Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009. Objetivo do módulo Ao final do módulo. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema. • Enumerar as causas da violência sexual. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(. na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. Acreditamos numa sociedade sem racismo. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. mas ao mesmo tempo. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes. sem machismo. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual... 4 . no fim de todas as formas de extermínio. sem sexismo e sem homofobia. infelizmente. Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática. Cremos no fim de todas as prisões. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia. • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual.

de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo. Estabelecem-se pela força (física. nº 2). C). • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito. o Chefe da Família. p. a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. 5 . nº 1). Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. psicológica ou outras).181) registra que: Em Roma (449 a. Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. é sempre o menos forte. podia castigá-los. de expor. Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta. O pai. A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder.1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. a autoridade paterna não conhecia limites. o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico. o menos representativo que será submetido. Nesse sentido Azambuja (2004. condená-los e atá excluí-los da família.

adolescentes e adultos. Até então. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais. 2006) Saiba Mais. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem. (AZAMBUJA. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. 6 .html Acompanhe.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das. participavam das mesmas atividades. que junto com os marinheiros. merecendo. As escolas eram frequentadas por crianças. os espancamentos através de chicotes.com.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças. portanto. quando então. a seguir. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos.. órfãos e degredados. Na Inglaterra. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda. em 1780. Ainda. a punição física. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. Disponível em: http://fabiopestanaramos. tratamento e atenção diferenciados. as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais. inclusive sexuais aos adultos. paus e ferros como instrumentos necessários à educação. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores.. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta. 1. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história.blogspot. na Europa. e. em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau.

abandonados e em situação de delinquência. • Entre 9 e 14 anos. contavam com atenuante em função da idade. Nesse contexto. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. ao arbítrio do juiz. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. A partir daí. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. Início do século XX No início do século XX. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas. Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. serem aplicadas outras penas. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. a Lei Federal nº 4. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. que vigoraram no Brasil até 1830. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. • E entre 14 e 17 anos. mas tinham penas abrandadas e. Nas Ordenações Filipinas. entre 17 e 21 anos. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. limitando a internação à idade de 17 anos. mas havia possibilidade de.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. 1964 Em 1964. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. 7 . o critério adotado era o do discernimento.

2º Para os efeitos deste Código. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. quando convenha.406/02). adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. Entende-se por responsável aquele que. ou o Ministério Público. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988. V . a qualquer título.privado de representação ou assistência legal. exerce. conforme previsão do Código Civil: Art. legalmente. abusar de sua autoridade. requerendo algum parente. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. 2o. 1. conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. não sendo pai ou mãe. em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10. em seu artigo 2º. em razão de: a) falta. vigilância. mais que uma faculdade. III .Com desvio de conduta. devido a: a) encontrar-se. em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. cabe ao juiz. até suspendendo o poder familiar. 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores.autor de infração penal. É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. IV . pela falta eventual dos pais ou responsável. passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. saúde e instrução obrigatória. 8 . da sociedade e do Estado. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. Parágrafo único. psíquico e social. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico. de modo habitual.em perigo moral.637: Se o pai. ação ou omissão dos pais ou responsável.Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. ainda que eventualmente. de uma legislação moderna. O código de menores (Lei nº 6697/79). a serem merecedoras de atenção especial da família. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. Parágrafo único . considera-se em situação irregular o menor: I . direção ou educação de menor. VI . o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e. independentemente de ato judicial. em ambiente contrário aos bons costumes. faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. entretanto. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular. II . onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. ou a mãe.privado de condições essenciais à sua subsistência.

o direito à vida. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. No vídeo (disponível em: https://www. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. mestre e doutora em Ciência Política. Saiba Mais. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. norma de Direitos Humanos. O Estatuto da Criança e do Adolescente. Da legislação apresentada. genuinamente. norma de Direitos Humanos. à cultura. No Brasil da atualidade. à educação. discriminação. à dignidade. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 227. Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos.. à profissionalização. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa. assim. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto. com absoluta prioridade. em seus primeiros artigos. É dever da família. crueldade e opressão. sejam eles minorias ou não. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos. 9 .069/90. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. Saiba Mais.. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. à saúde. visando ao seu pleno desenvolvimento. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana.. Lei nº 8. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. reafirma a previsão do art.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art. há necessidade de que as leis o protejam. violência. genuinamente. engloba o espectro da proteção integral. O Estado. ao lazer. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. à alimentação. ao respeito.. portanto. a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. Dito isso. exploração. detentoras de direito à proteção diferenciada. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento. Assista-o. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. a professora Glenda Mezaroba. 227 da Constituição e. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras.youtube. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e.

Que de sofrer tanto se fez pensativo. De menino triste que sofre sozinho. assista ao vídeo Parte 1 . Que não teve nada. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano. Saiba Mais. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai.Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. Pelo medo de perder tudo. Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. Cecília Meireles 10 . E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo. O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos. evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário.com/watch?v=zsJitcDRbcI).youtube.. do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. Antes de prosseguir nos seus estudos. Cabecinha boa de menino ausente. e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. que não pediu nada. Que sozinho sofre – e resiste.. Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral.

mas lhe são imanentes. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status.250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. são os efeitos imediatos das partilhas.) que o poder não é́ algo que se adquire. emocional e social”. De olho na realidade. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo. 11 . arrebate ou compartilhe. Leal (1999. uma diferença de potencial”. escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir. A violência é presença perene na história das civilizações. relações sexuais). outra pessoa. é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto. Neste sentido.1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. p. dano psíquico. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão. relações de conhecimentos. 2002). Foucault (1979. Discorrendo sobre as relações de poder.. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica). Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL. estando sempre relacionada.. em uma forma de ameaça ou efetivamente. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física. 2009. p. Pare um minuto.. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. à aquisição ou manutenção de poder. algo que se guarde ou deixe escapar. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados. 2. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS. Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e. Não se encontra exceção à sua existência. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. contra si mesmo. G1. p. de alguma forma. reciprocamente.. morte.104). Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. Agora.

