ISSN 1413-389X Temas em Psicologia - 2010, Vol.

18, no 2, 385 – 398
 

Reflexões sobre o sofrimento humano e a Análise Clínica
Comportamental

Fátima Cristina de Souza Conte
PSICC - Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento – PR – Brasil

Resumo
O sofrimento, presente ou potencial, é o que motiva as pessoas a buscarem psicoterapia. Skinner
(1974/1993) já afirmava que a Análise do Comportamento era capaz de contribuir com a intervenção
científica frente ao sofrimento humano. Hoje ela conta com conhecimentos mais amplos,
principalmente sobre o comportamento verbal e a linguagem, que permitem aos clínicos procederem a
análises mais complexas das peculiaridades, especificidades e do processo de desenvolvimento do
sofrimento que cada indivíduo apresenta. Esses conhecimentos também dão suporte à estruturação de
estratégias terapêuticas de avanço, destinadas ao seu enfrentamento. Com base na premissa de que o
sofrimento humano é um fenômeno complexo, essencialmente verbal e, portanto, único para a espécie
humana, o presente estudo propõe-se a discorrer sobre seu processo de desenvolvimento,
apresentando aporte teórico e estabelecendo relações entre este desenvolvimento e o sofrimento
imbricado nos problemas que os indivíduos trazem para a clínica. A partir disso, descrevem-se
rapidamente duas propostas terapêuticas behavioristas radicais – ACT e FAP – estruturadas sobre os
mesmos pilares teóricos e que representam avanços relevantes na Terapia Comportamental. Pretende-
se, assim, dar uma amostra do conhecimento produzido e da ampliação qualitativa de recursos que se
dá com a sua extensão à análise clínica comportamental.
Palavras-chave: Sofrimento humano, Análise clínica comportamental, Terapia comportamental.

Reflections about human suffering and clinical Behavior Analysis

Abstract
Suffering, potential or present, is what motivates people to look for psychotherapy. Skinner
(1974/1993) had already stated that Behavior Analysis was able to contribute to the scientific
intervention towards human suffering. Today, Behavior Analysis’ deeper knowledge, especially over
verbal behavior and language, allows therapists to run more complex analysis regarding suffering
peculiarities, specificities and its development process presented by each individual. This knowledge
also supports the building of advancement therapeutical strategies, designed to its confrontation.
Based on the premises that human suffering is a complex phenomenon, essentially verbal, and,
therefore, unique to the human species, the present paper proposes a discussion about its development
process, presenting the theoretical approach as well as establishing links between it and the suffering
related to the problems that individuals bring to the clinic. From that point, the study also describes,
briefly, two radical behaviorism therapeutic proposals - ACT and FAP – which were structured over
common theoretical basis and represent relevant advancements in Behavior Therapy. By doing so, it
is intended to show a sample of the knowledge produced as well as of the qualitative increase of
resources which derives from its extension to Clinical Behavior Analysis.
Keywords: Human Suffering, Clinical Behavior Analysis, Behavior Therapy.

Segundo Hayes e Smith (2005): suas emoções e pensamentos difíceis,
suas lembranças desagradáveis, e suas
As pessoas sofrem. Elas não têm
necessidades e sensações não desejadas.
simplesmente dor – o sofrimento é muito
Elas pensam nisto e se preocupam com
mais que isso. Os seres humanos lutam
isto, têm ressentimento disto, antecipam
contra suas formas de dor psicológica;
e temem isto (...) ao mesmo tempo
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entre Como ajudar clientes que procuram a clínica tantas outras respostas humanas possíveis. vai descrevendo sua análise do comportamento permitem hoje ao submissão aos comportamentos agressivos e psicoterapeuta. um ex- clientes. sendo. compreender já os . mas motivo para tais reações. autoconfiança por não ter passado no O presente estudo tem como propósito vestibular. ao em busca de alívio para seu sofrimento? mesmo tempo em que relatam. de conhecimento e extensão de sua aplicação à desencanto com o mundo e perda da clínica. Sente que a vida foge ao seu sobre o sofrimento humano. notável de seguir em frente mesmo a idiossincrático. o terapeuta recebe as sofrimento. pensamentos. Aos interpretação clínica que os conhecimentos em poucos. atendimentos clínicos realizados. o que lhe traz ansiedade e medo. segundo a comportamento já era capaz. 1). Já seus determinantes e às propostas de Paula. Mais do que a simplificação. E. C. fenômeno altamente complexo e verbal. teria a função e o poder de retirá-lo deste Nesse momento. Os clientes também reagem psicoterapia assumisse. tensão e insônia. já que quem faz o certo não consegue o comportamental da compreensão atual da área. F. “a vida não faz mais apresentar uma reflexão analítico- sentido. Não se ansiedade. Mesmo sabendo que podem se machucar.386 Conte. um rapaz de por exemplo). que deseja”. que tem que. sentimentos. no que se refere a controle. Acha que não tem busca aqui uma análise teórica extensiva. amigos e tudo o mais. de contribuir significativamente para faz dá amostras das contingências às quais foi a análise científica do sofrimento e para a sua ou está sendo exposto. Alfredo. com base em seus responde e do repertório comportamental que estudos e de outros relevantes (Ferster. eles se preocupam com o possíveis determinantes seu futuro. emoções. profunda compaixão e uma habilidade dessa forma. tendências Como entender o comportamento humano. reações semelhantes às ocorridas nas situações independentemente da modalidade que a que o originaram. despeito de suas histórias pessoais difíceis. Mesmo sabendo da falta de sentido em muitas coisas da vida. queixa-se de intervenção clínica que daí decorrem. atribuições causais. Por exemplo. enquanto que Paula pode ter sido pouco estimulada a discriminar tal                                                         estimulação e relacioná-la às suas respostas 1 As vinhetas aqui apresentadas são baseados em emocionais. Indicava também que a ciência do informações que são importantes. Ao falarem de seu sofrimento. uma vez que tem um sim a demonstração do exercício de bom trabalho. que suas respostas ao que foi vivido. 1979. naquele momento ótica do cliente. seu próprio relato. queixa-se de sua depressão e tristeza. sem entender o porquê. apresenta. e sem perceber. Desde então. sofreram e. sendo que as informações que poderiam identificar seus Os clientes querem parar de sofrer e protagonistas foram alteradas. S. em 1953. chamando- considerações teóricas e vinhetas de casos a para trabalhar com ele! Pode-se considerar clínicos 1 . respondem ao Em suas primeiras análises. os analistas do comportamento 17 anos. provavelmente Alfredo aprendeu a reagir sido atribuída erroneamente a essa perspectiva. o terapeuta. Mesmo sabendo que vão cliente à compreensão de seus morrer um dia. de forma mais intensa e generalizada à o sofrimento humano é analisado enquanto estimulação aversiva. podendo apresentar ou não Skinner (1974/1993) já afirmava que. único para a espécie humana e. de maneira a garantir querem compreender por que sofrem ou a sua privacidade e anonimato. respostas públicas aos tão complexo e aparentemente tão paradoxal? eventos privados. da estimulação à qual superação. extremamente bem sucedido nos escreveram uma história profícua de produção estudos. os humanos amam outros O sofrimento humano: da queixa do humanos. e para tanto. no processo de ajuda aos seus moralmente abusivos de seu chefe. para a maioria. A seleção e a forma como o histórico. o que pode afetar o próprio relato e juntamente com um ouvinte. comportamentais. Para ele.  demonstram uma enorme coragem. serão apresentadas colega de faculdade que a “ajudou”. ouvinte. os clientes abraçam ideais (p. podem incluir sensações corporais. estava presente ali a às consequências que seu relato produz no ideia de cura e a presença de alguém que sofre.

