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Universidade Federal da Bahia

Lista 8 Calculo´

Bruno Cesar´

B

Quest˜ao 1.De todos os paralelep´ıpedos retangulares cuja a soma das arestas ´e

constante e igual a m (m > 0), qual ´e o que tem volume m´aximo?

Quest˜ao 2. Determine a distˆancia m´ınima da origem do plano x + 3 y + z = 6 .

Quest˜ao 3.Uma aplica¸c˜ao num doente de x miligramas de um rem´edio A e y

miligramas de um medicamento B ocasiona uma resposta R = R(x, y) = x 2 y 3 (c x

y), c > 0. Que quantidade de cada rem´edio dar´a a melhor resposta?

Quest˜ao 4.Uma determinada empresa produz dois produtos cujas quantidades

s˜ao indicadas por x e y. Tais produtos s˜ao ofericidos ao mercado consumidor a pre¸cos

unit´arios p 1 e p 2 , respectivamente, que dependem de x e y conforme equa¸c˜oes: p 1 =

120 2x e p 2 = 200 y. O custo total a empresa para produzir e vender quantidades x e

y dos produtos ´e dado por C = x 2 +2y 2 + 2xy. Admitindo que toda produ¸c˜ao da empresa

seja absorvida pelo mercado, determine a produ¸c˜ao que maximiza o lucro. Qual o lucro

m´aximo?

Quest˜ao 5.Se a densidade na placa xy + xz + yz = a, (x, y, z

= 0) ´e dada por

ρ ( x, y, z ) = xyz, determine os pontos da placa onde a desidade ´e m´axima e onde ´e m´ınima.

Quest˜ao 6.Um dep´osito cil´ındrico de a¸co fechado deve conter 2 litros de um

fluido. Determine as dimens˜oes do dep´osito de modo que a quantidade de materal usada

em sua constru¸c˜ao seja m´ınima.

Quest˜ao 7.Determine o valor m´aximo da raiz n´esima de um produto de n

n´umeros positivos tal que a soma dos n´umers seja constante. Conclua que

n 1

n

x 1 x 2

n

x

n

i=1

x

i

(ou seja, m´edia geom´etrica ´e sempre menor ou igual a m´edia aritm´etica).

Quest˜ao 8.Dentre todos os triˆangulos retˆangulos de area´

hipotenusa m´ınima.

S determine o que tem

Quest˜ao 9.O departamento de estrada est´a planejando construir uma area´ de

piquenique para motoristas ao longo de uma grande auto-estrada. Ela deve ser retangular,

1

como uma ´area de 5000 m 2 , e cercada nos trˆes lado n˜ao-adjacentes a` auto-estrada. Qual

´e a quantidade m´ınima de cerca que ser´a necess´aria para realizar o trabalho?

Quest˜ao 10.Para testar a sua intui¸c˜ao, calcule R f (x, y)dA para o caso em

que f (x, y) = g(x) e o caso em que f (x, y) = h(y). Verifique que:

a) R g(x)dA = (d c) b g(x)dx

a

b) R h(y)dA = (b a) d h(y)dy

c

Quest˜ao 11.Use a quest˜ao anterior, para verificar que

[a,b]×[c,d] [g(x) + h(y)]dA = (d c) b g(x)dx + (b a) d h(y)dy.

a

c

Aplique esse resultado para verificar que:

[0, π

3

]×[0,1] [sen(x) + y]dA =

1

2 + π

6 .

Guidorizzi Volume 2: Cap´ıtulo 16.

Guidorizzi Volume 3: Cap´ıtulos 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9.

2

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M´aximos, m´ınimos e pontos de sela Multiplicadores de Lagrange

Anderson Luiz B. de Souza

Livro texto - Cap´ıtulo 14 - Se¸c˜ao 14.7

Encontrando extremos absolutos

Determine o m´aximo e m´ınimo absolutos das fun¸c˜oes sobre o dado dom´ınio.

35.

T (x, y) =

3 y 0.

x 2 + xy + y 2 6x + 2

na regi˜ao retangular

0

x

5,

Resolu¸c˜ao: Os pontos cr´ıticos de T ( x, y ), candidatos a m´aximo e m´ınimo absolutos/globais, satisfazem simultanemante T x (x, y) = 0 e T y (x, y) = 0. Ent˜ao,

T x (x, y) = 2x + y 6 = 0 T y (x, y) = x + 2y = 0

(x, y) = (4, 2).

