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SOMAS TRIGONOMÉTRICAS: DE PROSTAFÉRESE À FÓRMULA DE EULER

Rogério Possi Junior

Nível Intermediário

INTRODUÇÃO

São apresentados fundamentos básicos da matemática elementar, cujos conceitos somados podem auxiliar na resolução de problemas mais elaborados, como os que podem aparecer quando se depara com o início do estudo das Variáveis Complexas e o uso dos teoremas de De Moivre.

Seja através das fórmulas de Transformação de Soma em Produto, conhecidas como Fórmulas de Prostaférese, ou através da Relação de Euler, são calculados alguns exemplos de somas de funções trigonométricas aparentemente complexas.

AS FÓRMULAS DE TRANSFORMAÇÃO TRIGONOMÉTRICAS.

Admitamos conhecidas as fórmulas da soma e diferença de arcos para as funções “seno” e “cosseno”, isto é

sen( a b ) sen a cos b sen b cos a

sen( a b ) sen a cos b sen b cos a

cos( cos( a a   b b ) )   cos cos a a cos cos b b sen sen a a sen sen b b

Somando-se (a) e (b) tem-se

sen( a b ) sen( a b ) 2sen a cos b sen( a b ) sen( a b ) 2sen b cos a

Subtraindo-se (a) de (b) tem-se

Somando-se (c) e (d) teremos

cos( a b ) cos( a b ) 2cos a cos b

E por fim, subtraindo-se (c) de (d)

cos( a b ) cos( a b ) 2sen a sen b

(a)

(b)

(c)

(d)

(h)

(e)

(f)

(g)

Fazendo

nas relações (e), (f), (g) e (h) fornecerão as seguintes relações

a b

e

a b

teremos que

a

e

b

2 2

sen

sen

2sen

2sen

sen

sen

  

2

2

 

cos

2

2

cos

, cujos valores substituídos

cos

cos

cos

cos

2cos  

 

2

  cos  

 

2



2sen  

 

2

   sen  

 

2

,

que

são

as

conhecidas

Fórmulas

de

Transformação de soma em produto ou Fórmulas de Prostaférese.

A FÓRMULA DE EULER

Segundo GUIDORIZZI (1987), seja

aberto

ordem

f ( x )

uma função derivável até a ordem

P ( x )

n em um intervalo

e seja

n

, de

I

f

x I

0

( x )

. Define-se o polinômio

x

0

, isto é

a seguir como o polinômio de Taylor, de

em torno do ponto

P x

f x

0

f x

0



x x

0

 f  n  
f
n

x

0

x x

0

n

n!

n

k 1

f

k

x

0

x x

0

k

k !

(i)

que, se fixado em torno de

Tomando-se (i)

x0 0 , também pode ser chamado de polinômio de Mac-Laurin.

pode-se demonstrar que

f x e

x

e

x0 0,

e

x

lim 1

n



 

x

2

x

2

x

3

3!

x

!

n

n

 

1

x

2

x

2

A expressão da direita pode ser usada para definir Analogamente demonstra-se que

e

x

  x

 

x 3

3!

2

sen

x

e que

cos

x

lim

n 

lim 1

n 

x

2

x

5

5!

4

x

4!

n  1 x  n   (  1) 2 n ! 
n  1
x 
n
  (  1)
2
n !
 
n x
2
n
  
(
1)
(2
n )!

 

x

 

1

x

3

3!

para x para x complexo.

x

3

3!

2

x

2!

x

5

5!

4

x

4!

(j)

(k)

(l)

Para

x Z iY , Y R

e observando-se (j), (k) e (l) teremos que

e

iY

 

 

1

Y

2

2

Y

4

4!

 

i Y

Y

3

3!

Y

5

5!

 

cos

Y i

sen

Y

que é a conhecida fórmula de Euler. Não obstante, também se demonstra que se

e

Z

X

e

cos Y i sen Y

Z

X iY

e e

, onde X 0 , então

Se, alternativamente, adotássemos a expressão de ( n) como definição de

que

e Z W

e e , Z,W

Z

W

de que e Z  W  e e , Z,W   Z W 

de

fato,

se

Z 2 X 2 iY2 ,

e

Z Z

2

1

e

x

1

x

2

cos Y Y isen Y Y

1

2

1

2

e

x

1

x

2

e

(m)

(n)

Z não é difícil mostrar

,

Z1 X 1 iY1

e

cos

Y

1

cos

Y

2

sen

Y

1

sen

Y

2

i

sen

Y

1

cos

Y

2

sen

Y

2

cos

Y

1

e

x

1

cos

Y i

1

sen

Y e

1

x

2

PROBLEMAS DE APLICAÇÃO

cos

Y i

2

sen

Y

2

e

Z

1

e

Z

2

.

