Você está na página 1de 49
Ensaista, professora de com- posigéo e regéncia em varios seminrios de misica, nacio- nais e internacionais, composi- tora de miisica coral e de camara, Esther Soliar 6 uma das figuras exponenciais do cendrio musical brasileiro contemporaneo. Resultado de uma longa e intensa praxis musical, Fraseologia musical aparece como um livro definiti- voe imprescindivel. ay 97eas-r1950117-4 Ai Mais um livro de valor da EDITORA MOVIMENTO terceira edicao SEDITORA MOVIMENTO AOBRADE ESTHER SCLIAR Poucos séo os misicos, em todo o pais, que nao conhecem Esther Soliar. Durante anos, foi professora de todos 0 seminérios de misica importantes realizados no pais. Mas séoigualmente poucos os que conhecem a extensa obra que deixou, praticamente inédita. Deve-se a Leonor ScliarCabral 0 surgimento deste primeiro volume, inttulado Fraseologia musical. Devido sua dedicagao, toda a sua obra foi analisada e estudada. Leonor Scliar ‘eve 0 cuidado de reunir musicélogos {que pudessom avaliar a importéncia e extensao do trabalho deixado por sua ima. Ainda estao sendo coletadas algumas composigdes de miisica para ‘coro que desapareceram em meio a0 Intensivo trabalho de semindrios © ‘conferéncias. Jase pode ter, agora, pelos volumes ‘organizados, uma nog&o da importan- ia da obra de Esther Scliar. Na medida ‘0m que os préximos volumes aparece- em, tanto os ensaios quanto as com- osigées, 0 piiblioo descobriré uma das maiores expross6es da miisica brasileira, Os alunos de Esther Scliar dos Sominérios ce musica ousous cantores Sosintimeros corais que ela arganizou, FRASEOLOGIA MUSICAL Colegao Luis Cosme volume 13 OBRA DAAUTORA Fraseologia musical (3* edigiio) — Movimento, 1982. Elementos de teoria musical — Novas Metas, Sto Paulo, 1985. ESTHER SCLIAR FRASEOLOGIA MUSICAL terecira edigao Preficio de Conrado Silva ® movimento capa ‘Clin Isabel Missiogga Diagramasa0 Vitor Beto Revisio ‘Leotior Scliat-Cabrat Myrna Bier Apel Compitest0 Clarice Debrowoska Primeiaedigdo: 1982 CATALOGAGAO NA FONTE DO DEPARTAMENTO NACIONAL DOLIVRO sane Seti, Esther, 1926-1978, Fraseologia musical / Esther Sela, preficio de Conrado Silva. — 3. ed, — Porto Alegre: Movimento, 2008. ‘96 ps 14x 21 em. (Colpo Luts Cosme; v.13) Incl bibiograi, ISBN 978:85-7195-117-4 1. Composgto (Misia), 1 Tuo. I. Séxle cop 781.61 2008 Diritos desta edigio reservados & Editors Movimento Ra Banco Inglés, 252 Morro Santa Teresa Tel (S1) 3232-0071 Fax (51) 3232-0001 swwwedioramovimento.com be tditoramovinento@editoramoviment.com br 0840-60 - Porto Alegre RS~ Brasil SUMARIO Preficio /7 Conrado Silva Fraseologia /9 Da semelhanga e diferenga / 9 Da proximidade e separagaio / 10 Da influéncia das qualidades do som sobre o inicio € 0 final dos agrupamentos / 10 Dos elementos fraseolgicos / 21 Da detimitagao dos incisos / 22 Do membro da frase / 26 Agrupamentos especiais / 32 Da frase / 37 Agrupamento em cadeia / 42 Da frase isolada 44 Do periodo ou sentenga / 45 Dos periodos afirmativos / 59 Periodos contrastantes / 59 Bibliografia / 95 PREFACIO Conrado Silva ‘Numa linguagem concisa, sem o aciimulo de palavras a cuja presenga em torno da arte Valéry aludia criticamente, neste livro, Esther Scliar, decantando longos anos de fecunda experiéncia diddti- ca, mergutha numa temética abstrata e pouco trithada, desentra- nhando exaustivamente alguns dos mecanismos que ligam os ele- mentos no discurso musical. Compositora, musicdloga, intérprete, professora exemplar, ela soube encaminhar geragées de artistas para um estudo sério, critico das diversas fases de misica, especialmente na drea da nusica con- temporénea. A bibliografia musical brasileira padece de uma falta erénica de material escrito no campo da musicologia, da pedagogia ou da estética musical. As contadas excecdes de trabalhos universitérios ow pesquisas de folego devem-se ao esforco pessoal, poucas vezes reconhecido, de alguns destemidos estudiosos que, com enorme difi- culdade, conseguem as vezes vencer a indiferenga do meio ou a le- targia das casas editoras. Uma segunda e penosa fase comecard en- tao nas prateleiras das livrarias para chegar ds méos de algum estu- dante que, por prépria iniciativa, se disponha a lé-to. Neste contexto, fazendo parte de um ambicioso projeto da au- ora, o livro integra-se também numa visdo ampla onde o fendmeno musical é analisado sob diferentes pontos de vista. A autora pesquisou numerosos autores e obras, trazendo para este livro grande quantidade de usos e modos, em forma de exemplos do texto, convertendo o livro num dos mais documentadas sobre 0 cassunto. Em suma, um livro capaz de introduzir ao estudo e para ser usado como material de base em maos de estudiosos ¢ amantes da FRASEOLOGIA Em sua projegao temporal, os sons tendem a se articular em pequenos agrupamentos delimitados por cesuras. Estes agrupa- mentos concatenam-se entre si, formando conjuntos maiores, os quais se encadeiam com os seguintes, formando novos grupos. O carater desta projecio é sintatico, semelhante ao discurso verbal. Seu estudo: Fraseologia. Agrupamento frascolégico — "é o produto da semelhanga, diferenga, proximidade ou separagio dos sons pereebidos pelo ouvido e organizados pela mente." 1. DA SEMELHANGA E DIFERENCA Quanto maior a afinidade entre os componentes estruturais, tanto maior a coesdo e vice-vers: " Cooper, Grosvenoz W. e Meyer. Leonard B., The Ryne Sructur of Music, Chicago: The University of Chicago Press, 1960 Fatores bisicos de coestio Duragées — Emissées isécronas —Homogeneidade do género— Configuragdes homogéneas? — Homogeneidade ou coeréncia harménica — Homogeneidade de configuragao* —Textura homogénea N. B.—Fimbora a homogeneidade dos timbres condicione a coc- slo, torna-se inoperante sua especificagao na estrutura da sintaxe. 