Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual. no fim de todas as formas de extermínio. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia.. sem sexismo e sem homofobia. Objetivo do módulo Ao final do módulo. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema. mas ao mesmo tempo. • Enumerar as causas da violência sexual. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes. Cremos no fim de todas as prisões. sem machismo. Acreditamos numa sociedade sem racismo. infelizmente.. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(. 4 . na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades.” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual.

condená-los e atá excluí-los da família. Nesse sentido Azambuja (2004. Estabelecem-se pela força (física. Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. p. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito. Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. é sempre o menos forte. nº 2). a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. O pai. • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. psicológica ou outras).181) registra que: Em Roma (449 a. de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo.1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. podia castigá-los. o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. a autoridade paterna não conhecia limites. o menos representativo que será submetido. o Chefe da Família. verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta. Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. de expor. 5 . nº 1). C).

em 1780. Até então. Ainda. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos.blogspot.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das. 2006) Saiba Mais. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores. tratamento e atenção diferenciados. Disponível em: http://fabiopestanaramos. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças.com. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes.. 1. na Europa. órfãos e degredados. participavam das mesmas atividades. Na Inglaterra. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta.. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. paus e ferros como instrumentos necessários à educação.html Acompanhe. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente. (AZAMBUJA. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda. que junto com os marinheiros. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. e. 6 . inclusive sexuais aos adultos. adolescentes e adultos. As escolas eram frequentadas por crianças. quando então. as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais. a seguir. os espancamentos através de chicotes. a punição física. portanto. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. merecendo. em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau.

Início do século XX No início do século XX. o critério adotado era o do discernimento. 1964 Em 1964. • E entre 14 e 17 anos. a Lei Federal nº 4. Nas Ordenações Filipinas. 7 . Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. Nesse contexto. limitando a internação à idade de 17 anos. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. contavam com atenuante em função da idade. A partir daí. que vigoraram no Brasil até 1830. mas tinham penas abrandadas e. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas. mas havia possibilidade de. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes. serem aplicadas outras penas. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. entre 17 e 21 anos. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. • Entre 9 e 14 anos. ao arbítrio do juiz. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. abandonados e em situação de delinquência.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional.

2o.637: Se o pai.autor de infração penal. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. cabe ao juiz. 1.Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. IV . em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10.privado de representação ou assistência legal. 8 . em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. até suspendendo o poder familiar. É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. mais que uma faculdade. abusar de sua autoridade. exerce.em perigo moral. Parágrafo único. ação ou omissão dos pais ou responsável. ainda que eventualmente. onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. Parágrafo único . em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. direção ou educação de menor. a serem merecedoras de atenção especial da família. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. quando convenha. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. considera-se em situação irregular o menor: I . O código de menores (Lei nº 6697/79). Entende-se por responsável aquele que.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. em seu artigo 2º.Com desvio de conduta. a qualquer título. pela falta eventual dos pais ou responsável. legalmente. 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores. V . saúde e instrução obrigatória. ou o Ministério Público. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico. VI . psíquico e social. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. em ambiente contrário aos bons costumes. não sendo pai ou mãe. conforme previsão do Código Civil: Art. passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. em razão de: a) falta. III . ou a mãe. requerendo algum parente. de uma legislação moderna. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988.privado de condições essenciais à sua subsistência. entretanto. faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. da sociedade e do Estado. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular.406/02). o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e. vigilância. conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art. 2º Para os efeitos deste Código. independentemente de ato judicial. devido a: a) encontrar-se. de modo habitual. II .

além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. à dignidade.. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto.. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art. ao respeito. Da legislação apresentada. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estado. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família. O Estatuto da Criança e do Adolescente. Saiba Mais. à profissionalização. 9 . a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. discriminação. Dito isso. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras. assim. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. exploração. crueldade e opressão. à alimentação. violência. norma de Direitos Humanos. à educação. em seus primeiros artigos. É dever da família. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos. à cultura. sejam eles minorias ou não. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. à saúde. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. reafirma a previsão do art. engloba o espectro da proteção integral. o direito à vida. genuinamente. 227. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. detentoras de direito à proteção diferenciada. Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos. ao lazer. a professora Glenda Mezaroba. 227 da Constituição e. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e.youtube.. norma de Direitos Humanos. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. Lei nº 8. genuinamente. visando ao seu pleno desenvolvimento.069/90. com absoluta prioridade. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública.. Assista-o. Saiba Mais. No vídeo (disponível em: https://www.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. No Brasil da atualidade. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. há necessidade de que as leis o protejam. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. portanto. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. mestre e doutora em Ciência Política.

Que de sofrer tanto se fez pensativo. Que sozinho sofre – e resiste. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano. assista ao vídeo Parte 1 . do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria. que não pediu nada. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. Que não teve nada. Cecília Meireles 10 . e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. Cabecinha boa de menino ausente.com/watch?v=zsJitcDRbcI)... O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos.Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. Antes de prosseguir nos seus estudos.youtube. Saiba Mais. E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral. Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste. Pelo medo de perder tudo. De menino triste que sofre sozinho. evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário.

G1. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS. 2009. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados. p. Neste sentido. Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. emocional e social”. reciprocamente. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica). Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física. 11 . dano psíquico. A violência é presença perene na história das civilizações. Discorrendo sobre as relações de poder. escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir. em uma forma de ameaça ou efetivamente. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e.104).) que o poder não é́ algo que se adquire. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. relações sexuais). Leal (1999. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão.1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. 2. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. p. Agora. p. de alguma forma. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (. estando sempre relacionada. contra si mesmo. são os efeitos imediatos das partilhas. Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. De olho na realidade.. algo que se guarde ou deixe escapar.. uma diferença de potencial”. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status. à aquisição ou manutenção de poder. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. Pare um minuto. 2002). outra pessoa. arrebate ou compartilhe. morte.. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo. mas lhe são imanentes.250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto.. Não se encontra exceção à sua existência. relações de conhecimentos. Foucault (1979.

