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SOBA DIREGAODE ALAIN CORBIN, JEAN-JACQUES COURTINE, GEORGES VIGARELLO 1. Da Renascenca as Luzes Weel DIRIGIDO POR GEORGES VIGARELLO Pansies EDITORA VOZES cry RCS ta SN contemplado, Ele é esta NSCOR omen iy SUR Soman i mak sto ncia, Os cientistas o manu: SE UMS en er nt SIS mS ae tin Coat PLC ME En Rat) movimento; transformam-no. Mas CR Cea ent ren hs eRe Tl Cena ite ern ry cr Estamos em nosso corpo e nio poderos deixa-lo, Essa co- Pe eu tse) PSU te Re RTE com CCR ede erst Ceti sts Seen eC TTLy STEM cece mL ere em Teas corpo transcende o eu a toda hora sec men esr ee ORCS CRE toe So Pec MEET CM Rect ACs ced PIP SOME RUE cer Om ET oes) Pee tcc eta) Recon Mtr OM aL tat Cee NC ee Re eer terete anny Tee UCL Be eee CSTE Tae Ct R UR LL de infinitas proporgdes. Na historia Petcare enh one Omen econémico do individuo e da Weer ee her eros tt) Geen ence ie Rye C ELLE A publicacao dos trés volumes Renee er his er or) Historia do corpo 1. Da Renascenca as Luzes Internacionais de Catalogacao na Publicacao (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) © corpo : Da Renascenga as Luzes / sob a direcdo de Alain Corbin, Jean-Jacques Courtine Georges lo ; waducao de Lucia M.E. Orth ; Tevisdo da tradugao Ephraim Ferreira Alves. 2. ed, - Petropolis, RJ : Vozes, 2008. ‘Titulo original: Histoire du corps : De la aux Lumiéres. por Georges Vigarello”, Hist6ria do corpo Sob a direcao de Alain Corbin, Jean-Jacques Courtine, Georges Vigarello 1. Da Renascenca as Luzes Volume dirigido por Georges Vigarello Daniel Arasse Jean-Jacques Courtine Jacques Gélis Rafael Mandressi Sara F. Matthews-Grieco Nicole Pellegrin Roy Porter om te © Editions du Seuil, 2005 Titulo original frances: Histoire du corps 1. De la Renaissance aux Lumieres A Direitos de publicacao em lingua portuguesa: te 2008, Editora Vozes Ltda } +. Rua Frei Luis, 100 Od 123361 d 25689-900 Petropolis, RJ . Internet: http:/Avww.vozes.com.br Brasil v Nenhuma parte desta obra podera ser reproduzida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletronico ou -€ gravacao) ou arquivada em qualquer sistema oy sem permissao escrita da Editora. Diretor editorial Frei Antonio Moser Editores Ana Paula Santos Matos José Maria da Silva Lidio Pere! a SUMARIO Prefacio & Historia do corpo (Alain Corbin, Jean-Jacques Courtine, Georges Vigarello), 7 Introducao (Georges Vigarello), 15 1. O corpo, a Igreja e o sagrado (Jacques Gélis), 19 2. Corpo do comum, usos comuns do corpo (Nicole Pellegrin), 131 3. Corpo e sexualidade na Europa do Antigo Regime (Sara F. Matthews-Grieco), 217 Exercitar-se, jogar (Georges Vigarello), 303 PREFACIO A HISTORIA DO CORPO Antes de mais nada, uma atengao historica ao corpo restitui ao centro da civilizagdo material modos de fazer e de sentir, investimentos técnicos, confrontos com elementos: 0 ser humano “concreto”, tal como 0 evocava Lucien Febvre, “o homem vivo, o homem em carne & osso”’. Um formiga- mento de existéncia emerge deste universo sensivel: um acimulo de im- pressdes, de gestos ¢ de produgdes impondo 0 alimento, o frio, o odor, as mobilidades ou o mal, em outros tantos quadros “fisicos” primarios Eeste mundo imediato, mundo dos sentidos e dos meios, dos “estados” fisicos, que restitui primeiramente uma historia do corpo; um mundo que varia com as condigdes materiais, os modos de habitar, os modos de garantir as trocas, de fabricar os objetos, impondo modos diferentes de experimentar ‘© sensivel e de utilizé-lo; um mundo que também varia com a cultura, como Mauss, um dos primeiros, soube mostrar, sublinhando como nossos gestos mais “naturais” sd0 fabricados pelas normas coletivas: modos de an- dar, de jogar, de gerar, de dormir e de comer. O simples recenseamento de Har Hidde pricologizada, tantas dinamnicas temporats,tantas visoes diferentes do mundo © inv ealeura, este tester ‘Le Golf, na “ressurreiga integral do passado’ nios difer compo. Nao mais nature nho do corpo participa, como lembrow ree nite Mas € preciso tomar mais complexa essa nocdo de corpo, mostrar o pa Enel desempenham as representagdes, as crencas, os efeitos de cons. ‘hada mais que uma aventura aparentemente “fits 1 60m seus izados redobrando os pontos de relerencia ime ‘© Sett sentido. O corpo miniaturizado com ourg em Les tres riches heures du Duc de /, por exemplo, s6 existe perpassado de in- do zodtaco, suposto rastro dos planetas, a smgica invadindo os orgios e apele. Data carto- t pela frdgil figura inaugurando as Trés riches s partes do corpo refletem uma auumaas partes do ‘manifestas vindas de potencias distantes, Prec 8 Met compe ‘Ins canats, Tudo isto com inevitavels conseqniclas ube anagem ? mal, amanutenicio de sl mesmo, aeficscla dos ges, os tiponton etic dlo melo, Fm outras patavras, © compo existe’ em sew invelikens meine ‘como em suas referencias representativas:[igicas “subjetivas.amlsei alas rivets com 4 cultura dos grupos € os momentos do tempo Nao que sedleva gnorar a influencta persistente dos referencias lige $08: hierarquia entre as partes “nobres” do compo e a partes “jilgadas ine {dignas”, pudor ortentado para o que aprada a Deus. No gue se devaiigno- ‘ar @influencia persistente das crencas, suas possvets crises, ut profs ainda se fez esperar na modernidade:a multiplicacto das convulsbes, estig- ‘mas ou monstruosidades explicados por alguma instancia malévola ou al- ‘gum julgamento do ceu’ ‘Tantas logicas diferentes participando ainda em efeitos distintivos, como Por exemplo aqueles que yalorizam 0 compe “classico” num interminavel afinamento de humores, confirmando ums pratca diretamente paralela a0 Prestigio social, como pode evocar Le Rey Ladurie: “O bramane lmpao ex terior de sua pessoa, em outras palavras, a pele (com uma exigencia prapor- ional ao lugar ocupado na hierarquia); ao contratio, na melhor sociedade {ranceta de 1700, a preocupagie € antes de tudo putificar intenor provo- cando vomitos pelo emético; e gracas a purgagao e a sangria, a0 clister € & lanceta". A exigencia de cuidado, como a distincdo, passaria aqui pela exi- _géncia de um corpo interiormente “purificado”: “Quanto mals alto Se est si tuado na classe social, mais se €sangrado ¢ purgado”. O que acrescenta a Jmaginagao a presenga totalmente fisica de uma mensagem, 6 papel central desempentado na comunicasio por um compe que ultrapassa o simples ho- rizonte das tecnicidades. 4.Ver, entre outros, VIDAL, D. “Ls des corps: jansénisme en mal een -miacl”. Communication, 56, 1993 [Le Gouvernement corps. ‘5. LEROY LADURIE,E,“Introducto” 90 livre de Clue GREMIMER. La femme et le tard Paris: Presse de la Renaissance, 1983, p. 12-13, ileasas representacoescujs paratone p pela ciéncias sociais no seculo XX Sera ‘subversto da nogao de corpo? Uma 1, tem a ver com o abandono da sobe Aconssiencia, aquele deslacamento am. slogos ¢ psiedlogos, ignorando as yelhas ose espirito, ecusando-se a designar a | corpo pode conduzir a consciéncia em vez de ser seu objeto. ‘estudo deste corpo e de seus atos revela de modo diferente do ‘aqui: considerar por exemplo que existe uma inteligencia do trajeto chissico que subordina o motor a “idéia”, Ces- as prticas, éestudar demodo diferenteas maneiras . Enfim, ¢ ter em vista recursos de sentido exata- Prete seer com Jo sentinento inno & manitestagso social, da sexaalidade som gmt alle rmventares, as tecnicas fincas, as lutas contra a deena, A shordagemn de eorpe nobiiza diversas encias, obrigande a variar os métodan, 9s epiatenchogtas. segundo 0 estudo das sensacoes, das técnicas, das comsumnachies das ex pressdes, Esta heterogenendade ¢ constitunva do proprio objets. El € ines peravel ¢ deve ser mantida como tal numa historia do corpo Nao que seja extinto todo nivel de unidade possivel A escala das repre sentacbes, sejamelas conscientes ou nao, js sugere coertncias agama logs cas podem dominar sebre outras, como mostrou 2 nocso de “esquema on. poral” utilizada pelos psicologes para demarcar as referencias implicitas, motrizes e senstveis, de um sujeito’. A logica mectnica no séeulo XVI, a> pica energética no século XIX, a Iogica “informacional” no século KX jas. cexemplos, a segunda acrescentando uma nova visio das entradas ¢ saidas do corpo, sugerindo seu "rendimento” possivel, regulando o sentido dos gastos f das ecomomias, a terceira acrescentando uma tova visio dos canteales € das sensibilidades, regulando 6 sentido do controle ¢ dos ajustamentos. Mas, além dessas possiveis coeréncias,¢ precisamente a experiéncia mais ‘material que resitut uma historia do corpo, sua densidade, sua ressonancta imagindria. A originalidade ultima desta experiéncia¢ esar nocruzamento do ‘nvolucro individualizado com a experiencia social, da referencia subjetiva ‘com a norma coletiva. E exaumente porque dle ¢ “ponte-fronteira” que ocor- po esté no centro da dinamica cultural. O que as ciencias sociais lustraram cans ls 0 sagas 2 XVI "omar KH interior do Salvador entrou de tal forma na ruertalidlae de que um bon numero de misticas fee de suas pena interior 0 olen pal de 10°. Catarina de Genova vt uma grande ferda de amor” que se imprime em seu proprio dade. E, no fim do sécule, qv Jesus sofvet mals em sia ‘ontemplaca coracto numa “ferida inuma” da mesma inte Maria Madalena de Pazzi declan, por sua alma do que em seu corpo A imagem contibuiu para esta exploricio mistica do corpo prafuinds, arn chegar ao coracio, Assim, uma admiravel estatua florentina do prienet- Foquartel do seculo XV, conservada hoje no Victoria and Albert Museum de Londres, mostra Cristo de pé amptiando complacentemente a abertura da haga, como para convidar o fiel a penetrar mais, significar-the a importan- cia da ferida simbolica € mncita-lo a adoragio do coracia. Por conseguinte, a devogto a0 Saprado Coracio, aocoracdo ferido de amor, € antiga Da Alem tae dos Patses Baixos, onde o artista flamengo Wierix faz gravuras de rosd- ios de corasdes abertos ou fechados ¢ escorrimentos de sangue, ela entra nat Franga com a Contra-Reformia, no come¢o do século XVII. Desde este mo mento 0 culto atingeas Filhas do Calsario, uma congregacao de beneditinas fundada em 1617 pelo Padre José. O exercicio das cinco chagas