Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. infelizmente. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(. • Enumerar as causas da violência sexual. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia.” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009. mas ao mesmo tempo. 4 . • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades. Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes... no fim de todas as formas de extermínio. Cremos no fim de todas as prisões. sem sexismo e sem homofobia. Acreditamos numa sociedade sem racismo. sem machismo. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema. Objetivo do módulo Ao final do módulo.

nº 2). condená-los e atá excluí-los da família. Estabelecem-se pela força (física. Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. o Chefe da Família. C). o menos representativo que será submetido. Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. de expor. é sempre o menos forte. psicológica ou outras). Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). Nesse sentido Azambuja (2004.1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. 5 . sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito. O pai.181) registra que: Em Roma (449 a. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. podia castigá-los. a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico. nº 1). de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo. Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. p. A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder. a autoridade paterna não conhecia limites.

que junto com os marinheiros. portanto. a seguir. e. 1. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes. a punição física. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. quando então.com. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem. participavam das mesmas atividades. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. em 1780. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. Disponível em: http://fabiopestanaramos. 2006) Saiba Mais. tratamento e atenção diferenciados.. adolescentes e adultos. as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais. Na Inglaterra. 6 . os espancamentos através de chicotes. órfãos e degredados.. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta. em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau. Ainda.html Acompanhe.blogspot. As escolas eram frequentadas por crianças. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores. merecendo. inclusive sexuais aos adultos. Até então. paus e ferros como instrumentos necessários à educação. (AZAMBUJA. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda. na Europa. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente.

• Entre 9 e 14 anos. contavam com atenuante em função da idade. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. mas havia possibilidade de. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. Nas Ordenações Filipinas. a Lei Federal nº 4. Início do século XX No início do século XX. abandonados e em situação de delinquência. limitando a internação à idade de 17 anos.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional. que vigoraram no Brasil até 1830. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. 1964 Em 1964. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações. o critério adotado era o do discernimento. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. entre 17 e 21 anos. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. • E entre 14 e 17 anos. ao arbítrio do juiz. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. mas tinham penas abrandadas e. Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes. Nesse contexto. 7 . serem aplicadas outras penas. A partir daí. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas.

Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. devido a: a) encontrar-se. abusar de sua autoridade. vigilância. entretanto. independentemente de ato judicial. Parágrafo único. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. exerce. mais que uma faculdade.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. em ambiente contrário aos bons costumes. a serem merecedoras de atenção especial da família. 2º Para os efeitos deste Código. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988. adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. ainda que eventualmente.Com desvio de conduta. considera-se em situação irregular o menor: I . cabe ao juiz. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico. 8 . O código de menores (Lei nº 6697/79). em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças. conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art. até suspendendo o poder familiar. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. psíquico e social. IV . conforme previsão do Código Civil: Art. em razão de: a) falta. passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. pela falta eventual dos pais ou responsável. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. VI . Parágrafo único . Entende-se por responsável aquele que. III . não sendo pai ou mãe. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular. ou a mãe. onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. II . É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. de modo habitual.em perigo moral. direção ou educação de menor. de uma legislação moderna. em seu artigo 2º.autor de infração penal. o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e. a qualquer título. legalmente. ação ou omissão dos pais ou responsável. saúde e instrução obrigatória. quando convenha. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10.privado de representação ou assistência legal. faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. V . ou o Ministério Público. 2o. da sociedade e do Estado.406/02). 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores.637: Se o pai.privado de condições essenciais à sua subsistência. requerendo algum parente. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. 1.

Saiba Mais. É dever da família. à dignidade. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. norma de Direitos Humanos. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. à alimentação. à saúde. 9 . genuinamente. há necessidade de que as leis o protejam... Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos. mestre e doutora em Ciência Política. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e. reafirma a previsão do art. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família. a professora Glenda Mezaroba. o direito à vida. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art. sejam eles minorias ou não. portanto. Saiba Mais. discriminação. ao lazer. norma de Direitos Humanos. No vídeo (disponível em: https://www. crueldade e opressão. 227. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. ao respeito. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. engloba o espectro da proteção integral. Da legislação apresentada..com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras. Dito isso. detentoras de direito à proteção diferenciada. Assista-o.069/90. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. em seus primeiros artigos. Lei nº 8. visando ao seu pleno desenvolvimento.youtube. à cultura.. à educação. 227 da Constituição e. com absoluta prioridade. a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. exploração. assim. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa. O Estatuto da Criança e do Adolescente. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos. à profissionalização. genuinamente. violência. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento. O Estado. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto. No Brasil da atualidade.

Cecília Meireles 10 . Que não teve nada. Antes de prosseguir nos seus estudos. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. assista ao vídeo Parte 1 .youtube. De menino triste que sofre sozinho. evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário. Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria.com/watch?v=zsJitcDRbcI). Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste. do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. que não pediu nada. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai. Que de sofrer tanto se fez pensativo. O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos. e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano.. Saiba Mais.. Pelo medo de perder tudo. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral. Que sozinho sofre – e resiste. Cabecinha boa de menino ausente.Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo.

1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. 11 . são os efeitos imediatos das partilhas. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. outra pessoa. relações sexuais). De olho na realidade. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e. Pare um minuto. relações de conhecimentos. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física. 2009.. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto. dano psíquico. em uma forma de ameaça ou efetivamente. A violência é presença perene na história das civilizações. Não se encontra exceção à sua existência..250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. p. Agora. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL. mas lhe são imanentes. Leal (1999. Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica). emocional e social”. Neste sentido. Foucault (1979. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status. de alguma forma.. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (. Discorrendo sobre as relações de poder. contra si mesmo. reciprocamente. arrebate ou compartilhe. morte. à aquisição ou manutenção de poder. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. algo que se guarde ou deixe escapar. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. 2.) que o poder não é́ algo que se adquire.. escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir. p. estando sempre relacionada. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos. G1. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados. p. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo. Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. uma diferença de potencial”. Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. 2002).104).

a fim de ajudar na compreensão. torna-se necessário problematizar. profanar. um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações. portanto. o valor. isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto. o que. 1999 p.Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. o essencialismo. o recurso de um corpo para exercer sua força. Em outras palavras. que procura problematizar a universalidade desse instinto. ainda que rapidamente. 28).Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. divididas didaticamente. adquirindo carga negativa ou maléfica.2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas. As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo. essa palavra vis significa a força em ação. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. O verbo violare significa tratar com violência. 1 . em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. caráter violento ou cruel.. quanto Michaud (1986). cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. de outro. 4 . 2 . transgredir. ambos os termos: violência e sexual.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999). Esses termos devem ser relacionados a vis (. é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência. 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero. Mais profundamente. 3 . nas palavras de Michaud (1986 p.. o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . a força vital”.Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade. a seguir. Tanto Zaluar (1999).). o construtivismo social. É. concordam que o termo violência vem do latim violentia. 2. força. e portanto a potência. adjetivá-la e caracterizá-la.

