Você está na página 1de 9

Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra

Processo:

1168/13.1TBGRD.C1

Processo: 1168/13.1TBGRD.C1

NºConvencional:

JTRC

Relator:

CARLOSMOREIRA

Descritores:

CONTRATODETRANSPORTEINTERNACIONAL

CONTRATODETRANSPORTEDEMERCADORIAS

CONVENÇÃOCMR

RESPONSABILIDADE

TRANSPORTADOR

INDEMNIZAÇÃO

DatadoAcordão:

DatadoAcordão:

27­05­2014

27­05­2014

Votação:

UNANIMIDADE

TribunalRecurso:

GUARDA2ºJ

TextoIntegral:

TextoIntegral:

S

S

MeioProcessual:

APELAÇÃO REVOGADAEMPARTE

Decisão:

LegislaçãoNacional:

LegislaçãoNacional:

ARTS.487,798,799CC,376,383CCOMERCIAL,CMR,DLNº46235DE18/3/65

ARTS.487,798,799CC,376,383CCOMERCIAL,CMR,DLNº46235DE18/3/65

Sumário:

1 ­ A enunciação dos temas da prova não obsta a que devam ser considerados, máxime na sentença, todos os factos necessários às várias soluções plausíveis da questão de direito.

2 ­ No âmbito da Convenção CMR, o transportador, é

presuntivamente, e salvo se provar caso fortuito ou de força maior, responsável pelos prejuízos causados nos termos e com os limites previstos no artº 23º.

3 ­ Estão abrangidos por tal dever de indemnizar as despesas

provocadas pela mercadoria perdida/estragada, vg. as que, por imposição de autoridade, foram necessárias para a fiscalizar, carregar, guardar e depositar, exceto se se provar incumprimento do expedidor.

4 ­ A falta imputável ao transportador equivalente ao dolo, que,

nos termos do artº 29º, exclui tal limite indemnizatório, é qualquer uma que lhe permita a imputação de um juízo de culpa, lato sensu, o que se verifica, vg. se a mercadoria se perdeu por incêndio

provocado pelo sistema de travagem do veículo.

incêndio provocado pelo sistema de travagem do veículo. DecisãoTextoIntegral: ACORDAMNOTRIBUNALDARELAÇÃODECOIMBRA

DecisãoTextoIntegral:

ACORDAMNOTRIBUNALDARELAÇÃODECOIMBRA

P (…) – Transportes, Ld.ª, instaurou contra a C (…) –, Ld.ª ação declarativa de condenação,sobaformaúnicadeprocessocomum.

Pediu:

Quearésejacondenadaapagar­lheumaindemnizaçãonomontantede17077,21€,

acrescidadosjurosdemoraquesevenceremapartirdacitação,àtaxalegalemvigor,

atéintegralpagamento.

Paraoefeito,alegou:

Celebroucomaréumcontratodetransporteinternacionaldemercadorias,documentado noCMRrespetivo,nostermosdoqualsecomprometeuaefetuarumtransportede mercadorias,desdeasinstalaçõesdaréatéGorzon,naPolónia,contraopagamentodo preçoconvencionado;

Nodia4/10/2010procedeuaocarregamentodacargaeiniciouotransporte.

Noentanto,porrazõesalheiasàsuavontade,poisquemantémemperfeitoestadode

conservaçãoeutilizaçãoassuasviaturas,às23h00mdodia06.10.2010,naA9,aokm

119,350,direcçãoBerlin,Alemanha,osistemadetravagemdoveículo(trela)começoua

arder,tendooincêndiodeflagrado“deformarápida,destruindotodaacarga,queera

compostaporfiodecobrequeficouqueimado,eosemi­reboqueC61614.

OsdestroçosdacargaficaramdepositadosnasinstalaçõesdaempresaalemãH ,para ondeapolíciaalemãordenouquefossemlevados;

Participouoacidenteàsuacompanhiadeseguros,aqualassumiuaresponsabilidade

pelosdanosdecorrentesdoreferidoacidente,tendoindemnizadoarénomontantede99

273,41€pelovalordamercadoriadestruídanoincêndio,deduzidoovalordossalvados,

queficaramempoderdaré; Emconsequênciadoacidenteedaremoçãodosdestroçosparaasinstalaçõesdaquela empresa,estaexigiu­lheopagamentodocustoassociadoaoaluguerdecontentores

paradepósitodocobrequeimado,novalorde9900,00€,oscustosdasoperaçõesde

carregamentodasucadadecobreparaumreboque,novalorde650,00€,oscustosdo

inspetor,novalorde1175,50€,eoscustosrelativosaodepósitodamercadoria

transportadaequeimada,noperíodocompreendidoentreodia16/1/2011eodia

22/3/2011,nomontantede3123,75€,tudonomontanteglobalde14953,46€,quantia

quepagouàquelaempresa;

Estandoemcausamercadoriasujeitaaoincoterm“DDU”(nostermosdoqualovendedor

temquesuportartodososcustoseoriscodetransportaramercadoriaatéaolocalde

destino),impendendosobreelaoriscoporperdasedanosdesdeafábricaatéaolocal

dedestino,nãoestavaobrigadaopagamentodequaisqueroutrasindemnizações,para

alémdajápagaàré,peloque,tendopagoaquelaquantia,porindevida,devearéser

condenadaarestituir­lheidênticomontante.

