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UNIVERSIDADE DE UBERABA

Resistência dos materiais, volume 2

Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares Silva Núbia dos Santos Saad Ferreira William Bossas Paulino

Uberaba - MG

2011

© 2011 by Universidade de Uberaba Todos os direitos de publicação e reprodução, em parte ou no todo, reservados para a Universidade de Uberaba.

Reitor:

Marcelo Palmério

Pró-Reitora de Ensino Superior:

Inara Barbosa Pena Elias

Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância:

Fernando César Marra e Silva

Assessoria Técnica:

Ymiracy N. Sousa Polak

Produção de Material Didático:

• Comissão Central de Produção • Subcomissão de Produção

Editoração:

Supervisão de Editoração Equipe de Diagramação e Arte

Capa:

Toninho Cartoon

Edição:

Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 Bairro Universitário

Sobre os autores

Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Graduada em Engenharia Civil pela Universidade de Uberaba. Professora das disciplinas de Física e Matemática no Ensino Médio pela rede Estadual de Ensino.

Núbia dos Santos Saad Ferreira

Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Uberlândia FECIV/UFU, em 1996; Mestra em Engenharia de Estruturas, pela Universidade de São Paulo EESC/USP, em 1998; Doutoranda em Engenharia de Estruturas FEMEC/UFU; Professora do Curso de Graduação em Engenharia Civil UNIUBE/Uberlândia.

William Bossas Paulino

Engenheiro de Produção pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, com experiência em controle de processo. Atualmente é mestrando da Universidade Estadual Paulista UNESP em Engenharia de Produção Linha de pesquisa em Métodos Quantitativos. Docente do curso de Engenharia de Produção EAD UNIUBE Uberaba.

Sumário

Apresentação

05

Capítulo 1 Deformação de vigas

06

Capítulo 2 Torção

54

Capítulo 3 Flambagem de colunas

76

Capítulo 4 Círculo de Mohr

104

5

Apresentação

Caro(a) aluno(a)

Você está recebendo o livro Resistência dos Materiais II que foi elaborado continuar os estudos iniciados no livro Resistência dos Materiais I. Para tanto, ele é composto por quatro capítulos, sendo assim distribuídos:

No primeiro capítulo, intitulado Deformação de vigas você aprenderá a calcular as deformações que ocorrem em seção transversal de Deformação de vigas você aprenderá a calcular as deformações que ocorrem em seção transversal de uma viga reta prismática e isostática, em função das ações atuantes e das condições de contorno (tipos de apoios da viga). Verá como se determina a equação da curva de deflexão (ou linha elástica) do eixo de uma viga, em função dos tipos de carregamento e de apoio desse elemento estrutural e, também, os cálculos de deslocamentos (flechas, deflexões) e os giros (inclinações, declividades) de seções transversais de uma viga, através da equação da linha elástica obtida.

No segundo capítulo, intitulado Torção você aprenderá a utilizar os conceitos da Resistência dos materiais para a solução de Torção você aprenderá a utilizar os conceitos da Resistência dos materiais para a solução de problemas, a determinar as tensões e deformações produzidas em peças de seção transversal circular e em barras de seção transversal prismática, assim como, analisar os eixo de rotação e calcular a potência transmitida pelos eixos (projeto de eixos de transmissão ou eixos motrizes).

No terceiro capítulo, intitulado Flambagem de colunas você será levado a compreender a importância de se determinar as condições Flambagem de colunas você será levado a compreender a importância de se determinar as condições para que as colunas, em um carregamento axial, não entrem em colapso e ocasionem falhas.

No último capítulo, intitulado Círculo de Mohr você aprenderá as transformações de componentes de tensão que se encontram associados Círculo de Mohr você aprenderá as transformações de componentes de tensão que se encontram associados a um sistema de coordenadas com orientações diferentes. Em seguida, verá como calcular a tensão normal máxima e de cisalhamento máxima em ponto qualquer e determinar a orientação dos elementos sobre os quais atuam estas tensões.

Os conteúdos abordados, neste livro, são fundamentais para sua atuação profissional. Assim, recomendamos que estude com afinco e determinação.

Bons estudos!

6

1 Deformação de vigas

Introdução

Núbia dos Santos Saad Ferreira Larissa Soriani Z.R. Soares Silva

Este capítulo de estudos conduzirá você ao conhecimento e cálculo das deformações (deslocamentos e giros) que ocorrem em qualquer seção transversal de uma viga reta prismática e isostática, em função das ações atuantes e das condições de contorno (tipos de apoios da viga).

Você sabia que, normalmente, uma viga se deforma ao ser carregada? Na maioria das situações estruturais, isso é imperceptível, pois são pequenas as deformações. Imagine-se sobre uma tábua que esteja apoiada nas extremidades, em dois tijolos, por exemplo. É fácil perceber que este elemento estrutural, ao receber a carga do seu peso, se desloca verticalmente para baixo e também apresenta movimento de giro! Fazer o mesmo com uma régua presa em uma das extremidades por seus dedos e livre na outra, recebendo uma ação na extremidade livre, também te permite visualizar tais deformações.

Objetivos

Ao final dos seus estudos, você estará apto (a) a:

determinar a equação da curva de deflexão (ou linha elástica) do eixo de uma viga, em função dos tipos de carregamento e de apoio desse elemento estrutural; Ao final dos seus estudos, você estará apto (a) a: calcular os deslocamentos (flechas, deflexões) e
(ou linha elástica) do eixo de uma viga, em função dos tipos de carregamento e de

calcular os deslocamentos (flechas, deflexões) e os giros (inclinações, declividades) de seções transversais de uma viga, através da equação da linha elástica obtida.

Esquema

1. Considerações Iniciais

2. Linha Elástica

2.1. Definições

2.2. Relação entre Momento Fletor e Curvatura

2.3. Equação da Linha Elástica

3. Exemplos Resolvidos

4. Atividades

7

1. Considerações iniciais

É de fundamental importância, para o engenheiro calculista, o conhecimento dos valores máximos de deslocamentos e inclinações que ocorrem em uma viga.

No projeto estrutural, consideram-se os limites máximos para as deformações prescritos nos textos normativos, em função do material estrutural que se esteja utilizando (concreto armado, aço, madeira e outros) e das condições de contorno de tais elementos. Ou seja, as normas apresentam valores para as deformações que não podem ser ultrapassados. Por isso, a importância de se quantificar flechas e giros.

Neste capítulo de estudos, a equação da linha elástica e os valores de deformações de uma viga são obtidos através de procedimentos analíticos que incluem métodos de integração direta.

2. Linha elástica

1.1

Definições

Denomina-se linha elástica (ou curva de deflexão) o diagrama que representa os deslocamentos do eixo longitudinal de uma viga. Esse eixo passa pelo centróide (centro de gravidade C.G., já conhecido por você) de cada área das infinitas seções transversais que constituem a viga. Em outras palavras, a linha elástica também pode ser definida como a configuração deformada do eixo de uma viga fletida, ou seja, que possui um carregamento perpendicular ao seu eixo, gerando momento fletor em cada seção da mesma.

Para a construção da configuração deformada de uma viga, é necessário o conhecimento de como os deslocamentos e as inclinações são restritos em função dos vínculos de apoio da mesma. Os apoios fixos ou móveis de uma viga impedem deslocamentos e permitem o giro, e os engastes impedem deslocamentos e giros.

Veja, na Figura 1, as representações esquemáticas destes vínculos para extremos de vigas ou para posições intermediárias em seus comprimentos. Nestes desenhos, as vigas são representadas por seus eixos.

Nestes desenhos, as vigas são representadas por seus eixos. (a) apoio móvel (b) apoio fixo (c)

(a) apoio móvel

as vigas são representadas por seus eixos. (a) apoio móvel (b) apoio fixo (c) engaste Figura

(b) apoio fixo

por seus eixos. (a) apoio móvel (b) apoio fixo (c) engaste Figura 1 – Visualização dos
por seus eixos. (a) apoio móvel (b) apoio fixo (c) engaste Figura 1 – Visualização dos

(c) engaste

Figura 1 Visualização dos tipos de apoios freqüentes em vigas.

A figura 2 mostra dois exemplos típicos de linhas elásticas para vigas solicitadas por uma força concentrada P.

8

P
P

(a) viga apoiada-engastada

8 P (a) viga apoiada-engastada P (b) viga bi-apoiada com balanço Figura 2 – Visualização da

P

(b) viga bi-apoiada com balanço

Figura 2 Visualização da linha elástica em duas situações comuns de vigas.

Se a linha elástica de uma viga for de difícil estabelecimento, sugere-se a construção prévia do diagrama de momentos fletores, para se ter idéia dos trechos onde ocorrem as concavidades para cima e para baixo.

