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Mecânica das Rochas para Recursos Naturais e Infraestrutura SBMR 2014 Conferência Especializada ISRM 09-13 Setembro 2014 © CBMR/ABMS e ISRM, 2014

Evaporitos da Bacia de Santos: Aspectos Geológicos e de Estabilidade de Poços

João Silveira Gomes Junior UNIMONTE, Santos, Brasil, jsilveirafilho@hotmail.com

Anderson do Nascimento Pereira UNIMONTE e PETROBRAS, Santos, Brasil, anderson.pereira@unimonte.edu.br

Samara Cazzoli y Goya UNIMONTE e IO-USP, Santos, Brasil, scgoya@gmail.com

RESUMO: A presença de estruturas evaporíticas em bacias sedimentares proporcionam condições favoráveis para o acúmulo de hidrocarbonetos e aumentam a probabilidade de sucesso exploratório. Na bacia de Santos existem grandes reservas de óleo leve abaixo de uma espessa camada de rochas evaporíticas. Estas rochas são constituídas por minerais salinos, e por este motivo possuem propriedades químicas e físicas diferentes das demais rochas da crosta terrestre. Os evaporitos são rígidos, mas se deformam caso sejam submetidos a um diferencial de tensão ao longo do tempo. A deformação destas rochas pode ocasionar problemas operacionais durante a perfuração como o colapso do poço, prisão da coluna de perfuração e colapso do revestimento. O objetivo deste trabalho é relacionar o comportamento mecânico dos evaporitos com problemas de estabilidade de poços em camadas salinas. Realizou-se um levantamento bibliográfico e posteriormente, um estudo de caso envolvendo o planejamento da perfuração de um poço vertical hipotético atravessando uma seção salina em determinada porção da bacia de Santos. A sequência salina é composta por camadas de anidrita, taquidrita, carnalita e halita, onde a taxa de fluência destes sais são distintas. Para controlar a fluência e a dissolução destas rochas, optou-se por utilizar um fluido de perfuração de base sintética, variando a densidade conforme a camada atravessada. Contudo, conclui-se que para manter a estabilidade de um poço em zona evaporítica, é necessário o conhecimento prévio das camadas salinas a serem perfuradas a fim de estabelecer as melhores práticas, como a escolha do fluido de perfuração a ser utilizado. O fluido de perfuração é a principal ferramenta utilizada para evitar o colapso do poço por fluência. A integridade estrutural do poço deve ser preservada, pois o custo da perfuração de um poço é muito alto, devendo-se evitar prejuízos. O projeto deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar que deverá discutir a melhor maneira de estabelecer a trajetória do poço.

PALAVRAS-CHAVE: Evaporitos, Estabilidade de Poços, Bacia de Santos.

1 INTRODUÇÃO

Os evaporitos são rochas sedimentares de origem química e são compostas por camadas de minerais salinos. A precipitação dos minerais salinos ocorre devido à evaporação da água de uma salmoura em ambiente restrito com clima quente e seco. Para que ocorra a precipitação destes minerais é necessário que o aporte de

água

doce seja nulo

ou

menor que

a

taxa de

evaporação. A ordem de precipitação depende da solubilidade e da quantidade de cada composto disponível na água do mar. Geralmente, o mineral halita (NaCl) é

encontrado em maior quantidade nas camadas

evaporíticas, pois os íons

de

Na +

e

Cl -

são

predominantes na composição da água do mar.

