Fascículo 3 - Região Estratégica

Capitania do Rio Grande
Novas Luzes Sobre a Fundação de Natal
Foi o escritor José Moreira Castelo Branco quem procurou solucionar, de maneira definitiva, o
problema da fundação de Natal. Com base numa exaustiva pesquisa, publicou um estudo
intitulado "Quem Fundou Natal", onde provou que João Rodrigues Colaço foi de fato o primeiro
capitão-mor do Rio Grande. Apresentou dois documentos, encontrados por Serafim Leite. Um
deles é uma carta do provincial Pero Rodrigues, que registrava o trabalho de catequese
realizado no Rio Grande pelos padres Francisco Pinto e Gaspar de Samperes, e diz ainda que
"a tudo isso se achava presente o capitão da fortaleza, João Rodrigues Colaço".

Em seguida, Castelo Branco faz o seguinte comentário: "isto ocorria em março ou abril de
1599, porque a 19 deste último mês, já os ditos padres, a fim de satisfazerem uma exigência do
príncipe Pau Seco, para melhor garantia e tornar a pacificação mais firme, partiam do forte do
Rio Grande, em vista às aldeias dos potiguares, até chegar às de Capaoba, donde seguiram
com destino à Paraíba".

O segundo documento, atribuído a Gaspar de Samperes, afirma o seguinte: "João Rodrigues
Colaço, o primeiro capitão que foi daquela capitania".

Castelo Branco, apresentando essas provas, constatou ter sido Rodrigues Colaço o primeiro
capitão-mor do Rio Grande e, ainda, através do documento em que dom Manuel Mascarenhas
Homem deu sesmaria a João Rodrigues Colaço, se comprova que esse senhor governava a
capitania em janeiro de 1600. Após examinar tudo isso, Castelo Branco conclui dizendo que "o
primeiro capitão-mor do Rio Grande foi João Rodrigues Colaço, que governava no ano de
1599, devendo, por isso, ter sido o fundador da Cidade do Natal".

Como Castelo Branco não se posicionou de maneira categórica, usando, inclusive, a expressão
"devendo, por isso, ter sido o fundador", não fechava a questão, deixando o problema em
aberto. É que o autor não dispunha de nenhum documento oficial que confirmasse a sua teoria.

A importância do estudo de Castelo Branco, contudo, é muito grande. Elaborou uma tese, hoje
vitoriosa. Abriu novas perspectivas, trazendo uma contribuição significativa e despertando a
curiosidade de outros historiadores. A sua teoria, portanto, ficou no terreno das possibilidades,
ou seja, uma abordagem perfeitamente válida.

Permitiu, por outro lado, que a versão que defendia sem dom Manuel Mascarenhas Homem o
fundador da Cidade do Natal ganhasse novos adeptos: Hélio Galvão e Luís da Câmara
Cascudo.

Tarcísio Medeiros divulgou, pela primeira vez, em fevereiro de 1973, o Alvará de Nomeação de
João Rodrigues Colaço, em seu livro "Aspectos Geopolíticos e Antorpológicos da História do
Rio Grande do Norte". Através desse alvará se constata o seguinte:

1 - João Rodrigues Colaço foi nomeado capitão da Fortaleza, pelo governador geral do Brasil,
dom Francisco de Souza, confirmado, posteriormente, pela metrópole.

2 - Não houve, portanto, interrupção, desde a data de nomeação, pelo governador geral do
Brasil, dom Francisco de Souza, até a designação real, através do alvará de 18 de janeiro de
1600.

