Antes de iniciar o estudo deste curso, reflita sobre a matéria veiculada pela RBSTV, em 24 de novembro
de 2014.
MP flagra rede de exploração sexual de adolescentes no Norte do RS
Três pessoas foram presas durante ação de promotoria, em Machadinho. Esquema envolvia pelo
menos seis garotas entre 12 e 16 anos, diz MP.
O Ministério Público Estadual (MP) prendeu nesta segunda-feira (24) três homens suspeitos de
participar de uma rede de exploração sexual de adolescentes em Machadinho, município com cerca de 5,5 mil
moradores localizado no Norte do Rio Grande do Sul. A ação ainda encaminhou seis jovens entre 12 e 16 anos
para um abrigo, informou a Promotoria de Justiça do município de São José do Ouro.
De acordo com o MP, as investigações apontam que vários moradores de Machadinho são suspeitos
de contratar meninas para programas sexuais, que ocorriam no período da tarde. Automóveis, casas
abandonadas, margens de um rio e até o cemitério da cidade eram usados pelos envolvidos no esquema.
Responsável pelas apurações, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein detalhou que duas das
adolescentes recebiam comissão para recrutar outras garotas. A mãe de uma delas, conforme o MP, também é
investigada por fazer parte do esquema. Em um dos casos, outra mulher teria contratado uma das jovens para
fazer programa com o marido.
Durante a operação foi apreendido um revólver calibre 38 com numeração raspada na casa de um dos
presos. Na residência de outro investigado, foi localizada munição de espingarda calibre 12. Os presos foram
encaminhados para o Presídio de Lagoa Vermelha, na mesma região.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mp-flagra-rede-de-exploracao-sexual-de-
adolescentes-no-norte-do-rs.html

Os temas relacionados à violência contra as crianças e os adolescentes começaram a ganhar relevância
a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Onze anos depois, em 1959, surge a Declaração
Universal dos Direitos das Crianças, mas só nas duas últimas décadas que o assunto passou a aparecer nas
agendas do governo brasileiro e, em 2000, adotou-se um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
contra Crianças e Adolescentes que, embora tenha sido revisto por duas vezes (2006 e 2013), ainda revela a
falta de capacitação específica dos vários atores envolvidos com o tema, dentre eles, alguns órgãos policiais.
Portanto, este curso foi pensado para que você tenha acesso aos conhecimentos teóricos relacionados
à temática e auxilie nas ações de enfrentamento e prevenção desse problema tão grave.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e

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opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais. (art. 5º, ECA).

Bons estudos!

Objetivo do curso

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

• Compreender a doutrina de proteção integral;
• Conceituar violência sexual contra crianças e adolescentes;
• Distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Identificar o perfil das vítimas, dos agressores e as causas da exploração sexual de crianças e
adolescentes;
• Descrever e executar abordagens das vítimas de violência sexual de forma adequada e respeitosa;
• Identificar a legislação aplicável ao tema;
• Desenvolver ações preventivas sobre o tema.

Estrutura do curso

O presente curso foi dividido nos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Conceitos importantes sobre a temática;
• Módulo 2 – Aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes;
• Módulo 3 – Aspectos legais sobre a temática;
• Módulo 4 – Sistemas de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente e ações de prevenção.

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Acreditamos numa sociedade sem racismo.) as nossas lágrimas regarão com esperança o chão da dura realidade para sempre sonhar com a utopia de uma sociedade justa e igual.. sem sexismo e sem homofobia. MÓDULO CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A TEMÁTICA 1 Apresentação do módulo “(. infelizmente. você será capaz de: • Identificar como se estabelecem as relações interpessoais e o papel exercido pelo poder/dever de pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes. sem machismo. mas ao mesmo tempo. • Conceituar violência sexual praticada contra crianças e adolescentes e compreender suas modalidades. ameaçando com dureza todo o poder que gera opressã̃o. Por que isto acontece? Quais aspectos estão presentes nesta problemática? O Módulo 1 do curso de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem por finalidade situá-lo no âmbito dos conceitos que envolvem a temática.” Carta das Pastorais da Juventude do Brasil maio de 2009. • Conceituar e distinguir abuso e exploração sexual.. Cremos no fim de todas as prisões. parecem não dar conta de pôr um fim neste problema. Objetivo do módulo Ao final do módulo. Guararema – SP As campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes crescem a cada dia. • Correlacionar a violência sexual com os papéis culturais estabelecidos pela educação dentro da lógica da masculinidade. na construção de outras formas de organização da sociedade e na utopia de um mundo sem oprimidos/as e sem opressores. • Enumerar as causas da violência sexual. no fim de todas as formas de extermínio. 4 .

Para refletir Pense no seu papel dentro da sua família. condená-los e atá excluí-los da família. Nesse sentido Azambuja (2004. Você é homem ou mulher? É cisgênero ou é transgênero? É heterossexual ou é homossexual? Você contribui financeiramente para a manutenção da sua família? Como suas respostas a essas perguntas determinam quem você é e qual papel você exerce dentro do seu núcleo familiar? 1. • Aula 2 – A violência sexual contra crianças e adolescentes. o Chefe da Família. Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância De acordo com Azambuja (2006). podia castigá-los.1 A percepção da infância na antiguidade Na antiguidade. Estabelecem-se pela força (física. o pai no exercício do pátrio poder tinha o direito de punir. a autoridade paterna não conhecia limites. O pai. Se você analisar a história da humanidade por uma perspectiva sociológica. C). é sempre o menos forte. sendo que o pai tinha sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los (Tábua Quarta. com a obrigatória submissão do “menos” pelo “mais”. de expor. A família é o primeiro grupo social onde se vivencia essa relação de poder. psicológica ou outras). 5 . de vender o filho e até mesmo o direito de matá-lo. verá facilmente que as nossas relações se baseiam em poder. a Lei das XII Tábuas permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta. nº 1). p. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – Perspectiva histórica da proteção à infância. Em Roma e na Grécia Antiga a mulher e os filhos não possuíam qualquer direito.181) registra que: Em Roma (449 a. nº 2). o menos representativo que será submetido. o tratamento legislativo que a humanidade tem dispensado à criança se coaduna com a compreensão do significado da infância presente em cada momento histórico.

1. quando então. os espancamentos através de chicotes. portanto. Os órfãos do Rei Os órfãos do Rei eram as crianças. órfãos e degredados. a seguir. a punição física. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais. Disponível em: http://fabiopestanaramos. Para saber mais sobre essa face escondida da nossa história. Até então. vinham de Portugal nos navios para prestar serviços de toda ordem.br/2011/06/historia-dos-excluidos-bordo- das. e.com. As escolas eram frequentadas por crianças. adolescentes e adultos. 6 . as crianças podiam ser condenadas à pena de enforcamento por mais de duzentos tipos penais. leia o texto A história dos excluídos a bordo das caravelas e naus dos descobrimentos: grumetes. Na Inglaterra.2 A construção da percepção da infância no Brasil No Brasil não foi diferente.. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. Ainda.blogspot. consoante Azambuja (2006): É no final do século XVIII que a infância começa a ser vista como uma fase distinta da vida adulta. os principais fatos históricos pertinentes à construção da percepção da infância no Brasil até os dias atuais. em 1780. que junto com os marinheiros. (AZAMBUJA. paus e ferros como instrumentos necessários à educação. participavam das mesmas atividades. A história triste recontada por Azambuja (2006) ilustra bem a ótica da infância na chegada dos navegantes-descobridores. em caso de naufrágio normalmente eram deixados para traz para afundarem com o navio ou eram os primeiros a serem lançados ao mar para aliviar o peso da nau. A infância ficou ignorada por muitos anos ainda. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. Com o surgimento do entendimento de que a infância era uma fase distinta da vida adulta também passam a ser utilizados os castigos.. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. tratamento e atenção diferenciados. na Europa. inclusive sexuais aos adultos. 2006) Saiba Mais. merecendo.html Acompanhe.

a Lei Federal nº 4. 1830 Na evolução do direito destinado à tutela da infância e da juventude no Brasil. às penas aplicáveis em caso de crimes e à dosimetria dessas. • Entre 9 e 14 anos. Em meio à efervescência dos conflitos político-sociais e à crise econômica. Aos menores de 17 anos era vedada a aplicação da pena de morte. limitando a internação à idade de 17 anos. entre 17 e 21 anos. o critério adotado era o do discernimento. Início do século XX No início do século XX. que vigoraram no Brasil até 1830. que deveriam implantar as políticas formuladas pela FUNABEM. • E entre 14 e 17 anos. Quanto à maioridade penal: • O menor de 9 anos era considerado absolutamente inimputável. a pena aplicada era reduzida de 1/3 e cumprida em estabelecimento prisional industrial. 7 . ao arbítrio do juiz.513 criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – FUNABEM que ficou incumbida de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor em todo o território nacional. mas havia possibilidade de. abandonados e em situação de delinquência. 1964 Em 1964. Em 1830 entrou em vigor o Código Penal do Império que instituiu a inimputabilidade do menor de 14 anos. nasceu a Doutrina da Situação Irregular que tinha como proposta retirar os “menores” das ruas ou das famílias que não lhes assistiam e colocá-los sob a tutela do Estado. A partir daí. abolindo a pena de morte e instituindo um regime penitenciário de caráter correcional. as suas primeiras aparições restringiram-se à determinação da maioridade penal. mas que permitiu a internação desse em casa de correção desde que provado que agiu com discernimento. Nas Ordenações Filipinas. tem-se a criação das Fundações Estaduais do Bem-Estar do Menor. o Estado se viu compelido a tomar alguma iniciativa para tratar das crianças e adolescentes que viviam nessas situações. mas tinham penas abrandadas e. a responsabilidade criminal começava aos 7 anos de idade e até os 17 anos incompletos era utilizado o critério biopsicológico (idade + capacidade de autodeterminação) para determinar a apenação pelo cometimento de crimes. contavam com atenuante em função da idade. 1890 Em 1890 entrou em vigor o Código Criminal da República que inaugurou uma nova fase do ordenamento jurídico penal. ficando a critério do juiz verificar e decidir se a criança tinha agido com capacidade de entender e agir livremente na prática do ato. Nesse contexto. o Brasil foi marcado por várias iniciativas legislativas que tinham por intuito alcançar as crianças e adolescentes pobres. Entre 14 e 17 anos eram considerados imputáveis. serem aplicadas outras penas.

Parágrafo único. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. a serem merecedoras de atenção especial da família. até suspendendo o poder familiar. ação ou omissão dos pais ou responsável. quando convenha. V . ainda que eventualmente. de uma legislação moderna. direção ou educação de menor. em ambiente contrário aos bons costumes.637: Se o pai. cabe ao juiz.autor de infração penal. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. É um instrumento protetivo que tutela a vida e o patrimônio dos filhos. adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres. exerce. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão (Lei nº 10. 1. Entende-se por responsável aquele que. O código de menores (Lei nº 6697/79). conforme se pode observar nas previsões inseridas em seu art. abusar de sua autoridade. 1979 Em 1979 há uma reformulação do Código de Menores.privado de condições essenciais à sua subsistência. o seu foco continua sendo as crianças e adolescentes considerados em situação irregular. em seu artigo 2º. devido a: a) encontrar-se. saúde e instrução obrigatória. em razão de: a) falta. vigilância. 8 .406/02). o pátrio poder passou a ser denominado poder familiar e. IV .em perigo moral. ou a mãe. entretanto. ou o Ministério Público. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. VI .privado de representação ou assistência legal. considera-se em situação irregular o menor: I . 2º Para os efeitos deste Código. de modo habitual.Com desvio de conduta.Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível. Sendo que pode inclusive ser perdido em casos específicos determinados judicialmente. não sendo pai ou mãe. independentemente de ato judicial. 2o. definia a situação irregular da seguinte forma: Art. passou a ser um dever legal dado à família e em especial aos pais para garantirem o desenvolvimento saudável dos filhos. onde as pessoas de até 18 anos de idade incompletos passam. faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos. Com a equivalência de poderes e deveres entre homens e mulheres legalmente instituída no Brasil a partir de 1988. pela falta eventual dos pais ou responsável. mais que uma faculdade. em consonância com a Convenção Internacional sobre Direitos das Crianças. Parágrafo único . requerendo algum parente. psíquico e social. III . da sociedade e do Estado. II . a qualquer título.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. conforme previsão do Código Civil: Art. legalmente. 1988 A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo momento. para que se desenvolvam em todo seu potencial físico.

da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. o direito à vida.. portanto. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. a professora Glenda Mezaroba. à cultura. deixando clara a posição do Estado Brasileiro em reconhecer suas crianças e adolescentes como Sua garantia de continuidade e. à alimentação.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ) “O que são Direitos Humanos?”. pois dessa forma assegura a Sua própria existência. Saiba Mais. à dignidade.069/90.youtube. há necessidade de que as leis o protejam. da Constituição da República e do Estatuto da Criança e do Adolescente. ao respeito. em seus primeiros artigos. 227. ao lazer. 227 os pilares da Doutrina da Proteção Integral obrigando conjuntamente família. Aproveite e leia também o texto o Jogo dos Ricochetes do PRF Fabrício da Silva Rosa. 227 da Constituição e. sociedade e Estado no dever de garantir à criança e ao adolescente os cuidados necessários ao seu pleno desenvolvimento: Art. pois ele o ajudará a compreender por que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é. No Brasil da atualidade. genuinamente. à saúde. declara ter interesse em assegurar as gerações futuras. à educação. No vídeo (disponível em: https://www. Dito isso. discriminação. violência. assim.. Saiba Mais. Assista-o. norma de Direitos Humanos. 9 . genuinamente. mestre e doutora em Ciência Política. a proteção à criança e ao adolescente estabelece-se como decorrência da adoção da doutrina da proteção integral inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Todos esses documentos normativos estabelecem regras especiais para o tratamento das pessoas de até 18 anos incompletos. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra e os comentários técnicos. Lei nº 8. O Estatuto da Criança e do Adolescente. crueldade e opressão. uma vez que suas condições físicas e mentais o colocam em situação de fragilidade frente ao mundo adulto. engloba o espectro da proteção integral. com absoluta prioridade. não plenamente pronto e suficientemente desenvolvido para as lides da vida. é possível concluir que a legislação voltada à proteção das crianças e adolescente é.. visando ao seu pleno desenvolvimento. visto que sua principal característica é a proteção dos mais vulneráveis. à profissionalização. detentoras de direito à proteção diferenciada. norma de Direitos Humanos. verifica-se que por se reconhecer o menor de 18 anos como um ser humano em desenvolvimento.. A Constituição da República de 1988 prevê no seu art. sejam eles minorias ou não. Da legislação apresentada. reafirma a previsão do art. O Estado. exploração. É dever da família. explica quais são as condições mínimas que nos concedem uma vida digna e qual é o conceito geral dos direitos humanos.