As rochas evaporíticas são encontradas no

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estado sólido, mas se forem submetidas à pressão ao longo do tempo, estas rochas se deformam, assim como os fluidos. Este fenômeno é conhecido como Fluência do Sal ou Creep. Segundo Medeiros (1999), os evaporitos tem capacidade de deformar pacotes sedimentares adjacentes, propiciando uma estrutura favorável à acumulação de hidrocarbonetos. Além disso, possuem permeabilidade praticamente nula, tornando-as excelentes rochas selantes. Mackay et al. (2007) destacaram a perspectiva de crescimento da produção nacional de hidrocarbonetos após a descoberta de novos campos petrolíferos, e citam como exemplo a descoberta de petróleo leve em reservatório de alta produtividade situado abaixo de uma espessa camada de sal na Bacia de Santos. Em contrapartida, existe uma grande dificuldade em perfurar extensas camadas de sal devido ao seu comportamento mecânico e sua capacidade de fluência. Botelho (2008) descreve que a complexidade destes corpos salinos requerem altos custos e tecnologia inovadora para alcançar os campos de produção, sendo necessária a utilização de procedimentos especiais para perfuração através de evaporitos. Uma alternativa para minimizar a taxa de fluência do sal é gerenciar o peso do fluido de perfuração, garantindo uma maior estabilidade até que o poço seja devidamente revestido. Deste modo, o objetivo deste trabalho é relacionar o comportamento geomecânico dos evaporitos com problemas de estabilidade de poços em zonas de sal, através de revisão bibliográfica e um estudo de caso.

Chang et al. (2008) a deposição dos evaporitos ocorreu após o rompimento litosférico, quando a circulação da água do mar foi restringida pela presença de altos vulcânicos. O clima na época era quente e seco, propiciando a evaporação.

estado sólido, mas se forem submetidas à pressão ao longo do tempo, estas rochas se deformam,

Figura 1. Localização da Bacia de Santos (Chang et al.,

2008).

Moreira et al. (2007) relata que o tempo estimado de deposição dos evaporitos é de 0,7 a 1 milhão de anos, permanecendo, ainda, imprecisa a taxa de acumulação devido à alta mobilidade da halita. Os evaporitos da Bacia de Santos foram depositados durante o período Cretáceo e estão presentes na Formação Ariri, onde o seu limite inferior se dá pelos carbonatos da Formação Barra Velha, e o limite superior pela transição dos evaporitos para os sedimentos siliciclásticos e carbonáticos das Formações Florianópilos e Guarujá.

  • 2 EVAPORITOS DA BACIA DE SANTOS

A Bacia de Santos é uma bacia sedimentar de margem passiva, localizada na região sudeste da margem continental brasileira, com 352.000

km² de área. A Figura 1 ilustra o limite da Bacia

de

Santos

com

a

Bacia de Pelotas, no Alto

Florianópolis e com a Bacia de Campos, no Alto

do

Cabo

Frio.

Sua evolução

é resultado

da

propagação

da

ruptura

do

supercontinente

Gondwana,

que

ocorreu

em

fases.

Segundo

3

ESTABILIDADE

DE POÇOS EM

ZONAS EVAPORÍTICAS

  • 3.1. Estudo Geomecânico

Segundo

Rocha

e

Azevedo (2009),

geomecânica é o ramo da ciência que estuda o

comportamento mecânico de todos os materiais geológicos, solos e rochas e suas reações aos campos de força que se manifestam sobre o respectivo ambiente físico.

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O estudo da mecânica das rochas se assemelha ao estudo da mecânica dos materiais. Gere e Goodno (2010) definem que os conceitos fundamentais na mecânica dos materiais são a tensão e a deformação. Estes autores descrevem que a tensão é dada em unidades de força por unidade de área e é referida pela letra grega σ (sigma). As rochas evaporíticas presentes na bacia de Santos, assim como as demais rochas da bacia, estão sujeitas às tensões resultantes do peso das camadas que as sobrepõe, das forças de coesão das rochas e dos esforços tectônicos. A hipótese utilizada na Engenharia de Petróleo é que a

tensão vertical (σv) é considerada uma tensão

principal, logo, no plano horizontal há duas

Onde σv representa a tensão de sobrecarga, ρ

é

a massa específica,

z

é

a profundidade

desejada, g é a constante gravitacional e dz é a

variação

da

profundidade.

