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JUVENATRIX

JUVENATRIX – Fanzine de Horror & Ficção Científica ANO 21 – Número 129 – AGOSTO 2011

JUVENATRIX JUVENATRIX – Fanzine de Horror & Ficção Científica ANO 21 – Número 129 – AGOSTO

JUVENATRIX – Amaldiçoado pelo Horror e Metal Extremo, em circulação desde Janeiro de 1991, com 3.515 páginas de publicação

Editor Renato Rosatti Capa Dimitri Kozma / Contra capa HQ “Sanha de Sangue”, por Dimitri Kozma

INTERNET

Blogs: www.infernoticias.blogspot.com & www.juvenatrix.blogspot.com E-mail: renatorosatti@yahoo.com.br / Twitter: www.twitter.com/juvenatrix Site Boca do Inferno: http://bocadoinferno.com/author/renato-rosatti/ Portal Gore Boulevard: http://gore-boulevard.webnode.com.br/novidades/walpurgis-rites/

Lançamento dessa edição: 30/07/2011 – São Paulo/SP Distribuição gratuita – Solicite o envio por e-mail

EDITORIAL

O destaque dessa edição é o artigo sobre a obra literária de H. P. Lovecraft em Língua Portuguesa, escrito e pesquisado por Marcello Simão Branco, e atualizado para 2011.

por Marcello Simão Branco , e atualizado para 2011. HORROR & METAL EXTREMO Música: Tormentor /
por Marcello Simão Branco , e atualizado para 2011. HORROR & METAL EXTREMO Música: Tormentor /

HORROR & METAL EXTREMO

Música: Tormentor / Banda: Kreator (Alemanha) / Álbum: Endless Pain (1985)

para 2011. HORROR & METAL EXTREMO Música: Tormentor / Banda: Kreator (Alemanha) / Álbum: Endless Pain

Riding in darkness through the hell of the night. Give all your torment to the heaven's might. In the name of Satan spread all your fear. You feel his anger you know he's near. Casting a spell. Lord of all hells. Ripping all angels. God has fell. Tormentor. Baphomet's calling death is now real. Helldogs and demons waiting to kill. Pentagrams shining Lucifer smiles. Fucking the virgin rip our her eyes. Drinking the blood. Fear no god. Now you are dead. Your flesh is dot rot. Tormentor.

NOTÍCIAS & DICAS & DIVULGAÇÃO

“Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão sobre a Terra” (Despertar dos Mortos / Dawn of the Dead, 1978, Direção de George A. Romero)

LIVROS, REVISTAS E FILMES / VÍDEOS

de George A. Romero) LIVROS, REVISTAS E FILMES / VÍDEOS Compilação de HQs “Os Contos das
de George A. Romero) LIVROS, REVISTAS E FILMES / VÍDEOS Compilação de HQs “Os Contos das

Compilação de HQs “Os Contos das Sombras da Mente”, de Dimitri Kozma

Link para download gratuito: http://www.sopadecerebro.com/2011/06/os-contos-das-sombras-da-mente.html

“Jarbas”, novo livro de horror e lobisomens de André Bozzetto Jr.

E a hora chegou. Atendendo a uma antiga reivindicação dos leitores do blog “Escrituras da Lua Cheia”, Jarbas – o temível

lobisomem que habita os contos aqui do blog desde a sua criação – vai finalmente ganhar seu livro solo. Foi um trabalho meticuloso, pois inseri todos os contos já publicados sobre o personagem em um contexto maior, com começo, meio e fim bem definidos. A adaptação destes contos para que ganhassem o formato de capítulos de uma obra maior

exigiu adaptações e, como iria mexer no conteúdo de qualquer forma, aproveitei para ampliá-los, aperfeiçoá-los e também, como não poderia deixar de ser, deixá-los ainda mais violentos e perturbadores, para desta forma combinar melhor com a parte inédita do material.

E por falar na parte inédita, posso afirmar que ela corresponde à cerca de 70% do livro e com toda certeza possui passagens

que estão entre as mais brutais, insanas e politicamente incorretas que já escrevi. Se Jarbas fosse um filme, ele provavelmente

pegaria censura mínima de 18 anos, de tão extremo e explícito que é seu conteúdo. Está achando que isso é exagero? Então confira algumas palavras de Giulia Moon e Petter Baiestorf – respectivamente prefaciadora e autor do texto introdutório – sobre o livro:

“André Bozzetto Junior é um lobisomem. Um lobisomem das letras que não tem medo de escrever horror – o puro horror sanguinolento, visceral e malvado. E o horror nos contos do lobisomem André já aparece logo de cara, sem medo de se mostrar e de assumir a sua maldade cruel. Cabe ao leitor corajoso trilhar cada linha escrita por esse gaúcho de Ilópolis com o coração na mão, sabendo que, a qualquer momento, uma fera infernal vai pular sobre a sua mente desavisada, estraçalhar seus sentidos, arrancar até o último pingo do seu sangue-frio.” (Giulia Moon)

“Jarbas, a história de um menino de 13 anos que se torna um lobisomem sanguinário, é mais irônico, mais violento, mais demente, ou seja, é mais politicamente incorreto que os livros anteriores de André Bozzetto Jr. e, por isso mesmo, apetece mais ao leitor sedento por sexo, sangue, vísceras e lobisomens tropicais.” (Petter Baiestorf) Ficou interessado? Confira então a sinopse e a ficha técnica da obra:

Sinopse:

Em 1984 Jarbas era apenas o nome de um garoto interiorano fã de livros e filmes de terror. Porém, em 2009 esse mesmo nome

já havia se convertido em uma expressão capaz de despertar o mais genuíno pavor entre todos aqueles que sabiam de sua

existência. Transformado em um lobisomem brutal e perverso, Jarbas passou a ser temido pelos humanos, odiado pelos licantropos e perseguido por ambos. Neste romance, você irá acompanhar 25 anos da trajetória deste temível ser e conhecerá uma vasta gama de personagens que, de uma forma ou de outra, cruzaram pela trilha de sangue deixada por ele através das noites de lua cheia. Entre estes desafortunados, destacam-se Francisco e Jorge – uma dupla de aposentados que tenta livrar sua cidade da ameaça licantrópica – e Vitória, uma jovem e bela caçadora de lobisomens sedenta por vingança. Ódio. Medo. Desespero. Terror. Está preparado para encarar?

Ficha Técnica:

Autor: André Bozzetto Jr. Editora: Estronho. Prefácio: Giulia Moon. Texto introdutório: Petter Baiestorf. Diagramação: M. D. Amado. Capa: M. D. Amado. Ilustração de capa: Andrei Bressan. Ilustrações internas: Christiano Carstensen Neto

Lançamento:

O

livro foi lançado pela “Editora Estronho” durante o “Fantasticon 2011”, evento que ocorreu nos dias 12, 13 e 14 de agosto

na

“Biblioteca Viriato Correa” em São Paulo/SP, com a presença do autor autografando o livro.

Fonte: http://escriturasdaluacheia.blogspot.com/2011/07/jarbas-novo-livro-de-lobisomem.html

Dica de curta metragem no Youtube: “Ataque de Pánico!”, de Fede Alvarez

Excelente curta metragem com aproximadamente 5 minutos, com robôs gigantes invadindo e destruindo Montevideo, a capital uruguaia. “Ataque de Pánico!” (Panic Attack!, Uruguai, 2009), com direção de Fede Alvarez:

http://www.youtube.com/watch?v=-dadPWhEhVk&feature=player_embedded

Documentário “Fanzineiros do Século Passado”, de Márcio Sno, na coluna de Roberto de Sousa Causo no “Terra Magazine”

(Texto de Roberto de Sousa Causo, reproduzido de sua coluna de FC no “Terra Magazine”) Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5244741-EI6622,00-Sudito+do+fanzinato.html

