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ACUPUNTURA

CLÍNICA

M. TETAU

H.M. LERNOUT

ACUPUNTURA CLÍNICA M. TETAU H.M. LERNOUT

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M. TETAU

Doutor em Medicina

Farmacêutico

Presidente Diretor da Sociedade Médica de Bioterapia da França

H.M. LERNOUT

Doutor em Medicina

Presiden te do

Instituto Internacional de Acupuntura e da Sociedade Médica de Bioterapia da França

ACUPUNTURA

CLÍNICA

ORGANIZAÇÃO ANDREI EDITORA LTOA.

~

S<

ex. Postal 4989 -

Tel.: 220-7246

São Paulo (SP) -

1985-

Esta obra aprese nta a ve! são em português do original franc ês "Acupuncture Clinique",

Esta obra aprese nta a ve! são em português do original franc ês "Acupuncture Clinique", "

editado por Maloine S. A. Editeur.

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Editor:

Edmondo Andreí

Tradução:

Zilda Barbosa Antony

Copyright Internacional:

Maloine S.A. Êditeur

Copyright da Edição Brasileira:

Organização Andrei Editora Ltda.

- Todos os direitos reservados

-

Impresso nas Oficinas Gráficas da Organização Andrei Editora Ltda.

INTRODUÇÃO

Esta obra é destinada a responder as numerosas perguntas com as quais se depara o médico que se inicia na prática da acupuntura, ou se interessa pelo nosso método. É simples, clara, clínica, se bem que apoiada em noções tradicionais que julgamos devam ser conservadas. Este manual não substitui - é evidente - os tratados importantes sobre acupuntura escritos por alguns de nossos colegas. Esperamos que ele dê ao nosso leitor a aptidão para aprofundar os elementos de nossa terapêu"tica, tanto doutrinários como práticos.

Sociedade Médica de Bioterapia (1 )

organiza, sob nossa direção, um ensino de acupuntura de 3 anos, abrangendo cursos teóricos e trabalhos dirigidos. Garantimos consultas hospitalares às quais podem assistir. Em um capítulo especial apresentamos HOMEOPATIA E BIOTERAPIAS. O manejo das agulhas não é suficiente para curar tudo. Que método, que médico podem pretendê-lo! A acupuntura tem seus limites. Em certos casos a medicina clássica é insubstituÍvel e se impõe. Porém é útil que o médico acupuntor saiba também utilizar métodos como a Homeopatia, que se inspiram em uma concepção global análoga do doente e da doença. Reintegrar o homem em sua dimensão universal, considerá-lo em sua totalidade individual, mas também social e metafísica, restaurar a saúde mas sobretudo preservá-la, são direções de pensamento e de ação comuns aos autores chineses da alta tradição do NEI KING SO OUENN, como a Samuel Hahnemann, em seu ORGANON de l'ART DE GUÉRIR. Como é tranqüilizado r que através dos séculos se tenha solidificado urna imensa corrente que une esses velhos mestres orientais, a clareza grega de Hipócrates, o luminoso rigor experimental Hahnemaniano. Esse pensamento desabrocha em nossa época de renascimento em um mundo

Para isso, relembramos que a

(1)

S.M.B. -

.

16 e

Institut Internacional d'Acupunture -

51, Avenue Victor Hugo -

Paris

(

 

(

 

6

-

Introdu ção

(

 

radicalmente transformado. Exprime-se em uma Acupuntura e uma Homeopatia no vas e dinâmicas que solicitam a atenção de médicos cada vei mais numerosos, estruturando a medicina de amanhã. Em todo caso, leitor arIÚgO, abrindo esta pequena obra, entrará em um mundo fabuloso do qual terá vontade de explorar todos os arcanos, um pouco como Aladin em seu jardim fabuloso. Não será sem dúvida capaz de nos deixar.

 

Max TÉTAU

Henri LERNOUT

(

GENERALIDADES

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DEFINiÇÃO

A acupuntura é o método terapêutico que trata diferentes síndromes

por implantação de agulhas ao nível do aparelho cutâneo. Essas punturas fazem-se em pontos de localização exata : os pontos de acupuntura. Trata-se aí de um aspecto muito antigo da medicina chinesa. O primeiro

documento escrito a ela referente é o NEl KlNG SO OUENN. A lenda quer que esse manuscrito date de 2.800 anos A. C. Porém, pensa-se mais razoavelmente que de fato, sej a da dinastia dos Ran, uns 200 anos A. C.

Da China, a acupuntura se espalhou para Coréia, Japão, Vietnam.

Foi introduzida na Europa no século XVll por missionários jesuítas, entre outros o famoso Padre RUC, caro à Condessa de Ségur dos "Malheurs de Sophie" . Teve então um pómeiro desenvolvimento na França com do Doutor Berlioz.

. Em . seguida perdeu os favores do corpo médico pelo fato de não apresentar estudos científicos exatos, e sobretudo por causa de numerosos acidentes terapêuticos. A manipulação de agulhas compridas, enterradas demais profundamente por médicos mal informados de todos os detalhes da anatomia humana, devia chegar à perfuração de órgãos, de conseqüências catastróficas. Foi preciso esperar o século XX, para assistir ao reaparecimento da acupuntura na França. É a Soulié de Morant que se deve o mérito de ter, pelos idos de 1930, chamado de novo a atenção sobre o método. Esse homem eminente, não médico, cônsul na China, soube, graças à sua elevada cultura e ao seu perfeito conhecimento da língua, adquirir um excelente conhecimento teórico e prático da acupuntura. Ao regressar à França, por intermédio do Doutor Feyrerolles, conseguiu interessar, convencer e ensinar certo número de médicos, entre outros, os Doutores Thérese e Marcel Martiny, o Professor Flandin que lhe abriu seu serviço hospitalar, os Doutores de la Fuye, Khoubesserian, que foram os verdadeiros pioneiros do método na França. Pelo rigor de sua observação clínica, souberam eles dar à acupuntura uma base sólida, compatível com as exigências da medicina moderna.

./

io - Generalidades

A escola francesa tornou-se assim de excelente qualidade. Inversamente, na China, assistia-se a um declínio do método nos meios médicos ·clássicos oficiais, enquanto permanecia muito viva na medicina popular.

de Mao, em

que, na falta de todos os

Mas

a

"Longa

marcha"

medicamentos, os "médicos de pés descalços" s6 tinham suas agulhas para fazer o tratamento de numerosos males, foi demonstrado o valor real do método. Desde que foi instalada, a República Popular Chinesa oficializou a

acupuntura. S6 nessa época foi ela ensinada de novo na Faculdade. Pôde então beneficiar importantes pesquisas científicas que deviam chegar a pôr no devido ponto, entre outros, a analgesia acupuntural. Essa analgesia acupuntural denominada muito impropriamente anestesia por acupuntura, devia conferir urna recrudescência de interesse junto ao público médico. Consultas sobre acupuntura existem em diferentes serviços hospitalares. São organizados cursos, em particular em Marselha sob á égide do Doutor Niboyet ou em Créteil com o Doutor Darras.

das C.H.U. (1) por

professores que têm urna grande prática. Um Sindicato nacional de médicos acupuntores agrupa a maior parte

Mas

a maior

parte

do

ensino

é realizada fora

dos clínicos.

(1)

Cl[nicas Hospitalares Universitárias.

FUNDAMENTOS DA ACUPUNTUr A

Corno se explica a ação de nossas agulhas? Duas concepções se apresentam:

• urna concepção tradicional que faz al'elo à noção de circulação da

energia. A doença é proveniente do desequili'brio da distribuição energética

entre diferentes 6rgãos. A acupuntura propõe-se a restabelecer esse equih'brio. É então um método global que se encarrega da totalidade do ente sofredor. Integra-se assim no prande movimento das Bioterapias ao lado da Homeopatia.

• uma concepção recente, mais restritiva, em que a acupuntura não é

senão urna estimuloterapia de ponto de partida cutâneo, uma reflexo terapia

que procura pôr em ação determinados reflexos para suprimir certos distúrbios. Assim são selecionados pontos tendo urna ação específica acerca de certas síndromes.

I -

A CONCEPÇÃO TRADICIONAL

Impregna toda a acupuntura, da antiguidade ao período atual. É ela que nos foi ensinada e transmitida por Soulié de Morant e de la Fuye do qual fomos alunos. É ela que procuramos transmitir aos nossos alunos, pois no tesouro da tradição, há talvez elementos que não têm explicação na ciência atual, mas que talvez sejam esclarecidos amanhã por novos trabalhos.

A) ENERGIA E MERIDIANOS PRINCIPAIS

Na concepção tradicional, nosso corpo é percorrido por uma energia: o TSRI. O TSRI é urna sorna cujas origens são múltiplas: ancestral hereditária, cósmica e solar, ar que respiramos, alimentos que ingerimos. Esse TSRI compõe-se de fato de 3 grandes correntes:

da assimilação dos alimentos sólidos e

líquidos que ingerimos.

b) A energia OE ou WEI, energia de defesa encarregada de co~bateros

efeitos nocivos dos stress exteriores, as famosas energias perversas.

a) A energia YONG,

fruto

(

(

12

-

Generalidades

c) A energia ancestral TSING , legada por nossos antepassados e que, sem dúvida, não é outra coisa senão nosso código genético.

Essa energia circula permanentemente em nosso corpo conforme trajetos bem determinados denominados Meridianos. Assim a energia YOUNG circula em o que se chama os Meridianos Principais situados na espessura do tecido celular em contato com os diferentes feixes musculares e os troncos nervosos. Os meridianos principais são em número de 12. São todos bilaterais, e

suas ramificações são respectivamente simétricas, uma em relação à outra.

( Há então 12 meridianos para a parte esquerda do corpo , e 12 para a parte

. O trajeto de 6 dentre eles serve-se do membro superior. Os outros 6 seguem o membro inferior. No ' braço, acham-se localizados os meridianós dos Pulmões, Mestre do ( Coração, Coração, Intestino Grosso, Triplo Aquecedor, Intestino Delgado.

I Na perna, teremos os meridianos do Rim, do Fígado, do Baço -

~

Pâncreas, do Estômago, da Vesícula Biliar e da Bexiga. Como o indica sua denominação, correspondem cada um a um órgão; Baço - Pâncreas sendo considerado como um só órgão na fisiologia tradicional chinesa. Fazem exceção o Triplo Aquecedor e o Mestre do ( Coração, que correspondem a funções bem particulares e não a um deterllÚnado órgão.

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direita.

r Mas, de fato, todos os meridianos têm propriedades que ultrapassam

amplamente aquela do órgão que os batizou. O meridiano da Bexiga comanda muitas outras coisas além da excreção da urina. É mais exato dizer que um meridiano dirige um conjunto de funções fisiológicas centradas no 6rgão do qual tem o nome.

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1) A Grande Circulação Energética

Esses 12 meridianos formam, de cada lado do corpo, um circuito na qual a energia YONG circula perm4Ilentemente e efetua um ciclo de 24 . horas correspondente ao Nictêmew. Passa sucessivamente de um meridiano ao outro com horários máximos que permitem descrever o ciclo chamado "Grande Circulação". Fígado (1 a 3 h.) - Pulmão (3 aS h.) - Intestino Grosso (5 a 7 h.) -

Baço-Pâncreas (9 a 11 h.) -

Intestino Delgado (13 a 15 h.) - Bexiga (15 a 17 h.) - Rim (17 a 19 h.) -

Estômago (7 a 9 h.) -

Coração (1 i

a 13 h .) -

Mestre do Coração (19 a 21 h.) - Triplo Aquecedor ( 21 a 23 h.)