1.2 Relação entre momento fletor e curvatura

Você aprendeu, quando do estudo de flexão, que uma viga prismática submetida à flexão pura se deforma, assumindo a configuração geométrica de um arco; e que, estando no regime elástico (segue à Lei de Hooke, com tensões diretamente proporcionais às deformações), a curvatura da linha neutra pode ser expressa pela Eq.1, na qual:

1 M EI
1
M
EI

(Eq.1)

= raio de curvatura (lê-se: rô) do arco correspondente a um ponto do eixo da viga, sendo opode ser expressa pela Eq.1 , na qual: 1 M EI ( Eq.1 ) seu inverso

do arco correspondente a um ponto do eixo da viga, sendo o seu inverso 1 denominado

seu inverso 1 denominado curvatura;

da viga, sendo o seu inverso 1 denominado curvatura; I = momento de inércia da área

I = momento de inércia da área da seção transversal da viga, calculado em relação à = momento de inércia da área da seção transversal da viga, calculado em relação à linha neutra.

M

E

= momento fletor interno atuante na viga, no ponto onde

M E = momento fletor interno atuante na viga, no ponto onde é determinado; = módulo

é determinado;

= módulo de elasticidade do material de que é constituída a viga;

9

9 Relembrando Antes de prosseguir, é necessário que você se recorde em que consiste a linha

Relembrando

Antes de prosseguir, é necessário que você se recorde em que consiste a linha neutra. Lembre-se que ela representa o eixo da peça que une os pontos de cada seção transversal nos quais tanto as tensões como as deformações são nulas.

Normalmente, a linha neutra coincide com o eixo da peça.

Perceba que a curvatura será uma função do momento fletor, obtido para cada seção transversal da viga, em função de sua posição neste elemento estrutural.

em função de sua posição neste elemento estrutural. Explicando melhor Você entende bem o significado físico

Explicando melhor

Você entende bem o significado físico da curvatura? Veja que ela é o inverso do raio de uma curva. Para facilitar o entendimento físico de tais conceitos, considere dois pontos no plano e imagine duas curvas passando por eles, com raios diferentes. A curva de menor raio terá maior curvatura e vice-versa.

Para que você possa visualizar geometricamente a relação entre momento fletor e curvatura, considere, por exemplo, uma viga AB com uma extremidade livre e outra engastada, ou seja, em balanço, de comprimento L, submetida à ação de uma força P aplicada em sua extremidade livre A, como ilustrado na Figura 3.

P

A
A
y L x A B B *
y
L
x
A
B
B
*

*

Figura 3 Esquema de uma viga em balanço deformada.

10

Você sabe que Para qualquer seção transversal desta viga, tendo-se o eixo x com origem no ponto A, o valor do momento fletor, em função da posição x de cada seção vale: M(x) = P.x (Lembre-se que o sinal é negativo, pois o momento traciona a viga em cima!). Substituindo M(x) na Eq.1, tem-se:

Ou seja:

1 P EI
1
P
EI

x

Substituindo M(x) na Eq.1 , tem-se: Ou seja: 1 P EI x  Para qualquer ponto

Para qualquer ponto da viga, pode-se calcular o valor da curvatura 1/ e, portanto, o valor do raio de curvatura . Tudo bem até aqui? Prossiga, então!

do raio de curvatura . Tudo bem até aqui? Prossiga, então!  Quando x = 0

Quando x = 0 (ponto A), a curvatura 1/ A é nula, implicando no valor infinito do raio A , que é o inverso da mesma. Isso faz sentido, pois nesta extremidade livre, não há curvatura, já que neste ponto a curva de deformação da viga torna-se retilínea.

e

Quando x = L (ponto B), a curvatura e o raio são, respectivamente,

L (ponto B ), a curvatura e o raio são, respectivamente, B EI 1 PL EI
L (ponto B ), a curvatura e o raio são, respectivamente, B EI 1 PL EI
B
B

EI

1

PL

EI

B
B

PL

. Nesse caso, tem-se o raio com valor em módulo, pois o mesmo não possui

sinal, já que é uma medida de comprimento.

Quanto à convenção para o sinal da curvatura, tem-se dos estudos de flexão que, quando a curva tem concavidade voltada para cima, sua curvatura é positiva, e quando a concavidade é voltada para baixo, a curvatura é negativa. Havendo transição de duas curvaturas, tal ponto de encontro é denominado inflexão, cuja curvatura é nula. Veja desenho ilustrativo na Figura 4.

+
+

(a) curvatura positiva

–

(b) curvatura negativa

Figura 4 Convenção de sinais para a curvatura.

Veja que o sinal da curvatura obtida no exemplo é negativo, pois a concavidade da linha elástica é para baixo. Essa convenção está diretamente relacionada à convenção de sinal para o momento fletor, oriunda dos estudos de flexão, pois são grandezas que se relacionam conforme a Eq.1:

Curvatura para cima: sinal positivo. Nesse caso, a viga é tracionada embaixo: momento fletor também positivo.

11

Curvatura para baixo: sinal negativo. Nesse caso, a viga é tracionada em cima: momento fletor também negativo.

Na sequência, você aprenderá como a curvatura oriunda da flexão será utilizada para se obter a equação da linha elástica, ou seja, a equação da curva na qual se transforma o eixo da viga ao ser deformado à flexão.

1.3 Equação da linha elástica

Finalmente, será obtida a equação da linha elástica! Antes de se desenvolverem as equações, faz-se necessária uma representação esquemática genérica, para o entendimento dos parâmetros geométricos intervenientes.

Na Figura 5 é ilustrada uma viga com seu eixo deformado, no qual será adotado um ponto genérico Q, que possui os dois tipos de deformação: deslocamento vertical y e giro (inclinação). O eixo x, com orientação positiva para a direita, corresponde ao eixo original da viga indeformada.

a direita, corresponde ao eixo original da viga indeformada. Para o cálculo diferencial, será assumida como

Para o cálculo diferencial, será assumida como variável a posição x do ponto Q na viga. Serão funções da variável x, tanto o deslocamento vertical y(x) do ponto Q como o seu giro em relação à horizontal (x). Na verdade, o que se deforma é a seção transversal da viga situada na posição referente ao ponto Q. Está claro?

situada na posição referente ao ponto Q . Está claro? y O y(x) (x) x Q

y

O

y(x) (x) x Q
y(x)
(x)
x Q

x

Figura 5 Representação esquemática genérica de uma linha elástica.

A partir de conceitos básicos do Cálculo Diferencial e Integral, sabe-se que a curvatura de um ponto qualquer Q(x, y) pertencente a uma curva plana pode ser obtida através da Eq.2.

2

d y

1 2 dx 3 2 2 dy 1 dx
1
2
dx
3
2
2
dy
1
dx

(Eq.2)

12

A Eq.2 permite a determinação da curvatura para qualquer ponto localizado no eixo de uma viga deformada.

Na expressão apresentada, as razões dy/dx e d 2 y/dx 2 são, respectivamente, a primeira e a segunda derivadas da função y(x), que corresponde à ordenada (coordenada vertical) de um ponto pertencente à curva plana mencionada. No estudo em questão, a curva é a linha elástica e a função y(x), sua deflexão em cada ponto.

Tem-se que o quadrado de dy/dx, que aparece no denominador da expressão em apreço pode ser desprezado, em face da unidade que se soma a ele. Isso pelo fato de a razão dy/dx ser muito pequena, pois as deflexões y também o são. Dessa forma, a expressão para a curvatura pode ser simplificada, resultando na Eq.3.

1 d y 2 dx 2
1
d y
2
dx
2

(Eq.3)

A partir das Eq.1 e Eq.3, obtém-se a Eq.4, que é uma Equação Diferencial Linear Ordinária

de

segunda ordem (EDO) que rege o comportamento da linha elástica.

dx

2

dx 2 EI

EI

2

d y

M(x)

(Eq.4)

da linha elástica. dx 2 EI 2 d y M(x) ( Eq.4 ) Parada para reflexão

Parada para reflexão

Recordando o que você aprendeu no estudo de Cálculo Diferencial e Integral, uma equação é diferencial quando possui derivadas; é linear, quando as derivadas estão elevadas à potência unitária; é ordinária quando apresenta apenas uma variável (no caso, x); e é de segunda ordem, quando a maior derivada da equação é a segunda derivada da função do problema (no caso, y).

Lembre-se que resolver uma EDO significa explicitar sua função, através de integrações. Em nosso estudo, tal função é y(x) que representa os deslocamentos dos nós da viga (deflexões, flechas) para cada posição x.

