foi usada e será recorrente a partir daqui – de formar tétrades diminutas a partir da 3ª. . disposto em forma de acorde diminuto a partir de sua terça. conservando um mesmo padrão rítmico e melódico que resulta em um efeito de constante sus- pensão harmônica: no primeiro tempo de cada compasso há sempre uma “sensível” de uma das notas do acorde em questão. no compasso 23 e 24 – ainda que de modos diferentes –mantém-se no II: o F#° no 1º tempo do compasso 23 é. pode ser tanto a dominante da tonalidade quanto uma dominante individual (ou secundário) de outros graus da tonali- dade. que se mantém praticamente em um pedal na região da relativa menor da tonalidade. novamente um acorde de nona com fundamental subentendida. ou seja. na forma de meio diminuto com a quinta diminuta no baixo (Dm7 b5 / Ab).

vale ressaltar o uso de uma “sonoridade diminuta”. Dito isso. a seção C também foi di- vidida em duas partes de oito compassos: c e c’. primei- ramente por tríades no compasso 36. Este – embora seja novamente o D7 9b disfarçado –. O consequente do período c: Figura 7 . devido à nova região tonal. e depois por tétrades no 37. a análise harmônica terá o fá maior como um novo centro tonal. ambos com o mesmo antecedente: Figura 6 Faz-se notória a partir daqui a mudança de clave. próprias dessa sonoridade em questão. colorido pelas possibilidades de simetria harmônica. torna-se agora de um grande VI alterado. Note-se que os compassos 36 e 37 são compostos por uma sucessão de acordes dessa natureza. portanto. aproximam-se mais à forma de períodos. nesse caso. no bloco inicial de ambos os períodos.100 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção C Seguindo o mesmo padrão de A e B. Porém.

. sobretudo rítmicas. sobretudo no dessa época. preparando. o consequente do período c não é exatamente uma repetição modificada – ainda que conserve muitas semelhanças. a repetição integral da seção. Har- monicamente é construído à base de tríades. Na última recapitulação da seção A. porém. partindo no compasso 39 em uma grande cadência II – V. com o bloco inicial. para a reafirmação da nova to- nalidade com a recapitulação integral da seção C. no qual se faz notório um cromatismo melódico que aponta uma frase construída sobre o arpejo de ré menor. assim. Esse procedimento de finalização é muito comum no jazz. com a sétima ausente. e muito incomum no choro. LAURINDO ALMEIDA 101 Como demonstrado acima (figura 7). o destaque fica no último acorde: Figura 9 Note-se que esse acorde final é acrescido das tensões nona maior e 11ª aumentada. Já o consequente de c’ (figura 8): Figura 8 Inicia no compasso 43 com um Bo – classificado como II alterado porque se trata novamente da substituição de um acorde dominante (o G7 9b) por um diminuto – em direção ao Dm / C no compasso seguinte. rumo à cadência final.

Há na peça uma completa ausência de acordes com funções estruturais. 1949. Localização: Acervo Ronoel Simões. Califórnia: Capitol Records. . 10 pol. também se diferencia das anteriores pelo predomínio do pensamento melódico sobre o harmônico. Partitura: Em forma de manuscrito. Tais acordes parecem desempenhar um papel essencialmente “colorativo”.. Laurindo. Amazônia (1950) Trata-se de uma peça para violão solo e orquestra de jazz. modal.102 ALEXANDRE FRANCISCHINI Disco: ALMEIDA. Poderia se dizer que é constituída de um pequeno grupo de unidades temáticas irregula- res e assimétricas que se encadeiam em uma espécie de “colagem”. fato que torna a classificação entre tonal. 33 1/3 RPM. na qual é evocada – sobretudo pelos instrumentos de percussão – uma “brasilidade” que acaba soando como se fosse um cartão de apresentação de nacionalidade do compositor. O grande destaque fica pela seção rítmica em meio às partes. Di- ferentemente das outras músicas analisadas. esta não se enquadra em nenhum padrão formal de composição. 1 disco sonoro n° EBF-193. ou até atonal um tanto ambígua. Além disso. mono. por assim dizer. Concert Creations for Guitar.

Figura 1 Como pôde ser visto acima (figura 1). vindo a tornar-se uma das principais características harmônicas da música. logo em seguida. Contudo. a introdução tem sua uni- dade temática construída em ré menor. A linha melódica. Observe o uso alternado das notas fá natural e sustenido. evoca uma “sonoridade impressionista” que se fará presente por toda a peça (figura 1). exposta primeiramente pelo violão e. a partir do inter- lúdio – formado basicamente por três unidades temáticas (a. extraída de uma escala pentatônica. LAURINDO ALMEIDA 103 Introdução A introdução é composta por uma única unidade temática de quatro compassos. a partir do compasso 14: . Veja que a primeira unidade temática do interlúdio tem início com uma tríade de ré maior (figura 2): Figura 2 Essa ponte (figura 3) entre a unidade temática b e a recapitulação de a – cujo motivo foi extraído do primeiro compasso da unidade temática a – dá indícios disso. b e c) – observa-se uma constante alternância com o ré maior. pela orquestra. somada ao tipo de harmonização e orquestração.

refiro-me até mesmo à disposição das notas no braço do violão) transposto um tom e meio abaixo. do ponto de vista da harmonia. como se vê. é tão recorrente na peça – a começar pela introdução – que poderíamos dizer que. tanto na ponte entre a unidade temática a e b (figura 5). Veja.104 ALEXANDRE FRANCISCHINI Figura 3 Na unidade temática b. interessa-nos o uso que Laurindo faz dos acordes diminutos com sétimas maiores. quanto no trecho que ante- cede a cadenza. que a melodia é harmonizada com o mesmo acorde (quando digo isto. nos compassos 7 e 9 (figura 4). ao final da peça (figura 6): . Figura 4 Essa mesma característica harmônica encontra-se presente quase sempre em meio às unidades temáticas. juntamente com a mencionada alternância entre a “to- nalidade” de ré maior e menor. Esse procedimen- to harmônico – oriundo das possibilidades de simetria dos acordes diminutos –. tudo se resume a isso.

porém. A unidade temática c tem um movimento harmônico maior. Já no segundo acorde a 9b. . sobretudo. Ob- serve-se que no compasso 41 estão contidas duas tétrades diminutas com sétima maior: C#° 7M e A#° 7M. 5ª e tônica. LAURINDO ALMEIDA 105 Figura 5 Figura 6 Tais acordes. no primeiro acorde temos a 3ª. ocasionado. Trata-se do mesmo modelo de acorde transposto um tom e meio. um Eb7. entretanto. pelo cromatismo descendente no baixo. agora em relação ao E7 – da mesma maneira observada anteriormente na unidade temática b. O destaque. Esse procedimento será repetido a partir do compasso 43. fica pelo último acorde de sexta aumentada – ou SubV da tonalidade –. Ambas funcionam como um grande A7: levando em conta as respectivas enarmonizações. 3ª. embora não pareçam desempenhar funções estru- turais – pelo menos no sentido mais comum do termo –. 7ª e 9+. 5ª. que caminha em direção ao ré maior com o início da recapitulação da unidade temática a. em toda a música estão sempre se remetendo tanto ao A7 quanto ao E7.

Figura 8 Nesta cadência final. California: Capitol Records. 1 CD sonoro n° CDP-59965. uma simples cadência de fina- lização em direção – desta vez. The innovations Orchestra.S. O segundo grupo de semicolcheias contém nas vozes superiores uma tétrade diminuta com sétima maior. tem início a recapitulação da unidade te- mática da introdução. . Inc. A codeta é. na verdade. e da unidade temática b do interlúdio. cujas diferenças em relação à primeira exposição estão basicamente na ins- trumentação. Partitura: Brazilliance Music.A. Made in U.106 ALEXANDRE FRANCISCHINI Figura 7 Após a seção rítmica. Note-se que o primeiro grupo de semicolcheias contém as notas fá sustenido e fá natural no mesmo acorde. Stan. Disco: KENTON. encontram-se presentes as duas principais características harmônicas já mencionadas. Localização: Acervo Ronoel Simões. como no início da peça – ao ré menor. 1950.

o foco da análise estará no arranjo de Laurindo Al- meida para um tema de autoria do também compositor de filmes de Hollywood. igualmente chamado Laura. Davis Raksin (1912-2004). Seção A A seção A é composta de oito compassos em forma de período: Figura 1 . originalmente composto para a trilha sonora do filme de Otto Preminger. LAURINDO ALMEIDA 107 Laura (1951) Nesse caso. de 1944.

a dife- rença estará. repleto de acordes carregados de dissonâncias em sua composição. Nas exposições subsequentes de A. Note-se que a unidade temática encontra-se diluída em meio à figuração rítmica da voz superior (figura 3): . A’’ e A’’’. No arranjo de Laurindo é enriquecido somente por acordes de passagem e ornamentos melódicos – característicos de uma linguagem própria do violão. Em A’. observa-se que o tipo de harmonização até aqui presente é bem à maneira do jazz. seções A’. faz-se presente na exposição do tema o uso da técnica violonística do tremolo. o projeto harmônico e melódico de Raskin é mantido quase integralmente. no tratamento musical dado à unidade temática – como visto acima.108 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção B A seção B aproxima-se mais à forma de sentença: Figura 2 Na primeira exposição das seções A e B (figuras 1 e 2). composta de uma forma-motivo e sua repetição um tom abaixo. basicamente. Assim como no choro Brazilliance.

não possuem funções estruturais. o que mais chama atenção na seção é a harmonização de caráter essencialmente homofônico da melodia. Esse pedal no baixo em alguns momentos parece querer sugerir uma imitação ou inversão do tremolo. Laurindo mantém um pedal na nota lá. Quanto à classificação desses acordes. . que conserva ainda algumas características rítmicas da seção A’. que acaba percorrendo cromática e paralelamente quase todo o braço do violão. Observe que a unidade temática é inteiramente harmonizada com o mesmo “modelo” de acorde – salvo alguns pequenos ajustes –. presente na voz mais aguda da seção anterior. ainda que contenham tríades internas em sua formação. LAURINDO ALMEIDA 109 Seção A’ Figura 3 Seção A’’ Em A’’ (figura 4). Todavia.

Em decorrência disso. Figura 4 Seção A’’’ Esta seção.110 ALEXANDRE FRANCISCHINI Portanto. qualquer tentativa de enquadrá-los em uma ou outra ti- pologia de acorde parece de alguma forma arbitrária. Figura 5 . diferencia-se de A basicamente pela mudança de fórmula de compasso. A’’’. a unidade temática sofreu uma pequena alteração na configuração rítmica.

que se dá pelo uso de um fragmento melódico que tem origem na forma- motivo de A. LAURINDO ALMEIDA 111 Seção C A seção C foi construída da junção das seções A e B. um mi bemol – teríamos um Cm7/b5 que desce cromaticamente em direção ao G#m7/b5. No arranjo de Laurindo. Figura 6 Também é a seção que possui a maior movimentação harmônica. O destaque fica pelo target harmônico que tem início no compasso 26. Pode-se dizer que os quatro primeiros compassos são oriundos de B. quando há um jogo de pergunta e resposta entre as vozes inferior e superior. sol bemol e si bemol que imaginando uma terça do acorde omitida – no caso. e os quatro últimos de A. sobretudo no compasso 28 e 29. parecem ganhar ca- racterísticas de um pequeno desenvolvimento ou elaboração. devido ao tratamento musical dado aos fragmentos rítmicos e melódicos de ambas as seções. Note-se que começa em um acorde formado pelas notas dó. .

o acorde que permanecerá suspenso até o compasso seguinte é uma tríade de sol bemol maior . Ainda permanece a ideia inicial de manter os quatro primeiros compassos de A e. com o mesmo tratamento imitativo entre as vozes superior e inferior. os seis últimos de B. No compasso 60. neste caso. Observe-se (figura 8): Codeta Figura 8 Uma observação harmônica: note-se que a nota dó é mantida em constante suspensão. tratamento este que se mantém até a codeta. basicamente.112 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção C’ Figura 7 Como pode ser visto acima (figura 7). Difere. Esta é mais “enxuta”. digamos assim. a seção C ’ é muito seme- lhante a C. nos aspectos rítmicos. sendo harmonizada por diferentes acordes durante toda a codeta.

que. Disco: ALMEIDA. e em contraste com o tema A e B. a tonalidade se confirma. Made in U. nunca acontece. Sueños/Dreams: Capitol Recor- ds. com o propósito de preparar os temas A e B. trata-se de um final bastante inusitado. prece- dida de introdução e seguida de coda. na medida em que se desenvolve. ambos em sol maior. a 11ª aumentada da melodia – que ganhará no próximo compasso um baixo ré. Já em relação à harmonia.. em uma espécie de grande cadência II – V. mono. Ou seja. é claro. a característica principal é a estaticidade. Crepúsculo em Copacabana (1957) Trata-se de uma peça para violão solo. porém. finalmente. com forma A B A. revezando entre a região de subdominante e dominante.S. 1951. . 10 pol. A relação tonal entre as seções não é das mais inusitadas: a introdução inicia-se na tonalidade de ré maior. Para uma música em lá menor. é marcada por um período de maior movimentação harmônica. configurar-se-á como um Gb11# / D. para a afirmação da tonalidade. A coda. 1970 Twentieth Century Music Corporation. acaba funcionando como um bloco de transição harmônica. LAURINDO ALMEIDA 113 – subtraindo. por sua vez. É somente nela que. de modo semelhante à introdução.A. Tanto o tema A quanto o B têm como ponto forte as questões rítmicas. Laurindo. Partitura: 1945. 1 disco sonoro n° T-2345. 33 1/3 RPM. Localização: Acervo Henrique Pinto.

com uma diferença na disposição das notas da segunda vez. a fermata no 4° tempo do compasso 15 é estendida de modo a preencher exatamente o tempo de um 16º compasso “imaginário”. No bloco conclusivo. a sensação auditiva é de 16. Entretanto. em forma de sentenças: Figura 1 Figura 2 Conclusão Nesses oito primeiros compassos. nota-se uma sucessão de acordes cromáticos no sentido descendente.114 ALEXANDRE FRANCISCHINI Introdução A introdução contém 15 compassos. que tem por objetivo preparar o início da segunda sentença. na gravação. deixando assim a impressão de duas partes de oito compassos cada. visto que. O acorde D é cadenciado pela sua respectiva dominante A7 por duas vezes. Tais acordes possuem somente três vozes que caminham na mesma direção e conservam a mesma relação intervalar em relação à suposta tônica: sétima menor (escrita . verifica-se claramente a afirma- ção da tonalidade inicial.

tratar-se-ia de uma sucessão de acordes meio diminutos.2 A segunda sentença inicia-se no compasso 9. LAURINDO ALMEIDA 115 como sexta aumentada no primeiro tempo dos compassos 7 e 8). trata-se de um momento de grande suspensão harmônica. tendo em mente partir do I grau em direção ao V – em uma espécie de target harmônico –. hipótese mais provável devido ao uso de intervalos de 6ª aumentada – carac- terístico de acordes dessa tipologia. Vale lembrar que essa mesma estrutura de acorde já foi usada na seção C do tema Laura. tenha optado por manter o mesmo “modelo de acorde” em uma progressão de semi- tons descendentes na direção do alvo. o A7 (ou IIb7 / Sub V do A7). Se maior. . Se menor. Não obstante. trata-se de um recurso próprio do instru- mento. faz-se necessário imaginar uma hipotética terça. sempre omitida. Todavia. com basicamente a repetição dos quatro primeiros compassos da primeira sentença: Figura 3 2 Para classificação dos acordes: ao tomar as notas mais graves como a suposta fun- damental dos acordes. e um revezamento entre a quarta aumentada e a quinta diminuta – sua enarmônica. Na verdade. há também a possibilidade dessa sucessão de acordes resultar simplesmente de fatores melódicos. É provável que Laurindo. seria uma sucessão de acordes dominantes. acrescidos da 11ª aumentada.

começando em C7/11# (ou Cm7 b5). Repare-se (figura 5) que o antecedente inicia na subdominante e permanece em um revezamen- to com a dominante. em forma de período: Figura 5 Embora tenha surgido em meio a uma ponte modulatória. a nova tonalidade – sol maior – não é afirmada. Figura 4 Seção A A seção A contém oito compassos. Para isso. em direção à dominante da tonalidade A7.116 ALEXANDRE FRANCISCHINI A conclusão é marcada por uma cadência que segue o mesmo procedimento anterior. conforme demonstra a figura 4. A bem da verdade. com uma série de dissonâncias acres- cidas ao acorde. no sentido descendente – porém. trans- formando o I (ré maior) em um V7 da nova tonalidade. o compositor faz uma ponte de dois compassos (16 e 17) entre a introdução e a seção A. nunca cumprindo a expectativa da tônica. com um maior movimento melódico entre as vozes internas –. de acordes cromáticos sem a terça. a sensação auditiva é de um trecho de caráter modal. A partir do compasso 16 – como pode ser visto na clave acima – inicia-se uma modulação. .

. quando na voz superior há o uso reiterado das tercinas (provenientes do compasso composto). geradas. Contudo. interpretado aqui como A7 9b. Ainda do ponto de vista da harmonia. Ainda que tenha ressaltado até aqui os aspectos harmônicos da seção A. O consequente (figura 6): Figura 6 Iniciado acima no compasso 22 (figura 6). porém. Se para fins expositivos separarmos em vozes o arranjo de violão – superior. provocando assim uma espécie de birritimia entre as vozes. in- termediária. mesmo ficando ainda nas regiões de dominante e subdominante. destaca-se o compasso 25. no qual o II grau é transformado em um acorde dominante secundário – na configuração diminuto. LAURINDO ALMEIDA 117 no qual a estaticidade harmônica evidencia as questões rítmicas. ponte entre os temas A e B. com a fundamental subentendida – preparando a seção B. apresenta um movi- mento harmônico maior. enquanto nas vozes intermediária e inferior há o uso reiterado de variações de colcheia e semicolcheia (provenientes do compasso simples). principalmente no consequente. fica claro que o ponto forte dele é a questão rítmica. pelo uso dos acordes oriundos da escala de lá menor harmônica – dado o uso da nota fá natural e sol sustenido – em todo o trecho. notam-se algumas alterações nos graus. principalmente. e inferior – notaremos um jogo polirrítmico entre essas vozes.

basicamente. uma mera repetição do antecedente. Já o consequente (figura 8). Figura 8 . fazendo com que a estaticidade harmônica seja compensada por um grande movimento de caráter melódico. Ressalta a tessitura de três oitavas em que se inicia o compasso 26. apesar de não conter nenhu- ma novidade do ponto de vista da harmonia. que vai aos poucos diminuindo até chegar a graus conjuntos no sentido descen- dente no compasso 27. o cromatismo presente na melodia do compasso 29. com pequenas diferenças. é bastante interessante devido à maneira em que o compositor dispõe os acordes.118 ALEXANDRE FRANCISCHINI Seção B A seção B. dentre elas. é formada por um único período. sendo o antecedente: Figura 7 Repare que o antecedente (figura 7). mantendo o mesmo procedimento anterior. seguindo o modelo-padrão. é.

S. a sensação auditiva é realmente de um V7 que se resolve no acorde de tônica. Desse modo. 33 1/3 RPM. iniciada no com- passo 37. Partitura: Criterion Music Corporation. Embora conserve a mesma divisão ternária. mono. é o aspecto rítmico. 1 disco sonoro n° P-8381. 1957. Disco: ALMEIDA. a passagem de compasso simples para composto dá um novo caráter à peça. Coda Figura 9 Como já mencionado anteriormente. . Ray. Como as tais dissonâncias estão dispostas em uma região aguda. Ao imaginar um D7 – o dominante em sua forma convencional –. Califórnia: Capitol Records. Impressões do Brasil. sobretudo pela mudança de fórmula de compasso.. O destaque aqui fica no penúltimo acorde. Laurindo. há um movimento harmônico maior para o acontecimento da cadência final. Made in U. LAURINDO ALMEIDA 119 O grande contraste da seção B.. com o baixo em ré (Abm7/D). Localização: Acervo Ronoel Simões. TURNER. na coda. e das possíveis enarmonizações das notas. Entretanto. também é possível chegar em um acorde de lá b menor com sétima.A. 11# e 13ª. As demais notas poderiam ser vistas como uma série de dissonâncias acrescidas ao acorde. o V grau alterado. há outra possibilidade de classificar o acorde que se dá por meio do empilhamento de terças. em relação à seção A. tais como 9b. enquanto as da tétrade em uma região grave. 12 pol. da tétrade só teríamos a tônica e a terça.

de caráter satírico. Destaca-se a letra de Você nasceu pra ser grã-fina. A seção C é a que tem mais características de choro tradicional. caracteriza- se. embora bem feitas. tendo em vista os objetivos desta análise. A seção B. Contudo. primeiro disco de Laurindo Almeida lançado nos Estados Unidos. é a seção A a que mais nos interessa. Ou seja. Entretanto. não apresentam nada que as diferencie das demais composi- ções dessa mesma época. sobretudo. em um samba de Noel Rosa. possuem a mesma relação de tônica e subdominante entre as seções. podemos observar que a palavra “bossa” – como apontam muitos pesquisadores – já era usada por compositores anteriores à Bossa Nova para designar um jeito diferente de cantar ou tocar. Nela encontram-se evidentes muitas das características harmônicas da estética bossa-novista. O choro Brazilliance – faixa que integra o álbum Concert creations for guitar. as duas músicas refletem na íntegra o tipo de produção musical em que Laurindo Almeida esteve envolvido enquanto viveu no Brasil. por meio delas foi possível verificar outra faceta de Laurindo – ainda mais desconhecida – como compositor de letras de música. A bem da verdade. alcançada sempre por meio de cadências de dominantes secundárias. pela influência do maxixe. Foi somente nos Estados Unidos que ele teve condições de divulgar seu trabalho voltado à música instrumental. Harmonicamente. nada que apresente grande relevância. rítmica e melodicamente elas possuem traços bas- tante comuns. em 1949 – apresenta a forma-padrão do choro em três se- ções. intitulado Coisas nossas. por exemplo) não tão comuns aos .120 ALEXANDRE FRANCISCHINI Conclusão da análise As músicas Você nasceu pra ser grã-fina e Dissimulada – compostas sob medida para Carmem Miranda e Orlando Silva –. por sua vez. Como demonstrado na análise estrutural. contendo um baixo de caráter essencialmente melódico. desde acordes sensivelmente mais alterados (tétrades acrescidas de mais uma ou duas dissonâncias) até o uso de regiões da tonalidade (as relações oriundas de subdominante menor. construída harmonicamente sobre tríades. Nela. a década de 1940. além de compostas em tonalidade menor. Consta que foi usada pela primeira vez em 1932.

mesmo sendo a música composta claramente dentro dos mol- des jazzísticos. Todavia. fato que. de um compositor de choros e sambas para cantores do rádio. sem grandes projeções no Brasil. O tema Laura. sobretudo de Villa-Lobos e dos impressionistas franceses. Nela. entre as músicas Dissimulada e Amazônia. explica e justifica aquela seção rítmica um tanto inusitada em meio às partes. há uma fusão muito natural entre essa linguagem em questão e a da música erudita (desta última. dentre as músicas analisadas. lançado em 1950. faz-se novamente notória a influência da obra para violão de Villa-Lobos). melódico e também orquestral bastante singular dentro de sua obra. Mardi gras e Salute – uma versão musical da Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos. de autoria de David Raksin – tratando-se de trilhas sonoras para filmes de Hollywood – tornou-se um clássico. Amazônia é a que tem maior distanciamento das formas composicionais clássicas. Na verdade. um observador mais atento diria que. faixa que integra o disco The innovations or- chestra. contendo um enfoque harmônico. o disco todo parece querer promover uma síntese musical das Américas. se não tivesse sido composta pelo menos dez anos antes. contendo faixas que fazem menção a outros países. compositor e arranjador de uma das maiores orquestras americanas de jazz de todos os tempos. de certa maneira. tornou-se um renomado ins- trumentista. No arranjo de Laurindo Almeida – parceiro de Raksin em diversos trabalhos voltados para o cinema – podemos observar que. A peça Amazônia. Conforme relatado anteriormente. LAURINDO ALMEIDA 121 choros da mesma época. consta que foi composta a pedido do próprio Kenton. Laurindo. podemos observar uma nítida influência da músi- ca erudita. é bastante representativa do período em que Laurindo atuou como compositor e arranjador da orquestra de Stan Kenton. sendo uma das músicas mais gravadas e executadas na história da música americana. como Cuban episode. que teria solicitado a Laurindo que a composição apresentasse algo tipicamente brasileiro. É interessante ver – à luz da análise musical – que em um curto espaço de quatro anos. O que mais . a seção A do choro Brazilliance poderia parecer uma citação de Samba de uma nota só. de Tom Jobim e Newton Mendonça. Aliás.

