Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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infelizmente.” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009. • Enumerar as causas da violência sexual. mas ao mesmo tempo.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia. • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades. sem machismo. Cremos no fim de todas as prisões. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o. no fim de todas as formas de extermínio. sem sexismo e sem homofobia. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(. Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema.. na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. 4 .. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. Objetivo do módulo Ao final do módulo. Acreditamos numa sociedade sem racismo.

verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. Nesse sentido Azambuja (2004. A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico. psicológica ou outras). Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo. Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. Estabelecem-se pela força (física. é sempre o menos forte. podia castigá-los. 5 . a autoridade paterna não conhecia limites. o menos representativo que será submetido. C). de expor. Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. nº 1).1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta.181) registra que: Em Roma (449 a. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. nº 2). a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. O pai. p. condená-los e atá excluí-los da família. Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito. o Chefe da Família.

participavam das mesmas atividades. e. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. Na Inglaterra. merecendo.blogspot. inclusive sexuais aos adultos. órfãos e degredados. a seguir. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes.. tratamento e atenção diferenciados. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda. as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais.. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores. 1. As escolas eram frequentadas por crianças. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história. paus e ferros como instrumentos necessários à educação. 2006) Saiba Mais. portanto. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. 6 .com. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. a punição física. Disponível em: http://fabiopestanaramos. adolescentes e adultos. os espancamentos através de chicotes. que junto com os marinheiros. quando então.html Acompanhe. Ainda. em 1780. na Europa. Até então.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das. (AZAMBUJA. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem. em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta.

mas tinham penas abrandadas e. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas. contavam com atenuante em função da idade. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. entre 17 e 21 anos. A partir daí. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. 1964 Em 1964. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. ao arbítrio do juiz.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional. 7 . • E entre 14 e 17 anos. Nas Ordenações Filipinas. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. • Entre 9 e 14 anos. Nesse contexto. Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. o critério adotado era o do discernimento. limitando a internação à idade de 17 anos. a Lei Federal nº 4. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. que vigoraram no Brasil até 1830. serem aplicadas outras penas. mas havia possibilidade de. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. abandonados e em situação de delinquência. Início do século XX No início do século XX.

em perigo moral. Parágrafo único. vigilância. de uma legislação moderna. em ambiente contrário aos bons costumes. legalmente. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular. 1. VI .autor de infração penal. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. mais que uma faculdade. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988. entretanto. psíquico e social. quando convenha. ou a mãe.privado de representação ou assistência legal. 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores. pela falta eventual dos pais ou responsável. saúde e instrução obrigatória. de modo habitual. Parágrafo único . exerce. ação ou omissão dos pais ou responsável. conforme previsão do Código Civil: Art. a serem merecedoras de atenção especial da família. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico. da sociedade e do Estado. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. em razão de: a) falta. em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças. adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. ou o Ministério Público.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável.Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. independentemente de ato judicial.637: Se o pai. O código de menores (Lei nº 6697/79). faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. III . II . passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. não sendo pai ou mãe. V . direção ou educação de menor. devido a: a) encontrar-se. onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. a qualquer título. abusar de sua autoridade. ainda que eventualmente.Com desvio de conduta. até suspendendo o poder familiar. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. IV . em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10. requerendo algum parente. em seu artigo 2º. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. 2o. 2º Para os efeitos deste Código.privado de condições essenciais à sua subsistência. o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. considera-se em situação irregular o menor: I .406/02). cabe ao juiz. 8 . É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. Entende-se por responsável aquele que.

Saiba Mais. Saiba Mais. ao lazer. assim. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e. O Estado. ao respeito. engloba o espectro da proteção integral. à cultura. à educação. Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos. à alimentação.069/90. exploração. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. à saúde. mestre e doutora em Ciência Política. norma de Direitos Humanos. sejam eles minorias ou não. 227. Da legislação apresentada. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos.. à dignidade. a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. norma de Direitos Humanos. 9 . colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras. O Estatuto da Criança e do Adolescente. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família.youtube. com absoluta prioridade. o direito à vida. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento. No Brasil da atualidade. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto. crueldade e opressão. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art. reafirma a previsão do art. discriminação.. há necessidade de que as leis o protejam. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa. Assista-o. portanto. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. Lei nº 8. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. à profissionalização. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. genuinamente. É dever da família. 227 da Constituição e. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. em seus primeiros artigos. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. No vídeo (disponível em: https://www. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Dito isso. genuinamente.. a professora Glenda Mezaroba.. violência. detentoras de direito à proteção diferenciada. visando ao seu pleno desenvolvimento.

De menino triste que sofre sozinho. Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria. Saiba Mais.Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. Que de sofrer tanto se fez pensativo. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano. Cecília Meireles 10 . evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário. O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos. Antes de prosseguir nos seus estudos. do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo.com/watch?v=zsJitcDRbcI). Que sozinho sofre – e resiste. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral. Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste. Que não teve nada.. e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. que não pediu nada. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai. Pelo medo de perder tudo. Cabecinha boa de menino ausente.youtube.. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. assista ao vídeo Parte 1 .

é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto.. dano psíquico. escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir. outra pessoa. Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica). à aquisição ou manutenção de poder. morte. Agora. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status. p. 2002). Foucault (1979. emocional e social”. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados.. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (. algo que se guarde ou deixe escapar. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e. A violência é presença perene na história das civilizações. de alguma forma. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão. p. 2009. 11 . contra si mesmo. relações de conhecimentos. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. 2.. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos. reciprocamente. Não se encontra exceção à sua existência. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física. Pare um minuto.) que o poder não é́ algo que se adquire. G1.104). De olho na realidade. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. Leal (1999. em uma forma de ameaça ou efetivamente. p. uma diferença de potencial”. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo. Neste sentido.1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. relações sexuais). arrebate ou compartilhe. estando sempre relacionada. mas lhe são imanentes. Discorrendo sobre as relações de poder. Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS.250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. são os efeitos imediatos das partilhas. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL..