da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. No âmbito da família. (Caderno SECAD/MEC. 131-132). adiciona: “a compreensão. Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. p. constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC). no prelo). 2007). nas quais haja uma diferença de idade. que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. Você deve ter observado. moral e sexual. Crianças e adolescentes não estão preparados física. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. não foi? 13 . mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual). de tamanho ou de poder. cognitiva. psicológico. o agressor pode se impor pela força. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto. surgida nos últimos anos. entre adultos e criança ou adolescente. Nessa situação. interferindo no seu desenvolvimento físico. 5 . sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. alguns pontos em comuns. concordando com essa segunda tendência. ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual.A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999.

com o respaldo de Leal (1999. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). ainda. Ao contrário do que muita gente imagina. brancos e negros. Reunindo esses elementos. [. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha. p. considerar a dimensão territorial. e • O caráter sexual da ação. pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região. sendo difícil de ser quantificada. o que possibilita concluir. econômicos e políticos. gênero e etnia. (2010. multifacetado e de enfrentamento complexo. reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. Trata- se de um fenômeno mundial. como as relações desiguais entre homens e mulheres. em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive. p. ricos e pobres. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade. é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. a densidade demográfica e a diversidade cultural. é multifatorial. 2. por ser ilegal e clandestina. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010).] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno. e em especial de direitos sexuais.. A violência contra crianças e adolescentes. Ao avaliar esse fenômeno.. sociais. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces. Envolve aspectos culturais. Não é fruto de uma única causa. pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. • Uso da força física ou psicológica. Deve. você irá se deparar com situações de violações de direitos. principalmente a violência sexual. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação). mas de uma soma delas. apresentando raízes nas relações sociais de classe.7) que a violência sexual é um fenômeno social. adultos e crianças. Além disso. que não está associado apenas à pobreza e à miséria. econômica e social. 55) 14 .

criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e.com/watch?v=r88WqyseFes). a violência é́ um fenômeno antigo. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer. p. 2010..youtube. a fraqueza e a inferioridade [. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho . Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai. na cultura patriarcal. a virilidade e a superioridade.. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe. chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico.a satisfação dos seus instintos naturais. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. (FIGUEIREDO. E que ao contrário do que se tende a pensar. a força.. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www. A dominação e a subordinação são sexualizadas. é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. tão jovens quanto o menino. dentro dessas regras postas. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. 1997). Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 . do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . prostituição. Historicamente.OIT. A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. BOCHI.. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. se não puder ver tudo. os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina. p. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. ou seja. emocional e social. separando-os pelo sexo. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino. crianças e adolescentes de ambos os sexos. 4. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. a passividade. Saiba Mais. o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher.] Com o estereótipo da supremacia masculina. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura. produto de relações construídas de forma desigual. a dominação.

como parâmetro de análise do problema. • Na concepção dos homens pesquisados. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. O serviço. • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo. evidencia-se. dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. nesse pensamento. anualmente. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. segundo pesquisas da área médica. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. pois o que vale é a sua compleição física. 2011). consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. e lhe confere distinção frente aos outros homens. O pedófilo. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. sendo que mais 16 . só no primeiro semestre de 2015. • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. 1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al. Pedofilia é uma doença. que pode ser um homem ou uma mulher. que se sente revigorado ao praticá-lo. Por mais improvável que possa nos parecer. E. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. heterossexual ou homossexual. Sendo assim. é irrelevante. o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que. pois seria parte do ser masculino. Com relação às denúncias. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente.. o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem.crianças e adolescentes. 2. E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia. esse número passou para 21 mil. a idade da pessoa. ainda que seja menor.

Números do Disque 100 No ano de 2013.44 %. dos quais 39. ou seja.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. Em 85% dos casos. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual. Assim. Desse total.7%. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada. 25% informam casos de violência sexual. a seguir.091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. Considerando os números da violência sexual.41%.281.480 (21%) foram de violência sexual. Até novembro 2014. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. foram recebidas 88. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis. Entretanto. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011.4. Diferentes dos dados do Disque 100.36 %. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência. Veja. Dessas. Sul 16. Norte 9. Centro-Oeste 10. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. 98.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. na medida da competência de cada órgão. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois.45 %. Há ainda. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. é necessário acessar esses dados e baseados neles. observe: 17 . outros dados relacionados ao Disque 100. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. Sudeste 32. os números do Sinan oferecem dados mais concretos. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças. 31. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. No primeiro trimestre de 2015. 2. das quais 4.

tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. implicam na apenação do abusador. 218 . o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. também é possível. na qual o sexo é fruto de uma troca. destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. sexo oral. Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. Essas violações possuem tipificação penal e. masturbação. 18 . a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. • A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. • Exibicionismo. Normalmente.A do CPB). que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira. com ou sem coerção. • Voyeurismo. penetração vaginal e anal. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. tentativas de relações sexuais. Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. se restar comprovado. uma vez comprovadas. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais.

desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. contudo.. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. sociais.br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil.069/90. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. há a previsão de infração administrativa para o médico. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. • É importante entender que violência sexual é gênero. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada. apresentando raízes nas relações sociais de classe. reafirma a previsão do art. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. merecendo. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública.com.shtml). econômicos e políticos. 13 do ECA. Para refletir. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. principalmente a violência sexual. • A violência contra crianças e adolescentes. Neste módulo. engloba o espectro da proteção integral. Envolve aspectos culturais. que no art. Em sua opinião. na Europa.. ainda. tratamento e atenção diferenciados. (matéria disponível em: http://www. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. 19 . você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos. • No Brasil não foi diferente.diariodepernambuco. • O Estatuto da Criança e do Adolescente. 227 da Constituição e. em seus primeiros artigos. Ressalta-se. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. portanto. gênero e etnia. é multifatorial. quando então. mas de uma soma delas. Não é fruto de uma única causa. sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental.. Lei nº 8. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. 245 do ECA.

