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Recorrendo a abundantes exemplos,


este livro apresenta fundamentos,
técnicas e noções práticas sobre o
R E D AC Ç Ã O

REDACÇÃO E APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS


modo de redigir e apresentar trabalhos
científicos e técnicos. Nele encontrará
tratados: • Estrutura e estilo de um
trabalho científico • Pesquisa biblio-
gráfica • Citação de bibliografia •
E A P R E S E N TA Ç Ã O
Referências bibliográficas de documen-
tos clássicos e obtidos por meios DE TRABALHOS
electrónicos (Internet) • Publicação de
trabalhos • Ética em investigação • Uso
de computadores na redacção de
CIENTÍFICOS
trabalhos • Noções práticas sobre a
redacção de: • Relatório de investi-
gação • Artigo científico original • Artigo
de revisão • Teses de mestrado e de P EDRO S ERRANO
doutoramento • Relatório de
actividades • Curriculum vitae • Apre-
sentação oral de trabalhos.
Preferencialmente dirigido à área
médica e das ciências da Saúde, o livro
pode ser facilmente usado por profis-
RELÓGIO D’ÁGUA
sionais e estudantes de outras áreas
científicas e técnicas, dada a explicação
detalhada de conceitos, a permanente
exemplificação e a linguagem simples
com que os assuntos são abordados.

Pedro Serrano é médico, especia-


lista em Saúde Pública e diplomado em
Epidemiologia. Com trabalhos publi-
cados e premiados no âmbito da
investigação na área médica, tem, nos
últimos dezassete anos, dedicado a sua
actividade profissional à formação
médica pós-graduada. Na colecção
Relatos Clínicos da Relógio D’Água
publicou o livro Coração Independente.

C
PEDRO SERRANO
CIÊNCIA ISBN 972-708-300-5
RELÓGIO D’ÁGUA

9 789727 083008

Pedro Serrano

Redacção e Apresentação de
Trabalhos Científicos

Fundamentos, técnicas e noções práticas


sobre como estruturar, escrever e apresentar trabalhos
científicos e técnicos

Ciência
Relógio d’Água Editores

Rua Sylvio Rebelo, n.º 15


1000-282 Lisboa
Telef.: 21 8474450
Fax: 21 8470775
Internet: http://www.relogiodagua.pt
mail: relogiodagua@relogiodagua.pt

Título: Redacção e Apresentação de Trabalhos Científicos


Autor: Pedro Serrano
Capa: Fernando Mateus sobre gravura de M. C. Escher
Revisão técnica: José Borges

© Relógio D’Água Editores, 1996

Primeira edição – 1996


Segunda edição – Outubro 2004

Composição e paginação: Relógio D’Água Editores.


Impressão: Rainho & Neves, Lda. /Sta. Maria da Feira
Depósito Legal n.º: 195834/03
Índice geral
Prefácio à segunda edição
Prefácio

Parte 1 Relatório de investigação

Introdução
1 Tipos de redacção médica
1.1. Será isto científico?
1.2. Relato de uma investigação
2 Estrutura
2.1. Elementos obrigatórios
2.2. Elementos opcionais
2.3. Defeitos estruturais
3 Estilo
3.1. Simplicidade
3.2. Clareza
3.3. Precisão
3.4. Brevidade
4 Noções práticas sobre apresentação
4.1. Título e identificação do autor
4.2. Página de rosto
4.3. Resumo
4.4. Dedicatória
4.5. Epígrafe
4.6. Índice geral
4.7. Lista de figuras e de quadros
4.8. Lista de siglas e abreviaturas
4.9. Agradecimentos
4.10. Introdução
4.11. Material e métodos
4.12. Resultados
4.13. Quadros e figuras
4.14. Discussão
4.15. Citações e referências
4.16. Anexos
4.17. Dactilografia e revisão final
Parte 2 Outros tipos de redacção

5 Artigo científico original


5.1. Publicação válida
5.2. Preparação do manuscrito
5.3. Envio à revista
5.4. Processo editorial
5.5. Ética
6 Apresentação oral de trabalhos
6.1. Estrutura
6.2. Estilo
6.3. Meios auxiliares da apresentação
6.4. Publicação
7 Artigo de revisão
7.1. Estrutura
7.2. Estilo
7.3. Preparação do manuscrito
7.4. Pesquisa bibliográfica
7.5. Metanálise
8 Tese
8.1. Situação portuguesa
8.2. Conteúdo
8.3. Estrutura
8.4. Estilo
8.5. Noções práticas sobre apresentação
8.6. Publicação
9 Relatório de actividades
9.1. Planeamento do relatório
9.2. Estrutura
9.3. Estilo
9.4. Noções práticas sobre apresentação
10 Curriculum vitae
10.1. Estrutura
10.2. Estilo
10.3. Tónica
10.4. Noções práticas sobre apresentação

Anexo 1. Abreviaturas mais usuais em texto e notas


Anexo 2. Abreviaturas técnicas
Anexo 3. Abreviaturas de títulos de revistas biomédicas
Anexo 4. Algumas normas da International Organization
for Standardization referentes a publicações científicas
Anexo 5. Sugestões de leitura