. Pode-se concluir que os conceitos que na antiguidade tratavam filhos como bens submetidos ao pai. assista ao vídeo Parte 1 .youtube. De menino triste que sofre sozinho. E não sabe mais o que sente… Cabecinha boa de menino mudo. Antes de prosseguir nos seus estudos. qualificando esse arcabouço normativo como garantidor do desenvolvimento saudável do ser humano. do Promotor Paulo Afonso Garrido de Paula. Cabecinha boa de menino ausente. que não pediu nada. Aula 2 – A Violência sexual contra crianças e adolescentes Cabecinha boa de menino triste.com/watch?v=zsJitcDRbcI). Pelo medo de perder tudo. Cabecinha boa de menino santo Que do alto se inclina sobre a água do mundo Para mirar seu desencanto Para ver passar numa onda lenta e fria A estrela perdida da felicidade Que soube eu não possuiria. identifique o objetivo da ação e o perfil dos atendidos e relacione como a ação atende aos princípios da doutrina da proteção integral. Saiba Mais. evoluíram para tratar os menores de 18 anos como pessoas em desenvolvimento e merecedoras de tratamento especial e prioritário. implicando na adoção de posturas públicas e privadas de garantias desse tratamento protetivo. Cecília Meireles 10 .Proteção integral à criança e ao adolescente: responsabilidade coletiva (disponível em: https://www. Que não teve nada.. Que sozinho sofre – e resiste. e responda: Você tem conhecimento de ações voltadas à efetivação da doutrina da proteção integral na sua cidade? Busque alguma ação do governo local. O reconhecimento da posição de fragilidade das crianças e adolescentes reforça o aspecto da legislação que os protege como sendo essencialmente de direitos humanos. Que de sofrer tanto se fez pensativo.

escreva um conceito de violência para comparar com o que estudará a seguir. Ainda Foucault coloca o poder como correlação de forças e tensões dinâmicas que se exercem e se reafirmam a todo momento: (. 2. é evidente que implica de um em cima e um embaixo. Pensando as relações de poder como se conhece e vivencia. ou grupo ou comunidade que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão. o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e moveis. você é levado a pensar que em determinados momentos o ser humano estará confrontando atos de violência em nome da aquisição ou manutenção de um status. de alguma forma. são as condições internas destas diferenciações (FOUCAULT. reciprocamente. Faça breves anotações sobre os tipos de violências noticiados. A violência é presença perene na história das civilizações. alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS. outra pessoa. em uma forma de ameaça ou efetivamente.) que o poder não é́ algo que se adquire. que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos.250) esclarece que “na medida em que as relações de poder são uma forma desigual e relativamente estabilizada de forças. p. Neste sentido. 2002). Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como sendo: “O uso intencional da força física ou poder. são os efeitos imediatos das partilhas. TERRA) verifique quantas notícias de violência compõem a “primeira página” desses sites. Não se encontra exceção à sua existência. dano psíquico. Discorrendo sobre as relações de poder. contra si mesmo. Foucault (1979. e entendendo que elas normalmente se estabelecem pela força (física ou psicológica). p. estando sempre relacionada. 11 .. p. uma diferença de potencial”. 8) afirma que “a violência é um fenômeno antigo. desigualdades e desequilíbrio que se produzem nas mesmas e. Pare um minuto. morte. vá até a internet e nos sites de notícias (UOL.. G1. Agora. Você estudou que as relações sociais se baseiam em papéis e se estabelecem pelo poder. 2009.1 Compreendendo o conceito de violência Antes de você estudar especificamente a violência sexual contra crianças e adolescentes. mas lhe são imanentes. à aquisição ou manutenção de poder. Leal (1999. produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra aquela pessoa que se encontra em alguma desvantagem física.. relações de conhecimentos..104). arrebate ou compartilhe. é necessário conhecer alguns conceitos para uma construção sólida do entendimento do assunto. relações sexuais). algo que se guarde ou deixe escapar. De olho na realidade. emocional e social”.

o debate teórico sobre esse tema encontra-se dividido em duas posições: de um lado. Esses termos devem ser relacionados a vis (. quem és? A pedofilia na mídia impressa” são apresentadas.Caracterização da Violência Segundo a antropóloga brasileira. caráter violento ou cruel. Mais profundamente. 2. adjetivá-la e caracterizá-la. que procura problematizar a universalidade desse instinto. 1999 p. O verbo violare significa tratar com violência. força. profanar. nas palavras de Michaud (1986 p. um instinto ou energia sexual que conduz as ações e. quanto Michaud (1986)..). “essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações. 2 . isso servirá de parâmetro para problematizar o assunto. é preciso levar em consideração que existe também uma construção a respeito da sexualidade. a fim de ajudar na compreensão. contrapondo a ideia de que os contatos corporais entre pessoas 12 . da qual o abuso e a exploração sexual são espécies.Diferenças culturais sobre sexualidade Para Heilborn & Brandão (1999).2 Discutindo os conceitos e as características da violência sexual Para compreender a violência sexual é necessário aprofundar a conceituação de violência. 28). Em outras palavras. essa palavra vis significa a força em ação. 3 . o que. transgredir. o construtivismo social. ainda que rapidamente.Consideração da construção sobre a sexualidade Entretanto. o valor. A diferença entre eles você verá mais a frente ainda nesta aula. concordam que o termo violência vem do latim violentia. e portanto a potência. percepção essa que varia cultural e historicamente” (Zaluar. 1 .. de outro. em se tratando de um tipo de violência específico – a violência sexual –. a seguir. Tanto Zaluar (1999).Etimologia da palavra violência Ao iniciar uma discussão a respeito da violência sexual. torna-se necessário problematizar. a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar um ato como violento. 4 . 4) – as quais estão de acordo com Zaluar – significa “violência. o recurso de um corpo para exercer sua força. é possível dizer que existe uma construção histórica e cultural a respeito do que é ou não considerado violência. portanto. divididas didaticamente. o essencialismo. É. adquirindo carga negativa ou maléfica. a força vital”. ambos os termos: violência e sexual. cuja característica é a convicção em algo inerente à natureza humana. Importante! É importante entender que violência sexual é gênero. As definições postas por Landini (2003) no seu artigo “Pedófilo.

entre adultos e criança ou adolescente.A compreensão e interpretação das diferenças culturais Richard Parker (1999. 5 . 131-132). interferindo no seu desenvolvimento físico. surgida nos últimos anos. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada. ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior. intitulado Proteger para Educar: a escola articulada com as redes de proteção de crianças e adolescentes traz a seguinte definição para a violência sexual contra crianças e adolescentes: A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual). constitui-se em uma violação ao direito à sexualidade e à convivência familiar protetora. no prelo). 2007). em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto. alguns pontos em comuns. que tem por finalidade obtenção da satisfação sexual do adulto por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios encontra-se a seguinte definição de violência sexual: A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto. da sexualidade como socialmente construída tem redirecionado grande parte da atenção da pesquisa antropológica e sociológica não apenas para os sistemas sociais e culturais que modelam nossa experiência sexual. a partir da leitura e interpretação das definições apresentadas. nas quais haja uma diferença de idade.– que a sociedade ocidental chama de sexualidade – têm significados radicalmente distintos para as diferentes culturas ou até para diferentes grupos da mesma cultura. O Caderno 5 da Secretaria de Educação Continuada. mas também para as formas através das quais interpretamos e compreendemos essa experiência”. Esse tipo de violência compromete a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes. No âmbito da família. de tamanho ou de poder. Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC). cognitiva. concordando com essa segunda tendência. p. moral e sexual. (Caderno SECAD/MEC. Crianças e adolescentes não estão preparados física. sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. adiciona: “a compreensão. ameaça ou indução da vontade da vítima (AMORIM. psicológico. Nessa situação. É um ato delituoso que desestrutura a identidade da pessoa vitimada. não foi? 13 . o agressor pode se impor pela força. emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. Você deve ter observado.

econômicos e políticos. mas que normalmente vêm acompanhadas de outras violações decorrentes de um contexto no qual a criança ou adolescente vive.] a análise da violência contra crianças e adolescentes no Brasil deve ter como referência as questões histórico-estrutural e cultural para compreensão do fenômeno. mas de uma soma delas. pois demanda análise profunda das variáveis que o compõem. p. p. apresentando raízes nas relações sociais de classe. Não é fruto de uma única causa. reafirmam que suas causas são várias e não estão necessariamente ligadas à pobreza: Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes. brancos e negros. a exploração sexual atinge todas as classes sociais e está ligada também a aspectos culturais. multifacetado e de enfrentamento complexo. por ser ilegal e clandestina. (2010. • Uma criança ou adolescente vulnerável (sem condições físicas ou psicológicas de defesa ou reação). o que possibilita concluir. 55) 14 . e em especial de direitos sexuais. 2. Ao avaliar esse fenômeno. Envolve aspectos culturais. principalmente a violência sexual. [. adultos e crianças. é preciso considerar ainda fatores como a dimensão territorial do Brasil e a densidade demográfica. Ao contrário do que muita gente imagina. a exploração sexual comercial se manifesta de maneira complexa e tem inúmeras interfaces. sendo difícil de ser quantificada.. ainda. • Imposição da vontade de um adulto ou pessoa mais velha. Além disso. considerar a dimensão territorial. Reunindo esses elementos. ricos e pobres. a exploração sexual ainda tem pouca visibilidade. em função de o fenômeno apresentar- se de diferentes formas em cada região. e • O caráter sexual da ação.3 Causas da violência sexual Figueiredo e Bochi (2010). A violência contra crianças e adolescentes. com o respaldo de Leal (1999. • Uso da força física ou psicológica.7) que a violência sexual é um fenômeno social. econômica e social. analisando a exploração sexual (uma espécie do gênero violência sexual contra crianças e adolescentes). pois a situação se apresenta de diversas maneiras em cada região. você irá se deparar com situações de violações de direitos. Trata- se de um fenômeno mundial. sociais. gênero e etnia. que não está associado apenas à pobreza e à miséria. a densidade demográfica e a diversidade cultural. como as relações desiguais entre homens e mulheres.. é multifatorial. Deve.

a violência é́ um fenômeno antigo.. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual feminino são a submissão. Veja o filme “Anjos do Sol” (disponível em: https://www. a força. como são vistas e tratadas pelos adultos? Em uma pesquisa desenvolvida no Panamá e República Dominicana e apoiada pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) e pela Organização Internacional do Trabalho . encontram-se as que franqueiam ao homem – o macho . 4. se não puder ver tudo. BOCHI. A educação nas sociedades patriarcais ensina comportamentos para meninos e meninas. produto de relações construídas de forma desigual. tão jovens quanto o menino. na cultura patriarcal.. Uma vez que o uso das mulheres como objeto pelos homens esteja legitimado e enraizado na cultura. Saiba Mais. 1997). os homens aprendem a ter expectativas sobre o seu nível de necessidades sexuais e sobre a acessibilidade feminina. p. crianças e adolescentes de ambos os sexos. a vulnerabilidade está muito mais ligada às construções sociais dos papéis do feminino e do masculino. separando-os pelo sexo. a virilidade e a superioridade. (FIGUEIREDO. prostituição. sendo que as pesquisas têm confirmado que a incidência é maior entre as meninas e as mulheres – daí a questão de gênero ser compreendida como um conceito estratégico na análise desse fenômeno. a satisfação de seu impulso sexual faz parte das regras da natureza e apresenta-se como um direito legítimo. Ele tem o direito de usar as mulheres como objeto para seu prazer.] Com o estereótipo da supremacia masculina. 2010.com/watch?v=r88WqyseFes). emocional e social.OIT. a passividade. Implicitamente o abusador assume que é sua prerrogativa fazer sexo com qualquer mulher que ele escolhe.. do adulto e do infantil na família e na sociedade do que à classe social. criando papéis que 'deverão' seguir pela vida e. reflita sobre as questões a seguir: A história relatada. chamada Masculinidad y explotación sexual comercial. a violência vem sendo denunciada no ambiente domestico/familiar contra mulheres. onde as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. A dominação e a subordinação são sexualizadas. do filho que ao completar 15 anos é iniciado na vida sexual com a compra do sexo pelo pai.youtube. o que leva a ideia de que os homens têm o direito aos serviços sexuais da mulher. p. Os valores e prerrogativas culturais que definem o papel sexual masculino tradicional são o poder..a satisfação dos seus instintos naturais. 56) Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade. concentre-se entre 15’ e 20’ 4”. Un estudio cualitativo com hombres de la populación general vários aspectos importantes são conclusivos sobre as causas da exploração sexual de 15 . E que ao contrário do que se tende a pensar. Geralmente materializada contra pessoas que estão em desvantagem física. a dominação. ou seja. Historicamente. é (ou foi) comum em nossa sociedade? As meninas. a fraqueza e a inferioridade [. sexo turismo e abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino e de mulheres (MAHONEY apud CECRIA. o terreno está preparado para todas as formas de tráfico. dentro dessas regras postas.

sendo que mais 16 . nesse pensamento. o conceito de “corpo mínimo” e não de “idade mínima”. é irrelevante. dos números de denúncias recebidos pelo Disque 100. e lhe confere distinção frente aos outros homens. cerca de um milhão de menores de 18 anos sofram algum tipo de violência sexual. existem pedófilos que vivem uma vida inteira sem nunca tocar sexualmente em uma criança. passou a ser responsabilidade do governo federal em 2003. Todo pedófilo é um abusador? Não necessariamente. criado em 1997 por ONGs ligadas à defesa de crianças e adolescentes. • A criança ou o adolescente é mais facilmente manipulável. E nem todo abusador sofre do transtorno da pedofilia. O serviço. Sendo assim. evidencia-se. 1 em cada 3 ou 4 meninas e 1 em cada 7 ou 8 meninos irá sofrer algum tipo de violência sexual até atingir 18 anos de idade (SADOCK apud AZAMBUJA et al. 2.. • O corpo da criança/adolescente é visto como objeto passível de aquisição. que pode ser um homem ou uma mulher. Com relação às denúncias. pois o que vale é a sua compleição física. o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que.crianças e adolescentes. a idade da pessoa. As conclusões apresentadas pelo estudo confirmam a lógica da masculinidade como elemento cultural determinante na existência e perpetuação da violência sexual que afeta crianças e adolescentes. heterossexual ou homossexual.4 Dados e informações sobre a violência sexual Embora não haja números oficiais que quantifiquem quantas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de violência ao redor do mundo. • Na concepção dos homens pesquisados. como parâmetro de análise do problema. ainda que seja menor. O pedófilo. • O sexo praticado principalmente com adolescentes é visto como direito do homem. • O sexo com pessoas menores de idade confere prestígio ao homem. consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de crianças e adolescentes. esse número passou para 21 mil. especialmente se a criança ou o adolescente for virgem. segundo pesquisas da área médica. registra-se que foram recebidas 120 em 2004 e. Fonte: Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes No Brasil é possível se valer. E. pois seria parte do ser masculino. Por mais improvável que possa nos parecer. dentre as quais se destacam as que parecem mais relevantes e que corroboram a lógica da masculinidade. Pedofilia é uma doença. 2011). que se sente revigorado ao praticá-lo. anualmente. só no primeiro semestre de 2015.

45 %. das quais 4. estabelecer estratégias e rotinas de trabalho. é necessário acessar esses dados e baseados neles. No Mapa da Violência – Crianças e Adolescentes do Brasil 2012 está registrado.480 (21%) foram de violência sexual. Diferentes dos dados do Disque 100. Veja. outros dados relacionados ao Disque 100.1 Exploração sexual X Abuso sexual Você estudou que a violência sexual é gênero. No primeiro trimestre de 2015. 2. Há ainda. ou seja. Agora irá compreender a diferença existente entre os dois. 25% informam casos de violência sexual. nos quais a suposta vítima já se encontra identificada.36 %.761 denúncias estão descritas em alguma modalidade de violência sexual. o Disque 100 recebeu e encaminhou 124. 98. Assim.7%. Dessas. agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória que fornecem ao Poder Público informações importantes para tomada de decisões e intervenções com o intuito de salvaguardar a vida da população. 31. dos quais 39.079 denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes. Em 85% dos casos. observe: 17 . Norte 9. os casos de abuso e violência doméstica só passaram a ser inseridos nesse sistema em 2009. o Disque 100 recebeu 21 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes.de 4 mil diziam respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. que demandam ainda apuração para confirmação da violência e identificação da vítima e dos responsáveis. oferecendo condições de uma intervenção mais rápida e requerendo ação imediata. 40% atingiu pessoas entre <1 e 19 anos de idade. Sudeste 32. os números do Sinan oferecem dados mais concretos. com dados extraídos do Sinan para o ano de 2011. Até novembro 2014. da qual o abuso e a exploração sexual são espécies. Desse total.4. para otimizar os recursos e oferecer proteção efetiva às crianças e adolescentes vítimas de violência.115 casos de violência doméstica/intrafamiliar. Considerando os números da violência sexual. Sul 16.44 %. a seguir. Números do Disque 100 No ano de 2013. a denúncia dizia respeito a abuso sexual. Na página da Organização Não-Governamental Childhood há um quadro muito esclarecedor com as principais diferenças entre a exploração sexual e o abuso sexual. Centro-Oeste 10. Entretanto. No ranking das regiões que mais ofereceram denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2014 estão: Nordeste 30.41%.281. 84% são denúncias de abuso sexual e 24% de exploração sexual. foram recebidas 88.091 denúncias relacionadas a crianças e adolescentes. na medida da competência de cada órgão. o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) vinculado ao Ministério da Saúde e em cuja base de dados são inseridas informações de doenças.