Contestou aré. Alegou:

Oriscopelaperdadamercadoria,emconsequênciadocontratodetransportecelebrado, corriaporcontadatransportadora,motivopeloqual,tendoamercadoriaperecidono decursodotransporte,deveserresponsabilizadaportodososdanosdecorrentesdo actodetransporte,nãosendodevidaaquantiapeticionada.

Oartigo23º/6daConvençãoCMRlimitaaindemnizaçãodovalordamercadoria

transportada,masnãolimitaaindemnizaçãoaessevalor,nãoexcluindoa

responsabilidadedaautorapelopagamentodeoutrosprejuízosquetenhamsido

causados,comoaquelesquedeterminaramainstauraçãodaação.

Arépretendiaotransportedamercadoriaparaolocaldoseudestino,devendoaautora

responderportodososdanosdecorrentesdoatodetransporteatéàentregada

mercadoria,aplicando­seaestamatéria,entreaspartesdocontratodetransporte,

tambémasdisposiçõesdodireitointernorelativamenteaorisconotransporteda

mercadoria,emconsequênciadoque,presumindo­seaculpadaautora,nãoestandoem

causaqualquerfactoexcludentedaresponsabilidade,devesuportartodososcustosdo

acidentedequeéresponsável.

2.

Foiproferidasentençanaqualsejulgouaaçãoimprocedenteeabsolveuarédopedido.

3.

Inconformadarecorreuaautora.

Rematandoassuasalegaçõescomasseguintesconclusões:

(…)

Contra­alegouarecorridapugnandopelamanutençãododecididocomosseguintes

argumentosfinais:

(…)

4.

Sendoque,porviaderegra­artºs635ºe639º­A doCPC­,dequeopresentecasonão constituiexceção­oteordasconclusõesdefineoobjetodorecurso,asquestões essenciaisdecidendassãoasseguintes:

1ª­Alteraçãodamatériadefacto.

2ª­(Im)procedênciadaação.

5.

Apreciando.

5.1.

Primeiraquestão.

5.1.1.

Pretendearecorrenteque,fundandoasuapretensãonafiguradoenriquecimentosem causa,deveriadar­secomoprovadoeconsiderar­senasentençaoporelaalegadonos

artºs29ºe31ºdapi,asaber:a)quearénãoefetuouadeclaraçãoexpressadovalorda

mercadoriaoudeclaroujuroespecialnaentrega,oqueimplicariaquepagassefrete acrescido;b)queefetuouavendadamercadoriaemcausadeacordocomos INCOTERMSsiglaDDU–delivereddutyunpaid,ie.entreguesedireitospagos. Oque,noprimeirocaso, implicaaconclusãodequeasuaresponsabilidade,como

transportador,estásujeitaaolimitedoartº23ºnº6daConvençãoCMR;e,nosegundo

caso,queseráaré,comovendedora,queterádesuportartodososcustoseoriscode transportaramercadoriaatéàsuaentregaaocomprador. Atentemos. Desdelogoverifica­seincongruêncianafundamentação,dejure,dapresentepretensão. Naverdadeaautorafundaasuapretensãonafiguradoenriquecimentosemcausa. Masestafiguraassumeocarizdetotalmenteresidual,apenaspodendoserchamadaà colaçãoquandooutroinstituto,figuraounormajurídicanãopossamserconvocadaspara atuteladodireitoinvocado.Semprequeaaçãonormalpossaserexercida,o empobrecidodeveoptarporela. Oraéaprópriarecorrentequealicerçaasuapretensãonumcontratodetransporte internacionalsubsumido,essencialeprimarcialmente,naConvençãorelativaaoContrato

InternacionaldeMercadoriasporEstrada–CMR–,de19/5/56,inseridanodireito

português,exvi doDL46235de18/3/65,alteradopeloProtocolodeGenebrade5/7/78,

aprovadoemPortugalparasuaadesãopeloDL28/88de6/9.

Assim,ebemvistasascoisas,apretensãodarecorrentedeveriaserindeferidadesde

logoporinadmissibilidadedafiguraenormaslegais–artº473ºesgsdoCC–invocadas.

Poisqueseoseudireitoexistia,comodiz,aoabrigodeumcontratodetransporte internacional,deveria,atempadamente,combaseneleenalegislaçãoaplicável,requerer tutelaparaoseudireito. Peloqueseodeixouprescrever,comoalega,nãopode,depois,invocaro enriquecimentosemcausaparasuprirasuainercia. Nãoobstantenãotendootribunalassimdecididoenãosendocolocadatalquestãoem recurso,apreciar­se­áomesmonostermos neledelineados. Apreciaçãoestaporémaefetivar, peranteoestatuído,liminareessencialmente,nas normasdetaldiploma–ConvençãoCMR­e,subsidiariamente,nasnormasdedireito internoatinentes;quenãoperanteoinstitutodoenriquecimentosemcausa,aoabrigodo

artº473ºesgsdoCC.

Assimequantoaofactodaal.a). Nãoobstanteseterpassado,narecentereforma,comaintroduçãodostemasdaprova emdetrimentodaconsideraçãodosconcretosfactosalegados,do«oitentaparaooito»

­cfr.AbílioNetoinNCPC,2013,p.219­,certoéquetalalteraçãonãopode,atravésde

umatemagenéricoenãodensificadofactualmente,comprometeraapreciaçãodo pedido. Paraquetalnãoseverifiquedevemcontinuaraseratendidostodososfactosprovados queserevelempertinentesatentasas«váriassoluçõesplausíveisdaquestãode direito»,na boaterminologiadoanteriorartº511º nº1doCPC.