Referências
Índice detalhado
Prefácio à segunda edição

Quando, em 1996, a primeira edição deste livro foi posta à venda, nem o editor nem
o autor tinham uma ideia muito segura quanto à repercussão que ele teria junto do público.
Tratando-se de um livro muito especializado (um manual sobre redacção médica), o
editor receava que o público potencial fosse restrito e, em consequência, a divulgação
limitada. Como autor, eu partilhava desses receios, embora pressentisse que as necessidades
de uma redacção médica cada vez mais exigente fossem crescer nos anos seguintes (aliás, a
ideia de escrever o livro nascera da pressão em dar resposta às lacunas nesta área com que
me defrontava no meu dia a dia profissional). Para além disso, pensava que talvez o livro
viesse a ultrapassar os seus destinatários naturais, pois o modo como o concebera e redigira
tornavam-no, na minha opinião, acessível a outros leitores que não apenas os médicos ou os
estudantes de Medicina.
Seis anos depois, num processo lento mas sem quebras, o livro desapareceu das
livrarias, integra a lista da bibliografia de referência de escolas médicas e de enfermagem
um pouco por todo o país, é recomendado a alunos e formandos de outras licenciaturas e,
com surpreendida satisfação minha, tem sido usado em teses de mestrado e doutoramento
em áreas tão distintas como Arquitectura, Psicologia, Finanças, Direito e Informática.
Na produção desta segunda edição investi para que ela fosse mais do que uma
reimpressão, com uma caiadela adicional, do texto anterior.
Desde logo, o livro foi revisto sob a lógica de o tornar ainda mais acessível a
leitores de áreas que não as da Saúde. É provável que essa tentativa não esteja totalmente
conseguida, mas os limites impostos pela minha formação básica (a Medicina) não
recomendam que me espreguice, em completo à vontade, noutros conceitos, técnicas e
exemplos que não aqueles que domino razoavelmente.
Todo o texto foi actualizado, acrescentado com novos conceitos, e reforçado na
ilustração prática das noções nele contidas (e.g.: a exemplificação de como apresentar
referências bibliográficas atinge, nesta edição, a meia centena de situações concretas).
Foram, também, inseridos novos elementos visuais que, espero, tornem a demonstração de
como construir Quadros e Figuras menos árida e abstracta. Foram actualizadas as sugestões
de leitura.
Foi, também, reforçada e exemplificada em detalhe, a importância que o uso de
meios informáticos tem na redacção e apresentação de trabalho técnicos e científicos. Um
exemplo deste reforço é o texto dedicado à citação e referenciação de documentos gerados,
publicados e divulgados através de computador que cresceu da uma única página da edição
anterior para mais de uma dúzia na edição actual.
A actualização contida nesta segunda edição apoiou-se fortemente nos progressos e
modificações trazidos à redacção de trabalhos científicos por documentos de duas instâncias
cujas recomendações têm um reconhecimento (praticamente) universal: Em primeiro lugar,
na última edição das normas para uniformização de manuscritos a publicar em revistas
biomédicas, aprovadas pela Comissão Internacional de Editores de Revistas Médicas em
1997, com as actualizações sectoriais introduzidas desde essa data até ao final de 2001. Em
segundo lugar, nas mais recentes recomendações para a citação de documentos electrónicos
da International Organization for Standardization.
Termino, agradecendo a ajuda de alguns colegas, todos eles médicos especialistas
em Saúde Pública, à concretização desta nova edição: ao Mariano Ayala, António Pina
(ambos da Administração Regional de Saúde do Algarve) e Carlos Dias (do Instituto
Nacional de Saúde) agradeço o auxílio na pesquisa de referências para a actualização das
sugestões de leitura. À Ana Cristina Garcia (da Sub-Região de Saúde de Setúbal) agradeço a
cedência de trabalhos que, após decapitados com crueldade do contexto original, serviram
de suporte a parte da exemplificação da construção de Quadros.
Finalmente, estou grato ao Ricardo Aires Ventura pelas conversas e esclarecimentos
informáticos.
4. Noções práticas sobre apresentação

4.15.4. Exemplos de como apresentar referências


bibliográficas

LIVROS E MONOGRAFIAS

1. LIVRO: AUTOR ÚNICO

!1 Damásio, António. O sentimento de si: o corpo, a emoção e a neurobiologia da


consciência. 2.ª ed. Lisboa: Publicações Europa-América; 2000.

Nome do autor: A identificação do livro inicia-se pelo último nome do autor, a que se

segue (após uma vírgula e um espaço) o primeiro nome e, eventualmente, a inicial (não

seguida de ponto) de um dos sobrenomes do autor. Evite, na medida do possível, utilizar

inciais na redacção do primeiro nome do autor: É que com apenas um ‘Salazar, A’ ninguém

ficará muito esclarecido sobre se estamos a falar de ‘Salazar, António’ ou de ‘Salazar,

Abel’.

É possível que, na hora de publicar um artigo da sua autoria [veja o capítulo 5], as

regras editoriais de algumas revistas lhe exijam que, por questões de racionalização de

espaço, indique o primeiro e o sobrenome dos autores citados usando apenas as iniciais.

Neste caso (exemplo 1), o nome do autor seria apresentado como ‘Damásio A’, sem uso de

vírgula entre o último nome e a inicial do primeiro nome. Na situação do nome de um autor

cuja obra está identificada com nome, primeiro nome, e sobrenome, a referência apresentará

as iniciais do primeiro nome e do sobrenome sem pontos e sem espaço entre as letras. Por

exemplo, uma monografia de Maria Antónia Escoval sobre a Hemovigilância em Portugal

será redigido como: Escoval, MA. Hemovigilância em Portugal... (segue-se o resto da

referência).

1
A marca ! é usada neste livro apenas com o intuito de individualizar os exemplos de referências no
meio do texto. Esta ou outras marcas não devem, de modo algum, ser usadas numa lista de
referências bibliográficas antecedendo a apresentação das referências.
De qualquer modo, e como regra geral, é sempre preferível optar pela apresentação

completa de uma referência, pois, se tal nos for posteriormente exigido, abreviar é sempre

uma prática fácil e rápida.

Quando se desconhece o nome do autor a identificação pode iniciar-se pelo título do

livro, mas nunca deverá usar como substituto para o nome de um autor desconhecido o

termo “Anónimo”(36).

Título: Segue-se o título do livro, com a primeira letra da primeira palavra que o forma em

maiúsculas. O subtítulo, quando existe, encontra-se separado do título por dois pontos e um

espaço [veja também o item Ano em 4.17.1.].

Número de edição: Neste exemplo concreto, trata-se de uma reedição de livro, facto que

deve ser assinalado após o subtítulo e separado deste por um ponto e um espaço. Identificar-

se-á o número da edição com o algarismo árabe correspondente, seguido do caractere que

lhe atribui a qualidade de ordinal (2.ª) e da abreviatura da palavra ‘edição’ (ed.). Recorde

que edição não é sinónimo de reimpressão, não sendo estas geralmente assinaladas nas

referências bibliográficas.

Local de publicação: A seguir à indicação da reedição, ou logo após o título nos livros

editados pela primeira vez, aparece o local de publicação do livro. Local de publicação não

é a mesma coisa que local de impressão, podendo um livro ter sido publicado em Londres e

impresso em Manila. O local de publicação corresponde geralmente à cidade onde a editora

responsável pela publicação do livro tem a sua sede, mas alguns livros têm indicadas várias

cidades como local de publicação. É, por exemplo, o caso da editora norte-americana Van

Nostrand Reinhold Company, que apresenta como local de publicação New York, London,

Toronto e Melbourne, entre outras cidades. Nestes casos pode optar-se por apresentar como

local de publicação a primeira das cidades enumeradas. Nas situações de omissão do local

de publicação (certifique-se na página dedicada aos direitos de propriedade, ou página do

copyright) utilize s.l. (sem local) para o indicar.

Editora: A referência à casa editora que publica o livro surge a seguir ao local de

publicação e separado deste por dois pontos e um espaço. Na referência à editora não é

necessário manter indicações como ‘Inc.’, ‘Ltd.’, ‘Co.’, ‘AS’ ou ‘The’ (Van Nostrand
Reinhold Company pode ficar apenas Van Nostrand Reinhold, e The Chicago University

Press pode ser referenciado somente por Chicago University Press).

Ano de publicação: A referência termina com o ano de publicação do livro, separado da

editora por ponto-e-vírgula e um espaço. Quando o ano de publicação estiver omisso, use

s.d. (sem data) para o assinalar. Se, em relação a um livro onde não consta a data de

publicação, conseguir obter informação sobre a mesma noutras fontes, assinale o pormenor

apresentando essa data entre parêntesis rectos. Por exemplo:

Mishima, Yukio. Morte em pleno verão. Lisboa: Relógio d’Água; [1986].

