ÍNDICE

Capa: Adriana Dee, a Agente Laranja – Arte de Cayman Moreira
Índice e Tira de Omar Viñole: Coelho Nero - Censura
Multiplicando - Editorial de André Carim 3
HQ “Agente Laranja” – Cayman Moreira 4
Entrevista do Mês: Juvêncio Hilário Veloso 10
Ilustração “Tianinha” – Arte de Omar Viñole 26
HQ “Horror Pets” – Roteiro e Arte de Salatheil Anacleto 27
HQ “Publicitário” – Arte de Calazans 32
Entrevista Participativa com Gazy Andraus 33
Cotidiano Alterado – Edgard Guimarães 67
HQ “O” – Arte de Edgar Franco 68
Fórum de Discussão – Preto e Branco ou Colorido? 71
HQ “Super-Heróis do Barulho” – Orlando, Bira e Wanderley 74
Cotidiano Alterado – Edgard Guimarães 84
Seção de Cartas 85
HQ “Cérebro Canibal “ – Arte de Rafael Portela 88
Divulgação de Publicações 98
Contracapa – A Agente Laranja – Arte de Cayman Moreira
Nota: A capa teve finalização de Clodoaldo Cruz. Logotipo da capa
de Laudo Ferreira Jr. e selo do Múltiplo por Alberto de Souza.

COELHO NERO DE OMAR VIÑOLE

Fanzine Múltiplo e Adriana Dee, a Agente Laranja, registrados na Biblioteca Nacional sob o
número 83.569 em 19 de julho de 1993 – Autor/Criador: André Carim de Oliveira
Multiplicando...
André Carim

O Múltiplo chega ao sexto número com novidades, a começar pela
entrevista participativa e interativa proposta ao amigo Gazy Andraus, onde
ele nos conta um pouco do seu trabalho, conquistas e sua visão da HQ
nacional.
Como entrevistado do mês, trazemos Juvêncio Hilário Veloso, um
bravo lutador pelos Quadrinhos Nacionais e um visionário também. Con-
tamos com um depoimento de Beralto sobre o entrevistado, onde pode-
mos sentir toda a amizade e companheirismo que uniu esses dois amigos
e importantes colaboradores da HQ nacional.
Novos amigos vão chegando e nos dando a honra de publicar seus
trabalhos, sejam HQs, ilustrações ou tiras, e que outros se motivem a par-
ticipar do projeto. No mais, teremos as seções de sempre, cartas e divul-
gação de fanzines e artistas nacionais.
Estrelando a capa e contracapa dessa edição a arte de Cayman Mo-
reira, que nos traz uma HQ da Agente Laranja inédita... um agradecimento
especial ao amigo Cayman pelo carinho com a minha personagem...
Espero que todos curtam a edição, comentem, divulguem e até o
próximo mês... ah, e um agradecimento especial ao Clodoaldo Cruz e ao
Alberto de Souza, Beralto, que sempre me ajudaram na confecção das ca-
pas e capas das entrevistas...

IRMÃOS CARIELLO, CARICATURA DE BIRA DANTAS
3
4
5
6
7
8
9
10
Nesta entrevista do mês, trazemos o amigo e blogueiro
Juvêncio Veloso, numa entrevista superinteressante, falando
de suas produções no Universo Alternativo e sua vivência no
mundo dos Quadrinhos Nacionais. Mas, para início de con-
versa, trazemos um depoimento especial do amigo em co-
mum Alberto de Souza – Beralto, que nos mostra um pouco
mais desse quadrinhista. Espero que curtam a leitura...
André Carim

“Conheci o Juvêncio
Veloso nos tempos
em que os zines
eram uma verda-
deira rede social
analógica, lá pelos
anos 80, quando
nem sonhávamos
em um dia dispor de
algo parecido com a
internet. Naquela
época, o jovem que
curtia HQ tinha uma
boa variedade de
HQs de banca, os fa-
JUVÊNCIO VELOSO
mosos formatinhos da
RGE e Editora Abril, com os super-heróis Marvel/DC e os he-
róis clássicos da King Features. Mas além disso, ainda desfru-
távamos do eco de períodos áureos dos quadrinhos nacionais
com as revistas da Editora D'Arte de Rodolfo Zalla, nas quais,
além de contar com HQs de Colin, Colonese, Mozart Couto,

11
Rodval Matias, Olendino, e outros feras veteranos, e novos ta-
lentos da HQB, tínhamos o espaço de interação dos leitores
com oportunidade de divulgação de publicações alternativas.
Cheguei a ter uma HQ minha redesenhada por Zalla
com o título “Era Uma vez que saiu na Calafrio 28”, se não me
engano. Citei tudo isso só para rememorar aquele contexto
em que só dispúnhamos de um fórum de quadrinhistas e fãs
por meio de publicações impressas. E para o quadrinhista
amador se sentir motivado a fazer suas HQs numa revistinha
xerocada era facinho. O primeiro zine que conheci foi o Notí-
cias dos Quadrinhos, de Ofeliano. A partir dali, achei o "Fio de
Ariadne" dos fanzines, porque bastava um anúncio com o en-
dereço, para encomendar as publicações de quadrinho ama-
dor, e dá-lhe carta. Assim comecei a publicar minhas HQs em
zines, e também me vi motivado a publicar em fanzines para
todo canto. E criei meu zine, que distribuía gratuitamente para
os amigos, com apenas 4 páginas, com minhas HQs. Anunciei
na Calafrio, e ia recebendo as encomendas, e estreitando con-
tatos com amigos de diversas partes do país. Foi assim que
conheci o Juvêncio Veloso, e daí para frente começamos a tro-
car correspondência, com grande frequência, e, embora não
tenha conhecido
pessoalmente este
parceiro, o tenho
em estima como
um amigo muito
especial.

JUVÊNCIO VELOSO
12
Recebia com frequência, copias das tirinhas do mano
Juvêncio, e fizemos algumas parcerias a partir daí. Chegamos
a ter personagens similares, enquanto ele tem o Profeta, eu
criei o Eremita, ele tem os Astronautas, e eu criei os Djahoja-
nos, que são os equivalentes personagens extraterrestres.
Chegamos a preparar uma HQ em parceria com o Ere-
mita, uma história que fala sobre drogas. Tive até um perso-
nagem meu que o Juvêncio adotou, o Eugênio, o burro, rsrs.
Logo depois da febre dos zines na adolescência, eu estava co-
meçando a trilhar os estudos de esoterismo, e mergulhei
fundo numa busca espiritual, que foi tão intensa a ponto de
que os zines ficaram sem espaço na minha vida, e junto a isso
me casei, e então acabei me distanciando de amigos impor-
tantes que só conheci por cartas.

JUVÊNCIO VELOSO COM A FILHA DE AMIGOS
Cheguei a publicar HQs em tiras de jornal e suplemen-
tos infantis para complementar a renda. Mas os zines ainda
não estavam nos meus planos. Só um tempo depois, quando
comecei a trabalhar como servidor público em instituição de
ensino, foi que me vi motivado a trabalhar em projetos edu-
cacionais que envolviam o uso de HQ. Nesse momento resolvi
13
pesquisar na net se meus antigos companheiros estavam atu-
antes ou citados na web.
Eis que encontrei o Juvêncio na versão blogueiro, com
o Baú do Veloso, muito prestigiado e com um número expres-
sivo de seguidores e muito bem articulado na net. A retomada
de contato com o amigo Juvêncio me estimulou inclusive a
criar meu blog – beraltocartum.blogsot.com.br - e republicar
as HQs antigas que tinha engavetadas.
O que falar de meu amigo? O Juvêncio é um quadri-
nhista nato, prolífero e de uma criatividade surpreendente.
Seu humor é perfeito para as tiras cômicas, contando
com personagens dos mais variados, mas sempre com uma
visão humana e sensível do mundo: Canjica, Sapito, Astronau-
tas, Náufragos, Profeta, Lady Garça e muitos outros. No mais
posso dizer que tenho um grande e generoso amigo que, além
de compartilhar comigo a predileção pela nona arte, é par-
ceiro em trabalhos desenvolvidos no passado, e pretendo que,
em momento oportuno, voltemos a fazer novas parcerias,
quando o tempo nos permitir.
Creio que assim aconteceu com muitos zineiros, a gente
pode ficar um tempo longe da fanzinagem, mas uma vez con-
tagiado pelo vírus do zine a gente volta cedo ou tarde, pode-
mos até migrar para a web, como o Juvêncio faz com muito
êxito, enquanto blogueiro quadrinhista independente, mas o
espírito zineiro está no sangue”.
Alberto de Souza, Beralto

14
Múltiplo: Como co-
meçou nos Fanzines?
Juvêncio Veloso: Res-
pondi um anúncio
numa Seção de Cartas
de uma Revista (Se-
ção de Cartas era uma
espécie de Rede So-
cial na Época) enviei o
pedido e recebi o
Fanzine! O Fanzine
era uma folha do-
brada ao meio.... Foi mágico, uma emoção incrível, We Can!
Nós podemos! Tinha encontrado os meus Iguais.

Múltiplo: O que a lembrança traz de gostoso daquela época?
Juvêncio Veloso: Gostava daquela Efervescência Criativa e Co-
laborativa! Escrever, desenhar, montar os Fanzines, as Trocas
de Correspondências e Colaborações!

Múltiplo: Quais eram suas referências nos Fanzines?
Juvêncio Veloso: O Beralto (Alberto de Souza) foi umas das
pessoas que muito me inspirou e ensinou, foi a pessoa com
quem tive um contato maior, e fizemos até algumas parcerias
em Roteiros e HQs... O Marco Muller do Fanzine Mutação, que
foi quem primeiro publicou uma tirinha minha, o Edgard Gui-
marães do QI (que assim como o Beralto continua muito
ativo). Enfim são tantos que fica até difícil citar nomes! Tinha
também o saudoso e Grande Agitador no Movimento Fanzi-
nístico Joacy Jamys.