Súdito do Fanzinato

Na primeira semana de Julho eu resenhei aqui o livro Enciclonérdia: Almanaque de Cultura Nerd, de Luís Flávio Fernandes & Rosana Rios, e apontei que alguns termos faltantes denunciam o quão esquisito eu sou (com alguns outros fazendo companhia), na escala de nerdice e perante o que hoje é central dentro da subcultura. Pois "fanzine" é outro termo essencial para os nerds da minha geração, faltante no almanaque. Como era possível ser um fã ativo de ficção científica na década de 1980 e 90, sem editar ou ler fanzines? Hoje em dia, em que os blogs substituíram os fanzines - sem jamais igualá-los! -, a maioria dos fãs ativos nunca viu um. E muitos nem sabem o que é, o que me obriga a definir o termo. "Fanzine" é o "magazine", ou revista, do fã. Fã de qualquer coisa, e no Brasil os fanzines mais comuns e populares são os de histórias em quadrinhos e de música - neste último caso, geralmente de rock underground. Há uma controvérsia de que o primeiro fanzine brasileiro seria de quadrinhos ou de ficção científica, ambos surgidos em 1965 com semanas de diferença. Mas provavelmente o primeiro fanzine brasileiro foi dedicado às cantoras do rádio ou aos artistas de cinema Mimeografado, xerocado, impresso em gráfica off-set, em impressora matricial oulaser, o fanzine é o jornalzinho caseiro, é o boletim do clubinho de literatura ou fã-clube de alguém ou alguma coisa que órbita nas esferas da cultura popular e do entretenimento, e que por alguma razão cativou o seu editor. Os fanzines de ficção científica foram muito importantes na historia do gênero, no Brasil. O primeiro que se conhece foi O CoBra, lançado na 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica, em 1965 em São Paulo, logo seguido de Dr. Robô, boletim da Associação Brasileira de Ficção Científica, criada durante esse evento. Tiveram vida curta, e depois disso os fanzines

voltam à cena em 1981 e 1982, vinculados a grupos de fãs de FC que pertenciam ou brotaram de clubes de astronomia amadora. Foram o Star News, da Sociedade Astronômica Star Trek, de São Paulo, e o Boletim Antares, do Clube de Ficção Científica Antares, surgido do Clube de Astronomia Antares, de Porto Alegre. Logo em 1983 surge oHiperespaço, editado por Cesar Silva, José Carlos Neves & Mário Dimov Mastrotti a partir de Santo André, talvez o primeiro fanzine desse período criado fora de um clube de astronomia, algo que logo virou a norma. Space foi um fanzine nordestino, Millennium outro fanzine sulista. Em 1985 foi publicado o número zero daquele que seria o Somnium, fanzine do Clube de Leitores de Ficção Científica, um dos mais importantes da década de 1980, juntamente com Megalon, criado por Marcello Simão Branco &

Renato Rosatti. Rosatti sairia mais tarde para criar os seus fanzines especializados em horror, Juvenatrix e Astaroth, ambos ainda em circulação, em formato PDF. Essas publicações amadoras foram tão importantes, que há quem prefira chamar a Segunda Onda da Ficção Científica Brasileira de "Geração Fanzine", o que excluiria todos aqueles autores que nunca escreveram para eles. Mas dentre os muitos que o fizeram estão Braulio Tavares, Ivan Carlos Regina, Jorge Luiz Calife, Henrique Flory, Daniel Fresnot, Roberto Schima, Carlos Orsi, Ataíde Tartari, Martha Argel, José dos Santos Fernandes, Fábio Fernandes, Lúcio Manfredi, Gerson Lodi-Ribeiro, Finisia Fideli, André Carneiro, Carlos Mores, Sid Castro, Maria Helena Bandeira, Octávio Aragão e dezenas de outros que ainda estão por aí ou fizeram a sua contribuição e se retiraram.

É claro, eu participei da onda dos fanzines escrevendo, desenhando e editando, desde 1983, quando me tornei um fã ativo.

Meu primeiro conto apareceu em um fanzine (o Hiperespaço N.º 11), algumas das minhas primeiras polêmicas também. Houve um tempo em que eu publicava três ou quatro: Papêra Uirandê Especial, Borduna & Feitiçaria, The Brazuca Review e O Rhodaniano, a ponto de agrupá-lo sob o termo de "Fábrica de Fanzines do Causo". Mas a fábrica fechou e eu fui fazer outras coisas, entre elas me conectar à Internet e escrever esta coluna, depois de ser

apresentado por Antonio Luiz Costa ao Terra Magazine.

E aí Renato Rosatti inventou de me enviar o DVD contendo o documentárioFanzineiros do Século Passado, dirigido por

Márcio Sno e disponível em http://vimeo.com/19998552. Toquei o DVD com dedos trêmulos, hesitei em começar a assisti-lo.

Digo "começar" porque tive de parar e desde então tenho enrolado Rosatti, até que semana retrasada andei folheando alguns fanzines antigos e finalmente consegui ir à empresa de fotocópias para imprimir números de Papêra Uirandê Especial para o pesquisador Edgar Smaniotto, de modo que homeopaticamente eu me vacinei contra o choque de nostalgia, e deu pra terminar

de vê-lo. Porque nostalgia dói, e a dor da nostalgia às vezes é fatal.

Não há nada que se compare. Escrever certamente não é tão bom,

e talvez até mesmo ser publicado profissionalmente não seja tão satisfatório. Apenas alguém que foi fanzineiro pode saber

Ah, todas as tardes, noites e madrugadas fazendo fanzines

como é se dedicar de corpo e alma a um produto perecível, completamente à margem e sem qualquer afetação, doado sem fins lucrativos a uma causa que só o seu coração entende (já que o juízo certamente não entende) por que ela cala tão fundo.

O despojado documentário de Sno tem o subtítulo de Capítulo 1: As Dificuldades para Botar o Bloco na Rua e a Rede Social

Analógica. É composto apenas de depoente + fundo, não tem imagens auxiliares, sequer as capas dos fanzines mencionados;

não tem roteiro nem estratégia de exposição do assunto - abre mão de uma abordagem história ou sociológica, esquece

qualquer teoria da cultura, abre mão de definições formais, não contextualiza, não elabora, não aprofunda, não analisa, não disseca, não envolve com adornos de espécie alguma. São só os fanzineiros falando individualmente da sua experiência, mas a montagem faz com que soem como se estivessem dialogando - mantendo as distâncias, porém, como quando se comunicavam com leitores e colegas do Brasil todo e de outros países, usando apenas os correios.

A maioria dos fanzines mencionados é de música e quadrinhos. O único com uma conexão com a literatura é o Juvenatrix de

Renato Rosatti. Os outros fanzineiros eu não conhecia e nem preciso conhecer, pois já sei aquilo que interessa - são todos meus irmãos em armas, meus companheiros de utopia. Cada um deles fala da sala de brinquedos da sua casa, a partir do canto

com suas guitarras, do seu lugar nos subúrbios, de cidades do interior e das capitais, mas é como se todos estivessem sentados

à mesma mesa numa festa entre amigos em que cada um compareceu do jeito que se sente melhor e onde não existe classe

social ou desnível cultural. Durante os depoimentos, as expressões "liberdade", "arte", "expressão democrática", "sem censura", "independência" são repetidas e sublinhadas. "Fanzine é marca pessoal e ideologia." E o "Fanzinato", uma expressão que eu não conhecia, é espaço de amizade, amor, paixão e doação - é pagar pra fazer, ao invés de esperar lucro. É

o amadorismo como dedicação ao gesto de amor por um objeto cultural qualquer que nos preenche e nos fazer querer preencher.

O subtítulo e várias situações exploradas nos depoimentos dão a entender que o assunto do documentário é o anacronismo de

máquinas de escrever, tesoura e cola ao invés de editores de texto e programas de paginação; correio ao invés de e-mail;

fanzineiros sem recursos engabelando os correios para poder enviar dinheiro escondido e fanzines como carta social, ao invés

de blogueiros sem recursos fazendo gatos na rede de energia para blogar de madrugada

Mas o que sobressai é esse

testemunho das relações sociais muito mais lentas e talvez por isso mesmo mais duradouras, feitas à distância mas nem por isso com menos interesse e respeito. Por que fanzinar soa tão melhor do que blogar, eu me pergunto? Quando chega uma colaboração o editor abre o envelope e a

lê para saber se vale a pena. E depois ao datilografá-la ele a torna um pouco sua, e ao montá-la na página faz dela ainda mais

parte dele mesmo. Depois, com o fanzine pronto, lido pela primeira vez como um conjunto, o caminho inverso - o reencontro com a personalidade e as intenções do colaborador que se dispor a todos aqueles passos conhecidos de escrever, envelopar, colar, ir ao correio postar, tudo para aparecer no seu fanzine. O editor de fanzine se sente no centro no meio de uma teia em que ele é participante construtor de sentidos e de mensagens que chegam a ele de outras partes e outras mentes.

Talvez seja isso - ou simplesmente seja como o fã militante do meu tempo lidava com a sua paixão. Talvez a paixão do blogueiro não seja menor, apenas diferente, e a rede de que ele participa também lhe transmita a mesma sensação de conexão íntima e calorosa. Rosatti diz no documentário que fanzine é como um vírus. Por isso é que, por mais que eu ache a sensação de editar um fanzine a mais recompensadora, é impossível retornar a ela sem devotar energia demais nessa atividade. Seria fácil voltar a editar meus fanzines - muito mais difícil desistir deles outra vez.

EVENTOS

- muito mais difícil desistir deles outra vez. EVENTOS “RioFan 2011”, dias 18 a 24/07 no

“RioFan 2011”, dias 18 a 24/07 no Rio de Janeiro/RJ

Programação: http://infernoticias.blogspot.com/2011/07/programacao-do-evento-de-cinema.html

“FantastiCon 2011”, dias 12 a 14/08 em São Paulo/SP

Programação: http://fantasticon.com.br/?page_id=381

“Espantomania 2”, dias 20 e 21/08/11 em São Paulo/SP

2° MOSTRA DE CURTAS DE HORROR/FANTÁSTICO DO GRAJAÚ – SP Nos dias 20 e 21 de agosto a periferia de São Paulo (zona sul) vai ser assombrada por zumbis, fantasmas, vampiros, demônios

e

toda a espécie de criaturas sobrenaturais na segunda edição da Mostra Espantomania, organizada pela Ravens House Brasil e

o

site Gore Boulevard.