Todas as referências, com a possível excepção de referências que terminam com a

indicação de um endereço electrónico na Internet [veja os exemplos do item Documentos

electrónicos] se encerram por um ponto final.

2. LIVRO: DOIS OU TRÊS AUTORES

! Lilienfeld, Abraham M; Lilienfeld, David E. Foundations of epidemiology. 2nd ed.


New York: Oxford University Press; 1980.

Observe que o último nome (Lilienfeld), que é igual nos dois autores, se apresenta

repetido. Esta regra é de observar em todos os casos em que dois dos autores tenham o

ultimo nome comum e nunca se deverá escrever algo como ‘Lilienfeld, Abraham M e David

E’.

3. LIVRO: MAIS DO QUE TRÊS AUTORES

Se o livro tem mais do que três autores, faz-se seguir a referência ao nome dos três

primeiros autores da abreviatura ‘et al.’ (que significa ‘e outros’):

! Bunker JP, Forrest WH, Mosteller F, et al. The national halothane study: a study of
the possible association between halothane anesthesia and post-operative hepatic

necrosis. Bethesda: National Institutes of Health, National Institute of General

Medical Sciences; 1969.


4. LIVRO: COLECTIVIDADE AUTORA

! American Academy of Pediatrics. Report of the committee on infectious diseases.


22nd ed. Elk Grove Village (Illinois): American Academy of Pediatrics; 1991.

! World Health Organization (WHO). Promoting health in the human environment.


Geneva: WHO; 1975.

Quando o livro resulta do trabalho de pessoas ao serviço de um organismo ou de uma

instituição, estamos perante uma colectividade autora. Neste caso é a instituição, ou o

organismo, que assume o papel de autor e a responsabilidade pelo que é publicado (17).

É de bom tom, na entrada da referência, escrever o nome da colectividade autora por

extenso. Se deseja abreviá-lo, para uma segunda utilização, escreva a respectiva sigla entre

parêntesis curvos a seguir à referência por extenso (veja a segunda referência do exemplo

4).

5. LIVRO: EDITOR (OU COMPILADOR) COMO AUTOR

! Chin, James E, ed. Control of communicable diseases manual. 17th ed.

Washington: American Public Health Association; 2000.

! Binstock, Robert H; Shanas, Ethel, eds. Handbook of aging and the social sciences.
New York: Van Nostrand Reinhold; 1976.

Em muitos dos livros de texto que utilizamos, cada um dos capítulos é escrito por um

(ou mais que um) autor diferente. Nessas situações, é frequente que um grupo de

especialistas na matéria de que trata o livro assuma a responsabilidade da organização de

todo o volume: estas pessoas são designadas, conforme o caso, por ‘compiladores’ (comps.)

ou por ‘editores’ (eds.).

Quando é necessário referenciar este tipo de livros, a referência inicia-se pelo nome

do editor (ed.) ou do compilador (comp.), assinalando-se, após o nome do último

organizador, que este funciona como autor da publicação. Para tal podem usar-se os termos

‘editor’ (um só editor) ou ‘editores’ – por extenso – ou as suas abreviaturas: ‘eds.’ ou ‘ed.’
6. LIVRO: ARTIGO DE UM OU MAIS AUTORES EM CAPÍTULO DE LIVRO

! DeHart, Roy L. Aerospace medicine. In: Last, JM; Wallace, Robert B, eds.

Preventive medicine and public health. 13th ed. New Jersey: Prentice-Hall

International; 1992. p. 661-670.

A identificação do artigo de um autor, publicado num livro cujos capítulos foram

escritos por diferentes autores, inicia-se pelo nome do autor, seguido do título do trabalho. A

seguir indica-se (usando ‘In’, acompanhado de dois pontos e seguido de um espaço) o nome

do editor e o título do livro onde o trabalho em questão se encontra.

Numeração de página: A referência encerra-se, após o ano de publicação e um ponto, com

a indicação, antecedida da abreviatura ‘p.’ e seguida de um espaço, das páginas (primeira e

última) onde o leitor pode encontrar o artigo (12).

7. LIVRO: MAIS QUE UM VOLUME

! Garrett J, Osswald W, comps. Terapêutica medicamentosa e suas bases

farmacológicas. 2.ª ed. 2 vols. Porto: Porto Editora; 1986.

Note que a indicação do número de volumes que formam o livro se apresenta a

seguir ao número de reedição, utilizando a abreviatura ‘vols.’ para ‘volumes’.

A referência a um artigo contido num volume específico do livro, pode fazer-se do

seguinte modo:

! Leitão, J Andresen; Vale, F. Martins; Fonseca, Maria H. Hormonas sexuais. In:

Garrett J; Osswald W, comps. Terapêutica medicamentosa e suas bases

farmacológicas. 2.ª ed. vol. 2. Porto: Porto Editora; 1986. p. 877-899.

2
8. LIVRO: COMUNICAÇÃO PUBLICADA EM LIVRO DE ACTAS DE CONFERÊNCIAS,
CONGRESSOS E OUTROS ENCONTROS

! Bengtsson S, Solheim BG. Enforcement of data protection, privacy and security in


medical information. In: Lun KC, Degoulet P, Piemme TE, Rienhoff O, editors.
Proceedings of the 7th World Congress on Medical Informatics; 1992 Sep 6-10;
Geneva, Switzerland. Amsterdam: North-Holland; 1992. p. 1561-1565.

2
Optei por livro de actas na tradução do termo inglês proceedings, cuja tradução literal seria, nesta
acepção, minutas, actas ou registo de procedimentos, debates. Trata-se de uma publicação que
compila as comunicações apresentadas num encontro tecnico-científico.
Repare que a referência se inicia, como de habitual, com o nome dos autores do

artigo publicado, a que se segue o título do artigo e a identificação dos editores do livro. A

seguir explicita-se que se trata de artigo apresentado num congresso, identificando-se o

congresso (sétimo congresso mundial de informática médica) e a data e o local de realização

do mesmo. A referência prossegue com o local de publicação e a entidade responsável pela

publicação; e encerra-se com o ano de publicação (1992) e, como se trata de referenciar

parte de um livro, com as páginas da publicação em que o artigo citado pode ser encontrado

(p. 1561-1565).

ARTIGOS EM REVISTAS

9. REVISTAS: ARTIGO COM AUTOR ÚNICO

! Fonseca, Clara B. Enurese nocturna: prevalência na comunidade. Revista

Portuguesa de Clínica Geral 2002;18(3):155-161.

! Fries JF. Aging, natural death, and the compression of morbidity. New England
Journal of Medicine 1980;303:130-35.

Nome do autor: A identificação de um trabalho com um único autor e publicado como

artigo numa revista, inicia-se com o último nome do autor, a que se segue o primeiro nome e

a inicial de um nome do meio [mas veja também o ponto 4.1. e o referido sobre nome do

autor no exemplo 1 do ponto 4.15.4.]. Quando se desconhece o nome do autor a referência

pode iniciar-se com o título do artigo. Por exemplo:

! O tempo de um relâmpago [editorial]. Revista Portuguesa de Meteorologia e

Metafísica 2002 Maio;21:2.