à educação. violência. 3º. seja ela financeira.Art. liberdade. ao lazer. atenção c) profissionalização. saciedade. com absoluta prioridade. ECA . ao respeito. qualidade. à dignidade. Exercícios 1. à cultura. ao lazer. na cultura patriarcal.Art. de favores ou presentes. espiritual e social. por lei ou por outros meios. à alimentação. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. CF . • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem.Art. respectivamente: a) liberdade. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. assegurando-se-lhes. Os termos suprimidos dos textos acima são. ______________. • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. exploração. distração b) perversidade. à educação. à saúde. igualdade d) discriminação. à saúde. mental. na qual o sexo é fruto de uma troca. ECA . 4º. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. à dignidade. à profissionalização. todas as oportunidades e facilidades. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. crueldade e opressão. moral. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. ao respeito. à cultura. ao esporte. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. à ______________. profissionalização 20 . É dever da família. o direito à vida. a efetivação dos direitos referentes à vida. em condições de ______________ e de dignidade. da comunidade. É dever da família. com absoluta prioridade. 227. prioridade. da sociedade em geral e do poder público assegurar. leia atentamente os artigos abaixo. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. à alimentação.

tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3. 2. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. De acordo com Cançado Trindade. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que. por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos.

a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. normalmente. Resposta Correta: Letra C 3. a pobreza não constitui. Resposta Correta: Letra C 4. entretanto. Gabarito 1. por si só. 22 . Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. Resposta Correta: Letra D 2.

• Aula 2 – Vítimas. 23 . • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores.) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes. (ALBERTON.) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão... MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (.. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. pular. Que eu não posso sufocar! (. Objetivo do módulo Ao final do módulo. 122)... as características. 2005.. pg. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes. sonhar e brincar? . você será capaz de: • Conceituar. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes. os fatores. as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes. caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes. as modalidades.

ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). juntos. que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. explorador e abusador).58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. em Estocolmo. a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores). comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima. social e jurídico. O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1. Bochi e Figueiredo. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade. (2010. p. econômico. organizados em redes de exploração local e global (mercado). • Ação (exploração/abuso). Leal (2003. colocasse esse problema numa dimensão dialética.8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo.1 Elementos do cenário Em 1996. referindo-se ao evento. e • Lucro. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. cultural. A partir daquele momento. 24 . p. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. na Suécia. confirmam essa visão: No mundo. estrategicamente.

2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005. a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos. o tráfico e venda de pessoas. sobre cada uma delas. a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável. e esse comércio somente ocorre porque há demanda. mas é um termo em desuso e. (CASTANHA. portanto. 2008. a exploração sexual comercial de meninos.. p. por isso. Fica. não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão. Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro. que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. as diversas formas de prostituição. p. • Tráfico.4). 1. É válido ressaltar que.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. o mais forte. pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 .1997).16).. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. turismo sexual e pornografia infantojuvenil. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo. • Exploração sexual no contexto do turismo. É o adulto. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os). “a exploração sexual inclui o abuso sexual.) Estude a seguir. embora a classificação seja intitulada “prostituição”.) quando se trata de crianças e adolescentes. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. vestuário. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. da satisfação de necessidades básicas (alimentação. (CECRIA. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida).

filmes. na França. um pacote de bolacha. p. 26 . pela pobreza dos seus pais. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. segundo a INTERPOL. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. realizado em maio de 1999 em Lyon. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. No entanto. incluindo fotografias de sexo explícito.) Essas meninas. doutores. crianças são prostituídas pela sociedade. culturais. os homens. que nunca brincaram de bonecas. São caminhoneiros. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País. 58).. entre sete e dez anos. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes. significa “uma exposição sexual de imagens de crianças. Essas crianças. que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. irmãos e das próprias mães. negativos. (. cidadãos acima de qualquer suspeita. pessoa. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. um caramelo. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. vereadores. na sua maioria. Maria Amélia Barcks Duarte. um chocolate. afeta sua individualidade. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. pela herança de violência doméstica. A idade das crianças exploradas é cada vez menor. sexuais. sua satisfação sexual e sua integridade moral. um tênis ou um batom. padrastos. prefeitos.. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. fique claro: crianças não se prostituem. vendem a sua virgindade. prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. sacerdotes.

envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. vídeos e discos de computadores”.. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. projeções. 2010. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. a transferência. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas. que também. 2008. b) (. a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual.. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. DE 8 DE MARÇO DE 2004. à fraude. muitas vezes. (FIGUEIREDO. 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. ao rapto.. à prostituição infantil e à pornografia infantil. por qualquer meio. p. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art.. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. o transporte. a servidão ou a remoção de órgãos. BOCHI. a transferência.) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição. A exploração incluirá. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5.17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento. p. ao engano. adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta). revistas. o trabalho ou serviços forçados. escravatura ou práticas similares à escravatura. (. o transporte. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação.007. (CASTANHA. no mínimo.16. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais.) c) O recrutamento. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 .

. .Exploração sexual comercial em prostíbulos. Estão todas lá.. que são apresentadas a seguir. .Prostituição nas ruas.Pornoturismo. de acordo com as características de cada região. O pai que vende a filha. O dono da boate que a mantém em cárcere privado.1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência. . Nordeste . Artigo.Prostituição de meninas e meninos de rua. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”. 1. fazendas e garimpos). . Aquele que compra como aliciador.2. cárcere privado. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país. todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício. Enfim. (Protocolo de Palermo. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir. mas inteiramente baseado na nossa realidade social. 28 . A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet. . portuária. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme.Leilão de virgens.Exploração sexual (garimpos prostíbulos.Prostituição nas estradas. variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. O caminhoneiro que a transporta.Turismo sexual. .

conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (. O aparecimento. .Pornoturismo. o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local.Turismo sexual. Sudeste . ..Prostituição através de anúncios de jornais.Rede de prostituição (hotéis. . Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso).Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia. . Brasília. como cárcere privado.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico.Prostituição nas estradas. etc. Sul .Prostituição nas estradas do Sudeste. 1. bem como pelas questões culturais locais. 29 . ecológico e náutico. . principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras.Prostituição nas estradas.2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório. . leilões de virgens.). a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão.) prostíbulos fechados. tráfico. . .Exploração sexual comercial em prostíbulos. A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local.Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado . venda.2.Prostituição de meninas e meninos de rua.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua. . . mutilações e desaparecimento.Denúncia de trafico de crianças. Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. Centro-Oeste ..

.. nas regiões ribeirinhas. principalmente. entre jovens do sexo masculino. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (.. organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras.) “Turismo portuário e de fronteiras. É marcadamente comercial. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento.. sendo comum também. negras ou mulatas. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo. como as capitais da Região Nordeste do país. Geralmente saem de casa. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 . hotéis. pobres.) Turismo sexual e a pornografia. taxistas e outros. comércio de pornografia. à tripulação de navios cargueiros. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros. Inclui o tráfico para países estrangeiros.. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte. Trata-se. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. Nos portos. Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio. principalmente. principalmente de adolescentes do sexo feminino. destina-se..) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (. Trata-se de exploração sexual. de adolescentes do sexo feminino. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias.