Casado com dona Beatriz de Menezes. transcrita em parte . Olavo de Medeiros Filho informa que "no período de 15 de agosto de 1595 a 15 de março de 1596. afirmou o seguinte: "Quando à transmissão do comando da fortaleza a Jerônimo de Albuquerque. de João Rodrigues Colaço. ainda. de Castelo Branco. portanto. "Quem Fundou Natal". a "Relação de Ambrósio de Siqueira". não há respaldo documental. não chegou a conhecer. o qual foi provido pelo governador geral do Brasil. o documento oficial que Castelo Branco reclamava e que. como se dizia no passado.600 braças. Essa informação é importante porque deixa claro que João Rodrigues Colaço recebeu o comando da fortaleza após a sua conclusão e não posteriormente. uma sesmaria. referida por frei Vicente. nascido na Europa. Manuel Mascarenhas Homem. infelizmente. Jerônimo de Albuquerque. O historiador Olavo de Medeiros Filho. e somente depois foi nomeado capitão-mor da Capitania do Rio Grande. não foi designado capitão da fortaleza por Mascarenhas Homem no dia 24 de junho de 1598. designado para responder pelo comando da fortaleza. Colaço assumiu o cargo de capitão da fortaleza no dia 24 de junho de 1598. finalmente. a "Carta de Doacão de Sesmarias a João Rodrigues Colaço". sendo o primeiro a exercer tal função no Rio Grande. houve a presença de um capitão-mor da fortaleza e da Capitania do Rio Grande. onde possuía inclusive roçados. A Nobre Sobriedade de João Rodrigues Colaço Era militar. Conforme se verifica. . JOÃO RODRIGUES COLAÇO QUEM FUNDOU A CIDADE DO NATAL. retornou a Pernambuco. àquela data. Tinha. através da leitura da Relação de Ambrósio de Siqueira. confirmado nessa função. Um fato que ninguém pode negar é que João Rodrigues Colaço pode ser considerado um dos primeiros provoadores do Rio Grande.por Olavo de Medeiros Filho. inicialmente.um pequeno trecho . É possível também concluir que João Rodrigues Colaço foi. por Mascarenhas Homem. disse Hélio Galvão: "a nobre sobriedade de suas respostas sobre alguns temas. fica claro o seguinte" João Rodrigues Colaço foi nomeado capitão da fortaleza por dom Francisco de Souza. Examinando os documentos encontrados pelo padre Serafim Leite e publicados no livro "História da Companhia de Jesus no Brasil". NO DIA 25 DE DEZEMBRO DE 1599. era capitão de uma companhia transferida do Recife para a Bahia. Por essa razão é que requereu ao representante do governador geral do Brasil. justamente. em janeiro de 1600. em "Terra Natalenses". Falando sobre o caráter e a personalidade de Colaço. com 2. de personalidade alheia a condicionamentos eventuais". pelo governo metropolitano. foi ele. como comprova a "Relação de Ambrósio Siqueira". em seu livro "Terra Natalense". dom Francisco de Souza". e como continuava governando a capitania. e. revela um homem de caráter marcado.Esse alvará era. pelo governador geral do Brasil. de 24 de junho de 1598 até 5 de julho de 1603. também. escravos da Guiné. filha de Henrique Muniz Teles. divulgado por Tarcísio Medeiros em "Aspectos Geopolíticos e Antropológicos da História do Rio Grande do Norte" e. o Alvará de Nomeação de João Rodrigues Colaço. publicada pela revista do Instituto Histórico e Geográfico no Rio Grande do Norte. A referida companhia.

