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[ | Musculos Provas e Fungdes Quinta Edi¢do Florence Peterson Kendall Elizabeth Kendall McCreary Patricia Gelse Provance Mary McIntyre Rodgers William Anthony Romani ‘Titulo do original em inglés: Muscles ~ Testing and Function with Pasture and Pain S/e Publicado mediante acdrdo com Lippincott Williams & Wilkins, BUA. voy sme i \ Revisi Geil rf dr. atin Caromano Pranor du Dic de Recursos Terptticos Manis do Caso de trap de Univer de to Ful (OS?) Doutorado ete de Picola Eerie da Unvesidde de So Palo (USP) [Bditoragto eletronica: Luargraf Servigos-Griticos Ltda, ~ ME (Capa: Departamento de Arte da Editors Manole Dados tnteracosas de Ctlgario ma Pablo (CP) (mara Brseira do Live, east ‘Miseales: pros e funges/ Florence Peterson Kendal. [et {0} Teedapto Maros de revista catia Finn (Caromanol = Bauer P= Manse 207 ‘ros swore laa Kendal Mery, ari Geise Proanc, Mary MelojeRodges, Willan Antony Roman Sed snot Biogas, ISIN 7a 852002002 ‘S.iscals- Flog © Postrace 7. Sieme scuoesueléico - Downs - ingest 8, Stem Inuscubespelico- Deena -Ttamento I. Kendal Forence Peseapa I MeCreary, ash Kendal Provan, ‘uss Geb IV oars May Meaty V- Rama, Wil Anthony Indices pare atloge stern: 1. Downgat muscles Digan fs: Mein 61640734 2. Mises: Doengas Digotsio fico: Medicina 616730754 Todos os direitos reservados. [Nenhuma parte deste livro poderé ser reproduzida, por qualquer processo, sem a permissdo expressa dos editores. E proibida a reproducio por xe. 1+ edicao brasileira — 1995 2+ edigdo brasileira — 2007 Direitos em lingua portuguesa adquitides pela: Editora Manole Lda. ‘Avenids Ceci, 672 ~ Tamboré (6160-120 — Barueri- SP — Brasil one: (11) 4196-6000 ~ Fax: (11) 4196-6021 ee, - vwirvmanole-combr Soemuelecam be & ZN era = Henry Otis Kendall, Fisiorerareuta. (1898-1979) Co-autor da primeira e segunda edigaes e de Postura e Dor Foi Diretor do Departamento de Fisioterapia do Children’s Hospital, em Baltimore, Maryland; Supervisor de Fisioterapia no Baltimore Board of Education; Professor de Mecénica Corporal na Johns Hopkins School of Nursing; e profissional liberal. ae Dedicado a nossas familias, a nossos alunos e a nossos pacientes. A quilita edicio de Mitsculos ~ Provas e Fungdes de Florence P. Kendall e quatro autores associados (dois dos quais participam pela primeira vez desta edigao), continua a propiciar aos profissionais de reabilitacao uma riqueza de conhecimento ¢ experincia neste im- portantissimo aspecto do processo de exame do paciente. Florence e Henry Kendell foram pioneiros no desenvol- vimento inicial eno refinamento da arte e da ciéncia do teste muscular, 0 que é evidenciado pela publicagéo da primeira edigio deste livro, em 1949. Cada edicao sub- seqiente (1971, 1983 e 1993) reinou e expandiu ainda ‘mais os métodos de avaliaglo do desempenho e da funcéo ‘muscular e reconlheceu a necessidade de compreender a relaglo entre desequilibrios musculares, posturas defei- ‘tuosas e sindromesélgias resultantes. Este livo tomou- se 0 padrdo-ouro para a pratica clinica. Esta tltima edigéo contém muitos recursos novos. Como é de se esperar de Florence Kendall, uma fisiote- rapeuta que nunca deixou de orientar, ensinar e com- pparilhar seus conhecimentos profundos, ela novamente nos mostra a importincia de estar atualizado sobre as descobertas relacionadas aos conhecimentos que afetam a atuacio na pritica fisioterapéutica. A filosofia que norteia este livro que devemos sem- pre retornar aos fundamentos bésicos demasiadamente pesquisedos e verdadeiros que nos tornam profissionais ue refletem sobre a selegio adequada de medidas e tes- tes necessirios, a fim de melhor elaborar e selecionar ¢s- tratégias de intervencéo em colaboragio com os achados de exames. As segdes sobre postura, face, cabera, pes- c0s0, tronco, membros e respiracao detalham inervaco, ‘movimento de juntas, testes de forca muscular, condi- Ges dolorosas ¢ exercicios. A apresentagio, as fotos € 0s ¢gréficos foram reconhecidos por sua clareza desde a pri- mira edicao, ¢ esse padrao de exceléncia é mantido na quinta edigéo. B indubitavel que esta tltima edigao de -Misculas ~ Provas e Fungdes continuaré a ser a escolha de alunos, clinicos e docentes envolvides nesses aspectos ‘ruciais do exame, da avaliaglo e de processos diagnés- ticos do sistema musculoesquelético. Sinto-me privilegiada por ter sido convidada a escrever esta introdugao para minha colega de profisséo, amiga e mentora. Devemos sempre reconhecere valorizar as contribuigbes que esta mulher admiravel tem nos ofe- recido por mais de 60 anos. Seu amor ¢ entusiasmo pelo material que constitu “o coracio e a alma” deste livro é evidente em todos os projetos profissionais de Florence. A abrangéncia do material torna-o resstente a0 tempo, as- sim como a autora resistin ao teste durante sua atuagao na profisso que escolheu ~ a fisioterapia. Marilyn Moffat, PT, Ph.D. EAPTA, CSCS Professor Department of Physical Therapy New York University ei Por mais de meio século, ao longo de quatro edigdes, Mitsculos~ Provase Fungdes obteve um lugar nos anais da historia, Este livro serviu como material adotado para alunos ¢ obra de referéncia para profisionais em varias dteas médicase paramédicas. A primeira edigdo, em 1949, foi expandida trés anos mais tarde pela publicacio de Postura e Dor. Subseqtientemente, partes desse livro fo- ram adicionadas ¢, na quarta edicio, Postura e Dor foi totalmente incorporado a Misculos—Provas e Funes, de modo que deixou de ser publicado. Desde a primeira edigao, esta obra foi publicada em nove idiomas. Embora cada edicéo tenha recebido material novo sofrido alteragbes, esta quinta edigdo passou por uma renovacio. Agora, o livro segue @ ordem légica do corpo, comegando pela cabega e terminando nos pés. Em