Além disso. o tipo de harmonização presente é. senão igual. evidenciadas principalmente nas dominantes e nas suas possíveis configurações. sempre com um refinamento impecável e muito bom gosto. Destaca-se a indicação inicial da partitura de intimissimo (sic). na mesma composição. Como bem lembra Fabio Zanon: “Esta música demonstra uma atmosfera contemplativa e harmonia tateante que seriam as marcas registradas da Bossa Nova anos mais tarde” (Zanon. dada a total independência em relação às outras partes –.122 ALEXANDRE FRANCISCHINI chama a atenção no arranjo são os diferentes recursos musicais de que o violonista lança mão para harmonizar por diversas vezes a mesma melodia. também é. sem dúvida. executada por Laurindo com muita expressividade. observou-se que em alguns trechos. levada na execução ao sentido mais intrínseco do termo. um bom exemplo disso. a começar pela introdução – que também poderia ser vista como um prelúdio. a peça é bastante arrojada do ponto de vista da harmonia. Crepúsculo em Copacabana – última música analisada –. Outro ponto forte da interpretação encontra-se na seção B. 2006). sobretudo pelo uso frequente de acordes com um grande número de tensões em sua composição. e o uso de harmônicos artificiais que dão um colorido especial à introdução. dentro da vasta produção musical de Laurindo Almeida. Embora conserve em toda a sua duração o mesmo padrão rítmico. Assim como no choro Brazilliance. E como não poderia deixar de mencionar. Mas também há outros aspectos a serem ressaltados. sobretudo na primeira exposição da seção A. os aspectos interpretativos. também podemos destacar os aspectos rítmicos (tanto pelo uso simultâneo de células oriundas do compasso simples e composto quanto pelas mudanças de fórmula de compasso entre as seções) e os melódicos (dado o uso recorrente de cromatismos em sua estrutura). de forma muito peculiar. De fato. a melodia é executada por Laurindo de uma maneira bastante livre . elementos prove- nientes da música erudita e da música popular. muito semelhante às har- monizações que posteriormente seriam consagradas pela Bossa Nova. carregada de sutilezas interpretativas. Em primeiro lugar – como já mencionado – ela ressalta a capacidade de Laurindo de reunir.

tanto de sol maior quanto de sol menor. tanto o protótipo do choro (ABACA) quanto o da forma-canção (ABA). transi- ções. entretanto. Além disso. interlúdios e codas. além do próprio Agustín Barrios. amplia também a possibilidade de utilização de alguns recursos harmônicos. a utilização da sexta corda em ré. em direção ao D ou Dm). no mesmo tipo de encadeamento. A bem da verdade. observou-se também a preponderância de sentenças sobre períodos. configurada enquanto tônica de D7. Note-se que a sexta corda afinada em ré. o dominante.3 • O predomínio das formas musicais clássicas como parâmetro para composição.4 3 Essa afinação. Armandinho (nesse caso. tratava-se da afinação habitual). possibilita o salto de quinta descendente (A7. acrescidos de introdução. favorecendo o uso de conduções melódicas mais enriquecidas. A identidade musical de Laurindo Almeida Por fim. ambos caracteri- zando o movimento forte de cadência perfeita. somente Amazônia apresentou um distanciamento desses padrões formais. LAURINDO ALMEIDA 123 em relação ao pulso – cheia de accelerandos e ritardandos –. a partir dos dados obtidos no decorrer da análise. Pode ser encontrada nas obras de João Pernambuco. Garoto. com uma precisão cirúrgica na execução das pausas de semicolcheias. principalmente nas tonalidades sol maior ou menor e ré maior ou menor. Dilermando Reis. . Já nas tonalidades de ré maior e menor. possibilita o salto de quarta ascendente na cadência V – I. pro- curei sintetizar em alguns tópicos o que poderíamos chamar – dado o uso recorrente de determinados procedimentos musicais – de as estratégias composicionais de Laurindo Almeida: • O uso – enquanto possibilidade a mais de afinação – da sexta corda do violão afinada em ré. como pôde ser visto nas músicas Amazônia. localizadas simetricamente entre as figuras rítmicas. Laura e Crepúsculo em Copacabana. além de ampliar a tessitura do instrumento. enquanto possibilidade a mais de afinação. Canhoto. 4 Como já ressaltado. era muito comum entre os violonistas contemporâneos a Laurindo. que certamente foi uma das grandes influências de todos os violonistas de sua época.

Fraseologicamente – no que tange às questões rítmicas – não foi observado nada que pudesse ser ressaltado como característico. 7as. principalmente no sentido descendente.5 Em relação a este último tópico. Ver também os livros A linguagem harmônica da Bossa Nova.124 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Ritmicamente: mudanças frequentes de fórmula de compasso como recurso de contraste entre seções. acordes com relações oriundas tanto da subdominante maior e menor quanto da relativa menor da tonalidade. 11as e 13as) sobre uma base formada por um tetracorde. tanto melódicos quanto harmônicos. faz-se necessário abrir um pa- rêntese: é fato que Laurindo Almeida – como a grande maioria dos músicos de sua época – foi influenciado pelo jazz. Não só pelo uso de dissonâncias acres- centadas (6as. de Walter Garcia. 9as. E ainda a dissertação apresentada ao Departamento de Música da ECA: Três compositores da Música Popular do Brasil. diminutos (em grande recorrência e das mais variadas formas). . observou- se também uma tendência da melodia estar centrada sobre a dissonância do acorde. por meio de cadências de dominantes secundárias. acordes de sexta aumentada (subV). • Melodicamente: além do uso desses cromatismos. Não pretendo negar o evidente. mas somente acres- centar algumas considerações a isso. ambos contidos na coletânea Balanço da bossa e outras bossas. de Augusto de Campos. E isso acabou por tornar-se latente em sua obra. como também pela maneira em que a tonalidade é estendida em sua quase totalidade. Volto a reite- rar: é em tudo semelhante à maneira em que se estruturaria a harmonia da música popular brasileira a partir da Bossa Nova. por Júlio Medaglia. • O predomínio do pensamento harmônico sobre todos os demais parâmetros musicais. de Paulo José de Siqueira Tiné. principalmente no que diz respeito à concepção harmônica – como salientaram diversos autores citados no capítulo 2. • O uso recorrente de cromatismos. de José Estevan Gava e Bim Bom. por Brasil Rocha Brito e Balanço da Bossa Nova. Vale lembrar que a influência das harmonias jazzísticas sobre a nossa música popular sempre foi 5 Ver os artigos Bossa Nova.

os acordes alterados Franckistas. mas. por um lado. essa mes- ma sofisticação harmônica – em grande parte. Porém. como este indivíduo tinha valor e se firmou. a maior delas talvez não seja a tão “famigerada” influência do jazz. Haja vista a harmonização de Debussy que fez fortuna no jazz. preocupadas em resguardar o “caráter nacional” que ainda restava à nossa música popular. (1962. por outro lado.50) Outra coisa. a influência de outro compositor brasileiro. o processo dele foi aproveitado por outros não só do mesmo país como de toda a parte e num átimo o processo perdeu o caráter nacional que poderia ter. embora o que será dito aqui esteja no âmbito da simples conjectura. Simplesmente porque os processos de harmonização sempre ultrapassam as nacionalidades. sim. Adiante: Todas as sistematizações de harmonização que nem o cromatismo de Tristão. talvez seja possível afirmar que dentre as muitas influências musicais que Laurindo possa ter sofrido. vejamos o que Mário de Andrade diz a respeito: O problema da harmonia não existe propriamente na música na- cional. Isso posto. considerado um ícone nacional: Heitor Villa-Lobos. p. ganhando assim visibilidade internacional. as nonas e undécimas do Debussismo principiaram com um indivíduo. resultado da influência do jazz – sempre foi muito criticada pelas alas mais conservadoras. ela contribuiu para que música popular brasileira viesse a se tornar “mais sofisticada”. LAURINDO ALMEIDA 125 vista a partir de dois ângulos: se. .

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descritos. esse adjetivo vem sempre associado à Bossa Nova. • Foi membro de grupos da maior importância na história do jazz norte-americano como a Orquestra de Stan Kenton e o The Modern Jazz Quartet. de certo modo. O problema. diante de todos os dados levantados a seu respeito. E. ele se aplica muito bem em muitas ocasiões de sua tra- jetória musical. até leviana – nas poucas referências ao violonista encontradas nos livros de história da música brasileira –. de fato. fazendo crer que a importância de Laurindo esteja restrita única e exclusivamente a uma polêmica em torno da gênese da concepção musical do então novo estilo. como demonstrado ao longo dos capítulos. trata-se de um erro historiográfico. Entretanto. pudemos observar que o adjetivo precursor sempre esteve vinculado à figura de Laurindo Almeida. no capítulo 1. Afinal. no entanto. é que de uma maneira reducionista e. CONSIDERAÇÕES FINAIS Logo na introdução deste livro. em maior parte. grupos com os quais excursionou difundindo a música brasileira pelos quatro cantos do mundo. como Igor Stravinsky. destacam-se os seguintes: • Laurindo Almeida foi um dos primeiros – se não o primeiro – músicos brasileiros a se estabelecer no exterior como violonista de concerto. tendo o privilégio de trabalhar ao lado de músicos de renome. .

concedido por Blenda Wilson. também recebeu o prêmio Distinto por Contribuições à Universidade. em mais de oitocentas trilhas sonoras para filmes de Hollywood. os fundamentos da concepção harmônica da Bossa Nova já estavam . • Ao longo de sua carreira. • Além desses recebeu muitos outros prêmios. dentre outros precursores da Bossa Nova. presidente da California State University. tendo em vista responder às questões relacio- nadas à polêmica. em Londres. Northridge. promovendo uma apreciação universal do violão tanto para música popular contemporânea quan- to para música clássica. prêmio co- memorativo apresentado pela Sociedade de Violão Americana por sua carreira ilustre como artista. • Esteve envolvido. como compositor. Contudo. pelos quais foi agraciado. arranjador e instrumen- tista. Porém. a partir disso podemos ter uma real dimensão de o quanto o fato de Laurindo Almeida ter sido ou não precursor da Bossa Nova é relevante. lançou mais de cem discos no exterior – entre música erudita e popular –. compositor e divulgador da música das Américas. Ou seja. tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. com cinco Grammys. tornando-se o primeiro e único brasileiro a ser premiado com o Oscar do cinema americano. por último. por uma vida dedicada ao violão nos Estados Unidos.128 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Foi o primeiro músico a gravar e divulgar a obra de Heitor Villa- Lobos. o Certificado de Honra por Realização Vahdah Olcott-Bickford. o título de Comendador da Ordem do Rio Branco. da Latin American & Caribean Cul- tural Society em reconhecimento ao seu grande talento como compositor e artista. entre 16 indicações. o Certificate of Honor from the Achievement. por meio da análise das seis músicas selecionadas foi provado de maneira cabal que Laurindo foi sim mais um. concedido pelo governo brasileiro. estando a sua contribuição cen- trada principalmente no âmbito das questões harmônicas – como relatado por diversos pesquisadores no capítulo 2. como o Certificado de Apreciação da American String Teachers Association. diferentemente do que fazem crer esses pesquisadores.

por exemplo). no entanto. consequentemente. Os pesquisadores brasileiros que refutam a hipótese de Laurindo Almeida ter sido um dos precursores da Bossa Nova fazem-no como uma espécie de reação à visão estran- geira – que tende a atribuir ao violonista um papel demasiadamente grande na gênese da concepção musical da Bossa Nova –. É possível afir- mar que esses tais fundamentos harmônicos já estavam contidos primeiramente no choro também intitulado Brazilliance. Somado a isso. primeiro disco de Laurindo lançado nos Estados Unidos. faixa que integra o Concert creations for guitar. Primeiramente. resta agora retomar a pergunta inicial: por que Laurindo. sobre uma base formada por um tetracorde – como também o uso de regiões da tonalidade incomuns à época (as relações oriundas de subdominante menor. um músico men- cionado por diversas enciclopédias de música – brasileiras e america- nas – como um dos violonistas mais influentes do século XX. Nele foi verificado tanto o uso de acordes sensivelmente mais alterados – 6as. não fez parte do meio musical carioca dos anos 1950 e. 11as e 13as. 7as. ainda não ocupa o seu devido lugar na historiografia da música brasileira? A bem da verdade – como demonstrado no capítulo 2 –. o que. Estando melhor equacionadas – senão sanadas – essas questões relacionadas à polêmica em torno do violonista e a Bossa Nova. em 1949. argumen- tando que as tais “inovações musicais” advindas do novo estilo vão muito além das questões harmônicas ou do uso da improvisação sobre ritmos brasileiros. deve ser levado em consideração que Laurindo Almeida já estava morando nos Estados Unidos desde 1947. o mais correto seria dizer que por uma conjunção de fatores. portanto. é bem verdade. Já no que diz respeito às origens e motivações dessa polêmica. 9as. de fato. não pertenceu ao grupo de músicos que deram origem ao Movimento Bossa Nova. . em tudo semelhante à maneira em que se estruturaria a harmonia da música popular brasileira a partir da Bossa Nova. pode-se conjecturar que ela é fruto da divergência entre as visões das musicologias brasileira e americana. mas. LAURINDO ALMEIDA 129 presentes na obra do violonista alguns anos antes do lançamento do primeiro disco da série Brazilliance. em 1953.

134) Desse modo. devido ao fato de serem “promíscuos” musicalmente. Além disso. Consequentemente. p. Como bem lembra José Miguel Wisnik em “Getúlio da Paixão Cearense: Villa-Lobos e o Estado Novo”. cuja produção musical – o que pode ser conferido na catalogação – é tão ou mais expressiva do que a voltada à música popular. depois da Era dos Festivais. em qualquer lugar do mundo. estando assim dissonante com os ideais de unificação social e cultural para o estabelecimento de um ethos da nação por meio da música.133). por conviver com dados da música internacional. em decorrência disso. Radamés Gnattali e tantos outros. não atendia aos interesses nacionalistas justamente por “promover uma desorganização da visão centralizada homogênea e paternalista da cultura nacional” (idem. deve ser levado em conta que a música instrumental. Os pesquisadores brasileiros. nunca esteve presente nos grandes veículos de comunicação de massa. p. permaneceram centrados somente nessas discussões circunscritas à Bossa Nova. no tocan- te a Laurindo Almeida. quando esta quisesse passar por música brasileira. Também é preciso dizer que a musicologia brasileira por muito tempo esteve imbuída de uma perspectiva nacionalista – sobretudo americanofóbica – e. artigo publicado no livro O Nacional e o popular na cultura brasileira: A plataforma ideológica do nacionalismo musical consistia na tentativa de estabelecer um cordão sanitário-defensivo que separasse a boa música (resultante da aliança da tradição erudita nacionalista com o folclore) da música má (a popular urbana comercial e a erudita europeizante. (Squeff & Wisnik. acabou ficando ainda mais restrita a um círculo fechado de especialistas. p. E no Brasil. a música popular urbana – segundo Wisnik “a expressão do contemporâneo em pleno processo inacabado” (idem. 1982. só recentemente. sempre foi muito crítica em relação aos músicos que foram influenciados pela música estrangeira. com . principalmente pelo jazz. ou de vanguarda radical).148) –.130 ALEXANDRE FRANCISCHINI a própria polêmica em torno da Bossa Nova acabou por ofuscar a sua carreira voltada à música erudita. músicos como Laurindo Almeida.

Já no que tange ao livro – dada a importância de Laurindo e o seu papel no exterior. marchas. por parte dos pesquisadores brasileiros. a devida atenção. violonista erudito. choros e sambas de vários estilos. marcado por profundas mudanças econômicas. Ou seja. compositor arranjador e instrumentista de trilhas sonoras). a partir de uma perspectiva mais abrangente. por ter transitado nos mais diversos universos musicais (compositor de letra e música de valsas. em última análise termino concluindo que Laurindo Almeida é um músico que. reflete exatamente o paradigma de sua época. . vêm tendo. Os avanços tecnológicos conquistados no decorrer de todo o século XX ocasionaram uma diminuição drástica não só das fronteiras territoriais como também das fronteiras culturais. LAURINDO ALMEIDA 131 o enfraquecimento dos ideais nacionalistas. alheio a qualquer tipo de fronteira. espacial ou musical. jazzista. sociais e culturais. pondo assim em xeque o paradigma nacionalista. talvez seja possível afirmar – em uma espécie de síntese do que já foi dito – que tudo se resume ao fato de que Laurindo viveu em um dado momento ímpar na história da humanidade. de legítimo representante de uma escola violonís- tica brasileira – espera-se que ele seja o primeiro de muitos outros trabalhos relacionados à sua vida e obra. Indo além: ao aferir as questões indagadas neste livro.

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net.com Laurindo Almeida: www.gov.laurindoalmeida.br Instituto Moreira Salles: www.laurindoalmeida.dicionariompb.musicstack.br Fundação Joaquim Nabuco: www.cliquemusic.audiophileusa.bossa.vinyl-records.fundaj.biz/jazz.Biz: www.amazon.br Laurindo Almeida: www.net Ebay: www.ebay. ANEXO I Catalogação discográfica Fontes de consulta: • Páginas da Internet Amazon: www.cgi.br MusicStack Marketplace: www.edu Consultas realizadas entre os meses de junho de 2006 e abril de 2007 .com Clique Music Editora S/A.com Oviatt Library Digital Collections: http://digital-library.com Vinyl-Records.br Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira: www.com Vinyl Records by Audiophile USA: www.ims.com.csun.com Bossa Nova Online: www.: www. com.htm Boss of the Bossa Nova: http://laur-meida.com.blogspot.com.

Wrubel/ Intérprete: Luiz Americano H.474 Gravadora: RCA Victor Gravadora: RCA Victor Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM .138 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Acervo do colecionador Ronoel Simões Consultas realizadas entre os meses de maio e setembro de 2006 No Brasil Título: Saudade que passa Título: Inspiração Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Gastão Bueno Lobo Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida Lado: A Lado: B Lançamento: 1938 Lançamento: 1938 Disco n°: 11.655 Disco n°: 34.516 Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM Título: Música maestro por favor Título: Uma lembrança uma Intérprete: Laurindo Almeida saudade Compositor: A.649 Gravadora: Odeon Gravadora: Odeon Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM Título: Dá-me tuas mãos Título: O último samba Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Roberto Paiva Compositor: Mario Lago/ Compositor: Laurindo Almeida Roberto Martins Lado: A Lado: A Lançamento: 1938 Lançamento: 1939 Disco n°: 11.516 Disco n°: 34.649 Disco n°: 11. Magidson Compositor: Laurindo Almeida Lado: B Lado: A Lançamento: 1939 Lançamento: 1939 Disco n°: 34.

LAURINDO ALMEIDA 139

Título: Pensando em você Título: Mulato antimetropolitano
Intérprete: Luiz Americano Intérprete: Carmem Miranda
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 34.474 Disco n°: 11.787
Gravadora: RCA Victor Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Você nasceu para ser grã- Título: Aldeia de roupa branca
fina Intérprete: Os Pinguins
Intérprete: Carmem Miranda Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida Ubirajara Nesdan
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 11.787 Disco n°: 34.578
Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Se recordar é viver
Título: Pedro viola
Intérprete: Roberto Paiva
Intérprete: Aracy de Almeida
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Gastão Bueno Lobo
Lado: A
Lado: A
Lançamento: 1939
Lançamento: 1939
Disco n°: 34.456
Disco n°: 11.848
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Doce mentira Título: Última lágrima
Intérprete: Luiz Americano Intérprete: Luiz Americano
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1939 Lançamento: 1939
Disco n°: 34.499 Disco n°: 34.499
Gravadora: RCA Victor Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

140 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Título: Ainda te lembras de mim?
Título: Minha saudade
Intérprete: Valdemar Reis
Intérprete: Aracy de Almeida
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Garoto
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1940
Lançamento: 1940
Disco n°: 34.586
Disco n°: 12.053
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: De papo pro ar
Título: Saudades de Matão
Intérprete: Laurindo Almeida
Intérprete: Laurindo Almeida
Compositor: Joubert de Carvalho/
Compositor: Jorge Galatti
Olegário Mariano
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1940
Lançamento: 1940
Disco n°: 34.684
Disco n°: 34.684
Gravadora: RCA Victor
Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Noite de temporal
Intérprete: Dorival Caymmi Título: Nem de joelhos
Compositor: Dorival Caymmi Intérprete: Osvaldo Novarro
Acompanhamento: Laurindo Compositor: Laurindo Almeida/
Almeida, Dilermando Reis e Constantino Silva
Rogério Guimarães. Lado: A
Lado: B Lançamento: 1941
Lançamento: 1940 Disco n°: 52.214
Disco n°: 11.850 Gravadora: RCA Victor
Gravadora: Odeon Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Cantigas de roda Título: Uma gaita em sevilha
Intérprete: Edu Nadruz (Edu da Intérprete: Edu Nadruz (Edu da
Gaita) Gaita)
Compositor: Sem identificação Compositor: Sem identificação
Arranjo: Laurindo Almeida Arranjo: Laurindo Almeida
Lado: B Lado: A
Lançamento: 1941 Lançamento: 1941
Disco n°: 55.269 Disco n°: 55.284
Gravadora: Columbia Gravadora: Columbia
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

LAURINDO ALMEIDA 141

Título: Velhas melodias
Título: Dança da girafa
Intérprete: Edu Nadruz (Edu da
Intérprete: Leonora Amar
Gaita)
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Sem identificação
Arnaldo Paes/Alden Vieira
Arranjo: Laurindo Almeida
Lado: A
Lado: B
Lançamento: 1941
Lançamento: 1941
Disco n°: 55.318
Disco n°: 55.284
Gravadora: Columbia
Gravadora: Columbia
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Quem não chora não mama
Título: Não quero dizer adeus
Intérprete: Odete Amaral
Intérprete: Odete Amaral
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Ubirajara Nesdan
Lado: B
Lado: A
Lançamento: 1941
Lançamento: 1942
Disco n°: 12.019
Disco n°: 12.088
Gravadora: Odeon
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Meu caboclo
Título: Nana
Intérprete: Orlando Silva
Intérprete: George Brass
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Junquilho Lourival
Lado: A
Lado: B
Lançamento: 1942
Lançamento: 1942
Disco n°: 12.212
Disco n°: 34.898
Gravadora: Odeon
Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Malvada minha Título: Que chêro bom!
Intérprete: Alvarenga e Ranchinho Intérprete: Cinara Rios
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Alvarenga e Ranchinho Jararaca
Lado: A Lado: A
Lançamento: 1943 Lançamento: 1943
Disco n°: 12.337 Disco n°: 34.720
Gravadora: Odeon Gravadora: RCA Victor
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

142 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Título: Casa sem número
Título: Sinhazinha
Intérprete: Odete Amaral
Intérprete: Odete Amaral
Compositor: Laurindo Almeida/
Compositor: Laurindo Almeida
Dias Cruz
Lado: A
Lado: A
Lançamento: 1943
Lançamento: 1944
Disco n°: 12.343
Disco n°: 12.480
Gravadora: Odeon
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM
Rotações: 78 RPM

Título: Você é tudo que sonhei Título: Amor
Intérprete: Heleninha Costa Intérprete: Heleninha Costa
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Del Loro Donga
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1945 Lançamento: 1945
Disco n°: 15.220 Disco n°: 15.220
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Ao cair de uma estrela Título: Cabroxinha
Intérprete: Leo Albano Intérprete: Leo Albano
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Edgar de Almeida Edgar de Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1945 Lançamento: 1945
Disco n°: 15.218 Disco n°: 15.218
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Pássaro cativo Título: Dissimulada
Intérprete: Orlando Silva Intérprete: Orlando Silva
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Dias Cruz Bororó
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 12.706 Disco n°: 12.706
Gravadora: Odeon Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

LAURINDO ALMEIDA 143

Título: Carinho proibido Título: Perfume da terra
Intérprete: Heleninha Costa Intérprete: Heleninha Costa
Compositor: Laurindo Almeida/ Compositor: Laurindo Almeida/
Romeu G. de Almeida Dias Cruz
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 15.719 Disco n°: 15.719
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Buliçoso Título: Pandeiro manhoso
Intérprete: Laurindo Almeida Intérprete: Laurindo Almeida
Compositor: Laurindo Almeida Compositor: Laurindo Almeida
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1946 Lançamento: 1946
Disco n°: 15.771 Disco n°: 15.771
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM

Título: Fantasia brasileira Título: Rapsódia brasileira
Intérprete: Laurindo Almeida/ Intérprete: Laurindo Almeida/
Radamés Gnattali Radamés Gnattali
Compositor: Idem Compositor: Idem
Lado: A Lado: B
Lançamento: 1953 Lançamento: 1953
Disco n°: 16.719 Disco n°: 16.719
Gravadora: Continental Gravadora: Continental
Rotações: 78 RPM Rotações: 78 RPM:

Título: As Rosas do cume
Intérprete: Franco D’Almeida
Compositor: Laurindo Almeida
Lado: Indefinido
Lançamento: Sem identificação
Disco n°: 43.234
Gravadora: Odeon
Rotações: 78 RPM

mono. Sacro-Monte (Turina) ALMEIDA. Mystified (Laurindo Almeida) 7. Insomnia (Laurindo Almeida) 2. mono. 1950. Bourree (Bach) 6. Sevillana (Turina) 6. Eili-Eili (Tradicional) 3. . 12 pol. Concert Creations for Guitar. 1 disco sonoro n° P-8367. 1 disco sonoro n° EBF-193. Fandanguillo (Turina) 8. Dream/Sueños (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. Brazilliance (Laurindo Almeida) 4. Laurindo. 10 pol. Laurindo. Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 5.. Malagueña (Ernesto Lecuona) 8. Malagueña (Albeniz) 2.144 ALEXANDRE FRANCISCHINI Nos Estados Unidos 1. Tango in D (Albeniz) 4.. Vistas D’España. Califórnia: Capitol Records. Califórnia: Capitol Records. 33 1/3 RPM. 1949. 1. Zambra Granadina (Albeniz) 3. Rafaga (Turina) 7. Cadiz (Albeniz) 5.

