“HABEAS CORPUS

ESTATUTO DO DESARMAMENTO
COMPETENCIA DA JUSTICA FEDERAL
ORDEM CONCEDIDA
PREVALENCIA DA MAIORIA
‘ESTATUTO DO DESARMAMENTO’. LEI 10.826/03. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
FEDERAL PARA PROCESSAR E JULGAR AS INFRAÇÕES PENAIS NELE
EXPLICITADAS. ORDEM CONCEDIDA. Após o advento da lei 10.826, de 22.12.2003, que
expressamente revogou a lei 9.437, de 20.02.1997, a competência para o processo e
julgamento dos crimes lá previstos passou para a Justiça Federal. É curial que em sendo o
‘Sistema Nacional de Armas – SINARM’, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da
Polícia Federal, com circunscrição em todo o território nacional, um serviço da União, tem esta
evidente interesse na centralização do cadastramento das armas de fogo produzidas, importadas
ou vendidas no Brasil, assim como na concessão de portes de armas e no controle da sua posse
ou propriedade, passando o seu disciplinamento à esfera federal, restando inviabilizada, a
prestação jurisdicional estadual. Ordem concedida de ofício, eis que a prisão do paciente não foi
imediatamente comunicada ao Juízo competente como determina a Constituição Federal,
encontrando-se submetido, desta forma, a custódia ilegal.” (HC nº 0036905-63.2004.8.19.0000
– 2004.059.03128 –, Rel. Des. Eduardo Mayr, TJ/RJ – 7ª Câmara Criminal, Julgamento:
08/07/2004)

“COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE.
SÚMULA 91/STJ. CRIMES CONEXOS. PORTE ILEGAL DE ARMAS. LEI Nº 9.437/97,
ART. 10 CAPUT. Continua sendo da Justiça Federal a competência nos crimes contra a fauna,
pois a Lei nº 9.605/98 não revogou o art. 1º da Lei nº 5.197/67. O fato de a proteção ao meio
ambiente ser matéria de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios (art. 23, inc. VI, da CF/88) é suficiente para afastar a competência da Justiça
Estadual, que é apenas residual. Em sendo a matéria constitucional, mantém-se a jurisprudência
antiga do STF, e que resta inalterada. Compete à Justiça Federal o processo e julgamento
unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art.
78, II, a, do Código de Processo Penal (Súmula nº 122, STJ). O crime previsto no art. 10,
caput, da Lei nº 9.437/97 atinge o Sistema Nacional de Armas - SINARM, administrado
pela União, através do Ministério da Justiça, sendo da Justiça Federal a competência para
apurá-lo, por força do art. 109, IV, da CF.” (RSE 200104010372780, Rel. Des. Amir José
Finocchiaro, TRF4 – 8ª Turma, j. 02/08/2001, DJ 03/10/2001, página 954)

“PENAL E PROCESSUAL PENAL. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO
PERMITIDO. AFRONTA AOS REGISTROS DO SINARM (SISTEMA NACIONAL DE
ARMAS). LEI Nº 10.826/2003. PORTE E REGISTRO DE ARMAS SOB O CONTROLE DA
POLÍCIA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO EM SENTIDO
ESTRITO PROVIDO. 1. Trata-se de Recurso em Sentido Estrito, interposto contra decisão do
Juízo Federal a quo, que reconheceu sua incompetência para processar e julgar o caso e
determinou a remessa dos autos à Justiça Estadual. O magistrado a quo entendeu que a mera
apreensão de arma de fogo pela Polícia Federal não atrai para a Justiça Federal a competência
para o processo e julgamento do caso, tendo em vista que não restou configurada lesão a bem,
serviço ou interesse federal, nos termos do art. 109, IV, da Carta Magna de 1988. 2. O inquérito
policial foi instaurado para apurar condutas delitivas previstas nos arts. 12 e 16, parágrafo único,
inciso I, da Lei nº 10.826/2003. Consta dos autos que foram encontradas, nos cofres da empresa
de vigilância PRESERVE SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA., armas de
fogo registradas em nome da empresa LISERVE VIGILÂNCIA E TRANSPORTE DE
VALORES LTDA. Atualmente, tais armas se encontram sob a custódia da Polícia Federal. 3. No
caso concreto, não houve apenas a mera apreensão de arma de fogo. Foram encontradas na
dependência da PRESERVE SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA. armas

j. Recurso em Sentido Estrito conhecido e provido.” (SER nº 00051260620104050000. DJE 22/06/2010. igualmente ocasionou lesão à fidelidade e integridade dos registros de armas de fogo.Sistema Nacional de Armas. Rel. 6. 12 da Lei nº 10.registradas em nome da LISERVE VIGILÂNCIA. o que configura o delito tipificado no art. além de burlar o controle e fiscalização encetados pela Polícia Federal. 7. página 153) . Desembargador Federal Francisco Barros Dias. 4. Competência da Justiça Federal para processar e julgar o feito que se reconhece. TRF5 – 2ª Turma. o porte e o registro de armas está sob o controle da Polícia Federal. Assim. a posse ilegal de tais armas configura afronta ao controle e à fiscalização levados a cabo pela Polícia Federal. 08/06/2010.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). Segundo tal norma. 5. A conduta tipificada. por não condizer o depósito das armas com o registro do SINARM .