Título do artigo: A referência continua com o título do artigo, o qual deve ser sempre

redigido em minúsculas, com excepção da primeira letra da palavra inicial e de eventuais

palavras cuja redacção obrigue ao uso de uma maiúscula na primeira letra. Por exemplo:

"Prevalência da insuficiência venosa crónica dos membros inferiores no distrito de Braga";

"A doença de Machado-Joseph nos Açores" [veja também o item Ano em 4.17.1.].
Identificação da revista: A referência, após um ponto e um espaço, continua com o título

do periódico onde o artigo foi publicado, a que se segue, após um espaço, o ano da

publicação e, por vezes, a data em que a revista saiu. Segue-se, sem espaço e se existir, o

número de volume, que deve ser redigido com algarismos árabes (mesmo que o original

assinale o volume com numeração romana) e o número do periódico, colocado entre

parêntesis curvos apenas quando é precedido do número de volume (compare a primeira e a

segunda referência do exemplo 9).

Numeração de página: A referência encerra-se com a indicação dos números das páginas

(da primeira e da última) onde consta o artigo em questão, informação que permitirá ao

leitor interessado uma pesquisa bibliográfica mais fácil e uma noção imediata do tamanho

do artigo. Ao contrário do que acontece com a referenciação de um artigo contido num livro

ou monografia, não é, neste caso, necessário fazer preceder o número das páginas pela

indicação da palavra página na sua forma abreviada (‘p.’ ou ‘pag.’).

Repare ainda que enquanto no primeiro exemplo a indicação da numeração das

páginas é apresentada de um modo completo: 155-161, no segundo exemplo a indicação da

última página foi abreviada: 130-35, isto é, o “1” das centenas foi omitido. Esta abreviação

pode fazer-se desde que não prejudique a clareza da indicação das páginas onde o artigo se

encontra inserido na revista. Por exemplo: 122-126 ou 122-26 ou 122-6; 1534-1545 ou

1534-45.

Local de publicação: Esta informação não é habitualmente inserida na referência

bibliográfica de artigos publicados em revistas. No entanto, em periódicos de tiragem

limitada ou em revistas cujo título é semelhante ao título de revistas publicadas noutros

locais, o local de publicação pode ser incluído (25). Por exemplo:

! Herranz G. Material y método: cosas básicas dichas en letra pequeña. Medicina


Clínica (Barcelona) 1987;88:241-242.

[veja outros exemplos no Anexo 3]


10. REVISTAS: ARTIGO COM (OU SEM) SÉRIE, VOLUME E NÚMERO

! Gonçalves, Guilherme; Andrade, Helena R; Cutts, Felicity. Concentração de IgG


anti-sarampo em soros maternos e do cordão umbilical. Acta Médica Portuguesa
1998;2.ª ser., 11:883-892.

Quando existe, a designação da série (3.ª ser.; nova série: n.s.) é colocada após o ano

de publicação e separada do número de volume por uma vírgula e um espaço. O número de

série deve ser redigido com algarismo árabe, mesmo que no original conste em numeração

romana.

Quando não existe menção nem ao volume, nem ao número da revista onde o artigo

foi publicado, a referência pode apresentar-se como no exemplo seguinte (12):

! Browell DA, Lennard TW. Immunologic status of the cancer patient and the

effects of blood transfusion on antitumor responses. Curr Opin Gen Surg 1993:325-

333.

11. REVISTAS: ARTIGO COM DOIS A SEIS AUTORES

! Lommel P, Wees R, Meyers V, Elfferich I. Near-death experience in survivors of

cardiac arrest: a prospective study in the Netherlands. Lancet 2001;358:2039-2045.

Note que a demarcação entre o nome dos vários autores se faz aqui usando apenas

uma vírgula, ao invés do apresentado nos exemplos 2 e 5. Nesses casos, e como o primeiro

nome do autor não era apresentado abreviado – separando-se do último nome por uma

vírgula (Damásio, António), a demarcação entre os nomes dos diversos autores era

efectuada, necessariamente, através do uso de ponto e vírgula (Binstock, Robert H; Shanas,

Ethel).

12. REVISTAS: ARTIGO COM SETE OU MAIS AUTORES

! Gratama JW, Stijnen T, Weiland HT, et al. Herpes-virus immunity and acute graft-
versus-host disease. Lancet 1987;1(8531):471-473.
Este artigo foi publicado no Lancet e são dez os seus autores. Nestes casos (artigos com sete

ou mais autores) listam-se apenas os três primeiros e junta-se, separado do nome do terceiro

autor por uma vírgula, ‘et al.’

13. REVISTAS: COLECTIVIDADE AUTORA

! European Atherosclerosis Society (EAS). The recognition and management of


hyperlipidemia in adult: a policy statement of the European Atherosclerosis Society.

European Heart Journal 1988;9:571-600.

14. CITAÇÃO CONSECUTIVA DO MESMO AUTOR

Acontece por vezes citarmos de uma forma consecutiva dois trabalhos de um

mesmo autor. Nessa situação, a referência ao nome do autor no segundo trabalho citado

pode ser apresentada na lista de referências do seguinte modo:

! 143. Kelsey JL. Epidemiology of osteoporosis and associated fractures. Bone


Mineral Research 1987;5:409-444.

! 144. ___. Incidence and distribution of slipped capital femoral epiphysis in


Connecticut. J Chronic Dis 1971;23:567-587.

Na segunda referência (ou nas seguintes se houver vários trabalhos consecutivos de

um mesmo autor), o nome do autor pode ser substituído por um travessão, ocupando três

espaços na linha de texto, e seguido de um ponto.

15. ARTIGO RECTIFICADO POR ERRATA PUBLICADA

! Nunes, Cristina. Envenenamento por Amanita pantherina [errata

publicada encontra-se em Toxicologia Forense 1999;26:43]. Toxicologia

Forense 1999;25:26-32.
16. ARTIGO CONTENDO DESMENTIDO DO AUTOR NA SEQUÊNCIA DE FRAUDE

! Garey, CE Schwarzman AL, Rise ML, Seyfried TN. Ceruloplasmin gene defect

associated with epilepsy in EL mice [retractação de Garey CE, Schwarzman AL,

Rise ML, Seyfried TN. In: Nat Genet 1994;6:426-31]. Nat Genet 1995;11:104.

OUTRAS PUBLICAÇÕES

17. ARTIGO EM JORNAL

! Gerschenfeld, Ana. Dinheiro para o cérebro. O Público 1993 Maio 4;22-23.

18. DOCUMENTOS LEGAIS

A referenciação bibliográfica de um diploma legal, ou de uma norma, deve conter

os elementos suficientes a uma fácil identificação do mesmo, nomeadamente: país, orgão

legislativo responsável (Assembleia da República, Ministérios), departamento executivo que

o emite (por exemplo: Direcção-geral, Departamento), número atribuído ao diploma, título

(se o houver), entidade que o publica, data e número de página.