15
Múltiplo: O que te dava
mais prazer ao receber
Fanzines e depois, ela-
borá-los?
Juvêncio Veloso: O
grande barato era che-
gar em casa depois de
um dia de trabalho e ter
um monte de envelopes
com os Fanzines para
abrir, era um Ritual que
curtia muito, ler as car-
tas, os Fanzines, respon-
der uma a uma avan-
çava as madrugadas!

Múltiplo: O que, na sua
opinião, inspirava essa
arte pelos cantos do
país?
Juvêncio Veloso: Talvez
o fato do Brasil estar vi-
vendo o começo da Abertura Política! Havia alguma coisa no
ar, uma ânsia de se viver, de se fazer ouvir! Rádio Pirata do
RPM acho que seria a Trilha Sonora para explicar este mo-
mento! A Década de 1980 foi uma Década Especial! Hey! Anos
80! Charrete que perdeu o condutor...

Múltiplo: O que você produzia? Fale um pouco sobre seu tra-
balho.

16
Juvêncio Veloso: Produzia um pouco de tudo, estava come-
çando a descobrir que podia cometer Quadrinhos, queria ex-
perimentar de tudo e também queria colaborar com todos os
Zines! Como cantou Renato Teixeira “nem tanto pelo encanto
das palavras, mais pela beleza de se ter a voz”.

LADY GARÇA, PERSONAGEM DE JUVÊNCIO
Múltiplo: Gosta mais de HQs ou tiras na hora de desenhar?
Juvêncio Veloso: Sempre gosto de deixar claro que não me
considero um desenhista, acho que sou apenas alguém que
quer contar algumas histórias, ou desabafar, o desenho aca-
bou sendo mais uma ferramenta para isto! Acabei optando,
ou sendo levado para as tirinhas, pois sou limitado para dese-
nhar e também porque gosto do desafio de ter que sintetizar
e passar uma mensagem em poucos Quadrinhos!

Múltiplo: Sobre o que falam seus trabalhos de HQs?
Juvêncio Veloso: Em minhas tirinhas sempre procurava passar
mensagens de Alertas Ecológicos, Críticas Sociais, em certo
momento senti que estava ficando muito panfletário, hoje

17
faço uma coisa mais voo livre, sem uma preocupação de pas-
sar uma mensagem, gosto de brincar com referências! Solto a
folha ao vento e espero que alguém as apanhe...

Múltiplo: A HQ nacional, o que você vê de bom e ruim?
Juvêncio Veloso: O que vejo de ruim é que tenho visto pouco!
Sinto Falta de Quadrinhos Populares Brasileiros! Quadrinhos
de Bancas. Houve um tempo que quase tivemos isso! Tem al-
gumas iniciativas, como as Graphics MSP que ao mesmo
tempo parece um caminho, me causa uma certa frustação por
ser limitada aos personagens do Mauricio.

SAPITO, PERSONAGEM DE JUVÊNCIO
Múltiplo: Acha que o Quadrinho nacional pode conquistar seu
espaço?
Juvêncio Veloso: O Cinema Nacional conquistou? Se a res-
posta for sim, estenda a minha como um sim também! Sou um

18
eterno sonhador, acredito
que pode sim. O fato de mui-
tos meninos que conheci de-
senhando para os Fanzines
hoje estarem desenhando
para as Editoras lá fora é uma
prova que tudo é possível!
Acho que houve muitos
avanços, só que fica difícil
para dimensionar, pois os
Quadrinhos, ou a forma de se
produzir e ler Quadrinhos
passou por muitas transfor-
mações com a chegada da In-
ternet!
ILUSTRAÇÃO DE JUVÊNCIO, 1993
Múltiplo: O que seria preciso
fazer para mudar o cenário?
Juvêncio Veloso: Acredito que todas as Alternativas são váli-
das. Fanzines, Blogs, Páginas, Grupo, Exposições, Financia-
mento Coletivo, buscar o Mercado Externo. Não sou a pessoa
mais indicada para falar sobre isso, pois não publico e nem
desenho profissionalmente, e nem tenho mais esta pretensão.

Múltiplo: Quais conquistas do quadrinho nacional você acha
mais importantes?
Juvêncio Veloso: Acho que a maior conquista são os FANZI-
NES, que acabaram sendo válvula de escape para a criativi-
dade de tantos jovens que hoje são excelentes profissionais!

19
Múltiplo: Você, em determinado momento, se afastou dos
Fanzines e das HQs, como isso aconteceu e por quê?
Juvêncio Veloso: Como o Capitão América, fiquei um tempo
congelado. Veio a
sobrevivência, tra-
balho, família, mili-
tância sindical. O
Boom do Movi-
mento Fanzineiro
começava a ter
uma acomodação
natural e a garo-
tada também es-
tava crescendo e
correndo atrás de
novos sonhos, e os
contatos começa-
ram a ficar mais es-
cassos, então co-
O PROFETA, PERSONAGEM DE JUVÊNCIA, 2012 mecei a achar que
minhas longas cartas estavam forçando a barra em busca de
contato e interação que para mim era um alimento vital. Não
sei dizer se foi só isso, tem também a questão financeira - mi-
nha e do país - era muito difícil brigar pelos Quadrinhos Naci-
onais e não ter grana para comprar nem as raras Publicação
que chegavam bancas.

Múltiplo: Atualmente, o que tem feito? Qual é, hoje, a sua pro-
dução e participação nas HQs?
Juvêncio Veloso: Não tenho feito nada que seja digno de re-
gistro! Tenho procurado incentivar a todos aqueles que estão

20
começando, os que estão retornando, aqueles que estão em-
barcando em novos projetos, sempre gostei deste papel de
apoiador, de doar palavras de incentivo a quem está entrando
na batalha, ou aos velhos e calejados Guerreiros! Tenho pro-
duzido Tirinhas para minha página de uma forma mais des-
compromissada, sem obrigação de carregar bandeiras!

Blog "O Baú do Veloso"

Múltiplo: Fale um pouco do seu blog, o Baú do Veloso.
Juvêncio Veloso: Pode parecer incrível, meu Blog estreou jus-
tamente no dia em que entrei pela primeira vez na internet!
Tenho um carinho muito grande por ele, é como o nome diz,
um Baú, só que digital. É onde posto meus Quadrinhos, lem-
branças e coisas que me tocam, e também os meus poucos
escritos! Fiz muitas amizades através do blog, pessoas especi-
ais que me ajudaram a superar uma depressão profunda. Mi-
nha principal personagem, Lady Garça, teve sua mais forte ins-
piração nas mulheres blogueiras e sua elevada auto estima e
bom humor!

Múltiplo: Qual a linha editorial que ele segue?
Juvêncio Veloso: A linha é meio Metamorfose Ambulante, foi
mudando com o tempo e com a chegada dos novos amigos!

Múltiplo: Tem algum trabalho seu publicado? Pretende publi-
car alguma coisa?

21
Juvêncio Veloso: Cheguei a publicar minhas tiras em jornal de
grande circulação regional, por uns dois anos, até ter abando-
nado os Quadrinhos por uns 25 anos! Não tenho pretensão de
publicar não, a não ser como uma forma de agradecer a todos
os que curtem e apoiam o meu trabalho!

TIRA DA "LADY GARÇA", DE JUVÊNCIO VELOSO
Múltiplo: Você diz que se considera um contador de histórias,
qual história poderia nos contar?
Juvêncio Veloso: Vou contar uma curtinha, que é um pouco
no que procuro pautar minha vida, é um Tributo ao Meu Pai
que era um verdadeiro Contador de História!
TRIBUTO AO MEU PAI
Em umas das tantas viagens com meu pai pelo interior do Pa-
raná, paramos numa sombra a beira do caminho para chupar
laranjas. Na inquietude dos meus quinzes anos, questionei o
porquê de meu pai ter plantado as sementes de laranjas em
um lugar esquecido, numa estrada que talvez nunca mais vol-
tasse a passar.

22
Meu pai me disse com sua profunda sabedoria e franca sim-
plicidade, que só hoje consigo reconhecer: na vida é preciso
plantar boas sementes mesmo que não possamos ficar para a
colheita. Pouca atenção dei às palavras de meu pai naquela
tarde de sol forte e poeira pesada.
Mas hoje procuro passar para os meus filhos a lição que meu
velho ensinou:
“NA VIDA DEVEMOS SEMEAR BOAS SEMENTES, MESMO QUE
NÃO POSSAMOS FICAR PARA A COLHEITA ”
Bom, se vocês revirarem o Baú, encontrarão outros dos meus
poucos escritos...

ILUSTRAÇÃO DE JUVÊNCIO VELOSO
Múltiplo: Qual o seu recado para os Fanzineiros da velha
guarda e para os que estão começando?
Juvêncio Veloso: Vocês fizeram e estão fazendo um ótimo tra-
balho, não temos a dimensão exata deste trabalho, mas é
maior do que imaginamos! Através dos Fanzines muita gente
boa pôs os pés na Profissão. Para os que estão começando...
A Jornada é longa, então aproveitem as companhias dos ami-
gos nesta caminhada. Procure se misturar mais, buscar con-
tato com pessoas fora do seu círculo, isso ajuda a encontrar
novos rumos e não continuar andando em círculo! Com o Blog
23
conheci pessoas que nunca tinham tido um contato maior
com os Quadrinhos e que disseram que aprenderam a curtir
Tirinhas através do meu trabalho, essa interação é gratificante
e isto é buscar novos públicos!

Múltiplo: É possí-
vel construir uma
rede de HQ nacio-
nal que seja efici-
ente na divulgação
e distribuição de
quadrinhos?
Juvêncio Veloso:
Para mim isso já
parece uma Utopia
para os Quadri-
nhos de uma
forma geral, ima-
gine para os Qua-
drinhos Nativos. Mas acredito na criatividade e garra deste
povo que faz até as utopias piarem!

Múltiplo: Defina Juvenal Hilário Veloso.
Juvêncio Veloso: Juvenal é Juvêncio. Ainda continuo prefe-
rindo ser uma Metamorfose Ambulante...