Vesícula Biliar (23 a 1 h.) - Fígado

e o ciclo acha-se assim fechado.

!

.

2)

A Pequena Circulação

Fundam entos da Acupuntura -

13

Porém, existe outro circuito energético, mais curto e por isso denominado "Pequena Circulação". Nele a energia recebe 2 linhas verticais situadas na linha mediana do corpo. A 1l! segue a linha mediana anterior e . vai do períneo ao lábio inferior. É o Vaso Concepção ou JEN MO. _ A 2l! segue a linha mediana posterior, portanto, .a coluna vertebral, 'e vai do cóccix ao lábio da boca, depois de ter contornado o crânio. É o Vaso Governador ou TOU MO.

A energia sobe alternadamente ·ao longo da face posterior .do corpo

(To.U MO), em seguida ao longo da face anterior (JEN MO). . E sobre esses 12 meridianos bilaterais e 2 vasos medianos que estão

situados os principais pontos de acupuntura. Dizemos principais, pois existem pontos fora dos meridianos.

B) OYINEOYANG

Essa energia que circula em permanência dentro de nosso corpo é o reflexo da energia que constitui e impregna nosso planeta terrestre e todo o universo. Como ela, semelhante a um coração gigantesco, bate em um ritmo duplo que os Chineses denominaram o YIN e o YANG. o O YANG, para utilizar imagens compreensivas aos nossos espíritos

O

. ocidentais, é a atividade, a tonicidade, a hip-ertonia. a luz o dia, princípio masculino é YANG.

Q~or

O YIN é a inatividade, ou o repouso, a atonia ou mais precisamente a

hipotonia, a escuridão, a noite, o frio. O princípio feminino é YIN. o YIN e YANG não são 2 formas independentes de energia, mas 2 aspectos complementares de um mesmo fenômeno. Coexistemjuntos. Não . são percebidos senão quando há excesso de um em relação ao outro. . A.ssim como a noite está implicitamente contida no dia e é percebida à .medIda que a escuridão torna-se mais intensa, do mesmo modo o YIN está .- ; contido no YANG e s6 aparece quando há excesso de YIN ou fal t a de YANG. E inversamente.

N~ssa concepção energética tradicional, a saúde supõe um equilíbrio perfeIt~ e~ nosso corpo entre o YIN e o YANG. Desde que haja um deseguilíbrIo, a doença ameaça e a seguir se manifesta.

A atribuição do acupuntor será então, primeiro diagnosticar esse

desequilíbrio o mais precocemente possível, e em seguida tratá-lo.

Nesse estágio patol6gico' YIN e YANG tornam-se antagônicos. O excesso de um acarreta a insuficiência de outro e reciprocamente.

(

14 -

Generalidades

perturbações YANG, por predominância do YANG:

congestão ativa, simpaticotomia, hiperfuncionamento de órgãos, dores

brutais, espasmos, contraturas, câimbras. Teremos também perturbações YIN : congestão passiva, vagotonia, hipofuncionamento de órgãos, estados depressivos, astenias

geral de YIN ou de

YANG. Pode estar localizada em uma parte do corpo, em um órgão ou em

seu meridiano.

Teremos

assim

A doença pode atacar o organismo todo : excesso

C) A REGRA OOS 5 ELEMENTOS

Nosso organismo está imerso nesse YIN e nesse YANG energético. Certos órgãos considerados como repletos são reservatórios de YIN. São os órgãos de grande valor que estocam a energia e regulam sua circulação. São 5: Pulmãó,. · Rim, Baço·Pâncreas, Coração, Fígado, aos quais assimila-se uma função: o Mestre do Coração. Outros órgãos côncavos chamados vísceras, são reservatórios de YANG. Extraem a energia dos alimentos ou do ar e asseguram a eliminação da

mesma. São os

Biliar, Intestino Delgado, Estômago, aos quais está associado o Triplo

Intestino Grosso, Bexiga, Vesícula

São:

Aquecedor. Assim como o homem está submetido à influência do ritmo energético YANG do dia e YIN da noite, do mesmo modo está submetido à influência do ritmo energético das estações. Na cosmogonia chinesa, essas estações são em número de 5: primavera, verão, .fim do verão, outono, inverno.

A primavera é a estação da subida da seiva, do crescimento da energia. É

a época em que o YANG aumenta regularmente. No verão, pleno período solar, a energia está em seu máximo, é o

YANG máximo. No fim do verão, o YIN que estava encerrado no YANG, começa a crescer, o YANG a decrescer. No outono, o YIN continua a aumentar, o YANG a regredir.

No inverno, a natureza torna·se mais lenta, os organismos vivos hibernam. O YIN está no máximo, o YANG no mínimo, até a primavera quarido recomeça o crescimento do YANG.

A essas estações, os Chineses fazem corresponder "5 elementos" da

natureza circunvizllha simbolizados por 5 cores.

- Na primavera: o elemento Madeira simbolizado pela cor verde. A

relação, segundo nossa lógica ocidental que não é a extrema lógica oriental,

é evidente. A primavera é a estação onde a natureza torna-se Verde

Fundamentos da Acupuntura -

15

O verão é a estação do elemento Fogo. O sol está em seu máximo, e também o YANG. A cor escolhida é o Vermelho.

- O fim do verão é a estação onde a natureza dá seus frutos. É a época

das recoltas. O YANG se acalma. O YIN apenas se mostra. Frutos, raízes e grãos oriundos da terra são YIN. Este fim de verão é atribuído à terra cuja

coloração dominante na China, nessa estação é o Amarelo.

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:1

- O outono vê o YANG apagar-se , o YIN crescer. O simbolismo chinês

lhe atribui - sem que se possa bem esclarecer o motivo - o Metal. A cor do metal é o Branco.

- No inverno, o frio do YIN prevalece sobre o calor do YANG. É a estação à qual os Chineses ligam o elemento Água e a diminuição da lumiiiosidade chama o Preto. Há portanto um ciclo energético das estações e um ciclo energético dos elementos que lhes são atribuídos. Sobre esses dados, estabelece·se um pentagrama que põe em evidência essa sucessão dos 5 elementos. Assim como o sol parece nascer à esquerda do observador que olha para o Sul, do mesmo modo, nesse pentagrama a Madeira, símbolo da primavera, será colocada à esquerda.

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I

l

I

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Madeira

\

Água

Fogo

.

.~

~

Terra

I

Metal

Teremos então a sucessão Madeira -

Fogo -

Terra -

Metal -

Água-

I

·1

A Madeira gera o Fogo cl!io calor fecunda a Terra da qual se extrai o Metal. Até aqui tudo muito lógico. Mas vê-se mal, porque o Metal gera a Água, se raciocinarmos com nossa lógica ocidental. Há, sem dúvida, significações simbólicas voluntariamente herméticas que nos escapam a 1 serem procuradas em particular no aparecimento da idade do bronze e a

I fundição do vaso de bronze contendo a água, cl!ia atuação ritual foi
I importante entre os Chineses da mais remota antiguidade. As estações atuam sobre a natureza, mas também sobre o homem e mais precisamente, aõ ciclo dos 5 elementos que corresponde assim ao ciclo dos 5 órgãos plenos que regulam a fabricação e a circulação da energia. É assim que a energia predomina:

No Fígado, para a

(

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(

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;:tl-- .

16 -

Generalidades

No Coração, para o verão.

No

No Pulmão, para o outono. No Rim, para o inverno.

Baço , para o fim de verão.

E se, no pentagrama precedente, substituirmos os 5 elementos, pelos 5 órgãos correspondentes, obteremos:

Coração

Fogo

Fígado

Baço

Madeira

Terra

Rim

Pulmão

Água

Metal

Chega-se ao ciclo de nutrição denominado ciclo CHENG:

O

Fígado alimenta o Coração.

O

Coração alimenta o Baço.

O

Baço alimenta o Pulmão.

O

Pulmão alimenta o Rim.

O

Rim alimenta o Fígado.

Cada elemento é a mãe do seguinte e o filho do precedente. Diremos: "A mãe alimenta seu filho, o filho esvazia sua mãe". É a regra Mãe-Filho necessária de ser conhecida para assegurar a

regulação da energia. Ao lado desse ciclo CHENG de nutrição, um 2q ciclo de circulação

energética chamado de "submissão" ou ciclo KO é estabelecido,

no

qual:

O

Fígado submete o Baço e é submetido pelo Pulmão.

O

Coração s.ubmete o Pulmão e é submetido pelo Rim.

O

Baço subm~teo Rim e é submetido pelo Fígado.

O

Pulmão submete o Fígado e é submetido pelo Coração.

O

Rim submete o Coração e é submetido pelo Baço.

E o esquema torna-se estrela de 5 pontas. Coração

Fíg'dO~ B'ço

Rim

Pulmão

~

1

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,

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Fundamentos da Acupuntura -

17

Os ciclos CHENG e KO são aplicáveis não somente aos órgãos plenos tesouros, mas também às vísceras côncavas, oficinas de onde se extrai a energia. Pois a cada órgão está acoplada uma víscera. Ao Fígado está acoplada Vesícula Biliar.

Ao

Ao Baço está acoplado Estômago. Ao Pulmão está acoplado Intestino Grosso.

Ao Rim está acoplada Bexiga.

Coração está acoplado Intestino Delgado .

De onde:

1.0.

VB~E.

B.

I.G.

Essas regras interpretam as interações entre órgãos. Por outro lado, elas nos permitem estabelecer certas regras · de tratamento de Organoterapia indireta, método bioterápico que comple-

ta admiravelmente a ação de nossas agulhas.

[I -

UMA CONCEPÇÃO RECENTE

É ela o fruto dos trabalhos atuais: colégios de Pequim, De Xangai, De Nanquim. A China atual abandona a concepção tradicional em grau tal que mesmo a nomenclatura habitual dos meridianos é rejeitada. Os pontos são numerados em fila desde o nq 1 que corresponde ao até ao N~ antigamente. Nessa escola não se trata mais de meridiano ou de circulação de energia. A acupuntura nada mais é que o método terapêutico que visa a tratar certas perturbações, picando determinados pontos capazes de provocar um •

reflexo cutâneo-vísceral suscetível de curar a

18

-

Generalidades

É assim que certos pontos, isolados pela tradição e por uma expenencia

(

(

clínica' milenar,

têm uma ação antálgica , antinauseosa, vasodilatadora QU

vaso constritora,

antiespasmódica, etc.

A ilustração mais surpreendente dessa teoria é o fenôme no de analgesia

acupuntural. A picada em certos pontos permite realizar sem anestesia geral, com uma simples e leve pré·medicação , operações t~oimportantes

como a ablação de um pulmão. A analgesia acupuntural é utilizada corr~ntemente na China. Na França, ela é muito menos empregada e se '

restrInge ao domínio ginecológico e obstétrico.

O ponto de acupuntura é então o ponto de partida de um reflexo

cutâneo·viscera!. N~o se pode negar a realidade física do ponto de acupuntura.

Nlboyer e R.ab!sc~ong m,ostr':fam que esses pontos se caracterizam por ' uma menor reslstencla elétnca. E o próprio princípio de sua detecção por aparelhagem. Esta particularidade física persiste mesmo no cadáver. Não está então ligada a uma secreção de eletrólitos pelas glândulas sudoríferas particularidades físiCas da estnitura da

mas a

'

Os professores Bossy e Sene1ar da faculdade de Montpellier mostraram

que esse ponto de acupuntura tinha uma estrutura histológica exata.