2. DA PROXIMIDADE E SEPARAGAO Proximidade Alturas Separagao Idénticos ou contiguos Registro(s) Distanciados Minimo Espago melédico Maximo (st? Resolugio Notas atrativas Espago harménico _(Especialmente a cadéncia) Duragdes Pausa Quanto mais longa, tanto maior a separago. » Esclaresimento posterior > No temperament gual Velocidade das emissées Quanto mais répida, tanto maior 0 nexo com o proximo som e vice-versa. Obs.: Contraditoriamente, a semelhanga de configuragdes melédi- cas ou ritmicas condiciona a coesao e a separagao dos agru- pamentos. Em outras palavras: a homogeneidade propicia a coe~ so do conjunto; os agrupamentos, porém, so autnomos, estan- do separados por cesuras, Exemplo | Ludwig van Beethoven, 2* Sinfonia - I movimento, A B movimento \. movimento género diatnico = \. _ género cromético duragdes predominante- ° Semethanga duragdes isécronas mente isécronas timbre homogéneo timbre homogéneo registros:Sa4 9 __ — registros: 3.4 intervalos: 2° @ 3% > PrOXImidade te B:A Diferengas Semelhangas Separag3o— Proximidade Movimento Timbre homogéneo Registros Complementagao direcional Espago intervalar melédica: Duragées (sé 1 Configuragio 1) movimS- mo- género —_diiferenga) melédicat vim. 7 redundanci 2) pontuagao hharménica sensivel / dominante “As configuragdes esto separadas melodicamente pela diferenga de genes euieconalidads u Agrupamentos menores Separagio a:bte Duragéio maior Os elementos fraseolégicos subordinam-se as leis do movi- mento. A fraseologia é, pois, uma manifestagao do RITMO. Como foi visto anteriormente, cada movimento ¢ constitui- do de duas fase Impulso ou ARSIS Apoio ou THESIS Em muitos agrupamentos, a ARSIS esti omitida. Estando presente, constitui a fase inicial do movimento, cabendo a THESIS a complementago, Cada um dos movimentos possui uma tendén- cia especifica. O impulso é a manifestayao de energia, tendendo a durar © menos possivel, enquanto que o apoio se identifica com 0 repouso, tendendo a durar mais. Cada agrupamento musical pode ser classificado de duas maneir a) quanto a io ) quanto ao final. Em cada uma das maneiras, ha varias possibilidades: 4) Quanto ao inicio Se o agrupamento iniciar com a Thesis, o ritmo é TETICO. Exemplos 2a; 2b. . Se 0 agrupamento iniciar com a Arsis, 0 ritmo éANACRU- SICOS Exemplos 3a; 3b. 50 Fiagmento que precede a Tenis denomina-se anacrse 12 Se o agrupamento iniciar apds a Thesis, com precedéncia de pausa no superior a um tempo, o ritmo é ACEFALO, DECAPI- TADO ou PROCATALETICO. Exemplo 4. Exemplo 2a Anténio Vivaldi, Le quattro stagioni adigio 'Bstate) Exemplo 2b Heitor Villa-Lobos, Choros n° 9 lento an = i # St f - Pea f -37 Ls Exemplo 3a Johannes Brahms, 3* Sinfonia poco allegretto essay + Exemplo 3b Beethoven, 8 Sinfonia - 1° movimento oot Exemplo 4 Giambattista Marti i, Sinfonia a quattro t (Obs. Algumas vezes,o desenho se inicia na Thesis, mas seu carder é anacriisico, Este cardter se deve fundamentalmente ao parimetro duragao, ou seja, rapidez das emissbes, muitas vezes reforgadas por saltos e movimento ascendente, Exemplo 5. Exemplo 5 Beethoven, Sonata op. n°2 (Rondé) t Sob o ponto de vista perceptivo, o ritmo ACEFALO se rela- ciona diretamente com 0 TETICO, pela supressio de seu inicio. Entretanto, este relacionamento sé se evidencia quando: 1°) houver reprodugiio de agrupamento (lei da simetria). Exemplo 6a 2°) a durago dos agrupamentos for relativamente longa. E- xemplo 6b. segundo aspecto é mais importante, pois os sons de breve duragdo tenciem a se concatenar com os seguintes, caracterizando, por seu ritmo impulsivo, os ritmos anacrisicos. Exemplo 6c. Exemplo 6a John Blow - Ground S ¢_Sinerria oq Siners _ 4 Exemplo 6b, 6 Henry Purcell, Dido and Aeneas - Ah! Belinda, lam prest with torment 4) Quanto ao final ‘Terminagdo masculina: o tltimo som do agrupamento coin- cide com 0 apoio. Exemplo 7a; 7b. Exemplo 7a Areingelo Corelli, Sonata op. Sn® VIII Exemplo 7b William Byrd, Pavana - The Earle of Salisbury ‘Terminagio feminina: o tiltimo som do agrupamento é pos- terior a0 apoio. Exemplos 8a; 8b. Exemplo 8a Benedetto Marcello, Il miu bel foco + t Exemplo 8b Alessandro Scarlatti, Se Florindo ¢ fedele | ‘Terminagao feminina com caréter masculino: finaliza apos a Thesis, sendo, porém, acentuada, em virtude dos fatores condicionantes do acento: precedéncia de valores menores e salto, por exemplo. Exemplo 9. pe BSE t Exempla 9 J.B. Lozillet, Suite em Sol m (Sarabanda) tr k Terminagio masculina com cariter feminino: coincide com a Thesis, todavia, seu efeito se equipara A terminagao feminina; resolugdo de apogiatura, por exemplo. Exemplo 10. Exemplo 10 Franz Schubert, Die schoene Muellerei - Morgengruss non a 4 ‘Terminagao suspensiva ou decaudada: o apoio final ¢ omi- tido, embora a Thesis possa estar enunciada na harmonia, Exem- plo Ha. Exemplo Ha Brahms, 1* Sinfonia - 3° movimento * Obs.: Nao s6 a pausa caracteriza a suspensiio. Esta também é ma- nifesta quando a terminagao ¢ interrompida por novo agrupamen- to, Exemplo 11b. Exemplo LID Wolfgang A. Mozart, Sonata K 310 allegro maestoso Os agrupamentos de maior extensio so constituidos de va- rias Thesis. A primeira ea Gltima sao os principais pontos de apoio, denominando-se ICTUS. Exemplo 12. Exemplo 12 Gustay Mabiler, adagietto infonia 3 ap ee = 3. DA INFLUENCIA DAS QUALIDADES DO SOM SOBRE O INICIO E O FINAL DOS AGRUPAMENTOS, Durago: A diferenga de velocidade que, por um lado, acarreta a proximidade ¢, por outro, propicia a separagao, favorece, no 1° ‘caso, 0 inicio anacriisico; no 2° caso, a terminagaio masculina, As- sim, na relagiio causa ¢ efeito, observamos: precedéncia de valores menores — proximidade — inicio ana- eriisico. Seqiiéncia de valores menores — sepatagio — terminagio mas- culina. Exemplos 13a; 13b, Exemplo Lia Frédéric Chopin, Sonata op. 58 allegro maestoso Exemplo 13b Beethoven, Sonata py violino ¢ piano em F a M t LoS Intensidade: A Thesis é muito mais um centro de gravidade ritmi- ca do que uma manifestagio de intensidade; portanto, o seu volu- me esta implicito, em conseqiiéncia dos fatores condicionantes do acento, Todavia, os sinais de maior grandeza na intensidade enfatizam o ataque tético, assim como reforgam o aumento de ten- so, quando esta se manifesta na projegao melddica, harménica ou timbrica, Exemplo 14. Exemplo 14 W.A, Mozart, Réquiem - Rex tremendae £ Feet eee * ‘A combinagaio das diferengas de duragaio e intensidade propicia 0 inicio anacrtisico com terminagao ferninina. Exemplo 15. (Obs.: Em geral, a terminagao feminina com carter masculino esté precedida por valores menores. Sua ocorréncia, porém, se efetua apés a Thesis, a qual, assim como no inicio anacriisico, resulta dos fatores condicionantes do acento, Exemplos 16a; 16b. Exemplo 15 P.L. Tehaikowski, * Sinfonia - 1° movimento Exemplo 16a Georg F. Haendel, O Messias - Chorus n° 28 Exemplo 166 Mabler, 2* Sinfonia - I* movimento Em