24
Múltiplo: Tema livre.
Juvêncio Veloso: Se a Cultura não te
representa crie a tua própria Cultura!

Juvêncio Hilário Veloso

Um contador de histórias,
Um amigo,
Um grande quadrinhista!!!

25
PERSONAGEM TIANINHA, DE LAUDO, NA ARTE DE OMAR VIÑOLE

26
27
28
29
30
31
32
33
Inauguramos nesta edição mais uma novidade, mais uma al-
ternativa de interatividade a
que tenho proposto com
frequência entre vocês, lei-
tores e colaboradores do
Múltiplo... uma forma de
aproximar mais o artista do
fã, estreitar laços e proporci-
onar que todos possam co-
GAZY ANDRAUS nhecer melhor o trabalho do
quadrinhista... e para come-
çar teremos uma super entrevista com Gazy Andraus, um apai-
xonado por HQs e que se propôs de imediato a nos atender
quando da oferta dessa entrevista participativa e interativa...
espero que todos curtam... boa leitura...

Múltiplo: Como você se considera quando falamos de quadri-
nhos?

Gazy Andraus: Al-
guém que sempre
(mas sempre
mesmo), se mara-
vilhou desde pe-
queno, ao ver
aquelas imagens GAZY ANDRAUS NO II SEMINÁRIO DE PESQUISA EM CUL-
TURA VISUAL 2009

34
pequenas separadas por
retângulos, impressas co-
lorizadas numa revista,
num mistério insondável e
irrespondível acerca de sua
beleza e atração desmesu-
rada cujos desenhos têm
exercido em mim fascínio,
tanto a meus olhos, como
à minha mente!

Múltiplo: O que seria HQ
poético-filosófica?

Gazy Andraus: Um tipo de
História em Quadrinhos
HQ POÉTICA COMO HAICAI
(HQ) cuja mensagem sin-
tetizada traz a reflexão, numa narrativa não linear, similar ao
que faz e ao que é um haikai (ou haicai) à literatura, porém,
de maneira imagético-textual.

Múltiplo: Pelo que vi em alguns artigos e material de internet,
você produziu diversos fanzines. Nos fale um pouco sobre
isso.

35
Gazy Andraus: Meu início de publicação
foi pelos fanzines. Assim, é uma relação
importante e simbiótica como parte in-
tegrante e coroamento de produções de
HQs e afins, em que realizo um fanzine
autoral ano a ano, no mínimo. Além de
participar vez ou outra de outros zines,
colaborando com eles no envio de HQs
ÁS-DESENHO DA JUVENTUDE e/ou textos. Os fanzines são imprescindí-

veis, porque permitem-nos fazer todo o processo, desde a ela-
boração das HQs à publicação delas e distribuição, como num
desenvolvimento alquímico.

Múltiplo: Se considera um pesquisador? Nos conte sobre.

Gazy Andraus: Sim, pois em essência, todos o somos. Porém,
alguns enveredam pelo caminho, tentando desvendar ques-
tões que pululam em nossas mentes, enquanto que outros
não se aprofundam em resolvê-las, atuando na vida de outras
maneiras. No meu caso, a instigante saga das HQs e sua intri-
gante falta de valorização antes atestada pela sociedade, fez-
me querer entender a raiz e razão disso, já que via nelas (nas
HQs), algo de maravilhoso e importante que não poderia ser
mantido em desacordo com seu valor por mim aventado. Esse
era um dos tópicos mais importantes que me fizeram singrar
a área acadêmica e de pesquisas desvelando as histórias em
quadrinhos (ou parte delas) e sua importância num mestrado

36
e doutorado. Ainda assim, não fico estagnado apenas nesse
tema das HQs e fanzines, mas me interessa o ser humano em
essência, o planeta em que vivemos e o universo e suas imbri-
cações (pois que cheguei até a fazer um curso rápido de as-
tronomia quando cursava artes na UFG em 1986 para 1987).

Múltiplo: Como você separaria a HQ tradicional da HQ poé-
tico-filosófica?

Gazy Andraus: O paralelo que traço para que se possa com-
preender, é relacionar a poesia haicai japonesa à literatura:
não é um conto, um romance ou
texto descritivo ou uma narrativa
épica, mas ainda assim, pertence
ao rol da chamada Literatura! Há
os que dele gostem (do haicai) e
os que não o apreciem. Assim o
são as HQs poético-filosóficas
(ou fantástico-filosóficas): são
geralmente elípticas como nas
poesias haicais e há muitos que
não lhas gostam, porque suas
narrativas não são lineares como
as tradicionais histórias em qua-
drinhos. Mas são HQs, apesar de HQ POÉTICA – MESTRADO PÁGINA 98

tudo, assim como haicais são literatura!

37
Múltiplo: Como foi ganhar o Troféu HQ Mix na categoria “me-
lhor tese de doutorado”? Nos conte sobre o que você fala
nesta tese.

Gazy Andraus: Foi um reco-
nhecimento de um trabalho
exaustivo e longo, e pelo
qual só fui entender e res-
ponder o seu cerne no úl-
timo dos quatro anos do
doutorado que levei para fi-
nalizá-lo: cursei disciplinas
de pós, elaborei artigos para
CÉREBRO-BALÃO SÍMBOLO E CAPA DA TESE DE elas, para congressos, fui
GAZY
lendo, relendo, escrevendo,
pesquisando, até que consegui entender que a mente é inte-
grada, mas que a depender do input, pode ou não se tornar
mais (ou menos) afeita às artes e à apreciação de linguagens
como os desenhos. E descobri que é o que aconteceu com a
humanidade: ao desenvolver-se muito na racionalidade aca-
bou por atrofiar áreas em atividade do cérebro que reconhe-
ceriam intuitivamente as artes e os desenhos (ficando nossa
mente preconceituosa), as quais dialogariam melhor com ou-
tras regiões atinentes ao pensamento racional e à escrita fo-
nética, o que tornaria a mente mais expansiva na inteligência,
equilibrando o uso dos hemisférios cerebrais esquerdo (racio-
nal) e direito (criativo), desenvolvendo uma mente integrada,
38
salutar e melhor equilibrada. Descobri isso lendo e estudando
ciência cognitiva, e constatando que os experimentos científi-
cos apontavam, por tomografias computadorizadas que, por
exemplo, áreas distintas dos hemisférios cerebrais entravam
em mais ou menos atividades quando recebiam incentivos:
como exemplo, na leitura de imagens e ideogramas, mais por-
ções do hemisfério direito acusavam respostas, enquanto que
na leitura de textos (fonemas) havia supremacia do esquerdo
entrando em atividade. Isso tudo criou na nossa mente “cin-
dida”, a racionalidade excludente que gerava o preconceito
contra o que ela pensava ser menos importante: no caso, as
HQs, por serem imagens, e as imagens à mente racional que
lê textos, eram consideradas informação irrelevante, o que é
um engodo total que vai caindo década após década, já que
tudo é informação necessária, tanto a escrita como o desenho.
Porém, a maneira
como atuam tais
informações em
nossas mentes é
que se apresenta
distinta e neces-
sária para um dia-
logismo sistê-
mico e de manu-
3D IMAGENS C1 ZINE
tenção amplifi-
cada de nossas mentes, que são neuroplásticas - se usarmos,

39
expandem-se, se não, atrofiam-se. Ou seja, se não damos va-
lor às imagens e aos desenhos, e as lemos menos, não conse-
guimos acionar áreas prontas para se ativar suficientemente e
conjugarem-se com outras, deixando-nos até menos criativos.
Na educação cartesiana, esse tem sido o maior erro, e os qua-
drinhos podem ajudar a melhorar, pois são expressões artísti-
cas. Por isso, quando recebi a notícia do prêmio em 2007, fi-
quei contente, por saber (e confirmar) que fiz um trabalho cor-
reto e essencial à área das HQs (e da educação e pedagogia,
em especial, universitárias).

Múltiplo: Você faz palestras? Sobre qual tema você trabalha?

Gazy Andraus: Sim, abordando tudo o que discorri anterior-
mente, mas enfocando para quaisquer áreas adjacentes: se às
artes, mostro HQs e afins pertinentes, se à educação, explano
a importância das HQs com amostragens, à Pedagogia e Le-
tras idem, e por aí vai.
Tanto em escolas, como
em cursos universitários
de graduação e pós-gra-
duação. Também faço o
mesmo com relação aos
fanzines e sua essenciali-
dade como parte da li-
OFICINA COM ARTISTA E PROFESSOR GAZY ANDRAUS, berdade humana de
NO SESC ANÁPOLIS (GO), DIA 26 DE NOVEMBRO DE
2016 criar e confraternizar

40
com as ideias e expressões artísticas. Minhas palestras e cur-
sos, assim, vão abarcando principalmente desde as artes, HQs,
fanzines, ciência cognitiva e mudanças paradigmáticas cientí-
fico-educacionais.

Múltiplo: Seus quadrinhos li-
mitam-se apenas a HQ poé-
tico-filosófica?

Gazy Andraus: Em geral, na
atualidade (desde a década de
1990 principalmente), sim. É
como uma vontade interna de
liberar o processo (principal-
mente se estou sob a audição
de músicas): tem que ser rá-
pido e direto (muitas vezes à
tinta, sem esboço prévio).

Múltiplo: Como surgiu essa ADVERSE REVERSE4RET

ideia de produção de HQS?

Gazy Andraus: Foi se tornando natural a partir de uma mescla
de estilos baseada na leitura de HQs europeias, em especial
de autores franceses como Moebius, Druillet e especialmente
Caza. Mas esse processo, que natural, aconteceu não só a mim,

41
como provavelmente a alguns outros, como Edgar Franco, An-
tônio Amaral, e antes a Henry Jaepelt e Flávio Calazans, mas
para certeza com relação a
eles perguntando também.

Múltiplo: Desde quando se
interessa por HQs?