A eletronografia de Dumitrescu fotografou emissões de elétrons ao

nível desses pontos.

Enfim, a puntura de alguns desses pontos provoca uma ação à distância

que

exemplo , reproduziu uma analgesia territorial na pata posterior do coelho

por eletroestmmlação

Chang hsiang tung de Xangai, mostrou modificaçõis signífic~tiva:s,'ao nível de atividade do tálamo no rato em relação com 'a implantação de '

agulhas de acupuntura.

Numerosos trabalhos demonstraram enfim que a colocação de agulhas em certos pontos podia acarretar modificações da fórmula sangüínea modificações das secreções hormonais, em particular supra·renais. ' Admite·se então, atualmente, que a implantação de uma agulha cuidadosamente localizada, ressoa ao nível de certas estruturas anatômicas do sistema nervoso periférico e do' sistema nervoso central ' É assim que Se estudarmos - a ação da acupuntura ~a ' s( ndrome dor ; somos levados a concluir que nossa agulha atua nos 3 n(veis e~tratégicos da progressão do influxo nociceptivo .

pôde

ser objetivada no animal de laboratório. Ra bischong , por

de 2 agulha~implantadas no 49 B ,e no 36 E.

'

Ao nível dos receptores ,cutâneos

O

estímulo

acupuntural próvoca o ,aparecimento,

no

cutâneo , de substânc i as anal~esiant e s do tipo colinomimétic o .

reve.stimento

'

,~

,

-

"

Ao nível medular

Fundamentos da Acupuntura -

19

Aqui intervém o "Gate Control System" de Melzack e Wal!. Sugere a

competição ao nível da posterior , entre as fibras

e as fibras Ao' e C de pequeno calibre e de condução lenta. São essas fibras ' Ao e C que constituem o feixe espinotalâmico, mais precisamente paleoespinotalâmico, condutor 'da dor.

penetração do protcineurônio sensitivo no" corno ACi. e A{3 de grosso calibre e de condução rápida

O "Gate Control" se exerce no âmago da substância gelatinosa de

Rolando do corno posterior.

A esse nível estão interpostos "pequenos neurônios intercalares" entre

as fibra~dierentes do protoneurônio sensitivo e as fibras eferentes do feixe

espine Lalâmico. bsses neurônios inteI(;alares inibem a transmissão dos influxos nociceptivos. Têm eles a atuação de ferrolho. Ora, são eles estimulados por colaterais provenientes das vias lemniscais compostas de fibras ACi. e A(3, de condução rápida, ,que constituem os feixes de Goll, de Burdach e o feixe neo-espinotalâmico.

vias lemniscais inibe então a transmissão da dor , pelo

jogo dessas colaterais e dos neurônios intercalares aferrolhando a passagem

do influxo doloroso no feixe paleoespinotalâmico. Este "Gate Control" cujo mecanismo ainda é discutido parece explicar bem a possibilidade de uma ação segmentar radicular metamérica da estimulação do ponto de acupuntura.

Os trabalhos de Chan hsian tung (1973) confirmaram que as sensações

dolorosas podem ser inibidas por uma fraca estimulação acupuntural de um nervo sensitivo. Ao contrário, uma forte estimulação exagera a reação à dor.

A estimulação das

Isso confirma a atuação do Gate Control:

- A fraca esti mulação indolor cria um influxo que se serve as vias

lemn iscais - vias de sensibilidade 'ao tato e à pressão - e vai acionar o sistema de aferrolhamento das vias extralemniscais - vias da dor. Há sedação de uma dor preexistente.

- Em compensação , se a estimulação for dolorosa, o influxo serve-se

da via extralemniscal, paleoespinotalâmica, e agrava a dor preexistente.

Na escala dos centros superiores

É preciso sublinhar que:

• importantes superfícies cutâneas estão em relação com a substância

reticulada. Ora, este escoamento celular que, do diencéfalo à medula

(

20 -

Generalidades

cervical , ocupa o espaço encerrado entre as grandes vias ascendentes e descendentes e os núcleos cranianos, é um centro de revezamento primordial com seus sistemas ativador e inibido r. De onde , a importância da estUnulação acupuntural.

• Ao uivei do tálamo, a escola de Xangai mostrou que a estimulação

acupuntwal · aumentava a taxa de serotonina, neuromediador

Por outro. lado, põe-se em evidência - ao nível de certos núcleos talâmicos

- uma interação inibidora entre influxo doloroso e influxo nascido do sinal acupuntural.

• _Ao nível dos receptores morfínicos , pesquisas recentes de Price e Mayer mostraram que a naxÓlona, antagonista da morfina, tornava a acupuntura ineficiente sobre a dor.

importante.

Isso .permite considerar que um dos mecanismos da ação antálgica da acupuntura é a estimulação da secreção deendorfmas hipofisárias que se fixam sobre esses morfínicos ' e provocam assim a formação de rieuromediadores que inibem a transmissão' dolorosa. Todas esSas noções são muito esquemáticas e por isso mesmo imprecisas. Porém, têm o mérito de mostrar que a medicina ocidental, e mais precisamente a .neurofisicilogia, traz à acupuntura explicações e conjunturas de pesquisas extraordinárias. Não é isso uma razão para rejeitar todas as teorias tradicionais.

i :

OS MERIDIANOS E OS VASOS

Eles representam os trajetos que segue a energia humana. Alguns são permanente e constantemente percorridos pela energia: são

os 12 Meridianos de órgãos bilaterais e os 2 Vasos medianos. Outros só têm existência real e são percorridos pela energia, quando essa ' energia está · em .excesso notável: são os "Vasos extraordinários", "Vasos curiosos" ou "Meridianos maravilhosos".

I -

1) DeflJÚção

OS 12 MERIDIANOS BILATERAIS DE ÓRGÃOS

São eles em número de 12 formados de 2 ramificações. Uma destas

ramificações serve a parte esguerda do corpo, a outra a parte direita. Corresponde cada um a um órgão ou mais precisamente a uma função energética e fisiológica centrada sobre o órgão do qual tem o nome. J;azem exceção:

-

o meridiano do Triplo Aquecedor que corresponde não a um órgão, mas a um conjunto de funções que visam a extrair a energia.do ar e_ dos alimentos.

do Mestre

sángue e a sexualidade. definido.

~ C} meridiano

do Coração que comanda a circulação do Ele também não corresponde a. um órgão

grande circulação da Intestino Grosso , do

Baço-Pâncreas, do Coração, do Intestino Delgado, da Bexiga, do Rim, do Mestre do Coração, do. Triplo Aquecedor e enfim, da Vesícula Biliar.

Cada um desses meridianos está centrado em um órgão. Portanto, ~.conforme a natureza YIN ou YANG desse órgão, o meridiano será YIN ou YANG. Existem assim 5 órgãos YIN, chamados órgão tesouro, e, portanto, 5

meridianos YIN. São o Fígado, o Coração , o Baço-Pâncreas, o Pulmão, o

Esses 12 meridianos são , seguindo a ordem da energia: os meridianos do Fígado, do Pulmão, do

Rim':

.

22 -

Generalidades

.Estocam, transformam, utilizam e repartem a energia no organismo.

· A esses 5 órgãos-tesouro é ligado o Mestre do Coração, ele também

VIN.

Há então um total de 6 meridianos YIN.

Existem 5 órgãos YANG chamados órgãos-oficina" portanto~ meridianos YANG. São os órgãos côncavos denominados "vísceras". Trata-se da Vesícula Biliar, do Intestino Delgado, Estômago,. Intestino

( Grosso, Bexiga. Extraem a energia dos alimentos e garantem a eliminação dos resíduos. A esses 5 órgãos-oficina é ligado um meridiano de' função, o Triplo

total 6

Assim

como

no

total

6 meridianos YlN,

há então no

meridianos

A cada

oficina

órgão

YANG.

tesouro

YlN

está

Constitui-se

assim

ligado tradicionalmente um órgão-

órgão

uma

dupla

energética,

cujo

_representa a polaridade YIN e a víscera a polaridade YANG.

· Teremos assim as duplas:

Fígado e Vesícula Biliar.

· Coração e Intestino Delgado Baço e Estômago

Pulmão e Intestino Grosso _Rim e Bexiga

do Coração YIN e Triplo Aquecedor YANG são ligados ao

Coração e representam, os dois, uma dupla energética.

· Essas junções se fazem ao nível dos pulsos. Os meridianos YANG têm seus pulsos em superfície, os YIN ·em profundidade.

Mestre

2)

Localização

Todos esses meridianos seguem um trajeto que diz respeito seja aos membros superiores, seja aos membros inferiores. _Os YIN estão todos situados na face interna ·dos membros e na face anterior do Os YANG estão todos situados na face externa e posterior dos membros e na face posterior do tronco. No braço, encontramos 6 meridianos. Sua denominação chinesa integra sempre a termo CHEOU, ou em chinês moderno pinying, SHOU, que significa a mão. São:

• Para os 3 meridianos YIN:

- Coração: CHEOU CHAO YIN ou SHOU SHAO YIN.

Meridianos e Vasos -

23

-:- Mestre do Coração : CHEOU TSIU YIN ou SHOU JUE YIN.

- Pulmão: CHEOU TRAE YlN ou SHOU TAl YIN.

.Os . te,rmos SHAO, diferentes.

Esses 3 meridianos YIN são centrífugos. A energia aí circula de alto a baixo, do tórax para a extremidade dos· dedos.

JUE, TAl definem níveis e qualidades energéticas

.

• . Para os 3 meridianos YAN G:

Intestino Delgado: CHEOU TRAE YANG ou SHOU TAl YANG.

SHAO

. Intestmo Grosso: CHEOU MING YANG ou SHOU MING YANG. São centrípetos. A energia aí circula de baixo ao alto, da extremidade .gos dedos para a cabeç-ª,- No membro inferior, encontramos os outros 6 meridianos chamados TSOU (pé) ouZU.

Triplo

YANG.

Aquecedor:

CHEOU

CHAO

YANG

ou

SHOU

• Para os 3 YlN:

Rim: TSOU CHAO YlN ou ZU SHAO YIN.

.-

Fígado: TSOU TSIUB YIN ou ZU JUE YlN.

-:-

Baço-Pâncreas: TSOU TRAE YIN ou ZU TAl YlN.

_~sses 3 meridianos são centrípetos. A energia circula de baixo para o alto e vai do pé para o tronco.

• Para os 3 YANG:

, Bexiga: TSOU TRAE YANG ou ZU TAIE YANG.

- Vesícula Biliar: TSOU CHAO YANG ou ZU SHAO YANG. ~ Estômago: TSOtJ MING YANG ou ZU MING YANG. Esses 3 meridianos são centrífugos. A energia éircula do alto para baixo, da cabeça para os artelhos. Todos esses ·meridianos encerram l.im certo número de pontos precisos bem localizados. Os mais curtos são os do Coração e do Mestre do Coração que s6 encerram 9 pontos. O mais longo é o da Bexiga com 67 pontos.

11

-

OS 2 VAsas MEDIANOS

Além desses meridianos bilaterais, há 2 meridianos unilaterais chamados Vasos. Estão situados:

mediana vertical anterior do corpo. É o Vaso

Concepção chamado JEN MO ou REN MAl gue vai do períneo ao lábio inferior.

.

_ O

1Q sobre a linha

(

(

24

-

Generalidades

• O 2Q sobre a linha mediana posterior do corpo. É o Vaso Governador chamado TOU MO ou DU MAl , que sobe do períneo , segue a coluna vertebral, contorna a cabeça passando pelo vértice para terminar no lábio superior, muito precisamente no maxilar superior entre os 2 incisivos. Como os outros meridianos, esses 2 vasos são elementos permanentes apresentando pontos específicos bem localizados. Mas, não têm-nem ponto ti'

nem assentimento.

