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CONTO

Contar história
Uma história breve
Lida de uma vez só
Numa única sessão de leitura
Para os americanos até 10000 palavras é um conto
Um tempo limitado – espetro não muito grande de tempo
Geralmente, começa mais próximo do final da história.
Direto para a ação e para próximo do desfecho
Não há espaço para enrrolar

Princípios de um conto, de Raymond Carver

Raymond Carver
trad.: Henry Alfred Bugalho

Por meados de 1960, descobri que eu tinha dificuldade em concentrar minha atenção numa
narrativa ficcional longa. Por um tempo, experimentei dificuldade em lê-la tanto quanto em
tentar escrevê-la. Meu limite de atenção havia me abandonado; eu não tinha mais paciência
para tentar escrever romances. É uma história intrincada, longa demais para discuti-la aqui.
Mas eu sei que ela tem muito a ver com o porquê de eu escrever poemas e contos. Entrar,
sair. Não me deter. Avançar. Pode ser que eu houvesse perdido grandes ambições ao mesmo
tempo, ao cabo dos vintes anos. Se perdi, acho que foi bom que isto ocorreu. Ambição e um
pouco de sorte são coisas boas para um escritor ter com ele. Muita ambição e má sorte, ou
nenhuma sorte, pode ser mortal. Tem de haver talento.
Alguns escritores tem talento de montão; não conheço nenhum escritor que não tenha. Mas
uma maneira única e exata de olhar para as coisas e encontrar o contexto correto para
expressar esta maneira de olhar, isto é outra coisa. "O mudno segundo Garp" é, obviamente,
o maravilhoso mundo segundo John Irving. Há um outro mundo segundo Flannery
O'Connor, e outros segundo William Faulkner e Ernest Hemmingway. Há mundos segundo
Cheever, Updike, Singer, Stanley Elkin, Ann Beattie, Cynthia
Ozick, Donald Barthelme, Mary Robison, William Kittredge, Barry Hannah, Ursula K Le
Guin. Cada grande escritor, ou mesmo cada bom escritor, constrói o mundo segundo suas
próprias especificações.
Isto do que falo é parente do estilo, mas não é somente o estilo. É a assinatura particular e
inconfundível do escritor em tudo que ele escreve. E o mundo dele e de nenhum outro. Esta é
uma das coisas que distingue um escritor do outro. Não o talento. Há muito disto por aí. Mas
um escritor que tem uma maneira especial de olhar para as coisas e que proporciona
expressão artística para esta maneira de olhar: este escritor durará por um tempo.
Isak Dinese disse que ela escrevia um pouco cada dia, sem esperança e sem desespero.
Algum dia, eu porei isto num cartão e o dependurarei na parede atrás da minha escrivaninha.
Eu tenho alguns destes cartões na minha parede agora. "Precisão fundamental de expressão é
a única moral da escrita". Ezra Pound. Isto não é tudo, de maneira alguma, mas se um