4 . As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo. o recurso de um corpo para exercer sua força. 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. o que. transgredir. e portanto a potência. adquirindo carga negativa ou maléfica. essa palavra vis significa a força em ação. Tanto Zaluar (1999). um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. 2.. o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto.. o valor. Em outras palavras. contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações.). Esses termos devem ser relacionados a vis (. divididas didaticamente. é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999). caráter violento ou cruel. a seguir. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas. O verbo violare significa tratar com violência. profanar. a fim de ajudar na compreensão. que procura problematizar a universalidade desse instinto.Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual.Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. adjetivá-la e caracterizá-la. ambos os termos: violência e sexual. 28). 1999 p. de outro. força. 3 . o essencialismo.Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. quanto Michaud (1986). portanto. é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência. Mais profundamente. torna-se necessário problematizar. concordam que o termo violência vem do latim violentia. 1 . percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero. 2 . cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. nas palavras de Michaud (1986 p. em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. É. ainda que rapidamente. o construtivismo social.2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. a força vital”.

concordando com essa segunda tendência. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. Crianças e adolescentes não estão preparados física. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. o agressor pode se impor pela força. Você deve ter observado. (Caderno SECAD/MEC.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura. p. interferindo no seu desenvolvimento físico. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC). não foi? 13 . entre adultos e criança ou adolescente. 2007). intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual).A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999. cognitiva. psicológico. 5 . Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. adiciona: “a compreensão. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada. alguns pontos em comuns. que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. no prelo). Nessa situação. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto. nas quais haja uma diferença de idade. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto. surgida nos últimos anos. sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. 131-132). moral e sexual. No âmbito da família. da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. de tamanho ou de poder.

é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. 55) 14 . e • O caráter sexual da ação. com o respaldo de Leal (1999. em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região. Trata- se de um fenômeno mundial. Deve. Além disso. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação). adultos e crianças. p. Reunindo esses elementos. você irá se deparar com situações de violações de direitos.] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais. Ao avaliar esse fenômeno. (2010. Envolve aspectos culturais. mas de uma soma delas. gênero e etnia. multifacetado e de enfrentamento complexo.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010). A violência contra crianças e adolescentes.. sendo difícil de ser quantificada. por ser ilegal e clandestina. econômicos e políticos.7) que a violência sexual é um fenômeno social. principalmente a violência sexual. a densidade demográfica e a diversidade cultural. pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região. ricos e pobres. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive. • Uso da força física ou psicológica. pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha. [. 2. como as relações desiguais entre homens e mulheres. considerar a dimensão territorial. que não está associado apenas à pobreza e à miséria. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). é multifatorial. o que possibilita concluir. sociais. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces. e em especial de direitos sexuais. ainda. econômica e social. Não é fruto de uma única causa. Ao contrário do que muita gente imagina. reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. p. brancos e negros. apresentando raízes nas relações sociais de classe..

chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. p.a satisfação dos seus instintos naturais. a violência é́ um fenômeno antigo.. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura. produto de relações construídas de forma desigual. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. 2010. Historicamente. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 . prostituição. crianças e adolescentes de ambos os sexos. 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade.. a força. se não puder ver tudo. BOCHI. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino.youtube. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho . (FIGUEIREDO. o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. a passividade. tão jovens quanto o menino. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. dentro dessas regras postas. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer. p.] Com o estereótipo da supremacia masculina. do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. E que ao contrário do que se tende a pensar. A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe. ou seja. encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . a dominação. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão. 4. criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e. a fraqueza e a inferioridade [. 1997). separando-os pelo sexo. Saiba Mais. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder. emocional e social.. A dominação e a subordinação são sexualizadas.OIT. a virilidade e a superioridade.com/watch?v=r88WqyseFes). na cultura patriarcal..

O pedófilo. pois o que vale é a sua compleição física. dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. sendo que mais 16 . • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. anualmente. nesse pensamento. e lhe confere distinção frente aos outros homens. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. E. Sendo assim. O serviço. • Na concepção dos homens pesquisados. que se sente revigorado ao praticá-lo. como parâmetro de análise do problema. segundo pesquisas da área médica. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes. a idade da pessoa. o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”.. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem. Com relação às denúncias. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003.crianças e adolescentes. consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. é irrelevante. 2011). o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que. heterossexual ou homossexual. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. só no primeiro semestre de 2015. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. pois seria parte do ser masculino. 1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. esse número passou para 21 mil. evidencia-se. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente. ainda que seja menor. que pode ser um homem ou uma mulher. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. Por mais improvável que possa nos parecer. Pedofilia é uma doença. 2. E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia.

25% informam casos de violência sexual. na medida da competência de cada órgão. das quais 4. Números do Disque 100 No ano de 2013. Até novembro 2014. Norte 9.091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes.7%. Entretanto.4. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011. ou seja. 31. Veja. Assim. foram recebidas 88. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças. No primeiro trimestre de 2015. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes. 2. Sul 16. dos quais 39. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. Diferentes dos dados do Disque 100. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada. Sudeste 32.480 (21%) foram de violência sexual. os números do Sinan oferecem dados mais concretos. Considerando os números da violência sexual. Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. observe: 17 .281.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. Há ainda.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. Dessas.44 %.41%. Desse total. Centro-Oeste 10.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. é necessário acessar esses dados e baseados neles. 98. outros dados relacionados ao Disque 100.45 %. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. Em 85% dos casos.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. a seguir.36 %. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies.

sexo oral. na qual o sexo é fruto de uma troca.A do CPB). de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. uma vez comprovadas. se restar comprovado. que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais. penetração vaginal e anal. Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. 18 . destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. masturbação. implicam na apenação do abusador. o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. • A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira. tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. também é possível. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. Essas violações possuem tipificação penal e. 218 . a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. tentativas de relações sexuais. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. Normalmente. com ou sem coerção. • Voyeurismo. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. • Exibicionismo.

merecendo. 13 do ECA. (matéria disponível em: http://www. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. contudo. há a previsão de infração administrativa para o médico. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”. 245 do ECA. Para refletir. ainda.shtml). Neste módulo. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. Em sua opinião. • É importante entender que violência sexual é gênero. engloba o espectro da proteção integral. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. mas de uma soma delas.. Lei nº 8. • No Brasil não foi diferente. sociais. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente. sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. reafirma a previsão do art. portanto. quando então. em seus primeiros artigos.. 19 . Não é fruto de uma única causa. é multifatorial. • A violência contra crianças e adolescentes. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos. Ressalta-se. econômicos e políticos. que no art.com. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. gênero e etnia. principalmente a violência sexual. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. apresentando raízes nas relações sociais de classe.br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil.. tratamento e atenção diferenciados. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. na Europa.diariodepernambuco. • O Estatuto da Criança e do Adolescente. 227 da Constituição e. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. Envolve aspectos culturais.069/90.