Note que o ponto (4, 2) pertence ao dom´ınio retangular de T , D T = {(x, y) R 2 |0 x 5, 3 y 0}. Para classificarmos o ponto cr´ıtico, devemos construir a matriz hessiana:

H(x, y) = T xx (x, y)

T yx (x, y)

T xy (x, y) = 2

T yy (x, y)

1

1

2 .

Se det(H (4, 2)) = 0, o m´etodo seria inconclusivo. Caso det(H (4, 2)) < 0, ter´ıamos um ponto de sela. Mas, como det(H(4, 2)) = 3 > 0 e T xx (4, 2) = 2 > 0, trata-se de um ponto de m´ınimo local. Por´em, o exerc´ıcio n˜ao est´a terminado: o dom´ınio da fun¸c˜ao T ´e limitado, ent˜ao temos que avaliar a fun¸c˜ao no bordo do dom´ınio, ou seja, as arestas do retˆangulo.

Da´ı,

f 1 ( x ) pois f

do seu dom´ınio - os v´ertices (0, 3) e (5, 3) - deve ser analisado separada-

mente.

1 (9/2) = 2 > 0. Novamente, o dom´ınio de f 1 ´e limitado. Logo, o bordo

(9 / 2 , 3) ´e um ponto de m´ınimo local na aresta 1,

Definimos f 1 (x) = T (x, 3) =

=

2 x 9

=

0

x 2 9x + 11,

para 0

x

5.

De modo an´alogo, f 2 (x) = T (x, 0) = x 2 6x + 2, para 0 x 5. Com isso,

(3) = 2 > 0.

f 2 ( x ) = 2 x 6 = 0 (3 , 0) ´e um m´ınimo local na aresta 2, pois f

2

1

T (0, y)

g 1 ( y ) = 2 y = 0 (0 , 0) ´e um ponto de m´ınimo local na aresta 3.

Mais uma vez, g 1 (y)

y 2 + 2,

=

=

para 3

y

g 2 ( y ) = 2 y + 5 = 0 (5 , 5 / 2) ´e um m´ınimo local na aresta 4.

E finalmente, g 2 (y) =

T (5, y)

y 2 + 5y 3,

=

para 3

y

0.

Ent˜ao

0.

Da´ı,

N˜ao se esquecendo dos v´ertices: (0, 3), (5, 3), (0, 0), (5, 0).

Candidatos a m´aximo e m´ınimo absolutos:

T (9/2, 3) = 37/4; T (3, 0) = 7; T (0, 0) = 2; T (5, 5/2) = 37/4;

T (4, −2) = −10; T (0, −3) = 11; T (5, −3) = −9;
T (4, −2) = −10; T (0, −3) = 11;
T (5, −3) = −9;
T (0, 0) = 2;
T (5, 0) = −3.
Portanto,
m´ınimo absoluto: T (4, −2) = −10;
m´aximo absoluto: T (0, −3) = 11.
0
1
2
3
10
5
0
5
10
0
2
4

Figura 1 - Gr´afico de T (x, y) na regi˜ao retangular D T .

41. Uma chapa circular tem o formato da regi˜ao x 2 + y 2 1. A chapa, incluindo a fronteira x 2 + y 2 = 1, ´e aquecida de modo que a temperatura no ponto (x, y) ´e dada por

T (x, y) = x 2 + 2y 2 x.

Encontre a temperatura mais quente e mais fria na chapa.

Resolu¸c˜ao: C´alculo dos pontos cr´ıticos

T x (x, y) = 2x 1 = 0 T y (x, y) = 4y = 0

2

(x, y) = (1/2, 0).

A partir da matriz hessiana H,

H(x, y) =

2

0

0

4

conclu´ımos que det(H(1/2, 0)) = 8 > 0 e T xx (1/2, 0) = 2 > 0, trata-se de um ponto de m´ınimo local.

A an´alise do bordo neste exerc´ıcio ´e bem mais simples, pois este admite

a parametriza¸c˜ao regular: γ(t) = (cos t, sin t), para 0 t < 2π. Definimos f (t) = T (γ(t)). Da´ı, pela Regra da Cadeia na deriva¸c˜ao da fun¸c˜ao composta,

f (t) = T (γ(t)) · γ (t) = (2x 1, 4y) γ · (sin t, cos t).