_Em compensação, como os vasos extraordinários , têm um ponto de comando, e como eles , se enchem do excesso de energia que eliminam.

_ É assim que o JEN MO é o mar de todos os YIN e pode funcionar como um vaso extraordinário YIN, drenando todos os excessos de YIN.

O TOU MO é o mar de todos os YANG, drenando todos os excessos de

YANG.

I de tonificação, nem dispersão, nem fonte, nem arauto,

III

OS VASOS EXTRAORDINÁRIOS OU VASOS

- MARAVILHOSOS OU MERIDIANOS CURIOSOS

A

-

DEFINiÇÃO

-Sua função é de drenar e eliminar os excessos de YANG ou os excessos de YIN. São assim denominados porque só aparecem quando há perturbação energética. Então somente existem em estado virtual no homem em boa saúde e só se formam para receber um excesso de energ ia YIN ou YANG. Não possuem pontos que lhes sejam próprios, porém combinam com certos pontos dos meridianos principais. Deve ser feita exceção para os 2 Vasos Medianos, Governador e

Concepção, que , eles, são considerados como Vasos extraordinários, por serem suscetíveis de receber o excesso de YIN e o excesso de YANG por intermédio de outros Vasos- extraordinários.

O Vaso Concepção é chamado o Mar de todos os YIN , pois recebe o

excesso de YIN.

chamado Mar de todos os YANG , pois recebe o

excesso de YANG. Os outros Vasos Extraordinários são em número de 6 bilaterais:

O Vaso Governador é

~

i

3

para o excesso de YIN: YIN KEO, YCHONG MO, YIN OE.

3

para o excesso deYANG: YANG KEO, TAE MO, YANG OE.

-I

'1

~j

Merid ianos e Vasos -

25

B

-

PONTOS MESTRES E DUPLAS

Esses vasos são todos comandados por um por,w-mestre ou ponto chave, muitas vezes situado fora de seu tr ajeto e são habitualmente utilizados por duplas:

I /LiV

J~ SO Go vL

1)

Dupla YANG: TOU-MO -

YANG KEO .

 

- TOU MO : ponto Mestre 3 ID

- YANGKEO:

 
 

Trajet~: 62 B,

_ 61 B, 59 B, 29 VB, 10 ID , 15

IG , 161G , 1 B.

Ponto Mestre: 62 B.

 

2)

Dupla YANG: TAE MO -

YANG OE .

 
 

TAEMO:

Trajeto:

3 linhas horizontais circundando as regiões lombar e

-abdominal.

3

pontos: 26 VB , 27 VB,

28 VB.

Ponto Mestre : 41 YANGOE:

VB.

Trajeto: 64 B,

35

VB , 20

VB, 13 VB .

Ponto Mestre: 5 TA.

3)

Dupla YIN : JEN MO -

YIN KEO.

 

-

JENMO:

 

Ponto Mestre: 7 P. YIN KEO:

 

Trajeto : 6 R , 8 R, 1 B. Ponto Mestre: 6 R.

4)

Dupla YIN : TCHONG MO - YIN OE

 

- TCHONGMO. Trajeto : 1 VC , 11 R, 21 R. Ponto Mestre: 4 BP. YIN OE :

Trajeto : 9 R , 13 BP , 16 BP , 22 VC , 2j VC. Ponto Mestre: 6 MC.

IV -

OUTROS MERIDIANOS

Existem

outros trajetos energéticos cuja realidade

é, às vezes, discutida ,

porém cuja

existência é reconhecida por todos os bons aut ores.

(

(

26 -

Generalidades

A

-

OS MERIDIANOS DISTINTOS

Provém dos meridianos principais e vão para a profundidade dos órgãos ou vísceras onde não passam os meridianos principais. É assim que o meridiano do Coração envia uma ramifiCação a partir do 1 C (no côncavo auxiliar) ao órgão Coração. Vai el~ seguir depois um

trajeto

para

chegar ao meridiano da Bexiga no 1~ B.

complicado

p<rra

o

pescoço

e

o

Intestino

Delgado

B

-

OS MERIDIANOS TENDINOMUSCULARES

São linhas de força circulando na superfície acima dos meridianos principais, transportando a energia OE ou WEI entre dermé e epiderme. São 12, como os meridianos principais aos quais correspondem, todas caminham de baixo para o alto. Sua perturbação se expressa sobretudo por aigias sediadas no trajeto dos meridianos princ.ipais. Sua função é de afastar as energias perversas, os stress externos, por exemplo excesso de frio ou excesso de calor.

,/

RELAÇÕES ENTRE OS MERIDIANOS

Todos os meridianos estão unidos ao plano energético por relações entre eles. É então da maior importância conhecer essas relações, pois permitem compreender no jogo do raciocínio chinês a etiopatogenia e a terapêutica das síndromes que teremos de tratar.

I -

RELAÇÃO MÃE - FILHO

1) No circuito energético YONG que chamamos "Grande Circulação", os meridianos estão ligados entre eles por uma relação mãe-filho. Um meridiano tem como MÃE aquele que o precede e como FILHO aquele que o segue:

Sendo o ciclo:

F

-+

P

-+

IG --

E

-+

BP -->'

C ~

10

B

R---~) MC ----+) TA----~) VB ----

F

O Estômago é o filho do Intestino Grosso e a Mãe do Baço.

Ora, é preciso memorizar que:

- a dispersão de um determinado meridiano, dispersa ao mesmo temp'o amãe e o filho. inversamente, a tonificação de um meridiano tonifica a mãe e o

filho. Portanto, se eu disperso E, disperso tam

bé m

IG

BP

ou.

O

()

{B P

.,;/

2) A regra dos 5 elementos nos fornece uma outra relação mãe·filho.

F --+e ~BP-P -R-F ~etc.

O baço é o filho do Coração que o alimenta e mãe do Pulmão que ele

alimenta (ciclo CHENG)~ É essa relação que foi utilizada para definir os pontos de tonificação e de dispersão de um meridiano. Nós o veremos quando estudarmos os pontos antigos.

(

(

28 -

Generalidades

11

-

RELAÇÕES ÕRGÃOS-DUPLAS

Uma dupla é formada por 2 meridianos tendo a mesma localização no pulso do mesmo punho, mas,situada em.um nível,diferente, um superficial,

:~

"-

1:;

~

t! -:--

~

;~(:;

'~

um superficial, :~ "- 1:; ~ t! -:-- ~ ;~(:; '~ . 0 e o u

. 0

e outro profundo~ '

"

",

PUNHO DIREITO

PUNHO ESQUERDO

m----~~---~~-PID---~-~------C

E ------------BP VB ~---~--~-~--

TA----------,--MC ' B -,--:--"'"'--------- R

:.F

Quando o valor da energia de 2 meridianos -acoplados é ,diferente" um estando em excesso em relacão ao outro, a estimulação do ponto Lo de , um deles produz um efeito oposto no outr9~_ Se eu tonifico o Lo do Pulmão, :disperso o Intestino Grosso e se disperso o.Lo do Pulmão, tonifico o Intestino Grosso.

III ~'RELAÇÃO MEIO-DIA - MEIA-NOITE '

Ela liga os meridianos no 'circuito da Gr~ndeCircclação, que tenham sua atividade máxima à mesma hora, porém em oposição simétrica, um na '

O Pulmão que está em selJ. máximo ,'de energia entre 3 e 5 h. da manhã,

zona do dia, o Qutro na zona da noite.

a

Bexiga de

3 ' a

5

h.

da

tarde. P e 'B são unidos pela relação meio-dia-

meia-noite.

 
 

I

a

3 h.

F

-- -,~ - ,- ,"":: - , ,- -- ' ID

13

a 15 h.

3

a

5 h.

P

----~------ B

15

a

17 h.

5 a

7 h.

IG------:--:

-'-,--

R

17

a 19 h.

7

a

9 h.

E --------------- MC

19

a 21

h.

9allh.

 

BP---------_ TA

21

a 22 h.

llal3h.

C

--------'--- VS"

23

a

1 h.

'l: 1; ~ ~ \' ~ ~ ~ ~ ,~
'l:
1;
~
~
\'
~
~
~
~
,~

Relações entre os Meridianos -

29

, Ora, a dispersão de um meridiano tonifica o órgão que a ele está ligado,-

na relação meio-dia -

meia-noite.

Inversamente, a tonificação desse meridiano dispersa o órgão da relação

meio-dia -

meia-noite.

. Portanto, a dispersão do Pulmão tonifica a Bexiga e sua toni!!~ação a

dispersa.

IV

-

RELAÇÃO ESPOSO-ESPOSA

Os dois meridianos cujos pulsos têm a mesma localização, a mesma

, profundidade, estão na relação esposo-esposa. Mas um

no punho esq~!.do,~

o outro no punho direito. O órgão do pulso esquerdo é o esposo do órgão do pulso direito. O

órgão do pulso direito é a esposa.

Com efeito, m chineses da tradição haviam notado que no estado de

equilíbrio fisiológico, o pulso esquerdo é sempre um ROUCO mais forte do ,

,que o direito e o domina, como em:uma boa vida doméstica, o esposo deve

,dominar a mulher!

ESPOSO

ESPOSA

ID -----------'------------ IG

C~---------~------------P

VB ---------------------

F------------;;

------------

E

BP

B------------:------------ TA

R----------------------- MC

PUNHO

PUNHO

ESQUERDO

DIREITO

A dispersão do esposo tonifica a 'esposa e reciprocamente.

A tonificação do esposo dispersa a esposa e reciprocamente.

É

em

todas

essas

relações en'ergéticas

entre

meridianos

que

estão

_fundamentados a maior parte dos tratamentos de acupuntura.

11

~l -, I

,I !

~I I

I

/

I

:\

I

I

I

I

-' I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

PONTOS DE COMANDO EM ACUPUNTURA

I -

Cada _ meridiano

OS 6 PONTOS FUNDAMENI.'AIS

de

órgão

ou

de

função

possui

6

pontos , cl!ia

estimulação pode aumentar ou dimÍnuir a energia que nele circula.

1) 4 desses pontos estão situados no próprio trajeto do meridiano.

São:

o ponto de Tonificação (T)

 

o

ponto

de

Dispersão

(D)

cuja

estimulação

exerce

um efeito

sedativo.

 

o ponto Fonte cuja estimulação pode exercer·se:

 
 

no sentido de tonificação quando é picado conjuntamente com o ponto de tonificação. no sentido de sedação quando é picado conjuntamente com o

ponto de disper~ão.

 

o

ponto Lo: é um ponto de passagem. Sua picada permite retificar

um desequili'brio energético entre, 2 meridianos acoplados ao pulso.

A

dispersão do Lo do meridiano em excesso, expulsa esse excesso de

energia no meridiano que lhe é acoplado e que estava em carência.

A

dispersão do Lo do Intestino Delgado tonifica o Coração, eis porque

diz·se que o Lo é o embaixador do meridiano acoplado~

2) 6 Sq ponto pode estar ou não situado so'bre o trajet~domeridiano, é o ponto Arauto (MO ou MU).

Esse ponto é denominado ARAUTO pois sua dor, espontânea ou por leve pressão do dedo, atrai a atenção sobre a perturbação energética no meridiano ao qual corresponde.

