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Por que estudar Direito e Literatura?

RESUMO: A presente pesquisa tem como objetivo principal apresentar três razões para se estudar o Direito através da Literatura, destacando os fundamentos e vantagens que justificam a educação jurídica mediante a reflexão promovida pelas narrativas literárias. Se, por um lado, observa-se a crescente “facilidade” oferecida aos acadêmicos em relação ao conhecimento jurídico; de outro, percebe-se a necessidade de se criar diferentes formas de fomentar no estudante o desejo de ir além do conteúdo que lhe é apresentado em sala de aula. Neste contexto, a Literatura surge como um campo capaz de proporcionar novos horizontes de sentido para os juristas, na medida em que instiga o desenvolvimento de sua capacidade crítica perante os problemas cotidianos. Com a Literatura, o jurista alcança novas visões de mundo e estimula seu intelecto por meio da imaginação. Assim, ao iniciar os estudos jusliterários, muitas são as questões que se colocam. Entre as mais recorrentes está “por que estudar Direito e Literatura?; ou, ainda, “de que modo a Literatura é capaz de contribuir para o desenvolvimento do conhecimento jurídico?Essas e diversas outras perguntas impulsionaram o presente trabalho, que pretende estabelecer alguns porquês de estudar o Direito através da Literatura, demonstrando um caminho alternativo àquele que reproduz o um ensino plastificado cotidianamente oferecido aos estudantes de direito nos milhares de cursos jurídicos em funcionamento no Brasil.

Palavras- chaves : Direito e Literatura; Metodologia do Ensino; Educação Jurídica.

ABSTRACT: The present essay proposes an ordinary goal to three reasons to study of the Law through Literature,contrasting the elements that justify the law education by the reflexion promoved of law narrative. If, on the one hand, to pay attention to the growing facility give the students relative to the law knowledge; on the other hand, realize the necessary to make difference ways to promote in the student the wish to go beyond the content which will introduced in classroom. In this context, Literature rise how a space to provide new way of sense to the lawyer, according as incite the development of your critize capacity before the daily problems. Whit the Literature, the lawyer achieve new visions of the world and promote your mind through the imagination. So, starting the law studies, many are questions that put in. Between that are “ why to study Law and Literature?”; or, yet, “ how Literature contribute to the knowledge law development?”. This and the others questions propelled the present work, that to intent establish some whys to study Law through Literature, proving an alternative way those that reproduce a plastificate law knowledge everyday offer to the law students in the law courses working at Brazil.

Key-words: Law and Literature; Learn metodology; Law education.

INTRODUÇÃO

Os estudos e pesquisas sobre Direito e Literatura no Brasil ainda são muito recentes (TRINDADE; GUBERT, 2008), ao contrário do que se verifica nos Estados Unidos, cujas primeiras incursões jusliterárias remetem ao início do século XX e que, com o passar dos anos, tornou-se disciplina obrigatória integrante da grade curricular de grande parte das faculdades de direito norte-americanas.

No Brasil, em que pese todo o esforço empreendido por Luis Alberto Warat nas décadas de 80 e 90 cujas obras anteviam a importância da Literatura e da Filosofia para o Direito, como no livro intitulado “A Ciência Jurídica e seus dois Maridos” –, é apenas nos últimos anos que os estudos jusliterários ocupam maior espaço. Destaca-se, nesse contexto, a criação do programa Direito e Literatura, no ano de 2008, apresentado por Lênio Luiz Streck e exibido, até hoje, pela TV Justiça um dos marcos dos estudos em Direito e Literatura no Brasil.

A literatura está presente em todos os atos da vida cotidiana, em todas as nossas ações e, ainda, tangencia todas as áreas do conhecimento, conforme adverte Barthes:

Se por não sei que excesso de socialismo ou de barbárie, todas as nossas disciplinas devessem ser expulsas do ensino, exceto numa, é a disciplina literária que devia ser salva, pois todas as ciências estão presentes no monumento literário. (BARTHES, 1980, p.17)

Ocorre que, não obstante todos os avanços constatados no Brasil, poucos são os juristas que reconhecem o papel essencial que a Literatura pode desempenhar na formação dos cidadãos e, consequentemente, dos atores jurídicos. Para além da resistência naturalmente oposta a tudo aquilo que não se mostra convencional, é preciso combater uma bateria de críticas que visam à desqualificação da literatura para a compreensão dos fenômenos jurídicos.

Nesse sentido, o posicionamento de Rodrigo Diez Gargari (2008, p.150-151), para quem a ideia de que a literatura é capaz de formar melhores cidadãos apenas alimenta a esperança desmedida. Segundo o jurista, é impossível que um indivíduo consiga reparar seus desvios de personalidade através da Literatura, tornando- se um cidadão melhor.