Oranocasovertenteaautoraentendequepelofactoalegadonoartº29ºeacima

mencionado,asuaresponsabilidadeestálimitadaenãopodeabrangerasdespesasque noprocessoimpetra. Tantobastaparaqueele,seprovado,devaserconsiderado,poisquetalargumentação é,liminareaprioristicamente,aceitáveleplausível,independentementede,nasua subsunçãojurídicaeinterpretaçãodarespetivanorma,seconcluirpelasemrazãoda invocante. Enocasoeleestáapurado. Naverdadeaautoraalegoutalfactoporremissãoparaadeclaraçãodeexpedição internacional­ documentoCMR–do.nº4­ cujaexistênciaeteoraréaceitou,desde

logoporadmissãodoalegadonoartº5ºdapi,ondesemencionataldocumento.

Ademais,sendoumfactopessoalrespeitanteàré,deveriaela,seentendessenãoser verdadeoalegado,tomarposiçãoexpressaeinequívocasobretalmatéria. Istoporaplicaçãoanalógica, oumutatismutandis,dopreceituadonoartº574ºnº3do CPC,ondesecominacomoefeitoconfessório aposiçãodameraalegaçãode desconhecimentodeumfactopessoal. Oraarénãoefetivoutalposição. Porconseguintedevetalfactoserconsideradoprovadoeatendido. Jáomesmonãoacontecenoatinenteaofactoaludidonaal.b). Naverdadeeemprimeirolugarimportaatentarque:

«AConvençãoCMRabrangeunicamenteossujeitosdarelaçãojurídicasubstantiva passíveldeserqualificadacomocontratodetransporteenãoterceirasentidadescuja intervençãoseconfinaaoutrotipodecontratosdeleautónomos(maximedecomprae vendadamercadoriatransportada),nãoobstantefuncionalmenteinterligados»­Ac.da RLde 30.06.2011p.789/09.1TBLNH.L1­7indgsi.pt. Ora:

«Os“incoterms”(abreviaturadeInternationalCommercialTerms/TermosInternacionais

deComércio)sãoregrasinternacionaisdeinterpretaçãouniformedaterminologia

contratual comercial …destinadas a dividir custos e a interpretar e definir, de imediato e comprecisão,aresponsabilidade,notransporte,devendedoresecompradoresno mercadointernacional. Quandoocontratodetransportesesegueaumcontratodecompraevenda,os incotermsdispõemsobrequemdeverárealizarepagarotransporte,mastratando­sede cláusulasdeumcontratocelebradoentreovendedor(carregador)eocomprador (destinatário),nãopoderão,semmais,vincularotransportador. Respondendoaseguradoraapenaspeloriscodefurtodepartedasmercadorias transportadas,noâmbitodocontratodeseguroquecelebroucomaRéTransportadora, nãolhecabediscutiroufazerapeloàcláusulaCIPapostaemcontratodecomprae vendaquelheéestranhoeapenasvinculaosrespectivoscontraentes–associedades expedidoraedestinatáriadasmercadoriastransportadas–artº406º,nº2,CC» ­Ac.da RCde 28.09.2010,p.6/06.6TBAGN.C1. Verifica­se,pois,queosincoterms­oseuteoreconsequências­,respeitamapenas, pelomenos porviaderegra,aovendedoreaocomprador. Opresentecasonãoconstituiexceção,poisocernedorecursoeasua(im)procedência respeitaeatêm­seapenasàsrelaçõesentrearécomoexpedidoraeàautoracomo transportadora Emsegundolugar,estefactofoitidoemconsideraçãonasentençanaqual,apropósito seexpendeu:«Enemsedigaqueamercadoriafoivendidacomsujeiçãoaoincoterm “DDU”.Naverdade,sendoos“incoterms”termosnormalizadosquedesignamcláusulas devendaàdistânciademercadoriasequesãoacompanhadosderegrasuniformesde interpretaçãoeintegração,significandooincoterm“DDU”delivereddutyunpaid,ouseja, “entreguesemdireitospagos”,medianteoqualocompradorrespondepeloscustos incorridoscomamercadoriaapartirdaentrega,sendoosdireitosexigíveisna importação(nomeadamente,formalidadesaduaneiras,taxaseoutrosencargos alfandegários) suportados pelo comprador…tal termo tem aplicação na relação negocial existenteentreovendedoreocomprador,sendoindiferenteparaocasoquenosocupa, concretamenteparaossinistrosocorridosduranteotransporte,esemrelevânciaparaa transportadora.» Aquestãonãoé,pois,dedéficefactualdestefactoalegado,masantesdabondadeda interpretaçãojurídicaquedelesefeznasentença. Aqual,aliásecomoseviu,semostraadequadaecurial.

5.1.2.