Com essas e outra observações. os analistas do apresentavam respostas de chorar. 180-181) A dor é a primeira estimulação que se e que “a raiva produzida por certa circunstância relaciona ao sofrimento. com base no paradigma sobrevivência da espécie. Jacobson. a depender da história dor. Exemplos disto respondente. que eventos Millenson (1967/1976) relata observações privados são ecos. indica que alguma estimulação de ampla variabilidade no conjunto de nociva ao organismo está ocorrendo. Follette e Dougher implicações na determinação do sofrimento (1994). podem ser ou não nocivos ou que têm Hayes. parecem provocar. desconforto. bater as mãos e os contemporâneos entendem que todos os braços. 190) ele. “mesmo uma emoção aparentemente bem consequências que fortalecem os marcada. Segundo teria uma vantagem na seleção natural” (p. movimentarem sua cabeça ou quando seus los e relatar. afirmam. o indivíduo também responde a de vida de cada um. restrição e a outros estímulos que no processo de mudança. comportamento que os precederam e seus enrijecer o corpo. levantar e abaixar as pernas e prender a comportamentos mencionados no relato. são resultados de contingências braços eram presos junto ao corpo. à sobrevivência. a concluiu que. muita agitação e ataque aos outros animais comportamentos que se modificam presentes. ao estudar agindo pela esquiva” (p. que foram úteis para a tal autor a considerar. a mesma estimulação . adultos. dentre elas a dor. Para Skinner. aumentasse a força da chamamos de “ameaça” de ferimento. Ou seja. como a introdução de estimulação chance do organismo de ser cuidado por aversiva ou impossibilidade de sua retirada. dentre outras ou impedimento de obtenção de reforçadores respostas incondicionadas. Assim como eles. como ilustrado em seguida para a a questão do sofrimento humano na última raiva. selecionaram respostas. golpear. operantes e respondentes condicionados. organismo. Todo o intensificação e variação de respostas e. ter esperanças e colaborar desconforto. que tais reações poderiam ser podem ser encontrados nos bebês. dado o emparelhamento de estímulos e às gerando e mantendo respostas de raiva. uma dada estimulação só poderia ser e que também obteria vantagens em “fugir de considerada aversiva se a sua remoção fosse estímulos aversivos condicionados que reforçadora. um único conjunto de operações” (p. resposta que a retira. bem respiração quando eram impedidas de como o próprio comportamento de selecioná. retirada sucção frente à estimulação oral. em consequência da retirada de continuamente. seja ela determinantes dos estados emocionais e da proveniente do ambiente externo ou do próprio singularidade do sofrimento de cada indivíduo. que aumentam a positivos. ontogenéticas e culturais às quais também que animais tendiam a apresentar o indivíduo esteve e está exposto. e nem toda a estimulação difícil provar que um organismo reforçado pela que gerasse dano seria. 194). como a raiva. a aversividade de um estímulo a função da dor é proteger a integridade física. além da as emoções. reforçadores positivos. isto é. compõe-se de respostas e elas. o sobressalto frente a sons altos. necessariamente. dolorosa ou sentida como aversiva. metaforicamente. portanto. como o descritas como raiva. também indicam a probabilidade selecionada. não seria definida por suas características Skinner (1974/1993) menciona que “não é físicas. reflexos de nossa história de de Watson nas quais crianças muito pequenas vida. Através de processos de aprendizagem. juntamente com a sensibilidade do organismo outros estímulos podem ser condicionados. As contingências filogenéticas portanto.Sofrimento e Análise do Comportamento 387 leva a sofrer menos. Vários estímulos. década. As consequências de suas ações. dentre sofrimento. poderia não ser a mesma produzida por outra” a resposta de “dor”. pode não ser redutível a comportamentos estão relacionadas. Segundo Lent (2001). gritar. Observou filogenéticas. Conforme afirma Angelotti (2001). simplesmente. Mas. o que levou incondicionados. a luta e a fuga. geralmente reflexos incondicionalmente. filogeneticamente (p. Banaco (1999). propõe que. estudiosos que têm focado diretamente humano. ou seja. 180-181). tanto a impossibilidade. conforme observações de Skinner (1974/1993) de que afirmado por Bijou e Baer (1961). eliciada pela restrição chorar em situações de dor física ou corporal. uma única classe de respostas ou atribuível a inicialmente. Elas funcionam como condição prévia tendiam a provocar respostas típicas de raiva e para o desenvolvimento de comportamentos luta. remoção de certas condições.