a seguir. profanar. Tanto Zaluar (1999).2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. transgredir. 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. Mais profundamente. isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto. 1999 p.Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual. 28). em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar.. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. divididas didaticamente. quanto Michaud (1986). e portanto a potência. 4 . a fim de ajudar na compreensão. força. o valor. ambos os termos: violência e sexual. contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . ainda que rapidamente.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999). adjetivá-la e caracterizá-la. Esses termos devem ser relacionados a vis (. É. o construtivismo social. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero. “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações. de outro. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas. o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. nas palavras de Michaud (1986 p. o essencialismo. 3 . caráter violento ou cruel. torna-se necessário problematizar. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. essa palavra vis significa a força em ação. concordam que o termo violência vem do latim violentia. cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. Em outras palavras.). é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade..Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. que procura problematizar a universalidade desse instinto. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. 2. o que. O verbo violare significa tratar com violência. As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo. a força vital”.Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. 2 . adquirindo carga negativa ou maléfica. portanto. um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. o recurso de um corpo para exercer sua força. 1 . é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência.

nas quais haja uma diferença de idade. o agressor pode se impor pela força. de tamanho ou de poder. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. Você deve ter observado. Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. p. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. psicológico. entre adultos e criança ou adolescente. (Caderno SECAD/MEC. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. moral e sexual. no prelo). surgida nos últimos anos. Nessa situação. concordando com essa segunda tendência. sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual). A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada. em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. não foi? 13 . ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. 5 . constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. interferindo no seu desenvolvimento físico. 2007). No âmbito da família. Crianças e adolescentes não estão preparados física. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. cognitiva. que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC).A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999. adiciona: “a compreensão. da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto. mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. alguns pontos em comuns. 131-132).

em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região. considerar a dimensão territorial. Ao avaliar esse fenômeno. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade. econômica e social. pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. sociais. Trata- se de um fenômeno mundial. apresentando raízes nas relações sociais de classe. pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região.] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010). Ao contrário do que muita gente imagina. p. brancos e negros. ainda. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive. Não é fruto de uma única causa. econômicos e políticos. e • O caráter sexual da ação. mas de uma soma delas. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação). que não está associado apenas à pobreza e à miséria. Reunindo esses elementos. gênero e etnia. adultos e crianças. por ser ilegal e clandestina. é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. Deve. p. sendo difícil de ser quantificada. a densidade demográfica e a diversidade cultural. 55) 14 . reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. com o respaldo de Leal (1999. ricos e pobres. o que possibilita concluir. e em especial de direitos sexuais. multifacetado e de enfrentamento complexo.. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces.. • Uso da força física ou psicológica. 2. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). é multifatorial. como as relações desiguais entre homens e mulheres. [. você irá se deparar com situações de violações de direitos.7) que a violência sexual é um fenômeno social. A violência contra crianças e adolescentes. Além disso. principalmente a violência sexual. (2010. Envolve aspectos culturais. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha.

. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. a violência é́ um fenômeno antigo. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura.. criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e. p. tão jovens quanto o menino. a fraqueza e a inferioridade [. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe.] Com o estereótipo da supremacia masculina. encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . emocional e social. a força. ou seja. separando-os pelo sexo. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. Saiba Mais. o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher. é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. E que ao contrário do que se tende a pensar. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www. chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 . a passividade. a virilidade e a superioridade.OIT. produto de relações construídas de forma desigual. 2010. prostituição. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho . A dominação e a subordinação são sexualizadas. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. BOCHI.a satisfação dos seus instintos naturais. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai. os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina.youtube. A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. na cultura patriarcal. do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico. 4. p. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino. crianças e adolescentes de ambos os sexos.com/watch?v=r88WqyseFes). 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer.. Historicamente. se não puder ver tudo. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”.. a dominação. 1997). dentro dessas regras postas. (FIGUEIREDO.

dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. como parâmetro de análise do problema. pois o que vale é a sua compleição física. ainda que seja menor. pois seria parte do ser masculino. Pedofilia é uma doença. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. O serviço. heterossexual ou homossexual. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. E. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. 1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente. E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes. só no primeiro semestre de 2015. Com relação às denúncias.crianças e adolescentes. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. segundo pesquisas da área médica. • Na concepção dos homens pesquisados. evidencia-se. esse número passou para 21 mil. é irrelevante.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo. sendo que mais 16 . Sendo assim. 2011). • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. que se sente revigorado ao praticá-lo. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. nesse pensamento. o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”. e lhe confere distinção frente aos outros homens.. Por mais improvável que possa nos parecer. anualmente. O pedófilo. consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. que pode ser um homem ou uma mulher. • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. 2. o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. a idade da pessoa.

Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças. das quais 4. 31.091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. Sudeste 32. observe: 17 . Diferentes dos dados do Disque 100.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. é necessário acessar esses dados e baseados neles. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. foram recebidas 88.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. Números do Disque 100 No ano de 2013. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população. Veja. Entretanto. Dessas.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. 98.44 %. 25% informam casos de violência sexual. ou seja. Assim. 2. Desse total.281. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois.7%. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual. outros dados relacionados ao Disque 100. a seguir.41%. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis. Considerando os números da violência sexual. dos quais 39.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado. os números do Sinan oferecem dados mais concretos.4. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Centro-Oeste 10.480 (21%) foram de violência sexual.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. Em 85% dos casos. Há ainda. Até novembro 2014.45 %. Sul 16. Norte 9. na medida da competência de cada órgão.36 %. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30. No primeiro trimestre de 2015.

sexo oral. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais. • Voyeurismo. Normalmente. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira.A do CPB). a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. também é possível. de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. se restar comprovado. 18 . tentativas de relações sexuais. na qual o sexo é fruto de uma troca. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. masturbação. 218 . o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. penetração vaginal e anal. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. • Exibicionismo. tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. Essas violações possuem tipificação penal e. Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. com ou sem coerção. • A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. implicam na apenação do abusador. uma vez comprovadas.

sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. Neste módulo. 13 do ECA.diariodepernambuco. contudo. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. na Europa..br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. Em sua opinião. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. merecendo. engloba o espectro da proteção integral.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. Não é fruto de uma única causa. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada. quando então. 245 do ECA. sociais. • É importante entender que violência sexual é gênero. ainda. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente.. tratamento e atenção diferenciados. em seus primeiros artigos. • No Brasil não foi diferente. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”.shtml).069/90. 227 da Constituição e. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. há a previsão de infração administrativa para o médico. • A violência contra crianças e adolescentes. Envolve aspectos culturais.com. você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos.. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. apresentando raízes nas relações sociais de classe. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. que no art. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. econômicos e políticos. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. Lei nº 8. mas de uma soma delas. Ressalta-se. Para refletir. • O Estatuto da Criança e do Adolescente. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. gênero e etnia. 19 . da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. portanto. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. reafirma a previsão do art. (matéria disponível em: http://www. principalmente a violência sexual. é multifatorial.