O

prismáticas, que é a situação mais usual em estruturas, a rigidez flexional é constante. Caso

produto EI é denominado rigidez flexional (ou rigidez à flexão). No caso de vigas

13

a inércia não seja constante ao longo da viga, como é o caso de vigas de seção variável, deve-se escrever tal parâmetro geométrico em função de x.

Procedendo-se à resolução da equação diferencial (Eq.4), para a obtenção da função y(x), multiplicam-se ambos os membros desta equação por EI e se integra toda a equação na variável x. Com isso, chega-se à Eq.5, na qual C 1 é uma constante real de integração.

X

0

EI

dy

dx

M(x)dx

M(x)dx

C

C

1

(Eq.5)

X 0 EI dy dx M(x)dx C 1 ( Eq.5 ) Está representado na Figura 5

Está representado na Figura 5 o ângulo de inclinação (x), que a reta tangente à curva pelo ponto Q forma com a horizontal. Recordando conceitos básicos do Cálculo Diferencial, é sabido que a tangente deste ângulo corresponde à primeira derivada da função y(x) no ponto Q:

tg

à primeira derivada da função y(x) no ponto Q : tg dy dx E em razão

dy

dx

E em razão do ângulo ser muito pequeno, pode-se assumir sua tangente como o próprio

valor do ângulo

assumir sua tangente como o próprio valor do ângulo (x) , medido em radianos, ou seja:

(x), medido em radianos, ou seja:

próprio valor do ângulo (x) , medido em radianos, ou seja: (x) dy dx Com isso,

(x)

dy

valor do ângulo (x) , medido em radianos, ou seja: (x) dy dx Com isso, reescreve-se

dx

Com isso, reescreve-se a Eq.5 agora, em função de

dy dx Com isso, reescreve-se a Eq.5 agora, em função de (x) : EI (x) 0

(x):

EI

EI (x) 0 X M(x) dx C 1

(x)

EI (x) 0 X M(x) dx C 1

0

X

M(x) dx

EI (x) 0 X M(x) dx C 1

C

1

(Eq.6)

Para que se possa explicitar a função y(x), será necessário integrar-se toda a equação diferencial (Eq.5) novamente, na variável x. Com isso, aparecerá outra constante real de integração denominada C 2 :

Portanto, ter-se-á:

EI

x X y M(x)dx 0 0
x
X
y
M(x)dx
0
0
C 1 dx
C
1 dx

C

2

14

EI

x X y M(x)dx 0 0
x
X
y
M(x)dx
0
0
dx C x C 1
dx
C
x
C
1

2

(Eq.7)

Caro aluno, com o estudo realizado até aqui, você está apto a obter a função das deformações que ocorrem em uma viga (inclinação e deslocamento y), para qualquer seção transversal de posição x, que se esteja considerando.

transversal de posição x , que se esteja considerando. Em seguida, serão discutidos e resolvidos exercícios

Em seguida, serão discutidos e resolvidos exercícios de aplicação, para variadas situações de cargas e, consequentemente, de momento fletor. Serão consideradas diferentes condições de contorno (apoios) para as vigas, responsáveis pela obtenção das incógnitas reais C 1 e C 2 , para cada caso.

Consideração importante!

Quando a viga estiver solicitada por carregamentos diferentes, é possível utilizar a Superposição de Efeitos, tabelas anexas, ou seja, calculando flechas e deflexões para cada tipo de carregamento e somando os resultados, com os respectivos sinais, no final, para se obterem os reais valores dessas deformações. Isso será ilustrado em exercício de aplicação constante no exemplo 7. Confira!

3. Exemplos resolvidos

Exemplo 1

A viga em balanço AB, de comprimento L e módulo de elasticidade E, possui seção transversal uniforme (prismática) e suporta uma carga concentrada P em sua extremidade livre A (balanço).

concentrada P em sua extremidade livre A (balanço). Pede-se determinar a equação da linha elástica y(x)

Pede-se determinar a equação da linha elástica y(x) e da inclinação (x), bem como os valores de flecha (y) e declividade ( ) que ocorrem no ponto A.

de flecha ( y ) e declividade ( ) que ocorrem no ponto A . P

P

A

y S x x B L
y
S
x
x
B
L

Figura 6 Representação esquemática da viga em balanço AB solicitada pela carga concentrada P.

Resolução:

AB solicitada pela carga concentrada P . Resolução: Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Como visto no estudo de flexão, o valor do momento fletor para qualquer seção S da viga, situada a uma distância x do ponto A, vale: M(x) = P.x, sendo negativo em toda a viga, pois traciona a mesma em sua parte superior.

15

15 Obtenção da expressão genérica para a inclinação : Substituindo o valor de M(x) na Eq.6

Obtenção da expressão genérica para a inclinação

:
:

Substituindo o valor de M(x) na Eq.6, você encontrará a função

da viga. Siga os passos apresentados, de resolução da EDO, para que se chegue à

(x) para qualquer posição

da EDO, para que se chegue à (x) para qualquer posição expressão de (x) em função
da EDO, para que se chegue à (x) para qualquer posição expressão de (x) em função

expressão de (x) em função apenas da variável x.

Valha-se da Eq.6:

EI

em função apenas da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx

(x)

função apenas da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx C

0

X

M(x)dx

Cda variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx 1 Substitua a

1

Substitua a expressão de M(x):

EI

(x): EI (x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI 0

(x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI (x) 0 X

0

X

Px dx

C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI (x) 0 X Px dx C 1

C

1

Resolva a integral em x:

EI

Px

2

(x)
(x)

2

C(x) 0 X Px dx C 1 Resolva a integral em x : EI Px 2

1

Perceba que a equação obtida possui EI constante, já que a seção transversal da viga não varia. Portanto, resta-lhe apenas encontrar o valor da constante real de integração C 1 . Isso será feito a partir de uma seção transversal de inclinação conhecida, ou seja, para um par ordenado de variável e função (x, (x)) conhecido.

par ordenado de variável e função ( x , (x)) conhecido. Analise a viga, e pense

Analise a viga, e pense em qual seção da mesma, você poderia obter o valor da inclinação, sem realizar cálculos!

Verifique que a seção transversal da viga situada no ponto B, por ser engastada, é impedida de girar! Lembre-se que o engaste restringe tanto deslocamento como giro. Portanto, no ponto B, que possui x = L, tem-se que = 0.

no ponto B , que possui x = L , tem-se que = 0 . Levando

Levando esse par ordenado conhecido (x,

você prossegue com a resolução, conforme descrito abaixo.

(x)) = ( L , 0 ) na última expressão de = (L, 0) na última expressão de

descrito abaixo. (x)) = ( L , 0 ) na última expressão de (x) obtida, Substitua

(x) obtida,

Substitua o par (L, 0) na expressão de

de (x) obtida, Substitua o par ( L , 0 ) na expressão de (x) :

(x):

EI

2

PL

0
0

2

o par ( L , 0 ) na expressão de (x) : EI 2 PL 0

C

1

Calcule o valor de C 1 :

0

2

PL

(x) : EI 2 PL 0 2 C 1 Calcule o valor de C 1 :

2

Finalmente, obtenha a função

valor de C 1 : 0 2 PL 2 Finalmente, obtenha a função (x) : C

(x):

de C 1 : 0 2 PL 2 Finalmente, obtenha a função (x) : C EI

C

EI

1

PL 2 C 1 2
PL
2
C
1
2

Px

2

(x)
(x)

2

2

PL

obtenha a função (x) : C EI 1 PL 2 C 1 2 Px 2 (x)

2

Explicitando

obtenha a função (x) : C EI 1 PL 2 C 1 2 Px 2 (x)

(x) você obtém:

P

2EI

x 2 L 2
x
2
L
2
(x)

(x)

(x)

16

Sabendo que

16 Sabendo que (x) = dy/dx , também se escreve: dy dx P 2EI x 2

(x) = dy/dx, também se escreve:

dy

dx

dy dx P 2EI x 2 L 2

P

2EI

x 2 L 2
x
2
L
2

Cálculo da inclinação no ponto A:= dy/dx , também se escreve: dy dx P 2EI x 2 L 2 Portanto, desejando-se

Portanto, desejando-se calcular a inclinação da seção transversal situada no ponto A, basta

substituir o valor de x A = 0 na função

(x): :

x

A

0
0
A
A

P

2EI

0 2 L 2
0
2
L
2
PL 2 A 2EI
PL 2
A 2EI
= 0 na função (x) : x A 0 A P 2EI 0 2 L 2

ATENÇÃO! ANALISE O SINAL DA FLECHA

A !
A !

Sendo a flecha (dy/dx) a primeira derivada de y, ela corresponde à inclinação da reta tangente ao gráfico da função y (ou seja, à elástica da viga), no ponto em que se esteja considerando. Lembra-se do Cálculo Diferencial e Integral?