de- corréncia da reorganizacio, o niimero de capftulos fot reduzido de doze para sete. Com excegao do primeiro ¢ do segundo, os capftulos foram organizados de uma ‘maneira coerente: introdugao, inervacéo, juntas, ampli- tude de movimento, testes de comprimento e forga mus- cular, condigdes defeituosas e dolorosas, estudos de caso, cexercicios corretives e referéncis. Existem quadros novos e revisados, iustragies e fo- tografias, muitas das quais coloridas, a0 longo do texto. ara enfatizar a importincia da inervagao, ela foi retirada 4o final do livo, como apresentada na quarta edigdo,e cada segmento foi colocedo no inicio dos capitulos respectivos. Novos recursos, como Kendall Classico e Notas Historica, permitem que o letor seja beneficiado pelos setenta anos de pritica do autor sénior na érea da fisioterapia, Capitulo 1 aborda os Conceitos Fundamentais relativos aos capitulos subsequentes, £ particularmente importante reconhecer quatro classificagdes do teste de forga e um cédigo revisado para a graduagao muscular. No final do capitulo, um segmento sobre a poliomielitee a sindrome pés-polio- mielite inclui quadros que trazem os resultados de seis testes musculares manuais em um paciente durante 0 perfodo de cingitenta anos. 0 Capitulo 2, Postura, contém fotografias e ilustra Ges que mostram tanto a postura ideal quanto a defei- tuosa de adultos. A Seco II analisa o exame postural. A Segdo III € dedicada & postura da crianga ea witima se- io, & escoliose. O Capitulo 3 aborda a Cabeca ea Face. Foi incluida uma introdugo, mas no geral ele permanece como na quarta edigéo, com a inervacio no inicio do capitulo. ‘Um quadro de duas paginas sobre os misculos da de slutigao foi colocado no final do capitulo, ix Prefacio O Capitulo 4 analisa posturas boas ¢ defeituosas do Pescogo. O material, que estava em outros locais nas edig6es prévis, foi colocado adequadamente neste capitulo, Foram incluidas trés péginas de fotografias sobre movimentos de junta, postura do pescogo € exercicios. Uma pégina de fotografias coloridas mos- tra as posigdes incorreta e correta 20 sentar diante do computador. Uma outra pagina de fotografias colori- das, juntamente com texto, mostra ¢ explica diversos movimentos de massagem utilizados para alongar miisculos contraidos. Capitulo 5, Miisculos Respiratérios e do Tronco, comega com uma discussio sobre a coluna vertebral ¢ ‘05 miisculos das costas. Uma pégina com quatro foto- sgrafias demonstra um diagnéstico erréneo relacionado 2 forca dos mtisculos das costas. A seg4o sobre o teste dos misculos abdominais inclui fotografias de exerci ios para o obliquo externo na posicao sentada. A segdo sobre 2 respiracio foi adequadamente colocada no final desse capitulo. Hi novas fotografias coloridas descre- vendo movimentos diafragméticos e torécicos durante a inspiragto e a expiracio. Capitulo 6 & dedicado & Cintura Escapular e a0 Membro Superior. $40 bastante importantes as péginas dedicadas a definicdes, ilustragbes € um quadro relacio- nado a articulagdes da cintura escapular. Com 0 reco- nhecimento das articulacbes vertebroescapular e cos- toescapular, a cintura escapular ndo € mais uma cintura incompleta. (A chamada junta escapulotordcia pode set considerada redundante.) “Também hé o Quadro de Amplitude de Movimento dos Dedos da Mao, ilustracbes da junta glenoumeral ¢ 22 fotos coloridas, todos novos. Existem estudos de caso adicionais e uma pégine sobre lesbes por uso excessivo. (© Capitulo 7 aborda o Membro Inferior. Muitas fotografias novas foram adicionadas. De especial im- portancia sio aquelas da pégina 389, que ajudar « mos- ‘rar como erros na interpretacio de resultados de teste podem levar a um diagnéstico erréneo. Quatro péginas novas com numerosas fotografias coloridas ilustram cexplicam o teste de Ober modificado e um teste para 0 comprimento dos flexores do quadril que inclui o m. tensor da fiscia lata, 'No final do capitulo, hé quadros com resultados de teste muscular mostrando a simetria na sindrome de Guillain-Barré em comparacao com a falta de simetria «em casos de poliomielite. A novidade no apendice € a in- lusio do artigo intitulado Paralisia Isolada do M. Ser- ritil Anterior. Ao longo dos anos, muitas pessoas contribuiram para o valor duradouro deste livro. Uma pégina dedi- cada aos agradecimentos confere a oportunidade de re- conhecé-las. Uma homenagem especial vai para o artista William E. Loechel e para o fot6grafo Charles C. Krausse Jt, cujo excelente trabalho para a primeira edicao de “Miisculos ~ Provas ¢ Fungoes (1949) e para Postura e Dor (1952) “sobreviveu ao tempo’. O trabalho deles tem um papel fundamental em todas as edicdes subseqiientes. trabalho de arte de Ranice Crosby, Diane Abeloft ¢ Marjorie Gregerman foi incorporado a segunda edi- gfo de Misculos ~ Provas e Fungdes. A excelente repre sentagio dos plexos cervical, brequial lombar e sacral continuou a fazer parte de todas as edicSes subseqiientes. Algumas fotografias novas foram adicionadas a terceira edigéo, gracas a Irvin Miller, fisioterapeuta. Ne quaria edigto, a tradigao de exceléncia continuou com fotogra~ fias adicionais de Peter J. Andrews. Por sorte, Peter tor- nou-se um excelente modelo para algumas das fotografias. ‘Nesta quinta edicéo, Diane Abeloff novamente nos aunitiou com novas ilustragdes. Agradecemos @ George Geise pelasilustracoes de varias paginas de exercicios. Nés sinceramente apreciamos o trabalho dos fotdgrafos Susan e Robert Noonan. Patricia Provance, co-autora da quarta edigao, auxilion na coordenagao do trabalho dos artistas e dos fotografos e forneceu diversas fotogra- figs, Pela ajuda na letra dos originais e pelo awwlio nas pesquisas da literatura, agradecemos a duas estudantes de fisioterapia da Maryland School of Medicine, Beth Becoskie e Rebecca