consiste em fazer uma oracio ao pé da cruz e a contemplar as chagas € 0 coracto ferido de Jesus donde procede todo 0 bem. Cada sexta-feira, a religiosas meditam sobre a aberturs do “lado sagrado” pelo ferro da lanca e, cada sdbado. uma fem cada dez religiosis faz “o exercicio da compaixao da Santa Virgem”: ela pede a Maria que a introduza no coracao de Jesus. para viver sua vida san- sfenia ¢ consumada de temura. A congregagae das Filhas da Caridade ¢ os ‘membros da Sociedade do Coraeao Admiravel, fandada pelo beato Jodo Eu- des, autor, em 1668, do Oficio de Sagrado Coracdo e dois anes depois da De- ac ao Coracio adoravel de Jesus, clebram tambem wun culto litirgico 20 23. Anigo “Mystique de apasion”,Dciomnarede Stal Astgue Myaiques pc, {ase XXVLLXXVIL, col. 332, 2 ‘ampas mostras portado por d XV os anjos seguravam um sangue sagrado quando o padre el «titas scompanhavam entio 1 sagrada imagem que incentvaram, bem depois de Trento. de suas protbigses, 0 use supersticioso que sefe= por po descas figuras (tema da chaga do lado levou progressivamente ao tema do lngar sss co, donde escorris 0 sangue-vinho de Cristo. No comeco do séralo Nit S$e Boaventura j falava da chaga do lado como de uma vitis mystica A maravi- those cultura de vinhas trarida ao pats de Canah por Josué « Caleb facia parte da iconografia conhecida e € provavel que algumas arvores de Jest. onde 126, ALEXANDRE-EIDON, D. (Gi) Le ressir myst (27709/1989), Parts: Du Cer, 1990 ~ Actes da Colleque de Recioies da tradigho, poe Hing jem madeira viva, donde bron, s nostestosenas Fepresentacoes, semduyida a imager cl as uvas nO hagar; nenh,, mfaeilmente corres, ‘correntes, do 0 desenvoly seu discurso de lepois, cada vez que a idesorddem ou con truturas. Catarina de tO” €, em 1496, num ser im lagar donde jorrava o do lagar misticoers fir a atengao sobre sfiis. Assim como @'as opressoes dt wwarse que? o-vinhod® a pee ec mapas dogina da transubstanc Jo sangue em vinho. O “Cristo sangranda” 4 ou-se umn argumento de peso na pastoral. Alids,o sanjgue nae era-mais wma realidade a pica, mas 0 simbolo do sacrifiele de Deus. Eo madetro do, I pendia o corpo sangrente de Cristo, reafirensern com veemeéncia a presenga de Cristo na Eucaristia Também neste caso, as imagens tiveram um papel essencial, pois servi- ram dealternativa ao discurso, mas muitas vezes o ulirapassaramn por seu te alismo, As representacies de Cristo sangrando no lagar que, a0 esmags-lo, ‘espreme seu sangue, como asde Cristo na “cruz-vinha”. de Cristo “do preci- ‘os0 sangue”,ou da "Sagrada Familia na vinha”, tm wma fungio espiritual eatequética 20 mesmo tempo. Os artistas, pintores ou mestres em vitals en- ‘contraram nessas vindimas misticas a ocasido de composigtes dominadas pela cor vermelho-sangue, vermelho divino. Em Conches ou em Saint-£ii- ‘enne-du- Mont, vitais do sécalo XVI e XVII mostram um sangue “vivo e + ‘amico” emanando das chagas, depois jorrando da gargula do lagar. sobre 0 ‘qual Cristo e representado de pé, esmagando 2s uvas, ou inclinado. Apésto- es ¢ religiosos, poderows € preladbs se apressam em tormo das vasithas, 1e- colhendo o sangue sagrado com o qual foram aspergidos. Para essas compo- sigdes de cores berrantes, os mestres em vitrais inspiraram-se na estampa. {io € comprovado na segurida metade do século XVI pelasbundante produ ‘clo dos irmaos Wierix que tem como tema o lagar mistico, amplamente di- fundido pelos jesuitas nos paises em que se exerce melhor a Contra-Refor- ‘ma: o sul da Alemanha, « Austria e 0s antigos Paises Baixos. Mas o lagar mis- tico nao esta ausente da abundante iconografis © dos textos luteranos. Neles ‘exprime-se o tema do pecador peregrino que vem descarregar-se do saco de seus pecados no lagar em que Cristo carrega nes ombros aprensa que oopei- ‘me; o sangue que eseaps do mecanismo indica-Ihe o carninho-a seguir, para. ue, enfim libertado, possa ascender a9 Monte Sido, onde o espera o Senhor Witorioso da ressurreicao. As duas Igrejas utlizaram portanto uma ieonogras fia semelhante para ilusirar pastorais ¢ dogmas diferentes, 4 ean Cristo agjele que salva 4) ‘ abe BE Giron wn con feade Fle que cular de todas as 1 avila de que TOs eXEFCEL “ving ‘ainda, ele fex Lazaro woltar do re), epraaraate de corer nom, ‘ossofrimentos de Cr es. Ao lado de sex val Herapeuticos. SA0 lc gem @ poster de cvray {todas as doencas”,f levees como Jesus hs as ervas para fo de Cristo foi ri 9 As vezes tenha sido 70 para liv fico que ornavam « aideia de que tanto as chi Speangue cia"? por ocasito de fa constatado4* com folls & sulas-relict” ) stculo XVII, now palses yertninicos, “Cato Botiedeio 6 men teak {reqnentemente tustrato pelos pintures; Nas bbadas ds Sarna da je sults de Friburgo, eles representanim Criss vest come orteitaly 60, ‘meio de uma oficina tia qual os anjon the serves de ouniares de tuber Ho. Vim acende a chama de utn foeninbo, ete raga ‘param ungdento num abmotart: Quanto nog pes comp lanca e um terceiro pre de 1731, conservado sind hoje no Museu germinico de Nuremberg ele re presenta Cristo se tudo numa oficina cereado de potes 8 farmdea. Uma bandeirola esclarece'o sentido da cena: “Farmacia bem prowds da alma” Mas Jesus nio € s6 farmaceutico, também € médico do compo ¢ da alma. ‘Um tratado em verso, intitulado A viagem aos banhes mistices, publicado ems 1514, em Estrasburgo, por Thomas Murner, mostra Jesus aplicando vento- sas que simbolizim o jejume as vigiias, preparando o banho de fonte cide, ue figura o sofrmenwo benéfico ¢administrando 0 bano de vapor, emble- ima da conlissio. Corpo ¢ alma eside pois estrcitamente associadas no trata mento que conduz & perfeieao. Enquanto os samios sio considerados na renca popular como aqueles que curam algumas doengas, Cristo caida de tudo e, mais particularmente, dos derramamentos de sangue (hemorragias). E sem duvida devemos ver nessa especialidade o resultado desta dupla expe- ritncia; © milagre evangelico e a Paixdo, isto ¢, a cura da hemorroissa eo martirio no Gélgota, a dor aliviada ¢ 0 softtmento superiado. 9. “Isio é 0 meu corpo” A afirmacao, pela Igreja, da presenga real do corpo de Cristo na héstia ‘durante o sacrificio da missa faz deste corpo o 2ixo do mundo. O fie nio tem ssperanga mais bela do que comer este corpe divino, Pois a Eucaristia € 0 widtico indispensivel, « garantia de ndo sucumbir a0 mal, a certeza de sal- ‘arse, Assim, o corpo do Redentor estno centro de um complexo no ual s¢ conjugam o alimentar, o sacramental eo escatologic. 2: ese erin sas stort fe huinithado do Cristo y agua five We 6, aa, A Contta-Relorniy real de Crsto na bostia santa It sessto, especifica claramner, 298 Sobre 0 ps *Ladevo xvile ribuido, em que o tetas da Eucariatia eats subacltne teow € afirmador refeigao de fim a. releicao de componeses de Louis Le Nain. Pela comunhis do-o piedosamente. © eristdo tem 1» pio comsagrade ‘que realirma sua pertenca ao corpo de Cr de vide que ded da confiesto, apage as os pecaden Serco no corpo mistico. Assim se ece uma estreita reciproc corpo de Cristo nutre o cristto¢ 0 cristo se torna meitibrodo coepo de Cris to Fa comurhao [requente aparece entao como o primeito dever de cristo, Porém mio basta receber 0 corpo de Cristo. € preciso ainda honei-lo celebri-lo. A rapid © macica emergencia do culto do: toque sucede ao culto de Corpus Christ resultada vontade da lgreja de favo. ever essa devocao sob todas as suas formas, No curso ds segunda métade do séctlo XVI, ela se desenvolve em toda a Europa catolica. No sea valioso le ‘ro da tazao, Chavate,o sarjador de Lille, chara respeitosamente o Santis simo Sacramento de “o Venerivel”. Em Lille, precisamente, 0 tivado em todas as paroquias e todos os meios da cidade, tanto pelos religio 505 como pelo bispo, ¢, a liturgia, insiste-se particularmente na Eucaristia. ‘Comega-se a valorizar os tabernaculos ¢ faz-st 0 esforco delevar com celeri dade e solenidade o Santissimo Sacramento aosdoentes, 0 “viatico™. As con- frarias desempenharam entao um papel essencial na estruturagao do culto aocorpo de Cristo: adoracao do Sanitssimno Sacramento na lela. procissBes solenes *pelas ruas e pracas publicas”. Por toda parte, no seculo XVI, a0 lado das tradicionais procissoes envolvendo corpos santos, a do Santissimo Sacramento toma posse do espaco urbano, Nada iguala em esplendor a pro- cissdo que ¢ organizada cada ano na esta de Corpus Christi Mobilizando to- das as energias, el ¢ seguida por uma multidag consideravel de fis que participam, revezando-se, nas oracdes coletivas nas pardquias. Por tras desta organizacio do culto, ha sem davida a ventade de prejudicar os planos dos mente contra Deus presente na onvequéncias dese ato we punicdo exemplar dos ts soldadon que, em K668, enn Lille, parti Asitstam as popilaghes « scares ram em tr ua hota consagra fragments numa chaga sao primciramente submetidos 8 tortura, depos atrastados & praca palklhea para colada onde fol cortade 0 punho do inst lor da perversidade que.exn sega, at cestrangulado eseu corpo queimado, quamtoao seu camplice, ele fol eneiado 4s galcras. Apo 0 castigo, vem ahora da cerim@nia de reparacho que mobili 2a asautoridades religiosas ea populacao de Lille Bio". Pode-se, porem, perguntar quais teriam sido as motivagiies das dois soldados: provocasiioinsensala, ou desejo mo menos i 20 melhor dos balsamos, a hostia consagrada? ‘Bem mais horrivel ainda parece o-ataque 3 Eucaristia com pleno eonteet ‘mento de causa, O sacrilégio € mais crimineso porque « hestis consage 40 mesmo tempo 0 sinal 0 corpo de Cristo. Prover-se de wna fac « & /hostias roubadas no intuito de fazer escarrer sangue ¢ 0 tema de sepostosbo. Imicidios ntuaisatribuidos aos judeus desde aldade Media, O-rumorsecalar & que ndo esta extinto, alimenta-se no discurso ant-semita da Igreja Fle ciona sempre de acordo com o mesino esquema: an grupo de judeus revan- chisias consegue convencer, a troco de dinheito, urn bravo doméstico a rou bar uma hostia consagrada, os conspiradores, de faca na mao. traspassam en- to 0 corpo de Cristo pata tornar a representar uma Paixio que, na opiniso eles, levara desta oaniquilamento da cristandade; mas es que'o sangue que escorre em horbotdes da hostia