Ou substituindo diretamente,

f (t) = T (γ(t)) =

cos 2 t + 2 sin 2 t cos t = sin 2 t cos t + 1

f (t) = 2 sin t cos t + sin t = sin t(2 cos t

+ 1) = 0 sin t = 0 ou

cos t = 1/2.

Usamos a rela¸c˜ao fundamental cos 2 t + sin 2 t = 1. Ent˜ao, os pontos cr´ıticos na fronteira ocorrem em t = 0, t = π, t = 2π/3, ou t = 4π/3.

O dom´ınio de f tamb´em ´e limitado, por´em j´a estamos analisando os extre-

mos, t = 0 e t = 2π; pois γ(0) = γ(2π) e t = 0 ´e um ponto cr´ıtico.

Candidatos a m´aximo e m´ınimo absolutos:

T (1/2, 0) = 1/4; T (γ(0)) = T (1, 0) = 0; T (γ(π)) = T (1, 0) = 2;

T (γ(2π/3)) = T (1/2, 3/2) = 9/4; T (γ(4π/3)) = T (1/2, 3/2) = 9/4.

Portanto,

menor temperatura: T (1/2, 0) = 1/4;

maior temperatura: T (1/2, 3/2) = T (1/2, 3/2) = 9/4.

3

1.0 0.5 0.0 0.5 1.0 2 1 0 1.0 0.5 0.0 0.5 1.0 Figura 2
1.0
0.5
0.0
0.5
1.0
2
1
0
1.0
0.5
0.0
0.5
1.0
Figura 2 - Gr´afico de T (x, y) na regi˜ao circular x 2 + y 2 ≤ 1.

Livro texto - Cap´ıtulo 14 - Se¸c˜ao 14.8

Multiplicadores de Lagrange

Duas vari´aveis independentes com uma condi¸c˜ao.

10. Cilindro inscrito na esfera: Encontre o raio e a altura do cilindro circular reto e aberto (sem tampas) de maior area´ superficial que pode ser inscrito em uma esfera de raio a. Qual ´e a maior area´ superficial?

Resolu¸c˜ao. A ´area superficial S do cilindro de raio r e altura h ´e igual

a` area´ do retˆangulo, cujo lado coincide com o per´ımetro da base circular e

a altura ´e a mesma do cilindro; S = 2πrh. A restri¸c˜ao do problema n˜ao ´e

dada explicitamente, todavia ela est´a relacionada com a fato do cilindro estar

inscrito na esfera. Inicialmente, perceba que o cilindro que maximiza a area´

tem as suas bases circulares interceptando a esfera. Da´ı, a condi¸c˜ao adv´em do Teorema de Pit´agoras: desenhe o triˆangulo retˆangulo tal que um cateto ´e

a altura do cilindro, o outro cateto ´e o diˆametro da base e a hipotenusa ´e o diˆametro da esfera. Com isso,

(2a) 2 = (2r) 2 + h 2 4a 2 = 4r 2 + h 2 .

superficial f (r, h) = 2πrh com a restri¸c˜ao

g(r, h) = 4a 2 4r 2 h 2 = 0. Pelo m´etodo dos Multiplicadores de Lagrange:

Queremos otimizar a fun¸c˜ao area´

f = λg g(r, h) = 0

(2πh, 2πr) = λ(8r, 2h) 4a 2 4r 2 h 2 = 0

4


πh = 4λr

πr = λh 4a 2 4r 2 h 2 = 0.

Note que r = 0, h = 0 ou λ = 0 s˜ao solu¸c˜oes que minimizam a area,´

f (r, h) = 0. Como queremos maximizar, considere r

disso, n˜ao precisamos determinar λ, pois esta ´e apenas uma vari´avel auxiliar. Logo, uma boa ideia ´e dividir a primeira equa¸c˜ao pela segunda:

= 0, h

= 0 e λ

= 0. Al´em

h

r

= 4r

h

h 2 = 4r 2 h = 2r.

E adicionando a condi¸c˜ao,

h = 2r 4a 2 4r 2 h 2 = 0

r = a 2/2 h = a 2.