teria acontecido um conflito entre portugueses e nativos. Não se sabe. Uma Cidade sem Pressa de Crescer No início não houve uma preocupação voltada para a construção de prédios públicos. cercaram a Cidade do Natal. Mascarenhas Homem. devorando os prisioneiros mortos. Frei Vicente do Salvador narra. provavelmente. Não se sabe. a não ser a fundação da Cidade do Natal. em grande número. cuja construção foi iniciada na época da fundação da cidade. porém. desfrutava da amizade de Colaço e de sua esposa. a . de maneira alguma. massacrados. E sem a menor condição para reagir. Outro edifício. então. na sua História do Brasil. Entre outros. Muitos morreram. voltou para Portugal. Estavam ébrios. também. Pedro Moura registra a construção de uma igreja. Olavo de Medeiros Filho transcreveu. que teria se passado durante o governo de João Rodrigues Colaço: o bispo de Leiria condenou um homem a passar três anos no Brasil. se encontrava ausente da capitania. A fortaleza era suficiente. João Rodrigues Colaço. Segundo esse autor. padre Gaspar Gonçalves da Rocha. e a segunda. ajudando enfermos e buscando a conciliação com os potiguares. por Martim Soares Moreno. ainda. Não há registro de nenhum envolvimento de Colaço no acontecimento. sob a proteção de Nossa Senhora do Patrocínio. "onde tornará rico e honrado". em "Terra Natalense". com o título de Apresentação. O episódio teria acontecido da seguinte maneira: os potiguares. se destacaram os seguintes religiosos: Francisco das Neves Pinto. foi o da matriz. possivelmente. ao tomar conhecimento do fato. Colheu tal informação em Miliet. o único cronista a falar sobre aquele edifício. verdadeiro fundador. Foram. por sinal. Mas a falta de maiores dados sobre a vida de Colaço não justifica. sendo assassinados a pancadas! O saldo da chacina: cinco mil mortos! O chefe Pirajuva (Barnatana de um Peixe) solicitou e obteve de Manuel Mascarenhas Homem. a retirada do único momento de glória que ele viveu: ser o verdadeiro fundador da Cidade do Natal. Aprisionaram e mataram muitos homens. partiu de Pernambuco e surpreendeu o inimigo que se encontrava. um fato interessante. Depois de ter concluído o seu governo. Não se tem outras notícias da sua presença no Brasil. Em 1598. Maria Santíssima. até o momento. Os primeiros atos missionários foram realizados dentro da própria fortaleza. a paz. a capitania conheceu apenas duas atividades: a dos soldados. ninguém pode deixar de fazer justiça ao seu humilde. naquele instante. Joaquim e Ana. onde e quando morreu.Olavo de Medeiros Filho afirma que no "período de 26 de novembro de 1601 a 6 de março de 1602. de outro feito de João Rodrigues Colaço. quando seus santíssimos pais. construindo a fortaleza e lutando contra os nativos. O degredado se casou com uma mulher portuguesa e reuniu uma pequena fortuna. descrito por Anthony Knivet. E. desconhecido. No momento em que Natal se prepara para comemorar os quatrocentos anos de sua existência. o seguinte texto de frei Agostinho de Santa Maria: "foi levantada uma paróquia que se dedicou à Rainha dos Anjos. Natal já era freguesia e o seu primeiro vigário. Durante o processo de conquista e de pacificação. nenhuma data e sesmaria foi concedida pelo governo de Rodrigues Colaço". antes ou depois do ocorrido. marcada pela atuação dos missionários. nessa época.

Para complicar. A cidade não tinha pressa em crescer. fundador da Cidade do Natal. quartel e refúgio dos raros moradores. A maneira de viver da população. retardando. foi descrita por Câmara Cascudo: "os moradores viviam espalhados nos sítios ao redor. A igreja matriz teria sido concluída em 1619. acham-se discriminadas no "Traslado do Auto da Repartição das Terras da Capitania". Os soldados moravam dentro do forte e qualquer comoção geral levava os colonos. se arrastava lentamente. uma coisa positiva. Paraíba e Pernambuco. "no período de 1600 a 1614. como narra Tavares de Lyra. colhido nas marinhas do outro lado do rio. Colaço à Invasão Holandesa Esta é uma fase das mais obscuras da História do Rio Grande do Norte. sendo de idade de três anos. e as pescarias. com mercados abundantes e fáceis". destruída pelos holandeses. As datas concedidas no Rio Grande. O peixe salgado e seco foi um dos produtos mais rapidamente divulgado. difíceis e paupérrimos. Interessava ao rei o forte. mais ainda. em Natal. entretanto. A cidade não crescia. Aldeia Velha. quando diz que a igreja não tinha portas. segundo as testemunhas da época.1633. data de 1614.foram oferecer no Templo. Havia o sal. colhendo frutos nos tabuleiros. Cidade apenas no nome". rumo ao futuro. era da melhor qualidade. Igapó. . ou seja. rede e curral. por uma razão muito simples: "nos arquivos do Estado não se encontrava nenhum documento anterior à conquista holandesa.000 cabeças em 1633. a situação territorial. um grande e formoso quadro de pintura. um lento caminhar. caçando. naquela época. disse Luís da Câmara Cascudo: "era a residência do capitão-mor. Atualmente foi desfeita a dúvida sobre quem teria sido o primeiro capitão-mor do Rio Grande do Norte: João Rodrigues Colaço. A pescaria que. dentro em breve deveria de passar por sua fase mais difícil: o período de invasão holandesa. plantando roças. A primeira casa que serviu de sede da administração da capitania foi a Fortaleza da Barra do Rio Grande ou. Raríssimas mulheres brancas. em que se vê o mesmo mistério da Senhora historiada". Na capela-mor se colocou. de fato. para as muralhas imponentes que garantiam o avanço no setentrião do Brasil". pouca criação de gado que se desenvolveria vertiginosamente a ponto de ter 20. Havia. Abastecia a população local e exportava para os Estados vizinhos. de anzol. Era. que se estende 1633 a 1654. Falando sobre esse fato. entretanto. o seu desenvolvimento. como disse Olavo de Medeiros Filho. quando teve prédios e documentos destruídos. Nesse período. 1599 . Foi. Conta Luís da Câmara Cascudo que "os trinta e quatro anos de cidade. Fortaleza dos Reis Magos. foram todos destruídos". foram lentos. O primeiro documento que registra a matriz. sendo administrativa. comando militar. Fica difícil inclusive de se estabelecer a data da posse de alguns governantes. como é mais conhecida. antigas malocas dos potiguares. "andava". Domínio Holandês De João R. depois. às carreiras.