caráter violento ou cruel. 1999 p.Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. adjetivá-la e caracterizá-la. profanar. que procura problematizar a universalidade desse instinto. o recurso de um corpo para exercer sua força. percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar.Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. quanto Michaud (1986). é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência. Mais profundamente.2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. nas palavras de Michaud (1986 p. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero.Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas. 28). força. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. o que. a seguir.).. O verbo violare significa tratar com violência.. ambos os termos: violência e sexual. um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. concordam que o termo violência vem do latim violentia. Tanto Zaluar (1999). 2 . a força vital”. divididas didaticamente. adquirindo carga negativa ou maléfica. 4 . 2. Em outras palavras. de outro. essa palavra vis significa a força em ação. As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo. a fim de ajudar na compreensão. É. isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999). o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. 1 . contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . o essencialismo. portanto. e portanto a potência. o construtivismo social. “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações. torna-se necessário problematizar. é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. ainda que rapidamente. em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. transgredir. 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. Esses termos devem ser relacionados a vis (. o valor. 3 .

surgida nos últimos anos. alguns pontos em comuns. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. 5 . No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura. concordando com essa segunda tendência. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada. mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. p. moral e sexual. entre adultos e criança ou adolescente. Nessa situação. o agressor pode se impor pela força. nas quais haja uma diferença de idade. constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. No âmbito da família. Crianças e adolescentes não estão preparados física. psicológico. interferindo no seu desenvolvimento físico. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. não foi? 13 .A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. 2007). Você deve ter observado. 131-132). que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. de tamanho ou de poder. no prelo). ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual). cognitiva. em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC). (Caderno SECAD/MEC. adiciona: “a compreensão.

que não está associado apenas à pobreza e à miséria. • Uso da força física ou psicológica. gênero e etnia. (2010.. Reunindo esses elementos. principalmente a violência sexual. sociais. ainda. A violência contra crianças e adolescentes. [. apresentando raízes nas relações sociais de classe. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha. Ao avaliar esse fenômeno. pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região. 2. brancos e negros. é multifatorial. Trata- se de um fenômeno mundial. considerar a dimensão territorial. Ao contrário do que muita gente imagina. como as relações desiguais entre homens e mulheres. a densidade demográfica e a diversidade cultural. multifacetado e de enfrentamento complexo. Além disso. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade.. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces. o que possibilita concluir.] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno. econômica e social. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). econômicos e políticos. 55) 14 . pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. você irá se deparar com situações de violações de direitos. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive. por ser ilegal e clandestina. sendo difícil de ser quantificada. em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região. é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. p. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais. e em especial de direitos sexuais. e • O caráter sexual da ação. com o respaldo de Leal (1999. Envolve aspectos culturais. Deve. adultos e crianças. Não é fruto de uma única causa. reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação). ricos e pobres. mas de uma soma delas.7) que a violência sexual é um fenômeno social. p.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010).

a violência é́ um fenômeno antigo. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura. 1997). o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher. do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. 4. crianças e adolescentes de ambos os sexos. criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e. A dominação e a subordinação são sexualizadas. a virilidade e a superioridade. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe. ou seja.a satisfação dos seus instintos naturais. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www.. 2010. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder. encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. E que ao contrário do que se tende a pensar.. separando-os pelo sexo. Historicamente. tão jovens quanto o menino. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. emocional e social.youtube.com/watch?v=r88WqyseFes). chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. prostituição. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”. p. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 . a passividade. é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. se não puder ver tudo. 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. (FIGUEIREDO. a fraqueza e a inferioridade [. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico. BOCHI. a força. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho .OIT.] Com o estereótipo da supremacia masculina. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino. produto de relações construídas de forma desigual. Saiba Mais.. a dominação. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina.. p. na cultura patriarcal. dentro dessas regras postas.

1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al. só no primeiro semestre de 2015. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. que pode ser um homem ou uma mulher. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003. E. que se sente revigorado ao praticá-lo. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. Com relação às denúncias. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes. pois o que vale é a sua compleição física. dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. esse número passou para 21 mil. E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia. ainda que seja menor. segundo pesquisas da área médica. Por mais improvável que possa nos parecer. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem. o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que.crianças e adolescentes. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. e lhe confere distinção frente aos outros homens.. consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. 2011). • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. é irrelevante. • Na concepção dos homens pesquisados. sendo que mais 16 . • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. nesse pensamento. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente. O pedófilo. heterossexual ou homossexual. a idade da pessoa. 2. pois seria parte do ser masculino. anualmente. O serviço. Pedofilia é uma doença. Sendo assim. evidencia-se. • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. como parâmetro de análise do problema.

4. Considerando os números da violência sexual.281. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes.41%. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. 2. No primeiro trimestre de 2015. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. 25% informam casos de violência sexual. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. Diferentes dos dados do Disque 100.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. Dessas. observe: 17 . Até novembro 2014.44 %. Sul 16. na medida da competência de cada órgão. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois.091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes. Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. é necessário acessar esses dados e baseados neles. a seguir. Assim. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30.36 %. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada.45 %.480 (21%) foram de violência sexual. Números do Disque 100 No ano de 2013. Sudeste 32. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. Há ainda. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. Norte 9. Centro-Oeste 10. Desse total. outros dados relacionados ao Disque 100. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. Entretanto. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. os números do Sinan oferecem dados mais concretos. das quais 4. Em 85% dos casos. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado. dos quais 39. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. foram recebidas 88.7%. 98. 31. ou seja. Veja.

• Voyeurismo. na qual o sexo é fruto de uma troca.A do CPB). de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. Essas violações possuem tipificação penal e. Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. implicam na apenação do abusador. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. masturbação. penetração vaginal e anal. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais. destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. tentativas de relações sexuais. uma vez comprovadas. seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira. Normalmente. • A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. 218 . Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. sexo oral. 18 . também é possível. com ou sem coerção. se restar comprovado. • Exibicionismo.

br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil. reafirma a previsão do art. portanto. (matéria disponível em: http://www. tratamento e atenção diferenciados. econômicos e políticos. você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos. • A violência contra crianças e adolescentes. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. Lei nº 8. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. 245 do ECA. apresentando raízes nas relações sociais de classe. • O Estatuto da Criança e do Adolescente. na Europa. Neste módulo. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. Ressalta-se.. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente. • No Brasil não foi diferente. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”.. gênero e etnia.069/90.com.diariodepernambuco.. em seus primeiros artigos. Não é fruto de uma única causa. engloba o espectro da proteção integral.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. Para refletir. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. 13 do ECA. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. principalmente a violência sexual. há a previsão de infração administrativa para o médico. é multifatorial. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental. Em sua opinião. mas de uma soma delas. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. merecendo. da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. Envolve aspectos culturais. 19 . 227 da Constituição e. sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. ainda. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. que no art. sociais. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. • É importante entender que violência sexual é gênero. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. contudo. quando então.shtml).