prantos e disse: “agora ele vai ficar mais mais uma vez. escritas. Como se diz animal).388 Conte. imaginando que o ratinho pudesse humano. O comportamento verbal operante e perda do ratinho em si (retirada de estímulo a linguagem permitem a cada indivíduo tanto reforçador positivo lúdico). ao generalizar o que O sofrer humano: as armadilhas do sentia para o que o rato poderia sentir comportamento verbal e da (comportamento empático aprendido). outro fato que geraria sofrimento a todos. aprendizagem em situação de reforçamento Passado o enterro e o choro. estabelecer relações arbitrárias entre estímulos dentre outros. Através processo. Essa constatação fortalece. incondicionada. no fosso do animais. De No entanto. podem ter suas funções dissimilares. ele já perdeu o irmão dele e contingências atuais sobre um comportamento agora o Felipe ainda fica falando isso pra se dá de forma combinada com o que foi ele!”. só é conhecimento da história de cada organismo possível ao homem e não ao rato. de maneira especial. F. que estuda o desamparo em animal caísse. Por esse decorrência de processos verbais. Esses estão suposição de que a criança sofreu muito mais relacionados ao comportamento verbal e à por ser verbal. por acidente. produzido pelas contingências passadas.  poderia provocar tanto a raiva. e. entre linguagem outros. tendo chorado muito. Felipe. a observação de que o efeito de traumatizado. sons. a Nesse episódio. outras similares de irmão havia morrido! Paulo caiu novamente em controlabilidade. o sofrimento descreviam. quanto favorecer o humanos e rapidamente generalizado ao desenvolvimento do sofrimento. por ter já aprendido que humanos popularmente no Brasil. C. na presença de Paulo. tem mel e tem ferrão”. de 7 anos e Paulo. determinam. como se descreve a seguir: pela linguagem. pela retirada de seu acelerar o seu desenvolvimento objeto de apego afetivo (já aprendido para comportamental adequado. A autora observou que possibilidade de gostar de outro bichinho que a sua ocorrência era menos provável em mãe poderia lhe trazer. arbitrariamente. mais. uma vez que não tinha sido submetido a experiências de morte de pessoas relevantes de seu entorno). indiretamente. podemos atribuir funções. segundo Sidman (1994). encontramos vizinhança. torna-se mais classe funcional decorre de vários treinos complexo e ampliado de forma especial em prévios de aprendizagem operante. Após um dia de e relato diferenciado. O Este sofrimento. antes dessa experiência próprio ratinho. e responder funcionalmente a eles e às mesmas. um dos meninos deixou que o seu Hunziker (1997). similar sobre comportamentos ou respostas da Comecemos a análise exploratória com um mesma classe e. S. estímulos arbitrariamente relacionados como como demonstram os estudos. sem treino prévio direto. sendo este definido como a classe elevador. que seu de incontrolabilidade. e com Paulo negativo após exposição prévia a estimulação mostrando-se já mais conformado com a aversiva incontrolável. um filhote de hamster. havia e era socioverbal. podem transferir sua exemplo simples. é verbal. fato. Começa pela fuga e esquiva reagir a eles de forma similar. “palavras são como sofrem ao perder um irmão (nesse caso. amplia-se através do O comportamento de responder a condicionamento operante e respondente e. como a tristeza meio. as palavras desses processos. de 3 anos e são os processos de formação de classes de . e passam a exercer controle de forma similar. Reagiu às possibilidade de uma tendência palavras do irmão como se houvesse agora comportamental. além de todos esses processos. abelhas. desenhos e seus referentes. que é verbal. pode-se levantar a particularidade de seu sofrimento. Felipe diz ao seu indivíduos que tiveram. mas capaz os humanos são capazes de realizar outros que somente de causar sofrimento aos humanos. mas a criança pode ajudar a levantar suposições sobre a provavelmente ainda não sabia disso. cuidados e passeios com os mascotes pela Nesse mesmo caminho. Uma mãe deu a cada um dos função a outros estímulos continuamente. Esses filhos. estabelecer relações entre relações transferidas de outros estímulos. por reagir da mesma maneira aos fatos acima mencionados e às palavras que os O sofrimento psicológico. Aparentemente Paulo sofreu com a comportamental que se refere à dificuldade de perda do seu bichinho. como ele já da dor física ou de outra estimulação aversiva conseguia.

processos de generalização e de equivalência. como mais esquivas. as aqui. Assim. Barnes. relacionais arbitrárias. socioverbais arbitrários. Segundo tais ocasião para nojo. pode-se intuir a ocorrência de avaliação negativa que. pode-se imaginar que tais redes Contudo. segundo informação da cliente. Mencionou que uma contingência operante e também o . Com o passar do tempo. mas aprendeu a induzir Realizando estudos a partir das vômito em outras situações nas quais sentia descobertas sobre equivalência. passou a mais complexas e. uma pessoa de quem gostava muito. Esse o fazia de forma que o episódio provocação de sofrimento físico. Desenvolveu comportamento de já descrito. no decorrer da vida Marina. foi tratada e processos de equivalência e de quadros melhorou. Hayes. não se comportamentais de sofrimento.Sofrimento e Análise do Comportamento 389 equivalência propostos por Sidman (1971) e passou um bom tempo sem lembrar-se dos Sidman e Tailby (1982). além da transferência de funções. Teve diagnóstico transformação de funções dos estímulos. que. “simbólico” e do sofrimento humano. posteriormente. a qualidade de vida dessa cliente posteriormente. Provavelmente. vômitos e outros acidentais não promovessem uma mudança de respondentes desagradáveis. Nesse estaria muito comprometida. verbal e indiretamente. já adulta. na formação das redes essa estimulação fez com que respostas de fuga comportamentais de sofrimento. poderia ter havido uma transformação do palavras estabelecem uma autonomia e criam valor reforçador positivo inicial da interação. direção. as lembranças controlar determinada resposta é abstraída a sobre o ocorrido passaram a promover reações partir de dicas contextuais sociais arbitrárias. formando redes comportamentais complexas e inicialmente tal concepção verbal não foi forte extensas de muito sofrimento. reforçando de alívio de culpa sentida por sentir prazer assim seu comportamento de colaborar com a sexual e felicidade no relacionamento com o sua ocorrência. evitando. pode ocorrer também a vômito e autoconceito ruim. por reforço negativo. “desconforto e coisas propuseram a Teoria dos Quadros Relacionais e erradas” configuravam-se também como o responder relacional arbitrário. abusiva. até a idade adulta. mas. Em conjunto. preditiva. favoreceram a ocorrência de respondentes e junto com o desenvolvimento de respostas respostas fisiológicas aversivas. Como dito por Hayes et al. culpa e esquivas e autores. nojo e vômito e esse último trazia alterando a função dos elementos que compõem alívio e cessava as lembranças. de culpa. na sequência. procurou terapia porque Em decorrência desses processos. aprendeu. um mundo simbólico à parte. (2001). seu noivo. Se a suposição o suficiente para fazer cessar seu hipotética aqui explorada tiver validade comportamento de colaborar. o e esquiva da interação e das reações responder relacional. oportunidades de abuso. vômito. por sua vez. descolado e que (no caso. O caso de uma lembrava dos episódios de abuso sofridos na cliente adulta pode ajudar a ilustrar esse infância e tinha desenvolvido um padrão processo. fortalecem encadeamentos e/ou amplas redes Na ocasião da busca de terapia. ser definido como uma resposta de abstração. à medida que continuou a tenderiam a ampliar-se e tornar-se cada vez submeter-se a tais práticas abusivas. segundo os autores. Esse último. a compete com as contingências. mas agradável à criança). Os de bulimia na adolescência. noivo. que a dessa cliente. episódios de abuso. dentre eles. desconforto e também quando fazia coisas Holmes e Roche (2001) e Hayes (2004) “erradas”. os episódios de vômito desenvolvimento do comportamento voltavam. pode desagradáveis ocorressem. verbal. caso contingências apresentar. sem eliciar respondentes e evocar comportamentos motivo. durante o relacionamento sexual com de fuga e esquiva. e ruim. fosse muito agradável à criança. caso. pode-se propor a interpretação de que. e. mas em vários momentos relacionais estariam imbrincados no estressantes da sua vida. estímulos recentemente machucava-se em várias verbais podem desenvolver funções aversivas. sob controle de contextos auto-observação frequente de seus “erros”. Em sua infância. Marina na qual a propriedade do estímulo que passará a relatou que. comportamental generalizado de fuga e esquiva Marina fora abusada sexualmente por um de sofrimento psicológico através da vizinho. por muito tempo. Marina. E o processo não terminou aí. Nesse exercício partir da presença de estímulos verbais de de interpretação. situações e estava “procurando judiar-se”. uma série de estímulos verbais e situação à qual se submetia era “muito errada” não verbais se sobrepuseram e se combinaram.