O número de elementos a usar depende do contexto e nem sempre é necessário

utilizar todos os elementos descritos. Se, por exemplo, não é provável que o trabalho venha

a ser divulgado além-fronteiras, a palavra ‘Portugal’ poderá ser omitida.

! Ministério da Saúde. Portaria 695/95. Regulamento dos Internatos

Complementares. Diário da República, 1.ª ser. B, 30 Junho 1995;149:4201-4213.

! Ministério da Saúde. Direcção-Geral dos Cuidados de Saúde Primários. Circular


Normativa 10/DTP. Normas de Vacinação do Programa Nacional de Vacinação, 4

Setembro 1990.

19. DICIONÁRIOS

A referência a itens contidos em dicionários e enciclopédias deve ser feita,

preferencialmente, no texto, ou em nota de rodapé colocada na margem inferior da página

em que a citação é feita [veja o item Notas de rodapé em 4.17.1. e 8.4.]. Por exemplo:
! Churchill Livingstone pocket medical dictionary. 13th ed. Edinburgh: Churchill

Livingstone; 1978. Dyspareunia; p. 100.

A notação de referência é geralmente constituída por um algarismo árabe, redigido no texto

de forma sobre-escrita e dactilografado em caracteres mais pequenos (dispareunia1 ). Pode

também consistir numa letra minúscula, sobre-escrita e dactilografada em caracteres mais

pequenos (dispareunia a ).

20. TEXTO CLÁSSICO

! Conto de Inverno: 2.º acto, cena 2, linhas 10-14. Obras de Shakespeare. Porto:

Lello & Irmão; 1977.

DOCUMENTOS NÃO PUBLICADOS

21. TRABALHOS ESCRITOS NÃO PUBLICADOS

A referência, em relatórios de investigação, a trabalhos escritos não publicados (como teses

e relatórios de investigação, ou outro tipo de relatórios, e documentos internos de circulação

restrita) deve ser evitada, uma vez que a não publicação impede ou dificulta o acesso do

grosso dos leitores a esses trabalhos.

Se necessária, a referência a trabalhos escritos não publicados pode ser feita, entre

parêntesis curvos, no próprio texto ou em nota de rodapé [veja 4.17.1. e 8.4.]. A referência a

trabalhos ainda não publicados, mas aceites para publicação, pode ser incluída na Lista de

referências (12)(9), desde que o facto seja assinalado no final da referência com a menção

‘no prelo’ ou ‘aceite para publicação’.

Quando incluídos na lista de referências, a identificação dos elementos segue,

genericamente, as regras do artigo publicado em periódico. Por exemplo (12):

! Leshner AI. Molecular mechanisms of cocaine addiction. N Engl J Med. In press

1996.

Para além do nome do autor e do título, a referência deve incluir, se tal for

apropriado, a entidade que patrocina o trabalho e a data. Por exemplo:


! Coutinho, Paula. Doença de Machado-Joseph: tentativa de definição [Tese de

doutoramento]. Universidade do Porto; 1992.

! Silva, Maria Carolina. Health service usage in the Ribeira de Pena "concelho" of
Portugal [Ph. D. diss.]. University of Exeter; 1988.

No final da referência a documentos não publicados é conveniente assinalar o formato de

apresentação do trabalho citado: fotocopiado; mimeografado, ou seja: duplicado recorrendo

a stêncil; (original) dactilografado. Não é necessário acrescentar a indicação ‘não

publicado’. Por exemplo:

! Garcia, Ana C. Jardins de infância e doenças infecciosas: estudo de coorte nas


crianças dos três aos seis anos no concelho de Palmela. Coordenação do Internato

Complementar de Saúde Pública, Lourinhã; 1994. Fotocopiado.

! Ministério da Saúde. Coordenação do Internato Complementar de Clínica Geral da


Zona Sul (CICCGZS). Caderneta de estágio. CICCGZS, Lisboa; 1988.

Mimeografado.

DOCUMENTOS ELECTRÓNICOS

Entende-se por documento electrónico, um documento existindo sob forma

electrónica para ser acedido por tecnologia computorizada (36).

O universo dos documentos electrónicos é vasto, variado e não tem parado de

crescer nos últimos anos, à medida que as máquinas (hardware3) se vão aperfeiçoando, os

programas e aplicações (software4) se sofisticam, e as possibilidades de ligação em rede de

milhões de sistemas informáticos, e de utilizadores, se multiplicam a um ritmo exponencial.

Do ponto de vista da citação e referenciação bibliográfica, os documentos criados,

manuseados ou obtidos por recurso a meios informáticos podem, esquematicamente, ser

categorizados em três tipos:

3
Equipamento informático. Conjunto de elementos físicos utilizado para o processamento de dados,
por oposição a programas, procedimentos, regras e documentação associada [In: Dicionário de termos
informáticos. Lisboa: Sporpress; 2001].
4
Software, suporte lógico. Criação intelectual que compreende os programas, procedimentos, regras e
qualquer documentação associada, relativos ao funcionamento de um sistema de processamento de
dados [In: Dicionário de termos informáticos. Lisboa: Sporpress; 2001].
* Programas de computador e respectivos aplicativos (armazenados e disponíveis

em disco, disquete, ou online5);

* Documentos não publicados, obtidos através de serviços de pesquisa documental

computorizada ou resultantes de comunicação electrónica entre utilizadores das redes de

comunicação, de que podem ser dados como exemplos a documentação armazenada em

bibliotecas (eg.: relatórios científicos e técnicos, dissertações académicas); as bases de

dados (em fita magnética, CD-ROM, ou online); e as mensagens de correio electrónico;

* Documentos publicados (originariamente criados para divulgação em papel,

através de computador, ou mesmo em ambos os suportes) e divulgados através de sistemas

computorizados. Deste tipo de documentos são exemplo os livros, as monografias e as

revistas, que podem ser divulgados através de vários meios electrónicos (e.g.: CD-ROM),

mas cuja divulgação se faz, em esmagadora maioria, online, através da Internet [veja

também o item Revistas electrónicas em 7.4.].

Assim, um número crescente de publicações são tornadas públicas sob forma

electrónica, sendo criadas, mantidas e disseminadas em sistemas computorizados. Essas

publicações (ou esses documentos) podem ser fixas e imutáveis, tal qual uma publicação em

papel, ou podem, pelo contrário, tirar partido do contexto electrónico em que existem para

serem submetidas a modificações, quer na forma quer no conteúdo. Isto é: um documento

electrónico é uma entidade muito mais volátil do que um documento clássico e pode ou

pode não ter um equivalente em papel (36).

Por tudo isto, mau grado a recente, emaranhada e flutuante variedade deste mundo

novo, torna-se urgente enumerar e exemplificar com algum detalhe as principais regras de

citação e referência de publicações e outros documentos electrónicos, pois a necessidade de

nos referirmos a eles na documentação do nosso trabalho vai ganhando uma importância

proporcional ao peso cada vez maior que este tipo de apresentação representa no universo da

divulgação de informação técnica e científica.