O Arauto do Pulmão 1 P, o do Fígado 14 F, o da Vesícula Biliar 24 VB ,

estão situados sobre seu meridiano. Os outros estão situados sobre outros meridianos.

(

(.

(

32

-

Generalidades

Por exemplo , o ARAUTO do Estômago é o 12C! Vaso Concepção.

A notar que o Mestre do Coração não tem Arauto conhecido e o Triplo

Aquecedor tem 3.

O ponto Arauto funciona como um ponto de tonificação. Deve ser

I

l,

I

j

picado conjuntarnénte com o ponto de tonificação.

\

3) O último ponto está sempre situado sobre o meridiano da Bexiga: é o

,- ponto Assentimento (lU).

I

(

Está situado na ramificação dorsal interna do meridiano da Bexiga, descendo verticalmente a 2 dedos de largura·da raque. É nessa linha que se reagrupam todos os pontos Assentimento.

A puntunido ponto Assentimento tem um efeito sedativo. Pode ser

acoplada com aquela do ponto de Dispersão do meridiano. Utiliza-se a picada simultânea do ponto Arauto e do ponto Assentimento. É a regra lU - MU, útil no tratamento da maior parte das enfermidades crôriicas. Uma obstipação antiga, por exemplo, será tratada por picada do 25 E,

Arauto do Intestino Grosso e do 25C! B, Assentimento do Intestino Grosso.

. Esse acoplamento nem sempre é suficiente para se conseguir a cura total de um distúrbio. Mas permite logo uma melhora notável. A regra IU-MU é muito utilizada na escola chinesa moderna.

11 -

OS PONTOS ANTIGOS

É a partir da noção dos 5 elementos, do jogo dos ciclos CHENG e KO que foram, sem dúvida, estabelecidas as regras tradicionais da regulação energética. Essa regulação faz-se graças a 66 pontos chaves, todos situados nos membros, distribuídos desde o cotovelo até a extremidade dos dedos, para o membro superior, do joelho à extremidade- dos artelhos, para o membro inferior. "Os 360 pontos do corpo todo são comandados pelos 66 pontos

dos pés e das

/ Esses pontos pelo fato de ser seu conhecimento muito antigo são chamados "Pontos Antigos". Há 5 deles por meridiano YIN, 6 por meridiano YANG. Estão em relação 'com os 5 órgãos, os 5 elementos, as 5 estações.

Constituem as 5 notas de uma escala terapêutica sobre a qual o acupuntor toca com delicadeza. Esses 5 pontos antigos são para cada meridiano :

rriãos", escreve Soulié ·de Motant.

Pon tos de Comando -

33

1) O ponto TING : situado na extremidade dos dedos e dos artelhos. Corresponde ao Fígado , à MADEIRA e à PRIMAVERA.

O ponto YONG: é o 2C! ponto a partir da extremidade do membro.

Correspollde ao Coração, ao FOGO , ao VERÃO.

2)

3) O pon to lU:

Corresponde ao Baço, à TERRA, ao FIM DO VERÃO.

Esse ponto lU

é o 3q ponto a partir da extremidade.

se encontra,

seja na

dobr a do

punho , seja na parte

anterior do dorso do pé.

corresponde ao Pulmão , ao METAL, ao OUTONO ;

O ponto HO ou RO : 5C! ponto do meridiano, situado seja na dobra

do joelhs, seja na dobra do cotovelo. Corresponde aos Rins, à ÁGUA, ao

INVF=~O.

4) O ponto KING:

5)

O manejo da energia faz-se graças a esses pontos antigos.

Se sobre o meridiano Baço-Pâncreas, por exemplo, punturo em

tonificação

o

ponto

YONG,

que

é

o

2C!

Baço,

punturo

o

ponto

correspondente ao Coração.

 

'

Ora, segundo o ciclo CHENG dos 5 elementos e a regra Mãe-Filho , o Coração sendo a Mãe do Baço, vou "alimentar" o Baço, vou tonificá-lo. Nessa conjuntura, 2 BP será o ponto de tonificação do meridiano. Encontro aí uma terminologia empregada correntemente. Se, agora, eu punturar o ponto KING desse mesmo meridiano, isto é, 5 BP, pelo fato de que corresponde ao Pulmão e que o Pulmão é o Filho do Baço, o Baço vai alimentar seu fIlho e esvaziar-se de sua energia. BP 5 é então o ponto de dispersão do meridiano. Picar o ponto Mãe, é tonificar, picar o ponto Filho, é dispersar. , Do mesmo modo, se eu constatar no pulso um fígado excessivamente forte, é preciso retirar-lhe energia. Para isso, aplicando sempre a regra Mãe-Filho, vou picar o ponto que está sobre o meridiano do Fígado correspondente ao Filho, isto é, ao Coração, quer dizer, 'o ponto YONG: 2 F. 2 F será então o ponto de dispersão do meridiano. Se noto um rim fraco, picarei o ponto que, neste meridiano, corresponde à Mãe, isto é, ao Pulmão, quer dizer KING: 7 R, que é o ponto de tonificação. Não esquecer de considerar quando tomar os pulsos, que um Fígado forte na Primavera é coisa normal, assim como é normal que seja fraco no inverno. Inversamente, o rim será fraco na primavera, forte no inverno.

Para as vísceras, isto é, para os meridianos que transportam

energia à

dominante YANG, há decalagem na correspondência dos pontos antigos.

É assim que:

- o ponto TING - .corresponde ao outono e ao Intestino Grosso.

34 -

Generalidades

o

ponto YONG - corresponde ao inverno e à Bexiga.

o

ponto lU - corresponde à primavera e à Vesícula Biliar.

o

ponto

KING -

correspond~ ao verão

e ao Intestino Delgado.

o ponto HO - corresponde ao fim do verão e ao Est ômago. Além disso, existe um outro ponto, o ponto IUANN, situado entre o lU e oKING.

Assim com~ o ~onto LU dos meridianos YIN é um ponto capital, pois governa o equilibno do YIN e do YANG sobre esse meridiano, do mesmo mod? o ponto ~UANN dos meridianos YANG é um ponto capital, pois mobilIZa a energIa no meridiano YANG. 5 pontos antigos para os 6 meridianos YlN e os 6 meridianos YANG ponto suplementar para cada meridiano YANG: = 66.

'

1

~e~os

os

66

pontos

antigos utilizados pelos

sino-japoneses da

tradiçao.

.

 

III

-

PONTOS TENDO UMA AÇÃO

ENERGÉTICA EXTENSA ESSA AÇÃO PODE INTERESSAR vÁRIos ÓRGÃOS AO MESMO TEMPO

1) Equilíbrio global YIN -

YANG

a) O I Q VC, LO do JEN MO, rélança globalmente o YlN no caso excesso global de YANG (ou falta de YIN).

b) O lQ VG, LO de TOU MO, relança o YANG no caso de excesso de YIN (ou falta de YANG).

de

. c) O 21 BP é o "Grande Lo" , Lo de todos os meridianos,

2) Ponto lo de grupo

de

meridianos em cada membro. Todos os meridianos YIN do braço ou da perna estão assim acoplados a um ponto Lo do grupo particular do braço ou da perna. Do mesmo modo, todos os meridianos YANG estão acoplados a um mesmo ponto do braço ou da perna.

Em

número

de

4,

são

pontos

de

comunicação

entre

grupos

a) No membro superior:

8 TA: reagrupa os 3 meridianos YANG.

- 5 MC: reagrupa os 3 YIN.

b) No membro inferior:

Pontos de Comando -

35

- 39 VB: reagrupa os meridianos YANG do membro inferior.

- 6 BP : reagrupa os 3 YIN do membro inferior.

Esses Lo de grupo são pontos importantes na prática cotidiana. Conforme a técnica utilizada, sua picada tonifica ou dispersa os 3 meridianos agrupados, relembrando que a picada de um Lo, seja ele unitário ou de grupo, em tonificacão ou em dispersão, tem um efeit o inverso no meridiano ou no grupo de meridianos acoplados. Se, por exemplo, excesso de energia no g!J!2.o dos 3meridianoÜ11L do membro superior (o que se manifesta no plano clinico por algias intensas que se localizam ao nível da face anterior do braço e do antebraço) a puntura em dispersão de 8 TA tonificará o grupo dos

mer!-:!Ianos YANG que eles, estão carentes, ao mesmo tempo esvaziará o

ex

unilateral localizada, ainda aí na face anterior do braço e do antebraço esquerdo, isso significa que há excesso de energia no grupo dos meridianos YIN esquerdos, a picada de 8 TA em dispersão à esquerda ou de TA em/ "

tonificação à direita, restabelecerá o equili'brio energético e fará, desaparecer a dor.

:esso

de energia do grupo dos YIN. A dor desaparecerá. No caso de dor

Em geral, prefere, a picada em tonificação doJado Qp.osío É JL1écnica-

da "Grande Picada" _

3) Os pontos mestres

.

.

São pontos de comando dos "Vasos Extraordinários". Sabe-se que os Vasos Extraordinários têm a função de receber o excesso de energia YIN ou YANG. O emprego de seu ponto mestre permite atuar sobre numerosas enfermidades em relação com um excesso de uma ou outra energia. ,São pontos chaves a serem picados em início de tratamento, em inúmeras enfermidades para abrir a passagem a esse excesso de energia patogênica.

, ;1

o DIAGNOSTICO EM ACUPUNTURA

Um bom diagnóstico - como em toda terapêutica - é um elemento fundamental para uma acupuntura eficaz. Esse diagnóstico será primeiro aquele que deve fazer qualquer médico face ao doente : o da doença a ser tratada. O acupuntor faz um exame cl{nico completo e se apóia sobre os exames paracl{nicos indispensáveis. Esse diagnóstico nosográfico é necessário para determinar o tratamento

posto em prática e evitar de se encarregar de casos fora dos limites de ação das nossas agulhas. Pode ser útil para nos ·orientar em direção a um determinado meridiano. Sem fazer uma terapêutica de órgãos, uma gastrite nos orientará, assim, para o meridiano do Estômago. Uma periartrite da espádua nos levará a explorar os meridianos que passam nesse nível e talvez a tratar, não somente os meridianos principais, mas também seus tendinomusculares. Porém, a parte original do diagnóstico em ;tcupuntura, aquela que faz da acupuntura uma verdadeira medicina da energia, reside na detecção dos

a

ser

desequilíbrios energéticos, dos excessos e das insuficiências de YIN e de . YANG. Podem ser utilizados vários métodos, seja sós, ou seja melhor conjuntamente. Vão eles permitir estabelecer o excesso de YIN (que corresponde à falta de YANG) ou o excesso de YANG (que corresponde à

falta de YIN).

.

 

I

-

OS PULSOS CHINESES

1) Princípio

A tomada do pulso, conforme a metodologia chinesa, é muito

importante para diagnosticar esses desequih'brios.

~ Enquanto a medicina clássica só conhece um pulso radial, nós distinguimos 12, 6 na ranhura radial direita, 6 à esquerda, dos quais 3 em superfície e 3 em profundidade. Cada um corresponde a um meridiano. Sua palpação nos informa sobre

o estado da energia no órgão ou sobre a função determinada a esse meridiano.

38 -

Generalidades

2)

Localização

Faz-se facilmen:e a localização de sses pulsos graças ao relevo da ap6fise estil6ide do rádio. A direita como à esquerda, são definidas sobre a ranhura radial 3 regiões:

a) ao nível da parte mais saliente da estil6ide: a "barreU:a".

b) a parte encerrada entre a estil6ide e a dobra do punho é chamada

"polegar" .

.

c) além da estil6ide, do lado do cotovelo, é o "pé".