4 discos sonoros n° CRL-56049. mono. 45 RPM. Brazilian Ukulele (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. (Tchaikovsky) 5.. (Tchaikovsky) 4. LAURINDO ALMEIDA 145 1. Serenata Op. Serenata da Opereta “O Príncipe Estudante” (Sigmund Romberg/ Dorothy Donnelly) 8. Valsa da “Serenata Para Cordas” Em Dó Maior Op. Califórnia: Coral Records. Andalucia (Ernesto Lecuona) 3. Serenata (Franz Drdla) ALMEIDA. 1.. Serenata (Toselli) 7. 48 2º Mov. Serenata “Les Millions D’Arlequin” (R. Serenata Op. 7 pol. mono. USA: Coral Records. Serenata (Franz Drdla) 12. Serenata Espanhola “Ouvre Ton Coeur Bolero” (Georges Bizet) 9. 48 2º Mov. Drigo) 4. Serenata (Franz Schubert) 2. Laurindo. La Paloma (Laurindo Almeida - Sebastian de Tradier) 6. Serenata “Les Millions D’Arlequin” (R. 12 pol. Laurindo. Serenata (Franz Schubert) 2. 1951. Adiós (Eric Madriguera) 8. Drigo) 3. 1 disco sonoro n° CRL-57056. Serenata da Opereta “O Príncipe Estudante” (Sigmund Romberg/ Dorothy Donnelly) 11. Serenata Espanhola “Ouvre Ton Coeur Bolero” (Georges Bizet) 6. Valsa da “Serenata Para Cordas” Em Dó Maior Op. 33 1/3 RPM. Serenata (Toselli) 5. 1951. Guitar Recital. 15 Nº 1 (Moritz Moszkowksi) 10. Guitar Recital of Famous Serenades. . 15 Nº 1 (Moritz Moszkowksi) 7.

Arioso (J. Califórnia: Capitol Records n° SP-8638. Califórnia: Capitol Records. Sarabande 8. Valse de Concerto (Agustin Barrios) 6. 12 pol. Allegro Non Troppo Suite in A Minor (Weiss) 5. 1951. 1 disco sonoro n° T-2345.146 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Cadenza 4. Insomnia (Laurindo Almeida) 7. 195?. Laurindo. Allemande 7. 1 disco sonoro. 12 pol. mono.. Mystified (Laurindo Almeida) 3. Bach) ALMEIDA. Villa-Lobos. Andantino 3. Malagueña (Ernesto Lecuona) 4. . Concerto for Guitar and Small Orchestra (Villa-Lobos) 1. Prelude 6. Tea for Two (Caesar/Victor Youmans) 8. Allegro Preciso 2. mono. Laura (Raskin) 2. Gavotte 9. 33 1/3 RPM. Gigue 10. Staniana (Laurindo Almeida) 5. Brazilliance (Laurindo Almeida) 10. Sueño (Laurindo Almeida) 9. Sueños (Dreams).. Saudade (Radamés Gnattali) ALMEIDA. Concerto for Guitar and Small Orchestra. Eili-Eili (Traditional) 11.S. 33 1/3 RPM. Laurindo.

Noctambulism (H. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. Andalucia (Ernesto Lecuona) 7. Latin Melodies. . Siboney (Não Identificado) 4. 12 pol. Speak Low (Weill/Nash) 7. 1953.. Brazilian Ukulele (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3. Laurindo. Inquietação (Ary Barroso) 8. Babasin) 14. 2 discos sonoros n° PJ-7 e PJ-13. 33 1/3 RPM. 1953. LAURINDO ALMEIDA 147 1. 1 disco sonoro n° LVC-10009. 10 pol. Nono (Romualdo Peixoto) 13. Laurindo. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. Hazardous (R. Estrellita (Manuel Ponce) 5. Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank Volumes 1 e 2. 1. mono. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. 33 1/3 RPM.. Tocata (Radamés Gnattali) 11. mono. Califórnia: Coral Records. Samba Sud (Sidney Torch) 2. Hazard) 12. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. La Paloma (Laurindo Almeida/ Sebastian de Tradier) 6. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. Veradero (Não Identificado) 3. Adiós (Eric Madriguera) 8. Califórnia: World Pacific Records.

10 pol. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. Almeida/G. George. Fields) ALMEIDA. Almeida/G. Laurindo. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. Laurindo. 1 disco sonoro n° EAP-1-675. Babasin) 14. mono. 1. Fields) 3. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. 1 disco sonoro n° PJ-1204. Fields) 2. Fields) 4. . Chubasco (The Storm) (L. 1955.. Almeida/G. Noctambulism (H. Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. The Naked Sea Ballad (L. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Hazard) Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. Speak Low (Weill/Nash) 7. 33 1/3 RPM. 12 pol. FIELDS.. 1955. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. Califórnia: Capitol Records. mono. Volcano (L.148 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3. 45 RPM. Horizon (L. Hazardous (R. Almeida/G.. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. Naked Sea. Califórnia: World Pacific Records. Tocata (Radamés Gnattali) 11. Inquietação (Ary Barroso) 8. Nono (Romualdo Peixoto) 13.

Valse (Manuel Ponce) 10. GNATTALI. 1956. 1 disco sonoro n° LLP-36. Prelude nº 2 in E major (Villa-Lobos) 5. Cajita de Música (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Baião (Radamés Gnattali) 6. 1. 1956. Choro da Saudade (Agustin Barrios) 9.. Laurindo. 33 1/3 RPM. Suíte Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Continental Records.. . mono. Choro (Radamés Gnattali) 4. Laurindo. Preludio y Tremolo (Laurindo Almeida) 11. 5. Tehuacan (Lamento y danza) (José Barroso) 7. Invention in two Parts (Laurindo Almeida) 12. Papo de Anjo (Radamés Gnattali) 8. 12 pol. Puxa-Puxa (Radamés Gnattali) 9. Toada (Radamés Gnattali) 3. Invocação a Xangô (Radamés Gnattali) 2. Prelude nº 4 in E minor (Villa-Lobos) 4. Amargura (Radamés Gnattali) 12. Vou andar por aí (Radamés Gnattali) 13. 1 disco sonoro n° P-8321. Radamés. Cheiro de Malícia (Radamés Gnattali) 14. Study nº 11 in E minor (Villa-Lobos) 2. Bullerias y Canción (José Barroso) 6. Guitar Music of Latin America. Samba Canção (Radamés Gnattali) 5. Study nº 5 in C major (Villa-Lobos) 3. nº 1. in G minor (Agustin Barrios) 8. Escrevendo pra Você (Radamés Gnattali) ALMEIDA. Pé de Moleque (Radamés Gnattali) 11. 12 pol. Marcha (Radamés Gnattali) 7. Bolacha Queimada (Radamés Gnattali) 10.. 33 1/3 RPM. Preludio Op. LAURINDO ALMEIDA 149 1. mono. Califórnia: Capitol Records.

150 ALEXANDRE FRANCISCHINI Concerto de Copacabana (Radamés Gnattali) 1. mono. . 1957. 33 1/3 RPM. Califórnia: Capitol Records. Adagio (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 3. Gavotta-Choro (Villa-Lobos) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° P-8381. Concerto de Copacabana. Serenata (Laurindo Almeida) 9. Laurindo.. TURNER. Primeiro Movimento 2. Impressões do Brasil. 12 pol. Segundo Movimento (Adagio) 6... Laurindo. Segundo Movimento 3. Allegro (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 2. Crepúsculo em Copacabana (Laurindo Almeida) 10. Rio de Janeiro: Capitol Records. 1 disco sonoro n° SP-8625. 33 1/3 RPM. Terceiro Movimento (Presto) ALMEIDA. Choro Gracioso (Garoto) 7. 1957. Primeiro Movimento (Allegro) 5. Saudade (Radamés Gnattali) 5. Presto (Concertino for guitar & piano) (Radamés Gnattali) 4. 12 pol. Ray. 1. Nosso Choro (Garoto) 8. mono. Choro Triste (Garoto) 6. Terceiro Movimento Concerto for Guitar and Piano (Radamés Gnattali) 4.

. LAURINDO ALMEIDA 151 Side One: Chico Hamilton Quintet Side Two: Laurindo Almeida Quartet Faixas: 1. Blue Baião (Gonzaga/Teixeira) ALMEIDA. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 2. 33 1/3 RPM. Lua de Maracaibo (Rumba e Conjunto Latino) 12. Tocata (Gnattali) 3.. Califórnia: Decca Records. Alvorecer Sobre o Lago (Solo de Guitarra) 6. 1957. Noctambulism (Babasin) 6. O Grande Homem do Texas (Solo de Guitarra) 4. Montagem N° 2: Vida Noturna em Maracaibo (Solo de Guitarra com Conjunto Latino) 10. Esquiação Aquática (Solo de Guitarra) 3. New York: Jazztone Society Records. Sem Medo (Solo de Guitarra) 8. 1 disco sonoro n° 1264. Maracaibo. 1958. 33 1/3 RPM. Ave Maria (Solo de Guitarra) 11. Montagem: Vida Noturna de Caracas (Bateria e Solo de Guitarra com Conjunto Latino) 5. 12 pol. 1. Olhos Lindos e Sou Teu (Pequeno Conjunto) 7. Título de Abertura: Lua de Maracaibo (Letra: Jefferson Pascai) 2. 1 disco sonoro n° DL-8756. Confissão Sincera (Solo de Guitarra) 14. Hazardous (Hazzard) 4. A Dama Desmascarada (Solo de Guitarra) 9. . mono. mono. 12 pol. Laurindo. Delightfully Modern. Nono (Peixoto) 5. Detonação (Duas Guitarras com Percussão) 13. Laurindo. Finale e Título de Encerramento (Solo de Guitarra) ALMEIDA.

12 pol.. Duets With the Spanish Guitar.Aria (Heitor Villa-Lobos) 3.Estrella do Mar) (Jayme Ovalle) 9. Para Niña (Paurillo Barroso) 13. 1 disco sonoro n° P-8406.152 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Sicilienne (Gabriel Fauré) 12. mono. TERRI. Azulão (Jayme Ovalle) 5. Três Pontos de Santo (Chariô – Aruando . Salli. Tambourin (François Gossec) 10. Prelude in Em Op. Piece en forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. Maracatu (Ernani Braga) ALMEIDA. O Caçador (Laurindo Almeida) 7. Bachianas Brasileiras N° 5 .. . 33 1/3 RPM. 28 N° 4 (Frederic Chopin) 6.. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. Ronde (Emile Desportes) 4. Entr’acte (Jacques Ibert) 2. Boi-Bumbá (Valdemar Henrique) 11. RUDERMAN. Martin. USA: Capitol Records 1958. Laurindo.

Laurindo. 1 disco sonoro n° SP-8461. Plaisir D’amour (Florian.. 1 disco sonoro n° SP-8497. Choro Típico (Villa-Lobos) 5. 33 1/3 RPM. 1. 12 pol. 33 1/3 RPM. For My Love True. Califórnia: Capitol Records. Black is the Color of My True Love’s Hair (Scottish/US Folk Song) 5. Op. Canción & Pólo (Manuel de Falla) 2. Gigue . Prelúdio N° 1 (Villa-Lobos) 3.Lute Suite No 1 in E BWV 996 (Johann Sebastian Bach) 14. estéreo. Passarinho está Cantando (Francisco Mignone) 7. Galliard: Come Again. Bist du Bei Mir (Johann Sebastian Bach) ALMEIDA. Villa-Lobos. mono. 1959. Au Bois du Rossignolet (French- Canadian Folk Song) 10.. 1959. Sweet Love Doth Now Invite (John Dowland) 6. Modinha (Jayme Ovalle) 8. 12 pol. TERRI. O Cessate di Piagarmi (Alessandro Scarlatti) 13. Pavane. Salli. Gagliarda (Vincenzo Galilei) 12. Prelúdio N° 5 (Villa-Lobos) 7. Estudo N° 8 (Villa-Lobos) 4. Prelúdio N° 3 (Villa-Lobos) 8. Estudo N° 1 (Villa-Lobos) 2. Prelude (Robert de Visée) 9. Schottish/Choro (Villa-Lobos) ALMEIDA. Jota. Lass from the Low Countree (US Folk Song) 4. Estudo N° 7 (Villa-Lobos) 6. Laurindo. JP Martini) 11. . LAURINDO ALMEIDA 153 1. Music for the Spanish Guitar.. Califórnia: Capitol Records. 50 (Gabriel Fauré) 3.

N° 2. La Plus que Lente (Debussy) 9. estéreo. Farruca (Falla) 2. 7.. Preludio y Danza (Julian Bautista) 5. Danza Española N° 10 (Enrique Granados) 3. 1. 1960.. mono. Laurindo. Brazilliance Nº 1 (L.154 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Califórnia: Capitol Records. 3. Danza Mexicana (José Barroso) ALMEIDA. Mazurca Op. Laurindo. Danza Española N° 5 (Enrique Granados) 2. Betsabé (Carlos Pedrell) 9. Clair de Lune (Debussy) 3. 12 pol. Our Father Who Art in Heaven (Bach) 5. Danzas! Califórnia: Capitol Records. 1960. Prelude in C Sharp Minor Op. 12 pol. (Rachmaninoff) ALMEIDA. Doña Mencia (Carlos Pedrell) 8. Almeida) 4. Valse (Chopin) 7. Duetto III (Bach) 10. Dança Brasileira (Radamés Gnattali) 4. 1 disco sonoro n° SP-8467. Zoraida (Carlos Pedrell) 7. The Spanish Guitars of Laurindo Almeida. 33 1/3 RPM. 33 1/3 RPM. . Minuet (Ravel) 6. Danza Española (Isaac Albéniz) 6. Zambra (Granados) 8. Nº 1 (Chopin) 11. 1 disco sonoro n° SP-8521.

LAURINDO ALMEIDA 155

1. Sarita’s Mambo (Hecht Lancaster/
Buzzeli)
2. The Happy Cha-Cha-Cha! (Hecht
Lancaster/Buzzeli)
3. The Suspense Cha-Cha (Hecht
Lancaster/Buzzeli)
4. Mambo a la Teen (Hecht
Lancaster/Buzzeli)

ALMEIDA, Laurindo. Happy ChaChaCha: Laurindo Almeida and the
Danzaneros. Califórnia: Capitol Records, 1960, 1 disco sonoro n° ST-1263,
33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Tarantella (Castenuovo/Tedesco)
2. La Guarda Cuydadosa
(Castenuovo/Tedesco)
3. Miniature Suite (Duarte)
4. Sonatina for Guitar (Albert Harris)
5. First Movement (Sonata for Guitar/
Turina)
6. Second Movement (Sonata for
Guitar/Turina)
7. Third Movement (Sonata for
Guitar/Turina)
8. En Los Trigales (Rodrigo)
9. Preludes N° 2, 5, 8, 10, 11, 12
(Ponce)
ALMEIDA, Laurindo. The New World of the Guitar. Califórnia: Capitol
Records, 1961. 1 disco sonoro n° P-8392, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol..

156 ALEXANDRE FRANCISCHINI

1. El Vito (Spanish Folk Song)
2. Distribuição de Flores (Villa-Lobos)
3. Choro e Batuque (Almeida)
4. Danse (Debussy-Almeida)
5. Modinha (Seresta n.5) (Villa-Lobos)
6. Medley: The Frog Songs (sapo na
toca), (Boi ta-ta, Benedito Pretinho)
7. First Arabesque (Debussy/Almeida)
8. Two Mexican Folk Songs (Carmen/
Sandunga)
9. La Frescobalda For Viola and Guitar
(Frescobaldi/Almeida)
10. A Dormir Ahora Mesmo (Spanish
Cradle Song)
ALMEIDA, Laurindo. Conversations with the Guitar. Califórnia: Capitol
Records, 1961, 1 disco sonoro n° SP-8532, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Al Amor (Cristobal de Castillejo)
• Scherzo (Sylvius Leopold Weiss)
2. Gavotte (Hugard) • Allemande
(Sylvius Leopold Weiss)
3. El Testamento de
Amelia (Traditional) • Pascalle
(Gaspar Sanz)
4. Canários (Francisco Guerau)
• Prelude and allegro (Santiago de
Murcia)
5. Lento (Cantando com
simplicidade) (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
6. Adagio (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
7. Movido (Sonatina for flute and
guitar) (Radamés Gnattali)
8. Valsa nº 4 (Mozart Camargo
Guarnieri)
ALMEIDA, Laurindo. The Guitar Worlds of Laurindo Almeida. Califórnia:
Capitol Records, 1961. 1 disco sonoro n° SP-8546, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

LAURINDO ALMEIDA 157

1. Komm Susser Tod (White Viola)
2. Fuga from Sonata N° 3 in C (Guitar
Solo)
3. Sarabande and Double from Partita
N° 1, B flat minor (with Viola)
4. Bourree and Double from Partita
N° 1, B flat minor (with Viola)
5. Jesu, Joy of Man’s Desiring (With
Viola)
6. Partita B flat (with Horn)
Preludium
Allemande
Courante
Sarabande
Minuets 1 & 2
Gigue
ALMEIDA, Laurindo. The Intimate Bach. Germany: Capitol Records, 196?
1 disco sonoro n° SP-8582, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Atabaque (Radamés Gnattali)
2. Amor Flamenco (Laurindo
Almeida)
3. Stairway to the Stars (Malneck/
Parish/Signorelli)
4. Acércate Más (Osvaldo Farrés)
5. Terra Seca (Ary Barroso)
6. Speak Low (Weill/Nash)
7. Inquietação (Ary Barroso)
8. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/
Dante Varela)
9. Carinhoso (Pixinguinha/João de
Barro)
10. Tocata (Radamés Gnattali)
11. Hazardous (R. Hazard)
Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. Nono (Romualdo Peixoto)
13. Noctambulism (H. Babasin)
14. Blue Baião (Luiz Gonzaga/
Humberto Teixeira)
ALMEIDA, Laurindo. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud
Shank. Califórnia: World Pacific Records, 1961, 1 disco sonoro n ° WP-1412,
33 1/3 RPM, mono., 12 pol.

158 ALEXANDRE FRANCISCHINI

1. Reverie (Debussy)
2. Mélodie Op. 42, nº 3 (Tchaikovsky)
3. Schon Rosmarin (Fritz Kreisler)
4. Dance of the Sugar Plum Fairy (from
“The Nutcracker”) (Tchaikovsky)
5. Discantus (Laurindo Almeida)
6. Tango Español (Isaac Albeniz)
7. Pavane Pour Une Infante
Defunte (Maurice Ravel)
8. Étude Op. 10, nº 3
(Tristesse) (Chopin)
9. Waltz (from “Serenade for Strings”
in C major) (Tchaikovsky)
10. Waltz Op. 39, nº 15 (Brahms)
11. Barcarole (June, from “The
Seasons”) (Tchaikovsky)
ALMEIDA, Laurindo. Reverie for Spanish Guitars. Califórnia: Capitol
Records, 1962. 1 disco sonoro n° SP-8571, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Simpático (S. Wilson)
2. Rio Rhapsody (Laurindo Almeida/
Radamés Gnattali)
3. Nocturno (Laurindo Almeida)
4. Little Girl Blue (Richard Rodgers/
Lorenz Hart)
5. Choro in A (Laurindo Almeida)
6. Mood Antigua (Bud Shank)
7. The Color of Her Hair (Laurindo
Almeida)
8. Lonely (Laurindo Almeida/Bud
Shank)
9. I Didn’t Know What Time it Was
(Richard Rodgers/Lorenz Hart)
10. Carioca Hills (Laurindo Almeida)
ALMEIDA, Laurindo. Brazilliance Volume 2. Califórnia: World Pacific
Records, 1962, 1 disco sonoro n° WP-1419, 33 1/3 RPM, mono., 12 pol.1

1 Gravado em Los Angeles, em março de 1958. Antes de fazerem parte da série
Brazilliance, estas músicas foram lançadas primeiramente em um disco do
saxofonista Bud Shank intitulado Holiday in Brazil (WP-1259), com o selo da
gravadora World Pacific Records, em 1959.

LAURINDO ALMEIDA 159

1. A New Love is Like a Newborn
Child (Brown/Curtis)
2. He’s Comin’ Back (Unknown)
3. Look Away (Unknown)
4. Mountain High, Valley Low (Scott/
Hanighen)
5. Your Eyes (Schorr/Helms)
6. A Sleepin’ Bee (Arlen/Capote)
7. The Color of my True Love’s Hair
(Unknown)
8. My Man’s Gone Now (Heyward/
Gershwin)
9. Johnny Guitar (Young/Lee)
10. The First Time (McColl)
ALMEIDA, Laurindo.; WHITE, Kitty. Buddy Collette Orchestra. USA:
Surrey Records, 1962. 1 disco sonoro n° SS-1004, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

1. Recado da Bossa Nova (Djalma
Ferreira/Luiz Antônio)
2. I Left My Heart in San
Francisco (George Cory/Douglas
Cross)
3. O Barquinho (Roberto Menescal/
Ronaldo Bôscoli)
4. What Kind of Fool Am I? (Leslie
Bricusse/Anthony Newley)
5. Acapulco 1922 (Herb Allen)
6. Heartaches (Al Hoffman/John
Klenner)
7. Fly me to the Moon (In other
words) (Bart Howard)
8. Satin Doll (Duke Ellington)
9. The Alley Cat Song (Frank Bjorn/
Jack Harlen)
10. Meditação (Meditation) (Newton
Mendonça/Tom Jobim)
11. Walk Right in (Erik Darling/
Willard Svanoe)
12. Days of Wine and Roses (Henry
Mancini/Johnny Mercer)
ALMEIDA, Laurindo. Ole! Bossa Nova: Laurindo Almeida and the Bossa
Nova All Stars. Califórnia: Capitol Records, 1962. 1 disco sonoro n° ST-
1862, 33 1/3 RPM, estéreo., 12 pol.