Nesta edição do evento estaremos dando continuidade à nossa seleção competitiva de curtas, além de exibições esporádicas de curta-metragens. A programação é complementada com exposições, sorteios do projeto "Monstros que Salvam", um divertido bate-papo com profissionais do gênero e a exibição dos documentários "Sangue Marginal", "Stanley Kubrick: A Life in Pictures", "Fanzineiros do Século Passado" e "Snuff: A Documentary About Killing on Camera". Se você deseja participar da seleção competitiva as inscrições vão até o dia 10 de agosto. Para ler o regulamento e baixar a ficha de inscrição acesse o link:

http://mostra-espantomania.webnode.com.br/regulamento/ Se você também quiser concorrer a obras literárias do circuito nacional não deixe de participar do QUIZ DO HORROR

promovido pelo projeto "Monstros que Salvam". Para participar basta trocar 1 kilo de alimento não perecível (esqueçam o sal

e a farinha, galera!) por um cupom no saguão do Cinegrajaú nos dois dias da mostra e responder às perguntas-surpresa sobre

filmes de horror. Uma ótima oportunidade para encher sua estante e ainda ajudar algumas instituições de caridade da periferia.

O evento terá início nos dias 20 e 21 de agosto, das 12:00 às 18 horas no CineGrajaú com apoio da Subprefeitura da Capela do Socorro e Casa de Cultura Palhaço Carequinha. O CineGrajaú fica no Calçadão do Grajaú, rua Professor Oscar Barreto, 252, Parque América - Grajaú/SP, próximo à estação de trem e do Terminal Grajaú. Para maiores informações acesse o site da Mostra: http://mostra-espantomania.webnode.com.br

SITE DA MOSTRA: http://mostra-espantomania.webnode.com.br/

BLOG DA MOSTRA: http://espantomaniasp.blogspot.com/ PERFIL NO ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=11875781142073988078 COMUNIDADE NO ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=97931258 FACEBOOK: http://pt-br.facebook.com/people/Mostra-Espantomania-Grajau/100001597189239 TWITTER: http://twitter.com/espantomania

CONTOS

Licantropia

1971 – Guerra de Angola.

por Alexandre Cthulhu (Portugal)

O nosso objetivo era uma pequena província a nordeste de Nambuangongo, onde se conservava um foco de resistência

de contra-guerrilha, cuja missão era produzir e distribuir propaganda politica, pró – independência, que servia para incitar as populações a agirem contra nós. Eu comandava a companhia nº 23 do corpo de fuzileiros especiais, e já contava com duas comissões no Ultramar.

A estrada por onde seguíamos, fora cortada por uma grande vala, que tornou impossível a progressão motorizada por

aquele caminho, então, a companhia teve de prosseguir a pé pela mata cerrada.

A progressão era lenta. Seguíamos em duas colunas, por uma longa picada que se estirava pelo meio do mato denso e

úmido. Segundo os meus cálculos, estávamos a uns dois quilômetros do nosso objetivo, e logo ordenei concentração total à minha companhia, que já manifestava alguma fadiga física. Contudo, eu conhecia-os, e sabia até onde eles podiam ir, portanto, não seriam alguns quilômetros que os iam derrotar. Um estranho silêncio quebrou todos os ruídos que a mata desprendia, e mesmo antes de eu ordenar aos meus homens

para cessarem a progressão, escutei um rugir grave e profundo, que me assombrou de terror. Um leão monstruoso irrompeu do meio do denso capim, e de garras ao alto, lançou-se sobre os meus homens de uma forma violenta e atroz, atacando-os com ferocidade. De imediato, fiz pontaria à cabeça da fera, e mesmo antes que ela arrancasse a perna ao cabo Esteves, disparei uma rajada de tiros que o fizeram tombar inerte no chão. Depois deste incidente concluí que, caso caíssemos numa emboscada, não sobraria ninguém para contar a história, tal não era o cansaço que se tinha apoderado da minha companhia. Por fim, alcançamos o nosso objetivo. A primeira aldeia abria-se para nós, como que expelida do meio do mato cerrado e sombrio.

O cheiro carbonizado a esturro invadiu-me as narinas, o que me fez sentir o azedume da destruição e da morte. Ordenei

para que a companhia se mantivesse queda, e formei uma equipe de reconhecimento, da qual eu me incluí. Éramos cinco e avançamos devagar. À medida que fomos progredindo em direção à aldeia, mais me convenci de que aquilo que nos esperava, não ia ser nada bom. O Demônio tinha estado por ali, era certo. As casas estavam queimadas e destruídas, os corpos humanos

jaziam, desmembrados pelas ruas a céu aberto, onde só os cães sarnentos se deslocavam com vida, num cenário mórbido e

lúgubre, devorando o que restava dos cadáveres já dilacerados. – Eu não fazia ideia do que se tinha passado aqui, mas algo

Mas, perpetrado por quem? Éramos nós, e

apenas nós quem tínhamos como missão (confidencial), atacar aquela província, e destruir os seus núcleos ativos!

Inesperadamente, as minhas indagações foram interrompidas por um gemido agudo e medonho, que me assombrou. Um

grito humano; de uma criança, talvez. Eu e os meus homens avançamos na sua direção, com a esperança de ainda poder salvar alguém. Alguém que nos pudesse traduzir o que se tinha passado ali. Penetramos pela senzala adentro, e oh, Céus! Um cenário macabro de horror residia diante dos nossos olhos incrédulos. Corpos humanos jaziam ali, desfeitos em pedaços, completamente rasgados e dilacerados pelos cães esfomeados, e no âmago daquele cenário macabro, conservava-se uma criança efêmera. O inocente chorava, gesticulando os seus braços ossudos, demonstrando um claro desespero, o que fez com que eu me aproximasse dele para o aclamar; afinal eram os seus familiares quem jaziam ali, mesmo à sua frente. Ao tentar agarrar-lhe os bracitos, fui inesperadamente atacado pelo miúdo, que me mordeu nas mãos, e de seguida no braço e peito. Atirou-se a mim como um cão selvagem, tal não foi o vigor das suas dentadas.

Oh, aquilo não era uma criança normal, ela tinha-se transformado

tentei matá-lo, mas mesmo antes que o fizesse, vi a sua vida a esvair-se dos seus olhos

em algo. Num animal raivoso, e eu

pequenitos, mas terrivelmente medonhos.

muito mau deixara a sua marca, por certo. Um ataque aéreo?

Um genocídio?

Os meus instintos de combatente acusaram

receio.

*

Abril irrompera pela vida dos portugueses, como o sol, depois da tempestade. Eu, tal como milhares de camaradas regressava para a minha vida, que tinha deixado anos antes, para combater na maldita guerra. Ansiava voltar a abraçar Leonor, a namorada que deixara desfeita em lágrimas quando parti no Stª Maria, naquela manhã fria de Janeiro de 68. Pretendia também voltar para o emprego que tinha na Siderurgia Nacional, onde eu era eletricista. Eu estava de volta. Vivo e cheio de vontade de devorar a vida. Mas nem tudo estava como eu sonhava. Oh, não de maneira nenhuma. O pior dos pesadelos ainda estava para vir. Na manhã seguinte ao meu regresso, vesti a minha melhor farpela e saí em demanda da minha querida Leonor. Pelo caminho ainda tive tempo de comprar um arranjo com rosas vermelhas. As suas favoritas.

Ela vivia numa habitação dois quarteirões abaixo da minha, e foi num instante que me dirigi à sua porta, onde bati com suavidade. Do outro lado surgiu um indivíduo fininho com ar patético, mas distinto.

- O que deseja? – Inquiriu ele com um ar desdenhoso.

- Quero falar com a Leonor, não se importa de a chamar? – Requeri eu.

- Ela não está

- Sou

- Sou o marido!

mas já agora, quem é o senhor?

espera lá!

– Impacientei-me – E, quem é o senhor? – Perscrutei eu, robustecendo o meu tom de voz.

A frase suou-me como um tiro pela cara adentro. A minha garganta gelara-se e eu não consegui dizer mais nada. Voltei

costas. Como pôde ela ter-me feito uma coisa destas? Eu amava-a, e prometi-lhe voltar vivo e inteiro. Casaríamos, assim que

eu voltasse

No dia seguinte, dirigi-me a Paio Pires, onde ficava a siderurgia Nacional, pois pretendia falar com o encarregado, o

senhor Figueiredo, para voltar para o posto de trabalho que eu deixara vago. Um tipo gordo e de cabelo desgrenhado apareceu- me pela frente e apresentou-se:

mas ela não quis esperar.

- Chamo-me Baltazar. Estou a substituir o velho Figueiredo, que Deus tem

– grunhiu ele.

- Que aconteceu ao senhor Figueiredo? – Apressei-me a indagar.