distração b) perversidade. na qual o sexo é fruto de uma troca. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. a efetivação dos direitos referentes à vida. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. de favores ou presentes. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. crueldade e opressão. à alimentação. à cultura. É dever da família. profissionalização 20 . à saúde. à educação. em condições de ______________ e de dignidade. qualidade. Exercícios 1. • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. espiritual e social. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. Os termos suprimidos dos textos acima são. à ______________. É dever da família. atenção c) profissionalização. ______________. à cultura. 4º. mental. à dignidade. da comunidade. o direito à vida. ao esporte. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei.Art. assegurando-se-lhes. à dignidade. da sociedade em geral e do poder público assegurar. ECA . Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. todas as oportunidades e facilidades. ao respeito. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. à profissionalização. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. CF . respectivamente: a) liberdade. à educação. com absoluta prioridade. por lei ou por outros meios. ao lazer. ao lazer. exploração. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. seja ela financeira. liberdade. à saúde. moral. saciedade. 227. ECA . • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. à alimentação. prioridade. 3º. igualdade d) discriminação. leia atentamente os artigos abaixo. com absoluta prioridade. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana.Art. na cultura patriarcal. violência. ao respeito.Art.

2. tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . De acordo com Cançado Trindade. por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3. porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que.

Resposta Correta: Letra C 3. a pobreza não constitui. normalmente. entretanto. Resposta Correta: Letra C 4. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. por si só. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. Gabarito 1. 22 . a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. Resposta Correta: Letra D 2. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual.

23 . (ALBERTON. MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes. pg. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes.. 2005. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão. você será capaz de: • Conceituar. caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes.. as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes. Que eu não posso sufocar! (. • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores. as modalidades. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. • Aula 2 – Vítimas... Objetivo do módulo Ao final do módulo. pular. os fatores.) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes.. sonhar e brincar? . as características.) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr. 122)..

que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. social e jurídico. colocasse esse problema numa dimensão dialética. e • Lucro. (2010. ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). estrategicamente. • Ação (exploração/abuso). na Suécia. Leal (2003. 24 . Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1. explorador e abusador). O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo.1 Elementos do cenário Em 1996. quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. p. Bochi e Figueiredo. p. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores). comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima. cultural. em Estocolmo. organizados em redes de exploração local e global (mercado). econômico.58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade. confirmam essa visão: No mundo. A partir daquele momento. juntos. referindo-se ao evento.8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno.

meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. “a exploração sexual inclui o abuso sexual. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. embora a classificação seja intitulada “prostituição”. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo. 1. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 .) Estude a seguir. É válido ressaltar que. • Exploração sexual no contexto do turismo. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida). Fica. p. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro.2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005. que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. a exploração sexual comercial de meninos. turismo sexual e pornografia infantojuvenil.. mas é um termo em desuso e. não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão. (CECRIA. vestuário. sobre cada uma delas. e esse comércio somente ocorre porque há demanda. o tráfico e venda de pessoas. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os)..4). 2008.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. da satisfação de necessidades básicas (alimentação.16).1997). É o adulto. pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. p. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável. o mais forte. portanto.) quando se trata de crianças e adolescentes. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. por isso. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (. • Tráfico. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. as diversas formas de prostituição. (CASTANHA. a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos.

afeta sua individualidade. um tênis ou um batom. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. pela pobreza dos seus pais. significa “uma exposição sexual de imagens de crianças. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. sua satisfação sexual e sua integridade moral. p. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. padrastos. crianças são prostituídas pela sociedade. segundo a INTERPOL. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos. realizado em maio de 1999 em Lyon. negativos. doutores. A idade das crianças exploradas é cada vez menor.. irmãos e das próprias mães. sacerdotes. que nunca brincaram de bonecas. pessoa. os homens. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. No entanto. prefeitos. São caminhoneiros. Essas crianças.) Essas meninas. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas. (. pela herança de violência doméstica. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. na sua maioria. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. cidadãos acima de qualquer suspeita. vereadores. filmes. que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. um caramelo. culturais. incluindo fotografias de sexo explícito.. 58). atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. vendem a sua virgindade. fique claro: crianças não se prostituem. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. sexuais. 26 . entre sete e dez anos. prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. um pacote de bolacha. um chocolate. Maria Amélia Barcks Duarte. na França.

à prostituição infantil e à pornografia infantil. p. (.. (FIGUEIREDO. adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta).. 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5.) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição. p. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 . à fraude. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação.) c) O recrutamento. ao rapto. no mínimo. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. o transporte. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. (CASTANHA. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. o trabalho ou serviços forçados. b) (. a servidão ou a remoção de órgãos. escravatura ou práticas similares à escravatura. BOCHI.17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento.. a transferência.. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas. vídeos e discos de computadores”. o transporte. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art. revistas. A exploração incluirá. a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual. muitas vezes. o alojamento ou o acolhimento de pessoas.007. envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças. projeções. que também. DE 8 DE MARÇO DE 2004. por qualquer meio. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo. ao engano. 2008.16. a transferência. 2010.

. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”.Turismo sexual. O pai que vende a filha. variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. 1.Exploração sexual comercial em prostíbulos.1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país. complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir.Leilão de virgens.Pornoturismo. que são apresentadas a seguir. Aquele que compra como aliciador. Enfim.. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme. O dono da boate que a mantém em cárcere privado. . fazendas e garimpos).Prostituição nas ruas. . Estão todas lá. . cárcere privado. . Nordeste .Prostituição nas estradas. O caminhoneiro que a transporta.Prostituição de meninas e meninos de rua. (Protocolo de Palermo. todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício. mas inteiramente baseado na nossa realidade social.2.Exploração sexual (garimpos prostíbulos. de acordo com as características de cada região.. A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet. portuária. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . Artigo. . 28 .

.) prostíbulos fechados. venda. . . Sudeste . .). . leilões de virgens.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua.2. . . Centro-Oeste .Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia. A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local.Prostituição nas estradas.Prostituição através de anúncios de jornais. . etc.Pornoturismo.Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado .Exploração sexual comercial em prostíbulos. ecológico e náutico. mutilações e desaparecimento. principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras. Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso). . como cárcere privado. 1..Prostituição nas estradas do Sudeste. conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (. o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local.Prostituição nas estradas.Denúncia de trafico de crianças. O aparecimento. 29 . Sul .Turismo sexual. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão.2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório. tráfico.. .Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico.Prostituição de meninas e meninos de rua. Brasília.Rede de prostituição (hotéis. bem como pelas questões culturais locais.

Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 . Trata-se. pobres. nas regiões ribeirinhas.. Trata-se de exploração sexual. Geralmente saem de casa.) Turismo sexual e a pornografia. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte.. É marcadamente comercial. entre jovens do sexo masculino. principalmente. negras ou mulatas. comércio de pornografia. Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio. taxistas e outros. Inclui o tráfico para países estrangeiros. principalmente. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (.) “Turismo portuário e de fronteiras.. organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras. como as capitais da Região Nordeste do país. principalmente de adolescentes do sexo feminino. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo.. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento. sendo comum também.) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua. de adolescentes do sexo feminino. à tripulação de navios cargueiros.. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. Nos portos. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias. hotéis.. destina-se.

exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima. para se tornarem efetivos. De olho na realidade. “Turismo Sexual” e “menor”. são seres subalternos. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. Aula 2 – Vítimas. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. significa “incapacidade de falar”... da incompletude perante os mais experientes.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. Considerava-se que a criança. seus sentimentos. não teria condições de falar. oriunda do latim infantia. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão. antes dos 7 anos de idade. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. Assim. e ao invés de “menor”. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”. a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas. devemos usar “criança e adolescente”. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância. relegando-lhes uma condição 31 . os conceitos e terminologias vão se adequando. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. Desde a sua gênese. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. de expressar seus pensamentos.

subalterna diante dos membros adultos. o art. Era um ser anônimo. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. no limiar deste século. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. COELHO. por lei ou por outros meios. espiritual e social.069/90. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos.4). todas as oportunidades e facilidades. assegurando-se-lhes. como fase da incapacidade. em condições de liberdade e de dignidade. Ao serem representadas. 1997. sem um espaço determinado socialmente. Até recentemente. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. lei nº 8.884). inclusive juridicamente. 3º reconhece- os. conforme já estudado anteriormente: Art. da menoridade. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. p. moral. portanto. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. 2006. para os efeitos desta Lei. da tutela. (grifo nosso). a pessoa até doze anos de idade incompletos. e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida. sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. principalmente. 2º Considera-se criança. Na atualidade. p. titulares de direitos e. no art. principalmente através de pinturas. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. pessoas de até 18 anos incompletos. 32 . distingue a criança do adolescente pela idade: Art. mental. E. ela foi definida. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1.

3% das vítimas de violência são do sexo feminino.8% entre 1 e 4 anos. Nas violações sexuais. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas. No entanto.1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre. • Em 63.9% entre 15 e 19 anos e 4. conclui-se que qualquer criança ou adolescente. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais.1% dos casos. p.2% dos casos.8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes. 30. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual. • 31. A partir dos dados apresentados. em se tratando de exploração sexual. podem ser vítimas de violência sexual. negra e mulher. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. 28.. devido às fragilidades que as envolvem. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60.2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual. 40. • É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física). as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83.9% sexuais. • Das violências atendidas. 21. Para refletir. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.5% foram físicas e 19. • Tem baixa escolaridade. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas.. 2. • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida.3% entre 10 e 14 anos. 10.8% menos de 1 ano. 2. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime.3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos.1.39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 .

Geralmente..24). em mais de 90% dos casos. p. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. como namorados. No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012). Para refletir. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39. uma vez que. Agem de forma sedutora. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. etc. Considerando a pesquisa da Abrapia. por si só.adolescentes. policial. Para Barros (2005.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade. mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. mas são fixados no sexo. chega-se a 52. eleva-se esse índice para 44. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. realizada no triênio 2000-2003. Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade. cit) é mais 34 . dentro da mesma pesquisa.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. o desejo independe do objeto. inserido na sociedade. conquistando a confiança da criança. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. do sexo masculino. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. foi identificado que em 54. o agressor aparece como sendo.5% dos casos registrados pelo sistema de saúde. Portanto. não têm uma fixação erótica única por crianças. Só em 12. a pobreza não constitui. a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade..32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. o que facilita a sua atuação. Segundo Soares apud Barros (op.1% dos casos registrados.8% dos casos.) e em 45. entretanto. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. Em um universo de 418 denúncias. Quando se aborda o assunto. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos. babá. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. não praticam atos de violência física contra a criança. médico.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima.

o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. Tendo isso em vista. na geração de novas pobrezas. ela. (o) configurando-se este quadro. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração. os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza. estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. no aumento das desigualdades sociais. (e) angústia e insegurança. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola. à desatenção e à rejeição dos filhos. (m) dificuldades na família. (j) vivência da rejeição na infância. na construção da cultura de consumo. A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. 35 . emocional e cognitivo. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. veja a seguir. e de falta de motivação.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. (g) alcoolismo. p. em especial. não pode ser apontada como causa da violência. (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. por si só e isoladamente. sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. rebaixa a autoestima. valorizando-os). (h) violência doméstica. etc.. . categorizando-as da seguinte forma: .provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. etnia e raça. (b) menor escolaridade. (f) depressão da autoestima. (c) menor acesso a oportunidades de trabalho. Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. normalmente. da exploração sexual de crianças e adolescentes. mas. Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. 2004. e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. 139).

facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas. como fatores de risco pessoal. para além dos casos em concreto. que passam a ser regidas pela lógica do consumo. Segundo o autor. . com seus mecanismos. exemplificando. • Grupo Étnico. • Registro de Nascimento. • Posição Hierárquica Familiar. • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar.Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam. • Separação da Família. o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour. é preciso extrair lições para as ações de prevenção. • Exposição à pressão negativa de companheiro. resultando em sua exclusão. • Idade. e • Institucional. Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. responsabilização e legislação. 36 .Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. Investigar as dimensões apresentadas. correlacionando-as aos casos verificados. . • Deficiência. Em termos individuais. • Familiar. . • Comunitário. podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. Mas.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. . dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. • Nível Educacional.Legal – perpassa os aspectos de repressão. fatores que devem ser estudados. A seguir estude sobre cada um deles. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo. Sexual and Other Forms of Exploitation enumera. São eles: • Individual.

