Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática.” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009. no fim de todas as formas de extermínio. infelizmente. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual. na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. sem machismo. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema. Cremos no fim de todas as prisões. • Enumerar as causas da violência sexual. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(.. 4 .. Acreditamos numa sociedade sem racismo. • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades. Objetivo do módulo Ao final do módulo. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual. mas ao mesmo tempo. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia. sem sexismo e sem homofobia.

Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. de expor. • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. nº 2). Estabelecem-se pela força (física. psicológica ou outras). Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. o menos representativo que será submetido. nº 1). o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico. sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta. Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). o Chefe da Família.181) registra que: Em Roma (449 a. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo.1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito. verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. é sempre o menos forte. condená-los e atá excluí-los da família. podia castigá-los. A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder. O pai. Nesse sentido Azambuja (2004. a autoridade paterna não conhecia limites. a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. C). p. Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. 5 .

em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau. 2006) Saiba Mais. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente. inclusive sexuais aos adultos. adolescentes e adultos. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta. os espancamentos através de chicotes.. a seguir. em 1780. paus e ferros como instrumentos necessários à educação. tratamento e atenção diferenciados.blogspot. participavam das mesmas atividades. e. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história. Até então. que junto com os marinheiros. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores.. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. 1. as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais. Ainda. (AZAMBUJA. órfãos e degredados. merecendo. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças. As escolas eram frequentadas por crianças.html Acompanhe. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos. na Europa. Na Inglaterra. portanto. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais.com. quando então. 6 . Disponível em: http://fabiopestanaramos. a punição física. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais.

Nas Ordenações Filipinas. mas tinham penas abrandadas e. 7 . Início do século XX No início do século XX. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. o critério adotado era o do discernimento. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. limitando a internação à idade de 17 anos. contavam com atenuante em função da idade. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. que vigoraram no Brasil até 1830. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. • E entre 14 e 17 anos. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. Nesse contexto. 1964 Em 1964. entre 17 e 21 anos. • Entre 9 e 14 anos. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. serem aplicadas outras penas. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. ao arbítrio do juiz. mas havia possibilidade de. a Lei Federal nº 4. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. A partir daí. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. abandonados e em situação de delinquência. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes.

ou a mãe. conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art. em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10. pela falta eventual dos pais ou responsável. II .vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. da sociedade e do Estado. a qualquer título. em razão de: a) falta. 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores. de uma legislação moderna. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988. IV . ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. abusar de sua autoridade.637: Se o pai. a serem merecedoras de atenção especial da família. Parágrafo único. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. legalmente. psíquico e social. não sendo pai ou mãe. exerce. 2o. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. Entende-se por responsável aquele que. entretanto. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. de modo habitual.em perigo moral. requerendo algum parente. VI . b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. conforme previsão do Código Civil: Art. vigilância. 8 . ou o Ministério Público. passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e.406/02). ainda que eventualmente. saúde e instrução obrigatória.Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. em seu artigo 2º. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular. adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. mais que uma faculdade. direção ou educação de menor. 2º Para os efeitos deste Código. ação ou omissão dos pais ou responsável. cabe ao juiz.Com desvio de conduta.privado de condições essenciais à sua subsistência. em ambiente contrário aos bons costumes. É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. independentemente de ato judicial. 1. onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. O código de menores (Lei nº 6697/79). em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças.autor de infração penal. III .privado de representação ou assistência legal. considera-se em situação irregular o menor: I . quando convenha. devido a: a) encontrar-se. até suspendendo o poder familiar. V . Parágrafo único .

a professora Glenda Mezaroba. ao lazer. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. Assista-o. norma de Direitos Humanos. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. à alimentação. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art.youtube. genuinamente. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e. em seus primeiros artigos. mestre e doutora em Ciência Política. o direito à vida. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. 227. detentoras de direito à proteção diferenciada. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos.069/90. violência. a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. à dignidade. portanto. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento. com absoluta prioridade. 9 . No vídeo (disponível em: https://www. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. exploração. à educação. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. sejam eles minorias ou não. à saúde. discriminação. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa.. visando ao seu pleno desenvolvimento. Saiba Mais. O Estado. Da legislação apresentada. genuinamente. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família. à cultura. reafirma a previsão do art. norma de Direitos Humanos. ao respeito. Dito isso. assim. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras. crueldade e opressão. Lei nº 8. há necessidade de que as leis o protejam. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. à profissionalização. No Brasil da atualidade. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. É dever da família. Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. Saiba Mais... 227 da Constituição e. engloba o espectro da proteção integral..com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. O Estatuto da Criança e do Adolescente. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto.

Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria. Pelo medo de perder tudo.youtube.com/watch?v=zsJitcDRbcI). Que de sofrer tanto se fez pensativo. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste. Cabecinha boa de menino ausente. que não pediu nada.. De menino triste que sofre sozinho. Saiba Mais. evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário. Que sozinho sofre – e resiste. assista ao vídeo Parte 1 . do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. Que não teve nada.. Cecília Meireles 10 .Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral. Antes de prosseguir nos seus estudos. O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano. E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo.

Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. morte. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS. contra si mesmo. emocional e social”. estando sempre relacionada. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física. Leal (1999. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL. Discorrendo sobre as relações de poder. 2009. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo.. escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir.1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. relações de conhecimentos. Neste sentido. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão.. outra pessoa. Foucault (1979. de alguma forma. arrebate ou compartilhe. Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. Pare um minuto. Agora. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status. A violência é presença perene na história das civilizações. mas lhe são imanentes. dano psíquico. p.) que o poder não é́ algo que se adquire. à aquisição ou manutenção de poder. p. Não se encontra exceção à sua existência. uma diferença de potencial”. G1... em uma forma de ameaça ou efetivamente.250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto. p. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (.104). 2. 2002). algo que se guarde ou deixe escapar. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e. reciprocamente. são os efeitos imediatos das partilhas. relações sexuais). 11 . De olho na realidade. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica).

percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar. força.Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. o essencialismo. essa palavra vis significa a força em ação. o recurso de um corpo para exercer sua força. é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência. 3 . 28).. Tanto Zaluar (1999). e portanto a potência. nas palavras de Michaud (1986 p. Esses termos devem ser relacionados a vis (. cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. portanto. As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo. profanar. adjetivá-la e caracterizá-la. Em outras palavras. quanto Michaud (1986). É.Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto. 1 .Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual. que procura problematizar a universalidade desse instinto. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. ainda que rapidamente. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . de outro. ambos os termos: violência e sexual. 1999 p. o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. caráter violento ou cruel.2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. a força vital”. torna-se necessário problematizar. Mais profundamente. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas. o valor. 2 . 2. O verbo violare significa tratar com violência. é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade. “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações. a fim de ajudar na compreensão..). 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. concordam que o termo violência vem do latim violentia. o que. o construtivismo social. divididas didaticamente. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero. a seguir.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999). adquirindo carga negativa ou maléfica. transgredir. 4 .

