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Avaliação da intensidade de deterioração de uma estrutura de concreto armado localizada em ambiente marinho

Avaliação da intensidade de deterioração de uma estrutura de concreto armado localizada em ambiente marinho e exposta à ação de solução ácida – Estudo de caso

Evaluation of deterioration intensity of reinforced concrete structure situated in marine environment and exposed acid solution action – Case Study

Geniclésio Ramos dos Santos (1); Tibério Andrade (2); Aldo de Assis Ximenes (1); Linaldo de Andrade Torres (1); Isis Juliana Barbosa (1).

(1) Graduandos em Engenharia Civil, UFPE e-mail: geniclesio@yahoo.com.br (2) Professor Mestre, Departamento de Engenharia da UFPE email: tiberioandrade@uol.com.br Rua Serra da Canastra, 391 – Cordeiro – Recife – Pernambuco – Brasil.

Resumo

Um tanque industrial de concreto armado foi utilizado, provisoriamente, por duas semanas, como depósito de solução de ácido sulfúrico com pH aproximado de 1, que foi gerada indevidamente no processo industrial. A função original do tanque industrial, que está localizado em ambiente marinho, é de armazenamento de resíduo oleoso proveniente da atividade industrial. A estrutura, que possui cerca de apenas 03 anos de idade, sofreu danos superficiais, com a destruição parcial da pintura a base de epóxi. Para uma melhor avaliação do nível de deterioração sofrido pelo concreto, foram extraídos testemunhos para determinar o perfil de íons sulfatos e de cloretos, bem como a resistência à compressão do concreto. Os perfis foram obtidos em 03 alturas distintas das paredes e na laje de fundo do tanque. Todos os perfis de sulfatos indicaram a inexistência de contaminação externa, estando os valores compatíveis com os teores de sulfatos provenientes do Cimento Portland empregado na produção do concreto. Entretanto, diferentemente do perfil de sulfatos, o perfil de cloretos evidenciou uma contaminação externa bastante variada, em função da localização das amostras. Os perfis de cloretos críticos estão localizados na laje de piso do tanque, os quais apresentaram valores próximos da despassivação da armadura para o cobrimento especificado em projeto, com a estrutura apresentando apenas 03 anos de idade e tendo a resistência à compressão alcançado valor médio de 50 MPa.

Palavra-Chave: ataque ácido, durabilidade, perfil de sulfatos, perfil de cloretos.

Abstract

Industrial tank of reinforced concrete was only employed for 2 weeks as deposit of solution of sulfuric acid, with pH approximate of 1. This solution was unduly produced in the industrial process. The original function of industrial tank, which is situated in marine environment, is of storage of oily residual coming from industrial activity. The structure, that has about only 03 years old, suffered superficial damages, with partial destruction of epoxy paint. Evaluating the better of deterioration suffered by concrete, cores were extracted to determine the sulfate and chloride profiles, as well as the compressive strength of the concrete. The profiles were determined for 03 different heights of the wall and for 03 different locations of the concrete floor slab of the tank. All the sulfate profiles showed the inexistence of external contamination and compatibility with the expected sulfate percentage coming from the portland cement used in the construction. However, the chloride profiles exhibited varied external contamination according to the location of the specimens. The critical chloride contents are situated in the floor slab of the tank, which presented values close to the limits to despassivate the reinforcing bars for the projected covering, in a structure that is only 03 years old and has a concrete with average compressive strength of 50 MPa.

Keywords: acid attack, durability, sulfate profiles, chloride profiles.

1 Introdução O presente trabalho trata da análise dos possíveis danos sofridos pela estrutura de

1

Introdução

O

presente trabalho trata da análise dos possíveis danos sofridos pela estrutura de

concreto armado dos tanques de águas oleosas de uma usina termoelétrica, devido à exposição acidental à solução ácida.

A análise da exposição do concreto à solução ácida foi baseada na inspeção visual da

estrutura; nos resultados da resistência à compressão de corpos de prova extraídos da estrutura; no perfil de sulfatos e na medição do pH, realizadas em diversas regiões das paredes dos tanques e na laje do tanque de águas oleosas, exposta à solução. Além dos ensaios citados acima, foi determinado o perfil de cloretos nas mesmas

amostras utilizadas para o ensaio de sulfatos. A contaminação com íons cloretos não tem correlação com o ataque ácido, no entanto, foi prudente a sua avaliação em função da elevada concentração desses íons no meio em que se encontram as instalações, que podem favorecer a futuros problemas com corrosão das armaduras, que poderiam ser creditadas equivocadamente ao ataque ácido.

2 Descrição do problema

Segundo informações da Companhia gestora da usina, devido a um problema técnico, foi gerada uma grande quantidade de resíduo ácido de muito baixo potencial de hidrogênio

(pH<1) no processo industrial, sendo o volume do tanque de neutralização insuficiente para o seu armazenamento. Segundo informação do gerente industrial, o ácido que originou o resíduo foi o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ), que é classificado como um ácido inorgânico oxigenado forte. O resíduo foi lançado no tanque de águas oleosas, que tem a função de captar óleo dos transformadores e de outros equipamentos para posterior filtragem. No tanque de águas oleosas, a solução ácida, com pH inferior 1, passou aproximadamente 2 semanas armazenada antes de ser neutralizada e escoada.

A seguir, será feita uma breve descrição dos mecanismos de atuação dos ácidos na

deterioração do concreto armado, com o objetivo de fornecer um melhor entendimento do nível e do tipo dos possíveis danos que podem ter ocorrido nos tanques e nas caixas de passagem, bem como, para dar embasamento técnico aos ensaios propostos, para a análise e para as conclusões desse trabalho.