Portanto, a ´area superficial m´axima ´e S = f (a 2/2, a 2) = 2πa 2 .

H´a outra varia¸c˜ao do problema: determinar as dimens˜oes do cilindro que otimizam o volume. Verifique, n˜ao s˜ao as mesmas calculadas anteriormente.

Exerc´ıcios te´oricos e exemplos

41. A condi¸c˜ao f = λg n˜ao ´e suficiente: Embora f = λg seja uma condi¸c˜ao necess´aria para a ocorrˆencia de valores extremos de f (x, y) su- jeita a` restri¸c˜ao g(x, y) = 0, somente esta n˜ao garante a existˆencia de m´aximo e m´ınimo globais. Considere o exemplo: tente, usando o m´etodo de Multipli- cadores de Lagrange, encontrar o valor m´aximo de f (x, y) = x + y sujeita `a condi¸c˜ao g(x, y) = xy 16 = 0.

Resolu¸c˜ao. Pelo m´etodo,

f = λg g(x, y) = 0

(1, 1) = λ(y, x) xy 16 = 0

x = y xy 16 = 0

(x, y) = (4, 4)

ou (x, y) = (4, 4).

o

ponto de m´aximo e ( 4 , 4) o ponto de m´ınimo absolutos. Entretanto, rees- crevendo a condi¸c˜ao:

Computando f (4, 4) = 8 e f (4, 4) = 8, esperamos que (4, 4) seja

g(x, y) = xy 16 = 0 y = 16 ,

x

x

= 0.

5

Ent˜ao, podemos definir a equivalˆencia

h(x) = f (x, y(x)) = f (x, 16/x) = x + 16 ,

x

x

= 0.

Determinar os extremos de f (x, y) com a restri¸c˜ao g(x, y) = 0 ´e an´alogo ao c´alculo dos extremos de h(x). Desse modo percebemos que o dom´ınio de h,

D h = {x R|x

= 0}, ´e ilimitado e disjunto, e h ´e descont´ınua na origem. De

maneira nenhuma h satisfaz as condi¸c˜oes do Teorema de Weierstrass: Seja ϕ : [a, b] R uma fun¸c˜ao cont´ınua no intervalo fechado [a, b]; logo ϕ atinge m´aximo e m´ınimo absolutos, i.e., c, d [a, b] tais que ϕ(c) ϕ(x) ϕ(d), x [a, b]. Portanto, h n˜ao ter´a valores extremos obrigatoriamente, de fato n˜ao tem e isso fica evidente em seu gr´afico.

 

40

  40

20

 

10

5

5

10

20 40
20
40
 

Figura 3 - Gr´afico de h(x) no intervalo [10, 10].

Note que x = 4 ´e um m´ınimo local e x = 4 ´e um m´aximo local de h . Finalmente, mesmo que f = λg tenha solu¸c˜ao, f (x, y) sujeita a` g(x, y) = 0 n˜ao admite extremos absolutos.

Todas essas contradi¸c˜oes surgem por causa da curva de restri¸c˜ao: o tra¸co (desenho, gr´afico) da hip´erbole xy = 16 n˜ao ´e uma regi˜ao limitada. Em dom´ınios limitados - c´ırculos, elipses, retˆangulos, segmentos de curvas, esfe- ras, elipsoides, segmentos de superf´ıcies - o m´etodo ´e eficiente. Moral do exerc´ıcio: fique atento a` condi¸c˜ao, verifique se a fun¸c˜ao g(x, y) ´e cont´ınua e possui tra¸co finito; pois sen˜ao, o exerc´ıcio pode n˜ao ter solu¸c˜ao!

6

Capítulo 8

MÁXIMOS E MÍNIMOS

8.1 Introdução

Definição 8.1. Sejam A R n um conjunto aberto, f : A R n −→ R uma função e ε > 0 (pequeno).

1. Um ponto x 0 é um ponto de mínimo local de f se existe B ( x 0 , ε ) , tal que:

f ( x 0 ) f ( x) , para todo x B ( x 0 , ε )

2. Um ponto x 0 é um ponto de máximo local de f se existe B ( x 0 , ε ) , tal que:

f ( x) f ( x 0 ) , para todo x B ( x 0 , ε )

3. Em ambos os casos, x 0 é dito extremo relativo ou local de f e f ( x 0 ) é dito valor extremo de f .

209

210

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

2 1 0 -1 -2 -2
2
1
0
-1
-2
-2
210 CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS 2 1 0 -1 -2 -2 -1 0 1 2

-1

0

1

2

Figura 8.1:

Exemplos 8.1.