Samba de uma Nota Só (Newton Mendonça/Tom Jobim) 12. Lazy River (Hoagy Carmichael/ Sidney Arodin) 3. 33 1/3 RPM. Maria (Stephen Sondheim/Leonard Bernstein) 5. Mr. 1 disco sonoro n° ST- 1759.160 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 10. . estéreo. Moon River (Henry Mancini/ Johnny Mercer) 9. Lucky (Henry Mancini) 11. Ramblin’ Rose (Joe Sherman/Noel Sherman) 4. Califórnia: Capitol Records. Petite Fleur (Sidney Bechet/ Fernand Bonifay) 6. Theme from “Route 66” (Nelson Riddle) ALMEIDA. Lollipops and Roses (Tony Velona) 8. Naked City Theme (Billy May) 2.. 1962. Teach me Tonight (Gene De Paul/ Sammy Cahn) 7. Viva Bossa Nova! Laurindo Almeida and the Bossa Nova All Stars. 12 pol. Laurindo.

More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. 12 pol. Sport (Rolf Harris) 2. Hava Nagíla (Tradicional/David Taxe) ALMEIDA. Rio Bonito (Ned Aldeen/Portia Nelson) 12. Tie me Kangaroo Down. Oliviero/M. I Will Follow Him (Norman Gimbel/Stol/Roma/Altman) 3. It’s a Bossa Nova World: Laurindo Almeida and the Bossa Nova All Stars. Ei) 4. LAURINDO ALMEIDA 161 1. Russell/N. Nakamura/R. 33 1/3 RPM. Lisboa Antigua (José Galhardo/ Raul Portela/Amadeo do Vale) 10. Califórnia: Capitol Records. . estéreo. Danke Schoen (Bert Kaempfert/ Ilene/Schwabach) 8.. Song of the Islands (Charles King) 7. Laurindo. 1 disco sonoro n° T-1946. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 9. Ciorciolini/Norman Newell/Riz Ortolani) 11. 1963. Say Wonderful Things (Norman Newell/Phil Green) 5. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 6. Misirlou (S. Sukiyaki (H.

Xana Lyn (Bud Shank) 8. Antes de fazerem parte da série Brazilliance. Gershwin Prelude (George Gershwin) 10. USA: Epic Records. Bossa Nova Samba (Não Identificado) 10. 1963. ’Round Midnight (Thelonious Monk/Bernie Hanighen/Cootie Williams) 5. Brazilliance Volume 3. Herb. You Stepped out of a Dream (Não Identificado) 8. 12 pol.. 1 disco sonoro n° WP-1425. Harlem Samba (Laurindo Almeida) 2. Waltz Frio y Calor (Bud Shank) ALMEIDA. estéreo. 33 1/3 RPM. Toro Dance (Bud Shank) 6. I Told ya I Love ya (Não Identificado) 2. Laurindo. Blowing Wild (Webster/Dimitri Tiomkin) 9. em março de 1958. GRAY. 33 1/3 RPM. 1 disco sonoro n° 17036. mono. ELLIS. Laurindo.. Califórnia: World Pacific Records. Detour Ahead (Não Identificado) 6.2 2 Gravado em Los Angeles. 1963. Gravy Waltz (Não Identificado) 5. Leave it to Me (Não Identificado) ALMEIDA. But Beautiful (Não Identificado) 7. . Three Guitars in Bossa Nova Time. 12 pol. Serenade for Alto (Laurindo Almeida) 7. com o selo da gravadora World Pacific Records. estas músicas foram lançadas primeiramente em um disco do saxofonista Bud Shank intitulado Latin Contrasts (WP-1281). 1..162 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Johnny. Low Society Blues (Não Identificado) 4. Bossa Nova Number Two (Não Identificado) 9. Sunset Baião (Laurindo Almeida) 4. Sweet Dreams (Não Identificado) 3. em 1959. North of the Border (Laurindo Almeida) 3.

Izabella (Djalma Ferreira) 6. 12 pol. Records. Califórnia: Capitol Records. That’s All (Haymes/Brandt) ALMEIDA. Laurindo. Quiet Nights (Jobim/Kaye/Lees) 5. 1964. Sarah’s Samba (Laurindo Almeida) 4. You Can’t Go Home Again (Ferrerra/Feather) 10.. Meditation (Jobim/Mendonça/ Gimbel) 2. Could Have Danced All Night (Lerner/Loewe) 8. Joanie. 12 pol. Quiet Nights of Quiet Stars (Tom Jobim) 8. I’ll Remember April (Raye/ DePaul/Johnston) 9. Laurindo. Softly. mono. 1. LAURINDO ALMEIDA 163 1. as I Leave You (Devito/ Calabrese/Shaper) 7.. Softly. Dear Heart (Mancini/Livingston/ Evans) 3. 1964. Old Guitaron (Johnny Mercer/ Laurindo Almeida) 9. 33 1/3 RPM. Watching the World go by (Segall/ Holt) 4. 1 disco sonoro n° WB-1575. The Girl from Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) 2. Once (Magenta/Gimbel/Marnay) 6. The Fiddler’s Wolf Whistle (Fafá Lemos) ALMEIDA.. USA: Warner Bros. 33 1/3 RPM. Winter Moon (Laurindo Almeida) 5. Guitar from Ipanema. estéreo. SOMMERS. Carnival (Bonfa/Peretti/Creatore/ Weiss) 11. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá) 3. 1 disco sonoro n° ST-2197. Old Guitaron (Almeida/Mercer) 12. Twilight in Rio (Laurindo Almeida) 11. Choro for People in Love (Laurindo Almeida) 7. . the Brazilian Sound. Um Abraço no Bonfá (João Gilberto) 10.

Was She Prettier Than I? (Martin/ Timothy Gray) 10. Is it Really Me? (Tom Jones/ Schmdt) 6. My Funny Valentine (Richard Rodgers/Lorenz Hart) 3.The Sound of Music (Oscar Hammerstein/Richard Rodgers) 11. 1964. I’ve Grown Accustomed to her Face (A. Califórnia: Capitol Records.164 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Laurindo. 1 disco sonoro n° T-2063. . 33 1/3 RPM.The Most Beautiful Girl (Richard Rodgers/Lorenz Hart) ALMEIDA. 12 pol. Little Girl Blue (Richard Rodgers/ Lorenz Hart) 8. People (Bob Merrill/Jules Styne) 2. J.. As Long as He Needs Me (Lionel Bart) 4. What Kind of Fool Am I? (Leslie Bricusse/Anthony Newley) 9. Broadway Solo Guitar. estéreo. Smoke Gets in Your Eyes (Otto Harbach/Jerome Kern) 7. Lerner/Frederick Lowe) 5.

The Cincinnati Kid (Lalo Schifrin/ Dorcas Cochran) 4. Lerner/Burton Lane) 9. New Broadway – Hollywood Hits: Laurindo Almeida and the San Fernando Guitars Play. Califórnia: Capitol Records. On a Clear Day You Can See Forever (Alan J. Theme From the Skyscrapper (Sammy Cahn/Jimmy Van Heusen) 2.. Forget Domani (Norman Newell/ Riz Ortolani) 3. Guitar Tristesse (Laurindo Almeida) 10. 33 1/3 RPM. Juarez Street (Laurindo Almeida) 11. Theme from Zorba the Greek (Mikis Theodorakisl) 8. . Laurindo. Pancho’s Guitar (Laurindo Almeida) 5. 1 disco sonoro n° T-2419. Moment to Moment (Henry Mancini/Johnny Mercer) 6. estéreo. LAURINDO ALMEIDA 165 1. 12 pol. Theme from the Reward (Traditional) 7. Theme from Morituri (Jerry Goldsmith) ALMEIDA. 1965.

Children’s Albums (Jack W. Laurindo. Clair de Lune. Prelude N° 3 (Villa-Lobos) 4. Tango Espanhol (Albeniz) 9. Contemporary Creations for Spanish Guitar. estéreo. The Bad and the Beautiful (David Raskin) 9. 33 1/3 RPM. estéreo. Shuth) 7. Estudo N° 1 (Villa-Lobos) 7. The Three-Cornered Hat (Falla) 2. Califórnia: Capitol Records..166 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Reverie (Debussy) 8. La Plus que Lente (Debussy) 5. . Goldsmith) 2. Smith) 10.. Zambra Op. The Merry Makers (George M. Marshall) 12. 12 pol. Laurindo. Night and the Sea (Franklyn Marks) 11. Dialogue (Franklyn Marks) ALMEIDA. Prelude (Henry Mancini) 3. Toccata (Gerold K. 12 pol. Clair de Lune (Debussy) 3. Ballad For a Western (Alex North) 6. Fantasy (Martin Parch) 5. Danza (Lewis Raymond) 8. 196? 1 disco sonoro n° P-8447. USA: Angel Records. Minueto From Le Tombeau Couperin (Ravel) ALMEIDA. Pavane por une Infante Defunte (Ravel) 10. The Romantic Waltzes (Jack W. 1. La Coquette (George M. 5 from Danzas Espanholas (Granados) 6. 33 1/3 RPM. 196? 1 disco sonoro n° 36064. Marchall) 4.

Canción Del Fuego Fatuo (Albeniz) 5. S. Neblina (Segovia) 7. Trieste (John Lewis) 3. 12 pol. 33 1/3 RPM. Bach) 5. Solares (Itammage a Tárrega/ Turina) 13. Capricho Árabe (Tárrega) 11. 1 disco sonoro n° P-295. El Círculo Mágico (Albeniz) 4. 1964. Concierto De Aranjuez (Joaquín Rodrigo) ALMEIDA.. mono. One Note Samba (Newton Mendonça/Tom Jobim) 6. 1965. . Garotin (Itammage a Tárrega/ Turina) 12. Collaboration: The Modern Jazz Quartet with Laurindo Almeida. Califórnia: Capitol Records. 1 disco sonoro n° SD- 1429. 33 1/3 RPM. Serenata Burlesca (Torroba) 8. Oriental (Albeniz) 3. Laurindo. Estúdio XII (Sor) 9. USA: Atlantic Records. Valeria (John Lewis) 4. Foi a Saudade (Djalma Ferreira) 7. Recuerdos de la Alhambra (Tárrega) 10.. Laurindo. 1. LAURINDO ALMEIDA 167 1. Asturias/Legend (Albeniz) 2. estéreo. 12 pol. Sevilla (Albeniz) ALMEIDA. Fugue in A Minor (J. Anedote II (Segovia) 6. Silver (John Lewis) 2. Guitar Music of Spain.

33 1/3 RPM.. DAVIS Jr. Joey (Frank Loesser) 9. Where is Love (Lionel Bart) 5. estéreo. 1 disco sonoro n° V-8665. I’m Always Chasing Rainbows (June Carroll/Joseph McCarthy) 7. Laurindo. The Folks Who Live on the Hill (Jerome Kern/Oscar Hammerstein) 10. Every Time We Say Goodbye (Cole Porter) 6.. USA: Verve Records. 12 pol. 12 pol. The Shadow of your Smile (Johnny Mandel/Paul Francis Webster) 4. Here’s that Rainy Day (Johnny Burke/Jimmy Van Heusen) 2. Maracatu-Too (Stan Getz) 7.. Joey.. GETZ. Winter Moon (Laurindo Almeida/ Portia Nelson) 4. 1 disco sonoro n° R-6236. 33 1/3 RPM. 1966. Stan. Stan Getz with Guest Artist Laurindo Almeida. Speak Love (Kurt Weill/Ogden Nash) ALMEIDA. estéreo. Sammy. Corcovado (Tom Jobim) ALMEIDA. Menina Moça (Young Lady) (Luiz Antônio) 2. We’ll be Together Again (Frankie Laine/Carl Fischer) 8. . Laurindo. Once Again (Outra Vez) (Tom Jobim) 3. Joey. Samba da Sahra (Sahra’s Samba) (Laurindo Almeida) 6. 1.168 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 1966. Do What You Do. Sammy Davis Jr. Do (Laurindo Almeida/Jeanne Taylor) 5. Two Different Worlds (Bernie Wayne/Al Frisch) 3. Las Vegas: United Recording Corporation of Nevada. Sings Laurindo Almeida Plays.

Califórnia: Capitol Records. 1967. 33 1/3 RPM. Someone to Light up my Life “Se Todos Fossem Iguais a Você” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes/Gene Lees) 10. . estéreo. Reach Out I’ll Be There (B. Laurindo. Goin’ Out of My Head (Randazzo/ Weinstein) 11. Cherish (T. Williams) 3. Deane) 2. Meditation (Tom Jobim/Newton Mendonça/Norman Gimbel) 6.. A Man And a Woman (Pierre Barough/Francis Lai/Keller) 2. 1. Dozier/E. Pow “Mas Que Nada” (Jorge Ben/L. I Feel Fine (John Lennon/Paul McCartney) 7.. 12 pol. Hollamd/L. Here’s That Rainy Day (Van Heusen/Burke) 7. Nancy. Laurindo. A Man and a Woman. 1967. Soft Mood (Laurindo Almeida) 10.. A Man and a Woman “Un Homme et une Femme” (Pierre Barough/ Francis Lai/J. Pow. Kirkman) 4. Bluesette (Gimbel/Thielemans) 6. Michelle (John Lennon/Paul McCartney) 4. estéreo. Laia La Daia “Reza” (Edu Lobo/ Gianfrancesco Guarnieri/Norma Gimbel) 5. 33 1/3 RPM. Holland) 9. 1 disco sonoro n° ST-2701. Distant Shores (James Guercio) 9. ’Cause I Love Her ( King/Dumm) 5. AMES. Keller) 8. 1 disco sonoro n° 56238. LAURINDO ALMEIDA 169 1. USA: Epic Records. Mas Que Nada (Jorge Ben) ALMEIDA. Pow. So Nice “Summer Samba” (Marcos Valle/Paulo Sergio Valle/ Norman Gimbel) ALMEIDA. Love’s Like Wine (M. Spiced With Brasil. Call Me (Tony Hatch) 3. Secret Love (Webster/Fain) 8. 12 pol.

Laurindo. Mendez) ALMEIDA. 1. Together.. Alfie (Burt Bacharach/Hal David ) 3. Califórnia: Capitol Records. . Simplicidade (Radamés Gnattali) 5. Don’t Sleep in the Subway (Hatch/ Trent ) 11. The Look of Love (Hall David Burt Bacharach ) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. MENDEZ. Mendez) 9. The Look of Love and the Sounds of Laurindo Almeida. Mendez) 3. My Own True Love (Max Steiner/ Mark David ) 6. A Beautiful Friendship (Donald Kahn/Stanley Shyne ) 4. Rafael. 12 pol. Piece in Forme de Habanera (Ravel) 2. estéreo. Bambuco (Arr. Angel Eyes (Matt Dennis/Earl Brent) 8. 33 1/3 RPM. Romanza (Arr. Windy (Ruthann Friedman ) 7. Lullaby (Arr. Up and Away (Jim Webb ) 10. USA: Decca Records. Malagueña Selerosa (Arr. 1 disco sonoro n° ST-2866. 1 disco sonoro n° DL-74921. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 4..170 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.. Sicilienne (Gabriel Fauré) 8. 1968. 1968. Entr’acte (Jacque Ibert) 5. Laurindo. When I look in your Eyes (Leslie Bricuse ) 2. 12 pol. Bossa Romântica (Radamés Gnattali) 6. Sevilla (Albeniz) 10. estéreo. Mendez) 7. I Love You (Cole Porter ) 9.

Clair de Lune (Debussy) 4. Sevilla (Albeniz) 9. 12 pol. From the Romantic Era. Variation on a Theme From Mozart’s The Magic Flute (Sor) 2. 20 (Beethoven) 4. Califórnia: Capitol Records. Arioso from the Harp Session Concerto in F Minor (Bach) 3. Moonlight Sonata (Beethoven) 2. Elegie from Incidental Music to “The Furies” (Massenet) 10. 12 pol. Favorite Melodies Played by the Master Guitarist.. 12 n° 2 (Grieg) 9. Fragment from The Septet Op. 196? 1 disco sonoro n° SP-8686. 33 1/3 RPM. 5. estéreo. Tango Español (Albeniz) ALMEIDA. Farruca (Falla) 7. The Little Shepherd from “The Children’s Corner (Debussy) 11. About Strange Lands and People and 6 Traumerei from Kinderszenen (Schumann) 6. Califórnia: Capitol Records. Fandanguillo (Turina) 11. 1. Laurindo. Laurindo. 9 n° 2 (Chopin) 8. 8. Waltz in B Minor Op. Recuerdos de la Alhambra (Tárrega) 10. The Maid With the Flaxen Hair (Debussy) ALMEIDA. Nocturne in E flat Op. Schön Rosmarin (Kreisler) 5. Pavane Pour Une Infante Defunte (Ravel) 6. 33 1/3 RPM. Waltz Op. 11 & 12 (Ponce) 8. Preludes N° 2. . Adagio Sostenuto from The Moonlight Sonata (Beethoven) 5.. Minuet in G (Beethoven) 3. 69 n° 2 (Chopin) 7. estéreo. LAURINDO ALMEIDA 171 1. 196? 1 disco sonoro n° FDS-8341. 10.

Deluxe in Guitar & Trumpet. Forget Domani (Norman Newell/ Riz Ortolani) 4. My Funny Valentine (R. Smoke Gets in your Eyes (Jerome Kern/Otto Harbach) 3. Mas que Nada (Jorge Ben) 2. Everybody Loves Somebody (I.I. Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 6. Mancini/J. Red Roses for a Blue Lady (S. Rodgers/L. Hart) 5. ANTHONY. Broadsky) 11..172 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Malagueña (Ernesto Lecuona) 7. Mercer) 8. Lane) 10. I Can’t Stop Loving You (Don Gibson) 9. Ray.. Laurindo. September Song (K. 12 pol. Taylor/K. 33 1/3 RPM. Mancini/J. 196? 1 disco sonoro [N.]. Days of Wine and Roses (H. estéreo. USA: Capitol Records. Wellt/Maxwell Anderson) ALMEIDA. . Tepper/R. Charade (H. Mercer) 12.

Hazardous (R. LAURINDO ALMEIDA 173 1. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) ALMEIDA. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) 4. . 12 pol. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 10. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 3. mono. Califórnia: World Pacific Records. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Tocata (Radamés Gnattali) 11.. Speak Low (Weill/Nash) 7. Babasin) 14. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud Shank. 1 disco sonoro n° WPS- 21412. 33 1/3 RPM. Hazard) Reedição de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 12. 196?. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 5. Inquietação (Ary Barroso) 8. Atabaque (Radamés Gnattali) 2. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida/ Dante Varela) 9. Noctambulism (H. Nono (Romualdo Peixoto) 13. Laurindo.

Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 8. . 12 pol. Ciorciolini/Norman Newell/ Riz Ortolani) 7. 1. Russell/N. Acapulco 22... I Left My Heart in San Francisco. Oliviero/ M. I Left My Heart in San Francisco (G. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. 33 1/3 RPM. Cory/Douglas Cross) 10. Portela/Amadeo do Vale) 5. Laurindo. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) ALMEIDA. Laurindo. 196? 1 disco sonoro n° SPC-3172.174 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. USA: Pickwick Records. Satin Doll (Duke Ellington) 9. USA: Tower Records.Russell/N. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 4. Oliviero/ M. Cory/Douglas Cross) 2. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/Guy Wood) 8. Lisbon Antigua (José Galhardo/ R. Lisbon Antigua (José Galhardo/ R. What Kind of Fool Am I? (Bricusse/Newley) ALMEIDA. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 6. Hava Nagila (Tradicional) 2. estéreo. 33 1/3 RPM. Ciorciolini/Norman Newell/ Riz Ortolani) 7. Hava Nagila (Tradicional) 6. 12 pol. Acapulco 22 (Herb Allen) 3. Misirlou (S. 196? 1 disco sonoro n° DT-5060. Misirlou (S. Portela/Amadeo do Vale) 5. Roubanis/ Milton Leeds/Fred Wise) 4. Satin Doll (Duke Ellington) 9. I Left My Heart in San Francisco (G. estéreo. Acapulco 22 (Herb Allen) 3.

1 disco sonoro n° WB-1803. Records. . estéreo. Moon and Empty Arms (Sergei Rachmaninoff) 7. When I Write My Song (Camille Saint-Saëns) 12. 1969. 12 pol. Moon Love (Piotr Tchaikovsky) 8. Our Love (Piotr Tchaikovsky) 11. The Classical Current: Electronic Excursions. 33 1/3 RPM. Bangles and Beads (Alexander Borodin) 6. Theme From the Warsaw Concerto (Richard Addinsell) ALMEIDA. My Reverie (Claude Debussy) 3. LAURINDO ALMEIDA 175 1. My Moonlight Madonna (Fibich) 10. My Prayer (Nadia Boulanger) 9. USA: Warner Bros. Baubles.. Laurindo. Till the End of Time (Frédéric Chopin) 4. The Breeze and I (Ernesto Lecuona) 2. The Lamp is Low (Maurice Ravel) 5.

1. estéreo. Galilei: Little Suite 2.Brown) 2. J. J. Bach: Sheep May Safely Graze from Cantata BWV 208 9.S.S. BWV 1068 ALMEIDA. Ray. J. Just a Bossa Nova.. J. Conversa Mole (Almeida/Brown) 7. Bach: Little Fugue in G 8. 12 pol. 33 1/3 RPM.176 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Laurindo. Fughetta II (Bach/Almeida) 11. J.S. Lemonade (Sy Lefco) 3. Fughetta IV (Bach/Almeida) 10. estéreo..S.. Not A Symphony (R. .S. Joy of Man’s Desiring from Cantata BWV 147 5. The Art of Laurindo Almeida. Prelúdio II (Bach/Almeida) 8. BWV 1031 7. 1970. de Visée: Suite in D Minor (Prelude/ Allemande) 3. USA: Century City Records.S.Brown) 6. Bach: Jesu. Bach: Air on the G String from Suite in D. J. Pega Joso (Laurindo Almeida) 4. 1971. 1 disco sonoro n° CCR-80102. 33 1/3 RPM. Bach Ground Blues & Green. Bach: Quia Respexit from the Magnificat in D. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 5. Awake! from Cantata BWV 140 11.Brown) ALMEIDA. BWV 1012 6. BROWN. Prelúdio I (Bach/Almeida) 9. Bach: Prelude in C from the Well Tempered Clavier 10. USA: Orion Records. Bach: Sleepers. Mo Greens (R.S.Gigue) 4. de Visée: Suite in D Minor (Sarabande . J.S. Bach: Gavotte I & II from Cello Suite Nº 6 in D. J. Bach: Sicilienne from Flute Sonata in E flat.S. Brazilian Greens (R. Laurindo. 1 disco sonoro n° ORS-7259. J.S. BWV 243 12. Bach: Minuets I & II from Partita in B flat BWV 825 13. 12 pol. J.