• Discriminação. • Violência na comunidade. • Renda insuficiente. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Violência intrafamiliar. • Famílias com muitos filhos. demanda conhecimento do local em que ocorre. serviços localizados. • Economia. • Centros de entretenimento e centros comunitários. • Estado de paz ou conflito. • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. • Histórico de migração. • Doença ou morte na família. • Grupo Étnico ou casta. • Força normativa. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. • Tradição de migração. No aspecto institucional. • Desastres naturais. dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. • Localização. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. • Liderança comunitária e estruturas governamentais. das condições em que vivem as 37 . • Dívidas. para ser feito de forma adequada e eficaz. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Policiamento. Como fatores de risco comunitários. os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. Em termos familiares. • Nível de corrupção. podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. • Regime de serviços sociais. • Conexão viária e transportes.

pornografia. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. Em um universo de 418 denúncias.. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. A partir daquele momento. Neste módulo. Antes de prosseguir. realizada no triênio 2000-2003. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive.br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima. juntos. ação (exploração/abuso) e lucro. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão... 38 . foi identificado que em 54. turismo sexual e tráfico. bem como pelas questões culturais locais. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. em mais de 90% dos casos. turismo sexual e pornografia. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista. • Considerando a pesquisa da Abrapia. • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.dialogosdosul. o agressor aparece como sendo.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. do sexo masculino. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. explorador e abusador –. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. Saiba Mais. menores em situação de rua. entre outros aspectos pontuais. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado.. Finalizando.org. normalmente.crianças e adolescentes explorados. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. e turismo portuário e de fronteira. a exploração sexual comercial de meninos. dentro da mesma pesquisa. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001). em posse de tais conhecimentos. E. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação.

a exploração comercial de meninos. Turismo Sexual e Tráfico. b) Vulnerabilidade. Vitimização e Violação. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. Na Agenda de Ação de Estocolmo. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades. Vitimização. Mercantilização e Violação. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. 2. Exercício 1. Turismo Sexual. Pornografia. c) Prostituição Infantil. Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . c) hipocrisia. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder. b) prazer. Na Agenda de Ação de Estocolmo. d) prostituição. Satisfação Sexual e Tráfico. a exploração comercial de meninos. 3. d) Vulnerabilidade. Mercantilização. meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil.

No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. c) desbaratar redes de aliciadores. 40 . identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores. 4. d) processar as famílias envolvidas. b) atuar preventivamente.

Resposta Correta: Letra A 3. Gabarito 1. Resposta Correta: 4. Resposta Correta: Letra A 2. Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 .

fruto do amadurecimento e do entendimento do problema.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. com o respectivo ano de promulgação. você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. lado a lado. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual. aos poucos. 42 . Objetivo do módulo Ao final do módulo. o infográfico a seguir apresenta. Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base. os marcos legais nacionais e internacionais. Nesse cenário. o Brasil vem. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual.

Estatuto da Criança e do Adolescente. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação. Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. • Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento.Decreto-Lei nº 2. 1990 . • Plano Nacional de Promoção. • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente. 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos. 1988 .015/09 – Altera. o Título VI do Código Penal Brasileiro. • Lei nº 11. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes. 2001 .Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil. • CPI da Pedofilia. de convenções. • Plano Nacional de Política Para Mulheres. Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. 2010 43 .Constituição da República Federativa do Brasil. 2009 .Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). entre outros. 2002 . 1996 . 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. 2004 • Política Nacional de Assistência Social. pelo Brasil. passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”. tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais. • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.Plano Nacional de Direitos Humanos.Lei nº 12. 2003 .848.829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências. Marcos Nacionais 1940 .

a seguir. à prostituição infantil e à pornografia infantil. repressão e punição do tráfico de pessoas. * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos. na sequência cronológica de aparição. Não obstante. • Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção. • Plano Nacional pela Primeira Infância. merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira.1. 2000 . ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1989 . 44 .Declaração Universal dos Direitos das Crianças. • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 .Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados. umas apoiam ou instrumentalizam as outras. 1959 . 1.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. • Relativo à venda de crianças. • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3.1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados. Leia. Todas as normas enumeradas guardam relação entre si. os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. é bem possível que se for revê-las.

o Estado era impedido de agir de ofício. entretanto. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. ainda que em ações pontuais. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. potencializando assim. tratavam a violência sexual. passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. uma vez que. os artigos de 213 a 218 do CPB. e em rede. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. no caso da vítima ser criança ou adolescente. combater a impunidade. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder. antes da mudança da lei. O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. Dessa forma. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. as condições e garantia de financiamento do Plano. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. por profissionais especializados e capacitados. o que em tese não deveria ser ruim. vez que a ação penal era privada. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. historicamente. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. como sendo assunto da esfera privada. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. com a mudança. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. 45 . em grande parte. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime.

reclusão. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. § 2º . § 1º .2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12. de 6 (seis) a 10 (dez) anos.reclusão. Constranger alguém.015. de 8 (oito) a 12 (doze) anos.015/09 Com o advento da Lei n° 12. conforme já visto). a ter conjunção carnal ou a praticar Pena . de 1 (um) a 3 (três) anos. 215 . O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”.015/09 Estupro Estupro Art. mediante fraude ou outro Pena . ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena . em que a ação passava a ser pública incondicionada. 46 . profundas reformulações foram feitas. Veja.Se da conduta resulta morte: Pena .Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena .015/09 CPB após a Lei nº 12. 1. Art. Art. que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente. uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual.reclusão. focando a proteção na dignidade do ser humano. tratando os direitos sexuais como direitos humanos.reclusão. 215.1. Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. várias mudanças foram implementadas. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador.reclusão.Constranger mulher à conjunção carnal.Ter conjunção carnal com mulher. 213. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. mudando o objeto jurídico de proteção. ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. CPB antes da Lei nº 12. visando ao combate da exploração sexual. Observe as diferenças. de 07 de agosto de 2009. criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes. 213 . meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena . representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais.reclusão. Nesse sentido. a seguir.

.....reclusão.. com ela praticando ato de Pena .. 216-A. não pode oferecer resistência..... .. 47 ..... ou induzi-lo a presenciar. superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego..Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que.. por enfermidade ou deficiência mental.. (VETADO) Estupro de vulnerável Art. Constranger alguém com o intuito de Art... não tem o necessário discernimento para a prática do ato.... § 1º . cargo ou função86. § 2º .. libidinagem..... ou que.. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.. menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica.reclusão.... Parágrafo único .. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 218 ..A. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos..Se da conduta resulta morte: Pena .......detenção. (catorze) anos: Pena . ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena .. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art.reclusão..A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos.. Praticar. obter vantagem ou favorecimento sexual... Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem.... Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena . Assédio sexual Assédio sexual Art. aplica-se também multa.. na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos. de 1 (um) a 2 (dois) anos. Parágrafo único.... § 4º .. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 216-A. § 2º .reclusão.. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art.. 218... 217-A.reclusão.reclusão.Corromper ou facilitar a corrupção de Art.. por qualquer outra causa.. 218 ..Se o crime é praticado contra Parágrafo único.(VETADO) § 3º ..Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena ... de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.. Pena .