Crianças e adolescentes não estão preparados física. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. psicológico. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto. p. cognitiva. Você deve ter observado. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. 131-132). no prelo).A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999. moral e sexual. concordando com essa segunda tendência. sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. No âmbito da família. surgida nos últimos anos. de tamanho ou de poder. 5 . da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. entre adultos e criança ou adolescente. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. não foi? 13 . constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. alguns pontos em comuns. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. adiciona: “a compreensão. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. nas quais haja uma diferença de idade. interferindo no seu desenvolvimento físico. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC). o agressor pode se impor pela força. intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual). 2007). mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. Nessa situação. (Caderno SECAD/MEC. em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura.

Além disso. com o respaldo de Leal (1999. reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. sendo difícil de ser quantificada. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais. e em especial de direitos sexuais. Envolve aspectos culturais. a densidade demográfica e a diversidade cultural. o que possibilita concluir. é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. econômicos e políticos. por ser ilegal e clandestina. Não é fruto de uma única causa. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação).. pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. apresentando raízes nas relações sociais de classe. brancos e negros. adultos e crianças.] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010). considerar a dimensão territorial. você irá se deparar com situações de violações de direitos.. e • O caráter sexual da ação. principalmente a violência sexual. sociais. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha. 2. é multifatorial. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces. Deve. A violência contra crianças e adolescentes. Ao contrário do que muita gente imagina. ainda. mas de uma soma delas. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade. gênero e etnia. ricos e pobres. Reunindo esses elementos. (2010. Ao avaliar esse fenômeno. p. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive. multifacetado e de enfrentamento complexo. como as relações desiguais entre homens e mulheres. que não está associado apenas à pobreza e à miséria. em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região.7) que a violência sexual é um fenômeno social. pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região. econômica e social. • Uso da força física ou psicológica. 55) 14 . Trata- se de um fenômeno mundial. [. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). p.

ou seja. BOCHI. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe. dentro dessas regras postas. (FIGUEIREDO. A dominação e a subordinação são sexualizadas. a passividade. crianças e adolescentes de ambos os sexos. a dominação.. E que ao contrário do que se tende a pensar. Saiba Mais. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder.youtube. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www. produto de relações construídas de forma desigual. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino. a virilidade e a superioridade. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico. do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 .. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. p. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão.com/watch?v=r88WqyseFes). a força. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho . Historicamente. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer. o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher.a satisfação dos seus instintos naturais. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. na cultura patriarcal. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. se não puder ver tudo. chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. separando-os pelo sexo. 4.OIT. criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e.. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura. 2010. a violência é́ um fenômeno antigo. tão jovens quanto o menino. os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina. p. 1997). é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. prostituição..] Com o estereótipo da supremacia masculina. encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . a fraqueza e a inferioridade [. 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. emocional e social.

o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”.crianças e adolescentes. segundo pesquisas da área médica. e lhe confere distinção frente aos outros homens. dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. Por mais improvável que possa nos parecer. a idade da pessoa.. heterossexual ou homossexual. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. Sendo assim. O serviço. • Na concepção dos homens pesquisados. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. pois seria parte do ser masculino. nesse pensamento. O pedófilo. Pedofilia é uma doença. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. como parâmetro de análise do problema. Com relação às denúncias. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. sendo que mais 16 . E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia. 2011). que pode ser um homem ou uma mulher. evidencia-se. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes. 1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al. • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. esse número passou para 21 mil. consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. 2. só no primeiro semestre de 2015. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente. pois o que vale é a sua compleição física. ainda que seja menor. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. E. anualmente. é irrelevante. que se sente revigorado ao praticá-lo.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo.

31. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. Até novembro 2014. Há ainda. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado. é necessário acessar esses dados e baseados neles. 25% informam casos de violência sexual. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada. 98. Sudeste 32. 2.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. Em 85% dos casos. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes.7%. Assim. na medida da competência de cada órgão. a seguir. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. observe: 17 .091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes.281. Entretanto. foram recebidas 88. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. ou seja. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual.41%. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois.44 %.480 (21%) foram de violência sexual. Dessas. Sul 16. dos quais 39. Desse total.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. No primeiro trimestre de 2015. Centro-Oeste 10. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. Diferentes dos dados do Disque 100.4.36 %. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. os números do Sinan oferecem dados mais concretos. Números do Disque 100 No ano de 2013. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. outros dados relacionados ao Disque 100. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. Considerando os números da violência sexual. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30. das quais 4. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. Norte 9.45 %. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência. Veja.

penetração vaginal e anal. implicam na apenação do abusador. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. uma vez comprovadas. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. com ou sem coerção. Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. Normalmente. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais. Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. • A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. • Voyeurismo. sexo oral. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. tentativas de relações sexuais. a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. Essas violações possuem tipificação penal e. masturbação. • Exibicionismo.A do CPB). que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. 218 . na qual o sexo é fruto de uma troca. de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. se restar comprovado. Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. 18 . seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira. também é possível.

engloba o espectro da proteção integral. ainda. sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. • É importante entender que violência sexual é gênero.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. reafirma a previsão do art. 13 do ECA. econômicos e políticos. apresentando raízes nas relações sociais de classe. Em sua opinião. portanto. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”. principalmente a violência sexual. • A violência contra crianças e adolescentes.. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. há a previsão de infração administrativa para o médico. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. 245 do ECA. Não é fruto de uma única causa. é multifatorial. sociais.diariodepernambuco. 227 da Constituição e. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente. em seus primeiros artigos.com. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. quando então. na Europa.. Ressalta-se. merecendo. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. • O Estatuto da Criança e do Adolescente..br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil. tratamento e atenção diferenciados. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. gênero e etnia. você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos. Lei nº 8. da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. 19 . Neste módulo. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental.shtml). que no art. contudo. mas de uma soma delas. Para refletir. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. (matéria disponível em: http://www. Envolve aspectos culturais. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia.069/90. • No Brasil não foi diferente.

sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. ao lazer.Art. prioridade.Art. à educação. de favores ou presentes. profissionalização 20 . ao respeito. à cultura. ECA . à profissionalização. Exercícios 1. atenção c) profissionalização. É dever da família. à alimentação. • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. à saúde. igualdade d) discriminação. com absoluta prioridade. da comunidade. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. ______________. moral. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. seja ela financeira. • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. violência. crueldade e opressão. respectivamente: a) liberdade. exploração. da sociedade em geral e do poder público assegurar. saciedade. leia atentamente os artigos abaixo. qualidade. à dignidade. ao lazer. na cultura patriarcal. 3º. à ______________. por lei ou por outros meios. com absoluta prioridade. à cultura. à dignidade. Os termos suprimidos dos textos acima são. Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. a efetivação dos direitos referentes à vida. à educação. ao esporte. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. em condições de ______________ e de dignidade. É dever da família. na qual o sexo é fruto de uma troca. liberdade. mental. distração b) perversidade. o direito à vida. ECA . à saúde. 4º. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. à alimentação. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. todas as oportunidades e facilidades. ao respeito. espiritual e social. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. 227.Art. assegurando-se-lhes. CF .

A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que. tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos. 2. De acordo com Cançado Trindade. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem.

22 . Gabarito 1. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. a pobreza não constitui. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. por si só. Resposta Correta: Letra D 2. Resposta Correta: Letra C 4. entretanto. normalmente. Resposta Correta: Letra C 3. Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são.

exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (.) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes.. sonhar e brincar? . as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes. 2005. as características. • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores. 122). Que eu não posso sufocar! (. caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes. • Aula 2 – Vítimas..) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr.. pular. pg.. 23 . as modalidades. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes... você será capaz de: • Conceituar. os fatores. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão. Objetivo do módulo Ao final do módulo. (ALBERTON.

Bochi e Figueiredo. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima.8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno. juntos. a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. organizados em redes de exploração local e global (mercado). social e jurídico. • Ação (exploração/abuso). explorador e abusador). cultural. estrategicamente. referindo-se ao evento. (2010. ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores). econômico. Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1.58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. confirmam essa visão: No mundo. e • Lucro. 24 . O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. p. que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. p. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade.1 Elementos do cenário Em 1996. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. colocasse esse problema numa dimensão dialética. em Estocolmo. A partir daquele momento. Leal (2003. na Suécia. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo.

Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro. (CASTANHA. por isso.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. 1. (CECRIA. as diversas formas de prostituição. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida). pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. o mais forte. que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. É válido ressaltar que. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. embora a classificação seja intitulada “prostituição”. não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão. a exploração sexual comercial de meninos. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas.) quando se trata de crianças e adolescentes. a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. portanto. o tráfico e venda de pessoas. “a exploração sexual inclui o abuso sexual. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo. e esse comércio somente ocorre porque há demanda.. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os).. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (.2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005.) Estude a seguir. p. a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos. É o adulto. p. sobre cada uma delas. vestuário. • Exploração sexual no contexto do turismo. turismo sexual e pornografia infantojuvenil. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável.4). da satisfação de necessidades básicas (alimentação. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 . Fica. 2008.1997). mas é um termo em desuso e. • Tráfico.16).

um caramelo. um tênis ou um batom.. na sua maioria. um pacote de bolacha. culturais. incluindo fotografias de sexo explícito. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. padrastos. cidadãos acima de qualquer suspeita. entre sete e dez anos. na França. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. sua satisfação sexual e sua integridade moral. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. segundo a INTERPOL. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas. afeta sua individualidade. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. crianças são prostituídas pela sociedade. 26 . irmãos e das próprias mães. pela herança de violência doméstica. negativos. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. A idade das crianças exploradas é cada vez menor. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes.) Essas meninas.. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. sacerdotes. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. Essas crianças. significa “uma exposição sexual de imagens de crianças. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. os homens. prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. pela pobreza dos seus pais. (. que nunca brincaram de bonecas. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País. prefeitos. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. vendem a sua virgindade. que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais. São caminhoneiros. No entanto. vereadores. fique claro: crianças não se prostituem. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. sexuais. doutores. pessoa. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. filmes. Maria Amélia Barcks Duarte. 58). um chocolate. realizado em maio de 1999 em Lyon. p.

DE 8 DE MARÇO DE 2004. (. a servidão ou a remoção de órgãos. ao engano... a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual. no mínimo. 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. (CASTANHA.. muitas vezes. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. vídeos e discos de computadores”. b) (. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. 2010. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação.) c) O recrutamento. envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo. (FIGUEIREDO. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 . o transporte. que também. escravatura ou práticas similares à escravatura. por qualquer meio. à fraude.17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento. à prostituição infantil e à pornografia infantil. A exploração incluirá. revistas. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. a transferência. p. a transferência. ao rapto. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. o transporte. projeções.007. adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta). 2008.) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais. o trabalho ou serviços forçados. BOCHI.16. p..

mas inteiramente baseado na nossa realidade social. . todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício. Artigo. . fazendas e garimpos).. cárcere privado.Pornoturismo. .Prostituição de meninas e meninos de rua. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme. (Protocolo de Palermo.Exploração sexual (garimpos prostíbulos. A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet. . . Nordeste . Enfim. que são apresentadas a seguir. variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. O pai que vende a filha. complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir. Estão todas lá. .Exploração sexual comercial em prostíbulos.2. Aquele que compra como aliciador. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país.Prostituição nas estradas. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”.1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência.. 28 . 1. de acordo com as características de cada região.Leilão de virgens. O dono da boate que a mantém em cárcere privado. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . portuária.Prostituição nas ruas. O caminhoneiro que a transporta.Turismo sexual.