Sanders. Agradecemos a ajuda de Sue Carpenter (co-autora de Golfers Take Care of your Back) por sua grande ajuda. ‘A Marilyn Moffat, que escrevew a Introducao, agra- decemos profundamente, ‘As pessoas a seguir auxiliaram na quinta edicio. xi Agradecimentos Os quatro co-autores cooperaram na reorganizagi0 expanséo do material, adicionando novasilustragées, novas paginas de exercicios e referencias. ‘Aceditora Lippincott, Williams & Wilkins, represen- tados por Susan Katz, Pamela Lappies, Nancy Evans € Nancy Peterson, patrocinaram a producio deste livro. ‘Anne Seitz e sua equipe planejaram e produairam a publicegio desta quinta edigio. O elemento cor foi adi- cionado a muitas piginas, e itens que merecem uma atencio especial foram “enquadrados’, conferindo um novo visual ao livro, (Os membros da familia do autor sénior merecem tum reconhecimento especial, em razao de seu empenho na finalizagao bem-sucedida de todas as cinco edigles deste livro. ‘A comesar pelos netos, hd muitas fotografias des- crevendo varios testes nas quais David e Linda Nolte ¢ Kendall McCreary participaram como voluntérios. Mui- tas das fotografias apareceram em edigdes anteriores € continuam a aparecer nesta edigio. Kirsten Furlong White e Leslie Kendall Furlong foram de grande ajuda na preparacio do manuscrito desta quinta edigao. ‘Susan, Elizabeth e Florence Jean, as trés filhas do autor, participam desde a infincia; Susan e Elizabeth, com 9 e 7 anos, respectivamente, foram temas para os testes facais da primeira edicao. Blas participaram tam- bém como adolescentes e adultasjovens. ‘As contribuigbes de Elizabeth, como co-autora da terceira, quarta e quinta edigbes, foram de inestimével valia, ‘A ajuda de Susan e seu marido, Charles E. Nolte, foi sem igual. Nos dltimos 27 anos, eu tive o privilégio de conviver com eles. Com eles, compartilhamos as frus- tragbes que acompanharam a preparacio de trés edi- Ges ea alegria dos produtos finas. Phan Rendall AVISO A editora néo se responsabiliza (em termos de imputablidade, negligéncia ou outros) por ‘quaisquer danos consequents da aplcacio dos procedimentos deste livro. Esta publicacio ‘contém informagbes relacionadas aos principis gersis dos cuidados de sade, que no deve ser conjecturadas para casos individuais. As informagGes contidas em bulase nas embalagens do fabricante deve sempre ser revistas por questao de stualizacao no que concerne &s contra-indieagbes, as dosagens e as precaugves. Sumario ~ Introdugao vii Prefacio ix Agradecimentos xi 1 2 7 Conceitos Fundamentais 1 | Cabegae Face 19 Pescogo 11 Misculos Respiratérios e do Tronco 165 Membro Superior ¢ Cintura Escapular 245 Membro Inferior 359 Glossério 481 Sugestées de Leitura 487 Indice Remissivo 493 xiii Introdugao vii Prefécio ix Agradecimentos xi 1 Conceitos Fundamentais 1 Introdugto 3 Teste Muscular Manual 4,5 Objetvidade do Teste Muscular 6-8 Sistema Musculoesquelético 9 Juntas: Definigbes e Classiicagto, Quadro 10 Esrutura Macroscépica do Misculo 11 Testes de Amplitude de Movimento e Comprimento Muscular 12 Classifcagso de Testes de Foss 13 Procediments de Testes deForga 14-17 COrdem Sugerida para os Testes Musculaes 18 Graduagao da Forga ~ Cédigo para a Graduacao da Forga Muscular 19-24 Plexos Nervosos 25 Quadros de Nerves Espinas e Miseudos 26-29 Fundamentos do Trtamento 30,31 Problemas Neuromusculares 32,33 Problemas Musculoesqueléticos 34,35 Procedimentos Terapéuticos 36 Modalidades deTratamento 37 Poliomielite: Fatores que Influenciam o Tratamento 38 xv alg ‘Testes Musculares para a Poliomilitee Pés-Poliomilite 39-43, ‘CompliagBes Terdias daPoliomieite 44 Sugestoes de Leitura sobre. Poliomelite ePés-Poliomelite 45 Referencias Bibliogriicas 46,47 7 Postura 49 Introdugio 51 ‘Sepdo I: Fundamentos da Postura 52 PosturaeDor 52 Segmentos Corporais 53 Posigdo Anatomica, Posigdo Zero e Eixos 54 Planos Basicos e Centro de Gravidade 55 ‘Movimentos no Plano Coronal 56 ‘Movimentos no Plano Sagital 57 ‘Movimentos no Plano Transverso 58 Postura Padrio $9.63 ‘Sepa II: Alinhamento Postural 64 ‘Tipos de Alinhamento Postural 64 ‘Alinhamento Segmentar: Vista Lateral 65-69 Maisculos Abdominais em Relagio 3 Postura 70-71 Postura com Deslocamento Posterior de Dorso (Sway-Back ou Relaxada) 72 ‘Alinhamento Ideal: Vista Posterior 73, Alinhamento Defeituoso: Vista Posterior 74, 75 Dominanci: Ffeito Sobre a Postura 76 Postura Defeituoss: Vistas Lateral e Posterior 77 Ombros ¢ Escépules 78,79 Posturas Boa e Defeituosa dos Fé, Joethos e Membros Inferores 80-83 Radiografias dos Membros Inferiores. 84 Postura na Posigio Sentada 85 Sepfo IL: Avaliagio Postural 86 Procedimento para a Avaliagéo Postural 86-88 Posturas Boa e Defeituose: Quadro-Sumério 90, 91 Postura Defeituosa: Anélise e Tratamento, Quadros 92,93 Posigdes Defeituosas dos Membros Inferiores,Joelhos e Pés: Anélise e ratamento, Quadro 94 Fraqueza Postural Adquirida 95 Septo TV:Postura da Crianga 96 Fatores que Influenciam a Postura da Crianga_ 96,97 Postura Normal e Defeituosa da Csianga 98-100 Feesibilidade Normal Conforme a Idade 101 ‘Testes de Flexibilidade, Quadros 102, 103 + Problemas dos “Testes de Condicionamento Fisico” 104, 105 Seqto V: Bscoliose 106 Intiodugio 106 Escoliose Resullante de Doenga Neuromuscular 107,108 ‘Avaliagio Postural, Quadro 109-111 Escoliose Puncional 112 Exercciose Suportes 113, 114 Intervensfo Precoce 115 Exerecios Corretivos: Postura 116 Referéncias Bibliogrficas 117 3 CabegaeFace 119 Introdugio 121 Seco I Inervagio 122 Nervos Cranianos e Miisculos Faciais Profundos 122 Nervos Cervicais e Musculos Faciais ‘Superficiais e do Pescogo 123 Movimentos da Junta Temporomandibular 124 Quadro de Nervos Cranianos e Miisculos 124, 125, Seg TI: Maisculos Faci ‘Miisculos Faciais e Oculares, Quadros 126, 127 eOculares 126 ‘Testes para os