Em cada uma dessas .localizações, a prática permite apreender 2 pulsos:

um pulso superficial e um pulso profundo.

Obtém-se assim:

PUNHO ESQUERDO

 

PUNHO DIREITO

Polegar: superficial:

ID

IG

profundo:

C

P

Barreira: superficial :

VB

E

profundo:

F

BP

Pé: superficial:

B

TA

profundo:

R

MC

. 3) Técnica de tomada

A tornada desses 12 pulsos sempre foi muito discutida pelos médicos ocidentais. Contudo, com um pouco de hábito, é relativamente fácil e proporciona preciosas informações sobre o estado de YIN e de YANG, no plano geral, como. no plano local. Todavia, sem escaparmos à censura de uma certa subjeti.vidade. Eis como se deve fazer para "sentir" bem os pulsos chineses. Convém tomá-los simultaneamente nos 2 punhos. O médico coloca seu paciente em face dele, com os antebraços estendidos, as mãos em supinação, os punhosrepousando sobre um apoio.

Diagnóstico -

39

O indicador, o médio e o anular da mão direita do clínico serão colocados sobre o pé, a barreira, o polegar do punho esquerdo do paciente. Faz-se o mesmo com os 3 dedos da mão esquerda do médico , sobre o punho direito do paciente. Com leves batidas de seus 3 dedos, à direita como à esquerda, o clínico experiente sentirá leves diferenças de intensidade. Para perceber o pulso profundo, comprime-se a polpa do dedo até que

não se sint a mais nenhuma pulsação

e afrouxa-se devagarinho a pressão até

que reapareça a onda pulsátil: está aí o pulso profundo. Continuando a relaxar a pressão do dedo , chega um momento em que não se percebe mais o pulso; é logo antes desse limite que se coloca o pulso

superficial. Tudo isso é mais simples e mais rápido na ação que na descrição_

YANG ,

portanto , uma falta de YIN.

YIN ,

portanto, uma falta de YANG. É assim que poderemos diagnosticar:

Um

Um

pulso

pulso

forte ,

mole,

rápido

lento,

e

amplo

assinala um

assinala

um

excesso

excesso

de

depressivo,

de

• O ex cesso de YANG, portanto falta de YIN :

no plano geral: todos os pulsos direitos são mais fortes que os esquerdos. Os pulsos do punho direito correspondem ao YANG_ na parte superior do corpo: os pulsos dos 3 meridianos YANG do membro superior (IG - TA -lD) são mais fortes que os dos 3

meridianos YANG do membro

na parte inferior do corpo: os pulsos dos 3 meridianos YANG do

membro inferior são mais fortes que os 3 meridianos YANG do membro superior. Para um 6rgão ou uma função: o pulso correspondente ao meridiano em causa é mais duro, mais tenso que os outros.

inferior (E, VB , B).

• O excesso de YIN, portanto, a falta de YANG se diagnostica:

no plano geral: pulsos esquerdos mais fortes que pulsos direitos. Os pulsos do punho esquerdo correspondem ao YIN. parte superior do corpo: pulsos dos 3 meridianos YIN do braço (C, MC, P) mais fortes que os 3 meridianos YIN da perna (F, BP, R). parte inferior do corpo: os pulsos dos 3 meridianos YIN do membro inferior são mais fortes que aqueles dos meridianos YIN do membro superior. Para um 6rgão ou uma função : o pulso correspondente ao meridiano em pauta é mais mole, mais fraco, mais depressível que os outros.

40

-

Generalidades

11

-

A CLíNICA ENERGÉTICA

Numerosos médicos, porém, fazem boa acupuntura sem tomar os pulsos.

A visita aos hospitais da China moderna nos mostra, por outro lado,

que a tomada dos pulsos está aí praticamente abandonada. Isso não impede de se obter resultados clínicos excelent es espetaculares.

até mesmo

'

O diagnóstico dos excessos de YANG ou de YIN pode, com efeito, se

fazer pela observação clínica.

1) Excesso de YANG

.

a) Geral: paciente em hipertoniao

fenômenos

febris. agitação física e mental com insônia freqüente. hipersimpaticotonia . com tez corada, H - T - Ao dores intensas de localização variada. espasmos, câimbras e contraturas. tremor, calor, rubor.

de

congestão

ativa,

congestão

arterial,

síndromes

b) Parte superior do corpo: calor, rubor, dor localizada na cabeça e no

busto, contrastando com pés gelados.

c) Parte inferior do corpo: dores e queimaduras nas pernas e nos pés,

dismenorréias, metrorragias.

d) Em um órgão ou uma função: sinais clínicos de hiperfuncionamento

ou de dor nesse órgão.

2) Excesso de YIN

a) Geral: paciente em hipotonia.

fenômenos de congestão passiva, congestão venosa, edemas de estase, varize s.

estado

fatigabilidade, emagrecimento. vagotonia, hipotensão arterial. enfermidades que se prolongam com falta de reação.

palidez,

depressivo

físico

e

mental

com

frialdade,

b) Parte superior do corpo: palidez ou cianose da face, mãos geladas.

! tO,'

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i

"

-i

-\

I

Diagnóstico -

41

c) Parte inferior do corpo: resfriamento nas pernas e nos pés. Regras

pouco abundantes, amenorréias.

d) Em um órgão : sinais clínicos de hipofuncioname\1to.

3) Desequilíbrio

energético

entre

as

2

ramificações

de

um

mesmo

meridiano.

. Há dor violenta, linear, ao longo do meridiano, ou mais exatamente da ramificação do meridiano, direita ou esql:erda, onde há excesso de energia. Por exemplo, uma dor localizada ao longo da ramificação esquerda do meridiano da Bexiga (ciática esquerda) representa um excesso de energia na ramificação esquerda desse meridiano e falta de energia na ramificação direita. Por exemplo, um excesso de energia na ramificação direita do meridiano do Intestino Delgado em relação à ramificação esquerda, se manifestará por uma nevralgia cervicobraquial direita, seguindo o trajeto do Intestino Delgado.

A SESSÃO DE ACUPUNTURA

Feitos o diagnóstico nosográfico da enfermidade a ser tratada, o do desequilíbrio energético, escolhidos o mé 1:odo e os pontos , começa a sessão de acupuntura. As picadas devem sempre ser efetuadas em um paciente deitado , muito excepcionalmente sentado , nunca em pé. Senão, cuidado com o mal-estar lipotímico, até mesmo com o grande choque vagotônico, ou a síncope vagovagal.

I -

LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS

É evidentemente o 1q trabalho a ser efetuado, o de bem localizar os pontos a serem picados. Nos tratados clássicos, são dadas as unidades de medidas. A mais corrente é o polegar ou cun ou "distância", que é igual ao comprimento da falangeta do médio.

Esse polegar ou "distância" é também considerado como igual a 2 espessuras de dedo (largura do indicador e do médio). Quando se fala de médio ou de espessura de dedo, é do médio ou dos dedos do paciente, não do médico, de que se trata.

A determinação dos pontos situados nas extremidades dos dedos e dos artellios não apresenta dificuldades. O mesmo se dá para aqueles que estão perto de um bom ponto de referência ósseo. Não acontece 9 mesmo para aqueles situados em plena massa muscular ou tendinosa, ou na cabeça, tórax, abdômen. A existência de uma pequena depressão anatômica ajuda a localização.

socorro de .um metro flexível, permitindo avaliar bem as distâncias

indicadas, uma palpação cuidadosa da zona onde o ·ponto deve se

< O

44 -

Generalidades

encontrar - o ponto de acupuntura é sempre mais sensível, até mesmo levemente doloroso à pressão - nos ajudarão igualmente. Mas o emprego de um detector elétrico será muitas vezes indispensáveL Com efeito, o ponto de acupuntura se caracteriza no plano elétrico por uma diminuição da resistência cutânea em seu nível. Um aparelho suficientemente sensível localizará então o ponto chinês.

A localização elétrica é tanto mais necessária, porquanto a localização

teórica do ponto pode, na prática, diferir levemente de um indivíduo ao

outro.

11 -

TONIFICAÇÃO E DISPERSÃO

Um certo número de regras complicadas foram apresentad as pelos chineses tradicionalistas. No apogeu da época dos mandarins, foram utilizadas agulhas de ouro e de prata, o ouro para a tonificação, a prata para a sedação. De fato, não parece que a natureZa do metal tenha grande importância. As agulhas de aço são utilizadas correntemente, tanto para tonificar como para dispersar.

11,í/JrifV

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-

tl~e. ~

TONIFICAÇÃO

6{).;l'!~

A agulha será enterrada nÓ ponto de tonificação e eventualmente no

ponto Fonte:

obliquamente no sentido da corrente q,Jlé percorre o meridiano; portanto, a ponta virada para ajusante. / lentamente em 2 ou 3 leves impulsos sucessivos. Em compensação, a agulha será retirada rapidamente, com um movimento seco. Alguns autores, em particular na China moderna, dão muita importância à rotação que pode ser transmitida à agulha, segura entre o polegar e o indicador do manipulador. Essa rotação para tonificar varia conforme os meridianos em pauta. Os 3 meridianos YIN do membro _superior são tonificados fazendo a agulha girar no sentidõõposto dos ponteiros de um rel6gio, da esquerda para a direita.

Faz-se o mesmo com os 3 meridianos YANG do membro inferior. Os 3 meridianos YANG do membro inferior, são eles tonificados pela agulha girando da direita para a esquerda. O mesmo se faz com os 3 meridianos YIN do membro inferior. As agulhas serão deixadas no lugar de 5 a 10 minutos, portanto , bem pouco tempo.

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.

-

Sessão de Acupuntura -

45

Observação: a moxa é um excelente método de tonificação, sobretudo em idosos e nas enfermidades que se prolongam indefinidamente. Por razões evidentes não se trata de queimar a pele de nossos pacientes, arriscando a deixar cicatrizes inestéticas. Aproximar-se-á do ponto a ser moxado, a ponta incandescente de um bastonete de artemísia, até que o paciente sinta uma sensação de calor. Também é eficaz o aquecimento prudente na chama de um isqueiro de uma agulha implantada no ponto de tonificação. Deter o aquecimento .quando o paciente sente uma leve sensação de queimadura.

B

-

DISPERSÃO

j( :"'-1 i-L'1-. c4 )Cf/I'M ~ ~J, ~fr'"V"

dispersão e eventualmente no

ponto Fonte:

obliquamente em contra corrente da energia que circula no meridiano, portanto, a ponta virada para cima. rapidamente, com um único movimento, será ela retirada lentamente em 2 ou 3 escalões.

- Poderá ser manipulada em rotação. Para dispersar, essa rotação far-se-á no sentido inverso daquele utilizado para a tonificação. Por exemplo, cada um dos 3 meridianos YIN do membro superior será dispersado fazendo girar no sentido dos ponteiros de um relógio, da direita para a esquerda.

15 a 20 minutos, portanto,

bastante tempo.