. Without You (Ham/Evans) 7. Songs My Mother Taught Me (Dvorak) 6. USA: Orion Records. Fool (Sigman/Last) 4.. Lullaby (Xavier Montsalvatge) 8. Rodrigo) 3. estéreo. Mon Amour (Baseado no 2° movimento do Concerto de Aranjuez) (J. Love (Almeida/Neves) ALMEIDA. Laurindo.R. 12 pol. I Was Born in Love With You (M. The Love Theme “From the God Father” (N. Legrand) 11. Summer of “42” (M. EAMON. Provost) 2.• 1. Intermezzo (H. Greensleeves (Tradicional) 7. LAURINDO ALMEIDA 177 1. Rota) 2. . Brian’s Song (M. Pearson) 5. The Ash Grove (Tradicional) 3. The Best of Everything. 33 1/3 RPM.. Londonderry Air (Danny boy) (Tradicional) 10. Engenho Novo (Tradicional) 9. Theme from “Nicholas and Alexandra” (R. Legrand) 9. 12 pol. Caboclo Brazil (Tradicional) 5. 1972. 33 1/3 RPM. Intermezzo. Hill) 10. Sleepy Shores (J. Bamba Le-Le (Tradicional) ALMEIDA. Legrand/Alan and Marilyn Bergman) 8. I Dream of Jeannie (S. Deltra. USA: Daybreak Records. estéreo. Bennett) 6. 1 disco sonoro n° DR-2013. 1 disco sonoro n° ORS-7273. Laurindo. 1972. Foster) 4. Hello Forever (J. Aranjuez.

A Casinha Pequenina (Trad. Virtuoso! USA: Orion Records. 1 disco sonoro n° ORS-7260.. No Jardim de Oeira (Tradicional) 6.. EAMON. Mazurka (Ponce) 3.) 9.. 1 disco sonoro n° ORS-72100. Deltra. USA: Orion Records. . 5 (Villa- Lobos) 2. EAMON.. Laurindo. Thesaurus (50 Minutes) (Slonimsky) ALMEIDA. 1972.178 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. 33 1/3 RPM. Boi Tungão (Tradicional) 8. SLONIMSKY. Nicolas. 1. Canção do Correiro (Villa-Lobos) 10. Modinha Russo-Brasileira (Slonimsky) 2. Silhouettes Iberiennes (Slonimsky) Aromas de Leyenda Jota Danza Festiva 3. My Man’s Gone Now (Gershwin) 4. Malagueña (Lecuona) 7. The Twin the guitars of Laurindo Almeida. Bachianas Brasileiras No. Five Advertising Songs (Slonimsky) Make This a Day for Plurodent Utica Sheets and Pillow Cases No More Shiny Nose! And then Her Doctor Told Her Children Cry for Castoria 4. Laurindo. 12 pol. estéreo. Aconquija (Barrios) 5. 1972. Deltra. Tindo La La (Tradicional) ALMEIDA. estéreo. 12 pol.. 33 1/3 RPM.

mono. Boi-Bumbá (Valdemar Henrique) 11.. Sicilienne from Flute Sonata in E flat.Estrella do Mar) (Jayme Ovalle) 9. Awake! from Cantata BWV 140 8. . Azulão (Jayme Ovalle) 5. Quia Respexit from the Magnificat in D. 33 1/3 RPM. Piece en forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. 1. 33 1/3 RPM.. BWV 1068 ALMEIDA. Entr’acte (Jacques Ibert) 2. Para Niña (Paurillo Barroso) 13. Tambourin (François Gossec) 10. 12 pol. Laurindo. 1973. estéreo. Prelude in Em Op. Bachianas Brasileiras N° 5 – Aria (Heitor Villa-Lobos) 3. BWV 1031 4. Sleepers. Jesu. Bach is Beautiful: The Twin Guitars of Laurindo Almeida. Sicilienne (Gabriel Fauré) Reedição de 1958 (P-8406) 12. Sheep May Safely Graze from Cantata BWV 208 6. 28 N° 4 (Frederic Chopin) 6. Laurindo. 12 pol. BWV 243 9. Air on the G String from Suite in D. USA: Angel Records 1973. Maracatu (Ernani Braga) ALMEIDA. Little Fugue in G 5. Três Pontos de Santo (Chariô – Aruando . Ronde (Emile Desportes) 4. BWV 1012 3. Prelude in C from the Well Tempered Clavier 7. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. 1 disco sonoro n° S-36050. USA: Orion Records. Duets With the Spanish Guitar. Menuets I & II from Partita in B flat BWV 825 10. O Caçador (Laurindo Almeida) 7. Joy of Man’s Desiring from Cantata BWV 147 2. 1 disco sonoro n° ORS-7277.6 in D. LAURINDO ALMEIDA 179 1. Gavotte I & II from Cello Suite No.

Laurindo. Distribuição de Flores (Villa-Lobos) 3. mono. 1 disco sonoro n° S-36051. Medley: The Frog Songs (sapo na toca).. Two Mexican Folk Songs (Carmen/ Sandunga) 9. Black is the Color of My True Love’s Hair (Scottish/US folk song) 9. de 1961 (SP-8532) Cradle Song) ALMEIDA. Menuet from Le Tombeau de Couperin (Maurice Ravel) 11. Menuets I & II. Duets With the Spanish Guitar Album 3. (Boi ta-ta. Farruca from The Three-Cornered Hat (Manuel de Falla) 6. Lass from the Low Countree (US folk song) 12. Benedito Pretinho) 7. 33 1/3 RPM. mono. Almeida) 4. 1 disco sonoro n° S-36076. Au Bois du Rossignolet (French- Canadian folk song) 8. Laurindo.5) (Villa-lobos) 6. La Frescobalda For Viola and Guitar (Frescobaldi/Almeida) Reedição do LP: Conversations With 10. A Dormir Ahora Mesmo (Spanish the Guitar. 33 1/3 RPM. USA: Angel Records 1973.180 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. First Arabesque (Debussy/Almeida) 8. Duets With the Spanish Guitar Album 2. Gigue from Harpsichord Partita in Bb (Johann Sebastian Bach) ALMEIDA. Duetto III from the Clavierübung Part 3 (Johann Sebastian Bach) 10.. Waltz from the Serenade for Strings (Tchaikovsky – Arr. 12 pol. Canción from Siete Canciones Populares Españolas (Manuel de Falla) 5. Pavanne pour une Infante defunte (Maurice Ravel) 7. Passarinho está Cantando (Francisco Mignone) 2. USA: Angel Records 197?. Modinha (Seresta n. Modinha (Jayme Ovalle) 3. Danse (Debussy-Almeida) 5. 12 pol. Choro e Batuque (Almeida) 4. El Vito (Spanish Folk Song) 2. . 1.

Thomas (Sonny Rollins) 6. Carioca Hills (Laurindo Almeida) 3. 1 disco sonoro n° CJ-18. Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) ALMEIDA. Cielo (Laurindo Almeida) 6. 1. Laurindo. LAURINDO ALMEIDA 181 1. 1 disco sonoro n° CJ-8. estéreo. Rondó Expressivo (Carl Philipp Emanuel Bach) 4.. Laurindo. Prelude. St. The L. Manteca (Gillespie/Walter Fuller) 5. A. No. 1974. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá) ALMEIDA. Berimbau Carioca (Laurindo Almeida) 5. 1976. Old Time Rag (Laurindo Almeida) 8. Four Scores! Califórnia: Concord Jazz Records. Rainbows (Bud Shank) 3. 33 1/3 RPM.4/How Insensitive (Frederic Chopin) • How Insensitive (Tom Jobim) 7. . 4 Califórnia: Concord Jazz Records. Dindi (Jobim) 2. A.. Opus 28. Allemande And The Fox (Laurindo Almeida/Silvius Weiss) 4. 12 pol. estéreo. Sundancers (Bud Shank) 2. 33 1/3 RPM. The L. 12 pol.

The L. Escadoo (Laurindo Almeida) 4. Baião (Radamés Gnattali) 13. Brazilian Popular Suíte (Radamés Gnattali) 8. Garoto (Laurindo Almeida) 3. Latin Guitar. Marcha (Radamés Gnattali) ALMEIDA. estéreo. Reveil (Não Identificado) 7. Impromptu (Dan Lincoln) 7. 33 1/3 RPM. That Lazy Thing (Laurindo Almeida) 5. estéreo. Laurindo.. Songs from Black Orpheus (Bonfá/ Jobim/Moraes) 6. Choro (Radamés Gnattali) 11. 4: Pavane Pour Une Infante Defunte. 12 pol. 1976. 1 disco sonoro n° EW-10003. Invocação a Xangô (Radamés Gnattali) 9. 1 disco sonoro n° DR-1000. Toada (Radamés Gnattali) 10. 33 1/3 RPM. Samba do Orfeu (Luiz Bonfá) ALMEIDA.. . 1976. Corcovado (Tom Jobim) 5. Laurindo. 1. Califórnia: Dobre Records. 12 pol. Autumn Leaves (Mercer/Prevert/ Kosma) 3. A. C’est What (Não Identificado) 4. Mozart in Samba Motion (Arr. Samba Canção (Radamés Gnattali) 12. Laurindo Almeida) 2. Wave (Tom Jobim) 6. Pavane Pour Une Infante Defunte (Maurice Ravel) 2. USA: East Wind Records.182 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.

estéreo. estéreo. 1. Romance de Amor (trad.. Califórnia: East Wind Records. 33 1/3 RPM. . Recipe of Love (Laurindo Almeida) 6.A. USA: Crystal Clear Records. Com Espírito ALMEIDA. 1977. Greensleeves (Adapted & Arr. LAURINDO ALMEIDA 183 1.. Spanish/ Arr. Haskell) 4. Ashford/ Jones/Gale/Simpson) 1. J. Django (John Lewis) ALMEIDA. Adagio 3. Virtuoso Guitar. 12 pol. 1 disco sonoro n° 8001. Late Last Night (Almeida/Feather) 4. L. The L. Softly as in a Morning Sunrise (Não Identificado) 3. 1977. Laurindo. Jazz Tune at the Mission (Laurindo Almeida) 3. Allegretto 2. 45 RPM. Sonata for Guitar and Cello and Three Movements (N. Laurindo. 12 pol. Things Ain’t What They Used to Be (Mercer/Ellington/Person) 5. Almeida) 7. Yesterday (John Lennon/Paul McCartney) 2. Going Home (From New World Symphony) (Dvorak) 2. 1 disco sonoro n° EW-8061. Four: Going Home.

184 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. A. Fly me to the Moon (Howard Bart) 8. S. Califórnia: Concord Jazz Records. Star Dust (H. 45 RPM. Francois) 6. Laurindo. Laurindo. Spain (Chick Corea) ALMEIDA. estéreo. 1 disco sonoro nº CJ-199. Bach) 2. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 3. Maria/L. 33 1/3 RPM.. Cool Cat Keeps Coat On (Laurindo Almeida) 9. . 4: Just Friends. Bergan/ A. Bergan) 3. C. Jobim/ Vinícius de Moraes) 5. Califórnia: Inner City Records. Holiday for Strings (David Rose/ Sammy Gallop) 10. Concierto de Aranjuez. Carmichael/ M. C. Just Friends (John Klenner/Sam Lewis) 4. Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) 2. 12 pol. Gershwin Medley It Ain’t Necessarily So I Got Rhythm Summertime Prelude N° 2 ALMEIDA. estéreo. 1978. Felicidade (A. The Summer Knows (M. 1 disco sonoro n° IC-6031. Bonfá/A. 12 pol. Love Medley: Love For Sale/Love Walked in • Love for sale (Cole Porter) • Love walked in (George Gershwin/Ira Gershwin) 5. Jobim) 7. Song From Black Orpheus (L. Parish) 4. 1978. How Insensitive (A. Nouveau Bach (J. Legrand/M. 1.. L.

12 pol. The Busy Bee (Laurindo Almeida) 4. Canto do Ossanha (B. Laurindo Almeida Trio. estéreo. A. Laurindo. Williwaw (Laurindo Almeida/Bud Shank) 5. 1 disco sonoro n° DR-1024. Dorival (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. Air on a G String (Bach/Almeida) 8. L. estéreo. Califórnia: Dobre Records. Samba Medley (Ary Barroso) 2. Misty (Errol Garner/Johnny Burke) ALMEIDA. LAURINDO ALMEIDA 185 1. Powell/Billy Blanco) 6. Escadoo (Laurindo Almeida) 7. Moraes) 5. 4: Watch What Happens... Samba Triste (B. Califórnia: Concord Jazz Records. Mona Lisa (Jay Livingston/Ray Evans) 4. 1. Nuages (Django Reinhardt) 7. 1978. O Barquinho (Menescal/Boscoli) 3. . 12 pol. 33 1/3 RPM. Summertime (George Gershwin) 3. 1 disco sonoro n° CJ-63. Land of Make Believe (Chuck Mangione) 6. Laurindo. 1978. Powell/ V. Watch What Happens (Michel Legrand) 2.

Guitar Player (B.. 1978.King) 15. Guitar Player. Tea for Two (Barney Kessell/Herbie Ellis) ALMEIDA. 33 1/3 RPM. 12 pol.186 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. King) 3. USA: MCA Records. estéreo. Valdez in the Country (Lee Ritenour) 2. Counting my Tears (B. Alisson (Joe Pass) 8. Samba for Sarah (Laurindo Almeida) 14. . (Irving Ashby/ John Collins) 18. Two Track Trip (Joe Pass) 12. Django (Joe Pass) 4. Shivers (Irving Ashby/John Collins) 17. Funkville U.B. Feelings (Laurindo Almeida) 13.B. 1 disco sonoro n° MCA2-6002.S. Two More for the Blues (Barney Kessel/Herbie Ellis) 5.A. Toronto Under the Sign of Capricorn (Larry Coryell) 10. Bertha Baptist (Lee Ritenour) 6. Laurindo. Country Ness (Barney Kessel/ Herbie Ellis) 9. Spain (Larry Coryell) 11. Autumn in New York (Larry Coryell) 16. Lament in Tremolo Form (Laurindo Almeida) 7.

Return of Captain Gallo (Laurindo Almeida) 5.. 12 pol. Dingue le Bangue (J. 1979. Turuna (Ernesto Nazareth) ALMEIDA. 1 disco sonoro n° CJ-84. LAURINDO ALMEIDA 187 1. . Odeon (Ernesto Nazareth) 4. I Love You (Cole Porter) 2. estéreo. Hammertunes (Jeff Hamilton) 3. Laurindo. San/ Macdony) 2. Just in Time (Betty Comden/Adolph Green/Jule Styne) 4. Califórnia: Concord Jazz Records. 1979. Califórnia: Concord Jazz Records. Laurindo. Clair de Lune Samba (Claude Debussy) 8. D. 33 1/3 RPM. Melissa (Minette Allton) 6. Bach) 5. 4: Live at Montreux . Unaccustomed Bach (Ernesto Nazareth) 3. 1. Carney/Ellington/Irving Mills) • Caravan (Irving Mills/Duke Ellington/Juan Tizol) • Take the ‘A’ Train (Duke Ellington) • Rockin’ in Rhythm (Duke Ellington) ALMEIDA. L. Chamber Jazz. 1 disco sonoro n° CJ-100. Você e Eu (Carlos Lyra/Vinícius de Moraes) 7. estéreo. S. Bourrée and Double (J. A.Summer 1979. Chopin a la Breve (Frederic Chopin) 9. 33 1/3 RPM.. 12 pol. Duke’s Melange: • I Let a Song Go out of My Heart (H.

nº 1 (Chopin) 8. 1979. estéreo. Brazilliance nº 1 (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Étude Op. 1 disco sonoro n° S-37322. Prelude nº 5 in D major (Poco animato) (Villa-Lobos) 11. and Duas Contas (Goodrum) ALMEIDA. Mazurka Op. 10. nº 3 (“Tristesse”) (Chopin) 9. 12 pol.188 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. nº 3 (Tchaikovsky) 5. Just The Way You Are (Joel) 4. Califórnia: Capitol Records. .. Copacabana (At The Copa) (Manilow/Sussman/Feldman) 5. Waltz Op. 7. Laurindo. Prelude nº 1 in E minor (Andante expressivo) (Villa-Lobos) 2. Stuff Like That (Jones/Ashford/ Gale/Simpson) 2. Three Renaissance Lute Pieces (Galliard-Prelude-Gagliarda) (Vincenzo Galilei/Robert de Visée/ John Dowland) 7. Schön Rosmarin (Fritz Kreisler) 6. 33 1/3 RPM. Tomorrow (From the Broadway Show “Annie”) (Strouse/Charnin) 6. Prelude. Choros nº 1 in E minor (Choro typico) (Villa-Lobos) 12. Mélodie Op. 42. estéreo. Schottish-Choro (From “Suíte populaire bresilienne) (Villa-Lobos) 3. New Directions. Feels So Good (Mangione) 3.. Laurindo. 1 disco sonoro n° GS-2024. You Needed Me. Barcarole (June. USA: Crystal Clear Records. from “The seasons”) (Tchaikovsky) 4. 1979. 69. 33 1/3 RPM. nº 1 (Chopin) 10. 12 pol. 1.

Lobiana for Guitar and Strings: Cantilena and Batucada ALMEIDA. LAURINDO ALMEIDA 189 1. 4: Zaca. Califórnia: Concord Jazz Records.50 (Gabriel Fauré) 7. 33 1/3 RPM. Laurindo.. Close Enough for Love (Theme from ‘Agatha’) (Johnny Mandel/ Paul Williams) 6. 12 pol. First Concerto for Guitar and Orchestra: Cadenza 4. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Allegro Moderato 6. 1. Califórnia: Concord Jazz Records. First Concerto for Guitar and Orchestra: Moderato 2.. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Ritmado 8. Secret Love (Sammy Fain/Paul Francis Webster) ALMEIDA. First Concerto for Guitar and Orchestra. . L. estéreo. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Andantino 5. 1 disco sonoro n° CC-2001. First Concerto for Guitar and Orchestra: Larghetto 3. 1980. A Child Is Born (Thad Jones) 4. You Can’t Go Home Again (Don Sebesky) 3. 1 disco sonoro n° CJ-130. estéreo. 1980. Pavanne Op. A. 33 1/3 RPM. Zaca (Bud Shank) 2. Concerto à Brasileira (N°4) for Guitar and Strings: Lento 7. O Barquinho (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli) 5. 12 pol. Laurindo.

estéreo.190 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. My Romance (Richard Rodgers/ Lorenz Hart) 7. For Jeff (Charlie Byrd) 10. Charlie. 1981. Madame Butterball (Bud Shank) 2.. 1. Califórnia: Concord Jazz Records. 4: Montage. Brazilian Soul (Radamés Gnattali) 8. 33 1/3 RPM. 1 disco sonoro n° CJP-150. L. Cochichando (Pixinguinha) 4. The L. . 1 disco sonoro n° CJ-156.Weber) ALMEIDA. 1980. Naquele Tempo (Pixinguinha) 3.. Choro II (João Pernambuco) 7. Samba For Ray (Laurindo Almeida) 4.. Syrinx (Claude Debussy) 3. Califórnia: Concord Jazz Records. Famoso (Ernesto Nazareth) 6. A. Teach Me Tonight (Gene De Paul/ Sammy Cahn) 5. Laurindo. BYRD. Evita: Don’t Cry For Me Argentina (T.Rice/A. Stone Flower (Tom Jobim) 9. Laurindo. 12 pol. Bachianas Brasileiras Nº 5 (Villa- Lobos) 8. 33 1/3 RPM. 12 pol. Brazilian Soul. Rado’s Got The Blues (Ray Brown) 6. Luperce (Luperce Miranda) 5. estéreo. Squatty Roo (Johnny Hodges) ALMEIDA. Carioca (Ernesto Nazareth) 2.

1981.. Dance (Claude Debussy) 2. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 8. Sonata in D Major (Gottlieb Scheidler) ALMEIDA.. estéreo. LAURINDO ALMEIDA 191 1. Bud. Malagueña (Ernesto Lecuona) 6. Ray. Autumnal Prelude (Laurindo Almeida) 3. Blue Skies (Irving Berlin) 7. Laurindo. SHANK.. 1982. estéreo. 12 pol. Laurindo. Songs of Farewell (Kosins) 5.. Moonlight Serenade. Air on a ‘G’ String (Bach) 5. 33 1/3 RPM. Califórnia: Concord Jazz Records. Sicilienne (From “Pelléas et Mélisande”) (Gabriel Fauré) 7. Four Little Pieces (Emile Desportes) 4. 12 pol. 1. 1 disco sonoro n° CC-2003. 33 1/3 RPM. Selected Classical Works for Guitar & Flute. Beautiful Love (Victor Young) 4. Samba de Angry (Laurindo Almeida) 3. Inquietação (Ary Barroso) 9. 1 disco sonoro n° JET-33004. . BROWN. Tambourin (François Gossec) 6. Moonlight Sonata & ‘Round Midnight (Beethoven & Monk) 2. My Man Is Gone (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Germany: Jeton Records.

33 1/3 RPM.Weber/T. BYRD. S. Laurindo.. L. Woods/E. Charlie. Cats: Memory (T. Madriguera) 6.. Chega de Saudade (Tom Jobim/ Vinícius de Moraes) ALMEIDA.192 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. estéreo.L. 12 pol. Intermezzo Melancólico (Manuel Ponce) ALMEIDA. Rodgers/L. 1. Você e Eu (You and I) (Carlos Lyra/ Vinícius de Moraes) 4. Romero) 7. Simple Invention (J. 12 pol. Entr’ Acte (Jaques Ibert) 6. Turbilhão de Beijos (Ernesto Nazareth) 9. Califórnia: Concord Jazz Records. Hart) 7. Amazônia (Laurindo Almeida) 3. Califórnia: Concord Jazz Records. Eliot) 2. Blues Wellington (Jeff Hamilton) 2. 33 1/3 RPM. Adiós (E. Gitanerías (Ernesto Lecuona) 5. 1 disco sonoro n° CJ-215. Latin Odyssey. My Funny Valentine (R. Laurindo. 1983. 1 disco sonoro n° CJP-211. The Child (Antônio Lauro) 4. S. Little Star (Manuel Ponce) 8. A. 1983. El Gavilán (A. 4: Executive Suite. Nunn/ A. Bach) 5. .. Zum and Resurrección del Angel (Astor Piazzola) 3. estéreo.

Hahn) 5... Rodgers) 8. Slaughter on Tenth Avenue (R. Thompson/J. Artistry in Rhythm. Torroba/Frederico Moreno) 4. Laurindo. La Cumparsita (Contursi/ Rodriguez) 8. Youmans) 2. Almost a Farewell (Quase Um Adeus) (Luiz Eça) 10. Nitzsche/B. 1 disco sonoro n° CJ-238. 33 1/3 RPM. 12 pol. Gershwin/G. Christopher/ M. Hernando’s Hideaway (Richard Adler/Ross) 11. Blue Tango (L. Gade/V. The Moon was Yellow (Leslie/ F. Liza (I. Artistry in Rhythm (Stan Kenton) 6. La Rosita (G. OKeefe) 6. 1 disco sonoro n° CJP-290. 33 1/3 RPM. Chariots of Fire (Vangelis) 2. Saint-Marie) 9. Jennings/ J. Haenschen/ L. Charlie. James) 7. Gershwin/ G. Andante (from Sonatina) (Federico M. Tanguero (R. 12 pol.. Califórnia: Concord Jazz Records. Up Where We Belong (W. 1985. Jalousie (J. Puka Shells in a Whirl (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Tango Alegre (Laurindo Almeida) 7. Bloom) 4. Adiós Muchachos (Sanders/Vedani) 9. estéreo. . 1. Laurindo. Califórnia: Concord Jazz Records. Tango. BYRD. Kahn) 11. LAURINDO ALMEIDA 193 1. Te Amo (Laurindo Almeida) 5. Masters) ALMEIDA. Orchids in the Moonlight (V. 1984. Astronauta (Samba da Pergunta) (Marcos Vasconcellos/Pingarilho) 3. Always on my Mind (W. Ahlart) 10. estéreo. Anderson) 3. Los Enamorados (R.

1 disco sonoro n° PAD-235. Laurindo. estéreo. Canciones Populares Españolas – Nana (Falla) 7. Three Guitars Three.P. Ballad Samba (Radamés Gnattali) 4. Adagio from Concierto de Aranjuez (Joaquín Rodrigo) 11. Canciones Populares Españolas – Jota (Falla) 6. #1 (Larry Coryell) ALMEIDA.. ISBIN. Sharon. USA: Pro Arte Records.194 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Flora (Ernesto Nazareth) 2. CORYELL... April 7th (Larry Coryell) 12. Baion (Laurindo Almeida) 3. 33 1/3 RPM. Brazilliance (Laurindo Almeida) 9. .S. Larry. Canciones Populares Españolas – Polo (Falla) 8. P. Miller’s Dance (Manuel de Falla) 10. Canciones Populares Españolas – El Paño Moruno (Falla) 5. 1985. 12 pol.