determinadas circunstancias, a nota que sucede o valor maior pode corresponder A terminagao feminina como se verifica, por exemplo, quando a configuragao do novo agrupamento é unidirecional. Exemplo 17. Exemplo 17 Beethoven, 6 Sinfonia - 5* movimento 20 Quando a resolugtio da apogiatura corresponde a som de breve valor, este se concatena com o préximo, eatacterizando 0 inicio anaeriisico. A coeso se intensifica quando os seus componentes formam um semitom ascendente, Exemplo 18, Exemplo 18 Beethoven, Sonata op. 7 largo 4 4, DOS ELEMENTOS FRASEOLOGICOS, O menor elemento fraseoligico € 0 INCISO. Dois ou mais incisos formam um MEMBRO DE FRASE. Dois ou mais membros de frase formam uma FRASE. Duas ou mais frases formam um PERIODO (as excegdes sertio examinadas posteriormente), A propésito do inciso, ha muitas controvérsias no que se refere ao significado e significante, Riemann ¢ Bas empregam como sinénimo 0 termo motivo. Para o iiltimo, tais elementos consti- tuem 0 germe da composig2o musical, da mesma maneira que os pés constituem os elementos fundamentais do ritmo e da palavra. ‘Vincent d'Indy utiliza 0 vocabulo célula, referindo-a como 0 me- nor elemento sintético e morfoldgico. Para Erickson ¢ Leichentritt, 21 os motivos constituem a matéria-prima da construgio musical. Tacchinardi usa a terminologia grega ("Kolon" e "Kolas" — este, no plural) para expressar qualquer figuragio sintatica, Schoenberg se refere apenas ao motivo-germe da idéia, considerado como 0 “minimo miltiplo comum" da composigio. Stein propée "figura- 40" (figure) como a menor unidade da construgao musical: ele- ‘mento formado no minimo por um intervalo caracteristico, poden- do incluir de dois a doze sons, enquanto que o motivo significa, por um lado, um breve sujeito de uma invengao®e, por outro lado, um fragmento temiatico constituido de duas ou trés figuragdes. Por questdes didaticas, adotaremos os seguintes crit O menor agrupamento da sintaxe musical & aquele no qual a Thesis se insere, ou seja, INCISO. Quando o inciso é segmentivel, cada um dos fragmentos com os elementos corresponde a uma FIGURAGAO. ‘As figuragdes podem também funcionar como elementos de ligagao’. inciso pode estar oculto em algumas vozes. Sua evidéncia emana da insergao tética nas vozes superpostas. N.B.: Muitas vezes, o inciso se identifica como motivo, cons- tituindo 0 germe da estrutura musical. No volume sobre forma, examinaremos esta questo com mais detalhes. 5. DA DELIMITAGAO DOS INCISOS Nem sempre € facil delimitar os incisos. Entre os fatores que dificultam esta tarefa reside 0 da representagao defeituosa do * Aplicando-e também a0 “motto, "madrigal” e todas a fomas motvias, assim como na laboragio dos desenvolvimentos u dems sepes da esr a serem examinadas no vol Ime Bx sobre forma. " Maioreseslarecimentos, no final deste capitulo. 2 compasso. A incluso de ornamentos ou linhas ornamentais tam- bém contribui para a dificuldade analitica, Obs.: Na linguagem polifonica, a sintaxe de cada voz & in- dependente. Os incisos mais fiiceis de reconhecer sto aqueles cujo final 4 delimitado por: 1°) Pausa. Exemplo 19a, Exemplo 198 L. Luzzaschi (sé. XVI, Quivi sospiri - Madrigal t 2°) Som de maior duragio. Exemplo 19b. Exemplo 19D H. Purcell, Suite II - Corrente 3°) Reprodugaio igual ou elaborada do desenho. Exemplo 19e. Exemplo 19¢ F. Joseph Haydn, Sinfonia Londres - Finale LT ALT 2B s inicios podem ainda ser delimitados pela: 4°) Mudanea de configuraco, inclusive no movimento direcional do desenho. Exemplos 19d; 19e. 5°) Reprodugo de nota. Exemplo 19f. Exemplo 194 W.A. Mozart, Sonata K 330 - 1 movimento Me, ye Thesis Theos Exemplo 19¢ W.A. Mozart, Sonata K 330 - 3° movimento i Exemplo 19f WA. Mozart, Sonata K 330 - 1° movimento N.B.: No exemplo 19f 0 fator primordial & a reprodugiio do desenho; a reprodugao da nota apenas reforga este fator. Por outro lado, no exemplo 19¢ o fator mudanga de configuragao sobrepuja 0 da repetigao da nota 4 E nevesséirio estabelecer-se distingo entre o efeito da repro- dugo ou mudanea de configuragao do desenho sobre o acento con- dicionado e a delimitagao do agrupamento. Neste caso, a cesura se estabelece exatamente entre os dois desenhos, enquanto que o 1° caso ocorre no momento tético, como se verifica nos exemplos 19d € 19g, no iltimo com mudangas de compasso por nds estabelecidas ‘em conseqiiéneia da supracitada reprodugaio de desenho. Exomplo 19g Brahms, |* Sinfonia - 4° movimento Gi> Excegdes No 1° fator, a linha melédica do inciso pode estar fragmen- tada em figuragdes separadas por pausas. Esta ocorréncia se veri fica mais freqlientemente nas linhas ornamentais ¢ nos agrupa- ‘mentos piramidais, este a ser elucidado posteriormente. Seja num ‘u noutro caso, o inciso 86 se efetiva com a insergio tética. Exem- plo 19h. Exomplo 19h W.A. Mozart, Sonata K 330 - 1° movimento 28 No 2° fator, eventualmente os sons de maior duragao do inicio a um novo agrupamento. Esta excegdo se manifesta, por exemplo, na mudanga de textura ou de timbres. Exemplo 194 Quanto ao 3° fator, sero dados maiores esclarecimentos no estudo de agrupamentos piramidais. Exemplo 19 W.A. Mozart, Sonata K 310 andante 6. DO MEMBRO DE FRASE Em principio, dois ou trés incisos formam um membro de frase. Os membros de frase, portanto, podem ser bindrios ow ternirios, de acordo com 0 nimero de incisos que os compéem acoplamento dos incisos se fundamenta nos principios da coestio, complementagio e redundancia. No 1° caso, prevalece 0 fator proximidade: relagdes de segundas, registros homogéneos ou contiguos, além dos pressupostos examinados anteriormente. Na complementagi, o principio da inteligibilidade esté em pri- mazia: arrematagdio harménica, clareza ritmica e, de maneira mais sutil, o concatenamento, tensio e distensio na melodia. A redun- dancia contribui para a unidade do discurso, consubstanciando a anfase das proposigdes sintaticas. Exemplo 20a. Examinemos este exemplo. 26 Exemplo 20a Brahms, 2” Sinfonia - 2° movimento pt. No 1° membro de frase, o acoplamento dos dois primeiros incisos decorre da semelhanga da configurago. O 3° inciso pode- ria dar inicio a um novo agrupamento; todavia, em cada um dos trés incisos iniciais, predomina a linha diagonal, enquanto que 0 perfil dos demais é fundamentalmente angular. Por outro lado, 0 ‘encadeamento harm6nico do aludido inciso reforga a harmonia do precedente no qual as fungdes D eT aparecem apés as fungdes D € (D9) da Sr, ou seja: D7 9) po sTDT v sr wo No 2° membro de frase, 0 2° inciso enfatiza harmonicamente a suspensdo do 1° e, s6 apés, processa-se a cadéncia. 