- Bateu a bota. – Respondeu ele, desdenhosamente. – Mas, o que queres tu?

Emprego?

- Hã?

Sim. Eu sou eletricista, e

– Balbuciei eu, recobrando do choque da notícia.

- Não há emprego rapaz. Tenho apenas uma vaga para as limpezas. Estás interessado? – Perguntou ele com um escárnio

repugnante. Nunca esperei que a minha vida se transformasse neste inferno. Sentia-me tão triste e só, que a ideia de ter morrido na África com uma bala na cabeça, perfurou no meu espírito como um consolo mórbido e cruel. Nessa tarde, regressei à casa cansado e indolente, pois pelo regresso tinha bebido várias cervejas e vinho, que me deixaram meio atravessado. Assim que me deitei, adormeci logo, sem pensar em mais nada.

A lua cheia perturbou a noite com a sua magnitude perversa. O silêncio noturno incomodou-me, e eu ergui-me da cama

num grande impulso irracional. Sentia a cabeça vazia, mas em compensação, o corpo estava forte. Forte como nunca. Tinha

Os meus braços

estavam mais volumosos e

a lua, e uivei estridentemente.

E os meus dentes!? Oh, céus! Os incisivos sobressaíam até ao lábio inferior! Contemplei

fome. Oh, mas não uma fome qualquer. Fome de sangue e de carne crua. O que estava a acontecer comigo?

peludos.

- Um pesadelo! Tudo não passou de um pesadelo.

– Suspirei eu, entre suores frios. Mas nem tudo fora um sonho. A fome que eu sentira, mantinha-se, e até se adensara.

Olhei-me ao espelho e

fome vulgar, daquelas que se sacia no frigorifico. Não. Era uma fome voraz e desconforme, que me consumia e descontrolava

por completo. Fome de carne crua, de sangue, associada a uma impiedosa vontade de

Então não esperei mais tempo e sai janela afora em demanda de uma vitima. Ah, mas não uma vitima qualquer. Aqueles que me traíram e me desconsideraram ainda tinham contas a ajustar comigo. Agora, corria-me nas veias um ímpeto de retaliação que eu não conseguia dominar. Da minha casa, até à moradia de Leonor, demorei poucos segundos, e não pensem que fui bater à porta de novo. Não,

desta vez entrei pela varanda das traseiras. Penetrei pelo quarto deles adentro, e vi que o barulho o tinha acordado. A ele, aquele finório que me roubou a minha querida Leonor, enquanto eu combatia pela pátria. Observei que ele pegara numa arma para atirar em mim, mas nem lhe dei tempo para pensar. Pulei para cima dele, e ataquei-o com toda a força das minhas garras, que lhe abriram um rasgão no peito. Seguidamente mutilei-lhe o braço direito com uma dentada apenas. Oh, se vocês vissem o que ele grunhiu enquanto o sangue lhe jorrava do membro amputado. Já não era o mesmo ser desdenhoso que me atendera à porta naquela tarde. Agora ele era a minha vítima. Sorvi o seu sangue e acabei com a vida dele quando lhe ferrei o pescoço, mais precisamente na zona da veia jugular.

estava tudo normal comigo. Mas havia algo que ainda me incomodava e persistia: A fome. Não uma

matar!

O rosto belo e gentil de Leonor transfigurara-se num cariz de horror e pânico perante a minha carnificina canibalesca.

- Eu amo-te! – Suspirou ela entre soluços.

- Por que me esqueceste? – Grunhi.

- Pensei que não voltavas.

- Lembro-me de te ter prometido que voltaria

– A voz dela embargara-se nas lágrimas que lhe escorriam pela face. Considerei em deixá-la viva;

ponderei pedir-lhe que casasse comigo conforme prometera. Mas mesmo antes de terminar as minhas reflexões, já as minhas

encantadora. Ela ainda gritou algo, que não cheguei a compreender, mas

julgo que fora uma súplica pela sua vida. Mas a traidora não merecia misericórdia e por isso foi esquartejada como uma porca numa festa alentejana. Fi-la sofrer em cada um dos golpes que lhe desferi, até ao último suspiro em agonia mortal. Estava morta. Parecia que dormia, o que me fez recordar, quando dormia em paz, ao meu lado. Por fim percebi que já me demorava na sua habitação, e de imediato me ausentei dali, sem qualquer estardalhaço para ninguém me ver. Saltei sobre a cobertura, e de telhado em telhado caminhei vários quilômetros, até chegar ao rio. Dirigi-me até ao pontão, e dali mergulhei nas águas sujas do Tejo. Nadei tranquilamente até à outra margem, e levado pelo meu faro agudo, segui o rastro do odor daquele homem nojento que se riu na minha cara durante a tarde. Oh, não pensem que foi difícil dar com ele. Havia uma casa de meninas, onde os encarregados tinham a mania de pernoitar, e foi ali mesmo que fui dar com ele. Esperei que ele saísse para o abordar.

- Desculpa!

garras a lhe tinham desmanchado a cara, outrora

- Lembras-te de mim?

- Oh, claro. És o gajo que quer trabalho. Já te disse: tenho uma vaga para as limpezas Nem o deixei terminar a frase, pois parti-lhe o maxilar apenas com a força que imprimi, apertando o polegar e o indicador contra a sua queixada. Depois, levei-o de rojo até um pinhal que havia ali próximo. E foi aí que me vinguei dele. Dei-lhe um golpe tão forte no estômago, abrindo-lhe um rasgo de meio metro, que lhe fez saltar as vísceras para fora. Seguidamente chacinei-o em todas as partes do corpo, até ele ficar transformado num monte de carne defecada. Olhei para lua, e notei que ela se degradara no firmamento, tal como a sede de sangue e vontade de matar se tinha esgotado no meu corpo. Apenas restava o meu espírito, que nunca se alterou, e agora estava só. Tinha de regressar a casa. Queria parar com tudo aquilo, e foi o que fiz.

Caí na cama, antes do relógio da igreja irromper pela madrugada, anunciando as sete da manhã. Dormi longa e tranquilamente até ao fim da tarde desse mesmo dia. Quando despertei, recordei-me logo de tudo o que fizera na noite anterior

e chorei. Não havia forma de demonstrar o meu arrependimento. Olhei pela janela e vi as pessoas a transitarem livremente

pelas ruas. Oh, como eu desejava voltar a ter uma vida normal. Eu sentia que estava doente. A fome de sangue e carne crua, bem como a vontade demoníaca de matar seres vivos, assolava-me a alma, e embrenhava-se no meu esqueleto, deixando-me à

O miúdo na África. Teria sido

ele?

– Talvez! Não

beira da loucura. Não sabia o que tinha, mas com certeza fora infectado por alguma doença

Os cadáveres que jaziam em seu redor, completamente dilacerados, teriam sido assassinados por ele?

havia maneira de saber. Então, só me restavam duas saídas: Continuava a matar até ser preso, ou então, apontar uma pistola à cabeça e carregar no gatilho

O Construtor de Serras Elétricas

por Emanuel R. Marques (Portugal)

Quando o trabalho de alguém é menosprezado numa equipe, esse alguém sente que, de certa forma, isso é uma falta de respeito. Nessas situações, o ideal talvez seja abandonar a equipe ou deixar que o trabalho vá morrendo aos poucos pela falta de empenho. No entanto, quando a pessoa em causa é um construtor de serras elétricas, o seu orgulho não deixa as coisas simplesmente passarem. Aníbal era conhecido pela sua habilidade em construir serras elétricas personalizadas, ou seja, pegava nas peças que constituem esta ferramenta e montava-as à sua maneira, acrescentando sempre pormenores que as distinguiam das comuns. Era

o seu passatempo e o seu refúgio da rotina diária, algo de que ele se ocupava nos tempos livres. Todavia, sabia que poderia