3

Ação dos ácidos sobre o concreto armado

O

material “concreto armado” é constituído por uma matriz pétrea, onde se encontram

embebidas barras de aço, convenientemente dispostas, com o objetivo de absorver

esforços de tração, os quais essa matriz não é capaz de resistir.

A

matriz pétrea é formada por duas fases bastante distintas. A fase descontínua que são

os

agregados graúdos (brita) e miúdos (areia). Esses agregados possuem forma granular

com dimensões variadas, originados, na grande maioria, da britagem de rochas ou extraídos da natureza, e já em formatos e dimensões para emprego em concretos.

A fase contínua, a qual envolve os agregados, é a pasta de Cimento Portland endurecida

que, nas primeiras horas, é caracterizada por um fluído viscoso, formado pela água e

pelas partículas de cimento em suspensão, permitindo que o concreto possa ser misturado, transportado, lançado

pelas partículas de cimento em suspensão, permitindo que o concreto possa ser misturado, transportado, lançado e adensado. Com o passar do tempo, os compostos anidros fundamentais que compõem o Cimento

Portland reagem com água, produzindo, principalmente, silicatos e aluminatos de cálcio hidratados e hidróxido de cálcio ((Ca(OH) 2 ), que envolvem os agregados, formando um corpo sólido e resistente, sendo o concreto classificado como uma rocha artificial.

O hidróxido de cálcio está sempre presente na pasta de cimento endurecida em

percentuais acima 20% e é classificada como uma base forte, conferindo a essa pasta endurecida um caráter extremamente básico, com pH superior a 13.

A pasta de Cimento Portland possui boa resistência a soluções ácidas, entretanto, a

exposição prolongada a essas soluções promove, da superfície para o interior, a queda

progressiva do seu pH. A queda do pH ocorre devido à reação entre a solução ácida e o Ca(OH) 2 , tendo como produtos da reação, sal mais água. Esse processo favorece a lixiviação e aumenta gradativamente a permeabilidade da pasta à penetração de agentes agressivos. Em casos extremos de exposição, ocorre à decomposição química do CSH

da pasta de cimento, que é o principal componente da pasta de cimento endurecida,

induzindo a sua destruição progressiva. Quanto aos agregados, a sua resistência à exposição aos ácidos irá depender de sua origem mineralógica e de sua porosidade. Os agregados de origem silicosa (granito, basalto, gnaisse, etc), que é o caso dos utilizados no concreto das estruturas da Termoelétrica, possuem comportamento muito melhor sob a ação dos ácidos do que a pasta de cimento que os envolve, servindo de barreira física de proteção para a pasta. Portanto, o material “concreto de Cimento Portland” pode ser classificado como um

material de relativa resistência à ação dos ácidos, entretanto, a extensão do ataque dos ácidos ao concreto é função, basicamente, de 03 fatores. São eles:

A

natureza do ácido e o potencial de hidrogênio da solução ácida (concentração);

O

tempo de exposição à solução;

A

permeabilidade do concreto, que está diretamente relacionada à permeabilidade da

própria pasta de cimento endurecida, a qual tem uma relação direta com a relação água/cimento empregada na dosagem. Diferentemente do concreto, o aço possui muito baixa resistência aos ácidos, sendo ionizado e dissolvido rapidamente. A velocidade de degradação dependerá do potencial de hidrogênio da solução em contato com a liga, sendo as reações químicas denominadas de simples troca, que provoca a ruptura das ligações metálicas, como mostra a reação do ferro (Fe) com o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ) abaixo.

Fe + H 2 SO 4

sulfúrico (H 2 SO 4 ) abaixo. Fe + H 2 SO 4 H 2 +

H 2 + FeSO 4

Pela relativa resistência do concreto aos ácidos, o concreto atua como uma barreira física

e química de proteção às barras de aço em seu interior. Essa ação é efetiva, desde que o tempo de exposição não seja prolongado a tal ponto que essa barreira seja destruída, expondo o aço à ação direta do ácido. Entretanto, mesmo que o ataque do ácido não atue diretamente no aço, a exposição prolongada do concreto armado a uma solução ácida diminui progressivamente o pH do concreto da superfície para o interior. O pH elevado cria um ambiente no interior do

concreto que permite a passivação da armadura, isto é, a sua proteção contra a corrosão

concreto que permite a passivação da armadura, isto é, a sua proteção contra a corrosão eletroquímica. Enquanto o pH do concreto estiver acima de 10 a 11 na região das armaduras, as barras de aço estarão protegidas da corrosão, exceto se esta região esteja contaminada com íons cloretos (Cl - ).

A perda dessa proteção, por queda do pH ou por ataque de íons cloretos, poderá gerar

pilhas eletroquímicas de corrosão, caso ocorra, simultaneamente, condições favoráveis de oxigenação e de umidade para a propagação do fenômeno. Como já foi citado, o ácido sulfúrico foi o ácido que gerou a solução agressiva, sendo um ácido forte que em contato com a pasta de cimento endurecida reage com o hidróxido de cálcio, baixando o pH da pasta através da reação mostrada a seguir.