Ação penal Ação penal Art.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder. por enfermidade ou deficiência mental. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. 225 . I . induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. mediante despesas do processo. entretanto.reclusão. somente se procede mediante queixa. Procede-se.se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único. Submeter. 218-B. procede-se mediante ação penal § 1º . constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. 48 . Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art. § 2º . a ação do Ministério Público depende de representação.Nos crimes definidos nos capítulos Art. 225. § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. II . ou da qualidade de padrasto.o proprietário. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. aplica-se também multa.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo.No caso do nº I do parágrafo anterior. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores. impedir ou dificultar que a abandone: Pena . tutor ou curador.Procede-se. deste Título.reclusão. mediante ação pública: pública condicionada à representação. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família. entretanto. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena . conjunção carnal ou outro ato libidinoso. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. facilitá-la. § 2° Incorre nas mesmas penas: I . II . § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o.

reclusão. tutor ou curador.Manter... Manter.. § 1° Se o agente é ascendente.. madrasta. ou se Pena .. aplica-se também multa. de 3 (três) a 8 (oito) anos.reclusão..reclusão. outra forma de exploração sexual... casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual.... além da grave ameaça.... Pena . de 2 (dois) a 5 (cinco) anos... intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena . cônjuge... obrigação de da pena correspondente à violência. .. companheiro.Induzir ou atrair alguém à prostituição. cônjuge..... enteado..reclusão. de 1 (um) a 4 (quatro) anos...reclusão.reclusão.. ou não.. sem prejuízo da pena correspondente à violência.Se o crime é cometido com o fim de lucro.... de 3 (três) a 8 (oito) anos.. ou por quem assumiu...Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena . para fim libidinoso. e multa. companheiro. padrasto.. Art. e multa. tutor ou violência.reclusão. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.. Pena .. preceptor § 1º .. 49 .... 228 . impedir § 1º .reclusão.reclusão.. por conta própria ou de terceiro. fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência.. obrigação de cuidado. por lei ou outra forma. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. e multa. de 3 (três) a 6 (seis) anos. 229.. de 3 (três) a 6 (seis) anos.... enteado.. Pena . Art.Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º ... 229 . além da ou vigilância: multa. grave ameaça ou fraude: curador.. facilitá-la. Pena . madrasta. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena .. por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente. no todo ou em parte.Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima.. participando diretamente de seus lucros ou fazendo. exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art. 228.. § 2º . ou não.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.... e multa. Casa de prostituição Art. além assumiu.. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.reclusão..Tirar proveito da prostituição alheia... por art..Se o crime é cometido com emprego de irmão. por conta própria ou de terceiro.reclusão... proteção Pena . 230 . CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art. padrasto. intuito de lucro ou haja.Se o crime é cometido mediante violência.. Pena .§ 1º . haja.. irmão. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. proteção ou vigilância: § 3º . 230. preceptor ou empregador da vítima. Pena . cuidado. Rufianismo Rufianismo Art. § 2º .Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar.. 227: lei ou outra forma.

Art.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher. entretanto.ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS . • Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes. de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual. • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada. não há crime. • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima.RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos. 231. INCISO III. 50 .019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL . Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”. Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. Para refletir.RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO . considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual. Soa meio absurdo. A partir da leitura do quadro comparativo. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia. o texto ficará dúbio: Art.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . e não será a vítima a ser explorada. seria interessante a correção da redação desses artigos. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte. Outro ponto muito importante: para configurar crime. em tese. Se você analisar bem o texto. você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro.RECURSO MINISTERIAL . Promover ou facilitar a entrada. 231-A.Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004. • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima.. passou a abranger também o homem. verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. 8. em ambos os artigos. não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC .MANUTENÇÃO DO DECISUM . o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador.. no território nacional.ARTIGO 244-A DA LEI N. Assim sendo.069/90 . a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual.

Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais.1. TJ-RS . com foco muito acentuado na responsabilização da produção. 244-A. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. caput. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. p. 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. na verificação de uma situação como essas. o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. do ECA. Assim. PRELIMINARES PREJUDICADAS. 240 Comentário: Sobre o aumento de pena. APELO DEFENSIVO PROVIDO. Digiácomo (2010. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. um intermediário. na maioria absoluta dos casos. Tribunal de Justiça do RS. MÉRITO. é essencial identificar essa terceira figura. como "usuário". SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art. Em qualquer caso. (Apelação Crime Nº 70052760691. existe um aliciador. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. Sexta Câmara Criminal. não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais. UNÂNIME. que exige a submissão para a sua incidência. 51 . 1. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art.

do ECA. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. portanto. Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes. J. Significa não se exigir que. VIII. uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. em face da publicação. 241-B Art. Art. para a ocorrência do crime. o dano em potencial já é suficiente: VI. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. 59 do CP. 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. quando muito. 244- A.Esp. levará à caracterização do tipo penal do art. A experiência prévia pouco importa. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. portanto. em 19/10/2004 esclarece que. sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. 241-D Art. nº 617221/RJ. Rel. em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. VII. (2010. haja dano real à imagem. de alguma criança ou adolescente. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. a teor do disposto no art. bastando o potencial. Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. respeito à dignidade etc. 241-A Art. Gilson Dipp. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). Min. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. individualmente lesados. Art. ‘não se exige dano individual efetivo. 241-C Art. acima de qualquer individualização. tornando-as públicas. 308) 52 . poderá ser considerada (e ainda assim. restando. p. R. necessariamente. Para a caracterização do disposto no art. 5ª T. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. nos casos de exploração sexual.

PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. é formal. Em 2013. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual. Entretanto.Esp. tanto do CPB como do ECA.Rg.252/54. ressalvadas algumas questões pontuais. (STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. 6ª T. Felix Fischer. ou seja. Ag. J. para a partir daí. Min. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2. parece-nos que a lei nº 12. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. ou outra.. apenas no que concerne ao delito ora em discussão. CRIME FORMAL.015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. 1. traçar os objetivos para os anos vindouros. Agravo regimental a que se nega provimento. em 29/09/2009). como aspectos mais importantes. Rel. 1. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal. porém. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. os seguintes pontos: 53 . RECURSO ESPECIAL PROVIDO. declarando-se. 5ª T. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. no R. CORRUPÇÃO DE MENORES.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Essa revisão traz. a extinção da punibilidade do recorrido. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. OCORRÊNCIA. conforme você estudará no módulo 4. é primordial que a intervenção policial. Rel.1. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada. PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. bem como no Supremo Tribunal Federal. (STJ. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. 2. nº 696849/SP. Min. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. HC nº 128267/DF. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL. nacional e internacional. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”. ART.. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. Art. correlata ao assunto. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal. J. Maria Thereza de Assis Moura. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. [. 61 DO CPP.

. nacional e internacional. para a partir daí. correlata ao assunto. o Brasil vem. de 07 de agosto de 2009.015. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. profundas reformulações foram feitas. Exercícios 54 . as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. • Com o advento da Lei nº 12. traçar os objetivos para os anos vindouros. Em sua opinião. você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. Para refletir. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual.. Neste módulo. Nesse cenário. considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. • Em 2013... aos poucos. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais.

posse e utilização de material assim classificado. e multa 2. 1. Pornografia 3. de 4 a 8 anos. Com base na Lei nº 8. inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. divulgação. da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. ( ) recrutamento. ( ) trata-se de produção. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. Pena: reclusão. exibição. de 1 a 4 anos. Turismo sexual 4.Estatuto da Criança e do Adolescente.069/90 . compra. e multa 55 . é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. a proteção à criança e ao adolescente. e multa 3. No Brasil da atualidade. correlacione as informações abaixo. de 3 a 6 anos. transferência. associe as informações abaixo: 1. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão. 1. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3. distribuição. Prostituição 2. Pena: reclusão. venda. Pena: reclusão. transporte.

241-B. disponibilizar. por qualquer meio. ( ) Art. distribuir. Adquirir. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. publicar ou divulgar por qualquer meio. possuir ou armazenar. trocar. transmitir. 241-A. Vender ou expor à venda fotografia. fotografia. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. Oferecer. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático. 241. fotografia.

Gabarito 1. Resposta Correta: Letra B 3. Resposta Correta: Letra C 57 . Resposta Correta: Letra A 2.

O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente. • Aula 4 . • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e.Ações Preventivas. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes. 58 . • Reconhecer a importância das ações preventivas. em especial. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e. breves aspectos da atuação preventiva. bem como as suas atribuições. • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. finalmente. Objetivo do módulo Ao final do módulo. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1.

No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002. 59 . Estadual. 113. Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. com início em 2002 e cuja missão. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. Distrital e Municipal. (Art. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). como seu próprio nome enuncia. Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. dentro do PNEVSCA. como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000. foi feita nova revisão. O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. E em 2013. tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema. nos níveis Federal. na base estão as estruturas formais do Estado. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. a proposta é de integrar os vários atores sociais. 1º da Res. bem como para pedidos de ajuda. nos anos de 2003 e 2004. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. Como você já estudou. em 2000. logo abaixo a família e a sociedade e. integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. Considerando a complexidade do assunto. a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. Já no ano de 2006. Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção.

em função das suas atribuições prioritárias. 1. Veja a seguir. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência. à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). humanos. Dessa forma. em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática. para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles. Serviços e programas das políticas Ministério Público. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual. Defensoria Pública. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais. salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. São ações que interferem diretamente em ocorrências reais.1. De acordo com Teixeira (2000). Conselho Nacional (CONANDA). ainda que brevemente. Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. promoção e controle. medidas socioeducativas. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS). sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. de forma resumida. públicas. é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. Conselhos Municipais (CMDCA). Na atualidade. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. Dentro dessa rede.1 Entidades. 60 . medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. é importante conhecê-los.

apoio e acompanhamento temporários.encaminhamento aos pais ou responsável. V . subordinado ao ordenamento jurídico do país. O Conselho Tutelar é um órgão municipal. pode-se destacar. • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. em regime hospitalar ou ambulatorial. acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. quando necessário. II .inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade. porém. 101. VII . III . • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes.069 de 13 de Julho de 1990. como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias. em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA.inclusão em programa de acolhimento familiar. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. permanente e autônomo. 61 . à criança e ao adolescente. para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude. não jurisdicional. mediante termo de responsabilidade. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. É criado por Lei Municipal. • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental.requisição de tratamento médico. • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008). que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. e vinculado à Prefeitura do Município.orientação.acolhimento institucional. Entre as atribuições do Conselho Tutelar. aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família. VI .inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio.010. IV . (Redação dada pela Lei nº 12. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola. com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. Seus componentes são escolhidos pela comunidade local. no âmbito de suas decisões. definidos na Lei Federal nº 8. psicológico ou psiquiátrico. de 2009) VIII .matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. • Atender e aconselhar pais ou responsáveis. Resumindo.

As Polícias Civis e Federal atuam. após os crimes. Exerce as funções de escutar. adolescentes. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. internato. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. famílias. (2008. previdência. serviço social. Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. orientar. etc. reivindicações e solicitações feitas por crianças. cidadãos e comunidades. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. p. estão definidos no art. trabalho e segurança. 144 da Constituição da República. normalmente. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. aos adolescentes e às suas famílias. Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. Não assiste diretamente às crianças. pois todas são capazes de identificar. encaminhar e acompanhar os casos. educação. Todos os órgãos de segurança pública citados. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. 62 . assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. no dia a dia. ao adolescente e às suas famílias. bem como as suas macros atribuições. cada um em sua esfera de atuação. a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso.). aconselhar. Sousa et al.

é um serviço de promoção de Direitos Humanos. Portanto. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. As denúncias poderão ser anônimas ou. a floresta e as águas. denominado “Ligue-180”. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. é garantido o sigilo da fonte das informações. a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. Viver sem Violência’. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. O que gera um fluxo rápido de atendimento. sob amparo da Lei Maria da Penha. 63 . O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. mediante a utilização de unidades móveis para o campo. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. lançado em março de 2013. Em março de 2014. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. O Ligue 180 desempenha papel central. O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. ao lado do programa ‘Mulher. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. inclusive nas áreas rurais latu sensu. quando solicitado pelo denunciante. bem como. em 2005. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). assim como o Disque 100. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia.

prevenindo a ruptura de vínculos. sexual. Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal. promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. Além de ofertar serviços e ações de proteção básica.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). • CREAS .CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social. Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse. cuja execução é obrigatória e exclusiva.) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica. ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas).).Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . tráfico de pessoas. O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). etc. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação. como o Serviço de Enfrentamento à Violência. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias. • CRAS . o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. 64 . É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. porém sem rompimentos dos vínculos familiares. promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. psicológica. É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. (Ministério do Desenvolvimento Social. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social.