. escrever sobre coisas e objetos triviais usando linguagem trival. um truque barato ou mesmo um truque elaborado. e no processo tem de descobrir as coisas por si próprios. junto com liberalismo. nem mesmo que sejam os sujeitos mais espertos do quarteirão. duramente conquistado e causa para regojizo. Eu tenho pendurado um cartão com este fragmento de uma sentença de um conto de Tchekov: ". Ao primeiro sinal de um truque ou de um malabarismo numa obra de ficção. John Barth disse que. uma cortina. Há alguns meses. Mas se os escritores não estiverem no mundo da Lua. em última instância. para um escritor. uma pedra.. eles quererão trazer mensagens desde seus mundos para nós. Eu o emendaria um pouco para "Sem truques". Odeio truques. dez anos atrás. Sob o risco de parecer tolo.algumas dunas e lagartos aqui e ali. 2 escritor tiver "precisão fundamental de expressão" acompanhando-o.com um pôr-do-sol ou um sapato velho . entediantes. mas acurada. Eu adoro a claridade simples delas. como instigava Pound. um lugar desabitado por qualquer coisas reconhecidamente humanas. Ele está um tanto preocupado que os escritores comecem a escrever romances "papai e mamãe" nos anos 80. Eu fico um pouco nervoso quando eu passo por sóbrias discussões sobre "inovação formal" em escrita ficcional. uma licença para tentar brutalizar ou alienar o leitor. Os experimentadores reais tem de "criar de novo".e antecipação. o brinco de uma mulher . Comumente. eu corro para me proteger. num poema ou num conto. Ele se preocupa que a experimentação esteja acabando. pior.em deslumbramento absoluto e simples. ser capaz apenas de parar e ficar boquiaberto com isto. "experimentação" é uma licença para ser descuidado. por exemplo . às vezes. decepção pessoal. um garfo. Deve-se aceitar que o experimento real em ficção é original. tudo ficou claro para ele". Truques são. ou apenas escrita boçal básica me dá sono. Mas escrita extremamente frufru inteligente. Eu ouvi. ou ainda descreve uma paisagem deserta e nada mais . e. a maioria dos estudantes de seus seminários de escrita de ficção estava interessada em "inovação formal". Escritores não necessitam truques ou malabarismos. Eu acho estas palavras repletas de maravilhamento e possibilidade. Ainda pior. tolo ou imitativo em escrita. Ponto. e eu me entedio facilmente. às vezes surpreendente. e dotar tais coisas . ou com aquilo . e ponta de revelação que está implicada. É possível. o que se une com eu não ter muito limite de atenção. um lugar de interesse apenas para alguns poucos especialistas científicos. chafurdar no caos e desastre e. Mas a maneira de olhar para as coisas de outra pessoa . tal escrita não tem contato com o mundo. O que era incerto antes? Por que só se está se tornando claro agora? O que ocorreu? Acima de tudo. Mais do que frequentemente. de repente. Não funcionará. e que um escritor tente se apropriar da sensibilidade ou da mise en scène de Barthelme sob o pretexto de inovação é. no caderno de literatura do New York Times.uma cadeira. Há o mistério também.com poder imenso. Há apenas um Barthelme. Eu sinto uma aguda sensação de alívio .não deve ser seguido por outros escritores. o escritor Geoffrey Wolff dizer a um grupo de estudantes de escrita: "Sem truques baratos". Isto também deveria ir num cartão. por cima. mas sem pessoas. e este não parece ser mais o caso. eles também quererão manter contato conosco. um escritor deve. É possível escrever uma linha de um diálogo aparentemente inócuo e conseguir que ele dê calafrios no .de Barthelme. eles está pelo menos no caminho certo. por que agora? Há consequências como resultado de tal despertar abrupto.