da comunidade. da sociedade em geral e do poder público assegurar. violência. É dever da família. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. de favores ou presentes. ao esporte. à educação. ao respeito.Art. todas as oportunidades e facilidades. profissionalização 20 . à educação.Art. Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. qualidade. à cultura. distração b) perversidade. saciedade. Exercícios 1. CF . seja ela financeira. exploração. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. moral. 227. a efetivação dos direitos referentes à vida. atenção c) profissionalização. com absoluta prioridade. à dignidade. à alimentação. com absoluta prioridade. 3º. à dignidade. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. prioridade. por lei ou por outros meios. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. ______________. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. à cultura. à ______________. Os termos suprimidos dos textos acima são. crueldade e opressão. ao respeito. ECA . igualdade d) discriminação. 4º. à saúde. assegurando-se-lhes. à profissionalização. na qual o sexo é fruto de uma troca. mental. em condições de ______________ e de dignidade. espiritual e social. leia atentamente os artigos abaixo. à alimentação. • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. o direito à vida. na cultura patriarcal. respectivamente: a) liberdade. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. ao lazer. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. ao lazer. à saúde. ECA . É dever da família. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. liberdade.Art.

as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos. De acordo com Cançado Trindade. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que. 2. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3.

Resposta Correta: Letra C 4. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. a pobreza não constitui. por si só. Resposta Correta: Letra C 3. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. entretanto. Resposta Correta: Letra D 2. Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. 22 . fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. Gabarito 1. normalmente. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza.

os fatores. (ALBERTON. MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão... Objetivo do módulo Ao final do módulo. as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes..) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes. Que eu não posso sufocar! (. 122). • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores. • Aula 2 – Vítimas... você será capaz de: • Conceituar. sonhar e brincar? . as características.) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr.. 23 . caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes. as modalidades. pular. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. 2005. pg.

1 Elementos do cenário Em 1996. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. econômico. organizados em redes de exploração local e global (mercado). a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. A partir daquele momento. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores). juntos. ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). colocasse esse problema numa dimensão dialética. que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima.58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. em Estocolmo. Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1.8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno. explorador e abusador). p. cultural. 24 . Bochi e Figueiredo. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. Leal (2003. (2010. e • Lucro. p. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. • Ação (exploração/abuso). referindo-se ao evento. confirmam essa visão: No mundo. social e jurídico. na Suécia. estrategicamente.

2008. mas é um termo em desuso e. p. • Exploração sexual no contexto do turismo. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo.. sobre cada uma delas. a exploração sexual comercial de meninos.) Estude a seguir.. o mais forte. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. vestuário. o tráfico e venda de pessoas. a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 . que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos.16). não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão. turismo sexual e pornografia infantojuvenil. embora a classificação seja intitulada “prostituição”.1997). por isso. (CECRIA. pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. as diversas formas de prostituição. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os). portanto. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. É o adulto. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável.2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005. e esse comércio somente ocorre porque há demanda. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (. “a exploração sexual inclui o abuso sexual. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida). p.4). É válido ressaltar que. Fica. (CASTANHA. 1. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. • Tráfico. Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro. da satisfação de necessidades básicas (alimentação.) quando se trata de crianças e adolescentes.

filmes. que nunca brincaram de bonecas. sacerdotes. culturais. irmãos e das próprias mães. um caramelo. crianças são prostituídas pela sociedade. fique claro: crianças não se prostituem. Essas crianças. doutores. pela herança de violência doméstica. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. São caminhoneiros.) Essas meninas. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. negativos. um chocolate. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes. Maria Amélia Barcks Duarte. realizado em maio de 1999 em Lyon. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. um tênis ou um batom. incluindo fotografias de sexo explícito. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. No entanto. segundo a INTERPOL. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. na sua maioria. vereadores.. sua satisfação sexual e sua integridade moral. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas. os homens. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. pessoa. vendem a sua virgindade. 58). significa “uma exposição sexual de imagens de crianças. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. (.. prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. pela pobreza dos seus pais. p. cidadãos acima de qualquer suspeita. A idade das crianças exploradas é cada vez menor. prefeitos. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País. afeta sua individualidade. que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais. sexuais. na França. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. um pacote de bolacha. 26 . padrastos. entre sete e dez anos. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos.

que também. à prostituição infantil e à pornografia infantil.007. o transporte. revistas.17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento. o trabalho ou serviços forçados.) c) O recrutamento. p. (CASTANHA. 2008. BOCHI. o transporte. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5. envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças.. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. 2010. A exploração incluirá. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento.16. a servidão ou a remoção de órgãos. por qualquer meio. projeções. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação.) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição. ao engano. a transferência. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 . p. a transferência. DE 8 DE MARÇO DE 2004. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas. b) (. (.. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art. (FIGUEIREDO. muitas vezes. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo... 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta). no mínimo. ao rapto. a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual. escravatura ou práticas similares à escravatura. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. à fraude. vídeos e discos de computadores”. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação.

. Nordeste .Leilão de virgens.Prostituição de meninas e meninos de rua. . Aquele que compra como aliciador. A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet.2. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . Enfim. . (Protocolo de Palermo. Artigo.Prostituição nas ruas.. que são apresentadas a seguir. 1. .Exploração sexual comercial em prostíbulos. portuária.Turismo sexual. Estão todas lá.Exploração sexual (garimpos prostíbulos. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país. O dono da boate que a mantém em cárcere privado. .Prostituição nas estradas. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”. todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício. .1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência. fazendas e garimpos). variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. O caminhoneiro que a transporta.Pornoturismo. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme. O pai que vende a filha. cárcere privado. . 28 . de acordo com as características de cada região. mas inteiramente baseado na nossa realidade social. complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir.