27 TD TD Ta Assim, a redundéncia harménica do 2° membro de frase for- talece este agrupamento, separando-o ainda mais do precedente. Eventualmente, a proposigo torna-se resumida, restringin- do-se apenas a um inciso, Este fato pode ocorrer quando, por exem- plo, apds a cadéncia, um desenho € reexposto com diminuigao de valores. Exemplo 20b. Exemplo 200 Beethoven, Sonata op. 2, 12 -I* movimento ens. 12 sietetestt scoleit! Neste exemplo, ha dois agrupamentos maiores, separados entre si pela cadéncia e pela reprodugao da configuragao. Por sua vez, o 1° agrupamento é dividido em trés membros de frase, no 1° dos quais os incisos se acoplam fundamentalmente em conseqiién- cia da proximidade intervalar e da unidirecionalidade do movi: mento. 28 ‘Apés a cadéncia, o agrupamento inicial 6 ransposto uma 5*J. cima; esta circunstincia condiciona a diminuigao de valor da I* figura. assim, o membro de frase que inicialmente fora binario fica reduzido a 1 elemento, como se verifica nos esquemas a segui Ubu Ud. z om om oF Pon o htt Lis Sob o ponto de vista quialitativo, os membros de frase clas- sificam-se em afirmativos e contrastantes. Afirmativos: os incisos so iguais ou semelhantes, Contrastantes: 0s incisos diferem, Nos membros de frase ternirios, pode haver reprodugio ou semelhanga entre dois incisos; ainda assim, basta uma diferenga para caracterizar 0 contraste. Exemplos 21a; 21b; 22a; 2b; 2c; 224. N.B.: A estruturagio do discurso musical se estabelece com a proposi¢o —uma articulagdo menor, cujo perfil possui um cer- to acabamento, propiciando, assim, sua conexdo com outras uni- dades. Geralmente, a proposigdo ¢ exposta pelo primeiro membro. Exemplo 21a Johann Sebastian Bach, Pai 10S. S, Jodo - Coro 67 membro de frase binario contrastante 29 Exemplo 21 Beethoven, Sonata op. 2, n° 3- 1? movimento allegro con brio Exemplo 22¢ Haendel, O Messias - n° 13, larghetto membro de frase binirio contrastante Exemplo 22a W.A. Mozart, Sonata K 330 - I* movimento allegro moderato membro de frase terndtio afirmativo Exemplo 22b W.A. Mozart, Sonata K 283 - allegro _membro de frase temnério contrastante (os 3 incisos diferem) 30 Exemplo 22d W.A. Mozart, Sonata K 330 allegretto 3a San _membro de frase temnério contrastante (0 3° inciso difere) de frase do agrupamento, pois sua estrutura se assenta sobre s6lido encadeamento harménico. Muitas vezes, porém, especialmente nos andamentos lentos, a proposigio ja se define no inciso. Nos anda- mentos muito rapidos, a proposigao pode corresponder a uma fra- se’. Exemplos 23a; 23b. Exemplo 23a J. Haydn, Sinfonia n? 22 - movimento * Os caracteres © 0 condicionamento fase sro examinados pstrinment 31 Exemplo 236 Richard Strauss, Till Eulenspiegel comodamente 7. AGRUPAMNETOS ESPECIAIS Agrupamento Pivé & uma estrutura pluritética, cujo perfil & \divisivel em agrupamentos menores, Mormente, a unificagao deste agrupamento decorre dos se~ tes fatores 1) Movimento unidirecional 2) Arpejo (geralmente unidirecional). 3) Duragdes iséeronas, 4) Complementagao harménica, 5) Conjungo melddica, especialmente o semitom ascenden- te, Exemplos 24a; 24b. gui Exemplo 24a Giovanni B, Pergolesi, Se tu m'ami ‘andantino 32 } Exemplo 24b Anriquez de Valderravano (-/ 1547), Diferencias sobre Guirdame las vacas p/alaide e————. Obs.: Dentre os fatores acima expostos, sobressai a complementagéo harménica, especialmente quando reforgada pelo semitom ascendente, pois o volume dos acordes, fortalecido pela solidez do encadeamento, favorece a coesto e a proximidade entre os sons do agrupamento; reciprocamente, a indivisibilidade da melodia torna o encadeamento mais resistente. Geralmente, o agrupamento piv6 se encontra no final de uma frase cuja proposig&o corresponde a um membro de frase afirmati- vo. A coestio do agrupamento pivd contribui para a consisténeia do agrupamento frascolégico. Exemplos 24c; 24d. Agrupamento Piramidal: 6 antindmico a0 precedente, referenciando-se a um inciso (e portanto unitético) dividido em pequenas articulagdes, entre as quais, pelo menos numa, o apoio niio é preponderante. AS articulagdes dos agrupamentos piramidais sto distintas das figuragdes, pois estas, por um lado, correspondem a distintas fases do movimento” e, por outro lado, correspondem a ornamen- tages melédicas, enquanto que, nas primeiras, o movimento esté completo, embora, como foi visto acima, o apoio niio seja prepon- derante'’. Exemplos 25a; 25b; 25c. * Muitos vers eaprescntaas em condensgdes ° En Sruenure and Spe, Stein substitu eno insio por Fgura (gw), Todavi alguns exerplos desta aba corespondem a disinas faces do movimento embora esteam bastante Caracerzadas em Seu perl identieando-se com o motivo. Assim forse ras clara asi ‘pinto de queo temo "motivo" poss so ossonalmenteusado como sndnime de igus. 33 || Exemplo 24¢ W. A. Mozai allegro assai mata K 189 e (280) Exemplo 24d Beethoven, Sonata op. 2, n® I - Menuetto alegretto 34 Exemplo 25a W. A. Mozart, Sonata K 570 Freee , ——— Sy Exemplo 250 Beethoven, 6* Sinfonia - I" movimento @ .__*,@ a’ figuraglo correspondendo a parte final de a Exemplo 25 Beethoven, Sonata op. 2, 1° 1 adigio figuragdes por omamentagao melédica 35 Obs.: £ comum a ocorréncia da reprodugao do desenho nes- te agrupamento. Como foi visto anteriormente, esta caracteristica € uma das premissas para o condicionamento do acento que (no caso) pode corresponder ao apoio preponderante. No agrupamen- to piramidal, porém, a Thesis nao se insere na articulagao recor- rente, pois, geralmente, este agrupamento aparece nas seguintes citcunstincias: 1°) as articulagées piramidais reproduzem, elaboradamente, © agrupamento anterior. 