• A pornografia (como abuso e não como subespécie da exploração) é considerada abuso sexual quando um adulto mostra material pornográfico à criança ou ao adolescente. Essas violações possuem tipificação penal e. seja ela Não envolve dinheiro ou gratificação financeira. tendo em vista que o consentimento da criança ou adolescente é irrelevante. masturbação. se restar comprovado. na qual o sexo é fruto de uma troca. que se materializará através de conversas (presenciais ou virtuais) sobre atividades sexuais. penetração vaginal e anal.A do CPB). Nos casos mencionados de abuso sem contato físico. o abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico. de favores ou presentes Acontece quando uma criança ou Crianças ou adolescentes são tratados como adolescente é usado para estimulação ou objetos sexuais ou como mercadorias satisfação sexual de um adulto É normalmente imposto pela força física. Exploração sexual Abuso sexual Pressupõe uma relação de mercantilização. também é possível. que é o ato de observar atos sexuais e os órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas. pela Pode estar relacionada a redes criminosas ameaça ou pela sedução Pode acontecer dentro ou fora da família Pode acontecer dentro ou fora da família Fonte: Chilhood (ONG) Segundo o Guia de Referência – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual da Childhood. Normalmente. sexo oral. a situação é muito perturbadora para a criança ou adolescente que se vê observado. que será caracterizado pela exibição dos órgãos genitais ou pelo ato de se masturbar em frente a crianças ou adolescentes. implicam na apenação do abusador. uma vez comprovadas. 218 . tentativas de relações sexuais. a ocorrência do crime de Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. E suas modalidades serão: • Abuso sexual verbal. com ou sem coerção. • Voyeurismo. • Exibicionismo. destinadas a despertar o interesse ou a chocar a criança ou o adolescente. 18 . Abuso sexual sem contato físico Abuso sexual sem contato físico normalmente envolverá o uso da violência psicológica. Abuso sexual com contato físico Abuso sexual com contato físico corresponde a carícias nos órgãos genitais.

ainda. priorizando o atendimento de suas necessidades nas esferas privada e pública. gênero e etnia.diariodepernambuco.069/90. “TJ considera prostituta e absolve fazendeiro”.. 19 . 227 da Constituição e. vale destacar que os números de denúncias recebidas pelo Disque 100 indicam que os casos de abuso são mais recorrentes nas relações intrafamiliares. principalmente a violência sexual. Neste módulo. professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental..shtml). Em sua opinião. Leia a reportagem e reflita sobre a situação colocada.514051/tj-considera- adolescente-prostituta-e-absolve-fazendeiro. o Conselho Tutelar da localidade deve ser notificado imediatamente. a infância era tratada ao sabor do pouco ou nenhum discernimento cultural no qual se vivia. • A violência contra crianças e adolescentes. desde o descobrimento até ao alcance da maturidade legislativa trazida pela Constituição da República em 1988. é multifatorial. Envolve aspectos culturais.. Para refletir. Ressalta-se. econômicos e políticos. • É importante entender que violência sexual é gênero. da qual são espécies o abuso e a exploração sexual. • O Estatuto da Criança e do Adolescente. engloba o espectro da proteção integral. sem uma profunda mudança cultural é possível a modificação do quadro de violência contra crianças e adolescentes? Finalizando. contudo. Você sabe como proceder nos casos de suspeita de ocorrência de violência sexual ou outros tipos de maus tratos contra crianças e adolescentes? Conforme previsão do art. • No Brasil não foi diferente. há a previsão de infração administrativa para o médico. Importante! Tanto o abuso quanto a exploração sexual podem acontecer dentro ou fora da família da vítima. em seus primeiros artigos. pré-escola ou creche que tenha conhecimento de maus tratos e não faça a comunicação à autoridade competente. que no art. Lei nº 8. começa-se a compreender que ela é uma fase de vida distinta das demais.com. você estudou que: • A infância ficou ignorada por muitos anos. 13 do ECA. mas de uma soma delas. portanto. tratamento e atenção diferenciados.br/app/noticia/brasil/2014/07/03/interna_brasil. reafirma a previsão do art. apresentando raízes nas relações sociais de classe. merecendo. Não é fruto de uma única causa. até começar a receber alguma distinção por volta do século XVIII. quando então. na Europa. sociais. (matéria disponível em: http://www. colocando a criança e o adolescente como centro das atenções no que diz respeito à proteção da pessoa humana. 245 do ECA.

à cultura. É dever da família. 227. atenção c) profissionalização. 3º. da comunidade. liberdade. igualdade d) discriminação. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. mental. profissionalização 20 . por lei ou por outros meios. saciedade. prioridade. com absoluta prioridade. ao lazer. • Uma das diferenças entre exploração e abuso sexual é que a primeira pressupõe uma relação de mercantilização. qualidade. da sociedade em geral e do poder público assegurar. a efetivação dos direitos referentes à vida. à dignidade. violência. leia atentamente os artigos abaixo. assegurando-se-lhes. à saúde. 4º. ao esporte. à educação. em condições de ______________ e de dignidade. na qual o sexo é fruto de uma troca. É dever da família. • Várias pesquisas sobre a violência sexual apontam sua origem na lógica da masculinidade.Art. ao respeito. espiritual e social. ______________. à dignidade. ao lazer. respectivamente: a) liberdade. ao respeito. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. todas as oportunidades e facilidades. Considerando a doutrina da proteção integral adotada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.Art. à cultura. à alimentação. exploração. Exercícios 1. crueldade e opressão. moral. CF . o direito à vida. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. na cultura patriarcal. com absoluta prioridade. distração b) perversidade. ECA . de favores ou presentes. • O abuso sexual pode se dar com ou sem contato físico.Art. à profissionalização. seja ela financeira. à educação. à ______________. à alimentação. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. à saúde. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. na qual as mulheres e as crianças são tidas como objetos de propriedade e de satisfação do homem. Os termos suprimidos dos textos acima são. ECA . sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei.

porque o Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais. por meio da estimulação sexual do infante ou do jovem. tem por finalidade: a) indução da vontade da vítima b) violação ao direito à sexualidade c) obtenção da satisfação sexual do adulto d) desestruturação da identidade da pessoa vitimada 4. as normas protetivas de crianças e adolescentes podem ser consideradas normas de Direitos Humanos. De acordo com Cançado Trindade. Você concorda com a afirmação: “a pobreza é a principal causa da exploração sexual de crianças e adolescentes”? 21 . 2. opera precisamente na defesa: a) da mobilização da sociedade b) das barganhas da reciprocidade c) dos ostensivamente mais fracos d) de um equilíbrio abstrato entre as partes 3. A violência sexual é todo ato ou jogo sexual (homo ou heterossexual) entre adultos e criança ou adolescente que.

a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza. Resposta Correta: Letra C 3. normalmente. 22 . Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. Resposta Correta: Letra C 4. Orientação de resposta: Quando abordamos o assunto. entretanto. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. a pobreza não constitui. por si só. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual. Gabarito 1. Resposta Correta: Letra D 2.

. as características.) Quem disse que a meninice é tempo de se cantar? Correr. os fatores.) Lembranças de minha infância Que eu não queria lembrar! Lamentos já tão distantes. 23 . 2005. as causas e os perfis (vítimas e exploradores) das pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes.. pg. • Aula 2 – Vítimas. MÓDULO ASPECTOS RELACIONADOS À EXPLORAÇÃO 2 SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Apresentação do módulo (. pular. você será capaz de: • Conceituar.. Estrutura do Módulo Este módulo possui as seguintes aulas: Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão.. • Identificar fatores de vulnerabilidade e risco para a ocorrência da exploração sexual de crianças e adolescentes. caracterizar e distinguir as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes. as modalidades. (ALBERTON.. Neste módulo você estudará mais especificamente os conceitos. • Identificar os perfis das possíveis vítimas e dos exploradores.. 122). Objetivo do módulo Ao final do módulo. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes. sonhar e brincar? . Que eu não posso sufocar! (.

estrategicamente. (2010. juntos. Bochi e Figueiredo. Leal (2003. referindo-se ao evento.1 Elementos do cenário Em 1996. e • Lucro. que permitisse um entendimento a partir dos pontos de vista histórico. p. esse fenômeno pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. o que guarda consonância com o conceito da Agenda de Estocolmo: Uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso (poder) do corpo de crianças e adolescentes (oferta) por exploradores sexuais (mercadores). em Estocolmo. organizados em redes de exploração local e global (mercado).8) conceitua a exploração sexual de crianças e adolescentes correlacionando demanda e oferta agregadas por outros elementos constitutivos do fenômeno. os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial e poder. cultural. A agenda também declara que o problema é um crime contra a humanidade. p. ou por pais ou responsáveis e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). confirmam essa visão: No mundo. • Ação (exploração/abuso). De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. explorador e abusador). econômico. na Suécia. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: • Sujeitos (vítima.58) Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. o enfrentamento desse fenômeno ganhou maior impulso em 1996. a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. social e jurídico. 24 . colocasse esse problema numa dimensão dialética. quando foi realizado o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes. O congresso teve como preocupação central construir um referencial que. A partir daquele momento. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação que deveria ser cumprida pelos países signatários com a finalidade de erradicar e punir severamente esse tipo de crime. Aula 1 – A exploração sexual de crianças e adolescentes: compreendendo a questão 1.

• Tráfico. • Exploração sexual no contexto do turismo. (CASTANHA.) quando se trata de crianças e adolescentes. É o adulto.1997). p. turismo sexual e pornografia infantojuvenil. A prostituição consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão”. por isso. Trata-se de prática pública e visível utilizada amplamente em todas as classes sociais e justificada pelo mito machista de que a sexualidade masculina é incontrolável e é a profissão mais antiga do mundo. que se aproveita da fragilidade física e psíquica da criança ou adolescente e oferece-a como mercadoria no comércio sexual. que estão em processo de crescimento e desenvolvimento. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: • Prostituição Infantil* • Pornografia. Fica. * É necessário observar que o termo “prostituição infantil” está aqui utilizado. “a exploração sexual inclui o abuso sexual. as diversas formas de prostituição. pois trata-se de cópia das modalidades conforme constam na Agenda de Estocolmo. moradia) ou acesso ao consumo de bens e serviços. vestuário. A prostituição infantil é uma forma de exploração sexual comercial ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação (…) As crianças e os adolescentes por estarem submetidos às condições de vulnerabilidade e risco social são considerados prostituídos (as) e não prostitutas (os). É válido ressaltar que. não se pode considerar que fizeram a opção livre e consciente para o exercício dessa profissão.4). 1. em seu lugar deve-se utilizar “exploração sexual de criança e adolescente”. da satisfação de necessidades básicas (alimentação. quando falamos de adolescente (porque quando o assunto é sexo com menores de 14 anos é considerado crime por violência presumida). o tráfico e venda de pessoas. p. 2008.” Na Agenda de Ação de Estocolmo. mas é um termo em desuso e. Figueiredo e Bochi (2010) reforçam esse entendimento relembrando o posicionamento da ONG europeia Agência Internacional Católica para a Infância (BICE): (. Prostituição Atividade do mercado do sexo na qual atos sexuais são negociados em troca de dinheiro.) Estude a seguir. porque implica deteriorização física e psicológica da 25 . a exploração sexual comercial de meninos. a prostituição não pode ser entendida como qualquer outro trabalho. todo o tipo de intermediação e lucro com base na oferta/demanda de serviços sexuais das pessoas. sobre cada uma delas.2 Modalidades de exploração sexual Para Costa e Leite (2005. o mais forte. portanto. a vontade e o discernimento não estão plenamente desenvolvidos..16).. e esse comércio somente ocorre porque há demanda. embora a classificação seja intitulada “prostituição”. evidente que para ocorrer a exploração a relação de poder é indispensável. (CECRIA.

A idade das crianças exploradas é cada vez menor. Para os especialistas participantes do Encontro sobre Pornografia Infantil na Internet. negativos. chamadas de prostitutas por uma sociedade hipócrita. Maria Amélia Barcks Duarte. um pacote de bolacha. São caminhoneiros. É oportuno mencionar a fala da Procuradora do Trabalho de Minas Gerais. Pornografia A definição para esse termo é difícil porque os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e referenciam convicções morais. entre sete e dez anos. pessoa. tiram proveito da vulnerabilidade social das meninas e adolescentes. significa “uma exposição sexual de imagens de crianças.. Essas crianças. segundo a INTERPOL. sexuais. incluindo fotografias de sexo explícito. prefeitos. na França. os homens. (. a sua ingenuidade e a sua infância por um prato de comida. que nunca brincaram de bonecas. sua satisfação sexual e sua integridade moral. São homens em quem confiaríamos os destinos de nossas filhas. No entanto. um chocolate. organizado em razão dos princípios econômicos de oferta e da demanda (2010. atualmente a pornografia infantil é considerada pelos especialistas como “todo material audiovisual utilizando crianças num contexto sexual” ou. sociais e religiosas que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. Essa forma de troca de favores sexuais converte a pessoa prostituída em produto de consumo. Os homens que usam essas meninas são pais de famílias que se apressam para proteger seus filhos das desgraças que os rodeiam. 58). pela pobreza dos seus pais. realizado em maio de 1999 em Lyon. vendem a sua virgindade. p. filmes. pela herança de violência doméstica. fique claro: crianças não se prostituem. crianças são prostituídas pela sociedade. concentrada na atividade sexual e nas partes genitais dessa criança”. padrastos. São indivíduos que fecham as portas de suas casas atemorizados com a violência dos bandidos. são violentadas em boleias de caminhão e abandonadas nas madrugadas frias das rodovias que transportam a riqueza do País.. um caramelo. na sua maioria. cidadãos acima de qualquer suspeita. Além de explorar as necessidades econômicas das vítimas. é “a representação visual da exploração sexual de uma criança. um tênis ou um batom.) Essas meninas. irmãos e das próprias mães. vereadores. culturais. pela impunidade que campeia na legislação penal e nos tribunais brasileiros. afeta sua individualidade. doutores. sacerdotes. 26 . prefaciando o Plano Nacional de Trabalho do Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho: Para início de conversa. que fogem da miséria de suas casas e dos maus-tratos de pais.

(FIGUEIREDO.. vídeos e discos de computadores”. que também. muitas vezes. O turismo pode ser autônomo ou vinculado a pacotes turísticos que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento. projeções. envolvendo turistas nacionais e internacionais (demanda) e crianças. a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual. por qualquer meio. o transporte. (. a servidão ou a remoção de órgãos. 58-59) A definição jurídica adotada em nosso país é dada pelo Art. adotado em Nova York em 25 de maio de 2000 e Ratificado pelo Brasil através do DECRETO Nº 5. recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação. BOCHI. o transporte..17) Tráfico de Pessoas para Fins Sexuais a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento. o trabalho ou serviços forçados. a transferência. ao engano.) c) O recrutamento. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. 2010. b) (. 2008. está associado ao tráfico de pessoas para fins sexuais ou para o trabalho escravo. que a descreve assim: Pornografia infantil significa qualquer representação. à fraude. o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios referidos da alínea a) do presente 27 . p. de uma criança envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas. ao rapto. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. Exploração sexual no contexto do Turismo É a inclusão da exploração sexual nas atividades econômicas da cadeia do turismo..) Os serviços sexuais comercializados nas atividades econômicas do turismo é prostituição.. adolescentes e jovens de setores pobres e/ou excluídos (oferta). A exploração incluirá. escravatura ou práticas similares à escravatura. p. revistas.16. à prostituição infantil e à pornografia infantil. (CASTANHA. no mínimo. 2 alínea c do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de crianças. a transferência.007. ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins primordialmente sexuais. DE 8 DE MARÇO DE 2004.

O caminhoneiro que a transporta. Se você investiu tempo assistindo ao filme “Anjos do Sol”. A cafetina que leiloa as meninas e a outra que explora a prostituição através da internet. As quatro modalidades de exploração conceituadas também estão presentes em todo o país. 1.2. Aquele que compra como aliciador. . . .Prostituição de meninas e meninos de rua. todas essas formas degradantes estão presentes nesse retrato fictício.Exploração sexual (garimpos prostíbulos. O dono da boate que a mantém em cárcere privado. de acordo com as características de cada região.1 Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil O Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) mapeou as cinco regiões do Brasil e identificou as principais modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes e suas formas de ocorrência. .Exploração sexual comercial em prostíbulos. portuária. Estão todas lá. releia os conceitos acima e procure identificar cada uma dessas modalidades de exploração sexual comercial dentro da narrativa do filme.Turismo sexual. Mapeamento das modalidades de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Brasil Norte . 28 . Nordeste .Prostituição nas ruas.. Artigo. fazendas e garimpos).Leilão de virgens. . Enfim. variando na forma de apresentação e na intensidade da ocorrência. complementar à convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) Para refletir. cárcere privado. que são apresentadas a seguir. (Protocolo de Palermo. .. O pai que vende a filha.Pornoturismo. mas inteiramente baseado na nossa realidade social.Prostituição nas estradas.