H 2 SO 4 + Ca(OH) 2

da reação mostrada a seguir. H 2 SO 4 + Ca(OH) 2 CaSO 4 + 2(H

CaSO 4 + 2(H 2 O)

Nessa reação do hidróxido com o ácido sulfúrico, liberam-se íons sulfatos, que irão contaminar a pasta de cimento, induzindo a um outro mecanismo de deterioração do concreto: o ataque por sulfatos. Esses íons reagem com os aluminatos hidratados da pasta de cimento, produzindo, progressivamente, compostos expansivos (etringita). Esses compostos induzem tensões de tração no concreto, gerando fissuração e desagregação da pasta de cimento. Portanto, a ação do ácido sulfúrico pode ser particularmente nociva, em função da ação do próprio ácido, baixando o pH e aumentando a porosidade e a permeabilidade do concreto, além de contaminá-lo com íons sulfatos, favorecendo uma outra forma de deterioração, por expansão e fissuração do concreto.

4

Características do concreto e da estruturas exposta

O

tanque exposto a ação ácida têm aproximadamente 3 anos de idade. A resistência

característica à compressão de projeto foi de 28 MPa. No entanto, na especificação do

concreto, foi fixada uma relação água/cimento máxima de 0,45 em função da agressividade existente no ambiente (ambiente marinho). Devido à reatividade detectada no agregado graúdo utilizado no concreto, através do ensaio acelerado em barras de argamassa ASTM C 1260, foi empregado o Cimento

Portland Pozolânico (CP IV 32) com 30% de pozolana artificial, obtida a partir de argila calcinada.

O projeto estrutural especificou o cobrimento da armadura de 30mm para a face interna e

50mm para as faces externas, tanto para as paredes, quanto para as lajes de piso do tanque de águas oleosas. Esse tanque de águas oleosas foi á estrutura de concreto armado da instalação que sofreu a maior exposição à solução ácida, em função do intervalo de tempo de duas

semanas para neutralização, aliado a um potencial de hidrogênio (pH) da solução inferior

a 1 durante esse período. Esse tanque possui dimensões internas de 9,00m de largura,

12,00m de comprimento e 2,90m de altura. Tanto as paredes quanto à laje de piso têm 20cm de espessura.

A ligação entre as paredes e a laje de piso é chanfrada a 45º, com 20cm na horizontal e

na vertical. A laje de piso foi revestida com uma argamassa de contrapiso, tendo,

posteriormente, todo tanque, até uma altura de 1,40m, recebido pintura a base de epóxi para

posteriormente, todo tanque, até uma altura de 1,40m, recebido pintura a base de epóxi para proteção quanto ao óleo vindo das instalações.

5 Inspeção visual

A inspeção visual foi realizada com acuidade, onde se observou que a pintura a base

epóxi foi degradada pelo contato com a solução, descobrindo parte da superfície do concreto das paredes e da argamassa de contrapiso. Para uma melhor avaliação do

concreto, a pintura foi completamente removida.

Acima do nível da pintura a base de epóxi (1,40m), dois níveis de manchas escuras pôde ser observado, sendo a primeira mancha, mais escura, situada a 1,75m acima do piso, e

a outra, menos escura, a 1,90m do nível do piso, como pode ser visto na Figura 1. Segundo informação, essas manchas foram provenientes das águas oleosas que ultrapassaram o nível da pintura durante a operação do sistema.

o nível da pintura durante a operação do sistema. Figura 1 – Vista geral dos tanques

Figura 1 – Vista geral dos tanques de águas oleosas e detalhes das manchas nas paredes.

Novamente, segundo informação do gerente industrial, não se mediu com precisão a que nível o resíduo ácido ficou em relação ao piso, entretanto, estima-se entre a cota 1,40m e 1,75m, isto é, na região da mancha mais escura. Quanto à superfície das paredes do tanque expostas à solução ácida, apesar de ter sido observada mudança de tonalidade, apresentando coloração esbranquiçada em relação à superfície original, não foi sentida diferença no desgaste superficial entre a superfície exposta e a não exposta. Essa observação ressalta, a princípio, que os danos causados ao concreto pela exposição à solução ácida não foram significativos. Diferentemente do concreto, observou-se, visualmente, que a argamassa de contrapiso existente sobre a laje de concreto do tanque sofreu mais a ação do ácido, em função, provavelmente, de sua maior porosidade. Após a observação do perfil dos furos, produzidos pela extração dos testemunhos de concreto e também pela análise dos próprios testemunhos, não foi possível visualizar

qualquer grau deterioração nas camadas próximas à superfície do concreto em contato com solução, evidenciando

qualquer grau deterioração nas camadas próximas à superfície do concreto em contato com solução, evidenciando a superficialidade da exposição. Os testemunhos de concreto extraídos para determinação do perfil de cloretos e sulfatos foram cortados até a profundidade das armaduras, expondo-as após a remoção dos testemunhos. Nos furos, observou-se que as barras de aço encontram-se a uma profundidade compatível com o cobrimento especificado em projeto, estando integras, sem nenhuma evidência de danos (Figura 2).

integras, sem nenhuma evidência de danos (Figura 2). Figura 2 - Detalhe da superfície esbranquiçada e

Figura 2 - Detalhe da superfície esbranquiçada e da armadura da parede de concreto intacta.