2° as articulagdes piramidais estio interligadas pela proxi- midade ritmica e melddica; no tiltimo caso, em relagdes de 2's, aplicando-se também & harmonia," 3°) 0 n° de compassos do agrupamento piramidal é equiva- lente ao da proposig&o (simetria). Exemplos 25d; 25e, Exemplo 25d W.A. Mozart, Sonata K 281 - 1 movimento 1 agrup, -2¢. /agrup. piram, - 2c Exemplo 25e Brahms, 2° Sinfonia - 1* movimento fee freee ‘mudanga auditiva ce compasso em vistude dos fatores condicionantes do seento "Nem sempre as relades de 2 aparecem na harmenis; na melodia, prim, so fraletes 36 Agrupamento Fusdo é aquele no qual a prolong: faz arrastar a figuragdo impulsiva para o momento de apoio. Exem- plos 26a; 26b. Exemplo 26a Beethoven, 2* Sinfonia allegro con brio ites Exemplo 266 Brahms, |* Sinfonia - 1" movimento 8, DAFRASE ‘A frase se distingue dos agrupamentos anteriores pelo aca- bamento de sua estrutura; é mais extensa ¢ finaliza com cadéncia. O membro da frase poderd concluir com cadéncia; esta, porém, ¢ menos contundente, pois, por um lado, sua linha melédica esté incompleta e, por outro lado, a durago de seu transcurso é efémera. Geralmente, a fiase resulta da conexdo de dois ou trés mem- bros de frase. Muitas vezes, porém, sua estrutura é mais ampla, seja pela soma de quatro membros de frase bindrios e/ou ternarios, seja pelo acréscimo de um inciso a um grupo ternario. Contudo, a maioria das frases ¢ bindria ou temdria.” " Posteriormente sro dads esclarecimentos sobre "agrupamento em cade" 37 Sob o ponto de vista qualitativo, as frases podem ser: Exemplo 28 1) Afirmativas Beethoven, 9 Sinfonia - 2° movimento 2) Contrastantes 3) Irregulares 1) Afirmativas: 0s membros de frase sto iguais ou seme- Ihantes. Exemplos 27a; 27b; 28a; 28b. Exemplo 278 ‘Schubert, Die schoene Muellerin - Trockne Blumen Ziemlich langsam pe ae: fe eS Sa Bes Aas ee en frase bindria afiemativa frase ternéria afirmativa Exemplo 27b W. A. Mozart, Sinfonia n° 40 - 3* movimento / Menuetto alegretto 2) Contrastantes: 0s membros de frase diferem em seu per- fil. Exemplos 27c; 27d; 28c; 28d; 28e. Exemplo 28a J.S. Bach, Invengao a duas vozes em Sib M Exemplo 276 John Dowland, What if I never speed frase bind frase ternéria afirmativa 38 39 Exemplo 27d Bralims, * Sinfonia - 2° movimento adigio non troppo frase binéria contrastante Exempla 2 WA Mora, Sonata K 279 moat ps be Fa » ALF gett: Ee frase temnéria contrastante (0 1° membro de frase difere) Exemplo 28d Haendel, O Messias - Aria n? 36 allegro frase tenia contrastante (0 3° membro de frase difere) Exemplo 28 Chritoph W. R. Gluck, Iphigénie en Aulide - Diane impitoyable eS ET frase ternéria contrastante (os 3 membros de frase diferem) 40 3) Irregulares: os membros de frase diferem na sua exten- siio. Assim, por exemplo, numa frase bindria, o primeiro membro de fiase pode ser bindrio, e 0 2°, temério, Exemplos 29a; 29b. Exemplo 29a W. A. Mozart, Sonata K 330 a Obs: a frase ¢ totalmente contrastante & 0 2° membro de frase é afitmativo, nio obstante o pequeno contraste no 1° ineiso 41 Exemplo 290 | Haendel, O Messias - Aria n? 20 Jt. ra =p frase bin. irreg. Obs: assim como os m. def frase 6 contrastante ndo obstante a identidade entre os incisos iniciais. N.B.: No exemplo 29a, 0 3° inciso inicia o novo agrupamen- to pelas seguintes razbes: 1") em cada membro de frase, as fungdes harménicas estio aproximadas por relagdes de 2's. Nas notas mais agudas dos dois primeiros agrupamentos, observamos 0 seguinte eixo: fi-mi-fa- ré-d6i#si-d6. 2") a anacruse deste inciso, por seu cariter impulsivo, dinamiza ‘0 movimento, aproximando-o, assim, das articulagdes subseqitentes. 3°) no 2° memibro da frase, o primeiro inciso origina os demais. 9. AGRUPAMENTO EM CADEIA E por um agrupamento maior, cuja extenstio € geralmente provocada por progressées modulantes. Este agrupamento condiciona a cadéncia evadida; esta, porém, poder ser condiciona- dla por outros fatores, como seré visto posteriormente. Exemplo 30. 2 ‘Exemplo 30 Beethoven, 3* Sinfonia - 1" movimento allegro con brio vl lel bed ELA LL oy me es se UOT swrse off o—T 43 Consideragdes sobre 0 exemplo 30. s trés primeiros membros de frase so afirmativos; 0 3°, porém, contrasta com os precedentes, o diltimo dos quais esta condensado, iniciando a preparagao para 0 ponto culminante que se intensifica com novas condensagdes e a projegiio para 0 agudo com uma anacruse, que atinge o ponto culminante no inicio do 4° membro de frase; este finaliza em suspensio, preparando a cadén- cia, que 6 atingida com uma linha diagonal descendente. 10. DA FRASE ISOLADA Em geral, as frases se concatenam entre si, formando agru- pamento de maior dimensto. Vez por outra, porém, a frase 6 auténoma, a exemplo das introdugdes, transigdes, codas e demais ‘elementos auxitiares da forma". Exemplo 31 Exemplo 31 W.A. Mozart, Sonata K 283 - 1° movimento © Maiores dtathes no volue Estudos sobre forma 4 i afirmativa isolada Cad. definitiva 11. DO PERIODO OU SENTENGA O periodo é 0 agrupamento mais completo da fraseologia, correspondendo, muitas vezes, a uma parte da estrutura morfolégica. Ha pecas formadas por um s6 periodo, como se veri- fica em "A dew, a dew" de Robert Comysh. Exemplo 32. § — Exemplo 32 Robert Comysh (1465 - 1523), "A dew, a dew" 1) iid a egdidd "a 1) 45 Sob o ponto de vista quantitativo, os perfodos se classificam em bindrios, temnérios ou duplos. O condicionamento destas estru- ‘uras depende basicamente do principio da complementagio, prin- cipio este que se define em fungao do relacionamento entre o ante- cedente € 0 conseqiiente. O antecedente enuncia uma proposigio cuja cadéncia nao € definitiva, Esta condigfo esté relacionada com 0 cariter da propo- siglo, cuja oragio é geralmente interrogativa, pois finaliza com a cadéncia suspensiva. Oconseqiiente complementa o antecedente e, portanto, quan- do esta oragao ¢ interrogativa, a subseqtiéncia pontua com a ca- déncia conclusiva. Este paradigma & mais caracteristico nos perio- dos binarios, especialmente naqueles que do ponto de vista quali- tativo sio afirmativos (paralelos). Exemplo 33. Exemplo 33 ‘Schubert Improviso op. 142, n° Anvsrocere =P Excegdes antecedente pode finalizar com a cadéncia conclusiva quando: 1°) A fungdo tOnica é enfatizada. Exemplo 34a. 46 Exemplo 34a W.A. Mozart, Sonata K 281 - I" movimento alllegro o Pena Bina 2) O conseqiiente modula, finalizando em cadéncia con- clusiva ou suspensiva. Exemplo 34b. 3°) Os membros de frase do antecedente sio iguais ou seme- Ihantes"*. Exemplo 34c. conseqtiente pode pontuar com cadéncia suspensiva quando: 1°) Como elemento auxiliar da forma, se encontra inserido na introdugao, transigao, ou retransigdo'®. Exemplo 35a. ¥ Geralments, enfizando a tien Os epistiiose interiios também poder fnalizr com cadéncia suspensiva, com seré visto no volume Estudos sobre forma. 