além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. à saúde. com absoluta prioridade. em condições de ______________ e de dignidade. qualidade. exploração. à cultura. • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. ao lazer. Exercícios 1. à ______________. moral. crueldade e opressão. na cultura patriarcal. com absoluta prioridade.Art. ECA . da comunidade. de favores ou presentes. 227. ao lazer. respectivamente: a) liberdade. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. atenção c) profissionalização. • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. à alimentação. saciedade. ECA . à dignidade. profissionalização 20 . assegurando-se-lhes. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. todas as oportunidades e facilidades. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. ao esporte. por lei ou por outros meios. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. É dever da família. 3º. à saúde. distração b) perversidade. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. liberdade. violência.Art. mental. seja ela financeira. 4º. igualdade d) discriminação. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. da sociedade em geral e do poder público assegurar. leia atentamente os artigos abaixo. à educação. espiritual e social. ao respeito. à alimentação. na qual o sexo é fruto de uma troca. à profissionalização.Art. Os termos suprimidos dos textos acima são. à dignidade. É dever da família. ao respeito. o direito à vida. prioridade. Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. ______________. CF . à cultura. a efetivação dos direitos referentes à vida. à educação.

De acordo com Cançado Trindade. tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . 2. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3. as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos. por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem.

a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. Resposta Correta: Letra C 4. normalmente. Resposta Correta: Letra D 2. a pobreza não constitui. entretanto. por si só. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. 22 . Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. Resposta Correta: Letra C 3. Gabarito 1.

as características. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. você será capaz de: • Conceituar. caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes. pg.. Que eu não posso sufocar! (. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes.. (ALBERTON. sonhar e brincar? .) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes. as modalidades. 23 .. 2005. 122). MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (.) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr. as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes. pular. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes. Objetivo do módulo Ao final do módulo... • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores. • Aula 2 – Vítimas. os fatores..

A partir daquele momento. Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1. e • Lucro. que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. na Suécia. referindo-se ao evento. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. estrategicamente. o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores).8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno. econômico. colocasse esse problema numa dimensão dialética. 24 . p.58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. Bochi e Figueiredo. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. Leal (2003. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade. (2010. juntos. organizados em redes de exploração local e global (mercado). quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). p. social e jurídico. cultural.1 Elementos do cenário Em 1996. O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. explorador e abusador). em Estocolmo. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. confirmam essa visão: No mundo. a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. • Ação (exploração/abuso).

1997). a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos. pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. as diversas formas de prostituição. 2008.) Estude a seguir. portanto. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os). (CECRIA. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo. mas é um termo em desuso e. embora a classificação seja intitulada “prostituição”.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. p. “a exploração sexual inclui o abuso sexual. p.2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. o mais forte. e esse comércio somente ocorre porque há demanda. 1. É válido ressaltar que. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida). a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. • Exploração sexual no contexto do turismo. a exploração sexual comercial de meninos.4).) quando se trata de crianças e adolescentes.. • Tráfico. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. da satisfação de necessidades básicas (alimentação. vestuário. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável. o tráfico e venda de pessoas. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. É o adulto.16). Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas. Fica. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 . turismo sexual e pornografia infantojuvenil. sobre cada uma delas. (CASTANHA.. por isso. que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão.

pela pobreza dos seus pais. doutores. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. prefeitos. Maria Amélia Barcks Duarte. afeta sua individualidade. sacerdotes. pela herança de violência doméstica. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. os homens. vereadores. sua satisfação sexual e sua integridade moral. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. No entanto.) Essas meninas. negativos. significa “uma exposição sexual de imagens de crianças. irmãos e das próprias mães. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. um chocolate. Essas crianças. sexuais. p. crianças são prostituídas pela sociedade.. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. (. um caramelo. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. na sua maioria. fique claro: crianças não se prostituem. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. que nunca brincaram de bonecas. 26 . que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. segundo a INTERPOL. um tênis ou um batom. um pacote de bolacha. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. 58). cidadãos acima de qualquer suspeita. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. padrastos. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. São caminhoneiros. pessoa. na França. vendem a sua virgindade. culturais.. realizado em maio de 1999 em Lyon. A idade das crianças exploradas é cada vez menor. incluindo fotografias de sexo explícito. entre sete e dez anos. filmes. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas.

ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. que também.16. o transporte. p. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. a servidão ou a remoção de órgãos. projeções. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas.007. (CASTANHA. 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. à fraude. a transferência. (. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação. o transporte. à prostituição infantil e à pornografia infantil.. 2010. por qualquer meio. a transferência. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5. b) (. ao engano. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento.. BOCHI. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. o trabalho ou serviços forçados. a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual. escravatura ou práticas similares à escravatura.. DE 8 DE MARÇO DE 2004.) c) O recrutamento. no mínimo. A exploração incluirá. (FIGUEIREDO.. ao rapto. envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças. p. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 . adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta).17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento.) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição. 2008. vídeos e discos de computadores”. revistas. muitas vezes.

Nordeste . . de acordo com as características de cada região. Enfim.Exploração sexual (garimpos prostíbulos. (Protocolo de Palermo. Estão todas lá. . fazendas e garimpos).Prostituição de meninas e meninos de rua. cárcere privado. O dono da boate que a mantém em cárcere privado.Pornoturismo.Prostituição nas estradas. Artigo. A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet. .. mas inteiramente baseado na nossa realidade social..Exploração sexual comercial em prostíbulos.Prostituição nas ruas. 1.1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência.Leilão de virgens. variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. que são apresentadas a seguir. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . O pai que vende a filha. 28 . . complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir.2.Turismo sexual. portuária. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país. . todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício. . Aquele que compra como aliciador. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”. O caminhoneiro que a transporta.