6

Ensaios

Para uma análise conclusiva da extensão dos danos causados pela exposição à solução ácida, foram realizados os seguintes ensaios:

Ensaio de resistência à compressão do concreto, com o objetivo de se avaliar indiretamente a qualidade no tocante a porosidade;

Ensaio para a determinação do percentual de sulfatos em diversas profundidades, com o objetivo de avaliar se os sulfatos existentes foram provenientes de uma exposição a alguma fonte externa, que no caso, seria o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 );

Medição da queda do pH do concreto, através da aspersão de fenolftaleína, com o objetivo de avaliar se o ataque do ácido alterou a alcalinidade da camada superficial do concreto. Paralelamente aos ensaios citados acima, foi também realizado o ensaio para determinação do percentual de íons cloretos em diversas profundidades, para avaliação do grau de contaminação com esse íon, pois a literatura sobre durabilidade das estruturas de concreto freqüentemente aponta a corrosão da armadura devido a ação dos íons cloreto como um dos mais sérios problemas que sofre esse material HELENE P. (1986), METHA & MONTEIRO (1994) e MEIRA (2004). Como citado anteriormente, apesar dessa contaminação não estar diretamente relacionada com o ataque ácido, o ensaio se fez necessário, em virtude da estrutura se encontrar em um ambiente com elevada

concentração de íons cloretos, que podem levar a despassivação da armadura, sem que a responsabilidade

concentração de íons cloretos, que podem levar a despassivação da armadura, sem que a responsabilidade seja da exposição ao ácido. Foram extraídos 13 testemunhos com diâmetro de 75mm para a determinação do teor de cloretos totais e sulfatos. Com auxílio do disco de corte, cada testemunho foi cortado em 6 fatias, sendo as 2 primeiras fatias com 5mm de espessura e as 4 restantes com 10mm. O perfil das fatias, em milímetros, em relação à superfície é de 0-5; 5-10; 10-20; 20-30; 30- 40 e 40-50. Cada fatia foi triturada em moinho apropriado para realização dos ensaios. O ensaio para determinação do teor de cloretos totais e de sulfatos foi realizado por um laboratório especializado. No ensaio de cloretos foi empregado o método definido pela ASTM C 1152 (ASTM, 1990) e, no de sulfatos foi determinado por gravimetria, através do método definido pela NBR 9917 (ABNT, 1987). Na Tabela 1 são descritos os 13 testemunhos extraídos com suas respectivas localizações. Além das amostras do concreto, foi extraída e ensaiada uma amostra do contrapiso do tanque de águas oleosas. Essa amostra foi composta de um pedaço da argamassa, sendo determinado o teor de cloretos totais e de sulfatos, sem a determinação do percentual desses íons em relação à superfície do contrapiso (perfil).

Tabela 1 - Localização dos testemunhos extraídos para determinação do teor de cloretos e sulfatos.

   

Altura em relação ao piso (m)

 

Furo

Tanque

localização

Observação

 

1 águas oleosas

Parede oeste

1,90

Acima da pintura e da solução ácida

 

2 águas oleosas

Parede oeste

1,75

Acima da pintura e da solução ácida

 

3 águas oleosas

Parede oeste

0,50

Abaixo da pintura e da solução ácida

 

4 águas oleosas

Parede leste

1,80

Acima da pintura e da solução ácida

 

5 águas oleosas

Parede leste

1,30

Abaixo da pintura e da solução ácida

 

6 águas oleosas

Parede leste

0,50

Abaixo da pintura e da solução ácida

 

7 águas oleosas

Laje de piso

-

Existência de contrapiso (10 cm)

 

8 águas oleosas

Laje de piso

 

-

acima da laje

 

9 águas oleosas

Laje de piso

-

 

10 águas oleosas

Viga invertida

-

Abaixo do nível da solução ácida

 

11 águas oleosas

Viga invertida

-

(Parede sem pintura)

Para a avaliação da resistência à compressão do concreto foram extraídos 07 testemunhos do tanque de águas oleosas. Desses 07 testemunhos, 02 foram retirados da parede norte, 02 da parede sul e 03 da laje de piso. Os testemunhos das paredes foram extraídos a 0,80 m da laje de piso.

7

Resultados e análise

7.1

Resistência à compressão

Como já foi citada, a determinação da resistência à compressão teve como objetivo avaliar indiretamente a qualidade do concreto no tocante a suas características de durabilidade, à medida que essa propriedade está diretamente relacionada com a sua resistência à compressão. Quanto maior a resistência à compressão, menor é a porosidade e a permeabilidade da pasta endurecida, dificultando a penetração dos agentes agressivos, que neste caso foi à solução ácida.

Foram extraídos 7 testemunhos de 100mm de diâmetro das paredes e da laje de fundo

Foram extraídos 7 testemunhos de 100mm de diâmetro das paredes e da laje de fundo do tanque de águas oleosas, estando o resumo dos resultados na Tabela 2.

Tabela 2 - Resistência à compressão dos testemunhos extraídos.

Resistência à

compressão

(MPa)

Referencia

Localização

62,5

1 Parede Sul

43,7

2 Parede Sul

48,1

3 Parede Norte

42,4

4 Parede Norte

47,6

5 Laje de piso

54,9

6 Laje de piso

53,1

7 Laje de piso

Os resultados de resistência à compressão, após, aproximadamente, 3 anos da construção do tanque, indicam valores individuais que levam a uma resistência característica à compressão estimada (f ckest ) bem superior a resistência característica à compressão (f ck ) especificada em projeto, aos 28 dias idade, que foi de 28 MPa. Esses resultados podem ser creditados a relação água/cimento empregada na dosagem, que foi de 0,45, bem inferior a necessária para atendimento do f ck de projeto. Com os cimentos da região, adota-se uma relação água/cimento em torno de 0,53 para o concreto com resistência característica à compressão aos 28MPa. O crescimento da resistência à compressão além dos 28 dias, aliado ao uso de Cimento Portland Pozolânico, também contribuíram para os valores de resistência obtidos. A resistência à compressão alcançada nos testemunhos, juntamente com o emprego de cimento pozolânico, indica, de um modo geral, que o concreto apresenta baixa permeabilidade, contribuindo para sua resistência ao ataque da solução ácida.