Assim considerando todas as adversidades que ainda se colocam à ampliação das investigações jusliterárias, especialmente no Brasil, este artigo pretende apresentar três razões para se estudar o Direito através da Literatura.

1. SENSIBILIZAR O JURISTA FRENTE AOS PROBLEMAS SOCIAIS.

Desde os primórdios, a literatura cumpre um importante papel na sociedade, uma vez que desperta a sensibilidade do leitor ao colocá-lo em situações nunca antes experimentadas.

Nesse sentido, a relação estabelecida entre o Direito e a Literatura expande a compreensão do conhecimento jurídico do jurista, que faz essa interação entre os saberes, uma vez que a Literatura contribui para a qualificação do jurista-leitor, desenvolvendo seu horizonte de sentido, a fim de auxilia-lo na interpretação dos fenômenos jurídicos. Desse modo:

por um lado, o discurso codifica a realidade através de formas e procedimentos, instituindo-a através de uma rede de significações convencionadas e de um sistema fechado de obrigações e interdições; por outro, a literatura carece de qualquer dimensão formal, assim, liber(t)a as possibilidades, subvertendo a ordem (im)posta, na medida em que suspende as certezas instituídas, fulmina as categorias que

encerram a realidade e rechaça as convenções estabelecidas, desobstruindo, desse modo, o caminho da imaginação rumo a utopias criadoras.(TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 22)

Desse modo, percebe-se que a simples leitura de textos literários surge como uma ferramenta de melhoria social, na medida em que possibilita a construção de cidadãos baseados em valores éticos e morais vislumbrados pela comunidade em geral.

Em relação a esse aspecto, é notório que:

A obra de arte produz, mediante a imaginação, um deslocamento no olhar, cuja maior virtude está na ampliação e fusão de horizontes, de modo que tudo se passa como se, através dela, o real possibilitasse o surgimento de mundos e situações até então não pensados. (TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 13)

A interseção realizada entre os saberes do Direito e da Literatura fazem com que os juristas, através da

leitura, ampliem sua capacidade de compreensão e formulem novas soluções passíveis a melhor decidir sobre

os casos concretos:

a literatura adota em muitos domínios a forma da casuística, na qual a exposição do caso, misturando relato e argumentação, destina-se a levar à descoberta e à aplicação da lei. (OST, 2010, p. 53)

Assim sendo, as narrativas literárias cumpririam um papel de facilitadoras na resolução dos conflitos por sinalizarem a melhor forma de aplicação da lei, justamente por desenvolver no jurista a sua capacidade crítica e a ampliação de seus horizontes de sentido, somente possível por meio das peculiaridades trazidas pelo poder da linguagem:

Na língua, portanto, servidão e poder se confundem inelutavelmente. Se chamamos de liberdade não só a potência de subtrair-se ao poder, mas também e sobretudo a de não submeter ninguém, não pode então haver liberdade senão fora da linguagem. Infelizmente, a linguagem humana é sem exterior: é um lugar fechado. (BARTHES, 1980, p. 16)

Há no âmbito do Direito e da Literatura diversos escritores renomados cujas obras são de extrema valia para o estudo do Direito através da Literatura. Uma das escritoras pilares para o estudo é Marta Nussbaum, oriunda da Filosofia, que ao longo dos anos escreveu com maestria sobre os dois saberes (jurídico e literário), bases do presente trabalho. Sendo assim, TRINDADE e GUBERT (2008, p. 43) mencionam a ideia trazida pela escritora de que:

a imaginação literária possibilita o resgate da singularidade e das nuanças do

mundo da vida, pois ela aproxima o sujeito das situações de qualquer um que é diferente de si, na medida em que o leitor admite (re)conhecer, mediante uma representação concreta, o valor da dignidade humana e as necessidades daqueles que com ele vivem. A imaginação literária deve, portanto, ser entendida como “um

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componente essencial de uma posição ética que nos exige a preocupação com o bem das outras pessoas, cujas vidas encontram-se distantes da nossa.

Por fim, cabe salientar que a capacidade que a Literatura possui de sensibilizar o jurista, em que pese alguns escritores neguem a questão, traz à área do Direito um adjetivo de suma importância, visto que os estudantes e juristas, que incluem a Literatura em seu aprofundamento jurídico, passam a humanizar as relações, não se atendo somente a função processual, esquematizada, como se observa habitualmente.

2. DESENVOLVER UMA POSTURA CRÍTICA NO JURISTA

Sabe-se que a doutrina e, por consequência, a produção acadêmica, tem a função de contestar a doutrina posta e o conceito de direito repetido na prática jurídica. Desse modo, os trabalhos científicos que versam sobre o tema direito e literatura trazem consigo uma nova fórmula de estudar o saber jurídico, e apresentam- se como uma crítica aos padrões adotados nas academias na sociedade contemporânea.