47 Exemplo 34b ‘Schubert, Die schoene Muellerin langsam Awreceoenne ces ea aniere eee ore oT 48 Exemplo 34¢ Beethoven, Sonata op. 2, n° 3 - 1° movimento F eomsieere > 49 Exemplo 35a W.A. Mozart, Sonata K 333 allegretto gracioso peewee + 2°) Corresponde a uma parte intermedisiia, intercalada en- tre estruturas recorrentes, especialmente quando esta parte niio & sucedida por transigaio ou retransi¢a0. Exemplo 35b. Pm cn _ gram owas Pore som So) ee 50 Exemplo 356 19 com anacruse a 16: parte b ‘Schumann - Waldszenen op. 28 - Einetritt Estrutura terndria transfigurada A - B ~A' codetta sl 3°) Faz parte de um periodo duplo. Neste caso, 0 2° periodo geralmente pontua em cadéncia conchisiva, respondendo como conseqtiente ao antecedente inicial. Exemplo 35c. leeeeae oo anay 1 L- Oe. Sgr Por ss S OO oe : trot WS mo rer or )bs.: Muitas vezes, todo um perfodo € reproduzido. Esta repetigao, geralmente omamentada, nao afeta a estrutura sintitica, pois a redundancia é total, como se verifica no exemplo anterior (C1729 emrelagdo a0 c/ 1a 16), caracterizando apenas o periodo recorrente.! Em determinadas circunstancias, a suspensto no conseqiiente propicia a eclosio de elementos conectivos (transi¢ao ou retransigdo), os quais, especialmente nas partes intermedirias, poderdo emergir da dilatagao da cadéncia. Exemplo 35d. ° Aplcando-s também fase 2 Exemplo 35¢ Mozart - Sonata K/309 - Andante 3 Exemplo 35d Beethoven, Sonata op. 13 - Rondé (comp. 79 a 120) Rerantacho oe. neoehane Neste exemplo, todas as frases pontuam em cadéncia suspensiva, Todavia, o perfil da 2* frase, em cujo primeiro mem- bro de frase os intervalos se encontram invertidos, caracteriza a resposta de um conseqtiente. Por sua vez, este periodo é reprodu- zido (¢/ 87-94), Apés a frase contrastante (c/ 95 a 98), Beethoven reexpde omamentadamente a parte inicial, eliminando, porém, o periodo recorrente em conseqiléncia da modulago enunciada no final do periodo (c/ 107). Assim, nao obstante o fato de pontuar em cadén- cia suspensiva, o elemento contrastante adquire o cariter de frase isolada, pois a relagdo antecedente ¢ conseqiente da tiltima frase (c/ 99-107) é mantida, O carter de conseqiiente toma-se mais ni- tido ainda em virtude da protongagio da cadéncia, cuja fragmen- {ago em figuragées dinamizadas por progressdes ascendentes fa- zem conferir 4 mesma uma fungao conectiva, no caso, a retransigio."” maT Na volume Bsr sobre forme, abordarmos os elements concetvos com mais detalhes 58 Quando 0 antecedente modula, geralmente 0 conseqiiente converge ao tom inicial ou se mantém no mesmo pélo. Muitas vvezes, porém, o conseqtiente modula para outra tonalidade, como se verifica no exemplo 20b."* Sob o ponto de vista qualitativo, os perfodos podem ser: afir- mativos (paralelos), contrastantes ¢ irregulares. 12. DOS PERIODOS AFIRMATIVOS. Nestes periodos, as frases sio homogéneas em seu perfil Esta homogeneidade no pressupde a identidade das cadéncias se aplica a derivantes oriundas das elaboragées. Os periodos mais afirmativos caracterizam-se pela correspon- déncia entre os membros de frase. Sem embargo, so também cons derados afirmativos aqueles periodos cujo(s) conseqiiente(s) apenas se inicia(m) com elemento(s) homogéneo(s). Os periodos cujo inicio do(s) conseqitente(s) corresponde(m) ao final do(s) antecedente(s) caracterizam o paralelismo modificado. Exemplos 36a; 36b; 36c; 36d. 13. PERIODOS CONTRASTANTES Nos periodos bindrios ou duplos, 0 2° elemento é conseqiien- te. Os periodos ternétios apresentam as seguintes possibilidades: I" Frase 2! Frase 3" Frase a) I antecedente 2° antecedente: confirmativo conseqiiente b) [® antecedente 2° antecedente subordinado _conseqiiente ° Outros dtaes serio examinados no qusitorefernte aos procesos de regular © 0 volume Estudos sobre forma, 39 Exemplo 36a Beethoven, Sonata op. 28 - Scherzo allegro vivace Aereeoprer® — Penowe Exemplo 360 Frangois Couperin, Le Rossignol en amour [Peewee Auveceonery > are comaseee OBS: No conseqiente, apenas 0 I° membro de frase é homogéneo 60. Exemplo 36¢ Chopin, Mazurka, op. 59, n° 3 Peeve Gavsnie]-> Patslelans Menecave™ * 0 1° membro de frase do conseaiiente ¢ homogéneo ao 2° membro de frase do antecedente Exemplo 36d Schumann, Album para a juventude - Schnitterliedchen nicht sehr schnell 1 god compass - Fase india aimatva, Cada membo da fase € binvi conrastante 5°40 8° compasso-tanspsigao(D) com contraponto (2" fase) 3 frase = relomo (1830 4" sem epee ‘conehisi = period tenis afrmativo 6 I" Frase 2" Frase 3* Frase c)amtecedente 1° antecedente 2° conseqiiente: confirmativo d)antecedente 1° antecedente _ 2° conseqiiente subordinado O 2° antecedente é confirmativo quando, além de reprodu- zir a 1* configurasiio, faz confirmar a cadéncia, Exemplo 37a. Exemplo 37a ‘Caminito de Avilés - Folelore da Espanha ‘andantino Spee ory fois GE Bhar es OF) ET, SaaS Quando a cadéneia nao é confirmada, seja por nova suspen- sho ou pela ocorréncia de uma primeira suspensio, 0 2° conse- giiente & subordinado, independendo ou nao da homogeneidade da configuragdo. Exemplo 37b. Para que 0 2° consequente seja confirmativo, basta a sintese confirmativa da cadéncia, embora nos casos de homogeneidade de configuragao a confirmagao seja mais contundente, Exemplo 37c. 62 Exemplo 37 Schumann, Album da juventude - Kleiner Morgenwanderer allegro con forza f Aarecanne 3 6B Exemplo 37¢ ‘Chopin, Mazurka, op. 33, n° 4 4 Revsenreet tay Pemnstent ae f at covr urn (oa (Cad. & doninante) Exemplo 37b ‘A 2* frase corresponde ao 2° antecedente, caréter cujo con- dicionamento advém fundamentalmente do proceso modulatério: a frase modula para a subdominante, criando uma tensio que se enfatiza com 0 impulso do 2° membro de frase. A cadéncia desta frase é prolongada, nio obstante a ormamentago, mas seu carder é interrogativo, pois, apesar de imperfeita, encontra-se na subdominante, tipificando uma das possibilidades de meia cadén- cia, ndio obstante o peniiltimo acorde ser uma dominante individual. ‘Toda a projegdo da I* frase torna inadmissivel a resposta imediata do conseqiiente, Assim, a 2* frase em suspensio subordina-se a0 1° antecedente e sé na 3" frase é feita a complementagio, cuja frase, embora no muito diferenciada, se distingue das demais, ‘conferindo ao perfodo um carter contrastante. 