Gazy Andraus: Desde
quando comecei a ler, aos
meus 7 anos de idade: então,
Disney, Maurício de Sousa,
outros autores que não mais
estão, como Perotti, Canini
etc. Mas na infância, obvia-
mente eu não sabia muito
dessas autoralidades, e sim
DESENHOS INFÂNCIA – MONSTROS - GAZY de seus personagens como
Mickey, Cebolinha, Gabola, Kactus Kid, dentre outros inclusive
estrangeiros que eram publicados no Brasil, como Mortadelo
e Salaminho do espanhol F. Ibañez etc. Só na adolescência, aos
12 ou 13 anos em diante é que fui passando aos super-heróis,
e depois, no início da maturidade, aos europeus e poéticos.

42
Múltiplo: Já trabalhou em parceria? Como foi? Gosta deste
tipo de trabalho?

SERGIO MACEDO (NA ESQUERDA) E BIRA DANTAS (DIREITA TOCANDO GAITA) NO CCJ-SP-
2011
Gazy Andraus: Trabalhei e trabalho, embora pouco. Fiz parce-
rias várias, com Edgar Franco, Feijó, Del Bianco, Cícero, Ma-
theus Moura, Sandro (e até passei um esboço para Jaepelt,
que ainda aguardo-o concretizá-lo). Mas as parcerias são raras
devido a nossos estilos, que em geral é distinto do mainstream
e requer uma autoralidade mais complexa. O meu mais re-
cente trabalho em parceria foi o fanzine “Fraterimagenes”, em
que convidei diversos autores para ilustrarem meus poemas,
dentre eles, E. Franco, Danielle Barros, Mozart Couto, Beralto,
43
H. Jaepelt, Thaisa Maia e a
cor na capa de Silvio Ribeiro.
Ao mesmo tempo, no meu
trabalho quando palestro e
dou cursos, já trabalhei em
parceria, também com Edgar
Franco, Márcio Gomes, Fer-
nanda de Aragão, Jorge Del Bianco e FANZINE FRATERIMAGENES
até já montei dois grandes eventos de HQs e zines para o Cen-
tro Cultural da Juventude de SP, sendo curador, e trazendo
nomes como Laerte e Sérgio Macedo, bem como E. Franco,
Daniel Esteves, Laudo etc. Para a Gibiteca de Santos, desde
2012 e 2013 venho me juntando a outros como Fabiano Ge-
raldo, Thina Curtis, Fábio Tatsubô, Dani Marino, trazendo o
evento anualmente em outu-
bro em comemoração ao Dia
Nacional do Fanzine. Integro
também a Comissão do Troféu
Ângelo Agostini, trabalhando
junto de Bira Dantas, Alexan-
dre Silva e Marcos Venceslau
dentre outros que premia au-
tores de HQs e fanzines no
Brasil, num evento bastante
empolgante que ocorre no
A MORDAÇA E OS GRILHÕES – PÁGINA 2B - Memorial da América Latina,
SANDRO E GAZY - INÉDITO

44
perto da data do dia Nacional dos Quadrinhos, em final de
janeiro.

Múltiplo: Há
quanto tempo
você desenha?

Gazy Andraus:
Desde criança,
como todo mundo.
Só que a maioria
larga os desenhos
conforme vai dei-
xando a infância,
devido a várias mo-
tivações, mas espe-
cialmente o sis-
tema escolar e o
sistema social que
não veem ainda o
CAZA - TRECHO valor correto para
o ato de desenhar (conforme expliquei na minha tese), sem
saber que isso amplificaria a inteligência.

Múltiplo: Já publicou profissionalmente?

45
Gazy Andraus: Sim. Não muitas vezes,
mas já em revistas como Metal Pesado,
Heavy Metal Brazilian, Camiño di Rato,
e um álbum, o “Ternário M.E.N.” com a
Editora Marca de Fantasia. Recente-
mente saiu um livro meu de desenhos
na linha “Sketchbook Custom” da Ed.
Criativo (http://editoracria-
tivo.com.br/produtos/exibir/203/gazy-andraus-sketchbook-
custom#) e está no prelo outra participação minha na nova
série da mesma editora, cha-
mada “Post Art” com desenhos
coloridos. A maioria de minhas
publicações artísticas está nos
fanzines de vários editores (e
nos meus), e tenho grande pu-
blicação de textos em congres-
sos e capítulos de livros na área
acadêmica também.

Múltiplo: Como é o seu modo
de criação?

CRIAÇÃO ATRAVÉS DE MÚSICA - ADVERSE - RE- Gazy Andraus: Música! Como
VERSE5RET
não sou músico, arranjei outra
maneira de elaborar musicalidade: ao ouvir sons (heavy metal,
prog rock, instrumentais etc.), eu despejo no papel de maneira

46
ritmada – ao som do que escuto, que amplifica minha consci-
ência – os desenhos diretamente sem esboços prévios, com
textos que vão formando as HQs poéticas. Tenho até um vídeo
que apresento isso para uma plateia acadêmica. Veja aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=k3d_xuog7Uk .

Múltiplo: O que você vê de bom no cenário de quadrinhos In-
dependentes?

Gazy Andraus: Tudo: a criati-
vidade pulsante e pungente,
que não tem a ver com o sis-
tema anacrônico oficial, e
que engessa tudo para obter
lucro com mesmices e repe-
tições à exaustão. Nos fanzi-
nes, por exemplo, há a criati-
vidade em títulos e textos, e
a prova cabal é o desenvolvi-
mento de um típico quadri-
nho nacional poético que se
consagrou no fanzinato da
década de 1990 principal-
HOMO ETERNUS, FANZINE DE GAZY
mente e fez história (e ainda
continua fazendo).

Múltiplo: Acha que o Quadrinho Nacional teve alguma evolu-
ção durante os últimos anos?
47
Gazy Andraus: Sim, claro.
Alguns dos expoentes que
estavam no fanzinato,
como por exemplo Laudo,
mostram sua evolução.
Vide seu magnífico traba-
lho “Yeshuah”. Outros
como Edgar Franco ainda
mantêm um pé lá e na
profissionalização, com
sua revista “Artlectos e
Pós-Humanos” pela
Marca de Fantasia. Rotei-
ristas como Daniel Esteves
mostram o valor a que

CONVERG, FANZINE DE GAZY
chegaram, incluindo no-
vos expoentes como
Bruno Bispo e Victor Freundt.

Múltiplo: Nos fale sobre o que você considera “Fanzines”, uma
definição.

Gazy Andraus: Como disse a pesquisadora Zavan em seu texto
de 2004 “Fanzine: a pluralidade Paratópica”, é uma revista

48
GIBIOZNES
“paratópica”, ou seja: existe na não oficialidade das editora-
ções, não existindo oficialmente, mas fazendo parte inte-
grante do processo de criação dos que querem e precisam tra-
zer seu universo de criação! Costumo brincar que o fanzine
(ou zine) é como a micropartícula da física quântica: esta pa-
radoxal, pois é ao mesmo tempo partícula e onda – enquanto
que o zine também o é, já que ao mesmo tempo que existe
(não oficialmente), não existe (oficialmente) – logo, é dual,
rico e “quântico”. Quando você pensa que o compreendeu, ele
lhe foge. Quando você percebe que não vai compreendê-lo,
ele lhe vem e lhe pega e te faz lançá-lo como parte de si. Atu-
almente, o fanzine se divide basicamente em 3 categorias, a
meu ver: a do tradicional, publicando artes e textos; a dos que
o elevam à categoria de revistas artísticas (e que pedem para

49
chamá-lo apenas de “zine” sem a pecha de “fã”) e os da área
da educação ou que servem ao ensino (como os Gibiozines de
Hylio, prof. da UFSCAR ou os Peibê de Beralto do IFFlumi-
nense).

Múltiplo: Fale-nos um pouco sobre você. Onde nasceu? Sua
idade, formação acadêmica…

Gazy Andraus: Nasci em Ituiutaba-MG, como meu conterrâ-
neo Edgar Franco. Mas brinco di-
zendo que fui “fabricado” no Lí-
bano, e viajei de navio (no útero de
minha mãe), vindo a ser “desenva-
sado” no Brasil, em Minas! Tenho
agora 50 anos, mas a energia ainda
me remanesce forte! Tenho licenci-
atura em artes pela FAAP/SP, mes-
trado em artes pela UNESP/SP e
doutorado em Ciências da Comuni-
cação pela USP, mas minha forma-
GAZY ANDRAUS
ção inteira é eclética e interdiscipli-
nar (no doutorado falo de fanzines, falo de ciência cognitiva e
mudança de paradigma da ciência clássica à quântica que
pede contraparte na educação descompassada e anacrônica).
Também tenho outras atividades que realizava muito, como
caminhadas peripatético-sonoras (andava muito ouvindo mú-
sicas e criando na mente, num prazer intenso que atualmente

50
faço menos), e jogo basquete (atualmente também menos de-
vido ao joelho): foi no esporte também que percebi o processo
criativo de outra maneira, como o percebia no ato de dese-
nhar. Nas jogadas, o corpo também se comporta criativa-
mente se nos situarmos em uníssono ao momentum... coisa
que me era muito difícil no aprendizado (tanto no jogo, como
no ato de deitar a caneta e deixar a tinta rolar diretamente e
sem esboço prévio, similarmente à atitude que se tem numa
ação desportiva após a outra).

Múltiplo: Você começou no mercado independente publi-
cando em zines como Barata, Quadritos e Fantasia Filosófica.
Conte-nos um pouco como foi esse início de carreira, se você
teve algum empecilho para divulgação de seu trabalho, como
foi a aceitação das editoras.

Gazy Andraus: Na verdade, a publicação em fanzines era como
quase um impe-
rativo nas déca-
das de 80 e 90,
pois os autores e
aspirantes a qua-
drinhistas no Bra-
sil não tinham ou-
tro caminho. E é
AULA DE HQ PARA TURMA DO 6º SEM. DE ARTES - EM FIG por isso que agra-
UNIMESP.
deço aos fanzines,

51
e a esse tipo de problemática
que havia no Brasil: graças a
isso, a confraternização zineira
se estendeu de norte a sul e
leste e oeste indo ao estran-
geiro.