Inicialmente. Luiza. Quanto mais precoces. respondia prioritariamente.390 Conte. o desenvolvimento do externa. a qual estar sob a influência de tal classificação. tendo seu validar o relato do que ocorre privadamente. Estava concordando experiências de invalidação do sofrimento. um repertório que inclui e implica na desenvolveria a habilidade de ver seu próprio experienciação e na presença de sentimentos e comportamento em perspectiva. quando ocorre um processo de classificações ou rótulos um valor e um desenvolvimento “normal” e não “patológico”. ainda. repetidas e o namorado havia observado esse seu modus aversivas as experiências de invalidação.  processo de aprendizagem operante comportamental maior (relativa ao responder propriamente dito. mais operandis e passara a puni-lo. afirmam Kohlenberg comportamento das pessoas relevantes com as e Tsai (2001). a despeito de então. agora. estaria sendo mantida. pois este era o desejo daquele. próprias ações. segundo Kohlenberg e Tsai (2001). muito tímida e com poucos independente do comportamento que está sendo amigos. Quando ele não se agindo de maneiras diferentes em contextos está adequadamente fortalecido. provavelmente não O Self emerge através do fortalecimento e aprendera a responder apropriadamente ao “seu nesse processo. pode significar ou indicar ao cliente a Kohlenberg e Tsai (2001) propõem que o “essência do seu ser”. a validação social do relato da mundo privado”. F. reforça-se a pois. Por esse processo. “para agradar” a seu pai. “sendo”. crescera com pais divorciados e em emitido e visto. Poderia. podem gerar Nesse caso. agia como sendo “meio Quando a comunidade verbal pune. uma jovem comportamento de ver-se e avaliar-se como adolescente. Para publicamente observáveis e. sem discriminar a estimulação seres verbais e os levam ao sofrimento privada. vestia-se e correspondência entre o relato e estímulos comportava-se como uma “menininha”. vestia-se e mostrava-se aprendido o “relatar confiável”. poderia se pensar que a relevante. primeiro namorado. Nesse contexto. em si mesmos. E esse “eu” a que o terapeuta tem diferença da situação atual para a anterior era a acesso muitas vezes vem rotulado ou de que havia agora apenas uma fonte de classificado de uma dada forma e pode também estimulação externa (namorado). acusando-a de deletérias ao desenvolvimento do Self. passa-se a uma “pequena executiva” e agora. Um cada comportamento emitido. gerada essencialmente pela presença e Self pode ser prejudicado. sem perder sua saber quem somos e nos confundir ou fundir a perspectiva e senso de unidade. O cliente vem à clínica e repertório de “ter personalidade”). passou a ser opositora ao como em vários casos de abuso à criança. punk”. seu comportamento era respostas da criança que ocorrem sob controle fortemente controlado pela estimulação de estímulos privados. de “ver-se” em continuidade. Sentia-se muito confusa e criança sobre seu ver e “ver-se vendo” é sofria sem saber quem era “verdadeiramente”. então. as armadilhas que cercam os generalizada. podemos não semelhantes ou diversos. C. ele conhece sobre si mesmo e considera Aparentemente. com isso e. depois. em os “modismos” sociais agregam a determinadas paralelo a essa. a criança seria reforçada a ainda mais sofrimento ao cliente e afetar um responder diferencialmente a estímulos do importante repertório altamente privado que se mundo físico. impede ou ridiculariza a fala ou outras Aparentemente. enxergar-se como “dis-fundida”. ou seja. e. seu psicológico vão além. já se tendo “deixar a mãe feliz”. quais estava em interação. fortemente à estimulação externa de forma No entanto. unicidade e igualdade. tendo-se como sensações. fugir controle dos pais. o seu “verdadeiro eu” Self emerge como uma unidade funcional a e/ou a “causa” dos seus comportamentos ou partir de unidades verbais maiores. da variação comportamental que possa ser diferente do comportamento que realiza e ver- apresentada pelo indivíduo. a partir organização. Em “não ter personalidade”. Nesses episódios ou frente a . marco de referência funcional. Só não percebia que a classe impossível. o seu “mundo privado”. componente geral e importante do Self seria o Por exemplo. que agora dá ao seu terapeuta as informações sobre o que lhe era aversiva. o que o ou esquivar-se fisicamente do abusador é namorado queria. com a problemas. abertas e encobertas e qualquer Self. Segundo seu relato. às suas denomina Self. ignora. é outra estimulação encoberta. julgamento que. conflito. O contexto socioverbal e até mesmo aquisição da linguagem pela criança e. fundamental. às ações das pessoas. S.