Decorrentemente,enaparcialprocedênciadestapretensãorecursiva,osfactosa

considerarsãoosseguintes:

a)Aautoradedica­seaotransporterodoviáriodemercadorias; b)Aré,porseuturno,dedica­seaofabricoecomercializaçãodefiosecabosparaa indústriaautomóvel; c)Nodia4deOutubrode2010arésolicitouàautora,atravésdoseuagenteT ,Ld.ª,o

transportede258europackscomfio,44europaletese4D600,comopesobrutode20

376kg,porcamião,desdeassuasinstalações,sitasem( ),naGuarda,atéGorzon,na Polónia;

d)Taismercadoriasdestinavam­seàempresaS

Wielkopolski,naPolónia,comquemaréacordouostermosdaentregadamercadoria, comutilizaçãodoincoterm“DDU–delivereddutyunpaid”;

e)Nodia4deOutubrode2010aautoraprocedeuaocarregamentodacarganas

instalaçõesdaré,noveículopesadodemercadorias(conjuntoarticulado)compostode

reboqueesemi­reboque,matrículas52­GE­16eC61614,e,namesmadata,iniciouo

transportedacarga; f)Aautora,notransporteefectuado,fazia­seacompanhardorespectivoCMR;

g)Nodia6deOutubrode2010,pelas23h00m,naA9,aokm119,350,emdirecçãoa

Berlim,naAlemanha,osistemadetravagemdoveículoquetransportavaacarga começouaarder,tendooincêndiodeflagradodeformarápidaedestruídotodaacarga, queeracompostaporfiodecobre,queficouqueimado; h)Osdestroçosdacarga(salvados)foramdepositadosnasinstalaçõesdaempresade reboquesH ,sitasem( )Lissa,naAlemanha,paraondeapolíciaalemãordenouque fossemlevados; i)Aautora,deimediato,deucontadoocorridoqueràT queràré; j)Também,deimediato,participouosinistroàCompanhiadeSegurosK ,S.A., empresaparaaqualhaviatransferidoaresponsabilidadecivildetransportadorrodoviário

demercadoriasporcontadeoutrem,atravésdaapólicen.º200276138;

k)Aseguradoraprocedeuàanálisedoprocesso,realizouinspecçõeseperitagens,tendo

concluído,nodia17deJaneirode2011,queosinistroseenquadravanasgarantiasda

SP.ZO.O.,sitaem( ),Gordon

referidaapólice; l)Emconsequência,namesmadata,informouaautoranostermosqueconstamno

artigo13ºdapetiçãoinicial,ondeassumiuaresponsabilidadepelopagamentodeuma

indemnizaçãoàré,pelaperdademercadoria,novalorde121773,41€,oude99

273,41€,comdeduçãodovalordossalvados,avaliadosem20000,00€,emambosos

casoscomdeduçãodafranquiade2500,00€;

m)AseguradoraK ,nodia8/2/2011,pagouàréumaindemnizaçãonomontantede99

273,41€,referenteaovalordamercadoriaperdida,depoisdededuzidoovalordos

salvados,novalorde20000,00€,queforamretomadospelaré;

n)AautoradeuimediatoconhecimentoàréeàT ,informandoquedeveriamcontactar aempresaqueapresentarapropostadeaquisiçãodossalvadosouprocederao levantamentodosmesmos; o)NaúltimasemanadeFevereirode2011aréeaT disseramàautoraqueaH apenasprocederiaàrestituiçãodamercadoriaselhefossepago,mediantefacturaa

emitirpelaautora:a)ocustoassociadoaoaluguerde3contentoresondefoidepositado

ocobrequeimado–9900,00€;b)oscustosderecuperaçãoesalvamentoassociadosao

reboque–11705,00€;c)oscustosdeoperaçõesdecarregamentodasucatadecobre

paraumreboque–650,00€;d)oscustosdoinspector(Reimann)–1175,50€;e)os

custosdealuguerdoespaçodosemi­reboque–2120,00€;tudonomontanteglobalde

25550,50€,aqueacresciaIVAàtaxade19%,nomontantede4854,60€,perfazendoo

montanteglobalde30405,10€;

p)Aautoraassumiudeimediatoopagamentodosmontantesreferentesaoscustosde

recuperaçãoesalvamentoassociadosaoreboque–11705,00€­eoscustosdealuguer

doespaçodosemi­reboque–2120,00€;

q)Arérecusou­seapagarocustoassociadoaoaluguerde3contentoresondefoi

depositadoocobrequeimado–9900,00€­,oscustosdeoperaçõesdecarregamentoda

sucatadecobreparaumreboque–650,00€­,oscustosdoinspector(Reimann)–1

175,50€­,eoscustosrelativosaodepósitodamercadoriatransportadaem3

contentores,noperíodode16/1/2011e22/3/2011,dataemquearéprocedeudos

salvados–3123,75€;

r)AempresaH

autoraosveículos,tendoaautorapagoaquantiasolicitada,novalorde30405,10€.

s)Arénãoefetuouadeclaraçãoexpressadovalordamercadoriaoudeclaroujuro

especialnaentrega.

exigiuopagamentodaquantiaglobal,semoqualnãoentregariaà

5.2.

Segundaquestão.

5.2.1.

Estamosnoâmbitoeâmagodocontratodetransporteinternacionaldemercadorias. Asentençamostra­sebemelaborada,fundamentadaecurialnoquetangeàdefinição, caraterizaçãoedeterminaçãodosefeitoseconsequênciasdetal contrato. Nãoobstante,equiçápleonasticamente,sempresediráoseguinte.