Nem tenho como reclamar de
editores, porque isso quase não
existia para nós. Atualmente
vejo outro quadro no Brasil,
mas ainda assim, tirando parcos
editores comerciais, a maioria
ALMA HQ, FANZINE DE GAZY
não dá o valor devido às HQs
poéticas, por justamente achar que são inferiores às HQs de
narrativas longas, o que é um engano: são distintas, e ambas
contendo valores únicos e potentes.

Múltiplo: Com a evolução dos meios de comunicação, princi-
palmente a internet, está mais fácil hoje um artista conseguir
viver de sua arte com a visibilidade que eles poderão alcançar
a partir dessas mudanças?

Gazy Andraus: Parece-me que sim. O outro lado da coisa é a
pulverização de públicos e ampliação de nichos, o que tam-
bém contribui para serem menos os leitores, embora mais
agrupados. Mas daí volto a lembrar-me que a Internet permite
uma difusão maior e mais rápida do que jamais havia antes do
52
advento dela (embora, como falei, alcançando nichos mais
subdivididos). De toda maneira, ainda a editoração e publica-
ção em papel é mais forte. Eu mesmo prefiro ler gibis e álbuns
de HQs em papel que no monitor.

Múltiplo: Quais são os artistas independentes que você des-
taca hoje?

Gazy Andraus: Ed-
gar Franco, Bruno
Bispo e Victor
Freundt, Laudo,
Jaepelt, e editores
e faneditores
como Denílson
Reis (Tchê), Clodo-
aldo Cruz (Cabal),
Henrique Maga-
BLOG DE GAZY lhães (Marca de
Fantasia), Edgard
Guimarães (QI), Marcos Freitas (Ed. Atomic), dentre outros.

53
Múltiplo: Quais são os seus atuais projetos/trabalhos? E os fu-
turos?

GAZY PESQUISADOR - BLOG
Gazy Andraus: Continuar desenvolvendo projetos artísti-
cos/acadêmicos, e me manter criando HQs poéticas, bem
como lecionando em cursos universitários. Um de meus pro-
jetos atuais são as transposições de desenhos e HQs curtas
para a possibilidade de impressão 3D (com o software “3D
Build” do Windows 10). Até já fiz um fanzine para isso, o
“3D’Imagens”, aventando a hipótese de realizar uma exposi-
ção de HQs e desenhos impressos em 3D, futuramente!

54
Múltiplo: Atualmente, quais HQs nacionais você destaca?

Gazy Andraus: Tenho lido poucas HQs, sejam estrangeiras se-
jam nacionais. Não consigo mais acompanhar. Mas destaco
totalmente o trabalho de Laudo e Omar em Yeshuah: obra-
prima que me emocionou e me fez refletir muito, além dos
desenhos que me embeveceram! Também destaco o trabalho
do universo pós-humano do amigo-irmão Edgar Franco, o Ci-
berpajé, e seus Artlectos e Pós-Humanos, e a criatividade das
HQs e formatos dos trabalhos de Victor Freundt e Bruno
Bispo, dentre os zines de H. Magalhães, E. Guimarães, Deníl-
son Reis e outros. Admiro sempre os autores como Mozart
Couto e Shimamoto, bem como a pulsão dos mais novos
como Daniel Esteves e Cadú Simões.

Múltiplo: Mini currículo.

Gazy Andraus: Sou atualmente professor designado da Uni-
dade Campanha/MG (UEMG). Lecionei na FIG-UNIMESP de

2005 a 2016 onde também coordenei e ministrei pós-gradua-
ção bem como Tecnólogo em Design. Sou membro pesquisa-

dor do Observatório de HQ (USP) e ASPAS - Associação dos
Pesquisadores em arte Sequencial; bem como da Intercultura-
lidade e Poéticas da Fronteira (UFU); INTERESPE-Interdiscipli-
naridade e Espiritualidade na Educação (PUC/SP) e Criação e

55
Ciberarte (UFG). Tenho doutorado em Ciências da Comunica-
ção pela USP (2006) e mestrado em Artes Visuais pela UNESP

(1999) e licenciatura plena em Artes pela FAAP (1992). Minha
tese “As Histórias em Quadrinhos como informação imagética

integrada ao ensino universitário” (USP, 2006) ganhou o prê-
mio como melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007. Consi-

dero-me também autor de HQs e zines de temática fantástico-
filosófica (como Homo Eternus, Convergência, Fraterimage-

nes). Como pesquisador, tenho participações em livros (“His-
tórias em Quadrinhos e Práticas Educativas: o trabalho com

universos ficcionais e fanzines” de Elydio dos Santos Neto
(que até escreveu um livro sobre minha arte), e, Marta Regina

da Silva (orgs.), da Ed. Criativo, 2013); e eventos acadêmicos,
coorganizando e apresentando artigos em congressos nacio-

nais e internacionais, como o das “Jornadas Internacionais de
Histórias em Quadrinhos” da USP e o “Aspas – Associação dos

Pesquisadores em Arte Sequencial” (ambos terão eventos esse
ano), dentre outros. Também sou o idealizador da data come-

morativa do dia Nacional do Fanzine que se iniciou desde
2012 (a partir do dia 12/10/1965 quando Edson Rontani lan-

56
çou o Fanzine
“Ficção”). Um

detalhe que
poucos da área

sabem, é que
possuo um

blog chamado
GAZY – ELYDIO - CAPA
“Consciências e

sociedades” em que abordo questões sociais, políticas e até
relativas à defesa do consumidor, auxiliando com informações

e conselhos ba-
seados em leis,

regimentos e
CDC – Código

de Defesa do
Consumidor,

mas que vez ou

HQS INFANTIS outra também

discorro sobre a importância das HQs para a sociedade.
Sites e blogs: http://tesegazy.blogspot.com.br , http://clas-
sichqs.blogspot.com.br ; http://conscienciasesociedades.blo-
gspot.com.br ; E-mail: yzagandraus@gmail.com;
57
Perguntas interativas enviadas por leito-
res e quadrinhistas:
Nos anos 1980, Henry Jaepelt fez um trabalho misturando a
narrativa gráfica (HQ) com poesia e temas existenciais. Hoje
temos vários autores que trabalham nesta temática. Como
você vê a importância do trabalho de Jaepelt para o quadri-
nho poético-filosófico que se firma nos dias atuais? (Denílson
Reis – Fanzine Tchê)

Gazy Andraus: Realmente, Jaepelt é um precursor das HQs
poéticas, ainda mais que suas artes têm muito a ver com o
intuitivo (e surrealismo) que fora deflagrado antes, tanto na
pintura de surrealistas como na escrita automática, o que pro-
vavelmente faz parte de seu próprio processo. É mister lem-
brar que nas décadas de 80 e 90, muitos de nós, como por
exemplo, Jaepelt, Calazans, Edgar Franco e eu, criávamos sem
sabermos que fazíamos uma “linha”, pois os fanzines, onde
todos publicávamos, eram os meios de comunicação entre nós
(enviados pelo correio). Então, para os dias atuais, Henry Jae-
pelt sem dúvida foi um pioneiro (talvez o primeiro), mas não
só ele, como os outros que mencionei aqui, além de mais al-
guns, e por isso, caracterizo a linha poética das HQs atinentes
a esses autores todos e não a apenas um. Principalmente por-
que o “timing” entre um e outro foi muito curto em diferenças
de tempo (talvez como o desenvolvimento teórico da seleção

58
Natural de Darwin, que se deu ao mesmo tempo que o de
Wallace).

Gazy, como você avalia a atuação de algumas pessoas que
procuram, sempre que possível, levar o termo fanzine para
dentro da sala de aula e para os eventos de cultura pop, já que
hoje, pouco se fala em fanzine nos eventos e sim em indepen-
dentes? (Denílson Reis – Fanzine Tchê)

Gazy Andraus: Bem, não sei se pouco se fala em fanzines,
como você mencionou, Denílson. Talvez em eventos, mas na
área de educação e mesmo nas redes sociais como o Face-
book, vejo grassar o tema dos fanzines (ou zines). E, claro,
muitos estão aprendendo e conhecendo o fanzine como ma-
terial pedagógico importantíssimo. Desde escolas às faculda-
des e pós-graduações. Nas escolas temos vários exemplos,
como você mesmo, Adriane Almeida que mescla à didática os
fanzines e meditação laica, e Ioneide Santos que usa em aulas,
ou Renato Donisete (fanzine “Aviso final”) que utiliza-se do
fanzine como material de apoio pedagógico, até Beralto (Al-
berto de Souza), Carlos de Brito Lacerda e Hylio Laganá, pro-
fessores que empregam os zines como complementos de es-
tímulo e criação aos seus alunos de licenciaturas e escolas, ao
Elydio dos Santos Neto, falecido, que criou os Biograficzines
para usar na pedagogia da Pós-Graduação. E eu mesmo que
me utilizei de zines na minha didática, tanto em cursos livres,
como na graduação e pós em docência. Portanto, saibamos

59
que não estamos sós no emprego dos zines como materiais
de apoio didático-culturais, e que depende mesmo de nós
para ampliar esse reconhecimento.