5
On line - Meio de transmissão em que a informação entra no computador do utilizador directamente
a partir das suas fontes de origem. Literalmente, o termo quer dizer ‘em linha’, mas a tradução não
abarca o sentido mais funcional da expressão, que poderia ser: “à disposição na linha telefónica”; há
uma acepção de pronto a usar que se perde com uma tradução literal.
Inventario, em primeiro lugar, as semelhanças de referenciação bibliográfica entre

documentos em papel e documentos electrónicos, para a seguir introduzir com mais nitidez

as principais diferenças.

Ao longo dos 32 exemplos de referências bibliográficas desenvolvidos nas páginas

anteriores, percebe-se que existe algo uniforme na lógica de referenciação de uma obra

impressa em papel, seja esta livro, monografia ou artigo (publicado ou não): a referência

inicia-se pelo nome do autor (autor personalizado ou colectividade autora) e a única

excepção, em publicações técnicas, é quando se desconhece o nome do autor, situação em

que a referência se inicia pelo nome do livro ou do artigo.

Ou seja: na hierarquização do ordenamento dos elementos que dão corpo a uma referência

bibliográfica, à cabeça surge sempre a identificação do(s) autor(es), imediatamente seguida

pela identificação do documento citado. Só depois destes elementos, se seguem os outros

elementos da referência: número de edição, local de publicação, editora, data de publicação,

páginas onde o artigo pode ser encontrado.

A referenciação de documentos em formato electrónico (sejam livros acedidos através da

Internet, artigos em revistas online ou mensagens electrónicas) segue, genericamente, a

mesma lógica, pelo que hierarquizar, como é praticado frequentemente, a referenciação de

documentos electrónicos da forma a seguir exemplificada é um erro:

http://www. Kaneças LL, Anderson P. Silicone descartável: sonho ou realidade?

Revista Internacional de Cosmética e Implantes 1999 Abril-Junho;35:12-17.

Esta referência não abre com os elementos que deveriam figurar em posição-forte, como a

responsabilidade primária pelo documento (isto é: a autoria) e o título do mesmo, iniciando-

se por elementos (http, www) que, ao invés, deveriam constar no final da mesma, pois

identificam a localização da fonte do documento citado, definindo o tipo de protocolo de

transferência de documentos entre cliente e servidor (http6) e o sistema electrónico de

6
HiperText Transfer Protocol. Protocolo de transferência de hipertexto. Protocolo cliente/servidor
usado na World Wide Web para troca de documentos produzidos em HTML (HyperText Markup
Language). Todos os endereços Web indicam, logo no início, esse protocolo com os sinais http:// a
que se segue a restante identificação do site [In: Dicionário de termos informáticos. Lisboa:
Sporpress; 2001].
distribuição de informação usado (www7). Deste modo, o artigo deveria referenciar-se do

seguinte modo:

! Kaneças LL, Anderson P. Silicone descartável: sonho ou realidade? Revista Internacional

de Cosmética e Implantes [edição online] 1999 Abril-Junho [citado em 4 Janeiro

1999];35:12-17. Disponível na Wide World Web: http://www.pdmc-vdoc.ca/pqp/690-3i.htm

A referenciação de documentos electrónicos segue, em parte, as regras de referenciação da

documentação ‘clássica’, mas possui uma identidade própria (específica do ambiente de

criação, edição, divulgação e recuperação deste tipo de material), identidade que deve ser

respeitada e mantida e nunca submetida aos requisitos das edições em papel (36).

22. LIVROS E MONOGRAFIAS ON LINE

! Carroll, Lewis. Alice’s adventures in wonderland [online]. Texinfo ed. 2.1.

[Dortmund, Germany]: WindSpiel, November 1994 [cited 10 February 1995].

Available from World Wide Web: http://www.germany.eu.net/books/carroll/alice.

html. Also available in PostScript and ASCII versions from Internet: ftp://ftp.

Germany. EU. net/pub/books/carroll/.

Este exemplo, extraído das recomendações da International Organization for

Standardization para citação de documentos electrónicos (36) apresenta a referência

completa da edição electrónica do livro Alice no País das Maravilhas, o qual pode ser

acedido na Internet em mais do que uma localização do ciberespaço.

Nome do autor: A referência inicia-se pelo nome do autor, a que se segue o título do livro

citado e, até aqui, o modo de referenciar a publicação não difere em nada do modelo que

seria usado para referenciar um exemplar impresso em papel [veja exemplos 1 a 8 e,

também, o exemplo 26 – documentos sem título].

Meio electrónico de transmissão e tipo de publicação: Imediatamente a seguir ao título

dever ser introduzido, entre parêntesis rectos, o tipo de meio electrónico através do qual foi

feita a transmissão da informação e que pode assumir uma das seguintes formas:
7
World Wide Web ou, simplesmente, Web. Sistema mundial de distribuição de informação em
páginas produzidas por HTML [In: Dicionário de termos informáticos. Lisboa: Sporpress; 2001].
[online]

[CD-ROM] – veja o item Disco óptico em 7.4.2.

[fita magnética]

[disquete].

Ao tipo de meio electrónico pode ser associado o tipo de publicação citado, o que,

neste exemplo Alice, seria: [book online] ou, se em português, [livro online]. Outros

exemplos possíveis de menção do meio de transmissão associado ao tipo de publicação são

(36):

[revista online]

[monografia em CD-ROM]

[base de dados em fita magnética]

[programa de computador em disco rígido ou em disquete]

[correio electrónico].

Número de edição: A referência continua com os elementos referentes à edição (Texinfo

ed. 2.1.). Uma vez que os documentos electrónicos são frequentemente actualizados

(updated), acrescentados (expanded) ou revistos (revised) é comum encontrar uma menção a

esse facto, menção que deve ser sempre registada na referência a esses documentos (36). O

número, ou qualquer outra designação para a edição, deve ser redigido como consta na

fonte. Por exemplo:

3rd ed. (ou, se em português, 3.ª ed.);

fourth update (ou, se em português, quarta actualização);

Version for IBM8/Tandy;

Linux9 version 1.1.

Quando no documento electrónico aparece mais do que uma designação aos factos

relacionados com a edição, como, por exemplo, o número da edição e a versão10 da mesma,

ambas devem ser mencionadas na referência, pela ordem listada na fonte (36). Por exemplo:

“2.ª ed., versão 2.1”.

8
IBM – International Business Machines.
9
Linux é marca registada de Linus Torvalds.
10
Versão – Apresentação de um documento que foi modificada sem que, no entanto, tenha sido
alterada a identidade do documento [definição adaptada de ISO 690-2. Veja o Anexo 4].
Local de publicação: A referência segue com o local de publicação, a identificação do

editor e a data da publicação; no exemplo em questão: “[Dortmund, Germany]: WindSpiel,

November 1994”. Repare que o local de publicação se encontra entre parêntesis rectos, o

que significa que o local de publicação não estava explicitamente listado na fonte original,

mas que pôde ser razoavelmente inferido através de alguma informação adicional (recorde o

que a este propósito foi dito no exemplo 1). Note, também, que para além do local de

publicação (Dortmund) é especificado o país (Germany). Este procedimento aplica-se

quando o local de publicação não é universalmente identificável; isto é: chegará referenciar

“Londres” como local de publicação, mas se o local for algo como “Ramsdale” será

conveniente redigir “Ramsdale, New Hampshire”.