Centro-Oeste .Pornoturismo. leilões de virgens. etc. o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local. venda. O aparecimento. Sudeste .Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua.) prostíbulos fechados. .Exploração sexual comercial em prostíbulos. .). A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local.Prostituição nas estradas... . . Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso).Prostituição através de anúncios de jornais. .Prostituição nas estradas.2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório.Denúncia de trafico de crianças. conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (. Sul .2. principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras. 29 . 1. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. ecológico e náutico.Prostituição nas estradas do Sudeste. Brasília. . .Turismo sexual.Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado . . mutilações e desaparecimento. como cárcere privado.Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia. .Prostituição de meninas e meninos de rua. bem como pelas questões culturais locais. Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. tráfico.Rede de prostituição (hotéis.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico. .

principalmente de adolescentes do sexo feminino. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo. comércio de pornografia. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 . pobres. destina-se. nas regiões ribeirinhas. à tripulação de navios cargueiros. Inclui o tráfico para países estrangeiros. como as capitais da Região Nordeste do país. Geralmente saem de casa. hotéis. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (. Trata-se. taxistas e outros. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento.. principalmente.. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (... Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio. organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras. É marcadamente comercial. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte.. sendo comum também. negras ou mulatas. Nos portos..) Turismo sexual e a pornografia. Trata-se de exploração sexual.) “Turismo portuário e de fronteiras. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (. entre jovens do sexo masculino.) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua. de adolescentes do sexo feminino. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. principalmente. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias.

Desde a sua gênese. “Turismo Sexual” e “menor”. não teria condições de falar. Aula 2 – Vítimas. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão... a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. relegando-lhes uma condição 31 . e ao invés de “menor”. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. oriunda do latim infantia. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. Assim. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. devemos usar “criança e adolescente”. da incompletude perante os mais experientes. significa “incapacidade de falar”. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. de expressar seus pensamentos. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. são seres subalternos. antes dos 7 anos de idade. embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”. De olho na realidade. os conceitos e terminologias vão se adequando. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. seus sentimentos. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. para se tornarem efetivos. Considerava-se que a criança.

Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1. principalmente. 3º reconhece- os. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. 2º Considera-se criança. subalterna diante dos membros adultos. no limiar deste século. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto.4). para os efeitos desta Lei. mental. lei nº 8. Na atualidade. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. 1997. Até recentemente. E. principalmente através de pinturas. da menoridade. sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. em condições de liberdade e de dignidade. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. como fase da incapacidade. por lei ou por outros meios. pessoas de até 18 anos incompletos. (grifo nosso). Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. 32 . todas as oportunidades e facilidades. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. a pessoa até doze anos de idade incompletos.069/90. distingue a criança do adolescente pela idade: Art. conforme já estudado anteriormente: Art. espiritual e social. no art.884). de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. Ao serem representadas. 2006. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO. sem um espaço determinado socialmente. p. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida. assegurando-se-lhes. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. da tutela. p. e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. Era um ser anônimo. ela foi definida. moral. titulares de direitos e. o art. portanto. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. COELHO. inclusive juridicamente.

2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual. 21.8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes.1. 10.9% entre 15 e 19 anos e 4.9% sexuais. conclui-se que qualquer criança ou adolescente. Para refletir. No entanto. • Em 63. as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83. • Tem baixa escolaridade.5% foram físicas e 19. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.1% dos casos..39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 . 2. 30. • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas. 2. negra e mulher.1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre. devido às fragilidades que as envolvem..3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos. em se tratando de exploração sexual.3% das vítimas de violência são do sexo feminino. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas. Nas violações sexuais.8% entre 1 e 4 anos.3% entre 10 e 14 anos. podem ser vítimas de violência sexual. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime.8% menos de 1 ano. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais.2% dos casos. • 31. 40. p. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual. A partir dos dados apresentados. 28. • É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física). • Das violências atendidas.

Agem de forma sedutora. Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. Geralmente.5% dos casos registrados pelo sistema de saúde. a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. cit) é mais 34 . p. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos. mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos.24). No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012). Para refletir. eleva-se esse índice para 44.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. o desejo independe do objeto.1% dos casos registrados. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos.32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade. entretanto. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. do sexo masculino. por si só. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. Só em 12. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. conquistando a confiança da criança. médico. o que facilita a sua atuação. a pobreza não constitui.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. Em um universo de 418 denúncias.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. não têm uma fixação erótica única por crianças. em mais de 90% dos casos. não praticam atos de violência física contra a criança. mas são fixados no sexo. babá. dentro da mesma pesquisa.) e em 45. Segundo Soares apud Barros (op.8% dos casos. como namorados. o agressor aparece como sendo. policial. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2. foi identificado que em 54. Para Barros (2005. chega-se a 52. Quando se aborda o assunto. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. Considerando a pesquisa da Abrapia. realizada no triênio 2000-2003.adolescentes. etc. Portanto. inserido na sociedade. uma vez que. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39...

(c) menor acesso a oportunidades de trabalho. Tendo isso em vista. mas. valorizando-os). sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. categorizando-as da seguinte forma: . Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. (g) alcoolismo. Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. 2004. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. etnia e raça. p. rebaixa a autoestima. à desatenção e à rejeição dos filhos. e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. normalmente. ela. no aumento das desigualdades sociais. (e) angústia e insegurança. estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. . A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. 35 . não pode ser apontada como causa da violência. (h) violência doméstica. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. veja a seguir. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola. (j) vivência da rejeição na infância. em especial. por si só e isoladamente. na geração de novas pobrezas. etc. (b) menor escolaridade.. o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. 139). na construção da cultura de consumo.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. emocional e cognitivo.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza. (o) configurando-se este quadro. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. (f) depressão da autoestima. da exploração sexual de crianças e adolescentes.provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima. (m) dificuldades na família. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. e de falta de motivação. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração.

• Idade. • Posição Hierárquica Familiar. exemplificando. • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar. A seguir estude sobre cada um deles. fatores que devem ser estudados. Investigar as dimensões apresentadas. dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. • Registro de Nascimento. . resultando em sua exclusão. podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. São eles: • Individual. • Nível Educacional.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. Sexual and Other Forms of Exploitation enumera. 36 . . • Familiar. • Deficiência. responsabilização e legislação.Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam. . • Grupo Étnico. facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas. com seus mecanismos. correlacionando-as aos casos verificados.Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. • Exposição à pressão negativa de companheiro. • Comunitário. Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. para além dos casos em concreto. e • Institucional. . como fatores de risco pessoal. • Separação da Família. é preciso extrair lições para as ações de prevenção. Em termos individuais. Mas. Segundo o autor. o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour.Legal – perpassa os aspectos de repressão. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo. que passam a ser regidas pela lógica do consumo.