profanada trai o mtuito criminoso ¢ leva 0 arresto €& punicdo exemplar des culpades — 0 “sacramento do milagre” discurso sobre as criancas crucificadas pelos judeus atinge um gran suplementar no imagindrio do horror. © dossit € conheside nes 29,LOTTIN, aod). Vieet memalie dia Lilt... Op. ct» semitismo exace tua ea atagltert, 1a Aten awa so fata AC frit. DePO'S de urns Peuxlenades Or comp dio. Alguns casos ano o de Simao de Trento svt ‘ ayn a FAN Se gata onde s sio x morte em condigdes orrive Yeom see anos em ATABIO, os sobre wna pedra e depois yde La Guariia”, de tres Wdoocoragioanes decrucifics-ty m para comun- dladeira replica nessa eidad 4 Comunidade judia ¢ "portante, vac ser publica dos os primelros “estatuto Peo fato de estar no centro do mist isto. 1 Fucoretia ¢ encenada ilar uma Opinio sempy P Pre pronta a insurgi-se contra.» que the PATece sera ressunyencia contemportiiea do sacrificio de Cristo, Assim. dt rante séculos, 0 argumento do crime ritual de ‘do ma Europa para atigar 0 anti-serits me lacdes, Ets. Ju densau, a “porea judia” que se estigmatizay provacdo a comunidade sraclitae “a besta sing, ltamente considerados responséveis pela lar”. Os jone de Crista € dentes, para vingar-se dos progressos da verdadeira fe, rep comportamentos ignominiosas e criminosos com um jovert inacente que hhaviam tomado de assalto: fustigacao e escarros, cabs deespinhos, corpo crivado de navalhadas O rumor acusador era mais tena ainda porque encontrave crédito junto das autoridades eclesisticas. Assim. ollendatio homieidio de Si do for tado no Martirologio romano em 1584 e consignado nos Ada sanctorun em 1658. Ainda hoje, em Rinn, naregiao de Innsbruck, embora tenham sido re- 10 de Trento foi “aatenticado” qui tirados do santuario depois da Segunda Guerra Mundial o5 ex: votes m ‘comprometedores, a lenda do pequeno Andreas continua maniendo uma forte corrente de anti-semitismo popular” 11. O Menino da paixao Foram os franciscanos que, no curso da Idade Media, estiveram na ori- ‘gem do culto prestido ao Menino Jesus: s0 0 Menino, ema companhia do 32, MONER, M “Une ligendecn proces: lcs dt Saint Enfant de La Gurdia™ ta: La Lege: de Made: Casa de Velazquez, 1989, p, 253-266, 233, FABRE-VASSAS, C. La hte single Les ul, les cheéuens ctl oohion, Pars: Gall ‘mae, 1994, 4. Informagso comun:a bok, Menique plo professor Georg Sch bembine da Ava Corl asthe apie de Saban intro rary, p Adifusio de e.., ‘1 nto 0 globo terres, AVE As car melita in ae ees ip Cure sgmaet mepite Inento de Ctisto se via wold pra un crus que ald ema a a preparava para morter na cruz 4 tinagen do Menino Jesus sdermecido, que sparcces priescirmmeste a {talia, comporta dua variantes. A primeies. que & seprescnes data gaia braco apoiado numa cavetra,asemela-se ao tems, to dims nb curso século XVI. das vaidaes; umn texto scompanha geralmente 3 cena: “Hohe, sot eu, amanh serd voce". A imagem do Menino Jesus mergiltado am Sone que preludia sua morte far» pape de um memento mor. A outes imagem {ive representa 9 Menino dormindo sobre a cruz pretende ser eas range 2adora, € texto que scompanka menos duro: “Durmo, mas mex corscio vel. Masa cruz esta bem presente e anuncia o fim trigico do Reddemtor. © anuincio, pelo Menino Jesus, da violencia feita a Cristo ¢ apenas um dos sinais que precedem o episédio da Paixao. Por seu aspecto repetitvo, pela violencia que o caracteriza, por seu estreito vinculo coma vinda do Sal. vador, 0 massacre dos inocentes nunca deixou de. ‘natrit o imaginario do Ocidente cristao. 12. 0s pequenos inocentes ‘Trata-se certamente de um episédio de importincia secundaria dos Evan- ethos, sO mencionado por Mateus, mas a cena, retomada ¢ valorizada pelos Evangelhos apécrifos, impés-se como tema iconografico importante do sé- ‘culo V ao século XIX.E que por tris da dimensio trigica do massacre de cri- ancinhas pode-se adivinhar um forte sentimento de culpabilidade: esses Inocentes torturados em sew corpo, nao 26 anunciam 05 estado mut AD 4 He Seu pra sramelitas, win ¢ Passa, quan a omattfio? evn wemonoasrandes alas EVI sea as quis ets se vEEM Conroy, vec powinescde martirid. CCEA-SCAO or _eoneel pelo poder pags, ser tornado em set Corpo pela sua jc ie do martirio. Aspiraco a0 maruiric, pleva a buscar novas formas ¢: ‘ou infiel — ‘yao encontrar no cada dia, eles su. era, fascinados obstaculo, *o maior inimy ‘ompanhar 0 Redentor: 0 aryo vetor Todas formas de humithaco ram explonaaa ‘ i e-llaceradas, governadas pelo pritespio da de ricacdo, da perda absolue tade si mesmo, Se a pessoa nao hesita em tort >. casigh lo, & precsamiente Bonecle lo meee nent eepeito, Nao ans dos ig cag + UMA Vez que 0 compo € ds vezes 1 valmente abendonade a natureza, repuignante por ¢: aust da sujeira consentida ¢ fervilhante de ver Ines Ou DAFBSIAS: ¢Sabe-sea ie xtremis pola chagareset Sabian do Corpo em Jolo da Cruz, Jona Delaouee emo Labre. Na verde, pars wo. dls aqueles que somham aviltar su carciga humana, o corpo do pases de tim “oceano de miséria” uma cloaca que result da condigao de pecador: 0 corpo imundo, recepticulo dos vicios, “Eu nao sou mats do que umm etna me; devo pedir a Nosso Senhor ‘que na minha morte meu corpo seja jogado zo lito para ite seja devorado pelas aves e cies. [| Nao ¢ isso que devo desejar como castigo dos meus pecados?”, clamia Inacio de Loyola. A ima- ‘Gem, tao espalhadano século XVII, do “homemde ‘bem, Jo”, coberto de cha- gasinfectas efedorentas, humilhado em seu monturo, a imagem das vitimas Teplignantes, atingidas pelo mal morfético, no retabulo de Isseneim em Colmar, traduzem bem uido o que este “saco de imundicies” que €0 corpo odia inspiraraos misticos. Uma atitude como esta em relacdo ao corpo vai ‘de par com a condenagao das doguas c prazeres da via. Alas, esta antude ‘do € outra coisa sendo uma morte camuflada, Também o tema da putrefa- ‘€40, dos odores de decomposicio que emanam do corpo vivo ¢ frequente na literature hagiogratica: a morte ja est na vid, Domar a propria carne ¢ antes de tudo iniligi-se uma feroz discipina. Tmaginando e aplicando-the as coagoes mais dolorosas, todos aqueles que -desprezam 0 corpo e rejeitam este mundo terrestre esperam de fato adquirir ‘© mérito santificante. © “odio do corpo", que leva a sua destruigao lenta e sistematica, nao procede de uma conduta nova no ambito religioso. Alias, s a, tubituado areceber a dis. ‘modelos figuras de mnt, Durante mMUlto tempo fo, has a partir do seculo \\) insignes. go de seu corpo : faz a0 prop le variedade des Wa de alimento, jo Laus, Ben dinasto © ate The acontecta muita privou de todo alimen um pecador que Deus pareeta dh preocupa apenas com sa sa de ajudar 0s outros a salvar-se, At tam-se com refeicées frugals sem rienhum tempero; mas h Jonge ainda, comprometendo voluntariamente a qual vem. Na segunda metade do século XVIl. Carlo Severan cchinho de Faenza, s0.come pao bolorento m mergalhia na agua fetida proveniente dos restos da corinha: sua mancita do natural propria de superar sua repulsa, de enganar seu corpo, de ti Perverso da carne... Que cinza etambem. terra, que remetem a imagens de destruisao-e de morte, entrem muitas vezes na composicio desses cardapios Fepugnantes, ndo é de surpreender ja em vida. o mistico prepara o aniquilla- mento de seu corpo Alids as privacoes podem ser moduladas no tempo. A's sstinencia total; mas, no curso da semana, © sanio se Gonienta com um ouco de agua e de pio durante dois on trés outros dias, No tempo da Qua- resma, cle se impoe uma exirema privacdo: seguindo o exemplo de Catarina jira €diade de Sena, ele s6 se nutre entao da Eucaristia. Na realidade, estamos aga dian- te de modelos de comportamento que se repetem no essencial na vida dos santos desde os séculos XII-XIII,¢ o aspirante ao martirio nio faz mais do que engajar-se em esquemas preexistentes; como as religiosas espanholas que, no século XVI, copiam fielmenteo comportamemto alimentar de seus grandes modelos, ‘A essas formas classicas de abstinéneia, de “anorexia santa”, algumas teligiosas preferem uma espécie de “mandhucagdo piedosa” que as compro- 45. BEL, RIN. Holy Anoresy. Chicago/Londes, 1985 fem func Lianaresesaite— etme ‘ec mystiisme di Moyen Age a mes jours. Paris PUF. 1994], of asta wrest SRE a i i g i | “sean Seals pretence oa OHIEEAS prey eneractos Pela ANGEL 4, das reliquias de, \faleetda em 17212, con, , cao particular por s,, ie da dguea onc este era “um remec, seexteriores”, (uy ode “beber sangue se sem chic: da comun e escreven dos pais do quie uma ve: ©, diag mistico° pacidade to proclamada de viver sem alimentar-se,ow até semi umbiente que ve natsralmente neste domtnk de santidade, Qu ido a abstinencia total dura semas lt abala a opinido, a autoridade religio > poder medico, Mas com dis Linguit a “anorexda santa” da franide?” As mulheres cujo caso evocamos, visio que se tra juase sempre de mu. de dormir, de engolir um alimento solido ou liquido, de evacuar naturalmente Mesmo assim mantém a cor da carne, mostram até bo Iheres, sito vitimas de surpreendentes indisposigoes. Elas so incapaz ba aparéncia, desafian- do assim.as regras do comportamento ordinario do corpo. Mas todas se xam deuma sensibilidade extrema quando sao das. Todas “conservama tagarelice”, arazio, salvo em alguns mamentos, quando uma “forea inven vyelas reduz ao silencio”. Entao, sem perder 0 conhecimento nem o-eatendi- ‘mento, “numa especie de éxtase”, elas dizem ter necessidade de ar fresco.e algumas exigem que-a janela de seu quatro fique aberta de dis ¢ de noite “Um estado to extraordindrio de viver ¢ de engordar sem tomar absoluta- ‘mente nenhum alimento” faz proclamar bem alto a maravilha, o prodigio. O ovo acorre dos artedores para ver “o milagre” e reverenciar “asanta";e esta cconflagracao se faz muitas vezes com a aprovasao do paroco do local Os jornais relatam dew em quando um desses casos desconcertantes Asvezesse farejaa impostura:duyidas sto emitidas a propésito da abstinen- ia € um magistrado exige que 0s médicos “visitem” a jovem mulher Sera ue ela quer levar vantagem com essa prova? Seu credito aumenta, E cis que Aquela que até entao se mantinha reclusa, agarrada & canta, manifesta agora ‘0 desejo de sair para