melhorar as suas construções, tornar o seu hobby mais profissional, mas para isso necessitaria de um construtor de peças que fizesse parceria consigo. Não tinha dinheiro para trabalhar diretamente com uma grande empresa, pelo que ia fazendo os seus trabalhos conforme podia, e vendia as suas máquinas a amigos e conhecidos. Certa vez, um dinâmico construtor de vários tipos de peças, e empresário em ascensão, ao ter conhecimento de tão hábil artista, propôs-lhe a tão ansiada parceria. O construtor de serras elétricas ficou imediatamente empolgado, pegou nos esboços dos seus projetos e nas novas ideias que tinha e deitou mãos à obra. Era, de fato, uma boa equipe, e a qualidade dos produtos começava a aumentar, havendo mesmo uma feira de material elétrico que os convidou a apresentarem os seus modelos de serras elétricas. Tudo parecia correr de vento em popa e o construtor de serras elétricas passava noites em branco a desenhar novos modelos, maneiras de encaixar as peças que lhe eram fornecidas. O fornecedor de peças, seguindo as diretrizes do construtor, elaborava belos modelos que enfeitavam já as mostras de algumas lojas. Acontece que, certa vez, ao beber uma cerveja dentro de um bar, o construtor de serras elétricas ouviu alguém dizer que o fabricante de peças estava nesse preciso momento a assinar um promissor contrato com uma empresa de renome internacional. Pelas palavras do desconhecido, até tinham preparado uma festa para a ocasião. O fabricante de serras, fazendo- se passar por mero curioso, pediu mais informações ao desconhecido. Não restavam dúvidas…ele estava fora do jogo. Bebeu mais uma cerveja, acendeu um cigarro à saída e dirigiu-se calmamente para o local do evento. Ao chegar, foi recebido com vários apertos de mão de conhecidos que o julgavam estar também envolvido no projeto. Ele sorria, enquanto estes lhe davam os parabéns. Ao chegar junto da sala principal, onde estavam os negociantes com os copos de champanhe, olhou para o seu sócio, o qual o olhou espantado e depois repulsivamente, e aproximou-se com naturalidade. Antes que o fabricante lhe pudesse dirigir qualquer palavra ele ligou uma das serras que estavam em exposição numa mesa e atacou-o violentamente. Surpreendidos pelo impacto da ação, todos se desviaram e assistiram aos segundos de carnificina. No final, coberto pelo sangue do sócio, o construtor de serras elétricas subiu para uma mesa, desligou a serra que tinha na mão e proferiu em voz alta: - Está assinado o contrato…as serras são de qualidade! O cliente estava satisfeito.

Fome de Lobo

por Emanuel R. Marques (Portugal)

Depois de seis meses internado entre aquelas quatro paredes, não conseguia lidar com aqueles que me tinham enclausurado. Não percebia o porquê de me terem levado para aquele quarto, que nem sequer uma janela possuía. Ficara dentro de uma cela, disso não havia qualquer dúvida, mas não percebia qual tinha sido o meu crime. Durante todo o tempo da

minha clausura forçada, era alimentado através de uma pequena janela de metal na porta, que era imediatamente fechada a seguir a eu receber a única refeição do dia. Habitualmente, davam-me a comer um largo pedaço de carne crua ensanguentada, mas não sei a que espécie de animal pertencia, apesar de por vezes reconhecer a carne de porco e de vaca. Subitamente, dois guardas, extremamente equipados e armados, conduziram-me a um pequeno jardim para que eu pudesse apanhar um pouco de ar. Na altura, não percebi que estava a ser testado, que aquele gesto fazia parte da experiência. Assim que cheguei ao jardim vi uns quantos prisioneiros que também lá passeavam. Dois deles eram humanos. Há meses que não tinha uma refeição decente, por isso não resisti. Depois de meia refeição, fui violentamente trazido para a cela. Percebi, finalmente, que Homens e Lobisomens não convivem muito bem.

Civilização e Barbárie

por Miguel Carqueija

Gruber e Chandler caminhavam atentos pelo capinzal cheio de carrapichos que agarravam em suas roupas de couro

de gnu mutante criado em Vênus. Suas armas e cartucheiras estavam espalhadas em tiracolos, bolsos e cinturões.

— Você acha que esse pessoal está perto? — indagou Gruber, homem alto, louro e de bigodinhos que faziam lembrar Chaplin ou Hitler — Devemos ter cuidado.

— Eu também acho. Mas como estamos entre dois entrepostos, pode ser que já tenham se retirado dessa região.

— Eu não sei. Às vezes podem estar até em tocas. Se não estivéssemos tão bem armados, eu não faria esse trajeto.

Sabe como é

selvagens, com instintos primitivos

ainda os conhecemos pouco, mas não me surpreenderia se praticassem até

a antropofagia.

— Espere! — interrompeu Chandler, tipo de negro haitiano, expressão fechada, físico avantajado — Não ouviu algo

naquele matagal? Rodearam um capão formado por plantas enfezadas, de cores e conformações estranhas aos terrestres, mas comuns naquele mundo do sistema rigeliano. Mas era apenas um bando de antílopes — ou coisa parecida, pois eram roxos — assustados com a presença dos humanos.

— Jaguiços — observou Gruber. — Já descobriram que são saborosos.

— Mas não temos como transportar uma carcaça. Deixa eles irem, Gruber.

— Vamos subir aquela colina, então.

— Não esqueça que eu já passei da puberdade. Você e sua mania de andar a pé

— Num carro não exploraríamos tão bem a região. Lembre-se que nós estamos só vendo os arredores do posto.

— Vamos voltar antes do meio-dia então. Senão vai acabar passando muito da hora do almoço Foram subindo o outeiro, ornado com poucas árvores. Os bosques não eram comuns na grande ilha onde se encontravam.

— Veja, Chandler! — disse o outro de repente. — Aqueles galhos

— É verdade! Passaram por aqui usando facões. Os nativos esverdeados devem estar perto.

— Vamos. Pegue alguma arma, todo cuidado é pouco.

— Ainda bem que esses primitivos não sabem usar arco e flecha, mas os seus facões são enormes.

— Eles também possuem machados e punhais.

— E também sabem atirar bolas inflamadas, que eles fazem com as substâncias oleosas que abundam nesse planeta Nós não somos à prova de fogo!

— Que coisa! Na Terra não existem mais selvagens perigosos e sedentos de sangue.

Do cimo da colina avistaram umas tendas a distância de um quilômetro mais ou menos; um regato passava volteando

um pouco mais adiante.

— Esconda-se! — disse Gruber. — Não nos avistaram ainda!

Puseram-se atrás de um grosso e rugoso tronco e observaram. De vez em quando viam passar alguém entre as tendas, ou trazendo água do rio.

— Faz o seguinte — disse Gruber, empunhando uma “phaser”. — Dá uma volta por aquele grupo de árvores, eu vou pela esquerda. O capim alto vai me ajudar.

— Tá bom. É jogo rápido, cara!

Eles se separaram e, pelos comunicadores, coordenaram a sua ação. Atacaram simultaneamente, disparando projéteis explosivos que incendiaram as tendas, e quando aquele povo tentou fugir, varreram a todos com armas pesadas. Foi um massacre. Mulheres, crianças, homens, pessoas idosas, animais domésticos, morreram às dezenas, num banho de sangue e membros despedaçados. Uns poucos chegaram ao rio e escaparam a nado.

— Merda! — reclamou Chandler, com as duas mãos armadas. — Queria ter acabado com todos!

— Isso é questão de tempo, amigo — filosofou Gruber. — Hoje, liquidamos um acampamento. Quando tivermos mais gente e equipamentos, limparemos este planeta inteiro para a civilização. É só questão de tempo!

TEXTOS DE LITERATURA FANTÁSTICA

Tempestade no Tempo

por Marcello Simão Branco

Tempestade no Tempo por Marcello Simão Branco “ Tempestade no Tempo ” (Time Storm), 1977, de

Tempestade no Tempo” (Time Storm), 1977, de Gordon R. Dickson.

Devido a uma anomalia entre expansão e contração do universo, o espaço-tempo entra em colapso, misturando as épocas. Isso causa uma catástrofe na Terra, com o fim da civilização como a conhecemos, matando centenas de milhões de pessoas. Em meio a esta terra de ninguém, acompanha-se a trajetória muito particular de Marc Despard, que procura respostas sobre o caos que se instalou. Em uma jornada de peregrinação, muita aventura e descobertas ao lado de uma jovem e de um leopardo ele, gradativamente, vai conhecendo mais sobre o fenômeno, levando a uma situação de certo controle local sobre ele. Mas isto não é suficiente e para procurar as respostas finais e evitar o “big crunch” final, é preciso viajar até o futuro distante.

Um livro com uma narrativa vibrante, cheio de ideias e conceitos interessantes e fora de lugares comuns, além de uma densidade dramática e de suspense que desafia e surpreende o leitor. A narração em primeira pessoa num primeiro momento pode surpreender, mas isto não tira a fluência narrativa e se justifica porque, no fundo, à tempestade de épocas se contrapõe uma “tempestade” interior no protagonista, um sujeito solitário, egoísta e com dificuldade de se aproximar afetivamente das pessoas. Sua luta por parar o caos temporal passará também por superar seus problemas pessoais, não menos intensos. Um romance notável de ficção científica pura e dura, e surpreendentemente desconsiderado em comparação com outras obras da mesma época mais lembradas. Em síntese, Dickson expõe sua visão de que ao homem destemido e determinado tudo pode ser possível, num libelo à liberdade de escolha e busca pelos sonhos pessoais de cada um. Publicado em dois volumes (números 25 e 26 - e com belíssimas ilustrações de capas - da finada coleção de bolso portuguesa “Europa-América”), é uma leitura altamente recomendada.