Ocontratodetransporteinternacionalrodoviáriodemercadoriaséaconvençãoatravés daqualumapessoaouempresa­otransportador–se obriga,porsioupor terceiros,peranteoutra–oexpedidor–aefectuarotransporte deuma determinadamercadoria,deumpontodepartidasituadonumpaís,atéaolocalde destinositonoutropaís. Sãocaracterísticasessenciaisdetalcontrato:

Éconsensualsemnecessidadedereduçãoaescrito. Ésinalagmático,onerosoederesultado. Assimoexpedidortemaobrigaçãoessencialdesatisfazeraotransportadoropreço­ frete­acordado. Porseuturnootransportadordeveentregaracoisanolugardedestinoconvencionado. Oquesignificaqueestecontratosendoumcontratoderesultado, sóécumpridopelo transportadorcomentregaamercadoriaaoseudestinatário,notempoecondições anuídosecomascaracterísticasprópriasdoprodutoinalteradas. Entregaestaque,essencialmente,se«compõeemdoismomentos:aapresentação (receção)damercadoriaeasua(entregae)aceitaçãopelodestinatário»­ Ac.doSTJ

de15.04.2013,p.9268/07.0TBMAI.P1.S1indgsi.pt.

Doquedecorrequesobreotransportadorimpendeumdeverdevigilância,deguardae depreservaçãodamercadoriaatéàsuaentregaaorespetivodestinatário. Tambémnestamatéria,quiçácommaioracuidadedoquenoutras,otransportadortem deatuarrazoavelmente,comzeloecuidado,talcomoofariaum“bónuspaterfamílias”– Cfr.Ac.daRelaçãodeLisboade15.05.2001,p.0014867in dgsi.pt,.

5.2.2.

Noquetangeà atribuiçãoderesponsabilidade,qualitativaequantitativamente,ao transportador,importaconsiderarosseguintesartigosdetalconvenção:

Artigo17º

1.Otransportadoréresponsávelpelaperdatotalouparcial,oupelaavariaquese

produzirentreomomentodocarregamentodamercadoriaeodaentrega,assimcomo pelademoranaentrega.

2.Otransportadorficadesobrigadodestaresponsabilidadeseaperda,avariaoudemora

teveporcausaumafaltadointeressado,umaordemdestequenãoresultedefaltado

transportador,umvícioprópriodamercadoria,oucircunstânciasqueotransportadornão

podiaevitareacujasconsequênciasnãopodiaobviar.

3.Otransportadornãopodealegar,parasedesobrigardasuaresponsabilidade,nem

defeitosdoveículodequeseserveparaefectuarotransporte,nemfaltasdapessoaa quemalugouoveículooudosagentesdesta.

4.Tendoemcontaoartigo18º,parágrafos2a5,otransportadorficaisentodasua

responsabilidadequandoaperdaouavariaresultardosriscosparticularesinerentesa

umoumaisdosfactosseguintes:

Artigo18º

1.Competeaotransportadorfazerprovadequeaperda,avariaoudemoratevepor

causaumdosfactosprevistosnoartigo17º,parágrafo2.

Artigo23º

1.Quandofordebitadaaotransportadorumaindemnizaçãoporperdatotalouparcialda

mercadoria,emvirtudedasdisposiçõesdapresenteConvenção,essaindemnização serácalculadasegundoovalordamercadorianolugareépocaemqueforaceitepara transporte.

2.Ovalordamercadoriaserádeterminadopelacotaçãonabolsa,ou,nafaltadesta,

pelopreçocorrentenomercado,ou,nafaltadeambas,pelovalorusualdasmercadorias damesmanaturezaequalidade. 3.(naredacçãodadapeloProtocolodeEmenda)Aindemnizaçãonãopoderá, porém,

ultrapassar8,33unidadesdecontaporquilogramadepesobrutoemfalta.

4.Alémdisso,serãoreembolsadosopreçodotransporte,osdireitosaduaneiroseas

outrasdespesasprovenientesdotransportedamercadoria,natotalidadenocasode perdatotaleemproporçãonocasodeperdaparcial;nãoserãodevidasoutras indemnizaçõesdeperdasedanos.

5.Nocasodedemora,seointeressadoprovarquedissoresultouprejuízo,o

transportadorterádepagarporesseprejuízoumaindemnizaçãoquenãopoderá ultrapassaropreçodotransporte.

6.Sópoderãoexigir­seindemnizaçõesmaiselevadasnocasodedeclaraçãodovalorda

mercadoriaoudedeclaraçãodejuroespecialnaentrega,emconformidadecomos

artigos24e26.

Artigo24º

Oexpedidorpoderámencionarnadeclaraçãodeexpedição,contrapagamentodeum suplementodepreçoaconvencionar,umvalordamercadoriaqueexcedaolimite

mencionadonoparágrafo3doartigo23º,enessecasoovalordeclaradosubstituiesse

limite.

Artigo26º

1.Oexpedidorpodefixar,mencionando­onadeclaraçãodeexpediçãoecontra

pagamentodeumsuplementodepreçoaconvencionar,ovalordeumjuroespecialna entregaparaocasodeperdaouavariaeparaodeultrapassagemdoprazo convencionado.