Editor e data de publicação: A identificação do editor (WindSpiel), que se apresenta

separada do local de publicação por dois pontos e um espaço, é continuada pela data de

publicação e este item, diversamente do que sucede na identificação da data de publicação

de um livro ou revista impressos (onde apenas consta o ano e, às vezes – no caso das

revistas –, o mês de publicação), deve ser o mais preciso e exaustivo possível, podendo,

conforme as situações incluir o dia, o mês, o ano, e a hora do dia. Esta aparente obsessão

com a precisão da designação do tempo na referenciação de documentos electrónicos, deve-

se às frequentes alterações (actualizações, acrescentos, revisões) a que este tipo de material

está sujeito.

Assim, e como regra geral (sobretudo aplicável a documentos electrónicos obtidos

online), as datas de publicação, actualização, revisão, e citação, devem ser o mais completas

possíveis (36). [Veja também o item Mensagens electrónicas].

No caso em exemplificação, e como se trata de um livro, a data da publicação

electrónica11 apresenta apenas o ano e o mês de publicação: November 1994.

Data de citação: À data de publicação segue-se a data de citação [cited 10 February 1995],

isto é: o dia em que o documento citado foi, na realidade, visto pela pessoa que o está a citar.

De todas as datas que constam de uma referência a documentos electrónicos, esta deverá ser

a mais exaustiva de todas, particularmente na citação de documentos on line. A data de

11
O livro Alice’s Adventures in Wonderland foi publicado pela primeira vez em 1865.
citação deve ser apresentada, entre parêntesis rectos, usando algarismos árabes, e antecedida

da palavra “citado” [sobre este assunto veja, mais adiante, os exemplos do item Mensagens

electrónicas].

Disponibilidade e acesso: Nos documentos electrónicos obtidos por meios online deve ser

fornecida informação que identifique e localize a fonte do documento citado. Esta

informação deve ser precedida pela expressão “Disponível na” (Available from) ou algo

equivalente (36)(12). Por exemplo:

*Available from Internet: gopher://info.lib.uh.edu:70/00/articles/e-

journals/uhlibrary/

pacsreview/v5/n3/pricewil.5n3.

Available from World Wide Web: http://www.nlc-bnc.ca/iso/tc46sc9/standard/690-

2e.htm

*Available from DIALOG Information Services, Palo Alto (Calif.) [veja o item

Bases de dados em 7.4.2.].

A informação sobre a localização de documentos online contidos numa rede

informática como a Internet deve referir, para além da cópia do documento que foi

observada, o método usado no acesso a esse documento (por exemplo: FTP 12, gopher) e a

sua localização exacta na rede, tal como o endereço do computador hospedeiro (host

computer), o nome do directório, e o nome do ficheiro.

.....

Available from World Wide Web: http://www.germany.eu.net/books/carroll/alice.

html. Also available in PostScript and ASCII versions from Internet: ftp://ftp.

Germany. EU. net/pub/books/carroll/.

Repare que no exemplo que temos vindo a usar para exemplificar a referenciação de

um livro acedido online, são listados dois endereços onde é possível encontrar o mesmo

documento (o livro Alice’s Adventures in Wonderland). O primeiro endereço (Available

from World Wide Web: http://www.germany.eu.net/books/carroll/alice. html) identifica o

local na rede onde o documento foi consultado pelo autor da citação e é um requisito

12
FTP – File Transfer Protocol.
obrigatório da referenciação bibliográfica de documentos electrónicos. Quanto ao segundo

endereço (Also available in PostScript and ASCII versions from Internet: ftp://ftp. Germany.

EU. net/pub/books/carroll/), trata-se de uma informação adicional e facultativa, que fornece

ao leitor informações sobre o mesmo documento em outras localizações ou formatos

(versões PostScript e ASCII13). Esta informação suplementar deve ser claramente separada

da informação que refere a localização do documento citado e deve ser precedida da

expressão “Também disponível” ou de uma expressão equivalente (36). Por exemplo:

.....

Also available in HTML version from: http://info.lib.uh.edu/pacsrev.html

As referências a documentos electrónicos encerram-se por um ponto final, com a

excepção de referências terminadas pela identificação de endereços electrónicos que não se

encerrem com ponto final. Em linguagem informática um único caractere pode modificar

completamente o significado de uma expressão ou a operacionalidade de um comando e, por

esse motivo, os elementos que caracterizam uma localização devem ser transcritos

exactamente com a mesma grafia (incluindo pontuação) que consta na fonte (36), podendo,

no entanto, abdicar-se dos sinais < ... > que, no ecrã do computador, iniciam e encerram

uma localização na Internet (12).

23. LIVROS E MONOGRAFIAS EM CD-ROM

! CDI, clinical dermatology illustrated [monograph on CD-ROM]. Reeves JRT,

Maibach H. CMEA Multimedia Group, producers. 2nd ed. Version 2.0. San Diego:

CMEA; 1995.

Exemplo de como citar um capítulo ou artigo contido num livro (36):

! McConnell, WH. Constitutional history. In: The Canadian encyclopedia [CD-

ROM]. Macintosh version 1.1. Toronto: McClelland & Stewart, c. 1993. ISBN 0-

7710-1932-7.

13
ASCII – American Standard Code for Information Interchange.
Repare que a referência se encerra com a identificação do livro feita através do ISBN

(International Standard Book Number). Quando presente na fonte, seja em livros ou

em revistas (no caso das revistas será o ISSN – International Standard Serial

Number), este elemento, de acordo com as recomendações da International

Organization for Standardization, deverá ser referenciado (36).

24. REVISTAS E OUTROS PERIÓDICOS (CITADOS COMO UM TODO) ON LINE

! Journal of Technology Education [on line]. Blacksburg (Va.): Virginia

Polytechnic Institute and State University, 1989- [cited 15 March 1995]. Semi-

annual. Available from Internet: gopher://borg.lib.vt.edu:70/1/jte. ISSN 1045-1064.

25. ARTIGO EM REVISTA ON LINE

! Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis

[serial online] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5];1(1):[24 screens]. Available from

URL: http://www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm

Numeração de página: Ao invés do que sucede nas revistas publicadas em papel,

em que a existência de volumes, números e páginas é essencial (36), nem sempre as páginas

dos documentos consultados na Internet estão numeradas ou, sequer, separadas por algo

palpável que marque a transição de uma página para a seguinte (por exemplo uma linha

tracejada que atravesse o ecrã do computador), deslizando o documento sob os nossos olhos

como um todo contínuo, à medida que vamos dando um clique no rato ou puxando pelo

texto usando a barra vertical aparente no lado direito do monitor. Complicando ainda mais

todas estas peculiaridades fantasmáticas do universo virtual, sucede que nem sempre existe

uma coincidência entre o total de ecrãs ocupados por determinado documento no

computador e o número de páginas que esse documento corporiza quando é impresso em

papel. Ou seja: não nos podemos guiar, seja para indicar o número total de páginas de um

artigo, seja para assinalar uma página específica desse artigo, na versão impressa de um

documento online. Vejamos um exemplo (12):


! International Committee of Medical Journal Editors (ICJME). Uniform

requirements for manuscripts submitted to biomedical journals. ICJME [edição

online] 2001 October [citado em 18 Maio 2002]:[53 ecrãs]. Disponível na Wide

World Web: http://www.icmje.org/

Este documento ocupa 29 páginas A4 quando impresso (usando uma configuração

padronizada para as margens da página), mas é preciso percorrer 53 ecrãs de computador

para o visionar todo.