. Brasília. conforme atividade econômica: Prostíbulo fechado (.Rede de prostituição (hotéis. como cárcere privado. A análise do mapa permite inferir que a modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. Centro-Oeste . Sul .2. . .Exploração sexual comercial em prostíbulos/cárcere privado .Exploração sexual comercial nas fronteiras/redes de narcotráfico (Bolívia.Pornoturismo.. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão.Prostituição nas estradas. . . leilões de virgens.Turismo sexual. mutilações e desaparecimento. Sudeste . tráfico.) prostíbulos fechados. 1.Prostituição nas estradas. bem como pelas questões culturais locais.Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua. O aparecimento.2 Formas de expressão da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil De acordo com o Relatório. . o desaparecimento e a mudança das modalidades de exploração também são influenciados pelas variações da economia local. . Cuiabá́ e municípios do Mato Grosso).Exploração sexual comercial de meninos e meninas de rua/redes de narcotráfico.Prostituição de meninas e meninos de rua.Prostituição nas estradas do Sudeste.Exploração sexual comercial em prostíbulos. 29 . . . etc. . venda.). Prostituição nas estradas (postos de gasolina) e portos marítimos. ecológico e náutico.Denúncia de trafico de crianças. principalmente onde há um mercado regionalizado com atividades econômicas extrativistas em garimpos e que se apresenta sob formas bárbaras..Prostituição através de anúncios de jornais.

Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Menores em situação de rua (. Geralmente saem de casa.) Turismo sexual e a pornografia. sendo comum também. É marcadamente comercial. à tripulação de navios cargueiros. organizada numa rede de aliciamento que inclui agências de turismo nacionais e estrangeiras. principalmente de adolescentes do sexo feminino.. destina-se. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo portuário e de fronteira (. onde foram vítimas de violência física e/ou sexual ou foram submetidas a situações de extrema miséria ou negligência e passam a sobreviver nas ruas usando o corpo como mercadoria para obter afeto e sustento. nas regiões ribeirinhas. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) Turismo sexual (. principalmente nas regiões litorâneas de intenso turismo. fronteiras nacionais e internacionais da Região Centro- Oeste e zonas portuárias.. principalmente. como as capitais da Região Nordeste do país. Esta é uma situação observada nos grandes centros urbanos e em cidades de porte médio.) “Turismo portuário e de fronteiras. Trata-se.. Essa prática está voltada para a comercialização do corpo infantojuvenil e começa a desenvolver-se para atender aos turistas estrangeiros.) Violência sofrida por crianças e adolescentes em situação de rua.. Fonte: Relatório Final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001) 30 .. Inclui o tráfico para países estrangeiros. de adolescentes do sexo feminino. hotéis. negras ou mulatas. pobres. Nos portos. Mas é a própria população local a principal usuária da prostituição de crianças e adolescentes. taxistas e outros. Trata-se de exploração sexual. principalmente. entre jovens do sexo masculino.. comércio de pornografia. que acontece em regiões banhadas por rios navegáveis da Região Norte.

antes dos 7 anos de idade. Você conhece a realidade da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes na sua região? Pesquise a respeito e baseado nas modalidades apontadas acima. Corroborando esse pensamento Cordeiro e Coelho (2006) em pesquisa sobre origens e evolução do conceito de infância lecionam: Recorrendo-se a definição da palavra infância. e ao invés de “menor”. As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual carregam consigo o estigma que pesa sobre a infância. identifique as que ocorrem na sua cidade ou na região onde você trabalha. Importante! É importante entender que na medida que as pesquisas e o próprio enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes amadurecem. devem levar em conta a diversidade em que esta se apresenta.1 O perfil das vítimas As variações de incidência das modalidades de exploração sexual sugerem que a abordagem e o enfrentamento da questão. de expressar seus pensamentos. segundo o qual a criança e o adolescente são seres sem capacidade de expressão. da incompletude perante os mais experientes. Considerava-se que a criança.. exploradores e causas da exploração sexual de crianças e adolescentes 2. os conceitos e terminologias vão se adequando. Desde a sua gênese.. pois o perfil das vítimas e dos exploradores poderá apresentar variações consideráveis que requisitarão abordagens distintas. Assim. devemos usar “criança e adolescente”. não teria condições de falar. a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade. são seres subalternos. relegando-lhes uma condição 31 . “Turismo Sexual” e “menor”. oriunda do latim infantia. para se tornarem efetivos. De olho na realidade. quando formos nos referir a crianças e adolescentes nesse contexto. Identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante. devemos utilizar o termo “exploração sexual”. significa “incapacidade de falar”. Aula 2 – Vítimas. embora apareça na literatura estudada termos como “Prostituição Infantil”. seus sentimentos. principalmente para a atuação preventiva no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.

sem um espaço determinado socialmente. Nem sempre a infância foi vista como uma fase específica e própria da vida. no limiar deste século.4). sendo consideradas crianças as que tenham até 12 anos incompletos e adolescentes os que estejam entre 12 e 18 anos. para os efeitos desta Lei. Estabelecida a faixa etária das pessoas que são o centro deste debate é necessário indagar se existe um perfil que identificaria alguém como vítima em potencial da exploração sexual. geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. sendo que a característica de incapacidade e obrigação de submissão daqueles que se encontram nesse período da vida até muito pouco tempo era legitimada inclusive juridicamente. o art. COELHO. com as obrigações de obediência e submissão (FALEIROS. moral. e nem a criança sempre foi considerada um sujeito de direitos. inclusive juridicamente. 2º Considera-se criança. embora com rostos e musculatura de pessoas maduras (CORDEIRO. titulares de direitos e. ela foi definida. Faleiros (1997) ressalta que sua conceituação se dá de acordo com os sistemas culturais vivenciados. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido. 1997. p. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. lei nº 8. Na atualidade. como fase da incapacidade. p. Ampliando o que você já estudou sobre a infância no módulo 1. de cuidados especiais dadas às condições de desenvolvimento físico e psíquico que se encontram. distingue a criança do adolescente pela idade: Art. espiritual e social.884). conforme já estudado anteriormente: Art. Até recentemente. Era um ser anônimo. da tutela. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. (grifo nosso). portanto. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. todas as oportunidades e facilidades. 32 . principalmente. da menoridade. subalterna diante dos membros adultos. Ao serem representadas.069/90. por lei ou por outros meios. pessoas de até 18 anos incompletos. 3º reconhece- os. assegurando-se-lhes. a pessoa até doze anos de idade incompletos. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. 2006. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. E. As vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes serão. mental. principalmente através de pinturas. em condições de liberdade e de dignidade. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. no art.

1% dos casos.2% dos casos. anote em seu caderno (físico ou virtual) características que você considera como sendo “marcas” de vulnerabilidade para a ocorrência desse tipo de crime. conclui-se que qualquer criança ou adolescente.1. podem ser vítimas de violência sexual. devido às fragilidades que as envolvem.39) analisando o perfil de indivíduos que praticam violência sexual contra crianças e 33 . • Sai do interior do estado em busca de melhores condições de vida. Existe um perfil de crianças e adolescentes que os tornariam mais propensos a serem vítimas de violência sexual. 30. mas se refinarmos a pesquisa especificamente para a violência sexual.8% menos de 1 ano..2 Perfil dos Exploradores Segundo o Guia de Referência da Childhood – Construindo uma Cultura de Prevenção à Violência Sexual (2009. verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino.1 perfil das vítimas na modalidade turismo sexual A cartilha do Programa Turismo Sustentável e Infância (2007) traça um perfil das vítimas da exploração na modalidade turismo sexual: • É pobre. negra e mulher.5% foram físicas e 19. em se tratando de exploração sexual. 40. • Tem baixa escolaridade. 2.3% das vítimas de violência são do sexo feminino.. • Em 63. 2. Para refletir. em especial de exploração sexual? Com o que você estudou até agora somado às suas experiências pessoais. • 31. • É vítima de vários tipos de violência (psicológica ou física).8% entre 1 e 4 anos. Alguns outros dados trazidos do Sinan* pelo Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012) ajudam a traçar o perfil das vítimas e merecem nossa atenção: • 60.3% entre 10 e 14 anos. A partir dos dados apresentados. Nas violações sexuais. 10.3% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos.8% dos atendimentos decorrentes de violação de direitos foram de vítimas reincidentes. 21. as meninas adolescentes e em situação de vulnerabilidade social estão mais expostas a serem vitimizadas.9% entre 15 e 19 anos e 4. p. a violação de direitos ocorre na própria residência das vítimas. as meninas (crianças e adolescentes) foram vítimas em 83.9% sexuais. 28. No entanto. *Sistema de Informação de Agravos de Notificação Das pesquisas apresentadas. • Das violências atendidas. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista.

8% dos casos.32% dos casos eram mulheres ou homens que abusavam ou aliciavam a vítima para satisfação própria. não praticam atos de violência física contra a criança. a causa que normalmente se relaciona como principal fator é a pobreza.3 Causas da exploração sexual de crianças e adolescentes Identificar as causas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes significa identificar as fragilidades que contribuem para que nossas crianças sejam vitimizadas. fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. a associação da pobreza com a violência constitui uma perversidade. dentro da mesma pesquisa. não têm uma fixação erótica única por crianças. entretanto. as conclusões apontam que os violadores não são necessariamente pessoas que têm hábitos que os destaquem da população comum e permitam ser identificados com facilidade. policial. Agem de forma sedutora. p.24). Costumam ser “pessoas acima de qualquer suspeita” aos olhos da sociedade. eleva-se esse índice para 44. conquistando a confiança da criança. cit) é mais 34 .5% dos casos registrados pelo sistema de saúde.) e em 45. Portanto.1% dos casos o agressor é um completo desconhecido. etc. Nos casos de violência ocorrida no âmbito extrafamiliar em 17% dos casos o abusador era vizinho. somando aos casos em que o autor da violência foi o padrasto ou a madrasta. por si só. Que conclusão você tira sobre os dados e as informações apresentados? 2. os pais biológicos aparecem como os principais violadores com 39. a pobreza não constitui. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. foi identificado que em 54. Geralmente. Em um universo de 418 denúncias. Se forem somados outros familiares e pessoas com vínculos afetivos..1% dos casos registrados. mas são fixados no sexo. do sexo masculino. como namorados. Segundo Soares apud Barros (op. No Mapa da Violência contra Crianças e Adolescentes (2012). uma vez que. babá. em 21% dos casos o abusador mantinha algum tipo de relação de poder com a criança ou adolescente (professor. Muitos desenvolvem atividades sexuais normais com adultos. Estudos vêm apontando que o indivíduo que é adepto e/ou pratica pedofilia é aparentemente normal. o que facilita a sua atuação. o desejo independe do objeto. chega-se a 52. Quando se aborda o assunto. em mais de 90% dos casos. fator determinante para identificarmos a criança e/ou o adolescente como vítima em potencial de exploração sexual.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima.. Para Barros (2005. Para refletir. o agressor aparece como sendo. inserido na sociedade. médico. mais ainda se estigmatiza os pobres como seres perigosos. Só em 12. realizada no triênio 2000-2003. Considerando a pesquisa da Abrapia.adolescentes.

e de falta de motivação. 2004. (l) crianças e adolescentes com esse histórico tendem a apresentar maior propensão a experimentar deficiências de aprendizado (tanto por razões psicológicas quanto pelo fato de que as limitações econômicas dos pais impedem a oferta de acesso a escolas mais qualificadas. etnia e raça. (h) violência doméstica. valorizando-os). estilhaça as imagens familiares que serviriam de referência positiva na construção da identidade e na absorção de valores positivos da sociedade. (n) a saída da escola reduz as chances de acesso a empregos e amplia a probabilidade de que o círculo da pobreza se reproduza por mais uma geração. ela. 139). (b) menor escolaridade. A obra Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (Relatório Final – Brasil) sugere o estudo de dimensões que contribuiriam para a ocorrência do fenômeno. não pode ser apontada como causa da violência. mas. categorizando-as da seguinte forma: . emocional e cognitivo. na escola e pressão para o ingresso precoce no mercado de trabalho (mesmo que seja por uma participação intermitente e informal) tendem a precipitar o abandono da escola.Histórico Estruturais (Capitalismo/Globalização) – que impactaria nas relações de trabalho. . Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família.. o que fragiliza o desenvolvimento psicológico. da exploração sexual de crianças e adolescentes. 35 . e as interações sociais decorrentes da adoção desses conceitos e preconceitos. à desatenção e à rejeição dos filhos. Várias dimensões devem ser analisadas para que se chegue às causas da violência sexual e. veja a seguir. rebaixa a autoestima. sobretudo no contexto de desconforto e inadaptação. Tendo isso em vista. (j) vivência da rejeição na infância. inclusive para lidar com essas deficiências e para estimular os alunos. na geração de novas pobrezas. em especial. o padrão da dupla-mensagem e as artimanhas da invisibilização (SOARES. p. (c) menor acesso a oportunidades de trabalho. aumentam as probabilidades de que o adolescente experimente a degradação da autoestima. (i) geração de ambiente propício ao absenteísmo. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. especialmente se considerarmos o contexto social e cultural em que prosperam os preconceitos. (g) alcoolismo. (d) maior chance de sofrer o desemprego e o desamparo econômico e social. etc. na construção da cultura de consumo. por si só e isoladamente. normalmente.provável que haja um entrelaçamento de fatores nos quais a pobreza se encontra imbricada. (e) angústia e insegurança. (f) depressão da autoestima. (m) dificuldades na família.Culturais (multiculturais) – estão inseridos os conceitos e preconceitos decorrentes de gênero. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. (o) configurando-se este quadro. no aumento das desigualdades sociais. os demais fatores que podem ser apontados como causa: a) pobreza.

36 .Valores (ética) – os valores adotados socialmente influenciam decisivamente sobre a forma como as relações pessoais e interpessoais se processam. • Grupo Étnico. que passam a ser regidas pela lógica do consumo. . • Deficiência. responsabilização e legislação. Em termos individuais. com seus mecanismos. resultando em sua exclusão. exemplificando. Mas. • Posição Hierárquica Familiar. • Familiar.Legal – perpassa os aspectos de repressão. • Nível Educacional. esses fatores podem apresentar-se como fator de risco e colocar em vulnerabilidade determinada criança/adolescente ou determinado grupo. . o Training Manual to Fight Trafficking in Children for Labour.Política (políticas públicas) – mobiliza a capacidade de resposta governamental e social na prevenção do fenômeno e na atenção dirigida às crianças e adolescentes. . podem ser considerados aspectos relacionados a (ao): • Sexo. Investigar as dimensões apresentadas. Sexual and Other Forms of Exploitation enumera. • Idade.Psicossociais (comportamento) – o não reconhecimento e por conseguinte a não legitimação do grupo composto por crianças e adolescentes levaria a sociedade a excluí-los e estigmatizá-los. dentro da cultura capitalista há uma mercantilização das relações sociais. • Falta de conhecimento sobre a vida extrafamiliar. fatores que devem ser estudados. • Registro de Nascimento. • Exposição à pressão negativa de companheiro. facilitaria uma intervenção eficaz para fazer cessar a violência verificada e mudar o rumo da história das vítimas. e • Institucional. Segundo o autor. São eles: • Individual. . Na mesma linha de entendimento do fenômeno da exploração sexual de crianças e adolescentes. para além dos casos em concreto. • Comunitário. como fatores de risco pessoal. correlacionando-as aos casos verificados. • Separação da Família. é preciso extrair lições para as ações de prevenção. A seguir estude sobre cada um deles.