Prostituição nas estradas.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico.Prostituição nas estradas.Denúncia de trafico de crianças. 29 .) prostíbulos fechados. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. . . mutilações e desaparecimento. o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local. bem como pelas questões culturais locais.. etc. como cárcere privado. O aparecimento. 1.Prostituição de meninas e meninos de rua. A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua. .). . . venda. .Exploração sexual comercial em prostíbulos. Centro-Oeste . . Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso). tráfico. Sudeste .Pornoturismo.2.2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório. .Prostituição nas estradas do Sudeste.Prostituição através de anúncios de jornais. ecológico e náutico. Brasília. Sul .Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia. Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. leilões de virgens. .Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado ..Rede de prostituição (hotéis.Turismo sexual. . conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (.

organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras.. Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. negras ou mulatas. Trata-se de exploração sexual. Inclui o tráfico para países estrangeiros. como as capitais da Região Nordeste do país. principalmente de adolescentes do sexo feminino..) Turismo sexual e a pornografia. Nos portos. Trata-se.. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo. pobres.. principalmente. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte. sendo comum também. de adolescentes do sexo feminino. Geralmente saem de casa. entre jovens do sexo masculino.. destina-se.) “Turismo portuário e de fronteiras. à tripulação de navios cargueiros. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (.) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros. taxistas e outros. nas regiões ribeirinhas. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 . principalmente. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (. comércio de pornografia.. É marcadamente comercial. hotéis.

embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. Considerava-se que a criança. não teria condições de falar. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância. da incompletude perante os mais experientes. Assim. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. significa “incapacidade de falar”. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. De olho na realidade. a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas. e ao invés de “menor”. oriunda do latim infantia.. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. “Turismo Sexual” e “menor”.. relegando-lhes uma condição 31 . Aula 2 – Vítimas. são seres subalternos. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. devemos usar “criança e adolescente”. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta. seus sentimentos. antes dos 7 anos de idade. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. de expressar seus pensamentos. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão. os conceitos e terminologias vão se adequando. para se tornarem efetivos. Desde a sua gênese.

assegurando-se-lhes. p. como fase da incapacidade. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. titulares de direitos e. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. (grifo nosso). 2º Considera-se criança. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1. o art. da tutela. a pessoa até doze anos de idade incompletos. lei nº 8. Era um ser anônimo. de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. Na atualidade. distingue a criança do adolescente pela idade: Art. 1997. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. 32 .884). para os efeitos desta Lei. subalterna diante dos membros adultos. mental. moral. principalmente. todas as oportunidades e facilidades. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. da menoridade. no limiar deste século. 2006. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. principalmente através de pinturas. sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida. 3º reconhece- os. E.4). Até recentemente. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. sem um espaço determinado socialmente. ela foi definida. portanto. em condições de liberdade e de dignidade. COELHO. espiritual e social. pessoas de até 18 anos incompletos. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. no art. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. p. inclusive juridicamente. Ao serem representadas. por lei ou por outros meios. conforme já estudado anteriormente: Art.069/90.

1.1% dos casos..1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre. Para refletir. negra e mulher. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60.3% das vítimas de violência são do sexo feminino. as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83.3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos.39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 .2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. conclui-se que qualquer criança ou adolescente. • Em 63. 30. • Tem baixa escolaridade. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. podem ser vítimas de violência sexual. • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida. 10. 2. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual. p. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime. em se tratando de exploração sexual.8% menos de 1 ano. A partir dos dados apresentados.5% foram físicas e 19. devido às fragilidades que as envolvem.8% entre 1 e 4 anos. 2. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.3% entre 10 e 14 anos. • É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física).. 21.9% entre 15 e 19 anos e 4. Nas violações sexuais. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas. • 31. 40. 28. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas.9% sexuais. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas.8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes.2% dos casos. • Das violências atendidas. No entanto. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual.

a pobreza não constitui.24). a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos.adolescentes. não têm uma fixação erótica única por crianças.32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. o que facilita a sua atuação. conquistando a confiança da criança. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39. Quando se aborda o assunto. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. cit) é mais 34 . não praticam atos de violência física contra a criança. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. do sexo masculino. entretanto. por si só. Geralmente. foi identificado que em 54. inserido na sociedade. chega-se a 52. uma vez que. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. dentro da mesma pesquisa. Considerando a pesquisa da Abrapia. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012). mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. Em um universo de 418 denúncias. mas são fixados no sexo. o agressor aparece como sendo. Portanto. p. Agem de forma sedutora.) e em 45. médico. em mais de 90% dos casos. realizada no triênio 2000-2003. Só em 12. eleva-se esse índice para 44. etc. Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2..5% dos casos registrados pelo sistema de saúde. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. policial.1% dos casos registrados. o desejo independe do objeto. Para Barros (2005.8% dos casos..55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. babá. Segundo Soares apud Barros (op. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. como namorados. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. Para refletir.

mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. à desatenção e à rejeição dos filhos. e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. p. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. valorizando-os). 2004. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. (m) dificuldades na família. Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. na construção da cultura de consumo. 139). os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola. etc. rebaixa a autoestima.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. em especial. Tendo isso em vista. o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. etnia e raça. normalmente. estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. emocional e cognitivo. na geração de novas pobrezas. A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. e de falta de motivação. no aumento das desigualdades sociais. (g) alcoolismo. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração. Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. ela. (h) violência doméstica. categorizando-as da seguinte forma: . aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima. . 35 . o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. da exploração sexual de crianças e adolescentes..provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. (b) menor escolaridade. (e) angústia e insegurança. (o) configurando-se este quadro. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. (f) depressão da autoestima.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. por si só e isoladamente. (c) menor acesso a oportunidades de trabalho. não pode ser apontada como causa da violência. mas. (j) vivência da rejeição na infância. veja a seguir.

São eles: • Individual. • Deficiência. para além dos casos em concreto. exemplificando. • Separação da Família. • Exposição à pressão negativa de companheiro. . • Registro de Nascimento. Sexual and Other Forms of Exploitation enumera. . Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. Investigar as dimensões apresentadas. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo. que passam a ser regidas pela lógica do consumo. • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar. • Comunitário. com seus mecanismos. Segundo o autor.Legal – perpassa os aspectos de repressão.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. resultando em sua exclusão. podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. responsabilização e legislação. 36 . . correlacionando-as aos casos verificados. Mas. . é preciso extrair lições para as ações de prevenção. A seguir estude sobre cada um deles.Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. • Idade. • Posição Hierárquica Familiar. e • Institucional. • Grupo Étnico. dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. • Familiar. • Nível Educacional. fatores que devem ser estudados. como fatores de risco pessoal. facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas. o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour. Em termos individuais.Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam.

podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. • Força normativa. • Violência na comunidade. • Dívidas. • Renda insuficiente. • Nível de corrupção. No aspecto institucional. • Doença ou morte na família. • Estado de paz ou conflito. • Desastres naturais. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. • Regime de serviços sociais. • Centros de entretenimento e centros comunitários. Em termos familiares. para ser feito de forma adequada e eficaz. Como fatores de risco comunitários. • Policiamento. os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. • Discriminação. • Grupo Étnico ou casta. • Conexão viária e transportes. demanda conhecimento do local em que ocorre. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Economia. • Tradição de migração. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. serviços localizados. • Liderança comunitária e estruturas governamentais. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Histórico de migração. das condições em que vivem as 37 . • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. • Localização. • Violência intrafamiliar. dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. • Famílias com muitos filhos.