Você verá a representação da flecha

inclinação ascendente, crescente, para cima, ou seja, positiva!

inclinação ascendente, crescente, para cima, ou seja, positiva! A , no fechamento deste problema : corresponde

A , no fechamento deste problema: corresponde a uma

A , no fechamento deste problema : corresponde a uma Obtenção da equação da linha elástica:

Obtenção da equação da linha elástica:

Agora, continue a resolução para encontrar a equação da linha elástica y(x).

para encontrar a equação da linha elástica y(x) . Veja que bastará integrar mais uma vez,

Veja que bastará integrar mais uma vez, em x, a expressão obtida para (x) = dy/dx, pois esta já contempla o valor de C 1 . Acompanhe, portanto, os passos para a obtenção de y(x):

Valha-se da expressão:

EI

dy Px 2 dx 2
dy
Px
2
dx
2

2

PL

de y(x) : Valha-se da expressão: EI dy Px 2 dx 2 2 PL 2 Integre

2

Integre toda a equação acima em x:

EI

Px

3

2

PL x

y
y
PL 2 Integre toda a equação acima em x : EI Px 3 2 PL x

6

2

Integre toda a equação acima em x : EI Px 3 2 PL x y 6

C

2

Analogamente à obtenção de C 1 , você calculará C 2 substituindo na expressão um par ordenado conhecido, agora em termos de x e de y(x), pois a função aqui é y!

Qual seria um ponto desta viga para o qual você já poderia saber o valor da flecha y? Analise a viga!

Você constata que o ponto B tem deflexão nula, pois se trata de um engaste! Portanto, o par

ordenado conhecido a ser substituído na expressão de y(x) será: ( x, y(x) ) = (L, 0). Prossiga com os passos para a resolução!

17

Substitua o par (L, 0) na expressão de y(x):

EI

Calcule o valor de C 2 :

0

3

PL

de y(x) : EI Calcule o valor de C 2 : 0 3 PL 6 3

6

3

PL

de y(x) : EI Calcule o valor de C 2 : 0 3 PL 6 3

2

de y(x) : EI Calcule o valor de C 2 : 0 3 PL 6 3

C

2

3

PL

2

PL L

0
0
o valor de C 2 : 0 3 PL 6 3 PL 2 C 2 3

6

2

o valor de C 2 : 0 3 PL 6 3 PL 2 C 2 3

C

PL 3 C 2 3
PL
3
C
2 3

Obtenha a expressão final para y(x):

EI

Px

3

2

PL x

3

PL

y
y
a expressão final para y(x) : EI Px 3 2 PL x 3 PL y 6
a expressão final para y(x) : EI Px 3 2 PL x 3 PL y 6

6

2

3

2

Explicitando y(x) você obtém a Equação da Linha Elástica:

y x

6EI

P x 3 2 3L x 2L 3

P

x 3
x
3

2

3L x

P x 3 2 3L x 2L 3
2L 3
2L
3

Cálculo da flecha no ponto A:Elástica : y x 6EI P x 3 2 3L x 2L 3 Portanto, desejando-se calcular

Portanto, desejando-se calcular a deflexão da seção transversal situada no ponto A, basta substituir o valor de x A = 0 na função y(x):

x

A

0
0

y

A

o valor de x A = 0 na função y(x) : x A 0 y A

P

6EI

0 3
0
3

2

3L 0

2L 3
2L
3
PL 3 y A 3EI
PL
3
y
A 3EI

Visualização dos resultados:y(x) : x A 0 y A P 6EI 0 3 2 3L 0 2L 3

A seguir é feita uma representação esquemática dos resultados obtidos vide Figura 7. Destaca-se que a curva esboçada corresponde a uma parábola do terceiro grau, conforme a expressão de y(x) que foi obtida.

y P x A B A A L
y
P
x
A
B
A
A
L

y

Figura 7 Esboço da linha elástica da viga em balanço AB solicitada pela carga concentrada P.

18

Há como verificar a consistência dos resultados analíticos. Se você substituir o valor L para a variável x, obterá valores nulos tanto para a inclinação como para o deslocamento referentes ao ponto B, coerente com a situação-problema estudada. Faça os cálculos!

Exemplo 2

A viga bi-apoiada AB, de comprimento L e módulo de elasticidade E, possui seção transversal uniforme (prismática) e suporta uma carga uniformemente distribuída p por unidade de comprimento, ao longo de toda a sua extensão. Vide Figura 8.

Pede-se determinar a equação da linha elástica y(x) e o valor da flecha máxima y máx que ocorre no ponto médio da viga.

y p x A B S x L
y
p
x
A
B
S
x
L

Figura 8 Representação esquemática da viga bi-apoiada AB solicitada pela carga distribuída p.

Resolução:

AB solicitada pela carga distribuída p . Resolução: Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Primeiramente, você equacionará M(x) para uma seção transversal S da viga, distante x do ponto A. Para isso, será necessário calcular a reação de apoio referente ao nó A (R A ), que corresponde à força vertical e para cima, que o elemento de apoio que recebe a viga no nó A, aplica na mesma.

Imagine no ponto A, por exemplo, um pilar de apoio que recebe a viga. Pela Lei de Ação e Reação, a viga descarrega neste apoio parte de sua carga e este apoio reage aplicando na viga uma força contrária reativa. Lembra-se?

No exemplo em questão, a reação de apoio valerá metade da carga total aplicada, pois se trata de carregamento uniformemente distribuído em viga bi-apoiada. Portanto:

R A

distribuído em viga bi-apoiada. Portanto: R A pL 2 Destacando o trecho da viga até a

pL

2

Destacando o trecho da viga até a seção S, você poderá equacionar M(x). Veja esquema mostrado na Figura 9.

19

R A

pL p A S x/2 pL x 2
pL
p
A S
x/2
pL
x
2

Figura 9 Trecho da viga utilizado para equacionar o momento M em função de x.

A partir desse esquema e lembrando que o momento fletor é positivo se traciona a viga em sua região inferior, você obterá:

M(x)

traciona a viga em sua região inferior, você obterá: M(x) R A x p x x

R

A

x p x
x
p
x

x

2

M(x)em sua região inferior, você obterá: M(x) R A x p x x 2 pL px

pL

px

2

2

x
x

2

você obterá: M(x) R A x p x x 2 M(x) pL px 2 2 x

Obtenção da equação da linha elástica:

M(x)pL px 2 2 x 2 Obtenção da equação da linha elástica: px 2 2 pLx

px

2

2 x 2 Obtenção da equação da linha elástica: M(x) px 2 2 pLx 2 Prossiga,

2

x 2 Obtenção da equação da linha elástica: M(x) px 2 2 pLx 2 Prossiga, então,

pLx

2

Prossiga, então, para a resolução da EDO que resultará na expressão da função y(x) que corresponde à equação da linha elástica desejada.

Valha-se da Eq.5:

EI

X dy M(x)dx dx 0
X
dy
M(x)dx
dx
0

desejada. Valha-se da Eq.5 : EI X dy M(x)dx dx 0 C 1 Substitua a expressão

C

1

Substitua a expressão de M(x):

EI

X dy px 2 dx 2 0
X
dy
px
2
dx
2
0
Substitua a expressão de M(x) : EI X dy px 2 dx 2 0 pLx 2

pLx

2

Resolva a integral em x:

EI

dy px 3 pLx 2 dx 6 4
dy
px
3
pLx
2
dx
6
4

2 Resolva a integral em x : EI dy px 3 pLx 2 dx 6 4

C

1

dx
dx

C

Integre novamente em x, para explicitar y(x):

EI

px

4

pLx

3

y
y
novamente em x , para explicitar y(x) : EI px 4 pLx 3 y 12 24

12

24

1

C x 1
C
x
1

C

2

Finalmente, para que seja obtida a função de deflexão y(x), é necessária a determinação das constantes de integração reais C 1 e C 1 .

Perceba que nesse caso, diferente da aplicação anterior, ainda não foi calculada a constante C 1 , ou seja, na mesma equação de y(x), têm-se duas incógnitas e, portanto, para que estas sejam encontradas, serão necessárias duas informações para x e y(x) para que você monte um sistema de equação de ordem dois.

20

Veja que a diferença, com relação ao exercício anterior, é que ambas as informações necessárias referem-se a flechas, pois a equação é apenas de deflexão e não de inclinação.

Analise a situação-problema e verifique em quais pontos é conhecida a flecha da viga.

Veja que tanto na seção situada no ponto A como no B, tem-se restrição de deslocamento! Ou seja, nos dois casos: x = 0 e x = L, tem-se que y = 0. Desta forma, escrevem-se os pares ordenados de variável e função (x, y): (0, 0) e (L, 0).