Prostituição através de anúncios de jornais.) prostíbulos fechados. principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras. Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso). bem como pelas questões culturais locais. . . . Centro-Oeste .2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório.Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado .Prostituição nas estradas do Sudeste.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua.Prostituição nas estradas.Exploração sexual comercial em prostíbulos.. O aparecimento. etc. 29 . . tráfico.).Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico.Prostituição de meninas e meninos de rua. Sul . Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. leilões de virgens. Sudeste . venda.2. mutilações e desaparecimento. ..Rede de prostituição (hotéis. 1.Prostituição nas estradas.Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia. . .Turismo sexual. ecológico e náutico.Denúncia de trafico de crianças. . Brasília.Pornoturismo. o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local. . . conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (. A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. como cárcere privado.

organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras. entre jovens do sexo masculino. principalmente. Trata-se.) “Turismo portuário e de fronteiras. Geralmente saem de casa. de adolescentes do sexo feminino. como as capitais da Região Nordeste do país. Trata-se de exploração sexual. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (.. hotéis. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte.) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua..) Turismo sexual e a pornografia.. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias. comércio de pornografia. sendo comum também... Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 .. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. principalmente. Inclui o tráfico para países estrangeiros. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (. pobres. à tripulação de navios cargueiros. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento. taxistas e outros. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo. É marcadamente comercial. principalmente de adolescentes do sexo feminino. nas regiões ribeirinhas. destina-se. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros. Nos portos. negras ou mulatas.

Desde a sua gênese. Assim. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. não teria condições de falar. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta. De olho na realidade. os conceitos e terminologias vão se adequando. da incompletude perante os mais experientes. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. seus sentimentos. “Turismo Sexual” e “menor”. antes dos 7 anos de idade. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. de expressar seus pensamentos. significa “incapacidade de falar”. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. relegando-lhes uma condição 31 . embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”. para se tornarem efetivos. são seres subalternos.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. Aula 2 – Vítimas. a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. oriunda do latim infantia. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima.. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão. e ao invés de “menor”.. devemos usar “criança e adolescente”. Considerava-se que a criança. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância.

no art. subalterna diante dos membros adultos. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. principalmente. por lei ou por outros meios. inclusive juridicamente. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. em condições de liberdade e de dignidade. 2006. Até recentemente. no limiar deste século. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. portanto. espiritual e social. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. Era um ser anônimo. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. para os efeitos desta Lei. lei nº 8. moral. p. 1997. principalmente através de pinturas. da tutela. Ao serem representadas. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. 3º reconhece- os. sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1. 2º Considera-se criança. assegurando-se-lhes. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. conforme já estudado anteriormente: Art. Na atualidade. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. (grifo nosso). titulares de direitos e. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. a pessoa até doze anos de idade incompletos. sem um espaço determinado socialmente.4). e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. da menoridade. 32 .884). ela foi definida. COELHO. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida. E.069/90. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO. o art. p. distingue a criança do adolescente pela idade: Art. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. todas as oportunidades e facilidades. pessoas de até 18 anos incompletos. como fase da incapacidade. e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. mental.

2.8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes.2% dos casos. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista.3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime. • Das violências atendidas. 21.. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas. as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83. 40. • 31. • Tem baixa escolaridade.5% foram físicas e 19. • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida. p.1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas. Para refletir.3% entre 10 e 14 anos. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. devido às fragilidades que as envolvem. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual.1.3% das vítimas de violência são do sexo feminino. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais.. A partir dos dados apresentados.39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 .8% entre 1 e 4 anos. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual. podem ser vítimas de violência sexual. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60. • Em 63. • É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física). 28. 30.2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas.9% sexuais.9% entre 15 e 19 anos e 4. negra e mulher. 10. conclui-se que qualquer criança ou adolescente. 2. No entanto. em se tratando de exploração sexual.8% menos de 1 ano.1% dos casos. Nas violações sexuais.

policial.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. dentro da mesma pesquisa. não têm uma fixação erótica única por crianças. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. como namorados. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade.8% dos casos. etc. o desejo independe do objeto. chega-se a 52. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. o agressor aparece como sendo. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade. não praticam atos de violência física contra a criança. Para Barros (2005. do sexo masculino. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39. a pobreza não constitui.32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. inserido na sociedade. Considerando a pesquisa da Abrapia. Portanto. o que facilita a sua atuação. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos. conquistando a confiança da criança. entretanto.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade. Segundo Soares apud Barros (op.) e em 45. eleva-se esse índice para 44. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos.24). cit) é mais 34 . Para refletir. Quando se aborda o assunto.. No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012). uma vez que. Agem de forma sedutora.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima.adolescentes. Em um universo de 418 denúncias.1% dos casos registrados.. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. médico. Geralmente. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2. em mais de 90% dos casos. por si só. realizada no triênio 2000-2003. mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. mas são fixados no sexo. p. Só em 12. babá.5% dos casos registrados pelo sistema de saúde. foi identificado que em 54.

p. na construção da cultura de consumo. à desatenção e à rejeição dos filhos. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. (j) vivência da rejeição na infância. veja a seguir.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. etc. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. por si só e isoladamente. o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. em especial. rebaixa a autoestima. (c) menor acesso a oportunidades de trabalho. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. .. valorizando-os). emocional e cognitivo. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração. e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. categorizando-as da seguinte forma: . da exploração sexual de crianças e adolescentes. os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza. Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima. Tendo isso em vista. e de falta de motivação. estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. no aumento das desigualdades sociais. etnia e raça. (b) menor escolaridade. Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. (o) configurando-se este quadro. ela. 139). (m) dificuldades na família.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. 35 . (e) angústia e insegurança. mas. A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. (g) alcoolismo. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola. (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. 2004. (f) depressão da autoestima. não pode ser apontada como causa da violência. sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. (h) violência doméstica.provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. na geração de novas pobrezas. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. normalmente.

Legal – perpassa os aspectos de repressão. . como fatores de risco pessoal. Segundo o autor. Sexual and Other Forms of Exploitation enumera.Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. • Separação da Família. . • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar. podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. exemplificando. correlacionando-as aos casos verificados. é preciso extrair lições para as ações de prevenção.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. • Grupo Étnico. São eles: • Individual. • Idade. facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas. . com seus mecanismos. Em termos individuais. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo. • Exposição à pressão negativa de companheiro. dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour. fatores que devem ser estudados. Mas. resultando em sua exclusão. • Nível Educacional. Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. e • Institucional. • Comunitário. 36 . • Registro de Nascimento.Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam. • Posição Hierárquica Familiar. • Familiar. . • Deficiência. A seguir estude sobre cada um deles. que passam a ser regidas pela lógica do consumo. Investigar as dimensões apresentadas. responsabilização e legislação. para além dos casos em concreto.