PROBLEMA 1: Começaremos com um exemplo de problema análogo ao proposto em um exame de admissão ao Instituto Militar de Engenharia (IME). O problema pede que se calcule as somas a seguir.

S

1

sen x

sen2 x

S 2 cos x cos 2 x

sen3 x

sen nx

(1)

cos nx

(2)

Utilizaremos a transformação de somas de funções trigonométricas em produto, conhecidas como “Fórmulas de Prostaférese”. Observamos que

sen

3

x

x

  2 sen

sen

x

cos x

2

2

2

sen

5

x

3

sen

x

2 sen

x

cos 2 x

2

2

2

sen

7

x

5

sen

x

2 sen

x

cos 3 x

2

2

2

(3)



sen

sen

(2

n

1)

x

(2

n

2

1)

x

2

sen

sen

(2

n

cos(
2

3)

x

2 sen

2 sen

x

2

x

2

(2

n

1)

x

2

n

cos nx

1)

x

Somando-se as linhas acima encontraremos uma “Soma Telescópica”, cujo valor será dado por

sen

(2 n

1) x

sen

x

 

2

2

2sen

x

2

n

j 1

cos jx

S

2

n

j 1

cos

jx

 

sen

nx

cos

(

n

1)

x

 

2

2

sen

x

2

Analogamente, para a soma das funções “seno”

cos

3

x

x

  2 sen

cos

x

sen x

2

2

2

cos

5

x

3

x

cos

 2 sen

x

sen 2 x

2

2

2

cos

7

x

5

x

  2 sen

cos

x

sen 3 x

2

2

2

S 1 pode-se escrever que:

(4)

(5)



cos

cos

(2

n

1)

x

(2

n

2

1)

x

(2

n

3)

x

 

cos

2

2 sen

(2

n

1)

x

  2 sen

cos

x

2

x

sen(

n

sen nx

1) x

Somando-se as linhas acima encontraremos outra “Soma Telescópica”, cujo valor é

cos

(2 n

1) x

cos

x



 

2

2

2sen

x

2

n

j 1

sen jx

S

1

n

j 1

sen

jx

 

sen

nx

sen

(

n

1)

x

 

2

2

 

x

 

sen

2

(6), que é a soma

procurada. Não obstante, este problema também pode ser resolvido utilizando-se a conhecida Relação de Euler.

Seja

C

C

2

4

e

ix

2

C

cos

x

i sen

x

, onde

 

2

2

i 2  1

cos

cos

x

2

x

2

i sen

i sen

x

2

x

2

2

4

cos

x

i

sen

x

cos 2

x

i

sen 2

x

; assim tem-se que



(7)

C

2 n

C

2

cos

C

4

x

2

i sen

x

2

C

2

n

2 n

cos nx

2

C ( C

2 n

1)

(

2

C

1)

i

sen nx

C

C C

n

n

C

n

1

C C

n

j

1

cos

jx i

sen

jx

n

j 1

cos

 

S

2

iS

1

jx i

sen

jx

cos

x

2

i sen

x

  cos

2  

nx

nx

2 2

sen

nx

2

i sen

sen

x

2

cos

(

1)

n x

2

sen

nx

2

sen

x

2

i

sen

(

1)

n x

sen

nx

2 2

sen

x

2

S

2

iS

1

(8)

de onde tiramos os valores de interesse igualdade acima respectivamente.

S

1

e S

2

igualando-se as partes reais e imaginárias da

PROBLEMA 2: Considere agora o problema de se determinar as somas dadas por

S

1

S

2

n

j 1

cos

2 jx

. Para tal, observa-se inicialmente, da Trigonometria que

sen 2 x

1

2

n

j 1

sen

2

jx

1

2

cos 2 x

e

e

cos 2 x

1

1

2 , assim pode-se reescrever

2

cos 2 x

S

1

e

S

2

como sendo

S

1

n 1

sen

j 1

2

jx

  2

1

 

2

" n "

1 2   

1

2

cos 2

x

cos 4

x

cos 2

nx

(9)

onde

S´cos2 x cos4 x cos2 nx

.