A partir daquele momento. • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. do sexo masculino.. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. Neste módulo. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos.crianças e adolescentes explorados. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. Antes de prosseguir. a exploração sexual comercial de meninos.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. em posse de tais conhecimentos. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. foi identificado que em 54. Em um universo de 418 denúncias... Saiba Mais. entre outros aspectos pontuais. e turismo portuário e de fronteira. realizada no triênio 2000-2003. juntos. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado.org. o agressor aparece como sendo. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. turismo sexual e tráfico. ação (exploração/abuso) e lucro. E. bem como pelas questões culturais locais. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local.dialogosdosul. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. explorador e abusador –. 38 . viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. turismo sexual e pornografia. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente.br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. dentro da mesma pesquisa. pornografia. menores em situação de rua. Finalizando. • Considerando a pesquisa da Abrapia. em mais de 90% dos casos.. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001). normalmente.

Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . Vitimização e Violação. Vitimização. d) Vulnerabilidade. c) Prostituição Infantil. a exploração comercial de meninos. meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil. c) hipocrisia. a exploração comercial de meninos. Pornografia. d) prostituição. Turismo Sexual. Turismo Sexual e Tráfico. Na Agenda de Ação de Estocolmo. 3. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. b) Vulnerabilidade. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. Satisfação Sexual e Tráfico. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades. Exercício 1. Mercantilização e Violação. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder. 2. Mercantilização. Na Agenda de Ação de Estocolmo. b) prazer.

c) desbaratar redes de aliciadores. identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores. d) processar as famílias envolvidas. b) atuar preventivamente. 40 . 4. No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Resposta Correta: Letra A 3. Gabarito 1. Resposta Correta: 4. Resposta Correta: Letra A 2. Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 .

Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. o Brasil vem. 42 . Nesse cenário. lado a lado. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. Objetivo do módulo Ao final do módulo. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. os marcos legais nacionais e internacionais. aos poucos. o infográfico a seguir apresenta. com o respectivo ano de promulgação. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual. Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base.

• Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento. • Lei nº 11. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação. • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente. entre outros. Marcos Nacionais 1940 . 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. 1988 . de convenções.Lei nº 12. pelo Brasil. • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. o Título VI do Código Penal Brasileiro. tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais. Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura. 2003 .015/09 – Altera. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes.Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). • CPI da Pedofilia.Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil. • Plano Nacional de Política Para Mulheres. 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro. 2002 . 1996 . 1990 . 2010 43 .Decreto-Lei nº 2. • Plano Nacional de Promoção. 2004 • Política Nacional de Assistência Social. passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências. 2001 .829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes.848. 2009 .Constituição da República Federativa do Brasil. Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos.Plano Nacional de Direitos Humanos.Estatuto da Criança e do Adolescente.

• Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção. * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos. 2000 .Declaração Universal dos Direitos Humanos.Declaração Universal dos Direitos das Crianças.1. 1959 . • Relativo à venda de crianças. Não obstante. mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira. 1. na sequência cronológica de aparição. 44 . à prostituição infantil e à pornografia infantil.Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados.1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados. os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. • Plano Nacional pela Primeira Infância. Todas as normas enumeradas guardam relação entre si. merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. 1989 . é bem possível que se for revê-las. a seguir. que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil. umas apoiam ou instrumentalizam as outras.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3. repressão e punição do tráfico de pessoas. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 . Leia.

Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. tratavam a violência sexual. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. historicamente. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. com a mudança. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. Dessa forma. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. o Estado era impedido de agir de ofício. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. 45 . e em rede. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. uma vez que. entretanto. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. por profissionais especializados e capacitados. potencializando assim. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. combater a impunidade. o que em tese não deveria ser ruim. as condições e garantia de financiamento do Plano. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. ainda que em ações pontuais. passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana. O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. em grande parte. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. no caso da vítima ser criança ou adolescente. vez que a ação penal era privada. do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. como sendo assunto da esfera privada. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. antes da mudança da lei. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. os artigos de 213 a 218 do CPB. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder.

mudando o objeto jurídico de proteção. focando a proteção na dignidade do ser humano. Observe as diferenças.Se da conduta resulta morte: Pena . 213 . de 6 (seis) a 10 (dez) anos. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. tratando os direitos sexuais como direitos humanos. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça.015/09 CPB após a Lei nº 12. 1. § 2º . de 6 (seis) a 10 (dez) anos. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. de 8 (oito) a 12 (doze) anos. de 07 de agosto de 2009. mediante fraude ou outro Pena . de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Constranger alguém.reclusão. conforme já visto). 215.015/09 Com o advento da Lei n° 12. criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes. várias mudanças foram implementadas. Art. de 1 (um) a 3 (três) anos.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena . O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”. ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena . uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual. Art.reclusão.reclusão. meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena . Veja.Ter conjunção carnal com mulher. em que a ação passava a ser pública incondicionada. ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador. § 1º .015/09 Estupro Estupro Art. Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art. CPB antes da Lei nº 12. Nesse sentido. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais.reclusão. a seguir. profundas reformulações foram feitas. 213. a ter conjunção carnal ou a praticar Pena .015. 46 .Constranger mulher à conjunção carnal. visando ao combate da exploração sexual. que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente. 215 .reclusão.2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12.1.reclusão.