Esta situação ilustra de um modo flagrante a especificidade da identidade dos

documentos electrónicos e a impossibilidade de, em determinados aspectos, os submeter às

regras de referenciação dos documentos em papel.

Portanto, se um documento electrónico que queremos citar não possuir paginação ou

outro sistema de referência interna equivalente, a extensão do item deve ser indicada, entre

parêntesis rectos, em termos como o número total de linhas ou de ecrãs (36). Por exemplo:

[49 linhas]

[53 ecrãs]

[aproximadamente 12 ecrãs]

26. DOCUMENTO COM TÍTULO DESCONHECIDO

Quando, num documento electrónico de qualquer tipo ou na documentação que o

acompanha, não se consegue encontrar um título, as primeiras palavras do texto, seguidas

por uma elipse (. . .) devem substituir o título ausente. A seguir a este título improvisado,

entre parêntesis rectos, deve ser apresentado um brevíssimo resumo que permita ao leitor

aperceber-se do conteúdo do documento em causa (36). Por exemplo:

! Foi ao ouvir aquela canção que Vanessa . . . [conto de autor anónimo sobre como

uma rapariga de nome Vanessa decide fazer uma viagem a Itália]. Uniform

Resources Locator (URL). [Local de publicação desconhecido]: Fórum de contos Ao

Correr da Pena, 22 Novembro 2002 [citado em 24 Dezembro 2002; 23:58 TMG]; [7

ecrãs]. Disponível na Internet: ftp://ds.interferon.vanessavainessa. net/pmpostman/

vvn0123txt
Nas situações de referência a mensagens de correio electrónico e contribuições para

sistemas de mensagens públicas (como, por exemplo, fóruns de discussão14 on line de

assuntos técnicos) o ‘Assunto’ que consta no cabeçalho da mensagem pode ser usado em

lugar do título (36). [Veja os exemplos do item Mensagens electrónicas].

27. MENSAGENS ELECTRÓNICAS

! Parker, Elliot. Re: Citing electronics journals. In PACS-L (Public Access

Computer Systems Forum) [on line]. Houston (Tex.): University of Houston

Libraries, 24 November 1989; 13:29:35 CST [cited 1 January 1995; 16:15 EST].

Available from Internet: telnet://brsuser@a.cni.org

! Thacker, Jane. Citation of electronic documents [on line]. Mensagem para Pedro

Serrano. 5 Outubro 2001 [citada 23 Maio 2002; 01:24 TMG]. Comunicação pessoal.

Quando necessário, este tipo de referências deve, preferencialmente, ser feito no

texto do relatório ou em nota de rodapé e não na Lista de referências.

Datas: Repare que, em ambos os exemplos, são explicitadas as datas de produção/emissão

dos documentos (24 November 1989; 5 Outubro 2001), bem como a data (1 January 1995;

23 de Maio de 2002) e a hora em que foram depois usados pelo autor que está a citar as

mensagens (16:15 EST; 01:24 TMG).

Sublinhe-se, de novo, que, por razões que se prendem com a frequência e a

possibilidade de modificação inerente aos documentos electrónicos (muito mais do que nos

documentos em papel – nos quais as datas de publicação/produção são geralmente fixas e

imutáveis), as datas de publicação, actualização, revisão e citação dos documentos

electrónicos devem ser referidas com toda a precisão, incluindo o dia, o mês, o ano e a hora

do dia. Alguns exemplos:

14
Discussion list – Grupo de discussão sobre determinado assunto, que tem lugar numa rede de
computadores, entre subscritores de uma determinada lista de correio electrónico e no qual as
contribuições de cada participante são automaticamente enviadas como mensagens electrónicas para
toda a lista de subscritores [definição adaptada de ISO 690-2. Veja o Anexo 4].
[actualizado em Outubro de 1997]

[revisto em 1 Abril 2000] ou [rev. em 1 Abril 2000]

[citado em 2 Fevereiro 2002; 16:35 TMG] ou [cited 2 February 2002; 16:35 GMT]

28. FICHEIRO DE COMPUTADOR ONLINE

! Acquired Immunodeficiency Syndrome. In: MESH vocabulary file [database

online]. Bethesda, Md.: National Library of Medicine, 1990 [cited 3 October 1990].

Identifier no. D000163; [49 lines].

Note que a referência explicita o número de identificação do acesso e o número de

linhas do item consultado.

Se um documento electrónico como, por exemplo, uma base de dados ou um

programa de computador, ainda está numa fase de actualização, a frequência dessa

actualização deve ser fornecida numa nota, e.g.: “actualizado semanalmente”, “actualizado

trimestralmente”, “actualização contínua” (36).

29. REFERÊNCIA A SOFTWARE

Para além da citação destes documentos electrónicos é por vezes necessário citar e

referenciar o próprio software utilizado (programas, linguagens, sistemas).

A referenciação deste tipo de informação deve, preferencialmente, ser feita no texto

do relatório, mas também pode ser incluída na Lista de referências. Eis dois exemplos, o

primeiro extraído das recomendações do grupo de Vancouver para publicações biomédicas

(12) e o segundo adaptado do Chicago Manual of Style (25):

! Hemodynamics III: the ups and downs of hemodynamics [computer program].

Version 2.2. Orlando (FL): Computerized Educational Systems; 1993.

! Statistical Package for the Social Sciences [computer program]. Level M Ver. 8

(SPSS Lev. M 8.1). Chicago: SPSS.

Note que as referências especificam o título (por extenso) do programa, indicam o

meio electrónico de transmissão (programa de computador), o nível (Lev.) e a versão (Ver.)


usada e, também, a localização da organização que detém os direitos de propriedade do

programa.

REFERÊNCIA A DOCUMENTOS ELECTRÓNICOS: RESUMO DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS

* Autor (responsabilidade primária pelo documento): obrigatório;

* Título: obrigatório;

* Meio electrónico de transmissão: obrigatório;

* Número de edição: obrigatório (em livros e monografias);

* Local de publicação: obrigatório;

* Editor: obrigatório;

* Data de publicação: obrigatória;

* Data de actualização ou revisão: obrigatória;

* Data de citação: obrigatória para documentos online (opcional para os outros);

* Notas: opcionais;

* Disponibilidade e acesso: obrigatória para documentos online (opcional para os

outros).

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