 

Utiliza-se

uma

relação da teoria da elasticidade baseada na Lei de Hooke, onde a razão entre a tensão (σ) e a deformação (ε) é dada pelo módulo de elasticidade ou módulo de Young (E), demonstrada na Equação (2):

E =

(2)

A relação entre duas

deformações é dada

pelo coeficiente de Poisson (ʋ), representada na

Equação (3), que mede a deformação

tensões que são chamadas de tensão horizontal transversal de um material homogêneo e maior (σH) e
tensões que são chamadas de tensão horizontal
transversal
de
um
material
homogêneo
e
maior (σH) e tensão horizontal menor (σh). A
isotrópico.
Figura 2 representa a ação das tensões nas
formações.
= -
radial
 
horizontal
(3)
axial
vertical
Generalizando-se a Lei de Hooke para um
espaço tridimensional isotrópico e homogêneo,
as deformações normais nas três direções, como
descritas nas Equações (4), (5) e (6).
1
)
 
   
(
x
E
x
y
z
(4)
1
)
 
   
(
y
E
y
x
z
(5)
1
)
Figura 2. Tensões atuantes na formação.
 
   
(
z
E
z
x
y
(6)
As
tensões
atuantes
na
rocha
são

responsáveis por sua deformação. Segundo Rocha e Azevedo (2009), a deformação de um corpo resulta em sua movimentação, a partir de uma configuração original, para uma nova configuração deformada, ocasionando uma mudança na posição relativa dos pontos do corpo. Para o cálculo da tensão vertical, integra- se o perfil de densidade, demonstrado na Equação (1).

=

v

z

(z)gdz

0

(1)

Supondo-se que εx = εy = 0 e que σx = σy, pode-se escrever a Equação (7):

y

 

1

z

(7)

A tensão vertical efetiva pode ser relacionada com a tensão horizontal máxima efetiva pela relação de Poisson. Admitindo-se que a direção z seja a vertical e que x e y as horizontais, pode-

se reescrever a Equação (7), obtendo-se a

Equação (8).

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h

H

1

v

(8)

Onde h a tensão horizontal menor, H a tensão horizontal maior, é o coeficiente de Poisson, e v é a tensão de sobrecarga. Nesta aproximação as tensões horizontais são supostas como tendo a mesma magnitude. Calculando-se as tensões horizontais e a vertical é possível estimar os esforços atuantes na formação a ser perfurada. O conhecimento e monitoramento destas tensões são de extrema importância para a obtenção de sucesso na construção de poços em zonas evaporíticas, pois, conhecendo as tensões in-situ e as tensões atuantes na parede do poço, é possível evitar problemas operacionais, como por exemplo, colapso do revestimento.

  • 3.2. Fluência dos Evaporitos

Segundo Botelho (2008), na ciência dos materiais, a fluência, ou “creep”, é o termo usado para descrever a tendência de um material se deformar ao longo do tempo para aliviar a tensão. A fluência dos evaporitos depende de alguns fatores como a espessura da camada de sal, a temperatura da formação, a composição mineralógica, o teor de água, a presença de impurezas e a extensão onde o diferencial de tensão é aplicado. Costa (1984) e Botelho (2008) reforçam que a velocidade de deformação por fluência (dε/dt) é fortemente dependente do nível de tensão aplicada, como representada na Figura 3. Os autores ainda estabeleceram que quanto maior a temperatura, maior será a velocidade de deformação por fluência ou taxa de deformação, como indica o gráfico da Figura 4. Com o objetivo de compreender o comportamento de seções evaporíticas perfuradas durante a construção de um poço de petróleo, realizam-se ensaios de corpo de prova, a fim de aperfeiçoar a perfuração de zonas salinas. Segundo estudos de Poiate et al. (2006) e Botelho (2008) uma alternativa para combater a fluência de camadas evaporíticas é aumentar o peso do fluido de perfuração para que as

tensões,

assim

 

como

as

deformações,

diminuam.

 

Esta compensação realizada pelo fluido de

perfuração

é

de

extrema

importância,

pois

permite

que

o

poço

seja

revestido

ou

completado a tempo, sem que haja o colapso do

poço devido

 

à

fluência

das camadas

evaporíticas.

 
 h   H   1    v (8) Onde  a

Figura 3. Curvas de fluência para variação com tensão e temperatura constante (Botelho, 2008).

Figura 4. Curvas de fluência para variações de
Figura
4.
Curvas
de
fluência
para
variações
de

temperatura a uma tensão constante (Botelho, 2008).

  • 3.3. Fluido de Perfuração

Uma das principais funções do fluido de perfuração é equilibrar a pressão hidrostática do poço através de sua densidade. Quando a perfuração acontece em zonas evaporíticas, a escolha do fluido de perfuração a ser utilizado é muito importante, pois, neste caso o fluido é responsável por diminuir a taxa de fluência de camadas salinas, evitando o colapso do poço. Holt e Johnson (1986) afirmam que em muitos casos, especialmente em formações salinas, a taxa de fluência da formação é inversamente proporcional à densidade do fluido de

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perfuração. Um estudo realizado por Mackay et al. (2008) indicou que a causa de um rápido colapso de poço em zona salina, deve-se ao baixo peso do fluido de perfuração. Dusseault et al. (2004) explicam que na perfuração de seções salinas, algumas propriedades específicas do sal, como a fluência e a alta solubilidade, devem ser reconhecidas e incorporadas no projeto de perfuração. Os autores ainda ressaltam que estratégias adotadas para o sucesso da perfuração em camadas salinas envolve o reconhecimento do comportamento de fluência do sal, tensões, ajuste da densidade do fluido de perfuração e temperatura. Bleler (1990) afirma que a utilização de fluidos de perfuração à base de água (WBM Water Based Mud) em zonas evaporíticas pode causar danos como a dissolução da rocha, a menos que o fluido seja saturado antes da perfuração da camada salina. Portanto, é importante entender que a solubilidade dos sais está ligada a temperatura, portanto, os fluidos saturados em superfície podem não ser eficientes ao entrar em contato com formações a elevadas temperaturas. Dusseault et al. (2004) destacam que os fluidos à base de óleo ou sintéticos são indicados para perfuração de camadas salinas espessas, pois o risco de dissolução da rocha é menor e o fluido possui alta eficiência contra a fluência. Zhang et al. (2008) relatam que é de extrema importância realizar a modelagem da estabilidade do poço em função do peso do fluido de perfuração. Esta modelagem permite que seja criada uma janela operacional para pressão anular. Uma janela operacional segura é caracterizada pela densidade do fluido, que é suficientemente elevada para assegurar a estabilidade do poço e baixa o suficiente para assegurar que perdas de fluido não ocorram. A escolha inadequada do fluido de perfuração pode acarretar problemas como a formação de batentes, que acontece em seções com intercalações de anidrita e halita ou seções com intercalações de outros tipos de rochas solúveis e rochas insolúveis, washout, que é o alargamento do poço devido à interação da coluna com o poço ou pelo excesso de vazão, e break-outs, que são falhas por cisalhamento.

  • 4. ESTUDO DE CASO

O estudo de caso está relacionado à perfuração de um poço vertical hipotético com o objetivo localizado a 6.400 metros de profundidade,

sendo 1.500 metros de lâmina d’água. A zona

mais crítica do projeto está localizada na profundidade de 5.000 metros a 6.000 metros que compreende uma sequência evaporítica com as rochas anidrita, taquidrita, carnalita e halita. O poço está localizado em determinada porção da bacia de Santos. Discute-se principalmente a profundidade de assentamento das sapatas de revestimento e o dimensionamento do fluido de perfuração necessário para manter a estabilidade.

  • 4.1. Previsões Geológicas

Na geologia, a descrição de uma coluna geológica é realizada no sentido da base para o topo, mas neste trabalho será realizada no sentido topo para base, já que é nesta ordem que será realizada a perfuração.

Tabela 1. Previsões Geológicas Profundidade

Litologia

(m)

0 1.500

Lâmina d’água.

  • 1.500 Argilito pouco compactado, maciço.

1.900

  • 1.900 Folhelho pouco compactado, maciço.

2.500

  • 2.500 Arenito fino, maciço, moderadamente poroso.

3.000

  • 3.000 Folhelho pouco compactado

3.200

  • 3.200 Arenito fino, maciço, moderadamente poroso.

3.400

  • 3.400 Siltito, maciço, levemente compactado.

3.600

  • 3.600 Arenito fino, maciço, moderadamente poroso.

3.800

  • 3.800 Folhelho terrígeno, maciço.

4.000

  • 4.200 Folhelho carbonáticos, maciço.

4.300

  • 4.300 Calcário moderadamente poroso, maciço.

4.400

  • 4.400 Intercalações de calcarenito, calcário e folhelho carbonático.

5.000

  • 5.000 Sequência de deposição de evaporitos estratificados.

6.000

  • 6.000 Calcário, baixa porosidade, maciço.

6.200

  • 6.200 Calcarenito bastante poroso.

6.400

  • 6.400 Folhelho carbonáticos, maciço.

6.500

A seção evaporítica inicia-se com uma camada de 100 metros de anidrita no topo. Logo abaixo se encontra uma camada de 50 metros de

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taquidrita e 50 metros de carnalita. Em seguida encontra-se uma camada de 700 metros de halita, e 100 metros de anidrita na base.

  • 4.2. Gradientes de Pressão

cisalhamento e a pressão de poros muitas vezes é referida como pressão da formação, e pode ser definida como a pressão do fluido contido nos espaços porosos da rocha. A pressão de fratura é a pressão que leva à falha da rocha por tração.

Rocha e Azevedo (2009) definem que gradiente de pressão é a razão entre a pressão e sua profundidade de atuação, geralmente referenciada à mesa rotativa na sonda de perfuração, podendo ser expresso em psi/ft ou psi/m, entretanto, é muito comum que os gradientes de pressão sejam expressos em unidades de massa específica, como lb/gal ou g/cm³. No caso em que o gradiente de pressão é expresso em unidades de massa específica, o gradiente de pressão é chamado de peso de fluido equivalente, densidade equivalente ou peso de fluido. Este trabalho apresenta a profundidade em metros e o gradiente de pressão em lb/gal, conforme apresentado na Figura 5. O cálculo do gradiente de pressão está representado na Equação (9).

taquidrita e 50 metros de carnalita. Em seguida encontra-se uma camada de 700 metros de halita,

Figura 5. Gradiente de Pressão.

Segundo Borges (2008), a pressão de colapso é a pressão que leva a falha da rocha por

G =

P

(9)

C.D

Onde G

é

o

gradiente de pressão,

P

é

a

pressão, D é a profundidade vertical e C é uma

constante de conversão de unidades. A constante C tem valor de 0,1704 quando a pressão estiver expressa em psi, a profundidade em metros, e o gradiente de pressão em lb/gal. Se a profundidade estiver expressa em pés, a constante C receberá o valor de 0,0519.

  • 4.3. Planejamento da Perfuração do Poço

Segundo Mohriak et al. (2009) o melhor

planejamento

é

através

da

discussão

dos

cenários geológicos com a equipe

multidisciplinar de

projeto,

e

prever

contingências

para

agilizar

a

solução

de

problemas.

O

importante

é

não

generalizar

nada, pois o comportamento do sal é único para

cada poço perfurado.

 

O

projeto

 

de

revestimento em zonas

evaporíticas

deve

ser

criterioso, pois, nas

regiões onde se localizam os sais com maior

mobilidade,

a

fluência

pode comprometer a

integridade do revestimento. Segundo Wilson et al. (2002) as consequências do colapso de um

poço pode resultar em bilhões de dólares em

custos

de

reparação

e perda de produção.

Seguindo os critérios necessários para manter a estabilidade do poço, garantir a eficiência da

perfuração e reduzir o tempo não produtivo, o

revestimento

do

poço

do presente trabalho

ocorre em seis fases.

Durante

a

construção

do

poço

foram

utilizadas brocas

com

diferentes

diâmetros,

sendo eles: 36”, 26”, 17 ”, 14 ”, 8 ” com
sendo eles: 36”, 26”, 17 ”, 14 ”, 8 ” com
sendo eles: 36”, 26”, 17 ”, 14 ”, 8 ” com

sendo eles: 36”, 26”, 17 ”, 14 ”, 8 ” com

alargador de 12

” durante a seção evaporítica ,

” durante a seção evaporítica,

taquidrita e 50 metros de carnalita. Em seguida encontra-se uma camada de 700 metros de halita,

e 8 novamente na porção final.

Os

revestimentos

possuem

os

seguintes

diâmetros: 30”, 20”, 16”, 11

diâmetros: 30” , 20” , 16” , 11 ”, 9 ” e liner

”,

9

9

e

liner

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7”. A Figura 6 ilustra o as fases de revestimento do poço.

7”. A Figura 6 ilustra o as fases de revestimento do poço. Figura 6. Previsão geológica

Figura 6. Previsão geológica e fases de revestimento

As profundidades de assentamento das sapatas de revestimento foram definidas através da análise da janela operacional formada a partir dos dados de pressão de sobrecarga, pressão de fratura e pressão de poros. Segundo Rocha e Azevedo (2009) não existe um critério definido para a determinação da profundidade de assentamento do revestimento condutor, mas geralmente em poços marítimos ocorre entre 10 e 50 metros a partir do fundo do mar. Ainda segundo estes autores, o assentamento do revestimento condutor ocorre entre 400 e 500 metros de profundidade, dependendo da experiência que se tem na área. O assentamento de revestimentos de áreas profundas é realizado com base na experiência do profissional na área, gradientes de pressão de poros, colapso e fratura, a possibilidade de ocorrência de kick ou não, zonas de perda de circulação, longas extensões de poço aberto, entre outros. Neste projeto, optou-se assentar as sapatas de revestimento das zonas mais profundas no topo

e na base da seção evaporítica, a fim de promover o isolamento da área com maior confiabilidade. O topo e a base da seção são compostos por anidrita, que é a rocha mais rígida e com menor taxa de fluência dentre as rochas evaporítica presentes na seção. A escolha do fluido de perfuração utilizado foi feita com base nas análises da estratigrafia e propriedades dos sais encontrados na coluna geológica. Optou-se por utilizar um fluido de perfuração de base sintética, a fim de prevenir problemas como a dissolução dos sais. A densidade do fluido foi definida com base na taxa de fluência, conforme apresentada na Tabela 2.

Tabela 2. Taxa de fluência (pol/h) por tipo de sal e pela densidade do fluido (modificado de Mohriak et al. 2009).

Densidade do fluido (lb/gal)

Tipo de

10,5

12

13

14

Sal

Taquidrita

0,2345

0,0879

0,0433

0,0196

Carnalita

0,0417

0,0149

0,0067

0,0026

Halita

0,0052

0,0018

0,0008

0,0004

Nas

formações

acima

da sequência

evaporítica, a densidade de fluido adotada variou entre 8,5 lb/gal e 9 lb/gal. Já a densidade adotada para casa camada salina atravessada variou de acordo com os valores da Tabela 2.

5. CONCLUSÃO

A presença de estruturas evaporíticas em bacias sedimentares propicia um ambiente favorável à acumulação de hidrocarbonetos, pois, o evaporito é praticamente impermeável, o que o torna uma rocha selante por excelência. Possuem propriedades químicas e físicas distintas das demais rochas da crosta terrestre, pois, o evaporito é um sólido com comportamento fluido, admitindo a capacidade de fluir (creep) ao longo do tempo geológico. Esta fluência ocasiona divessos problemas operacionais como prisão da coluna de perfuração, colapso de revestimento, formação de batentes, entre outros. Contudo, conclui-se que para manter a estabilidade de um poço em zona evaporítica, é necessário o conhecimento prévio das camadas

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salinas a serem perfuradas a fim de estabelecer as melhores práticas, como a escolha do fluido de perfuração a ser utilizado. O fluido de perfuração é a principal ferramenta utilizada para evitar o colapso do poço por fluência. A definição da profundidade para o assentamento das sapatas dependem principalmente da experiência do profissional na área, dos gradientes de sobrecarga, pressão de fratura e pressão de poros, e outros fatores que variam de acordo com a área a ser perfurada, como por exemplo, a ocorrência de gases superficiais. A integridade estrutural do poço deve ser preservada, pois o custo da perfuração de um poço é muito alto, devendo-se evitar prejuízos. O projeto deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar que deverá discutir a melhor maneira de estabelecer a trajetória do poço.

REFERÊNCIAS

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