fazer suasdevocdes, Fla ¢ levadaa um santuario concei {ado na regio, nomeio de um grande affuxo de pessoas, onde faz suas ora- “46. Fn eada caso maniltsta-se “todo um nucleo de desees, angustasefantasmas que giram ‘ent orno dat relaga cor a linhagem lemnina-recusa da procriagao, amenortea, emagrect ‘mento. CL MATTRE, J, Anorexes relgiwses,aorexte mentale Essa de poychanalyae socio. Instore’ de Marie de Mlncarsationa Simone Well, Paris: Du Cerf 2000. Here ePEE AYE HEI Ie Fiwadoas mies, 08 01N08 C091, salle que pode caning, com grande assony, pessoar o milagre nle, Os medicos fi, les M0 Conse, €pela credit, am depois dae ncOM sua abs, havia tornado do simula santos ust Ipue apartc considera! constant on. 8 gma e'0 tara benitente*. veatir uma roupa de tecido grosieteo, cayona @ remendadas sere ccentar a ela. um, * que corrbemn 4 carne, levantarse de nidite para aplicur-se a disc plina com chibta ou com 8 quials les pretendem superar os ite s40 vias ordindriag pe- desvios do corpo. De (ato, ¢ durante 0 sono noturno que 0 perigo ¢ maior: o ‘relatos hagiogralicos estso ches de historias mas quats o diabo entra no lugar, apaga a lampad, fax tanto bar. tho quese diria que tudo ests desabando, comaa forma de bestas horsives, fere como um rato 6 santo em oracdo com tanta forga que ele tras es «as crueis por muito tempo, Neste caso ndo ha outea so Perseverante diante do enucifixo que possa pereite-h ‘G40. O diabo, vendo-se enganado, decide emtao ab 0 Seno a rags sandonar os lugares ‘Os textos comprovam a importancia do sangue em todas essas condutas de mortificacdo que, alis, nein sempre sao vividas como tats pelos fies que se submetem a elas”. Cristo nao derramou gencrosamente seu sanguc. est “preciosa sangue" cujo culto foi tao vigoroso ne Idade Média? E os primel- ‘osmirtireseristtos, sera que eles ndo deram importancla so scu-sangie no anfiteatro? Um duplo movimento derepuisa ~“o sangue, esa coisa horrivel em si mesma”, segundo Santa Gertrudes ~ e de valorizagio ~ “como seria ‘bela minha veste branca, se elz Fosse tingida de sanguc”, disia Catarina de Sena exprimindo assim seu desejo do mantirio ~ caracteriza a visto mistica em relagdo ao sangue. E, na Espanha, no século XVI, difusio do cuko do sariglte coincide com o aparecimento das primeiros estatutos de puresa do ‘sangue, Todo este samgue que se faz agora correr das chagas de umn corpo fla- ‘elado, este sangue que se recothe em pans de linho ou em vasos quando ‘morte uma pessoa santa, parece como a parte viva e nobre do corpo. Os re- Tatos das religiosas evocam constantememte 0 “Sangue divino”, o sangue ge- erase, “que so aspira derramar-se”. “O martinio:cotidiane prepara para o grande mattitio de singue™ 48, ALBERT, J-P, Lesang et Te cel — Les ssntes mystiques dans le mondechrétien. Paris: Au bier, 1997 49, LELIEVRE, V. Les jeanespenven-s etre canoniss? Par: Tega, 1964, p. 47. a Jogo da coneupiveenciy otto FECUEND SETAE a a, sneaga clestruir a py mario eM 1660, se ,, ecaminhadepors durante, em Pais, em reac, balam a save jela Bourigner do comes pum refreat iicio de crino ttre) da uleia de que em pouce tempo seu corpo, sua "caveat, serksetmelhaie' deles, Depots, sum belo dia, ela decide, sem conbectmente de sta fanniia, ir para odeserto”... Severamente repreendida porseu pai quea tras de volta lar, eladecide transformar seu quar em cela onde pases seus dias € suas ddormindo apenas rés hora em 24 horas, it cain de defunto que ela ve fe noltes a meditar, orar, jeju racer secretamente, Em outubro de 1038, cla decide partir de vez, prevenindo seu pai que aamaldigoou. Cameca e ‘ao para elt uma vida de etrancia que so terminaei com stix morte Toda sua religiao se resume na rendncia a0 mundo, a todas as afeigies, a familia ¢20s negocios, Ela conversa freqentemente com Déts que the per- mite prever o futuro; escreve muito, recebe religioscs de todos os horizon fs, médicos,cirurgidcs, teologos filosofos, os quais ela pretende impor Fegras estritas de vida Sua religiosidade vagae seu proselitismo religion lhe arranjam inimigos ferozes entre as pessoas da Igreja. E ela tem de fugir du- ‘ante toda sua vida de cidade em cidade... Missionarta infatigavel, sempre a ‘caminho para visitar uma comunidade, para fazer novos adeptos, ela na0-se oupa nenhuma fadiga e acaba morreado um dia em pleno trabalho 40 lado de leigas que, como Antonieta Bourignon, optaram pela ascese, ‘mas dispdem de uma certa liberdade. ha outras, mais mumerosas, que deve respeltar as regras de uma vida comunitatis, O itinerario espiritual dessas religiosas contemplativas nos € conhecido pelos relatos que seus proximes-e elas mesmas nos deixaram”. Essas “vidas”. redigidas muitas vezes a conse Thos prementes de seu confessor, s4o ambiguas, pots, se essas mulheres fa- Jam livremente de seu caminho espiritual, els se mantém numa certa reser- va quando 0 corpo esta em jogo: devem comunicar sew testemunho guar. dando ao. mesmo tempo uma grande modéstia, falar das gracas recebidas ‘sem vangloriar-se. Os numerosos textos autobiograficos de religiosas espa- 51.No s¢eulo XVI. st0 milhares de bgrafes que foram escrias por mulheres, Ct LE BBRUN, J “Liastiution etl comps, lieuxde meémoire, dl apres les biographies spinels fe- Iminines du NVUsiele™. Corps Fort, 11,1984, 11E-121 Le Memoire acerta ambigaig, ‘demonstra wn uncerto mimetsto c odo Carmelo descaloo qui dsr e04¥ele 4° poy sg deummimaginarié mais exnveray, ease desconfianca”. Ora, ¢ ex ‘na Espanta do século XVI. Jejun, lag eontros privilegis ‘obtém “a suprems Seria atentar anto, o mist faz rejeitara 5. Inscrito no corpo Tornat-s compo de isto passando por todas 2 provassoridas pelo acto mais sublime. A tradugdo corporal da tin: tagdo de Cristo toma entio a forma de d Homem das dores, eis ap diversos fenomenos: da estigmatiza. loa transyerberacio, passando pela inscricao no ;20 ¢ por todas essas areas que sto provase inais de cliso. Sao Francisco fot o primelro leita a menos que seja Marie d'Oignies ~ e o eminente modelo de peracses de ‘misticos, Amplamente veiculada pelo texto e pea imagem, a estigmatizacao ilusira “a convergencia de duas vias da imiatio Christ: a contemplagao das hagas ¢ 0 martirio”. Alias, os estigmas sio menos tum sinal para os olhos do «qua sede localizadade um sofrimeniovividointensamente por todo o corpo ‘um coneentrado de sofrimentos, uma chaga donide escorre secretamente 0 sangue do misiico: nodules em torno da cabeca, alguiis velumoxos “como Brossas nozes”, pus endurecido, feridas abertas impregnadas de sangue seco, Simores. Todas esses sina nao sto chagas, pots algumas santas, para viver ‘mais intensamente sua paixdo, conseguem que seus estig mts permanecam ‘lase invisiveis, mantendo, porém, ao mesmo tempo, seu potencial de dor. Oséculo XVII foi um grande século de estigmatizacao”. Por mais que os Franciseanos quciram defender carter unico da estigmaticagio de Sao Francisco, Teofilo Raynaud, primeiro historiador dos estigmatizados, citava €m 1565, alem do santo de Assis Catarina de Sena, treze casos de estigmati- zados completos com as cinco chagas, e cinco ou sets casos de estigmatiza- dos parciais, Menos exigente ou mais informado, Amaldo de Raisse. em 1628, havia assinalado vintee cinco deles, e Pedro de Alva, em 1651, trintae ineo. Mas o que valem esses numetos, ia medida em que aestigmatizaca0 ‘Bao €um fendmeno sempre visivel, constatavel? Alids, a estigmatizagao nao afeta todos os eleitos da mesma maneira, Rita de Cassiando recebew mais do 54, ADNES. P Artigo“Siigmates. Dictimnaire de Spoitualite Asceque ¢ Mystique: Op ct ‘Tomo XIV, col. 1214-1219. cde Sena a PHAMAPHO. 0 fo, hagas: Mais dfietl ain caHOH EM GUE Telly, zadlas, clas mesiny, em crucifix vi, XVI. Mas uma Sa0 Fra por isso que a 1, de tase hor disse enian ao mew ane mew aco 14a que continuasse por mien. Ele abe dece, cc indo 94a mo na minhs calbecs”. Ke nando conseréneta, ela iodo, he\jando com amor cseyo de partilhar as does que Ele hava sofrido etn cada uma delas. Fla teve 1m exiave, dursme o qual Jerus Ihe ces Ile perguntou o que ela dese- Java, e cada vez ela Ihe respondeu que queria ser erucificada com Ele lade {et visto entdo cinco raios bilhantes sa receu pela segunda vez. P cine chayse de Cristo. dinigir ‘se para ela, “pequenas chamas, quatro das quals erat cravos ea quinta a lan ca", Saindo de.seu éxtase, ela constaton que suas macs, seus pes e sea ldo estavam traspassados, A Inquisicdo, a0 tomar conhecimento do fata, confion 30 bispo o Cuids do de investigar: Ele foi 0 mosteiro ameacou quelimé-La como bresxa no melo do mostelzo. Depois fez encarcera-la numa cela, obrigando-a a man ter-se de pea porta como uma excomungada, sob vigilancia de uma irma conversa. Medicos foram entao encarregados de curar as marcas qu {a no corpo. Durante varios meses encerraram-Ihe as mos em luvas que for ram lacradas; mas as chagas, em vez de curar-se, pioraram. Humilde e resig- nada, desolada ao ver como as marcas recebidas perturbavam-a vida da co- munidade, Veronica pediu a Deus que fizesse desaparecer os sinais exterio- res dos estigmas, reservando-the apenas os sifrimentos. Isto se cumpriu tr ‘anos depois, 2085 de abril de 1700: na mesma hors em que ela os havia rece- ‘uima mancha vermelha bido, os esigmas desapareceram, deixando apenss sem cicatriz, Nos anos seguintes, porém, os estigmas reapareceram. Em 1714,0 bispo ¢ um jesutta especialmente enviado de Florenca, constataram [que a chaga do lado podia fechar-se, a pedido, sem deisar nentvurn stnal de icatriz. Esses si0 0s fatos relatados nas atas do dassié de canonizagao”. Ou- tras “experiéneias” tiveram lugarem segitida a tltima em 1726, ou seja, um ano antes da morte da religiosa, ¢ todas foram conclusivas, 56. Veronica Giulian fot canonizada em 1859. tate fonen0s, ples too is que uma simp Mas as chugas jrous Mlemvoniaca, © © papel, de wma efteate direc, vse tnatasse de fra etismo. F {rus cotidiana assim a1" dia. , desde tn h qu 2 ha mati lexivel como ima barrs de ferro. p, ets indizivel martirioe de uma indizivelfeleidade"”. ce ‘que Benedita chamava de suas “dore eee anos.es0 foi interrompida durante doo mosteiro do Laus. Esse comport nada tem de excepeio toda mieten; « evocato