H. P. Lovecraft em Língua Portuguesa

por Marcello Simão Branco

é uma leitura altamente recomendada. H. P. Lovecraft em Língua Portuguesa por Marcello Simão Branco
é uma leitura altamente recomendada. H. P. Lovecraft em Língua Portuguesa por Marcello Simão Branco

“Lovecraft viveu numa espécie de prisão durante grande parte de sua vida. É um sinal de seu talento o fato de que, a despeito da falta de dinheiro, da má saúde e de frustrações pessoais, ele tenha conseguido criar um mundo de tão assombrosa força poética.” – Colin Wilson

“Todos os meus sonhos, por heterogêneos que possam ser uns em relação aos outros, se baseiam sobre uma crença legendária fundamental de que nosso mundo foi, em um momento, habitado por outras raças que, porque praticavam a magia negra,

foram destituídas de seu poder e expulsas, mas vivem sempre no espaço exterior

terra

Sempre dispostas a retomar a posse desta

– H.P. Lovecraft

Este trabalho tem por objetivo relacionar toda a obra conhecida de ficção em prosa do escritor americano Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), um dos mais carismáticos e influentes artistas de horror do século XX. Uma primeira versão foi publicada no fanzine Megalon, sob minha edição, no número 42, de novembro de 1996. E não por acaso, pois foi uma edição temática sobre o autor. Esta é a oitava atualização de um trabalho que está dividido em três etapas. Na primeira há uma tabela sobre os seus livros

publicados em língua portuguesa. Na segunda há outra tabela com a listagem das antologias, revistas e sites onde algumas de suas histórias apareceram. Na terceira tabela há o principal, ou seja, a relação de todas as suas peças de ficção até onde pude apurar e, dentre elas, o que mais nos interessa aquelas que foram publicadas em língua portuguesa. Embora este seja, possivelmente, o mais amplo levantamento bibliográfico das histórias de Lovecraft publicado em nosso idioma, há lacunas e dúvidas. Desta forma, este é um trabalho que vem sendo periodicamente atualizado, até que toda a obra de Lovecraft seja publicada em português. Particularmente nesta oitava atualização, o trabalho foi efetivamente realizado por Denilson Ricci e Mário Jorge Vargas que se tornam, desta forma, colaboradores principais deste trabalho. Nesse sentido, desde

a primeira atualização tenho contado com a colaboração de outros fãs e especialistas do Brasil e de Portugal, a quem agradeço

e nomeio. António de Macedo, Carlos Paraná, Fritz Peter Bendinelli, Ivo Luiz Heinz, João Leocádio da Anunciação, Jorge Candeias, Mário Jorge, Miguel Nunes, R.C. Nascimento, Renato Rosatti, Rogério Ribeiro e Vinícius Valter de Lemos. Todos lovecraftianos de boa cepa!

TABELA 1 LIVROS DE H.P. LOVECRAFT PUBLICADOS EM PORTUGUÊS – EM ORDEM CRONOLÓGICA

Ano

em

       

Português

Título em Português

Original

 

Editora

Categoria

   

The

Case

of

Charles

Dexter

   

1956

Os Mortos Podem Voltar

Ward

Vampiro n.103

romance

1966

O

Que Sussurrava nas Trevas

The Dunwich Horror and Others

GRD

coletânea (3)

1982

Um Sussurro nas Trevas

The Dunwich Horror and Others

Francisco Alves

coletânea (7)

1983

A

Casa das Bruxas

At the Mountains of Madness and Other Tales of Terror

Francisco Alves

coletânea (4)

1987

 

O

Horror Sobrenatural na

Supernatural Horror in

 

Francisco Alves

ensaio

Literatura

 

Literature

 
   

The

Statement

of

Estampa – Livro B 17

 

1987

Os Demónios de Randolph Carter

Randolph Carter

 

coletânea (4)

   

The

Case

of

Charles

Dexter

   

1988

O

Caso de Charles Dexter Ward

Ward

L&PM

romance

     

Biblioteca

de

 

1988

Nas Montanhas da Loucura

At the Mountains of Madness

Bolso

Dom

novela

Quixote 38

 

Horror em Red Hook: e outros

     

1991

contos

 

Horror in Red Hook

 

Ed. Vega

Coletânea(?)

1991

A

Tumba

e Outras Histórias

The Tomb

 

Francisco Alves

coletânea (17)

   

The

Case

of

Charles

Dexter

   

1997

O

Caso de Charles Dexter Ward

Ward

L&PM Pocket

romance

1998

A

Maldição de Sarnath

The Doom that Came to Sarnath

Iluminuras

coletânea (20)

1998

À

Procura de Kadath

The Dream-Quest of Unknown Kadath

Iluminuras

coletânea (6)

2000

O

Horror em Red Hook

The Horror at Red Hook

 

Iluminuras

coletânea (9)

2000

O

Chamado de Cthulhu

The Call of Cthulhu

 

Campanário 1

coletânea (2)

2000

Na Noite dos Tempos

The Shadow Out of Time

 

Campanário 8

noveleta

2000

A Sombra Sobre Innsmouth

The Shadow Over Innsmouth

Campanário 3

novela

2000?

A Coisa no Umbral

The Thing on the Doorstep

 

Campanário 4

coletânea (2)

2000

Sussurros nas Trevas

Whisperer in the Darkness

 

Campanário 5

novela

2001?

O

Habitante da Escuridão ?

The Haunter of the Dark

 

Campanário 9 ?

novela ?

2001?

Nas Montanhas da Loucura

At

the Mountains of Madness

Campanário 6

novela

   

The

Case

of

Charles

Dexter

   

2001?

O

Caso de Charles Dexter Ward

Ward

 

Campanário n.7

romance

2001

O

Horror de Dunwich

The Dunwich Horror

 

Campanário 2

coletânea (2)

2001

Nas Montanhas da Loucura

At

the Mountains of Madness

Iluminuras

coletânea (4)

2001

Dagon

Dagon

 

Iluminuras

coletânea (8)

     

Black

Sun

 

2002

Os

Fungos de Yuggoth

Fungis from Yuggoth

 

Editores

poesias

2003

A

Cor que Caiu do Céu

The Colour Out of Space

 

Iluminuras

coletânea (9)

2004

O

Intruso

The Outsider

 

Fio da Navalha

coletânea (7)

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft

Saída

de

 

2005

Emergência

coletânea (8)

2007

A

Tumba

e Outras Histórias

The Tomb

 

L&PM Pocket

coletânea (17)

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft II

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft II

Saída

de

 

2007

Emergência

coletânea (11)

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III

Saída

de

 

2008

Emergência

coletânea (15)

2008

O

Horror Sobrenatural em

Supernatural Horror in

 

Iluminuras

 

ensaio

Literatura

Literature

 

2008

Herbert West - Reanimador

Herbert West - Reanimator

Editora Quasi

coletânea (3)

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft IV

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft IV

Saída

de

 

2009

Emergência

coletânea (09)

 

O

Chamado de Cthulhu e Outros

O

Chamado de Cthulhu e Outros

   

2009

Contos

Contos

 

Hedra

coletânea (7)

   

The

Case

of

Charles

Dexter

   

?

O

Caso de Charles Dexter Ward

Ward

 

Ed. D. Quixote

?

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

Saída

de

 

2010

Emergência

coletânea (33)

2010

A

Sombra de Innsmouth

The Shadow Over Innsmouth

Hedra

novela

2010

Um Sussurro nas Trevas

The Whisperer in Darkness

Hedra

noveleta

2011

Nas Montanhas da Loucura

At

the Mountains of Madness

Hedra

novela

2011

A

Cor que Caiu do Céu

The Colour Out Of Space

Hedra

noveleta

Numa análise breve da tabela acima, constatamos 42 livros de Lovecraft publicados em língua portuguesa. Destes, 29 no Brasil e apenas 13 em Portugal – no caso, as editoras portuguesas são Estampa, Vampiro (uma coleção da editora Livros do Brasil), Biblioteca de Bolso Dom Quixote, Black Sun Editores, Fio da Navalha, Vega, Quasi e Saída de Emergência. Na verdade o número exato dos livros publicados deve ser 41, pois o livro O Habitante da Escuridão, da editora Campanário, provavelmente não foi publicado, apenas anunciado quando da edição do número oito da Coleção “Os Mitos de Cthulhu”, o livro Na Noite dos Tempos. Outro aspecto que chama a atenção é a repetição dos títulos. Com isto várias histórias se repetem em títulos levemente

diferentes, além de que a maioria dos seus livros se constitui de coletâneas. Inclusive, o número entre parênteses após a palavra “Coletânea”, na coluna ‘Categoria’, indica o número de histórias do livro. Algo curioso nesta tabela é observar que na coleção “Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft” em seu quinto volume é o livro que mais tem trabalhos publicados de Lovecraft em um único volume (33).

O primeiro livro de Lovecraft publicado em língua portuguesa foi Os Mortos Podem Voltar, em 1956 – depois republicado em

1997 pela mesma coleção – em Portugal. Já no Brasil o pioneirismo coube a Gumercindo Rocha Dorea, com sua editora GRD,

em 1966. O escritor e editor Fausto Cunha foi outro grande publicador, por meio de sua direção da Coleção Mestres do Horror

e

da Fantasia, pela Francisco Alves Editora, nos anos 80.