• Doença ou morte na família. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Renda insuficiente. • Localização. • Força normativa. • Desastres naturais. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Grupo Étnico ou casta. das condições em que vivem as 37 . • Violência na comunidade. • Conexão viária e transportes. • Violência intrafamiliar. • Discriminação. podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. • Centros de entretenimento e centros comunitários. para ser feito de forma adequada e eficaz. No aspecto institucional. • Policiamento. • Dívidas. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. Em termos familiares. dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. • Economia. demanda conhecimento do local em que ocorre. serviços localizados. • Estado de paz ou conflito. os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. Como fatores de risco comunitários. • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. • Tradição de migração. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. • Histórico de migração. • Famílias com muitos filhos. • Regime de serviços sociais. • Nível de corrupção. • Liderança comunitária e estruturas governamentais.

comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. A partir daquele momento.. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista.dialogosdosul. E. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. pornografia. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. • Considerando a pesquisa da Abrapia. Em um universo de 418 denúncias. do sexo masculino. juntos. realizada no triênio 2000-2003. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. Neste módulo. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. o agressor aparece como sendo. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação. 38 .br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. Antes de prosseguir. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade.. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que.org.. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado.crianças e adolescentes explorados.. turismo sexual e pornografia. e turismo portuário e de fronteira. bem como pelas questões culturais locais. menores em situação de rua. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001).55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. foi identificado que em 54. a exploração sexual comercial de meninos. explorador e abusador –. Saiba Mais. normalmente. em posse de tais conhecimentos. turismo sexual e tráfico. ação (exploração/abuso) e lucro. Finalizando. em mais de 90% dos casos. • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. entre outros aspectos pontuais. dentro da mesma pesquisa. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos.

Pornografia. b) prazer. c) Prostituição Infantil. Vitimização e Violação. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades. 2. Na Agenda de Ação de Estocolmo. c) hipocrisia. a exploração comercial de meninos. Turismo Sexual e Tráfico. Na Agenda de Ação de Estocolmo. Vitimização. Satisfação Sexual e Tráfico. 3. Mercantilização. Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil. Turismo Sexual. b) Vulnerabilidade. a exploração comercial de meninos. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. Mercantilização e Violação. d) prostituição. d) Vulnerabilidade. Exercício 1. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder.

4. 40 . No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. b) atuar preventivamente. identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores. c) desbaratar redes de aliciadores. d) processar as famílias envolvidas.

Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 . Resposta Correta: Letra A 3. Gabarito 1. Resposta Correta: 4. Resposta Correta: Letra A 2.

Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base. Objetivo do módulo Ao final do módulo. com o respectivo ano de promulgação. Nesse cenário.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. 42 . fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. os marcos legais nacionais e internacionais. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. lado a lado. o Brasil vem. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. aos poucos. o infográfico a seguir apresenta. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual.

2009 . 2010 43 . 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos. • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. o Título VI do Código Penal Brasileiro. 1990 . tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais.Lei nº 12. passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”. Marcos Nacionais 1940 .829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.848. • Plano Nacional de Política Para Mulheres.015/09 – Altera.Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). 2002 .Decreto-Lei nº 2. Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. • Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação.Constituição da República Federativa do Brasil.Plano Nacional de Direitos Humanos. • Plano Nacional de Promoção. • Lei nº 11. 1996 . entre outros. 1988 . pelo Brasil. de convenções. • CPI da Pedofilia. 2003 . Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura. 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro.Estatuto da Criança e do Adolescente. • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências.Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil. 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. 2004 • Política Nacional de Assistência Social. 2001 .

Leia.1.Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados. * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos. • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3. os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. 44 . Não obstante. • Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção.1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados. umas apoiam ou instrumentalizam as outras. a seguir. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 . merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). à prostituição infantil e à pornografia infantil. mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. • Plano Nacional pela Primeira Infância. na sequência cronológica de aparição.Declaração Universal dos Direitos Humanos. Todas as normas enumeradas guardam relação entre si.Declaração Universal dos Direitos das Crianças. • Relativo à venda de crianças. • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil. 2000 . repressão e punição do tráfico de pessoas. é bem possível que se for revê-las. 1989 . 1959 . 1.

do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. potencializando assim. historicamente. os artigos de 213 a 218 do CPB. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. Dessa forma. combater a impunidade. Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. tratavam a violência sexual. em grande parte. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. o Estado era impedido de agir de ofício. no caso da vítima ser criança ou adolescente. vez que a ação penal era privada. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. uma vez que. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. e em rede. ainda que em ações pontuais. entretanto. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. antes da mudança da lei. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. o que em tese não deveria ser ruim. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. 45 . passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. com a mudança. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. as condições e garantia de financiamento do Plano. O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. por profissionais especializados e capacitados. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. como sendo assunto da esfera privada.

015. Nesse sentido. 213.015/09 Com o advento da Lei n° 12. uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual. tratando os direitos sexuais como direitos humanos.015/09 CPB após a Lei nº 12.reclusão. 215. Constranger alguém.reclusão. criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes. ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. § 1º . a seguir. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.reclusão.reclusão. Art. focando a proteção na dignidade do ser humano. meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena . 46 .reclusão.015/09 Estupro Estupro Art. Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art. 215 . Art. profundas reformulações foram feitas.Constranger mulher à conjunção carnal. § 2º . Observe as diferenças. ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena .Ter conjunção carnal com mulher.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena . conforme já visto). de 2 (dois) a 6 (seis) anos. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 213 .Se da conduta resulta morte: Pena . Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. CPB antes da Lei nº 12. de 07 de agosto de 2009. O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”. de 8 (oito) a 12 (doze) anos. de 1 (um) a 3 (três) anos.1. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. mediante fraude ou outro Pena . visando ao combate da exploração sexual. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador. 1. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça.2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12. a ter conjunção carnal ou a praticar Pena .reclusão. que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente. em que a ação passava a ser pública incondicionada. Veja. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. mudando o objeto jurídico de proteção. várias mudanças foram implementadas.