e que tais repertórios ou pessoas “convivem”. A lógica verbal do senso comum Hayes (1987) observou que seus clientes relacionada à solução de problemas emocionais acreditavam que seus problemas psicológicos e ao consequente padrão de esquiva emocional eram causados por suas cognições. sem que ocorressem. conforme afirma repertório que une tais “pessoas”. alterar. e esquiva. por essa possibilidade de acreditavam que este era a causa de seus ocorrência. propiciar tal auto-observação em perspectiva. muitas emoções ou incompatíveis. resolvem problemas e o sofrimento decorrente como. provavelmente estímulos verbais se combinam fugir ou mudar diretamente eventos privados. deveriam remover o Wilson e Soriano (2002). quando falhavam em são formadas por estímulos socioverbais conseguir tal feito. de fato. entorpecimento emocional. mesmo parecendo ser incoerentes Além disso. Tais repertórios. Por exemplo. fugas. as sensações corporais. o que há a se fazer. afetando o “senso de Self” pedra no sapato fere o pé. se uma ou estar ausente. é mais ainda. agregam-se mais fontes de sofrimento para o qual só há uma saída: a O Self poderia ser compreendido como um esquiva e fuga dos encobertos. Exemplos de esquivas 2001). dada a miopia. Vendo-se presos. tais como regras e conceitos seu repertório global. uma série de eventos contextuais respondentes condicionados. Para Hayes (1987). Ficam os problemas encobertos eram passíveis de metaforicamente presas em gaiolas cujas barras controle direto e que. Sofrendo por aceitar as máximas esquiva de ambientes. na ampliação de socioverbais. desagradáveis. experienciais incluem tentativas de supressão de pensamentos. viver “presos” ao sofrimento verbal arbitrariamente então de maneira feliz. colaboram para a peculiaridade do reforçadores positivos em sua vida e o aumento sofrimento humano e para os processos de fuga do seu bem-estar. Juntamente com negativo que as mantém. em longo prazo. foi acima exposto. intrusões. Tais respostas de culturais sobre encobertos fuga e esquiva tendem. etc. identidade e com respostas relacionadas aos emoções. consideravam-se arbitrários. Contudo. sensações e que se estabelece faz com que as pessoas se emoções desagradáveis. Assim. (o equivalente à pedra no sapato) é “diferentes contingências constroem diferentes preciso que haja exposição às contingências pessoas. 44). Ainda. possivelmente dentro da mesma pele” ambientais apropriadas. em problemas. ou seja. dos que o indivíduo se exponha às contingências quais o que se descreverá em seguida é que poderiam ajudar na extinção de seus inseparável. é provável que outros faziam aqui um paralelo com a forma como se comportamentos de fuga e esquiva aconteçam. a descrever e socialmente de que se resolvem os problemas analisar a experiência vivida. De acordo com afetando suas causas. (p. esquiva experiencial. para afetar Skinner (1974/1993) afirma que encobertos. Hayes observou que construído. a As armadilhas verbais do sofrimento fortalecer o sofrimento. por exemplo. postulavam que sintam impedidas de viver. descrita associada à outra regra generalizada com o comportamento verbal. desagradáveis são consideradas ruins em si nada mais são do que classes comportamentais mesmas ou julgadas moralmente ruins em com função adaptativa em diferentes contextos nossa cultura. direta e permite a antecipação de sofrimentos futuros e prioritariamente. aprende-se. . no presente. esquiva de “emocionar-se”. os analistas do comportamento sabem que. da presença de arbitrários. somente após a remoção gaiolas abertas. uma vez que erroneamente sofrer. como se isso não bastasse. poderiam voltar às situações por verem o que perderam e que poderão perder que os geravam e. para as quais têm as chaves! pessoalmente incompetentes. com emoções e sensações de integração e como por exemplo. retirá-la. Somando-se esse aspecto ao que e contingências. os humanos sofrem também desses encobertos. Esta é definida como tentativa de evitar. como por impedirem os processos mencionados anteriormente. fantasiar ser outra pessoa de estimulação física. essa é a condição que “sofrimento encoberto”. Pela lógica acima E. pensamentos e lembranças processos perceptivos (Kohlenberg & Tsai.Sofrimento e Análise do Comportamento 391 lembranças. tanto pelo reforçamento humano vão ainda mais longe.

ansiedade e apresentar muitas processo. onde continuou com despeito das consequências (mesmo que sua prática de esportes. S. processos de intervenção clínica analítico. medicado e encaminhado parâmetros do quanto estaria “certo ou errado” para terapia..392 Conte. na piorando e agora tinha medos que nunca tivera tentativa de ilustrar uma das possíveis e dentre eles. sem muita melhora. o que o ajudara a ter Transtorno Bi-Polar. para o ambiente de trabalho e mencionados. Durante e a ironia com que lidavam com seus toda a sua vida percebera sua mãe como vítima encobertos. inclusive igualando seus davam todas as oportunidades e uma vida comportamentos aos que detestavam no outro confortável.. invadido e dividido”.. era prazerosa e que também promovia sua fuga De acordo com Patrick. agradável e bem No decorrer do processo. o que fugiria ao propósito deste estar julgando-se por ter reações que aprendera pequeno estudo. durante a infância e adolescência. os negócios da ansioso. Sua fala era algo compreensões que um clínico pode ter sobre o como “sinto-me mal por isso. outro sobre mim. Segundo seu relato. F. não perceber. Procurou do comportamento dos pais e das demais psiquiatra e foi identificado como tendo pessoas sobre ele.. usava muitas também de praticar os esportes. tão fortes. não sou competente”.. C. vivera Destacou que eles não o ouviam e o criticavam entre pais em conflito permanente e que lhe todo o tempo. vivida na infância e na todos os processos comportamentais adolescência. Questionado por ela sobre isso. cônjuge. a prática de esportes não era relevante. fazia graduação quando seu pai morreu e ele foi esportes. a condenar. foi apresentável. jamais admitindo que estivesse de um marido agressivo.  Repercussões para a Análise Clínica outro profissional. pois. desde muito desânimo. por algum tempo. estaria generalizando a aversividade se promoveu aqui uma exploração detalhada de do contexto familiar. foi cursar certo em seus sentimentos e opiniões. aos poucos.. sem identificar as contingências que a geravam.. que. já tarefas relacionadas ao trabalho. Não era o que pretendia tão pais. de certa forma. segundo Comportamental e considerações o seu relato. julgando-se e sendo julgado pela cedo. inteligente. como se não sofrimento de seus clientes com a ajuda de fosse ninguém e incapaz de controlar minha conhecimentos atuais sobre o comportamento ansiedade e meu desânimo. As informações colhidas podiam levar a comportamental que têm sido propostos em terapeuta à interpretação de que Patrick. a faculdade em outra cidade. desse ambiente e de falar sobre isso. eu me abstraia. “eles venciam um ao e esquiva do contexto familiar. imaginava . rapidamente.. sem função dessas perspectivas. uma forma de analisar e avaliar o impacto mãe como preguiçoso e incapaz. de verbal e a linguagem. Relatou muitas falas desqualificadoras Praticava esportes e era bom aluno. Relatou competiam entre si pelo controle do filho. O cliente que será chamado de Patrick era um rapaz culto. com no que pensava ou sentia. o que fez. ali conseguia não me sentir assim chamado a assumir com a mãe. Evidentemente. Jovem. uma série de psicoterápica porque achava que estava exemplos de casos clínicos foi apresentada. Relatou que metáforas.. Estava na pós. mantivessem afastados. uma atividade que lhe positivas) desses comportamentos no ambiente. o que chamou a atenção da gostava de administração e que se terapeuta. Assim.. Pensava em trabalhar com outras Suas boas notas e bom comportamento na empresas e criar seus negócios de forma escola faziam com que eles também se independente. O relato do caso que se controlar minha ação no trabalho. de poucas restrições financeiras. finais Manteve-se em medicação e posteriormente procurou outra proposta No decorrer deste estudo. respostas de fuga e esquiva do ambiente e das Ao discorrer sobre tais aspectos. Relata que se Começou a trabalhar e a sentir muito sentia muito “estraçalhado” ao pensar nesse desânimo. medo de voar. deixando percebidos na terapia anterior. fora mencionando o quanto se sentiu dividido pelos preparado nas melhores universidades do país pais durante toda a sua vida e o quanto estes para assumir os negócios da família. envergonhava de seus ciclos de animação e relatou que havia desenvolvido. não me segue tenta exemplificar a integração dos vários sinto capaz de olhar pra mim como os outros aspectos mencionados e contextualizar os me vêem. para os família.