com João Rodrigues Colaço. porém. Câmara Cascudo. O sonho de dominar o Brasil era antigo. André Pereira Temudo. Tavares de Lyra pergunta: "Quem substituiu Francisco Gomes de Melo?". Bernardo da Mota. Guilherme Usselinex. durante o governo português deixaram de lado tal idéia. Agora. a . foi quem "propôs e defendeu a idéia da formação de uma nova companhia. mantendo relações amistosas com os portugueses. que foi nomeado a 18 de março de 1621. Vicente Lemos escreveu um clássico sobre o assunto: "Capitães-Mores e Governadores do Rio Grande do Norte". Varnhagen. Manuel Mascarenhas Homem não governou o Rio Grande. Vicente Lemos e Câmara Cascudo classificam como sendo os primeiros governantes da Capitania do Rio Grande: Manuel Mascarenhas Homem (comandante da expedição que tentaria a conquista). asiáticos e americanos". inimigo dos Países Baixos.. europeus. portanto. Os armadores holandeses conheciam o Brasil. com base no que escreveu Domingos da Veira. Hoje. Porto Carreiro". por sinal. entretanto. Quando os holandeses atacaram o Rio Grande. Francisco Caldeira de Castelo Branco. durante os reinados de João III. não houve. Como sucessor desse último. Equívoco que. em 1625. Jerônimo de Albuquerque. felizmente. africanos. Depois de Francisco Gomes de Melo. por alguns. chegou a participar do ataque que resultou na capitulação da Bahia. Tavares de Lyra. ele mesmo responder: "a ordem de sucessão foi esta: Francisco Gomes de Melo. Bernardo da Mota. Alguns historiadores elaboram listas. os capitães-mores.. Os Holandeses no Brasil: A Bahia A primeira tentativa de implantar uma colônia no Brasil. foi na Bahia. João Rodrigues Colaço e novamente Jerônimo de Albuquerque. Um deles. pelos neerlandeses. o equívoco foi corrigido: o sucessor de Ambrósio Machado de Carvalho foi. Pero Mendes de Gouveia governa a capitania. Francisco Duchs. os sucessores foram: Bernardo da Mota e Cipriano Porto Carreiro. A lista dos governantes do Rio Grande do Norte começa. Ambrósio Machado de Carvalho. procurando estabelecer. por ordem cronológica. semelhante à Oriental. como disse Varnhagen. Henrique. que permaneceram algumas dúvidas. como desfrutavam de lucros com a participação no comércio. apenas foi o capitão da conquista que. até a invasão holandesa. determinou "o confisco dos navios flamengos que estivessem nos portos de seus novos domínios. Sebastião e o cardeal D. Acontece. era apontado. confirma Tavares de Lyra. sendo que Jerônimo de Albuquerque governou apenas uma só vez! Os sucessores desses dois foram os seguintes: Lourenço Peixoto Cirne. porém. os sucessores de João Rodrigues Colaço. Felipe IV. porque a posse foi efetivada através de um processo de pacificação. que na Índia havia adquirido tantos lucros e vantagens". já foi devidamente esclarecido: o primeiro capitão-mor do Rio Grande do Norte foi Colaço. Estevão Soares de Albergaria. escrevendo em 1961. a situação mudou. na realidade. D. Fugitivos da Bahia contaram na Holanda como seria fácil conquistar Salvador. devido à precariedade do sistema montado para defender a colônia.Foi nessa fortaleza que moraram e governaram a Capitania do Rio Grande. para depois. Com a anexação de Portugal e suas colônias pela Espanha.