A agulha será enterrada no ponto de

As agulhas serão deixadas no lugar de

Observação : uma sangria mínima ~ apenas uma gota de sangue capilar -

efetuada no ponto de dispersão agulha especial de lâmina muito

é altamente dispersante. Utiliza-se uma

Essas técnicas permitem fixar ao máximo nossa atuação. Porém, é de se notar que, para numerosos autores, a puntura de um ponto de tonificação, qualquer que seja o método empregado,já é por ela mesma tonificante. Do

mesmo

dispersante. O emprego de aparelhos nos quais a águlha está ligada a uma fonte de corrente elétrica de intensidade muito fraca (não se trata de eletrocutar nossos pacientes) permite, conforme a corrente utilizada, ter uma ação tônica ou dispersante bem exata.

a puntura de um ponto de dispersão é em si própria

modo,

46 -

Generalidades

111 -

ORIENTAÇÃO DAS SESSÕES

Não é conveniente nem multiplicar o número de agulhas em uma sessão, nem multiplicar o número das sessões. Podem ser dadas indicações muito gerais que cada um adaptará a seus hábitos, e modulará em função de sua experiência pessoal. Em uma sessão, serão em geral picados na ordem seguinte:

os pontos de reequilíbrio geral e os pontos chaves, os pontos de reequilíbrio de órgãos, os pontos especializados de órgãos, os pontos sintomáticos chamados raminhos.

Piquem, conforme a ordem indicada, no máximo uma dezena de agulhas. Deixem os outros pontos para as sessões seguintes. Ataquem sempre os sintomas mais dolorosos ou os mais incômodos, em prioridade.

O número de sessões varia conforme a natureza da síndrome. Nas

enfermidades agudas, nas grandes síndromes dolorosas, uma ciática por exemplo: 1 sessão todos os dias ou em cada dois dias. Nas eruerrnidades crônicas, ou pouco dolorosas ou pouco invalidáveis,

por exemplo lombalgias: 1 sessão em cada 5 ou 7 dias. A duração de uma sessão é de 15 a 20 minutos. Além de 3 sessões, é necessário um pedido de entendimento prévio.

Se um doente não melhorou após 3 ou 4 sessões de acupuntura bem

conduzidas, é inútil insistir. Enfim, não esqueçam que muitos tratamentos de acupuntura se beneficiam ao serem associados à prescrição de remédios homeopáticos e bioterápicos. A receita bioterápica prolongará naturalmente o gesto do

acupuntor.

que

chamamos a Homeossiniatria em que associamos o manejo das agulhas ao

manejo do remédio homeopático.

Eis

porque

concedemos

uma

importância

muito

grande

ao

N -

INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES

A

-

LIMITES

Como

qualquer

método

terapêutico,

privilegiadas e suas limitações.

a acupuntura tem indicações

Sessão de Acupuntura -

4 7

Aliás, a Acupuntura era apenas um elemento da medicina tradicional chinesa, que dispunha de uma farmacopéia muito rica. Seus limites são todos os casos nos quais a acupuntura é ineficaz ou ffi'~nos eficaz que a medicina clássica. Isto é:

1) As enfermidades por lesões

S6 se utiliza a acupuntura quando se trata de lesões reversíveis. Seu dOIlÚnio de ação é de fato aquele dos distúrbios funcionais. Devem ser ~xcluídasem particular todas as enfermidades do domínio cirúrgico.

E assim que. a dor de uma apendicite aguda é espetacularmente aliviada

pela puntura do ponto denominado SANN - LI 36 E. Mas o abscesso continua a evoluir e a peritonite arrisca-se de acontecer. Portanto, não se trata uma apendicite pela acupuntura.

2) Outros limites

As enfermidades nas quais a medicina clássica é mais ativa. Não se trata a tuberculose, a doença venérea, a cólera, pela acupuntura. Nem o enfarte, nem o câncer, nem o delírio.

B

-

INDICAÇÕES

1) Uma indicação maior

A dor, ou mais precisamente as dores. A acupuntura bem manipulada pode ter uma eficacidade e um peóodo de ação superior àqueles dos I analgésicos modernos, quando ela é praticada com competência e quando não há lesão subjacente. Isso implica evidentemente, antes de qualquer tratamento, que sej a feito um diagnóstico ~tiQl~. [JiJ.- Ort '·6 U VI (J 0$ .m 11 L <- »

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2) A seguir um grande número de distúrbios funcionais

Enxaquecas, cefaléias, vertigens.

Resfriado do feno, asma, sinusites.

Pequenos estados depressivos e ansiosos com insônia. Distúrbios das regras e síndromes pré-menstruais.

Distúrbios

do

aparelho

digestivo:

gastrites,

discinesias

biliares,

colites.

~

48 -

Generalidades

--;- Alguns

estados

congestivos

e

inflamatórios:

dores

artrósicas,

hemorróides, congestão prostática.

_A . lista : de

todas

essas enfermidades

é longa,

misé rias do

homem

mode~~ atribuídas aos excessos da civilização , que podem ser melhoradas p~las ~as. E se for realçado que a acupuntura não é iatrógena. ( f./V-J'lIL'- c-'--/

compreende-se as razões de seu desenvolvimento atual.

-

c -

CONTRA·INDICAÇÕES /

1) Mulher grávida/'

Nunca picar 6 BP, 4 IG, 4 VC: são abortivos, Desconfiar de 36 E, 2 IG, 6 R, 60 B, 21 VB. Em todos os casos, ser muito prudente.

2) Cardíacos /

Desconfiar dos pontos do meridiano do Coração. Utilizar o Mestre do Coração. Não deixar o doente sozinho.

3) Epilépticos /'

Evitar todas as agulhas. Contentar-se com massagens prudentes.

D

-

ACIDENTES E INCIDENTES

1) Acidentes

É raríssimo observar graves acidentes por ocasião de uma sessão de acupuntura. Salvo se agulhas longas demaiS chegam a perfurações de

órgãos. Foi aliás, uma das razões dei abandono da acupuntura no século XVIII, -

na França.

pneumotórax por perfuração da pleura fo ram assinalados

recentemente em indivíduos muito emagrecidos , pela picada de

determinados

Outros acidentes: aparecimento de abscesso ao nível dos pontos picados, até mesmo transmissão de hepatite virosa, assinalada por alguns

Casos de

pontos torácicos e foram causa de recursos j udiciários.

autores ingleses e que, de nossa parte, nunca constatamos.

Sessão de A cupuntura - 49

Esse risco, mesmo virtual, implica na esterilização cuidadosa de nossas agulhas:

Todas as agulhas utilizadas durante o dia devem ser esterilizadas antes de qualquer uso. Durante o dia, nossas agulhas devem ser conservadas em caixa estéril em meio alcoólico. Nossas agulhas nunca devem ser reutilizadas em um doente, antes de serem esterilizadas pelo calor. É preciso então prever um número suficiente de agulhas estéreis, para a consulta cotidiana.

2) Incidentes

Eill compensação, são mais freqüentes. Podem ir de simples lipotimias até a um choque vagotônico com queda ocasional, suores frios e síncope. Os pontos ~N MO ,e o do TOU MO são particularmente perigosos nesse particular. Não se deve hesitar em injetar com urgência um analéptico

cardiorrespiratório. Tentar também a picada do 36 E e 6 BP. O risco de tais incidentes será limitado, atuando somente em pacientes deitados _e nunca logo após uma refeição copiosa. Evitar tratar as mulheres /' durante suas regras. Evitar também tratar doentes totalmente esgotados,t

extremamente fatigados.

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, Of"U.it

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Z n 00 5

Tranqüilizar os pacientes muito pusilânimes. Só picar 1 ponto ou 2. -Ficar perto deles, pronto para retirar as agulhas ao menor mal-estar.

Porém, tudo isso se depreende da arte do acupuntor e da consciência profissional do médico. E não há boa medicina sem boa consciência.

52 -

Generalidades

seja na categoria dos distúrbios resultando de um excesso de YANG, seja na categoria dos distúrbios resultando de um excesso de YIN. É conveniente começar a sessão de acupuntura picando em dispersão sobre suas duas ramificações, o ponto mestre que comanda o Vaso extraordinário capaz de drenar, de receber na região em apreço, o excesso de YANG ou o excesso de YIN patológico. Uma cefaléia congestiva freqüente no hipertenso é uma enfermidade tipicamente YANG. Começaremos a sessão, picando em dispersão 5 TA, ponto mestre do meridiano curioso YANG OE que vai evacuar esse excesso de YANG. E pelo fato de que o YANG OE se acopla com o TAE MO, podemos completar o processo, picando em dispersão 41 VB, que é o ponto mestre desse Vaso extraordinário.

6) Todos os pontos devem ser picados bilateralmente, à esquerda como à direita, salvo em raras exceções e fora da técnica da grande picada.

7) Quando uma enfermidade atinge uma região bem determinada do corpo humano, vários pontos sendo possíveis, uns próximos, outros afastados dessa região, é melhor punturar os mais afastados. É a regra "para os distúrbios do baixo, picar o alto. Para os distúrbios dei alto, picar o baixo".

11

-

APLICAÇÕES PRÁTICAS

A

-

DESEQUILÍBRIO GERAL

1) Excesso de YANG (portanto falta de YIN).

primeiro tonificar o YIN:

• seja tonificando o lQ VC, LO do JEN MO

• seja tonificando os 4 pontos mestres YIN : 6 MC , 4

BP , 7 P, 6 R

(A tonificação dos pontos mestres ou pontos chaves YIN, tonifica

o YIN, dispersa o YANG , à 'condição de fazê-lo sempre no início da sessão).

. Eventualmente, se isso não for suficiente, dispersar o YANG.

2) Excesso de YIN (portanto, falta de YANG):

primeiro tonificar o YANG.

• seja tonificar o 1Q VG, LO do TOU MO

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R egras Gerais de Tratamento - 53

seja

tonificar os 4 pontos me stre s YANG: 5 TA, 41 VB , 3ID,

62 B.

eventualmente, se isso não for suficiente, dispersar o YIN.

B -

PARTE SUPERIOR DO CORPO

1) Excesso de YANG, evacuar o excesso de YANG do alto:

- primeiro estimular o YIN no alto, tonificando os 2 pontos chaves YIN do membro superior: 6 MC e 7 P. em seguida, atrair o excesso de YANG do alto para baixo, tonificando o Lo do grupo YANG dos dois membros inferiores: 39

VB.

2) Excesso de YIN, evacuar o excesso de YIN do alto:

estimular o YANG no alto : tonificar 5 TA e 3 ID tonificar o Lo do grupo YIN dos 2 membros inferiores: 6 BP.

C

-

1) Excesso de YANG

PARTE INFERIOR DO CORPO

estimular o YIN embaixo, tonificando 4 BP e 6 R

evacuar o excesso de YANG para o alto tonificando o Lo do grupo YANG do membro superior: 8 TA.

2) Excesso de YIN

estimular o YANG de baixo, tonificando 41 VB e 62 B evacuar o excesso de YIN para o alto tonificando 5 MC, Lo do grupo YIN do membro superior.

D -

DESEQUILÍBRIO ENERGÉTICO DE UM ÓRGÃO OU DE UMA FUNÇÃO

1) Excesso de energia

É preciso dispersá-la tratando o meridiano correspondente. Picaremos em dispersão o ponto de dispersão e o ponto fonte do meridiano. Podemos completar essa ação, dispersando o ponto assentimento do órgão, até mesmo o ponto de dispersão da mãe e do filho .

54 -

Generalidades

2) Falta de energia

Picar em tonificação o ponto de tonificação e o ponto fonte do meridiano em apreço. Acrescentar, se necessário, o ponto Arauto e o ponto de Tonificação da mãe e do filho.

. E

-

DESEQUILÍBRIO ABRANGENDO VÁRIOS ÓRGÃOS

Se houver excesso ou carência de energia em vários órgãos, é preciso dispersar ou tonificar seus pontos D (dispersão) ou T (tonificação) e eventualmente F (fonte) ou A (arauto) de cada um dos meridianos em apreço.