Com o auxílio da Relação de Euler, seja

C cos x i sen x

, assim

C

2

C

4

n

j 1

cos2

C

2

n

C

jx i

sen2

jx

.

C C

n

n

C

n

1

C C

n

j

1

cos 2

jx i

sen 2

jx

cos(

n x

1) .sen

nx

sen x

i

sen(

n x

1) .sen

nx

sen x

S iS

´

onde

S

1

S

´´

1

2

 

n

j

1

n

sen 2

jx

. Sendo

S

1

cos(

n

1) .sen

x

nx

 

sen x

1

S ´

n

2

2

´´

(10)

(11)

Outra solução para o cálculo da soma Prostaférese. Para este caso tem-se que,

S ´

consiste em transformá-la segundo as fórmulas de

sen

3

x

sen

x

2 sen

x

cos 2

x

sen 5

x

sen

3

x

2 sen

x

cos 4

x



(12)

sen(2

n

1)

x

sen(2

n

3)

x

2 sen

x

cos(2

n

2)

x

sen(2

n

1)

x

sen(2

n

1)

x

2 sen

x

cos 2

nx

 

Somando-se todas as linhas acima tem-se que

sen(2 n 1) x sen x 2sen x S ´

´

S

sen

nx

.cos(

1)

n x

sen x

, que é exatamente o valor encontrado da parte real do somatório dado

por (10).

Observando-se (9) e que

S

2

n

j

1

cos

2

jx

1

2

cos 2 x

n S

´

1 1

2 2

cos 2 x

1

2

n

cos(

n

sen 1) x .sen

x

nx

(13)

que resolve o problema do cálculo de

S

2

.

PROBLEMA 3: Considere a seguir o problema do cálculo das somas dadas por

S

2

n

k 1

cos

3

kx

.

Seja C cosx isenx. Sendo

C

K cos

kx i

sen

kx

pode-se escrever que

S

1

n

k 1

sen

3

kx

e

C k  C  k cos kx  sen kx  2 C k
C
k
 C
 k
cos kx 
sen kx 
2
C
k
 C
 k
2 i
Elevando-se
a
relação
(15)
3
 C  C  
k
k
C
3
k
C
3
k
3
C
k
C
k
sen
3
k x  
2
i
 i
8
3sen
kx  kx
sen3
 sen
3
kx 
4
n
1
n
S
n
1 
sen
3
k x
sen
k x
sen3
k x 
4
   3
k 
1
k
1
k 1

ao

nx ( n  1) x sen  sen n 2 2 Por (6) tem-se
nx
(
n
1)
x
sen
 sen
n
2
2
Por
(6)
tem-se
que
sen kx 
D  cos3 x  i sen3 x
x
k  1
sen
2
teremos que:
2
D
 sen 6
cos 6
x
i
x
3
D
 sen 9
cos 9
x
i
x

n
D
cos 3
nx i
sen 3
nx
1
n
n
n
D D
2
.
2
D
2
 D
2
2
3
n
S
D D
D
 
D
D
 1
1 
D
2 D
2
 
(3
n
1)
x
(3
n
1)
x 
cos
 i sen
2
2
3
nx
S
 sen
D
3 x
2
sen

2

(14)

(15)

cubo

tem-se

que

(16)

(17)

e

observando-se

que

se

(18)

Tomando-se a parte imaginária da relação (18) tem-se que

n

k 1

sen 3 k x

(3

n

1)

x

2

3

nx

2

sen

sen

sen

3

x

2

Logo, por (6) e (19) teremos que

(19)

S

1

Vale

n

sen

k 1

3 k x

1

4

lembrar

que

a

3sen

nx

sen

(

n

1)

x

   
 

2

2

 

x

 

sen

 
 

2

 

n

soma

S

sen3

kx

k 1

igualdades a seguir, isto é

cos

9 x

2

cos

3

x

2



2 sen

3

x

2

sen 3 x

cos

15 x

2

cos

9

x

2



2 sen

3

x

2

sen 6 x

nx

sen

(3

n

1)

x

sen

3

 
 

2

2

 

3

x

 

sen

 

2

(20)

também poderá

ser

calculada

observando-se

as



cos

cos

3(2

n

1)

x

3(2

2

n

1)

x

2

cos

cos

3(2

n

3)

x



2

sen

3

x

2 2

3(2

n

1)

x



2

sen

3

x

2 2

sen(3

n

sen 3 nx

1)

x

cuja soma resultará em

cos

3(2 n

1) x

2

n

k

1

sen 3 k x

cos

3

x

2



2sen

3

x

2

n

k

1

sen3 k x

.

sen

3

nx

2

sen

3(

1)

n x

2

sen

3 x

2

, que é exatamente a expressão (19).