Baia (Ary Barroso) 5. Valsa de Esquina. Weekend Cruise to Catalina (Charlie Byrd) 16. N° 8 (Francisco Mignone) 13. Escorregando (Ernesto Nazareth) 2.P. Vou Vivendo (Benedito Lacerda/ Pixinguinha) 15. . Califórnia: Concord Jazz Records. 1 CD n° 4389. Didi (Laurindo Almeida) 6. O Boto (Tom Jobim) 12. Forest of the Amazons: Veleiro (Villa-Lobos) 11. Modinha (Francisco Mignone) 14. Ainda me Recordo (Pixinguinha) 3... Music of the Brazilian Masters. BYRD. Trzetrzelewska/D. Retratos (Photographs): Ernesto Nazareth (Radamés Gnattali) 8. Ros) ALMEIDA. Promises (B. 1989. Rosa (Pixinguinha) 4. Invocation to Shango (Radamés Gnattali) 10. BARBOSA-LIMA. Charlie. LAURINDO ALMEIDA 195 1. Carlos. White . Laurindo. Retratos (Photographs): Pixinguinha/Ernesto Nazareth/ Anacleto Madeiros (Radamés Gnattali) 7. Retratos (Photographs): Anacleto Madeiros (Radamés Gnattali) 9.

Três Pontos de Santo (Jayme Ovalle) 9. O Caçador (Laurindo Almeida) 7. . Piece en Forme de Habanera (Maurice Ravel) 14. USA: EMI Records. RUDERMAN. 1 CD n° GMR-2167. Sicilienne (Gabriel Fauré) 12. 1990. Passarinho está Cantando 1 (P-8406) (Francisco Mignone) 2 (S-36051) 17. The Three-Cornered Hat: Farruca (Manuel de Falla) ALMEIDA. TERRI. Siete Canciones Populares Españolas: Canción (Manuel de Falla) 20. Serenade For Strings: Waltz (Tchaikovsky) 19. Azulão (Jayme Ovalle) 5. Laurindo.. 28 Nº 4 (Frederic Chopin) 6.196 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Duets With Spanish Guitar. Maracatu (Ernani Braga) 15. Pastorale Joyeuse (Emile Desportes) 8. Boi-Bumbá (Waldemar Henrique) 11.. Op. Salli. Ronde (Emile Desportes) 4. Pavane pour une Infante Defunte Coletânea da série Duets With Spanish (Maurice Ravel) Guitar volumes: 16. Prelude in E Minor. Modinha (Jayme Ovalle/Manuel 3 (S-36076) Bandeira) 18. Para Ninar (Paurillo Barroso) 13. Bachianas brasileiras Nº 5 – Aria (Villa-Lobos) 3. Entr’acte (Jacques Ilbert) 2. Martin. Tambourin (François Gossec) 10.

1 CD n° 4497. Outra Vez (Once Again) (Tom Jobim) 2. Califórnia: Concord Jazz Records. Beethoven & Monk (Moonlight Sonata & ‘Round Midnight) 8. Samba de Break (Laurindo Almeida) 7. One to Nothing (Pixinguinha) 10. Laurindo. The Jolly Crow (Laurindo Almeida/Pixinguinha) 3. Jobim Medley: Corcovado (Tom Jobim) Garota de Ipanema (Tom Jobim/ Vinícius de Moraes) Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça) ALMEIDA. Escadoo (Laurindo Almeida) 9. 1991. . LAURINDO ALMEIDA 197 1. Outra Vez. Affectionate (Pixinguinha) 11. Going Home (From New World Symphony) (Dvorak) 6. Blue Skies (Irving Berlin) 5. Danza Five (Enrique Granados) 4.

1991.. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA.. 3 – 1963/ 11. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. Tocata (Gnattali) 8. Hazardous (Richard P. 1 CD n° CDP-96102-2. 2 – 1962/ WP-1419) e (Vol. . Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Laurindo. Terra Seca (Ary Barroso) 6. USA: World Pacific Records. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. 1 CD n° CDP-96339. Atabaque (Gnattali) 3. SHANK. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição do LP: Laurindo Almeida Quartet Featuring Bud Shank. Laurindo. Brazilliance Volume 1. 1991. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição da série Brazilliance (Vol. Atabaque (Gnattali) 3. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. 1. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA. Inquietação (Ary Barroso) 7. Bud. SHANK. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6.198 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. Brazilliance Volume 2. Tocata (Gnattali) 8. Hazard) (PJ-7 e PJ-13) 12. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. Hazardous (Richard P. de 1953 11. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. Hazard) WP-1425) 12. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. Bud. USA: World Pacific Records. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Inquietação (Ary Barroso) 7.

Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 8. Atabaque (Gnattali) 5. Tocata (Gnattali) 20. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 12. Toro Dance (Bud Shank) 11. Bud. I Didn’t Know What Time It Was (Richard Rodgers/Lorenz Hart) 2. Laurindo. Harlem Samba (Laurindo Almeida) 14. Wilson) 6. North of the Border (Laurindo Almeida) 3. Baa-Too-Kee. USA: Giants of Jazz. 1992. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 7.. 1 CD n° 53133. Blowing Wild (Webster/Dimitri Tiomkin) 10. SHANK. Noctambulism (Harry Babasin) 18. Simpático (S. Inquietação (Ary Barroso) 15. Serenade for Alto (Laurindo Almeida) 16. LAURINDO ALMEIDA 199 1. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 17. Carioca Hills (Laurindo Almeida) 9. . ’Round Midnight (Thelonious Monk/Bernie Hanighen/Cootie Williams) 4. Terra Seca (Ary Barroso) 13. Waltz Frio y Calor (Bud Shank) 19. Mood Antigua (Bud Shank) ALMEIDA.

Meditation (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 3. Laurindo. Lisbon Antigua (José Galhardo/ Raul Portela/Amadeo do Vale) 2. Recado Bossa Nova (Djalma Ferreira/Luiz Antônio) 11.Nakamura/R. . Danke Schoen (Bert Kaempfert/ Ilene/Schwabach) 6. I Left My Heart in San Francisco (George Cory/Douglas cross) 7. 1 CD n°62055. Hava Nagila (Tradicional) Coletânea 12. Till Then (Eddie Seiler/Sol Marcus/ Guy Wood) 15. 1994. Say Wonderful Things (Norman Newell/Phil Green) 17. Fly Me to the Moon (In Other Words) (Bart Howard) 13. Ei) 16. Sukiyaki (H. I Will Follow Him (Chariot) (Norman Gimbel/Stole/Roma/ Altman) 10.200 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Little Boat (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli) 4. Dance the Bossa Nova. Heartaches (Al Hoffman/John Klenner) 9. Rio Bonito (Ned Aldeen/Portia Nelson) 14. More (Theme from the film “Mondo Cane”) (N. What Kind of Fool Am I? (Leslie Bricusse/Anthony Newley) 18. Ciorciolini/Norman Newell/Riz Ortolani) 5. USA: Saludos Amigos Records. Oliviero/M. The Alley Cat Song (Frank Bjorn/ Jack Harlen) ALMEIDA. Satin Doll (Duke Ellington) 8.

Para Ninar (Paurillo Barroso) 6. Caçador (Laurindo Almeida/ Edgard Almeida) 12. Brazilian Reflections: Music for Guitar & Voice. Op. LAURINDO ALMEIDA 201 1.. Caboclo Brasil (Laurindo Almeida/ Junquilho Lourival/Dan Franklin) ALMEIDA. Beyond The Sea (Trenet/ Laurence) ALMEIDA. Red Sails In The Sunset (Kennedy/Willians) 10. nº 2”) (Jayme Ovalle) 4. Azulão (Jayme Ovalle) 8. 10. Ebb Tide (Maxwell/Sigman) 4. 1 CD n° DWR950812-1. . Engenho Novo (Tradicional) 10. Estrela do Mar (from “Três pontos de santo. nº 2”) (Jayme Ovalle) 2. Laurindo. 10. 1995. Strangers On The Shore (Bilk/ Mellin) 9. Chariô (from “Três pontos de santo. Girl From Ipanema Beach (Jobim/De Morales) 11. Modinha (Jayme Ovalle/Manuel Bandeira) 13. Laurindo. The Naked Sea. Choro e Batuque (Laurindo Almeida) 11. Sea Dreams (Almeida/Welton) 8. Off Shore (Diamond/Graham) 6. Danny. Tindo Lá Lá (Tradicional) 7. WELTON. Chubasco (Almeida/Fields) 3. Wave (Tom Jobim) 7. 1996. Op. Boi-Ta-Ta (Tradicional) 5. nº 2”) (Jayme Ovalle) 3.The Naked Sea (Almeida/ Fields) 2. 1. 1 Book transcripts and CD n° 95984B. USA: Danwell Records. USA: Mel Bay Publication. Pebble Beach (Guaraldi) 5. 10. Op. A Casinha Pequenina (Tradicional) 9. Aruanda (from “Três pontos de santo.

Laurindo. Jesus Joy of Man’s Desiring (From “Cantata nº 147”) (J. Hahn) 5. Amazing Grace (Traditional) 7. Sweet Little Jesus Boy (R. Tango Alegre (Laurindo Almeida) 7. Bach) 8. 1996. Haenschen/ L. Adiós Muchachos (Sanders/Vedani) 9. Tanguero (R. Orchids In The Moonlight (V. His Eye is on the Sparrow (Charles H. Were You There When They Crucified My Lord? (Traditional) 9. Jesus Rest your Head (Traditional) 10. Nobody Knows the Trouble I’ve Seen (Traditional) 11. Laurindo. Jesus. O Keefe) 6. MacGimsey) 4. Ahlart) Coletânea 10. Best of Laurindo Almeida & The Bossa Nova All Stars. 1 CD n ° 77828. What God Hath Promised (Laurindo Almeida/Deltra Eamon) ALMEIDA. Youmans) 2. Jalousie (J. 1996.202 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Masters) ALMEIDA. Morning has Broken (Traditional) 2. 1 Book transcripts and CD n ° 95983B. Bloom) 4. The Moon Was Yellow (Leslie/ F. La Cumparsita (Contursi/ Rodriguez) 8. La Rosita (G. A Prayer (En prière) (Gabriel Fauré) 6. Gade – V. 1. Ave Maria (Schubert) 3. Gabriel) 5. . Blue Tango (L. Anderson) 3. USA: Mel Bay Publication. Praise Every Morning: Music for Guitar & Voice. Los Enamorados (R. USA: Curb Records. Hernando’s Hideaway (Richard Adler/Ross) 11. S.

Little Girl Blue (Rodgers/Hart) 8. People (Merrill/Shine) 2. I’ve Grown Accustomed To Her Face (Lerner/Lowe) 5. Vals De Concerto (Barrios Mangone) 17. Laurindo. Staniana (Almeida) 16. The Most Beautiful Girl (Rodgers/ Hart) 12. Eili-Eili (Tradicional) 22. Saudade (Gnattali) ALMEIDA. What Kind of Fool Am I? (Bricusse/Newley) 9. Sueño (Almeida) 20. My Funny Valentine (Rodgers/ Hart) 3. As Long As He Needs Me (Bart) 4. The Guitar Artistry of Laurindo Almeida. Malagueña (Lecuona) 15. . 1997. Mystified (Almeida) 14. Guitar Master. Tea For Two (Youmans/Caesar) 19. Is It Really Me? (Jones/Schmidt) 6. The Sound Of Music (Rodgers/ Hammerstein) 11. Braziliance (Almeida) 21. Califórnia: Capitol Records. Laura (Raskin) 13. 1 CD n° GMR-104-97. Insomnia (Almeida) 18. LAURINDO ALMEIDA 203 1. Smoke Gets In Your Eyes (Kern/ Farbach) 7. Was She Prettier Than I (Marty/ Gray) 10.

porém. Malagueña (Ernesto Lecuona) 3. Bloom) 7. D. Escadoo (Laurindo Almeida) 13. Slaughter On Tenth Avenue (R. Flamenco Fire. Noches Malagueñas (Laurindo Almeida) ALMEIDA. Jalousie (J. Dingue Le Bangue (J. Fiesta Friangra (Não Consta) 6. The Concord Jazz Heritage Series. España Cani (Não Consta) 5. 3 No encarte do CD consta que se trata de uma reedição de 1957. Te Amo (Laurindo Almeida) 5. Madriguera) 14. Invocation To Shango (Radamés Gnattali) 10. Flamenco Andaluz (Não Consta) 2. USA: Pickwick Records. Kahn) 3. Chopin a la Breve (Frederic Chopin) 6. Carioca (Ernesto Nazareth) 4. o LP da edição original não foi encontrado. Serenata Española (Laurindo Almeida) 9. Adiós (E. 1 CD n° 11942. USA: Concord Jazz Records. Recuerdos de Huelva (Não Consta) 10. 1998.Gade/V. 1 CD n° 4823-2. Laurindo. 1998.3 1.204 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Unaccustomed Bach (Ernesto Coletânea Nazareth) 12. Gershwin/G. Rodgers) 11. Woods/E. First Con for Guitar And Orchestra (Moderato) ALMEIDA. You and I (Você e Eu) (Carlos Lyra/ Vinícius de Moraes) 8. Guajira Flamenca (Não Consta) 7. Gershwin/ G. Ecos de Ricio (Não Consta) 4. . San – Macdony) 2. Gallito (Não Consta) 8. Laurindo. Danza Five (Granados) 9. Liza (I.

. Fughetta IV (Bach/Almeida) Reedição do LP: Bach Ground Blues & 10. Conversa Mole (Almeida/Brown) 7. Not A Symphony (R. Pega Joso (Laurindo Almeida) 4. 2000. BROWN. USA: Unique Jazz Records. Deve ser Amor (De Moraes/Powell) Almeida Trio. 1 CD n° 2244-2. Laurindo. The Busy Bee (Laurindo Almeida) 4. Samba Medley (Laurindo Almeida) 2. Choro para Metronome (Powell) 12. Samba Triste (Laurindo Almeida) 6. Just a Bossa Nova.. Lemonade (Sy Lefco) 3. 1.Powell 8. 1 CD n° UNQ-1049. Make the Man Love Me (Schwaltz/ Fields) 5. de 1978 (DR-1024) 11. Eurídice (De Moraes) – Powell Faixas 1 a 6 – Reedição do LP Laurindo 10..Brown) ALMEIDA. Brazilian Greens (R. Brasil Guitar Magic! USA: Fine Tune Records. Prelúdio II (Bach/Almeida) 8. 2001. Berimbau (De Moraes/Powell/ Gilberto) 9. de 1971 (CCR-80102) 11. Brown) 2. Berceuse a Jussara (Powell) ALMEIDA. O Barquinho (Menescal/Bôscoli) 3. Ray. Baden. Canto do Ossanha (Laurindo Almeida) 5. Mo Greens (R. Jazz from A to B. Fughetta II (Bach/Almeida) Green. POWELL. Brown) 6. Scadoo (Laurindo Almeida) 7. Laurindo. Garota de Ipanema (De Moraes/ Jobim/Gimbel) . Prelúdio I (Bach/Almeida) 9. LAURINDO ALMEIDA 205 1.

Bud. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Nonó (Ricardo Peixoto) Reedição do LP: Laurindo Almeida 11. Hazard) Quartet Featuring Bud Shank. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ (PJ-7 e PJ-13) Humberto Teixeira) 13.. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. Hazardous (Richard P. 1 CD n° 706. Atabaque (Gnattali) 3. Laurindo. SHANK. . Inquietação (Ary Barroso) 7. Speak Low. de 1953 12. USA: Past Perfect Records. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. Tocata (Gnattali) 8. 2002. Noctambulism (Harry Babasin) 10. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) ALMEIDA. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4.206 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1.

A. de 1979 (CJ-100) Mills) • Caravan (Irving Mills/Duke Ellington/Juan Tizol) • Take the ‘A’ Train (Duke Ellington) • Rockin’ in Rhythm (Duke Ellington) ALMEIDA. Return of Captain Gallo (Laurindo Almeida) 12. Williwaw (Laurindo Almeida/Bud Shank) 5. Laurindo. . Mona Lisa (Jay Livingston/Ray Evans) 4. Just in Time (Betty Comden/ Adolph Green/Jule Styne) 11. The L. Hammertunes (Jeff Hamilton) 10. Califórnia: Concord Jazz Records. Summertime (George Gershwin) 3. Watch What Happens (Michel Legrand) 2. LAURINDO ALMEIDA 207 1. Misty (Errol Garner/Johnny Burke) 8. I Love You (Cole Porter) 9. de 1978 (CJ-63) e Live At (H. Nuages (Django Reinhardt) 7. Land of Make Believe (Chuck Mangione) 6. Carney/Ellington/Irving Montreux. 2003. 1 CD duplo n° 2176. Duke’s Melange: Reedição dos LPs: Watch What • I Let a Song Go out of My Heart Happens. Four: Two By Four.

Atkins) 11. Romero) 17. Almeida) 5. Constant Rain (L. Famoso (Ernesto Nazareth) 6. There and Everywhere (C. Califórnia: Concord Jazz Records. Lady Pearl (Almeida) 3. 1. El Gavilán (A. Intermezzo Melancólico (Manuel Ponce) ALMEIDA. Chet.. The Girl from Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) 4. Weber) 11. Atkins) 10. L. Brazil & Beyond. Naquele Tempo (Pixinguinha) 3. Cats: Memory (T. Um Ângulo p’ro Triângulo (L. L. Carioca (Ernesto Nazareth) 2. 2003. The Child (Antônio Lauro) Reedição dos LPs: Brazilian Soul. Somewhere my Love (C. Atkins) 9. Cochichando (Pixinguinha) 4. S.208 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. BYRD. Here. de 1983 15. Madriguera) (4211) 16. The Peanut Vendor (C. Rice/A. South (C. Atkins) 8. Brazilian Soul (Radamés Gnattali) 8. de 14. Adiós (E. Zum and Resurrección del Angel (Astor Piazzola) 13. Laurindo. Nunn/ A. Woods/E. For Jeff (Charlie Byrd) 10. USA: Original Artist- Studios Records. Almeida) 6. Laurindo. Evita: Don’t Cry For Me Argentina (T. Luperce (Luperce Miranda) 5. Eliot) 12. 1 CD duplo n° 2173. . Wave (Tom Jobim) ALMEIDA.. Atkins) 7. ATKINS. Turbilhão de Beijos (Ernesto Nazareth) 19. Weber/T. Classic Guitar. Gitanerías (Ernesto Lecuona) 1981 (4150) e Latin Odyssey. 2004. Cuando (L. 1 CD n° 0797. Charlie. Choro II (João Pernambuco) 7. Almeida) 12. Stone Flower (Tom Jobim) 9. Little Star (Manuel Ponce) 18. Music of your Life. Desafinado (Newton Mendonça/ Tom Jobim) 2. Midnight (C.

2006. Tocata (Gnattali) 8. Amor Flamenco (Laurindo Almeida) 5. Bourree (Bach) 19. Laurindo Almeida “Muito Prazer”. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 9. Eili-Eili (Tradicional) Shank. Atabaque (Gnattali) 3. de 1949 (EBF-139) e Lau. . 1999. Mystified (Laurindo Almeida) 20. Inquietação (Ary Barroso) 7.14. Acércate Más (Osvaldo Farrés) 4. DOURADO. Terra Seca (Ary Barroso) 6. Blue Baião (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira) 13. no canal a cabo GNT/Globosat. Brazilliance: Laurindo Almeida Featuring Bud Shank and Concert Creations for Guitar. de 1953 (PJ-7 e PJ-13) 16. Dream/Sueños (Laurindo Almeida) ALMEIDA. 3 fitas VHS (2:28 min). LAURINDO ALMEIDA 209 1. Noctambulism (Harry Babasin) 10. 1 CD n° 3110. Speak Low (Kurt Weill/Ogden Nash) 2. em julho de 1999. Brazilliance (Laurindo Almeida) 17. Hazard) 12. Laurindo. Hazardous (Richard P. L. Tea For Two (Vicent Youmans/ Irving Caesar) 18. Produção e Direção Artística: Leonardo Dourado. Stairway to the Stars (Malneck/ Parish/Signorelli) Reedição dos LPs: Concert Creations for Guitar. Nonó (Ricardo Peixoto) 11. Malagueña (Ernesto Lecuona) 21. Baa-Too-Kee (Laurindo Almeida) 6. Rio de Janeiro: Telenews. Insomnia (Laurindo Almeida) rindo Almeida Quartet Featuring Bud 15. Documentário exibido em três episódios. USA: FiveFour Records.

Cochichando (Pixinguinha) 5. Laurindo Almeida: Tribute to a Master. Brasil: Mablan Entertainment.210 ALEXANDRE FRANCISCHINI 1. Produção Artística: Debby Forman & Carlos Tavares. Durante sua carreira nos Estados Unidos. Premiações Criado em 1958 pela The National Academy of Recording Arts and Sciences. Corcovado (Tom Jobim) 10. Old Guitarron (Laurindo Almeida/ Johny Mercer) 9. Suite Aquarelle/Quarter Harbor Freeway (Laurindo Almeida) 8. Mozart in Samba Motion (Laurindo Almeida) 2. C. Insensatez (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) TAVARES. o Grammy Awards é considerado o Oscar da música americana. Discantus (Laurindo Almeida) 4. Nuage (Django Reinhardt) 7. 2005. Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) 3. Laurindo . Inquietação (Ary Barroso) 6. 1 DVD (60 min).

pela melhor performance instrumental de jazz. • Em 1983. o Latin American & Caribean Cul- tural Society concedeu-lhe o Certificate of Honor from the Achievement. para o álbum Guitar from Ipanema. Em 1961. Dessas. para o álbum The spanish guitar of Laurindo Almeida. Em 1960. Em 1961. Em 1960. em Londres. juntamente com Movements for piano and orchestra. pela melhor performance instrumental de música clássica. pela melhor composição contemporânea de música clássica. • Em 1977. • Em 1992. em 1970. solista e para orquestra. 5. 2. o Certificado de Apreciação do American String Teachers Association. foi agraciado cinco vezes: 1. prêmio comemorativo apresentado pela Socie- dade de Violão Americana por sua carreira ilustre como artista. 3. LAURINDO ALMEIDA 211 Almeida recebeu 16 indicações a esse prêmio. com a peça Discantus. vocal e instrumental de música de câmara. o Certificado de Honra por Realização Vahdah Ol- cott-Bickford. Outros prêmios • Um Oscar pela animação do filme The magic pear tree. . em reconhecimento ao seu grande talento como compositor e artista. solista e duo. para o álbum Conversations with the guitar. promovendo uma apreciação universal do violão tanto para música popular contemporânea quanto para a música clássica. 4. compositor e divulgador da música das americas. pela melhor performance instrumental de música clássica. pela melhor performance instrumental clássica. Em 1964. por uma vida dedicada ao violão nos Estados Unidos. de Igor Stravinsky. com o álbum Reverie for spanish guitars.

212 ALEXANDRE FRANCISCHINI • Em 1994. concedido pelo Presidente da California State University. . o título de Comendador da Ordem do Rio Branco. Northridge – Blenda Wilson. • Em 1995. concedido pelo governo brasileiro. o prêmio Distinto para Contribuições à Universida- de.