E

durante os anos 90 e início deste século XXI, as editoras Iluminuras (de São Paulo) e Campanário (de Londrina, Paraná),

retomaram com vigor a publicação de Lovecraft, com belas edições, incluindo muitos contos inéditos. Outra editora que começou a publicar foi a Hedra que, assim como a Campanário e a Iluminuras antes, se aproveitou do fato da obra do autor americano ter entrado em domínio público, liberando-as de pagar direitos autorais, fato este que deve se repetir nos próximos

anos. Mesmo assim, ainda há histórias interessantes e importantes a serem publicadas, conforme será visto na Tabela 3. Nestes últimos anos o destaque vem sendo os portugueses que publicaram, através da editora Saída de Emergência, 5 coletâneas, além de uma antologia de 464 páginas inspirada nos universos ficcionais de Lovecraft, escrito por 14 autores lusitanos e com ilustrações. Se é fato que existem contos neste perfil de autores brasileiros e portugueses publicados em

fanzines e sites, este A Sombra Sobre Lisboa inaugura entre nós na forma de livro, uma iniciativa tradicional na língua inglesa,

a de autores que escrevem ficções baseadas em temas lovecraftianos. No caso deste livro, situados em Lisboa, a “cidade das sete colinas”. Publicado em 2006, foi organizado por Luís Corte Real. Como vocês podem observar Lovecraft até que não foi tão pouco publicado em nosso idioma o problema maior é com relação

a edição limitada de cada livro, motivo pelo qual quase sempre não achamos suas obras em livrarias

TABELA 2 ANTOLOGIAS, REVISTAS E SITES QUE PUBLICARAM HISTÓRIAS DE H.P. LOVECRAFT EM ORDEM ALFABÉTICA

Ano

em

           

portuguê

Título

em

s

português

Original

Editora

Categoria

Conto

 

Título original

 

Antologia

de

         

Mistério

Ross

?

Pynn n.1

?

?

antologia

Na

Catacumba

In the Vault

 

Antologia

de

         

Mistério

Ross

06.1967

Pynn n.10

?

?

antologia

Terror de morte

 

Cool air

 
 

Antologia

de

         

Mistério

Ross

O

terrível caso de

07.1967

Pynn n.11

?

?

antologia

doutor Muñoz

 

Cool air

 
     

Saída

de

     

Emergência

2008

Bang! n. 4

 

Bang!

(internet)

antologia

Ele

 

He

 

Best-Seller

de

Best-Seller

de

Portugal

   

The Colour Out of Space

1972

Ficção Científica

Ficção Científica

Press

antologia

         

Aquele

Velho

The Terrible Old

1970?

Cine Mistério n.2

Idem

Bloch

revista

Estranho

 

Man

 

Depois Histórias

Sete

         

de

1998

Horror e Terror

0

Record

antologia

O

túmulo

The tomb

 
 

E-group

Yahoo

E-group

Yahoo

Grupo

de

     

2002-

Cultolovecraftian

Cultolovecraftian

discussão

coletânea

2004

o

o

(internet)

(45)

 

Ficção de Polpa –

Ficção de Polpa –

       

2007

Vol. 1

Vol. 1

Fósforo

antologia

O

Cão de Caça

The Hound

 
           

The

Statement

O

Depoimento

de

of

Randolph

Randolph Carter

Carter

 

Heavy

Metal

O

Horror

de

The

Dunwich

1979

(outubro)

Heavy Metal

?

revista HQ

Dunwich

Horror

 
     

Globo

     

Juvenil

e

08.1976

Kripta #2

Kripta

Gibi

revista HQ

Ar

frio

Cool air

 
     

Globo

     

Juvenil

e

07.1964

Meia-Noite n. 195

Meia-Noite

Gibi

revista

Na

Catacumba

In the Vault

 

Os melhores contos de horror,

Os melhores contos de horror,

Nova

 

Os

ratos

nas

The

rats

in the

2005

medo e morte

medo e morte

Fronteira

antologia

paredes

wall

 

Os

melhores

Os

melhores

       

contos de FC: De Júlio Verne aos

contos de FC: De

Júlio Verne aos

Argonauta

1965

astronautas

 

astronautas

100

antologia

O

Templo

The Temple

 

Os

melhores

         

?

contos fantásticos

?

Arcádia

antologia

1983

Nova n.112

   

Abril

revista

   
 

Os mais

belos

         

contos alucinantes e os mais famosos

Casa Editora

Os

ratos

nas

The rats

in the

1945

autores

Vecchi Ltda

antologia

paredes

wall

     

Panorama

     

1968/196

Obras-primas da

Masterpieces of

Antologias

The Colour Out of Space

9

FC – 2 o volume

Science Fiction

n. 3

antologia

 

Pesadelo

Pesadelo

       

galáctico:

galáctico:

Antologia

de

Antologia

de

histórias

histórias

Nova Crítica

1977

espantosas

espantosas

(Porto)

antologia

O

indizível

The Unnamable

1974

Planeta n. 28

Planète

Três

revista

Hypnos

 

Hypnos

     

Site

coletânea

   

2004

Sitelovecraft

Sitelovecraft

(internet)

(55)

 

Spektro#9

 

Mundo

 

Fechado

na

 

1979

(agosto)

Spektro

Latino

revista

Catacumba

In the Vault

     

Mundo

     

?

Spektro (?)

?

Latino

revista HQ

         

Nyarlathotep,Azath

Nyarlathotep,Az athot, A História do

Site

coletânea

ot,

History

of

2000

Turno da Noite

Turno da Noite

(internet)

(3)

Necronomicon

Necronomicon

     

Globo

     

X-9 172, Nov/48

Juvenil

e

O terrível caso de doutor Muñoz

1948

1948

X-9

Gibi

revista

Cool air

     

Globo

     

Juvenil

e

1949

X-9 178

X-9

Gibi

revista

O

Intruso

The Outsider

Em um artigo sobre Lovecraft publicado na revista Spektro, de agosto de 1979, afirma-se que contos do autor teriam sido publicados já nos anos 40 e também nos anos 50 por uma revista pulp chamada Policial em Revista (conhecida anteriormente com “Suplemento Policial em Revista), editada pela Empresa A Noite. Como não foi possível averiguar a veracidade desta afirmação, não inclui esta revista na tabela acima. Entretanto, um conto foi de fato publicado em meados dos anos 40, “Os Ratos nas Paredes”. Só que não na revista acima citada, mas sim em uma antologia de contos. Segundo o editor do Sitelovecraft, Denilson Ricci, a antologia Os Mais Belos Contos Alucinantes e os Mais Famosos Autores, circulou ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando os papéis eram de má qualidade por causa da falta de papel, em razão dos efeitos do conflito. Além dessa, outra das primeiras histórias de Lovecraft publicadas no Brasil foi o clássico “Cool Air”, que primeiramente apareceu como “O Terrível Caso do Doutor Munhoz”, um título sem uma referência direta ao título original – em 1948, pela revista X-9, da Globo Juvenil e Gibi. Temos na tabela acima 22 títulos diferentes, entre revistas, antologias, sites da internet e mesmo revistas de histórias em quadrinhos. Mas como se percebe há muitas lacunas, principalmente quanto aos nomes originais das publicações. Aqui o Brasil tem uma vantagem: 18 títulos, contra 7 de Portugal. Pelo lado brasileiro: Antologia de Mistério Ross Pynn, Cine Mistério, Depois – Sete Histórias de Horror e Terror, E-Group Yahoo Cultolovecraftiano, Ficção de Polpa – Vol. 1, Heavy Metal, Kripta, Meia-Noite, As Melhores Histórias de Horror, Medo e Morte, Os Mais Belos Contos Alucinantes e os Mais Famosos Autores, Nova, Planeta, Sitelovecraft, Spektro e X-9 (em oito revistas, quatro livros e dois sites). Já em Portugal, temos: Bang!, Best-Seller de Ficção Científica, Os Melhores Contos de FC: De Júlio Verne aos Astronautas, Os Melhores Contos Fantásticos, Obras Primas da FC – 2 o Volume, Pesadelo Galáctico e Turno da Noite (em cinco livros e um site). Vale também uma rápida observação sobre as publicações de trabalhos de Lovecraft em língua portuguesa na internet. Neste levantamento há o registro dos endereços eletrônicos principais (citados na tabela e nas linhas acima). Hoje é certo que existem muitos outros – desenvolvidos por fãs –, que também reproduzam ou mesmo traduzam obras do autor. Fica a sugestão para uma eventual apuração sobre a quantidade real destes trabalhos presentes na internet.