uma vez. mas eu não sabia o que faria com ele. palavras. e então não tente justificar ou dar desculpas. Aprecio este jeito de trabalhar em algo. então relendo o conto novamente e pondo as vírgulas de volta nos mesmos lugares. Eu não sabia que ele iria roubar a perna de pau até dez ou vinte linhas antes de ele o fazer. e eu me sentia incômodo com ele. Isto também deveria ir num cartão. Pensei que este era meu desconfortável segredo. O sentido artístico do leitor simplesmente não será ativado. Evan Connell disse. isto é tudo que temos. numa manhã. Este é o tipo de escrita que mais me interessa. com a pontuação nos lugares certos. minhas próprias limitações. Num ensaio intitulado simplesmente "Escrevendo Contos". Eu trouxe o vendedor de Bíblias. Lembro-me de ficar tremendamente comovido ao ler o que ela tinha a dizer sobre o assunto. então por que escrever? No final. Tenho amigos que me disseram que eles tiveram de apressar um livro porque precisavam de dinheiro. Deve haver meios mais fáceis e talvez até mais honestos para tentar e ganhar a vida. de seus talentos. ou se elas são imprecisas ou incorretas por alguma razão . Senão apenas faça o melhor de suas habilidades. Não é da minha conta. e a prova deste labor. "Seria melhor se eu tivesse mais tempo". O'Connor diz que ela frequentemente não sabia aonde ela estava indo quando se sentava para trabalhar num conto. ou deixando-os - qualquer coisa. Eu fiquei estupefato quando ouvi um amigo romancista dizer isto.se as palavras são de alguma maneira difusas . Mas se a escrita não pode ser tão boa quanto está em nosso poder fazê-la. se penso sobre isto. escrevesse contos desta maneira. Henry James chamava este tipo de escrita desafortunada de "especificação fraca". Eu queria dizer para meu amigo:. a satisfação de ter feito o nosso melhor. Quando eu li isto alguns anos atrás. Eu odeio a escrita desorganizada ou fortuita.a fonte do deleite artístico. vá fazer outra coisa. eu havia dado a uma delas uma uma filha com uma perna de pau. Flannery O'Connors fala sobre a escrita como um ato de descoberta. Ainda fico. para que elas possam melhor dizer o que elas pretendiam dizer. pelo amor de Deus. . Eu me encontrei apenas. foi um choque que ela. como Nabokov diria. Enfim. de alguma maneira. Eu respeito este tipo de cuidado por aquilo que se faz. que ele sabia que havia concluído um conto quando ele se via relendo-o e retirando vírgulas. o que não faço. não explique. é a única coisa que levaremos para a cova. É certo que eu pensava que este meio de trabalhar num conto revelada. eu não sabia que haveria nele um PhD com uma perna de pau.os olhos dos leitores passarão por cima delas e nada será conquistado. 3 leitor . Ela diz que duvida que muitos escritores saibam aonde eles vão quando começam algo. e antes que eu percebesse. porque seus editores ou suas esposas os estavam pressionando. Não reclame. Ela utiliza "Bom povo do interior" como um exemplo de como ela compôs um conto cujo final ela não tinha ideia até que ela estava quase lá: Quando comecei a escrever aquele conto. mas então eu percebi que isto era o que ocorreria. uma desculpa para a escrita não ser tão boa. Se as palavras são pesadas com as emoções descontroladas do escritor. escrevendo a descrição de duas mulheres sobre as quais eu não sabia nada. seja ela alardeada como experimentação ou apenas como um realismo desengonçadamente engrendrado. e percebi que era inevitável. No maravilhoso conto "Guy de Maupassant". e é melhor que elas sejam as corretas. de Isaac Babel. o narrador tem isto para dizer sobre a escrita de ficção: "Nenhum ferro pode perfurar o coração com tanta força quanto um ponto posto no lugar certo". ou qualquer um que fosse.

de manhã. seu sentido de proporção e o sentido de adequação das coisas: de como as coisas lá fora realmente são e como ele as vê . aquele que eu estava querendo escrever. se eu somente pudesse ter um tempo para escrevê-lo. simplesmente não haverá um conto. que certas coisas estão em incansável movimento. às vezes. © 1968 to 1988 by Raymond Carver. frases curtas A clareza vem do cuidado com a estruturação da frase: as intercalações excessivas prejudicam a compreensão da idéia. passando". A definição de VS Pritchet de conto é de "algo vislumbrado desde o canto do olho. o que é implícito. andei às voltas com esta frase em minha cabeça: "Ele estava passando o aspirado de pó. A tarefa do escritor de conto é investir o vislumbre com tudo que estiver em seu poder. tornando-se em algo que ilumina o momento e pode. Eu queria e me sentei. O que cria tensão numa obra de ficção é. . quando o telefone tocou". Eu gosto quando há alguma sensação de perigo ou sentido de ameaça num conto.aquela palavra novamente -. e outras sentenças imediatamente começaram a se ajuntarem. um dia inteiro . ela foi incluída em "Fires: Essays. 1989 to present by Tess Gallagher "Conselhos" para se escrever um ótimo conto Prender o interesse do leitor. é bom para a circulação. o modo como palavras concretas estão ligadas para criar a ação visível do conto. enquanto experiência vivida pelo espectador ou ouvinte. fragmentada e inquietante) superfície das coisas. Achei tempo. uma linha. eles podem acertar todas as notas. a linguagem deve ser acurada e dada precisamente. Primeiro. linguagem usada para trazer à vida detalhes que esclarecerão o conto para o leitor. Pense em Barthes: “A narrativa é uma grande frase. sentei-me para escrever o que acabou se tornando um conto muito bom. ter consequências ulteriores e significado. com frequência. se tivermos sorte . apesar de que apenas a primeira frase do conto houvesse se ofertado a mim quando comecei. mas elas ainda podem ter conteúdo. a paisagem sob a suave (mas. que um conto pertencia àquele começo. se possível.12. evitar ser chato Pense em Aristóteles. para quem a catarse. Senti isto em meus ossos. é condição fundamental para definir a qualidade de uma obra. 4 Certa vez. Por vários dias. Logo eu pude ver o conto . E isto é feito através do uso de linguagem clara e específica. senão. Eu fiz o conto assim como eu faço um poema. Por uma razão. Repare na parte do "vislumbre". o vislumbre. Este artigo foi publicado pela primeira vez no "New York Times Book Review" em 1981 como "Caderno de um narrador". Mas é também as coisas que são deixadas fora. parcialmente.como ninguém mais as vê. se usadas corretamente. mesmo se soarem planas. Stories" (Harvill Press) de Raymond Carver.e sabia que este era o meu conto. As palavras podem ser precisas. Eu sabia que havia um conto ali e que ele queria ser contado. Usar. Intitulado "On Writing". e a próxima. Para que os detalhes sejam concretos e transportar sentido. um sentido de que alguma coisa é iminente. e escrevi a primeira sentença. Poems. Ele trará sua inteligência e habilidade literária que possuir (seu talento). Tem de haver tensão. Então o vislumbre ganha vida. depois a próxima. 15 horas seguidas - se eu quisesse fazer uso dele.