... libidinagem. (VETADO) Estupro de vulnerável Art.. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.. aplica-se também multa.. § 4º .. Parágrafo único...... 47 .......detenção.. superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego.Corromper ou facilitar a corrupção de Art.. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art... com ela praticando ato de Pena ....A.. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.. § 1º .reclusão.......Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena .reclusão.. . não pode oferecer resistência. (catorze) anos: Pena . § 2º .. de 1 (um) a 2 (dois) anos... 218. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos..... cargo ou função86... 218 .. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos..(VETADO) § 3º .. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. Pena .Se o crime é praticado contra Parágrafo único. Parágrafo único ..reclusão. na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos... obter vantagem ou favorecimento sexual. Assédio sexual Assédio sexual Art. menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica.. por qualquer outra causa..... Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem....... por enfermidade ou deficiência mental..reclusão..reclusão. 216-A.A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos.Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que.Se da conduta resulta morte: Pena . § 2º . Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena .. ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena . ou que. 218 .. 217-A. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. ou induzi-lo a presenciar. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos.. 216-A. Constranger alguém com o intuito de Art..reclusão. Praticar.. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art.

se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. impedir ou dificultar que a abandone: Pena . mediante despesas do processo. ou da qualidade de padrasto. 225. § 2º . entretanto. mediante ação pública: pública condicionada à representação. conjunção carnal ou outro ato libidinoso. deste Título. I . por enfermidade ou deficiência mental. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. Procede-se.reclusão. facilitá-la.Procede-se. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art. tutor ou curador.Nos crimes definidos nos capítulos Art.o proprietário. a ação do Ministério Público depende de representação. Submeter. Ação penal Ação penal Art. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. procede-se mediante ação penal § 1º . aplica-se também multa. II . II . não tem o necessário discernimento para a prática do ato. 48 . 218-B.No caso do nº I do parágrafo anterior. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família. § 2° Incorre nas mesmas penas: I . § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o. somente se procede mediante queixa. § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder.reclusão. 225 . entretanto. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena .

Pena ....... além assumiu.. proteção ou vigilância: § 3º . companheiro. Pena ..§ 1º .. § 2º . por art.. no todo ou em parte. Pena .. haja.Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º . Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena .. de 3 (três) a 6 (seis) anos. e multa..Induzir ou atrair alguém à prostituição. exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art.. e multa. 230.. Pena .. obrigação de da pena correspondente à violência.. de 3 (três) a 8 (oito) anos.. obrigação de cuidado.Manter... de 2 (dois) a 8 (oito) anos. casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual..reclusão.. cônjuge. ou não. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos..Tirar proveito da prostituição alheia.... irmão.. CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art. outra forma de exploração sexual. de 2 (dois) a 8 (oito) anos.. por lei ou outra forma.reclusão. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 229.... . padrasto..Se o crime é cometido com o fim de lucro.reclusão.reclusão. além da ou vigilância: multa.reclusão.Se o crime é cometido com emprego de irmão. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos..Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena .Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima.. aplica-se também multa. facilitá-la. 228 . intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena . madrasta.. de 1 (um) a 4 (quatro) anos..... § 1° Se o agente é ascendente. madrasta. Art.Se o crime é cometido mediante violência. de 3 (três) a 6 (seis) anos....reclusão..... Casa de prostituição Art. cuidado. § 2º .. enteado. intuito de lucro ou haja. preceptor § 1º . de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. companheiro. Pena .reclusão. ou não.reclusão..reclusão. por conta própria ou de terceiro... ou se Pena . e multa. de 3 (três) a 8 (oito) anos. Pena .. fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência. 49 . enteado. tutor ou curador. impedir § 1º .... proteção Pena . ou por quem assumiu. 227: lei ou outra forma. 228. além da grave ameaça. preceptor ou empregador da vítima. por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente. participando diretamente de seus lucros ou fazendo. por conta própria ou de terceiro. Art. cônjuge.. sem prejuízo da pena correspondente à violência. padrasto... Manter. 230 ... Rufianismo Rufianismo Art. tutor ou violência...Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar. e multa. grave ameaça ou fraude: curador...reclusão. 229 ...reclusão.... para fim libidinoso.

não há crime. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). seria interessante a correção da redação desses artigos. Promover ou facilitar a entrada. INCISO III. Outro ponto muito importante: para configurar crime. o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher. e não será a vítima a ser explorada. 231. Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. em ambos os artigos. entretanto. a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual. • Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes. em tese.Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004.ARTIGO 244-A DA LEI N. Assim sendo.RECURSO MINISTERIAL . 231-A. o texto ficará dúbio: Art. Soa meio absurdo. 50 . no território nacional.ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS . A partir da leitura do quadro comparativo. • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada.019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL . de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual..RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO .SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386.. não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC .RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. passou a abranger também o homem. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos. Se você analisar bem o texto. considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual.MANUTENÇÃO DO DECISUM . verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião. 8. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia. Para refletir. Art.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima. Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”.069/90 . • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima.

existe um aliciador. (Apelação Crime Nº 70052760691. 51 . 240 Comentário: Sobre o aumento de pena. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. como "usuário". Sexta Câmara Criminal. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que. 244-A. APELO DEFENSIVO PROVIDO. na maioria absoluta dos casos.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. do ECA. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente. Digiácomo (2010. TJ-RS . Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. Em qualquer caso.1. é essencial identificar essa terceira figura. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. p. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir. Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais. não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais. com foco muito acentuado na responsabilização da produção.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. um intermediário. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art. UNÂNIME. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. caput. na verificação de uma situação como essas. o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. que exige a submissão para a sua incidência. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. PRELIMINARES PREJUDICADAS. a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. Tribunal de Justiça do RS. 1. Assim. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. MÉRITO.

quando muito. J. Art. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". Rel. para a ocorrência do crime. respeito à dignidade etc. em 19/10/2004 esclarece que. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes. nos casos de exploração sexual. ‘não se exige dano individual efetivo. 241-D Art. o dano em potencial já é suficiente: VI. bastando o potencial.Esp. independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade. necessariamente. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. nº 617221/RJ. VII. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. portanto. Significa não se exigir que. R. VIII. Para a caracterização do disposto no art. 5ª T. 59 do CP. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 308) 52 . uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. individualmente lesados. p. tornando-as públicas. (2010. haja dano real à imagem. do ECA. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. 241-B Art. portanto. levará à caracterização do tipo penal do art. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. restando. A experiência prévia pouco importa. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. 244- A. Gilson Dipp. 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar. Art. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 241-C Art. acima de qualquer individualização. de alguma criança ou adolescente. a teor do disposto no art. Min. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. poderá ser considerada (e ainda assim. 241-A Art. em face da publicação.

PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. 1. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Ag. (STJ. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. ou seja. é primordial que a intervenção policial. declarando-se. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. como aspectos mais importantes.Rg. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. J. PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. conforme você estudará no módulo 4. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. porém.1.. OCORRÊNCIA. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal. CORRUPÇÃO DE MENORES.252/54. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima. Maria Thereza de Assis Moura. os seguintes pontos: 53 . HC nº 128267/DF. 2. nacional e internacional. Art. Rel. 6ª T. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. Min. ART. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal. J. apenas no que concerne ao delito ora em discussão.Esp. em 29/09/2009). Min.015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. é formal. ressalvadas algumas questões pontuais. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. tanto do CPB como do ECA. para a partir daí.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. parece-nos que a lei nº 12. ou outra. Rel. Agravo regimental a que se nega provimento. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”.. nº 696849/SP. 1.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. 5ª T. Entretanto. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada. [. no R. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. a extinção da punibilidade do recorrido. 61 DO CPP. traçar os objetivos para os anos vindouros. Felix Fischer. (STJ. CRIME FORMAL. correlata ao assunto. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual. bem como no Supremo Tribunal Federal. Essa revisão traz. Em 2013. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL.

• Em 2013. de 07 de agosto de 2009. traçar os objetivos para os anos vindouros. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. profundas reformulações foram feitas. • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual. aos poucos.015. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que.. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. o Brasil vem. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes. para a partir daí. Nesse cenário. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais.. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. Exercícios 54 . você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. Neste módulo. Em sua opinião. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado. Para refletir. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação.. • Com o advento da Lei nº 12. correlata ao assunto. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema.. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. nacional e internacional. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988.

de 1 a 4 anos. e multa 2. da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. 1. a proteção à criança e ao adolescente. ( ) recrutamento. inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão.069/90 . venda. divulgação. transporte. associe as informações abaixo: 1. Pornografia 3. 1. transferência. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3. de 3 a 6 anos. No Brasil da atualidade. Prostituição 2. é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. Turismo sexual 4.Estatuto da Criança e do Adolescente. compra. ( ) trata-se de produção. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. Pena: reclusão. e multa 3. e multa 55 . Com base na Lei nº 8. de 4 a 8 anos. Pena: reclusão. Pena: reclusão. exibição. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. posse e utilização de material assim classificado. distribuição. correlacione as informações abaixo.

distribuir. fotografia. 241. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . possuir ou armazenar. Oferecer. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. trocar. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. ( ) Art. 241-A. Adquirir. Vender ou expor à venda fotografia. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático. publicar ou divulgar por qualquer meio. disponibilizar. 241-B. transmitir. por qualquer meio. fotografia.

Resposta Correta: Letra B 3. Resposta Correta: Letra C 57 . Resposta Correta: Letra A 2. Gabarito 1.

você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e.O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e. 58 . o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. • Reconhecer a importância das ações preventivas. breves aspectos da atuação preventiva. Objetivo do módulo Ao final do módulo. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). em especial. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes. MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.Ações Preventivas. finalmente. • Aula 4 . bem como as suas atribuições.

em 2000. nos níveis Federal. mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. (Art. foi feita nova revisão. 59 . 113. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção. Distrital e Municipal. Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Já no ano de 2006. com início em 2002 e cuja missão. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002. Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema. E em 2013. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. bem como para pedidos de ajuda. como seu próprio nome enuncia. na base estão as estruturas formais do Estado. a proposta é de integrar os vários atores sociais. logo abaixo a família e a sociedade e. 1º da Res. Como você já estudou. Considerando a complexidade do assunto. dentro do PNEVSCA. Estadual. nos anos de 2003 e 2004. bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas.

Dentro dessa rede. públicas. Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS). Conselho Nacional (CONANDA). 60 . medidas socioeducativas. salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato. Defensoria Pública. é importante conhecê-los. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais. 1. Na atualidade. São ações que interferem diretamente em ocorrências reais. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência. ainda que brevemente. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual. de forma resumida. à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). promoção e controle. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa.1 Entidades. Conselhos Municipais (CMDCA). humanos. Serviços e programas das políticas Ministério Público. em função das suas atribuições prioritárias. medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares. quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. De acordo com Teixeira (2000). é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. Dessa forma. Veja a seguir. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática.1. para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles.

• Atender e aconselhar pais ou responsáveis. VII . o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA.inclusão em programa de acolhimento familiar. 101. acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental. Resumindo. O Conselho Tutelar é um órgão municipal. como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . à criança e ao adolescente. definidos na Lei Federal nº 8. • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008). garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola.matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. psicológico ou psiquiátrico.encaminhamento aos pais ou responsável. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. É criado por Lei Municipal. pode-se destacar. em regime hospitalar ou ambulatorial. de 2009) VIII . com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. no âmbito de suas decisões. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. permanente e autônomo.requisição de tratamento médico. mediante termo de responsabilidade. • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. e vinculado à Prefeitura do Município. não jurisdicional.orientação. (Redação dada pela Lei nº 12. III . aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. subordinado ao ordenamento jurídico do país. não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade. quando necessário. porém.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio.acolhimento institucional. apoio e acompanhamento temporários.069 de 13 de Julho de 1990. 61 . VI . encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art. para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude. IV . Entre as atribuições do Conselho Tutelar. V . Seus componentes são escolhidos pela comunidade local. • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes.010.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. II .

no dia a dia. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. p. famílias. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. pois todas são capazes de identificar. internato. etc. estão definidos no art. normalmente. trabalho e segurança. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. Todos os órgãos de segurança pública citados. cidadãos e comunidades.). Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. 62 . previdência. Não assiste diretamente às crianças. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. encaminhar e acompanhar os casos. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. aos adolescentes e às suas famílias. Exerce as funções de escutar. (2008. adolescentes. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. reivindicações e solicitações feitas por crianças. Sousa et al. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. 144 da Constituição da República. serviço social. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes. orientar. bem como as suas macros atribuições. após os crimes. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso. As Polícias Civis e Federal atuam. cada um em sua esfera de atuação. educação. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso. ao adolescente e às suas famílias. aconselhar. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população.

e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. O Ligue 180 desempenha papel central. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). As denúncias poderão ser anônimas ou. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. é garantido o sigilo da fonte das informações. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. ao lado do programa ‘Mulher. Viver sem Violência’. lançado em março de 2013. o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia. assim como o Disque 100. O que gera um fluxo rápido de atendimento. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). inclusive nas áreas rurais latu sensu. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. mediante a utilização de unidades móveis para o campo. é um serviço de promoção de Direitos Humanos. denominado “Ligue-180”. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. em 2005. Portanto. quando solicitado pelo denunciante. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. sob amparo da Lei Maria da Penha. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. Em março de 2014. 63 . a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. a floresta e as águas. bem como.