Para

cos

3

o

cálculo

de

C C

k

k

2

k x  

S

3

2

n

k

1

cos

3

kx

elevando-se

C

3

k

C

3

k

3

C

k

C

k

8

cos

S

2

3

kx

3cos

kx kx

cos3

4

n

k

1

cos

3

k x

1

4

   3

n

k

1

cos

k x

n

k

1

cos3

k x

a

expressão

(14)

ao

cubo

(21)

(22)

teremos

que

Utilizando-se a relação (4) e a parte real da relação (18) e substituindo-as em (22) tem-se que

S

2

n

k 1

cos

3 k x

1

4



3sen

nx

2

cos

(

n

1)

x

2

sen

x

2

(3

n

1)

x

2

3

nx


2

cos

sen

sen

3

x

2

(23)

Ressaltamos

que

a soma

n

k 1

cos3 kx

Prostaférese, ou seja, fazendo

também pode

ser calculada através das fórmulas

de

sen

9 x

sen

3

x

2 sen

3

x

cos 3 x

2

2

2

sen

15 x

sen

9

x

2 sen

3

x

cos 6 x

2

2

2



sen

3(2

n

1)

x

sen

3(2

n

3)

x

2

3

sen

x

cos(3

n

1)

x

 

2

2

2

 

sen

3(2 n 1) x

sen

3(2

n

1)

x

2

sen

3

x

cos 3 nx

 
 

2

2

 

2

 

e

somando-se

 

as

linhas

teremos

 

uma

“Soma

Telescópica”,

cujo

valor

3(2 n 1) x

 

3

x

3

x

n

sen

sen

2sen

cos3 k x

 
 

2

2

 

2

k

1

 

3 nx

3(

n

1)

x

 

n sen

 

cos

 

cos 3 k x

2

2

, que é exatamente a parte real da expressão (18).

 

3

x

 

k 1

sen

 

2

será

PROBLEMA 4 (IMO-62): Aqui é proposto resolvermos a equação a seguir (observamos que o segundo problema resolvido trata desta questão de forma generalizada).

cos

2

x

cos

2

2

x

cos

2

3

x

1

Notando que

cos 2 x

1 1

2 2

cos 2 x

segue que

cos

2

x

Sendo

cos

2

2

x

cos

2

3

x

Z cos x i sen x

3

2

 

Z

Z

Z

2

4

6

Z

2

cos 2

cos 4

cos 6

x

x

x

Z

4

Z

6

i

i

i

sen 2

sen 4

sen 6

x

x

x

Z (

Z

2

6

Z

2

1)

1)

(

1 2 cos 2 x cos 4 x cos6 x

cos 4

x i

sen 4

x

sen3 x

 

sen x

Tomando-se a parte real de (B) tem-se que

cos 2

x

cos 4

x

cos6

x

 

1

Como

 

(sen7 x

sen x )

 

2

sen7 x sen x 0 .

2sen4 x.cos3 x 0

cos 4

x

sen3

x

sen x

sen3 x.cos 4 x

,

então

teremos

que

a

(A)

(B)

equação

(A)

(C)

reduz-se

a

Logo, a solução da equação proposta será dada pelo conjunto

S

x

k  ( k 2   1 ) ( k 2   1
k
( k
2
 
1
)
( k
2
 
1
)
x
 
x
 
x
,k

2

4

6

  

PROBLEMA 5: Determinaremos agora o valor das somas

a) cos x 2cos2 x 3cos3 x n cos nx

b) senx 2sen2 x 3sen3 x

n sen nx nsennx

Sejam

S 1 cos x

2cos2 x

S 2 senx 2sen2 x 3sen3 x

3cos3 x

x  2sen2 x  3sen3 x  3cos3 x     n sen

nsennx

e

n cos nx

e

S1 iS 2 cosx isenx 2cos2 x isen2 x

i sen x   2  cos2 x  i sen2 x   

n cosnx isennx

Sendo

termos por

Z cosx isenx

(1Z )

S iS Z Z Z nZ

1

2

2

2

3

3

teremos

n

.

Multiplicando-se

S

1

S

1

iS

Z Z

2

Z

n

nZ

n 1

nZ

2

n

2

1

(

n

Z

1)