E Matisse: “Não é uma mulher. da antologia "Bagombo Snuff Box" de Kurt Vonnegut . 1. e esses dois atos conexos necessitam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor com o leitor que fará surgir esse objeto concreto e imaginário que é a obra do espírito”. mas o tom em que se vai contar a história é obra de inspiração. mas uma pintura? Ler. No Vidas secas esse “defeito” estaria no discurso das personagens (discurso indireto livre). No São Bernardo o “problema” estaria no fato de um homem rústico. 5 como toda a frase constitutiva é. como Paulo Honório. humor. dois clássicos insuspeitos. descrições longas. de certa forma. Mesmo assim sua importância é discutível. é uma pintura”. Se possível usar ironia. para o leitor poder respirar Evitar muitas personagens. minha senhora. mas parecer que o é. (op. os clássicos Não se é escritor sem ser leitor. repetir palavras. de preferência. mas uma vocação para a infelicidade e essa professora é uma puta vadia!" As regras de Vonnegut para escrever contos Seguem algumas dicas para escrever contos. Nisso consiste o talento de um narrador”. construir uma narrativa tão perfeita em termos literários. clichês.. Álvaro Lins (que tinha Graciliano em alta conta) não teria percebido que Paulo Honório não é um homem. rebuscamentos. ler. os personagens. Utilize o tempo de um completo desconhecido de um jeito que ele não sinta que foi tempo desperdiçado. a história não tem de ser obrigatoriamente verdadeira. Conta-se que uma vez Matisse mostrou a uma senhora um quadro em que havia pintado uma mulher nua. ler. Em Escritores em ação. graça e ser verossímil Ser verossímil é importante. mesmo que seja apenas um copo d'água. .. ler. adjetivos e advérbios e todas as palavras que estão lá só para causar efeito. Capítulos e parágrafos curtos. Georges de Simenon (1903-1989) dá a “fórmula” para se escrever uma boa prosa: “Corte tudo que for literário demais. (O laboratório do escritor). Segundo Álvaro Lins. sua visitante retrucou: “Mas uma mulher nua não é assim”. é mais “visível” em Vidas secas e São Bernardo. tão rústicas e primárias (até Baleia. Trama/enredo/tema ou estilo. Dê ao leitor pelo menos um personagem com o qual ele/ela possa se identificar. ler. o esboço de uma pequena narrativa". conhecer o desenlace e o começo. original Pense em Ricardo Piglia: “Pode-se programar a trama. Graciliano Ramos tem como “defeito” justamente a inverossimilhança que.) Pense também em Faulkner: ler. 3. as situações. Escrever não é uma profissão. Pense em Sartre: “Mas a operação de escrever implica a de ler. adjetivações. mas não devemos confundir verossimilhança com verdade. (Introdução à análise da narrativa). pois tal recurso teria provocado um excesso de introspecção das personagens. a cadela do romance. tem seu “monólogo interior”). cit.. Será que na sua análise em busca do perfeito. Escrever é cortar.. de acordo com o crítico. 2. Cada personagem deve querer algo.