Prossiga com os passos para a resolução!

Substitua o par (0, 0) na expressão de y(x):

Calcule o valor de C 2 :

C 0 2
C
0
2

EI

p 0
p
0

24

4

0

pL
pL

12

0

3

Reescreva a atual expressão de y(x):

EI

px

4

pLx

3

y
y
0 3 Reescreva a atual expressão de y(x) : EI px 4 pLx 3 y 12

12

24

C 1
C
1

x

C 0 1
C
0
1

C

Substitua o par (L, 0) na expressão de y(x):

EI

pL

4

pL L 3 C 1
pL
L
3
C
1

12

L

0
0

24

Calcule o valor de C 1 :

0

pL

4

L 3 C 1 12 L 0 24 Calcule o valor de C 1 : 0

24

pL

4

C 1 12 L 0 24 Calcule o valor de C 1 : 0 pL 4

12

C 1
C
1

L

pL 3 C 1 24
pL
3
C
1 24

Obtenha a expressão final para y(x):

px 4 pLx 3 pL x 3 EI y(x) 24 12 24
px
4
pLx
3
pL x
3
EI y(x)
24
12
24

2

Explicitando y(x) você obtém a Equação da Linha Elástica:

y(x) você obtém a Equação da Linha Elástica : 24EI 2Lx 3 L x 3 y(x)

24EI

2Lx 3 L x 3
2Lx
3
L x
3

y(x)

y(x) p

p

Cálculo da flecha para o ponto médio da viga:

Veja que a curva obtida é uma parábola o quarto grau. Agora resta calcular a flecha máxima que ocorre na viga, para seu ponto médio (x = L/2):

y máx

ocorre na viga, para seu ponto médio ( x = L/2 ): y máx p 24EI

p

24EI

L 4 2L L 3 L 3 L 16 8 2
L
4
2L
L
3
L
3
L
16
8
2

y máx

5pL

4

y máx 5pL 4 384EI

384EI

O resultado de fecha pode ser assumido sempre em valor modular, ou seja:

y máx

4

5pL

y máx 4 5pL 384EI

384EI

21

Isso porque estará correspondendo a uma medida de comprimento. Neste exemplo, a deflexão ocorreu para baixo, contrária à orientação positiva do eixo y e por isso, você encontrou sinal negativo para a mesma.

Visualização dos resultados:y e por isso, você encontrou sinal negativo para a mesma. Na Figura 10 está esquematizada

Na Figura 10 está esquematizada a linha elástica com visualização da maior deflexão que nela ocorre.

É sempre importante o aluno verificar a consistência dos resultados, atribuindo valores às variáveis e calculando respectivas funções. Utilize disso, em suas resoluções! Por exemplo, para os pontos A e B, verifique se a flecha é mesmo nula!

y p x A B y máx L
y
p
x
A
B
y
máx
L

Figura 10 Esboço da elástica da viga bi-apoiada AB solicitada pela carga distribuída p.

Exemplo 3

Para a viga referente à 2ª Aplicação, pede-se calcular os valores das inclinações das seções transversais correspondentes aos apoios A e B.

Resolução:

Obtenção da expressão genérica da inclinação:correspondentes aos apoios A e B . Resolução: Uma das maneiras de se obter a expressão

Uma das maneiras de se obter a expressão da inclinação

Uma das maneiras de se obter a expressão da inclinação (x) dy dx é derivando-se a

(x)

das maneiras de se obter a expressão da inclinação (x) dy dx é derivando-se a função

dy

dx

é derivando-se a

função y (já que a inclinação é a primeira derivada de y):

Portanto, tendo-se a função de y:

y(x)

derivada de y ): Portanto, tendo-se a função de y : y(x) p 24EI x 4

p

24EI

x 4
x
4

2Lx

3

L x 3
L x
3

Sua primeira derivada, dy/dx será:

dy p 4x 3 6Lx 2 L 3 dx 24EI
dy
p
4x
3
6Lx
2
L
3
dx
24EI
(x)

(x)

(x) y'(x)
y'(x)

y'(x)

(x) y'(x)

22

Agora, basta você substituir nesta expressão os respectivos valores da posição x, para encontrar as inclinações que ocorrem nas seções das vigas correspondentes aos apoios A e B, para este problema:

Obtenção da inclinação no apoio A:correspondentes aos apoios A e B , para este problema: A (x 0) p 24EI 4

A
A

(x

0)este problema: Obtenção da inclinação no apoio A: A (x p 24EI 4 0 3 6L

problema: Obtenção da inclinação no apoio A: A (x 0) p 24EI 4 0 3 6L

p

24EI

4 0 3 6L 0 2 L 3
4 0
3 6L
0
2
L
3

pL 3

A
A

24EI

Obtenção da inclinação no apoio B:A: A (x 0) p 24EI 4 0 3 6L 0 2 L 3 pL 3

A
A

(x

L)3 A 24EI Obtenção da inclinação no apoio B: A (x p 24EI pL 3 4

A 24EI Obtenção da inclinação no apoio B: A (x L) p 24EI pL 3 4

p

24EI

pL 3 4 L 3 6L L 2 L 3 B 24EI
pL 3
4 L
3
6L
L
2
L
3
B 24EI

Visualização dos resultados:apoio B: A (x L) p 24EI pL 3 4 L 3 6L L 2 L

Na Figura 11 estão mostrados os giros obtidos na viga. Constate a coerência do desenho com os valores obtidos para os giros!! O comentário é semelhante ao feito para a primeira aplicação.

O giro em A corresponde a uma inclinação decrescente, descendente, para baixo, e, portanto, positiva. Já no apoio B, a reta tangente tem inclinação ascendente, crescente, para cima, ou seja, sua inclinação é positiva!

y p x A B A B L
y
p
x
A
B
A
B
L

Figura 11 Esboço dos giros que ocorrem nos apoios da viga AB.

Exemplo 4

A viga em balanço AB, de comprimento L e módulo de elasticidade E, possui seção transversal uniforme (prismática) e suporta um momento fletor M em sua extremidade livre B (balanço). Vide Figura 12.

em sua extremidade livre B (balanço). Vide Figura 12 . Pede-se determinar a equação da linha

Pede-se determinar a equação da linha elástica y(x) e da inclinação (x), bem como os valores de flecha (y) e declividade ( ) que ocorrem no ponto B.

elástica y(x) e da inclinação (x) , bem como os valores de flecha ( y )

23

y M S A B x L
y
M
S
A
B
x
L

x

Figura 12 Representação esquemática da viga em balanço AB solicitada pelo momento M.

Resolução:

Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:em balanço AB solicitada pelo momento M . Resolução: Como visto no estudo de flexão, o

Como visto no estudo de flexão, o valor do momento fletor para qualquer seção S da viga, situada a uma distância x do ponto A, vale: M(x) = M, sendo negativo, pois traciona a mesma em sua parte superior. Observe que em toda seção transversal da viga, atua o mesmo valor de momento fletor.

Obtenção da expressão genérica para a inclinaçãotransversal da viga, atua o mesmo valor de momento fletor. Substituindo o valor de M(x) na

Substituindo o valor de M(x) na Eq.6, você encontrará a função

da viga. Siga os passos apresentados, de resolução da EDO, para que se chegue à

:
:
apresentados, de resolução da EDO, para que se chegue à : (x) para qualquer posição expressão

(x) para qualquer posição

da EDO, para que se chegue à : (x) para qualquer posição expressão de (x) em

expressão de (x) em função apenas da variável x.

Valha-se da Eq.6:

EI

em função apenas da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx

(x)

função apenas da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx C

0

X

M(x)dx

Cda variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx 1 Substitua a

1

Substitua a expressão de M(x):

EI

: EI (x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI (x)

(x)

(x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI (x) 0 X

0

X

M dx

Resolva a integral em x:

EI

(x) M x C 1
(x)
M
x
C
1
(x) 0 X M dx Resolva a integral em x : EI (x) M x C

C

1

Perceba que a equação obtida possui EI constante, já que a seção transversal da viga não varia. Portanto, resta-lhe apenas encontrar o valor da constante real de integração C 1 . Isso será feito a partir de uma seção transversal de inclinação conhecida, ou seja, para um par ordenado de variável e função (x, (x)) conhecido.

par ordenado de variável e função ( x , (x)) conhecido. Verifique que a seção transversal

Verifique que a seção transversal da viga situada no ponto A, por ser engastada, é impedida de girar! Lembre-se que o engaste restringe tanto deslocamento como giro. Portanto, no ponto A, que possui x = 0, tem-se que = 0.

no ponto A , que possui x = 0 , tem-se que = 0 . Levando

Levando esse par ordenado conhecido (x,

você prossegue com a resolução, conforme descrito abaixo.