Os fanzines foram o principal espaço independente para que
quadrinhistas do mundo todo publicassem HQs livres das cor-
rentes do "mercado". Tivemos uma entressafra, em que a pro-
dução de fanzines caiu muito, mas agora o "mercado inde-
pendente" se mostra como um dos mais fortes no Brasil e no
mundo, sendo apontado como Allan Moore como o único
meio de se produzir Quadrinhos de qualidade. A que se deve
isto? (Bira Dantas)

Gazy Andraus: Lembro que Moore está certo, pois tudo que
nasce criativo e vanguardista, não tem rótulo e advém de um
ímpeto criativo. Nisso, as HQs, em especial no Brasil dos anos
80 principalmente, e que eram publicadas em fanzines, tra-
ziam inovações e conteúdos experimentais incríveis. Na Eu-
ropa, em especial na França, o fanzinato também permitia ex-
plorações e até a criação de um grupo nos anos 90 “L’Associ-
ation” tido como banda desenhada alternativa. O maior exem-
plo de como os fanzines e sua liberdade criativa se distanciam
da HQ mainstream são os super-heróis: esses, por estarem
atrelados a uma indústria e a editores, têm HQs muitas vezes
sem originalidade e criatividades forçadas, que atualmente
mostram uma decadência sem par! E aí, sim, com o recrudes-
cimento da possibilidade da liberdade criativa, os fanzines

60
despontam-se como alternativa, não só para criação, como na
área da educação, sendo uma novidade para o sistema escolar
(e até universitário), recrudescendo o potencial dos zines.
Lembro também outra vertente atual aos fanzines no Brasil,
em que alguns autores os têm como “zines” (retirando o pre-
fixo “fan”), numa modalidade artística de igual valor aos livros
de artistas. Ou seja, os fanzines sempre estão em mutação.

De que forma a espiritualidade está presente em seus quadri-
nhos e na vida, como artista e educador? (Alberto de Souza,
Beralto)

Gazy Andraus: Beralto: na minha juventude e no início como
autor de HQs, eu me desprendi dos super-heróis e me aproxi-
mei das HQs autorais fantásticas, como as de Moebius, Druil-
let e Caza enquanto ia lendo livros da área espiritualista e eso-
térica. Minha educação inicial e mais forte foi com Huberto
Rohden e Trigueirinho (e outros como Anne Besant etc.), mas
também tive altos arroubos ao ler, na época, quando tinha uns
vinte e poucos anos, o Tao! Isso tudo me foi influenciando na
realização de HQs que passaram a ser conhecidas como poé-
ticas (e que eu chamo de fantástico-filosóficas como Henrique
Torreiro as chamou num de seus catálogos de Exposição de
Fanzines em Ourense na Espanha, quando lhe chegou o zine
“Irmãos Siameses”, cocriado por mim e Edgar Franco). Assim,
todas as leituras que eu fazia, as reflexões advindas delas e de
minha experiência na vida, acabavam por serem difundidas

61
homeopática e elipticamente nas minhas HQs poéticas que se-
riam a contraparte imagética equivalente do que são os Hai-
Kais, ou então, do que são os Koans-zen budistas (que expla-
nei e usei de exemplos em meu mestrado: http://tesegazy.blo-
gspot.com.br/p/blog-page_3859.html) – frases-enigmas sem
respostas racionais, utilizadas pelos monges budistas a que
seus pupilos transcendessem a mera mente cartesiana. Essas
eram minhas intenções, sem que eu as soubesse, até fazer o
mestrado. Lembro também que para deflagrar tais HQs, o es-
tímulo é obtido com a audição de músicas que reverberam em
mim, trazendo riscos e traços hachuriados “nervosos”, num ar-
roubo criativo que pode ser observado no livro recente da li-
nha Sketchbook-Custom da Ed. Criativo, lançado com meu
nome (http://editoracriativo.com.br/produtos/exi-
bir/203/gazy-andraus-sketchbook-custom#). E é assim que
uno a espiritualidade que busco, quando escuto músicas e
leio, deflagrando as imagens com textos que vão sendo “jo-
gadas” intuitivamente no papel, ao deflagrar uma HQ poética,
ou fantástico-filosófica das que crio.

Qual o papel da arte dos quadrinhos em um mundo que ca-
minha para a sexta extinção massiva de espécies, e no qual
nossa espécie também pode extinguir-se? (Edgar Franco, Ci-
berpajé)

Gazy Andraus: Acredito que cada um de nós expressa em vida,
a arte, sendo arte, como significado original, um modo de

62
ser/agir na vida. Porém, a maioria acaba por não concretizar
isso, trocando sua “vida/arte” pelo que o sistema que foi cri-
ado, entrega: que é o deus “mamon”, seja para seu bel-prazer
(ilusório), seja pela sua subsistência (que o sistema lhe im-
pinge). Assim, os artistas verdadeiros (em quaisquer áreas: há
médicos que operam artisticamente, e engenheiros que tra-
balham com poeticidade) são os esteios que mantêm a vida
ainda em ressonância. Foi Carl Gustav Jung quem afirmou que
o artista é uma pessoa que traz do psíquico aquilo que se
torna existente, materializando o inconsciente coletivo, e tra-
zendo aquilo que os humanos buscam e não sabem. Essa é a
função do artista verdadeiro, e como quaisquer outras artes,
os quadrinhos-arte desses que percebem isso (como você e
Laudo, por exemplo), buscam sustentar o que resta dessa hu-
manidade, trabalhando o criativo e o que deve (ria) possibili-
tar nossa redenção.

Gazy, você e o Edgar Franco sempre tiveram estilos parecidos
de desenho, e hoje em dia, diria que continuam com o mesmo
estilo? Como classificaria o seu estilo e qual a principal dife-
rença do estilo do Edgar Franco? (Clodoaldo Cruz)

Gazy Andraus: Realmente, Clodoaldo, no início nossos traba-
lhos eram sumariamente similares: tanto que eu não o conhe-
cia, e quando vi uma HQ de Franco, muitos anos atrás no Fan-
zine “Barata” (editado por Calazans), achando-a muito pare-
cida com as minhas, me espantei ao ver o endereço de contato

63
dele ser de Ituiutaba/MG, onde nasci também. Após escrever
para ele, encontramo-nos lá nas férias (pois ele estudava Ar-
quitetura em Brasília) e coproduzimos o zine “Irmãos Siame-
ses”, mostrando a semelhança de nossas artes. Atualmente o
caminho das HQs dele segue poeticamente, adicionado a um
viés de temática mais pertinente aos estudos que ele singrou,
como os de tecnologia e interferência ao humano. Sem falar
que a produção dele é intensa, tanto nas HQs (seu “Artlectos
e Pós-Humanos” se encontra no nº 10 pela Marca de Fantasia
- http://marcadefantasia.com/revistas/revistas.htm), como no
meio acadêmico. No meu caso, eu produzo bem menos HQs
que antes, e ainda me situo pela metodologia de ouvir músi-
cas e “jogar” sequências curtas poéticas que aparecerem com
base na intuição (também derivadas de leituras). Assim, a se-
melhança atual é que ainda estamos na linha de HQ ‘poéticas”
e/ou “poético-filosóficas”, mas as dele têm uma linha de con-
textualização mais atinente ao universo pós-humano técnico
que ele criou, e as minhas ainda estão na linha fantástico-filo-
sóficas, sem uma linha própria além dela conquanto ao tema,
ou seja, não criei (ainda) um universo.

Como é atualmente sua relação autor-espiritualidade e pes-
soa-espiritualidade? (Laudo Ferreira Jr.)

Gazy Andraus: Laudo, amigo, minha relação é intrínseca: en-
quanto ser humano, sinto-me espiritualmente potencializável,
mas não ainda realizado (como diria Huberto Rohden). Já fui

64
mais atinente à espiritualidade quando tinha desde meus
vinte e tantos anos aos trinta e tantos, mas conforme fui me
embrenhando na área da pós-graduação acadêmica com mes-
trado, e depois com o doutoramento, afastei-me bem mais
das leituras espirituais e foquei na racionalidade. Isso compro-
vou a minha própria tese tornando-me cobaia de mim mesmo:
vi que minha mente foi diminuindo de atuação na espirituali-
dade e se ampliando na racionalidade do pensamento carte-
siano do pesquisador científico. Mas também mantive em
meio às pesquisas, vez ou outra, leituras de cientistas e pen-
sadores com um pé na espiritualidade, como Amit Goswami.
Ao mesmo tempo, minha produção artística foi diminuindo, e
minha canalização foi passando para as escritas acadêmicas.
Resumindo: quero voltar a equilibrar-me com mais leituras do
espírito, e mais artes das minhas HQs poéticas ao som musical
que abriam (e ainda abrem) canais na minha mente para o
universo de maneira distinta da racional. E vi que você, Laudo,
fez talvez caminho inverso ao meu: suas HQs vieram num pro-
cesso cronológico, de algo mais – digamos – terreno, para
algo mais além, como “Yeshuah” e agora seus “Cadernos de
Viagem” com seu alterego psiconauta (este não li ainda, mas
está na minha lista de desejos). Assim, apesar de aparente-
mente eu estar produzindo menos artes e mais racionalismos,
minha verve interior continua gritando e demandando pela
minha relação pessoa/autoria/espiritualidade! Grato mesmo,
por essa pergunta, que me fez redirigir-me a meu âmago!

65
André Carim (Múltiplo): Obrigado, meu amigo Gazy, pela dis-
posição em responder às minhas questões e as dos leitores e
quadrinhistas.

Gazy Andraus: Eu que agradeço: entrevistas são como resul-
tantes num processo criativo/racional, similar ao de se elabo-
rar um zine ou até um biografiazine (lembrando o grande Ely-
dio!): ao redigir as respostas é como se houvesse um estudo
interno para ampliar o autoconhecimento. E a cada fase em
que sou entrevistado, percebo que as questões e questiona-
mentos mostram que estou sempre diferente, embora o
mesmo na essência, percebendo isso durante a elaboração das
respostas que pedem uma reflexão sempre mais apurada,
como que numa busca da maturidade e espiritualidade!
São Vicente-SP, março de 2017.