Aula 2 – Vítimas. “Turismo Sexual” e “menor”. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. antes dos 7 anos de idade. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. de expressar seus pensamentos. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão.. significa “incapacidade de falar”. são seres subalternos.. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta. da incompletude perante os mais experientes. não teria condições de falar. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima. oriunda do latim infantia. embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância. De olho na realidade. os conceitos e terminologias vão se adequando. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. Assim. relegando-lhes uma condição 31 . Desde a sua gênese. Considerava-se que a criança. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. e ao invés de “menor”. devemos usar “criança e adolescente”. seus sentimentos. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. para se tornarem efetivos.

inclusive juridicamente. da tutela. lei nº 8. principalmente. de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. distingue a criança do adolescente pela idade: Art. Ao serem representadas. subalterna diante dos membros adultos. da menoridade. 2006. 2º Considera-se criança. a pessoa até doze anos de idade incompletos. no limiar deste século. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. no art. o art. por lei ou por outros meios. Até recentemente. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. em condições de liberdade e de dignidade. moral. sem um espaço determinado socialmente. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. assegurando-se-lhes. (grifo nosso). COELHO.4). e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. pessoas de até 18 anos incompletos. ela foi definida. titulares de direitos e. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. 1997. para os efeitos desta Lei. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. mental. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. conforme já estudado anteriormente: Art. 3º reconhece- os. Na atualidade. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. E. p. sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. Era um ser anônimo. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. portanto. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO.069/90. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida.884). e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1. p. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. principalmente através de pinturas. 32 . todas as oportunidades e facilidades. como fase da incapacidade. espiritual e social.

• É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física).8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas. • Das violências atendidas. Nas violações sexuais. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.8% entre 1 e 4 anos.1.9% entre 15 e 19 anos e 4. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual. podem ser vítimas de violência sexual. • Tem baixa escolaridade. • 31. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60.1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre.. Para refletir.. devido às fragilidades que as envolvem. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas.1% dos casos. 2. A partir dos dados apresentados. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais. 30. em se tratando de exploração sexual. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida.9% sexuais.3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos. negra e mulher. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas.8% menos de 1 ano.39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 . No entanto. 28. p. 10. 40. as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83.2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. 2. • Em 63.5% foram físicas e 19. 21. conclui-se que qualquer criança ou adolescente.3% entre 10 e 14 anos.3% das vítimas de violência são do sexo feminino.2% dos casos.

do sexo masculino. No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012).5% dos casos registrados pelo sistema de saúde. médico. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. o desejo independe do objeto. Geralmente. Para Barros (2005.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade. Para refletir. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade.. Só em 12.adolescentes. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. dentro da mesma pesquisa.1% dos casos registrados. inserido na sociedade. a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade. babá. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39. conquistando a confiança da criança. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. Segundo Soares apud Barros (op. Agem de forma sedutora. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade. policial. cit) é mais 34 .24). não têm uma fixação erótica única por crianças. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos. mas são fixados no sexo. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos. foi identificado que em 54. Quando se aborda o assunto.) e em 45.. não praticam atos de violência física contra a criança.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. a pobreza não constitui. etc. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. em mais de 90% dos casos. o agressor aparece como sendo. mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. eleva-se esse índice para 44. chega-se a 52. como namorados.8% dos casos. p. Em um universo de 418 denúncias.32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. entretanto. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. Portanto. por si só. realizada no triênio 2000-2003. o que facilita a sua atuação.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. uma vez que. Considerando a pesquisa da Abrapia.

no aumento das desigualdades sociais. Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. (m) dificuldades na família. sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. à desatenção e à rejeição dos filhos. (c) menor acesso a oportunidades de trabalho. mas. (g) alcoolismo. por si só e isoladamente. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. (o) configurando-se este quadro.. veja a seguir. rebaixa a autoestima. 35 . etc. normalmente. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. na geração de novas pobrezas. emocional e cognitivo.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. e de falta de motivação. aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. etnia e raça. valorizando-os). (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. (e) angústia e insegurança. o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. não pode ser apontada como causa da violência. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração. categorizando-as da seguinte forma: . ela. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. da exploração sexual de crianças e adolescentes.provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. (b) menor escolaridade. e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. 139). Tendo isso em vista. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. (h) violência doméstica. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza. 2004. em especial. A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. (j) vivência da rejeição na infância. . (f) depressão da autoestima. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola. p. na construção da cultura de consumo.

. • Exposição à pressão negativa de companheiro. Em termos individuais.Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam. resultando em sua exclusão. correlacionando-as aos casos verificados. Investigar as dimensões apresentadas. Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. fatores que devem ser estudados. com seus mecanismos. A seguir estude sobre cada um deles.Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. • Nível Educacional. facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour. para além dos casos em concreto. . • Familiar. • Idade. é preciso extrair lições para as ações de prevenção. • Deficiência. 36 . Sexual and Other Forms of Exploitation enumera. • Registro de Nascimento. . responsabilização e legislação. que passam a ser regidas pela lógica do consumo. São eles: • Individual. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo.Legal – perpassa os aspectos de repressão. como fatores de risco pessoal. dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. . Segundo o autor. • Posição Hierárquica Familiar. • Separação da Família. e • Institucional. • Grupo Étnico. • Comunitário. Mas. podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. exemplificando. • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar.

dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. • Desastres naturais. • Violência intrafamiliar. • Localização. • Histórico de migração. serviços localizados. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Discriminação. para ser feito de forma adequada e eficaz. • Liderança comunitária e estruturas governamentais. das condições em que vivem as 37 . • Doença ou morte na família. • Tradição de migração. • Policiamento. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Dívidas. • Violência na comunidade. • Centros de entretenimento e centros comunitários. • Grupo Étnico ou casta. • Regime de serviços sociais. demanda conhecimento do local em que ocorre. • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. Em termos familiares. • Força normativa. No aspecto institucional. • Renda insuficiente. os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. Como fatores de risco comunitários. • Economia. • Famílias com muitos filhos. podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. • Nível de corrupção. • Estado de paz ou conflito. • Conexão viária e transportes. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.

o agressor aparece como sendo. • Considerando a pesquisa da Abrapia.crianças e adolescentes explorados. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. realizada no triênio 2000-2003.br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. menores em situação de rua. turismo sexual e pornografia. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001). • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los.dialogosdosul. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima. Finalizando.. entre outros aspectos pontuais. Antes de prosseguir. viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. explorador e abusador –. bem como pelas questões culturais locais. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. a exploração sexual comercial de meninos. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. Neste módulo. e turismo portuário e de fronteira. ação (exploração/abuso) e lucro. pornografia. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. dentro da mesma pesquisa. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. turismo sexual e tráfico. em mais de 90% dos casos.org. A partir daquele momento. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. normalmente. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade.... 38 . Saiba Mais. E. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. em posse de tais conhecimentos. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação. foi identificado que em 54. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. juntos. Em um universo de 418 denúncias. do sexo masculino.