TABELA 3 RELAÇÃO COMPLETA DAS HISTÓRIAS DE H.P. LOVECRAFT – EM ORDEM CRONOLÓGICA

A seguir a cronologia de sua obra em prosa – conto, noveleta, novela e romance –, com destaque para aquelas publicadas em língua portuguesa. A listagem inclui algumas histórias que não mais existem, além de revisões, colaborações e excertos de pequenos textos. Também foi incluído o seu principal trabalho de não-ficção, por causa de sua representatividade no conjunto da obra do autor. Lovecraft escreveu um grande volume de cartas e poesias – certamente maior que sua ficção em prosa –, o que justificaria um novo trabalho só para estas outras vertentes de sua obra. Em todo caso, algumas poesias e artigos vêm sendo traduzidas para o português pelos fãs Denilson Ricci, Renato Suttana e alguns outros que colaboram com eles. E os trabalhos podem ser encontrados nos endereços: http://www.sitelovecraft.com e http://br.groups.yahoo.com/group/cultolovecraftiano. Na coluna ‘Classificação’, as histórias estão classificadas de acordo com as antologias em que foram publicadas nos Estados Unidos, da seguinte maneira:

D — Dagon and Other Macabre Tales

DH — The Dunwich Horror and Others

HM

— The Horror in the Museun

MM

— At the Mountains of Madness and Other Novels

MW

— Miscellaneous Writings

NF — Non-Fiction Além desta referência editorial e levemente temática, está discriminado também – na coluna ‘Ciclo’ – quais histórias fazem parte dos dois principais ciclos de histórias do autor, o chamado “Ciclo dos Sonhos”, da primeira fase de sua carreira e o posterior “Ciclo de Cthulhu”, a parte mais impressionante de sua obra, desenvolvendo os tais seres de Cthulhu, ancestrais extraterrestres antiqüíssimos da humanidade, no chamado “horror cosmológico”, da seguinte maneira:

S (maiúsculo) — para as histórias pertencentes ao Ciclo dos Sonhos; C (maiúsculo) — para as histórias diretamente pertencentes ao Ciclo de Cthulhu; c (minúsculo) — para as histórias indireta ou vagamente pertencentes ao Ciclo de Cthulhu. Como você observará algumas das histórias são relacionadas a ambos os ciclos.

No.

Ano

Original

Português

 

Publicação em Português

Classificação

Ciclo

1

1897 ?

The Noble Eavesdropper

-----

 

-----

Não existente

-----

       

E-group

Yahoo

 

-----

2

1897

The Little Glass Bottle

A

Vidro

Pequena Garrafa de

Cultolovecraftiano/

Sitelovecraft/Os Melhores

MW

Contos

de

Howard

Phillips

Lovecraft V

 
   

The Secret Cave or John Less Adventure

A

Gruta Secreta ou a

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

 

-----

3

1898

Aventura de John Lee

MW

     

O Mistério

do

   

-----

4

1898

The

Grave-Yard or “A Dead

Mystery Of Th e

Cemitério

Vigança

ou

de

‘A

um

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

MW

Man’s

Detective Story

Revenge”, A

Homem Morto’, Uma História de Detectives

 

1898/

       

-----

5

1902

The Haunted House

-----

 

-----

Não existente

 

1898/

       

-----

6

1902

The Secret of the Grave

-----

 

-----

Não existente

 

1898/

       

-----

7

1902

John, the Detective

-----

 

-----

Não existente

       

E-group

Yahoo

 

-----

Cultolovecraftiano/

8

1902

The Mysterious Ship

O Navio Misterioso

 

Sitelovecraft/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

MW

       

A Tumba

e Outras Histórias/

   

9

1905

The Beast in the Cave

A Fera na Caverna/ A

Criatura na Caverna

A Tumba (L&PM) /A Cor que

do Céu/ Os Melhores

Caiu

D

-----

Contos

de Howard Phillips

Lovecraft V

 

10

1907

The Picture

-----

 

-----

Não existente

-----

       

A Tumba

e Outras Histórias/

   

A Tumba (L&PM)/A Cor que

Caiu do Céu/ E-group Yahoo

11

1908

The Alchemist

O Alquimista

 

Cultolovecraftiano/

 

D

-----

 

Sitelovecraft/ Os Melhores

Contos

de

Howard

Philips

Lovecraft V

 
       

A Tumba

e Outras Histórias/

   

A Tumba (L&PM)/A Maldição

de Sarnath/Depois – Sete

12

1917

The Tomb

A Tumba/ O Túmulo

Histórias de Horror e Terror/

D

-----

E-group

Yahoo

Cultolovecraftiano/

Sitelovecraft (2)/ Os Melhores Contos de Howard Phillips

       

Lovecraft V

   
       

Dagon/ E-group Yahoo

   

Cultolovecraftiano/

 

Sitelovecraft/O Intruso/O

13

1917

Dagon

Dagon

 

Chamado de Cthulhu e Outros Contos/ Os Melhores Contos

D

-----

 

de

Howard Phillips Lovecraft

V

     

Uma

Reminiscencia

     

14

1917

A

Samuel Johnson

Reminiscence

of

Dr.

do

Johnson

Dr.

Samuel

Os Melhores Contos de

Howard Phillips Lovecraft V

MW

-----

     

Doce

Ermengarde ou

Os Melhores Contos de

   

15

1917

Sweet Ermengard, or Th e Heart of a Country Girl

o

Coração

de

Uma

MW

-----

Rapariga do Campo

Howard Phillips Lovecraft V

 
       

A

group

Maldição de Sarnath/ E- Yahoo

   

Cultolovecraftiano/

 

16

1918

Polaris

Polaris/ Estrela Polar

Sitelovecraft/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

MW

S

17

1918

The Mystery of Murdon Grange

-----

 

-----

Não existente

-----

         

HM/com

 

18

1918/

1919

The Green Meadow

 

-----

 

-----

Winifred

Jackson

V.

-----

     

Além da Barreira do

A

Maldição

de

Sarnath/

Os

   

19

1919

Beyond the Wall of Sleep

Sono/Para lá das Fronteiras do Sono

Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III/

D

-----

       

A

group

Maldição de Sarnath/ E- Yahoo

   
       

Cultolovecraftiano/

 

20

1919

Memory

Memória

Sitelovecraft/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

MW

-----

21

1919

Old Bugs

 

O Velho Bugs

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

MW

-----

       

A Tumba

e Outras Histórias/

   

A

Tumba (L&PM)/E-group

The

Transition

of

Juan

A Transição de Juan

Yahoo Cultolovecraftiano/

22

1919

Romero

 

Romero

 

Sitelovecraft/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

D

-----

       

À

Procura de Kadath/ Os

   

23

1919

The White Ship

 

A Nau Branca

 

Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III

D

S

       

A

group

Maldição de Sarnath/ E- Yahoo

   

A Maldição

de

24

1919

The Doom That Came to Sarnath

Sarnath/A

Maldição

Cultolovecraftiano/

 

D

S

que

se

abateu

sobre

Sitelovecraft/ Os Melhores

 

Sarnath

 

Contos de Howard Phillips

 

Lovecraft IV

       

A

Casa das Bruxas/Nas

   

Montanhas da Loucura/ Heavy

O

Depoimento

de

Metal Out-79/ E-group Yahoo

25

1919

The

Statement

of

Randolph

Carter/Os

Cultolovecraftiano/

 

MM

 

Randolph Carter

 

Demónios

 

de

Sitelovecraft/Os Demónios de Randolph Carter/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft II

c

     

Randolph Carter

 

26

1920

The Terrible Old Man

 

Um

Frágil Ancião/ O

Um Sussurro nas Trevas/ E- Yahoo

group

DH

   

Terrível

 

-----

     

Ancião/Aquele

Velho

Cultolovecraftiano/

   

Estranho/O

 

Velho

Sitelovecraft/Cine Mistério n.2/

Terrível/

 

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III

       

A

group

Maldição de Sarnath/ E- Yahoo

   
 

Árvore/A

Cultolovecraftiano/

27

1920

The Tree

A

Arvore/Oliveira

Sitelovecraft (2)/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft IV/Herbert West -

Reanimador

D

-----

       

A

Maldição de Sarnath/ E-

   

group

Yahoo

Cultolovecraftiano/

28

1920

The Cats of Ulthar

Os

Gatos de Ulthar

Sitelovecraft// Os Portal Meia- Palavra/Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft III

D

S

/ c

       

Dagon/Os Melhores Contos de FC - De Júlio Verne aos

   

29

1920

The Temple

O

Templo

Astronautas/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft II

D

-----

     

Arthur Jermyn/Factos

     

Respeitantes

 

ao

Facts Concerning the Late

Arthur Jermyn and His Family (The White Ape)

Defunto

 

Arthur

30

1920

Jermyn

Família/Factos

e

sua

Dagon/O Intruso/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft II

D

-----

Acerca

do

 

Falecido

 

Arthur Jermyn e sua Família

       

A Tumba

e Outras Histórias/

   

A Tumba (L&PM)/A Cor que

31

1920

The Street

A

Rua

Caiu do Céu/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

D

-----

32

1920

Life and Death

-----

 

-----

Perdida

-----

       

A

Tumba

e Outras Histórias/

   

Poesia e os Deuses/ A Poesia e os Deuses

A Tumba (L&PM)/E-group Yahoo Cultolovecraftiano/ Sitelovecraft/ Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft V

D/com

Anna

33

1920

Poetry and the Gods

Helen Crofts

-----

       

`A Procura de Kadath /E- Yahoo