[1] Se z = f ( x, y ) = x 2 + y 2 , então, (0 , 0) é ponto de mínimo local de f .

De

fato, x 2 + y 2 0 , para todo ( x, y ) R 2 .

0 = f (0 , 0) f ( x, y ) = x 2 + y 2 , para todo ( x, y ) Dom( f )

e o valor mínimo é z = 0 , que é atingido na origem.

) e o valor mínimo é z = 0 , que é atingido na origem. 2
2 1 0 -1 -2 -2 -1 0 1 2
2
1
0
-1
-2
-2
-1
0
1
2

Figura 8.2: Exemplo [1].

[2]

de pontos de máximo locais de f .

De fato, x 2 0 , para todo ( x, y ) R 2 e f (0 , y ) = 0 . Logo f ( x, y ) f (0 , y ) para todo ( x, y ) R 2 . Então, f atinge seu valor máximo 0 em qualquer ponto da reta { (0 , y ) R 2 /y R } .

Se z = f ( x, y ) = x 2 ; então { (0 , y ) R 2 /y R } é um conjunto infinito

8.1. INTRODUÇÃO

211

2

1

0

-1

0

1

2

-1 -2 -2
-1
-2
-2

Figura 8.3: Exemplo [2].

Teorema 8.1. Seja f : A R n −→ R uma função de classe C 1 , definida no

˜

aberto A e x 0 A um ponto extremo local de f . Então f ( x 0 ) = 0.

Para a prova, veja o apêndice.

Definição 8.2.

) = 0 . Para a prova, veja o apêndice. Definição 8.2. 1. Um ponto x

1. Um ponto x 0 tal que f ( x 0 ) = 0 é dito ponto crítico de f e f ( x 0 ) é dito valor crítico de f . Caso contrário, x 0 é dito ponto regular de f e f ( x 0 ) valor regular de f .

2. Um ponto crítico que não é máximo local nem mínimo local é ch a- mado de ponto de sela .

˜

Para n = 3 , f ( x, y, z ) = 0 é equivalente a resolver o seguinte sistema de

equações:

∂f

 

∂x

 

 

∂f

∂y

∂f

∂z

( x, y, z ) =

0

( x, y, z ) =

0

( x, y, z ) = 0 .

Analogamente para n = 2 :

∂f

∂x

∂f

∂y

( x, y ) = 0

( x, y ) = 0 .

212

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Agora, podemos enunciar o Teorema da função implícita de uma forma mais geométrica:

Seja f uma função de classe C k (k > 0 ) definida num aberto de R n . Para todo

valor regular c de f , o conjunto f 1 ( c ) ( se não for vazio) é uma superfície

(curva) de classe C k .

Exemplos 8.2.

[1] Seja

z = f ( x, y ) = x 2 + y 2 . Então f ( x, y ) = (2 x, 2 y ) e:

2 2

2

2

x = 0

y = 0;

a única solução do sistema é x = 0 e y = 0 ; (0 , 0) é ponto crítico de f .

[2] Seja

z = f ( x, y ) = 4 x y 2 2 x 2 y x.

(1)

 

(2)

o sistema é equivalente a:

f ∂x ( x, y ) =

4 y 2 4 x y 1 = 0

f ∂y ( x, y ) = 8 x y 2 x 2 = 0;

(1) 4 y 2 4 x y

= 1

(2) 2 x (4 y x) = 0;

de (2): as soluções são x = 0 ou 4 y x = 0 .

Se x = 0 , então, de (1), 4 y 2 = 1 , y = ± 1 2 e (0 , ± 2 ) são os pontos críticos. Se

4 y = x, então, de (1), 3 x 2 = 4 , que não tem solução real.

1

[3] Seja f ( x, y )

= xy +

8

1

x +

1

y , x, y = 0 .


  (1)

 

(2)

f

∂x

f

∂y

= 1 2 =

y

8

x

0

= x 1 2 = 0;

8

y

como x, y = 0 , tirando o valor de uma das variáveis em (1) e subtituindo em (2), obtemos a solução x = y = 2 . Logo (2 , 2) é o ponto crítico de f .