Parágrafo único ... 218 . de 1 (um) a 2 (dois) anos.. (VETADO) Estupro de vulnerável Art. 47 . de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art..reclusão..reclusão... de 2 (dois) a 6 (seis) anos.. ou que.. obter vantagem ou favorecimento sexual. 216-A. não tem o necessário discernimento para a prática do ato..(VETADO) § 3º .... libidinagem..Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que... aplica-se também multa.. (catorze) anos: Pena . 217-A. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art..reclusão.A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena .. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.. 218 ... de 1 (um) a 4 (quatro) anos.. § 2º .Corromper ou facilitar a corrupção de Art.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem.. por enfermidade ou deficiência mental. menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica..reclusão.... Pena . § 2º .reclusão... Praticar. com ela praticando ato de Pena ... Assédio sexual Assédio sexual Art...... cargo ou função86.. Parágrafo único.. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos....reclusão.Se o crime é praticado contra Parágrafo único. por qualquer outra causa. superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego.. 216-A.....Se da conduta resulta morte: Pena .... Constranger alguém com o intuito de Art..detenção..A. ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena .. . não pode oferecer resistência.... 218... § 1º ....... § 4º ... na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos. ou induzi-lo a presenciar..

reclusão. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena . mediante despesas do processo. 48 . § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família. ou da qualidade de padrasto. mediante ação pública: pública condicionada à representação. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. 218-B. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores.Procede-se. Procede-se. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. por enfermidade ou deficiência mental. entretanto. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. 225 . aplica-se também multa. § 2º . somente se procede mediante queixa. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. II .No caso do nº I do parágrafo anterior. impedir ou dificultar que a abandone: Pena . menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. I . Ação penal Ação penal Art. II .reclusão. a ação do Ministério Público depende de representação. tutor ou curador. § 2° Incorre nas mesmas penas: I .se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. entretanto.Nos crimes definidos nos capítulos Art. deste Título. conjunção carnal ou outro ato libidinoso.o proprietário.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder. § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. Submeter. facilitá-la. procede-se mediante ação penal § 1º . 225.

exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art. 229 .. de 3 (três) a 6 (seis) anos. enteado. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos... Art.. por conta própria ou de terceiro. companheiro... fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência.. preceptor ou empregador da vítima. para fim libidinoso. CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art. impedir § 1º ..reclusão.. obrigação de cuidado. cuidado. madrasta. aplica-se também multa.. tutor ou violência. grave ameaça ou fraude: curador.Induzir ou atrair alguém à prostituição.reclusão.. e multa. 230.. além da grave ameaça. obrigação de da pena correspondente à violência.. tutor ou curador.... companheiro.. proteção Pena ... Pena . Art.reclusão.reclusão. padrasto. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.. outra forma de exploração sexual. 228. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.. haja... Pena .reclusão..Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º .reclusão. § 2º .. Pena ..reclusão.. Pena ... e multa. Pena . casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual..reclusão.... cônjuge. e multa. ou por quem assumiu.. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena .... .. sem prejuízo da pena correspondente à violência.. Pena . Rufianismo Rufianismo Art. Manter.Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar. proteção ou vigilância: § 3º ...Manter..reclusão. ou não. por conta própria ou de terceiro. padrasto..Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima. 230 . madrasta.. e multa. intuito de lucro ou haja.Se o crime é cometido com emprego de irmão. além assumiu..Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena ... irmão. por art..§ 1º ..... além da ou vigilância: multa. de 3 (três) a 8 (oito) anos..Se o crime é cometido mediante violência.. § 2º .Tirar proveito da prostituição alheia.reclusão.. 229.. preceptor § 1º ... participando diretamente de seus lucros ou fazendo.. intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena ..Se o crime é cometido com o fim de lucro. 228 . de 3 (três) a 8 (oito) anos. por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente. facilitá-la. no todo ou em parte.. 227: lei ou outra forma. enteado..reclusão. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. cônjuge. de 2 (dois) a 8 (oito) anos.. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. § 1° Se o agente é ascendente. de 3 (três) a 6 (seis) anos... por lei ou outra forma... Casa de prostituição Art. ou não. 49 . ou se Pena .

Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”. INCISO III. a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual.ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS . verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. • Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte.ARTIGO 244-A DA LEI N.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador. Para refletir. no território nacional. Soa meio absurdo.Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004. Se você analisar bem o texto. seria interessante a correção da redação desses artigos. 231. em ambos os artigos. você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia. Promover ou facilitar a entrada.019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL . 50 . Assim sendo. não há crime. Outro ponto muito importante: para configurar crime. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro.MANUTENÇÃO DO DECISUM .069/90 . 8. Art. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher. entretanto.RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. e não será a vítima a ser explorada. de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual.. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). A partir da leitura do quadro comparativo. • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada. o texto ficará dúbio: Art.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386.RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO . considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos. • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima. em tese. • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima.. passou a abranger também o homem. não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC . 231-A.RECURSO MINISTERIAL .

caput. 244-A. 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. TJ-RS . Digiácomo (2010. (Apelação Crime Nº 70052760691. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que. 1. p. o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. na verificação de uma situação como essas. Assim. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais. na maioria absoluta dos casos. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. existe um aliciador. que exige a submissão para a sua incidência. um intermediário. PRELIMINARES PREJUDICADAS. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. como "usuário". Sexta Câmara Criminal. A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir. 51 .1. UNÂNIME. a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. é essencial identificar essa terceira figura. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. MÉRITO.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. 240 Comentário: Sobre o aumento de pena. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. Tribunal de Justiça do RS. Em qualquer caso. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. do ECA. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. APELO DEFENSIVO PROVIDO.

Esp. R. 5ª T. 244- A. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. o dano em potencial já é suficiente: VI. independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). p. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. individualmente lesados. restando. Art. em 19/10/2004 esclarece que. levará à caracterização do tipo penal do art. necessariamente. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. J. quando muito. de alguma criança ou adolescente. acima de qualquer individualização. 241-D Art. Min. poderá ser considerada (e ainda assim. portanto. sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. 59 do CP. respeito à dignidade etc. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. (2010. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. ‘não se exige dano individual efetivo. do ECA. Art. uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. A experiência prévia pouco importa. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". em face da publicação. a teor do disposto no art. 308) 52 . VII. Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes. 241-A Art. Para a caracterização do disposto no art. nos casos de exploração sexual. Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. para a ocorrência do crime. Rel. tornando-as públicas. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Gilson Dipp. 241-C Art. VIII. portanto. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. haja dano real à imagem. 241-B Art. nº 617221/RJ. Significa não se exigir que. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar. bastando o potencial. em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade.