2.Sehouverdeclaraçãodejurodaespecialnaespecialnaentrega,podeserexigida,

independentementedasindemnizaçõesprevistasnosartigos23º,24ºe25ºeatéao

valordojurodeclarado,umaindemnizaçãoigualaodanosuplementardequeseja apresentadaprova.

Artigo29º

1.Otransportadornãotemodireitodeaproveitar­sedasdisposiçõesdopresente

capítuloqueexcluemoulimitamasuaresponsabilidadeouquetransferemoencargoda

provaseodanoprovierdedoloseuoudefaltaquelhesejaimputáveleque,segundoa

leidajurisdiçãoquejulgarocaso,sejaconsideradaequivalenteaodolo.

Daquiresulta,logonavertentequalitativa,queseotransportadorfaltaraocumprimento dasuaobrigaçãotorna­seresponsávelpeloprejuízoquecausaaocredor,presumindo­se asuaculpa–cfr.,aindaartºs 487ºnº1,798ºe799ºdoCC e 383.ºe376.ºdoCCom. Assim, sóaimpossibilidadeobjetivaenãoculposa,resultantedecasofortuitonão imputáveloudeforçamaior–aprovarpelotransportador–oexoneradasua responsabilidadeparacomoexpedidor. Eimpendendosobreeleoónusdeprovarqueonãocumprimentoouoincumprimento defeituosonãoprocededeculpasua­cfr.CunhaGonçalves,ComentárioaoC.Com.

Port.,2º,394,cit.inAbílioNetoinC.Com.Anot,8ªed.,152;Ac.daRC09­01­2001,

p.2940;Acs.daRPde18­09­2000 ede22­01­2001,ps.0050832e0051385;Ac.da RGde 13­09­2007,p.1318/07­2;Ac.daREde 18­01­2007,p. 2162/06­3eAcs.do STJde 03.05.2001,p.01A1142,de05.06.2012,p.3303/05.4TBVIS.C2.S1e de

15.04.2013,p.9268/07.0TBMAI.P1.S1,todosindgsi.pt.

Noquetangeàresponsabilizaçãoquantitativaimportaterpresentequenoartigo23ºn. os

1,2,3,5e6daCMRestabelece­seumregimeespecíficodeindemnizaçãoporperdase

danosque,tendencialmente,pareceficaraquémdeumatotalecompleta

ressarcibilidadedoprejuízo.

Noentanto,importaterpresentearestriçãoàrestriçãoprevistanoartº29º,nº1.

Oraquantoaestaurgeatentarque:

«A presunção de culpa que…incide sobre o transportador, desde que não seja ilidida, implica, em caso de perda da mercadoria…o pagamento de uma indemnização forfetária, quedeveserequivalenteaopreçodotransporte,aopassoqueseodanoemergenteda perdaresultoudeactuaçãodolosadotransportador,oudefaltaasiimputávelque segundoajurisdiçãodopaísjulgadorsejaconsideradaequivalenteaodolo,a indemnizaçãodeve,então,reparar,integralmente,osdanosverificados,deacordocom ateoriadadiferença» –Ac.doSTJde14.06.2011,p.437/05.9TBANG.C1.S1 Esendocertoque:

«…umafaltaquesegundoaleidajurisdiçãoquejulgarocasosejaconsiderada equivalenteaodolo,comoacontececomajurisdiçãonacional,nãopodedeixardeser, manifestamente,faceàlegislaçãonacional,enquantoelementodonexodeimputação dofactoaoagente,anegligênciaoumeraculpaque,conjuntamentecomodolo,faz partedaculpalatosensu”. Naverdade,trata­sededuasmodalidadesdeculpalatosensu,sendocertoquetal

equivalênciaanívelcontratualfluilogodoartigo798ºdoCódigoCivil,emquepara

existirresponsabilidadecontratualéindiferenteumacondutadolosaounegligente, apenasseexigindocomopressupostoaculpalatosensu. Deste modo…a indemnização a ser paga …não deverá ser submetida ao limite imposto

pelon.º3doartigo23º,sendoantesdeterminadapelon.º1doartigo23ºdaCMR»­Ac.

doSTJde15.04.2013cit,comcitaçãodeoutros,vg.osuprareferidode14.06.2011

eoproferidoem5/06/2012.

(sublinhadonosso)

PoroutroladourgeatentarqueconstituijurisprudênciapacíficadonossomaisAlto

Tribunalnosentidodequeanossaleiconsagrouateoriadacausalidadeadequadana

formulaçãonegativadeEnneccerus–Lehman,nostermosdaqual:

« …para os casos em que a obrigação de indemnização procede de facto ilícito culposo, quersetratederesponsabilidadeextracontratual,quercontratual­a«formulação negativade Enneccerus­Lehman»,acolhidanoartigo563.ºdoCódigoCivilsegundoa jurisprudênciadominantedoSupremoTribunaldeJustiça­ofactoqueatuoucomo condiçãododanosódeixarádeserconsideradocomocausaadequadase,dadaasua naturezageral,semostrardetodoindiferenteparaaverificaçãodomesmo,tendo­o provocadosóporvirtudedascircunstânciasexcecionais,anormais,extraordináriasou anómalasqueintercederamnocasoconcreto» Ademais:

«Estadoutrina…nãopressupõeaexclusividadedacondição,nosentidodequeesta

tenhasóporsideterminadooresultado».