7.2 Perfis de sulfatos

Os resultados dos teores de sulfatos, fornecidos pelo laboratório, são relativos à massa de concreto e são expressos em SO 3 ou SO 4 . Para análise da contaminação, faz-se necessária à determinação do teor de sulfatos em relação à massa de cimento no concreto. Para determinação do teor de sulfatos em relação à massa de cimento, multiplicou-se os percentuais de sulfatos, fornecidos pelo laboratório, pela relação entre massa específica seca aproximada do concreto (2350 kg/m 3 ) e o consumo de cimento do concreto dos tanques (420 kg/m 3 ), cujo valor é 5,6, sendo esse consumo de cimento obtido dos dados do controle tecnológico da obra. Todo Cimento Portland em sua composição possuí um pequeno percentual de sulfato, devido à obrigatoriedade da adição de gipsita (CaSO 4 .2H 2 O) com a função de retardar a sua pega. O controle dessa adição se faz pela determinação do percentual de trióxido de enxofre, que, no caso específico do Cimento Portland Pozolânico (CP IV), não deve ser superior a 4%, conforme especificado pela NBR 5736 (ABNT, 1991).

Para o Cimento Portland Pozolânico, segundo informações do fabricante, o percentual médio de trióxido de

Para o Cimento Portland Pozolânico, segundo informações do fabricante, o percentual médio de trióxido de enxofre, obtido de várias planilhas de controle da época da construção, foi de 2,5%. Esses dois teores, (2,5% e 4%), servirão de subsídios para a análise dos resultados. Assim o percentual mínimo de sulfatos no concreto que indique a não contaminação deve ser inferior ao percentual de trióxido de enxofre existente no cimento. Os teores de trióxido de enxofre, em relação à massa de concreto e cimento, de todos os 11 pontos, estão descriminados na Tabela 3, mostrada a seguir.

Tabela 3 Teor de Sulfatos dos furos analisados.

Furo

% de sulfatos (SO 3 ) em relação à massa de concreto

% de sulfatos (SO 3 ) em relação à massa de cimento

 

Profundidade (mm)

   

Profundidade (mm)

 
 

0-5

5-10

10-20

20-30

30-40

40-50

0-5

5-10

10-20

20-30

30-40

40-50

 

01 0,426

0,826

0,428

0,638

0,476

0,472

2,384

4,622

2,395

3,570

2,663

2,641

 

02 0,664

0,500

0,430

0,804

0,507

0,370

3,715

2,798

2,406

4,499

2,837

2,070

 

03 1,000

0,400

0,623

0,454

0,298

0,443

5,646

2,238

3,486

2,540

1,667

2,479

 

04 0,612

0,452

0,334

0,430

0,442

0,395

3,424

2,529

1,869

2,406

2,473

2,210

 

05 0,405

0,257

0,280

0,277

0,293

0,383

2,266

1,438

1,567

1,550

1,639

2,143

 

06 0,512

0,284

0,284

0,438

0,297

0,265

2,865

1,589

1,589

2,451

1,662

1,483

 

07 0,420

0,430

0,285

0,300

0,275

0,309

2,350

2,406

1,595

1,679

1,539

1,729

 

08 0,463

0,285

0,403

0,302

0,408

0,420

2,591

1,595

2,255

1,690

2,283

2,350

 

09 0,424

0,490

0,490

0,485

0,385

0,398

2,372

2,742

2,742

2,714

2,154

2,227

 

10 0,691

0,369

0,340

0,453

0,277

0,434

3,866

2,065

1,902

2,535

1,550

2,428

 

11 0,480

0,324

0,356

0,338

0,431

0,358

2,686

1,813

1,992

1,891

2,412

2,003

Na Figura 3 é mostrado o gráfico do perfil de sulfato (trióxido de enxofre) típico encontrado para todos os furos ensaiados, juntamente com o limite máximo de 4,0% de trióxido de enxofre definido pela normalização brasileira para o Cimento Portland Pozolânico (CP IV), e de 2,5% que foi a média de trióxido de enxofre existente no Cimento Portland Pozolânico. Todos os perfis de sulfatos analisados indicam que o ataque ácido não foi relevante, em função de não existir o perfil clássico de contaminação externa, que se caracteriza por valores altos próximos a superfície, reduzindo à medida que a profundidade aumenta, a qual tende a um valor limite que corresponde à contaminação inicial de sulfatos no concreto. O que pôde ser observado é que a partir da profundidade de 7,5mm da superfície, os perfis não seguem um padrão de contaminação externa, estando os percentuais variando em torno de um valor médio, que pode ser considerado o percentual de trióxido de enxofre existente no cimento. Os picos extremos, encontrados em alguns perfis, a profundidades intermediárias, podem ser creditados a heterogeneidade natural do concreto, possibilitando a ocorrência na variação das proporções de argamassa ou agregado graúdo nas amostras, oscilando, pontualmente, a quantidade de cimento e, conseqüentemente, a de sulfatos. A tendência sistemática de uma maior concentração de sulfatos a uma profundidade de 2,5mm em relação à concentração da profundidade imediatamente seguinte, pode caracterizar uma contaminação de sulfatos pelo ataque ácido. Entretanto, essa tendência

não pode ser creditada única e exclusivamente a exposição ao ácido, em função da existência

não pode ser creditada única e exclusivamente a exposição ao ácido, em função da existência de uma maior concentração natural de pasta na superfície do concreto, principalmente, quando essa superfície é confinada por fôrmas, sendo esse fenômeno denominado de “efeito parede”.