GAZY ANDRAUS

66
Cotidiano Alterado – Edgard Guimarães

67
68
69
70
Fórum de Discussão
Preto e Branco ou Colorido?
Dando sequência aos questionamentos feitos a diversos dese-
nhistas no número anterior, mais algumas respostas enviadas
por amigos e leitores do Múltiplo! E você, já opinou? Não?
Está esperando o que para interagir?
Perguntas para artigo do Múltiplo: O que você prefere quando
desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco e Colorido? Por quê?
O que te inspira nessa escolha e qual o sentimento em relação
à sua escolha preferida? Com a palavra, os desenhistas:

Prefiro em cores, pois creio que o bom uso delas dá um toque
mágico à criação. Embora eu prefira em cores, boa parte do
que já fiz foi publicado em preto e branco devido aos custos
de impressão. Lembrando que eu sou mais da parte escrita, as
obras que tenho com desenhos fiz mais em parceria com Ed-
gar Franco, o Ciberpajé. Meus desenhos por enquanto deixo
apenas como uma arte guardada para meu prazer, não di-
vulgo tanto quanto meus textos. Acho que o mais importante,
seja no desenho, no texto ou qualquer expressão artística é
criar sem amarras, sem demandas, como um processo de cura
interior que acontece durante o ato de criar. Nieva Rosle Balisi
é escritora e sacerdotisa da Aurora Pós-Humana. Contato: Pá-
gina Escritos da Nieva Rosle Balisi no Facebook.
[Nieva Balisi]
Minha formação básica como artista foi com o preto e branco
numa época que era impensável ver reproduções coloridas de
meus trabalhos. Assim, só comecei a trabalhar mais efetiva-
mente com cores aos 18 anos de idade, quando entrei para a
Faculdade de Arquitetura da UnB. Nunca deixei de amar o

71
preto e branco e continuo produzindo e explorando suas múl-
tiplas possibilidades técnicas, mas aprendi a amar a expressão
colorida também e divirto-me muito criando obras em cores.
[Edgar Franco]
Gosto do P&B pela praticidade no acabamento e poder fazer
auto contraste com nanquim. Em HQs de terror, que é um dos
gêneros que mais gosto de fazer, funciona bem demais!
[Carlos Henry]
Como leitor prefiro a cores, como autor depende, algumas
ideias surgem pedindo cores e outras pedindo P&B, haverá ou
aguada ou contraste a pincel. A dificuldade de publicar e custo
reduzem a produção a cores e eu desenho em ritmo europeu,
o oposto do mangá; ou seja, uma ilustração colorida leva 18 a
36 horas e uma HQ colorida de três páginas como a do Visões
de Guerra Pátria Armada levou 3 meses.
Flávio Calazans
Boa noite. Sou das antigas e como tal, sou apaixonado pelo
traço puro da tinta preta (Nanquim). Mas também gosto das
cores. Não gosto do meu colorido, porquê fazer uma ótima
colorização leva tempo e tempo é um luxo que não tenho há
muitos anos. Tudo me inspira, desde as séries da Netflix, noti-
ciários no Yahoo, coisas do cotidiano. O artista não tem que
escolher, mas deve encarar cada trabalho como um novo de-
safio e ser melhor que no último trabalho. Qualidade, tanto
no texto como na narrativa dos desenhos.
[Airton Marcelino]
Olá André, como disse por estes dias, tenho andado fora. Vou
agora então responder às perguntas. Não tenho uma prefe-
rência. Gosto tanto de trabalhar a preto e branco como a co-
res, tendo a perfeita noção de que são duas formas de traba-

72
lhar distintas. Por exemplo, atualmente sinto-me mais moti-
vado com o preto e branco e toda a complexidade de texturas
que essa técnica envolve, mas existem outras alturas em que
a riqueza de trabalho da cor me atrai. Por isso, a escolha de-
pende unicamente daquilo que sinto em determinado mo-
mento. E confesso que quando escolho se quero desenhar de
uma determinada forma nem sequer penso no custo que isso
envolve. O mais importante na hora de começar a trabalhar
para mim tem unicamente a ver de como é que vou gostar do
trabalho, porque de certa forma quando vou começar a dese-
nhar ou pintar eu o tenho visualizado na minha cabeça. O im-
portante, acima de todo o resto, é no fundo o desafio da cria-
ção e a constante procura de novas técnicas e formas de tra-
balhar. Pronto, com este pequeno texto espero ter respondido
de forma satisfatória às questões colocadas. É que a escrita
inteligente de vez em quando prega-nos peças.
[João Amaral]
Nossa discussão vai continuar, envie a sua opinião e in-
teraja com os demais participantes... abraços e até a próxima.
André Carim

73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
Cotidiano Alterado – Edgard Guimarães

84
Cartas, e-mails e resenhas
Grande Carim, curti montão o seu último zine, a
começar pela bela capa do afiado Viñole! En-
tendo a sua queixa de que na era da internet o
pessoal está até se esquecendo de agradecer o
envio de um PDF, comparado à era analógica do
envio do zine e retorno das respostas via correio.
ARTE DE OMAR VIÑOLE Acontece que a rapidez e a facilidade digital não
trouxeram o aguardado ócio no cotidiano da
gente, muito pelo contrário, está sugando até o tempo sagrado que
reservávamos ao sono. Ninguém mais respira e come direito, devido ao
dilúvio de mensagens e informações que nos afogam diariamente.
Confesso que essa situação vem afetando pesadamente a minha pro-
dutividade, desde que, tardiamente, em 2007, aderi ao microcompu-
tador (vírus do qual não se pode mais viver sem). Falemos do conteúdo:
Entrevista com Viñole, nota mil! “Soberbo e Altivo Coração, soberbo!
“P&B ou Colorido? ”, bem justificadas as opiniões. “A Garota do Silên-
cio”, desfecho magistral. “Arquiteto”, muito bom, idem ironias das pul-
gas. Tirinhas de “Coelho Nero”, rarrahhh!... “Cotidiano Alterado 1”,
gostei muito! “A Fúria dos Mortos Vivos”, Joey, Fugir para outra cidade
é inútil. “A Guerra dos Golfinhos”, matéria desperta interesse. “Eram os
Deuses Ninfomaníacos? ”, Arrarrarrahhh!... “Efêmeros Momentos”, que
aconselha, amigo é. “Fraimbroles”, o negócio mesmo é vender. “Você
Responde”, espaço democrático. “Faltam 8 dias”, magistral paródia so-
bre o “viciogame”. “Cotidiano Alterado 2, nota dez! Parabéns e grande
abraço! Shima.

85
- Júlio Shimamoto –
Grande mestre Shimamoto, obrigado pelos comentários sempre inte-
ligentes e por acompanhar o fanzine. Suas considerações sempre me
ajudam a melhorar as edições, bem como suas sugestões. Abração.

André, recebi o arquivo com o Múltiplo 5, muito obrigado. Já enco-
mendei os números 2 a 4 para o Clube de Autores, mas ainda não re-
cebi. Boa ideia fazer o pacote com os 4 primeiros Múltiplos a um preço
mais reduzido, R$ 36,00. Mesmo tendo as versões do Clube de Autores
e os arquivos PDF, também me interesso por esse pacote. Como lhe
envio o pagamento? Um abraço. Edgard.
- Edgard Guimarães -
Obrigado, meu amigo, pelo apoio de sempre, espero estar logo com os
fanzine em mãos, e agradeço de coração toda força que tem me dado
desde os anos 90 e nessa retomada do Múltiplo. Grande abraço.

Ah, e parabéns pelo trabalho. Tenho acompanhado e baixado as edi-
ções on-line, mas você tem lançado as edições mais rápido do que eu
estou conseguindo ler a anterior, hehehehe. Mas isso é muito bom,
manter esse ritmo e regularidade não é fácil, parabéns.
- Wagner Nyhyw –
Obrigado, meu amigo, realmente, manter uma periodicidade mensal e
uma regularidade não é fácil mesmo, mas se torna fácil quando os ami-
gos e colaboradores abraçam o projeto e percebem que a intenção é
divulgar o quadrinho nacional. Que mais amigos venham fazer parte
dessa grande família. Abração, meu caro.

86
Em nova fase, agora virtual, Múltiplo, fanzine de quadrinhos editado
por André Carim, lançou recentemente duas novas edições. O número
4, de fevereiro de 2017, tem 80 páginas e traz um longo depoimento
do mestre Júlio Shimamoto, entrevista com Alberto "Beralto" de Souza,
quadrinhos de André Carim, Nei Rodrigues, Gazy Andraus, Alberto de
Souza, Flavio Calazans e Clodoaldo Cruz, além de artigos, divulgação
de fanzines e cartas dos leitores. O número 5, de março, tem 84 páginas
e traz uma entrevista com o ilustrador Omar Viñole, quadrinhos
de Heitor Vasconcelos, Aurélio Gomes Filho, F. Salatheil Anacleto e
Rita Maria Félix, André Carim e Nei Rodrigues, Flavio Calazans, Omar,
Edgard Guimarães, Juliano Facchin e Clodoaldo Cruz, Bira, Spacca e
Cristina, Beralto, Fábio Barbosa e Lafaiete Nascimento, Marcelo Saravá
e Bira Dantas, duas séries de depoimentos de personalidades dos qua-
drinhos, divulgação de fanzines e cartas dos leitores. As capas das duas
edições trazem desenhos de Laudo Ferreira e Omar Viñole.
- Cerito Silva – Blog Mensagens do Hiperespaço –
Grato, meu amigo, pela ótima resenha e divulgação do fanzine. Abra-
ção e até a próxima edição.

Contato:
André Carim de Oliveira
Fanzine Múltiplo
Rua Vicente Celestino, 56 A –
Bairro Santa Emília
Carangola – Minas Gerais – CEP:
36800-000
E-mail:
andrecarim@outlook.com
e k.rim.andre@gmail.com

Múltiplo, por uma HQ nacional
Forte! Vem você também!!!

RODOLFO ZALLA, CARICATURA DE BIRA DANTAS

87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
De olho no Universo HQ
Este espaço é seu... divulgue, comente, critique, elo-
gie, fique à vontade... participe, sua opinião é supe-
rimportante para evolução do Fanzine e para cres-
cimento do artista...