etc. tráfico de pessoas. O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas).) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica. É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. 64 . O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal. prevenindo a ruptura de vínculos. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. • CREAS . O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. • CRAS . cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. porém sem rompimentos dos vínculos familiares. (Ministério do Desenvolvimento Social.).CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). sexual.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. Além de ofertar serviços e ações de proteção básica. psicológica. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias. o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. cuja execução é obrigatória e exclusiva. promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse.Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

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conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. Não permita interrupções. contidas no Guia. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. Busque um ambiente apropriado. livros e outros recursos lúdicos. algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. atenta e exclusivamente. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. Embora o enfoque dado seja aos educadores. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração. 3. é necessário agir não só observando as regras legais. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. Se está conversando com uma criança que. a seguir. a criança ou adolescente. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. não preconceituosa. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. desenhos. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. de forma acolhedora. mas. possivelmente. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto. Veja. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. principalmente. sensível à situação. assim. é fundamental não criticar a criança/adolescente. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. mas também e principalmente. busque o lugar onde ela se sinta protegida. nem duvidar de que esteja falando a verdade. em 2003. Importante! 68 . Por isso.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. caso contrário. não são desejados e precisam ser evitados. Se necessário. está sendo abusada. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. julgamentos morais sobre a postura da vítima. converse primeiro sobre assuntos diversos. Leve a sério tudo que disserem. respeitosa e. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. Por outro lado. Ouça. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. culpa e vergonha.

trata-se. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. 69 . use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. revivem sentimentos de dor. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. para ter certeza sobre o ocorrido. “não precisa chorar”. raiva. ao contar. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. mesmo que a situação nos cause emoção. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. ela agiu corretamente. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. principalmente. em geral.” (2003. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. Confirme com a criança se você está. afirmando que raramente a criança mente. da Senasp. de fato. nessas situações. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. compreendendo o que ela está relatando. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. p. pois. os parâmetros precisam ser outros. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. É muito importante manter a calma. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. ou temer serem levadas para longe do lar. Diante de um crime. culpa e medo. Fique calmo. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. esse mesmo guia reforça a mensagem. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. Diga à criança que. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem. no momento que falam sobre o assunto. 55). nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. Seu relato deve ser levado a sério. Caso não haja.

. em 70 . sentem-se culpadas.. Por ter caráter confidencial.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. não raro. deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3. Para refletir. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. antes de tocá-la. ressaltando sempre que ela estará protegida. dignidade e respeito. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. 17 do ECA. tudo bem?”. Use o bom senso. Mesmo assim. pois isso poderá indicar como estava se sentindo. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu. No relatório. como você irá proceder. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. Sem contar que é obrigação legal prevista no art. principalmente em casos de flagrante. vez que a maioria se sente muito envergonhada e. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. são situações bastante delicadas para as vítimas. a criança quer ser tratada com carinho. Não trate a criança como uma “coitadinha”. E avise à criança ou adolescente o que irá fazer.

especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. • Nos casos de atos infracionais. é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. 3. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. que regulam o uso das algemas. Se for necessário usá-las.3 Outras observações Para além das recomendações descritas. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. Seguindo essas orientações. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. • Identificar pais ou responsáveis. buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência. sobretudo. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. Procure entrevistar as pessoas. 11 do STF. • A existência de agressões anteriores. • Avaliar o risco da vítima no ambiente. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão). procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. são também aplicáveis aos adolescentes. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. Na medida do possível. as regras previstas na Súmula Vinculante n. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. 71 . vir e estar. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte.

É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual. Para refletir. 70. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial. as ações preventivas devem ser o foco das atenções. Consoante o título III da parte geral do ECA. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. Art. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. ou durante a noite ou em finais de semana. tampouco o adolescente. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. entretanto. partindo do artigo 70. o art. Em vários artigos. É importante ressaltar que. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente.. ECA. sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. 1990. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . não poderá nem a criança. 262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento.. neste caso. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível.

como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. a realização de palestras quer para crianças. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. programas de creches. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual. clínica-escola. através de rondas diárias e em horários diferentes. executando o trabalho de prevenção primária. nos seis eixos estratégicos definidos. costumam ter resultados muito positivos. educação. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. etc. Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. metas. 3. 4. Na atuação policial. pode funcionar como prevenção secundária. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. 2. quer para trabalhadores dos transportes. em especial da Polícia Rodoviária Federal. 73 . etc. ações. Da mesma maneira. geração de renda. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. proteção jurídica. 4. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. cronograma de execução. sejam eles na esfera da saúde. foram fixados objetivos. Informar. Nesse momento. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual.) buscando cessar as causas de violência. 5.

contando com comandos genéricos e. Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. em função das suas atribuições prioritárias.. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. e a cada biênio. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. Mas. nos níveis Federal. principalmente. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. 74 . você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis. não preconceituosa. secundária e terciária.. é necessário agir não só observando as regras legais. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico.. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. 113. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica.. (Art. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. respeitosa e. apesar de todos os avanços e resultados significativos. mas também e principalmente. • De acordo com Teixeira (2000). dentre eles a PRF. Distrital e Municipal. e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. sensível à situação. Concluindo. bem como para pedidos de ajuda. • Consoante o título III da parte geral do ECA. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. de forma acolhedora. principalmente. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. Estadual. Neste módulo. mas. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. promoção e controle. muito ainda resta a fazer. 1º da Res. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental.

• É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência.655/95. adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº. do Decreto nº. julgue a veracidade das afirmações abaixo. compete à Polícia Rodoviária Federal. por isso. Constitui-se em uma unidade pública estatal. culpa e vergonha. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. De acordo com o Artigo 1º. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados.. é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. como o Serviço de Enfrentamento à Violência.069/90). porém. 1. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. em 2003. sem rompimento dos vínculos familiares. Exercícios 1. nas rodovias federais. efetuar a fiscalização e o controle. descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. Inciso IX. 8. Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2.

com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. sejam eles na esfera da saúde. 4. etc. proteção jurídica. geração de renda. educação. Dirigida às vítimas e aos agressores. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. Nesse momento. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 .

Resposta correta: Letra A 2. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. 77 . e em rede. Resposta correta: Letra D 3. Gabarito 1. Resposta correta: Letra D 4. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. Resposta correta: Letra A 5. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. por profissionais especializados e capacitados. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual.

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