64 Exemplo 37d W.A. Mozart, Sinfonia Linz poco adagio = Ee Aereceneore —S 5-0 On an rane ees reetse coors 65 &, Dor ——— 6.68 tin or perfolo teinicio contrastante r—" Sn aan —axempente DO) Sr DBDs ID WSO) WHRETUNSIOIS STUB wT TST DT Pedal D- cad, suspensiva meia cad. prolongada ——_C.C.P. prolongada Este periodo sintetiza uma grande cadéncia plagal, como este esquema demonstra: I" frase 2 frase 3° fase D s T Dos periodos irregulares Assim como nas frases imregulares, os periodos desta cate- goria sdo formados por frases diferenciadas pela extensio, independendo como estas da configuragao do perfil: contrastante ou paralelo. Exemplo 38, Da irregularidade fraseolégica A irregularidade fraseolégica pode ser provocada por varios processos englobados em dois grupos: Dilatagao e Contragio. 70 Exemplo 38 J. Haydn, Sinfonia n° 45 adigio Foust Coetwne = 6 Coorns Processos de Dilatagiio 1) Prolongagiio do som, processo cujo efeito condiciona o(s) inciso(s) oculto(s). A ocorréncia destes incisos s6 se manifesta, porém, quando as outras vozes apresentam novos agrupamentos. Exemplo 39a. ‘Obs.: Nas pausas também podem estar implicitos os incisos ocultos. Exemplo 39D. n Exemplo 39a J.S. Bach, Missa em Sim - Quonim tu solus sanctus n Exemplo 39 J.S. Bach, Paixio s. So Mateus - Aria: Aus Liebe enn 0 nt ng pt Frase ternéria irregular com inciso oculto no 1 membro de frase. obs.: todas as configuragdes da parte vocal caracterizam-se como agrupa- mentos "piv" Quando a prolongagao do som condiciona a mudanga audi- tiva do compasso, no ha incisos ocultos, ocorrendo, no caso, 0 agrupamento-fusdo. Todavia, a mudanga métrica provoca a irre- gularidade, ainda que 0 ntimero de agrupamentos se equipare. Exemplo 39¢, 2) Omamentago da linha melédica. Exemplo 40. 3) Aumentago de valores, fator cuja ocorréncia provoca, freqientemente, a mudanga de compasso. Exemplo 41. B Exemplo 39¢ Exemplo 41 Brahms, Salomé J. 8. Bach, Cravo bem temperado, 1° volume - Fuga w® VIII hen 0 tp nt nt 4 Tats ea eas] qe gh, Exemplo 40 4) Repeti¢’o do(s) agrupamento(s). exemplos 26a; 29a. W.A. Mozart, Sonata K 283 allegro 5) Resolugao harménica, Exemplo 42. Exemplo 42 ’ Beethoven, 3a Sinfonia Fe anon allegro con brio (Periodo binirio irregular) Fator de irregularidade: ormamentagao da linha melédica na 2* frase. ” Comma, Vite torniiria — Bo ors r sof ane ° aa eee O processo de dilatagaio se inicia com a énfase dada aT, cuja redundincia ¢ compensada pelo efeito suspensivo da Ta com apogiatura. A tensto ¢ mantida no inicio do 3° membro de frase: no 1° inciso, por iniciar com anacruse suspensiva e no 2° inciso, por finalizar com a D6; somente no 3° inciso é feita a resolugao. N.B.: Os acordes iniciais nao esto incorporados A frase, caracterizando-se como elementos da i 6) Confirmagao harménica. Exemplo 43. 7) Interpolagdo: proceso caracterizado pela insergio de agrupamentos no ceme de estrutura de maior dimensio. Geral- mente este processo provoca, pelo afastamento da tonalidade pelo contraste dos agrupamentos, o efeito de um paréntese. Exem- plo 44. (Vide também 0 Exemplo 24c.) Este periodo € constituido de 2 frases: a I" é binéria contrastante e cada membro de frase ¢ bindrio; no 1°, hi um inciso oculto na cadéncia implicita; o 2° é um agrupamento pivé. A frase se assenta sobre os graus tonais: 16 cad. suspensiva T D TDTS bb Exemplo 43 W.A. Mozart, Sonata K 333 allegreto gracioso Frase ternéria irregular - no 3° membro de frase, 0 3° inciso confirma hharmonicamente as fungdes precedentes. ” Exemplo 44 Beethoven, Sonata op. 2, n? 2 - Rondé O inicio da frase conseqtente ¢ andlogo ao da 1" frase; toda- via, 0 1° movimento de frase finaliza com a (D9) da S°. Esta cir- cunstincia propicia uma digresstio melédico-harmdnica através de interpolagdes, Assim, os trés membros de frases subseqiientes en- contram-se intercalados entre dois membros de frase, condicionando a dilatagao. B conearpente eee) se srofSir £ Ao examinarmos esta frase com mais detalhes, verificamos 60 seguintes aspectos: 1) O acorde pivé desta digressio (D9 = 7* dim) reaparece enarmonicamente no 3° m. de frase da interpolagao, funcionando nitidamente como elemento conectivo. 2) Todas as fungdes da interpolagdo esto relacionadas com as. 3).0 1° membro de frase da interpolagdo deriva os demais; 0 2°, com intercalagio de notas; o 3°, por condensacao. Analogamente a interpretago, o agrupamento em cadeia condiciona a cadéncia evadida, Todavia, o carater destes agrupa- mentos ¢ diverso porquanto a interpolagao encontra-se inserida no ceme de um agrupamento a maneira de um paréntese, enquanto que, no agrupamento em cadeia, os elementos se acoplam num continuum, formando um todo, cuja dilatagao geralmente decorre de uma seqiiéncia em progressdes modulantes, como se verifica no exemplo 30. Processos de Contragéo 1) Elisio: proceso segundo o qual o final de um agrupa- mento coincide com 0 inicio de outro, Este evento é mais caracte- ristico quando as thesis coincidem. Exemplos 45a; 45b. 9 Exemplo 45a Beethoven, Sonata op. 27, n° L allegro vivace Exemplo 45b W. A. Mozart, Quinteto p/ clarinete e cordas K 581 81 Ao exa aspectos: Na I* frase, a irregularidade é total, pois, sob o ponto de vista quantitativo, 0 1° membro de frase ¢ bindrio e, 0 2, terniio. Por outro lado, 0 final desta frase ¢ elitico, coincidindo com 0 inicio da 2* frase. O conseqitente é regular, pois os dois membros de frase so binérios. Assim, o antecedente é constitufdo de cinco compassos e, 0 conseqiente, de quatro. Tadavia, ao examinarmos aextenstio do periodo, constatamos que o mesmo é constituido de ito compassos. Ha, pois, uma contradi¢do entre a expressto nu- meérica da soma de compassos de cada uma das frases (5+ 4e/) ea expresso numérica do periodo (8c/). Obs.: Dada a imprecisio tética do 3° e 7° /, poder-se-4 ad- mitir uma mudanga auditiva de compasso, no qual o 3° tempo de um compasso quaternirio recairia no 1° tempo dos supracitados: urmos este exemplo, verificamos os seguintes cad. susp.elitica C, C. P. deslocada De qualquer maneira, permancceria a relac&o antecedente- conseqilente do esquema inicial. No entanto, a frase conseqiiente se confundiria com um membro de frase, como se verifica neste esquema. 