• Liderança comunitária e estruturas governamentais. dos costumes e hábitos dos grupos sociais envolvidos na exploração. os seguintes aspectos podem ser considerados para identificação de fatores de risco: • Geografia. • Estado de paz ou conflito. No aspecto institucional. • Doença ou morte na família. • Desastres naturais. serviços localizados. Como fatores de risco comunitários. • Famílias com muitos filhos. • Regime de serviços sociais. as seguintes situações podem influenciar na ocorrência da exploração de crianças e adolescentes: • Desemprego juvenil. das condições em que vivem as 37 . • Discriminação. • Nível de corrupção. • Tradição de migração. • Policiamento. Em termos familiares. • Conexão viária e transportes. • Grupo Étnico ou casta. • Acessibilidade a escolas e centros de treinamento. • Força normativa. • Violência na comunidade. demanda conhecimento do local em que ocorre. • Histórico de migração. podem ser identificados os fatores relacionados aos seguintes aspectos: • Família monoparental ou ausência continuada de um dos pais. • Violência intrafamiliar. • Economia. • Localização. • Renda insuficiente. • Centros de entretenimento e centros comunitários. Pelo que você estudou até aqui é possível concluir que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. • Tradições discriminatórias ou práticas culturais. • Dívidas. • Preferência por crianças do sexo feminino ou masculino. para ser feito de forma adequada e eficaz.

o agressor aparece como sendo. a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é categorizada em quatro formas de expressão. • A modalidade de exploração sexual apresentará variações de acordo com as características da região e será influenciada pelos componentes da economia local. leia o texto “Quando as putas são nossas” (disponível em: http://www. • Considerando a pesquisa da Abrapia. turismo sexual e tráfico. Saiba Mais. 38 . fixando-se a faixa etária preponderante entre 31 e 45 anos. • De acordo com o Relatório final sobre a Exploração Sexual Comercial de Meninos e Meninas e de Adolescentes na América Latina e Caribe (2001). Neste módulo. dentro da mesma pesquisa. você estudou que: • Em 1996 a humanidade avançou com a realização do I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescente. a exploração sexual comercial de meninos. e em mais de 80% dos casos com mais de 18 anos de idade. criou-se um referencial teórico e uma agenda para a ação. realizada no triênio 2000-2003. entre outros aspectos pontuais.dialogosdosul. explorador e abusador –. Elementos culturais presentes em determinadas comunidades são. em posse de tais conhecimentos.. • Do conceito adotado pela Agenda de Ação de Estocolmo é possível extrair os seguintes elementos que. e turismo portuário e de fronteira. juntos.55% dos casos o agressor tinha vínculo familiar com a vítima.. ação (exploração/abuso) e lucro. Finalizando. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades: prostituição infantil. fato que corrobora a vulnerabilidade feminina e a influência da cultura sexista.. pornografia.br/quando-as-putas-sao-nossas/31052015/) de autoria de Ilka Olívia Corado. comunidade e mesmo a sociedade na qual vive. do sexo masculino. Antes de prosseguir. foi identificado que em 54. Em um universo de 418 denúncias. • Das pesquisas apresentadas verifica-se a predominância das vítimas do sexo feminino. viabiliza- se a identificação das causas específicas e permite que sejam criadas estratégias adequadas de prevenção. conforme atividade econômica: prostíbulo fechado. normalmente. comporão o cenário para a configuração da exploração sexual de crianças e adolescentes: sujeitos – vítima. E.. turismo sexual e pornografia. • Na Agenda de Ação de Estocolmo. • Os fatores de risco existentes podem existir isoladamente em relação à criança ou envolver sua família. A partir daquele momento. menores em situação de rua.org. bem como pelas questões culturais locais. em mais de 90% dos casos. mais relevantes no momento de identificar a vulnerabilidade de determinados grupos do que a falta de recursos materiais que possam envolvê-los.crianças e adolescentes explorados.

c) hipocrisia. b) prazer. Vitimização. c) Prostituição Infantil. Turismo Sexual. 3. Pornografia. b) Vulnerabilidade. meninas e de adolescentes é compreendida nas seguintes modalidades: a) Prostituição Infantil. Na Agenda de Ação de Estocolmo. Exercício 1. Turismo Sexual e Tráfico. Encontre-as neste diagrama: (Esperar o Rafa fazer para a diagramação) V I O P I Ç Ã O T E S T N T R Á F I C O N P U D R O T I X L U B O R U A S V A O N T R I I Ç I T I Ç A E U U S S Ã O I T Ã N R R N M M O P T I O X A I Z E O S R U M E I B S E R S E O I A L E I M B C E X S Ç O Ã I L O R A X U T Ã P O D I R A N U A I O Z I U D U L T A L B I Ç Ã O A A E I L T U N E L M D R T L E L L F A F I O M E I M F O A V I L T A R Z P O R N O G R A F I A C R A T M D I D Ç L Ç I M V I O L A Ç Ã O Ã A V I L T A Ç Ã O T O 39 . os aliciadores e os clientes usam o corpo de um menino ou menina para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual com base numa relação de exploração comercial é: a) poder. Mercantilização. Na Agenda de Ação de Estocolmo. De acordo com a Agenda de Ação de Estocolmo. 2. d) Vulnerabilidade. a exploração comercial de meninos. a exploração comercial de meninos. d) prostituição. a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é um fenômeno que pode ser compreendido como todo tipo de atividade em que as redes. Satisfação Sexual e Tráfico. Mercantilização e Violação. Vitimização e Violação. meninas e de adolescentes é compreendida em quatro modalidades.

d) processar as famílias envolvidas. b) atuar preventivamente. identificar o perfil das vítimas de exploração sexual representa um passo muito importante principalmente para: a) punir os exploradores. No enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. c) desbaratar redes de aliciadores. 40 . 4.

Resposta Correta: Letra A 2. Resposta Correta: 4. Resposta Correta: Letra A 3. Gabarito 1. Resposta Correta: Letra B MÓDULO ASPECTOS LEGAIS SOBRE A TEMÁTICA 41 3 .

você será capaz de: • Acompanhar a evolução normativa nacional e internacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Nesse cenário. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. os marcos legais nacionais e internacionais. Objetivo do módulo Ao final do módulo. aos poucos. 42 . com o respectivo ano de promulgação. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pela seguinte aula: • Aula 1 – A proteção normativa Aula 1 – A Proteção Normativa 1. lado a lado.1 Marcos legais nacionais e internacionais A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. Com o objetivo de auxiliá-lo na compreensão dessa base. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a legislação vigente aplicável aos casos de violência sexual. o Brasil vem. • Identificar os artigos do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente relativos ao enfrentamento da violência sexual. o infográfico a seguir apresenta.

Lei nº 12. • Lei nº 11.Política Nacional de Redução da Morbimortalidade Por Acidentes e Violências. passando a denominá-lo “Crimes contra a Dignidade Sexual”. Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. 2010 43 .829/08 – Altera o ECA para redefinir e ampliar crimes relativos à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. 2001 . 2007 • Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Território Brasileiro. de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal – Dos Crimes Contra os Costumes. 2008 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. • Plano Nacional de Política Para Mulheres. • Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil: uma política em Movimento.Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil. • Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. • CPI da Pedofilia. 1996 .Decreto-Lei nº 2. tratados e outros instrumentos nacionais e internacionais.Estatuto da Criança e do Adolescente. pelo Brasil. 2009 . 2002 . • Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.Plano Nacional de Direitos Humanos. 2006 • Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos. 1988 .015/09 – Altera. 2003 . 2004 • Política Nacional de Assistência Social.Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA).848. Marcos Nacionais 1940 . Foram considerados marcos legais: planos e políticas governamentais decorrentes da assinatura. • Plano Nacional de Promoção. de convenções. 1990 . • Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente. • Política Nacional de Educação Infantil: Pelos Direitos de Crianças de 0 a 6 anos à Educação.Constituição da República Federativa do Brasil. entre outros. o Título VI do Código Penal Brasileiro.

• Convenção contra a Criminalidade Organizada – Protocolo adicional para prevenção. 2013 • Publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Marcos Internacionais 1948 . * mais adiante você estudará sobre a exploração sexual no contexto da prostituição sem intermediários de adolescentes entre 14 e 18 anos.Protocolos Facultativos à Convenção: • Relativo à participação de crianças em conflitos armados.Declaração Universal dos Direitos Humanos. mas os esforços têm sido grandes para fazer materializar a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta para crianças e adolescentes na sociedade brasileira.1 O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil (PNEVIJ) Dos Planos mencionados.1. 1989 .Declaração Universal dos Direitos das Crianças. 1. ainda encontrará lacunas que permitam ou facilitem a ocorrência de violência sexual*. • Relativo à venda de crianças. Leia. umas apoiam ou instrumentalizam as outras. Não obstante. à prostituição infantil e à pornografia infantil. 1959 . 2000 . Todas as normas enumeradas guardam relação entre si. • Plano Nacional pela Primeira Infância. na sequência cronológica de aparição. que diz respeito à definição dos seis eixos estratégicos que devem orientar a estruturação de ações no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. é bem possível que se for revê-las. merece destaque a estruturação trazida pelo PNEVIJ de 2000 (e confirmada nas suas revisões). • Plano Nacional dos Direitos Humanos – PNDH3. repressão e punição do tráfico de pessoas. a seguir. os comentários sobre as legislações ou normas que merecem destaques no conjunto apresentado. 44 . • Convenção 182 da OIT – focada na proibição e ação imediata para eliminação das piores formas de trabalho infantil.Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças.

as razões do olhar sobre a mulher dizia mais respeito à concepção sexista dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. antes da mudança da lei. Defesa e Responsabilização: Atualizar a legislação sobre crimes sexuais. com a mudança. Exemplo Dentro do eixo da defesa e responsabilização houve a atualização do Código Penal Brasileiro (CPB) que mudou o objeto jurídico dos crimes sexuais. a mulher sempre se viu em situação de vulnerabilidade. Atendimento: Efetuar e garantir o atendimento especializado. O dono da ação era o ofendido ou seu representante legal e. por profissionais especializados e capacitados. Prevenção: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual. do que pela proteção de que seria merecedora Outra situação relevante recaiu sobre o fato de que. comprometer a sociedade civil no enfrentamento dessa problemática. o SIPIA e as Delegacias especializadas de crimes contra crianças e adolescentes. o que em tese não deveria ser ruim. vez que a ação penal era privada. uma vez que. disponibilizar serviços de notificação e capacitar os profissionais da área jurídico-policial. as condições e garantia de financiamento do Plano. O interessado deveria provocá-lo se tivesse interesse. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. Protagonismo Infanto-juvenil: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos e comprometê-los com o monitoramento da execução do Plano Nacional. atuar junto à Frente Parlamentar no sentido da legislação referente à internet. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. tratavam a violência sexual. combater a impunidade. O que antes era tutelado pela moralidade e o pátrio-poder. entretanto. Dessa forma. historicamente. nos quais estão descritos crimes considerados contra os costumes. O mais interessante desses eixos é que há a possibilidade de alinhamento das ações desenvolvidas dentro das Instituições definindo o foco do enfrentamento à violência sexual. possibilitando que as crianças e adolescentes sejam educados para o fortalecimento da sua auto defesa. passou a tutelar a integridade física e psíquica da pessoa humana. como sendo assunto da esfera privada. Outra característica marcante da legislação revogada foi o foco na mulher como vítima. o diagnóstico da situação do enfrentamento da problemática. o Estado era impedido de agir de ofício. potencializando assim. 45 . Análise da Situação: Conhecer o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. o monitoramento e a avaliação do Plano e a divulgação de todos os dados e informações à sociedade civil brasileira. o abusador saía impune caso o representante legal optasse por não oferecer a queixa-crime. implantar e implementar os Conselhos Tutelares. divulgar o posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e avaliar os impactos e resultados das ações de mobilização. em grande parte. os artigos de 213 a 218 do CPB. a atuação estatal no enfrentamento desse problema. Mobilização e Articulação: Fortalecer as articulações nacionais. e em rede. ainda que em ações pontuais. no caso da vítima ser criança ou adolescente.

CPB antes da Lei nº 12. várias mudanças foram implementadas.reclusão. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais.Constranger mulher à conjunção carnal.reclusão. 213.015/09 Estupro Estupro Art. meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena . a seguir.Se da conduta resulta morte: Pena .2 Outras mudanças advindas da Lei n° 12. que podem ser constatados pelo fato de: o CPB referir-se a isso expressamente. 1. As exceções ocorriam no caso da família ser pobre quando a ação penal tornava-se pública condicionada e no caso do crime ter sido cometido com abuso do pátrio poder ou por alguém na qualidade de tutor ou curador. visando ao combate da exploração sexual. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato mediante fraude: libidinoso com alguém. § 2º . de 1 (um) a 3 (três) anos. profundas reformulações foram feitas.reclusão. Posse sexual mediante fraude Violação sexual mediante fraude Art.015/09 CPB após a Lei nº 12. Constranger alguém. Art. ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena . a ter conjunção carnal ou a praticar Pena . Observe as diferenças.reclusão. conforme já visto). criando-se alguns tipos específicos aplicáveis a crianças e adolescentes. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. ou por tratar o vulnerável como vítima (situação que abrange crianças e adolescentes por conta de suas especificidades. O Título VI do Decreto Lei nº 2828/40 recebeu a denominação de “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”. de 8 (oito) a 12 (doze) anos.015/09 Com o advento da Lei n° 12. focando a proteção na dignidade do ser humano. 215. 46 . 213 . mudando o objeto jurídico de proteção. Nesse sentido. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena . de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1º . 215 .reclusão. tratando os direitos sexuais como direitos humanos.reclusão.1. mediante fraude ou outro Pena .015. Art. em que a ação passava a ser pública incondicionada. mediante violência ou mediante violência ou grave ameaça: grave ameaça. Veja. uma comparação entre o texto anterior do CPB e o atual.Ter conjunção carnal com mulher. de 6 (seis) a 10 (dez) anos. de 07 de agosto de 2009.

. § 2º .. com ela praticando ato de Pena .... 218 .Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena .... 216-A.. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.. 218...reclusão... menor de 18 (dezoito) e maior de 14 obter vantagem econômica.reclusão... 218 . Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 a satisfazer a lascívia de outrem: (dezoito) anos.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena .. § 4º . Praticar. Parágrafo único. cargo ou função86. Parágrafo único ..(VETADO) § 3º . (VETADO) Estupro de vulnerável Art. ou induzi-lo a presenciar. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CAPÍTULO II CAPÍTULO II DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Art.. libidinagem.Corromper ou facilitar a corrupção de Art....reclusão.. Assédio sexual Assédio sexual Art. ou que..... Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art. não pode oferecer resistência.. § 1º ..... não tem o necessário discernimento para a prática do ato. Constranger alguém com o intuito de Art.detenção... de 1 (um) a 2 (dois) anos..A.. ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena .... por qualquer outra causa. 217-A..Se da conduta resulta morte: Pena . Pena .reclusão. .. 216-A........reclusão. aplica-se também multa. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.. superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego.. na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos. (catorze) anos: Pena ... Se o crime é cometido com o fim de mulher virgem..Se o crime é praticado contra Parágrafo único...reclusão....... de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.A pena é aumentada em até um terço se a prevalecendo-se o agente da sua condição de vítima é menor de 18 (dezoito) anos. obter vantagem ou favorecimento sexual. 47 . por enfermidade ou deficiência mental... § 2º ....

o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. aplica-se também multa. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável Art.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. impedir ou dificultar que a abandone: Pena . ou da qualidade de padrasto. entretanto. deste Título. II . facilitá-la. § 2° Incorre nas mesmas penas: I . § 2º . Ação penal Ação penal Art. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. mediante despesas do processo. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. tutor ou curador. I . 48 . a ação do Ministério Público depende de representação. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena . Submeter. somente se procede mediante queixa.Nos crimes definidos nos capítulos Art. II . procede-se mediante ação penal § 1º .o proprietário.No caso do nº I do parágrafo anterior. entretanto. mediante ação pública: pública condicionada à representação. por enfermidade ou deficiência mental.reclusão. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. § 1° Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica.Procede-se. 225. § 3° Na hipótese do inciso II do § 2o. sem privar-se de recursos ação penal pública incondicionada se a vítima é indispensáveis à manutenção própria ou da família.reclusão. 218-B. conjunção carnal ou outro ato libidinoso. Procede-se.se o crime é cometido com abuso do pátrio poder.se a vítima ou seus pais não podem prover às Parágrafo único. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II anteriores. 225 . induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que.

. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.. impedir § 1º . padrasto... e multa.. ou por quem assumiu. Pena .. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.reclusão. CAPÍTULO V CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Favorecimento da prostituição Favorecimento da prostituição ou outra forma de Art.reclusão. tutor ou curador.. e multa. exploração sexual facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Art. 227: lei ou outra forma. enteado. irmão. para fim libidinoso. de 3 (três) a 8 (oito) anos.. 228.Se o crime é cometido com o fim de lucro. 49 . por quem a 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por exerça: ascendente.reclusão..... 228 . Pena ... por conta própria ou de terceiro... Manter........ além assumiu.Se há emprego de violência ou grave ameaça: § 2º . Induzir ou atrair alguém à prostituição ou Pena . § 2º .. .reclusão.....reclusão. por lei ou outra forma..Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou dificultar que alguém a abandone: artigo anterior: Pena . proteção ou vigilância: § 3º ... e multa. Pena . Pena . facilitá-la. ou não. madrasta. padrasto.. e multa... madrasta. cuidado...Se o crime é cometido com emprego de irmão. ou se Pena . Pena .reclusão.Se o crime é cometido mediante violência. casa de prostituição ou lugar destinado a encontros estabelecimento em que ocorra exploração sexual. intuito de lucro ou haja.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.reclusão. de 3 (três) a 8 (oito) anos.. cônjuge. 230 . além da grave ameaça. 230. enteado...reclusão. por art... 229 . participando diretamente de seus lucros ou fazendo. outra forma de exploração sexual. preceptor § 1º . preceptor ou empregador da vítima. companheiro. no todo ou em parte... intuito de lucro ou mediação direta do mediação direta do proprietário ou gerente: proprietário ou gerente: Pena . proteção Pena ..Tirar proveito da prostituição alheia. grave ameaça ou fraude: curador. cônjuge...reclusão... de 3 (três) a 6 (seis) anos. Pena . sem prejuízo da pena correspondente à violência. haja. por conta própria ou de terceiro.. aplica-se também multa.. obrigação de da pena correspondente à violência. de 3 (três) a 6 (seis) anos.. Casa de prostituição Art. Rufianismo Rufianismo Art...§ 1º .. § 1° Se o agente é ascendente. 229... de 2 (dois) a 8 (oito) anos....reclusão.. tutor ou violência.reclusão.... § 2º . Art... companheiro. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. Art. fraude ou outro meio que impeça ou multa e sem prejuízo da pena correspondente à dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: violência.Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do ou empregador da vítima. ou não. além da ou vigilância: multa. obrigação de cuidado.Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de se sustentar.Manter..Induzir ou atrair alguém à prostituição.

Para refletir. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). • Foi instituído o segredo de justiça como regra nos processos que apuram esses crimes. no território nacional. entretanto.SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO OU EXPLORAÇÃO SEXUAL . A partir da leitura do quadro comparativo. Observe que se você eliminar a palavra “prostituição”. 231-A. Outro ponto muito importante: para configurar crime. 231. de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual. não? Veja algumas jurisprudências que confirmam esse entendimento: TJ-SC . não há crime. INCISO III.019116-2 APELAÇÃO CRIMINAL ..ARTIGO 244-A DA LEI N. ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro.069/90 . o texto ficará dúbio: Art..ADOLESCENTE JÁ ENTREGUE A TAIS PRÁTICAS . • Foram criados aumentos de pena em razão da idade da vítima. veja algumas: • Nos tipos onde a vítima era somente a mulher. considera-se que a redação não ficou exatamente como se pretendia. Promover ou facilitar a entrada. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Em ambos os casos. Assim sendo. seria interessante a correção da redação desses artigos. Se você analisar bem o texto. 8.RECURSO MINISTERIAL . 50 . o sexo com adolescentes entre 14 e 18 anos necessita de um intermediário aliciador. você conseguiu perceber as diferenças? Em sua opinião.Apelacão Criminal : APR 191162 SC 2004. considera-se que o legislador pretendeu punir aquele que promove o tráfico de pessoa com a finalidade da exploração sexual. • A ação penal no caso da vítima menor de 18 anos passou a ser pública incondicionada. a redação dúbia dá a entender que a pessoa exercerá uma forma de exploração sexual. fugiu alguma coisa ao olhar do legislador? Ou todas as situações que implicam em violência sexual contra crianças e adolescentes foram bem contempladas nos tipos penais? Ao realizar o exercício proposto você deve ter percebido que profundas mudanças foram feitas e todas com um apelo protetivo muito forte.RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.RÉU QUE NÃO SUJEITA OU OBRIGA A VÍTIMA À PRATICAR PROSTITUIÇÃO . verá que algumas questões precisam ser melhoradas: • nos artigos 231 e 231-A. em ambos os artigos.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA QUE RECONHECEU A ATIPICIDADE DO FATO (ARTIGO 386.MANUTENÇÃO DO DECISUM . passou a abranger também o homem. Se você estiver frente a uma situação onde a garota ou o garoto “optou pela prostituição”. Soa meio absurdo. • Alguns tipos novos foram criados considerando a situação de vulnerabilidade da vítima. Art. e não será a vítima a ser explorada. em tese.

A prova produzida nos autos evidencia um agir voluntário da adolescente em se prostituir. um intermediário. Tribunal de Justiça do RS. caput. 244-A. é essencial identificar essa terceira figura. PRELIMINARES PREJUDICADAS. MÉRITO. Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório. Veja a seguir os artigos seguidos pelos comentários: Art. APELO DEFENSIVO PROVIDO. Em qualquer caso. se vale dos "serviços" de adolescente já entregue à prostituição. TJ-RS . 303) esclarece que: A lei pune com maior rigor aqueles que. Julgado em 12/07/2013) Apesar desse entendimento ser também o entendimento dos tribunais. que exige a submissão para a sua incidência. prevalecendo-se de sua função ou da relação de parentesco ou proximidade com a criança ou adolescente. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. 51 . 240 Comentário: Sobre o aumento de pena. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. (Apelação Crime Nº 70052760691. 1. na verificação de uma situação como essas. do ECA. PRELIMINARES DE NULIDADE PREJUDICADAS. o eventual “consentimento” da vítima e/ou o fato de já ter se envolvido em situações similares no passado é absolutamente irrelevante para caracterização do crime. O verbo núcleo do tipo ("submeter") reflete a conduta daquele que põe a criança ou adolescente em situação de exploração sexual. existe um aliciador.1. ARTIGO 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. que irá lucrar com a exploração daquela adolescente. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. UNÂNIME. como "usuário". Assim. na maioria absoluta dos casos.Apelação Crime : ACR 70052760691 RS APELAÇÃO CRIMINAL. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. Não comete o crime do artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente o agente que. para que se configure a exploração sexual e possa-se capitulá-la dentro de alguma das previsões legais. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. a induz à prática das condutas que o dispositivo visa coibir. Digiácomo (2010. p. Sexta Câmara Criminal. conduta que não se coaduna com o elemento nuclear do tipo previsto no art.3 A exploração sexual no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. não a daquele que se vale de condição preexistente para satisfazer seus desejos sexuais.

Min. portanto. em especial daquelas que se encontram em condição de maior vulnerabilidade. (2010.Esp. independentemente de qualquer "experiência prévia" da vítima (e crianças e adolescentes sujeitas à exploração sexual como tal sempre devem ser tratadas). ‘não se exige dano individual efetivo. restando. uma vez que permitiram a difusão da imagem para um número indeterminado de pessoas. resta caracterizada a conduta descrita no tipo penal previsto no art. portanto. Significa não se exigir que. J. Art. bastando o potencial. A experiência prévia pouco importa. a teor do disposto no art. Rel. VII. nos casos de exploração sexual. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O tipo se contenta com o dano à imagem abstratamente considerada. acima de qualquer individualização. Se os recorridos trocaram fotos pornográficas envolvendo crianças e adolescentes através da internet. individualmente lesados. Gilson Dipp. sem dúvida passa pelo reconhecimento de que. 59 do CP. nº 617221/RJ. a mesma invariavelmente se encontra em posição de inferioridade em relação ao agente. mas o adulto que se aproveitando de sua vulnerabilidade a submete e explora. 241-A Art. 241-C Art. o dano em potencial já é suficiente: VI. Quem é julgado não é a criança ou a adolescente. 5ª T. 244-A Comentário: É importante ressaltar que mesmo aquelas crianças e adolescentes que sobrevivam da exploração sexual estão inseridas na proteção que este artigo pretende dar. VIII. para a ocorrência do crime. Art. do ECA. 308) 52 . em face da publicação. quando muito. tornando-as públicas. 241-D Art. poderá ser considerada (e ainda assim. de alguma criança ou adolescente. Para a caracterização do disposto no art. 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. em 19/10/2004 esclarece que. R. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção integral a todas as crianças e adolescentes. sempre presente uma relação desigual de poder e de "submissão" que. respeito à dignidade etc. 241-B Art. 244- A. 241 Comentário: O julgado proferido pelo STJ. sem qualquer carga de preconceito ou discriminação) apenas para fins de "dosimetria da pena". Digiácomo confirma esse pensamento com a seguinte fala: A garantia da cidadania plena de todas as crianças e adolescentes. haja dano real à imagem. p. levará à caracterização do tipo penal do art. sendo para tanto absolutamente irrelevante a conduta da vítima que. necessariamente.

porém. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Rel. PRESCRIÇÃO DECLARADA DE OFÍCIO. ressalvadas algumas questões pontuais.. nº 696849/SP. no R. o entendimento no sentido de que o crime tipificado no artigo 1o da revogada Lei 2. 5ª T. em 29/09/2009). a extinção da punibilidade do recorrido. J. Rel. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (STJ. os seguintes pontos: 53 .015/09 representou um passo dos mais importantes no sentido da adequação legal ao enfrentamento pretendido. declarando-se.252/54. Min. É assente neste Superior Tribunal de Justiça. ocorra no sentido de fazer a violência cessar e minimizar os impactos para a vítima. bem como no Supremo Tribunal Federal.Esp. [. como aspectos mais importantes. ainda persistiu a percepção de necessidade de mudança da legislação para resguardar e responsabilizar de forma mais adequada as situações de violência sexual. traçar os objetivos para os anos vindouros. 61 DO CPP. 1. 244 – B Comentário: Interessante ressaltar aqui que o crime se configura independentemente da criança ou adolescente ter antecedentes na prática de infração penal. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Felix Fischer. Min. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação.Rg. iniciada já em 2003 e publicada em 2008. OCORRÊNCIA. apenas no que concerne ao delito ora em discussão. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. em 05/05/2009) e PENAL E PROCESSO PENAL.. correlata ao assunto. CORRUPÇÃO DE MENORES. Entretanto. (STJ. para a partir daí. conforme você estudará no módulo 4. 2. nos termos do artigo 61 do Código de Processo Penal. ART. 1. J. 6ª T. atual artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. ou seja. Agravo regimental a que se nega provimento. Em 2013. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.] “o país ainda carece de uma ampla reforma de sua legislação penal. Essa revisão traz. é formal. PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DA EFETIVA CORRUPÇÃO DO MENOR. tanto do CPB como do ECA. a fim de se adequar ao paradigma dos direitos humanos sexuais”. ou outra. a sua caracterização independe de prova da efetiva e posterior corrupção do menor. em virtude da prescrição da pretensão punitiva. Art. nacional e internacional. é primordial que a intervenção policial.1. Maria Thereza de Assis Moura. parece-nos que a lei nº 12. Importante! Observada a ocorrência de quaisquer das situações descritas nos artigos acima. Ag. CRIME FORMAL. HC nº 128267/DF. Veja o julgado proferido pelo STJ nesse sentido: Ordem denegada.4 Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Na Revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito.

. • Com o advento da Lei nº 12.. e • Fazer interface com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes. fruto do amadurecimento e do entendimento do problema. as previsões voltadas a responsabilizar os que exploram ou se beneficiam de alguma forma da exploração sexual de crianças e adolescentes sofreram várias alterações no ano de 2008. aproveitando-se de tudo que já havia sido feito. houve a publicação da segunda revisão do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que. • Criação de indicadores para as ações de enfrentamento à violência sexual. com foco muito acentuado na responsabilização da produção. Para refletir. Nesse cenário. para a partir daí. profundas reformulações foram feitas.. o Brasil vem. • Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Em sua opinião. nacional e internacional. Exercícios 54 . correlata ao assunto.015. considerando os 6 eixos desenhados já no primeiro Plano publicado. optou por começar fazendo um levantamento de toda a legislação. Neste módulo. aos poucos.. adequando-se normativamente aos princípios declarados pela Constituição de 1988. reprodução e divulgação de material pornográfico através dos novos meios tecnológicos. representando um avanço na proteção às vítimas e principalmente rompendo com alguns conceitos sexistas que impregnavam as normas penais que tratavam dos crimes sexuais. • Monitoramento das ações de enfrentamento à Violência Sexual. • Em 2013. você estudou que: • A base normativa que apoia o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes vem sendo fortalecida e adequada ao longo dos anos. de 07 de agosto de 2009. as normas penais apresentadas são suficientes para proteger nossas crianças e adolescentes e punir abusadores e exploradores? Finalizando. traçar os objetivos para os anos vindouros.

inserida nas previsões da Convenção sobre os Direitos da Criança. Pena: reclusão. distribuição. ( ) recrutamento. correlacione as informações abaixo. 1. meninas e de adolescentes explicitada na Agenda de Ação de Estocolmo. Com base na Lei nº 8. Turismo sexual 4. de 3 a 6 anos. posse e utilização de material assim classificado. transporte. O resultado é: a) 1 – 3 – 4 – 2 b) 1 – 4 – 2 – 3 c) 3 – 2 – 1 – 4 d) 4 – 1 – 3 – 2 3. ( ) trata-se de produção. e multa 3. alojamento ou acolhimento de uma criança para fins de exploração. transferência. associe as informações abaixo: 1. a proteção à criança e ao adolescente. Considerando a conceituação das quatro modalidades de exploração comercial de meninos. 1. e multa 55 . Pornografia 3. Tráfico de pessoas ( ) consiste em uma relação de sexo e mercantilização e num processo de transgressão. compra. No Brasil da atualidade. Pena: reclusão. de 4 a 8 anos. de 1 a 4 anos. Prostituição 2. ( ) pode ser autônomo ou vinculado a pacotes que são vendidos aos clientes com serviço de prazer sexual incluído nas atividades de entretenimento.069/90 . exibição. da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Pena: reclusão. é decorrente da adoção da doutrina do seguinte tipo de proteção: a) integral b) paritária c) equilibrada d) circunstancial 2. venda. divulgação. e multa 2.Estatuto da Criança e do Adolescente.

Oferecer. ( ) Art. fotografia. transmitir. trocar. publicar ou divulgar por qualquer meio. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. 241-A. 241-B. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente 56 . distribuir. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente ( ) Art. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático. disponibilizar. possuir ou armazenar. Vender ou expor à venda fotografia. Adquirir. fotografia. 241. por qualquer meio.

Resposta Correta: Letra C 57 . Resposta Correta: Letra B 3. Gabarito 1. Resposta Correta: Letra A 2.

58 . MÓDULO SISTEMA DE GARANTIA DOS DIREITOS DA CRIANÇA 4 E DO ADOLESCENTE E AÇÕES DE PREVENÇÃO Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e a Rede de Proteção encarregada de dar os encaminhamentos legais e sociais aos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. bem como as suas atribuições. • Conhecer o trabalho desenvolvido pela PRF no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes e. • Reconhecer a postura adequada no encaminhamento de ocorrências que envolvam violência sexual contra crianças e adolescentes. finalmente. em especial. • Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. • Reconhecer a importância das ações preventivas. você será capaz de: • Identificar instituições e órgãos do sistema de proteção dos direitos da criança e do adolescente. • Aula 4 .Ações Preventivas. breves aspectos da atuação preventiva. orientações para atendimento à crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ao longo das rodovias federais. o mapeamento de pontos vulneráveis à ocorrência de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente efetuado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Objetivo do módulo Ao final do módulo. Estrutura do Módulo Este módulo está dividido nas seguintes aulas: • Aula 1. • Aula 3 – Intervenção nos Casos de Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes.O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente.

na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. tem-se como uma das principais a criação e mobilização de redes para lidarem com o tema. Aula 1 – O Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente 1. a integração das Rede de Proteção à criança e ao adolescente. como resultado do monitoramento feito no Plano de 2000. O acionamento do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes pode se dar de qualquer um desses níveis. maximizando os resultados na busca do cumprimento da Doutrina da Proteção Integral. No site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). na base estão as estruturas formais do Estado. Em 2003 surge o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA). foi feita nova revisão. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. Estadual. Considerando a complexidade do assunto. 59 . O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam. 1º da Res. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. é fomentar o trabalho de forma integrada da rede de proteção. nos anos de 2003 e 2004. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. logo abaixo a família e a sociedade e. integrado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). em 2000. E em 2013. com o objetivo de alinhar as diretrizes das políticas existentes e monitorar as ações com vistas a aferir seus resultados Dentre as necessidades levantadas dentro desses documentos e das ações neles propostas. Distrital e Municipal. baseado na Doutrina da Proteção Integral e na Prioridade Absoluta. mas é obrigação absoluta da base fazê- lo funcionar. (Art. foi publicado o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual infanto-juvenil: uma política em movimento. dentro do PNEVSCA. você encontrará o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no território brasileiro (PAIR). com início em 2002 e cuja missão. a proposta é de integrar os vários atores sociais. Já no ano de 2006. 113. como seu próprio nome enuncia. bem como agentes e organismos estatais nacionais e internacionais na busca de respostas efetivas aos problemas da exploração sexual de crianças e adolescentes. nos níveis Federal.1 Compreendendo o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil. Como você já estudou. bem como para pedidos de ajuda. Observe que no topo estão as crianças e os adolescentes. Conanda) A pirâmide ao lado é uma representação proposta pela conteudista para que você possa visualizar o Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes. o Brasil aprovou um Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-juvenil que só veio a ser publicado em 2002.

De acordo com Teixeira (2000). os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. é importante conhecê-los. medidas socioeducativas. quando o acionamento das estruturas de socorro se fará antes do Conselho Tutelar. Na atualidade. Defensoria Pública. determinados atores ganham uma maior visibilidade no enfrentamento diário do problema vez que suas atribuições são de caráter prático. é comum se ver atores dos órgãos de defesa participando ativamente das atividades dos órgãos de controle. Conselhos Municipais (CMDCA). Centros de Defesa Serviços e programas de execução de (CEDECAS). Dentro dessa rede. Dentro da proposta de atuação sistêmica de órgãos governamentais e não governamentais na busca de fazer valer a Doutrina da Proteção Integral – em casos reais de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. públicas. humanos. para entender as atribuições e o alcance da atuação de cada um deles. a especificidade de alguns órgãos e serviços da rede de proteção às crianças e adolescentes em situação de violência.1. Dessa forma. 1. medidas de proteção de direitos Conselhos Tutelares. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. à divulgação do posicionamento do Brasil em relação a exploração sexual no contexto do turismo e ao tráfico para fins sexuais e o eixo do atendimento (que tem por finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias). São ações que interferem diretamente em ocorrências reais.1 Entidades. Veja a seguir. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados com finalidade de enfrentar esta problemática. de forma resumida. em função das suas atribuições prioritárias. instituições e serviços Seguindo o eixo da articulação e mobilização – instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil – somado ao comprometimento da sociedade civil. Serviços e programas de execução de Segurança Pública e Conselhos Estaduais. Serviços e programas das políticas Ministério Público. na condição de vítimas de violência ou de autores de atos infracionais – o primeiro órgão a ser acionado será o Conselho Tutelar. promoção e controle. Defesa Controle Promoção Poder Judiciário. ainda que brevemente. Conselho Nacional (CONANDA). em razão dos modelos adotados pelos órgãos de controle. 60 . salvo se a criança ou adolescente necessitar de atendimento médico imediato. E essa articulação é absolutamente necessária e benéfica para o enfrentamento da violência sexual.

o Conselho Tutelar é um órgão inovador na sociedade brasileira. VII . • Orientar pais ou responsáveis para que cumpram a obrigação de matricular seus filhos no Ensino Fundamental. (Redação dada pela Lei nº 12. 101.matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. tratamento psicológico ou psiquiátrico e tratamento de dependência química. definidos na Lei Federal nº 8. psicológico ou psiquiátrico.requisição de tratamento médico. em processo eleitoral definido por Lei Municipal e conduzido sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA. IV . permanente e autônomo. aplicando medidas de encaminhamento a programas de promoção à família.orientação. e vinculado à Prefeitura do Município. Resumindo. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. VI .069 de 13 de Julho de 1990. subordinado ao ordenamento jurídico do país. como principais funções do Conselho Tutelar: • Receber a comunicação dos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos e determinar as medidas de proteção necessárias.inclusão em programa de acolhimento familiar. à criança e ao adolescente.encaminhamento aos pais ou responsável. porém. O Conselho Tutelar é um órgão municipal.acolhimento institucional.010. para executar atribuições constitucionais e legais no campo da proteção à infância e à juventude. ECA) às crianças e adolescentes em situação de risco ou em conflito com a lei: I . • Atender e aconselhar pais ou responsáveis. • Requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças ou adolescentes. mediante termo de responsabilidade. não se subordina a ninguém senão ao texto da Lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) que é a fonte de sua autoridade. acompanhando sua frequência e aproveitamento escolar. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. não jurisdicional. garantido assim que crianças e adolescentes tenham acesso à escola. pode-se destacar. Seus componentes são escolhidos pela comunidade local.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. V . no âmbito de suas decisões. II . • Determinar matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de Ensino fundamental. É criado por Lei Municipal. de 2009) VIII . com a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e o potencial de contribuir para mudanças profundas no atendimento à infância e adolescência. Entre as atribuições do Conselho Tutelar. apoio e acompanhamento temporários.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. em regime hospitalar ou ambulatorial. 61 . • Conselho Tutelar Segundo o Guia Prático do Conselheiro Tutelar do Ministério Público do Estado de Goiás (2008). III . quando necessário. encontra-se a aplicação de medidas protetivas (art.

pois todas são capazes de identificar. Sousa et al. Todos os órgãos de segurança pública citados. encaminhar e acompanhar os casos.). estão definidos no art. serviço social. • Encaminhar ao Ministério Público as infrações contra os direitos de crianças e adolescentes. cidadãos e comunidades. 144 da Constituição da República. cada um em sua esfera de atuação. e deve ser estimulado junto às Secretarias de Segurança Públicas nos estados. Não assiste diretamente às crianças. Nas Polícias Civis encontram-se Delegacias Especializadas no atendimento de crianças e adolescentes. adolescentes. O QUE NÃO FAZ E O QUE NÃO É Não é uma entidade de atendimento direto (abrigo. educação. 62 . Contribui para o planejamento e a formulação de politicas e planos municipais de atendimento à criança. As Guardas Municipais são de extrema importância na verificação desse fenômeno. assim como as Polícias Militares e Bombeiros Militares em âmbito estadual e as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal nas rodovias e estradas. Exerce as funções de escutar. (2008. Não substitui as funções dos programas de atendimento à criança e ao adolescente. internato. na apuração dos ilícitos para subsidiar e facilitar os procedimentos judiciais. Embora essas delegacias ainda existam em número inferior ao ideal. trabalho e segurança. • Orgãos de Segurança Pública Os órgãos da Segurança Pública. 24) resume de forma prática o que é e o que não é atribuição e responsabilidade dos Conselhos Tutelares: CONSELHO TUTELAR O QUE FAZ Atende reclamações. ao adolescente e às suas famílias. • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. aos adolescentes e às suas famílias. p. etc. a presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. no dia a dia. famílias. normalmente. aconselhar. Faz requisições de serviços necessários à efetivação do atendimento adequado de cada caso. são primordiais ao enfrentamento da violência sexual. bem como as suas macros atribuições. após os crimes. a criação e manutenção de órgãos especializados facilita o enfrentamento dos problemas que atingem essa população. orientar. reivindicações e solicitações feitas por crianças. previdência. As Polícias Civis e Federal atuam. Não presta diretamente os serviços necessários à efetivação dos direitos da criança e do adolescente. Aplica as medidas protetivas pertinentes a cada caso.

inclusive nas áreas rurais latu sensu. para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita). O Ligue 180 desempenha papel central. Viver sem Violência’. examinar e encaminhar denúncias e reclamações. atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos. O “Disque-100” virou referência nacional para o envio e recebimento de denúncias de violências contra crianças e adolescentes. O serviço é gratuito e funciona ininterruptamente durante os 7 dias da semana. mediante a utilização de unidades móveis para o campo. • Disque 100 O Disque 100 é essencialmente um serviço de promoção de Direitos Humanos. podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área. quando solicitado pelo denunciante. Portanto. além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos. em 2005. assim como o Disque 100. denominado “Ligue-180”. cuja definição inscrita na página da SDH/PR é a seguinte: O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). O que gera um fluxo rápido de atendimento. lançado em março de 2013. ao lado do programa ‘Mulher. Em março de 2014. com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. Segundo definição disponível na página da internet da SDH/PR: O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber. nos casos em que a vítima de violência for uma menina ou uma adolescente é possível acionar esse outro canal de atendimento. com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados. bem como. a possibilidade do denunciante acompanhar o andamento da situação através de um número de protocolo. • Central de Atendimento à Mulher A Central de Atendimento à Mulher. 63 . o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia. Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. é um serviço de promoção de Direitos Humanos. sob amparo da Lei Maria da Penha. a floresta e as águas. é garantido o sigilo da fonte das informações. As denúncias poderão ser anônimas ou.

O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). Além de ofertar serviços e ações de proteção básica. • CREAS . tráfico de pessoas. Basta acessar o endereço eletrônico e selecionar a unidade da federação de interesse. cuja execução é obrigatória e exclusiva. que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física. promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal. promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. (Ministério do Desenvolvimento Social.Centro de Referência de Assistência Social O Centro de Referência de Assistência Social . Desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes.). prevenindo a ruptura de vínculos. • CRAS . o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica. É uma entidade pública descentralizada dessa política e é responsável pela oferta da proteção social básica. porém sem rompimentos dos vínculos familiares.) A atuação do CRAS inclui ações gerais de assistência social básica. etc. 64 . É responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias. ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. sexual.Centro de Referência Especializada de Assistência Social O Centro de Referência Especializada de Assistência Social é integrante do sistema único de assistência social e constitui-se em uma unidade pública estatal. O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. psicológica. A página mencionada ainda traz dados sobre a Rede de Atendimento à Mulher em todos os estados da federação. como o Serviço de Enfrentamento à Violência.CRAS integra a Política Nacional de Assistência Social.

A oferta de atenção especializada e continuada deve ter como foco a família e a
situação vivenciada. Essa atenção especializada tem como foco o acesso da família
a direitos socioassistenciais, por meio da potencialização de recursos e capacidade
de proteção.
O Creas deve, ainda, buscar a construção de um espaço de acolhida e escuta
qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a
reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar
no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada.
Para o exercício de suas atividades, os serviços ofertados nos Creas devem ser
desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social,
órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. A articulação no
território é fundamental para fortalecer as possibilidades de inclusão da família em
uma organização de proteção que possa contribuir para a reconstrução da situação
vivida.
Os Creas podem ter abrangência tanto local (municipal ou do Distrito Federal)
quanto regional, abrangendo, neste caso, um conjunto de municípios, de modo a
assegurar maior cobertura e eficiência na oferta do atendimento. (Ministério do
Desenvolvimento Social)

As situações de violência sexual encontram guarida na atuação do CREAS.

• Defensoria Pública
A Defensoria Pública está prevista dentro da Constituição da República de 1988, em seu art. 134 e
cumpre com o dever do estado democrático de assistir aos mais vulneráveis e que não tenham condição
financeira de arcar com a promoção da defesa de seus direitos.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime
democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do
inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal.

Essa redação do art. 134 é recente, foi dada pela Emenda Constitucional nº 80 de 2014, e veio fortalecer
a importância da Defensoria Pública, reforçando sua essencialidade para o estado democrático de direito e sua
vocação para a defesa dos direitos humanos.

Para refletir...
Qual a importância de uma rede de atendimento à criança e ao adolescente vítima de exploração
sexual? Você conhece os órgãos e serviços apresentados?

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Aula 2 – A Polícia Rodoviária Federal e o Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante da estrutura regimental
do Ministério da Justiça, no âmbito das rodovias federais, compete: efetuar a
fiscalização e o controle do tráfico de menores nas rodovias federais, adotando as
providências cabíveis contidas na Lei nº 8.069 de 13 junho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente). (Art. 1º, inciso IX do Decreto 1.655/95)

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento ESCCA já acontecia de forma não
sistemática, entretanto, quando a Instituição foi chamada a atuar formalmente em campanhas sobre o assunto,
principalmente na campanha do dia 18 de maio (o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes) o tema passou a integrar a programação anual de ações do Departamento de
Polícia Rodoviária Federal - DPRF e suas Regionais.
A integração do tema à agenda anual da PRF não se deu por acaso, mas seguindo a tendência de
atuação governamental. Tomando de empréstimo a justificativa da campanha elaborada pela SDH/PR, em 2007,
é possível compreender o contexto e a evolução da atuação governamental e social em relação ao assunto:

O 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00 como do Dia Nacional de
Luta contra o Abuso e a Exploração sexual. A motivação para criação de uma data,
como mais um elemento de reforço ao enfrentamento à violência sexual contra
crianças e adolescentes, foi criar capacidade de mobilização dos diferentes setores
da sociedade e dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública
contra a violência sexual de criança e adolescente(...)

(....) Por outro lado a intenção é estimular e encorajar as pessoas a
denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades
e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas
capazes de fazer o enfrentamento ao fenômeno, no âmbito do combate à
impunidade e de proteção e promoção às pessoas em situação de vítimas ou
vitimização, conforme estabelece o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência
Sexual contra Criança e Adolescente.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro
chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de
uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta
e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade. Esse crime, apesar de
sua natureza hedionda prescreveu impune.
Desde a criação da Lei do 18 de maio a sociedade civil organizada promove atos de
mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de

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conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual e ao mesmo
tempo impulsionar a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à
Violência Sexual contra Criança e Adolescente, aprovado pelo CONANDA em 2000
no marco dos 10 anos do ECA.
A partir de 2003 a mobilização do 18 de maio passou a ser coordenada
conjuntamente pelo Comitê Nacional e o governo federal por meio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, contando com a parceria da Frente Parlamentar dos
Direitos de Criança e do Adolescente do Congresso Nacional.

Em 2003, a PRF já tinha iniciado uma atividade de identificação de pontos de risco para ocorrência da
ESCCA. Foi o início do Projeto Mapear. Como o assunto assumiu relevância dentro do governo federal, a partir
desse momento, essa atividade foi sendo aprimorada e seus resultados utilizados não apenas pela Instituição,
mas por órgãos do governo e da sociedade civil organizada sempre com a finalidade de dar efetividade à
Doutrina da Proteção Integral.
A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade, que a princípio era feita de forma quase
empírica, contando com comandos genéricos e, principalmente, com a experiência do policial que efetuava o
levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento), vem
ganhando rigor científico, e a cada biênio, modificações são implementadas na metodologia para que se
obtenha dados mais confiáveis.
O mapeamento, que é realizado a cada biênio, envolve a PRF, a SDH/PR, a OIT, Childhood e o Programa
na Mão Certa, e a análise dos dados qualifica os pontos de vulnerabilidade em 4 categorias, considerando o
grau de risco que reúnem para a ocorrência da ESCCA. Essa categorização permite focar os esforços tanto
preventivos quanto repressivos da Rede de Proteção.

Saiba Mais...
Para conhecer mais sobre o assunto leia o artigo “Exploração sexual de crianças e adolescentes nas
rodovias federais: o olhar da Polícia Rodoviária Federal” (disponível em:
http://www.abmp.org.br/media/files/biblioteca/00002262_violencia_sexual_childhood_final.pdf)

Navegue pelo site da PRF (https://www.prf.gov.br/portal/policiamento-e-fiscalizacao/atuacao-em-
direitos-humanos/denuncia-de-ponto-de-exploracao-sexual) e tenha acesso a todos os mapeamentos feitos
entre 2007 e 2014.