Por outro lado.. vice-almirante o bravo e venturoso Pieter Pieterzoon Heyn. diante da repercussão negativa pela grande derrota. Gerando. Marcos Teixeira. Albert Schenteu. Diogo de Mendonça Furtado. entretanto. foi para a Bahia. Da expedição participaram não somente militares das duas nacionalidades. Os holandeses. porém.. assim. Espanha e Portugal. armados com quinhentos e nove bocas de fogo. apesar de sua idade bastante avançada. não foram felizes.situação era diferente.000 homens e 70 navios. após dois dias de luta. imposto pela Companhia das Índias Ocidentais. também morreu. capital da colônia. passado o susto. encontrou dificuldades. muito duro. não desistiram de se apossar definitivamente do Brasil. após a trégua com a Holanda. D. Filipe II. onde realizou o cerco de Salvador. enviou ao Brasil a maior expedição militar que atingiu o continente americano até aquele momento. aproveitar a oportunidade para se apossarem do Brasil foi a criação da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais. muito mais. como era o caso do bispo D. Francisco de Moura. A companhia decidiu atacar a Bahia. chefiada por D. contudo. contudo. a armada atingiu a Bahia e a 01 de maio Salvador estava libertada. ainda na administração de Nassau. mas precisamente Salvador. depois de passar por Pernambuco. sendo sucessor Wielen Schauten. Fadrique de Toledo Osório assumiu o comando. Os holandeses. A notícia de que a Holanda iria atacar a Bahia chegou ao Brasil.000 florins anuais. portanto. ficando conhecida na História como "Jornada dos Vassalos". crescendo a figura de D. não suportou as vicissitudes e veio a falecer. sob o comando de Francisco Nunes Marinho. procurou tomar todas as providências. Esgotado. Van Dorth. Os batavos. como narra Varnhagen. tiveram também suas baixas. Deviam. O seu substituto. Os espanhóis se apresentavam como inimigos. a Holanda não concordava. procurou reagir. dominavam a cidade. o governo português começou. A metrópole mandou uma esquadra.. Devido ao regime. Marcos Teixeira. secretamente. então. cuja conseqüência foi a perda da Bahia. Matias de Albuquerque. Diante do impasse. assumiu o governo da colônia e enviou para a Bahia um reforço. A 8 de maio de 1624 os holandeses chegaram a Salvador e. como figurar ilustres. A Insurreição Pernambucana Alguns colonos estava descontentes com o domínio holandês. pela Carta Patente de 3 de junho de 1621. O povo que havia abandonado a cidade. Era preciso. No dia 22 de março de 1625. com mais de 12. segundo eles. A armada. e comandante das tropas e governador das futuras conquistas Johan Van Dorth. Preso Diogo de Mendonça Furtado. arrecadava 8. em Pernambuco. tripulados de mil e seiscentos marinheiros e guarnecidos de mil e setecentos homens de desembarque". resolveu tomar uma decisão mais firme e.. O governador geral. porém. Consatava a expedição de vinte e três iates. Cedo perderam o cel. até mesmo má vontade. a fomentar a revolta nas terras ocupadas. contudo. Johan Van Dorth passou a governar. "equipou-se uma grande armada de que foi nomeado almirante Jacob Willekens. que. E. . Portugal almejava a devolução de suas colônias. um clima de hostilidade entre os dois impérios..