Maisculos Faciais e Oculares 128-133 ar ‘Seedo IH: Paralisia Facial 134 (Quaadro de Nerves Cranianos e Miisculos: Caso n®1 134, 135, (Quadro de Nerves Cranianos e Miisculos: Caso n®2 136,137 Sepa IV: Misculos da Degluticio 138, 139 Quadros 138,139 zy Referéncias Bibliogeificas 140 Pescogo 141 Introdugéo 143 Seqfo Is Inervagso e Movimentos 144 Medula Espinal eRaizes Nervosas M44 Quadro de Nervos Espinais e Misulos 144 Plexo Cervical 145 Movimentos Articulares da Coluna Cervical 146 Amplitude de Movimento do Pescogo 147 Segdo TI: Miisculos do Pescogo 148 ‘Misculos Anteriores e Laterais do Pescogo, Quadros 148-150 Misculos Supra-Hidideos e Infra-Hidideos 151 Extensfo e Flexo da Coluna Cervical 152 osigdes Defeituosas da Cabeca e do Pescogo 153 Segdo IT: Testes para os Mésculos do Pescogo 154 Misculos Fexores Anteriores do Pescogo 154 Erro no Teste dos Miisculos Flexores do Pescogo 155 Misculos Flesores Antero-Laterais do Pescogo 156 “Miisculos Fexores Péstero-Lateris do Pescogo 157 Parte Superior do M. Trapézio 158 Sepdo IV: Condigées Dolorosas 159 Contraco dos MisculosPosterores do Pescoco 159 Distenséo da Parte Superior do M. Trapézio 160 Compressio de Raz Nervosa Cervical 160 Ergonomia do Computador 161 Segdo ViTratamento 162 Massagem nos Misculos do Pescogo 162 Exerccios para Alongar os Misculos do Pescogo 163 Referencias Bibliograficas 164 Miisculos Respirat6rios e do ‘Tronco 165 Introdugio 167 Seco: Teonco 168 Inervagdo, Quadro 168 Juntas da Coluna Vertebral 168, Amplitude de Movimento do Tronco: Flexo e Extenso 169 ‘Movimentos da Coluna Vertebral 170,171 ‘Movimentos da Coluna Vertebral e da Pelve 172,173, ‘Teste de Flexo Anterior para o Comprimento dos Miisculos Posteriores 174 ‘Variagbes de Comprimento dos Miisculos Posteriores 175 Masculos do Tronco 176 Extensores do Pescogo e das Costas, lustragao 177 Extensores do Pescogo e das Costas, Quadros 178, 179 Extensores das Costas e do Quadril 180 ‘Extensores das Costas: Teste e Graduagio 181 Diagnéstico Erroneo de Extensores das Costas Fortes 182 Quadrado do Lombo 183 Flexores Laterais do Tronco e Miisculos Abdutores do Quadril 184 Flexores Laterais do Tronco: Teste e Graduagio 185 Flexores Obliquos do ‘Ironco: Teste e Graduacio 186 Segdo Tt Misculos Abdominais 187 Anilise de Movimentos e Ages Musculares Durante Sit-Ups ‘com 0 Tronco Curvado 187 ‘Movimentos Durante Sit-Ups com 0 Tronco Curvado 188, 189 ‘Musculos Acionados Durante Sit-Ups com o Tronco Curvado 190-192 Movimentos do Tronco 193 . Reto do Abdome, Ilustragto_194 Obliquo Externo, ustragto 195 Obliquo Interno, Mustragio 196 ‘Transverso do Abdome, Ilustragto 197 Obliquos: Frequezae Encurtamento 198 Divisbes dos Masculos Abdominais, ustrapao 199 Diferenciagao dos Abdominais Superiores Inferiores 200, 201 Masculos Abdominais Superiores: Teste € Greduagao 202, 203 Fraqueza dos Misculos Abdominais: Blevacio do Tronco 204 Desequilbrio dos Abdominais e Misculos Flexores do Quadril 205 Bxercicios de Sit-Up 206-208 ‘Exercicios Teiaptuticos: Encurvamento do Tronco 209) ‘Misculos Abdominais Durante o Abaixamento dos Membros Inferiores 210, 211 ‘Misculos Abdominais Inferiores: Teste e Graduagio 212,213, Fraqueza dos Misculos Abdominais: Abaixamento dos Membros Inferiores 214 “Exercicios Terapéuticos: Inclinagio Pélvica Posterior 215 ‘Bxercicios Terapéuticos: Rotagio do Tronco 216 Fraqueza Acentuada da Musculatura Abdominal: ‘Teste eGraduagio 217,218 ‘Seco IH: Condighes Dolorosas da Regio Lombar 219 Enigma da Regio Lombar 219 Lombalgia 220-222 Inclinagio Pélvica Anterior 223-225 Suportes para as Costas 226 Fraqueza dos Extensores do Quadil 227 Inclinagio Pélvica Posterior 227,228 Inclinaglo Pélvica Lateral 229 Levantamento de Peso 230,231 ‘Tratamento 232 ‘Sepdo TV: Misculos da Respiracdo 233 Introdugio 233, Objetivos Terapeuticos 234 ‘Misculos Principais da Respiragdo 235-237 Miisculos Acessérios da Respiracio 237,238 ‘Miisculos Respiratérios, Quadro 239 ‘Misculos da Respiragio 240, 241 : Exercicios Corretivos - 242, 243 Referéneias Bibliogrificas 244 Membro Superior e Cintura Escapular 245 Tntrodugio 247 Seyi Is Inervasio 248 Plexo Braquial (Nervos) 248, 249 Distibuigio Cutanea 250 Quaadro de Nervos Espinais e Pontos Motores 251 [Nervos para Misculos: Motores « Sensoriais © Apenas Motores 252, 253, Quadro de Misculos Bscapulares 253 Quadro de Misculos do Membro Superior 254, 255 ‘Nervos Cutineos do Memibro Superior 256, 257 Sedo TI: Mao, Punho, Antebrago e Cotovelo 258, ‘Movimento das Juntas do Polegare des Dedos da Mao 258 Seco II Ombro 297 ‘Movimento das Juntas Radioullnar, do Punho edo Cotovelo 259 Quadro de Anélise do Desequiltorio Muscular 260 Testes de Forsa dos Mésculos: Do Polegar 261-268 Do Dedo Minimo 269-271 Inter6sse0s Dorsais e Palmares 272, 273 LambricaiseInterésseos 274-276 Palmares Longo e Curto 277 Extensores do Indicador e Dedo Minimo 278 Extensores dos Dedos 279 Flexores Superficial dos Dedos 280 Flexores Profundo dos Dedos 281 Flexores Radial e Ulnar do Carpo 282,283, Longo e Curto do Carpo 284 Extensor Ulnar do Carpo 285 Pronadores Redondo ¢ Quadrado 286,287 Supinador e Biceps 288, 289 Biceps Braquial e Braquial 290 Flexores do Cotovelo 291 ‘Triceps Braquial e Ancéneo 292, 293 Braquiorradial 294 7 Quadro de Amplitude de Movimento 295 ‘Teste de Forga do Polegar e dos Dedos da Mao 295 Quadro de Mensuragio da junta 296 4 Extensores Radi Juntas Articulagoes 297-299 Quadros de Articulagbes da Cintura Escapular 300, 301 Combinagdes de Musculos Escapulares ¢ do Ombro 302 Junta Esternoclavicular e Bscépula 303, Movimentos da Junta Glenoumeral 304, 305 ‘Teste de Comprimento dos Masculos: Umerais eEscapulares 306 Peitoral Menor 307 ‘Teste de Contragio de Musculos que Deprimem 0 Processo Coracbide Anteriormente 307 “Teste de Comprimento das Miisculos: Peitoral Maior 