F -

DESEQUILÍBRIO ENTRE 2 MERIDIANOS ACOPLADOS AO PULSO

Picar em tonificação o Lo do meridiano em carência. Seja no punho esquerdo, Bexiga em excesso (pulso duro), Rim em carência (pulso mole), tonificar o Lo do Rim: 4 R. O equilíbrio energético se restabelece.

G -

A GRANDE PICADA

É uma técnica interessante para tratar dores unilaterais dos membros, localizadas sobre o trajeto de um ou de vários meridianos. Qualquer dor significa estase energética, portanto, excesso de energia no lugar onde se localiza, aqui no ou nos meridianos em apreço. Pelo fato de que ela s6 se situa de um só lado, segundo as regras da energética chinesa, isso significa excesso de energia do lado dolorido, carência de energia do outro lado no ou nos meridianos simétricos. A tonificação do Lo do meridiano ou grupo de meridianos, localizada do lado onde há falta de energia, portanto onde não dor, transfere a energia do membro dolorido onde eia está em excesso, para o membro sadio onde está em falta. Pica-se então o Lo do meridiano ou do grupo de

onde se localiza a dor (ou em dispersão o

meridianos opost o ao meridiano

Lo do meridiano ou do grupo de meridianos do lado dolorido). Seja uma dor linear direita indo do pescoço ao polegar, seguindo a parte látero-externa do braço e do antebraço. É o trajeto do meridiano do Intestino Grosso.

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Regras Gerais de Tratamento -

55

Essa nevralgia cervicobraquial direita será tratada, picando em tonificação o Lo do lG esquerdo: 61G.

Do mesmo modo uma nevralgia cervicobraquial direita ocupando a face

posterior e externa do braço. Abrange ID, TA, IG, isto é, os 3 meridianos

YANG.

Será então preciso tonificar o Lo do grupo desses 3 meridianos, 8 TA,

porém à esquerda. Lembre-se de tonificar sempre o Lo do lado oposto à dor. Aqui, a picada é unilateral.

H -

A PEQUENA PICADA

A dor só se manifesta em uma pequena zona do meridiano. É

conveniente então determinar o ponto mais doloroso à pressão e marcá-lo, marcar em seguida os 2 pontos chineses mais próximos situados sobre o

meridiano para cima, e najusante. A seguir, no lado não dolorido, marcar-se-á os 3 pontos simétricos. Convém então picar esses 3 pontos a 5 mm de profundidade, deixando as agulhas no lugar durante muito tempo, de 15 a 20 minutos. Essa técnica nos deu excelentes resultados em certas dores quase

puntiformes onde os outros tratamentos haviam malogrado.

_ Todos esses métodos exigem um determinado tratamento. E com o tempo que se torna um bom operário das agulhas.

A acupuntura não é uma medicina de receitas, é uma medicina das

profundidades.

.

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MERIDIANOS DE ÚRGÃOS

E VASOS MEDIANOS

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I

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I

I

Em nossa descrição dos meridianos, escolhemos a ordem da grande circulação energética. Por outro lado, utilizamos a palavra "distância", que permite a localização dos pontos de acupuntura, aplicando as regras enumeradas pelo nosso eminente colega o DR. DARRAS:
I

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-I

No tórax:

Há 8 "distâncias" entre os dois mamilos.

No membro superior:

Há 9 "distâncias" entre a extremidade anterior da dobra axilar e a dobra do cotovelo. Há 12 "distâncias" entre a dobra do cotovelo e a dobra inferior do punho.

No membro inferior:

-

13

"distâncias"

entre

a

extremidade

anterior

da

dobra

períneo-femoral e a dobra de flexão do joelho.

 

-

17

"distâncias"

entre

a

dobra do joelho e a ponta do

maléolo

interno.

- 1

externo.

"distância"

Abdômen:

entre

o

maléolo

interno

e,

embaixo,

o maléolo

8

"distâncias" entre a entrelinha esternoxifóide e o umbigo.

8

"distâncias" entre o umbigo e a borda superior da sínfese púbica.

Cabeça:

!

- 18 "distâncias" entre a raiz do nariz e a ap6fise espinhal da sétima cervical.

- 9 "distâncias" entre o mast6ide direito e o mastóide,esquerdo.

I

I

PULMÃO

SHOUTAlYIN

1 Borda superior da 2'! costela, ao nível da linha paraxilar anterior, a 6 distâncias da linha mediana anterior.

P

2 Sob a borda inferior da clavícula, em seu 1/3 externo, sobre a linha paraxilar anterior.

P

3 Sobre a face anterior do bíceps, no meio, a 6 distâncias da entrelinha do cotovelo.

P

4 Sobre a borda interna do bíceps, a 5 distâncias da do cotovelo.

P

entrelinha

5 Na dobra do cotovelo, sobre bíceps.

(D)

P

a borda externa do tendão do

6 P

Face anterior do antebraço, sobre a borda interna do músculo longo supinador, a 5 distâncias abaixo da dobra do cotovelo, a 7 distâncias da dobra inferior do punho.

7P

Na ranhura radial, a 2 distâncias, acima da dobra inferior de

(Lo)

flexão do punho, borda interna do rádio.

8P

Na ranhura radial, a 1 distância acima da dobra inferior de

flexão do punho , imediatamente no interior da parte do estil6ide radial.

saliente

9P

Na r~mhura, ao nível da ponta do estil6ide radial, sobre a dobra

(T + S)

inferior da flexão do punho.

10P

Sobre a borda externa da eminência tenar, no limite da pele

palmar

metacarpofalangiana.

e

dorsal,

para

trás

da

1'!

articulação

62 -

Meridianos e Vasos Medianos

2

Sulco delto-. pe ito ral - --,IH"" 3 _~--IDI 4 --I--~ fri'tll---i---- Músculo bfceps 5
Sulco delto-.
pe ito ral
-
--,IH""
3 _~--IDI
4 --I--~
fri'tll---i---- Músculo bfceps
5
6

Músculo deltóiçle -

@

Linh a ax ilar

Linha mami.lar

Pulmão -

63

11 Ting L}jI;:CHé'lhI---- 10 long Músculo curto --+-- -- --f--~fj abdutor do polegar r_-, ~l-\rH---
11
Ting
L}jI;:CHé'lhI----
10
long
Músculo curto --+-- -- --f--~fj
abdutor do polegar
r_-, ~l-\rH---
-
9
. lu. lunn
PI-li!4-\---f-+-<- 8 King
Artéria radial
L_ ~m\--\----'L-
7
Lo
Músculo grande palmar ---t----IIII;t/11
Músculo longo
supinador

64 -

Meridianos e Vasos Medianos

11 P

Ângulo

ungueal externo do polegar a 2 mm para trás e para

fora.

ASSENTIMENTO:

13B

ARAUTO:

1P

INTESTINO GROSSO

SHOU YANG MING

1IG

A

2 rnrn acima e para fora do ângulo ungueal externo do

indicador (lado do polegar).

 

2IG

Borda

externa

do

indicador,

para

frente

da

articulação

(D)-

metacarpofalangiana.

 

3IG

Borda externa do indicador, para trás da articulação metacarpofalangiana do indicador.

4IG

Polegar estendido em abdução, no ápice do ângulo das

(S)

extremidades próximas dos dois primeiros metacarpianos.

5IG

Na

horizontal da dobra inferior de flexão do punho. No fundo

da

concavidade formada pelos tendões do extensor próprio do

polegar e do extensor comum.

6IG

A

3 distâncias da dobra de flexão inferior na face posterior

(Lo)

7IGda dobra de flexão inferior na face posterior (Lo) ' S 8IG externa no punho, sobre

' S

8IG

externa no punho, sobre a linha que liga a extremidade externa â dobra do cotovelo na ponta do estilóide radial, sobre e para

frente do músculo longo abdutor do polegar.

A 7 distâncias, acima da dobra de flexão do punho, sobre a

borda externa do antebraço.

A 1 distância acima do 7IG.

9IG

A 1 distância acima do 8IG.

lOIG

A 1 distância acima do 9 IG.

llIG

Extremidade

externa da dobra de flexão do cotovelo.

(T)

66 - Meridianos e Vasos Medianos

16 15 MúsaJlo deltóide - -I-- --"!<;\ ~tQ - /--:----- 14 Músculo vest. externo -
16
15
MúsaJlo deltóide -
-I-- --"!<;\
~tQ - /--:----- 14
Músculo vest. externo -
--+-111'4
13
12
Músculo anc:ôneo
Músculo
extensor
comum
~~~,.--4 lunn
o-/'-''r'-M,
3
lu

11 Ho

10

9

8

7

®

TSRI

I

I

1

I

:1

I

I

;1

I

I

11

I

I

I

·1

I

20

Intestino Grosso -

-· 3 lu 11 Ho 10 9 8 7 ® TSRI I I 1 I :1

67

68 -

Meridianos e Vasos Medianos

l 2 IG

Face posterior externa do braço, a 2 distâncias, acima da dobra do cotovelo, ao longo do vasto externo.

13 IG

A 3 distâncias acima da dobra do cotovelo.

14IG

A 7 distâncias acima da dobra do cotovelo, na extremidade da ponta inferior do V deltoidiano.

l5IG

Na extremidade externa da entrelinha acromioc1avicular, na covinha que se forma ao levantar o braço.

16IG

No interior da articulação acromioc1avicular, em uma cavidade.

17 IG

Na horizontal passando pelo meio da cartilagem tireoidiana, sobre a borda posterior do músculo esternoc1idomastoidiano.

18IG

Na horizontal que passa pela borda superior da cartilagem tireoidiana, sobre a borda anterior E.C.M.

19IG

À meia-distância entre a borda externa da asa do nariz e o rebordo do lábio superior, à meia distância, sobre a face, da linha mediana.

20IG

No sulco nasogeniano, na ' borda pós-inferior seja homo, seja heterolateral.

da asa do nariz,

ASSENTIMENTO :

25

B

ARAUTO:

25 E

ESTÔMAGO

I

I

I

I

I

I

I

I

,

I

I

.J ,

I

I

ZUYANGMING

1E

Sob a pálpebra inferior, na pequena depressão da borda inferior da órbita, sobre a vertical passando pela pupila.

2E

No eixo da pupila, a 1 distância abaixo do meio do olho .

3E

Sobre a mesma vertical, na horizontal passando pela parte inferior da asa do nariz.

4E

Intersecção dessa vertical e da . horizontal passando pela comissura dos lábios.

SE

No

ângulo

do

maxilar

inferior

na depressão onde passa a

artéria facial.

 

6E

Imediatamente por trás do 5 E, sobre a ramificação ascendente do maxilar inferior (rebordo posterior), a ldistância acima do

ângulo do maxilar.

J 7E

,I I

8E

.,

I 9E

:1

Para frente do côndilo do maxilar inferior, à frente da orelha,

em uma depressão que se acha na abertura forçada da boca.

Ao nível do ângulo dos cabelos, sobre o crânio a 4 distâncias dos olhos, horizontalmente sobre a parte posterior da crista frontal, verticalmente ao nível da sutura frontoparietal.

Sobre a borda anterior do E.C.M. sobre a carótida externa, ao nível da borda superior da cartilagem tireóidea.

j lOE

·1

J

Sobre a borda anteiíor do E.C.M. , na horizontal que passa sobre a borda inferior da cartilagem tireóidea.

70 -

Meridianos e Vasos Medianos

llE

Borda anterior da clavícula, entre a cabeça esternal e clavicular

do

E.CM., a I distância 1/2 da linha mediana.

12E

Na

borda anterior da clavícula, no meio, verticalmente sobre o

13E

prolongamento da linha mamilonar.