um certo temor. de Antônio Felipe Camarão e de Vieira. uma grande vitória dos portugueses. A insurreição começou no dia 3 de junho de 1645. na várzea de Capibaribe. ficaram os holandeses sem liberdade de ação no mar. A Holanda passava por uma crise. João Fernandes Vieira e Antônio Cavalcanti. Assumiam um compromisso para lutar "em nome da liberdade divina". quando os revoltosos venceram os batavos do coronel Hans e do capitão Blauer. A Inglaterra. os comandados de João Fernandes Vieira ultrapassavam mil homens! Entre as batalhas que obtiveram maior significação podem ser apontadas: a de Tabocas. Começar. também. Através do "Ato de Navegação". Mesmo com essas informações. Possuíam. Dentro desse contexto. Não estavam sozinhos. A segunda. uma bela participação de negros e nativos. os dois juntamente com outras personalidade (16). Em 1630. assinavam um documento onde demonstravam sua disposição de lutar pela "restauração de nossa pátria". Antônio Felipe Camarão. segue o mesmo rumo. estando envolvida na "Guerra de Navegação" contra os ingleses.. o capitão Uzel Johannes de Laet fez um reconhecimento. Henrique Dias e seu batalhão negro seguiam da Bahia para Pernambuco. o fim do domínio holandês no Brasil. A expulsão dos holandeses foi. com os revoltosos sendo chefiados pelo mestre-de-campo general Francisco Barreto e. Adriano Verbo vinha com a "missão especial de ver. O governador geral Antônio Teles da Silva enviou em 1644. nacionalista. 23 de maio. na várzea do Capibaribe. Em agosto. interessada na destruição de sua rival. liderados por Antônio Dias Cardoso.Em 1642. como resumiu Câmara Cascudo. como disse Hélio Vianna. Fez nascer. Em 15 de maio de 1645. de Cromwell. E as duas batalhas de Guararapes. com seus nativos. . Pouco dias depois. encontrando no Rio Grande um engenho e muito gado. de Henrique Dias. em 1645. a recolher o maior número de informações para elaborar um plano eficaz para capturá-la. ou pelo menos reforçou. então. onde até aí haviam gozado de inegável supremacia'. que se realizou em 18 de fevereiro de 1649. como se estivessem fugindo. em 19 de abril de 1648. os flamengos não se arriscaram a armar uma esquadra e tentar se apossar da fortaleza. foi mais uma derrota dos neerlandes. impunha respeito. A Preparação Para Conquistar o RN A Fortaleza da Barra do Rio Grande. Ainda nesse ano. Os holandeses tinham no tenente- general Sigismundo von Schoppe seu principal líder. A vitória sorriu para os coloniais. ao mesmo tempo. para Pernambuco. sobretudo. para que atuassem como instrutores. E. ou seja. em 1644. e lançava as bases de uma futura nação independente: o Brasil. Era. ouvir e cantar". juntos elaboravam um plano para iniciar a reação contra os holandeses. logo depois. as tropas de André Vidal. Os holandeses sabiam da importância de cunho estratégico daquele edifício militar. tudo feito secretamente porque a trégua entre Holanda e Portugal não permitia se agisse às claras. ainda. passou a ajudar a colônia portuguesa em sua luta contra os batavos.. praticamente. pela sua beleza. animados com a restauração do Maranhão. forçando desviar a atenção e recursos que seriam destinados ao Brasil. A primeira. D. experientes militares. Demonstrou toda a força de um novo tipo que estava nascendo: o brasileiro. André Negreiros e João Fernandes. mestiços e. André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira já confabulavam. oficialmente perseguindo os fugitivos . o sentimento nativista. A 19 de julho de 1625.

importante dados que se encontravam em poder dos portugueses e que facilitaram.No outro ano. a conquista do Ceará. Enviou Elbert Simient e Joost Closte ao Rio Grande. em 1631. o nativo Marcial. posteriormente. para adquirir maior conhecimento da região. . que foi morto. Fornecendo.. Foi nessa expedição que os batavos conseguiram.. contudo. Objetivo: realizar uma aliança com os batavos. O Conselho Político. fugitivo dos portugueses. preciosos dados aos flamengos. por sua sorte. se apresentou ao Conselho Político do Brasil Holandês. foi prudente. Os documentos se encontravam com um português chamado João Pereira. naturalmente.

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