(x)) = ( 0 , 0 ) na última expressão de = (0, 0) na última expressão de

Substitua o par (0, 0) na expressão de

expressão de Substitua o par ( 0 , 0 ) na expressão de (x) : EI

(x):

EI

0 M 0 C 1
0
M
0
C
1
o par ( 0 , 0 ) na expressão de (x) : EI 0 M 0

(x) obtida,

Calcule o valor de C 1 :

0

0 C C 0 1 1
0
C
C
0
1
1

24

Finalmente, obtenha a função

24 Finalmente, obtenha a função (x) : EI (x) M x Explicitando (x) você obtém: M

(x):

EI

(x) M
(x)
M

x

Explicitando

obtenha a função (x) : EI (x) M x Explicitando (x) você obtém: M (x) x

(x) você obtém:

M (x)
M
(x)

x

EI

Sabendo que

(x) você obtém: M (x) x EI Sabendo que (x) = dy/dx , também se escreve:

(x) = dy/dx, também se escreve:

dy

dx

M
M

x

EI

Cálculo da inclinação no ponto B:que (x) = dy/dx , também se escreve: dy dx M x EI Portanto, desejando-se calcular

Portanto, desejando-se calcular a inclinação da seção transversal situada no ponto B, basta

substituir o valor de x B = L na função

(x): :

x

B

L
L
M B
M
B

L

EI

M L B EI
M
L
B EI
x B = L na função (x) : x B L M B L EI M

ATENÇÃO! ANALISE O SINAL DA FLECHA

B !
B !

Sendo a flecha (dy/dx) a primeira derivada de y, ela corresponde à inclinação da reta tangente ao gráfico da função y (ou seja, à elástica da viga), no ponto em que se esteja considerando!

Você verá a representação da flecha

inclinação descendente, decrescente, para baixo, ou seja, negativa

descendente, decrescente, para baixo, ou seja, negativa B , no fechamento deste problema : corresponde a

B , no fechamento deste problema: corresponde a uma

Obtenção da equação da linha elástica:B , no fechamento deste problema : corresponde a uma Agora, continue a resolução para encontrar

Agora, continue a resolução para encontrar a equação da linha elástica y(x).

para encontrar a equação da linha elástica y(x) . Veja que bastará integrar mais uma vez,

Veja que bastará integrar mais uma vez, em x, a expressão obtida para (x) = dy/dx, pois esta já contempla o valor de C 1 . Acompanhe, portanto, os passos para a obtenção de y(x):

Valha-se da expressão:

EI

dy M x dx
dy
M
x
dx

Integre toda a equação acima em x:

EI

M y
M
y

x

2

2

x dx Integre toda a equação acima em x : EI M y x 2 2

C

2

Analogamente à obtenção de C 1 , você calculará C 2 substituindo na expressão um par ordenado conhecido, agora em termos de x e de y(x), pois a função aqui é y!

Você constata que o ponto A tem deflexão nula, pois se trata de um engaste! Portanto, o par

ordenado conhecido a ser substituído na expressão de y(x) será: (x, y(x)) = (0, 0). Prossiga com os passos para a resolução!

25

Substitua o par (0, 0) na expressão de y(x):

EI

M 0
M
0

0

2

2

Calcule o valor de C 2 :

0

0 C
0
C

2

Obtenha a expressão final para y(x):

C 0 2
C
0
2

EI

M y
M
y

x

2

2

a expressão final para y(x) : C 0 2 EI M y x 2 2 C

C

2

Explicitando y(x) você obtém a Equação da Linha Elástica:

M
M

y x

x

2

2EI

Cálculo da flecha no ponto B:a Equação da Linha Elástica : M y x x 2 2EI Portanto, desejando-se calcular a

Portanto, desejando-se calcular a deflexão da seção transversal situada no ponto B, basta substituir o valor de x B = L na função y(x):

x

B

L
L
M y B
M
y
B

2

L

2EI

B = L na função y(x) : x B L M y B 2 L 2EI

Visualização dos resultados:B = L na função y(x) : x B L M y B 2 L 2EI

Na Figura 13 é apresentada uma representação esquemática dos resultados obtidos. Destaca-se que a curva esboçada corresponde a uma parábola do segundo grau, conforme a expressão de y(x) que foi obtida.

y x B A y B L B
y
x
B
A
y B
L
B

Figura 13 Esboço da linha elástica da viga em balanço AB solicitada pelo momento M.

26

Exemplo 5

A viga em balanço AB, de comprimento L e módulo de elasticidade E, possui seção transversal uniforme (prismática) e suporta um carga linearmente distribuída p (força por unidade de comprimento) ao longo de toda a sua extensão. Vide Figura 14.

ao longo de toda a sua extensão. Vide Figura 14 . Pede-se determinar a equação da

Pede-se determinar a equação da linha elástica y(x) e da inclinação (x), bem como os valores de flecha (y) e declividade ( ) que ocorrem no ponto B.

de flecha ( y ) e declividade ( ) que ocorrem no ponto B . y

y

p

x S A B x L
x
S
A
B
x
L

Figura 14 Representação esquemática da viga em balanço AB solicitada pela carga linear p.

Resolução:

balanço AB solicitada pela carga linear p . Resolução: Obtenção da expressão genérica para o momento

Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Como visto no estudo de flexão, o valor do momento fletor para qualquer seção S da viga, situada a uma distância x do ponto A, pode ser calculado tanto da esquerda para a direita, como da direita para a esquerda.

Neste problema, é conveniente caminhar pela direita, para a obtenção de M(x) pois assim, não será necessário calcular as reações de apoio, já que M(x) poderá ser calculado apenas pelo carregamento triangular.

Para isso, visualize, na Figura 15, a carga que gerará M(x) na seção genérica S, caminhando-se até a mesma, pela direita da viga.

p'

S

, caminhando-se até a mesma, pela direita da viga. p' S x B L – x

x

B L – x
B
L – x

Figura 15 Trecho da viga considerado para a obtenção da carga em uma seção genérica S.

27

É necessário se conhecer o valor de p' e isso é feito através de semelhança de triângulos

entre cargas e distâncias:

p

L x
L
x

L

p'

p L x p' L
p
L
x
p'
L

Para calcularmos o momento que esta carga triangular produz em S, concentramos seu valor a um terço da base do triângulo, correspondendo ao C.G. (centro de gravidade) desta figura geométrica (conforme visto em estudos anteriores).

E este valor de carga concentrada equivale ao cálculo da área triangular, ou seja:

Área

equivale ao cálculo da área triangular, ou seja: Área base x altura 2 p' L x

base x altura

2

p' L x p L x L x
p'
L
x
p
L
x
L
x

2

L

2

p L x 2 2L
p L
x 2
2L

Esquematizando-se a resultante do carregamento triangular, localizado no C.G. do triângulo, tem-se a Figura 16.

p'

p L x 2 2L
p
L
x 2
2L

x

S

B (L–x)/3 L – x
B
(L–x)/3
L – x

Figura 16 Locação do carregamento resultante para a seção genérica S.

A partir desse esquema e lembrando que o momento fletor é negativo se traciona a viga em

sua região superior, você obterá:

M(x)

M(x)

p L x 2 L x
p
L
x
2 L
x

2L

3

M(x)

p L 2
p
L
2

2L

x 2 L x
x
2
L
x

3

2Lx

p L 2
p
L
2

6L

2Lx

x 2 L x
x
2
L
x

M(x)

p L 2
p
L
2

6L

2Lx

p x 2 L x L 3 L x 2
p
x
2
L
x
L 3
L x
2

6L

2

2L x

x M(x) p L 2 6L 2Lx p x 2 L x L 3 L x

2Lx

2

x M(x) p L 2 6L 2Lx p x 2 L x L 3 L x
x M(x) p L 2 6L 2Lx p x 2 L x L 3 L x

Lx

2

M(x)

p L 3
p
L 3

6L

2 3Lx 2 x 3
2
3Lx
2
x
3

3L x

x 3
x
3

28

Pode-se, também, reescrever a expressão do momento fletor da seguinte forma:

M(x)

2

pL

a expressão do momento fletor da seguinte forma: M(x) 2 pL 6 pLx 2 px 2

6

expressão do momento fletor da seguinte forma: M(x) 2 pL 6 pLx 2 px 2 2

pLx

2

px

2

do momento fletor da seguinte forma: M(x) 2 pL 6 pLx 2 px 2 2 px

2

px

3

fletor da seguinte forma: M(x) 2 pL 6 pLx 2 px 2 2 px 3 6L

6L

Ou, ainda:

M(x)

x 3 x 2 Lx L 2 p 6L 2 2 6
x 3
x
2
Lx
L 2
p
6L
2
2
6
2 px 3 6L Ou, ainda: M(x) x 3 x 2 Lx L 2 p 6L

Obtenção da expressão genérica para a inclinação

:
:

(x) para qualquer posição para qualquer posição

da viga. Siga os passos apresentados, de resolução da EDO, para que se chegue à

Substituindo o valor de M(x) na Eq.6, você encontrará a função

o valor de M(x) na Eq.6 , você encontrará a função expressão de (x) em função

expressão de (x) em função apenas da variável x.