FORÇA UNIVERSO – MARCOS GRATÃO
ARTE DE OMAR Força Universo é
VIÑOLE uma animação no
estilo cartoon puxada para as
animações japonesas, onde todas as
pessoas da Terra se unem para
lutarem contra seres alienígenas em
robôs gigantescos e muito
poderosos. A história e animação é
feita por Marcos Gratão, e conta com
vários amigos dublando, e assim,
dando vida aos personagens. Você
pode assistir aos episódios acessando o site: www.marcosgratao.com.
Também há os quadrinhos, onde você poderá conhecer melhor os
personagens, saber mais sobre a Força Universo e entenderá tudo o
que aconteceu com a Humanidade! Já com 4 episódios em PDF
liberados, a HQ também pode ser baixada no site ou solicitada por e-
mail através do endereço: marcos.gratao@gmail.com.

ORIXÁS, O DIA DO SILÊNCIO – ALEX MIR / CAIO
MAJADO / OMAR VIÑOLE
Orixás, o Dia do Silêncio, traz em suas páginas as
três HQs que deram origem ao álbum Orixás, do
Orum ao Ayê, publicada em 2011 por meio do
Programa de Ação Cultural do Estado de São
Paulo (PROAC). Compiladas em um único volume,
com roteiro de Alex Mir, desenhos de Caio
Majado e arte-final e cores de Omar Viñole. A
revista mostra ao grande público o quanto a

98
Mitologia Africana é rica e merece ser explorada por todas as mídias.
Uma edição instigante e super interessante que vale a pena ser
adquirida e lida com atenção. Orixás, o Dia do Silêncio pode ser pedida
através do amigo Omar Viñole no seu perfil do Facebook:
https://www.facebook.com/omar.vinole.

CABAL # 3 – CLODOALDO CRUZ
Mais uma edição do Fanzine Cabal, do amigo
Clodoaldo Cruz, chega até nós com um
acabamento de primeira. Páginas bem
distribuídas e ótimos desenhos e ilustrações. A
edição, além das ilustrações de rotina,
principalmente da série Cat’s City, traz dois
episódios da série. O primeiro com texto de
Carlos Reno e desenhos de Nei Rodrigues; o
segundo com roteiro de Clodoaldo Cruz e
desenhos de Aírton Marcelino. A revista tem
ainda uma bela ilustração de Juna, A Pirata, de Michèlle Domit,
ilustrada por Watson Portela, e as HQs “Jim, Jimmy e Janis”, de Carlos
Reno; “Sonho de Sangue”, de Luiz Iório; “Fuga Impossível”, de
Clodoaldo Cruz e Eduardo Souza; “O Enviado”, de Clodoaldo Cruz e
Márcio Sennes, “Até Que a Morte nos Separe”, de Marcos Franco e
Hélcio Rogério; além de mais ilustrações de Cat’s City feitas por
Shimamoto e Nei Rodrigues. A capa da edição, mais um obra-prima do
mestre Omar Viñole e a contracapa de Romão. Firme e forte, Cabal
demonstra força e gás nesse retorno ao mundo dos fanzines. Pedidos
deverão ser feitos através do amigo Clodoaldo Cruz:
https://www.facebook.com/clodoaldo.cruz.5 ou da fanpage do
fanzine: https://www.facebook.com/zinecabal/.

COELHO NERO, SIMPÁTICO SÓ QUE NÃO
Revista repleta de tiras do coelho mais simpático da web. Uma edição
com muita irreverência, simpatia e “reclamações” do coelho que
tomou conta dos nossos dias. Omar Viñole demonstra com essa

99
empolgante revista toda diversificação e originalidade do Coelho
falastrão e engraçado, com críticas ao nosso
cotidiano, política e costumes. Um trabalho
que se propunha a ser descompromissado
mas que se tornou uma série respeitável. E
que venham outras tiras, muitas outras, do
Coelho que conquistou o coração de todos, e
quem sabe, como já disse ao amigo Omar,
uma HQ com o personagem mais versátil que
vejo hoje. Para adquirir a revista, entre em
contato com o editor, Omar Viñole, em seu
perfil no Facebook:
https://www.facebook.com/omar.vinole.

QUADRINHOS INDEPENDENTES # 143 – EDGARD GUIMARÃES
Mais uma edição de um dos fanzines que demonstram resistência ao
longo dos anos. Edgard Guimarães continua nos mostrando fôlego de
gigante em mais uma edição repleta de divulgação, ilustrações, tiras e
artigos importantes do mundo dos Quadrinhos. A edição começa um
depoimento de José Ruy sobre “Tintin”. Há um bom número de textos
além desse depoimento: artigo de Lio Guerra Bocorny; coluna de
Worney Almeida de Souza e a resenha de César Silva. A seção “Fórum”
mais uma vez com uma ótima quantidade de cartas que, assim como o
editor define, valem por artigos, devido à forte participação e
discussão dos leitores do informativo. Nas HQs e cartuns temos a
participação de
Eduardo Marcondes
Guimarães, Rogério
Curial e Paulo Anjos,
Chagas Lima, Luiz
Cláudio Lopes Faria e
Guilherme Amaro.
Ampla divulgação de
edições
independentes, o QI do
amigo Edgard
demonstra mais uma
vez todo o seu apoio às edições lançadas e publicadas no país. Para
100
finalizar, Carlos Gonçalves nos presenteia com mais dois estudos sobre
Roy Rogers e Dale Evans, apresentados na forma de mais um belo
encarte intitulado “Artigos sobre Histórias em Quadrinhos. Pedidos
deverão ser feitos através do Edgard Guimarães, e-mail:
edgard@ita.br, ou do endereço: Rua Capitão Gomes, 168 –
Brasópolis/MG – 37530-000. O preço da assinatura do informativo é
de R$ 25,00 e o depósito pode ser feito na conta: Edgard José de Faria
Guimarães – Caixa Econômica Federal – Agência 1388 – Operação 001
– Conta Corrente 5836-1 (outras formas de envio do valor ao editor
devem ser consultadas com ele).
Versão on-line em:
http://marcadefantasia.com/camaradas/qi/quadrinhos-
independentes.html

FANZINE QUADRITOS # 13 – MARCOS FREITAS – ATOMIC EDITORA
A mais recente edição do fanzine Quadritos já
está disponível para download. São 64
páginas recheadas de quadrinhos,
informações e muitas colaborações. Capa e
entrevista com Elmano, contracapa de
Shimamoto. HQs de Mozart Couto, Flávio
Calazans, Ciberpaje, Danielle Barros e
Lafaiete Nascimento. Estréia de Guabiras no
humor e a coluna de Edgard Guimarães.
Momento da Press Editorial enfocando a
revista Maciota, de Paulo Paiva, Repórter HQ,
Nação Xerox, Taverna e Cineclube Quadritos,
ilustração de Luciano Irrthum e muito mais! A
edição impressa está esgotando mas ainda
restam exemplares a quem se interessar. Custa R$ 12,90 com entrega
inclusa no valor. Grampo e dobra editorial, capa couche color 210g e
miolo offset 90g pb.
Contato: atomiceditora@gmail.com
A edição 14 será comemorativa aos 30 anos do zine e as colaborações
são muito bem vindas!
Link para baixar a edição:
http://www.mediafire.com/file/4jel9uj91zde5gj/Quadritos_13_DEZ_
2016_150dpi_color.pdf.
101
O AMARGO DO BEIJO – ISAAC TIAGO
Quadrinho inspirado na canção de Raul Seixas! Novo trabalho de Isaac
Tiago pelo selo Mico Trigo tem inspiração no rock brasileiro,
publicação “rústica” tipo fanzine e tiragem limitada.
“E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar”.
(Raul Seixas)
Neste mês de abril mais uma colaboração
ao mercado nacional de quadrinhos surge
para a contemplação dos leitores. O gibi –
com tiragem limitada de 100 exemplares -
foi concebido de maneira artesanal
utilizando material popular, impressão
caseira e montado pelas mãos do próprio
autor que há muito tempo tinha vontade de
produzir um material com essas características.
A história foi inspirada pela canção Um canto para minha morte do
cantor Raul Seixas e traz ao leitor uma reflexão sobre a maneira como
conduzimos nossa vida, as escolhas que fazemos, as oportunidades que
deixamos de aproveitar e o que deixaremos para trás quando a vida
chegar ao fim. Publicação: Independente pelo selo Mico Trigo
(www.micotrigo.com.br).
Na trama, Raul (não é o Seixas) é perseguido por uma mulher
misteriosa que insiste em convence-lo que não adianta mais adiar o
inevitável e que por isso ele deve beijá-la imediatamente. Raul sabe
que o beijo é inevitável e necessário para livra-lo do peso que carrega
na consciência devido sua história de vida até o momento, mas fica
relutante, pois sabe o que o beijo significa e teme sua consequência.
O lançamento acontece nos próximos dias 8 e 9 de Abril durante o
evento Festival Guia dos Quadrinhos. O autor estará presente na mesa
M38 durante os dois dias vendendo e autografando exemplares para
os interessados.

102
PROJETO TRINDADE - LUIZ GUSTAVO MADURO PEREIRA
Resumo
Tuna, rainha do Limbo, começa a perceber que o Limbo não recebe
mais almas para serem julgadas a irem para o Céu ou Inferno. O Limbo,
criado justamente
para isso, está se
desfazendo com o
passar do tempo.
Com o
conhecimento de
pergaminhos
antigos, ela descobre
que uma Criatura
milenar quando
despertada, suga
todas as almas para
dentro de si. Descobre também que não é nada fácil matá-la. Em vista
desta ameaça, Tuna pede ajuda aos planos (Céu e Inferno) a fim de
manter o equilíbrio. Numa convocação que ela faz, aparecem San
Romam, um anjo representando o Céu, e Rato, um demônio que
representa o Inferno. Juntos, embora contra a vontade, eles partem em
busca do conhecimento para matar a Criatura.
Conheça os livros do projeto "Trindade, Uma Jornada Além da Morte"
e "Destino, A Ascensão do Obscuro". Acesse o site:
www.projetotrindade.com.br

103
104

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful