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Pontos–Provaoral–DPE/BA–PROCESSOCIVIL–2016

 

DESCRIÇÃOPONTOS

RESPONSÁVEL

REVISOR

 

1. Novo Código de Processo Civil (Lei n.

PATRICIA

XXX

1.

13.105,de16demarçode2015).

(PRINCIPAIS ALTERAÇÕES – DICAS GERAIS)

 

2.ConstituiçãoeProcesso:

ANAJAMILLE

MARIANA

2.

2.1. A Constitucionalização do processo.

Princípiosconstitucionaisnoprocessocivil.

 

2.2.Conteúdojurídicododireitodeacessoà

tutelajurisdicionaldoEstado.

2.3.Conteúdojurídicododireitodedefesa.

2.4.Direitosfundamentaiseprocesso.

2.5.Abuscapelaefetividadedoprocessoe

asreformasprocessuais.

2.6.

O

provimento jurisdicional como

instrumentodetransformaçãosocial.

 

3.

Normas de Direito Processual Civil:

ANAJAMILLE

MARIANA

3.

natureza jurídica, fontes, princípios processuais civis, interpretação e Direito Processual intertemporal. Princípios infraconstitucionaisdoprocessocivil.

 

4. Jurisdição: conceito, características,

FERNANDA

MARIANA

4.

princípioseespécies. 4.1. Meios alternativos de solução de conflitos: autotutela, autocomposição (conciliação e mediação), arbitragem e tribunaisadministrativos.

4.2.Competência.

 

5. Ação: teorias, classificação, elementos e

MARIANA

FERNANDA

5.

cumulação.

 
 

6.

Processo: pressupostos p/rocessuais,

MARIANA

FERNANDA

6.

atos processuais, vícios dos atos processuais, lugar, tempoeformadosatos processuais, comunicação dos atos processuais.Preclusão.

6.Sujeitosdoprocesso:partes,capacidade,

 

deveres e responsabilidade por dano processual, substituição, sucessão. Litisconsórcio. Assistência. Intervenção de terceiros: típicas e atípicas. Amicus curiae. Juizeauxiliaresdajustiça.MinistérioPúblico. AdvocaciaPública.DefensoriaPública.

   
 

7.Datutelaprovisória.Tuteladeurgênciae

CAROLINA

GUILHERME

7.

tutela da evidência. Tutela antecedente e incidente.Estabilizaçãodatutelaprovisória.

 

8. Procedimento comum: petição inicial,

JEAN

DANIELY

8.

indeferimento da petição inicial, improcedência liminar do pedido, conversão da ação individual em ação coletiva, audiência de conciliação ou mediação, respostas do réu, revelia, providências preliminares e saneamento, julgamento conforme o estado do processo, audiência deinstruçãoejulgamento,provas,sentença ecoisajulgada.

9.

9.Documprimentodesentença.

 

LAVINIE

LUIZA

 

10.

Do procedimento. Teoria geral do

ARTUR

CRISTIANE

10.

procedimento. Procedimentos especiais e procedimentosdejurisdiçãovoluntária.

 

11. Provas.

Objeto,

fonte e meios.

JEAN

JANAINA

11.

Admissibilidade. Provas típicas e atípicas.

Provas ilícitas. Ônus da prova. Provas em espécieesuaprodução.

12.

12. Normas processuais civis e medidas tutelares:

THIAGO

JEAN

12.1.NoEstatutodaCriançaeAdolescente;

 

12.2.NoEstatutodoIdoso;

 

12.3.NoEstatutodasCidades;

12.4. Na Lei de Proteção e Defesa aos PortadoresdeDeficiência;

12.5.

No

Código

de

Defesa

aos

Consumidores.

 
 

13.

Tutelas declaratórias, condenatórias,

BRUNO

CRISTIANE

13.

mandamentais,cominatóriaseespecíficas.

   
 

14. Processo de execução: espécies,

LAVINIE

LUIZA

14.

procedimentos, execução provisória e definitiva. Execução para entrega de coisa, execuçãodeobrigaçõesdefazeroudenão fazer,execuçãoporquantiacerta,execução contra a fazenda pública, execução de alimentos. Defesas do devedor e de terceiros na execução. Ações prejudiciais à execução. Embargos à execução. Suspensão e extinção do processo de execução.

 

15.

Processo nos tribunais e meios de

CAROLINA

GUILHERME

15.

impugnação das decisões judiciais: ordem

dosprocessosnostribunaiseprocessosde competência originária dos tribunais:

incidente de assunção de competência,

incidente de arguição

de

inconstitucionalidade,

conflito

de

competência, homologação de decisão estrangeira e concessão do exequatur à cartarogatória,açãorescisória,incidentede resolução de demandas repetitivas e reclamação.

 

16.

Recursos e meios de impugnação.

GUILHERME

CAROLINA

16.

Admissibilidade e efeitos.

Princípios.

Apelação, agravos, embargos de declaração,embargosdedivergência,duplo grau obrigatório, ação rescisória, mandado de segurança contra ato judicial, ação declaratória de inexistência de ato processualequerelanullitatis.Recursosnos Tribunais Superiores. Lei Federal n. 8.038/90. Repercussão Geral. Súmula.

SúmulaVinculante.LeiFederaln.11.417/06.

Precedentes: teoria geral, distinguishing e overhulling.

 

17.PrerrogativasprocessuaisdaDefensoria

LUIZA

LAVINIE

17.

Pública.

18.

18.

A Fazenda Pública como parte no

LAVINIE

LUIZA

processo: polos ativo e passivo. Prerrogativas. Tutela provisória e tutela específica. Ação de conhecimento e execução. A Fazenda nos procedimentos especiais. Juizados Especiais da Fazenda PúblicaEstadual.

19.

19. Ação de usucapião. Usucapião como matériadedefesa.

JEAN

RAFAEL

20.

20.Processocoletivo.Açãocivilpública.

 

FELIPE

NATHALIA

 

21.

Ação

declaratória

de

FELIPE

NATHALIA

21.

inconstitucionalidade/constitucionalidade. Ação de descumprimento de preceito constitucional.

 

22. Habeas Corpus, Habeas Data e

FELIPE

NATHALIA

22.

MandadodeInjunção.

 

23.

23.Reclamação.

 

NATHALIA

FELIPE

24.

24.Açãopopular.

 

NATHALIA

FELIPE

 

25.

Mandado de segurança individual e

NATHALIA

FELIPE

25.

coletivo.

 
 

26. Ações da Lei de Locação dos Imóveis

THIAGO

JEAN

26.

Urbanos:despejo,consignatóriadealuguele acessórios, renovatória e revisional. Postulaçãoedefesa.

27.

27.Açõespossessóriasepetitórias.

 

THIAGO

JEAN

28.

28. Ações de alimentos. Execução de alimentos.LeideAlimentosedisposiçõesdo CódigodeProcessoCivil.

LEANDRO

JULIA

 

29.Açõesdeclaratóriaenegatóriadevínculo

LEANDRO

ANA

29.

parental(emvidaepóstuma).

 

CAROLINA

 

30. Separação, divórcio direto e mediante

LEANDRO

ANA

30.

conversão.Declaratóriadeuniãoestável(em vida e póstuma). Separação e divórcio extrajudiciais.

CAROLINA

 

31.

Inventário judicial e extrajudicial.

ELEN

JANAINA

31.

Arrolamento.Alvará.

 

32.

32.JuizadosEspeciaisCíveis.Enunciados.

LUIZA

LAVINIE

 

33.

Assistência Judiciária:

aspectos

MARIANA

ANA

33.

processuais.

JAMILLE

34.

34.Processoeletrônico.

 

LUIZA

LAVINIE

PONTO1

PONTO2

PONTO3

PONTO4

PONTO5

PONTO6

PONTO7

PONTO8

SUMÁRIO

PONTO9

PONTO10

PONTO11

PONTO12

PONTO

13

PONTO14

PONTO

15

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PONTO

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20

161

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PONTO34

PONTO1

Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de

marçode2015).

1. Quais os objetivos que a Comissão do NCPC buscou alcançar e quais os instrumentoscriadosparaatingirtaisobjetivos,segundoaexposiçãodemotivos?

ForamPONTO1cincoosobjetivosqueguiaramaComissãodoNCPC,aseguirelencados:

A)Evidenciaraharmoniadaleiordináriacomotextoconstitucional:

(CONSTITUCIONALIZAÇÃODODIREITOPROCESSUALCIVIL) Instrumentos: a inclusão no código de princípios constitucionais; a criação de regras que visam a dar concreção a tais princípios (contraditório antes da desconsideração da personalidadejurídicaedadecisãosobrematériadeordempública;todososrecursosdevem constar em pauta em observância ao princípio da publicidade; incidente de resolução de demandasrepetitivasemobservânciaaoprincípiodapublicidade; incidentederesoluçãode demandasrepetitivasemobservânciaaduraçãorazoáveldoprocesso); B)Criarcondiçõesparaqueojuizpossaproferirdecisãodeformamaisrenteà realidadefáticasubjacenteacausa:

(ACESSOÀJUSTIÇASUBSTANCIALENÃOMERAMENTEFORMAL)

Instrumentos:ênfasenamediaçãoeconciliação;possibilidadedapresençadoamicuscuriae

emtodososgrausdejurisdição;possibilidadedosTribunaisSuperioresapreciaroméritode

recursosqueveiculemquestõesrelevantes,aindaquenãoestejampreenchidosrequisitosde

admissibilidadeconsideradosmenosimportantes.

C)Simplificaraoreduzircomplexidadedesistemas (RACIONALIZAÇÃODAJUSTIÇA/OBJETIVIDADE/CELERIDADE) Instrumentos:réupodeformularpedidocontrapostoindependentedereconvenção,queteve aautonomiadeseumododepropositurasuprimida;extinçãodeincidentes,quepassarama sermatériaalegávelempreliminardecontestação(incompetênciarelativa,incorreçãodovalor dacausa, erronaconcessãodegratuidadedejustiça), extinçãodediversosprocedimentos especiais e todas as cautelares nominadas; criação do sistema de tutela de urgência e evidência;reformulaçãodetodosistemarecursal.

D)Dartodorendimentopossívelacadaprocessoasimesmoconsiderado (TUTELAJURISDICIONALEFETIVA) Instrumento: Extensão da autoridade da coisa julgada as questões prejudiciais; a possibilidadejurídicadopedidodeixoudesercondiçãodaaçãoparasermatériadedecisão demérito,institutodaestabilizaçãodatutela,possibilidadedemodificaçãodopedidoecausa e de pedir pelas partes até a sentença, resguardado o contraditório; possibilidade de adaptaçãodoprocedimentoaspeculiaridadesdacausa.

E) Imprimir maios grau de organicidade ao sistema, dando-lhe, assim, maior COESÃO. Instrumentos: criação da parte geral, com os princípios processuais constitucionais e as regrasgeraisaguiarosdemaislivros;enfim,todaremodelaçãodoslivrosqueconstituemo novocódigodeprocessocivil(LivroI–PateGeral;LivroII–processodeconhecimento;Livro III–ProcessodeExecução;LivroIV–ProcessonosTribunaiseosmeiosdeimpugnaçãodas decisõesjudiciais).

Palavras-chave: constitucionalização do direito processual civil; contraditório efetivo; cooperativismoprocessual; métodos extrajudiciais deresoluçãodeconflitos; racionalidadee objetividade; desapego a formalismos exacerbados (vedação a jurisprudência defensiva) e foco no mérito da causa; eficiência; duração razoáveldo processo (celeridade); Teoria dos Precedentes; uniformização de jurisprudência e segurança jurídica (pela estabilidade); legalidadeeisonomia.

LINKSIMPORTANTES:

Fonte:PontosOral–Dpe-Sp

2. Conceitue o modelo inquisitorial e adversarial de estruturação do processo, indicando,deformafundamentada,seoNCPCseenquadraemalgumdeles.

Omodeloadversarialassumeaformadecompetiçãooudisputa,desenvolvendo-secomoum conflito entre dois adversários diante de um órgão jurisdicional relativamente passivo, cuja principalfunçãoédecidirocaso.Nestecasopreponderaochamadoprincípiodispositivo,no qualaconduçãoeinstruçãodoprocessodevepartirdainiciativadaspartes.

Jáomodeloinquisitorialorganiza-secomoumapesquisaoficial,sendooórgãojurisdicionalo grande protagonista do processo, predominando, assim, o chamado princípio inquisitivo, no qualaconduçãoeinstruçãodoprocessosedáprecipuamenteporimpulsojudicial.

AnalisandooNCPC,Didierdefendeosurgimentodeumterceiromodeloprocessual:omodelo cooperativo.Segundooautor,omodelocooperativo“caracteriza-sepeloredimensionamento do princípio do contraditório, com a inclusão do órgão jurisdicional no rol dos sujeitos do diálogoprocessual,enãomaiscomomeroespectadordoduelodaspartes.”Assim,noque tocaaconduçãodoprocesso,referequeestanãoédeterminadasomentepelavontadedas partes,mastambémnãoháumaconduçãoinquisitorialdojuízo,emposiçãoassimétricaem relação as partes, devendo ser buscada uma condução cooperativa do processo, sem destaqueparaqualquerdossujeitosprocessuais.

Fonte:PontosOral–Dpe-Sp

3.HouveumaalteraçãonatécnicadedecisãojudicialcombasenoNCPC?

Umas das normas fundamentais do processo é a obrigatoriedade da fundamentação das decisões judiciais, tratada em termos gerais no art. 11, do CPC/2015, e especificamente acerca da sentença, no art. 489, §1º, do CPC/2015. Salienta-se ainda que devido a importânciadotema, oroldoart. 489, §1º, émeramenteexemplificativo, sendoaplicadoa

processosemcursoquandodaentradaemvigordoCPC/2015.

SegundoDanielNeves,épossívelextrairdoartigo489doNCPC(quetratadashipótesesde

decisões que se considera não fundamentadas): uma consequência prática de suma relevância: a mudança de um sistema de motivação de decisões judiciais da fundamentaçãosuficienteparaumsistemadefundamentaçãoexauriente. Naspalavrasdoautor:“Háduastécnicasdistintasdefundamentaçãodasdecisõesjudiciais:

exauriente(oucompleta)esuficiente.

Na fundamentação exauriente,

o juiz é obrigado a enfrentar todas as alegações das

partes,

enquanto na fundamentação suficiente

basta que enfrente e decida todas as

causasdepedirdoautoretodososfundamentosdedefesadoréu

.Comocadacausade

pedir e cada fundamento de defesa podem ser baseados em várias alegações, na fundamentaçãosuficienteojuiznãoéobrigadoaenfrentartodaselas,desdequejustifiqueo acolhimentoouarejeiçãodacausadepediroudofundamentodedefesa”. Ecompleta: “O direitobrasileiroadotaatécnicadafundamentaçãosuficiente, sendonesse sentido a tranquila jurisprudência do STJ ao afirmar que não é obrigação do juizenfrentar todasasalegaçõesdaspartes,bastandoterummotivosuficienteparafundamentaradecisão. Nos termos do dispositivo, é possível concluir que a partir do advento do Novo CPC não bastará ao juiz enfrentar as causas de pedir e fundamentos de defesa, mas todos os argumentos que os embasam. O dispositivo legal, entretanto, deixou uma brecha ao juiz quandoprevêqueaexigênciadeenfrentamentoselimitaaosargumentosemteseaptosa infirmaroconvencimentojudicial”. OBS:AalteraçãonatécnicadedecisãojudicialapesardepretendidapeloNCPC(art.

489)jáencontrouresistênciadajurisprudência,queconformeexpostoacima,sempre

entendeupelaaplicaçãodatécnicadafundamentaçãosuficiente.

ÉoquepodemosobservaremrecentejulgadodoSTJpresenteno

julgadornãoestáobrigadoaresponderatodasasquestõessuscitadaspelaspartes,quando játenhaencontradomotivosuficienteparaproferir adecisão. O julgador possuiodever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciousobre determinado argumento que era incapazdeinfirmaraconclusãoadotada”.

Informativo585:

“O

EemrecentejulgadopresentenoInformativo829,oSTFentendeuque:

“Oprazode5dias,previstonoparágrafoúnicodoart.932doCPC/2015sóseaplicaaos

casos em que seja necessário sanar vícios formais, como ausência de procuração ou de assinatura, e não à complementação da fundamentação. Assim, esse dispositivo não incide noscasosemqueorecorrentenãoatacatodososfundamentosdadecisãorecorrida.Isso

porque,nestahipótese,serianecessáriaacomplementaçãodasrazõesdorecurso,oquenão

épermitido”.

Ouseja,aindaquenateoriasepretendesseaalteraçãodatécnicadafundamentação suficiente para a fundamentação exauriente, na prática a própria jurisprudência vem distorcendo o pretendido pelo NCPC. E isso é grave, uma vez que reconhecida a deficiênciadefundamentação,adecisãoestaráeivadadeerrorinprocedendo,devendo serdeclaradasuanulidade.Poroutrolado,talbrecha,nãoéconcedidaaspartes,uma vez que não será oportunizado a estas a complementação de fundamentação na via recursal,vezqueocorreráapreclusão,sendocertoque,apenasvíciosformaispoderão ser sanados. Ou seja, os Tribunais e Juízes não precisam enfrentar todos os fundamentos, e isso não gerará nulidade das decisões, mas se as partes não

impugnaremtodososfundamentosdasentença,nãoterãoseusrecursosapreciados.

nulidade das decisões, mas se as partes não impugnaremtodososfundamentosdasentença,nãoterãoseusrecursosapreciados.

LINKSIMPORTANTES:

Fonte:NovoCódigodeProcessoCivil(AlexandreFlexa,DanielMacedoeFabrícioBastos)/

PontosOral–Dpe-Sp/Informativo585STJ/Informativo829STF.

#IMPORTANTE: Seguem abaixo alguns conceitos que tem pertinência temáticacomaperguntafeitaacima:

3.1. PREQUESTIONAMENTO FICTO:

O prequestionamento é um requisito de

admissibilidadederecursosnostribunaissuperiores.Trata-sedeumtermoquese refereàexigênciadequeaparteprovoqueosurgimentodaquestãofederalou constitucional no acórdão proferido na decisão recorrida. Prequestionamento ficto é aquele que se considera ocorrido com a simples interposição dos embargosdedeclaraçãodiantedaomissãojudicial,independentementedoêxito dessesembargos.ONovoCPCconsagrouatesedoprequestionamentofictoem

seuart.1.025,verbis:“Consideram-seincluídosnoacórdãooselementosqueo

embargantesuscitou,parafinsdepré-questionamento,aindaqueosembargosde declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.” Havia uma divergência entre STF e STJ, uma vez que o STF mesmo antes do NCPC admitia o prequestionamento ficto, já o STJ vedava expressamente, tanto que editou a Súmula 211. Assim, como advento do NCPC a doutrina vemafirmando que a referidaSúmulaencontra-sesuperada.

3.2. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM / POR REFERÊNCIA OU

REFERIDA:

O órgão jurisdicional profere uma decisão referindo-se a uma

fundamentaçãoquenãoseencontranocorpodaprópriadecisão.Navigênciado

CPC/73OSTJadmitia,porémoNCPCcombasenoart.489,§1ºnãoaadmite.

Ocorre que, é bem possível que o STJ também relativize tal dispositivo para aceitar a manutenção da fundamentação per relationem. Segundo Daniel Assumpção,nemmesmooprópriolegisladorparecetercolocadofénavedaçãoa fundamentação per relationem, tanto que trouxe no art. 1021, §3º expressa

3.3.JURISPRUDÊNCIADEFENSIVA: decisãodemérito(art.4º). chamadajurisprudênciadefensiva:

3.3.JURISPRUDÊNCIADEFENSIVA:

decisãodemérito(art.4º).

chamadajurisprudênciadefensiva:

proibiçãodessatécnicanojulgamentodeagravointernointerpostocontradecisão monocráticadorelator.Questiona-se:seasnovasexigênciasdefundamentação fossemsuficientesparaevitarpraticamenteafundamentaçãoper relationem de forma genérica, qual teria sido a razão para a preocupação do legislador em preverexpressamentesuavedaçãoparaumahipóteseespecífica?

Ajurisprudênciadefensivaconsiste,grosso

modo,emumconjuntodeentendimentos—namaioriadasvezessemqualquer amparo legal — destinados a obstaculizar o exame do mérito dos recursos, principalmente de direito estrito (no processo civil, Recursos Extraordinário e Especial) em virtude da rigidez excessiva em relação aos requisitos de admissibilidaderecursal.Criticadaporampladoutrina,ajurisprudênciadefensiva vinha encontrando abrigo, em maior ou menor medida, no Supremo Tribunal FederalenoSuperiorTribunaldeJustiça,combaseemfundamentospuramente pragmáticos: o excessivo número de recursos aportados ano após ano nos tribunaisdecúpula.Assimproliferaramorientaçõesformalistas.Atravésdonovo CPC percebe-se o claro intuito do legislador em minimizar a adoção da jurisprudênciadefensiva,permitindoqueapartepossasuprireventualvícioformal existentenorecursointerposto,visandoqueoméritorecursalsejaanalisadopela Corte. Nesse ponto é importante reforçar a ideia do princípio da primazia da

Cândido Rangel Dinamarco destaca que “uma das características do processocivilmodernoéorepúdioaoformalismo,medianteaflexibilização dasnormaseinterpretaçãoracionalqueasexigem,segundoosobjetivosa atingir.”

SeguemabaixoalgunsexemplosdedispositivosdoNCPCquevisamocombatea

(b)

proibiçãodasdecisõesgenéricasenãomotivadas:artigo489,incisosIaVI;(c)

(a)reafirmaçãodoprincípiodainstrumentalidadedasformas: (artigo188);

fimdoreconhecimentodorecursoprematuro/extemporâneo:artigo218,§4º;(d)

preenchimentoerrôneodaguiadepreparorecursal:antesdeaplicaradeserção do recurso pelo recolhimento errôneo da guia do respectivo preparo recursal, como, mormente acontecia, deverá o relator intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de cinco dias, conforme taxativamente dispõe o § 7º, do artigo

1.007,donovoCPC;(e)recursodeserto:casoorecursosejainterpostosemo

recolhimentodopreparodevido,antesdeaplicarapenadedeserção,domesmo modocabeaorelatoroportunizaraorecorrenteodireitodesanarovícionoprazo de cinco dias, recolhendo a título de sanção o dobro do valor devido, como

preceituaoartigo1.007,§4ºdoNovoCódigodeProcessoCivil.Poroutrolado,

mantendo-se a sistemática antiga, caso o preparo seja recolhido à menor, o

recorrenteteráoprazodecincodiasparacomplementar,inteligênciado§2º,do

referido artigo 1.007; (f) não conhecimento do Agravo de Instrumento por deficiência emsua formação: ao receber o recurso e proceder como juízo de admissibilidade, caso o relator constate a ausência de alguma peça essencial, antes de proferir decisão não conhecendo o recurso, deverá oportunizar ao recorrenteodireitodesanarovícionoprazodecincodias,inteligênciadoartigo

932,parágrafoúnico,cumuladocomartigo1.017,§3º,ambosdoNovoCódigode

Processo Civil; (g) recurso não assinado por procurador legalmente habilitado:

revogandointeiraeexpressamente(aindaquedeformatácita)asúmulanº115do

SuperiorTribunaldeJustiçaqueconsideravainexistente,nainstânciaespecial,o recurso assinado por advogado não habilitado nos autos, o novo diploma processual civil estabelece que verificada a incapacidade processual ou a irregularidadedarepresentaçãodaparte,deveorelatoroportunizaraorecorrente

odireitodesanarovícionoprazodecincodias,conformedisciplinaseuartigo76.

Somentecomainérciadorecorrentenasanaçãodovícioéquesedeveránão conhecer o recurso, nos termos do § 2º, do referido artigo; (h) admissão de prequestionamentoimplícito:seguindopacíficaorientaçãodoutrináriaetendência da jurisprudência moderna, novo código passa a admitir o prequestionamento implícito(virtual),nosentidodeseconsiderarincluídosnoacórdãorecorrido,os elementosqueoembargantepleiteou,parafinsdeprequestionamento,aindaque os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade; (i) possibilidadedecorreçãodevícioformalnosrecursosdirigidosaoSTFeSTJ:

conformedisciplinao§3º,doartigo1.029,nosrecursosextremosinterpostoscom

vício formal sanável, poderá o relator (i) diretamente desconsiderar o vício e analisaroméritoou;(ii)oudeterminarasuacorreçãonoprazoaserassinalado; OBS:Apesardetodososexemplosacima,adoutrinacriticaodispostono art. 1003, §6ºdoNCPC(O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso), alegando tratar-se de um retrocesso e verdadeira positivação da jurisprudência defensiva, isso porque,ajurisprudênciadoSTJeSTFvinhaadmitindoacomprovaçãoda ocorrênciadeferiadolocalapósainterposiçãodorecurso,todaviaoNCPC estabeleceucomomarcoparaessademonstraçãoadatadeinterposiçãodo recurso.

4. Qual a importância do fortalecimento da Defensoria Pública para a efetivação do EstadoDemocráticodeDireito?QuaisosobjetivosdaDP?ONCPCtrouxedispositivos que levam ao fortalecimento da Instituição? Inovou nesse ponto? Como o Defensor Públicopodeutilizartaisinstrumentosnapráticaparaefetivarsuafunçãoinstitucional

ealcançarosobjetivospropostospelaLC80/94?

A Defensoria Pública, enquanto instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, e à garantia constitucional ao acesso à justiça, qualifica-se como instrumento de concretizaçãodosdireitosedasliberdadesdequesãotitularesaspessoascarentese necessitadas.ÉporessarazãoqueaDefensoriaPúblicanãopode(enãodeve)sertratada de modo inconsequente pelo Poder Público, pois a proteção jurisdicional de milhões de pessoas-carentesedesassistidas-,quesofreminaceitávelprocessodeexclusãojurídicae social, depende da adequada organização e da efetiva institucionalização desse órgão do Estado.

De nada valerão os direitos e de nenhum significado revestir-se-ão as liberdades, se os fundamentos em que eles se apoiam - além de desrespeitados pelo Poder Público ou

transgredidosporparticulares-tambémdeixaremdecontarcomosuporteeoapoiodeum aparato institucional, como aquele proporcionado pela Defensoria Pública, cuja função precípua, por efeito de sua própria vocação constitucional(CF, art. 134), consiste emdar efetividade e expressão concreta, inclusive mediante acesso do lesado à jurisdição do Estado,aessesmesmosdireitos,quandotitularizadosporpessoasnecessitadas,quesão as reais destinatárias tanto da norma inscrita no art. 5º, inciso LXXIV, quanto do preceito consubstanciado no art. 134, ambos da Constituição da República. Se o acesso à justiça constitui uma garantia fundamental (CF/88, art. 5º, XXXV), cumpre ao Estado prestar

assistênciajurídicaintegralegratuitaaosquecomprovareminsuficiênciaderecursos(art.5º,

LXXIV).EisocontextoemqueseinsereaDefensoriaPública.

Os defensores públicos são, exatamente, os advogados públicos oferecidos pelo Estado a pessoascarentes. AdefensoriaPúblicaé, então, instituiçãoessencialàJustiça, coma mesmadignidadeeimportânciaqueoMinistérioPúblico,aAdvocaciaPúblicaeaAdvocacia.

Entreosseusobjetivos,elencadosnoart.3º-A,daLeiComplementarnº80/1994,encontram-

se:

1.

aprimaziadadignidadedapessoahumanaeareduçãodasdesigualdadessociais;

2.

aafirmaçãodoEstadoDemocráticodeDireito;

3.

aprevalênciaeefetividadedosdireitoshumanos;

4.

eagarantiadosprincípiosconstitucionaisdaampladefesaedocontraditório.

Destaforma,pode-seobservarqueoespectrodeatuaçãodaDefensoriaPúblicaébastante

abrangente,eisquevisagarantirepromoverosdireitosdaspessoasnecessitadas.

Trata-se de uma atuação que vai muito além de uma defesa processual, dentro do Poder Judiciário.Dizrespeitoàsatisfaçãodosanseiosdosnecessitadosdamelhorformapossívela estes, emespecialextrajudicialmente oucommedidas preventivas de violações de direitos. (ATUAÇÃO RESOLUTIVA). Igualmenteimportanteéoaspectodadefesados necessitados atravésdeprocessosjudiciais,sejanoscasosdedemandasqueexigemajurisdição,sejaem casos cuja resolutividade extrajudicial não foi possível, diante da ausência de conciliação. (ATUAÇÃODEMANDISTA).

NãosepodenegarqueamaioriadasdisposiçõesdoNCPCjáexistiamemoutrasleisouem entendimentos jurisprudenciais. Porém, a codificação e previsão de garantias e institutos atinentesàDefensoriaPúblicaelevamainstituição,demodoqueaenraízanomeandrodas legislações nacionais e solidifica-a, cada vez mais, em patamar isonômico com as demais instituições essenciais à função jurisdicional, harmonizando a figura da Defensoria Pública comosujeitodoprocessocivil.

DefensoriaPública

(Título VII), dentro do Livro destinado aos sujeitos do processo (Livro III). Também é

da Defensoria Pública como titular do exercício da

importante citar a previsão expressa

curadoria especial, para garantia da defesa técnica dos indivíduos que não foram citados pessoalmente.

Assim,oNCPCfoibastantefelizemdisporemtítulopróprioacercada

dos indivíduos que não foram citados pessoalmente. Assim,oNCPCfoibastantefelizemdisporemtítulopróprioacercada PONTO2

2.ConstituiçãoeProcesso:

2.1.AConstitucionalizaçãodoprocesso.Princípiosconstitucionaisnoprocesso

civil.

2.2.ConteúdojurídicododireitodeacessoàtutelajurisdicionaldoEstado.

2.3.Conteúdojurídicododireitodedefesa.

2.4.Direitosfundamentaiseprocesso.

2.5AbuscapelaefetividadedoprocessoeasReformasProcessuais.

2.6Oprovimentojurisdicionalcomoinstrumentodetransformaçãosocial.

(Materialutilizado:CursodeDireitoProcessualCivil,FredieDidier,2015;Anotaçõesdeaulas,

ministradasporFredieDidier,sobreoNCPC;Pontosprovaoral–DPE/MSEDPE/SP2015–

opontodoeditaldeSPéidênticoaopresentepontoe,portalrazão,foiutilizadointegralmente

oreferidomaterial,comalgumasinclusões,sobretudorelativasaoNCPC)

1. Explique em quais sentidos pode ser entendida a relação entre processo e Constituição. HádoissentidosvetoriaisdasrelaçõesentreprocessoeConstituição:

- A Constituição dita as regras fundamentais e princípios a serem observados na construção e desenvolvimento empírico da vida do processo (tutela constitucional do processo).

- Por outrolado, oprocessoéinstrumentoparaapreservaçãodaordemconstitucional, seja mediante a chamada ‘jurisdição constitucional’(inclusive a jurisdição constitucional das liberdades),sejaatravésdesuautilizaçãocotidiana.

2.Oqueéconstitucionalizaçãodoprocesso?ApontetransformaçõeshavidasnoDireito

Constitucionalquetiveramrepercussãonoprocesso?Qualarelaçãoentreprocessoe

direitosfundamentais?

Porconstitucionalizaçãoentende-seofenômenoemqueumasériedenormasprocessuais

foiincorporadaàConstituição(videregrasdecompetênciajurisdicional).Emdecorrênciadisto,

asnormasinfraconstitucionaisprocessuaispassamaestardeacordocomaConstituição.

Dentre as transformações ocorridas no direito constitucional, com repercussão no processo,podem-secitar:

i.ReconhecimentodaeficácianormativadaCF; ii. Aprimoramento da jurisdição constitucional (ADI, ADC, ADPF, controle difuso, súmula vinculante,repercussãogeral); iii.Desenvolvimentodateoriadosdireitosfundamentais. Sobreestarelaçãoentreprocessoedireitosfundamentais,deve-sediferenciar:

a) Dimensão Objetiva dos direitos fundamentais: são normas jurídicas constitucionais fundamentais.E,nessesentido,odireitoprocessualtemqueserconstruídoemrespeito aestasnormas. b) Dimensão Subjetiva dos direitos fundamentais: também são direitos, ou seja, o processo tem que ser construído de modo que estes direitos fundamentais sejam

efetivados,poiselespodemser‘processualizados’. Obs.: Quanto à constitucionalização do processo, não confundir (i) direito constitucional processual=conjuntodedireitoseprincípiosdedireitoprocessualqueseencontranaCF(ii) direitoprocessualconstitucional=conjuntodenormasqueregulamaaplicaçãodajurisdição constitucional.

3.Quaissãoosprincípiosconstitucionaisnoprocessocivil?

Inicialmente, cumpre apontar que o devido processo legal é considerado um princípio síntese ou um princípio de encerramento (Scarpinella), de que todos decorrem. Pode ser entendido em sua dimensão procedimental (formal/processual): conjunto de garantias processuaismínimasquedevemserobservadas,paraaobtençãodeumasentençajusta;ou ainda,nadimensãosubstancial(material):preocupaçãocomajustiçadadecisão–segundo algumas doutrinas, deste aspecto decorrem os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.

Dentreosprincípiosconstitucionaisexplícitos,podem-secitar:

a)PrincípiodaInafastabilidadedaJurisdição–acessoàjustiça(art.5º,XXXV,CF):direito

deaçãoemsentidoamplo,deobterdoPoderJudiciárioumarespostaaosrequerimentosa

eledirigidos.

b)PrincípiodoContraditório(art.5º,LV,CF):dimensãoformal–direitodeserouvido,de

participação; dimensão substancial – poder de influência, a parte tem que ser ouvida com elementosparainfluenciar adecisãodojuiz. Entende-sequeaampladefesaéadimensão substancialdocontraditório.

c) Princípio da Ampla Defesa (art. 5º, LV, CF): conjunto de meios adequados para o

exercíciodocontraditório;

d) Princípio da imparcialidade/ juiznatural (art. 5º, LIII e XXXVII, CF): dois aspectos –

conter eventual arbítrio do poder estatal (veda tribunal de exceção) e assegurando imparcialidade do juiz, evitando liberdade de escolha daquele que julgará o caso (juiz

competente). Juiz natural é aquele cuja competência é apurada de acordo com regras previamenteexistentesnoordenamentoequenãopodesermodificadoaposteriori.

e) Princípio da Publicidade (art. 5º, LX e art. 93, XCF): liga-se a controle. Aregra da

motivaçãodasdecisõesjudiciaiséumaconcretizaçãodoprincípiodapublicidade.Dimensão

interna–publicidadeaossujeitosdoprocesso/externa–paraterceiros,podeserrestringida,

emrazãodaintimidadeedointeressepúblico,deacordocomaprópriaCF.

f)Princípiodamotivaçãodasdecisões(art. 93, X, CF):juizoutribunal,aoproferirsuas decisõesdevejustificá-las,parafiscalizaçãodaatividadejudiciária–transparência.

g) Princípio da Igualdade Processual (art. 5º, caput, CF): eventuais diferenças de tratamentodevemserjustificadasracionalmente,combaseemcritériosdereciprocidadeede modoaevitardesequilíbrioglobalemprejuízodaspartes;

h)PrincípiodaDuraçãoRazoáveldoProcesso(art.5º,LXXVIII,CF):foiincluídopelaEC

45/04.Jávigorava,porém,desde1992,porcontadoPactoSanJosé(art.7º,5eart.8º,1).

i) Princípio do duplo grau de jurisdição: não há qualquer dispositivo que consagre, de

maneiraexpressa.ACFaocriarjuízosetribunais,aquemcompete,entreoutrascoisas,julgar recursos estabeleceuum sistema em que normalmente há o duplo grau, para promover o controledosatosjudiciais.Entende-se,noDPC,queaprópriaCFfazexceçõesacasosem quehaverágrauúnico–competênciaorigináriadostribunais.

Nesta seara, os princípios constitucionais implícitos são (não estão expressos, mas são coroláriosdodevidoprocessolegal):

a)PrincípiodaEfetividade:meta-direito,direitodeveroprópriodireitoefetivado.

Sobreoprincípiodaefetividade, destacouFredieDidier duranteaulaministradasobreo NCPC, que o art. 4º do referido Diploma consagra tal princípio, pela primeira vez expressamente, ao estabelecer que as partes têm direito inclusive a atividade satisfativa.

Dispõeoart.4ºqueas“partestêmodireitodeobteremprazorazoávelasoluçãointegraldo

mérito,incluídaaatividadesatisfativa.”

Note-seque,aindadeacordocomassuaslições,oreferidoprincípiojáeraexpressono

âmbitocoletivo.

b)PrincípiodaAdequação:

objetiva–processodeveseradequadoàspeculiaridadesdodireitoporelediscutido (procedimentosespeciais); subjetiva – processo tem de ser adequado aos sujeitos que vão se valer dele; teleológica–deveseradequadoaosseusfins. c) Princípio da Boa-fé Processual: (no CPC/1973 é explícito (art. 14, II) como um dos deveres das partes processuais, assim como também no NCPC, mas agora no capitulo especifico das normas fundamentais do processo: “Art. 5o Aquele que de qualquer forma participadoprocessodevecomportar-sedeacordocomaboa-fé.”)édirigidoatodossujeitos doprocesso,inclusivejuiz.

)édirigidoatodossujeitos doprocesso,inclusivejuiz. OBS.:EnunciadosdoFPPCrelacionadosaoart.5ºNCPC: E. 6: O

OBS.:EnunciadosdoFPPCrelacionadosaoart.5ºNCPC:

E. 6: O negóciojurídicoprocessualnãopodeafastar osdeveresinerentesàboa-féeà cooperação.

E.374:Oart.5ºprevêaboa-féobjetiva.

E375:Oórgãojurisdicionaltambémdevecomportar-sedeacordocomaboa-féobjetiva.

E.376:Avedaçãodocomportamentocontraditórioaplica-seaoórgãojurisdicional.

E.377:Aboa-féobjetivaimpedequeojulgadorprofira,semmotivaraalteração,decisões

diferentessobreumamesmaquestãodedireitoaplicávelàssituaçõesdefatoanálogas,ainda

queemprocessosdistintos.

E.378:Aboaféprocessualorientaainterpretaçãodapostulaçãoedasentença,permitea

reprimenda do abuso de direito processual e das condutas dolosas de todos os sujeitos processuaisevedaseuscomportamentoscontraditórios.

4.PorqueoNCPCnãoreproduziuotextodoart.126doCPC/73,quemencionavaos

"princípios gerais do direito" como a última fonte de integração das lacunas legislativas?

SegundoFredieDidier(DidierJr.,2015,pag50),àluzdateoriadosprincípiosprocessuais,

essetextonormativoeraobsoleto.Issoporqueojuiznãodecidea“lide”combasenalei;ojuiz decide a "lide" conforme o “Direito”, que se compõe de todo o conjunto de espécies normativas:regraseprincípios.Osprincípiosnãoestão"fora"dalegalidade,entendidaessa comooDireitopositivo:osprincípiosacompõem.

ONCPCencampaclaramenteateoriadaforçanormativadosprincípiosjurídicos.O§2º

doart.489doNCPCesmiúçaodeverdefundamentação,nocasodeoórgãojulgadordecidir

por"ponderaçãodenormas";aponderaçãoéusualmenterelacionadaaocasodeaplicaçãode

princípioscolidentes.

4. Por quaismudançaspassa o processo civil atualmente e a que valoreselasestão relacionadas? Hojeemdia,háumapriorizaçãodecertosaspectosdoprocesso,paraosquaisosistema tradicionalnãodavasolução.Oscasosmaisevidentesenvolvemacessoàjustiçaelentidão dosprocessos,bemcomoadistribuiçãodoônusdecorrentedestademora.

Háaindaaquestãodasocializaçãodajustiça,tendoemvistaquemuitosconflitosdeixam deser levados ajuízo, sejaemvirtudedocusto, sejaporqueodanopulveriza-seemtoda sociedade (este tema está intimamente ligado aos obstáculos de acesso à justiça, identificadosporGartheCappelletti,no‘ProjetodeFlorença’).

Entreoutrosinstrumentosqueapresentamnovastendênciasdoprocesso,podem-secitar os juizados especiais cíveis (objetiva facilitar o acesso à justiça) ou mesmo as tutelas de urgência,queservemparareduzirosdanosdecorrentesdademoradoprocesso.Estabusca atual ruma para a universalização do acesso à justiça. A isto se deve somar a constitucionalizaçãododireito,emqueosprincípiosfundamentaisdoprocessocivilestãona CF e as normas processuais devemser interpretadas sob a ótica constitucionalista. Sobre

esteúltimoponto,ressalte-searedaçãodoart.1ºdoNCPC,quedispõe:

“Oprocessocivilseráordenado,disciplinadoeinterpretadoconformeosvaloreseas

normasfundamentaisestabelecidosnaConstituiçãodaRepúblicaFederativadoBrasil,

observando-seasdisposiçõesdesteCódigo.”

FredieDidier, emaulaministradasobreoNCPC, explicaqueoreferidoartigo1ºnãofoi inserido por acaso. Ele deixa claro que o NCPCnão pode se desvencilhar e não pode ser interpretadodemaneiraincompatívelcomaConstituiçãoFederal.Dopontodevistasimbólico, onovoCPCémuitobom.Contudo,dopontodevistanormativo,eledizumaobviedade:as normasinfraconstitucionaisdevemserinterpretadasàluzdaConstituição.

Oprocessoatualalmejaosseguintesvalores:

-facilitaçãodoacessoàjustiça: aleideveadotar mecanismosquepermitamquetodos possamlevaraojudiciárioseusconflitos,reduzindo-seapossibilidadedachamadalitigiosidade contida.

- duração razoável do processo: a demora na solução dos conflitos traz ônus gravoso àquelequeingressaemjuízo.Deve-sebuscarmecanismosquerepartaesseônus.

- instrumentalidade: o processo é instrumento que deve ser sempre o mais adequado

possívelparafazervalerodireitomaterialsubjacente;deve-sebuscaramoldá-losempre,de

modoquesirvadamelhorformaàsoluçãodaquestãodiscutida;

-tuteladeinteressescoletivosedifusos:édecorrênciadagarantiadeacessoàjustiça.Há

direitosquesãopulverizadosentreosmembrosdasociedade,oquetrazriscoàsuaproteção,

seestanãoforatribuídaadeterminadosentes.

- universalização: estes valores já citados podem ser resumidos na busca pela democratizaçãoeuniversalizaçãodajustiça,paraqueoJudiciáriocumpraseupapel;

-constitucionalizaçãododireitoprocessual:osprincípiosdoprocessocivilestãonaCFe

asnormasprocessuaisdevemserinterpretadassobaóticaconstitucional;

- efetividade do processo: relaciona todos itens anteriores, o processo tem de ser instrumentoeficazdesoluçãodeconflitos.Atécnicanãodeveserumfimúltimo,masestara serviçodeumafinalidade,qualsejaaobtençãodoresultadoqueseesperadoprocesso.

Nodireitoprocessualbrasileiro,reformassucessivasepontuaisdalegislaçãotiverampor objetivo dar maior efetividade ao processo e o desenvolvimento de novas técnicas processuais.

Ao longo da vigência do CPC/1973, modificações pontuais foram introduzidas, sucessivamente, no texto da lei, até que se levaram a efeito reformas mais amplas e

ordenadas,nosanosde1994/1995e2001/2002.

ComoadventodaEmendaConstitucionalnº45/2004,tornou-senecessáriaumareforma

doCPC,comoobjetivodetornarmaisamplooacessoàJustiçaemaiscélereaprestação jurisdicional,assimcomotambémsefazianecessáriodarefetividadeaonovopreceitoinserido no elenco das garantias fundamentais, dispondo que a todos, no âmbito judicial e administrativo,sãoasseguradosarazoávelduraçãodoprocessoeosmeiosquegarantama

celeridadedesuatramitação(art.5º,LXXVIII,CF/88).

Surgiram, assim, as leis modificativas do recurso de agravo (Lei nº 11.187/2005); da liquidação e execução da sentença (Lei nº 11.232/2005); da admissibilidade de recursos, restringida emfunção das chamadas “súmulas impeditivas”, lei que tambémtratousobre o saneamentodenulidades processuais emsederecursal(Leinº11.276/2006); dodespacho liminar, com a introdução do julgamento imediato de processos repetitivos, fundado em

precedentesdoprópriojuízo(Leinº11.277/2006);dacompetênciaterritorial,atribuindo-seao

juiz o poder de reconhecer de ofício a incompetência relativa e permitindo-se também, segundo a mesma lei, o acolhimento da prescrição independentemente de arguição pelo interessado (Lei nº 11.280/2006); da execução fundada em título extrajudicial (Lei nº 11.382/2006); da prática de atos processuais, disciplinando-se a sua operacionalização por

meioseletrônicos(Leinº11.419/2006);doinventário,dapartilhaedaseparaçãoconsensuale

do divórcio, possibilitando-se a sua realização por meio de escritura pública, com algumas

reservas(Leinº11.441/2007).

Note-se que a constitucionalização do Direito Processual é uma das características do

Direitocontemporâneo. Nãoé, então, por acasoqueoart. 1ºdoNCPC, comfortecaráter simbólico,foiredigidodaformaacimacitada.

Obs1.:estesfatorescitadospodemserassociadosàevoluçãodoprocessocivilcomoum

todo,quepassou,notadamente,portrêsfasesprincipais:

(i)sincretismo,imanentismooupraxismo–semdiferenciaçãoentreprocessoedireito

material;

(ii) fase autonomista (processualismo) – focada na separação entre estes dois

institutose

(iii) instrumentalismo: processo como instrumento de realização do direito material,

ideiadeflexibilizaçãoeutilizaçãodesteinstrumentoaserviçodapacificaçãosocial.

Atualmente,fala-seemumaquartafasedoprocesso:

(iv)neoprocessualismo–fasedereconstruçãodaciênciadoprocessotendoemvista

astransformaçõeshavidasnaciênciajurídicacomoumtodo.Aciênciadoprocesso,portanto,

sofreriaosreflexos,asrepercussõesdoneopositivismoouneoconstitucionalismo.

5. A constitucionalização do direito processual é uma das características do direito contemporâneo.Comenteessefenômeno.

Atualmentetem-seumaconcepçãodoprocessoapartirdaleituradosdireitosegarantias fundamentais;seria,navisãodadoutrina,umafasedenominadaneoprocessualismo,emque se destaca a importância dos valores constitucionalmente protegidos, como os direitos fundamentais,naconstruçãoeaplicaçãodasnormasprocessuais.

Adoutrinaapontaqueaconstitucionalizaçãodoprocessocivilseiniciou,principalmente,a partir da Segunda Guerra Mundial, bem como a partir dos Tratados Internacionais que passaramapreverdireitosprocessuaisfundamentais,comooPactodeSãoJosédaCosta

Rica.(DidierJr.,2015,p.46).Essefenômenopodeservistoapartirdeduasdimensões:a)

incorporação de normas processuais nas constituições e tratados internacionais; b) interpretaçãodasnormasinfraconstitucionaisprocessuaisàluzdaConstituiçãoedasnormas

internacionaissobredireitoshumanos.(DidierJr.,2015,p.46).Assim,pode-sedizerquenão

hámaisespaçoparaaaplicaçãodeumdireitoprocessualsemaóticadosdireitosegarantias fundamentais, concretizando o direito no caso concreto. Para tanto, faz-se necessário a observância dos princípios processuais, que representam comandos de otimização na aplicaçãodasnormas.

6.Expliquearelaçãoentreprocessoedireitosfundamentais.

Oprocessodeveserpensadoeaplicadodeformaasatisfazeraefetivaçãodosdireitos fundamentaisdaspessoasqueestãoenvolvidasnarelaçãoprocessual(trata-sedadimensão subjetivadosdireitosfundamentais).Deoutrolado,oprocessotambémdeveserconstruído, estruturado de acordo com o conteúdo emanado dos direitos fundamentais, ou seja, a lei processualdeveserpautadanosdireitosfundamentais,oquerepresentaadimensãoobjetiva

dosdireitosfundamentais.(DidierJr.,2015,p.55).

Encaradas as normas constitucionais processuais como garantidoras de verdadeiros direitosfundamentaisprocessuais,etendoemvistaadimensãoobjetivajámencionada,Fredie Didier (2015, p. 55) afirma que podem ser tiradas as seguintes consequências: “a) o magistrado deve compreender esses direitos como se compreendem os direitos fundamentais,ouseja,demodoadar-lhesomáximodeeficácia;b)omagistradoafastará, aplicada a máxima da proporcionalidade, qualquer regra que se coloque como obstáculo irrazoável/desproporcional à efetivação de um direito fundamental; c) o magistrado deve levaremconsideração,narealizaçãodeumdireitofundamental,eventuaisrestriçõesaeste impostaspelorespeitoaoutrosdireitosfundamentais"

7. Como pode o provimento jurisdicional servir para a transformação social? Qual o papeldaDefensorianisso?

O acesso à jurisdição se traduzemgarantia constitucional. Sua relevância fica evidente quandoseconstataqueajurisdiçãoasseguraqueaordemjurídicaeasinstituiçõesdevemser vistasnãomaisapartirdaperspectivadoEstadoesim,dosjurisdicionados.Insere-seemum quadro participativo dos indivíduos, trazidos à ordemjurídica, no plano processual, isto em sede de democracia participativa, pois apresentamsuas pretensões, se opõematravés de seusarrazoadosedebates.Alémdisso,oacessoàjurisdiçãoabrangeaassistênciajurídica

integralegratuitaaosindivíduos(art.5º,LXXIVeart.134,CF).

Assim,ajurisdiçãoprimapelocritériodauniversalidade,todososindivíduosparticipativose pretensões devem ser admitidos, afastando-se óbices econômicos e os obstáculos que

impeçamaapreciaçãodomérito.Nessesentido,inclusive,ressalte-seoart.4ºdoNCPC,que

consagraoprincípiodaprimaziadadecisãodemérito,conformeliçõesdeFredieDidierem aula ministrada sobre o NCPC. O objetivo desse princípio é deixar claro que a solução de

méritoéprioritárioemrelaçãoasoluçãoquenãoédemérito.Comoexemplo,oartigo139,IX,

do NCPC, que estabelece que o juiz deve determinar o suprimento de pressupostos processuaiseosaneamentodeoutrosvíciosprocessuais.

OBS.: EnunciadosdoFPPCrelacionadosaoart.4ºNCPC:

E.278:OCPCadotacomoprincípioasanabilidadedosatosprocessuaisdefeituosos.

E.372:Oart.4ºtemaplicaçãoemtodasasfaseseemtodosostiposdeprocedimento,

inclusive em incidentes processuais e na instância recursal, impondo ao órgão jurisdicional viabilizar o saneamento de vícios para examinar o mérito, sempre que seja possível a sua correção.

E.373:Aspartesdevemcooperarentresi;devematuarcométicaelealdade,agindode

modo a evitar a ocorrência de vícios que extingamo processo semresolução do mérito e cumprindocomdeveresmútuosdeesclarecimentoetransparência.

E. 574: Aidentificaçãodevícioprocessualapósaentradaemvigor doCPCde2015gera paraojuizodeverdeoportunizararegularizaçãodovício,aindaqueelesejaanterior.

Nestes termos, o acesso à jurisdição também pode ser visto como uma forma de se

procederàinclusãosocialdosindivíduosmenosfavorecidos,ematençãoaoart.1º,p.únicoe

art.2ºe3º,CF–objetivosdafederaçãosetraduzemnaconstruçãodeumasociedadelivre,

justa,solidária,erradicaçãodapobreza,etc.

Em síntese, a jurisdição como instrumento de inclusão social deve levar em conta: a redefiniçãodopapeldejurisdiçãodentrodoquadropolítico,poisoJudiciáriodevegarantira igualdade;quebradaresistênciadequeelanãoseprestaadarexecuçãoapolíticaspúblicas, sob a alegação de poder discricionário da Administração; necessidade de se efetivar programassociais;asnormasqueenfatizamobemcomumeofimsocialsãoconstitucionais deinteressepúblico,estandoavigorar.

Nestesentido,atutelajurisdicionaléefetivamenteinstrumentodetransformaçãosocialeo

defensorpúblico,pode-sedizer,agentedetransformaçãosocial.

8.Qualoconteúdojurídicododireitodedefesa?

É fácilperceber que o direito de defesa constituiumcontraponto ao direito de ação. A jurisdição, para responder ao direito de ação, deve necessariamente atender ao direito de defesa.Issopelasimplesrazãodequeopoderparaserexercidodeformalegítima,depende da participação dos sujeitos que podem ser atingidos pelos efeitos da decisão. Sem a efetividade do direito de defesa, portanto, estaria comprometida a própria legitimidade do exercíciodopoderjurisdicional.

Pode-sedizerqueodireitodedefesaéodireitodeefetivamentepodernegaratutelado direito, o qual apenas poderá ser limitado em hipóteses excepcionais, racionalmente justificadaspelanecessidadedeefetivatutelajurisdicionaldodireito(Marinoni).

Nãohácomodeixar deperceber queodireitodedefesatambémconsistenodireitode influirsobreoconvencimentodojuiz.

Aquestãodoacessoàjustiçanãodizrespeitoapenas àquelequeseimaginatitular do direitoàtuteladodireitomaterial,istoé,àquelequetemdesevalerdodireitodeação,mas tambémaoréu.Estaquestão,portanto,propõeaproblematizaçãododireitodeiràjuízo– sejaparapediratuteladodireito,sejaparasedefender–apartirdaideiadequeobstáculos econômicosesociaisnãopodemimpediroacessoàjurisdição,jáqueissonegariaodireitode usufruir de uma prestação social indispensável para o cidadão viver harmonicamente na sociedade.

Garantias tais como a assistência jurídica e justiça gratuita objetivam dar às partes a possibilidade de efetivamente participarem do processo. Reitera-se: o exercício do poder jurisdicionalsomenteélegítimoquandoosinteressadosnoatodepositivaçãodopoder–na decisão – podem efetiva e adequadamente participar do processo, alegando, produzindo provas,etc.

Odireitodedefesa,assimcomoodireitodeação,éasseguradoconstitucionalmente(art.

5º,LV,CF).Anormademonstraqueagarantiaincideemtodoequalquerprocesso,inclusive

administrativoetambémasseguraocontraditórioeaampladefesa.

Porampladefesadeve-seentenderoconteúdodedefesanecessárioparaqueoréupossa seoporàpretensãodatuteladodireito(àsentençadeprocedência)eàutilizaçãodemeio executivo inadequado ou excessivamente gravoso. Não se entenda que a ampla defesa é ilimitada,videtutelasdeurgência.Osdireitosdeaçãoededefesatêmdeestaremequilíbrio, e não emsimetria absoluta. O que importa é evitar que a restrição da defesa, emcertas

ocasiões, não redunde emprejuízo definitivo, retirando do réua oportunidade de exercer a defesaemfaseposterioràdecisão.

O contraditório é a expressão técnico-jurídica do princípio da participação, isto é, do princípio que afirma que todo poder, para ser legítimo, deve estar aberto à participação (legitimidade de poder nas democracias). É possível dizer que o contraditório exterioriza a defesaequeadefesaéofundamentodocontraditório.

Além do mais, a norma garante o contraditório, a ampla defesa e os recursos a ela inerentes,ouseja,nãoseasseguratodoequalquerrecurso.Nesteaspecto,emboraoduplo graupossaser consideradoimportanteparaumamaior segurançadajustiçadadecisão, a verdadeéqueeleserádispensadoemalgumashipóteses,emnomedodireitofundamentalde açãooumaisprecisamente,deumamaiorqualidadeoutempestividadedatutelajurisdicional.

Poroutrolado,quandosegarantemosmeiosdeprovaparaqueapartepossainfluirsobre o convencimento do juiz, isso não quer dizer que não seja possível limitá-los em casos específicos,comoastutelasdeurgênciaemesmomandadodesegurança,istonãosignifica lesãoaodireitodedefesa,poisofatolitigiosoafirmadoemMS,justamenteporserpassível deafirmaçãopordocumento,nãoabremargemàelucidaçãodeprovasoutras.

Obs.:Dinamarcofalaqueasentença(nãosóalei)constituiatodepositivaçãodopoder. Assim,fundamentobásicododevidoprocessolegaljustoeequitativoéefetivaparidadede armas. Faz-seindispensávelcorrigir, por meiodeinstrumentos processuais, adesigualdade substancialinerenteacadacaso.

Nestestermos,aatuaçãodadefensoriaéverdadeiraformadeconcretizaçãodeprincípios,

valoresconstitucionaisgarantidosaopromoveratuteladosnecessitados,oqueserelaciona

comosobjetivosfundamentaisdaRepública.Adefensorianãoémeroórgãopatrocinadorde

causasjudiciais,éainstituiçãodemocráticaquepromoveinclusãosocial,culturalejurídica.

10.Qualoconteúdojurídicododireitodeacessoàtutelajurisdicional?

Tutela jurisdicionalé o amparo que, por obra dos juízes, o Estado ministra a quemtem razãonumlitígiodeduzidoemprocesso.Nãoénecessariamenteatuteladedireitos,masa pessoasouaumgrupodepessoas.Naextinçãodoprocesso(semmérito)nãoháumatutela jurisdicionalplena,comoaquelaquedefinitivamenteatribuiobemaosujeitoouoimunizade iniciativasnoadversário(tantoquetemgraumenordeimunidade–coisajulgadaformal).

Cabe à jurisdição dar tutela aos direitos e não apenas dizer quais direitos merecem proteção.Dartutelajurisdicionalnadamaisédoqueoutorgarproteção,mas,salvosentenças declaratórias ou (des)constitutivas, não é possível dizer que além da sentença não será necessária qualquer atividade de complementação (executiva) da prestação jurisdicional. A discussãoobrigaaumarupturacomaideiadequeafunçãojurisdicionalécumpridacoma ediçãodasentença(dadeclaraçãododireitooudecriaçãodanormaindividual).Ajurisdição não pode significar mais apenas dizer o direito. Atutela jurisdicional do direito é prestada quandoodireitoétuteladoe,dessaforma,realizado,sejaatravésdasentença(quandoelaé bastanteparatanto),sejaatravésdeexecução.

O direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva obriga o legislador a instituir

procedimentosetécnicasprocessuaiscapazesdepermitirarealizaçãodastutelasprometidas pelo direito material e, inclusive, pelos direitos fundamentais materiais. Além disso, incide sobreacompreensãojudicialdasnormasprocessuais–dáaojuizopoder-deverdeencontrar atécnicaprocessualidôneaàproteçãododireitomaterial.

Nestestermos,oencontrodatécnicaprocessualadequadaexigeainterpretaçãodanorma processual de acordo com o direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva. Ex.: a tutela antecipadanãopodercausarefeitosirreversíveisaoréu–devesercoadunada,quandohouver direitomaisprováveldoréu;havendodireitoprováveldoautorameaçadodelesão,nãopode serexpostoarisco.

Hácasostambémemqueolegisladorconcedeaosjurisdicionadoseaojuizmaiorpoder

paraautilizaçãodoprocesso(videart.461,CPC/1973;art.536doNCPC)–normasabertas,

paraadequaçãoàsituaçãoconcreta.Acompreensãodoprocessoàluzdodireitofundamental

àtutelajurisdicionalrequerapercepçãodanaturezainstrumentaldanormaprocessual.

Obs.:pelofatodeojuizterpoderparaadeterminaçãodamelhormaneiradeefetivaçãoda

tutela,exige-sedele,porconsequência,aadequadajustificaçãodasescolhas.Ocrescimento

dopoderdeatuaçãodojuizeaconsequentenecessidadedeoutroscritériosdecontroleda

decisãojudicialnadamaissãodoquereflexosdasnovassituaçõesdedireitosubstancialeda

tomadadeconsciênciadequeoEstadotemodeverdedarproteçãoefetivaaosdireitos.

Lembra-se que a doutrina moderna gira em torno do processo civil de resultados – consciênciadequeovalor detodosistemaprocessualresidenacapacidadequetenhade propiciaraosujeitoquetiverrazãoumasituaçãomelhordoqueaquelaemqueseencontrava antesdoprocesso.

Aoladodagarantiadainafastabilidadedocontrolejurisdicional(art.5º,XXXV),hátambém

outraspromessascomplementares,comomeiosespecíficosparaocontrolejurisdicionaldos atosdoEstado(MS,HD,ADI)etambémpromessasinstrumentais(juiznatural,contraditório ampladefesa,devidoprocesso).Alémdisso,aordemjurídicapassaadelimitarracionalmente os poderes do juiz (inércia jurisdição, sentença extra petita vedada, competência procedimento).Contudo,juntodaslegítimaslimitaçõesditadaspelaCFepelalei,háoutras limitações externas e internas ao sistema, que bloqueiam a universalização do acesso à jurisdição.

Fala-senestepontodastrêsondasrenovatóriasdeacessoàjustiça(MauroCappellettie Bryant Garth): a) assistência integral aos necessitados; b) abrangência de certos conflitos supra-individuaisantesexcluídosdatutelaemjuízo(difusosecoletivos)ec)aperfeiçoamento técnico dos mecanismos internos do processo: (i) reforma dos procedimentos judiciais em geral;(ii)métodosalternativospradecidircausasjudiciais(juízoarbitral,conciliaçãojudiciale extrajudicial);(iii)juizadosespeciais;(iv)simplificaçãododireito.

Oacessoàjustiçanãoselimitaàsuperaçãodalitigiosidadecontida,nemequivaleamero ingressoemjuízo.Acessoàjustiçaéacessoàordemjurídicajusta(K.Watanabe),obtenção dejustiçasubstancial.Receberjustiçasignificaseradmitidoemjuízo,poderparticipar,contar com a participação adequada do juiz e, ao fim, receber um provimento jurisdicional consentâneo com os valores da sociedade – aqui, mais uma vez se destaca o papel da Defensoria Pública, como agente de transformação sociale garantidor de efetivo acesso à tutelajurisdicional.

PONTO3

Normas de Direito Processual Civil: natureza jurídica, fontes, princípios processuais civis, interpretação e direito processual intertemporal. Princípios infraconstitucionaisdoprocessocivil.

1.Qualanaturezajurídicadanormaprocessual?

Pode-seafirmarqueanaturezajurídicadanormaprocessualéinstrumentalededireito público. Inicialmente, deve-se destacar que, segundo o seu objeto imediato, geralmente se distinguem as normas jurídicas em normas materiais e instrumentais. As normas jurídicas materiais(ousubstanciais)sãoasquedisciplinamimediatamenteacooperaçãoentrepessoas e os conflitos de interesses ocorrentes na sociedade, escolhendo qual dos interesses conflitantes, e emque medida, deve prevalecer e qualdeve ser sacrificado. Já as normas instrumentais apenas de forma indireta contribuem para a resolução dos conflitos interindividuais, mediante a disciplina da criação e atuação das regras jurídicas gerais ou individuaisdestinadasaregulá-losdiretamente. As normas processuais que regulam a imposição da regra jurídica específica e concreta pertinente a determinada situação litigiosa incluem-se na categoria das normasinstrumentais. Apesardadistinçãorealizada,tantoCintra,AdaeDinamarco(TeoriaGeraldoProcesso) quantoFredieDidierobservamquearelaçãoentreambosostiposdenormasécircular.Para Didier,oprocessodevesercompreendido,estudadoeestruturadotendoemvistaasituação jurídicamaterialparaaqualservedeinstrumentodetutela. Aoprocessocabearealização dos projetos do direito material, em uma relação de complementaridade: o direito material sonha,projeta;aodireitoprocessualcabeaconcretizaçãotãoperfeitaquantopossíveldesse projeto. A instrumentalidade do processo pauta-se na premissa de que o direito material coloca-secomoovalorquedevepresidiracriação,ainterpretaçãoeaaplicaçãodasregras processuais. Poroutrolado,anormaprocessualtemnaturezadedireitopúblicoporquearelação jurídicaqueseestabelecenoprocessonãoéumarelaçãodecoordenação,masdepodere sujeição,predominandosobreosinteressesdivergentesdoslitigantesointeressepúblicona resolução(processuale,pois,pacífica)dosconflitosecontrovérsias. A natureza de direito público da norma processual não importa dizer que ela seja necessariamentecogente. Emborainexistaprocessoconvencional, mesmoassimemcertas situaçõesadmite-sequeaaplicaçãodanormaprocessualfiquenadependênciadavontade das partes – o que acontece em vista dos interesses particulares dos litigantes, que no processosemanifestam.Tem-se,nocaso,asnormasprocessuaisdispositivas. NestepontoimportalembrarqueoNCPCtraz,segundoDidier,oprincípiodorespeitoao autorregramentodavontadenoprocesso.Oprocesso,paraserconsideradodevido,não podeserumambientehostilaoexercíciodaliberdade,liberdadeestaconcretizadanopoder deautorregramentoouautonomiaprivada.Opoderdeseautorregularéinerenteàliberdade. Oprocessonãopodeconterrestriçõesirrazoáveisaoexercíciodopoderdeautorregramento. Restamsuperadasideiasdequeoprocesso,porsetratarderelaçãodedireitopúblico,

não comportariam liberdade às partes. As restrições existentes atualmente devem ser razoáveis;aregraéaliberdade,apermissãodoautorregramento.Opresenteprincípioestá espalhadoaolongodetodootextodonovocódigo,comonoestímuloàautocomposição,na homologaçãojudicialdeacordodequalquernatureza,napossibilidadedeinclusãodeoutros sujeitos e outras lides no acordo levado ao juiz, na consagração da cláusula geral de negociaçãoprocessual(aspartespodemformularqualqueracordosobreoprocesso–não apenas sobre o que se discute no processo), na previsão de uma série de negócios processuais típicos (calendário processual, convenção sobre ônus da prova, saneamento consensual, escolha consensual de perito, mudança convencional da audiência, escolha convencionaldotipodeliquidaçãoetc),naconsagraçãodoprincípiodacooperação.[trecho extraídodecadernodocursoNCPCdeDidier]

2.Quaisasfontesdanormaprocessual?

Humberto Theodoro Junior aponta que “as fontes do direito processual civil são as mesmasdodireitoemgeral,istoé,aleieoscostumes,comofontesimediatas,eadoutrina ejurisprudência,comofontesmediatas”. Poroutrolado,Cintra,GrinovereDinamarcoapontamcomofontesdodireitoemgerala lei, os costumes, o negócio jurídico e a jurisprudência. Quanto às normas processuais, os autoresafirmamquesuasfontesnodireitobrasileiropodemserencaradasemabstratoouem concreto. Asfontesabstratasdanormaprocessualsãoasmesmasdodireitoemgeral,asaber:a lei,osusos-e-costumeseonegóciojurídico,e,paraalguns,ajurisprudência.

A lei, como fonte abstrata da norma processual, abrange a Constituição Federal (com definição de princípios e garantias; disposição sobre jurisdição constitucionalde liberdades; organização judiciária), as Constituições Estaduais (organização de tribunais locais); lei complementar; leiordinária; leidelegada(estanãopodedisporsobreJudiciárioeMinistério Público,àcarreiraeàgarantiadeseusmembros);convençõesetratadosinternacionais.ACF vedaaediçãodemedidasprovisóriasemmatériaprocessual. Ajurisprudênciaganhourelevânciacomapossibilidadedeediçãodeenunciadosdesúmula vinculantepeloSTF. O fortalecimentodosistemadeprecedentesobrigatóriosnonovoCPC tambémcaminhanessesentido. Osnegóciosjurídicosprocessuais,quejásãopossíveismedianteinstitutoscomoaeleição deforo,asuspensãoconvencionaldoprocessoouaconvençãosobreadistribuiçãodoônus da prova, ganham relevância com a vigência do novo CPC, em razão do princípio do autorregramentodavontadedaspartes,passando-seaadmitirnegóciosprocessuaisdeum modogeral. Jáas fontesconcretasda norma processual são aquelas através das quais as fontes legislativas já examinadas emabstrato efetivamente atuamno Brasil. Tais fontes concretas desdobram-seemfontesconstitucionais,fontesdalegislaçãocomplementaràConstituiçãoe fontesordinárias. A CF, como fonte concreta da norma jurídica processual, contém: a) normas de superdireito, relativas às próprias fontes formais legislativas das normas processuais; b) normasrelativasàcriação,organizaçãoefuncionamentodosórgãosjurisdicionais;c)normas referentes aos direitos e garantias individuais atinentes ao processo; d) normas dispondo

sobre remédios processuais específicos.

Os direitos e garantias processuais

constitucionalmente previstos ainda são integrados pela Convenção Americana de Direitos Humanos.

NalegislaçãodenívelcomplementaràConstituiçãotemosoEstatutodaMagistratura.No

tocanteàlegislaçãoordinária,oCPC,oCPP,oCPPM,aCLTeaLeidosJuizadosEspeciais

constituemomaiormanancialdenormasprocessuais.

3.Quaisasregrasdeinterpretaçãodaleiprocessualcivil?

ParaCintra,GrinovereDinamarco,ainterpretaçãodaleiprocessualestásubordinadaàs mesmasregrasqueregemainterpretaçãodosdemaisramosdodireito(métodosgramatical, lógico-sistemático,histórico,comparativoetc).Aspeculiaridadesdaleiprocessualnãosãotais que sigam a utilização de cânones especiais de interpretação: basta que sejam convenientemente perquiridas e reveladas, levando em consideração as finalidades do processo e sua característica sistemática. Daí o entendimento prevalente entre os processualistas no sentido de acentuar a relevância da interpretação sistemática da lei processual. Os princípios gerais do processo, inclusive aqueles ditados em nível constitucional,estãopresentesemtodaequalquernormaprocessualeàluzdessasistemática geraltodasasdisposiçõesprocessuaisdevemserinterpretadas. HumbertoTheodoroJunioracrescentaquedeve-sevalorizarespecialmentenaaplicaçãodo

direitoinstrumentalaregracontidanoart.5ºdaLINDB:“naaplicaçãodalei,ojuizatenderá

aosfinssociaisaqueelasedirigeeàsexigênciasdobemcomum”.

4. Quais as regras existentes quanto ao direito processual intertemporal? No Brasil vigoraosistemadaunidadeprocessual, dasfasesprocessuaisoudoisolamentodos atosprocessuais? Sãoregrasquecompõemodireitoprocessualintertemporal:

a)asleisprocessuaisbrasileirasestãosujeitasàsnormasrelativasàeficáciatemporaldas leis constantes da LINDB. Assim, salvo disposição contrária, a lei processual começa a vigorar,emtodoopaís,quarentaecincodiasdepoisdepublicada;se,antesdeentraralei emvigor,ocorrernovapublicaçãodeseutexto,oprazocomeçaráacorrerdanovapublicação

(LINDB,art.1º,§§3ºe4º).Aleiprocessualemvigorteráefeitoimediatoegeral,respeitadoso

atojurídicoperfeito,odireitoadquiridoeacoisajulgada(CF,art.5º,XXXVIeLINDB,art.6º).

Nãosedestinandoavigênciatemporária,aleiterávigoratéqueoutraamodifiqueourevogue

(LINDB,art.2º).

b)dadaasucessãodeleisnotempo,incidindosobresituaçõesidênticas,surgeoproblema deestabelecerqualdasleis–seaanteriorouaposterior–deveregularumadeterminada situaçãoconcreta.Comooprocessoseconstituiporumasériedeatosquesedesenvolveme sepraticamsucessivamentenotempo,torna-separticularmentedelicadaasoluçãodoconflito intertemporal de leis processuais. Não há dúvida de que as leis processuais novas não incidemsobre processos findos (garantia da coisa julgada, do ato jurídico perfeito e do direitoadquirido).Poroutrolado,osprocessosasereminiciadosnavigênciadanovalei porestaserãoregulados(tempusregitactum).Aquestãosecolocaapenasnotocante aos processos em curso por ocasião do início da vigência da lei nova. Diante do problema,trêsdiferentessistemaspoderiamhipoteticamenteteraplicação:

(i)daunidadeprocessual:apesardesedesdobraremumasériedeatosdiversos,o processoapresentatalunidadequesomentepoderiaser reguladopor umaúnicalei, a novaouavelha,demodoqueavelhateriadeseimporparanãoocorreraretroaçãoda nova,comprejuízodosatosjápraticadosatéasuavigência; (ii)dasfasesprocessuais:distinguem-sefasesprocessuaisautônomas(postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal), cada uma suscetível de per si, de ser

disciplinadaporumaleidiferente; (iii)doisolamentodosatosprocessuais:aleinovanãoatingeosatosprocessuaisjá praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitaçõesrelativasàschamadasfasesprocessuais. Prevalece que o Brasil adota o sistema do isolamento dos atos processuais. No CPC/73nãohaviaregrageralnessesentido, masoartigo1211dispunhaque“esteCódigo regeráoprocessocivilemtodooterritóriobrasileiro.Aoentraremvigor,suasdisposições aplicar-se-ãodesdelogoaosprocessospendentes”.

JáonovoCPC/15trazregramentogeralsobredireitoprocessualintertemporaljáem

seu artigo 14, dispondo que “a norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamenteaosprocessosemcurso,respeitadososatosprocessuaispraticadoseas situaçõesjurídicasconsolidadassobavigênciadanormarevogada”. Éválidocompilartambémasregrasespecíficasdedireitointertemporaltrazidaspelo

CPC/15:

Art.1.045. EsteCódigoentraemvigorapósdecorrido1(um)anodadatadesua publicaçãooficial. Art.1.046. AoentraremvigoresteCódigo,suasdisposiçõesseaplicarãodesde

logoaosprocessospendentes,ficandorevogadaaLeino5.869,de11dejaneirode

1973.

§ 1o As disposições da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, relativas ao procedimentosumárioeaosprocedimentosespeciaisqueforemrevogadasaplicar-se-ão àsaçõespropostasenãosentenciadasatéoiníciodavigênciadesteCódigo.

§2oPermanecememvigorasdisposiçõesespeciaisdosprocedimentosreguladosem

outrasleis,aosquaisseaplicarásupletivamenteesteCódigo. §3oOsprocessosmencionadosnoart. 1.218daLeinº5.869, de11dejaneirode 1973, cujo procedimento ainda não tenha sido incorporado por lei submetem-se ao procedimentocomumprevistonesteCódigo.

§4oAsremissõesadisposiçõesdoCódigodeProcessoCivilrevogado,existentesem

outrasleis,passamareferir-seàsquelhessãocorrespondentesnesteCódigo.

§5oAprimeiralistadeprocessosparajulgamentoemordemcronológicaobservaráa

antiguidade da distribuição entre os já conclusos na data da entrada em vigor deste Código. Art.1.047. AsdisposiçõesdedireitoprobatórioadotadasnesteCódigoaplicam- seapenasàsprovasrequeridasoudeterminadasdeofícioapartirdadatadeinício desuavigência. Apesar da adoção do sistema do isolamento dos atos processuais, este

dispositivo (art. 1047) parece sugerir alguma influência do sistema das fases

processuais.{{{{{PS:Narealidade,DanielZveibel,emaulanoFMBde28-01-16,explicou

queaproduçãodeprovaéatocomplexo,motivopeloqualnãopodehaveraconfusãode normas.Nessesentido,nãohaveriaincompatibilidadecomosistemadoisolamentodosatos processuais}}}}

OBS.:EnunciadosdoFPPCrelativosaoart.1.047,NCPC:

E.366:Oprotestogenéricoporprovas,realizadonapetiçãoinicialounacontestação

ofertadaantesdavigênciadoCPC,nãoimplicarequerimentodeprovaparafinsdoart.1047.

E.567:InvalidadooatoprocessualpraticadoàluzdoCPCde1973,asuarepetição

observaráoregramentodoCPC-2015,salvonoscasosdeincidênciadoart.1047doCPC-

2015 e no que refere às disposições revogadas relativas ao procedimento sumário, aos

procedimentosespeciaiseàscautelares. E. 569: O art. 1.047 não impede convenções processuais em matéria probatória,

aindaquerelativasaprovasrequeridasoudeterminadassobvigênciadoCPC-1973.

Art.1.053. Osatosprocessuaispraticadospormeioeletrônicoatéatransição definitivaparacertificaçãodigitalficamconvalidados,aindaquenãotenhamobservadoos requisitosmínimosestabelecidosporesteCódigo,desdequetenhamatingidosua finalidadeenãotenhahavidoprejuízoàdefesadequalquerdaspartes. Art.1.054. Odispostonoart.503,§1o,somenteseaplicaaosprocessosiniciados

apósavigênciadesteCódigo,aplicando-seaosanterioresodispostonosarts.5º,325e

470daLeino5.869,de11dejaneirode1973.

Art.1.056. Considerar-se-ácomotermoinicialdoprazodaprescriçãoprevistanoart.

924,incisoV,inclusiveparaasexecuçõesemcurso,adatadevigênciadesteCódigo.

Art.1.057. Odispostonoart.525,§§14e15,enoart.535,§§7oe8o,aplica-seàs decisõestransitadasemjulgadoapósaentradaemvigordesteCódigo,e,àsdecisões

transitadasemjulgadoanteriormente,aplica-seodispostonoart.475-L,§1º,enoart.

741,parágrafoúnico,daLeino5.869,de11dejaneirode1973.

5.Emquediasedaráaentradaemvigordonovocódigodeprocessocivil?

A questão é polêmica e mereceu a atenção do examinador Dr. Cesar Augusto Luiz Leonardoemalgumaspalestrasquevemministrandosobreonovocódigodeprocessocivil (exemplo:https://www.youtube.com/watch?v=xVBkTnasGHw).

Inicialmentedeve-sesalientarqueaLeiFederal13.105/2015,de16deMarçode2015foi

publicada no Diário Oficial do dia 17-03-2015 e que seuart. 1.045 estabelece o seguinte:

“EsteCódigoentraemvigorapósdecorrido1(um)anodadatadesuapublicaçãooficial.”

LuizGuilhermeMarinoni,SergioCruzArenharteDanielMitidierosustentamque“avacatio legis do Código de Processo Civil foi estabelecida em um ano, a partir de sua publicação

oficial.EssapublicaçãoocorreunoDiárioOficialdaUniãododia17demarçode2015.Por

isso,apenasnodia16demarçode2016asregrasdocódigopassamavigorar”.

Deoutrolado,CassioScarpinellaBuenoeGuilhermeRizzoAmaralafirmamqueoCódigo

deProcessoCivilentraráemvigornodia17demarçode2016.

Finalmente,FredieDidierJr.,NelsonNeryjr.eRosaMariadeAndradeNery,JoséMiguel GarciaMedinaeRonaldoCramerfirmamaposiçãodequeanovaleiprocessualteminíciode

vigêncianodia18marçode2016.

QuemsustentaqueoCódigocomeçaavigorarnodia16-03-2016partedopressupostode

que a contagem deve ser realizada em dias. A partir de tal critério, o lapso temporal se

encerrariaem15-03-2016eodiaseguinte,16-03-2016,seriaoprimeirodiadevigência.

Contudo, embora, realmente, aLeiComplementar n.º95, de1998, digaqueoprazode vacatiolegisdevaser fixadoemdias, éfatoqueoart. 1.045doCPC/2015adotoucritério

diferente,jáquedefiniuoprazode1(um)ano.Emconsequência,paraoutrosdoutrinadores,

seoprazofoifixadoemanoeledevesercontadoemano–enãoemdias. Quem, então, sustenta que o Código começa a vigorar no dia 18-03-2016 se funda na

literalidadedoart.1ºdaLein.º810,de1949,queconsidera“anooperíododedozemeses

contadododiadoinícioaodiaemêscorrespondentesdoanoseguinte”.Paraestacorrente,a

contaésimples:comoaLeiFederal13.105/2015foipublicadanoDiárioOficialdodia17-03-

2015,ointervalodeumanoseencerranomesmodia,domesmomês,doanoseguinte,ou

seja,em17-03-2016,desortequeodia“após”esse,qualseja,18-03-2016,seriaoprimeiro

diadevigência.

Porfim,háaindaquemsustentequeoprimeirodiadevigênciadoCPC/2015seráodia

17/03/2015,entendendoque,seaLeiFederal13.105/2015foipublicadanoDiárioOficialdo

dia17-03-2015(diesaquo)eestediatemdeserincluídonacontagemdoprazodeumano.

Significariaqueoprazodeumanosecompletaem16-03-2016(diesadquem),jáqueestese

completanavésperadomesmodia,domesmomês,doanoseguinte. Oexaminadornãoadotou,naspalestrasqueassisti,umadessascorrentes,masparecese

filiaràposiçãodeNeryeDidier(18/03/16).

6. Quaissãoosdesdobramentosdodevidoprocessolegal?Qual asuaorigem?Cite exemplosdeaplicaçãoprática. O princípio do devido processo legal é a matriz de onde emanam todos os demais princípios do processo civil na CF. Previsto expressamente pelo art. 5º, LIV, ele pode ser

definidosob3perspectivas(NelsonNeryJr.):

i.devidoprocessolegalgenérico–genericamente,odevidoprocessolegaléagarantia queoordenamentojurídicoconfereàvidaliberdadepropriedadeequeestáexpressa no art. 5º, caput, da CF. As 3 palavras destacadas aglutinam todo e qualquer bem juridicamente protegido, com o intuito de demonstrar que a sua aquisição, fruição e preservaçãosãoobjetoeobjetivodoordenamentojurídico,queoregulaapartirdenormas constitucionaiseinfraconstitucionais; ii. devido processo legal material (ou substancial) – corresponde à incidência da cláusulagenéricadodevidoprocessolegalnaelaboraçãododireito,ouseja,constituilimiteao Legislativo,nosentidodequeasleisdevemserelaboradascomjustiça.Éofundamentoda proporcionalidadeedarazoabilidade; iii.devidoprocessolegalformal(ouprocedimental)–correspondeàsuaincidênciano campo processual. As garantias constitucionais do devido processo legal são todas emanações do devido processo legal processual. Cumpre ressaltar que ele deve ser observadonosprocessosadministrativoseparticulares,enãosónosjurisdicionais.

EsseprincípioseoriginoudaMagnaCartade1215econsistiaemumaproteçãocontrao

autoritarismodoreieainstabilidadedaformacomooscidadãoseramporeleregidos. Exemplospráticosdeaplicaçãoprincípiododevidoprocessolegal:(i)empregodemétodos coercitivos, pelo Estado, para a cobrança de tributos (tais como interdição do estabelecimento,apreensãodemercadoriasetc.),poisaexecuçãofiscaléodevidoprocesso legalparaacobrançadetributos;(ii)nulidadededecretoexpropriatóriodeimóvelruralpara finsdereformaagráriaanteafaltadenotificaçãodoproprietárioantesdoiníciodostrabalhos devistoria(inobservânciaemsedeadministrativadodevidoprocessolegal);(iii)exclusãode associadodecooperativasemorespeitoaodevidoprocessolegalestabelecidonoestatutoda entidade(inobservâncianoâmbitoparticulardodevidoprocessolegal).

7.Oqueseentendepor“acessoàJustiça”?OprincípiodainafastabilidadedoPoder

Jurisdicional(art.5º,XXXV,CF)admiteexceções?

Adenominação“acessoàjustiça”transmiteumaideiaparcialdoquerepresentaoprincípio,

umavezquenãobastagarantir,dequalquermodo,queocidadãoacesseoJudiciário.Deve-

segarantiracessodigno,pormeiodeadvogados/defensorespúblicospreparados,pararicos e pobres, em tempo razoável. Ou seja, o acesso à justiça é conceito que engloba os resultadosqueoprocessodevealcançar.Permitiroingresso,sembuscarqueosresultados venham,representaverdadeiraviolaçãoàordemjurídicajusta. Oacessoàjustiçanãopodesofrerrestriçõesestranhasàordemprocessual,comoaque

condicione o direito de ação ao prévio esgotamento das vias administrativas. A única exceção, prevista constitucionalmente, é a hipótese do art. 217, § 1º, relacionado à JustiçaDesportiva.

8.Qualoconteúdojurídicodoprincípiodaisonomia?

Previstopeloart.5º,caput,daCF,oprincípiodaisonomiaabrangeduasideiasdistintas:

i. isonomia formal (perante a lei) – necessidade que a lei seja destinada tanto aos governantes quanto aos governados. A primeira condição para que se estabeleça um Estado de Direito é que tanto governo quanto governados se submetam ao ordenamento jurídico,enãoapenasosúltimos.AleiregulaEstadoesociedade.Aigualdadeformaléuma daspedrasfundamentaisdoEstadodeDireito,emcontraposiçãoaoEstadoAbsolutista.Seu principal mérito foi ter criado segurança jurídica, previsibilidade, o que permitiu o desenvolvimentodasatividadeseconômicasesociais,antesatadasaosgostosedesgostos domonarca; ii.isonomiamaterial(nalei)–temporfinalidadeobstarquediscriminaçõeseprivilégios, desprovidosdelógicaerazãosejamconferidospelalei,bemcomotemporintuitoabrandar diferenças entreos participantes dasociedade, dandorendimentoàmáximadeAristóteles, segundo o qual a igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. SegundoCelsoAntônioBandeiradeMello,paraqueumanormaabstrataestabeleça diferenças entre entes regidos pelo ordenamento jurídico, deve-se obedecer aos seguintes critérios: (i) a norma que institui a diferenciação não pode singularizar atual e definitivamente um destinatário determinado, devendo abranger uma categoria de pessoas, ouuma pessoa futura e indeterminada; (ii) a norma deve adotar como critério discriminador, para fins de diferenciação de regimes, elemento residente nos fatos, situações ou pessoas por tal modo desequiparadas; (iii) a norma não deve atribuir tratamentosjurídicosdiferentes,ematençãoaofatordedesnivelamentoadotado,sem que a diferenciação guarde pertinência lógica (ou axiológica) com a disparidade de regimes outorgados; (iv) a diferenciação estabelecida não pode conduzir a efeitos contrapostos ou de qualquer modo dissonantes aos interesses protegidos constitucionalmente.

9.Quemsãoosdestinatáriosdoprincípiodocontraditório?Quaisassuasdimensões?

A ampla defesa integra qual dimensão do princípio do contraditório? É possível a utilizaçãodeprovaemprestadanoprocessocivil? O princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto pelo art. 5º, LV, CF está intimamente ligado à ideia de processo, visto que faz parte da dialética que o processo desenvolvepermitiregarantiraparticipaçãodossujeitosquealiserelacionam. Oprincípiodocontraditóriotemdupladestinação:(i)englobaodireitoqueaspartes têmdeparticipardasdiscussõesquetêmlugar nocursodoprocedimento; (ii) dever do magistradodegarantiressaparticipação. Ao mesmo tempo, o contraditório tem uma dupla dimensão: (i) formal – garantia de participaçãonoprocesso; (ii) substancial–direitodepoder influenciar nadecisão. A ampladefesaéoaspectosubstancialdocontraditório. Segundoamaioriadoutrina,sósepodeusarprovaemprestadacontraalguémnoprocesso civilemduashipóteses:(i)quandoparticipoudaproduçãodaprovanorespectivoprocessoem queproduzida;(ii)ouquando,nãotendoparticipado,concordarcomasuautilização.

Noentanto,oSTJ,emjulgadodaCorteEspecial,decidiuqueépossívelautilização

de prova emprestada sem a participação da parte contra a qual será utilizada (j. 4/6/2014 – inf. 543). O STJ entendeu que a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Quando se diz que deve assegurar o contraditório,significaqueapartedeveterodireitodeseinsurgircontraaprovatrazidaede impugná-la.

10.Quaissãoasproteçõesenglobadaspeloprincípiodojuiznatural?

Oprincípiodojuiznatural(ouprincípiodaimparcialidade)comporta3proteçõesespeciais,

quesãoconferidaspeloordenamentojurídicoaosjurisdicionados,paraofimdegarantir-lhes

isonomia,bemcomomaiorqualidadenaprestaçãojurisdicional:

i.vedaçãoàinstituiçãodetribunaisdeexceção(art.5º,XXXVII,CF);

ii. a garantia de processamento e julgamento por órgão jurisdicional cuja

competênciadecorraderegrascontidasnaCF(art.5º,LIII,CF);

iii. a garantia da imparcialidade do julgador, que não deve ser impedido (art. 134 do

CPC/73eart.144,NCPC)oususpeito(art.135/73eart.145,NCPC).

11.Qualafinalidadedoprincípiodapublicidade?Eleadmiterestrições?

A publicidade (art. 5º, LX, CF) é um mecanismo de controle das decisões judiciais. A sociedadetemdireitodeconhecê-las,parapoderfiscalizarosseusjuízesetribunais. AprópriaCFestabelece(art. 5º, LX) queapublicidadepoderáser restringidaquandoa defesadaintimidadeouointeressesocialopermitirem.

O CPC/73 regula o tema no art. 155, indicando que correm em segredo de justiça os

processos: (i) quando o interesse público exigir; (ii) nas causas que dizem respeito a casamento,filiação,separaçãodecônjuges,conversãodestaemdivórcio,alimentose guardademenores.

OCPC/15regulademodosemelhantenoart.189(novidadesgrifadas):(i)quandoexigiro

interesse público ou social; (ii) nas causas que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; (iii) causas em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à

intimidade;(iv)causasqueversemsobrearbitragem,desdequeaconfidencialidadeestipulada

naarbitragemsejacomprovadaemjuízo.

12.OprincípiodaduraçãorazoáveldoprocessofoiinseridoporqualemendaàCF?A

quemeleédirigido?Qualoseuobjetivo?

O princípio da duração razoáveldo processo (art. 5º, LXXVIII, CF) foiinserido pela EC

45/2004(PECdoJudiciário)erevelaapreocupaçãogeraldolegisladorcomumdosentraves

maisproblemáticosaofuncionamentodajustiça:ademoranojulgamentodosprocessos.

Boapartedasalteraçõeseacréscimoshavidosnalegislaçãoprocessual,nosúltimosanos,

temporfimbuscarumasoluçãomaisrápidaparaosconflitos.Esseprincípioédirigido:(i)ao legislador,quedeveeditarleisqueaceleremenãoentravemoandamentodosprocessos;(ii) ao administrador, que deverá zelar pela manutenção adequada dos órgãos judiciários, aparelhando-osadarefetividadeànormaconstitucional;(iii)aosjuízes,que,noexercíciode suasatividades,devemdiligenciarparaqueoprocessocaminheparaumasoluçãorápida. Devem-sebuscarosmelhoresresultadospossíveis, comamaioreconomiadeesforços, despesasetempopossível.Esseprincípioserelacionacomaefetividadedoprocesso:afinal, duraçãorazoávelénecessáriaparaqueelesejaeficiente.

NestepontoéválidosalientarqueopróprioCPC/15trazemsiaideiacentraldeceleridade

eduraçãorazoáveldoprocesso.ODr.CesarLeonardo,empalestrasquevemministrando, afirmaquemuitasvezessevendeaideiadequeonovocódigoseráaverdadeirasoluçãoà celeridadedajustiçabrasileira(traráaprópria“felicidadequeopovobrasileiromerece”,em fraseatribuídaaoMin.LuizFux).Contudo,Dr.Cesartemumaposiçãomaiscéticaquantoao novo código trazer soluções milagrosas ao atual cenário processual (embora o elogie em diversos outros aspectos). Há certas garantias que não podem ser abolidas em prol da celeridadeeoprocessotomanaturalmenteumcertotempo. Éválido tambémtrazer a polêmica no novoCPC/15acerca da obrigatoriedade de os processos serem decididos em ordem cronológica. A regra, introduzida pela redação originaldonovoCPCparagarantirisonomiaetransparência,recebeucríticasdejuízes,que alegam que ficariam "engessados" ao serem impedidos de dar decisões em sentenças de acordocomascircunstânciasespecíficasdecadaprocesso.ComoPLC168/15, aprovado pelo Senado em 15/12/2015, a ordem cronológica muda de obrigatória para

"preferencial".Confira-searedaçãodoartigo12:

-NovoCPCoriginal:

Art.12.Osjuízeseostribunaisdeverãoobedeceràordemcronológicadeconclusãopara

proferirsentençaouacórdão.

-Novaredação:

Art. 12. Os juízes eos tribunais atenderão, preferencialmente, àordem cronológicade

conclusãoparaproferirsentençaouacórdão.(RedaçãodadapelaLeinº13.256/2016)

13. O princípio do duplo grau de jurisdição é um princípio constitucional? Qual o

entendimentodoSTF? Nãohánenhumdispositivoqueconsagre,demaneiraexpressa,oduplograudejurisdição emtodososprocessos. Noentanto,aCF,aocriarjuízoseTribunais,aquemcompete,entreoutrascoisas,julgar recursoscontradecisõesdeprimeirograu,estabeleceuumsistemaemque,normalmente,há o duplo grau, que serve para promover o controle dos atos judiciais, quando houver inconformismo das partes, submetendo-o à apreciação de um órgão de superior instância, compostoemregra,porjuízesmaisexperientes.

Adoutrinaentendeque, apesar denãoprevistoexpressamente, oprincípiododuplo grau de jurisdição é corolário do devido processo legal ou do princípio da inafastabilidade:odireitoderecorreréumdesdobramentododireitodeação. O STFpossuijulgadosentendendoqueoduplograudejurisdiçãonãoéprincípio constitucional do processo civil e que ele também não é obrigatório nos processos administrativos(atenção:otemanoâmbitododireitopenalémaiscomplexo–julgamento

recentedo“mensalão”,AP470,emconflitocomanormativainternacionalecomasdecisões

daCorteInteramericanadeDireitosHumanos).

14. Quem pode exercer o controle sobre as decisões judiciais? A qual princípio do

direitoprocessualcivileleserelaciona?Háalgumatojudicialquedispensamotivação?

Expressamenteprevistopeloart.93,IX,daCF,quedeterminaquetodososjulgamentos

dosórgãosdoPoderJudiciárioserãopúblicosefundamentadastodasasdecisões,sobpena de nulidade, o princípio da motivação das decisões judiciais é indispensável para a fiscalizaçãodaatividadejudiciária,assegurando-lhetransparência. Essecontrole,fundamentalnoEstadoDemocráticodeDireito,poderáserexercidopelos

próprioslitigantes,pelosórgãossuperiores,emcasoderecurso,epelasociedade.

Dentreosatosjudiciais,apenasosdespachosdispensamafundamentação.

15.Qualaabrangênciadoprincípiodispositivo?Eleéaplicadoàinstruçãoprocessual?

Queoutrosprincípiossepodeextrairdoprincípiodispositivo?

O princípio dispositivo atribui às partes toda a iniciativa na instauração da relação

processual e em seudesenvolvimento. Segundo este princípio, as provas só poderiam ser produzidaspelaspartes,limitando-seojuizàfunçãodemeroexpectador. Por contraposição, o princípio inquisitivo confere liberdade de iniciativa ao juiz, que poderábuscaraverdaderealindependentementedainiciativaoucolaboraçãodaspartes. Humberto Theodoro Junior salienta que “modernamente nenhum dos dois princípios merecemaisaconsagraçãodoscódigosemsuapurezaclássica. Hojeaslegislações processuais são mistas e apresentam preceitos tanto de ordem inquisitiva como dispositiva”. Emrelaçãoàproposituradademanda,ojuiz,viaderegra,nãoagedeofício,cabendoà parteinteressadaingressaremjuízo.Cumpreaoautorindicarnapetiçãoinicialquaissãoos fundamentosdefatoemquebaseiaopedido.Dessaindicaçãoojuiznãopodedesbordar.Ao proferirsentença,elenãopodeseafastardopedidoedosfatosdescritosnainicial,sobpena de sua sentença ser extra petita e, portanto, nula. A cognição do juiz é limitada pelos fundamentosdainicial(causadepedir). Poroutrolado,dentrodoslimitesdaaçãoproposta,ojuiztempoderesparainvestigaros fatos narrados, determinando as provas que sejam necessárias para a formação do seu

convencimento(impulsooficial). Ainda assim, Humberto Theodoro Junior salienta que “também em matéria de prova, a regraéainiciativadaspartes( )eojuiz,porsuaposiçãodeárbitroimparcial,nãodevese

transformar num investigador de fatos incertos, cuja eventual comprovação possa acaso beneficiarumdoslitigantes. Sóexcepcionalmentecaberáaojuizdeterminararealizaçãode provasexofficio”.

É possível concluir, dessa forma, que o princípio dispositivo predomina quanto à

proposituradaação(arts. 2ºe 262, CPC) e aos limites objetivos e subjetivos da lide

(arts.128e460,CPC).

Quantoàinstruçãodoprocesso, feitasasressalvasacimaapontadas, ojuizpode, de ofícioouarequerimento, determinar asprovasnecessáriasàinstruçãodoprocesso(artigo

130doCPC/73e370doCPC/15),oquerevelaaincidênciadoprincípioinquisitivo.

Por fim, Humberto Theodoro Junior aponta duas derivações importantes do princípio dispositivoemnossosistemaprocessualcivil:(i)oprincípiodademanda(sósereconheceà parteopoder deabrir oprocesso: nenhumjuizprestaráatutelajurisdicionalsenãoquando

requeridapelaparte,desortequenãoháinstauraçãodeprocessopelojuizdeofício–art.2º

do CPC/73 e tambémdo CPC/15) e (ii) o princípio da congruência ou adstrição (o juiz deveráficarlimitadoouadstritoaopedidodaparte,demaneiraqueapreciaráejulgaráalide nostermosemquefoiproposta,sendo-lhevedadoconhecerquestõesnãosuscitadaspelos litigantes).

16.Oquepreconizaoprincípiodainstrumentalidadedasformas?

PrevistoemdiversaspassagensdoCPC/73(arts.154,244,249,§2º,250eseuparágrafo

único,todosdoCPC/73e,respectivamente,arts.188,277,488e283eparagrafoúnicono

NCPC),oprincípiodainstrumentalidadedasformaspreconizaqueoerrodeformaematos

processuaissóacarretaránulidadesecausarprejuízoàspartes.Oformalismotemuma funçãonosistemaprocessual,queégarantirqueaatividadejurisdicionalalcanceseufimsem queaspartessejamprejudicadas.Havendoerrodeformaquenãocomprometaoexercícioda jurisdição,édesnecessárioeatémesmoimpróprioinvalidartodaaatividaderealizada.

Nessesentido,oartigo188doCPC/15(154doCPC/73)prevêque“osatoseostermos

processuaisindependemdeformadeterminada,salvoquandoaleiexpressamenteaexigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial”.

17.Emqueconsisteoprincípiodainalterabilidadedademanda?Atéquandooautor

podemodificaroseupedidoouasuacausadepedir? ÉoautorquemdeterminaoconflitodeinteressesaserapreciadopeloPoderJudiciário,ao ajuizarademanda.Paraquesegarantaqueoprocessonãosejamarcadoporretrocessos, bemcomoparafazerefetivooprincípiodocontraditório,asnormasprocessuaisnecessitam regularoslimitesparaamodificação,asupressãoouoacréscimodepedidos.

AmatériafoimodificadacomavigênciadoNCPC(arts.264e294doCPC/73eart.

329doCPC/15).

Regramento do CPC/73: quanto à alteração e aditamento de pedido, o CPC/73 fazia distinção(trocareacrescentar,respectivamente)eestabeleciaregimesdistintos:

i. enquanto o réu não foi citado e não integrou, por consequência, a relação jurídica

processual, que ainda só é formada pelo autor e pelo juiz, o autor pode aditar o pedido

(artigo294,CPC/73);

ii.umavezcitadooréu,estepassaafazerpartedarelaçãojurídicaprocessual,devendo-

lhesergarantidosaduraçãorazoáveldoprocessoeocontraditório.Alteraçõesnopedidoou

nacausadepedirsãopossíveiscomoconsentimentodoréu(artigo264,CPC/73);

iii. mesmo com a concordância do réu, nenhuma modificação deve ser feita quando

findaafasedesaneamento(artigo264,p.único,CPC/73).

RegramentodoCPC/15:oregimedaalteraçãoeaditamentodopedidoéúnico:

Art.329. Oautorpoderá:

I-atéacitação,aditaroualteraropedidoouacausadepedir,independentementede consentimentodoréu; II- atéosaneamentodoprocesso, aditar oualterar opedidoeacausadepedir, com consentimentodoréu,asseguradoocontraditóriomedianteapossibilidadedemanifestação

destenoprazomínimode15(quinze)dias,facultadoorequerimentodeprovasuplementar.

Parágrafoúnico.Aplica-seodispostonesteartigoàreconvençãoeàrespectivacausade pedir. Didiercolocaoseguinteproblema:apósosaneamentodoprocesso,épossívelaalteração objetivadoprocesso?Didier entendequeoregramentoprocessualnãodeveser vistocom excessivo rigor formal, já que o próprio código dispõe que se as partes quiserem fazer acordos processuais elas poderão fazê-lo e acrescentar outras lides nesse acordo, o que tambémsignifica uma ampliação objetiva do processo. O CPC/15 tambémdispõe que fato constitutivosupervenientepodeserconhecidoatémesmodeofíciopelojuiz(oquetambém

ocorriasoboCPC/73),oqueimplicanovacausadepedir.Portanto,essalimitaçãodoartigo

18. O princípiodaoralidadeéaplicadoaoprocessocivil nosdiasdehoje?Quaisos aspectosdoprincípiodaoralidade? Ovalordoprincípiodaoralidadeémaishistóricodoqueatual.Originalmente,transmitiaa ideiadequeosatosprocessuaisdeveriamserrealizados,emregra,oralmente,sobretudoos relacionados à colheita de prova em audiência de instrução. No entanto, mesmo os atos praticados oralmente, como os relacionados à ouvida de perito, partes e testemunhas em audiência,sãoimediatamentereduzidosàformaescrita. OprincípiodaoralidadepossuimaiorrelevâncianoâmbitodosJuizadosEspeciais,emque efetivamente há uma maior quantidade de atos orais. Nesse sentido, já o artigo 2º da Lei 9099/95 dispõe que “o processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliaçãoouatransação”.Dequalquermaneira,deve-sesalientarque,mesmonosjuizados especiais,háanecessidadededocumentaçãodoprincipalqueacontecenoprocesso. Aspectointeressantedaoralidadeatualmenteéanecessidadedeojulgadoraproximar-se oquantopossíveldainstruçãoedasprovasrealizadasaolongodoprocesso.ParaHumberto Theodoro, “adiscussãooraldacausaemaudiênciaétidacomofator importantíssimopara concentrarainstruçãoejulgamentonomenornúmeropossíveldeatosprocessuais”.Oautor tambémelucidaquesãoaspectosdoprincípiodaoralidade(i)aidentidadefísicadojuiz;(ii) aconcentração(emumaoupoucasaudiênciaspróximasserealizaaproduçãodasprovase ojulgamentodacausa);(iii)airrecorribilidadedasdecisõesinterlocutórias.

19. Quais as hipóteses que autorizam o afastamento da aplicação do princípio da

identidadefísicadojuiz?

Previstoexpressamentepeloart.132doCPC/73,oprincípiodaidentidadefísicadojuiz

pressupõe que o juizque colheua prova é o que está mais habilitado a proferir sentença, porqueocontatopessoalcompartesetestemunhaspodeajudarnoseuconvencimento.As hipóteses que afastam a incidência desse princípio são aquelas em que o juiz estiver convocado,licenciado,afastadoporqualquermotivo,promovidoouaposentado. Contudo,oreferidoartigo132doCPC/73nãopossuicorrespondentenoCPC/15, o quedeverágerarpolêmicasobreanaturezaepermanênciadopostuladodaidentidade físicadojuiznosistema.

Asurpresacomaexclusãodoconhecidoart.132doCPC/73vemsendoanunciadapela

doutrina,aqualindica,aomenos,queépossívelextrairdoart.366doCPC/15fundamento

paraasuamanutençãonoordenamentoinfraconstitucional.Trata-sedecomandoqueprevê que encerrados os debates na audiência de instrução, deve o juiz proferir sentença imediatamenteouemtrintadias(Art.366. Encerradoodebateouoferecidasasrazõesfinais,

ojuizproferirásentençaemaudiênciaounoprazode30(trinta)dias).

Aquestãonãoépacífica.SegueoentendimentodeLuizGuilhermeMarinoni:

O novo Código não repetiuexpressamente a regra da identidade física do juiz. Aquela regra dizia que o juizque concluísse a audiência tinha a incumbência, salvo em casos pontuais,dedecidiracontrovérsia.Commuitoboavontade,épossívelextrairomesmo princípio do art. 366, que prevê que, encerrados os debates na audiência, deve o juiz proferirsentençaimediatamenteouemtrintadias.Porém,parecequeoordenamento nacional, ao não estabelecer regra semelhante ao art. 132 do Código de 1973, deixoudeexigiraidentidadefísica,autorizandoqueoutrojuizquenãooquepresidiua instrução - profira a sentença no prazo de trinta dias, acima indicado. Reafirma essa

conclusãooart.381,§3º,quedispõeque,noscasosdeprovacolhidaantecipadamente-

antes do ajuizamento da demanda principal - o juízo em que colhida a prova não fica preventoparaacausaemqueaprovaseráempregada.

20.Oqueestabeleceoprincípiodaconcentração?

Oprincípiodaconcentração(art.455doCPC/73eart.365doCPC/15)estabelecequea

audiênciadeveserunaeconcentrada, paraqueojuiz, aocolherasprovas, possateruma visão sistemática e unificada dos fatos, dos quais se deve recordar para promover o

julgamento. Mas razões práticas podem levar a que a realização material da audiência se desdobreemmaisdeumadata.Seassimfor,nemporissoconsiderar-se-ãorealizadasduas audiências, mas apenas uma, sendoasegundadataapenas umacontinuaçãodaaudiência anterior. ParaLuizGuilhermeMarinoni,tambémaconcentraçãoficoudecertomodoprejudicadano

NCPC,àsemelhançadoquejáocorriacomoCódigode1973.Autoriza-seasuspensãoda

audiênciaporacordodaspartes(art.313,lI)epermite-sequeaspartes,depoisdeconcluída

a instrução, tratando-se de caso complexo, ofereçam suas razões finais por escrito, que

tomarãootempodetrintadias(art.364,§2º).

Aofinal,considerandocomoumtodoosprincípiosdaoralidade,daidentidadefísicadojuiz

e da concentração, Marinoni considera que “no conjunto, portanto, não parece grande o

comprometimento do direito brasileiro com a oralidade no processo. Ao contrário, soa de certomodoincongruenteoestabelecimentodaregradapersuasãoracionaldojuizsemque se tenham tomadas as providências para assegurar as suas consequências na sentença. Impõe-seaexposiçãonadecisãodasrazõesdaconvicçãojudicial,masnãoseexigeque

essejuizsejaomesmoquepresidiuainstruçãodacausa.Exige-semotivaçãoanalítica,mas autoriza-sequeasentençasejaproferidamuitodepoisdaconclusãodafaseprobatória.Ou seja,oNovoCódigoparecenãotersedecididodemaneiraconvictaarespeitodovalorda oralidade na estruturação do procedimento. Nada obstante, teria o Código oferecido uma contribuiçãomuitomaiorcasotivesseassumidocompromissoefetivocomaoralidade.Não hádúvidadequeessemodelodeprocedimentoéoquemelhorseadaptaàsexigênciasda sociedadeatual,sendocapazdefornecerrespostasmaisadequadasealinhadasàtutelados direitos”.

21. Em que consiste o princípio da persuasão racional ou livre convencimento motivado?Quaisossistemasdevaloraçãodaprova?

Talprincípiodizrespeitoàavaliaçãodasprovaspelojuiz.Olivreconvencimentomotivadoé conquistadossistemasjudiciáriosmodernos.

São3ossistemasgeraisdeavaliaçãodeprova:

i.sistemadaprovalegal–Aleideterminaqualovalorqueojuizdevedaracadaprova

(háumahierarquiaentreasprovasestabelecidalegalmente);

ii.sistemadolivreconvencimentopuro,oudaconsciênciadojuiz–Autorizaojuiza

julgarconformesuaconvicção,semnecessidadedesefundarnasprovascolhidasnosautos;

iii.sistemadapersuasãoracionaloulivreconvencimentomotivado–Cumpreaojuiz formar o seu convencimento livremente, examinando as provas produzidas, mas essa convicção deve estar embasada e fundamentada nos elementos que constamdos autos. É

adotadonoBrasil(art.131doCPC/73eart.371doCPC/15).

OBS.:Enunciadosrelacionadosaoart.371,NCPC.

E.515:Aplica-seodispostonoart.489,§1°,tambémemrelaçãoàsquestõesfáticasda

demanda.

E. 516: Para que se considere fundamentada a decisão sobre os fatos, o juiz deverá analisartodasasprovascapazes,emtese,deinfirmaraconclusãoadotada.

O MATERIAL ACIMAÉ IDÊNTICO AO DE SP E MG. SEM ALTERAÇÕES. MAS ACHEI INTERESSANTEMONTARESTEMATERIALNOVO-COMPLEMENTAR:

SELECIONEIALGUNSPONTOSINTERESSANTESDOMATERIALESTRATÉGIA;CICLOS

NCPC;CICLOSNÃOFAÇAAPROVASEMSABERECICLOSREVISÃOPROVADPBA1A

FASE(quemvairevisartalvezprefiraadequarestasinformaçõesabaixonasperguntas

acima.Acheimelhorassim,maspodemmudar.)

NOÇÕESINTRODUTÓRIAS

01.CONCEITODEPROCESSO

A palavra processo é utilizada na linguagem jurídica em três acepções complementares (pluralidadedesentidos):

I)Primeiraacepção:AdvémdaTeoriadaNormaJurídica.Processoéomododeprodução

de norma jurídica. Há o processo legislativo (norma jurídica legal), o administrativo (norma jurídica administrativa) e o jurisdicional (norma jurídica jurisdicional).Pela jurisdição se produzemduasespéciesdenormajurídica:aprimeiraéanormajurídicaindividualizada,que resolveocasoconcreto,easegundaéoprecedente,queéanormaaplicávela/reguladorade casosfuturos.

#OBS.1:atualmentesefalamuitotambémemprocessoprivadoounegocial.Éomodode

produção de normas jurídicas no âmbito privado. (Ex.: se quero aplicar uma multa a um condôminoquecometeuumainfraçãoaoregimentodocondomínio). O STFentendequea ideia de devido processo legal se aplica também no âmbito privado. Daí a importância de perceberqueháaítambémprocesso. # OBS.2: Fala-se muito em processo arbitral. O processo arbitral é espécie de processo jurisdicional,porém,privado.Nãoéumquintotipo(adm.,legisl.,jurisd.,privado).

II) Segunda acepção: Advém da Teoria do Fato Jurídico. Processo é um ato jurídico

complexo, ouseja, um conjunto de atos jurídicos organizados, concatenados, que têm por propósitoaproduçãodeumatofinal,qualseja,adecisão(visãoholísticadoprocesso).

# OBS.: Com o advento da CF/1988, o constituinte impôs o contraditório também ao procedimentoadministrativo. Google Carta de Vitória Fórumpermanente de processualistas Doc. em PDF

(out/2013-maio/2015):cercade400enunciadosinterpretativosdoNCPCaprovadosà

unanimidade.

III) Terceiraacepção: PerspectivadaEficáciaJurídica. TambéméfrutodaTeoriadoFato

Jurídico.Processoéoconjunto/amontoadodassituações/relaçõesjurídicasdecorrentesdos fatos jurídicos que o compõem. Situação jurídica, nesse contexto, consiste em direitos, deveres, capacidades, ônus e competências processuais. O Processo é essencialmente dinâmico.“Oprocessoéumfeixederelaçõesjurídicas”–Carnelutti. VETORESMETODOLÓGICOSPARACOMPREENSÃODOPROCESSOCIVIL c)TeoriadoDireito; DireitoConstitucionale DireitoMaterial. ProcessoeTeoriadoDireito ATGDéumadisciplinaquenosúltimostrintaanospassouporprofundasmodificações.Iremos listar seis transformações indiscutíveis dentro da TGD. Para fins didáticos, essas seis

transformaçõesserãodivididasemdoisgrupos: transformaçõesnaHermenêuticaJurídicae transformaçõesnaTeoriadasFontes. I)MudançashavidasnaHermenêuticaJurídica:

I.1)Distinçãoentretextonormativoenormajurídica:oartigodeleiconsistenotextonormativo;

jáanormajurídicaéosentidoqueseatribuiaotextonormativo.

I.2)Quem interpreta, cria: Toda atividade interpretativa é também criativa. Acriatividade na interpretação jurídica, todavia, é limitada pela tradição, pelo sentido mínimo das palavras, dentreoutroselementos,eseassemelhaaumareconstruçãodesignificados(ojuizreconstrói osentidodosenunciadosnormativos).

a

proporcionalidade e a razoabilidade se desenvolveram para conter arbitrariedades no fenômenointerpretativo.Nascemcomoformadepromoçãodedecisõesmaisjustas. Art. 8 º, Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidadeeaeficiência. II)MudançashavidasnaTeoriadasFontesdoDireito:

II.1)Princípioénorma:Normajurídicaégênerodoqualsãoespéciesprincípioseregras.As

consequências do entendimento de que princípios devem ser vistos como normas são: a) inserçãodosprincípiosnoordenamentojurídico;b)apossibilidadedepostular-seedecidir-se combaseunicamenteemprincípios.Princípios,enquantonormas(ser),nãosãovalores(dever ser), embora sua construção possa ter sido inspirada nestes. A regra impõe uma conduta/comportamento;oprincípioimpõequesechegueaumdeterminadoestadodecoisas. Nemsemprequehouver conflitoentreregraeprincípio, esteúltimoiráprevalecer. Seeles estiverem no mesmo patamar, prevalece a regra, por ser mais concreta, específica. Se o princípio, no entanto, estiver em patamar superior, ele irá prevalecer. Princípio estabelece como as coisas devem ser, metas, estados de coisas a serem alcançadas. As regras estabelecemcondutas,permitem,proíbemoudeterminamcondutas.

I.3)Desenvolvimento das máximas da proporcionalidade e da razoabilidade:

Erroscomuns

Princípios não estão localizados unicamente na Constituição Federal, visto que podem derivar de qualquerfonte,comoasleisordinárias.

Nemtodanormaconstitucionaléumprincípio.Também

háregrasconstitucionais.Emverdade,naConstituição

Federalhámaisregrasqueprincípios.

“O juiz decide com base nas leis e nos princípios” – Frase desprovida de sentido, posto que o juizdecide combasenodireitoenasleisestãotambéminseridos osprincípios.

“Princípioétodanormarepletadeelevadaimportância”

–Regrastambémpodemserdotadasderelevância.

“Sempre que a regra conflita com princípio, o último deve prevalecer” – Pelo contrário. Salvo relevância hierárquica, ou seja, estando no mesmo patamar, prevalecearegra,quejáforaindividualizada.

*TeoriadosPrincípios–HumbertoÁvila(Ed.Malheiros).

Dispositivosdeleiquepartemdopressupostodequeprincípiossãonormas:

Art.140.Ojuiznãoseeximededecidirsobaalegaçãodelacunaouobscuridadedo

ordenamentojurídico. Parágrafoúnico.Ojuizsódecidiráporequidadenoscasosprevistosemlei.

Art.489.Sãoelementosessenciaisdasentença:

[…] §2 o No caso de colisão entre normas, o juizdeve justificar o objeto e os critérios geraisdaponderaçãoefetuada,enunciandoasrazõesqueautorizamainterferênciana normaafastadaeaspremissasfáticasquefundamentamaconclusão. II.2)Precedentes jurisprudenciais e jurisprudência são espécies de norma jurídica: O NCPC redefine a acepção de princípio da legalidade, posto que impõe a observância ao ordenamentojurídico,àsnormasenãoàlei.

Art.489.Sãoelementosessenciaisdasentença:

[…] §1 o Nãoseconsiderafundamentadaqualquer decisãojudicial, sejaelainterlocutória, sentençaouacórdão,que:

[…] V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àquelesfundamentos; VI-deixardeseguirenunciadodesúmula,jurisprudênciaouprecedenteinvocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superaçãodoentendimento. Precedente,enunciadodesúmulaejurisprudênciaenquantonormajurídica. II.3)Mudançanatécnicalegislativa: omododeseescrever asleismudou. Surgiuoquese chama de cláusula geral, ou seja, texto/enunciado normativo (e não norma) que, uma vez interpretado,produznorma(princípioouregra);caracteriza-seporpossuirtantoumahipótese quantoumconsequenteindeterminado. Textos herméticos costumamenvelhecer rapidamente; ademais, nãocostumamapreender a realidade emsua complexidade. Do contrário, textos abertos, maleáveis, emrazão de sua maiorcapacidadedeadaptação,perpetuam-seporumintervalosuperiordetempo. Ascláusulasgerais,portanto,tornamosistemajurídicoflexível/móvel,arejando-o. Exs.:cláusulageraldeboa-fé;cláusulageraldafunçãosocialdapropriedadeedocontrato. O Processo Civil, que tradicionalmente é visto como um campo não propício ao desenvolvimento de cláusulas gerais, está apresentando alterações nesse sentido (combinaçãodecláusulasabertasefechadas).Provamaiorsãoosseguintesdispositivosdo NCPC:

Art.3 o Nãoseexcluirádaapreciaçãojurisdicionalameaçaoulesãoadireito. […] §2 o OEstadopromoverá,semprequepossível,asoluçãoconsensualdosconflitos. Art. 5 o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordocomaboa-fé. Art.6 o Todosossujeitosdoprocessodevemcooperarentresiparaqueseobtenha,em temporazoável,decisãodeméritojustaeefetiva. Art. 7 o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitosefaculdadesprocessuais, aosmeiosdedefesa, aosônus, aosdevereseà

aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.

*Odireitoprivadocomoumsistemaemconstrução–JudithMartins-Costa(internet-pdf).

*Cláusulasgeraisprocessuais–FredieDidier(internet).

B)ProcessoeDireitoConstitucional

I)PrincipaismudançashavidasnoDireitoConstitucionalnosúltimosanos:

I.1)ReconhecimentodaforçanormativadaConstituiçãoFederal;

Art.1 o Oprocessocivilseráordenado,disciplinadoeinterpretadoconformeosvalores easnormasfundamentaisestabelecidosnaConstituiçãodaRepúblicaFederativado Brasil,observando-seasdisposiçõesdesteCódigo. I.2) Desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais – consolidação do rol de direitos fundamentaisprocessuais(direitofundamentalaocontraditório,aodevidoprocessolegal,ao juiznatural,dentreoutros).Oprocessodeveserviràefetivaçãodosdireitosfundamentais; I.3) Desenvolvimento/aperfeiçoamento da jurisdição constitucional (controle de constitucionalidade). Obs.:ONeoconstitucionalismoéumaformadepensarodireito. *NeoconstitucionalismonoBrasil:riscosepossibilidades–DanielSarmento(internet); *Neoconstitucionalismo:entreaciênciadoDireitoeodireitodaciência–HumbertoÁvila; *TeoriadaKatchanga–GeorgeMarmelstein(site:direitosfundamentais.net). II)Fasesdahistóriadoprocessobrasileiro:

I.1) Praxismo (pré-histórica - até o finaldo século XIX): se caracteriza por uma indistinção entre o processo e o direito material. Não se estudava o processo enquanto fenômeno autônomo;

II.2)Fasedeautonomiadaciênciadoprocessooudoprocessualismo(finaldoséculoXIXaté

oséculoXX):caracteriza-sepelosurgimentoeconstruçãodaciênciadoprocesso; II.3) Fase do instrumentalismo (pós-II Guerra Mundial): caracteriza-se pelo reconhecimento das construções desenvolvidas na fase do processualismo. Passa, todavia, a estudar o processosobreumanovaperspectiva,comoasuaefetividade,oacessoàjustiça,osnovos direitos (direitos coletivos), dentre outros (abordagem holística, interdisciplinar). Há uma reaproximaçãododireitomaterial,passandooprocessoaservistoenquantoinstrumentode efetivação/realização/concretizaçãododireitomaterial. II.4) Neoprocessualismo ouFormalismo-valorativo: Para alguns processualistas, o processo civilbrasileiroencontra-seaindanaterceirafase, adoinstrumentalismo. ParaFredieDidier, todavia,vive-seumaquartafasedaciênciadoprocesso,qualseja,adereconstruçãoapartir dastransformaçõeshavidasnopensamentojurídico(últimoscemanos).Fala-se,portanto,em “Neoprocessualismo” – a expressão preferida por Didier, por remeter principalmente ao Neoconstitucionalismo–eem“Formalismo-valorativo”–CarlosAlbertoÁlvarodeOliveira. C)ProcessoeDireitoMaterial I)Premissas:

I.1) O processo nasce, portanto, para a solução destes casos concretos, problemas, questões,lidesoumérito.

I.2)Esteobjetodoprocessoésempre,semexceção,umcasodedireitomaterial.Odireito

material,porsuavez,éodireitodiscutidonoprocesso.

I.3)Todaaestruturadoprocesso,portanto,dependedocasoconcreto.

OBS. – Relação circular entre processo e direito material: “O processo serve ao direito

materialaomesmotempoemqueéservidoporele”.

“Oprocessoéacertezaquantoaosmeioseaincertezaquantoaosresultados.”

NORMASFUNDAMENTAISDOPROCESSOCIVIL

01.INTRODUÇÃO

“DASNORMASFUNDAMENTAISEDAAPLICAÇÃODASNORMASPROCESSUAIS” Nomenclatura adotada pelo NCPCpara o seuprimeiro livro, capítulo I, composto por dozeartigosdecunhoeminentementeexemplificativo(rolnãoexaustivo),postoquenormas desta natureza podem ser encontradas tanto na Constituição Federal quanto em partes diversasdoCódigo. As normas fundamentais do processo civil podem ser regras ou princípios, e não exclusivamenteosúltimos. Considera-senormafundamentaltodaaquelaqueestruturaoprocessocivilecumpre umafunçãohermenêuticadeiluminar/guiarainterpretaçãodasdemaisnormas.

02.PRINCÍPIOSCONSTITUCIONAISDODIREITOPROCESSUAL

2.1.PRINCÍPIOSEXPRESSOS

A)DEVIDOPROCESSOLEGAL

A.1)Partehistórica

Éatraduçãoparaoportuguêsdedueprocessoflaw.Essaexpressãoinglesa,quesobrevive atéhoje,surgiuem1354naInglaterra,portanto,noséc.XIV. Consisteemproteçãoquetodo ocidadãopossuicontraoexercíciotirânicodopoder.

A.2)Terminologia:

Devido: É um conceito muito indeterminado. O que é devido, portanto, é um conjunto de direitos,boapartedelesexpressamenteprevisto(contraditório,publicidade,proibiçãodeprova ilícita, motivação, juiz natural, duração razoável), por serem direitos muito consolidados e incorporados. O devido processo legal é, portanto, um conjunto de garantias (é um direito fundamentalcomplexo)queforammaturadasaolongodahistória.Opapeldodevidoprocesso legalédefenderaspessoasdatirania.Oseuconteúdoédeterminadopelasformasdetirania existentesaolongodotempo.ODPLsemodificaquandosurgeumanovaformadetirania. Processo: se refere não só ao processo jurisdicional, como também ao processo administrativo,legislativoeprivados. O STF decidiu, ao apreciar litígio entre clube e associado, que os direitos fundamentais, inclusiveosprocessuais,aplicam-seàsrelaçõesentreparticulares. Issodeaplicaraoâmbitoprivadoumdireitofundamentaléaquiloquesechamadeeficácia horizontal dos direitos fundamentais (particulares como sujeitos passivos de direitos

fundamentais).Deveincidirtantonafasepré-negocialquantoexecutiva(fl.54-Teoriadostate

action–afirmaquesósãoaplicadososDFnoâmbitodasrelaçõespúblicas/teoriadaeficácia indireta/teoriadaeficáciadireta). Umexemplomaisfácildelembrar éoexemplododevido processolegal.AeficáciaverticalsecingeàsrelaçõesentreEstadoeindivíduo. Aeficáciaverticaldosdireitosfundamentais,porsuavez,sedánasrelaçõesentreoEstadoe ocidadão. Legal:Dessaforma,Odevidoprocessolegalnãoéoprocessodevidoemacordocomalei,e sim de acordo com o direito. E é por isso que alguns autores no Brasil não usam essa expressão, embora seja muito consagrada, usando a expressão devido processo constitucional.

A.3)Dimensões:

a) Dimensão formal ou procedimental: é a dimensão como um conjunto de garantias processuais. b)Dimensãosubstancial,materialousubstantiva:Odevidoprocessolegalcomoumanorma de decisão aplicável aos casos concretos, ou seja, norma vocacionada à Justiça. Essa construçãocomessesentidoéumaconstruçãobrasileira,consagradanoSTF. OqueocorrenoBrasilédiferente! Nós, brasileiros, não precisamos da acepção americana, pois a nossa Constituição reconheceexpressamentequeoroldedireitosfundamentaiséexemplificativo. Adimensãosubstancialseconsagrounodireitobrasileirodeummodomuitopeculiar.A jurisprudênciadoSTFemuitosautoresbrasileirospassaramaentenderquedevidoprocesso legal, em uma dimensão substancial, é a fonte dos deveres de proporcionalidade e razoabilidade. B)CONTRADITÓRIO

B.1)Dimensões:

a) Dimensãoformal: garanteàspartesodireitodeparticipar doprocessoedeatuar nele. Direitodeser informadosobreaexistênciadoprocesso. Existeumarelaçãopróximaentre contraditórioedemocraciaenquantoregimedeparticipaçãonoexercíciodopoder,jáqueo contraditóriogaranteaparticipaçãodojurisdicionadonopoderjudiciário. b)Dimensãosubstancial:Garanteodireitodepoderinfluenciaradecisão. O NCPC nasce do desejo de concretização do contraditório em sua dimensão substancial:

O art. 10 do NCPC concretiza o princípio do contraditório substancial, proibindo a decisão-surpresa,tambémchamadadedecisãodeterceiravia.Consagra,ademais,odever de consulta do juiz para com as partes acerca de ponto relevante que não foi objeto de contraditório. Exprimecomperfeiçãoavisãocontemporâneadarelaçãoentreojuizeocontraditório, posto que o magistrado também é sujeito do contraditório. Assim, todos os sujeitos do processodevematuardeacordocomocontraditório.

Art.933.Seorelatorconstataraocorrênciadefatosupervenienteàdecisãorecorrida

ouaexistênciadequestãoapreciáveldeofícioaindanãoexaminadaquedevamser consideradosnojulgamentodorecurso,intimaráaspartesparaquesemanifestem

noprazode5(cinco)dias.

Art. 7 o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitosefaculdadesprocessuais, aosmeiosdedefesa, aosônus, aosdevereseà aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.

Art.139.OjuizdirigiráoprocessoconformeasdisposiçõesdesteCódigo,incumbindo-

lhe:

[…] VI-dilatarosprazosprocessuaisealteraraordemdeproduçãodosmeiosdeprova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tuteladodireito;

OBS.1–Liminarinauditaalterapars:nãofereocontraditórioemrazãodasuaprovisoriedade.

Ocontraditórioédiferido.Podeserrevista.Elaéumatécnicaparaprotegerodireitodoautor numaponderaçãoentredireitodoréueoperigo.

OBS.2–Contraditórioéodeverdojuizrespeitaroslimitesdopedido.Aparterésedefende

daquiloquefoipedido,deformaanãopodersedefenderdaquiloqueojuizdeterminaalémda

peça inicial. Aparte fica impossibilitada de influenciar a decisão do juiz. Congruência entre pedidoesentença. C)DURAÇÃORAZOÁVELDOPROCESSO Surgiu em decorrência do devido processo legal. Um processo para ser devido não pode demorar de forma irrazoável e injustificada, ou seja, deve ser tempestivo. Foi previsto

inicialmenteemTratadosInternacionaisaosquaisoBrasiladeriu.ApartirdaECn.45/2004,

esseprincípiofoiexpressamenteincorporadoàCF/88(art.5 o , LXXVIII). Comoadventodo CPC/2015, passoua ser princípio expresso também na normativa processual civil (art. 4 o , NCPC). Art. 4 o .As partes têm direito de obter em prazo razoável a solução integral da lide, incluídaaatividadesatisfativa. ACorteEuropeiadeDireitosHumanostemjurisprudênciaantigaquefixacritériosparaa aferiçãodarazoabilidadedaduraçãodoprocesso:

Complexidadedacausa(Ex.:Mensalão); Comportamentodojuiz(seojuizfeztudoquepodiaparaoprocessoandar); Comportamentodasprópriaspartes(Ex.:indicartestemunhaquenãoexiste); Estruturadoórgãojudiciário(peculiaridadedaJustiçabrasileira).

Obs.1:Oart.97-A,daLei9.504/1997presumerazoáveloprazode01(um)ano,incluindoa

tramitaçãoemtodasasinstâncias, paraprocessoeleitoralquepossaresultar emperdade mandatoeletivo(presunçãoabsolutaderazoabilidadedademora). Obs.2: O art. 7 o , parágrafo único, da Lei da Ação Popular informa que o proferimento de sentençaalémdoprazoestabelecidoemleiprivaráojuizdainclusãoemlistademerecimento para promoção, durante 2 anos, e acarretará a perda, para efeito de promoção por antiguidade,detantosdiasquantosforemosdoretardamento,salvomotivojusto,declinado nosautosecomprovadoperanteoórgãodisciplinarcompetente. Obs.3: O art. 235, do NCPC regula a representação contra o juiz por excesso de prazo (processoadministrativo).

Obs.4:Art.93,II,“e”,daCF/88.

Art.93.Leicomplementar,deiniciativadoSupremoTribunalFederal,disporásobreo

EstatutodaMagistratura,observadososseguintesprincípios:

[…] II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antigüidade e merecimento,atendidasasseguintesnormas:

[…] e)nãoserápromovidoojuizque,injustificadamente,retiverautosemseupoderalém do prazo legal, não podendo devolvê-los ao cartório sem o devido despacho ou decisão; D)PUBLICIDADE Paraumprocessoserconsideradodevidoeletemqueserpúblico.DispositivosdoNCPCque versamsobreoPrincípiodaPublicidade(Art.8 o e11) APublicidade,portanto,temumadupladimensão:

-Publicidadeinterna:dirigidaaossujeitosdoprocesso. - Publicidade externa: dirigida a terceiros. É a mais relevante, já que não há maiores problemas com a publicidade interna. Em razão de permissão dada pela própria CF, a

publicidadeexternapodeserrestringidanashipótesesdoart.189/NCPC:

Art.189.Osatosprocessuaissãopúblicos,todaviatramitamemsegredodejustiçaos

processos:

I-emqueoexijaointeressepúblicoousocial; II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável,filiação,alimentoseguardadecriançaseadolescentes; III-emqueconstemdadosprotegidospelodireitoconstitucionalàintimidade; IV-queversemsobrearbitragem,inclusivesobrecumprimentodecartaarbitral,desde queaconfidencialidadeestipuladanaarbitragemsejacomprovadaperanteojuízo. Nemtodaarbitragemésigilosa,aindaquecostumeserehajaautorizaçãolegalparatanto. O NCPCprivilegiaosistemadeprecedentes, sendoapublicidadefundamentalàdivulgação

clara,organizadaefrequentepelosTribunaisdesuasdecisõesjudiciais(Art927).

Obs.: Uma outra novidade do NCPC é a possibilidade das partes realizarem em comum acordoajustes/adequaçõesnoritoprocessual(adequaçãoconvencionaldoprocessopelas partes). ! Pergunta-se: Épossívelosigiloconvencional(estipuladopelaspartes)?Não! Seas partesqueremsigilo,devemsedirigiraárbitros,enãoaoJudiciáriopropriamentedito, pela própria obrigação da proteção de terceiros. Isto porque a publicidade não diz respeito unicamente às partes do processo, mas funciona como garantia a terceiros estranhosaoprocesso.

*VerResoluçãon.143/2011doCNJ.

E)IGUALDADEPROCESSUAL

Derivadoprincípiodaigualdadeemseusentidogeral.Veja-seoquedizoNCPCacercado

tema,aoconsagrara“paridadedearmas”:

Art.7 o Éasseguradaàspartesparidadedetratamentoem relaçãoaoexercíciode direitosefaculdadesprocessuais, aosmeiosdedefesa, aosônus, aosdevereseà aplicaçãodesançõesprocessuais,competindoaojuizzelarpeloefetivocontraditório. Aspectosfundamentaisparaaconcretizaçãodaigualdadenoprocesso:

I)Igualdadeperanteojuiz,queserevelanaimparcialidadedomagistrado(equidistânciadas partes); II)Garantiaconferidaàspartesdeacessoàsmesmasinformações; III) Ausência de discriminação para o acesso à Justiça: em tese, todos podem demandar judicialmente,sempréviadistinçãolegal.Há,todavia,impedimentosdecarátermaterial,como oscustosdolitígiojudicial(impedimentosfinanceiros).Esteproblemaéresolvidopormeiode técnicasqueminimizamasdificuldadesdeacessodepessoascarentesaoJudiciário,comoa instauração da Defensoria Pública e a concessão da gratuidade judiciária. Há também impedimentos geográficos. O NCPC reduz esta desigualdade com a possibilidade de sustentação oral por meio de videoconferência. Os impedimentos de comunicação são visíveisdiantedosdeficientesauditivos,visuaisedefala.Igualdade,portanto,épermitirque aspessoasvãoaoJudiciárioparitariamentearmadas. F)EFICIÊNCIA Consiste no mais novo princípio processual expresso. A eficiência consiste na obtenção máximadeumafinalidadecomomínimoderecursospossível.

Obs.1–EficiênciaxEfetividade:efetividadetemavercomaobtençãoderesultado/propósito.

Épossível,portanto,queumprocessosejaefetivo,ouseja,atinjaoseupropósito,semser eficiente.Arecíproca,todavia,nãoéverdadeira,demodoqueumprocessojamaispoderáser eficiente sem ter sido efetivo (a não realização de um direito reconhecido judicialmente é quantobastaparaademonstraçãodaineficiênciadoprocesso). Obs.2 – Eficiência x Economia processual: não há distinção, de modo que o princípio da

eficiênciaéapenaso“novonome”doprincípiodaeconomiaprocessual.Hádoismotivospara tanto: 1) Razão metajurídica – a palavra eficiência remete diretamente à ideia de administração/gestão(papelretórico). O CNJéprovadatentativademelhoraragestãode

demandasjudiciaispeloJudiciário.2)Razãodogmática–chama-sedeprincípiodaeficiência

porestarassimprevistoexpressamentenoart.37,caput,daCF/88.

Oprincípiodaeficiênciatemduplanatureza:

- Direito administrativo: impõe uma administração pública eficiente. Aplica-se ao judiciário? Comcerteza.TantoéassimqueesseéograndepapeldoCNJ.Confirmaanecessidadede seencararaeficiênciaadministrativatambémparaojudiciário. -Direitoprocessual:impõequeojuizconduzaoprocessodeformaeficiente.Estárelacionado àgestãodoprocesso.Parasereficientedeveteromenorgastopossíveleomelhorresultado possível.Essaéanovavisão:juizcomogestordoprocesso(gerenciamentoprocessual).O juizdevesevalerdastécnicasdeadministraçãogerencial.Éumamudançadepostura.Ex.:

umjuizpercebequeumaperíciavaiserviraváriascausas;elepodedeterminarumaperícia

únicaedividiroscustospelaspartes.Pelaprimeiravezpreviu-seinfra-constitucionalmentea

dimensãoprocessualdoprincípiodaeficiência;noNCPC:

G)EFETIVIDADE Decorrentedoprincípiododevidoprocessolegaledainafastabilidade.Processoefetivo éumprocessoquerealizaodireitomaterialreconhecidopeladecisão. ONCPCelencouprimeiraeexpressamenteesteprincípionoart.4 o :

Art. 4 o As partes têm direito de obter em prazo razoável a solução integral da lide, incluídaaatividadesatisfativa. H)ADEQUAÇÃO Impõequeumprocesso,paraserconsideradoadequado,temqueserdevido.Nãohá previsão constitucional, sendo a sua extração oriunda do devido processo legal. Todavia, questiona-se: O que é adequação? A doutrina identifica três critérios/dimensões (complementares):

Adequaçãoobjetiva:Éaadequaçãodoprocessoaoseuobjeto,àquiloqueestásendo discutidoemjuízo. Porissoqueaexecuçãodeumchequenãoéigualàexecuçãode alimentos;ouseja,seotipodecréditoédiferente,otratamentodeveserdiferente.Por esta razão também é que quando o interesse é indisponível, a intervenção do MP é obrigatória. Encontra-se intimamente relacionada à ideia de instrumentalidade do processo. Adequaçãosubjetiva:Oprocessotemqueseradequadoaossujeitosquevãosevalerdele.O princípiodaadequaçãoaquiseconfundecomoprincípiodaigualdadenoprocesso.Ex.:Por queafazendapúblicatemprerrogativasprocessuais?PorqueoMPtemqueintervirquandoo incapazéparte?Porqueosprocessosqueenvolvemidosostêmprioridade?Sãoformasde adequaroprocessoàspeculiaridadesdossujeitosenvolvidos. Adequaçãoteleológica:Oprocessodeveseradequadoaosseusfins.Seofimdoprocessoé

a execução, temque criar regras processuais adequadas à execução, evitando discussões

desnecessáriasnestafaseprocessual. Obs. 1 – Quemestá obrigado a adequar o processo? De quemé o dever de proceder à adequaçãodoprocesso? Indiscutivelmentecabeaolegislador criar asregrasprocessuaisgerais. Seolegislador cria regrasinadequadas,podeserconsideradoinconstitucional,porinfringiraadequação,corolário do devido processo legal. Para a doutrina tradicional, essa tarefa pertence única e

exclusivamenteaolegislador,dando-seaadequaçãodoprocessosomentelegislativamente. Obs.2 – Pode o juiz adaptar as regras processuais ao caso concreto (princípio da adaptabilidade, elasticidade ou adequação formal do processo)? É uma pergunta extremamentepolêmica,porque,deumlado,temgentequeentendeserabsurdo,porferira segurançajurídicaaodarpoderesdemaisaojuiz,e,deoutrolado,osqueentendemqueseo juiz assim não fizer a tutela jurisdicional será ineficaz, violando o próprio direito de devido processolegaleadequadodaspartes.Ambososargumentossãoválidoseimportantes.Há regraslegaisqueautorizamessaadequaçãojurisdicionaldoprocedimento(casuística),maso princípio da adequação pode atuar diretamente, sem a intermediação de regras que o concretizem. Ex.: No mensalão ocorreu algo referente a isso. O prazo para embargar era pequeno. O processo tinha 8 mil páginas para examinar em cinco dias! O STF dobrou os prazos, adequandojurisdicionalmentearegraprocessualaocasoconcreto!Obviamentenãopoderia seconcordarcomumaadequaçãoquefosseemdesfavordadefesa. NoCódigoCivilPortuguêsde1995háprevisãoexpressadeumpoder geraldeadequação jurisdicional.EstefatorespingounoBrasil.

Primeira corrente: não há poder geral de adequação jurisdicional, estando a suageraldeadequação jurisdicional.EstefatorespingounoBrasil.

utilizaçãoafetaàprevisãolegal.Nessesentido,prevêoart.139,VI,doNCPC.

Segunda corrente: entende que há um poder geral de adequação, corolário do devidoprocessolegal.NãovingouduranteaelaboraçãodoNCPC.Apega-seaofato denãohaverproibiçãoexpressanessesentido(silêncio).FredieDidierésignatário desteentendimento,emborareconheçaqueasuanãoinclusãoexpressanoNCPC enfraqueçaacorrente.A adequação do processo pode receber outros nomes, como

A adequação do processo pode receber outros nomes, como “elasticidade do processo”,“adaptabilidadedoprocesso”e“flexibilidadedoprocesso”. Adequaçãoconvencional:Éaadequaçãodoprocessorealizadapelaspartes. I)BOA-FÉPROCESSUAL Aincidênciadoprincípiodaboa-fénoprocessofazcomquemuitosautoresfalemnãoapenas emdevido processo legal, mas emdevido processo leal. Aboa-fé processual é conteúdo, portanto,dodevidoprocessolegal.ONCPCpreviuoprincípiodaboa-féexpressamenteem seuart.5 o. Subjetiva:Boa-fésubjetivanãoéprincípio,éumfatodavida.Suportefáticodealguns fatosjurídicos.

Objetiva:éumanorma,éoprincípioaquiestudado.Nãoécorretofalarprincípiodaboa-

féobjetiva;ouéprincípiodaboa-féouéboa-féobjetiva.Boa-féobjetivaéumanorma queimpõe,portanto,condutaséticas,leais,probas.Emnívelconstitucionaléimplícito.

Obs.1:OSTFjárelacionouaboa-féobjetivaeodevidoprocessolegal.DisseoSTFqueo

princípiodaboa-fééconteúdododevidoprocessolegal. Obs.2: O princípiodaboa-fésedirigeatodosossujeitosdoprocesso, inclusiveaojuiz. O princípiodaboa-féseaplicaaqualquerdossujeitosprocessuais.Eoprofessorindicaaleitura

deumadecisãodoSTFnoHC101.132.

Obs.3:Oprincípiodaboa-fédecorredeumacláusulageral.Sendoassim,suaconcretização

dependedaexperiênciaforense.Ecomoesseprincípioseconcretizanoprocesso?Doutrina

alemã:

1ª concretização: o princípio da boa-fé processual impede o abuso de direitos processuais. Ou seja, esse : o princípio da boa-fé processual impede o abuso de direitos processuais. Ou seja, esse princípio torna ilícito o exercício abusivo de um direito processual.

2ª concretização: o exercício abusivo de um direito processual é considerado ilícito, graças à previsão contida : o exercício abusivo de um direito processual é considerado ilícito, graças à previsão contida no art. 5 o , do NCPC. O CC/2002, por sua vez, contém

dispositivoqueproíbedeformagenéricaoabusodedireito(Art187,CC).

3ªconcretização:afunçãohermenêuticadoprincípiodaboa-fé.Osatospostulatóriose

asdecisõesjudiciaisdevemserinterpretadosdeacordocomaboa-fé.

4ª concretização: surgimento dos deveres processuais de cooperação, que veremos adiante. : surgimento dos deveres processuais de cooperação, que veremos adiante.

5ªconcretização:elaboraçãodasconvençõesprocessuais,ouseja,ajustesprocessuais

realizados pelas partes (negócios processuais). Pode-se traçar um paralelo com a negociação(contratos)noâmbitoprivado.

6ªconcretização:aproibiçãodecomportamentoscontraditórios(genérica).Nemopotest

venirecontrafactumproprium.Ninguémpodecomportar-secontraasprópriasatitudes. Éregraquedecorredoprincípiodaboa-fé(art.5 o ,NCPC). J)PROMOÇÃODASOLUÇÃOCONSENSUALDOSCONFLITOS

Obs.1:Desdeoanode2010,comaediçãodaResoluçãon.125,peloCNJ,vem-setentando

estimularaautocomposição. Obs.2: O NCPC, em diversos momentos, estimula a autocomposição, concretizando o princípioprevisto.Oprimeiroartigoatratardofeitoéo3 o :

Obs.3:VerificaraNovaLeideArbitragem.

K)PRIMAZIADADECISÃODEMÉRITO ParaoNCPCoqueimportaéaapreciaçãodoméritopelomagistrado;ouseja,adecisãode méritoéprioritáriaemrelaçãoàdecisãoquenãoédemérito. Art.4 o Aspartestêmodireitodeobteremprazorazoávelasoluçãointegraldomérito, incluídaaatividadesatisfativa.

Direitoàsoluçãointegraldemérito.Art.321.

Aapelaçãodequalquersentençaquedeixadeapreciaroméritopermiteretratação.Art.

932.

ORelatornãopodedeixardeconhecerorecursosemantesdeterminarqueorecorrentea corrija.

Obs.1–Lein.13.015/2014(alteraoprocessotrabalhista):reproduziuasnormasrecursaisdo

NCPCantes mesmo deste ser aprovado. O TST, portanto, ofertará as primeiras decisões acercadanovasistemáticaprocessual. L) RESPEITO AO AUTORREGRAMENTO DAVONTADE NO PROCESSO (AUTONOMIA DAVONTADENOPROCESSO) Aautonomiadavontaderegeasrelaçõesprivadas, sendoprincípiobasilar doDireitoCivil. Consiste, ademais, em um dos aspectos/conteúdos/dimensões da liberdade. Poder de autorregular-se. No Direito Processual, jamais falou-se em autonomia da vontade, ou autonomia da vontade no processo. Do contrário, havia quemdissesse que a vontade das partesnoprocessoseriairrelevante. ONCPC,todavia,étotalmenteestruturado,doinícioaofim,aorespeitodoautorregramento davontadenoprocesso.

Obs.1–Esteprincípioéimplícito.Há,todavia,umasériedenormasexpressasquepodem

serconduzidasaoprincípioemestudo.Veja-se:

ConsagraçãodoprincípiodapromoçãodaautocomposiçãopeloNCPC:oEstadoprestigia avontadedaspartesdeconciliar/resolverofeitoàimposiçãodedecisãojudicial(art.2 o ,da novaLeideArbitragem). Quem determina o conteúdo do processo é a vontade das partes, devendo esta ser respeitada. O NCPC consagra um número expressivo de negócios jurídicos processuais típicos (expressamenteprevistos).Enegóciojurídicoé,porexcelência,manifestaçãodaautonomia da vontade. Ex.: escolha consensual do perito pelas partes; a elaboração do calendário processual conjuntamente pelas partes e juiz (art. 191 - o feito torna desnecessária a intimaçãoacercadosatosfuturos, jáqueaspartestomarãociênciadasrespectivasdatas logonoiníciodoprocesso).

ONCPC,emseuart.190,consagraapossibilidadedenegóciosprocessuaisatípicos.Este

dispositivoevidenciaqueaspartesexercemfunçãoativaerelevantedentrodoprocesso. PrestígiodaarbitragempeloNCPC,cujoprocessoéinteiramentemoduladopelaautonomia davontadedaspartes. M)PROTEÇÃODACONFIANÇA Desenvolveu-se na Europa, no âmbito do direito público; é novo no âmbito processual propriamente dito. Nasceu como concretização do princípio da segurança jurídica. Alguns autores chegama dizer que é a dimensão subjetiva da segurança jurídica. É princípio que impõeaproteçãodealguémqueacreditouemumatodoEstadoequedepoisviusuacrença ser frustradapor umatodopróprioEstado. EssecomportamentodoEstadodesequilibraa segurançajurídica. -Adoutrinalistaquatropressupostosparaaaplicaçãodaproteçãodaconfiança:

Basedaconfiança:atonormativoestatalnoqualseconfia,seacredita.Podeserumalei, umatoadministrativo,ouseja,atosnormativosemgeral. Obs.: Podeser umadecisãojudicial(precedenteoucoisajulgada), porqueoprocessonão deixadeser ummeiodeproduçãodeatosqueservemdebaseparaaconfiança. Nãose analisaavalidadedoatomasoseugraudeaparênciadelegitimidade. Aconfiançanabase/noato:alémdoatoacimamencionado,éprecisoqueosujeitotenha acreditado/confiadonaidoneidadedoato. Exercíciodaconfiança:Alémdeteracreditadonoato,vocêsecomportoudeacordocom essacrença,pautousuascondutasnestacrença. FrustraçãodaconfiançaporatodoPoderPúblico. -Oprocessoéummeiodeproduçãodenormasjurídicas,individualizadas(casoconcreto)e gerais (precedentes), que podem servir de base de confiança. Adecisão judicial enquanto normaébaseconfiávelemrazãodocontraditórioedacoisajulgada.Noâmbitodoprocesso, trêsconcretizaçõessãomuitoclarasemerecemregistro. ONCPCestatui,organiza,umsistemadeprecedentesobrigatórios,operandoaproteçãoda confiançaemtrêsaspectos:

N) REGRADAINSTAURAÇÃO DO PROCESSO PORINICIATIVADAPARTEEIMPULSO OFICIAL Regras/Normasfundamentais,enãoprincípios,alocadasnoart.2 o ,doNCPC:

Art.2 o Oprocessocomeçaporiniciativadaparteesedesenvolveporimpulsooficial,salvo asexceçõesprevistasemlei. O)REGRADERESPEITOÀORDEMCRONOLÓGICADECONCLUSÃO OrdemCronológica dos Processos: Pela redação originaldo CPC, os magistrados e as

Cortes deveriam julgar seguindo a ordem cronológica - só poderiam julgar os casos mais novosapósosmaisantigos,acabandocomaschamadaspreferênciasdadaspelosjulgadores semconsiderarocritériotemporal.CriouumaobrigaçãodeosjuízeseosTribunaisseguirem necessariamenteaordemcronológicadosprocessos.Contudo,amudançalegislativatrazida

pelaLei13.256/16dispõequenãohaverámaisaobrigatoriedadedosjulgamentosemordem

cronológica.Issoporque,otextoagoradeterminaqueaordemdechegadadeveserseguida

“preferencialmente”.Art.12.Osjuízeseostribunaisatenderão,preferencialmente,àordem

cronológicadeconclusãoparaproferirsentençaouacórdão.

ÉumaRegra/Normafundamental,enãoprincípioalocadonoart.12,doNCPC:

Art.12.Osjuízeseostribunaisatenderão,preferencialmente,àordemcronológicade

conclusãoparaproferirsentençaouacórdão.(RedaçãodadapelaLeinº13.256,de

2016)

- Julgamento associado à cronologia de conclusão dos processos judiciais. A ordem cronológicasóseaplicariaàsdecisõesfinais(sentençaeacórdão).Aregravisagarantira igualdade,postoquetornaimpessoalaescolhadacausaquevaiserjulgada.Serve,ademais, àduraçãorazoáveldoprocesso,porinibirademorainjustificadadoprocesso. Obs.1–Consequências do descumprimento da ordemcronológica pelo juiz: Segundo Fredie Didier,nãohánulidadedadecisãoquedesrespeitaaordemcronológica,diantedaausência de prejuízo às partes envolvidas (pas de nulitté sans grief). O terceiro que foi preterido, apesar de prejudicado, nada ganha com a anulação da sentença. O desrespeito, todavia, podeserapuradonoplanodisciplinar/correcional.

P)PRINCÍPIODACOOPERAÇÃO-Art.6oTodosossujeitosdoprocessodevemcooperar

entresiparaqueseobtenha,emtemporazoável,decisãodeméritojustaeefetiva. a) ModeloAdversarial: neste modelo, o processo é organizado de modo a ser conduzido pelas partes, sendo estas as suas grandes protagonistas. O papel do juiz, portanto, na organizaçãodoprocesso,édefiscalejulgador.Oprocesso,nessemodelo,évistocomoum dueloentreadversários,emverdadeiraconcepçãoesportista.Ojuizenquanto“convidadode pedra”. Encontra-se relacionado este modelo aos processos do common law, à ideia de liberalismoeaambientesdemocráticos. Na opinião de Didier, é exagero relacionar a democracia ao modelo adversarial, posto que países como a Alemanha utilizam-se da democracia em parceria com modelo diverso, o inquisitorial. b)ModeloInquisitorial:oprotagonismopertenceaojuiz,enãoàspartes,garantindoaele poderes alémda fiscalização e julgamento. Ex.: produção de prova de ofício, execução de decisãodeofício,dentreoutros.Estemodeloencontra-serelacionadoaospaísesdecivillaw (tradiçãoeuropeia).Algunsautoresorelacionamamodeloautoritáriodeprocesso. Conclusão 1: Não existe modelo puramente dispositivo ou inquisitorial. Em todos há manifestaçõesdeumedeoutro,podendo-sefalarempredominância. Obs. –HácorrentedoutrináriaefilosóficachamadadeGarantismoProcessualparaaqual qualqueratribuiçãodepoderaojuizquefujadafiscalizaçãoedojulgamentoéinconstitucional, porviolaroprópriomodelodemocrático. Obs.2 – No Modelo Cooperativista não há protagonistas no processo, de modo que, independentementedopapelqueexerçam,prevaleceocooperativismo. Obs.3 – Uma das consequências da boa-fé são os deveres de cooperação: Dever de clareza,deverdeconsultaedeverdeprevenção

PONTOSIMPORTANTESDAMATÉRIA-LEMBRANDO

Para montar este material fiz um apanhado do material do estratégia 1ª fase DPBA,

Ciclos1ªfaseDPBA(MaterialdoNCPC2015;RevisãoCiclos;Nãofaçaaprovasemler).

Pensamento jurídico contemporâneo: vejamos as características do atual pensamento jurídico que afeta nossa disciplina: poder da normatividade da Constituição Federal, desenvolvimentodateoriadosprincípios,hermenêuticajurídica. - Neoprocessualismo: formalismo-valorativo – no intuito de destacar a importância dos valoresconstitucionalmenteprotegidosnoâmbitodosdireitosfundamentaisnaedificaçãodo formalismoprocessual. -DevidoProcessoLegal:Art.5°daCF/88:( )LIV-ninguémseráprivadodaliberdadeou deseusbenssemodevidoprocessolegal. -Supraprincípio:base,inclusive,aoutrosprincípios. -Visa-seàidealprotetividadedosdireitos, promovendo-seaintegraçãodosistemajurídico

emoposiçãoaeventuallacunanodesenvolvimentodoprocesso.

- O devido processo legal formal é composto pelas garantias constitucionais: juiz natural, contraditório,duraçãorazoáveldoprocesso,entreoutras.

- O sentido substancial do devido processo legal diz respeito à correta elaboração e

interpretaçãodasleis,demodoaimpedirarbitrariedadesdopoderpúblico.

-Nenhumanormajurídicapodesercriadasemqueseobserveodevidoprocessolegal:

1.Leis;2.NormasAdministrativas;3.Normasindividualizadasjurisdicionais;4.Normasjurídicas

particulares.

( )LV-aoslitigantes,emprocessojudicialouadministrativo,eaosacusadosemgeralsão

asseguradosocontraditórioeampladefesa,comosmeioserecursosaelainerentes. Contraditório:Ocontraditórioéformadopordoiselementos:informaçãoepossibilidadede reação(sentidoformal)epoderdeinfluenciaradecisão(sentidomaterialousubstantivo). a)Informação:necessidadedeaparteterconhecimentodoqueestáocorrendonoprocesso para que posicione de maneira positiva ounão sobre os fatos – direito de participação no processo. Reação:elementodependentedavontadedaparte,quepodeoptarporreagirouseomitirem relaçãoàdemanda. b)Poderdeinfluenciaradecisão:énecessárioqueareaçãonocasoconcretohajarealpoder deinfluenciaromagistradonaconstruçãodoseuconvencimento. -Ocontraditórioéreflexodoprincípiodemocráticonaestruturaçãoprocessual,umavezque democracia significa participação e a participação no processo ocorre pela efetivação do princípiodagarantiadocontraditório. -Contraditório:formadeevitarsurpresaàspartes:duranteodesenrolarprocedimentaltodos osatosprocessuaisserãoinformadosaossujeitosdoprocesso,dandoaestesodireitode defesa. -Contraditórioinútil:emalgunscasospermite-sequeocontraditóriosejaafastadopelopróprio procedimento,evitandoochamado“contraditórioinútil”.Exemplo:Sentençaproferidainaudita

alterapartequejulgueoméritoemfavordoréuquenãofoicitado(art.285-A,CPC).

-Ocontraditóriopoderáocorreemdoismomentos:ocontraditórioantecipadoeodiferido.

Contraditórioantecipado

ÉaregranoProcessoCivil.Ossujeitosparticipamdetodoodesenrolardoprocesso.Ojuiz nãodecideacausasemantesocorreramplaparticipaçãodossujeitosprocessuais. Contraditóriodiferido Éoqueocorrenaconcessãodetuteladeurgênciainauditaalterapartes,situaçãonaquala decisãodojuizdeveantecederainformaçãoeareaçãoapósaprolaçãodadecisão.Nesse caso ocorrerá o “contraditório diferido”, pois apesar dos essenciais elementos do princípio continuaremaexistir,aantecipaçãodadecisãoparaomomentoimediatamenteposteriorao pedidodaparte.Vejamoscomoéaestruturadocontraditóriodiferido:

a)Pedido

b)Decisão

c)Informaçãodapartecontrária

d)Decisão

Ocontraditóriodiferidoéexcepcional,poisaprolaçãodadecisãosemaoitivadoréuseria uma violência, no entanto, seja por causa do perigo de ineficácia oupela probabilidade de

haverodireito,ocontraditóriodiferidosegueoart.5,LV,CF.

Ampladefesa

Esse princípio corresponde à dimensão substancial do contraditório, ou seja, o direito de participação efetiva na construção do convencimento do julgador por meio do acesso aos elementosdealegaçõesedeprovasdisponibilizadospelaLei.Aampladefesaéumagarantia queseestendetantoaoréuquandoaoautor,decorrendoassim,acaracterísticadeamplitude dodireitodeaçãoeotratamentoisonômico–princípiodaisonomia.

STF:SúmulaVinculantenº3

Processos Perante o Tribunal de Contas da União – Contraditório e Ampla Defesa - Anulação ou Revogação de Ato Administrativo - Apreciação da Legalidade do Ato de ConcessãoInicialdeAposentadoria,ReformaePensão Nosprocessosperanteotribunaldecontasdauniãoasseguram-seocontraditórioeaampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ourevogação de ato administrativo que beneficieointeressado,excetuadaaapreciaçãodalegalidadedoatodeconcessãoinicialde aposentadoria,reformaepensão. - Art. 71daCF: O controleexterno, acargodoCongressoNacional, seráexercidocomo auxíliodoTribunaldeContasdaUnião,aoqualcompete:

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a

( )

qualquertítulo,naadministraçãodiretaeindireta,incluídasasfundaçõesinstituídasemantidas peloPoderPúblico,excetuadasasnomeaçõesparacargodeprovimentoemcomissão,bem comoadasconcessõesdeaposentadorias,reformasepensões. STF: Súmula Vinculante nº 5 Falta de Defesa Técnica por Advogado no Processo AdministrativoDisciplinar-OfensaàConstituição Afaltadedefesatécnicapor advogadonoprocessoadministrativodisciplinar nãoofendea constituição. -PrincípiodaIsonomia:tambémchamadodeprincípiodaigualdade,oprincípiodaisonomia,

consagradonocaputdoart.5ºdaCF–“todossãoiguaisperantealei”–,relaciona-secoma

ideia de um processo justo, em que os sujeitos processuais recebem um tratamento isonômico. - Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional: assegurar que todos que se sentiremlesadosoutenhamoseudireitoameaçadotenhamacessoaopoderjudiciário.

- Motivaçãodasdecisõesjudiciais: toda decisão judicialdeve ser motivada sob pena de

nulidade. Assegura a participação da sociedade no controle da atividade jurisdicional, conferindo-lhelegitimidade. -Princípioporprimaziadadecisãodemérito

- Princípio da tempestividade da tutela jurisdicional: a razoável duração do processo e meiosquegarantamaceleridadedesuatramitação. -Boa-fé.

NOVOCPC-OBSERVAÇÕES - Princípios: estabelece uma série de princípios que deverão ser respeitados no processocivil,comoaduraçãorazoáveldoprocesso,oincentivoàconciliação,odireito dedefesa,entreoutros. Processoeletrônico:criaregrasgeraisdeprocessoeletrônico,obrigando,por exemplo, os tribunais a usar sistemas de código aberto e as intimações a seremfeitaspreferencialmentepormeioeletrônico.

INTERESSANTE:

1.Precedentes:teoriageral,distinguishingeoverrulling

Aolongodemuitosanos,odireitoprocessualcivilbrasileirodesenvolveuumsistemade

precedentesinfluenciandodemasiadamenteoCódigodeProcessoCivilde2015.

Masoqueéumprecedente?Équandoumórgãojurisdicional,aoproferirumadecisão, utilizadacomobaseumaoutradecisão,proferidaemoutroprocesso,assegurandoo respeito aosprincípiosdasegurançajurídicaedaisonomia. Mencionadatécnicadedecisãojudicialéumadasbasesdosistemadocommom law. Entretanto,istonãosignificaaadoçãopelodireitobrasileirodestesistema.Naverdade,oque setemnoBrasiléaadoçãodeumsistemadeprecedentesadaptadosàspeculiaridadesdo civillaw. Entretanto, cumpre salientar que nem toda decisão judicial é um precedente. Só são consideradas precedentes aquelas decisões judiciais em que é possível estabelecer um fundamentodeterminanteaserobservado. Quaissãoosdoistiposdeprecedentesutilizadosemnossosordenamentojurídico?

1)precedentesvinculantes;2)precedentesnãovinculantes/persuasivos/argumentativos.

Oprimeiro,comoaprópriadenominaçãoindica,édeobservânciaobrigatória. Por sua vez, os não vinculantes são meramente argumentativos e, em que pese não poderemserignoradospelosórgãosjurisdicionais,podemdecidirdemaneiradistinta,desde queissosejafeitocomjustificativaadequada. Dentrodosistemadeprecedentes, épossíveladistinçãoeasuperação. Adistinção, maisconhecidapordistinguishing,asseguraaaplicaçãodosprecedentesapenasaacasos emqueserepitamascircunstânciasquejustificaramasuacriação.Assim,oprecedentenão será seguido quando o julgados distinguir o caso sob julgamento, demonstrando, fundamentadamente, tratar-se de situação particularizada. Por sua vez, a superação do precedente (overruling) evita o engessamento do direito e reconhece a possibilidade de superação. Precedenteésinônimodejurisprudência? Muitos utilizamos dois institutos comosinônimos, todaviaprecedentenãoseconfunde comjurisprudência.Jurisprudênciaéumconjuntodedecisõesproferidapelostribunais,sobre umadeterminadamatériaenomesmosentido.Assim,quandosefalaemprecedentetemos

apenasumadecisãojudicial,jáajurisprudêncianecessitadeumagrandenúmerodedecisões judiciais. Interessante salientar que o STF, na Reclamação 4335/AC, o Ministro Teori Zavascki ressaltouqueosTribunaisSuperiorespossuemumafunçãonomofilácica,cabendoaestes órgão jurisdicionais zelar pela interpretação e aplicação do direito tanto quanto possívelde modo uniforme. O próprio Pretório Excelso deve se vincular as suas próprias decisões, construindoumajurisprudênciaquegarantaacertezaeaprevisibilidadedodireito. Ora, nos termos do art. 926 do CPC/2015, a jurisprudência dos tribunais deve ser ESTÁVEL, ÍNTEGRA e COERENTE. Ou seja, não pode o tribunal decidir uma matéria ignorando a jurisprudência até então adotada. Ademais, para ocorrer a mudança do entendimento, exige-se fundamentação adequada e específica, ressaltando as razões que levaramo órgão jurisdicional a afastar a linha decisória até então adotada, estabelecendo, ainda,sehaveráounãoamodulaçãodosefeitosdonovoentendimento. Jurisprudênciaíntegraéaquelaquelevaemconsideraçãoaevoluçãohistóriadasdecisões proferidas anteriormente sobre o mesmo tema (METÁFORADO ROMANCE DE RONALD DWORKIN) Por outro lado, a jurisprudência também deve ser coerente, sendo aplicada aos casos semelhantes.

2.-ONCPCtrazdiversosprincípiosjáprevistosnaCF(acessoàjustiça,razoável

duração do processo, contraditório, igualdade ou isonomia entre os litigantes, legalidade, publicidade,eficiência,dentreoutros). - Princípio da boa-fé: previsto no NCPC e deve ser observado por todos os sujeitos do

processo,sobpenadeaplicaçãodemulta(art.5o)

-Princípiodaprimaziadojulgamentodemérito:“Art.4oAspartestêmodireitodeobter

em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa”. Quando alguémrecorreaoJudiciárioquersabersetemounãodireito.Quandosepermitequeuma questão processual impeça o julgamento de mérito da demanda, comete-se uma injustiça. Entretanto, esteprincípionãoéabsoluto, devendoser sopesadocomoprincípiodaboa-fé objetiva.

-Princípiodacooperação:“Art.6oTodosossujeitosdoprocessodevemcooperarentresi

paraqueseobtenha,emtemporazoável,decisãodeméritojustaeefetiva”.Esteprincípio surgiudaconjugaçãodoprincípiododevidoprocessolegal,boa-féprocessual,bemcomodo princípio do contraditório, redefinindo o direito processual civil brasileiro, à luz de sua constitucionalização e do advento do neoconstitucionalismo. Deve ser observado pelo juiz durante todo o trâmite processual, exigindo uma atuação participativa e efetiva, além de integrarodebatepostonademandaprocessual.

PONTO4

4.Jurisdição:conceito,características,princípioseespécies.

4.1. Meios alternativos de solução de conflitos: autotutela, autocomposição (conciliaçãoemediação),arbitragemetribunaisadministrativos.

4.2.Competência

Fonte:DanielAmorimAssunçãoNeves

1.ComentesobreaJurisdiçãoeformasalternativasderesoluçãodeconflitos.

Ajurisdiçãopodeserentendidacomoaatuaçãoestatalvisandoàaplicaçãododireitoobjetivo

aocasoconcreto,resolvendo-secomdefinitividadeumasituaçãodecrisejurídicaegerandoa

pacificaçãodosconflitos.

Nesteconceitonãoconstaotradicionalconceitoqueajurisdiçãosubstituiavontadedaspartes

pelavontadedalei.Istoporque,nemsemprehaveráconflitodeinteresses,esegundoporque

nemsempreaatividadejurisdicionalsubstituiráavontadedaspartes.

Há doutrina que analisa a jurisdição sob 3 aspectos: poder, função e atividade. O poder jurisdicional é o que permite o exercício da função jurisdicional que se materializa no caso

concretopormeiodaatividadejurisdicional.Nãoconfundiras3expressões.

Comopoder, a jurisdição representa o poder estatal de aplicar o direito objetivo no caso concretoresolvendoasituaçãodecrisejurídica.Opoderjurisdicionalnãoselimitaadizero direito(juris-dicção),mastambémdeimporodireito(juris-satisfação),poisnãobastadizero

direito,mastambém,fazervalerodireitoconcretamente.Tradicionalmente,ajurisdição(juris-

dicção) eraentendidacomoaatuaçãodavontadeconcretadodireitoobjetivo(Chiovenda), sendoqueadoutrinasedividiaentreaquelesqueentendiamqueessaatuaçãoderivavada sentençafazerconcretaanormageral(Carnelutti)oucriarumanormaindividualcombasena regra geral (Kelsen). Contemporaneamente, esse positivismo acrítico mostrou-se

ultrapassado, incapaz de atender às exigências de justiça do mundo atual. Dessa forma autorizada doutrina afirma que a jurisdição cria a norma jurídica no caso concreto, resultado da aplicação da norma legal à luz dos direitos fundamentais e princípios constitucionaisdejustiça.Essanovavisãosustentaquenãobastaaediçãodanorma

jurídica(juris-dicção),sendonecessáriotutelarconcretamenteodireitomaterial(juris-

satisfação).

Como função, a jurisdição é o encargo atribuído pela CF, em regra, ao Poder Judiciário- função típica, e excepcionalmente, a outros poderes, função atípica, para exercer concretamenteopoderjurisdicional.Afunçãojurisdicionalnãoéprivativadopoderjudiciário, como no processo de impeachment do Presidente da República realizado pelo Poder legislativo, ou nas sindicâncias e processos administrativos no Poder Executivo, ainda que nessescasosnãohajadefinitividade.OJudiciáriotambémnãoselimitaaoexercíciodafunção jurisdicional, exercendo de forma atípica, excepcional, a função administrativa (organização concursos,p.ex.)eLegislativa(regimentosinternos,p.ex.).

Comoatividade,ajurisdiçãoéocomplexodeatospraticadospeloagenteestatalinvestidode jurisdiçãonoprocesso. Comooestadoéumenteinanimado, ojuizdedireito, investidode poderjurisdicional,representaoEstadonoprocessoconcretamente.

O Estado não tem, por meio da jurisdição, o monopólio da solução dos conflitos, sendo admitidaspeloDireitooutrasmaneiraspelasquaisaspartespossambuscar asoluçãodos conflitos, são chamadas de equivalentes jurisdicionais ou de formas alternativas de solução de conflitos. Há quatro espécies reconhecidas no nosso Direito: autotutela, autocomposição(tradicionalmentechamadadeconciliação),mediaçãoearbitragem.

Aautotutelaéaformamaisantigadesoluçãodosconflitos,implicanosacrifíciointegraldo

interessedeumadaspartesenvolvidasnoconflitoemrazãodoexercíciodaforçapelaparte

vencedora.Nãoéformaprestigiadanoestadodemocráticodedireito,lembraassociedades

maisrudimentares.Aautotutelaéexcepcional,sendorarasasprevisõeslegaisqueaadmitem

(Exs:legítimadefesa,art.188,I,CC;desforçoimediatonoesbulho,1210CC).Ajustificativaé

quecomooEstadonãoéonipresente,emalgumassituaçõesexcepcionais,naausênciado

Estado,émaisinteressanteaosistemajurídicoasoluçãopeloexercíciodaforçadeumdos

envolvidosnoconflito.Aautotutelaéaúnicaformadesoluçãoalternativadeconflitosquepode

seramplamenterevistapeloPoderJudiciário.Trata-se,portanto,deumaformaimediatade

solução de conflitos, mas que não recebe o atributo da definitividade, podendo ser revista

judicialmente.

Asformasconsensuais(alternativas)desoluçãodosconflitossãomuitovalorizadasnoNCPC,

nostermosdoartigo3º,queprevêqueoEstadopromoverásemprequepossívelasolução

consensual dos conflitos, através da conciliação, mediação e outros métodos de solução consensualdos conflitos, que deverão ser estimulados por juízes, defensores, membros do MP, advogados, inclusive no curso do processo judicial. O NCPC não trouxe apenas disposições principiológicas, mas também uma seção inteira de um capítulo destinada a regulamentar a atividade dos conciliadores e mediadores judiciais (arts 165-175), inclusive fazendo expressa distinção entre a conciliação (melhor seria autocomposição) e mediação, trazendo assim, uma estrutura organizada e procedimento definido para viabilizar a sua

realização.

OBS.:EnunciadosdoFPPCrelacionadosaoart.3º,NCPC:

E.371:Osmétodosdesoluçãoconsensualdeconflitosdevemserestimuladostambémnas

instânciasrecursais.

E. 485: É cabível conciliação ou mediação no processo de execução, no cumprimento de

sentençaenaliquidaçãodesentença,emqueseráadmissívelaapresentaçãodeplanode

cumprimentodaprestação.

E. 573: AsFazendasPúblicasdevemdar publicidadeàshipótesesemqueseusórgãosde

AdvocaciaPúblicaestãoautorizadosaaceitarautocomposição.

DanielAmorim, admite a relevância indiscutíveldas formas alternativas para a solução das crises jurídicas, contudo, sustenta, que priorização da mediação e da conciliação para a soluçãodetodososconflitosdeinteressedeveservistacomcautela,jáqueaoconcretizartal estadodecoisaspodemosmuitasvezeslevarcomnaturalidadeofamosoditadoquemaisvale um acordo ruim do que um processo bom, renunciando o respeito ao direito material, e decretando a falência do Judiciário. Cita também, que nas demandas consumeristas, a distânciaeconômicaentreoconsumidoreofornecedorpodelevaraacordosinjustos,sendo

queapartemaisfracapodeaceitarumacordodesvantajoso.Odesrespeitoaodireitomaterial

passaráaserresultadodeumcálculoderisco-benefíciorealizadopelosdetentoresdopoder

econômico,emdesprestigioevidentedoEstadoDemocráticodeDireito.

Aautocomposiçãoéasoluçãodosconflitossemainterferênciadajurisdição,resultandono

sacrifíciototalouparcialdosinteressesdaspartesenvolvidasnoconflitomedianteavontade

unilateraloubilateraldetaissujeitos.Oquedeterminaasoluçãoéavontadedaspartes,enão

ousodaforça,comonaautotutela.

Aautocomposição é um gênero, do qual são espécies a transação (mais comum), submissãoerenúncia.

Atransação decorre da vontade bilateral, há um sacrifício recíproco de interesses, sendoquecadaparteabdicaparcialmentedesuapretensãoparaqueseatinjaasoluçãodos conflitos.

Na renúncia e na submissão o exercício da vontade é unilateral. Na renúncia o titular do pretenso direito, abdica tal direito (ex: renúncia de crédito) e na submissão, o sujeito se submeteàpretensãocontrária,aindaquefosselegítimaasuaresistência(Ex:Aline,mesmo

acreditandoserdevedoradeapenas5,pagaaMarinaos10cobrados).

Embora sejam espécies de autocomposição, a transação, a renúncia e submissão podem ocorrerduranteocursodoprocessojudicial,sendoqueasubmissãonessecasoéchamada de reconhecimento jurídico do pedido, enquanto a transação e renúncia mantêm a mesma nomenclatura.Assim,duranteoprocessojudicialojuizhomologaráporsentençademéritoa

autocomposição(art.487,IIINCPC).Nessecaso,aautocomposiçãodecorreudavontadedas

partes, e não da aplicação do direito objetivo ao caso concreto, ainda que a decisão homologatória do juiz tenha produzido coisa julgada material, temo assim, certa hibridez, substancialmente,oconflitofoiresolvidopelaautocomposição,masformalmente,emrazãoda sentençahomologatóriahouveoexercíciodajurisdição.

Pela negociação, as partes chegam a uma solução sem a intervenção de um terceiro, enquantonaconciliaçãoháapresençadeumterceiro.

Mediaçãoéformaalternativadesoluçãodeconflitos fundadanoexercíciodevontadedas partes.Nãopodeserconfundidacomaautocomposiçãoportaismotivos:nãohásacrifíciode interessedaspartes,massimbenefíciosmútuos;nãoécentradanoconflitoemsi,masnas suas causas (art 165), não há uma decisão impositiva, mas sim a preservação plena dos interessesdaspartesenvolvidas.

Diferentedoconciliador(quepodeproporsoluçõesetentarconvenceraspartes),omediador

nãopropõesoluçõesdeconflitosàspartes,masasconduzadescobriremassuascausas,de

forma a possibilitar sua remoção, e assim, chegaremà solução dos conflitos, portanto, as

parteschegamporsisósasoluçãoconsensual,tendoomediadorapenasatarefadeinduzi-

lasatalpontodechegada.

Oconciliadordeveatuarpreferencialmentenoscasosemquenãoexistemvínculosanteriores

entreaspartes,conflitosdeinteressesquenãoenvolvamrelaçãocontinuadaentreaspartes

(ex:colisãoveículos,contratosdeconsumoparaacompradeumproduto).

Jáomediadordeveatuarpreferencialmentequandoaspartesmantinhamalgumaespéciede vínculoanterior econtinuadoantesdosurgimentodalide. (ex: direitodefamília, vizinhança, societário)

2.ComentesobretratamentoprocedimentaldaConciliaçãoeMediação.

Segundooart.165NCPCdeverãoostribunaiscriarcentrosjudiciáriosdesoluçãoconsensual

deconflitos.OsCentrosserãovinculadosaosTribunaisdesegundograudaJustiçaEstadual ou Federal, cabendo a eles a definição de sua composição e organização. Para evitar o excessoderegionalidades,asnormaslocaissãocondicionadasàsdiretrizesfundamentaisdo CNJ. O Centro Judiciário é idealizado como um órgão próprio, o que retira, pelo menos inicialmente, opoder dojuizdetentar aconciliaçãoemediaçãoentreas partes, aindaque residualmenteojuizpossacontinuartalatividadenotranscorrerdoprocesso.

Oidealéqueexistaumespaçofísicopróprio,foradosfórunsparaainstalaçãodoscentros judiciários,oquemanteriaoafastamentodojuizdessaatividade,paranumprimeiromomento reduziroaspectodelitigiosidade,afimdeproporcionarmelhorescondiçõesparaasolução consensual. Mas excepcionalmente, as sessões de mediação e conciliação podem ser realizadasnosfóruns.

Conciliadoremediador.

Apesardasdiferençasjáelencadasentreoconciliadoremediador,oNCPCosequiparaem

diversosaspectos.

Nos termos do art. 167,§1 é requisito mínimo para a capacitação de conciliadores e mediadoresaaprovaçãoemcursoaserrealizadoporentidadecredenciada,cujoparâmetro curricularserádefinidopeloCNJemconjuntocomoMinistériodaJustiça.

Oart.11daLei13.140/2015,aqualdispõeacercadamediaçãonoâmbitodaadministração

pública, trazumrequisito não previsto no CPC, graduação há pelo dois anos emcurso de ensinosuperior.

Não há necessidade dos conciliadores e mediadores serem advogados. Sendo advogado, estaráimpedidodeexerceraadvocacianojuízoqueexerceafunção.

Oconciliadoremediadorficamimpedidospor1anocontadodotérminodaúltimaaudiência

emqueatuaramdeassessorar,representaroupatrocinarqualquerdaspartes.

Também há a possibilidade de o Tribunal optar por quadro próprio de conciliadores e mediadores,medianteconcursopúblico.

Oart.168CPCdispõequeaspartespodemescolherlivrementeoconciliadoremediador,não

sendo necessário cadastro formal junto ao Tribunal; e sempre que recomendável haverá a designaçãodemaisdeumconciliadoroumediador.

3.ComentesobreosPRINCÍPIOSdaConciliaçãoeMediação.

Ainda que a mediação e conciliação sejamformas diferentes de resolução consensual dos

conflitos,ambassãoinformadaspelosmesmosprincípiosconcentradosnoart.166CPC,que

é bastante próximo do art. 1 da Resolução do CNJ 125/2010, ainda que não traga os princípios da competência, respeito à ordem pública e leis vigentes, empoderamento e validação.

Assim,temososseguintesprincípiosorientadores:

Independência-osconciliadoresemediadoresdevematuardeformaindependente,

semqualquerespéciedepressãointernaeexterna

Imparcialidade-deverdeagircomausênciadefavoritismos,preconceitos.Aplicam-

seasmesmashipóteseslegaisdeimpedimentoesuspeiçãodojuiz.Oempregode

técnicasnegociaisnãoofendeaimparcialidade.

Normalizaçãodoconflito-curiosamentetalprincípiofoisuprimidodotextofinal. A

mas

sociologicamenteocorreapenasseaspartesficaremsatisfeitascomasoluçãoaque chegaram. Apesar de também não estarem expressos no art. 166 do CPC, os princípios do empoderamento e da validação, previstos, respectivamente, nos

normalização do conflito juridicamente decorre de sua solução,

incisosVIIeVIIIdaresoluçãodoCNJpodemserconsideradoscomoinseridosno princípiodanormalização.OEMPODERAMENTOdeveserentendidocomoodever dosconciliadoresemediadoresdeestimular aspartesenvolvidasaresolver seus conflitosfuturosdamelhorformaemfunçãodaexperiênciadejustiçavivenciadana autocomposição. A VALIDAÇÃO é o dever dos conciliadores e mediadores de estimular os interessados a se perceberem reciprocamente como seres humanos merecedoresdeatençãoerespeito.

Autonomia de vontades - a solução consensual é obtida em razão do acordo de vontades.como seres humanos merecedoresdeatençãoerespeito.

Confidencialidade-o§1doart.166consagraaconfidencialidadeplena,atinentea

tudoqueocorreuefoiditonasessão,oquecriaumasingularhipótesede impedimentoparafuncionarcomotestemunhonoprocesso emquefoifrustradaa conciliaçãoouamediação.Aconfidencialidadepodeserexcepcionadaemcasode violaçãoàordempúblicaouàsleisvigentes.

Oralidade: tem 3 objetivos - conferir celeridade ao procedimento, prestigiar a informalidade e promover a confidencialidade, já que restará escrito o mínimo possível. Informalidade-incentivaorelaxamentoentreosinteressadoselevaaumclimade desconcentraçãoetranquilidadenaturaldaspartes.violaçãoàordempúblicaouàsleisvigentes. Decisão informada - Cria o dever ao conciliador e mediador

Decisão informada - Cria o dever ao conciliador e mediador de manter as partes envolvidasplenamenteinformadasquantoaosseusdireitoseaocontextofático. Isonomiaentreaspartes-Aisonomiaéumdosprincípiosexclusivosdamediação,desconcentraçãoetranquilidadenaturaldaspartes.

nostermosdoart.2,II,dalei13.140/2015,nãoseaplicaaconciliação.

Buscadoconsenso-Aindaqueamediaçãonãotenhacomoobjetivoúnicoasolução

consensualdoconflito,érecomendávelousodetécnicasdenegociação,taiscomo

omodelocriadopelaescoladeHarvard.

4.ComentesobreosCADASTROSdosconciliadoresemediadores

Oregistrodosconciliadoresemediadoresserárealizadoem2cadastros,umnacional

(aindaquenãohajaprevisãoexpressanessesentido,tudolevaacrerqueficaráacargodo CNJ),eumregionalrealizadopelosTribunaisdeJustiçaeTribunaisRegionaisFederais. Essescadastrosprestigiamaimparcialidade,distribuiçãoaleatóriadosprocessos,bem comoconstarãotodososdadosrelevantesdosinscritos,comonúmerodecausasqueatuou, sucesso,insucesso,matériaversada.,devendosertornadospúblicosaomenosumavezpor

ano,nostermosdosartigos167e168.

5.OsconciliadoresemediadoresrecebemREMUNERAÇÃO?

Emregraseráfixadaumaremuneraçãoparaaatividadedosconciliadoresemediadores, conformetabelafixadapeloTribunal,deacordocomosparâmetrosdoCNJ.Talremuneração nãoserádevidaseosTribunaiscriaremseusquadrosporconcursopúblico,ouemcasode atividadevoluntária. Nos termos do art. 13 da lei 13.140/2015, os mediadores serão remunerados pelas partes, de acordo comos valores fixados pelos Tribunais, assegurado aos necessitados a gratuidade.

6.ComentesobreIMPEDIMENTOESUSPEIÇÃODOSMEDIADORES.

O art. 170 prevê apenas a hipótese de impedimento, mas devem ser aplicadas por analogiaascausasdeimpedimentoesuspeiçãodosjuízes.

Oart.172trazumahipóteseespecificadeimpedimentodosconciliadoresemediadores,

contado do término de 1 ano da última audiência ficam impedidos de assessorar, atuar, patrocinarquaisquerdaspartesqueatuaram. Em caso de qualquer hipótese de impossibilidade temporária, tal fato deve ser comunicadoaojuízo.

7.Quaissãoascausasdeexclusãodocadastrodeconciliadoresemediadores?

A exclusão do cadastro de conciliadores e mediadores depende de processo

administrativo,emcasosdeatuaçãocomdolo,culpaeimpedimentos.(166,§1e2,NCPC)

Apesar da necessidade de procedimento administrativo para a exclusão é possível a

suspensãotemporáriapor180dias.(173,§3º,NCPC).

8.ÉpossívelaSOLUÇÃOCONSENSUALnoÂMBITOADMINISTRATIVO?

Oart.174prevêacriaçãodecâmarasdemediaçãonoâmbitoadministrativo,inclusive

paracelebraçãodeTACS.IssoporquenemtododireitodefendidopelaAdministraçãoPública

éindisponível,emesmonocasodedireitosindisponíveisépossívelatransaçãoacercados

prazoseformadecumprimento.

9.ComentesobreaCONCILIAÇÃOEMEDIAÇÃOEXTRAJUDICIAIS

Oart.175esclarecequeaconciliaçãoemediaçãojudicial,nãoexcluioutrasformasde

resoluçãoextrajudiciais.Essasformasextrajudiciaissãoreguladaspelalei13.140/2015,sendo

asregrasdoNCPCaplicadasarespeitodotemaapenasnoquecouberàscâmarasprivadas

demediaçãoeconciliação.

10.ComentesobreaARBITRAGEM

Na arbitragem um terceiro, árbitro, resolve o conflito imperativamente, de forma impositiva, independente da vontade das partes; as partes escolhem um terceiro de sua confiança.

Aleidearbitragem(lei9.307/1996)éprivativadosdireitosdisponíveis.Contudo,oSTJ

admite arbitragem em contratos administrativos (levando em consideração especialmente a distinçãoentredireitopúblicoprimárioesecundário,patrimonial).

Aarbitragemnãoafrontaoprincípiodainafastabilidadedajurisdição,previstonoart.5

XXXVCF.OSTFentendeuqueaescolhaentrearbitragemejurisdiçãoéconstitucional,jáque agarantiadainafastabilidadedajurisdiçãoécondicionadaavontadedaspartes.Seopróprio direitodeaçãoédisponível,adependerdavontadedaparte,paraseconcretizarpormeioda demandajudicial,tambémoseráoexercíciodajurisdição.

Nessesentido,éelogiável,oart.3ºNCPCaodisporquenãoseexcluirádaapreciação

jurisdicionalaameaçaoulesãoadireitos, salvoosconflitosdeinteressesvoluntariamente submetidosàsoluçãoarbitral. Asentença arbitral não necessita de homologação pelo juizpara ser umtítulo judicial (previsto no rol do art. 515, VII, NCPC), o que reforça a tese de sua equiparação coma sentença judicial, e, consequentemente, da arbitragem como exercício da jurisdição. A sentençaarbitraltorna-seimutáveleindiscutível,fazendocoisajulgadamaterial,considerando

a impossibilidade do Poder Judiciário reavaliar seuconteúdo, ficando a revisão jurisdicional limitadaavíciosformaisdaarbitragemoudasentençaarbitralpormeiodaaçãoanulatória.

11.Qualanaturezajurídicadaarbitragem?

Sobreotemaháduascorrentes:

a)éumequivalentejurisdicional(Marinoni):aarbitragemnãopodeserumaformaprivadade jurisdição,porqueabasedaarbitrageméoacordo,ocontrato,aautonomiaprivada–dese submeter à decisão de um terceiro por elas nomeado – e não um terceiro que decide de maneira autoritativa, não havendo, portanto, qualquer característica de jurisdição na arbitragem; b) é uma hipótese de exercício da jurisdição (Didier, Carmona): esses doutrinadores fundamentam-se na própria lei de arbitragem, que nos arts. 23 e ss. faz referência à denominadasentençaarbitral. Aleiaindafazexigênciasparaestasentençademodomuito próximo à sentença do processo civilcomum. De outra parte o legislador apenas admite o questionamentodasentençaarbitralnahipótesedenulidade,únicaemqueojudiciáriopoderá intervir, assim mesmo, apenas para decretá-la, e não para controlá-la no mérito, como

salientamosarts.32e33,daLeideArbitragem.

12.Quaissãoosescopos/objetivosdaJurisdição?

Osobjetivos/escoposdajurisdiçãosão:jurídico,social,educacionalepolítico. Oescopojurídicoconsistenaaplicaçãoconcretadavontadedavontadedodireito(por meiodacriaçãodanormajurídica),resolvendoalidejurídica,fazendovalerodireitoobjetivo nocasoconcreto. Oescoposocialconsistenaresoluçãodosconflitospromovendoapacificaçãosocial,de nada adiante resolver o conflito no plano jurídico, se no plano fático a situação não está pacificada. Daí a visão de que a transação é uma excelente forma de resolver a “lide sociológica”, porque o conflito se resolve sem a decisão impositiva de um terceiro. Mas mesmoadecisãoimpositivaécapazdegerarapacificaçãosocialdesdequesejadadaemum processocélere,eficaz,comamploacessodeparticipaçãoedecisãojusta. Oescopoeducacionalestáligadoàfunçãodeensinarosjurisdicionados,enãosomente aspartesenvolvidasnoconflito. O escopo político se presta a fortalecer o Estado, pois a jurisdição funcionando a contentoaumentasuacredibilidadeperanteoscidadãos,bemcomoincentivaraparticipação democráticapormeiodoprocesso.

13.QuaissãoasprincipaiscaracterísticasdaJurisdição.

1-caráter substitutivo - A Jurisdição substitui a vontade das partes pela lei. Contudo, tal

característicanãoestápresentenasaçõesconstitutivasnecessárias(vontadesconvergentes-

mesmoqueaspartesnãoestejamemconflito,sãoobrigadasabuscarajurisdição,comono casodeumdivórcioconsensual,queambosqueremsedivorciar,mastemfilhomenor),ena execução indireta (a vontade originário do devedor é não cumprir, mas com a execução indireta,comapressãopsicológica,odevedorcumpreespontaneamenteaobrigação)

2-Lide-conflitodeinteressesqualificadoporumapretensãoresistida,umsujeitoquerobter

umbemdavidaeooutrocriaresistência.Naprópriadefiniçãoclássicadelide(Carnelutti),a

lidetambéméumfenômenonãoprocessual,masfático-jurídico(ouaindasociológico),anterior

aoprocesso,eisquealidenãoécriadanoprocesso,masantesdele.Tambémnãoparece

correto afirmar que a lide é essencial à jurisdição, sendo possível a existência desta sem aquela,comonajurisdiçãovoluntáriaenasaçõesconstitutivasnecessáriasjácomentadas.

3- Inércia (Princípio da Demanda/ação)- Apenas a movimentação inicial do processo é condicionadaàprovocaçãodointeressado,masapós,oprocessosedesenvolveporimpulso oficial. Este princípio decorre do direito da ação, que é disponível. A única exceção ao

princípiodademandaéorevogadoartigodoCPC/73quepermitiaoiníciodoinventáriode

ofíciopelojuiz.

4- Definitividade - a sentença proferida faz coisa julgada material entre as partes e juiz. Contudo,noprocessocautelarnãohácoisajulgadamaterial.

14.Quaissãoosprincípiosdajurisdição?

1-Investidura - como o Poder Judiciário é inanimado é necessário escolher determinados sujeitos,investindo-osdopoderjurisdicionalparaquerepresentemoestadonoexercícioda atividade jurisdicional. A investidura pode ocorrer de 3 formas: concurso; indicação do executivopormeiodoquintoconstitucional,eparaacomposiçãodoSTF/STJ.

2-Territorialidade - é a limitação ao exercício da jurisdição. O Juiz tem jurisdição em todo território nacional, mas por questão de funcionalidade, as regras de competência territorial definemdeterminadoterritórioouforoqueajurisdiçãosóserálegítimanesseslimites.Quando faltarcompetência,énecessárioaexpediçãodecartarogatóriaeprecatória(nãosendocasos deexceçãoaoprincÍpioemcomento). Comoexceçõespodemoscitaracitaçãoporcorreio paraqualquercomarcaeacitação/penhoraporoficialdejustiçaparacomarcacontígua.

3-Indelegabilidade-Dopontodevistaexterno,oPoderJudiciárionãopodedelegarafunção

jurisdicional para outros órgãos e poderes, contudo, a própria CF pode, excepcionalmente, preverafunçãojurisdicionalaoutropoder,achamadafunçãoestatalatípica. Do ponto de vista interno, determinada concretamente a competência para uma demanda atravésdenormasgerais,abstrataseimpessoais,oórgãojurisdicionalnãopodedelegara funçãoparaoutroórgãojurisdicional. Algunsentendemqueessaregraéexcepcionadapela expedição de carta precatória e carta de ordem, contudo, outros entendem, que não são exceções a tal princípio, mas sim trata-se de mera colaboração, sendo na realidade a confirmaçãoaoprincípiodaindelegabilidade.

4-Inevitabilidade-éavinculaçãoobrigatóriadossujeitosaoprocessojudicial.NoCPC/73havia

umaexceção, erapossívelarecusaànomeaçãoàautoria, contudo, noNCPC, oindivíduo indicadoautomaticamentesetornaréu.

5-Inafastabilidade-Oart.5daCFprevêquealeinãoexcluirádaapreciaçãodoJudiciário

lesão ou ameaça ao direito. Há 2 aspectos: a relação entre jurisdição e jurisdição administrativa,eoacessoàordemjurídicajusta. Emrelaçãoàviaadministrativa,écertoqueointeressadonãoéobrigadoabuscartalvia,e

tambémnãoprecisaesgotá-la.Exceção:justiçadesportiva(art.217,§1º,CF);nãocabimento

deMSquandopendentedejulgamentorecursoadministrativo,independentementedecaução; Habeas data só é cabível se houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa (interesse de agir); para o STJ - prévio requerimento administrativo para concessão de benefício previdenciário, eis que o interesse processual se concretiza com

requerimentoadministrativonegado,demorasuperiora45diasnarespostadorequerimento,

pretensão fundada em tese notoriamente rejeitada pelo INSS, quando será dispensado

requerimento administrativo prévio; exigência de esgotamento da via administrativa na reclamaçãoconstitucional.

O princípio também serve para confirmar a inexistência da coisa julgada material na via

administrativa,apartequesentirprejudicadapodebuscaroPoderJudiciário.

6-Juiznatural-ninguémseráprocessadosenãopelaautoridadecompetente,segundoregras

gerais,abstrataseimpessoais

7-Promotor natural - Elimina a figura do acusador público de encomenda, contudo, não é previstoexpressamentenoordenamento.

15.ComenteascaracterísticasdaJurisdiçãovoluntária

1-Obrigatoriedade - Apesar do nome jurisdição voluntária, a doutrina entende que essa jurisdição nada tem de voluntária, já que o que se nota na maioria das demandas é a obrigatoriedade,exigindo-seaintervençãodojudiciárioparaobtençãodobemdavida.

2-Principio inquisitivo - na jurisdição contenciosa o sistema processual é um misto de do sistemadispositivoeinquisitivo,compreponderânciaparaoprimeiro.Éumsistemadispositivo temperado, jáqueexisteumaliberdadedojuizdetomar providênciasnãorequeridaspelas partes. Na jurisdição voluntária, por vez, há uma carga maior de inquisitoriedade, ainda que não suficienteparaafastardetodooprincípiodispositivo,taiscomomaiorespoderesinstrutórios

ao juiz, para produzir provas mesmo contra vontade das partes; juizpode decidir contra a

vontadedaspartes;juízodeequidade.

3-Juízodaequidade- segundooart. 723, parágrafoúnico, NCPC, ojuiznãoéobrigadoa observarojuízodalegalidadeestrita,reconhecendoadiscricionariedadedojuiz,inclusivepara osdefensoresdajurisdiçãovoluntáriacomoatividadeadministrativaexercidapelojuiz.

4-ParticipaçãodoMPcomofiscaldaordemjurídica(Art. 721. NCPC), desdequeprevistas

situaçõesdeatuaçãodoart.178,NCPC.

5-Inexistênciadecarátersubstitutivo-juiznãosubstituiavontadedaspartespelavontadeda

lei,tãosomenteintegraoacordodevontadedaspartesparasurtirefeitosjurídicos.

6-Inexistênciadeaplicaçãoaodireitoaocasoconcreto- nãohápropriamenteaplicaçãodo direitomaterial,jáqueojuiztãosomenteintegraoacordodevontadedaspartesparasurtir efeitosjurídicos.

7-Ausênciadelide- inexistênciadelideclássica(conflitodeinteresses qualificadopor uma pretensãoresistida),masparaaobtençãodobemdavida,háumapretensãoresistida,qual seja,aexigênciadalei,sendoindispensávelaintervençãodoJudiciário.

8-Nãohápartes,masmerosinteressados.

16.Discorrasobreatutelajurisdicionalecrisesjurídicas

Por tutela jurisdicional entende-se a proteção prestada pelo Estado quando provocado por meiodeumprocesso,geradoemrazãodelesãoouameaçadelesãoaumdireitomaterial.

Podemosassociaratutelajurisdicionalàespéciedecrisejurídicaqueodemandantepretende solucionar por meiodoprocesso, adotandoessecritérioserádeconhecimento(meramente declaratória,constitutiva,condenatória),executivaecautelar.