Valha-se da Eq.6:

EI

(x)em função apenas da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI 0 X M(x)dx C

0
0

X

M(x)dx

da variável x . Valha-se da Eq.6 : EI (x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua

C

1

Substitua a expressão de M(x):

EI

: EI (x) 0 X M(x)dx C 1 Substitua a expressão de M(x) : EI (x)

(x)

X

p 0
p
0
x 3 x 2 Lx L 2 dx 6L 2 2 6
x 3
x 2
Lx
L 2
dx
6L
2 2
6

C

Resolva a integral em x:

EI

(x) p
(x)
p

x 4

x
x

6

3

Lx 2

2

L x

Resolva a integral em x : EI (x) p x 4 x 6 3 Lx 2
Resolva a integral em x : EI (x) p x 4 x 6 3 Lx 2

4

6

24L

a integral em x : EI (x) p x 4 x 6 3 Lx 2 2

C

1

1

Resta-lhe encontrar o valor da constante real de integração C 1 . Isso será feito a partir de uma seção transversal de inclinação conhecida, ou seja, para um par ordenado de variável e função ( x, (x) ) conhecido.

ordenado de variável e função ( x , (x) ) conhecido. Analise a viga, e pense

Analise a viga, e pense em qual seção da mesma, você poderia obter o valor da inclinação, sem realizar cálculos!

Verifique que a seção transversal da viga situada no ponto A, por ser engastada, é impedida de girar! Lembre-se que o engaste restringe tanto deslocamento como giro. Portanto, no ponto A, que possui x = 0, tem-se que = 0.

no ponto A , que possui x = 0 , tem-se que = 0 . Levando

Levando esse par ordenado conhecido (x,

você prossegue com a resolução, conforme descrito abaixo.

(x)) = ( 0 , 0 ) na última expressão de = (0, 0) na última expressão de

Substitua o par (0, 0) na expressão de

(x): :

abaixo. (x)) = ( 0 , 0 ) na última expressão de Substitua o par (

(x) obtida,

29

0 p
0
p

0 4

24L

0 3

L0

2

2

L 0

29 0 p 0 4 24L 0 3 L0 2 2 L 0 C 1 EI

C

1

EI

0

29 0 p 0 4 24L 0 3 L0 2 2 L 0 C 1 EI

6

29 0 p 0 4 24L 0 3 L0 2 2 L 0 C 1 EI
29 0 p 0 4 24L 0 3 L0 2 2 L 0 C 1 EI

4

6

0 C 1
0
C
1
C 0 1 x 4 x 3 Lx 2 L x 2 (x) p 24L
C
0
1
x
4
x
3
Lx
2
L x
2
(x)
p
24L
6
4
6

Calcule o valor de C 1 :

Finalmente, obtenha a função

Calcule o valor de C 1 : Finalmente, obtenha a função (x) : EI Explicitando (x)

(x):

EI

Explicitando

1 : Finalmente, obtenha a função (x) : EI Explicitando (x) você obtém: p x 4

(x) você obtém:

p x 4 x 3 Lx 2 L x 2 (x) EI 24L 6 4
p
x
4
x
3
Lx
2
L x
2
(x)
EI
24L
6
4
6

Sabendo que

x 4 x 3 Lx 2 L x 2 (x) EI 24L 6 4 6 Sabendo

(x) = dy/dx, também se escreve:

p EI
p
EI

dy

x

4

x
x

3

Lx

Lx

2

2

L x

2 L x

dx

24L

6

 

4

6

3 Lx 2 2 L x dx 24L 6   4 6 Cálculo da inclinação no

Cálculo da inclinação no ponto B:3 Lx 2 2 L x dx 24L 6   4 6 Portanto, desejando-se calcular a

Portanto, desejando-se calcular a inclinação da seção transversal situada no ponto B, basta

substituir o valor de x A = L na função

(x): :

x

B

p L 4 L 3 L L 2 L 2 L L B EI 24L
p
L
4
L
3
L
L
2
L
2
L
L
B
EI
24L
6
4
6
pL 3 B 24EI
pL 3
B 24EI

Obtenção da equação da linha elástica:L 3 L L 2 L 2 L L B EI 24L 6 4 6 pL

Agora, continue a resolução para encontrar a equação da linha elástica y(x).

para encontrar a equação da linha elástica y(x) . Veja que bastará integrar mais uma vez,

Veja que bastará integrar mais uma vez, em x, a expressão obtida para (x) = dy/dx, pois esta já contempla o valor de C 1 . Acompanhe, portanto, os passos para a obtenção de y(x):

Valha-se da expressão:

EI

dy x 4 x 3 Lx 2 L x 2 p dx 24L 6 4
dy
x
4
x
3
Lx
2
L x
2
p
dx
24L
6
4
6

Integre toda a equação acima em x:

EI

x 5 x 4 Lx 3 L x 2 2 y p 120L 24 12
x
5
x
4
Lx
3
L x
2
2
y
p
120L
24
12
12

Analogamente à obtenção de C 1 , você calculará C 2 substituindo na expressão um par ordenado conhecido, agora em termos de x e de y(x), pois a função aqui é y!

30

Você constata que o ponto A tem deflexão nula, pois se trata de um engaste! Portanto, o par

ordenado conhecido a ser substituído na expressão de y(x) será: ( x, y(x) ) = (0, 0). Prossiga com os passos para a resolução!

Substitua o par (0, 0) na expressão de y(x):

EI

0 p
0
p

0

5

0 4 L
0 4
L

24

12

0

3

L 2 0 2 12
L 2
0 2
12

C

120L

2

Calcule o valor de C 2 :

0

0 C
0
C

2

Obtenha a expressão final para y(x):

C 2 : 0 0 C 2 Obtenha a expressão final para y(x) : EI C

EI

C 0 2 x 5 x 4 Lx 3 L x 2 2 y p
C
0
2
x
5
x
4
Lx
3
L x
2
2
y
p
120L
24
12
12

Explicitando y(x) você obtém a Equação da Linha Elástica:

p x 5 x 4 Lx 3 L x 2 2 y x EI 120L
p
x
5
x
4
Lx
3
L x
2
2
y x
EI
120L
24
12
12

Cálculo da flecha no ponto B:: p x 5 x 4 Lx 3 L x 2 2 y x EI 120L

Portanto, desejando-se calcular a deflexão da seção transversal situada no ponto B, basta substituir o valor de x B = L na função y(x):

x

B

L
L

y

B

p EI
p
EI

5

L

L 4 L L 3 L 2 L 2 24 12 12
L 4
L L
3
L 2
L
2
24
12
12

120L

Visualização dos resultados:x B L y B p EI 5 L L 4 L L 3 L 2

pL 4 y B 30EI
pL
4
y
B 30EI

Na Figura 17 é apresentada uma representação esquemática dos resultados obtidos. Destaca-se que a curva esboçada corresponde a uma parábola do quinto grau, conforme a expressão de y(x) que foi obtida.

y x B A y B L B
y
x
B
A
y B
L
B

31

Figura 17 Esboço da linha elástica da viga em balanço AB solicitada por uma carga triangular.

viga em balanço AB solicitada por uma carga triangular. Agora é a sua vez Com seu

Agora é a sua vez

Com seu estudo realizado até aqui, é aconselhável que você realize a seguinte atividade:

Atividades de Auto-Verificação da Aprendizagem (1ª à 5ª)

Exemplo 6

A viga ABC suporta uma carga concentrada P na extremidade do balanço (ponto C) vide Figura 18. Pede-se obter:

(a)

a equação da linha elástica para o trecho AB;

(b)

a deflexão máxima que ocorre no trecho AB;

(c) o valor, em mm, da deflexão máxima que ocorre em AB, para uma viga que possua os

seguintes dados elástico-geométricos e de carga:

a = 1,2 m

L = 4,5 m P = 220 kN E = 200 GPa I = 3,01
L = 4,5 m
P = 220 kN
E = 200 GPa
I = 3,01 x 10 8 mm 4
y
P
A
B
C
L
a

x

Figura 18 Representação esquemática da viga ABC solicitada por uma carga concentrada em C.