6 . É triste reconhecê-lo. nem pensar. de joelhos. Se possível. 5 . Escreva para agradar apenas uma única pessoa. 4 . e Mientras Ellas Duermen (1990) por Javier Marías. honestamente. 3 . Cada sentença deve fazer uma destas duas coisas . de quando e do porquê. Suicidios Ejemplares (1991) de Enrique Vilas-Matas.Bom: cheguemos a um acordo. que eles mesmos poderiam terminar a história.repetirei mais uma vez caso não tenha sido claro: Cela ou Umbral. leiam Marcel Schwob. Texto original extraído do blog Boing Boing. vista-se como Petrus Borel. 7 . tem de ler Felisberto Hernández e tem de ler Jorge Luis Borges. por assim dizer. Seja um sádico. Se você abrir a janela e fizer amor para o mundo. Não importa quão doces ou inocentes sejam seus protagonistas.Pensem sobre o nono ponto. é notório que muitos contistas tentam imitar a Petrus Borel. 7.o melhor é escrever contos de três em três. Se tiver energia suficiente. Roberto Bolaño trad. 6. faça com que coisas horríveis ocorram a eles . os sonetos do desafortunado e valente Philip Sidney. 8.os contistas costumam se gabar de ter lido Petrus Borel. Monterroso e García Márquez. nem de Nerval! 8 . 6 4 . mas é assim. 5. então passem a Alfonso Reyes e daí para Borges. deixando as últimas páginas para serem devoradas pelas traças. Os leitores devem ter uma compreensão tão completa do que está acontecendo.de modo que o leitor possa ver do que eles são feitos.livros e autores altamente recomendados: Do Sublime de Pseudo-Longinus. Sobretudo. The Spoon River Anthology (1916) de Edgar Lee Masters. cuja biografia escreveu Lorde Brook. 2 .revelar o personagem ou avançar a ação. darei alguns conselhos na arte de escrever contos: 1 . Grande erro! Deveriam imitar o modo como Borel se veste. escreva-os de nove em nove ou de quinze em quinze. Comece o mais perto possível do final. 10 . Mas a verdade é que de Borel não sabem nada! Nem de Gautier. mas de modo algum a Cela ou Umbral.: Henry Alfred Bugalho Como já tenho quarenta e quatro anos.Tem de ler Horacio Quiroga.cuidado: a tentação de escrevê-los de dois em dois é tão perigosa quanto dedicar-se a escrevê-los um por um. ou de cinco em cinco. Sim que lerá Cortázar e Bioy Casares. de Cory Doctorow. nem pensar.nunca aborde os contos de um em um. mas leiam também Jules Renard e Marcel Schwob. Leiam a Petrus Borel. Dê a seus leitores o máximo de informação possível o mais rápido possível. Na verdade. 9 . mas traz em seu interior o mesmo jogo sujo e pegajoso dos espelhos amantes. . 11 . sua história pegará pneumonia. Tem de ler Rulfo.um contista deve ser valente. Um contista que tiver apreço por sua obra jamais lerá Cela ou Umbral. Que se dane o suspense. alguém pode escrever o mesmo conto até o dia de sua morte. Deve-se pensar sobre ele.a verdade é que com Edgar Allan Poe todos teríamos de sobra.

leiam estes livros e também a Anton Tchekov e Raymond Carver.com. um dos dois é o melhor contista que nos há dado este século. Texto original em: http://litterarius. 7 12 .htm .es/cons_bolano.

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