308 Redondo Maior, Grande Dorsal ¢ Rombéides 309 Rotadores do Ombro 310,311 Quadra de Misculos do Membro Superior 312 ap testes de Forga ~ Ombro: Coracobraquial 313, Supre-Espinal 314 Deltéide 315-317 Peitoral Maior, Superior e inferior 318,319 Peitoral Menor 320 Rotadores Laterais do Ombro 321 Rotgdores Mediais do Ombro 322 Redondo Maior e Subescapular 323 Grande Dorsal 324, 325 Rombéides, Levantador da Escépula e Trapézio 326-331 Seerétil Anterior 332-357 ‘Sepio IV: Condigges Dolorosas da Regio Dorsal e do Membro Superior 338 Fraqueza da Regio Dorsal 338 Mm. Rombdides Curtos 338, Distensio das Partes Média ¢ Inferior do M. Tra Dor na. Dorsal Média e Superior Devida & Osteoporose 340 Condicies Dolorosas dos Misculos do Membro Superior Sindrome do Desfladeiro Torécico 341 Sindrome da Compressio Coracbide 342,343 Sindrome do M, Redondo (Sindrome do Espago Quadrilateral) 344 Dor Devida & Subluxagao do Ombro 345 Contragdo dos Mim. Rotadores Laterais do Ombro 345, Costela Cervical 345 Seeto V; Estudos de Caso 346 Cato n® I: Lesio do Nervo Radial 347 Caso 2: Lesto dos Nervos Radial, Mediano e Ulnar 348,349 Cato n®3: Lesto Provivel de C3350 Caso n®4: Lesto dos Cordes Lateral e Medial 351 Caso n85: Lesto Parcial do Plexo Braquial 352-354 Caso n86:Praqueza de Alongamento Sobreposta @ um Nervo Peiféico 355 Lesoes por Uso Excessivo 356 Exercicios Corretives 357 ‘Referéncias Bibliogréficas 358 Membro Inferior 359 Tntrodugio 361 i Segiio I:Inervagio 362 2 Pleo Lombas Plexo Sacral 362,363 Quadro de Nerves Espns Misclos 364 Quadro de Nevos Espns e Pontos Metres 365 | Quadro de Miisculos do Membro Inferior 366, 367 i [Nervos para Misculos: Motores ¢Sensoriais ou Motores 368 i ‘Nervos Cutaneos do'Membro Inferior 369 Segio Ii: Movimentos das Juntas 370 Movimentos dos Dedos do Pé,Pé,Tornozele Joelho 370,371 Movimentos da Junta do Quadril_ 372,373 Quadro de Mensuragta da Junta 374 ‘Tratamento de Problemas de Comprimento Muscular 375 ‘Testes de Comprimento dos Flexores Plantares do Tornozelo 375, ‘Testes de Comprimento para os Miisculos Flexores do Quadril 376-380 Alongamento dos Miisculos Flexores do Quadril 381 roblemas Associados a0 Teste de Comprimento dos Misculos Posteriores da Coxa 382 ‘Testes para o Comprimento dos Muisculos Pésteriores da Coxa 383, 384 Encurtamento dos Masculos Posteriores da Coxa_ 385, 386 feito do Encurtamento dos Miisculos Flexores do Quedril no Comprimento dos Musculos Posteriores da Coxa 387 Eros no Teste de Comprimento dos Miisculos Posteriores da Coxe 388, 389 ‘Alongamento dos Miisculos Posteriores da Coxa 390 ‘Testes de Ober e de Ober Modificado 391-394 ‘Teste de Comprimento dos Misculos Fexores do Quadril 395.397, ‘Alongamento do M. Tensor da Péscia Lata 398 Seedo It Teste de Forea Muscular 399 Quadro de Anélise do Desequiltorio Muscular: Membro Inferior 399 ‘Testes de Forca: Miisculos dos Dedos do Pé 400-409 Tibial Anterior 410 ‘Tibial Posterior 411 Fibulares Longo eCurto 412 Flexores Plantares do Tornozelo 413-415 Popliteo 416 -scmcusens Posteriores da Coxae Gricil 417-419 Quadriceps Femoral 420,421 Flexores do Quadril 422, 423, Sartério 424 ‘Tensor da Féscia Lata 425 ‘Adutores do Quadril 426-428 Rotadores Mediais da Junta do Quadril 429 Rotadores Laterais da Junta do Quadril 430, 431 Gliteo Minimo 432 Gliteo Médio 433, Fraqueza do Gliteo Médio 434 Sinal de Trendelenburg ¢ Fraqueza dos Abdutores do Quadtil 435 Gliéteo Méximo 436,437 ‘Mensuragio do Comprimento do Membro Inferior 438 Discrepancia Aparente do Comprimento do Membro Inferior 439 ‘Sepio IV: Condigbes Dolorosas 440 Problemas do Pe 440-443, Condigoes Defeituosas e Dolorosas do Pé 440 Caleados e Corregbes de Caleados 444-446 Problemas no Joelho 447,448 Dor ne Membro Inferior 449 Contragéo do M. Tensor da Fiscia Lata e do Trato Diatibial 449 Alongamento do M. Tensor da Féscia Lata e do Trato Hiotibial 450, 451 Protrusio de Disco Intervertebral 452 M. Piriforme e sua Relagio com a Ciatalgia 453, 454 Problemas Neuromusculares 454 Caso n® 1: Lesio do Nervo Fibular 455 Caso n® 2: Lesto Envolvendo Nervos Lombossacros 456,457 ‘Caso n® 3: Possivel Lesto deL5 458 ‘Caso n® 4: Sindrome de Guillain-Barré 459 Caso n® 5: Sindrome de Guillain-Barré 460 Caso n®6:Poliomielite 461 Exercicios Corretives 462, 463 Referencias Bibliogrificas 464 “Apéndice A: Segmento Espinal - Distribuigao Nervos e Miisculos 465-472 ‘Apéndice B: Paralisia Isolada do M. Serrétil Anterior 473-480 Glossixio 481 SugestOes de Leitura 487 Indice Remissivo 493 ERR 1A Conceitos Fundamentais CONTEUDO Introducio ‘Teste Muscular Manual Objetividade do Teste Muscular Sistema Musculoesquelétco Juntas: Definigdese Clasifcagto, Quadro Tetrutura Macroscépica do Msculo ‘Testes de Amplitude de Movimento ¢ Comprimento Muscular Cassificagdo de Tests de Forga Procedimentos de Testes de Fora ‘Ordem Sugerida para os Testes Musculares Graduagio da Forga — Codigo: para a Graduagio da Forga Musculat Plexos Nervosos 45 68 n 2 1B 417 18 19-24 5 Quaciras ce Nervos Espinais e Miisculos Fundamentos do Tratamento Problemas Neuromusculares Problemas Musculoesqueléticos Procedimentos Terapéuticos Modalidades de Tratamento Poliomielte: Fatores que Inuenciam 0 “Tratamento “Testes Musculares para a Poliomiclite e P6s-Poliomielite Complicagoes Tardias da Poliomielite Sugestées de Leitura sobre a Poliomielite ¢ P6s-Poliomiclite Referéncias Bil liograficas 26-29 30,31 32,33, 34,35 36 37 38 39-43 45 46,47 BRR INTRODUGAO A filosofia que embasa este livro é de que existe uma necessidade continua de se “voltar ao basico’ 0 que é es- pecialmente pertinente nesta era de avanco tecnolégico e de tratamentos com tempo limitado. ‘A fungi muscular, a mecinica corporal eos procedi- ‘mentos terapeuticos simples nao mudama. No que concer- ne aos problemas musculoesqueléticos, os objetivos