Resolução:

solicitada por uma carga concentrada em C . Resolução : Obtenção da expressão genérica para o

Obtenção da expressão genérica para o momento fletor:

Para você equacionar M(x) em função da posição de uma seção qualquer S, situada no trecho AB, será necessário calcular a reação de apoio no ponto A, denominada R A .

32

y P A x S B C x R L A R a B Figura
y
P
A
x
S
B
C
x
R
L
A
R
a
B
Figura 19 – Esquema das forças que atuam na viga: reações de apoio e carga P.

O valor de R A pode ser obtido fazendo-se somatório de momentos fletores da viga, em

relação ao ponto B, igual a zero, pois desta forma, não será computado o valor de

, já

que esse não produz momento em B.

R

B

M,B 0
M,B
0

Rde , já que esse não produz momento em B . R B M,B 0 A

A

L P a 0
L
P
a
0

R A

Pa

produz momento em B . R B M,B 0 R A L P a 0 R

L

Com isso, constata-se que a reação em A é uma força orientada para baixo (Figura 20) e, assim, pode-se equacionar M(x) em uma seção S contida em AB:

R A

M(x)

Pa

M(x) em uma seção S contida em AB : R A M(x) Pa L x A

L

x

A Pa x L
A
Pa
x
L

S

Figura 20 Trecho da viga considerado para obtenção de M para a seção genérica S.

para obtenção de M para a seção genérica S . Obtenção da linha elástica em AB

Obtenção da linha elástica em AB (resolução do item a):

Tendo-se a expressão estudada no tópico 4:

dx

2

dx 2 EI

EI

2

d y

M(x)

(Eq.4)

33

Você deverá integrar duas vezes tal equação diferencial, para obter a expressão de y em função da variável x.

EI

d y 2 Pa x dx 2 L
d y
2
Pa
x
dx
2
L
EI
EI

dy

dx

Pa

da variável x . EI d y 2 Pa x dx 2 L EI dy dx

2L

x

2

Cvariável x . EI d y 2 Pa x dx 2 L EI dy dx Pa

1

Pa

EI y
EI
y

6L

x

3

Dessa forma escreve-se a equação da linha elástica:

y

x 3 Dessa forma escreve-se a equação da linha elástica: y Pa 6LEI C C x

Pa

6LEI

C C x 3 1 x 2 EI EI
C
C
x
3
1
x
2
EI
EI
C x 1
C
x
1

C

2

Para o cálculo das constantes de integração C 1 e C 2 , você utilizará das restrições de deslocamentos referentes aos apoios A e B, que impedem a viga de transladar:

Ponto A: (x = 0; y = 0)

Ponto B: (x = L; y = 0)

Ponto A : ( x = 0 ; y = 0 ) Ponto B : (

0

Ponto A : ( x = 0 ; y = 0 ) Ponto B : (

0

A : ( x = 0 ; y = 0 ) Ponto B : ( x

Pa

6LEI

Pa

x = 0 ; y = 0 ) Ponto B : ( x = L ;

6LEI

C

C

0 3 1 0
0
3
1
0

2

EI

EI

0

C

L 3 1 L
L
3
1
L

EI

EI

C 0 2 PaL C 1 6
C
0
2
PaL
C 1
6

Reescrevendo a equação final da linha elástica, tem-se:

6 Reescrevendo a equação final da linha elástica, tem-se: y Pa 6LEI x 3 PaL 6EI

y

Reescrevendo a equação final da linha elástica, tem-se: y Pa 6LEI x 3 PaL 6EI x

Pa

6LEI

x 3
x
3

PaL

6EI

x
x

y

final da linha elástica, tem-se: y Pa 6LEI x 3 PaL 6EI x y Pa 6EI

Pa

6EI

x 3 Lx L
x
3
Lx
L

Deflexão máxima que ocorre em AB (resolução do item b):

Dada uma função, para que se obtenha seu valor máximo é necessário derivá-la e igualar sua primeira derivada a zero. Lembra-se que recordamos isso nesse capítulo?

Portanto, fazendo a primeira derivada de y (dy/dx) igual a zero, chega-se a:

dy

dx

Pa x 3 d Lx 6EI L 0 dx
Pa
x
3
d
Lx
6EI
L
0
dx
a zero, chega-se a: dy dx Pa x 3 d Lx 6EI L 0 dx Pa

Pa

6EI

L
L

3x

2

L

0
0

Com isso, a deflexão máxima em AB é:

x 0,577 L
x
0,577 L

34

y máx

34 y máx Pa 6EI L 0,577L 3 0,577L L y máx 0,0641 PaL 2 EI

Pa

6EI

34 y máx Pa 6EI L 0,577L 3 0,577L L y máx 0,0641 PaL 2 EI

L 0,577L

34 y máx Pa 6EI L 0,577L 3 0,577L L y máx 0,0641 PaL 2 EI
3
3

0,577L

L

y máx
y
máx

0,0641

PaL

2

EI

Finalmente, calcula-se o valor da deflexão máxima solicitada no item (c), substituindo os dados na expressão encontrada acima:

y

máx

substituindo os dados na expressão encontrada acima: y máx 0,0641 220 10 3 N 1,2 4,5

0,0641

220

10os dados na expressão encontrada acima: y máx 0,0641 220 3 N 1,2 4,5 2 3

3

N

1,2
1,2
4,5
4,5
2
2

3

10 mm

3

10 mm

200 10 9 N 3,01 10 mm 6 2
200
10
9
N
3,01
10 mm
6
2
N 1,2 4,5 2 3 10 mm 3 10 mm 200 10 9 N 3,01 10

8

10 mm

4

y máx

y máx 5,7 mm

5,7 mm

200 10 9 N 3,01 10 mm 6 2 8 10 mm 4 y máx 5,7

Agora é a sua vez

DEPOIS DE TER ESTUDADO E APRENDIDO ESSA 6ª APLICAÇÃO, É ACONSELHÁVEL QUE VOCÊ DESENVOLVA A SEGUINTE ATIVIDADE:

Atividades de Auto-Verificação da Aprendizagem (6ª)

Exemplo 7

Para uma viga em balanço carregada conforme esquematizado abaixo, pede-se obter o valor da flecha que ocorre na extremidade do balanço (ponto C), por ocasião da atuação conjunta das cargas P 1 e P 2 . Vide Figura 21.

Sugestão: faça os cálculos utilizando a Superposição de Efeitos, ou seja, dividindo a viga em duas (pois têm-se dois carregamentos distintos), calculando cada uma e somando seus resultados de deformações. Para isso pode-se utilizar as tabelas constantes no anexo deste capítulo.

y P 1 P 2 A B C a b L
y
P 1
P 2
A
B
C
a
b
L

x

Figura 21 Esquema da viga em balanço ABC com duas cargas concentradas.

Resolução:

35

Neste caso, é conveniente você dividir a viga em duas situações de carregamentos (ficando cada uma solicitada por uma carga concentrada) e somar seus deslocamentos ocorridos em

C. P P 1 2 A B C a b L Situação I: ( =
C.
P
P
1
2
A
B
C
a
b
L
Situação I:
(
= )
P
2
A
B
C
Situação II:
(
+ )
P
1
A
B
C

Figura 22 Divisão da viga inicial em duas vigas com apenas uma carga concentrada cada.

Primeiramente, analise a flecha que ocorre em C na Situação I (vide Figura 23).

Situação I:

L A C
L
A
C

P 2

y C
y
C

36

Figura 23 Flecha em C devida à carga concentrada P 2 .

Neste caso, como visto no 1º exercício de aplicação, o valor da flecha na extremidade do balanço vale:

P L 3 y 2 C 3EI
P L
3
y
2
C
3EI

Em seguida, analise a flecha que ocorre em C na Situação II (vide Figura 24).

Situação II:

P 1 a b B A y C B B B . b
P
1
a
b
B
A
y
C
B
B
B . b

Figura 24 Flecha em C devida à carga concentrada P 1 .

Sob o efeito da carga P 1 , o deslocamento do nó C ocorrerá devido ao deslocamento do nó B somado ao deslocamento do nó C, produzido pelo giro do nó B. Perceba que no trecho BC,

a elástica é uma linha reta, cuja inclinação é o valor da rotação que ocorre no nó B.

Ou seja, o deslocamento total do nó C é a soma das parcelas devidas ao deslocamento real do nó B:

P y 1 B
P
y
1
B

a

3

3EI

e o deslocamento ocorrido em C decorrente do giro

B :
B :
B
B
e o deslocamento ocorrido em C decorrente do giro B : B tg B y x

tg

B
B

y

deslocamento ocorrido em C decorrente do giro B : B tg B y x y B

x