Atuteladeconhecimentoéaptaaresolver3crisesjurídicas,quaissejam:Declaratória-CRISE

CERTEZA (usucapião, investigação de paternidade); Constitutiva-CRISE DE SITUAÇÃO JURÍDICA - cria, extingue, altera relação jurídica (divórcio e revisão do contrato); Condenatória-CRISE DE INADIMPLEMENTO - condenação ao réu ao cumprimento de contrato/obrigação(fazer,nãofazer,entregar,pagar),bemcomodanoscausadosemacidente automobilístico,p.ex. NatutelaexecutivasebuscaresolverCRISEDESATISFAÇÃO,jáexistedireitoreconhecido, mas háresistênciadapartecontrária. Essereconhecimentopodeser judicial, provisórioou definitivo,ouextrajudicial. Pormeiodatutelacautelarresolve-seumaCRISEDEPERIGO.

17.Descrevaanaturezajurídicadosresultadosjurídicos-materiais.

Poressecritérioatutelajurisdicionalédivididaemduasespécies:tutelapreventiva(inibitória) e tutela reparatória (ressarcitória), sendo a primeira uma tutela jurisdicional voltada para o futuro,visandoevitarapráticadoatoilícito,enquantoasegundaestávoltadaparaopassado, visandoorestabelecimentopatrimonialdecorrentedapráticadoatoilícitodanoso. Atesedatutelainibitóriafunda-senaexatadefiniçãodeatoilícito,quenapráticasepretende evitar.Taltesedurantemuitotempoencontrouresistênciadosadeptosquecondicionavama prestaçãodatutelajurisdicionalàexistênciadeumdano,oquesejustificavaàépocaemque se imaginava que a tutela reparatória era a única existente. Assim, a tutela inibitória surge historicamente com o objetivo de tutelar direitos materiais que não encontravam na tutela reparatóriaumaproteçãoplena,sendonecessárioumatutelaamplaegenéricaparaproteger de forma efetiva esses direitos materiais. Direitos tais como o da integridade física, meio ambiente, patrimônio histórico, a fim de concretizar a promessa constitucional da inafastabilidadedajurisdição.Exs:MSpreventivo,açãocominatória,interditoproibitório.

Atutela inibitória é sempre uma tutela específica, porque ao evitar a prática do ato ilícito, busca o retorno ao “status quo ante”, ou seja busca os mesmos efeitos da prática do cumprimentovoluntáriodoato.

Já a tutela reparatória pode ser prestada de forma específica (prestação in natura) ou equivalente emdinheiro, sendo preferívelàquela a esta. Sendo o inadimplemento definitivo, quandonãoexistamaisapossibilidadedecumprimentodaobrigaçãooriginária,aúnicatutela possívelseráaequivalenteemdinheiro.

18.ComentesobreaCogniçãovertical(profundidade)

Quandoanalisadasobaóticaverticalouemsuaprofundidade,acogniçãopodesersumária ouexauriente. Acogniçãosumáriaéfundadaemjuízodeprobabilidade,considerandoquenessaespécieo juiznãotemacessoatodasasinformaçõesnecessáriasparaseconvencer plenamenteda existênciadodireito,geraatutelaprovisória(liminares). Já uma tutela concedida mediante cognição exauriente, é fundada emumjuízo de certeza, assim,temos,atuteladefinitiva(sentença).

19. O que é jurisdição condicionada? Cite exemplos. Caso um assistido preciso de

medicamento,énecessáriaanegativadopoderestatalparaentrarcomaação?OJuiz podeindeferirporausênciadeinteressedeagirpelafaltadanegativaestatal?Oque vocêfarianacondiçãodedefensor(a) casoomedicamentofossenegadopeloPoder Público?(questãodaprovaoraldaDPE/MA) A jurisdição condicionada relaciona-se ao princípio constitucional da inafastabilidade da jurisdição(art. 5º, XXXV, CF), podendoser caracterizada, segundoFredieDidier (Didier Jr, 2015), como a possibilidade de o legislador condicionar a provocação jurisdicional ao esgotamentopréviodadiscussãoemâmbitoadministrativo.

ACFprevêahipótesedejurisdiçãocondicionadanocasodasquestõesdesportivas(art.217;

§ 1º, CF), mas há diversas leis infraconstitucionais (Ex.: Lei Habeas Data) que preveema necessidade de esgotamento administrativo prévio. A dúvida é se essas leis seriam constitucionais. Para Didier, os “Direitos fundamentais podem sofrer restrições por determinação legislativa infraconstitucional. Énecessário, porém, que esta restrição tenha justificação razoável. No caso, em juízo a priori, não parece inconstitucional o condicionamento, em certos casos, da ida ao judiciário ao esgotamento administrativo da controvérsia.Éabusivaaprovocaçãodesnecessáriadaatividadejurisdicional,quedeveser encaradacomoultimaratioparaasoluçãodoconflito. Seodemandantedemonstrar que, naquelecaso,nãopodeesperarasoluçãoadministrativadacontrovérsia–háurgênciano exame do problema, por exemplo, a restrição revela-se, assim, indevida, e deve ser afastada, no caso, pelo órgão julgador. Note, então, que a análise da possibilidade de condicionamentodoingressonojudiciáriotransfere-separaocasoconcreto.Emsuma:pode aleirestringir,emcertoscasos,oacessoaojudiciário;se,porém,revelar-seabusiva,de acordocom circunstânciasparticularesdocasoconcreto, estarestriçãopodeser afastada peloórgãojulgador”. Sobreocasoconcreto,acercadapossibilidadedojuizextinguiraaçãodemedicamentocom base na ausência de interesse de agir por falta de requerimento administrativo prévio e negativaestatal,segueojulgadodoSTJ:EMEN:PROCESSUALCIVILEADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTALNO RECURSO ESPECIAL. DIREITO ÀSAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. AUSÊNCIA DE PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE, NO CASO. PRETENSÃO RESISTIDA. CONTESTAÇÃO QUE SE INSURGE, NO MÉRITO, CONTRA O PEDIDO E AFIRMA A IMPOSSIBILIDADE DE ATENDIMENTO DA PRETENSÃO. INTERESSE DE AGIR PRESENTE. AGRAVO REGIMENTALIMPROVIDO.I.RecursoEspecialmanifestadocontraacórdãoque,nosautos de ação na qual os ora recorridos postulam o fornecimento de medicamentos, manteve sentençaqueextinguiraofeito, semexamedomérito, por ausênciadepréviorequerimento administrativo. II. No caso, o ESTADO DE SANTA CATARINA, ora agravante, arguiu, na defesa,apreliminardeausênciadeinteressedeagirdosautoresdademanda,e,nomérito, contestouapretensãodainicial,alegandoque(a)ofornecimentodomedicamentoMiflasona

400mgseriadecompetênciadosMunicípios;e(b)omedicamentoClomipramina25gnãoé

disponibilizadopeloMinistériodaSaúde,demodoqueaparteautoradeveriasubmeter-seàs alternativas terapêuticas fornecidas pelo SUS e pela Secretaria Estadual de Saúde. Nesse contexto,mostra-seinócuaaexigênciadepréviorequerimentoadministrativo,poisapretensão dos autores fora expressamente resistida pelo réu, que, no mérito, em sua contestação, demonstrouqueopedidonãoseriaatendido,naformapretendidapelosagravados,restando, assim, suprida eventual falta de interesse processual. III. Ainda que assim não fosse, o SuperiorTribunaldeJustiçapossuijurisprudêncianosentidodeque"amerainclusão dedeterminadofármaconalistagemdedispensaçãonãoassegurasuaconcretaereal

disponibilidadenospostosdeatendimento,demodoqueointeressedeagirsemantém íntegro diante dessa circunstância" (STJ, AgRg no AREsp 715.208/SC, Rel. Ministro

HERMANBENJAMIN,SEGUNDATURMA,DJede10/09/2015).Nessesentido:STJ,AgRgno

REsp1.407.279/SC,Rel.MinistroOGFERNANDES,SEGUNDATURMA,DJede20/11/2014;

AgRgnoAREsp419.834/PR,Rel.MinistroHERMANBENJAMIN,SEGUNDATURMA,DJede

06/03/2014. IV. Assim, levando em consideração o teor da contestação apresentada pelo agravanteeaausênciadedemonstraçãoefetivadequeamedicaçãopleiteadaestejasendo fornecida,nãoháfalaremausênciadeinteressedeagirdosagravados.V.AgravoRegimental

201402829363, ASSUSETE MAGALHÃES, STJ - SEGUNDA

TURMA,DJEDATA:17/03/2016 DTPB:.)

EMEN:(AGRESP

20.Sobreaarbitragem:qualadiferençaentrecláusulacompromissórioecompromisso

arbitral?

SegundoFredieDidier(DidierJr,2015),acláusulacompromissóriaéaconvençãoemqueas

partes decidem, prévia e abstratamente, que as divergências oriundas de certo negócio jurídicoserãoresolvidaspelaarbitragem; aspartes, antesdolitígiosurgir, determinamque, umavezeleocorrendo, asuasolução, qualquer quesejaoconflito, desdequedecorrade certonegóciojurídico,dar-se-ápelaarbitragem. Jáocompromissoarbitraléoacordodevontadesparasubmeterumacontrovérsiaconcreta, jáexistente,aojuízoarbitral,prescindindodoPoderJudiciário.Trata-se,pois,deumcontrato, pormeiodoqualserenunciaàatividadejurisdicionalestatal,relativamenteaumacontrovérsia específicaenãosimplesmenteespecificável.

PONTO5

5.Ação:teorias,classificação,elementosecumulação.

1. Quaisasacepçõesdapalavraação?

O termo ação possui mais de uma acepção na linguagem da CiênciadoDireitoProcessual,podendoser:

i. ação enquanto DIREITO DEAÇÃO: é o direito fundamental (situação jurídica, portanto) correspondente ao poder de acessar os tribunais e exigir deles uma tutela jurisdicional adequada,tempestivaeefetiva.Decorredosprincípiosdainafastabilidadedajurisdiçãoedo devidoprocessolegal.Éumdireitoabstratoeautônomo,poisindependedodireitomaterial invocadoemjuízo.

ii.açãoenquantoDEMANDA:tambémchamadodeaçãoexercida,éumatojurídicopeloqual sedáoexercíciododireitodeação.Éoatodeprovocaraatividadejurisdicional.Énesse sentido, da ação enquanto DEMANDA, que se colocam as classificações da ação, os elementosdaaçãoeascondiçõesdaação.

iii.açãoemSENTIDOMATERIAL:trata-sedodireitomaterialdeduzidoemjuízoouaação

materialprocessualizada.

iv.açãoenquantoPROCEDIMENTO:tendoemvistaqueprocedimentoéoconjuntodeatos organizados tendentes a produção de um ato final, a ação é o ato que instaura o procedimento.Porémétambémpossíveloexercíciododireitodeaçãoincidentalmenteaum procedimentojáiniciadocomoéocasodareconvenção.

2. Quaisasteoriasdaação?

i. Teoria Concretista: Para essa teoria, o direito de ação é o direitoaumjulgamentofavorável,ouseja,sótemdireitodeação aquele que for à justiça e ganhar. As condições da ação, para essa teoria, são as condições para ganhar a causa. Nesse sistema,acarênciadeaçãoéigualàimprocedênciadaação.

ii. Teoria Abstrata do Direito de Ação: O direito de ação é o direito de provocar os tribunais, sendo irrelevante o resultado. Não se fala emcondições da ação (Prevalece no mundo). É a posiçãoadotadapeloFredieDidier.

iii. Teoria Eclética (Liebman): adotadapeloCPC/73:Éuma

misturadas2teoriasacima.Odireitodeaçãoéumdireitoauma

decisãodemérito.Paraessaconcepção,condiçõesdaaçãosão condiçõesquedevemserpreenchidasparaqueoméritoseja examinado.Aquicarênciadaaçãoédiferentedeimprocedência daação.Paraessateoria,aanálisedascondiçõesdaaçãodeve serfeitaaqualquertempo,enquanto estiverpendenteo processoepodedependerdaproduçãodeprova.

iv. Teoria da Asserção(Teoria da prospettazione): Para ela a análise das condições da ação deve ser feita com base naquilo que foi afirmado pela parte, independentemente de produção de prova, há a presunção de veracidade sobre o que é afirmado. Porém, se da leituradapetiçãonota-seaausênciadeumadascondiçõesdaação,extingue-seoprocesso semexamedomérito,hácarênciadaação.Sedepoisdessaanálise,eapósamanifestação do réu e produção probatória, verifica-se a ausência das condições da ação, é caso de improcedência.

3. Fale sobre os elementos da ação, conceitos e principais teorias.

Sãoelementosdaação:aspartes,acausadepedireopedido.

i.Partes:Sãoodemandanteeodemandado,istoé,ossujeitosparciaisdocontraditório,o

queincluiaspartesdademanda.Aspartesdademandasãoaspartesprincipaisdoprocesso,

masnãosãoasúnicaspartesdoprocesso.Ofatodapessoaserparteilegítimanãoaexclui

dacondiçãodeparte.Importantedistinguirapartedoprocesso(parteprocessual)dapartedo

conflito(partematerial).Normalmente,aspartesdoprocessosãoaspartesdoconflito.Ex.:

duas pessoas envolvidas num acidente de trânsito – ambas vão a juízo. Essa distinção acontece,porexemplo,nocasodaaçãodealimentos.Acriançapodeserautoracontraseu pai oucontra sua mãe. Nesse caso, as partes do conflito são as partes do processo. No entanto, oMPpodeseroautorcontraopaioucontraamãee, nessecaso, aspartesdo conflitonãosãoasmesmasdoprocesso. Háumtermoquevemsendoutilizadochamadodepartecomplexarelativoàshipótesesem queparaquealguémsejaparte,elatemqueestaracompanhadadeumrepresentante.Éo caso de uma criança em uma ação de alimentos ou da pessoa jurídica e seu órgão, por exemplo.Acriançanãoélitisconsorte,elaéaparte.Maselaeseurepresentante(mãeoupai) sãoumaúnicaparte,chamadadepartecomplexa. ii.Causadepedir:Éoconjuntodofatojurídicomaisofundamentojurídico.Acausadepedir

éigualacausadepedirremota(fato)maiscausadepedirpróxima(direito).OCPC/73assim

comooNCPCadotamaTeoriadaSubstanciação(ouSubstancialização) emqueacausade pediréaSOMADOFATOJURÍDICOCOMARELAÇÃOJURÍDICA.Dessaforma,paraque setenhamcausasdepediriguais,éprecisoqueambososelementos(fatojurídicoerelação jurídica)sejamiguais.

AteoriaquesecontrapõeaessaéaTeoriadaIndividuação(ouIndividualização)emquea

causadepediréapenasodireitoafirmadoemjuízo,ouseja,ofatojurídicoestáforadacausa

depedir.

iii. Pedido: é o núcleo da demanda – corresponde ao objeto da tutela jurisdicional que se pleiteia.Desdobra-seem:(i)pedidoimediato–queéoprovimentojurisdicionalquesepostula emjuízo e (ii) pedidomediato– que é o bemda vida que se almeja alcançar. O autor na petiçãoinicialfazpedidoimediatoemediato.Oréu,emregra,fazapenaspedidoimediatona contestação, mas se ele deseja umbemda vida, deverá fazer uso da reconvenção oude pedidocontrapostocomonocasodas ações possessórias enos juizados especiais. Como requisitosopedidodeveserexpresso,certoedeterminado.

É possível a cumulação de pedidos num mesmo processo, desde que preenchidos os seguintesrequisitos:(i)compatibilidadeentreospedidos,excetonacumulaçãoimprópria(os pedidos sempre são incompatíveis); (ii) identidade procedimental ou a adotação do procedimento comumpara todos; e (iii) competência do juízo para todos os pedidos. Se o juízoforabsolutamenteincompetenteparaumdospedidos,nãocabeacumulação,massea incompetênciaforrelativaeoréunãooferecerexceção,prorroga-seacompetênciadojuízo paratodosospedidos.

4.AindaépossívelfalardecondiçõesdaaçãoàluzdoNCPC?Expliqueascondições

daação.

As chamadas condições da ação não seriam questões de mérito nem questões de admissibilidade, formando uma terceira categoria, totalmente dispensável, conforme

pensamentodeFredieDidier.OCPC/73consagravaessacategorianoincisoVIdoart.267,o

qualautorizavaaextinçãodoprocesso,semjulgamentodemérito,quandonãoconcorressem qualquerdascondiçõesdaação,comoapossibilidadejurídicadopedido,alegitimidadedas parteseointeressedeagir. ONCPCaboliuorótulo“condiçãodaação”,assimcomonãoexistemaisotermo“carênciade ação”(ossímbolosdeLiebmandateoriaecléticanãosãomaisutilizados). O Código continua falando da legitimidade e do interesse de agir, mas não mais como condiçõesdaação, massimcomopressupostosprocessuais. Ademais, oNCPCeliminoua possibilidade jurídica do pedido como condição da ação para deixar claro que se trata de problema de mérito, ouseja, se o juizentende que o pedido é juridicamente impossívelhá rejeiçãodopedido(improcedêncialiminardopedido).

5.Comoasaçõespodemserclassificadas?

Hádiversasformasdeclassificaçãodasaçõesdentreasquaisdestacamosasseguintes:

1) De acordo coma causa de pedir próxima (natureza da relação jurídica deduzida em juízo):

1.1)açõesreais:açõesfundadasemdireitosreais;

1.2)açõespessoais:açõesfundadasemdireitospessoais

1.3)açõespossessórias:nãosãonemreaisnempessoais.Elaspossuemregramentojurídico

próprio,bastantesemelhante,masnãoidênticoàsaçõesreais. 1.4) ações reipersecutórias: são ações reais ou pessoais pelas quais se busca a entrega/restituiçãodecoisacertaempoderdeterceiro.(Exs.:açãoderecuperaçãodebem

dadoemcomodato(açãoreipersecutóriapessoal);açãoreivindicatória(açãoreipersecutória real).

2)Deacordocomoobjetodopedidomediato:

2.1)mobiliárias:quandosepretendeumbemmóvel

2.2)imobiliárias:quandosepretendeumbemimóvel.

OBS.:Importanteconsignarqueexisteaçãorealsobremóveis(Ex.:açãoreivindicatóriadeum carroouusucapiãodeumajoia).Eexisteaçãopessoalsobreimóveis(Ex.:açãodedespejo).

3)Deacordocomotipodetutelajurisdicionalquesealmeja:

3.1)açãodeconhecimento–reconhecimento/certificaçãodeumdireito.

3.1.1)Açõesdeconhecimento:condenatórias,constitutivasedeclaratórias.

A)Condenatória:éaquelaemqueseafirmaatitularidadedeumdireitoaumaprestação epelaqualsebuscaacertificaçãoeaefetivaçãodessemesmodireito,comacondenaçãodo réuaocumprimentodaprestaçãodevida.Dizrespeitoaoschamados direitosprestacionais, quenadamaiséqueopoderjurídicodeexigirdealguémocumprimentodeumaprestação, quepodeserumaobrigaçãodefazer,nãofazeroudarequeporissorelaciona-seaosprazos prescricionais. B)Constitutivas:éaquelaquetemoobjetivodeobteracertificaçãoeefetivaçãodeum direitopotestativo,oqualnadamaiséqueopoderjurídicoconferidoaalguémdesubmeter outrem à alteração, criação ouextinção de situações jurídicas. Aefetivação de um direito potestativo dispensa execução, na medida em que a sentença que reconheça um direito potestativo já o efetiva com o simples reconhecimento e a implantação da nova situação jurídica almejada. Havendo previsão legal, o direito potestativo submete-se a prazos decadenciais,jáquenãoháumdeverasercumpridopelosujeitopassivo,massimumestado desujeiçãoaumasituaçãojurídicacertificada. C)Declaratórias:éaquelaquetemoobjetivodecertificaraexistência,ainexistênciaou o modo de ser de uma situação jurídica (art. 19, I, NCPC) ou declarar a falsidade ou autenticidade de um documento (art. 19, II, NCPC). Não tem prazo para ajuizamento (imprescritível), pode ser positiva, quando se busca declarar a existência de uma relação jurídica,ou,negativa,quandosebuscadeclararainexistênciadeumarelaçãojurídica. OBS.: É possível o ajuizamento de ação meramente declaratória, mesmo quando já tenha ocorrido a violação do direito (art. 20, NCPC). O CPC/73 consagrava a eficácia executivadequalquersentençaquereconhecesseaexistênciadeumaobrigaçãoexigível,nos

termosdoart.475-N,oqueincluitambémaaçãodeclaratória.ONCPCmantémessaregra

emseuart.515,I.Essapossibilidade(art.20,NCPC)influinaprescrição,poisodespacho

queordenaacitaçãoemaçãodeclaratóriaquandojávioladoodireitonãointerrompeoprazo prescricional,poisoajuizamentodestetipodeaçãonãorevelaumcomportamentodocredor comvistasabuscaraefetivaçãodapretensãocomonasaçõescondenatórias.Nessecaso particular,oprazoparaaefetivaçãodasentença,comonãohouveinterrupçãodaprescrição, écontadodesdeaviolaçãododireitoe,assim,seapósotrânsitoemjulgado,aindahouver prazo,poderáserexecutadaadecisão;casocontrário,não.

Obs.2:OSTJjádecidiuquecabeaçãomeramentedeclaratóriaparaainterpretaçãode

cláusulacontratual.

3.2.)açãocautelar–proteçãoàefetivaçãodeumdireito;

3.3)açãodeexecução–efetivaçãodeumdireito.

4)Deacordocomasespéciesdeaçõesdeconhecimento:

Existem3classificaçõesacercadasaçõesdeconhecimento.

Classificaçãoternária:édefendidapeladoutrinamajoritária(DinamarcoeBarbosaMoreira)

etambémporFredieDidierparaquemnãohárazõesparadistinguirasaçõesdeprestação (condenatórias) deacordocomatécnicaexecutiva(medidas decoerçãodiretaouindireta) utilizadaparaaefetivaçãodadecisãocomoocorrenaclassificaçãoquinária,abaixoabordada. Essaclassificaçãodivideasaçõesdeconhecimentoem:

açõesdeclaratórias;Essaclassificaçãodivideasaçõesdeconhecimentoem: açõesconstitutivas; açõescondenatórias.

açõesconstitutivas;açõesdeclaratórias; açõescondenatórias. Classificaçãoquaternária:

açõescondenatórias. Classificaçãoquaternária: éoposicionamentodefendidopor AdaPellegriniGrinover, para quem, apósasreformasnoCPC/73, Classificaçãoquaternária:éoposicionamentodefendidopor AdaPellegriniGrinover, para quem, apósasreformasnoCPC/73, aaçãocondenatóriateriasidoabolida, jáquenãohá maisanecessidadedeumprocessoautônomodeexecução. Assim, asaçõessedividiriam em:

açõesdeclaratórias;Assim, asaçõessedividiriam em: açõesconstitutivas; açõesmandamentais;

açõesconstitutivas;Assim, asaçõessedividiriam em: açõesdeclaratórias; açõesmandamentais; açõesexecutivas. Classificação

açõesmandamentais;em: açõesdeclaratórias; açõesconstitutivas; açõesexecutivas. Classificação quinária : é defendida

açõesexecutivas. Classificação quinária : é defendida por Pontes de Miranda, Ovidio Batista e Marinoni, Classificação quinária: é defendida por Pontes de Miranda, Ovidio Batista e Marinoni, relacionaaaçãoprestacionalaotipodeprestaçãodevidaeacrescentanoroltradicionalmais duasações.Nessaclassificação:

açõesdeclaratórias;duasações.Nessaclassificação: açõesconstitutivas; açõescondenatórias;

açõesconstitutivas;duasações.Nessaclassificação: açõesdeclaratórias; açõescondenatórias;

açõescondenatórias; açõesmandamentais:éaquelapelaqualseafirmaumdireitoesebuscaacertificaçãoe efetivação desse direito por meio de medidas de coerção indireta, i.e., medidas que atuemnavontadedoexecutadoparaincentivaraefetivaçãodadecisão(Ex.:prisãocivil, multacoercitivaesançõespremiais); ações executivas em sentido amplo: é aquela pela qual se afirma um direito e se buscaacertificaçãoeefetivaçãodessedireitopormeiodemedidasdecoerçãodireta ou execução por sub-rogação, que é aquela que independe da colaboração do executadoparaefetivação(Ex.:buscaeapreensão).açõesdeclaratórias; açõesconstitutivas; PONTO6 6. PROCESSO: PRESSUPOSTOSPROCESSUAIS,

do executadoparaefetivação(Ex.:buscaeapreensão). PONTO6 6. PROCESSO: PRESSUPOSTOSPROCESSUAIS,

PONTO6

6. PROCESSO: PRESSUPOSTOSPROCESSUAIS, ATOSPROCESSUAIS, VÍCIOS DOS ATOS PROCESSUAIS, LUGAR, TEMPO E FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS,COMUNICAÇÃODOSATOSPROCESSUAIS.PRECLUSÃO.

1.Oquesãopressupostosprocessuais?Quaissãoeles?

Ospressupostosprocessuaissãorequisitosformaisdeexistênciaevalidadedoprocesso–a maioriadelesserefereàrelaçãojurídicaprocessual.Ospressupostosdevalidadedevemser examinadospelojuizantesdospressupostodevalidade.Estesúltimostambémsãochamados de requisitos de validade e obedecem ao sistema de invalidades processuais, somente se invalidandooprocessosehouverprovadoprejuízo.

Há diversas classificações dos pressupostos processuais. Fredie Didier adota por base a classificação de José orlando Rocha de Carvalho, a qual segue abaixo, já com as

modificaçõesnecessáriaspeloadventodoNCPC:

modificaçõesnecessáriaspeloadventodoNCPC: Pressupostos existência

Pressupostos

existência

1.Existênciadeórgãoinvestidodejurisdição:épressupostodeexistênciadoprocessoedos

atosjurídicosprocessuaisdojuiz Éinexistenteoprocessoseademandaforajuizadaperante não-juizeadecisãoporeleprolatadaéumanão-decisão.

2. Capacidadedeser parte: éapersonalidadejudiciária, i.e., aaptidãopara, emtese, ser

sujeitodeumarelaçãojurídicaprocessualouassumirumasituaçãojurídicaprocessual.Exige-

secapacidadededireito,istoé,personalidade.Excepcionalmente,aleidáestacapacidade aos entes despersonificados. Tradicionalmente, espólio, massa falida, condomínio edilício. Doutrina mais recente inclui, aqui, o nascituro, longe de ser pacífico. Parte da doutrina, tambémprefereclassificarestepressupostocomodevalidade,mas,arigor,édeexistência, poisparaparticipardoprocessoéprecisosertitulardedireitoseobrigações.

3. Existência da demanda: diz respeito ao continente, ou seja, o ato de pedir e não ao conteúdoemsi(aquiloquesepede).Seoatoinicialnãotiverpedidoécasodeextinçãodo

processoporinadmissibilidadedoprocedimentoemrazãodedefeitodoatoinicial(art.330,I,

c/c§1º,I,NCPC).

de

Requisitosdevalidadesubjetivos

1.Capacidadeprocessual(capacidadedeestaremjuízo):éaaptidãoparaapráticadeatos

processuaisindependentementedeassistênciaourepresentação.Elapressupõeacapacidade

deserparte,sendopossíveltercapacidadedeserparteenãotercapacidadeprocessual;a

recíproca,porém,nãoéverdadeira.

OBS.:Consequênciasdaausênciadecapacidadeprocessual-verificadaaausênciade capacidade, deve o juiz conceder prazo razoável para a correção vício. Caso não seja corrigidoovício,asconsequênciasvariamconformeopolodaaçãoeomomentodaação,

nostermosdoart.76,NCPC.Seacorreçãoincumbeaoautor,haveráaextinçãodoprocesso

ouaexclusãodaparte,emcasodelitisconsórcio;seaprovidênciacouberaoréu,haveráo

prosseguimentodofeitoàsuarevelia;e,secouberaoterceiro,haveráaexclusãodoprocesso ouareveliaadependerdopoloocupadonoprocesso.Nafaserecursal,seacorreçãocouber ao recorrente, o recurso não será conhecido e, se couber ao recorrido, haverá o desentranhamentodesuascontrarrazões.

2. Capacidade postulatória: é a capacidade técnica exigida para a prática de certos atos processuais, os chamados atos postulatórios pelos quais se solicita só Estado-juiz uma providência.Asuaausênciaécasodenulidadedoato,implicandoaextinçãodoprocesso.