82 Neste exemplo, a irregularidade é parcial, pois, nao obstante aclisfo, todos os membros de frase e frases sto binarios, embora 0 periodo seja constituido de onze compassos. Trata-se de uma situa- Gf oposta ao exemplo anterior embora, neste caso, a redugio do compasso esteja condicionada pela elisa. 2) Supressiio de agrupamentos (condensagio). Exemplo 46. Exemplo 46 W.A. Mozart, Sonata K 31] frase teria iregular LU Uy Lue supressiio de um ineiso 83 3) Diminuigio de valores, fator cuja ocorréncia pode provo- car a mudanga auditiva de compasso. Exemplo 47, Exemplo 47 Brahms, Réquiem- V: 1 habt nun Traurigei Elementos de ligagdo Os elementos de ligago se encontram inseridos entre os agrupamentos fraseolégicos. Tais elementos podem desempenhar duas fungSes: preencher o silencio das pausas e/ou preparar 0 apa- recimento de outra estrutura, Classificam-se em duas espécies: 1) Notas de jungo. 2) Soldadura. AS notas de jungo concatenam com mais freqiiéneia os incisos ou membros de frase e, por essa raziio, so de pequena e4 extensiio, Muitas vezes, estas notas transformam o inicio tético em anacriisico ow a terminagaio masculina em feminina, Exemplos 48a; 48b. Exemplo 482 W.A, Mozart, Sinfonia n° 41 Fine Gases Exemplo 48b Schumann, Camaval op. 9- Promenade 85 A soldadura geralmente concatena os periodos. Sua exten- sio é variével ¢, muitas vezes, sob a forma de grande anacruse, funciona como elemento de preparagio em relagdo 4 outra estru- tura. Exemplo 49.” Exemplo 49 Felix Mendelssohn-Bartholdy. Concerto para violino e orquestra em mi m allegro molto vivace Vide tmbim 0 exemplo 35d, e/ 107 a 120, 86 Das anacruses Anacruses integrantes sio aquelas cuja eliminagio torna irreconhecivel o desenho. Em caso contrario, sto acess6rias. Exem- plos 50a; 50b, Exemplo 50a Haendel, O Messias - ‘oro n* 26 Exemplo 50b Beethoven, Sonata op. 10, n° 1 adagio molto Anacruses impulsivas so aquelas que imprimem dinamis- ‘mo ao movimento, Em caso contratio, silo suspensivas. Exemplos Sa; 5tb. 87 Exemplo Sta Franz. List, Les Préludes Exemplo 51 Brahms, [* Sinfonia allegro non troppo, ma con brio ‘ on Anacruses sincopadas so aquelas que se prolongam para a ‘Thesis. Exemplo 52.” Exemplo 52 Ludovico G, Viadana, Concerto eclesidstico - Exaudi me, Domine v Anacruses ocultas sdo aquelas cuja evidéncia se impde, nto obstante a omisstio, Geralmente, esta espécie de anacruse deriva de um agrupamento originalmente anacrusico. Exemplo 53. Vide também o exemple 3b 88 Exemplo 53 Beethoven, Sonata op. 2, n" I allegreto Anacruses latentes so aquelas cuja percepgio ¢ constatada em consegiiéncia dos fatores condicionantes do acento, embora a notagio difira.”” Exemplo 54. Exemplo 54 Beethoven, Sonata op. 27, 1" 1 andante Anacruses aglutinadas sto aquelas que se fundem com 0 final da soldadura, Exemplo 49. 2" Reciprocamente, ink ttco pode ester iplicta na eseritaanscrisia, a exemple da Sinfonia I de Mart, Andante 23 225, 89 Da fraseologia na linguagem amétrica Na linguagem amétrica do passado, a estrutura dos agrupa- mentos de maior dimensdio, especialmente dos periodos, é bastante imprecisa, nao somente pela liberdade ritmica, como também pela freqiiente indefinigéo do relacionamento entre o antecedente e 0 conseqiiente, pois, sob o ponto de vista harménico, a suspensio ge- ralmente é constante. Contudo, os incisos € os membros de frase estiio bem delimitados, em conseqiiéncia dos seguintes fatores: Reprodugao ou mudanga de configuragao dos desenhos, pau- sas, fermatas e mudanga de registro. Por outro lado, a unificagio dos elementos nos agrupamen- tos decorre do principio da coestio: homogeneidade de género, unidirecionalidade, fragmentagao de acorde, duragdes homogéneas, relagdes de segunda ¢ continuidade harménica. Exemplo 55. Na miisica contempordnea, cuja linguagem se caracteriza pelo atonalismo, autonomia da intensidade e timbre e ritmo livre, 08 critérios sintiticos sio bem diversos, pois é muito constante a ocorréncia de: 1°) registros distanciados 2°) pausas de longa duragaio 3°) movimento pluridirecional 4°) mudanga de timbre” 5°) mudanga de intensidade Neste estilo, portanto, no hi perfodos®, Na projegao linear, onde os agrupamentos siio muitas vezes considerados como estru- * A dang de timbres ma melodia &um proceso coloristico mas apicvel ones, pois 0 ‘material érais esi primeiexperéncia deliberaia dst processo —a Klangfarbennelodie —, se encomra na 3 das "Cinco peas para orqusta op. 16" de Schoenberg Esta considragao, como as demas que se segue, aplcaseFindamertamente &axsica contemporinea, especialmente Aquelacujalinguager sprsenta as carastersioas acm ex- Posts, Na obra de Barto, Stawinsk, Schoenberg e Alban Bers, exe ous, muitas vere 08 Perlodos esto caracterizaes me obstante a linguagem atonal, prevalecend, no ea0, 8 coe- ‘Sto melden eritmica entre as ses, 90 1 nnn iesa turas, prevalece a concepgio motivica sobre a do agrupamento fraseolégico, pois importa menos a implicagio tética do que o per- fil, ou seja: caracteristica intervalar e configuragao ritmica. [As frases podem se configurar, mas nfo tanto pela unifica- iio de agrupamentos menores, como pela extensio e, sobretudo, pelo fato de finalizarem em pontuagdo mais contundente. Toda- via, alguns critérios anteriores permanecem, tais como os prin pios da semelhanga ou diferenga, proximidade ou separagio, es- pecialmente os relacionados com o parametro duragdo, o mais atu- ante sobre as leis do movimento. 14, BIBLIOGRAFIA Bas, Giulio, Trattato di Forma Musicale, Milano: G. Ricordi, 1963. Brindle, Reginald Smith, Serial Composition, London: Oxford University Press, 1966. Cooper, Grosvenor W. e Meyer, Leonard B., The Rhytmic Struc- ture of Music, Chicago: The University of Chicago Press, 1960. Indy, Vincent d', Cours de Composition Musicale, Patis: Durand et fils, 1912. Leibowitz, René, La Evolucién de la Miisica de Bach a Schoenberg, Buenos Aires: Editorial Nueva Visién, 1957. Leichtentrtt, Hugo, Musical Form, Cambridge: Harvard Univer- sity Press, 1961. Riemann, Hugo, Fraseo Musical, 2a ed., Barcelona: Editorial La- bor S.A., 1966. Schoenberg, Arnold, Elementi di Composizione Musicale, Revisione di Garld Strang con la collaborazione di Leonard Stein, Milano: Edizione Suvini Zerboni, 1969. . Bl Estilo y ta Idea, Madrid: Ser y Tiempo — Taurus Ediciones, 1963. Stein, Leonel, Structure and Style, Evanston, Illions: Birchard Company, 1962. 95