1.015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. Entretanto. nº 696849/SP. ART. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. ou outra. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. 5ª T. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL.Esp. porém. bem como no Supremo Tribunal Federal. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal. HC nº 128267/DF. CRIME FORMAL. 2.Rg. Art. Ag. é formal.. Felix Fischer. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. é primordial que a intervenção policial. 1. CORRUPÇÃO DE MENORES. conforme você estudará no módulo 4. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL..1. OCORRÊNCIA.252/54. J. atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. para a partir daí. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada. Min. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. em 29/09/2009). Essa revisão traz. apenas no que concerne ao delito ora em discussão. (STJ. nacional e internacional. PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. declarando-se. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. Em 2013. J. Rel. Agravo regimental a que se nega provimento. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. ressalvadas algumas questões pontuais. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. [. 61 DO CPP. Rel. tanto do CPB como do ECA. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima. 6ª T. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. a extinção da punibilidade do recorrido. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”. Maria Thereza de Assis Moura. no R. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. parece-nos que a lei nº 12. como aspectos mais importantes. correlata ao assunto. traçar os objetivos para os anos vindouros. os seguintes pontos: 53 . Min. (STJ. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. ou seja. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. profundas reformulações foram feitas.. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes.. aos poucos. Exercícios 54 . optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. Em sua opinião.. as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. Neste módulo. considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado. de 07 de agosto de 2009. • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. Nesse cenário. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. traçar os objetivos para os anos vindouros. você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. o Brasil vem. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos.. Para refletir. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. para a partir daí. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que.015. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. • Em 2013. correlata ao assunto. nacional e internacional. • Com o advento da Lei nº 12.

Estatuto da Criança e do Adolescente.069/90 . O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3. de 4 a 8 anos. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. 1. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. a proteção à criança e ao adolescente. Prostituição 2. distribuição. transferência. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. compra. ( ) trata-se de produção. Pornografia 3. transporte. Pena: reclusão. No Brasil da atualidade. e multa 55 . posse e utilização de material assim classificado. associe as informações abaixo: 1. correlacione as informações abaixo. e multa 3. Turismo sexual 4. inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. Pena: reclusão. Com base na Lei nº 8. venda. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão. da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. 1. Pena: reclusão. divulgação. de 1 a 4 anos. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. de 3 a 6 anos. e multa 2. ( ) recrutamento. exibição.

vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. fotografia. Vender ou expor à venda fotografia. 241. 241-B. 241-A. disponibilizar. por qualquer meio. distribuir. Oferecer. Adquirir. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . trocar. ( ) Art. possuir ou armazenar. publicar ou divulgar por qualquer meio. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. transmitir. fotografia. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático.

Gabarito 1. Resposta Correta: Letra B 3. Resposta Correta: Letra C 57 . Resposta Correta: Letra A 2.

o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e. • Aula 4 . MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. finalmente. bem como as suas atribuições. Objetivo do módulo Ao final do módulo. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. 58 . Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e. • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. breves aspectos da atuação preventiva. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes.O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente.Ações Preventivas. • Reconhecer a importância das ações preventivas. em especial. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. como seu próprio nome enuncia. 59 . foi feita nova revisão. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. bem como para pedidos de ajuda. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. Estadual. Como você já estudou. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. com início em 2002 e cuja missão. integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). nos níveis Federal. O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. 113. dentro do PNEVSCA. Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. Distrital e Municipal. nos anos de 2003 e 2004. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. Considerando a complexidade do assunto. é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000. (Art. em 2000. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. Já no ano de 2006. logo abaixo a família e a sociedade e. 1º da Res. a proposta é de integrar os vários atores sociais. mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. na base estão as estruturas formais do Estado. E em 2013. tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema.

ainda que brevemente. é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. de forma resumida. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais. Serviços e programas das políticas Ministério Público. públicas. De acordo com Teixeira (2000). em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle. salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato.1. 1. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual. em função das suas atribuições prioritárias. humanos. Dentro dessa rede. Dessa forma. medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares.1 Entidades. medidas socioeducativas. Veja a seguir. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. promoção e controle. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles. Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS). Na atualidade. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência. é importante conhecê-los. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática. São ações que interferem diretamente em ocorrências reais. à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). 60 . Conselho Nacional (CONANDA). os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. Defensoria Pública. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. Conselhos Municipais (CMDCA).

pode-se destacar. psicológico ou psiquiátrico. de 2009) VIII . à criança e ao adolescente. IV . como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias. aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família. quando necessário. • Atender e aconselhar pais ou responsáveis. É criado por Lei Municipal.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. 101. • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental.069 de 13 de Julho de 1990. no âmbito de suas decisões. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. apoio e acompanhamento temporários. definidos na Lei Federal nº 8. garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola. não jurisdicional. Entre as atribuições do Conselho Tutelar. II . com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. subordinado ao ordenamento jurídico do país.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio.010. Seus componentes são escolhidos pela comunidade local. mediante termo de responsabilidade. em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA. acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. VII . orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. O Conselho Tutelar é um órgão municipal. • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes. VI . V . o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008). e vinculado à Prefeitura do Município. não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade. em regime hospitalar ou ambulatorial.encaminhamento aos pais ou responsável. permanente e autônomo. Resumindo.inclusão em programa de acolhimento familiar.acolhimento institucional. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art. III . 61 . para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude.requisição de tratamento médico. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . (Redação dada pela Lei nº 12. porém.matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental.orientação.

144 da Constituição da República. normalmente. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. orientar. bem como as suas macros atribuições. ao adolescente e às suas famílias. encaminhar e acompanhar os casos. após os crimes. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Não assiste diretamente às crianças. educação. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. no dia a dia. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes. adolescentes. cidadãos e comunidades. 62 . aos adolescentes e às suas famílias. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. estão definidos no art. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso.). a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população. As Polícias Civis e Federal atuam. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. etc. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. aconselhar. cada um em sua esfera de atuação. reivindicações e solicitações feitas por crianças. p. (2008. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. Todos os órgãos de segurança pública citados. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. pois todas são capazes de identificar. Exerce as funções de escutar. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. serviço social. previdência. trabalho e segurança. famílias. Sousa et al. internato.

inclusive nas áreas rurais latu sensu. quando solicitado pelo denunciante. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. lançado em março de 2013. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. a floresta e as águas. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. sob amparo da Lei Maria da Penha. assim como o Disque 100. a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. As denúncias poderão ser anônimas ou. o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. ao lado do programa ‘Mulher. O que gera um fluxo rápido de atendimento. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. é garantido o sigilo da fonte das informações. O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. é um serviço de promoção de Direitos Humanos. denominado “Ligue-180”. em 2005. Portanto. Viver sem Violência’. e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. 63 . Em março de 2014. O Ligue 180 desempenha papel central. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). mediante a utilização de unidades móveis para o campo. bem como.