E tinha muita relacionados) se transformassem em habilidade em fazer isso. durante sua vida. Patrick lembrava-se linguagem. Na situação.. que. achava seguro e até pensava em “Terapias da Terceira Onda”. sofrimento psicológico ao sofrimento físico que processos psicoterápicos.. do comportamento podem dizer hoje. que mãe “usar” alguma informação pessoal que ele um processo verbal estava altamente lhe havia dado. com mais se quebrado ao meio ou em partes. e elas o ajudavam a desenvolver chorava e se descrevia como vítima. eu associados. Bem. que o incluíam. aceitou ver. que seu curso. então. Benito Pérez Galdoz (1843-1920). tais propostas têm em comum acidentes. metáforas. de alguma forma. sentia. de elaborar com que estímulos. / objeto contra mim e me machucasse. diz que “palavra e pedra solta dor e empatia pelas pessoas que haviam sido não têm volta”. o que lhe autoconhecimento. da qual passara a terapia em seu benefício. fotos de acidentes de avião Por exemplo. para isso. assim. observou mais à frente seu sofrimento. ele carregava muito sofrimento. o sofri muito. em um contexto em que ela o relacionado à determinação do seu medo de agredia e desqualificava. Contudo. E. o que fez Com este comportamento. fora aprendendo a analisar positivos (tais como o viajar de avião e outros interações e a responder a elas. contudo. analítico- elas tiveram. sua função nas forma especial. como as indivíduo ou uma cultura. anteriormente reforçadores metáforas. quando sentia mal por sua sem pessoas destroçadas. os analistas vítimas dos acidentes. com a terapeuta. quando ela não mais prevalecia especial. então ela não controle de relações complexas de estímulos pode me culpar porque se machucou”. autorregras e outros gerava muita culpa e o fazia cessar. não é preciso que a “consciência total” do quanto fora que haja relato (mesmo que para si mesmo) das invalidado e dividido por seus pais havia se contingências as quais se está exposto para que dado mais recentemente. ainda sofro psicologicamente . o Interessantemente. (“fui feliz com isso e depois jogasse o presente estraçalhado.. o que metaforicamente mostra destroçadas. Parece. passou a ter comportamentos de fuga Iniciativas mais recentes nessa direção e esquiva de viajar de avião. facilitada pelo elas operem! processo psicoterápico ao qual havia se exposto O sofrimento deste cliente pôde ser melhor anteriormente.”) usasse como uma arma contra mim. de elaborar sobre ele apresentando respostas agressivas. agora. de uma propriedade. mais do que na conduta . isto acontecera compreendido com ajuda dos estudos sobre na mesma época em que ocorreram sucessivos comportamento verbal e o funcionamento da acidentes de avião no país. havia um embate voar! Havia desenvolvido uma habilidade entre eles. até então. Temporalmente. o cliente estava sob para ela e a fere. já que o fortalecimento do enfoque behaviorista estes pensamentos e imagens o remetiam aos radical na psicoterapia. (pessoas sendo destroçadas em acidentes de avião) e que estavam relacionados às “é como se eu tivesse dado a ela um metáforas que o ajudaram na descoberta de presente (confiança) e ela se mostrasse determinantes de seu sofrimento. Segundo Pérez- aprender a pilotar aviões!) ver fotos de Álvarez (2006). elaborava uma metáfora do tipo. portanto. E. ver aviões ou ir ao aeroporto. mas sem nenhuma relação causal coloco a mão na frente e o objeto volta direta. estando episódio. portanto.. esquivar-se. Depois do comportamentos. Emocionalmente. Como se sabe. Relata. a comportamentais bastante organizados.. partir daí. psicologicamente. com ênfase na mudança acidentes.Sofrimento e Análise do Comportamento 393 cenas de sofrimento físico que lhe pareciam Essa compreensão ocorreu quando. obviamente. Para me defender. mundo físico e na vida de outras pessoas.. estando temporalmente injustamente. e com ambos ocorrendo no mesmo espaço de quando fosse bom para ela e até tempo. Para exposto a episódios concretos. de contingências. que corriam no entender se tinha ou não “culpa” e o que fazer. mas não relacionava seu podem ser afetadas e propõem. sentia-se cadeias comportamentais e sua autonomia relacionado. Relata que era muito forte seu o efeito negativo que elas podem ter para um sentimento de ter sido dividido. dividido em partes. usando-a também na estimulação aversiva. de sentir muita atração por ver as fotos e muita escritor espanhol. num relacionadas ou equivalentes ao que sentia processo de exposição gradual. ampliando e aumentando. claramente. separado. (que anteriormente estão organizadas em um conjunto denominado amava.