Ademais, a Literatura, além de vários aspectos positivos que ela traz a este, possibilita que o leitor alcance dimensões antes desconhecidas, que contribuem para um maior conhecimento do mundo e das incertezas que cercam as relações tanto jurídicas quanto sociais.

À literatura, portanto, atribui-se a difícil missão de possibilitar a reconstrução dos lugares de sentido, que no direito estão dominados por senso comum teórico que amputa, castra, tolhe as possibilidades interpretativas do jurista, na medida em que opera com um conjunto de pré-conceitos, crenças, ficções, fetiches, hábitos, estereótipos, representações que, por intermédio da dogmática jurídica e do discurso científico, disciplinam, anonimamente, a produção social da subjetividade dos operadores da lei e do saber do direito, cuja tradição é no sentido de que “nenhum homem pronuncia legitimamente palavras de verdade se não é (reconhecido) de uma comunidade científica, ou de um monastério de sábios. (TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 15)

A literatura traz ao direito uma nova forma de resolver os problemas postos cotidianamente ao jurista, que a norma, juntamente aos costumes e outras fontes do conhecimento jurídico, por si só, não conseguem resolver, dessa forma, “sua contribuição – embora ligada mais nitidamente a uma dimensão sociológica e antropológica- é no sentido de auxiliar na compreensão do direito e seus fenômenos.” (TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 50)

Nesse sentido, há forte tendência dos escritores em especificar uma das principais características que a Literatura traz ao Direito, a de desenvolver no jurista-leitor uma postura crítica e de reflexão avaliadora frente aos casos apresentados no cotidiano, assim:

a Literatura assume, nitidamente, uma função de subversão crítica, na medida em que se converte em um modo privilegiado de reflexão filosófica que ultrapassa o marco das disciplinas científicas (sociologia, antropologia, psicologia ou economia jurídicas) que se ocupam de estudar o direito desde diversos âmbitos -, possibilitando, assim, que se trate dos problemas mais primários e, ao mesmo tempo, mais complexos da história do direito. (TRINDADE; GUBERT, 2008, p.

15)

Ainda, corroborando a isso, além de a Literatura contribuir à ampliação do conhecimento do jurista no âmbito do Direito, ela nos torna sensíveis ao mundo, “ a literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.” (CANDIDO, 1995, p.180). O que, nos últimos anos, vem sendo esquecido com a ascensão do individualismo criado pelo capitalismo.

A literatura, além de ser importante para o desenvolvimento cultural da sociedade, auxilia o jurista no desenvolvimento de seu intelecto frente aos dilemas enfrentados no estudo do Direito, conforme vem apresentado abaixo:

se, de um lado, a função do direito é estabilizar as expectativas sociais, em busca da segurança jurídica, o que resulta no congelamento do tempo, no aprisionamento dos sentidos e no extermínio fálico das emoções e dos afetos; de outro, a literatura tem uma função fundamentalmente heurística, voltada para criar, inovar, criticar, surpreender, espantar, deslumbrar, perturbar, chocar, desorientar, enfim, emocionar. (TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 23)

Ainda, a Literatura tem sua origem na abstração e na criação de um mundo fictício, no entanto, quando o Direito é estudado através dela, a arte faz com que o jurista adote uma postura diferenciada frente a cada caso, uma vez que o jurista consegue visualizá-los no imaginário, antes de serem acometidos na “vida real”. Isso faz com que o leitor possa se preparar às situações que enfrentará e, assim, produzir uma decisão correta e crítica frente ao fato apresentado.

Sendo assim, como explica François Ost, um dos escritores de suma importância à construção do conhecimento sobre Direito e Literatura, leciona que “a literatura adota em muitos domínios a forma da casuística, na qual a exposição do caso, misturando relato e argumentação, destina-se a levar à descoberta e à aplicação da lei”. (OST, 2010, p. 53)

3. AMPLIAR OS HORIZONTES DE SENTIDO

Um dos aspectos que se destaca na relação entre o Direito e a Literatura é a capacidade de a Literatura ampliar a visão de mundo do leitor através de seu imaginário. Corroborando ao alegado, esse desenvolvimento acontece pela

capacidade da obra literária de incitar o sentimento de empatia do leitor em relação aos acontecimentos narrativos e às personagens das histórias contadas, o que lhe possibilita participar de maneira segura da vida dos outros, experimentar outras situações e, consequentemente, refletir e posicionar-se criticamente a respeito de questões fundamentais do mundo prático. (TRINDADE; GUBERT, 2008, p. 54).