[4] Seja

f ( x, y ) = 2 (x 2 + y 2 ) e (x 2 + y 2 ) .

8.1. INTRODUÇÃO


  (1)

   (2)

f

∂x

f

∂y

= 4 xe (x 2 + y 2 ) (1 x 2

y 2 ) =

0

= 4 ye (x 2 + y 2 ) (1 x 2 y 2 ) =

0 ,

que é equivalente ao sistema:

(1) x (1 x 2 y 2 ) =

(2) y (1 x 2 y 2 )

0

= 0;

213

de (1) e (2), as soluções do sistema são: x = y = 0 e x 2 + y 2 = 1 . Observe que esta função tem uma curva de pontos críticos. Os pontos críti cos são (0 , 0) e os pontos do círculo { ( x, y ) R 2 / x 2 + y 2 = 1 } .

{ ( x, y ) ∈ R 2 / x 2 + y 2 = 1

Figura 8.4: Exemplo [4].

[5] Seja f ( x, y ) = (x 2 y 2 ) e x 2 +y 2 2 .

(1)

(2)

f

∂x

f

∂y

=

=

(x 2 +y 2 )

e

2

e (x 2 +y 2 )

2

que é equivalente ao sistema:

(2 x x ( x 2 y 2 )) = 0

( 2 y y ( x 2 y 2 )) = 0 ,

(1) x (2 x 2 + y 2 )

= 0

(2) y ( 2 x 2 + y 2 ) = 0;

214

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

de (1) e (2), as soluções do sistema são: (0 , 0), ( ± 2 , 0) e (0 , ± 2), que são os pontos críticos de f .

(0 , ± √ 2) , que são os pontos críticos de f . Figura 8.5:

Figura 8.5: Exemplo [5].

[6] Seja f ( x, y ) =

x 2 y 2 x 2 + y 2 + 1 .

  2 x (1

   x 2 + y 2 + 1

f

∂x

f

∂y

+ 2 y 2 )

(1)

=

+ 2 x 2 )

+ y 2 + 1

    2 y (1

x 2

(2)

=

que é equivalente ao sistema:

(1) x (2) y

= 0

= 0;

=

=

0

0 ,

a única solução do sistema é: (0 , 0), que é o ponto crítico de f .

8.2.

DETERMINAÇÃO DOS EXTREMOS LOCAIS

215

8.2. DETERMINAÇÃO DOS EXTREMOS LOCAIS 215 [7] Seja f ( x, y, z ) = Figura

[7] Seja f ( x, y, z ) =

Figura 8.6: Exemplo [6].

3 x y z 3 + x + y

4

+ z . O sistema f ( x, y, z ) = 0 é equivalente a:

  (1) y z (3 3 x + y + z )


= 0

(2) x z (3 + x 3 y + z ) = 0

(3) x y (3 + x + y 3 z ) = 0;

de (1), (2) e (3), temos que o sistema tem como únicas soluções (0 , 0 , 0) e (3 , 3 , 3) , que são os pontos críticos de f .

8.2 Determinação dos Extremos Locais

Seja f : A R 2 −→ R . Para dimensão 2, o fato de que f ( x 0 ) = 0 implica em que o plano tangente ao gráfico de f no ponto x 0 seja paralelo ao plano xy , fato análogo ao que ocorre em dimensão 1.

Teorema 8.2. Seja a família de funções:

f ( x, y ) = A x 2 + 2 B x y + C y 2 ,

tal que A, B, C R e não são todas simultaneamente nulas. Denotemos

por ∆ = A C B 2 .

1. Se > 0 e A > 0 , então (0 , 0) é ponto de mínimo de f .

2. Se > 0 e A < 0 , então (0 , 0) é ponto de máximo de f .

216

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

3. Se < 0 , então (0 , 0) é ponto de sela de f .

Para a prova, veja o apêndice.

Observação 8.1. Note que A = 1

2 f

2 ∂x 2

, B = 1

2

∂ f ∂x∂y e C = 1

2

2

2 f

∂y 2 .

∂ f ∂x∂y e C = 1 2 2 ∂ 2 f ∂y 2 . No

No caso ∆ = 0 , não é possível tomar uma decisão.