Pornografia. Vitimização e Violação. Mercantilização e Violação. meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil. d) prostituição. 2. b) Vulnerabilidade. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades. Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . c) hipocrisia. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder. Satisfação Sexual e Tráfico. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. c) Prostituição Infantil. d) Vulnerabilidade. Mercantilização. Vitimização. Turismo Sexual. b) prazer. Turismo Sexual e Tráfico. 3. Na Agenda de Ação de Estocolmo. Exercício 1. Na Agenda de Ação de Estocolmo. a exploração comercial de meninos. a exploração comercial de meninos. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes.

4. d) processar as famílias envolvidas. c) desbaratar redes de aliciadores. b) atuar preventivamente. No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. 40 . identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores.

Gabarito 1. Resposta Correta: Letra A 2. Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 . Resposta Correta: Letra A 3. Resposta Correta: 4.

lado a lado. Nesse cenário. aos poucos. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. o infográfico a seguir apresenta. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual. com o respectivo ano de promulgação. Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. os marcos legais nacionais e internacionais. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. o Brasil vem. 42 . Objetivo do módulo Ao final do módulo. você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual.

entre outros. • Lei nº 11. tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais.829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. Marcos Nacionais 1940 .Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil. 2004 • Política Nacional de Assistência Social. • Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento. Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura. • Plano Nacional de Promoção. de convenções. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.Plano Nacional de Direitos Humanos. 2002 . • CPI da Pedofilia. 2001 . Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA).848. 2010 43 . passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”. 2009 . 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. 1996 . 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos. 1990 . • Plano Nacional de Política Para Mulheres. pelo Brasil.Lei nº 12.Constituição da República Federativa do Brasil. 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro. • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente.Decreto-Lei nº 2. 1988 . 2003 .Estatuto da Criança e do Adolescente. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes. o Título VI do Código Penal Brasileiro. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação.015/09 – Altera.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências.

44 . os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. • Relativo à venda de crianças. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 . • Plano Nacional pela Primeira Infância. merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). • Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção.Declaração Universal dos Direitos Humanos.Declaração Universal dos Direitos das Crianças.1. • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3. repressão e punição do tráfico de pessoas. na sequência cronológica de aparição. 2000 . que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. à prostituição infantil e à pornografia infantil. 1989 . 1959 . a seguir.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira. 1. • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil.Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados. * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos. Todas as normas enumeradas guardam relação entre si. ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. umas apoiam ou instrumentalizam as outras. Não obstante. Leia.1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados. é bem possível que se for revê-las.

o que em tese não deveria ser ruim. uma vez que. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. por profissionais especializados e capacitados. historicamente. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. Dessa forma. antes da mudança da lei. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. as condições e garantia de financiamento do Plano. entretanto. potencializando assim. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. 45 . vez que a ação penal era privada. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. combater a impunidade. tratavam a violência sexual. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. os artigos de 213 a 218 do CPB. as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. o Estado era impedido de agir de ofício. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. ainda que em ações pontuais. Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. com a mudança. e em rede. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. como sendo assunto da esfera privada. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime. em grande parte. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder. passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. no caso da vítima ser criança ou adolescente.

de 07 de agosto de 2009. que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente. 213 . Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art. Veja. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. visando ao combate da exploração sexual. Art. focando a proteção na dignidade do ser humano. Constranger alguém. criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes.015/09 Com o advento da Lei n° 12.015/09 CPB após a Lei nº 12. 215 . Art. mediante fraude ou outro Pena . de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 215. Nesse sentido. 46 .reclusão.reclusão. § 2º .Constranger mulher à conjunção carnal.reclusão. em que a ação passava a ser pública incondicionada. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena .Se da conduta resulta morte: Pena .Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena . ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. profundas reformulações foram feitas. CPB antes da Lei nº 12. § 1º . várias mudanças foram implementadas.reclusão. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. de 1 (um) a 3 (três) anos.015. uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual.Ter conjunção carnal com mulher. de 8 (oito) a 12 (doze) anos.2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12. 1. a ter conjunção carnal ou a praticar Pena . tratando os direitos sexuais como direitos humanos.1. Observe as diferenças. meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena .reclusão. mudando o objeto jurídico de proteção. a seguir. conforme já visto). 213.015/09 Estupro Estupro Art.reclusão. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador.

libidinagem..reclusão. (catorze) anos: Pena ..(VETADO) § 3º .. Parágrafo único.detenção.Se o crime é praticado contra Parágrafo único. 216-A... menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica. cargo ou função86.... ou induzi-lo a presenciar. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.....reclusão. Parágrafo único . § 2º . Pena . § 1º . não pode oferecer resistência. ou que.. aplica-se também multa. Praticar... Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena .. por qualquer outra causa. § 2º ..Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena .reclusão.. de 1 (um) a 2 (dois) anos. com ela praticando ato de Pena ....A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos...... 218 . Constranger alguém com o intuito de Art.. Assédio sexual Assédio sexual Art. Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem...... ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena . (VETADO) Estupro de vulnerável Art.. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art..reclusão. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. .. 218 . na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos. não tem o necessário discernimento para a prática do ato... de 2 (dois) a 6 (seis) anos........ 47 . 218..reclusão. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art.... obter vantagem ou favorecimento sexual..Se da conduta resulta morte: Pena .A.... 217-A.Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos.. § 4º . 216-A...reclusão.Corromper ou facilitar a corrupção de Art..... superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego.... por enfermidade ou deficiência mental... de 10 (dez) a 20 (vinte) anos...

procede-se mediante ação penal § 1º . 48 . por enfermidade ou deficiência mental.se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único.reclusão. I .o proprietário. Procede-se. 218-B. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. conjunção carnal ou outro ato libidinoso. induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. deste Título. mediante ação pública: pública condicionada à representação. II . Submeter. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família. mediante despesas do processo. 225 . facilitá-la. menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. § 2° Incorre nas mesmas penas: I . 225.Procede-se. somente se procede mediante queixa.Nos crimes definidos nos capítulos Art. a ação do Ministério Público depende de representação. entretanto. ou da qualidade de padrasto. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder.No caso do nº I do parágrafo anterior. aplica-se também multa. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena .reclusão. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. entretanto. § 2º . § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o. tutor ou curador. Ação penal Ação penal Art. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art. II . impedir ou dificultar que a abandone: Pena .