PERFIL DE SULFATOS % da massa de sulfatos (SO3) em relação a massa de cimento

Perfil de sulfatos do furo 4 Limite do % de SO3 no CP IV %
Perfil de sulfatos do furo 4
Limite do % de SO3 no CP IV
% médio do SO3 no CP IV
4,500
4,000
3,500
3,000
2,500
2,000
1,500
1,000
0,500
0,000
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
%

PROFUNDIDADE

(mm)

Figura 3 - Perfil de sulfatos típico de sulfatos encontrados em todos os pontos ensaiados.

O percentual de trióxido de enxofre na argamassa de contrapiso, no ensaio fornecido pelo

laboratório, foi de 0,909%, bem superior à maioria dos valores dos ensaios realizados no concreto. Para determinação do teor de sulfatos em relação à massa de cimento na argamassa de contrapiso, multiplicou-se os percentual de sulfato, obtido da relação entre massa específica seca aproximada da argamassa (1900 kg/m 3 ) pelo seu consumo de cimento (320 kg/m 3 ), cujo valor é 5,9. A massa específica e o consumo de cimento adotados para a argamassa foram arbitrados em função de valores médios conhecidos para esse tipo de argamassa na região.

O percentual estimado de trióxido de enxofre (SO 3 ) na argamassa de contrapiso foi de

5,34%, superior ao valor de 2,5% estimado para média de trióxido de enxofre do CPIV utilizado na obra, e ao valor máximo de 4,0% exigido pela normalização brasileira para o Cimento Portland Pozolânico. Esse percentual indica uma contaminação dessa argamassa com sulfatos originada da

exposição à solução ácida.

7.3 Medição do pH

A penetração do ácido leva, gradativamente, da superfície para o interior do concreto, a

neutralização do ambiente altamente alcalino da pasta de cimento, através da reação do ácido com o hidróxido de cálcio existente na pasta endurecida.

Para estimativa do pH do concreto, foi empregado indicador químico a base de fenolftaleína, através

Para estimativa do pH do concreto, foi empregado indicador químico a base de

fenolftaleína, através da preparação de uma solução de 1g do indicador e 99g de álcool.

O pH de viragem de cor da fenolftaleína é em torno de 10, acima do qual apresenta

coloração vermelho-carmim, e incolor abaixo dessa faixa.

O ensaio foi realizado com a aspersão da solução sobre a superfície seca do concreto,

recém fraturada e limpa com pincel. Foram 4 pontos, 3 pontos localizados na viga invertida e 01 ponto na parede vertical que serve de apoio a laje de acesso ao tanque. Nas superfícies horizontais, a espessura máxima do concreto, com pH abaixo 10, foi de 5mm, enquanto nas superfícies verticais foi de apenas 2mm. Essa diferença de comportamento pode ser creditada a maior porosidade da camada superficial, em virtude do fenômeno de exsudação, que pode ter ocorrido durante a concretagem, bem como a exposição à insolação do concreto nessa região, onde não existe fôrma, sendo, naturalmente, uma camada mais porosa do concreto. Parte dessa perda do pH na camada superficial pode ter tido origem no fenômeno de carbonatação, isto é, pela reação do CO 2 do ar atmosférico com o hidróxido de cálcio, sendo um fenômeno natural de envelhecimento do concreto. Os valores obtidos indicaram uma ação insignificante da solução ácida no concreto, confirmando a inspeção visual e a análise dos resultados dos perfis de sulfatos.

7.4 Perfil de cloretos

Os resultados dos teores de cloretos, fornecidos pelo laboratório, são relativos à massa de concreto. Para análise da agressividade dessa contaminação se faz necessária à determinação do teor de cloretos em relação à massa de cimento no concreto. Para determinação do teor de cloretos em relação à massa de cimento, efetuou-se da mesma maneira que para os sulfatos, obtendo um fator multiplicativo de 5,6. Os teores de cloretos totais em relação à massa de cimento, de todos os 11 pontos, estão descriminados na Tabela 4, mostradas a seguir.

Tabela 4 Teor de Cloretos dos furos analisados.

 

% de cloretos totais em relação à massa de concreto

% de cloretos totais em relação à massa de cimento

Furo

 

Profundidade (mm)

   

Profundidade (mm)

 
               

10-

20-

30-

40-

 

0-5

0-10

10-20

20-30

30-40

40-50

0-5

0-10

20

30

40

50

 

01 0,0105

0,0273

0,0070

0,0122

0,0094

0,0088

0,059

0,153

0,039

0,068

0,053

0,049

 

02 0,0082

0,0328

0,0213

0,0128

0,0112

0,0106

0,046

0,184

0,119

0,072

0,063

0,059

 

03 0,0244

0,0394

0,0195

0,0118

0,0118

0,0100

0,137

0,220

0,109

0,066

0,066

0,056

 

04 0,0136

0,0303

0,0180

0,0178

0,0142

0,0142

0,076

0,170

0,101

0,100

0,079

0,079

 

05 0,0174

0,0314

0,0217

0,0190

0,0180

0,0138

0,097

0,176

0,121

0,106

0,101

0,077

 

06 0,0279

0,0240

0,0176

0,0090

0,0078

0,0100

0,156

0,134

0,098

0,050

0,044

0,056

 