do sacrificio de Criso é de regs tada sexta fine Esse dia ¢ marcado por uma total ahstinéncia. por uma teleitues meditada da Palxao e pelo estrito respeito das diversas seqttncias desse dia agieo Mus S esteacompanhamemio de Cristoem seu camino da crus procede de uma atitude deliberada, nao acontece © mesmo com ceriae mani Tepeticlo regular s6 pode ser sobrenatural aos olhos dos contemporineos, Assim, entre essae mulheres esigmatizadas cujas chagas sangram re “mente cada sextaceira,¢ ainda mais do que habitualme: Santa, ou entre aquelas que sangram sete vers ‘horas candnicats que, como se sabe, tambem esiao em relagio com a Paixio. Tonge de serem anaraquicas,essas paixdes aduvantes sempre ser “altayés dos textos que as evocam, pelo modelo cristico. ‘A estigmatizagdo tambem pode tomer o aspecto de um fendmeno pro- “Blessive que comesa pela coroa de espinhos. Aliss, acomtcce que a furura Santa se veja diante de uma escolha que lhe ¢ proposta: por exemplo, Cristo "patecen a Catarina de Raconisio no Piemonte apresentaindo-the das coroas, uma de florese a outra de espinhos. Fla escolhe, ¢ claro, a segunda, mas, como Pea dex anes, Cristo resiste:*Voet anda ¢ apenas tuna ciancaceu guardo Dara mais tarde {ese diadema) para voce”. Elaacabari por recebe-o de fat, seul por dia, isto ¢, em todas as BEPERAGD, A. Le mois de Nore-Dame Laws De, 187 p 180-261 se rranapvrta cot Forea pr, inistica tendo side medices ¢ 8 € sempre mais ou yvel®, sublintin Cajay), ram sob juramenio va a (© que esse ipo de hagas nada tem de natal. $60 Celie feted &, ex yy, or da alae que € aletade , dor da alma e do-corpo tem o poder de produai sch ua tal malo ‘io. Através do corpo di mistien, ¢ Gxatindate: Catia deloe gaan es parecendo ter sua ovo para sofrer portanto, a estignatizacso ¢ sobrenatural ALE, Principio Cristo, do gu, A traduciio corporal da imitagio de ests Cr forma de inserigoes lite » também pode tomar a 6 que as eligiosas recebem ou que elas mesmas se infligem™. Essas “impressoes ~ 0 termo ¢ freqaente nas biogratias femi ‘nas do século XVI —constituem o meto de tornar sempre legivel ocontetido da fe, de guardar 4 “lembranca eterna" de uen episéxho privilegiade. Comoa incisio na cisca para gravar um nome, o entalhe na carne quer persuadir a ermanéncia dos sentiments; ela virdtranquihizar aseligiosa no dia em que a duvida vier acabrunhit-la, \ impressto ctia a cerieza abolindo o tempo Essas assinaturas piedosas, “essas bocas mudas e prolixas” constituem out te correspon F {tos tantos sinais de eleicdo, Alias, a atualidade dessas gracas € conservada do sangue do Re. pela imagem. Assim Zurbarin contribuia para tornar conhecilo o extase durante © qual, noséculo XIV, 0 Beato Suso inscreveu em sua came com um estileteas iniciais que fariam de Jesus o Salvador de toda humanidade. Alias, as imptessdes nose limitam 4 casea do corpo,a pele. Gomo © corpo anato- sencle, corps 4¢40" do cory tizado no anfiteatro descobre progressivamente sobo escilpelo seus orgaos esconididos, 0 corpo mistico abre-seas impressbes profundas, até o misculo ‘eardiaco. Para os cirurgides que buscam pela autopsia de uma religiosa os indicios do fogo interior que a devorava em vida, nao hi duvida de que € ‘exatamente no corago que eles podem encontrar esses tragos”. O coragdo ¢ ‘uma cera sobre a qual seimprimem as paisdes da alma, Sers que as manifes: ‘tagdes do amor foram verdadeiramente excessivas? O corpo fala, Numa de- ‘58. ALBERT, JP, Haglo-graphiques—Lecsture qui sanctibe", Terrain. n.24-La fabrication dex saints, 1995, p. 73.82 59, SALLMANN, [2M Naples ses sain 0 age haroque: Op ci, 30, ase sana t0 evar van igiavar € Pe docque Deus The hav : ragaede a0" os sumeoeaeto novo”). E so 1 eomtoda razao que Elles recon maneira que dizia “Mew Wel de um? fez Cristo softer”, Con crn Seespaadaa exemplos se multiplican aie lebre de todo 0 sul da tral nina siell sas, Seu congo tambem consun 4 e=cém ainda ae Boadgbil ticulares da imervengae, par pressa ao antincio da morte da religicae “Por isso ele pegow tm canivete que haviaem sua sacl coen ua abo Pelto, [1 Depois de cortara pee co use hava ho higar tum serrore™: mas os serrotes ue the ceram Se mostraram inefi ‘azes, Entdo the passaram uma faca dertads que resolvea enfim 6 problem “Uma vez abetto 0 corpo, ele foi encontrado semi coracio, mas em seu lugar fuvia sometite um pooco de pele quetmada com digumas gétas de sangue Este sangué fol recolhido numa colher de prata e€ conservade incorruphs ‘hur frasco até agora. |..] Quando vimos isto, julgamos que seu coracao se ‘havia quetinado com o grande e ardente amor a Deus que a Madre tinha em vida; como ela mesma havia dito diversas veces, que se sentia qucimar™® No relato meditado das palavras dos antes também pode estar origem dlemareas no coracto. Um sermao sobreo amor de Deus, durante oqual Sto Francisco de Sales dnhaevocado o milagre da trocade coragoes entre Deus e ‘Santa Catarina de Sena, impressionou de tal formaa Madre Ana ‘Margarida lente “trouxe impressdes to vivas em sua alma que ela se aplicou a elas 9 dia todo”, Essa graca intima tradaziu-se por toda sorte de impresses em __ Set CorACHO: feridas, estigmas, figura da Sagrada Face. Mas devemnos certa- | Resteleresas ‘marcas de amor, trazidas pelos relatos do fim do século XVI, = Pe ces etna por hero Camporesi: Laci passe, Pi Flammition, 108s, i ALP, Histoire des marvels de Neve-Dame dh aw tres des archives da vonerabte Gap, 1856, p. 308-309, n Jo tempo de abrir 0 corp, 8 figura séaulo XVI, endo somente na Perinsuts, conypn paroxismo do amor e da dor, ¢ ones ie sos, nesses rélatOS, 05 c4508 de transyeth eaberacto: un ccedente do Santissimo Sacramento vai ferir tgaeetads Vi pede ni, trina corporal. [...J Viem suas maos um longo dardo de oe hc viafogonacattemiade dina inhas pcerodensr ne fiaya'alanga no meu coragao diversas vezes até chegar as ne = que ele me arrancava as entranhas retrando-s, deivando me tutlncnee abrasada de um grande amor de Deus. A dor era tao viva que en pati -agueles gemidos de que ja falei, e a suavidade desta imenss dor étao incrivel, que se pode desejar que ela se suavize, ¢ que a alma nso pode contentar-se mada menos do que Deus, Nao ¢ uma dor corporal, mas espiritual,em- ‘bora © corpo nao deixe de participar um pouco e até muito nessa dr” a rerberagao ¢ acompanhadade estigmatizacao, a religioss mada mais Ihe falta, A madre Maria Madalena da Santissima da divina ferida do labo, donde satentaoum “sangue res ; depots, senuinclo-se “repentinamente ferida por uma mao the os outros estigmas da paixao”. Seu corpo, marcidlo & lo-corpo de Cristo, faz dela doravante “wma copia acaba dele oi pregado na cruz’. A suprema consumao. pmento do cuito a Tafancia de Cristo na segunda metade do uo pelo Menino Jesus 4 sei davida o papel desempent a hi np BF ore UCLA Wacom a re A cP Osu TP. ede sie Tat de etn) ion 1606, Veronica, or, AVISAO que tc chat: “Ele me cole tamente trasp emelez compreen eito. [...] Sent que Tendo aproxims dor. Quand. eal, evo fiz on p fechadas as @ séeulo ajudar on fis a suporiar seus soln meiros martires ctistioy. E, em 166) to de exptrito des pei dos minimos (religiosos da , # “ de NERS ports da homoniia:“xrpo miei" « S07 ewe mse (sent lie). La religion civic aPC nai de Rome, 19S ou de Nanere (199), Rom don coxpos santos furdadores: Sem divi, camndistanctarse dessasantigas soli, signar onramere dere novoalagas entre indivicluo ea coletivijy corpos santos. Now 286 tu sambotogiarligiosa, nas virtudes erst ram enummerados 167 relicirios pars o ‘uma concepcto mais profane da vida. \, a 62Brehiqalns tecenseades, ou seis hss giny, ve -velhas crengas continua fortes e ninyyey, mnosteiros posswaiain © masor numero cela f | sedava a seu valor terapeutico | Masde que reliquias se trata? Se podem aquias do corpo, por outro lado ¢ impons partes do Corpo Se trata. No total, um pirico me tence’a personagens do Novo Testaments. Sto re ra frente de Est@v20 € Bartolome. As mulheres so mrs mente pela Virgem, 0 que nao surpreende. de i hnierarquia que coincide localmente com a dos premmn: ‘esa nd € propria ao Limousin, uma vez que podemosencontn ims difereneas, em outrasregies, Mas, como muitas igrejas foram consagra- ado ‘uma mulher piedoss ou um fragmento i, passada a tor el Featar com as an- ede na ordem Sao Marcial, Eutrépio, Loureago ¢ Martinbo, Ferreol, Sebastito ¢ Roque tesesunhum que os fies conta, {erapeutas que alviam seus males cvianos Feliquias sao divididas em parcelas, Em ger, 0 06 Peregrinacdes conservam corpas inteios, Naver fo do corpo santo nao perturba a consciencia religions ca até os beneficios da reliquia, pois cade parce rie vale pelo tedo. Potente, acral primitiva: aqui,» pa Ho dos restos ¢ ate seria prejudicial priva dele wvergo aces parses dR yes des sg cher: est = ea logue de Tous oO ance — Actes da XXX’: 1 Art itp 3355 ae | ' eliquias de dedos jamais seas : p ferment faz cr eénoemanto ™ me para 0 devota, Como 0 “te bragos, grande € no entanto a varied, : : Nets de ing, aparcela de retiquit vem fecunclar as cy, samente conservados, S40 Tiago Maine ey 4s foram pled nto Toms de Aqutiney 05 om Ma Mas, na yasta panopli das retiqy, ‘em Bolonha, SA0 Teobaldo em Thann, (ulasde maior valor por serem mais ny Gertrudes em Bamberg, Santa Isabel ex ties, tio, Algumas tem Felagdo com a patxio de ¢ cm Veneza, Santa Margarida em 14 Benisons ty, ycam milagre eucaisticns (sang, muitos outros, sto venerados através di rligusa de isto de Crisio) s40 descartadas, 3, seculo Xl. a0 século XVI, e3808 reliquias pou fragmentados dos santos, nem tudo ¢ epemasebracos gum | tias. Os flancos, mais raros, sin | XVIPEXVIT.A cabeca pre. | odasas outras reliqui | Eabegsdeanimal, pose | “nique, Santa ents Mars Madalena em Manse dedos”. Do tculares foram maps. cadas pelo trabalho dos ourives, muitas vezes ee, das categoria de én ram apreseniadas num escrinio de pratsricmente decsce eum dedo ou numa cwstédia de cisal. Mas éctaro ge com a forma sis venerados forum os dedos do Precursor, sobretudo o indicador em Baciét, Padua Augsburgo, Brunswick e,na Franca, em Saint jes it. Assim, of ot ives, como 05 pintores, os escultores eos gratadores contabuleam para AGHO dos misticos ea cada difusdo de um modelo iconografico,o de Joao Batista smunciando avinda do Ro centro das expes Mesias, com o dedo indicador apontando pars. ceu 8 num busto-relicario. 