Exemplos 8.3.

[1] Determine os pontos extremos de f ( x, y ) = x 2 + 3 x y + y 2 .

Neste caso A = 1 , B = 3

2

e C = 1 ; < 0 ; então (0 , 0) é um ponto de sela.

; ∆ < 0 ; então (0 , 0) é um ponto de sela. 4 2
4 2 0 -2 -4 -4 -2 0 2 4
4
2
0
-2
-4
-4
-2
0
2
4

Figura 8.7: Exemplo [1].

[2] Determine os pontos extremos de f ( x, y ) = 3 x 2 x y + 3 y 2 .

1

Neste caso A = 3 , B = 2 e C = 3 ; > 0 ; então (0 , 0) é um ponto de mínimo de f e o valor mínimo é f (0 , 0) = 0 .

de mínimo de f e o valor mínimo é f (0 , 0) = 0 .
4 2 0 -2 -4 -4 -2 0 2 4
4
2
0
-2
-4
-4
-2
0
2
4

Figura 8.8: Exemplo [2].

8.2.

DETERMINAÇÃO DOS EXTREMOS LOCAIS

217

Denotemos por:

onde:

∆ = det( H ( x, y ))

H ( x, y ) =

2 f

∂x 2

2 f

∂y ∂x

2 f

∂x ∂y

2 f

∂y 2

e as derivadas parciais são calculadas no ponto ( x, y ) . A matriz H ( x, y ) é chamada de matriz Hessiana de f .

Teorema 8.3. Sejam f uma função de classe C 2 definida num conjunto aber- to U R 2 e ( x 0 , y 0 ) U um ponto crítico de f e denotemos por:

A( x, y ) = ∂x 2 f 2 ( x, y ) e ∆( x, y ) = det H ( x, y ) .

1. Se A( x 0 , y 0 ) > 0 e ∆( x 0 , y 0 ) > 0 , então ( x 0 , y 0 ) é ponto de mínimo local de f em U .

2. Se A( x 0 , y 0 ) < 0 e ∆( x 0 , y 0 ) > 0 , então ( x 0 , y 0 ) é ponto de máximo local de f em U .

3. Se ∆( x 0 , y 0 ) < 0 , então ( x 0 , y 0 ) é ponto de sela de f em U .

4. Se ∆( x 0 , y 0 ) = 0 , nada se pode concluir.

Para a prova, veja o apêndice.

Observações 8.1.

concluir. Para a prova, veja o apêndice. Observações 8.1. 1. Se ( x 0 , y

1. Se ( x 0 , y 0 ) é ponto de mínimo local de f , então as curvas de nível e o gráfico de f numa vizinhança de ( x 0 , y 0 ) e ( x 0 , y 0 , f ( x 0 , y 0 )) , respecti- vamente, são da forma:

218

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS 2 1 0 -1 -2 -2 -1 0 1 2
CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS
2
1
0
-1
-2
-2
-1
0
1
2

Figura 8.9:

2. Se ( x 0 , y 0 ) é ponto de máximo local de
2. Se ( x 0 , y 0 ) é ponto de máximo local de f , então as curvas de nível e o
gráfico de f numa vizinhança de ( x 0 , y 0 ) e ( x 0 , y 0 , f ( x 0 , y 0 )) , respecti-
vamente, são da forma:
2
1
0
-1
-2
-2
-1
0
1
2

Figura 8.10:

3. Se ( x 0 , y 0 ) é ponto de sela de f
3. Se ( x 0 , y 0 ) é ponto de sela de f , então as curvas de nível e o gráfico de
f numa vizinhança de ( x 0 , y 0 ) e ( x 0 , y 0 , f ( x 0 , y 0 )) , respectivamente, são
da forma:
2
1
0
-1
-2
-2
-1
0
1
2

Figura 8.11:

8.2.

DETERMINAÇÃO DOS EXTREMOS LOCAIS

219

4. Se f é uma função contínua no ponto ( x 0 , y 0 ) e se as derivadas parci- ais de f não existem no ponto ( x 0 , y 0 ) , mesmo assim é possível que este ponto seja extremo e deve ser examinado separadamente. Por exemplo, f ( x, y ) = x 2 + y 2 é contínua em R 2 e as derivadas parci- ais na origem não existem. Por outro lado 0 x 2 + y 2 , para todo ( x, y ) R 2 e f (0 , 0) = 0 f ( x, y ) , para todo ( x, y ) R 2 ; logo, (0 , 0) é ponto de mínimo local de f . Veja o exercício 6).