bisi- os do tratamento foram e continuam sendo a restauracéo eamanutengio da amplitude de movimento adequada, do bom alinhamento e do equilibrio muscular. £ essencial que o profissional escolha e realize efeti- vamente testes que ajudem na resolugdo de problemas, para fornecer um diagndstico diferencial, estabelecer ou modificar procedimentos terapéuticos, melhorar a fun- fo owaliviar a dor. Para estudantes e médicos,é funda- ‘mental a capacidade de ter raciocinio critico, demandar objetividede e utilizar a preciso e 0 cuidado necessérios para testes e mensuragGes de tl forma que sejam realiza- dos de maneira adequada e acurada, fornecendo valores contfisveis. ‘A prevengao de problemas musculoesqueléticos deve tornar-se uma questao cada vez. mais importante no fu- turo. Os profissionais da satide podem ter um papel efe- tivo na promocio do bem-estar se tiverem consciéncia dos efeitos adversos do desequilibrio muscular, do ali- nhamento defeituoso e do exercicio inadequado. ‘Uma compreensio profunda dos problemas muscu- lates e de condigdes dolorosas associadas 2 mé postura ermitiré aos profissionais desenvolverem programes domiciliares seguros e eficazes para seus pacientes. Os custos para a sociedade do tratamento de problemas co- muns, como lombalgia, atingiram um ponto critico. Matos casos de lombalgiaestdo relacionados & ma pos- tura e sio corrigidos ou aliviados mediante a restauragio do bom alinhamento. A eterna importincia do teste musculoesquelético efetivo & evidente no tltimo segmento do Capitulo 1. A apresentacdo singular de resultados do teste muscular de tum paciente vitima de poliomielite ao longo de um periodo de cingienta anos demonstra a durabilidade do teste e da graduacio. TESTE MUSCULAR: MANUAL TESTE MUSCULAR MANUAL Est livro enfatiza o equilrio muscular € os efeitos do desequilfbrio, da. fae da contratura sobre o ali- rnhamento e a funcaq’ le apresenta os principios bisicos envolvidos na preservagzo do teste muscular como uma arte, © a precisio necesséria no teste para preservé-lo ‘A arte do teste muscular envolve o cuidado com que uma parte lesada € manipulada, o posicionamento para evitar 0 desconforto e a dor, a delicadeza requerida no teste de mtisculos muito fracos e a capacidade de aplicar pressio ou resisténcia de uma maneira que permita 20 individuo produzir a resposta ideal, ‘A ciéncia exige atengio rigorosa a todos os detalhes que podem afetar a precisio do teste muscular. Descon- siderar fatores aparentemente insignificantes pode alterar resultados de testes. Achados somente slo ttels quando sao acurados. Testes no acurados acarretam mau direcio- namento e confusio e podem levar a um diagndstico err6- neo, com conseqiéncias graves. O teste muscular € um procedimento que depende do conhecimento, da habilida- dee da experiéncia do examinador, que nao deve trait, pela falta de cuidado ou de habilidade, a confianca que outros depositam acertadamente nesse procedimento. O teste muscular é parte integrante do exame fisico. Fle fornece informacoes, nao obtidas por meio de outros procedimentos, que sio titeis no diagnéstico difere ‘no prognéstico e no tratamento de distirbios neuromus- culares e musculoesqueléticos. ‘Muitas condicdes neuromusculares sto caracterizadas pela fraqueza muscular. Algumas apresentam padres precisos de envolvimento muscular; outras,fraqueza ir- regular, em nenhum padrao aparente. Em alguns casos, a fraqueza € simétrica; em outros, ela € assimétrica. O local e 0 nivel da lesio perférica podem ser determina- dos porque os miisculos distas a0 local da lesto apresen- tardo fraqueza ou paralisia, O teste cuidedoso eo registro preciso dos resultados do teste revelardo os achados caracteristcos e ajudardo no diagnéstico. Condigoes musculoesqueléticasfrequentemente mos- tram padroes de desequilibrio muscular. Alguns deles estdo associados & domindncia manual; outros, & postura habituelmente ruim. O desequibrio muscular também pode ser decorrente de atividades ocupacionais ou recrea- tivas nas quais ha uso persistente de determinados mus- calls sem exercicio adequado dos mmisculos oponentes. O desequilfbrio que afetaoalinhamento corporal éum fator considerével em muitas condigdes posturais doloroses. ‘A técnica do teste muscular manual é basicamente @ ‘mesma para casos de postura defeituosa e de condicbes neuromusculares, mas a amplitude da fraqueza encon- ‘rada na postura defeituosa é menor porque encontrar sgraduagio abaixo do regular é incomum. O mimero de testes a serem realizados em casos de postura defeituosa também é men O desequilibrio muscular distorce oalinhamento esub- rete articulagGes,ligamentos e mtsculos a estressee tensio indevidos. O teste muscular manual 6a ferramenta de esco- Jha para determinar a extensio do desequilibrio. © exame para determinar o comprimento e a forca do miisculo é essencial antes da prescrigao de exercicios terapéuticos, porque « maior parte desses exercicios des- tina-se ao alongamento de miisculos curtos ou ao forta- lecimento de miisculos fracos. © teste do comprimento do miisculo é utilizado para determinar se 0 comprimento do miisculo é limitado ou excessivo, ito & se 0 mnisculo € muito curto para permi- tira amplitude de movimento normal ou se ele esté alon- gado e permite uma amplitude de movimento excessiva Quando o alongamento ¢ indicado, misculos contraidos devem ser alongados de uma maneira que nao seja lesiva para certa parte ou para o corpo. A amplitude de movi- ‘mento deve ser aumentada para propiciar a fungio nor- ‘mal das juntas, exceto quando a restricio de movimento for o resultado final desejado por questio de estabilidade. © teste da forgado misculo €utiizado para determi- nar a capacidade de misculos ou de grupos musculares de atuarem no movimento e sua capacidade de prover