«…nemexigequeacausalidadetenhadeserdiretaeimediata,peloqueadmite:

­­nãosóaocorrênciadeoutrosfactoscondicionantes,contemporâneosounão; ­­comoaindaacausalidadeindireta,bastandoqueofactocondicionantedesencadeie outroquediretamentesusciteodano».­Cfr.entreoutros,osAcs.doSTJde 06.11.2002,29.06.04,20.10.2005,07.04.2005, 13­03­2008e20.01.2010,ps.02B1750, 03B4474,05B2286,05B294, 08A369 e670/04.0TCGMR.S1indgsi.pt,eA.Varela,

DasObrigaçõesemGeral,2ªed.ps.746/756.

(sublinhadonosso).

5.2.2.

Nocasovertenteestáapenasemcausaapurarsearédeveserresponsabilizadapelos

valoresdecorrentesdoaluguerde3contentoresondefoidepositadoocobrequeimado–

9900,00€­,oscustosdeoperaçõesdecarregamentodasucatadecobreparaum

reboque–650,00€­,oscustosdoinspector(Reimann)–1175,50€­,eoscustos

relativosaodepósitodamercadoriatransportadaem3contentores,noperíodode

16/1/2011e22/3/2011,dataemquearéprocedeudossalvados–3123,75€;

Nasentençarespondeu­senegativamentecomoseguintediscursoargumentativo:

«…tendo a seguradora da autora (transportadora) indemnizado a ré em conformidade

comodispostonoartigo23ºdaConvençãoCMR,nãoestáemcausanospresentes

autosqualqueroutrodireitodeindemnizaçãodevidoàré,masantesaresponsabilidade pelosinistroocorridoepelosprejuízos/danosdeledecorrentesparaterceiros,que socorreramatransportadoranomomentodosinistro–serádaréouantesdaprópria transportadora? Talcomoresultadosupraexposto,entendemosque,nãotendoarédireitoaoutras indemnizações,tambémnãotemqueseroneradacomoutrosprejuízoscausadospela transportadoraaterceiros,comoconsequênciadosinistrodequefoivítima,masparao

qualemnadacontribuiuaré/expedidora–cfr.AcRLde11­10­199010(www.dgsi.pt.­

Des.CardonaFerreira). Emsuma,tendoaautoraindemnizadoaréemconformidadecomodispostonoartigo

23ºdaConvençãoCMR,nãotendoestadireitoaoutrasindemnizações,nãotem

tambémodeverdesuportaroutrosprejuízosdecorrentesdoriscodotransporte,

nomeadamenteoscausadosaterceiros,entreelesosquesocorreramaprópriaautora nomomentodoacidente­prejuízosestesquedevemsersuportadospela transportadora.» Jáarecorrentepugnaqueoafastamentodoregimeregradaconvençãoqueestabelece limitesparaaindemnizaçãoapenaspodeserafastadoseaexpedidoraprovarfactosque

consubstanciemaprevisãodoseuartº29º.Oqueincasuarénãologrouprovar.

Atentemos. Emprimeirolugarháquedizerqueoregimeregradaatribuiçãodoquantum indemnizatórionãoétãorestritivo/limitativocomoarecorrentedefende. Jaezrestritivoestequenemsecompreenderiaporqueintoleravelmentecontendentecom oprincípiobasilarexistentedasdiversasordensjurídicas–vg.aportuguesa–de

tendencialressarcimentointegraldosprejuízossofridos–artº562ºdoCC.

Naverdadetalrestriçãolimita­se,essencialmente,aovalordamercadoria,toutcourt,

transportada–artº23ºnºs1a3.

Limitaçãoestaquepodeserinclusiveafastadavoluntariamentepelaspartesseelas declararemvalorsuperiorparaamercadoriaoujuroespecialnaentrega­ nº6 Massendoaindacertoquealémdovalordamercadoriaserãoreembolsadosopreçodo transporte,osdireitosaduaneiroseas«outrasdespesasprovenientesdotransporteda

mercadoria»–nº4.

Enatotalidade,semquaisquerlimites,seaperdadamercadoriafortotal. Naturalmentequeentreestasoutrasdespesasdevemserincluídasaquelasoriundasdo transportedamercadoriaedasvicissitudes deleedestasdecorrentes. Éocasodosautos. Seamercadoriaardeuetalestadoeraincompatívelcomamanutençãonacomposição automóvelqueatransportava,nolocaldoincendio,antesexigindo,porordemda autoridade,asuadeslocaçãoeacolhimentoeminstalaçõesadequadas,temdeconcluir­ se,commeridianaclarezaelógica,queasdespesasdaquiadvenientesaindasãouma consequência(«provenientes»)doseutransporte. Introduzidaaquestãonaordemjurídicainternapodedizer­sequetaisdespesassão,ao menos,umaconsequênciaindireta–masatendível,comosupraseviu­ dofacto «transporte»edavicissitude«incendio». Mas,aassimser,comoentendemosqueé,temdeconcluir­sequetaisdespesas devemsersuportadaspelatransportadora,desdelogoporforçaenoâmbitododito regimeregra. Doquedecorre,versusodefendidopelaautora,arénãoteriadeprovarfactos

consubstanciadoresdaprevisãodoartº29ºparapoderobterganhodecausa,ouseja,

eximir­seaopagamentoqueoralheésolicitado. Ademaisesteartigo29º,nasuamelhorinterpretação, emconcatenaçãocomodisposto

noartº23º,deveentender­secomodesbloqueadorapenasdalimitaçãoindemnizatória

atinenteàmercadoriaquenãoàsoutrasdespesasdonº4destepreceito.