aqui. como por exemplo. formas escritas. C. O mesmo “instrumento” afetar queixas menores. Em mitos das causas internas. refuta com mais incentivar a luta contra os encobertos. de maneira geral e As propostas atuais de intervenção clínica com os seus reforçadores e valores.. dispõe de um demais. Em consonância. ao invés de inapropriadamente. anteverem um estabelecidas por processos diretos de futuro. Em consequência. Strosahl e Para isso. a considerada mais que uma mera vocalização ou despeito da presença de encobertos aversivos. Assim. que ocorra (gestos. S. as funções observada em várias outras formas de que a linguagem exerce no controle do psicoterapia mais tradicionais. em paralelo ao chama de “sintomas”). verbal. propõem força a noção de que o sofrimento humano seria que o cliente abandone a luta contra eles. condicionamento. dos eventos privados e teorizam sobre novas Valdivia. na “arte de bem conduzir a vida”.)” (p. Com isso. É mencionada esquiva experiencial. e sim o estudo comportamento e do sofrimento humano e científico de tais aspectos. os analistas As Terapias Comportamentais de Terceira do comportamento compreendem que Onda fortalecem a natureza contextual e sofrimento e prazer são os dois pontos finais socioverbal dos problemas e a análise funcional em um contínuo que. sofrimento. ou agir de conjunto de práticas verbais que são forma a fortalecer a probabilidade de compatilhadas por uma comunidade. do que sob controle de “normal“ é ter uma vida sem sofrimento e que contingências verbais arbitrárias e reforçamento aqueles que não o conseguem estão fracassando negativo. desenhos. socioverbal vigente que considera que o discriminativamente. tornam-se também hábeis para vão além das que podem ser avaliar o impacto de suas ações. como demonstrado anteriormente. a análises e novas categorias diagnosticas que são linguagem não é sempre “boa” ou boa em si funcionais são propostas. F. humano.  governada por regras. forma de comunicação. comportamentais mais amplas. A linguagem humana. (o que um estado atípico ou “anormal”.. Para Hayes. analítico-comportamentais incluem em seus A novidade. os aceite e busque uma que se conhece sobre as “doenças físicas” e os orientação para a sua vida e os seus valores. aprender com o passado. mais do que seres verbais. As “causas” estão outras palavras. Ainda. enquanto sofrimento em ciclo inescapável. 10-11). Ainda. se classes comportamentais enquanto “categorias ampliam e se transformam quando se trata de diagnósticas funcionais”. não seria a inclusão processos propostas e estratégias que visam dessa perspectiva na psicoterapia. desde aqueles mais próximos e simbólica em qualquer que seja o domínio em concretos. gerando para si mesmo mais o produzem.. ela é vista como “uma atividade reforçadores. até os mais distantes ou abstratos. o cliente deve. chamados de valores. é ocorrência de reforçamento positivo. Porém. a que pode diminuir o sofrimento humano pode forma com a qual os indivíduos lidam com seu gerá-lo (Hayes et al. estes necessário que se aprenda a usá-la sem se processos se propõem a afetar classes deixar consumir ou ser manejado por ela. Valores são os sons e etc. também aos clientes. escolher entre viver respondendo de Mais especificamente. Mais uma vez refuta-se o instrumento importante para evitar o sofrimento uso do modelo médico na psicoterapia. Gutiérrez e Páez-Blarrina (2006). 1999). ajudá-los a colocar seu comportamento mais contrariamente ao que propõe o contexto sob controle de contingências positivas. “reforçadores” estabelecidos através do Os seres humanos passam por um treino comportamento verbal e suas funções e extenso da habilidade de derivar relações entre características eventos e símbolos. quando o ser humano construir e passar conhecimentos e também aprende a comportar-se de forma regular seu próprio comportamento e dos relacional ou simbólica. manter. tendo alívio temporário e humano ou psicológico é essencialmente verbal aumentar a força de tal cadeia comportamental e como o comportamento verbal e a linguagem em longo prazo. que pode ser demonstrar. dentro de uma cultura. adquirem um novo meio para a formação e a alteração . como no caso da já mesma. deve ter clareza de quais são os seus Wilson (1999). as Terapias da maneira a fugir e esquivar-se de eventos Terceira Onda demonstram que o sofrimento privados aversivos. durante o nas contingências ambientais. de acordo com Luciano.394 Conte. desnecessário e discriminar mais facilmente fortalece-se o caráter idiossincrático das fontes de estimulação reforçadora. processo.

no caso Além de fazer parte da ACT. livremente pela autora. ignorando disfuncionais. conhecimento e por arbitrariamente mantidos. inclusive sob controle de regras e funcionalmente equivalente aos eventos e seus conceitos verbais inadequados. valores (Hayes et al. Estas e outras estratégias mais fortalece toda a rede comportamental. ocorrência. sejam eles verbais ou certa transcendência (Luciano et al. de colocar o cliente em contato com os como ilustração. segundo práticas de meditação orientais. sob controle de reforçadores relevantes e positivos. ações controle das contingências reforçadoras realizadas por honestidade.. suas reações encobertas sem avaliação e com A ACT tem como objetivo o manejo de aceitação. seria fruto da fusão cognitiva de atribuir funções causais a esses eventos. por exemplo − sem observar ou contingências ambientais externas relevantes. por exemplo) e atenção plena tem sido considerada também um da esquiva experiencial. Um procedimento interessante Tais terapias exigem dos terapeutas utilizado na ACT para modelar a tolerância e a clareza e coerência sobre os princípios aceitação emocional é chamado de filosóficos conceituais e suas práticas e. Tal classe de resposta. Trata-se aqui afirma Kohlenberg et al. como por cliente sob controle de contingências exemplo. entre a resposta de emocionar-se ambientais externas relacionadas aos seus raivosamente e. Por exemplo. anteriormente. tolerância valores nos permite explicar por que emocional (ou seja. um treinamento especial. regular-se pelas consequências finais que disso Deve perceber que as respostas e o seu decorrem). Contudo. (prazer e eliminação da dor estimulação aversiva condicionada.. Em experienciais.Sofrimento e Análise do Comportamento 395 de funções. ao eventos privados assumem na determinação dos que parece. que gera alívio encoberto e 2006). p. 179). de Kohlenberg e Tsai (1987). ainda. ou quadro relacional. sem fugir imediata) ou para algo mais relevante ou evitá-la). e desta forma. que que pode estar somente calcado no que é provavelmente ocorre com a exposição à mais básico. que além do símbolos ou a outros estímulos arbitrários que a mais. assim como o comportamento autores da ACT. respeito aos positivas. propõe que o cliente desenvolva maneira intensa de metáforas como estratégias mais aceitação (já que sentir é uma para demonstrar e afetar a arbitrariedade da possibilidade humana e que o que se sente construção da linguagem e a função que ela e o . responder com julgamento daria com a quebra da rigidez comportamental dessa emoção e de si mesmo como bom ou (entendida aqui. a prática da de Patrick e seu medo de voar. e flexibilidade comportamental (ou que impregna simbolicamente cada ato seja. pretende alterar a função arbitrária estimulação e dê a ela funções inadequadas nas automática. 1999). rígida ou generalizada que os cadeias comportamentais. Tal processo se automaticamente. fortaleça seu responder 2006. para os encadeamento. podem estar afetando também a sua eles se relacionem. descrever de Hayes et al. indesejados terapêuticas representativas destas terapias ou não. (2009). (1999). “mindfulness” ou atenção plena e se baseia nas portanto. O processo de formação de depende das contingências). Rapidamente. maior variabilidade comportamental sob que levamos a cabo. como o temporal. quando de sua e Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT). sem comportamentos de julgamento comportamentais: a Psicoterapia Analítica ou fuga-esquiva. a proposta é que se favoreça ao comportamentos e na organização das cadeias cliente o desenvolvimento da habilidade de comportamentais e colocar o responder do quebrar relações resposta-resposta. como o ruim e. como já definida processo terapêutico em si mesmo (Pareja. não). O cliente deve vivenciar. impedindo que a estimulação verbal encobertos. a partir de qualquer chave sensibilidade às contingências. ao invés de afetar seu “transforme” o que vê e o que sente em outra conteúdo. delinearemos duas propostas sentimentos e outros encobertos. mais do que de encobertos outros. em decorrência. (termo por eles cunhado aqui interpretado como foram aprendidos e se mantêm de forma habilidade de responder de forma arbitrária. fidelidade. permaneça em contato com encaminhamos nossas ações para algo o sofrimento encoberto inescapável. Implica em responder a eles Funcional (FAP). Neste processo. apenas como observador. a ACT também se utiliza de contrapartida. dar a estas respostas a função de responder de forma generalizada sob controle estímulos discriminativos para respostas de de estimulação verbal arbitrária – regras fuga e esquiva desses encobertos.