estabilidade e suporte. ‘Muitos fatoresestio envolvidos nos problemas de fra- {queza e no retorno da forca. A fraqueza pode ser devida a ‘um comprometimento do sistema nervoso, & atrofia pelo desuso, a fraqueza pelo alongamento, a dor ou 8 fadiga. O retorno da forga muscular pode ser devido & recuperaczo aapés uma doenga, ao retorno da Fungo neuromuscular, apés trauma e reparacio, 8 hipertrofia de fbras muscula- res nio afetadas, ao desenvolvimento muscular decorrente de exercicios para superar a atrofia pelo desuso ou 20 retorno da forca ap6s 0 alivio do alongamento eda tenséo. ‘A fraqueza muscular deve ser tratada segundo sua causa bsica. Quando devida & falta de uso, indica-se 0 cexercicio; quando devida ao trabalho excessivo e& fadign, indica-se o repouso; quando devide ao alongamento e & tensio, & realizado 0 alivio de ambos no miisculo fraco antes do estresse do exercicio adicional ‘Todo miisculo € um movedor principal em alguma agio especifica. Nao existe dois mtiseulos no corpo que possuem exatamente a mesma fungéo. Quando qualquer riisculo é paralisado, a estabilidade do segmento & com- prometida ou algum movimento preciso € perdido. Algumas das evidéncias mais fortes da fungio muscular originam-se da observacio dos efeitos da perda da capa- cidade de contrair, como € visto em miisculos paralisedos, ou do efeito do encurtamento excessivo, como é visto ‘numa contratura muscular e na deformidade resultante, O teste muscular descrito neste livro é direcionado para o exame de misculos individuais e 6, simultanea- ‘mente, pritico. A sobreposigio de ages musculares, assim como a interdependéncia de misculos em movi- ‘mento, & bem reconhecida por aqueles envolvidos no teste muscular, Por causa dessa relacio intima entre fun- 64s, 0 teste acurado de miisculos individuais requer uma TESTE MUSCULAR MANUAL adesio estrita aos principios fundan! calar e is regras do procedimento. Os componentes fundamentais do teste muscular ‘manual so a realizacao do teste ea avaliacio da forga edo comprimento do masculo. Para se tornar profciente nes- ses procedimentos,o profissional deve possuir um conhe- cimento global e detalhado da fungio muscular. Esse conhecimento deve incluir uma compreensio do movi- ‘mento articular porque os testes de comprimento e de forca sto descritos em termos das acbes agonistas e anta- sgonistas de misculos e de seu papel na fixacio e na subs- tituicdo. Além disso, ele requer a capacidade de palpar o ‘midsculo ou seu tendao, pare distinguir entre o contorno normal eo atrofiado e para reconhecer anormalidades de posico ou de movimento. profissional que possui um conhecimento amplo das ages dos miisculos e das articulacdes pode aprender as técnicas necessirias para realizar os testes. A experién- cia € necesséria para detectar movimentos de substitui- ‘gio que ocorrem sempre que existe fraqueza. A prética é necessiria para se adquirir a habilidade de realizar testes de comprimento e forga e para graduar com acuricia a forca muscular. Este lvro enfatiza a necessidade de se“voltar ao bési- co” no estudo da estrutura e da funcio do corpo. Para problemas musculoesqueléticos, isto implica a revisto da anatomia e fungio das articulagdes e da origem, inserga0 ‘e agbes dos miisculos. Ele inclui uma compreensio de principios fundamentais nos quais a avaliacao e os proce- dimentos terapéuticos sao baseados. Por ser um manual, este livro enfatiza a importincia de testes musculares, de exames posturas, da avaliaga0 de achacdlos objetivos, da avaliagio musculoesquelética e do tra~ tamento, Numa condigio basicamente musculoesquelética, a avaliagio pode consituir e determinar um diagnéstico. ‘Em uma condigdo que nio é basicamente musculoesquelé- tica, a avaliaclo pode contribuir para o diagnéstico OBJETIVIDADE DO TESTE MUSCULAR’ OBJETIVIDADE E CONFIABILIDADE DO TESTE MUSCULAR Existe uma demanda crescente de objetividade em relagio as mensuragdes do teste muscular. Com o alto custo dos cuidados médicos, a economia do reembolso requer documentagao de que houve melhoria decorrente do tratamento, Hé uma exigéncia de mimeros como prova. Quanto mais gradual for a melhoria, mais imp. tantes tornam-se os niimeros para que mesmo ateracOes m{nimas possam ser documentadas. ‘Muitos defendem o uso de instrumentos para elimi- nar 0 componente subjetivo dos testes musculares ‘manuais, Entretanto, vérias questdes ainda néo foram ‘adequadamente espondidas. Até que ponto a subjetivida- de inerente ao teste muscular manual pode ser eliminada mediante o uso de instrumentos? Como novos problemas e varidveisintroduzidos por instramentos afetam a acuré- ia, confiabilidade e a validade dos testes musculares? ‘Nas mensuragies objetivas obtidas por meio do uso de aparelhos atuais, deve-se considerar sua utilidade limitada, seu custo e sua complexidade. ‘Testes de comprimento, quando realizados com pre~ cisto, podem prover dados objetivos utilizando-se dispo- sitivos simples, como goniémetros para medir angulos, réguas ou fitas métricas para mensurar a distancia. ‘Testes de forga no podem se basear nesses dispositi- ‘vos simples. Os problemas sio muito diferentes ao se men- surar a forca. A objetividade é baseada na capacidade do examinador de pelpar e observar a resposta tendinose ou ‘muscular de msculos muito fracos ea capacidade de um iisculo mover-se parcial ou totalmente ao longo de sua amplitude de movimento no plano horizontal ow manter a parte em uma posicio antigravitacional ‘Tanto um observador quanto 0 examinador podem observar evidéncias de objetividade. Um observador pode ver um tendo que se torna proeminente (um grau de rastro), 0 movimento da parte no plano horizontal (um grau ruim) e uma parte sendo mantida em uma posicio antigravitacional (um grau regular). Mesmo 0 grau regulart, o qual é