Aula 3 – Intervenção nos casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes

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algumas das orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual. não são desejados e precisam ser evitados. é fundamental não criticar a criança/adolescente. contidas no Guia. na verificação de ocorrências de violências sexuais envolvendo crianças e adolescentes. a seguir. em 2003. atenta e exclusivamente. é necessário agir não só observando as regras legais. Importante! 68 . Por isso. Leve a sério tudo que disserem. lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranquilo e seguro. culpa e vergonha. um Guia Escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. mas também e principalmente. no qual são feitas sugestões aos professores na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência escolar. corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. Ouça. mas. julgamentos morais sobre a postura da vítima. nem duvidar de que esteja falando a verdade. desenhos. a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse do educador pelo relato. Não permita interrupções. Embora o enfoque dado seja aos educadores. busque o lugar onde ela se sinta protegida. Se está conversando com uma criança que. pois é fundamental o respeito à sua privacidade. livros e outros recursos lúdicos. sensível à situação. não preconceituosa. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. está sendo abusada. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha. a criança ou adolescente. podendo inclusive contar com o apoio de jogos. ou outros profissionais de áreas afetas ao assunto. possivelmente. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. assim. O Ministério da Educação e Cultura e a SDH/PR desenvolveram. respeitosa e. 3. Se necessário. principalmente. A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. Busque um ambiente apropriado. de forma acolhedora. caso contrário. Veja. Ainda que se trate de criança ou adolescentes que já foram retirados de situações de violências anteriores e que voluntariamente tenham voltado ao ambiente de exploração.1 Orientações para o atendimento a crianças vítimas de violência sexual A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. as sugestões são plenamente aplicáveis à abordagem da vítima por policiais. Observação Em uma delegacia ou em um posto policial nem sempre se dispõe de um ambiente adequado. Por outro lado. converse primeiro sobre assuntos diversos.

mesmo que a situação nos cause emoção.” (2003. principalmente. no momento que falam sobre o assunto. nessas situações. Confirme com a criança se você está. É comum a criança sentir-se responsável por tudo que está acontecendo. da Senasp. “não precisa chorar”. e evite “rodeios” que demonstrem insegurança por parte do educador. Quando o assunto é violência sexual contra crianças e adolescentes e se está tratando com as vítimas. pois. “Apenas 6% dos casos são fictícios e. ao contar. para ter certeza sobre o ocorrido. Sobre levar a sério o que as vítimas dizem. pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. a maioria das instituições de segurança pública já tem algum tipo de orientação nesse sentido. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida. 69 . É muito importante manter a calma. revivem sentimentos de dor. em geral. de crianças maiores que objetivam alguma vantagem. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e. Caso não haja. de fato. nem fazer a criança repetir sua história várias vezes. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo “isso não foi nada”. O educador não pode deixar que sua ansiedade ou curiosidade leve-o a pressionar a criança/adolescente para obter informações. ela agiu corretamente. já que é raro uma criança mentir sobre essas questões. para transmitir segurança e quebrar ansiedade. Informe-se dentro da sua instituição sobre quais são os procedimentos recomendados. os parâmetros precisam ser outros. p. raiva. Diante de um crime. Seu relato deve ser levado a sério. normalmente se pergunta e se repergunta várias vezes as mesmas coisas. esse mesmo guia reforça a mensagem. culpa e medo. Importante! Esse é um ponto complicado para os profissionais de segurança pública. Fique calmo. use a Cartilha “Atuação Policial na Proteção dos Direitos Humanos de Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”. a manutenção de uma postura profissional é imprescindível. ou temer serem levadas para longe do lar. pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa. Diga à criança que. compreendendo o que ela está relatando. afirmando que raramente a criança mente. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família. O educador só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. trata-se. 55).

Você concorda que tudo o que foi sugerido serve ao menos de referência para a atuação de qualquer profissional que atue na efetivação dos princípios da Doutrina da Proteção Integral? 3. tudo bem?”. em 70 . Sem contar que é obrigação legal prevista no art. principalmente em casos de flagrante. ressaltando sempre que ela estará protegida. deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito. Use o bom senso. dignidade e respeito... Observação Se precisar tocar na criança ou adolescente tenha certeza de que o contato físico não parecerá outro abuso. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. 17 do ECA. a criança quer ser tratada com carinho. Não trate a criança como uma “coitadinha”. não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal.2 Atuação em situações de flagrante A atuação policial nos casos de identificação de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. sentem-se culpadas. use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas. antes de tocá-la. pois isso poderá indicar como estava se sentindo. como você irá proceder. não raro. são situações bastante delicadas para as vítimas. No relatório. Proteger a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusado deve ser um compromisso ético profissional. Para refletir. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudá-las. Algo assim: “Vou pegar na sua mão para atravessarmos a rua com segurança. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu. vez que a maioria se sente muito envergonhada e. essa situação deverá ser relatada somente a pessoas que precisam ser informadas para agir e apoiar a criança sexualmente abusada. Observação Essa orientação visa não revitimizar a criança ou adolescente e minimizar as consequências da violência sofrida. E avise à criança ou adolescente o que irá fazer. Explique à criança o que irá acontecer em seguida. Mesmo assim. Por ter caráter confidencial.

especial nos casos em que as instituições e órgãos especializados no atendimento dessas pessoas localizem-se distantes do local da ocorrência e a criança ou adolescente tenha que ser transportado. • Identificar pais ou responsáveis. procure: • Demonstrar interesse na ocorrência. não utilizar algemas em crianças e evitar o uso em adolescentes. buscando minimizá-lo e providenciar atendimento adequado. 11 do STF. Se for necessário usá-las. 3. que seja feito no melhor interesse de proteção do adolescente e devidamente fundamentado no relatório que descreva a ocorrência. • Se foi utilizada arma de fogo ou arma branca. sobretudo. Procure entrevistar as pessoas. 71 . é essencial utilizar da doutrina adotada pelo Ministério da Justiça que orienta a condução de ocorrências envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e dedica um capítulo para as ocorrências que abrangem crianças e adolescentes. Embora haja hoje um profundo receio sobre o uso das algemas. • Estando a criança ou adolescente em logradouros públicos e espaços comunitários a abordagem deve respeitar seu direito de ir. • Identificar condições que sugiram risco pessoal. • Se o agressor já ameaçou a vítima de morte. que regulam o uso das algemas. Seguindo essas orientações. pode-se acrescentar que toda intervenção profissional (policial ou não) que envolva crianças e adolescentes. o melhor interesse desses: • Se se trata de criança ou de adolescente (as medidas variam em caso de criança ou de adolescente em conflito com a lei. as regras previstas na Súmula Vinculante n. • Avaliar o risco da vítima no ambiente. • Não conduzir a criança ou adolescente em compartimento fechado da viatura. deverá observar alguns aspectos para atender às disposições legais e. Na medida do possível. quando você se deparar com crianças e adolescentes vítimas de violência. vir e estar. • Nos casos de atos infracionais. com objetivo de proteger a criança ou o adolescente de novas agressões. com o objetivo de identificar: • Quem é o agressor e o grau de parentesco ou o relacionamento deste com a vítima. • A existência de agressões anteriores. • Se o agressor ofereceu drogas ou bebidas alcoólicas à vítima. são também aplicáveis aos adolescentes. • Se o agressor ingeriu drogas ou bebidas alcoólicas. • Perguntar às pessoas envolvidas o que ocorreu. por isso é importante identificar a idade da pessoa em questão).3 Outras observações Para além das recomendações descritas.

sempre com foco na garantia do desenvolvimento físico e psíquico adequado. • Na hipótese de não existir na localidade Instituição ou Órgão apropriado para receber a criança ou adolescente. Em vários artigos.1 Esferas da prevenção É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. partindo do artigo 70. ser colocado em compartimento com adultos e o fato deve ser comunicado pelo Agente. tampouco o adolescente. • Estando a criança ou adolescente sob efeito de substância entorpecente. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. ECA. ou durante a noite ou em finais de semana. 262 do ECA preleciona que enquanto não existirem conselhos tutelares instalados e em funcionamento. podendo ser feita através de palestras e capacitação específica de profissionais e agentes 72 . o aspecto protetivo das ações é enfatizado e pormenorizado. encaminhá-la imediatamente para uma unidade de saúde. A intervenção quando mal conduzida pelos agentes da rede de proteção pode trazer danos à criança ou adolescente vítima de violência sexual? Que tipo de danos você imagina que podem advir? Aula 4 – Ações Preventivas 4. É importante ressaltar que. A prevenção pode se apresentar em três esferas: Prevenção primária: Age nas causas da violência antes que ela se instaure e requer envolvimento da comunidade. e comunicar à assistente social do local a entrada da criança ou do adolescente para que ela entre em contato com o Conselho Tutelar. não poderá nem a criança. ao Juiz de Direito tão logo se faça possível. 1990. Art. as ações preventivas devem ser o foco das atenções. as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. 70. neste caso. Observa-se que em muitas localidades a autoridade judiciária admite a entrega da criança ou adolescente à Delegacia de Polícia. Consoante o título III da parte geral do ECA. devendo o Agente Policial fazer a entrega da criança ou adolescente a qualquer autoridade judiciária na localidade. As ações repressivas são normalmente as mais comuns na atuação policial. o art. Para refletir. quando o assunto recai sobre fazer valer a doutrina da proteção integral e da prioridade absoluta. entretanto.. É preferível evitar a ocorrência e garantir um desenvolvimento saudável às crianças e adolescentes a tratá-las dos traumas e problemas físicos e psíquicos que podem e normalmente advém da vitimização de violência sexual..

clínica-escola. 4. o monitoramento dos pontos identificados como vulneráveis. etc. sejam eles na esfera da saúde. 4. programas de creches. quer para trabalhadores dos transportes. Enfrentar os fatores de risco da violência sexual. e recursos estratégicos para prover cuidados médico-sociais aos pais e filhos. 2. em especial da Polícia Rodoviária Federal. Prevenção terciária: Dirigida às vítimas e agressores. parcerias e indicadores como orientadores de cada uma das frentes de atuação. foram fixados objetivos. cronograma de execução. ações. Educar crianças e adolescentes sobre seus direitos. executando o trabalho de prevenção primária. 5. Na atuação policial.) buscando cessar as causas de violência. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude. uma vez que permite identificar a existência de crianças ou adolescentes no local e acionar o órgão da rede de proteção responsável pelo encaminhamento daquela criança ou adolescente. É importante conhecer os objetivos estabelecidos no eixo da prevenção para que se possa. educação. ou mesmo para outros públicos é sempre uma grande oportunidade de ampliar o debate sobre a violência e suas causas. e encaminhamentos diversos (Departamento de Assistência Social. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual. como participante do sistema de enfrentamento à exploração sexual. Informar. visando ao fortalecimento da sua autoestima e à defesa contra a violência sexual. geração de renda.multiplicadores para que o debate das causas da violência se amplie e propicie reflexão generalizada sobre o assunto. através de rondas diárias e em horários diferentes. a realização de palestras quer para crianças. pode funcionar como prevenção secundária. etc. Nesse momento. 3. Prevenção secundária: Envolve a identificação precoce da população vulnerável. Promover a prevenção à violência sexual na mídia e em espaço cibernético. orientar e capacitar os diferentes atores envolvidos a respeito da prevenção à violência sexual. Promover o fortalecimento das redes familiares e comunitárias para a defesa de crianças e adolescentes contra situações de violência sexual. agregar a sua contribuição no cumprimento específico de suas funções: 1. Ações de fiscalização ao longo das rodovias feitas pela PRF com a presença de outros parceiros da rede de enfrentamento. proteção jurídica. principalmente no sentido de despertar a responsabilidade nos proprietários de estabelecimentos comerciais onde haja risco de ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes. Da mesma maneira. costumam ter resultados muito positivos. como os Conselhos Tutelares e o Ministério Público. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. por intervenções terapêuticas de diversas modalidades.2 A prevenção no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-Juvenil Dentro do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infanto-juvenil. 73 . nos seis eixos estratégicos definidos. metas.

e que muitas ações de prevenção já estão sendo executadas. Teve acesso a informações que mostram que existe uma rede composta por instituições e órgãos governamentais e não governamentais. • Consoante o título III da parte geral do ECA. mas também e principalmente. por isto a sua atuação na prevenção e enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é imprescindível! Finalizando. 113. • A coleta dos dados referentes aos pontos de vulnerabilidade que a princípio era feita de forma quase empírica. Estadual.. respeitosa e. mas. é necessário agir não só observando as regras legais. • De acordo com Teixeira (2000). modificações são implementadas na metodologia para que se obtenha dados mais confiáveis. na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção. dentre eles a PRF. 1º da Res. Distrital e Municipal. Analisou a legislação pertinente aos crimes relacionados à questão e verificou como deve ser feita a abordagem policial. em função das suas atribuições prioritárias. Neste curso você teve a oportunidade de estudar sobre os principais conceitos e aspectos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. contando com comandos genéricos e. muito ainda resta a fazer. apesar de todos os avanços e resultados significativos. principalmente. a abertura de canais de escuta do cidadão para oferecimento de denúncias anônimas. você estudou que: • Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil.. (Art. promoção e controle. • A intervenção no caso de identificação ou suspeita da ocorrência de violência sexual contra criança ou adolescente é primordial no início do processo de resgate a dignidade dessas vítimas. para que se consiga minimizar as sequelas desses crimes. os órgãos componentes do Sistema de Garantia dos Direitos se dividem em três espécies: defesa. de forma acolhedora. sensível à situação. 74 . não preconceituosa. sendo que Defesa e Controle se sobrepõem em determinados momentos. principalmente.. Neste módulo.. • A prevenção pode se apresentar em três esferas: primária. a integração das rede de proteção à criança e ao adolescente. bem como para pedidos de ajuda. e a cada biênio. entre outras: o fomento à pesquisa sobre o fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes. nos níveis Federal. secundária e terciária. defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente. Concluindo. a prevenção das violações contra crianças e adolescentes deve ser o cerne da atuação social e governamental. para que não ocorra a revitimização dessa pessoa. com a experiência do policial que efetuava o levantamento e registrava dados gerais sobre o local (localização e identificação do estabelecimento) vem ganhando rigor científico. Mas. Conanda) • O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes agrega várias frentes de atuação que perpassam.

compete à Polícia Rodoviária Federal. Exercícios 1. porém. do Decreto nº. Considerando as sugestões para professores usarem na abordagem de crianças e adolescentes em situação de violência. elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. adotando as providências cabíveis contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº.655/95. é responsável pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a famílias e indivíduos com direitos violados. Essas são características do seguinte órgão: a) Conselho Tutelar b) Central de Atendimento à Mulher c) Escritório de Atendimento às Vítimas de Tráfico d) Centro de Referência Especializada de Assistência Social 3. desenvolve ações de combate ao trabalho infantil e enfrentamento de situações de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. 8. 1. efetuar a fiscalização e o controle. nas rodovias federais. de: a) tráfico de menores b) exploração e trabalho infantil c) combate ao abuso sexual infantojuvenil d) violência contra crianças e adolescentes 2. por isso. • É preciso coragem e determinação para uma criança ou um adolescente contar a um adulto se está sofrendo ou se sofreu alguma violência. julgue a veracidade das afirmações abaixo. é fundamental não criticar nem duvidar de que a criança/adolescente esteja falando a verdade. • A violência sexual é um fenômeno que envolve medo. O resultado é: a) F-F b) F-V c) V-F d) V-V 75 . como o Serviço de Enfrentamento à Violência. Constitui-se em uma unidade pública estatal. em 2003.069/90). Inciso IX. sem rompimento dos vínculos familiares. culpa e vergonha. De acordo com o Artigo 1º.. descritas no guia escolar denominado Métodos para Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

por intervenções terapêuticas de diversas modalidades. Qual o contexto de existência das redes de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes? 76 . proteção jurídica. Essas são características da seguinte esfera da prevenção: a) terciária b) primária c) secundária d) quaternária 5. Nesse momento. sejam eles na esfera da saúde. geração de renda. educação. 4. etc. Dirigida às vítimas e aos agressores. viabilizando encaminhamentos necessários para a garantia de direitos. há acionamento da rede de serviços públicos e atuação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. com o objetivo de reduzir as consequências da violência sexual.

e em rede. às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias. 77 . Gabarito 1. Orientação de resposta: Seguindo o eixo da articulação e mobilização instituído no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Infantojuvenil. por profissionais especializados e capacitados. regionais e locais de combate e pela eliminação da violência sexual. Resposta correta: Letra A 5. Resposta correta: Letra A 2. vários órgãos e entidades vêm sendo estruturados para o atendimento de vítimas de violência sexual em suas diversas modalidades. Resposta correta: Letra D 4. a divulgação do posicionamento do Brasil em relação ao sexo turismo e ao tráfico para fins sexuais e a avaliação dos impactos e resultados das ações de mobilização e o eixo do atendimento que tem for finalidade efetuar e garantir o atendimento especializado. Resposta correta: Letra D 3. que institui o fortalecimento das articulações nacionais. o comprometimento da sociedade civil no enfrentamento dessa problemática.

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