• Liderança comunitária e estruturas governamentais. podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Grupo Étnico ou casta. • Policiamento. • Regime de serviços sociais. • Renda insuficiente. • Histórico de migração. No aspecto institucional. • Centros de entretenimento e centros comunitários. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Famílias com muitos filhos. • Força normativa. • Violência na comunidade. serviços localizados. • Tradição de migração. demanda conhecimento do local em que ocorre. Em termos familiares. • Violência intrafamiliar. • Economia. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. • Doença ou morte na família. • Nível de corrupção. • Localização. • Dívidas. das condições em que vivem as 37 . os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. • Discriminação. • Estado de paz ou conflito. Como fatores de risco comunitários. • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. • Conexão viária e transportes. para ser feito de forma adequada e eficaz. • Desastres naturais.

dialogosdosul. ação (exploração/abuso) e lucro. em posse de tais conhecimentos. turismo sexual e tráfico.. Em um universo de 418 denúncias. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. e turismo portuário e de fronteira.org. A partir daquele momento. • Considerando a pesquisa da Abrapia. Antes de prosseguir. entre outros aspectos pontuais. foi identificado que em 54. bem como pelas questões culturais locais. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. o agressor aparece como sendo. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. do sexo masculino. dentro da mesma pesquisa. juntos. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. turismo sexual e pornografia. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. Neste módulo. a exploração sexual comercial de meninos.crianças e adolescentes explorados. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado. normalmente. pornografia. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. menores em situação de rua.. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima.br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. 38 .. viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001). Finalizando. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação. E.. em mais de 90% dos casos. realizada no triênio 2000-2003. Saiba Mais. explorador e abusador –.

Vitimização e Violação. 2. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades. Na Agenda de Ação de Estocolmo. c) hipocrisia. c) Prostituição Infantil. d) prostituição. Mercantilização. Pornografia. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder. 3. b) Vulnerabilidade. Turismo Sexual. Turismo Sexual e Tráfico. Mercantilização e Violação. meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. Na Agenda de Ação de Estocolmo. d) Vulnerabilidade. Vitimização. Exercício 1. Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . Satisfação Sexual e Tráfico. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. a exploração comercial de meninos. a exploração comercial de meninos. b) prazer.

identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores. 40 . d) processar as famílias envolvidas. b) atuar preventivamente. 4. No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. c) desbaratar redes de aliciadores.

Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 . Resposta Correta: Letra A 2. Gabarito 1. Resposta Correta: Letra A 3. Resposta Correta: 4.

Objetivo do módulo Ao final do módulo. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual. Nesse cenário. 42 . você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. o infográfico a seguir apresenta. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. os marcos legais nacionais e internacionais. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual. o Brasil vem. com o respectivo ano de promulgação.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. lado a lado. aos poucos.

1990 .Constituição da República Federativa do Brasil. • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos. 2003 . • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente. 2009 .Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil.Lei nº 12. tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais. Marcos Nacionais 1940 . pelo Brasil. 2004 • Política Nacional de Assistência Social.Decreto-Lei nº 2. 2001 . 2010 43 . entre outros.Estatuto da Criança e do Adolescente. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação.Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA).Plano Nacional de Direitos Humanos. de convenções. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes. • Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento.848. Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências. 1988 . 2002 . 1996 . • Lei nº 11. • Plano Nacional de Política Para Mulheres. passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”. • Plano Nacional de Promoção.015/09 – Altera. o Título VI do Código Penal Brasileiro. 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. • CPI da Pedofilia.

Não obstante. 1959 . os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil. mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira. na sequência cronológica de aparição. à prostituição infantil e à pornografia infantil. 2000 .Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados. ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. • Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção. • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 .Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1989 . Leia. 1. que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.Declaração Universal dos Direitos das Crianças. • Relativo à venda de crianças. merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). a seguir. é bem possível que se for revê-las. • Plano Nacional pela Primeira Infância. umas apoiam ou instrumentalizam as outras.1.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. Todas as normas enumeradas guardam relação entre si. * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos. repressão e punição do tráfico de pessoas. 44 .1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados.

combater a impunidade. potencializando assim. por profissionais especializados e capacitados. e em rede. as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. como sendo assunto da esfera privada. as condições e garantia de financiamento do Plano. entretanto. 45 . O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. vez que a ação penal era privada. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. historicamente. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. o Estado era impedido de agir de ofício. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. tratavam a violência sexual. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. com a mudança. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. antes da mudança da lei. ainda que em ações pontuais. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. os artigos de 213 a 218 do CPB. Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. Dessa forma. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. uma vez que. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. o que em tese não deveria ser ruim. em grande parte. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. no caso da vítima ser criança ou adolescente. do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana.

que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente.reclusão. mediante fraude ou outro Pena . conforme já visto). Nesse sentido.2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12. meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena . 46 . O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”. a ter conjunção carnal ou a praticar Pena .reclusão. Art. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador. 1. Constranger alguém. § 1º .Constranger mulher à conjunção carnal. 215. profundas reformulações foram feitas. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. em que a ação passava a ser pública incondicionada. Art. Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça. mudando o objeto jurídico de proteção. 215 . 213. de 07 de agosto de 2009. CPB antes da Lei nº 12.015/09 Estupro Estupro Art. uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual. a seguir.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena . 213 .Se da conduta resulta morte: Pena .reclusão.1. de 1 (um) a 3 (três) anos. de 8 (oito) a 12 (doze) anos. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes.015/09 Com o advento da Lei n° 12.015.015/09 CPB após a Lei nº 12. várias mudanças foram implementadas. tratando os direitos sexuais como direitos humanos. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. Veja. Observe as diferenças.Ter conjunção carnal com mulher. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.reclusão. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena . representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. focando a proteção na dignidade do ser humano.reclusão. visando ao combate da exploração sexual. § 2º .reclusão.

. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art... libidinagem...(VETADO) § 3º . 47 .reclusão.. ou que..... não tem o necessário discernimento para a prática do ato. na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos. Assédio sexual Assédio sexual Art.reclusão. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena .... Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos.... § 2º . (VETADO) Estupro de vulnerável Art... Constranger alguém com o intuito de Art. 218 ... de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 218 ..reclusão.. aplica-se também multa. 218.. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.detenção..A.reclusão.... § 4º . 216-A.Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena ......... § 2º ... de 2 (dois) a 6 (seis) anos. por enfermidade ou deficiência mental..reclusão..... Parágrafo único .Se da conduta resulta morte: Pena ... (catorze) anos: Pena . § 1º ..reclusão. ou induzi-lo a presenciar. .. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.. de 1 (um) a 2 (dois) anos. Pena ...Se o crime é praticado contra Parágrafo único.. menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica.Corromper ou facilitar a corrupção de Art.... obter vantagem ou favorecimento sexual....... superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. Parágrafo único. Praticar. cargo ou função86. com ela praticando ato de Pena . 216-A.. por qualquer outra causa. ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena ... não pode oferecer resistência. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos...A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos.. Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem.. 217-A..

conjunção carnal ou outro ato libidinoso. procede-se mediante ação penal § 1º . 48 . § 2° Incorre nas mesmas penas: I . de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. por enfermidade ou deficiência mental.se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único. menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável.No caso do nº I do parágrafo anterior. induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. mediante ação pública: pública condicionada à representação. aplica-se também multa. § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o. facilitá-la. Submeter. 218-B. II . de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.Procede-se. a ação do Ministério Público depende de representação. entretanto. 225.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. entretanto.Nos crimes definidos nos capítulos Art. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família. Procede-se. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo.reclusão. somente se procede mediante queixa. I . § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. tutor ou curador. deste Título. mediante despesas do processo.o proprietário.reclusão. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores. Ação penal Ação penal Art.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. ou da qualidade de padrasto. § 2º . a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena . impedir ou dificultar que a abandone: Pena . 225 . II .

.. e multa. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena .reclusão.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. proteção Pena .. proteção ou vigilância: § 3º . por conta própria ou de terceiro....Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar.. Pena . de 2 (dois) a 8 (oito) anos.reclusão. participando diretamente de seus lucros ou fazendo. e multa. CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art. enteado. obrigação de da pena correspondente à violência. preceptor § 1º .Se o crime é cometido mediante violência. 228 . intuito de lucro ou haja. por conta própria ou de terceiro. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. companheiro..Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º .Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima.reclusão. exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art... facilitá-la.... de 3 (três) a 6 (seis) anos.. § 2º ..... Pena . cônjuge. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. madrasta..reclusão. de 2 (dois) a 8 (oito) anos.Se o crime é cometido com o fim de lucro. além da ou vigilância: multa.. no todo ou em parte. ou não. além da grave ameaça..reclusão. madrasta. casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual.. sem prejuízo da pena correspondente à violência. e multa. Art. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 49 . por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente. Pena . 229.. § 1° Se o agente é ascendente. intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena .. obrigação de cuidado. tutor ou curador. para fim libidinoso.reclusão. padrasto. grave ameaça ou fraude: curador.Tirar proveito da prostituição alheia. companheiro. tutor ou violência.... de 3 (três) a 8 (oito) anos..reclusão. cônjuge. § 2º .reclusão.reclusão..reclusão.. por art. preceptor ou empregador da vítima.. ou não.. haja.. ou se Pena .....Manter. 229 ... e multa..... fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência... 228.. padrasto.. 230 . Pena . outra forma de exploração sexual. ou por quem assumiu.. além assumiu.reclusão.. Manter. por lei ou outra forma.. Art.. cuidado.. .. irmão.Induzir ou atrair alguém à prostituição. enteado.. de 3 (três) a 6 (seis) anos.§ 1º . impedir § 1º ... de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. aplica-se também multa....Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena .. 230.. Rufianismo Rufianismo Art.Se o crime é cometido com emprego de irmão. 227: lei ou outra forma.. Pena .... Casa de prostituição Art... de 3 (três) a 8 (oito) anos. Pena .

• Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes.MANUTENÇÃO DO DECISUM . entretanto.. o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador. considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual. passou a abranger também o homem. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL).ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS .Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004. Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”. seria interessante a correção da redação desses artigos. Para refletir.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos.RECURSO MINISTERIAL . não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC . 231-A. Soa meio absurdo. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher.ARTIGO 244-A DA LEI N.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião. • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima.069/90 .RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO . verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte.RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia. em ambos os artigos. 50 . Assim sendo. Art.. 8. de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual. e não será a vítima a ser explorada. A partir da leitura do quadro comparativo. no território nacional. • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima. Promover ou facilitar a entrada. 231. em tese. Se você analisar bem o texto. o texto ficará dúbio: Art. não há crime. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro. INCISO III.019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL . Outro ponto muito importante: para configurar crime. a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual.

Digiácomo (2010. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art. caput. Tribunal de Justiça do RS. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MÉRITO.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. Assim. do ECA. 240 Comentário: Sobre o aumento de pena.1. Sexta Câmara Criminal. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. 244-A. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. TJ-RS . APELO DEFENSIVO PROVIDO. 51 . não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais. na verificação de uma situação como essas. a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. p. que exige a submissão para a sua incidência. A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir. PRELIMINARES PREJUDICADAS. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Em qualquer caso. Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. existe um aliciador. UNÂNIME. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. como "usuário". é essencial identificar essa terceira figura. um intermediário. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. (Apelação Crime Nº 70052760691. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art. Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais. na maioria absoluta dos casos. o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que. 1.

restando. Art. 308) 52 . 59 do CP. Art. Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. bastando o potencial. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). Significa não se exigir que. Rel. respeito à dignidade etc. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. nº 617221/RJ. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. 241-C Art. quando muito. o dano em potencial já é suficiente: VI. portanto. individualmente lesados. ‘não se exige dano individual efetivo. tornando-as públicas. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. haja dano real à imagem. sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. portanto. em face da publicação. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. R. necessariamente. p. Para a caracterização do disposto no art. poderá ser considerada (e ainda assim. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. a teor do disposto no art. Min. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. de alguma criança ou adolescente. uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar. Gilson Dipp. Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes. acima de qualquer individualização. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. J. em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade. VII. A experiência prévia pouco importa. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. 5ª T. 244- A. 241-D Art. 241-B Art. nos casos de exploração sexual. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. levará à caracterização do tipo penal do art. (2010. para a ocorrência do crime.Esp. em 19/10/2004 esclarece que. VIII. do ECA. 241-A Art.