O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). • CRAS . 64 . Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). etc. sexual. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. (Ministério do Desenvolvimento Social.).Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação. cuja execução é obrigatória e exclusiva. porém sem rompimentos dos vínculos familiares. prevenindo a ruptura de vínculos. psicológica.CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social. É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. • CREAS . O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas). Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse. Além de ofertar serviços e ações de proteção básica.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias. tráfico de pessoas. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal.) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica.

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

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conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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respeitosa e. assim. contidas no Guia. não são desejados e precisam ser evitados. busque o lugar onde ela se sinta protegida. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. Busque um ambiente apropriado. a criança ou adolescente. principalmente. Ouça. Importante! 68 . para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. nem duvidar de que esteja falando a verdade. em 2003. converse primeiro sobre assuntos diversos. Se necessário. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. Leve a sério tudo que disserem. Veja. atenta e exclusivamente. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. desenhos. O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. possivelmente. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. de forma acolhedora. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. a seguir. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. sensível à situação. caso contrário. livros e outros recursos lúdicos. está sendo abusada. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. mas também e principalmente. Por outro lado. é fundamental não criticar a criança/adolescente. Não permita interrupções. Se está conversando com uma criança que. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. culpa e vergonha. 3. não preconceituosa. algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. Embora o enfoque dado seja aos educadores. Por isso. julgamentos morais sobre a postura da vítima.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. é necessário agir não só observando as regras legais. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. mas.

normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. Caso não haja. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. ela agiu corretamente. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. Diga à criança que. ao contar. em geral. nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. Diante de um crime. nessas situações. afirmando que raramente a criança mente. compreendendo o que ela está relatando. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. ou temer serem levadas para longe do lar. mesmo que a situação nos cause emoção. trata-se. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem. no momento que falam sobre o assunto. Seu relato deve ser levado a sério. p. raiva. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. da Senasp. principalmente. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. Confirme com a criança se você está. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. É muito importante manter a calma. revivem sentimentos de dor. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. Fique calmo. 69 . e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. para ter certeza sobre o ocorrido. “não precisa chorar”. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. 55).” (2003. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. de fato. os parâmetros precisam ser outros. esse mesmo guia reforça a mensagem. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. pois. culpa e medo.

em 70 . Mesmo assim. sentem-se culpadas. deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu.. Por ter caráter confidencial. E avise à criança ou adolescente o que irá fazer.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. principalmente em casos de flagrante. não raro. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. antes de tocá-la. a criança quer ser tratada com carinho. ressaltando sempre que ela estará protegida. 17 do ECA. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. dignidade e respeito. Use o bom senso. Não trate a criança como uma “coitadinha”. No relatório.. Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. como você irá proceder. são situações bastante delicadas para as vítimas. pois isso poderá indicar como estava se sentindo. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. Para refletir. Sem contar que é obrigação legal prevista no art. tudo bem?”. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. vez que a maioria se sente muito envergonhada e.

Na medida do possível. são também aplicáveis aos adolescentes.3 Outras observações Para além das recomendações descritas. • Nos casos de atos infracionais. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. Procure entrevistar as pessoas. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes. as regras previstas na Súmula Vinculante n. • A existência de agressões anteriores. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes. Seguindo essas orientações. buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. • Avaliar o risco da vítima no ambiente. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência.especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. 11 do STF. Se for necessário usá-las. vir e estar. 3. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão). quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. que regulam o uso das algemas. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca. 71 . • Identificar pais ou responsáveis. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei. procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. sobretudo.

Para refletir. ou durante a noite ou em finais de semana. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial. não poderá nem a criança.. as ações preventivas devem ser o foco das atenções. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. 70. sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta.. neste caso. 1990. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. entretanto. Em vários artigos. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual. partindo do artigo 70. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. 262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento. o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. o art.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. Art. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível. Consoante o título III da parte geral do ECA. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . É importante ressaltar que. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente. ECA. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade. tampouco o adolescente.

a realização de palestras quer para crianças. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. educação. Informar. 3. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual. 2. clínica-escola. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. etc. em especial da Polícia Rodoviária Federal. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. Da mesma maneira. 5. nos seis eixos estratégicos definidos.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. Na atuação policial. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual. programas de creches. através de rondas diárias e em horários diferentes. foram fixados objetivos. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas.) buscando cessar as causas de violência. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. etc. 4. geração de renda. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. proteção jurídica. ações. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. quer para trabalhadores dos transportes. executando o trabalho de prevenção primária. sejam eles na esfera da saúde. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. 73 . pode funcionar como prevenção secundária. cronograma de execução. costumam ter resultados muito positivos. 4. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público. metas. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. Nesse momento.

Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente.. apesar de todos os avanços e resultados significativos. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. de forma acolhedora. não preconceituosa. principalmente. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais. secundária e terciária. principalmente. e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. Neste módulo. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico. em função das suas atribuições prioritárias. nos níveis Federal. Concluindo. • Consoante o título III da parte geral do ECA. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. sensível à situação. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica. mas. mas também e principalmente. modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis.. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. Estadual. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. dentre eles a PRF. Distrital e Municipal. 113.. é necessário agir não só observando as regras legais. promoção e controle. bem como para pedidos de ajuda. Mas. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas.. respeitosa e. • De acordo com Teixeira (2000). 74 . (Art. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. muito ainda resta a fazer. e a cada biênio. contando com comandos genéricos e. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. 1º da Res. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes.

Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência. nas rodovias federais.069/90). descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. compete à Polícia Rodoviária Federal. porém. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. 8. Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. por isso. é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. julgue a veracidade das afirmações abaixo. adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº. em 2003. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . 1. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Inciso IX.. como o Serviço de Enfrentamento à Violência.655/95. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. culpa e vergonha. do Decreto nº. sem rompimento dos vínculos familiares. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2. efetuar a fiscalização e o controle. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. De acordo com o Artigo 1º. Constitui-se em uma unidade pública estatal. • É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. Exercícios 1.

por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. proteção jurídica. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. sejam eles na esfera da saúde. 4. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. etc. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 . Dirigida às vítimas e aos agressores. educação. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. Nesse momento. geração de renda.

Resposta correta: Letra D 4. e em rede. Resposta correta: Letra A 5. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. Gabarito 1. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. 77 . Resposta correta: Letra A 2. Resposta correta: Letra D 3. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. por profissionais especializados e capacitados. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias.

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