3 A religuia colocada a distancia POF Ocasite da abertura dos tumulos, do tala 0 eleaco ds ele # do Santo 20 altar, a igreja organiza grandes cerimbnins cheias de sle- {das reliquias 6 uma prerogativa episcopal amplimewe dos no curso dos séculos XVI e NVI. Ela constitu de fare = peso na obra de manuteagao na Igreje OF de reconquists A heresia. Da-se naturalmente a este evento um! carter Ate Vivememte os espiritos que. dezenas de anes Jeposs lstiram ainda dizem com emorto qe foi um dos empos de Burmpes, | Teinos um exemple dissono padre bamabits. ‘oral como gestual fee Tome VL Mani anges eallxin sw deschon a as santigaidades” de sua cid, can 1620, das reliquias di, 4m presenga do arcebispo asisantas reliquias e, para sy seus bratos muitas vezes rep. ododia, Tiveaconsolac:, jo séctilo XVI, 6 cardeal Geo: ‘mpanente cerimonia pars icontinuara bem viv da diante da igreja de ido povo reunido lc ‘O5s05 do santo; em {0 de prata, enquan: proteote do santo poam toca regu esse corpo morto bem vivo esperavai-sr y,, bo relicéto, pots Aqjuele que toea.os esos de um santo, dizia Sto Basic nile reside”. deseJo de estbelecer iin ox nite aca que paimiase também, desde a Antigtidule, pe em nn Mme pela incubagto no timo das pessoas sansa eee de que Wade Média oferece tantos exemplos. As teliquias privadas nto cram rarss ¢ circulevam forma de ini com o corpo sno. Porgc en spas a eS aslevassem sobre eu corpo, a Reforms ctsica whos os {ste cOrp0-8-coxpo suspeito, eta pergcsa confusions pa mie tos Sagrados. Assim, em 1619, os etstutos sino de nog space Fam um regulamento proibindo conservar reliquiss ex meee ‘comercli-las ¢ retird-las de seu relicario para mostri-as" Parece que oi di- fll a aceitacto dessa injunglo, pois em toda parte continuous mais ox mex tals reliquias. Mas, de licita, a price tornos-se condenivele Im que as pessoas 05 de culto, as reliquias foram dai em dianteenceradas 3s, Nao foi mais possive ter contatodieto com elas: ontentar-se em vé-las &distincia, straves do vidro que as udacioses dos fii. Alias, para evitar os furta sacra, os 5 sagradas”, tio freqdentes na ldade Media, os relicrios dos ‘gum boa altura, ow instalados sobre pilares queen- de so eram descides, depois de “retirados 0s parafisos” ‘grandes ocasides, no dia da fests do santo ow quando Fa Gomunidade. Numa cutara'emquetoeat ale come Be Gepera mato da coniato dito com corpo dooutm N=IND dictancia Fisica das reliquiss fol vamente sentida SO BON TesKOS Vererag, ainda aproximar Fp allcd-los sobre 0 cory jose aes oe 90S Party Jcolocar sobre o Ventre 0 cin to 4, ide saint Germaindes-Pres. Quan ‘como mostra o relato to ins, Santa Genoveva' 15 do “comtato aviliante da quando se trata de | g5,at€a dilapidacao da reliqus corpo do peregrino. Duranic patra operi-lo por ya um pedaco de ‘bem fina, ele = ddo.ao santo ¢° s¢hata em forse fo, depois cingia# 5. dois la gro bom ‘operacio.” ¢ comungi” er “num co?” ou outro tecipiente particulay egriago €r8 uma sseese aha No final do see ado Adevoct0 88 reliquias-colo rte corpo de Cristo, com 08 outros evry Ws Christ, gaquea Contra-Reforma vec ese h : ” rudan, peca de ourivesaria, na qual foi in trada numa eucartstica”. Nela esta presente o oem das reliquias dos corpos santos: ¢ quel sem ado‘ volado a0, 0s ft se contemtavam em devori-lo com os olhos. \ culto da hdstia santa nio veto rebaixar os ei posta pelo Bole este valbrizacto das reliquias, no empo em que foram eubiat Contato dos fis, veio acompanhada de um movimens - Os restos do santoou santa sto colocados ‘tum novo invélucre santos, a0 contri, onbecimento, mas decen- tedo que a uma funeraria primitiva em macleirs bichada. Com ee, ake: tart dos ttimulos nao € uma simples manipulacio: ela vem: acompenhads de ‘um exame das “autenticas” ossadas, as v ndo por médicos. E reco- Mhecimentos redigidos em tiras cle papel ou de pergacninho vém perpetuara WelaGidade da constatacdo, Trata-sena verdade de ress Ascrtcas daque- TeSque, Kumanistas e protestantes, permitiam-s colocarem divi a iden- ‘Ossadas. E, neste novo contexto, naturalmente cram valorizades {eNOS santos” locais, cujo corpo muitas vezes permanecia intacto, Lverdadeira provenitncia de urna ossada isoluda posta mats facl- aval fu da autenticidade dasreliquas nav ¢scundii quando x Be ge faz para dar credibiidade aquelas que se Possuem ou ae “Em 1630, na obra que ele consagr: a0 Gitinals ae Bpeor- mar de Fertres, laa ocas sinc wens dS Be a icnio de Si Escolistc, raaolenenvente lve Dara a Abadia de Flen-surtoir He falade reconhecimen- a wry t Navertade; mutta Vezes tmp, ex “ogi do que comprovsy spel nd culto. Era seu vial, politica de acquis; ‘vatiedade de reliquias. 6, tanio pelo desejo de. eco, como pela vont ydefato aproximar cs Por Lunero que o diante do Eterno mia colegio de rel fazia vir reliquias to meticuloso 50 aS: particules da 0, palhi reunido um inte, era, Po fas, reuri2* 4 Areliquia no centro das contr, O expirito de buero ner sem ios. As reliquins veneradas d legio de estar junto de Deus, s percusst0 €, por Conseguinte ar ‘ou considerados como tais, esto i maior. A veneracdo das reliquias per todeset dbolo, obter consequentes ren comeréio de reliquias, alias muitas rns jeltam essas perigosas confuses. exes Hen Estienne, ém sua Apologia para Herod, incoeréncias € embustes que acompanham RVI, "Eomércio dos restos” Alits, cs calico fer excessos que os chocam,e alguns cc do culto em nome da decéncia. Um do We negoctar a reuniao das lgrejas protestant nhs junto aos pastores paraspinal dso tudo que favorece a supersticao ¢ 0 ginho sordido””. eeconhecendo assim ddestjada nem sempre era completa 9 apés Tren das imagens ‘bem depressa a questio dss reliquias fot colocada no terreno do Rtintias uma das maiores controvérsiasente ctclicas ¢ refor Fiefplo da justificacto so pela f,comoera frmulado na Confis: 5 evava os reformados a denunctar » culto des ss Gitio, evoeou a antiga doutrina que foi desenvoleida pelos fos corpes dos sans, por trem sido "membros Ws de do Espirito Santo”, deviam < -pataralmente venerados pe- no corres: Tecreto, redigido ae presses no fim ds sess. ‘ais upo deco ss preside SES? Bes eget de wr mos OF :P * 6 ; Aambigttidade das «\, provintals, cr partic, fez abor em lugares decent, Mas foi s6 em 1 576 Harde, bem depeis qu, gmem se justifica pela f6 som a, de vista por meio das famosas eS dos carras do verao de simbslica’ {que consistia em prestar mais swengay ques memoria € EU eSPINND. Ager, en nee named samo do sqeviniaiscompanbida de wma severscriny 4, quessedeixem 08 santos em paz no ser sep ~ Ns srestos tomou-se duplamente condenayel. eae ee orca wc ne th encore PF empomecrstsunciardan 0 dos corpose, uma ver _asteliquias, sempre era possivel um abuso, Alegeva — pag dasmesmas reliquas de um santo em verso apne capes ‘Sho Jodo Batista, restos de Sao Pedro Sao Palo, dos quai « aes, * mente abservar que “seus corpos estio em & wee ent ob “ «mm Roma seus 0580s por toda par- *.., Além disso havia todos aqueles restos andnimos que eram tirsdos das Sepultura, dos quais se afirmava depois que ram restos desnio! Calvino ublinhava o silencio do Evangelho a propésito desis reigns e pergunte- ginventou? Quando ecomo elas chegatam.a nd? Aposgio cri ara a historia: o problema do tempo que passou entre women- descoberta eo tempo em que foram acolhidas sobre o altar a seus alhos. io dis relia reritica dos hereges,a Igrej vai tomar uma aude diame- ta e favorecer a aquisicio de reliquias. Somas importantes ¢ pioso so entio consagrados & sua valorizigio nos rekcarios estas dispasicoes morfologicas Iicin-se tora a em favor dos corpos santos, a partirdo epicentro fortuita das catacumnbes em 1578. Elase radu Ghcto da circulacai des reliquss. uma revialzavto dos ish se acumtulagao de tesouros corporis nes sank » dispunham de metos pat adquiri-los. Esta crescente proveniente desta mina inesgotavel que € Roma, re- , vinernen onde a7 380850" aseinio que impel Filipe rar nas enta- Fre Becinio pela cidade dos primeiros tempos estos, «YF lendario Sacror, speak man de mace dey Aerie deeper, sisal desta pledosa iniciat _ ci ofr tania pranaes ds ho eaeral de miiiton lugares ga vem acompanhac lve @ 08 santuarion ds Alen. as. Gregorio IX, i des aquisidores"”. Newes pac sas cram muitas vezes vizinhuss da mado que nio havis queriam persy, amese,a partir'do fim do seculs que toda sepultury deirosobjetos de arte que a boa situs mas es oferendas dos fidis nao crssse ee ues Acchegada, era de regra que 36 Bee panhese _prescritas por um prelado, Assim ‘no Languedoc pedi ao bispo que visitava ‘aixa de reliquias arazida de Roma. Dep - lade, “o senhor bispo” ~ relata ‘meio do altat-mor e achando-as conformes.s p do braco ou da perna, inscrito San Biecsilo Sancti Pii martyr e um outro fagni martyr; tudo conforme as ditas do.que thes sejarendido a bona sP8. Mas nem todas as autcntificacdess# desento 5 suscitada em 1745 pela atite- onde dois bastos-relicirios St prekdoteve deftoa in $40 voltar, a pro fem tenham coada, como prova aemoci nna pardquia de Allons. (5 restos de Sio Domanto. © ‘yerificar 0 conteddo na auséncia des ccbnstles ¢ dos te- simediatamente o tom subits€ Ua) multidae de homens Bee ceatn. vines do espe ger oem ome” do Volta ¥ N00 se PAWEL Lei Oy, | 9100 ins, proubadas. um secu, p Bim caso de des), ENO Se sabe gi oprelado, quatro ay, autentificadas 4. FAFA 0 Corpo sas garantias de av contemporaineos. fuera 00 UST © Aproveiicany Grainne, para pedirthe que remediaue « pentutho, descobrinese 0 corpo ce eomose tivesse sido enterrade na vespe 9 seguinte: "NOs a despimos quase seu habito; lavamos a oso perfume que durou vari: envolemos seu corpo nur onde esteve antes. Mas, antes de fa : mao esquerda...”