baseado na manutengao da posi- ‘do antigravitacional contra uma pressio discreta exerci- da pelo examinador, éficil de ser identificado. Para esses graus de forsa, dispositivos mecinicos nlo sio aplicéveis nem necessérios como auxilio para se obter objetividade. Os graus de forca que permanecem sio os graus bom « normal, identifcados no teste muscular manual. Além disso, uma ampli faixa de forga é mensurada acima do ‘grau normal. Na medida em que determinar potenciais sais altos de forga muscular for necessrio, stil apre- sentar uma relacio custo/beneficio positiva, os aparelhos podem ser de grande ajuda. Sob condigdes controladas de pesquise, aparelhos isocinéticos podem auxiliar na obtencio de informages valiosas. Entretanto, até o momento, 2 sua uilidade clini- a élimitada. Ocorrem problemas tanto no teste da forga muscular quanto no exercicio. Um problema dos apare- thos ¢ conseguir a estabilizesao adequada para controlar variéveis e assegurar a padronizacio de técnicas de testes. ‘Testes com aparelhos ndo possuem especificidade e ocor- rem substituigdes. Além do alto custo dos aparelhos, ajusté-los aos pacientes requer tempo. Esses dois fatores slo importantes ao se considerar a relacdo custo/benefi- cio dos procedimentos de testes Existe uma aceitagdo geral de que os testes realiza- dos pelo mesmo examinador s4o 0s mais confidveis. Cariosamente, essa aceitagao também é constatada em numerosos dispositivos de testes que nio possuem componente “subjetivo”, Por exemplo, muitas institui- bes exigem que densitometrias ésseas sucessivas sejam_ sempre realizadas no mesmo aparelho. Ocorre muita variagao entre aparelhos similares para seguir de modo preciso a evolucio de um individuo. Aparethos diferen- tes de mesma marca e mesmo modelo sio incapazes de produzirem resultados confidveis e comparsveis. Até no ‘mesmo aparelho, pode ser observada uma variagio da preciséo de 396 ou mais (Dr. David Zackson, comunica- do pessoal, 2004). ‘A eletromiografia (EMG) é outra ferramenta de pes- quisa importante, mis sua utilidade no teste da forga ‘muscular é questionavel. Segundo Gregory Rash, “dados cletromiogrificos no conseguem nos dizer quao forte 0 miisculo é, quando um miisculo € mais forte que outro, ‘quando a contragio & concéntrica ou excéntrica ou quan- do a atividade se encontra, sob controle voluntério” (1). ‘As pesquises por um dispositive manual adequado ‘que consiga fornecer dados relatives & magnitude da forca utiizada durante o teste manual da forca muscular tentam aprimorar este recurso de avaliacio. O problema de um dispositivo manual que ele fica entre 0 exami- nador € a parte que estd sendo testada. Ele também in- terfere no uso da mao por parte do examinador. Nao se ‘deve impedir a mio do examinador de posicionar 0 seg- mento, controlar a diregao especifica da pressio e aplicar pressio, conforme a necessidade, com os dedos, com a palma ou com a mao inteira. Tevez algum dia haja uma luva suficientemente sensivel para registrar a pressio sem interferir no uso da mao, Dispositives manuais mensuram @ magnitude da forca exercida manualmente pelo examinador. Eles n&o ‘io adequados para a mensuragio de niveis mais altos de esforco méximo do individuo. Com os diversos tipos de dinamOmetros existentes rno mercado, é quase impossivel estabelecer sua confiabi- lidade ou padronizar teste. A introducio de dispositivos novos ¢ “melhores” complicou e comprometeu ainda mais todos os procedimentos de testes prévios. A afirma- ao de Alvin Tofiler de que “nas condigdes competitivas atuais, a velocidade de inovacio de um produto é to répida que, um pouco antes de ela ser lancado, « geracio seguinte ou um produto melhor aparece” pode ser apli- cada nesta e em outras dteas (2) ‘Umma revisio da literatura sobre dinamémetros reve~ I alguns dos problemas associados ao uso desses dispo- sitivos. Um estudo de confiabilidade entre testadores condluiu que “o dinamometro manual apresenta confia- bilidade limitada quando utilizado por dois ou mais exa- minadores” (3). Dois estudos demonstraram uma boa confiabilidade entre examinadores com o uso de dina- mémetros manuais (4, 5). Entretanto, “dinamémetros ‘manuais [..] podem subestimar a forga isomética méxi- ma real de um paciente, por causa de dificuldades na estabilizacao do dispositivo” (6). ‘A forga do examinador traz uma outra variével na confiabilidade de dinamémetros manuais. Um trabalho realizado por Marino etal. identificou a forca do exami- nador como a razio da discrepancia entre dois examina- dores durante o teste da forca do abdutor do quadril (7). A forga do examinador afeta a estabilidade do dinamé- OBJETIVIDADE DO TESTE MUSCULAR D ‘metro manual quando usado em individuos mais fortes (6), Malroy et a. também relacionaram esse problema a diferengas de sexo. A forca méxima de extensio do joe- Iho, mensurada por um dinemémetro manual, foi preci- sa apenas para o examinador do sexo masculino testando pacientes do sexo feminino (8). Bevidente que a variedade de dispositivos utilizados as muitas varidveis envolvidas impedem o estabeleci- mento de normas para a gradacio muscular. Segundo Jules Rothstein, “hé perigo de que a fascinacio por novas ‘tecnologias acarrete um obscurecimento do julgamento cinico” (9). ‘Apés uma década de revisio cientifica, Newton ‘Waddel concluiram que o “julgamento do médico pare- ce ser mais acurado na determinagio do esforgo do paciente que a avaliagdo de resultados fornecidos por aparelhos” (10). ‘Como ferramentas, nossas maos sio os instrumentos mais sensiveis. Uma mao do examinador posiciona «estabiliza a parte adjacente& parte que esté sendo testada. Aooutra mao determina a amplitude de movimento indo- lor, guia do segmento avaliado até a posigio de teste pre- isa e fornece a quantidade adequada de pressio para