Tsai. em tempo real e ou encobertos e aumentar a ocorrência e a sua através de contingências de reforçamento sensibilidade aos que lhe são mais relevantes. Na FAP.396 Conte.. sofrimento específico. Na interação relação terapeuta-cliente é um contexto no qual com o terapeuta. agindo na uma oportunidade para produção de mudanças direção de seus objetivos (como voar ou ter comportamentais que poderiam ser sucesso em seu trabalho). demonstra que está processo.. que são os os encobertos disfuncionais.. Evidentemente. problemas do cliente. estão tais aspectos e o sobre o padrão relacionadas aos melhores resultados. mostrando passo a passo sobre os processos comportamentais que como. comportamentos que tenderiam a ou atrasadas. F. Interessa aos individual. . sejam eles abertos agir propiciando mudanças. aquelas interações em funções e força de controle nas relações que existem vínculos intensos e que se mostram resposta-resposta e como o conhecimento sobre potencialmente mais curativas. tanto mantido por contingências verbais e problemáticos. decorre de estudos de discussão que seus autores realizaram sobre os Kohlenberg e Tsai nos anos de 1980 e 1990 processos cognitivos. Os comportamentos do cliente negativo em sua vida. os comportamentos do terapeuta em cliente um instrumental que o ajude a lidar. a ACT pretende dar ao Assim. podem vir a ter função discriminativa. experienciais. Kohlenberg et al. aumentando a força daquelas que fortalecer os comportamentos-problema do estão em direção aos valores pelos quais “a cliente e os Ts-2. dependendo dos processos de ocorrem nas interações terapeuta-cliente. mais do que lidar com um melhoras pretendidas (Kanter et al. e é nessa reforçamento negativo. 1987). uma classe funcional relacionada a ocorrência agora para a estimulação relevante e não para de problemas. & Kanter. e chance de serem controladas pelas os comportamentos do terapeuta são rotulados contingências ambientais positivas. C. como de melhora. com o eliciadora ou reforçadora para os sofrimento que é fortemente determinado e comportamentos do cliente. a não mais relacionados à melhora e geralmente ocorrência de reforçamento das esquivas incompatíveis com os primeiros. numa aprendizagem que ocorreram na história perspectiva behaviorista radical. O seu objetivo terapêuticos mais promissores para cada caso é afetar problemas ou o sofrimento humano que (Kohlenberg. S. diz à terapeuta que não vive mais em favoreceriam tanto a apresentação de respostas luta com seus encobertos e que os tolera. principalmente. imediatas como Ts-1. que poderiam favorecer a ocorrência das Em resumo. escolhendo “sofrer” generalizadas para fora da clínica. com máximo de “atenção plena”. A ocorrência de equivalência funcional Quando um cliente como Patrick. as cognições podem ter diferentes autores. Bolling. as são categorizados como CRBs-1.  comportamento verbal podem exercer na fato (Kohlenberg et al. 2005). Especialmente interessante na FAP é a Já a FAP. determinação das redes comportamentais. Considera-se que a 1999. forma mais eficaz e continuamente. é de natureza interpessoal. como comportamentais e minimizar o seu efeito do terapeuta. como também seriam responder as contingências atuais. Nesse com seus enfrentamentos. Parker. os CRBs-2. 2005). de classes funcionais relacionadas aos enquanto tenta viver os fatos presentes. os encobertos tendem a se que são comportamentos da análise do próprio extinguir. o cliente pode fortalecer seu os comportamentos relevantes do cliente repertório de discriminar os estímulos que estão podem se apresentar e onde o terapeuta pode controlando o seu responder. e os CRBs-3. ou seja. os autores também contexto e no ambiente que o cliente vive de descreveram como se dá a formação do Self. as respostas do cliente têm mais comportamento (Kohlenberg & Tsai. O repertório novo a ser combinação de comportamentos do cliente e do aprendido deve favorecer o estabelecimento de terapeuta que aparece a oportunidade de uma vida onde reforçamento positivo seja mais mudança. comportamental do cliente pode influenciar o o principal instrumento de mudança é a análise terapeuta na escolha de procedimentos funcional da relação terapêutica. 2009). é importante que sejam definidas as conseguindo modificar a função que seus classes de comportamentos clinicamente encobertos exercem em suas cadeias relevantes tanto do repertório do cliente. por entre a situação terapêutica e da vida cotidiana exemplo. membros de exposições. funcionalmente similares às que ocorrem no Além dessas questões. de sessão. comportamentos do terapeuta vida vale a pena ser vivida”. frequente.

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