Peloqueaverificaçãodasuaprevisãooutrossimnãoeranecessárianocasovertente poisqueaautoraimpetra outrasdespesasnãoreferentesàmercadoriaquatale. Emesmoqueassimnãofosseounãoseentendasempreseriadeconcluirquetal previsãoestápresente. Efetivamente,provou­sequeoincendiofoiprovocadopelosistemadetravagemdo veículo;nãopodendoaautora/transportadora alegar,parasedesobrigardasua responsabilidade,osdefeitosdoveículodequeseserveparaefetuarotransporte; e, comosediznasentença:«nãotendosidoalegadoqualquerfactoqueleveaconcluir quetalincêndio«nãopodiaserevitado»eque,mesmonãopodendoserevitado,não pudesseotransportadorobviaràsconsequênciasdoincêndionosistemadetravagem, evitandoqueoincêndiosepropagasseàcargatransportada», Porconseguinte,temdeconcluir­sequeelacometeuumafaltaquelheéimputável,e, segundoaleiportuguesa,equivalenteaodolo.

Poisque,comosupraseviuem5.2.2.,talequiparaçãodeveserentendidaemsentido

amplo,bastando,paraquesepossaconcluirpelamesma,averificaçãodefactoque permitaaimputaçãoaoagentedeumjuízodeculpa,latosensuAc.doSTJde

15.04.2013edemaisnelecits.

Enemrelevandoaprovadanãodeclaraçãoexpressapelarédovalordamercadoriaou declaroujuroespecialnaentrega.

Éque,comodecorredodispostonosartºs23ºnº6,24ºe26º,adeclaraçãodovalorda

mercadoriaapenasrelevaparaadeterminaçãodo(superior)quantumaelaapenas relativo.Oquenãoéoquidaquesereportaocasovertente.

Eadeclaraçãodejuroespecialapenasrelevaparao«danosuplementar»­artº26ºnº2­

ouseja,paraodanoquenãosejacausadireta,oumesmoindireta,dotransporte.

Oque,também,nãoéocaso,poisque,comoseviu,asdespesasemlidesãoainda

umaconsequênciadotransporte.

Noentanto,mesmoassimsendo,assisterazãoparcialàautoranumadespesa,qual

seja,aconcernente aoscustosrelativosaodepósitodamercadoria,noperíodode

16/1/2011e22/3/2011,dataemquearéprocedeudossalvados–3123,75€.

Naverdadeprovou­seque:aautora,atravésdasuaseguradora,pagouàré,em

8/2/2011,umaindemnizaçãonomontantede99273,41€,referenteaovalorda

mercadoriaperdida,depoisdededuzidoovalordossalvados,novalorde20000,00€,

queforamretomadospelaré. Eque: aautoradeuimediatoconhecimentoàréeàT ,informandoquedeveriam contactaraempresaqueapresentarapropostadeaquisiçãodossalvadosouprocederao levantamentodosmesmos. Oratendoarésidoindemnizadaenãoestandoapuradoqueaautoraentãosequertenha suscitadoopagamentodasdespesasoraemcausa,deveriaaquelaterdiligenciadono sentidodolevantamentodossalvados,apartirdodiaemquefoiinformadapelaautora

paratal,seja,08.02.2011.

Nãootendofeito,numprazoque,razoáveleequitativamente,sefixaemcincodias apóstaldata,entrouelaemincumprimento. Edevendo,assim,ser­lheassacadoocustododepósitodamercadoriaapartirdodia

14.02.2011,oqual,proporcionalmente,ascendea1.751,19euros.

Procedeparcialmente,enesteprecisomontante,orecurso.

6.

Sumariando. I­Aenunciaçãodostemasdaprovanãoobstaaquedevamserconsiderados, máximenasentença,todososfactosnecessáriosàsváriassoluçõesplausíveisda questãodedireito. II­NoâmbitodaConvençãoCMR,otransportador, épresuntivamente,esalvose provarcasofortuitooudeforçamaior,responsávelpelosprejuízoscausados nos

termosecomoslimitesprevistosnoartº23º.

III­Estãoabrangidosportaldeverdeindemnizarasdespesasprovocadaspela mercadoriaperdida/estragada,vg.asque,porimposiçãodeautoridade,foram necessáriasparaafiscalizar,carregar,guardaredepositar,excetoseseprovar incumprimentodoexpedidor. IV­Afaltaimputávelaotransportadorequivalenteaodolo,que,nostermosdoartº

29º,excluitallimiteindemnizatório,équalquerumaquelhepermitaaimputação

deumjuízodeculpa,latosensu,oqueseverifica,vg.seamercadoria seperdeu porincendioprovocadopelosistemadetravagemdoveículo.

7.

Deliberação. Termosemqueseacordaconcederparcialprovimentoaorecursoe,

consequentemente,condenararéapagaràautoraaquantiade1.751,19euros.

Nomaissemantendoa,aliásdouta,sentença.

Custasnaproporçãodapresentesucumbência.

Coimbra,2014.05.20

CarlosMoreira(Relator)

AnabelaLunadeCarvalho

MoreiradoCarmo