companheiro. intuito de lucro ou haja. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.reclusão. madrasta.. Pena .. preceptor § 1º ..Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar...Se o crime é cometido mediante violência. 228 . Pena ..... ou não. sem prejuízo da pena correspondente à violência.. Art. 49 .Se o crime é cometido com o fim de lucro. e multa..reclusão.. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena ... proteção Pena .. Art. por art. Manter.reclusão. intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena .Tirar proveito da prostituição alheia. 227: lei ou outra forma...reclusão. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. e multa... obrigação de da pena correspondente à violência... proteção ou vigilância: § 3º . cônjuge. 229 . e multa.Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima. exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art. impedir § 1º .. Pena ... Pena . além da grave ameaça.. de 3 (três) a 8 (oito) anos. de 3 (três) a 6 (seis) anos... por lei ou outra forma... outra forma de exploração sexual.. aplica-se também multa.. fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência. tutor ou curador.. para fim libidinoso.Manter.... por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente..reclusão. 229.. de 3 (três) a 8 (oito) anos.§ 1º .. § 2º .reclusão. participando diretamente de seus lucros ou fazendo.. ou se Pena . ou não. de 2 (dois) a 8 (oito) anos.reclusão.. facilitá-la. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.....reclusão..reclusão.. de 3 (três) a 6 (seis) anos. obrigação de cuidado.reclusão. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. haja. preceptor ou empregador da vítima. tutor ou violência.. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. padrasto. cônjuge. madrasta. além da ou vigilância: multa. grave ameaça ou fraude: curador.Se o crime é cometido com emprego de irmão..Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena . § 1° Se o agente é ascendente. enteado....Induzir ou atrair alguém à prostituição..Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º .... CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art.. Rufianismo Rufianismo Art.. § 2º .... .. casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual. companheiro... no todo ou em parte. ou por quem assumiu. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 230 . Pena .reclusão. por conta própria ou de terceiro. irmão. padrasto.. enteado.. 230. e multa. Casa de prostituição Art... por conta própria ou de terceiro. cuidado. além assumiu. 228. Pena ..

Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. A partir da leitura do quadro comparativo. seria interessante a correção da redação desses artigos. Outro ponto muito importante: para configurar crime. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher.Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004. em tese.. considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual. você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião. Assim sendo. Art. e não será a vítima a ser explorada.ARTIGO 244-A DA LEI N.MANUTENÇÃO DO DECISUM . • Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes. não há crime. não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC .RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Para refletir. INCISO III..ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS . o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador. de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual. 231.RECURSO MINISTERIAL . • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima.019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL . • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada. • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386. em ambos os artigos. a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual. 50 . Soa meio absurdo. Se você analisar bem o texto.069/90 . 8. no território nacional. 231-A. Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”.RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO . Promover ou facilitar a entrada.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). o texto ficará dúbio: Art. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte. passou a abranger também o homem. entretanto. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia.

a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. Em qualquer caso. p. PRELIMINARES PREJUDICADAS. MÉRITO. caput. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Digiácomo (2010. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais. Tribunal de Justiça do RS. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art. Assim. (Apelação Crime Nº 70052760691. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art. TJ-RS . 244-A. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. um intermediário. Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. 240 Comentário: Sobre o aumento de pena. UNÂNIME. APELO DEFENSIVO PROVIDO. existe um aliciador. Sexta Câmara Criminal.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. do ECA. na maioria absoluta dos casos.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. na verificação de uma situação como essas. que exige a submissão para a sua incidência.1. 1. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. 51 . não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais. A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. como "usuário". o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. é essencial identificar essa terceira figura. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que.

tornando-as públicas. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. R. restando. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. J. ‘não se exige dano individual efetivo. nos casos de exploração sexual. em face da publicação. acima de qualquer individualização. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. respeito à dignidade etc. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. necessariamente. levará à caracterização do tipo penal do art. (2010. poderá ser considerada (e ainda assim. p. portanto. 244- A. portanto. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. VII. em 19/10/2004 esclarece que. Para a caracterização do disposto no art. do ECA. nº 617221/RJ. Significa não se exigir que. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes.Esp. 241-C Art. 308) 52 . em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade. Rel. Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. 241-D Art. Gilson Dipp. independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. VIII. Art. 59 do CP. 241-A Art. A experiência prévia pouco importa. Min. 241-B Art. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". a teor do disposto no art. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. 5ª T. quando muito. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. haja dano real à imagem. Art. para a ocorrência do crime. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. de alguma criança ou adolescente. o dano em potencial já é suficiente: VI. individualmente lesados. uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. bastando o potencial. 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar.

5ª T. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.. conforme você estudará no módulo 4. 1. é primordial que a intervenção policial.Rg. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. Rel. ART. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. traçar os objetivos para os anos vindouros. Em 2013.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. Essa revisão traz. nº 696849/SP. J. a extinção da punibilidade do recorrido. porém. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal.252/54. J. declarando-se. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. Art. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. Maria Thereza de Assis Moura. Felix Fischer. Min. nacional e internacional. tanto do CPB como do ECA. 61 DO CPP. Rel. HC nº 128267/DF. [. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. em 29/09/2009). atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente.1. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 6ª T. PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima. Entretanto. 1. para a partir daí. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.. parece-nos que a lei nº 12. Ag. bem como no Supremo Tribunal Federal. correlata ao assunto. os seguintes pontos: 53 . PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. apenas no que concerne ao delito ora em discussão. como aspectos mais importantes. ressalvadas algumas questões pontuais. Agravo regimental a que se nega provimento. ou seja.015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. Min. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. CRIME FORMAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. no R.Esp. é formal. ou outra. (STJ. OCORRÊNCIA. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. (STJ. CORRUPÇÃO DE MENORES. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 2. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual.

as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. Nesse cenário. • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual. • Em 2013. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. para a partir daí. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. traçar os objetivos para os anos vindouros.015. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. correlata ao assunto. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. Em sua opinião. você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos... considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado. profundas reformulações foram feitas. Exercícios 54 .. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes. o Brasil vem.. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. de 07 de agosto de 2009. • Com o advento da Lei nº 12. Para refletir. aos poucos. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. nacional e internacional. Neste módulo.

( ) trata-se de produção. compra. Turismo sexual 4. divulgação. transporte. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. Pena: reclusão. Pornografia 3. e multa 3. e multa 2. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. a proteção à criança e ao adolescente. de 3 a 6 anos. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão. 1. Prostituição 2. inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. de 1 a 4 anos. posse e utilização de material assim classificado. exibição. Com base na Lei nº 8. de 4 a 8 anos. e multa 55 .Estatuto da Criança e do Adolescente.069/90 . Pena: reclusão. 1. transferência. associe as informações abaixo: 1. distribuição. No Brasil da atualidade. O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3. Pena: reclusão. é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. venda. da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. correlacione as informações abaixo. ( ) recrutamento.

disponibilizar. 241. distribuir. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . fotografia. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático. ( ) Art. publicar ou divulgar por qualquer meio. 241-A. trocar. 241-B. Vender ou expor à venda fotografia. Adquirir. transmitir. por qualquer meio. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. Oferecer. possuir ou armazenar. fotografia.