Felizmente, o Direito auxiliado pela Literatura torna-se mais seguro, com bases consolidadas, uma vez que a Literatura é uma ferramenta para a educação jurídica, visto que auxilia o estudante na criação de uma postura crítica perante o que lhe é apresentado. Nessa linha:

Posto isto, diríamos que em grande parte do atual discurso interpretativista pensado em torno do fenômeno jurídico decorre da concebível analogia entre o Direito e a

Literatura. Um dos domínios mais férteis dessa analogia é justamente o da permeabilidade de ambas as disciplinas a atividades interpretativas, que permite a muitos autores encarar o Direito, nomeadamente a prática judicial, como um exercício de interpretação, constitutivamente hermenêutico. (AGUIAR E SILVA, 2010, p. 78)

Ademais, a Literatura, além de aproximar os juristas do mundo e da sociedade, expandindo seu conhecimento, ela possibilita um aperfeiçoamento das habilidades dos juristas que a estudam junto ao Direito, em virtude, justamente, da capacidade de antecipar o caso concreto na ficção, possibilitando que o leitor produza uma ideia sobre a situação, facilitando a resolução do problema no cotidiano. Desse modo, conforme citado por TRINDADE, GUBERT (2008, p.16):

Sansone refere que a literatura é marcada pela sua capacidade de orientar a visão de mundo, definir normas e estilos de vida, entrar no espaço dos valores coletivos, enfim, conduzir o leitor no caso, os juristas a outros mundos possíveis, ampliando seu horizonte de sentido.

Por fim, o Direito deve evoluir e adotar novos aspectos para seu estudo e aprofundamento, nota-se que a doutrina jurídica dissociada da Literatura é superficial e falha, justamente por se ater somente a esquematização dos problemas, sem aprofundá-los. Ao aproximar as duas áreas de conhecimento, o jurista amplia seu mundo e favorece seu lado crítico, pois estende seus horizontes de sentido e anexa uma nova visão para os problemas que deverá enfrentar no cotidiano, podendo emitir uma opinião correta, extraída da razão, perante a determinada situação.

CONCLUSÃO

Portanto, são três as razões apresentadas: (1) a capacidade de tornar os leitores sensíveis; (2) o desenvolvimento de uma postura crítica frente aos problemas e, por fim, (3) a ampliação dos horizontes de sentido, as quais trazem um acréscimo marcante ao Direito, pois auxiliam no desenvolvimento crítico do saber jurídico.

A partir da inserção da Literatura aliada a interpretação jurídica, o Direito adquire bases sólidas e novas formas de conhecimento, capazes de orientar a visão de mundo e humanizar o jurista, quando perante a diversos conflitos do cotidiano da profissão e da sociedade.

Ainda, evidencia-se que o cenário jurídico necessita utilizar-se da literatura como uma nova forma de pensar e buscar o desenvolvimento crítico no Direito, bem como para expansão dos horizontes proporcionados por meio das obras literárias.

Por fim, cabe frisar que o direito deve recorrer à Literatura com o intuito de tentar evitar a estereotipação e abstração dos problemas jurídicos e sociais, dessa forma, promovendo a quebra de padrões adotados pelo viés da narrativas. Isto pois, como mencionado, o saber literário alcança todas as bifurcações possíveis de um mesmo caminhos, esvaziando a “linha reta” adotada cotidianamente através da esquematização superficial do conhecimento jurídico.

RERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CÂNDIDO, Antônio. O direito à literatura. In: CÂNDIDO, Antônio. Vários escritos. 3. ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995.

GARGARI, Rodrigo Díez. Dejemos em paz a la literatura. In: Revista de Teoría y Filosofía del Derecho, n. 29 (octubre 2008), México: Instituto Tecnológico Autónomo de México, 2008.

OST, François. Contar a Lei: as fontes do imaginário jurídico. São Leopoldo: Unisinos, 2004.

TRINDADE, André Karam; GUBERT, Roberta Magalhães. Direito e Literatura: aproximações e perspectivas para se pensar o direito. In: TRINDADE, André Karam; GUBERT, Roberta Magalhães. (Orgs.) Direito & Literatura: reflexões teóricas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008.

BARTHES, Roland. Aula: Aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária do Colégio de França. São Paulo : Editora Cultrix, 1977.

WARAT, Luis Alberto. A ciência jurídica e seus dois maridos. Editora Edunisc, 2000.

STRECK, Lenio Luiz; TRINDADE, André Karam. Direito e Literatura: Da realidade da Ficção à Ficção da Realidade. Editora Atlas, 2013.

NUSSBAUM, Martha. Poetic Justice: The Literary Imagination and Public Life. Boston: Beacon Press,

1995.

AGUIAR E SILVA, Joana. A prática judiciária entre o direito e a literatura. Editora : Almedina, 2001.