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

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conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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Se necessário. respeitosa e. Não permita interrupções. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto. Embora o enfoque dado seja aos educadores. sensível à situação. não preconceituosa. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração. Se está conversando com uma criança que. está sendo abusada. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. Ouça. culpa e vergonha. julgamentos morais sobre a postura da vítima. principalmente. de forma acolhedora. nem duvidar de que esteja falando a verdade. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. Importante! 68 . Por isso. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. contidas no Guia. mas também e principalmente. Por outro lado. a criança ou adolescente. livros e outros recursos lúdicos. mas.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. desenhos. possivelmente. atenta e exclusivamente. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. assim. Veja. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. busque o lugar onde ela se sinta protegida. em 2003. é necessário agir não só observando as regras legais. é fundamental não criticar a criança/adolescente. Busque um ambiente apropriado. 3. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. converse primeiro sobre assuntos diversos. a seguir. O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. Leve a sério tudo que disserem. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. não são desejados e precisam ser evitados. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. caso contrário. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo.

O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e. afirmando que raramente a criança mente. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. em geral. ao contar. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. da Senasp. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. Fique calmo. compreendendo o que ela está relatando. pois. ela agiu corretamente. Caso não haja. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. revivem sentimentos de dor. 55). para ter certeza sobre o ocorrido. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. culpa e medo. normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. ou temer serem levadas para longe do lar. esse mesmo guia reforça a mensagem. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. p. “não precisa chorar”. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. de fato. trata-se. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. principalmente.” (2003. e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. no momento que falam sobre o assunto. raiva. É muito importante manter a calma. mesmo que a situação nos cause emoção. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. Confirme com a criança se você está. Diante de um crime. 69 . os parâmetros precisam ser outros. nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. nessas situações. Seu relato deve ser levado a sério. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. Diga à criança que.

antes de tocá-la. Não trate a criança como uma “coitadinha”. dignidade e respeito. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. como você irá proceder. Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. Use o bom senso. No relatório.. sentem-se culpadas. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. 17 do ECA. são situações bastante delicadas para as vítimas.. tudo bem?”. não raro. Sem contar que é obrigação legal prevista no art. principalmente em casos de flagrante.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. em 70 . E avise à criança ou adolescente o que irá fazer. vez que a maioria se sente muito envergonhada e. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. Mesmo assim. a criança quer ser tratada com carinho. pois isso poderá indicar como estava se sentindo. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3. ressaltando sempre que ela estará protegida. Por ter caráter confidencial. Para refletir. deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas.

• Avaliar o risco da vítima no ambiente. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei. procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. Seguindo essas orientações. Procure entrevistar as pessoas. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. 11 do STF. quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. sobretudo. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão). Se for necessário usá-las. que regulam o uso das algemas. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas.especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. • Identificar pais ou responsáveis. são também aplicáveis aos adolescentes. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes.3 Outras observações Para além das recomendações descritas. 71 . • A existência de agressões anteriores. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte. é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. vir e estar. 3. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência. • Nos casos de atos infracionais. Na medida do possível. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. as regras previstas na Súmula Vinculante n.

262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento. É importante ressaltar que. o art. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta. o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. neste caso.. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. Consoante o título III da parte geral do ECA. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. ou durante a noite ou em finais de semana. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . 70. entretanto. Em vários artigos. ECA.. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível. 1990.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. tampouco o adolescente. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente. A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade. Art. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. partindo do artigo 70. não poderá nem a criança. Para refletir. É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial. as ações preventivas devem ser o foco das atenções.

Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. nos seis eixos estratégicos definidos. geração de renda. foram fixados objetivos. educação. Na atuação policial. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. 73 . ações. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. clínica-escola. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual. uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. 2.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. em especial da Polícia Rodoviária Federal.) buscando cessar as causas de violência. cronograma de execução. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. a realização de palestras quer para crianças. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. proteção jurídica. pode funcionar como prevenção secundária. através de rondas diárias e em horários diferentes. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. costumam ter resultados muito positivos. 3. quer para trabalhadores dos transportes. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. programas de creches. 5. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. etc. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas. executando o trabalho de prevenção primária. etc. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. Informar. sejam eles na esfera da saúde. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. metas. Nesse momento. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual. Da mesma maneira. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. 4. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. 4.

Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. principalmente.. Neste módulo. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa.. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental.. 74 . (Art. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico. 1º da Res. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. sensível à situação. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. secundária e terciária. bem como para pedidos de ajuda. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. promoção e controle. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. mas. 113. Distrital e Municipal. Mas. Concluindo. • De acordo com Teixeira (2000). e a cada biênio. modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. mas também e principalmente. nos níveis Federal. de forma acolhedora. Estadual. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica. você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. dentre eles a PRF. muito ainda resta a fazer. contando com comandos genéricos e. é necessário agir não só observando as regras legais. em função das suas atribuições prioritárias. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. • Consoante o título III da parte geral do ECA. principalmente. não preconceituosa. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. respeitosa e.. apesar de todos os avanços e resultados significativos.

descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. 8. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2. como o Serviço de Enfrentamento à Violência.655/95. julgue a veracidade das afirmações abaixo. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº. Inciso IX. nas rodovias federais. sem rompimento dos vínculos familiares.. Exercícios 1. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. • É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. em 2003. Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. por isso.069/90). Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência. compete à Polícia Rodoviária Federal. De acordo com o Artigo 1º. do Decreto nº. 1. efetuar a fiscalização e o controle. porém. Constitui-se em uma unidade pública estatal. culpa e vergonha. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados.

com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. educação. geração de renda. 4. sejam eles na esfera da saúde. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. Dirigida às vítimas e aos agressores. etc. proteção jurídica. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. Nesse momento. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 .

por profissionais especializados e capacitados. Resposta correta: Letra A 2. Resposta correta: Letra A 5. e em rede. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. 77 . Resposta correta: Letra D 4. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. Gabarito 1. Resposta correta: Letra D 3. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual.

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