Resposta Correta: Letra B 3. Gabarito 1. Resposta Correta: Letra A 2. Resposta Correta: Letra C 57 .

em especial. breves aspectos da atuação preventiva. finalmente. Objetivo do módulo Ao final do módulo. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e.O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente.Ações Preventivas. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e. • Reconhecer a importância das ações preventivas. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes. MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. • Aula 4 . bem como as suas atribuições. você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. 58 . Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1.

tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema. Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). Já no ano de 2006. com início em 2002 e cuja missão. O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. 59 . como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. 113. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. Estadual. 1º da Res. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. nos níveis Federal. você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. bem como para pedidos de ajuda. como seu próprio nome enuncia. Como você já estudou. (Art. dentro do PNEVSCA. Distrital e Municipal. a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. Considerando a complexidade do assunto. em 2000. Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes. E em 2013. na base estão as estruturas formais do Estado. integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). a proposta é de integrar os vários atores sociais. Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. nos anos de 2003 e 2004. mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. foi feita nova revisão. bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. logo abaixo a família e a sociedade e. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002.

quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. Conselho Nacional (CONANDA). Na atualidade. salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato. Conselhos Municipais (CMDCA). De acordo com Teixeira (2000). Dentro dessa rede. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. humanos. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles. Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS). em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle.1 Entidades. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. públicas. Veja a seguir. 1. em função das suas atribuições prioritárias. Defensoria Pública. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais. ainda que brevemente. São ações que interferem diretamente em ocorrências reais. Dessa forma. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares. 60 .1. promoção e controle. é importante conhecê-los. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. Serviços e programas das políticas Ministério Público. de forma resumida. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual. medidas socioeducativas.

permanente e autônomo.encaminhamento aos pais ou responsável. pode-se destacar. VI . não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade. VII .069 de 13 de Julho de 1990. definidos na Lei Federal nº 8. e vinculado à Prefeitura do Município.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. no âmbito de suas decisões.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. subordinado ao ordenamento jurídico do país. 61 . II . V .orientação. para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. quando necessário. Resumindo. aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família. como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias. psicológico ou psiquiátrico. à criança e ao adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12. • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008).matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental.acolhimento institucional. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. É criado por Lei Municipal.010. Seus componentes são escolhidos pela comunidade local. 101. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. O Conselho Tutelar é um órgão municipal. • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. III . em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA. IV . • Atender e aconselhar pais ou responsáveis. porém. mediante termo de responsabilidade. garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola. de 2009) VIII . Entre as atribuições do Conselho Tutelar.requisição de tratamento médico. acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art. • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental.inclusão em programa de acolhimento familiar. não jurisdicional. apoio e acompanhamento temporários. • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . em regime hospitalar ou ambulatorial.

Não assiste diretamente às crianças. encaminhar e acompanhar os casos. bem como as suas macros atribuições. reivindicações e solicitações feitas por crianças. cada um em sua esfera de atuação. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. aconselhar. adolescentes. 144 da Constituição da República.). após os crimes. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. p. famílias. aos adolescentes e às suas famílias. Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. no dia a dia. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. previdência. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. ao adolescente e às suas famílias. normalmente. assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. pois todas são capazes de identificar. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso. a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população. (2008. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. orientar. estão definidos no art. serviço social. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso. Exerce as funções de escutar. 62 . Sousa et al. internato. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. trabalho e segurança. Todos os órgãos de segurança pública citados. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. etc. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. educação. As Polícias Civis e Federal atuam. cidadãos e comunidades. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes.

a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. Portanto. O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. a floresta e as águas. é garantido o sigilo da fonte das informações. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. mediante a utilização de unidades móveis para o campo. quando solicitado pelo denunciante. Em março de 2014. As denúncias poderão ser anônimas ou. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. assim como o Disque 100. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. é um serviço de promoção de Direitos Humanos. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). 63 . ao lado do programa ‘Mulher. Viver sem Violência’. com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. inclusive nas áreas rurais latu sensu. em 2005. O Ligue 180 desempenha papel central. O que gera um fluxo rápido de atendimento. denominado “Ligue-180”. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. lançado em março de 2013. O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. sob amparo da Lei Maria da Penha. bem como. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade.

O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas). 64 . prevenindo a ruptura de vínculos. promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. etc. promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . tráfico de pessoas. É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. cuja execução é obrigatória e exclusiva.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. • CREAS . O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal.) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica. psicológica. Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse. Além de ofertar serviços e ações de proteção básica. sexual. O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif).CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social. É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias. porém sem rompimentos dos vínculos familiares.). O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). (Ministério do Desenvolvimento Social. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. • CRAS . o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação.

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

66

conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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não são desejados e precisam ser evitados. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto. atenta e exclusivamente. 3. principalmente. Por isso. culpa e vergonha. é necessário agir não só observando as regras legais. contidas no Guia. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. busque o lugar onde ela se sinta protegida. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. caso contrário. assim. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. mas também e principalmente. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. sensível à situação. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. é fundamental não criticar a criança/adolescente. a criança ou adolescente. Embora o enfoque dado seja aos educadores. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração. em 2003. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. Veja. de forma acolhedora. julgamentos morais sobre a postura da vítima. mas. Se está conversando com uma criança que. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. a seguir. Ouça. livros e outros recursos lúdicos. Leve a sério tudo que disserem. desenhos. está sendo abusada. Busque um ambiente apropriado. converse primeiro sobre assuntos diversos. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. Por outro lado.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. Importante! 68 . possivelmente. nem duvidar de que esteja falando a verdade. respeitosa e. Não permita interrupções. Se necessário. não preconceituosa.

mesmo que a situação nos cause emoção.” (2003. nessas situações. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. É muito importante manter a calma. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. “não precisa chorar”. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. Diante de um crime. trata-se. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. compreendendo o que ela está relatando. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. p. os parâmetros precisam ser outros. 69 . 55). ela agiu corretamente. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. para ter certeza sobre o ocorrido. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem. afirmando que raramente a criança mente. Diga à criança que. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. ao contar. normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. principalmente. em geral. Fique calmo. esse mesmo guia reforça a mensagem. e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. no momento que falam sobre o assunto. de fato. Seu relato deve ser levado a sério. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. Caso não haja. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. raiva. ou temer serem levadas para longe do lar. revivem sentimentos de dor. Confirme com a criança se você está. da Senasp. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. culpa e medo. pois. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e.

Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. sentem-se culpadas.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. 17 do ECA. deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. tudo bem?”. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. antes de tocá-la. Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3. Para refletir. não raro. Sem contar que é obrigação legal prevista no art. são situações bastante delicadas para as vítimas. Não trate a criança como uma “coitadinha”. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. principalmente em casos de flagrante. em 70 . Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. Mesmo assim. Use o bom senso. E avise à criança ou adolescente o que irá fazer. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu. vez que a maioria se sente muito envergonhada e. a criança quer ser tratada com carinho. Por ter caráter confidencial.. dignidade e respeito. ressaltando sempre que ela estará protegida. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. como você irá proceder.. No relatório. pois isso poderá indicar como estava se sentindo.

Seguindo essas orientações. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão). • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca.3 Outras observações Para além das recomendações descritas. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. • Identificar pais ou responsáveis. • Avaliar o risco da vítima no ambiente. as regras previstas na Súmula Vinculante n. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. Se for necessário usá-las. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. Procure entrevistar as pessoas. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. são também aplicáveis aos adolescentes. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte. • A existência de agressões anteriores. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes. vir e estar.especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. 11 do STF. 71 . que regulam o uso das algemas. • Nos casos de atos infracionais. 3. sobretudo. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. Na medida do possível. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei.

ECA. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. Em vários artigos. não poderá nem a criança. o art. entretanto. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. tampouco o adolescente. o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. É importante ressaltar que. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente. É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual. Para refletir. Art. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta. 70. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. 262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento. neste caso. as ações preventivas devem ser o foco das atenções. Consoante o título III da parte geral do ECA. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade.. 1990. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. ou durante a noite ou em finais de semana. partindo do artigo 70.. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.

uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. em especial da Polícia Rodoviária Federal. 3. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual. costumam ter resultados muito positivos.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. quer para trabalhadores dos transportes. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. 4. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. pode funcionar como prevenção secundária. geração de renda. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas. 73 . como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público. etc. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. 5. clínica-escola. Nesse momento. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual. a realização de palestras quer para crianças. Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. programas de creches. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. etc. Informar. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. ações. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. cronograma de execução. executando o trabalho de prevenção primária. através de rondas diárias e em horários diferentes. 4. sejam eles na esfera da saúde. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. proteção jurídica. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. nos seis eixos estratégicos definidos. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1. Na atuação policial. metas. Da mesma maneira. 2. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. foram fixados objetivos. educação. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual.) buscando cessar as causas de violência.

74 . sensível à situação. Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial. Mas. Concluindo. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. em função das suas atribuições prioritárias. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção.. bem como para pedidos de ajuda. nos níveis Federal. mas também e principalmente. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. • Consoante o título III da parte geral do ECA. e a cada biênio. 1º da Res. Estadual.. promoção e controle. Neste módulo. você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil.. • De acordo com Teixeira (2000). não preconceituosa. principalmente. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. secundária e terciária. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. respeitosa e. 113. muito ainda resta a fazer. de forma acolhedora. mas. e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico. principalmente. apesar de todos os avanços e resultados significativos. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa.. é necessário agir não só observando as regras legais. Distrital e Municipal. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. contando com comandos genéricos e. dentre eles a PRF. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. (Art. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais.

De acordo com o Artigo 1º. nas rodovias federais. Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência..655/95. julgue a veracidade das afirmações abaixo. Inciso IX. Constitui-se em uma unidade pública estatal. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. efetuar a fiscalização e o controle.069/90). culpa e vergonha. • É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. em 2003. do Decreto nº. sem rompimento dos vínculos familiares. compete à Polícia Rodoviária Federal. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. Exercícios 1. 8. por isso. adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. 1. porém. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2. é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes.

por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 . sejam eles na esfera da saúde. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. etc. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. Nesse momento. 4. educação. Dirigida às vítimas e aos agressores. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. geração de renda. proteção jurídica.

regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. Resposta correta: Letra A 5. Resposta correta: Letra D 4. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. Gabarito 1. 77 . vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. e em rede. Resposta correta: Letra D 3. Resposta correta: Letra A 2. por profissionais especializados e capacitados.

Vol I. 2015. Institui o Código Civil. 78 . políticas sociais. Referências Bibliográficas  AZAMBUJA.  BRASIL. Caderno Temático. 2006. Sandro da Silva.406. Uberlândia.faced. Brasília. J. Acessado em 10 jun 2015. 2005. Direitos Sexuais são Direitos Humanos.. José Murillo. Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos. Sérgio Fabris Editor.ufu. MG.. V. 1990. Rio de Janeiro.  BARROS. 2008. Maria Helena Mariante.  CANÇADO TRINDADE. Brasília. p.  Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.br/ojs/index. DF.unb. Diário Oficial da União. e LEITE. 882-889. Ildeára de Amorim. Brasília. 5. 2005.  FALEIROS. Disponível em: <http://periodicos.  AZAMBUJA. Trajetória histórica. O Processo de Revisão do Pano Nacional – Relatório de Acompanhamento 2007-2008. Constituição da República Federativa do Brasil. n. Anais. 2004.  COSTA. Descortinando o conceito de infância na história: do passado à contemporaneidade. Institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ministério Público do Paraná. C. Disponível em: <http://www2.). Neide (Org. Maria Regina Fay de. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança? Revista Textos & Contextos [on-line]. Maria Regina Fay de e FERREIRA.  AZAMBUJA. da desigualdade e do imaginário. Oficina de Indicadores da Violência Intra-familiar e da Exploração Sexual de crianças e adolescentes. VI Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação. Vicente de Paula.  BRASIL.  DIGIÁCOMO. 1.  COELHO. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança? Porto Alegre: Livraria do Advogado. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Acessado 10 jun.069 de 13 de julho de 1990. Curitiba. A violência sexual contra crianças e adolescentes e a construção de indicadores: a crítica do poder. Brasília.pucrs.. Lei 10. Nívia Valença. DIGIÁCOMO. Maria das Graças Pinto e CORDEIRO. 2011. ROSA.br/colubhe06/anais/arquivos/76SandroSilvaCordeiro_MariaPintoCoelho. Maria Regina Fay de. 16 jul. 1988. DF. Antônio Augusto. 2002. Tese (Doutorado em Psicologia).[Relatório de Pesquisa].br/index.  CASTANHA. Jovens prostituídas: trajetória e cotidiano. Porto Alegre. práticas e proteção social. 11 jan.php/SER_Social/article/view/184/2226>. Porto Alegre: Artmed. 248f. Lei 8. Violência intrafamiliar contra criança e adolescente. C.  BRASIL. 2008. Disponível em <http://revistaseletronicas. 2010. Violência sexual contra crianças e adolescentes. Corumbá: UFMS:CREIA. Diário Oficial da União. A. Porto Alegre. Estatuto da Criança e do Adolescente Anotado e Interpretado. 1997. de 10 de janeiro de 2002. 2006.pdf>. 1997. CECRIA. Brasília.php/fass/article/view/1022/802> Acesso em 04 Jun 2015.

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