. contido no documentário Laurindo Almeida “Muito Prazer”. em 30 de outubro de 2006. ANEXO II Entrevistas Entrevista concedida pelo maestro Júlio Medaglia. • Transcrição P: Eu gostaria de começar a entrevista lendo um comen- tário do senhor. realizada na Rádio Cultura.

e naquilo que ele expôs ao mundo – por meio de seus discos. O seu violão reproduzia todos os valores rítmicos. Ele universalizou toda aquela matéria-prima afrobrasileira e europeia. não existe qualquer trabalho escrito sobre a vida e obra de Laurindo Almeida (somente um documentá- . além de ser um grande violonista de música popular brasileira.214 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Laurindo Almeida é mais do que um violonista eclético. Mas ele trazia na sua música. em sua Enciclopédia do Jazz. quanto Joaquim E. em seu livro O jazz do rag ao rock. P: De fato. o nome de Laurindo está vinculado à história do jazz. que formou o que a gente chama de música popular brasileira da primeira metade do século XX. por meio do Stan Kenton (banda na qual ele foi o grande violonista). provavelmente do mundo inteiro. com os melodismos portugueses. Ele representava. Berendt. o Laurindo Almeida teve toda essa importância interna- cional via jazz. O senhor acha que Laurindo Almeida tem a mesma importância para a história da música brasileira quanto parece ter para o jazz? R: Bem. no fundo. P: No Brasil. só que deu uma dimensão internacional. Ele tinha também a grande técnica de instrumentistas de alto nível. Tanto Leornard Feather. quando pegava um motivo rítmico qualquer – coisa que no Brasil se desenvolveu bastante por causa da cultura afro –. a coisa ganhava outra di- mensão. ele é o violonista mais completo de sua geração. que eram muito sentimen- tais e que deixaram todos os americanos e europeus encantados. trazendo os ritmos mais variados de origem africana. então. todos os maneirismos de uma música popular brasileira rica ao mesmo tempo sendo um grande violonista de jazz. por meio também dos seus arran- jos e da sua atuação como compositor em Hollywood –. quando colocava aquilo dentro de uma estrutura violonística. incluem-no como um músico importante para história do jazz. uma coisa que já existia no Brasil. Ele possuía toda técnica dos violonistas clássicos. toda aquela variedade que a música popular brasileira desenvolveu na primeira metade do século XX.

O Laurindo faz parte de um seleto grupo de músicos que transcenderam as fronteiras muitas vezes polarizadas entre as músicas ditas eruditas e populares. diversos gêneros de música popular brasileira. LAURINDO ALMEIDA 215 rio). Isto significa: os melhores músicos do mundo. e aí passou a ser um músico do mundo. caiu no esquecimento. Mas ele era tão bom quanto qualquer músico brasileiro de seu tempo. a um jovem músico que me perguntou que Laurindo era esse. E lá que ele foi se encontrar. Por isso ele ficou lá e passou a ser mais conhecido como músico de jazz do que como músico brasileiro. onde ele tocou com os melhores músi- cos. mas tinha também toda sofisticação técnica de músicos que estudaram em academias. A que fatores você atribui esta lacuna na historiografia na música popular brasileira? R: É porque ele viveu todo auge de sua carreira fora do Brasil. e aqui. Durante sua carreira gravou Villa-Lobos. LP gravado em Nova York que lhe valeu o Grammy em 1964. Radamés Gnattali. Eu mostrei há pouco o Guitar from Ipanema.. se organizar.. O senhor acha que esse ecletismo musical pode ter dificultado o seu reconhe- cimento aqui no Brasil? . Aquele pessoal da West-Coast norte-americana tinha todas as características da raiz do jazz tradicional. jazz e até flamenco. a coisa ganhava uma dimensão internacional. A partir de lá que ele passou suas informações musicais para o mundo inteiro. músicos que vinham de uma formação técnica maior. O Lau- rindo é respeitadíssimo pela nata da música americana. P: Em um almoço com Ricardo Cravo Albim (o idealiza- dor do Dicionário de música popular brasileira) Tom Jobim comentou: O Brasil não gosta mesmo de quem faz sucesso lá fora. Viveu nos Estados Unidos. Mesmo quando ele usava componentes rítmicos brasileiros e latino-americanos.

Existem grandes violonistas tão bons quanto ele. Mas as raízes africanas foram todas aniquiladas.216 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Não. que foram também músicos de estúdio. No meio musical todos sabem quem é Waltel Branco e Zé Menezes. não! Isso não tem nenhum problema. por isso ficou mais conhecido lá. O Américo Jacomino ficou conhecido no começo do século porque a música era pequena e limitada. mas no Brasil são pouco conhecidos. hoje. Toquinho. Mas o Laurindo fez carreira fora. Mataram os caras! Agora. Se ele ficasse aqui seria reconhecido tanto quanto. músicos preciosos. enfim. como se dá nos Estados Unidos. por isso se destacou. Mas sempre se manteve fiel às suas raízes brasileiras. . todo esse pessoal. como foram aniquilados os índios argentinos. Foram poucos os que se destacaram como solistas como o Dilermando Reis. Ou seja. Zé Menezes. que trouxe uma geração de músicos populares para o conhecimento: Baden Powell. Ele ficava plantando algodão e choramingando. que tocava violão na Rádio Nacional. O Charlie Byrd tocando música flamenca ou bossa nova é ridículo! Ele toca e a gente vê que tem técnica. como Waltel Branco. Ele não foi re- conhecido no Brasil porque sua carreira foi construída fora. aí sim! Aí começou aquela ge- ração de música de qualidade. O negro lá não podia batucar! Negro lá batucava levava porrada. foram poucos os instrumentistas que ficaram famosos. são os negros. mas não tem aquele swing autêntico dessas músicas. O Stan Kenton gostava muito dele porque tinha exatamente esse ecletismo que nem todos os violonistas têm. Da bossa nova em diante. Nós tocamos jazz melhor do que eles tocam música brasileira. mas depois ele ia se encontrar com a crioula dele lá no terreiro e sambava e batucava do mesmo jeito. O Aleijadinho provavelmente devia rebolar como rebola qualquer mulata de escola de samba. É claro que o Brasil nunca deu muita importância à música instrumental. O próprio Garoto era mais conhe- cido como compositor. A música americana do final de século XIX e início do século XX destruiu suas raízes africanas. No Brasil. não houve conflito racial! Quem está criando conflito racial. Daí nasceu o blues. aqui no Brasil o crioulo chegou a escrever música barroca como Vivaldi.

que o Brasil tem preconceito contra negro. acharam que era ele quem tinha introduzido isso no Brasil. as pessoas não conheciam os músicos brasileiros e conheciam o Laurindo Almeida que. re- presentava toda essa rítmica brasileira sofisticada em nível de música de câmara. como eu disse. ele é um dos pais. P: Certa vez. como existe nos Estados Unidos. Agora: existiam outros violonistas brasileiros que também tinham conhecimento dessas harmonias modernas. para um ouvido es- trangeiro parece que foi ele quem introduziu isso na música popular brasileira. em entrevista ao documentário sobre Laurindo Almeida. Garoto. não foi ele! Já existiam inúmeros músicos aqui que montaram esse colchão onde a bossa nova foi implantada. conhecia toda a música de câmara brasileira por meio do violão. Existe algum preconceito. Foi importante. segundo Castro Neves. Ele não é o pai. Dilermando Reis e como tantos outros brasileiros foram. P: Oscar Castro Neves. quando eles ouviram a bossa nova. Isso procede? R: Isso procede! Está certo. já seriam usados por Laurindo antes do advento do novo estilo. os bons músicos gravam separados e . mas não existe discriminação e nem antagonismo racial. ficaram aqui tocando nas rádios brasileiras. Esse é um assunto que ainda gera polêmica! Por quê? R: Gera polêmica porque externamente é possível dizer que ele é o pai da bossa nova. isso sim é possível dizer! Mas tanto quanto os outros violonistas. saiu uma nota em um jornal suíço que dizia: “Laurindo Almeida. Como nos Estados Unidos existiam as big bands e a música instrumental era separada da música vocal. LAURINDO ALMEIDA 217 que acham que devem ser diferentes. o pai da Bossa Nova”. devem ter cotas. porém. Talvez pelo emprego de acordes dissonantes que. afirma que a contribuição que o violonista deu à Bossa Nova está no aspecto harmônico. Mas ele não é o pai. Então. foi um excelente instrumentista de bossa nova. porém. afinal. Então.

Já a música brasileira se desenvolveu mais no aspecto melódico e vocal. certamente. o jazz a partir de New Orleans. tam- bém tocou com um saxofonista chamado Bud Shank. compositores que vieram de uma herança francesa. P: Quando o Laurindo chegou aos Estados Unidos. Então. Ja- cks Klein tocava jazz. ele morava nos Estados Unidos e aplicou à música brasileira.218 ALEXANDRE FRANCISCHINI gravam como solistas. Assim. o Geraldo Parente lá no norte. Antes disso não! O ragtime não tinha improvi- sação. ele fez essa amálgama e. lá se desenvolveram. digamos assim. em meio aos temas abrem-se chorus de improvisação. Luiz Eça – que inclusive foi meu aluno. E como os jazzistas assimilaram estas harmonias que vieram do impressionismo – mesmo porque estiveram lá nos Estados Unidos. é possível atribuir a ele toda essa de- senvoltura harmônica. Nadia Boulanger. O Laurindo Almeida assimilou isso. ela desenvolveu mais o aspecto harmônico. os ritmos de Chicago. Juntos lançaram uma série de três discos chamados Brazilliance. Aqueles ritmos de New Orleans. O senhor conhece algum registro anterior que já tenha essa fusão de temas brasileiros tocados para improvisação? R: Todos os pianistas brasileiros que tinham uma técnica mais desenvolvida e tocavam música popular brasileira tocavam jazz. No século XX o jazz se desenvolveu e popularizou essas harmonias. A música ame- ricana é mais instrumental. O jazz do século XX. de uma harmonia mais diluída –. foi a música que mais desenvol- veu a improvisação. vários músicos brasileiros. eram músicas europeias de salão atrasadas. ou seja. Era pobre! Como no Brasil o . Nesses discos. no jazz desenvolvido da west coast. existem músicas brasileiras tocadas com pro- cedimentos jazzísticos. porque o jazz evoluiu em maior quantidade essas harmonias modernas. Darius Milhaud e vários compositores. a harmonia dele foi sempre a mais ampla de todas. Os discos datam de 1953. porque ele trabalhava com essas har- monias na música popular norte-americana. De fato. Todos sabiam improvisar e conheciam a improvisação jazzística.

Não é como aqui. o jazz deixou de ser uma música de salão europeia para ser uma música norte-americana. Coisa que os eruditos faziam. No Brasil. Os jazzistas foram os grandes improvisadores do século XX. A partir dos anos vinte. certamente deve ter alguma coisa. Luizinho Eça. é sabido que os músicos aqui improvisam jazzisticamente sobre ritmos brasileiros. que aprenderam a improvisar com o jazz. quando o jazz começou a ser improvisado. como a influência do jazz é muito anterior. eles gravam as coisas e não jogam fora. não só brasilei- ros. Lá. os cubanos e os do México. Porém. e acredito que exista. talvez eu tenha esqueci- do de dizer que o registro desses discos é dos Estados Unidos. desenvolveu-se esse hábito. O próprio Vadico. então você vai encontrar bons pianistas ou instrumentistas brasileiros que sabiam improvisar. embora sempre tenha uma raiz brasileira em tudo o que façam. Transformou aquilo numa nova realidade que se chamou jazz. eles se encantaram com os ritmos sul-americanos. Ou seja: o negro. que trabalhou com Noel Rosa. Pode ser que exista. por meio da pronúncia. e que. Aí. LAURINDO ALMEIDA 219 chorinho do início do século. no século XX. Quando eles começaram a descobrir o ritmo outra vez. quando tocava aquelas polcas [neste momento co- meçou a cantarolar] quando começou a tocar aquelas músicas de salão europeias. e introduziram isso na música brasileira. O próprio Hamilton Godoy. Aquele país é sé- rio. Era muito batidinho. P: Com relação à mesma pergunta. porque eles sempre tiveram fascínio. essa capacidade dos músicos populares de improvisar. que jogam fora tudo. porque nesses países as influências africanas permaneceram. quando vão improvisar fica mais jazzista. morou nos Estados Unidos e tocava música brasileira com informação jazzística. Mas muita coisa não deve ter sido gravada. Eu pelo menos não conheço nada. O senhor tem algum conhecimento disso antes de 1953? R: Existiram músicos que passaram por lá e fizeram coisas. não foram destruídas como nos . inclusive. começou a pronunciar aquilo de forma diferente. eu quis dizer nos Estados Unidos. desaprenderam.

220 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Estados Unidos. Então, eles ficavam fascinados. Quando eles viam
os músicos brasileiros que iam para lá, o Bando da Lua, com violão
acompanhando Carmem Miranda, eles ficavam enlouquecidos de
ver essa rítmica brasileira, sobretudo no violão, que seria o violão
de mão direita, que faz o ritmo. Egberto Gismonti, Baden Powell,
que fazem aquilo tudo muito bem. O Garoto fez também, toda
essa turma aí. E também o cavaquinho, que nos Estados Unidos
corresponde ao banjo. Aquilo é um mero instrumento de percussão
– de repente o pessoal pega e transforma aquilo em instrumento de
música. Músicas como Brasileirinho e Delicado que durante a guerra
foram popularizadas pela política da boa vizinhança deixavam os
músicos americanos enlouquecidos. Então copiavam a gente, faziam
à moda deles. Eu era criança e recebia gravações americanas, nas
quais eles copiavam ritmos brasileiros, sobretudo dos instrumentos
de cordas. Soava engraçado, mas eles sempre foram fascinados por
essa matéria-prima rítmica brasileira de base africana, que aqui se
desenvolveu ainda mais. Embora tenha se preservado, ela ganhou
novas dimensões com as misturas de raças, com a mistura de ritmos
diferentes, de outras regiões do país.

P: O senhor tem conhecimento de como Laurindo conhe-
ceu Carmem Miranda?
R: Eu não sei, eu já soube disso, mas agora não me lembro.

P: O Radamés Gnattali compôs e dedicou músicas para o
Laurindo. O senhor tem conhecimento disso?
R: É, o Radamés compôs um concerto para ele. Escreveu para
violão e piano. Esse concerto eu quis editar na Alemanha, mas teve
um problema. Não chegou a ser editado, se eu não me engano. Mas
um menino outro dia quis tocá-lo e eu orquestrei para cordas, flauta,
clarinete e fagote. Um instrumento de cada sopro. Eu fiz aqui na
televisão, na Cultura, e agora vou fazer o terceiro movimento no
próximo sábado. Eu fiz baseado no que o Radamés escreveu, que é
uma linguagem muito desenvolvida. O Radamés, quando escrevia

LAURINDO ALMEIDA 221

para instrumento solista, pra sala de concerto, virava realmente
um compositor de sala de concerto. A vida dele começou como
músico erudito, ele primeiro foi um grande pianista, um grande
violinista, depois um grande violonista, tocou cavaquinho tão bem
quanto os outros instrumentos. Não é que ele tocava um pouco de
violão, ele tocava muito bem. Uma vez, na casa dele, eu disse: como
é Radamés, você também mandou brasa no violão? Como dizendo:
“foi meio daquele jeito”. Ele disse: “daquele jeito não!” E pegou o
violão e estraçalhou na minha frente. Fiquei até envergonhado. Ele
escreveu esse concerto que, se eu não me engano, é o número dois,
que ele gravou nos Estados Unidos, mas foi só para piano. Agora:
eu orquestrei com muito prazer, eu era muito amigo do Radamés, e
o reconheço como um grande músico brasileiro, importantíssimo.
Esse também sabia tudo! Entendia uma linguagem de origem po-
pular e sabia escrever como um compositor erudito. Coisa que não
aconteceu nos Estados Unidos. Uma coisa era música popular, outra
coisa era música erudita. O Leornard Bernstein nunca conversou
com os músicos de jazz. O único que fez isso foi o Gutter Shirley.
Aran Cosplay escrevia música sobre o folclore americano, mas nunca
conversou com um músico de jazz para escreverem juntos alguma
coisa. Como aqui nós fizemos na Tropicália. Sempre foi separado.
Você acha que os compositores ingleses sentaram com os Beatles e
fizeram alguma coisa juntos? Nem pensar!

P: O senhor tem alguma informação sobre a relação de
Laurindo com Villa-Lobos?
R: Não, não sei não.

Considerações finais:
Do entrevistador: Eu gostaria de agradecer pela atenção, e dizer
que foi um prazer falar com o senhor.

Do entrevistado: Pra mim foi um prazer, se precisar é só falar
de novo com a gente.

222 ALEXANDRE FRANCISCHINI

Entrevista concedida pelo museólogo e historiador
Paulo de Castro Laragnoit, realizada em Miracatu, em
25 de julho de 2006.

• Transcrição

P: Senhor Paulo, poderia me contar como e quando come-
çou a se interessar pela história de Laurindo Almeida?
R: Olha, eu comecei a me interessar pelo Laurindo já no apagar
das luzes dele e de seu irmão Edgar, quando num artigo de jornal
de O Estado de S. Paulo perguntaram ao Laurindo onde ele havia
nascido, e ele respondeu que tinha nascido numa cidadezinha cha-
mada Prainha, tão pequenininha que nem no mapa existe. Aí aquilo
ficou na minha cabeça e pensei: ele vai precisar saber onde nasceu
então! Naquela altura eu já tinha escrito o meu primeiro livro, então,
enviei para ele. Foi difícil achar o endereço, mas por meio de uma
repórter do Rio de Janeiro, que foi muito legal, consegui o endereço
e escrevi para os Estados Unidos mandando o livro. Mandei o livro
e ele mandou os recortes que falavam de sua família para o irmão
dele, que também era escritor aqui no Brasil. E aí ele escreveu uma
carta [...] O Laurindo saiu daqui com três anos e não levou nada
de Miracatu, mas o irmão Edgar saiu com dez, doze anos de idade.
Ele gostava daqui, lembrava do povo, queria bem a cidade. Hoje se
chama Miracatu, mas naquela época se chamava Prainha. Aí, ele me
escreveu cartas contando um mundo de coisas sobre o Laurindo. Fui
colhendo o material e vi que podia escrever alguma coisa, porque

LAURINDO ALMEIDA 223

ninguém sabia nada. No meu primeiro livro, eu custei a conseguir
alguns dados biográficos sobre Laurindo. Ninguém sabia nada aqui
no Brasil, não tinha divulgação nenhuma. Então saiu um pedacinho
[se referindo aos dados biográficos de Laurindo em seu primeiro
livro], aí o pessoal me ligava e perguntava: quem é esse Laurindo
de Almeida? Ele nasceu aqui mesmo em Miracatu? E o pessoal não
acreditava que uma pessoa tão importante tinha nascido em Mira-
catu. Miracatu também cresceu, ficou uma cidadezinha maior [...].
Eu já estou no final do livro, já consegui bastante material, da vida
toda, nos Estados Unidos, do trabalho dele. Quando ele faleceu,
o irmão dele, o Edgar, me telefonou e [...] até falei: hoje de noite
eu vou ligar a TV porque deve sair alguma coisa, como sai sempre
com pessoas importantes, sai a vida da pessoa, mas não deu nada.
Depois no Guardian de Londres, um jornal importante de Londres,
um repórter escreveu sobre o falecimento dele, e comentou que aqui
no Brasil tinha passado despercebido. Uma pessoa tão importante...
Eu pensei: isso não pode ficar assim! Agora, no ano passado houve
aqui o simpósio Laurindo de Almeida. Vieram quatro violonistas
de renome de São Paulo, foi um evento muito bonito. Quer dizer,
já começa a aparecer, né? Já estamos trabalhando este ano pra ver se
conseguimos fazer a mesma coisa, um festival Laurindo de Almeida
em Miracatu. Aí vai dar nome à cidade, e vai também divulgar o
trabalho dele, que é um trabalho maravilhoso, muito bom, e [...]
é isso, foi assim que eu me encantei com Laurindo de Almeida
(Risos).

P: Como é a história de que suas famílias são próximas. O
senhor veio a descobrir isso posteriormente?
R: Isso quem me contou por carta foi o Edgar. Na família do
Laurindo eram quatorze irmãos, mas só seis ou sete sobreviveram
[dúvida]. O pai dele foi o primeiro chefe de estação de Prainha e meu
tio, Antonio Laragnoit, era o subprefeito. Naquele tempo a cidade
era muito pequenininha, a vila, né... Então ele morava na estação
[referindo-se a Benjamim de Almeida, pai de Laurindo Almeida] e
só existiam duas casas: a do prefeito e a da família do Laurindo. Então

224 ALEXANDRE FRANCISCHINI

eles fizeram uma grande amizade, eles se queriam bem, como disse o
Edgar: “pareciam dois irmãos”. Então foi assim que eu comecei a me
interessar. Depois ele me contou sobre a família, porque o Laurindo
tocava violão, o pai tocava violão, a mãe dedilhava o piano, Mozart
e Chopin no piano. Os outros irmãos todos eram músicos, era uma
família de músicos.

P: Como se chamavam os pais de Laurindo Almeida?
R: A mãe se chamava Placidina e o pai Benjamim de Almeida.

P: O senhor se lembra de onde vieram, como chegaram
aqui?
R: Quando ele veio pra cá, ele já era chefe de uma estação, não
sei se aqui da praia. Ele veio transferido. A família era de Cananeia,
família tradicional de Cananeia. O tio de Laurindo escreveu muitos
livros da história do litoral, Memórias de Cananeia, História das
Navegações. Ele também era de uma entidade importante de São
Paulo, que eu não me lembro bem agora [...] Então, era uma família
culta e tradicional de Cananeia. Não era gente rica, mas era culta.

P: Quando vieram já eram casados?
R: Já, ele veio com a mulher. Ele veio pra cá em 1914, foi embora
em 1920, levou Laurindo pequenininho nos braços. O Laurindo
nasceu em 1917.

P: Saindo daqui foram pra onde?
R: Santos. De Santos foram para São Paulo, Laurindo já conheceu
muitos músicos, foi trabalhar em rádio também. Depois foi pro Rio
de Janeiro trabalhar no Cassino da Urca. Lá ele tava muito feliz da
vida aí, o Marechal Dutra proibiu o jogo e a renda dele desabou. Aí
ele pensou em ir para os Estados Unidos. Como eu digo no meu livro,
quem empurrou o Laurindo para os Estados Unidos foi o presidente
Dutra, e uma música dele que já fazia sucesso lá nos Estados Unidos,
pela qual recebeu direitos autorais.

em cooperativa. P: O senhor se lembra do nome de todos eles? R: Não. Lembro do Romeu e do Edgar. em que andamento está e quando vai ser publicado? . com dezoito anos parece. mas não sei mais nada sobre isso. chamava-se Johnny Peddler. Teria mais informações sobre isso? R: Eu sei que ele recebeu direitos autorais. Tocava também nas procissões. Mas sei que ela fazia sucesso. suas fontes de pesquisa. Ele fala muito sobre Prainha. já entrou para a orquestra famosa de Stan Kenton. até no Os dez mandamentos! P: O Laurindo tinha muitos irmãos? R: Eram quatorze irmãos. quando foi para Los Angeles. fabricado no Rio de Janeiro. gravada por um grupo chamado Os Pinguins. não conheci. Ele me mandou esse livro e eu transcrevi muita coisa do livro. P: O senhor conheceu Geraldo de Almeida? R: Geraldo? Não. LAURINDO ALMEIDA 225 P: Esta música à qual o senhor se refere. Não sei se foi espontaneamente. ou se foi pela jus- tiça. aqui no Brasil chamava-se Aldeia da roupa branca. né? P: O senhor poderia falar mais sobre o irmão mais velho. o Edgar? R: Edgar era um irmão dele que escreveu um livro de histórias de contos. só de alguns: o Romeu. nas bandas. O Romeu morreu mocinho também. Trabalhou em muitos filmes. Lá nos Estados Unidos. e teve um problema de direitos autorais como o senhor relata. P: Poderia me contar um pouco sobre o processo de escrita do seu livro. mas só seis [dúvida] sobreviveram. o Edgar. Aí ele deu sorte. e aí abriram-se as portas da felicidade [Risos].