07 0,0186

0,1503

0,0763

0,0232

0,0214

0,0132

0,104

0,841

0,427

0,130

0,120

0,074

 

08 0,0722

0,1054

0,0966

0,0585

0,0388

0,0328

0,404

0,590

0,541

0,327

0,217

0,184

 

09 0,1230

0,1363

0,1337

0,0769

0,0236

0,0150

0,688

0,763

0,748

0,430

0,132

0,084

 

10 0,0814

0,1366

0,1008

0,0508

0,0247

0,0254

0,455

0,764

0,564

0,284

0,138

0,142

 

11 0,0648

0,1103

0,0790

0,0372

0,0230

0,0208

0,363

0,617

0,442

0,208

0,129

0,116

O teor de cloretos obtido em uma amostra da argamassa de contrapiso do tanque de

O teor de cloretos obtido em uma amostra da argamassa de contrapiso do tanque de águas oleosas foi de 0,1014% em relação à massa da argamassa. A partir do teor de cloretos totais em relação à massa de cimento, foram traçados 11 gráficos relativos ao perfil de cloretos totais, comparando com valor limite de 0,40% de cloretos para induzir a despassivação da armadura. Esse valor é adotado pelo CEB (1991) como parâmetro, acima do qual, na região do cobrimento, o concreto deixa de proteger a armadura, abrindo caminho para processo de corrosão eletroquímica. Nas Figuras 4 e 5 são mostrados o gráfico do perfil de cloretos totais típicos obtidos nas paredes e na laje de fundo, respectivamente, juntamente com o limite de 0,40% de cloretos totais, definido como um parâmetro de referência para a despassivação da armadura.

 

PERFIL DE CLORETOS TOTAIS % da massa de cloretos em relação a massa de cimento

 
 
  Perfil de cloretos do furo 3 Limite  

Perfil de cloretos do furo 3

Limite

 
 

0,45

0,4

0,4

0,35

0,3

0,25

%

 

0,2

0,15

0,1

0,05

0

 

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

50

 

PROFUNDIDADE

 
 

(mm)

 

Figura 4 – Perfil de cloretos típico das paredes do tanque

 
 

PERFIL DE CLORETOS TOTAIS % da massa de cloretos em relação a massa de cimento

 
 
  Perfil de cloretos do furo 09 limite  

Perfil de cloretos do furo 09

limite

 
 

0,85

0,8

0,8

0,75

0,7

0,65

0,6

0,55

0,5

0,45

%

0,4

0,35

0,3

0,25

0,2

0,15

0,1

0,05

0

 

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

50

 

PROFUNDIDADE (mm)

 

Figura 5 - Perfil de Cloretos típico da laje de fundo do tanque.

A tendência geral de todos os perfis indica um percentual maior de íons cloretos nas

A tendência geral de todos os perfis indica um percentual maior de íons cloretos nas

camadas mais próximas à superfície, reduzindo gradativamente para um valor constante

à medida que aumenta a profundidade.

Essa característica dos perfis ressalta, como era de se esperar, uma contaminação

externa do concreto com íons cloretos, potencializada pela localização da estrutura na orla marítima.

A convergência do percentual de íons cloretos para um valor constante, quando se

aprofunda a amostra, é devido à contaminação inicial proveniente dos cloretos existentes na água de amassamento, nos agregados, nos aditivos e no próprio cimento, empregados na fabricação do concreto. Essa contaminação de íons cloretos, na maioria dos perfis analisados, está entre 0,05% e 0,10% em relação à massa de cimento. Essas contaminações iniciais estão dentro da normalidade.

A contaminação externa é devido ao transporte desses íons pela névoa salina vinda do

mar, sendo esses íons depositados continuamente na superfície do concreto e na argamassa de contrapiso. A penetração gradual da superfície para o interior do concreto se dá, preferencialmente, por difusão e absorção capilar, que são mecanismos de transporte de massa. Através da análise dos 11 perfis, puderam ser observadas duas tendências bastante

distintas. Os perfis de cloretos obtidos das paredes de concreto, independente da altura e do tanque que foi retirada à amostra, possuem contaminações semelhantes e bem inferiores aos perfis obtidos da laje de piso e das vigas invertidas do tanque de águas oleosas, cujos perfis também são semelhantes, conforme visualizado nas Figuras 4 e 5. Essa diferença de contaminação não pôde ser explicada pela qualidade do concreto, pois

a especificação do concreto das paredes e da laje de fundo do tanque de águas oleosas

foi à mesma, tendo sido concretados com diferença de poucos dias. A resistência à compressão dos testemunhos extraídos também confirmou essa afirmação. Uma outra explicação para o fato pode estar no microclima mais severo existente na laje de fundo. Esse microclima é proveniente da argamassa de contrapiso que possui uma concentração elevada dos íons cloretos, devido à contaminação externa favorecida pela porosidade elevada, característica comum dessas argamassas, que possuem, na aplicação, consistência seca (tipo farofa), não permitindo a obtenção de adequada compactação. Essa concentração elevada de cloretos foi comprovada no ensaio realizado na amostra extraída do contrapiso. Uma outra análise obtida dos resultados indica que a pintura a base de epóxi, existente especificamente no tanque de águas oleosas, não serviu de barreira à penetração dos íons cloretos, haja vista que os perfis encontrados nas regiões das paredes sem pintura, do próprio tanque de águas oleosas, e no tanque de monitoração e acomodação, foram

similares as regiões com pintura. Apesar de ter a propriedade de um alto nível de proteção a diversos ataques, a resina epóxi, possui uma média vida útil BROWNE; ROBERT (1987). No concreto da laje de fundo e das vigas, a contaminação encontra-se bastante acentuada, em virtude da pouca idade da estrutura, pois tem apenas 3 anos, como também pela qualidade do concreto, que apresentou, na laje, resistência à compressão média superior a 50 MPa. Portanto, conclui-se que a contaminação da laje do tanque tem

forte influência da argamassa porosa de contrapiso existente, que impõe um micro-clima extremamente severo para

forte influência da argamassa porosa de contrapiso existente, que impõe um micro-clima

extremamente severo para difusão e a absorção capilar desses íons pelo concreto da laje.