. O Padre Graciano que ; fiea entdo: *Levet essa mao para uma cola, ae naaial dele destilou dleo. |..] Deixei-acm Av Quando cortei a mao, também corte’ um p Le] Por ocasiao do meu cativeiro, os « consegul resgata-lo por cerca de vinte n Gs ataques a0 corpo da santa nao pararam ai. T Sapna ‘Yemibro de 1585, monges de Avila resolveram retirar secretamente 0 corpo Pita apropriar-se dele; mas, como nao queriam privar totalmente as monjas de Alba de Tormes da presenga de sua ex-sip um braco; um dos padres, Gregorio de N 1GHO. Eis, mais uma vez conforme o Pacre Ribera, co FOU Ama faca que por precaucio ties na cnr © Rueda, aqile do qual o Pe. Gracia haviscortado amie equss hava $A exsando.c dersonio jogou a santa por wma esadaColsa mara, Sem fazer mais esforco do que ode conas um ™ Be Ears ts junc tans facie como sha mo 1p 1 ‘encontrt _ um lado ¢ 0 brago de outo. ; (la, E 0 corpo ficou ce i = um lit, 0 pate Graiano des ne Ihe false se nzo, foi do daampu ele proceden: “T sano brace € 10 ou queijo resco, enrrado. e702 sq vente ¢ os sees como se mo 4 poximar-se da mao. A Morte forse y, BBA OW cs ‘qe foi ery, o fot enter, HNO exam Wel ue iss F Ribera te. Alba de Tormes fort $eu perfe [PoUed iinclinad seonformacio fis egura-lo.com um nteiros. As Is pés sao bon! “presenca Ico € até sa privar dele 9 € 05 bons od que neste 5, oluget uma pa ee, gaia que s6)8. do corpe san apvevamemivontila Na verdad, aca, Bc rellguia, © previ any dos itis, Quanclo ve trata de um fraps. pvezes se fiz reconsttuir ey no qual € encairada s « Jo. E, para conferir a reliy mum escrinio de valor. cerad youro ou de pedras preciosis. E Por causa do sagrado wy prelicdrio. Mas ¢ evidente que es. inacessivel ao comurm dos m ihteresse da comunidade o exige, 2 r ‘chamando por si mesmas a stenc: m bom exemplo dessas religuias “yu or trunfo dos missionérios que se pre ra religifo as ovelhas transviadss? Assim. ¢ ‘sna lingua fo recolhids ¢colocada num relicario de flags de Avinhio, ao qual foi confiads era considerada sa de suas reliquias depossda reba fadmniraveis". A cada ano amber, na ests amie oito das, numa cape Jao, Uma outa in eno sculo XVI que havia prom randoseusobera- fe reliquia 2 do coracio", Por 10 tants coisas risti, a santa lingua era expos’ du gis, aos quais era dada abeiia"| m era muito ct peopel pomuceno, tamben nha da exceléncia da mensige™ fHsto.que.o santos haviaimpoto ata eo segreido de uma confit. ES HPD B dom tum episodio da vids domme Pspetacn|,,, HE ATazCM a4, BA MHOMTE vio), ME Nels con, Mik outros, agus, © til, pois sang diversas ver. jormente pre Gentado pelos Eristios ~ por rse, portant ‘do santo exp"! fn, dans 't¢ OW OPP IMCORUPLOS 680 ohadng, desline t0 83es natsrae, Page, gy” lepeie eo come ae congeindy, n,. hos sich a pattelicso da carne dey... tempo OPHARORTALOS sublinbam ens, eM eMCode po ‘lana corde mel da pele 0 feescor dog mone ndmicos. Thago de Voragine v Deus Otemplode Jesus Cristo, omen ge : ‘9s membros do Espirito Santo s é on HS oecerpesamto pode de tao dara impress ce oy _qellamento, ele também ests cin condicies de monn 5 porque pare io teveinfhue cia sobre date MUA ae, em “Boyado oilor. Os textos da vida de santos evocam lrcgucm,,. Ie sobrenatital”, 05 “agradaveis aromas’.o “baque mun Menke arth uldos & religiosa praticante do scesino eda vinuds ne B restliar de priticas de embalsamamento dos de queo bom odor é como o “sina sensivel de de *. “Morrer em odor de sintidade”€ 0 privé a sepultura #aquuclas quie devem ser imitadas”. “Quand "© CIPO do glorioso Sanio Fstevio tera temeu e um suave Corpo santo que perfumaw de tal forma tods a assténcia Pensava estar no paraiso. Muitos doentes ¢ endemoninhades Blesse capeticuto € o simples odor que se espalhou de stas $Felfquias curou setenta ¢ trés de todos os ipos de deencase dm expulsos pela virtude desse santo mértir€ 0s possessos f- TE nesses termos que um dos grades haggraos da Con [jesita Ribadeneira,seexprime em 1667 propsitods “in Borpo de Santo Estexio™, Aqut est tudo: a manifestacie tel nes, Pts Eis a mythoogiechrtiennedesaromas. > Odeursdesantte—| {01.100 TRA Bess des vies dessins wo 16 08 Senticles 4 , HHorens do mat 18 AMIN GUEM ar... penhuma causa n, perior e consi lagem relsio IS € situayves do bem edo mal. “0 ga bem perto dele e afasta dele, Meménio, compas mirtc0%0s 07005 wiring No comprimento das decides ds cy a J desempenbaan UM Papel essencia : cee gandstas ardent do colo 2 gyn, t cordem fem 5€US SANI0s privilegiado, Co Wie pccac Bsc la consegiiu em Roms por intermedi» Pane geetAD Aas se fisary, guide Beret os proticios Ds 1 anos 1650 na Franca, «grande calms findagses religiosas tmiractilosos, Hien dp SEcilo XVI as primeiras decadss do icuo x ‘Muiito bem esta correspondencia entre ‘@ implantacdo das ordens ¢ a mul a prodigios. Bret, eonsiderado miracuiose eee ‘Teligiosos, o que ¢ detalhado é ‘arrasadas pelo sofrimenio a Nos dossits de invest 5, 05 esclarecimentostrazides pelastestemunhas em ps } miédicos cuja ciencia ainda es eber as penas ¢ as esperancas dis popslayoes, mas sempre sob contabilidade do Pop seria dos corpos trgados no estigio balbuei formante do religioso que consena « piedoss cs PPata colocar em evidencia 0 cardter excepcional ¢ a0 mesmo §0 da graca obtida, devendo cada um poder de ficar-se com OF do relato sempre tem o cud de requalficar omila Iiferentes seqnéncias da cura mireulos.E preciso Fc rei 1 ce Oc PP Assim o m empo de desesye pela seqiencis OF, a afeccio ea Wioléncia, com radon no currrde trabalhon de ater, seasanials pra bebe consepen coripira dre da vida ds rosy 3 » Contra. injustics ow ud apresenta como: @ manilestacan de . pogo deordem sm mundo desonj : Alegito dos miraculados ¢ princip. mente afligidas em seu corpo. As durante set sono-sonho ¢ pediv ens deter feito suas devocdes, jé comecaa REE ene tals Hive echegs em casa q ‘no milagre! Na realidade, a recupera, nt Jos lugares eas pessoas. Nos guns peregrinos, depois de faze Tupe, tema chance de beneficiar-s: igisve crise, entram numa convalescenca es n @Fecuperam a sade mio dade, a recuperacao da sade na maiona dss Mi processo de cura medica. Por exemp ef am ex-voto as muletas que & er adiado dos efeitos e deva ver neste carat da epoca moderna, onde med elo da cade por etapa, engus0 dade Medi, sobre 24 sb = yeas sessies deincube ramalos ‘Pessoa se submetia nal Iparecem ter tido efeitos maisimedon . cet iraces 2 Gules 07 nde ‘ 470) sestava perfetameny RBllagre renoved Titeraturs 3 rca eélebre até na ura miraculos foi ex uparavalorizar 0. na héstia que ita das imagens. hoeapern a0 CUA 6 pay Sta, a sin $80 episodio €om Francois I-Antoine, el. sempre afeta 0 corpo de mancira postvs £ erténcia pelo qual Deus pre dade seu desconte julga necessario, repreendendo o « Fe de punicio. Individuosse véem br ‘Blasfemaram ou destruram Fido terem cumpride suas proms fecem a esta logica de correcio dos exros hum Bee Dens & uma manifestacie de orgulho pels qual °¢ {Pagar, A historia das pscude-“pareinss i apbecrifos, teve na ldade Media um $s Enos pintores que se apropraram #162 1s veneradas. Outros ferrestre, hemorrois Santissimo ad dha Virgen’, sonsiderivel, got s.p2t0 193 ses Les sages-femmes dela Vee? 40 iconogratics da increduli esso no ten Alias, ele ate de um individ do nos periodos empo das Relor omais depres ET. Dicom jocom abieres”< gery as mt" hCentry Jou"! Be AmINRINAL es, ars A © nila jrovade que Deus sempre decide em tare yp 2 Bestaga a erdadeten fe IV, As mulagoes da imagem do corpo edomiiio das representacces do corpo, onde s ey Yezes Hentas, Mumngbes S40 perceptive; no oy : vesperas da Revolucto, ohomemnio ve maou, yenotempo da Reforma. F que foram modifi ‘osinorisa0, Para Igrej, ¢ indispensivelenconta ‘gessas mudancas, Depois de Trento, lo interven = ‘Gforenpara controlar as praticas das populacses, em par Tal, Mas se ela se ope com certo sucesso aos pr: ene Consesue sobrepor-se a0 movimento cent Bhire cultura eclestéstica e cultura da grande maloria das pessous ex iia grande Muidex, uma multiplcidade de passagens. Mas esas passagens Tonge de serem pacificas, inscrevem-se no ¢ Fite a: populagses rurais cristianizadis dos seculs modernos subsite de faio uma concepcao de vida que, embora muitas vex GENLANIO Viva, Ela se exprime por palavras ¢ gestos qu Gredittlos, qualifica dle “superstictosos". Na verdae, 18 “supersigoes” de Ge Fala o clero, mas também os medicos, sto simplesmente manifestgdes ebm antigo fundo culnaral que se mostra tanto mais dificil de eradicarjus Hanente porque corresponde a uma mancira original de serno mando Rel BO da Salvacao pessoal, o cristianismo valorizou o individuo, favoreceu & SBREFGenicia da pessoa e contribuin assim para dissociar os anigeslacossom IPAieniesco mais amplo,o dos vivns aqucle, 80 pregnane, dosancssrns BPGHOR Esta cacicia cle axcendentese de colaterisremetiaa uma conscién EE Dginal do corpo. A imagem que se impuntseruesaan Ui dupla pertena, de win corpo doplamente wide: © i unascimentoera sinonim EOrpo como algo proprio dele, peis ja. parade individuo pos node tidado de 51 mess, ida de cuicladas jvo. De algums Imioderno, A pe a do enterie convulsions Ea esta desordes ente os meios Seorpo que em" ct0 dos tratados que cxatiam o fem ssanovaaspiracto de prolongar sy : eomaideinde quea vide cqui rater ¢,, MPO sind Opa vida na rel © 0 envethecer Tetra nao combing geme promelam alguns docuron rors py aie Ge BENE AE Medco a scares ‘ea. Neste ConteRte, © compo, long» de ser un go contro, fente de plena expansio 0 pprotestante, Desatrelar a vida dos fins ultimos oper. na cultura ocidental 1. Um compo protestante? Piiferenca que se adivinkia na aberdagem diferencicl do corpo. ene Gxiolicos €05 protestantes, ¢ sem diivida urna ihusragaa das reposts Feniles trazidas pelos contemporineosas grandes quesioesquese les desde 0 fim: do século XV, Para os protest AGiele Ou Aquela que se encontra em situarao critica os meies de super shies dificuildadtes © de vencer suas angisties, citar a sua sorte, nao pars abandonar a partida, mas a0 contrario para aprender 3d Mitfapassar-se. A piedade, 0 combate contra. adversidade e 0 sofrimento se ei gic reconforta, Ness perspective, o corpo no Mbs¥alorizado nem abusivamente constrangido. Seu alivio em cas SCBA cia Corsttuiem um nobre obeivo:a sae, aisengio de solimen {04 Morais sto as concligdes da pena expansiod pe ®eontrapé da palavra do magistéro carsico que ta (Grater mlseravel da criatura, Comprova-o o exemplo da parturiente cujos Beats to ipreseniados pela Igreja como o prego pagar pelo pea Be Afar de fuctitar seu pario, a protestante, como ali amber a caro ooo ‘mas tantouma ¢ a 33 BA Re Ger tin mente a mesma motivacto Sea catlica permancse™: Mes anatogicas da figura do to no vente materno, ech tirtante Heptidlow mas igrejas par, aay de antiga igen 105 U0 SaM10!” As este aa para vim alee 95 ma, 80 do ser humane 1 mindy uma dimensio sagrads. Ors, 4 Renta em detrimerio do sorat,erypani Fa estas, dando-Ibe uma espe de morn. Figuram nos nichos dos setsbu Sre0IO.Se fosse “na abernirs da caindade que ogesto que at€o fim do século XVII, segundo o mode eve, mum em cinco casos, os Mais antlpas 5 mostra 1s eniravaidas: “a forma Simmettia e mmobilidade secalo XVI 0 para +€iS-que agora as estatuas de S oe ooutroabixado, Mui Oa dificuldade que tem agora os bw 3s de vi s modernos se paue diz respeito rods a Europa spare 1550-1560. 