Maria Thereza de Assis Moura. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. 1. declarando-se.. porém. Essa revisão traz. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. J. é primordial que a intervenção policial. é formal. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. Rel. 2. 61 DO CPP.015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. em 29/09/2009).Esp. CRIME FORMAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Min. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada. Em 2013. PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. a extinção da punibilidade do recorrido. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Entretanto. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL. ou seja. tanto do CPB como do ECA. nº 696849/SP. Rel. atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. bem como no Supremo Tribunal Federal.. 5ª T. (STJ. no R.252/54. parece-nos que a lei nº 12. HC nº 128267/DF. como aspectos mais importantes. Ag. Min. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”. CORRUPÇÃO DE MENORES. ou outra. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal. apenas no que concerne ao delito ora em discussão. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2.1. 1. (STJ. J. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. OCORRÊNCIA. Felix Fischer.Rg. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. ressalvadas algumas questões pontuais.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima. os seguintes pontos: 53 . conforme você estudará no módulo 4. Art. Agravo regimental a que se nega provimento. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. para a partir daí. correlata ao assunto. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. [. nacional e internacional. 6ª T. traçar os objetivos para os anos vindouros. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. ART. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal.

adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. profundas reformulações foram feitas. • Com o advento da Lei nº 12. correlata ao assunto. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. para a partir daí. Neste módulo. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes. nacional e internacional. Nesse cenário.015. aos poucos. considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado.. Exercícios 54 . • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual.. • Em 2013. o Brasil vem. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. traçar os objetivos para os anos vindouros. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. de 07 de agosto de 2009. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. Em sua opinião. as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação.. Para refletir. você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito.

posse e utilização de material assim classificado. Com base na Lei nº 8. transporte. compra. de 3 a 6 anos. e multa 55 . e multa 2. Pornografia 3. é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. correlacione as informações abaixo. Turismo sexual 4. 1. associe as informações abaixo: 1. e multa 3. de 1 a 4 anos. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. ( ) recrutamento.069/90 . da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão. transferência. ( ) trata-se de produção. exibição. de 4 a 8 anos. a proteção à criança e ao adolescente. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. 1. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. Pena: reclusão. No Brasil da atualidade. distribuição. venda. inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. divulgação.Estatuto da Criança e do Adolescente. Prostituição 2. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. Pena: reclusão. Pena: reclusão. O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3.

Adquirir. fotografia. 241-B. por qualquer meio. trocar. publicar ou divulgar por qualquer meio. fotografia. 241-A. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . ( ) Art. transmitir. distribuir. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. Vender ou expor à venda fotografia. possuir ou armazenar. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático. 241. Oferecer. disponibilizar.

Resposta Correta: Letra C 57 . Resposta Correta: Letra B 3. Resposta Correta: Letra A 2. Gabarito 1.

O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e. 58 . finalmente.Ações Preventivas. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1. breves aspectos da atuação preventiva. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. bem como as suas atribuições. Objetivo do módulo Ao final do módulo. MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. • Reconhecer a importância das ações preventivas. você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. • Aula 4 . em especial.

(Art. bem como para pedidos de ajuda. 59 . como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002. a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. logo abaixo a família e a sociedade e. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. 1º da Res. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. como seu próprio nome enuncia. E em 2013. O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes. No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). em 2000. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção. Já no ano de 2006. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. nos anos de 2003 e 2004. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema. foi feita nova revisão. integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. na base estão as estruturas formais do Estado. Considerando a complexidade do assunto.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. com início em 2002 e cuja missão. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. Como você já estudou. Distrital e Municipal. 113. a proposta é de integrar os vários atores sociais. nos níveis Federal. dentro do PNEVSCA. Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. Estadual. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam.

60 . vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática. em função das suas atribuições prioritárias. ainda que brevemente. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. Dessa forma. Defensoria Pública. salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais.1. humanos. São ações que interferem diretamente em ocorrências reais. De acordo com Teixeira (2000).1 Entidades. de forma resumida. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. Serviços e programas das políticas Ministério Público. 1. Na atualidade. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. públicas. Veja a seguir. quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle. medidas socioeducativas. Conselhos Municipais (CMDCA). Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual. promoção e controle. Conselho Nacional (CONANDA). à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). é importante conhecê-los. Dentro dessa rede. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS).

61 . apoio e acompanhamento temporários.orientação.010. mediante termo de responsabilidade.requisição de tratamento médico.encaminhamento aos pais ou responsável. • Atender e aconselhar pais ou responsáveis. 101. psicológico ou psiquiátrico.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família.inclusão em programa de acolhimento familiar. para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude. em regime hospitalar ou ambulatorial. (Redação dada pela Lei nº 12. • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental. definidos na Lei Federal nº 8. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. VII . no âmbito de suas decisões. porém. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Resumindo. VI . como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias. não jurisdicional. Entre as atribuições do Conselho Tutelar. II . encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio.069 de 13 de Julho de 1990. à criança e ao adolescente. III . acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA. O Conselho Tutelar é um órgão municipal.acolhimento institucional.matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. subordinado ao ordenamento jurídico do país. IV . quando necessário. V . permanente e autônomo. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola. de 2009) VIII . • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008). o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. pode-se destacar. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família. • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes. É criado por Lei Municipal. • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. e vinculado à Prefeitura do Município. Seus componentes são escolhidos pela comunidade local.

aos adolescentes e às suas famílias. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso. após os crimes. Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes. aconselhar. internato. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. As Polícias Civis e Federal atuam. 144 da Constituição da República. Sousa et al. reivindicações e solicitações feitas por crianças. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. previdência. no dia a dia. a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população. educação. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. ao adolescente e às suas famílias.). pois todas são capazes de identificar. orientar. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso. Todos os órgãos de segurança pública citados. estão definidos no art. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. famílias. encaminhar e acompanhar os casos. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. adolescentes. serviço social. assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. 62 . cidadãos e comunidades. Exerce as funções de escutar. p. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. trabalho e segurança. normalmente. cada um em sua esfera de atuação. etc. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. (2008. Não assiste diretamente às crianças. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. bem como as suas macros atribuições.

e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. sob amparo da Lei Maria da Penha. O Ligue 180 desempenha papel central. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). em 2005. a floresta e as águas. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. bem como. As denúncias poderão ser anônimas ou. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. assim como o Disque 100. mediante a utilização de unidades móveis para o campo. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. é garantido o sigilo da fonte das informações. inclusive nas áreas rurais latu sensu. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. é um serviço de promoção de Direitos Humanos. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. Portanto. quando solicitado pelo denunciante. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia. O que gera um fluxo rápido de atendimento. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. denominado “Ligue-180”. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. ao lado do programa ‘Mulher. lançado em março de 2013. Viver sem Violência’. a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. Em março de 2014. 63 .

Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias.) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal. • CREAS . Além de ofertar serviços e ações de proteção básica. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social.CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). tráfico de pessoas. É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. psicológica. porém sem rompimentos dos vínculos familiares. Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse. O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas). ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. cuja execução é obrigatória e exclusiva. como o Serviço de Enfrentamento à Violência.). • CRAS . promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. prevenindo a ruptura de vínculos. (Ministério do Desenvolvimento Social. promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. sexual. O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. etc. É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. 64 .

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

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conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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Veja. algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. Se está conversando com uma criança que. é fundamental não criticar a criança/adolescente. mas também e principalmente. assim. culpa e vergonha. Ouça. Busque um ambiente apropriado. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. principalmente. Importante! 68 . é necessário agir não só observando as regras legais. não preconceituosa. Se necessário. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. está sendo abusada. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. em 2003. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. a criança ou adolescente. Não permita interrupções. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. desenhos. possivelmente. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. converse primeiro sobre assuntos diversos. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. a seguir. atenta e exclusivamente. Por outro lado. busque o lugar onde ela se sinta protegida. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. contidas no Guia. Por isso. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. julgamentos morais sobre a postura da vítima. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. Embora o enfoque dado seja aos educadores. respeitosa e. não são desejados e precisam ser evitados. mas. caso contrário. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. Leve a sério tudo que disserem. de forma acolhedora. O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. nem duvidar de que esteja falando a verdade. livros e outros recursos lúdicos. sensível à situação. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. 3.

principalmente. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e. afirmando que raramente a criança mente. compreendendo o que ela está relatando. Seu relato deve ser levado a sério. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. “não precisa chorar”. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. pois. Diante de um crime. da Senasp. raiva. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. É muito importante manter a calma. trata-se. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. de fato. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. culpa e medo. ou temer serem levadas para longe do lar. Diga à criança que. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. para ter certeza sobre o ocorrido. use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. Fique calmo.” (2003. esse mesmo guia reforça a mensagem. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. p. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. ao contar. 69 . Caso não haja. os parâmetros precisam ser outros. mesmo que a situação nos cause emoção. nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. em geral. no momento que falam sobre o assunto. ela agiu corretamente. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. 55). Confirme com a criança se você está. e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. revivem sentimentos de dor. nessas situações. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem.

É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu. não raro. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. são situações bastante delicadas para as vítimas. Use o bom senso. sentem-se culpadas. Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3.. tudo bem?”. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. como você irá proceder.. vez que a maioria se sente muito envergonhada e. a criança quer ser tratada com carinho. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. 17 do ECA. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. pois isso poderá indicar como estava se sentindo. dignidade e respeito. principalmente em casos de flagrante. Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. em 70 . deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. Não trate a criança como uma “coitadinha”. Mesmo assim. No relatório. Para refletir. Sem contar que é obrigação legal prevista no art. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. ressaltando sempre que ela estará protegida. antes de tocá-la. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. E avise à criança ou adolescente o que irá fazer.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. Por ter caráter confidencial.

Procure entrevistar as pessoas. Seguindo essas orientações. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei. procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. 71 . • Identificar pais ou responsáveis. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. as regras previstas na Súmula Vinculante n. quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. • Nos casos de atos infracionais. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes. • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca. é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. vir e estar. são também aplicáveis aos adolescentes. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes.especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. • Avaliar o risco da vítima no ambiente. Se for necessário usá-las. Na medida do possível. que regulam o uso das algemas.3 Outras observações Para além das recomendações descritas. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. sobretudo. 11 do STF. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. • A existência de agressões anteriores. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão). buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. 3.

ECA. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. 262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento. o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. neste caso. não poderá nem a criança. tampouco o adolescente.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . Para refletir. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial. as ações preventivas devem ser o foco das atenções. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente. entretanto. partindo do artigo 70. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. 1990. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível. ou durante a noite ou em finais de semana. Art. É importante ressaltar que. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta.. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. Em vários artigos. 70. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente.. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual. Consoante o título III da parte geral do ECA. o art.

cronograma de execução. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. costumam ter resultados muito positivos. como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. 4. 5. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. 73 . nos seis eixos estratégicos definidos. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. foram fixados objetivos. quer para trabalhadores dos transportes. 3. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1. Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. metas. proteção jurídica. programas de creches.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. etc. etc. sejam eles na esfera da saúde. Nesse momento. Da mesma maneira. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual. Informar. através de rondas diárias e em horários diferentes. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas. a realização de palestras quer para crianças. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos.) buscando cessar as causas de violência. pode funcionar como prevenção secundária. Na atuação policial. 4. geração de renda. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. ações. 2. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. clínica-escola. educação. executando o trabalho de prevenção primária. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. em especial da Polícia Rodoviária Federal.

muito ainda resta a fazer. você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. de forma acolhedora. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. • Consoante o título III da parte geral do ECA. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico. Concluindo. 74 . apesar de todos os avanços e resultados significativos. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. principalmente. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica.. 113. dentre eles a PRF. Estadual.. em função das suas atribuições prioritárias. sensível à situação. nos níveis Federal. Distrital e Municipal. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. Mas. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. e a cada biênio. modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis. Neste módulo. bem como para pedidos de ajuda. mas.. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. • De acordo com Teixeira (2000). (Art. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. principalmente. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. contando com comandos genéricos e. respeitosa e. é necessário agir não só observando as regras legais. Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial.. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. 1º da Res. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. secundária e terciária. não preconceituosa. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. mas também e principalmente. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. promoção e controle. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam.

sem rompimento dos vínculos familiares. 1. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. julgue a veracidade das afirmações abaixo.655/95. porém. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº. • É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. nas rodovias federais. 8. culpa e vergonha. do Decreto nº. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. compete à Polícia Rodoviária Federal. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. em 2003.069/90). De acordo com o Artigo 1º. Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência. efetuar a fiscalização e o controle. Exercícios 1.. é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. Constitui-se em uma unidade pública estatal. Inciso IX. por isso.

etc. Dirigida às vítimas e aos agressores. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. Nesse momento. educação. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. proteção jurídica. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 . geração de renda. 4. sejam eles na esfera da saúde. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades.

77 . Resposta correta: Letra A 5. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. e em rede. Resposta correta: Letra D 3. Resposta correta: Letra D 4. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. Gabarito 1. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. Resposta correta: Letra A 2. por profissionais especializados e capacitados.

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