Outra história também é a da Bossa Nova. Aí o cidadão que me atendeu começou a rir e disse: “Olha. tenho bom ouvido. e tudo isso. Recortes de jornais de Los Angeles que o Edgar me contou. vai dar uma enciclopédia. tem que fazer uma viagem longa para encontrar algum disco do Laurindo de Almeida. [Risos] P: E o senhor. Se não. não existe. Agora. tem muita gente no Brasil que não concorda de jeito nenhum! Se falar que o Laurindo Almeida foi precursor da Bossa Nova. Eu gosto muito de música. não vai dar um livro. se perde. ele não foi convidado. né?! P: Aqui na cidade existe algum acervo de discos e partituras do Laurindo Almeida que possa ser consultado? R: Não. revistas. cartas de Laurindo. Preciso fazer um levantamento para ver o que é interessante. Já que temos museu. esse repórter mesmo disse “Laurindo Almeida. noticiários e as cartas de Edgar. recortes do Guardian de Londres. Então. o que não é. mas quando ela estourou no Carnegie Hall de Nova York. . eu pedi um LP do Laurindo de Almeida. Inclusive. numa casa de discos. infelizmente nós não temos. o chefe da Bossa Nova. Muitos críticos importantes dos Estados Unidos falam que ele principiou a Bossa Nova. Tem que ser uma pessoa que tenha gabarito pra poder. temos tudo. em Londres e no Japão” [Risos]. Ou seja. sou leigo. As fontes de pesquisa são jornais. Nesse documentário mesmo diz que não se chamava Bossa Nova. no outro dia sai um artigo de jornal enorme dizendo que não. Tenho um bom material.226 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Bom. não posso dizer nada. mas não entendo nada. eu não sou crítico musical. jornal de Londres]. E tudo que não se escreve. eu achei que deveria escrever alguma coisa porque não tem nada escrito. tenho boa voz. Por sinal tem um caso interessante: certa vez fui a São Paulo e. mas o senhor vai encontrar nos Estados Unidos. mas era Bossa Nova. ficou de escan- teio. na enciclopédia mesmo. não posso dizer nada. ele não aparece. Quando ele faleceu. o que acha? R: Olha.” [referindo-se à nota do The Guardian.

muito obrigado. realizada em sua residência no bairro do Bixiga. eu comecei a estudar violão em 1941. • Transcrição P: Primeiramente. eu comprei alguns discos. eu gostaria de obter algumas informa- ções a respeito de sua vida. e muito agradecido pela en- trevista concedida pelo senhor. foi um grande prazer. LAURINDO ALMEIDA 227 Considerações finais: Entrevistador: Eu fico muito feliz. muito obrigado. era comprar alguns discos. Entrevistado: Eu também. tudo que caía na minha mão eu ia guardando. Já em 1941 mesmo. Entrevista concedida pelo violonista e colecionador Ronoel Simões. em São Paulo mesmo. em 29 de junho de 2006. E nessa mesma época eu comecei a comprar alguns discos de violão. né?! Não era colecionar. Quando e como começou o seu acervo? Qual o primeiro disco ou partitura? R: Bom. Naquele tempo eram de 78 rotações e eu .

P: Qual a data de seu nascimento? R: Nasci no dia 24 de março de 1919. Engraçado. Um era Abismo de rosas pelo Canhoto. P: Fale mais sobre Araraquara? R: O meu pai tinha um empório. O que ia caindo na minha mão. cada mês eu comprava alguns discos. Não era cole- cionador. eu moro aqui desde 1938. um pequeno empório. sim. Era num bairro muito próximo da estação. mas parece que se chamava Vila Xavier.] nossa atividade naquele tempo era essa. né?! Eu tenho o hábito de que tudo que eu compro. Os outros dois eu não me lembro o que eram. uma boa cidade. nasci em Araraquara. encostado na estrada de ferro. naturalmente. Meu pai tinha um empório e eu ajudava no empório. da estrada de ferro. dois ou três discos por mês. e o outro era Dilermando Reis. uma cidade aqui perto. P: O senhor vem em de uma família de músicos? R: Não. era comprando pra ouvir. vendia coisas assim [. E foi aos poucos. eu tô meio esquecido. cigarro. Gotas de lágrimas. P: Por que o senhor decidiu vir para São Paulo. Nesse dia. Eu vim pra São Paulo morar em 1938. eu não vendo. em casa ninguém era músico. não! Eu fico com ele pra mim sempre.228 ALEXANDRE FRANCISCHINI me lembro que comprei uma vitrolinha daquelas pequenininhas pra tocar e comprei cinco discos de violão. Noite de Lua e Maguada. em 1938? . não era colecionando. Eu não nasci em São Paulo.. Vendia pinga. P: O senhor já morava em São Paulo? R: Morava aqui em São Paulo. num bairro perto da estação da estrada de ferro. o outro era Mozart bicalho. Eu comecei a estudar violão em 1941. eu ia guardando esses discos desde 1941. Eu era o único que gostava de violão.. mas em casa ninguém era músico. eu fui guardando sempre.

tocava tudo. e costumava vir a São Paulo muito frequentemente. guitarra. Eu fui conhecendo ele lá. O Garoto morava no Rio de Ja- neiro. P: O senhor conheceu também o Dilermando Reis? . Ele tinha sido aluno do Bernardini em 1937. Mas eu tinha a intenção de conhecer aqueles violonistas e começar a estudar aqui. Então me tornei interessado em estudar. mas eu nunca tinha tido professor. Ele tocava tudo e tocava tudo muito bem [. Eu já tinha essa intenção de estudar violão. Isso quando ele ia tocar na casa dos amigos. Lá nós nos co- nhecemos. Ele vinha visitar o Bernardini. Só que o Garoto estudava muito sério e tornou-se um grande violonista. Foram sete anos! P: O senhor conheceu o Garoto? R: Conheci o Garoto. cavaquinho. ele me aconselhou o professor dele mesmo. Mas isso só se deu em 1941. Quatro anos antes de eu estudar com ele. Quando vinha pra São Paulo me telefonava. que era muito conhecido aqui naquele tempo [.. É. nas mansões ali nos bairros. em 1941. nas casas chiques. Ele tinha amigos bons! Sempre me convidava pra ir ouvir também... Por sinal ele era aluno do Bernardi- ni. bandolim. LAURINDO ALMEIDA 229 R: O meu objetivo de vir pra São Paulo era para estudar violão. Bem eu conheci um que se chamava Julio Mazotti. eu não me lembro. sabe? E eu o conheci. Era um bom instrumentista. P: Qual o primeiro violonista que o senhor conheceu? R: Bom.] E era um bom professor. Ele já faleceu. Tinha família aqui. muito bom. O Bernardini morava naquele tempo lá no Largo do Cambuci. uns anos depois. Acompanhava ele. nem nunca tinha tido um violão. um professor que tinha aqui.. 39. e tudo muito bem tocado. né? Foi assim que eu conheci o Garoto.. o Bernardini.] tocava violão tenor. mais tarde um pouco.. Ele tocava pra mim e eu gostava muito de ouvir.. Foi justamente o Garoto que tinha sido aluno desse professor Bernardini. 38. e ele viu que eu gostava de violão. então. Estudei com ele de 1941 até 1948.. ouvir ele.

a Valsa n° 1. em 1943. o José Augusto de Freitas e uma porção de outros violonis- tas. essa música saiu em duas edições: na Ricordi e na revista. Mas tudo que era do violão eu procurava. Inclusive. tinha relações com os violonistas. hoje. né? Impresso pela Editora Vitale. Inclusive. Então. e também saiu na Revista Violão e Mestres. e eu não cheguei a conhecer. que era muito meu amigo. casou-se. o filho.230 ALEXANDRE FRANCISCHINI R: Dilermando Reis eu conheci em 1943. O Pixinguinha não tive o interesse de conhecer pessoalmente. a filha mora no interior.] então eu não procurei ele. ele tinha um casal de filhos e eu conheci os dois. Uma revista que existia aqui em 1964. o Benedito Chaves e muitos outros. Eu visitei todos que eram violonistas. a viúva já morreu. fiquei também conhecendo o Villa-Lobos. naquele tempo eram LPs. já. Tudo onde tinha violonista eu ia pesquisar. Sou amigo deles. Não era violonista! Ele gostava dos violonistas. mas não era violonista [. Conheci aqui sim o Armandinho. ele morreu em 1928. Saiu aí.] Tem alguns. eu co- nheci naquela ocasião.. mas por outros violonistas. Tem gravação dela [. mudou-se. Não por mim. E lá no Rio fiquei conhecendo muitos violonistas. ele dedicou a mim. Aliás.. Então. O Villa-Lobos e toda essa gente. Está impresso. E outros músicos mais também não.. existem alguns LPs. P: O senhor se lembra de ter conhecido o Armandinho e o Canhoto? R: O Canhoto eu não conheci. Bom. Até uma composição dele. Uma valsa do Armandinho muito bonita. Eu conheci depois a viúva. .. Eu morava aqui e fui passear no Rio. Foi a primeira vez que eu fui ao Rio de Janeiro. Fiquei conhecendo muitos violonistas lá. o Vital Medeiros que toca lá. outros violonistas gravaram ela também. está em CD. o filho e a filha dele. essa Valsa n° 1 está gravada lá nesse disco. que era um bom compositor para violão. mora aqui em São Paulo e sou amigo dele até hoje. fiquei conhecendo o Dilermando Reis. e outros mais. O Luisinho. Conheci o Pereira Filho. Eu frequentava a casa da viúva e dos dois filhos.

eu sei que depois. então saía junto com ele. ele conhe- cia muito o violão popular. Tornei-me muito amigo dele. sempre fui amigo dele. Em 1943. Foi nessa época. até quando fechou o cassino ele traba- lhava lá sim. lá no Rio mesmo. Eu não conhecia o Rio. eu fui procurar por ele. conhecia tudo. Agora. ele tornou-se muito amigo e colaborador do Gnattali e de Villa-Lobos também. né? . em 1943. Inclusive. como o conheceu? R: O Laurindo eu conheci no Rio. O Villa-Lobos também dedicou música a ele. P: Nessa época Laurindo trabalhava no Cassino da Urca? R: Trabalhava também. aqueles concertos do Gnattali para violão e orquestra. LAURINDO ALMEIDA 231 P: E o Laurindo Almeida. do Villa-Lobos. parece que o Garoto também trabalhava lá. Eu era muito amigo dele. O Gnattali. Parece-me que na Rádio Mayrink Vei- ga. sabe?! Mas isso foi posteriormente. eu saí junto com ele e fomos passear pela cidade. aquilo foi posteriormente. O Dilermando Reis também trabalhava lá. Naquele tempo ele já devia ser amigo do Gnattali. Era um grande músico. Inclusive. eu ia procurar tudo quanto era violonista. e solo também. P: Quando o senhor conheceu o Laurindo Almeida no Rio de Janeiro. e eu fiquei conhecendo ele lá. Ele tocava lá com o conjunto dele. O Laurindo era muito versátil. quando conheci ele. ele gravou todos. ele já trabalhava com Villa-Lobos e Radamés Gnattali? Aqueles concertos gravados são dessa época? R: Não. E outros mais. mas eu não tenho notícia disso. O Lau- rindo. não sei se estava muito envolvido nesse negócio. Talvez foi mais tarde. mais tarde. O Cassino da Urca era um cassino muito frequentado pelos músicos. um grande instrumentista e muito boa pessoa. parece que ele era de lá. Até a morte dele. sempre fui muito amigo dele. Muitos músicos trabalhavam lá. Essa primeira vez que eu fui ao Rio. o violão clássico. saímos pela cidade juntos.

Ele era muito influente nisso. com o Laurindo sim. vocês se comunicavam? R: Sim. ele já tocava aquelas músicas americanas que depois fundiu com a nossa música. sabe? P: Nesse período em que o Laurindo viveu nos Estados Unidos. O Garoto eu também me lembro. Mas eu não sei exa- tamente como foi. Ele queria gravar lá o Choro da saudade. Eu já estava lidando com violão. o n° 1. quando precisava de alguma informação sobre violão que eu podia ajudar. Mas me lembro até quando ele foi. e depois com ritmo de Bossa Nova. Ele de lá. era muito influente. gostava muito desse tipo. por exemplo. . quando foi morar nos Estados Unidos. porque eu não estava muito dentro do assunto.232 ALEXANDRE FRANCISCHINI P: Quando fechou o Cassino. Mas ele tinha muitas possibilidades. Mas do Laurindo eu me lembro melhor quando foi para lá. romântico. por volta de 1945. e até me mandou o disco e eu tenho o disco até hoje. Eu me lembro que ele uma vez me escreveu. não tenho ideia não. né? Antes de começar a Bossa Nova. P: O senhor teria algo a dizer em relação à importância do Laurindo Almeida para Bossa Nova? R: Era muito importante. eu mantinha uma correspondência permanente com ele. de Agustín Barrios e queria autorização. daí passou a ser a Bossa Nova. popular e Bossa Nova também. que passa a ser meio um choro. ele entendia muito disso. tinha muitos relacionamentos e pra ele não foi difícil. isso parece que foi em 1951. O Laurindo tinha muita influência nisso. aquelas músicas americanas como elas eram. Ele me escreveu pedindo informações e eu dei as informações e ele ime- diatamente gravou o choro lá. Entendia de clássico. o que ele ficou fazendo? Como e por quais motivos partiu para os Esta- dos Unidos? O senhor tem ideia? R: Não. Com o Laurindo. Eles tocam lá. Me lembro pouco. eu ajudava. ele estava muito no meio dos músicos. Ele era muito entendido em Bos- sa Nova.

sempre teve muito prestígio. assim que chegou foi procu- rado pelos músicos. Inclusive. ele tinha prestígio tanto em um estilo quanto no outro. um que era muito entendido em Bossa Nova. Não era o Jobim. Não sei se era Carlos Lyra. mas não me lembro o nome dele. Ficou conhecendo todo mundo. O Laurindo ficou sendo conhecido por toda aquela gente. Era um que tinha uma orquestra de jazz muito famosa na época. mas lá. Ele foi lá para tocar na orquestra do Stan Kenton. Ele era um dos precursores da Bossa Nova. A morte dela foi por suicídio. tocava tudo e tudo bem tocado. sim. P: Em relação à vida pessoal do Laurindo. O Laurindo e o Garoto. Tinha muito pres- tígio naquele meio musical. o Bonfá. ele lá nos Estados Unidos. de certo modo. ele já se aclimatou logo com a música americana. E também outros mais. casou-se com uma canadense que eu conheci. todo mundo conhecia ele. popular. era outro. Ele tocava muito bem e conhecia tudo. Ele tinha muitas possibilidades em qualquer gênero de música. sim. Mas o Laurindo era muito entendido em Bossa Nova e foi um dos precursores. uma cantora canadense. Depois. Ele me . Foi aluno do Garoto. foi casado. lá nos Estados Unidos. Era um músico muito bom o Laurindo. Não sei por qual motivo. sei que ela suicidou-se. LAURINDO ALMEIDA 233 P: Isso anteriormente ao advento da Bossa Nova? R: Anteriormente. esse trânsito entre a música clássica e a música popular contribuiu para ele tivesse o prestígio que tem? R: Sim. teve filhos? R: Foi casado sim. P: O senhor tem ideia da influência do Laurindo Almeida sobre os músicos americanos? R: Sim. Eu sei que ele tinha uma mulher brasileira que se suicidou. tem um que foi muito importante na Bossa Nova. Ele foi daqui pra lá pra tocar música brasileira. sabe? P: O senhor acha que. e tocava clássico.

e na outra face o De papo pro ar. Tenho até hoje os discos. e depois à música brasileira. eles todos. Trabalhei um mês. e eu já era amigo dele muito antes. no Concurso Internacional de Violão. Pra ver que eu tinha os discos. pra ela. conhecia tudo isso. Era importante na música brasileira e na música erudita cultivada no Brasil. já em 1984 e 1987. quando esteve no Brasil. tinha muita importância. chegou a visitá-lo? R: Me visitou sim. tocava ela. morou em Campinas também. que era um violonista do Rio de Janeiro. conhecia muito. primeiramen- te em relação ao violão brasileiro. de modo que editava até música nossa. Eu não conheci pessoalmente. Até hoje está lá. parece que era o Sheraton. Era um choro muito bonito. estava nesse hotel muito famoso. P: Qual a importância de Laurindo Almeida. de forma geral? R: A contribuição dele foi muito importante! Ele era uma das figuras principais do assunto! Era muito conhecedor e tinha muito prestígio. eu . mas o Laurindo editou e cultivava ela lá. aquela música do Joubert de Carvalho. os LPs. ele estava no júri e eu também. não sei o nome. eu e ele juntos nesse concurso em 1984 e 1987. As saudades de Matão. mostrei pra ele. e esse João do Santos tem uma música que está editada pela editora do Laurindo nos Estados Unidos. Me disse que tinha uma filha de 18 anos. Trabalhamos lá no júri. Eu sempre tive os discos dele. Ele também editava música nos Estados Unidos. não falta nenhum sabe.234 ALEXANDRE FRANCISCHINI falou uma vez que tinha uma filha. Ele com sua esposa vieram me visitar aqui em casa. era mais do interior. Até tem um choro de João dos Santos. Do Laurindo eu tenho até discos de 78 RPM gravados aqui. P: Quando veio ao Brasil. e sempre estava junto com ele. em 1984. quinze dias cada sabe! Ele era muito importante em todos os assun- tos de violão. os famosos LPs. sabe! Até mostrei os discos que eu tinha dele. Não sei se ainda está hoje. isso foi agora. Ele. Eu trabalhei com o Laurindo Almeida no Rio de Janeiro.

no litoral de São Paulo. eu sei que ele deixou. já falava inglês muito bem. Era muito amigo de Villa-Lobos também. coitado. né? Ele era uma pessoa muito importante no meio musical. parece que ele tem família em Miracatu. servia de intérprete para ele. Lá se reúnem os outros que eram amigos dele na ocasião. e o Laurindo já morava lá há muito tempo. mas eu nunca fui lá. Francisco de Araújo e Marcos Gomes. Ele estava doente. Uma filha eu conheci. agora. Eles me con- vidaram para ir. Eu não pude ir. A cada ano costuma ter um evento musical em homenagem ao Laurindo. P: Ele chegou a conhecer o Tom Jobim e o João Gilberto? R: Sim. todos foram tocar lá nesse evento que tem em homenagem a Laurindo de Almeida. O Villa-Lobos. Vendia música pelo mundo todo. lá na terra dele sabe! Miracatu. Mas me convidaram. deixou uma filha. LAURINDO ALMEIDA 235 conheço. conhecia todo mundo. mas não me lembro. tinha minhas ocupações aqui e é um pouco longe também. até o Laurindo foi como se fosse um secretário do Villa-Lobos nos Estados Unidos. não! A filha. P: Ele ainda tem família em Miracatu? R: É. Tem uma bonita festa em homenagem pra ele todo ano. estava se queixando. filho eu não me lembro. Sei que deixou. Ele tem família ali sim. Apresentava ele nas editoras. Essa filha dele. Vai até violonista aqui de São Paulo. mas ele morreu de câncer. P: Deixou filhos? R: Que eu sei. ele era editor e distribuidor de música. P: O senhor se lembra do que ele morreu? R: Eu sei que ele morreu de câncer. parece que deixou também. quando esteve nos Estados Unidos mais recentemente. estava com dezoito anos. sabe? O Laurindo era muito importante no assunto de música. Eu estive com ele antes de morrer. em 1984. Mas ele é lembrado todo ano. .

que era muito meu amigo e merecedor de tudo isso. P: Então ele tocava guitarra elétrica? R: Tocava. [Risos] É. né? Ele tocava violão elétrico e tocava guitarra elétrica também. parece uma coisa até exagerada. em benefício e para enal- tecer o nome do Laurindo. Ele não devia ser um grande bandolinista. Era bom em todos os instrumentos. inclusive. O Garoto. ele tomou parte em muitos filmes. Agosto ou setembro de cada ano. Pra mim foi muito bom também. porque umas informações aí que ele tomou parte em mais de 800 filmes. eu fiquei muito satisfeito de poder fazer essas declarações. ele era muito versátil em todos os instrumentos. bom. É muita coisa. tocava até guitarra. P: O Laurindo tocava outros instrumentos? R: Ele tocava. Ele me falou lá num filme. . mas ele tocava bandolim também. Inclusive quase no fim da vida andou tocando violão elétrico. Eu não sei. muito obrigado. tocava muito bem. então num dos filmes ele toca bandolim. ele tocava mais esporadicamente. Quero ressaltar que foi um grande prazer estar aqui. tocava tudo. Ele tomou parte em muitos filmes. era bandolinista mesmo. Considerações finais: Do entrevistador: Eu gostaria de agradecer a entrevista que o senhor me concedeu.236 ALEXANDRE FRANCISCHINI P: O senhor se recorda a data desta festa? R: A data me parece que é mais ou menos em setembro. mas tocava. e num dos filmes ele tocou bandolim [provavelmente se referindo à trilha sonora do filme O poderoso chefão]. se defendeu. por exemplo. Do entrevistado: Igualmente pra mim também. deu pra tocar bandolim sim. Ele não era bandolinista. Tem um dos filmes que ele toca bandolim. que por sinal está perto pra chegar. O Laurindo talvez não fosse muito bom no bandolim. mas ele tocava bandolim. É mais ou menos essa data.

LAURINDO ALMEIDA 237 Iconografia Registro de Nascimento de Laurindo Almeida .

238 ALEXANDRE FRANCISCHINI .

LAURINDO ALMEIDA 239 *Laurindo Almeida e Garoto *Laurindo Almeida na Rádio Mayrink Veiga .

br] *Laurindo Almeida. Pixinguinha e Geraldo de Almeida .ims.240 ALEXANDRE FRANCISCHINI Foto de Laurindo com dedicatória a Pixinguinha.com. de 1938 [www.

em março de 1947 . *Laurindo Almeida nos Estados Unidos. Laurindo Almeida Jr. LAURINDO ALMEIDA 241 *Laurindo de Almeida e seu filho.

nejazz./JazzNotes/leo/almeida..org/. 1948 [www. em 1954 [www. nos Estados Unidos.jpg] Gravação do álbum Suíte Popular Brasileira..242 ALEXANDRE FRANCISCHINI Laurindo Almeida em Baltimore.br] .radamesgnattali.com.

imageshack.us/img147/4971/31ae1.org/images/stla01t. LAURINDO ALMEIDA 243 Laurindo Almeida. em Los Angeles. em 1959 [www. 1954 [img147.jpg] Salli Terri e Laurindo Almeida.salliterri.jpg] .

em Saratoga.classicjazzguitar.244 ALEXANDRE FRANCISCHINI Apresentação do grupo L..A. Four. Califórnia. na Montanha Winery.. no verão de 1977 [www.] *Entrevista concedida à TV brasileira.com/images/visi- torphoto. em 1990 .

de outubro de 1917. Museu Pedro Laragnoit.laccs.com/photo_archive_old. O Prainhense.html] Recortes de jornais Jornal da cidade de Miracatu. LAURINDO ALMEIDA 245 Laurindo recebendo o Certificate of Honor from the Achievement. . em 3 de abril de 1992 [http://www. Prêmio oferecido pela Latin American & Caribean Cultural Society. em reconhecimento ao seu trabalho.

30 anos nos Estados Unidos. fala de cadeira.br] . 25 de fevereiro de 1977. Caderno B. Jornal do Brasil. Laurindo de Almeida.ims.246 ALEXANDRE FRANCISCHINI BOCANERA. Coleção José Ramos Tinhorão.com. Sílio. [www.

LAURINDO ALMEIDA 247 .

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de 8/8/1995. Museu Pedro Laragnoit. . que anuncia a morte de Laurindo Almeida. LAURINDO ALMEIDA 251 Nota do jornal londrino The Guardian.

Coleção José Ramos Tinhorão.ims.com. Jornal do Brasil. O pré-bossa novista voltou.252 ALEXANDRE FRANCISCHINI CORTES. Celina.br] . [www. 25 de fevereiro de 1996. Caderno B.

LAURINDO ALMEIDA 253 .

254 ALEXANDRE FRANCISCHINI ALBIM.br] . Ricardo Cravo.ims. O Dia.com. Coleção José Ramos Tinhorão. Um violão renasce. 26 de julho de 1999. [www.

5 paicas Tipologia: Horley Old Style 10. SOBRE O LIVRO Formato: 14 x 21 cm Mancha: 23.7 x 42.5/14 1ª edição: 2009 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Marcos Keith Takahashi .

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