0 enquacramento dotempo, gracis x 9 trelégio de bolso, a descoberts de novos fbi do espaco pelo apertgoamenta de vows fde cartogratia, a nvenso do telesopio que modiicnv as 16 mantinha tradicionalmente com o cos Bus, na historia da humanidade nee aca, ato pia aonte FE-05 entusiasmos que ela provoce, 0 P Fesperanca de um mundomelhor, dea sbmerge ro. violent propostes as tambem un Sua pope ama vex que at um dos grands - © aparecimento de um serhumeno me 1 na Europ do a violencia sul Sebsten soe favorites de Sun Sebo =" "Mans. Annales de Brews 5p. 337379. nove olhar sobre o eu m DELUMEAU! © Pring olongi-lo Ido como da}, morte jams, Se vier ape. tale, vr aS Principais fo le Pellegrin A pele. pins, 05 mass sy “os dem homer de qusidte sm sm des € suas manetess. As ere toda aestrutsra, exer icra. (prover necestariomerte pg ws tambien eles eceecris «wn ‘HUME. Tratado da natu rn il € Comovente. Os “ausentes da historia” sioim @xistencia corporal sa0 tenes, disperses ¢ gerainent: Bb espello angustiado dos discursos letrados, 0 povo € pobre gente— geralmente so enste pela “s0a" fratas, como as das administracies do passado (religiosts doresfhistoriadoras de hoje. Benfica abstacdes gm almas ¢ sacramentos que cl BEGG irsaginar corpos em parto, como os dosnascimes snascimentos celestes da morte @ que os preparam. Apesar de serem Fade “defuuntos”, os registros paroauiats 0S ss recebem, P das unides, casamentos © nes deconta n abstragoes de livros deentra A listas ie, HOWE Anis, 4," tras Fontes cep, r "ng muita tai, Ma teqdemiemean pe dow herigs ue ss ce ces, Ulatizade dos indiessuon HOS COMPOS € Storms envio par IGaO, & COMUNIdade de fabjanee vas ts orddens do Fstato > © guards © textos” 94. BO tOd0s, amis, MECESSdade onvencses cj, Star atsente oy (& 105 quis se. Fa26e5 religioss, iéncios e cantral eizadas, Por esir ‘notas margins informativa sob theres ¢ dos ho Amagens uu j9ua propria vids human {iltimos. Também, como foi muito bem demons | mistica’, todos os movimentos do divinas ¢ meios de santificaca0. les ida e a fazer ler, mas cujos indiepensivel a obo tune penste ch (Paris Vrin, 12.1 Bef Mein iss es Tame Be ear: Geta, 1982 (Col. IS BF, VUAKNET.J-N. Boose rina Pas {de Jean-Pierre Albert (Le sang le Cel Bs, 197), on Bans Be comipreeader as triviakdades onda Bren ectesiricas. PELLEGR, GORDIER, P- JAAN, St nultidao de Po. piritualidade que *Nuina situacay o-tecelao que @ ria mais do que amid de al S40 dos sen: OE mais o nosso spiritual sd0 proprias ‘As autobiogia :mais perturbalore Jacoque, cujos" \didos até P° Fest visiand que a minima 5 fs Gallia SIMON, L Lows pitia-sede oo" tse: Ele (Deus ne 1 MO WirmitS de 1 @ de ane tome ft amores, mil vides, tude vn qual devo exchosivamrnce «,, ne BFE prizes cue IME eNgano, ele tanteve por a chiga dese segrado Corsa rimir 0 que sent entac Jalna e no mew cor a nossa € que. exclusivamente = do corpo dos dominantes eitodo discurso’. Lembrar ess @ Sempre exdticas, as belas cores & ios mendigos, a pena fisic do abl BM "Autobiographie, 171° i= Vee" £1915. p. 82 rake Nerdade aie para “2 culiva P° Te ramets Rabelais acl $ Gallimard, 1970). PA WAO toms coertenses, Swick: 6 de ten, enti, ue ¢ preci 'ck0 dsm papa quee 50 entereate Alda 0 1700, snd cone MAO # Octo holandess cr rolanacdes, promegue e BOS dE auelala Duboisto de prop pei te ao uma Igteja mais frmidaveldoqueamaciy elas" dowtrinals (pelo menos d nivel) on guns de eas de que “falta jabsolutamente ser atibutchs xo corpo AstiCO, a proliferacdo da palavra “corpo” increve-w [Propriamemte.. eorporaista: ¢ um clerigo que fala CORPO ao qual ele pertence, algreja,e queso pode expri- iquais ele participa, No final do ano 1708, ¢ uma evocn ‘muito mais de seu cortejo dehorrores (ede esperangas) que fundo, embo Seid: “Sera que o jutzo final sera ma terse!) Adews ifome, afadiga Q iS eu me lembre de tia no ser para lembrar-me quel ‘eronoldgicae e Dubois, paroe = morte nu Titeratara dhe vendediores: Fexemplos do eoxpo come igure da ne dos por BOLLEME,G,“Lenje du corset a fn Bre ecm bis de date ve prem eos bon age de Valence Bn decmpagne a 1 sl Pat et 19 P B porPLATELLE 1) Mesnmsempras< eer ete nc) ipl. Pees tu Vig 227, 228 (dita por PARDON. Os eventos en que aparece ands em 0 ee esata 1 VISSIERE re denis, sas eft SSE OWEN faley Tel. stave MIO Seu es Joraliptico de mw Tegido de fr rami, como os Bode um jove 1 faparenie mots agorceatoHe€ KE CoML Gere gusarttae dele, talvextambem descups, to. Mas oe conti-lo e rormanpuravectrto dios daques de Lorraine, seo prisieitove eo segundo, Hrefelio desua comons praca 9, do século xvint ica, eles tem uma feria (ormae CONES) bern Werene sp. Tete eros das verisderasonoree nmr Hs fmento-Paixao est4 no centro de um re lao mpl que pe B Mo aad escrevi vs principas epssdios sons anne vida” Bi no € ntl rastrear as eparicies i plac S mals concretas e mais numerous s cinrdis d a comporaiiad thas duas obras (teremos seas Jos quan fexemplo, tentar compreender os modos de andse ou “a *Pobres), mas sua frequencia, mesino em ‘estos que nlo oca-los em cena, tem um interesse em IA", €85¢s fatos apresentades como reais tem efeitos. real l€€, Como toda “autobiografia’, testamento e apol dos dois awiores é de ato, urna defini jona qual a vitéria sobre a matéria (confusio de nce sudo dos Baer aparecer reroepectivamentecomoor M toda sta vida, Nao ¢ per acaso que jamerey-Duval fiaente & expressdo “corpos ¢ almas” pata descrever das Risso: de uum lado, a legtima acetate. francesesaseu tel Q apida ¢ odiosa subordinacio dos santo Bl. eorpe de homer que sor, cles evo emsea edn es Fepmio “ium refugo da natureza", quand < sila uit espessa’ Epenst ferivolvido em “uma camada de angila muito P A imaginacdo qu aero daa do eos 2 aatoleto, sido mui o ye estava muito viva MAO Wwersas vezes au a morte como a simples sepa" pelador rane e mals nis pene iplicio atroz que destruis a vide sanidade ami amie quand nao mires Frau coanidad® IBY Ue Cre my in —-....- Sn da, ated coe BRMIE FENG! © compe por exiipye, ne Me vee FERPCIAEIVAS 6 fortes ro, todo tnembeo de 9a Hr Eaiele que se pune se FAI teres ape ), dissecacse Fenterrailo apis 0 falecimeato. §q¥e 0 0H Pode agar i (pare a grande passigem e pode dizer) por mints exh ‘atdlicos confesses), nao ¢ rar BS € insuTTeICGes, ¢ 0 castigo po exe! Ey 8 cetoes pels onc ov nt cs ‘utome de 1695 para ope Ha pele [de GOI as cavidades eredulided en ee eas none fal muito satirizads sseafirma len tum inyolucto que dele em anced La ayhsioge ce Pelaaces de possao” do wore lene LP. Mythologie cd la omnes - Ber emunhos sobre o hore Be o Becrualit campo (PRION. P Mom en Fp. “Montpellier, porcaus desu Banicenne Fens" ete BIB 156, Para oslo Xv ver THIS ee administrative Su | -sépultn pati VAN’ ex XVUE siecle Pa ane Sop. 14523! 1, A Maio fasior ge, ide alguns lic mtece freqvenie riclos, pelo me lace pars co" mnuilacio es? Phe es cro qa em cenit, DEVETIAMS C0 Vol, para presscritir:ransformy, =“ team etme da ec do or iain Meee mpreaado de rebpsitas f ie Por razbespsevioy, en Tame. masocenen ascend ASS0CiN¢40 corpo sins no Fat ex cpionn, ci peda relay iquiando ele empresa o terms “ooy.- “Santo” para descever pr pe em Parc. 1763, mas. no ws e rofana: ats de nada ma qu de ape do que de corp @admirar, ¢ do corpo a preserver, do mem “Asst” enoderiisisidcasmsrsdncoe Je rio comer, Detxal sempre a mesa com um pouco de Kembriaguex. Nada deencesso no trabalho nem svg permitides ‘que nao nomeio, Mantende sempre Impo 9 ntemente possiel. Vivei mais cso magror do que Pe requelt vosso corpo de came ede gordura, pois sto ‘contra muito frie e muito calor.Seo 5, Nao deve’ gat. 2 tienes que sare nao ao fres agradavelmente ¢ sem interes” de tais axiomas, marcados come cunbo de wn bom -yendedores rashes nosproverblos eves trios Ye sexe esboce: imagem herder! ra imagem do corporalve= s rou # li ae ono eo i ds. corps etn Bbisheer cons, Ope Bee fisieas, ela nova, uRerIDdS assis, Fok apenas. fa, les crises de suis EA Obsessioalimen, €o gesto clo ce [1,4 for @ constrangedo do nao anda com Sua Vida a tons Tacaios ¢ dos p: da terns”. fo ade wn plachet” ire des anaes Como 0 Nein as pe fata, €sta memoria comum dg goanstedades C48 sUbmIssbesde todo yi, isa pode alfinietar, essa emiosvidate p pos, quase obsessivos, que sobreviveram ‘pens pela refeicio tomada, mastigar "iuito tempo: dar gragas 9 fienhuma migatha ete. De wea forsade soy ddepie, atmario do pio, savers na cabeccita da mesa ete) oc mrs {es guardam em seus alforjes, perpassatios por um és ‘que itam™. Para quem conhece “a ra 0 jogar fora astados gusta : fome canna” ¢ precisa “en @ desde 4 mats tenra idace, a morte rao pode ter outra cau ¢falta de alimentos, pelo menos quando nio setem quase nent gia da vida: “eu imaginava que, contanto que stv algo Pera quiase impossivel que se cessasse de vives": “Lew nio po ue se pudesse er falta de apetite™. Aosolhosdo pequeno réatacadode uma fome canina, un companheirodeinfor ypode maisengoliro minimoslimento, io pass.de um si ta nko esquecer essa lembranca da infancia quando € or a esta busca primordial do paocotidiano as praticas co- fo catélico,aquelss que sett 3s impostas pelo calendar scion es tn waiatves dle ka paowteté Palio deli Poitou.» JAHAN:SApprocte> ee a Le care on i er cakes dein een cio ep eT ev Na Oe te pois a ome a Gx RC oN i eps