0) é ponto de mínimo local de f . Veja o exercício 6). Figura 8.12: 5.

Figura 8.12:

5. No Cálculo em uma variável, se uma função contínua possui d ois pon- tos de máximo local, necessariamente deve existir um ponto d e mí- nimo local. No caso de várias variáveis, uma função pode ter d ois pontos de máximo e não possuir nenhum ponto de mínimo. De fato:

Exemplos 8.1.

Seja f ( x, y ) = ( x 2 1) 2 ( x 2 y x 1) 2 ; claramente f é contínua em R 2 .

Determinemos os pontos críticos:

∂f

 

∂x

∂f

∂y

= 2 2 x ( x 2 1) + (1 2 x y ) (1 + x x 2 y ) = 0

= 2 x 2 (1 + x x 2 y ) = 0 .

Resolvendo o sistema obtemos os pontos críticos ( 1 , 0) e (1 , 2).

A( x, y ) =

∆( x, y ) = 8 x 2 (2 + 6 x + x 2 (5 7 y ) 9 x 3 y + x 4 (5 y 2 3));

2 + 4 y + 12 x y 12 x 2 ( y 2 + 1)

220

CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

logo, A( 1 , 0) = 10 e ∆( 1 , 0) = 16 ; A(1 , 2) = 26 e ∆(1 , 2) = 16 . Ambos os pontos são de máximo local de f e f não possui pontos de mínimo.

de máximo local de f e f não possui pontos de mínimo. Figura 8.13: Desenhos do

Figura 8.13: Desenhos do gráfico de f ao redor dos pontos de máximo local

e o gráfico de f 0.4 0.2 0 -0.2 -0.4 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
e o gráfico de f
0.4
0.2
0
-0.2
-0.4
-1.4
-1.2
-1
-0.8
-0.6
2.4 2.2 2 1.8 1.6 0.6 0.8 1 1.2 1.4
2.4
2.2
2
1.8
1.6
0.6
0.8
1
1.2
1.4
3 2 1 0 -1 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
3
2
1
0
-1
-1
-0.5
0
0.5
1
1.5

Figura 8.14: As respectivas curvas de níveis.

Pode existir um ponto de sela quando existem dois pontos de má ximo ou de mínimo. De fato, seja:

f ( x, y ) = x 4 + y 4 4 x y + 1;

claramente f é contínua em R 2 . Os pontos críticos são (0 , 0), ( 1 , 1) e (1 , 1)

e (0 , 0) é ponto de sela, ( 1 , 1) e (1 , 1) são pontos de mínimo local de f .

Se consideramos g ( x, y ) = f ( x, y ) , o ponto (0 , 0) é ponto de sela e ( 1 , 1)

e (1 , 1) são pontos de máximo local de f .

8.2.

DETERMINAÇÃO DOS EXTREMOS LOCAIS

221

1.5 1 0.5 0 -0.5 -1 -1.5 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 Figura
1.5
1
0.5
0
-0.5
-1
-1.5
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1
1.5
Figura 8.15: Curvas de nível e gráfico de f ( x, y ) = x 4 + y 4 − 4 x y + 1

8.2.1 Exemplos

[1] Classifique os pontos críticos de f ( x, y ) = x 2 + y 2 + x 2 y + 4 .

Determinemos os pontos críticos: Resolvemos o sistema:

∂f

∂x

= 2 x + 2 x y = 2 x (1 + y ) = 0

= 2 y

= 0 ,

∂f

∂y

   + x 2

que é equivalente a:

x (1 + y ) =

2 y + x 2

0

= 0 .

Os pontos críticos são (0 , 0), ( 2 , 1) e ( 2 , 1).

H ( x, y ) =

A( x, y ) = 2 (y + 1),

2 ( y + 1)

2 x

2 x

2

 

.

∆( x, y ) = 4 (1 +

y x 2 ) .

Ptos. Críticos (0 , 0) ( √ 2 , −1) ( − √ 2 ,
Ptos. Críticos
(0 , 0)
( √ 2 , −1)
( − √ 2 , −1)
A