A frente de cloretos, encontrada na laje de concreto armado do tanque, encontra-se

próxima a necessária para a despassivação da armadura.

8

Conclusões

Com a análise das informações obtidas na inspeção visual e nos ensaios podem-se obter

as seguintes conclusões:

8.1 Quanto ao ataque ácido

A conclusão quanto ao ataque ácido foi obtida através das análises da inspeção visual e dos ensaios realizados:

Visualmente, o dano superficial, devido à exposição à solução ácida, foi de baixa intensidade, não tendo sido observadas diferenças no desgaste superficial em relação à superfície que não entrou em contato com a solução, apenas mudança na tonalidade. Como o dano do ataque ácido ao concreto é inversamente proporcional à profundidade da superfície exposta à solução ácida, é de se supor que as camadas abaixo da superfície estejam ainda menos expostas, e, portanto, ainda menos afetadas;

Os 11 perfis de sulfatos, obtidos de amostras extraídas, não possuem uma tendência de contaminação externa com esses íons, sobretudo a partir dos 5mm de profundidade, evidenciando as conclusões obtidas na inspeção visual. Nos 5mm iniciais observou-se uma tendência de maior concentração em relação à profundidade de 10mm, no entanto, essa concentração pode ser explicada, em parte, devido à maior concentração de cimento na superfície, aumentando também a concentração de sulfatos;

O ataque de ácido ao concreto leva também gradativamente, da superfície para o interior, a queda do seu pH, sendo esta ação semelhante a carbonatação provocada pela ação do CO 2 do ar atmosférico. Com 03 anos de idade, a espessura do concreto encontrada com pH inferior a 10, através da aspersão de

fenolftaleína, não é superior a espessura devido ao efeito carbonatação, evidenciando a inexistência da penetração do ácido no interior do concreto. Com essas análises, concluiu-se que a ação do ácido se resumiu apenas à superfície do concreto, não tendo levado a um nível de comprometimento que possa conduzir a estrutura do tanque de águas oleosas e das caixas de passagens a problemas de durabilidade a curto e médio prazo.

A baixa permeabilidade, aliado ao emprego de cimento pozolânico, contribuiu, com

certeza, para o bom desempenho do concreto a exposição da solução ácida. No que se refere à argamassa de contrapiso, com a inspeção visual e o percentual elevado de sulfatos encontrados na amostra extraída, concluiu-se que a exposição à solução ácida levou a uma deterioração e uma contaminação de sulfatos que pode levar a uma queda do seu desempenho futuro como base para pintura.

8.2 Quanto à ação dos íons cloretos Apesar de não ter correlação com a exposição

8.2 Quanto à ação dos íons cloretos

Apesar de não ter correlação com a exposição dos tanques à solução ácida, no tocante a contaminação com íons cloretos, constatou-se que as paredes dos tanques apresentaram grau de contaminação bem inferior à laje de concreto do tanque. Essa diferença no grau de contaminação deve ser creditada a argamassa de contrapiso existente sobre as lajes de concreto, que possuí elevada porosidade e alta taxa de contaminação com cloretos, sendo uma fonte contínua de fornecimento desses íons para o concreto da laje. O perfil de cloretos dessas amostras indicam que à frente de cloretos necessária para despassivação, que é de 0,4% em relação à massa de cimento (Referência de normas internacionais), já se encontra em torno de 20mm de sua superfície, com apenas 3 anos da construção dos tanques. O cobrimento de projeto da armadura de 30mm, devendo, portanto, ser avaliado com relação à possibilidade de problemas futuros em relação à corrosão das armaduras.

9

Referências

AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standart Method for Acid- soluble Chloride in Mortar and Concrete: ASTM C 1152 – 90. Philadelphia, 1990.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregados para concreto – Determinação de sais, cloretos e sulfatos solúveis – Método de Ensaio - NBR 9917 - 87. Rio de Janeiro, 1987.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland Pozolânico – Especificação - NBR 5736 – 91. Rio de Janeiro, 1987.

BROWNE, R. D. & ROBERT P. C. Practical experience in the testing of surface coatings for reinforced concrete. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON DURABILITY OF BUILDING MATERIALS & COMPONENTES, 1987. Proceedings, Singapore, 1987.

COMITE EURO –INTERNACIONAL DU BETON, CEB-FIP model code 1990, Lausanne, 1993, 473p (Design Code).

HELENE, P. Corrosão de Armaduras no Concreto, São Paulo: Pini, 1986.

MEIRA, G. R. Agressividade por cloretos em zona de atmosfera marinha frente ao problema da corrosão em estruturas de concreto armado. Florianópolis: UFSC, 2004.

METHA, P. K. & MONTEIRO, P. J. M. Concreto: Estrutura, Propriedades e Materiais. São Paulo: Pini, 1994.